Source: http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=REPORT&reference=A7-2010-0317&language=PT
Timestamp: 2018-11-14 22:05:32+00:00
Document Index: 12024244

Matched Legal Cases: ['artigo 270', 'artigo 47', 'artigo 8', 'artigo 270', 'artigo 207', 'artigo 3']

RELATÓRIO sobre a responsabilidade social das empresas nos acordos de comércio internacionais - A7-0317/2010
Ciclo relativo ao documento : A7-0317/2010
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sobre a responsabilidade social das empresas nos acordos de comércio internacionais
Relator: Harlem Désir
– Tendo em conta os artigos 12.°, 21.°, 28.°, 29.°, 30.° e 31.° da Carta do Direitos Fundamentais da União Europeia,
– Tendo em conta os artigos 2.°, 3.° e 6.° do Tratado sobre a União Europeia,
– Tendo em conta os artigos 9.°, 10.°, 48.°, 138.°, 139.°, 153.°, 156.°, 191.°, 207.° e 218.° do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
– Tendo em conta os princípios orientadores da OCDE para as empresas multinacionais, a Declaração de Princípios Tripartida sobre as empresas multinacionais e a política social da Organização Internacional do Trabalho (OIT), bem como os códigos de conduta acordados sob a égide de organizações internacionais tais como a FAO, a OMS e o Banco Mundial, e os esforços envidados sob os auspícios da CNUCED no que diz respeito às actividades das empresas nos países em desenvolvimento,
– Tendo em conta a iniciativa “Global Compact”, lançada pelas Nações Unidas em Setembro de 2000, e o relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas “Rumo a parcerias globais – reforço da cooperação entre as Nações Unidas e todos os parceiros envolvidos, em particular do sector privado”, de Agosto de 2005 (05-45706 (E) 020905), e o anúncio das iniciativas “Global Compact” e “Global Reporting” das Nações Unidas, de 9 de Outubro de 2006, bem como os princípios para o investimento responsável lançados em Janeiro de 2006 pelas Nações Unidas e coordenados pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Ambiente e pela Parceria Global das Nações Unidas,
– Tendo em conta as “Normas sobre as Responsabilidades das Empresas Transnacionais e Outras Empresas em relação aos Direitos Humanos”, das Nações Unidas, adoptadas em Dezembro de 2003(1),
– Tendo em conta a Iniciativa “Global Reporting”, lançada em 1997(2), as orientações actualizadas relativas à elaboração de relatórios sobre o desenvolvimento sustentável do G3, publicadas em 5 de Outubro de 2006, e as orientações G4 actualmente em preparação pela Iniciativa “Global Reporting”,
– Tendo em conta o resultado da Cimeira Mundial da ONU sobre o desenvolvimento sustentável, realizada em Joanesburgo em 2002, e em particular o apelo a favor de iniciativas intergovernamentais sobre a questão da responsabilidade social das empresas, e as conclusões do Conselho, de 3 de Dezembro de 2002, sobre o seguimento da Cimeira(3),
– Tendo em conta o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos sobre a responsabilidade das sociedades transnacionais e de outros tipos de empresas em matéria de direitos humanos, de 15 de Fevereiro de 2005 (E/CN.4/2005/91, 2005),
– Tendo em conta o relatório do Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas responsável pela questão dos direitos humanos e das sociedades transnacionais e de outros tipos de empresas, intitulado "Promoção e protecção de todos os direitos do Homem, civis, políticos, económicos, sociais e culturais, incluindo o direito ao desenvolvimento", de 7 de Abril de 2008 (A/HRC/8/5, 2008), e os trabalhos em curso sobre o seu próximo relatório previsto para 2011,
– Tendo em conta o relatório do Representante Especial do Secretário-Geral sobre a questão dos direitos humanos e as sociedades transnacionais e outras empresas comerciais: “Empresas e Direitos Humanos: Novos passos para a operacionalização do quadro ‘proteger, respeitar e reparar’”, de John Ruggie, de 9 de Abril de 2010 (A/HRC/14/27),
– Tendo em conta os referenciais e os mecanismos de certificação e de rotulagem atinentes ao comportamento das empresas em matéria de desenvolvimento sustentável, alterações climáticas ou de redução da pobreza, tais como a norma SA 8000 referente à proibição do trabalho infantil e as normas do AFNOR e ISO em matéria de desenvolvimento sustentável,
– Tendo em conta o processo de Kimberley relativo ao controlo do comércio de diamantes em bruto,
– Tendo em conta as iniciativas adoptadas por diversos Estados-Membros para promover a responsabilidade social das empresas e, nomeadamente, a criação na Dinamarca do Centro governamental para a RSE, que coordena as iniciativas legislativas do governo em prol da RSE e elabora instrumentos práticos destinados às empresas(4),
– Tendo em conta o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (1966), a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (1979), a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, adoptada pela Resolução 61/295 da Assembleia Geral, de 13 de Setembro de 2007, e a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989),
– Tendo em conta as convenções internacionais sobre o ambiente, tais como o Protocolo de Montreal relativo às substâncias que empobrecem a camada de ozono (1987), a Convenção de Basileia relativa ao controlo dos movimentos transfronteiriços de resíduos tóxicos e perigosos (1999), o Protocolo de Cartagena sobre a segurança biológica (2000) e o Protocolo de Quioto (1997),
– Tendo em conta o parecer do Comité das Regiões, de 14 de Março de 2003, sobre o Livro Verde “Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas”,
– Tendo em conta o relatório final e as recomendações do Fórum Multilateral Europeu sobre a RSE, de 29 de Junho de 2004, incluindo a 7.ª recomendação que apoia as acções destinadas a fixar um quadro jurídico adequado,
– Tendo em conta a Convenção de Bruxelas de 1968, tal como consolidada pelo Regulamento (CE) n.° 44/2001 do Conselho, de 22 de Dezembro de 2000, relativo à competência judiciária, ao reconhecimento e à execução de decisões em matéria civil e comercial(5), assim como o Livro Verde da Comissão, de 21 de Abril de 2009, sobre a revisão do Regulamento (CE) n.° 44/2001,
– Tendo em conta o Livro Verde “Promover um quadro europeu para a responsabilidade social das empresas” (COM(2001)0366), de que constitui seguimento o Livro Branco intitulado “Comunicação da Comissão relativa à Responsabilidade Social das Empresas – Um contributo das empresas para o desenvolvimento sustentável” (COM(2002)0347),
– Tendo em conta a recomendação da Comissão, de 30 de Maio de 2001, respeitante ao reconhecimento, à valorimetria e à prestação de informações sobre questões ambientais nas contas anuais e no relatório de gestão das sociedades (notificada com o número C(2001)1495)(6),
– Tendo em conta a Comunicação da Comissão, de 18 de Maio de 2004, intitulada “A dimensão social da globalização – contributo das políticas da UE para tornar os benefícios extensíveis a todos” (COM(2004)0383),
– Tendo em conta a Comunicação da Comissão, de 22 de Março de 2006, ao Parlamento Europeu, ao Conselho e ao Comité Económico e Social Europeu, intitulada “Implementação da parceria para o crescimento e o emprego: tornar a Europa um pólo de excelência em termos de responsabilidade social das empresas” (COM(2006) 136 final),
– Tendo em conta a Comunicação da Comissão, de 24 de Maio de 2006, intitulada “Promover um trabalho digno para todos – Contributo da União Europeia para a realização da agenda do trabalho digno no mundo” (COM(2006)0249),
– Tendo em conta o Sistema de Preferências Generalizadas (SPG), em vigor desde 1 de Janeiro de 2006, que concede um acesso isento de direitos ou reduções pautais a um maior número de produtos e que inclui igualmente um novo incentivo aos países vulneráveis que se debatem com necessidades comerciais, financeiras ou de desenvolvimento específicas,
