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4– É óbvio que o Ministério Público "prendeu para investigar”e agora, não tendo ainda logrado reunir prova bastante para provar a sua tese, pede prazos mais alargados para continuar a prender para investigar, certamente na certeza de que se prender, investigar, inquirir e apreender tudo e todos no final encontrará o "ovo de Colombo” da culpabilidade já a prioriestabelecida; 4– A declaração de especial complexidade visa o alargamento excecional dos prazos dessa medida já de si excecional e excecionalmente gravosa que é a prisão preventiva, pelo que, como tal, deverá sempre ser tratada como uma situação da mais qualificada especialidade, apenas decretada em casos extremos nos quais nenhuma investigação, por melhor conduzida e por mais meios que dispusesse, conseguiria dar cumprimento aos prazos previstos na lei; 4– Mal andou o Tribunal a quo quando ignorou todas estas circunstâncias e se limitou a subscrever acriticamente a promoção do Ministério Público, proferindo um Despacho sem fundamentação e que labora numa errada interpretação do direito e dos pressupostos de facto do caso concreto; 4– Face a tudo o supra expostos, deverá o Despacho recorrido ser declarado nulo e substituído por um outro que, de forma válida e eficaz, negue a qualificação dos autos como de especial complexidade;  Termina pedindo que este Tribunal declare a "nulidade do Despacho recorrido, determinando ao Tribunal a quo que profira novo Despacho que negue provimento à qualificação dos autos como de especial complexidade nos termos do disposto no artigo 21 do Código de Processo Penal e que, consequentemente, determine que o inquérito prossiga, sendo o Arguido devolvido à liberdade ao termo de seis meses de prisão preventiva”.