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B., concluindo que aquela , estava naquelas circunstâncias espácio-temporais descritas em  e praticou os factos ali descritos, razão pela qual veio aquela a ser ali condenada pelo crime de dano;” 21) Porém, inexplicavelmente, considerou o julgador a quo que pela simples e mera divergência de depoimentos de testemunhas num outro processo, no qual se registaram testemunhos diametralmente opostos e contraditórios, seria de atribuir maior credibilidade a uns em detrimento de outros o da, quando esses depoimentos ocorreram nesse outro processo e não no presente, sendo a apreciação da culpa necessariamente concreta e tendo de acontecer nestes autos e não no dito processo; 22) Isto porque, a menor credibilidade atribuída ao depoimento da arguida no dito processo não importa automaticamente que esta estaria consciente e deliberadamente a mentir e consciente da sua conduta ilícita, isto é, a maior credibilidade foi para apurar os factos provados aí nesse dito processo e tal maior credibilidade não é automaticamente transmissível como para os presentes autos que apreciam coisa diversa e apreciação diversa de culpa; 23) Lida a douta sentença – factos e provas – extrai-se desde logo que aquilo que existe é apenas e só a mera divergência e contraditoriedade objectiva do conteúdo do depoimento da arguida face aquilo que foi dado como matéria assente e provada no sobredito processo, daí inferindo o julgador a quo que aquela mentiu, ciente e deliberadamente e por isso estaria verificada a globalidade dos elementos do sobredito crime, mas tal constatação não é possível de fazer de forma automática como foi; 24) Com a devida vénia, entende a recorrente que o julgador fez errada apreciação dos factos e dos elementos de prova constantes do processo quando considerou que a divergência do depoimento da arguida face à verdade processual apurada naquele processo era suficiente para a condenação da mesma, só porque o seu depoimento teria merecido menor credibilidade face à restante prova; 25) O que importa aferir e provar sem qualquer margem para dúvidas nos presentes autos é se, face a essa divergência de depoimentos, existia também divergência real entre a percepção e o conhecimento que a arguida tinha da realidade objectiva dos factos e aquilo que efectivamente declarou, o que in casu não sucedeu pois tal prova não foi feita nem existem factos concretos que permitam o seu preenchimento; 26) A análise que se impunha ao julgador a quo e que este olvidou por completo, era a de aferir se existiam factos e prova concreta e irrefutável de que a arguida tinha ciência e consciência de uma realidade e deliberadamente relatou uma outra diversa para assim dar um álibi à mãe e evitar que aquela fosse condenada; 27) A douta sentença partiu de uma interpretação hipotética e altamente falível do teor das declarações prestadas pela arguida, centrada num dos muitos possíveis cenários que igualmente deveriam ter sido sopesados e ainda na contraditoriedade do mesmo face aos depoimentos de outras testemunhas, mais credibilizados pelo julgador noutros autos, considerando tais elementos como suficientes para uma condenação, mas nada se apurou de facto quanto á arguida, isto é, se de facto esteve ou não numa festa, se a mãe se ausentou dessa festa ou não sem o seu conhecimento, se a arguido quis mentir ou não, se foi a mãe que lhe mentiu a ela própria, etc, etc; 28) A douta sentença empregou erradamente o conceito de "falso testemunho”, considerando que tal se verifica apenas atenta a desconformidade entre a declaração e a realidade das coisas que se veio a ter como "verdadeira” no processo ao invés de procurar apurar se existia desconformidade ente a declaração e a ciência da testemunha que ela conhecia e omitiu; 29) O que se demonstrou e provou nos presentes e que de resto consta da acusação foi apenas e só a divergência entre aquilo que a arguida declarou e a realidade que se deu como provada e assente, o que por si só não demonstra, evidencia ou permite aferir de forma cabal que a arguida ciente e deliberadamente conhecia uma realidade diferente daquela que declarou; 30) O crime de falso testemunho não se queda pela simples contraditoriedade de testemunhos, nem pela contraditoriedade entre os factos dados como assentes e provados e os factos trazidos por uma testemunha, sendo sim imperioso que se demonstre e prove sem margem para dúvidas que, no momento em que presta declarações, conhecia uma realidade diferente daquela que relatou e fez essa "omissão” consciente e deliberadamente; 31) A não ser assim, em cada processo com depoimentos contraditórios teríamos forçosamente crimes de falsos testemunhos; 32) Os conceitos de "verdade” e "sinceridade” não são sinónimos nem um é dependência do outro: o depoente não deixa de faltar à verdade quando está sinceramente convencido de que está a dizer a verdade, mas o que diz não corresponde à realidade das coisas Cfr.