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Timestamp: 2020-02-21 19:53:22+00:00
Document Index: 36310196

Matched Legal Cases: ['artigo 39', 'artigo 50', 'artigo 146', 'artigo 146', 'artigo 146', 'artigo 146', 'artigo 146', 'artigo 118', 'artigo 146', 'artigo 146', 'artigo 50', 'artigo 50', 'artigo 1', 'artigo 5', 'artigo 118', 'artigo 146', 'artigo 66', 'artigo 619', 'artigo 127', 'artigo 58']

Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul TJ-RS - Embargos de Declaração : ED 70080384662 RS
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul TJ-RS - Embargos de Declaração : ED 70080384662 RS - Inteiro Teor
TJ-RS_ED_70080384662_e6ec8.doc
Nº 70080384662 (Nº CNJ: 0010375-89.2019.8.21.7000)
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO.
Julgado que, por maioria, deu provimento ao agravo defensivo para afastar o reconhecimento de falta grave e suas consequências, uma vez que o monitoramento eletrônico possui regramento próprio. Votos suficientemente claros. Os presentes embargos buscam a rediscussão de matéria já analisada pelo colegiado, visto que não presentes os requisitos do art. 619, do CPP.
EMBARGOS DESACOLHIDOS. UNÂNIME.
Nº 70080384662 (Nº CNJ: 0010375-89.2019.8.21.7000) Comarca de Vacaria
FABRICIO ALVES DE OLIVEIRA EMBARGADO
Acordam os Magistrados integrantes da Sétima Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em desacolher os embargos de declaração.
Participaram do julgamento, além do signatário (Presidente), os eminentes Senhores Des. Carlos Alberto Etcheverry e Dr. Sandro Luz Portal.
Trata-se de embargos de declaração opostos pelo MINISTÉRIO PÚBLICO, em face do acórdão nº 70 079 659 306 que, por maioria, deu parcial provimento ao agravo em execução defensivo para revogar a decisão proferida pelo juízo de execução na parte em que reconheceu a falta disciplinar e suas consequências.
O Embargante busca suprir a omissão quanto ao artigo 39, inciso V, artigo 50, inciso VI e artigo 146-C, inciso I e parágrafo único, todos da Lei de Execução Penal, a fim de modificar a decisão proferida, reconhecendo a falta grave e, consequentemente, aplicando as devidas medidas legais, ou, alternativamente, pleiteia a aplicação das sanções previstas no artigo 146-C, parágrafo único, da Lei de Execução Penal.
Esta a ementa do acordão embargado:
MONITORAMENTO ELETRÔNICO. TORNOZELEIRA, rompimento. fuga. falta grave. alteração de regime carcerário. ateração da data-base e perda dos dias remidos.
Trata-se de inclusão no Monitoramento Eletrônico, matéria esta regida, especificamente, pelo artigo 146 e suas alíneas, da Lei de Execucoes Penais. A fuga não pode, nem deve ser equiparada ao descumprimento dos deveres da prisão domiciliar, com monitoração eletrônica. Sanção correspondente à inobservância do monitoramento eletrônico é a revogação do benefício e o consequente retorno ao regime de origem
AGRAVO PROVIDO EM PARTE, POR MAIORIA.
“(...) Dr. Sandro Luz Portal (RELATOR)
Conforme se percebe da Guia de Execução Penal nº 152762-2, Fabrício Alves de Oliveira foi condenado a cumprir pena total de 05 anos e 04 meses de reclusão, pela prática do crime de roubo majorado (processo nº 038/2.10.0004765-1), encontrando-se, atualmente, recolhido no Presídio Estadual de Vacaria, em regime fechado.
A impugnação defensiva, tal como constou no relatório, versa no reconhecimento de falta disciplinar de natureza grave e na aplicação de seus consectários legais, estando a decisão agravada assim fundamentada:
O apenado FABRÍCIO ALVES DE OLIVEIRA cumpre pena de 05 anos e 04 meses de reclusão, em regime semiaberto, por delito de roubo.
Ingressou no sistema prisional, em 07/07/2017.
Em razão da inexistência de ala para os presos do regime aberto e semiaberto no estabelecimento prisional local, foi, desde logo, incluído em prisão domiciliar, visando ser eletronicamente monitorado, passando, então, a ser de fato, monitorado, em 28/09/2017.
