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Por sua vez, as entidades que promovem os eventos e que contratam os serviços da impugnante, quando organizam espetáculos culturais de acesso livre, isto é, sem cobrança de um bilhete, não prestam qualquer serviço oneroso da sua parte para com as pessoas que vão assistir aos espetáculos, inexistindo, consequentemente, valor acrescentado por parte do Promotor, não se impondo que este seja sujeito passivo de IVA; n) Seguir o entendimento propugnado pela Recorrente, levar-nos-ia ao ponto de existirem situações em que quando as prestações de serviços sejam efetuadas a um Promotor que é sujeito passivo de IVA e que não procede à cobrança de bilhete, as mesmas se encontrem isentas de IVA, enquanto que quando as mesmas sejam prestadas a um outro Promotor, que não é sujeito passivo de IVA e também não procede à cobrança de bilhete, apenas pelo facto de este não ser sujeito passivo de IVA, tais operações já não se encontrem isentas; o) Ou, mais grave ainda, poderíamos chegar a situações em que o serviço fosse prestado a um promotor que cobrasse bilhetes e em que, por este ser sujeito passivo de imposto, haveria isenção, enquanto que quando o mesmo fosse prestado a um outro promotor, que não o fizesse, estimulando o acesso aos espetáculos e à cultura de forma gratuita, tal isenção já não seria aplicável, apenas por não ser sujeito passivo de IVA - situação que, de resto, violaria a finalidade extra-fiscal que se visa prosseguir com a isenção em causa; p) "A jurisprudência europeia tem afirmado, em matéria de isenções de IVA, um princípio geral de interpretação estrita, porquanto as isenções constituem derrogações à regra geral de sujeição a imposto, o certo é que neste domínio específico – como no da saúde –, a jurisprudência europeia tem igualmente afirmado que tal interpretação deve ser feita em conformidade com os objectivos prosseguidos pelas referidas isenções e respeitando as exigências do princípio da neutralidade fiscal”; q) "O sentido da expressão ‘de um modo estrito’ não significa obrigatoriamente, quer do ponto de vista semântico, quer na própria acepção que se retira de outras afirmações do TJCE, uma ‘interpretação restritiva’ dos textos legais.