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Timestamp: 2020-08-05 04:30:30+00:00
Document Index: 30784718

Matched Legal Cases: ['artigo 161', 'artigo 9', 'artigo 6', 'artigo 23', 'artigo 7', 'artigo 19', 'artigo 25', 'artigo 24', 'artigo 24', 'artigo 7', 'artigo 19', 'artigo 5', 'artigo 28', 'artigo\n15', 'artigo 16', 'artigo 17', 'artigo 18', 'artigo 32', 'artigo 5', 'artigo 6', 'artigo 29']

Contrato de Trabalho do praticante desportivo e do contrato de formação desportiva – Associação Portuguesa de Direito Desportivo
Contrato de Trabalho do praticante desportivo e do contrato de formação desportiva
APDD | Junho 1, 2016
Para quem queira apreciar, dando o respectivo contributo:
https://www.parlamento.pt/Activid…/…/DetalheIniciativa.aspx…
PROJETO de LEI N.º 168/XIII/1ª
REVISÃO DA LEI 28/98, DE 26 DE JUNHO, QUE APROVA O REGIME JURÍDICO DO CONTRATO DE TRABALHO DO PRATICANTE DESPORTIVO E DO CONTRATO DE FORMAÇÃO DESPORTIVA.
Em dezembro de 1995, a aprovação pelo Tribunal de Justiça da União Europeia do comummente designado “Acórdão Bosman” veio alterar profundamente a estrutura das relações laborais desportivas.
Depois de devidamente compreendida a totalidade dos efeitos desta decisão, sentiu-se a necessidade de alterar a legislação que em Portugal vigorava sobre esta matéria. Entrou, assim, em vigor a Lei n.º 28/98, de 26 de junho, que, revogando o Decreto-Lei n.º 305/95, de 18 de novembro, veio estabelecer um novo regime jurídico do contrato de trabalho do praticante desportivo e do contrato de formação desportiva.
Desde 26 de junho de 1998 até ao presente, este diploma sofreria apenas uma alteração, em agosto de 1999, com a introdução de um regime sancionatório (Lei n.º 114/99, de 3 de agosto).
Quase duas décadas após a entrada em vigor da Lei n.º 28/98, de 26 de junho, constatou-se que o diploma, apesar de uma matriz sólida que mantém validade, contém diversos aspetos que carecem de inovação, sendo certo que qualquer reforma no âmbito do regime jurídico do contrato de trabalho desportivo deve acautelar o difícil compromisso entre dois valores de extrema importância, por vezes conflituantes nesta sede: a salvaguarda dos direitos dos praticantes desportivos enquanto trabalhadores dependentes, por um lado, a tutela das competições desportivas nacionais e, até certo ponto, das respetivas entidades empregadoras desportivas, sujeitas a uma dura concorrência num mercado de trabalho desportivo cada vez mais global, por outro.
Assim, foi determinada pelo XIX Governo Constitucional a constituição de um grupo de trabalho, integrando especialistas de reconhecido mérito, de modo a proceder à análise do diploma e apresentar propostas de alteração ao atual regime, devendo ser promovida a audição de diversas entidades relevantes do universo desportivo nacional.
Este grupo de trabalho concluiu o seu mandato pela apresentação de uma proposta concreta de articulado que foi publicado no portal do Instituto Português do Desporto e Juventude e que agora avançamos como projeto de lei, como forma de reconhecimento pelo meritório trabalho desenvolvido pelos especialistas que integraram este grupo de trabalho.
Saliente-se ainda o facto deste relatório ter sido apresentado no Conselho Nacional do Desporto.
