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59 do CPC ao dispor: "Sem prejuízo do que se encontre estabelecido em regulamentos europeus e em outros instrumentos internacionais, os tribunais portugueses são internacionalmente competentes quando se verifique algum dos elementos de conexão referidos nos artigos 62 e 63 ou quando as partes lhes tenham atribuído competência nos termos do artigo 9”  Neste sentido, atente-se na jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia referida no acórdão do Tribunal da Relação do Porto de 23-02-2017, relator Aristides Rodrigues de Almeida, processo n. 159312/14YIPRT.P1: "Conforme foi afirmado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia entre vários outros no Acórdão de 02010, no processo -409/06 Winner Wetten GmbH contra Bürgermeisterin der Stadt  ") resulta de jurisprudência assente que, por força do princípio do primado do direito da União, as disposições do Tratado e os actos das instituições directamente aplicáveis têm o efeito de, nas suas relações com o direito interno dos Estados - Membros, impedir de pleno direito, pelo simples facto da sua entrada em vigor, qualquer disposição contrária da legislação nacional , designadamente, acórdãos Simmenthal, já referido, n. 17, e de 19 de Junho de 1990, Factortame e o., -213/89, Colect., p. -2433, n.. 5 Com efeito, como salientou o Tribunal de Justiça, as normas do direito da União directamente aplicáveis, que são uma fonte imediata de direitos e obrigações para todos, sejam Estados-Membros ou particulares partes em relações jurídicas abrangidas pelo direito da União, devem produzir a plenitude dos seus efeitos de modo uniforme em todos os Estados-Membros, a partir da sua entrada em vigor e durante todo o seu período de validade , neste sentido, acórdãos, já referidos, Simmenthal, n.os 14 e 15, e Factortame e o., n.. 5 Resulta igualmente de jurisprudência assente que qualquer juiz nacional, no âmbito da sua competência, tem, enquanto órgão de um Estado-Membro, a obrigação, por força do princípio da cooperação consagrado no artigo 1 CE, de aplicar integralmente o direito da União directamente aplicável e de proteger os direitos que este confere aos particulares, não aplicando nenhuma disposição eventualmente contrária da lei nacional, seja anterior ou posterior à norma do direito da União , neste sentido, designadamente, acórdãos, já referidos, Simmenthal, n.os 16 e 21, e Factortame e o., n..”  Daqui se retira que a senhora juíza a quo não podia ter gizado toda a sua decisão apenas apoiada no direito interno português, para, a final, sem qualquer explicação adicional, concluir que a vigência do Regulamento 1215/2012 não afasta as normas dos art.s 62 e 63 do CPC, em que se louvou para excluir a competência internacional dos tribunais portugueses.