Source: https://cultodoconhecimento.wordpress.com/2013/08/29/o-mecanismo-europeu-de-estabilizacao-ou-como-a-goldman-sachs-capturou-a-europa/
Timestamp: 2018-03-22 13:49:40+00:00
Document Index: 122920815

Matched Legal Cases: ['Artigo 9', 'Artigo 10', 'Artigo 8', 'Artigo 9', 'Artigo 27', 'Artigo 27', 'Artigo 30', 'Artigo 123', 'artigo 123']

O golpe dos banqueiros triunfou na Europa aparentemente sem um combate. O MEE é encorajado pelos governos da euro zona, pelos seus credores e igualmente pelo “mercado”, porque significa que investidores continuarão a comprar dívida soberana. Tudo é sacrificado aos pedidos dos credores, porque de que outro lugar o dinheiro pode ser obtido para manter a flutuar as dividas paralisantes dos governos da euro zona?
O MEE é um organismo de resgate permanente destinado a substituir tanto o European Financial Stability Facility como o European Financial Stabilization Mechanism, ambos temporários, assim que Estados Membros representando 90% dos compromissos de capital o houverem ratificado, o que se espera acontecer em Julho de 2012. Num vídeo do YouTube de Dezembro de 2011 intitulado “A chocante verdade do iminente colapso da UE” , apresentado originalmente em alemão, faz revelações sobre o MEE que vale a pena aqui citar extensamente. O vídeo afirma:
A UE está a planear um novo tratado chamado Mecanismo Europeu de Estabilidade, ou MEE: um tratado de dívida. … O stock de capital autorizado será de 700 mil milhões de euros. Pergunta: por que 700 mil milhões? [Provável resposta: ele simplesmente imitou os US$700 mil milhões que o Congresso dos EUA comprou em 2009].
[Artigo 9º] “… Membros do MEE por este instrumento irrevogavelmente e incondicionalmente comprometem-se a pagar a pedido qualquer chamada de capital que se lhes faça … dentro de sete dias após a recepção do pedido”. … Se o MEE precisar dinheiro, temos sete dias para pagar. … Mas o que significa “irrevogavelmente e incondicionalmente”? O que acontece se tivermos um novo parlamento que não queira transferir dinheiro para o MEE? …
[Artigo 10º] “O Conselho de Governadores pode decidir mudar o capital autorizado e emendar o Artigo 8 … correspondentemente”. Pergunta: … 700 mil milhões é só o começo? O MEE pode aumentar o fundo tanto quanto quiser, em qualquer momento que quiser? E a nós então seria exigido sob o Artigo 9 que pagássemos irrevogavelmente e incondicionalmente?
[Artigo 27, linhas 2-3]: “O MEE, sua propriedade, recursos financeiros e activos … desfrutará de imunidade em relação a toda forma de processo judicial …” Pergunta: Então o programa MEE pode processar-nos, mas nós não podemos contestá-lo em tribunal?
[Artigo 27, linha 4]: “A propriedade, recursos financeiros e activos do MEE … será imune a investigação, requisição, confisco, expropriação ou qualquer outra forma de captura, tomada ou arresto por acção executiva, judicial, administrativa ou legislativa”. Pergunta: Isto significa que nem os nossos governos nem os nossos legisladores, nem qualquer das nossas leis democráticas têm qualquer efeito sobre a organização do MEE? Isto é um tratado bastante poderoso!
[Artigo 30]: “Governadores, governadores suplentes, directores, directores suplentes, o director administrativo e os membros da equipe serão imunes a processos legais em relação a actos por eles desempenhados … e desfrutarão de inviolabilidade em relação aos seus papéis e documentos oficiais”. Pergunta: Então alguém envolvido no MEE está fora do anzol? Eles não podem ser responsabilizados por qualquer coisa? … O tratado estabelece uma nova organização inter-governamental para a qual nos é exigido transferir activos ilimitados dentro de sete dias a simples pedido, a uma organização que pode processar-nos mas é imune a todas as formas de processo e cujos administradores desfrutam da mesma imunidade. Não há revisores independentes e não existem leis a aplicar? Os governos não podem efectuar acções contra ele? Orçamentos nacionais nas mãos de uma única organização inter-governamental não eleita? Será isso o futuro da Europa? Será isso a nova UE – uma Europa destituída de democracias soberanas?
Em 21 de Dezembro, o BCE “emprestou” 489 mil milhões de euros a bancos europeus à taxa extremamente generosa de apenas 1% em três anos. Digo “emprestou”, mas na realidade eles apenas puseram as impressoras a funcionar. O BCE não tem esse dinheiro para emprestar. É Quantitative Easing mais uma vez.
O meu entendimento é que o Artigo 123 está ali para impedir governos eleitos de abusarem de Bancos Centrais ordenando-lhes que imprimam dinheiro para financiar gastos excessivos. Essa, dizem-nos, é a razão porque o BCE tem de ser independente de governos. OK. Mas o que temos agora é um milhão de vezes pior. O BCE está agora totalmente nas mãos do sector bancário. “Queremos 500 milhões de dinheiro realmente barato!!” dizem eles. OK, não há problema. Mário está aqui para acertar isso. E não é preciso consultar ninguém. No momento em que o BCE fez o anúncio, o dinheiro já havia desaparecido.
A Goldman Sachs e os tecnocratas financeiros apossaram-se do navio europeu. A democracia saiu pela janela, tudo em nome da manutenção do banco central independente de “abusos” de governos. Mas o governo é o povo – ou deveria ser. Um governo eleito democraticamente representa o povo. Os europeus estão a ser ludibriados para abrir mão da sua querida democracia em favor de um perigoso banco de piratas financeiros, e o resto do mundo não fica muito atrás.
Ao invés de ratificar o draconiano tratado MEE [1] , os europeus seriam mais avisados se revertessem o artigo 123 do tratado de Lisboa. Então o BCE poderia emitir crédito directamente para os seus governos membros. Alternativamente, governos da euro zona poderia restabelecer sua soberania económica pela ressurreição dos seus bancos centrais de propriedade pública e utilizá-los para emitir o crédito do país em benefício do país, efectivamente isento de juro. Isto não é uma ideia nova mas historicamente tem sido utilizada com muito bom efeito, na Austrália por exemplo através do Commonwealth Bank of Australia e no Canadá através do Bank of Canada .
“Ignorem os títulos. Não há aumento do fundo de resgate para 700 mil milhões de euros” , Wolfgang Münchau
[*] Procuradora e presidente do Public Banking Institute, http://PublicBankingInstitute.org . Em Web of Debt, o mais recente dos seus onze livros, ela mostra como um cartel privado usurpou o poder de criar dinheiro e como nós o povo podemos recuperá-lo. Seus sítios web sãohttp://WebofDebt.com e http://EllenBrown.com .
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