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"1 O regime do direito ao «abono para falhas», enquanto suplemento remuneratório, concretiza-se em termos de assistir aos trabalhadores titulares da categoria de assistente técnico da carreira geral de assistente técnico que ocupem postos de trabalho que, de acordo com a caracterização constante do mapa de pessoal, se reportem às áreas de tesouraria ou cobrança que envolvam a responsabilidade inerente ao manuseamento ou guarda de valores, numerário, títulos ou documentos; 2 Implicando tal regime que haja uma determinação procedimental administrativa que concretize essa caracterização, não bastando o simples desempenho espontâneo, desinserido de tarefas de cobrança e de «tesouraria» desligadas dessas áreas dos serviços e de enquadramento de direção; 3 No caso dos autos, o autor não faz parte daquele grupo alargado de profissionais assistentes técnicos a quem a Administração, por razões de interesse público, ao abrigo do seu poder de direção e também regulamentar, restringiu na atribuição de funções de «cobrança e de tesouraria», cometendo-as a apenas um posto de trabalho por Unidade de Saúde; 4 Porque hoje em dia não há 'serviços de tesouraria' no sentido tradicional, a que se reportavam os diplomas originários, não podendo por isso aplicar-se o direito sem uma adequada atualista e em ligação das normas às novas dinâmicas de gestão; 5 Com efeito, estando-se no domínio do regime remuneratório, não há efeitos jurígenas diretamente emergentes dos factos sem uma adequada aplicação do direito, substantivo e procedimental concreto por parte da Administração; 6 Sendo que não preenche os pressupostos de atribuição do «abono para falhas» aquele trabalhador assistente técnico que não cumpra nem realize o seu posto de trabalho com actividades de cobrança e de tesouraria guarda e conferência diária, a título principal, ainda que possa esporadicamente realizar uma ou outra cobrança, e fora de um posto de trabalho ao qual a função esteja atribuída; 7 Por não bastar o exercício isolado ou casuístico da função, quando desligada, mesmo materialmente, do contexto do risco da função, do posto de trabalho que constitui a última ratio da atribuição remuneratória; e, por outro lado, quando desligado de um procedimento específico de designação para a realização da função "cobrança"; 8 Isso mesmo decorre da norma do art 159 da LGTFP ao estabelecer que «são suplementos remuneratórios os acréscimos remuneratórios devidos pelo exercício de funções em postos de trabalho que apresentam condições mais exigentes relativamente a outros postos de trabalho caracterizados por idêntico cargo ou por idênticas carreira e categoria».