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Como ficou expresso em acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, "A seriedade e gravidade do motivo resultam de um estado de forte verosimilhança desconfiança) sobre a imparcialidade do juiz propósito de favorecimento de certo sujeito processual em detrimento de, formulado com base na perceção que um cidadão médio tem sobre o reflexo daquele facto concreto na imparcialidade do julgador.” Um tal juízo terá de ser produzido, tendo em conta os valores em jogo, há de assentar em factos concretos, que por sua vez traduzam, com forte verosimilhança, segundo um padrão de racionalidade objetiva tido como comum a qualquer cidadão, normalmente inteligente e experiente, mas também prudente, a desconfiança sobre a imparcialidade do juiz, no sentido de que haverá fundado risco de este atuar com o propósito de favorecer uma determinada parte ou sujeito processual.12 Ora, da factualidade carreada aos autos nada resulta, como vimos supra, quer no plano da atuação do Sr. Juiz  no processo - tendo revelado surpresa pelo incidente ora deduzido, mas ao mesmo tempo também uma postura imparcial, correta e isenta face a ele -, quer na sua atuação fora dele, que signifique ou possa ser expressão de alguma ideia ou pensamento que pudesse de algum modo lançar dúvidas sobre a sua imparcialidade ou que "tenha algo contra o arguido ou expresse uma predisposição no sentido da sua condenação "personal bias”)”.13 Por outro lado, os princípios da independência, da inamovibilidade, do juiz natural e do próprio funcionamento do Estado de direito, impõem que não possa ser qualquer dúvida sobre a imparcialidade do juiz a vir pôr em causa esses princípios, mas sim uma suspeição fundada em motivo sério e grave, motivo sério e grave este que, agora de um ponto de vista fundamentalmente objetivo, não se vislumbra que exista nos autos.