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Timestamp: 2020-02-24 12:01:38+00:00
Document Index: 35465118

Matched Legal Cases: ['artigo 1', 'artigo 1', 'artigo 174', 'artigo 174', 'artigo 151', 'artigo 4', 'artigo 206', 'artigo 55', 'artigo 53', 'artigo 54', 'artigo 1']

Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF-3 - APELAÇÃO CÍVEL : ApCiv 00051891920094036112 SP
Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF-3 - APELAÇÃO CÍVEL : ApCiv 00051891920094036112 SP - Inteiro Teor
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 0005189-19.2009.4.03.6112/SP
2009.61.12.005189-1/SP
RELATORA : Juíza Federal em Auxílio NOEMI MARTINS
EMBARGANTE : ASSOCIACAO PRUDENTINA DE EDUCACAO E CULTURA APEC
ADVOGADO : SP335526A LIA TELLES CAMARGO PARGENDLER
EMBARGADO (A) : União Federal (FAZENDA NACIONAL)
INTERESSADO (A) : AGRIPINO DE OLIVEIRA LIMA FILHO e outro (a)
: AUGUSTO CESAR DE OLIVEIRA LIMA
No. ORIG. : 00051891920094036112 2 Vr PRESIDENTE PRUDENTE/SP
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. HIPÓTESES DO ART. 1022 DO CPC/2015. NÃO-CONFIGURAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CANCELAMENTO DA DÍVIDA. DECISÃO ADMINISTRATIVA. DECISÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CARÁTER INFRINGENTE.
1. É plenamente possível aferir-se o exato alcance do acórdão embargado e de seus fundamentos, não havendo ponto omisso, obscuro ou contraditório no julgado.
2. A decisão administrativa não pode favorecer a apelante, na medida em que acabou sendo afastada, por decisão judicial, sua condição de entidade beneficente de assistência social, conforme decisão proferida no bojo do mandado de segurança, diante do reconhecimento da ausência de comprovação do preenchimento integral das condições legais e fundamentais, para que pudesse usufruir da isenção e posterior imunidade no recolhimento de contribuições devidas à Previdência Social.
3. O questionamento do acórdão, pelos embargantes sob a alegação de omissão aponta para típico e autêntico inconformismo com a decisão, contrariedade que não enseja o acolhimento do presente recurso, uma vez que inexistente qualquer dos vícios elencados no artigo 1.022 do Código de Processo Civil/2015.
4. Embargos revestidos de nítido caráter infringente, objetivando discutir o conteúdo jurídico do acórdão.
5. Ainda que os embargos tenham como propósito o prequestionamento da matéria, é imprescindível, para o conhecimento do recurso, que se verifique a existência de quaisquer dos vícios descritos no artigo 1.022 do Código de Processo Civil. Precedentes do STJ.
6. Embargos de declaração improvidos.
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Décima Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
São Paulo, 07 de novembro de 2017.
Signatário (a): NOEMI MARTINS DE OLIVEIRA:10204
Nº de Série do Certificado: 5845E3C71CA9D56C
Data e Hora: 08/11/2017 14:41:05
Trata-se de embargos de declaração, interpostos pela Associação Prudentina de Educação e Cultura - APEC, em face do acórdão desta Décima Primeira Turma do Egrégio Tribunal Regional Federal da Terceira Região, nos autos dos Embargos à Execução Fiscal, em que se discute a cobrança de débitos inscritos em dívida ativa relativos a contribuições previdenciárias do período de 05/90 a 10/94.
No acórdão embargado (fls. 760/766), foi negado provimento à apelação. Sustenta a APEC, nos embargos declaratórios (fls. 770/815), a existência de obscuridade e omissão no acórdão, pois os créditos tributários constantes das CDA's que embasam a execução fiscal subjacente foram cancelados administrativamente, razão pela qual inexistem títulos executivos e a execução é nula. Sustenta violação a dispositivos do Código de Processo Civil, do Código Tributário Nacional e da Constituição, além de Decretos, para o fim de prequestionamento. Por fim, pugna pelo provimento dos presentes embargos declaratórios, com efeitos modificativos, para julgar totalmente provido o recurso de apelação.
Recebo os presentes embargos, porque tempestivos.
Os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento ou corrigir erro material, razão pela qual não se vocacionam ao reexame da matéria decidida.
