Source: https://pt.scribd.com/document/432917603/anc3a1lise-das-demonstrac3a7c3b5es-financeiras-reinaldo-luiz-lunelli-pdf
Timestamp: 2020-07-07 20:14:44+00:00
Document Index: 114860713

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Análise das Demonstrações Financeiras: Reinaldo Luiz Lunelli | Contabilidade | Relatório Anual
Análise das Demonstrações Financeiras: Reinaldo Luiz Lunelli
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FUNDAMENTOS_DA_ADMINISTRAO (1)
Portifolio ADM Financeira e Orcamentaria
Pratica T1 - Fundamentos Teoricos
Análise de Balanço e Demonstrações Financeiras
Uma contabilidade diferenciada As melhores técnicas para análise financeira Abordagem essencial da contabilidade
www.cadernodenegocios.com.br
ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 
Distribuição: Caderno de Negócios
Este material já contempla as alterações trazidas pela Lei nº 11.638/2007 e pela Lei 11.941/2009; no entanto neste material, ainda são tratados alguns tópicos inerentes às contas hoje extintas, justamente por tratar-se de um material aplicável inclusive às demonstrações anteriores à atualização legal da Lei nº 6.404/1976.
Reinaldo Luiz Lunelli é Contabilista, Especialista em Planejamento e Gestão de Negócios, auditor, consultor de empresas com experiência contábil, tributária e societária. Experiência acumulada em controladoria, planejamento tributário e recuperação de créditos tributários extemporâneos, é professor universitário, palestrante e membro da redação dos sites Portal Tributário e Portal de Contabilidade. Autor de diversos artigos técnicos e obras eletrônicas atualizáveis, tais como o Manual Prático de Contabilidade, o Manual de Obrigações Tributárias Acessórias, ISS - Incidências e Retenções, Contabilidade Pública, SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, Plano de Contas e Contabilidade IFRS para Pequenas e Médias Empresas.
As outras obras deste autor podem ser adquiridas pelo contato direto através da área de contato do site Caderno de Negócios (www.cadernodenegocios.com.br).
Importante: Este material está em constante ampliação e atualização.
Direitos autorais REGISTRADOS. A cópia, reprodução, distribuição ou comercialização por qualquer meio somente será permitida mediante autorização POR ESCRITO do detentor de direitos autorais.
(Lei 9.610/1998).
Observar que todos os exemplos são meramente ilustrativos. Em situações reais, verificar a adequação dos cálculos à efetiva realidade fiscal do contribuinte e legislação vigente à época.
CADERNO DE NEGÓCIOS – TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
CLT: Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/43) CNAE: Classificação Nacional de Atividades Econômicas COFINS: Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Lei Complementar 70/1991) CPMF: Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (Lei 9.311/1996) CSL ou CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lei 7.689/1988) EPP: Empresa de Pequeno Porte FCPJ: Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (Lei Complementar 87/1996) GPS: Guia da Previdência Social IN: Instrução Normativa INSS: Instituto Nacional de Seguridade Social IR: Imposto de Renda IRF: Imposto de Renda na Fonte IRPF: Imposto de Renda – Pessoa Física IRPJ: Imposto de Renda – Pessoa Jurídica ISS: Imposto sobre Serviços (Lei Complementar 116/2003) LALUR: Livro de Apuração do Lucro Real LC: Lei Complementar LCMEPP: Lei Complementar do Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte – Lei Complementar 123/2006 ME: Microempresa OS: Ordem de Serviço PIS: Programa de Integração Social (Lei Complementar 7/70) RF: Região Fiscal RIPI: Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Decreto 4.544/2002) RIR/99: Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999) RPS: Regulamento da Previdência Social (Decreto 3.048/1999) SRF: Secretaria da Receita Federal SRRF: Superintendência Regional da Receita Federal TJLP: Taxa de Juros a Longo Prazo
1.3. Dados
1.4. Informações
1.5. Análise Financeira
1.6. A Importância da Análise Financeira de Balanços
2.1. Conceitos Fundamentais Básicos
2.2. Finanças Empresariais
2.3. Principais Atribuições do Administrador Financeiro
3. Estrutura e Divulgação das Demonstrações Contábeis
3.2. Demonstração do Resultado do Exercício
3.3. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
3.4. Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados
3.5. Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos
3.6. Demonstração do Fluxo de Caixa
3.7. Demonstração do Valor Adicionado
4. Relatórios e Informações Auxiliares
4.1. Relatório da Administração
4.2. Notas Explicativas
4.3. Parecer de Auditoria
5. Preparando-se Para a Análise
5.1. Utilização da Análise Econômico-Financeira
5.2. Tipos de Análise Contábil
5.3. Processos e Métodos de Análise Contábil
5.4. Aspectos das Demonstrações Passíveis de Análise
5.5. Condições das Demonstrações Financeiras Utilizadas para Análise
5.6. Ajustes das Demonstrações Contábeis para Efeito de Análise
6. Metodologias de Análise das Demonstrações Contábeis
6.1. Análise Vertical
6.2. Análise Horizontal
6.3. Análise de Indicadores e Quocientes
6.4. EBITDA
7. Análise Através de Indicadores
7.1. Índices de Liquidez (Solvência)
7.2. Índices de Estrutura
7.3. Índices de Eficiência (Atividade)
7.4. Índices de Rentabilidade
7.5. Sistema DuPont de Análise
8. Estudo da Alavancagem
8.1. Alavancagem Operacional
8.2. Ponto de Equilíbrio (Break Even Point)
9.1. Capital de Giro
9.2. Ciclo Operacional e Ciclo Financeiro
9.3. Cálculo da Necessidade de Capital de Giro
9.4. Capital de Giro e Tesouraria
9.5. Efeito Tesoura
9.6. Overtrading e Undertrading
10.1. Terminologia Básica
10.2. Métodos de Avaliação
10.3. Payback
10.4. Payback Descontado
10.5. Valor Presente Líquido - VPL
10.6. Taxa Interna de Retorno - TIR
Outros Fatores de Análise Financeira
11.1. Conciliação do Risco, Retorno e Lucratividade
11.2. Natureza da Relação entre Risco e Retorno
11.3. Análise do Ponto de Equilíbrio, Custos e Alavancagem
11.4. Alavancagem sobre os Resultados
11.5. O Valor do Dinheiro no Tempo
Elaboração do Relatório de Análise
12.1. Estrutura do Relatório
12.2. Outras Considerações
13.1. Empresa Miska Indústria de Calçados
13.2. Demonstrações Contábeis
13.3. Análises Iniciais
13.4. Análise dos Indicadores
13.5. Outras Análises
Mais uma vez tenho o orgulho e a satisfação de prover aos interessados na ciência contábil, profissionais que a utilizam diariamente e à comunidade em geral mais uma publicação especial, que oferece aos seus interessados o estudo da Análise das Demonstrações Contábeis, sua importância e limitações.
Neste material são abordadas as demonstrações contábeis obrigatórias e não obrigatórias e demais informações complementares. São objetos de estudo as etapas do processo de análise, iniciando com conceitos de padronização, consolidação e qualidade das demonstrações contábeis, sugestões das principais metodologias e indicadores a serem utilizados para a elaboração da melhor ferramenta de suporte ao analista financeiro.
material é inovador no sentido de optar pela inclusão de um estudo de caso resolvido,
que a proposta é mostrar ao leitor, a partir da teoria apresentada, como funciona a
prática da análise financeira, seguindo os roteiros constantes nos capítulos desta obra.
Acreditando que o material possa se constituir em relevante recurso didático no desenvolvimento do conteúdo programático da disciplina de análise contábil e contabilidade gerencial, procurou-se contemplar os principais tópicos desta técnica contábil, tais como: conceituações, importância, objetivos, finalidades, funções, tipos, processos, metodologias, condições e ajustes essenciais das demonstrações contábeis; um aprofundamento no estudo dessas demonstrações e de vários indicadores econômico-financeiros.
Esta obra está atualizada de acordo com a nova legislação contábil, que alterou a Lei das Sociedades por Ações e prevê a internacionalização dos informes contábeis.
Desde já, coloco-me à disposição dos interessados para debater, receber sugestões e críticas ou esclarecer eventuais dúvidas, com o objetivo de aperfeiçoar o material e agregar conhecimentos correlatos. Jamais ousaria no sentido de buscar o esgotamento de tão importante tema do conhecimento contábil e humano, restringindo-me, apenas, ao básico desta relevante técnica da Ciência Contábil.
A análise das Demonstrações Contábeis constitui-se num processo de meditação sobre
os mesmos, objetivando uma avaliação da situação da empresa em seus aspectos Econômicos, Patrimoniais e Financeiros.
A análise de balanços deve ser entendida e estudada de maneira abrangente, isto é, deve
ser designada mais propriamente como “Análise Contábil” ou “Análise das Demonstrações Financeiras”, vez que a mesma tem como objeto de estudo, análise e interpretação, não apenas o Balanço Patrimonial, como também todas as demais demonstrações contábeis ou financeiras, elaboradas pela empresa e prescritas nos textos legais.
É a arte e a ciência de se administrar fundos, isto é, aplicar princípios econômicos,
contábeis e conceitos do valor do dinheiro no tempo às tomadas de decisões em negócios. A palavra “arte” implica que existem algumas oportunidades para ser criativo na administração de dinheiro. E a palavra “ciência” implica que existem alguns fatos
comprovados subjacentes às decisões financeiras.
a) Finanças Empresariais (Corporate Finance).
c) Instituições Financeiras
d) Finanças Internacionais
As Finanças estão estreitamente relacionadas com algumas áreas em especial, onde se destacam o Marketing, a Contabilidade e a Administração.
O mercado financeiro, assim como qualquer mercado (de peixe, barraquinhas, etc.), é
apenas uma forma de reunir compradores e vendedores. Nos mercados financeiros, os produtos vendidos e comprados são títulos de dívida e ações. Os mercados financeiros, no entanto, são diferentes entre si em alguns detalhes.
O mercado primário refere-se à venda original dos títulos por governos e empresas. O
mercado secundário é aquele onde os títulos são comprados e vendidos após a venda
original. Existem dois tipos de mercado secundário: bolsas organizadas e mercados de balcão.
Em termos gerais, os distribuidores no mercado de balcão compram e vendem a seu próprio risco. Um distribuidor, ou revendedor de carros, por exemplo, compram e
vendem automóveis. Já corretores e agentes procuram casar compradores e vendedores,
e não necessariamente possuem a mercadoria que será comprada ou vendida. Um
corretor de imóveis, por exemplo, normalmente não compra e vende casas, ele apenas intermédia uma ação entre as duas pontas.
O mercado de distribuidores de ações e dívidas a longo prazo é denominado mercado de
balcão. A maior parte dos negócios de títulos de dívida acontece no mercado de balcão.
A expressão mercado de balcão refere-se aos tempos antigos, quando os títulos eram
literalmente comprados e vendidos em balcões de escritórios por todo o país. Hoje, uma parcela significativa do mercado de ações e quase todo o mercado de dívidas a longo prazo não têm localização central; os distribuidores estão ligados eletronicamente.
As bolsas de valores diferem dos mercados de balcão de duas maneiras. Em primeiro lugar, a bolsa de valores possui uma localização física (como, por exemplo, Wall Street). Em segundo lugar, no mercado de balcão, a maior parte da compra e venda é realizada por distribuidores.
O primeiro objetivo de uma bolsa de valores, por outro lado, é juntar os que desejam
vender àqueles que desejam comprar. Os distribuidores desempenham papel limitado.
A maior bolsa de valores do mundo é a Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE = New
York Stock Exchange). No Brasil, a maior é a BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo).
Além das bolsas de valores, existe um grande mercado de balcão para negociação de ações. A NASDAQ (National Association of Securities Dealers Automated Quotations)
que tem um número de empresas três vezes maior do aquele registrado na NYSE, mas o valor total das ações do NASDAQ corresponde a apenas 20% do valor total das ações
da NYSE.
Tecnicamente, são os itens básicos de informação, antes de serem processados por um sistema, ou seja, alimentam, dão entrada no sistema.
Representam algo puro cujo conteúdo não permitirá a compreensão e nem mesmo o
julgamento sobre determinado assunto e consistem em qualquer elemento identificado em sua forma bruta, que por si só não conduz a uma compreensão de determinado fato
São os relatórios, os resultados do processamento dos dados. As informações são produzidas, saem do sistema, seja este manual ou computacional. Este conjunto de
dados sobre algo ou sobre alguém, servirá de base para a tomada de alguma decisão ou a execução de algumas ações;
A representação gráfica apresentada abaixo demonstra como acontece o processo
contábil dentro das organizações. Da análise da mesma, pode-se perceber que a análise
de balanços, portanto preocupa-se, em coletar junto às demonstrações contábeis os
dados, processá-los e fornecer informações para os mais variados tipos de decisões que envolvem a empresa.
Estas informações podem ser de caráter e utilização interna ou externa e podem
esclarecer, por exemplo, se a empresa merece ou não crédito, se está em situação de
solvência, se suas atividades estão sendo eficientes, se é ou não lucrativa, dentre outros.
Base para de
É importante destacar que muitos dos usuários que utilizam estas informações, são leigos, sendo assim, vários cuidados devem ser tomados quando da sua execução e apresentação. Entende-se que dois pontos merecem ser referenciados:
a) O grau de excelência da Análise de Balanços é dado exatamente pela qualidade e extensão das informações que conseguir gerar;
b) Os relatórios devem estar dotados de uma linguagem simples e descomplicada, como se fossem dirigidos a leigos e, sempre que possível, estarem acompanhados de
A ideia então é utilizar-se do raciocínio científico, ou seja, se o fim pretendido pela
análise é fornecer informações para tomada de decisão, então é preciso conhecer como
se dá o processo de tomada de decisão.
maioria das ciências, ainda que cada uma tenha as suas especificidades, a sequencia
processo decisório tem as seguintes etapas:
Escolha dos indicadores;
Comparação com padrões;
Diagnósticos ou conclusões; e
Para a realização da análise financeira de balanços pode-se adaptar a mesma sequencia, isto é:
Enfim, quando se procede à análise de balanços, os relatórios provenientes desta análise podem estar compostos de informações do tipo:
a) Situação financeira e causas das alterações;
b) Situação econômica e causas das alterações;
d) Eficiência e eficácia na utilização dos recursos;
e) Adequação das fontes às aplicações de recursos;
f) Evolução, tendências e perspectivas;
g) Pontos fortes e fracos;
As formas para se realizar a análise é o que será visto a partir de agora. Neste estudo, serão discutidas as análises vertical, horizontal, através de índices e através da taxa de retorno sobre investimentos.
