Source: https://issuu.com/vidaeconomica/docs/lei_geral_tributaria_de_bolso
Timestamp: 2017-08-21 22:19:01+00:00
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Lei Geral Tributaria de Bolso by Vida Económica - issuu
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LEI GERAL TRIBUTÁRIA e Legislação Complementar LEI GERAL TRIBUTÁRIA INCLUI NOTAS E REMISSÕES
REGIME COMPLEMENTAR DO PROCEDIMENTO DE INSPECÇÃO TRIBUTÁRIA REGIME JURÍDICO DA ARBITRAGEM EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA
DECRETO–LEI N.º 398/98, DE 17 DE DEZEMBRO A reforma ﬁscal da tributação directa de 1989 não foi precedida da instituição de uma lei geral tributária que clariﬁcasse os princípios fundamentais do sistema ﬁscal, as garantias dos contribuintes e os poderes da administração tributária. O Código de Processo Tributário, na esteira do Código de Processo das Contribuições e Impostos, viria a dispor genericamente, no título I, sobre as relações tributárias, especialmente as principais garantias dos contribuintes, mas continua a fazer-se sentir a ausência dessa peça fundamental do sistema ﬁscal português. A concentração, clariﬁcação e síntese em único diploma das regras fundamentais do sistema ﬁscal que só uma lei geral tributária é susceptível de empreender poderão, na verdade, contribuir poderosamente para uma maior segurança das relações entre a administração tributária e os contribuintes, a uniformização dos critérios de aplicação do direito tributário, de que depende a aplicação efectiva do princípio da igualdade, e a estabilidade e coerência do sistema tributário. A imagem de um sistema tributário disperso e contraditório prejudica fortemente a aceitação social das suas normas e, consequentemente, a eﬁcácia do combate à fraude e evasão ﬁscal. É tempo de suprir essa lacuna e dotar o sistema tributário português de um meio que o fará aproximar decididamente do sistema tributário das sociedades democráticas mais avançadas. É o que se pretende com a presente lei, cuja aprovação constitui, sem dúvida, um momento fundamental da acção reformadora do Governo, coroando um processo desencadeado a partir de 1996 com o acordo de concertação estratégica e a aprovação do Orçamento do Estado de 1997, onde já vinha prevista a realização de estudos tendentes à aprovação de uma lei geral tributária que clariﬁcasse e sistematizasse os direitos e garantias dos contribuintes e os poderes da administração ﬁscal, e prosseguido pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 119/97, de 14 de Julho, onde, no ponto 8.º, n.º 3, alínea b), se assinala o papel determinante da referida lei na reforma ﬁscal que o Governo vem empreendendo. Esse objectivo insere-se, de resto, nos objectivos gerais, enunciados na mesma resolução para a reforma ﬁscal de transição para o século XXI: estabilidade do sistema; redução das desigualdades na sociedade portuguesa através da
redistribuição da carga ﬁscal; simpliﬁcação, modernização e desburocratização da administração ﬁscal e aduaneira; prossecução, com mais eﬁcácia, da luta contra a evasão e fraude ﬁscais e aduaneiras; promoção e desenvolvimento sócio-económico sustentável, em particular pela criação de condições favoráveis ao reforço da competitividade, ao crescimento económico e ao emprego e à consolidação e criação de empresas viáveis. No título I, procede a presente lei, em conformidade com esses objectivos, à deﬁnição dos princípios fundamentais da ordem tributária, acolhendo as normas da Constituição ﬁscal e clariﬁcando as regras de aplicação das leis tributárias no tempo e no espaço. No título II é regulada a relação jurídica tributária, do nascimento à extinção. No título III é regulado o procedimento tributário em ordem à sua adequação ao Código do Procedimento Administrativo e à 4ª revisão da Constituição, que desenvolveu e aprofundou as garantias dos cidadãos. No título IV são deﬁnidos os princípios fundamentais, também em harmonia com a 4ª revisão do processo judicial tributário. Finalmente, o título V enuncia os princípios fundamentais do sistema sancionatório tributário. A