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Timestamp: 2016-10-27 05:35:25+00:00
Document Index: 75351188

Matched Legal Cases: ['Artigo 2', 'Artigo 4', 'Artigo 5', 'Artigo 6', 'Artigo 7', 'Artigo 10', 'Artigo 19', 'Artigo 20', 'Artigo 21']

Politica nacional do idoso - HubslideToggle navigationBUSINESSEDUCATIONTECHNOLOGYTRAVELMORE TOPICSSign upSign in HomeIvone Guedes BorgesPolitica nacional do idoso of 102Politica nacional do idoso Ivone Guedes BorgesPublished on: Mar 4, 2016 Transcripts - Politica nacional do idoso
Reimpresso em maio de 2010
Lei nº 8.842, de janeiro de 1994 .................................. 5
Lei nº 11.520, de 18 de setembro de 2007 ....................... 63
Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência
Contra a Pessoa Idosa ...................................................... 67
Decreto nº 6.168, de 24 de julho de 2007 ........................ 95
Artigo 2º - Considera-se idoso, para os efeitos desta
Lei, a pessoa maior de sessenta anos de idade.
I - a família, a sociedade e o estado têm o dever de
assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua
II - o processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e
informação para todos;
IV - o idoso deve ser o principal agente e o destinatário
das transformações a serem efetivadas através desta política;
V - as diferenças econômicas, sociais, regionais e,
particularmente, as contradições entre o meio rural e o urbano do Brasil deverão ser observadas pelos poderes públicos e pela sociedade em geral, na aplicação desta Lei.
Artigo 4º - Constituem diretrizes da política nacional
I - viabilização de formas alternativas de participação,
ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações;
II - participação do idoso, através de suas organizações representativas, na formulação, implementação e
avaliação das políticas, planos, programas e projetos a serem desenvolvidos;
III - priorização do atendimento ao idoso através de
suas próprias famílias, em detrimento do atendimento asilar, à exceção dos idosos que não possuam condições
que garantam sua própria sobrevivência;
V - capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas
áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços;
VII - estabelecimento de mecanismos que favoreçam
a divulgação de informações de caráter educativo sobre
os aspectos biopsicossociais do envelhecimento;
VIII - priorização do atendimento ao idoso em órgãos
públicos e privados prestadores de serviços, quando desabrigados e sem família;
IX - apoio a estudos e pesquisas sobre as questões
relativas ao envelhecimento.
Parágrafo único - É vedada a permanência de portadores de doenças que necessitem de assistência médica
ou de enfermagem permanente em instituições asilares de
Artigo 5º - Competirá ao órgão ministerial responsável pela assistência e promoção social a coordenação
geral da política nacional do idoso, com a participação dos
conselhos nacionais, estaduais, do Distrito Federal e municipais do idoso.
Artigo 6º - Os conselhos nacional, estaduais, do Distrito Federal e municipais do idoso serão órgãos permanentes,
paritários e deliberativos, compostos por igual número de representantes dos órgãos e entidades públicas e de organizações representativas da sociedade civil ligadas à área.
Artigo 7º - Compete aos conselhos de que trata o
artigo anterior a formulação, coordenação, supervisão e
avaliação da política nacional do idoso, no âmbito das respectivas instâncias político-administrativas.
I - coordenar as ações relativas à política nacional do
V - elaborar a proposta orçamentária no âmbito da
promoção e assistência so-cial e submetê-la ao Conselho
Parágrafo único - Os ministérios das áreas de saúde, educação, trabalho, previdência social, cultura, esporte e lazer devem elaborar proposta orçamentária, no âmbito de suas competências, visando ao financiamento de
programas nacionais compatíveis com a política nacional
Artigo 10 - Na implementação da política nacional do
idoso, são competências dos órgãos e entidades públicos:
a) prestar serviços e desenvolver ações voltadas
para o atendimento das necessidades básicas do idoso,
mediante a participação das famílias, da sociedade e de
entidades governamentais e não-governamentais.
b) estimular a criação de incentivos e de alternativas de atendimento ao idoso, como centros de convivên9
cia, centros de cuidados diurnos, casas-lares, oficinas abrigadas de trabalho, atendimentos domiciliares e outros;
c) promover simpósios, seminários e encontros
d) planejar, coordenar, supervisionar e financiar
estudos, levantamentos, pesquisas e publicações sobre a
situação social do idoso;
a) garantir ao idoso a assistência à saúde, nos
diversos níveis de atendimento do Sistema Único de
c) adotar e aplicar normas de funcionamento às
instituições geriátricas e similares, com fiscalização pelos
gestores do Sistema Único de Saúde;
e) desenvolver formas de cooperação entre as
Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal,
e dos Municípios e entre os Centros de Referência em
Geriatria e Gerontologia para treinamento de equipes
interprofissionais;
f) incluir a Geriatria como especialidade clínica,
para efeito de concursos públicos federais, estaduais, do
Distrito Federal e municipais;
g) realizar estudos para detectar o caráter epidemiológico de determinadas doenças do idoso, com vistas
a prevenção, tratamento e reabilitação; e
b) inserir nos currículos mínimos, nos diversos níveis do ensino formal, conteúdos voltados para o processo de envelhecimento, de forma a eliminar preconceitos e
a produzir conhecimentos sobre o assunto;
e) desenvolver programas que adotem modalidades
de ensino à distância, adequados às condições do idoso;
f) apoiar a criação de universidade aberta para a
terceira idade, como meio de universalizar o acesso às diferentes formas do saber;
a) garantir mecanismos que impeçam a discriminação do idoso quanto a sua participação no mercado de
trabalho, no setor público e privado;
b) priorizar o atendimento do idoso nos benefícios
c) criar e estimular a manutenção de programas
de preparação para aposentadoria nos setores público e
privado com antecedência mínima de dois anos antes do
b) incluir nos programas de assistência ao idoso formas de melhoria de condições de habitabilidade e
adaptação de moradia, considerando seu estado físico e
sua independência de locomoção;
c) elaborar critérios que garantam o acesso da
pessoa idosa à habitação popular;
b) zelar pela aplicação das normas sobre o idoso
determinando ações para evitar abusos e lesões a seus
a) garantir ao idoso a participação no processo de
produção, reelaboração e fruição dos bens culturais;
b) propiciar ao idoso o acesso aos locais e
eventos culturais, mediante preços reduzidos, em âmbito nacional;
d) valorizar o registro da memória e a transmissão de informações e habilidades do idoso aos mais
jovens, como meio de garantir a continuidade e a identidade cultural;
e) incentivar e criar programas de lazer, esporte e
atividades físicas que proporcionem a melhoria da qualidade de vida do idoso e estimulem sua participação
§ 1º - É assegurado ao idoso o direito de dispor de
seus bens, proventos, pensões e benefícios, salvo nos casos de incapacidade judicialmente comprovada.
§ 2º - Nos casos de comprovada incapacidade do
idoso para gerir seus bens, ser-lhe-á nomeado Curador
especial em juízo.
Artigo 19 - Os recursos financeiros necessários à implantação das ações afetas às áreas de competência dos
governos federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais serão consignados em seus respectivos orçamentos.
Artigo 20 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei
no prazo de sessenta dias, a partir da data de sua publicação.
Artigo 21 - Esta Lei entra em vigor na data de sua
Regulamenta o benefício de prestação continuada
da assistência social devido à pessoa com deficiência e
ao idoso de que trata a Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de
1993, e a Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, acresce parágrafo ao art. 162 do Decreto nº 3.048, de 6 de
maio de 1999, e dá outras providências.
tendo em vista o disposto no art. 20 da Lei nº 8.742, de 7
de dezembro de 1993, e no art. 34 da Lei nº 10.741, de 1º
Art. 1º Fica aprovado, na forma do Anexo deste Decreto, o Regulamento do Benefício de Prestação Continuada instituído pelo art. 20 da Lei no 8.742, de 7 de dezembro
Art. 2º O art. 162 do Regulamento da Previdência
Social, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 6 de maio de
1999, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo:
“Parágrafo único. O período a que se refere o
caput poderá ser prorrogado por iguais períodos, desde que comprovado o andamento regular do processo
legal de tutela ou curatela.” (NR)
Art. 4º Ficam revogados os Decretos nos 1.744, de 8
de dezembro de 1995, e 4.712, de 29 de maio de 2003.
Brasília, 26 de setembro de 2007; 186º da Independência e 189º da República.
Art. 1º O Benefício de Prestação Continuada previsto
no art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, é a
garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso, com idade de sessenta e cinco anos
ou mais, que comprovem não possuir meios para prover a
§ 1º O Benefício de Prestação Continuada integra
a proteção social básica no âmbito do Sistema Único de
Assistência Social - SUAS, instituído pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, em consonância
com o estabelecido pela Política Nacional de Assistência
Social - PNAS.
§ 2º O Benefício de Prestação Continuada é constitutivo da PNAS e integrado às demais políticas setoriais, e
visa ao enfrentamento da pobreza, à garantia da proteção
social, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais,
nos moldes definidos no parágrafo único do art. 2º da Lei
nº 8.742, de 1993.
§ 3º A plena atenção à pessoa com deficiência e ao
idoso beneficiário do Benefício de Prestação Continuada
exige que os gestores da assistência social mantenham
ação integrada às demais ações das políticas setoriais nacional, estaduais, municipais e do Distrito Federal, principalmente no campo da saúde, segurança alimentar, habitação e educação.
Art. 2º Compete ao Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, por intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social, a implementação, a coordenação-geral, a regulação, financiamento, o monitoramento
e a avaliação da prestação do beneficio, sem prejuízo das
iniciativas compartilhadas com Estados, Distrito Federal e
Municípios, em consonância com as diretrizes do SUAS
inciso I do art. 204 da Constituição e no inciso I do art. 5º
da Lei nº 8.742, de 1993.
Art. 3º O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
é o responsável pela operacionalização do Benefício de
Prestação Continuada, nos termos deste Regulamento.