Podemos definir análise de balanço como a aplicação do raciocínio analítico dedutivo sobre os valores dos elementos patrimoniais e suas inter-relações, expressos nas demonstrações contábeis de uma entidade, com a finalidade de conseguir uma avaliação econômico-financeira da sua situação e do andamento das suas operações. O objetivo geral é obter elementos para o processo de avaliação da continuidade financeira e operacional da entidade analisada.
Da avaliação obtida pelos números publicados, o analista financeiro extrairá elementos
e fará julgamentos sobre o futuro da entidade objeto de análise.
A metodologia da análise de balanço foi desenvolvida primeiramente tendo em vista as necessidades dos usuários externos, ou seja, pessoas e empresas com algum interesse na empresa analisada, mostrando-se um instrumento extremamente útil para os fins a que se destina. Da mesma forma, a mesma metodologia pode e deve ser utilizada pelos
usuários internos, ou seja, os responsáveis pela gestão da empresa. Em termos práticos,
a metodologia de análise de balanço aplicada pela própria empresa torna-se mais rica
em utilidade, uma vez que as informações apresentam-se com maior grau de detalhamento e há um conhecimento mais objetivo, específico e direto das relações de causa e efeito das transações dos seus eventos econômicos.
A resposta é extremamente simples. Apurar ou calcular índices é uma tarefa bastante
simplista, tendo em vista que as fórmulas já se encontram padronizadas. O que se precisa é meramente um conhecimento de matemática básica ou financeira e saber classificar e extrair as contas das demonstrações a fim de se aplicá-las às fórmulas, atividades estas estudadas em qualquer curso técnico ou superior de Contabilidade. O grande desafio do problema em questão é justamente a análise ou interpretação destes cálculos ou dos índices extraídos. Calcular é muito simples, mas não é uma atividade que se encerra em si. Indispensável é reforçar a necessidade de bem interpretar os dados e informações.
Portanto, ainda sobre a questão de importância da análise e talvez com um desejo de eliminar as ideias de dificuldades e complexidades anteriormente discutidas fica um alerta:
É mais interessante e válido utilizar-se de uma quantidade limitada e direcionada de
índices e quocientes apurados período a período e compará-los com os padrões do mercado atual e concorrente para expressar quais são os reais problemas merecedores de especial atenção, do que apurar dezenas de indicadores sem qualquer inter-relação e sem bases comparativas com significados absolutos e teóricos.
 Se bem manuseada, pode se constituir num excelente e poderoso "painel de controle" da administração;
 Se não for feita a partir de uma contabilidade "manipuladora" ou "normatizante", pode trazer resultados bastante precisos;
 É uma poderosa ferramenta à disposição das pessoas que se relacionam ou pretendem relacionar-se com a empresa, ou seja, os usuários da informação contábil ou financeira, sejam eles internos ou externos;
 Permite diagnosticar o empreendimento, revelando os pontos críticos e permitindo apresentar um esboço das prioridades para a solução dos problemas;
 Permite uma visão estratégica dos planos da empresa, bem como estima o seu futuro, suas limitações e suas potencialidades.
A Administração Financeira diz respeito às responsabilidades do administrador
empresas, financeiras ou não financeiras, privadas ou públicas, grandes ou pequenas, com ou sem fins lucrativos. Eles desempenham uma variedade de tarefas, tais como orçamentos, previsões financeiras, administração do caixa, administração do crédito, análise de investimento e captação de recursos.
Qual o principal objetivo da Administração Financeira? O principal objetivo da Administração Financeira é o de maximizar a riqueza dos sócios ou acionistas. Para tanto, as atribuições do Administrador Financeiro podem ser sintetizadas em três atividades básicas:
Realização de análise e planejamento financeiro;
Tomada de decisões de investimentos; e
atividades empresariais envolvem recursos financeiros e orientam-se para a obtenção
lucros. Os recursos investidos na empresa pelos proprietários (capital próprio –
Patrimônio Líquido) e por terceiros (capital de terceiros – Passivo Exigível) encontram-
se aplicados em ativos empregados na produção e/ou comercialização de bens ou na prestação de serviços.
As receitas obtidas com as operações devem ser suficientes para cobrir todos os custos e
despesas incorridos e ainda gerar lucros. Paralelamente a esse fluxo econômico de resultados, ocorre uma movimentação de numerário que deve permitir a liquidação dos compromissos assumidos, o pagamento de dividendos e a reinversão da parcela
remanescente dos lucros.
Nesse contexto, a função financeira compreende um conjunto de atividades relacionadas com a gestão dos recursos (tanto o numerário movimentado pelas empresas, quanto os direitos e obrigações decorrentes das transações realizadas a crédito) movimentados por todas as áreas da empresa. Tal função, que possui um papel muito importante no desenvolvimento de todas as atividades operacionais, é responsável pela obtenção dos recursos necessários e pela formulação de uma estratégia voltada para a otimização da aplicação desses recursos, contribuindo significativamente para o sucesso do empreendimento.
A administração financeira está concentrada na manutenção e criação de valor
econômico ou riqueza. Consequentemente, este material focaliza a tomada de decisão
com os olhos voltados para a criação de riqueza.
Para ilustrar, considere duas empresas, a Merck e a General Motors (GM). No final de 1998, o valor de mercado total da Merck, uma grande empresa farmacêutica, era de $153 bilhões. Durante a vida do negócio, os investidores da Merck investiram cerca de $30 bilhões no negócio. Em outras palavras, os administradores criaram $123 bilhões adicionais em riqueza para os acionistas.
A GM, por outro lado, estava avaliada em $ 67 bilhões no final de 1998; mas durante os anos, os investidores da GM investiram realmente $85 bilhões - uma perda no valor de $17 bilhões. Portanto, a Merck criou riqueza para os seus acionistas, enquanto a GM perdeu riqueza dos acionistas.
Ao introduzir as técnicas de tomadas de decisões, enfatizaremos a lógica por detrás daquelas técnicas, com isso podemos garantir que nós não perderemos a visão dos conceitos quando tratarmos com os cálculos.
Para o estudante de finanças pela primeira vez, isto pode soar um pouco preocupante. Entretanto, como veremos, as técnicas e ferramentas introduzidas neste curso são todas motivadas pelos princípios subjacentes que nos guiarão através dos processos de tomada de decisão.
Para poder sobreviver e prosperar, uma empresa precisa satisfazer seus clientes. Ela deve, também, produzir e vender produtos e serviços obtendo um lucro. Para poder produzir, ela precisa de muitos ativos - fábrica, equipamentos, escritórios, computadores, tecnologia, etc. A empresa precisa decidir quais ativos comprar e como pagar por eles.
As Finanças Empresariais consistem, em linhas gerais, no estudo destas decisões.
As funções do administrador financeiro na empresa podem ser avaliadas em relação às demonstrações contábeis básicas da empresa. Suas três atribuições primordiais são:
a) análise e planejamento financeiro: esta função envolve: 1) transformação dos dados financeiros em uma forma que possa ser utilizada para orientar a posição financeira da empresa e promover a sua continuidade; 2) avaliação da necessidade de aumento ou redução da capacidade produtiva; e 3) determinação de que tipo de financiamento adicional deve ser realizado. Essas três atividades são sustentadas pelas decisões de natureza estratégica, tática e operacional. Os demonstrativos contábeis, principalmente o Balanço Patrimonial e a Demonstração do resultado do Exercício, são importantes
fontes de informações para elaboração de análise e planejamento financeiro. Cabe ressaltar que o enfoque do caixa é essencial para o gestor financeiro. Assim, a utilização dos Fluxos de Caixa também é imprescindível, destacando a principal diferença entre a ótica do contador e a do administrador. Enquanto o primeiro gera informações com base no regime de competência, o segundo precisa aplicá-las com base no regime de caixa, denotando a importância dos Fluxos de Caixa nesta atividade;
b) Administração da estrutura de ativo da empresa (Decisão de Investimento): o
administrador financeiro determina a combinação e os tipos de ativos que fazem parte do Balanço Patrimonial da empresa. Essa atividade está relacionada ao lado esquerdo do Balanço. A composição refere-se ao montante de recursos aplicados em Ativos Circulantes e em Ativos Permanentes (fixos). Depois que a composição estiver definida,
o administrador financeiro deve fixar e tentar manter níveis ótimos para cada tipo de
Ativo Circulante. Deve também decidir quais são os melhores Ativos Permanentes a adquirir e saber quando os ativos existentes se tornarão obsoletos e precisarão ser modificados, substituídos ou liquidados. A determinação da melhor estrutura de ativo para a empresa não é uma tarefa simples; requer o conhecimento das operações passadas e futuras das empresas e a compreensão dos objetivos que deverão ser alcançados a longo prazo. Existem várias técnicas para avaliação dessas decisões, como a Taxa Média de Retorno, Payback (Prazo de Retorno), VPL (Valor Presente Líquido) e TIR (Taxa Interna de Retorno).
c) Administração da estrutura financeira da empresa (Decisão de Financiamento):
relaciona-se com o lado direito do Balanço Patrimonial da empresa e envolve as fontes de recursos. Dois enfoques sustentam esta atividade do administrador financeiro: 1) a decisão de qual a composição mais apropriada entre financiamento a curto e a longo prazo a ser estabelecida, o que é bastante importante, pois afeta tanto a lucratividade da empresa como sua liquidez global; e 2) o juízo de quais as fontes individuais de financiamento, a curto ou a longo prazo, são as melhores, em dado momento. Algumas decisões dessa natureza exigem uma análise profunda das alternativas disponíveis, de seus custos e de suas implicações a longo prazo. O Custo Médio Ponderado de Capital é uma medida eficaz para este tipo de decisão.
a) Levantamento de recursos: relacionado à terceira função descrita acima, envolve o
suprimento dos recursos necessários às operações normais da empresa e captação de vultosos valores para investimentos em projetos com longos períodos de maturação. As fontes de recursos à disposição de uma empresa podem ser classificadas de várias formas:
 Recursos próprios (capital integralizado, reservas e lucros retidos) e recursos de terceiros (compromissos assumidos e dívidas contraídas);
 Recursos permanentes (recursos próprios e dívidas a longo prazo) e recursos temporários (compromissos e dívidas a curto prazo); e
 Recursos onerosos (provocam despesas financeiras) e recursos não onerosos.
É importante a adequação entre as fontes e as aplicações de recursos em termos de
prazos e custos. A compra de um equipamento, cujo valor investido somente será recuperado em alguns anos por meio das receitas de vendas, deverá ser financiada com
recursos permanentes. Se forem utilizados recursos provenientes de um empréstimo com prazo inferior ao da maturação financeira desse investimento, a empresa poderá enfrentar dificuldades para liquidar a dívida no vencimento do contrato.
Os juros e demais encargos incidentes sobre os empréstimos e financiamentos oneram o resultado econômico, reduzindo a parcela de lucro que restará aos acionistas. Além disso, os emprestadores de recursos podem exigir garantias reais e impor condições contratuais que reduzam a flexibilidade de gestão da empresa. Mesmo os créditos obtidos junto aos fornecedores envolvem custo financeiro, representado pelo desconto para pagamento a vista que deixou de ser desfrutado. Observa-se a existência de custos explícitos, perfeitamente mensuráveis em termos de valor e taxa. Somente umas poucas fontes de recursos de curto prazo não provocam custos financeiros, como salários, impostos a pagar, contribuições a recolher, etc.
Os recursos próprios envolvem um custo implícito que corresponde à expectativa de lucros dos acionistas que não deve ser frustrada, sob pena de haver desinteresse em se continuar participando do negócio. Assim, os recursos adicionais a serem fornecidos pelos acionistas por meio de novas integralizações de capital e os lucros reinvestidos envolvem um custo de oportunidade. Esse custo corresponde ao retorno que os acionistas obteriam com tais recursos em outras aplicações com o mesmo grau de risco suportado por seus investimentos na empresa.
b) Alocação de recursos: relacionada à segunda função descrita acima, envolve a constante busca da otimização na aplicação dos recursos para que seja alcançada a rentabilidade desejada e preservada a capacidade da empresa de pagar seus compromissos nos vencimentos. Essa responsabilidade amplia bastante os limites da gestão financeira, obrigando os executivos da área a conhecer todas as fases de funcionamento da empresa e a analisar profundamente os novos projetos de investimento. Alguns ativos são essenciais para o desenvolvimento das operações, denominados ativos operacionais, constituídos por Ativos Fixos e Ativos Circulantes (estoques, duplicatas a receber e disponibilidades), enquanto outros poderão estar ou não relacionados com as atividades básicas do empreendimento, formados por ativos de natureza operacional ou não (créditos diversos a curto e longo prazo, participações societárias em outras empresas, imóveis alugados a terceiros, determinadas aplicações financeiras, etc.).
Os recursos aplicados nos ativos não são encontrados em abundância e envolvem custos financeiros e custos de oportunidade. Assim, é de se esperar que cada ativo contribua direta ou indiretamente para a geração de receitas e, consequentemente, de lucros.
Quando alguém se dispõe a investir sua poupança em uma empresa, em vez de aplicá-la em alternativas mais seguras, está disposto a assumir certo risco em troca de um aumento no seu patrimônio ou riqueza pessoal. Assim, pode-se admitir que o objetivo principal da empresa, e, por conseguinte, de todos os administradores e empregados, é o de maximizar a riqueza de seus proprietários. A riqueza dos proprietários de uma sociedade anônima é medida pelo preço da ação, representado pelo valor de mercado da empresa, ou seja, pelo valor que seria alcançado na venda dos direitos de participação no seu capital.
Cada decisão financeira deve ter como meta o aumento do valor da ação. Nessa busca, duas variáveis conduzem as decisões: o retorno e o risco. São dois elementos diretamente proporcionais: quanto maior o retorno esperado, maior o risco. Como exemplo, podemos citar os investimentos em Caderneta de Poupança e em Ações. Enquanto o primeiro tem menor retorno e menor risco, o segundo deve apresentar maior retorno em função do risco maior.