presente lei não se limita à sistematização e aperfeiçoamento de normas já existentes, o que já seria relevante tendo em conta a incoerência ou dispersão que ainda caracterizam o actual sistema tributário, mas modiﬁca aspectos fundamentais da relação Fisco-contribuinte, sem prejuízo do reforço de garantias dos contribuintes em termos de sigilo e conﬁdencialidade e sem perversão dos normativos legais em vigor. São paradigmáticos destes desígnios os seguintes princípios: a consagração da regra geral da transitoriedade dos benefícios ﬁscais, sujeitando-os a uma avaliação periódica visando impedir a sua transformação em verdadeiros privilégios ﬁscais; a sujeição a uma regulamentação clara e equilibrada do instituto da responsabilidade subsidiária, incluindo dos administradores ou gerentes, limitando os pressupostos da reversão e libertando, assim, os tribunais tributários de múltiplos casos susceptíveis de resolução meramente administrativa; o encurtamento pontual ou genérico dos prazos de caducidade do direito de liquidação e de prescrição das obrigações tributárias; criação de uma circunstância excepcional de encurtamento do prazo de caducidade do direito de liquidação em caso de ﬁscalização por iniciativa do sujeito passivo, que será relevante para a vida económica e reestruturação empresarial; a sujeição da possibilidade de adopção de providências cautelares a favor da administração tributária ao princípio da proporcionalidade e à condição de não causarem dano irreparável ao sujeito passivo; a possibilidade de o executado ser isento da prestação de garantia e indemnizado pela prestação de garantia indevida na execução ﬁscal; o alargamento muito substancial dos deveres de colaboração da administração tributária com o contribuinte; a consagração expressa e regulamentação clara da audiência prévia no procedimento tributário, cuja aplicação efectiva pode reduzir signiﬁcativamente os litígios; a clariﬁcação dos poderes da ﬁscalização tributária e sua sujeição expressa ao princípio da proporcionalidade; a deﬁnição dos princípios fundamentais da avaliação directa
e indirecta da matéria tributável; a substituição das actuais comissões de revisão por um diálogo directo entre o Fisco e o contribuinte, que é susceptível de conferir maior eﬁcácia e independência ao sistema; a clariﬁcação das condições de avaliação indirecta da matéria tributável, explicitando-se os casos em que a administração tributária pode considerar existirem, de acordo com a terminologia dos actuais códigos tributários, indícios fundados de a matéria tributável real não corresponder à declarada, caso em que se invertem as regras gerais do ónus de prova no procedimento tributário. Tratam-se de exemplos, entre bastantes outros possíveis, de que a presente lei não é a mera reprodução de disposições já existentes mas introduz uma nova ﬁlosoﬁa na actividade tributária, assente numa cooperação mais estreita e sólida entre a administração tributária e o contribuinte, ou seja, num contrato de tipo novo, fruto de uma moderna concepção da ﬁscalidade. No uso da autorização legislativa concedida pelo artigo 1.º da Lei n.º 41/98, de 4 de Agosto, e nos termos das alíneas a) e b) do n.º 1 do artigo 198.º e do n.º 5 do artigo 112.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
Artigo 1.º - Aprovação da Lei Geral Tributária É aprovada a Lei Geral Tributária, em anexo ao presente diploma e que dele faz parte integrante.
Artigo 2.º - Revogação de normas do Código de Processo Tributário 1 - Sem prejuízo do disposto no artigo 3.º, n.º 2, são revogados os artigos do Código de Processo Tributário, aprovado pelo artigo 1.º do Decreto-Lei n.º 154/91, de 23 de Abril: artigos 3.º, 4.º, n.º 1, 5.º, 8.º, 9.º, 10.º, 11.º, n.º 1 e 2, 12.º, 13.º, 14.º, 14.º-A, 15.º, 16.º, 17.º, 19.º, 20.º, 21.º, 23.º, 24.º, n.º 1, 2 e 3, 32.º, 33.º, 34.º, 38.º, 48.º, 49.º, n.º 1, 71.º, 72.º, 73.º, 74.º, 78.º, 79.º, 83.º a 90.º-A, 91.º, n.º 2, 93.º, 94.º e 111.º, n.º 1. 2 - A revogação dos artigos 84.º a 90.º-A não prejudica o disposto no artigo 3.º, n.º 2, do presente diploma.
