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A referida afectação à utilidade pública deverá consistir no facto do uso do caminho visar a satisfação de interesses colectivos de certo grau ou relevância»2 Por seu turno, quanto à noção de "imemorialidade”, o entendimento mais recentemente formulado pelo Supremo Tribunal de Justiça tem considerado que «o tempo de memória útil das pessoas – isto é, de memória que pode fundamentar um juízo de prova, em tribunal – não coincide manifestamente com o tempo médio de vida do ser humano, sendo que é o tempo de memória útil que deve relevar para determinar se a memória das pessoas vivas recorda o início da utilização directa ou indirectamente»2 Assim, sendo dois os requisitos caracterizadores da dominialidade de um caminho: o uso directo e imediato pelo público e a imemorialidade daquele uso, pensamos ser pacífico considerar que este último requisito se verifica posto que a existência dos caminhos em causa, ainda que não com a actual largura, perde-se na memória das pessoas, situando-se a sua construção pelos antecessores da autora há cerca de 200 anos, sendo certo que, como referido no citado aresto do STJ, irreleva para o efeito quem o construiu.