Source: https://issuu.com/hojemacau/docs/hm-6-4-18
Timestamp: 2018-08-17 20:06:15+00:00
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Hoje Macau 6 ABR 2018 #4025 by Jornal Hoje Macau - Issuu
AJUDA EXTERNA CHINESA OPINIÃO | TIAGO BONUCCI PEREIRA
UNIVERSIDADE DE MACAU ALUNOS SERVOS
SEXTA-FEIRA 6 DE ABRIL DE 2018 • ANO XVII • Nº 4025
Suspeitos do costume Desde 2014 foram movidos oito processos judiciais contra membros da Associação Novo Macau. De acordo com alguns dos acusados, estes processos visam denegrir a imagem da associação e rotular os seus dirigentes como pessoas que causam problemas. Analistas falam de postura mais dura do Governo. GRANDE PLANO
6.4.2018 sexta-feira
A Novo Macau continua a somar casos nos tribunais. Scott Chiang e Jason Chao consideram que há a intenção de rotular a associação de forma negativa. Os analistas ouvidos pelo HM consideram que há uma postura mais dura do Governo face aos democratas
TIRO AO DEMOCRATA JUSTIÇA
MEMBROS DA NOVO MACAU ALVO DE OITO INVESTIGAÇÕES
ESDE 2014 os membros da Associação Novo Macau foram alvos de oito processos na justiça, que envolvem mais de onze pessoas. O episódio mais recente envolve o ex-vice-presidente Jason Chao, que vai a julgamento para responder pela alegada prática de um crime de difamação. A acção foi colocada pelo académico Wang Jiangwei e é relativa a um artigo na publicação Macau Concealers. Entre os processos, apenas dois estão encerrados. No primeiro, Jason Chao, Sulu Sou e Bill Chou eram acusados de difamação pela construtora Ho Chun Kei e foram ilibados. Em causa estavam declarações de benefício da empresa no âmbito do planeamento do Distrito Norte da Taipa. O Tribunal de Instrução Criminal considerou que não havia matéria de facto para irem a julgamento.
sexta-feira 6.4.2018
O segundo caso ocorreu em 2014. A Polícia Judiciária queixava-se da utilização indevida do seu logótipo no âmbito do “referendo civil” organizado pela Novo Macau sobre o sufrágio universal. O caso foi encerrado por falta de provas. Scott Chiang é um dos envolvidos em três dos oito processos. Até ao momento, nenhum dos processos que o envolve está encerrado. Para o ex-presidente da Novo Macau, que recusa comentar os casos a que está ligado, existe uma intenção de passar uma imagem negativa da associação pró-democrata. “Gostava de acreditar que os casos não estão relacionados com as nossas liberdades de participarmos em actividades políticas e nos debates. Mas, olhando para o mundo real, este tipo de casos reforçam uma certa imagem que somos pessoas à procura de problemas”, disse Scott Chiang, ontem, ao HM. “Querem fazer de nós um exemplo. E para ser sincero acredito que muitos casos poderiam ter sido evitados. Parece que há o objectivo de silenciar-nos ou colocar-nos o rótulo de pessoas que causam problemas”, acrescentou. Scott Chiang defende que a Novo Macau actua dentro da lei: “Até quando atravessamos a estrada, temos de olhar para a lei. Mas quando consideramos que actuamos de forma legal, eles encontram uma forma de dizer que nós infringimos a lei. É esta a minha experiência com base nos casos do passado”, frisou.
RÓTULOS DE CRIMINOSOS
Também Jason Chao, envolvido em dois processos, considera que há uma vontade de colocar um rótulo na associação pró-democrata. “Eu diria que um dos objectivos deste esforço concertado passa por colocar o rótulo de criminosa à Associação Novo Macau e às suas actividades. Parece-me que há a intenção de criar um estigma em relação à Novo Macau”, considerou, em declarações ao HM. Além de Jason Chao e Scott Chiang, Bill Chou, Roy Choi, Ray Leong, Alin Lam, o deputado suspenso Sulu Sou, Paul Chan Wai Chi, ex-deputado, e vários voluntários foram acusados em diferentes processo. O número total de envolvidos ainda não é totalmente conhecido, porque muitos dos casos ainda estão em fase de investigação. Face ao número de processos, o analista político Larry So considera que há um esforço das autoridades locais para reagirem a qualquer movimento que considerem extremista ou que vejam como uma réplica da situação de Hong Kong. “Aatenção do Governo de Macau, assim como das forças pró-Pequim, está em harmonia com o Governo Central no sentido de garantir que
CASO A CASO CASO
Queixa da empresa Ho Chun Kei
Jason Chao, Sulu Sou e Bill Chou
Até 6 meses ou até 240 dias de multa
Logótipo da PJ
Roy Choi, Ray Leong e Jason Chao
Abuso de Sinal
Até 6 meses ou até 60 dias de multa
Caso fechado por falta de provas
Jason Chao, Scott Agosto de 2014 Chiang e três voluntários
Até 2 anos ou até 240 dias de multa
Manifestação contra donativo à Univ. Jinan
Scott Chiang e Sulu Sou
Scott Chiang e Alin lam
Introdução em Lugar Vedado ao Público; Dano
Até 3 meses ou multa até 60 dias; Até 3 anos ou pena de multa
Assédio Sexual na UM – Wang Jianwei
Finais de 2014
Paul Chan Wai Chi Setembro 2017 (número de arguidos incerto)
Sulu Sou Setembro 2017 (número de arguidos incerto)
“Até quando atravessamos a estrada, temos de olhar para a lei. Mas quando consideramos que actuamos de forma legal, eles encontram uma forma de dizer que nós infringimos a lei.” SCOTT CHIANG MEMBRO NOVO MACAU
“Uma coisa é certa: a lei em vez de ser cega, é extremamente rigorosa quando se trata dos democratas.” ÉRIC SAUTEDÉ ANALISTA POLÍTICO
nada parecido com o que sucedeu em Hong Kong acontece em Macau. Eles estão focados em impedir que qualquer pequena chama se possa transformar num incêndio”, disse o analista político, ao HM. “A Associação Novo Macau não é independentista. Isso sempre foi muito claro. No entanto, o facto de ter uma liderança nova e jovem, que é vista como apoiante dos pró-democratas em Hong Kong, leva a esta reacção. O Governo prefere jogar pelo seguro. Pode dizer-se que se trata de uma postura mais dura contra os novos democratas”, opinou. Tendo em conta o caso dos manifestante do Pearl Horizon, que agrediram agentes da autoridades, mas mesmo assim evitaram ser acusados, Larry So explica que o Governo local é tolerante em aspectos que considera pertinentes. Contudo defende que “essa tolerância não vai abranger o que o Governo considera ser manifestantes radicais”.
RIGOR PARA OS DEMOCRATAS
Já o politólogo Éric Sautedé acredita que dificilmente se pode falar preto no branco numa perseguição política aos jovens pró-democratas. Contudo, aponta que há um critério mais rigoroso na altura de aplicar a lei.
“Uma coisa é certa: a lei em vez de ser cega, é extremamente rigorosa quando se trata dos democratas. Utilizar a lei da protecção de dados pessoais como base para evitar um referendo, tem fundamentação legal. Mas é, claramente, contra o espírito da lei e das garantias de liberdade de expressão”, afirmou Sautedé, ao HM. O investigador aponta também para o facto da justiça não ser independente, o que diz ter ficado muito claro com a caso à volta do deputado Sulu Sou, que enfrenta, pelo menos, uma acusação da prática do crime de desobediência qualificada. “No caso do Sulu Sou, tanto a suspensão como a acusação de desobediência qualificada, são indicações claras que a justiça não é independente e que a maioria das deputados é inconsciente sobre o que deviam ser as suas funções de separação de poderes”, vincou. “É uma surpresa? Não, só mostra que a maioria não só é completamente incompetente, como também age por vingança e coloca os interesses pessoais à frente do bem comum”, acusa.
OLHAR PARA OS FACTOS
Para o advogado Miguel de Senna Fernandes, os casos à volta de
Novo Macau devem ser analisados com muito cuidado. O causídico recusa a ideia de perseguição política porque diz que há factos que justificam a abertura das investigações e os casos. “Não está em causa a legitimidade da associação, o que está em causa são factos. Foram susceptíveis de procedimento criminal. Os cidadãos de Macau não podem sob a capa de membro ou simpatizante de uma força política, cometer actos que à luz da lei sejam passíveis de responsabilização”, justificou Miguel de Senna Fernandes, ao HM. “Existem ou não factos que são passíveis de abertura de um processo? São factos que foram inventados? São factos criados à toa? Temos de olhar independentemente das simpatias. No fundo, isto são factos. Como no caso do Sulu Sou, ele nunca negou o que fez”, apontou.
IMPACTO PARA AS AUTORIDADES
No entanto, o advogado mostra-se preocupado com uma certa imagem que as autoridades possam transmitir, com o facto de haver tantos casos à volta da mesma associação. “Quando surgem tantos processos, que agora se tornam públicos,
ASSÉDIO SEXUAL MAIS SEGURO QUE LIBERDADE POLÍTICA
AU KAM SAM PROCESSADO
ara Éric Sautedé, ex-docente da USJ, é mais perigoso expressar opiniões políticas do que ser-se suspeito de assédio sexual. O académico defende que foi despedido da USJ por motivos políticos: “O caso do Jason Chao é diferente. Mas os casos de pessoas suspeitas e investigadas por assédio sexual mostram, claramente, que é mais seguro ser-se suspeita e investigado por assédio do que exprimir livre e independentemente ideias políticas. O contraste com o meu caso e o de Bill Chou [académico ligado a Novo Macau que não viu o contrato na UM renovado] é bem indicativo”, considerou.
lém dos pró-democratas da Novo Macau, o antigo membro Au Kam San também está a contas com a justiça. O deputado pró-democrata está a ser acusado pela prática de um crime de difamação pelo secretário para os Transportes e Obras Públicas. Raimundo do Rosário não terá gostado das declarações de Au Kam San, a Julho de 2016, quando o deputado pediu uma investigação no CCAC ao secretário e ao seu antecessor, Lao Sio Io, devido às concessões de terrenos.
“Os cidadãos de Macau não podem sob a capa de membro ou simpatizante de uma força política, cometer actos que à luz da lei sejam passíveis de responsabilização.” MIGUEL DE SENNA FERNANDES ADVOGADO
em relação a uma organização com um determinado tipo de cores políticas, isto leva as pessoas a questionarem-se”, indica. “Tanto processo contra uma organização com determinada cor política pode causar algum incómodo ou incredibilidade. Parece-me que há muita coisa que, numa altura muito sensível, coloca em cima da mesa o risco de se cair na ausência de crédito”, vincou. Também Larry So considera que os casos em curso podem levar a uma visão das autoridades menos tolerante, perante as opiniões contrárias. Mesmo quando não envolvam políticas independentista: “Espero que não se implemente uma visão em que se é a favor do Governo ou contra ele, sem haver um meio-termo. Mas em alguns momentos parece ser essa a atitude do Governo, parece que há um inclinação para definir as coisas em termos de branco ou preto”, afirmou. João Santos Filipe
A proposta de lei prevê que “aos proprietários que adquiram veículos motorizados novos seja atribuído o benefício fiscal de dedução ou de restituição do imposto sobre veículos motorizados”
CE APRESENTADA PROPOSTA DE LEI RELATIVA A BENEFÍCIOS FISCAIS SOBRE VEÍCULOS
Conselho Executivo de Macau apresentou na quarta-feira uma proposta de lei que estabelece benefícios fiscais para a aquisição de veículos motorizados, na sequência dos elevados danos causados pela passagem do tufão Hato, em Agosto passado. A proposta de lei prevê que "aos proprietários que adquiram veículos motorizados novos seja
atribuído o benefício fiscal de dedução ou de restituição do imposto sobre veículos motorizados". Os proprietários dos veículos motorizados novos que utilizem exclusivamente energias alternativas aos combustíveis derivados do petróleo podem ficar "isentos do pagamento do imposto sobre veículos motorizados de acordo com a legislação vigente". “Considerando que durante a passagem do forte
tufão Hato pela Região Administrativa Especial de Macau, uma grande quantidade de veículos motorizados ficou submersa ou esmagada (…), o Governo elaborou a proposta de lei 'Benefício fiscal especial para aquisição de veículos motorizados'”, indicou, em comunicado.
