Source: http://compromissoconsciente.blogspot.com/2013/11/estudantes-de-medicina-tem-direito-nao.html
Timestamp: 2017-11-19 12:12:55+00:00
Document Index: 39431985

Matched Legal Cases: ['artigo 18', 'Artigo 5', 'artigo 32', 'Artigo 32', 'artigo 3', 'artigo 64']

COMPROMISSO CONSCIENTE: Vivisecção - Estudantes de Medicina tem direito a não assistir aulas e requerer ensino ético - Diga Não aos Testes Científicos em Animais
O pedido na justiça é procedente sempre que alguma atividade não esteja de acordo com a consciência do indivíduo e não seja obrigatória por lei.
Assim, estudantes dos cursos de Psicologia, Ciências Biológicas, Medicina, Veterinária, etc., podem requerer a suspensão dos testes em animais ou, pelo menos, abster-se de assistir as aulas de vivisecção, sem que sejam prejudicados por isso.
Há várias alternativas já comprovadas para substituir o uso de animais. As instituições alegam que os equipamentos substitutivos tem alto custo, mas, sabemos, sem pressão da população, sejam estudantes, sejam cidadãos leigos, mas conscientes, esta realidade nunca vai mudar. A utilização de modelos, simuladores, filmes e vídeos interativos, realidade virtual, auto-experimentação, estudos de observação de casos reais (em que os animais realmente precisam de cuidados), chips, experiências com células in vitro, uso de cadáveres de animais que morreram de forma não-induzida, são várias as alternativas. Na Alemanha, a proibição aconteceu antes que sequer existissem todos os substitutivos, mas, a proibição (com multas pesadas para os infratores) obrigou laboratórios e fabricantes a procurar alternativas. Alguns conseguiram e migraram. Outros, "trocaram de fornecedores" e usam os países "em desenvolvimento", como o nosso, para perpetuar seus testes com crueldade. Diga Não!!!
Bárbara Giacomini Ferrari criou um modelo - transcrito ao final - e o fez constar de sua monografia Experimentação Animal: Aspectos Históricos, éticos, legais e o direito à objeção de consciência. Ela apresentou sua monografia à Instituição Toledo de Ensino, Faculdade de Direito de Bauru. Foi através de Bárbara que o termo Objeção de Consciência passou a ser conhecido.
Ela conceitua “a objeção de consciência como sendo o comportamento individual e não violento de rechaço ao cumprimento de dever legal por motivo de consciência, com intenção imediata de alcançar isenção pessoal, a qual pode, ou não, vir a ser reconhecida pela ordem jurídica mediante a conciliação das normas jurídicas em conflito. (…)
A objeção de consciência distingue-se da Desobediência Civil à medida que, por meio desta, primeiramente, busca-se persuadir as autoridades da necessidade de reforma normativa ou de mudança da política governamental. Busca-se, também, convencer a opinião pública, e, assim, trata-se de um recurso pedagógico das minorias para o esclarecimento das maiorias”.
Faça a diferença! Você estudante pode entregar a seus professores a sua carta Objeção de Consciência, solicitando a adoção de um ensino ético.
"Editada da Interniche Brasil, esta carta deve ser entregue pessoalmente ao Professor(a). Entregue uma cópia e fique com outra para você (peça para ele(a) assinar a sua cópia). A carta também pode ser entregue por e-mail. Neste caso, envie uma cópia para seu e-mail também. Isto ajuda caso tenha que entrar com uma ação legal requerendo um ensino ético.
Assunto: Uso de animais para finalidades didáticas (vivissecção)
Gostaria de respeitosamente informar-lhe que seria uma violação de minha postura pessoal e ética participar de qualquer atividade que envolva o uso de animais para finalidades didáticas. E isso inclui minha participação nas práticas exigidas pela disciplina de __________________, da __ª fase desta instituição, na qual o Professor propõe o uso de ______________ para estudo de ____________________ em aulas práticas.
Por isso, venho praticar meu direito à Objeção de Consciência, garantida pela legislação internacional de direitos humanos, conforme se verifica no artigo 18, primeira parte, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1948, da qual o Brasil é signatário:
O Professor pode perceber que a objeção de consciência faz parte do conjunto de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito à sua dignidade, por meio de sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da personalidade humana.
Direito este também redigido pela Constituição da República Federativa do Brasil, Capítulo I Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, de 1988, que afirma:
Artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...],
nos termos seguintes [...]:
Visto que é um direito fundamental do ser humano, que venho exercê-lo agora, não só estou defendendo os direitos dos animais, como também venho defender um direito meu, pois discordo das maneiras como o Professor pretende cursar suas aulas práticas e estou disposta a substituí-las por uma outra metodologia em que não ocorra a escravização dos animais.
Além disso, posso discorrer sobre a Lei 9.605, que entrou em vigor no dia 30 de março de 1998, cujo grande mérito foi o de assegurar os direitos dos animais transformando em crime práticas de vivissecção em todo território nacional, caso não sejam adotados métodos alternativos, conforme seu artigo 32, §1°:
Artigo 32: Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais ilvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
E ainda temos A lei federal nº 6.638, de 08 de maio de 1979 que veda a vivissecção (artigo 3°) nas seguintes hipóteses:
e) em estabelecimentos de ensino de 1º e 2º graus e em quaisquer locais
freqüentados por menores de idade.
