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No que toca à versão fáctica acolhida na sentença recorrida, temos que a ré/apelante baseia ainda a sua discordância nos seguintes fundamentos:  a) Não ser minimamente fiável ou verosímil a versão do autor e sua esposa de que o carro foi furtado no dia 07-07-2016 junto ao restaurante ..., considerando as características do local em causa - um local movimentado e iluminado, no centro de Vila Nova de Famalicão, entre as 21h e as 22h de um dia de verão, como aquele onde se diz que isso ocorreu - com casas da habitação prédios) e estabelecimentos comerciais ainda abertos no momento do alegado furto pelo menos dois restaurantes, um deles, todos voltados para o local da imobilização do carro e com visibilidade para o mesmo, tanto mais que o autor disse ter escolhido uma zona de "maior visibilidade” para o aparcar -, no espaço de cerca de 55 minutos e sabendo-se que a mera abertura da sua porta acionaria um alarme e a movimentação do carro exigira complexos trabalhos que demorariam lapso de tempo superior, chamando a atenção das várias pessoas que aí passavam, atendendo ainda às características técnicas do veículo em questão - um carro da série F11, o qual, ao contrário da geração que o precedeu, não permite a utilização de dispositivos informáticos para assegurar a respetiva abertura e colocação em funcionamento do motor - sendo necessário "desfardar” totalmente a parte inferior e lateral do habitáculo do veículo para aceder a várias centralinas, desligá-las a todas, resolver um conjunto de erros informáticos que esta atuação suscita, anulá-los e configurar uma nova chave, tudo procedimentos que demoram, pelo menos, 1h a 1h15 e são suscetíveis de ser notados por quem quer que passe no local, sendo necessário para o efeito o uso de uma box com um computador associado; b) Um interesse concreto do autor no desaparecimento do carro, em condições que fossem tomadas como as de um furto, justificada, segundo a apelante, por dificuldades no pagamento da prestação devida ao Banco ..., bem como dos demais encargos da sua vida quotidiana, concluindo ser notório um cenário de emergência financeira, no qual a participação do sinistro à ré surgiria como forma de solucionar os referidos problemas, com um aporte financeiro a rondar os €2000,00 suficiente para, em grande medida, amortizar as dúvidas em curso - atendendo a um rendimento bruto de €275,22 declarado fiscalmente no ano de o qual corresponderia a um rendimento mensal de €606,22 se dividido por 12, só muito dificilmente poderia esse agregado familiar suportar, só para a aquisição de um carro, uma prestação mensal de €493,43, ou mesmo de €423,05 depois da redução de tal prestação - traduzindo-se numa justificação perfeitamente coerente para a participação de um furto do veículo; ) Do registo da leitura das chaves resulta que não pode ser verdadeira a alegação do autor e sua esposa de que ambas estavam no carro no momento da sua "última” utilização, já que afirmaram que ambas as chaves estiveram no interior do veículo em todas as deslocações que aquele fez e que isso sucedeu também na viagem para o restaurante, sendo inverosímil a alegação de que se deslocaram até ao restaurante ... desde sua casa; tais registos permitem concluir que a última deslocação do carro foi feita só com uma das chaves do veículo no seu interior, o que contradiz as afirmações do autor e sua esposa; acresce que, tal como decorre do Doc.