Em um mercado de capitais, plenamente desenvolvido, as cotações alcançadas pelas ações nas bolsas de valores devem refletir o valor de mercado das empresas. Nos momentos de desequilíbrio, tais cotações podem apresentar-se superavaliadas ou subavaliadas, porém a médio prazo os preços das ações demonstram quanto o mercado está disposto a pagar pelas frações do capital de cada empresa.
O fato de uma empresa não ter ações cotadas em bolsa não constitui impedimento na
determinação de seu valor de mercado. Resumidamente, pode-se dizer que o valor de mercado de uma empresa corresponde ao valor atual de seus lucros futuros. Desse modo, o valor de mercado de uma empresa é determinado pela sua capacidade de gerar lucros mediante o uso dos ativos, pela sua tecnologia e competência gerencial e pelo seu conceito junto aos credores e clientes.
A meta da Administração Financeira coincide com o objetivo básico dos proprietários
ou acionistas. As decisões financeiras são orientadas para o aumento do valor de mercado da empresa. A meta da administração financeira é a maximização da riqueza dos acionistas, que constitui algo mais amplo e profundo do que a maximização dos lucros. A maximização da riqueza envolve os seguintes aspectos:
a) retorno do capital próprio: os acionistas esperam ser remunerados por intermédio
de dividendos e, principalmente, pela valorização de suas ações. O proprietário de uma
ação possivelmente espera receber seu retorno sob a forma de pagamentos periódicos de dividendos ou por meio de valorizações no preço da ação, ou ambos. O preço de mercado de uma ação reflete um valor de dividendos futuros esperados, bem como de dividendos correntes; a riqueza do acionista (proprietário) na empresa em qualquer instante é medida pelo preço de mercado de suas ações. Se um acionista numa empresa desejar liquidar sua participação, irá vender a ação ao preço vigente no mercado ou bem próximo a dele. Uma vez que o preço de mercado da ação, e não os lucros, é que reflete a riqueza do proprietário numa empresa, num dado momento, a meta do administrador financeiro deve ser maximizar essa riqueza;
Exemplo: quatro anos atrás, o Sr. JK comprou uma ação da Cia. Alfa e uma ação da Cia. Beta, cada uma ao preço de $100. Ambas as empresas operam no mesmo ramo de negócio. Durante o período de quatro anos, cada uma das empresas pagou um dividendo anual de $1 por ação. A Alfa obteve um lucro anual de $2 por ação, ao passo que o lucro anual da Beta foi $3 por ação. Atribui-se a diferença nos lucros ao fato de que a Alfa despendeu uma grande importância para desenvolver um produto inovador, portanto baixando seus lucros. A ação da Alfa está atualmente sendo vendida por $130 enquanto a da Beta está sendo negociada por $110. Essa situação não é incomum, reflete o fato de que, apesar dos maiores lucros da Beta, a ação da Alfa tem preço maior,
atribuído à expectativa de que a venda bem sucedida do novo produto gerará maiores
lucros futuros, o que mais do que compensará os baixos lucros experimentados durante
o período de desenvolvimento. A riqueza do Sr. JK na Cia. Alfa é maior do que sua riqueza na Beta, apesar de os lucros da Beta serem maiores.
b) perspectiva de longo prazo: a empresa deve ser perpetuada e, para tanto, tem de
realizar investimentos em tecnologia, novos produtos, etc., que poderão sacrificar a rentabilidade atual em troca de maiores benefícios futuros. A maximização do lucro é uma abordagem de curto prazo; a maximização da riqueza considera o longo prazo. Do exemplo anterior, deve-se depreender que o maior preço da ação da Cia. Alfa resultou do fato de que suas decisões de curto prazo relacionadas com o desenvolvimento de novo produto, embora baixando os lucros a curto prazo, produzirão maiores retornos
Uma empresa que deseja maximizar lucros poderia comprar maquinaria de baixa qualidade e usar materiais também de baixa qualidade, ao mesmo tempo em que faria um tremendo esforço de vendas dos seus produtos por um preço que rendesse um elevado lucro por unidade. Essa estratégia de curto prazo poderia resultar em lucros elevados para o corrente, porém, em anos subsequentes, os lucros declinariam significativamente, pois os compradores constatariam a baixa qualidade do produto e o alto custo de manutenção associado à maquinaria de baixa qualidade.
O impacto das vendas decrescentes e custos crescentes tenderiam a reduzir os lucros a longo prazo e, se não combatido, poderia resultar na eventual falência da empresa. As consequências potenciais da maximização do lucro a curto prazo provavelmente estejam refletidas no preço corrente da ação, que talvez seja menor do que se a empresa tivesse perseguindo uma estratégia de prazo mais longo;
c) valor do dinheiro no tempo: os projetos de investimento envolvem fluxos de
desembolsos e de entradas de caixa. Existem diversas técnicas para avaliar tais projetos,
e algumas delas transformam os fluxos futuros de caixa em valores atuais, por meio da
aplicação de determinada taxa de desconto. Essa taxa de desconto deve refletir um custo
de oportunidade dos recursos a ser investidos. Tal custo de oportunidade corresponde a uma taxa mínima de retorno exigida do projeto para que o valor de mercado da empresa não se altere. Considerando o valor do dinheiro no tempo, a seleção dos projetos a ser implementados visará a aumentar ou, pelo menos, manter o valor de mercado da
d) risco: o retorno deve ser compatível com o risco assumido. Maior risco implica a
expectativa de maior retorno. A maximização do lucro não considera o risco, porém a maximização da riqueza considera explicitamente diferenças no risco. Uma premissa básica na Administração Financeira é de que existe uma relação entre risco e retorno; os acionistas esperam perceber maiores retornos de investimentos de maior risco, e vice- versa. Os administradores financeiros precisam, portanto, levar em conta o risco ao avaliar investimentos potenciais;
Tendo em vista que os acionistas exigem maiores retornos para maiores riscos, é importante que o administrador financeiro considere adequadamente o impacto do risco sobre os retornos deles. A abordagem da maximização da riqueza considera o risco,
enquanto a maximização do lucro o ignora. A maximização da riqueza é, portanto, a abordagem preferível.
e) dividendos: deve ser adotada uma política de distribuição regular de dividendos,
independentemente das flutuações dos lucros, minimizando os efeitos negativos que possam afetar as cotações das ações. A empresa não deve desapontar aqueles acionistas que apreciam receber dividendos periódicos. Os administradores financeiros devem reconhecer que a política de dividendos da empresa afeta a atratividade de sua ação para tipos particulares de investidores. Acredita-se que, se o retorno que os acionistas esperam receber for assegurado, tal fato terá um efeito positivo sobre o preço das ações, garantindo o sucesso de futuros lançamentos de novas ações no mercado.
De uma maneira bastante abrangente, podemos identificar três áreas de decisões
a) decisões de investimento: referem-se tanto à administração da estrutura do ativo
quanto à implementação de novos projetos. A grande concorrência existente nas modernas economias de mercado obriga as empresas a se manter tecnologicamente
atualizadas. Nenhuma empresa pode sentir-se segura em boa posição conquistada, pois
a qualquer momento algum concorrente poderá surgir com um produto melhor e mais
barato. Assim, as empresas são obrigadas a desenvolver continuamente novos projetos e
a tomar decisões sobre a sua implantação. Normalmente, isso significa a necessidade de vultosas somas adicionais de recursos e elevação no risco do empreendimento, uma vez
que investimentos em novos tipos de ativos fixos têm efeitos prolongados sobre a vida da empresa, e uma decisão inadequada poderá comprometer irremediavelmente o seu
b) decisões de financiamento: enquanto as decisões de investimento envolvem importantes aspectos de natureza não financeira, as decisões de financiamento constituem responsabilidade exclusiva do administrador financeiro. As decisões de financiamento visam a montar a estrutura financeira adequada às operações normais e aos novos projetos a ser implantados na empresa. As questões envolvidas nas decisões de financiamento referem-se à composição das fontes de recursos, que exigem análise profunda das alternativas existentes e de suas implicações futuras. São questões do tipo:
decisões relativas à destinação do lucro: o lucro obtido em cada exercício social
representa a remuneração do investimento dos proprietários da empresa. Quanto desse lucro deveria ser distribuído aos acionistas e quanto seria retido para financiar a expansão dos negócios? Tal indagação revela que a política de distribuição de dividendos está diretamente relacionada com as decisões de financiamento. Distribuindo
somente uma pequena parcela dos lucros, a empresa ficará menos dependente das fontes onerosas de recursos e ampliará a participação do capital próprio na estrutura financeira.
Quando a empresa pertence a reduzido número de pessoas, essas decisões são tomadas por consenso ou por imposição do sócio majoritário. A dificuldade surge quando existe grande número de acionistas, e as ações são negociadas nas bolsas de valores. Nesse caso, a política de dividendos estará orientada para a maximização das cotações, devendo basear-se na avaliação das expectativas do mercado acionário, que são influenciadas por diversos fatores conjunturais.
Se a rentabilidade da empresa for satisfatória, pode-se supor que a maioria dos proprietários prefira abrir mão dos dividendos. Porém, não deve ser desconsiderado que sempre existirão acionistas desejosos de realizar, pelo menos, parte dos lucros. Uma empresa bem sucedida sempre terá novos planos de investimentos que implicam a necessidade de recursos adicionais. Parte dessas necessidades poderá ser atendida com a retenção de lucros, e o restante terá de ser financiado por meio de outras fontes. Uma política de dividendos adequada favorece a manutenção dos preços das ações em níveis elevados, e isso poderá garantir o sucesso de futuros lançamentos de novas ações no mercado.
Percebe-se que a Deliberação CVM 488, buscou a aproximação com as normas internacionais, pois, de acordo com o IAS 1, o conjunto de demonstrações financeiras que deverão ser emitidos pelas companhias são: balanço patrimonial (balance sheet); demonstração do resultado (income statement); outras demonstrações que evidenciem todas as mudanças no patrimônio líquido, ou as mudanças no patrimônio líquido, exceto as modificações no capital e as distribuições para os proprietários; demonstração do fluxo de caixa (cash flow statement); políticas contábeis e outras notas explicativas (explanatory notes).
Pelas novas normas brasileiras existe a possibilidade de apresentar a demonstração do
fluxo de caixa, buscando a harmonização ao IAS 7, ou, alternativamente, enquanto requerida pela legislação societária, a demonstração de origens e aplicações de recursos
e a demonstração do valor adicionado, se divulgada pela entidade. A demonstração das
origens e aplicações de recursos, ainda obrigatória para as empresas não atingidas pela Deliberação CVM 488, tem por objetivo apresentar de forma ordenada e sucinta as
variações ocorridas no capital circulante líquido da entidade, ou seja, a movimentação relativa às operações de financiamento (origens) e investimento (aplicações) da entidade.
Segundo Santos e Schmidt (2002), o termo recurso é utilizado para expressar a diferença entre os ativos circulantes e os passivos circulantes e não somente a variação ocorrida nas disponibilidades, que é apresentada na demonstração de fluxos de caixa. A demonstração do valor adicionado, segundo as normas brasileiras de contabilidade, busca evidenciar de forma concisa, os dados e as informações do valor da riqueza gerada pela entidade em determinado período e sua distribuição. A Demonstração do Valor Adicionado deve evidenciar os seguintes componentes: a receita bruta e as outras receitas; os insumos adquiridos de terceiros; os valores retidos pela entidade; os valores adicionados recebidos (dados) em transferência a outras entidades; valor total adicionado a distribuir; e distribuição do valor adicionado.
Com a publicação das novas normas contábeis por força da Lei 11.638/2007, foi
alterado, dentre outros, o artigo 176 da Lei das S/A, sendo que desta forma as demonstrações contábeis obrigatórias a partir de 01.01.2008 são: o balanço patrimonial,
a demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, a demonstração do resultado do
exercício, a demonstração do fluxo de caixa e a demonstração do valor adicionado, complementadas pelas notas explicativas.
Assim, serão discutidas com maior profundidade as principais convergências existentes entre a legislação societária brasileira, (Lei 6404/1976), a nova lei contábil (Lei 11.638/2007) e as normas internacionais, especialmente os seus reflexos no Balanço Patrimonial, na Demonstração do Resultado, e nas mais novas obrigatoriedades de publicação, a DFC – Demonstração do Fluxo de Caixa e a DVA – Demonstração do Valor Adicionado.
As empresas obrigadas a publicar seus demonstrativos financeiros devem estar em consonância com o disposto no § 1º do art. 176 da Lei nº 6.404/76, que estabelece a publicação das demonstrações de cada exercício com a indicação dos valores correspondentes nas demonstrações do exercício anterior.
Procedimentos Iniciais para Elaboração do Balanço
No balancete são relacionadas todas as contas utilizadas pela empresa, sejam patrimoniais ou de resultado, demonstrando seus débitos, créditos e saldos.
As contas do balancete levantado no fim do exercício, nem sempre representam, os valores reais do patrimônio, naquela data, nem as variações patrimoniais do exercício, porque os registros contábeis não acompanham a dinâmica patrimonial no mesmo ritmo em que ela se desenvolve.
Para elaboração do balanço patrimonial devem ser efetuados vários ajustes na contas patrimoniais, entre os quais citamos os mais comuns:
1. Na data da elaboração do balanço, geralmente 31 de dezembro, prepara-se o balancete de verificação, da mesma forma ao que se faz mensalmente;
2. Elabora-se o inventário dos materiais, das mercadorias, dos produtos manufaturados, dos móveis e utensílios, das máquinas e equipamentos, das duplicatas a receber e a pagar, e de outros componentes suscetíveis de serem inventariados;
3. Confronta-se o saldo de cada conta do razão com os livros e documentos auxiliares tais como: boletim de caixa, extratos bancários, registros de duplicatas, registros de inventário, controles do ativo imobilizado, etc.;
4. Após confrontar os saldos das respectivas contas e dos registros específicos de cada conta, caso seja constatado divergências, e apurada suas causas, deve-se proceder aos ajustes necessários;
5. Efetuam-se os cálculos de depreciação dos bens, procedendo-se aos respectivos lançamentos. Nas empresas que apuram custos mensais, as depreciações são apropriadas mensalmente;
6. Procede-se a regularização das contas de despesas e receitas antecipadas;
7. Apurar o resultado da conta mercadorias, calculando o custo da mercadoria vendida e transferindo-o para a conta de resultados.