No caso em tela, em que pesem os fundamentos expostos pela parte embargante, é plenamente possível aferir-se o exato alcance do acórdão embargado e de seus fundamentos, não havendo ponto omisso, obscuro ou contraditório no julgado.
Na petição inicial destes embargos à execução fiscal, a embargante afirmou que "intentou mandado de segurança (processo nº 97.120.5481-0), visando o cancelamento dos débitos e exclusão do nome do CADIN" (fl. 11) e, com fundamento prescrição (fl. 14), no "direito à isenção das entidades de fins filantrópicos" (fl. 17) e na existência de decisão administrativa de extinção da dívida (fl. 23), pediu a extinção da execução fiscal subjacente.
Conforme constou da fundamentação do acórdão embargado (fl. 762-verso), o objeto do referido mandado de segurança (processo 97.1205481-0) é "o cancelamento dos débitos previdenciários cumprindo, assim, a determinação exarada na decisão administrativa irrecorrível do Sr. Procurador Geral do INSS, viabilizando, assim, a expedição da Certidão Negativa de Débitos (CND), bem como sua exclusão do CADIN" (...).
No recurso interposto contra a sentença de improcedência dos presentes embargos à execução fiscal, a embargarte requereu o reconhecimento da consumação da prescrição e o conhecimento do mérito, ao fundamento de que a denegação da ordem no mandado de segurança não obsta a discussão e o conhecimento do pedido formulado neste feito, pois não há coincidência entre as matérias suscitadas nestes embargos e as expostas no mandado de segurança. Aduziu que a extinção do crédito em questão foi reconhecida pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. Insurgiu-se, também, contra o cancelamento da isenção e da imunidade, a nulidade do lançamento, sustentando a ilegitimidade da contribuição previdenciária sobre pagamento a administradores, autônomos e avulsos (fls. 667/704).
Constou do julgado embargado, os seguintes fundamentos que afastam as alegações de omissão e obscuridade, expostas nos presentes embargos de declaração (fls. 760-765):
Sustenta a apelante que a execução fiscal nº 0002258-43.2009.4.03.6112 foi ajuizada para cobrança de débitos inscritos em dívida ativa sob nºs 31.607.341-5, 31.607.342-3, 31.607.343-1, 31.607.344-0, 31.607.345-8, 31.607.346-6, 31.900.187-3, 31.900.188-1, 31.900.189-0, 31.900.193-8, 31.900.211-0, relativamente às competências 05/1990 a 10/1994, constituídos por meio de Notificação Fiscal de Lançamento em 29/03/1993 e 20/12/1994, com ajuizamento da execução fiscal somente em 18/02/2009, razão pela qual estaria evidenciada a prescrição.
Enuncia o artigo 174 do Código Tributário Nacional:
No caso, as notificações datadas de 29/03/1993 e 20/12/1994 (fls. 87/148) correspondem às datas de constituição definitiva dos créditos tributários e de início do prazo prescricional, interrompido com o despacho citatório, ocorrido em 03/03/2009, conforme preceitua o artigo 174, inciso I, do Código Tributário Nacional, com dada pela Lei Complementar nº 118/2005, e com efeitos retroativos ao ajuizamento da demanda, em 18/02/2009.
O curso do prazo prescricional sujeita-se aos influxos de algumas causas suspensivas e/ou interruptivas, tais como moratória, o depósito do montante integral, as reclamações e recursos administrativos, a concessão de liminar em mandado de segurança, entre outras causas que têm o condão de obstar o lapso prescricional, conquanto este já não se tenha operado.
Assim, é certo que, entre os anos de 1997 a 2008, o lapso prescricional esteve suspenso, em virtude da concessão de medida liminar em mandado de segurança, que se afigura como causa de suspensão da exigibilidade do débito, nos termos do artigo 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional, e, via de consequência, de suspensão do curso do prazo prescricional.
A esse respeito, Ricardo Alexandre, in Direito Tributário (2010:474), expõe:
(...) tem se entendido que, em todos os casos em que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa (CTN, art. 151), também estará suspenso o respectivo prazo prescricional. O raciocínio decorre do simples fato de que a prescrição não pode punir o credor que não age porque está legalmente impedido de fazê-lo. Ora, não se pode continuar a contagem de um prazo para que a Fazenda Pública tome uma providência que está legalmente proibida de tomar (promover a ação de execução fiscal).
