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Timestamp: 2020-04-08 16:47:02+00:00
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Matched Legal Cases: ['ARTIGO 543', 'ARTIGO 1', 'artigo 543', 'artigo 1', 'artigo 71', 'artigo 71', 'artigo 896', 'artigo 71', 'artigo 37', 'artigo 543']

Tribunal Superior do Trabalho TST - RECURSO DE REVISTA : RR 15965520105030100
Tribunal Superior do Trabalho TST - RECURSO DE REVISTA : RR 15965520105030100 - Inteiro Teor
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GMDAR/CAF/LMM
I. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ARTIGO 543-B DO CPC/1973 (ARTIGO 1.041, CAPUT, § 1º, DO CPC/2015). RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PREMISSAS QUE EVIDENCIEM A CONDUTA CULPOSA DA ENTIDADE PÚBLICA. SÚMULA 331 DO TST. MATÉRIA JULGADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE 760.931). REPERCUSSÃO GERAL. 1. Discute-se nos presentes autos a responsabilidade subsidiária do ente público pelas verbas trabalhistas inadimplidas pela empresa prestadora de serviços. 2. Esta Quinta Turma, em acórdão pretérito, não conheceu do recurso de revista da parte, sendo mantido, assim, o entendimento do Tribunal Regional, no sentido de responsabilizar subsidiariamente o ente público, com base na diretriz da Súmula 331 do TST. 3. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC 16 ajuizada pelo governo do Distrito Federal, considerou constitucional o art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93. Afirmou que a simples inadimplência da empresa contratada não transfere, automaticamente, a responsabilidade pelas verbas trabalhistas à entidade pública. Com efeito, a responsabilidade subsidiária da Administração Pública não decorre de presunção de culpa ou do simples fato de ter a parte Reclamante prestado serviços à tomadora de serviços, mas da verificação em concreto da culpa pela instância revisora. 4. Assim, verificando-se que a decisão deste Colegiado foi proferida em desconformidade com a orientação do STF, impõe-se o exercício do juízo de retratação e o reexame do recurso interposto, nos termos do artigo 543-B, § 3º, do CPC/73 (artigo 1.041, § 1º, do CPC/2015).
II. RECURSO DE REVISTA. NÃO REGIDO PELA LEI 13.015/2014. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PREMISSAS QUE EVIDENCIEM A CONDUTA CULPOSA DA ENTIDADE PÚBLICA. SÚMULA 331 DO TST. 1. A Suprema Corte, ao julgar a ADC 16/DF e proclamar a constitucionalidade do § 1º do artigo 71 da Lei 8.666/93, não afastou a possibilidade de imputação da responsabilidade subsidiária aos entes da Administração Pública, por dívidas trabalhistas mantidas por empresas de terceirização por eles contratadas, desde que configurada conduta culposa, por omissão ou negligência, no acompanhamento da execução dos contratos de terceirização celebrados, nos moldes da Súmula 331, V, do TST. Mais recentemente, no julgamento do RE 760931, em 30/3/2017, o Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral, consolidou a tese jurídica no sentido de que "O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do artigo 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93". 2. A partir da análise dos fundamentos lançados no debate travado no âmbito do Supremo Tribunal Federal para se concluir acerca da responsabilização do Ente da Administração Pública, em caráter excepcional, deve estar robustamente comprovada sua conduta culposa, não se cogitando de responsabilidade objetiva ou de transferência automática da responsabilidade pela quitação dos haveres em razão do simples inadimplemento das obrigações trabalhistas pela prestadora de serviços. 3. A imputação da culpa in vigilando pela ausência de pagamento de verbas devidas ao empregado não autoriza a condenação subsidiária. Nesse cenário, reconhecida a responsabilidade subsidiária da entidade pública sem a premissa fática indispensável para caracterizar a sua conduta culposa, resta demonstrada a contrariedade à Súmula 331 do TST. Recurso de revista conhecido e provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista nº TST-RR-1596-55.2010.5.03.0100, em que é Recorrente INSTITUTO ESTADUAL DE FLORESTAS - IEF e são Recorridos SINDICATO DOS EMPREGADOS EM TURISMO, HOSPITALIDADE, ASSEIO E CONSERVAÇÃO DO NORTE DE MINAS - SETHAC e ADSERVIS MULTIPERFIL LTDA.
O segundo Reclamado interpôs recurso de revista, com amparo no artigo 896, a e c, da CLT, o qual foi admitido.
Esta Turma não conheceu do recurso de revista da segunda Reclamada quanto ao tema da responsabilidade subsidiária.
