Source: https://issuu.com/depchicolopes/docs/a_decada_da_educacao_e_o_fundeb_web
Timestamp: 2017-01-25 00:13:34+00:00
Document Index: 164737480

Matched Legal Cases: ['artigo 208', 'Artigo 3', 'Artigo 3', 'Artigo 4', 'Artigo 4', 'Artigo 4', 'Artigo 29', 'Artigo 5', 'Artigo 5', 'Artigo 5', 'Artigo 70', 'Artigo 71', 'Artigo 18', 'Artigo 34', 'Artigo 210', 'Artigo 208', 'Artigo 212', 'Artigo 70', 'Artigo 71', 'Artigo 71', 'Artigo 35']

Cartilha da Educação by Chico Lopes - issuu
ducaçã
ação educação
a Década da Educação
e o Fundeb
educaçãoeducaç
© Deputado Federal Chico Lopes – PCdoB/CE
Dalwton Moura (MTb 01339 JP CE)
Ana Iório Dias
Fernanda do Val
A Década da Educação e o Fundeb
Deputado Federal Chico Lopes – PCdoB/CE
Câmara dos Deputados – Anexo IV
Gabinete 310.
Tel.: (61) 3215-3310
Fax: (61) 3215-2310
ada a r
evido c
Escritório da Assessoria Parlamentar em Fortaleza
R. Marechal Deodoro, 535 – Benfica
Cep: 60020-060
Tel.: (85) 3253-5906
Fax: (85) 3253.2465
www.chicolopes.com.br
53a Legislatura – 2a Sessão Legislativa
S érie
Separatas de Discursos, Pareceres e Projetos
Educação: nossa utopia, nosso desafio	7
As conquistas e os desafios na Década da Educação	Breve histórico	Princípio da descentralização administrativa e pedagógica	Universalização da Educação Básica	Educação Infantil	Ensino Fundamental	Ensino Médio	Educação Especial/Inclusiva	Educação de Jovens e Adultos	Educação Indígena	Valorização da ação docente e do magistério	Ensino Superior	Algumas Considerações	11
FUNDEB: da regulamentação à implantação	O que você precisa saber	Principais características do FUNDEB	A implementação do FUNDEB	Perguntas e respostas sobre o FUNDEB	44
A Década da Educação no Ceará:
dados importantes e necessidades atuais	62
Uma conversa final	75
Fontes de pesquisa	77
Lei Nº 11.494	78
nossa utopia, nosso desafio
A busca por uma educação de qualidade não é de hoje. Várias foram, e continuam sendo, as tentativas em oferecer uma educação no Brasil que contemple
as necessidades de seu povo. A histórica falta de escolarização, associada à
crescente demanda educacional nos diferentes setores da sociedade, alimentou
a luta tanto pelo aumento de vagas, como principalmente pela melhoria na
qualidade do ensino oferecido da escola infantil à universidade.
Ao longo desse processo, vitórias importantes foram obtidas pela sociedade
brasileira. Conseguimos, se não universalizar um dos níveis essenciais da Educação Básica – o Ensino Fundamental –, pelo menos avançar quantitativamente na oferta de matrículas, não só nesse nível, mas nos demais que o compõem.
De um modo geral, as mudanças na oferta podem ser associadas à reorganização por que passa o sistema de educação no Brasil.
Porém, as avaliações realizadas, através de vários programas, acerca do processo de aprendizagem e do desempenho dos alunos, mostram o quanto ainda
precisamos trabalhar para que crianças, adolescentes, jovens e adultos possam ter
acesso a uma educação de qualidade - com repercussão direta em suas vidas.
Acreditamos plenamente que a utopia da transformação da sociedade e da
emancipação do ser humano passa decisivamente pela educação. É parte das
lições de classe, da boa didática, assim como o mundo da política, o mundo da
violência, das injustiças, da desigualdade e das inconformidades. Levar esses
temas à sociedade é instigar reflexões dentro e fora da sala de aula. Compreender e atuar sobre essa realidade tão complexa, de modo a favorecer o desenvolvimento pessoal e coletivo: essa é a nossa utopia, o nosso grande desafio.
A você, boa leitura e bom proveito com este material que foi elaborado com
o objetivo de elucidar dúvidas e contribuir para a compreensão do cenário educacional no qual somos protagonistas.
Nos últimos 10 anos fomos espectadores e protagonistas de seguidas manifestações e ações no universo da educação. Dentre tantos movimentos, projetos, leis, reivindicações, decretos, lutas e embates, defendemos cotidianamente
a bandeira de uma educação de qualidade, democrática e acessível a todos, nos
mais remotos lugares deste imenso Brasil.
Chico L opes
Esta publicação tem como objetivo principal fornecer aos profissionais envolvidos com a educação, e ao público em geral, informações, dados e análises
que influenciaram o setor educacional no País e, especialmente, no Estado do
Ceará na última década. São três capítulos, com os seguintes destaques:
1. Uma exposição das conquistas e dos desafios da Década da Educação, gerados a partir da Lei N° 9394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), que garantiu mudanças no cenário educacional brasileiro;
2. Respostas a dúvidas freqüentes sobre o financiamento da Educação Básica previsto no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB);
3. Informações e análises acerca dos dados que se referem à Educação
Básica no estado do Ceará, no período de 1997 a 2006, a Década da
Esperamos que este material possa tirar dúvidas e servir de fonte de pesquisa, estimulando o debate acerca dos problemas e de possíveis soluções para
o desenvolvimento da educação – especialmente da rede pública – oferecida à
grande maioria dos brasileiros.
CA P Í TU L O I
As conquistas e os desafios
na Década da Educação
A educação sempre foi, direta ou indiretamente, tema presente nas constituições brasileiras. Naquelas outorgadas, a educação teve um papel secundário,
pois se entendia que a responsabilidade de educar crianças e adolescentes era
dos pais e da sociedade civil, personificada sobretudo nas instituições de cunho
religioso ligadas, em sua maioria, à Igreja Católica.
Até 1988, a garantia do direito à educação não contava com ações efetivas para
se tornar prioridade. Durante muito tempo, a principal ação do Poder Público foi
tornar obrigatória a matrícula escolar, como se isso fosse suficiente para garantir
a educação de qualidade. A Constituição Federal, em seu artigo 208, §1º, estabelece que o ensino obrigatório gratuito (Ensino Fundamental) é direito público
subjetivo: pode ser exigido do Estado a qualquer tempo.
A Constituição Federal de 1988 trouxe novas perspectivas ao país. Também
quanto à educação, era necessário reformular estruturas e conceitos com o intuito de tornar realidade as expectativas geradas pelo novo texto constitucional.
Diferentemente da tradição brasileira, na qual todas as iniciativas de reformas
educacionais sempre foram propostas pelo Poder Executivo, a iniciativa de
criar uma nova Lei de Diretrizes e Bases partiu do Legislativo, tendo por base
uma proposta de lei nascida na comunidade educacional brasileira.
A LDB de 1996, ainda que tenha suscitado muita polêmica, é, pela primeira
vez na história da educação no Brasil, uma lei de cunho democrático, revelando
as contradições e os interesses de diversas parcelas da sociedade civil. Embora
apresente grandes desafios a serem superados, trouxe avanços com relação à
legislação anterior. Vejamos alguns deles:
• Conceito de Educação Básica, que integra Educação Infantil, Educação Fundamental e Ensino Médio, propiciando a organização de um sistema de educação nacional abrangente e universalizado, isto é, capaz de garantir a plena
escolaridade para toda a população do país;
• Aumento do número mínimo de dias letivos por ano, implicando maior tempo de permanência na escola, fato que permite a melhoria do atendimento
• Flexibilização da forma de organização do tempo, reclassificação dos alunos, de-
Princípio da descentralização administrativa e pedagógica
Nos níveis da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal,
passa a haver “liberdade de organização” dos respectivos sistemas de ensino,
“em regime de colaboração”;
• A Escola e seus docentes ganham autonomia para desenvolver seus projetos
pedagógicos e planos de trabalho, no desempenho de sua tarefa de “zelar pela
aprendizagem dos alunos”;
• A Educação Básica passa a poder se organizar em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos e grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por outra
forma de organização, sempre de acordo com o processo de aprendizagem;
• A LDB deslocou a ênfase do processo de ensino para o processo de aprendizagem. Assim, as atividades de ensino das escolas e de seus professores devem ser avaliadas pelos resultados de aprendizagem de seus alunos. finição do calendário, critérios de promoção e ordenação curricular;
• Inclusão da Educação Infantil, em creches e pré-escolas, como primeira etapa da
Educação Básica, conseqüência do direito da criança pequena à educação;
• Valorização do Ensino Profissional e Técnico, enfatizando a necessidade de
uma maior articulação entre estudos teóricos e práticos;
• Revalorização da formação do Magistério;
• Autonomia administrativa, pedagógica e financeira;
• Sistemas de ensino organizados através da cooperação entre União, estados
e municípios;
• Valorização do município como local propício para organizar a educação.
Devemos destacar, ainda, que a educação assegurada pela Constituição Federal é aquela voltada ao diálogo, à tolerância e, sobretudo, à liberdade. A educação para a liberdade somente poderá ser efetivada através do diálogo e dos
valores humanos, permitindo à criança e ao adolescente uma possibilidade real
de atuar como protagonistas no seu desenvolvimento.
• A Educação Básica é composta pela Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O objetivo da Educação Básica é assegurar a todos os
brasileiros a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e
fornecer-lhes os meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores.
Dois são os principais documentos norteadores da Educação Básica: a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB e o Plano Nacional de
Educação – PNE;
• Entre outros princípios, afirma-se o da “igualdade de condições para o acesso
e a permanência na escola” (Artigo 3º, Inciso I);
• Fica destacada na lei a necessidade de valorização do profissional da educação escolar (Artigo 3º, Inciso VII), assim como o dever do Estado em garantir
o “ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não
tiverem acesso na idade própria” (Artigo 4º, Inciso I);
• A lei ressalta a “progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao En-
• A educação infantil visa garantir a proteção integral das crianças e dos ado-
sino Médio” (Artigo 4º, Inciso II), assim como o “atendimento gratuito em
creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade” (Artigo 4º,
Inciso IV);
lescentes, o que inclui o disposto no Artigo 29 da LDB: o desenvolvimento
integral da criança de até seis anos;
• “O acesso ao Ensino Fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída e, ainda, o Ministério
Público, acionar o Poder Público para exigi-lo” (Caput do Artigo 5º);
• Cabe aos Estados e aos Municípios, “em regime de colaboração e com a assistência da União”, “recensear a população em idade escolar para o Ensino
Fundamental e os jovens e adultos que a ele não tiveram acesso”, além de “fazer-lhes a chamada pública” e de “zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela
freqüência à escola” (Artigo 5º, Incisos I, II e III);
• Fica definido que, “comprovada a negligência da autoridade competente para
garantir o oferecimento do ensino obrigatório, poderá ela ser imputada por
crime de responsabilidade” (Parágrafo 4º do Artigo 5º);
• Fica especificado o que pode ser considerado como despesas com “manutenção e desenvolvimento do ensino” (Artigo 70), bem como o que não será
considerado despesa para esse fim (Artigo 71).
C onquistas
• A Educação Infantil, primeira etapa da Educação Básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus
aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da
família e da escola;
• “As instituições de Educação Infantil, públicas e privadas, passam a compor o
sistema municipal de ensino (Artigo 18, LDB)”;
• A responsabilidade quanto à educação cabe ao Estado, à família e à comunidade.
A Educação Infantil tem se desenvolvido tanto nos últimos anos, a ponto de permitir que as crianças que a ela tiveram acesso já cheguem alfabetizadas ao Ensino
Fundamental. Isso demonstra como a Educação Infantil não é mera “pré-escola”,
e sim uma etapa importante no desenvolvimento integral da criança. É necessário, assim, que o acesso à Educação Infantil seja garantido a todos, a fim de não se
constituir em mais um fator de exclusão social;
• A partir de 1996, a lei finalmente reconheceu a pré-escola e as creches como
direitos da criança e as incorporou à Educação Básica. A lei também exigiu
mudanças na forma como esses estabelecimentos devem funcionar: deixariam de ser apenas locais de assistência e recreação para efetivamente realizar atividades educacionais. Para crianças com até três anos, creches; para os
maiores, dos quatro aos seis anos, pré-escolas;
• A qualificação dos professores melhorou. Há pouco tempo, praticamente qualquer pessoa, até mesmo quem não tinha o Ensino Fundamental
completo, podia “cuidar de crianças” em creches e pré-escolas. Hoje, o
mínimo exigido é o Curso de Magistério. Mesmo assim, ainda há casos de
educadores abaixo desse nível. Para tentar regularizar a situação, o Ministério da Educação criou, em 2005, o Proinfantil, programa que oferece aos
educadores a qualificação necessária para atuar na Educação Infantil;
• O oferecimento de vagas em creches e pré-escolas é de competência do
sistema de ensino municipal. A oferta desse tipo de ensino deve ser vista
como uma política social básica da educação, e não como forma de apoio
sócio-familiar;
• No que se refere à oferta de vagas da Educação Infantil, (com cerca de 7 milhões
de alunos), foi registrado crescimento negativo de 2,6%. No entanto, as matrículas em creche, que em 2006 foram da ordem de 1,4 milhões, cresceram (1%) em
relação ao ano de 2005. Já na pré-escola, com aproximadamente 5,6 milhões de
matrículas, houve um decréscimo de 3,5% em relação ao ano anterior;
• A oferta de vagas em creche encontra-se, basicamente, em escolas públicas
municipais. Em 2006, o sistema municipal de ensino respondeu por 62,9%
das matrículas e o sistema privado por 35,8%, enquanto que em 2005 esses
percentuais eram de 60,9% e 37,8%, respectivamente. A matrícula total nas
creches cresceu 1% (13.599 crianças), enquanto que nos estabelecimentos
municipais ela aumentou em 37.985 (4,4%);
• Na pré-escola, o número de matrículas cai em todas as regiões. A oferta é
também bastante municipalizada: a rede pública de educação municipal responde por 70,1% do atendimento, índice que se manteve em 2005 e 2006,
enquanto que a rede privada respondeu por 26,1% das matrículas em 2005 e
decresceu levemente para 25,77% em 2006;
• De modo geral, as pequenas mudanças identificadas nos quantitativos de
matrículas nas primeiras etapas da Educação Básica podem estar associadas
à organização do Ensino Fundamental em nove anos. Tal iniciativa vem promovendo a transferência de matrículas de crianças de seis anos da pré-escola
para o Ensino Fundamental. Conseqüentemente, observa-se, em 2006, uma
queda de matrículas na pré-escola e um crescimento de 43% no número de
alunos na série inicial do Ensino Fundamental, em relação a 2005.
• A meta brasileira definida no Plano Nacional de Educação é fazer com que
até o ano de 2011 metade das crianças de até três anos esteja em creches, e
80% daquelas entre quatro e seis anos, nas pré-escolas. Números da Campanha Nacional pelo Direito à Educação mostram que, apesar de ter havido
progressos nos últimos anos, a meta é ousada. Para que seja alcançada, será
preciso criar cinco vezes mais vagas nas creches;
• Além de aumentar o número de crianças com acesso à Educação Infantil, é
preciso melhorar a qualidade das escolas, e isso só é possível com investimento maciço no setor educacional;
• Torna-se necessária uma formação geral e cultural continuada dos professores
para a Educação Infantil, instaurando e fortalecendo os processos de mudança na
perspectiva de um profissional pedagogo, especialista nas questões da educação,
um cientista da educação e pesquisador da prática educativa, como resposta aos
desafios que a criança solicita em seu desenvolvimento. É um desafio permanente que se impõe para pensar e realizar uma pedagogia que invista em fazeres
e saberes comprometidos com uma educação humanizadora de nossas crianças; • São desafios ainda em processo de superação, principalmente quando há a
constatação de que, apesar de a Educação Infantil constituir-se em um direito
de cidadania das crianças, milhares delas continuam sem acesso à educação.
Além disso, a qualidade do trabalho oferecido em muitas instituições permanece aquém dos parâmetros considerados satisfatórios pelo atual arcabouço
legal, político e pedagógico;
• Para a inclusão de crianças com necessidades educativas especiais, em creches
e pré-escolas, há necessidade de professores empenhados na interação, acolhida e escuta dessas crianças, interessados em compreender suas necessidades e
desejos. Que estejam disponíveis para interpretar suas formas de expressão e
comunicação, muitas vezes diferentes daquelas das demais crianças da mesma
faixa etária. E, principalmente, professores desejosos de ajudá-las.
• Uma criança que curse um ano de pré-escola
tende a ter, quando adulta, um salário até
6% maior do que alguém que não fez nenhum
ano de Educação Infantil;
• Uma criança que freqüente dois anos de pré-escola tende
a ter um aumento de um quinto no seu poder de compra
quando for adulta;
• Entre 2003 e 2004, apenas uma entre 10 crianças de até
três anos estava na creche, e metade das que tinham entre
quatro e seis anos ia à pré-escola;
• O Brasil tem aproximadamente:
• 100 mil pré-escolas (cerca de 50 mil na Região Nordeste);
• 30 mil creches (cerca de 15 mil na Região Sudeste).
• O Ensino Fundamental obrigatório, com duração de nove anos, gratuito na
escola pública, iniciando-se aos seis anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
IV – O fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana
e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. (Redação dada pela Lei nº
11.274, de 2006);
• O ingresso no Ensino Fundamental será a partir dos seis anos, como determina a LDB. A duração estabelecida pela lei atual é de nove anos, no mínimo,
com jornada escolar de “pelo menos quatro horas de trabalho efetivo em sala
de aula, sendo progressivamente ampliado o período de permanência na escola” (Artigo 34);
• Para assegurar o Ensino Fundamental para todos, estados e municípios devem
estabelecer “formas de colaboração”, acertando uma distribuição proporcional
das responsabilidades de acordo com a população a ser atendida e os recursos
financeiros que cada governo tem para aplicar na educação;
• Além da responsabilidade compartilhada entre Estados e Municípios pelo Ensino Fundamental, estabelecida pela legislação oficial vigente, o crescimento da
participação dos municípios na oferta desse nível de ensino é decorrência da
implantação do FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério), que, ao redistribuir recursos de
acordo com o número de matrículas, estimula administrações municipais a assumirem maiores responsabilidades por matrículas no Ensino Fundamental;
• No Ensino Fundamental foi constatada uma pequena melhoria nos indicadores de rendimento escolar entre 2004 e 2005: em torno de 0,8 pontos
per­centuais para mais, no que se refere à taxa de aprovação, e de 0,8 pontos
percentuais para menos, no que se refere à taxa de abandono. A taxa de reprovação permanece a mesma (13%) nos respectivos anos.
