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1 Finalizou a sua contra-alegação com as seguintes conclusões:   a) Não procede a nulidade do acórdão suscitada pela Recorrente emergente da suposta contradição entre a fundamentação e a decisão do Tribunal a quo quanto à matéria elencada nos pontos e do acórdão recorrido, ambos respeitantes à alínea dos factos provados; b) Do acórdão recorrido resulta apenas que não foi atendido o recurso da Recorrida interposto para a Relação, na parte em que sustentou que a prova do facto não podia ser realizada apenas com base nas declarações prestadas pelo legal representante da 1 Ré, ora Recorrente, e tinha de ser realizada através de prova documental; ) Porém, refutar a argumentação da Recorrida quanto à necessidade de determinado meio de prova para dar por provado um concreto facto ou conjunto de não é dar razão à  Instância ao considerar como provados determinados factos; ) Apesar de o Acórdão recorrido entender não ser de exigir meio de prova vinculado para a demonstração dos factos em apreço, decidiu adicionalmente que a concreta prova produzida declarações de, não foi suficiente para dar por provado o dano correspondente aos "juros vencidos e vincendos do valor de capital remanescente da satisfação do encargo bancário €65000 x 8%/ano)”; e) O Acórdão recorrido não corrobora a sentença ponto por ponto, para a final decidir pela eliminação de uma parte dos factos que sustentam a pretensão reconvencional, e não há qualquer contradição entre os fundamentos do acórdão e a decisão de dar por não provado o facto referido na conclusão anterior; f) É que, percorridos todos os factos dados por provados na sentença de 1 instância – e mesmo desconsiderando, sem conceder, a alteração da resposta dada ao facto provado realizada pelo Tribunal da Relação – não se encontra qualquer facto que consigne que aquela amortização foi efectivamente realizada; g) A amortização da quantia de 65000,00 € não constitui sequer um facto, mas antes um pressuposto que, de forma surpreendente, foi dado por bom ao longo de todo o processo, embora erradamente e sem prova que o sustente; h) Em todo o caso, certo é que a alegação do putativo dano da Recorrente se refere, de modo claro e inequívoco, aos juros vencidos e vincendos, e não à questionável e obscura amortização, pelo que o Tribunal "a quo” não pôs nem nunca poderia pôr em causa o suposto facto «amortização», porque facto não é, nem faz parte do elenco dos factos dados por provados e nem sequer, dos factos não; ) Não assiste razão à Recorrente quando alega que foi ceifada dos factos provados a própria referência ao encargo bancário suportado: é que o alegado encargo bancário de 65000 € suportado pela Recorrente nunca fez parte desse elenco; j) Assim, o Tribunal da Relação actuou de forma acertada ao exercer o seu poder de alterar a resposta à matéria de facto, em função da prova não) produzida em juízo; k) A alteração da resposta à matéria de facto provada, relativamente à alínea, determina necessariamente uma modificação do Acórdão quanto ao julgamento que recaiu sobre pela Recorrente; ) Apesar de a Recorrente ter alegado prejuízos, não logrou demonstrá-los, quando menos, no que se refere a uma suposta amortização de 65000,00 € e à alegada perda dos respectivos juros, e não há na sentença um qualquer facto provado que o refira; ) Se a Recorrente pretendia ver incluído no elenco dos factos provados o facto «satisfação de encargo bancário» deveria ter recorrido da matéria de facto fixada na sentença, e não o fez, conformando-se com o pressuposto criado ao longo do processo, pelo que não pode alegar que a Relação não pôs em causa o facto «amortização», se nenhum facto provado ou não há na sentença para pôr em causa; n) E não se diga contra, como faz a Recorrente, que foi deduzido um pedido de indemnização a liquidar em sede de execução de sentença, pois não se pode confundir a dificuldade em liquidar, isto é, indicar um valor líquido, certo, dos prejuízos sofridos, com a não produção de prova sobre os danos já indicados, ainda que não quantificados; o) Com efeito, apesar de a Recorrente ter alegado que, para um cenário de três anos de manutenção do ónus registado pela Recorrida, tais danos seriam de valor não inferior a € 51227,00, é no mínimo, estranho, que não lhe tenha sido possível juntar aos autos prova documental da realização dessa amortização e dos putativos danos; p) O Tribunal de 1 instância não soube realizar esta distinção e laborou num erro de julgamento, relegando para execução de sentença a liquidação de danos cuja verificação carecia de ser demonstrada em julgamento, mas como seria expectável, o Acórdão Recorrido corrigiu essa decisão; q) Assim teria de ser porquanto não ficou minimamente demonstrado qual foi o montante efectivo da amortização - acaso tenha sido realizada - qual a data da sua realização, que motivo lhe esteve subjacente, numa palavra, não foi produzido o mais pequeno arremedo de prova desse alegado prejuízo; r) A redacção do artigo 29 da contestação da Recorrente é opaca e enigmática, não permitindo perceber se os juros peticionados incidiriam sobre o valor de amortização de 65000,00 € alegadamente realizado, se, pelo contrário, seriam calculados sobre o valor remanescente após essa alegada satisfação do encargo, e em caso afirmativo, qual o valor remanescente, estando em causa uma pretensão verdadeiramente obscura e ininteligível; s) Não se surpreende, assim, qualquer confusão no Acórdão