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Aí se encontra o limite temporal no qual emerge o nascimento do direito de preferência: na alienação;  41)Não tendo havido nenhuma alienação pois a mesma foi objeto de anulação por via, só por uma criatividade perturbante e subversiva é que se poderia considerar que, não tendo ocorrido a alienação, permaneceria intacto o direito de preferência – tal leitura da lei só poderia ser contra legem e contra a Constituição, mas, de facto, foi a operada pelo Tribunal a quo na decisão recorrida, sendo de relevar que não é por acaso que o direito de preferência só pode ser exercido após a celebração do negócio jurídico, quando o alienante do bem não coloca o preferente em condições de o exercer, tendo antes de recorrer à respetiva ação judicial para esse efeito;  42)O artigo 141 do é muito claro ao prescrever os pressupostos para a propositura da ação de preferência: é necessária a celebração de uma venda ou dação em e o prazo de 6 meses a contar da data em que teve conhecimento dos elementos essenciais da alienação, e o artigo 109 do estabelece, ainda, que o arrendatário tem direito de preferência na compra e venda ou dação em do local arrendado há mais de dois anos, pelo que não há dúvidas que a premissa maior que sustentou a intenção do legislador para o exercício do direito de preferência foi a alienação do bem, através da referência dupla em ambos os requisitos venda e alienação);  43)A sentença de procedência proferida no âmbito do Processo de Anulação de Compra e Venda n. 578/1... provocou a modificação subjetiva do direito de propriedade, por efeito de substituição do preferente ora Recorrida/Autora) pelo vendedor ora Recorrente/Réu);  44)O contrato de compra e venda em causa, que foi anulado, foi o resultado do encontro de duas vontades que se formaram de uma forma conjunta, acertada, dependentes uma da outra, com uma formação de tal forma conexa, que uma não poderia ter surgido sem a outra, e sendo necessariamente o contrato a concentração de dois atos jurídicos unilaterais — a proposta e a aceitação — que, reunidos num consenso, constituem um negócio jurídico, não se poderá destacar simplesmente a vontade do obrigado à preferência da vontade do comprador, tanto mais que o que deu origem ao surgimento do direito de preferência não foram as realidades psicológicas em si ou seja, as suas vontades intelectuais – cujo o seu início é impossível de, mas sim o contrato que se formalizou, mas que depois veio a ser anulado, para não subverter a intenção do legislador;  45)A significação jurídica que o entendimento postulado pelo Acórdão recorrido atribui à vontade do vendedor proprietário tem por base uma equívoca premissa: que o direito de preferência nasce de uma mera vontade do provável alienante vender o bem, vontade, essa, localizada num plano subjetivo e meramente psicológico, que nem sequer é possível determinar o momento da sua consolidação quando deixa de pensar na possibilidade de venda como algo que poderia um dia vir a acontecer para passar a ser algo que efetivamente ganha uma concreta, contudo, tal leitura não é legal, nem constitucional, e está longe de promover os valores do nosso sistema de direito, como a segurança jurídica;  46)O direito de preferência só pode ter o seu nascimento no momento da celebração de um determinado negócio jurídico, e nunca antes, pois até aí não passa de uma mera ficção jurídica, sendo certo que o que a Sentença proferida no Processo n. 578/1... veio fazer não foi anular uma mera ficção jurídica, mas um concreto negócio jurídico, sem o qual não poderá nunca subsistir o direito de preferência;  47)Obviamente que os direitos legais de preferência implicam uma limitação à liberdade contratual e ao próprio exercício do direito de propriedade artigo 6, contudo, entender como o tribunal recorrido entendeu é violar de forma desproporcionada aquela liberdade e aquele direito, nos termos já expostos e sem qualquer fundamento legal – já se invocou que tal não foi, claramente, a vontade do legislador;  48)Não se pode perder a visão integral do nosso sistema jurídico, para melhor compreender a real vontade do legislador, de forma a não se cair em subterfúgios racionais de lógica limitada pois não promove uma visão integral do e até pervertida.