Nesse sentido, a jurisprudência do C. STJ:
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. PEDIDO DE PARCELAMENTO TRIBUTÁRIO. CAUSA INTERRUPTIVA DO PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 174, PARÁGRAFO ÚNICO, IV, DO CTN. RECOMEÇO DA CONTAGEM. DATA DO INADIMPLEMENTO DO PARCELAMENTO. PRECEDENTES. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. CRÉDITO PRESCRITO. PARCELAMENTO. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO IMPLICA RENÚNCIA À PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. DENEGAÇÃO DA ORDEM. RETOMADA DO PRAZO PRESCRICIONAL. 1. É entendimento desta Corte que a confissão espontânea de dívida seguida do pedido de parcelamento representa ato inequívoco de reconhecimento do débito, interrompendo, assim, o curso da prescrição tributária, nos termos do art. 174, parágrafo único, inciso IV, do CTN. 2. A verificação da data exata da exclusão do contribuinte do programa de parcelamento é importante, porque demarca o termo inicial de contagem do prazo prescricional da cobrança judicial do débito pelo fisco. 3. A exclusão do parcelamento dá-se com o simples inadimplemento, não dependendo, para tanto, da prática de qualquer ato administrativo. Logo, uma vez interrompido o prazo prescricional em decorrência da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o termo a quo do recomeço da contagem do prazo se dá a partir da data do inadimplemento do parcelamento. 4. Esta Corte entende que "o parcelamento de crédito tributário após o transcurso do prazo prescricional não implica restabelecimento da exigibilidade. Precedentes" (AgRg no REsp 1.336.187/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 1º/07/2013.). 5. A concessão de liminar em mandado de segurança é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151, IV, do CTN) e não de interrupção; assim, revogada a liminar pela Corte de apelação recomeça a contagem do prazo prescricional de onde havia parado, contabilizando-se, portanto, o prazo já decorrido antes do deferimento da liminar. 6. Irrepreensível o entendimento fixado na origem que fixou, "neste contexto, considerando que o prazo prescricional voltou a fluir a partir de 09/2001 ate 04/2004 [2 anos e 7 meses], e que retomou sua exigibilidade desde 10/2005, data da cassação da liminar, sendo que o ajuizamento da execução ocorreu em 17/04/2009 [3 anos e 5 meses] verifica-se, na soma dos períodos, o transcurso de mais do que os cinco anos necessários à configuração da prescrição" (fl. 480, e-STJ). Inafastável a prescrição. Agravo regimental improvido. (STJ - AGRESP 201501938015, HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJE DATA:26/10/2015 ..DTPB:.)
Tratando-se, assim, de hipótese de suspensão, o prazo retoma seu curso, pelo período remanescente, após a cessão da causa impeditiva.
Desta feita, no caso dos autos, verifica-se que, com a constituição definitiva do crédito tributário, deu-se início à contagem do prazo prescricional (29/03/1993 e 20/12/1994).
Em 20/08/1997, houve a concessão da medida liminar no mandado de segurança nº 1205481-23.1997.4.03.6112, ocasião em que ficou obstado o curso da prescrição.
Em 17/09/2008, a Turma Suplementar da 1.ª Seção deste E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região, deu provimento à remessa oficial, para reformar a sentença proferida em 1º grau de jurisdição e julgar improcedente o mandamus.
A partir desse momento, portanto, deu-se a retomada do prazo prescricional, interrompido pelo despacho citatório, proferido em 03/03/2009, com efeitos retroativos ao ajuizamento da demanda (18/02/2009).
Em conclusão, não transcorreu o prazo remanescente (6 meses e 2 ano e meio), entre a retomada de seu fluxo (17/09/2008) e a interrupção da prescrição (03/03/2009), que, portanto, não se consumou.
No tocante às demais questões postas, o pedido da apelante não comporta acolhimento.
