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Na verdade, conquanto se reconheça que o período de tempo decorrido entre a sentença condenatória e a instauração da execução pelo apelado, na medida em que esgotava a quase totalidade do prazo da prescrição, bem como o facto de não ter comunicado a existência da dívida ao Banco de Portugal - comportamento omissivo -, poderia ser susceptível de criar no apelante a convicção de que o direito não seria exercido, não pode deixar de se ter presente que, além disso e como se sublinhou ser necessário para integrar o instituto do abuso do direito na modalidade de supressio, se tornava necessário verificação de outros elementos complementares que, para além do não-exercício prolongado do direito, melhor alicercem a confiança do beneficiário, a saber: uma situação de confiança; uma justificação para essa confiança baseada na conduta circunstancial do titular do direito, a contraparte convence-se, justificadamente, que o direito já não será; um investimento de confiança e a imputação da confiança ao não-exercente, elementos esses que não se surpreendem nos factos provados e a considerar.