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– A desconsideração tem de envolver sempre um juízo de reprovação sobre a conduta do agente, ou seja, envolve sempre a formulação de um juízo de censura e deve revelar-se ilícita, havendo que verificar se ocorre uma postura de fraude à lei ou de abuso de direito.” 7 E, no mesmo sentido, «Quando a personalidade colectiva é usada de modo ilícito e abusivo, para prejudicar terceiros, existe uma utilização contrária a normas ou princípios gerais, incluindo a ética dos negócios, é possível proceder ao levantamento da personalidade colectiva: é o que a doutrina designa pela desconsideração ou superação da personalidade jurídica colectiva», como defende Menezes Cordeiro, que sugere, ainda, como sub-hipótese particular, o recurso a "testas de ferro” que autorizaria a procurar o real sujeito das situações criadas ou, ainda, a da confusão das esferas jurídicas, que se verifica «quando, por inobservância de certas regras societárias, ou mesmo, por decorrências puramente objectivas, não fique clara, a separação entre o património da sociedade e o do sócio ou sócios» 7 «Para além destas situações, também se podem perfilar outras em que a sociedade comercial é utilizada pelo sócio para contornar uma obrigação legal ou contratual que ele, individualmente, assumiu, ou para encobrir um negócio contrário à lei, funcionando como interposta pessoa»  7 Ora, devido a comportamentos abusivos que não são substancialmente da sociedade mas dos que estão por detrás da sua autonomia e a controlam, a mesma pode ser utilizada desonestamente e, funcionalmente, ao arrepio do seu fim social, para servir de "véu” para encobrir uma realidade ou para mascarar uma situação, o que se verifica no presente caso, conforme já devidamente supra explanado, na medida em que o crédito reclamado pela Embargada é da responsabilidade de MPA.