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Em suma: -a sentença recorrida não apresenta qualquer erro de julgamento de facto quer atinente à matéria de facto provada como não; -a matéria fáctica que resultou da prova testemunhal foi adquirida em virtude da convicção do Tribunal a quo, livre, mas abundantemente motivada e fundamentada; -o Tribunal, como sempre deveria, socorreu-se do princípio da livre apreciação da prova produzida, para dar como assente ou, ao invés, como não provada essa materialidade controvertida, como resulta das disposições conjugadas dos artigos 392 e 396 do Código Civil e 607/5 do CPC de 2013; -acresce, como já se disse, que, por força dos princípios da oralidade e da imediação, o julgador de 1 instância dispõe de uma posição privilegiada para aquilatar da seriedade, credibilidade e fidedignidade dos depoimentos, juízo que o tribunal ad quem pode sindicar, sempre que ocorra manifesto erro na sua apreciação, que contamine e inquine a decisão final; -a Recorrente apenas pretende alterar a factualidade adquirida pela julgador em ordem a legitimar as considerações de natureza fáctica e jurídica que aduz em abono da sua tese e, ademais, a alicerçar as ilações diversas que retira da factualidade apurada pelo tribunal recorrido; -assim sendo, apenas diverge das que foram extraídas pelo tribunal, aquando da fixação da materialidade dada como assente ou não assente, por propender para uma versão mais consentânea com os seus interesses processuais; -o tribunal não pode substituir-se às partes no seu ónus de alegar e provar os factos que interessam a cada uma, porquanto o dever de investigação que a lei processual comete ao juiz apenas abarca a matéria de facto trazida ao processo, os factos notórios ou de conhecimento geral artigos 5/2 e 3 e 412 do CPC; -em conclusão, a alteração do julgamento relativo à matéria de facto só pode ter lugar nas circunstâncias previstas no art 662 do NCPC, ou seja, quando "os factos tidos como assentes, a prova produzida ou um documento superveniente impuserem decisão diversa”, o que não é o caso; -são inteligíveis os concretos elementos que, em razão das regras da experiência e/ou de critérios lógicos, constituem o substrato racional que conduziu à convicção do Tribunal, no sentido da inexistência de elementos factuais dos quais fosse possível extrair a ideia da violação das leges artis por parte dos profissionais que, de um modo ou outro, atenderam a paciente, ora Recorrente, nos serviços do Hospital; -a argumentação aduzida na sentença resulta clara, coerente e perfeitamente perceptível, enunciando não só as provas recolhidas em sede de audiência de discussão e julgamento, como também procedendo à análise crítica das mesmas, em conjugação com as demais contidas nos autos, em função, naturalmente, da convicção formada pelo julgador, da mesma se tornando possível compreender quer o processo lógico e a linha de raciocínio que lhe serve de suporte, quer as razões que o levaram a decidir em determinado sentido; -dito de outro modo, não se detetando que o tribunal tenha errado na apreciação da prova não se alterará o probatório; -já em sede de erro de julgamento de direito dir-se-á que o regime jurídico aplicável aos factos em juízo é o da responsabilidade extracontratual do Estado e dos seus agentes, 48051, de 21 de novembro de; -assim tinham de ser tiradas as devidas ilações em termos de ónus da prova, de forma concordante com tal Regime; -Regime que é muito claro, ao remeter para o artigo 4/1 a aferição da culpa dos titulares dos órgãos ou agentes à luz do artigo 487 do Código Civil, o qual dispõe que o ónus de provar tais requisitos cumulativos conformadores de responsabilidade extracontratual por danos deve ser feito pelo lesado desses mesmos danos, ou seja, pela ora Recorrente; -Esta não conseguiu fazer prova dos mesmos, nem quanto à parte demandada HUC, nem quanto aos restantes Intervenientes médicos; -falhou a prova da ilicitude, da alegada culpa e também não conseguiu provar o requisito do nexo de causalidade adequada entre facto e dano; -a prova da ilicitude e culpa da conduta não tem de ser repartida ou invertida em desfavor dos demandados pelo facto de serem médicos com a especialidade de Ortopedia; esta solução violaria o disposto no regime jurídico da responsabilidade extracontratual do Estado e dos seus agentes - 48051, de 21 de novembro de 1967-; -corrobora-se esta leitura, razão pela qual improcedem as conclusões da alegação.