Source: https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/796129654/recurso-de-revista-rr-2267120155020301/inteiro-teor-796129674
Timestamp: 2020-02-24 21:53:13+00:00
Document Index: 96434016

Matched Legal Cases: ['artigo 7', 'artigo 7', 'artigo 189', 'artigo 896', 'artigo 70', 'artigo 114', 'In casu', 'artigo 487', 'artigo 7', 'ARTIGO 7', 'artigo 7', 'artigo 7']

Tribunal Superior do Trabalho TST - RECURSO DE REVISTA : RR 2267120155020301
Tribunal Superior do Trabalho TST - RECURSO DE REVISTA : RR 2267120155020301 - Inteiro Teor
TST_RR_2267120155020301_d8b7a.rtf
GMBM/ALL/jr
AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. PRESCRIÇÃO. DANO MORAL. DOENÇA OCUPACIONAL. MARCO INICIAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA. Agravo a que se dá provimento para examinar o agravo de instrumento em recurso de revista. Agravo provido. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. PRESCRIÇÃO. DANO MORAL. DOENÇA OCUPACIONAL. MARCO INICIAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA. Em razão de provável caracterização de ofensa ao art. 189 do CC, dá-se provimento ao agravo de instrumento para determinar o prosseguimento do recurso de revista. Agravo de instrumento provido. RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. PRESCRIÇÃO. DANO MORAL. DOENÇA OCUPACIONAL. MARCO INICIAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA. Conforme dispõe a Súmula nº 278 do STJ, "o termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral". Nessa diretriz, esta Corte tem firme jurisprudência no sentido de que o prazo prescricional do art. 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal é aplicável às pretensões de indenizações por danos morais decorrentes de acidente do trabalho quando a ciência inequívoca da lesão for posterior à Emenda Constitucional nº 45/2004 (publicada em 31/12/2004), e não o art. 205 do Código Civil, tampouco a prescrição trienal explicitada no art. 206, § 3º, do Código Civil. Sabe-se que, segundo entendimento do TST, a ciência inequívoca da incapacidade laboral ocorre com a alta previdenciária ou com a aposentadoria por invalidez, momento em que as lesões se consolidam em toda a sua extensão. É que não se pode exigir o ajuizamento da ação enquanto ainda houver dúvidas sobre a real extensão dos danos e a possibilidade de restabelecimento ou agravamento de suas lesões. Precedentes da SBDI-1 do TST. Na hipótese, o quadro fático constante no acórdão regional revela que o autor sofreu acidente de trabalho em 03.04.2006 (conforme consta do CAT) e que teve ciência inequívoca da lesão em 2014, quando da alta do último afastamento previdenciário (elemento fático que não foi afastado no acórdão regional), e ainda, que a presente ação foi distribuída em 26.02.2015. Tendo em vista que se tratar de pretensão de indenização por danos morais e materiais, decorrentes de doença ocupacional, com a ciência inequívoca da lesão se dá após a vigência da Emenda Constitucional nº 45/2004, como no caso dos autos, aplica-se o prazo prescricional do artigo 7º, XXIX, da Constituição. Logo, não há prescrição a ser declarada, uma vez que observado o prazo do art. 7º, XXIX, da Constituição. Recurso de revista conhecido e provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista nº TST-RR-226-71.2015.5.02.0301, em que é Recorrente DAMIAO PEREIRA LISBOA e são Recorridas ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS S.A. e START ENGENHARIA E ELETRICIDADE LTDA.
Trata-se de agravo interposto contra decisão monocrática que negou seguimento a agravo de instrumento, com fulcro no art. 932 do CPC.
Na minuta de agravo, a parte argumenta com a viabilidade do seu agravo de instrumento.
Devidamente intimada, na forma do art. 266 do RITST, as partes agravadas se manifestaram às fls. 724/728.
Preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço do agravo.
