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Contrariamente ao alegado pelo recorrente, entendemos que as condutas apuradas, além de estarem arredadas da mera continuação criminosa2, também não consubstanciam a prática de apenas um crime de abuso sexual de crianças de trato sucessivo, já que, apesar de cometidas durante um período temporal não muito alongado, embora apenas porque a mãe adotiva da menor acedeu ao seu telemóvel e, percebendo o que se estava a passar, entregou-o às autoridades, delas resulta evidenciada a inexistência de uma só resolução criminosa, bem como de uma unificação de condutas a coberto de uma mesma e persistente resolução, ainda que sem diminuição da culpa, no caso do trato sucessivo, ou, agora nas palavras de Santos Cabral, não existe aqui um único dolo a abranger todas as condutas sucessivamente praticadas, nem uma homogeneidade das condutas, o que significa que "nenhum elemento da materialidade provada permite a redução do processo volitivo do arguido a uma linha uniforme sem qualquer fratura temporal”3, e, ao invés, é inequivocamente sintomática de uma clara renovação delituosa, sendo prova disso o teor das muitas e persistentes mensagens que o mesmo enviou à menor, bem como o facto de, quando se apercebeu de que a menor deixara de ter acesso ao seu telemóvel, e com o fito de perpetuar a sua atividade criminosa, ter-lhe comprado um telemóvel para que continuassem a comunicar entre si ver pontos 21 e 22 dos factos, o que, logicamente, nos arreda da tese que vem suportada pela jurisprudência citada pelo recorrente e que, do que se apreende, não traduz sequer a maioria do sentir jurisprudencial, mormente do STJ.