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ACORDAM NA SECÇÃO DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO DO SUPREMO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO:   RELATÓRIO  HERDEIROS DE A, e OUTROS,devidamente identificados nos autos, intentaram no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, o presente procedimento cautelar contra a COSTAPOLIS - SOCIEDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA POLIS DA COSTA DA CAPARICA, pedindo: "A suspensão da deliberação tomada pelo Conselho de Administração da entidade requerida que determinou a entrega pelo Clube de Campismo de Lisboa, no prazo de 120 dias, do terreno que ocupa correspondente a parcela de terreno com a área de 6ha., propriedade da requerida Costapolis, ao que acrescem 1520m2, aproximadamente, do domínio público marítimo integrado na Zona de Intervenção das Praias Urbanas.”Por sentença do TAC de Lisboa, proferida em 17 de Julho de 2018, foi julgada procedente a providência cautelar.A Requerida Costapolis apelou para o TCA Sul e este, por decisão datada de 21 de Novembro de 2019, declarou nula a decisão de 1 instância, negou provimento ao recurso, decretando, todavia, em substituição, a providência cautelar de suspensão da eficácia da deliberação supra mencionada.É desse Acórdão que a recorrente COSTAPOLIS, inconformada, veio interpôr o presente recurso de revista, tendo na respectiva alegação, formulado as seguintes conclusões:  «a) 1 - As questões submetidas a este órgão de cúpula reconduzem-se a saber se a aferição do periculum in mora em pedido de suspensão de eficácia do ato impugnado por requerentes particulares pode ser feita com base em prejuízos genéricos dos associados de uma associação de utilidade pública; 2 - Está, igualmente em causa saber se é possível fundamentar a apreciação do periculum in mora por remissão ou reprodução de um aresto proferido em processo em que é requerente pessoa jurídica distinta dos aqui requerentes, ora recorridos, em que não são apreciadas as mesmas questões fatuais – pelo menos relativamente à aferição de preenchimento do requisito do periculum in mora -, não obstante a similitude de situações, e quando, para além de tudo o mais, o aresto proferido e reproduzido não concluiu pela verificação do periculum in mora; 3 - Tais questões assumem importância fundamental pela sua relevância jurídica, tratando-se de uma questão nova, com utilidade jurídica, e com capacidade de repetição em casos futuros; 4 - Em primeiro lugar, o entendimento vertido no acórdão recorrido vai em sentido muito diverso ao entendimento da jurisprudência administrativa, no que respeita à falta de relevância dos prejuízos de terceiros para aferição do periculum in mora; 5 - Sendo que, em matéria de relevância de prejuízos de terceiros para aferição do periculum in mora, questão que aqui está em causa, este Supremo Tribunal Administrativo entendeu já conferir-lhe dignidade e relevância suficientes para que por ela pudesse ser dirimida vide Acórdão proferido no âmbito do Processo n 01122/14, relatado pelo Conselheiro Alberto Augusto, ainda que numa perspetiva diversa; 6 - Com efeito, estava em causa no aresto referido na conclusão anterior, a possibilidade de uma associação de utilidade pública, em pedido de suspensão de eficácia, arvorar os prejuízos provados dos seus associados como elemento integrador do periculum in mora.