Source: http://www.europarl.europa.eu/doceo/document/A-8-2019-0024_PT.html
Timestamp: 2019-10-15 21:50:50+00:00
Document Index: 132674409

Matched Legal Cases: ['artigo 228', 'artigo 44', 'artigo 52', 'artigo 216', 'artigo 227', 'artigo 128', 'artigo 216', 'artigo 1', 'artigo 216', 'artigo 216']

RELATÓRIO sobre as deliberações da Comissão das Petições durante o ano de 2018
Processo : 2018/2280(INI)
Ciclo relativo ao documento : A8-0024/2019
sobre as deliberações da Comissão das Petições durante o ano de 2018
– Tendo em conta as suas anteriores resoluções sobre o resultado das deliberações da Comissão das Petições,
– Tendo em conta os artigos 24.º e 227.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), que refletem a importância que o Tratado confere ao direito que cabe aos cidadãos da UE a aos nela residentes de levarem as suas preocupações ao conhecimento do Parlamento Europeu,
– Tendo em conta o artigo 228.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia no que toca ao papel e às funções do Provedor de Justiça Europeu,
– Tendo em conta o artigo 44.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia sobre o direito de petição ao Parlamento Europeu,
– Tendo em conta o artigo 52.º e o artigo 216.º, n.º 7, do seu Regimento,
– Tendo em conta o relatório da Comissão das Petições (A8-0024/2019),
A. Considerando que o direito de petição proporciona aos cidadãos um mecanismo aberto, democrático e transparente para possibilitar uma solução extrajudicial para as queixas formais que dirigem aos seus representantes diretamente eleitos, nomeadamente sempre que estas digam respeito aos domínios de atividade da União Europeia;
B. Considerando que o direito de petição reforça a capacidade de resposta do Parlamento Europeu aos cidadãos e aos residentes da União Europeia;
C. Considerando que cada petição é cuidadosamente analisada e tratada; que cada peticionário tem direito a receber, num prazo razoável, informações sobre a decisão tomada pela Comissão das Petições relativamente à admissibilidade da petição na sua própria língua ou na língua em que a petição foi apresentada;
D. Considerando que as atividades da Comissão das Petições têm por base as informações e os contributos recebidos dos peticionários;
E. Considerando que a Comissão das Petições considera que a Iniciativa de Cidadania Europeia (ICE) constitui um instrumento da maior importância em termos de democracia direta e participativa, que permite aos cidadãos envolverem-se de forma ativa na formulação da legislação europeia;
F. Considerando que um número significativo de petições é discutido em reuniões das comissões abertas ao público (e transmitido via Internet); que os peticionários exercem, com frequência, o direito de apresentar petições e disponibilizar informações em primeira mão aos membros da Comissão das Petições, à Comissão Europeia e aos representantes dos Estados-Membros, caso estejam presentes, contribuindo, assim, ativamente para os trabalhos da comissão; que, em 2018, estiveram presentes nas reuniões da comissão 187 peticionários para participarem em debates sobre as petições;
G. Considerando que as petições representam uma garantia adicional para os cidadãos e os residentes da UE, em comparação com as queixas apresentadas diretamente à Comissão, na medida em que envolvem o Parlamento no processo e permitem um melhor controlo dos factos, bem como a realização de debates transparentes sobre a matéria na presença de peticionários, deputados ao Parlamento Europeu e da Comissão, assim como de qualquer outra autoridade competente, sempre que apropriado;
H. Considerando que as informações pormenorizadas comunicadas pelos peticionários e os conhecimentos técnicos disponibilizados pela Comissão, pelos Estados-Membros e por outros órgãos são fundamentais para o trabalho e a credibilidade da Comissão das Petições;
I. Considerando que o Parlamento Europeu há muito que está na primeira linha do desenvolvimento do processo de petição a nível internacional, que é o processo de petição mais aberto e transparente na Europa, permitindo a plena participação dos peticionários nas suas atividades;
J. Considerando que, em 2018, foram realizadas quatro missões de recolha de informações nos termos do 216.º-A do Regimento: à Lusácia (Alemanha) sobre o impacto da extração de lignite na população local, em particular na comunidade sorábia, e na poluição do rio Spree e das águas adjacentes; a Famagusta (Chipre), sobre devolução da zona fechada da cidade ocupada de Famagusta aos habitantes originais; a Doñana (Espanha) sobre a situação ambiental e a possível degradação da área protegida do Parque Nacional de Doñana bem como a Valledora (Itália), sobre os danos ambientais causados por aterros e pedreiras;
