Source: https://studylibpt.com/doc/6260357/regulamento-de-compet%C3%AAncias-espec%C3%ADficas-do-enfermeiro-esp..
Timestamp: 2020-01-28 05:17:13+00:00
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Regulamento de competências específicas do enfermeiro especialista
Enviado por Do utilizador4858
2.1.5 — Assegura processos de mentorado e coaching aos membros da equipa
interdisciplinar para a melhoria dos resultados dos cuidados de enfermagem de
2.2 — Gere o sistema de cuidados de saúde da família aos 2.2.1 — Participa no planeamento, desenvolvimento e avaliação de programas de
diferentes níveis de prevenção.
saúde, relativamente à saúde familiar.
2.2.2 — Promove uma cultura organizacional, de formação, de prática e de investigação interprofissionais.
2.2.3 — Utiliza sistemas de informação e tecnologias disponíveis para melhorar os
resultados de saúde familiar.
2.2.4 — Cria e sustenta uma visão partilhada da enfermagem de saúde familiar, aos
diversos níveis de prevenção.
2.2.5 — Participa no desenvolvimento de legislação e políticas sociais, relacionadas
com a saúde e direitos da família.
2.2.6 — Utiliza as tecnologias de informação e comunicação para promover e dar
visibilidade ao conhecimento sobre enfermagem de saúde familiar.
311459965
Regulamento n.º 429/2018
em Enfermagem Médico-Cirúrgica na Área de Enfermagem à
Pessoa em Situação Crítica, na área de enfermagem à pessoa em
situação paliativa, na área de enfermagem à pessoa em situação
perioperatória e na área de enfermagem à pessoa em situação
Com a entrada em vigor das alterações ao Estatuto da Ordem dos
Enfermeiros introduzidas pela Lei n.º 156/2015, de 16 de setembro, e
ao contrário do que se verificava até esta alteração, o Estatuto da Ordem dos Enfermeiros passou a identificar no seu artigo 40.º os Títulos
de Enfermeiro Especialista passíveis de serem atribuídos, os quais
consistem nos seguintes: (i) enfermeiro especialista em enfermagem
de saúde materna e obstétrica; (ii) enfermeiro especialista em enfermagem de saúde infantil e pediátrica; (iii) enfermeiro especialista em
enfermagem de saúde mental e psiquiátrica; (iv) enfermeiro especialista
em enfermagem de reabilitação; (v) enfermeiro especialista em enfermagem médico-cirúrgica; (vi) enfermeiro especialista em enfermagem
No caso da especialidade em Enfermagem Médico-Cirúrgica, considerando a vasta abrangência da mesma, bem como, as necessidades
de cuidados de enfermagem especializados em áreas emergentes,
relativamente às quais se reconhece a imperatividade de especificar as competências de acordo com o destinatário dos cuidados
e o contexto de intervenção, sobressaem e destacam-se diferentes
áreas de enfermagem, das quais, em particular, se identificam as
seguintes: área de enfermagem à pessoa em situação crítica, área de
enfermagem à pessoa em situação paliativa, área de enfermagem à
pessoa em situação perioperatória e área de enfermagem à pessoa
em situação crónica.
Para além disso, e ainda por força destas alterações, torna-se necessário
definir um regime de compatibilização dos títulos de enfermeiros especialistas até aqui atribuídos pela Ordem dos Enfermeiros, nomeadamente
quando perante a necessidade de revalidação do título.
Nesta conformidade, nos termos conjugados das alíneas c), d) e f) do
n.º 1 do artigo 42.º do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros, após aprovação em Assembleia de Colégio, a Mesa do Colégio de Especialidade
de Enfermagem Médico-Cirúrgica apresentou ao Conselho Diretivo, a
sua proposta de Regulamento, tendo o mesmo sido aprovado na reunião
de 22 de dezembro de 2017, em Conselho Diretivo.
Foi ouvido o Conselho de Enfermagem, nos termos e para os efeitos
do disposto na alínea a) do artigo 37.º, emitido Parecer pelo Conselho
Jurisdicional, em observância dos termos conjugados da alínea h), do
n.º 1 do artigo 27.º e da alínea h), do n.º 1 do artigo 32.º, todos do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros, tendo a proposta de Regulamento
sido submetida a consulta pública dos membros do respetivo Colégio
da Especialidade, nos termos do disposto no artigo 101.º do Código de
A Assembleia Geral da Ordem dos Enfermeiros, reunida em sessão
extraordinária no dia 3 de janeiro de 2018, ao abrigo do disposto nas
alíneas i) e o) do artigo 19.º do Estatuto da Ordem dos Enfermeiros, aprovou o seguinte Regulamento de Competências Específicas do Enfermeiro
Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, tendo sido homologado
por despacho de 08 de maio de 2018 de Sua Excelência o Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Dr. Fernando Araújo:
O presente regulamento define o perfil de competências específicas do
Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica que integra,
juntamente com o perfil das competências comuns do enfermeiro especialista definidas em regulamento próprio, o conjunto de competências
clínicas especializadas e concretizadas consoante o alvo e contexto de
intervenção, na área de enfermagem à pessoa em situação crítica, na área
de enfermagem à pessoa em situação paliativa, na área de enfermagem
à pessoa em situação perioperatória e na área de enfermagem à pessoa
em situação crónica, que visam prover um enquadramento regulador
para a certificação das competências e comunicar aos cidadãos o que
podem esperar destes profissionais especializados.
Competências específicas do enfermeiro especialista
em enfermagem médico-cirúrgica
1 — As competências específicas do Enfermeiro Especialista em
Enfermagem Médico-Cirúrgica são:
a) Cuida da pessoa e família/cuidadores a vivenciar processos médicos
e/ou cirúrgicos complexos, decorrentes de doença aguda ou crónica;
b) Otimiza o ambiente e os processos terapêuticos na pessoa e família/cuidadores a vivenciar processos médicos e/ou cirúrgicos complexos,
decorrentes de doença aguda ou crónica;
c) Maximiza a prevenção, intervenção e controlo da infeção e de resistência a antimicrobianos perante a pessoa a vivenciar processos médicos
e/ou cirúrgicos complexos decorrente de doença aguda ou crónica.
2 — Cada competência prevista no número anterior é apresentada com
descritivo, unidades de competência e critérios de avaliação no anexo I,
sendo as mesmas aplicáveis relativamente aos títulos de enfermeiros
especialistas em enfermagem médico-cirúrgica atribuídos pela Ordem
dos Enfermeiros até à entrada em vigor deste regulamento, nomeadamente em processos de recertificação de competências e avaliação de
na área de enfermagem à pessoa em situação crítica
enfermagem médico-cirúrgica, na área de Enfermagem à Pessoa Situação Crítica são:
a) Cuida da pessoa, família/cuidador a vivenciar processos complexos
de doença crítica e/ou falência orgânica;
b) Dinamiza a resposta em situações de emergência, exceção e catástrofe, da conceção à ação;
c) Maximiza a prevenção, intervenção e controlo da infeção e de
resistência a Antimicrobianos perante a pessoa em situação crítica e/ou
falência orgânica, face à complexidade da situação e à necessidade de
respostas em tempo útil e adequadas.
2 — As competências específicas estabelecidas no número anterior
são apresentadas com descritivo, unidades de competência e critérios
de avaliação no anexo II.
dos planos de estudos, desde que a terminem no prazo de cinco anos a
contar da data da entrada em vigor do presente Regulamento.
na área de enfermagem à pessoa em situação paliativa
enfermagem médico-cirúrgica, na área de Enfermagem à Pessoa em
Situação Paliativa são:
a) Cuida da pessoa com doença incurável ou grave, em fase avançada,
progressiva e terminal dos seus cuidadores e familiares, em todos os
contextos de prática clínica, aliviando o seu sofrimento, maximizando
o seu bem-estar, conforto e qualidade de vida;
b) Estabelece relação terapêutica com a pessoa com doença incurável
ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal, e seus cuidadores/
familiares, proporcionando suporte no processo de adaptação às perdas
sucessivas, à morte e no acompanhamento no luto.
de avaliação no anexo III.
em enfermagem médico-cirúrgica — na área
de enfermagem à pessoa em situação perioperatória
1 — As competências específicas do enfermeiro especialista em enfermagem médico-cirúrgica, na área de Enfermagem à pessoa em situação
Perioperatória são:
a) Cuida da pessoa em situação perioperatória e respetiva família/
pessoa significativa;
b) Maximiza a segurança da pessoa a vivenciar situação cirúrgica e da
equipa pluridisciplinar, congruente com a consciência cirúrgica.
de avaliação nos anexos IV.
de enfermagem à pessoa em situação crónica
Situação Crónica são:
a) Cuida da pessoa e família/cuidadores a vivenciar a doença crónica;
b) Maximiza o ambiente terapêutico em articulação com a pessoa e
família/cuidadores a vivenciar a doença crónica.
de avaliação nos anexos V.