• Implementação de propostas curriculares que atendam a necessidade de
aprendizagens significativas, sejam psicomotoras, afetivas, cognitivas, psicosocio-culturais;
• A implantação do Ensino Fundamental com duração de 9 anos requer que
o planejamento e as diretrizes norteiem o atendimento integral da criança,
garantindo a qualidade do ensino. Para tanto, será necessário reorganizar os
tempos, os espaços escolares e a forma de ensinar;
• A gratuidade do ensino nos estabelecimentos oficiais deve ser entendida não
só como a matrícula “potencial” – a vaga em “alguma” escola –, mas como
a tradução do oferecimento das condições “plenas” que permitam a todos
os alunos a sua freqüência regular à escola. Devido à extrema desigualdade
social de nosso País, essa tarefa exige das esferas públicas recursos materiais
e financeiros “compensatórios”, colocados à disposição para que a igualdade
seja estabelecida e a “permanência” dos mais pobres e marginalizados seja
possível. Com mínimas, mas insubstituíveis, condições de igualdade pedagógica e social;
• Definição de um sistema de avaliação contínua e formativa, inserida na proposta pedagógica de cada unidade escolar;
• Articulação das unidades escolares e do sistema com as comunidades do
entorno para as ações pedagógicas que abordem a questão da violência, a
preservação ambiental, a formação política, a ética, a cultura e a paz na sociedade, numa relação de teoria e prática;
• Programas suplementares: além da obrigatoriedade de matrícula e da oferta
de vaga, todas as outras condições necessárias para a educação escolar, como
material didático, transporte, alimentação e saúde, devem estar presentes no
dia-a-dia do educando;
• Promoção da permanência e da aprendizagem dos alunos, assegurando-lhes
reais e concretas condições de sucesso escolar. É essencial que sejam elaboradas e executadas ações que vão desde a melhoria das instalações físicas da rede
escolar até a completa superação da arraigada cultura da repetência. A garantia
de um padrão satisfatório de qualidade na aprendizagem exige ainda a implantação de jornada escolar de, no mínimo, cinco horas e a adoção de políticas de
formação e valorização dos trabalhadores em educação;
• Para que a educação funcione como um instrumento de construção de uma
sociedade livre, justa e solidária é imprescindível que o modelo pedagógico
adotado esteja baseado em um novo paradigma. A opressão deve ceder lugar
à liberdade e os valores inerentes à condição humana devem ter presença
garantida nos currículos escolares de todos os níveis de ensino. Além disso,
é necessário que a mudança do sistema educacional seja acompanhada de
mudanças no sistema econômico, a longo prazo, a fim de acabar com as desigualdades no acesso à educação formal.
• O Brasil apresentou avanços no acesso ao Ensino Fundamental. Em
1930, eram apenas 21,5% das crianças na escola; em 1991, eram 84%.
Hoje são 97%. Também progredimos na criação de instrumentos de
financiamento da Educação e na ampliação do Ensino Fundamental
para nove anos;
• A LDB ao aumentar para 200 dias letivos o ano escolar do Ensino
Fundamental e do Ensino Médio, retirou nosso país da condição de
ter um dos menores calendários escolares do mundo;
• A inclusão das crianças de seis anos de idade na instituição escolar
deve-se a resultados de estudos demonstrarem que, quando as
crianças ingressam na instituição escolar antes dos sete anos de idade,
apresentam, em sua maioria, resultados superiores em
relação àquelas que ingressam somente aos sete anos;
• No Brasil, as grandes desigualdades na distribuição
de renda e de poder foram responsáveis por infâncias
distintas para classes sociais também distintas.
• Ampliação da carga horária mínima anual de 720 para 800 horas e de 180
para 200 dias de efetivo trabalho escolar.
• Aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio (DCNEM),
pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), com base em proposta encaminhada pelo Ministério da Educação (MEC) e com três objetivos principais:
• Sistematizar os princípios e diretrizes gerais contidos na LDB;
• Explicitar os desdobramentos desses princípios no plano pedagógico e traduzi-los
em diretrizes que contribuam para assegurar a formação básica comum nacional;
• Dispor sobre a organização curricular da formação básica nacional e suas relações
com a parte diversificada do currículo, além da preparação geral para o trabalho.
• As diretrizes explicitam a diferenciação entre a preparação geral para o trabalho (parte integrante da formação básica nacional) e a formação profissional
(preparação do aluno para o desempenho de profissão técnica), que será feita
por curso complementar, realizado concomitante ou seqüencialmente ao do
Ensino Médio, porém em carga horária adicional;
• Aceleração do curso dentro das escolas convencionais – não apenas no supletivo – para os alunos com mais de 18 anos;
• Os cursos poderão ser organizados em módulos, séries, ciclos, alternância de
períodos de freqüência às aulas com períodos nos quais o aluno desenvolve
atividades escolares e profissionais em casa, sob a supervisão da escola (uma
modalidade a ser testada, sobretudo na zona rural) ou, ainda, em alternância
de disciplinas acadêmicas na escola média e disciplinas profissionais, em escolas técnicas conveniadas;
• As disciplinas de sociologia e filosofia voltam a integrar o rol das matérias
obrigatórias no currículo das escolas de Ensino Médio de todo o país;
• O ensino da língua espanhola, de oferta obrigatória pela escola e de matrícula
facultativa para o aluno, deve ser implantado, gradativamente, nos currículos
plenos do Ensino Médio até 2010;
• No Ensino Médio, as matrículas localizadas em escolas públicas subiram
• O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anízio Teixeira
de 6,4 milhões, em 1997, para 8,9 milhões em 2006, representando um cres­
cimento de 39%.
(INEP) tem uma tarefa estratégica nesse contexto: oferecer estatísticas relevantes e confiáveis, avaliar o desempenho dos sistemas e dos alunos e fomentar ações nessa direção junto aos estados e municípios. Essas medidas
são essenciais ao desenvolvimento de políticas consistentes para que o Brasil
seja capaz de superar o grande desafio de elevar o seu nível educacional. Em
resumo, transformar em qualidade os ganhos quantitativos realizados na última década.
• No Brasil não há vagas suficientes para todas as pessoas que deveriam freqüentar o Ensino Médio. Hoje, essa inclusão é um dos maiores desafios do
País, do ponto de vista social;
• Resgatando a discussão sobre as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio,
estabelecidas na LDB, é necessário inverter a lógica do senso comum e propor uma reflexão sobre o processo ensino-aprendizagem como possibilidade
concreta de compreensão e utilização dos conhecimentos científicos e tecnológicos e da história e cultura para explicar o “funcionamento” do mundo;
• Deve-se reconhecer que o esforço de elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio nos dá uma boa medida da tensão
permanente entre diretrizes e propostas pedagógicas das escolas. Conceber o Ensino Médio como etapa final da Educação Básica implica aceitar
o princípio constitucional (Artigo 210 da Constituição Federal), que prevê
uma “formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos,
nacionais e regionais”;
• O salto de qualidade no Ensino Médio é uma tarefa gigantesca, que necessita da participação da família e da dedicação dos alunos, mas, espe­
cialmente, de uma gestão eficaz por parte das 27 redes estaduais e das mais
de 5.500 redes municipais de ensino. As mudanças que precisam ser feitas
exigirão mais recursos, professores bem preparados, mais bem remunerados e capazes de, muitas vezes, conduzir seus alunos na superação de toda
a fragilidade social em que estão inseridos. É, portanto, uma tarefa da nação brasileira;
• Mais da metade dos alunos de Ensino Médio não tem
acesso a computador em suas residências. A exclusão
digital é mais perversa para os alunos de escola
pública. Na maioria das capitais, enquanto mais de
60% dos alunos das escolas privadas declaram ter
computador, nas escolas públicas a estimativa é
que apenas 20% tenham;
• Os alunos, quando solicitados a indicar os dois principais
objetivos do Ensino Médio, marcaram com maior freqüência
a opção "preparar para o curso superior (vestibular)", opção
que concentra mais da metade das respostas, quer nas escolas
públicas, quer nos estabelecimentos privados;
• Dados de 2005 da Pesquisa Nacional por Amostragem de
Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e de Estatística
– PNAD/IBGE indicam que, do total da população na faixa etária
entre 15 e 19 anos [18 milhões], apenas 45% [cerca de 4 milhões
de jovens] encontravam-se matriculados no Ensino Médio;
• Em 2006, 2 milhões de alunos concluíram o Ensino Médio. Cerca
de 400 mil jovens ingressaram nas universidades.
• Cabe à União estabelecer as diretrizes nacionais, somando-se a isso a construção de um pacto federativo envolvendo os estados e municípios, para que
não estacionemos nos níveis de desenvolvimento educacional já alcançados;
• O fato de a LDB reservar um capítulo exclusivo para a educação especial é
relevante para uma área tão pouco contemplada, historicamente, no conjunto das políticas públicas brasileiras. O relativo destaque recebido reafirma o
direito à educação, pública e gratuita, das pessoas com deficiência, condutas
típicas e altas habilidades;
• A presença da educação especial na lei reflete certo crescimento da área em
relação à educação geral, nos sistemas de ensino, principalmente nos últimos
• O “Programa de Educação Inclusiva: Direito à Diversidade” tem o objetivo de
disseminar a política de educação inclusiva nos municípios brasileiros e apoiar
a formação de gestores e educadores para efetivar a transformação dos sistemas
educacionais em sistemas educacionais inclusivos, adotando como princípio
a garantia de que os alunos com necessidades educacionais especiais tenham
acesso e permanência, com qualidade, nas escolas da rede regular de ensino;
• Iniciado em 2003, o Programa conta atualmente com a adesão de 144 municípios-pólo que atuam como multiplicadores da formação para mais 4.646
municípios da área de abrangência;
• É importante destacar a existência de um total de 57.308 escolas que oferecem
educação especial. Destas, 2.724 escolas que atendem a 301,5 mil alunos são
exclusivamente de educação especial. Outras 4.325 escolas de ensino regular
oferecem classes especiais (que atendem 74.010 alunos) e as demais 50.259
escolas oferecem ensino regular a cerca de 136,3 mil alunos portadores de
necessidades educacionais especiais integrados em salas comuns. Esses estudantes recebem apoio pedagógico especializado, enquanto que aproximadamente 188,7 mil alunos não têm esse tipo de apoio;
• Dados do Censo Escolar de 2006 (MEC/INEP) registram que a participação
do atendimento inclusivo cresceu, no Brasil, passando dos 24,7% em 2002
para 46,4% em 2006. D esafios
• Mesmo com a criação do Programa de Educação Inclusiva, desenvolvido
pela Secretaria de Educação Especial, do Governo Federal, a inclusão ainda
se configura como um problema grave e que precisa ser superado. Há poucas escolas regulares e especiais; ausência de um sistema adequado às suas
necessidades e preparo de professores; escassez de recursos e até mesmo a
resistência familiar;
• É preciso propor ações e medidas que visem assegurar os direitos conquista-
sileiras, a Secretaria de Educação Especial desenvolve, desde 2004, o Projeto
Educar na Diversidade, que tem como objetivo formar e acompanhar docentes
dos 144 municípios-pólo para o desenvolvimento de práticas educacionais inclusivas nas salas de aula. Até 2006 as ações do projeto atingiram em torno de
30 mil docentes, atuando em escolas de todos os estados e do Distrito Federal;
dos, a melhoria da qualidade da educação, o investimento em uma ampla formação dos educadores, a remoção de barreiras físicas e atitudinais, a previsão
e provisão de recursos materiais e humanos, entre outras possibilidades. Nessa perspectiva, se potencializa um movimento de transformação da realidade
para se conseguir reverter o percurso de exclusão de crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência, no sistema educacional;
• A partir da garantia do acesso à educação previsto na legislação, os sistemas
• Cumprir o dever de incluir todas as crianças na escola supõe, portanto, con-
de ensino se estruturam para ampliar a inclusão de alunos com necessidades
educacionais especiais em classes comuns do ensino regular. Esse trabalho
tem alcançado avanços significativos: em 1998, eram apenas 43.923 alunos;
em 2005, esse número chegou a 262.243 alunos, representando 41% do total
das matrículas na Educação Especial;
• A sustentação de um projeto escolar inclusivo implica necessariamente mu-
• Na perspectiva de apoiar a implantação da educação inclusiva nas escolas bra-
siderações que extrapolam a simples inovação educacional e que implicam o
reconhecimento das diferenças;
danças nas propostas educacionais da maioria de nossas escolas. É necessária
uma organização curricular idealizada e executada pelos professores, diretores,
pais, alunos e todos os que se interessam pela educação na comunidade em que
a escola se insere;
• O apoio imediato aos professores é muito importante no processo de inclusão, para que os problemas sejam encarados em suas devidas dimensões e
para que se desfaça o mito de que são os conhecimentos sobre as deficiências,
e outros correlatos, que lhes faltam e lhes trarão alívio e competência para
resolver essas situações-problema;
• A formação única para todos os educadores reforçaria a tão esperada fusão
entre a educação especial e a regular, nos sistemas escolares. Inspirados nos
projetos que visam a uma educação de qualidade para todos, a formação inicial dos educadores eliminaria, em grande parte, as reações negativas dos
professores do ensino regular diante dos alunos com deficiência;
• Quanto à formação continuada, os professores precisam garantir um tempo
de estudo nas escolas e em seus horários de trabalho para discutir entre si
as suas práticas e trocar experiências; atualizar conhecimentos; dirimir dúvidas; esclarecer situações de sala de aula e coletivamente delinear teorias
próprias para explicar como ensinam e como as crianças aprendem em suas
escolas. Essa modalidade de formação em serviço inclui também uma autoformação, porque exige do professor um esforço individual de atualização
• A Educação Especial, durante décadas, manteve as mesmas
características do ensino regular desenvolvido nas escolas tradicionais.
Num primeiro momento, para fundamentar/organizar o trabalho
educacional especializado, as escolas limitaram-se unicamente
a treinar seus alunos, subdivididos nas categorias educacionais:
treináveis e educáveis; limítrofes e dependentes. Esse treinamento era
desenvolvido visando à inserção familiar e social. Muitas vezes, o treino
se resumia às atividades de vida diária: estereotipadas, repetitivas e
descontextualizadas;
• O aluno portador deficiência mental precisa adquirir, através do
atendimento educacional especializado, condições de passar de um tipo
de ação automática e mecânica diante de uma situação de aprendizado/
experiência para um outro tipo, que lhe possibilite selecionar e optar por
meios mais convenientes de atuar intelectualmente;
• Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da
população mundial tem necessidades especiais. Aplicando esse
percentual ao Brasil, chegaríamos a 18 milhões de pessoas com
• Uma educação inclusiva significa acesso ao ensino regular para todos,
mas com propostas educacionais flexíveis, as quais compreendam que
há capacidades cognitivas diferentes;
• No Brasil, a Educação Especial aparece pela primeira
vez na Lei N.4024, de 1961, referindo-se que a
educação dos excepcionais deve, no que for possível,
enquadrar-se no sistema geral de educação, mesmo
ainda excluída do sistema regular;
• Para a maioria dos profissionais que atuam em nossas
escolas hoje, é difícil entender a possibilidade de se fazer inclusão
total. Essa resistência é aceitável e compreensível, diante do modelo
pedagógico-organizacional conservador que vigora na maioria dos
estabelecimentos de ensino. Ninguém se arrisca a acolher a idéia
de ministrar um ensino inclusivo em uma sala de aula de cadeiras
enfileiradas, livro didático aberto na mesma página, uma só tarefa na
lousa e uma só resposta válida e esperada nas provas.
• Para a oferta de Educação de Jovens e Adultos, modalidade da Educação Básica, o MEC articula-se com estados, municípios e sociedade civil organizada,
implantando um conjunto de ações para a ampliação da oferta, recuperação e
melhoria da escola pública e valorização do professor. Entre essas ações estão
o apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino e a elaboração e distribuição de material didático;
• A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino construída a
partir da constatação de que os sujeitos sócio-culturais envolvidos no processo trazem consigo um repertório de vivências e saberes que devem ser
tomados como norteadores da proposta pedagógica;
• O governo brasileiro, a partir de 2004, investiu no alargamento político da
EJA, entendendo que um programa de alfabetização, sem garantir o direito à
continuidade, é pouco para fazer justiça social a tantos excluídos do direito
à educação. Assim, estabeleceu que a continuidade de estudos seja meta inalienável da EJA, que também se põe, como desafio, a garantia do acesso ao
Ensino Médio, por via da mesma modalidade;
• Na Educação de Jovens e Adultos, os dados do Censo Escolar de 2006 revelam quantitativo de alunos semelhante ao do ano de 2005: 5,6 milhões de
matrículas, com um aumento de apenas 882 matrículas em 2006;
• No período de 2005/2006, as matrículas da EJA nos cursos presenciais cresceram 5,2% (mais 241.964 alunos) e nos cursos semipresenciais diminuí­ram
em 24,2% (menos 241.099 alunos), indicando uma migração de alunos entre
esses tipos de curso;
• A legislação distribui a responsabilidade pública pela manutenção e pelo desenvolvimento do ensino entre as três esferas de governo, cabendo prioritariamente aos estados e municípios implementar programas de educação básica
de jovens e adultos (compreendendo a alfabetização, o ensino fundamental e
médio), com apoio técnico e financeiro suplementar da União, a quem cabe
coordenar as políticas e zelar pela redução das desigualdades regionais;
• Na segunda metade da década de 90, as ações visando à escolarização de
jovens e adultos foram desenvolvidas em parceria com diferentes grupos
de atores sociais. De um lado, houve a continuidade, e até mesmo a intensificação, da presença de centros de educação popular e organizações não
governamentais que, tendo desenvolvido especialização técnica, passaram
a prestar serviços de pesquisa, planejamento, assessoria e avaliação dos
programas educativos, formação de educadores e produção de materiais
di­dático-pedagógicos, tarefas antes desempenhadas pelo Estado;
• O direito de jovens e adultos à educação está assegurado no Artigo 208
da Constituição Federal, que garante a provisão pública de Ensino Fundamental obrigatório e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta para todos
os que a ele não tiveram acesso na idade própria. Já a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que os sistemas de ensino devem assegurar cursos e exames que proporcionem oportunidades educacio­
nais apropriadas aos interesses, às condições de vida e trabalho dos jovens
e dos adultos;
• Em 2000, foram fixadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, regulamentando alguns aspectos da LDB: a
idade mínima para ingresso na educação de jovens e adultos foi delimitada em 14 anos para a etapa fundamental do ensino em 17 anos para o
• A Lei 10.172/2001, que institui o Plano Nacional de Educação (PNE), definiu
26 metas prioritárias para o decênio 2001-2011, entre elas: alfabetizar em
cinco anos dois terços da população analfabeta, de forma a erradicar o analfabetismo em uma década; assegurar, em cinco anos, a oferta do primeiro
segmento do Ensino Fundamental para 50% da população com mais de 15
anos que não tenha atingido esse nível de escolaridade; atender no segundo
segmento do ensino fundamental toda a população com mais de 15 anos que
tenha concluído a etapa precedente; dobrar em cinco anos, e quadruplicar em
10 anos, o atendimento de jovens e adultos no Ensino Médio.