K. Considerando que a sua resolução, de 5 de julho de 2018, sobre os efeitos negativos da Lei de Cumprimento Fiscal para Contas no Estrangeiro para os cidadãos da UE e, em particular, para os «norte-americanos acidentais»(1), instava a Comissão e o Conselho a apresentarem uma abordagem comum da UE à FATCA, a fim de proteger adequadamente os direitos dos cidadãos europeus (em particular os «norte-americanos acidentais») e de melhorar a reciprocidade em matéria de reciprocidade na troca automática de informações pelos EUA;
L. Considerando que as petições admissíveis dão, muitas vezes, um valioso contributo para o trabalho das respetivas comissões parlamentares, atendendo a que apontam para eventuais violações do Direito da UE;
M. Considerando que as petições constituem um instrumento útil para detetar infrações ao Direito da UE e que permitem ao Parlamento e às outras instituições da UE avaliar a respetiva transposição e a aplicação, assim como o seu impacto nos cidadãos e nos residentes da UE;
N. Considerando que, nos termos do Regimento, a Comissão das Petições é responsável pelas relações com o Provedor de Justiça Europeu, que investiga as queixas relativas a casos de má administração nas instituições e nos órgãos da União Europeia; que a atual Provedora de Justiça Europeia, Emily O'Reilly, apresentou o seu relatório anual relativo a 2017 à Comissão das Petições, na sua reunião de 16 de maio de 2018, e que o relatório anual da Comissão das Petições, por seu turno, se baseia em parte no relatório anual da Provedora de Justiça;
O. Considerando que a Comissão das Petições é membro da Rede Europeia de Provedores de Justiça, que inclui também o Provedor de Justiça Europeu, os provedores de justiça nacionais e regionais e órgãos análogos dos Estados-Membros, dos países candidatos e de outros países do Espaço Económico Europeu, e tem por objetivo promover o intercâmbio de informações sobre política e legislação da UE, assim como a partilha de boas práticas;
P. Considerando que foram levadas a cabo várias melhorias técnicas para tornar o portal Web das petições mais simples e acessível aos cidadãos, as quais consistiram no aperfeiçoamento da função de pesquisa, que aumentou o número de resultados apresentados e permitiu aos utilizadores encontrar petições através de palavras-chave destacadas no título da petição e na síntese, bem como na introdução de notificações mais específicas destinadas aos utilizadores, nas suas próprias línguas; que as estatísticas do portal foram disponibilizadas a partir do segundo semestre de 2018, fornecendo dados úteis sobre o tráfego e o comportamento dos utilizadores no sítio Web; que os aperfeiçoamentos técnicos prosseguiram, com a introdução de um novo módulo de perguntas frequentes (FAQ) e outras melhorias no módulo de administração; que um elevado número de pedidos individuais de apoio foi tratado com êxito;
1. Realça o papel fundamental da Comissão das Petições, no quadro das suas competências, na defesa e promoção dos direitos dos cidadãos e dos residentes da UE, ao garantir o reconhecimento das preocupações dos peticionários e a resolução das suas queixas legítimas mediante um processo de petição, sempre que possível eficiente e em tempo oportuno; recorda a responsabilidade da Comissão e das autoridades dos Estados-Membros de cooperarem com a Comissão das Petições, em especial sempre que se trate de comentar de forma adequada o intercâmbio de informações relevantes; insiste em que esta cooperação é essencial para dar resposta às necessidades dos peticionários, em conformidade com os Tratados e a Carta dos Direitos Fundamentais;
2. Salienta a oportunidade que as petições oferecem ao Parlamento Europeu e a outras instituições da UE de encetarem um diálogo com os cidadãos da UE afetados pela aplicação do Direito da UE; sublinha a necessidade de promover a cooperação das instituições e dos organismos da UE com as autoridades nacionais, regionais e locais sobre assuntos relacionados com a aplicação do Direito da UE; exorta as instituições da UE e os Estados-Membros a promoverem o direito de petição dos cidadãos e a sensibilizarem a opinião pública para as competências da UE e as possíveis soluções apresentadas pelo Parlamento Europeu durante o tratamento de petições;
3. Recorda que as petições são examinadas em conformidade com o artigo 227.º do TFUE, que estipula que qualquer cidadão da UE, bem como qualquer pessoa singular ou coletiva com residência ou sede estatutária num Estado-Membro, pode apresentar uma petição ao Parlamento Europeu sobre qualquer questão que se integre no âmbito de atividades da União Europeia;
