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Na esteira do entendimento perfilhado no Acórdão-fundamento, que este é o momento exato a partir do qual deve ser contado o prazo de prescrição para efeitos de reembolso das quantias despendidas, que deverá corresponder ao reembolso de todas as quantias que, por força da obrigação que sobre ela recai, terminaram e são devidas à ora Recorrente; YY) O Acórdão recorrido, relativamente à apreciação do prazo prescricional, considera de forma autónoma os pagamentos realizados pela ora Recorrente a cada um dos três lesados e, relativamente à lesada AA, autonomiza os pagamentos efetuados àquela e a outras entidades que assistiram clinicamente e procederam à sua recuperação clínica, entre os anos de 2007 e 2016; ZZ) Ao invés, o Acórdão-fundamento considera que o prazo prescricional se conta a partir do último pagamento realizado do universo de lesados e entidades a quem foram pagas indemnizações por força do mesmo evento e da mesma e única obrigação; AAA) Aqui está o cerne da questão, no que à interpretação dos dois Acórdãos diz respeito, e isto porque perante o mesmo evento, de que resulta a obrigação, perante o pagamento das diversas indemnizações aos diferentes lesados ou entidades por força desse evento, e tendo em atenção o último pagamento efetuado os dois Acórdãos julgam de forma diferente, interpretando e aplicando a mesma Lei de forma diversa; BBB) Há manifesta contradição de interpretação e aplicação da Lei entre o Acórdão recorrido e o Acórdão-fundamento, que urge apreciar e uniformizar na sua aplicação; ) A ora Recorrente perfilha o entendimento da Lei aplicada naquele Acórdão-fundamento, defendendo e considerando que a interpretação dada à Lei neste Acórdão está conforme com os normativos legais aplicáveis em vigor para as situações do exercício de direito de regresso das entidades a quem, por lei ou contrato, lhes confere o direito de reclamarem o reembolso das quantias pagas, que são de responsabilidade de um terceiro civilmente responsável; ) Considera a ora Recorrente que a obrigação originária de indemnizar é única e, independentemente do número de lesados, o direito que lhe assiste de ser reembolsada por parte do civilmente responsável abrange todos os danos sofridos em consequência daquele facto originário, e desta forma, tudo quanto foi despendido por força de um mesmo evento, no âmbito de um mesmo contrato de seguro, apenas cessa no momento em que se encontre realizado o último pagamento por força da obrigação constituída; EEE) Entendendo-se, assim, a obrigação de indemnizar da seguradora como una e simples, quanto ao seu cumprimento, está-se a atender ao cumprimento integral, e isto porque, se correria o risco de, por cada pagamento ou grupo de pagamentos, a Autora, ora Recorrente, ter de intentar uma ação e vir sucessivamente com ações relativamente a cada pagamento ou grupo de pagamentos posteriores, o que só complicaria a apreciação judicial do caso; FFF) Desta forma, não poderá ser entendido que o referido prazo prescricional se inicia, ou corre autonomamente, por lesado, ou até do mesmo lesado, sem que se encontre totalmente cumprida a obrigação de ressarcir todos os lesados e por todos os danos que lhe advieram da obrigação de indemnizar da ora Recorrente, mesmo que aquela obrigação tenha originado pagamentos faseados ao longo do tempo; GGG) Tendo o Acórdão recorrido julgado por esta autonomização de pagamento de indemnizações, atenta a natureza da prestação e à identidade de diversos lesados, veio aquele Acórdão recorrido a violar expressamente e de forma conjugada, o disposto nos artigos 49, n. 2, e artigos 76 e 76, todos do Código Civil; HHH) Assim, na esteira do entendimento perfilhado no Acórdão-fundamento, que a Recorrente defende, o Acórdão recorrido viola a Lei em vigor para estes casos; ) Em consequência, a Recorrente aderindo à interpretação da Lei pugnada no Acórdão-fundamento, entende que lhe assiste o direito de reclamar e a ver reconhecido o seu direito a receber as quantias que pagou em consequência da morte do lesado BB, no montante de Euros 2468,31, por morte do lesado , no montante de Euros 5651,00, e das lesões corporais sofridas pela lesada AA, no montante total de Euros 9217,60; JJJ) No entanto, e por aplicação do disposto no n. 2, do artigo 49 e, bem assim, nos artigos 76 e 76, ambos do Código Civil, é devido à Recorrente e esta reclama, a condenação da Recorrida, Mafre - Seguros Gerais, S.A., no montante total reclamado na ação, que deu causa ao Acórdão recorrido, tudo no total de Euros 17336,91; KKK) A Recorrente, aderindo aos fundamentos de Direito defendidos no Acórdão-fundamento, de que os direitos que lhe assistem, como a qualquer outro interessado, no exercício do direito de regresso pelas quantias pagas a lesados ficando sub-rogada nos seus direitos, contra o civilmente responsável, considera que o prazo prescricional se deve contar a partir do último pagamento efetuado, independentemente do número de lesados, desde que respeite ao mesmo evento, que é de três anos; ) Com o presente Recuso Extraordinário de Uniformização de Jurisprudência, deve ser reconhecida a contradição notória entre a interpretação e aplicação da Lei dada nos dois Acórdãos, recorrido e fundamento, em especial, no que concerne aos direitos do sub-rogado, à luz do disposto no n. 2, do artigo 49 do Código Civil, conjugado com o n. 1, do artigo 76, e n. 1, do artigo 76, ambos do Código Civil; ) E, na medida da interpretação e aplicação dos critérios enunciados no Acórdão-fundamento, deve ser uniformizada a tese perfilhada pelo Supremo Tribunal de Justiça, à luz deste Acórdão, porventura, com outros fundamentos que melhor se entendam, tudo à luz do princípio da segurança e certeza jurídica; NNN) Deve a questão fundamental de Direito ser interpretada e aplicada de acordo com a tese estabelecida no Acórdão-fundamento, em razão da qual, em face de um evento, e perante a obrigação originária e única que determinou a existência de vários lesados e a obrigação do pagamento de várias indemnizações, o prazo de prescrição aplicável, para efeitos de o sub-rogado exercer os seus direitos, é de três anos a contar da data do último pagamento a que está obrigado; OOO) Ao interpretar e julgar de modo diferente, o Acórdão recorrido violou a Lei, nomeadamente, o disposto no n. 2, do artigo 49, do Código Civil e artigos 76, n. 1 e 76, n. 1, ambos do Código Civil, devendo ser revogado e, em consequência, ser produzido um novo Acórdão em consonância com a Lei aplicável e de acordo com os critérios definidos no Acórdão-fundamento.