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"; Proc 67971: "O abuso do direito abrange também o exercício de direito que faça clamorosamente ofensiva do sentimento jurídico dominante de modo a colocar em causa o gozo de direitos de terceiro, criando uma desproporção objetiva entre a utilidade do exercício do direito pelo seu titular e as consequências que outros têm de sofrer.. 23) Patente está igualmente o "abuso do direito" na modalidade de "venire contra factum proprium" na medida em que, estando clarissimamente reconhecidos os valores que a Ré reclamou, a Autora os não quer pagar, sendo certo que não tinha dificuldades em fazê-lo, Por outro lado, 24) O artigo 33911 do Código Civil dispõe que "É lícita a acção daquele que destruir ou danificar coisa alheia com o fim de remover o perigo atual de um dano manifestamente superior, quer do agente quer de terceiro";  25) Não estão em causa a destruição nem o dano, está em causa o simples uso; Mas como é regra do Direito "quem pode o mais, pode o menos"; pelo que com o fim de acautelar o perigo da sua extinção só equiparável à morte nas pessoas e dos interesses dos seus trabalhadores, a Ré carece de exercer a sua actividade no locado; E carece, como é bem patente, de continuar a exercê-la enquanto não lhe forem pagas as benfeitorias; 26) Ora, a caução em substituição do direito de retenção impede a continuação da utilização, com as mencionadas consequências, e conflitua com um verdadeiro "direito à vida" por parte da Ré; 27) Em tal conflito, o caso sub judice é também subsumível às regras da "colisão de direitos”, previsto pelo artigo 335 do Código Civil, nos termos do qual "Se os direitos forem desiguais ou de espécie diferente, prevalece o que deva considerar-se superior.