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27 CRP, devendo a douta decisão a proferir ser aferida tendo por base a sua imagem globalmente considerada e culpa concretamente apurada, assente na prévia indagação do circunstancialismo vivencial do arguido;  Na maré de azares e infortúnios que vêm fustigando o arguido, mostra-se o mesmo em situação de desemprego involuntário, não podendo nunca justificar-se, nesta área do Direito ou qualquer outra, uma entorse aos princípios garantísticos, atento o recorte constitucional e legal, em matéria processual penal, uma vez que se a lei expressamente prevê adopção de medida alternativa à execução da pena de prisão subsidiária, tendo esta a natureza de ultima ratio, sempre exigirá uma especial fundamentação a afastar todas as demais formas de punição, o que, in casu, inexiste;  J. Temos por violados os princípios da igualdade, adequação, proporcionalidade bem como carácter de ultima ratio do Direito prisional que assim se verá convocado, para efeitos de execução de pena de prisão, quando a danosidade material se mostra inexistente e a "justiça restauradora" uma realidade ao alcance do decurso do tempo e do cumprimento da condição de cariz não económico na qual assentasse a suspensão da execução da prisão subsidiária, assim efectuando o arguido o pagamento em termos ressarcitórios à sociedade;  K. A simples exigência acrescida em termos de censura de revogação e ameaça de efectiva execução da pena de prisão, com o estigma associado, realizarão de forma adequada e suficiente as finalidades da punição, mostrando o arguido já interiorizado o desvalor da sua conduta e seriamente empenhado em tornar a sociedade contrafacticamente de novo acreditada nos valores da justiça e bens jurídicos violados;  No presente processo um olhar despretensioso, sério e isento, não poderá vislumbrar e atribuir total fatia de culpa ao arguido pelo não pagamento da multa mostrando-se injustificadamente desconsiderada a possibilidade de suspensão ou cumprimento da pena em regime de permanência na habitação, em regime de dias livres ou de semidetenção, sendo igualmente factor de nulidade do douto despacho que unicamente segue invariavelmente o caminho da execução de pena de prisão, pese embora seja omisso no tocante ao regime e local de cumprimento;  Os factos, tal qual se mostram na sua essência, desacompanhados de efectiva prova de particulares exigências ao nível do alarme social ou indignação da sociedade, não justificam a colocação nos carris e em circulação das pesadas, custosas e morosas locomotivas do Direito prisional, dado que "não se devem disparar canhões contra pardais, mesmo que seja a única arma de que disponhamos" adaptado da frase de Georg Jellinek "Não se abatem pardais, disparando canhões"), e a manter-se o douto despacho, não obstante ser o arguido mais réu que culpado, por conta de tal factualidade e todo um conjunto de desencontros e infelizes ocorrências, mostrar-se-á a caminho do estabelecimento prisional por a possibilidade de pagamento da multa ser mais legal que real!