Legal Document Excerpt:

Analisando a factualidade acima dada como assente à luz deste conceito, não se pode deixar de concluir que entre o A. e a Direcção da R. existiu ao longo da vigência do contrato de trabalho que celebraram um clima de confiança que se estabeleceu num crescendo e que permitiu ao demandante, com o beneplácito da demandada que jamais evidenciou qualquer desconfiança ou hesitação relativamente ao modo como o A. geria a cooperativa e que lhe permitiu não só auferir os valores acima indicados, como manter-se na posição de chefia que ocupou ao longo dos anos e sobretudo a partir de 2012 com o assumir das funções de "director de serviços”.  . Entende-se, assim, que quer o demandante ao vir exigir o pagamento de crédito fundamentado em omissão de formação profissional que o próprio deveria ter correctamente agendado, quer a demandada pedindo agora a restituição de valores que ao longo dos anos foram sendo liquidados ao demandante, sem que absolutamente ninguém, nem da Direcção, nem do Conselho Fiscal tivesse colocado qualquer hesitação no seu pagamento, revelam ambos um claro agir em abuso de direito, inconciliável com a confiança que ambos depositavam reciprocamente e ao abrigo da referida norma legal, determina que o Tribunal conclua pela improcedência de ambos os pedidos. "