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Como refere o mesmo autor, não se nega que tenha havido incumprimento de algum dever de cuidado, mas deve-se afastar a responsabilidade criminal do agente – Direito Penal Especial, Crimes Contra as Pessoas,  edição, Quid Juris, p. 14  De igual modo, afigura-se que Figueiredo Dias e Nuno Brandão seguem entendimento semelhante, quando referem que, se um condutor "fura” a luz vermelha de um cruzamento em condições de plena visibilidade e quando as vias estão desertas, não comete o tipo de ilício do homicídio negligente se outrem se atira subitamente para debaixo do automóvel e vem em consequência disso a morrer – Comentário Conimbricense do Código Penal,  edição, Coimbra Editora, p. 17  Podemos ainda dar mais dois exemplos: o condutor que, num cruzamento de uma zona citadina, segue em excesso de velocidade correspondente à uma velocidade instantânea de 60 km/h, atravessando o mesmo por confiar num sinal verde, não deve ser responsabilizado se outrem atravessar o sinal vermelho e tornar inevitável o embate, ainda que se venha a julgar provado que se o primeiro seguisse a 50 km/h teria logrado parar o seu veículo antes do embate.