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Por exemplo a "necessidade” de dinheiro para ir ao ca­sino ou a uma sala de bingo não configura a situação de necessidade pressuposta pelo crime de usura, não podendo o credor usurário ser considerado como autor do crime de usura.” Também é este o sentido propugnado por Castela Rio e Miguel Garcia10 apesar de o exemplo ser em tudo semelhante, "A necessidade de dinheiro para ir ao futebol não configura uma situação de necessidade relevante.”; 2 Uma interpretação da norma constante do artigo 226 segundo a qual se protejam interesses lúdicos ou vícios de jogo, como enquadrando a ex­ploração de situação de necessidade, viola o disposto nos artigos 18 e 32 da CRP; 2 Sempre se dirá que tendo sido apenas dado como provado uma situa­ção de empréstimo não se mostra preenchido a agravante do crime de usura; Não resulta que os recorrentes tivessem como modo de vida, por um período considerável, a concessão de empréstimos a juros desproporcio­nados;  3 Acresce que, em última análise, estão em causa empréstimos contraídos de livre vontade; 3 Por outro lado, o objectivo desses empréstimos tinham por objectivo a satisfação de um vício que não merece dignidade penal; 3 Refira-se, ainda, que, neste momento, são os recorrentes que estão seriamente prejudicados, pois, o LZ ficou a dever mais de 8000,00 euros; 3 A tudo isto, a primariedade e a inserção social dos recorrentes impunha, de resto, uma pena no limite mínimo e sempre suspensa na sua execução.