– Tendo em conta o n.° 6 do acordo de comércio livre entre a União Europeia e a Coreia do Sul, concluído em Outubro de 2009, segundo o qual as Partes procuram facilitar e promover o comércio de mercadorias que contribuem para o desenvolvimento sustentável, incluindo mercadorias que são objecto de regimes de comércio equitativo e ético ou que envolvem responsabilidade social e responsabilização das empresas,
– Tendo em conta o n.° 3 do artigo 270.° do acordo de comércio livre entre a União Europeia e a Colômbia e o Peru, concluído em Março de 2010, segundo o qual as Partes acordam em promover as boas práticas comerciais ligadas à responsabilidade social das empresas, e reconhecem que os mecanismos flexíveis, voluntários e baseados em incentivos podem contribuir para a coerência entre as práticas comerciais e os objectivos do desenvolvimento sustentável,
– Tendo em conta a resolução do Conselho, de 3 de Dezembro de 2001, relativa ao seguimento do Livro Verde sobre a responsabilidade social das empresas(7),
– Tendo em conta a resolução do Conselho, de 10 de Janeiro de 2003, relativa à responsabilidade social das empresas(8),
– Tendo em conta a resolução do Conselho, de 6 de Fevereiro de 2003, relativa à responsabilidade social das empresas(9),
– Tendo em conta a Decisão 2005/600/CE do Conselho, de 12 de Julho de 2005, relativa às orientações para as políticas de emprego dos Estados-Membros, que exorta estes a incentivar as empresas a desenvolver a RSE(10),
– Tendo em conta as conclusões do Conselho, de 14 de Junho de 2010, sobre trabalho infantil(11),
– Tendo em conta o Regulamento (CE) n.° 761/2001 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Março de 2001, que permite a participação voluntária de organizações num sistema comunitário de ecogestão e auditoria (EMAS)(12),
– Tendo em conta a Directiva 2003/51/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativa às contas anuais e às contas consolidadas de certas formas de sociedades, bancos e outras instituições financeiras e empresas de seguros(13),
– Tendo em conta a Directiva 2004/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 31 de Março de 2004, relativa à coordenação dos processos de adjudicação dos contratos de empreitada de obras públicas, dos contratos públicos de fornecimento e dos contratos públicos de serviços(14),
– Tendo em conta a sua resolução de 15 de Janeiro de 1999 sobre “Normas da UE para as empresas europeias que operam nos países em desenvolvimento: para um Código de Conduta Europeu”(15), que recomenda a elaboração de um Código de Conduta Modelo apoiado por uma Plataforma Europeia de Acompanhamento,
– Tendo em conta a sua resolução de 25 de Outubro de 2001 sobre a abertura e a democracia no comércio internacional(16), que solicita à OMC que apoie as normas laborais básicas da OIT e aceite as decisões da OIT, incluindo os pedidos de imposição de sanções, em caso de violação grave das normas laborais fundamentais,
– Tendo em conta a sua resolução de 4 de Julho de 2002 sobre a Comunicação da Comissão ao Conselho, ao Parlamento Europeu e ao Comité Económico e Social, intitulada “Promover as normas laborais fundamentais e melhorar a governação social no contexto da globalização”(17),
– Tendo em conta a sua resolução de 13 de Maio de 2003 sobre a Comunicação da Comissão relativa à Responsabilidade Social das Empresas: Um contributo das empresas para o desenvolvimento sustentável(18),
– Tendo em conta a sua resolução de 5 de Julho de 2005 sobre a exploração das crianças dos países em desenvolvimento, com especial destaque para o trabalho infantil(19),
– Tendo em conta a sua resolução de 15 de Novembro de 2005 sobre a dimensão social da globalização(20),
– Tendo em conta a sua resolução de 6 de Julho de 2006 sobre comércio equitativo e desenvolvimento(21),
– Tendo em conta a sua resolução de 13 de Março de 2007 sobre a responsabilidade social das empresas – uma nova parceria(22),
– Tendo em conta a sua resolução de 23 de Maio de 2007, intitulada “Promover um trabalho digno para todos”(23), que requer a inclusão de normas laborais nos acordos comerciais, em especial nos acordos bilaterais, concluídos pela UE, com vista à promoção do trabalho digno,
– Tendo em conta a audição sobre “A responsabilidade social das empresas no comércio internacional”, organizada em 23 de Fevereiro de 2010 pelo Parlamento,
– Tendo em conta o relatório da Comissão do Comércio Internacional e o parecer da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais (A7-0317/2010),
A. Considerando que as empresas e as suas filiais são alguns dos principais actores da globalização económica e do comércio internacional,
B. Considerando os princípios orientadores da OCDE destinados às empresas multinacionais adoptados em 2000 e actualizados em 2010, recomendações que os governos transmitem às empresas e que enunciam normas voluntárias de comportamento responsável, no respeito da legislação aplicável, em particular em matéria de emprego, relações com os parceiros sociais, direitos humanos, ambiente, interesses dos consumidores, luta contra a corrupção e a evasão fiscal,
C. Considerando que a Declaração Tripartida da OIT sobre as empresas multinacionais se destina a orientar os governos, as empresas multinacionais e os trabalhadores em domínios como o emprego, a formação, as condições de trabalho e as relações profissionais, uma declaração que inclui o compromisso dos Estados de respeitar e promover as quatro normas fundamentais do trabalho: a liberdade de associação e o direito à negociação colectiva; a supressão de todas as formas de trabalho forçado; a abolição do trabalho infantil; e a eliminação da discriminação em matéria de emprego,
D. Considerando que a RSE é voluntária e auto-reguladora e que as iniciativas da Comissão se devem centrar no apoio, e não na regulamentação, das actividades relacionadas com a RSE,
E. Considerando que o Pacto Mundial das Nações Unidas constituído por dez princípios convida as empresas multinacionais a adoptar, apoiar e aplicar, dentro da sua esfera de influência, enquanto conjunto de valores fundamentais em matéria de direitos humanos, normas laborais fundamentais, ambiente e luta contra a corrupção, que as empresas se comprometem a respeitar e integrar nas suas actividades numa base voluntária,
F. Considerando os actuais trabalhos de actualização dos princípios orientadores da OCDE para as empresas multinacionais e, em especial, os relativos à melhoria dos pontos de contacto nacionais e a um sistema de responsabilidade para as cadeias de aprovisionamento,
G. Considerando que as referências internacionais, como a Iniciativa “Global Reporting” ou os mecanismos de certificação e rotulagem, como a norma ISO 14 001 ou, mais particularmente, a recente norma ISO 26 000, concebida como um conjunto de orientações que se aplicam a qualquer tipo de organização, ajudam as empresas a avaliar o impacto económico, social e ambiental das suas actividades, integrando o conceito de desenvolvimento sustentável, mas apenas são eficazes se forem efectivamente aplicadas e submetidas a verificações,
H. Considerando a definição de responsabilidade social das empresas (RSE), constante da norma ISO 26 000, como a "responsabilidade de uma organização pelo impacto das suas decisões e actividades na sociedade e no ambiente, traduzindo-se num comportamento transparente e ético, que: contribui para o desenvolvimento sustentável, incluindo a saúde e o bem-estar da sociedade; tem em conta as expectativas das partes interessadas; respeita a legislação em vigor e é compatível com as normas internacionais; e está integrada em toda a organização e é praticada nas suas relações”, que é perfilhada por uma grande parte da sociedade civil e do movimento sindical internacional,
I. Considerando o objectivo propalado pela Comissão na sua comunicação de 2006, que consiste em tornar a União Europeia um “pólo de excelência em termos de responsabilidade social das empresas”, em que a RSE é apresentada como “um aspecto do modelo social europeu” e constituindo “um instrumento de defesa da solidariedade, da coesão e da igualdade de oportunidades no contexto de uma concorrência mundial reforçada”,