A proposta apresentada pelo CE surge dias após a queixa de Leong,
representante da aliança constituída por vários grupos de pessoas que perderam carros nas inundações provocadas pela passagem do tufão Hato. O responsável criticava a demora das medidas prometidas pela Direcção dos Serviços de Finanças (DSF). Em declarações ao Jornal Ou Mun, Leong referia mesmo que os proprietários lesados tinham sido enganados pelo Governo. EmAgosto
do ano passado, a DSF anunciou medidas de apoio, nomeadamente a devolução de impostos já pagos na aquisição de novos veículos. No entanto, passando meio ano, o representante da associação de lesados critica a falta de seguimento deste processo. O representante recorda que na altura foi exigido aos proprietários o cancelamento das matrículas dos veículos inundados. Desde a passagem do Hato pelo território, o Governo de Macau aprovou medidas de ajuda aos mais afetados, disponibilizando, por exemplo, 14,36 milhões de patacas para obras de manutenção e reparação emergentes das instalações danificadas. O Hato, que atingiu Macau em 23 de Agosto, causou dez mortos, mais de 240 feridos e prejuízos avaliados em 1,3 mil milhões de euros.
PUB GCS
No início da semana o representante dos lesados com veículos danificados devido à passagem do tufão Hato queixou-se da demora nas medidas de ajuda do Governo. Quarta-feira o Conselho Executivo apresentou a proposta de lei relativa a esta matéria que prevê a dedução ou restituição do imposto sobre veículos motorizados
COOPERAÇÃO ZHUHAI QUER POTENCIAR ILHA DA MONTANHA COM MACAU
secretário geral do comité municipal do Partido Comunista de Zhuhai defendeu num encontro com o Chefe do Executivo de Macau que os dois Governos podem maximizar juntos as potencialidades da Ilha da Montanha. Guo Yonghang, que foi recebido na quarta-feira por Fernando Chui Sai On, apontou que os dois governos podem utilizar as vantagens das políticas existentes em prol do desenvolvimento de serviços de alta qualidade, turismo e indústrias culturais e
criativas, de acordo com um comunicado oficial. Destacando as “excelentes relações de cooperação entre a RAEM e Zhuhai, nomeadamente no âmbito do Acordo-Quadro de Cooperação Guangdong-Macau e do plano de construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, o qual acredita que irá beneficiar o impulsionamento da cooperação entre os dois territórios. Guo Yonghang também destacou os “progressos positivos” na cooperação bilateral, apontando que
tem vindo a aumentar em todas as vertentes, embora seja “enorme” o espaço que se abre devido às oportunidades do lançamento, em breve, do projecto da Grande Baía e da entrada em funcionamento da Ponte do Delta. Isto a somar ainda às vantagens de Macau como porto franco para comércio e plataforma de serviços entre a China e os países de língua portuguesa, afirmou o mesmo responsável, sublinhando que Zhuhai continuará a contribuir para a diversificação económica de Macau.
deputado eleito por colégio eleitoral do sector industrial, comercial e financeiro, Kou Hoi In receia que o aumento de férias dos trabalhadores pode trazer consequências nefastas para a sociedade e o desenvolvimento de Macau. Em declarações dadas ao Jornal do Cidadão, Kou refere que “se deve tomar o interesse geral da sociedade em consideração e que mais regalias oferecidas podem levar a más consequências para os próprios cidadãos”. O também presidente da Associação Comercial de Macau aponta que é normal que os empregados desejem ter mais regalias, nomeadamente no que respeita a férias e salários. No entanto, o valor maior a ser considerado não diz respeito apenas aos interesses de trabalhadores ou patronatos, mas sim “o interesse geral da sociedade”. De acordo com o tribuno, “a atribuição de mais regalias aos funcionários pode causar aumentos nos custos de funcionamento das empresas e menos lucros para as mesmas”. A consequência para Kou Hoi In é evidente: “no final, quem vai sofrer são os cidadãos”, explicou o deputado.
MÃO-DE-OBRA, PRECISA-SE
Kou Hoi In adiantou ainda que a situação do aumento de férias anuais pagas não está apenas relacionado com a questão de custos. A escassez de recursos humanos no território tem de ser considerada. A situação poderia ser amenizada com a facilitação dos processos de recrutamento de mão-de-obra estrangeira, considera o deputado. No entanto, o Governo continua com muitas exigências quan-
Kou Hoi In, deputado “A atribuição de mais regalias aos funcionários pode causar aumentos nos custos de funcionamento das empresas e menos lucros para as mesmas.”
TRABALHO KOU HOI IN É CONTRA O AUMENTO DOS DIAS DE FÉRIAS PAGOS
Folgas prejudiciais
Kou Hoi In não concorda com o aumento de férias pagas aos trabalhadores. O deputado considera que a medida pode vir a prejudicar o desenvolvimento local, dadas as perdas de lucro das empresas. Por outro lado, propõe ao Governo menos exigências para a contratação de TNR do se trata de contratação de TNR. Para Kou Hoi In, o aumento de férias e a escassez mão-de-obra são factores que levam ao aumento da pressão sobre o sector comercial e que podem mesmo levar a que haja
Lei Chan U Deputado quer protecção de feriados tradicionais
Em declarações ao Jornal Ou Mun, o deputado indirecto Lei Chan U considera que os feriados tradicionais devem ser protegidos e passar a obrigatórios. A razão, apontou, está relacionada com o facto de fazerem parte da cultura e história chinesa e, como tal, do património cultural. Ao mesmo tempo, Lei lamenta que com a internacionalização do território e com uma cada vez maior presença de estrangeiros, os jovens chineses estejam a dar menos importância aos feriados tradicionais nacionais. A proposta do deputado visa combater esta tendência.
empresários a optarem por fechar os seus negócios e irem à procura de oportunidades de investimento no exterior. A consequência para Macau implica um abrandamento do desenvolvimento
da economia e da sociedade local, afirma o deputado. Kou aproveitou ainda para deixar um recado ao Executivo no sentido de trabalhar para facilitar a contratação de TNR e im-
plementar mais medidas de apoio a pequenas e médias empresas.
sector do jogo para apoio à paternidade, nomeadamente com aumentos salariais e tempos de licença de paternidade e de maternidade, Kou Hoi In considera que é necessário separar o jogo dos restantes sectores da economia local, uma vez que as PME não têm capacidade para concorrer com o jogo. O tribuno confessa ainda que é difícil para as PME manterem os trabalhadores “talentosos”. A solução, diz o deputado é que cada sector, tendo em conta as suas necessidades, decida o que fazer no que respeita ao aumento de férias dos seus trabalhadores. Vitor Ng (com S.M.M.) info@hojemacau.com.mo
Relativamente às recentes medidas adoptadas pelo
SALÁRIO MÍNIMO NG KUOK CHEONG QUER APOIO A PEQUENAS EMPRESAS
UMA altura em que o salário mínimo continua sem decisão, o deputado Ng Kuok Cheong exige que sejam tomadas medidas que promovam a sua aprovação. De acordo com uma interpelação escrita dirigida ao Executivo, o deputado pró-democrata sugere a legislação de medidas de apoio financeiro às empresas locais de pequena dimensão para que possam “aguentar os impactos causados pela implementação
geral do salário mínimo”, refere. Neste sentido, Ng Kuok Cheong apela ao Governo para realize uma consulta pública. O objectivo é auscultar as opiniões da população e avançar com uma proposta de lei ainda dentro do primeiro semestre deste ano. No documento, Ng Kuok Cheong esclarece os termos da sua proposta. No primeiro ano de entrada em vigor do salário mínimo, os empregadores com
pequenas empresas pagam cerca de 70 por cento do salário mínimo sendo que o Governo contribui com o restante. A partir do primeiro ano, os empregadores comprometem-se a aumentar a sua contribuição anualmente em seis por cento at pagamento de um salário mínimo, uenas empresas açong, desta forma os trabalhadores com ordenados mais baixos podem garantir o sé garantirem o pagamento da totalidade do ordenado.
O deputado salienta que esta medida é a mais eficaz, visto com o tempo isentar o Governo de mais ajudas. Por outro lado, aponta Ng Kuok Cheong, desta forma os trabalhadores com ordenados mais baixos podem garantir o seu trabalho com a entrada em vigor de uma legislação que exija o pagamento de um salário mínimo, ao mesmo tempo que oferece às empresas um período de transição que evita uma maior pressão económica. V.N. com S.M.M.
nicas e que o Governo deverá apresentar uma nova versão de trabalho à AL. “Já finalizámos a primeira fase da discussão. Agora as duas assessorias vão continuar a dialogar sobre o conteúdo e a redacção da parte jurídica, e o Governo vai ainda efectuar alguns ajustes tendo em conta as nossas opiniões”, observou.
Alvos pouco claros Deputados com dúvidas sobre reclamações de assistentes sociais
S deputados da segunda Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) que analisam o regime de acreditação profissional e inscrição para assistente social têm dúvidas sobre as matérias que podem ser alvo de reclamação e recurso, refere o canal de rádio da TDM. De acordo com o diploma em análise em sede de especialidade, os interessados podem, no prazo de 15 dias apresentar
reclamações junto do futuro Conselho Profissional dos Assistentes Sociais (CPAS) ou, no prazo de 30 dias, interpor recurso hierárquico ao presidente do Instituto de Acção Social (IAS). O artigo em questão não detalha, no entanto, o âmbito das reclamações. O presidente da segunda comissão da AL, Chan Chak Mo, disse que na reunião de quarta-feira com o Governo, os deputados sugeriram que o artigo sobre a reclamação e
recurso devia ser redigido “com mais pormenor”. “Será que quando há uma decisão do CPAS em relação à formação ou código [de ética profissional] se pode reclamar sobre isso? O governo referiu que isso vai ter de ser clarificado. Se se puder fazer reclamação de tudo, então [o CPAS] vai ter um grande volume de trabalho”, afirmou, refere a TDM. Chan Chak Mo disse também que a questão vai ser aprofundada em reuniões téc-
Os deputados discutiram ainda o prazo para comunicar a alteração da entidade patronal ao IAS sob pena de multa no valor de 500 patacas. Alguns deputados consideraram que o prazo de 30 dias é curto, mas o Governo manteve o prazo de um mês. O Executivo argumentou que a profissão de assistente social é muito importante e deu o exemplo de que em Hong Kong o prazo para informar sobre a mudança de trabalho ou de novos dados pessoais é de 15 dias. De acordo com Chan Chak Mo, na reunião em sede de especialidade, o Governo informou que vai efectuar a revisão do Regime de acreditação profissional e inscrição para assistente social dentro de cinco anos e os deputados concordaram.
PENSÕES ILEGAIS SELADOS 1136 APARTAMENTOS DESDE 2010
S autoridades de Macau fecharam 1136 fracções desde a entrada em vigor da lei de proibição prestação ilegal de alojamento a 13 de Agosto de 2010. Os dados foram facultados pela directora dos Serviços de Turismo (DST) numa resposta a uma interpelação escrita da deputada Song Pek Kei. Segundo Helena de Senna Fernandes, até ao passado dia 4 de Março, foram realizadas 2452 acções de inspecção conjunta a um total de 3805 fracções, o que significa que três em cada dez apartamentos fiscalizados foram selados e instaurados os procedimentos sancionatórios contra os indiciados. De acordo com a DST, realizam-se inspecções de rotina, em média, três a quatro vezes por semana. Actualmente, encontram-se licenciadas 118 unidades hoteleiras, proporcionando 39266 quartos. De acordo com dados da Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes estavam em construção 26 estabelecimentos. A DST refere ainda, na mesma resposta, estar em curso a elaboração da proposta de lei relativa ao licenciamento e funcionamento dos estabelecimentos hoteleiros e de restauração nele inseridos, com vista a melhorar a legislação associada ao turismo, dando resposta às necessidades do desenvolvimento do sector turístico.
