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Não obstante o seu carácter constitutivo, e consubstanciando um desvio ao princípio da necessidade de indicação da causa daí ser-lhes comummente apontada a característica da abstracção ou irrelevância jurídica da, a verdade é que os negócios cambiários têm naturalmente uma causa: a relação fundamental envolvendo os mesmos sujeitos, idónea a subsistir de forma desligada e independente da letra ou livrança emitidas1 No assinalado contexto, não custa configurar a letra de câmbio, ainda que prescrita a obrigação cartular, como uma promessa unilateral de prestação11, remetendo para o destinatário o ónus da alegação da relação fundamental, mas conferindo-lhe dispensa do ónus da prova respectiva, desde que não sujeita a específicas formalidades legais, presumindo-se assim a sua existência até prova do contrário.