Source: https://pt.scribd.com/document/80765489/Tca-Lei-10365-1987-Sao-Paulo
Timestamp: 2020-02-24 09:21:17+00:00
Document Index: 61625277

Matched Legal Cases: ['artigo 2', 'artigo 4', 'artigo 3', 'artigo 4', 'artigo 6', 'artigo 26', 'artigo 14']

Tca Lei 10365 1987 Sao Paulo | Árvores | Lei Estatutária
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Faz saber que a Câmara Municipal, em sessão de 2 de setembro de 1987, decretou e eu promulgo a seguinte Lei:
Art.1º - Para os efeitos desta Lei, considera-se como bem de interesse comum a todos os munícipes a vegetação de porte arbóreo existente ou que venha a existir no território do Município, tanto de domínio público como privado.
Art.2º - Considera-se vegetação de porte arbóreo aquela composta por espécime ou espécimes vegetais lenhosos, com Diâmetro do Caule à Altura do Peito - DAP superior a 0,05 m (cinco centímetros).
Parágrafo único - Diâmetro à Altura do Peito - DAP é o diâmetro do caule da árvore à altura de, aproximadamente, 1,30 m (um metro e trinta centímetros) do solo.
Art.3º - Consideram-se, também, para os efeitos desta Lei, como bens de interesse comum a todos os munícipes, as mudas de árvores plantadas em logradouros públicos.
Art.4º - Considera-se de preservação permanente a vegetação de porte arbóreo que, por sua localização, extensão ou composição florística, constitua elemento de proteção ao solo, à água e a outros recursos naturais ou paisagísticos.
§1º - Consideram-se de preservação permanente, por força do artigo 2º do Código Florestal, instituído pela Lei Federal nº 4.771 (1), de 15 de setembro de 1965, com as alterações e acréscimos da Lei Federal nº 7.511 (2), de 7 de julho de 1986, as florestas e demais formas de vegetação situadas:
a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d’água, em faixa marginal cuja
1 - de 30,00 m (trinta metros) para os rios de menos de 10,00 m (dez metros) de
3 - de 100,00 m (cem metros) para todos os cursos d’água que meçam entre
50,00 m (cinqüenta metros) e 100,00 m (cem metros) de largura;
4 - de 150,00 m (cento e cinqüenta metros) para os cursos d’água que possuam
entre 100,00 m (cem metros) e 200,00 m (duzentos metros) de largura;
5 - igual à distância entre as margens para os cursos d’água com largura superior a 200,00 m (duzentos metros).
b) ao redor das lagoas, dos lagos ou reservatórios d’água, naturais ou artificiais;
c) nas nascentes, mesmo nos chamados “olhos d’água”, seja qual for sua
situação topográfica;
e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45º (quarenta e
cinco graus), equivalente a 100% (cem por cento) na linha de maior declive.
§ 2º - Considera-se de preservação permanente , para efeitos desta Lei a vegetação de porte arbóreo quando:
a) constituir bosque ou floresta heterogênea que:
1 - forme mancha contínua de vegetação superior a 10.000,00 m2 (dez mil metros
quadrados); 2 - se localize em parques, praças e outros logradouros públicos;
b) destinada a proteger sítios de excepcional valor paisagístico, científico ou
c) localizada numa faixa de 20,00 m (vinte metros) de largura, medida em
projeção horizontal, a partir de ambas as margens de quaisquer cursos d’água, lagos ou reservatórios, independentemente das dimensões destes;
d) localizada num raio de 20,00 m (vinte metros) a partir de minas, nascentes ou
“olhos d’água”, seja qual for sua situação topográfica.
§ 3º - Para os efeitos desta Lei, considera-se bosque ou floresta heterogênea o
conjunto de espécimes vegetais de porte arbóreo, composto por 3 (três) ou mais gêneros de
árvores, propagados espontânea ou artificialmente, e cujas copas cubram o solo em mais de 40% (quarenta por cento) da sua superfície.
§ 4 - Para os efeitos desta Lei, considera-se como região carente de áreas verdes
aquela que possuir um índice de áreas verdes, públicas ou particulares, estas quando protegidas por lei, inferior a 15% (quinze por cento) da área ocupada por uma circunferência
de raio de 2.000,00 m (dois mil metros) em torno do local de interesse.