AGNES LAM “SEM CONHECIMENTO”
No entanto, Agnes Lam, que lidera um dos mecanismos através dos quais os alunos podem apresentar queixas sobre os seus tutores, afirmou ao HM não haver queixas deste género na instituição. A académica e também deputada frisou ainda que não tem conhecimento de episódios deste género na instituição. “Na Universidade de Macau não há casos de pessoas a receberem instruções para ajudarem os
UM BILL CHOU FALA DE HISTÓRIAS DE ALUNOS QUE CUMPREM TAREFAS PESSOAIS A SUPERVISORES
Estudantes-a-dias
Um aluno do Interior saltou para a morte por ter sido obrigado pelo seu supervisor a desempenhar vários tipos de tarefas domésticas. O ex-professor da UM, Bill Chou diz que no seu tempo havia histórias semelhantes no território. No entanto, Agnes Lam, que está à frente de um dos mecanismos para queixas dos alunos na UM, nega essa versão GONÇALO LOBO PINHEIRO
O final do mês passado, um estudante universitário de Wuhan saltou para a morte. Uma das razões apontadas para o suicídio pela família, de acordo com o portal chinês da BBC, foi o facto do estudante de mestrado ter de servir o seu supervisor em tarefas que iam muito além de competências académicas. Assim, o estudante tinha em certos momentos de lavar a roupa aos supervisor, ir às compras para o professor, entre outras. Numa rede social, Bill Chou, antigo professor na Universidade de Macau e activista da Novo Macau, partilhou a notícia e comentou que havia histórias semelhantes na instituição local. “Quando estava na Universidade de Macau, às vezes, ouvia as histórias de estudantes que tinham de fazer todos os tipos de favores aos professores do Interior da China, como aquecer a água, ajudar os filhos dos professores a fazer os trabalhos de casa, entre outros”, escreveu o académico. “Quando preparava as coisas para deixar a instituição, um professor do Interior da China questionou-me porque não pedia aos estudantes para me carregarem as coisas. Respondi-lhe que os estudantes estavam ali para aprender e não para ser escravos”, acrescentou. Em declarações ao HM, Bill Chou confirmou que quando ensinava na instituição circulavam notícias do género, mas que não pode garantir que tal ainda aconteça nos dias que correm: “Já não sei se esse tipo de histórias ainda acontecem, porque já deixei a instituição há quatro anos”, frisou. O HM tentou contactar a Universidade de Macau sobre as denúncias e a forma como estas situações são resolvidas, mas até ao fecho da edição não recebeu uma resposta.
Bill Chou, ex-professor da Universidade de Macau “Quando preparava as coisas para deixar a instituição, um professor do Interior da China questionou-me porque não pedia aos estudantes para me carregarem as coisas. Respondi-lhe que os estudantes estavam ali para aprender e não para ser escravos.”
seus supervisores no desempenho de tarefas de foro pessoal. Mas caso se verifiquem essas situações, os estudantes têm ao seu dispor os mecanismos para apresentar queixas”, disse Agnes Lam, ao HM.
“Admito que possam ter havido algumas piadas sobre essas situações, mas nunca houve queixas e não tenho conhecimento de ocorrências. Há mecanismos eficazes na UM e os estudantes sentem que têm a liberdade
e um ambiente que lhes permite estar confiantes quando apresentam uma queixa contra os seus supervisores. Quando se queixam, temos medidas de protecção e são entregues a um supervisor novo”, frisou.
Por outro lado, Agnes Lam admite que ao nível de mestrados e doutoramentos existem alunos pagos, que em troca têm de prestar serviços aos seus supervisores. No entanto, segundo a académica, esses serviços estão ligados a tarefas académicas ou trabalho administrativo para a universidade. “Há estudantes de mestrado e doutoramento que são pagos e têm de prestar serviços para os supervisores, mas sempre ao nível de trabalho académico. Se o supervisor não exigir nenhum tipo de trabalho de pesquisa, nesses casos os estudantes talvez tenham de desempenhar funções administrativas para os departamentos em causa, como atender chamadas telefónicas, escrever textos, entre outros tipos de trabalhos de natureza administrativa”, explicou. O caso do estudante de Wuhan no Interior da China não é novo e no ano passado um episódio semelhante foi registado na Universidade de Xi’an. Segundo a BBC, a universidade disse na altura que autorizava os supervisores a pedirem aos alunos que lhe limpasse a casa, fossem com eles às compras e lhe lavassem o carro. João Santos Filipe
DSSOPT Regime Disciplinar de Arquitectos, Engenheiros e Urbanistas na calha O director dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) afirmou que se encontra actualmente a analisar os pareceres recentemente enviados pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Justiça (DSAJ) relativamente à proposta de lei “Deontologia Profissional e Regime Disciplinar de Arquitectos, Engenheiros e Urbanistas”. No entanto, o calendário do
respectivo processo legislativo ainda não foi enviado para o hemiciclo. O mesmo sucede com a revisão do Regulamento Geral da Construção Urbana. Segundo adiantou Li Canfeng, em resposta a uma interpelação escrita da deputada Ella Lei, o diploma foi recentemente concluído, estando a decorrer a análise dos pareceres recentemente enviados pela DSAJ sobre a matéria.
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 173/AI/2018
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 176/AI/2018
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAM SOI KAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.º 50456xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 157/DI-AI/2016, levantado pela DST a 18.12.2016, e por despacho da signatária de 23.03.2018, exarado no Relatório n.° 167/DI/2018, de 26.02.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua de Luis Gonzaga Gomes, n.os 210 - 212, Kam Fung Tai Ha, Bloco 2, 7.° andar P onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se a infractora JIANG XIAOLIN, portadora do Passaporte da RPC n.° E29229xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 35/DI-AI/2017, levantado pela DST a 21.02.2017, e por despacho da signatária de 23.03.2018, exarado no Relatório n.° 171/DI/2018, de 26.02.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.os 361-B - 361-K, I On Kok, 12.° andar G onde se prestava alojamento ilegal.------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Março de 2018.
-----Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Março de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 181/AI/2018
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 183/AI/2018
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor LAM, SOI KAI, portador do Bilhete de Identidade de Residente Permanente da RAEM n.° 50456xx(x), que na sequência do Auto de Notícia n.° 128/DI-AI/2016, levantado pela DST a 26.10.2016, e por despacho da signatária de 23.03.2018, exarado no Relatório n.° 176/DI/2018, de 26.02.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Avenida da Amizade n.° 1321, Hung On Center, Bloco 3, 17.° andar T, Macau onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d'Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
-----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor ZHOU, ZHENGHUA, portador do passaporte da RPC n.° E04706xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 80/DI-AI/2016, levantado pela DST a 20.07.2016, e por despacho da signatária de 23.03.2018, exarado no Relatório n.° 178/DI/2018, de 26.02.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Praceta de Um de Outubro n.os 119-131-B, I Keng 17.° andar A onde se prestava alojamento ilegal.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
INESLO, Limitada
MANDADO DE NOTIFICAÇÃO N.° 196/AI/2018 -----Atendendo à gravidade para o interesse público e não sendo possível proceder à respectiva notificação pessoal, pelo presente notifique-se o infractor TRAN VINH TUONG, portador do Passaporte da Vietnam n.° B7047xxx, que na sequência do Auto de Notícia n.° 63/DI-AI/2017, levantado pela DST a 17.03.2017, e por despacho da signatária de 23.03.2018, exarado no Relatório n.° 192/ DI/2018, de 01.03.2018, em conformidade com o disposto no n.° 1 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010, lhe foi desencadeado procedimento sancionatório por suspeita de controlar a fracção autónoma situada na Rua do Terminal Marítimo n.os 93-103, Edf. Centro Internacional de Macau, Bloco 4, 5.° andar D onde se prestava alojamento ilegal.----------------------------------------------------------------------------------------No mesmo despacho foi determinado, que deve, no prazo de 10 dias, contado a partir da presente publicação, apresentar, querendo, a sua defesa por escrito, oferecendo nessa altura todos os meios de prova admitidos em direito não sendo admitida apresentação de defesa ou de provas fora do prazo conforme o disposto no n.° 2 do artigo 14.° da Lei n.° 3/2010. ------------------------------------------------------------A matéria apurada constitui infracção ao artigo 2.° da Lei n.° 3/2010, punível nos termos do n.° 1 do artigo 10.° do mesmo diploma.----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------O processo administrativo pode ser consultado, dentro das horas normais de expediente, no Departamento de Licenciamento e Inspecção desta Direcção de Serviços, sito na Alameda Dr. Carlos d’Assumpção n.os 335-341, Edifício “Centro Hotline”, 18.° andar, Macau.-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------Direcção dos Serviços de Turismo, aos 23 de Março de 2018. A Directora dos Serviços, Maria Helena de Senna Fernandes
Alameda Dr. Carlos D’Assumpção n.º 411-417, edf. Dynasty Plaza, 15.º andar D-H, Macau (a “Sociedade”)
Para os efeitos tidos por convenientes, anuncia-se que, por deliberações da assembleia geral extraordinária realizada em 5 de Março de 2018, foi decidido, por unanimidade dos sócios presentes, dissolver e encerrar a liquidação, tendo as respectivas contas finais sido aprovadas nessa data, da sociedade comercial por quotas supra identificada e registada na Conservatória dos Registos Comercial e de Bens Móveis de Macau sob o n.º 51672, tendo os respectivos registos sido requeridos em 13 de Março de 2018. Macau, aos 3 de Abril de 2018
ANÚNCIO CONCURSO PÚBLICO N.o 19/P/18
Faz-se público que, por despacho do Ex. Senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, de 21 de Março de 2018, se encontra aberto o Concurso Público para «Prestação de Serviços de Reparação e Manutenção do Sistema de Comunicação e Arquivamento de Imagens Médicas (PACS) aos Serviços de Saúde», cujo Programa do Concurso e o Caderno de Encargos se encontram à disposição dos interessados desde o dia 4 de Abril de 2018, todos os dias úteis, das 9,00 às 13,00 horas e das 14,30 às 17,30 horas, na Divisão de Aprovisionamento e Economato destes Serviços, sita no 1º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, onde serão prestados esclarecimentos relativos ao concurso, estando os interessados sujeitos ao pagamento de MOP47,00 (quarenta e sete patacas), a título de custo das respectivas fotocópias (local de pagamento: Secção de Tesouraria dos Serviços de Saúde) ou ainda mediante a transferência gratuita de ficheiros pela internet na página electrónica dos S.S. (www.ssm.gov.mo ). Os concorrentes do presente concurso devem estar presentes no átrio do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, no dia 10 de Abril de 2018, às 10,00 horas, e na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues n.os 614A-640, Edifício Long Cheng, R/C, Macau, no dia 10 de Abril de 2018, às 15,00 horas, para efeitos de visita às instalações a que se destina a prestação de serviços objecto deste concurso. As propostas serão entregues na Secção de Expediente Geral destes Serviços, situada no r/c do Centro Hospitalar Conde de São Januário e o respectivo prazo de entrega termina às 17,30 horas do dia 4 de Maio de 2018. O acto público deste concurso terá lugar no dia 7 de Maio de 2018, pelas 10,00 horas, na “Sala Multifuncional”, sita no r/c da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau. A admissão a concurso depende da prestação de uma caução provisória no valor de MOP 275.000,00 (duzentas e setenta e cinco mil patacas) a favor dos Serviços de Saúde, mediante depósito, em numerário ou em cheque, na Secção de Tesouraria destes Serviços ou através da Garantia Bancária/Seguro-Caução de valor equivalente.
Faz-se saber que nos Concursos Públicos N.os 12/P/18《Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 1) aos Serviços de Saúde》, 13/P/18《Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 2) aos Serviços de Saúde》e 14/P/18《Fornecimento de Medicamentos do Formulário Hospitalar (Grupo 3) aos Serviços de Saúde》, publicados no Boletim Oficial da Região Administrativa Especial de Macau n.º 10, II Série, de 7 de Março de 2018, foram prestados esclarecimentos, nos termos do artigo 4.º do programa dos concursos públicos pela entidade que os realizam e que foram juntos aos respectivos processos. Os referidos esclarecimentos encontram-se disponíveis para consulta durante o horário de expediente na Divisão de Aprovisionamento e Economato dos Serviços de Saúde, sita no 1.º andar, da Estrada de S. Francisco, n.º 5, Macau, e também estão disponíveis no website dos S.S. (www.ssm.gov.mo).
Serviços de Saúde, aos 27 de Março de 2018
Air Sarampo Confirmados dois casos em tripulantes de companhia aérea que vieram para Macau
alarme soou com a divulgação de imagens aéreas a mostrar blocos quebra-mar desprendidos das bordas da ilha artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau – que liga a secção de Hong Kong ao túnel subaquático em águas da China. A entidade que gere o projecto multimilionário descartou preocupações relativas à segurança na sequência do aparente colapso da estrutura que deve proteger a ilha artificial ao longo do trecho principal. AAutoridade da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau garantiu que a estrutura funciona como suposto, mas a explicação não convence especialistas da antiga colónia britânica que advertiram para um risco catastrófico de o túnel subaquático ligado à ilha artificial ser arrastado por causa de protecção insuficiente. A Autoridade da Ponte do Delta – que abarca representantes dos três governos – afirmou que os blocos de betão foram especialmente concebidos para submergirem de “forma aleatória” durante a maré alta, de modo a evitar que o topo da estrutura da ilha seja afectado pelas ondas. Além disso, dado que a ilha se encontra ligada a um túnel, a concentração de dolos, como são conhecidos esses blocos de betão, exerceria muita pressão, argumentou ainda em comunicado, citado pelos ‘media’
PONTE DO DELTA AUTORIDADES RELATIVIZAM DESPREENDIMENTO DE BLOCOS DE BETÃO DE ILHA ARTIFICIAL
A entidade que gere a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau descartou preocupações de segurança gerados com o despreendimento de blocos de betão de uma das ilhas artificiais, garantindo que a estrutura é segura. Engenheiros contestam as explicações dadas e alertam para os perigos de Hong Kong. O empreiteiro construiu em estrita conformidade com o projecto, que foi completamente inspeccionado e aprovado atendendo aos padrões exigidos, complementou a mesma entidade, acrescentando que o local resistiu à devastação do tufão Hato no verão passado.
