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Conforme resulta dos artigos 26, n. 3, da CRP, bem como dos artigos 1, alínea,, 2, n 1 e 8, todos do CPT, a fundamentação dos atos tributários tem de ser expressa, clara, suficiente e congruente, devendo a decisão conter os respetivos fundamentos de facto e de direito; 	Sucede que a fundamentação vertida nos relatórios de inspeção tributária é manifestamente insuficiente, não contendo os elementos mínimos nem quanto à matéria de facto nem quanto à matéria de direito, que permitam ao Recorrente alcançar o iter cognitivo que conduziu à liquidação dos tributos em causa; 	Com efeito, no que respeita ao IRC de 1990, nem da análise do corpo do relatório nem do exame aos mencionados anexos é possível identificar quais as operações sujeitas a imposto, quais os concretos fatos tributários que se tributam, se se tratam de rendimentos advenientes da aquisição ou da alienação de títulos, ou quem, para efeitos da liquidação em crise, são os sujeitos passivos do imposto devido; 	Refere-se apenas que o B..... contabiliza os juros corridos dos títulos de dívida pública por valores ilíquidos e os títulos de dívida privada por valores líquidos mas não se refere quais os títulos que estão em causa e quais os rendimentos tributados, não se especificando se se pretende tributar a aquisição originária e rendimento do emitente, alguma transação intercalar e nesse caso se se trata de rendimento do B..... ou de terceiro, se o rendimento no vencimento ou liquidação, ou sequer se o rendimento é de mais valias ou de rendimentos de capitais; 	Nos pretensos "mapas de apuramento” que constituem os anexos juntos no relatório inspetivo a incógnita permanece pois não se descortina a que transações se referem as datas aí constantes, qual o sujeito passivo e qual o facto tributário, mencionando-se aí diversas taxas de IRS e de IRC, mas nenhuma norma de incidência; 	Se o Tribunal a quo tivesse examinado criticamente a concreta fundamentação do ato que veio a ser dada a conhecer volvidos vários anos sobre o mesmo, não poderia ter deixado de concluir pela verificação do vício formal uma vez que mesmo no relatório inspetivo que esteve na origem da liquidação do imposto a omissão da fundamentação de direito é absoluta, não sendo feita qualquer qualificação jurídica de facto tributário ou indicadas disposições legais de incidência de imposto, sendo também absolutamente deficiente a própria fundamentação de facto; 1	Acresce que na fundamentação do ato apenas se refere que tem por base a figura da substituição tributária mas não se descortina se o destinatário do relatório é o substituto ou o substituído; 1	Em suma, não se consegue descortinar do relatório em crise qual a matéria de facto a subsumir num quadro legal que também não é indicado; 1	A mesma conclusão é igualmente válida para o ato de liquidação de IRC de 1992, cujo relatório de inspeção refere que a operação que deu causa à liquidação consistiu numa "...) operação com dívida privada ...) de 7000 obrigações G ........)”, daí não se descortinando sequer se a operação em questão consiste em aquisição ou alienação dos títulos e a que entidades, qual o imposto adicionalmente liquidado, se imposto devido pela transação ou se imposto devido por rendimento, de igual modo do mesmo não resultando qual o critério e a forma de cálculo do rendimento relativamente ao qual se procedeu à liquidação de IRC no exercício de 1992; 1	Nestas circunstâncias, não se vislumbram quais os factos que deram origem ao ato de liquidação de IRC IRS?)