A decisão agravada foi proferida nos seguintes termos:
"Trata-se de agravo de instrumento interposto contra decisão que negou seguimento a recurso de revista da parte agravante, sob os seguintes fundamentos:
DIREITO CIVIL / FATOS JURÍDICOS / PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA.
- contrariedade à(s) Súmula (s) vinculante (s) nº 230 do excelso Supremo Tribunal Federal.
- violação do (s) artigo 7º, da Constituição Federal.
- violação do (a) Código de Processo Civil de 2015, artigo 189.
- violação à Súmula 278 do STJ.
Como se vê, a matéria é interpretativa, combatível nessa fase recursal mediante apresentação de tese oposta, mas os arestos transcritos para essa finalidade são inservíveis para caracterizar o conflito pretoriano que propicia o recebimento do Recurso de Revista, porquanto não atendem todos os ditames autorizadores da reapreciação (alínea 'a'/ 'b' e § 8º do art. 896 da CLT e Súmula 333/TST).
DENEGO seguimento.
DENEGO seguimento ao Recurso de Revista.
A parte agravante argumenta com o prosseguimento do seu recurso de revista.
A parte agravante não infirmou os fundamentos da decisão agravada, os quais, em virtude do acerto, adoto como razões de decidir, integrando esta decisão para todos os efeitos jurídicos.
Registre-se que este Tribunal e o STF possuem entendimento maciço de que a adoção da técnica per relationem como forma de razão de decidir atende plenamente às exigências legal e constitucional da motivação das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, (STF-ED-MS 25.936-1/DF, Relator Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJe 18/09/2009).
AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/14. ADOÇÃO DA TÉCNICA" PER RELATIONEM ". PETIÇÃO GENÉRICA. Este Tribunal e o STF possuem entendimento maciço de que a adoção da técnica"per relationem", como forma de razão de decidir atende plenamente às exigências legal e constitucional da motivação das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, (STF-ED-MS 25.936-1/DF, Relator Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJe 18/09/2009), não havendo, ainda, violação das garantias da ampla defesa e do devido processo legal, considerando-se a possibilidade de revisão da decisão por meio da interposição do agravo interno, nos termos art. 1.021, § 3º, do CPC. Ocorre que, na presente hipótese, a agravante apresenta agravo interno de forma genérica, sem sequer indicar as matérias as quais representam seu inconformismo, o que enseja a preclusão da faculdade processual de discutir as matérias de mérito do recurso trancado na origem. Agravo a que se nega provimento. (Ag-AIRR - 2905-59.2014.5.02.0372, Relator Ministro: Breno Medeiros, Data de Julgamento: 10/10/2018, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 19/10/2018 - destaquei);
"1. EXECUÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE. NEGATIVA. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. PER RELATIONEM. NÃO PROVIMENTO. A adoção da técnica de fundamentação per relationem atende à exigência de motivação das decisões proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, consoante a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, trazida à colação na própria decisão agravada (RHC 130542 AgR / SC, Relator (a): Min. ROBERTO BARROSO, Julgamento: 07/10/2016, Órgão Julgador: Primeira Turma, Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-228 DIVULG 25-10-2016 PUBLIC 26-10-2016 e RHC 126207 AgR/RS, Relator: Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 06/12/2016, Órgão Julgador: Segunda Turma, Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-017 DIVULG 31-01-2017 PUBLIC 01-02-2017). (...). Agravo a que se nega provimento. (Ag-AIRR - 49600-64.1994.5.19.0060 , Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data de Julgamento: 03/10/2018, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 05/10/2018 - destacou-se)
Na mesma direção, os seguintes precedentes: AgR-AIRR - 114-59.2014.5.02.0068, Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, 1ª Turma, DEJT 01/12/2017; Ag-AIRR - 20004-79.2015.5.04.0104, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 5ª Turma, DEJT 16/12/2016; Ag-AIRR - 2753-98.2011.5.02.0086, Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, 3ª Turma, DEJT 25/08/2017; Ag-AIRR - 1272-57.2014.5.02.0034, Relatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, 8ª Turma, DEJT 02/06/2017.
