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Estabeleceu-se assim logo de início, no Código Penal de 1982, um sistema de pena de multa orientado para a consecução dos fins das penas legalmente consagrados, subordinando-se a determinação concreta da pena de multa aos limites impostos pela culpa e pelas exigências de prevenção, à semelhança do previsto para a pena de prisão, sistema esse ulteriormente aprimorado pela revisão de 1995; e estabeleceu-se concomitantemente um sistema de execução da pena orientado para a preservação da dignidade penal da pena pecuniária, visando evitar que esta, para usar as palavras de Figueiredo Dias, se convertesse numa forma disfarçada de absolvição ou de uma dispensa ou isenção da pena que se não tem a coragem de proferir O legislador acautelou, no entanto, eventuais situações de maior carência económica, gizando formas de garantir que um condenado economicamente mais débil e impossibilitado de proceder ao pagamento da multa não se veria, apenas por essa razão, privado da liberdade; mas ainda assim, não perdeu de vista a finalidade última da preservação da eficácia da pena de multa enquanto instrumento de prevenção e de ressocialização, como melhor se explicitará.