Source: https://www.conjur.com.br/2011-jul-23/estados-nao-podem-caracterizar-importacao-conta-ordem-indireta
Timestamp: 2019-02-22 17:19:56+00:00
Document Index: 18903497

Matched Legal Cases: ['artigo 106', 'artigo 80', 'artigo 11', 'artigo 27', 'artigo 146', 'artigo 34', 'artigo 155']

ConJur - Estados devem distinguir importações indiretas (página 1 de 3)
23 de julho de 2011, 9h04
Há na legislação brasileira, além da importação “própria”, duas outras modalidades de importação de bens e mercadorias e uma única incidência tributária em relação ao ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), havendo, ainda uma espécie de aperfeiçoamento na primeira hipótese, conta e ordem, através da Lei 11.281, de 20 de fevereiro de 2009, regulamentada pela Instrução Normativa 634, de 24 de março de 2006:
1.	Importação por Conta e Ordem;
2.	Própria ou Encomenda.
A Medida Provisória 158-35, de 24 de agosto de 2001, determinou a competência da Secretaria da Receita Federal para estabelecer requisitos e condições para que pessoas jurídicas atuem na importação por conta e ordem:
Art. 80	A Secretaria da Receita Federal poderá:
I	estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro;
O Decreto 7.213, de 15 de junho de 2010, em obediência à Medida Provisória 2.158-35, de 24 de agosto de 2001 e parágrafo primeiro do artigo 106 da Lei 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, estabelecem a caracterização do processo de importação por conta e ordem:
§ 1º	A Secretaria da Receita Federal do Brasil poderá (Medida Provisória 2.158-35, de 2001, artigo 80; e Lei 11.281, de 2006, artigo 11, parágrafo 1º):
I	estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora:
a	por conta e ordem de terceiro; ou
b	que adquira mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado; e
§ 2º	A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto no inciso III do caput e no § 1º (Lei 10.637, de 2002, artigo 27).
Para efeito do ICMS, haja visto ser ele não cumulativo, as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal, pouca ou nenhuma importância tem, na medida em que recolhido no desembaraço da mercadoria, o valor do imposto é lançado a crédito para abatimento na operação seguinte. Se diferido, a incidência é total na operação seguinte, na medida em que diferimento é mera postergação da incidência. Alguns autores entendem que a importação por “conta e ordem” deveria ter sido objeto de convênio, nos moldes do que dispõe a Lei Complementar 24/1975, por envolver interesses não somente da União, mas, também dos Estados, no entanto, normatizado unilateralmente pela Receita Federal por meio da Instrução Normativa. Tal argumento não procede.
O CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) não detém a necessária competência para regular a matéria que, nos termos do artigo 146 da Constituição Federal, remete à Lei Complementar, muito menos para determinar a eficácia de instrumento normativo federal. Sua competência nos termos da Lei Complementar 24, de 07 de janeiro de 1975 é relativa a benefícios fiscais:
Art. 1º	As isenções do imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias serão concedidas ou revogadas nos termos de convênios celebrados e ratificados pelos Estados e pelo Distrito Federal, segundo esta Lei.
Parágrafo único	O disposto neste artigo também se aplica:
I	à redução da base de cálculo;
II	à devolução total ou parcial, direta ou indireta, condicionada ou não, do tributo, ao contribuinte, a responsável ou a terceiros;
III	à concessão de créditos presumidos;
IV	à quaisquer outros incentivos ou favores fiscais ou financeiro-fiscais, concedidos com base no Imposto de Circulação de Mercadorias, dos quais resulte redução ou eliminação, direta ou indireta, do respectivo ônus;
V	às prorrogações e às extensões das isenções vigentes nesta data.
A competência do CONFAZ, nos termos da Constituição Federal de 1988 para normas gerais em relação ao ICMS foi de forma transitória, nos termos do artigo 34, parágrafo 8º, do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), que estabeleceu que, se no prazo de 60 dias contados da promulgação da Constituição, não fosse editada Lei Complementar que disciplinasse o ICMS, os Estados e o Distrito Federal, mediante convênio, fixariam normas para regular provisoriamente a matéria:
Art. 34	O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda nº 1, de 1969, e pelas posteriores.
§ 8º	Se, no prazo de sessenta dias contados da promulgação da Constituição, não for editada a lei complementar necessária à instituição do imposto de que trata o art. 155, I, "b", os Estados e o Distrito Federal, mediante convênio celebrado nos termos da Lei Complementar nº 24, de 07 de janeiro de 1975, fixarão normas para regular provisoriamente a matéria.
A Emenda Constitucional 3, de 17 de março de 1993, corrigiu o texto do parágrafo 8º para: “art. 155, II, da Constituição Federal”. A matéria foi regida então pelo Convênio ICMS 66, de 14 de dezembro de 1988 que perdeu eficácia pela promulgação da Lei Complementar 87, de 13 de setembro de 1996:
A legislação de regência do imposto com fundamentação no artigo 155 da Constituição Federal de 1988 estabelece a incidência do imposto, demonstrando ainda não haver qualquer conflito em relação às normas federais relativas ao despacho aduaneiro de importação, quer própria, por encomenda ou ainda por conta e ordem do adquirente, senão vejamos a começar pela Carta política e, a seguir pela Lei 87, de 13 de setembro de 1996:
Art. 155	Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
Revista Consultor Jurídico, 23 de julho de 2011, 9h04