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A este respeito, considerou já o nosso Supremo Tribunal em acórdão de 22/09/20056 a propósito de emissão de cheiros e ruídos, que "o direito de oposição, face emissão de cheiros e ruídos, subsiste, mesmo que o nível sonoro dos últimos seja inferior ao legal, não podendo, consequentemente, ser considerada como agressão ambiental, e a actividade daqueles geradora tenha sido, pela competente autoridade administrativa, autorizada, sempre que impliquem ofensa de direitos de personalidade e consubstanciem violação das relações de vizinhança art 1346 do”, jurisprudência que têm vindo a ser seguida em sucessivos e posteriores acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça.7 Quanto aocritério do prejuízo substancial para o prédio vizinho, violador destas relações de vizinhança, cuja protecção é por este este preceito visada, deve a existência deste prejuízo ser apreciada, conforme referem Pires de Lima e Antunes Varela, em anotação a este artigo "objectivamente, atendendo-se à natureza e finalidade do prédio, e não segundo a sensibilidade do dono.”8 E, porque em causa estão as relações de vizinhança e o aludido critério deve ser objecto de valoração objectiva, em relação à previsão deste critério, defendeuOliveira Ascensão9 que esta previsão não abrange as lesões dos direitos de personalidade, por não integrados no direito de vizinhança, estando em causa neste preceito legal apenas os "conflitos de direitos reais, solucionados por relações jurídicas reais”, tendo a ofensa de direitos de personalidade tratamento próprio.