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Entendeu então o arguido realizar uma gasometria que veio a mostrar que a doente tinha uma acidose metabólica moderada a grave, com pH de 721, hipocaliémia ligeira de 3,1 mmol/e lactatos de 2, 06mmol/; confrontado com o diagnostico de cetoacidose diabética, no contexto da diabetes de Tipo 1 descompensada, entendeu o arguido ministrar à paciente um soro fisiológico de 1000ml com 3 ampolas de cloretos de potássio, a perfundir a 500cc/hora durante duas horas e posteriormente a 250cc/hora mantendo a perfusão de insulina que já estava ministrada; programou ainda glicémia horárias para ajuste da perfusão de insulina e monotorização da resposta à terapêutica; entretanto chegada à urgência o arguido vai ter em conta para análise do estado do paciente, a ecografia que entretanto havia sido solicitada pela colega que antecedeu ao serviço; presente tal exame, uma ecografia aos tecidos moles realizada ao membro inferior direito da paciente e atento o seu teor o arguido o arguido encontrava-se confrontado com um diagnóstico de cetoacidose diabética e o exame ecográfico não lhe aponta nenhum sinal de espessamento subcutâneo ou ar sendo que em face de tais sinais não podia representar a existência de fasceite infeciosa necrotizante que são usados no seu diagnostico precoce sendo que a doente não apresentava um quadro clinico nesse sentido; - o quadro clinico da paciente a evoluir há quadro dias conjugado com a observação da ortopedia realizada aproximadamente 24 horas antes, apontando para um quadro compatível com mialgia e por outro face à ausência de sinais inflamatórios francos, a nível gemelar, não indicavam tratar-se de foco infecioso, sendo que na altura se estava bem longe de se poder encarar a hipótese supra referida; a paciente para além dum ligeiro aumento de volume da região gemelar e discreto aumento da temperatura local não apresentava eritema ou calor, nem alteração da coloração da pele, com aparecimento de lesões eritemato-purpúreas e posteriormente azul acinzentadas, ou sequer bolhas com grangrena evidente; a doente apresentava-se apirética, dado que a temperatura auricular de 37, 4 , em uso no Serviço de Urgência corresponde a apirexia; não apresentava hipotensão e os lactatos estgavam &gt;4m mol/pelo que com todos estes sinais de análise objetiva a doente não apresentava critérios de confirmação médica de caso suspeito de sépsis; tal se constatava existir por cerca das 02 h e ainda pelas 03 00 do dia 7 de julho de 2013; Ao longo da noite a doente foi monitorizada através do monitor e vigilância e por inúmeras vezes o arguido se abeirou da paciente com vigilâncias de tensões arteriais e electrocardiográficas de forma contínua, com vigilâncias horária de glicémias apesar das solicitações de trabalho dum Serviço de urgências, não foi descurada a sua presença junto da paciente; cerca das 3h15 falou com a doente e realizou observação clinica da perna, tendo constatado os mesmos sinais e manutenção da impressão clinica com a mesma estabilidade hemodinâmica; nas sucessivas avaliações apesar da doente manter dor não se notou o aparecimento de quaisquer outros sinais na região gemelar que levasse o arguido a agir de forma diversa acrescido do facto de que a avaliação seriada e horária das glicémias, mostrasse controlo do quadro de descompensação diabética, pelo que mantinha a mesma impressão clinica da estabilidade; Cerca das 05 h o arguido alertado pela enfermeira de que a doente mantinha queixas na região gemelar, foi então a paciente reavaliada pelo arguido e medicada convenientemente, apesar de uma certa agudização da dor, os sinais do exame objetivo anteriormente realizado à perna permaneciam estáveis sem qualquer alteração: - Na avaliação realizada pelas 8h, o arguido constatou que a paciente se encontrava sudorética e que lhe deu a noção de algum aumento do edema da perna direita, tendo em conta a primeira observação realizada pelo arguido, pelo que o arguido decidiu cerca das 8h 15 pedir: controlo analítico, culturas de sangue e urina e iniciar