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Enquadrando a questão importa recordar que, em sede processual penal, é pacífico o entendimento de que os recursos são remédios jurídicos que se destinam a despistar e corrigir erros in judicando ou in procedendo especificamente indicados pelo interessado, não comportando qualquer finalidade de busca e sobreposição/substituição de divergentes sensibilidades sobre a questão em litígio, incumbindo, por isso mesmo, ao recorrente a específica e precisa inventariação dos defeitos cuja reparação impetre, bem como dos meios e/ou bases legais que sustentam e determinam a adopção da solução por si propugnada em detrimento daquela objecto da sua crítica, pois que tal instrumento jurídico não visa a obtenção de uma nova convicção assente em novo julgamento a realizar pelo tribunal superior Consequentemente, o instituto recursório configura-se como uma ferramenta jurídico-processual destinada a impugnar uma decisão judicial, pelo que a reapreciação realizada pelo tribunal ad quem incide sobre a validade dos fundamentos da decisão recorrida estando exclusivamente vocacionada à reparação de concretos vícios, ilegalidades ou erros aí cometidos, consubstanciando-se na emissão de juízos de censura crítica a propósito dos concretos pontos que as partes especifiquem e indiquem como não correctamente julgados.