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a do artigo 3 supra, ao mesmo tempo que se elimina o facto provado , tudo com base nos concretos meios de prova ali elencados, incluindo a prova gravada, para onde se remete e aqui se dão por integralmente reproduzidos; r) Analisados os factos provados corrigidos nos moldes indicados em a, bem como os meios de prova com eles relacionados e interpretadas as declarações negociais emitidas pelas partes de acordo com as regras dos artigos 23 a 23 do Código Civil, forçoso é concluir que estamos perante um complexo negócio tripartido, o qual não se pode reconduzir a uma simples e singela compra e venda, regulada pelo Código Civil, seja ele o Português ou o Alemão, e muito menos uma negociação por conta própria, configurando antes uma prestação de serviços em benefício de terceiros, na modalidade de match principal; s) Neste contexto, a compra e venda das obrigações entre eG – , S.A.- é apenas o resultado ou objectivo prosseguido pelas partes, que surge a jusante, se e na medida em que a montante a prestação de serviços tiver produzido os resultados desejados pelas partes; t) Trata-se de uma particular modalidade de prestação de serviços, porque prestada em Portugal, por uma entidade financeira, sujeita a licenciamento, actuando em mercado regulado, sob fiscalização da , com observância das normas do Código dos Valores Mobiliários e, no caso em apreço, em benefício de um Banco; u) Sem conceder, caso se pretenda dar maior relevância à componente da compra e venda dos títulos nesta relação negocial, então, estaríamos, no limite e sem conceder, perante um negócio atípico e misto, o qual conjugaria elementos caracterizadores do contrato de prestação de serviços e do contrato de compra e venda, mas onde a prestação de serviços assume maior prevalência; ) Em face da natureza jurídica do contrato celebrado entre a , S.A. e o eG e., um contrato de prestação de serviços ou um contrato misto em que prevalecem os elementos típicos da prestação de serviços), é‑lhe aplicável o direito português, nos termos do disposto na alínea, do n. 1, do artigo , e do n. 2 e 3, do artigo 1 do Regulamento Roma ; w) Para o negócio aqui em causa estar perfeito, para estar cabal e plenamente concluído, era necessária a convergência da vontade e das declarações, livre e esclarecidamente formadas, das três intervenientes, eG, , S.A. e ; x) Até porque é inquestionável que a , S.A. nunca pretendeu - nem podia, por a tanto não estar sequer autorizada - comprar para si as obrigações aqui em causa, nem era essa a intenção ou a expectativa do eG, que a ela recorreu na sua qualidade de intermediária financeira, no quadro de uma já longa relação comercial, com vista a beneficiar da sua rede de contactos, máxime na América Latina, para encontrar um comprador para aqueles valores mobiliários; y) Esta interdependência das declarações negociais e vontade das três intervenientes resulta, não apenas da natureza tripartida do negócio, mas sobretudo do elenco dos factos provados vertidos no capítulo , em particular as sucessivas declarações negociais reproduzidas nos factos provados a xxxi., dos quais resulta que o objectivo comum de eG e de - concluir a transacção ou compra e venda dos valores mobiliários- dependia do casamento / "match” das suas declarações negociais, que chegavam ao conhecimento um do outro com a intermediação da , S.A.; z) De igual modo, é inquestionável que a transmissão dos títulos, de eG para , S.A., tinha como pressuposto a sua imediata e simultânea retransmissão para o adquirente final, , ou, visto de outro prisma, a compra a venda entre eG e , S.A. estava condicionada à imediata e simultânea venda a um terceiro, no caso a ; aa) O que equivale a dizer que, ainda que se concluísse, sem conceder, como defende o Autor, quando alega que a , S.A. actua por conta própria ao declarar comprar‑lhe as obrigações aqui em causa, estaríamos sempre na presença de uma declaração condicionada à concomitante venda à , pelo que uma não podia subsistir sem a outra; bb) Conforme resulta dos factos provados e meios de prova indicados no Capítulo 5 supra, as obrigações em causa nos presentes autos, com o ISIN USP04808AM60, foram inicialmente emitidas pelo Estado Argentino em 26 de Janeiro de 2017, com o valor global de USD 7500000, à taxa de 6,875%, com vencimento em 26 de Janeiro de 2027, com pagamento de juros semestral a 26 de Janeiro e 26 de Julho de cada ano, sem que encontrassem registadas ao abrigo do US Securities Act de 1933, o que fazia com que não fossem transaccionáveis nos Estados Unidos da América, a não ser a favor de comprador institucional qualificado; ) Entretanto, em resultado de uma oferta de troca lançada pelo Estado Argentino a 14 de Março de 2017, os