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Mais se provou que o arguido: 3 É oriundo de agregado familiar constituído pelos progenitores, cujas profissões eram respetivamente bate-chapas e empregada de limpeza e por uma irmã mais nova; 3 Experienciou dinâmica familiar pouco gratificante, descrevendo um modelo educativo caraterizado por alguma rigidez ao nível da disciplina e fraca expressão da afetividade, tendo sido sujeito a maus tratos físicos e negligência por parte das figuras parentais durante a infância; 3 Estudou até à 4 classe registando duas retenções no decorrer do ensino básico devido a dificuldades de aprendizagem, tendo abandonado o sistema de ensino após concluir o referido grau de ensino; 3 Iniciou a aprendizagem do ofício de bate-chapas com o seu progenitor aos 13 anos de idade e posteriormente encetou o seu percurso laboral de forma autónoma numa oficina onde desenvolveu a referida função de forma regular até 2006; 3 Em 2006, na sequência de ocorrência de um acidente, no qual fraturou um tornozelo deixou de realizar a sua atividade profissional, dando entrada ao processo de reforma em 2010, a qual lhe foi negada por invalidez e concedida quando atingiu a idade legal; 3 Iniciou a sua vida sexual aos 13 ou 14 anos com recurso à prostituição, com conhecimento e aceitação dos progenitores, considerando ter sido uma experiência pontual que percecionou com indiferença; 3 Iniciou aos 24 anos de idade uma relação com a sua ex-mulher com quem viria a contrair matrimónio um ano depois, sendo que a relação do casal permaneceu durante 20 anos, ainda que o arguido a descreva como pouco gratificante devido a alegada problemática de alcoolismo da ex-mulher associada ao facto de, segundo o próprio, a mesma ser negligente no cuidado aos dois filhos do casal, entretanto nascidos; 3 Há cerca de 25 anos reorganizou a sua vida afetiva com o atual cônjuge e coarguida, com a qual deu início ao procedimento administrativo para o casamento no dia seguinte a se terem conhecido; 3 Descreve o relacionamento com a coarguida como gratificante ainda que na sua narrativa revele conteúdos de dificuldades de resolução de conflito conjugal que parece ter expressão ao nível da qualidade da vivência da intimidade e da sexualidade do casal; 3 Passou a permanecer mais tempo no domicílio a partir da reforma, tendo passado a coadjuvar de forma mais próxima o seu cônjuge na atividade de ama de crianças que a mesma desenvolvia desde 2007; 4 No âmbito de medida de flexibilização do cumprimento da pena aplicada no Processo no 362/08, foi-lhe imposta obrigação de sujeição a tratamento ao nível da saúde mental, que teve início em 04/12/2013, no âmbito da qual integrou o grupo terapêutico "No Limite”, no âmbito do SNS, destinado a pessoas com comportamentos sexuais disfuncionais, coordenado por um médico psiquiatra, frequentando sessões com periodicidade semanal que decorreram entre setembro de 2014 e junho de 2015; 4 À data dos factos subjacentes residia na cidade ..., na zona ..., com o cônjuge e o filho de ambos, portador de trissomia 11, numa habitação arrendada; 4 Auferia, em conjunto com o cônjuge, rendimento mensal médio de € 400, que asseguravam o sustento do agregado familiar; 4 No meio é referido como uma pessoa reservada e de rotinas solitárias, não lhe sendo conhecida vida social, nem relações de amizade significativas na zona ..., ainda que mantivesse uma relação de proximidade com o seu núcleo familiar de origem, nomeadamente a sua progenitora, a irmã e os dois filhos nascidos no âmbito do casamento anterior;  4 Nos círculos mais restritos, como a família ou a Igreja, é descrito positivamente e associado às atividades da mesma, que salienta como um suporte significativo na sua vida; 4 Revela-se reservado e defensivo no estabelecimento do relacionamento interpessoal, evitando falar de questões pessoais que sente como difíceis de abordar, face às quais revela insegurança e desconforto; 4 Apresenta uma atitude de ausência de crítica e de responsabilização externa relativamente às circunstâncias que deram origem à sua anterior condenação; 4 Encontra-se em prisão preventiva desde 08/11/2019, tendo mantido postura adequada e colaborante, mas reservada, quer com os outros reclusos, quer com os serviços de vigilância e técnicos, mantendo isolamento social embora se percecione a necessidade de se sentir aceite e reconhecido pelos outros; 4 Não tem contactos telefónicos ou correspondência com o cônjuge, que não o visita na prisão; 4 Recebe visitas da progenitora, da irmã, do filho, dos sobrinhos e do enteado, prestando-lhe estes familiares o apoio que lhes é possível em meio prisional; 5 Apresenta um discurso de autovitimização, onde sobressaem mecanismos de tentativa de racionalização das circunstâncias que determinaram o seu envolvimento judicial, desculpabilizando-se e fazendo uma atribuição causal externa das mesmas; 5 Apresenta indícios de dificuldades ao nível da empatia, do pensamento consequencial e da capacidade de resolução de problemas; 5 Revela pensamento distorcido ao nível das cognições relativamente à legitimação de abuso sexual baseadas na sedução infantil e na ausência de consciência do dano e da existência de vítimas daí decorrentes o que, associado à frustração perante os problemas do relacionamento conjugal e da intimidade sexual do casal, podem eventualmente reforçar comportamentos sexuais desadequados e disfuncionais; Mais se provou que a arguida: 5 À data dos factos vivia com o arguido e o filho de ambos, com 19 anos de idade, diagnosticado com doença do espectro da trissomia 11, em apartamento arrendado de tipologia T3, sito em ..., onde exercia ilegalmente a atividade de ama; 5 Tem um filho mais velho de relacionamento anterior, autónomo do agregado familiar, desde o final do curso universitário, que com ela mantém relacionamento de proximidade afetiva e suporte mútuo; 5 Referencia o arguido como pessoa cordata, afetiva e ponderada no relacionamento interpessoal e investido nas suas responsabilidades familiares, nomeadamente face à função parental, mas também na sua efetiva coadjuvação da própria, nos cuidados com as crianças, alegando depositar incondicional confiança sobre o mesmo; 5 Descredibiliza e culpabiliza as vítimas do atual processo, assim como da anterior condenação do arguido; 5 Em novembro de 2019, e em consequência da instauração dos autos, migrou para o Algarve, onde reside com o filho mais novo, na morada constante dos autos partilhando habitação com casal amigo, mediante comparticipação das despesas domésticas; 5 Provém de um grupo familiar constituído pelos pais e uma irmã mais nova, de estrato socioeconómico modesto; 5 Concluiu o  ciclo de escolaridade e iniciou percurso laboral aos 15 anos de idade, como , onde permaneceu durante cerca de 23 anos; 6 Posteriormente, em 2007, após uma curta experiência no, passou a exercer ilegalmente a atividade de ama, que à data dos factos lhe rendia, em média, € 700, mensais, cobrando € 125 mensais por criança; 6 Atualmente encontra-se sem ocupação profissional; 6 Na comunidade é referenciada como pessoa idónea, responsável e diligente, sendo ainda caraterizada como pessoa cordata no relacionamento interpessoal e sensível às necessidades do outro, nomeadamente das crianças.