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Timestamp: 2017-08-20 19:00:29+00:00
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Qui, 14 de Janeiro de 2016 14:02
O Direito Administrativo é um ramo do direito público que estuda e regulamenta as relações do Estado, sejam elas internas, externas ou com os particulares, pautado pelo interesse público e pelo ordenamento jurídico.
Ao referir-se a Estado o texto nos remete aos entes estatais em todos os seus âmbitos, seus prestadores de serviços de forma ampla e às relações internas ou externas que englobam toda a atividade da máquina pública.
Esse ramo do direito insere-se no regime jurídico de direito público, pois não pode deixar de observar algumas peculiaridades, tais como certas prerrogativas e ônus que englobam a atividade estatal e suas relações, uma vez que, seu intuito principal deve ser a proteção dos interesses dos particulares, a proteção do patrimônio público e o bom uso dos recursos estatais disponíveis.
Portanto, a atividade dos governantes, em todos os âmbitos federativos, seja ele federal, estatal, municipal ou distrital e todo o funcionamento do Estado, assim como o funcionamento das empresas, sejam elas públicas ou privadas que exerçam atividades públicas e o exercício de qualquer ofício, seja ele cargo, função ou emprego públicos, devem ser pautados por princípios e normas, que não podem deixar de serem observados durante o funcionamento da máquina estatal.
Nesse diapasão, é imprescindível, para que possa haver uma boa administração pública, que os princípios e normas de direito público sejam firmemente respeitados.
A Constituição Federal prevê diversos mecanismos de controle da atuação dos entes públicos, com o objetivo principal de manter vigente a busca fundamental dessa administração que deve ser sempre a supremacia do interesse público sobre o interesse particular, e evitar a ocorrência de certas arbitrariedades que alguns agentes públicos insistem em cometer.
Nesse sentido, o papel dos aplicadores do direito é garantir a funcionalidade dessas normas que englobam todo o funcionamento da máquina, observando a constante evolução das relações sociais e das correntes alterações que se fazem necessárias para atingi-la e disponibilizar mecanismos de correção e controle de atos eivados de vício, na busca constante pela utópica perfeição na atividade e controle da atuação estatal.
Portanto, inegavelmente, nossa atividade constitui uma luta diária na busca por informações e conhecimento para que possamos nos munir com ferramentas que nos auxiliem nessa incessante busca pela manutenção dos direitos dos servidores – que, sem dúvida, possuem um papel importantíssimo na atuação do Estado em todos os seus ramos e com isso garantimos a manutenção dos pilares do Estado Democrático de Direito e da Constituição da República Federativa do Brasil.
Deste modo pretendemos seguir adiante e queremos dar as Boas Vindas ao Ano de 2016, agradecendo as conquistas alcançadas até agora e buscando força e vigor para nossas atuações. Vamos em rumo a novas batalhas e se Deus quiser muitas vitórias futuras.
OAB/SP nº 347.258
Seg, 23 de Novembro de 2015 09:38
A advogada e sócia da Advocacia Sandoval Filho, Maria Rachel Faleiros Sandoval Chaves, escreveu artigo sobre o direito ao Adicional de Insalubridade – “benefício concedido aos servidores públicos civis e militares que exercem atividade profissional em condições ou unidades insalubres”. O texto foi publicado no Migalhas – portal especializado em notícias do Judiciário – no dia 17 de novembro de 2015. No artigo, a advogada explica que o benefício deve ser pago desde o ingresso no serviço público e não apenas após a homologação do laudo de insalubridade, como vem sendo praticado pela administração pública. Confira.
Migalhas – 17 de novembro
Adicional de insalubridade é devido desde o ingresso no serviço público
A administração pública não inicia o pagamento do adicional desde quando o servidor ingressa no serviço público, mas somente a partir da data da homologação do laudo de insalubridade.
O Adicional de Insalubridade, instituído pela Lei Complementar nº 432/85, é um benefício concedido aos servidores públicos civis e militares que exercem atividade profissional em condições ou unidades insalubres.
Ocorre que a administração pública não inicia o pagamento do adicional desde quando o servidor ingressa no serviço público, mas somente a partir da data da homologação do laudo de insalubridade, conforme previsto no artigo 3-A da citada lei, a saber: "O adicional de insalubridade produzirá efeitos pecuniários a partir da data da homologação do laudo de insalubridade".