Artigo 3.º - Revisão da matéria tributável 1 - O regime da revisão da matéria tributável previsto no presente diploma aplica-se apenas às reclamações apresentadas após a sua entrada em vigor. 2 - O contribuinte pode optar, até à entrada em vigor do novo Código de Processo Tributário, pelo regime de reclamação previsto nos artigos 84.º e seguintes do Código de Processo Tributário vigente.
Artigo 4.º - Competências Para efeitos de regime do processo de revisão da matéria tributável e até à reorganização da Direcção-Geral dos Impostos, são considerados órgãos da
DL n.º 398/98, de 17/12
administração tributária do domicílio ou sede dos sujeitos passivos os directores distritais de ﬁnanças e os directores de ﬁnanças das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.
Artigo 5.º - Prazos de prescrição e caducidade 1 - Ao novo prazo de prescrição aplica-se o disposto no artigo 297.º do Código Civil, sem prejuízo do disposto no número seguinte. 2 - Aos impostos já abolidos à data da entrada em vigor da lei geral tributária aplicam-se os novos prazos de prescrição, contando-se para o efeito todo o tempo decorrido, independentemente de suspensões ou interrupções de prazo. 3 - Ao prazo máximo de contagem dos juros de mora previsto na lei geral tributária é aplicável o artigo 297.º do Código Civil. 4 - O disposto no número anterior não se aplica aos regimes excepcionais de pagamento em prestações em vigor. 5 - O novo prazo de caducidade do direito de liquidação dos tributos aplicase aos factos tributários ocorridos a partir de 1 de Janeiro de 1998. 6 - O disposto no número anterior aplica-se aos prazos previstos nos n.ºs 1 e 5 do artigo 78.º da lei geral tributária.
Artigo 6.º - Entrada em vigor A presente lei entra em vigor no dia 1 de Janeiro de 1999. Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 28 de Outubro de 1998. - António Manuel de Oliveira Guterres - António Luciano Pacheco de Sousa Franco - José Eduardo Vera Cruz Jardim. Promulgado em 30 de Novembro de 1998. Publique-se. O Presidente da República, Jorge Sampaio. Referendado em 3 de Dezembro de 1998. O Primeiro-Ministro, António Manuel de Oliveira Guterres.
LEI GERAL TRIBUTÁRIA TÍTULO I DA ORDEM TRIBUTÁRIA CAPÍTULO I PRINCÍPIOS GERAIS
Artigo 1.º - Âmbito de aplicação 1 - A presente lei regula as relações jurídico-tributárias, sem prejuízo do disposto no direito comunitário e noutras normas de direito internacional que vigorem directamente na ordem interna ou em legislação especial. 2 - Para efeitos da presente lei, consideram-se relações jurídico-tributárias as estabelecidas entre a administração tributária, agindo como tal, e as pessoas singulares e colectivas e outras entidades legalmente equiparadas a estas. 3 - Integram a administração tributária, para efeitos do número anterior, a Direcção-Geral dos Impostos, a Direcção-Geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, a Direcção-Geral de Informática e Apoio aos Serviços Tributários e Aduaneiros, as demais entidades públicas legalmente incumbidas da liquidação e cobrança dos tributos, o Ministro das Finanças ou outro membro do Governo competente, quando exerçam competências administrativas no domínio tributário, e os órgãos igualmente competentes dos Governos Regionais e autarquias locais Ver: Art. 18.º (Sujeitos) DL n.º 366/99, de 18 de Setembro – Aprova a orgânica da Direcção–Geral dos Impostos Portaria n.º 348/2007, de 30 de Março – Estabelece a estrutura nuclear da Direcção–Geral dos Impostos e as competências das respectivas unidades orgânicas e ﬁxa o limite máximo de unidades orgânicas ﬂexíveis
Artigo 2.º - Legislação complementar De acordo com a natureza das matérias, às relações jurídico-tributárias aplicam-se, sucessivamente:
Lei Geral Tributária a) A presente lei; b) O Código de Processo Tributário e os demais códigos e leis tributárias, incluindo a lei geral sobre infracções tributárias e o Estatuto dos Benefícios Fiscais; c) O Código do Procedimento Administrativo e demais legislação administrativa; d) O Código Civil e o Código de Processo Civil.