1 — O presente regulamento é aplicável a todos os pedidos de atribuição de título de enfermeiro especialista apresentados na Ordem dos
Enfermeiros a partir da entrada em vigor do presente regulamento.
2 — Aos enfermeiros que se encontrem nas situações identificadas nas
alíneas seguintes, aplica-se o disposto no artigo 2.º deste Regulamento:
a) Enfermeiros que já reúnam as condições para a atribuição do Título
de Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica;
b) Enfermeiros que se encontram a frequentar Cursos de Pós-Licenciatura de especialização em Enfermagem e Cursos de Mestrados
com parecer favorável da Ordem dos Enfermeiros quanto à adequação
Com a publicação deste documento são revogados o Regulamento
n.º 124/2011 de 18 de fevereiro e Regulamento n.º 188/2015 de 22 de
O presente Regulamento entra em vigor no dia seguinte ao da sua
9 de maio de 2018. — A Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana
Rita Pedroso Cavaco.
Os tratamentos médicos e cirúrgicos remontam da antiguidade. Os
desenvolvimentos técnicos e científicos em resposta às necessidades em
cuidados de saúde permitiram um desenvolvimento impar no diagnóstico
e tratamento. Mais do que em qualquer outra época, este avanço no
conhecimento oferece oportunidades que elevam a longevidade. Mas,
viver mais nem sempre significa viver melhor.
Tendo como finalidade a melhoria da qualidade de vida da pessoa,
os cuidados especializados em enfermagem Médico-Cirúrgica exigem
a conceção, implementação e avaliação de planos de intervenção em
resposta às necessidades das pessoas e famílias alvos dos seus cuidados,
com vista à deteção precoce, estabilização, manutenção e a recuperação
perante situações que carecem de meios avançados de vigilância, monitorização e terapêutica, prevenindo complicações e eventos adversos,
tal como na promoção da saúde e na prevenção da doença em diversos
contextos de ação.
Os processos médicos e cirúrgicos complexos dizem respeito ao
conjunto de ações que implicam a tomada de decisão, baseada na informação relevante e potenciais consequências de cada alternativa e recurso,
que determina a intervenção especializada do enfermeiro em contexto
extra-hospitalar, hospitalar, domiciliar e comunitário. Estes processos
terapêuticos constituem-se como respostas estruturadas, educativas e
orientadas, para a necessidade em cuidados de enfermagem especializados face a problemas decorrentes de alterações anatomofisiológicas
de órgãos e de sistemas de órgãos de natureza aguda ou crónica.
O avanço no conhecimento requer que o Especialista em Enfermagem
Médico-Cirúrgica desenvolva uma prática baseada nas mais recentes
evidências, orientada para os resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem, sendo também o líder ideal para projetos de formação, de
assessoria e de investigação que visem potenciar e atualizar os seus
conhecimentos no desenvolvimento de competências dentro da sua
área de especialização.
Em cumprimento do disposto n.º 2 do artigo 2.º do presente Regulamento, apresenta-se cada competência específica do enfermeiro
especialista em enfermagem médico-cirúrgica com descritivo, unidades
de competência e critérios de avaliação, aplicáveis relativamente aos
títulos de Enfermeiros Especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica
atribuídos pela Ordem dos Enfermeiros até à entrada em vigor deste
regulamento, nomeadamente em processos de revalidação de títulos.
1 — Cuida da pessoa e família/cuidadores a vivenciar processos
médicos e/ou cirúrgicos complexos, decorrentes de doença aguda ou
Atendendo à diversidade e complexidade dos processos médicos
e/ou cirúrgicos vivenciados pela pessoa acometida por doença aguda
ou crónica e respetiva família/cuidadores, o enfermeiro especialista em
enfermagem médico-cirúrgica responde eficazmente ao mobilizar conhecimentos e habilidades na identificação da intervenção especializada,
na conceção, implementação e avaliação do plano de intervenção, numa
parceria de cuidar promotora da segurança e da qualidade dos cuidados.
1.1 — Identifica as necessidades da pessoa, família e cuida- 1.1.1 — Estabelece relação terapêutica eficaz/adequada com a pessoa e família/cuidores assegurando a deteção precoce, estabilização, manudador alvo dos seus cuidados;
tenção e a recuperação decorrentes de patologias agudas ou 1.1.2 — Demostra competências específicas em técnicas de comunicação que lhe
crónicas e dos processos médicos e/ou cirúrgicos complexos.
permite adaptar a comunicação à pessoa e ao contexto;
1.2 — Concebe planos de intervenção tendo como objetivo a
adaptação aos processos de transição saúde/doença aguda ou
crónica, perante situações decorrentes de processos médicos
e/ou cirúrgicos complexos.
1.3 — Implementa as intervenções planeadas tendente à vigilância, monitorização e terapêutica, prevenindo complicações e eventos adversos decorrentes da doença aguda ou
crónica e dos processos médicos e/ou cirúrgicos complexos
que careçam de meios de intervenção avançados.
1.4 — Avalia os resultados com base nas respostas da pessoa,
família e cuidadores a vivenciar doença aguda ou crónica e
processos médicos e/ou cirúrgicos complexos.
1.1.3 — Reconhece as necessidades de intervenção especializada nas áreas de atenção
relevantes para a pessoa, família/cuidadores que vivenciam processos médicos e/ou
cirúrgicos complexos, decorrentes de doença aguda ou crónica;
1.1.4 — Previne complicações, reconhecendo a complexidade das situações de saúde
vivenciadas pela pessoa, família e cuidadores;
1.1.5 — Envolve a pessoa, família/cuidadores em todo o processo de cuidar, rumo
à independência e ao bem-estar;
1.1.6 — Avalia o impacto que a situação decorrente do processo patológico agudo
ou crónico e dos processos médico-cirúrgico complexos, tem na qualidade de
vida e bem-estar da pessoa e/ou família/cuidadores alvo dos seus cuidados especializados.
1.2.1 — Apoia a pessoa e família/cuidador no processo de transição e adaptação
saúde-doença perante situações decorrentes de processos médicos e/ou cirúrgicos
1.2.2 — planos de intervenção com vista à promoção, prevenção e controlo da
doença aguda ou crónica nos diversos contextos de ação;
1.2.3 — Adequa estratégias de intervenção especializada exequíveis, coerentes e
articuladas, de modo a proporcionar uma melhor qualidade de vida, bem-estar
1.2.4 — Valoriza o potencial da pessoa, família/cuidador na vivência do processo
de transição saúde-doença, perante situações decorrentes de processos médicos
e/ou cirúrgicos complexos;
1.2.5 — Prioriza as intervenções especializadas na prevenção de complicações e na
adaptação aos processos de transição saúde/doença aguda ou crónica, decorrentes
de processos médicos e/ou cirúrgicos complexos.
1.3.1 — Reconhece situações de especial complexidade e implementa intervenções
especializadas decorrentes da patologia aguda ou crónica e dos processos médicos
1.3.2 — Adequa os recursos à consecução das diferentes intervenções especializadas
e prevenção de complicações e eventos adversos decorrentes da patologia aguda
ou crónica e dos processos médicos e/ou cirúrgicos complexos;
1.3.3 — Atua rápida e eficazmente a situações decorrentes de processos médicos
e/ou cirúrgicos complexos, monitorizando a segurança e bem-estar da pessoa,
família/cuidador;
1.3.4 — Reconhece os processos médicos e/ou cirúrgicos complexos e a gestão da
doença aguda ou crónica como fatores de stress;
1.3.5 — Atua capacitando a pessoa, família/cuidador na prevenção da doença aguda
ou crónica;
1.3.6 — Fundamenta a sua intervenção e tomada de decisão na melhor evidência
1.3.7 — Atua de forma a munir pessoa, família/cuidador de competências necessárias
à gestão do processo saúde/doença e ao cuidado personalizado;
1.3.8 — Documenta a implementação das intervenções especializadas de acordo
com o contexto clínico.
1.4.1 — Envolve a pessoa, família/cuidadores na avaliação do plano de cuidados;
1.4.2 — Monitoriza a eficácia das intervenções especializadas executadas;
1.4.3 — Monitoriza os progressos da pessoa, família/cuidador considerando os
1.4.4 — Documenta de forma sistematizada os indicadores sensíveis aos cuidados
de enfermagem especializados que traduzam ganhos em saúde e fundamentem a
tomada de decisão decorrentes dos processos médicos e/ou cirúrgicos complexos.
2 — Otimiza o ambiente e os processos terapêuticos na pessoa e família/cuidadores a vivenciar processos médicos e/ou cirúrgicos complexos,
decorrente de doença aguda ou crónica
Ponderando os múltiplos contextos de atuação e a diversidade de processos terapêuticos complexos, o enfermeiro faz a gestão do risco e do
ambiente propício aos cuidados especializados e adequa a sua resposta salvaguardando a sua segurança e a da pessoa alvo da sua intervenção.
