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Na motivação da decisão de facto, exarada na sentença recorrida e no segmento que aqui importa considerar, consignou-se o seguinte: «Os factos provados em 22 a 25, que consubstanciam o elemento subjectivo, resultam dos factos objectivos dados como provados, uma vez que são os mesmos insusceptíveis de prova directa, os quais, atendendo às regras da experiência comum e mediante presunções naturais, permitem de forma segura inferir tais conclusões, desde logo, atendendo às funções exercidas pelo arguido desde 1992, razão pela qual não é crível que desconhecesse as obrigações a que estava adstrito.» A propósito da prova dos factos que integrem os elementos subjetivos de um determinado crime, designadamente do dolo, tal como já deixamos referido no anterior acórdão que proferimos nos autos,na ausência de confissão, em que o agente admite ter agido com conhecimento e querendo praticar os factos que preenchem o tipo objetivo de um determinado crime, a prova do dolo, estando em causa elementos de índole subjetiva, que pertencem ao foro íntimo do sujeito, terá de fazer-se, mediante ilações, a extrair da conduta desenvolvida pelo agente, em conjugação com as regras da experiência comum e da normalidade da vida.