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Timestamp: 2014-12-20 20:52:25+00:00
Document Index: 105192192

Matched Legal Cases: ['artigo 327', 'artigo 313', 'artigo 167', 'artigo 315', 'artigo 317', 'artigo 318', 'artigo 319', 'artigo 94', 'artigo 37', 'artigo 1', 'artigo 37', 'artigo 15']

Crimes praticados por funcionários contra a Administração Pública e improbidade administrativa - Jus Navigandi
Crimes praticados por funcionários contra a Administração Pública e improbidade administrativa
Publicado em 12/1999. Elaborado em 09/1999.
Assuntos:Crimes contra a AdministraçãoDireito Penal
CRIMES PRATICADOS POR FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
é preciso compreender-se o significado da expressão administração pública.
Administração é vocábulo equivoco e abrange não só o Poder Executivo como também a
complexa máquina estatal, o aparelho, através do qual o Estado pode realizar seus fins,
ou, como define Cretella Júnior, é a atividade desenvolvida pelo Estado, através de
atos excutórios concretos, para a consecução direta, ininterrupta e imediata dos
interesses públicos. As
funções do Estado se harmonizam, não estão separados por fossos intransponíveis,
esotéricos, como genialmente descreve Montesquieu, porque a função administrativa é
exercida não só pelo Poder Executivo, na sua atividade própria, mas também pelos
Poderes Legislativo e Judiciário. Trata-se na verdade de vasos comunicantes. O Estado
realiza suas atividades, através de pessoas físicas.
Antonio Pagliaro e Paulo José da Costa, a expressão administração pública, no direito
penal, tem significado diverso e não necessariamente coincidente com o do direito
constitucional e do direito administrativo.
penal, o conceito de administração é bastante amplo, de modo a abranger toda a
atividade funcional do Estado, inclusive a de governo.
Penal, no artigo 327, conceitua funcionário público, para os efeitos penais, quem,
embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública,
inclusive em entidade paraestatal. Observe-se que a pena é aumentada da terça parte, se
os autores dos crimes previstos neste capítulo Código Penal forem detentores de cargo em
comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgãos da administração
direta, em sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo
poder público. O Capítulo
I trata dos crimes praticados por funcionário público contra a Administração em geral.
312 do Código Penal cataloga o peculato, como sendo o crime de apropriação por parte do
funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, publico ou privado
de que tenha a posse em razão do cargo, ou desviá-lo em proveito próprio ou alheio.
Comete também o crime o funcionário público, conquanto não tendo a posse, subtrai-o ou
concorre para que seja subtraído próprio ou alheio, valendo-se da facilidade que lhe
proporciona o cargo.
trata de crime de apropriação indébita, dada a diferença estrutural que existe entre
um e outro crime, graças à qualidade do sujeito ativo, do título da posse que deve
estar relacionado com o cargo ou serviço e a pluralidade de condutas, nesse tipo penal.
ativo será sempre o funcionário público. Esta qualidade comunica-se aos co-autores,
daí por que os demais autores poderão ser não funcionários públicos.
apropriação ou o desvio, ou seja, dispor da coisa alheia como se sua fosse ou dar à
coisa destinação diversa daquela em razão do que lhe foi entregue ou confiada.
jurisprudência tem enfrentado situações interessantes, caracterizando como peculato a
apropriação de objetos destinados a presos, praticado por carcereiro, em razão do
cargo. Também o desvio de bem público, por longo tempo em proveito próprio, porque não
há de falar em furo de uso. O peculato
culposo, não previsto pelo direito europeu, exceto o direito espanhol, constitui-se na
modalidade não intencional. O anteprojeto transforma esse dispositivo em facilitação
culposa, ao propor que pratica esse crime o funcionário que facilitar culposamente a
prática de qualquer dos crimes previstos no caput do artigo.
313 prevê o crime de apropriação de dinheiro ou qualquer utilidade, praticado por quem,
no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem. Na verdade, trata-se, segundo alguns
autores, de verdadeiro peculato  estelionato O dolo é posterior, pois o crime não
se consuma no momento do recebimento, quando dele se apropria, dispondo da coisa que se
dele fosse. A tentativa é perfeitamente possível, como por exemplo, o agente do correio
é pilhado, no momento em que está violando o envelope, recebido para efetuar o registro.
