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«Na órbita de conclusão de um contrato, se uma das partes se abstiver de declarar que não se encontra em condições de o cumprir, comete burla por actos concludentes, uma vez que a celebração de um negócio leva implicada a afirmação de que qualquer dos intervenientes tem a possibilidade de satisfazer as obrigações dele emergentes» Almeida Costa, Comentário Conimbricense do Código Penal, Tomo , p..  A eventual ingenuidade de alguns fornecedores não exclui a ilicitude, pois que, «não se compreende por que razão o descuido ou a leviandade do sujeito passivo deva excluir a relevância jurídico penal de uma conduta que, em todo o caso, consubstancia uma efectiva lesão do património ...) só esta perspectiva se harmoniza com o entendimento, hoje pacifico, de que a idoneidade do meio enganador utilizado pelo agente se afere tomando em consideração as características concretas do burlado g. mercê de fragilidade intelectual, de inexperiência ou de especiais relações de confiança)» Almeida Costa, Comentário Conimbricense do Código Penal, Tomo , p. 30 No mesmo sentido, Fernanda Palma e Rui Pereira, «O crime de burla no código penal», RFDL, Lisboa, 1994, , RFDL, 1994, p. 328; Leal Henriques e Simas Santos, Código Penal Anotado, Vol.