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Do mérito/fundo do recurso -    A Recorrente, em resumo, alega o seguinte:  a) Por ter sido notificada pela Recorrida em 15/12/2003, de que iriam ser expropriadas aquelas parcelas e que a Recorrida iria tomar posse administrativa dos terrenos, o que, aliás aconteceu após a vistoria ad perpetuam rei memoriam, foi obrigada a deixar de cultivar aqueles terrenos agrícolas;   b) Em consequência de ter sido enganada pela Recorrida, que cinco anos depois a informou que, afinal, não ia expropriar aquelas parcelas, a Recorrida deixou de receber os proveitos que correspondiam ao cultivo daquelas parcelas, onde colhia uvas para fazer vinho num total de 7 pipas por e cultivava batatas, hortaliça e milho;  ) O comportamento da Recorrida, ao enganar a Recorrente em relação à expropriação daquelas parcelas, violou os princípios da justiça e da boa fé e o direito de propriedade da Recorrente, pelo que a Recorrida está obrigada a indemnizá-la dos prejuízos que lhe causou;  )  o facto que está em causa é a ausência de informação prestada pela Recorrida à Recorrente de que não iria expropriar as parcelas em causa, corrigindo a notificação que lhe tinha sido feita a 15 de dezembro de 2003, ausência de informação essa que se prolongou até julho de 2008, pelo que se trata de um facto continuado;   e) Dúvidas não pode haver de que a Recorrida violou efetivamente este princípio, ao notificar a Recorrente da expropriação em 15 de dezembro de 2003, tomar posse administrativa do terreno, iniciar e concluir a obra da auto-estrada nela incutindo a confiança de que iria expropriar aquelas e não tendo afinal procedido à expropriação, não comunicou à Recorrente que as parcelas em causa não iriam ser expropriadas até à data em que, cinco anos depois, foi obrigada pelo tribunal a fazê-lo - em julho de 2008 -.