Posso acreditar então, que o uso de animais abandonados nas ruas, como o Professor pretende, é crime e compreende pena de dez dias a um mês ou multa, conforme o artigo 64, § 1° da Lei das Contravenções Penais.(OBS.: MANTER ESTE ARGUMENTO NO CASO DE ANIMAIS RETIRADOS DAS RUAS, CASO SEJAM CRIADOS EM BIOTÉRIOS, RETIRAR)
Com o advento de materiais de software, realidade virtual, modelos anatômicos fabricados especialmente para o exercício dessas práticas ou até mesmo a utilização de cadáveres quimicamente preservados, muito utilizados pela USP, posso adquirir o conhecimento que a disciplina exige nesse semestre. A USP (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia) adota o método Laskowski, que consiste no treinamento de técnica cirúrgica em animais que tiveram morte natural, a UNIFESP utiliza ratos de PVC nas aulas de microcirurgia, a UNB utiliza simulação computadorizada, a FMUZ utiliza cultivo de células vivas, etc. Existem vários estudos comprovando a seriedade de tais materiais e demonstrando que ao seguir esses métodos, o aluno aprenderá tanto quanto se utilizassem modelos vivos. (OBS.: ENTRAR EM CONTATO COM A WWW.INTERNICHEBRASIL.ORG PARA SABER DOS MODELOS ÉTICOS)
Ao contrário do que muitos pensam, esses materiais não são caros e podem ser conseguidos facilmente. Podem ter um custo mais elevado em curto prazo, mas como são modelos facilmente conserváveis, podem ser utilizados muitas vezes, por todos os alunos que cursarem a disciplina, o que abrange um maior número de pessoas e garante o conhecimento adquirido, já que permite ao aluno praticar novamente o estudo quantas vezes achar necessário.
Acredito que a utilização de animais em aulas práticas de nossa Universidade não deveria ocorrer da maneira como vêm acontecendo. Os animais têm direitos e é preciso respeitá-los. Animais são seres sencientes, capazes de sentir dor, assim como nós humanos. Por isso, eles têm o interesse básico de não sentirem dor e não serem tratados como objeto e propriedade.
Outro motivo relevante é a dessensibilização estudantil, que se caracteriza, principalmente, pelos alunos terem os animais como máquinas e os usarem como lhes convêm. Essa situação é muito comum na (NOME DA UNIVERSIDADE) e deve sofrer modificações. Cursamos a faculdade de (NOME DO CURSO) e devemos perceber os animais como criaturas passíveis de dor e desejos assim como nós, e não como meros seres, objetos de estudo e meios para se elevar na carreira profissional. Os animais não podem ser escravizados.
Sei que existem outras pessoas que não concordam com suas aulas práticas, mas que não se expõe por medo de suas represálias ou de professores futuros. Decidi realizar esse pedido formalmente porque sei que meus direitos são assegurados pela Constituição e que não sofrerei penalidades por acreditar nos direitos animais e no fim da escravidão animal, pois seria um equívoco ético se eu não me opusesse à vivissecção.
Afirmo novamente que estou disposto(a) a procurar estudar o assunto através de algum outro método que não seja este proposto pela disciplina. Solicito encarecidamente que este assunto abordado pela disciplina possa ser acessado através de métodos éticos ou de qualquer outra atividade que não envolva o uso de animais, garantindo assim que minhas convicções éticas sejam respeitadas e que não seja prejudicada no conteúdo da disciplina. Para tanto, me disponibilizo a procurar me informar dos métodos éticos ou atividades que possam vir a substituir tais práticas.
Obrigada pela atenção e compreensão,
Róber Bachinski -
Justiça julga procedente ação contra vivissecção em Porto Alegre, de autoria de Róber Bachinski - Em decisão inédita no país, o juiz federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior concede liminar a um estudante, desobrigando-o de participar de práticas de vivissecção na Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS.
Bárbara Giacomini Ferrari
- http://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Monografi/897483.html
- gatopreto.org.ca
- http://www.blogdaluka.org/2013/11/objecao-de-consciencia.html
Postado por Marise Jalowitzki às 23:50
Marcadores: Carta de Objeção de Consciência, contra os testes científicos em animais, declaração dos direitos dos animais, não aos testes em animais
João Ferrari 14 de agosto de 2015 18:20
Bacana sua atitude viu.
Tem toda minha admiração, serve de espelho pra mim já que acabei de matricular em Biomedicina e talvez tenha aulas que usam animais para fins didáticos.
Eu já fiz Biologia também trancando a matrícula e na época eu não fiz o termo como deixou de modelo, conversei com o prof e no lugar ele pediu um trabalho pesquisa no lugar das aulas de dissecação.
Como vc é mais influente nas aulas saberia dizer quais disciplinas de Biomedicina usam testes para fins didáticos?
Mais uma vez parabéns pela iniciativa e pela área que desenvolve pesquisas com técnicas para substituir os animais!
Bom sou novo na área e um dia teria curiosidade em conhecer suas técnicas de perto.
João P.R. Ferrari
Jose Livramento 13 de setembro de 2016 12:52
é muito triste ver e tomar conhecimento das atrocidades cometidas, mas, mais incrível é perceber que isso não é motivo de preocupação para a maioria das pessoas, elas tem dó, pena, e não fazem nada. Não dizem uma só palavra contra o sofrimento de seres que não tem como se defender- LEMBREM-SE OMISSÃO É PECADO.