Todavia, sobreveio aos autos informação da fuga do apenado do monitoramento eletrônico, em 24/10/2017 (fl.134), sendo expedido mandado de recaptura, cuja medida foi efetivada e o apenado recolhido ao PEV, em 28/07/2018 (fl.140).
Com aporto do PAD e realizada audiência de justificação, sobreveio manifestação das partes, postulando o Ministério Público a homologação da falta disciplinar e aplicação dos efeitos dela decorrentes e, a Defesa, por sua vez, por não ser homologada, aduzindo a fragilidade probatória, referindo, ainda, que a violação das regras de utilização do sistema de monitoração eletrônica não caracteriza fuga, tampouco falta grave, embora esteja o apenado que a praticar sujeito às consequências a que aludem as regras contidas no artigo 146 -C da LEP. Requer, assim, não sejam determinadas quaisquer das consequências jurídicas perseguidas pelo Ministério Público. Subsidiariamente, em caso de homologação, seja plicada a advertência (fls. 174/179).
Com efeito, conta de fls. 134 que o apenado, no dia 24 de outubro de 2017, passou à condição de foragido do sistema de monitoração eletrônica, por ter deixado a bateria do dispositivo totalmente sem carga e, além disso, não logrado êxito em contatá-lo pelo telefone indicado.
Pois bem, foi confeccionado o PAD (fls. 147/154), e, nesta fase, o apenado exerceu o direito ao silêncio.
Em juízo, na audiência de justificação, disse o apenado que “estava casado, na época, e trabalhava em serviços de jardinagem dentro do perímetro de circulação da zona do bairro; morava, juntamente com esposa e filha, na casa de sua mãe; sua mulher acabou brigando com a sua mãe, sendo que esta colocou a mulher e a filha para fora de casa; as duas foram embora para Lagoa Vermelha, onde residem os familiares da sua esposa; depois de ter conversado com sua mulher, resolveu ir embora para Lagoa Vermelha, para não deixar a família passar necessidades; para tanto, arrancou, com cuidado para não estragar, a tornozeleira da perna; lá, continuou trabalhando; depois de algum tempo, acabou se separando da esposa, vindo de volta, sozinho, para Vacaria; recebeu notícias de que a mulher havia se “juntado” com outro homem e abandonado a filha com familiares dela; buscou a menina e, depois disso, pretendia se apresentar ao PEV, mas não antes de entregar formalmente a guarda da filha para a sua mãe (avó paterna da menor); manteve-se trabalhando durante o período de fuga e não se envolveu em nenhum fato criminoso enquanto foragido; estava trabalhando, quando foi preso; não resistiu à prisão; a tornozeleira, que havia sido guardada, foi apresentada no PEV, posteriormente”.
Tem-se, assim, que não há dúvida alguma acerca da fuga empreendida pelo apenado, o que, inclusive é por ele mesmo admitido e, demais disso, não fosse isso, está caracterizada pelo tempo em que o apenado se distanciou e ficou a margem do dever do cumprimento da pena, ou seja, permaneceu foragido do dia 24/10/2017 a 28/07/2018, por mais de nove meses, o que estampa a vontade de agir do apenado e em foragir do sistema prisional, e presente, além disso, o abuso de confiança, pois o apenado arrancou o dispositivo eletrônico de sua perna para perpetrar seu intento, o que é suficiente para o reconhecimento da falta disciplinar de natureza grave.
Nesse norte, não há se falar em mero descumprimento das condições do monitoramento eletrônico e portanto, não cabe aplicação de advertência, nos termos do artigo 146-C da LEP.
Pelo exposto, HOMOLOGO o PAD de fls. 147/154, n} 9144/2018/PEV, e reconheço a falta disciplinar pela fuga do sistema prisional, e determino:
a) alteração da data-base de benefícios, a exceção do livramento condicional, indulto e comutação, para a data da recaptura, qual seja, 28/07/2018 (fl.140);
b) regressão ao regime fechado, nos ermos do artigo 118, inciso I, da LEP;
c) não há dias remidos a serem estornados.
Outrossim, referente à multa, extraia-se certidão de dívida ativa e, na sequência, remeta-se à Fazenda Pública Estadual.
Por fim, tudo cumprido, remeta-se o presente PEC à VEC Regional de Caxias do Sul, nos termos do Ato 031/2018/CGJ.
Vacaria, 26/09/2018.
