Source: https://ajudajuridica.com/destaque/processo-penal-ii-resumo-completo-para-provas/
Timestamp: 2019-01-17 12:46:36+00:00
Document Index: 80072312

Matched Legal Cases: ['artigo 352', 'artigo 352', 'artigo 357', 'artigo 353', 'artigo 354', 'artigo 352', 'artigo 355', 'artigo 368', 'artigo 222', 'artigo 222', 'artigo 222', 'artigo 358', 'artigo 368', 'artigo 365', 'artigo 366', 'Artigo 363', 'artigo 370', 'artigo 128', 'artigo 370', 'artigo 370', 'artigo 396', 'artigo 362', 'artigo 5', 'artigo 5', 'artigo 5', 'artigo 394', 'artigo 395', 'artigo 395', 'artigo 41', 'artigo 396', 'artigo 395', 'artigo 396', 'artigo 397', 'artigo 397', 'artigo 41', 'artigo 395', 'artigo 396', 'artigo 396', 'artigo 396', 'artigo 397', 'artigo 397', 'artigo 399', 'artigo 212', 'artigo 402', 'artigo 400', 'artigo 403', 'artigo 404', 'artigo 403', 'artigo 41', 'artigo 395', 'artigo 5', 'artigo 397', 'artigo 395', 'artigo 397', 'artigo 15', 'artigo 77', 'artigo 81', 'artigo 395', 'artigo 395', 'artigo 397', 'artigo 81', 'artigo 93', 'artigo 28', 'artigo 141', 'Artigo 141', 'artigo 140', 'artigo 7', 'artigo 520', 'artigo 395', 'artigo 396', 'artigo 260', 'artigo 395', 'artigo 396', 'artigo 396', 'artigo 523', 'artigo 138', 'Artigo 139', 'artigo 397', 'artigo 78', 'artigo 18', 'artigo 406', 'artigo 394', 'artigo 406', 'artigo 406', 'artigo 41', 'artigo 406', 'artigo 208', 'artigo 395', 'artigo 406', 'artigo 409', 'artigo 410', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 411', 'artigo 413', 'artigo 414', 'artigo 415', 'artigo 415', 'artigo 419', 'Artigo 414', 'artigo 415', 'artigo 413', 'artigo 581', 'artigo 422', 'artigo 422', 'artigo 422', 'artigo 421', 'artigo 433', 'artigo 462', 'artigo 463', 'artigo 464', 'artigo 455', 'artigo 456', 'artigo 457', 'artigo 460', 'artigo 467', 'artigo 472', 'artigo 473', 'artigo 473', 'artigo 473', 'artigo 474', 'Artigo 480', 'artigo 483', 'artigo 483', 'Artigo 483', 'Artigo 483', 'artigo 492', 'artigo 492', 'artigo 492', 'artigo 492', 'artigo 494', 'artigo 496', 'artigo 495']

Processo Penal II – Resumo Completo para Provas | Ajuda Jurídica
Posted by Guilherme Cruz | abr 9, 2016 | Destaque, Direito Penal | 0 |
Fontes: UERJ, UFRJ, Estácio de Sá e IBMEC
Citação: chamamento do réu a juízo, dando-lhe ciência do ajuizamento de ação penal e oferecendo-lhe oportunidade de defesa. Quando realizada a citação é que o processo tem completada a sua formação.
O destinatário da citação é o réu. Logo, não pode ser citada qualquer pessoa em seu lugar, nem mesmo seu advogado.
Aplica-se não apenas ao procedimento comum ordinário, mas, também, a todos os demais procedimentos de primeiro grau, ainda que regulados em leis especiais.
– Espécies de citação: a citação é classificada em três formas: citação real, citação ficta (ou presumida) e por oficio.
1) Citação real: é aquela realizada na pessoa do réu, tendo sido efetivada por meio de uma das seguintes formas: mandado, cumprido por oficial de justiça, no âmbito da jurisdição do juiz perante o qual responde o acusado o processo criminal; carta precatória e carta rogatória.
a) Citação por mandado: encontrando-se o réu no território do juiz que preside o processo criminal e nessa condição, ordenado a citação, deve o réu ser citado por mandado, cumprido por oficial de justiça. Nesse contexto, deverá conter os requisitos intrísecos e extrínsecos previstos, respectivamente, nos artigo 352 e 357 do CPP.
Requisitos intrísecos: estão previstos no artigo 352 do CPP, quais sejam:
O nome do juiz; II. O nome do querelante nas ações iniciadas por queixa;
III. O nome do réu ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos;
A residência do réu; V. O fim para que é feita a citação;
O juízo e o lugar, dia e a hora em que o réu deverá comparecer;
VII. As subscrições do escrivão e a rubrica do juiz.
Requisitos extrínsecos: estão elencados no artigo 357 do CPP, a saber: leitura do mandado de citação ao réu e entrega para ele da contrafé na qual constarão dia e hora da citação, como a respectiva certificação quanto à entrega desta contrafé ao réu e sua aceitação ou recusa.
b) Citação por carta precatória: destina-se a carta precatória citatória ao réu que se encontra em território nacional, porem fora da jurisdição do juiz que preside o processo criminal. Esta prevista no artigo 353 do CPP.
1) Ordenada sua expedição pelo juiz deprecante, conterá os requisitos do artigo 354 do CPP, a saber:
O juiz deprecado e o juiz deprecante;
A sede da jurisdição de um e de outro;
III. O fim para que é feita a citação, com todas as especificações;
O juízo do lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer.
2) Chegando nesse local, juiz deprecado determinará a sua execução mediante despacho de “cumpra-se”.
3) Ato continuo, caberá ao escrivão expedir o competente mandado, observando os requisitos do artigo 352 do CPP, alcançando-o ao oficial de justiça para cumprimento.
4) Localizado o citando pelo oficial de justiça e executado o objeto do mandado, a carta precatória será restituída ao juiz deprecante devidamente cumprida (artigo 355).
5) Se, contudo, o oficial não localizar o indiciado e nem tiver noticias do seu paradeiro, a carta será devolvida à origem sem cumprimento, com certidão narrativa quanto à impossibilidade de ser efetivada a citação do acusado.
6) Se o oficial tomar conhecimento que o indiciado está se ocultando para não ser citado, o mesmo poderá determinar a citação por hora certa.
7) Se o oficial tomar conhecimento que o citado mora em algum outro lugar fora da jurisdição de outro juiz, o juiz deprecado deve enviá-la àquele novo local.
c) Citação por carta rogatória: é a citação feita em território estrangeiro. Conforme o artigo 368 “estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, suspendendo‑se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento”.
De acordo com o artigo 222-A do CPP “As cartas rogatórias só serão expedidas se demonstrada previamente a sua imprescindibilidade, arcando a parte requerente com os custos de envio”.
O parágrafo único do artigo 222-A diz que devem ser aplicadas às carta rogatórias, os dispostos nos parágrafos primeiro e segundo do artigo 222, a saber:
Parágrafo primeiro: A expedição da rogatória não suspenderá a instrução criminal.
Parágrafo segundo: Findo o prazo marcado, poderá realizar‑se o julgamento, mas, a todo tempo, a precatória, uma vez devolvida, será junta aos autos. Essa marcação de tempo para cumprimento da carta rogatória não deve ser levada em conta, pois o juiz rogado não tem obrigação de realizá-la dentro de prazo fixado (não tem obrigação nem mesmo de aceitar em fazê-la, devido ao princípio da soberania dos Estados), tampouco o juiz brasileiro tem autoridade para determinar prazos para o seu cumprimento.
d) Citação por oficio (ou citação militar): conforme estabelece o artigo 358 do CPP, a citação do militar (somente o militar da ativa) é realizada por intermédio do chefe do respectivo serviço.