Art. 4º Para os fins do reconhecimento do direito ao
benefício, considera-se:
I - idoso: aquele com idade de sessenta e cinco anos
II - pessoa com deficiência: aquela cuja deficiência a
incapacita para a vida independente e para o trabalho;
III - incapacidade: fenômeno multidimensional que
abrange limitação do desempenho de atividade e restri20
ção da participação, com redução efetiva e acentuada da
capacidade de inclusão social, em correspondência à interação entre a pessoa com deficiência e seu ambiente físico
IV - família incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou do idoso: aquela cuja renda mensal bruta familiar dividida pelo número de seus integrantes
V - família para cálculo da renda per capita, conforme
disposto no § 1º do art. 20 da Lei nº 8.742, de 1993: conjunto
de pessoas que vivem sob o mesmo teto, assim entendido,
o requerente, o cônjuge, a companheira, o companheiro, o
filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21
anos ou inválido, os pais, e o irmão não emancipado, de
qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido; e
VI - renda mensal bruta familiar: a soma dos rendimentos brutos auferidos mensalmente pelos membros da
família composta por salários, proventos, pensões, pensões alimentícias, benefícios de previdência pública ou privada, comissões, pró-labore, outros rendimentos do trabalho não assalariado, rendimentos do mercado informal ou
autônomo, rendimentos auferidos do patrimônio, Renda
Mensal Vitalícia e Benefício de Prestação Continuada, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 19.
§ 1º Para fins do disposto no inciso V, o enteado e o
menor tutelado equiparam-se a filho mediante comprovação de dependência econômica e desde que não possuam bens suficientes para o próprio sustento e educação.
§ 2º Para fins de reconhecimento do direito ao Benefício de Prestação Continuada de crianças e adolescentes
até dezesseis anos de idade, deve ser avaliada a existência
da deficiência e o seu impacto na limitação do desempenho de atividade e restrição da participação social, compatível com a idade, sendo dispensável proceder à avaliação
da incapacidade para o trabalho.
Art. 5º O beneficiário não pode acumular o Benefício
de Prestação Continuada com qualquer outro benefício no
âmbito da Seguridade Social ou de outro regime, salvo o
da assistência médica.
Art. 6º A condição de internado advém de internamento em hospital, abrigo ou instituição congênere e não
prejudica o direito da pessoa com deficiência ou do idoso
ao Benefício de Prestação Continuada.
Art. 7º O brasileiro naturalizado, domiciliado no Brasil, idoso ou com deficiência, observados os critérios estabelecidos neste Regulamento, que não perceba qualquer
outro benefício no âmbito da Seguridade Social ou de outro regime, nacional ou estrangeiro, salvo o da assistência
médica, é também beneficiário do Benefício de Prestação
Da Habitação, da Concessõa, da Manutenção, da
II - renda mensal bruta familiar, dividida pelo número de
seus integrantes, inferior a um quarto do salário mínimo; e
Parágrafo único. A comprovação da condição prevista no inciso III poderá ser feita mediante declaração do
idoso ou, no caso de sua incapacidade para os atos da
vida civil, do seu curador.
I - ser incapaz para a vida independente e para o trabalho, observado o disposto no § 2º do art. 4º;
II - renda mensal bruta familiar do requerente, dividida pelo número de seus integrantes, inferior a um quarto
do salário mínimo; e
III - não possuir outro benefício no âmbito da Seguridade Social ou de outro regime, salvo o de assistência
Parágrafo único. A comprovação da condição prevista no inciso III poderá ser feita mediante declaração da
pessoa com deficiência ou, no caso de sua incapacidade
para os atos da vida civil, do seu curador ou tutor.
Art. 11. Para fins de identificação da pessoa com deficiência e do idoso e de comprovação da idade do idoso,
no caso de brasileiro naturalizado, deverão ser apresentados os seguintes documentos:
II - carteira de identidade ou carteira de trabalho e
Art. 12. O Cadastro de Pessoa Física deverá ser
apresentado no ato do requerimento do benefício.
Parágrafo único. A não inscrição do requerente no
Cadastro de Pessoa Física no ato do requerimento não
prejudicará a análise do processo administrativo, mas será
condição para a concessão do benefício.
Art. 13. A comprovação da renda familiar mensal per
capita será feita mediante Declaração da Composição e
Renda Familiar, em formulário instituído para este fim, assinada pelo requerente ou seu representante legal, confrontada com os documentos pertinentes, ficando o declarante
sujeito às penas previstas em lei no caso de omissão de
informação ou declaração falsa.
§ 1º Os rendimentos dos componentes da família
do requerente deverão ser comprovados mediante a apresentação de um dos seguintes documentos:
I - carteira de trabalho e previdência social com as
devidas atualizações;
III - guia da Previdência Social - GPS, no caso de
Contribuinte Individual; ou
IV - extrato de pagamento de benefício ou declaração
fornecida por outro regime de previdência social público
ou previdência social privada.
§ 2º O membro da família sem atividade remunerada
ou que esteja impossibilitado de comprovar sua renda terá
sua situação de rendimento informada na Declaração da
Composição e Renda Familiar.
§ 3º O INSS verificará, mediante consulta a cadastro
específico, a existência de registro de benefício previdenciário, de emprego e renda do requerente ou beneficiário
e dos integrantes da família.
§ 4º Compete ao INSS e aos órgãos autorizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quando necessário, verificar junto a outras instituições, inclusive de
previdência, a existência de benefício ou de renda em nome
do requerente ou beneficiário e dos integrantes da família.
§ 5º Havendo dúvida fundada quanto à veracidade
das informações prestadas, o INSS ou órgãos responsáveis pelo recebimento do requerimento do benefício deverão elucidá-la, adotando as providências pertinentes.
§ 6º Quando o requerente for pessoa em situação
de rua deve ser adotado, como referência, o endereço
do serviço da rede sócioassistencial pelo qual esteja sendo acompanhado, ou, na falta deste, de pessoas com as
quais mantém relação de proximidade.
§ 7º Será considerado família do requerente em situação de rua as pessoas elencadas no inciso V do art. 4º,
desde que convivam com o requerente na mesma situação, devendo, neste caso, ser relacionadas na Declaração da Composição e Renda Familiar.
Art. 14. O Benefício de Prestação Continuada deverá
ser requerido junto às agências da Previdência Social ou
aos órgãos autorizados para este fim.
Parágrafo único. Os formulários utilizados para o
requerimento do benefício serão disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome,
INSS, órgãos autorizados ou diretamente em meios eletrônicos oficiais, sempre de forma acessível, nos termos do
Art. 15. A habilitação ao benefício dependerá da
apresentação de requerimento, preferencialmente pelo requerente, juntamente com os documentos necessários.
§ 1º O requerimento será feito em formulário próprio,
devendo ser assinado pelo requerente ou procurador, tutor ou curador.
§ 2º Na hipótese de não ser o requerente alfabetizado ou de estar impossibilitado para assinar o pedido, será
admitida a aposição da impressão digital na presença de
funcionário do órgão recebedor do requerimento.
§ 3º A existência de formulário próprio não impedirá
que seja aceito qualquer requerimento pleiteando o beneficio, desde que nele constem os dados imprescindíveis
ao seu processamento.
§ 4º A apresentação de documentação incompleta
não constitui motivo de recusa liminar do requerimento do
Art. 16. A concessão do benefício à pessoa com deficiência ficará sujeita à avaliação da deficiência e do grau
de incapacidade, com base nos princípios da Classificação
Internacional de Funcionalidades, Incapacidade e Saúde CIF, estabelecida pela Resolução da Organização Mundial
da Saúde nº 54.21, aprovada pela 54ª Assembléia Mundial
da Saúde, em 22 de maio de 2001.
§ 1º A avaliação da deficiência e do grau de incapacidade será composta de avaliação médica e social.
§ 2º A avaliação médica da deficiência e do grau
de incapacidade considerará as deficiências nas funções
e nas estruturas do corpo, e a avaliação social considerará os fatores ambientais, sociais e pessoais, e ambas
considerarão a limitação do desempenho de atividades e
a restrição da participação social, segundo suas especificidades.
§ 3º As avaliações de que trata o § 1º serão realizadas, respectivamente, pela perícia médica e pelo serviço
social do INSS.
§ 4º O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e o INSS implantarão as condições necessárias para a realização da avaliação social e a sua integração à avaliação médica.
Art. 17. Na hipótese de não existirem serviços pertinentes para avaliação da deficiência e do grau de incapacidade no município de residência do requerente
ou beneficiário, fica assegurado o seu encaminhamento
ao município mais próximo que contar com tal estrutura,
devendo o INSS realizar o pagamento das despesas de
transporte e diária, com recursos oriundos do Fundo Nacional de Assistência Social.
§ 1º Caso o requerente ou beneficiário necessite de
acompanhante, a viagem deste deverá ser autorizada pelo
INSS, aplicando-se o disposto no caput.
§ 2º O valor da diária paga ao requerente ou beneficiário e seu acompanhante será igual ao valor da diária
concedida aos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social.
§ 3º Caso o requerente ou beneficiário esteja impossibilitado de apresentar-se ao local de realização da avaliação da incapacidade a que se refere o caput, os profissionais deverão deslocar-se até o interessado.
Art. 18. A concessão do Benefício de Prestação
Continuada independe da interdição judicial do idoso ou
Art. 19. O Benefício de Prestação Continuada será
devido a mais de um membro da mesma família enquanto
atendidos os requisitos exigidos neste Regulamento.
Parágrafo único. O valor do Benefício de Prestação
Continuada concedido a idoso não será computado no
cálculo da renda mensal bruta familiar a que se refere o
inciso VI do art. 4º, para fins de concessão do Benefício de
Prestação Continuada a outro idoso da mesma família.
