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;  Este exemplo clarifica o presente caso para se concluir que inexiste a situação exterior que possa facilitar ou tivesse facilitado a execução dos crimes pela arguida., uma vez que a mesma ao praticar os factos dados como provados e por si confessados, foi adaptando o seu "modus operandi” a cada situação concreta, através de várias resoluções criminosas, sem que qualquer circunstancialismo externo se vislumbre, que lhe tenha facilitado, propiciado, esta repetição de condutas, desse modo lhe diminuindo a culpa;  E não é, de todo, a alegada circunstância da manutenção, ao longo do tempo, da sua categoria funcional de gerente de conta da ofendida, ou até o maior domínio que foi adquirindo relativamente à sua própria actuação, bem como da precariedade da sua situação económica, que de algum modo possa atender-se no sentido de justificar a repetição dos actos, para efeitos de diminuição da sua culpa;  Na verdade, o que temos é uma determinada atividade exercida pela arguida, ao longo de já alguns anos e que, pelo menos para com esta ofendida, a mesma praticou determinados factos, adaptando-os a cada caso concreto, com a solicitação de cartões de débito e contratos de crédito não hipotecário e pessoal, de modo a ficar ou a fazer seus os montantes em dinheiro de que se apropriou e gastou em proveito próprio, sem para tanto estar autorizada pela ofendida; 1 Mas esta forma de agir, de proceder da arguida, não se traduz em qualquer situação exterior que facilite a execução do crime, a própria não só contribuiu, como em cada uma das situações poderia ter tido uma atuação diferente; 1 É necessário ser rigoroso na aferição dos requisitos de que depende a figura do crime continuado, sob pena de se premiar e promoverem as carreiras criminosas longas, pelo que a arguida dá a entender, com a sua pretensão, que, afinal, a sua carreira seria precisamente esta e nesta perspetiva, a sua conduta, ao invés de lhe diminuir a culpa, traduz-se antes numa culpa agravada, consistente na firmeza e persistência do propósito criminoso; 1 É esse o entendimento da jurisprudência dominante ao afirmar que inexiste crime continuado - mas concurso de infracções -, "quando as circunstâncias exógenas ou exteriores não surgem por acaso, em termos de facilitarem ou arrastarem o agente para a reiteração da sua conduta criminosa, mas pelo contrário, são conscientemente procuradas e criadas pelo agente para concretizar a sua intenção criminosa” – cf.