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Sem que, porém, nos possamos olvidar que existe uma outra corrente doutrinal e jurisprudencial mais recente, que sustenta que o depoimento e as declarações de parte, sem valor confessório, podem valer à luz do princípio da livre convicção do tribunal, em benefício do próprio declarante, ainda que desacompanhados de outros elementos de prova que as corroborem, tudo dependendo do modo como são prestadas e a maior ou menor dificuldade probatória do facto sobre que versam, repudiando a degradação antecipada do respetivo valor probatório, o seu estigma precoce, relembrando que se está perante uma prova autónoma, consagrada em termos amplos, e não apenas como mero princípio de prova, em relação à qual deverá valer plenamente a livre convicção do juiz, cumpre salientar que os defensores desta corrente não deixam de evidenciar a necessidade de adotar cuidados acrescidos na valoração favorável deste elemento de prova em benefício do próprio depoente ou declarante, sabendo-se que " não é material e probatoriamente irrelevante o facto de estarmos a analisar as afirmações de um sujeito processual claramente interessado no objeto em litígio e que terá um discurso, muito provavelmente, pouco objetivo sobre a sua versão dos factos que, inclusivamente, já teve oportunidade para expor no articulado.”  No caso concreto, revisitada as declarações de parte do autor, em especial no que se refere à dinâmica do acidente, as mesmas afigura-se-nos consentâneas com a realidade dos factos que terão sucedido antes do acidente e com a condução que o mesmo vinha desenvolvendo antes de ser embatido na traseira do seu motociclo pela parte da frente direita do veículo HE.