Textos relacionadosO debate surreal sobre o abortoSTF reconhece nulidades nos casos Celso Daniel e SatiagrahaPau que nasce torto morre torto - disse novamente o STF, para sorte do SombraPau que nasce torto morre torto - disse o STF, para sorte de Daniel DantasCrimes tributários e inexigibilidade de conduta diversaAssim, se o
réu embolsa quantia recebida de particulares por erro destes, não em razão, mas apenas
no exercício do cargo, comete, segundo orientação da jurisprudência, o crime previsto
no artigo 313. Assim, também comete este delito o escrivão de Cartório de Notas, ao
receber dinheiro para pagamento da sisa, na lavratura da escritura, e apropria-se do
numerário, deixando de praticar referidos atos.
314, o crime concretiza-se pelo extravio de livro oficial ou qualquer documento, de que o
funcionário tem a guarda, sonegação ou inutilização, total ou parcial, se o fato não
constituir crime mais grave. Trata-se assim de crime subsidiário ou suplementar.
turmas julgadoras de delegacia tributária que ordena a um funcionário que consuma com as
folhas do julgamento com voto em sentido contrário ao de suas pretensões, comete esse
crime, segundo noticia a jurisprudência.
315, há que se considerar um fato delituoso que não era considerado pelo direito
anterior, ou seja, dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida
criminalista Paulo José da Costa entende que, sendo comum essa conduta, na
administração pública, poucos são os que pretendem que este delito subsista, visto que
não existe para o Estado qualquer dano patrimonial. O funcionário deverá ter ao seu
dispor fundos públicos, sendo sujeito passivo a União, os Estados, o Distrito Federal,
os Municípios e as autarquias.
a Constituição veda expressamente a transposição, o remanejamento ou a transferência
de recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro, sem
prévia autorização legal(artigo 167, VI). Não se trata, pois, de conduta inexpressiva.
orientação pretoriana tem destacado que o administrador público municipal (obviamente
se aplica a qualquer administrador público) se deve ater às destinações das verbas
previstas na lei orçamentária, devidamente tituladas e eodificadas, visto que a
objetividade jurídica do delito de aplicação indevida de verbas não é só boa
versação do patrimônio público, bem como o acatamento aos plano administrativos a que
se devem jungir os governantes. Todavia, já ficou decido que a norma do artigo 315 do
Código não pune irregularidades administrativas, mas o comportamento do administrador
que desvia numerário de meta especificada em lei, requisito que não se materializa nos
casos em que o orçamento da pessoa jurídica de direito público não é aprovado por
lei, mas por decreto do Executivo.
316, a concussão materializa-se, quando o funcionário exige para si ou para outrem,
direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão
dela, vantagens indevidas. É um dos crimes mais graves contra a Administração Pública.
É, na lição da doutrina, a violência praticada contra os súditos, para satisfação
de interesse particular, ou uma forma de extorsão praticada por funcionário público, de
sorte que alguns países o configuram como extorsão agravada. Assemelha-se à concussão,
entretanto naquele há bilateralidade na conduta. Exige o funcionário, impondo,
solicitando com autoridade, em razão da função que desempenha ou vier a desempenhar.
já decidiu o Poder Judiciário que comete o crime que lesa o serviço público federal
quem, contratado pela Previdência Social, para prestar atendimento hospitalar ou
labotarial, exige dos segurados pagamento adicional. O responsável pelo convênio incide
no crime de concussão se exigir dos segurados pagamento adicional pelos serviços a que
se obrigou. Este crime é formal e concretiza-se com a simples exigência,
independentemente de qualquer resultado, sendo irrelevante se recebeu ou não qualquer
pagamento. Já o
parágrafo único trata do excesso de exação, que se corporifica, quando o funcionário
exige imposto, taxa ou emolumento que sabe indevido, ou quando devido, emprega na
cobrança meio vexatório ou gravoso, que a lei não autoriza. Esse crime é agravado, se
o funcionário desvia em proveito próprio.
jurisprudência tem assinalado que a legislação penal não prevê a cobrança excessiva
de custas judiciais como fato penalmente punível.
corrupção passiva materializa-se, segundo dispõe o artigo 317, ao solicitar o
funcionário público ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda
que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceitar promessa de tal vantagem.
