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17  Desaparecida aquela forma de criminalização e, assim, o conceito legal nela utilizado mas, sobretudo, desvalorizada que foi uma certa "moralidade” e recentrada a necessidade de protecção fundamentalmente na área de intimidade pessoal que integra o reduto ou reserva da vida privada, por contraponto à social, em que se projectam as manifestações mais caras da liberdade e autodeterminação individuais, do conceito de pudor a considerar não deve arredar-se uma referência ao direito à "reserva da intimidade da vida privada e familiar” tal como normativamente consagrados no n 1, do art 26, da CRP, e no art 80, do Código Civil: todos devem guardar reserva quanto à intimidade da vida privada de outrem n; a extensão da reserva é definida conforme a natureza do caso e a condição das pessoas n. 18  Ainda assim, não coincidindo os limites do reduto da intimidade pessoal com os do campo mais extenso da vida privada parece que susceptíveis de, por desrespeito daqueles, ofenderem o pudor, portanto, de causarem resistência, embaraço, vergonha, mal-estar, receio, serão os actos implicantes de observação e de exposição de certas zonas do corpo, de alguns sentimentos ou sensações do foro subjectivo e, enfim, do estado mental e psíquico normalmente cultivados pela discrição e resguardados de revelação a pessoas alheias.