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Timestamp: 2019-05-24 23:51:20+00:00
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Matched Legal Cases: ['artigo 301', 'artigo 304', 'artigo 306', 'artigo 312', 'artigo 310', 'artigo 310', 'artigo 10', 'artigo 51', 'artigo 41', 'artigo 46', 'artigo 395', 'artigo 396', 'artigo 397', 'artigo 395', 'artigo 411', 'artigo 57', 'artigo 402', 'artigo 403', 'artigo 402', 'artigo 403', 'artigo 593', 'artigo 600', 'artigo 600', 'artigo 609']

Como é um processo criminal? – Para Mudar Paradigmas
25 de novembro de 2016 Pedro Direito Penal / Processo Penal, Processo 12 comentários
Ao perguntar “como é um processo criminal?” estou me referindo ao processo mesmo, aquele físico, tipo os da imagem abaixo, e não à matéria de Direito Processual Penal, apesar de utilizarmos normas processuais para responder a pergunta.
É preciso esclarecer, ainda, que não pretendo fazer um texto muito grande, por isso, dessa vez, falarei do processo ordinário, o mais comum, que abrange os crimes que mais encarceram, como crimes patrimoniais, além de falar um pouco sobre o rito da Lei de Tóxico, por exemplo.
Além do mais, farei apenas uma síntese dos processos em geral e não me apegarei a detalhes de cada fase ou esmiuçarei todas as hipóteses possíveis, pois agindo dessa maneira posso acabar me perdendo no assunto.
No Brasil, a maior parte dos processos criminais são iniciados por meio da prisão em flagrante (artigo 301 e seguintes do CPP). Inclusive, já fiz um texto que fala sobre ela, basta clicar aqui para acessá-lo.
Feita a prisão, segundo artigo 304 do CPP, ainda na Delegacia são ouvidas a(s) testemunha(s) e o(s) preso(s). Geralmente, nessa fase, além do preso, são ouvidos apenas os Policiais que participaram da ocorrência.
Encerrado o Auto de Prisão em Flagrante, caso o Delegado não possa arbitrar fiança (só poderá para crimes cuja pena máxima é de ate 04 anos) ou a fiança não seja recolhida, é hora de comunicar essa prisão ao juiz, promotor e defensoria pública (artigo 306 do CPP).
Comunicada a prisão ao juiz, necessário analisar se é caso de relaxar uma prisão ilegal, converter a prisão em flagrante em preventiva (artigo 312) ou conceder liberdade (seja com ou sem fiança), conforme se extrai do artigo 310 do CPP.
Atualmente, temos o instituto da Audiência de Custódia (também já falei sobre ela em outro post, basta clicar aqui), em que após a prisão em flagrante, o preso deverá ser encaminhado a uma audiência para que, assim, o magistrado decida sobre qual medida dentre aquelas do artigo 310 do CPP irá tomar.
Essa audiência visa dar mais celeridade à análise sobre a manutenção da prisão, garantindo, ao menos na teoria, que pessoas não fiquem presas indevidamente.
Deve ser ressaltado que durante esse período de comunicação da prisão em flagrante, a Autoridade Policial continua as investigações, tendo prazo para conclusão do inquérito policial, sendo de 10 dias caso se trate de investigado preso e de 30 dias se se tratar de solto (artigo 10 CPP).
Lembrando que o no rito da Lei de Tóxicos, o prazo para conclusão do IP é de 30 dias se preso e 90 se solto (artigo 51 da Lei 11.343/06).
Com a conclusão do IP, o Delegado fará um minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará os autos para o Juízo competente, o qual remeterá para o MP tomar suas providências.
O MP analisará o Inquérito Policial e, se entender ser o caso, havendo prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, oferecerá a denúncia, peça que “conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas” (segundo artigo 41 do CPP).
Caso contrário, pedirá o arquivamento do inquérito.
Ressalte-se que o prazo para oferecimento da denúncia é de 05 dias se o réu estiver preso e de 15 dias se o réu estiver solto (artigo 46 do CPP).
Oferecida a denúncia, o magistrado, caso se trate do rito comum do CPP, a receberá ou não, dependendo do preenchimento dos requisitos legais.
O artigo 395 do CPP diz quais são as hipóteses de rejeição da denúncia, quais sejam:
Sendo recebida a denúncia, conforme artigo 396 do CPP, o juiz determinará a citação do réu para tomar ciência da ação penal e para apresentar resposta à acusação, por escrito, no prazo de 10 dias.
No caso da Lei de Tóxicos, o magistrado ainda não receberá a denúncia, apenas mandará notificar o réu para apresentar defesa prévia. A denúncia, no rito de Tóxicos, só é recebida após a defesa prévia.
Importante mencionar que existe diferença entre resposta à acusação e defesa prévia e que já tratamos disso em um outro post, bastando clicar aqui.
Análise da resposta à acusação
Apresentada a resposta à acusação, o juiz analisará os requerimentos, bem como designará, caso não seja hipótese de absolvição sumária, audiência de instrução debates e julgamento.
As hipóteses de absolvição sumária estão no artigo 397 do CPP e são:
Análise da defesa prévia
Na Lei de Tóxicos, com a apresentação da defesa prévia, o magistrado analisará o recebimento da denúncia, hipóteses do artigo 395, bem como designará audiência de instrução, debates e julgamento.
