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-Não se verificando o vício de fundamentação do RIT sentenciado, padece a douta sentença de erro de julgamento em matéria de direito, conforme acima explanado, por ter violado o disposto o disposto no artigo 7, da LGT, bem como o artigo 7, do mesmo diploma; bem como ao n. 1, do artigo 12, do CPPT, e o n. 3, do artigo 60, do CPC, aplicável supletivamente, devendo considerar-se válido o acto tributário impugnado e, como tal, manter-se o mesmo na ordem jurídica.A sociedade impugnante/recorrida produziu contra-alegações no âmbito da instância de recurso cfr.fls.344 a 356 do processo físico), as quais encerra com o seguinte quadro Conclusivo: A-No relatório de inspeção tributária notificado à sociedade incorporada pelo Recorrido, não é feita qualquer referência, nem mesmo sucinta, às razões, de facto ou de direito, que, efetivamente, motivaram a aplicação da referida taxa agravada de 70%, plasmada na liquidação adicional de IRC impugnada, pelo que a mesma se encontra viciada de total falta de fundamentação; B-Atendendo ao disposto no número 3 do artigo 26 da Constituição da República Portuguesa e, bem assim, ao disposto no número 1 do artigo 7 da Lei Geral Tributária, a fundamentação consiste num requisito formal do ato administrativo e tributário), que visa responder às necessidades de esclarecimento do seu destinatário, consistindo na explicitação das razões, de facto e de direito, que levaram o autor à prática do mesmo e, naturalmente, a dotá-lo de certo conteúdo; -No domínio das relações jurídicas tributárias, a fundamentação visa exteriorizar aquele que foi o procedimento interno de formação da vontade decisória da Autoridade Tributária, esclarecendo devidamente os respetivos destinatários a respeito da motivação do ato, nunca numa lógica abstrata, mas sim com referência à situação concreta em causa;  -No caso concreto, atento o relatório de inspeção tributária que serviu de fundamento à liquidação sob escrutínio, está-se, apenas, perante um mero "simulacro” daquilo que é, efetivamente, exigido, quer pela Constituição da República Portuguesa, quer pelas demais normas atinentes ao dever legal de fundamentação, vertidas nos códigos tributários, uma vez que a Autoridade Tributária se limita a referir, na parte inicial do relatório de inspeção tributária, que "o A Investimentos, SA encontra-se registado para efeitos fiscais no 10 Serviço de Finanças de Lisboa, pelo exercício da actividade bancária, estando sujeito ao regime geral de tributação de IRC e ao regime de isenção temporária, relativamente à sucursal financeira exterior na Zona Franca da Madeira”, procurando dar um "salto” lógico - que, na realidade, não é acompanhável por um "destinatário normal” deste ato, tornando-se, nessa medida, ilógico -, para a aplicação, sem mais, do disposto no número 2 do artigo 8 do Código do IRC, referindo que "procede-se, nos termos do n. 2 do Art 81 do CIRC, à tributação autónoma € 40782,62 70%57689,45)”; E-A jurisprudência dos Tribunais superiores refere-se ao "destinatário normal” dentro do arquétipo do homem médio - o referido bonus pater familiae -, suposto pela ordem jurídica, exterior ao caso concreto, com a experiência razoável da vida e das coisas, considerando o Recorrente que, no presente caso, face à parca motivação aventada pela Autoridade Tributária no relatório de inspeção que, desde já se diga, assenta num juízo meramente conclusivo, sem a componente, não é possível garantir que o "destinatário normal” fique ciente da lógica do raciocínio seguido pelos serviços, apreendendo adequadamente, sem ter de recorrer à intuição, os fundamentos da decisão; F-Não pode, neste contexto, ser um sujeito passivo castigado - através da sonegação da fundamentação que lhe é devida -, pelo facto de, possivelmente, deter uma estrutura técnica e humana capaz de o tornar apto a intuir e apenas, em maior medida e quiçá, com maior, acerca da problemática jurídica eventualmente em causa e, bem assim, do acervo factual em crise; G-O facto de, apenas e só por intuição e dedução), ter a sociedade incorporada pelo Recorrido procurado reagir contra o ato tributário sub judice, não pode eximir a Autoridade Tributária do dever de fundamentação que sobre a mesma se impõe por força da Lei Geral Tributária e da Constituição da República Portuguesa, pois tal significaria esvaziar de qualquer