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Acontece, porém, que um tal questionamento se coloca fundamentalmente ao nível da imputação objetiva do resultado típico à conduta do agente, isto é, do nexo de causalidade adequada, assente num "perigo idóneo” à produção de um resultado típico ou, centrando-nos no aperfeiçoamento que teoricamente vem sendo dado no âmbito da imputação objetiva pelas conceções doutrinais mais atuais, de que um tal resultado só poderá ser imputado a uma determinada ação quando ela haja criado, aumentado ou incrementado um risco proibido para o bem jurídico protegido pela norma incriminadora e que um tal risco se haja "materializado no resultado típico” Sendo que, tratando-se de crime cometido por omissão, e enquanto "delito de dever” que é, tal nexo de imputação só existirá quando o agente, em violação de um dever de garante que lhe estava imposto, não diminuiu o perigo que se veio a materializar ou a concretizar no resultado típico  E muito interessantemente, com acutilante relevância para a solução do caso concreto dos autos, aborda a sentença recorrida as questões que atualmente se vêm suscitando e debatendo, fundamentalmente na doutrina, sobre a responsabilidade criminal por omissão dos titulares dos órgãos de pessoas coletivas, relativamente a atos praticados pelos seus subordinados, lesivos de bens jurídicos fundamentais de terceiros, penalmente tutelados, na medida em que aqueles, no exercício do poder de  autoridade de que se encontram revestidos, podiam e deviam ter atuado no sentido de impedir a realização do crime.