Art. 20. O Benefício de Prestação Continuada será
devido com o cumprimento de todos os requisitos legais e
regulamentares exigidos para a sua concessão, devendo
o seu pagamento ser efetuado em até quarenta e cinco
dias após cumpridas as exigências.
Parágrafo único. No caso de o primeiro pagamento
ser feito após o prazo previsto no caput, aplicar-se-á na
sua atualização o mesmo critério adotado pela legislação
previdenciária quanto à atualização do primeiro pagamento de benefício previdenciário em atraso.
Art. 21. Fica o INSS obrigado a emitir e enviar ao
requerente o aviso de concessão ou de indeferimento do
benefício, e, neste caso, com indicação do motivo.
Art. 22. O Benefício de Prestação Continuada não
está sujeito a desconto de qualquer contribuição e não
gera direito ao pagamento de abono anual.
Art. 23. O Benefício de Prestação Continuada é intransferível, não gerando direito à pensão por morte aos
herdeiros ou sucessores.
Parágrafo único. O valor do resíduo não recebido
em vida pelo beneficiário será pago aos seus herdeiros ou
sucessores, na forma da lei civil.
Art. 24. O desenvolvimento das capacidades cognitivas, motoras ou educacionais e a realização de atividades não remuneradas de habilitação e reabilitação, dentre
outras, não constituem motivo de suspensão ou cessação
do benefício da pessoa com deficiência.
Art. 25. A cessação do Benefício de Prestação Continuada concedido à pessoa com deficiência, inclusive em
razão do seu ingresso no mercado de trabalho, não impede nova concessão do benefício desde que atendidos os
requisitos exigidos neste Decreto.
Art. 26. O benefício será pago pela rede bancária
autorizada e, nas localidades onde não houver estabelecimento bancário, o pagamento será efetuado por órgãos
autorizados pelo INSS.
§ 1º O instrumento de procuração poderá ser outorgado em formulário próprio do INSS, mediante comprovação do motivo da ausência do beneficiário, e sua validade
deverá ser renovada a cada doze meses.
§ 2º O procurador, tutor ou curador do beneficiário
deverá firmar, perante o INSS ou outros órgãos autorizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome termo de responsabilidade mediante o qual se
comprometa a comunicar qualquer evento que possa anular a procuração, tutela ou curatela, principalmente o óbito
do outorgante, sob pena de incorrer nas sanções criminais
e civis cabíveis.
Art. 29. Havendo indícios de inidoneidade acerca
do instrumento de procuração apresentado para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada ou do
procurador, tanto o INSS como qualquer um dos órgãos
autorizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome, poderão recusá-los, sem prejuízo das
providências que se fizerem necessárias para a apuração
da responsabilidade e aplicação das sanções criminais e
Art. 30. Somente será aceita a constituição de procurador com mais de um instrumento de procuração ou
instrumento de procuração coletiva, nos casos de beneficiários representados por dirigentes de instituições nas
quais se encontrem internados.
II - o incapaz para os atos da vida civil, ressalvado o
disposto no art. 666 do Código Civil.
Parágrafo único. Nas demais disposições relativas à procuração observar-se-á, subsidiariamente, o
Art. 32. No caso de transferência do beneficiário de
uma localidade para outra, o procurador fica obrigado a
apresentar novo instrumento de mandato na localidade de
Art. 33. A procuração perderá a validade ou eficácia
I - quando o outorgante passar a receber pessoalmente o benefício, declarando, por escrito que cancela a
procuração existente;
Art. 34. Não podem outorgar procuração o menor de
dezoito anos, exceto se assistido ou emancipado após os
dezesseis anos, e o incapaz para os atos da vida civil que
deverá ser representado por seu representante legal, tutor
Art. 35. O beneficio devido ao beneficiário incapaz
será pago ao cônjuge, pai, mãe, tutor ou curador, admitindo-se, na sua falta, e por período não superior a seis me33
ses, o pagamento a herdeiro necessário, mediante termo
§ 1º O período a que se refere o caput poderá ser
prorrogado por iguais períodos, desde que comprovado o
andamento do processo legal de tutela ou curatela.
§ 2º O tutor ou curador poderá outorgar procuração
a terceiro com poderes para receber o benefício e, nesta
hipótese, obrigatoriamente, a procuração será outorgada
mediante instrumento público.
§ 3º A procuração não isenta o tutor ou curador da
condição original de mandatário titular da tutela ou curatela.
Art. 36. O não atendimento das exigências contidas
neste Regulamento pelo requerente ensejará o indeferimento do benefício.
§ 1º Do indeferimento do benefício caberá recurso à
Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social, no prazo de trinta dias, a contar do recebimento
Art. 37. Constituem garantias do SUAS o acompanhamento do beneficiário e de sua família, e a inserção
destes à rede de serviços socioassistenciais e de outras
§ 1º O acompanhamento do beneficiário e de sua
família visa a favorecer-lhes a obtenção de aquisições materiais, sociais, socieducativas, socioculturais para suprir
as necessidades de subsistência, desenvolver capacidades e talentos para a convivência familiar e comunitária, o
§ 2º Para fins de cumprimento do disposto no caput, o acompanhamento deverá abranger as pessoas
que vivem sob o mesmo teto com o beneficiário e que
com este mantém vínculo parental, conjugal, genético
ou de afinidade.
Art. 38. Compete ao Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, por intermédio da Secretaria
Nacional da Assistência Social, sem prejuízo do previsto
no art. 2º deste Regulamento:
I - acompanhar os beneficiários do Benefício de Prestação Continuada no âmbito do SUAS, em articulação com
o Distrito Federal, Municípios e, no que couber, com os
Estados, visando a inseri-los nos programas e serviços
da assistência social e demais políticas, em conformidade
com o art. 11 da Lei nº 8.742, de 1993;
II - considerar a participação dos órgãos gestores de
assistência social nas ações de monitoramento e avaliação do Benefício de Prestação Continuada, bem como de
acompanhamento de seus beneficiários, como critério de
habilitação dos municípios e Distrito Federal a um nível de
gestão mais elevado no âmbito do SUAS;
III - manter e coordenar o Programa Nacional de Monitoramento e Avaliação do Benefício de Prestação Continuada, instituído na forma do art. 41, com produção de dados e
análise de resultados do impacto do Benefício de Prestação
Continuada na vida dos beneficiários, em conformidade
com o disposto no art. 24 da Lei n] 8.742, de 1993;
IV - destinar recursos do Fundo Nacional de Assistência Social para pagamento, operacionalização, gestão,
informatização, pesquisa, monitoramento e avaliação do
VI - fornecer subsídios para a formação de profissionais envolvidos nos processos de concessão, manutenção
e revisão dos benefícios, e no acompanhamento de seus
beneficiários, visando à facilidade de acesso e bem-estar
dos usuários desses serviços.
VII - articular políticas intersetoriais, intergovernamentais e interinstitucionais que afiancem a completude
de atenção às pessoas com deficiência e aos idosos, atendendo ao disposto no § 2º do art. 24 da Lei nº 8.742, de
VIII - atuar junto a outros órgãos, nas três esferas de
governo, com vistas ao aperfeiçoamento da gestão do Benefício de Prestação Continuada.
Art. 39. Compete ao INSS, na operacionalização do
I - receber os requerimentos, conceder, manter, revisar,
suspender ou fazer cessar o benefício, atuar nas contestações, desenvolver ações necessárias ao ressarcimento do
benefício e participar de seu monitoramento e avaliação;
II - verificar o registro de benefícios previdenciários e
de emprego e renda em nome do requerente ou beneficiário e dos integrantes do grupo familiar, em consonância
com a definição estabelecida no inciso VI do art. 4º;
III - realizar a avaliação médica e social da pessoa
com deficiência, de acordo com as normas a serem disciplinadas em atos específicos;
IV - realizar o pagamento de transporte e diária do
requerente ou beneficiários e seu acompanhante, com recursos oriundos do FNAS, nos casos previstos no art. 17.
V - realizar comunicações sobre marcação de perícia
médica, concessão, indeferimento, suspensão, cessação,
ressarcimento e revisão do beneficio;
VI - analisar defesas, receber recursos pelo indeferimento e suspensão do benefício, instruir e encaminhar os
processos à Junta de Recursos;
VII - efetuar o repasse de recursos para pagamento
do benefício junto à rede bancária autorizada ou entidade
conveniada;
VIII - participar juntamente com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da instituição de
sistema de informação e alimentação de bancos de dados sobre a concessão, indeferimento, manutenção, suspensão, cessação, ressarcimento e revisão do Benefício
de Prestação Continuada, gerando relatórios gerenciais
e subsidiando a atuação dos demais órgãos no acompanhamento do beneficiário e na defesa de seus direitos;
IX - submeter à apreciação prévia do Ministério do
Desenvolvimento Social e Combate à Fome quaisquer
atos em matéria de regulação e procedimentos técnicos
e administrativos que repercutam no reconhecimento do
direito ao acesso, manutenção e pagamento do Benefício
de Prestação Continuada;
X - instituir, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, formulários e modelos de documentos necessários à operacionalização do
Benefício de Prestação Continuada; e
XI - apresentar ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome relatórios periódicos das atividades
desenvolvidas na operacionalização do Benefício de Pres38
tação Continuada e na execução orçamentária e financeira
dos recursos descentralizados.
Art. 40. Compete aos órgãos gestores da assistência social dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de acordo com o disposto no § 2º do art. 24 da Lei
nº 8.742, de 1993, promover ações que assegurem a articulação do Benefício de Prestação Continuada com os
programas voltados ao idoso e à inclusão da pessoa com
Art. 41. Fica instituído o Programa Nacional de Monitoramento e Avaliação do Benefício de Prestação Continuada da
Assistência Social, que será mantido e coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por intermédio da Secretaria Nacional de Assistência Social, em parceria com o Instituto Nacional do Seguro Social, Estados, Distrito
Federal e Municípios, como parte da dinâmica do SUAS.