8. Encerram-se as contas de despesas e receitas, transferindo seus saldos para a conta de resultados no patrimônio líquido;
9. Após essas operações, estão encerradas as contas de resultado, restando somente as contas patrimoniais;
10. Elabora-se novo balancete de verificação, no qual aparecerá, em lugar das contas de despesas e de receitas, a conta lucros ou prejuízo, que resume todo o resultado do exercício;
11. Efetua-se a destinação do resultado do exercício de acordo com o previsto nos atos constitutivos, ou seja, se for lucro poderá ser destinado à formação de reservas ou ser distribuído aos sócios ou acionistas, se for prejuízo deverá ser absorvido por lucros/reservas de exercícios anteriores;
12. Elabora-se a demonstração do resultado do exercício, demonstrando as receitas e despesas, bem como o destino dado ao lucro;
13. Após os ajustes mencionados, as contas remanescentes, são apenas as contas patrimoniais, que serão separadas e classificadas no balanço patrimonial, sendo o saldo do ativo igual ao do passivo, da seguinte forma:
a) No Ativo as contas são dispostas em ordem decrescente do grau de liquidez dos elementos registrados, ou seja, as contas com maior liquidez aparecem antes. Assim, obedecendo ao prescrito no Art. 178, desde 01.01.2009 o ativo divide-se em circulante e não circulante.
De acordo com o artigo 179 da Lei das S/A, no Ativo as contas serão classificadas do seguinte modo:
 Ativo Circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte;
 Ativo Realizável a Longo Prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia;
 Investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa;
 Ativo Imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa
finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens;
 Intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido.
b) No Passivo as contas são dispostas em ordem decrescente de grau de exigibilidade dos elementos registrados, ou seja, as contas com maior exigibilidade aparecem antes. Como no ativo, observado o Art. 178, desde 01.01.2009 o passivo também é dividido em circulante e não circulante, com a particularidade de ainda receber o saldo das contas do patrimônio líquido.
De acordo com o artigo 180 e seguintes da Lei nº 6.404/76, no passivo as contas são classificadas da seguinte forma:
 As obrigações da companhia, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não circulante, serão classificadas no passivo circulante, quando se vencerem no exercício seguinte, e no passivo não circulante, se tiverem vencimento em prazo maior, observado o disposto no parágrafo único do art. 179.
Para efeitos de registro contábil das obrigações, a empresa deve obedecer ao princípio contábil da competência de exercícios e serão avaliados de acordo com os critérios estabelecidos no artigo 184 da Lei nº 6.404/76, ou seja:
a) As obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive Imposto sobre a Renda a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço;
b) As obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço;
c) as obrigações, encargos e riscos classificados no passivo não circulante serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante.
Dentro do ativo, outra mudança proposta pela Deliberação 488 e que busca a aproximação da contabilidade internacional, é a classificação no circulante. Para ser circulante, se espera que o ativo seja realizado, ou mantido para venda, negociação ou consumo dentro dos 12 meses seguintes à data do balanço; ou, quando é um ativo em dinheiro ou equivalente, cuja utilização não está restrita.
Essa classificação busca a convergência à normatização internacional, pois, diferentemente da Lei 6.404, a CVM não adota a expressão “até o término do exercício seguinte”, mas sim “doze meses”, o que acaba com uma discussão antiga sobre as reclassificações para curto prazo, nas demonstrações contábeis intermediárias. Assim, de acordo com a CVM o prazo para a classificação de um ativo como circulante é sempre de doze meses, exceto quando o ciclo operacional for maior. Essa classificação em doze meses está de acordo com o procedimento adotado internacionalmente.
O artigo 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por
Ações), instituiu a Demonstração do Resultado do Exercício.
A Demonstração do Resultado do Exercício tem como objetivo principal apresentar de
forma vertical e resumida, o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas num determinado período, normalmente compreendido de doze meses.
De acordo com a legislação mencionada, as empresas deverão na Demonstração do Resultado do Exercício, discriminar a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, dos abatimentos e dos impostos e a receita líquida das vendas e serviços.
Definição dos Títulos da DRE
1. Receita Bruta das Vendas e Serviços
Nesta conta registra-se a receita bruta das vendas de bens e serviços prestados em operações realizadas pela empresa.
Na legislação do Imposto de Renda, o conceito de receita líquida é o mesmo da Lei nº 6.404/76, no entanto, em relação ao conceito de receita bruta, o artigo 279 do RIR/99 define que, "na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos, cobrados do comprador ou contratante (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Dessa forma para fins de Imposto de Renda, o ICMS faz parte da receita bruta, mas o IPI não.
Assim sendo, em função do problema apresentado, pode-se adaptar a demonstração do resultado do exercício da seguinte forma:
I - Faturamento bruto
II - Receita bruta de vendas e serviços
2. Deduções das Vendas
I - Vendas Canceladas
Nesta conta, de natureza devedora, são registradas as devoluções de vendas relativas a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços. Assim sendo,
as devoluções não devem ser deduzidas diretamente da conta de vendas, mas registradas nessa conta devedora.
II - Abatimentos sobre vendas
Nessa conta serão registrados os descontos concedidos aos clientes relativos às vendas e serviços que devem ser excluídos da Receita Bruta.
III - Impostos e Contribuições Incidentes sobre Vendas
A receita bruta deve ser registrada pelos valores totais, incluindo os impostos sobre ela
incidentes (exceto IPI), que são registrados em contas devedoras. Desta forma os valores dos impostos incidentes sobre as vendas, tais como: ISS, ICMS, ISS, PIS, COFINS, serão diminuídos da receita bruta.
3. Custo das Mercadorias Vendidas e Serviços Prestados
Estas contas registram os custos de produção de bens ou serviços vendidos, compreendendo o seguinte:
a) custos diretos e indiretos da produção de bens ou de realização de serviços, inclusive encargos de depreciação, amortização e exaustão dos bens aplicados ou relacionados na
ou com a produção;
b) custos até o ponto de venda das mercadorias entregues a clientes.
A apuração dos custos dos produtos vendidos está diretamente relacionada aos estoques
da empresa, pois representa a baixa efetuada nas contas dos estoques por vendas realizadas no período. Nas empresas comerciais a apuração dos custos pode ser feita através da seguinte fórmula:
Estoque de Mercadorias no Início do Período
Compras ou Entradas no Período
Estoque de Mercadorias no Final do Período
No caso das empresas industriais, é necessário um sistema de contabilidade de custos, cuja complexidade vai depender da estrutura do sistema de produção e suas necessidades internas de controle.
Fazem parte deste grupo as receitas e despesas operacionais, as despesas com as vendas,
as despesas financeiras, deduzidas das receitas financeiras, as despesas administrativas e outras despesas enquadradas como operacionais.
4. Despesas de Vendas e Administrativas
I - Despesas com vendas
As despesas de vendas representam os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, bem como os riscos assumidos pela venda, tais como:
a) Despesas com o pessoal da área de vendas: salários, gratificações, férias, 13º salário, encargos sociais, assistência médica, comissões sobre vendas;
b) Propaganda e publicidade;
c) Gastos com garantia de produtos
d) Utilidades e serviços: transporte, depreciação e manutenção de bens, energia elétrica, telefone, água.
II - Despesas administrativas
As despesas administrativas representam os gastos, pagos ou incorridos, para direção ou gestão da empresa, tais como:
Despesas com o pessoal: salários, gratificações, férias, encargos, assistência médica, transporte;
Utilidades e serviços: energia elétrica, água, telefone, fax, correio, seguros;
Despesas gerais: material de escritório, material de limpeza, viagens, alimentação, jornais e revistas, despesas legais e judiciais, serviços profissionais contratados, depreciação e manutenção de bens;
Impostos e taxas: IPTU, IPVA, ITR, Contribuição Sindical.
Nesse grupo são incluídos os juros, os descontos e a atualização monetária pré-fixada, além de outros tipos de receitas ou despesas, bem como aquelas decorrentes de aplicações financeiras.
As atualizações monetárias ou variações cambiais de empréstimos são registradas separadamente no grupo variações monetárias.
I - As receitas financeiras englobam:
a) Descontos obtidos, decorrentes de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores ou outros títulos;
b) Juros recebidos referente aos juros cobrados pela empresa de seus clientes, por atraso de pagamento e outras operações similares;
c) Receitas de aplicações financeiras que engloba as receitas decorrentes de aplicações financeiras, correspondente a diferença entre o valor aplicado e o valor resgatado;
d) Outras receitas de investimentos temporários;
II - As Despesas financeiras abrangem:
a) Descontos concedidos aos clientes pelo pagamento antecipado e outros títulos;
b) Juros de empréstimos, financiamentos, descontos de títulos e outras operações;
Comissões e despesas bancárias cobradas pelos bancos nas operações de desconto, de concessão de crédito, etc.
Correção monetária prefixada de empréstimos.
- Variações monetárias de obrigações e créditos englobam:
Variação cambial incorrida pela atualização periódica de obrigações ou créditos a serem pagos ou recebidos em moeda estrangeira;
Atualização monetária que registra as atualizações sobre obrigações ou créditos sujeitos à cláusula de atualização monetária.
Engloba outras receitas e despesas operacionais decorrentes de atividades acessórias do objeto da empresa, tais como:
Lucros e prejuízos em participações societárias;
Vendas de sucatas ou sobras de estoques.
Nesse grupo são segregados os resultados não operacionais, ou seja, aqueles decorrentes
de outras operações não ligadas às atividades principais ou acessórias da empresa, tais
Ganhos e perdas na alienação de investimentos permanentes;
Ganhos e perdas na alienação de bens e direitos do ativo imobilizado;
Ganhos e perdas por desapropriação, baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência de bens do ativo imobilizado.
Nessas contas devem ser registrados o valor relativo à Contribuição Social Sobre o Lucro e do Imposto de Renda devido sobre o resultado.
9. Participações e Contribuições
Essas participações e contribuições devem ser contabilizadas na própria data do balanço, mediante débito nas contas de participações no resultado e crédito nas contas
de provisão no Passivo Circulante.
De acordo com o artigo 189 da lei das S/A, do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o imposto sobre a renda.
Dessa forma, toma-se o lucro líquido depois do imposto de renda e contribuição social, antes das participações e dele se deduz o saldo eventual de prejuízos acumulados, apurando-se assim a base inicial de cálculo das participações.
Ressalte-se que o cálculo das participações não é feito sobre o mesmo valor. Deve ser calculado extra contabilmente, primeiramente a participação das debêntures, do lucro remanescente se calcula a participação dos empregados, do lucro remanescente desse cálculo, se calcula a participação dos administradores e do saldo, a participação das partes beneficiárias.
Considerando-se que determinada empresa tenha definido no seu estatuto, que as debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias tenham direito a participação de 5% do lucro do exercício. A empresa tem um saldo de prejuízos acumulados no valor de $ 20.000,00, e o seu resultado do exercício após o Imposto de Renda e Contribuição Social corresponde a $ 100.000,00, teremos:
Lucro após Imposto de Renda e Contribuição Social (-) prejuízo acumulado (=) Base de cálculo das participações (-) Debêntures = 5% de $ 80.000,00 (=) Nova base de cálculo (-) Empregados = 5% de $ 76.000,00 (=) Nova base de cálculo (-) Administradores = 5% de $ 72.200,00 (=) Nova base de cálculo (-) Partes beneficiárias = 5% de $ 68.590,00 (=) Lucro líquido após as participações
65.160,50
10. Lucros Por Ação
O artigo 187 da Lei nº 6.404/76, determina a indicação do montante do lucro ou prejuízo líquido por ação do Capital Social, o que possibilita melhor avaliação pelos investidores dos resultados apurados pela companhia em relação às ações que possui.
O lucro por ação é apurado, pela divisão do lucro líquido de exercício pelo número de
ações em circulação do capital social:
a) Lucro por ação = lucro líquido
b) Nº de ações
A elaboração da demonstração das mutações do Patrimônio Líquido é facultativa e, de
acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da Lei das Sociedades Anônimas, a
demonstração de lucros ou prejuízos acumulados poderá ser incluída nesta demonstração.
Por ser uma demonstração mais completa e abrangente, uma vez que evidencia a movimentação de todas as contas do patrimônio líquido durante o exercício social, inclusive a formação e utilização das reservas não derivadas do lucro, observam-se, anualmente, em virtude desse aspecto positivo, que a maioria das empresas opta pela sua elaboração.
1. Mutações nas Contas Patrimoniais
I - Itens que afetam o patrimônio total:
c) Acréscimo por reavaliação de ativos;
j) Acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores;
II - Itens que não afetam o total do patrimônio
Apropriações do lucro líquido do exercício reduzindo a conta Lucros Acumulados para formação de reservas, como Reserva Legal, Reserva de Lucros a Realizar, Reserva para Contingência e outras;
elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é relativamente
simples, pois basta representar, de forma sumária e coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido, isto é, Capital, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Reservas de Reavaliação e Lucros ou Prejuízos Acumulados.
Deve-se utilizar um papel de trabalho, utilizando uma coluna para cada uma das contas
do patrimônio da empresa e abrindo uma conta total, que representa a soma dos saldos
ou transações de todas as contas individuais. Essa movimentação deve ser extraída das
fichas de razão dessas contas.
As transações e seus valores são transcritos nas colunas respectivas, mas de forma coordenada. Por exemplo, se temos um aumento de capital com lucros e reservas, na linha correspondente a essa transação, transcreve-se o acréscimo na coluna de capital
pelo valor do aumento e, na mesma linha, as reduções nas contas de reservas e lucros utilizados no aumento de capital pelos valores correspondentes.
Esta demonstração possibilita uma avaliação precisa das alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados em relação aos dois últimos exercícios sociais.
De acordo com o artigo 186, parágrafo 2º da Lei nº 6.404/76, a companhia poderá, à sua opção, incluir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido.
