Source: http://www.dgsi.pt/pgrp.nsf/0/4cd7bf4e1ddf4c4b8025661700424ebb?OpenDocument&ExpandSection=-4%2C-1
Timestamp: 2017-11-25 00:24:59+00:00
Document Index: 70016666

Matched Legal Cases: ['artigo 29', 'artigo 272', 'artigo 26', 'artigo 1', 'artigo 49', 'artigo 2', 'artigo 250', 'artigo 388', 'artigo 348', 'artigo 348', 'artigo 266', 'artigo 44']

Conclusões: 1- De acordo com a alínea b) do n 1 do artigo 29, do Decreto-Lei n 231/93, de 26 de Junho, (Lei Orgânica da GNR), constitui uma medida de polícia aplicável nos termos e condições previstas na Constituição e na lei, a exigência de identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar público ou sujeito a vigilância policial;
2- Em obediência ao princípio da tipicidade legal das medidas de polícia, consagrado no n 2 do artigo 272 da Constituição da República e tendo em conta que a reserva de identidade é expressão do direito à intimidade da vida privada, consagrado no n 1 do artigo 26 da Constituição da República, há-de derivar da lei o condicionalismo concreto de que depende a legitimidade da exigência da identificação;
3- No âmbito da circulação estradal é legítima a ordem de identificação dada pelos agentes fiscalizadores do trânsito com vista ao eventual apuramento de responsabilidade civil, ao abrigo do artigo 1 do Decreto-Lei n 102/88, de 29 de Março;
4- O artigo 49 do Decreto-Lei n 433/82, de 27 de Outubro, autoriza as autoridades administrativas competentes e as autoridades policiais a exigir a identificação do agente de qualquer contra-ordenação em geral, incluindo portanto as que tenham sido cometidas por violação do disposto no Código da Estrada;
5- A exigência de identificação, ao serviço da prevenção e do apuramento da responsabilidade criminal, tem também a cobertura legal do artigo 2 da Lei n 5/95, de 21 de Fevereiro, e do n 1 e n 2 do artigo 250 do Código de Processo Penal;
6- O não acatamento de ordens de identificação, proferidas ao abrigo das disposições mencionadas nas conclusões anteriores, pode implicar o cometimento do crime de desobediência do artigo 388 do Código Penal, na redacção anterior à actual, e pode implicar o cometimento do crime do artigo 348 do Código Penal vigente;
7- A possível descriminalização resultante da redacção que vier a ser dada do artigo 348 do Código Penal, na revisão em curso, terá que ser acompanhada de medidas legislativas, que facultem à autoridade meios de reacção eficazes, face à recusa de identificação;
8- Os elementos das forças de segurança e os órgãos de polícia criminal, no desempenho de actos de polícia, em que se incluam as ordens de identificação aludidas, estão sujeitos ao princípio da imparcialidade da Administração Pública, consagrado no n 2 do artigo 266 da Constituição da República, e impedidos de exigir a identificação de um indivíduo, em situações previstas no artigo 44 do Código de vProcedimento Administrativo.