O crime é
agravado, se houver retardamento ou omissão na prática de qualquer ato de ofício ou se
o pratica com infração de dever funcional. Não obstante, também pratica o crime o
funcionário que deixar de praticar ou retardar ato de ofício, com infração do dever
funcional, cedendo a pedido ou influência de outrem.
jurisprudência tem-se pronunciado, no sentido de que se excluem da incriminação
pequenas doações ocasionais, recebidas por funcionários, em razão de suas funções.
Em tais casos, confirma o Poder Judiciário, não há de sua parte consciência de aceitar
retribuição por um ato funcional, que é elementar do dolo no delito, nem haveria
vontade de corromper.
ainda os crimes de facilitação de contrabando ou descaminho, previsto no artigo 318, a
prevaricação, no artigo 319. Este crime perfaz-se com o retardamento ou a omissão
indevida, na prática de ato ou ofício, ou fazê-lo, contra disposição de lei, para
satisfazer interesse ou sentimento pessoal.
condescendência criminosa também é uma forma de prevaricação, menos grave, e consiste
no fato de deixar o funcionário de responsabilizar subordinado que cometeu infração no
exercício do cargo ou, quando lhe falece competência, não levar o fato à autoridade
de função, a advocacia administrativa, a violência arbitrária, a violação de sigilo
funcional, e o exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado também
constituem crimes contra a Administração.
olvide a violação de proposta de concorrência, prevista atualmente pela Lei 8666, de
1993, que, no artigo 94, assim conceitua este crime: devassar o sigilo de proposta
apresentada em procedimento licitatório ou proporcionar a terceiro o ensejo de
devassá-lo.
Professor Vicente Grecco, ao comentar os crimes previstos na Lei de Licitações e
Contratos Administrativos, deplora com muita razão o descalabro do legislador, com
relação à técnica legislativa, que deixa muito a desejar.
a conceituação é defeituosa, cheia de lacunas e imprecisa, o que leva, na prática, a
tornar-se mais um lei que nasce morta.
A Lei 8429,
de 2 de junho de 1992, e a legislação complementar, têm em vista a defesa do
patrimônio público e dos direitos constitucionais do administrado.
agente público poderá vir ser o sujeito ativo.
direta encontra sua sede, na Constituição Federal, sobressaindo-se os artigos 15, inciso
V, e 37, § 4º.
(art. 85, V) define os crimes de responsabilidade do Presidente da República e considera
delito o ato daquela autoridade que atentar contra a probidade na administração.
de tal relevância, que o constituinte veda a cassação de direitos políticos, mas
autoriza a perda ou a suspensão de direitos políticos, no caso de improbidade
administrativa, nos termos do § 4º do citado artigo 37. A
administração pública direta, indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da legalidade,
impessoalidade, eficiência, moralidade, publicidade e todos os demais previstos na
Constituição, advertindo o § 4º que os atos de improbidade administrativa importarão
na suspensão dos direitos políticos, perda da função pública, indisponibilidade dos
bens e o ressarcimento do erário público, sem prejuízo da ação penal cabível.
determinação da Carta Maior não deixa margem a qualquer dúvida, quanto à sua
aplicação, ficando as autoridades competentes munidas de imenso instrumental jurídico. A
improbidade não é coisa nova nem de nossos tempos, visto que esta existe, desde que o
homem povoa a Terra. Não obstante, a sociedade sempre procurou amenizar essa mácula,
combinando instrumentos legais, na área administrativa e na área penal, nem sempre com o
êxito desejado.
tem pinçado falhas, na Lei 8429, como apregoa Marcelo Figueiredo; entretanto, não há
lei perfeita, como produto de cultura que é, devendo o operador do direito aplicá-lo, da
melhor forma, desbastando-o com o cinzel da sabedoria. Para Toshio Mukai, esta lei é
totalmente inconstitucional.
