Source: http://www.direitodoestado.com.br/noticias/adi-contra-dispositivo-da-constituicao-baiana-e-julgada-procedente
Timestamp: 2020-01-22 14:46:43+00:00
Document Index: 57342188

Matched Legal Cases: ['artigo 122', 'artigo 2', 'artigo 96', 'artigo 96', 'artigo 169', 'artigo 125', 'artigo 122']

ADI contra dispositivo da Constituição baiana é julgada procedente
31/08/2007 | 17508 pessoas já leram esta notícia. | 17 usuário(s) ON-line nesta página
Dispositivo da Constituição do estado da Bahia que limitou o número máximo de desembargadores do Tribunal de Justiça foi declarado inconstitucional. A decisão, por maioria, ocorreu no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3362, proposta, com pedido de liminar, pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).
A AMB pedia a suspensão de parte do artigo 122 da Constituição baiana que limita em 35 o número máximo de desembargadores do TJ-BA. Alegava que essa determinação viola o princípio da separação e autonomia dos Poderes (artigo 2º da CF) e o dispositivo constitucional que determina ser da competência do próprio Tribunal de Justiça a alteração do número de integrantes dos tribunais inferiores (artigo 96, II, "a", da CF).
Eros Grau citou ainda que, conforme o procurador-geral da República, o Tribunal já analisou questão análoga em oportunidades anteriores. Segundo ele, a Corte discutiu em outras duas ações diretas [ADI 2011 e 274] a constitucionalidade do aumento do número de desembargadores independentemente da iniciativa do Poder Judiciário local.
“Parece clara a redação do artigo 96, II, da CF”, disse o ministro Eros Grau. De acordo com esse dispositivo, compete privativamente ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder Legislativo respectivo, observado o disposto no artigo 169, a alteração do número de membros dos tribunais inferiores.
O ministro entendeu que a expressão contestada pela AMB, ou seja, “no máximo 35” afronta à Constituição. “Não haverá mais razão para o preceito se ao poder legislativo estadual for conferida a prerrogativa de organizar e estruturar os tribunais de justiça”, disse o ministro. Segundo ele, a iniciativa dos tribunais de justiça para a alteração de seus próprios quadros não pode ser cortada até porque a fixação do número máximo de membros do Tribunal de Justiça pode comprometer a celeridade da entrega da prestação jurisdicional.
Eros Grau também considerou “muito claro” o preceito do artigo 125, da Constituição. “Ainda que se tenha discutido a questão desses autos pela última vez em 1999 [ADI 2105], os argumentos que fundamentaram o entendimento então consagrado afirmando a violação dos preceitos constitucionais, parece-me hoje tão sólidos quanto eram”, concluiu o ministro ao votar no mesmo sentido dos ministros Marco Aurélio e Carlos Ayres Britto para julgar procedente a ação.
Assim, por maioria dos votos, o Tribunal julgou procedente a ação direta para declarar inconstitucional a expressão “no máximo 35”, contidos no caput do artigo 122 da Constituição do estado da Bahia. Ficaram vencidos os ministros Sepúlveda Pertence (relator), Nelson Jobim, Joaquim Barbosa e Celso de Mello.