• Pensar novas formas de EJA articuladas com o mundo do trabalho (ProJovem, Proeja, Saberes da Terra, Saberes das Águas, Trabalho Doméstico
Cidadão etc.);
• Rever a elaboração e a formulação das políticas de EJA, estabelecendo maiores
relações de diálogo entre seus protagonistas;
• Renovar o currículo de EJA, buscando a interdisciplinaridade e a transversalidade entre conteúdos;
• Elaborar materiais didáticos que espelhem essa nova forma de pensar e esse
novo currículo;
• Desenvolver novas metodologias, considerando os interesses dos jovens e
• Intensificar a formação de educadores para a EJA;
• Envolver as universidades na EJA, em suas interfaces de formação, pesquisa
• Ampliar os mecanismos de financiamento da EJA para além do FUNDEB;
• Buscar novas formas de pensar a educação e a relação aprendizagem X ensino, ressaltando o papel da EJA em “contaminar” a educação escolar e provocar mudanças;
• Investir em uma política pública de EJA, com articulação entre alfabetização
• Estabelecer o conceito de educação ao longo da vida como princípio que
orienta a política de EJA;
• Aumentar os investimentos públicos na EJA;
• Ter como meta a educação para todos, considerando “todos” os que, historicamente, tiveram negados seus direitos à educação;
• Redefinir as estruturas e os conteúdos da EJA, a partir das reais necessidades
de aprendizagem dos jovens e adultos trabalhadores e do perfil do aluno que
potencialmente busca essa modalidade de educação.
• Em 1920, 65% dos brasileiros maiores de 15 anos não sabiam ler, nem
escrever. Em 2000, chegou-se ao índice de 13,63%;
• Quando falamos de "adultos e de jovens em situação
de carência educativa" é necessário distinguir
aquelas pessoas que possuem habilidades
elementares de leitura e escrita, que são
insuficientes para desenvolver-se no meio letrado,
os "analfabetos funcionais", das pessoas que não
conhecem os signos do idioma ou, se os conhecem, os manejam
precariamente, os "analfabetos puros ou absolutos";
• Na Educação de Jovens e Adultos, 46,55% das matrículas estão sob
a responsabilidade dos governos estaduais, enquanto os municípios
respondem por 45% dos alunos inscritos nessa modalidade;
• Os sujeitos da EJA têm características comuns: condição de pobreza;
defasagem idade-série; direito à educação negado. Mas, apesar das
semelhanças, predominam diferenças regionais, étnico-raciais, de
gênero, de faixa etária, de residência no campo ou na cidade, de
religiões e crenças, de orientação sexual;
• No Brasil, os estados e os municípios são os principais agentes públicos
a desenvolver programas de alfabetização e ensino fundamental de
jovens e adultos. No período posterior à V Confintea (Conferência
Internacional de Educação de Adultos), ocorreu uma progressiva
municipalização do atendimento escolar, por meio da qual os
municípios se equipararam aos estados no número de estabelecimentos
de ensino, e passaram a empregar a quarta parte de seus professores na
modalidade Educação de Jovens e Adultos;
• Os dados preliminares do Censo Escolar de 2003, do MEC, indicam
que o Ensino de Jovens e Adultos cresceu 12,2%, com maior número
de matrículas, proporcionalmente, na modalidade de ensino EJA.
Entretanto, apesar dos avanços dos programas, das parcerias e até
mesmo da elevação no número de matrículas de jovens e adultos que
procuram a escola, não se pode esquecer que o número de adultos
nessa condição ainda é grande.
• Nos últimos 10 anos, a partir da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB) e do Plano Nacional de Educação, ocorreu no Brasil um processo acelerado de expansão da oferta do Ensino Fundamental, que
incluiu as comunidades indígenas;
• A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional trata, pela primeira vez,
desse direito. Em dois artigos, preconiza como dever do Estado o oferecimento de uma educação escolar bilíngüe e intercultural, que fortaleça as práticas
socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena e proporcione a oportunidade de recuperar suas memórias históricas e reafirmar suas
identidades, dando-lhes, também, acesso aos conhecimentos técnico-científicos da sociedade nacional;
• O Conselho Nacional de Educação aprovou a resolução N. 3/1999, que fixa
diretrizes para o funcionamento das escolas indígenas. Importantes definições foram aí inscritas e regulamentadas, das quais três merecem ser destacadas: (a) a criação da categoria escola indígena, reconhecendo-lhe “a condição
de escola com normas e ordenamento jurídico próprios”; (b) garantia de uma
formação específica para os professores indígenas, podendo esta ocorrer em
serviço e, quando for o caso, concomitantemente com a sua própria escolarização; e (c) definição precisa das esferas de competência, em regime de
colaboração, entre União, Estados e Municípios;
• Estabeleceu-se como competência do Ministério da Educação a coordenação
das ações de educação escolar indígena no país, por meio da definição de diretrizes curriculares para a oferta de educação escolar aos povos indígenas. O
MEC também passou a prestar assistência técnico-financeira aos sistemas de
ensino para oferta de programas de formação de professores indígenas e de
publicação de materiais didáticos diferenciados. Também foram elaborados
programas específicos para atendimento das necessidades das escolas indígenas, visando à melhoria nas condições de ensino nas aldeias;
• A ação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade
– SECAD/MEC junto às secretarias municipais e estaduais de educação, à
União dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME e ao Conselho
Nacional dos Secretários Estaduais de Educação – CONSED, tem buscado
insistentemente a expansão da oferta, com qualidade, de educação escolar
nas comunidades indígenas;
• A SECAD garantiu investimentos específicos para a formação de professores
indígenas em nível médio e nas licenciaturas interculturais. Com recursos
do Fundo Nacional para Desenvolvimento da Educação (FNDE), também se
viabilizou a construção, reforma e ampliação de escolas indígenas;
• Nos últimos 10 anos foram formados (ou ainda estão em formação), em cursos especiais de Magistério Indígena, cerca de 9.100 professores indígenas,
em quase todos os estados do Brasil;
• Ações do FNDE, como o Programa da Merenda Escolar, com atenção especial para alunos indígenas e valor per capita superior ao das escolas não-indígenas, incentivam e favorecem a permanência dos alunos em suas escolas;
• Os sistemas de ensino da maioria dos estados no Brasil passaram a priorizar
a agenda da educação escolar indígena expressa na Carta do Amazonas. A
maior parte das 24 Secretarias Estaduais de Educação que têm escolas indígenas nos sistemas de ensino de seus estados realizou investimentos expressivos
em formação de professores e construção, reforma e ampliação de escolas
indígenas, além de aprimorar a gestão;
• Nos últimos quatro anos, a Coordenação Geral de Educação – CGE da FUNAI investiu de forma consistente e de modo articulado com a Coordenação
Geral de Educação Escolar Indígena – CGEEI, do MEC, na formação de professores. Isso garantiu o funcionamento de inúmeros cursos de Magistério
Indígena, além de apoio decisivo às licenciaturas de diversas universidades;
• Os dados do Censo Escolar INEP/MEC 2006 mostram que a oferta de educação escolar indígena cresceu 48,7% nos últimos quatro anos. Em 2002
tínhamos 117.171 alunos freqüentando escolas indígenas, em 24 unidades
da federação. Hoje o número chega a 174.255 estudantes em cursos que vão
da Educação Infantil ao Ensino Médio;
• A partir de 2002, a expansão anual da matrícula em escolas indígenas aproxima-se da taxa de 10% ao ano. Nenhum outro segmento da população escolar
no Brasil apresenta um crescimento tão expressivo no período;
• De acordo com o Censo Escolar 2005, os estudantes indígenas estavam assim
distribuídos nos diversos níveis e modalidades de ensino:
Níveis / Modalidades
Porcentagem sobre total
legislação e pelo Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas,
distribuído pelo MEC;
• Superar velhos problemas das escolas indígenas na Amazônia, constatados pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira
(Coiab). As deficiências vão desde ausência de alimentação e material escolar
até a falta de prédios escolares e de professores qualificados, comprovando
que há problemas a superar na gestão de políticas de educação indígena;
• Criar mecanismos para o cumprimento da legislação já existente e novas formas de participação e controle social mais efetivos, sobretudo respeitando
formas próprias dos povos indígenas, como encontros, assembléias, congressos, mobilizações. Também é necessário aproveitar melhor outras formas de
diálogo mais institucionalizadas, como o Conselho Nacional de Educação e,
quando instituída, a Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena;
• Promover um maior envolvimento das secretarias estaduais de educação que
• Em 2006 a distribuição se apresenta da seguinte forma:
ainda não absorveram a temática da educação indígena como uma de suas
linhas de trabalho. Atualmente, poucas são as que estruturaram um corpo
técnico administrativo para formular e implementar uma política estadual
de educação indígena, mantendo cursos regulares de formação e titulação de
professores indígenas;
• Reconhecer o trabalho acumulado de organizações de apoio aos índios e efe-
• Podemos observar que cresceu a oferta do segundo segmento do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em escolas indígenas.
tivar novas parcerias;
• Vencer obstáculos e resistências para que as escolas indígenas sejam um meio
de autonomia política e cultural, e não mais um instrumento de submissão
histórica, é o grande desafio do momento. Um desafio para os próprios índios em descobrir e construir um sentido para a escola. Um desafio para os
pesquisadores, indigenistas e aliados do movimento indígena, e um desafio
para os legisladores e para os agentes governamentais.
• Oferecer às populações indígenas uma educação escolar de qualidade e a
possibilidade de continuidade, ou seja, de que finalizando os estudos na
escola diferenciada os alunos indígenas estejam capacitados a se inserir nas
instituições educacionais não-diferenciadas. Uma educação pautada pela
Valorização da ação docente e do magistério
• A taxa de crescimento populacional da maioria dos povos indígenas no
Brasil se aproxima de 4%, ao passo que a atual média nacional é de 1,4%;
• O Censo Escolar de 2003 já apontava que naquele ano existiam 150
mil estudantes indígenas no Brasil. Deste total, 3% (4,5 mil alunos
aproximadamente) estavam no Ensino Médio. O Censo Escolar de 2006
revela que esse número subiu para 174.255, dos quais 7.900 são do
• Ao contrário do que a historiografia tradicional afirmou durante várias
décadas, aqui não existiam apenas matas fechadas e animais selvagens
"esperando" pela civilização. Estudos baseados em fontes seguras,
como relatos de viajantes, de padres, documentos oficiais, pesquisas
de campo, fragmentos de cultura material e outras, confirmam a
presença de milhares de pessoas – chamadas de índios – vivendo
em grupos, de forma organizada, produzindo meios de subsistência,
convivendo em harmonia com a natureza, desenvolvendo e
transmitindo conhecimentos, de forma oral e prática, às gerações
• A escola como instituição formal de instrução está presente
nas sociedades indígenas desde os primeiros séculos da
colonização. As regiões do Amazonas, Roraima, Acre, Mato
Grosso do Sul e outras promovem freqüentemente encontros
entre professores, pesquisadores, membros do poder
público e demais envolvidos com as questões indígenas para
debaterem sobre os rumos da educação escolar. A partir da década
de 1970 esses movimentos indígenas têm crescido, e suas vozes estão
sendo ouvidas por diversos segmentos sociais;
• Em pesquisa realizada pelo Instituto Socioambiental, no Brasil existem
216 povos indígenas contemporâneos, somando uma população de
aproximadamente 350 mil índios, falantes de 170 línguas diferentes.
Existem evidências que apontam para a existência de vários "índios
isolados" cujo contato regular ainda não se estabeleceu. O movimento
indígena afirma, porém, que são ao todo 500 mil índios sendo que
350 mil vivem em terras indígenas e outros – 150 mil –, por falta de
condições de vida, estão nas cidades.
• A função docente, no Brasil, foi sendo normatizada a partir do momento em
que o Estado, para atender às necessidades de escolarização impostas pelo
processo de modernização da sociedade brasileira, avoca a si o controle formal da escola;
• A LDB dispõe sobre algumas diretrizes que procuram valorizar a carreira do
magistério. Há na lei uma determinação para elevar o nível de escolarização
docente, ao se estabelecer como regra a formação dos professores em nível
superior, nos cursos de licenciatura e no normal de nível superior. As licenciaturas de curta duração foram extintas;
• Ampliação do estágio profissional mediante a exigência de prática de ensino
de 300 horas;
• Para a carreira do magistério público, a LDB prevê progressão baseada na
titulação ou habilitação, bem como na avaliação de desempenho. São prescritas, ainda, vantagens como o licenciamento periódico remunerado, para que
os professores possam aperfeiçoar-se profissionalmente;
• Os níveis de qualificação docente cresceram graças à expansão dos programas de pós-graduação stricto sensu e aos estímulos oferecidos para os professores do setor público;
• Para iniciar a definição de uma política consistente de valorização dos funcionários de escola, foi realizado, em abril de 2004, seminário com a presença de representantes de estados com experiências em termos de formação e carreira. Das
discussões ocorridas foi extraído o documento “Por uma política de valorização
dos trabalhadores em educação – em cena, os funcionários de escola”, que tem
subsidiado os encaminhamentos do Ministério da Educação;
• Foi criada a Coordenação Nacional de Valorização dos Trabalhadores em Educação - SEB/MEC, com algumas ações desencadeadas: proposição ao Conselho
Nacional de Educação da criação da área de Técnico em Educação; curso de profissional Técnico em Educação – Profuncionário, atingindo 5.000 funcionários
da educação pública; investimento e acompanhamento na capacitação continua­
da dos funcionários de escola; acompanhamento, no Congresso Nacional, dos
Projetos de Lei que visam à valorização dos funcionários;
• O MEC, ao longo de 2004, investiu na implementação de cursos de formação
continuada de funcionários de escola por meio da resolução Nº 5, de março
de 2004, que estabeleceu as orientações e diretrizes para assistência financeira suplementar aos projetos educacionais, no âmbito da Educação Infantil e
• Orientar a formação dos profissionais da Educação para o desenvolvimento de
competências, habilidades, atitudes e valores, estimulando a autonomia intelectual dos professores, com base nos fundamentos científicos e tecnológicos;
• Concomitantemente à fixação do piso, com a adoção de medidas reestruturantes da carreira e da formação, poderemos prever uma situação mais confortável, a médio e longo prazo.
• No que se refere à formação docente, houve progressos desde a edição da
LDB. Em 1996, 8,1% das funções docentes na 1ª à 4ª séries eram ocupadas
por professores sem sequer o Ensino Fundamental. No Nordeste, esse índice
duplicava. Em 2005, as funções docentes nessa situação atingiam 0,2% no
Brasil e 0,3% no Nordeste;
• Com a Proposta de Emenda Constitucional N° 53, de 2006, abriu-se caminho
para o estabelecimento do piso salarial nacional dos professores.
• Ampliar o debate e o intercâmbio de experiências sobre as políticas de formação de professores, envolvendo os diferentes atores que participam do processo,
de modo a subsidiar linhas comuns de atuação, respeitadas as diversidades regionais e as peculiaridades de cada unidade da Federação;
• Defender a urgente necessidade de formulação de uma política nacional de
formação e valorização do magistério que possa ajudar os sistemas de ensino
a viabilizar o atendimento das exigências estabelecidas pela LDB e o cumprimento das metas fixadas pelo Plano Nacional de Educação;
• Desenvolver programas de formação continuada e em serviço para os profissionais em efetivo exercício nas escolas públicas, orientados para a garantia
da aprendizagem e do sucesso dos alunos;
• Promover a revisão e a institucionalização de novos planos de carreira e remuneração do magistério, assegurando sua compatibilidade com as políticas
de formação, de forma a transformá-los em instrumentos efetivos de profissionalização e valorização do magistério;
• Em outubro de 1966, foi aprovada pela Conferência Internacional
convocada pela UNESCO, em cooperação com a Organização Internacional
do Trabalho (OIT), a recomendação relativa à situação do pessoal
docente. O documento, partindo do princípio de que a educação deveria
desenvolver o mais profundo respeito pelos direitos humanos, exigia que
os educadores desfrutassem uma situação justa e que a profissão docente
alcançasse a credibilidade pública a que faz jus;
• A participação dos trabalhadores em educação, com
autonomia na elaboração da política educacional, é uma
antiga reivindicação, em oposição ao burocratismo e ao
dogmatismo que caracterizaram a política educacional
do regime militar (1964-1985);
• A primeira reunião de educadores brasileiros de que se tem notícia deuse no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, em 1873, convocada por
iniciativa do Governo. Dela participaram apenas professores das escolas
desse município. Dez anos depois, realizou-se, na mesma cidade, uma
Conferência Pedagógica que reuniu professores de escolas públicas e
particulares da região;
• Em 1924, foi criada a ABE (Associação Brasileira de Educação), que
contava com a participação de professores e interessados em questões
educacionais. A ABE ocupou lugar de destaque dentre as Associações,
pela sua valiosa contribuição ao processo de transformação do campo
educacional. Atuava promovendo a discussão de temas da educação em
cursos, pesquisas, publicações, conferências e congressos.
• Fim da obrigatoriedade do exame vestibular como forma única de acesso aos
cursos de graduação, embora ele continue a ser o mecanismo mais adotado.
Porém, essa flexibilidade propiciou a expansão de experiências do processo
seriado de avaliação, adotado em várias universidades, bem como a criação,
em 1998, do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e sua difusão como
um dos critérios de seleção adotados por várias instituições de ensino, apesar
de seu caráter voluntário;
• Em 2001, o total de alunos nos cursos presenciais chegou a 3,03 milhões. Um
ano depois (2002), as matrículas atingiram quase 3,5 milhões de alunos nos
• Um forte crescimento vem se verificando nas matrículas dos cursos noturnos,
indicando que uma população trabalhadora, mais velha e com perfil diferente do aluno tradicional de graduação, está ingressando no Ensino Superior;
• Registrou-se uma diversificação ampla dos tipos e modalidades de cursos
oferecidos – nos cursos tradicionais de graduação, eliminou-se a rigidez dos
currículos mínimos, implantando-se novas diretrizes curriculares e reduzindo o tempo mínimo de integralização para três anos;
• As Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras, especialmente as universidades, passaram a realizar investimentos na melhoria de seus quadros.
Isso não só estimulou o crescimento no número de matrículas nos cursos de
pós-graduação, mas também refletiu na elevação da titulação dos professores
na ativa. De fato, enquanto o crescimento no número total de docentes no período de 1990 a 2001 foi de 67%, o incremento no número de docentes com o
título de mestre foi de 163% e com o titulo de doutor, de 172%;
• Entre 1997 e 2005, o total de vagas oferecidas no Ensino Superior cresceu
248,4% e o de ingressos, 143,5%. No setor privado, esses índices atingiram
320% e 182,8%, respectivamente; na rede pública federal foram, respectivamente, de 43,5% e de 45,1%;
• Em 1999, foi criado o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), com novas regras e recursos para o financiamento das anuidades escolares;
• Em 2004, foi instituído o Programa Universidade para Todos (PROUNI),
para a concessão, pelas instituições particulares de ensino, de bolsas a estudantes de famílias de baixa renda.