empiricamente antibioterapia com levoploxacina, então constatou-se que a doente mostrava pioras no sei estado clinico, ficando hipotensa; em consequência a paciente foi transportada para a sala de emergência onde lhe foi colhida as culturas e iniciou antibiótico, que não foi a levoploxacina que havia sido prescrita pelo arguido, mas um outro antibiótico de mais alargado espectro, prescrito por outro colega em face do agravamento da situação; só a partir das 8h 15m do dia 8 de Julho de 2013 começou a pairar a hipótese de choque séptico, com o foco infecioso ao nível da região gemelar; para o arguido era então claro que a existir um foco infecioso na região gemelar, a antibioterapia era insuficiente para salvar a vida da paciente; o arguido e outros médicos que consigo reuniram consideraram que não era claro que o foco de sépsis fosse a região gemelar, contudo entenderam o arguido e os outros médicos que a examinaram a paciente que não se encontrava identificado o foco de sépsis sendo urgente convocar o caso à Medicina Intensiva e à Cirurgia, pois caso tal foco fosse em tal região teria a Cirurgia de intervir, pelo que o arguido pelas 9h apresentou o caso ao médico e por ter terminado o seu turno de serviço transferiu a questão ao arguido G. que o substituía; O arguido considera que não violou as boas práticas médicas, ao contrario do sustentado pelo MP na acusação, pois as leges artis determinam que se avance para os exames médicos microbiológicos e exames para localização do foco infecioso através da imagem como tomografia computorizada, torácico, abdominal pélvico e de membros inferiores com especial atenção ao membro edemaciado mas tais exames são complementares de diagnostico, quando ocorram circunstâncias, através do exame objetivo do paciente, pelo que entende o arguido que seria um exagero, tomar tal atitude quando o quadro clinico não o aconselhava, pois como referido o arguido constatou que a paciente poderia padecer duma cetoacidose diabética, e não apresentava como sinal nenhum espessamento subcutâneo ou ar, como a observação em ortopedia, apontava um quadro compatível com mialgia, pois não tinha sinais inflamatórios francos a nível gemelar, não apresentava eritema ou calor, não tinha alteração da coloração da pele; não tinha lesões eritemato- purpúreas e posteriormente azul-acinzentadas, nem tão pouco bolhas com gangrena evidente; a doente estava apirética e nem tão pouco apresentava hipotensão, tendo os lactatos &lt; 4 mol/perante tal quadro que não é suscetível de implicar uma sépsis pelo que não se justificava a realização dos referidos exames pelos exame objetivo e sinais apresentados até às 8h, e não fazia qualquer sentido um diagnóstico de fasceite infeciosa necrotizante; Só a partir das 8h em face da agudização do estado da paciente com a agudização do estado da paciente que apresentando-se sudorectica e havendo noção de algum aumento do edema na perna direita, levou o arguido a mudar a sua posição relativamente ao " modus faciendi” clínico e assim decide então, fazer culturas de sangue e de urina e iniciar a antibioterapia porque se lhe representou então a hipótese de choque séptico com foco infecioso na região gemelar e agiu em conformidade ciente de que a partir daquela altura que iniciou a toma do antibiótico para esta hipótese não implicava a cura da paciente, sendo necessário para o efeito convocar a cirurgia e por isso contactou a medicina intensiva e a cirurgia, pelo que entende o arguido que não violou as leges artis nos termos supra referidos; - o arguido não omitiu qualquer dever de cuidado em relação à paciente muito menos que qualquer sua omissão tenha causado o resultado morte da mesma, pois sempre foi cuidadoso e agiu segundo as "leges artis” e discorda da imputação que lhe é feita pois a doente ficou disponível para ser intervencionada pela cirurgia, desde cerca das 11horas da manhã do dia 8-7-2013 e que só ficou pronta para uma intervenção cirúrgica pelas 16 horas do mesmo dia; Com tais fundamentos conclui requerendo a sua não pronúncia e subsequente arquivamento dos autos.