Entretanto, a jurisprudência mais abalizada do Tribunal de justiça de São Paulo tem entendido que o laudo técnico possui efeito meramente declaratório. Tão somente atesta uma situação pré-existente, a fim de confirmar o exercício de atividade em condições ou local nocivos à saúde e o grau de insalubridade.
Ademais, não é justo que o servidor tome posse no cargo e fique meses trabalhando em condições insalubres sem receber o adicional, até que o laudo seja homologado e o benefício comece a ser pago.
Desse modo, é direito do servidor receber o adicional de insalubridade desde o ingresso no serviço público, e não a partir da homologação do laudo que atesta a insalubridade da atividade ou do local de trabalho.
Para tanto, necessário se faz ingressar com ação judicial para ter reconhecido o direito ao recebimento das parcelas atrasadas.
Ter, 17 de Novembro de 2015 12:08
Uma decisão de 1ª Instância da 11ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo estendeu a Gratificação de Gestão Educacional (GGE) aos servidores aposentados das classes de suporte pedagógico do quadro do magistério – diretor de escola, supervisor de ensino, dirigente regional de ensino. A GGE vem sendo paga aos servidores da ativa desde a promulgação da Lei Complementar Estadual 1.256/15. Decisão do juiz de direito Kenichi Koyama estendeu o pagamento também aos servidores aposentados. Artigo sobre o tema, elaborado pelo advogado Ricardo Falleiros Lebrão, mereceu destaque na mídia especializada, sendo reproduzido no site Migalhas. Veja mais detalhes.
Migalhas – 9 de novembro de 2015
Aqueles que se enquadram nessas condições podem obter o direito ao percebimento da mencionada Gratificação de Gestão Educacional através das vias judiciais.
Em recente decisão proferida em 1ª instância nos autos do processo nº 1020438-46.2015.8.26.0053, o M.M. juiz de Direito da 11ª vara da Fazenda Pública de São Paulo, Dr. Kenichi Koyama, condenou a São Paulo Previdência ao pagamento da Gratificação de Gestão Educacional (G.G.E.) a servidores públicos aposentados das classes de suporte pedagógico do Quadro do Magistério – Diretor de Escola, Supervisor de Ensino, Dirigente Regional de Ensino.
“... De fato, não é possível ver qualquer propósito na gratificação, porque a interpretação não revela nada de especial, modal ou condicional, na atividade daqueles que recebem a gratificação. Todos os servidores ativos fazem jus ao percebimento, independentemente de qualquer tempo de serviço, do desempenho de funções especiais, de condições anormais, ou de condições pessoais. A bem verdade então não temos gratificação, menos ainda pro labore faciendo. Ao que já se vislumbra, é vantagem geral independente de qualquer tipo de contraprestação. É vantagem pecuniária de caráter nitidamente salarial, genérica, recebida indistintamente pelos servidores ativos, estranha a qualquer fato ou atividade administrativa especial”.
Sex, 02 de Outubro de 2015 15:13
Qui, 01 de Outubro de 2015 12:14
Onofre Alves Batista Júnior, advogado-geral de Minas Gerais, escreveu artigo sobre a constitucionalidade da utilização dos depósitos judiciais feitos pelos estados. Publicado pela Conjur, o artigo defende que o uso desses depósitos para pagamentos de dívidas públicas (como precatórios) não é inconstitucional. Para o advogado-geral, “não há nada de jurídico nas alegações trazidas pelos propositores das ações”, que se sustentam em dois pilares que não têm base jurídica. O primeiro, é a insolvência dos entes políticos que, para Batista, não podem ter tidos como insolventes – ou seja, inadimplentes -, uma vez que não podem ser equiparados aos agentes econômicos que atuam no mercado. O segundo, “a suposta indisponibilização dos valores aos depositantes, como se depósitos, sobretudo judiciais, pudessem ser requisitados a qualquer tempo e por todos os depositantes concomitantemente (reductio ad impossibile)”. Leia o artigo na íntegra.
