Source: https://www.conjur.com.br/2007-mai-30/prazo_poupador_reaver_diferenca_nao_termina_maio
Timestamp: 2018-10-22 20:41:00+00:00
Document Index: 3540394

Matched Legal Cases: ['artigo 150', 'artigo 6', 'artigo 177', 'artigo 2', 'artigo 1', 'artigo 132', 'artigo 202', 'artigo 172']

ConJur - Prazo para poupador reaver diferença não termina em maio
Prazo para reaver diferença do Plano Bresser não termina em maio
30 de maio de 2007, 20h48
Por Luís Eduardo Colella
O Plano Bresser foi instituído por meio da Resolução 1.338, de 15 de junho de 1987, do Conselho Monetário Nacional, que modificou o critério de atualização monetária do saldo depositado em caderneta de poupança.
Ocorre que essa alteração só poderia ter eficácia a partir de 16 de junho de 1987, pois, no artigo 150, parágrafo 3º, da Constituição Federal anterior, bem como no artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil de 1916, ambos vigentes em junho de 1987, já havia garantia ao direito adquirido.
Dessa maneira, somente para as poupanças que aniversariavam entre 16 e 31 de julho de 1987 é que se aplicava essa Resolução 1.338, do CMN.
As instituições financeiras, como reiteradamente reconhecido pelo Poder Judiciário, no período de 1 a 15 de julho de 1987, depositaram valores correspondentes a percentual menor, pois utilizaram o índice da Letra do Banco Central (LBC), e não o IPC.
Assim, a caderneta de poupança com data-base num dos primeiros 15 do mês de junho de 1987 teria de ter depositada a correção monetária no mesmo dia do aniversário (1 a 15) no mês de julho de 1987, pela forma da então vigente Resolução 1.265, de 26 de fevereiro de 1987, do Conselho Monetário Nacional, na qual o critério de atualização monetária era o Índice de Preço ao Consumidor (IPC) (de maior resultado), que se apurou em 26,06% para aquele período.
As leis vigentes então à época (primeira quinzena de junho de 1987) e mais esse contrato garantiam que, num desses dias do mês posterior (1 a 15 de julho de 1987), conforme a data de aniversário, fosse depositado o valor correspondente ao percentual integral de 26,06% do IPC.
O surgimento do direito à cobrança nessa questão econômica nasceu no dia em que a obrigação deveria ser cumprida integralmente e não o foi, porque o direito nasceu desse fato do não pagamento (lesão) no dia do aniversário em julho de 1987 (para os operadores de direito ex facto jus oritur = do fato nasce o direito).
No caso do Plano Bresser, isso se deu entre os dias 1 e 15 de julho de 1987, porque, como dito, num desses dias a obrigação tinha que ter ser realizada.
Dessa forma, a cobrança da diferença da correção monetária não depositada num dos dias da primeira quinzena (1 a 15) de julho de 1987 prescreve somente no mesmo dia do mês de julho de 2007, porque, ai se completa o prazo de 20 anos (conforme o artigo 177, do Código Civil de 1916, vigente em 1987, combinado com o artigo 2.028, do Código Civil de 2002).
Exemplificando, para quem tinha que receber o depósito no dia 1 de julho de 1987, esse direito só prescreve em 1 de julho de 2007, conforme artigo 1º, da Lei 810, de 6 de setembro de 1949, combinado com artigo 132, parágrafo 3º, do atual Código Civil. E da mesma forma, prescrevem dia a dia as poupanças que tinham seus aniversários até o dia 15 de julho de 1987.
O direito do poupador à cobrança da diferença de correção monetária do Plano Bresser não prescreve em 31 de maio de 2007, mas sim na data correspondente ao aniversário da conta no mês de julho de 2007, desde que essa data seja na primeira quinzena desse mês.
Na verdade, o Plano Bresser’nem se aplicou às poupanças com data-base na primeira quinzena de junho de 1987, com aniversário na primeira quinzena de julho de 1987, as instituições financeiras é que não observaram a norma vigente, porque a nova norma (Resolução 1.338/87) lhe era mais favorável, em total ilicitude contra o poupador.
Importante anotar que esta prescrição da data de aniversário na primeira quinzena de julho de 2007 é para o poupador que não praticou nenhum dos atos atualmente previstos no artigo 202 do Código Civil, ou anteriormente no artigo 172, do Código Civil/1916, pois ai o prazo pode ser maior.
Luís Eduardo Colella é advogado.
Revista Consultor Jurídico, 30 de maio de 2007, 20h48
Sem reparos! Parabens pelo serviço prestado não...
Luis Felipe Dalmedico Silveira (Advogado Assalariado) 8 de junho de 2007, 0h31
Sem reparos! Parabens pelo serviço prestado não só a comunidade jurídica, como a população. Cabe a imprensa, agora, retificar as falsas informações alardeadas durante o mes de Maio.
Esse boato dever ter surgido por conta e ordem ...
Ruberval, de Apiacás, MT (Engenheiro) 31 de maio de 2007, 16h02
Esse boato dever ter surgido por conta e ordem da Febraban.
Estou absolutamente de acordo! Não consigo ente...
Babi (Advogado Autônomo - Civil) 31 de maio de 2007, 13h31
Estou absolutamente de acordo! Não consigo entender até agora de onde surgiu esse 31 de maio!! Desde o início, e pela lógica das regras do Direito, a prescrição somente começa a correer a partir da data do surgimento do Direito aser reclamado. Mesmo que não fosse, A tal resolução apenas entrou em vigor em 16 de junho de 1989, e só a partir daí é que os Bancos começaram a praticar os expurgos em contas que ainda não tinha seus ciclcos mensais encerrados. De qualquer forma, acho que o ditado que diz que o Direito não socorre quem dormi tem boa aplicação ao caso, o advogado também não pode fazer milagre, mesmo que tenhamos mais 15 dias para aguardar extratos, afinal, foram 20 anos de prazo para levantar documentos!!! Muito boa a explicação, e finalmente alguma lógica na contagem do termo final para tais pedidos!