Deve-se lembrar que a referida demonstração é também obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas, conforme a legislação do Imposto de Renda.
a) O saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores;
b) As reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; e
c) As transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período.
Os registros dos fatos contábeis são suscetíveis de erros, que poderão ou não interferir na apuração do resultado e, consequentemente, na base imponível do Imposto de Renda relativo ao exercício em determinado período.
a) Mudança de Critério Contábil
A modificação de métodos ou critérios contábeis poderá ter ou não efeitos relevantes e,
também, poderão influenciar ou não a apuração do lucro líquido do exercício.
São exemplos de alterações de critérios contábeis que afetam a apuração do lucro líquido do exercício:
A alteração do método de avaliação dos estoques, quando se utiliza o custeio direto e altera-se para o custeio por absorção;
Utilização do regime de caixa para o regime de competência, na contabilização do Imposto de Renda ou outros passivos;
Mudança no método de avaliação dos investimentos deixando de utilizar o método do custo para aderir à equivalência patrimonial.
retificação de erros de exercícios anteriores poderá afetar, também, o lucro líquido do
exercício. Nesse caso, o valor correspondente à retificação será lançado, conforme o caso, a débito ou a crédito da conta de "Lucros ou Prejuízos Acumulados". Note-se que os ajustes são aqueles resultantes de efeitos na retificação de erro imputável a
determinado exercício anterior e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes.
É necessária bastante cautela e prudência para registrar ajustes por erros de exercícios
anteriores diretamente na conta de Lucros Acumulados, não oferecendo esse tratamento a pequenos valores.
3. Erros com Contas Patrimoniais
Regra geral, os erros cometidos com contas patrimoniais, tais como inversão de lançamento, contrapartida a débito em conta indevida ou contrapartida a crédito em conta indevida, não provoca influência na determinação do lucro e, por inferência, no resultado tributável do exercício.
O reflexo na determinação do resultado do exercício, via de regra, só ocorre quando a
contrapartida das contas patrimoniais transitar pelo balanço de resultados e, consequentemente, se traduz em aumento, redução ou postergação do pagamento do Imposto de Renda.
4. Aumento Indevido do Resultado na Escrituração Contábil
c) Falta de registro referente a baixa de bens do ativo imobilizado.
5. Procedimento Contábil para Regularização do Erro
Imaginemos que no ano-calendário de XXX1 a empresa, inadvertidamente, não efetuou o registro contábil referente ao cancelamento de uma nota fiscal no valor de $ 60.000,00, ocorrendo a sua regularização no período subsequente.
Ajustes de Exercícios Anteriores - (Patrimônio Líquido)
Duplicatas a Receber - (Ativo Circulante)
Histórico: Valor relativo baixa da duplicata nº cancelada.
referente a nota fiscal nº
Lucros ou Prejuízos Acumulados - (Patrimônio Líquido)
Histórico: Transferência referente ajustes efetuados no período de XXX1:
Provisão para Imposto de Renda - (Passivo Circulante)
Histórico: Valor relativo Imposto de Renda calculado sobre o valor contido no resultado do ano-calendário de XXX1 ($ 60.000,00 x 15%).
6. Redução Indevida do Resultado na Escrituração Contábil
Registro em conta indevida referente ao recebimento de uma duplicata;
Subavaliação do estoque final de mercadorias, resultando em aumento excessivo do CMV;
Registro a débito em conta de resultado referente conserto de bens do ativo imobilizado, que resulte em aumento da vida útil superior a um ano em relação a sua (s) data (s) de aquisição;
Constituição da provisão para férias em desacordo com a legislação;
Constituição de outras provisões ou excesso em relação ao limite fiscal previsto na legislação.
Supondo-se que os erros que provocam a redução indevida do resultado tenham sido detectados após o término do exercício, o procedimento contábil a ser seguido pela empresa será o seguinte:
Imaginemos que determinada empresa tenha desembolsado a importância de $ 10.000,00 na reforma de um veículo e, em decorrência dessa reforma, houve um aumento de vida útil superior a um ano.
Despesas de Conservação de Veículos - (Resultado)
Fornecedores - (Passivo Circulante)
Histórico: Valor relativo nota fiscal nº
- Ajustes de Exercícios Anteriores - (Patrimônio Líquido)
Veículos - (Ativo Permanente)
Ltda. referente a reforma do
- Lucros ou Prejuízos Acumulados - (Patrimônio
Histórico: Transferência referente ajustes efetuados no ano-calendário de XXX1.
- Lucros ou Prejuízos Acumulados - (Patrimônio Líquido)
- Provisão para Imposto de Renda - (Passivo Circulante)
Histórico: Valor relativo a IR incluso no valor retificado ($ 10.000,00 x 15%)
Representa as alterações ocorridas nas contas que registram as reservas, mediante a reversão de valores para a conta Lucros Acumulados, em virtude daqueles valores não serem mais utilizados.
De acordo com o § 2º do artigo 186 da Lei nº 6.404/76 a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e divulgada pela companhia, pois não inclui somente o movimento
conta de lucros ou prejuízos acumulados, mas também o de todas as demais contas
A demonstração das origens e aplicações de recursos não é mais uma demonstração de
publicação obrigatória, pois fora substituída pela DFC, através da edição da Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, no entanto foi obrigatória até o encerramento das
demonstrações em 31/12/2007. Ela indica a ideia de movimentação de recursos financeiros e algumas empresas tendem a continuar utilizando-a internamente.
Segundo o TEIXEIRA, Paulo Henrique, em sua obra Fechamento de Balanço - Edição Eletrônica Atualizável, 2005-2009 - Portal Tributário Editora, origens e aplicações de recursos indica as modificações na posição financeira da companhia. Não se pode considerar como tais os valores resultantes de ajustes por correção monetária e cambial, receitas ou perdas derivadas de participações societárias avaliadas por equivalência patrimonial, custos ou despesas comportadas no resultado sem que tenha havido desembolso de caixa ou geração de direitos ou obrigações a curto prazo.
Em virtude das normas do artigo 188 da Lei das Sociedades por Ações não preverem um número bastante amplo de ajustes do Resultado Líquido do Exercício de elementos que não influenciam o Capital Circulante Líquido, exceto depreciação, amortização, exaustão e variações nos resultados de exercícios futuros, muitas empresas têm apresentado a DOAR de forma incorreta, afetando sua finalidade na análise financeira.
A demonstração das origens e aplicações de recursos indicará as modificações na
posição financeira da companhia, discriminando:
Recursos de terceiros, originários do aumento do passivo exigível a longo prazo, da redução do ativo realizável a longo prazo e da alienação de investimentos e direitos do ativo imobilizado.
- as aplicações de recursos agrupadas em:
Aumento do ativo realizável a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido (vigente até 04.12.2008);
III - o excesso ou insuficiência das origens de recursos em relação às aplicações, representando aumento ou redução do capital circulante líquido.
IV - os saldos no início e no fim do exercício, do ativo circulante e passivo circulante, o
montante do capital circulante líquido e o seu aumento ou redução durante o exercício.
As origens de recursos são representadas pelos aumentos no Capital Circulante Líquido,
Das próprias operações, quando as receitas (que geram ingressos de capital circulante líquido) do exercício são maiores que as despesas, ou seja, resultam do lucro líquido apurado exclusivamente das operações regulares da empresa. Assim, se houver lucro, teremos uma origem de recursos, se houver prejuízo, teremos uma aplicação de recursos.
Dos acionistas, pelos aumentos de capital integralizados pelos mesmos no exercício, já que tais recursos aumentaram as disponibilidades da empresa e, consequentemente, seu capital circulante líquido.
De terceiros, por empréstimos obtidos pela empresa, pagáveis a longo prazo, bem como dos recursos oriundos da venda a terceiros de bens do Ativo Imobilizado, ou de transformação de Realizável a Longo Prazo em Ativo Circulante.
empréstimos feitos e pagáveis a curto prazo, não são considerados como origem de
recursos para fins dessa demonstração, pois não alteram o Capital Circulante Líquido. Nesse caso há um aumento de disponibilidades e, ao mesmo tempo, do Passivo Circulante.
Enfatize-se que a depreciação, amortização ou exaustão, por representarem uma recuperação de fundos, devem ser adicionadas ao lucro líquido apurado no exercício, para efeito de elaboração da demonstração das origens e aplicações de recursos.
As aplicações de recursos são representadas pela redução do Capital Circulante Líquido
entre o início e o término de determinado período.
As aplicações de recursos mais comuns que implicam na variação do Capital Circulante
Líquido são as seguintes:
a) Imobilizações
Ocorrendo a aquisição de bens para o Ativo Imobilizado, investimentos permanentes ou aplicação de recursos no Ativo Diferido (vigente até 04.12.2008), tais fatos representam aplicação de recursos e, consequentemente, refletem numa variação líquida negativa do Capital Circulante Líquido.
b) Redução do passivo exigível a longo prazo
A amortização de empréstimos a longo prazo significa, em princípio, uma redução do passivo exigível a longo prazo e, representa uma aplicação de recursos. Por outro lado, a obtenção de um novo financiamento representa uma origem de recursos.
Tendo em vista que o conceito de recursos é o de Capital Circulante Líquido, a mera transferência de um saldo de empréstimo do Exigível a Longo Prazo para o Passivo Circulante, por vencer no exercício seguinte, representa uma aplicação de recursos, pois reduziu o Capital Circulante Líquido.
c) Remuneração de dividendos
A remuneração de acionistas, decorrente de dividendos, representa uma aplicação de recursos, refletindo numa variação negativa do Capital Circulante Líquido.
Conceito de Capital Circulante Líquido
Na linguagem simplista, conceitua-se o Capital Circulante Líquido como sendo a diferença entre o ativo circulante (disponível, contas a receber, estoques e despesas pagas antecipadamente) e o passivo circulante (fornecedores, contas a pagar e outras exigibilidades do exercício seguinte) em determinada data.
Capital Circulante Líquido = Ativo Circulante - Passivo Circulante
Quando o Ativo Circulante é maior do que o Passivo Circulante, tem-se um Capital Circulante Líquido próprio.
Quando o Ativo Circulante é menor do que o Passivo Circulante, tem-se um Capital Circulante Líquido negativo ou de terceiros.
Quando as operações consomem Capital Circulante Líquido, isso representa uma aplicação e, como tal, deve ser apresentado na demonstração, no grupo de aplicações, como o primeiro item do grupo.
Isso ocorre quando a empresa está operando com prejuízo. Entretanto, se a empresa está com prejuízo, mas em decorrência dos ajustes citados, as operações próprias apresentam uma origem de recursos (lucro), a apresentação do prejuízo e de seus ajustes deve ser no agrupamento das origens.
No caso da empresa apresentar lucro, mas os ajustes evidenciarem uma aplicação de recursos (prejuízo), a apresentação do lucro e seus ajustes deve ser no agrupamento de aplicações.
Transações Que Não Afetam o Capital Circulante Líquido
Além das origens e aplicações relacionadas anteriormente, há inúmeros tipos de transações efetuadas que não afetam o Capital Circulante Líquido, mas são representadas como origens e aplicações simultaneamente, como por exemplo:
a) Aquisição de bens do Ativo Não Circulante (Investimentos ou Imobilizado) pagáveis a Longo Prazo. Nesse caso, há uma aplicação pelo acréscimo do Ativo Não Circulante e, ao mesmo tempo, uma origem pelo financiamento obtido pelo
acréscimo no Exigível a Longo Prazo no exercício, como se houvesse entrado um recurso que fosse imediatamente aplicado.
b) Conversão de empréstimos de longo prazo em capital, caso em que há uma origem pelo aumento do capital e, paralelamente, uma aplicação pela redução do Exigível a Longo Prazo, como se houvesse ingresso de recurso de capital aplicado na liquidação da dívida.
c) Integralização de Capital em bens do Ativo Imobilizado, situação também sem efeito sobre o Capital Circulante Líquido, mas representada na origem (aumento de capital) e na aplicação (bens do Ativo Imobilizado recebidos), como se houvesse essa circulação do recurso.
d) Venda de bens do Ativo Imobilizado recebível a Longo Prazo, operação que também deve ser demonstrada na origem, como se fosse recebido o valor da venda
e, na aplicação, como se houvesse o empréstimo sido feito para recebimento a longo
e) Depreciação, amortização e exaustão, tais valores lançados como despesa do exercício, diminuem o resultado, mas não reduzem o capital circulante líquido; representam redução no Ativo Não Circulante e redução no Patrimônio Líquido,
mas não alteram os valores de Ativo e Passivo Circulantes. Desta forma, o valor desses itens registrados no ano deve ser adicionado ao lucro líquido para apuração do valor efetivo dos recursos gerados pelas próprias operações.
f) Variação nos resultados de exercícios futuros, representa lucros que, pelo regime de competência, pertencem a exercícios futuros, porém, já afetaram o CCL, ou seja, se
o saldo de Resultados de Exercícios Futuros tem um aumento no exercício, significa
que a empresa já o recebeu, aumentando o CCL, mas sem que o tenha registrado como receita. Assim, como se trata de recebimento originário pelas operações da empresa, deve ser agregado ao resultado do exercício. Se houver redução do saldo desse grupo, deve ser diminuído do lucro líquido.
g) Lucro ou prejuízo registrado pelo método da equivalência patrimonial para investimentos em coligadas ou controladas, esse resultado, que afeta o lucro da investidora, não afeta o seu capital circulante líquido. Por isso, na apuração da origem de recursos das operações, esse valor deve ser diminuído do lucro líquido, se for receita; ou a ele acrescentado, se for despesa.
h) Ajustes de exercícios anteriores: esses ajustes são registrados diretamente na conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados, não afetando, portanto, o lucro líquido do ano. Neste caso, os ajustes são efetuados nos saldos iniciais do balanço, nas contas a que se refere, como se já houvesse sido registrado nos anos anteriores, assim sendo, as origens e aplicações de recursos do ano já ficarão expurgadas desse efeito.
i) Variações monetárias de dívidas de longo prazo: essas despesas afetam o lucro mas, por reduzirem o Patrimônio Líquido e aumentarem o Exigível a Longo Prazo, não alteram o capital circulante líquido. Devem, por isso, também ser adicionadas ao lucro líquido do exercício.
