Source: http://marcellobenevides.com/vinganca-pornografica-sexual/
Timestamp: 2018-10-21 05:36:03+00:00
Document Index: 158884756

Matched Legal Cases: ['artigo 3', 'artigo 7', 'Artigo 7', 'artigo 140', 'Artigo 140', 'artigo 7']

Vingança Pornográfica - Consequências Legais - Marcello Benevides Advogados Associados
Escrito por Almir Júnior Em Direito Penal (Criminal), Pessoa Física
Vingança Pornográfica e suas consequências legais. Somos um escritório de advocacia especialista em direito criminal. Temos intensa atuação e larga experiência na área criminal. Caso tenha interesse em contratar nossos serviços para representá-la(o), entre em contato conosco. Nossos canais de contato são: e-mail, contato@marcellobenevides.com. Telefone: fixo 21-3217-3216 e 21-3253-0554. Celular 21-99541-9244 . ou através de um pequeno formulário, para acessá-lo clique aqui.
A “vingança pornográfica” ou “vingança sexual” é uma conduta criminosa. Entretanto, hoje em dia não há uma lei específica para esse tipo de conduta no Brasil. A prática normalmente é enquadrada como crime contra a honra e as penas acabam resultando em indenização ou trabalho voluntário.
Existe projeto de lei em trâmite no congresso. O mesmo foi aprovado na sessão plenária desta quarta-feira (07/03/2018) no Senado foi relatado pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e altera a Lei Maria da Penha para tipificar o crime de “vingança pornográfica“. A proposta volta à Câmara.
O projeto de Lei inclui a comunicação no rol de Direitos assegurados à mulher pela Lei Maria da Penha. A PL também reconhece que a violação da sua intimidade consiste em uma das formas de violência doméstica e familiar; tipifica a exposição pública da intimidade sexual; e altera a Lei n° 11.340 de 7 de agosto de 2006(Lei Maria da Penha), e o Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940(Código Penal).
O projeto de lei tem o objetivo de atualizar a legislação que dá a base ao enfrentamento à violência contra a mulher para abranger, também, a chamada “vingança pornográfica”.
I – Vingança Pornográfica – Alterações na Legislação Existente
O artigo 3ºda Lei n° 11.340, de 7 de agosto de 2006(Lei Maria da Penha), passará a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 3º – Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à comunicação, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.
O artigo 7° da Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006(Lei Maria da Penha), passa a vigorar acrescido do seguinte inciso VI:
“Artigo 7°
VI – A violação da intimidade da mulher, entendida como a divulgação, por meio da internet ou outro meio de propagação de informações, de dados pessoais, vídeos, áudios, montagens e fotocomposições da mulher, obtidos no âmbito das relações domésticas, de coabitação ou hospitalidade, sem seu expresso consentimento.”
O Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar acrescido do seguinte artigo 140—A:
“Exposição pública da intimidade sexual”
Artigo 140-A: Ofender a dignidade ou o decoro de outrem, divulgando, por meio de imagem, vídeo ou qualquer outro meio, material que contenha cena de nudez ou de ato sexual de caráter privado.
II – Em que momento ocorre a Vingança Pornográfica?
Essa abominável prática ocorre quando o agressor, valendo-se das relações de intimidade, divulga nos meios de comunicação, em especial nas mídias sociais, cenas privadas de nudez, violência ou sexo. Tudo para causar constrangimento, humilhar, chantagear ou provocar o isolamento social da vítima.
Estudiosos do tema afirmam que, apesar de esse tipo de conduta criminosa afetar pessoas de diferentes idades, sexo e gênero, ela incide de forma maior sobre as mulheres. Sendo de maneira ainda mais perversamente negativa, sobre as adolescentes. Pelos dados da organização não governamental (ONG) Safernet, 80% dos casos envolvendo exposição sexual na internet vitimam mulheres.
Infelizmente, uma prática tão aviltante, que deveria provocar a rápida identificação e responsabilização de seus autores, acaba sendo alastrada impiedosamente por pessoas que compartilham as imagens sem refletir sobre os danos que elas acarretam. E são muitos esses danos. Nosso país registra o suicídio de meninas decorrentes do vexame a que foram expostas nas mídias sociais, em razão da divulgação de imagens íntimas.
