Source: https://tst.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/753774408/agravo-de-instrumento-em-recurso-de-revista-ag-airr-1416005120095090411/inteiro-teor-753774428
Timestamp: 2019-10-22 23:45:56+00:00
Document Index: 140516556

Matched Legal Cases: ['ARTIGO 896', 'artigo 896', 'artigo 173', 'artigo 896', 'ARTIGO 1', 'artigo 1', 'artigo 896', 'artigo 896', 'artigo 5', 'artigo 477', 'In casu', 'artigo 269', 'artigo 267', 'artigo 1', 'artigo 1', 'artigo 1', 'artigo 5', 'ARTIGO 896', 'artigo 5', 'artigo 896', 'artigo 794', 'artigo 5', 'artigo 896', 'artigo 1']

Tribunal Superior do Trabalho TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA : Ag-AIRR 1416005120095090411
Tribunal Superior do Trabalho TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA : Ag-AIRR 1416005120095090411 - Inteiro Teor
TST_AG-AIRR_1416005120095090411_e7540.rtf
CMB/jb
AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA EM FACE DE DECISÃO PUBLICADA NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. EXECUÇÃO. APPA. ADESÃO A PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO (PDI). EFEITOS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE DO RE 590.415/STF. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. VIOLAÇÃO DA COISA JULGADA. NÃO CONFIGURAÇÃO. ÓBICE DO ARTIGO 896, § 2º, DA CLT E DA SÚMULA Nº 266 DO TST. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 590.415, com repercussão geral reconhecida, fixou esta tese: "A transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho, em razão de adesão voluntária do empregado a plano de dispensa incentivada, enseja quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas objeto do contrato de emprego, caso essa condição tenha constado expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano, bem como dos demais instrumentos celebrados com o empregado". Entretanto, o caso dos autos não se amolda a essa decisão do STF, uma vez que, na linha do entendimento sufragado pelo Tribunal Regional, não é possível que um acordo extrajudicial ou mesmo que decisões do Supremo Tribunal Federal, ainda que proferidas com repercussão geral, se sobreponham a decisões já transitadas em julgado, razão pela qual só podem ser desconstituídas por meio do ajuizamento de ação rescisória. Não se divisa, portanto, violação direta e literal de norma da Constituição da República, único viés do recurso de revista em execução de sentença, nos termos do artigo 896, § 2º, da CLT e da Súmula nº 266 desta Corte. Precedentes. Agravo conhecido e não provido.
EXECUÇÃO. APPA. PRERROGATIVAS DA FAZENDA PÚBLICA. REMESSA EX OFFICIO. EXECUÇÃO POR PRECATÓRIO. Esta Corte Superior posiciona-se no sentido de que "a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA, vinculada à Administração Pública Indireta, não é isenta do recolhimento do depósito recursal e do pagamento das custas processuais por não ser beneficiária dos privilégios previstos no Decreto-Lei n.º 779, de 21.08.1969, ante o fato de explorar atividade econômica com fins lucrativos, o que descaracteriza sua natureza jurídica, igualando-a às empresas privadas" (Orientação Jurisprudencial nº 13 da SBDI-1); bem assim que a APPA não se submete ao regime de precatórios (Orientação Jurisprudencial nº 87 da SBDI-1). Ainda que se entenda comportar outra interpretação, a partir de decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, é certo que, mesmo na Excelsa Corte, há dissonância de entendimento sobre a matéria, situação que, inclusive, esvaziou o fundamento central do incidente de revisão das referidas orientações jurisprudenciais deste Tribunal, instaurado no âmbito desta Corte, nos autos do processo TST-AgR-E-RR148500-29.2004.5.09.0022, cujo acórdão foi publicado no DEJT de 16/9/2016. Ademais, ao negar provimento ao incidente, mantendo a redação atual daqueles verbetes, o Pleno do TST, ressaltou que a APPA exerce livre atividade econômica, e, portanto, deve se submeter ao regime típico das empresas privadas, conforme prevê o artigo 173, § 1º, II, e § 2º, da Constituição Federal. Ratificado, assim, tal entendimento, não se sustenta a pretensão da APPA quanto à aplicação das prerrogativas do Decreto-Lei nº 779/69 e à forma de execução, por precatório, ante a jurisprudência consolidada nesta Corte. Decisão regional em consonância com as diretrizes das Orientações Jurisprudenciais nos 13 e 87, ambas da SBDI-1/TST. Incide, assim, a Súmula nº 333/TST, não se divisando violação direta e literal de norma da Constituição da República, único viés do recurso de revista em execução de sentença, nos termos do artigo 896, § 2º, da CLT e da Súmula nº 266 desta Corte. Agravo conhecido e não provido.