2.1 — Gere os processos terapêuticos de prevenção, estabili- 2.1.1 — Diagnostica precocemente as complicações resultantes da doença aguda ou
zação, manutenção e recuperação de situações decorrentes
crónica e dos processos terapêuticos complexos;
de doença aguda ou crónica e dos processos médicos e/ou 2.1.2 — Fomenta planos que favorecem os processos de adaptação/transição situacirúrgicos complexos.
2.1.3 — Dinamiza a conceção, planeamento e intervenção no controlo dos sinais
e sintomas decorrentes da doença aguda ou crónica e dos processos médicos e
cirúrgicos complexos;
2.1.4 — Intervém na gestão da dor aguda e crónica, utilizando medidas farmacológicas e não farmacológicas;
2.1.5 — Demonstra conhecimentos que permitem a intervenção junto de pessoas com
feridas complexas de índole médica e cirúrgica associada à matriz de regeneração
tecidular e integração de medidas terapêuticas;
2.1.6 — Demonstra conhecimentos que permitem a intervenção junto de pessoas
com alterações endócrinas e metabólicas;
2.2 — Gere as circunstâncias ambientais que potenciam a ocorrência de eventos adversos associados à administração de
processos terapêuticos nos diversos contextos de atuação.
2.3 — Promove estratégias inovadoras de prevenção do risco
clínico e não clínico, visando a cultura de segurança, nos
vários contextos de atuação.
2.1.7 — Mobiliza conhecimentos no domínio das novas tecnologias na gestão,
intervenção e avaliação dos processos terapêuticos complexos, incluindo a teletrabalho em enfermagem;
2.1.8 — Desenvolve intervenções técnicas de alta complexidade em resposta às
necessidades identificadas, decorrentes dos processos médico e/ou cirúrgicos
2.2.1 — Intervém como gestor de risco, na promoção de um ambiente seguro e de
qualidade na prestação dos cuidados de enfermagem;
2.2.2 — Adapta planos de emergência e catástrofe, em articulação com o nível
estratégico, aquando a administração de processos terapêuticos complexos nos
diversos contextos de atuação;
2.2.3 — Monitoriza os fatores desencadeantes de eventos adversos, instituindo
estratégias de prevenção na gestão dos processos terapêuticos complexos;
2.2.4 — Desenvolve procedimentos de controlo de eventos adversos.
2.3.1 — Notifica os incidentes de segurança e de qualidade decorrentes da intervenção de enfermagem;
2.3.2 — Reconhece as situações ou procedimentos que possam determinar a ocorrência de um resultado indesejável ou inesperado nos diferentes níveis organizacionais;
2.3.3 — Fomenta medidas de correção, salvaguardando a segurança e qualidade dos
cuidados e promovendo a formação da equipa em articulação com comissões ou
organismos institucionais.
3 — Maximiza a prevenção, intervenção e controlo da infeção e de resistência a antimicrobianos perante a pessoa a vivenciar processos médicos
e/ou cirúrgicos complexos, decorrentes de doença aguda ou crónica
Considerando o elevado risco de infeção associado aos cuidados de saúde decorrente da doença aguda ou crónica, do ambiente e dos processos
médicos e/ou cirúrgicos complexos de que a pessoa é sujeita, quer sejam de diagnóstico, terapêuticos e manutenção da qualidade de vida, o enfermeiro responde eficazmente na prevenção, intervenção e controlo da infeção e de resistência a antimicrobianos.
3.1 — Concebe Plano de Prevenção, Intervenção e Controlo de 3.1.1 — Demonstra conhecimento dos Planos de Prevenção, Intervenção e Controlo
Infeção e de Resistência a Antimicrobianos nos diferentes
de Infeção e de Resistência a Antimicrobianos e das diretrizes de âmbito local,
contextos de cuidados.
regional e nacional;
3.1.2 — Diagnostica as necessidades da unidade/contexto de prestação de cuidados
em matéria de prevenção, intervenção e controlo da infeção;
3.1.3 — Fomenta estratégias pró-ativas visando prevenção e/ou controlo da infeção
nos variados contextos de prestação de cuidados;
3.1.4 — Atualiza com base na melhor evidência científica, o Plano de Prevenção e
Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos;
3.1.5 — Divulga por todos os membros da equipa de prestação de cuidados o Plano
de Prevenção e Controlo de Infeção e de Resistência a Antimicrobianos;
3.1.6 — Facilita a adesão da pessoa, família e cuidador na prevenção, intervenção e
controlo de infeção mediante o contexto de prestação de cuidados.
3.2 — Lidera o desenvolvimento de procedimentos de preven- 3.2.1 — Demonstra conhecimentos específicos na prevenção, intervenção e controlo
ção, intervenção e controlo de infeção, designadamente das
da infeção e de Resistência a Antimicrobianos, que lhe permitam ser referência
infeções associadas aos cuidados de saúde e de resistência
na equipa de cuidados;
3.2.2 — Estabelece os procedimentos e circuitos requeridos na prevenção, intervenção
a antimicrobianos.
e controlo da infeção, face às vias de transmissão;
3.2.3 — Salvaguarda o cumprimento dos procedimentos estabelecidos no Plano de
Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência a Antimicrobianos;
3.2.4 — Documenta as medidas de prevenção, intervenção e controlo implementadas;
3.2.5 — Integra a nível local, regional e nacional, e grupos de coordenação nesta
A área de especialização em Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica
tem como alvo a pessoa em situação crítica. Entende-se que a pessoa em
situação crítica é aquela cuja vida está ameaçada por falência ou eminência de falência de uma ou mais funções vitais e cuja sobrevivência
depende de meios avançados de vigilância, monitorização e terapêutica.
Os cuidados de enfermagem à pessoa em situação crítica são cuidados
altamente qualificados prestados de forma contínua à pessoa com uma
ou mais funções vitais em risco imediato, como resposta às necessidades
afetadas e permitindo manter as funções básicas de vida, prevenindo complicações e limitando incapacidades, tendo em vista a sua recuperação total.
Os cuidados à pessoa em situação crítica podem derivar de uma
situação de emergência, exceção e catástrofe que colocam a pessoa em
Uma situação de emergência resulta da agressão sofrida por um indivíduo por parte de um qualquer fator, que lhe causa a perda de saúde, de
forma brusca e violenta, afetando ou ameaçando a integridade de um ou
mais órgãos vitais, colocando a vítima em risco de vida. A assistência
à vítima deve ser realizada de forma imediata.
Uma situação de exceção consiste fundamentalmente numa situação
em que se verifica, um desequilíbrio entre as necessidades e os recursos
disponíveis que vai exigir a atuação, coordenação e gestão criteriosa dos
A catástrofe é definida pela Lei de bases da Proteção Civil — Decreto-Lei n.º 27/2006, no seu artigo 3.º, ponto 2 como “acidente grave ou a
série de acidentes graves suscetíveis de provocarem elevados prejuízos
materiais e, eventualmente, vítimas, afetando intensamente as condições de vida e o tecido socioeconómico em áreas ou na totalidade do
território nacional”.
Os cuidados de enfermagem na pessoa, família/cuidador em situação
crítica exigem observação, colheita e procura contínua, de forma sistémica e sistematizada de dados, com os objetivos de conhecer continuamente a situação da pessoa, família/cuidador alvo de cuidados, de prever
e detetar precocemente as complicações, de assegurar uma intervenção
precisa, concreta, eficiente e em tempo útil. E se em situação crítica a
avaliação diagnóstica e a monitorização constantes se reconhecem de
importância máxima, cuidar da pessoa, família/cuidador a vivenciar
processos complexos de doença crítica e/ou falência orgânica é uma
competência das competências clínicas especializadas do enfermeiro
especialista em enfermagem médico-cirúrgica, assim como resposta em
situações de emergência, exceção e catástrofe, da conceção à ação.
Em cumprimento do disposto n.º 2 do artigo 3.º do presente Regulamento, apresenta-se cada competência específica do enfermeiro
especialista em enfermagem médico-cirúrgica, na área de Enfermagem
à pessoa em situação crítica, com descritivo, unidades de competência
1 — Cuida da pessoa, família/cuidador a vivenciar processos complexos de doença crítica e/ou falência orgânica
Considerando a complexidade das situações de saúde e as respostas
necessárias à pessoa em situação de doença crítica e/ou falência orgânica
e à sua família/pessoa significativa, o enfermeiro especialista mobiliza
conhecimentos e habilidades múltiplas para responder em tempo útil e
1.1 — Presta cuidados à pessoa em situação emergente e na 1.1.1 — Identifica prontamente focos de instabilidade;
antecipação da instabilidade e risco de falência orgânica. 1.1.2 — Responde de forma pronta e antecipatória a focos de instabilidade;
1.1.3 — Executa cuidados técnicos de alta complexidade dirigidos à pessoa a vivenciar processos de saúde/doença crítica e/ou falência orgânica;
1.1.4 — Demonstra conhecimentos e habilidades em suporte avançado de vida e
1.2 — Garante a administração de protocolos terapêuticos 1.2.1 — Diagnostica precocemente as complicações resultantes da implementação
de protocolos terapêuticos complexos;
1.2.2 — Implementa respostas de enfermagem apropriadas às complicações;
1.2.3 — Monitoriza e avalia a adequação das respostas aos problemas identificados;
1.2.4 — Demonstra conhecimentos e habilidades perante situações de morte cerebral
e manutenção hemodinâmica do potencial dador de órgãos e tecidos.
