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"; Ora, 14)A Autora excede os limites impostos pela boa-fé na medida em que alega da forma supra exposta, tanto na ação como no incidente, pretendendo não se verificar o direito de retenção que diz mesmo não ter sido, nada ter a pagar à Ré e, pelo contrário, pretender ela Autora receber quantias exorbitantes e sem qualquer causa; 15)A boa-fé impunha à Autora, ao menos, que reconhecesse os legítimos direitos da Ré a ser ressarcida das benfeitorias que realizou; Ao menos das que foram dadas por assentes em tribunal; 16)Dispondo a Autora, como revela, de tais quantias, estado estas assentes em decisões transitadas em julgado, e não as pagar e pretender litigar, por certo durante muitos anos, sobre uma tal questão, só pode ter um fim em vista: o de asfixiar financeira e economicamente a Ré, de modo a provocar a sua extinção;  17) A entrega do imóvel sem o recebimento do devido por parte da Ré provocará de imediato a cessação da sua atividade; 18) Gera de imediato a perda dos postos de trabalho dos seus funcionários, colocando em séria crise a subsistência dos respectivos agregados familiares; 19) E também dos agregados familiares de dois sócios da Ré, que são remunerados por esta; 20) O exercício de um tal direito excede manifestamente os limites impostos pela " boa-fé e pelos bons costumes"; 21) Não pode aceitar-se que exerça um direito de boa-fé quem, como a Autora: tendo visíveis disponibilidades financeiras se furta a um pagamento definido judicialmente; sabe que a falta desse pagamento gera as maiores dificuldades à Autora, designadamente a cessação da sua atividade e com esta a perda dos postos de trabalho dos seus funcionários; e pretende substituir o direito de retenção por caução, abrindo caminho a que durante muitos anos a Ré não seja ressarcida; 22)E "ofende o sentimento jurídico social dominante" que o "mau pagador" possa destruir a vida de uma empresa, ou impedir a sua atividade, e possa colocar em crise os direitos dos seus credores e os postos de trabalho de diversos seus funcionários, com base na negação de evidentes direitos da Ré e afirmação de direitos menores, e quando demonstra ser pessoa abastada, que pode facilmente pagar o que inquestionavelmente deve; Conforme Acórdãos do Venerando TRL: Proc 16442: "Traduz abuso do direito o exercício de qualquer direito por forma anormal quanto à sua intensidade ou à sua execução de modo a poder comprometer o gozo dos direitos de terceiro e a criar uma desproporção objetiva entre a utilidade do exercício por parte do seu titular e as consequências que outrem tem de suportar.