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O que o recorrente pretende sustentar, no âmbito da verificação positiva da negligência exigida pelo tipo-de-ilícito, é que o Tribunal a quo não retirou as devidas ilações do "denominado princípio da confiança”, nomeadamente a valoração da conduta da vítima como perigosa e censurável, por não usar colete refletor, o qual era de utilização obrigatória naquele local, e ainda o ter-se colocado agachado "entre as traseiras de dois camiões, num local de risco, num dia de chuva intensa e de muito reduzida visibilidade, sendo por isso legítimo que o arguido confiasse que a vítima cumpria com tais deveres, dado que este também era motorista profissional.” Acrescentando que ao Tribunal a quo "competia ainda lançar mão do princípio da autorresponsabilidade da vítima, considerando que a sua conduta, porque temerária, revelou-se absolutamente inadequada e inesperada e como tal foi esta conduta que realizou do risco e, consequentemente, não se poderá considerar que o arguido ultrapassou o risco permitido.” Sendo curioso notar que, invocando um princípio que teve origem jurisprudencial, no direito alemão, no âmbito do tratamento de casos surgidos no tráfego rodoviário "quem se comporta no tráfico de acordo com a norma de cuidado deve poder confiar que o mesmo sucederá com os outros; salvo se tiver razão concretamente fundada para pensar ou dever pensar de outro modo”1), mas que se estendeu depois a outros domínios, venha simultaneamente pretender afastar uma das normas do Código da Estrada invocada pelo Tribunal a quo, mais precisamente o art.