Consultor Jurídico – 29 de setembro de 2015
Uso de depósitos judiciais pelos estados não é inconstitucional
Por Onofre Alves Batista Júnior
No dia 21 de setembro deste ano, o ministro Gilmar Mendes, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade 5.072 (que ataca a Lei Complementar 147/13 do Rio de Janeiro, alterada pelas LCs nos 148/13 e 163/15), conduziu, com a presença do ministro Edson Fachin, audiência pública para colher o depoimento de autoridades e integrantes dos mais diversos setores da sociedade sobre a possibilidade de utilização de depósitos judiciais — às vezes, também extrajudiciais — em dinheiro pelos Poderes Executivos da União Federal e de alguns Estados-membros (como RJ, MG, PB, BA, PR, SP) para pagamento de despesas diversas (por exemplo, precatórios, requisições de pequeno valor, capitalização de fundos de previdência, etc.). Na ocasião, foram prestados esclarecimentos de ordem técnica, administrativa, científica, econômica, política e, é claro, jurídica — muito embora, como se verá, não há nada de jurídico nas alegações trazidas pelos propositores das ações.
Para começar, cabe destacar que a questão que se coloca em debate configura, em certo sentido, uma inovação no ordenamento jurídico. Por isso mesmo, incomoda, pois o que é novo tende a incomodar. No entanto, como deveria ser óbvio a todos, não é porque uma inovação legislativa gera incômodo que deva ser declarada inconstitucional.
A bem da verdade, o que transparece da leitura das iniciais das ações é que os requerentes (a Procuradoria Geral da República e, no caso da ADI 5.361, a Associação dos Magistrados Brasileiros - AMB) não se conformam com o julgamento levado a cabo pelo Supremo Tribunal Federal na ADI 1.933 (Lei federal 9.703/98) e ADI 2.214 (Lei 1.952/99 do Mato Grosso).
O inconformismo é manifesto, porque os argumentos agora derramados são os mesmos de antes. As ações fundam-se em alegações genéricas e meramente especulativas e alarmistas sobre a capacidade econômica dos entes políticos da federação de honrar seus compromissos financeiros com a população, redundando na conhecida falácia lógica do argumentum ad metum. No fim, o que fazem é tão-só abalar, sem justificativa razoável, a confiança nas instituições dos Poderes Públicos. E apesar de toda a elucubração, fazendo referência a uma série de dispositivos constitucionais, as pretensões sustentam-se, basicamente, em dois pilares, ambos carentes de base jurídica, a saber:
• a suposta possibilidade de insolvência dos entes políticos, apesar de ser certo que estes, não podendo ser equiparados aos agentes econômicos que atuam no mercado sob a sistemática de assunção de riscos, consequentemente não podem ser tidos como insolventes; e
• a suposta indisponibilização dos valores aos depositantes, como se depósitos, sobretudo judiciais, pudessem ser requisitados a qualquer tempo e por todos os depositantes concomitantemente (reductio ad impossibile).
O STF já firmou e confirmou que o depósito judicial, por ser uma faculdade do depositante, estando à mercê de sua livre manifestação de vontade, não tem a característica de empréstimo compulsório. Da mesma forma, as leis em debate não trazem qualquer imposição tributária (até mesmo porque, inexiste hipótese de incidência que possa dar ensejo a fato gerador do suposto tributo), mas simples regras que disciplinam depósitos de valores e seu repasse interno do Judiciário ao Executivo. Isso nada tem a ver com a figura do empréstimo compulsório, ausente que está a compulsoriedade (o depositante pode efetuar o depósito ou não).
É ainda mais risível falar-se em possível confisco, uma vez que o valor depositado deve ser restituído ao vencedor da ação, corrigido monetariamente. O próprio uso da palavra “possível” denota o caráter falacioso do argumento (slippery slope). De qualquer modo, a Suprema Corte assentou, no julgamento das ADIs 1.933 e 2.214, que o direito de propriedade permanece incólume, pois o bem do depositante não lhe é retirado.
Não se trata sequer de empréstimo (público), como equivocadamente entendeu Fernando Facury Scaff, em texto veiculado aqui na ConJur. Está-se diante de mero direito de uso de uma disponibilidade. Posto de outra forma, as leis autorizam que os entes políticos façam uso de bens fungíveis que já estão sob a guarda do Estado. Os valores não são apropriados pelos Poderes Executivos, senão contabilmente, como simples ingressos. Cumpre dizer: por meio dessas leis, os Poderes Executivos valer-se-ão do vultoso fluxo de caixa e de suas capacidades de alavancagem financeira (leverage), sem que haja transferência de titularidade jurídica dos recursos, os quais permanecerão à disposição das partes, enquanto possibilidade garantida de fruição futura.