JUROS DE MORA. APPA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 1º-F DA LEI Nº 9.494/97. Na linha da jurisprudência firmada no âmbito deste Tribunal Superior, a APPA, por estar equiparada às empresas privadas, não é favorecida pela limitação, prevista no artigo 1º-F da Lei nº 9.494/97, dos juros de mora de 0,5%, devidos apenas nas condenações impostas à Fazenda Pública. Agravo conhecido e não provido.
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo em Agravo de Instrumento em Recurso de Revista nº TST-Ag-AIRR-141600-51.2009.5.09.0411, em que é Agravante ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA - APPA e Agravado ALTAMIR ALVES.
A parte executada, não se conformando com a decisão unipessoal às fls. 2706-2710, interpõe o presente agravo.
O Ministério Público do Trabalho oficiou pelo normal prosseguimento do feito.
Considerando que o processo se encontra em fase de execução, somente será objeto de análise a indicação de afronta a dispositivos da Constituição Federal, nos termos do artigo 896, § 2º, da CLT e da Súmula nº 266 do TST, sem embargo das demais disposições legais.
EXECUÇÃO - APPA - ADESÃO A PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO (PDI) - EFEITOS - DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO - INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE DO RE 590.415/STF - INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO - VIOLAÇÃO DA COISA JULGADA - NÃO CONFIGURAÇÃO
Registre-se, inicialmente, que, independentemente da questão envolvendo a efetiva observância, no recurso de revista interposto pela ora agravante, dos pressupostos descritos no artigo 896, § 1º-A, da CLT, passo a desenvolver a fundamentação a seguir, com esteio na Orientação Jurisprudencial nº 282 da SbDI-1 do TST.
Eis a ementa do acórdão proferido pelo TRT da 9ª Região:
APPA. ADESÃO AO PDI. QUITAÇÃO. DEMANDA AJUIZADA ANTERIORMENTE.
No atual entendimento desta E. Seção especializada, a adesão do trabalhador ao PDI instituído pela APPA não confere quitação geral a todas as verbas oriundas do extinto contrato de trabalho, não incidindo sobre parcelas devidas por força de ação já transitada em julgado. O acordo extrajudicial não pode se sobrepor a coisa julgada, e porque a natureza das parcelas é distinta, além de não existir no PDI previsão específica de quitação quanto a verbas decorrentes de sentenças já proferidas. A situação não se amolda à decisão do E. STF sobre o tema. Agravo de Petição da executada a que se nega provimento.
A APPA renova as alegações meritórias de ferimento aos artigos 5º, XXXVI, 7º, XXVI, e 102, § 3º, da Constituição Federal, e alega que a negativa de seguimento do agravo de instrumento implica violação do artigo 5º, LV, também da CF. (fls. 2715-2730).
A jurisprudência desta Corte Superior consagrou que a adesão a Plano de Dispensa Incentivada (PDI) não impossibilita o posterior ajuizamento de ação para reivindicar direitos oriundos do contrato de trabalho.
Nessa direção, fixou que a quitação se limita às parcelas contidas expressamente no termo rescisório, na mesma linha da homologação do recibo de rescisão contratual, positivado no artigo 477, caput e parágrafos, da CLT. Inteligência da Orientação Jurisprudencial nº 270 da SBDI-1 do TST. A tese fixada prevaleceu, inclusive, nos casos em que a instituição do PDI, com previsão de eficácia liberatória geral do contrato de trabalho extinto, é estabelecida mediante negociação coletiva e com assistência, no ato da rescisão. Assim se decidiu no Incidente de Uniformização de Jurisprudência suscitado no ROAA nº 111500-48.2002.5.12.0000, julgado pelo Tribunal Pleno em 09/11/2006, no qual se manteve a aplicabilidade da citada Orientação Jurisprudencial aos processos em que litiga o BESC (sucedido pelo Banco do Brasil S/A).