Greice Prataviera Grazziotin,
Há de se esclarecer, em primeiro plano, que o mero descumprimento das condições do programa de monitoramento eletrônico não constitui falta grave, tendo o próprio legislador cuidado de estabelecer medidas sancionatórias específicas, exaradas no artigo 146-C da LEP. E, dentre estas condições, se inclui o dever de não retirar o equipamento de monitoramento, ato que pode resultar por si só na revogação do benefício, na regressão do regime carcerário ou na revogação da autorização da saída temporária.
Ocorre que o fato posto em exame não se limita a atribuir ao apenado a pura retirada do aparelho de monitoramento, na medida em que a inobservância do dever contido no inciso II do artigo 146-C da Lei de Execucoes Penais, ao que se denota, foi realizada para possibilitar a evasão do sistema prisional, sendo esta enquadrada como falta disciplinar de natureza grave, a teor do que estabelece o artigo 50, inciso II, da Lei de Execucoes Penais.
E o só fato de o apenado se encontrar em monitoramento não lhe permite fugir do sistema prisional sem que se sujeite aos consectários legais atrelados a esta conduta, tendo ele permanecido na condição de foragido, na hipótese, do dia 24/10/2017 ao dia 28/07/2018, data de sua recaptura.
E essa circunstância, com a vênia da defesa, encontra-se absolutamente demonstrada nos autos, através da prova documental que acompanha o expediente, não sendo relevante discutir se o apenado se aproveitou ou não de sua condição de foragido para a prática de novos crimes.
O elemento subjetivo que deve ser demonstrado, na hipótese, guarda relação com a intenção de se evadir do sistema carcerário, fator que se escancara com a leitura do feito, uma vez que Fabrício deixou descarregar a bateria do dispositivo, não retornou os SMS enviados pelo responsável pela Atividade de Segurança e Disciplina e retirou a tornozeleira eletrônica de seu corpo, permanecendo foragido do sistema prisional por aproximadamente 09 meses.
Inquestionável, deste modo, o reconhecimento da falta disciplinar de natureza grave, nos termos do artigo 50, inciso II, da Lei de Execução Penal.
No que tange às medidas sancionatórias aplicadas, também não comporta revisão de decisão monocrática, tendo em vista que o juízo da execução, corretamente, determinou a regressão do regime carcerário e a alteração da data base.
Obrou com acerto o magistrado, primeiramente, ao determinar o retorno do apenado ao regime mais severo, não se estando diante de qualquer espécie de violação a direito adquirido do reeducando.
Veja-se que a execução da pena, a teor do que estabelece o artigo 1º da Lei 7.210/84, tem por objetivo efetivar as disposições da decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado.
E, justamente para que seja possível o alcance da finalidade reintegrativa da medida, o legislador cuidou de estabelecer na Lei de Execucoes Penais mecanismos que não conferem caráter estático ao título executivo condenatório, permitindo que o apenado comprometido com os estudos e com o trabalho tenha a sua pena reduzida através do benefício da remição, a exemplo.
Ocorre que essa mutabilidade, sempre vinculada ao caso concreto, também pode resultar no agravamento das condições de cumprimento de uma sanção, tornando possível, a exemplo, a reconversão de medidas alternativas ao cárcere em pena privativa de prisão, bem como a colocação do apenado em regime carcerário mais severo do que o imposto pelo juízo do conhecimento.
A necessidade de individualização executória da pena é corolário lógico do princípio constitucional da individualização da pena, inserto no artigo 5º, XLVI, primeira parte, da Constituição Federal, e torna possível, como acima colocado, a concessão de benefícios ao apenado comprometido com o cumprimento de sua sanção e a imposição de sanções ao preso que, em sentido diametralmente oposto, apresente postura incompatível com as finalidades da pena e que não se mostre colaborativo a ordem no ambiente prisional.
Logo, não há falar em inconstitucionalidade ou em ilegalidade do ato de regressão do regime carcerário, estando a medida sancionatória intrinsicamente vinculada à necessidade de reajuste das condições de cumprimento da pena carcerária vinculada a cada apenado, em simetria com o seu comportamento carcerário e com o mérito pessoal de cada reeducando.
