Source: https://flaviomeirellesmedeiros.com.br/artigo-384o-cpp/
Timestamp: 2020-07-05 08:15:06+00:00
Document Index: 166009838

Matched Legal Cases: ['Artigo 384', 'Artigo 384', 'Artigo 384', 'artigo 28', 'artigo 383', 'artigo 383', 'artigo 383', 'artigo 155', 'artigo 157', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 569', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 383', 'artigo 384', 'artigo 383', 'artigo 383', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 581', 'artigo 29', 'artigo 384', 'artigo 384', 'artigo 384', 'Artigo 383', 'Artigo 385']

Artigo 384º CPP - Flavio Meirelles Medeiros
Artigo 384º CPP
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Art. 384. Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em consequência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).
§ 1o Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, aplica-se o artigo 28 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
§ 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do artigo 383 ao caputdeste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).
Nova definição jurídica sem que o fato esteja descrito na denúncia
Comentários: Se, como consequência da colheita de provas, for possível dar nova definição jurídica ao fato imputado ao acusado, a denúncia deve ser aditada. Em face do princípio da correlação, não pode haver condenação por fato não descrito na denúncia. A violação desse princípio implica nulidade da sentença (ver o título Condenação por fatos não descritos na denúncia em anotações ao artigo 383). No caso não há simples emendatio libelli, que é uma correção da acusação, hipótese de que trata o artigo 383, mas sim uma alteração. Dessa maneira, por exemplo, se na denúncia está descrita a subtração para si de coisa móvel alheia e o delito praticado está capitulado no artigo 155 do CP (furto), o juiz não pode, por ocasião da sentença, condenar por delito de roubo (artigo 157), se não constar da descrição do fato na denúncia ter havido violência. Para condenar por roubo, deve haver nos autos do processo prova de que tenha havido violência. E não basta isso. Terão de ser tomadas as medidas do artigo 384, com aditamento da denúncia, prazo para a defesa se manifestar, colheita de provas, novo interrogatório e debates. Como consequência da alteração do tipo penal, a pena poderá ser maior, menor ou igual àquela prevista para o delito anteriormente descrito na acusação. Outro exemplo: a denúncia descreve homicídio simples e há prova nos autos de ter sido utilizado veneno (homicídio qualificado).
Momento de aplicação do dispositivo
Momento de aplicação do artigo 384: O presente dispositivo, ao dizer “encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato (…)”, dá a entender que as medidas preconizadas pelo artigo 384 só podem ser tomadas após finalizada a instrução. Porém, ele não pode ser interpretado em sua literalidade. Segundo o artigo 569, as omissões da denúncia ou da queixa poderão ser supridas a todo tempo antes da sentença final. Assim, tendo em vista o princípio da celeridade do processo penal, logo que for percebida a possibilidade de dar nova definição jurídica ao fato, em razão de prova existente nos autos de elemento ou circunstância não contidos na acusação, a denúncia poderá ser aditada. Dá para ir mais longe ainda das literalidades do artigo 384. A “prova existente nos autos” referida por esse dispositivo não exclui aquela que pode estar contida nos autos do inquérito policial e que serviu de base para a denúncia. Dessa forma, em seguida ao oferecimento da denúncia, pode haver o aditamento para fins do artigo 384, ou por iniciativa própria do MP, ou por despacho do magistrado dando vista dos autos ao MP para que avalie o assunto.
Iniciativa e providências
De quem é a iniciativa: O MP pode, independentemente de qualquer provocação, verificando a existência de prova nos autos que implique dar nova qualificação jurídica ao fato, aditar a denúncia a qualquer momento no processo, e, nessa hipótese, deverão ser tomadas as medidas do artigo 384. Pode, também, a iniciativa partir do magistrado, que despachará expondo a questão, e dando vista ao MP para fins de aditamento da denúncia. Se o órgão do Ministério Público entender que não é o caso de aditamento, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito, peças de informação ou do processo ao procurador-geral, e esse aditará a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para fazê-lo, ou insistirá que não se trata de caso de aditamento, e então estará o juiz obrigado a atender.