J. Considerando o relatório da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre o exercício de monitorização do mercado do comércio e da distribuição intitulado “Para um mercado interno do comércio e da distribuição mais eficiente e equitativo até 2020”(24) e o seu anexo, que salienta que “o consumidor geralmente não dispõe de informações suficientes sobre o desempenho do comerciante em termos de responsabilidade social. Por conseguinte, não está em posição de fazer uma escolha informada em termos de hábitos de compra”,
K. Considerando que, em conformidade com os Tratados, a política comercial comum deve ser levada a cabo em coerência com o conjunto dos objectivos da União Europeia, incluindo os seus objectivos sociais, ambientais e de ajuda ao desenvolvimento,
L. Considerando que a entrada em vigor do Tratado de Lisboa alargou o âmbito das competências comerciais da UE, designadamente no domínio do investimento, que deve ser conforme com as normas da responsabilidade social que a UE subscreveu; considerando que a nova política comum de investimento deve formular condições exequíveis para os investidores da UE enquanto importante alavanca para reequilibrar direitos e deveres,
M. Considerando que a União Europeia já condiciona a concessão de certas preferências comerciais à ratificação pelos seus parceiros das principais convenções da OIT, e que se comprometeu, desde 2006, a promover o respeito pelo trabalho digno, através do conjunto das suas políticas externas, incluindo a sua política comercial comum,
N. Considerando que os acordos bilaterais de comércio livre da União Europeia comportam doravante um capítulo consagrado ao desenvolvimento sustentável, que inclui objectivos ambientais e sociais, e o respeito das regras nestes domínios,
O. Considerando que o incumprimento dos princípios da RSE constitui uma forma de dumping social e ambiental, em detrimento, nomeadamente, das empresas e dos trabalhadores localizados na Europa, onde estão sujeitos ao respeito de normas laborais, ambientais e fiscais mais rigorosas; considerando que a introdução de um conjunto de sanções aplicáveis em caso de violações persistentes dos princípios da RSE poderá constituir uma medida eficaz,
P. Considerando que seria normal que as multinacionais europeias que procedem à deslocalização das suas unidades de produção para países com baixos salários e vinculados a menos obrigações ambientais pudessem ser consideradas responsáveis, perante as jurisdições competentes, pelos eventuais danos ambientais e sociais ou outras externalidades negativas sentidas pelas comunidades locais, causados pelas suas filiais nesses países,
Q. Considerando a ampla diversidade de ligações que podem existir entre uma empresa-mãe e as suas filiais, por um lado, e entre uma empresa e os seus fornecedores, por outro lado; e a necessidade de clarificar os conceitos de esfera de influência e "diligência devida" a nível internacional,
R. Considerando que as empresas não estão directamente sujeitas ao direito internacional e que as convenções internacionais, nomeadamente em matéria de direitos humanos, direitos laborais e protecção do ambiente, vinculam os Estados signatários, mas não directamente as empresas que têm as suas sedes nesses Estados; considerando que, em contrapartida, incumbe a esses Estados assegurar que as empresas estabelecidas no seu território respeitam as suas obrigações legais e cumprem o dever de diligência, e que prevêem as sanções adequadas e apropriadas se não for esse o caso,
S. Considerando os direitos fundamentais a um recurso efectivo e acesso a um tribunal imparcial e independente, reafirmados no artigo 47.º da Carta dos Direitos Fundamentais e no artigo 8.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem,
T. Considerando o princípio da cooperação judiciária, reafirmado pela Convenção de Bruxelas e pelo Regulamento n.º 44/2001, e exortando a Comissão a dar seguimento aos progressos do Livro Verde, que propõe pistas em matéria de extraterritorialidade, especialmente visando o alargamento do âmbito de aplicação do regulamento a litígios que envolvem arguidos de países terceiros,
U. Considerando que, embora o capítulo 13 do acordo de comércio livre entre a União Europeia e a Coreia do Sul e o n.° 3 do artigo 270.° do acordo comercial multilateral entre a União Europeia e a Colômbia e o Peru já comportem uma referência à RSE, a mesma ainda não tem inteiramente em conta a importância da RSE para o objectivo europeu de protecção do ambiente e dos direitos sociais e humanos, e que, contrariamente aos objectivos declarados, mesmo as violações persistentes dos direitos humanos, das normas laborais ou das disposições ambientais por parte das empresas não têm, na prática, quaisquer consequências para a manutenção desses acordos,
V. Considerando que, especialmente no sector mineiro e em muitos domínios da indústria de aprovisionamento, as actuais disposições em matéria de RSE revelaram ser insuficientes,
W. Considerando a legislação comunitária já existente sobre as micro, pequenas e médias empresas e, em particular, a Recomendação 2003/361/CE, de 6 de Maio de 2003, e a Lei das Pequenas Empresas para a Europa adoptada em Junho de 2008,
X. Considerando que os acordos em matéria de RSE não devem obstar à adopção de legislação eficaz; considerando que, no caso de acordos em matéria de RSE revelarem ser ineficazes ou inexequíveis, o legislador deve adoptar disposições na matéria,
Y. Considerando que a responsabilidade social das empresas (RSE) é um conceito segundo o qual as empresas integram voluntariamente as preocupações sociais e ambientais na sua estratégia empresarial para o bem-estar geral das partes interessadas, empenhando-se activamente nas políticas públicas enquanto aspecto importante da mudança social baseada em valores,
Z. Considerando que a RSE representa uma componente essencial do modelo social europeu, reforçada pela entrada em vigor do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia e, nomeadamente, pela sua cláusula social horizontal, e considerando que a necessidade de promover a RSE foi reconhecida pela Comissão Europeia na sua comunicação sobre a Estratégia UE 2020 enquanto elemento importante para garantir a confiança a longo prazo dos trabalhadores e dos consumidores,
AA. Considerando que a RSE tem uma influência considerável sobre os direitos humanos nos países em desenvolvimento,
AB. Considerando que a RSE não deve substituir os Estados no fornecimento de serviços públicos básicos ou isentá-los dessa responsabilidade,
AC. Considerando que a RSE pode desempenhar um papel-chave na melhoria dos níveis de vida das comunidades desfavorecidas,
AD. Considerando que os sindicatos têm um papel importante a desempenhar no que respeita à promoção da RSE, dado que os trabalhadores estão em melhor posição para conhecer a realidade das empresas onde trabalham,
AE. Considerando que a RSE deve ser considerada em paralelo e em interacção com as reformas da governação das sociedades,
AF. Considerando o papel das PME no mercado único europeu e os resultados dos projectos financiados pela Comissão para encorajar a adopção, nomeadamente pelas PME, das práticas da RSE,
AG. Considerando que a RSE, por um lado, e as cláusulas sociais e ambientais incorporadas nos acordos de comércio, por outro, prosseguem os mesmos objectivos: uma economia respeitadora das necessidades humanas e do ambiente, e uma globalização mais justa, mais equilibrada do ponto de vista social e humano e que sirva efectivamente o desenvolvimento sustentável,
AH. Considerando que, até agora, as regras do comércio e a RSE não têm ou têm estado pouco ligadas, mas que haveria muito a ganhar se se lograsse combinar as regras do comércio e os objectivos da RSE,