Ante o exposto, com fulcro no art. 118, X, do Regimento Interno desta Corte, nego seguimento ao agravo de instrumento."
PRESCRIÇÃO. DANOS MORAIS.
No agravo de instrumento, a parte ora agravante apontou ofensa aos arts. 7º da Constituição Federal, 189 do CC, 42, 59 e 62 da CLT e contrariedade às Súmulas nos 278/STJ e 230/STF.
Argumentou que o direito à indenização não começa a fluir no curso do tratamento médico, que procura recuperar a capacidade de trabalho, sendo somente exigível, em Juízo, a partir do efetivo decreto de invalidez ou alta médica previdenciária.
Sustentou que a o prazo prescricional quinquenal se inicia, em causas que versam sobre acidente de trabalho, quando a vítima se torna ciente do dano e pode avaliar sua real extensão e as consequências maléficas dele advinda.
Na minuta de agravo, afirma que seu agravo de instrumento reúne condições de conhecimento e provimento.
Merece reforma a decisão agravada.
Destaco, de início, que a parte cuidou de indicar, no recurso de revista, o trecho da decisão recorrida que consubstancia o prequestionamento da controvérsia objeto da insurgência, atendendo ao disposto no art. 896, § 1º-A, I, da CLT (fl. 612).
Observe-se que a adoção da técnica per relationem não enseja a declaração de nulidade da decisão por negativa de prestação jurisdicional, considerando-se a possibilidade de revisão da decisão por meio da interposição do agravo interno.
Nesse sentido, precedentes:
"AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. ADOÇÃO DA TÉCNICA "PER RELATIONEM". LIMITAÇÃO. A parte agravante não apresenta argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. A adoção dos fundamentos constantes da decisão denegatória (técnica "per relationem"), como expressa razão de decidir, atende à exigência legal e constitucional da motivação das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, consoante a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF-ED-MS 25.936-1/DF, Relator Min. Celso de Mello, Tribunal Pleno, DJe 18/09/2009) e desta Corte Superior, não implicando ofensa às garantias da ampla defesa e do devido processo legal, haja vista a possibilidade de impugnação pela via do agravo interno, recurso ao qual se destina a regra do art. 1.021, § 3º, do CPC. Agravo regimental a que se nega provimento."(AgR-AIRR - 114-59.2014.5.02.0068 , Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, Data de Julgamento: 29/11/2017, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 01/12/2017);
AGRAVO. 1. PRELIMINAR DE NULIDADE POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM. DENEGAÇÃO DE SEGUIMENTO. ACERTO DA DECISÃO AGRAVADA. NÃO PROVIMENTO. A adoção da técnica de fundamentação per relationem atende à exigência de motivação das decisões proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário, consoante a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, trazida à colação na própria decisão agravada (STF-ARE 657355- Min. Luiz Fux, DJe-022 de 01/02/2012). Assim, não se vislumbra a nulidade apontada, pois a v. decisão encontra-se devidamente motivada, tendo como fundamentos os mesmos adotados pela Presidência do egrégio Tribunal Regional quando do exercício do juízo de admissibilidade a quo do recurso de revista, que, por sua vez, cumpriu corretamente com seu mister, à luz do artigo 896, § 1º, da CLT. Se a parte não trouxe no seu agravo regimental nenhum argumento que demovesse a decisão denegatória do agravo de instrumento, há que ser mantido o mencionado decisum. Agravo a que se nega provimento. 2. (...) (Ag-AIRR - 20004-79.2015.5.04.0104 , Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, Data de Julgamento: 07/12/2016, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 16/12/2016)
"AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.015/2014. PEDIDO DE NULIDADE DO DESPACHO DO RELATOR POR NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. Tem-se pleno conhecimento do disposto no § 3º do art. 1.021 do CPC/2015, que limitou o relator a simplesmente reproduzir as decisões agravada/recorrida (fundamentação per relationem) que seriam, no seu entender, suficientes para embasar sua decisão. Contudo, do exame detido da r. decisão denegatória concluiu-se que a parte agravante não logrou demonstrar o preenchimento de qualquer das hipóteses de admissibilidade do recurso de revista, nos termos do art. 896 da CLT. Assim, não foi simplesmente ratificada ou reproduzida a decisão agravada, mas sim realizada uma análise da possibilidade do provimento do apelo, assim como afastados os argumentos e dispositivos invocados nas razões recursais, mesmo que de forma sucinta pelo relator, nos termos do art. 5º, LV, LXXVIII, da CF/88. Dessa forma, não há negativa de prestação jurisdicional a ser declarada, assim como fica afastada a violação dos arts. 93, IX, da CF e 489, § 1º, III, e 1.021, § 3º, do CPC/15. O recebimento dos embargos de declaração como agravo, com a concessão de prazo para que o embargante possa ajustá-los às exigências do art. 1.021, § 1º, do CPC de 2015, nos termos da Súmula 421, II, do TST, não oferece qualquer prejuízo à parte, uma vez que transfere ao colegiado a análise de todas as insurgências decididas monocraticamente. (...) (Ag-AIRR - 2753-98.2011.5.02.0086 , Relator Ministro: Alexandre de Souza Agra Belmonte, Data de Julgamento: 02/08/2017, 3ª Turma, Data de Publicação: DEJT 25/08/2017);
"AGRAVO - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/2014 - NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL - MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM A decisão que utiliza a motivação referenciada - per relationem - cumpre integralmente os ditames dos arts. 93, IX, da Constituição da República, 458 do CPC e 832 da CLT e é aceita e adotada no âmbito do E. Supremo Tribunal Federal (AI-QO nº 791.292-PE, Relator Exmº Ministro Gilmar Mendes, DJe - 13/8/2010). Precedentes. Agravo a que se nega provimento." (Ag-AIRR - 1272-57.2014.5.02.0034 , Relatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de Julgamento: 31/05/2017, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 02/06/2017)
Quanto ao mais, o e. TRT consignou, quanto ao tema:
"4. MATÉRIA COMUM AOS RECURSOS DAS RECLAMADAS
4.1. Prescrição.
Perseguem as rés que seja aplicada a prescrição quinquenal prevista no artigo 70, XXIX, da CF/88, tendo em vista decorridos nove anos entre a data do acidente e o ajuizamento da demanda.
A r. sentença a quo, decidiu que 'no presente caso, o reclamante ajuizou a presente demanda em 26/2/2015, ou seja, dentro do prazo trienal, tendo em vista que alta previdenciária do último afastamento foi concedida em 2014. Não há, portanto, prescrição a ser pronunciada.'
Ab initio, saliente-se que a prescrição, sob a ótica do titular do direito, é a perda da exigibilidade judicial de um direito em consequência de não o ter exigido durante certo lapso de tempo previsto em lei, tendo como suporte a harmonia das relações sociais e a segurança jurídica (DELGADO, Maurício Godinho, Curso de direito do trabalho. São Paulo: LTr, 2011, p. 241).
Com efeito, vaticina o inciso VI do artigo 114, da Lex Fundamentalis, introduzido pela Emenda Constitucional nº 45, publicada em 31.12.2004, que a Justiça Laboral tem competência para julgar:
'as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho'
Registre-se que somente nas lesões ocorridas até a data da publicação da EC nº 45/2004, em 31/12/2004, aplica-se a prescrição civilista, observado, inclusive, o critério de adequação de prazos fixado no art. 2.028 do Código Civil.
Posto isto, faz-se mister considerar qual o termo inicial para contagem do prazo prescricional. Neste sentido, a pretensão relativa ao pedido de indenizações por danos morais e materiais decorrentes do acidente de trabalho ou doença exige a ciência inequívoca da lesão e dos danos provocados ao empregado.
