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Nesse seguimento, a Recorrente apresentou alegações, nas quais concluiu nos seguintes termos: "1) A liquidação impugnada resultou da não aceitação, por parte da Administração Tributária, da perda ou incobrabilidade de um crédito que a recorrente detinha sobre a sociedade S.; 2) O referido crédito resultou de suprimentos efectuados à S. pela sociedade , que era a sua única accionista, sendo que, com tais suprimentos, a S. adquiriu um património vultuoso, constituído por acções representativas do capital social do B. S.; 3) As referidas "acções S.” geraram para a S. dividendos de elevado valor; 4) Para pagamento da dívida que a S. tinha para com a sua sócia , ela vendeu a esta, a preço de mercado, as referidas "acções S.”, mas o valor assim obtido foi inferior à dívida, razão pela qual a continuou credora da S.; 5) A veio a ser cindida, dando origem a várias sociedades, entre as quais a recorrente, recebendo esta, como decorre de um processo de cisão, na proporção, parte dos activos e passivos da ; 6) Entre os activos recebidos pela recorrente estavam "acções S.”, uma participação na S. e um crédito sobre esta; 7) A S. foi dissolvida e liquidada, apurando-se, nesse processo de liquidação, a inexistência total de activos, pelo que o crédito que a recorrente detinha sobre a S. deixou de ser cobrável; 8) Na não aceitação, como custo fiscal, dessa incobrabilidade do crédito da impugnante sobre a S., a Administração Tributária invocou o n 1 do art 23 do CIRC como norma/fundamento da correcção efectuada, considerando não estar provado que a concessão dos suprimentos gerou rendimentos tributáveis; 9) Trata-se de uma errónea concepção sobre a legal e necessária ligação entre custos e proveitos - os custos fiscalmente aceites não são aqueles que geram proveitos, mas sim aqueles que são potencialmente aptos a gerarem proveitos; 10) Ora, é evidente que a concessão de suprimentos pode permitir - como, aliás, permitiu - que a S. adquirisse um relevante património as "acções S.”) potenciador de rendimentos, quer para si, quer para a sua sócia , seja por via de dividendos, seja por via de mais-valias; 11) Sendo certo, além de mais, que, efectivamente, as sociedades em causa a S. e a obtiveram proveitos resultantes dessas acções S.”; 12) O juízo de conformidade entre proveitos e custos estabelecido no art 23 do CIRC tem que ser efectuado em relação à e à S., na medida em que foi aquela que concedeu os suprimentos a esta; 13) Tal circunstância não põe em causa a aceitabilidade do custo na esfera jurídica da recorrente, na medida em que esta nasceu de um processo de cisão-dissolução da , razão pela qual a recorrente, quer em face do regime de cisão estabelecido no art 119,, do Código das Sociedades Comerciais, quer em face do regime de neutralidade fiscal da cisão estatuído no art 74 do CIRC, é uma "continuidade” da ; 14) De qualquer forma, está provado que a recorrente auferiu rendimentos dividendos e mais-valias) gerados pelas "acções S.” adquiridas com os suprimentos efectuados pela ; 15) É, assim, ilegal, a não aceitação do custo com base no n 1 do art 23 do CIRC; 16) A Administração Tributária invocou, também, o art 39 do CIRC para não aceitar a incobrabilidade do crédito e o seu concomitante reflexo como custo fiscal, fundamento esse considerado legal pela douta sentença recorrida; 17) Ora a própria Administração Tributária afirma que a S. não tinha activos e, portanto, não podia pagar as suas dívidas; 18) Sendo certo que, em resultado da dissolução/liquidação da S., "executou- se” todo o seu património, constatando-se, de modo indiscutível, que ele era, de todo em todo, inexistente; 19) A dissolução/liquidação da devedora é uma forma clara e evidente de diligências para a cobrança de crédito; 20) À semelhança do que acontece num processo de insolvência, através da dissolução/liquidação de uma sociedade, "executa-se” o seu património para, assim, pagar aos credores - ora, repete-se, no caso, "executou-se” a S. e constatou-se a inexistência de qualquer activo para solver dívidas; 21) Essa inexistência de bens e, portanto, a indiscutível incobrabilidade do crédito está também demonstrada nas declarações fiscais apresentadas pela S., em relação às quais existe, nos termos do art 75 da LGT, a presunção de verdade; 22) A não se entender assim, o sócio credor de suprimentos - como era o caso da recorrente - veria, logo à partida, a sua capacidade de beneficiar do regime dos créditos incobráveis amputado, uma vez que, de acordo com o disposto no artigo 245, n 2 do Código das Sociedades Comerciais, "os credores por suprimentos não podem requerer, por esses créditos, a falência da sociedade 23) Tal entendimento conduz à "penalização fiscal” dos credores por suprimentos face aos restantes credores sociais, uma vez que, repete-se, os credores suprimentistas não podem requerer a falência da sociedade devedora; 24) Tal interpretação do art 39 do CIRC, conduz à violação do princípio constitucional da tributação das empresas pelo lucro real art 104, n 2, da Constituição; 25) Assim, a douta sentença recorrida não pode manter-se”.