Artigo 3.º - Classiﬁcação dos tributos 1 - Os tributos podem ser: a) Fiscais e paraﬁscais; b) Estaduais, regionais e locais. 2 - Os tributos compreendem os impostos, incluindo os aduaneiros e especiais, e outras espécies tributárias criadas por lei, designadamente as taxas e demais contribuições ﬁnanceiras a favor de entidades públicas. 3 - O regime geral das taxas e das contribuições ﬁnanceiras referidas no número anterior consta de lei especial. Ver: Art. 103.º da CRP (Sistema ﬁscal) Art. 104.º da CRP (Impostos) Art. 165.º, n.º 1, al. i), da CRP (Reserva relativa de competência legislativa)
Artigo 4.º - Pressupostos dos tributos 1 - Os impostos assentam essencialmente na capacidade contributiva, revelada, nos termos da lei, através do rendimento ou da sua utilização e do património. 2 - As taxas assentam na prestação concreta de um serviço público, na utilização de um bem do domínio público ou na remoção de um obstáculo jurídico ao comportamento dos particulares. 3 - As contribuições especiais que assentam na obtenção pelo sujeito passivo de benefícios ou aumentos de valor dos seus bens em resultado de obras públicas ou da criação ou ampliação de serviços públicos ou no especial desgaste de bens públicos ocasionados pelo exercício de uma actividade são consideradas impostos.
Artigo 5.º - Fins da tributação 1 - A tributação visa a satisfação das necessidades ﬁnanceiras do Estado e de outras entidades públicas e promove a justiça social, a igualdade de oportunidades e as necessárias correcções das desigualdades na distribuição da riqueza e do rendimento.
2 - A tributação respeita os princípios da generalidade, da igualdade, da legalidade e da justiça material. Ver: Art. 81.º da CRP (Incumbências prioritárias do Estado) Art. 103.º, n.º 1, da CRP (Sistema ﬁscal)
Artigo 6.º - Características da tributação e situação familiar 1 - A tributação directa tem em conta: a) A necessidade de a pessoa singular e o agregado familiar a que pertença disporem de rendimentos e bens necessários a uma existência digna; b) A situação patrimonial, incluindo os legítimos encargos, do agregado familiar; c) A doença, velhice ou outros casos de redução da capacidade contributiva do sujeito passivo. 2 - A tributação indirecta favorece os bens e consumos de primeira necessidade. 3 - A tributação respeita a família e reconhece a solidariedade e os encargos familiares, devendo orientar-se no sentido de que o conjunto dos rendimentos do agregado familiar não esteja sujeito a impostos superiores aos que resultariam da tributação autónoma das pessoas que o constituem. Ver: Art. 67.º, n.º 2, al. f), da CRP (Família) Art. 104.º da CRP (Impostos) Art. 69.º do CIRS (Quociente conjugal) Art. 70.º do CIRS (Mínimo de existência)
Artigo 7.º - Objectivos e limites da tributação 1 - A tributação favorecerá o emprego, a formação do aforro e o investimento socialmente relevante. 2 - A tributação deverá ter em consideração a competitividade e internacionalização da economia portuguesa, no quadro de uma sã concorrência. 3 - A tributação não discrimina qualquer proﬁssão ou actividade nem prejudica a prática de actos legítimos de carácter pessoal, sem prejuízo dos agravamentos ou benefícios excepcionais determinados por ﬁnalidades económicas, sociais, ambientais ou outras.