Assim, imperioso consignar o consolidado na Súmula 278 do C. STJ, como se vê:
Súmula 278: O termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral.
No caso em apreço inaplicável mesmo a Lei Substantiva Comum, pois, há um CAT (doc. 82 do 1º volume apartado formado pelos documentos da 2ª ré - START) com registro de acidente de trabalho em 03.08.2006, ou seja, após a Emenda Constitucional 45/04.
In casu o autor percebeu o benefício do auxílio doença acidentário (doc nº 90 no 1º volume apartado de documentos da 2ª reclamada), aos 18.01.2007, ocorrendo a ciência inequívoca da lesão, inclusive da incapacidade, haja vista a convolação do benefício em auxílio acidente, ex-vi do documento nº 98 (do mesmo volume de documentos supra referidos) subsequente, que atestou, expressamente, a constatação de 'sequela definitiva' e 'condição que reduz a capacidade para o trabalho ou impossibilita o desempenho da atividade exercida à época do acidente', documento oficial datado de 04 de fevereiro de 2009.
Inaplicável, na hipótese, como supedâneo de suspensão do lapso prescricional, os termos do inciso II da Súmula 378 do C. TST, haja vista que o autor tinha ciência inequívoca da lesão, desde 04 de fevereiro de 2009.
Incidente, na hipótese, os termos da Orientação Jurisprudencial nº 375 da SID1-1 do C. TST, verbis:
375. AUXÍLIO-DOENÇA. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. PRESCRIÇÃO. CONTAGEM (DEJT DIVULGADO EM 19,20 E 22.04.2010)
A suspensão do contrato de trabalho, em virtude da percepção do auxílio-doença ou da aposentadoria por invalidez, não impede a fluência da prescrição quinquenal, ressalvada a hipótese de absoluta impossibilidade de acesso ao Judiciário.
Com efeito, não houve qualquer impedimento para que o autor deixasse de ingressar com a presente demanda o oportune tempore, soando caracterizada a prescrição quinquenal extintiva, haja vista a distribuição da ação aos 26/02/2015.
Acolho, assim, o desiderato recursal, para extinguir, com resolução do mérito, os pedidos de indenizações por danos morais e Materiais decorrentes do acidente de trabalho, nos termos do artigo 487, II, CPC e artigo 7º XXIX, da CF/88.
Prejudicado o exame do recurso obreiro no que toca à majoração." (destacou-se) (fls. 585/588)
Conforme dispõe a Súmula nº 278 do STJ, "o termo inicial do prazo prescricional, na ação de indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral".
Nessa diretriz, esta Corte tem firme jurisprudência no sentido de que o prazo prescricional do art. 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal é aplicável às pretensões de indenizações por danos morais decorrentes de acidente do trabalho quando a ciência inequívoca da lesão for posterior à Emenda Constitucional nº 45/2004 (publicada em 31/12/2004), e não o art. 205 do Código Civil, tampouco a prescrição trienal explicitada no art. 206, § 3º, do Código Civil.
Sabe-se que, segundo entendimento do TST, a ciência inequívoca da incapacidade laboral ocorre com a alta previdenciária ou com a aposentadoria por invalidez, momento em que as lesões se consolidam em toda a sua extensão.
É que não se pode exigir o ajuizamento da ação enquanto ainda houver dúvidas sobre a real extensão dos danos e a possibilidade de restabelecimento ou agravamento de suas lesões.