No seguimento da análise efetuada por parte do grupo de trabalho e da identificação dos aspetos que se encontram desajustados da realidade desportiva atual, merecem destaque os seguintes:
Fixa-se um novo limite máximo previsto para a duração do contrato de trabalho desportivo, de cinco épocas (em lugar das atuais oito épocas), limite reduzido a três épocas caso o contrato seja celebrado por menor;
Em sede de responsabilidade das partes pela cessação do contrato, prevê-se que a parte que der causa à cessação ou que a haja promovido indevidamente deve indemnizar a contraparte pelo valor das retribuições vincendas, mas admite-se que a indemnização seja fixada em valor superior a este, contanto que a parte lesada comprove que sofreu danos de montante mais elevado. Nesta matéria, merece destaque a eliminação do teto indemnizatório imperativamente fixado na lei em vigor, correspondente às retribuições vincendas, bem como a eliminação do direito à reintegração do praticante ilicitamente despedido, assim como a dedução do chamado aliunde perceptum, solução que poderia estimular a inércia do praticante despedido e, no limite, premiar a entidade empregadora autora do despedimento ilícito, que seria a grande beneficiária do labor do praticante após o despedimento;
Estabelece-se que as partes podem estipular o direito do praticante fazer cessar unilateralmente e sem justa causa o contrato em vigor, mediante o pagamento de uma indemnização fixada para o efeito, esclarecendo que o montante convencionado pelas partes pode ser objeto de redução pelo tribunal, de acordo com a equidade, se for manifestamente excessivo;
Presume-se que, na hipótese de cessação do contrato promovida pelo praticante, sem justa causa, a sua nova entidade empregadora interveio, direta ou indiretamente, na cessação, determinando-se que, se a presunção não for ilidida, a nova entidade empregadora responde solidariamente pelo pagamento da indemnização devida pela cessação do anterior contrato, sendo ainda regulado o direito de regresso de cada uma das partes nessa hipótese;
Alteram-se os requisitos para a celebração de contrato de formação desportiva, eliminando o da escolaridade obrigatória e fixando o limiar etário superior nos 19 anos, em lugar dos atuais 18, assim alargando o período em que o jovem poderá estar a receber formação da contraparte;
Introduz-se uma norma sobre o contrato de representação ou intermediação que liga o empresário ao praticante ou à entidade empregadora desportiva, procurando clarificar a sua natureza jurídica, introduzindo exigências formais, funcionais e de caráter remuneratório no mesmo, estabelecendo a duração máxima do contrato, as suas formas de cessação e as consequências dessa cessação a nível indemnizatório;
Prevê-se a possibilidade de, por convenção coletiva, ser criada e regulada uma nova modalidade contratual no âmbito desportivo, dir-se-ia que mista, entre o contrato de formação e o contrato de trabalho, destinada a praticantes com idade não superior a 21 anos;
Assim, a Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte:
O presente diploma estabelece o regime jurídico do contrato de trabalho do praticante desportivo e do contrato de formação desportiva, bem como o dos empresários desportivos.
a) Contrato de trabalho desportivo, aquele pelo qual o praticante desportivo se obriga, mediante retribuição, a prestar atividade desportiva a uma pessoa singular ou coletiva que promova ou participe em atividades desportivas, no âmbito de organização e sob a autoridade desta;
b) Contrato de formação desportiva, o contrato celebrado entre uma entidade formadora e um formando, nos termos do qual aquela se obriga a prestar a este a formação adequada ao desenvolvimento da sua capacidade técnica e à aquisição de conhecimentos necessários à prática de uma modalidade desportiva, ficando o formando obrigado a executar as tarefas inerentes a essa formação;
c) Empresário desportivo a pessoa singular ou coletiva que, estando devidamente credenciada, exerça a atividade de representação ou intermediação, ocasional ou permanente, na celebração de contratos desportivos.
1- Às relações emergentes do contrato de trabalho desportivo aplicam-se, subsidiariamente, as regras aplicáveis ao contrato de trabalho que sejam compatíveis com a sua especificidade.
2- As normas constantes deste diploma podem ser objeto de desenvolvimento e adaptação por convenção coletiva de trabalho, sem prejuízo dos direitos dos praticantes desportivos e tendo em conta as especificidades de cada modalidade desportiva.
