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Assim, nas circunstâncias que antecederam, contemporâneas ou posteriores ao cometimento do delito e que influenciam a determinação da pena, de modo a concretizar-se o tipo e a gravidade da mesma, têm de ser ponderadas as circunstâncias, desfavoráveis e as favoráveis: As primeiras: - o grau elevado de ilicitude dos factos, atendendo ao circunstancialismo em que os mesmos ocorreram e o período de tempo em que os mesmos foram praticados, entre 2014 a 2017; - a existência, e sempre, de dolo directo na sua forma mais; - a ausência de comportamentos exteriores consentâneos com a interiorização do desvalor da conduta e de censurabilidade dos seus comportamentos; - a assunção de uma postura auto complacente e de auto justificações; - o facto de a arguida ser advogada, por ter sido nessa qualidade e por causa dela, que os factos foram praticados, impendendo sobre a mesma especiais de deveres de zelar pelos interesses dos demandantes/assistentes, para além dos deveres éticos e deontológicos que deviam ter sido especialmente levados a cabo pela arguida, o que agrava as suas condutas, visto que requer maior energia criminosa; - a circunstância de os assistentes/demandantes serem estrangeiros, residentes no estrangeiros e sem qualquer domínio sobre a língua portuguesa, o sistema jurídico português e sobre os procedimentos subjacentes à compra/venda de imóveis, o que agrava o carácter reprovável e censurável das condutas da arguida, explorando as vulnerabilidade que advinham das barreiras linguísticas e distância física/geográfica; - a inexistência de ressarcimento dos ofendidos, denotando a arguida uma postura de indiferença para com as consequências pessoais e familiares por aqueles vivenciadas e absoluto alheamento quanto às repercussões patrimoniais, assumindo uma atitude exclusivamente movida pelos seus egotistas interesses e satisfação das suas necessidades e vontades sendo que o ressarcimento parcial do prejuízo patrimonial sofrido pela demandante GG proveio do montante transferido pelo demandante FF, como se provou, o que reforça a convicção do Tribunal no sentido da extrema gravidade das condutas preconizadas pela arguida, dada a facilidade, a ligeireza e a rapidez com que se predispõe a utilizar tais quantis para os fins que bem entendia e que somente visavam a satisfação das suas necessidades e. A favor da arguida depõem as seguintes circunstâncias: - o reconhecimento de algum dos factos, embora de forma parcial e com muitas reservas; - a integração social, familiar e pessoal; - a imagem de respeitabilidade e empenho/brio/eficiência profissionais junto dos pares e no seio das suas relações pessoais e sociais; - o facto de nada constar do seu certificado de registo criminal; - a circunstância de, na actualidade, ter a sua inscrição na Ordem dos Advogados suspensa; - a doença bipolar, com perturbação narcísica da personalidade de que padece, mas, e em contraponto, do que a arguida estava perfeitamente ciente, dado o hiato temporal em que a mesma já lho tinha sido diagnosticada, e a arguida insistiu em ter contacto com clientes e em receber destes avultadas quantias monetárias, renovando sistema e reiteradamente a sua conduta ilícita.