Na r. sentença, constou que (fl. 191-verso):
Quanto às alegações de que houve o cancelamento de créditos em decorrência do Mandado de Segurança nº 97.1205481-0; que a Presidência do INSS e o Procurador Autárquico federal afastaram, em decisão administrativa, a legalidade da exigência tributária em discussão, de que a dívida posta em execução foi declarada extinta por decisão definitiva da 1ª CAJ do CRPS; e ainda que a entidade foi declarada legalmente como de utilidade pública através do Decreto nº 85.602/80, o que torna irregular a constituição dos créditos tributários constantes das CDA´s em cobrança por ausência de certeza e liquidez, elas já passaram pelo crivo do Judiciário e foram afastadas, estando cobertas pelo manto da coisa julgada.
Em consulta ao sistema eletrônico de dados da Justiça Federal de São Paulo, extrai-se do voto proferido na REOMS nº 98.03.007787-2, seu objeto:
Trata-se de MANDADO DE SEGURANÇA, com pedido de liminar, Impetrado por ASSOCIAÇÃO PRUDENTINA DE EDUCAÇÃO E CULTURA - APEC contra ato imputado ao PROCURADOR AUTÁRQUICO FEDERAL e ao CHEFE DO POSTO DE ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS EM PRESIDENTE PRUDENTE, objetivando "a expedição de ofício determinando ao Procurador Autárquico Federal, leve a termo o cancelamento dos débitos previdenciários cumprindo, assim, a determinação exarada na decisão administrativa irrecorrível do Sr. Procurador Geral do INSS, viabilizando, assim, a expedição da Certidão Negativa de Débitos (CND)", bem como sua exclusão do CADIN. Subsidiariamente requereu fosse "determinado ao Chefe do Posto de Arrecadação e Fiscalização do INSS, a expedição de Certidão Positiva com Força de Negativa (...), até que seja ultimado o cancelamento dos débitos conforme determinação do Procurador Geral desse instituto previdenciário (...), uma vez que os débitos inscritos e não ajuizados lançados em nome da Impetrante, foram objetos de cancelamento". Sustentou que, "desde a década de 1970, detém a qualidade de instituição filantrópica e o seu reconhecimento de utilidade pública" e que "vem sofrendo inúmeras execuções por parte do INSS", porém, com fundamento no artigo 4º da Lei nº. 9.429/96, "requereu e obteve o cancelamento definitivo de todos os débitos previdenciários, conforme se vê da decisão do Procurador Geral do INSS".
Aduziu que, no entanto,"apesar da comunicação formal daquela Procuradoria Geral, à agência local do INSS, de que os débitos encontram-se cancelados, o CHEFE DO POSTO DE ARRECADAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, se nega a fornecer aludida certidão negativa, com o argumento de que existem débitos pendentes de pagamento (...), ignorando, assim, a decisão que os cancelou", na medida em que a autoridade coatora deveria"por dever de ofício, expedi-la com base no artigo 206 do CTN".
Alegou também que"a resistência do ilustre PROCURADOR AUTÁRQUICO, em levar a termo tal decisão, é mais inusitada ainda, eis que, em sede imprópria, passou gratuitamente questionar os honorários advocatícios advindos da sucumbência do INSS, pois pretende obter do subscritor desta, bem como da impetrante, declaração de desistência dessa verba, cujos processos encontram-se pendentes de julgamento no TRF da 3ª Região, por força das apelações interpostas por esse instituto previdenciário"
O Juízo da 1ª Vara Federal de Presidente Prudente examinou as alegações e, em sentença, concedeu a segurança, a qual foi posteriormente reformada, no julgamento da Remessa Oficial nº 183677, em que foi dado provimento ao reexame necessário, para julgar improcedente o mandado de segurança.
Na fundamentação do voto, o e. Relator apreciou a alegação de isenção/imunidade da apelante, relativamente ao mesmo período em questão, e consignou, expressamente, o seguinte:
Passa-se à análise da situação da embargante perante as normas acima mencionadas. As contribuições previdenciárias incidentes sobre as folhas de salários exigidas da embargante pelo INSS dizem respeito ao período compreendido entre 04/88 e 08/91, cuja obrigação de recolhimento representa o cerne da questão ora sub judice. Aplica-se, destarte, o disposto nas normas anteriores à promulgação da Lei nº. 8.212/91, recepcionadas pela Constituição Federal, que exigiam, para a aplicação da isenção - até março de 1.989 - e posterior imunidade - a partir de março de 1.989. Analisando a documentação acostada aos autos, é possível observar que a embargante, em 1º de setembro de 1.977, possuía "Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos", com validade de 2 (dois) anos, expedido em 05 de novembro de 1.976 (fl. 23), assim como é possível verificar ter ela requerido o reconhecimento de sua utilidade pública federal em 14 de setembro de 1.976 (fl. 21), antes, portanto, da entrada em vigor do Decreto-lei nº. 1.572/77.
