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Este arrolamento não está contudo dependente da alegação e prova do justo receio de extravio, ocultação ou dissipação de bens, móveis ou imóveis, ou de documentos2 Importa salientar que o arrolamento pode ter como objeto, para além dos bens próprios do requerente que se encontrem na posse do outro cônjuge, os bens do casal a serem partilhados e "tem como finalidade garantir que tais bens existam no momento em que se efetue a partilha”2 Vale isto por dizer que, tendo em conta as suas finalidades especificas, não pode ser pedido o arrolamento de bens próprios do requerido, nem tão-pouco de bens de que o requerente e requerido sejam comproprietários, já que esses bens não podem ser objeto de partilha no âmbito de um processo de inventário subsequente à dissolução do casamento2 A situação de conflito que normalmente acompanha o tipo de situação em causa faz "presumir”, juris et de iure, o periculum in mora, quer no plano da prova, quer no da própria alegação2 Entende-se também que o requerente está igualmente dispensado de demonstrar a probabilidade da procedência da ação proposta ou a propor2 Assim, para ser decretada a providência cautelar especificada de arrolamento de bens comuns do casal ou de bens próprios sob a administração do outro cônjuge, o cônjuge requerente deve provar que é ou foi casado com o cônjuge requerido ficando portanto excluídas as situações em que requerente e requerido vivam em união de facto, face à inexistência de património comum que seja suscetível de ser, e que existe a probabilidade séria de os bens que pretende arrolar serem comuns ou, pelo contrário, próprios, estando, no entanto, os mesmos sob a administração do cônjuge requerido3 Ora, como se extrai da matéria de facto provada, apelante e apelada são casados entre si, e havendo uma probabilidade séria de os bens pretendidos arrolar serem comuns, verificados estavam, os pressupostos para ser decretada a providência requerida.