A transferência do Estado-juiz ao Estado-administrador é intramuros, de modo que o dinheiro permanece, para todos os efeitos jurídicos, dentro do Estado.
Além disso, depósitos judiciais e extrajudiciais não constituem reservas de agentes privados, pois não detêm liquidez (encontram-se temporariamente indisponível às partes), estando sua liberação condicionada ao deslinde da questão à qual se ligam. Se assim é, considerando que o depósito em juízo leva à imobilização do recurso, com perda provisória de liquidez, não há como falar em qualquer interesse que se projete extramuros, para fora do Estado e em direção ao particular, contanto que o depositante receba ao final, o que é assegurado pelas leis. Ora, dinheiro é coisa fungível e, uma vez realizado o depósito, nasce para o depositante um direito de crédito que só se tornará eficaz quando (e se) sair vencedor na demanda (em regra, após o trânsito em julgado).
Disso decorre que os verdadeiros interessados na causa são os bancos, sendo certo que o que se passa por trás desse véu em nada interessa ao depositante. Este está interessado tão-somente em receber o dinheiro de volta e corrigido, caso saia vencedor na demanda. E isso as novas leis garantem, e com larga margem de segurança.
Deveras, as leis impugnadas são extremamente cautelosas, no que diz respeito à garantia dos depósitos. O cuidado especial dos legisladores federal e estaduais, quando da elaboração dos textos jurídicos em comento, foi, inclusive, muito maior, se comparado à disciplina dos depósitos bancários, haja vista:
• a previsão legal para a constituição de Fundos de Reserva, com instrumentos eficazes de recomposição, cuja finalidade é justamente prover segurança na realização dos pagamentos, à medida que forem sendo requisitados (tendo em vista que isso não ocorre de uma só vez);
• adicionalmente, a previsão legal de prazo máximo (muito inferior ao previsto na Lei sul-mato-grossense 1.952/99, analisada na ADI 2.214[1]) para que os Poderes Executivos entreguem as quantias requisitadas, em caso de insuficiência dos fundos, e após expedição de ordem pelos tribunais.
Em se tratando de Minas Gerais, a última garantia é excepcionalmente robusta, pois o parágrafo único do artigo 6º da lei mineira prevê que “[e]m caso de descumprimento do prazo previsto no caput, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais bloqueará a quantia necessária à restituição ou ao pagamento do depósito judicial diretamente nas contas mantidas pelo Poder Executivo em instituições financeiras, inclusive mediante a utilização de sistema informatizado.” Sem falar, ainda, na previsão de suspensão automática das transferências, quando o saldo do fundo for inferior ao legalmente estipulado, ex vi do parágrafo 3º do artigo 4º: “[a] transferência de que trata esta Lei será suspensa sempre que o saldo do fundo de reserva for inferior ao percentual indicado nos incisos I e II do § 1º deste artigo ou no caso de descumprimento do disposto no art. 2º.”
Nenhuma das leis sobre uso de depósitos (a federal, a mineira, as leis complementares fluminenses e outras) interfere nessa primeira relação (atinente ao depósito judicial), porquanto o depositante continua a entregar o numerário ao Estado-juiz. Este, não estando estruturado administrativamente, vinha transferindo os valores ao banco, que é mero auxiliar judiciário. O depositário, portanto, é o Estado-juiz, jamais o banco. Sendo mero depositário dos valores que lhe são confiados pelo Judiciário, o banco integra uma segunda relação (administrativo-financeira e não jurisdicional). Por essa razão, outro grave equívoco é achar que as leis sub judice tratam de normas de direito processual e/ou civil. O depositante, que é parte em um processo judicial ou administrativo, não contrata nem a instituição financeira, muito menos o Estado-juiz.
