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É manifesto que a Autora/Recorrente exerceu os seus direitos atempadamente, uma vez que aos presentes autos é de aplicar o prazo ordinário previsto no artigo 30 do Código Civil, não se verificando a apontada prescrição do direito da Autora/Recorrente. . Por outro lado, e caso assim não se entenda, dispõe o artigo 49, n. 1 do Código Civil que "O direito de indemnização prescreve no prazo de três anos, a contar da data em que o lesado teve conhecimento do direito que lhe compete, embora com desconhecimento da pessoa do responsável e da extensão integral dos danos, sem prejuízo da prescrição ordinária se tiver decorrido o respetivo prazo a contar do facto danoso" e no seu n. 2 que "Prescreve igualmente no prazo de três anos, a contar do cumprimento, o direito de regresso entre os responsáveis". . O exercício do direito de regresso pressupõe o cumprimento da obrigação por parte do respetivo titular, razão pela qual a prescrição dos direitos só começa com esse cumprimento, como, de resto, decorre do n. 1 do artigo 30 do Código Civil. . Apenas com o pagamento efetuado a "LCS" passa a deter um direito sobre a Ré e, nessa conformidade, a poder exercê-lo, pelo que teremos de concluir que apenas a partir da data do pagamento se inicia a contagem do prazo de prescrição do direito da Autora. . O último pagamento ao lesado, da quantia paga a título de capital de remição, foi efetuado em 14 de maio de 2012, o direito da Autora prescreveria apenas em 14 de maio de 2015, tendo sido nessa data, precisamente, que a presente ação deu entrada. . Por último e sem prescindir, resulta da matéria de facto alegada pela Autora na Petição Inicial que do embate em apreço resultaram para o trabalhador RARC lesões extensas e graves que, por si só, preenchem objetivamente o tipo legal de crime de ofensa à Integridade física artigo 14 do Código. . Nos termos do artigo 49, n. 3, do Código Civil, "se o facto ilícito constituir crime para o qual a lei estabeleça prescrição sujeita a prazo mais longo, é este o prazo aplicável". . Dispõe a alínea do n. 1 do artigo 11 do Código de Processo Penal que "o procedimento criminal extingue-se decorridos cinco anos, quando se tratarem de crimes puníveis com pena de prisão cujo limite máximo for igual ou superior a 1 ano, mas inferior a 5 anos". . Desta forma, será aplicável aos pagamentos efetuados pela Requerente o alongamento do prazo de prescrição previsto no n. 3 do artigo 49 do Código Civil. . Pelo que se conclui, que a Autora/Recorrente exerceu o seu direito sobre a Ré/Recorrida atempadamente, pelo que deverá improceder a exceção de prescrição invocada, ordenando-se, por essa razão, a revogação da sentença em causa e o prosseguimento dos autos, com todas as consequências legais.