1- Só podem celebrar contratos de trabalho desportivo os menores que hajam completado 16 anos de idade e que reúnam os requisitos exigidos pela lei geral do trabalho.
2- O contrato de trabalho desportivo celebrado por menor deve ser igualmente subscrito pelo seu representante legal.
3- É anulável o contrato de trabalho celebrado com violação do disposto no número anterior.
1– Sem prejuízo do disposto em outras normas legais, na regulamentação desportiva ou em instrumento de regulamentação coletiva de trabalho, o contrato de trabalho desportivo é lavrado em duplicado, ficando cada uma das partes com um exemplar.
2- O contrato de trabalho desportivo só é válido se for celebrado por escrito e assinado por ambas as partes.
3- Do contrato de trabalho desportivo deve constar:
d) O montante e a data de vencimento da retribuição;
g) A data de celebração.
4 – Na falta da referência exigida pela alínea e) do número anterior, considera-se que o contrato tem início na data da sua celebração.
5- Quando a retribuição for constituída por uma parte certa e outra variável, do contrato deverá constar indicação da parte certa e, se não for possível determinar a parte variável, o estabelecimento das formas que esta pode revestir, bem como dos critérios em função dos quais é calculada e paga.
1- A participação do praticante desportivo em competições promovidas por uma federação dotada de utilidade pública desportiva depende de prévio registo do contrato de trabalho desportivo na respetiva federação.
2- O registo é efetuado nos termos que forem estabelecidos por regulamento federativo.
3- O disposto nos números anteriores é aplicável às modificações que as partes introduzam no contrato.
4- No ato do registo do contrato de trabalho desportivo a entidade empregadora desportiva deve fazer prova da aptidão médico-desportiva do praticante, bem como de ter efetuado o correspondente seguro de acidentes de trabalho, sob pena de recusa do mesmo.
É válida a promessa bilateral de contrato de trabalho desportivo se, além dos elementos previstos na lei geral do trabalho, contiver indicação do início e do termo do contrato prometido ou a menção a que se refere a alínea b) do n.°2 do artigo 9.°.
1- O contrato de trabalho desportivo não pode ter duração inferior a uma época desportiva nem superior a cinco épocas.
2- Sem prejuízo do disposto no número anterior, podem ser celebrados por período inferior a uma época desportiva:
3- No caso a que se refere a alínea b) do número anterior, não é necessário que do contrato constem os elementos referidos nas alíneas e) e f) do n.º 2 do artigo 6.º.
4- O contrato de trabalho desportivo celebrado com menor não pode ter duração superior a três épocas desportivas.
5- Considera-se celebrado por uma época desportiva, ou para a época desportiva no decurso da qual for celebrado, o contrato em que falte a indicação do respetivo termo.
6- Entende-se por época desportiva o período de tempo, nunca superior a 12 meses, durante o qual decorre a atividade desportiva, a fixar para cada modalidade pela respetiva federação dotada de utilidade pública desportiva.
7- A violação do disposto nos n.ºs 1 e 4 determina a aplicação ao contrato em causa dos prazos mínimos ou máximos admitidos.
1– A existência de período experimental depende de estipulação expressa das partes.
2– A duração do período experimental não pode exceder 15 dias, em caso de contrato de duração não superior a duas épocas desportivas, ou 30 dias, em caso de contrato de duração superior a duas épocas, considerando-se reduzida ao período máximo aplicável em caso de estipulação superior.
3– O período experimental deixa de ser invocável pela entidade empregadora desportiva, para efeitos do disposto na alínea e) do número 1 do artigo 23.º, quando se verifique uma das seguintes situações:
a) Proceder ao registo do contrato de trabalho desportivo, nos termos do artigo 7.º;
e) Proporcionar aos praticantes desportivos menores as condições necessárias à conclusão da escolaridade obrigatória.