Tal interpretação amparou-se no entendimento segundo o qual não é possível a transação de caráter genérico na esfera do Direito do Trabalho, em face do que preceituam os artigos 9º e 444 da CLT. Isso porque hão de se considerar preceitos imperativos que visam à proteção do trabalhador e a prevalência da justiça social, notadamente no que tange às condições mínimas de trabalho. Sob esse prisma, consideram-se nulos, pois, todos os atos que contrariem ou impeçam a aplicação das normas cogentes de proteção do obreiro.
Não obstante, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 590.415, com repercussão geral reconhecida, assentou esta tese: "A transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho, em razão de adesão voluntária do empregado a plano de dispensa incentivada, enseja quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas objeto do contrato de emprego, caso essa condição tenha constado expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano, bem como dos demais instrumentos celebrados com o empregado".
Para assim decidir, o STF destacou as peculiaridades do caso concreto e identificou a presença de elementos fáticos de distinção em relação aos precedentes que originaram a Orientação Jurisprudencial nº 270 da SBDI-1/TST.
Entretanto, o caso dos autos não se amolda a essa decisão do STF, uma vez que - na linha do entendimento sufragado pelo Tribunal Regional - não é possível que um acordo extrajudicial ou mesmo que decisões do Supremo Tribunal Federal, ainda que reconhecidas em repercussão geral, se sobreponham a decisões transitadas em julgado, razão pela qual só podem ser desconstituídas por meio do ajuizamento de ação rescisória.
Essa é a atual jurisprudência que vem se firmando nesta Corte Superior Trabalhista, conforme revelam os precedentes a seguir transcritos, a título de exemplo (alguns envolvendo a APPA):
"RECURSO DE REVISTA. EXECUÇÃO. [...] 2. BESC. PROGRAMA DE INCENTIVO À DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. TRANSAÇÃO EXTRAJUDICIAL. QUITAÇÃO. EFEITOS. PROCESSO TRANSITADO EM JULGADO NA FASE DE CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO POSTERIOR DA JURISPRUDÊNCIA DO STF NO RE Nº 590.415/SC. NÃO CONHECIMENTO. Em vista da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 590.415/SC, que teve repercussão geral reconhecida, restou superado o entendimento perfilhado na Orientação Jurisprudencial nº 270 da SBDI-1, segundo o qual a quitação das obrigações do contrato de trabalho, em face da adesão do empregado ao plano de demissão voluntária, incidiria apenas sobre as parcelas e valores consignados no recibo. Assim, deve prevalecer, doravante, a jurisprudência consagrada pelo STF, donde há que se extrair que a adesão do empregado ao mencionado plano, sem vício de consentimento, enseja a quitação ampla, geral e irrestrita de todas as verbas decorrentes do contrato de trabalho, mormente quando instituído por meio de norma coletiva de trabalho, devendo-se considerar, inclusive, todos os instrumentos firmados pelo trabalhador, em que manifesta sua anuência quanto à satisfação prevista na citada transação das obrigações oriundas do pacto laboral. Ocorre que a presente demanda já transitou em julgado na fase de conhecimento. Dessa forma, deve prevalecer a coisa julgada formada antes da referida decisão do excelso Supremo Tribunal Federal, sob pena de eternização das demandas. Precedentes. Recurso de revista de que não se conhece." (Processo: RR - 196187-88.2004.5.12.0031, Data de Julgamento: 29/05/2019, Relator Ministro: Guilherme Augusto Caputo Bastos, 4ª Turma, Data de Publicação: DEJT 31/05/2019);
"BESC. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV). ADESÃO. EFEITOS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE TRATADA NO RE 590.415/STF. A deliberação do STF, no julgamento do RE 590.415, que reconheceu a quitação plena pela adesão do empregado ao PDI do BESC, não repercute sobre as demandas transitadas em julgado. A coisa julgada deve prevalecer sobre qualquer decisão posterior em sentido contrário, mesmo que tenha sido reconhecida a repercussão geral sobre a matéria. Julgados. Recurso de revista não conhecido." (Processo: RR - 883986-45.2006.5.12.0001, Data de Julgamento: 06/02/2019, Relator Ministro: Márcio Eurico Vitral Amaro, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 08/02/2019);
"EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO DE REVISTA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO NÃO EXERCIDO. ADESÃO DO RECLAMANTE AO PLANO DE DISPENSA INCENTIVADA - PDI INSTITUÍDO PELO BANCO DO ESTADO DE SANTA CATARINA - BESC (SUCEDIDO PELO BANCO DO BRASIL S.A.). COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE RECURSO CONTRA ACÓRDÃO PROFERIDO PELO TRIBUNAL REGIONAL, PELO QUAL FOI REFORMADA A SENTENÇA, QUE HAVIA JULGADO IMPROCEDENTES TODOS OS PEDIDOS FORMULADOS PELO RECLAMANTE, EM FACE DA QUITAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO PELA ADESÃO AO PDI. O Supremo Tribunal Federal, nos autos do Processo nº RE 590.415/SC (em repercussão geral) adotou entendimento de que 'a transação extrajudicial que importa rescisão do contrato de trabalho, em razão de adesão voluntária do empregado a plano de dispensa incentivada, enseja quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas objeto do contrato de emprego, caso essa condição tenha constado expressamente do acordo coletivo que aprovou o plano, bem como dos demais instrumentos celebrados com o empregado'. Entretanto, nos autos em exame, a decisão pela qual foi afastada a quitação do contrato de trabalho do reclamante pela adesão ao Plano de Dispensa Incentiva - PDI constitui coisa julgada. In casu, o Juiz de primeiro grau rejeitou todos os pedidos formulados na ação ajuizada pelo reclamante, em face da validade dos 'termos do PDI, inclusive, e quitados todos os títulos do contrato de trabalho'. O Regional, ao apreciar o recurso ordinário interposto pelo reclamante, em relação ao tema 'ADESÃO AO PDI. QUITAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO', entendeu que todas as verbas constantes do" termo de quitação plena "se encontravam quitadas, com fundamento na Orientação Jurisprudencial nº 270 da SbDI-1, motivo pelo qual,"em relação a tais títulos, só resta extinguir o feito, sem apreciação do mérito, com fulcro 267, IV, CPC, de aplicação supletiva (art. 769/CLT), considerando a perda do objeto". Salienta-se que a sentença pela qual foram rejeitados todos os pedidos formulados pelo reclamante (artigo 269, inciso I, do CPC/1973) foi substituída pelo acórdão regional, pelo qual foi extinto o feito em relação aos títulos constantes do TRCT (artigo 267, inciso VI, do CPC/1973). Muito embora o reclamante continuasse sucumbente, também cabia ao reclamado interpor recurso de revista contra o acórdão regional, que (mesmo de forma implícita) reformou a sentença, pela qual foi acolhida a tese patronal (quitação do contrato de trabalho pela adesão ao PDI) e julgados improcedentes todos os pedidos. Contudo, somente o reclamante interpôs recurso de revista, e a matéria submetida à apreciação da Segunda Turma ficou restrita à existência ou não de quitação específica de parcelas consignadas no recibo, em que constaram percentuais, e não valores, tendo sido adotada a tese de que 'o fato de o banco reclamado fazer constar do verso do termo de rescisão contratual os percentuais pagos relativamente a cada título quitado não afasta a aplicação da Orientação Jurisprudencial nº 270 da SBDI-1 do TST, pois o trabalhador tem direito de pleitear nessa Justiça do Trabalho as diferenças percentuais relativas ao montante integral a que teria direito em relação a cada parcela objeto de quitação, uma vez que esta foi apenas parcial', conforme precedentes desta Corte citados no acórdão. Portanto, como houve trânsito em julgado do acórdão proferido pelo Tribunal Regional do Trabalho de origem, pelo qual foi reformada a sentença (quitação do contrato de trabalho pela adesão da reclamante ao Plano de Dispensa Incentivado - PDI), que havia julgado improcedentes todos os pedidos formulados pelo reclamante, a Segunda Turma não exerce o juízo de retratação previsto no artigo 1.030, inciso II, do Código de Processo Civil, mantendo os acórdãos, e determina o retorno dos autos à Vice-Presidência desta Corte, para prosseguimento do feito, como entender de direito." (Processo: ED-RR - 2126-14.2010.5.12.0034, Data de Julgamento: 14/03/2018, Relator Ministro: José Roberto Freire Pimenta, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 16/03/2018);
"AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA DECISÃO AGRAVADA. Trata-se de agravo interno interposto em face de decisão da Vice-Presidência do TST pela qual fora denegado seguimento ao recurso extraordinário com base em precedente de repercussão geral. Examinando as razões do agravo, infere-se que a parte agravante não impugnou os fundamentos adotados pela decisão agravada, o que implica a inobservância do princípio da dialeticidade recursal previsto no artigo 1.010, incisos II e III, e 1.021, § 1º, do CPC. Nesse contexto, o não conhecimento do presente agravo é medida que se impõe. Constatando-se, ainda, o caráter infundado do apelo, aplicando-se a multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do atual CPC. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa." (Processo: Ag-Ag-AIRR - 115200-54.2001.5.09.0322, Data de Julgamento: 05/11/2018, Relator Ministro: Renato de Lacerda Paiva, Órgão Especial, Data de Publicação: DEJT 12/11/2018);
"AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA REGIDO PELA LEI 13.015/2014. PROCESSO EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO JUDICIAL EXECUTIVO. QUITAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. ADESÃO AO PDI DO BESC. COISA JULGADA. OFENSA AOS ARTIGOS 5º, XXXVI E 7º, XXVI, NÃO CONFIGURADA. A deliberação do STF, no julgamento do RE 590.415, em que reconhecida a quitação plena pela adesão do empregado ao PDI do BESC, não repercute sobre as demandas transitadas em julgado, porquanto as decisões do STF somente possuem força retroativa sobre as relações processuais vigentes. A coisa julgada deve prevalecer sobre qualquer decisão posterior em sentido contrário, mesmo que tenha sido reconhecida a repercussão geral sobre a matéria. Nesse contexto, não prospera a tese de ofensa ao artigo 5º, XXXVI, da CF, porque o TRT, ao contrário do que pretende o Reclamado, decidiu à luz do preceito constitucional. Agravo de instrumento não provido." (Processo: AIRR - 116187-74.2003.5.12.0019, Data de Julgamento: 08/11/2017, Relator Ministro: Douglas Alencar Rodrigues, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 10/11/2017);
"AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/14. EXECUÇÃO - PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. QUITAÇÃO AMPLA E IRRESTRITA DO CONTRATO DE TRABALHO. EXIGÊNCIA DE CLÁUSULA DE QUITAÇÃO GERAL EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. COISA JULGADA. ARTIGO 896, § 2º, DA CLT E SÚMULA 266 DO TST. JULGADOS. Não merece reparos a decisão monocrática por meio da qual foi denegado seguimento ao agravo de instrumento. Agravo a que se nega provimento. (Processo: Ag-AIRR - 115200-54.2001.5.09.0322, Data de Julgamento: 27/09/2017, Relator Ministro: Márcio Eurico Vitral Amaro, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 29/09/2017); e
"AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. EXECUÇÃO. [...] 2. PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO (PDV). ADESÃO. EFEITOS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. INAPLICABILIDADE DA HIPÓTESE TRATADA NO RE 590.415/STF. INEXIGIBILIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA. ART. 884, § 5º, DA CLT. ÓBICE DO ART. 896, § 2º, DA CLT C/C SÚMULA 266 DO TST. Esta Corte Superior sedimentou o entendimento de que a transação extrajudicial que importa extinção do contrato de trabalho, ante a adesão do empregado ao plano de desligamento voluntário, não se traduz em quitação ampla e nem tem efeito de coisa julgada, mas implica quitação exclusivamente das parcelas e valores constantes do recibo (OJ 270/SBDI-1/TST e Súmula 330/TST). Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 590415, de repercussão geral, decidiu, em sessão plenária do dia 30.04.2014, que é válida a cláusula que dá quitação ampla e irrestrita de todas as parcelas decorrentes do contrato de emprego nos planos de dispensa incentivada (PDI) ou voluntária (PDV), desde que este item conste de acordo coletivo de trabalho e dos demais instrumentos assinados pelo empregado. No entanto, a hipótese dos autos não se amolda à hipótese tratada pelo STF, nos autos do RE 590.415, haja vista que o acórdão regional consignou expressamente que as decisões do Supremo Tribunal Federal, ainda que reconhecidas em repercussão geral, não podem se sobrepor às decisões transitadas em julgado, como é o caso dos autos, sob pena de violação ao princípio da coisa julgada, só podendo ser desconstituídas por meio do ajuizamento de ação rescisória. Nesse contexto, não se há falar em violação do art. 5º, XXXVI, da CF. Julgados desta Corte. Reitere-se que, em execução, a admissibilidade do recurso de revista condiciona-se à demonstração inequívoca de violação direta e literal de norma da Constituição Federal, como disposto no § 2º do art. 896 da CLT e na Súmula 266 do TST, o que não ocorreu na presente hipótese. Agravo de instrumento desprovido."(Processo: AIRR - 2952-41.2013.5.12.0032, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, DEJT 20/05/2016).