Há a possibilidade, inclusive, de que a regressão ocorra per saltum se a gravidade concreta da infração assim exigir, sendo neste sentido a manifestação de Guilherme de Souza Nucci1, que defende, no exame do artigo 118 da Lei de Execucoes Penais, que “não existe obrigatoriedade de retornar ao regime anterior, vale dizer, se estava no aberto, deve seguir para o semiaberto. Eventualmente, conforme preceitua o art. 118, caput, pode ser o condenado transferido para qualquer dos regimes mais rigorosos, sendo viável o salto do aberto para o fechado. Depois, pois, do caso concreto”.
A regressão do regime diante da falta disciplinar, assim, não viola qualquer espécie de direito potestativo do preso de ser mantido na modalidade em que se encontrava ao tempo em que praticou a conduta faltosa.
Confirma-se a medida sancionatória de regressão, assim, nos exatos termos da decisão agravada, acrescentando-se que a medida adotada na origem se encontra cônsona com a orientação do Superior Tribunal de Justiça, do que são exemplos:
"HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. ANÁLISE DE OFÍCIO QUANTO À OCORRÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. EXECUÇÃO PENAL. FALTA GRAVE. ART. 50, INC. II, DA LEP (FUGA). REGRESSÃO. NOVO MARCO INTERRUPTIVO PARA PROGRESSÃO DE REGIME. POSSIBILIDADE. WRIT NÃO CONHECIDO. [...] 3. A Lei de Execução Penal estipula como um dos seus vetores o mérito do apenado, cuja avaliação realizar-se-á a partir do cumprimento de seus deveres (art. 39), da disciplina praticada dentro do estabelecimento prisional (art. 44) e, por óbvio, do comportamento observado quando em gozo dos benefícios previstos na aludida norma de regência - quais sejam, o trabalho externo (arts. 36 a 37), as saídas temporárias (arts. 122 a 125), o livramento condicional (art. 131), a progressão de regime (art. 112), a anistia e o indulto (arts. 187 a 193). 4. Na espécie, a configuração da falta de natureza grave, prevista no art. 50, II, da Lei n. 7.210/84 (fuga), é circunstância apta a ensejar a regressão de regime (LEP, art. 118, inc. I), além de resultar em novo marco interruptivo para concessão de futuros benefícios, exceto indulto, comutação e livramento condicional, nos termos da pacífica jurisprudência desta Corte (EREsp n. 1.176.486/SP). 5. Habeas Corpus não conhecido" (HC 274.504/RS, Sexta Turma, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, DJe de 12/12/2013)
HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ESPECIAL. NÃO-CABIMENTO. RESSALVA DO ENTENDIMENTO PESSOAL DA RELATORA. PACIENTE CONDENADO AO CUMPRIMENTO DE PENA DE RECLUSÃO EM REGIME INICIAL SEMIABERTO. EXECUÇÃO DA PENA. FALTA GRAVE. FUGA. REGRESSÃO PARA O REGIME FECHADO. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA MATERIAL. LEI DE EXECUÇÃO PENAL, ART. 118, INCISO I. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM DE HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDA. [...] 3. Não há se falar em constrangimento ilegal na decisão que determina a regressão do regime prisional imposto ao Paciente para regime mais gravoso do que aquele fixado na sentença condenatória, quando comprovada a prática de falta grave (fuga), como previsto no art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal. 4. O cometimento de falta grave pelo condenado acarreta a regressão de regime e a perda dos dias remidos, sem que se vislumbre ofensa ao direito adquirido ou à coisa julgada. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 5. Ordem de habeas corpus não conhecida"(HC 280.020/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Laurita Vaz, DJe de 3/2/2014 - grifei).
No que tange à alteração da data base, certo é que a interpretação sistemática dos dispositivos legais atinentes à execução penal estampa a legalidade do reinício da contagem do lapso temporal para a obtenção de novos benefícios executórios, tendo como termo inicial, no caso concreto, da data em que o Fabrício foi recapturado.
A manutenção do período aquisitivo anterior resultaria, em primeira e em última instância, como uma espécie de incentivo para a prática de infrações no decorrer da execução, pois os presos estariam cientes de que a data registrada em sua guia para o alcance do requisito objetivo necessário para a progressão de regime, por exemplo, não seria revisto, independente de sua postura disciplinar.