No entanto, especialistas mantém-se preocupados, observando que as ondas de uma intempérie podem danificar o
paredão se os dolos não estiverem a proteger as bordas da ilha artificial. Ngai Hok-yan, engenheiro de infra-estruturas, afirmou ter reservas relativamente à explicação facultada
“Parece-me que a protecção para a ilha artificial é insuficiente.”
pela autoridade da Ponte do Delta, questionando se a protecção será suficiente com apenas uma camada de dolos no ponto de conexão com o túnel. “A nossa prática padrão é usar pelo menos duas camadas de dolos para servirem de zona de protecção”, explicou, apontando ainda que cada bloco pesa apenas cinco toneladas quando noutros projectos em Hong Kong, como o de um reservatório, foram usados dolos de 25. “Parece-me que a protecção para a ilha artificial é insuficiente”, afirmou ao jornal South China Morning Post, observando que “o túnel pode desprender-se e flutuar com fendas e infiltração de água. Nesse caso, seria o fim do túnel e da ponte também”, alertou. Albert Lai Kwong-tak subscreveu, qualificando as explicações da Autoridade da Ponte de “irrazoáveis”, ao sustentar que mesmo havendo necessidade de distribuir aleatoriamente os dolos a área em causa deveria ser menor. “Pode haver um problema de assentamento irregular da ilha artificial”, disse o engenheiro, apontando que, se for o caso, o túnel pode estar em risco, embora não acredite que a ilha esteja em perigo iminente. Diana do Mar
NGAI HOK-YAN ENGENHEIRO
Crime Pais confessam abandono de bebé
Os dois arguidos julgados na passada quarta feira pelo abandono de um bebé no ano passado, confessaram-se culpados e estão em prisão preventiva. Um dos arguidos, uma mulher indonésia de 25 anos, é acusada do crime de exposição e abandono e alegou ter ligado ao Instituto de Acção Social para dizer o paradeiro do bebé para que não morresse. A arguida afirmou ainda que a escolha do local do abandono, um depósito de lixo, teve que ver com o facto de ser um lugar muito movimentado e que tornaria fácil alguém encontrar a criança. A mulher acrescentou ainda que o ex-marido e a família irão assumir os cuidados do bebé. O segundo arguido é de nacionalidade filipina e está acusado de tentativa de homicídio.
S Serviços de Saúde de Macau anunciaram na quarta-feira à noite terem sido confirmados dois casos de sarampo em tripulantes de cabine da companhia aérea Tigerair Taiwan, que realizaram voos entre Taiwan e Macau. As autoridades afirmaram ter sido notificadas pelo Departamento de Controlo de Doenças da ilha, na terça-feira, da existência de dois casos de sarampo, um homem e uma mulher, ambos tripulantes de cabine da companhia aérea Tigerair Taiwan. O homem efectuou voos na segunda-feira, "durante a manifestação de sintomas", entre o Aeroporto Internacional de Taoyuan em Taiwan e o Aeroporto Internacional de Macau e de Macau para Kaohsiung, indicaram aqueles serviços, em comunicado. Já a mulher esteve em voos de ida e volta, a 31 de Março, entre Taoyuan e Macau. Os Serviços de Saúde acrescentaram que os dois tripulantes permaneceram sempre no avião, durante a estada em Macau. Lam Chong, responsável do Centro de Prevenção e Controlo da Doença dos Serviços de Saúde afirmou que há 43 passageiros de Macau que já regressaram, tendo os restantes ficado em Taiwan. Lam Chong acrescentou ainda que a taxa de vacinação contra sarampo é elevada, e que de entre os 43 passageiros que voltaram para Macau, 80 por cento já tinham sido vacinados, sendo que ninguém manifestou sintomas da doença.
SURTOS ESPORÁDICOS
A Região Administrativa Especial de Macau obteve a acreditação da erradicação do sarampo da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2014, sendo um dos quatro primeiros países da Região do Pacífico Ocidental a eliminar a doença. Apesar de cada vez mais pessoas estarem vacinadas contra o sarampo, têm ocorrido, recentemente, casos esporádicos de surtos da doença. Em Portugal, o surto de sarampo tinha infectado, até quarta-feira, 90 pessoas, de acordo com a Direção-Geral de Saúde (DGS). Segundo a mesma entidade, o vírus do sarampo é transmitido por contacto directo com as gotículas infecciosas ou por propagação no ar quando a pessoa infectada tosse ou espirra. Este organismo do Ministério da Saúde indica que “os sintomas de sarampo aparecem geralmente entre 10 a 12 dias depois da pessoa ser infectada e começam habitualmente com febre, erupção cutânea (progride da cabeça para o tronco e para as extremidades inferiores), tosse, conjuntivite e corrimento nasal”.
O ioga já há muito que saiu da Índia para entrar na vida das pessoas um pouco por todo o mundo. Filipa Veiga é um bom exemplo de alguém que mudou de vida graças à prática. Depois de passagens pelos mundos do Direito e jornalismo, a agora professora de Yoga está em Macau para apresentar “Yoga-me”
livro “Yoga-me”, de autoria de Filipa Veiga, vai ser apresentado no próximo dia 11. O evento tem lugar na Livraria Portuguesa, pelas 19h, e conta com a presença da autora e co-apresentação da também professora de Yoga Rita Gonçalves. “Yoga-me” é o livro que conta as experiências que Filipa Veiga tem tido entre Bali, Índia e Portugal. Natural de Macau, foi com a ida para a Faculdade de Direito, em Portugal, que Filipa Veiga se sentiu pela primeira vez deslocada e fora de um mundo que não era o seu. “Quando fui para PT foi um choque, não gostei da Faculdade de Direito. Fui logo catalogada como diferente, como hippie. Não era igual às pessoas que lá estavam”, começa por contar ao HM. Filipa Veiga sentia falta de algo. Sem saber bem de quê, recorda agora que talvez tivesse que ver com uma espiritualidade a que associa o território e que não via no ocidente. “O facto de ter crescido em Macau e na Ásia, faz com que tenha convivido com outros lados da espiritualidade mesmo sem ter consciência disso. Lembro-me de ir para o liceu e ver as pessoas a fazer Tai Chi e era tudo muito natural”, recorda. Dividida, pensou em começar a fazer ioga. “Finalmente, encontrei o sítio ideal depois de duas ou três
À VENDA NA LIVRARIA PORTUGUESA SONATAS PARA VIOLINO Nº 1 & 2 • Luís de Freitas Branco, Carlos Damas
Um dos compositores mais talentosos e proeminentes do século XX português, Luís de Freitas Branco escandalizou os mais conservadores com a nova linguagem harmónica desta obra. O tom sonhador da primeira sonata contrasta com a clareza neo-clássica da sonata n º 2. Carlos Damas foi professor no Conservatório de Música de Macau, integrou a Orquestra de Macau e participou no Festival de Música de Macau, no Festival de Artes de Macau e no Quinto Festival de Artes da República Popular da China.
Destino traçado LIVROS “YOGA-ME” VAI SER APRESENTADO NA LIVRARIA PORTUGUESA
“O facto de ter crescido em Macau e na Ásia, faz com que tenha convivido com outros lados da espiritualidade mesmo sem ter consciência disso.”
O HOMEM QUE GOSTAVA DE CÃES • Leonardo Padura
Em 2004, com a morte da mulher, Iván, um aspirante a escritor, relembra um episódio que lhe aconteceu em 1977, quando conheceu um homem enigmático que passeava pela praia acompanhado de dois galgos russos. Após vários encontros, «o homem que gostava de cães» começou a confidenciar-lhe relatos singulares sobre o assassino de Trótski, Ramón Mercader, de quem conhecia pormenores muito íntimos. Graças a essas confidências, Iván irá reconstituir a trajetória de Liev Davídovitch Bronstein, mais conhecido por Trótski, e de Ramón Mercader, e de como se tornaram em vítima e verdugo de um dos crimes mais reveladores do século XX. Através de uma escrita poderosa sobre duas testemunhas ambíguas e convincentes, Leonardo Padura traça um retrato histórico das consequências da mentira ideológica e do seu poder destrutivo sobre a utopia mais importante do século XX.
tentativas falhadas, e senti logo que era algo que eu precisava para me equilibrar entre a vida da Faculdade de Direito e de Lisboa e um lado muito meu. Na altura, não disse a ninguém que praticava ioga. Como ninguém o fazia e eu já era diferente, então não contei a ninguém”, revela. Ser professora da modalidade ainda não era um objectivo. Acabou antes por ficar ligada ao jornalismo. “Entrei na SIC, e no meu segundo ano do estágio de advocacia inscrevi-me no CENJOR. Nunca pensei em dar aulas de yoga, queria ser jornalista e trabalhei 12 anos na SIC”. Mas em 2012, pediu uma licença sem vencimento e foi viver para Bali. O resto foi natural. “Tive o convite para dar aulas no estúdio, e foi assim que comecei”, conta. Com experiência em jornalismo, e numa altura em que os blogues estavam “na moda”, Filipa Veiga aproveitou a estadia em Bali e criou o seu lugar na blogosfera. “Sentia falta da escrita e senti que agora podia escrever sobre o que estava a acontecer na minha vida”, explica. Depois surgiu o convite da editora 20/20 para passar as experiências do ioga, de Bali, de Macau, da Índia para um livro. “Quando voltei a Portugal, em 2015, decidi que o ia fazer”. A edição que contou com 200 exemplares está a esgotar.