• Antes restritos à pós-graduação, os processos avaliativos regulados ou a car-
• A distância das universidades em relação ao conjunto da sociedade é uma
go do Governo Federal se ampliaram, pelo Exame das Condições de Oferta
e pelos procedimentos para o “reconhecimento de cursos de graduação já
autorizados, para a transformação de faculdades integradas em Centros Universitários ou Universidades e para o recredenciamento periódico de universidades e centros universitários”;
• É preciso buscar um novo modelo orgânico para o sistema universitário no
• Outras tendências, além da expansão acelerada da graduação, que se consolidam na transformação do setor do ensino superior brasileiro – evidenciadas
pelos dados fornecidos pelo INEP/MEC a partir dos censos do ensino superior –, são as seguintes: interiorização do ensino, consolidação da pós-graduação, melhoria na qualificação do corpo docente , aumento da produtividade
das conseqüências da insuficiência de políticas públicas para a graduação. O
credenciamento de um curso pela SESU (Secretaria de Ensino Superior) não
significa que ele tenha qualidade. É preciso ser feito um novo contrato social
entre as IES (Instituições de Ensino Superior) e o País;
Brasil. O grande desafio é criar uma universidade capaz de contribuir mais
para o desenvolvimento do País;
• A expansão do ensino superior brasileiro requer uma estratégia fundada no
crescimento do setor público, com ensino gratuito e de qualidade. Isso não
implica necessariamente que o aumento da oferta pública precise ser, toda
ela, nos moldes da Universidade de Ensino e Pesquisa. A concepção mais
atual inclui alternativas de educação pós-secundária. Nesse sentido, as redes
estadual e federal de Faculdades de Tecnologia são exemplos, embora com
redes pequenas, muito promissores;
o salto dado pela Educação Fundamental vem acompanhado da manutenção de
níveis preocupantes de qualidade, que a evasão escolar continua muito alta e que
a defasagem idade-série é elevada.
• Um desafio permanente para o ensino superior continua a ser o de construir
Embora o sistema educacional seja parcialmente responsável por uma melhora
na eqüidade, ainda há muito por fazer. Mas o primeiro passo foi dado, com um
expressivo aumento na oferta de vagas nas escolas. Vencido o desafio da universalização do Ensino Fundamental, as prioridades são duas: melhorar a qualidade e
expandir ainda mais o Ensino Médio e a Educação Superior. São condições fundamentais para se alcançar o desenvolvimento.
processos seletivos que contribuam para essa democratização do acesso e
para a melhoria da qualidade de ensino;
• As perspectivas de universalização da educação superior no Brasil implicam,
entre outros fatores: a) retomada da discussão sobre ampliação dos recursos
dos fundos públicos para a educação, particularmente, para educação superior; b) mudança da lógica de expansão do sistema, que privilegia o crescimento do setor privado e, portanto, a privatização da oferta; c) melhoria da
Educação Básica na rede pública, visando ampliar as possibilidades de acesso
dos alunos à universidade; d) reforço e ampliação do papel das universidades
públicas, especialmente das federais, na formação de quadros profissionais,
científicos e culturais, na investigação e pesquisa acadêmica, na busca de soluções para os problemas da sociedade brasileira e no desenvolvimento científico e tecnológico do País;
• Implantação de programas de valorização do magistério superior: planos de
cargos e carreira, salários e equipamentos para as universidades públicas com
apoio e elaboração de projetos para a captação de recursos para a melhoria
da infra-estrutura e do funcionamento das universidades, notadamente em
bibliotecas, laboratórios e salas de aula;
• Apoio à reorganização curricular nos cursos de graduação, sobretudo aqueles
com diretrizes curriculares já aprovadas, inclusive no planejamento e na implementação de uma política responsável de cursos de educação a distância.
• O número de alunos que cursam universidades e faculdades
à noite praticamente dobrou entre 1995 e 2001. As matrículas
nos cursos noturnos na rede privada passaram de 711 mil para
1,39 milhões no período. Um crescimento de 96%;
• Com poucas exceções, o setor privado concentra suas atividades e cursos
no turno da noite, nas áreas de ciências sociais aplicadas e para alunos
mais velhos, que presumivelmente trabalham durante o dia;
• Enquanto nos níveis de Ensino Fundamental e Médio a participação da
iniciativa privada vem se reduzindo ao longo dos últimos anos, o inverso
ocorre no Ensino Superior, respondendo também às escolhas elaboradas
pelo Governo Federal, que optou por priorizar os investimentos públicos
nos dois primeiros níveis de ensino;
• A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) de 1996 explicitamente
exige que as universidades mantenham, em seu corpo docente, pelo
menos um terço dos docentes com títulos de mestre ou doutor.
A lgumas considerações
A educação no Brasil apresentou avanços consideráveis. O Ensino Básico evoluiu, chegando praticamente à universalização. A Educação Superior cresceu a
taxas significativas. Há indicadores de que, em conjunto com outras políticas,
nosso sistema educacional contribuiu nos últimos anos para a queda do grau de
desigualdade de renda. Mas muito ainda há por fazer. Não se pode ignorar que
CA P Í TU L O II
da regulamentação à implantação
alunos do Ensino Fundamental e Médio. Da mesma forma, a aplicação desses
recursos, pelos gestores estaduais e municipais, deve ser direcionada levandose em consideração a responsabilidade constitucional que delimita a atuação
dos estados e municípios em relação à Educação Básica.
Principais características do FUNDEB
14 anos a partir de 2007 (até 2020)
Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio.
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) substitui o Fundo de
Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério
(FUNDEF), implantado a partir de 1998, focando apenas o Ensino Fundamental. O FUNDEB vem para contemplar os três níveis da Educação Básica,
bem como suas diversas modalidades, afirmando a importância de integrar,
conceitualmente e na prática, o conjunto que perfaz a Educação Infantil, o
Ensino Fundamental e o Ensino Médio.
Com a criação do FUNDEB, a previsão é de que sejam atendidos mais de
47 milhões de alunos, matriculados na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e Ensino Médio das redes municipais e estaduais, em todas as modalidades de ensino.
Com a Emenda Constitucional Nº 53/2006, os municípios receberão os recursos do FUNDEB com base no número de alunos da Educação Infantil e
do Ensino Fundamental. E os Estados receberão esses recursos com base nos
• Contribuição de estados, Distrito Federal e municípios, de:
• 16,66 % em 2007; 18,33 % em 2008 e 20 % a partir de 2009, sobre:
Fundo de Participação dos Estados – FPE;
Fundo de Participação dos Municípios – FPM;
Imposto sobre Produtos Industrializados, proporcional às exportações
– IPIexp;
Compensação Financeira pela Desoneração de Exportações (LC 87/96)
• 6,66 % em 2007; 13,33 % em 2008 e 20 % a partir de 2009, sobre:
Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações – ITCMD;
Imposto sobre Propriedade Veículos Automotores – IPVA;
Quota Parte de 50% do Imposto Territorial Rural devida aos Municípios – ITR.
• Receitas da dívida ativa e de juros e multas, incidentes sobre as fontes acima
• Complementação da União.
• A complementação da União ao FUNDEB está definida da seguinte forma:
• 2 bilhões de reais em 2007;
• 3 bilhões de reais em 2008;
• 4,5 bilhões de reais em 2009;
• 10% do valor total do Fundo a partir de 2010.
f ) Utilização dos recursos
Os recursos do FUNDEB destinam-se ao financiamento de ações de manutenção e desenvolvimento da Educação Básica pública, independentemente da
modalidade em que o ensino é oferecido (regular, especial ou de jovens e adultos), da sua duração (Ensino Fundamental de oito ou de nove anos), da idade
dos alunos (crianças, jovens ou adultos), do turno de atendimento (matutino
e/ou vespertino ou noturno) e da localização da escola (zona urbana, zona rural, área indígena ou quilombola).
No mínimo 60% dos recursos devem ser empregados na remuneração dos
profissionais do magistério da educação básica pública. O restante, em outras
despesas de manutenção e desenvolvimento da Educação Básica pública.
• Valores reajustáveis com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor
– INPC;
• Esses valores oneram os 18% da receita de impostos da União vinculada à
educação por força do Artigo 212 da Constituição Federal, em até 30% do
valor da Complementação da União;
• Não poderão ser utilizados recursos do salário-educação;
• Até 10% da Complementação da União poderão ser distribuídos para o
Fundo por meio de programas direcionados para melhoria da qualidade
Os mmunicípios receberão os recursos do FUNDEB com base no número
de alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. E os Estados, com
base no número de alunos do Ensino Fundamental e Médio, observada a seguinte escala de inclusão:
A implementação do FUNDEB
O FUNDEB passou a vigorar a partir de 1º de janeiro de 2007. Porém, nos
meses de janeiro e fevereiro de 2007, foi mantida a sistemática de repartição de
recursos prevista na Lei do FUNDEF (Lei 9.424/96), mediante a utilização dos
coeficientes de participação definidos em 2006, sem o pagamento de complementação da União.
A partir de 1º de março de 2007, a distribuição dos recursos do FUNDEB
foi realizada com base nos coeficientes de participação definidos para o novo
Fundo, na forma prevista na MP Nº 339/06, convertida na Lei 11.494, de 20 de
junho de 2007. No mês de abril de 2007 foi realizado o ajuste da distribuição
dos recursos referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, acertando os valores repassados com base na sistemática do FUNDEF. A complementação da União para o exercício de 2007, no entanto, foi realizada entre os
meses de março e dezembro.
• Alunos do Ensino Fundamental Regular e Especial considerados:
• 100% a partir de 2007.
• Alunos da Educação Infantil, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos:
• 33,33% em 2007; 66,66% em 2008 e 100% a partir de 2009.
P er g u n t a s e R e s p o s t a s s o b re o f u n de b
Censo escolar e valor por aluno/ano do FUNDEB
O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anízio Teixeira – INEP/MEC, em parceria com os governos
estaduais (secretarias estaduais de Educação) e prefeituras municipais.
As matrículas consideradas para a distribuição dos recursos do FUNDEB são
aquelas apuradas pelo Censo Escolar mais atualizado. Por exemplo, para a
distribuição dos recursos do fundo em 2007, toma-se como base o quantitativo
de matrículas levantadas no censo de 2006.
Não. A atualização dos dados só pode ser realizada por ocasião da realização do
Censo Escolar do ano seguinte, pois os dados informados representam (para todos
os estados e municípios) uma espécie de fotografia, tirada na última 4ª feira do
mês de março, do respectivo ano a que se refere o Censo.
O Ministério da Educação divulga os dados de forma preliminar. Os entes federados
têm um prazo para solicitar revisão, se for o caso. Só então se faz a publicação final.
Como é calculado o valor aluno/ano por Estado?
É calculado um valor por aluno/ano, com base na receita do FUNDEB em cada
Estado, no número de alunos da Educação Básica (regular, especial, EJA, integral,
indígena e quilombola) das redes públicas de ensino estaduais e municipais,
de acordo com o Censo Escolar mais atualizado e em fatores de ponderação
estabelecidos para cada uma das etapas, modalidades e tipos de estabelecimentos
de ensino da Educação Básica. Os fatores de ponderações variam entre 0.7 e 1,30.
O valor mínimo nacional deve ser praticado em todos os estados
Não. O valor mínimo nacional é um referencial para definir, para os Estados que
não o alcançam com recursos próprios, o quanto da complementação da União
lhes deve ser destinado para que possam praticar esse valor.
Onde obter informações sobre os valores repassados
à conta do FUNDEB?
Os repasses realizados à conta do FUNDEB estão disponíveis, por Unidade
Federada (estado ou município), na página do MEC na Internet
(www.mec.gov.br/seb). A partir do acesso à página, deve-se clicar no item
“FUNDEB”, depois em “Consultas”, na seqüência em “Repasses de Recursos”
e, finalmente, optar-se por uma das conexões:
• Secretaria do Tesouro Nacional (para obtenção de dados por origem dos
recursos e por mês);
• Banco do Brasil (para obtenção de dados por origem dos recursos e data do
crédito na conta).
Onde obter informações sobre os valores dos coeficientes de
distribuição dos recursos, valor por aluno/ano e valores previstos
do FUNDEB?
Esses dados estão disponíveis, por Unidade Federada (estado ou município), na
Internet, na página do MEC, no endereço www.mec.gov.br/seb. A partir do acesso
à página, deve-se clicar no item “FUNDEB”, depois em “Consultas”, na seqüência
em “Matrículas, coeficientes de distribuição de recurso e receita anual prevista por
Estado/Município” e, finalmente, optando-se pelo estado e pelo município que se
pretende pesquisar. Nesta consulta, encontram-se as informações sobre as matrículas
da Educação Básica, consideradas no FUNDEB, os coeficientes de distribuição dos
recursos e os valores financeiros anuais previstos para cada governo.
Onde obter informações sobre o valor por aluno/ano e valores previstos
Esses dados estão disponíveis, por Unidade Federada (estado ou município),
na Internet, na página do MEC, no endereço: www.mec.gov.br/seb. A partir
do acesso à página, deve-se clicar no item “FUNDEB”, depois em “Consultas”, na
seqüência em “Valor aluno/ano e receita anual prevista, consolidada por Estado”.
Nesta consulta encontram-se as informações sobre o valor aluno/ano estimado
por etapas, modalidades e tipo de estabelecimentos de ensino da Educação Básica
para todos os Estados e, ainda, a estimativa de receita do Fundo para o ano.
Onde obter informações sobre os valores consolidados dos repasses
O que são ações de manutenção e desenvolvimento do ensino?
à conta do FUNDEB, por Estado, mês ou origem dos recursos?
Na internet, no endereço: www.mec.gov.br/seb. A partir do acesso à página
da Secretaria de Educação Básica do MEC, deve-se clicar no item “FUNDEB”,
depois em “Consultas”, na seqüência em “Repasses de Recursos”, finalmente,
clicando sobre “Secretaria do Tesouro Nacional”. Na página da Secretaria do
Tesouro Nacional há várias alternativas de pesquisa de dados sobre os repasses
de recursos do FUNDEB.
São ações voltadas à consecução dos objetivos das instituições educacionais
de todos os níveis, previstas no Artigo 70 da LDB (Lei nº 9.394, de 1996).
Inserem-se no rol dessas ações despesas relacionadas à aquisição, à
manutenção e ao funcionamento das instalações e equipamentos necessários
ao ensino, ao uso e à manutenção de bens e serviços, remuneração e
aperfeiçoamento dos profissionais da educação, aquisição de material didático,
transporte escolar, entre outros.
Quais são as ações não consideradas como de manutenção e
Os gerentes do Banco do Brasil das agências onde é mantida a conta do FUNDEB
são orientados a fornecer o extrato da referida conta aos membros do Conselho
de Acompanhamento e Controle Social do Fundo, aos representantes do
Legislativo (vereadores e deputados), ao Ministério Público (Federal ou Estadual)
e aos Tribunais de Contas (da União, Estados e Municípios). Portanto, esses
representantes podem, a qualquer tempo, procurar o gerente da Agência do
Banco do Brasil e solicitar o extrato.
desenvolvimento do ensino?
As ações que não constituem despesas de manutenção e desenvolvimento
do ensino, previstas no Artigo 71 da LDB (Lei nº 9.394, de 1996), são aquelas
rea­lizadas com:
• pesquisa, quando não vinculada às instituições de ensino, ou quando
efetivada fora dos sistemas de ensino, que não vise precipuamente ao
aprimoramento de sua qualidade ou à sua qualidade ou à sua expansão;
• subvenção a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial,
desportivo ou cultural;
• formação de quadros especiais para Administração Pública, sejam militares
ou civis, inclusive diplomáticos;
Os recursos do FUNDEB devem ser aplicados na manutenção e no
desenvolvimento da Educação Básica pública, observando-se os respectivos
âmbitos de atuação prioritária dos estados e municípios. No mínimo 60%
desses recursos devem ser destinados anualmente à remuneração dos
profissionais do magistério (professores e profissionais que exercem
atividades de suporte pedagógico, como direção ou administração escolar,
planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional) em efetivo
exercício na Educação Básica pública. A parcela restante (de no máximo 40%)
deve ser aplicada nas demais ações de manutenção e desenvolvimento,
também da Educação Básica pública.
É oportuno destacar que, se a parcela de recursos para remuneração é de no
mínimo 60% do valor anual, não há impedimento para que se utilizem até 100%
dos recursos do FUNDEB na remuneração dos profissionais do magistério.
• programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica,
farmacêutica e psicológica, e outras formas de assistência social;
• obras de infra-estrutura, ainda que realizadas para beneficiar direta ou
indiretamente a rede escolar;
• pessoal docente e demais trabalhadores da educação, quando em desvio de função
ou em atividade alheia à manutenção e ao desenvolvimento do ensino.
Despesas com aquisição de gêneros alimentícios, a serem
utilizados na merenda escolar, podem ser custeadas com recursos
Não, visto que essas despesas não se caracterizam como sendo de Manutenção e
Desenvolvimento do Ensino – MDE. Ao contrário, o Artigo 71 da Lei No. 9.394/96
– LDB – impede textualmente sua consideração como MDE.
Despesas com edificação, aquisição de acervo e manutenção de
A obrigação de se aplicar o mínimo de 60% do FUNDEB na remuneração
bibliotecas públicas podem ser custeadas com recursos no FUNDEB?
do magistério não é impossibilitada pela Lei de Responsabilidade Fiscal?
Não. Essas despesas são de natureza tipicamente cultural, portanto não
integrantes do conjunto de ações consideradas como de manutenção e
desenvolvimento do ensino. Ainda que a biblioteca, pelo fato de ser pública,
beneficie, também, a comunidade em que está inserida. Já no caso de biblioteca
escolar (nas dependências de escola pública da Educação Básica), destinada ao
atendimento específico dos alunos da escola, esta pode ser edificada e/ou suprida
com o acervo bibliográfico correspondente, com recursos do FUNDEB, por
integrar a própria escola.
A obrigação de estados e municípios destinarem o mínimo de 60% do FUNDEB
para pagamento da remuneração do magistério emana da Constituição Federal.
Portanto, não pode ser atingida por nenhuma lei abaixo da Constituição.
Despesas com edificação de quadras ou ginásios poliesportivos
Pode ser realizada capacitação dos profissionais do magistério
em praças públicas podem ser custeadas com recursos no FUNDEB?
com recursos do FUNDEB?
Não. Essas despesas são de natureza tipicamente desportiva, portanto não
desenvolvimento do ensino, ainda que as quadras e os ginásios, pelo fato de
serem públicos, beneficiem, também, a comunidade em que estão inseridos.