1º demonstra, à saciedade, a elasticidade desse diploma legal, de sorte que qualquer ato
de improbidade praticado por agente público, servidor ou não, contra a administração
direta, indireta ou fundacional de qualquer das esferas de poder, inclusive dos
Territórios, está sujeita à sua incidência. Improbidade
é desonestidade e relaciona-se com a conduta do administrador e pode ser praticada não
apenas pelo agente público, lato sensu, senão também por quem não é servidor e
infringe a moralidade pública..
Constituição não mais se refere à administração fundacional, mercê da Emenda 19, de
1998. Isto porque a fundação está compreendida na Administração indireta e
despicienda é sua menção. E a administração pública é bastante ampla,
compreendendo, para os efeitos desta lei, também a empresa incorporada ao patrimônio
público e a entidade, para cuja criação ou custeio o Tesouro haja concorrido ou
concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual.
2º fornece o conceito de agente, sendo todo aquele que, exercendo, mesmo que
transitoriamente, ou sem remuneração, por eleição, contratação, designação ou
qualquer outra forma de vínculo, mandato, cargo ou função nas empresas indicadas no
artigo 1º. Enfim, sua abrangência é a mais ampla possível e compreende todas as
esferas de poder. Mas também o é todo aquele que, não sendo agente, concorra ou induza
para a prática do ato de improbidade ou dele se beneficie, sob qualquer forma direta ou
precisa e determina, em cumprimento aos cânones constitucionais, o zelo pelos princípios
da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade. Contudo, essa relação não é
administrativa abarca o princípio da moralidade e ocorre, quando se praticam atos que
ensejam enriquecimento ilícito, causam prejuízo ao erário ou atentam contra os
princípios da administração, definidos no artigo 37, § 4°, da CF, entre os quais
está incluída a moralidade, ao lado da legalidade, da impessoalidade e da publicidade,
além de outros que, mesmo não apontados, explicitamente, no referido preceito, acham-se
distribuídos por toda a Constituição. E, também, aplicam-se à condução dos
negócios públicos.
imoralidade, na opinião da melhor doutrina, afronta a honestidade, a boa fé, o respeito
à igualdade, as normas de conduta aceitas pelos administrados, o dever de lealdade, a
dignidade humana e outros postulados éticos e morais.
improbidade traduz a má qualidade de uma administração, pela prática de atos que
implicam em enriquecimento ilícito do agente ou em prejuízo ao erário ou, ainda, em
violação aos princípios que orientam a administração pública.
todo ato contrário à moralidade administrativa é ato que corresponde à improbidade,
mas nem todo ato de improbidade administrativa compreende a violação da moralidade
desde que se comprove a ocorrência da lesão ao patrimônio público, por ação ou
omissão dolosa ou culposa do agente ou do terceiro, dar-se-á o total ressarcimento do
dano. Nada escapa.
O agente ou
terceiro beneficiário dos bens ou de valores acrescidos ao patrimônio, que deu origem ao
enriquecimento ilícito, ficará sujeito à perda desses bens. Sem embargo
da grita geral contra a lei, esta com precisão matemática fornece o conceito de
improbidade administrativa, qual seja auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial
indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas
entidades já mencionadas, elencando a lei mis doze incisos, o que demonstra o cuidado do
diploma legal também traz o entendimento do ato que causa lesão ao erário, distinguindo
daqueles que atentam contra os princípios da Administração Pública.
8429/92 refere três espécies de atos ímprobos na administração:
a) atos que
importam em enriquecimento ilícito.
b) atos que
produzem prejuízo ao erário.
c) atos que
atentam contra os princípios da administração pública.