1. Assinala que os desafios globais foram agravados pela crise financeira e pelas respectivas consequências sociais, e que conduziram a debates a nível mundial sobre a necessidade de uma nova abordagem regulamentar e as questões da governação na economia mundial, incluindo o comércio internacional; entende que as novas normas, mais eficazes e bem aplicadas, devem contribuir para o desenvolvimento de políticas mais sustentáveis que tenham verdadeiramente em conta as preocupações sociais e ambientais;
2. Assinala igualmente que a globalização aumentou a pressão competitiva entre nações para atrair investidores provenientes do estrangeiro e a concorrência entre as empresas, o que, por vezes, levou a que os governos tolerassem abusos graves em matéria de direitos humanos e laborais e danos causados ao ambiente, a fim de atrair o comércio e o investimento;
3. Lembra que os princípios que regem a RSE, que são plenamente reconhecidos no plano internacional, tanto no seio da OCDE e da OIT como das Nações Unidas, incidem sobre a expectativa de um comportamento responsável por parte das empresas e pressupõe, em primeiro lugar, o respeito das legislações em vigor, nomeadamente em matéria de emprego, relações laborais, direitos humanos, ambiente, interesses dos consumidores e transparência para com eles, luta contra a corrupção e fiscalidade;
4. Lembra que a promoção da responsabilidade social das empresas é um objectivo apoiado pela União Europeia, e que a Comissão considera que a União deve assegurar que as políticas externas por ela levadas a cabo contribuem efectivamente para o desenvolvimento sustentável e o desenvolvimento social desses países e que as actividades das empresas europeias, onde quer que invistam e operem, são conformes com os valores europeus e as normas acordadas a nível internacional;
5. Recorda que os objectivos da política comercial comum devem ser inteiramente coordenados com os objectivos globais da União Europeia; que, nos termos do artigo 207.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, a política comercial comum da UE deve ser conduzida “de acordo com os princípios e objectivos da acção externa da União”, e que, nos termos do artigo 3.° do Tratado sobre a União Europeia, deve contribuir, entre outras coisas, para “o desenvolvimento sustentável do planeta, a solidariedade e o respeito mútuo entre os povos, o comércio livre e equitativo, a erradicação da pobreza e a protecção dos direitos humanos, em especial os da criança, bem como para a rigorosa observância e o desenvolvimento do direito internacional, incluindo o respeito dos princípios da Carta das Nações Unidas”;
6. Considera que a Comissão deve estudar a possibilidade de estabelecer uma definição harmonizada de relações entre uma empresa, designada como "empresa-mãe", e toda a empresa que se encontra numa situação de dependência em relação à mesma, quer se trate de filiais, fornecedores ou subcontratados, a fim de definir a responsabilidade legal de cada um;
7. Entende que, tendo em conta o papel essencial desempenhado pelas grandes empresas, respectivas filiais e cadeias de aprovisionamento no comércio internacional, a responsabilidade social e ambiental das empresas se deve tornar parte integrante dos acordos de comércio da União Europeia;
8. Considera que as cláusulas sociais dos acordos comerciais devem ser completadas pela incorporação do conceito de RSE, que incide sobre o comportamento das empresas, enquanto o conceito de RSE será, por sua vez, consolidado, apoiando-se especialmente nas disposições estabelecidas pelos acordos comerciais para controlar a implementação dos princípios que os regem;
9. Solicita que os princípios e obrigações em matéria de RSE sejam tidos em conta e integrados na futura comunicação da Comissão sobre "A nova política comercial para a Europa no quadro da estratégia Europa 2020", na comunicação que esta prepara sobre a RSE para 2011 e na execução da sua política comercial;
10. Considera que a RSE é uma ferramenta eficaz para melhorar a competitividade, as competências e as oportunidades de formação, a segurança no trabalho e o ambiente de trabalho, proteger os direitos dos trabalhadores e os direitos das comunidades locais e autóctones, promover uma política ambiental sustentável e incentivar o intercâmbio de boas práticas aos níveis local, nacional, europeu e mundial, embora não possa, evidentemente, substituir-se à regulamentação do trabalho nem às convenções colectivas, gerais ou sectoriais;
11. Solicita que as empresas sejam instadas a aplicar a RSE para salvaguardar a integridade física, a segurança, o bem-estar físico e psíquico, os direitos laborais e os direitos humanos, tanto dos seus próprios trabalhadores como dos trabalhadores em geral, através da influência que exercem sobre o círculo alargado dos seus colaboradores; sublinha a necessidade de apoiar e incentivar a difusão de tais práticas entre as PME, limitando os encargos em termos de custos e de burocracia;
12. Salienta que a RSE deve ser aplicada a novos domínios, tais como a organização do trabalho, a igualdade de oportunidades e a inclusão social, a luta contra as discriminações e o desenvolvimento da educação e da formação ao longo da vida; sublinha que a RSE deve incluir, por exemplo, a qualidade do emprego, a igualdade de remuneração e de perspectiva de carreira, bem como a promoção de projectos inovadores de modo a contribuir para a transição para uma economia sustentável;
13. Recomenda vivamente aos Estados-Membros e à União Europeia que promovam a implementação de boas práticas de RSE por parte de todas as empresas, independentemente do local onde exerçam a sua actividade, e que incentivem a difusão de boas práticas resultantes de iniciativas de RSE, nomeadamente mediante uma maior difusão dos seus resultados;
14. Faz notar que a agenda da RSE deve ser adaptada às necessidades específicas de cada região e de cada país, a fim de contribuir para a melhoria do desenvolvimento económico e social sustentável;
15. Considera que a credibilidade de iniciativas voluntárias de RSE depende da incorporação de normas e princípios internacionalmente aceites, tais como a "Global Reporting Initiative III", e da implementação de uma fiscalização e de uma verificação transparente e independente das partes interessadas da empresa;
16. É de opinião de que a tónica deve ser colocada na participação activa de todas as partes interessadas da empresa, na formação dos dirigentes e no desenvolvimento da sociedade civil, em especial no que diz respeito à sensibilização dos consumidores;
17. Considera importante cultivar e difundir a cultura da RSE através da formação e da sensibilização, tanto no plano das empresas como nos ramos do ensino superior e universitário principalmente relacionados com o estudo da administração;
18. Considera que o diálogo social e os conselhos de empresa europeus têm desempenhado um papel construtivo no desenvolvimento de boas práticas no domínio da RSE;
19. Está firmemente convencido de que se deve dedicar mais atenção à RSE nas Directrizes Europeias para o Emprego;
Integração da RSE no sistema de preferências generalizadas (SPG e SPG +)
20. Solicita que os princípios de RSE sejam integrados no regulamento SPG e SPG + aquando da sua próxima revisão; apela à Comissão para que assegure que as empresas transnacionais, independentemente de se encontrarem ou não sediadas na União Europeia, cujas filiais ou cadeias de aprovisionamento se encontrem em países que participam no regime SPG, e em especial SPG +, sejam obrigadas a respeitar as suas obrigações legais, nacionais e internacionais, em matéria de direitos humanos, normas laborais e regulamentação ambiental; aspira a que a União Europeia e os Estados signatários e beneficiários do SPG assegurem que as empresas respeitem estas obrigações; solicita que isso constitua uma dimensão vinculativa do SPG;
