Source: http://www.oabsp.org.br/noticias/2007/05/28/4190
Timestamp: 2017-10-22 21:14:48+00:00
Document Index: 141991491

Matched Legal Cases: ['artigo 145', 'artigo 7', 'artigo 7', 'Artigo 7', 'artigo 4', 'artigo 5', 'artigo 7', 'artigo 103']

CONSELHO FEDERAL ENTRA COM ADIN A PEDIDO DA OAB SP — OAB SP
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CONSELHO FEDERAL ENTRA COM ADIN A PEDIDO DA OAB SP
A Ação Direta de Inconstitucionalidade questiona o Art. 7 da Lei 11.331/02.
O Conselho Federal da OAB SP ajuizou no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin 3887), com pedido de liminar, contra o Art. 7 da lei 11.331, de 26 de dezembro de 2002, que dispõe sobre emolumentos cartorários no Estado de São Paulo. A lei afronta o parágrafo 2° do artigo 145 da Constituição Federal e entendimento do Supremo Tribunal Federal que já pacificou o entendimento de que emolumentos dos cartórios têm natureza tributária, evidenciando, portanto, sua inconstitucionalidade. A OAB pede o expurgo do ordenamento jurídico dos incisos II e III do artigo 7° da referida lei.
contra os incisos II e III do artigo 7º, da Lei Lei paulista nº 11.331, de 26 de dezembro de 2002.
A lei, na qual se encontram os comandos impugnados, dispõe sobre emolumentos cartorários no Estado de São Paulo.
Os incisos fustigados nessa ação (incisos II e III do art. 7º) tratam da base de cálculo para a cobrança de tais exações; verbis (doc. 02):
“Artigo 7º - O valor da base de cálculo a ser considerado para fins de enquadramento nas tabelas de que trata o artigo 4º, relativamente aos atos classificados na alínea "b" do inciso III do artigo 5º, ambos desta lei, será determinado pelos parâmetros a seguir, prevalecendo o que for maior:
III - base de cálculo utilizada para o recolhimento do imposto de transmissão "inter vivos" de bens imóveis.”
O STF já pacificou o entendimento de que os emolumentos cartorários têm natureza tributária, especificamente, natureza de taxas. Verbis:
ADI 3694 / AP – AMAPÁ
“EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: L. 959, do Estado do Amapá, publicada no DOE de 30.12. 2006, que dispõe sobre custas judiciais e emolumentos de serviços notariais e de registros públicos, cujo art. 47 - impugnado - determina que a "lei entrará em vigor no dia 1º de janeiro de 2006": procedência, em parte, para dar interpretação conforme à Constituição ao dispositivos questionado e declarar que, apesar de estar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2006, a eficácia dessa norma, em relação aos dispositivos que aumentam ou instituem novas custas e emolumentos, se iniciará somente após 90 dias da sua publicação. II. Custas e emolumentos: serventias judiciais e extrajudiciais: natureza jurídica. É da jurisprudência do Tribunal que as custas e os emolumentos judiciais ou extrajudiciais tem caráter tributário de taxa. III. Lei Lei tributária: prazo nonagesimal. Uma vez que o caso trata de taxas, devem observar-se as limitações constitucionais ao poder de tributar, dentre essas, a prevista no art. 150, III, c, com a redação dada pela EC 42/03 - prazo nonagesimal para que a lei tributária se torne eficaz.”
Os incisos II e III do art. 7º impugnados são inconstitucionais, porque elegem como bases de cálculo para emolumentos cartorários aquelas próprias de impostos.
De fato, o inciso II elege como base de cálculo aquela peculiar do IPTU; o inciso III elege como base de cálculo aquela peculiar do imposto de transmissão “inter vivos” de bens imóveis.
A C.F. veda expressamente tal eleição. As taxas não podem ter base de cálculo de impostos; verbis:
“§ 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos”
Evidenciada a inconstitucionalidade, impõe-se seja a presente ação julgada procedente, ante os argumentos ora expostos e ainda aqueles contidos em parecer de José Afonso da Silva lavrado por ocasião da análise da questão no âmbito da Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil (doc.03).
A suspensão liminar dos preceitos legais impugnados se impõe. A cada dia os cidadãos que necessitam dos serviços notariais e de registro no Estado de São Paulo são feridos, pelas normas inconstitucionais ora atacadas, em seus direitos fundamentais de não pagar tributos que não são devidos.
A exigência indevida, acaso não suspensa liminarmente, ensejará, quando do julgamento final favorável ao autor, o ajuizamento de milhares de ações de repetição, em detrimento do bom funcionamento do Poder Judiciário.
A hipótese, pois, indica a conveniência da suspensão liminar dos preceitos atacados.
Por todo o exposto, pede o autor seja suspensa a eficácia dos incisos II e III do artigo 7º, da Lei paulista nº 11.331, de 26 de dezembro de 2002.Requer também, que seja citado o Advogado-Geral da União, nos termos do artigo 103, § 3o, da Constituição Federal, para defender o ato impugnado, na Praça dos Três Poderes, Palácio do Planalto, Anexo IV, em Brasília, Distrito Federal.
Requer, outrossim, sejam oficiados o Governador e o Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo para prestarem informações no prazo legal.
Protesta pela produção de provas porventura admitidas (art. 9o , §§ 1o e 3o da Lei Lei 9.868).