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E pode dizer-se que, não só a conduta assumida por parte do senhorio legitimava em abstrato a confiança de que o mesmo não exerceria posteriormente os seus direitos, recorrendo à via judicial, como, em concreto, a Ré nisso confiou, investindo na confiança por aquela conduta criada, como resulta claro do prosseguimento das obras no arrendado não obstante o conhecimento das mesmas pelo senhorio e a falta de autorização escrita para o efeito, o que, a nosso ver, é o bastante para considerar abusiva a invocação da referida falta de autorização escrita para daí extrair a cessação do arrendamento, evidenciando aquela conduta de tácito consentimento na realização das obras em causa não se estar perante uma situação de tal gravidade que torne inexigível a manutenção do contrato, pelo que, como se conclui na sentença recorrida, não se encontram preenchidos os fundamentos da resolução neste mesmo sentido ver Acórdão da Relação de Lisboa de 102009, Relator – Rijo.