Nesse sentido, os seguintes julgados da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais deste Tribunal (destaques acrescidos):
EMBARGOS REGIDOS PELA LEI Nº 13.015/2014. PRESCRIÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS DECORRENTES DE DOENÇA OCUPACIONAL (LER/DORT). CONCESSÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA. MARCO INICIAL. CIÊNCIA INEQUÍVOCA DA LESÃO. CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ACTIO NATA. CIÊNCIA INEQUÍVOCA DA LESÃO NA VIGÊNCIA DO NOVO CÓDIGO CIVIL E APÓS A VIGÊNCIA DA EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 45. PRESCRIÇÃO TRABALHISTA QUINQUENAL PREVISTA NO ARTIGO 7º, INCISO XXIX, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A jurisprudência trabalhista, no caso da pretensão de indenização por danos morais e materiais decorrentes de acidente/doença de trabalho, tem adotado como parâmetro para fixação do marco inicial da prescrição o critério consagrado pela Súmula nº 278 do Superior Tribunal de Justiça, a qual dispõe que o direito a pleitear essa indenização, em todos os seus contornos, somente surge para o segurado na data em que ele tiver ciência inequívoca da sua incapacidade laboral, em toda sua extensão. No entanto, a aplicação desse verbete às pretensões de natureza trabalhista deve ser feita com parcimônia, pois os seus precedentes tratam de hipóteses em que se postulou o pagamento de indenização a ser adimplida por seguradoras, ou seja, são referentes a pretensões de caráter eminentemente civil. Não houve, nesse ponto, o enfrentamento da questão em face de pretensões que envolvam direitos fundamentais, como o direito fundamental à saúde e à integridade física do trabalhador, discutidos nas ações em que o empregado busca o ressarcimento por danos morais e materiais decorrentes de lesões ligadas à sua atividade laboral. Diante disso, a interpretação a ser dada à expressão "ciência inequívoca da incapacidade laboral", registrada na Súmula nº 278 do STJ, deve ser ampla, com vistas a observar o princípio protetivo, basilar do direito do trabalho. A deflagração do prazo prescricional da pretensão de indenização por danos morais e materiais decorrentes de doença ocupacional deverá, em regra, coincidir com a data em que o empregado tenha tido ciência inequívoca dos efeitos danosos da lesão sofrida, pois é nesse momento que o direito à reparação civil se torna exigível. Efetivamente, quando se está diante de lesões decorrentes de doença ocupacional, como a LER/DORT, a fixação desse marco prescricional torna-se mais difícil, uma vez que seus sintomas não se revelam de imediato, como no caso de um acidente com morte do trabalhador, uma vez que a doença ocupacional, ao revés, atinge a saúde do trabalhador de forma gradual e progressiva. Ademais, por se estar diante de situação provisória e gradativa, a real extensão da doença ocupacional, por constituir lesão que se protrai no tempo, somente será conhecida quando se estiver diante de dois resultados possíveis e excludentes: 1) se a lesão que atingiu o empregado for totalmente incapacitante para qualquer trabalho, ele será aposentado por invalidez; e 2) por outro lado, se a lesão não for incapacitante e o empregado estiver apto para executar as mesmas atividades ou puder ser readaptado, o auxílio-doença ou auxílio-doença acidentário cessará e ele retornará ao trabalho. Não é possível, então, admitir que a ciência inequívoca coincida com a expedição da CAT, o diagnóstico ou o início da concessão do auxílio-doença, porquanto, no curso do afastamento para tratamento, o empregado poderá se deparar com o abrandamento da doença ou com seu agravamento, culminando com o retorno ao trabalho ou com a aposentadoria por invalidez, respectivamente. Assim, não é razoável exigir do trabalhador que ele proponha a ação em que pretenda o pagamento de indenização por danos morais e materiais decorrentes de doença ocupacional antes que ele tenha a exata noção da gravidade da moléstia que o acometeu e da extensão dos efeitos danosos da lesão, uma vez que, apenas com a aposentadoria por invalidez ou com a cessação do auxílio-doença ou auxílio-doença acidentário e o consequente retorno do empregado ao trabalho, quando todos os efeitos do fato danoso já estiverem definitivamente configurados, é que nasce, para o empregado, o direito de pretender a reparação civil respectiva. Destaque-se que a SbDI-1 deste