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Só que, como diz lapidarmente Fernando Pereira Rodrigues, a "usucapião não pode ser vista como um ataque ao direito de propriedade, mas antes como um tributo à posse, tanto assim que apenas opera na condução de se verificar uma posse de longa duração, exercida contra quem, embora titular do direito de propriedade, se colocou em relação a ela numa posição de inércia, deixando que outrem lhe desse uso, conferindo-lhe função social e económica mais relevante”2 Tudo começa, assim, pela exteriorização dada pela posse: a "usucapião baseia-se numa situação de posse”21, pelo que se começa por exigir aposse da coisa22nos termos de um direito real de gozo artigo 128 do Código Civil e os artigos 1316 - respeitante à propriedade; 141, n. 1 – respeitante à propriedade horizontal; 144 - respeitante ao usufruto; 152 - respeitante à superfície; e 154, n. 1 – respeitantes às servidões - a chamada "posse boa para a usucapião”23 - sendo que, para "poder conduzir à usucapião exige-se uma posse pública e pacífica, sendo por isso a posse oculta ou violenta inidónea para a usucapião”24, como resulta dos artigos 129 quanto a imóveis) e 130, n. 1, do Código Civil quanto a móveis).