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Recorde-se que o sinistrado era identificado em todas as folhas de férias com a categoria profissional de "vigilante”, sendo exigível a quem exerce com a diligência devida a sua actividade em contacto com relações laborais firmadas no nosso país – como sucede com seguradoras que operam no ramo dos acidentes de trabalho – o conhecimento da existência de um retribuição mínima mensal garantida e, também, de que as relações laborais na área da segurança privada são regidas por instrumentos de regulamentação colectiva, com publicação oficial, que prevêem retribuições mensais para estas profissões em montantes superiores à retribuição mínima mensal garantida1  Pelo que, sendo o contrato de seguro um contrato de adesão, que vincula ambas as partes à luz do princípio geral da boa-fé, tendo a seguradora dúvidas quanto às declarações do segurado constantes das folhas de remunerações, designadamente quanto ao valor do salário mensal efectivamente pago ou a atender para a reparação do sinistro – por ser eventualmente susceptível de criar dúvidas a indicação sucessiva do salário mensal de € 65,00 para um trabalhador com a categoria profissional de vigilante, caso não tenha logo compreendido que se tratava de um trabalhador a tempo parcial, como nos parece que deveria –, cabia-lhe desenvolver as diligências necessárias a esclarecer essas dúvidas no decurso da execução do contrato, ao invés de invocar as discrepâncias entre os valores comunicados e os que seriam devidos a um trabalhador a tempo completo no momento em que lhe é solicitado o pagamento, depois do sinistro1  Impõe-se aqui recordar a teleologia do seguro obrigatório de acidentes de trabalho e a sua função de salvaguardar as pessoas que, vítimas directa ou indirectamente de um infortúnio laboral, verdadeiramente visa beneficiar.