recorrido entre o facto e o juízo conclusivo, porque, simplesmente, não há qualquer facto; t) A acrescer, não se verifica qualquer nexo causal – nem a Recorrente o demonstra – entre a conduta da Recorrida e a necessidade da suposta amortização do encargo bancário, nem nexo causal entre a suposta amortização do encargo bancário e a não percepção de juros pela Recorrente, limitando-se esta a afirmar que a não extinção dos compromissos bancários é adequada, em abstracto, a causar danos; u) A não percepção de juros não é em si mesma um facto público e notório, de entendimento comum, antes carece de ser demonstrado por quem os invoca, em cumprimento do ónus de alegação e prova dos factos constitutivos da pretensão, conforme decorre do princípio do dispositivo; ) A ora Recorrida não litiga de má-fé nos presentes autos; w) A acção proposta merece a tutela do direito e nada tem de «atípico», o que foi confirmado no douto despacho saneador, transitado em julgado e sem qualquer sinal de insurreição da Recorrente, no qual se apreciou a concreta pretensão da Recorrida e foi sindicado exaustivamente se esta era titular, em abstracto, do direito que invocou, e se decidiu positivamente, fixando de modo definitivo o objecto do litígio x) Andou bem o Tribunal recorrido ao concluir lapidarmente que a ora Recorrida actuou "no núcleo de exercitação admissível do direito de ação”, pois esta configurou a acção proposta da forma que considerou a mais adequada à tutela dos seus direitos, tendo por fundamento a ineficácia da comunicação feita pela 1 Ré para preferir; y) O registo da acção pela Recorrida não é atentatório da posição jurídica da Recorrente e da 3 Ré no negócio entre estas ajustado, e consiste numa faculdade legal, expressamente prevista no artigo 3, n. 1, e artigo 92, n. 1,, do CR Predial; z) É a própria Recorrente a reconhecer que era necessário o registo da acção, pois revelava-se, no caso concreto, a única forma eficaz – sendo essa a sua razão de ser - de acautelar o direito de que a Recorrida se arrogou, sob pena de a sentença cuja prolacção era esperada ser destituída de qualquer efeito útil; aa) A Recorrida não pretendeu nunca utilizar a presente acção judicial ou o registo da mesma sobre o imóvel dos autos para prosseguir um fim ou objectivo ilegal, antes recorreu aos meios judiciais para fazer valer um seu direito; bb) Na apreciação da litigância de má-fé, não releva a circunstância de a Recorrida ser uma sociedade de advogados – ou na qual trabalham vários advogados - quando não há nenhum elemento nos autos que permita concluir, nem sequer indiciariamente, que esta agiu nessa qualidade, não sendo de considerar a especial qualidade que alguém possa ter em determinada área do saber para "agravar” a sua condenação, se ficar demonstrado que não agiu como parte investida dessa especial qualificação; ) Nos presentes autos, a Recorrida agiu como arrendatária, não se devendo obliterar a distinção entre a prossecução do seu objecto social e a sua qualidade de arrendatária de determinado imóvel; ) Ao defender a existência de um dever acrescido de cuidado, a Recorrente procede a uma inaceitável desconsideração da personalidade jurídica colectiva da Recorrida, para se centrar na circunstância de todos os colaboradores desta serem advogados, e como tal, emprestarem-lhe o tal dever acrescido a que aquela não está obrigada, por ter actuado na qualidade de pessoa colectiva de natureza , isto é, de arrendatária; ee) Na apreciação da conduta processual deve-se utilizar como critério o do homem médio, tomando por padrão a diligência normal exigível a qualquer pessoa, sem valorizar especiais circunstâncias ou qualificações de modo a poder atribuir uma maior censura ao comportamento em apreço, ou seja, apreciar a conduta da Requerida à luz da que seria exigível a uma qualquer sociedade arrendatária, na sua posição e circunstâncias; ff) A acção não foi proposta pela Recorrida com a intenção de utilizar o processo de forma ínvia, desconforme aos fins para que foi criado e com o propósito intencional de, sobretudo, prejudicar a Recorrente ou a 3 Ré, mas apenas o de proteger os direitos de que estava convicta possuir e que não lhe foram; gg) Apesar de a actuação da Recorrida ter sido considerada ilícita, isso não gera automática e necessariamente litigância de má-fé, e não pode nunca olvidar-se que foi dado como não provado que "por via do pedido formulado nestes autos a autora pretende tão só "destruir” o direito adquirido pela aqui 3 Ré de comprar o Edifício ...”; hh) A lide meramente ousada, de pretensão ou oposição cujo decaimento sobreveio apenas por fragilidade de prova, de dificuldade em apurar os factos e de os interpretar, de diversidade de versões sobre determinados factos ou até de defesa convicta e séria de uma posição que não logrou convencer, bem como a sustentação de teses controvertidas na doutrina e a interpretação de regras de direito, ainda que especiosamente feitas, não integram litigância de má-fé; ) A actuação processual da Recorrida não deu causa a uma atividade jurídico-processual acrescida da Recorrente, pelo que não deve ser-lhe arbitrada uma indemnização, que visaria apenas compensá-la exclusivamente por esse esforço acrescido; Nestes termos, e com os demais de Direito que doutamente serão supridos por Exas., deve o recurso da Recorrente ser julgado improcedente in totum, confirmando-se a decisão recorrida, com o que farão Exas., Venerandos Conselheiros, o que é de inteira JUSTIÇA!