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322 e 323, a relevância do abuso de direito, na modalidade de venire contra factum próprio, pressupõe -Uma situação de confiança, traduzida na boa fé subjectiva e ética, própria da pessoa que, sem violar os deveres de cuidado que ao caso caibam, ignore estar a lesar posições alheias; -Uma justificação da confiança, reconduzida à existência de elementos objectivos capazes de, em abstracto, provocarem uma crença plausível; é necessário que a confiança se tenha alicerçado em elementos razoáveis, susceptíveis de provocar a adesão de uma pessoa normal; -Um investimento de confiança, que consiste em, da parte do sujeito, ter havido um assentar efectivo de actividades jurídicas sobre a crença consubstanciada; a pessoa a proteger deve ter desenvolvido toda uma actuação baseada na própria confiança; actuação essa que não pode ser desfeita sem prejuízos inadmissíveis; -Uma imputação da confiança, a qual implica que a pessoa que vai ser atingida pela protecção dada ao confiante, por acção ou omissão, tenha dado lugar à entrega do confiante em causa ou ao factor objectivo que a tanto conduziu.