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Não se diz, porém, que estes ofendidos pretendessem, efectivamente, obter o "Visto Gold”, o que está em consonância com a motivação da decisão de facto que assinala, a dado passo sublinhado a negrito: « todos os assistentes e demandantes cíveis descreveram, com rigor, detalhe e congruência, a entrega à pessoa da arguida pessoa das quantias necessárias ao investimento pretendido, nos montantes, datas e por transferência bancária, como acima dado como provado, o que confirmaram, de forma segura e coerente, frisando a confiança que depositaram na pessoa da arguida AA, assumindo esta a representação e os interesses dos demandantes - assim lhes foi engenhosamente criada essa convicção -, descrevendo o modo de abordagem da arguida AA, as idiossincrasias da sua interacção, o enredo com que ia protelando a concretização/formalização do negócio/investimento e/ou da concessão do processo administrativo dos "vistos gold", as justificações que iam sendo dadas pela arguida para a não concretização do negócio/investimento, a não devolução das quantias entregues, a perda do negócio, a perda dos montantes entregues à arguida e a não concessão da autorização de residência, por falta da demonstração da prova de investimento excepcionando, nesta última matéria, o que diz respeito aos demandantes JJ e KK, dado que, quanto a estes inexistia a pretensão de obtenção dos "vistos gold").» Logo de seguida: «Com efeito, todos os demandantes descreveram, com naturalidade, franqueza e espontaneidade os factos acima descritos, sem hesitações, sem ambiguidades, nem subterfúgios, de forma consistente e congruente, com alguma emotividade subjacente, o que se afigura perfeitamente compreensível atendendo, por um lado, aos valores objectivamente expressivos em que ficaram lesados, e por outro lado, por terem ficado sem a oportunidade de obterem uma autorização de residência para viver em Portugal - excepto, nesta sede, como já ressalvado, quanto aos demandantes JJ e KK -, onde pretendiam de forma estável e permanente passar a viver e a estudar, na companhia dos respectivos agregados familiares cônjuges e, e através dessa autorização aceder ao demais espaço intracomunitário.» Quer isto dizer que, relativamente à ofendida , está dado como provado que pretendia obter o "Visto Gold” em Portugal, enquanto que, no respeitante aos ofendidos JJ e KK, o acórdão recorrido é claro, na motivação, ao assinalar que não tinham essa pretensão, ainda que se diga, no ponto de facto provado, que a aquisição que pretendiam efectuar os habilitava à obtenção desse visto.