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Saiu porque o equipamento estava selado, tinha pouca combustão e, como tal, no normal das coisas, nenhum perigo existia que impusesse uma controlo e vigilância total; 3 Se o incêndio ocorre é por culpa integral e exclusiva da  Ré, porque permitiu que no incorrecto isolamento causar uma fuga de calor que criou um incêndio e, perante as características das casas, o fogo avançasse e as destruísse; 4 Não é censurável, para efeitos do artigo 57 do Código Civil, o facto da autora se ter ausentado temporariamente do prédio n. .../21 com o recuperador ligado, uma vez que o deixou, em condições normais, num funcionamento segurado, garantido a selagem da porta do recuperador; 4 A Autora comprou um sistema de aquecimento para toda a casa e mandaram instalá-lo por profissionais especializados; 4 O sistema em si tem por base a combustão de madeira no compartimento completamente selado e de aço para a produção de calor nos diversos compartimentos da casa; 4 Não se trata, ao contrário do que parece estar subjacente à sentença, de uma lareira que aquece só um compartimento e que comporta o risco sério, por não estar vedada, do salto de uma faúlha ou da queda de um tronco de lenha; 4 A lenha está completamente vedada num compartimento de aço totalmente selado; 4 Não há um risco maior do que aquele que comporta o óleo num aquecedor ou do gás num sistema de aquecimento central; 4 Não, por isso, qualquer concurso de culpa da  autora no agravamento dos danos resultantes de um defeito de instalação; 4 O juízo conclusivo que o Tribunal formulou no ponto 115, não só não é um facto, antes uma conclusão que advém dos pontos 112 e 114, como é falso, porque quaisquer que fossem os procedimentos elencados no manual de instruções nos pontos 52, os mesmos eram inúteis; 4 O fogo não deflagrou dentro do sistema de tubagens e recuperador de calor, mas fora dele, por isso o incêndio e as proporções que o mesmo assumiu; 4 Tendo a autora chegado em momento em que o fogo apenas se concentrava no prédio n. .../21; 5 A ser de censurar a ausência da autora, apenas se pode imputar à  autora e ao risco criado pelo prédio n. .../21 e não à  autora; 5 Porque são pessoas jurídicas distintas, proprietárias de prédios distintos, só o risco produzido pelo prédio n. .../21 é que estava no domínio da  autora, apenas podendo esta — hipótese meramente académica que se alvitra — responder para efeitos do artigo 57 do Código Civil; 5 Logo, a  autora tem direito a receber a integralidade da indemnização devida pelos danos causados pela  ré; 5 A  Ré transferiu o risco da sua actividade para a  Ré; 5 Incluindo no seu objecto os danos provocados pela  ré em prédios terceiros ao contrato de empreitada, mesmo que contíguos; 5 A se considerar que estes estariam excluídos, estar-se-ia a esvaziar o conteúdo do contrato de seguro ao ponto de inexistir qualquer objecto, por inexistência de cobertura de qualquer risco relevante para o fim com que o contrato foi celebrado pela  Ré, beneficiando de forma desproporcional a posição contratual da seguradora, frustrando o fim do contrato, atentando contra o princípio da boa fé artigos 22, 33 e 76, n.2 do Código; 5 A isto acresce que a não se incluir a cobertura dos danos provocados em prédios terceiros estar-se-ia a provocar	um desequilíbrio desproporcional do contrato quando se retira dele as utilidades normalmente esperadas, face ao sentido prático da contratação; 5 O prédio contíguo, e as pessoas que nele habitam, ou dele fazem uso recorrente, são por definição os terceiros que configuram o alvo de danos mais prováveis de uma empreitada levada a cabo no prédio ao lado.