Artigo 8.º - Princípio da legalidade tributária 1 - Estão sujeitos ao princípio da legalidade tributária a incidência, a taxa, os benefícios ﬁscais, as garantias dos contribuintes, a deﬁnição dos crimes ﬁscais e o regime geral das contra-ordenações ﬁscais. 2 - Estão ainda sujeitos ao princípio da legalidade tributária:
Da Ordem Tributária - Principios Gerais
Lei Geral Tributária a) A liquidação e cobrança dos tributos, incluindo os prazos de prescrição e caducidade; b) A regulamentação das ﬁguras da substituição e responsabilidade tributárias; c) A deﬁnição das obrigações acessórias; d) A deﬁnição das sanções ﬁscais sem natureza criminal; e) As regras de procedimento e processo tributário.
Ver: Art. 103.º, n.º 2, da CRP (Sistema ﬁscal) Art. 165.º, n.º 1, als. d) e i), da CRP (Reserva relativa de competência legislativa)
Artigo 9.º - Acesso à justiça tributária 1 - É garantido o acesso à justiça tributária para a tutela plena e efectiva de todos os direitos ou interesses legalmente protegidos. 2 - Todos os actos em matéria tributária que lesem direitos ou interesses legalmente protegidos são impugnáveis ou recorríveis nos termos da lei. 3 - O pagamento do imposto nos termos de lei que atribua benefícios ou vantagens no conjunto de certos encargos ou condições não preclude o direito de reclamação, impugnação ou recurso, não obstante a possibilidade de renúncia expressa, nos termos da lei. Ver: Art. 95.º (Direito de impugnação ou recurso) Art. 20.º da CRP (Acesso ao direito e tutela jurisdicional efectiva) Art. 268.º da CRP (Direitos e garantias dos administrados)
Artigo 10.º - Tributação de rendimentos ou actos ilícitos O carácter ilícito da obtenção de rendimentos ou da aquisição, titularidade ou transmissão dos bens não obsta à sua tributação quando esses actos preencham os pressupostos das normas de incidência aplicáveis. Ver: Art. 1.º do CIRS (Base do imposto) Art. 1.º do CIRC (Pressuposto do imposto) Art. 23.º, n.º 2, do CIRC (Gastos)
CAPÍTULO II NORMAS TRIBUTÁRIAS
Artigo 11.º - Interpretação 1 - Na determinação do sentido das normas ﬁscais e na qualiﬁcação dos factos a que as mesmas se aplicam são observadas as regras e princípios gerais de interpretação e aplicação das leis.
2 - Sempre que, nas normas ﬁscais, se empreguem termos próprios de outros ramos de direito, devem os mesmos ser interpretados no mesmo sentido daquele que aí têm, salvo se outro decorrer directamente da lei. 3 - Persistindo a dúvida sobre o sentido das normas de incidência a aplicar, deve atender-se à substância económica dos factos tributários. 4 - As lacunas resultantes de normas tributárias abrangidas na reserva de lei da Assembleia da República não são susceptíveis de integração analógica. Ver: Art. 9.º do CC (Interpretação da lei)
Artigo 12.º - Aplicação da lei tributária no tempo 1 - As normas tributárias aplicam-se aos factos posteriores à sua entrada em vigor, não podendo ser criados quaisquer impostos retroactivos. 2 - Se o facto tributário for de formação sucessiva, a lei nova só se aplica ao período decorrido a partir da sua entrada em vigor. 3 - As normas sobre procedimento e processo são de aplicação imediata, sem prejuízo das garantias, direitos e interesses legítimos anteriormente constituídos dos contribuintes. 4 - Não são abrangidas pelo disposto no número anterior as normas que, embora integradas no processo de determinação da matéria tributável, tenham por função o desenvolvimento das normas de incidência tributária. Ver: Art. 103.º, n.º 3, da CRP (Sistema ﬁscal) Art. 12.º do CC (Aplicação das leis no tempo. Princípio geral) Art. 13.º do CC (Aplicação das leis no tempo. Leis interpretativas)
Artigo 13.º - Aplicação da lei tributária no espaço 1 - Sem prejuízo de convenções internacionais de que Portugal seja parte e salvo disposição legal em sentido contrário, as normas tributárias aplicam-se aos factos que ocorram no território nacional. 2 - A tributação pessoal abrange ainda todos os rendimentos obtidos pelo sujeito passivo com domicílio, sede ou direcção efectiva em território português, independentemente do local onde sejam obtidos.
