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ponto 10 da matéria de facto provada; 2 O Tribunal a quo não poderia ter dado tal facto como provado, na medida em que o negócio dos autos é absolutamente simulado; 2 A Autora alegou, em sede de Petição Inicial, que a compensação constante do contrato de prestação de serviços dos autos foi convencionada em substituição da que resultava para o então gerente da Autora, JCS, pela cessação do seu contrato de trabalho que mantinha com a RT, actual , Lda., tendo-se procurado assegurar uma maior flexibilidade numa eventual necessidade de saída de JCS sem que se estivesse perante um vínculo laboral, mas sim ao abrigo de um contrato de prestação de serviços; 2 Assim a Autora, pese embora não tenha enquadrado juridicamente tal pretensão, alegou que a Cláusula a do contrato dos autos se consubstanciava num acordo simulatório; 2 A simulação exige, para a sua verificação, a reunião cumulativa de três pressupostos: Divergência entre a declaração negocial e a vontade real do declarante; Intuito de enganar terceiros; Acordo de declarante e declaratário nessa divergência e intuito; 2 Todos os pressupostos se encontram verificados in casu; 2 Existiu, em primeiro lugar, uma divergência entre a vontade real e a vontade declarada das Partes, já que estas, na verdade, não visavam a celebração de um contrato de prestação de serviços de desenvolvimento empresarial e outros assuntos relativos a tecnologias de informação e informática; 2 Divergência essa que, ademais, é reconhecida, quer pela própria recorrida, quer pela sentença recorrida; 2 Em segundo lugar, resulta clara a intenção de enganar terceiros, na medida em que as Partes recorreram a um contrato de prestação de serviços, tendo nele feito intervir as sociedades de que eram, à data, gerentes, uma vez que tal procedimento lhes permitia, designadamente, pagarem menos impostos e assim ludibriar a Autoridade Tributária e Aduaneira; 2 Para a prova deste requisito, é suficiente que exista intenção, por parte dos simuladores, de enganar terceiros, bastando que aqueles conjeturem tal engano; 2 A prova de estados subjetivos íntimos, como o intuito de enganar terceiros, é sempre de difícil verificação, na medida em que os simuladores atuam com estratégia e com astúcia, de modo a enganar terceiros; 3 Não é, assim, possível provar diretamente a simulação, devendo o tribunal recorrer-se a indícios ou a presunções judiciais ou naturais, inspiradas nas máximas da experiência comum; 3 No caso, existem diversos indícios nos autos que deveriam ter levado o Tribunal a quo a concluir pela presença de um negócio absolutamente simulado; 3 Tais como a confissão judicial da própria Autora, em sede de Petição Inicial, ao referir que o contrato dos autos, na verdade, se destinava a substituir uma compensação a que JCS teria direito em virtude da cessação das suas funções para a Recorrente enquanto trabalhador; 3 E, de igual forma, o facto de JCS ter, em sede de declarações de Parte, aludido de forma contraditória e confusa à existência de uma relação laboral e, de igual modo, à existência de uma relação de gerência e de Direcção-Geral mantidas com a Recorrente, o mesmo tendo sucedido com a testemunha JPR; 3 A tal acresce que JCS era, à data dos factos, gerente de ambas as sociedades intervenientes no contrato; 3 E, bem assim, que a Cláusula a do contrato dos autos previa uma indemnização exorbitante, tendo em conta as que são ou costumam ser previstas em contratos deste tipo; 3 Em virtude um contrato que lhe proporcionava uma retribuição mensal fixa de € 000,00, em caso de denúncia, a Autora receberia a módica quantia de € 19750,00; 3 Para mais, o montante compensatório fixado na Cláusula a do contrato dos autos é contraditório com a Cláusula a do contrato, que previa que o mesmo poderia ser rescindido por ambas as Partes de forma unilateral; 3 A Sociedade Autora foi constituída enquanto sociedade comercial unipessoal por quotas em 202016, sendo que o contrato dos autos foi firmado apenas três dias depois, em 302016; 3 Assim, mediante a constituição de uma sociedade a alegada beneficiária do negócio), JCS celebrou um contrato de que era, em última instância, o verdadeiro beneficiário; 4 Resultou ainda clara a grande proximidade e conluio existentes entre JCS e JPR - Cf.