Tribunal, por ocasião do julgamento dos Embargos nº E-RR- 92300-39.2007.5.20.0006, ocorrido na sessão do dia 12/9/2013, por meio de acórdão lavrado pelo Ministro João Oreste Dalazen, decidiu, por maioria, que o marco inicial da prescrição da pretensão de indenização por danos morais e materiais decorrentes de doença profissional - LER/DORT -, em que o empregado tiver recebido benefício previdenciário e, posteriormente, houver sido considerado apto para o trabalho, será a data de retorno ao trabalho (E-RR-92300-39.2007.5.20.0006, Redator Ministro: João Oreste Dalazen, Data de julgamento: 12/9/2013, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de publicação: 25/10/2013). Portanto, o termo a quo da contagem do prazo prescricional se inicia pela cessação do benefício previdenciário. A extensão do dano, pois, somente poderá ser medida após o término do auxílio-doença. No caso dos autos, o término do gozo do benefício previdenciário ocorreu em 8/10/2009, data da ciência inequívoca da lesão e marco inicial para a contagem do prazo prescricional, na vigência do novo Código Civil (11/1/2003) e após a vigência da Emenda Constitucional nº 45, razão pela qual deve ser aplicado o prazo quinquenal previsto no artigo 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal, considerando que o contrato de emprego estava em vigor na data do ajuizamento da ação, o que repele a aplicação da prescrição bienal do referido dispositivo constitucional. Assim, como a ação foi proposta em 28/1/2011, não há prescrição a ser pronunciada. Embargos não conhecidos. (E-ED-RR-138-61.2011.5.15.0026, Relator Ministro: José Roberto Freire Pimenta, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DEJT de 27/04/2018).
EMBARGOS. LEI Nº 11.496/2007. PRESCRIÇÃO. MARCO INICIAL. DANO MORAL E MATERIAL. INDENIZAÇÃO. DOENÇA OCUPACIONAL. INCAPACIDADE. CIÊNCIA INEQUÍVOCA. 1. As doenças ocupacionais relacionadas às "Lesões por Esforço Repetitivo" e aos "Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho - LER/DORT" constituem típica síndrome associada ao trabalho, de acometimento progressivo da saúde do empregado, e que, por essa razão, dificulta a identificação do momento em que se dá a ciência inequívoca da lesão ensejadora de danos moral e material, em sua completa extensão. 2. A fixação do marco inicial da contagem do prazo prescricional no tocante ao pleito de indenização por danos moral e material decorrentes do acometimento de LER/DORT demanda a identificação, caso a caso, do momento em que o empregado tomou conhecimento da real extensão da moléstia profissional. Desarrazoado exigir-se do empregado o exercício do direito de ação se ainda não consolidada a extensão do dano durante a evolução da doença ou no curso de processo de reabilitação. 3. Na trilha desse entendimento, a jurisprudência da SbDI-1 do TST, reiteradamente, considera: ou a concessão da aposentadoria por invalidez, ou o regresso do empregado às atividades laborais, seja totalmente reabilitado, seja readaptado em outra função. 4. Se a empregada retorna ao trabalho para a execução de atividade distinta daquela desempenhada por ocasião do afastamento que ensejou a expedição da Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT e não se extrai dos autos notícia de alteração ou agravamento do estado clínico da Reclamante, entende-se que conhece a real extensão da doença profissional. Em consequência, o termo a quo do prazo prescricional coincide com a data de retorno ao trabalho. 5. Verificada a ciência inequívoca da lesão em janeiro de 1997, antes, portanto, da vigência da Emenda Constitucional nº 45/2004, a norma de regência do prazo prescricional, na espécie, é o Código Civil. Decorridos menos de 10 anos entre a ciência da lesão e a data da entrada em vigor do Código Civil de 2002 (11/1/2003), incide a regra de transição insculpida no art. 2.028 do Novo Código. Aplica-se, por conseguinte, a prescrição trienal de que trata o art. 206, § 3º, V, do Código Civil de 2002.6. Ajuizada a reclamação trabalhista apenas em março de 2006, remanesce o acórdão turmário no tocante à declaração de prescrição total da pretensão à indenização por dano moral e material. 7. Embargos de que se conhece, por divergência jurisprudencial, e a que se nega provimento. (E-ED-ARR-9951700-41.2006.5.09.0003, Relator Ministro: João Oreste Dalazen, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DEJT de 07/10/2016).
