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z) Procedendo-se, agora, ao cúmulo jurídico das penas parcelares acima encontradas de molde a encontrar a pena única que se revele adequada e proporcional aos factos dados como, teremos de considerar que a sua punição, em termos concretos, será encontrada numa moldura abstrata que tem no seu limite mínimo a pena de 2 anos de prisão, correspondente à mais elevada das penas concretamente aplicadas, e no seu limite máximo a pena 10 anos e 3 meses, correspondente à soma de todas as penas parcelares aplicadas Cf., artigo 77, n. 2 do;   aa) No entanto, antes de ser encontrada a pena única adequada e proporcional ao caso atendendo à molura penal abstrata acima, impõe-se salientar que o tribunal aquo, não procedeu corretamente à operação do cúmulo jurídico, porquanto, o mesmo considerou como moldura penal abstrata no seu limite mínimo a pena de 3 anos de prisão e no seu limite máximo a pena de 15 anos;  bb) O tribunal aquo considerou como limite máximo correspondente à soma de todas as penas parcelares a pena de 15 anos de prisão, ao invés de 14 anos e 6 meses, que corresponde à soma das penas parcelares a que chegou o tribunal 2 anos + 2 anos + 2 anos + 3 anos + 3 anos + 2 anos e seis meses = 14 anos e 6;  ) Revertendo ao caso, em concreto, para efeitos de determinação da pena única a aplicar ao arguido: atendendo às circunstâncias acima referenciadas, e operando o cúmulo jurídico das penas parcelares encontradas, o Tribunal aquo deveria ter aplicado ao arguido umapena única nunca superior a 5 anos de prisão;  ) Por outro lado, e acolhendo o prescrito no trecho precedente, deveria o Tribunal ponderar suspender a execução da pena de prisão aplicada ao ora recorrente, como veremos de seguida;  ee) Sobre esta temática reza o artigo 50 n. 1 do CP que: "OTribunalsuspendeaexecução dapenadeprisãoaplicadaemmedidanãosuperiora5anos,se,atendendoàpersonalidadedoagente,àscondiçõesdasuavida,àduacondutaanterioreposterioraocrimeeascircunstânciasdeste,concluirqueasimplescensuradofactoeaameaçadaprisãorealizamdeformaadequadaesuficienteasfinalidadesdapunição.”;  ff) Pode, ainda, o Tribunal, se julgar conveniente e adequado à realização das finalidades da punição, subordinar a suspensão da execução da pena de prisão ao cumprimento de deveres ou regras de conduta, e/ou determinar que a suspensão seja acompanhada de regime de prova, nos termos do n. 2 do citado artigo;  gg) O pressuposto formal de aplicação da suspensão da execução da prisão é que a medida concreta da pena aplicada ao arguido não seja superior a 5 anos;  hh) O pressuposto material da suspensão da execução da pena de prisão é que o tribunal, atendendo à personalidade do arguido e às circunstâncias do facto, conclua que a simples censura do facto e a ameaça da prisão realizam de forma adequada e suficiente as finalidades da punição;  ) As finalidades da punição, a que se alude no artigo 5, n. 1 do CP, são a já alegada proteção de bens jurídicos e reintegração do agente na sociedade , o n. 1 do artigo 40 do Código;  jj) Deste modo, o tribunal, quando aplicar pena de prisão não superior a 5 anos deve suspender a sua execução sempre que, reportando-se ao momento da decisão, o julgador possa fazer um juízo de prognose favorável ao comportamento futuro do arguido, juízo este não necessariamente assente numa certeza, bastando uma expectativa fundada de que a simples ameaçada pena seja suficiente para realizar as finalidades da punição e consequentemente a ressocialização, em liberdade, do arguido cf., por exemplo, o Acórdão do TRP de 10-11-2010, Processo n. 94/10TCPRT.P1 e o Acórdão do TRC de 15-09-2010, Processo n. 68/09TAFZZ.C1, disponíveis inwww.dgsi.pt);  kk) Mais: ao abrigo do disposto no n. 1 do artigo 5 do CP, a suspensão da execução da pena de prisão pode ser subordinada ao cumprimento de deveres impostos ao condenado e destinados a reparar o mal do crime;  ) As regras de conduta, por seu turno, previstas no artigo 5 do CP, visam promover a "reintegração” do agente na sociedade, pelo que a sua adequação deve ser aferida apenas sob a perspetiva de prevenção especial de socialização do agente Cf., PAULO PINTO DE ALBUQUERQUE, in "ComentáriodoCódigoPenal”,nota1aoartigo5doCódigoPenal,UniversidadeCatólicaEditora,2008,p.197”);  ) No presente caso, atenta a pena única que julgamos adequada e proporcional em face do acima exposto e que damos aqui por integralmente reproduzido para os devidos e legais, ou seja, uma pena não superior a 5 anos, o pressuposto formal de aplicação da suspensão da execução da prisão encontra-se preenchido;  nn) Relativamente à verificação do pressuposto material de aplicação da pena de substituição, importa ponderar, em favor do arguido o seguinte: é jovem, tem uma vida pela frente, tem uma companheira, no exterior, disponível para lhe prestar todo o apoio que o mesmo necessita; acresce, ainda, que o arguido se encontra em abstinência do consumo de estupefacientes;  oo) Desta forma, entendemos que, em termos de reabilitação e ressocialização do arguido, o cumprimento efetivo da pena única, não trará uma especial vantagem ao arguido, tendo em conta que este passou grande parte da sua vida privado de liberdade, sendo o propósito do mesmo endireitar a sua vida e constituir família;  pp) Na nossa modesta opinião, a pena de prisão suspensa na sua execução, mediante a ameaça sobre o arguido de cumprimento da prisão efetiva, ainda que sujeita a eventual regime de prova, seria uma alternativa suscetível de produzir melhores resultados de ressocialização do arguido, incentivando-o a adotar padrões de comportamento conformes ao direito;  qq) No mais, acreditamos que a suspensão da pena única de prisão acima referida, condicionada eventualmente a regime de prova, garante adequadamente a satisfação das finalidades das penas, permitindo efetuar um juízo de prognose favorável no sentido de que o arguido, daqui em diante, conduzirá a sua vida em consonância com a normatividade;  rr) Já que, tendo em conta o fim educativo que a pena deve ter, no sentido de demover o Arguido da prática de novos crimes, bem como a sua reintegração e ressocialização, no futuro, a pena aplicada ao arguido, é demasiado severa;  ss) Ante o aqui espelhado, é forçoso concluir que o Tribunal a quo, ao condenar o arguido em 6 anos de prisão efetiva pela prática dos crimes de roubo, p. e p. pelo artigo 210, n. 1 do CP, violou, por conseguinte, o disposto nos artigos 40, 50, 51, 71 e 77, n. 2, todos do Código Penal, traduzindo-se a pena aplicada numa pena demasiado severa e desproporcionada, tendo em conta o que aqui foi relatado.