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De acordo com a tese da substanciação, que o actual Código de Processo Civil acolhe, a causa de pedir é formada por factos sem qualificação jurídica, ainda que com relevância jurídica A causa de pedir desdobra-se, analiticamente, em duas vertentes: uma factualidade alegada, que constitui o respectivo substrato factual, também designada pela doutrina por causa de pedir remota; uma vertente normativa significante na perspectiva do pedido formulado, designada por causa de pedir próxima, não necessariamente adstrita à qualificação dada pelo autor, mas delineada no quadro das soluções de direito plausíveis em função do pedido formulado, aliás nos latos termos permitidos ao tribunal, em sede de enquadramento jurídico, ao abrigo do preceituado na 1 parte do artigo 66 do CPC a que corresponde o actual artigo 5 do NCPC; é o que alguma doutrina designa por princípio da causa de pedir aberta Relativamente à falta de causa de pedir o vício em discussão apenas ocorre quando o autor não indica o facto genético ou matricial, a causa geradora do núcleo essencial do direito ou da pretensão que aspira a fazer valer A ineptidão da petição inicial fundada na falta ou ininteligibilidade do pedido ou da causa de pedir poderá ocorrer, na visão de Remédio Marques8, quando «o autor substancia e não identifica em concreto os factos que servem de fundamento ao pedido de condenação».