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A Autora respondeu a esta exceção com os seguintes argumentos: - Primeiramente, não é certo que ao crédito resultante da capitalização de juros se deva continuar a aplicar o prazo mais curto de prescrição previsto no artigo 31, alínea, do Código Civil; - Se, por efeito da capitalização dos juros, estes passam a ser tratados como dívida de capital «capitalizar» = «juntar ao capital», «transformar em capital»), então não há razões para que continuem sujeitos ao prazo curto de prescrição, devendo o crédito respetivo, também para efeitos prescricionais, cair antes no âmbito de aplicação do regime aplicável ao crédito de capital correspondente - no caso, passando a sujeitar-se ao prazo regra de 20 anos do artigo 30 do Código Civil; - Ainda que assim não se entenda, não ocorre a prescrição pois, após a citação da MEO para a ação n. 524/11TVLSB, a NOS promoveu seis notificações judiciais avulsas, que foram efectuadas em 2012, 22013, 2014, 12015, 112016 e 12018, para que a MEO capitalizasse os juros vencidos ou pagasse a quantia total em dívida sob pena de capitalização; - Em todas estas notificações judiciais avulsas é feita uma interpelação para a capitalização ou pagamento sob pena de capitalização que é expressão inequívoca do propósito da NOS de exercício do direito e que é apta a interromper a prescrição - o que, aliás, não é posto em causa pela Ré; - A ideia de um alegado entendimento unânime da jurisprudência de que a notificação judicial, enquanto meio de interromper a prescrição só opera uma única vez, não podendo por esse meio operar-se sucessivas interrupções do prazo prescricional, olvida que só são apenas os dois acórdãos citados pela MEO as decisões dos tribunais superiores que se pronunciam no sentido por ela defendido; - As razões de certeza e segurança jurídica que são invocadas para justificar essa interpretação restritiva da norma do artigo 32 do Código Civil, aliás não favorecida pela respetiva letra, não convencem quando se tenha presente que o devedor, objeto de tais interpelações sucessivas, não pode ignorar que o credor pretende exercer o seu direito e não pode contar, assim, que este não venha mais a ser exercido - pelo que não são merecedoras de tutela as supostas expectativas que ele possa depositar no decurso do prazo de prescrição; - Acresce que a doutrina contida em tal interpretação restritiva da norma do artigo 32 do Código Civil não tem aplicação na situação dos autos, porque os pressupostos de facto não são coincidentes; - O que se considera não autorizado pela referida norma, na interpretação invocada pela MEO, é que através de notificações judiciais sucessivas se vá também sucessivamente dando início a novos prazos prescricionais; - Na tese da MEO, a transposição da doutrina dos acórdãos que cita levaria a que só a primeira notificação feita a 22013) contasse para interromper a prescrição, o que implicava que o prazo prescricional já tivesse decorrido quando a presente ação foi proposta; - Mas é um erro, porque essa doutrina, que visa evitar a multiplicação de prazos por efeito de notificações sucessivas, não pretende aplicar-se numa situação, como a presente, em que está em causa somente uma interrupção do prazo e a contagem de um novo e único prazo de prescrição; - A dúvida que resta, na situação em apreço, é apenas uma: tendo a NOS, dentro do prazo de prescrição, notificado a MEO por 4 vezes, a primeira em 22013 e a última em 112016, deverá a primeira notificação inutilizar as restantes e levar a que o novo prazo prescricional tenha começado a correr logo em 22013?