4. Reitera a necessidade de um debate público permanente sobre os domínios de atividade da União, os seus limites e o seu futuro, de molde a garantir que os cidadãos saibam devidamente a que níveis são tomadas as decisões e evitar que as «culpas» sejam atribuídas a Bruxelas, como fazem alguns Estados-Membros irresponsáveis; apela a um diálogo bianual mais intenso e estruturado entre a Comissão das Petições e os membros das comissões homólogas nos parlamentos nacionais sobre petições que tratem de assuntos de grande preocupação para os cidadãos europeus, estimulando um verdadeiro debate entre os deputados ao Parlamento Europeu e os deputados nacionais centrado em petições suscetíveis de aprofundar a sensibilização para as políticas da UE e a clareza das competências da UE e dos Estados-Membros;
5. Insta a Comissão a utilizar adequadamente os seus poderes decorrentes do seu papel de guardiã dos Tratados, na medida em que uma tal função é da maior importância para o funcionamento da UE no que toca aos cidadãos e aos legisladores europeus; solicita um tratamento atempado dos processos por infração, para pôr termo imediato a situações em que a legislação da UE não seja respeitada;
6. Solicita à Comissão que assegure a total transparência e o acesso aos documentos e à informação no âmbito dos processos «EU Pilot» relacionados com as petições recebidas, bem como relativamente aos processos «EU Pilot» e por infração já encerrados;
7. Recorda à Comissão que as petições constituem um meio único para identificar casos de não respeito da legislação da UE e para proceder à sua investigação através do controlo político do Parlamento Europeu;
8. Destaca quatro audições públicas sobre vários temas, nomeadamente, os direitos dos cidadãos após o Brexit, em conjunto com a Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos e a Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais, em 1 de fevereiro de 2018, a «Iniciativa de Cidadania Europeia — Revisão do Regulamento», em conjunto com a Comissão dos Assuntos Constitucionais, em 21 de fevereiro de 2018, o «Impacto dos desreguladores endócrinos na saúde pública», em 22 de março de 2018, juntamente com a Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar, e «Os direitos das pessoas com deficiência», em 9 de outubro de 2018; recorda aos membros da Comissão das Petições a importância de assistir às audições públicas solicitadas e organizadas pela comissão; solicita à rede de petições que apresente propostas de audições públicas e temas específicos para estudos e resoluções do Parlamento Europeu, que reflitam a ligação entre o trabalho legislativo em curso e os poderes de controlo político do Parlamento e as petições que tratam de assuntos de grande preocupação para os cidadãos europeus; sublinha que a rede de petições é o fórum adequado para a apresentação de iniciativas comuns tendo em vista o seu tratamento como petições, o que pode refletir de forma exaustiva o contributo do Parlamento para as petições dos cidadãos europeus;
9. Destaca a participação de uma delegação de membros da Comissão das Petições numa visita a Lima (Peru), de 15 a 16 de fevereiro de 2018, no contexto do apoio à democracia disponibilizado pelo Parlamento Europeu e pela Unidade de Apoio à Democracia e de Coordenação Eleitoral (DEG), para proceder ao intercâmbio de boas práticas no âmbito do processo de petição com a Comissão dos Assuntos Constitucionais do Parlamento peruano;
10. Confirma a necessidade de reforçar o diálogo político e técnico com as comissões parlamentares pertinentes dos parlamentos nacionais; congratula-se com a presença da Comissão das Petições do Bundestag alemão na reunião da comissão, em 9 de outubro de 2018, para levantar problemas de interesse comum e debater petições relevantes; destaca a reunião interparlamentar de comissões com os parlamentos nacionais, em 27 de novembro de 2018, organizada em conjunto com a Comissão dos Assuntos Jurídicos e em cooperação com a rede europeia de provedores de justiça, na qual foi abordado o tema da implementação e execução do Direito da União;
11. Entende que a rede de petições é um meio para tornar a Comissão das Petições mais visível e pertinente no trabalho das demais comissões do Parlamento, de forma a que as petições sejam mais bem tidas em conta no trabalho legislativo; reitera a sua convicção de que as reuniões da rede de petições são essenciais para reforçar a cooperação entre as comissões parlamentares através do intercâmbio de informações e da partilha de boas práticas entre os membros da rede;
