Source: https://www.conjur.com.br/2014-set-14/jones-figueiredo-igpm-usado-recompor-pensao-alimenticia
Timestamp: 2018-04-24 20:37:09+00:00
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Matched Legal Cases: ['artigo 1', 'artigo 1', 'artigo 22', 'artigo 15', 'artigo 1', 'artigo 1', 'artigo 2']

ConJur - Jones Figueirêdo: IGPM deve ser usado para recompor pensão
Índice corretivo
IGPM deve ser usado para recompor valor de pensão alimentícia
14 de setembro de 2014, 17h00
Há uma indisfarçável diferença entre o reajuste automático anual do valor da prestação alimentícia, nominalmente fixado, e a revisão de alimentos, diante das mudanças de condições na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, quando poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo.
De fato, a falta de correção adequada penaliza o alimentando com a perda econômica dos alimentos, significando dizer que as prestações alimentares fixadas em quantia certa devem ser corrigidas anualmente, sendo certo que a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça busca resguardar a própria finalidade do artigo 1.710 do Código Civil. Bem de ver, nessa linha, que o comando normativo é justamente o de evitar o ajuizamento periódico de revisões destinadas tão somente a recompor o valor da prestação alimentícia, em decorrência da desvalorização da moeda e consequente perda do poder aquisitivo do valor outrora fixado (STJ – REsp 1.025.769-MG).
Com precisão, o reportado artigo 1.710 do Código Civil dispõe: “As prestações alimentícias, de qualquer natureza, serão atualizadas segundo índice oficial regularmente estabelecido.”
Lado outro, o artigo 22 da Lei 6.515/77 (Lei do Divórcio) houve de preconizar no mesmo sentido, sabido, porém, que o índice de atualização ali tratado não mais reclama a incidência de aplicação da ORTN. Consoante entendimento firmado no REsp 812.465-RS, o índice aplicável é o IGPM, para a necessária correção.
Pois bem. É certo que fora do âmbito judicial, inexistindo prévia decisão judicial quanto à forma da atualização dos alimentos, ficarão elas sujeitas à correção pelos índices de atualização monetária em vigor.
Efetivamente, conforme o artigo 15 da Lei 5.478/1968, “a decisão judicial sobre alimentos não transita em julgado e pode a qualquer tempo ser revista, em face da modificação da situação financeira dos interessados”. Essa é a outra latitude da obrigação alimentar, cuja pretensão deduzida em juízo resulta compor uma nova realidade econômica na relação obrigacional das partes.
Nesse sentido, a Corregedoria-Geral de Justiça de Pernambuco, no Provimento 09/2014, de 29 de agosto, (de nossa iniciativa, por exercício interino da CGJ), publicado no DPJ/PE.e (01.09.2014, p. 114), passa a orientar os contadores judiciais das comarcas do estado para o cálculo da atualização monetária, nas execuções de alimentos, utilizando-se o IGPM/FGV, como índice de atualização anual (artigo 1º). Isso sem prejuízo de os valores nominais atualizados, ano a ano, na forma do caput, serem também, a partir de cada data-base revista, corrigidos monetariamente na forma da tabela do ENCOJE (parágrafo único, artigo 1º).
No mais, o provimento recomenda aos magistrados que atuam nas Varas de Família que façam constar, de forma expressa, nas decisões concessivas de alimentos e nos julgados que se referem à prestação em quantia certa, a determinação da aplicação do IGPM/FGV, como fator de correção anual da obrigação alimentar (artigo 2º). Aliás, os tribunais brasileiros têm admitido a aplicação do IGPM como índice apto a preservar o poder aquisitivo de prestações não tributárias, ou mais precisamente: “índice de correção monetária consagrado na Justiça Estadual e até utilizado como índice legal na atualização de determinados tributos municipais”. (STJ - 1ª Turma, REsp 812.465, rel. Min. Luiz Fux, j. em 08.04.2008, DJe. De 29.05.2008, RNDJ, vol. 105, p. 70)
Revista Consultor Jurídico, 14 de setembro de 2014, 17h00
INPC é índice público, IGPM é privado
Gilberto Melo - Parecerista juridico-econômico-financeiro (Advogado Sócio de Escritório - Financeiro) 16 de setembro de 2014, 18h14
Com a devida vênia o artigo da lavra do Exmo. Desembargador nos leva a reflexões, pois está incoerente com a própria adoção da tabela ENCOGE, visto que nela o substituto da ORTN e sucessores é o INPC medido pelo IBGE. Ademais os índices gerais de preços (IGPM e IGPDI), não são adequados como indexadores de atualização monetária, pois não são índices de preços ao consumidor, não medem a inflação na ponta do consumo, mas a partir de preços ao atacado mesclados com preços do varejo e da construção civil, além de serem medidos por instituição privada e não instituição oficial e, por fim, serem sensíveis à variação do dólar americano. Resta uma pergunta final: Se o propósito tanto do reajuste de pensões anualmente quanto o propósito da atualização de pensões impagas é a manutenção do poder aquisitivo da moeda, porque se utilizar de diferentes critérios?