Tratamento Aplicável no Caso de Prejuízo
As considerações acima foram feitas na situação em que as operações geram recursos, partindo do pressuposto de lucro líquido no exercício. Entretanto, se a situação é inversa, ou seja, quando as operações consomem capital circulante líquido, isso representa uma aplicação e, como tal, deve ser apresentado na demonstração, no grupo de aplicações, como o primeiro item do grupo. Isso ocorre quando a empresa está operando com prejuízo. Entretanto, se a empresa está com prejuízo, mas em decorrência
dos ajustes citados, as operações próprias apresentam uma origem de recursos (lucro), a apresentação do prejuízo e de seus ajustes deve ser no agrupamento das origens.
No caso da empresa apresentar lucro, mas os ajustes evidenciarem uma aplicação de recursos (prejuízo), a apresentação do lucro e seus ajustes devem ser no agrupamento de aplicações.
Modelo do Demonstrativo
Devemos ressaltar que esse modelo, não deve inibir a apresentação de demonstração mais detalhada e melhor adaptada ao segmento de negócio da empresa. Caso a empresa julgue necessária, poderá apresentar essas informações também em notas explicativas às demonstrações contábeis.
(+) Variações Monetárias de Empréstimos a Longo Prazo
(+) Prejuízo na Venda de Bens do Ativo Permanente
(+) Recebimentos no Período Classificados como REF
(-) Lucro na Venda de Bens do Ativo Permanente
(-) Transferência de REF para o Resultado do Exercício
(±) Outras Despesas e Receitas que não afetam o CCL
(+) Realização do Capital Social
(+) Valor de alienação de Bens do Ativo Permanente
Dividendos Pagos, Creditados ou Propostos
Aumento do Ativo Realizável a Longo Prazo
Aquisição de Bens do Ativo Permanente
3. Variação do Capital Circulante Líquido
Após o encerramento do demonstrativo é feita uma conferência simples através dos elementos patrimoniais circulantes, sendo que o valor da variação apontada na DOAR deve ser exatamente igual à variação apurada na tabela de conferência:
+ Ativo Circulante
3.6. Demonstração dos Fluxos de Caixa
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC), ao contrário da DOAR, passou a ser um
relatório obrigatório pela contabilidade para todas as sociedades de capital aberto ou
com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde a publicação da Lei nº 11.638 de 28/12/2007 e desta forma torna-se mais um importante relatório para a tomada de decisões gerenciais.
A Demonstração dos Fluxos de Caixa irá indicar quais foram às saídas e entradas de
dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo.
As Principais Transações que Afetam o Caixa
seguir, relacionaremos em dois grupos as principais transações que afetam o caixa.
Transações que Aumentam o Caixa (Disponível)
- Integralização do Capital pelos proprietários em dinheiro;
- Empréstimos bancários e financiamentos oriundos das instituições financeiras;
- Vendas de Ativos Permanentes;
- Outras entradas (juros recebidos, indenizações de seguros, etc.).
Transações que Diminuem o Caixa (Disponível)
- Pagamento de dividendos aos acionistas;
- Pagamento de juros, correção monetária de dívidas;
- Aquisição de itens do Ativo Não Circulante;
- Compra à vista e pagamento de fornecedores;
- Pagamentos de despesas/custo, contas a pagar e outros.
Transações Que Não Afetam o Caixa
Dentre as transações realizadas pela empresa, algumas não afetam o caixa, isto é, não há encaixe e nem desencaixe de dinheiro, como por exemplo: - Depreciação, amortização e exaustão; - Provisão para devedores duvidosos; - Correção monetária de balanço; -
Acréscimo ou diminuições de investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial, sem significar que houve vendas ou novas aquisições.
Atividades de Investimento são os gastos efetuados no Realizável a Longo Prazo ou
Ativo Imobilizado, bem como as entradas por venda de ativos imobilizados.
Atividades de Financiamento são os recursos obtidos do Passivo não circulante e do
Patrimônio Líquido. Devem ser incluídos aqui os empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas correspondem à amortização destas dívidas e os valores pagos aos acionistas a título de dividendos, distribuição de lucros.
Pelo Método Direto a empresa fará o confronto direto entre as contas da Demonstração
de Resultado e as contas do Balanço Patrimonial, detalhando as entradas e saídas de
Agora é só uma questão de ordenamento das entradas e saídas de caixa, conforme a estrutura internacional pelo Método Direto. Para os ingressos de recursos, considerar os valores positivos, para as saídas, negativos.
A seguir mostraremos um modelo simplificado de DFC pelo método direto, baseado no
modelo FAS 95, ou seja, fazendo uma segregação dos tipos de atividades:
1. Das Atividades Operacionais (+) Recebimentos de Clientes e outros (-) Pagamentos a Fornecedores (-) Pagamentos a Funcionários (-) Recolhimentos ao Governo (-) Pagamentos a Credores Diversos
2. Das Atividades de Investimentos (+) Recebimento de Venda de Imobilizado (-) Aquisição de Ativo Permanente (+) Recebimento de Dividendos
3. Das Atividades de Financiamentos (+) Novos Empréstimos (-) Amortização de Empréstimos (+) Emissão de Debêntures (+) Integralização de Capital (-) Pagamento de Dividendos
4. Aumento/Diminuição Nas Disponibilidades
O Método Indireto é aquele pelo qual os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados a partir do lucro líquido, ajustado pelos itens considerados na contas de resultado, porém sem afetar o caixa da empresa. O Método Indireto é feito com base nos ajustes do lucro líquido do exercício que se encontra na Demonstração de Resultado.
Primeiro passo: Os itens operacionais que não usaram dinheiro, mas foram deduzidos como despesas devem ser acrescentados de volta ao lucro do exercício. Exemplo:
Segundo passo: As alterações ocorridas no Capital Circulante Líquido (AC e PC) também devem ser ajustadas, porque estão relacionadas com as atividades operacionais.
1. Fluxo de Caixa Operacional Líquido Lucro Líquido (-) Aumento de Estoques (+) Depreciação (-) Aumento de Clientes (+) Pagamento a Funcionários (+) Contas a Pagar (+) Pagamentos de Impostos e Tributos (+) Aumentos de Fornecedores
Quando há um aumento nos ativos circulantes (estoques, contas a receber), o raciocínio é que foi usado dinheiro do caixa, para comprar estoques ou conceder crédito a clientes. De maneira inversa, se os estoques ou clientes diminuírem é porque a empresa está tendo receita ou recebimento de clientes.
Os aumentos do AC usam caixa, as diminuições produzem caixa.
Os aumentos do Passivo Circulante têm o efeito oposto sobre o caixa. Quando os fornecedores concedem créditos, o caixa é liberado para outras atividades. Quando a empresa diminui a conta de fornecedores, é que ela está usando caixa para solver compromissos.
Os aumentos do PC produzem caixa, as diminuições usam caixa.
Todos estes ajustes fazem parte das atividades operacionais. As demais atividades de investimento e de financiamento serão elaboradas nos mesmos moldes do Método Direto, usando-se para tanto os dados do Balanço Patrimonial.
A demonstração é uma ferramenta que permite ao administrador financeiro melhorar o
planejamento financeiro da empresa, conseguindo, com isso, que o Caixa fique livre de excessos e que a empresa conheça antecipadamente as suas necessidades de dinheiro.
Dessa maneira, deverá sempre ser comparada com o efetivo desempenho de Caixa da empresa para poder alcançar toda a sua utilidade nas previsões orçamentárias e de investimentos, assim como ser aperfeiçoada para tornar-se cada vez mais objetiva e próxima da realidade.
Outra demonstração de publicação obrigatória para as sociedades de capital aberto, por força da Lei nº 11.638 de 28/12/2007. A riqueza gerada pela empresa, medida no conceito de valor adicionado é calculada a partir da diferença entre o valor de sua produção e o dos bens produzidos por terceiros utilizados no processo de produção da empresa.
A atual e a potencial aplicação do valor adicionado mostram o aspecto econômico e
social que o seu conceito envolve: (a) como índice de avaliação do desempenho na geração da riqueza, ao medir a eficiência da empresa na utilização dos fatores de produção, comparando o valor das saídas com o valor das entradas, e (b) como índice de
avaliação do desempenho social à medida que demonstra, na distribuição da riqueza gerada, a participação dos empregados, do Governo, dos Agentes Financiadores e dos Acionistas.
O valor adicionado demonstra, ainda, a efetiva contribuição da empresa, dentro de uma
visão global de desempenho, para a geração de riqueza da economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço conjugado de todos os seus fatores de produção.
adquiridos de terceiros. É, portanto, o quanto a entidade contribuiu para a formação do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
A Demonstração do Valor Adicionado, que também pode integrar o Balanço Social,
constitui desse modo, uma importante fonte de informações à medida que apresenta esse conjunto de elementos que permitem a análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando a geração de riqueza, assim como dos efeitos sociais produzidos pela distribuição dessa riqueza.
Desde 1992, a CVM tem apoiado e estimulado a divulgação da DVA, por meio do Parecer de Orientação CVM nº 24/92. No Ofício Circular CVM/SNC/SEP/ no 01/00, a CVM sugeriu a utilização de modelo elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisa Contábeis, Atuariais e Financeiras da USP (FIPECAFI).
Considerando a obrigatoriedade que as companhias abertas têm na divulgação desta demonstração e objetivando orientar e incentivar as demais empresas que ainda não são obrigadas e por isso não aderiram a ela é que apresentamos um modelo simplificado de Demonstração do Valor Adicionado com instruções para o seu preenchimento.
Devemos ressaltar que esse modelo não deve inibir a apresentação de demonstração mais detalhada e melhor adaptada ao segmento de negócio da empresa. Caso a empresa julgue necessária, poderá apresentar essas informações em notas explicativas às demonstrações contábeis.
Provisão para Credito de Liquidação Duvidosa
Custo da Mercadoria e dos Serviços
Materiais, Energia, Serviço de Terceiros e Outros
Perda / Recuperação de Valores Ativos
Depreciação, Amortização e Exeustão
Valor Recebido em Transferência
Lucros Retidos / Prejuízo do Exercício
Obs: O valor apurado a distribuir (item 7), deve ser totalmente distribuido (item 8).
Pode-se verificar a utilização do critério de cálculo do valor adicionado com base nas vendas, o que torna mais simples a elaboração da DVA e mais fácil seu entendimento, uma vez que, assim, o valor adicionado fica relacionado com os princípios contábeis utilizados nas demonstrações contábeis tradicionais, possibilitando sua conciliação com a demonstração do resultado. Parte-se, desse modo, das receitas brutas e subtrai-se o valor dos bens adquiridos de terceiros que foi incorporado ao produto final alienado ou serviço prestado, para que se conheça o valor efetivamente gerado pela companhia. Deve-se destacar, ainda, que a depreciação de ativos avaliados pelo custo de aquisição deve ser subtraída do valor adicionado bruto para se calcular o valor adicionado líquido, não devendo ser classificados tais valores como retenções do lucro do período.
De acordo com a Lei 6.404/76, o relatório da administração deve ser publicado
juntamente com as demonstrações financeiras do encerramento do exercício social, mas
de maneira geral os relatórios de administração não têm sido apresentados na forma
mais adequada e com suficiente divulgação.
Em razão disso, a CVM pronunciou-se através do Parecer da Orientação nº 15 de 28.12.87, recomendando que este relatório contenha informações sobre:
a) Aquisição de debêntures de sua própria emissão (art. 55, § 2º da Lei 6.404/76);
b) Política de reinvestimento de lucros e distribuição de dividendos constantes de acordo de acionistas (art. 118, § 5º da Lei 6.404/76);
c) Negócios sociais e principais fatos administrativos ocorridos no exercício (art. 133, inciso I da Lei 6.404/76);
d) Relação dos investimentos em sociedades coligadas e/ou controladas evidenciando as modificações ocorridas durante o exercício (art. 243 da Lei 6.404/76).
Desde o advento da Lei nº 6.404/76, a CVM vem examinando o conteúdo dos relatórios apresentados anualmente pelas companhias abertas, e tem sido expressivo o número de empresas que o apresentam de modo sucinto utilizando diversas justificativas, dentre as quais a de que os informes necessários para análise de todos os aspectos, estão contidos nas notas explicativas.
Este procedimento, além de infringir a lei, não é compatível com a postura que se espera
de uma companhia aberta, acarretando a perda de uma valiosa oportunidade da
companhia ser mais bem conhecida e avaliada pelo público investidor, por seus clientes, fornecedores e credores.
Outro ponto que deve ser observado na confecção dos relatórios diz respeito ao conteúdo. Não é válida a simples apresentação de percentuais que podem ser obtidos por qualquer leitor das demonstrações financeiras, visto que as informações realmente relevantes ao usuário são os comentários e apreciações dos fatores que influenciaram as variações ocorridas.
Somente neste exercício foi determinada a republicação de centenas de relatórios por não atenderem o mínimo requerido pelas disposições legais. Na maior parte desses relatórios os administradores se limitaram tão somente a apresentar as demonstrações financeiras agradecendo a colaboração de funcionários, credores, etc. e se colocando à disposição dos acionistas para maiores esclarecimentos. Outros relatórios apresentavam informações incompletas ou não condizentes com as demonstrações publicadas.
A divulgação de informações úteis, fidedignas e detalhadas, que possibilitem o
conhecimento da companhia e de seus objetivos e políticas, é um direito essencial do acionista. O relatório da administração não pode ser excluído dessa premissa, assim, tanto a falta de informações quanto a inclusão de estudos e fatos genéricos que não
dizem respeito à situação particular da companhia constituem desatendimento ao interesse e ao direito do investidor.
relatório, como peça integrante das demonstrações financeiras, deverá complementar
peças contábeis e notas explicativas, observadas a devida coerência com a situação
nelas espelhada, formando um quadro completo das posturas e do desempenho da administração na gestão e utilização dos recursos que se encontram a ela confiados.
A complexidade crescente dos negócios e a instabilidade do ambiente econômico e o
seu reflexo inevitável na vida das companhias, exige uma postura cada vez mais profissional das administrações e o relatório pode e deve se transformar num valioso elemento de comunicação entre a companhia, seus acionistas e a comunidade em que está inserida.
