Source: https://artigo19.org/blog/2016/09/07/um-dia-apos-violencia-policial-pm-reafirma-praticas-e-entidades-civis-protestam/
Timestamp: 2019-06-25 08:47:44+00:00
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ARTIGO19 » Um dia após violência policial, PM reafirma práticas e entidades civis protestam Um dia após violência policial, PM reafirma práticas e entidades civis protestam – ARTIGO19
7 de setembro de 2016 - ARTIGO 19 na Mídia
Foram quatro horas de caminhada pacífica pelos cinco quilômetros que ligam a avenida Paulista ao Largo da Batata, em São Paulo, no protesto contra o Governo do presidente Michel Temer no domingo, dia 4. No trajeto, manifestantes enchiam os pulmões para gritar melodiosamente “que coincidência, não tem polícia, não tem violência”. Mas houve violência. Quando a marcha já tinha acabado, a Polícia Militar usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar a multidão já de saída. Oficialmente, a corporação afirma ter reagido a atos de vandalismo, ainda que a reportagem do EL PAÍS e outros órgãos da imprensa presentes no local não tenham testemunhado nenhum episódio relevante e que vídeos publicados na redes sociais coloquem em xeque a versão. Mas se houve depredação, como reafirmou nesta segunda-feira o governador Geraldo Alckmin(PSDB), não haveria outra forma de lidar com a situação sem expor a riscos os demais manifestantes (cerca de 100.000, segundo os organizadores, ou 30.000, segundo a polícia)?
Veja a íntegra da matéria: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/09/05/politica/1473106652_985432.html
LINK: https://artigo19.org/?p=9841
3 thoughts on “Um dia após violência policial, PM reafirma práticas e entidades civis protestam”
titoguarniere@terra.com.br disse:
É preciso ser irremediavelmente desonesto para reclamar da diferença de atuação da PM nas manifestações pró-impeachmente e nas anti-Temer.
A PM era a mesma. A diferença estava na forma como os manifestantes fizeram os seus protestos. As manifestações pró-impeachment foram as maiores já havidas no Brasil e não se quebrou uma única vidraça, não se incendiou uma única lixeira, não houve um a única altercação entre PM e manifestantes.
Para defender os DH, como se pretendem, comecem por ser honestos. Do modo como vocês põem as coisas, estão mais para uma franja ideológica de esquerda – no que, por sinal, nenhum mal haveria – do que uma entidade de defesa dos DH.
O professor Vladimir Safatle escreve em artigo desta semana que os senhores afirmaram que as PMs mataram 13 manifestantes no ano de 2013 no Brasil, e feriram mais de 300. Os senhores confirmam esse dado? De onde tiraram? O sr. Safatle se enganou?
Grato. TG
11 de setembro de 2016 às 8:56 PM
Havia perdido o artigo do Safatle a que me referi em comentário anterior.
Consegui recuperá-lo. Na verdade, ele diz – citando a sua organização – que as PMs, no Brasil, em 2013 matou 8 manifestantes, feriu 839 e prendeu 2.608.
O artigo é na Folha de SP semana passada.
Fico grato se esclarecerem.
Olá, Tito,
A ARTIGO 19 é uma organização que atua na promoção e defesa do direito à liberdade de expressão e acesso à informação. Nosso financiamento advém exclusivamente de agências internacionais de cooperação, sem nenhum vínculo com organismos estatais brasileiros, como você pode checar aqui: http://artigo19.org/transparencia/.
Primeiramente, sobre os números citados pelo Vladimir Safatle em sua coluna na Folha. De fato, a afirmação do professor é imprecisa, cabendo os seguintes esclarecimentos. As oito mortes citadas por ele constam em nosso relatório “Protestos no Brasil 2013″ (http://bit.ly/2ckHJYw) por terem ocorrido em contexto de manifestações – e não mortas por policiais -, e estão na página 142 da publicação. Já a informação relacionada às pessoas feridas está na página 28 (e o número correto é 837). Esses dados foram produzidos com base na análise sistemática de 696 protestos que ocorreram em todo Brasil naquele ano. Vale lembrar que além dos dados citados sobre repressão a manifestantes, foram registrados naquele ano ao menos 117 casos de jornalistas e comunicadores que foram agredidos e, em alguns casos, gravemente feridos por estarem realizando a cobertura jornalística dessas manifestações – e da ação das forças de segurança nelas. Os dados do relatório também podem ser acessados no site interativo http://protestos.artigo19.org
Se por um lado não é possível dizer que os soldados da Polícia Militar “matavam oito manifestantes” em 2013, conforme consta no texto publicado no jornal, por outro é inegável a existência da responsabilidade da corporação, na medida que a ela cabe garantir a segurança de manifestantes em protestos de rua – afirmação esta que frequentemente é repetida por autoridades do país.
Já sobre a atuação da polícia em manifestações, as evidências reforçam nossa avaliação. Há um grande número de vídeos, fotos e relatos publicados nos últimos tempos que comprovam o emprego sistemático da força policial em níveis desproporcionais contra manifestantes. Tal prática não apenas tem deixado inúmeras pessoas feridas como também viola o direito constitucional à liberdade de expressão e os padrões internacionais que tratam da atuação de forças de segurança em manifestações. Mais do que isso, muitas vezes violam os próprios procedimentos internos de atuação das forças de segurança nesse tipo de situação.
Nesse caso, não é possível fazer qualquer tipo de relativização, sob pena de sermos complacentes com condutas gravíssimas do Estado brasileiro.