2.– Citação ficta: a citação ficta, ou citação por edital, consiste em um mandado de citação que não é feito pessoalmente. Essa citação se dá através de edital (publicado na imprensa oficial) ou afixado em locais específicos junto ao edifício do Fórum.
a) Hipóteses de citação por edital:
Não localização do réu (artigos 361 e 363, §1º, CPP): a citação ficta se dá quando todas as tentativas de localização do réu forem exauridas destarte, impõe-se que tenha sido o acusado procurado por oficial de justiça em todos os endereços existentes nos inquéritos e no processo. Deve-se atentar se o acusado não está preso pois, se estiver e for citado por edital, esta citação será nula.
O acusado estar no estrangeiro ou em local não conhecido: o artigo 368 do CPP estabelece que estando o acusado no estrangeiro, em lugar conhecido, será citado por meio de carta rogatória. De forma contrária, se não for conhecido seu paradeiro, será citado por edital.
–Elementos da citação por edital: de acordo com o artigo 365 do CPP, a citação por edital constará:
O nome do juiz que a determinar;
O nome do réu, ou, se não for conhecido, os seus sinais característicos, bem como sua residência e profissão, se constarem do processo;
O fim para que é feita a citação;
O juízo e o dia, a hora e o lugar em que o réu deverá comparecer;
O prazo, que será contado do dia da publicação do edital na imprensa, se houver, ou da sua afixação.
– Não comparecimento do acusado: na ampla maioria das vezes, a citação por edital não surte efeitos, deixando o réu de atender o seu comando e de constituir defensor para patrocinar seus interesses. Nestes casos, o artigo 366 do CPP diz que o processo criminal deve permanecer suspenso, assim como o prazo prescricional, sem prejuízo da possibilidade do juiz ordenar a produção de provas urgentes e, se for o caso, de decretar a prisão preventiva do acusado.
Artigo 363: O processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado.
Intimação: ato processual para cientificar as partes de algum outro ato realizado ou a realizar.
– Formas:
Pessoal: através de mandado judicial. Feito por oficial de justiça. Serão intimados pessoalmente o Ministério Público e o defensor nomeado pelo juiz (artigo 370, §4º, CPP). Alem disso, o defensor público também deverá ser intimado pessoalmente (artigo 128, I da Lei Complementar 80/1994).
Através de publicação: o defensor constituído pelo réu, o advogado do querelante e o assistente de acusação serão intimados através de publicação no órgão incumbido de publicidade dos atos judiciais na comarca (artigo 370, §1º). É imprescindível que, nas publicações, conste o nome do acusado, sob pena da intimação ser nula.
. Se a localidade não possuir Diário Oficial, diz o artigo 370, §2º que caso não haja órgão de publicação dos atos judiciais na comarca, a intimação far‑se‑a diretamente pelo escrivão, por mandado, ou via postal com comprovante de recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo.
. Não logrando êxito, deverá ser expedido mandado de intimação a ser cumprido por oficial de justiça.
Na comunicação dos atos processuais, tendo em vista a leitura “acanhada” do CPP, no que tange o conceito de citação e intimação, é razoável, desde que guardada a devida especificidade, possamos, no CPC, enfrentarmos o conceito legal de ambos.
De outro ângulo, considerando o que o CPP esclarece: o processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado, é importante hermeneuticamente diagnosticar que a fase processual e a fase recursal, compreendem atos processuais (citação e intimação), porém, cada um com finalidade especifica.
No processo penal, tendo como referencia o comando registrado no artigo 396, será o denunciado citado para oferecer resposta à acusação.
Ademais, a leitura do CPP (artigo 362), é possível a citação por hora certa, sendo que, para tanto, o próprio dispositivo direciona a parte da diligencia para o CPC. A idéia central é partir do pressuposto de efetividade sob a ótica constitucional do denominado principio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Principio este que, na perspectiva da CR/88, tem a função de norma garantia ou norma assecuratória de aplicação imediata, cujo fundamento jurídico tem como respaldo o parágrafo primeiro do artigo 5º da CR/88.
Os ritos processuais:
A instrução criminal (ou instrução processual) tem como objetivo, de ordem técnica, formar a convicção do julgador como ato preparatório para futura sentença. Nela, os participantes da relação processual, exercitando o princípio do contraditório e da ampla defesa irão explorar as provas (oitiva de testemunhas, quesitos aos peritos, questionamentos ao denunciado, declaração da vitima, reconhecimento de pessoas ou coisas, discussão acerca dos documentos, etc.). cada um sustentando a tese jurídica que entender melhor ao caso concreto.
Ao estudarmos o procedimento como um todo, necessário se faz a compreensão, na perspectiva constitucional, tendo como parâmetro o artigo 5º, LXXVIII, quando localizarmos hermeneuticamente a construção normativa suscitando a razoável duração do processo e celeridade.
Ademais, como o processo penal trabalha com a liberdade do infrator, mostra-se razoável entendermos a reflexão jurídica para a possibilidade de erro judiciário, nos termo do artigo 5º, LXXV, que há previsão de indenização.
Regras gerais dos procedimentos:
1 – Procedimento comum e especial: temos, no nosso ordenamento jurídico, duas formas de procedimento: o comum, que envolve os ritos ordinário, sumário e sumaríssimo; e o especial, que estão previsto no CPP ou em leis especiais, para as hipóteses legais especificas, incorporando regras próprias de tramitação processual, visando a apuração dos crimes que constituem o objeto de sua disciplina.
– Procedimento comum: é o rito padrão ditado pelo CPP para ser aplicado residualmente, ou seja, na apuração de crimes para os quais não haja procedimento especial previsto em lei (artigo 394, §2º). O procedimento comum divide-se em três espécies:
Procedimento ordinário: para a apuração de crimes cuja pena máxima seja maior que quatro anos de pena.
Procedimento sumário: para a apuração de crimes cuja pena máxima seja maior que dois e menor que quatros anos.
Procedimento sumaríssimo: para a apuração de crimes cuja pena seja menor que dois anos (os chamados crimes de menor potencial ofensivo).
Importante: existem delitos que serão submetidos ao procedimento comum, mas que existe previsão legal expressa determinando regras específicas. Isso ocorre nas seguintes hipóteses:
. Crimes tipificados no Estatuto do Idoso, cuja pena máxima não ultrapasse quatro anos de prisão (Lei 10741/2003);
. Crimes praticados mediante violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei11430/2006).
. Crimes falimentares (Lei 11101/2005).
2 – Hipóteses de rejeição da denúncia e da queixa crime (artigo 395, CPP): o artigo 395 do CPP estabelece as causas de rejeição da denúncia ou da queixa crime (que são comuns em qualquer procedimento). Essa rejeição ocorrerá nos casos em que:
a) For manifestadamente inepta: dá-se a inépcia da inicial quando lhe faltarem os requisitos essenciais previstos no artigo 41 do CPP, quais seja, a exposição do fato criminoso com todas as circunstancias e a qualificação mínima do acusado ou elementos pelos quais se possa identificá-lo, alem de outros exigidos pela doutrina, como o endereçamento ao juízo competente, a assinatura do membro do Ministério Público, ou do advogado do querelante e redação em vernáculo.
b) Faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal: considera-se como pressupostos processuais o desencadeamento da ação penal por meio da denúncia ou da queixa crime (competência do juízo, originalidade da demanda, etc.). Já as condições para o exercício da ação penal tem pertinência relação as condições de procedibilidade.
c) Faltar justa causa para o exercício da ação penal: respeitar um lastro probatório mínimo que torne idônea a imputação realizada na denúncia ou na queixa.
Havendo qualquer das três hipóteses acima, o juiz deve rejeitar liminarmente a exordial.
3 – Citação do acusado e resposta à acusação: o artigo 396 do CPP dispõe que nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê‑la‑á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
Se não houver nenhuma das hipóteses de rejeição do artigo 395 do CPP, o juiz aceitará a inicial e mandará citar o acusado para que este ofereça resposta, no prazo de dez dias.
Não localizando o acusado para citação pessoal, aplica-se as hipóteses de citação colocadas no capítulo sobre o tema.
4 – Conteúdo da resposta do acusado: segundo estabelece o artigo 396-A, na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando‑as e requerendo sua intimação, quando necessário.
