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A disposição legal citada impõe ao recorrente o dever de "circunscrever ou delimitar o âmbito do recurso, indicando claramente os segmentos da decisão que considera viciados por erro de julgamento”, bem como a exigência de "fundamentar, em termos concludentes, as razões da sua discordância, concretizando e apreciando criticamente os meios probatórios constantes dos autos ou da gravação que, no seu entender, impliquem uma decisão diversa”, não bastando "meras generalidades, não alicerçadas em factos concretos ou descritas de forma imprecisa ou vaga”  Os ónus do n. 1 do artigo 640, tal como as exigências do seu n. 2, constituem manifestação especial do princípio da cooperação para a descoberta da verdade, previsto no artigo 41 do CPC2, devendo ser apreciadas à luz de um critério de rigor A exigência legal que impende sobre o recorrente da matéria de facto não fere minimamente o princípio constitucional da efetiva tutela jurisdicional, como se refere na fundamentação do acórdão do Tribunal Constitucional n. 259/2002, de 18-07-2002, publicado no DR, Série, de 13-12-2002 Como se defendeu no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 1020155, "a especificação dos concretos pontos de facto deve constar das conclusões recursórias”6, dado que o legislador, com a exigência da especificação dos concretos pontos de facto que se pretendem impugnar, visa a delimitação do objeto do recurso sobre a impugnação da decisão de facto O entendimento expresso pelo Supremo Tribunal de Justiça tem sido amplamente perfilhado pela jurisprudência, como se ilustra com a referenciação dos seguintes arestos: acórdão da Relação de Lisboa, de 212016 processo n. 6021/02TBVFX.L1-2); acórdãos da Relação de Guimarães de 202017 processo n. 300/15T8VPA.G1), de 112015 processo n. 132/18T8BCL.G1) e de 12017 processo n. 212/15T8MNC.G1) Foi também este o entendimento expresso no acórdão desta Relação, de 202017 processo n 57/15T8PNF.P1) A conclusão enunciada é a única que se harmoniza com a vocação delimitadora das conclusões de recurso, onde se define e, eventualmente, se restringe, o objeto da pretensão recursória, ficando o Tribunal impedido de conhecer qualquer questão que não tenha sido vertida nessa peça processual artigos 635, n 3 e 639, ns 1 e 3, ambos do Código de Processo, salvo questões do conhecimento oficioso artigo 608, n 2, in.