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Escreve a este propósito Figueiredo Dias, Direito Penal, Parte Geral, Tomo , Coimbra Editora, págs 485 e 486: " E se acrescentarmos, por um lado que toda a culpa jurídico-penal, como tem vindo a insistir-se, se refere ao facto, isto é, ao ilícito típico realizado aliás agora, como se vê, num triplo sentido: no de que, como culpa jurídico-penal, só se assume relativamente à lesão ou perigo de lesão de bens jurídico-penais; no de que a liberdade da pessoa só se realiza na acção concreta; e ainda no de que a personalidade do agente só releva para a culpa na medida em que se exprime num ilícito-típico e o; e por outro lado que o substrato derivado da decisão do homem sobre si mesmo é o que se chama a personalidade não o simples carácter naturalístico) - ficam dadas as condições para se afirmar que toda a culpa é materialmente, em direito penal, o ter que responder pela personalidade que fundamenta um facto ilícito-típico e nele se exprime.”   Aqui chegados, importa sublinhar que não se ignora que, no crime de violência doméstica, é difícil encontrar testemunhas oculares, pelo que tal crime escapa, em larga medida, ao conhecimento público.