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Sendo que, conforme evidencia o acórdão do Tribunal Constitucional acima referido, se trata de um crime de perigo abstrato, que não pressupõe nem o dano, nem o perigo de um concreto bem jurídico protegido pela incriminação, "mas apenas a perigosidade da ação para uma ou mais espécies de bens jurídicos protegidos, abstraindo de algumas das outras circunstâncias necessárias para causar um perigo a um desses bens jurídicos”.4 No que aos crimes de perigo comum diz respeito, resulta do ponto 3 do preâmbulo do Código Penal que se pune o perigo, "porque tais condutas são de tal modo reprováveis que merecem imediatamente censura ético-social.” Com efeito, dada a "natureza dos efeitos altamente danosos que estas condutas ilícitas podem desencadear o legislador penal não pode esperar que o dano se produza para que o tipo legal de crime se preencha”.