Nesse mesmo sentido, manifestou-se o Supremo Tribunal Federal:
DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DA PENA. REGIME FECHADO. FALTA GRAVE. RECONTAGEM DO PRAZO PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS PREVISTOS NA LEI DE EXECUCOES PENAIS. POSSIBILIDADE. DENEGAÇÃO. 1. O tema em debate neste habeas corpus se relaciona à possibilidade de recontagem do requisito temporal para obtenção de benefícios previstos na LEP, quando houver a prática de falta grave pelo apenado. 2. Orientação predominante no Supremo Tribunal Federal no sentido de que o cometimento de falta grave, durante a execução da pena privativa de liberdade, implica, por exemplo, a necessidade de reinício da contagem do prazo de 1/6 (um sexto) para obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena (RHC 85.605, rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 14.10.2005). 3. Em tese, se a pessoa que cumpre pena privativa de liberdade em regime menos severo, ao praticar falta grave, pode ser transferida para regime prisional mais gravoso (regressão prisional), logicamente é do sistema jurídico que a pessoa que cumpre a pena corporal em regime fechado (o mais gravoso) deve ter reiniciada a contagem do prazo de 1/6, levando em conta o tempo ainda remanescente de cumprimento da pena. 4. A data-base para a contagem do novo período aquisitivo do direito à progressão do regime prisional é a data do cometimento da última infração disciplinar grave (ou, em caso de fuga, da sua recaptura), computado do período restante de pena a ser cumprida. 5. Logo, não há que se reconhecer o alegado - mas inexistente - constrangimento ilegal, já que a recontagem e o novo termo inicial da contagem do prazo para a concessão de benefícios, tal como na progressão de regime, decorrem de interpretação sistemática das regras legais existentes, não havendo violação ao princípio da legalidade. Precedente. 6. Habeas corpus denegado. (HC 99.093, rel. min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 11.12.2009)
Grife-se que a tese de impossibilidade de reinício da contagem do prazo da pena remanescente para a concessão de benefícios executórios também se encontra superada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, que uniformizou a sua jurisprudência na matéria e estabeleceu, por ocasião do julgamento dos EResp nº 1.176.846/SP2, de Relatoria do Min. Napoleão Nunes Maia Filho, que o cometimento de falta grave representa marco interruptivo para a obtenção de benefícios da execução, inclusive quando o apenado já se encontrasse, ao tempo da conduta faltosa, na modalidade mais severa de cumprimento de sua pena.
Assim, estando a alteração da data base estabelecida em conformidade com a orientação dos Tribunais Superiores, grifando que a Corte Suprema3 já assentou que o marco para o reinício da contagem do período aquisitivo, na hipótese de fuga, é a data da recaptura do preso, não há falar em revisão da decisão guerreada.
Voto, assim, pelo desprovimento do agravo em execução.
Tratando-se de inclusão no Monitoramento Eletrônico, a matéria está regida, especificamente, no artigo 146 e suas alíneas, da Lei de Execucoes Penais:
Pelo princípio da taxatividade, e da especialidade, a fuga não pode, nem deve, ser equiparada ao descumprimento dos deveres da prisão domiciliar, com monitoração eletrônica.
Afinal de contas, se existe regra própria, a respeito da monitoração eletrônica, inclusive estabelecendo as sanções para o descumprimento das condições e deveres, não há como admitir analogia, entre tal situação e a fuga.
AGRAVO EM EXECUÇÃO. DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DO MONITORAMENTO ELETRÔNICO. PRELIMINAR DE NULIDADE. VIOLAÇÃO À ZONA CASA. INOBSERVÂNCIA DO PERÍMETRO. RECURSO MINISTERIAL. DECISÃO MANTIDA. Preliminar. Nulidade da decisão por ausência de oitiva prévia do órgão ministerial (artigos 67 e 106, § 1º, da Lei de Execução Penal). De fato, compete ao órgão ministerial fiscalizar a execução da pena, no entanto, tal participação não obsta que o Juízo da Execução se manifeste de ofício sobre questões de urgência, envolvendo o apenado, zelando pelo correto cumprimento da pena. Inteligência do artigo 66, inciso VI, da Lei de Execução Penal. No que tange à competência do Setor de Fiscalização das Casas Prisionais e Transferência de Presos, verifico que se trata de apenado que se apresentou, após ter sido cientificado da eventual fuga, por conta da violação a zona casa; podendo o juiz decidir sobre as alegações do reeducando, acolhendo ou não a sua justificativa. E, sobre