§ 1º O Programa Nacional de Monitoramento e Avaliação do Benefício de Prestação Continuada, baseado em
um conjunto de indicadores e de seus respectivos índices,
I - o monitoramento da incidência dos beneficiários e dos
requerentes por município brasileiro e no Distrito Federal;
II - o tratamento do conjunto dos beneficiários como
uma população com graus de risco e vulnerabilidade social
variados, estratificada a partir das características do ciclo de
vida do requerente, sua família e da região onde vive;
III - o desenvolvimento de estudos intersetoriais que
caracterizem comportamentos da população beneficiária
por análises geo-demográficas, índices de mortalidade,
morbidade, entre outros, nos quais se inclui a tipologia das
famílias dos beneficiários e das instituições em que eventualmente viva ou conviva;
IV - a instituição e manutenção de banco de dados
sobre os processos desenvolvidos pelos gestores dos estados, do Distrito Federal e dos municípios para inclusão
do beneficiário ao SUAS e demais políticas setoriais;
V - a promoção de estudos e pesquisas sobre os
critérios de acesso, implementação do Benefício de Prestação Continuada e impacto do benefício na redução da
pobreza e das desigualdades sociais;
VI - a organização e manutenção de um sistema de
informações sobre o Benefício de Prestação Continuada,
com vistas ao planejamento, desenvolvimento e avaliação
das ações; e
§ 2º As despesas decorrentes da implementação do
Programa a que se refere o caput correrão à conta das
dotações orçamentárias consignadas anualmente ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Art. 42. O Benefício de Prestação Continuada deverá
ser revisto a cada dois anos, para avaliação da continuidade das condições que lhe deram origem, conforme dispõe
o art. 21 da Lei nº 8.742, de 1993, passando o processo de
reavaliação a integrar o Programa Nacional de Monitoramento e Avaliação do Benefício de Prestação Continuada.
Parágrafo único. A reavaliação do benefício de que trata o caput será feita na forma disciplinada em ato conjunto específico do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome e do Ministério da Previdência Social, ouvido o INSS.
Art. 43. O Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome deverá articular os Conselhos de Assistência Social, do Idoso, da Pessoa com Deficiência, da
Criança e do Adolescente e da Saúde para que desenvolvam o controle e a defesa dos direitos dos beneficiários do
Art. 44. Qualquer pessoa física ou jurídica de direito
público ou privado, especialmente os Conselhos de Direitos, os Conselhos de Assistência Social e as Organizações
Representativas de pessoas com deficiência e de idosos,
é parte legítima para provocar a iniciativa das autoridades do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate
à Fome, do Ministério da Previdência Social, do INSS, do
Ministério Público e órgãos de controle social, fornecendolhes informações sobre irregularidades na aplicação deste
Regulamento, quando for o caso.
Art. 45. Qualquer cidadão que observar irregularidade ou falha na prestação de serviço referente ao Benefício
de Prestação Continuada poderá comunicá-las às Ouvidorias do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate
à Fome e do Ministério da Previdência Social, observadas
as atribuições de cada órgão e em conformidade com as
disposições específicas de cada Pasta.
Parágrafo único. Eventual restrição ao usufruto do Benefício de Prestação Continuada mediante retenção de cartão magnético ou qualquer outra medida
congênere praticada por terceiro será objeto das medidas cabíveis.
Art. 46. Constatada a prática de infração penal
decorrente da concessão ou da manutenção do Benefício de Prestação Continuada, o INSS aplicará os
procedimentos cabíveis, independentemente de outras
Art. 47. O Benefício de Prestação Continuada será
suspenso se comprovada qualquer irregularidade na concessão ou manutenção, ou se verificada a não continuidade das condições que deram origem ao benefício.
§ 1º Ocorrendo as situações previstas no caput será
concedido ao interessado o prazo de dez dias, mediante
notificação por via postal com aviso de recebimento, para
oferecer defesa, provas ou documentos de que dispuser.
§ 2º Esgotado o prazo de que trata o § 1º sem manifestação da parte ou não sendo a defesa acolhida, será
suspenso o pagamento do benefício e, notificado o beneficiário, será aberto o prazo de trinta dias para interposição
de recurso à Junta de Recurso do Conselho de Recursos
§ 3º Decorrido o prazo concedido para interposição
de recurso sem manifestação do beneficiário, ou, caso não
seja o recurso provido, o benefício será cessado, comunicando-se a decisão ao interessado.
§ 4º Na impossibilidade de notificação do beneficiário para os fins do disposto no § 1º, por motivo de sua não
localização, o pagamento será suspenso até o seu comparecimento e regularização das condições necessárias à
III - em caso de morte presumida ou de ausência do
beneficiário, declarada em Juízo.
Art. 49. A falta de comunicação de fato que implique a cessação do Benefício de Prestação Continuada e
a prática, pelo beneficiário ou terceiros, de ato com dolo,
fraude ou má-fé, obrigará a tomada das medidas jurídicas
necessárias pelo INSS visando à restituição das importâncias recebidas indevidamente, independentemente de outras penalidades legais.
§ 1º O pagamento do valor indevido será atualizado pelo mesmo índice utilizado para o reajustamento dos
benefícios do Regime Geral de Previdência Social e deverá ser restituído, observado o disposto no § 2º, no prazo
de até noventa dias contados da data da notificação, sob
§ 2º Na hipótese de o beneficiário permanecer com
direito ao recebimento do Benefício de Prestação Continuada ou estar em usufruto de outro benefício previdenciário regularmente concedido pelo INSS, poderá devolver o
valor indevido de forma parcelada, atualizado nos moldes
do § 1º, em tantas parcelas quantas forem necessárias à
liquidação do débito de valor equivalente a trinta por cento
do valor do benefício em manutenção.
§ 3º A restituição do valor devido poderá ser feita de
uma única vez ou em até três parcelas, desde que a liquidação total se realize no prazo a que se refere o § 1º, ressalvado o pagamento em consignação previsto no § 2º.
§ 5º O valor ressarcido será repassado pelo INSS ao
Fundo Nacional de Assistência Social.
Art. 50. O Ministério do Desenvolvimento Social e
Combate à Fome e o INSS terão o prazo até 31 de julho 2008 para implementar a avaliação da deficiência e do
grau de incapacidade prevista no art. 16.
Parágrafo único. A avaliação da deficiência e da
incapacidade, até que se cumpra o disposto no § 4º do
art. 16, ficará restrita à avaliação médica.
Dispõe sobre a composição, estruturação, competências e funcionamento do Conselho Nacional
dos Direitos do Idoso - CNDI, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, alínea
“a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei
nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994, e nos arts. 24 e 50 da
Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003,
Art. 1º O Conselho Nacional dos Direitos do Idoso
CNDI, órgão colegiado de caráter deliberativo, integrante da estrutura básica da Secretaria Especial dos Direitos
Humanos da Presidência da República, tem por finalidade elaborar as diretrizes para a formulação e implementação da política nacional do idoso, observadas as linhas
de ação e as diretrizes conforme dispõe a Lei nº 10.741,
de 1º de outubro de 2003 - Estatuto do Idoso, bem como
acompanhar e avaliar a sua execução.
I - elaborar as diretrizes, instrumentos, normas e prioridades da política nacional do idoso, bem como controlar
e fiscalizar as ações de execução;
III - dar apoio aos Conselhos Estaduais, do Distrito
Federal e Municipais dos Direitos do Idoso, aos órgãos estaduais, municipais e entidades não-governamentais, para
tornar efetivos os princípios, as diretrizes e os direitos estabelecidos pelo Estatuto do Idoso;
IV - avaliar a política desenvolvida nas esferas estadual, distrital e municipal e a atuação dos conselhos do idoso
instituídos nessas áreas de governo;
V - acompanhar o reordenamento institucional, propondo, sempre que necessário, as modificações nas estruturas
públicas e privadas destinadas ao atendimento do idoso;
VI - apoiar a promoção de campanhas educativas sobre os direitos do idoso, com a indicação das medidas a
serem adotadas nos casos de atentados ou violação desses direitos;
VII - acompanhar a elaboraçã o e a execução da proposta orçamentária da União, indicando modificações necessárias à consecução da política formulada para a promoção dos direitos do idoso; e
VIII - elaborar o regimento interno, que será aprovado
pelo voto de, no mínimo, dois terços de seus membros,
nele definindo a forma de indicação do seu Presidente e
I - acompanhar e avaliar a expedição de orientações
e recomendações sobre a aplicação da Lei nº 10.741, de
2003, e dos demais atos normativos relacionados ao atendimento do idoso;
II - promover a cooperação entre os governos da
a sociedade civil organizada na formulação e execução da
política nacional de atendimento dos direitos do idoso;
III - promover, em parceria com organismos governamentais e não-governamentais, nacionais e internacionais,
a identificação de sistemas de indicadores, no sentido de
estabelecer metas e procedimentos com base nesses índices, para monitorar a aplicação das atividades relacionadas com o atendimento ao idoso;
IV - promover a realização de estudos, debates e pesquisas sobre a aplicação e os resultados estratégicos alcançados pelos programas e projetos de atendimento ao
idoso, desenvolvidos pela Secretaria Especial dos Direitos
Humanos da Presidência da República; e
V - estimular a ampliaçã o e o aperfeiçoamento dos
mecanismos de participação e controle social, por inter49
médio de rede nacional de órgãos colegiados estaduais,
regionais, territoriais e municipais, visando fortalecer o
atendimento dos direitos do idoso.
Art. 3º O CNDI tem a seguinte composição, guardada a paridade entre os membros do Poder Executivo e da
I - um representante da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e de cada
Ministério a seguir indicado:
II - quatorze representantes de entidades da sociedade
civil organizada, sem fins lucrativos, com atuação no campo
da promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa, que tenham filiadas organizadas em, pelo menos, cinco unidades
da Federação, distribuídas em três regiões do País.
§ 1º Os representantes de que trata o inciso I, e seus
respectivos suplentes, serão indicados pelos titulares dos
órgãos representados.
