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Em conclusão: - A responsabilidade por operações de pagamento não autorizadas, realizadas com recurso ao serviço de homebanking, incumbe, em princípio, ao prestador de serviços de pagamento, conforme estatuído no artigo 7 do RSP, cabendo ao utilizador nas situações previstas nos n.s 1 a 3 do artigo 7 daquele Regime, designadamente em caso de negligência grave do ordenante; – A apreciação da culpabilidade do ordenante impõe a análise da respetiva conduta, com vista a verificar se omitiu o comportamento devido e, em caso afirmativo, se o fez voluntariamente; – Na graduação da culpabilidade do ordenante, há que ter em conta, entre outros fatores que se mostrem relevantes, os valores ou interesses que se pretendem acautelar com o comportamento devido, bem como a intervenção da vontade na omissão de tal comportamento; – O comportamento do autor que, tendo acedido a página eletrónica ilícita convencido de que se tratava da página da entidade bancária, forneceu, a solicitação do sistema, além do número de identificação e do código PIN, a totalidade das coordenadas inscritas no cartão matriz, mostra-se adequado a viabilizar a realização por terceiros de operações de pagamento não autorizadas; - A advertência, que fora transmitida ao autor e que constava do cartão matriz, de que a solicitação de mais de duas posições desse cartão indicia a presença de página fraudulenta, impunha cautela ao autor, permitindo-lhe prever a possibilidade de não se encontrar no sítio eletrónico correto e de estar a facultar os seus dados a terceiros; - A atuação do autor, ao inserir a totalidade das coordenadas inscritas no cartão matriz em página eletrónica semelhante à do serviço de homebanking da ré, configura negligência grave, preenchendo a previsão do artigo 7, n. 3, pelo que lhe cabe a responsabilidade pelas operações de pagamento não autorizadas executadas, até ao limite do saldo disponível.