espécie de atos de improbidade administrativa compreende os seguintes:
I) auferir
qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato,
função ou emprego, ou atividades nas entidades mencionadas no art. 1º desta Lei;
receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra
vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem,
gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser
atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente
perceber vantagem econômica, direta ou indireta, para facilitar a aquisição, permuta ou
locação de bem móvel ou imóvel, ou a contratação de serviços pelas entidades
referidas no art. 1º por preço superior ao valor de mercado;
utilizar, em obra ou serviço particular, veículo, máquinas, equipamentos ou material de
qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas
no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores públicos, empregados ou
terceiros contratados por essas entidades;
V) receber
vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para tolerar a exploração
ou a prática de jogos de azar, de lenocínio, de narcotráfico, de contrabando, de usura
ou de qualquer atividade ilícita, ou aceitar promessas de tal vantagem;
VI) receber
vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indireta, para fazer declaração
falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço, ou
sobre quantidade, peso, medida, qualidade ou característica de mercadorias ou bens
fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei;
adquirir, para si ou para outrem, no exercício de mandato, cargo, emprego ou função
pública, bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do
patrimônio ou à renda do agente público;
aceitar emprego, comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para
pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido ou amparado
por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público, durante a
perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba
pública de qualquer natureza.
X) receber
vantagem econômica de qualquer natureza, direta ou indiretamente, para omitir ato de
ofício, providência ou declaração a que esteja obrigado.
incorporar, por qualquer forma, ao seu patrimônio, bens, rendas, verbas ou valores
integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1 desta Lei.
XII) usar,
em proveito próprio, bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial
das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei.
espécie de atos de improbidade é a das que causam prejuízo ao erário, v.g.:
facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular,
de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas ou valores integrantes do acervo
patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei.
2) permitir
ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou
valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei.
3) doar a
pessoa física ou jurídica, bem como ao ente despersonalizado, ainda que de fins
educativos ou assistenciais, bens, rendas, verbas ou valores do patrimônio de qualquer
das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei, sem observância das formalidades legais
e regulamentares aplicáveis à espécie.
4) permitir
ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bens integrantes do patrimônio de
qualquer das entidades referidas no art. 1º desta Lei, ou ainda a prestação de
serviços por parte delas, por preço inferior ao de mercado.
5) permitir
ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao
6) realizar
operação financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar
garantias insuficientes ou inidôneas.
7) conceder
benefício administrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou
regulamentares aplicáveis à espécie.
8) frustrar
a licitude do processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente.
9) ordenar
ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento.
10) agir
negligentemente na arrecadação de tributo ou renda, bem como no que diz respeito à
conservação do patrimônio público.
11) liberar
verba pública sem a estrita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer
forma para a sua aplicação irregular.
permitir que se utilize, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas,
equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de
qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidor
público, empregados ou terceiros contratados por essas entidades.
espécie de atos de improbidade administrativa refere-se aos que atentam contra os
princípios da administração pública, violando os deveres de honestidade,
imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, destacando-se os que seguem:
a) praticar
ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de
b) retardar
ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício.
c) revelar
fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deve
permanecer em segredo.
d) negar
publicidade aos atos oficiais.
e) frustrar
a licitude de concurso público.
f) deixar
de prestar contas quando obrigado a fazê-lo.
g) revelar
ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro, antes da respectiva divulgação
oficial, teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço da mercadoria,
8.429/92 não define crimes. Os atos tipificados nos arts. 9°, 10 e 11 não constituem
crimes no âmbito da referida lei. Muitas dos comportamentos ali descritos são de
natureza criminal, definidos, em outras leis, como por exemplo, o Código Penal, o
Decreto-lei 201, a Lei n° 8.666/93 etc.
cominada na lei sob estudo é de natureza política ou civil, independentemente das
sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação própria.
improbidade administrativa que importam em enriquecimento ilícito estão sujeitos às
seguintes cominações: 1) perda
dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;
3) perda da
qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.
ocorrência da prática de atos de improbidade que causem prejuízo ao erário, as
sanções são:
II) perda
dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
III) perda
da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos;
ou creditício, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da
qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos.
prática de atos de improbidade, que atentam contra a moralidade e demais princípios da
administração, acarreta como sanção o (a):
2) perda da
função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos;
proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefício ou incentivos fiscais
qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
afirmado, as penas previstas neste diploma legal são muito graves e não excluem as
sanções penais, civis e administrativas. Toshio
Mukai novamente vê nesta lei inconstitucionalidade, na acumulação das penas, quais
sejam a suspensão dos direitos políticos e a perda da função pública.
procedimento administrativo e o processo judicial estão regulados no capítulo V.
confere a qualquer um o direito de representar à autoridade competente, para a
instauração de investigação com o objetivo de apurar a prática de ato de improbidade.