1- A entidade empregadora deve respeitar os direitos de personalidade do praticante desportivo, sem prejuízo das limitações justificadas pela especificidade da atividade desportiva.
2- É proibido o assédio no âmbito da relação laboral desportiva, nos termos previstos na lei geral do trabalho.
1- Todo o praticante desportivo tem direito a utilizar a sua imagem pública ligada à prática desportiva e a opor-se a que outrem a use para exploração comercial ou para outros fins económicos, sem prejuízo da possibilidade de transmissão contratual da respetiva exploração comercial.
2- Ficam ressalvados os direitos da entidade empregadora desportiva quanto à imagem do coletivo dos praticantes, direitos que podem ser objeto de regulamentação em sede de contratação coletiva.
1- Compreendem-se na retribuição todas as prestações patrimoniais que, nos termos das regras aplicáveis ao contrato de trabalho, a entidade empregadora realize a favor do praticante desportivo pelo exercício da sua atividade ou com fundamento nos resultados nela obtidos.
2- É válida a cláusula constante de contrato de trabalho desportivo que determine o aumento ou a diminuição da retribuição em caso de subida ou descida de escalão competitivo em que esteja integrada a entidade empregadora desportiva.
3- Salvo estipulação em contrário, a retribuição vence-se mensalmente, entre os dias 1 a 5 do mês subsequente ao da prestação de trabalho, devendo estar à disposição do praticante desportivo na data do vencimento ou no dia útil anterior.
4- Quando a retribuição compreenda uma parte correspondente aos resultados desportivos obtidos, esta considera-se vencida, salvo acordo em contrário, com a remuneração do mês seguinte àquele em que esses resultados se verificarem.
1- Considera-se compreendido no período normal de trabalho do praticante desportivo:
2- Não relevam, para efeito dos limites do período normal de trabalho previstos na lei geral, os períodos de tempo referidos na alínea c) do número anterior.
3- A frequência e a duração dos estágios de concentração devem limitar-se ao que, tendo em conta as exigências próprias da modalidade e da competição em que o praticante intervém e a idade deste, deva ser considerado indispensável.
4- Podem ser estabelecidas por convenção coletiva regras em matéria de frequência e de duração dos estágios de concentração.
1- O praticante desportivo tem direito a um dia de descanso semanal, bem como ao gozo do período de férias previsto na lei, sem prejuízo de disposições mais favoráveis constantes da convenção coletiva de trabalho.
2- Quando tal seja imposto pela realização de provas desportivas, incluindo as não oficiais, o gozo do dia de descanso semanal transfere-se para data a acordar entre as partes ou, não havendo acordo, para o primeiro dia disponível.
3- O disposto no número anterior é aplicável ao gozo de feriados obrigatórios ou facultativos.
1- Sem prejuízo do disposto em convenção coletiva de trabalho, a entidade empregadora desportiva pode aplicar ao trabalhador, pela comissão de infrações disciplinares, as seguintes sanções:
2- As sanções pecuniárias aplicadas a um praticante desportivo por infrações praticadas no mesmo dia não podem exceder a retribuição diária e, em cada época, a retribuição correspondente a 30 dias.
3- A suspensão do trabalho não pode exceder, por cada infração, 10 dias e, em cada época, o total de 30 dias.
4- A aplicação de sanções disciplinares deve ser precedida de procedimento disciplinar no qual sejam garantidas ao arguido as adequadas garantias de defesa.
5- A sanção disciplinar deve ser proporcionada à gravidade da infração e à culpabilidade do infrator, não podendo aplicar-se mais de uma pena pela mesma infração.
1- São nulas as cláusulas inseridas em contrato de trabalho desportivo visando condicionar ou limitar a liberdade de trabalho do praticante desportivo após o termo do vínculo contratual.
