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Sumário:  - Sendo a lei expressa ao estabelecer o início da contagem do prazo para a arguição da deficiência da gravação dos meios de prova no momento em que é disponibilizada, deve entender-se que tal não envolve a entrega do suporte digital contendo cópia dessa gravação mas a mera colocação do referido registo, pela secretaria judicial, à disposição das partes, a qual deve ocorrer no prazo de 2 dias contados de cada um dos atos sujeitos à gravação; - O artigo 15, n. 4, do CPC impõe às partes o ónus de invocar o vício da falta ou deficiência da gravação no prazo perentório nele previsto; - Não o fazendo, o vício fica sanado pelo decurso do prazo, não podendo ser conhecido oficiosamente pela Relação; - A deficiência da gravação dos depoimentos produzidos em sede de audiência final é impeditiva da reapreciação da decisão sobre a matéria de facto sempre que torne inviável a ponderação de tais meios de prova e estes se revelem essenciais para a apreciação do recurso na parte em que ocorre impugnação da matéria de facto, devendo a Relação estar nas mesmas condições em que se encontrou o Tribunal de primeira instância; - A detonação de uma carga de explosivos, tendo 780 Kg de carga de fundo, em trabalhos de desmonte de rocha, efetuados pela Ré e coordenados pelo Réu, no âmbito de uma subempreitada, configura uma "atividade perigosa” atenta a natureza dos meios utilizados e as circunstâncias em que foi exercida, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 49, n. 2, do ; - Porém, tal constatação apenas releva no âmbito da prova da culpa do autor da lesão, não implicando a dispensa da prova pelo lesado quanto ao estabelecimento ou à determinação da relação causal entre o exercício da atividade considerada perigosa e o dano.