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E. Da culpabilidade da arguida   Resulta claro do elenco factual provado que a arguida  A...  era sobrinha da vítima  B...  por parte do marido,  .. ; que após a morte em 2005 do seu irmão .. , em cuja companhia  B...  viveu vários anos,  A...  e o seu marido,  .. , passaram a administrar o património da vítima, bem como, a gerir o estabelecimento comercial que a mesma possuía no rés do chão da residência sita na  ...) , em ...)  e na conta bancária da Caixa Geral de Depósitos, agência  ...) , que a vítima possuía, passou a constar, como co-titular, o sobrinho  .. , e a ser movimentada por este; que a arguida, juntamente com o seu marido, ficaram na posse do bilhete de identidade e do cartão de contribuinte da vítima; que a pensão de reforma que a vítima recebia, no valor de cerca de € 300,00, era entregue àqueles para que efectuassem o pagamento das despesas que a vítima possuía, nomeadamente: água, electricidade, mercearias e todas as despesas que aquela fazia nos estabelecimentos comerciais; que para além destes pagamentos, aqueles entregavam à vítima, no início da semana, a quantia de cerca de € 7,00, para as despesas suplementares daquela; que o valor da pensão de reforma que não era gasto, era utilizado pela arguida e marido, nas despesas do seu agregado familiar; revogando testamento anteriormente por si outorgado no Cartório Notarial de Santa Comba Dão a 3 de Fevereiro de 2004,  B... , a 20 de Junho de 2005, fez testamento, no mesmo Cartório, no qual instituiu, como seu único e universal herdeiro, o seu sobrinho  .. , marido da arguida  A... ; que pela vítima  B...  foram feitos vários testamentos ao sobrinho  .. , sendo os mesmos revogados quando o relacionamento entre ambos se deteriorava; que  B...  andava desagradada com a atitude do sobrinho e da arguida, uma vez que estes não lhe restituíam o bilhete de identidade e o cartão de contribuinte, apesar de inúmeras vezes instados para procederem à sua entrega, o que não fizeram, facto que originava discussões entre ambos; que a relação de  B...  com o seu sobrinho,  .. , agudizou-se no início do ano de 2009, altura em que a vítima descobriu que o valor da sua pensão de reforma era de cerca de € 350,00, enquanto que, de acordo com o que aquele e a esposa,  A... , lhe diziam, a falecida estava convicta de que se tratava de um valor bastante inferior; que nessa altura,  B...  pediu a uma vizinha que a ajudasse a obter novo bilhete de identidade, para poder ser ela a levantar a pensão de reforma e saber em que estado se encontrava a sua conta da Caixa Geral de Depósitos; que para o efeito, e na companhia da referida vizinha, dirigiu-se ao Serviço de Identificação de ...) , e solicitou novo bilhete de identidade, sendo-lhe entregue o correspondente documento de substituição; que com este documento,  B...  dirigiu-se à Caixa Geral de Depósitos, balcão de ...) , e assim obteve a informação de que o dinheiro que tinha na conta tinha sido levantado; que no dia 10 de Julho de 2009, em hora não concretamente apurada, o  ..  foi a casa de  B... , onde encontrou o envelope no qual tinha sido enviado o documento de substituição do bilhete de identidade, e confrontou a vítima com o mesmo, exigindo-lhe a entrega do documento, o que aquela não fez; que  ..  relatou à arguida, sua esposa, que tinha conhecimento de que a vítima havia adquirido o documento de substituição do bilhete de identidade; que no dia 15 de Julho de 2009, pelas 08H55,  A... , como o fazia habitualmente, levou o pão a  B... ; que ao chegar à residência da falecida, sita na  ...) , em ...) ,  A...  chamou a sua tia para o interior da residência, para lhe colocar gotas nos olhos, como era hábito, uma vez que aquela sofria de cataratas; que nesse momento, após a ofendida ter informado a arguida da revogação do testamento que beneficiava o seu marido, operada pela vítima, gerou-se discussão entre ambas, com troca de impropérios que não foi possível concretizar; que na sequência da discussão,  