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Quanto á especial vulnerabilidade da vítima que se alude na alínea, tal circunstância não pode deixar de ser interpretada no sentido de se estender a todas as situações « em que  a pessoa visada não tenha outra escolha real nem aceitável senão a de submeter-se ao abuso», conformando-se  a situação de aceitabilidade a um critério de razoabilidade, e ao humanamente aceitável, designadamente porque decorre da permanência precária ou ilegal num país estrangeiro e culturalmente estranho – neste sentido, cfr Miguel Garcia e J.Castela Rio, em "Código Penal, Parte geral e especial” Almedina 2014, nota 6, pág 666 e  Pedro Vaz Patto na obra acima citada pág 19 No caso em apreço, o arguido contratou verbalmente para exercer a profissão de pastor um cidadão estrangeiro, sem qualquer ligação familiar ao território nacional, que se encontrava numa  frágil situação económica e social, pela quantia de € 75,00 por semana, quantia abaixo do salário mínimo nacional, sem descontos para a Segurança Social ou para o IRS para trabalhar todo o dia da parte da manhã e da tarde até cerca das 20 h, sem qualquer período de férias durante a parte do ano de 2017 e ofereceu á vítima para permanecer, dormir e comer um atrelado com 2,5 metros de comprimento, 1,70m de largura e 2 de altura, com colchão e fogão, mas sem água potável, casa de banho ou eletricidade, condições desumanas e degradantes que são ofensivas da sua dignidade enquanto ser humano.