De duas, uma: ou os (incomodados) requerentes estão desavisadamente a advogar interesses particulares dos bancos, ou bem estão fazendo um verdadeiro dramalhão (catalisado pela novidade da questão) em relação à possibilidade de devolução dos valores aos depositantes. É curioso, por exemplo, que a Procuradoria-Geral da República afirme que inexista garantia de que os Poderes Executivos darão cumprimento às determinações dos Poderes Judiciários locais, entregando os valores necessários à restituição dos depósitos. Ora, em um Estado Democrático de Direito, há que se presumir o cumprimento das leis e ordens judiciais por parte dos agentes públicos, e não o contrário.
O drama que o PGR, a AMB e os representantes dos bancos induzem é exagerado até mesmo para novelas mexicanas. Explico melhor.
Quando os ourives descobriram que era melhor emprestar dinheiro a juros do que fazer joia, isso incomodou, e muito, a Igreja. Depois, quando os bancos começaram a receber depósitos e a emprestar dinheiro que não lhes pertencia, a novidade, mais uma vez, gerou incômodo em muita gente.
Diante da possibilidade de instituições financeiras se tornarem insolventes, criou-se uma “reserva” — o banco central norte-americano, apelidado de Fed (Federal Reserve System). Com efeito, o Fed foi pensado para evitar um movimento financeiro de “manada”, a chamada “corrida aos bancos”, decorrente de uma crise econômica mais grave, o que poderia impedir a devolução do dinheiro depositado. Em outras palavras, evitou-se a quebra dos bancos, já que estes, diferentemente do Estado, podem quebrar.
De forma similar, as leis sobre depósitos judiciais marcam a necessidade de se constituir “fundos de reserva” — fundos esses que estão com percentuais elevadíssimos (30%) e valores que chegam a ser cinco vezes superiores às reservas bancárias que são mantidas para atender a necessidade de um mínimo de liquidez. Isso torna absolutamente desarrazoada a ideia de que o depositante possa vir a ficar sem devolução, algo estatisticamente impossível de ocorrer na prática.
Como se não bastasse, importa registrar que as “corridas aos bancos” são até possíveis, mas a possibilidade de uma “corrida aos depósitos judiciais e extrajudiciais” simplesmente não existe. É faticamente impossível que todos os juízes e autoridades administrativas resolvam todo o enorme universo de ações ao mesmo tempo (reductio ad absurdum).
Enfim, é da essência do depósito bancário a autorização para que a instituição financeira use em seu proveito o dinheiro depositado. Afinal de contas, são os depósitos efetuados que darão lastro aos empréstimos feitos pelos bancos, levando à cobrança de juros e obtenção de lucro. Um lucro, aliás, astronômico.
O mesmo se passa com os depósitos judiciais, embora estes sejam bem diferentes dos depósitos bancários, na medida em que são confiados ao Estado-juiz para garantia do resultado útil dos processos. Nada obstante, estão sendo utilizados pelas instituições financeiras com finalidade lucrativa e, por vezes, servindo de lastro até para empréstimos bancários ao próprio Estado, a uma elevada taxa de juros. Ou seja, os efeitos secundários derivados dessas disponibilidades de caixa estão sendo apropriados pelas instituições financeiras, ao invés de reverterem para o bem da coletividade.
Ao se propiciar o lucro privado dos bancos, deixa-se de atender ao bem comum. É precisamente essa situação absurda e irregular, sob o prisma axiológico, que as leis sobre o uso dos depósitos buscam corrigir. A mens legis consiste em permitir que o Estado-administração mantenha a sanidade de suas contas, pela utilização das disponibilidades de caixa decorrentes da utilização dos depósitos.
Há, como se vê, uma tentativa dramática de afastar leis que, gozando de presunção de legalidade e constitucionalidade, buscam atender ao interesse da coletividade (ao invés dos interesses privados dos bancos). Se os argumentos jurídicos são frágeis (além de já terem sido vencidos pelo STF), afirma-se, com segurança, que o que os requerentes tentam emplacar é nada mais do que uma espécie de “inconstitucionalidade por dramalhão”, que apenas cria um clima negativo e de desconfiança em relação às instituições públicas.
Ações como as ADIs nos 5.361, 5.072, 5.353 tendem a favorecer não os titulares dos depósitos, muito menos a população local, mas somente aqueles que se beneficiam da desestabilização das instituições públicas. A pretexto de promover segurança e certeza, acabam gerando mais insegurança e mais incerteza, ao difundirem a desconfiança em relação aos entes estatais. O alegado receio daqueles que se opõem à utilização dos depósitos em prol da sociedade, longe de inovar, tem origem nos jogos políticos de interesse, sendo, talvez, de ordem psicológica, mas nunca jurídica. Devo insistir: novidades incomodam, mas nem por isso devem ser declaradas inconstitucionais.