IOGA OMNIPRESENTE
Já se passaram 15 anos desde que saiu de Macau. O regresso para a apresentação de “Yoga-me” está carregado de ansiedade, mas faz parte da própria forma de existir ligada à prática. “É o ioga a actuar na vida das pessoas”, refere. Afinal, é ao território que agradece por este percurso e esta obra. “Quero agradecer a Macau por tudo aquilo que sou e ao que essa terra me deu. É um lançamento mais espiritual do que um lançamento normal de um livro, é uma entrega e uma forma de agradecer”. O lançamento em Macau conta com a co-apresentação de Rita Gonçalves, professora de ioga do território e responsável pelo Yoga Loft Macau. De acordo com a apresentação do evento, “é uma oportunidade para conhecer a história de duas mulheres portuguesas que cresceram em Macau antes da entrega da soberania à China, e do boom dos casinos, duas histórias de vida que seguiram rumos muito semelhantes, do jornalismo à prática e ensino do ioga” Filipa Veiga vai ficar em Macau mais uns dias para dar um workshop durante o fim-de-semana de 13 a 15 de Abril no Yoga Loft Macau, com aulas práticas e teóricas para praticantes iniciados e regulares. Sofia Margarida Mota Andreia Sofia Silva info@hojemacau.com.mo
ARTE LEONEL MOURA APRESENTA ROBÔS ARTISTAS EM PARIS
artista português Leonel Moura apresenta um conjunto de robôs pintores, de sua autoria, numa exposição sobre o uso destas máquinas na arte no Grand Palais, em Paris. A mostra constitui uma das primeiras abordagens museológicas desta nova forma de arte, e reúne obras de alguns artistas que foram precursores mundiais, como Jean Tinguely, de acordo com o sítio 'online' da organização. Intitulada “Artistes & Robots”, a mostra apresenta, entre peças de outros artistas, um conjunto de robôs de Leonel Moura que criam, em tempo real e de forma autónoma, pinturas originais. A peça do artista é uma arena, no interior da qual se encontram os robôs em acção, e nas paredes são apresentadas duas grandes pinturas finalizadas, podendo os visitantes observar ao vivo a 'performance' robótica e o resultado. Em Portugal, Leonel Moura é um artista pioneiro da aplicação da inteligência artificial e da robótica na arte, e tem realizado exposições, conferências e livros em todo o mundo sobre esta questão. Entre outras obras, Leonel Moura publicou, em 2013, "Robot Art", com o essencial da sua obra com robôs aplicados à arte, e em 2016 "Robots and Art", editado pela Springer, com textos de artistas de referência nesta área. Na mostra do Grand Palais - patente até 9 de Julho - vão estar obras, entre outros, dos artistas Nam June Paik, Nicolas Schöffer, Patrick Tresset, So Kanno, Takahiro Yamaguchi, J. Lee Thompson, Arcangelo Sassolino, Manfred Mohr, Vera Molnar, Iannis Xenakis, Demian Conrad, Raquel Kogan, Ryoji Ikeda, Pascal Dombis, Elias Crespin, Jacopo Baboni Schilingi, Edmond Couchot, Miguel Chevalier, Joan Fontcuberta e Michael Hansmeyer. LUSA
M resposta à publicação, na terça-feira, pelo Governo de Donald Trump de uma lista provisória de produtos importados da China susceptíveis de serem submetidos a novos direitos alfandegários, Pequim replicou com a sua própria lista, visando importações do mesmo montante anual: 41 mil milhões de euros. O gigante asiático decidiu visar desta vez sectores ou produtos chave, com um peso importante nos 130,4 mil milhões de dólares de exportações dos EUA para a China, em particular, soja, automóvel e aeronáutica. “As represálias anunciadas pela China vão afectar o comércio, as empresas e os consumidores”, resumiu Gary Shapiro, presidente da Associação dos Consumidores do Sector Tecnológico, sublinhando que neste “combate de elefantes”, o mundo inteiro iria perder. A Associação Americana dos Produtores de Soja (ASA, na sigla em inglês) exprimiu imediatamente a “sua extrema frustração face à escalada da guerra comercial com o maior cliente de soja americano”, e exortou “a Casa Branca a reconsiderar as tarifas que conduziram às represálias”. As exportações dos EUA de soja para a China representaram mais de 12 mil milhões de dólares em 2017. A China comprou 61 por cento das exportações de soja dos EUA e mais de 30 por cento da produção norte-americana, sublinhou a ASA. O ministro do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, procurou minimizar o impacto das retaliações chinesas sobre a economia dos EUA. “Coloquemo-las em perspectiva”, declarou à televisão CNBC. “Estes 50 mil milhões representam 0,3 por cento do nosso PIB” (produto interno bruto), disse. Ross remeteu assim para a mensagem que Trump divulgou via Twitter, em que sublinhava que com mais de 500 mil milhões de dólares de importações chinesas, a guerra comercial com a China estava perdida desde há muito. “Com o roubo da propriedade intelectual, são 300 mil milhões de dólares suplementares. Isto não pode continuar!”, escreveu Trump.
No sector automóvel, onde alguns construtores, como o Tesla, não
“As represálias anunciadas pela China vão afectar o comércio, as empresas e os consumidores”, resumiu Gary Shapiro, presidente da Associação dos Consumidores do Sector Tecnológico, sublinhando que neste “combate de elefantes”, o mundo inteiro iria perder
ECONOMIA REPRESÁLIAS CHINESAS TOCAM NO CORAÇÃO DOS EUA
As represálias comerciais chinesas sobre a aeronáutica, a soja e o automóvel tocam no coração da economia dos EUA, onde as vozes se elevam para denunciar a escalada das tensões que vão afectar consumidores e empresas norte-americanas têm fábricas na China, os receios são palpáveis. “Nós apoiamos uma relação comercial positiva entre os EUA e a China e exortamos os dois países a continuarem a desenvolver um diálogo construtivo”, declarou o principal construtor automóvel norte-americano, General Motors (GM), sublinhando “a interdependência entre os dois maiores mercados automóveis do mundo”. A GM vendeu em Fevereiro mais veículos na China do que nos EUA. O Conselho Económico Sino-Americano lembra em nota que
as exportações para a China são “vitais para o crescimento económico norte-americano”. A maior parte dos Estados integrantes dos EUA viram as suas exportações para a China aumentarem fortemente desde 2006, segundo os dados deste organismo que agrupa as empresas com actividade na China. Uma trintena delas, em 50, viu as suas exportações de bens para a China mais do que duplicar em 10 anos. Quatro Estados tiveram mesmo um aumento em 500 por cento das suas
exportações: Alabama, Carolina do Sul, Dacota do Norte e Montana. “Farei tudo o que puder para que isto não penalize a agricultura nos EUA, em geral, e no [Estado do] Iowa, em particular”, declarou à comunicação social o senador republicano Chuck Grassley, eleito por este Estado e personalidade destacada do Congresso. “Impor taxas sobre produtos utilizados todos os dias pelos consumidores norte-americanos e pelos criadores de emprego não é melhor maneira” de restaurar uma
FINANÇA GRUPO CHINÊS QUE QUERIA O NOVO BANCO RECEBE AJUDA PÚBLICA
grupo chinês Anbang, que foi apontado como candidato à compra do Novo Banco, anunciou na quarta-feira que vai receber 7,8 mil milhões de euros em ajuda pública. Em Fevereiro passado, os reguladores chineses assumiram as ope-
rações do Anbang Insurance Group, depois de uma vaga de aquisições por todo o mundo ter suscitado dúvidas sobre a origem do dinheiro e a sustentabilidade do grupo. O fundador da Anbang, Wu Xiaohui, foi a julgamento, na semana passada, por acusações de
fraude e uso da sua posição em benefício próprio. A indústria dos seguros na China foi nos últimos dois anos abalada por vários casos de fraude. Em Setembro passado, o anterior director da Comissão Reguladora de Seguros da China foi julgado
por receber subornos, enquanto executivos do sector foram punidos por corrupção e má gestão. A injecção de dinheiro público vai ajudar a Anbang a “manter estáveis as suas operações”, segundo um comunicado difundido no seu ‘site’ oficial.
relação comercial equitativa com a China, reagiu, por seu lado, Myron Brilliant, dirigente da Câmara do Comércio dos EUA, a principal federação patronal norte-americana. Estes novos desenvolvimentos provocaram a abertura de Wall Street, na quarta-feira, em baixa. Mas a bolsa acabou por fechar em alta, depois de o novo conselheiro económico de Trump, Larry Kudlow, ter tranquilizado os investidores: “Compreendo a ansiedade dos mercados, mas não é preciso reagir em excesso”, disse na televisão Fox. Kudlow garantiu mesmo: “Penso que no fim do processo (…) vai haver um pote de ouro. E, se abrirmos esse pote, vamos encontrar mais crescimento económico, mais trocas comerciais e uma subida de salários nos dois lados. Em outras declarações à imprensa, Larry Kudlow admitiu que a probabilidade de as taxas dos EUA sobre as importações chinesas poderem acabar por não ser aplicadas, no final do processo de negociações.
A operação significa que o Estado chinês passa a deter uma posição de 98 por cento na empresa, através de um fundo público, retirando a maioria das acções detidas por Wu e outros accionistas.
DIPLOMACIA COREIAS PREPARAM CIMEIRA HISTÓRICA DE 27 DE ABRIL
ESPONSÁVEIS da Coreia do Sul e do Norte iniciaram ontem uma reunião de trabalho para estabelecer protocolos e medidas de segurança, que vão vigorar durante a cimeira de 27 de Abril dos líderes dos dois países. A reunião começou pouco depois das 10h, na zona desmilitarizada, na fronteira entre o norte e sul, afirmou a presidência sul-coreana. A cimeira de 27 de Abril próximo, entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, vai ser a terceira entre a liderança dos dois países vizinhos, e vai decorrer na parte sul-coreana da zona desmilitarizada. A reunião dos líderes da península coreana vai anteceder o encontro histórico entre Kim e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Maio. Kim vai ser o primeiro dirigente norte-coreano a pisar solo da Coreia do Sul desde o fim da Guerra da Coreia (1950-53). As duas anteriores cimeiras intercoreanas, em 2000 e 2007, decorreram em Pyonyang. Uma das questões a ser debatida no encontro de ontem foi a forma como Kim vai atravessar a linha de demarcação: a pé ou num veículo. A cimeira deverá realizar-se na Casa da Paz sul-coreana em Panmunjom. Foi nesta aldeia fronteiriça, situada na zona desmilitarizada que divide a península coreana, que foi assinado o armistício da Guerra da Coreia. A delegação sul-coreana, composta por cinco elementos, é chefiada por Kim Sang-gyun, um dos diretores dos serviços secretos, enquanto a norte-coreana é chefiada por Kim Chang-son, oficial da Comissão de Assuntos de Estado da Coreia do Norte. No sábado, está prevista uma outra reunião, desta vez para discutir a criação de uma linha telefónica directa entre Kim e Moon.
FILIPINAS BORACAY FECHA SEIS MESES DEVIDO À POLUIÇÃO DAS ÁGUAS
O Presidente das Filipinas ordenou, na quarta-feira, o encerramento durante seis meses da ilha de Boracay, um dos principais destinos turísticos do país, devido à poluição das águas, foi ontem anunciado
ilha, de 1.032 hectares, vai estar interdita ao público a partir de 26 de Abril, confirmou o porta-voz de Rodrigo Duterte, Harry Roque. Boracay recebeu, no ano passado, dois milhões de visitantes. Os departamentos de Recursos Naturais, Turismo e Interior
filipinos recomendaram a pronta resolução “dos problemas ambientais que Boracay enfrenta”, e o Presidente filipino assinou, na quarta-feira, o encerramento da estância balnear, disse o porta-voz. A ameaça de encerrar a ilha surgiu em Fevereiro, quando Duterte descreveu a ilha como “um esgo-
to”. Desde então, foram estudadas várias opções, incluindo o encerramento por apenas dois meses, no início da estação das chuvas (Julho e Agosto), ou a modernização do sistema de esgoto da ilha. No entanto, os três Ministérios recomendaram ao Presidente que fechasse completamente Boracay por seis meses, a partir do início
NEGOCIAÇÕES PRESIDENTE DAS FILIPINAS PROPÕE CESSAR-FOGO A GUERRILHA COMUNISTA
Presidente das Filipinas propôs um cessar-fogo aos guerrilheiros do Novo Exército Popular Comunista (NEP), para retomar as negociações de paz e acabar com os confrontos armados dos últimos meses, foi noticiado. Durante um discurso, na terça-feira à noite, na província central de Mindoro Oriental, Rodrigo Duterte disse “estar pronto” para deixar de “ser assediado”, de acordo com uma transcrição fornecida pelo seu gabinete. O Presidente, de 72 anos, exortou o NEP a “parar imediatamente” os combates com o exército filipino e garantiu que “ficaria muito feliz” se, em breve, não ouvisse “nem um tiro, nem mesmo fogo de artifício”. Duterte exigiu duas condições para o cessar-fogo: a renúncia da guerrilha comunista à constituição de um “governo revolucionário” e o fim da extorsão de empresários, camponeses e latifundiários das áreas rurais das Filipinas. Ao contrário da proposta do chefe de Estado, o ministro da Defesa filipino, Del-
fín Lorenzana, tinha declarado que o NEP apresentava “exigências não razoáveis”. Em Dezembro, Duterte declarou o NEP e o seu “braço político”, o Partido Comunista, como “organizações terroristas”, na sequência de vários ataques que causaram a morte de vários civis. Desde então, o exército filipino intensificou os ataques contra os rebeldes, registando-se, desde o início do ano, vários confrontos armados. Sob o mandato de Duterte, que arrancou em Junho de 2016, as negociações de paz com a rebelião comunista foram relançadas e um cessar-fogo foi assinado em Agosto do mesmo ano. A trégua prolongou-se até ao início de Fevereiro de 2017, quando foi interrompida unilateralmente pelos comunistas. Fundado em 1969, o NEP é considerado uma organização terrorista pelos Estados Unidos e pela UE. Mais de 30 mil pessoas morreram em acções armadas nas últimas cinco décadas.
de Abril, o que “terá um grande impacto sobre os empresários e funcionários da ilha”. Cerca de 36 mil pessoas vão ser afectadas, e as perdas económicas podem chegar a 874 mil euros, segundo estimativas. Na semana passada, o chefe de Estado das Filipinas afirmou que, caso encerrasse a ilha, iria declarar “estado de desastre” para ajudar financeiramente os afectados. Desde então, empresários e trabalhadores de Boracay protagonizaram vários protestos para exigir que o governo modernize a ilha em vez de optar por uma medida radical. O Governo filipino concedeu, em Março, uma licença à operadora de casinos de Macau Galaxy Entertainment Group para construir, em Boracay, um resort e um casino, um projecto avaliado em mais de 400 milhões de euros.