5 – Possibilidade de absolvição sumária do réu (artigo 397, CPP): oferecida a resposta pelo acusado, os autos deverão ser conclusos ao juiz, em que verificará a possibilidade de antecipar, mediante juízo de valor, o resultado final da demanda, para o fim de absolver sumariamente o acusado, com fundamento no artigo 397 do CPP. Nos termos do dispositivo, as causas de absolvição sumária são:
a) Existência manifesta de causa excludente de ilicitude: é preciso que os elementos de convicção até então angariados ao processo permitam ao magistrado certeza absoluta quanto a ter o acusado praticado a conduta ao abrigo das causas de exclusão de ilicitude, quais sejam: estado de necessidade, legítima defesa, exercício regular de direito e estrito cumprimento do dever legal. Se o juiz tiver dúvidas quanto a efetiva ocorrência de excludentes de ilicitude, ele deverá dar seguimento ao processo.
2) Existência manifesta de causa de excludente de culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade: aqui também é necessário juízo de certeza. As causas de excludente de culpabilidade são: erro sobre os elementos do tipo, as descriminantes putativas, erro de proibição inevitável, coação irresistível, obediência hierárquica e embriaguez fortuita completa.
3) Não constituir o fato infração penal: trata-se da hipótese de atipicidade da conduta.
4) Encontrar-se extinta a punibilidade: é o que ocorre com a prescrição, com o réu que morre durante o curso do processo, etc.
Não sendo hipóteses de absolvição sumária, o processo deve ter prosseguimento normal.
O rito ordinário (artigos 394, §1º, I C/C 395 a 405, CPP) : quando a pena máxima exceder os quatro anos de prisão.
1 – Oferecimento da denúncia ou queixa crime: a inicial acusatória deve conter os requisitos do artigo 41 do CPP, instruída, ainda com o mínimo de lastro probatório quanto à autoria e à materialidade do fato.
Neste momento, deverão ser arroladas as testemunhas de acusação, até o máximo de oito, abstraídas desse número as não compromissadas, além do o ofendido e os peritos que tenham atuado no feito.
. Se dois crimes forem atribuídos a um mesmo réu ou a dois ou mais réus, poderão ser arroladas até 16 testemunhas.
2 – Rejeição liminar ou recebimento: conclusa a peça vestibular ao juiz, este poderá rejeitá-la liminarmente, caso haja alguma das hipóteses previstas no artigo 395 do CPP (elencadas na parte anterior). Não sendo o caso de rejeição liminar, o magistrado dará prosseguimento ao processo, recebendo a inicial.
3 – Recebimento pelo magistrado (artigo 396): momento processual importante, eis que constitui marco interruptivo da prescrição. Nesse momento, o juiz verificará se a exordial atende todos os pressupostos legais e, caso esteja tudo certo, receberá a denúncia ou a queixa crime. Após o recebimento, o juiz mandará citar o acusado para oferecimento de resposta.
4 – Resposta do acusado (artigo 396-A): preceitua o artigo 396-A que, na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interessa a sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo a sua intimação.
Se o acusado não apresentar resposta a acusação, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo vista aos autos por dez dias.
5 – Possibilidade de absolvição sumária (artigo 397): com a resposta do acusado, sobrevem ao magistrado a possibilidade de proceder ao julgamento antecipado da demanda penal, absolvendo sumariamente o réu, desde que reconheça a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 397 do CPP (colocados no capítulo anterior).
Havendo a absolvição sumária, o processo se extingue, uma vez que o juiz prolatou a sentença absolutória.
6 – Audiência de instrução, interrogatório e julgamento (artigo 399): recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público, das testemunhas e, se for o caso, do querelante e do assistente. É necessário dar ciência ao ofendido quanto ao ato a ser realizado, mesmo que este não seja querelante.
A prova oral será produzida unicamente nessa audiência, cabendo ao juiz indeferir as provas que considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.
Na ordem, deve-se ouvir:
O ofendido: sempre que possível, o ofendido será ouvido para dar sua versão dos fatos, tomando-se por termos as declarações que fizer. Por outro lado, se for intimado para este fim e não comparecer, poderá ser conduzido à autoridade.
Inquirição das testemunhas, primeiro as da acusação, segundo pelas da defesa. Obviamente, a testemunha que não mora na comarca do julgamento será ouvida por precatória. Nada impede, porém, que as outras testemunhas sejam ouvidas enquanto a precatória estiver pendente. As partes poderão desistir da inquirição de qualquer das testemunhas arroladas. De acordo com o artigo 212 do CPP, as perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. O juiz pode completar a inquirição, caso julgue que a pergunta não está completamente respondida.
Esclarecimentos dos peritos. É preciso, nesse caso, que a parte interessada tenha requerido a notificação dos peritos.
Acareações. Antes do inicio da audiência e no curso de sua realização, será reservado espaço separado para a vitima e para as testemunhas, a fim de que se evitem intimidações ou constrangimentos, caso o juiz verifique que a acareação será necessária.
Reconhecimento de pessoas e coisas. Deverá ser feito em observância ao disposto nos artigos 226 a 228 do CPP.
Interrogatório do acusado. Como se vê, é relegado à providência final e deve ser realizada de acordo com as regras estatuídas nos artigos 185 a 196 do CPP.
Requerimento de diligências: depois de produzidas as provas orais em audiência, sendo encerrada a instrução, facultará ao juiz, ao Ministério Público, ao querelante e ao assistente e, a seguir, ao acusado, requererem as diligencias cuja necessidade se origine de circunstancias ou fatos apurados na instrução (artigo 402), as quais poderão ser indeferidas pelo juiz se as considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias (simetria ao artigo 400, §1º).
Prazo de realização: 60 dias, tanto para réu preso ou solto.
Alegações finais: na fase que se segue à produção da prova oral em audiência, duas situações poderão ocorrer:
As partes não requererem nenhuma diligencia ou são indeferidas pelo juiz as diligencias postuladas. Em tal situação, o juiz oportunizará, imediatamente, às partes, a apresentação de alegações finais orais, concedendo, primeiro à acusação e, após, à defesa, o prazo de vinte minutos, prorrogáveis por mais dez (artigo 403). O juiz poderá conceder às partes o prazo de cinco dias para apresentação de memoriais escritos, dependendo da complexidade do caso.
O juiz determina diligencias de oficio ou defere as que tenham sido requeridas pelas partes. Nessa hipótese,a audiência será concluída sem as alegações finais orais (artigo 404, caput). Finalizadas as diligencias requeridas, o juiz notificará acusação e defesa para apresentarem memoriais escritos no prazo de cinco dias, sucessivamente.
Sentença: se realizadas as alegações finais em audiência, de forma oral, poderá o juiz, na própria solenidade judicial, proferir a decisão (artigo 403, caput). Caso o magistrado substitua as alegações orais por memoriais escritos em face da complexidade do caso, do numero de acusados ou da necessidade de se realizarem diligencias, faculta-se ao juiz o prazo de dez dias, após lhe serem conclusos os autos, para proferir sentença.
Atendendo o principio da identidade física do juiz, o mesmo que presidiu a audiência de instrução deverá proferir a sentença, sob pena de nulidade. O magistrado só será substituído nos casos de promoção, licença, convocação, afastamento por qualquer motivo ou aposentadoria. Nesses casos, deverá passar ao seu substituto.
Rito sumário (artigos 394, §1º, II C/C 531 a 536, CPP) : será aplicado ao processo criminal quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja superior a dois e inferior a quatro anos.
Será constituído dos seguintes procedimentos (as definições dos procedimentos são, basicamente, as mesmas do procedimento ordinário):
1 – Oferecimento da denúncia ou queixa: observados os requisitos do artigo 41 do CPP. A diferença entre esse e o procedimento ordinário são o numero de testemunhas: no procedimento sumário serão cinco.
2 – possibilidade de rejeição liminar: caso ocorram as situações contempladas no artigo 395, o juiz rejeitará a inicial.
3 – Recebimento da denúncia ou queixa: não sendo o caso de rejeição liminar, o juiz receberá a denúncia ou queixa.