1.3 — Faz a gestão diferenciada da dor e do bem-estar da pes- 1.3.1 — Identifica evidências fisiológicas e emocionais de mal-estar;
soa em situação crítica e/ou falência orgânica, otimizando 1.3.2 — Demonstra conhecimentos sobre bem-estar físico, psicossocial e espiritual na
resposta às necessidades da pessoa em situação crítica e/ou falência orgânica;
1.3.3 — Garante a gestão de medidas farmacológicas de combate à dor;
1.3.4 — Demonstra conhecimentos e habilidades em medidas não farmacológicas
para o alívio da dor;
1.3.5 — Demonstra conhecimentos e habilidades na gestão de situações de sedo-analgesia.
1.4 — Gere a comunicação interpessoal que fundamenta a 1.4.1 — Demonstra conhecimentos aprofundados em técnicas de comunicação perante
relação terapêutica com a pessoa, família/cuidador face à
a pessoa, família/cuidador em situação crítica;
situação de alta complexidade do seu estado de saúde.
1.4.2 — Demonstra conhecimentos em estratégias facilitadoras da comunicação na
pessoa com “barreiras à comunicação”;
1.4.3 — Adapta a comunicação à complexidade do estado de saúde da pessoa em
situação crítica e/ou falência orgânica.
1.5 — Gere o estabelecimento da relação terapêutica perante 1.5.1 — Inicia a relação terapêutica, reconhecendo as transações da relação perante
a pessoa, família/cuidador em situação crítica e/ou falência
a pessoa com dificuldades de comunicação;
1.5.2 — Reconhece o impacto das transações na relação terapêutica junto da pessoa,
família/cuidador em situação crítica;
1.5.3 — Seleciona e utiliza de forma adequada, as habilidades de relação de ajuda
à pessoa, família/cuidador em situação crítica;
1.5.4 — Avalia o processo de relação estabelecida com a pessoa em situação crítica
e/ou falência orgânica.
1.6 — Assiste a pessoa, família/cuidador nas perturbações 1.6.1 — Demonstra conhecimentos sobre a gestão da ansiedade e do medo vividos
pela pessoa, família/cuidador em situação crítica e/ou falência orgânica;
emocionais decorrentes da situação crítica de saúde/doença
1.6.2 — Demonstra conhecimentos e habilidades facilitadores da “dignificação da
morte” e dos processos de luto.
2 — Dinamiza a resposta em situações de emergência, exceção e catástrofe, da conceção à ação
Perante uma situação de emergência, exceção ou catástrofe o enfermeiro especialista atua concebendo, planeando e gerindo a resposta, de forma
pronta e sistematizada, no sentido da sua eficácia e eficiência, sem descurar a preservação dos vestígios de indícios de prática de crime.
2.1 — Cuida da pessoa em situações de emergência, exceção 2.1.1 — Salvaguarda condições de segurança;
e catástrofe.
2.1.2 — Adequa resposta em situação de trauma;
2.1.3 — Realiza triagem primária e secundária;
2.1.4 — Proporciona os cuidados adequados baseados nas mais recentes orientações
2.1.5 — Assegura meios de evacuação e transporte;
2.1.6 — Garante a continuidade dos cuidados registando e transmitindo a informação
pelos meios técnicos disponíveis.
2.2 — Concebe, em articulação com o nível estratégico, os 2.2.1 — Demonstra conhecimento do Plano Nacional, Distrital e Municipal para
planos de emergência e catástrofe.
situações de emergência e catástrofe;
2.2.2 — Colabora na elaboração do plano de emergência e catástrofe da Instituição/Serviço;
2.2.3 — Difunde o plano de emergência e catástrofe pela equipa;
2.2.4 — Garante que o treino/exercício de ativação do plano de emergência ou
catástrofe, é realizado periodicamente;
2.2.5 — Colabora na revisão do plano de emergência ou catástrofe.
2.3 — Planeia resposta à situação de catástrofe . . . . . . . . . . 2.3.1 — Demonstra conhecer os planos e os princípios de atuação em situações de
2.3.2 — Identifica os vários tipos de catástrofe e as implicações para a saúde;
2.3.3 — Integra a equipa pluridisciplinar e pluriprofissional na organização dos
recursos humanos, materiais e meios técnicos de intervenção;
2.3.4 — Define prioridades de atuação;
2.3.5 — Sistematiza as ações a desenvolver em situação de emergência ou catástrofe.
2.4 — Gere os cuidados em situações de emergência, exceção 2.4.1 — Lidera a atribuição e desenvolvimento dos papéis dos membros da
2.4.2 — Avalia em contínuo a articulação e eficiência da equipa;
2.4.3 — Adequa a resposta face à evolução dinâmica da situação de emergência ou
2.4.4 — Introduz medidas corretivas das inconformidades de atuação;
2.4.5 — Demostra conhecimentos na utilização de comunicações de emergência;
2.4.6 — Gere a comunicação de informações referente à evolução da situação de
emergência ou catástrofe.
2.5 — Assegura a eficiência dos cuidados de enfermagem 2.5.1 — Diagnostica precocemente indícios de prática de crime na vítima(s) ou no
preservando os vestígios de indícios de prática de crime.
2.5.2 — Salvaguardada a preservação de vestígios, atendendo à cadeia de Custódia;
2.5.3 — Reconhece irregularidades e suspeita de crime encaminhando as mesmas
para as entidades competentes;
2.5.4 — Reencaminha para o(s) organismo(s) vocacionado(s) no apoio à vítima e
respetiva família.
3 — Maximiza a intervenção na prevenção e controlo da infeção e de resistência a Antimicrobianos perante a pessoa em situação crítica e/ou
falência orgânica, face à complexidade da situação e à necessidade de respostas em tempo útil e adequadas
Considerando o risco de infeção face aos múltiplos contextos de atuação, à complexidade das situações e à diferenciação dos cuidados exigidos
pela necessidade de recurso a múltiplas medidas invasivas, de diagnóstico e terapêutica, para a manutenção de vida da pessoa em situação crítica
e/ou falência orgânica, responde eficazmente na prevenção, controlo de infeção e de resistência a Antimicrobianos.
3.1 — Concebe plano de prevenção e controlo da infeção e de 3.1.1 — Demonstra conhecimento do Plano Nacional de Controlo de Infeção e de
resistência a antimicrobianos para resposta às necessidades
resistência a Antimicrobianos tal como das diretivas das Comissões de Controlo
do contexto de cuidados à pessoa em situação crítica e/ou
da Infeção;
3.1.2 — Diagnostica as necessidades do serviço em matéria de prevenção e controlo
de infeção;
3.1.3 — Estabelece as estratégias pró-ativas a implementar no serviço visando
a prevenção e controlo da infeção e de resistência a Antimicrobianos do serviço;
3.1.4 — Atualiza o Plano de Prevenção e Controlo de Infeção e de resistência a
Antimicrobianos do Serviço com base na evidência.
3.2 — Lidera o desenvolvimento de procedimentos de controlo 3.2.1 — Demonstra conhecimentos específicos na área da higiene hospitalar que lhe
de infeção, de acordo com as normas de prevenção, designapermitam ser referência para a equipa que cuida da pessoa em situação crítica/
damente das Infeções Associadas à Prestação de Cuidados
falência orgânica, na prevenção e controlo da infeção e na resistência a Antimide Saúde e de resistência a Antimicrobianos perante a pessoa
crobianos;
em situação crítica e/ou falência orgânica.
3.2.2 — Estabelece os procedimentos e circuitos requeridos na prevenção e controlo
da infeção face às vias de transmissão na pessoa em situação crítica/falência
3.2.3 — Salvaguarda o cumprimento dos procedimentos estabelecidos na prevenção
e controlo da infeção e de resistência a Antimicrobianos;
3.2.4 — Monitoriza, regista e avalia medidas de prevenção e controlo implementadas.
Enfermagem à Pessoa em Situação Paliativa
A área de especialização de Enfermagem à Pessoa em Situação Paliativa tem como alvo dos seus cuidados a Pessoa com doença incurável
ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal nos mais diversos
contextos de atuação e respetivos cuidadores/familiares.
O envelhecimento demográfico da população portuguesa, o registo
crescente de doenças oncológicas, neurológicas, insuficiência de órgão,
são fatores que têm vindo a contribuir para a existência de um vasto
grupo de doentes que padecem de grande sofrimento, para os quais
os enfermeiros devem estar devidamente habilitados a prestar assistência e cuidados adequados. A nível social e familiar são sobretudo
a composição, estrutura e funções familiares que mais problematizam
a situação das pessoas com doença avançada, realidade que deve ser
igualmente equacionada e objeto de intervenção pelos profissionais
que os assistem.
