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16 Ora, sendo fisica/objectivamente possível a pessoal comparência ao acto probatório e depoimento da testemunha mulher do de quem o intermediário teria colhido a informação por si veiculada, o Tribunal a quo absteve-se de a chamar a depor sobre esta factualidade e já não para um eventual reconhecimento de, não assegurando o amplo exercício do contraditório, coarctando de forma intolerável o direito de defesa do arguido e, como tal, não podendo aquele depoimento de ouvir dizer ser valorado como meio de prova, até porque "os depoimentos indirectos são caracterizados por problemas específicos, não só pelo risco de existirem falsificações intencionais ou atitudes de desresponsabilização da parte de quem conta factos a que pessoalmente não assistiu, mas também pela concreta possibilidade de distorções da recordação dependentes dos próprios mecanismos de funcionamento da memória, que compreendem a perda da forma superficial em que a informação foi apresentada e, simultaneamente, a conservação do seu significado essencial, com alterações destinadas a conformá-las aos ulteriores conhecimentos do sujeito" Acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, de 11-10-2006).