21. Entende que um sistema SPG + revisto deveria igualmente proibir “acordos com o país de acolhimento”, acordos celebrados com total falta de transparência entre certas empresas multinacionais e os países de acolhimento, beneficiários do SPG +, para contornar as obrigações regulamentares vigentes nesses países, e que manifestamente vão contra a RSE;
Novos estudos de impacto
22. Solicita à Comissão que melhore o seu modelo de avaliação do impacto na sustentabilidade, a fim de reflectir adequadamente as implicações económicas, sociais, de direitos humanos e ambientais, incluindo os objectivos de mitigação das alterações climáticas, das negociações comerciais; insta a Comissão a dar seguimento aos acordos comerciais com os países parceiros da UE, procedendo, antes e depois da assinatura de acordos comerciais, a estudos de impacto na sustentabilidade que tenham especialmente em conta os sectores vulneráveis;
23. Salienta que, na sequência da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, o Parlamento deve ser plenamente informado sobre a forma como os resultados das avaliações de impacto na sustentabilidade (AIS) dos acordos são incorporados nas negociações antes da sua conclusão e sobre os capítulos dos acordos que foram alterados para evitar eventuais impactos negativos identificados na AIS;
24. Solicita à Comissão que elabore estudos de impacto para avaliar os efeitos dos acordos comerciais sobre as PME europeias (teste PME), nomeadamente em matéria de RSE, de acordo com a Lei das Pequenas Empresas;
Cláusulas de RSE em todos os acordos comerciais da União Europeia
25. Propõe, de uma forma mais geral, que os futuros acordos comerciais negociados pela União contenham um capítulo sobre desenvolvimento sustentável que inclua uma cláusula RSE, baseada, em parte, na actualização de 2010 dos princípios orientadores da OCDE destinados às empresas multinacionais;
26. Propõe que esta "cláusula RSE" comporte:
a. o compromisso recíproco de ambas as partes promoverem os instrumentos da RSE acordados a nível internacional no âmbito do acordo e das suas relações comerciais;
b. estímulos destinados a incentivar as empresas a assumirem compromissos em matéria de RSE, negociados com todas as partes interessadas da empresa, incluindo os sindicatos, as organizações de consumidores, as autoridades locais e as organizações da sociedade civil em causa;
c. a abertura de “pontos de contacto”, tais como os que foram criados no âmbito da OCDE, para promover a informação sobre a RSE, a transparência, e receber eventuais queixas sobre os casos de violação dos princípios da RSE, em cooperação com a sociedade civil, e proceder à sua transferência para as autoridades competentes;
d. uma obrigação – que tenha em conta a situação específica e as capacidades das PME no âmbito da Recomendação 2003/361/CE, de Maio de 2003, e conforme com o princípio "Think Small First" – no sentido de que as empresas publiquem o seu balanço em matéria de RSE pelo menos de dois em dois ou de três em três anos; considera que esta exigência reforçará a transparência e a notificação e encorajará a visibilidade e a credibilidade das práticas de RSE, disponibilizando informações sobre a RSE a todas as partes interessadas, incluindo os consumidores, os investidores e o público em geral, de forma direccionada;
e. uma obrigação de diligência por parte das empresas e grupos de empresas, ou seja, a obrigação de tomarem medidas prospectivas para identificar e prevenir qualquer violação dos direitos humanos e dos direitos ambientais, a corrupção ou a evasão fiscal, incluindo nas suas filiais e cadeias de aprovisionamento, ou seja, dentro da sua esfera de influência;
f. uma obrigação de as empresas se comprometerem a proceder a uma consulta prévia livre, aberta e informada de actores locais e independentes antes de desenvolver um projecto que tenha um impacto sobre a comunidade local;
g. uma ênfase particular no impacto das práticas de contratação de crianças e trabalho infantil;
27. Considera que a cláusula de RSE deve ser acompanhada de outras disposições; entende que:
a. em caso de violação comprovada dos compromissos de RSE, deve ser possível as autoridades competentes procederem a investigações e, em caso de violação grave dos compromissos, as partes devem nomear e admoestar os responsáveis;
b. ambas as partes se devem comprometer a favorecer a cooperação judicial transnacional, a facilitar o acesso à justiça às vítimas de actos de empresas dentro da sua esfera de influência, e, com esse objectivo em mente, a apoiar o desenvolvimento de procedimentos judiciais adequados e sancionar o incumprimento da legislação pelas empresas, bem como de mecanismos de reparação extrajudiciais;
28. Sugere que, no quadro de acordos bilaterais da UE, se prevejam, no âmbito dos programas de “reforço da justiça”, acções de formação para os juízes e tribunais que lidam com o direito comercial em matéria de direitos humanos e respeito das convenções internacionais sobre os direitos laborais e o ambiente;
29. Propõe que seja criado um comité parlamentar misto de acompanhamento para cada acordo de comércio livre (ACL) que constitua um local de informação e de diálogo entre os membros do Parlamento Europeu e os deputados dos Estados parceiros; acrescenta que estes comités de acompanhamento poderiam igualmente examinar a aplicação do capítulo relativo ao desenvolvimento sustentável e da cláusula RSE, apresentar recomendações dirigidas ao comité misto ACL, designadamente à luz dos estudos de impacto e nos casos comprovados de incumprimento dos direitos humanos, dos direitos laborais ou das convenções ambientais;
30. Propõe a instituição de um fórum regular de comparação para permitir que os signatários do Pacto Mundial das Nações Unidas submetam os seus programas de RSE à apreciação da opinião pública e fornecer um meio de comparação para os consumidores, bem como criar uma cultura de normas elevadas e revisão pelos pares. Essa transparência incentivaria as empresas a atingirem voluntariamente níveis mais elevados de RSE ou a enfrentarem os custos de um exame pela comunicação social e pela opinião pública;
Promover a RSE nas políticas comerciais a nível multilateral
31. Solicita à Comissão que promova a integração da RSE nas políticas comerciais a nível multilateral, em fóruns internacionais que apoiaram a RSE, em especial a OCDE e a OIT, assim como no âmbito da OMC, na perspectiva pós-Doha;
32. Solicita à Comissão que, nesses mesmos fóruns, apele à elaboração de uma convenção internacional que estabeleça as responsabilidades do "país de acolhimento"(25) e do "país de origem"(26) e se empenhe na luta contra a violação dos direitos humanos por parte das multinacionais e na aplicação do princípio da extraterritorialidade;
33. Solicita à Comissão que apoie o desenvolvimento de novas relações entre as agências multilaterais responsáveis pelas normas laborais e ambientais e a OMC, a fim de assegurar uma maior coerência à escala internacional entre as políticas comerciais e os objectivos de desenvolvimento sustentável;
34. Reitera o seu apoio à criação, no quadro da OMC, de um comité “Comércio e Trabalho Digno”, semelhante ao comité “Comércio e Desenvolvimento”, onde possam ser debatidas, entre outras, as questões das normas laborais, nomeadamente no que se refere à contratação de crianças, e da RSE em articulação com o comércio internacional; reitera a sua proposta de revisão do procedimento de resolução de litígios, a fim de permitir, nos casos que envolvam possíveis violações de convenções internacionais no domínio ambiental ou laboral, que os grupos especiais (painéis) ou o órgão de recurso solicitem às organizações internacionais competentes a elaboração de pareceres para posterior publicação;
35. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Presidente do Conselho Europeu, ao Conselho, à Comissão, ao Comité Económico e Social Europeu, aos parlamentos dos Estados-Membros, à Conferência Parlamentar sobre a OMC e à Conferência Internacional do Trabalho.
