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nas circunstâncias referidas em, o arguido tivesse atingido a ofendida com uma garrafa na perna; ) na data referida em, o arguido disse "eu acabo contigo, tu vais ver o que eu te vou fazer”, não vales nada, não prestas”; e) o arguido controlava os movimentos da vítima quanto a entradas e saídas da residência e aos telefonemas ...)” E) - Entendendo o recorrente, atento os factos dados como provados e não provados que não se encontram preenchidos os elementos do tipo legal de crime, pelo qual foi condenado; F) - Razão pela qual entende que a douta decisão recorrida violou, entre outros o disposto nos arts 152, 40, 70 e 71 do P; G) Pois, o crime de violência doméstica, é um crime específico impróprio e de perigo abstracto – pode criar uma relação de concurso aparente de normas com outros tipos penais, designadamente as ofensas à integridade física simples artigo 143, n 1 do Código, as injúrias artigo, a difamação artigo 180, n, a coacção artigo, o sequestro simples artigo 158, n, a devassa da vida privada artigo 192, n 1 al, as gravações e fotografias ilícitas artigo 199, n 2, al, todos do Código Penal; H) - O bem jurídico tutelado pelo tipo é complexo, incluindo a saúde física, psíquica e emocional, a liberdade de determinação pessoal e sexual da vítima de actos violentos e a sua dignidade quando inserida numa relação ou por causa dela; ) - Já a expressão "maus tratos”, fazendo apelo à "imagem global do facto”, pressupõe, no pólo objectivo, uma agressão ou ofensa que revele um mínimo de violência sobre a pessoa inserida em relação;	subjectivamente uma motivação para a agressão, ofensa, achincalhamento, menosprezo; o reflexo negativo e sensível na dignidade da vítima, por via de uma ofensa na sua saúde física, psíquica ou emocional, ou na sua liberdade de autodeterminação pessoal ou sexual; J) - Além disso, o tipo legal de crime exige ainda entre a vítima e o agressor uma relação sentimental, afectiva, íntima e tendencialmente estável ou duradoura, que ultrapasse a mera amizade ou relações fortuitas, não se exigindo, todavia, um projecto futuro de vida em comum, a medida em que as relações de namoro não têm, em princípio, a pretensão de preencher todas as características associadas à conjugalidade, como seja o futuro de vida em comum; K) - Ora, dos factos dados como provados temos que o recorrente e a ofendida se conheceram em Junho de 2019, pelo facebook, e que no S. João, ou seja, por volta do dia 24/06/2019, já residiam juntos, e que em Julho de 2019, o recorrente já não pretendia manter qualquer relacionamento, razão pela qual pediu à ofendida para sair da sua casa; ) - E que foi pelo facto de a ofendida não ter acedido ao pedido do arguido - de sair de casa - que aquele alegadamente a injuriou e a agrediu fisicamente; ) - Note-se que somente se dá como provado, que o recorrente tenha agredido a ofendida, duas vezes, e que dessas agressões não resultaram lesões físicas de maior; N) - Para a caracterização do crime de violência doméstica é relevante que os factos, isolados ou reiterados, praticados no âmbito de uma relação conjugal ou de vida em comum, possuam uma gravidade e importância tais que coloquem a pessoa ofendida numa situação inconciliável com a dignidade e a liberdade necessárias a qualquer membro do casal; O) - Ora, considera o arguido, que não obstante alguns factos estarem mal julgados, a verdade é que mesmo consideram os factos tale qual como estão na sentença, mesmo assim, não podia afinal ser condenado pela prática de tal crime; P) - Desde logo, porque, atendendo às circunstâncias em que o arguido e a ofendida se conheceram, bem como o tempo em que aqueles viveram pacificamente, cerca de três semanas, não é suficiente para considerar que existe o tipo de relação exigida pelo tipo legal de crime previsto no art 152 do CP; Q) - Acresce ainda que, as agressões físicas que a ofendida possa ter sido vítima, não podem ser classificadas de graves, assim como as eventuais lesões psíquicas, sendo certo que, não consta da decisão, quais foram as lesões psíquicas sofridas, em concreto, pela ofendida; R) - Pois as mesmas surgiram depois de o recorrente ter pedido à ofendida para sair de casa, pelo facto de a relação ter terminado, e esta não ter acatado, não obstante ter alguma liquidez, e não resultar que aquela só não saiu da casa do recorrente porque temia um mal maior; S) - Também não resulta provado em que circunstância o recorrente limitava a liberdade da ofendida, já que se deu como não provado que o arguido a controlava; T) - De igual modo, também não podemos olvidar que as condutas ocorreram durante um mês, a terem ocorrido, e que das mesmas não resultaram lesões graves; U) - Motivos pelos quais, considera o recorrente que o caso em análise não pode ser subsumido ao crime de violência doméstica, p.p.