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Mesmo para Menezes Cordeiro que reconduz o fundamento da eficácia protectora de terceiros, a título provisório, à boa fé, não sendo apenas a preservação das esferas, pessoal e patrimonial, do terceiro, contra determinados danos no sentido comum dado, a esse termo, pelo Direito delitual, o único âmbito de eficácia do instituto, podendo estar igualmente em causa deveres de informação ou de lealdade, necessário é que o escopo do contrato, na sua compleição externa como nas suas projecções no espírito das partes, seja o de avantajar interesses de pessoas não celebrantes1 Não se vê, no caso dos autos, que exista esta exigência de tutela justificativa da atribuição de uma responsabilidade indemnizatória porquanto, por um lado, não se configura a eventual violação da obrigação contratual de praticar preços de venda de combustível no aeródromo mais favoráveis como tendo uma vertente protectora de direitos de terceiros, e, por outro, por se nos afigurar como não demonstrado que o contrato de concessão tenha tido na sua base e como escopo a tutela de um direito merecedor de protecção ao abrigo da boa fé, não se podendo reconduzir a este instituto o cumprimento de um dever de prestação de natureza patrimonial traduzido num mero interesse pecuniário em serem praticados preços mais favoráveis na comercialização de combustíveis.