A Lei nº 6.385 de 07.12.76, dá competência à CVM para estabelecer normas sobre o
relatório da administração. Com base nessa competência está sendo estudado, e deverá ser emitido parecer de orientação específico contemplando as informações mínimas a serem divulgadas no relatório. Entretanto, é requerido, no mínimo, a apresentação das informações determinadas pela Lei das Sociedades por Ações.
A título de recomendação e exemplo, apresentamos a seguir relação dos itens que constituem informações que atendem às linhas gerais e que já foram apresentadas por muitas companhias no Brasil (e comumente em alguns outros países):
a) Descrição dos negócios, produtos e serviços: histórico das vendas físicas dos últimos dois anos e vendas em moeda de poder aquisitivo da data do encerramento do exercício social. Algumas empresas apresentam descrição e análise por segmento ou linha de produto, quando relevantes para a sua compreensão e avaliação.
c) Recursos humanos: número de empregados no término dos dois últimos exercícios e "turnover" nos dois últimos anos, segmentação da mão de obra segundo a localização geográfica; nível educacional ou produto; investimento em treinamento; fundos de seguridade e outros planos sociais.
d) Investimentos: descrição dos principais investimentos realizados, objetivo, montantes e origens dos recursos alocados.
g) Proteção ao meio-ambiente: descrição e objetivo dos investimentos efetuados e montantes aplicados.
j) Direitos dos acionistas e dados de mercado: políticas relativas à distribuição de direitos, desdobramentos e grupamentos; valor patrimonial das por ação, negociação e cotação das ações em Bolsa de Valores.
Em se tratando de companhia de participações, o relatório deve contemplar as informações acima mencionadas, mesmo que de forma mais sintética, relativas às empresas investidas.
Convém observar que essas são apenas sugestões coletadas em publicações diversas e
de grande importância, mas elas não devem inibir a criatividade da administração em
elaborar um relatório próprio e personalizado.
As Notas explicativas - (NE) contêm informação adicional em relação à apresentada nas
demonstrações contábeis, elas oferecem descrições narrativas ou segregações e aberturas de itens divulgados nessas demonstrações e informação acerca de itens que não se enquadram nos critérios de reconhecimento nas demonstrações contábeis, portanto são necessárias e úteis para melhor entendimento e análise das demonstrações contábeis, ou seja, aplicáveis em todos os casos que forem pertinentes.
A Resolução do CFC 1.185/09 - NBC TG 26 que trata da apresentação das
demonstrações faz menção a forma de como se fazer e estruturar as referidas Notas Explicativas.
Com base na legislação contábil e profissional vigente e de acordo com os novos entendimentos do próprio CFC, podemos afirmar que desde a implantação do IFRS no Brasil, não existe mais Demonstrações Contábeis que não devam ser complementadas por Notas Explicativas, que passam a ser de elaboração obrigatória para todas as entidades, independentemente de porte, atividade ou forma de tributação.
As notas explicativas são normalmente apresentadas na seguinte ordem, que ajuda os
usuários no entendimento das demonstrações contábeis e na comparação com as de outras entidades:
d) Informações adicionais para itens apresentados nas demonstrações contábeis, divulgadas na mesma ordem.
 Contingências e outras divulgações de caráter financeiro; e
 Divulgações não financeiras, tais como riscos financeiros da entidade, as correspondentes políticas e objetivos da administração, que não se confundam
com as informações a divulgar no relatório da administração, incluindo, mas não se limitando, a políticas de proteção cambial ou de mercado, hedge etc.
Em algumas circunstâncias, pode ser necessário ou desejável modificar a sequencia de itens específicos dentro das notas explicativas. Por exemplo, informações sobre taxas de juros e ajustes a valor de mercado podem ser combinadas com informações sobre vencimento de instrumentos financeiros apesar de os primeiros serem divulgações de demonstração do resultado e os últimos referirem-se ao balanço. Não obstante, uma estrutura sistemática para as notas explicativas deve ser mantida sempre que praticável.
Nota sobre Operações
A nota explicativa inicial que geralmente inicia a lista das notas trata das operações ou
do contexto operacional e declara o objetivo social da empresa. O objetivo declarado nas notas deve manter coerência com os objetivos declarados no estatuto social da empresa, que estabelece a relação contratual entre os acionistas e é o principal documento sobre as regras de governança da sociedade. A nota sobre o contexto operacional deve incluir aspectos que sejam relevantes sobre a continuidade normal dos negócios e da utilização da capacidade de produção e/ou prestação de serviços.
A nota explicativa sobre as principais práticas contábeis tem evoluído ao longo do
tempo e o seu objetivo é informar sobre a escolha de políticas e práticas contábeis feita pela empresa. Essa divulgação permite que se possa depreender sobre a influência dessas práticas sobre os números apresentados pela empresa e tem grande importância
na inferência sobre a sua situação patrimonial, ou seja, a situação do balanço patrimonial, da posição financeira e dos resultados das operações. Essa nota deve também divulgar os critérios contábeis de transações típicas da indústria, na medida em que esses critérios são específicos e podem variar de um tipo de indústria para outro.
Diferenças entre os Procedimentos Nacionais e Internacionais
Considerando a referência internacional alcançada pelo IASB (IFRS/IAS) e o compromisso e o esforço dos órgãos reguladores e emissores de normas de buscar a convergência com as mesmas, recomenda-se que as companhias abertas divulguem em nota explicativa a conciliação das diferenças entre as práticas contábeis adotadas no Brasil e as práticas contábeis internacionais. Entretanto, não existe impedimento para que seja preparada em relação às normas contábeis de outros países em que a companhia aberta divulgue, obrigatoriamente, ao mercado suas demonstrações contábeis, em função da obtenção de registro para negociação dos títulos de sua emissão.
Ao decidir pela divulgação da conciliação, a administração da entidade deverá observar o quão equivalentes são essas práticas. As demonstrações contábeis preparadas
conforme uma determinada prática contábil, podem ser consideradas equivalentes às preparadas de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil quando ambas as análises, de ambos os conjuntos de demonstrações, possibilitarem aos investidores decisão similar em termos de investimento ou alienação de investimento anteriormente detido. Se as práticas contábeis de ambos os conjuntos forem equivalentes e, portanto,
não indicarem a falta de similaridade nas decisões do investidor, não haverá necessidade
de inclusão de nota explicativa, conciliação ou reclassificações de números. A questão
surge, então, se os princípios e/ou as práticas não forem equivalentes e, portanto, indicarem falta de similaridade nas decisões do investidor.
Neste último caso, a apresentação da conciliação das diferenças entre as práticas contábeis adotadas no Brasil e outras práticas contábeis deve ser quantitativa e qualitativa. Assim, a divulgação da conciliação requer a preparação e a divulgação, no mínimo, das seguintes informações:
a) Conciliação entre os lucros (prejuízos) líquidos do período e/ou exercício;
b) Conciliação entre os patrimônios líquidos na data do balanço;
c) Explicação da natureza dos principais itens de conciliação.
Em determinados casos, é possível que as divergências sejam de tal magnitude que apenas a preparação de novas demonstrações contábeis segundo outro conjunto de princípios contábeis que não os prevalentes no Brasil seja a solução. Em outros casos, poderão existir algumas instâncias de parcial equivalência que podem ser resolvidas ou remediadas, dependendo da natureza das divergências. Essas divergências podem incluir divulgações adicionais, reconciliações etc. Esse julgamento deverá ser feito pela administração e anuído pelos auditores independentes da companhia aberta, e deverá estar apoiado em procedimentos aceitos por órgãos reguladores e emissores de normas contábeis.
Diante do exposto, verifica-se que existe uma extensa gama de informações que devem constar de Notas Explicativas e que precisam, portanto, ser cuidadosamente analisadas por ocasião da elaboração das demonstrações financeiras; é necessário verificar que tipos de informações devem constar dessas notas, não se restringindo apenas aos requisitos mínimos da Lei das S/A, mas considerando ainda informações complementares necessárias a um melhor esclarecimento da posição patrimonial e financeira e dos resultados das operações da empresa, particularmente no que se refere à práticas contábeis específicas no ramo de atividades da empresa.
O parecer dos Auditores Independentes é o documento mediante o qual o auditor
expressa sua opinião de forma clara e objetiva, sobre as demonstrações contábeis quanto
ao adequado atendimento, ou não, a todos os aspectos relevantes.
Parágrafo referente à opinião sobre as demonstrações contábeis.
parecer deve expressar, claramente, a opinião do auditor sobre se as demonstrações
contábeis da entidade representam, em todos os aspectos relevantes:
O auditor deve, no seu parecer, declarar se o exame foi efetuado de acordo com as
normas de auditoria. Normas de auditoria significam aquelas emitidas ou aprovadas
pelo Conselho Federal de Contabilidade. Na ausência de disposições específicas, prevalecem as normas já consagradas pela Profissão Contábil, formalizadas ou não pelos seus organismos próprios.
O parecer deverá, ainda, conter a descrição concisa dos trabalhos executados pelo
auditor, compreendendo: planejamento dos trabalhos; avaliação do sistema contábil e de controles internos da entidade; execução dos exames com base em testes; avaliação das práticas e das estimativas contábeis adotadas, bem como da apresentação das
O parecer deve ser datado, visando informar ao leitor que o auditor considerou o efeito,
sobre as demonstrações contábeis e sobre seu parecer, de eventos ou transações da entidade, dos quais ele teve conhecimento, ocorridos entre a data de encerramento do período a que se referem às demonstrações contábeis e a data do parecer.
O parecer sem ressalva é emitido quando o auditor está convencido sobre todos os
aspectos relevantes dos assuntos tratados no âmbito de auditoria, O parecer do auditor independente deve expressar essa convicção de forma clara e objetiva.
O parecer com ressalva é emitido quando o auditor conclui que o efeito de qualquer
discordância ou restrição na extensão de um trabalho não é de tal magnitude que
requeira parecer adverso ou abstenção de opinião.
O auditor dever emitir parecer adverso quando verificar que as demonstrações contábeis
estão incorretas ou incompletas, em tal magnitude que impossibilite a emissão do parecer com ressalva.
O parecer com abstenção de opinião é emitido quando houver limitação significativa na
extensão de seus exames que impossibilitem o auditor expressar opinião sobre as demonstrações contábeis por não ter obtido comprovação suficiente para fundamentá-la.
Cada empresa tem as suas peculiaridades próprias, o que leva o analista a partir de processos ou aspectos gerais no seu trabalho, tendo-se a cautela em considerar:
a) A natureza jurídica da organização (S/A., LTDA., etc.);
b) O ramo de negócio da empresa;
c) A dimensão e alcance da empresa;
d) As condições de giro do negócio;
e) O processo de formação do resultado;
f) As condições legais (leis que atingem para restringir ou incrementar as atividades);
g) As condições econômicas (conjunturas gerais dos negócios);
h) A localização da empresa (mercado no qual atua).
Antes de detalharmos o processo para a realização da análise das demonstrações
contábeis e financeiras, gostaria de esquematizar a utilização da análise econômico-
financeira, para facilitar o entendimento e sua real aplicabilidade, conforme segue:
Caracterização da Análise
Julgamento da Realidade
Verificar a Capacidade
de Solvência
Indicadores da Análise
Apontar o Potencial de
Geraçaõ de Lucros
No que se refere ao tipo de análise, ela poderá se classificada da seguinte forma:
Análise por série temporal
É aquela desenvolvida com a finalidade de mapear ou acompanhar a evolução de
determinado elemento patrimonial ou de resultado da empresa em determinados períodos de tempo, isto é, pode avaliar a evolução, por exemplo, das vendas líquidas em três, quatro ou mais exercícios sociais.
É aquela desenvolvida com a finalidade de estabelecer comparações dos índices ou
elementos apresentados pela empresa com dados históricos, orçamentos e outros da mesma natureza, visando a definição de um juízo de valor.
Processos de análise são as técnicas, materializadas por procedimentos e cálculos, com a utilização de papéis de trabalho, adotados pelo analista para desenvolver os vários tipos de análise, podendo ser:
Análise vertical (De estrutura) é o processo onde é analisada a estrutura de composição de um grupo ou subgrupo de determinados elementos patrimoniais ou de resultado em determinado período, calculando a participação de cada elemento em relação ao todo, como por exemplo, a participação percentual dos estoques em relação ao ativo total ou ao grupo do circulante, ou do lucro operacional bruto em comparação com o valor das vendas líquidas;
Análise horizontal (De evolução), é o processo desenvolvido com a finalidade de calcular a variação de um ou mais elementos em determinados períodos, buscando estabelecer tendências, se houve crescimento real ou não desse elemento, como por exemplo, as vendas do exercício cresceram, em termos reais, X% em relação ao ano anterior;
Análise por quociente, é o processo implementado para calcular a relação numérica entre dois elementos patrimoniais ou de resultado, como exemplo, o valor do ativo circulante representa 2,50 em relação ao valor do passivo circulante do mesmo período. Métodos de análise são as formas de decompor ou calcular os resultados dentro dos processos de análise, permitindo a formação de avaliações parciais e globais sobre o patrimônio, os seus resultados e tendências, podendo ser:
Valores diretos, é o método das diferenças absolutas, sem se preocupar com eventuais variações decorrentes de índices inflacionários;
Valores percentuais, é o método dos coeficientes, encontrados mediante a divisão do percentual encontrado por 100;
Quocientes, é o método dos índices financeiros, que demonstra a relação numérica entre dois elementos;
Matricial, é método pelo qual se busca estabelecer uma correspondência ou vinculação entre os elementos ativos, aplicações de recursos, com os elementos passivos, origens de recursos, podendo, por exemplo, medir até quanto os recursos próprios (patrimônio líquido) financiam as aplicações no ativo não circulante, ou quanto do exigível a curto prazo está investido em valores circulantes do ativo da empresa.
Ao longo do trabalho do analista devem ser adotados vários instrumentos de análise, todos visando à interpretação e formulação de conclusões relativas aos diversos aspectos que envolvem a situação geral da empresa, quais sejam:
Aspecto da estrutura patrimonial (análise estrutural), dividido em:
Estrutura de capitais, onde são evidenciadas as origens dos recursos colocados à disposição da empresa, com o mapeamento das participações destes recursos no empreendimento, se próprios ou de terceiros, bem como as aplicações dos recursos, suas classificações na estrutura patrimonial, as participações dos valores circulantes e não circulantes no investimento total, etc.;
Endividamento, onde é analisada a composição do seu endividamento perante terceiros, com mapeamento das participações dos recursos fornecidos por terceiros, se a curto ou longo prazo.