a ausência de assinatura na decisão recorrida, observa-se que o e-mail com conteúdo decisório foi enviado pelo próprio juiz da origem, não configurando nulidade. Mérito. Falta grave. Destaco que diferentemente dos casos em que há o rompimento ou o descarregamento total da tornozeleira eletrônica, a violação à zona de inclusão de fiscalização da monitoração eletrônica, não configura falta disciplinar de natureza grave, tendo em vista que o apenado permanece sob vigilância do Estado. Entendimento recente do Superior Tribunal de Justiça, o qual decidiu ao julgar o Recurso Especial nº 1.519.802. Ademais, a conduta em tese praticada pelo apenado não está prevista no art. 50 da LEP, configura-se, portanto, no que dispõe, a teor o art. 146-C da LEP, - O condenado será instruído acerca dos cuidados que deverá adotar com o equipamento eletrônico e dos seguintes deveres ; -. Portanto, a conduta do apenado constitui descumprimento das condições do monitoramento eletrônico, não há falar em cometimento de falta grave, cabendo a revogação do benefício, dentre outras sanções, as quais são aplicadas independentemente do procedimento de apuração de falta disciplinar. PRELIMINAR REJEITADA. AGRAVO MINISTERIAL DESPROVIDO. DECISÃO RECORRIDA MANTIDA NA ÍNTEGRA. (Agravo Nº 70078858545, Terceira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rinez da Trindade, Julgado em 24/10/2018)
Portanto, correspondente a conduta perpetrada é a revogação do benefício com o consequente retorno do apenado ao regime de origem.
Voto por dar parcial provimento ao agravo defensivo, para revogar a decisão, na parte em que reconheceu a falta grave e suas consequências.
Com a devida vênia, acompanho a divergência lançada pelo Des. Ivan Leomar Bruxel.
DES. IVAN LEOMAR BRUXEL - Presidente - Agravo em Execução nº 70079659306, Comarca de Vacaria:"POR MAIORIA, DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO, PARA REVOGAR A DECISÃO ATACADA NA PARTE EM QUE RECONHECEU A FALTA DISCIPLINAR E AS SUAS CONSEQUÊNCIAS, VENCIDO O RELATOR, DR. SANDRO LUZ PORTAL."
Julgador (a) de 1º Grau: GREICE PRATAVIERA GRAZZIOTIN”
Em que pesem as alegações do Ministério Público, a decisão do Colegiado que deu provimento ao agravo defensivo não merece ser modificada, e nada existe a ser esclarecido ou suprido.
Com efeito, restou evidente que a única intenção do embargante é rediscutir os fatos já analisados pelo Colegiado quando do julgamento do agravo em execução, pois a decisão ora embargada não lhe foi favorável.
O entendimento expressado pela maioria, no caso julgado, é de que a concessão do monitoramento eletrônico tem regras próprias, definidas na LEP, e o legislador não configurou o fato ocorrido como falta grave.
Ademais, os embargos de declaração não são o meio adequado para este fim, de acordo com o que reza o artigo 619 do Código de Processo Penal:
“Art. 619. Aos acórdãos proferidos pelos Tribunais de Apelação, câmaras ou turmas, poderão ser opostos embargos de declaração, no prazo de dois dias contados da sua publicação, quando houver na sentença ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão.”
Assim já foi julgado:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO EM EXECUÇÃO. REDISCUSSÃO. MONITORAMENTO ELETRÔNICO. PRISÃO DOMICILIAR. REGIME SEMIABERTO. OMISSÃO INEXISTENTE. EMBARGOS DESACOLHIDOS. (Embargos de Declaração Nº 70078010071, Sétima Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Alberto Etcheverry, Julgado em 13/09/2018)
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. INCLUSÃO DE APENADO NO SISTEMA DE MONITORAMENTO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES LEGAIS. PREQUESTIONAMENTO. Inexiste contradição, obscuridade ou omissão a ser reconhecida. Ausente afronta ou negativa de vigência aos dispositivos constitucionais e legais discutidos no recurso. Embargos de declaração rejeitados. (Embargos de Declaração Nº 70072439185, Sétima Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jucelana Lurdes Pereira dos Santos, Julgado em 05/04/2017)
Ausentes qualquer ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, nada há para ser modificado.
Voto por desacolher os embargos de declaração.
TER-16H11
Des. Carlos Alberto Etcheverry - De acordo com o (a) Relator (a).
DES. IVAN LEOMAR BRUXEL - Presidente - Embargos de Declaração nº 70080384662, Comarca de Vacaria:" DESACOLHERAM OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. UNÂNIME "
1 NUCCI, Guilherme de Souza. Leis Penais e Processuais Penais Comentadas. Vol. 02. Editora Forense, 2017, 10ª Edição. Pag. 349.