Art.5º - A supressão, total ou parcial, de florestas e demais formas de vegetação consideradas de preservação permanente, de acordo com o artigo 4º desta Lei, só será admitida, com prévia autorização do Executivo Municipal, quando for necessária à implantação de obras, planos, atividades ou projetos, mediante parecer favorável de comissão especialmente designada.
§ 1º - A Comissão incumbida de emitir parecer sobre a matéria referida neste
artigo deverá contar com, no mínimo, um Engenheiro Agrônomo da Secretaria-Geral das Subprefeituras- SEGESP, e outro da Secretaria de Serviços e Obras - SSO.
§ 2º - Tratando-se de floresta de preservação permanente sujeita ao regime do
Código Florestal, a supressão dependerá de prévia autorização da autoridade federal competente, na forma do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de
§ 3º - Em qualquer caso de supressão irregular da vegetação de porte arbóreo
considerada de preservação permanente, a área originalmente revestida pelas formações correlatas permanecerá em regime de preservação permanente, de forma a possibilitar sua recuperação mediante planos de reflorestamento, ou de regeneração natural, de acordo com orientação do Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE, da Secretaria de Serviços e Obras - SSO.
Art.6º Os projetos de loteamento e desmembramento de terras, em áreas revestidas, total ou parcialmente, por vegetação de porte arbóreo, deverão ser submetidos à apreciação do Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE, da Secretaria de Serviços e Obras - SSO, antes da aprovação final pelo Departamento de Parcelamento do Solo e Intervenções Urbanas - PARSOLO - INTERURB, da Secretaria da Habitação e Desenvolvimento Urbano - SEHAB.
§ 1º A apreciação do Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE
deverá conter parecer técnico sobre:
a) o enquadramento da área, ou não, em uma ou mais das hipóteses definidas nos parágrafos 2º,3º e 4º, do artigo 4º, desta Lei;
b) a escolha da localização dos 15 % (quinze por cento) da área destinada às
áreas verdes exigidas pela Lei nº 9.413 (3), de 30 de dezembro de 1981;
a melhor alternativa que corresponda à mínima destruição da vegetação de
2º - O Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE deverá levar em
conta a preservação dos recursos paisagísticos da área em estudo, podendo definir os
agrupamentos vegetais significativos a preservar.
Art.7º - Os projetos de edificação em áreas revestidas, total ou parcialmente, por vegetação de porte arbóreo, no território do Município, deverão antes da aprovação pela Supervisão de Uso e Ocupação do Solo da Administração Regional - AR correspondente, ou pelo Departamento de Aprovação de Edificações - APROV, da Secretarias da Habitação e Desenvolvimento Urbano - SEHAB, ser submetidos à apreciação do engenheiro Agrônomo responsável.
a) planta de localização, em escala adequada à sua perfeita compreensão,
contendo, além da área a ser edificada, o mapeamento da vegetação existente;
b) vistas frontais, cortes longitudinais e transversais da edificação, possibilitando
verificar sua relação com a vegetação existente, representados na mesma escala adotada
para a planta de localização;
§ 2º - As áreas a que se refere o “caput” deste artigo deverão ser previamente
vistoriadas por técnicos do órgão competente para verificação do mapeamento e das
condições da vegetação existente.
§ 3º - A partir do exame dos elementos previstos no parágrafo 1º deste artigo, o
órgão competente poderá exigir a execução de fundações especiais, tendo em vista a proteção do sistema radicular dos vegetais a preservar.
§ 4º - O interessado em edificações sobre o terreno revestido de vegetação de
porte arbóreo poderá, nas fases dos estudos preliminares ou da execução do anteprojeto, consultar previamente o órgão competente, sem prejuízo da obrigação de apresentação do projeto final, devidamente instruído.
§ 5º - O órgão competente poderá exigir alterações nos anteprojetos ou projetos
apresentados, sempre que forem comprovadas interferências negativas na proteção do sistema radicular, do caule ou da copa dos espécimes vegetais a preservar.