Aspecto financeiro (análise financeira), dividido em:
Liquidez, onde são elaborados indicadores que demonstram a capacidade da empresa liquidar seus compromissos para com terceiros, em termos restrito ou global;
Solvência, onde se pode, com a composição ou junção de vários tipos de índices, avaliar a capacidade de solvência do empreendimento a médio e longo prazos, com a previsão da possibilidade da empresa experimentar um processo de concordata ou falência;
Aspecto econômico (análise econômica), dividido em:
Rentabilidade, onde é avaliada a capacidade da empresa remunerar o capital investido, mediante a geração de lucros, isso em termos da atividade operacional e não operacional;
Produtividade, onde é avaliado o potencial dos elementos ativos da empresa em produzir elementos de receitas e de ganhos, podendo ser evidenciado, por exemplo, o que cada unidade monetária de ativo operacional produziu, em unidades monetárias, de vendas líquidas no período analisado;
Rotatividade, onde são elaborados índices capazes de medir a capacidade de giro ou rotação de certos elementos patrimoniais, cujos resultados podem provocar alterações na rentabilidade da empresa, podendo ser evidenciada, por exemplo, a rotação ou giro dos estoques ou contas a receber ou a pagar.
Para alguns estudiosos desta técnica contábil, as demonstrações financeiras de determinada empresa podem ser analisadas sob apenas dois aspectos, financeiro e
econômico, onde os indicadores relativos à estrutura de capitais são considerados dentro do aspecto financeiro, sem prejuízos nos resultados do trabalho do analista.
Para que se constituam em base válida e permitam ao analista atingir seu objetivo, as demonstrações financeiras devem contar com as condições naturais e fundamentais preconizadas pela ciência contábil, destacando-se as que seguem:
Exatidão, cuja condição é essencial para permitir o maior grau de confiabilidade possível ao analista;
Clareza, condição essencial que permita ao analista a total inteligibilidade das informações patrimoniais ou de resultado;
Técnica, condição fundamental para evidenciar que a demonstração foi elaborada de acordo com as técnicas (tecnicidade), normas e princípios que norteiam a ciência da contabilidade, permitindo melhor entendimento e padronização de procedimentos pelo analista;
Essas condições naturais e essenciais têm sido prejudicadas por fatores voluntários, onde o empirismo sobrepõe a ciência, em função do despreparo do profissional em muitas ocasiões, e por fatores compulsórios, onde se assiste a uma forte interferência da legislação tributária na implementação das técnicas de escrituração e evidenciação dos fatos econômicos produzidos pelo patrimônio da empresa.
Para que as demonstrações financeiras se constituam, efetivamente, em boa matéria- prima no trabalho do analista, este deve manter uma estreita relação de intimidade com as demonstrações da empresa, de modo a que essa familiaridade com o estudo das contas facilite suas interpretações, além de lhe permitir a implementação de alguns ajustes nas demonstrações, priorizando-se os seguintes:
Simplificação, ajuste voltado para a adoção de procedimentos capazes de apresentar as informações contábeis da maneira mais simples possível, com agrupamento de contas ou elementos de uma mesma natureza, por exemplo, de modo a facilitar a sua decomposição e interpretação;
Padronização, ajuste implementado com vista a preparar as demonstrações para a análise, onde devem ser feitas:
a) Conversões dos valores para uma única moeda e de uma mesma data, cuja uniformização é necessária para efeito de comparações;
b) Agrupamento de saldos de contas e transferências de certas contas de um grupo ou subgrupo para outro, em função da natureza de seus saldos;
c) Apresentação dos valores de forma reduzida, em milhares ou milhões de unidades monetárias, para facilitar os cálculos;
Reclassificação de contas, por este ajuste o analista deve buscar atingir um alto grau de precisão nas classificações de contas, evitando classificações de elementos fora de seus
grupos ou subgrupos originais, o que pode causar distorções nos resultados da análise, como por exemplo, investimentos permanentes classificados no ativo circulante; despesas do exercício classificadas em despesas do exercício seguinte, ativo diferido (vigente até 04.12.2008) que deveria ser despesa prontamente apropriável ao resultado; e empréstimos a curto prazo classificados no longo prazo, etc.;
Identificação de erros, aqui o analista deve buscar o descobrimento de erros nas demonstrações, principalmente aqueles relacionados com valores, vez que existe a possibilidade de ocorrência de algumas distorções, como exemplo, os valores dos estoques iniciais e finais do balanço, aliados ao valor das compras, não conferem com o valor de custo das mercadorias vendidas na demonstração do resultado do exercício; o valor da provisão para devedores duvidosos no balanço não coincide com o valor do respectivo encargo inserido na demonstração do resultado; e dificuldade de conciliar o valor do patrimônio líquido final com o resultado do exercício mais o valor do PL inicial, etc.
Os vários grupos de interessados buscam examinar as demonstrações financeiras das empresas, e cada um deles tem interesses específicos nesta análise.
Os acionistas, por exemplo, estão interessados na capacidade da empresa em gerar lucros, já os bancos querem saber da sua capacidade de pagar seus empréstimos e os fornecedores precisam saber se a empresa poderá honrar seus compromissos. Além do governo que visa à arrecadação dos impostos, há também os funcionários, sempre preocupados com o seu futuro profissional querendo avaliar a solidez da empresa, sem contar as pessoas preparadas para identificar novas oportunidades de negócios, os chamados investidores.
Geralmente, esses grupos de interesse e possíveis outros procuram respostas para algumas perguntas, tais como:
 Qual é a situação econômico-financeira da empresa?
 Qual sua capacidade de gerar lucros?
 Como estão sendo gerenciados seus ativos?
 Como a empresa está financiando suas atividades?
 Quais são seus pontos fortes e fracos, se comparados com outras empresas?
 Como a empresa está evoluindo, em termos de desempenho, ao longo do tempo?
Na análise das demonstrações é dada maior atenção ao balanço patrimonial e ao demonstrativo de resultados, para a obtenção das informações básicas, e que poderão, se necessário, serem complementadas pela análise dos demais relatórios e demonstrativos.
Esta análise visa avaliar a composição de itens em relação a um todo considerado como 100% onde cada conta contribui para a formação de todo o investimento. Procurando-se focar as contas com saldos mais representativos deste percentual. É realizada sobre o balanço patrimonial e o demonstrativo de resultados de um período.
Para o balanço patrimonial, cada item é expresso como uma porcentagem do total do
ativo ou do passivo ou como uma porcentagem de seu grupo, de acordo com a seguinte
Elemento Patrimonial do Ativo (Passivo)
AVBP =
Ativo (Passivo) Total
Para o demonstrativo de resultados, de modo geral, cada item é expresso como uma porcentagem em relação à receita operacional líquida (receita líquida de vendas), e pode ser assim obtido:
Elemento da Despesa (Receita)
A fim de facilitar o entendimento do assunto relatado, elaboramos uma análise vertical
dos demonstrativos apurados na “Empresa Miska Industrial Ltda.”.
Salientamos que para a elaboração deste exemplo, utilizamos apenas as contas sintéticas
dos demonstrativos contábeis, o que não significa que as contas analíticas não devam
ser cuidadosamente analisadas, até porque é através da apuração destas que poderemos
identificar mais precisamente onde estão as grandes discrepâncias.
Balanço Patrimonial da Empresa Miska Industrial Ltda.
51.600,00 100,00%
Patrimõnio Líquido
Demonstração de Resultados da Empresa Miska Industrial Ltda.
- ) Deduções das Vendas
(10.080,00)
(9.576,00)
= ) Receita Oeracional Líquida
(37.800,00)
(39.900,00)
= ) Resultado Bruto
(21.000,00)
(11.970,00)
- ) Despesas Não Operacionais
(5.040,00)
(6.384,00)
= ) Resultado antes do IRPJ
- ) Provisão para o IRPJ
(1.596,00)
= ) Resultado Líquido do Período
Fatores que Interferem na Análise Vertical
Alguns valores podem prejudicar a correta visualização e comparação da análise vertical, como por exemplo, valores significativos que foram incorporados nos ativos ou passivos da empresa, ou eventuais resultados provocados por eventos específicos e não comuns na atividade da empresa, como por exemplo:
 Reavaliações realizadas nos ativos permanentes;
 Reestruturação de passivos financeiros;
 Baixas de bens de valor relevante;
 Novas integralizações de capital de valor expressivo;
 Realização ou resgate de mútuos eventuais;
 Realização de eventos não operacionais específicos;
 Ajustes realizados em exercícios anteriores, etc.
Provavelmente estes itens serão detectados na análise horizontal ou em algum dos indicadores e quocientes apurados da forma descrita no próximo capítulo deste livro.
O principal fator que pode prejudicar a análise vertical da demonstração de resultados e
a estrutura de custos e despesas é a evolução das receitas de vendas quando ocorrem
sem proporcionalidade com a evolução dos custos e despesas. É necessária atenção especial neste caso, pois pode ser oriunda de receitas esporádicas que com certeza irão
prejudicar a conclusão se analisadas de forma a não contemplar tais eventos.
A finalidade principal da análise horizontal é apontar a evolução de itens dos balanços
assim como de outros demonstrativos através dos períodos, a fim de verificar tendências. Antes de tudo para qualquer análise é preciso fazer uma padronização das contas. Depois são as diretrizes peculiares de cada tipo de análise.
Por exemplo, a critério da análise horizontal, toma-se como período base, o exercício mais antigo do intervalo que se queira analisar. Nesse momento lhe é atribuído um fator de 100% que através de cálculos financeiros mostrará um percentual de aumento ou de redução em cada conta e em relação a períodos distintos. Assim apurado na fórmula:
Elemento Patrimonial (Resultado) no período X2
Elemento Patrimonial (Resultado) no período X1
O resultado obtido estará na forma decimal; caso se deseje apresentá-lo na forma de
percentual, basta multiplicá-lo por 100, conforme realizamos no exemplo a seguir.
Em um simples exemplo podemos verificar, um possível fator de aumento de custo de vendas que esteja implícito nos resultados financeiros de uma empresa. Uma situação deste tipo pode acarretar numa estagnação do lucro bruto na mesma.
Para se ter uma ideia mais clara é preciso levar em consideração os vários tipos de
índices, antes de serem tomadas conclusões antecipadas. O contador ou analista com
seus conhecimentos procurará auxiliar o diretor financeiro a como proceder em toda
essa sistemática.
Fatores que Interferem na Análise Horizontal
Para que haja fidedignidade aos parâmetros da análise horizontal, a base escolhida é de alta relevância, o componente deve ser “100” ou “1,00”. Se acaso for feita a opção por um período com base a evidenciar crescimentos nos períodos seguintes, cujos dados não tenham suficiente representatividade, todo o processo de análise fica comprometido.
Sendo assim, se o período escolhido (mês ou ano), estiver baseado em um período totalmente atípico na vida da empresa, a grande maioria dos dados e índices obtidos estará distorcida e não apresentará a conclusão exata de crescimento ou queda.
A inflação, quando existente, também interfere diretamente na apuração destes
indicadores e deve ser considerada para cálculo do resultado, onde o valor da análise horizontal obtido será ainda dividido pelo índice da variação da inflação apurada no período da análise.
Os indicadores utilizados devem estar de acordo com a visão da alta administração da
companhia e deverão acompanhar as atividades, rentabilidade e situação patrimonial desta, no entanto sempre serão escolhidas por gestores ou responsáveis financeiros, não existindo forma básica para apresentação destes.
Assim, cada grupo de interessados pode solicitar as informações conforme lhe convêm.
O acionista vai precisar de um tipo de informação, como rentabilidade e retorno do
capital investido, já as instituições financeiras necessitam avaliar outros pontos de vista
e resultados apurados para decidir sobre as linhas de crédito, enquanto os fornecedores
necessitam das informações sobre a capacidade de pagamento. É por isso que quando se trata de licitações, os órgãos licitantes definem não só os indicadores a serem avaliados, mas também o índice mínimo desejável para cada operação.
Os indicadores econômico-financeiros são os elementos que representam o conceito
tradicional de análise de balanços. Eles são apurados através de cálculos matemáticos efetuados levando em conta valores extraídos das demonstrações contábeis e financeiras em busca de números que auxiliem no processo de decisão e entendimento da real situação da empresa em seus aspectos patrimoniais, financeiros, de rentabilidade e giro, dentre outros.
O objetivo básico dos índices que serão apurados nesta etapa da análise é de evidenciar
a posição da empresa no cenário atual e ao mesmo tempo projetar cenários que refletirão a situação da empresa nos períodos subsequentes se a situação assim permanecer ou se decisões estratégicas interferirem o andamento dos negócios.
Assim os analistas devem não só calcular os resultados matemáticos, como também utilizá-los na projeção dos eventos futuros e dos atos reais presentes que afetarão os resultados empresariais e as atividades desenvolvidas pela empresa a fim de elaborar e apresentar um relatório onde as mais diversas possibilidades foram tratadas.
Caso os indicadores e as perspectivas apontem problemas de continuidade, a
administração terá condições de deter a deterioração da situação patrimonial, financeira
de rentabilidade da empresa e procurará reverter à situação com decisões estratégicas
Da mesma forma se os números apresentarem excesso de liquidez, rentabilidade ou
estrutura patrimonial, decisões precisam ser tomadas para promover o ajuste à realidade
da necessidade de recursos para a operacionalização e financiamento das atividades.
b) Cálculo do EBITDA
Outra conta que deve ser acrescentada no EBITDA é a despesa financeira líquida, que foge do escopo de análise do indicador, ou seja, de efetivo desempenho operacional. Ou seja, para o cálculo do EBITDA, adicionam-se os juros, depreciação e amortização ao Lucro Operacional Líquido antes dos impostos.
No exemplo a seguir utilizamos a demonstração de resultados da empresa Miska Industrial de Calçados Ltda., que será ajustada para o efetivo levantamento do EBITDA.
-9.576,00
= ) Receita Operacional Líquida
-37.800,00
-39.900,00