2 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. FALTA DISCIPLINAR GRAVE. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS, ENTRE ELES A PROGRESSÃO DE REGIME, EXCETO LIVRAMENTO CONDICIONAL E COMUTAÇÃO DAS PENAS. PRECEDENTES DO STJ E STF.EMBARGOS PROVIDOS PARA ASSENTAR QUE A PRÁTICA DE FALTA GRAVE REPRESENTA MARCO INTERRUPTIVO PARA OBTENÇÃO DE PROGRESSÃO DE REGIME PRISIONAL.1. O cometimento de falta grave pelo sentenciado no curso da execução da pena, nos termos do art. 127 da Lei 7.210/84, implica a perda integral dos dias remidos pelo trabalho, além de nova fixação da data-base para concessão de benefícios, exceto livramento condicional e comutação da pena; se assim não fosse, ao custodiado em regime fechado que comete falta grave não se aplicaria sanção em decorrência dessa, o que seria um estímulo ao cometimento de infrações no decorrer da execução.2. Referido entendimento não traduz ofensa aos princípios do direito adquirido, da coisa julgada, da individualização da pena ou da dignidade da pessoa humana. Precedentes do STF e do STJ.3. Para reforçar esse posicionamento, foi editada a Súmula Vinculante 09/STF, segundo a qual o disposto no artigo 127 da Lei 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) foi recebido pela ordem constitucional vigente, e não se lhe aplica o limite temporal previsto no caput do artigo 58.4. Entender de forma diversa, como bem asseverou o eminente Ministro CARLOS AYRES BRITTO, quando do julgamento do HC 85.141/SP, implicaria tornar despidas de sanção as hipóteses de faltas graves cometidas por sentenciados que já estivessem cumprindo a pena em regime fechado. De modo que não seria possível a regressão no regime (sabido que o fechado já é o mais severo) nem seria reiniciada a contagem do prazo de 1/6. Conduzindo ao absurdo de o condenado, imediatamente após sua recaptura, tornar a pleitear a progressão prisional com apoio em um suposto bom comportamento (DJU 12.05.2006).5. Embargos providos para assentar que a prática de falta grave representa marco interruptivo para obtenção de progressão de regime prisional.(EREsp 1176486/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 28/03/2012, DJe 01/06/2012)
3 DIREITO PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO DA PENA. REGIME FECHADO. FALTA GRAVE. RECONTAGEM DO PRAZO PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS PREVISTOS NA LEI DE EXECUCOES PENAIS. POSSIBILIDADE. DENEGAÇÃO. 1. O tema em debate neste habeas corpus se relaciona à possibilidade de recontagem do requisito temporal para obtenção de benefícios previstos na LEP, quando houver a prática de falta grave pelo apenado. 2. Orientação predominante no Supremo Tribunal Federal no sentido de que o cometimento de falta grave, durante a execução da pena privativa de liberdade, implica, por exemplo, a necessidade de reinício da contagem do prazo de 1/6 (um sexto) para obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena (RHC 85.605, rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 14.10.2005). 3. Em tese, se a pessoa que cumpre pena privativa de liberdade em regime menos severo, ao praticar falta grave, pode ser transferida para regime prisional mais gravoso (regressão prisional), logicamente é do sistema jurídico que a pessoa que cumpre a pena corporal em regime fechado (o mais gravoso) deve ter reiniciada a contagem do prazo de 1/6, levando em conta o tempo ainda remanescente de cumprimento da pena. 4. A data-base para a contagem do novo período aquisitivo do direito à progressão do regime prisional é a data do cometimento da última infração disciplinar grave (ou, em caso de fuga, da sua recaptura), computado do período restante de pena a ser cumprida. 5. Logo, não há que se reconhecer o alegado - mas inexistente - constrangimento ilegal, já que a recontagem e o novo termo inicial da contagem do prazo para a concessão de benefícios, tal como na progressão de regime, decorrem de interpretação sistemática das regras legais existentes, não havendo violação ao princípio da legalidade. Precedente. 6. Habeas corpus denegado.(HC 99093, Relator (a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 24/11/2009, DJe-232 DIVULG 10-12-2009 PUBLIC 11-12-2009 EMENT VOL-02386-02 PP-00426)
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