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Apesar de este nível de relacionamento interpessoal não constituir uma situação muito comum quando se trata de duas pessoas que foram casadas e que entretanto se divorciaram, no caso concreto a justificação da manutenção dos laços com a 1 R. não pode dissociar-se da circunstância de existirem filhos comuns, propiciando a manutenção de laços de convivialidade, mas sem ultrapassar a barreira das relações de intimidade próprias do casamento que, em face da matéria de facto apurada, existiam entre o falecido e a 2 R.  Se é verdade que a 1 R. afirmou a exclusividade no relacionamento que mantinha com o falecido, tanto assim que pretendia que lhe fosse reconhecida a situação de união de facto, não logrou demonstrar factos que alegou e que, se tivessem sido demonstrados, revelariam uma situação análoga à de bigamia que acabaria por descaracterizar ambas as relações como "uniões de facto” suscetíveis de serem tuteladas pelo direito, pois, como refere Jorge Duarte Pinheiro, apenas a demonstração da existência de duas relações correspondentes a duas "uniões de facto” poderia determinar a negação de tutela jurídica a qualquer delas.