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Retomando a matéria de facto provada pelo Tribunal Coletivo, relevante para este tópico do recurso, verifica-se o seguinte:   No dia  .2019, pelas 16h25 horas, no terreno agrícola do ofendido, , conhecido como "EE”, sito na Estrada , na freguesia de , concelho de , desagradado com o facto do ofendido o ter chamado à atenção por se estar a banhar num tanque que serve de bebedouro aos animais, o arguido, munido de uma navalha com 10 centímetros de cabo e 8 centímetros de lâmina que abriu e, empunhando-a, correu em direção ao ofendido que se encontrava junto de um trator;  Ao aperceber-se que o arguido o ia agredir com a navalha, o ofendido tentou refugiar-se na cabine do trator, porém, aquele alcançou-o antes que o conseguisse e, ao chegar ao pé dele, com a navalha que levava, de imediato desferiu golpes em direção ao corpo do ofendido, atingindo-o e cortando-o na perna esquerda;  Para obviar a ser novamente agredido pelo arguido, o ofendido fugiu, correndo à volta do trator;  Então, empunhando a referida navalha ao mesmo tempo que, aos gritos, em tom sério e repetidamente, dizia ao ofendido "é hoje que eu vou-te matar”, o arguido correu atrás do ofendido, acabando por alcançá-lo;  Nessa altura, o arguido desferiu outros dois golpes em direção ao tronco de , que só não o atingiram nessa zona, porque o ofendido tentou defender-se com os braços o que levou, consequentemente, a que fosse atingido pela navalha manuseada pelo arguido no braço direito, provocando-lhe dois cortes;  De seguida, o ofendido agarrou-se ao arguido e, nessa altura, o arguido, que ainda estava munido da referida navalha, com a mesma desferiu outro golpe, desta feita em direção ao pescoço do ofendido, atingindo-o nesse local, e provocando-lhe um corte no lado esquerdo, só não o atingindo na aorta por mero acaso;  Em ato contínuo, com a navalha, o arguido desferiu novos golpes em direção ao ofendido, atingindo-o no rosto, mais concretamente no lábio superior e atrás da orelha direita;  Nessa ocasião, FF que já se encontrava agarrado ao arguido na tentativa de impedir que continuasse a sua conduta, conseguiu tirar-lhe a navalha;  Então, o arguido agarrou numa forquilha com 60 centímetros de cabo e 5 dentes com 20 centímetros de que se encontrava naquele local, dirigiu-se ao ofendido, que estava voltado de costas e, com a forquilha, desferiu um golpe em direção ao ofendido, atingindo-o no couro cabeludo;  O ofendido fugiu para a sala de ordenha, a fim de ser refugiar e evitar ser novamente agredido;  O arguido, munido da referida forquilha, correu atrás do ofendido, acabando por alcança-lo, altura em que, com a forquilha, desferiu novo golpe, agora em direção à cara do ofendido, só não o atingindo nessa zona porque o ofendido procurou defender-se, colocando as mãos à frente e afastando ao máximo o rosto; em consequência, o arguido acabou por atingir o ofendido na mão esquerda, furando-a de um lado ao outro com um dos dentes da forquilha e deixando-a enfiada na mão do ofendido;   Em consequência da conduta do arguido, sofreu, no crânio, ferida tipo escoriação na região frontal média com 2 de comprimento e 2 semelhantes na região parietal média; na face, ferida suturada no lábio superior na sua metade esquerda, escoriação transversal à região infraorbitária direita com 6 de comprimento e outra na região temporal que se inicia junto à região supra ciliar externa e caminha para a região temporal numa extensão de 6 com escoriação punctiforme na região infraorbitária direita; ferida suturada de 7 de comprimento na base da face esquerda do pescoço e de sentido antero posterior e que dista 5 da linha média desde a sua extremidade anterior; no membro superior esquerdo ferida linear superficial transversal ao antebraço na região dorsal deste ultimo com 7 de comprimento e outra paralela à última e logo abaixo com 3 de comprimento, lesões que determinaram direta e necessária 30 dias para a cura, sendo 5 dias com afetação da capacidade de trabalho geral;   Assim, o arguido, no que toca aos factos dos pontos  e , acima, agiu de modo livre, voluntário e consciente, motivado pelo descontentamento causado com a chamada de atenção do ofendido , querendo e conseguindo atuar do modo descrito - designadamente de usar a navalha e forquilha referenciadas para atingir o corpo do ofendido, bem sabendo que, dessa forma, diminuía de modo significativo a capacidade de defesa do ofendido e potenciava a sua capacidade de agressão - com o propósito de, dessa forma, atingir órgãos vitais do ofendido, e, assim, tirar-lhe a vida, o que só não conseguiu por motivos alheios à sua vontade.