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Não vem questionado no presente recurso ter sido celebrado entre a Autora e a Ré um contrato de seguro do ramo automóvel, válido e em vigor à data dos factos, titulado pela apólice .........56 e subordinado às condições particulares, gerais e especiais juntas aos autos, que teve o seu início em 27 de julho de 2015, tendo a duração de um ano, renovável por idênticos períodos de tempo e mediante o qual foi transferida para a Ré a responsabilidade em relação a terceiros, decorrente da circulação do veículo automóvel com a matrícula JO, tendo a Autora subscrito adicionalmente, no âmbito dessa apólice, algumas coberturas de seguro facultativo, entre elas a de "Quebra de vidros +”, "Furto ou roubo” e "Choque, colisão e capotamento.” Estamos, por isso, perante um contrato de seguro que reveste uma natureza mista quanto às suas coberturas de risco: por um lado a de responsabilidade automóvel seguro obrigatório) e, por outro lado, a de coberturas facultativas seguro; assumindo, por isso, também a natureza de seguro automóvel de danos próprios abrangendo os prejuízos sofridos pelo próprio veículo seguro, ainda que o seu condutor seja responsável pelo evento, incluindo várias coberturas excluídas do âmbito do seguro obrigatório de responsabilidade automóvel Decreto-Lei n. 291/07, de 21/08), concretamente as coberturas de "Quebra de vidros +”, "Furto ou roubo” e "Choque, colisão e capotamento.” In casu, interessam-nos em particular as coberturas de "Furto ou roubo” e "Choque, colisão e capotamento.” O tribunal a quo entendeu que o sinistro ocorrido no dia 13 de setembro de 2018 não estaria coberto pelo contrato de seguro por se verificarem as causas de exclusão de cobertura previstas na alínea da cláusula 3 das respetivas condições especiais, quanto à cobertura de "Furto ou roubo”, e na clausula 40, n. 1 alínea das condições gerais, quanto a ambas as coberturas de "Furto ou roubo” e "Choque, colisão e capotamento.” É contra este entendimento que que se insurge a Recorrente sustentando que tais clausulas de exclusão são abusivas, por contrárias à boa-fé e, por isso, nulas, à luz do regime das clausulas contratuais gerais artigos 12, 15 e 18 do Decreto-Lei n. 446/85).