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Com efeito, ao ludibriar as crianças interlocutoras, seja com a garantia de as suas respostas não estarem a ser gravadas, seja com a promessa do "não se contar a ninguém”, como se tais contributos não estivessem elementarmente sujeitos a contraditório, bem como reiterando formulação de questões na forma negativa, sugestivas, manifestamente orientadas para o abuso sexual, imbuídas de prejuízo valorativo contra os arguidos, não se coibindo mesmo de tecer juízos de valores sobre estes elementares exemplos dos ditames do "que não devo fazer na condução da entrevista?” – in Audição da Criança – Guia de Boas Práticas, Rute Agulhas e Joana Alexandre, Pedro Cifuentes – Ordem dos Advogados – Conselho Regional de Lisboa, com o apoio do Centro de Estudos Judiciários – Impressão de Maio de 2017, p.32; matéria, aliás, também desenvolvida em precedência no âmbito de acção de formação contínua para Magistrados, subordinada à "Psicologia Judiciária”, tida lugar em 30 e 31 de Março de 2017, no Centro de Estudos Judiciários, com intervenções precisamente das duas autoras citadas no primeiro dos dias – com a sub-temática "Audição da criança”), tudo desagua inexoravelmente na ineficácia de tal colhimento probatório, por crassamente violador da dignidade da pessoa humana que às crianças em causa o direito penal democrático também garante, enquanto participantes referenciais à descoberta da verdade material do caso que as envolve, e que deve rejeitar estratégias básicas de guarida de logro tendo em vista a obtenção a todo o custo de uma verdade pré-concebida, a qual é, a mais das vezes, distorção da verdade material, acervo que não deixa de bulir categoricamente com o elementar princípio da presunção de inocência dos arguidos no ditame maior previsto no artigo 3, n. 2, da Constituição da República.