Os Cuidados Paliativos (CP) assumem-se como uma resposta a estas
necessidades, sendo definidos como “Cuidados ativos, coordenados e
globais, prestados por unidades e equipas específicas, em internamento
ou no domicílio a doentes em situação de sofrimento decorrente de
doença incurável ou grave, em fase avançada e progressiva, assim como
às suas famílias, com o principal objetivo de promover o seu bem-estar
e a sua qualidade de vida, através da prevenção e alívio do sofrimento
físico, psicológico, social e espiritual, com base na identificação precoce
e no tratamento rigoroso da dor e outros sintomas físicos, mas também
psicossociais e espirituais”.
A Assembleia da República decretou, nos termos da alínea c) do
artigo 161.º da Constituição, a Lei de Bases dos Cuidados Paliativos
n.º 52/2012 de 5 de setembro, a qual consagra o direito e regula o acesso
dos cidadãos aos cuidados paliativos, define a responsabilidade do Estado
em matéria de cuidados paliativos e cria a Rede Nacional de Cuidados
Paliativos (RNCP), sob tutela do Ministério da Saúde.
Em Portugal, a RNCP não tendo capacidade de dar resposta às necessidades de todos os doentes com doença incurável ou grave, em fase
avançada e progressiva, assim como às suas famílias, nos diferentes
contextos de saúde (cuidados de saúde primários, hospitalares e continuados), continuando por essa razão o seu desenvolvimento a ser uma
prioridade, na qual se impõe a evidente necessidade de profissionais
formados e especializados nesta área.
Em 2003, o Conselho da Europa, pronunciando-se sobre a organização
de CP, realçou a necessidade de programas estruturados de educação
na formação de todos os profissionais envolvidos nestes cuidados, de
forma a obterem treino adequado para exercerem as suas funções de
forma concreta, criteriosa e culturalmente sensível.
Em cumprimento do disposto n.º 2 do artigo 4.º do presente Regulamento, apresenta-se cada competência específica do enfermeiro
à pessoa em situação paliativa, com descritivo, unidades de competência
1 — Cuida da pessoa com doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal dos seus cuidadores/familiares, em todos os
o seu bem-estar, conforto e qualidade de vida
Identifica as necessidades de intervenção especializada a pessoas com
doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal,
bem como dos seus cuidadores/familiares. Concebe, implementa e avalia
os planos de cuidados, numa abordagem abrangente, compreensiva,
numa avaliação holística da saúde do indivíduo, dos seus cuidadores/
familiares na satisfação das suas necessidades, recursos, objetivos e
tomadas de decisão, maximizando a sua qualidade de vida, aliviando o
sofrimento, com vista a preservar a sua dignidade.
1.1 — Identifica as necessidades da pessoa com doença incu- 1.1.1. — Elabora o diagnóstico das necessidades de cuidados paliativos do doente,
rável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal e
ao nível físico, psicoemocional, espiritual e sociofamiliar;
dos seus cuidadores/familiares.
1.1.2 — Reconhece valores e expetativas em relação ao processo de fim de vida e à
diversidade individual, cultural e espiritual;
1.1.3 — Avalia os sintomas no doente, segundo as suas características, priorizando
o impacto no próprio, utilizando ferramentas padronizadas;
1.1.4 — Valoriza o peso de variáveis psicoemocionais, valores e crenças na intensidade dos sintomas e do sofrimento, numa abordagem multimodal e multidimensional;
1.1.5 — Avalia o grau de dependência e as necessidades de cuidados da pessoa com
doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal, promovendo
a sua máxima satisfação, o bem-estar e o conforto;
1.1.6 — Antecipa, em tempo útil, as situações de agudização.
1.2 — Promove intervenções baseadas na evidência junto de 1.2.1 — Estabelece um plano individualizado para a pessoa e seus cuidadores/familiares, preservando a dignidade, diminuindo o sofrimento, maximizando a autonomia
pessoas com doença incurável ou grave, em fase avançada,
progressiva e terminal, seus cuidadores/familiares respeie qualidade de vida e respeitando as perspetivas dos próprios;
tando as suas preferências.
1.2.2 — Utiliza estratégias para o desenvolvimento do autoconhecimento e da capacitação da pessoa e seus cuidadores/familiares;
1.2.3 — Atua, em tempo útil, nas situações de agudização;
1.2.4 — Demonstra conhecimentos específicos na prevenção, intervenção e controlo
da infeção e de Resistência a Antimicrobianos;
1.2.5 — Adota medidas farmacológicas e não farmacológicas no alívio dos sintomas;
1.2.6 — Reformula o plano individualizado baseando-se na eficácia das intervenções
1.3 — Envolve os cuidadores/familiares da pessoa com doença 1.3.1 — Reúne periodicamente com cuidadores/familiares, reavaliando as suas
incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal,
necessidades, utilizando sempre que necessário a conferência familiar;
para otimizar resultados na satisfação das necessidades.
1.3.2 — Atualiza o plano de intervenção em parceria com os cuidadores/familiares.
1.4 — Desenvolve a sua intervenção numa perspetiva interdis- 1.4.1 — Adequa estratégias de comunicação na relação com todos os intervenientes
ciplinar e em articulação com os serviços de apoio.
no processo de cuidar;
1.4.2 — Dinamiza o trabalho em equipa, fomentando a partilha e potenciando os
contributos individuais no processo de tomada de decisão.
2 — Estabelece relação terapêutica com a pessoa em situação de doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal, e seus
cuidadores/familiares, proporcionando suporte no processo de adaptação às perdas sucessivas, à morte e no acompanhamento no luto
Otimiza resultados de Cuidados Paliativos à pessoa com doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal, com necessidades
complexas de cuidados, através da construção de uma aliança terapêutica, assente na confiança, compreensão empática e capacitação da pessoa e
seus cuidadores/familiares. Esta relação terapêutica deve ser facilitada por limites mutuamente acordados, passível de ser desenvolvida em curtos
espaços de tempo e adaptável aos diversos contextos.
2.1 — Respeita a singularidade e autonomia da pessoa em 2.1.1 — Mobiliza conhecimentos da vertente sociocultural, espiritual e dos contextos
situação de doença incurável ou grave, em fase avançada,
e vivências da pessoa, cuidadores/familiares;
progressiva e terminal, e seus cuidadores/familiares no 2.1.2 — Estabelece plano assistencial mediante a fase do processo de luto em que a
pessoa, cuidadores e família se encontram;
acompanhamento de vivências individuais específicas, no
processo de morrer e de luto.
2.1.3 — Demonstra resultados qualificados de comunicação entre os vários intervenientes no processo de cuidar, salvaguardando preferências e vontades da
2.1.4 — Apoia a pessoa, seus cuidadores/familiares, de modo continuado, nas perdas sucessivas e nas tarefas de resolução do luto (incluindo o antecipatório e
2.1.5 — Encaminha, quando necessário, os cuidadores/ familiares para outros recursos de apoio.
2.2 — Promove parcerias terapêuticas com a pessoa em si- 2.2.1 — Incentiva ativamente a pessoa, seus cuidadores/familiares como parceiros
tuação de doença incurável ou grave, em fase avançada,
na avaliação, planeamento, execução e avaliação de cuidados holísticos, em conprogressiva e terminal, e seus cuidadores/familiares.
sonância com os seus desejos e preferências;
2.3 — Negoceia objetivos/metas de cuidados, mutuamente
acordadas dentro do ambiente terapêutico.
2.4 — Reconhece os efeitos da natureza do cuidar na pessoa
com doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal, nos seus cuidadores/familiares, sobre si,
outros membros da equipa, respondendo de forma eficaz.
2.2.2 — Salvaguarda que os objetivos de atuação, metas a alcançar, prioridades e
decisão de cuidados a prestar, estão dentro dos limites mutuamente acordados.
2.3.1 — Capacita a pessoa com doença incurável ou grave, em fase avançada, progressiva e terminal e seus cuidadores/familiares, mobilizando os seus recursos,
de modo a facilitar a tomada de decisão;
2.3.2 — Utiliza ferramentas de comunicação adequadas, com todos os intervenientes,
de forma a permitir a comunicação honesta, a esperança realista, assim como o
ajuste de expectativas;
2.3.3 — Ajuda a pessoa a completar, gradualmente, as tarefas de desenvolvimento
em fim de vida, em parceria com os cuidadores/familiares.