4 – Resposta do acusado: recebendo a denuncia ou queixa, o juiz determinará a citação do acusado para apresentar resposta em dez dias, momento em que poderá argüir preliminares e alegar tudo que interesse à sua defesa, além de arrolar testemunhas, sendo o máximo de cinco.
Se, em dez dias, o acusado não apresentar defesa, o juiz procederá a nomeação de um defensor dativo (artigo 5º, LXXIV, CR/88).
5 – Possibilidade de absolvição sumária: com a resposta do acusado, sobrevém ao magistrado a possibilidade de proceder ao julgamento antecipado da demanda penal, absolvendo sumariamente o réu, desde que reconheça a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 397 do CPP.
6 – Designação de dia e hora para audiência (artigo 395): vencidas as etapas anteriores e não tendo ocorrido a absolvição sumária prevista no artigo 397, segue-se a marcação da audiência para colheita de prova oral, que deve ser aprazada para, no máximo, 30 dias.
Aqui também devem ser intimadas todas as partes do processo: Ministério Público, defesa e demais participantes.
7 – Audiência de instrução, interrogatório e julgamento: nessa oportunidade, procederá o juiz à tomada de declarações do ofendido (se possível), a inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa (nessa ordem), esclarecimentos dos peritos, as acareações e ao reconhecimento de pessoas ou coisas. Em seguida, interroga-se o acusado e, finalmente, debate oral entre as partes.
Serão aplicados ao rito sumário as mesmas regras do rito ordinário.
Neste procedimento, nenhum ato será adiado, salvo quando imprescindível a prova faltante.
8 – Alegações orais: funcionará do mesmo jeito que no rito ordinário. O juiz poderá substituir as alegações orais por memoriais escritos.
9 – Sentença: mesma forma do rito ordinário.
10 – Considerações:
Basicamente, o que difere o rito ordinário do sumário é: a) quantidade de pena; b) realização de atos processuais em menor proporção e, comparação ao rito ordinário; c) ausência de diligencias; d) número de testemunhas, sendo que no rito sumário serão cinco, no ordinário, serão oito.
Quando se fala em concentração da provas ou comunhão, percebe-se, etimologicamente, que o objetivo da audiência de instrução é fornecer subsídios (informações) para a formação e convicção do julgado. Nesta fase (instrução processual), tanto o MP, quanto a defesa sustentarão suas teses jurídicas, explorando as provas e argumentando de forma objetiva, lógica, no tentame de resgatar o que se pretende, cada um com seu propósito.
Na leitura do processo penal constitucional, torna-se necessário a hermenêutica constitucional a partir do principio da presunção de inocência para identificarmos o infrator como acusado ou como réu. Na leitura dogmática (literal do texto de lei) tendo como referencia as inúmeras expressões que o CPP noticia: acusado, denunciado, indiciado, réu, podemos, com cautela, instituirmos o processo penal instrumental. Todavia, jamais podemos nos esquecer do comendo constitucional previsto no artigo 15, III da CR/88.
O rito sumaríssimo : É o rito de competência dos Juizados Especiais Criminais (Lei 9099/95). É aplicável nos processos que tiverem por fim a apuração das infrações de menor potencial ofensivo (pena inferior a dois anos de prisão ou nas contravenções penais).
Tem como principal principio norteador a oralidade.
O procedimento é mais simples, se comparado com os procedimentos ordinário e sumário.
O procedimento sumaríssimo é feito da seguinte forma (os artigos entre parênteses são da Lei 9099/95):
1 – Oferecimento da denúncia ou queixa (artigo 77): atendendo o princípio da oralidade, a denúncia ou queixa será feita de forma oral. A lei é silente quanto ao numero de testemunhas mas, por analogia ao rito sumário, aceita-se arrolar até cinco testemunhas.
A denúncia ou queixa será reduzida a termo e será encaminhada ao acusado.
2 – Citação do acusado: o acusado será imediatamente citado e cientificado da data para a audiência de instrução e julgamento. O juiz pode facultar por citar o acusado de forma pessoal.
3 – Audiência de instrução e julgamento (artigos 79 a 81): na data aprazada para a audiência, procederá o juiz aos seguintes atos:
. Facultará à defesa responder a acusação. Trata-se da defesa previa prevista no artigo 81, oportunidade na qual o defensor, além de tratar das matérias previstas no artigo 395 do CPP, alegar, também, tudo o que interessa à defesa, oferecer documentos e acostar justificativas.
. Segue-se decisão quanto à rejeição ou recebimento da inicial. O juiz, assim que oferecida a resposta do acusado, pode rejeitar liminarmente a peça acusatória, caso haja alguma das hipóteses previstas no artigo 395 do CPP.
. Julgamento antecipado do processo com absolvição sumária. O juiz também pode absolver sumariamente o acusado, caso haja alguma das hipóteses do artigo 397 do CPP.
. Inquirição da vítima e testemunhas, bem como o interrogatório do acusado. Não ocorrendo a absolvição nem a rejeição liminar, o magistrado passa a ouvir a vitima e as testemunhas de acusação e defesa, procedendo-se, logo após, ao interrogatório (artigo 81).
. Debates orais. Finalizados os atos de colheita de prova, o magistrado oportunizará às partes a realização de debates orais. Embora não haja revisão legal, os debates podem ser substituídos por memoriais.
. Sentença (artigos 81 e 82). Realizados os debates orais, será proferida sentença em audiência. Em razão da oralidade que informa esse procedimento, a sentença dispensará relatório. Logicamente, a fundamentação plena é obrigatória, pois se trata de exigência constitucional (artigo 93, IX, da CR/88).
4 – Procedimento quanto à lei de drogas (Lei 11343/2006): apesar de elencada como parte do rito sumário, o porte de drogas para consumo (artigo 28) segue um procedimento especial, por ser um crime de menor potencial ofensivo.
Será feito um termo circunstanciado e este será encaminhado ao juiz, que determinará uma advertência, prestação de serviços a comunidade ou medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Se o agente, injustificadamente, se recusar, o juiz poderá proceder à admoestação verbal ou instituir uma pena de multa.
Procedimento dos crimes contra a honra (Artigos 519 a 523, CPP): O procedimento é basicamente o mesmo do procedimento comum ordinário, salvo por pequenas modificações.
É aplicável tão somente às hipóteses em que a pena máxima cominada ao crime for superior a dois anos de prisão. Caso contrário, o rito a ser seguido será o sumaríssimo, a cargo dos Juizados Especiais Criminais, pois os crimes contra a honra, geralmente, possuem pena menor que dois anos de reclusão. O procedimento será da seguinte forma:
1 – Oferecimento da queixa: há de se especificar que esse procedimento só será feita mediante queixa, pois estes são crimes de ação penal pública privada. As partes, portanto, serão: querelante (quem oferece a queixa) e querelado (o réu, que sofre a ação). Os procedimentos contra a honra só não serão de ação penal privada nos seguintes casos:
Crime de calúnia majorado em face da previsão do artigo 141 do CP, que determina o acréscimo de 1/3 sobre a pena. Trata-se de crime de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso I; de ação penal pública condicionada à representação do ofendido no caso do inciso II; e de ação privada, na hipótese dos incisos III e IV do mesmo artigo.
– Artigo 141, CP: As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido:
Contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;
Contra funcionário público, em razão de suas funções;
III. Na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria;
Contra pessoa maior de 60 anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria.
Crime de injúria qualificada: previsto no artigo 140, §3º, do CP (se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Pena – reclusão de um a três anos e multa), Trata-se de crime de ação penal pública condicionada.
Crimes praticados sob a forma de violência doméstica e familiar contra a mulher (violência moral), nos termo do artigo 7º, V, da Lei 11.340/2006. A prática de calúnia, injúria ou difamação que caracterize violência doméstica ou familiar contra a mulher não poderá ser apurada mediante o procedimento sumaríssimo, pois a Lei 9.099/95 o excluiu. Assim, será feito mediante procedimento ordinário, mesmo que o crime impute pena menor do que dois anos de reclusão.
O número de testemunhas que a parte poderá arrolar são oito, salvo as não compromissadas.
