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Inconformada, veio a ré apelar da sentença, tendo extraído das alegações1,2que apresentou as seguintes CONCLUSÕES3: Os Recorridos adquiriram à Recorrente, em julho de 2016, o veículo da marca ....., modelo ....., com a matrícula ..-RQ-..; Em maio de 2017, o veículo foi intervencionado pelos serviços da Recorrente para atualização de software, não tendo sido detetada nem reportada pelos Recorridos qualquer anomalia; No dia 21 de setembro do mesmo ano, o veículo foi sujeito à intervenção anual de manutenção, não tendo sido detetado nem reportado pelos Recorridos qualquer problema com a viatura; Posteriormente, após ter sido registada uma avaria, no dia 17 de dezembro de 2017, a Recorrente procedeu à respetiva reparação, através da substituição do "sistema de turbo”; Esta reparação foi feita ao abrigo da garantia do produtor e não comportou quaisquer custos para os Recorridos; Durante todo o período de reparação, a Recorrente disponibilizou aos Recorridos um veículo de substituição; Após esta reparação, e com mais 100 Km percorridos, o veículo voltou a dar entrada nas instalações da Recorrente, tendo os Recorridos apresentado queixas sobre o seu funcionamento; O veículo foi inspecionado e ficou provado que não estava em causa qualquer anomalia e que apenas se registava um problema relacionado com o mau contacto de uma ficha elétrica do sensor diferencial de pressão dos gases de escape; A ficha em causa tinha sido removida pelos técnicos da Recorrente aquando da substituição do sistema de turbo; O problema foi resolvido e o carro voltou a ser utilizado; Posteriormente, no dia 19 de janeiro de 2018, quando o veículo já tinha percorrido 28 666 Km, o veículo deu novamente entrada nas instalações da Recorrente com indicação no painel de bordo de perda de líquido refrigerante; Da inspeção feita ao veículo, resultou que o problema tinha origem em falhas técnicas ocorridas durante a substituição do "sistema de turbo”; Com efeito, grande parte do lubrificante tinha saído da linha de escape, causando danos no motor; O problema era reparável através da substituição de algumas peças do motor, no entanto, uma vez que o modelo do motor era recente, seria difícil e demorado encomendar as peças que necessitavam de ser substituídas, pelo que por indicação da marca, a solução passou por substituir integralmente o motor; Essa substituição ocorreu em abril de 2018 e foi custeada na sua totalidade pela Recorrente; Ao longo de todo o período em que a Recorrente esteve a aguardar que o motor chegasse da fábrica na ....., foi novamente disponibilizado um carro de substituição; Com a substituição do motor, que, reitere-se, apenas ocorreu por razões de logística, foi reparada a avaria e a fiabilidade do veículo ficou assegurada por mais tempo; Mais tarde, no dia 16 de julho de 2018, o veículo foi assistido por um serviço de 24 horas, tendo sido rebocado e transportado para o concessionário "....., S.A.”, no ....., concessionário que não pertence ao grupo Santos, Veículos e Peças, S.A.; Conforme resulta do histórico de garantias do veículo – junto ao processo pelos Autores em sede de audiência de julgamento – esteve em causa apenas a reprogramação dos injetores; A reprogramação dos injetores é um processo automático que o veículo opera sem qualquer necessidade de intervenção e que tem como objetivo controlar a emissão de gases poluentes; Trata-se apenas de uma funcionalidade de otimização do veículo, que não constitui nenhuma anomalia ou avaria; O veículo voltou a estar em circulação e, já com 33 105 Km, no dia 9 de agosto de 2018, foi sujeito à inspeção de manutenção anual, não tendo sido detetada qualquer anomalia; Aproveitando esta intervenção, os serviços da Recorrente substituíram ainda a chapeleira do veículo, conforme solicitado pelos Recorridos; Posteriormente, no dia 5 de julho de 2019, o veículo foi novamente alvo de uma intervenção por forma a que se procedesse a uma atualização do software; No mês de setembro do mesmo ano, já com 51 030 Km percorridos, o veículo foi sujeito à manutenção anual, da qual resultou que não existia nenhuma anomalia no veículo e que o mesmo se encontrava perfeitamente apto; Por fim, em setembro de 2020, já com 64 212 Km percorridos, o veículo foi novamente alvo de mais uma revisão para efeitos de manutenção anual que, uma vez mais, não detetou qualquer anomalia; Não obstante, em janeiro de 2019, os ora recorridos intentaram ação de condenação, pedindo a condenação da ora recorrente à substituição do veículo e ainda ao pagamento de uma indemnização a título de danos não patrimoniais; O Tribunal a quo decidiu condenar a Recorrente à substituição do veículo e ao pagamento