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Afigura-se-nos que, ponderando os interesses em presença, como supra referido, fundamentalmente o da urgência da desvinculação e o da conservação do vínculo, e não obstante a confusão gerada a que já se aludiu, com a "cena” perpetrada pela Autora, este episódio cujo relato é único no âmbito desta relação laboral que perdurava há mais de 17 anos, seja insusceptível de, em concreto, tornar inexigível à Empregadora a manutenção do vínculo contratual, mostrando-se a factualidade apurada desadequada à aplicação da sanção disciplinar mais grave e radical.” Do assim decidido discorda a Recorrente para tanto invocando a existência de antecedentes disciplinares da A. e, bem assim que: o Tribunal a quo reconheceu que a Recorrente uma instituição de ensino, que tem ao seu cuidado crianças, inclusive de tenra idade, que assistiram aos factos ocorridos e terão ficado assustadas, o que lhe poderá causar lesão de interesses patrimoniais sérios, pela confiança que os pais e encarregados de educação depositam na instituição; o afastamento da Recorrida da cantina, como preconizado, pelo Tribunal a quo, não é suficiente, não se coaduna com a realidade de execução de tarefas de limpeza num estabelecimento escolar; a Recorrida sendo empregada de limpeza, cujo horário de trabalho é das 7h as 15h, ou seja praticamente durante todo o tempo de abertura do estabelecimento de ensino aos alunos que é das 8h às 19h, e sendo o período letivo das 8h30 as 17h00, e as actividades extracurriculares das 17h as 19h, dificilmente se concebe que a mesma possa ser afastada do contacto com as crianças salas, corredores, casas de; o Tribunal a quo não valorizou o facto de que quando os pais confiam a Recorrente a guarda dos seus filhos crianças e a prestação de serviços na educação daqueles, não podem aceitar que os seus filhos sejam testemunhas de altercações entre adultos, como não aceitam que os seus filhos sejam testemunhas de cenas violentas como uma tentativa ou "pseudo” tentativa de automutilação que ponham em risco a sua integridade física ou mental; uma tentativa de automutilação em frente de crianças de tenra idade não pode ser qualificado de mero "desvario”, algo sem grande importância; a Recorrente tem deveres para com os seus trabalhadores, e também têm deveres para com os seus clientes, dever nomeadamente de reprovação de qualquer forma de violência, seja de ordem psicológica, verbal, moral ou física no seio do seu estabelecimento de ensino, bem como tem a obrigação de proporcionar aos seus alunos um ambiente de segurança e de bem-estar afetivo, indispensável ao crescimento, desenvolvimento das crianças e jovens; o Tribunal a quo deveria ter considerado adequada a aplicação da sanção de despedimento com justa causa, tendo sido ponderado os antecedentes disciplinares da Recorrida, e comportamento culposo da Recorrida que pela sua gravidade e consequências, por si só tornou imediatamente impossível a subsistência da relação de trabalho, e constituiu justa causa de despedimento nos termos do artigo 351, n 1 e do n 2, alíneas,, e do Código do Trabalho.