Source: https://www.conjur.com.br/2007-mar-27/fisco_analisar_atos_prazo_cinco_anos
Timestamp: 2018-12-15 16:41:31+00:00
Document Index: 92298238

Matched Legal Cases: ['artigo 150', 'artigo 173', 'artigo 150', 'artigo 150', 'artigo 173', 'artigo 37', 'artigo 150', 'artigo 173', 'artigo 150', 'artigo 150', 'artigo 150', 'artigo 150']

ConJur - Fisco tem de analisar atos no prazo de cinco anos
Lançamento por homologação tem de ser analisado em cinco anos
27 de março de 2007, 17h44
Uma das grandes controvérsias atuais na seara do direito tributário é a que diz respeito ao prazo decadencial nos denominados lançamentos por homologação (ato do particular). A discussão reside na aplicação do parágrafo 4º do artigo 150, de forma isolada ou cumulada com o inciso I, do artigo 173, todos do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/66.
Sem a pretensão de esgotar o tema, firma-se de plano a seguinte premissa basilar: em caso de lançamento por homologação à aplicação do parágrafo 4º do artigo 150, o CTN se faz de forma isolada.
Parece suficientemente claro e objetivo que o prazo disposto no parágrafo 4º, do artigo 150, CTN, tem como fim precípuo conferir e contemplar o proto-princípio da segurança jurídica às relações tributárias que tenham esse desenho normativo.
Dessa forma, verificado concretamente no mundo fenomênico o “fato gerador” segue-se que o fisco terá, a partir de tal evento, o prazo de cinco anos para exercitar toda a atividade consistente na apuração do ato praticado pelo particular, homologar — expressa ou tacitamente, ou impor lançamento de ofício.
A dilação exagerada de prazo resultante da aplicação do inciso I, do artigo 173, do CTN, descura, nitidamente a segurança jurídica, bem como gera uma mitigação absurda do princípio da eficiência administrativa, disposto no caput do artigo 37, da Constituição Federal. Gera ainda a situação limite e assaz incômoda em que o contribuinte se vê refém de uma indesejável eternização, enquanto o ato praticado dorme o sono dos esquecidos, por incríveis dez anos.
Ademais, é fundamental ressaltar que a norma prescrita no § 4º do artigo 150, do CTN é regra especial em relação àquela constante no inciso I, do artigo 173, CTN. Dessa forma, a existir regra especial, prefere essa à regra geral e, portanto, não há que se falar em interpretação conjunta ou cumulada, mas nitidamente de aplicação isolada do quanto disposto no artigo 150, parágrafo 4º.
Em que pese tais entendimentos é certo que a jurisprudência ainda não firmou posição concreta. Contudo, em recente e salutar posicionamento, os ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em relatoria do ministro Luiz Fux, se posicionaram em sintonia ao quanto aqui discorrido.
“DECADÊNCIA – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL.
1. O crédito tributário constitui-se, definitivamente, em cinco anos, porquanto mesmo que o contribuinte exerça o pagamento antecipado ou a declaração de débito, a Fazenda dispõe de um qüinqüênio para lançamento, que pode se iniciar, sponte sua, na forma do artigo. 173, I, mas que de toda sorte deve estar ultimado no qüinqüênio do artigo 150, parágrafo 4º.
3. Inexiste, assim, antinomia entre as normas dos artigos. 173 e 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.”
(Ministro Relator Luiz Fux, Embargos de Divergência em Recurso Especial 276.142-SP, DJU-I 28.2.2005, p. 180, in RDDT 116/213-214).
Torna-se oportuno destacar que o acórdão transcreve longo e abalizado entendimento do jurista Alberto Xavier em sua importante obra Do Lançamento. Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário, editora Forense, do qual se destaca a clara ponderação acerca de ser juridicamente insustentável a aplicação cumulada, vez que as normas dos artigos 150, § 4º e 173 não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes, são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação.
“Sob essa ótica, por exemplo, são compatíveis com o ‘lançamento por homologação’ por se ajustarem integralmente à hipótese prevista no artigo 150 do CNT: O Imposto sobre a Renda, o IOF, os impostos sobre o comércio exterior (II e IE), a CPMF, o ICMS, o ISS, o ITR e as contribuições especiais em geral.” (Impostos sobre a renda e proventos de qualquer natureza, de Mary Elbe Queiroz – Manole – 2004, p. 295) (g.n).
“Segundo o parágrafo 4º, se a Fazenda Pública não proceder à expressa homologação dentro desse prazo, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Com isso completa-se o sistema eliminando-se qualquer possibilidade de vir um tributo a ser recebido pela Fazenda Pública, sem que o crédito tributário tenha sido constituído, pelo lançamento de ofício, ou mediante homologação, sendo esta expressa ou ficta”
“Como conseqüência, estará igualmente extinto o direito de a Fazenda Pública efetuar a lançamento de ofício pelas diferenças que, devidas, não foram pagas...” (Código Tributário Nacional Comentado, coordenador Vladimir Passos de Almeida – Zuudi Sakakiraha – Ed. Revista dos Tribunais – 2004. – p. 641).
“O ‘fato gerador’ dessa regra decadencial iniciará seu curso de cinco anos com a ocorrência do evento tributário, conforme dispõe expressamente a primeira parte do parágrafo 4º do Art. 150 do CTN” (g.n) (Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Max Limonad, 2ª edição, 2001, p.168).
Diante desse quadro, dos abalizados ensinamentos doutrinários, da moderna jurisprudência que tende a se consolidar nos lindes aqui esposados, aliados a uma interpretação sistemática, lógica e, acima de tudo, adequada, tem-se que em relação ao prazo decadencial para os tributos sujeitos ao denominados “lançamento por homologação”, o prazo será aquele previsto no parágrafo 4º, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. A aplicação, por se tratar de regra especial, deverá ser levada a efeito de forma isolada.
Revista Consultor Jurídico, 27 de março de 2007, 17h44