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»; 3) Ora, salvo o devido respeito, o Recorrente não pode concordar com a referida decisão; 4) O procedimento cautelar de suspensão de deliberações sociais artigo 39, e atual artigo 38 do depende da verificação cumulativa dos seguintes requisitos: ser o requerente sócio da sociedade que a tomou; ser essa deliberação contrária à lei ou ao pacto social e resultar da sua execução dano apreciável;  5) O primeiro requisito constitui pressuposto da legitimidade ativa e os dois restantes são elementos integrantes da causa de pedir; 6) A qualidade de sócio e a ilegalidade da deliberação bastam-se com um mero juízo de verosimilhança, mas, quanto ao "dano apreciável”, exige-se, pelo menos, uma probabilidade muito forte da sua verificação; 7) Por sócio tem de entender-se, naturalmente, aquele que já o era no momento da deliberação impugnada e conserva esta qualidade ao tempo da impugnação; 8) A exigência legal de demonstração de que a execução da providência pode causar "dano apreciável” reclama a alegação de factos concretos que permitam aferir da existência dos prejuízos e da correspondente gravidade; 9) O "dano apreciável” não é toda e qualquer possibilidade de prejuízo que a deliberação ou a execução em si mesmas comportam, mas sim a possibilidade de prejuízos imputáveis à demora da ação de anulação, pois a providência cautelar visa prevenir o "periculum in mora”, ou seja, acautelar a utilidade prática da sentença de anulação da deliberação social contra o risco da duração do respetivo processo; 10) O "dano apreciável” tanto pode referir-se a danos morais, como a danos patrimoniais, sejam eles da sociedade ou dos sócios; 11) Este é o entendimento do Tribunal da Relação de Coimbra, quanto ao procedimento cautelar de suspensão de deliberação social, vertido no Acórdão de 08/11/2011, proferido no Processo n. 158/10T2AVR-A.C2, consultável in www.dgsi.pt/jtrc, e nenhumas razões existem para que não seja igualmente aplicável nos presentes autos, por ir de encontro ao que se encontra legalmente estabelecido; 12) No presente caso, entendeu o Meritíssimo Juiz do Tribunal a quo, não se verificar o terceiro requisito, consistente no dano apreciável que a execução das deliberações pode causar, para que sejam suspensas; 13) Tal não corresponde à verdade, uma vez que o Requerente invocou os prejuízos que poderão resultar para a sociedade e reflexamente para o Recorrente sócio com a execução das deliberações, devendo por isso ser suspensas, conforme é pedido no final da procedimento cautelar; 14) Desde logo, tal como é alegado e demonstrável a prossecução da atividade da sociedade é assegurada praticamente exclusivamente graças ao trabalho e empenho do Recorrente e da trabalhadora; 15) O Recorrente para além de todo o trabalho inerente às funções desempenhadas como gerente, executa os seguintes trabalhos: – Efetua e assegura a distribuição de ovos, como camionista, aos diversos clientes; – Ajuda nos dias úteis, a executar o serviço, que é normalmente desempenhado pela trabalhadora, como seja a limpeza dos pavilhões, a apanha dos ovos e respetivo embalamento; – Executa aos sábados e domingos todos os referidos trabalhos desempenhados pela trabalhadora durante a semana; 16) Trabalhos que ocupam o Recorrente durante todos os dias da semana, conforme é alegado na petição inicial; 17) Sendo que os restantes sócios não desempenham qualquer trabalho na sociedade; 18) E quem exerce de facto a gerência da sociedade, embora sujeita à assinatura da outra sócia gerente, para determinados atos, é o Recorrente;  19) Sendo o Recorrente quem efetivamente conhece e lida com os clientes e fornecedores da sociedade e conhece os meandros do negócio das galinhas; 20) É por isso o exercício da gerência por parte do Recorrente fundamental, já que é ele quem conhece os meandros do negócio das galinhas, para que a sociedade continue com saúde financeira e ativa durante muitos anos; 21) E é graças à dedicação e empenho do Recorrente e da trabalhadora que a sociedade tem desenvolvido a sua atividade com sucesso; 22) O Recorrente tem o fundado e justo receio de que a execução das deliberações, tomadas ilegalmente, prejudiquem a sociedade; 23) Danos esses que podem ser consideráveis e irreparáveis para a sociedade Requerida, considerando que a sociedade deixará de produzir os ovos por falta de trabalhadores e consequentemente não poderá efetuar o fornecimento de ovos aos seus clientes, levando à perda de clientes; 24) Clientela perdida que depois será muito difícil de recuperar e que poderá levar à insolvência e encerramento da sociedade; 25) A probabilidade da ocorrência destes danos é considerável e forte se as deliberações forem executadas e não forem suspensas, e não constituem meras conjeturas ou suposições conforme entende o Meritíssimo Juiz do Tribunal a quo; 26) De qualquer das formas não se poderá exigir uma certeza do que poderá vir a acontecer com a execução das deliberações, já que se trata de acontecimentos futuros; 27) Existe, porém, uma forte probabilidade de ocorrerem os danos apreciáveis para a sociedade alegados pelo Recorrente em consequência da execução das deliberações; 28) Por tudo o que acima se alegou, não restam quaisquer dúvidas quanto aos danos apreciáveis que a execução da deliberação poderá causar à sociedade Requerida e ao Recorrente, e que não é compatível com a demora na tramitação da ação de declaração de nulidade e/ou anulação das deliberações abusiva e aprovadas, e que se pretende com este procedimento suspender a sua eficácia.