Esta Quinta Turma, em acórdão pretérito, não conheceu do recurso de revista do segundo Reclamado, sendo mantido, assim, o entendimento do Tribunal Regional, no sentido de responsabilizar subsidiariamente o ente público, com base na diretriz da Súmula 331 do TST.
Os substituídos foram contratados pela primeira reclamada para prestarem serviços para o segundo reclamado, fato incontroverso nos autos. No caso, a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços decorre da sua culpa pela ausência de vigilância no cumprimento das obrigações trabalhistas.
Não se trata de negar vigência ao art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93. Conforme notícia veiculada em seu sítio na "internet" em 24 de novembro de 2010, o c. STF declarou, em julgamento da ADC 16, a constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93. Isso não obsta, todavia, o reconhecimento da responsabilidade do Ente Público com base nos fatos de cada causa, como ressaltou, na oportunidade, o Exmo. Presidente da Corte Suprema e relator do feito, Cezar Peluso, cuja posição é de que o TST, ao editar o Enunciado 331, não declarou a inconstitucionalidade do dispositivo legal.
Ressalte-se que a maioria dos Ministros envolvidos no julgamento admitiu a possibilidade de compatibilização do § 1º declarado constitucional com outros dispositivos legais e constitucionais, especialmente aqueles que concebem a responsabilidade fiscalizadora do contrato ao ente público tomador dos serviços.
O descumprimento de direitos trabalhistas pela empresa contratada implica inexecução do próprio contrato de prestação de serviços, e, nesse sentido, dispõe o art. 77 da Lei 8.666/1993 que "a inexecução total ou parcial do contrato enseja a sua rescisão, com as consequências contratuais e as previstas em lei ou regulamento".
A Lei em apreço traz os seguintes motivos para a rescisão unilateral, que se enquadram perfeitamente à hipótese de descumprimento de direitos trabalhistas:
1 - o não cumprimento de cláusulas contratuais, especificações, projetos ou prazos;
VIII - o cometimento reiterado de faltas na sua execução, anotadas na forma do § 1- do art. 61 desta Lei;
Da leitura integrada do art. 67, § 1º da citada lei com o seu art. 78, VII, é dever da administração que o seu representante, o gestor do contrato, no ato de fiscalização, determine o gue for necessário à regularização das faltas ou defeitos observados, sob pena de rescisão contratual em caso de desatendimento destas determinações.
Ademais, não tendo o tomador dos serviços cumprido com o dever de fiscalizar, cabível a aplicação da teoria da responsabilidade civil, que não se compreende afastada pelo artigo 71 da Lei 8666/93. Desse modo, aplicáveis os artigos 92 7 e 186 do Código Civil, que impõem o dever de reparar os danos devidos à omissão, voluntária, negligência ou imprudência.
Sobretudo, aplica-se também a nova redação da Súmula 331 do TST, com inclusão do inciso V, segundo o qual os entes públicos responderão subsidiariamente "caso evidenciada a sua conduta culposa no cumprimento das obrigações da Lei n. 8.666/93, especialmente na fiscalização do cumprimento das obrigações contratuais e legais da prestadora de serviço como empregadora".
A decisão não contraria o disposto no artigo 37, II e § 2º da CF, pois a condenação ocorre sob o enfoque da responsabilidade subsidiária.
Assim, nesse quadro jurídico-interpretativo,- os fatos da causa indicam que o tomador dos serviços não exigiu, de forma eficiente, da prestadora, o pagamento das verbas trabalhistas.
No caso específico, não fiscalizou o reajuste salarial estipulado na CCT, cujo conteúdo deveria conhecer, sendo esta verba referente ao período em que o tomador se beneficiou dos seus serviços.
A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços abrange todas as verbas decorrentes da condenação (nova redação da Súmula 331, item VI). Tal entendimento decorre da própria natureza da condenação subsidiária, ou seja, a condenação a assumir a integralidade do débito em caso de descumprimento pelo devedor principal.
(...). (fls. 380/382 - grifo nosso).
ACORDAM os Ministros da Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade, I - exercer o Juízo de retratação previsto no artigo 543-B, § 3º, do antigo CPC (art. 1.030, II, do CPC/2015); II - conhecer do recurso de revista quanto ao tema "RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AUSÊNCIA DE PREMISSAS QUE EVIDENCIEM A CONDUTA CULPOSA DA ENTIDADE PÚBLICA. SÚMULA 331 DO TST", por contrariedade à Súmula 331 do TST e, no mérito, dar-lhe provimento para afastar a responsabilidade subsidiária da entidade pública pelos créditos trabalhistas devidos ao Reclamante, julgando, quanto a ela, improcedentes os pedidos iniciais. Custas inalteradas.
PROCESSO Nº TST-RR-1596-55.2010.5.03.0100
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