Por conseguinte, não se divisa violação direta e literal do artigo 5º, XXXVI, da Constituição da República, tampouco dos demais preceitos citados, único viés do recurso de revista em execução de sentença, nos termos do artigo 896, § 2º, da CLT e da Súmula nº 266 desta Corte.
Acresça-se que o STF consagrou entendimento de que a aplicação, pelo TST, dos referidos óbices para não conhecimento de recurso de revista ou desprovimento de agravo de instrumento, enquadra a hipótese no precedente RE 598.365 RG/MG, Rel. Min. Ayres Britto, DJe de 26/03/10, no sentido da ausência de repercussão geral de questões atinentes a requisitos de admissibilidade dos recursos de competência de outros tribunais (ARE 697560 AgR/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 05/03/13; ARE 733114/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 03/04/13; ARE 646574/PA, Rel. Min. Dias Toffoli, DJe de 18/02/13).
Nesse norte também já se manifestou o Órgão Especial do TST, especificamente quanto à falta de repercussão geral dos processos de execução de sentença (Ag-ED-AIRR-451-18.2005.5.10.0011, Rel. Min. Ives Gandra Martins da Silva Filho, Órgão Especial, DEJT de 14/08/14).
Impende, ao cabo, refutar a alegada nulidade da decisão regional denegatória da admissibilidade da revista: é uníssono o entendimento desta Corte segundo o qual a denegação de seguimento do recurso de revista não configura invasão de competência funcional, tampouco negativa de prestação jurisdicional ou ofensa ao duplo grau de jurisdição, ao devido processo legal ou à ampla defesa. Isso porque compreende juízo prévio de admissibilidade, sem conteúdo conclusivo da lide, além de se sujeitar à revisão pela via do agravo de instrumento, o qual devolve toda a matéria impugnada ao TST, sem que eventual imperfeição acarrete prejuízo à parte. É a regra do artigo 794 da CLT. Permanece intacto o artigo 5º, LV, da CF.
APPA - DECRETO-LEI Nº 779/69 - FORMA DE EXECUÇÃO
No tocante à forma de execução contra a APPA, de plano vislumbro não prosperar o agravo interno, dada a estrita sintonia do acórdão regional com a jurisprudência atual e reiterativa desta Corte.
Com efeito, esta Corte Superior tem firme posicionamento no sentido de que"a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA, vinculada à Administração Pública Indireta, não é isenta do recolhimento do depósito recursal e do pagamento das custas processuais por não ser beneficiária dos privilégios previstos no Decreto-Lei n.º 779, de 21.08.1969, ante o fato de explorar atividade econômica com fins lucrativos, o que descaracteriza sua natureza jurídica, igualando-a às empresas privadas"(Orientação Jurisprudencial nº 13 da SBDI-1); bem assim que a APPA não se submete ao regime de precatórios (Orientação Jurisprudencial nº 87 da SBDI-1).
Ainda que se propugne outra interpretação, a partir de decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, certo é que, mesmo na Excelsa Corte, há dissonância de entendimento sobre a matéria, situação que, inclusive, esvaziou o fundamento central do incidente de revisão das referidas orientações jurisprudenciais deste Tribunal, recentemente instaurado no âmbito desta Corte, nos autos do processo TST-AgR-E-RR 148500-29.2004.5.09.0022, cujo acórdão foi publicado no DEJT de 16/9/2016.
Demais disso, ao negar provimento ao referido incidente, mantendo a redação atual daqueles verbetes, o Pleno do TST ressaltou que a APPA exerce livre atividade econômica, e, portanto, deve se submeter ao regime típico das empresas privadas, conforme prevê o art. 173, § 1º, II, e § 2º, da CF. Ratificado, assim, tal posicionamento, não se sustenta a pretensão da APPA quanto à aplicação das prerrogativas do Decreto-Lei nº 779/69 e à forma de execução, por precatório.
A decisão proferida pelo Tribunal Regional traduz fiel consonância com as diretrizes das Orientações Jurisprudenciais nos 13 e 87, ambas da SbDI-1/TST.
