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964, são quatro os pressupostos da protecção da confiança, ao abrigo da figura do "venire contra factum proprium”: "...) - Uma situação de confiança, traduzida na boa fé própria da pessoa que acredite numa conduta alheia no factum; -  Uma justificação para essa confiança, ou seja, que essa confiança na estabilidade do factum proprium seja plausível e, portanto, sem desacerto dos deveres de indagação razoáveis; -  Um investimento de confiança, traduzido no facto de ter havido por parte do confiante o desenvolvimento de uma actividade na base do, factum proprium, de tal modo que a destruição dessa actividade pelo e o regresso à situação anterior se traduzam numa injustiça clara; -  Uma imputação da confiança à pessoa atingida pela protecção dada ao confiante, ou seja, que essa confiança no factum lhe seja dealgum modo recondutível.” Cumprindo então verificar se ocorre fundamento para, como o entende a Recorrente, ter por abusivo o exercício do direito por parte da Exequente, paralisando assim como o pretende a execução da sentença, impõe-se desde logo ter em devida conta que estamos perante um direito que foi já afirmado por sentença, em fase declarativa, sendo nessa, e não pois na fase executiva, que se terão de apreciar todas as razões que as partes interessadas porventura tenham para a sua afirmação ou não do, sendo que, ainda que porventura não transitada em julgado, a lei processual atribui à sentença a natureza de título executivo, exequível pois independentemente daquele trânsito, muito embora salvaguardando, num equilíbrio desejável dos interesses em causa, do modo pois como o legislador o teve por adequado, mecanismos de salvaguarda/proteção para a eventualidade de, em sede recursiva, o direito afirmado por aquela sentença vir a ser modificado ou até negado.