Já as quadras e os ginásios poliesportivos nas dependências de escola pública
da Educação Básica, destinada ao atendimento específico dos alunos da escola,
podem ser edificados com recursos do FUNDEB.
Sim. Pode ser realizada, utilizando-se recursos da parcela de 40% do FUNDEB,
na formação continuada. Os recursos do Fundo também podem ser utilizados para
formação inicial, seja em nível médio, na modalidade normal (habilitação para
a docência nas séries iniciais da Educação Básica), seja em nível superior (para
os professores que atuam na docência das séries finais da Educação Básica). A
utilização dos recursos do FUNDEB para essa finalidade é inclusive compatível com
a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB.
A Educação de Jovens e Adultos pode ser beneficiada com recursos
Que tipo de capacitação pode ser oferecida, utilizando-se recursos
Sim, pois a Educação de Jovens e Adultos integra a Educação Básica. Todas as
despesas que podem ser realizadas em favor da Educação Básica pública regular
podem, de forma análoga, ser realizadas, também, em benefício da Educação de
Jovens e Adultos, seja em relação à parcela de 60% destinada ao pagamento da
remuneração dos profissionais do magistério, seja à parcela de 40%, destinada a
outras ações de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino.
Poderão ser oferecidos cursos de capacitação, na perspectiva da formação
continuada (voltada para a atualização, sistematização e/ou aprofundamento
de conhecimentos), ou cursos de formação inicial (cursos regulares de formação
de profissionais em nível médio ou superior, em instituições credenciadas).
Entretanto, é importante atentar para o fato de que a formação inicial deve ser
direcionada apenas aos professores.
Há limites de utilização dos recursos do FUNDEB, por modalidade
É possível usar a parcela dos 60% do FUNDEB para capacitar
e etapa de ensino?
e/ou habilitar professores?
Não. Os critérios determinados para utilização dos recursos do Fundo são os mesmos
para todas as etapas e modalidades de ensino, inclusive para a Educação de Jovens
e Adultos. Os municípios utilizarão os recursos do FUNDEB na Educação Infantil e no
Ensino Fundamental. E os estados, no Ensino Fundamental e Médio.
Não. Essa possibilidade existiu com recursos do FUNDEF, até dezembro de 2001.
Com os recursos do FUNDEB, entretanto, os investimentos na habilitação e/ou
capacitação de professores poderão ser custeados somente com a parcela
de até 40% desses recursos.
Pode ser realizada capacitação de outros profissionais que atuam na
Educação Básica, mas não integram o grupo de profissionais do magistério,
utilizando recursos do FUNDEB?
Sim, desde que em cursos de formação continuada. Tais despesas caracterizamse como despesas de manutenção e desenvolvimento do ensino, podendo ser
custeadas somente com a parcela de até 40% dos recursos do Fundo.
em contrato próprio, na Educação Básica pública. Para efeito de pagamento
desses profissionais com os recursos da parcela de 60% do FUNDEB, quando
as despesas referentes a esses pagamentos continuam sob a responsabilidade
financeira do empregador (estado ou município), os afastamentos temporários
previstos na legislação, tais como férias, licença-gestante ou paternidade, licença
para tratamento de saúde e licença-prêmio, não caracterizam suspensão do
Como é definido o salário do professor?
a título de remuneração, com a parcela de 60% do FUNDEB?
As normas federais não determinam o valor da remuneração do magistério dos
estados e municípios, nem mesmo o piso ou o teto salarial específicos para essa
categoria de profissionais. Atualmente, o que se encontra definido é o volume
de recursos a ser destinado ao pagamento desses profissionais, em exercício na
Educação Básica pública: mínimo de 60% dos recursos do FUNDEB.
Para efeito da utilização dos 60% do FUNDEB, a remuneração é constituída pelo
somatório de todos os pagamentos devidos, ou seja, o salário ou vencimento,
13º salário, 13º salário proporcional, 1/3 de adicional de férias, férias vencidas,
proporcionais ou antecipadas, gratificações, horas extras, aviso prévio,
gratificações ou retribuições pelo exercício de cargos ou função de direção ou
chefia, salário-família etc.
A Emenda Constitucional Nº 53/2006 e a Lei Nº 11.494/2007, no entanto, sinalizam
para a fixação do piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério
público da Educação Básica, por meio de Lei específica aprovada pelo Congresso
Nacional. Atualmente, tanto o piso (menor salário), quanto o teto (maior salário),
bem como os salários intermediários do magistério, são definidos em cada sistema,
estadual ou municipal, mediante lei específica.
Quais são os profissionais do magistério que podem ser remunerados
Por que o salário do professor de um município é menor do que
O que efetivamente se pode pagar aos profissionais do magistério,
com a parcela de 60% do FUNDEB?
o do professor do município vizinho, localizado no mesmo estado?
São considerados profissionais do magistério aqueles que exercem atividades
de docência e os que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da
docência, incluídas as de direção ou administração escolar, planejamento,
inspeção, supervisão, orientação educacional e coordenação pedagógica.
Para que possam ser remunerados com recursos do FUNDEB, esses profissionais
deverão atuar na Educação Básica pública, no respectivo âmbito de atuação
prioritária dos estados e municípios. Todos os profissionais do magistério
que estejam em efetivo exercício na Educação Básica pública podem ser
remunerados com recursos da parcela dos 60% do FUNDEB, observando-se
os respectivos âmbitos de atuação prioritária dos estados e municípios.
No FUNDEB cada município e o governo estadual, localizados em um mesmo
estado, contam com um mesmo valor por aluno/ano, para efeito de repasses dos
recursos do Fundo. Esse critério, entretanto, por si só, não modifica as variáveis
de cada um desses governos (nº de alunos, nº de professores, nº de alunos por
professor, nº de escolas, nº de diretores etc).
O que caracteriza o profissional do magistério?
O profissional do magistério é caracterizado pela existência de vínculo definido
Cada cidade deve ser vista, analisada e tratada em função de sua realidade
específica, ou seja, de acordo com a receita recebida do Fundo, o número de
alunos matriculados na rede de Ensino Fundamental e de Educação Infantil, a
quantidade de profissionais do magistério, dentre outros critérios. Dessa forma,
não cabe estabelecer comparação de salários entre municípios, pois na fixação dos
salários todos esses aspectos devem ser considerados. Convém observar que
a questão salarial depende do Plano de Carreira e Remuneração do Magistério e
da política salarial de cada governo (estadual ou municipal).
O que é o pagamento sob a forma de abono? E quando ele deve ocorrer?
O abono é uma forma de pagamento que tem sido utilizada, sobretudo pelos
municípios, quando o total da remuneração do conjunto dos profissionais do
magistério da Educação Básica não alcança o mínimo exigido de 60% do FUNDEB.
Portanto, esse tipo de pagamento deve ser adotado em caráter provisório e
excepcional, apenas nessas situações especiais e eventuais, não devendo ser
adotado em caráter permanente.
Quem tem direito a receber o abono são os mesmos profissionais do magistério
da Educação Básica pública que se encontravam em efetivo exercício no período
em que ocorreu o pagamento da remuneração normal, cujo total ficou abaixo
dos 60% do FUNDEB, ensejando o abono. Em relação àqueles profissionais que
tenham trabalhado por fração do período considerado, recomenda-se adotar a
proporcionalidade, caso a legislação local que autoriza o pagamento do abono
não estabeleça procedimento diferente.
A Constituição Federal prevê “que a lei estabelecerá os casos de contratação
interesse público”. Assim, todos os professores, formal e legalmente contratados
(temporários) ou concursados (permanentes), poderão ser remunerados com
a parcela dos 60% do FUNDEB, desde que atuem exclusivamente na docência da
Educação Básica pública.
Os recursos do FUNDEB podem ser utilizados para pagamento de
estagiários dos cursos superiores de formação de professores (licenciatura)?
Não. O estagiário não é, ainda, um profissional do magistério, não podendo, por
conseguinte, ser remunerado com recursos do FUNDEB.
O que caracteriza e qual a atribuição principal do Conselho
de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB?
O Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB é um colegiado,
cuja função principal é proceder ao acompanhamento e controle social sobre
a distribuição, a transferência e a aplicação dos recursos do Fundo, no âmbito
de cada esfera municipal, estadual ou federal. O Conselho não é uma unidade
O Conselho do FUNDEB é uma nova instância de controle de representação social,
não devendo, por conseguinte, ser confundido com o controle interno, executado
pelo próprio Poder Executivo, nem com o controle externo, executado pelo
Tribunal de Contas na qualidade de órgão auxiliar do Poder Legislativo, a quem
compete a apreciação das contas do Poder Executivo.
O controle a ser exercido pelo Conselho do FUNDEB é o controle direto da
sociedade, por meio do qual se abre a possibilidade de apontar, às demais
instâncias, falhas ou irregularidades eventualmente cometidas, para que
as autoridades constituídas, no uso de suas prerrogativas legais, adotem as
providências que cada caso venha a exigir.
Quais os principais aspectos a serem observados na criação
do Conselho do FUNDEB?
O Conselho do FUNDEB deve ser criado por legislação específica (Decreto
ou Lei), editada no pertinente âmbito governamental (estado ou município),
observando-se os impedimentos contidos no § 5º do art. 24 da Lei nº
11.494/2007. O modelo de Lei de Criação do Conselho do FUNDEB e o modelo
do Regimento Interno encontram-se disponíveis na opção “Consultas”, itens 7 e
8, na página principal do FUNDEB, no sítio da Secretaria de Educação Básica
Como o cidadão deve agir no caso de constatação de irregularidades?
Na hipótese de constatação de irregularidades, relacionadas à utilização dos
recursos do FUNDEB, são recomendadas as seguintes providências:
• inicialmente, reunir elementos (denúncias, provas, justificativas, base legal
etc.) que possam esclarecer a irregularidade ou a ilegalidade praticada e, com
base nesses elementos, formalizar pedido de providências ao governante
responsável (se possível apontando a solução ou correção a ser adotada),
de modo a permitir que, no âmbito do próprio Poder Executivo responsável,
os problemas sejam sanados;
• na seqüência, se necessário, procurar os vereadores do município, para que
estes, pela via da negociação e/ou adoção de providências formais, possam
buscar a solução junto ao governante responsável;
• se ainda necessário, recorrer ao Ministério Público (promotor de justiça) e
ao respectivo Tribunal de Contas (do Município, Estado ou da União) para
apresentar o problema, fundamentando sua ocorrência e juntando os
elementos comprobatórios disponíveis.
O Conselho Municipal de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB
no município deverá ser composto por, no mínimo, nove membros, sendo:
• dois representantes do Poder Executivo Municipal, dos quais pelo menos um
• um representante dos diretores das escolas básicas públicas;
• um representante dos servidores técnico-administrativos das escolas básicas
• dois representantes dos estudantes da Educação Básica pública, um dos quais
indicado pela entidade de estudantes secundaristas.
um determinado estado, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da
União também atuam nessa fiscalização, naquele estado. Trata-se de um trabalho
diferente daquele realizado pelos Conselhos de Acompanhamento e Controle Social
do Fundo, visto que essas instâncias têm a prerrogativa legal de examinar e aplicar
penalidades, na hipótese de irregularidades.
Como e a quem devem ser apresentadas as prestações de contas
dos recursos do FUNDEB?
A legislação estabelece a obrigatoriedade de os governos estaduais e municipais
apresentarem a comprovação da utilização dos recursos do Fundo em três
Mensalmente – ao Conselho de Acompanhamento e Controle Social do FUNDEB,
mediante apresentação de relatórios gerenciais sobre o recebimento e emprego
dos recursos do Fundo;
Bimestralmente – por meio de relatórios do respectivo Poder Executivo,
resumindo a execução orçamentária, evidenciando as despesas de manutenção
e desenvolvimento do ensino, em favor da Educação Básica;
Anualmente – ao respectivo Tribunal de Contas (Estadual/Municipal), de acordo
com instruções dessa instituição, que poderá adotar mecanismos de verificação
com periodicidades diferentes (bimestrais, semestrais etc). Essa prestação de
contas deve ser instruída com parecer do Conselho.
Não. O Ministério da Educação, por intermédio do Departamento de
Desenvolvimento de Políticas de Financiamento da Educação Básica – DEFINEB,
coordena, acompanha e avalia o Fundo nacionalmente. A fiscalização dos recursos
cabe aos Tribunais de Contas. O Ministério Público, no exercício da sua função
institucional de zelar pelo cumprimento da lei, também atua no sentido de
garantir os direitos à educação, assegurados na Constituição Federal, tomando,
quando necessário, as providências pertinentes à garantia desse direito.
A atuação do Ministério da Educação, em relação ao FUNDEB, é exercida pelo
A fiscalização dos recursos do FUNDEB é realizada pelos Tribunais de Contas dos
Estados e Municípios e, quando há recursos federais na composição do Fundo em
Departamento de Desenvolvimento de Políticas de Financiamento da Educação
Básica – DEFINEB, que integra a estrutura administrativa da Secretaria de Educação
Básica do Ministério da Educação. Essa atuação consiste no acompanhamento
das ações de âmbito nacional, no oferecimento de apoio e orientações técnicas
relacionadas ao FUNDEB, a instituições e pessoas físicas, e na realização de
avaliações de resultados decorrentes da implantação do Fundo.
Além desse papel, o MEC (mesmo não sendo responsável pela fiscalização,
tarefa dos Tribunais de Contas, como instâncias de controle externo) também
se coloca à disposição da sociedade, para recebimento e encaminhamento de
denúncias que, ao chegarem ao Ministério, são comunicadas pelo DEFINEB,
mediante correspondência, ao Poder Executivo denunciado, para que este se
pronuncie acerca do problema apontado, oferecendo seus esclarecimentos
e/ou justificativas. Na seqüência, os documentos (com ou sem resposta/
manifestação do Poder Executivo denunciado) são encaminhados ao
Ministério Público e ao Tribunal de Contas, para conhecimento e adoção das
Quais são as sanções aplicáveis aos responsáveis pelas irregularidades
Para o Chefe do Poder Executivo
• sujeição a processo por crime de responsabilidade. Nestes casos, a pena
prevista é de detenção de três meses a três anos. A condenação definitiva por
esses crimes de responsabilidade acarreta a perda do cargo, a inabilitação para
exercício de cargo ou função pública, eletivos ou de nomeação, pelo prazo de
• sujeição a processo por crime de responsabilidade, se caracterizada a
negligência no oferecimento do ensino obrigatório;
• sujeição a processo penal se caracterizado que a aplicação de verba pública foi
diversa à prevista em lei. A pena é de um a três meses de detenção ou multa;
• inelegibilidade, por cinco anos, se suas contas forem rejeitadas por irregularidade
insanável e por decisão irrecorrível do órgão competente, salvo se a questão
houver sido ou estiver sendo submetida à apreciação do Poder Judiciário.
Fonte: www.mec.gov.br/seb
praticadas?
O não cumprimento das disposições legais relacionadas ao FUNDEB acarreta
sanções administrativas, civis e/ou penais, cujas penalidades são:
Para os estados e municípios
• rejeição das contas, mediante parecer prévio do Tribunal de Contas competente,
com o conseqüente encaminhamento da questão ao respectivo Poder
Legislativo e, caso a rejeição seja confirmada, à autoridade competente e ao
• impossibilidade de celebração de convênios junto à administração federal
(no caso de estados) e junto às administrações federal e estadual (no caso de
municípios), quando exigida certidão negativa do respectivo Tribunal de Contas;
• impossibilidade de realização de operações de crédito junto a instituições
financeiras (empréstimos em bancos);
• perda da assistência financeira da União (no caso de Estados) e da União e do
Estado (no caso de município)
• intervenção da União no Estado e do Estado no Município (CF, Artigo 35, III).
CA P Í TU L O III
O objetivo é contribuir para a observação, análise e reflexão de como a educação em nosso Estado tem-se desenvolvido, como também sobre o que pode
ser feito, com base nessa experiência, para avançar mais na qualidade da educação, em um futuro breve.
1. De 1997 a 1999
M atrícula
E duc aç ão I nfantil
dados importantes e necessidades atuais
Matrícula em Pré-escola,
por Dependência Administrativa
Na última década, a educação de qualidade passou a ser bandeira de luta
de toda a sociedade, especialmente dos segmentos populares. Estas se tornaram mais atentas à necessidade de exigir dos gestores públicos maiores esforços
para proporcionar àqueles que historicamente foram sacrificados - e excluídos
das instituições de ensino – o acesso ao conhecimento.
Nesse processo, municípios, estados e União passaram a reunir esforços para
viabilizar avanços na democratização do acesso ao ensino público de qualidade.
Nos dias atuais, essa busca continua como uma tarefa árdua, que exige não só
esforços políticos, econômicos e ideológicos, mas principalmente a elaboração e
a execução de políticas públicas para que o Estado cumpra seu dever de garantir
o direito do cidadão a uma educação pública, gratuita e de qualidade.
Com o objetivo de compreender melhor o cenário da educação pública no Estado do Ceará, apresentaremos a seguir dados relativos aos anos de 1997 a 2006.
Esse período foi marcado e reconhecido como o da Década da Educação, por ser
posterior à implantação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB
N° 9394/96). Para melhor compreender os dados e suas respectivas análises, as
informações foram divididas em três grupos (de 1997 a 1999, de 2000 a 2002 e de
2003 a 2006), também relacionados a três gestões estaduais e municipais.
3 .767
Matrícula em Creche,
C lasses de A lfabetizaç ão
E duc aç ão E special
Matrícula em Classe de Alfabetização,
E duc aç ão de J ovens e A dultos
E nsino R egular
Matrícula no Ensino Fundamental,
Número de Alunos Portadores de Necessidades Especiais,
Matriculados por Dependência Administrativa
1 .187
Número de Alunos Matriculados nos Cursos Presenciais,
com Avaliação no Processo, por Dependência Administrativa
1997 1.746.108 490.516 285.986 236.006 196.752 182.337 141.777 114.753 97.981
1998 1.842.237 415.464 348.233 271.104 219.455 201.913 157.296 126.456 102.316
F unções D ocentes
E duc aç ão B ásic a
1999 1 .868.119 354.766 286.338 321.892 218.445 245.346 180.561 144.209 116.562
Número de Docentes Exercendo Atividades em Sala de Aula,
Matrícula no Ensino Médio,
Não-Seriada
A Educação Infantil foi a etapa de ensino que, no primeiro triênio da Década da Educação, apresentou maior redução no número de matrículas no Ceará.
Considerando que essa modalidade de ensino passou a ser oferecida preferencialmente pelas redes municipais, observa-se que houve dificuldade destas em
abrir um maior número de vagas para que fosse garantido o acesso de mais
crianças menores de seis anos às instituições escolares. Embora na rede particular de ensino tenha havido um aumento de 10,3% nas matrículas, nas escolas
públicas, onde a procura é muito maior, o acesso foi reduzido. O mesmo fator de redução aconteceu com as Classes de Alfabetização, que,
no decorrer desses três primeiros anos, tiveram um declínio de 42,5% nas matrículas. Esse fenômeno, que acompanha tanto a Educação Infantil como as
Classes de Alfabetização, indica que houve menos crianças nas escolas, iniciando seu processo de escolarização, nesse período.