Por conseguinte, incide a Súmula nº 333/TST, não se divisando violação direta e literal de norma da Constituição da República, único viés do recurso de revista em execução de sentença, nos termos do artigo 896, § 2º, da CLT e da Súmula nº 266 desta Corte.
JUROS DE MORA - APPA - INAPLICABILIDADE DO ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97
A agravante propugna a aplicação dos juros de mora à razão de 0,5% ao mês, nos termos do artigo 1º-F, da Lei nº 9.494/97. Indica afronta aos artigos 21, XII, alínea f, e 100 da Constituição Federal.
Sucede, entretanto, à luz da jurisprudência deste Tribunal Superior, consubstanciada na antes referida O.J. nº 13 da Subseção 1 Especializada em Dissídios Individuais, que a APPA, como entidade pública voltada à exploração de atividade eminentemente econômica - a descaracterizar sua natureza autárquica -, não se beneficia dos privilégios previstos no Decreto-Lei nº 779/69.
Logo, estando equiparada às empresas privadas, a APPA não é favorecida pela limitação dos juros de mora de 0,5%/mês, devidos apenas nas condenações impostas à Fazenda Pública.
Nesse sentido, a título ilustrativo, registro os seguintes precedentes:
[...] RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO RECLAMANTE. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.015/2014. JUROS DE MORA. ENTE PÚBLICO QUE EXPLORA ATIVIDADE ECONÔMICA. A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) trata-se de ente público que explora atividade econômica. Portanto, aplica-se ao caso o regime jurídico próprio das empresas privadas e o preceito do art. 173, § 1º, da Constituição Federal, mesmo antes da edição da Lei 17.895, de 27 de dezembro de 2013. Isso porque, mesmo antes da efetiva transformação da APPA em Empresa Pública, esta já exercia atividade econômica e possuía autonomia financeira, não se beneficiando dos juros do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97. Recurso de revista conhecido e provido. (Processo: ARR - 1767-18.2014.5.09.0322, Data de Julgamento: 07/11/2018, Relator Ministro: Breno Medeiros, 5ª Turma, Data de Publicação: DEJT 23/11/2018);
[...] JUROS DE MORA. APPA. INAPLICABILIDADE DO ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97. Estando equiparada às empresas privadas, a APPA não é favorecida pela limitação dos juros de mora de 0,5% devidos nas condenações impostas apenas à Fazenda Pública. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento. (Processo: RR - 358300-58.2008.5.09.0022, Data de Julgamento: 19/09/2018, Relator Ministro: Márcio Eurico Vitral Amaro, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 21/09/2018).
Nessa mesma direção: AgR-AIRR-958-28.2014.5.09.0322, 1ª Turma, Relator Desembargador Convocado: Marcelo Lamego Pertence, DEJT 23/06/2017; ARR-723-22.2013.5.09.0411, 2ª Turma, Relatora Ministra: Delaíde Miranda Arantes, DEJT 03/07/2017; AIRR-2373-73.2014.5.09.0022, 3ª Turma, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, DEJT 25/08/2017; ARR-1586-44.2014.5.09.0022, 4ª Turma, Relatora Ministra: Maria de Assis Calsing, DEJT 01/09/2017; AIRR-103700-37.2009.5.09.0022, 5ª Turma, Relator Ministro: Antonio José de Barros Levenhagen, DEJT 10/03/2017; AIRR-658-71.2011.5.09.0322, 6ª Turma, Relatora Ministra: Kátia Magalhães Arruda, DEJT 30/06/2017; AIRR-408-28.2012.5.09.0411, 7ª Turma, Relator Ministro: Cláudio Mascarenhas Brandão, DEJT 16/06/2017; AIRR-159300-94.2001.5.01.0006, 8ª Turma, Relatora Ministra: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DEJT 10/02/2017.
Em última análise, assinalo que a Suprema Corte rejeitou a repercussão geral da suposta violação dos princípios do contraditório, da ampla defesa, dos limites da coisa julgada e do devido processo legal quando o julgamento da causa depender de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucionais (ARE 748371/MT, Relator Ministro Gilmar Mendes, DJe-148 divulgado 31-07-2013, publicado 01-08-2013; Tema 660).
PROCESSO Nº TST-Ag-AIRR-141600-51.2009.5.09.0411
Firmado por assinatura digital em 28/08/2019 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.
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