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3 com a sua contestação, e que serviu de base à decisão de indeferimento da Direção da Recorrente quanto aos pedidos da Recorrida;  Sem prejuízo do exposto, é certo que, conforme avisa a doutrina vide, por todos, UIZ S. ABRAL DE, que o ónus da prova que impende sobre os interessados não é total, uma vez que tal ónus não prejudica os deveres inquisitórios do responsável pela direção do procedimento, in casu, a Recorrente;  Esclarece a doutrina, porém, que, ao abrigo do princípio do inquisitório, se os interessados não oferecerem provas ou se as oferecerem insuficientemente, deve o responsável pela direção do procedimento convidá-los a fornecer elementos adicionais de prova, à luz do disposto no artigo 89, n 1, do CPA;  É, no entanto, precisamente essa a situação dos autos, sendo certo, não obstante as diligências levadas a cabo pela Recorrente, que seria sempre a Recorrida quem estaria em melhores condições de demonstrar que as conclusões alcançadas pela Direção da Recorrente não refletiam uma falta de empenho e de diligência da sua parte, conforme inicialmente indiciado e provado oficiosamente no âmbito do procedimento;  Por fim, refira-se que os juízos formulados na fundamentação de direito pelo Tribunal a quo, a respeito da prova produzida nos autos, nem sequer coincidem com os factos dados como provados;  Não obstante a consulta operada pelo Tribunal a quo à aplicação Google maps e a conclusão de que a localização do Cartório Notarial da ora Recorrida não era periférica, por distar apenas 1,7 km da Câmara Municipal de Estarreja cerca de 30 minutos a pé, 4 minutos de automóvel), tal não é suscetível de afastar que foi a própria Recorrida quem alegou que «procurou um espaço adequado para o efeito, o que se revelou desde logo uma tarefa difícil uma vez que não existiam espaços disponíveis no centro da cidade» e que «a Autora viu-se obrigada a instalar o seu Cartório Notarial na Rua num local um pouco afastado do centro»;  Por outro lado, atenta a motivação da matéria de facto, foi a própria testemunha arrolada pela Recorrida quem afirmou que «conhece o centro da cidade de Estarreja e a primeira instalação ficasse fora do centro», motivo pelo qual não se vislumbra o motivo ponderoso para a douta sentença recorrida, tendo ambas as partes admitido nos seus articulados que o Cartório Notarial da Recorrida distava do centro de Estarreja, se afastar do entendimento das partes sobre essa factualidade, em violação do princípio do dispositivo;  Similarmente, tendo a testemunha arrolada pela Recorrida afirmado que o gabinete da Senhora Notária era «igualmente utilizado para a realização de escrituras», quando afirma que «não foi feita prova quanto à falta de esforço e diligência» da Recorrida, o Tribunal a quo revela uma posição de que a inexistência de uma sala de leitura de atos, autónoma do gabinete dos Senhores Notários, redunda numa obstinação da Recorrente, ignorando que tal circunstância foi valorada na decisão de indeferimento como preenchendo a falta de empenho e diligência da Recorrida, tendo inclusive a Recorrente afirmado que tal facto era desprestigiante para aquela e para toda a classe notarial;  Deduz-se, ainda, da fundamentação da douta sentença recorrida que o Tribunal a quo nenhum relevo atribui à inexistência de uma página na Internet da Recorrida, por forma a publicitar os respetivos serviços notariais no cumprimento das normas de publicidade aplicáveis, sendo tal facto manifestamente relevante para aferir o desinteresse da Recorrida em captar novos clientes, circunstância que foi devidamente valorada na decisão de indeferimento;  Não obstante, é manifesto que a Recorrida efetivamente apreendeu a falta de empenho e diligência que lhe havia sido imputada, porquanto esta efetivamente diligenciou no sentido da correção de alguns dos aspetos apontados pela Recorrente, inaugurando novas instalações num local central do município de Estarreja e nelas instalando uma sala para a leitura de atos, autónoma do respetivo gabinete;  Pelo que, o Tribunal a quo se afastou em absoluto das alegações das partes em sede de articulados e da factualidade provada em sede de audiência de julgamento, apenas se debruçando sobre o aspeto da distância e tempo do percurso até ao centro do município, tendo descartado toda a factualidade relevante para a decisão proferida no âmbito do procedimento administrativo, motivo também pelo qual a douta sentença recorrida padece de erro de julgamento, devendo a mesma ser revogada, com todas as devidas e legais consequências.