UN Doc. E/CN.4/Sub.2/2003/12/Rev.2(2003).
JO L 12 de 16.1.2001, p. 1.
JO L 156 de 13.6.2001, p. 33.
JO C 86 de 10.4.2002, p. 3.
JO C 39 de 18.2.2003, p. 3.
JO L 205 de 6.8.2005, p. 21.
JO L 114 de 24.4.2001, p. 1; versão actual: 2001R0761— EN— 01.01.2007.
JO L 178 de 17.7.2003, p. 16.
JO L 134 de 30.4.2004, p. 114.
JO C 104 de 14.4.1999, p. 180.
JO C 112 E de 9.5.2002, p. 326.
JO C 271 E de 12.11.2003, p. 598.
JO C 67 E de 17.3.2004, p. 73.
JO C 157 E de 6.7.2006, p. 84.
JO C 280 E de 18.11.2006, p. 65.
Textos Aprovados dessa data, P6_TA(2006)0320.
JO C 301 E de 13.12.2007, p. 45.
JO C 102 E de 24.4.2008, p. 321.
COM(2010) 355 final.
Estado em que tem sede a empresa que se encontra numa relação de dependência face à empresa-mãe.
Estado em que se encontra a empresa-mãe.
Uma política comercial ao serviço dos objectivos globais da União Europeia
Após as crises climática, energética e alimentar, a crise financeira internacional, que originou uma crise social generalizada, veio reforçar a exigência de regras fortes, para que a economia mundial esteja mais bem enquadrada e não se desenvolva em detrimento das sociedades. O comércio internacional, que está no cerne da globalização, não escapa a esta exigência.
Para os cidadãos de todo o mundo, o desenvolvimento do comércio internacional só se justifica, na verdade, se contribuir para o desenvolvimento económico, o emprego e a melhoria do nível de vida. É apenas nesta condição que a abertura das trocas comerciais é sentida como positiva, e é aceite. Em contrapartida, provoca uma oposição muito forte, quando isso implica a destruição de postos de trabalho ou põe em causa as condições de vida, os direitos sociais e o ambiente.
A política comercial não pode, por conseguinte, ficar reduzida aos meros interesses imediatos de alguns actores económicos. Para a Europa, a política comercial deve ser levada a cabo em coerência com o conjunto dos objectivos da União, e em especial com os da sua política externa, de que constitui uma das alavancas para promover a sua concepção da regulação na globalização. Não é ilegítimo, em primeiro lugar, que a Europa assegure que a sua política comercial não prejudique, mas, pelo contrário, contribua para defender o seu modelo social e a sua política ambiental.
A este respeito, importa sublinhar que a União Europeia já condiciona a concessão de certas preferências comerciais aos países terceiros à ratificação por estes das principais convenções da Organização Internacional do Trabalho e de vários Tratados das Nações Unidas em matéria de direitos humanos (Pacto internacional relativo aos direitos civis e políticos, Pacto internacional relativo aos direitos económicos, sociais e culturais, Convenção sobre a abolição do trabalho forçado, etc.). Comprometeu-se igualmente, desde 2006, a promover o “trabalho digno”, objectivo da OIT e da ONU, através do conjunto das suas políticas externas, incluindo a sua política comercial. Finalmente, os seus acordos bilaterais de comércio livre comportam doravante um capítulo consagrado ao desenvolvimento sustentável que inclui um conjunto de objectivos ambientais e sociais. De resto, os acordos de comércio assinados pela UE inscrevem-se com cada vez maior frequência em acordos de parceria ou de associação mais vastos, que incluem uma cooperação política e compromissos em matéria de desenvolvimento sustentável e de direitos humanos. Por conseguinte, é evidente que, ao nível dos princípios, o comércio não deve ser separado das outras políticas internas ou externas da União Europeia.
Uma das razões para esta abordagem, que não é exclusiva da Europa, prende-se nomeadamente com o entendimento de que a liberalização comercial tem efeitos económicos e sociais muito diferenciados, que devem ser dominados e, por vezes, inclusive, compensados, já que gera sempre vencedores e vencidos. O desenvolvimento do comércio internacional só se reveste de benefício mútuo quando se encontram reunidas certas condições, porque os ganhos no seio de cada país nunca são repartidos de forma equitativa entre os diferentes sectores da sociedade e da economia. Daqui resulta a necessidade de um enquadramento da abertura do comércio, das suas modalidades, do seu ritmo, que se fez sentir de forma ainda mais veemente com a aceleração da globalização.
A liberalização do comércio internacional foi além disso acompanhada de uma feroz competição entre países para atrair os investidores estrangeiros e de uma intensificação da concorrência entre as empresas. Isso gerou demasiados abusos no domínio das condições de trabalho, das liberdades democráticas e dos danos ambientais. Os exemplos abundam.
Para a Europa, como para a comunidade internacional, há por conseguinte um imperativo de coerência que leva a incluir nas regras das trocas comerciais garantias reais em matéria de desenvolvimento sustentável e de direitos sociais. Este imperativo, que está em conformidade com os objectivos das Nações Unidas, como com os da União Europeia, dá resposta a um forte anseio dos cidadãos europeus. Implica igualmente uma certa concepção da responsabilidade das empresas em matéria social e ambiental.
