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- Com efeito, visa-se não só salvaguardar o material probatório já recolhido nos autos, de forma a evitar que possa ser inquinado pelo arguido, mas também aquele que se espera vir a adquirir, através da realização de diligências futuras e em curso, de forma a evitar que o arguido possa frustrar os resultados visados com essa obtenção.» Ora, sendo uma realidade por todos conhecida que, neste tipo de criminalidade, é muito frequente a existência de pressões por parte de quem, como o arguido/recorrente, se encontra indiciado pela prática de crime de tráfico de estupefacientes, sobre coarguidos que prestaram declarações no sentido de os incriminar e sobre as testemunhas, consumidores desses produtos e seus clientes, de forma a virem a alterar, em julgamento, as declarações ou depoimentos já prestados nos autos, e, bem assim como sobre as testemunhas ainda não inquiridas ou suspeitos ainda não interrogados, de forma a que não venham a incriminá-los, no caso concreto, tendo o arguido, ora recorrente, no legitimo exercício do direito ao silêncio optado por não prestar declarações sobre os factos, em face dos contornos da atividade de tráfico desenvolvida pelo recorrente, que se mostra fortemente indiciada, existindo um suspeito de envolvimento nessa atividade, que se ausentou para parte incerta, desconhecendo-se o seu paradeiro e estando ainda por identificar alguns dos indivíduos, com quem o ora recorrente manteve contatos, no desenvolvimento dessa atividade, sendo uns seus clientes e outros que lhe prestavam colaboração, é de concluir, neste quadro, como bem se decidiu no despacho recorrido, que existe o sério perigo de o arguido/recorrente vir a contatar essas pessoas, influenciando o sentido das suas declarações ou depoimentos, com o objetivo de ver afastada ou atenuada a sua responsabilização criminal, sendo clarividente, em nosso entender,  que arguido/recorrente tem capacidade para poder prejudicar a atividade de recolha de prova e a eficácia probatória da prova indiciária já recolhida, pela forma descrita, designadamente, contatando com os outros indivíduos que consigo colaboravam, na atividade desenvolvida e os consumidores e revendedores a quem vendeu produtos estupefacientes e que surgem como interlocutores nas interceções telefónicas.