Artigo 14.º - Benefícios ﬁscais e outras vantagens de natureza social 1 - A atribuição de benefícios ﬁscais ou outras vantagens de natureza social concedidas em função dos rendimentos do beneﬁciário ou do seu agregado familiar depende, nos termos da lei, do conhecimento da situação tributária global do interessado. 2 - Os titulares de benefícios ﬁscais de qualquer natureza são sempre obrigados a revelar ou a autorizar a revelação à administração tributária dos
Da Ordem Tributária - Normas Tributárias
ÍNDICE SISTEMÁTICO ABREVIATURAS ......................................................................... 7 LEI GERAL TRIBUTÁRIA DECRETO–LEI N.º 398/98, DE 17 DE DEZEMBRO ................................ 11 LEI GERAL TRIBUTÁRIA Artigo 1.º - Aprovação da Lei Geral Tributária ............................... 13 Artigo 2.º - Revogação de normas do Código de Processo Tributário ..... 13 Artigo 3.º - Revisão da matéria tributável .................................... 13 Artigo 4.º - Competências ....................................................... 13 Artigo 5.º - Prazos de prescrição e caducidade .............................. 14 Artigo 6.º - Entrada em vigor ................................................... 14 TÍTULO I – DA ORDEM TRIBUTÁRIA CAPÍTULO I – PRINCÍPIOS GERAIS Artigo 1.º - Âmbito de aplicação ............................................... 15 Artigo 2.º - Legislação complementar ......................................... 15 Artigo 3.º - Classiﬁcação dos tributos ......................................... 16 Artigo 4.º - Pressupostos dos tributos ......................................... 16 Artigo 5.º - Fins da tributação .................................................. 16 Artigo 6.º - Características da tributação e situação familiar ............. 17 Artigo 7.º - Objectivos e limites da tributação .............................. 17 Artigo 8.º - Princípio da legalidade tributária ................................ 17 Artigo 9.º - Acesso à justiça tributária ........................................ 18 Artigo 10.º - Tributação de rendimentos ou actos ilícitos .................. 18
CAPÍTULO II – NORMAS TRIBUTÁRIAS Artigo 11.º - Interpretação ...................................................... 18 Artigo 12.º - Aplicação da lei tributária no tempo .......................... 19 Artigo 13.º - Aplicação da lei tributária no espaço .......................... 19 Artigo 14.º - Benefícios ﬁscais e outras vantagens de natureza social ... 19 TÍTULO II – DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CAPÍTULO I – SUJEITOS DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA Artigo 15.º - Personalidade tributária ......................................... 20 Artigo 16.º - Capacidade tributária ............................................ 21 Artigo 17.º - Gestão de negócios ............................................... 21 Artigo 18.º - Sujeitos ............................................................. 22 Artigo 19.º - Domicílio ﬁscal .................................................... 22 Artigo 20.º - Substituição tributária ........................................... 23 Artigo 21.º - Solidariedade passiva ............................................ 23 Artigo 22.º - Responsabilidade tributária ..................................... 24 Artigo 23.º - Responsabilidade tributária subsidiária ....................... 24 Artigo 24.º - Responsabilidade dos membros de corpos sociais e responsáveis técnicos ......................................... 25 Artigo 25.º - Responsabilidade do titular de estabelecimento individual de responsabilidade limitada ...................... 26 Artigo 26.º - Responsabilidade dos liquidatários de sociedades .......... 26 Artigo 27.º - Responsabilidade de gestores de bens ou direitos de não residentes ................................................ 27 Artigo 28.º - Responsabilidade em caso de substituição tributária ...... 27 Artigo 29.º - Transmissão dos créditos e obrigações tributárias .......... 27 CAPÍTULO II – OBJECTO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA Artigo 30.º - Objecto da relação jurídica tributária......................... 