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Síntese/conclusiva:   - Configura manobra de salvamento ou de último recurso a conduta empreendida pelo condutor de um veículo que, vendo cortada a sua linha de trânsito perante o inesperado surgimento na sua hemifaixa de rodagem de um veículo em contramão, tenta de forma instintiva mudar de direção para o único local que lhe era possível; - Apesar de não ter conseguido evitar o embate, verifica-se uma adequação causal entre a conduta levada a cabo e o resultado pretendido;  - Se é certo que, na generalidade dos casos, a privação do uso impede o proprietário de dispor da coisa e de a usar como entender, poderão ocorrer situações em que o proprietário não tenha interesse em usá-la, não pretendendo dela retirar qualquer utilidade, caso em que não poderá considerar-se verificada qualquer alteração da respetiva situação decorrente da privação do uso; - Este dano é indemnizável quando se prova que o veículo não mais voltou a poder circular devido ao acidente, impedindo a autora de o utilizar como anteriormente ainda que o destinasse a empréstimo à sua filha; - A valoração do dano patrimonial futuro decorrente da incapacidade ou défice funcional permanente de que a autora ficou a padecer assenta num critério de equidade, conforme decorre do disposto no artigo 56, n. 3, do devendo o tribunal julgar equitativamente dentro dos limites que tiver por provados dada a impossibilidade de se averiguar o valor exato dos danos; - Sobre a questão da ressarcibilidade dos danos não patrimoniais sofridos por outrem, em casos de lesão corporal de que não sobreveio a morte do lesado imediato, importa considerar a orientação enunciada no AUJ n. 6/2014, de 09-01-2014, a qual pressupõe sempre que os danos do lesado sejam de particular gravidade e que o sofrimento que determinaram no outro possa qualificar-se de forma idêntica, ainda que reportada expressamente ao direito do cônjuge.