§ 2º Os representantes de que trata o inciso II, e seus
respectivos suplentes, serão indicados pelos titulares das
§ 3º Os representantes de que tratam os incisos I e II, e
seus respectivos suplentes, serão designados pelo Secretário
Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.
§ 5º Poderão, ainda, ser convidados a participar das
reuniões do CNDI personalidades e representantes de entidades e órgãos públicos e privados, dos Poderes Legis51
lativo e Judiciário, bem como outros técnicos, sempre que
da pauta constar tema de suas áreas de atuação.
Art. 4º Os membros de que trata o inciso II do art. 3º
deste Decreto serão representados por entidades eleitas
em assembléia específica, convocada especialmente para
§ 1º A eleição será convocada pelo CNDI, por meio de
edital, publicado no Diário Oficial da União, sessenta dias
antes do término do mandato dos seus representantes.
§ 2º O regimento interno do CNDI disciplinará as normas e os procedimentos relativos à eleição das entidades
da sociedade civil organizada que comporão sua estrutura.
§ 4º O Ministério Público Federal poderá acompanhar
o processo de escolha dos membros representantes das
Art. 5º O CNDI poderá instituir comissões permanentes e grupos temáticos, de caráter temporário, destinados
ao estudo e elaboração de propostas sobre temas específicos, a serem submetidas ao plenário, cuja competência e
funcionamento serão definidos no ato de sua criação.
Art. 6º A estrutura de funcionamento do CNDI compõese de:
III - firmar as atas das reuniões e homologar as
resoluções; e
IV - constituir, convocar reuniões e organizar o
funcionamento das comissões permanentes e dos
Art. 8º Caberá à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República prover o
apoio administrativo e os meios necessários à execu-
ção dos trabalhos do CNDI, das comissões permanentes
e dos grupos temáticos.
Art. 9º As despesas com os deslocamentos dos
membros integrantes do CNDI, das comissões permanentes e dos grupos temáticos poderão correr à conta de dotações orçamentárias da Secretaria Especial dos Direitos
Art. 10. Para cumprimento de suas funções, o CNDI
contará com recursos orçamentários e financeiros consignados no orçamento da Secretaria Especial dos Direitos
Art. 12. O CNDI reunir-se-á bimestralmente em caráter ordinário e extraordinariamente por convocação do
seu presidente ou por requerimento da maioria de seus
Art. 13. Os representantes a que se referem os incisos I e II do art. 3 o deste Decreto, acrescidos na composição do CNDI, serão designados para o exercício da
função até 3 de setembro de 2004, data em que encerrará
o mandato de todos os seus membros.
Art. 14. As dúvidas e os casos omissos neste Decreto
serão resolvidos pelo Presidente do CNDI, ad referendum
Art. 16. Ficam revogados os Decretos n o s 4.227, de
13 de maio de 2002, e 4.287, de 27 de junho de 2002.
Brasília, 17 de junho de 2004; 183º da Independência
e 116º da República.
Regulamenta o art. 40 da Lei nº 10.741, de 1 o de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), e dá outras providências.
“a”, da Constituição, e tendo em vista o disposto na alínea “e” do inciso XII do art. 21 da Constituição, e no art.
40 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003,
Art. 1º Ficam definidos os mecanismos e os critérios
para o exercício do direito previsto no art. 40 da Lei n o 10.741,
de 1 o de outubro de 2003, no sistema de transporte coletivo
interestadual, nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário.
II - serviço de transporte interestadual de passageiros: o que transpõe o limite do Estado, do Distrito Federal ou de T erritório;
III - seção: serviço realizado em trecho do itinerário
do serviço de transporte, com fracionamento de preço; e
IV - bilhete de viagem do idoso: documento que
comprove a concessão do transporte gratuito ao idoso,
fornecido pela empresa prestadora do serviço de transporte, para possibilitar o ingresso do idoso no veículo.
Art. 3º Ao idoso com renda igual ou inferior a dois salários-mínimos serão reservadas duas vagas gratuitas em
cada veículo, comboio ferroviário ou embarcação do serviço
convencional de transporte interestadual de passageiros.
§ 1º Incluem-se na condição de serviço convencional:
I - os serviços de transporte rodoviário interestadual convencional de passageiros, prestado com veículo de
características básicas, com ou sem sanitários, em linhas
II - os serviços de transporte ferroviário interestadual
de passageiros, em linhas regulares; e
III - os serviços de transporte aquaviário interestadual, abertos ao público, realizados nos rios, lagos, lagoas e
baías, que operam linhas regulares, inclusive travessias.
§ 2º O beneficiário previsto no caput deste artigo deverá solicitar um único “Bilhete de Viagem do Idoso”, devendo dirigir-se aos pontos de venda da transportadora,
com antecedência de , pelo menos, três horas em relação
ao horário de partida do ponto inicial do serviço de transporte, podendo incluir no referido bilhete a viagem de retorno, respeitados os procedimentos da venda de bilhete
de passagem, no que couber.
§ 3º Na existência de seções, nos pontos de seção
devidamente autorizados para embarque de passageiros,
a reserva de assentos também deverá estar disponível até
a mesma hora prevista no § 2º.
§ 4º Após o prazo estipulado no § 2º , caso os assentos reservados não tenham sido objeto de concessão do
benefício de que trata este Decreto, as empresas prestadoras dos serviços poderão colocar à venda os bilhetes
desses assentos.
§ 5º No dia marcado para a viagem, o beneficiário
deverá comparecer no guichê da empresa prestadora do
serviço, no terminal de embarque, até trinta minutos antes
da hora marcada para o início da viagem, sob pena de
§ 6º O “Bilhete de Viagem do Idoso” e o bilhete com
desconto do valor da passagem são intransferíveis.
Art. 4º Além das vagas previstas no art. 3º , o idoso
com renda igual ou inferior a dois salários-mínimos terá direito ao desconto mínimo de cinqüenta por cento do valor
da passagem para os demais assentos do veículo, comboio ferroviário ou embarcação do serviço convencional
de transporte interestadual de passageiros.
§ 1º O desconto previsto no caput deste artigo estará
disponível até três horas antes do início da viagem.
§ 2º Quando a empresa prestadora do serviço efetuar
a venda do bilhete de passagem com o desconto previsto
no caput deste artigo, deverá nele constar essa situação,
mediante acréscimo das seguintes informações:
Art. 5º O “Bilhete de Viagem do Idoso” será emitido
pela empresa prestadora do serviço, em pelo menos duas
vias, sendo que uma via será destinada ao passageiro e
não poderá ser recolhida pela transportadora, e nela constarão, no mínimo, as seguintes indicações:
II - denominação “Bilhete de Viagem do Idoso”;
Art. 6º No ato da solicitação do “Bilhete de Viagem do
Idoso” ou desconto do valor da passagem, o interessado deverá apresentar documento pessoal que faça prova de sua
idade e da renda igual ou inferior a dois salários-mínimos.
§ 1º A prova de idade do beneficiário idoso far-se-á
mediante apresentação de qualquer documento pessoal,
com fé pública, que a comprove.
§ 2º A comprovação de renda será feita mediante a
III - carnê de contribuição para o Instituto Nacional do
fornecida pelo INSS ou outro regime de previdência social
público ou privado; e
V - documento ou carteira emitida pelas Secretarias Estaduais ou Municipais de Assistência Social ou
Art. 7º A segunda via do “Bilhete de Viagem do Idoso” deverá ser arquivada, permanecendo a mesma em poder da empresa prestadora do serviço nos trezentos e sessenta e cinco dias subseqüentes ao término da viagem.
Parágrafo único. As empresas prestadoras dos
serviços de transporte deverão mensalmente informar as
Agências Nacionais de Regulação dos Transportes Terrestre e Aquaviário, de acordo com as respectivas esferas de
atuação dessas Agências, a movimentação de usuários titulares do benefício, por linha e por situação.
Art. 8º Os beneficiários de que trata este Decreto estão sujeitos aos procedimentos de identificação de passageiros ao apresentarem-se para embarque, de acordo
com o estabelecido pelas Agências Nacionais de Regulação dos Transportes Terrestre e Aquaviário, em suas respectivas esferas de atuação.
Art. 9º O descumprimento ao disposto neste Decreto
sujeitará o infrator a sanção de multa, sem prejuízo das
demais sanções regulamentares e contratuais, e das de
natureza civil e penal.
Parágrafo único. O valor da multa será fixado em
regulamento aprovado pela Diretoria das Agências Nacionais de Regulação dos Transportes Terrestre e Aquaviário,
em suas respectivas esferas de atuação.
Art. 10. Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1 o de agosto de 2004.
Brasília, 7 de julho de 2004; 183º da Independência e
Dispõe sobre a concessão de pensão especial às
pessoas atingidas pela hanseníase que foram
submetidas a isolamento e internação compulsórios.
Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA
adotou a Medida Provisória nº 373, de 2007, que o Congresso Nacional aprovou, e eu, Renan Calheiros, Presidente da Mesa do Congresso Nacional, para os efeitos do
disposto no art. 62 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, combinado
com o art. 12 da Resolução nº 1, de 2002-CN, promulgo a
Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder
pensão especial, mensal, vitalícia e intransferível, às pessoas atingidas pela hanseníase e que foram submetidas a
isolamento e internação compulsórios em hospitais-colônia, até 31 de dezembro de 1986, que a requererem, a título de indenização especial, correspondente a R$ 750,00
(setecentos e cinqüenta reais).
§ 1º A pensão especial de que trata o caput é personalíssima, não sendo transmissível a dependentes e
herdeiros, e será devida a partir da entrada em vigor
§ 2º O valor da pensão especial será reajustado anualmente, conforme os índices concedidos aos benefícios de
valor superior ao piso do Regime Geral de Previdência Social.
§ 3º O requerimento referido no caput será endereçado ao Secretário Especial dos Direitos Humanos da
Presidência da República, nos termos do regulamento.
