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Especifique-se, no entanto, que embora a doutrina e a jurisprudência sejam uniformes em admitir esta modalidade do abuso de direito, fundada no comportamento omissivo do titular do direito ao longo de um extenso período temporal, suscetível de gerar a legítima confiança na contraparte de que esse direito já não seria exercido e que se vê confrontado com uma situação de rutura abrupta dessas suas expectativas de continuidade de não "exercício do direito” pelo respetivo titular , quando subitamente se vê confrontado com o exercício desse direito por parte do último, é entendimento maioritário da jurisprudência que para que exista abuso de direito na modalidade de supressio, não basta o simples decurso do tempo sem o exercício do direito por parte do titular do mesmo, mas é imprescindível o apuramento de circunstâncias objetivas e concretas que justifiquem da parte daquele contra quem o direito acaba por ser exercido, a legitima confiança de que o direito já não seria exercido por parte do respetivo titular, uma vez decorrido esse longo período de tempo de inação.