Entre estas, as sociedades transnacionais são as que desempenham o papel mais importante no comércio mundial. Puderam tirar partido da abertura dos mercados para externalizar uma parte da sua produção e diversificar a sua cadeia de aprovisionamento a partir dos países de baixo custo de produção e caracterizados por um menor enquadramento regulamentar. Os comportamentos que se espera dessas empresas em matéria de RSE dizem por conseguinte igualmente respeito às suas filiais e aos seus subcontratantes situados nesses países, e a partir dos quais organizam uma grande parte das trocas comerciais com a Europa.
Um triplo desafio para um mesmo objectivo
A promoção da responsabilidade social e ambiental das empresas (RSE) no âmbito das trocas comerciais traduz, basicamente, três grandes desafios para a Europa:
Um desafio moral: são frequentemente as nossas próprias empresas que devem alterar o seu comportamento para se tornarem responsáveis em relação aos princípios sociais e ambientais, nomeadamente, quando operam nos países terceiros em desenvolvimento.
Um desafio económico e social: o incumprimento dos princípios da RSE constitui uma forma de dumping social e ambiental em detrimento das empresas e dos trabalhadores localizados na Europa, onde estão sujeitos ao respeito de normas sociais e ambientais mais elevadas.
Um desafio político: o da coerência das nossas políticas na globalização e o do papel da União Europeia, cujos cidadãos aguardam também que ela constitua uma protecção num mundo desregulamentado.
Lograr combinar as regras do comércio internacional e a RSE
Até agora, o comércio e a responsabilidade social das empresas (quase) não se cruzaram. É fácil compreender a razão: o comércio internacional é regido por acordos entre Estados que fixam regras jurídicas vinculativas para esses Estados; a responsabilidade social das empresas assenta em regras não vinculativas, com as quais as empresas se comprometem numa base voluntária.
Lograr combinar as regras do comércio e os compromissos assumidos pelas empresas ao abrigo da responsabilidade social seria no entanto uma potente alavanca para fazer progredir quer o comportamento das empresas, quer o respeito das normas sociais e ambientais pelos Estados signatários dos acordos de comércio com a UE.
A RSE, uma ideia que traça o seu caminho…
A RSE tem já uma longa história, desde os Princípios directores da OCDE lançados em 1976 com o apoio do movimento sindical, seguidos da Declaração de Princípios Tripartida sobre as empresas internacionais da OIT, até ao Pacto Mundial das Nações Unidas ou “Global Compact” lançado em 2000 por Kofi Annan. Os princípios orientadores estabeleceram um conjunto de recomendações dirigidas pelos governos às empresas multinacionais e que dizem nomeadamente respeito ao emprego e às relações com os parceiros sociais, aos direitos humanos, ao ambiente, à luta contra a corrupção, aos interesses dos consumidores, à concorrência, ou ainda, à evasão fiscal.
Desde então que inúmeras iniciativas foram lançadas para criar mecanismos de controlo destes códigos de boa conduta, assim como marcas de certificação dos compromissos das empresas em matéria de RSE.
A União Europeia debruçou-se sobre a questão num Livro Verde publicado em 2001, seguido de um Livro Branco e da criação de um Fórum multilateral para a RSE para promover um quadro europeu e uma estratégia em prol da responsabilidade social das empresas. Grandes empresas europeias subscreveram um compromisso no âmbito da Rede Europeia para a Responsabilidade Social das Empresas (CSR Europe), criada em 1995, na sequência de uma iniciativa de Jacques Delors.
Hoje, e segundo os termos da sua comunicação de 2006 sobre este assunto, a Comissão considera a RSE como um aspecto do modelo social europeu que constitui um meio para defender a solidariedade, a coesão e a igualdade de oportunidades, no contexto de uma maior concorrência mundial. O objectivo declarado é tornar a UE num “pólo de excelência” em matéria de responsabilidade social, e assegurar que as políticas externas que leva a cabo, e as empresas europeias que investem nos países terceiros contribuem efectivamente para o desenvolvimento social.
O Parlamento Europeu, por seu lado, aprovou vários relatórios e propostas tendentes a reforçar a RSE, por um lado, nomeadamente as resoluções de 1999, de 2003 e, sobretudo, o relatório Howitt de Março de 2007, e para reforçar as normas sociais e ambientais nos acordos de comércio da União Europeia, por outro: em particular os relatórios Désir de Outubro de 2001, e Désir e Panayatopoulos de Maio de 2007.
... e que deve encontrar o seu lugar no cerne dos acordos de comércio da UE
A RSE e as cláusulas sociais e ambientais nos acordos comerciais visam o mesmo objectivo: uma globalização mais justa, mais social, mais humana, e que sirva o desenvolvimento sustentável. Mas, até à data, percorrem duas linhas paralelas(1).
Ao cruzar-se, longe de se prejudicarem, reforçar-se-ão mutuamente. As cláusulas sociais comerciais serão reforçadas pelos contributos da RSE incidentes no comportamento das empresas. No que toca à RSE, será ajudada pela força dos acordos comerciais, e nomeadamente do quadro de supervisão que tais acordos estabelecem com vista à aplicação dos princípios que os regem.
Este relatório não reafirma o conjunto das propostas já formuladas pelo Parlamento Europeu e noutras instâncias internacionais para promover a RSE por um lado, nem as normas sociais e ambientais consagradas nos acordos de comércio, por outro.Concentra-se nas propostas que permitirão especificamente promover a responsabilidade social das empresas no âmbito da política comercial da União Europeia. É este o sentido das
propostas do projecto de resolução que se segue. Referem-se, em especial, ao seguinte:
– revisão do regime SPG;
– os estudos de impacto ligados à negociação e ao acompanhamento dos acordos de comércio da União Europeia;
– cláusulas RSE nos Acordos de comércio livre e nos outros acordos de comércio e de investimento da União Europeia;
– um comité parlamentar de acompanhamento, em especial da dimensão social e ambiental, incluindo a RSE, para cada ACL;
– a obrigação de as empresas multinacionais da UE e dos países parceiros publicarem um relatório anual sobre o impacto social e ambiental das suas actividades e as das respectivas filiais e cadeia de aprovisionamento;
– mecanismos de cooperação judiciária entre a UE e os países parceiros que incluam a possibilidade de processar empresas multinacionais, tanto na Europa como nesses países, por faltas pesadas cometidas por essas empresas ou pelas respectivas filiais em matéria de ambiente ou de direitos fundamentais;
– as adjudicações de contratos públicos ;
– as relações entre os fóruns multilaterais de promoção da RSE e a OMC;
– uma nova iniciativa da Comissão Europeia.
Ainda que o Acordo de Comércio Livre com a Coreia do Sul refira a RSE, essa referência é muito limitada e sem relação directa com a realização dos compromissos comerciais.