2.4.1 — Identifica fatores de risco e situações problemáticas, associados a exaustão
física e emocional;
2.4.2 — Utiliza estratégias eficazes de autocuidado para minimizar fatores geradores
de stress relacionados com a dependência crescente e a proximidade da morte;
2.4.3 — Desenvolve estratégias de apoio aos restantes intervenientes no processo
Enfermagem à pessoa em situação Perioperatória
A área de especialização em Enfermagem à Pessoa em Situação Perioperatória tem como alvo de intervenção a pessoa e família/pessoa significativa, a vivenciarem experiência cirúrgica/anestésica. Os cuidados de
enfermagem nesta área de especialização são dirigidos aos projetos de
saúde da pessoa e família/pessoa significativa a vivenciarem processos
de saúde/doença que necessitam de procedimentos cirúrgicos e anestésicos, em ambiente perioperatório, à promoção da saúde, à prevenção
de eventos adversos e ao tratamento da doença.
A intervenção do Enfermeiro Especialista na área de Enfermagem
à pessoa em situação Perioperatória desenvolve-se em cinco áreas de
atuação complementares entre si: consulta perioperatória, anestesia,
circulação, instrumentação e cuidados pós anestésicos. Este período
comporta as fases pré, intra e pós-operatório:
A fase pré-operatória tem início quando a pessoa e o cirurgião decidem
pela cirurgia e termina quando a pessoa é transferida para a mesa operatória;
A fase intraoperatória inicia aquando a transferência da pessoa, para
a mesa operatória e termina quando esta é transferida para a Unidade
de Cuidados Pós Anestésicos (UCPA);
A fase pós-operatória, tem início quando a pessoa dá entrada na UCPA
e termina quando se considera que a pessoa está recuperada do processo
cirúrgico/anestésico.
Considerando os elevados riscos associados aos cuidados perioperatórios é de extrema importância clarificar alguns conceitos, pois a pessoa
que necessita, escolhe ou aceita ser submetida a procedimentos cirúrgicos
e anestésicos, aceita submeter-se a um estado de consciência alterado,
e aos riscos inerentes a esses procedimentos e aceita ficar num estado
de vulnerabilidade física e emocional, tendo geralmente a expectativa
de melhorar o seu estado de saúde, ou ter melhor qualidade de vida.
O enfermeiro perioperatório demonstra competências especializadas no
cuidado à pessoa em situação perioperatória e na garantia da segurança
congruente com a consciência cirúrgica.
A Vulnerabilidade da pessoa em situação perioperatória pode ser expressa como a impossibilidade da pessoa responder com os seus próprios
recursos aos riscos inerentes a que está sujeita. A vulnerabilidade traduz
a exposição aos riscos, a desproteção e impossibilidade de defesa que
requer que seja assegurada por outra pessoa, em sua substituição.
A Consciência cirúrgica é um princípio ético e moral que orienta o
profissional na prática de cuidar à pessoa em situação perioperatória,
agindo em seu benefício em qualquer situação independentemente do
controlo externo efetuado. É demonstrado pelo comportamento profissional baseado no conhecimento, compreensão e aplicação dos princípios
da prática cirúrgica e responsabilidades legais, éticas e morais, para com
a pessoa e equipa, pelas quais cada profissional é responsável.
Em cumprimento do disposto n.º 2 do artigo 5.º do presente Regulamento, apresenta-se cada competência específica do enfermeiro especialista em enfermagem médico-cirúrgica, na área de Enfermagem Perioperatória, com descritivo, unidades de competência e critérios de avaliação.
1 — Cuida da pessoa em situação perioperatória e respetiva família/pessoa significativa
Considerando a especificidade das necessidades da pessoa em situação
perioperatória, o enfermeiro especialista mobiliza conhecimentos e habilidades para cuidar a pessoa e família/pessoa significativa, promovendo
a compreensão do processo vivenciado e a vivenciar, capacitando-os
para o auto cuidado e reintegração familiar e social.
1.1 — Capacita a pessoa e família/pessoa significativa, para a 1.1.1 — Identifica as necessidades da pessoa e família/pessoa significativa em
situação perioperatória;
gestão da experiência cirúrgica.
1.1.2 — Elabora plano de intervenção em função das necessidades identificadas;
1.1.3 — Estabelece relação de ajuda com a pessoa e respetiva família/pessoa significativa;
1.1.4 — Utiliza estratégias facilitadoras da comunicação expressiva de emoções;
1.1.5 — Utiliza estratégias promotoras de esperança realista e alívio da ansiedade
e medo;
1.1.6 — Assegura que a pessoa compreende a informação para o exercício da sua
autodeterminação e tomada de decisão;
1.1.7 — Garante o cumprimento das recomendações legais e éticas relacionadas com
1.1.8 — Prepara a pessoa para as potenciais alterações da autoimagem e diminuição
de capacidades, decorrente do processo cirúrgico;
1.1.9 — Desenvolve plano de instrução, ensino e treino promovendo a capacitação,
autogestão e recuperação;
1.1.10 — Assegura os mecanismos de suporte e acompanhamento da pessoa em
situação de vulnerabilidade, de menores e de pessoas com necessidades especiais,
de acordo com a legislação vigente e as políticas institucionais.
1.2 — Promove cuidados à pessoa em situação perioperatória 1.2.1 — Garante a verificação da lista de procedimentos com vista à segurança da
1.2.2 — Responsabiliza-se pela pessoa tomando a cargo o conforto, a integridade,
a privacidade e o cumprimento da vontade expressa, até que a mesma tenha capacidade para os assegurar;
1.2.3 — Assegura o posicionamento cirúrgico;
1.2.4 — Age com pertinência nas diferentes áreas de atuação: consulta perioperatória,
anestesia, circulação, instrumentação e cuidados pós anestésicos;
1.2.5 — Executa intervenções de enfermagem em resposta a situações de imprevisibilidade, complexidade e vulnerabilidade;
1.2.6 — Monitoriza sinais e sintomas analisando os resultados e intervindo com base
no conhecimento especializado, evidência científica e experiência profissional;
1.2.7 — Gere a dor associada aos procedimentos cirúrgicos;
1.2.8 — Mobiliza estratégias facilitadoras da comunicação com a pessoa afetada por
barreiras à comunicação e alteração da consciência;
1.2.9 — Utiliza estratégias de comunicação adequadas para assegurar documentação
precisa e a continuidade de cuidados.
1.3 — Desenvolve a sua intervenção numa perspetiva inter- 1.3.1 — Adequa estratégias facilitadoras da comunicação que contribuem para o
aumento da segurança nos procedimentos cirúrgicos;
1.3.2 Garante a articulação entre os membros da equipa interdisciplinar no planeamento e implementação de cuidados baseados nas melhores evidências científicas;
1.3.3 — Contribui para a otimização da complementaridade das intervenções dos
profissionais da equipa interdisciplinar em benefício da pessoa;
1.3.4 — Comunica de forma eficaz, visando a segurança cirúrgica;
1.3.5 — Gere o trabalho em equipa, fomentando a partilha e reflexão sobre processo
de cuidados e eventual instituição de medidas corretivas;
1.3.6 — Gere situações de stress e conflito fomentando um ambiente harmonioso;
1.3.7 — Intervém no planeamento e implementação da formação e treino da equipa
2 — Maximiza a segurança da pessoa em situação perioperatória e da equipa pluridisciplinar, congruente com a consciência cirúrgica
Considerando o elevado risco associado aos cuidados perioperatórios, particularmente da ocorrência de eventos adversos decorrente da vulnerabilidade da pessoa, dos procedimentos realizados e da complexidade do ambiente e dos recursos, o enfermeiro especialista na área de Enfermagem
à pessoa em situação Perioperatória mobiliza conhecimentos e habilidades que garantam a segurança da pessoa, profissionais e ambiente, agindo
de acordo com a ética profissional.
2.1 — Demonstra consciência cirúrgica na promoção de um 2.1.1 — Atua como modelo de referência, promovendo uma cultura de consciência
cirúrgica em benefício da pessoa.
ambiente seguro para todos os intervenientes no período
perioperatório.
2.1.2 — Intervém na gestão do risco e controlo da segurança perioperatória;
2.1.3 — Propõe medidas corretivas tendo por base a análise epidemiológica dos
2.1.4 — Prepara o ambiente para fomentar a segurança e eficiência dos cuidados;
2.1.5 — Utiliza estratégias e medidas de segurança para evitar danos decorrentes da
administração de terapêutica e procedimentos anestésicos;
2.1.6 — Estabelece procedimentos relativos à mobilização e ao posicionamento
cirúrgico, que garantam o conforto e previnam complicações;
2.1.7 — Integra programas de vigilância epidemiológica para monitorização da
capacidade cirúrgica, do volume e dos resultados;
2.1.8 — Garante condições do ambiente de trabalho promotoras da saúde e da
segurança dos profissionais;
2.1.9 — Garante que estão asseguradas as condições de boa prática e dotações seguras
para o início e/ou continuidade dos procedimentos cirúrgicos e anestésicos;
2.1.10 — Colabora na organização do processo cirúrgico com vista à otimização da
experiência da pessoa;
2.1.11 — Emite pareceres técnicos sobre programas de conceção e de remodelação
dos ambientes perioperatórios.