28 Artigo 31.º - Obrigações dos sujeitos passivos ............................... 28 Artigo 32.º - Dever de boa prática tributária................................. 29 Artigo 33.º - Pagamento por conta ............................................. 29 Artigo 34.º - Retenções na fonte ............................................... 29 Artigo 35.º - Juros compensatórios ............................................ 30 CAPÍTULO III – CONSTITUIÇÃO E ALTERAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA Artigo 36.º - Regras gerais ....................................................... 31 Artigo 37.º - Contratos ﬁscais ................................................... 31
Artigo 38.º - Ineﬁcácia de actos e negócios jurídicos ....................... 31 Artigo 39.º - Simulação dos negócios jurídicos ............................... 32 CAPÍTULO IV – EXTINÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA SECÇÃO I – PAGAMENTO DA PRESTAÇÃO TRIBUTÁRIA Artigo 40.º - Pagamento e outras formas de extinção das prestações tributárias ......................................................... 32 Artigo 41.º - Pagamento por terceiro .......................................... 33 Artigo 42.º - Pagamento em prestações ....................................... 33 Artigo 43.º - Pagamento indevido da prestação tributária ................. 33 Artigo 44.º - Falta de pagamento da prestação tributária ................. 34 SECÇÃO II – CADUCIDADE DO DIREITO DE LIQUIDAÇÃO Artigo 46.º - Suspensão e interrupção do prazo de caducidade ........... 36 Artigo 47.º - Fiscalização tributária a solicitação do sujeito passivo ..... 37 SECÇÃO III – PRESCRIÇÃO DA PRESTAÇÃO TRIBUTÁRIA Artigo 48.º - Prescrição .......................................................... 37 Artigo 49.º - Interrupção e suspensão da prescrição ........................ 38 CAPÍTULO V – GARANTIA DA PRESTAÇÃO TRIBUTÁRIA Artigo 50.º - Garantia dos créditos tributários ............................... 39 Artigo 51.º - Providências cautelares .......................................... 40 Artigo 52.º - Garantia da cobrança da prestação tributária ............... 40 Artigo 53.º - Garantia em caso de prestação indevida ...................... 41 TÍTULO III – DO PROCEDIMENTO TRIBUTÁRIO CAPÍTULO I – REGRAS GERAIS Artigo 54.º - Âmbito e forma do procedimento tributário ................. 42 Artigo 55.º - Princípios do procedimento tributário ......................... 43 Artigo 56.º - Princípio da decisão .............................................. 44 Artigo 57.º - Prazos ............................................................... 44 Artigo 58.º - Princípio do inquisitório.......................................... 44 Artigo 59.º - Princípio da colaboração ......................................... 45 Artigo 60.º - Princípio da participação ........................................ 46
Artigo 45.º - Caducidade do direito à liquidação ............................ 35
CAPÍTULO II – SUJEITOS SECÇÃO I – ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Artigo 61.º - Competência tributária .......................................... 48 Artigo 62.º - Delegação de poderes ............................................ 49 Artigo 63.º - Inspecção ........................................................... 49 Artigo 63.º-A - Informações relativas a operações ﬁnanceiras............. 53 Artigo 63.º-B - Acesso a informações e documentos bancários ........... 54 Artigo 63.º-C – Contas bancárias exclusivamente afectas à actividade empresarial .................................... 58 Artigo 64.º - Conﬁdencialidade ................................................. 59 Artigo 64.º-A - Garantias especiais de conﬁdencialidade................... 60 SECÇÃO II – CONTRIBUINTES E OUTROS INTERESSADOS Artigo 65.º - Legitimidade ....................................................... 60 Artigo 66.º - Actos interlocutórios ............................................. 60 Artigo 67.º - Direito à informação ............................................. 60 Artigo 68.º - Informações vinculativas ........................................ 