Na hipótese, o quadro fático constante no acórdão regional revela que o autor sofreu acidente de trabalho em 03.04.2006 (conforme consta do CAT) e que teve ciência inequívoca da lesão em 2014, quando da alta do último afastamento previdenciário (elemento fático que não foi afastado no acórdão regional), e ainda, que a presente ação foi distribuída em 26.02.2015.
Tendo em vista que se tratar de pretensão de indenização por danos morais e materiais, decorrentes de doença ocupacional, com a ciência inequívoca da lesão se dá após a vigência da Emenda Constitucional nº 45/2004, como no caso dos autos, aplica-se o prazo prescricional do artigo 7º, XXIX, da Constituição, que dispõe, in verbis:
"7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após a extinção do contrato de trabalho;"
Logo, não há prescrição a ser declarada, na hipótese, uma vez que observado o prazo do art. 7º, XXIX, da Constituição.
Assim sendo, incorreu a decisão regional em possível ofensa ao art. 189 do CC, que versa sobre a prescrição.
Do exposto, verificando possível ofensa ao art. 189 do CC, dou provimento ao agravo para melhor exame do agravo de instrumento.
Preenchidos os pressupostos recursais, conheço do agravo de instrumento.
Tendo em vista os fundamentos expostos quando do provimento do agravo, verifica-se potencial ofensa ao art. 189 do CC, razão pela qual dou provimento ao agravo de instrumento para, convertendo-o em recurso de revista, determinar a reautuação do processo e a publicação da certidão de julgamento para ciência e intimação das partes e dos interessados de que o julgamento do recurso de revista se dará na sessão ordinária subsequente ao término do prazo de cinco dias úteis contados da data da publicação da respectiva certidão de julgamento (RITST, arts. 256 e 257 c/c art. 122).
Satisfeitos os pressupostos genéricos de admissibilidade, passo ao exame dos específicos do recurso de revista.
Tendo em vista os fundamentos expostos quando do provimento do agravo e do agravo de instrumento, restou evidenciada a ofensa ao art. 189 do CC.
Logo, conheço do recurso de revista.
Conhecido o recurso, por ofensa ao art. 189 do CC, consequência lógica é o seu provimento para afastar a prescrição declarada e determinar o retorno dos autos ao TRT de origem para que prossiga no exame do feito, como entender de direito.
ACORDAM os Ministros da Quinta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade: a) conhecer do agravo e, no mérito, dar-lhe provimento para melhor exame do agravo de instrumento; b) conhecer do agravo de instrumento e, no mérito, dar-lhe provimento para, convertendo-o em recurso de revista, determinar a reautuação do processo e a publicação da certidão de julgamento para ciência e intimação das partes e dos interessados de que o julgamento do recurso de revista se dará na sessão ordinária subsequente ao término do prazo de cinco dias úteis contados da data da publicação da respectiva certidão de julgamento (RITST, arts. 256 e 257 c/c art. 122); c) conhecer do recurso de revista, por ofensa ao art. 189 do CC, e, no mérito, dar-lhe provimento para afastar a prescrição declarada e determinar o retorno dos autos ao TRT de origem para que prossiga no exame do feito, como entender de direito.
Brasília, 11 de dezembro de 2019.
BRENO MEDEIROS
PROCESSO Nº TST-RR-226-71.2015.5.02.0301
Firmado por assinatura digital em 12/12/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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