2 – Designação de audiência de conciliação: oferecida a queixa crime, o magistrado, antes de recebê-la, deverá ordenar a notificação do querelante ao querelado para comparecimento à audiência de tentativa de conciliação (artigo 520, CPP), a qual se realizará sem a presença dos advogados.
Logicamente, sendo a queixa manifestamente inepta, deve o juiz indeferi-la de plano (artigo 395, CPP), não sendo necessário aprazar a audiência.
Se for aprazada, será uma solenidade judicial, nela serão ouvidas as partes em separado, primeiro o querelado, seguido do querelante. Após ouvi-los, entendendo viável o acerto, o juiz buscará promover o entendimento das partes.
– Havendo a conciliação, será assinado termo de desistência da ação penal, arquivando-se o feito. Neste termo não serão mencionados os acontecimentos havidos na audiência, tão somente o resultado.
– Se não houver a conciliação, caberá ao juiz proceder ao seu recebimento, ordenando a citação do réu para resposta em 10 dias (artigo 396, CPP).
– Se o querelante desistir da ação, esta deverá ser arquivada.
Caso uma das partes não compareça à audiência de conciliação, poderão ser dados os seguintes desdobramentos, de acordo com a ausência:
– Do querelante: de acordo com a doutrina majoritária, se o querelante faltar à solenidade, o processo deve seguir seu curso normalmente, pois não existe razão para extingui-lo simplesmente por esta causa.
– Do querelado: se o querelado faltar à sessão, o magistrado receberá a ação penal e ordenará seu prosseguimento ou, se assim entender, determinar sua condução coercitiva com base no artigo 260 do CPP.
3 – Recebimento da queixa crime, citação e resposta à acusação: não havendo a conciliação, o magistrado, verificando não ser o caso de rejeição da inicial com fundamento no artigo 395 do CPP, receberá a queixa, determinando a citação do querelado para responder à acusação em dez dias (artigo 396), oportunidade em que o advogado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário (artigo 396-A).
4 – Exceção da verdade e exceção da notoriedade do fato (artigo 523): contemporaneamente à apresentação da resposta (Artigos 396 e 396-A do CPP), poderá o querelado, em petição distinta, apresentar exceção da verdadeou exceção de notoriedade do fato.
Exceção da verdade: oportunidade assegurada ao querelado para demonstrar a veracidade das afirmações consideradas ofensivas pelo querelante. É admitida nos seguintes casos:
– Nos processos por crimes de calúnia: salvo nos termos do artigo 138, §3º, do CP.
– Nos processos por crime de difamação praticado contra funcionário público no exercício de suas funções (Artigo 139, § único, do CP).
Exceção da notoriedade do fato: é aquela que visa demonstrar que a afirmação realizada pelo réu não causa reação no meio social, já que respeita a fato conhecido por todos. É cabível apenas na difamação, independentemente da condição do ofendido (funcionário público ou não, no exercício ou não da função pública), uma vez que o fato já era de conhecimento público, não há de se cogitar que a vitima tenha sido difamada.
Note-se que não admitem as exceções da verdade e da notoriedade do fato no crime de injúria, pois, neste caso, é violada a honra subjetiva da pessoa, não importando a verdade ou a notoriedade do que foi afirmado pelo réu.
As exceções serão autuadas nos próprios autos do processo principal.
Podem ser arroladas testemunhas nas exceções, desde que esse número, somado com o número de testemunhas da contestação, não exceda o limite máximo permitido.
A despeito de ter sido apresentada exceção da verdade constate o juiz que os elementos acostados à resposta do querelado permitem sua absolvição sumária (artigo 397 do CPP). Ocorrendo esta hipótese, não será necessário instruir a exceção e suspender o processo criminal. Assim, o juiz poderá proceder a referida absolvição de pronto.
5 – Prosseguimento segundo o rito ordinário: após a resposta do querelado, não sendo caso de conciliação nem de absolvição sumária, o juiz prosseguirá o feito seguindo rito ordinário, salvo nas exceções destacadas no item 1 e nos casos de crimes cuja pena cominada não exceda dois anos de reclusão, casos em que serão julgados seguindo a Lei 9.099/95 (Juizado Especial Criminal). Nesse caso, o rito a ser observado será o sumaríssimo.
Procedimento do Tribunal do Júri (artigos 406 a 497, CPP):
1 – Considerações gerais:
1.1 – Crimes sujeitos à ação pelo Tribunal do Júri: estão sujeitos a julgamento pelo Tribunal do Júri todos os crimes dolosos, consumados ou tentados, elencados no rol de crimes contra a vida, quais sejam:
Induzimento, auxílio ou instigação ao suicídio.
Crimes conexos e continentes a estes, dado ao juízo de atração determinado pelo artigo 78, I, do CPP.
Importante salientar que os crimes que serão julgados pelo Tribunal do Júri serão apenas os dolosos, tanto faz se consumados ou tentados. Os crimes culposos não serão julgados pelo Júri.
O latrocínio não é julgado pelo Tribunal do Júri, pois está elencado no rol de crimes contra o patrimônio. Tampouco o crime de extorsão mediante sequestro com resultado morte. Inclusive este é o entendimento do STF, súmulas 603 e 610.
Lado outro, sob o argumento de dolo eventual (artigo 18, I, CP), há situações em que crimes dolosos (homicídio, CTB) não será apreciado pelo Tribunal do Júri. devemos atentar para a expressão “assumir o risco” prevista nesse dispositivo.
1.2 – Fases do processo: os processos do Tribunal são divididos em três partes, que serão estudadas a fundo a seguir:
1) Juízo de formação de culpa ou judicium accusatione;
2) Pronúncia para designação de data para julgamento;
3) Juízo de causa, ou judicium causae.
1.3 – Causas de rejeição da denúncia: podem ser arguidas a qualquer momento. Sua aplicação é irrestrita a todo e qualquer procedimento.
1.4 – Artigos 396 e 396-A: é evidente a sua inaplicabilidade ao rito dos crimes dolosos contra a vida, pois este já insere, no artigo 406, caput, e §3º, o momento da resposta á acusação contemplado naqueles dispositivos.
1.5 – Absolvição sumária: o parágrafo terceiro do artigo 394 do CPP diz que nos processos de competência do Tribunal do Júri, o procedimento observará as disposições estabelecidas nos artigos 406 a 497 deste Código.
1.6 – Rejeição da denúncia: não há duvida acerca da sua aplicação irrestrita a todo e qualquer procedimento, podendo o juiz deferi-la em qualquer momento do processo.
1.7 – Citação e resposta do réu: é inaplicável os artigos 396 e 396-A nos procedimentos do Júri, pois este já insere, no artigo 406, caput, e §3º, o momento da resposta à acusação.
Procedimento do Tribunal do Júri – 1ª parte
Juízo de formação de culpa: Esta primeira fase do procedimento de apuração dos crimes dolosos contra a vida está disciplinada nos artigos 406 a 419 do CPP, constituindo-se dos seguintes atos processuais:
1 – Oferecimento da denúncia ou queixa crime subsidiária (artigo 406): obediente aos requisitos do artigo 41 do CPP, a inicial deverá conter a exposição do fato com todas as suas circunstancias, a qualificação do acusado ou elementos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e o rol de testemunhas.
Número de testemunhas: de acordo com o artigo 406, §2º, do CPP, o numero de testemunhas não poderá ser superior a oito. Embora não tenha nenhum dispositivo que o regule, por analogia ao artigo 208 entende-se que esse número não computa as testemunhas não compromissadas.
Peritos: os peritos arrolados para prestar esclarecimentos não contam como testemunhas, pois o testemunho desses conta como prova oral.
2 – Rejeição liminar ou recebimento da inicial: constatado qualquer a ocorrência de qualquer das hipóteses mencionadas no artigo 395 do CPP, poderá o juiz rejeitar liminarmente a denúncia ou a queixa. Não sendo este o caso, procederá ao seu recebimento, ordenando a citação do acusado para resposta.
