Source: https://www.conjur.com.br/2013-out-15/toda-prova-verbetes-jornadas-direito-civil-parte
Timestamp: 2018-01-22 16:27:35+00:00
Document Index: 146693817

Matched Legal Cases: ['artigo 661', 'artigo 757', 'artigo 787', 'artigo 787', 'artigo 422', 'artigo 790', 'artigo 801', 'artigo 886', 'artigo 927', 'artigo 7', 'artigo 927', 'artigo 928', 'artigo 116', 'artigo 5']

ConJur - A Toda Prova: Verbetes das Jornadas de Direito Civil (parte 9)
15 de outubro de 2013, 8h00
Para os casos em que o §1º do artigo 661 do Código Civil ("para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem da administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos") exige poderes especiais, a procuração deve conter a identificação do objeto.
Nos contratos de seguro por adesão, os riscos predeterminados indicados no artigo 757, parte final ("pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados"), devem ser interpretados de acordo com os artigos 421 ("a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato"), 422 ("os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé), 424 (nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio"), 759 ("a emissão da apólice deverá ser precedida de proposta escrita com a declaração dos elementos essenciais do interesse a ser garantido e do risco") e 799 ("o segurador não pode eximir-se ao pagamento do seguro, ainda que da apólice conste a restrição, se a morte ou a incapacidade do segurado provier da utilização de meio de transporte mais arriscado, da prestação de serviço militar, da prática de esporte, ou de atos de humanidade em auxílio de outrem") do Código Civil e 1º, inciso III, da Constituição Federal (a República Federativa do Brasil tem como fundamento a dignidade da pessoa humana).
Enunciado 552
Constituem danos reflexos reparáveis as despesas suportadas pela operadora de plano de saúde decorrentes de complicações de procedimentos por ela não cobertos.
Enunciado 373
Embora sejam defesos pelo § 2º do artigo 787 do Código Civil ("é defeso ao segurado reconhecer sua responsabilidade ou confessar a ação, bem como transigir com o terceiro prejudicado, ou indenizá-lo diretamente, sem anuência expressa do segurador"), o reconhecimento da responsabilidade, a confissão da ação ou a transação não retiram do segurado o direito à garantia, sendo apenas ineficazes perante a seguradora.
Enunciado 544
O seguro de responsabilidade civil facultativo garante dois interesses, o do segurado contra os efeitos patrimoniais da imputação de responsabilidade e o da vítima à indenização, ambos destinatários da garantia, com pretensão própria e independente contra a seguradora.
Enunciado 546
O § 2º do artigo 787 do Código Civil ("é defeso ao segurado reconhecer sua responsabilidade ou confessar a ação, bem como transigir com o terceiro prejudicado, ou indenizá-lo diretamente, sem anuência expressa do segurador") deve ser interpretado em consonância com o artigo 422 do mesmo diploma legal ("os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé"), não obstando o direito à indenização e ao reembolso.
Enunciado 186
O companheiro deve ser considerado implicitamente incluído no rol das pessoas tratadas no artigo 790, parágrafo único do Código Civil ("até prova em contrário, presume-se o interesse, quando o segurado é cônjuge, ascendente ou descendente do proponente"), por possuir interesse legítimo no seguro da pessoa do outro companheiro.
Enunciado 374
No contrato de seguro, o juiz deve proceder com eqüidade, atentando às circunstâncias reais, e não a probabilidades infundadas, quanto à agravação dos riscos.
No contrato de seguro de vida, presume-se, de forma relativa, ser premeditado o suicídio cometido nos dois primeiros anos de vigência da cobertura, ressalvado ao beneficiário o ônus de demonstrar a ocorrência do chamado "suicídio involuntário”.
Enunciado 375
No seguro em grupo de pessoas, exige-se o quórum qualificado de 3/4 do grupo, previsto no § 2º do artigo 801 do Código Civil ("a modificação da apólice em vigor dependerá da anuência expressa de segurados que representem 3/4 do grupo"), apenas quando as modificações impuserem novos ônus aos participantes ou restringirem seus direitos na apólice em vigor.
