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A assunção dessa prática tem por base, segundo a nossa experiência, duas ordens de considerações: por um lado, o reconhecimento da impotência para obviar a um tão generalizado e reiterado afastamento dos padrões legalmente estabelecidos por parte dos advogados sem que se vislumbre, por parte da respectiva Ordem ou do legislador, qualquer preocupação ou intencionalidade de acção, aliado a uma percepção de nessa matéria não ser admissível a existência de critérios de exigência diversificados em função de idiossincrasias individuais, que redundariam num tratamento desigualitário e arbitrário dos cidadãos no seu acesso ao recurso; por outro lado, e sobremaneira, a consideração de que a utilização de um critério mais rigoroso redundaria num prejuízo para a parte recorrente, que veria o acesso ao recurso negado em função de um comportamento que não lhe será imputável, sendo que, ao contrário do que ocorre nos sistemas de cariz anglo-saxónico, no nosso sistema judiciário os mecanismos de controlo da qualidade e responsabilização dos mandatários forenses perante os seus mandantes surgem como insipientes, débeis e ineficazes.