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Vejamos então;  6 - Ora, o CRC, no Capítulo , enuncia na epígrafe: "Regimes aplicáveis a trabalhadores integrados em categorias ou situações específicas", Secção "Trabalhadores com âmbito material de proteção reduzido", Subsecção "Membros dos órgãos estatutários das pessoas coletivas e entidades equiparadas", estabelecendo quem são as pessoas coletivas e entidades equiparadas, obrigatoriamente abrangidas pelo regime geral, com as especificidades previstas nessa subsecção, na qualidade de beneficiários;  7 - Determina o CRC, no artigo 6, que são obrigatoriamente abrangidos na qualidade de beneficiários os membros dos órgãos estatutários das pessoas coletivas ou equiparadas;  8 - Mais à frente, determina o n. 1 do artigo 6 do CRC, com a epígrafe "Base de incidência contributiva", que "Sem prejuízo do disposto nos artigos 4 e seguintes, a base de incidência contributiva dos membros dos órgãos estatutários corresponde ao valor das remunerações efetivamente auferidas em cada uma das pessoas coletivas em que exerçam atividade, com o limite mínimo igual ao valor do IAS'';  9 - E, o artigo 6 do CRC, sob a epígrafe "Remunerações especialmente abrangidas", determina que integram ainda remuneração dos membros dos órgãos estatutários " Os montantes pagos a título de gratificação, desde que atribuídos em função do exercício da atividade de gerência sem adstrição à qualidade de sócio e sem que sejam imputáveis aos lucros, os quais devem ser parcelados por referência aos meses a que se reportam";  10 - Na situação em análise, resulta dos factos provados pela douta Sentença do Tribunal a quo que a Recorrente processava e pagava, geralmente, no mês de maio/junho de cada ano, uma verba que designava por "Prémios de Gestão" aos três membros que integram o respetivo Conselho de Administração;  11 - Mais, ficou provado que a atribuição de tais "Prémios de Gestão" e respetiva fundamentação havia sido deliberado pela "Comissão de Remunerações" da Recorrente, como forma de premiar e incentivar o exercício qualitativo dos administradores da empresa;  12 - Ficou ainda provado que o método de cálculo do montante a atribuir aos administradores da Recorrente, a título de "Prémio de Gestão", deliberado pela "Comissão de Remunerações ", era indexando a uma percentagem 1%) do Cash- Flow líquido;  13 - O Cash- Flow é um indicador que permite saber como está a evoluir o fluxo de tesouraria, reflete as entradas e saídas de dinheiro da empresa, num determinado período;  14 - Por conseguinte, o pagamento dos "Prémios de Gestão" não se relaciona com a definição de objetivos específicos de produtividade global da empresa ou de resultados a obter pela mesma, mas ao invés, da necessidade de incentivar a qualidade do exercício da atividade da administração;  15 - Tal, aliás, resulta de forma impressiva do documento elaborado pela "Comissão de Remunerações " ao enunciar que pretende incentivar a qualidade da administração e, por essa via, a produtividade global da empresa, que surge assim como decorrência necessária da qualidade da gestão e não como critério de atribuição do prémio;  16 - Ademais, a referência ao Cash-Flow líquido da Recorrente é concretizada apenas enquanto critério definidor do "quantum" a atribuir aos administradores e não como fundamento da atribuição do prémio, distinguindo-se, por esta via, a razão do pagamento do prémio exercício da atividade de gestão e incentivo à respetiva da definição do montante a pagar, em concreto, a esse título;  17- Por outro lado, a forma de determinação do montante do dito "Prémio de Gestão" também não se relaciona diretamente com os lucros e/ou rentabilidade da empresa, caso contrário a aferição do seu valor seria indexada ao lucro percecionado no final do ano e não à disponibilidade da tesouraria;  18- Nessa medida, os referidos "Prémios de Gestão" integram-se no âmbito do artigo 6 do CRC e constituem base de incidência contributiva;  19 - Alias, o sobredito preceito legal é em tudo idêntico ao que vigorou antes da entrada em vigor do CRC Decreto-Lei n. 327/93, de 25 de e que não permite reservas quanto à excecionalidade do mesmo face ao regime geral dos trabalhadores por conta de outrem;  20 - Pelo que, para que integrem a base de incidência contributiva não é sequer requisito que os "Prémios de Gestão" pagos aos membros dos órgãos estatutários assumam carácter de