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90 dos foi valorado pelo Tribunal a quo na douta Sentença de que ora se recorre - valoração essa ademais de suma importância uma vez que o próprio Tribunal a quo sustenta a fiabilidade e a credibilidade do depoimento da ofendida , designadamente "por antes da audiência ter manifestado nos autos a intenção de desistir da queixa apresentada contra o arguido e ter requerido o arquivamento do procedimento criminal em curso contra o mesmo fls., revelando não possuir qualquer interesse na sua condenação neste processo.” –, mas relativamente ao qual o Tribunal a quo não se pronunciou na Sentença em crise;  G)Tendo sido apresentado um requerimento de desistência de queixa nos Autos, o Tribunal a quo tinha que se ter pronunciado sobre o mesmo, pois que a desistência de queixa apresentada por quem tem legitimidade e dentro do prazo legal faz extinguir o procedimento criminal contra o Arguido;  H)A Jurisprudência não é unânime quanto à natureza pública ou semi-pública do crime de ameaça agravada a título exemplificativo, o Acórdão proferido pelo Venerando Tribunal da Relação de Évora, datado de 13/11/2013, que sufraga  natureza semi-pública do crime de ameaça;  ) No entanto, mesmo que o Tribunal a quo considerando que o crime de ameaça agravada de que o Arguido, ora Recorrente, se encontrava acusado e, que produzida a prova em audiência de julgamento, considerou dar por provado e, por consequência, foi condenado, tem natureza pública, e, como tal, que a desistência de queixa apresentada pela ofendida é ineficaz, tinha que se ter pronunciado nesse sentido, o que não fez;  J)Desta forma, não tendo o Tribunal a quo se pronunciado sobre a desistência de queixa apresentada nos presentes Autos, ainda que, dando-se por provada a factualidade integradora do tipo em causa, se considerasse que estava em causa um crime de natureza pública e que como tal a desistência era ineficaz, deixou aquela Instância de se pronunciar sobre questão relativamente à qual tinha que se pronunciar, pelo que a Sentença recorrida é nula, nos termos e ao abrigo do disposto no artigo 37, n. 1, alínea, do CPP, com todas as legais consequências;  K)Ainda, salvo o muito e devido respeito, o Recorrente entende que o Tribunal a quo incorreu em erro de julgamento ao dar por provado sob o ponto 3dos "Factos provados” que o Arguido, dirigindo-se a , afirmou "Vou buscar uma caçadeira de canos serrados e dou-te dois tiros”, ou mais, concretamente, que, dirigindo-se a , afirmou "dou-te dois tiros”;  )A propósito da expressão "dou-te dois tiros”, na fundamentação vertida na douta Sentença recorrida, o Tribunal a quo verteu o seguinte: "A instâncias da defesa, esclareceu que o arguido só queria pagar parte do preço e como lhe disse que não podia levar o carro sem pagar este se lhe dirigiu, dizendo que ia buscar uma caçadeira e dava dois tiros, tendo interpretado que a expressão era para si..”; e mais adiante que "e, mesmo quando instada pela defesa e pelo tribunal a esclarecer a expressão proferida pelo arguido, continuou a referir, de forma segura, que o arguido lhe disse que ia buscar uma caçadeira e dava dois tiros, tendo interpretado que a expressão era para si, por não o deixar levar o carro,”;  )Sucede que, do depoimento da Testemunha em sede de Audiência de Julgamento não decorre do mesmo que a Testemunha tenha afirmado, "de forma segura”, que quando o Arguido lhe disse que ia buscar uma caçadeira e dava dois tiros interpretou essa expressão como sendo para si;  N)Do depoimento da Testemunha , prestadas na  Sessão de Julgamento, no dia 29 de Novembro de 2016, com registo de prova das declarações prestadas através do sistema integrado de gravação digital, disponível na aplicação informática em uso no Tribunal a quo, com início às 14h:54m e fim às 15h:18m, conforme Ata da Sessão de Julgamento e do registo do , encontrando-se o trecho das declarações desta Testemunha quanto a este facto, especificadamente, com registo de prova gravado em , com início aos 17m.10s.