12. Realça o objetivo da Comissão das Petições de sensibilizar para as preocupações dos cidadãos nos debates em sessão plenária; remete para a pergunta oral sobre a privação do direito de voto na UE, debatida na sessão plenária em 2 de outubro de 2018, para a pergunta oral sobre a participação das pessoas com deficiência nas eleições europeias, aprovada em comissão, em 21 de março de 2018, e para a pergunta oral apresentada em conjunto com a Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar sobre as preocupações relativas às áreas protegidas da rede Natura 2000 com base em petições recebidas, adotada em comissão em 21 de novembro de 2018; insta a Comissão e o Conselho a darem resposta às suas resoluções que tenham por base petições no quadro de um debate em sessão plenária, o mais tardar seis meses após a sua adoção, de forma a responder em tempo útil e de forma eficaz às preocupações específicas dos cidadãos europeus;
13. Chama a atenção para as propostas de resolução apresentadas nos termos do artigo 128.º, n.º 5, ou do artigo 216.º, n.º 2, do Regimento, em nome da comissão e adotadas em sessão plenária, nomeadamente sobre a proteção e a não discriminação das minorias nos Estados-Membros da UE(2), a resposta às petições sobre a luta contra a precariedade e a utilização abusiva dos contratos de trabalho a termo(3), os efeitos negativos da Lei de Cumprimento Fiscal para Contas no Estrangeiro para os cidadãos da UE e, em particular, para os «norte-americanos acidentais»(4), e o papel do serviço alemão de proteção de menores (Jugendamt) em litígios familiares transfronteiriços(5);
14. Faz notar que a aplicação da lei norte-americana FATCA está a ser levada a cabo na União através de acordos intergovernamentais bilaterais negociados entre os Estados Unidos e cada um dos Estados-Membros; lamenta a ausência de resposta dos Estados-Membros para resolver os problemas comunicados pelos cidadãos afetados pela FATCA; salienta o papel da União na garantia de uma aplicação eficaz das regras de proteção de dados, de forma a assegurar um elevado nível de proteção dos cidadãos da UE em termos de direitos fundamentais conexos; solicita à Comissão que trabalhe em estreita colaboração com as autoridades nacionais de proteção de dados, para promover uma recolha de informações destinada a esclarecer a situação nos Estados-Membros sobre possíveis violações da legislação da UE em matéria de proteção de dados pessoais; insta, além disso, a Comissão, em cooperação com o Comité Europeu para a Proteção de Dados, a lançar um estudo por país, para avaliar se, e em que medida, os acordos intergovernamentais relativos à FATCA respeitam o direito à privacidade dos cidadãos da UE; exorta os Estados-Membros a evitarem a discriminação dos consumidores legalmente residentes na União, independentemente de serem considerados ou não como «cidadãos dos EUA» e, caso sejam, independentemente da relevância dos seus laços económicos e pessoais com os Estados Unidos;
15. Destaca a missão de inquérito a Famagusta, Chipre, em 7 e 8 de maio de 2018, com o objetivo de reavaliar e atualizar as informações de que a comissão dispõe sobre a situação em Famagusta, em particular na parte isolada da cidade denominada Varosha, no contexto da petição n.º 733/2004, apresentada por Loizos Afxentiou, em nome do Movimento dos Refugiados de Famagusta, 10 anos após a anterior visita de informação da comissão; reitera o seu apoio à recomendação do relatório de missão, tendo em vista solicitar à Comissão, à Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, ao Conselho e a todos os Estados-Membros da UE que solicitem uma nova resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que exija a aplicação de sanções políticas e económicas à Turquia pelos seus atos de agressão no mar Mediterrâneo oriental e pelo incumprimento das Resoluções 550 (1984) e 789 (1992) do Conselho de Segurança das Nações Unidas;
16. Recorda que a Comissão das Petições adotou pareceres anexos aos relatórios parlamentares no tocante a uma vasta gama de problemas suscitados nas petições, nomeadamente sobre o controlo da aplicação do Direito da UE em 2016(6), a coordenação dos sistemas de segurança social(7), a iniciativa de cidadania europeia(8), o relatório de execução sobre o Regulamento (CE) n.º 1/2005 relativo à proteção dos animais durante o transporte dentro e fora da UE(9), a proposta de alteração da Decisão 94/262/CE, Euratom do Parlamento Europeu e do Conselho, de 9 de março de 1994, relativa ao estatuto e às condições gerais de exercício das funções de Provedor de Justiça Europeu(10) e a aplicação das disposições do Tratado relativas à cidadania da União(11); sublinha que, desde o início da presente legislatura, a Comissão das Petições emitiu mais pareceres sobre textos legislativos europeus em curso;
