Source: https://www.conjur.com.br/2020-mai-23/curador-nao-constituir-procurador-interditado-autorizacao
Timestamp: 2020-06-03 02:44:50+00:00
Document Index: 132769005

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ConJur - Curador não pode constituir procurador do interditado
Curador não pode constituir procurador do interditado sem autorização judicial
23 de maio de 2020, 9h54 Imprimir Enviar
O curador não pode constituir procurador para representar o interditado sem prévia autorização do juiz. Porém, são passíveis de convalidação os atos praticados pelo procurador constituído irregularmente, quando se enquadrarem na previsão do artigo 427, VII, do Código Civil de 1916, correspondente ao artigo 1.748 , V, do código de 2002. A tese não se aplica aos atos relacionados no artigo 428 do CC/1916, substituído pelo artigo 1.749 no CC/2002.
A relatora ministra Nancy Andrighi, do STJ
Esse entendimento é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça. A decisão veio após a turma analisar processo em que o marido e curador (atualmente falecido) de uma mulher interditada, agindo em nome próprio e como representante da esposa e de uma empresa que possuíam, outorgou procuração a terceiro, com poderes de representação e de gestão do patrimônio e dos negócios pessoais e empresariais da família.
No recurso especial julgado pela 3ª Turma, os herdeiros da interditada alegaram que a procuração e, consequentemente, a contratação dos advogados pelo procurador seriam nulas, porque o curador não poderia outorgar procuração a terceiro sem prévia autorização judicial. Disseram que isso representaria, na verdade, a transferência dos próprios poderes personalíssimos que são outorgados exclusivamente ao curador.
Para a relatora, essa distinção "possui uma razão de ser, pois os atos previstos no artigo 427 — como fazer despesas necessárias para a conservação de bens, receber quantias devidas e pagar dívidas, aceitar heranças ou doações, transigir e vender imóveis nos casos permitidos — são claramente menos graves do que os atos previstos no artigo 428 — por exemplo, adquirir bens do curatelado ou dispor de seus bens a título gratuito".
Andrighi ressaltou que a distinção dos efeitos jurídicos entre esses dois tipos de situação foi tratada expressamente no parágrafo único do artigo 1.748 do CC/2002 (correspondente ao 427 do CC/1916), o qual define que, "no caso de falta de autorização, a eficácia de ato do tutor depende da aprovação ulterior do juiz". Não há, entretanto, regra semelhante para as hipóteses do artigo 1.749 do CC/2002 (que equivale ao artigo 428 do CC revogado).
A ministra destacou ainda que, no caso, não se transferiu a curatela propriamente dita, mas, sim, uma parte dos poderes de gestão dos bens de propriedade do cônjuge.
Além disso, a ministra lembrou que, para o tribunal de segunda instância, a imediata contratação de advogados para a defesa da curatelada em ação, embora sem autorização prévia do Judiciário, deveria ser convalidada posteriormente em juízo, porque foi atingido o melhor interesse da interditada.
Quanto ao valor acertado entre o procurador e os advogados, também objeto de questionamento pelos herdeiros, a relatora observou que a ação rescisória envolve uma discussão de mais de R$ 266 milhões. "Conclui-se que a contratação se deu em condições razoáveis e proporcionais, sobretudo se se observar que a referida ação rescisória ainda não transitou em julgado", disse. Com informações da assessoria de imprensa do STJ.
REsp 1.705.605
Revista Consultor Jurídico, 23 de maio de 2020, 9h54
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