DESASTRE NATURAL SISMO DE MAGNITUDE 5,9 NO SUL DAS FILIPINAS
M sismo de magnitude 5,9 foi ontem registado na costa leste da ilha de Mindanau, no sul das Filipinas, indicou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Não há, até ao momento, registo de vítimas mortais e não foi emitido qualquer alerta de ‘tsunami’. O USGS, que regista a actividade sísmica em todo o mundo, localizou o hipocentro do sismo a 64 quilómetros (km) de profundidade. O epicentro situou-se a 47 km a sudeste de Tarragona, uma cidade
localizada na costa sudeste de Mindanau, e a 64 a sudeste de Dávao, a principal cidade da ilha, acrescentou. O serviço sismológico filipino, Philvolcs, aumentou entretanto a magnitude do sismo para 6, advertindo ainda para a ocorrência de possíveis réplicas. As Filipinas assentam sobre o chamado “Anel de Fogo” do Pacífico, uma zona de grande atividade sísmica e vulcânica, que regista cerca de sete mil abalos sísmicos por ano, a maioria dos quais moderados.
Fome que se oculta num festim ritual
S festejos para comemorar os quatrocentos anos da partida de Vasco da Gama de Lisboa para a Índia, ocorrida a 7 de Julho de 1497, passavam agora a ser para celebrar a sua chegada à costa indiana a 20 de Maio de 1498. Para o relato das reuniões, onde por proposta do Governador Eduardo Galhardo são constituídas, primeiro uma comissão e na seguinte, as subcomissões para preparar as comemorações desse IV Centenário, socorremo-nos dos jornais, Echo Macaense, cuja primeira reunião aparece descrita a 23 de Janeiro de 1898 e no dia seguinte n’ O Independente (jornal fundado em 1867 e que já ia na quinta série, pois fora por quatro vezes interrompido e o seu director José da Silva com inúmeros processos em tribunal). A convite do Sr. conselheiro Galhardo reuniram-se a 18 de Janeiro de 1898 no Palácio do Governo pelas duas horas da tarde os principais funcionários e cidadãos portugueses desta colónia e da comunidade chinesa, acima de cinquenta cavalheiros. Instalou-se a sessão na sala de dossel sob a presidência do Governador Galhardo, tomando assento na mesa de presidência, ficando à sua direita o Sr. juiz Ovídio d’ Alpoim e à esquerda o Sr. secretário-geral Bandeira de Lima. Expôs o presidente a finalidade da reunião e fez referência a duas circulares que o governo provincial recebeu da comissão executiva central de Lisboa para as comemorações desse IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia. Propunha-se ali resolver a nomeação de uma comissão promotora de festejos para as celebrações em Macau. Pediu a palavra o Sr. comendador Basto, Presidente do Leal Senado e em conciso discurso patenteou a prontidão em que estava o município para coadjuvar a S. Exa. o Sr. Governador na realização dos festejos que se pretendiam fazer para comemorar um facto histórico que tanto lustre deu a Portugal. Disse também achar conveniente que nesta festa se prestasse uma justa homenagem ao grande poeta Camões, cantor da viagem de Vasco da Gama e que a memória desta festa fosse consagrada por algum monumento duradouro. O Sr. Dr. Lourenço Marques logo deu exemplos de algumas obras e uma delas poderia ser feita, como, a continuação da Estrada da Praia Gran-
lançar a pedra fundamental para um monumento dedicado à sua memória e associá-lo ao nome do valente Vicente Nicolau de Mesquita, visto que aquele valente oficial salvou a cidade de uma invasão de chineses que poderia ter destruído a obra do dito governador, por isso lembrava que o mesmo monumento fosse também dedicado à memória do Mesquita>. A outra proposta era, como propusera o Presidente do Leal Senado, que <tendo sido Luís de Camões, o cantor das façanhas de Vasco da Gama, era de justiça que também nesta comemoração se prestasse homenagem ao grande poeta que imortalizou nos seus versos esta memorável viagem>, mais, <havendo em Macau a célebre gruta onde diz a tradição que o grande vate compôs parte dos seus poemas>. Aplaudida a dupla proposta, ficou resolvido tratar-se do programa no dia seguinte”, do Echo Macaense.
de até à Barra, um passeio no planalto da Flora, um chafariz.
Em seguida o Sr. Bandeira de Lima propôs que o Sr. Governador formulasse a lista dos membros da comissão executiva e a apresentasse à assembleia geral para ser aprovada por aclamação; e assim se fez. Ficou esta comissão executiva formada pelos seguintes cavalheiros: seria Presidente o Sr. Governador Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo e vogais: Dr. Ovídio d’ Alpoim, juiz de direito; cónego Francisco Pedro Gonçalves, Governador do Bispado; Mário Pires Monteiro Bandeira de Lima, Secretário-geral; António Joaquim Basto, Presidente do Leal Senado; deão Manuel J. de Conceição Borges, Presidente do Cabido; conselheiro Arthur Tamagnini Barbosa, inspector da Fazenda; Dr. José Gomes da Silva, chefe do Serviço de Saúde; Tenente-coronel de engenharia Augusto d’ Abreu Nunes, Director das Obras Públicas; João Albino Ribeiro Cabral, professor e reitor do Liceu Nacional; Leôncio Alfredo Ferreira,
procurador administrativo dos negócios sínicos; Câncio Jorge, administrador do concelho; Eduardo Marques, chefe da Repartição do Expediente Sínico; Dr. A. de Mello Alvellos [ou será Dr. Francisco de Melo Lemos e Alvellos], delegado do procurador da coroa; Capitão-tenente António Talone da Costa e Silva, Capitão do porto; Tenente-coronel Porphyrio Zeferino de Souza; João de Souza Canavarro, administrador do Concelho da Taipa; Pedro Nolasco da Silva, Dr. Lourenço Pereira Marques, Lu cau e Ho Lin-vong. Em seguida, “o governador convidou os membros da comissão para se reunirem no dia seguinte a fim de tratar do programa dos festejos; e no entretanto apresentou à consideração da assembleia duas ideias acerca das quais queria ouvir a opinião dos cavalheiros aí reunidos, antes de propô-las à comissão executiva. Disse ser <de justiça pagar uma dívida de gratidão ao benemérito Governador João Ferreira do Amaral, a cuja energia se deve a verdadeira autonomia de Macau, por isso propunha que entre os Festejos se incluísse a cerimónia de
A convite do Sr. conselheiro Galhardo reuniram-se a 18 de Janeiro de 1898 no Palácio do Governo pelas duas horas da tarde os principais funcionários e cidadãos portugueses desta colónia e da comunidade chinesa, acima de cinquenta cavalheiros.
“A comissão, que se reuniu no dia 19, nomeou uma subcomissão de sete membros a fim de redigir o programa dos festejos e propor a forma de obter os meios necessários para a sua realização”, segundo O Independente e o Echo Macaense especifica, “Soubemos que foram nomeados para este fim os srs. António Joaquim Basto, Abreu Nunes, Tamagnini Barbosa, cónego Conceição Borges, Pedro Nolasco da Silva, António Talone da Costa e Silva e Lu cao”. E voltando ao jornal O Independente, “Esta subcomissão já assentou nos festejos a propor e na forma de se obterem os meios para se levarem a efeito, devendo em breves dias apresentar o seu relatório”. É ele apresentado e aprovado no dia 1 [para O Independente dia 2] de Fevereiro, no Palácio do Governo, aquando da reunião da comissão executiva dos festejos do centenário, onde também foram nomeadas subcomissões. Tal refere o Echo Macaense de 6 de Fevereiro de 1898, que ainda adita estar “a fábrica de cimento da Ilha Verde iluminada à luz eléctrica, podendo-se ver de Macau quatro focos bem luzentes todas as noites”. O programa geral formulado pela comissão executiva local, na sua sessão de 2 de Fevereiro, só vem publicado n’ O Independente de 20 de Fevereiro. Assenta os dias em que se realizarão os festejos: 17, 18, 19 e 20 de Maio de 1898 e o programa de cada um desses dias, assim como refere a criação de uma pública biblioteca denominada Vasco da Gama, nome que se quer dar à avenida feita no espaço arborizado entre a Calçada do Gaio e o Monumento da Vitória. Sobre os monumentos, pretende-se colocar uma coroa de bronze no busto de Camões e erguer, em memória de Ferreira do Amaral e Mesquita, um obelisco, que será colocado sobranceiro ao passeio da Bela Vista e para custeá-lo promover-se-á uma subscrição em Macau e entre os portugueses estabelecidos em Hong Kong e nos portos da China, Japão e Indochina”.
Chavela Vargas - santa pecadora Chavela de Catherine Gund e Daresha Kyi Chavela 2017 - EUA - Data de estreia: 05-04-2018
HEGA esta quinta-feira às salas de cinema em Portugal, distribuído por Paulo Branco, o filme documentário de 93 minutos que teve estreia no festival de Berlim de 2017 na secção Panorama.
Foram muitas as noites que terminaram no anexo da moradia em Stª Cruz de Benfica onde vivia o escritor/ poeta José Agostinho Batista, para quem o México tem uma mística e um encanto muitíssimo particular, com a voz da Chavela, já antes de ali chegados ouvida no El Salsero na Rua de Buenos Aires à Lapa e, anos mais tarde, no Mezcal, na travessa da Água da Flor no Bairro Alto. Foi numa outra vida, num quotidiano de noites tequila e whisky. O filme de Catherine Gund e Daresha Kyi, são 93 minutos com esta mulher santa e pagã, e as suas muitas vidas, e em todas elas sempre essa luminosidade telúrica incandescente, dolorosa e ardente de quem em nenhum momento nega a alma que consigo transporta em paixão ardente e solitária, mesmo quando em amor acompanhada. Chavela Vargas pertence aquela qualidade especialíssima de seres dotados de talento e beleza inatos, capazes de surpreender o mundo, de arrastar e seduzir quem com eles se cruza. A sua voz quando canta abre rasgos no peito de quem ouve, os olhos molham-se perante a força e singularidade única de uma respiração intensa e habitada a sangue de tragédia e a paixão. Chavela Vargas nasceu na Costa Rica em 1919, o nome de registo é Maria Isabel Anita Carmen de Jesus Vargas Lizano , morreu no México em 2012. A sua vida atravessa um século, conheceu e viveu a época clássica do cinema do México e de Hollywood, é ela que no filme nos diz que no casamento da Elizabeth Taylor, num dos primeiros porque foram oito no total, quando a noite deu lugar à privacidade da cama, foi com Ava Gardner que dormiu.
Chavela Vargas é, foi, uma amante predadora, e muitas foram as mulheres de políticos e da elite artística do México que se renderam à sua paixão. A carreira deste ser telúrico deve-se em parte ao compositor e cantor José Alfredo Jiménez, com quem estabelece uma relação pessoal e artística total. O filme é uma entrevista em que Chavela Vargas nos fala em voz própria montada com depoimentos de quem com ela se cruzou e viveu, e momentos de palco. A vida desta mulher ícone da música Mexicana não foi uma viagem pacífica nas luzes do palco. Ainda em criança era escondida dos olhares de terceiros pela sua mãe por não corresponder à imagem da menina criança esperada e desejada. Na família em que nasceu o que os outros pensam ou possam pensar determinava os comportamentos e afectos que entre si se estabeleciam. Com o divórcio dos pais foi viver com uns tios. Aos 17 anos estava sozinha na cidade do México. Era bela, era diferente, era única, a sua singularidade levou-a a outras representações da mulher, foi ela quem pela primeira vez cantou vestida calças e poncho e não com os vestidos de folhos e rendas como era uso na época. Os palcos dos grandes teatros só se abriram para ela na segunda fase da sua carreira, depois de uma dezena de anos sem cantar nem editar discos. Esta fase terrível, deve-se ao excesso de álcool e também à perseguição do poderoso empresário Emilio Azcárraga por lhe ter seduzido a namorada. É Pedro Almodovar quem a resgata e conduz aos palcos de Madrid e Paris. O cineasta tem por ela um amor espelho, adora-a. A qualidade humana e artística Chavela Vargas prendem-no por inteiro.
ninguém gosta de viver com uma pessoa livre. Se você for livre, esse é o preço a ser pago: a solidão”; “Ninguém morre de amor, nem por falta nem por excesso”; “O amor não existe, é um invento de noites de bebedeira”. São várias os personalidades intervenientes neste documentário, o já referido Pedro Almodóvar, Laura Garcia Lorca, Miguel Bosé, entre outros. Um filme que faz permanecer viva a grande diva da canção rancheira Mexicana.