§ 6º - Os equipamentos subterrâneos das instalações hidrossanitárias ou de
outros tipos não poderão ser dispostos de modo a prejudicar o sistema radicular dos vegetais a preservar.
§ 7º - Os trabalhos relacionados com os equipamentos de infra-estrutura e com a
execução das obras não poderão ser conduzidos de forma a prejudicar os vegetais a preservar, mediante a proteção através de tapumes ou outros recursos.
CAPÍTULO II Da Supressão e da Poda da Vegetação de Porte Arbóreo
Art.9º - A supressão da vegetação de porte arbóreo, excluída as hipóteses dos artigos 5º, 6º e 7º desta Lei, em propriedade pública ou privada, no território do Município, fica subordinada à autorização, por escrito, do Administrador Regional competente, ouvido o Engenheiro Agrônomo responsável.
Parágrafo único - O pedido de autorização para o corte de árvores, em áreas
públicas ou particulares, deverá ser instruído com (duas) vias da planta ou croquis, mostrando
a exata localização da árvore que se pretende abater e a justificativa para o abate.
Art.10 - Nas hipóteses de demolição, reconstrução ou reforma, caso existam árvores nos terrenos a serem edificados ou já edificados, cuja supressão seja indispensável para a realização das obras, o cumprimento das exigências definidas no artigo anterior e seu parágrafo único processar-se-á juntamente com o pedido de alvará correlato.
Parágrafo único - Somente será concedido o “habite-se” ou “auto de conclusão”,
mediante parecer de Engenheiro Agrônomo responsável, após vistoria em que seja verificado
o cumprimento efetivo das exigências constantes do alvará de licença.
- em terreno a ser edificado, quando o corte for indispensável à realização da
- nos casos em que a árvore esteja causando comprováveis danos
permanentes ao patrimônio público ou privado;
V - nos casos em que a árvore constitua obstáculo fisicamente incontornável ao
VI - quando o plantio irregular ou a propagação espontânea de espécimes
arbóreos impossibilitar o desenvolvimento adequado de árvores vizinhas;
VII - quando se tratar de espécies invasoras, com propagação prejudicial
Art.12 - A realização de corte ou poda de árvores, em logradouros públicos, só será permitida a:
I - funcionários da Prefeitura com a devida autorização, por escrito, do
Administrador Regional competente, ouvido o Engenheiro Agrônomo responsável;
a) obtenção de prévia autorização, por escrito, do Administrador Regional competente, ouvido o correspondente Engenheiro Agrônomo, incluído, detalhadamente, o número de árvores, a localização, a época e motivo do corte ou da poda;
b) acompanhamento permanente de Engenheiro Agrônomo responsável, a cargo
III - soldados do Corpo de Bombeiros, nas ocasiões de emergências, em que haja
risco iminente para a população ou o patrimônio, tanto público como privado.
Art.13 - Fica proibida, ao munícipe, a realização de podas em logradouros
Parágrafo único - Em caso de necessidade, o interessado deverá solicitar a poda
à Administração Regional competente, ou, nas hipoteses mais graves e urgentes, ao Corpo de Bombeiros.
Art.14 - As árvores suprimidas por corte ou poda que ocasione a sua morte, em áreas particulares, de forma irregular ou autorizada, deverão ser obrigatoriamente substituídas,
em igual número, pelo proprietário ou possuidor, a qualquer título, do imóvel, de acordo com as normas de plantio estabelecidas pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE, num prazo de até 30 (trinta) dias após o corte ou a morte pela poda, ou por ocasião do “habite- se ou “auto de conclusão”.
Art.15 - As árvores de logradouros públicos, quando suprimidas, deverão ser substituídas pelo órgão competente da Prefeitura, de acordo com as normas técnicas estabelecidas pelo Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE, num prazo de até 30 (trinta) dias após o corte.
§ 1º - Não havendo espaço adequado no mesmo local, o replantio será feito em
área a ser indicada pelo órgão competente, de forma a manter a densidade arbórea das adjacências.
