Source: http://aquiagoradireito.blogspot.com/2013/01/codigo-florestal-e-questionado-pela.html
Timestamp: 2017-06-28 20:56:19+00:00
Document Index: 138734245

Matched Legal Cases: ['Artigo 3', 'Artigo 3', 'Artigo 3', 'artigo 4', 'Artigo 8', 'Artigo 4', 'Artigo 4', 'Artigo 4', 'Artigo 4', 'Artigo 5', 'Artigo 7', 'Artigo 11', 'Artigo 12', 'Artigo 13', 'Artigo 15', 'Artigo 17', 'Artigo 28', 'Artigo 48', 'artigo 66', 'Artigo 59', 'Artigo 66', 'Artigo 67', 'Artigo 68', 'Artigo 78']

Código Florestal é questionado pela Procuradoria Geral da República ~ Aqui Agora
Código Florestal é questionado pela Procuradoria Geral da República
O órgão encaminhou três ADIs que questionam diversos dispositivos da nova lei, tais como as áreas de preservação permanentes, a redução da reserva legal, além da anistia para a degradação ambiental. A Procuradoria Geral da República (PGR) encaminhou ao STF três ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) que questionam dispositivos da Lei 12.651/2012, o novo Código Florestal. As ações consideram uma afronta à Carta Magna a forma como o texto trata as áreas de preservação permanentes, a redução da reserva legal, além da anistia para a degradação ambiental. Nos processos, o órgão solicita, como medida cautelar, a suspensão dos dispositivos questionados até o julgamento final das ações, a aplicação do rito abreviado no julgamento diante da relevância da matéria, além da realização de diligências instrutórias. Para a procuradora-geral da República em exercício, Sandra Cureau, responsável pela elaboração das ações, há clara inconstitucionalidade e retrocesso nos dispositivos questionados ao reduzir e extinguir áreas antes consideradas protegidas por legislações anteriores. "A criação de espaços territoriais especialmente protegidos decorre do dever de preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais, de forma que essa deve ser uma das finalidades da instituição desses espaços", descreve. O Código Florestal fragilizaria, por exemplo, as áreas de preservação permanente, criadas para preservar a diversidade e integridade do meio ambiente brasileiro. Segundo estudos técnicos, de uma forma geral, as normas questionadas estabelecem um padrão de proteção inferior ao existente anteriormente. Além disso, a PGR também questiona a anistia daqueles que degradaram áreas preservadas até 22 de julho de 2008. O texto exclui o dever de pagar multas e impede a aplicação de eventuais sanções penais. "Se a própria Constituição estatui de forma explícita a responsabilização penal e administrativa, além da obrigação de reparar danos, não se pode admitir que o legislador infraconstitucional exclua tal princípio, sob pena de grave ofensa à Lei Maior", esclareceu Sandra. Há ainda o questionamento da redução da área de reserva legal, também possibilitada pela nova lei. A nova regra autorizaria, por exemplo, a computar as áreas de preservação permanente como reserva legal. No entanto, essas áreas têm funções ecossistêmicas diferentes, mas, juntas, ajudam a conferir sustentabilidade às propriedades rurais. Área de Proteção Permanente (APP) x Reserva Legal Área de Proteção Permanente: protegem áreas mais frágeis ou estratégicas, como aquelas com maior risco de erosão de solo ou que servem para recarga de aquífero. Não podem ter manejo. Reserva Legal: são áreas complementares que devem coexistir nas paisagens para assegurar sua sustentabilidade biológica e ecológica em longo prazo. Podem ser manejadas pelos proprietários para extrair madeiras, essências, flores, frutos e mel, desde que as atividades não comprometam a sobrevivência das espécies nativas. Segue também a lista de dispositivos inconstitucionais detectados pela PGR: Artigo 3º, XIX não garante o nível máximo de proteção ambiental para faixas marginais de leitos de rio; Artigo 3º, parágrafo único equipara tratamento dado à agricultura familiar e pequenas propriedades àquele dirigido às propriedades com até quatro módulos fiscais; Artigo 3º, VIII e IX; artigo 4º parágrafos 6º e 8º: permite intervenção ou retirada de vegetação nativa em área de preservação permanente; não prevê que intervenção em área de preservação permanente por interesse social ou utilidade pública seja condicionada à inexistência de alternativa técnica; permite intervenção em área de preservação permanente para instalação de aterros sanitários; permite uso de áreas de preservação permanente às margens de rios e no entorno de lagos e lagoas naturais para implantação de atividades de aquicultura; Artigo 8º, parágrafo 2º permite intervenção em mangues e restingas para implementação de projetos habitacionais; Artigo 4º, parágrafo 5º permite o uso agrícola de várzeas; Artigo 4º, IV exclusão da proteção das nascentes e dos olhos d´água intermitentes; Artigo 4º, parágrafo 1º e 4º extingue as áreas de preservação permanente no entorno de reservatórios artificiais que não decorram de barramento; extingue as áres de preservação permanente no entorno de reservatórios naturais ou artificiais com superfície de até 1 hectare; Artigo 4º, III equipara áreas de preservação permanente a reservatórios artificiais localizados em áreas urganas ou rurais e não estipula metragem mínima a ser observada; Artigo 5º reduz largura mínima das áreas de preservação permanente no entorno de reservatórios dágua artificiais; Artigo 7º, parágrafo 3º permissão de novos desmatamentos sem que haja recuperação dos já realizados irregularmente; Artigo 11 permite manejo florestal sustentável e exercício de atividades agrossilvipastoris em áreas com inclinação entre 25º e 45º; Artigo 12, parágrafos 4º, 5º, 6º, 7º e 8º redução da reserva legal em virtude da existência de terras indígenas e unidades de conservação no território municipal; dispensa de constituição de reserva legal por empreendimentos de abastecimento público de água e tratamento de esgoto, bem como por detentores de concessão, permissão ou autorização para explorar energia elétrica e nas áreas adquiridas ou desapropriadas para implantação e ampliação da capacidade de ferrovias e rodovias Artigo 13, parágrafo 1º permissão de instituição de servidão ambiental; Artigo 15 autorização para cômputo de áreas de preservação permanente no percentual de reserva legal; Artigo 17, parágrafo 7º permite a continuidade de exploração econômica de atividade instalada ilicitamente e exime, injustificadamente, o degradador do dever de reparação do dano ambiental; Artigo 28 necessidade de conferir interpretação conforme Constituição; Artigo 48, parágrafo 2º e artigo 66, parágrafos 5º e 6º, II, III e IV compensação da reserva legal sem que haja identidade ecológica entre as áreas, e da compensação por arrendamento ou pela doação de área localizada no interior de unidade de conservação a órgão do poder público; Artigo 59, parágrafos 4º e 5º estabelecimento de imunidade à fiscalização e anistia de multas; Artigos 61-A, 61-B, 61-C e 63 permitem a consolidação de danos ambientais decorrentes de infrações à legislação de proteção às áreas de preservação permanentes, praticados até 22 de julho de 2008; Artigo 66, parágrafo 3º permissão do plantio de espécies exóticas para recomposição da reserva legal; Artigo 67 concede uma completa desoneração do dever de restaurar as áreas de reserva legal, premiando injustificadamente aqueles que realizaram desmatamentos ilegais; Artigo 68 prevê a consolidação das áreas que foram desmatadas antes das modificações dos percentuais de reserva legal; Artigo 78 prevê que, mesmo após a injustificada moratória de cinco anos, bastará estar inscrito no Cadastro Ambiental Rural para ter livre acesso ao crédito agrícola; Fonte: MPF Posted in: Postagem mais recente