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Timestamp: 2018-06-24 10:58:30+00:00
Document Index: 7631137

Matched Legal Cases: ['artigo 140', 'artigo 149', 'artigo 208', 'artigo 140', 'artigo 149', 'artigo 208', 'artigo 208', 'artigo 58']

A Proteção Penal à Liberdade Religiosa | FUB - Federação de Umbanda do Brasil
A Proteção Penal à Liberdade Religiosa - Código Penal - Decreto Lei 2848/40
Thiago Teraoka preleciona que "na legislação penal, há vários exemplos de artigos que pretendem conferir proteção penal ao exercício da liberdade religiosa".
No Código Penal, por exemplo, verificamos o artigo 140, §3º, o artigo 149, §2º, inciso II, e o artigo 208:
§ 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes - Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003).
§ 2º A pena é aumentada de metade, se o crime é cometido: (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003).
De acordo com André Estefam, o §3º do artigo 140 do Código Penal cuida da injúria qualificada pelo preconceito, pois "a ofensa é ligada a elementos de preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem ou condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência".
Quanto ao artigo 149, §2º, inciso II, Thiago Teraoka destaca que, no crime de "redução a condição análoga à de escravo", há causa de aumento de pena "se o agente o cometer por motivo religioso".
No que atine ao artigo 208 do Código Penal, Damásio Evangelista de Jesus explica que tal dispositivo legal protege "o sentimento religioso, independentemente da religião escolhida. De forma secundária, assegura-se a liberdade de culto".
Ainda de acordo com Damásio, o artigo 208 do Código Penal "contém três figuras típicas:
1ª) escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa;
2ª) impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso;
3ª) vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso".
Conforme leciona Thiago Teraoka:
A Lei 4.898, de 09/12/1965, considera como abuso de autoridade qualquer atentado ao "livre exercício de culto religioso". Porém, a abrangência da norma penal deve ser reduzida a ponto de proteger somente os cultos religiosos protegidos em definitivo pela liberdade religiosa, prevista constitucionalmente. é evidente, no entanto, que não deve ser considerado como abuso de autoridade impedir a realização de cultos religiosos, fora da proteção constitucional, como eventual reunião religiosa na qual pretenda oferecer sacrifícios humanos.
A Lei nº 2.889, de 01/10/1956, tipifica como genocídio algumas condutas praticadas com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso. O genocídio é mais abrangente do que o preconceito, e exige a intenção específica de destruir grupos homogêneos (nacional, étnico, racial ou religioso). "O ânimo do agente não é atingir determinada pessoa em razão do preconceito, mas destruir o grupo nacional, étnico, racial ou religioso."
Teraoka também nos recorda de que há disposição específica que impõe sanção penal a quem escarneça de ritos religiosos indígenas. Trata-se do inciso I do artigo 58 da Lei nº 6.001/73 (Estatuto do índio):
I - escarnecer de cerimônia, rito, uso, costume ou tradição culturais indígenas, vilipendiá-los ou perturbar, de qualquer modo, a sua prática - Pena - detenção de um a três meses;
II - utilizar o índio ou comunidade indígena como objeto de propaganda turística ou de exibição para fins lucrativos - Pena - detenção de dois a seis meses;
III - propiciar, por qualquer meio, a aquisição, o uso e a disseminação de bebidas alcoólicas, nos grupos tribais ou entre índios não integrados - Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Por fim, há, ainda, a Lei nº 11.343/2006, que dispõe acerca da proibição da plantação, cultivo e comercialização de plantas que podem ser utilizadas na produção de plantas psicotrópicas.
Thiago Teraoka ministra que referida lei estabelece como exceção as plantas de uso ritualístico religioso. Conforme seu magistério, "a exceção da Lei nº 11.343/2006 e da Convenção de Viena são importantes ao exercício da liberdade religiosa". O hinduísmo, por exemplo, é uma das seitas religiosas que utiliza drogas em seus rituais (a maconha).