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Assente, portanto, que a privação do uso de um veículo representará sempre um dano a indemnizar – desde que se prove que o veículo era efectivamente utilizado ou que seria utilizado se não tivesse ocorrido o facto danoso pois que se não existe uso, também não poderá existir qualquer dano decorrente da sua privação) – a questão resumir-se-á a uma questão de graduação da respectiva indemnização, já que, como é evidente, não poderá ser indemnizado do mesmo modo o proprietário de um veículo que, por dispor de outros veículos ou por não carecer de o usar com muita frequência, não teve transtornos relevantes e o proprietário do veículo que, carecendo de um veículo para as suas deslocações diárias e não tendo meios económicos para recorrer ao aluguer de um veículo, se vê obrigado a suportar uma alteração por vezes muito no seu dia-a-dia, recorrendo a boleias, recorrendo a transportes públicos nem sempre compatíveis com os seus horários e afazeres, percorrendo a pé distâncias significativas, privando-se de muitas deslocações, etc.. É certo, portanto, que o tipo e a frequência de utilização dada ao veículo é um elemento importante para aferir a efectiva dimensão da respectiva privação e dos danos daí emergentes, sendo igualmente inquestionável que o valor da indemnização a fixar terá que ter em conta o tipo e a gravidade dos danos emergentes dessa privação.