Adoro la calle en que nos vimos La noche cuando nos conocimos Adoro las cosas que me dices Nuestros ratos felices Los adoro vida mía Pedro Almodovar e Chavela Vargas
Este filme mostra-nos a mulher de corpo inteiro, que viveu com e sem tequila, de pistola por perto, solitária e apaixonada, que com a voz inteira diz sem tremer frases pouco apaziguadoras e radicais: “Eu sempre soube. Não existe ninguém que suporte a liberdade alheia;
Adoro, la forma en que sonríes Y el modo en que a veces riñes Adoro la seda de tus manos Los besos que nos damos Los adoro vida mía Y me muero por tenerte junto a mí Cerca muy cerca de mí No separarme de ti
Y es que eres mi existencia mi sentir Eres mi luna, eres mi sol Eres mi noche de amor Adoro, el brillo de tus ojos Lo dulce, que hay en tus labios rojos Adoro la forma en que me besas Y hasta cuando me dejas Yo te adoro vida mía Y me muero por tenerte junto a mí Cerca muy cerca de mí No separarme de ti Y es que eres mi existencia mi sentir Eres mi luna, eres mi sol Eres mi noche de amor Adoro, el brillo de tus ojos Lo dulce, que hay en tus labios rojos Adoro la forma en que me besas Y hasta cuando me dejas Yo te adoro vida mía Yo te adoro vida mía
O automobilismo local está a passar por uma fase conturbada. A participação no Grande Prémio está cada vez mais restrita aos pilotos da terra, enquanto que o único campeonato de automóveis sob a égide das entidades do território vive uma fase complicada de transição
OM três Taças do Mundo FIA, quase inacessíveis para a maioria dos pilotos da RAEM, e uma competição de motociclismo, que por razões de segurança limita a participação apenas àqueles com uma sólida
MACAU PILOTOS LOCAIS QUEREM MUDANÇAS NAS CORRIDAS
Correr em casa experiência internacional, a presença dos pilotos da casa no Grande Prémio reduz-se nos dias de hoje praticamente à Taça de Carros de Turismo de Macau, mais conhecida por “Taça CTM”. O actual regulamento técnico do Campeonato de Carros de Turismo de Macau (MTCS, na sigla inglesa), competição que serve de apuramento para a Taça de Carros de Turismo de Macau do Grande Prémio, é único no mundo, planeando Associação Geral Automóvel Macau-China (AAMC) conservá-lo até ao final de 2019. No entanto, este obriga a uma exigente ginástica financeira aos que lá competem e aos que sonham um dia lá competir. “Se no passado, não muito distante, os pilotos locais ombreavam com maquinaria muito próxima, hoje em dia não é assim”, explicou ao HM Álvaro Mourato, um ex-campeão do MTCS e vencedor em 2010 da saudosa Corrida Hotel Fortuna do Grande Prémio de Macau. “Hoje em dia competem os carros e não os pi-
lotos. Quem tem mais possibilidades financeiras e possuir os carros mais competitivos ganha. Qualquer dia até um principiante pode ganhar o MTCS ou a ‘Taça CTM’.” Mourato tem sido um dos pilotos mais vocais no que respeita aos prejuízos que a escalada dos custos da actual regulamentação tem trazido às corridas de carros de Turismo de
“Hoje em dia competem os carros e não os pilotos. Quem tem mais possibilidades financeiras e possuir os carros mais competitivos ganha. Qualquer dia até um principiante pode ganhar o MTCS ou a ‘Taça CTM’.” ÁLVARO MOURATO PILOTO
Macau. Para o piloto macaense, “precisamos de uma corrida competitiva, talvez um troféu monomarca, e não uma corrida onde estão correr carros tão diferentes, como aqueles com motorizações 1950cc atmosféricos (ex-Roadsport) e 1600cc turbo, isto com um regulamento demasiado aberto.” Kevin Tse, um dos pilotos que corre com a bandeira da Flor de Lotus com mais participações fora de portas e participante no MTCS, partilha da mesma opinião de Mourato. “O problema dos actuais campeonatos organizados pela AAMC é que existem demasiados carros "Frankenstein". Os carros 1600cc Turbo e Roadsport são mal construídos por garagens locais mas mesmo assim não são baratos de construir e de colocar a correr. E se foram colocados à venda, apenas o mercado local tem interesse”, disse ao HM Kevin Tse.
Quase todos os intervenientes concordam que para as corridas
locais ganharem um novo fôlego é necessário mudar os regulamentos técnicos, mas também voltar a dar espaço aos da casa no grande evento desportivo do mês de Novembro. Para o veterano Jo Rosa Merszei, um dos primeiros condutores do território a defender as cores da RAEM no estrangeiro, a solução para um futuro melhor passa “por uma mudança do regulamento para os automóveis; mais baratos, talvez especificações Grupo N (mais próximo das versões de estrada), para que não só aqueles com mais posses tenham possibilidades de correr, mas também em que o comum do cidadão possa ter uma oportunidade também.” Mourato reforça a ideia que para motivar a entrada de novos competidores e preservar a presença dos actuais é preciso “reduzir os custos”, pois presentemente “obrigar os pilotos locais a competir em classes tão altas é difícil de suportar”. Mas também é “a favor de que hajam corridas só para locais ou tipo Interport e não as que temos actualmente”. Sendo que a aquisição da viatura tem um peso significativo nos orçamentos dos praticantes, Kevin Tse foca outro ponto importante. “Se adoptarmos por padrões internacionais, comprar e vender carros será muito mais fácil e os custos de manutenção mais baixos. Não serão autorizadas modificações e apenas serão autorizados carros construídos pelos departamentos de competição das marcas. Essa é a forma correcta e realmente muito mais económica de tornar o Grande Prémio atraente para os pilotos locais e para uma audiência internacional.” Há uma década os pilotos da casa tinham uma corrida de carros e uma corrida de scooters só para si no Grande Prémio. Aliás, muito do sucesso construído pelo evento nas últimas seis décadas passou pela proximidade entre a prova e os habitantes de Macau. O desejo dos pilotos locais é voltar a ter a sua própria corrida. “Falei com vários pilotos sobre o tema e perguntei se houvesse uma corrida de carros Grupo N no Grande Prémio se estavam interessados em participar e todos dizem que sim”, afirma entusiasticamente Merszei. Em 2018 e 2019 serão dois anos de transição, mas é esperada uma crescente pressão sobre a AAMC por parte dos pilotos que cada vez menos escondem a sua opinião de que o rumo do automobilismo tem que mudar em prol do desporto. Sérgio Fonseca
O BANQUEIRO E SUA ESPOSA, QUENTIN MATSYS
(BREVE) HISTÓRIA E DESMISTIFICAÇÃO
OI este mês aprovada a criação da Agência para a Cooperação e Desenvolvimento Internacional pelo Congresso Nacional Popular da República Popular da China (RPC). Esta agência governamental, directamente sob a égide do Conselho de Estado, passará a concentrar funções previamente sob a responsabilidade do Ministério do Comércio e do Ministério de Negócios Estrangeiros - um passo óbvio, tendo em conta o aumento progressivo da ajuda externa chinesa. Nesta circunstância, e tendo como pano de fundo a iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e as relações comerciais entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa, interessa aqui fazer uma síntese histórica da ajuda externa chinesa, contextualizando-a na realidade actual. A ajuda externa chinesa conheceu diferentes etapas ao longo da sua história. Neste texto consideram-se três. Uma primeira fase, com início em meados da década de 50 e que se extendeu até ao final da década de 70, uma segunda que durou até 1995, e a fase actual. Estas etapas não foram propriamente homogéneas, mas caracterizaram-se por um processo gradual de evolução com diferentes filosofias subjacentes às mesmas. Até finais da década de 70, a ajuda externa chinesa caracterizou-se por ter uma forte conotação ideológica, sendo no entanto também necessário encará-la à luz do contexto político da altura, nomeadamente a “batalha” diplomática entre a RPC e Taiwan, a Guerra Fria, e a ruptura Sino-Soviética. Num mundo bipolar, e em virtude do clima de hostilidade entre a RPC e os dois antagonistas (no caso dos Estados Unidos da América até ao início da década de 70, e com a ex-URSS a partir de finais da década de 50), a afirmação internacional da RPC impunha a definição de uma área de influência alargada, assente na visão do Partido Comunista Chinês (PCC) como uma referência alternativa à ortodoxia soviética. Esse esforço culminou, em 1971,na Resolução nº 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o reconhecimento da RPC, apoiada por vários países recipientes de ajuda externa Chinesa. “Esforço” é a palavra apropriada para descrever esta acção da RPC, na medida em que a ajuda externa que a China providenciava tinha uma dimensão desproporcional à situação económica que vivia. Em 1980 a RPC figurava entre os 20 países mais pobres do mundo, enquanto que entre 1971 e 1975 a ajuda externa chinesa correspondeu a 5.88% do seu PIB. Até então, a ajuda externa era concedida sem especiais condições com vários projectos a serem financiados sem uma avaliação criteriosa. Por outro lado, as in-
fraestruturas que eram construídas através desses projectos caíam posteriormente em desuso devido à falta ou deficiente manutenção, e, em geral, por uma má gestão das mesmas. Se a princípio a ideia era a de que a RPC apoiava esses países com fundos e meios técnicos para entregar os projectos quando finalizados, a realidade exigiu que os técnicos chineses voltassem aos países recipientes para recuperar e gerir as infraestruturas. Foi uma situação considerada insustentável pela liderança de Deng Xiaoping e que exigia mudanças profundas. A segunda fase da história da ajuda externa Chinesa tem, assim, início em finais da década
“Esforço” é a palavra apropriada para descrever esta acção da RPC, na medida em que a ajuda externa que a China providenciava tinha uma dimensão desproporcional à situação económica que vivia. Em 1980 a RPC figurava entre os 20 países mais pobres do mundo, enquanto que entre 1971 e 1975 a ajuda externa chinesa correspondeu a 5.88% do seu PIB
de 70, numa altura em que a RPC iniciava o seu processo de abertura e de modernização, processo com o qual o modelo anterior de ajuda externa era incompatível. Esta etapa caracteriza-se, pois, por um processo evolutivo em que a RPC procurou recuperar anteriores investimentos e alterar o modelo de ajuda externa, tendo como referência a sua própria experiência. A China era, afinal de contas, também um país recipiente de ajuda externa, e a partir de 1978, com o início do seu processo de abertura e de modernização, atraiu investimentos de países desenvolvidos. O primeiro a entrar no mercado chinês foi o Japão. Na sequência da primeira crise do petróleo, em 1973 o Japão começou a importar petróleo da China. Em 1978, os dois países assinam um contrato de longa duração em que o Japão financiava 10000 milhões de dólares em tecnologia e materiais que a China compensava com pagamentos diferidos exportando petróleo e carvão. O Ocidente seguiu o mesmo caminho, com base em acordos de compensação comercial (que permitiam a importação de equipamentos e máquinas com pagamentos diferidos com bens produzidos) e acordos de financiamento com vista a abrir as portas do mercado chinês para empresas desses países. Importante é sublinhar que a China encarou estes métodos como positivos, na medida em que permitiram a modernização do seu tecido produtivo num cenário de escassez de divisas, transferência tecnológica, e formação de quadros. Os países que investiam na China não o faziam com
sentimento puramente altruísta, mas em benefício próprio (egoismo altruísta). Isto, conjugado com a experiência anterior chinesa e os muitos problemas identificados, permite enquadrar melhor o modelo actual de ajuda externa chinesa. Na década de 90 a RPC implementou reformas que tiveram um profundo impacto no seu programa de ajuda externa, com destaque para a separação de empresas de comércio e corporações de cooperação económica de ministérios aos quais estavam previamente afectas, e a criação, em 1994, de três bancos: China Development Bank, China Export Import Bank (Eximbank), e o China Agricultural Development Bank. O corolário destas reformas ocorreu em 1995 com o lançamento de um novo sistema de empréstimos preferenciais financiados pelo Eximbank. No mesmo ano, Zhang Chixin, director-adjunto do Departamento de Ajuda Externa do Ministério do Comércio, lança a ideia base da nova estratégia: combinar ajuda a África, cooperação mútua, e comércio. A ajuda externa seria utilizada para investimentos em joint-ventures, estabelecimento, por empresas Chinesas, de fábricas em solo africano e exploração de recursos naturais. O discurso “win-win” reflecte claramente que a filosofia que está na base da ajuda externa Chinesa actual impõe benefícios mútuos e sustentabilidade. E premeia, para mais, a boa governança de países recipientes. Entre 2000 e 2015 os países africanos que receberam mais empréstimos do Eximbank foram a Etiópia e Angola, seguidos do Quénia, um país sem grandes recursos energéticos fósseis ou minerais, mas que figura entre os melhores classificados de África em matéria de governança. O que se deduz é que, ao contrário do que muitas vezes é dito e escrito no Ocidente, a ajuda externa chinesa não se centra apenas em países ricos em recursos naturais, nem é feita ignorando as necessidades dos países recipientes. É indiscutível que recursos naturais são um factor importante na canalização de investimento Chinês, mas a verdade é que a estratégia Chinesa tem um âmbito mais alargado. O desenvolvimento dos países recipientes é encarado como um objectivo com o qual a China também irá beneficiar, tanto de um ponto de vista moral como material. A China procura ganhar mercado, e os projectos que acompanham a ajuda externa permitem o estabelecimento de empresas chinesas nesses países. A prosperidade dos mesmos representa também a prosperidade dessas empresas. Percebe-se aqui o eco do discurso inaugural de Harry Truman em 1949: “Todos os países, incluindo o nosso, irão beneficiar de um programa construtivo para o melhor uso dos recursos humanos e naturais do mundo. A experiência demonstra que o nosso comércio com outros países expande-se com o progresso industrial e económico dos mesmos”.
