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Relativamente à atribuição de uma pensão de alimentos à R. conclusões 2 a 2) escreveu-se na sentença recorrida o seguinte:  "Como é sabido, os princípios mais emblemáticos do novo regime dos alimentos entre ex-cônjuges, posteriormente ao divórcio, constam dos artigos 2016 e 2016-A, do Código Civil, em resultado da nova redação introduzida pela citada Lei número 61/2008, enquanto expressão da regra geral que atribui carácter excecional ao direito a alimentos entre cônjuges, expressamente limitado e de natureza subsidiária.-----  Com efeito, muito embora o artigo 2016, número 2, do Código Civil, estabeleça que "qualquer dos cônjuges tem direito a alimentos, independentemente do tipo de divórcio”, o certo é que a norma citada começa por afirmar, no seu número 1, que "cada cônjuge deve prover à sua subsistência, depois do divórcio”, referindo, ainda, no seu número 3, que esse direito a "por razões manifestas de equidade, pode ser negado”.---  Por seu turno, o artigo 2016-A, do Código Civil, estatui, nos seus números 2 e 3, que "o tribunal deve dar prevalência a qualquer obrigação de alimentos relativamente a um filho do cônjuge devedor sobre a obrigação emergente do divórcio em favor do ex-cônjuge” e que "o cônjuge credor não tem o direito de exigir a manutenção do padrão de vida de que beneficiou na constância do matrimónio”.------  Deste modo, e como decorre da sequência dispositiva dos artigos 2016 e 2016-A, ambos do Código Civil, a regra geral, em matéria de alimentos entre ex-cônjuges, depois do divórcio ou da separação judicial de pessoas e bens, é a de que cada cônjuge deve prover à sua subsistência, constituindo exceção o direito a alimentos, a que qualquer dos cônjuges tem direito, independentemente do tipo de divórcio, sendo que, por razões manifestas de equidade, o direito a alimentos pode ser-lhe negado.---------  Finalmente, atento o disposto no artigo 2016-A, número 3, do Código Civil, nos termos do qual o cônjuge credor não tem o direito de exigir a manutenção do padrão de vida de que beneficiou na constância do matrimónio, ter-se-á que concluir que esta obrigação alimentar genérica, na situação de dissolução ou de interrupção do vínculo conjugal, se terá que aferir, tão-só, pelo que é indispensável ao sustento, habitação e vestuário, não abrangendo já o dever de assegurar um nível de vida correspondente à condição económica e social da respectiva família, com a mesma extensão que teria se os cônjuges continuassem a viver em comum.--  A obrigação alimentar entre os ex-cônjuges não apresenta, pois, uma feição indemnizatória, pois que já não tem subjacente o dever recíproco e simultâneo de assistência de um dos cônjuges para com o outro, na constância do matrimónio, nem sequer a existência da culpa, única ou principal, do ex-cônjuge, mas apenas um direito de crédito da pessoa carente, de carácter alimentar, sobre outra pessoa, sujeita a um critério de dupla proporcionalidade, quer em função dos meios do que houver de prestá-los, quer da necessidade daquele que houver de recebê-los, com o limite fixado pela possibilidade de o alimentando prover à sua subsistência.-------  Assim, a obrigação alimentar genérica, na situação de dissolução do vínculo conjugal, prossegue, tão-só, o objectivo de fazer face às carências económicas do credor, a suprir em função dos meios económicos suficientes do obrigado, apenas recaindo sobre este o dever de o manter, ou seja, de lhe proporcionar o que é indispensável ao sustento, habitação e vestuário em conformidade com o estipulado pelo artigo 2003, do Código, mas não já o suficiente para o credor satisfazer as exigências de vida correspondentes à condição económica e social da família.-------  O cônjuge divorciado não tem, pois, o direito adquirido de exigir a manutenção do nível de vida existente ao tempo em que a comunidade do casal se mantinha, o que significa que o dever de assistência, enquanto existir a comunhão duradoura de vida, tem uma extensão muito maior do que o cumprimento do mero dever de alimentos, quando essa comunhão tiver cessado.-------  Assim, ao redigir o artigo 2016-A, do Código Civil, procurou o legislador desmistificar uma certa expectativa jurídica de garantia da auto-suficiência, durante e após a dissolução do matrimónio, que consubstanciaria o casamento como um verdadeiro «seguro de vida», por não ser concebível a manutenção de um status económico atinente a uma relação jurídica já extinta, além de que a ideia básica, hoje vigente neste âmbito do Direito da Família, é a de que "cada cônjuge deve prover à sua subsistência, depois do divórcio”, sendo excepcional o direito a alimentos que a qualquer cônjuge assiste, podendo, ainda assim, ser negado, por razões manifestas de equidade.--------  ) Com esta orientação, o legislador visou explicitar, de uma forma clara, que o direito a alimentos na sequência do divórcio só se constitui se o ex-cônjuge não tiver possibilidades de prover à sua subsistência.