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No que respeita à iminência do perigo, Marco Carvalho Gonçalves8 distingue dois tipos de situações: «o evento danoso já se verificou, mas os seus efeitos prolongam-se no tempo, agravando a lesão do direito do requerente; o evento danoso ainda não se verificou, mas é previsível que venha a verificar-se mediante um conjunto de indícios que demonstram a iminência da lesão» Afirma ainda este autor que «a providência cautelar deve ser indeferida, porque injustificada, nos casos em que o requerente se tenha conformado com a situação de perigo que ameaça afetar o seu direito, assumindo uma conduta inerte e passiva perante esse facto», acrescentando que «só assim não sucederá se se tiver verificado alguma superveniência objetiva ou subjetiva que, pela sua natureza ou pelas consequências dela resultantes para a esfera jurídica do titular do direito ameaçado, justifique a adoção urgente de uma providência cautelar» No caso em apreço, os requerentes encontram-se impedidos de aceder ao seu prédio rústico há cerca de 12 anos, em virtude da atuação da requerida, estando assim há muito impossibilitados de o usufruírem como proprietários, mas a verdade é que só agora, decorridos todos estes anos, instauraram o presente procedimento cautelar, pelo que não se pode dizer que exista um qualquer elemento superveniente suscetível de alterar a descrita situação1 Ademais, nada foi alegado ou demonstrado que só agora se tenha justificado a instauração do presente procedimento cautelar, tanto mais que, como resultou provado, os requerentes gostam de efetuar tarefas agrícolas, obtendo deste modo produtos hortícolas para si e para os seus filhos, bem como, ao desempenharem tais tarefas, ocupam de forma saudável o seu tempo.