§ 2º - Nos casos em que a supressão ou a retirada de árvores decorrer do
rebaixamento de guias ou quaisquer outras obras justificáveis de interesse particular, as despesas correlatas com o replantio, incluindo mudas, protetor, fertilizantes, transporte e mão-
de-obra, deverão ser pagas pelo interessado, de conformidade com a legislação em vigor.
Art.16 - Qualquer árvore do Município poderá ser declarada imune ao corte, mediante ato do Executivo Municipal, por motivo de sua localização, raridade, antigüidade, de seu interesse histórico, científico ou paisagístico, ou de sua condição de porta sementes.
§ 1º - Qualquer interessado poderá solicitar a declaração de imunidade ao corte,
através de pedido escrito ao Prefeito, incluindo a localização precisa da árvore, características gerais relacionadas com a espécie, o porte e a justificativa para a sua proteção.
§ 2º - Para efeitos deste artigo, compete ao Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE:
a) emitir parecer conclusivo sobre a procedência da solicitação e encaminhá-la à
Superior Administração, para a decisão cabível;
b) cadastrar e identificar, por meio de placas indicativas, as árvores declaradas
imunes ao corte;
CAPÍTULO III Dos Incentivos Fiscais
Art.17 - Os imóveis revestidos de vegetação arbórea, declarada de preservação permanente ou perpetuada nos termos do artigo 6º do Código Florestal, terão um desconto de até 50% (cinqüenta por cento) no seu Imposto Territorial, aplicado em consonância com índice de área protegida, pela utilização da seguinte fórmula:
Desconto no Imposto Territorial Urbano (%) =
área protegida do imóvel área total do imóvel
Art.18 - A concessão do desconto de que trata o artigo fica condicionada à apresentação de requerimento anual pelo proprietário, titular do domínio útil ou possuidor do imóvel.
Parágrafo único - O pedido será instruído com parecer técnico do Departamento de Parques e Áreas Verdes - DEPAVE quanto á observância das exigências relacionadas com
a preservação da vegetação de porte arbóreo, e submetido a despacho decisório da unidade competente da Secretaria das Finanças.
Art.19 - O desconto concedido na forma dos artigos 17 e 18 desta Lei poderá ser suspenso por simples despacho da autoridade competente, quando não observadas as condições legais de preservação das áreas beneficiadas.
Art.20 - Além das penalidades previstas no artigo 26 da Lei Federal nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, e sem prejuízo da responsabilidade penal e civil, as pessoas físicas ou jurídicas que infringem as disposições desta Lei e de seu regulamento, no tocante ao corte da vegetação, ficam sujeitas às seguintes penalidades:
I - multa no valor de 3 (três) Unidades de Valor Fiscal do Município - UFM por
muda de árvores ou árvore abatida, com DAP - Diâmetro do Caule à Altura do Peito inferior a 0,10 m (dez centímetros); II - multa no valor de 6 (seis) Unidades de Valor Fiscal do Município - UFM por árvore abatida com DAP - Diâmetro do Caule à Altura do Peito de 0,10 a 0,30 m (dez a trinta centímetros); III - multa no valor de 12 (doze) Unidades de Valor Fiscal do Município - UFM por árvore abatida, com DAP - Diâmetro do Caule à Altura do Peito superior a 0,30 m (trinta centímetros).
Art.21 - Ao infrator, tanto pessoa física como jurídica, das disposições desta Lei e de seu regulamento, no tocante à poda de vegetação de porte arbóreo, será aplicada multa de 5 (cinco) Unidades de Valor Fiscal do Município - UFM.
Art.22 - respondem solidariamente pela infração das normas desta Lei, quer quanto ao corte, quer quanto à poda, na forma dos artigos 20 e 21:
- quem, de qualquer modo concorra para a prática da infração.
Art.23 - As multas definidas nos artigos 20 e 21 desta Lei serão aplicadas em dobro nos casos de reincidência.
Art.24 - Se a infração for cometida por servidor municipal, a penalidade será determinada após a instauração de processo administrativo, na forma da legislação em vigor.
Art.25 - O não cumprimento do prazo estabelecido no artigo 14 desta Lei implicará em multa de 1 (uma) Unidade de Valor Fiscal do Município - UFM por mês de atraso, por árvore.
Art.26 - (vetado).
Art.27 - Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
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