Por outro lado, o Ensino Fundamental e Médio, etapas que compõem o
ensino regular, nestes mesmos anos, tiveram crescimento da ordem de 6,9% e
29,7%, respectivamente. Esse aumento no número das matrículas indica que
um maior número de crianças e adolescentes passou a freqüentar as escolas.
Quantos às modalidades de ensino da Educação Especial, houve, no decorrer desses três primeiros anos, uma queda acentuada no número de matrículas,
indicando que os alunos portadores de necessidades especiais tiveram menos
acesso à educação formal, com maior exclusão do sistema de ensino do Estado.
Já na Educação de Jovens e Adultos houve um crescimento significativo no
ingresso dessa população nos cursos presenciais, apontando uma evolução no
processo de escolarização de uma parte significativa daqueles que não tiveram
acesso à escola na idade adequada.
Considerando que houve aumento no número de matrículas no Ensino Regular e na Educação de Jovens e Adultos, a quantidade de docentes exercendo
atividades em sala de aula obteve crescimento, embora ainda em um percentual
pequeno, da ordem de 3,7%.
2. De 2000 a 2002
Tabela14
Matrícula em Classe de Alfabetização ,
E nsino regular
Matrícula nos Cursos Presenciais, com Avaliação no Processo
1.892.443
1.855.939
37.835 1.305.896 322.519 100.032
48.281 1.313.585 308.699 78.103
1.863.625
55.328 1.341.978 304.055
F unções D ocentos
No período de 2000 a 2002, houve um incremento no total geral das matrículas da Educação Infantil. Dessa maneira, pode-se assegurar que houve
aumento, mesmo não atendendo a demanda ideal, no número de crianças menores de seis anos freqüentando os estabelecimentos de ensino. Curiosamente,
as Classes de Alfabetização não seguiram a mesma tendência da Educação Infantil: assim como nos anos anteriores, apresentaram queda de 32,6% nas matrículas. Esse dado demonstra que a redução das matrículas nessas salas pode
ser uma das implicações, dentre outras, que interferiram no baixo rendimento
dos alunos nas séries iniciais do Ensino Fundamental.
Nas etapas que compõem o ensino regular, o Ensino Fundamental apresentou evolução na matrícula da faixa etária de 7 a 14 anos, embora nas demais
faixas tenha havido queda. Isso mostra que, ao menos na idade indicada como
ideal para a freqüência no Ensino Fundamental, houve maior atenção por parte
dos gestores públicos quanto à abertura de novas vagas. Igual evolução ocorreu
com o Ensino Médio, com um crescimento, ao longo desses anos, de 27,7% no
número de matrículas. Tal evolução indica que mais alunos, entre 15 e 17 anos,
freqüentaram o Ensino Médio, etapa final da Educação Básica.
Quanto às modalidades de educação, tanto a Educação Especial como a
Educação de Jovens e Adultos obtiveram aumento no seu número de matrículas: a primeira com 21,4% e a segunda com 23,1%. Esses dados revelam, em
princípio, que tanto os alunos portadores de necessidades especiais como os
maiores de 15 anos que não freqüentaram a escola na idade adequada tiveram a
oportunidade de ingressar no sistema escolar e de iniciar – ou dar continuidade
– ao seu processo de escolarização.
3. De 2003 a 2006
1.826.911
1.787.660
57.797 1.347.032 288.490
71.733 1.340.670 266.178
66.169 1.341.738 232.114
1.696.204
77.832 1.345.902 205.842
A Educação Infantil nos anos de 2003 a 2006, período que completa a Década da Educação, apresentou uma preocupante queda no número de matrículas, chegando a quase 30% no total geral. Esse recuo indica que menos crianças
estiveram presentes nas escolas no Estado. Embora se saiba que essa etapa da
educação não tem caráter obrigatório, chama atenção o grande declínio das matrículas. Os esforços dos gestores na oferta da Educação Infantil na rede pública
não obtiveram a resposta esperada quanto a melhorias nessa etapa de ensino.
Sem ela, as crianças acabam por ingressar mais tardiamente no sistema escolar,
com conseqüências sobre seu processo de escolarização e seu desempenho na
O ensino regular, no período, também apresentou recuo no número de matrículas no Ensino Fundamental, aumentando, assim, a quantidade de crianças
em idade escolar, fora da escola. O percentual de redução de 7,15% de matrículas significa que de 2003 a 2006 houve uma diminuição de nada menos que
130.000 no número de vagas criadas nessa etapa da Educação Básica.
Por outro lado, o Ensino Médio, seguindo a tendência dos anos anteriores, apresentou crescimento, ampliando o percentual de vagas destinadas à população egressa
do Ensino Fundamental. Já na modalidade da Educação Especial também houve
crescimento, mas, à parte a questão do acesso à escola, é cada vez mais necessário
investir na qualidade do ensino destinado aos alunos portadores de necessidades
especiais. Essa mesma necessidade se faz presente quanto à Educação de Jovens e
Adultos, que visa compensar a ausência de oportunidades anteriores de escolarização
para um grande número de pessoas com deficiências em sua formação escolar.
Quanto ao número de docentes exercendo atividades em sala de aula, evidenciou-se nesse período uma ligeira queda no índice geral, da ordem de 0,3%.
A redução se deu especialmente nos anos de 2003 a 2005, tendo o ano de 2006
apresentado um ligeiro crescimento em relação aos anteriores. Atualmente há
uma tendência de melhoria desses índices, com esforços crescentes para que
um número maior de docentes desenvolva suas ações em sala de aula, contribuindo para ampliar o acesso e garantir a melhoria da qualidade da educação
Uma conversa final
Uma análise atenta da Década da Educação nos revela mudanças estruturais,
avanços significativos e desafios urgentes. Com o tempo necessário para compreender melhor as mudanças registradas desde a implantação da Lei de Diretrizes
e Bases da Educação (LDB), observamos que as transformações não ocorrem
instantaneamente, nem são determinadas somente pelo que prevê a legislação.
A retrospectiva dos últimos 10 anos, esboçada nesta publicação, revela que
muitas foram as mudanças no cenário educacional do País. Dentre os avanços
• A expressiva evolução nas taxas de matrículas em todos os níveis de ensino,
com destaque para a universalização do Ensino Fundamental e a expansão
• A implantação de programas e políticas com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino;
• A ampliação do acesso à educação, inclusive aos alunos portadores de necessidades especiais, aos índios, aos jovens e adultos que, por muito tempo,
viveram à margem da educação formal;
• A descentralização dos encargos educacionais, referendada na implantação
do processo de redistribuição dos recursos do FUNDEF (até o ano de 2006)
e do FUNDEB (a partir de 2007);
• A institucionalização de sistemas nacionais de avaliação abrangendo todos
• Maior atenção no processo de qualificação dos docentes, articulado com uma
política de valorização do magistério;
• O fortalecimento da escola e o incentivo à participação da comunidade na
• A reorganização do Sistema de Estatísticas Educacionais, subsidiando o
diagnóstico e a formulação das políticas educativas das diferentes instâncias administrativas.
No entanto, apesar desses importantes avanços, os desafios que deverão ser enfrentados na próxima década exigirão redobrados esforços dos três níveis de governo e da sociedade para que o Brasil supere dificuldades históricas acumuladas
na área educacional e consiga contemplar um estágio de desenvolvimento em que
a educação seja prioridade absoluta e esteja a serviço de todos, indistintamente. A
qualidade da Educação Básica é o grande desafio a ser enfrentado com urgência
pela área educacional e pelo País como um todo. Os avanços significativos em termos de universalização do acesso à educação primária, redução das taxas de evasão
e aumento no número de matrículas não impediram que o Brasil ocupasse um dos
últimos lugares na pesquisa mundial de 2007, da Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE), sobre desempenho de estudantes.
Por sua vez, as políticas educacionais que estão sendo desenvolvidas anunciam estratégias para aperfeiçoar simultaneamente a expansão do sistema e a
elevação do padrão de qualidade do ensino. Os próximos anos balizarão a capacidade do Brasil para melhorar progressivamente os indicadores de eqüidade e eficiência do seu sistema de ensino. A principal vantagem é que o País já
dispõe de instrumentos para construir esse esforço e ajustar suas políticas para
que os objetivos sejam contemplados.
Que sejamos mais do que observadores e estejamos cotidianamente, cada
um em nossa seara, lutando pelas melhores condições de acesso, permanência
e qualidade da educação – um direito de todo cidadão brasileiro.
• Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional – N° 9.394, de 20 de dezembro de 1996.
• Lei do FUNDEF – N° 9.424, de 24 de dezembro de 1996.
• Lei do FUNDEB – N° 11.494, de 20 de junho de 2007.
• Ministério da Educação (MEC) – www.mec.gov.br
• Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anízio Teixeira
(INEP) – www.inep.gov.br
Câmara Federal – www.camara.gov.br
Jornal da Ciência – www. jornaldaciencia.org.br
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) – www.ipea.gov.br
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) –
Art. 1º É instituído, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, um Fundo de Manutenção
e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB, de natureza contábil, nos termos do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT.
Parágrafo único. A instituição dos Fundos previstos no caput deste artigo e a aplicação de seus
recursos não isentam os Estados, o Distrito Federal e os Municípios da obrigatoriedade da aplicação na manutenção e no desenvolvimento do ensino, na forma prevista no art. 212 da Constituição Federal e no inciso VI do caput e parágrafo único do art. 10 e no inciso I do caput do art.
11 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de:
I – pelo menos 5% (cinco por cento) do montante dos impostos e transferências que compõem a
cesta de recursos do Fundeb, a que se referem os incisos I a IX do caput e o § 1o do art. 3o desta
Lei, de modo que os recursos previstos no art. 3o desta Lei somados aos referidos neste inciso
garantam a aplicação do mínimo de 25% (vinte e cinco por cento) desses impostos e transferências em favor da manutenção e desenvolvimento do ensino;
Art. 2º Os Fundos destinam-se à manutenção e ao desenvolvimento da educação básica pública
e à valorização dos trabalhadores em educação, incluindo sua condigna remuneração, observado
o disposto nesta Lei.
Art. 3º Os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, são compostos por 20%
(vinte por cento) das seguintes fontes de receita:
art. 155 combinado com o inciso IV do caput do art. 158 da Constituição Federal;
III – imposto sobre a propriedade de veículos automotores previsto no inciso III do caput do art.
155 combinado com o inciso III do caput do art. 158 da Constituição Federal;
IV – parcela do produto da arrecadação do imposto que a União eventualmente instituir no
exercício da competência que lhe é atribuída pelo inciso I do caput do art. 154 da Constituição
Federal prevista no inciso II do caput do art. 157 da Constituição Federal;
V – parcela do produto da arrecadação do imposto sobre a propriedade territorial rural, relativamente a imóveis situados nos Municípios, prevista no inciso II do caput do art. 158 da
VI – parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Estados e
do Distrito Federal – FPE e prevista na alínea a do inciso I do caput do art. 159 da Constituição
Federal e no Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966;
VII – parcela do produto da arrecadação do imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza e do imposto sobre produtos industrializados devida ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM e prevista na alínea b do inciso I do caput do art. 159 da Constituição Federal e no
Sistema Tributário Nacional de que trata a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966;
VIII – parcela do produto da arrecadação do imposto sobre produtos industrializados devida aos
Estados e ao Distrito Federal e prevista no inciso II do caput do art. 159 da Constituição Federal
e na Lei Complementar no 61, de 26 de dezembro de 1989; e
IX – receitas da dívida ativa tributária relativa aos impostos previstos neste artigo, bem como
juros e multas eventualmente incidentes.
§ 1º Inclui-se na base de cálculo dos recursos referidos nos incisos do caput deste artigo o montante de recursos financeiros transferidos pela União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, conforme disposto na Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996.
§ 2º Além dos recursos mencionados nos incisos do caput e no § 1o deste artigo, os Fundos
contarão com a complementação da União, nos termos da Seção II deste Capítulo.
Art. 4º A União complementará os recursos dos Fundos sempre que, no âmbito de cada Estado
e no Distrito Federal, o valor médio ponderado por aluno, calculado na forma do Anexo desta
Lei, não alcançar o mínimo definido nacionalmente, fixado de forma a que a complementação da
União não seja inferior aos valores previstos no inciso VII do caput do art. 60 do ADCT.
§ 1º O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente constitui-se em valor de referência
relativo aos anos iniciais do ensino fundamental urbano e será determinado contabilmente em
função da complementação da União.
I – imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos previsto no
inciso I do caput do art. 155 da Constituição Federal;
§ 2º O valor anual mínimo por aluno será definido nacionalmente, considerando-se a complementação da União após a dedução da parcela de que trata o art. 7o desta Lei, relativa a programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica.
II – imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços
de transportes interestadual e intermunicipal e de comunicação previsto no inciso II do caput do
Art. 5º A complementação da União destina-se exclusivamente a assegurar recursos financeiros
aos Fundos, aplicando-se o disposto no caput do art. 160 da Constituição Federal.
§ 1º É vedada a utilização dos recursos oriundos da arrecadação da contribuição social do salário-educação a que se refere o § 5º do art. 212 da Constituição Federal na complementação da União aos Fundos.
§ 2º A vinculação de recursos para manutenção e desenvolvimento do ensino estabelecida no art. 212
da Constituição Federal suportará, no máximo, 30% (trinta por cento) da complementação da União.
Art. 6º A complementação da União será de, no mínimo, 10% (dez por cento) do total dos recursos
a que se refere o inciso II do caput do art. 60 do ADCT.
§ 1º A complementação da União observará o cronograma da programação financeira do Tesouro
Nacional e contemplará pagamentos mensais de, no mínimo, 5% (cinco por cento) da complementação anual, a serem realizados até o último dia útil de cada mês, assegurados os repasses de, no
mínimo, 45% (quarenta e cinco por cento) até 31 de julho, de 85% (oitenta e cinco por cento) até 31
de dezembro de cada ano, e de 100% (cem por cento) até 31 de janeiro do exercício imediatamente
§ 2º A complementação da União a maior ou a menor em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e a receita realizada do exercício de referência será ajustada no 1o (primeiro)
quadrimestre do exercício imediatamente subseqüente e debitada ou creditada à conta específica
dos Fundos, conforme o caso.
§ 3º O não-cumprimento do disposto no caput deste artigo importará em crime de responsabilidade da autoridade competente.
Art. 7º Parcela da complementação da União, a ser fixada anualmente pela Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade instituída na forma da Seção II do
Capítulo III desta Lei, limitada a até 10% (dez por cento) de seu valor anual, poderá ser distribuída
para os Fundos por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação
básica, na forma do regulamento.
Parágrafo único. Para a distribuição da parcela de recursos da complementação a que se refere o
caput deste artigo aos Fundos de âmbito estadual beneficiários da complementação nos termos do
art. 4o desta Lei, levar-se-á em consideração:
I – a apresentação de projetos em regime de colaboração por Estado e respectivos Municípios ou
por consórcios municipais;
II – o desempenho do sistema de ensino no que se refere ao esforço de habilitação dos professores e
aprendizagem dos educandos e melhoria do fluxo escolar;
III – o esforço fiscal dos entes federados;
IV – a vigência de plano estadual ou municipal de educação aprovado por lei.
Art. 8º A distribuição de recursos que compõem os Fundos, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal, dar-se-á, entre o governo estadual e os de seus Municípios, na proporção do número
de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, na forma do
§ 1º Admitir-se-á, para efeito da distribuição dos recursos previstos no inciso II do caput do art.
60 do ADCT, em relação às instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins
lucrativos e conveniadas com o poder público, o cômputo das matrículas efetivadas na educação
infantil oferecida em creches para crianças de até 3 (três) anos.
§ 2º As instituições a que se refere o § 1o deste artigo deverão obrigatória e cumulativamente:
I – oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional gratuito a todos os seus alunos;
II – comprovar finalidade não lucrativa e aplicar seus excedentes financeiros em educação na
etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o, 3o e 4o deste artigo;
III – assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional com atuação na etapa ou modalidade previstas nos §§ 1o, 3o e 4o deste artigo ou ao poder
público no caso do encerramento de suas atividades;
IV – atender a padrões mínimos de qualidade definidos pelo órgão normativo do sistema de
ensino, inclusive, obrigatoriamente, ter aprovados seus projetos pedagógicos;
V – ter certificado do Conselho Nacional de Assistência Social ou órgão equivalente, na forma
§ 3º Admitir-se-á, pelo prazo de 4 (quatro) anos, o cômputo das matrículas das pré-escolas, comunitárias, confessionais ou filantrópicas, sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público
e que atendam às crianças de 4 (quatro) e 5 (cinco) anos, observadas as condições previstas nos
incisos I a V do § 2o deste artigo, efetivadas, conforme o censo escolar mais atualizado até a data
de publicação desta Lei.
§ 4º Observado o disposto no parágrafo único do art. 60 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro
de 1996, e no § 2º deste artigo, admitir-se-á o cômputo das matrículas efetivadas, conforme o
censo escolar mais atualizado, na educação especial oferecida em instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público, com atuação
exclusiva na modalidade.
§ 5º Eventuais diferenças do valor anual por aluno entre as instituições públicas da etapa e da modalidade referidas neste artigo e as instituições a que se refere o § 1º deste artigo serão aplicadas
na criação de infra-estrutura da rede escolar pública.
§ 6º Os recursos destinados às instituições de que tratam os §§ 1º, 3º e 4º deste artigo somente
poderão ser destinados às categorias de despesa previstas no art. 70 da Lei nº 9.394, de 20 de
Art. 9º Para os fins da distribuição dos recursos de que trata esta Lei, serão consideradas exclusivamente as matrículas presenciais efetivas, conforme os dados apurados no censo escolar mais
atualizado, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira - INEP, considerando as ponderações aplicáveis.
§ 1º Os recursos serão distribuídos entre o Distrito Federal, os Estados e seus Municípios, considerando-se exclusivamente as matrículas nos respectivos âmbitos de atuação prioritária, conforme os
§§ 2º e 3º do art. 211 da Constituição Federal, observado o disposto no § 1º do art. 21 desta Lei.
§ 2º Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas na rede regular de ensino,
em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou especializadas.
§ 3º Os profissionais do magistério da educação básica da rede pública de ensino cedidos para as
instituições a que se referem os §§ 1o, 3o e 4o do art. 8o desta Lei serão considerados como em
efetivo exercício na educação básica pública para fins do disposto no art. 22 desta Lei.
§ 4º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão, no prazo de 30 (trinta) dias da
publicação dos dados do censo escolar no Diário Oficial da União, apresentar recursos para
retificação dos dados publicados.
