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Assim, se a filiação socioafetiva for reconhecida, o herdeiro deverá ser considerado legítimo, dispensando a necessidade de testamentos e atos de última vontade.” Não obstante o reconhecimento legal da filiação socioafectiva no direito brasileiro, não se pode deixar de atentar nas vozes cautelosas que alertam para a necessidade de não conceder total primazia à filiação socioafectiva, alertando para a circunstância de a particularidade das situações em referência, sobremaneira da multiparentalidade, exigir que qualquer reconhecimento de uma situação de filiação socioafectiva dependa necessariamente da vontade das partes envolvidas por se estar no campo da autonomia privada, do livre exercício da autodeterminação e da privacidade, e não no campo da afectividade, desde logo porque o afecto não pode, por si só, ser vinculante, sobremaneira quando não é acompanhado da vontade ou esta se mostra viciada.