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Como é sabido, a problemática da indemnização deste dano não tem merecido uma resposta uniforme da nossa jurisprudência Há quem entenda que a privação do uso corresponde, só por si, a um dano indemnizável, na medida em que envolve, para o seu proprietário, a perda de uma utilidade, a de usar a coisa quando e como lhe aprouver, utilidade que, considerada em si mesma, tem um valor pecuniário; neste sentido podemos ver, entre outros, os Acórdãos do STJ de 05/07/2007 processo n, de 12/01/2010 processo n 314/06TBCSC.S1), de 28/09/2011 processo n 2511/08TACSC.LS1) e de 08/05/2013 processo n 3036/09TBVLG.PS1)  Em sentido contrário – ou seja, no sentido de que asimples privação de um veículo sem a demonstração de qualquer dano, isto é, sem qualquer repercussão negativa no património do lesado, não é susceptível de fundar a obrigação de indemnizar, sendo necessário alegar-se e provar-se factos no sentido de que a privação possa significar danos para o seu proprietário, podemos citar, entre outros, os Acórdãos do STJ de 21/04/2010 processo n 17/04TBCBR.CS1), de 03/05/2011 processo n2618/006TBOVR.P1), de 10/01/2012 processo n 189/00TBMAI.PS1), de 12/01/2012processo n 1875/05TBVNO.CS1), e de 04/07/2013 processo n 5031/07TVLSB.LS1) Encontramos ainda uma posição intermédia – designadamente nos Acórdãos do STJ de 15/11/2011 processo n 6472/02TBSTB.ES1) e de 16/03/2011 processo n 3922/07TBVCT.GS1)9 – segundo a qual "Quando a privação do uso recaia sobre um veículo automóvel danificado num acidente, bastará que resulte dos autos que o seu proprietário o usava e usaria normalmente o que, na generalidade das situações concretas, constituirá facto notório ou resultará de presunções naturais a retirar da factualidade, para que possa exigir-se do lesante uma indemnização autónoma a esse título, sem necessidade de provar directa e concretamente prejuízos quantificados, como, por exemplo, que deixou de fazer determinada viagem ou que teve de utilizar outros meios de transporte, com o custo correspondenteSe puder ter-se por provado que o proprietário lesado utilizava, na sua vida corrente e normal, o veículo sinistrado, ficando privado desse uso ordinário em consequência dos danos sofridos pela viatura, provado está o dano indemnizável durante o período de privação ou, tratando-se de inutilização total, enquanto não for indemnizado da sua perda, nos termos gerais”.