17. Sublinha a colaboração frutífera do Parlamento com o Provedor de Justiça Europeu, bem como a sua participação na Rede Europeia de Provedores de Justiça; realça as excelentes relações institucionais entre o Provedor de Justiça e a Comissão das Petições; aprecia, em especial, os contributos regulares do Provedor de Justiça Europeu para o trabalho desenvolvido pela Comissão das Petições ao longo do ano; está firmemente convicto de que as instituições, os órgãos e as agências da União devem assegurar um acompanhamento coerente e efetivo das recomendações do Provedor de Justiça;
18. Destaca o trabalho da Comissão das Petições sobre as questões da deficiência e o seu papel da proteção na UE no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CNUDPD); recorda que, em junho de 2018, foi enviada uma carta às representações permanentes de todos os Estados-Membros solicitando medidas concretas para garantir a acessibilidade às pessoas com deficiência; regista as respostas completas enviadas por alguns Estados-Membros; reitera o seu apelo aos Estados-Membros para que apliquem as medidas necessárias, uma vez que a acessibilidade é um elemento essencial da qualidade de vida;
19. Congratula-se com a nova abordagem do Tribunal de Contas Europeu no sentido de trabalhar em estreita colaboração com as comissões dos Parlamentos e de lhes apresentar os seus relatórios; destaca a apresentação do relatório do Tribunal de Contas Europeu sobre a aplicação do Direito da UE na reunião da Comissão das Petições de 8 de outubro de 2018; congratula-se com as conclusões e as recomendações do relatório; realça o elevado número de petições relativas ao Direito da UE, às quais ainda não foi, no todo ou em parte, dada uma resposta adequada nos Estados-Membros;
20. Salienta que, no contexto da semana dos direitos humanos do Parlamento, a Comissão das Petições analisou várias petições relacionadas com questões relativas aos direitos humanos e apresentou um estudo atualizado sobre a Diretiva «Auxílio» e a criminalização da assistência humanitária a migrantes em situação irregular; solicita à Comissão que proponha alterações ao artigo 1.º, n.º 2, da Diretiva 2002/90/CE do Conselho, de 28 de novembro de 2002, relativa à definição do auxílio à entrada, ao trânsito e à residência irregulares(12), com vista a introduzir uma isenção obrigatória de criminalização para a ajuda humanitária em caso de entrada, trânsito ou estada;
21. Está convicto de que o secretariado da Comissão das Petições trata as petições de forma eficiente e com grande cuidado, de acordo com as orientações da comissão e o ciclo de vida das petições na administração do PE; apela a mais inovações no tratamento de petições, tendo em conta os desenvolvimentos tecnológicos mais recentes, para tornar todo o processo mais claro e mais transparente para os cidadãos europeus;
22. Sublinha a importância do portal da Comissão das Petições para uma tramitação fluida e eficiente das petições; salienta que uma das prioridades para o próximo período consiste em melhorar a comunicação com os peticionários através das respetivas contas, de forma a aliviar os encargos administrativos e a acelerar os prazos de tratamento das petições; reitera a necessidade de prosseguir o desenvolvimento técnico do portal, de o adaptar às normas do sítio Web do Parlamento e de aumentar a sua visibilidade tanto na plataforma do PE como entre os cidadãos; salienta que devem ser prosseguidos os esforços para tornar o portal mais acessível aos seus utilizadores, em particular às pessoas com deficiência;
23. Sublinha o importante papel da rede SOLVIT, que confere um meio para que os cidadãos e empresas assinalem a sua preocupação quanto a eventuais violações do direito da UE pelas autoridades públicas noutros Estados-Membros; insta a Comissão e os Estados-Membros a promoverem a Rede SOLVIT, para a tornar mais útil e visível para os cidadãos; congratula-se, neste contexto, com o plano de ação para reforçar a rede SOLVIT publicado pela Comissão em maio de 2017; insta a Comissão a apresentar um relatório ao Parlamento Europeu sobre os resultados do plano de ação para reforçar a rede SOLVIT publicado pela Comissão em maio de 2017;
24. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução e o relatório da Comissão das Petições ao Conselho, à Comissão, ao Provedor de Justiça Europeu, aos governos e aos parlamentos dos Estados-Membros, bem como às respetivas comissões das petições, aos provedores de justiça nacionais ou aos órgãos homólogos competentes.