2.2 — Lidera o processo de prevenção e controlo de infeção 2.2.1 — Assegura o cumprimento dos princípios de assepsia e do controlo da conassociado aos cuidados perioperatórios.
taminação, de acordo com as evidências científicas;
2.2.2 — Adequa os métodos de cuidados à pele antes da intervenção cirúrgica,
considerando as particularidades de cada situação;
2.2.3 — Coopera no cumprimento dos princípios da gestão adequada e oportuna da
profilaxia cirúrgica antibiótica;
2.2.4 — Assegura o cumprimento dos princípios da manutenção da qualidade e
2.2.5 — Assegura o cumprimento dos princípios de preparação pré-cirúrgica das
mãos e da utilização de barreiras protetoras;
2.2.6 — Gere a implementação de medidas de contenção, prevenção da transmissão
e descontaminação, perante a pessoa com infeção documentada;
2.2.7 — Garante o cumprimento dos processos e a confirmação da esterilização dos
2.2.8 — Colabora na manutenção da técnica assética cirúrgica, minimização do
traumatismo tecidular e redução do tempo cirúrgico;
2.2.9 — Gere a manutenção da normotermia da pessoa no período perioperatório;
2.2.10 — Elabora recomendações e normas internas de aplicação dos princípios de
assepsia progressiva, estruturas físicas e equipamentos, garantindo a sua implementação.
2.3 — Promove a gestão e o controlo dos dispositivos médicos 2.3.1 — Assegura que os dispositivos médicos estão disponíveis, íntegros e funcionais
utilizados no perioperatório.
e são utilizados de acordo com as instruções do fabricante;
2.3.2 — Garante a rastreabilidade dos dispositivos médicos;
2.3.3 — Providencia a atualização da equipa acerca das normas de segurança na
utilização dos dispositivos médicos;
2.3.4 — Assegura a gestão do risco associado à retenção inadvertida de itens quantificáveis no local cirúrgico;
2.3.5 — Gere a utilização dos dispositivos médicos implantáveis de acordo com a
legislação, políticas, instruções do fabricante e protocolos, assegurando a documentação e a rastreabilidade;
2.3.6 — Controla a gestão de tecidos e fluidos orgânicos para análise, eliminação,
colheita e transplante;
2.3.7 — Participa na conceção e na implementação dos processos de reprocessamento
de dispositivos médicos de uso múltiplo;
2.3.8 — Emite pareceres técnicos para a aquisição de dispositivos médicos.
Enfermagem à Pessoa em Situação Crónica
O aumento da esperança de vida acarreta o aumento da incidência de
doenças crónicas e incapacitantes repletas de complicações que transcendem a vertente curativa da assistência dos cuidados de saúde.
Em Portugal, como na maioria dos países do mundo, as doenças
crónicas estão a aumentar a um ritmo alucinante, refletindo-se num
problema com enorme impacto social. Mais de 80 % das mortes em
Portugal resultam de doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, diabetes, cancro e doenças respiratórias crónicas. A doença crónica
decorre de patologias cardiovasculares, respiratórias, genito-urinárias,
reumatológicas, endocrinológicas, digestivas, neurológicas, imunológicas e metabólicas, bem como de outras situações que sejam causa
de invalidez precoce ou de significativa redução da esperança de vida.
A doença crónica não se constitui como uma entidade nosológica em
si. O seu conceito é um termo abrangente que inclui doenças prolongadas, que estão associadas a um variável grau de incapacidade e que,
de acordo com a Organização Mundial de Saúde, são de longa duração
e geralmente de progressão lenta. A doença crónica e definida com a
“doença de curso prolongado, com evolução gradual dos sintomas e com
aspetos multidimensionais, potencialmente incapacitante, que afeta, de
forma prolongada, as funções psicológica, fisiológica ou anatómica,
com limitações acentuadas nas possibilidades de resposta a tratamento
curativo, mas com eventual potencial de correção ou compensação e
que se repercute de forma acentuadamente negativa no contexto social
da pessoa por ela afetada” (1).
Embora cada doença seja única e tenha um impacto diferente em cada
pessoa, há um núcleo comum de problemas e complicações associados.
Assim as doenças crónicas apresentam características comuns como:
prolongam-se no tempo (mais de 3 meses), produzem incapacidades ou
deficiências residuais e implicam a necessidade de adaptação a diversos
níveis (físico, mental, social, psicológico, emocional e espiritual). A pessoa acometida por uma doença crónica necessita de utilizar diariamente
medicamentos, produtos e materiais de desgaste rápido, os quais são
imprescindíveis à sua sobrevivência, ao correto e seguro tratamento e
Os cuidados de enfermagem especializados na pessoa em situação
crónica são cuidados contínuos que podem ser oferecidos em ambiente
hospitalar, domiciliar e comunitário, e que incidem sobre a prevenção
da doença, a promoção de estilos de vida, a promoção de processos de
adaptação e de adesão ao regime terapêutico, de modo a capacitar a
pessoa, família e cuidador para a vivência da doença crónica e redefinição de um projeto de saúde, de acordo com as implicações da doença
na pessoa e qualidade de vida da mesma.
Em cumprimento do disposto n.º 2 do artigo 6.º do presente Regulamento, apresenta-se cada competência específica do enfermeiro
à Pessoa em Situação Crónica, com descritivo, unidades de competência
1 — Cuida da pessoa e família/cuidadores a vivenciar a doença crónica
Atendendo às limitações impostas pela doença crónica e à necessidade
de estratégias de gestão eficazes para lhes dar resposta, o enfermeiro
especialista responde eficazmente ao mobilizar conhecimentos e habilidades na identificação da intervenção especializada, na conceção,
implementação e avaliação do plano de intervenção, numa parceria de
cuidar promotora da segurança e da qualidade dos cuidados.
1.1 — Identifica as necessidades da pessoa, família e cuidado- 1.1.1 — Estabelece relação terapêutica eficaz/adequada com a pessoa e família/cuires assegurando a prevenção, a deteção precoce, a estabilidador alvo dos seus cuidados;
zação, a manutenção e adaptação à doença crónica.
1.1.2 — Demostra competências específicas em técnicas de comunicação que lhe
1.1.3 — Envolve a pessoa, família/cuidadores no processo de cuidar, rumo ao bem-estar e qualidade de vida;
1.1.4 — Reconhece as necessidades de intervenção especializada nas áreas de atenção
relevantes para a pessoa, família/cuidadores que vivenciam a doença crónica;
1.1.5 — Reconhece as implicações e complicações, inerentes à doença crónica;
1.1.6 — Avalia o impacto que a situação decorrente da doença crónica tem na qualidade de vida e bem-estar da pessoa e/ou família/cuidadores alvo dos seus cuidados
1.1.7 — Antecipa, em tempo útil, situações de agudização.
1.2 — Promove intervenções especializadas, junto da pessoa, fa- 1.2.1 — Apoia a pessoa e família/cuidador no processo de transição e adaptação
mília/cuidador, tendo como objetivo a facilitação do processo
saúde-doença perante a doença crónica;
de transição saúde/doença decorrente da doença crónica. 1.2.2 — Estabelece planos de intervenção individualizados para a pessoa e seus
cuidadores/familiares, com vista à prevenção e controlo da doença crónica nos
diversos contextos de ação, maximizando a autonomia e qualidade de vida e
respeitando as perspetivas dos próprios;
1.2.3 — Reconhece a gestão da doença crónica como um fator de stress;
1.2.4 — Adequa estratégias de intervenção especializada exequíveis, coerentes e
articuladas, para o desenvolvimento do autoconhecimento e da capacitação da
pessoa e seus cuidadores/familiares de modo a proporcionar uma melhor qualidade
de vida, bem-estar e conforto;
1.2.5 — Fomenta estratégias para autogestão e promoção da saúde em pessoas com
doença prolongada e incapacidades crónicas;
1.2.6 — Valoriza o potencial da pessoa, família/cuidador na vivência do processo de
transição saúde-doença, capacitando-a para a gestão situacional;
1.2.7 — Atua preventivamente nos fatores de risco e nas complicações inerentes à
1.2.8 — Prioriza as intervenções especializadas na prevenção de complicações e na
adaptação aos processos de transição saúde/doença;
1.2.9 — Fundamenta a sua intervenção e tomada de decisão na melhor evidência
1.2.10 — Documenta a implementação das intervenções especializadas de acordo
com o contexto de prestação de cuidados.