A representação deverá ser escrita ou reduzida a tremo, formal. Se não preencher os
pressupostos da lei, será rejeitada, mas isso não impede a atuação do Ministério
indícios de enriquecimento ilícito, a comissão deverá representar ao Ministério
Público ou à Procuradoria do órgão, para que requeira a decretação do seqüestro dos
bens do agente ou do terceiro que haja enriquecido ilicitamente ou causado dano ao
dispositivo de alta relevância é o que diz respeito à proibição de transação,
acordo ou conciliação, nas ações previstas na lei, ou seja, na ação ordinária
principal que será proposta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica
interessada, nos trinta dias da efetivação da cautelar.
dispositivo de alta significação diz respeito à catalogação como crime a
representação por ato de improbidade contra terceiro ou agente público, quando o autor
da denúncia o sabe inocente.
procedimento administrativo e o processo judicial devem ser sucessivos objetivando a
apuração de atos de improbidade e a aplicação das sanções contra os respectivos
agentes. O
procedimento administrativo servirá de base para o processo judicial visando à
aplicação das sanções, como a perda do cargo e suspensão dos direitos políticos, de
competência privativa do Poder Judiciário.
8.429/92 permite a qualquer pessoa representar à autoridade administrativa competente
para que seja instaurada investigação destinada a apurar a prática de ato de
improbidade. A comissão designada para apurar a prática do ato de improbidade dará
conhecimento de sua instauração ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas, que
poderão designar representantes para acompanharem o referido procedimento administrativo
poderá solicitar ao Ministério Público ou à Procuradoria do órgão o seqüestro dos
bens do agente ou de terceiro enriquecido ilicitamente ou que haja causado dano ao
erário.
processos de prestação de contas dos agentes públicos, de competência do Tribunal de
Contas, alicerçarão os procedimentos administrativos a que se refere a lei 8.429/92.
Compete a esses Tribunais a apreciação da legalidade das despesas; verificar a
ocorrência de prejuízos aos erários, a violação à moralidade administrativa; o
desvio de recursos, em favor dos agentes ou de terceiros; a realização de aquisições
ou alienações viciosas de bens; o favorecimento de terceiros em detrimento do
patrimônio público; a omissão ou negligência do agente público; as infrações aos
princípios da legalidade, da legitimidade, da economicidade; enfim, encetar a
investigação que, ao final, se revele capaz de certificar a probidade ou improbidade do
agente público. notadamente examinando a evolução de seu patrimônio, de acordo com a
competência outorgada pela Lei nº 8.730/93. Citem-se ainda as investigações feitas no
âmbito dos Tribunais de Contas acompanhadas pelo Ministério Público que atua junto
àquelas Cortes(arts. 73, § 2°, I e 130), de conformidade ainda com a Lei 8.429/92. Eis que a
Lei 8.429/92 apresenta-se como valioso e preciso instrumento para assegurar-se a probidade
administrativa, resguardando-se, assim, a incolumidade do patrimônio público e o
respeito aos princípios da sã administração, com o ressarcimento do erário, a
punição dos culpados e seu afastamento temporário das lides político - partidárias.
relação à prescrição, há que se acrescentar que o prazo para ajuizamento das ações
sancionatórias é regulada pela Lei 8.429/92, de sorte que as citadas ações podem ser
propostas até cinco anos após o término do exercício de mandato, cargo em comissão ou
hipótese do exercício de cargo efetivo ou emprego, devem as ações ser propostas dentro
do prazo prescricional previsto na lei específica para faltas disciplinares puníveis com
demissão a bem do serviço público.
Tribunal Federal, em acórdão relatado pelo Ministro Célio Borja, decidiu que a
existência nos autos de decisões do Tribunal de Contas do Estado, que opinaram pela
rejeição das contas, versando sobra irregularidades que caracterizam malversação de
dinheiro público e improbidade, ainda não submetidos à apreciação do Judiciário,
permite manter a decisão que declarou a inexigibilidade.
