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Pelo que, muito estranho seria se, com três contratos para a execução das mesmas tarefas, ou pelo menos de tarefas em tudo tocantes, para o mesmo território, não tivesse sido garantida a limpeza e manutenção de toda a rede viária no ano de 2019 início do ano de 2020; Não é verdade que apenas este contrato de ETGV seja dedicado à realização de trabalhos mais vocacionados para as atividades ambientais, uma vez que a Ré já contratou, pelo menos em 2019, outros contratos para a execução dos mesmos serviços; Não é verdade que existam áreas por intervir atendendo à ampla intervenção realizada no ano transato e que se estendeu a 2020, sendo que, a admitir-se esse cenário sempre teria de conduzir-se a Entidade Demandada a uma auditoria e análise pormenorizada do decurso dos trabalhos nestes contratos, porque não se pode considerar aceitável que a coexistência de 3 tipos de contrato em simultâneo com as mesmas tarefas e a mesma área geográfica, não permitissem fazer face aos trabalhos necessários; Ainda há menos de 6 meses o último desses contratos estava em execução e já está em marcha a contratação de novos para o próximo triénio, que sempre podem garantir, ainda que de forma menos incisiva ou pormenorizada, os trabalhos de gestão até decisão desta causa, bem como pode a Entidade Demandada lançar mão de outros procedimentos de contratação mais céleres – como o por ajuste direito a que já recorreu anteriormente – para pontualmente contratar os trabalhos que se considerem necessários para garantir o cumprimento das exigências legais mínimas, que serão certamente, em face do supra alegado, pontuais e limitados, ou mesmo usar recursos próprios – dos quais não alegou não dispor – para executar tais tarefas, dentro do curto período que se espera esteja pendente esta ação; Quanto às alegadas finitude dos recursos no nosso País e dificuldade das Adjudicatárias em garantir a atempada consignação das equipas e recursos aos contratos caso se mantenha a suspensão, além de tal não constituir um problema da Entidade Adjudicante mas sim dos Adjudicatários que se obrigaram a dispor de tais meios, é um argumento falacioso na medida em que, no âmbito deste concurso, apresentaram propostas, a cada um dos lotes, mais de 8 empresas diferentes, que garantiram e se comprometeram todas elas a dispor dos meios necessários à execução dos trabalhos e que estão em curso, pelo menos, duas ações judiciais onde duas empresas peticionam que os contratos em apreço – designadamente estes concretos lotes – lhes sejam a si adjudicados, assumindo por isso o risco de manter os recursos para a execução do contrato durante a respetiva ação judicial; Além disso, as empresas vencedoras – em especial as que venceram mais lotes, ou seja, a F. e R. – são empresas que já têm contratado com a Entidade Demandada, ao mesmo tempo que executam outros contratos, como a aqui Autora que trabalha, em simultâneo, para muitas das entidades referidas no pedido de levantamento do efeito suspensivo, sem que isso a impeça de ter concorrido – com uma proposta séria – a este procedimento, e dispor de capacidade para o executar; Faz parte da forma de gerir as empresas, e é um risco das próprias Adjudicatárias a que a Entidade Demandada é e tem de ser totalmente alheia, concorrer a determinados concursos, bem sabendo que o início dos contratos pode não chegar a ocorrer na data prevista; Falece, assim, a argumentação da Entidade Demandada, quando alega a escassez de recursos e o risco da suspensão do ato de adjudicação pôr em causa a capacidade das Adjudicatárias, pois que não logrou provar, como lhe competia, não dispor de recursos próprios para assegurar a execução das tarefas nem que a não celebração do contrato põe, de facto, em risco o cumprimento das exigências legais de defesa da floresta contra incêndios; Ou seja, não demonstrou que a suspensão dos atos de adjudicação acarreta um prejuízo grave para o interesse público ou consequências lesivas claramente desproporcionadas para outros interesses envolvidos e, pior ainda, não logrou provar – nem tão-pouco demonstrar – qual a ponderação de interesses em presença nesta ação, e quais as consequências lesivas desproporcionadas desta suspensão, em face dos interesses envolvidos; A Autora impugnou os atos de adjudicação em análise por considerá-los ilegais, e porque as propostas das Contrainteressadas traduzem um sério e evidente risco de incumprimento, o que melindrará seriamente o interesse público a curto prazo, sendo que tais atos impedem neste momento a Autora – a quem deveriam ter sido adjudicados os contratos, e que apresentou uma proposta séria, credível e economicamente mais vantajosa na verdadeira aceção da lei –, de poder prestar os serviços a que se propôs, no desenvolvimento daquela que é a sua atividade; O levantamento da suspensão destes atos, fará com que os diversos contratos a celebrar com as Contrainteressadas Adjudicatárias se iniciem e se consumam, sendo executados e, mais ainda, que aquelas contrainteressadas façam o elevado investimento a que se propõem em termos de recursos humanos e equipamentos para 3 anos de execução de contrato, de uma forma irreversível; Ainda que seja dada razão à alegação da Autora e o Tribunal decida pela ilegalidade dos atos de adjudicação, não mais poderão ser revertidos ou impedidos os investimentos já concretizados, verificando-se a consumação e consolidação na ordem jurídica de um ato que é ilegal, que produz assim os seus efeitos, em claro prejuízo para o interesse público – na medida em que destes atos resulta um grande e evidente risco de incumprimento na execução dos contratos –, e também para os interesses privados da Autora, designadamente os seus interesses económicos na execução destes contratos; Nem a manutenção do efeito suspensivo do ato de adjudicação implica o risco de incumprimento da legislação quanto à execução das tarefas de Defesa da Floresta Contra Incêndios ou tem reflexos na capacidade das adjudicatárias como alegado; Nem tão pouco os danos decorrentes da manutenção do efeito suspensivo são superiores aos danos que originariam o seu levantamento, quanto mais consideravelmente superiores.