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Não existem outras questões prévias ou incidentais que obstem ao conhecimento do recurso.O objecto deste recurso incide no reexame da matéria de facto e no abuso de representação quanto à procuração utilizada na escritura de 04/04/200           FUNDAMENTAÇÃO  A sentença recorrida "Realizada a prova e com interesse para a decisão da causa, o Tribunal considera provados os seguintes factos: 1 – Encontra-se registado em nome do Autor marido pela AP n .. de 1998/06/02, o terreno destinado a construção, sito no , da freguesia , inscrito na matriz rústica sob o art 3257, o qual está descrito na 2 Conservatória Predial de Vila Nova de Gaia sob o n 2653/19980602 freguesia; 2 – Tal prédio adveio à titularidade do Autor marido por doação de sua tia S, celebrada no Cartório Notarial de Espinho em 07-11-1997; 3 – Por si e seus anteriores possuidores, há mais de 5, 10 e 20 anos, de forma contínua, de boa-fé e sem oposição, que o Autor usufrui e é o único beneficiário das suas utilidades e rendimentos, designadamente pondo-o à venda, dispondo dele e vedando-o para preservar o seu domínio; 4 – Por contrato promessa de 15-09-2005, assinado pelo Autor e por J, o Autor prometeu vender e o J adquirir o prédio referido em  pelo preço de € 7000,00, tendo recebido de sinal a quantia de € 000,00 e tendo ficado acordado que a restante parte do preço seria paga no acto da escritura; 5 – Mais ficou nesse documento convencionado que o Autor autorizava o dito J a iniciar a construção de uma moradia, obrigando-se aquele a outorgar a escritura de venda com o dito J ou com outro que designasse; 6 – Mais ficou convencionado que a escritura definitiva era outorgada após a conclusão da moradia, cujo prazo se previa de um ano; 7 – O referido J era sócio gerente da 3 Ré "F, Lda.”; 8 – Após a celebração do contrato promessa, o J passou a dizer ao Autor que ia investir bastante dinheiro na moradia e que era necessária uma garantia do Autor para a eventualidade de lhe acontecer alguma coisa, designadamente a morte do Autor, e que nesse caso o J ou a sua sociedade ficariam prejudicados; 9 – Por ao Autor interessar que o dito promitente comprador iniciasse rápido a moradia e a terminasse depressa a fim de receber o preço acordado, acedeu a passar uma procuração ao 2 Réu Dr. , advogado conhecido e amigo do J, a quem conferia poderes para vender o prédio descrito em  a quem entendesse e pelo preço e condições que julgasse convenientes, designadamente à 3 Ré "F, Lda.”; 10 – Para lavrar a procuração, o J pediu ao Autor que fosse ao escritório do seu advogado, 2 Réu; 11 – O Autor só acedeu a passar a procuração por lhe ter sido criada a firme convicção, quer pelo J, quer pelo 2 Réu, de que a mesma só seria utilizada se o Autor não pudesse, por algum motivo, cumprir o contrato promessa; 12 – Ficou acordado entre o Autor, J e o 2 Réu que a procuração só seria usada se sucedesse aquele imprevisto; 13 – Por escritura celebrada em 4-04-2006, outorgada pelo 2 Réu, na qualidade de procurador do Autor, e pelo J na qualidade de sócio gerente da 3 Ré, cada um declarou, na qualidade em que intervinha, que vendia e comprava o referido prédio pelo preço de € 500,00; 14 – O 2 Réu não informou o Autor da utilização da procuração nem antes nem depois do referido em 1; 15 – O 2 Réu não entregou ao Autor qualquer quantia declarada naquela escritura; 16 – A 3 Ré tinha perfeito conhecimento dos factos antecedentes; 17 – O Autor, caso tivesse sido previamente informado de tal venda, nunca a aceitaria, designadamente quanto ao preço da mesma; 18 – O que era do conhecimento dos intervenientes na escritura; 19 – Vendo o Autor que a construção da moradia não tinha sido sequer iniciada em Outubro de 2006, e estranhando esse facto e o silêncio do 2 Réu e gerente da 3 Ré, ficou inquieto e recorreu aos serviços de uma advogada; 20 – E assim, em 10-10-2006, aconselhado pela advogada, foi ao Cartório Notarial da Notária Dra.