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...) tivesse actuado para que a situação do ...) fosse tratada com a urgência que merecia, permitindo, assim, a aplicação terapêutica adequada – tratamento cirúrgico urgente – a perda do testículo direito poderia não se ter verificado; 19) Ao não ter diligenciado para que o menor fosse operado com urgência, causou a arguida a perda do testículo direito do menor; 20) A arguida actuou com desconsideração e violação das regras pelas quais se pauta o exercício da profissão de medicina, não tendo ministrado ao doente, atempadamente, a terapêutica adequada – tratamento cirúrgico urgente – e também não tendo chamado a médica-cirurgiã de serviço nessa noite para que esta pudesse realizar a cirurgia de urgência; 21) A perda do testículo direito do ...) foi consequência directa e necessária das omissões por parte da arguida das precauções e cautelas mais elementares das leges artis – confirmar ou descartar a hipótese de diagnóstico mais urgente e grave -, de que resultou a perda do testículo direito do menor, e que só ocorreu por via dessas omissões; 22) A arguida sabia que ao não proceder à operação com urgência do menor, ou não encaminhar o menor para cirurgia urgente, para reparar a torção testicular, que o resultado poderia ser a perda do testículo do menor, uma vez que sabia que o resultado de uma torção testicular não tratada é a perda do testículo; 23) ...), no período de admissão do lesado nas urgências, desempenhava a sua actividade técnico-profissional nas instalações da ULSNA; 24) A ULSNA é um estabelecimento público dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimonial com natureza empresarial, integrado no Serviço nacional de Saúde, que, na data supra indicada, facultava à arguida ...) os recursos técnicos, económicos e organizacionais para a prática da medicina, exercendo poderes de autoridade, direcção ou fiscalização sobre a actividade praticada no recinto hospitalar; 25) Uma torção do testículo ocorre quando este retorce sobre o seu cordão espermático, interrompendo-se assim o fluxo sanguíneo, tendo como sintomas gerais e primários as náuseas, vómitos e dores abdominais, com uma consequente dor no escroto, acompanhada de aumento do volume do testículo; 26) Perante um diagnóstico de torção testicular, mesmo que não confirmado, impõe-se a imediata submissão do paciente a cirurgia que deverá ser realizada no prazo máximo de seis horas após o início dos sintomas; 27) A torção testicular configura um caso de emergência cirúrgica, na medida em que só com uma intervenção cirúrgica se pode restabelecer a circulação sanguínea e evitar a necrose dos tecidos que leva de 6 a 8 horas a suceder e a consequente extirpação do testículo;  28) A arguida referiu à demandante que, confirmando-se a torção testicular, haveria que proceder, de imediato, a uma intervenção cirúrgica; 29) Se a cirurgia tivesse sido realizada nas primeiras seis horas, após o início da dor, o lesado tinha 90% de probabilidade de conservar o testículo, percentagem que desceria para 50% após as primeiras doze horas e para 10% após as primeiras vinte e quatro horas; 30) Desde o dia 25 de Julho de 2014 até à data em que foi intervencionado, o lesado sofreu dores físicas na zona testicular afectada, que o deixaram dependente da toma de analgésicos para não as sentir; 31) Quando recebeu a notícia de que a única forma de debelar o seu mal passava pela amputação do testículo direito, o lesado foi tomado por uma grande ansiedade, transtorno, revolta e irritação que se apoderaram dele tanto no período que antecedeu a realização da cirurgia como no que se lhe seguiu; 32) No pós-alta da cirurgia a que foi sujeito, o lesado sentiu fortes dores físicas na região intervencionada, que se prolongaram pelos trinta dias subsequentes, necessários à sua recuperação; 33) Dores estas que o lesado teve de superar com a toma de analgésicos, como Paracetamol 1000 mg ou Ibuproferno 600 mg; 34) No mês de recuperação, o lesado sentiu grandes dificuldades de adaptação à prótese, a qual alterou a sua rotina e liberdade de movimentos; 35) Por recomendação clínica, durante esse período, teve de ficar de repouso em casa e sem realizar exercícios físicos; 36) A remoção do testículo causou a diminuição da autoconfiança, decorrente da amputação ao que foi sujeito; 37) Nas dores físicas e desconforto/incómodo que sente quando se enta em determinadas posições e quando a prótese toca na sua roupa interior; 38) No desconforto que sente, em tempo frio, na zona amputada, onde se encontra colocada a prótese;  39) O lesado resguarda-se e protege-se na prática desportiva escolar, com receio de uma pancada na zona testicular, existindo o risco acrescido de infertilidade se o lesado sofrer algum acidente ou doença no outro testículo; 40) A perda do testículo também limitou o lesado ao nível da prática desportiva, estando-lhe interditas, nomeadamente, as artes marciais, a equitação, o motocross e desportos com bicicletas; 41) No período situado entre 26-07-2014 e 27-07-2014 e 09-12-2014 e 10-12-2014 o demandante ...) sofreu incapacidade temporária geral total, estando ainda impedido de desempenhar actividades escolares; 42) Nos períodos situados entre 28-07-2014 e 08-12-2014 e 20-01-2015, o demandante ...) sofreu uma incapacidade temporária geral parcial, limitativa também em relação às actividades escolares, ainda que parcialmente; 43) Entre a data em que foi observado pela arguida e 20-01-2015 data da, o demandante ...) sofreu um quantum doloris de grau 3; 44) O demandante ...), em consequência da perda do testículo sofreu uma incapacidade permanente de 5 pontos, não sendo de admitir a existência de dano futuro; 45) O demandante ...), em consequência da perda do testículo sofreu um dano estético permanente de grau 1; 46) Por força da perda do testículo, o lesado teve de apartar algumas profissões dos seus projectos profissionais, estando, por exemplo, impedido de seguir a carreira militar, por si idealizada antes da amputação; 47) A arguida não tem antecedentes criminais registados.