[1] Enquanto as leis objeto das novas ADI’s estabelecem prazo de três dias úteis, a Lei 1.952/99, do Estado do Mato Grosso do Sul, determina, em seu art. 1º, I, que o depósito será “devolvido ao depositante pela Secretaria de Estado da Fazenda, no prazo máximo de dez dias, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros”.
Onofre Alves Batista Júnior é advogado-geral de Minas Gerais, mestre em Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa e Doutor em Direito pela UFMG.
Publicado em Edição 379
Sex, 21 de Agosto de 2015 15:40
Irredutibilidade dos décimos incorporados do artigo 133 da Constituição Estadual
O artigo 133 da Constituição Estadual estabelece que o servidor que exercer cargo ou função que lhe proporcione remuneração superior à do cargo de que seja titular incorporará um décimo da diferença remuneratória entre os cargos, a cada ano de exercício.
Incorporar a diferença remuneratória entre os cargos significa que, uma vez cessada a designação do cargo ou função de remuneração superior, o servidor continuará a receber, ao menos em parte, o que vinha recebendo enquanto designado. Esta norma constitucional teve o intuito de assegurar a estabilidade financeira e a irredutibilidade remuneratória do servidor público, evitando, assim, que o retorno ao cargo efetivo provocasse uma diminuição nos seus vencimentos.
Apesar disso, em afronta ao direito adquirido dos servidores, o Estado de São Paulo vem reduzindo o valor dos décimos incorporados, e até extinguindo-os, sempre que algum aumento remuneratório é concedido, seja por motivo de reenquadramento ou reclassificação dos cargos e vencimentos, seja por progressão ou promoção na carreira, seja por conveniência e oportunidade.
Deste modo, os servidores que recebem o artigo 133 e observaram uma redução no valor da vantagem, devem buscar o Poder Judiciário para sanar esta prática do Estado de São Paulo.
Qua, 12 de Agosto de 2015 12:43
Artigo de Diego Jesuíno em pauta no Flit Paralisante
O blog Flit Paralisante, especializado em servidores públicos, publicou o artigo “Policiais Militares do Estado de São Paulo possuem direito ao Abono de Permanência”, escrito por Diego Leite Lima Jesuíno, advogado e sócio da Advocacia Sandoval Filho. No texto, o advogado defende o direito dos servidores públicos, mais especificamente de policiais militares do Estado de São Paulo, ao abono de permanência – quando o servidor já preenche todos os requisitos para a aposentadoria integral, mas opta por continuar em atividade. Leia a íntegra do artigo no Flit Paralisante.
Qua, 12 de Agosto de 2015 12:36
O portal de notícias jurídicas Migalhas divulgou, no dia 25 de julho, um artigo escrito pelo advogado Lucas Cavina Mortati, sócio da Advocacia Sandoval Filho. O artigo, que inicialmente foi divulgado no Blog dos Advogados da Advocacia, trata sobre o “Correto enquadramento dos médicos aposentados”. Mortati explica em seu texto que a promoção automática de médicos ativos da categoria I (em nível inicial de carreira) para médico II ou III, concedida pelo Estado considerando unicamente o tempo de serviço do servidor, deve ser estendida também a médicos aposentados e pensionistas.
Confira todos os detalhes no artigo divulgado no Migalhas clicando aqui ou acesse o artigo no Blog dos Advogados.
Publicado em Edição 370
Qui, 23 de Julho de 2015 12:12
Estado é condenado a estender gratificação a médicos aposentados e pensionistas
A Gratificação por Regime de Dedicação Integral (GRDI) foi assegurada aos médicos do Estado de São Paulo que atuam em regime integral - ou seja, em jornada de 40 horas semanais de trabalho - pela Lei Complementar n° 1.193/13. No entanto, essa gratificação foi instituída somente aos médicos da ativa, sendo excluídos os aposentados e pensionistas, o que vai de encontro à Constituição Federal.