Audiência de Instrução Debates e Julgamento
Durante a audiência, no rito comum, serão ouvidas as testemunhas de acusação, as de defesa e por fim o interrogatório do réu (artigo 411 do CPP).
No rito da Lei de Tóxicos, de acordo com o artigo 57 da Lei 11.343/06, primeiro o réu é interrogado e só depois as testemunhas de acusação e de defesa, nessa ordem, serão ouvidas.
Existem mais diferenças entre os ritos comum e da Lei de Tóxicos, sendo que você pode conferir quais são nesse outro post nosso, clicando aqui.
Com o fim da instrução processual, caso surja a necessidade a partir das provas produzidas, as partes podem requerer diligências, na forma do artigo 402 do CPP.
Um exemplo de diligências é a requisição do laudo pericial.
A regra é a realização de debates finais orais, em audiência mesmo, com a prolação de sentença, segundo artigo 403 do CPP.
Mas, havendo diligências, na forma do artigo 402 do CPP, ou havendo necessidade devido a complexidade, por exemplo, as alegações finais poderão ser realizadas por memoriais, no prazo de 05 (cinco) dias e a sentença também terá um prazo para ser proferida (artigo 403, 3º, do CPP).
Proferida a sentença, a parte pode recorrer. O recurso mais comum é a apelação (artigo 593 do CPP) e deve ser manifestado o interesse de recorrer no prazo de 05 (cinco) dias, podendo apresentar as razões recursais em mais 08 (oito) dias, conforme artigo 600, caput, do CPP.
Caso queira, as razões também poderão ser interpostas no Juízo ad quem (artigo 600, § 4º, CPP), sendo que nesse caso o processo subirá para o TJ, as razões serão apresentadas e os autos descerão ao Juízo a quo para que o MPE apresente suas contrarrazões.
Se o que importa para você é a celeridade, apresente logo as razões no Juízo a quo para que o MPE não demore nas contrarrazões.
Fazer o processo subir para depois descer para contrarrazões é estratégia apenas para enrolar o processo.
Apelou e perdeu? Calma, antes de pensar em recursos para os Tribunais Superiores, veja se cabe Embargos Infringentes.
De acordo com o artigo 609, parágrafo único, do CPP, se a decisão de 2ª Instância não for unânime, caberá embargos infringentes para tentar convencer algum Desembargador a seguir o voto que lhe foi favorável.
Esse fator é importante para evitar uma supressão de instância, ou o não esgotamento recursal.
“Pular” recurso é causa de inadmissibilidade do RESP ou do RE.
Recurso Especial / Recurso Extraordinário
Sendo improvido o Agravo, aí sim é a hora de pensar no Recurso Especial, para o STJ, ou no Recurso Extraordinário, para o STF, apenas lembrando que o primeiro visa atacar afronta às Leis Federais (como o CPP ou CP, por exemplo) e o segundo visa atacar afronta à Constituição, cabendo, inclusive, a interposição de ambos os recursos.
Não podemos esquecer da revisão criminal, medida cabível para reverter decisão condenatória transitada em julgado, tratada nos artigos 621 e seguintes do CPP, sendo admitida:
E assim encerramos esse simples “tutorial” de como é um processo criminal, esperando ter ajudado a compreender um pouco mais essa matéria.
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29 de novembro de 2016 às 15:54
Muito instrutivo o texto
Obrigado, Liliane.
9 de dezembro de 2016 às 18:06
Parabéns! Esse blog está sendo um verdadeiro achado! Não sou da área jurídica e quero entender como funcionam os processos, estudar sem ter essa noção é complicado, mas agora o todo começa a fazer sentido graças a esses conhecimentos que seriam básicos e você consegue explicar tão bem! Já salvei nos favoritos 🙂
Obrigado, Maria! Criei esse espaço justamente pra dividir informações e ajudar as pessoas a entenderem um pouco essas áreas de conhecimento que são tão restritas.
Comente mais e apareça sempre!
Rafael - Estudante disse:
2 de março de 2017 às 16:35
Parabéns pelo artigo grande Dr. Pedro. De forma didática o doutor nos contempla com seu rico conhecimento jurídico. Fico agradecido.
2 de março de 2017 às 16:38
Esse espaço é justamente para isso, trocar experiências, difundindo conhecimento.
Apareça mais e comente sempre!
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ROBERTA ILIDIA SANTOS PASSOS disse:
Excelente…isso foi um “achado” ! Esta me ajudando bastante para a escolha da minha peça em Penal!!!
Que coisa boa, Roberta!
Acho que vc vai encontrar mais coisa legal sobre a prática penal.
15 de janeiro de 2019 às 11:39
Já ha vários meses que companho este blog e tenho encontrado respostas e lembranças de matérias estudadas…Muito bom, inclusive já indiquei este blog para um grupo de estudantes de direito que mantemos desde quando ainda fazíamos o curso de ciências jurídicas…10!!
15 de janeiro de 2019 às 11:47
Ei, Célio, bom dia!
Fico feliz demais em poder ajudar na compreensão do direito. Me dedico justamente para compartilhar conhecimento.
Sempre que quiser, qualquer dúvida que tiver, sugestões de temas, críticas, …, é só falar!
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