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Pelo exposto, e vertendo agora a nossa atenção sobre os dados do caso concreto, somos levados a concluir que as afirmações que as arguidas produziram, dirigidas ao assistente, é certo, mas nas circunstâncias em que o foram o supra referido "horizonte de contexto” que não poderá deixar de ser tido em, isto é, no âmbito de interrogatórios que lhes foram dirigidos como testemunhas, sobre factos que o assistente havia narrado para o processo, e sobre os quais, nessa qualidade, tinham de falar, e fazendo-o, é certo, de um modo que, no mínimo, poderá ser considerado contundente, mas com uma clara intenção de negar a realidade daqueles mesmos factos, utilizando expressões que, não sendo as mais adequadas em termos de correção, de educação e até de consideração pela pessoa visada, a verdade é que mais não traduzem senão juízos com os quais visavam pôr em causa a versão por aquele dada daqueles factos, sendo que algumas dessas expressões são também muitas vezes comummente usadas, e até aceites, sem que lhes seja concedida qualquer relevância criminal, isto é, como meios para esgrimir ou pôr lapidarmente em causa, de um modo sobretudo retórico, a argumentação de um outro contendor, sem um qualquer intuito de ofender, como quando se diz a alguém: "estás a delirar”, "estás a ser paranóico”, "o que estás a dizer é pura loucura”, "és louco”, "não bates bem da bola”, etc., para assim tentar acabar com a hipótese de discussão ou de continuação de discussão sobre um determinado assunto, sendo a ela an��logas as expressões também utilizadas pelas arguidas, como é "absolutamente inverosímil”, "absolutamente carecido de sentido, sendo mera fantasia”, ou "não bate bem da cabeça”, inserindo-se todas elas, claramente, numa retórica de negação da realidade dos factos que o assistente havia alegado nos autos.