Sabe-se, ainda, de inúmeros casos, muitos deles registrados pela ONG Marias da Internet. A ONG, foi criada pela paranaense Rose Leonel. Rose enfrentou uma luta de sete anos para tentar retomar uma vida normal, depois que o ex-namorado expôs sua vida íntima. Rose perdeu o emprego, deixou de sair de casa, de se relacionar com amigos e sofreu junto com sua família a vergonha pela publicação de imagens sem o seu consentimento.
III – Vingança Pornográfica e a lei Maria da Penha
Na verdade, verifica-se que o art. 5º da Lei Maria da Penha já inclui o dano moral e o sofrimento psicológico como formas de violência doméstica e familiar. Tal artigo é abrangente o bastante para poder ser aplicado em situações como a maléfica prática da vingança pornográfica.
Já o artigo 7º, por sua vez, detalha entre as condutas e os meios vinculados à violência psicológica qualquer ação que ofenda a mulher, causando-lhe dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
É evidente que a “vingança pornográfica” é violência baseada em gênero. De certo modo, corresponde à prática de tornar “falada” ou “mal afamada” uma mulher que ou se desnuda ou exerce sua liberdade sexual. Enquanto o homem se sente, num contexto como esse, realizado e confirmado em sua “macheza”, ao expor a vítima ao julgamento de quem se compraz em fortalecer e cultivar essa cultura de dominação masculina.
V – Lei Carolina Dieckmann e a Vingança Pornográfica
Lembram-se da exposição não autorizada de fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann?
O Projeto de Lei que resultou na “Lei Carolina Dieckmann” foi proposto em referência e diante de situação específica experimentada pela atriz em maio de 2011. A época, a atriz teve copiado de seu computador pessoal 36 fotos em situação íntima.
Tais fotos acabaram divulgadas na Internet, onde, irresignada, a atriz adentrou com uma ação criminal em face do infrator, solicitando a retirada das fotos que exibia sua intimidade e posterior punição ao autor.
O caso da atriz Carolina Dieckmann tomou tanta proporção e notoriedade que criaram uma Lei denominada Lei Carolina Dieckmann.
Aqui no blog, fizemos uma matéria sobre o tema, vale a pena conferir, segue o link abaixo:
Outros casos marcantes também repercutiram na grande mídia. Duas adolescentes de 15 e 17 anos, uma do Rio Grande do Sul e outra de Parnaíba-PI, que, em novembro de 2013, após terem suas fotos vazadas na internet, desesperadas, cometeram o suicídio.
Nos dois casos, os vídeos tornaram-se febre. Se transformaram em “virais”. Sendo que, o resultado foram duas vidas ceifadas de forma precoce ante o dano experimentado.
No entanto, sabemos que a aplicação da Lei Maria da Penha, mesmo na gramática mais óbvia de seus postulados, a saber, a submissão da mulher à violência física perpetrada por cônjuges e afins, nem sempre é admitida no âmbito da Justiça por razões diversas, como a precariedade dos equipamentos de atendimento à mulher, despreparo dos servidores públicos envolvidos, imaginário social relacionado ao tema, entre outros.
Podemos observar que essa conduta repugnante é corriqueira nos dias atuais, principalmente através das redes sociais. Vamos torcer para que o projeto de lei se torne lei o quanto antes. Para que, assim, essa conduta tão perversa seja extinta ou pelo menos diminuída imediatamente.
Antes disso, todavia, as pessoas devem ter educação, conscientização e humanidade. Devemos nos colocar no lugar do próximo. Ter compaixão para perceber que independente de sermos homens ou mulheres, somos seres humanos e precisamos nos respeitar.
VII – Dúvidas sobre a vingança pornográfica?
Consulte-nos. Você preenche o formulário informando dados básicos e detalhes sobre o caso e nós cuidamos do resto. Vamos analisar, entrar em contato para agilizarmos tudo quanto for possível. Nosso escritório possui larga experiência no atendimento aos envolvidos em processos criminais. Para acessar o formulário, clique aqui.
Tags: exposição-pornográfica, pornografia-vingança, vingança-pornográfica, vingança-sexual