3 – Citação do acusado: será feita por qualquer dos critérios previstos em lei. Como regra, deverá ele ser citado pessoalmente. Não localizado, será cabível a sua citação por edital. Verificando o oficial que o acusado está se escondendo para dificultar a citação, esta poderá ser por hora certa.
4 – Defesa prévia: o acusado terá o prazo de dez dias para responder à acusação, onde arguirá preliminares, matéria, oferecerá documentos, especificará provas pretendidas e arrolará testemunhas de defesa (no máximo oito), qualificando-as e requerendo a sua intimação, quando necessário (artigo 406, §3º).
Se, em dez dias, o acusado não oferecer resposta, o juiz deverá proceder à nomeação de defensor dativo, sob pena de nulidade, que terá reaberto o prazo de defesa.
5 – Oitiva do Ministério Público (ou do querelante): apresentada a defesa, o juiz deverá notificar o Ministério Público ou o querelante para se manifestarem sobre eventuais preliminares arguidas na resposta do acusado, ou sobre documentos acostados por ele, no prazo de cinco dias (artigo 409).
6 – Audiência de Instrução e Julgamento: após de ter sido oportunizada à acusação falar sobre a resposta do acusado, designará o magistrado audiência para inquirição das testemunhas arroladas no processo e a realização das diligencias que tenham sido requeridas pelas partes (artigo 410).
Diligências: nessa fase, entende-se como diligencias aquelas que podem ser utilizadas em audiência, como esclarecimentos dos peritos (que dependerão sempre de requerimento prévio, conforme os artigos 159, §5º e 411, §1º), acareações e reconhecimentos (artigo 411).
Visando a concentrar ao máximo os atos processuais, ficou estabelecido que todas as provas orais serão produzidas em uma única audiência, podendo o juiz indeferir aquelas que julgar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias (artigos 411, §2º), bem como ordenar a condução coercitiva de quem, regularmente notificado, a ela deva comparecer (artigo 411, §7º).
Em audiência, a prova oral será produzida na seguinte ordem:
1º) Declaração do ofendido, se possível;
2º) Declarações das testemunhas de acusação e de defesa, nesta ordem;
3º) Interrogatório do acusado;
4º) Esclarecimentos do peritos, acareações e reconhecimento de pessoas ou coisas.
6.1 – Debates orais (artigo 411, §4º e 6º): esgotada a instrução probatória e não sendo o caso de aplicação da regra pertinente à mutatio libelli (artigo 411, §3º), passar-se-á à fase de debates orais, concedendo-se os seguintes prazos e na seguinte ordem:
1º) Acusação, pelo prazo de vinte minutos, prorrogáveis por mais dez.
2º) Defesa, pelo mesmo prazo (artigo 411, §4º para ambas).
3º) Havendo assistente de acusação habilitado nos autos, a este será dados dez minutos para se manifestar, logo após a manifestação do promotor. Nesse caso, o tempo será acrescido ao previsto para a defesa manifestar-se (artigo 411, §6º).
4º) Se houver mais de um acusado, o tempo para a acusação e a defesa de cada um deles será individual (artigo 411, §5º).
Ao contrario do procedimento ordinário, no procedimento do Tribunal do Júri não é facultado às partes fazer suas alegações na forma de memoriais escritos.
7 – Sentença: encerrados os debates orais, o juiz proferirá sua decisão quanto à admissibilidade da acusação inserta na denúncia ou na queixa, ou então o fará em dez dias, ordenando, para tanto, que os autos lhe sejam conclusos (artigo 411, §9º). Neste momento poderá o magistrado:
1) Pronunciar o acusado (artigo 413): o juiz julga admissível a acusação, enviando-a a Plenário. Esta é a única decisão que importará em prosseguimento ao processo.
2) Impronunciar o acusado (artigo 414): o magistrado julga inadmissível a acusação. Assim, se extingue o processo, não permitindo que o caso seja avaliado pelo Júri.
3) Absolvição sumária (artigo 415): o juiz julga improcedente a acusação, absolvendo o acusado nas hipóteses do artigo 415, I a IV.
4) Desclassificação da infração penal (artigo 419): pode o juiz considerar que o fato imputado ao acusado não é de competência do Tribunal do Júri. Assim, o magistrado pode desclassificar a infração penal, remetendo-a ao juízo competente.
Procedimento do Tribunal do Júri – 2ª parte
Pronunciamento do acusado e designação de data para julgamento
1 – Decisão de pronúncia: como visto anteriormente, dentre as quatro manifestações do juiz na primeira parte do procedimento, apenas a pronúncia dará continuidade ao feito. Quando pronuncia, está o magistrado julgando admissível a acusação incorporada à denúncia ou à queixa subsidiária.
A pronúncia está condicionada à existência de indícios suficientes de autoria e prova da materialidade do fato. Na ausência desses elementos, a hipótese será de impronúncia (Artigo 414, CPP).
Também é importante provar que o acusado agiu com dolo. Não sendo o caso (ou não conseguindo se provar), o juiz deve desclassificar a infração penal, remetendo-o ao juízo competente.
Caso haja qualquer das hipóteses previstas no artigo 415, o juiz deve proceder a absolvição sumária do acusado.
Após a sentença de pronúncia, o acusado será chamado de pronunciado.
Há uma relação direta, tonando-se razoável identificarmos que na fase pré processual, uma vez apontada a autoria e a materialidade pelo delegado de polícia, o juiz, quando da elaboração da pronúncia ao verificar, nos termos do artigo 413 do CPP a existência de indícios de autoria e materialidade de fato estará, mentalmente, fazendo uma reconstrução do fato, motivo pelo qual o acusado será pronunciado e submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
A pronúncia tem conteúdo eminentemente declaratório. Em termos processuais, classifica-se como decisão interlocutória mista não terminativa, pois encerra uma fase do processo, sem terminar com o mesmo.
A pronúncia faz coisa julgada formal.
O único recurso cabível contra a pronúncia é o Recurso em Sentido Estrito (Rese), de acordo com o artigo 581, IV, do CPP.
Quanto à intimação da pronúncia, será feita das seguintes formas:
1) Pronunciado: intimação pessoal ou por edital, se for o caso.
2) Defensor: se for nomeado, será pessoal; se for dativo, será mediante publicação no órgão oficial.
3) Acusador particular: o advogado do querelante será intimado mediante publicação no órgão oficial. O advogado do assistente de acusação será intimado do mesmo modo.
4) Ministério Público: apenas mediante intimação pessoal.
O pronunciado solto somente será preso se o magistrado entender que este oferece risco à população. A única medida que possibilita a constrição de liberdade, nesse caso, é a prisão preventiva.
2 – Intimação do Ministério Público e do defensor para oferecer rol de testemunhas e/ou juntar documentos: o artigo 422 do CPP é auto explicativo. Ele diz que ao receber os autos, o presidente do Tribunal do Júri determinará a intimação do órgão do Ministério Público ou do querelante, no caso de queixa, e do defensor, para, no prazo de 5 dias, apresentarem rol de testemunhas que irão depor em plenário, até o máximo de 5, oportunidade em que poderão juntar documentos e requerer diligências.
3 – Deliberação do juiz sobre os requerimentos de provas e diligências necessárias (artigo 422, caput, e inciso I): nessa fase, o juiz analisará as provas que foram requeridas e a necessidade de novas diligências, podendo deferi-las ou não, caso julgue desnecessárias. Após a análise, e entendendo a necessidade de tais diligencias, o juiz:
4 – Elaboração do relatório do processo por escrito para inclusão na pauta de julgamento: de acordo com o artigo 422, II, o juiz fará relatório sucinto do processo, determinando sua inclusão em pauta da reunião do Tribunal do Júri.
5 – Designação de data para julgamento: pós o saneamento das fases anteriores, o juiz presidente do Tribunal do Júri marcará dia e hora para audiência que julgará a causa, o que nos leva à terceira fase do procedimento.
Procedimento do Tribunal do Júri – 3ª fase
O julgamento da causa: Nos termos do artigo 421 do CPP, uma vez preclusa a decisão de pronúncia, os autos serão encaminhados ao juiz presidente do Tribunal do Júri com vistas à preparação do processo para o julgamento perante o Conselho de Sentença.