Não há nos autos, entretanto, qualquer prova de que os diretores, sócios ou administradores da embargante exerciam, na época, as suas funções de maneira graciosa. E isto é essencial. Neste aspecto, portanto, equivocou-se o d. juiz de 1º grau de jurisdição, pois fez a associação automática entre a concessão de certificado de filantropia, o reconhecimento de utilidade pública federal e a não remuneração dos sócios e diretores. Ser portador de certificado de filantropia e ter a sua utilidade pública reconhecida pelo Governo Federal não significa, automaticamente, a não remuneração dos sócios e diretores da entidade.
Cotejando as decisões exaradas, depreende-se que os presentes embargos trazem à baila a mesma discussão constante da decisão acima transcrita, atinente ao reconhecimento da isenção/imunidade da apelante, no mesmo período em discussão nestes autos.
Deste modo, verifica-se que, no tocante à matéria discutida nos presentes embargos, já houve decisão definitiva de mérito, com pedido e causa de pedir idênticos aos deduzidos nestes autos.
Acerca desse tema, dispôs o Código de Processo Civil:
II - nos demais casos prescritos em lei.Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros.Art. 473. É defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão.
Operou-se, desta feita, a preclusão consumativa, que implica, por um lado, na imutabilidade da decisão e, por outro, na impossibilidade de discussão, em outro processo, das questões já decididas em caráter de definitividade.
Assim, não é possível a apreciação de questão anteriormente já julgada (não reconhecimento da isenção/imunidade), evitando, por conseguinte, a ocorrência de decisões conflitantes numa mesma lide.
Subsiste, apenas, a análise da eficácia da decisão exarada pela 1ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que teria extinguido os créditos decorrentes de contribuições sociais a partir de 25/07/1981, para as entidades beneficentes de assistência social que houvessem cumprido os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91.
Na decisão, proferida em 27/10/1997, constou (fls. 95/96):
CONSIDERANDO, por fim, que a Lei 9429/69 extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas, a partir de 25/07/1981, para as entidades beneficentes de assistência social que, nesse período, houvessem cumprido os requisitos do art. 55 da Lei nº 8212/91;
CONSIDERANDO que o pedido e a documentação apresentada pela recorrente já foram objeto de análise da Procuradoria Geral do INSS, que decidiu pela extinção de todos os créditos, uma vez que a entidade atendia aos requisitos da precitada lei (fls. 69 e 70);
VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO para no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO.
Entendo, neste ponto, que a citada decisão administrativa não pode favorecer a apelante, na medida em que acabou sendo afastada, por decisão judicial, sua condição de entidade beneficente de assistência social, conforme decisão proferida no bojo do mandado de segurança, diante do reconhecimento da ausência de comprovação do preenchimento integral das condições legais e fundamentais para que pudesse usufruir da isenção e posterior imunidade no recolhimento de contribuições devidas à Previdência Social.
Em que pese o fundamento exposto pela apelante de que a coisa julgada administrativa impede a cobrança, em relação a qual teria havido o cancelamento, o artigo 53 da Lei nº 9.784/99 prevê que a administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vícios de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos.
Disso decorre que compete à Administração invalidar seus atos que sejam contrários ao ordenamento jurídico; não consistindo tal conduta em faculdade, mas evidente dever, resultante de seu poder de autotutela.
Maria Sylvia Zanella di Pietro em sua obra magistral Direito Administrativo (2015:282) professa:
Para nós, a Administração tem, em regra, o dever de anular os atos ilegais, sob pena de cair por terra o princípio da legalidade. No entanto, poderá deixar de fazê-lo, em circunstâncias determinadas, quando o prejuízo resultante da anulação puder ser maior do que o decorrente da manutenção do ato ilegal; nesse caso é o interesse público que norteará a decisão.
Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 473, "in verbis":
É certo que a invalidação dos atos ilegais, em razão do princípio da segurança jurídica e da presunção de legitimidade de que gozam, está sujeita ao prazo de 5 (cinco) anos, consoante entendimento doutrinário e jurisprudencial consolidado e posteriormente confirmado pelo artigo 54, da Lei nº 9.784/1999.