§ 4º Caberá ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS o processamento, a manutenção e o pagamento da
pensão, observado o art. 6º.
Art. 2º A pensão de que trata o art. 1º será concedida por meio de ato do Secretário Especial dos Direitos
Humanos da Presidência da República, após parecer da
Comissão referida no § 1º.
§ 1º Fica criada a Comissão Interministerial de Avaliação, com a atribuição de emitir parecer prévio sobre os
requerimentos formulados com base no art. 1º, cuja composição, organização e funcionamento serão definidos em
§ 2º Para a comprovação da situação do requerente,
será admitida a ampla produção de prova documental e
testemunhal, e, caso necessário, prova pericial.
§ 3º Na realização de suas atividades, a Comissão
poderá promover as diligências que julgar convenientes,
inclusive solicitar apoio técnico, documentos, pareceres e
informações de órgãos da administração pública, assim
como colher depoimentos de terceiros.
§ 4º As despesas referentes a diárias e passagens
dos membros da Comissão correrão à conta das dotações
orçamentárias dos órgãos a que pertencerem.
Art. 3º A pensão especial de que trata esta Lei, ressalvado o direito à opção, não é acumulável com indenizações que a União venha a pagar decorrentes de responsabilização civil sobre os mesmos fatos.
Parágrafo único. O recebimento da pensão especial
não impede a fruição de qualquer benefício previdenciário.
Art. 4º O Ministério da Saúde, em articulação com
os sistemas de saúde dos Estados e Municípios, implementará ações específicas em favor dos beneficiários da
pensão especial de que trata esta Lei, voltadas à garantia
de fornecimento de órteses, próteses e demais ajudas
técnicas, bem como na realização de intervenções cirúrgicas e assistência à saúde por meio do Sistema Único
Art. 5º O Ministério da Saúde, o INSS e a Secretaria
Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República poderão celebrar convênios, acordos, ajustes ou outros
instrumentos que objetivem a cooperação com órgãos da
administração pública e entidades privadas sem fins lucrativos, a fim de dar cumprimento ao disposto nesta Lei.
Art. 6º As despesas decorrentes desta Lei correrão
à conta do Tesouro Nacional e constarão de programação orçamentária específica no orçamento do Ministério
Congresso Nacional, em 18 de setembro de 2007;
Plano de Ação para o Enfrentamento
O Plano de Ação para o Enfrentamento da Violência
Contra a Pessoa Idosa é resultado do esforço conjunto do
governo federal, Conselho Nacional dos Direitos dos Idosos (CNDI) e dos movimentos sociais. Pretende estabelecer as estratégias sistêmicas de ação, revelando, assim,
sua importância, tendo em vista o resultado do planejamento, organização, coordenação, controle, acompanhamento e avaliação de todas as etapas da execução das
ações de prevenção e enfrentamento da violência contra
a pessoa idosa.
O plano constitui-se como um instrumento que reforça os objetivos de implementar a Política de Promoção e
Defesa dos Direitos aos segmentos da população idosa
do Brasil, dentro de um enfoque do respeito, de tolerância
e da convivência intergeracional. Busca-se, assim, instituir
e efetivar, em todos os níveis, mecanismos e instrumentos institucionais que viabilize o entendimento, o conhecimento e o cumprimento de política de garantia dos
No cumprimento do papel que lhe cabe como gestor
federal da Política Nacional dos Direitos Humanos, a Subsecretaria de Direitos Humanos (SDH/SG/PR) está empenhada em apoiar mudanças capazes de promover o efeti67
vo respeito dos direitos fundamentais por meio de ações
Este plano comprova a eficácia de uma profícua parceria entre governo e sociedade, porquanto expõe um
diagnóstico e aponta com simplicidade o que deve ser
efetivado como estratégia de prevenção e enfrentamento
à violência contra a pessoa idosa, devendo ser destacada
a necessidade de construção de uma rede de proteção a
esse segmento populacional.
Enfrentamento da Violência Contra a Pessoa Idosa:
Passados 20 anos da realização da I Assembléia Mundial do Envelhecimento, a Organização das Nações Unidas
(ONU) realizou, de 08 a 12 de abril de 2002, em Madri, a II Assembléia Mundial do Envelhecimento, na qual foi aprovado o
Plano Internacional sobre o Envelhecimento 2002. Tanto no
primeiro como no segundo evento foi destacada como prioritária a aplicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assim como a necessidade de inclusão do idoso na vida
social, cultural, econômica e política das sociedades.
Políticas de inclusão para as pessoas idosas torna-se
urgente não somente no Brasil, como também nos demais
países do mundo, ante o acelerado processo de envelhecimento da população, bem como diante de um cada vez
maior índice de expectativa de vida em um mundo perplexo diante dos desafios do processo de globalização.
No Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do ano de 2003, há, hoje, aproximadamente, 16,4 milhões de idosos, definidos como população de 60 anos e mais de idade. Esse número de idosos já
corresponde a mais de 9,6% da população brasileira.
Esse dado é altamente relevante porquanto a mudança na distribuição etária de um país altera o perfil das
políticas sociais, exigindo estratégias e implementação de
benefícios, serviços, programas e projetos relacionados à
promoção dos direitos humanos dos idosos, notadamente
quando se tem em vista que significativa parcela desse
segmento encontra-se em situação de abandono ou sendo vítima de maus-tratos praticados na maioria das vezes
pelos seus próprios familiares. As vítimas preferenciais são
as mulheres idosas em razão da histórica marginalização
a qual este gênero está submetido.
Quando vítimas de maus-tratos praticados pelos familiares, os idosos, e mais especialmente as idosas, em
virtude de sua fragilidade física e emocional, temem denunciar os seus agressores por medo de sofrer represálias
e também em virtude de, muitas vezes, alimentarem sentimento de afeto em relação aos seus algozes.
Diante desse quadro, a ausência de políticas sociais
direcionadas aos idosos em situação de risco traduz-se
na própria negação dos direitos fundamentais da pessoa
humana, os quais a República Federativa do Brasil possui
obrigação constitucional e moral de proteção, tanto mais
quando se tem em vista os tratados internacionais dos
Para evitar que as várias formas de violência contra as
pessoas idosas seja banalizada na sociedade, torna-se essencial desencadear um processo sólido de informações
sobre os direitos desse segmento, bem como o desenvolvimento de ações simples e consistentes, comprometendo, dessa forma, efetivamente, as comunidades e o Estado a prevenirem e enfrentarem todo e qualquer tipo de
violência praticada contra as pessoas de idade avançada.
Para que esse processo de informação e de ações
dissemine-se pela sociedade, torna-se necessário explicar às comunidades e os agentes públicos o papel das
instituições que possuem a responsabilidade de proteger as pessoas idosas e estimular as autoridades responsáveis por essas instituições a agir adequadamente,
de maneira que os cidadãos não tenham medo de denunciar qualquer situação de violência ou maus-tratos
praticados contra o idoso.
Promover ações que levem ao cumprimento do Estatuto do Idoso (lei nº. 10.741, de 1o de outubro de 2003),
que tratem do enfrentamento da exclusão social e de todas as formas de violência contra esse grupo social.
O plano está concebido para ser executado em dois
anos, durante os quais seu monitoramento deverá permitir
correção de rumos e sua ampliação por um período subseqüente.
Por pessoa idosa entende-se o indivíduo com 60 anos
ou mais, seguindo-se parâmetros demográficos nacionais
O fenômeno do envelhecimento no Brasil encontrase em processo de expansão.
A esperança de vida ao nascer mais que dobrou do
início do século XX, quando era de 33 anos de idade, para
o início do século XXI, quando já passa dos 72 anos. De
199 1 a 2000, a população brasileira com mais de 60 anos
aumentou duas vezes e meia (35%) a mais do que a população mais jovem, que cresceu 14%.
A Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE (2003)
assinala que havia 16.022.231 pessoas com 60 anos ou
mais no país em 2002, representando 9,3% do total dos
A cada ano, mais de 600 mil pessoas ingressam nesse grupo etário, o que evidencia o dinamismo do envelhecimento no país.
No ano 2020 espera-se que o número de pessoas
acima de 60 anos atinja 25 milhões e represente 11,4% do
total dos brasileiros.
“O fenômeno do envelhecimento no Brasil veio
para ficar, configurando, ao mesmo tempo, uma
conquista da qualidade de vida no país e um desafio que precisa ser enfrentado pelas famílias, pela
sociedade e pelo Estado.”
O objeto de atenção deste plano é o enfrentamento
do “processo de exclusão social e o fenômeno de violência social,” termos que neste documento serão usados
como “processos de não reconhecimento do idoso como
sujeito de direitos” e “as diferentes formas físicas, psicológicas, simbólicas e institucionais de uso de coerção, da
Violência, maus-tratos, abusos contra os idosos são
noções que dizem respeito a processos e a relações sociais interpessoais, de grupos, de classes, de gênero, ou
ainda institucionais, que causem danos físicos, mentais
e morais à pessoa. Segundo a Rede Internacional para a
Prevenção dos Maus-Tratos contra o Idoso:
“O mau-trato ao idoso é um ato (único ou repetido) ou
omissão que lhe cause dano ou aflição e que se produz em qualquer relação na qual exista expectativa de
A partir da literatura nacional e internacional sabese que a violência contra a população idosa é problema
universal. Estudos de diferentes culturas e de cunho comparativo entre países têm demonstrado que indivíduos de
todos os status socioeconômicos, etnias e religiões são
vulneráveis aos maus-tratos, que ocorrem de várias formas:
física, sexual, emocional e financeira.
Freqüentemente, uma pessoa de idade sofre, ao
mesmo tempo, vários tipos de maus-tratos evidenciados
por estudos analíticos de arquivos de emergências hospitalares e de institutos médico-legais.
