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Vêm provados os seguintes factos:    A ré Clínica Oftalmológica Rufino Ribeiro SA, é uma clínica médica de capitais privados que se dedica à prática de actos médicos, na especialidade médica de oftalmologia, tendo ao seu serviço profissionais desta especialidade médica e é reconhecida pelas autoridades de saúde competente e pela Ordem dos médicos;  Entre os serviços que a ré publicita e faculta aos seus pacientes está a realização de consultas médicas e a realização de tratamentos médico cirúrgicos no âmbito da especialidade médica de oftalmologia;   A autora já tinha sido observada nas instalações da ré em 002011, sendo-lhe recomendada uma angiografia fluoresceínica que não chegou a realizar;   Posteriormente, a autora foi consultada nas instalações da ré em Fevereiro de 2013, tendo sido consultada por um profissional médico da especialidade médica de oftalmologia;  Nessa data, Fevereiro de 2013, a autora, nascida a 101953, apresentava diminuição da acuidade visual em ambos os olhos, sendo mais acentuado à direita, e retinopatia diabética proliferativa;   À data dessa consulta, a autora deslocava-se periodicamente entre Portugal e Suíça;   Na consulta de Fevereiro de 2013, à autora foram examinados ambos os olhos e foi aconselhada a iniciar um tratamento médico cirúrgico a ambas as vistas, no sentido de preservar a visão;  Entre Fevereiro de 2013 e Dezembro de 2014 a autora foi atendida nos serviços da ora ré em cerca de três dezenas de consultas e tratamentos médico-cirúrgicos na especialidade médica de oftalmologia;   Em 29 de Agosto de 2013 a autora deslocou-se à ré, tendo realizado tratamento médico-cirúrgico com injecção intravítrea de antiangiogénico no olho direito; 1 No dia 002013 a autora contactou um médico da ré queixando-se de dores no olho direito, tendo-lhe sido dito para se deslocar de imediato às instalações da ré, o que fez; 1 Aí, foi observada e avaliada por médicos da ré, constatando exame oftalmológico sinais de hipópion inflamação da câmara anterior do e pan-uveite, sendo operada de urgência, tendo sido realizada vitrectomia com biopsia de exsudato vítreo; 1 Após a intervenção cirúrgica a autora regressou a casa, tendo nos dias seguintes continuado o tratamento nos serviços médicos da ré; 1 Após a intervenção cirúrgica a ora autora continuou os tratamentos e frequentou várias consultas da especialidade médica de oftalmologia nos serviços médicos da ré, na espectativa de recuperar a visão do olho direito; 1 Pelas consultas e tratamentos realizados de seguida a esta intervenção médica, os serviços da ré não lhe cobraram qualquer quantia, até Dezembro de 2014; 1 Após essa data a autora continuou em tratamentos à sua visão, noutras instituições médicas; 1 Não obstante, a autora não recuperou na visão no olho direito e a visão no olho esquerdo mostra-se estável; 1 As alterações oftalmológicas em ambos os olhos estão estabilizadas e irreversíveis, não passíveis de melhoria, mantendo seguimento de consulta a retinopatia do olho esquerdo;  1 Ao nível do olho esquerdo, não se verificou agravamento da função visual, após a intervenção de Agosto e Setembro de 2013; 1 Em relatório médico realizado pelo médico oftalmologista BB, realizado em 19 de Fevereiro de 2015, a autora apresentava o seguinte exame objectivo:  Acuidade visual OD - &lt;1/10 vultos a com óculos de correcção) Acuidade visual OE - 3/10 com óculos de correcção  Biomicrospia - olho direito: afaquia cirúrgica olho esquerdo: catarata incipiente  Tensão ocular: olho direito: 7 Hg Olho esquerdo: 14 Hg  Fundo ocular: olho direito: descolamento total da retina Olho esquerdo: Sinais de retinopatia diabética e sinais de fotocoagulação laser; 2 As complicações desenvolvidas no olho direito da autora examinadas em 002013, poderão ter resultado da administração intravítrea da substância farmacológica Bevacizumab, que era o tratamento considerado adequado à sua situação clínica, sendo que associado a uma injecção intravítrea de um antiangiogénico, independentemente do fármaco injectado, existe um risco, embora pequeno, de desenvolvimento de complicações, em que se inclui a infecção intraocular, também chamada de endoftalmite, que é acompanhada quase sempre de dor ocular e baixa súbita de visão; 2 Em consequência da perda de visão, apesar de já reformada por invalidez, a autora deixou de exercer a actividade profissional que exercia nas suas deslocações à Suíça e teve gastos com despesas médicas, medicamentosas e de deslocações;  2 A autora deslocava-se às instalações da ré em carro particular conduzido por familiares ou amigos e também de táxi;  2 A residência da autora dista cerca de 50km dos serviços da ré;  2 Quando na Suíça, do seu trabalho, auferia uma quantia mensal de cerca de 00,00 euros;  2 A autora consultou os serviços clínicos da ré, pela primeira vez, em 002011 e nessa consulta apresentava e declarou:  a)     Baixa de visão de ambos os olhos; b)   Ter feito uma angiografia fluoresceínica havia três, aproximadamente, noutro centro; )     Ter sido submetida a tratamento com raios laser na sequência desse exame;  )   Ser diabética desde 1992 tratando-se com comprimidos e insulina;  e)    Ter tensão arterial elevada;  Na consulta verificou-se que a autora: f)    As visões com correcção eram de 3/10 no olho direito e 5/10 no olho esquerdo; g)   Evidenciava alterações do fundo ocular por retinopatia diabética que justificavam essa baixa visão,  h) Apresentava cicatrizes de tratamento com raios lazer conforme tinha referido; ) Trazia uns óculos com a graduação de OD: 90 -25 +75 e OE: 90 -+50 para visão de longe e com adição de +3 dioptrias para perto o que é obrigatório numa pessoa de 60 anos mesmo que não tivesse óculos para longe; j) Na clínica foram-lhe receitados novos óculos que eram ligeiramente mais graduados.