A...  lançou as mãos à cara de  B... , arranhando-a com as unhas na asa direita e esquerda do nariz e boca; que na mesma sequência, a arguida lançou as mãos ao pescoço da vítima e apertou-o, com força, durante um período de tempo que não foi possível apurar, mas que fez com que a vítima, com falta de ar, desfaleceu e caísse ao solo, ficando na posição de decúbito lateral esquerdo com as pernas semiflectidas, com os joelhos encostados à parede, e com o pé esquerdo em cima do último degrau da escada; que verificando que  B...  se encontrava caída no chão,  A...  abandonou de imediato o local; que devido à actuação da arguida,  A... , sofreu a vítima,  B... , na cabeça: várias escoriações lineares na asa esquerda do nariz, sensivelmente transversais, a mais distal com 10mm e a mais próxima com 15mm, escoriações lineares logo abaixo da asa direita do nariz, na região nasogeniana direita, a maior transversal com 5mm de comprimento, rodeada de equimose arroxeada com 5mmde eixo maior por 3mm de eixo menor equimose arroxeada na asa direita com 3mm de eixo maior por 2mm de eixo menor; várias pequenas escoriações na parte direita mais distal do nariz, a maior com 3mm de eixo menor por 1mm de eixo menor; equimose arroxeada na região bucal direita com 33mm de eixo transversal por 6mm de eixo longitudinal; outra equimose arroxeada situada na mesma região, mas localizada mais posteriormente com 15mm de eixo transversal e 5mm de eixo longitudinal, apresentando ainda uma escoriação linear com 4mm de comprimento; escoriação na parte mediana da região mentoniana com 15mm de eixo longitudinal e 1mm de eixo transversal; equimose arroxeada na região mentoniana metade, com 20mm de eixo longitudinal com 9mm de eixo transversal; - no pescoço: escoriação linear, transversal, na região cervical anterior com 6mm de comprimento; ponteado hemorrágico na região cervical lateral esquerda; - no abdómen: várias escoriações lineares na região lombar esquerda, a maior com 4cm de comprimento; - membros superiores: equimose arroxeada na região escapular direita com 7cm de eixo transversal com 3,5cm de eixo longitudinal; equimose arroxeada no terço médio da região braquial direita com 1cm de eixos; equimose avermelhada do cotovelo direito com 3,5cm de eixo transversal e 3cm de eixo longitudinal com ligeira esfoliação da zona; equimose arroxeada no dorso da mão direita, na transição entre a região metacárpia e falângica do 2 dedo, com 4cm de eixo transversal e 3,5 de eixo longitudinal; equimose arroxeada no terço proximal da região braquial anterior esquerda com 1cm de diâmetro; equimose arroxeada na metade lateral do punho esquerdo com 10cm de eixo transversal e 13cm de eixo longitudinal; equimose arroxeada no dorso da mão esquerda, próximo do punho com 1,5cm de eixo longitudinal e 1cm de eixo transversal; escoriação com crosta; - membros inferiores: esfoliação linear no terço proximal da região femoral direita com 2cm de comprimento; equimose arroxeada no terço proximal da região crural anterior direita metade com 2cm de eixo longitudinal e 2,5 de eixo transversal, equimose arroxeada no terço médio medial da região crural anterior direita com meio centímetro de diâmetro; escoriação no joelho direito com 1cm de diâmetro e escoriação linear no terço médio da região crural anterior esquerda com meio centímetro de comprimento; infiltração sanguínea do músculo esterno-cleido-mastoideu esquerdo e do musculo longo do pescoço esquerdo; infiltração sanguínea peri corno superior esquerdo da cartilagem tiróide; infiltração retro-faringea e infiltração sanguínea pelo arco anterior no 1 e 2 arcos intercostais esquerdos; que ao nível do hábito interno, na região da cabeça,  B...  apresentava tronco cerebral com presença de ponteado hemorrágico a nível da ponte terço distal metade, com cerca de 10 milímetros de diâmetro; que a morte de  B...  ocorreu devido a mecanismo reflexo inibitório, originado por compressão traumática cervical a nível dos seios carotídeos, conforme relatório de autópsia de fls.