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Por isso, o corpus inerente aos usos12 reporta-se: à reiteração e a generalidade da prática no grupo dado; à espontaneidade não fundada em1 Porém, os usos relevantes neste domínio são apenas os que se traduzam numa prática geral, ou seja, "Realizada perante todos os trabalhadores ou, pelo menos, perante um grupo ou categoria destes e não perante um ou outro trabalhador individualmente considerado.”1 Dito de outro modo, apenas relevam os usos que representem uma prática social reiterada, sem a convicção da sua obrigatoriedade15, uma prática reiterada geral assim se distinguindo das práticas individuais estabelecidas entre o empregador e cada um dos seus trabalhadores, no âmbito de cada um dos contratos de trabalho individualmente passível no âmbito de relações de execução continuada e de gerar efeitos associados à tutela da confiança e expectativas das partes.16 Por isso, uma prática reiterada que não tenha carácter geral ou social não se constitui como fonte de direito enquanto uso laboral, devendo igualmente sublinhar-se que a simples habitualidade de uma dada prestação efectuada pelo empregador não constitui fonte de qualquer expectativa tutelável dos trabalhadores em termos de usos retributivo e no sentido da obrigação do empregador manter tal prestação1 Ora, considerando que a apelante aplicou voluntariamente o CCT em questão, designadamente o seu anexo referente a "Categorias profissionais e níveis de remuneração”, o seu anexo referente a "Retribuições” e "Tabela salarial para vigorar de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro de”, e o anexo referente a "Definições de funções”, a todos os seus trabalhadores, com excepção da autora, não pode deixar de concluir-se que por via dos usos se criou uma norma determinativa de aplicação supletiva daquele CCT aos contratos de trabalho entre a apelante e os seus trabalhadores, norma essa que, assim, se incorporou no contrato de trabalho entre a apelante e a autora e por via da qual o referenciado CCT também tem de ter-se por aplicável a esse contrato nos exactos termos em que se aplicaria para o caso de tal aplicabilidade ter sido directamente convencionada entre a autora e a apelante no contrato de trabalho que celebraram, sabido que a aplicabilidade de um CCT a uma dada relação de trabalho pode resultar, justamente, do assim clausulado no contrato de trabalho de que tal relação emergiu – neste sentido, por exemplo, acórdãos deste Tribunal da Relação de 17/3/2017, proferido no processo 2513/13T8CBR.C1, de 16/4/2015, proferido no processo 10/10TTCTB.C1, de 17/3/2014, proferido no processo 686/13T4AVR.C1, de 20/3/2014, proferido no processo 685/15T4AVR.C Como assim, à relação de trabalho entre a autora e a ré também se aplicou o Contrato Colectivo entre a APHORT — Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo e a FESAHT — Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal Revisão - Boletim do Trabalho e Emprego, n 31, de 22/8/201 Consequentemente, são devidas à autora, pela ré, as diferenças salariais que com fundamento nessa aplicação foram reconhecidas à autora pela sentença recorrida e relativamente ao ano de 201 Quarta questão: saber se assistia à autora justa causa subjectiva para a resolução do contrato de trabalho.