2- Pode ser estabelecida por convenção coletiva a obrigação de pagamento à anterior entidade empregadora de uma justa compensação a título de promoção ou valorização de um jovem praticante desportivo, por parte da entidade empregadora que com esse praticante venha a celebrar um contrato de trabalho desportivo, após a cessação do anterior.
3- A convenção coletiva referida no número anterior é aplicável apenas em relação às transferências de praticantes que ocorram entre clubes portugueses com sede em território nacional.
4- O valor da compensação referida no n.º 2 não poderá, em caso algum, afetar de forma desproporcionada, na prática, a liberdade de contratar do praticante.
5- A validade e a eficácia do novo contrato não estão dependentes do pagamento da compensação devida nos termos do n.º 2.
6- A compensação a que se refere o n.º 2 pode ser satisfeita pelo praticante desportivo.
7- Não é devida a compensação referida no n.º 2 quando o contrato de trabalho desportivo seja resolvido com justa causa pelo praticante ou quando este seja despedido sem justa causa.
8– Nas modalidades em que, por inexistência de interlocutor sindical, não seja possível celebrar convenção coletiva, a compensação a que se refere o n.º 2 pode ser estabelecida por regulamento desportivo.
1- Na vigência do contrato de trabalho desportivo é permitida, havendo acordo das partes, a cedência do praticante desportivo a outra entidade.
2- A cedência consiste na disponibilização temporária de praticante desportivo pela entidade empregadora, para prestar trabalho a outra entidade, a cujo poder de direção aquele fica sujeito, mantendo-se o vínculo contratual inicial.
3- Cedente e cessionário são solidariamente responsáveis pelo pagamento das retribuições do praticante desportivo que se vencerem no período em que vigore a cedência.
4– Em caso de não pagamento pontual da retribuição, o praticante deve comunicar o facto à parte não faltosa, no prazo de 45 dias contados a partir do respetivo vencimento, sob pena de desresponsabilização desta.
1- Ao contrato de cedência do praticante desportivo aplica-se o disposto nos artigos 6.° e 7.°, com as devidas adaptações.
2- Do contrato de cedência deve constar declaração de concordância do praticante desportivo cedido.
3- No contrato de cedência podem ser estabelecidas condições remuneratórias diversas das acordadas no contrato de trabalho desportivo, desde que não envolvam diminuição da retribuição nele prevista.
A transferência do praticante desportivo é regulada pelos regulamentos da respetiva federação dotada de utilidade pública desportiva, sem prejuízo do disposto neste diploma, nomeadamente no artigo 19.°.
1- O contrato de trabalho desportivo pode cessar por:
a) Caducidade, designadamente por verificação do respetivo termo;
b) Revogação por acordo das partes, designadamente no quadro de um processo de transferência do praticante para outra entidade empregadora desportiva;
g) Denúncia por iniciativa do praticante desportivo, quando contratualmente convencionada, nos termos do artigo 25.º.
2- A caducidade por verificação do termo opera automaticamente e não confere direito a compensação.
3- Constitui justa causa, para efeitos das alíneas c) e d) do n.º 1, o incumprimento contratual grave e culposo que torne praticamente impossível a subsistência da relação laboral desportiva.
4- Por convenção coletiva pode ser estabelecido o direito de o praticante resolver o contrato em caso de não participação nas competições oficiais ao longo da época
1- Nos casos previstos nas alíneas c) e d) do artigo anterior, a parte que der causa à cessação ou que a haja promovido indevidamente deve indemnizar a contraparte pelo valor das retribuições que ao praticante seriam devidas se o contrato de trabalho tivesse cessado no seu termo.
2- Pode ser fixada uma indemnização de valor superior ao que resulta da aplicação do número anterior, sempre que a parte lesada comprove que sofreu danos de montante mais elevado.
1- As partes podem estipular o direito de o praticante fazer cessar unilateralmente e sem justa causa o contrato em vigor, mediante o pagamento à entidade empregadora de uma indemnização fixada para o efeito.