Diante dessa injustiça, a Advocacia Sandoval Filho ajuizou tese que foi reconhecida pelo Juiz Luis Manuel Fonseca Pires, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo. Em sua sentença, o magistrado julgou procedente o pedido dos autores para condenar o Estado de São Paulo a estender a GRDI aos servidores aposentados e pensionistas. Saiba mais no artigo escrito pela advogada Maria Rachel Faleiros Sandoval Chaves, sócia da Advocacia Sandoval Filho.
Justiça condena Estado de São Paulo no Pagamento da Gratificação por Regime de Dedicação Integral – GRDI
A Gratificação por Regime de Dedicação Integral – GRDI, prevista na Lei Complementar n° 1.193/13, foi assegurada aos médicos que atuam em regime integral, jornada de 40 horas semanais de trabalho – nos termos do art. 9º, II, tendo como objetivo “recompensá-los” por cumprirem tal jornada.
Referida gratificação foi instituída somente aos médicos da ativa, em razão do mero exercício da atividade, possuindo, assim, caráter geral. Na realidade, trata-se de um aumento de vencimentos disfarçado, devendo, portanto, ser estendido aos servidores aposentados e pensionistas, em observância ao preceito constitucional da paridade remuneratória, por força do que dispõe o art. 40, § 8º, da Constituição Federal.
Dessa forma, o benefício deverá se estender também aos médicos aposentados e pensionistas, pois, como visto, é verba paga em função do mero exercício do cargo, independentemente do desempenho pessoal de cada servidor, constituindo, assim, em verba remuneratória. É de se observar, ainda, que a Gratificação por Regime de Dedicação Integral é verba componente da base de cálculo da contribuição previdenciária.
Na realidade, é fato que o Estado de São Paulo vem se utilizando de meios ardilosos para burlar o direito dos aposentados e dos pensionistas a receberem, como sempre receberam em igualdade de condições com os colegas da ativa.
Neste sentido foi a tese ajuizada pela Advocacia Sandoval Filho e confirmada em recente decisão proferida pelo Juiz, Dr. Luis Manuel Fonseca Pires, da 3ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, nos autos do processo nº 1054292-65.2014.8.26.0053, ao julgar procedente o pedido dos autores para condenar o Estado de São Paulo ao pagamento da Gratificação por Regime de Dedicação Integral – GRDI, como se pode destacar em trecho da referida sentença:
“A Gratificação por Regime de Dedicação Integral – GRDI, prescrita pela Lei Complementar nº 1.193/13, foi assegurada aos médicos que atuam em regime integral, jornada de 40 horas semanais de trabalho – nos termos do art. 9º, II. Natureza genérica, portanto, sem distinção em relação a qualquer atribuição particular que possa diferenciar-se de outras competências relacionadas ao cargo. Basta ser médico e atuar em regime de 40 horas para perceber a gratificação.”
Conclui-se que esses “reajustes disfarçados” utilizados pela Administração Estadual colocam aposentados e pensionistas à margem da lei, pois, ao se conceder “gratificações” com as mais variadas nomenclaturas aos servidores em atividade, como é o caso da Gratificação por Regime de Dedicação Integral, não se está cumprindo o disposto no artigo 40, § 8º da Constituição Federal.
Enfim, para se obter o direito ao recebimento da mencionada Gratificação por Regime de Dedicação Integral – GRDI é necessário o ajuizamento de ação judicial em face do Poder Público.
Publicado em Edição 369
Ter, 24 de Fevereiro de 2015 13:21
Em 7 de janeiro do corrente ano, foi promulgada, na Assembleia Legislativa de São Paulo, a Lei Complementar nº 1.256, de 6 de janeiro de 2015, dispondo sobre Estágio Probatório e instituindo Avaliação Periódica de Desempenho Individual para os ocupantes do cargo de Diretor de Escola e Gratificação de Gestão Educacional para os integrantes das classes de suporte pedagógico do Quadro do Magistério da Secretaria da Educação.
Justiça garante aos servidores do TJSP o direito de receber o Adicional de Qualificação
Em recente decisão proferida pela 12ª Câmara de Direito Público, foi garantido aos servidores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo o direito ao recebimento do Adicional de…
O artigo 133 da Constituição Estadual estabelece que o servidor que exercer cargo ou função de remuneração superior à do cargo titular incorporará um décimo da diferença remuneratória entre os…