61 Artigo 68.º-A - Orientações genéricas ......................................... 63 CAPÍTULO III – DO PROCEDIMENTO SECÇÃO I – INÍCIO DO PROCEDIMENTO Artigo 69.º - Impulso ............................................................. 64 Artigo 70.º - Denúncia ........................................................... 64 SECÇÃO II – INSTRUÇÃO Artigo 71.º - Direcção da instrução ............................................ 65 Artigo 72.º - Meios de prova .................................................... 65 Artigo 73.º - Presunções ......................................................... 65 Artigo 74.º - Ónus da prova ..................................................... 65 Artigo 75.º - Declaração e outros elementos dos contribuintes ........... 66 Artigo 76.º - Valor probatório ................................................... 66 CAPÍTULO IV – DECISÃO Artigo 77.º - Fundamentação e eﬁcácia ....................................... 67 Artigo 78.º - Revisão dos actos tributários .................................... 68 Artigo 79.º - Revogação, ratiﬁcação, reforma, conversão e rectiﬁcação 70 Artigo 80.º - Recurso hierárquico .............................................. 70
CAPÍTULO V – PROCEDIMENTOS DE AVALIAÇÃO SECÇÃO I – PRINCÍPIOS GERAIS Artigo 81.º - Âmbito .............................................................. 70 Artigo 82.º - Competência ....................................................... 70 Artigo 83.º - Fins ................................................................. 71 Artigo 84.º - Critérios técnicos ................................................. 71 Artigo 85.º - Avaliação indirecta ............................................... 71 Artigo 86.º - Impugnação judicial .............................................. 71 SECÇÃO II – AVALIAÇÃO INDIRECTA SUBSECÇÃO I – PRESSUPOSTOS Artigo 87.º - Realização da avaliação indirecta ............................. 72
Artigo 89.º - Indicadores de actividade inferiores aos normais ........... 74 Artigo 89.º-A – Manifestações de fortuna ..................................... 74 SUBSECÇÃO II – CRITÉRIOS Artigo 90.º - Determinação da matéria tributável por métodos indirectos ..78 SUBSECÇÃO III – PROCEDIMENTOS Artigo 91.º - Pedido de revisão da matéria tributável ...................... 78 Artigo 92.º - Procedimento de revisão ........................................ 80 Artigo 93.º - Perito independente .............................................. 81 Artigo 94.º - Comissão Nacional ................................................ 81 TÍTULO IV – DO PROCESSO TRIBUTÁRIO CAPÍTULO I – ACESSO À JUSTIÇA TRIBUTÁRIA Artigo 95.º - Direito de impugnação ou recurso ............................. 82 Artigo 96.º - Renúncia ao direito de impugnação ou recurso .............. 82 Artigo 97.º - Celeridade da justiça tributária ................................ 83 Artigo 98.º - Igualdade de meios processuais ................................ 83 Artigo 99.º - Princípio do inquisitório e direitos e deveres de colaboração processual ...................................... 83 Artigo 100.º - Efeitos de decisão favorável ao sujeito passivo ............ 83 CAPÍTULO II – FORMAS DE PROCESSO E PROCESSO DE EXECUÇÃO Artigo 101.º - Meios processuais tributários ................................. 84
Artigo 88.º - Impossibilidade de determinação directa e exacta da matéria tributável ............................................ 73
Artigo 102.º - Execução da sentença .......................................... 84 Artigo 103.º - Processo de execução ........................................... 85 Artigo 104.º - Litigância de má fé .............................................. 85 Artigo 105.º - Alçadas ............................................................ 85 ANEXOS Regime Complementar do Procedimento de Inspecção Tributária ........... 89 Regime Jurídico da Arbitragem em Matéria Tributária ........................117 ÍNDICES Índice Alfabético .....................................................................137 Índice Sistemático ...................................................................143
Lei Geral Tributaria de Bolso