de € 1000,00, a título de indemnização por danos não patrimoniais; Por discordar da sentença, a Recorrente apresentou recurso de apelação junto do Tribunal da Relação de Lisboa; A questão que nos ocupa é enquadrada nos termos do Decreto-Lei n. 67/2003, de 8 de abril; Nos termos do n. 2 do artigo  deste diploma, "as faltas de conformidade que se manifeste, num prazo de dois ou de cinco anos a contar da data de entrega de coisa móvel corpórea ou de coisa imóvel, respetivamente, presumem-se existentes já nessa data, salvo quando for incompatível com a natureza da coisa ou com as características da falta de conformidade”; Posto isto, e segundo o entendimento do Tribunal a quo, os Recorridos teriam de alegar e provar o mau funcionamento do veículo adquirido à Recorrente; Sendo que, feita essa prova, teria a Recorrente de ilidir a presunção legal de que a falta de conformidade do veículo era existente no momento da entrega; O Tribunal a quo considerou que os Recorridos provaram o mau funcionamento do veículo e que a Recorrente não ilidiu a presunção legal do n. 2 do artigo  do Decreto-Lei n. 67/2003, de 8 de abril; Ao fazê-lo, confundiu eventos fundamentais para a compreensão do problema que nos ocupa, nomeadamente intervenções por avarias com intervenções de manutenção do veículo; Através da leitura da decisão recorrida, percebemos que o Tribunal a quo considerou que a avaria no "sistema de turbo” e a consequente substituição do motor constituem um defeito de fabrico enquadrável na legislação aplicável; Para tal consideração, não tem, no entanto, qualquer fundamentação de facto, limitando-se a indicar partes dos depoimentos de algumas testemunhas, descontextualizado o seu teor global; Para além de que nunca discute a possibilidade de se estar ou não perante um defeito de fabrico; Independentemente de tudo, a prova produzida ao longo do processo torna inequívoco que nunca existiu qualquer defeito de fabrico no veículo; Em nenhum dos documentos juntos no processo é mencionado um defeito de fabrico; Relativamente à avaria do "sistema de turbo” os depoimentos credíveis das testemunhas , cujas transcrições relevantes – minutos 19:10 a 20:31, 39:41 a 40:49 e 47:01 a 47:40 - se encontram no artigo 7 das alegações, e aqui se dão por integralmente reproduzidos; E ainda de , cuja transcrição relevante – minutos 06:00 a 06:38 - se encontra no artigo 7 das alegações, para o qual se remete e aqui se dá por integralmente reproduzido, foram elucidativos no sentido de não existir qualquer defeito de fabrico; Mas, mesmo que assim não fosse, resulta da prova documental junta em audiência de julgamento pelos Recorridos que, no momento em que ocorreu a substituição do "sistema de turbo”, o veículo já tinha percorrido 28 242 Km; E ainda que já tinha sido feita a manutenção anual, sem que tivesse sido detetado qualquer problema; Esta situação é incompatível com a existência de um defeito que, se existisse teria de ter ocorrido em vários veículos do mesmo modelo, montados na mesma fábrica, o que não ocorreu conforme foi igualmente atestado pelo testemunho de técnico da .....; Resulta também da sentença que a conclusão errada do Tribunal a quo resultou da necessidade de substituição do motor; Também sobre este ponto, a prova produzida é clara ao demonstrar que a substituição do motor não se deveu a nenhum defeito, mas a uma mera avaria; Sobre esta questão são decisivos os depoimentos das testemunhas , cujas transcrições relevantes – 39:41 a 40:49, 01:05:23 a 01:05:54 e 01:06:49 a 01:07:38 - resultam dos artigos 8 e 8 das alegações, que aqui se dá por integralmente reproduzido; E da testemunha EE, cuja transcrição relevante – 13:50 a 17:26 - resulta do artigo 8 das alegações, que igualmente se deixa integralmente reproduzido; A necessidade de substituir o motor, e não apenas as peças danificadas, ocorreu por razões logísticas e não resulta de nenhum defeito de origem; Tal como foi também explicado pela testemunha , cuja transcrição relevante – 12:57 15:45 - resulta do artigo 8 das alegações, para o qual se remete dando-se aqui por integralmente reproduzido; Posto isto, perante toda a prova produzida e transcrita nas alegações, teria o Tribunal a quo de dar como provado que o veículo em causa não tem qualquer defeito de fabrico, encontrando-se em perfeitas condições de utilização; Impondo-se, assim, a alteração da decisão recorrida quanto aos pontos e da matéria de facto dada como não provada, devendo considerar-se como provados os seguintes factos, o que se requer: - O veículo foi entregue aos Autores em perfeitas condições de funcionamento, não apresentando qualquer falha mecânica ou eletrónica; - O veículo em causa não tem qualquer defeito de fabrico.