Textos Aprovados, P8_TA(2018)0316.
Textos Aprovados, P8_TA(2018)0032.
Textos Aprovados, P8_TA(2018)0242.
Textos Aprovados, P8_TA(2018)0476.
Parecer adotado em 21 de março de 2018.
Parecer adotado em 24 de abril de 2018.
Parecer adotado em 16 de maio de 2018.
Parecer adotado em 9 de outubro de 2018.
Parecer adotado em 21 de novembro de 2018.
JO L 328 de 5.12.2002, p. 17
Nos termos do artigo 216.°, n.º 7, do Regimento do Parlamento Europeu, a Comissão das Petições comunica anualmente, num relatório, o resultado das suas deliberações. Durante a atual legislatura, o presente relatório é o último a cobrir um ano civil completo. O balanço e a avaliação do trabalho da comissão devem ser efetuados pelos seus atuais membros. Atendendo a que os dados estatísticos para o ano de 2018 ainda não estão disponíveis, o presente relatório é uma versão simplificada do relatório periódico sobre as deliberações da comissão. A perspetiva precisa e completa do trabalho realizado pela Comissão das Petições, inclusive as estatísticas sobre o número de petições recebidas, tratadas e encerradas, bem como sobre os países envolvidos e sos questões levantadas, fará parte do relatório anual de 2019.
Relações com a Comissão Europeia
É essencial que tenha sido instituída e preservada uma boa cooperação entre a Comissão das Petições e a Comissão Europeia, a instituição da UE responsável por garantir a aplicação e o cumprimento do Direito da UE. Na Comissão Europeia, o Secretariado-Geral é o ponto de contacto central, uma vez que coordena a transmissão das respostas com os respetivos serviços da Comissão.
Como parte do ciclo anual do diálogo estruturado, o primeiro Vice-Presidente Timmermans, Comissário responsável pelas Relações Interinstitucionais, o Estado de Direito, a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e o programa «Legislar melhor», participou numa troca de pontos de vista aprofundada na reunião da Comissão das Petições, em 3 de maio de 2018.
Relações com o Conselho
A Comissão das Petições faz notar que o Conselho assiste, ocasionalmente, às reuniões da comissão. Esta comissão reconhece o contributo da Presidência austríaca para o debate conjunto com a Comissão dos Assuntos Constitucionais no atinente ao relatório referente ao inquérito estratégico OI/2/2017 da Provedora de Justiça sobre a transparência dos debates legislativos nas instâncias preparatórias do Conselho da UE.
Relações com o Provedor de Justiça Europeu.
A Comissão das Petições mantém relações de trabalho muito boas com o gabinete da Provedora de Justiça Europeia. A Provedora de Justiça, Emily O’Reilly, apresentou o seu Relatório Anual de 2017 na reunião da Comissão das Petições, em 16 de maio de 2018. Em 11 de julho de 2018, a Provedora participou no debate conjunto com a Comissão dos Assuntos Constitucionais sobre o relatório referente à transparência dos debates legislativos nas instâncias preparatórias do Conselho da UE na sequência do seu inquérito estratégico OI/2/2017. A Provedora de Justiça também apresentou a sua recomendação sobre a nomeação de um novo Secretário-Geral da Comissão Europeia numa troca de pontos de vista que a Comissão das Petições organizou em 22 de novembro de 2018 em conjunto com a Comissão dos Assuntos Jurídicos e a Comissão do Controlo Orçamental. Além disso, proferiu um discurso de abertura na reunião interparlamentar de comissões, em 27 de novembro de 2018, sobre a execução e a aplicação do Direito da UE.