Providências: Aditada a denúncia, não é necessária nova citação, bastando ouvir o defensor do acusado no prazo de cinco dias. Após ouvi-lo, o magistrado decide se recebe ou não o aditamento. Admitido o aditamento, se a instrução já tiver findado, deverá ser reiniciada, designando-se audiência para inquirição de testemunhas (três para cada parte), novo interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento.
Aplicação dos parágrafos 1º e 2º do artigo 383: Quando da aplicação do artigo 384, aplicam-se as disposições dos parágrafos 1º e 2º do artigo 383. Sobre o tema, ver os títulos Suspensão condicional do processo, Transação penal e Incompetência do juiz, nas anotações ao artigo 383.
Crime doloso, crime culposo, causas de aumento e de diminuição
Crime doloso, crime culposo, causas de aumento e de diminuição: Se na denúncia a qualificação é por delito doloso, e na instrução há prova de que o delito é culposo, devem ser empreendidas as medidas do artigo 384, sob pena de nulidade. O mesmo vale para o inverso, denúncia com qualificação de delito culposo e prova de delito doloso. Vale também o mesmo para as causas de aumento e de diminuição e, inclusive, por igual, para qualificadoras e delito privilegiado. Dando exemplo: a denúncia é por delito doloso. A sentença, sem executar as medidas do artigo 384, condena por delito culposo. A defesa apela sem alegar nulidade da sentença. O acusado deverá ser absolvido, pois não foi acusado de delito culposo em 1ª instância, e, conforme a Súmula 453 do STF, não se aplicam à segunda instância o artigo 384 e parágrafo único do CPP. A nulidade da sentença não poderá ser reconhecida porque ao tribunal é vedado, segundo a Súmula 160 do STF, reconhecer nulidade não arguida contra o réu. Veja-se o teor da Súmula 453 do STF: “Não se aplicam à segunda instância o artigo 384 e parágrafo único do CPP, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa” (vide jurisprudência posterior à publicação da Súmula). E da Súmula 160 do STF: “É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de ofício” (vide jurisprudência posterior à publicação da Súmula).
Mutatio libelli e desclassificação do tipo penal doloso para a forma culposa do crime: Quando na denúncia não houver descrição sequer implícita de circunstância elementar da modalidade culposa do tipo penal, o magistrado, ao proferir a sentença, não pode desclassificar a conduta dolosa do agente – assim descrita na denúncia – para a forma culposa do crime, sem a observância do regramento previsto no art. 384, caput, do CPP (REsp 1.388.440-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 5/3/2015, DJe 17/3/2015 – Informativo 557).
Réu denunciado por delito na forma consumada e posteriormente condenado na forma tentada: O réu denunciado por crime na forma consumada pode ser condenado em sua forma tentada, mesmo que não tenha havido aditamento à denúncia (STJ, HC 297.551-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 5/3/2015, DJe 12/3/2015 – Informativo 557).
Recurso cabível: Contra a decisão que indefere aditamento da denúncia, cabe, por interpretação extensiva, recurso em sentido estrito com fundamento no artigo 581, inciso I. Contra a decisão que defere, pode ser impetrado habeas corpus pelo acusado.
Aditamento e ação privada subsidiária
Aditamento pelo MP na ação privada subsidiária: Segundo o artigo 29, é admitida ação privada nos crimes de ação pública, se essa não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. O MP pode, portanto, aditar a queixa na ação privada subsidiária.
Inaplicabilidade do artigo 384 em 2ª instância
Inaplicabilidade do artigo 384 em 2ª instância: Conforme a Súmula 453 do STF, “Não se aplicam à segunda instância o artigo 384 e parágrafo único do CPP, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa” (vide jurisprudência posterior à publicação da Súmula).
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