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Feitas estas considerações de índole genérica, acerca dos elementos constitutivos e da natureza do crime de branqueamento de capitais, cumpre, desde logo, referir que, na medida em a intenção lucrativa não faz parte do tipo, nenhum relevo se pode atribuir ao argumento invocado pelo arguido recorrente, no sentido, de que era um mero «Money Mule» e de que não recebeu qualquer contrapartida monetária pelo facto de ter aceite e concretizado a abertura de várias contas bancárias recorrendo a identidades forjadas e a passaportes e outros documentos adulterados com essas identidades ficcionadas, como se fossem a sua, para através dessas contas e ainda mediante remessas de divisas para fora do território nacional ocultar e dar ao dinheiro obtido ilicitamente através dos esquemas CEO Fraud e Cartas da Nigéria uma aparência de dinheiro ganho e depositado e transferido no circuito bancário e financeiro legal e em vigor no mercado interno e internacional.