Source: http://acessibilidade-portugal.blogspot.com/2008/12/mbito-salas-de-aula-para-dana.html
Timestamp: 2018-03-21 08:40:38+00:00
Document Index: 83936294

Matched Legal Cases: ['artigo 2', 'artigo 2', 'artigo 2', 'artigo 2', 'artigo 2', 'artigo 4']

Acessibilidade Portugal: Âmbito: salas de aula para dança?
Um espaço destinado a aulas de dança tem de ser acessível?
Vejamos primeiro o que diz a lei, e depois o que "faz sentido" (ou não) sentido exigir.
Nos termos do Decreto-Lei n.º 163/2006, o espaço em causa está abrangido se estiver integrado nalguma das seguintes situações:
...num edifício público (cf. artigo 2.º, n.º 1);
...num estabelecimento de educação pré-escolar ou de ensino básico, secundário ou superior, ou num centro de formação, tomando-se a expressão "formação" no seu sentido mais amplo (cf. artigo 2.º, n.º 2, alínea e);
...num teatro ou noutras instalações destinadas a actividades recreativas e sócio-culturais (cf. artigo 2.º, n.º 2, alínea m);
...em instalações desportivas, por exemplo ginásios e clubes de saúde (cf. artigo 2.º, n.º 2, alínea o);
...num estabelecimento comercial com superfície de acesso ao público superior a 150m2 (cf. artigo 2.º, n.º 2, alínea q).
Por sua vez, nos termos da Lei n.º 46/2006, de 28 de Agosto, nem a deficiência nem a falta de acessibilidade podem servir de base(ou pretexto) para impedir a inscrição e ou a frequência de aulas de dança nesse espaço, uma vez que isso se enquadraria no disposto no artigo 4.º:
«Consideram-se práticas discriminatórias contra pessoas com deficiência as acções ou omissões, dolosas ou negligentes, que em razão da deficiência violem o princípio da igualdade, designadamente:
a) A recusa de fornecimento ou o impedimento de fruição de bens e serviços;
e) A recusa ou limitação de acesso ao meio edificado ou a locais públicos ou abertos ao público;
h) A recusa ou a limitação de acesso a estabelecimentos de ensino, públicos ou privados (...).»
Deverá assegurar-se a existência de um percurso acessível, nos termos do n.º 2.1.1, e de pelo menos um espaço de cada tipo acessível, designadamente:
...se houver salas diferentes, pelo menos uma de cada tipo;
...se houver instalações sanitárias, pelo menos uma para cada sexo, ou uma unisexo, incluindo pelo menos um aparelho de cada tipo dos que existem nas restantes (lavatório, sanita, base de duche, etc.);
...se houver vestiário, pelo menos um (se houver divisão por sexos, um para cada sexo).
...E faz sentido?
"Moralismos" à parte, temos de ter em conta que o "sentido" que algo "faz" ou não para cada um de nós resulta, apenas, da nossa experiência pessoal.
É por isso que o "fazer sentido" (ou deixar de o fazer) não constitui um critério para abertura de excepções à aplicação da lei e ao cumprimento das suas normas.
As pessoas que (por exemplo) usam cadeira de rodas também podem dançar?
Podem. Basta ler o Expresso (29.11.2008):
«Chama-se Elsa Freitas, tem 19 anos, e já fez história em Portugal. É a primeira pessoa com deficiência motora a entrar no Conservatório de Dança da Madeira. E ela dança mesmo, como se pode ver no vídeo do Expresso que acompanha um dia de aulas práticas.»
O vídeo pode ser visto aqui: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/464477
1.DEZ.08
Dedicado aos formandos do CRPG (25Nov08)
Publicada por Pedro Homem de Gouveia à(s) 5:04 da tarde