2– O montante convencionado pelas partes pode ser objeto de redução pelo tribunal, de acordo com a equidade, se for manifestamente excessivo, designadamente tendo em conta o período de execução contratual já decorrido.
1- Se o praticante fizer cessar o contrato unilateralmente e sem justa causa, presume-se que a nova entidade empregadora desportiva interveio, direta ou indiretamente, na cessação.
2- Se a presunção não for ilidida, a nova entidade empregadora desportiva responde solidariamente pelo pagamento da indemnização devida pela cessação do anterior contrato.
3– Sendo a indemnização satisfeita pela nova entidade empregadora desportiva, esta tem direito de regresso contra o praticante, na parte correspondente ao valor previsto no n.º 1 do artigo 24.º.
4– Sendo a indemnização satisfeita pelo praticante desportivo, este tem direito de regresso contra a entidade empregadora desportiva, na parte que exceda o valor previsto no n.º 1 do artigo 24.º.
1- A eficácia da cessação do contrato de trabalho desportivo depende da comunicação às entidades que procedem ao registo obrigatório do contrato, nos termos do disposto no artigo 7.°.
2- A comunicação deve ser realizada pela parte que promoveu a cessação, com indicação da respetiva forma de extinção do contrato.
3- O vínculo desportivo tem natureza acessória em relação ao vínculo contratual e extingue-se com a comunicação prevista no presente artigo, podendo ser registado novo contrato, nos termos gerais.
1- Podem celebrar contrato de formação desportiva os jovens que tenham idade compreendida entre 14 e 19 anos.
2- Podem celebrar contratos de formação como entidades formadoras as entidades desportivas que garantam um ambiente de trabalho e meios humanos e técnicos adequados à formação desportiva a ministrar.
3- A verificação do disposto no número anterior é certificada mediante documento comprovativo a emitir pela respetiva federação dotada de utilidade pública desportiva e pode ser reapreciada a todo o tempo.
4- A celebração do contrato depende da realização de exame médico, a promover pela entidade formadora, que certifique a capacidade física e psíquica adequada ao desempenho da atividade.
5– O incumprimento dos requisitos previstos no presente artigo determina a nulidade do contrato.
1- O contrato de formação desportiva deve ser reduzido a escrito e é feito em triplicado.
2- Os três exemplares são assinados pelo representante da entidade formadora, pelo formando e pelo seu representante legal, quando aquele for menor.
3- Dos três exemplares um é para a entidade formadora, outro para o formando ou seu representante legal e outro para a federação respetiva.
4- O modelo do contrato de formação é aprovado por regulamento federativo.
1- O contrato de formação tem a duração mínima de uma época desportiva e a duração máxima de três épocas desportivas.
2- O contrato de formação pode ser prorrogado, por mútuo acordo das partes, sem prejuízo do disposto no número seguinte.
3– O contrato de formação caduca, em qualquer caso, no final da época em que o formando completa 19 anos.
No que respeita ao tempo de trabalho, feriados e descanso semanal do formando, é aplicável o regime estabelecido pelo presente diploma para o praticante desportivo.
1- Constituem, em especial, deveres da entidade formadora:
b) Não exigir dos formandos tarefas que não se compreendam no objeto do contrato;
d) Informar regularmente o representante legal do formando sobre o desenvolvimento do processo de formação e, bem assim, prestar os esclarecimentos que lhe forem por aquele solicitados;
2- A entidade formadora é responsável pela realização de um exame médico anual, se periodicidade mais curta não for exigida pelo desenvolvimento do processo de formação, por forma a assegurar que das atividades desenvolvidas no âmbito da formação não resulte perigo para a saúde e para o desenvolvimento físico e psíquico do formando.