1 – Verificação das cédulas: em primeiro lugar, antes da instalação da sessão, o juiz deve realizar a conferencia da urna que contem o nome dos jurados sorteados para a respectiva reunião, ou seja, verificar se estão presentes as cédulas pertinentes aos vinte e cinco jurados sorteados em conformidade com o artigo 433. Ato contínuo, determinará ao escrivão que proceda à chamada para confirmação dos presentes (artigo 462).
2 – Instalação da sessão de julgamento no Tribunal: Se, na sessão de julgamento, tiverem comparecido pelo menos 15 jurados, o juiz deve declarar instalados os trabalhos (artigo 463), desimportando, para fins desse computo, que, entre os presentes, haja jurados que não possam participar do Conselho por motivos de suspeição ou impedimento.
Não havendo o numero mínimo, o magistrado sorteará os jurados suplentes em número correspondente aos que faltaram, e designará nova data para a sessão (artigo 464).
A ausência injustificada do jurado à sessão de julgamento acarreta-lhe a imposição de multa, que será ficada pelo juiz entre um a dez salários mínimos, de acordo com a sua condição econômica.
3 – Verificação de comparecimento das partes (artigo 455 a 457): o juiz verificará se as partes envolvidas no procedimento estão presentes. Caso não esteja, o juiz:
Adiará o julgamento para o primeiro dia desimpedido da mesma reunião, cientificadas as partes e as testemunhas, caso o Ministério Publico não compareça.
Se a falta, sem escusa legítima, for do advogado do acusado, e se outro não for por este constituído, o fato será imediatamente comunicado ao presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, com a data designada para a nova sessão (artigo 456, CPP).
– §1º: Não havendo escusa legítima, o julgamento será adiado somente uma vez, devendo o acusado ser julgado quando chamado novamente.
– §2º: Na hipótese do § 1o, o juiz intimará a Defensoria Pública para o novo julgamento, que será adiado para o primeiro dia desimpedido, observado o prazo mínimo de 10 dias.
O julgamento não será adiado pelo não comparecimento do acusado solto, do assistente ou do advogado do querelante, que tiver sido regularmente intimado (artigo 457).
– § 1o: Os pedidos de adiamento e as justificações de não comparecimento deverão ser, salvo comprovado motivo de força maior, previamente submetidos à apreciação do juiz presidente do Tribunal do Júri.
– § 2o: Se o acusado preso não for conduzido, o julgamento será adiado para o primeiro dia desimpedido da mesma reunião, salvo se houver pedido de dispensa de comparecimento subscrito por ele e seu defensor.
4 – Colocação das testemunhas de acusação e de defesa em local separado, incomunicáveis: conforme exposto no artigo 460 do CPP antes de constituído o Conselho de Sentença, as testemunhas serão recolhidas a lugar onde umas não possam ouvir os depoimentos das outras. Assim, evita-se uma possível fraude e facilita a necessidade de acareação, caso os testemunhos forem contraditórios.
5 – Advertência aos jurados impedidos e suspeitos: antes do sorteio dos membros do Conselho de Sentença, o juiz presidente esclarecerá sobre os impedimentos, a suspeição e as incompatibilidades constantes dos artigos 448 e 449 do CPP.
O juiz presidente também advertirá os jurados de que, uma vez sorteados, não poderão comunicar-se entre si e com outrem, nem manifestar sua opinião sobre o processo, sob pena de exclusão do Conselho e multa.
A incomunicabilidade será certificada nos autos pelo oficial de justiça.
6 – Formação do Conselho de Sentença: ato continuo, será realizado o sorteio de sete jurados para a composição do Conselho de Sentença, podendo a defesa e o Ministério Público efetuar até três recusas imotivadas (artigo 467 e 468). O jurado dispensado imotivadamente será excluído daquela sessão de julgamento.
Acima de três recusas, a parte deverá fundamentar o motivo de exclusão, através de arguição de suspeição ou de impedimento.
7 – Juramento: conforme reza o artigo 472, formado o Conselho de Sentença, o juiz presidente fará aos jurados a seguinte exortação: Em nome da lei, concito-vos a examinar esta causa com imparcialidade e a proferir a vossa decisão de acordo com a vossa consciência e os ditames da justiça. Os jurados, neste momento, serão chamados individualmente pelo nome e deverão responder, como forma de compromisso: Assim o prometo.
Após o juramento, serão entregues aos jurados a cópia das peças processuais.
8 – Instrução em plenário: reza o artigo 473 que prestado o compromisso pelos jurados, será iniciada a instrução plenária quando o juiz presidente, o Ministério Público, o assistente, o querelante e o defensor do acusado tomarão, sucessiva e diretamente, as declarações do ofendido, se possível, e inquirirão as testemunhas arroladas pela acusação. Assim, as declarações serão feitas na seguinte ordem:
1) Ofendido: se for possível, logicamente.
2) Testemunhas: primeiro as testemunhas de acusação, seguidas pelas testemunhas de defesa.
Para a inquirição das testemunhas arroladas pela defesa, o defensor do acusado formulará as perguntas antes do Ministério Público e do assistente, mantidos no mais a ordem e os critérios estabelecidos no artigo 473.
Os jurados poderão formular perguntas ao ofendido e às testemunhas, por intermédio do juiz presidente.
3) Acareação e esclarecimentos de peritos: um aspecto importante respeita ao fato de que as partes e os jurados poderão requerer acareações, caso entendam que os depoimentos são controversos. Também podem ser requeridas as declarações dos peritos, que não são arrolados como testemunhas.
4) Leitura de peças referentes as provas colhidas: diz o artigo 473, §3º, que as partes e os jurado podem requerer a leitura de peças que se refiram, exclusivamente, às provas colhidas por carta precatória e às provas cautelares, antecipadas ou não repetíveis.
5) Interrogatório do réu: a seguir, será interrogado o acusado (artigo 474).
O Ministério Público, o assistente, o querelante e o defensor, nessa ordem, poderão formular,diretamente, perguntas ao acusado.
Os jurados formularão perguntas por intermédio do juiz presidente.
9 – Debates: superada a fase instrutória, iniciam-se os debates, ocasião em que a acusação e a defesa arguirão suas teses perante o Conselho. Os prazos serão, em ordem:
Uma hora e meia para a acusação;
Uma hora e meia para a defesa;
Réplica para a acusação, por uma hora;
Tréplica para a defesa, por igual período.
10 – Consulta aos jurados: Finalizados os debates, o juiz indagará aos jurados se estão habilitados a julgar (Artigo 480, §1º).
Se a verificação de qualquer fato, reconhecida como essencial para o julgamento da causa, não puder ser realizada imediatamente, o juiz presidente dissolverá o Conselho, ordenando a realização das diligências entendidas necessárias. Posteriormente, aprazará nova sessão de julgamento, ocasião em que os trabalhos serão reiniciados, inclusive com o sorteio de novos jurados.
Os jurados serão levados para sala especial, onde poderão deliberar sobre os quesitos formulados pelo juiz presidente (artigos 486 e 55).
Prestados eventuais esclarecimentos, passa-se à leitura dois quesitos: a relação de ordem de votação encontra-se prevista no artigo 483 do CPP, dispondo que os jurados serão indagados, sucessivamente, sobre:
Materialidade do fato: abrange-se, neste quesito, tanto a materialidade stricto sensu, quanto aletalidade.
– Exemplo: “No dia 13 de janeiro de 2005, por volta das 14 horas, na Rua Brasil, interior da residência de numero 400, bairro Navegantes, em Porto Alegre, a vítima, Pedro foi atingida por disparos de arma de fogo que lhe causaram as lesões descritas no auto de necropsia da fl. 30, provocando-lhe a morte?”
Ø Sim: prossegue-se a quesitação.
Ø Não: o acusado é absolvido, pois negado o fato principal.
Autoria ou participação: no segundo quesito, deverão os jurados afirmar ou negar o envolvimento do réu no fato imputado:
– “O réu Marcos concorreu para a prática do fato?”