PARECER da Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais (4.6.2010)
Relatora de parecer: Pervenche Berès
A Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais insta a Comissão do Comércio Internacional, competente quanto à matéria de fundo, a incorporar as seguintes sugestões na proposta de resolução que aprovar:
A. Considerando que a responsabilidade social das empresas (RSE) é um conceito segundo o qual as empresas integram voluntariamente as preocupações sociais e ambientais na sua estratégia empresarial para o bem-estar geral das partes interessadas, empenhando-se activamente nas políticas públicas enquanto aspecto importante da mudança social baseada em valores,
B. Considerando que a RSE representa uma componente essencial do modelo social europeu, reforçada pela entrada em vigor do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia e, nomeadamente, pela sua cláusula social horizontal, e considerando que a necessidade de promover a RSE foi reconhecida pela Comissão Europeia na sua comunicação sobre a estratégia UE 2020 enquanto elemento importante para garantir a confiança a longo prazo dos trabalhadores e dos consumidores,
C. Considerando que a RSE tem uma influência considerável sobre os direitos humanos nos países em desenvolvimento,
D. Considerando que a RSE é um dos instrumentos que podem ser utilizados para combater o trabalho não declarado e a evasão fiscal,
E. Considerando que a RSE não deve substituir o Estado no fornecimento de serviços públicos básicos ou isentá-lo dessa responsabilidade,
F. Considerando que a RSE pode desempenhar um papel-chave na melhoria dos níveis de vida das comunidades desfavorecidas,
G. Considerando que os sindicatos têm um papel importante a desempenhar no que respeita à promoção da RSE, dado que os trabalhadores estão em melhor posição para conhecer a realidade das empresas onde trabalham,
H. Considerando que a RSE deve ser considerada em paralelo e em interacção com as reformas da governação das sociedades,
I. Considerando o papel das PME no mercado único europeu e os resultados dos projectos financiados pela Comissão para encorajar a adopção das práticas da responsabilidade social das empresas (RSE), inclusive pelas PME,
J. Considerando que o mandato do Conselho dos Direitos do Homem das Nações Unidas e o seu quadro "Proteger, respeitar e reparar", actualmente a ser implementado pelo Professor John Ruggie e cujo relatório final está previsto para 2011, visam fornecer orientações concretas aos Estados, às empresas e aos outros intervenientes sociais sobre o respeito dos direitos humanos nas suas actividades,
1. Considera que a RSE é uma ferramenta eficaz para melhorar a competitividade, as competências e as oportunidades de formação, a segurança no trabalho e o ambiente de trabalho, proteger os direitos dos trabalhadores e os direitos das comunidades locais e autóctones, promover uma política ambiental sustentável e incentivar o intercâmbio de boas práticas aos níveis local, nacional, europeu e mundial, embora não possa, evidentemente, substituir-se à regulamentação do trabalho nem às convenções colectivas, gerais ou sectoriais;
2. Solicita que as empresas sejam instadas a aplicar a RSE para salvaguardar a integridade física, a segurança, o bem-estar físico e psíquico, os direitos laborais e os direitos humanos tanto dos seus próprios trabalhadores como dos trabalhadores em geral através da influência que exercem sobre o círculo alargado dos seus colaboradores; sublinha a necessidade de apoiar e incentivar a difusão de tais práticas entre as PME, limitando os encargos em termos de custos e de burocracia;
3. Salienta que a RSE deve ser aplicada a novos domínios, tais como a organização do trabalho, a igualdade de oportunidades e a inclusão social, a luta contra as discriminações e o desenvolvimento da educação e da formação ao longo da vida; sublinha que a RSE deve incluir, por exemplo, a qualidade do emprego, a igualdade de remuneração e de perspectiva de carreira, bem como a promoção de projectos inovadores e sustentáveis de modo a contribuir para a transição para uma economia sustentável;
4. Recomenda vivamente aos Estados-Membros e à União Europeia que promovam a implementação de boas práticas de RSE por parte de todas as empresas, independentemente do local onde exerçam a sua actividade, e que incentivem a difusão de boas práticas resultantes de iniciativas de RSE, nomeadamente mediante uma maior difusão dos seus resultados;
5. Faz notar que a agenda da RSE deve ser adaptada às necessidades específicas de cada região e de cada país, a fim de contribuir para a melhoria do desenvolvimento económico e social sustentável;
6. Considera que a credibilidade de iniciativas voluntárias de RSE depende da incorporação de normas e princípios internacionalmente aceites, tais como a "Global Reporting Initiative III", e da implementação de uma fiscalização e de uma verificação transparente e independente das partes interessadas da empresa;
7. É de opinião de que a tónica deve ser colocada na participação activa de todas as partes interessadas da empresa, na formação dos dirigentes e no desenvolvimento da sociedade civil, em especial no que diz respeito à sensibilização dos consumidores;
8. Considera importante cultivar e difundir a cultura da RSE através da formação e da sensibilização, tanto no plano das empresas como no do ensino superior e universitário nos sectores relacionados principalmente com o estudo da administração;
9. Considera que o diálogo social e os conselhos de empresa europeus têm desempenhado um papel construtivo no desenvolvimento de boas práticas no domínio da RSE;
10. Congratula-se com a promoção da RSE a nível internacional e insta a Comissão a promover uma melhor integração da RSE nas suas políticas comerciais mediante a inclusão de cláusulas rigorosas, que reflictam as normas RSE reconhecidas internacionalmente, em todos os acordos bilaterais, regionais e multilaterais sobre normas de informação em matéria ambiental, social e de governação com vista a promover uma divulgação de informações melhor e mais ampla por parte das empresas europeias que operam nos países em desenvolvimento, quer directamente quer através das suas cadeias de abastecimento, e por cujo comportamento aquelas devem ser responsáveis, insistindo sobretudo no papel que os representantes dos trabalhadores devem desempenhar e na importância do diálogo social; insta a Comissão a supervisionar claramente a introdução destas cláusulas e a manter o Parlamento informado sobre esta matéria;
11. Está firmemente convencido de que se deve dedicar mais atenção à RSE nas Directrizes Europeias para o Emprego.
Regina Bastos, Edit Bauer, Jean-Luc Bennahmias, Mara Bizzotto, Milan Cabrnoch, David Casa, Alejandro Cercas, Ole Christensen, Derek Roland Clark, Sergio Gaetano Cofferati, Marije Cornelissen, Frédéric Daerden, Karima Delli, Proinsias De Rossa, Frank Engel, Sari Essayah, Richard Falbr, Ilda Figueiredo, Pascale Gruny, Marian Harkin, Roger Helmer, Nadja Hirsch, Liisa Jaakonsaari, Martin Kastler, Ádám Kósa, Jean Lambert, Patrick Le Hyaric, Olle Ludvigsson, Elizabeth Lynne, Thomas Mann, Elisabeth Morin-Chartier, Csaba Őry, Siiri Oviir, Konstantinos Poupakis, Sylvana Rapti, Licia Ronzulli, Jutta Steinruck e Traian Ungureanu
Georges Bach, Françoise Castex, Marielle Gallo, Joe Higgins, Franz Obermayr, Evelyn Regner, Birgit Sippel, Emilie Turunen e Cecilia Wikström
Rosa Estaràs Ferragut e Oldřich Vlasák
Última actualização: 17 de Novembro de 2010 Advertência jurídica