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Daí que, na nossa perspectiva, para que se possa falar em dano ou prejuízo decorrente da privação do uso de um veículo, seja necessário, pelo menos, que se demonstre que o proprietário/lesado o usava normalmente ou usaria se não fosse o acto, que dele retirava ou retiraria se tivesse a sua as utilidades que lhe são próprias e que deixou de poder usá-lo, em virtude da privação ilícita1 Com efeito, se o proprietário usava normalmente o veículo e se dele retirava as suas utilidades e se deixou de fazer essa utilização por dele ter ficado privado na sequência de um acto ilícito de outrem, parece claro que algum prejuízo efectivo há-de ter sofrido, seja na modalidade de dano emergente despesas que fez para satisfazer as necessidades que lhe eram proporcionadas pelo veículo de que ficou, seja na modalidade de lucro cessante rendimentos que deixou de obter por ter ficado privado daquelas ou seja na modalidade de danos não patrimoniais incómodos e restrições/limitações de vária ordem na sua vida diária), devendo entender-se que – no actual contexto social em que o uso e a disponibilidade de um veículo automóvel estão vulgarizados e se mostram essenciais ao nosso quotidiano – a privação do uso de um veículo que era, efectivamente, utilizado representará sempre, no mínimo, um dano de natureza não patrimonial cuja relevância justifica a tutela do direito – por representar, por regra, incómodos e limitações relevantes – e que, como tal, sempre justificará a tutela do Direito.