Constituem, em especial, deveres do formando:
A celebração, pelo praticante desportivo, do primeiro contrato de trabalho com entidade empregadora distinta da entidade formadora confere a esta o direito de receber uma justa compensação pela formação ministrada, de acordo com o disposto no artigo 19.°.
1- O contrato de formação desportiva pode cessar por:
d) Denúncia por iniciativa do formando, mediante declaração escrita com aviso prévio de 30 dias.
2– A resolução com justa causa por iniciativa do clube formador deve ser apurada através do competente procedimento disciplinar.
1- Só podem exercer atividade de empresário desportivo as pessoas singulares ou coletivas devidamente autorizadas pelas entidades desportivas, nacionais ou internacionais, competentes.
2- A pessoa que exerça a atividade de empresário desportivo só pode agir em nome e por conta de uma das partes da relação contratual, apenas por esta podendo ser remunerada, nos termos do respetivo contrato de representação ou intermediação.
3– É vedada ao empresário desportivo a representação de praticantes desportivos menores de idade.
1- Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, os empresários desportivos que pretendam exercer a respetiva atividade devem registar-se como tal junto da federação desportiva, que, para este efeito, deve dispor de um registo organizado e atualizado.
2– O registo a que se refere o número anterior é constituído por um modelo de identificação do empresário, cujas características serão definidas por regulamento federativo.
3– São nulos os contratos de representação ou intermediação celebrados com empresários desportivos que não se encontrem inscritos no registo referido no presente artigo.
1– O contrato de representação ou intermediação é um contrato de prestação de serviço celebrado entre um empresário desportivo e um praticante desportivo ou uma entidade empregadora desportiva.
2– O contrato está sujeito a forma escrita, nele devendo ser definido com clareza o tipo de serviços a prestar pelo empresário desportivo, bem como a remuneração que lhe será devida e as respetivas condições de pagamento.
3– No caso de contrato de representação ou intermediação celebrado entre um empresário desportivo e um praticante desportivo, a remuneração paga pelo praticante não pode exceder 5% do montante líquido da sua retribuição e o dever de pagamento apenas se mantém enquanto o contrato de representação ou intermediação estiver em vigor.
4– O contrato tem sempre uma duração determinada, não podendo, em qualquer caso, exceder dois anos de duração.
5– O contrato caduca aquando da verificação do termo resolutivo estipulado, podendo ser renovado por mútuo acordo das partes, mas não sendo admissíveis cláusulas de renovação automática do mesmo.
6– O incumprimento culposo dos deveres decorrentes do contrato atribui ao contraente lesado o direito de o resolver com justa causa e com efeitos imediatos.
7– A parte que promover indevidamente a rutura do contrato deve indemnizar a outra do prejuízo que esta sofrer.
8– As partes podem fixar, por acordo, o montante da indemnização a que se refere o número anterior.
9– Quando o dever de indemnizar recaia sobre o praticante desportivo, o respetivo montante não pode exceder o que resultar da aplicação do n.º 3 ao período remanescente do contrato.
1 – Constitui contraordenação muito grave a prestação de atividade com base num contrato de trabalho desportivo por parte de menor que não satisfaça as condições referidas no n.º 1 do artigo 5.º, bem como a execução de contrato de formação desportiva por parte de menor sem a idade mínima prevista no n.º 1 do artigo 28.º.
2 – Constitui contraordenação grave a violação dos artigos 11.º e 12.º, do n.º 3 do artigo
15.º, do n.º 3 do artigo 16.º, do artigo 17.º, dos n.os 2, 3 e 4 do artigo 18.º, da alínea c) do n.º 1 e do n.º 2 do artigo 32.º.
3 – Constitui contraordenação leve a violação do n.º 2 do artigo 5.º, dos n.os 1, 2 e 3 do artigo 6.º e da parte final do n.º 2 do artigo 29.º.
Palácio de S. Bento, 1 de junho de 2016
PÓS GRADUAÇÃO EM DIREITO DO DESPORTO
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