regularidade, bastando apenas que os mesmos sejam pagos em função do exercício de funções de gerência;  21 - Por outro lado, ao contrário do defendido pela Recorrente, os "Prémios de Gestão" atribuídos aos seus administradores não podiam ser alvo de contribuições, ao abrigo do disposto na alínea, do n. 2, do artigo 4 do CRC, porquanto esta norma condiciona o pagamento de determinadas prestações ao "desempenho obtido pela empresa";  22 - Enquanto a norma ínsita na alínea do artigo 6 do CRC, afeta o pagamento de determinados montantes ao exercício da atividade de gerência, como é o caso;  23 - A condição de a atribuição dos "Prémios de Gestão" não estar diretamente relacionada com os objetivos específicos de produtividade  da empresa, mas ao invés com a boa gestão ou qualidade da administração, a acrescer a referência efetuada ao Cash – Flow da empresa como forma de quantificar o prémio anual, constituem elementos, mais do que suficientes para que os sobreditos prémios preencham a estatuição prevista na alínea do artigo 6 do CRC, o qual sujeita à incidência contributiva  "Os montantes pagos a título de gratificações, desde que atribuídos em função do exercício da atividade de gerência sem adstrição à qualidade de sócio e sem que sejam imputáveis as lucros, os quais devem ser parcelados por referência aos meses a que se reportam ...) ";  24 - Nessa medida encontra-se manifestamente demonstrado que os "Prémios de Gestão" em apreço estão necessariamente adstritos ao exercício da atividade dos administradores e, nessa medida, integram o âmbito da alínea do artigo 6 do CRC e constituem base de incidência contributiva;  25 - Quanto ao requerido pela Recorrente, em sede de recurso jurisdicional, em que requer a junção aos autos de prova documental, nos termos e para os efeitos do n. 1 do artigo 65 do Código de Processo Civil, por entender que os sobreditos documentos são "imprescindível para boa apreciação da causa, incluindo a determinação e origem dos valores sub judice,  26 - Sempre se diga que as partes apenas podem juntar documentos às alegações nas situações excecionais, legalmente estatuídas, ou no caso de a junção dos documentos ser necessária em virtude do julgamento proferido na 1 instância;  27 - Desde logo, salvo entendimento diverso, a Recorrente não apresenta argumentos, de facto e de direito, que fundamentem a necessidade de junção desses documentos, quando já estamos em sede de Recurso bastando-se com uma mera alusão lacónica "imprescindível para boa apreciação da causa, incluindo a determinação e origem dos valores sub judice ", que, em nada, justifica uma junção que tem carácter excecional; 27 - Além disso, com a petição inicial deveria ter a Recorrente entregue todos os documentos considerados determinantes para um bom julgamento da causa, o que não fez;  28 - Por outro lado, decorre do disposto no artigo 42 do CPC, que também seria admissível a junção de documentos de prova, em fase de recurso, quando a sua apresentação não tenha sido possível até à interposição de recurso, o que também não é o caso, pelo que se entende que a junção de meios de prova nesta fase processual já não é possível;  29 - Insurge-se ainda a Recorrente contra o que defende ser uma falta de precisão "quer do ISS nas correções realizadas, quer da Douta Sentença recorrida, dado consubstanciarem as mesmas uma verdadeira falta de fundamentação ";  30 - Sobre o alegado vício de falta de fundamentação, da decisão do Recorrido e da douta sentença, sempre se diga que mais uma vez, não tem razão a Recorrente, pois quer através dos Relatórios do Recorrido Projeto de Relatório e Relatório, quer através da decisão final consta toda a fundamentação jurídica, que esteve na génese da tomada de decisão e que conduziram à prática do ato;  31 - Por seu turno, não podemos deixar de proclamar a discordância com o alegado vício de falta de fundamentação, porquanto o ato em causa se estribou na lei e a fundamentação que o sustentou é clara e suficiente, constando de todo o processo instrutor os fundamentos necessários à sua compreensão;  32 - Nesse conspecto, afigura-se manifestamente demonstrado que a decisão de liquidação das contribuições, a título de "Prémios de Gestão", foi corretamente realizada pelo Recorrido, porquanto o pagamento daqueles prémios preenche a estatuição prevista na alínea do artigo 6 do CRC e, nessa medida, deviam ter sido sujeitos a base de incidência contributiva.