sentido o dever de fundamentação que impende sobre a Administração, em sentido lato, pondo em risco a concretização dos seus diversos propósitos e, mais grave, legitimando-se a violação de um direito-garantia, com assento constitucional, por parte da Autoridade Tributária;  H-O cumprimento das exigências de fundamentação pressupõe que o destinatário do ato possa aceder ao iter cognoscitivo e valorativo da entidade decisora, por forma a que, eventualmente, possa impugnar o mesmo de forma esclarecida, sem ter de o fazer baseado em meras suposições ou presunções, o que não sucedeu no caso concreto;  -No presente caso está-se perante uma fundamentação do tipo conclusivo, pois que a Autoridade Tributária parte de um sintético enquadramento de uma entidade in casu, o A Investimentos, S.A.), em matéria fiscal, para, sem lograr efetuar uma demonstração clara e lógica, considerar que se impõe tributar autonomamente, a uma taxa gravada, alegadas despesas confidenciais ou não documentadas referentes àquela entidade, sem nunca explicar, concretamente, por que razão estaria abrangido pelo escopo de aplicação do disposto no número 2 do artigo 8 do Código do IRC, deixando essa tarefa de "adivinhação” para a sociedade incorporada pelo Recorrido; J-De uma leitura atenta da reclamação graciosa apresentada pela sociedade incorporada pelo Recorrido, resulta que a argumentação aventada é o produto da mera intuição e indagação daquela, o que é manifesto face à redação adotada naquela sede;  K-A vingar na ordem jurídica o entendimento no sentido em que a intuição do destinatário do ato, corporizada na sua reação perante um ato administrativo in casu, tributário), claramente ablativo da sua esfera patrimonial, é suscetível de converter em cumprido o dever de fundamentação que impende sobre a Autoridade Tributária e que configura um direito-garantia dos administrados -, está-se a esvaziar de conteúdo esse mesmo dever de fundamentação, tornando-o irrelevante e verdadeiramente inócuo, o que não pode ser admitido pelo Tribunal ad quem;  -Embora a Recorrente questione o facto de o vício de falta de fundamentação não ter sido arguido em sede de reclamação graciosa, bem como em sede de recurso hierárquico, parece ignorar, de forma obtusa, que a impugnação judicial não está limitada aos argumentos alegados em fase procedimental, podendo ter como fundamento qualquer ilegalidade do ato tributário, como é o caso da falta de fundamentação e, portanto, o Tribunal a quo estava, como o fez, adstrito ao conhecimento do referido vício; -Não pode considerar-se suprida a falha da Autoridade Tributária, ao nível da fundamentação, face aos argumentos que posteriormente fez constar da decisão de reclamação graciosa, em que, por fim, vai mais além, tentando colmatar a falta de fundamentação relativamente aos requisitos exigíveis para aplicação da taxa de tributação autónoma agravada de 70% aos sujeitos passivos total ou parcialmente isentos, aí incluindo a sucursal financeira detida pela sociedade incorporada pelo Recorrido; N-O Recorrido não estava obrigado a lançar mão do mecanismo previsto no artigo 3 do Código de Procedimento e de Processo Tributário, porquanto o mesmo não tem o propósito de proporcionar à Autoridade Tributária um período adicional para colmatar, a posteriori, a eventual falta de fundamentação das liquidações de imposto já notificadas aos sujeitos passivos, desde logo porque a emanação dos atos tributários, e independentemente da sua válida notificação posterior, deve ser contemporânea e contextual à sua própria fundamentação, ou seja, aquela que se integra no próprio ato, e em face da qual se procede à apreciação contenciosa da respetiva legalidade, sendo que, no caso em análise, facilmente se constata que o vício de falta de fundamentação é reconduzível ao próprio ato de liquidação notificado, tendo sido isso mesmo alegado pelo Recorrido na sua petição inicial;  O-Constata-se, portanto, que a sentença recorrida não se revela merecedora de qualquer censura, devendo a mesma manter-se válida na ordem jurídica nos termos em que foi prolatada pelo Tribunal a quo e, em consequência, ser anulada a liquidação adicional de IRC respeitante ao exercício de 2001, na parte respeitante à aplicação da taxa agravada de tributação autónoma às despesas confidenciais incorridas pelo Recorrido, em razão da manifesta falta de fundamentação de que padece.