Neste contexto, discorrendo acerca da coisa julgada administrativa e dos limites à invalidação do ato administrativo, Arianne Brito Cal Athias (A Leitura: Caderno da Escola Superior da Magistratura do Estado do Pará, v. 5, n.9, nov/2012, p.91-105) conclui:
(...) Não há como se aceitar ou mesmo tolerar a existência no ordenamento jurídico de um ato contrário à lei. Isto fere toda a concepção do próprio Estado de Direito, este visto como um modelo de Estado sustentado pelo princípio da legalidade e pelo respeito ao princípio da separação dos poderes. (...) É em nome da legalidade que a Administração atua e, por isto, não pode esquecê-la, em face da coisa julgada administrativa.
Dessa forma, a coisa julgada administrativa não se mostra como uma limitação ao poder de invalidar da administração, pelo contrário, sempre a Administração tiver ciência da existência de um ato ilegal no ordenamento jurídico, no prazo de 5 anos, a contar da data da decisão, deverá invalidá-lo, sob pena de ferir o princípio da legalidade e da própria segurança jurídica.
Verifica-se, assim, que, no caso em apreço, em que pese ter havido decisão da 1ª Câmara de Recursos da Previdência Social em 1997; no mesmo ano, a questão foi trazida ao Poder Judiciário, contra o qual não pode ser oposta a coisa julgada no âmbito administrativo.
Rubens Gomes de Souza, apud Aurélio Pitanga Seixas Filho (Interesse Público: Revista Bimestral de Direito Público, v.6, n.31, maio/2005, p. 144) esclarece:
(...) As decisões administrativas, quer singulares, quer emanadas de órgãos coletivos de julgamento, não fazem coisa julgada que possa ser oposta ao Poder Judiciário, em virtude da competência constitucional deste excluir a definitividade das instâncias administrativas (...).
Em conclusão, diante da ilegalidade posteriormente identificada, atinente ao não cumprimento dos requisitos para a obtenção da isenção/imunidade, tem-se a sobreposição da decisão judicial - à qual efetivamente confere-se o atributo da definitividade - em relação àquela emanada da esfera administrativa, que, por tal razão, não mais subsiste.
Sendo assim, não se verificam as alegadas omissões e obscuridades, e por estar o acórdão fundamentado, em consonância com o princípio constitucional da motivação das decisões judiciais, apresenta-se inviável, nesta via, alterar os fundamentos e as decisões lá sufragados, por questão de juridicidade.
Resta, pois, notório o caráter infringente que a embargante pretende atribuir aos embargos declaratórios, a fim de modificar a decisão.
Acresça-se que o acolhimento de teses desfavoráveis à parte embargante não configura qualquer das hipóteses do artigo 1.022 do Código de Processo Civil, sendo fruto da manifestação do princípio do livre convencimento do julgador.
A propósito, já decidiu o C. STJ que "como o descontentamento da parte não se insere dentre os requisitos viabilizadores dos embargos declaratórios, impende a rejeição do recurso manejado com a mera pretensão de reexame da causa." (EDREsp nº 547.235, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, j. 05/8/2004, v. u., DJ 20/9/2004, p. 190).
Deveras, ainda que os embargos de declaração tenham como propósito o prequestionamento da matéria, faz-se imprescindível, para o acolhimento do recurso, que se constate a existência de qualquer dos vícios, sem o que se torna inviável seu acolhimento. Nesse sentido, a título ilustrativo, consulte-se o seguinte precedente: EDcl nos EDcl no REsp 1107543/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Seção, julgado em 26/10/2011, DJe 18/11/2011.
Ademais, é de se registrar o art. 1.025, do Código de Processo Civil/2015 dispõe que, para fins de pré-questionamento, são considerados incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou ainda que os declaratórios sejam inadmitidos ou rejeitados, "caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade".
No mais, não excede ressaltar que o E. STJ tem o entendimento no sentido de que "... o julgador não está obrigado a enfrentar e rebater todos os argumentos da parte, mas apenas a declinar os fundamentos de seu convencimento de forma motivada." (STJ, 3ª Turma, EDcl no AgRg noAREsp713546/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 25/11/2016)
Data e Hora: 08/11/2017 14:41:08
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