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É assim que as autoridades adjudicantes podem/devem excluir os operadores económicos que se tenham revelado pouco fiáveis; -E nos termos do artigo 57, n 5, da Diretiva 2014/24, as autoridades adjudicantes devem poder excluir um operador económico a qualquer momento do procedimento e não apenas após um órgão jurisdicional ter proferido a sua sentença, o que constitui um indício adicional da vontade do legislador da União de permitir à autoridade adjudicante efetuar a sua própria apreciação dos atos que um operador económico cometeu ou omitiu, antes ou durante o procedimento de contratação, numa das situações referidas no artigo 57, n 4, desta diretiva; -Deste modo, em face da Jurisprudência do TJUE que a Parte veio trazer a juízo, sobre o artigo 57, ns 4 e 5 da Diretiva 2014/24, parece-nos óbvio que a exclusão de um concorrente de um procedimento adjudicatório por factos praticados antes do procedimento, como sejam actos que constituam violação das regras da concorrência, seja um motivo de exclusão do concorrente por parte da entidade adjudicante;  -Dúvidas não restam que em procedimentos de contratação pública anteriores ao procedimento dos autos, procedimentos esses que incidiram, tal como o que se aprecia, sobre a prestação de serviços na rede ferroviária nacional e em que figurava como entidade adjudicante a Refer e, depois, o ora Recorrido IP, foram cometidas por parte da Recorrida particular F. graves infrações à Lei da Concorrência e lesivas dos dinheiros públicos, atentatórias, por isso, dos princípios da prossecução do interesse público, da tutela da confiança, da responsabilidade e da  concorrência; -Não pode deixar de chocar a consciência ético-jurídica que uma empresa que foi condenada com uma coima num processo de contra-ordenação pela prática de graves infrações à Lei da Concorrência, com prejuízo para o funcionamento transparente do mercado e com prejuízo para a entidadeadjudicante,uns dias depois de ser condenada pela Autoridade da Concorrência ao pagamento de uma coima pela prática de tais infrações, venha a ser premiada/recompensada/abençoada pela mesma entidadeadjudicante a quem quis prejudicar, com uma avultada adjudicação de prestação de serviços que incidia igualmente sobre a rede ferroviária nacional; o próprio Tribunal a quo reconhece  em prejuízo dos recursos públicos; -Aliás, havendo dúvidas sobre se o preceito em causa se aplicava a ilícitos anti-concorrenciais praticados no procedimento ou praticados anteriormente ao mesmo, o júri, perante uma decisão condenatória pela prática de ilícitos anti-concorrenciais muito graves, deveria interpretá-lo face ao disposto no Direito da União Europeia - art 3, n 3, do TJUE, artigos 119 e 120 do TJUE, bem como do seu artigo 101 e artigo 57, ns 4 alínea e 5, da Diretiva 24/2014/UE, incluindo o seu considerando 101, e, com tal interpretação, proceder à exclusão da proposta em causa pela prática comprovada de ilícitos graves anti-concorrenciais - falseadores das regras de concorrência e prejudiciais aos recursos públicos; -Enquanto o Direito da Concorrência visa salvaguardar o bem-estar dos consumidores, o direito da Contratação Pública visa cumprir direitos estruturantes da UE, como sejam os princípios da não discriminação, da igualdade de tratamento, da transparência e da concorrência em ordem a alcançar um desejável "value for Money” ou "best value for public Money” - proteção do interesse público financeiro e defesa dos contribuintes, como sublinha, e bem, a Apelante;  -Como é sabido, na interpretação de uma norma jurídica, isto é, na tarefa de fixar o sentido e o alcance com que ela deve valer, intervêm, para além do elemento gramatical o texto, a letra da, elementos lógicos, que a doutrina subdivide em elementos de ordem histórica, racional ou teleológica e sistemática.