Missões de recolha de informações
Nos termos do artigo 216.º-A do Regimento do Parlamento Europeu, a Comissão das Petições pode organizar missões de recolha de informações para investigar petições, apurar factos ou procurar soluções. Em 2018, realizaram-se quatro missões de recolha de informações:
● De 12 a 14 de fevereiro de 2018, uma delegação deslocou-se a Potsdam e à região de Lusácia (Alemanha). A delegação procedeu a investigações no âmbito de duas petições sobre o impacto da exploração de lenhite e das centrais elétricas a carvão da região da Lusácia na comunidade sorábia (ou Wend) (uma população autóctone eslava da região), bem como a poluição do rio Spree e das águas adjacentes provocada pela indústria de exploração de lenhite.
● Em 7 e 8 de maio de 2018, a comissão realizou uma missão a Famagusta (Chipre) para reavaliar e atualizar as suas informações sobre a situação no local, em particular a parte isolada da cidade de Varosha, no contexto de uma petição, 10 anos após a anterior visita de recolha de informações da Comissão das Petições, em novembro de 2007.
● De 19 a 21 de setembro de 2018, realizou-se uma missão a Doñana (Espanha), com o objetivo de examinar a deterioração da zona húmida de Doñana, no Parque Nacional com o mesmo nome. Várias petições alegam que as autoridades públicas não fizeram o suficiente ou até contribuíram ativamente para a situação em que se encontra a área protegida.
● Em 17 e 18 de dezembro de 2018, foi efetuada uma missão de recolha de informações a Valledora (Itália), para investigar a deposição de resíduos em aterros e numerosas pedreiras que causam danos ambientais alegadamente graves.
Em 2018, a Comissão das Petições organizou quatro audições públicas, em parte conjuntamente com outras comissões parlamentares. As audições públicas abrangeram um vasto leque de temas abordados nas petições.
● Em 1 de fevereiro de 2018, a Comissão das Petições organizou uma audição pública sobre os direitos dos cidadãos após o Brexit, em conjunto com a Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos e a Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais. Na sequência de uma audição pública sobre o mesmo assunto em 2017, as comissões fizeram um balanço da situação dos direitos dos cidadãos após o anúncio pelo Conselho Europeu, em dezembro de 2017, de que foram realizados progressos suficientes nas negociações do acordo de saída.
● Em 21 de fevereiro de 2018, teve lugar uma audição pública conjunta com a Comissão dos Assuntos Constitucionais subordinada ao tema «Iniciativa de cidadania europeia – Revisão do Regulamento ». Durante a audição pública, os participantes debruçaram-se sobre a proposta da Comissão de um novo regulamento sobre a iniciativa de cidadania europeia e debateram em que medida a proposta satisfaz as expectativas de todas as partes interessadas e dos cidadãos.
● Em 22 de março de 2018, a comissão centrou-se, numa audição pública, juntamente com a Comissão do Ambiente, da Saúde Pública e da Segurança Alimentar, no «Impacto dos desreguladores endócrinos na saúde pública». Foram recebidas numerosas petições sobre este assunto, o que demonstra quão estas preocupações estão generalizadas entre os cidadãos da UE. A audição pública visou a adequação da abordagem da UE à regulamentação dos desreguladores endócrinos, a necessidade de alterações futuras e avaliou o estado dos conhecimentos científicos sobre os efeitos dos desreguladores endócrinos no ambiente e na saúde humana.
● Em 9 de outubro de 2018, o evento anual sobre problemas relacionados com a deficiência foi organizado na forma de uma audição pública subordinada ao tema «Os direitos das pessoas com deficiência». Foi também apresentada uma atualização do estudo encomendado pelo Departamento Temático C sobre o papel de proteção da Comissão das Petições no contexto da aplicação da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. A comissão debateu em dois painéis os temas da capacidade jurídica das pessoas com deficiência e o seu direito de voto, bem como as mulheres e as deficiências.
Portal Internet das petições
Foram introduzidas novas melhorias técnicas no portal das petições, de molde a torná-lo mais simples e mais acessível aos cidadãos, aperfeiçoando, por exemplo, a sua função de pesquisa. No entanto, o portal tem ainda de ser desenvolvido, para o harmonizar com as normas do sítio Web do Parlamento Europeu e aumentar a sua visibilidade. Além disso, o portal tem de ser acessível a todos os potenciais utilizadores, em especial às pessoas com deficiência.