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Neste sentido, já demonstramos que a prisão se demonstra desnecessária e abusiva, devendo a liberdade da Recorrente priorizar, especialmente pelo facto de que o crime cometido não foi violento e, sobretudo, ocorreu por razões de estado de necessidade;  46 - Em relação ao artigo 71, n.2, al.a) à do Código Penal, a Recorrente satisfaz todos os pressupostos para que a sua sentença seja no sentido de salvaguardar a sua liberdade, especialmente pelos seguintes fatores:  41 -A Recorrente mora nas ruas e está desempregada;  42 - Os objectos furtados representam valor patrimonial ínfimo diante do património da empresa ofendida e tais objectos, certamente, foram utilizados para a satisfação de suas necessidades básicas e por estado de necessidade;  43 - A Recorrente não cometeu tal delito por ser uma criminosa habitual e ter o prazer de transgredir a lei, mas sim, pelo facto de que vive nas ruas a depender da misericórdia das pessoas e, portanto, não teve outra alternativa para saciar suas necessidades básicas urgente;  47 - Sendo assim à luz do princípio da proporcionalidade, a pena de prisão não se justifica, devendo, portanto, o acórdão ora combatido deve ser reformado e ser aplicada a suspensão da execução da pena, nos moldes do artigo 50, n. 1 do Código Penal e do entendimento dominante na jurisprudência do STJ.