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Com efeito, muito embora o Tribunal a quo tenha valorado o período de tempo em que os factos ocorreram, período que, contrariamente ao considerado na decisão recorrida, não se afigura curto, correspondendo a quase metade do período de vida da menor, bem como o elevadíssimo grau de ilicitude de todos os factos por ele cometidos, tendo em consideração o modo de actuação, revelador de eficácia, determinação e crueldade, as idades da menor na data da prática dos factos e o grau de parentesco existente entre o arguido e a vítima, que lhe impunha deveres acrescidos de respeito e protecção da integridade física, moral e emocional da menor, da sua liberdade de crescer na inocência própria da pouca idade que tinha, aquando dos factos, e as consequências destas condutas na vida da mesma menor, as quais certamente terão repercussões futuras, na sua estabilidade emocional e comportamento a nível sexual, a par da fraca ressonância ética que a postura do arguido perante os factos evidencia, entendemos, porém, que, não obstante tais circunstâncias, perante a personalidade do arguido, seu grau de instrução, ausência de antecedentes criminais, confissão parcial dos factos e pedido de desculpa formulado, bem como a homogeneidade de actuação em todas as cinco diferentes situações, a pena única fixada pelo acórdão recorrido se afigura algo exagerada, excedendo a culpa do arguido.