III – creche em tempo parcial;
IV – pré-escola em tempo parcial;
V – anos iniciais do ensino fundamental urbano;
VI – anos iniciais do ensino fundamental no campo;
VII – anos finais do ensino fundamental urbano;
VIII – anos finais do ensino fundamental no campo;
IX – ensino fundamental em tempo integral;
X – ensino médio urbano;
XI – ensino médio no campo;
XII – ensino médio em tempo integral;
XIII – ensino médio integrado à educação profissional;
XIV – educação especial;
Art. 12. Fica instituída, no âmbito do Ministério da Educação, a Comissão Intergovernamental
de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade, com a seguinte composição:
I – 1 (um) representante do Ministério da Educação;
II – 1 (um) representante dos secretários estaduais de educação de cada uma das 5 (cinco) re­
giões político-administrativas do Brasil indicado pelas seções regionais do Conselho Nacional
de Secretários de Estado da Educação – CONSED;
III – 1 (um) representante dos secretários municipais de educação de cada uma das 5 (cinco)
regiões político-administrativas do Brasil indicado pelas seções regionais da União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME.
§ 1º As deliberações da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade serão registradas em ata circunstanciada, lavrada conforme seu regimento
§ 2º As deliberações relativas à especificação das ponderações serão baixadas em resolução publicada no Diário Oficial da União até o dia 31 de julho de cada exercício, para vigência no
exercício seguinte.
§ 3º A participação na Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica
de Qualidade é função não remunerada de relevante interesse público, e seus membros, quando
convocados, farão jus a transporte e diárias.
XVII – educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio, com
avaliação no processo.
I – especificar anualmente as ponderações aplicáveis entre diferentes etapas, modalidades e tipos
de estabelecimento de ensino da educação básica, observado o disposto no art. 10 desta Lei,
levando em consideração a correspondência ao custo real da respectiva etapa e modalidade e
tipo de estabelecimento de educação básica, segundo estudos de custo realizados e publicados
pelo Inep;
§ 1º A ponderação entre diferentes etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino
adotará como referência o fator 1 (um) para os anos iniciais do ensino fundamental urbano,
observado o disposto no § 1º do art. 32 desta Lei.
II – fixar anualmente o limite proporcional de apropriação de recursos pelas diferentes etapas,
modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica, observado o disposto no
art. 11 desta Lei;
§ 2º A ponderação entre demais etapas, modalidades e tipos de estabelecimento será resultado
da multiplicação do fator de referência por um fator específico fixado entre 0,70 (setenta centésimos) e 1,30 (um inteiro e trinta centésimos), observando-se, em qualquer hipótese, o limite
previsto no art. 11 desta Lei.
III – fixar anualmente a parcela da complementação da União a ser distribuída para os Fundos
por meio de programas direcionados para a melhoria da qualidade da educação básica, bem
como respectivos critérios de distribuição, observado o disposto no art. 7º desta Lei;
§ 3º Para os fins do disposto neste artigo, o regulamento disporá sobre a educação básica em
tempo integral e sobre os anos iniciais e finais do ensino fundamental.
§ 4º O direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que
completarem 6 (seis) anos de idade.
Art. 11. A apropriação dos recursos em função das matrículas na modalidade de educação de
jovens e adultos, nos termos da alínea c do inciso III do caput do art. 60 do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias – ADCT, observará, em cada Estado e no Distrito Federal, percentual de até 15% (quinze por cento) dos recursos do Fundo respectivo.
IV – elaborar, requisitar ou orientar a elaboração de estudos técnicos pertinentes, sempre que
§ 1º Serão adotados como base para a decisão da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade os dados do censo escolar anual mais atualizado
realizado pelo Inep.
§ 2º A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade
exercerá suas competências em observância às garantias estabelecidas nos incisos I, II, III e IV
do caput do art. 208 da Constituição Federal e às metas de universalização da educação básica
estabelecidas no plano nacional de educação.
janeiro de 1990, no momento em que a arrecadação estiver sendo realizada nas contas do Fundo
abertas na instituição financeira de que trata o caput deste artigo.
Art. 14. As despesas da Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica
de Qualidade correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação.
§ 3º A instituição financeira de que trata o caput deste artigo, no que se refere aos recursos dos
impostos e participações mencionados no § 2º deste artigo, creditará imediatamente as parcelas
devidas ao Governo Estadual, ao Distrito Federal e aos Municípios nas contas específicas referidas neste artigo, observados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta Lei, procedendo à
divulgação dos valores creditados de forma similar e com a mesma periodicidade utilizada pelos
Estados em relação ao restante da transferência do referido imposto.
Art. 15. O Poder Executivo federal publicará, até 31 de dezembro de cada exercício, para vigência
no exercício subseqüente:
III – a estimativa dos valores anuais por aluno no âmbito do Distrito Federal e de cada Estado;
Parágrafo único. Para o ajuste da complementação da União de que trata o § 2º do art. 6º desta
Lei, os Estados e o Distrito Federal deverão publicar na imprensa oficial e encaminhar à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, até o dia 31 de janeiro, os valores da
arrecadação efetiva dos impostos e das transferências de que trata o art. 3o desta Lei referentes
ao exercício imediatamente anterior.
Art. 16. Os recursos dos Fundos serão disponibilizados pelas unidades transferidoras ao Banco
do Brasil S.A. ou Caixa Econômica Federal, que realizará a distribuição dos valores devidos aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
Parágrafo único. São unidades transferidoras a União, os Estados e o Distrito Federal em relação
às respectivas parcelas do Fundo cuja arrecadação e disponibilização para distribuição sejam de
Art. 17. Os recursos dos Fundos, provenientes da União, dos Estados e do Distrito Federal, serão
repassados automaticamente para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais, do Distrito Federal e dos Municípios, vinculadas ao respectivo Fundo, instituídas para esse fim e mantidas
na instituição financeira de que trata o art. 16 desta Lei.
§ 1º Os repasses aos Fundos provenientes das participações a que se refere o inciso II do caput
do art. 158 e as alíneas a e b do inciso I do caput e inciso II do caput do art. 159 da Constituição
Federal, bem como os repasses aos Fundos à conta das compensações financeiras aos Estados,
Distrito Federal e Municípios a que se refere a Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de
1996, constarão dos orçamentos da União, dos Estados e do Distrito Federal e serão creditados
pela União em favor dos Governos Estaduais, do Distrito Federal e dos Municípios nas contas
específicas a que se refere este artigo, respeitados os critérios e as finalidades estabelecidas nesta
Lei, observados os mesmos prazos, procedimentos e forma de divulgação adotados para o repasse do restante dessas transferências constitucionais em favor desses governos.
§ 2º Os repasses aos Fundos provenientes dos impostos previstos nos incisos I, II e III do caput
do art. 155 combinados com os incisos III e IV do caput do art. 158 da Constituição Federal
constarão dos orçamentos dos Governos Estaduais e do Distrito Federal e serão depositados
pelo estabelecimento oficial de crédito previsto no art. 4o da Lei Complementar no 63, de 11 de
§ 4º Os recursos dos Fundos provenientes da parcela do imposto sobre produtos industrializados, de que trata o inciso II do caput do art. 159 da Constituição Federal, serão creditados pela
União em favor dos Governos Estaduais e do Distrito Federal nas contas específicas, segundo
os critérios e respeitadas as finalidades estabelecidas nesta Lei, observados os mesmos prazos,
procedimentos e forma de divulgação previstos na Lei Complementar nº 61, de 26 de dezembro
§ 5º Do montante dos recursos do imposto sobre produtos industrializados de que trata o inciso
II do caput do art. 159 da Constituição Federal a parcela devida aos Municípios, na forma do
disposto no art. 5º da Lei Complementar nº 61, de 26 de dezembro de 1989, será repassada pelo
Governo Estadual ao respectivo Fundo e os recursos serão creditados na conta específica a que
se refere este artigo, observados os mesmos prazos, procedimentos e forma de divulgação do
restante dessa transferência aos Municípios.
§ 6º A instituição financeira disponibilizará, permanentemente, aos conselhos referidos nos incisos II, III e IV do § 1o do art. 24 desta Lei os extratos bancários referentes à conta do fundo.
§ 7º Os recursos depositados na conta específica a que se refere o caput deste artigo serão depositados pela União, Distrito Federal, Estados e Municípios na forma prevista no § 5º do art. 69 da
Art. 18. Nos termos do § 4º do art. 211 da Constituição Federal, os Estados e os Municípios
poderão celebrar convênios para a transferência de alunos, recursos humanos, materiais e encargos financeiros, assim como de transporte escolar, acompanhados da transferência imediata de
recursos financeiros correspondentes ao número de matrículas assumido pelo ente federado.
Art. 20. Os eventuais saldos de recursos financeiros disponíveis nas contas específicas dos Fundos cuja perspectiva de utilização seja superior a 15 (quinze) dias deverão ser aplicados em operações financeiras de curto prazo ou de mercado aberto, lastreadas em títulos da dívida pública,
na instituição financeira responsável pela movimentação dos recursos, de modo a preservar seu
Parágrafo único. Os ganhos financeiros auferidos em decorrência das aplicações previstas no caput deste artigo deverão ser utilizados na mesma finalidade e de acordo com os mesmos critérios
e condições estabelecidas para utilização do valor principal do Fundo.
COMPROVAÇÃO E FISCALIZAÇÃO DOS RECURSOS
Art. 21. Os recursos dos Fundos, inclusive aqueles oriundos de complementação da União, serão
utilizados pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, no exercício financeiro em
que lhes forem creditados, em ações consideradas como de manutenção e desenvolvimento do
ensino para a educação básica pública, conforme disposto no art. 70 da Lei nº 9.394, de 20 de
§ 1º Os recursos poderão ser aplicados pelos Estados e Municípios indistintamente entre etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação básica nos seus respectivos
âmbitos de atuação prioritária, conforme estabelecido nos §§ 2º e 3º do art. 211 da Constituição
§ 2º Até 5% (cinco por cento) dos recursos recebidos à conta dos Fundos, inclusive relativos à
complementação da União recebidos nos termos do § 1o do art. 6o desta Lei, poderão ser utilizados no 1º (primeiro) trimestre do exercício imediatamente subseqüente, mediante abertura de
Art. 24. O acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, a transferência e a aplicação
dos recursos dos Fundos serão exercidos, junto aos respectivos governos, no âmbito da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por conselhos instituídos especificamente
I – em âmbito federal, por no mínimo 14 (quatorze) membros, sendo:
a) até 4 (quatro) representantes do Ministério da Educação;
b) 1 (um) representante do Ministério da Fazenda;
c) 1 (um) representante do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;
d) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Educação;
Art. 22. Pelo menos 60% (sessenta por cento) dos recursos anuais totais dos Fundos serão destinados ao pagamento da remuneração dos profissionais do magistério da educação básica em
efetivo exercício na rede pública.
e) 1 (um) representante do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Educação – CONSED;
h) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública;
I – remuneração: o total de pagamentos devidos aos profissionais do magistério da educação, em
decorrência do efetivo exercício em cargo, emprego ou função, integrantes da estrutura, quadro
ou tabela de servidores do Estado, Distrito Federal ou Município, conforme o caso, inclusive os
encargos sociais incidentes;
i) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública, um dos quais indicado pela
União Brasileira de Estudantes Secundaristas – UBES;
II – profissionais do magistério da educação: docentes, profissionais que oferecem suporte pedagógico direto ao exercício da docência: direção ou administração escolar, planejamento, inspeção, supervisão, orientação educacional e coordenação pedagógica;
III – efetivo exercício: atuação efetiva no desempenho das atividades de magistério previstas
no inciso II deste parágrafo associada à sua regular vinculação contratual, temporária ou estatutária, com o ente governamental que o remunera, não sendo descaracterizado por eventuais
afastamentos temporários previstos em lei, com ônus para o empregador, que não impliquem
rompimento da relação jurídica existente.
f) 1 (um) representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE;
g) 1 (um) representante da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME;
II - em âmbito estadual, por no mínimo 12 (doze) membros, sendo:
a) 3 (três) representantes do Poder Executivo estadual, dos quais pelo menos 1 (um) do órgão
estadual responsável pela educação básica;
b) 2 (dois) representantes dos Poderes Executivos Municipais;
c) 1 (um) representante do Conselho Estadual de Educação;
d) 1 (um) representante da seccional da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação
– UNDIME;
e) 1 (um) representante da seccional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
– CNTE;
f) 2 (dois) representantes dos pais de alunos da educação básica pública;
I – no financiamento das despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da
educação básica, conforme o art. 71 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996;
g) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública, 1 (um) dos quais indicado
pela entidade estadual de estudantes secundaristas;
II – como garantia ou contrapartida de operações de crédito, internas ou externas, contraídas
pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios que não se destinem ao financiamento
de projetos, ações ou programas considerados como ação de manutenção e desenvolvimento do
ensino para a educação básica.
III – no Distrito Federal, por no mínimo 9 (nove) membros, sendo a composição determinada pelo
disposto no inciso II deste parágrafo, excluídos os membros mencionados nas suas alíneas b e d;
III – assegura isenção da obrigatoriedade de testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em razão do exercício de suas atividades de conselheiro e sobre as pessoas que lhes confiarem
ou deles receberem informações;
f) 2 (dois) representantes dos estudantes da educação básica pública, um dos quais indicado pela
entidade de estudantes secundaristas.
§ 2º Integrarão ainda os conselhos municipais dos Fundos, quando houver, 1 (um) representante
do respectivo Conselho Municipal de Educação e 1 (um) representante do Conselho Tutelar a
que se refere a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, indicados por seus pares.
§ 3º Os membros dos conselhos previstos no caput deste artigo serão indicados até 20 (vinte)
dias antes do término do mandato dos conselheiros anteriores:
a) exoneração ou demissão do cargo ou emprego sem justa causa ou transferência involuntária
do estabelecimento de ensino em que atuam;
I – pelos dirigentes dos órgãos federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal e das entidades de classes organizadas, nos casos das representações dessas instâncias;
II – nos casos dos representantes dos diretores, pais de alunos e estudantes, pelo conjunto dos
estabelecimentos ou entidades de âmbito nacional, estadual ou municipal, conforme o caso, em
processo eletivo organizado para esse fim, pelos respectivos pares;
V – veda, quando os conselheiros forem representantes de estudantes em atividades do conselho,
no curso do mandato, atribuição de falta injustificada nas atividades escolares.
§ 4o Indicados os conselheiros, na forma dos incisos I e II do § 3º deste artigo, o Ministério da
Educação designará os integrantes do conselho previsto no inciso I do § 1o deste artigo, e o Poder
Executivo competente designará os integrantes dos conselhos previstos nos incisos II, III e IV
§ 5º São impedidos de integrar os conselhos a que se refere o caput deste artigo:
I – cônjuge e parentes consangüíneos ou afins, até 3o (terceiro) grau, do Presidente e do VicePresidente da República, dos Ministros de Estado, do Governador e do Vice-Governador, do
Prefeito e do Vice-Prefeito, e dos Secretários Estaduais, Distritais ou Municipais;
II – tesoureiro, contador ou funcionário de empresa de assessoria ou consultoria que prestem
serviços relacionados à administração ou controle interno dos recursos do Fundo, bem como
cônjuges, parentes consangüíneos ou afins, até 3o (terceiro) grau, desses profissionais;
a) exerçam cargos ou funções públicas de livre nomeação e exoneração no âmbito dos órgãos do
respectivo Poder Executivo gestor dos recursos; ou
§ 6º O presidente dos conselhos previstos no caput deste artigo será eleito por seus pares em
reunião do colegiado, sendo impedido de ocupar a função o representante do governo gestor dos
recursos do Fundo no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
§ 7º Os conselhos dos Fundos atuarão com autonomia, sem vinculação ou subordinação institucional ao Poder Executivo local e serão renovados periodicamente ao final de cada mandato
§ 9º Aos conselhos incumbe, ainda, supervisionar o censo escolar anual e a elaboração da proposta orçamentária anual, no âmbito de suas respectivas esferas governamentais de atuação, com
o objetivo de concorrer para o regular e tempestivo tratamento e encaminhamento dos dados
estatísticos e financeiros que alicerçam a operacionalização dos Fundos.
§ 10. Os conselhos dos Fundos não contarão com estrutura administrativa própria, incumbindo
à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios garantir infra-estrutura e condições
materiais adequadas à execução plena das competências dos conselhos e oferecer ao Ministério
da Educação os dados cadastrais relativos à criação e composição dos respectivos conselhos.
§ 11. Os membros dos conselhos de acompanhamento e controle terão mandato de, no máximo,
2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondução por igual período.
§ 12. Na hipótese da inexistência de estudantes emancipados, representação estudantil poderá
acompanhar as reuniões do conselho com direito a voz.
§ 13. Aos conselhos incumbe, também, acompanhar a aplicação dos recursos federais transferidos à conta do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar – PNATE e do Programa
de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos e, ainda,
receber e analisar as prestações de contas referentes a esses Programas, formulando pareceres
conclusivos acerca da aplicação desses recursos e encaminhando-os ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE.
Art. 25. Os registros contábeis e os demonstrativos gerenciais mensais, atualizados, relativos
aos recursos repassados e recebidos à conta dos Fundos assim como os referentes às despesas
realizadas ficarão permanentemente à disposição dos conselhos responsáveis, bem como dos
órgãos federais, estaduais e municipais de controle interno e externo, e ser-lhes-á dada ampla
publicidade, inclusive por meio eletrônico.
Parágrafo único. Os conselhos referidos nos incisos II, III e IV do § 1º do art. 24 desta Lei poderão, sempre que julgarem conveniente:
I – apresentar ao Poder Legislativo local e aos órgãos de controle interno e externo manifestação
formal acerca dos registros contábeis e dos demonstrativos gerenciais do Fundo;
II – por decisão da maioria de seus membros, convocar o Secretário de Educação competente ou
servidor equivalente para prestar esclarecimentos acerca do fluxo de recursos e a execução das
despesas do Fundo, devendo a autoridade convocada apresentar-se em prazo não superior a 30
III – requisitar ao Poder Executivo cópia de documentos referentes a:
b) folhas de pagamento dos profissionais da educação, as quais deverão discriminar aqueles em
efetivo exercício na educação básica e indicar o respectivo nível, modalidade ou tipo de estabelecimento a que estejam vinculados;
c) documentos referentes aos convênios com as instituições a que se refere o art. 8o desta Lei;
Art. 26. A fiscalização e o controle referentes ao cumprimento do disposto no art. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta Lei, especialmente em relação à aplicação da totalidade dos
recursos dos Fundos, serão exercidos:
I – pelo órgão de controle interno no âmbito da União e pelos órgãos de controle interno no
âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
II – pelos Tribunais de Contas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, junto aos respectivos entes governamentais sob suas jurisdições;
III – pelo Tribunal de Contas da União, no que tange às atribuições a cargo dos órgãos federais,
especialmente em relação à complementação da União.