Enunciado 442
A transação, sem a participação do advogado credor dos honorários, é ineficaz quanto aos honorários de sucumbência definidos no julgado.
Enunciados 35, 36 e 188
Nos termos do artigo 886 do Código Civil, aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. A existência de negócio jurídico válido e eficaz é, em regra, uma justa causa para o enriquecimento. A expressão “se enriquecer à custa de outrem” não significa, necessariamente, que deverá haver empobrecimento. O preceito não exclui o direito à restituição do que foi objeto de enriquecimento sem causa nos casos em que os meios alternativos conferidos ao lesado encontram obstáculos de fato.
Enunciados 38, 446, 448 e 555
A responsabilidade fundada no risco da atividade, como prevista na segunda parte do parágrafo único do artigo 927 do novo Código Civil ("haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem"): a) configura-se quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano causar a pessoa determinada um ônus maior do que aos demais membros da coletividade; b) deve levar em consideração não apenas a proteção da vítima e a atividade do ofensor, mas também a prevenção e o interesse da sociedade; c) aplica-se sempre que a atividade normalmente desenvolvida, mesmo sem defeito e não essencialmente perigosa, induza, por sua natureza, risco especial e diferenciado aos direitos de outrem. São critérios de avaliação desse risco, entre outros, a estatística, a prova técnica e as máximas de experiência. “Os direitos de outrem” mencionados no dispositivo devem abranger não apenas a vida e a integridade física, mas também outros direitos, de caráter patrimonial ou extrapatrimonial.
Enunciado 189
Enunciado 377
O artigo 7º, inciso XXVIII, da Constituição Federal[1] não é impedimento para a aplicação do disposto no artigo 927, parágrafo único, do Código Civil ("haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem") quando se tratar de atividade de risco.
Enunciado 444
A responsabilidade civil pela perda de chance não se limita à categoria de danos extrapatrimoniais, pois, conforme as circunstâncias do caso concreto, a chance perdida pode apresentar também a natureza jurídica de dano patrimonial. A chance deve ser séria e real, não ficando adstrita a percentuais apriorísticos.
Enunciado 445
O dano moral indenizável não pressupõe necessariamente a verificação de sentimentos humanos desagradáveis como dor ou sofrimento.
Enunciado 447
Enunciado 553
Nas ações de responsabilidade civil por cadastramento indevido nos registros de devedores inadimplentes realizados por instituições financeiras, a responsabilidade civil é objetiva.
Enunciado 554
Independe de indicação do local específico da informação a ordem judicial para que o provedor de hospedagem bloqueie determinado conteúdo ofensivo na internet.
A impossibilidade de privação do necessário à pessoa, prevista no artigo 928 do Código Civil ("o incapaz responde pelos prejuízos que causar, se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes"), traduz um dever de indenização eqüitativa, informado pelo princípio constitucional da proteção à dignidade da pessoa humana. Como conseqüência, também os pais, tutores e curadores serão beneficiados pelo limite humanitário do dever de indenizar, de modo que a passagem ao patrimônio do incapaz se dará não quando esgotados todos os recursos do responsável, mas se reduzidos estes ao montante necessário à manutenção de sua dignidade.
O incapaz responde pelos prejuízos que causar de maneira subsidiária ou excepcionalmente como devedor principal, na hipótese do ressarcimento devido pelos adolescentes que praticarem atos infracionais nos termos do artigo 116 do Estatuto da Criança e do Adolescente ("em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima"), no âmbito das medidas socioeducativas ali previstas.
A única hipótese em que poderá haver responsabilidade solidária do menor de 18 anos com seus pais é ter sido emancipado nos termos do artigo 5º, parágrafo único, inciso I, do novo Código Civil ("cessará, para os menores, a incapacidade pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver 16 anos completos").
A décima parte da consolidação dos verbetes das Jornadas de Direito Civil promovidas pelo Conselho de Justiça Federal será publicada na próxima quinta-feira (17/10). Segue a organização dos enunciados relativos ao Direito das Obrigações e Responsabilidade Civil.
[1] São assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas.
Revista Consultor Jurídico, 15 de outubro de 2013, 8h00