Assim como em muitos países do mundo, no caso brasileiro, as violências contra a geração idosa manifestam-se
em maneiras de tratá-la e representá-la, cujo sentido pode-se
resumir nos termos descartável e peso social. Esses estigmas e formas de discriminação têm vários focos de produção e de reprodução: (a) sua expressão estrutural, que ocorre pela desigualdade social, naturalizada nas manifestações
de pobreza, de miséria e de discriminação; (b) sua expressão
interpessoal, que se manifesta nas formas de comunicação
e de interação cotidiana; e (c) suas expressões institucionais,
evidenciadas na aplicação ou omissão na gestão das políticas sociais pelo Estado e pelas instituições de assistência,
reproduzindo relações assimétricas de poder, de domínio, de
menosprezo e de discriminação e de negligências.
Se, de um lado, existe a pessoa idosa em situação de
risco sujeita a várias formas de violência, por outro lado,
pode existir, também, pessoa idosa agindo de forma violenta em relação ao seu contexto social. No entanto, a fragilidade própria da idade e do lugar social que ocupam,
torna-os, sobretudo, muito mais vítimas que agressores.
Nacional e internacionalmente há algumas categorias e tipologias padronizadas para designar as formas
mais freqüentes de violências praticadas contra a população idosa1:
dizem respeito ao uso da força física para compelir os idosos a fazerem o que não desejam, para ferilos,
provocar-lhes dor, incapacidade ou morte.
Abuso psicológico, violência psicológica ou maustratos psicológicos
correspondem a agressões verbais ou gestuais com
o objetivo de aterrorizar os idosos, humilhá-los, restringir
referem-se ao ato ou ao jogo sexual de caráter homo
ou hetero-relacional, utilizando pessoas idosas. Esses agravos visam a obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.
é uma forma de violência que se manifesta pela ausência ou deserção dos responsáveis governamentais,
institucionais ou familiares de prestarem socorro a uma
pessoa idosa que necessite de proteção.
refere-se à recusa ou à omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos, por parte dos responsáveis familiares ou institucionais. A negligência é uma
das formas de violência contra os idosos mais presente
no país. Ela se manifesta, freqüentemente, associada
a outros abusos que geram lesões e traumas físicos,
emocionais e sociais, em particular, para as que se encontram em situação de múltipla dependência ou incapacidade.
consiste na exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou ao uso não consentido por eles de seus recursos
financeiros e patrimoniais.
Esse tipo de violência ocorre, sobretudo, no âmbito
sua própria saúde ou segurança, pela recusa de prover
cuidados necessários a si mesma.
A violência contra idosos é um fenômeno de notificação recente no mundo e no Brasil. Pela primeira vez,
em 1975, os abusos de idosos foram descritos em revis75
tas científicas britânicas como espancamento de avós
(Baker, 1975). No Brasil, a questão começou a ganhar
a partir de 1990, bem depois que a preocupação com
a qualidade de vida dos idosos entrou na agenda da
saúde pública brasileira. Por isso, ainda que as informações quantitativas e circunstanciadas avolumem-se
a partir de agora, por causa da obrigatoriedade da notificação de maus-tratos prevista a partir do Estatuto
do Idoso, recentemente aprovado, o que se poderá
comprovar é que a magnitude de tal fenômeno é muito
mais extensa do que se poderia prever. E se crescerem
muito os dados estatísticos, ainda assim, a sociedade
terá que se perguntar se aumentou a violência ou se
melhorou o processo de notificação.
Dados sobre mortalidade de 2002 e de morbidade
de 2004, a respeito das violências e acidentes referentes
à população idosa brasileira, originados do Sistema de
Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e do Sistema de Informações Hospitalares (SIH-SUS),
contidos no documento “Autorização de Internação Hospitalar”, registra a situação em que a pessoa se internou
em um hospital do SUS e o tratamento oferecido para
seus agravos. As informações são olhadas de várias formas. Por taxas: calculam-se quantas pessoas morreram
por 100.000 nos mesmos grupos de idade, por determinada causa. Em proporção: as proporções são olhadas
no total da mortalidade dos idosos (por exemplo, em relação aos óbitos por doenças cardiovasculares, por câncer, por doenças respiratórias) e entre cada uma das causas específicas, por exemplo, os acidentes de trânsito, as
quedas, os homicídios, os suicídios.
Em 2002, morreram 14.973 idosos por acidentes e
violências no país, significando, por dia, cerca de 41 óbitos, dos quais 9.847 (65,76%) foram de homens e 5.126
(34,24%) de mulheres.
O gráfico a seguir mostra esses dados, evidenciando
uma pequena tendência de queda em relação ao início
dos anos 90 do século XX. Olhando-se todas as causas
de óbito de idosos no Brasil, no ano de 2000, as mortes
por violências e acidentes em idosos constituíram 2,8%
do total das mortes, ocupando o sexto lugar, depois das
denças do aparelho circulatório, das neoplasias, das enfermidades respiratórias, das digestivas e das endócrinas.
Os acidentes de transportes e as quedas são as causas
principais de mortes violentas dos idosos brasileiros.
As taxas de mortalidade por acidentes e violências
que vitimaram os idosos caíram de 104,2/100.000, em
1991, para 100,6/100.000, em 2002. Nesse último ano, os
números corresponderam a 147,2/100.000 óbitos de homens e 62,5/100.000 de mulheres, confirmando um padrão brasileiro e internacional que evidencia maior risco
de mortalidade por causas violentas para as pessoas do
sexo masculino em todas as idades e também na velhice.
Os fatores considerados acidentais são os que mais têm
pesado nesse quadro, embora apresentem tendência a diminuir também. São eles os acidentes de transportes e
Essas duas causas (acidentes de trânsito e quedas) fazem um ponto de confluência entre violências e
acidentes, pois as quedas podem ser atribuídas a vários
fatores: fragilidade física, uso de medicamentos que costumam provocar algum tipo de alteração no equilíbrio, na
visão, ou estão associadas à presença de enfermidades
como osteoporose. Mas costumam também ser fruto da
omissão e de negligência dos que deveriam prestar assis78
tência nas casas, nas instituições e nas comunidades em
que os idosos vivem.
As mortes, as lesões e os traumas provocados por
meios de transporte e pelas quedas, dificilmente podem
ser atribuídos apenas a causas acidentais. Pelo contrário,
precisam ser incluídos em qualquer política pública que
busque superar as violências cometidas contra idosos.
Pode-se observar no gráfico anterior que há outras
causas violentas na vitimação dos idosos, como os homicídios, fenômeno que segue o padrão da população em
geral; e como os suicídios, que ressaltam uma tendência
de crescimento e são muito mais significativas do que a
média para a população brasileira. No entanto, nada se
compara ao peso dos acidentes de trânsito e das quedas
como fatores relevantes.
As informações sobre doenças, lesões e traumas provocadas por causas violentas em idosos no Brasil ainda são
pouco consistentes. Essa falta de consistência é observada
também pela literatura internacional, que ressalta uma elevada subnotificação de maus-tratos em todo o mundo. Considerando essa limitação, entende-se que as notificações
existentes não permitem informações conclusivas sobre a
magnitude dos agravos. Apenas ajudam a perceber a gravidade dos problemas e a observar onde devem ser realizados investimentos de prevenção e de cuidados, por parte
do sistema de saúde e das políticas sociais de proteção.
A análise do Sistema de Informações Hospitalares do
SUS revela que no ano de 2004 foram realizadas 108.169
internações por violências e acidentes, sendo que 55,38%
se deveram a quedas; 19,1%, a acidentes de trânsito, sobretudo a atropelamentos; 3,0%, a agressões; e 0,8%, a
lesões autoprovocadas. Desse conjunto, 62,5% causaram
fraturas; 18,6% provocaram lesões traumáticas; 6,3% ferimentos; 3,5%, luxações; e 3,5%, amputações.
Numa classificação por sexo, mais mulheres (58.114)
utilizaram os serviços por motivos de saúde, provocados
por violências e acidentes, do que os homens (49.753).
Nas internações femininas pesa o grande número
de quedas. A procura dos serviços hospitalares foi maior
entre os homens com 60 a 69 anos (54,87%), que são
logo ultrapassados pelas mulheres a partir de 70 anos.
Eles configuraram 43,15% da demanda na faixa de 70 a
79 anos e 34,65%, no grupo de 80 anos ou mais, quando
comparados com as mulheres.
O custo médio pago pelo SUS pelas internações hospitalares de idosos por causas relacionadas a acidentes e
violências, em 2004, foi de R$ 1.069,80 por pessoa (hum
mil e sessenta e nove reais e oitenta centavos). E o tempo
médio de internação foi de seis a sete dias. As cifras e a
média de dias de hospitalização estão muito acima do que
o SUS gasta com os tratamentos de seqüelas de acidentes
e violências da população em geral: R$ 714,71 (setecentos
e quatorze reais e setenta e um centavos) e cinco dias de
internação. A mortalidade dos velhos que se internam em
conseqüência de acidentes e violências também é muito
mais elevada (5,42%/100.000) do que na população em
geral (2,69%/100.000).
Por mais que impressione a magnitude dos números
relativos aos 14.973 idosos mortos por violências e acidentes (cerca de 41 pessoas por dia) em 2002, e os 108.169
(cerca de 296 por dia) que foram internados por lesões
e violências no mesmo período, os maus-tratos contra os
idosos são em número muito mais elevados.
Portanto, como já foi dito, os registros de morte e
de morbidade referem-se, exclu sivamente, aos casos de
lesões, traumas ou fatalidades que chegam aos serviços
de saúde ou de segurança pública. Os dados estatísticos
apenas constituem-se a ponta do iceberg de uma cultura
relacional agressiva, de conflitos intergeracionais, de negligências familiares e institucionais.
