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Supremo Tribunal de Justiça, 16 de março de 2022    Dr. Paulo Ferreira da Cunha   Dr. Maria Teresa Féria de Almeida Juíza Conselheira  Dr. António Pires da Graça Juiz Conselheiro com   ______ 1 Recorde-se a seguinte passagem do Acórdão recorrido: "estando em causa a tutela de um bem jurídico iminentemente pessoal e considerando que o arguido agiu durante anos, desde Novembro de 2015 até 15-12-2019, descarregou e partilhou milhares de ficheiros contendo conteúdos de abusos sexuais de menores, incluindo crianças com menos de 10 anos de idade, dúvidas não restam de que o Tribunal a quo qualificou correctamente os factos, integrando-os no número efectivo de crimes cometidos pelo arguido, não podendo este beneficiar do crime continuado, por força do n 3 do art 30 do Código Penal.”