Ø Não: O réu está absolvido, pois negado seu envolvimento no crime.
III. Se o acusado deve ser absolvido: uma vez reconhecidas materialidade, letalidade e autoria do crime objeto do julgamento, indagar-se-a dos jurados se o réu deve ser absolvido ou não.
– “O jurado absolve o acusado?”
Ø Sim: o réu está absolvido, encerrando-se a votação.
Ø Não: o réu está condenado, prosseguindo-se a votação com indagação sobre causas de diminuição de pena eventualmente alegadas pela defesa em plenário e sobre qualificadoras ou causas de aumento de penas reconhecidas na pronúncia.
Se existe causa de diminuição de pena alegada pela defesa: Encontrando-se condenado o acusado, o juiz presidente formulará, logo após, quesito sobre causas de diminuição de pena que tenha a defesa, eventualmente, sustentado em plenário. Neste caso, o quesito não poderá ser genérico, cada uma das causas sustentadas pelo advogado deverá ser objeto de um questionamento próprio.
– “O réu agiu sob o domínio de violenta emoção logo em seguida à injusta provocação da vítima?”
Ø Sim: É reconhecida a causa de diminuição, devendo o juiz sopesá-la na pena.
Ø Não: É negada a causa de diminuição, razão pela qual não refletirá na pena.
Se existe circunstância qualificadora ou causa de aumento de pena: para que possam ser objeto de quesitação, as qualificadoras e causas de aumento devem ter sido reconhecidas na pronúncia. Aqui também não será possível a formação de um quesito genérico sobre tais questões.
– “O crime foi cometido por motivo torpe, qual seja, vingança?”
– “O crime foi cometido contra vítima maior de 60 anos?”
Ø Sim: é reconhecida a qualificadora e/ou a causa do aumento, devendo o juiz levá-la(s) em conta na sentença.
Ø Não: é negada a qualificadora e/ou a causa de aumento, razão pela qual não refletirá(ão) na pena.
10.1 – Resalvas do artigo 483:
1 – Artigo 483, §4º: Sustentada a desclassificação da infração para outra de competência do juiz singular, será formulado quesito a respeito, para ser respondido após o 2º ou 3º quesito, conforme o caso: trata-se de desclassificação própria para crime de competência do juiz singular, em face da negativa pelo Conselho de Sentença, do dolo de matar. Operada essa desclassificação, caberá ao juízo singular condenar ou absolver o réu.
– “O réu quis o resultado ou assumiu o risco de produzir a morte da vítima?”
Ø Sim: importa em afirmação do dolo de matar, prosseguindo-se, então, o questionário, com a votação do quesito relativo à absolvição.
Ø Não: acarreta a desclassificação própria, cabendo ao juiz decidir, então, se condena ou absolve o réu por crime não doloso contra a vida, bem como definir a respectiva tipificação.
2 – Artigo 483, §5º: Sustentada a tese de ocorrência do crime na sua forma tentada ou havendo divergência sobre a tipificação do delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri, o juiz formulará quesito acerca destas questões, para ser respondido após o segundo quesito.
1ª parte: ocorrência do crime na sua forma tentada. Na hipótese de ter sido o réu pronunciado por tentativa de homicídio, a quesitação da tentativa poderá ser realizada da seguinte forma:
– “Assim agindo, o réu deu início ao ato de matar a vítima, o que não se consumou por circunstancias alheias à sua vontade?”
Ø Não: a resposta negativa a este quesito, assim como ocorre com eventual tese negativa de dolo, implica desclassificação própria, afastando-se a competência do Tribunal do Júri e atribuindo-se ao juiz a competência para julgar o fato, absolver ou condenar o réu e, nesse ultimo caso, definir a classificação do crime.
2ª parte: havendo divergência sobre a tipificação do delito, sendo este da competência do Tribunal do Júri.Considere-se, por exemplo, que a ré tenha sido pronunciada por homicídio, mas que, em plenário de julgamento, sustente a defesa tratar-se de infanticídio. Neste caso, deverá ser formulado quesito correspondente à tese defensiva:
– “Assim agindo, a ré se encontrava em estado puerperal?”
Ø Sim: respondendo positivamente a esse quesito, restará afastado o dolo de matar e, em consequência, inviabiliza a condenação por homicídio. Prosseguir-se-á, então, a quesitação, podendo a ré, no máximo, ser condenada por infanticídio.
Ø Não: a resposta negativa implica rejeição da tese defensiva de infanticídio, prosseguindo-se à quesitação pelo homicídio.
11 – Sentença: Em seguida à votação dos quesitos, o juiz presidente prolatará sentença, atendendo os critérios do artigo 492. A sentença poderá ser:
1) Sentença condenatória: o juiz presidente condena o acusado pelo crime a que foi pronunciado. De acordo com o inciso primeiro do artigo 492, a sentença condenatória vai:
a) Fixar a pena base;
b) Considerar as circunstâncias agravantes ou atenuantes alegadas nos debates;
c) Vai impor os aumentos ou diminuições da pena, em atenção às causas admitidas pelo júri;
d) Observará as demais disposições do art. 387;
f) Estabelecerá os efeitos genéricos e específicos da condenação.
2) Sentença absolutória: o juiz absolve o pronunciado. No inciso II, a sentença absolutória vai:
a) Mandar colocar em liberdade o acusado se por outro motivo não estiver preso;
b) Revogar as medidas restritivas provisoriamente decretadas;
c) Impor, se for o caso, a medida de segurança cabível.
3) Desclassificação do crime doloso contra a vida para modalidade delituosa que permita aplicação dos benefícios da Lei 9.99/95: Estabelece o artigo 492, §1º, do CPP que, se houver desclassificação da infração para outra, de competência do juiz singular, ao presidente do Tribunal do Júri caberá proferir sentença em seguida, aplicando-se, quando o delito resultante da nova tipificação for considerado pela lei como infração penal de menor potencial ofensivo, o disposto nos artigos 69 e seguintes da Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.
4) Desclassificação do crime doloso contra a vida e consequência desta decisão perante a delitos conexos sem esta natureza: dispõe o artigo 492, §2º, do CPP que, no caso de desclassificação, o crime conexo que não seja doloso contra a vida será julgado pelo juiz presidente do Tribunal do Júri, aplicando-se, no que couber, o disposto no §1o deste artigo.
12 – Lavratura da ata (artigos 494 a 496): encerrados os trabalhos, o escrivão lavrará ata de cada sessão de julgamento, sendo assinadas pelo presidente e pelas partes (artigo 494). A falta desta sujeitará o responsável a sanção administrativa e penal (artigo 496).
12.1 – Elementos constantes da ata: de acordo com o artigo 495, a ata conterá:
A data e a hora da instalação dos trabalhos;
O magistrado que presidiu a sessão e os jurados presentes;
III. Os jurados que deixaram de comparecer, com escusa ou sem ela, e as sanções aplicadas;
O ofício ou requerimento de isenção ou dispensa;
O sorteio dos jurados suplentes;
O adiamento da sessão se houver ocorrido, com a indicação do motivo;
VII. Abertura da sessão e a presença do Ministério Público, do querelante e do assistente, se houver, e a do defensor do acusado;
VIII. O pregão e a sanção imposta, no caso de não comparecimento;
As testemunhas dispensadas de depor;
O recolhimento das testemunhas a lugar de onde umas não pudessem ouvir o depoimento das outras;
A verificação das cédulas pelo juiz presidente;
XII. A formação do Conselho de Sentença, com o registro dos nomes dos jurados sorteados e recusas;
XIII. O compromisso e o interrogatório, com simples referência ao termo;
XIV. Os debates e as alegações das partes com os respectivos fundamentos;
Os incidentes;
XVI. O julgamento da causa;
XVII. A publicidade dos atos da instrução plenária, das diligências e da sentença.
PreviousPrática Simulada_II – Direito do Trabalho – Parte Teórica com NCPC
NextInquérito Policial e Processo Penal
Simulado 1a Fase da OAB com Respostas
Novo CPC – Petição Inicial – Modelo