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Estás em casa quando, pela manhã, acordas do outro lado do planeta, vais ao café que te era costume e, além do bom dia, não tens mais nada a dizer. Do outro lado do balcão, a funcionária que não te vê há semanas, sorri e diz-te o pedido, como se a última vez que ali estivesses estado tivesse sido ontem. Em resposta, acenas com a cabeça firmemente. Não te saem palavras, um sorriso de volta chega. Enquanto te tira a bica e prepara o pequeno almoço, pergunta se está tudo bem. Afinal, há tempos que te não via ali. Está, está tudo bem. A sensação é de regresso a mais uma casa, em que a imperceptibilidade da língua não afecta, mas aconchega, em que os50 caracteres não são exóticos mas, mesmo sem que os entendas, integram o dia-a-dia. Estás em casa. O calor e a humidade regressaram e não são estranhos, mas um casal que te entra em casa todos os dias, mais ou menos bem disposto. Estás em casa. Pegas no café, fazes como sempre fizeste. Vais para a beira do lago, bebes o expresso que te servem em chávena de porcelana e fumas o cigarro da manhã. Pegas no pequeno-almoço, atravessas a estrada e segues para a redacção. Está tudo bem. Está sol e estás em casa. Sofia Margarida Mota
PETER RABBIT [B]
YO-KAI WATCH THE MOVIE: A WHALE OF THE WORLDS [A] FALADO EM CANTONÊS Filme de: Shinji Ushiro 17.00
FALADO EM CANTONÊS COM LEGENDAS EM CHINÊS Filme de: Will Gluck Com: Domhnall Gleeson, Rose Byrne 16.00, 19.30
Filme de: Steven S. DeKnight Com: John Boyega, Scott Eastwood, Rinko Kikuchi, Zhang Jin
Um filme de: Garth Davis Com: Rooney Mara, Joaquin Phoenix,Chiwetel Ejiofor, Tahar Rahim 21.30
FALADO EM CANTONÊS Filme de: Nick Park 14.15, 17.45
“VIDA DE MÃE” | CHUCK LORRE, EDDIE GORODETSKY E GEMMA BAKER, 2013
Um filme de: Steven Slpielberg Com: Tye Sheridan, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, T.J. Miller 14.30, 19.00, 21.30
PACIFIC RIM: UPRISING [B]
“Vida de Mãe” é uma série norte-americana de comédia que estreou em 2013 e que conta no elenco com a participação de Anna Faris como protagonista, uma actriz que fez parte de vários filmes que fizeram muitas pessoas rirem como, por exemplo, Scary Movie. A série conta a história de Christy, que tenta ser a melhor mãe possível para os seus filhos. Por um golpe do acaso, a sua vida transforma-se no dia em que Christy viu a sua própria mãe desaparecida numa sessão de alcoólicos anónimos. Vítor Ng
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HELENA RAMOS, FREELANCER
Residente intermitente
UANDO sobe o pano do Rota das Letras anda de um lado para outro de papéis na mão pelos corredores do edifício do antigo tribunal. Apesar da preferência pelos bastidores, todos a conhecem fora deles. Helena Ramos vem com regularidade a Macau, mas apesar de ter decidido desligar-se do Festival Literário no final da sétima edição, que terminou no final de Março, acabou por transformar-se numa “residente intermitente”. Novos projectos talvez continuem a trazê-la cá. A primeira vez que desembarcou em Macau foi em 2013, ou seja, na segunda edição do Rota das Letras. “Quando cheguei fiquei louca com estas luzes e estes casinos todos e depois comecei a perceber um bocadinho melhor a segregação que existe e isso assustou-me. No primeiro ano sai daqui um pouco não desiludida com o festival, mas com Macau”, porque “achava que havia muito mais interacção entre culturas”. Essa primeira desilusão não a demoveu de continuar num projecto em que acreditava: “Afinal, o festival servia para isso mesmo, para aproximar as culturas, e pensei ‘vamos lá então tentar’”. Com o tempo, Helena Ramos não mudou totalmente de opinião, mas ter conhecido outras pessoas e perceber que “há, de facto,
quem esteja particularmente interessado nessa mistura cultural” suavizou a primeira impressão. “Se estiveres com a mente aberta as pessoas não são assim tão fechadas. No início tive a impressão de que eram muito difíceis, porque nem olhavam para mim na rua nem me respondiam quando fazia perguntas e agora já não”, observa a freelancer. A vida de Helena Ramos sempre girou à volta dos livros. Depois de ter ido estudar para estrangeiro, passando cinco anos em Espanha, regressou em 2004 a Portugal onde começou a trabalhar na ASA que, anos mais tarde, viria a ser adquirida pelo grupo Leya, altura em que recebe um convite para a Porto Editora. Foi, aliás, nesse “mundinho” que se cruzou com Hélder Beja, co-fundador e ex-director de programação do Rota das Letras, que mantinha um blogue sobre literatura. Ficam “grandes amigos”, pelo meio ganha vida o Festival Literário de Macau e Helena Ramos, sem possibilidade de vir a Macau, mas “com muito interesse” no novo projecto começa a participar à distância. “Comecei a trabalhar a partir de lá nos livros, a fazer traduções e a editar, porque é o que faço, mas depois percebemos que tinha de vir para aqui e coordenar os conteúdos e essas coisas todas”, conta a lisboeta de 41 anos que, embora não tenha vindo a Macau todos os
anos consecutivos, era uma das pessoas mais antigas na equipa do festival. Pelo meio, despediu-se para ser freelancer – faz tradução (de inglês e de espanhol) e edição. Contudo, o seu objectivo mantém-se: “abrir horizontes”. Um deles foi ir tirar o curso de Belas Artes (que ainda frequenta), após uma formação anterior em cinema. “O meu problema é que me aborreço imenso se fico só numa coisa. Então, estou sempre à procura de novas coisas o que, às vezes, é mau, porque não acabo uma e vou logo para outra, mas estou a tentar focar-me”, afirma. Actualmente, tem outro vínculo com os livros, desta feita o novo desafio é escrever um, baseado na viagem de três meses que fez no ano passado, movida pela “vontade de sair” de Portugal. “Fui tipo Forrest Gump, mas a andar”, brinca Helena Ramos que apanhou um avião para Oslo e voltou a pé para Lisboa. “Foi um bocado à maluca. Fiz metade da Noruega, as montanhas todas, estive três semanas sem ver ninguém e para morrer várias vezes, porque eu nunca tinha feito isto, nem sequer sabia ler um mapa”, recorda. “Todos os dias perguntava-me o que estava a fazer ali e ainda por cima sozinha, mas aquele instinto de sobrevivência fez-me relativizar imenso as coisas do dia-a-dia que nos stressam e aprendi imenso sobre mim
também”. Durante a viagem, apenas recorreu a dois meios de transporte: uma “bicicleta velha” que o desespero a levou a comprar e que a ajudou em parte do percurso, e um barco para fazer uma travessia de duas horas entre a Suécia e a Dinamarca. Contar histórias é o que realmente lhe interessa, independentemente do formato, embora aprecie particularmente vídeo-arte, mas nada muito conceptual, porque gosta, acima de tudo, de levar a cultura aos cantos onde não chega. Na sua cabeça magica mil ideias. “No ano passado, quando tive um tempinho, comecei a fazer um trabalho aqui em Macau. Tirei umas fotografias e tenho, de facto, isso, além de que também já me disseram para fazer aqui uma exposição com os meus quadros e as minhas esculturas, mas fico um bocado envergonhada”. “Embora tenha sido o meu último ano no Rota das Letras, tudo o que sejam projectos de cultura interessam-me e há vários em mente, a misturar culturas, e também a ver com a Ásia. Cá nos veremos outra vez noutros formatos”, promete. Diana do Mar
À espécie humana apenas se pode permitir uma guerra: a guerra contra a sua própria extinção. Isaac Asimov
Medicina Cientistas chineses perto da origem dos vírus com ácido ribonucleico sinais do ácido em vários vertebrados, como peixes e répteis, indicou o jornal Shine na edição de segunda-feira. De acordo com o cientista-chefe da equipa de cientistas chineses, Zhang Yongzhen, a descoberta alterou "completamente a compreensão da virosfera". "Muitos patogénicos humanos que no passado só foram encontrados em mamíferos,
Lula na grelha Supremo Tribunal Federal do Brasil nega recurso contra prisão de Lula da Silva
Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil negou na quarta-feira à noite um recurso contra a prisão do ex-Presidente Lula da Silva, condenado em duas instâncias judiciais e que pretendia ficar em liberdade até à decisão final. A defesa de Lula da Silva tinha apresentado um ‘habeas corpus’ [garantia que permite aguardar julgamento em liberdade] junto do STF, que foi agora recusado pela maioria dos 11 juízes do tribunal. Na leitura do seu voto, Luís Roberto Barroso foi um dos magistrados que defendeu com maior ênfase a manutenção da possibilidade de prisão em segunda instância. A presunção de inocência é um “princípio” e “não uma regra”, sublinhou. Segundo o juiz, antes do STF decidir pela constitucionalidade da prisão antecipada, antes que todas as possibilidades de recursos serem julgadas nas diferentes instâncias da Justiça brasileira em 2016, o sistema punia réus pobres que não tinham condições de recorrer. “Prendemos muito e prendemos mal, é um lugar comum, mas é absolutamente verdadeiro. (...) Mais de 50 por cento da população reclusa não está presa pelas duas mazelas
que afligem a sociedade brasileira: violência e corrupção”, disse. “O sistema funciona muito mal e, portanto, por todas essas razões, acho que devemos manter o entendimento judicial de 2016”, avaliou. Já o juiz Celso de Mello, o mais antigo do STF, considerou que sem trânsito em julgado [decisão judicial da qual não se pode mais recorrer] não há culpa e, por isto, acatou o pedido da defesa. “A presunção de inocência representa um direito fundamental de qualquer pessoa submetida a actos de persecução penal por parte das autoridades estatais”, destacou. Depois de quase onze horas de julgamento, os juízes também decidiram que a medida cautelar determinada pelo STF no último dia 22 de Março, que impedia a prisão de Lula da Silva até o final deste julgamento, perdeu a validade. O antigo chefe de Estado brasileiro foi condenado a 12 anos e um mês de prisão, em regime fechado, no Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4, segunda instância) em Janeiro e agora pode começar a cumprir pena, assim que a decisão do STF seguir os trâmites judiciais, um processo que não será imediato já que existem prazos de contestação.
encontrámos agora em pássaros e diferentes tipos de peixes", explicou. O que significa que esses vírus, que causam muitas doenças em animais, humanos
e plantas, são tão antigos quanto os seus hospedeiros vertebrados. Muitas doenças humanas graves, como o VIH, Ébola, Síndrome Respiratória Aguda
Grave (SARS) e gripe são causadas por vírus ARN. Esta descoberta pode vir a melhorar a capacidade de detetar e identificar micro-organismos e, desta forma, tratar com mais precisão doenças infecciosas novas e desconhecidas.
MA equipa de cientistas chineses descobriu novos dados sobre a origem dos vírus com ácido ribonucleico (ARN), uma descoberta que poderá melhorar a capacidade de tratar doenças infecciosas novas, noticiou um jornal local. Especialistas do Centro de Saúde Pública de Xangai descobriram, após anos de pesquisa, que aqueles vírus podem não ter aparecido tão recentemente quanto se pensava, já que encontram
Hoje Macau 6 ABR 2018 #4025
N.º 4025 de 6 de ABR de 2018