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do Código Civil; - o artigo 201-A - introduzido pela Lei n. 61/2008, de 31 de Outubro e vigente a partir de 30 de Novembro de 2008 - introduziu uma importante alteração em matéria de alimentos entre ex-cônjuges, estabelecendo a regra de que o direito a alimentos não deve perdurar para sempre, competindo ao ex-cônjuge providenciar e esforçar-se pela angariação de meios de subsistência e não ficar dependente do outro ex-cônjuge e, este, por sua vez, eternamente vinculado a essa obrigação, assumindo natureza temporária, com vista a permitir ao cônjuge que deles carece a satisfação das suas necessidades básicas nos primeiros tempos subsequentes ao divórcio, de modo a permitir-lhe o mínimo de condições para reorganizar a sua vida; - para a determinação do montante de alimentos a atribuir ao ex-cônjuge necessitado, além dos elementos indicados no artigo 201, n. 3, acrescentara-se três factores de ponderação: a duração do casamento, a colaboração prestada à economia do casal e um novo casamento ou união de facto; - cada um dos ex-cônjuges deverá em princípio prover à sua subsistência e só se a um deles tal não for de todo possível, terá então o direito a receber alimentos do outro cônjuge, em montante que lhe permita garantir um mínimo de vida digna, e sempre de acordo com as reais possibilidades económicas do ex-cônjuge obrigado a prestá-los; - para apuramento das necessidades do cônjuge beneficiário - credor da prestação de alimentos -, tem o Tribunal de tomar em consideração, em face do custo de vida, todos os gastos necessários ao seu sustento alimentação, saúde), para além dos referentes à habitação onde se deverão incluir os consumos de energia, água e telecomunicações) e vestuário, a duração do casamento, a colaboração prestada à economia do casal, a idade e estado de saúde dos cônjuges, as suas qualificações profissionais e possibilidades de emprego, o tempo que terão de dedicar, eventualmente, à criação de filhos comuns, os seus rendimentos e proventos, um novo casamento ou união de facto e, de modo geral, todas as circunstâncias que influam sobre as necessidades do cônjuge que recebe os alimentos e as possibilidades do que os presta; - o casamento dos autos durou cerca de 14 anos, os cônjuges residem em casas separadas desde Março de 2020; - a Ré Reconvinte durante parte significativa da união conjugal dedicou-se ao estudo, tendo adquirido qualificação profissional como terapeuta de medicina chinesa / acupuncturista actividade que ainda exerceu por conta própria mas que interrompeu por ter recebido ordem de deixar o local onde a desenvolvia - propriedade de familiares do Autor Reconvindo e por força das medidas excepcionais decretadas aquando da pandemia de; - os cônjuges são saudáveis e jovens; - o Autor Reconvindo é mecânico de refrigeração por conta de outrem e irregularmente por conta própria); - a filha de ambos, está – em desrespeito pela decisão do Tribunal - a residir com a mãe e que o pai não se encontra a contribuir com qualquer montante a título de pensão de alimentos ou para as despesas da menor; - estão demonstradas as necessidades da Ré Reconvinte no recebimento de alimentos ausência de rendimentos fixos provenientes do trabalho, fracos proventos decorrentes da confecção caseira de bolos; despesas mensais fixas de cerca de €672); - o Reconvindo aufere cerca de €432 mensais líquidos, apresentando despesas na ordem dos €743; - a situação económico-financeira do Autor Reconvindo é significativamente superior à da Ré Reconvinte, pelo que subsistem fundamentos para que aquele seja obrigado a prestar-lhe alimentos; - a Ré Reconvinte cumpriu o ónus da prova das suas necessidades e de que o Autor Reconvindo tem possibilidades de os prestar; - €1751é um valor proporcional aos rendimentos e despesas do Autor Reconvindo e necessária perante as despesas e actuais da Ré Reconvinte, tudo tendo em consideração que de momento o Autor Reconvindo não se encontra obrigado ao pagamento de prestação alimentícia devida à filha menor de ambos; - não obstante a ideia de solidariedade pós) conjugal e de um dever de assistência, o legislador introduziu o carácter temporário da obrigação, estando em causa apenas a garantia de um mínimo de vida digno e de uma obrigação de socorro numa situação de grande exigência resultante de manifesta carência de meios de subsistência num quadro de impossibilidade ou séria dificuldade de obtenção de rendimento suficiente à realização de uma vida minimamente condigna; - a pensão atribuída será determinada por dois anos, porquanto é expectável que a Ré Reconvinte consiga começar a obter proventos que garantam a sua subsistência.