1.3 — Lidera o desenvolvimento de procedimentos de pre- 1.3.1 — Demonstra conhecimento dos Planos de Prevenção, Intervenção e Controlo
venção, intervenção e controlo de infeção associados aos
cuidados de saúde e de resistência a antimicrobianos.
regional e nacional, que lhe permitam ser referência na equipa de cuidados;
1.3.2 — Diagnostica as necessidades da unidade/contexto de prestação de cuidados
1.3.3 — Fomenta estratégias pró-ativas visando prevenção e/ou controlo da infeção
1.3.4 — Facilita a adesão da pessoa, família e cuidador na prevenção, intervenção e
controlo de infeção mediante o contexto de prestação de cuidados;
1.3.5 — Estabelece os procedimentos e circuitos requeridos na prevenção, intervenção
1.3.6 — Salvaguarda o cumprimento dos procedimentos estabelecidos no Plano de
1.3.7 — Documenta as medidas de prevenção, intervenção e controlo implementadas.
1.4 — Avalia os resultados com base nas respostas da pessoa, 1.4.1 — Envolve a pessoa, família/cuidadores na avaliação do plano de cuidados;
família e cuidadores a vivenciar doença crónica.
2 — Maximiza o ambiente terapêutico em articulação com a pessoa e família/cuidadores a vivenciar a doença crónica
Ponderando os contextos de atuação e a diversidade de intervenções terapêuticos, o enfermeiro faz a gestão do risco e do ambiente propício aos
cuidados especializados e adequa a sua resposta salvaguardando a sua segurança e a da pessoa alvo da sua intervenção.
2.1 — Gere os processos terapêuticos em resposta à transição 2.1.1 — Diagnostica precocemente as complicações resultantes da doença crónica;
situacional e adaptação à doença crónica.
2.1.2 — Fomenta planos que favorecem os processos de adaptação/transição situacional e o desenvolvimento de Politicas de Saúde que procurem capacitar a pessoa
na gestão do processo saúde-doença;
2.1.3 — Fomenta a adesão ao regime terapêutico
2.1.4 — Dinamiza a conceção, planeamento e intervenção no controlo dos sinais e
sintomas decorrentes da doença crónica;
2.1.5 — Intervém na gestão da dor aguda e crónica, utilizando medidas farmacológicas e não farmacológicas;
2.1.6 — Demonstra conhecimentos que permitem a intervenção junto de pessoas com
2.1.7 — Intervém na promoção do autocuidado na pessoa em processo de transição;
2.1.8 — Demonstra conhecimentos que permitem a intervenção junto de pessoas,
família/cuidador com patologias endócrinas, nutricionais, metabólicas, imunológicas, infecciosas e oncológicas;
2.1.9 — Demonstra conhecimentos na gestão das alterações e incapacidades impostas
pela doença crónica, nomeadamente a alteração da imagem corporal;
2.1.10 — Mobiliza conhecimentos no domínio das novas tecnologias na gestão,
intervenção e avaliação dos processos terapêuticos complexos, incluindo a teletrabalho em enfermagem.
2.2 — Gere as circunstâncias ambientais que potenciam a ocor- 2.2.1 — Intervém como gestor de risco, na promoção de um ambiente seguro e de
rência de eventos adversos associados à administração de
processos terapêuticos nos diversos contextos de atuação. 2.2.2 — Salvaguarda as questões de segurança na administração dos processos
terapêuticos complexos nos diversos contextos de atuação;
2.2.3 — Fomenta a cultura de segurança dos cuidados especializados;
2.2.4 — Monitoriza os fatores desencadeantes de eventos adversos, instituindo
2.2.5 — Desenvolve procedimentos de controlo e notificação de eventos adversos.
2.3 — Promove estratégias inovadoras de prevenção do risco 2.3.1 — Notifica os incidentes de segurança e de qualidade decorrentes da intervenção de enfermagem;
organismos institucionais;
2.3.4 — Promove ações de prevenção e rastreio para deteção precoce da doença
2.3.5 — Participa na organização das unidades, definição de estratégias e políticas
(1) Decreto-Lei n.º 101/2006 de 6 de junho.
Despacho (extrato) n.º 6861/2018
Torna-se público que, por despacho da Administradora da Universidade Aberta, de 11 de maio de 2018, se encontra aberto, pelo prazo
de dez dias úteis, contados a partir de publicação do presente Aviso no
Diário da República, procedimento concursal em regime de mobilidade
interna para ocupação, na modalidade de relação jurídica de emprego
público titulada por contrato de trabalho em funções públicas por tempo
indeterminado, de 1 (um) posto de trabalho de técnico superior da carreira
geral de técnico superior para a Direção de Serviços de Documentação,
previsto e não ocupado, constante do mapa de pessoal da Universidade
Aberta, nos termos do disposto nos artigos 92.º a 100.º da Lei Geral
do Trabalho em Funções Públicas (LTFP), aprovada em anexo à Lei
n.º 35/2014, de 20 de junho.
O referido procedimento concursal será publicitado na Bolsa de Emprego Público (BEP), durante 10 dias úteis, após a publicação do presente
aviso no Diário da República, contendo a indicação dos requisitos
formais de provimento, do perfil exigido, da composição do júri, dos
métodos de seleção, e demais detalhes, podendo ser consultado em
27 de junho de 2018. — A Chefe de Divisão de Recursos Humanos,
311461632
311459957
públicas a termo resolutivo certo com a Mestre Joana Maria Reis
Franco Cruz, na categoria de assistente convidada, em regime de
tempo parcial a 50 %, para a Faculdade de Ciências e Tecnologia
da Universidade do Algarve, no período de 12 de março de 2018 a
11 de março de 2019, auferindo o vencimento correspondente ao
escalão 1, índice 140 da tabela remuneratória dos docentes do ensino
superior universitário.
21/06/2018. — O Administrador, António Cabecinha.
311461235
Contrato (extrato) n.º 545/2018
Por despacho de 4 de junho de 2018, do Reitor da Universidade do
Algarve, foi autorizado o contrato de trabalho em funções públicas a
termo resolutivo certo com a Mestre Ana Sofia Matias Davin Santos,
na categoria de assistente convidada, em regime de tempo parcial a
52,5 % para o Departamento de Ciências Biomédicas e Medicina da
Universidade do Algarve, no período de 4 de junho de 2018 a 3 de
outubro de 2018, auferindo o vencimento correspondente ao escalão 1,
índice 140 da tabela remuneratória dos docentes do ensino superior
311461292
Despacho (extrato) n.º 6862/2018
Torna-se público que, por despacho da Administradora da Universidade Aberta, de 13 de abril de 2018, se encontra aberto, pelo
prazo de dez dias úteis, contados a partir de publicação do presente
Aviso no Diário da República, procedimento concursal comum para
ocupação na modalidade de contratação a termo resolutivo certo,
de 1 (um) posto de trabalho de técnico superior da carreira geral de
técnico superior para a Direção de Apoio ao Campus Virtual previsto e não ocupado, constante do mapa de pessoal da Universidade
O referido procedimento concursal será publicitado na Bolsa de
Emprego Público (BEP), durante 10 dias úteis, após a publicação do
presente aviso no Diário da República, contendo a indicação dos requisitos formais de provimento, do perfil exigido, da composição do
júri, dos métodos de seleção, e demais detalhes, podendo ser consultado
em www.bep.gov.pt.
311461576
Contrato (extrato) n.º 544/2018
Por despacho de 11 de março de 2018, do Reitor da Universidade do Algarve, foi autorizado o contrato de trabalho em funções
Contrato (extrato) n.º 546/2018
Por despacho de 27 de fevereiro de 2018, do Reitor da Universidade
do Algarve, foi autorizado o contrato de trabalho em funções públicas
a termo resolutivo certo com o Doutor Mário Jorge Amaro de Jesus
Farinhó, na categoria de professor auxiliar convidado, em regime de
acumulação a 30 % para o Departamento de Ciências Biomédicas e
Medicina da Universidade do Algarve, no período de 1 de março de
2018 a 28 de fevereiro de 2019, auferindo o vencimento correspondente
ao escalão 1, índice 195 da tabela remuneratória dos docentes do ensino
26/06/2018. — O Administrador, António Cabecinha.
311461349
Anúncio n.º 118/2018
De acordo com o disposto pelos artigos 75.º a 80.º do Decreto-Lei
n.º 74/2006, de 24 de março, na redação que lhe foi dada pelos Decretos-Leis n.os 63/2016, de 13 de setembro e n.º 115/2013, de 7 de agosto,
e em conformidade com a Deliberação n.º 2392/2013, de 12 de novembro, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 250, de 26 de
dezembro, da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior
e com o Despacho n.º 5941/2016, do Diretor-Geral do Ensino Superior,
publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 86, de 4 de maio, a
CEU — Cooperativa de Ensino Universitário, CRL, vem publicar o Plano
de Estudos do curso de licenciatura em Engenharia Informática depois
2ª chamada - 1º Módulo Tarde
ROTEIRO DE ESTUDO ÉTICA
IMPORTÂNCIA DO CUIDADO COM A VALIDADE DE
MARKETING PESSOAL NA ENFERMAGEM: ESTUDO
o cuidador de paciente com insuficiência cardíaca
Ações de enfermagem para a garantia da manutenção do
2ª chamada - 3º Módulo Tarde
Informação - Universidade Castelo Branco