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MENEZES CORDEIRO propõe, como auxiliar ao intérprete, na concretização do conceito de "confiança”, "um modelo de quatro proposições" sem estabelecer qualquer hierarquia entre eles e sem caráter cumulativo: "- uma situação de confiança conforme com o sistema e traduzida na boa fé subjetiva e ética, própria da pessoa que, sem violar os deveres de cuidado que ao caso caibam, ignore estar a lesar posições alheias; - uma justificação para essa confiança, expressa na presença de elementos objetivos capazes de, em abstrato, provocarem uma crença plausível; - um investimento de confiança consistente em, da parte do sujeito, ter havido um assentar efetivo de atividades jurídicas sobre a crença consubstanciada; - a imputação da situação de confiança criada à pessoa que vai ser atingida pela proteção dada ao confiante: tal pessoa, por ação ou omissão, terá dado lugar à entrega do confiante em causa ou ao fator objetivo que a tanto conduziu"1 No caso concreto, cumpre pois apurar, perante os factos provados, se a apelante adotou uma conduta suscetível de gerar uma confiança legitima na apelada, no sentido de considerar que podia a todo o momento reinstalar na fachada do prédio constituído em regime de propriedade horizontal painéis de publicidade, mesmo após obras de remodelação da fachada.