Art. 27. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios prestarão contas dos recursos dos Fundos conforme os procedimentos adotados pelos Tribunais de Contas competentes, observada a
Parágrafo único. As prestações de contas serão instruídas com parecer do conselho responsável,
que deverá ser apresentado ao Poder Executivo respectivo em até 30 (trinta) dias antes do vencimento do prazo para a apresentação da prestação de contas prevista no caput deste artigo.
§ 2º Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito
Federal e dos Estados para a fiscalização da aplicação dos recursos dos Fundos que receberem
complementação da União.
Art. 30. O Ministério da Educação atuará:
I – no apoio técnico relacionado aos procedimentos e critérios de aplicação dos recursos dos
Fundos, junto aos Estados, Distrito Federal e Municípios e às instâncias responsáveis pelo acompanhamento, fiscalização e controle interno e externo;
II – na capacitação dos membros dos conselhos;
III – na divulgação de orientações sobre a operacionalização do Fundo e de dados sobre a previsão, a realização e a utilização dos valores financeiros repassados, por meio de publicação e
distribuição de documentos informativos e em meio eletrônico de livre acesso público;
IV – na realização de estudos técnicos com vistas na definição do valor referencial anual por
aluno que assegure padrão mínimo de qualidade do ensino;
V – no monitoramento da aplicação dos recursos dos Fundos, por meio de sistema de informações orçamentárias e financeiras e de cooperação com os Tribunais de Contas dos Estados e
VI – na realização de avaliações dos resultados da aplicação desta Lei, com vistas na adoção de
medidas operacionais e de natureza político-educacional corretivas, devendo a primeira dessas
medidas se realizar em até 2 (dois) anos após a implantação do Fundo.
Art. 31. Os Fundos serão implantados progressivamente nos primeiros 3 (três) anos de vigência,
conforme o disposto neste artigo.
§ 1º A porcentagem de recursos de que trata o art. 3o desta Lei será alcançada conforme a seguinte progressão:
Art. 28. O descumprimento do disposto no art. 212 da Constituição Federal e do disposto nesta
Lei sujeitará os Estados e o Distrito Federal à intervenção da União, e os Municípios à intervenção dos respectivos Estados a que pertencem, nos termos da alínea e do inciso VII do caput do
art. 34 e do inciso III do caput do art. 35 da Constituição Federal.
I – para os impostos e transferências constantes do inciso II do caput do art. 155, do inciso IV do
caput do art. 158, das alíneas a e b do inciso I e do inciso II do caput do art. 159 da Constituição
Federal, bem como para a receita a que se refere o § 1º do art. 3o desta Lei:
Art. 29. A defesa da ordem jurídica, do regime democrático, dos interesses sociais e individuais
indisponíveis, relacionada ao pleno cumprimento desta Lei, compete ao Ministério Público dos
Estados e do Distrito Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal, especialmente quanto
às transferências de recursos federais.
b) 18,33% (dezoito inteiros e trinta e três centésimos por cento), no 2º (segundo) ano; e
§ 1º A legitimidade do Ministério Público prevista no caput deste artigo não exclui a de terceiros
para a propositura de ações a que se referem o inciso LXXIII do caput do art. 5º e o § 1º do art.
129 da Constituição Federal, sendo-lhes assegurado o acesso gratuito aos documentos mencionados nos arts. 25 e 27 desta Lei.
c) 20% (vinte por cento), a partir do 3º (terceiro) ano, inclusive;
II – para os impostos e transferências constantes dos incisos I e III do caput do art. 155, inciso II
do caput do art. 157, incisos II e III do caput do art. 158 da Constituição Federal:
b) 13,33% (treze inteiros e trinta e três centésimos por cento), no 2º (segundo) ano; e
c) 20% (vinte por cento), a partir do 3o (terceiro) ano, inclusive.
§ 2º As matrículas de que trata o art. 9o desta Lei serão consideradas conforme a seguinte
I – para o ensino fundamental regular e especial público: a totalidade das matrículas imediatamente a partir do 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo;
II – para a educação infantil, o ensino médio e a educação de jovens e adultos:
a) 1/3 (um terço) das matrículas no 1o (primeiro) ano de vigência do Fundo;
b) 2/3 (dois terços) das matrículas no 2o (segundo) ano de vigência do Fundo;
c) a totalidade das matrículas a partir do 3o (terceiro) ano de vigência do Fundo, inclusive.
I – R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais), no 1º (primeiro) ano de vigência dos Fundos;
II – R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões de reais), no 2º (segundo) ano de vigência dos Fundos; e
III – R$ 4.500.000.000,00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais), no 3º (terceiro) ano de
vigência dos Fundos.
parâmetro aquele efetivamente praticado em 2006, que será corrigido, anualmente, com base no
Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, apurado pela Fundação Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística – IBGE ou índice equivalente que lhe venha a suceder, no período de
12 (doze) meses encerrados em junho do ano imediatamente anterior.
Art. 33. O valor anual mínimo por aluno definido nacionalmente para o ensino fundamental no
âmbito do Fundeb não poderá ser inferior ao mínimo fixado nacionalmente em 2006 no âmbito
Art. 34. Os conselhos dos Fundos serão instituídos no prazo de 60 (sessenta) dias contados da
vigência dos Fundos, inclusive mediante adaptações dos conselhos do Fundef existentes na data
Art. 35. O Ministério da Educação deverá realizar, em 5 (cinco) anos contados da vigência dos
Fundos, fórum nacional com o objetivo de avaliar o financiamento da educação básica nacional,
contando com representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios, dos
trabalhadores da educação e de pais e alunos.
§ 4º Os valores a que se referem os incisos I, II e III do § 3º deste artigo serão atualizados, anualmente, nos primeiros 3 (três) anos de vigência dos Fundos, de forma a preservar em caráter
permanente o valor real da complementação da União.
Art. 36. Nº 1 – (primeiro) ano de vigência do Fundeb, as ponderações seguirão as seguintes
§ 5º Os valores a que se referem os incisos I, II e III do § 3º deste artigo serão corrigidos, anualmente, pela variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, apurado
pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, ou índice equivalente que
lhe venha a suceder, no período compreendido entre o mês da promulgação da Emenda Constitucional no 53, de 19 de dezembro de 2006, e 1o de janeiro de cada um dos 3 (três) primeiros
anos de vigência dos Fundos.
II – pré-escola – 0,90 (noventa centésimos);
§ 6º Até o 3º (terceiro) ano de vigência dos Fundos, o cronograma de complementação da União
observará a programação financeira do Tesouro Nacional e contemplará pagamentos mensais de,
no mínimo, 5% (cinco por cento) da complementação anual, a serem realizados até o último dia
útil de cada mês, assegurados os repasses de, no mínimo, 45% (quarenta e cinco por cento) até 31
de julho e de 100% (cem por cento) até 31 de dezembro de cada ano.
§ 7º Até o 3º (terceiro) ano de vigência dos Fundos, a complementação da União não sofrerá
ajuste quanto a seu montante em função da diferença entre a receita utilizada para o cálculo e
a receita realizada do exercício de referência, observado o disposto no § 2º do art. 6º desta Lei
quanto à distribuição entre os fundos instituídos no âmbito de cada Estado.
Art. 32. O valor por aluno do ensino fundamental, no Fundo de cada Estado e do Distrito Federal, não poderá ser inferior ao efetivamente praticado em 2006, no âmbito do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF,
estabelecido pela Emenda Constitucional nº 14, de 12 de setembro de 1996.
§ 1º Caso o valor por aluno do ensino fundamental, no Fundo de cada Estado e do Distrito
Federal, no âmbito do Fundeb, resulte inferior ao valor por aluno do ensino fundamental, no
Fundo de cada Estado e do Distrito Federal, no âmbito do Fundef, adotar-se-á este último exclusivamente para a distribuição dos recursos do ensino fundamental, mantendo-se as demais ponderações para as restantes etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino da educação
§ 2º O valor por aluno do ensino fundamental a que se refere o caput deste artigo terá como
I – creche – 0,80 (oitenta centésimos);
III – anos iniciais do ensino fundamental urbano – 1,00 (um inteiro);
IV – anos iniciais do ensino fundamental no campo – 1,05 (um inteiro e cinco centésimos);
V – anos finais do ensino fundamental urbano – 1,10 (um inteiro e dez centésimos);
VI – anos finais do ensino fundamental no campo – 1,15 (um inteiro e quinze centésimos);
VII – ensino fundamental em tempo integral – 1,25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos);
VIII – ensino médio urbano – 1,20 (um inteiro e vinte centésimos);
IX – ensino médio no campo – 1,25 (um inteiro e vinte e cinco centésimos);
X – ensino médio em tempo integral – 1,30 (um inteiro e trinta centésimos);
XI – ensino médio integrado à educação profissional – 1,30 (um inteiro e trinta centésimos);
XII – educação especial - 1,20 (um inteiro e vinte centésimos);
XIII – educação indígena e quilombola – 1,20 (um inteiro e vinte centésimos);
XIV – educação de jovens e adultos com avaliação no processo – 0,70 (setenta centésimos);
XV – educação de jovens e adultos integrada à educação profissional de nível médio, com avaliação no processo – 0,70 (setenta centésimos).
§ 1º A Comissão Intergovernamental de Financiamento para a Educação Básica de Qualidade
fixará as ponderações referentes à creche e pré-escola em tempo integral.
§ 2º Na fixação dos valores a partir do 2o (segundo) ano de vigência do Fundeb, as ponderações
entre as matrículas da educação infantil seguirão, no mínimo, as seguintes pontuações:
I – creche pública em tempo integral – 1,10 (um inteiro e dez centésimos);
II – creche pública em tempo parcial – 0,80 (oitenta centésimos);
III – creche conveniada em tempo integral – 0,95 (noventa e cinco centésimos);
IV – creche conveniada em tempo parcial – 0,80 (oitenta centésimos);
V – pré-escola em tempo integral – 1,15 (um inteiro e quinze centésimos);
VI – pré-escola em tempo parcial – 0,90 (noventa centésimos).
Art. 37. Os Municípios poderão integrar, nos termos da legislação local específica e desta Lei,
o Conselho do Fundo ao Conselho Municipal de Educação, instituindo câmara específica para
o acompanhamento e o controle social sobre a distribuição, a transferência e a aplicação dos
recursos do Fundo, observado o disposto no inciso IV do § 1º e nos §§ 2º, 3º, 4º e 5º do art. 24
§ 1º A câmara específica de acompanhamento e controle social sobre a distribuição, a transferência e a aplicação dos recursos do Fundeb terá competência deliberativa e terminativa.
§ 2º Aplicar-se-ão para a constituição dos Conselhos Municipais de Educação as regras previstas
no § 5º do art. 24 desta Lei.
Art. 38. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão assegurar no financiamento da educação básica, previsto no art. 212 da Constituição Federal, a melhoria da qualidade
do ensino, de forma a garantir padrão mínimo de qualidade definido nacionalmente.
Parágrafo único. É assegurada a participação popular e da comunidade educacional no processo
de definição do padrão nacional de qualidade referido no caput deste artigo.
Art. 39. A União desenvolverá e apoiará políticas de estímulo às iniciativas de melhoria de qualidade do ensino, acesso e permanência na escola, promovidas pelas unidades federadas, em
especial aquelas voltadas para a inclusão de crianças e adolescentes em situação de risco social.
recursos prevista na Lei no 9.424, de 24 de dezembro de 1996, mediante a utilização dos coeficientes de participação do Distrito Federal, de cada Estado e dos Municípios, referentes ao
exercício de 2006, sem o pagamento de complementação da União.
Art. 44. A partir de 1o de março de 2007, a distribuição dos recursos dos Fundos é realizada na
Parágrafo único. A complementação da União prevista no inciso I do § 3º do art. 31 desta Lei,
referente ao ano de 2007, será integralmente distribuída entre março e dezembro.
Art. 45. O ajuste da distribuição dos recursos referentes ao primeiro trimestre de 2007 será realizado no mês de abril de 2007, conforme a sistemática estabelecida nesta Lei.
Parágrafo único. O ajuste referente à diferença entre o total dos recursos da alínea a do inciso I e
da alínea a do inciso II do § 1ºo do art. 31 desta Lei e os aportes referentes a janeiro e fevereiro de
2007, realizados na forma do disposto neste artigo, será pago no mês de abril de 2007.
Art. 46. Ficam revogados, a partir de 1o de janeiro de 2007, os arts. 1º a 8º e 13 da Lei nº 9.424,
de 24 de dezembro de 1996, e o art. 12 da Lei no 10.880, de 9 de junho de 2004, e o § 3º do art. 2º
da Lei nº 10.845, de 5 de março de 2004.
Art. 47. Nos 2 (dois) primeiros anos de vigência do Fundeb, a União alocará, além dos destinados
à complementação ao Fundeb, recursos orçamentários para a promoção de programa emergencial
de apoio ao ensino médio e para reforço do programa nacional de apoio ao transporte escolar.
Art. 48. Os Fundos terão vigência até 31 de dezembro de 2020.
Art. 49. Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.
Brasília, 20 de junho de 2007;
Parágrafo único. A União, os Estados e o Distrito Federal desenvolverão, em regime de colaboração, programas de apoio ao esforço para conclusão da educação básica dos alunos regularmente
matriculados no sistema público de educação:
186º da Independência e 119º da República.
I – que cumpram pena no sistema penitenciário, ainda que na condição de presos provisórios;
II – aos quais tenham sido aplicadas medidas socioeducativas nos termos da Lei no 8.069, de 13
de julho de 1990.
Art. 40. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão implantar Planos de Carreira e
remuneração dos profissionais da educação básica, de modo a assegurar:
Art. 41. O poder público deverá fixar, em lei específica, até 31 de agosto de 2007, piso salarial
profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica.
Art. 43. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, fica mantida a sistemática de repartição de
1) cálculo do valor anual por aluno do Fundo, no âmbito de cada Estado e do Distrito Federal,
obtido pela razão entre o total de recursos de cada Fundo e o número de matrículas presenciais
efetivas nos âmbitos de atuação prioritária (§§ 2º e 3º do art. 211 da Constituição Federal), multiplicado pelos fatores de ponderações aplicáveis;
2) dedução da parcela da complementação da União de que trata o art. 7º desta Lei;
Sempre que (VAi < VAmin) , a União complementará os recursos do Fundo do Estado i até que
3.1) ordenação decrescente dos valores anuais por aluno obtidos nos Fundos de cada Estado e
3.2) complementação do último Fundo até que seu valor anual por aluno se iguale ao valor anual
por aluno do Fundo imediatamente superior;
F*i : valor do Fundo do Estado i após a complementação da União.
3.3) uma vez equalizados os valores anuais por aluno dos Fundos, conforme operação 3.2, a complementação da União será distribuída a esses 2 (dois) Fundos até que seu valor anual por aluno
se iguale ao valor anual por aluno do Fundo imediatamente superior;
3.4) as operações 3.2 e 3.3 são repetidas tantas vezes quantas forem necessárias até que a complementação da União tenha sido integralmente distribuída, de forma que o valor anual mínimo
por aluno resulte definido nacionalmente em função dessa complementação;
4) verificação, em cada Estado e no Distrito Federal, da observância do disposto no § 1º do art.
32 (ensino fundamental) e no art. 11 (educação de jovens e adultos) desta Lei, procedendo-se aos
eventuais ajustes em cada Fundo.
VAmin : valor mínimo por aluno definido nacionalmente;
Para Estados que não recebem complementação da União (VAi > VAmin), tem-se:
A distribuição de recursos entre o Distrito Federal, os Estados e seus Municípios observa o disposto no § 1º do art. 32 (ensino fundamental) e o disposto no art. 11 (educação de jovens e
adultos) desta Lei, a fim de obter a distribuição aplicável a demais etapas, modalidades e tipos de
F*fi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada ao ensino fundamental;
F*ei : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada à educação de jovens e adultos;
F*oi : parcela de recursos do Fundo do Estado i destinada a demais etapas, modalidades e tipos de
O total de matrículas ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis é obtido da seguinte
VAi : valor por aluno no Estado i;
Fi: valor do Fundo do Estado i, antes da complementação da União;
NPi : número de matrículas do Estado i, ponderadas pelos fatores de diferenciação;
Øi : fator de diferenciação aplicável à etapa e/ou às modalidades e/ou ao tipo de estabelecimento
de ensino j;
Nji : número de matrículas na etapa e/ou nas modalidades e/ou no tipo de estabelecimento de
ensino j no Estado i.
Complementação da União fixada a partir dos valores mínimos previstos no inciso VII do caput
do art. 60 do ADCT (EC no 53/06):
NPi = NPfi + NPei + NPoi
NPfi : número de matrículas no ensino fundamental ponderadas pelos fatores de diferenciação
NPei : número de matrículas na educação de jovens e adultos ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis;
NPoi : número de matrículas em demais etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino
da educação básica, ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.
Comp/União: ≥ R$ 2.000.000.000,00 (dois bilhões de reais), no 1º (primeiro) ano de vigência;
≥ R$ 3.000.000.000,00 (três bilhões de reais), no 2º (segundo) ano de vigência;
≥ R$ 4.500.000.000,00 (quatro bilhões e quinhentos milhões de reais), no 3º (terceiro) ano de
≥ 10% (dez por cento) do total de recursos do fundo, a partir do 4º (quarto) ano de vigência.
ni : número de Municípios do Estado i;
F*ki : valor transferido para a rede k de educação básica do Estado i;
NPfki : número de matrículas no ensino fundamental da rede k do Estado i, ponderadas pelos
fatores de diferenciação aplicáveis;
NPeki : número de matrículas na educação de jovens e adultos da rede k do Estado i, ponderadas
pelos fatores de diferenciação aplicáveis;
NPoki : número de matrículas de demais etapas, modalidades e tipos de estabelecimento de ensino
da educação básica da rede k do Estado i, ponderadas pelos fatores de diferenciação aplicáveis.
: valor transferido tendo como base o valor por aluno do ensino fundamental efetivamente
praticado em 2006, no âmbito Fundef;
M x [A,B] : função máximo, que considera o maior valor entre A e B;
Min [A,B] : função mínimo, que considera o menor valor entre A e B.
Professor da rede estadual de ensino no
Cea­rá, Chico Lopes sempre teve a educação
como bandeira central de sua luta, em três
mandatos como vereador de Fortaleza e em
dois mandatos como deputado estadual. Em
seu primeiro ano como deputado federal,
levou essa vocação ao Congresso Nacional,
obtendo aprovação para diversos projetos
e emendas de sua autoria em prol da educação, com contribuições significativas ao financiamento do ensino superior, à discussão
sobre o piso salarial nacional do magistério e
à própria Lei do FUNDEB, analisada neste material, no contexto da Década de Educação.
educação educaçã
Cartilha da Educação
Cartilha da Educação, produzida pelo mandato do deputado Federal Chico Lopes