titulares de 99,85% das obrigações com o ISIN USP04808AM60, no valor global de USD 7455000, trocaram-nas por novas obrigações em tudo idênticas, mas desta feita registadas ao abrigo do US Securities Act de 1933, às quais ficou a caber o ISIN US040114HL72, tendo assim restado em circulação títulos com o ISIN USP04808AM60 correspondentes a apenas USD 44000, ou seja cerca de 0,15% da emissão original; ) Esta coexistência no mercado de duas obrigações do mesmo emitente, a original e a resultante da oferta de troca apenas aceite em 99,85%, era, conforme reconhecido pelo próprio Patrick H., uma situação absolutamente excepcional e, naturalmente, passível de gerar confusão entre ambos os títulos; ee) Por outro lado, fruto da pequeníssima e residual dimensão da emissão inicial com o ISIN USP04808AM60, reduzida, após a oferta de troca de 14 de Março de 2017, a menos de cinco milhões e meio de USD, tais obrigações deixaram de ter mercado, passando a ser ilíquidas; ff) Aqueles que actuam nos mercados financeiros, com especial destaque para os intermediários financeiros, estão obrigados a especiais deveres de informação e de lealdade, os quais muito embora decorrendo dos ditames gerais da boa fé, se encontram especificamente previstos na legislação sectorial, com destaque para o artigo 30 do Código dos Valores Mobiliários, com o objectivo de assegurar o regular e eficiente funcionamento do mercado; gg) Naquelas situações em que os intermediários financeiros se relacionam entre si no mercado, como é aqui o caso, os deveres de informação e de lealdade assumem uma natureza correlativa e um carácter bilateral, vinculando tantos quantos forem os intermediários financeiros participantes entre si; hh) E não se diga que o eG, por não se encontrar domiciliado em Portugal não se encontra sujeito a tais deveres, pois deveres em tudo similares emergem para aquele do Wertpapierhandelsgesetz – WpHG Código de Valores Mobiliários Alemão), mais especificamente dos seus artigos 6 n.s 1 e 6 e 8, n. 1, já para não dizer dos artigos 2 e ss da DMIF , aplicável ao eG por via do seu artigo , n. 1, enquanto operador do mercado; ) No caso em apreço, os deveres de informação, diligência, lealdade e transparência a que as partes – , S.A. e eG – estavam adstritas assumem especial relevância na medida em que estava em causa uma situação especialmente atípica e rara, já que a transacção pretendida envolvia obrigações - ISIN USP04808AM60 - que para além de fortemente ilíquidas e com restrições de circulação, eram ainda para mais susceptíveis de serem confundidas com outras com o mesmo emitente, prazo e cupão, resultantes de uma oferta de troca por este promovida - ISIN US040114HL72 - essas sim líquidas e sem quaisquer restrições de circulação; jj) O dever de informação que recaia neste caso sobre o eG, de resto, encontrava-se inclusivamente expresso no prospecto das obrigações com o ISIN USP04808AM60, designadamente na sua página 3, parágrafo, que obrigava a que o respectivo titular informasse futuros transmissários das restrições existentes à respectiva transferência; kk) O eG violou de forma grave os deveres de informação e de lealdade legais e contratuais que sobre si recaiam, já que não transmitiu de forma transparente, clara e integral à , S.A. toda a informação acerca dos títulos que pretendia colocar com o ISIN USP04808AM60, designadamente a sua anormal falta de liquidez e as restrições à comercialização, permitindo que se tivesse gerado uma confusão com aqueles com o ISIN US040114HL72; ) Esta falta de transparência e de lealdade do Senhor H. / eG é particularmente censurável, pois este tinha perfeita consciência das particularidades e características das obrigações aqui em causa -ISIN USP04808AM60-,bem como do risco de serem confundidas com aqueloutras - ISIN US040114HL72 - resultantes do desdobramento por via da operação de troca de 14 Março de 2017; ) Os factos provados tal como expostos em a supra, aliados aos meios de prova constantes dos autos, permitem concluir que, em resultado da conduta do Senhor H., a Senhora P. não se terá apercebido que as obrigações com o ISIN USP04808AM60 correspondiam à série "tóxica”, sem liquidez e não admitidas à negociação no mercado Norte Americano, tanto assim que contactou um adquirente sedeado naquele país, que depois de se mostrar interessado na aquisição dos títulos, os viria a recusar precisamente por os haver confundido com aqueloutros com o ISIN US040114HL72, estes sim líquidos e registados ao abrigo do US Securities Act de 1933 e transaccionáveis livremente nesse mercado; nn) O erro da , na pessoa do seu broker Francisco R., sobre o objecto do negócio tão pouco oferece dúvidas, em face dos factos provados e elementos de prova reproduzidos nos parágrafos xxxii.