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matéria de facto provada no item;  2 Por conseguinte, o Mmo Juiz "a quo”, com fundamento naquela testemunha, nunca poderia dar como provado que a  desceu do passeio sem olhar para a via de trânsito e sem cuidar se circulava algum veículo, pelo que deverá este concreto ponto de facto ser eliminado;  2 O mesmo se diga quanto à falta de credibilidade daquela testemunha no que se refere à matéria provada no item 12 da matéria de facto, onde se deu como provado que a condutora nada pôde fazer para evitar o embate;  2 Devendo também ser eliminada a matéria dada como provada no item 12 da matéria de facto;  2 Já que, no item 11 da matéria de facto se provou que "logo que desceu do passeio foi de imediato colhida pela esquina da frente direita do automóvel QG”;  2 Assim se desconhecendo se a  iria fazer o atravessamento da via e de forma inopinada ou apressada, já que lhe foi tolhido o seu movimento ao ser imediatamente embatida pela viatura, logo que desceu do passeio;  2 Por outro lado, deve também tomar-se em consideração o que ficou provado no item 6 da matéria de facto onde expressamente se dá como provado que "o arruamento por onde circulava aquele veículo tem boa visibilidade, uma largura de cerca de 9 metros e sendo ladeado por passeios dos dois lados, com pista de velocípedes de ambos os lados da faixa de rodagem; 2 Tornando-se, por isso, incompatível, a prova de que a condutora não tinha opções para evitar o embate, com a matéria fixada nos itens 6 e 11 da matéria provada; 2 Ora se o arruamento dispunha de passeios em ambos os sentidos e ainda uma pista de velocípedes situada em ambos os lados da faixa de rodagem, isso faz ressaltar à evidência que a , logo que pôs um pé fora do passeio, ainda ficou posicionada na pista de velocípedes, não tendo, por isso atingido a faixa de rodagem; 2 A ser assim, como parece evidente, fica demonstrado que a viatura circulava muito próximo do passeio, em flagrante desrespeito pelo artigo 13 do Código da Estrada e sobre a aludida pista de velocípedes; 2 Sucedendo ainda que a condutora do QG tinha obrigação de circular mais pelo interior da faixa de rodagem, já que, se o arruamento tinha 9 metros de largura, a sua hemifaixa possuía 4,5 metros de largura; 3 O que a prudência lhe recomendava, tendo em consideração que havia muitas pessoas no local, que saiam dos seus empregos, como foi provado no item 7 da matéria de facto;  3 E na circulação da viatura deveria afastar-se o mais possível daquele aglomerado de pessoas, onde também estava a ; 3 Assim prevenindo qualquer possível contacto do automóvel com o corpo de alguma daquelas pessoas, incluindo a ; 3 Ora, em vez disso, arriscou a condutora circular demasiado próxima do amontoado de pessoas quando se lhe impunha o dever de cuidado; 3 Já que conduzia um veículo eléctrico e, por isso, silencioso, devendo advertir as pessoas para a sua presença, nomeadamente buzinando e reduzindo ao mínimo a sua velocidade; 3 Não fazendo sentido em ter-se dado como provado que a condutora nada pôde fazer nem nenhuma manobra pôde efectuar para evitar o embate; 3 Era sua obrigação agir de outra forma, tanto mais, que tripulava uma viatura silenciosa, fazendo elevar o risco da sua circulação; 3 Em vez disso, não tomou os comportamentos normais de uma condutora diligente, pois não abrandou a marcha da viatura, não travou, não se desviou do aglomerado de pessoas, nem buzinou para alertar a presença do carro eléctrico; 3 Assim se demonstrando que a condutora do QG não logrou ilidir a presunção legal de culpa ao conduzir a viatura da sua entidade empregadora;  3 Por outro lado, também não está demonstrado nos autos que a responsabilidade pelo acidente radicasse na culpa exclusiva da vítima ; 4 Sucedendo ainda que, para além da presunção de culpa da condutora, não está também afastada a responsabilidade pelo risco, face ao binómio risco dos veículos/fragilidade dos demais utilizadores das vias públicas;  4 Acrescentando-se ainda que a utilização em massa dos veículos eléctricos faz aumentar o risco de perigo que representam, por serem silenciosos, apanhando desprevenidos os outros utentes das vias públicas, como é o caso dos peões;  4 Bem se sabendo que o moderno direito rodoviário apresenta-se hoje como garante de uma maior protecção aos lesados, alargando o âmbito da responsabilidade pelo risco; 4 Consagrando a protecção das vítimas dos acidentes de viação, numa sociedade em que o excesso de veículos, quer estacionados, quer em circulação, criam desequilíbrios, limitando o espaço pedonal e aumentando potencialmente a sinistralidade; 4 Ora a condutora do veículo não agiu com grau de destreza, atenção e toda a diligência normal para evitar o atropelamento que se deu entre a parte dianteira direita da viatura contra o corpo da malograda vítima; 4 Não estando, assim, apurado nos autos que seja imputável à falecida  a culpa exclusiva pelo acidente, como erradamente se decidiu;  4 Bem pelo contrário, o embate verifica-se, não se apurando a velocidade da viatura, mas provando-se que manteve a mesma velocidade de que vinha animada;  4 Não travando, nem abrandando, não buzinando para assinalar a sua presença de veículo eléctrico silencioso, nem se desviando apesar de circular numa via com 9 metros de largura;  4 E ocupando o espaço da pista de velocípedes que ladeava a faixa de rodagem, circulando, até, muito próximo do passeio;  4 Tudo isto apesar da existência de um aglomerado de pessoas que na altura saíam dos seus empregos, o que aconselhava, a um condutor prudente, redobrados deveres de atenção e conduta estradal; 5 Assim, as descritas circunstância do atropelamento, apontam irremediavelmente para a responsabilidade da condutora do veículo automóvel que nem tão pouco ilidiu a sua presunção de culpa; 5 Devendo, assim, ao contrário do decidido, ser julgada procedente a acção e a Ré seguradora condenada no pedido; 5 A sentença proferida violou as disposições legais contidas no artigo 13 do Código da Estrada e artigo 503 do Código Civil.» A R. ofereceu contra-alegações, mas foram rejeitadas por terem sido apresentadas fora de prazo.Foram colhidos os vistos legais.