Superior Tribunal de Justiça, pela palavra do Ministro Pedro Accioli, decretou que,
demonstrada a improbidade administrativa do ordenador de despesa, pelo Tribunal de Contas,
é aplicável o § 5º do artigo 15 da Carta Maior, reconhecendo-se a inelegibilidade do
de Justiça de São Paulo reconheceu que a Lei 8429 não exige que a improbidade
administrativa advenha de sentença transitada em julgado para o Ministério Público
propor a ação ordinária de perda de ação.
Antonio Pagliaro e Paulo José da Costa Júnior, Malheiros Editores, São Paulo, 1997. Basileu Garcia, Instituições de Direito Penal, Max Limonad, 1954, 2 volumes.
Celso Delmanto, Código Penal Brasileiro, Renovar, 2ª edição, 1988.
Diógenes Gasparini, Crimes de Licitação, Editora NDJ Ltda., São Paulo, 1ª edição,
Flávio Sátiro Fernandes - Professor da Universidade
Federal da Paraíba e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (Artigo. Fonte:
Heleno Cláudio Fragoso, Lições de Direito Penal, Forense, 1986, 3 volumes.
Marcelo Figueiredo, Probidade Administrativa, Malheiros Editores, 1998.
Marino Pazzaglini Filho, Márcio Fernando Elias Rosa e Waldo Fazzio Júnior, Improbidade
Administrativa, Editora Atlas, São Paulo, 1999.
Nelson Hungria, Comentários ao Código Penal, Forense, 1958, volume IX.
Palhares Moreira Reis, A Responsabilidade Penal nos Crimes Contra a Administração
Pública, in Boletim de Direito Municipal, da Editora NDJ, São Paulo, nº 10,
Paulo José da Costa Júnior, Comentários ao Código Penal, Saraiva, 1996.
Paulo José da Costa Júnior, Direito Penal das Licitações, Saraiva, São Paulo, 1994.
Paulo Mascarenhas. Improbidade Administrativa, Editora de Direito, Leme, São Paulo,
Vicente Greco Filho, Dos Crimes da Lei das Licitações, Saraiva, 1994.
Assuntos relacionadosCrimes contra a AdministraçãoDireito Penal
Falecido em 24 de julho de 2011. Advogado, consultor jurídico, escritor e jornalista em Brasília (DF), subprocurador-geral da Fazenda Nacional aposentado, editor da Revista Jurídica Consulex. Mestre e especialista em Direito do Estado, juiz arbitral da American Association’s Commercial Pannel, de Nova York. Membro da membro do IBAD, IAB, IASP e IADF, da Academia Brasileira de Direito Tributário, do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, da International Fiscal Association, da Associação Brasileira de Direito Financeiro e do Instituto Brasileiro de Direito Tributário. Integrou o Conselho Editorial dos Cadernos de Direito Tributário e Finanças Públicas, da Editora Revista dos Tribunais, e o Conselho de Orientação das Publicações dos Boletins de Licitações e Contratos, de Direito Administrativo e Direito Municipal, da Editora NDJ Ltda.
Foi co-autor do anteprojeto da Lei de Execução Fiscal, que se transformou na Lei 6830/80 (secretário e relator); dos anteprojetos de lei de falências e concordatas (no Congresso Nacional) e autor do anteprojeto sobre a penhora administrativa (Projeto de Lei do Senado 174/96). Dentre suas obras, destacam-se: Execução Fiscal, Responsabilidade Tributária e Medidas Provisórias, ensaios, artigos, pareceres e estudos sobre contratos e licitações, temas de direito administrativo, constitucional, tributário, civil, comercial e econômico.
SZKLAROWSKY, Leon Frejda. Crimes praticados por funcionários contra a Administração Pública e improbidade administrativa. Jus Navigandi, Teresina, ano 4, n. 37, 1 dez. 1999. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/357>. Acesso em: 20 dez. 2014.
Estres Lopes Silva Pessoa
Excelente ensinamento .