Dentre as várias formas de violência confirmadas por
várias instituições, mas cujos registros são ainda muito
fragmentados, destacam-se:
1. Os abusos financeiros e econômicos, que constituem a queixa mais comum nas delegacias, SOS idosos e
em promotorias especializadas do Ministério Público.Referem-se, sobretudo, a disputas pela posse de bens dos idosos ou a dificuldades financeiras das famílias em arcar com
a sua manutenção. Geralmente, são cometidos por familiares, em tentativas de forçar procurações que lhes dêem
acesso a bens patrimoniais dos velhos; na realização de
vendas de bens e imóveis sem o seu consentimento; por
meio da expulsão deles do seu tradicional espaço físico e
social do lar ou por seu confinamento em algum aposento mínimo em residências que por direito lhes pertencem,
dentre outras formas de coação. Tais atos e atitudes vi81
sam, quase sempre, à usurpação de bens, objetos e rendas, sem o consentimento dos idosos. Mas, geralmente os
maus-tratos são múltiplos: queixas de abuso econômico
e financeiro associam-se a várias formas de maus-tratos
físicos e psicológicos, que produzem lesões, traumas ou
2. Os abusos financeiros por parte do próprio Estado quando frustra expectativa de direitos ou se omite na
garantia desses direitos. Exemplos comuns ocorrem nas
freqüentes dificuldades relacionadas a aposentadorias,
pensões e concessões devidas. Isso ocorre, também, com
empresas de comércio e prestadoras de serviços, sobretudo, bancos e lojas. Os campeões das queixas dos idosos
são os planos de saúde por aumentos abusivos e por negativas de cobertura de determinados serviços essenciais;
estelionatários e de outros abusadores que tripudiam sobre
sua vulnerabilidade física e econômica em agências bancárias, caixas eletrônicos, nas lojas, na rua, nas travessias
ou nos transportes. Roubos de cartões, cheques, dinheiro
e objetos, de forma violenta ou sorrateira são também crimes muito notificados nas delegacias de proteção.
3. A violência estrutural que vitima os idosos é resultante da desigualdade social, da penúria provocada
pela pobreza e pela miséria e a discriminação que se expressa de múltiplas formas. No Brasil, apenas 25% dos
idosos aposentados vivem com três salários mínimos ou
mais. Portanto, a maioria deles é pobre e muitos são miseráveis. Embora a questão social seja um problema muito
mais amplo do que o que aflige os mais velhos, eles são
o grupo mais vulnerável (junto com as crianças) por cau82
sa das limitações da idade, pelas injunções das histórias
de perdas e por problemas de saúde e de dependência,
situações que na velhice são extremamente agravadas.
Estudos mostram que os idosos mais pobres são os que
têm mais dificuldades de acesso aos serviços de saúde,
sofrem mais problemas de desnutrição e são deixados ao
desamparo e ao abandono em asilos, nas ruas ou mesmo
nas suas casas. Muitas vezes, o abandono ou a falta de assistência de que são vítimas têm como causa principal, a
pobreza e a miséria das suas famílias, absolutamente sem
condições de lhes propiciar o apoio de que precisam.
4. A violência institucional no Brasil ocupa um capítulo muito especial sobretudo nas instituições públicas de
prestação de serviços e nas entidades públicas e privadas
de longa permanência de idosos. No nível das instituições
de prestação de serviços, as de saúde, assistência e previdência social (as que pela Constituição configuram os
instrumentos da seguridade social) são campeãs de queixas e reclamações, nas delegacias e promotorias de proteção aos idosos. Além de, freqüentemente, a assistência
ser exercida por uma burocracia impessoal que reproduz
a cultura de discriminação por classe, por gênero e por
idade, a maioria dos serviços públicos não estão equipados e nem possuem pessoas preparadas e em número
suficiente para o atendimento aos idosos.
5. Muitas instituições de longa permanência, em que
pesem exceções importantes, perpetram e reproduzem
abusos, maus-tratos e negligências que chegam a produzir mortes, incapacitações e a acirrar processos mentais
de depressão e demência. Em muitos asilos e clínicas,
mesmo em estabelecimentos públicos ou conveniados
com o Estado, freqüentemente, as pessoas são maltratadas, despersonalizadas, destituídas de qualquer poder
e vontade, faltando-lhes alimentação, higiene e cuidados
médicos adequados. No entanto, quase inexiste a necessária vigilância e fiscalização desses estabelecimentos, a
não ser quando ocorre um escândalo ou alguma denúncia
intensamente alardeada pela imprensa.
6. A violência familiar contra idosos é um problema
nacional e internacional. Pesquisas feitas em várias partes
do mundo revelam que cerca de 2/3 dos agressores são
filhos e cônjuges. São particularmente relevantes os abusos e negligências que se perpetuam por choque de gerações, por problemas de espaço físico e por dificuldades financeiras que costumam se somar a um imaginário social
que considera a velhice como “decadência” e os idosos
como “passados” e “descartáveis”. Existem duas formas
de abuso mais freqüentes nas famílias: as negligências em
relação a suas necessidades específicas quanto ao ambiente e as relacionais. No primeiro caso, apesar de 26%
dos lares brasileiros hoje contarem com pelo menos um
idoso, poucas casas estão materialmente adaptadas a ele.
O resultante disso é que a maioria das quedas que leva à
morte ou internações (fato constatado nos dados citados
Mas é no ponto de vista relacional que a falta de preparação ou os preconceitos e as negligências tornam-se
mais gritantes. Hoje, já se tem um perfil do abusador de
idosos. Por ordem de freqüência estão em primeiro lugar,
os filhos homens mais que as filhas; em segundo lugar, as
noras e os genros e, em terceiro, o cônjuge. A caracterização do agressor revela alguns perfis e circunstâncias:
(1) ele vive na mesma casa que a vítima; (2) é um filho(a)
dependente financeiramente de seus pais de idade avançada; (3) é um familiar que responde pela manutenção do
idoso sem renda própria e suficiente; (4) é um abusador
de álcool e drogas, ou alguém que pune o idoso usuário
dessas substâncias; (5) é alguém que se vinga do idoso
que com ele mantinha vínculos afetivos frouxos, que abandonou a família ou foi muito agressivo e violento no passado; (6) é um cuidador com problema de isolamento social
ou de transtornos mentais.
No que concerne à especificidade de gênero, todas
as investigações mostram que, no interior da casa, as mulheres, proporcionalmente, são mais abusadas que os
homens. Na rua, os homens são as vítimas preferenciais.
Em ambos os sexos, os idosos mais vulneráveis são os
dependentes física ou mentalmente, sobretudo quando
apresentam problemas de esquecimento, confusão mental, alterações no sono, incontinência, dificuldades de locomoção, necessitando de cuidados intensivos em suas
atividades da vida diária. Em conseqüência dos maus-tratos, muitos idosos passam a sentir depressão, alienação,
desordem pós-traumática, sentimentos de culpa e negação das ocorrências e situações que os vitimam e a viver
em desesperança.
Esse diagnóstico é uma síntese de estudos mais
aprofundados e já divulgados no país. Mas ele precisa
aperfeiçoar-se, o que deverá ocorrer na medida em que
haja investimento tanto nas políticas sociais de proteção
ao idoso, como em investigações que adotem foco estratégico dirigido a problemas específicos. Apesar do incipiente conhecimento sobre o assunto, porém, os dados
existentes permitem já traçar propostas de ação que, se
cumpridas, farão diferenças significativas para os idosos
Este plano assinala algumas diretrizes fundamentais
para a implementação das ações propostas:
1. O foco central da atuação deve ser a plena aplicação do Estatuto do Idoso em que a legislação consagra
o reconhecimento dos seus direitos e do seu lugar muito
especial desses cidadãos na sociedade brasileira;
2. O princípio básico de todas as ações do plano
deve ser a garantia da presença e do protagonismo do
idoso como proponente, participante, monitorador e avaliador das diversas instâncias;
3. As ações do plano devem ser realizadas dentro de
um processo de descentralização e pacto federativo e de
4. O plano de ação deve ser acompanhado e avaliado desde o início de sua implantação, para que o seu
monitoramento garanta a factibilidade das propostas, correção de rumos e sua continuidade.
Este plano de ação adota algumas prioridades e é
datado para dois anos, etapa durante a qual o seu monitoramento indicará os passos subseqüentes a serem trilhados.
Fundamentadas no diagnóstico situacional, as prioridades de ação estão descritas por quatro categorias de
espaço socioambiental e cultural:
1. Espaço cultural coletivo;
2. Espaço público;
3. Espaço familiar;
4. Espaço institucional.
O Estatuto do Idoso, que prevê um país generoso
com os seus velhos, tem problemas com a prática. Elas
são de várias ordens. A primeira e essencial é a consciência de que o envelhecimento é um fenômeno que veio
para ficar e que, nos próximos 50 anos, tenderá a se acelerar no Brasil. Portanto, é preciso considerar a importância
da contribuição do idoso em todas as esferas públicas e
privadas, assim como políticas específicas voltadas a seu
bem-estar, qualidade de vida, proteção e cuidados. Essa
consciência precisa crescer em toda a sociedade, modificando hábitos, usos e costumes, remetendo a mudanças
culturais que necessitam da intervenção política e gerencial do Estado, da sociedade e dos próprios idosos para
que se acelerem.
Mobilização da mídia em âmbito nacional, estadual e
local, tendo como tema o envelhecimento e o Estatuto do
Estabelecimento de parceria com a mídia para divulgação das políticas, planos de ação, seminários e outras
iniciativas voltadas à garantia dos direitos dos idosos;
Realização de fóruns em todas as Unidades da Federação para a discussão da temática “envelhecimento e família”.
Os idosos, como toda a população brasileira, têm direito de ir e vir no espaço público. No entanto, a maioria de
nossas cidades e áreas rurais não lhes oferece segurança
para sair de casa, passear e se divertir. Três problemas
são cruciais: o estado depredado das calçadas ou a sua
inexistência, a falta de acesso a transporte ou o tratamento discriminatório por parte de motoristas e cobradores e
a organização do trânsito. No trânsito, os idosos passam
por uma combinação de desvantagens: dificuldades de
movimentos, próprias da idade somam-se à falta de respeito e mesmo a violências impingidas por motoristas e à
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