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Por sua vez, não ficou demonstrado, nem alegado, que a base do negócio, a decisão de contratar, se fundou nessas circunstâncias alegadas pela autora basta atentar que o objecto do contrato-promessa foram dois imóveis, um rústico e um urbano, imóvel esse que não "desapareceu” com o incêndio ajuizado – cfr., facto provado n.2 e alínea da materialidade dada como não.” A protecção dos contraentes, no caso de se verificar uma alteração superveniente e anormal das circunstâncias em que estes fundaram a sua decisão de contratar, encontra acolhimento no art 437 do  Prevê este preceito legal que qualquer das partes outorgantes num contrato em execução ou com prestações duradouras, tenha o direito de proceder à sua resolução no caso de ocorrer uma alteração das circunstâncias vigentes à data da sua celebração, desde que:  ) a alteração considerada relevante diga respeito a circunstâncias em que se alicerçou a decisão de contratar, isto é, a circunstâncias que, ainda que não determinantes para ambas as partes, se apresentem como evidentes, segundo o fim típico do contrato, ou seja, que se encontrem na base do negócio, com consciência de ambos os contraentes ou razoável notoriedade – «como representação mental ou psicológica comum patente nas negociações base, ou condicionalismo objetivo apenas implícito, porque essencial ao sentido e aos resultados do contrato celebrado base;  ) que essas circunstâncias fundamentais hajam sofrido uma alteração anormal, isto é, imprevisível ou, ainda que previsível, afetando o equilíbrio do contrato;  ) que a estabilidade do contrato envolva lesão para uma das partes, quer porque se tenha tornado demasiado onerosa, numa perspetiva económica, a prestação dessa parte conquanto não se exija que a alteração das circunstâncias coloque a parte numa situação de ruína económica), quer porque a alteração das circunstâncias envolva, para o lesado, grandes riscos pessoais ou excessivos sacrifícios de natureza não patrimonial;  ) que a manutenção do contrato ou dos seus termos afete gravemente os princípios da boa-fé negocial;  ) que a situação não se encontre abrangida pelos riscos próprios do contrato, isto é, que a alteração anómala das circunstâncias não esteja compreendida na álea própria do contrato, ou seja, nas suas flutuações normais ou finalidade ou nos riscos concretamente contemplados pelas partes no acordo contratual celebrado.16 Constitui esta previsão uma manifestação da clausula rebus sic standibus, de acordo com a qual qualquer alteração das circunstâncias existentes no momento da celebração do contrato, deve relevar para a sua extinção e uma excepção ao princípio pacta sunt servanda.