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Em segundo lugar, para permitir que a parte contrária conheça os argumentos concretos e devidamente delimitados do impugnante, para os poder contrariar cabalmente, assim se garantindo o devido cumprimento do princípio do contraditório”   De facto, determina o artigo 662 do Código de Processo Civil, sob a epígrafe "Modificabilidade da decisão de facto”, no seu n. 1, que: "A Relação deve alterar a decisão proferida sobre a matéria de facto, se os factos tidos como assentes, a prova produzida ou um documento superveniente impuserem decisão diversa.”  Na interpretação deste preceito, e dos que lhe antecederam no tempo, tem sido pacífico o entendimento segundo o qual em sede de recurso jurisdicional o tribunal de recurso, em princípio, só deve alterar a matéria de facto em que assenta a decisão recorrida se, após ter sido reapreciada, for evidente que ela, em termos de razoabilidade, foi mal julgada na instância recorrida neste sentido os acórdãos do Supremo Tribunal Administrativo, de 1105, processo n. 394/05, de 112008, processo n. 601/07, de 002010, processo n. 0161/10 e de 202010, processo n. 01010/09; e acórdãos do Tribunal Central Administrativo Norte, de 002010, processo n. 00205/03BEPNF, e de 102012, processo n. 00849/0  Isto porque o Tribunal de recurso está privado da oralidade e da imediação que determinaram a decisão de primeira instância: a gravação da prova, por sua natureza, não fornece todos os elementos que foram diretamente percecionados por quem julgou em primeira instância e que ajuda na formação da convicção sobre a credibilidade do testemunho.