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Nas alegações de recurso, a recorrente formula as conclusões seguintes:  «Na douta Sentença ora sob recurso, o Tribunal "a quo" julgou a impugnação procedente e determinou a anulação da liquidação impugnada por entender que os serviços inspetivos consideraram remunerações as quantias percebidas a título de "ajudas de custo”, não porque o seu recebimento tivesse excedido os limites qualitativos e quantitativos consignados na lei, mas porque o modo de atribuição através de uma quantia periódica e constituía indicador suficiente de que esta quantia não se destinava a compensar quaisquer custos, mas antes a atribuir uma remuneração mais compensadora a quem se dispusesse a trabalhar deslocado no estrangeiro e que caberia, por isso, à AT reunir outros indicadores que, por si só ou conjugadamente, suportassem a conclusão que as quantias em causa são consideradas remuneração de trabalho, em cumprimento do ónus probatório que sobre si impende, como decorre do artigo 7 da Lei Geral Tributária; Salvo o devido respeito por diferente entendimento, a Fazenda Pública entende que esta decisão não pode manter-se na ordem jurídica, nos termos em que foi proferida, porque nela se fez um errado julgamento da matéria de facto e da matéria de direito; De acordo com o artigo , n. 1, do CIRS, na redação em vigor à data dos factos, consideram-se rendimentos de trabalho dependente categoria todas as remunerações pagas ou postas à disposição do seu titular, provenientes de trabalho por conta de outrem; Nos termos da lei todos os pagamentos efetuados pela entidade patronal ao seu trabalhador, independentemente da forma que revestirem, são, à partida, enquadrados na categoria de rendimentos de trabalho dependente, pois entendeu o legislador que têm caráter remuneratório; A lei não exclui do conceito de rendimentos da categoria A os rendimentos pagos pela entidade patronal que não revistam natureza de ajudas de custo, ou seja, aqueles que, "disfarçados" de ajudas de custo, afinal não o são, já que não visam compensar o trabalhador de qualquer despesa em que este tenha incorrido ao seu serviço, mas tão só remunerá-lo pela prestação de trabalho, reduzindo a respetiva tributação; Sempre que, em momento prévio, se conclua que os pagamentos efetuados e qualificados como ajudas de custo, pelas partes, não têm carater compensatório, mas meramente remuneratório, não há sequer que atender ao disposto na alínea, do n. 3, do artigo  do CIRS, devendo apenas aplicar-se a regra geral prevista nos n.os 1 e 2, daquele mesmo artigo; E porque a lei determina que todos os pagamentos realizados pela entidade patronal ao seu trabalhador se consideram rendimentos de trabalho caberá sempre a quem paga e a quem recebe fazer prova de que os mesmos revestem natureza compensatória e que se destinaram a compensar o trabalhador por gastos necessários e indispensáveis ao exercício da atividade; E é neste sentido que deve interpretar-se a jurisprudência resultante do Acórdão do STA, de 08-112006, proferido no processo n. 01082/04; Seguindo a regra geral do ónus da prova transversal a todo o direito português, com expressão no artigo 34 do e, em particular, no direito fiscal, no artigo 7, da LGT, e tendo em atenção o disposto no CIRS, onde se estabelece que os pagamentos realizados pela entidade patronal aos seus trabalhadores revestem, por regra, a natureza de rendimentos de trabalho, caberá sempre a quem invoca o direito a que se arroga a respetiva prova; É ao trabalhador enquanto sujeito passivo da relação tributária que cabe fazer a prova necessária, e logicamente anterior, de que os pagamentos realizados revestem a natureza de ajudas de custo, ou seja, que reunia todos os requisitos legais para receber essas ajudas de custo; O legislador do CIRS não pretendeu que a fundamentação do caráter compensatório dos pagamentos realizados se bastasse com a mera qualificação desses pagamentos efetuada pelas partes, sem mais; In casu, caberia aos impugnantes provar que a tributação das quantias por si qualificadas como ajudas de custo era ilegal porque as mesmas não correspondiam a um complemento de remuneração sem fim compensatório, mas isso não foi feito; Se os rendimentos têm natureza remuneratória ab initio, então, serão sempre tratados tendo em conta essa sua natureza e, consequentemente, tributados; Resulta do disposto na alínea, do n. 3, do artigo , do CIRS, que ainda que os montantes pagos revistam natureza compensatória, apenas estarão isentos de tributação se cumprirem os requisitos legais previstos para a sua atribuição aos servidores do Estado; Ao contrário do que foi entendido pelo Meritíssimo Juiz do Tribunal "a quo" a AT, in casu, não tinha que reunir indicadores suficientes de que o abono das quantias em causa não observava os pressupostos da atribuição de ajudas de custo aos servidores do Estado, pois, para a AT, esse abono tinha natureza remuneratória; Para a AT, o impugnante marido não reunia os requisitos legais para receber quaisquer quantias a título de ajudas de custo, pois não se deslocou do seu local de trabalho, ou seja, não se deslocou do seu domicílio necessário Roma e, ocasional e excecionalmente, já que foi contratado para aí exercer as suas funções; Contrariamente ao que é referido na douta Sentença ora em apreço, não só a AT não aceitou a efetividade da deslocação do impugnante, como colocou em causa essa mesma deslocação, porque entendeu que o seu domicílio necessário era Roma e Southampton, e isto, atendendo ao disposto no artigo , do Decreto-Lei n. 106/98, de 24 de abril; A sede da empresa na Amora, não pode ser considerada como domicílio necessário do impugnante quando não existe uma única prova nos autos de que este aí tenha trabalhado um único dia no ano de 2008 e quando se apurou na ação inspetiva que ali não existia qualquer oficina; A Sentença ora sob recurso fez um errado julgamento de facto ao não fixar no probatório todos os factos que resultam dos contratos celebrados pelo impugnante e pela ........; A Sentença ora sob recurso fez um errado julgamento de facto ao aceitar como admissíveis as importâncias pagas como ajudas de custo com o fundamento de que o impugnante foi contratado para exercer funções na Amora e se deslocou para a Itália e para Inglaterra, sendo esta mais uma razão para que a mesma seja revogada por este douto Tribunal de recurso; Do teor do Relatório/Conclusões, bem como dos documentos anexos, resultam vários indicadores que demonstram que a AT não se limitou a considerar que as quantias qualificadas pela ........ e pelos impugnantes, como ajudas de custo, tinham caráter remuneratório e não compensatório pelo simples fato de terem sido pagas de forma fixa e regular, como parece resultar da douta Sentença aqui em apreço; Se por um lado, os valores pagos a título de ajudas de custo, de forma regular, não os qualifica como remuneração, por outro, esse facto também não permite a sua qualificação como ajudas de custo; Na situação em apreço, os valores pagos mensalmente pela ........ ao impugnante, e qualificados como ajudas de custo, foram em montante bastante superior ao rendimento do trabalho; Na situação em apreço, em certos meses foram pagas alegadas ajudas de custo em número de dias superior ao número de dias trabalhados e em dias não úteis sem que tivesse ocorrido o correspondente pagamento por trabalho suplementar; Na situação em apreço, verifica-se que a folha de itinerário relativo ao mês de maio de 2008 "revela" que o impugnante se deslocou 28 dias desse mês entre Amora e Southampton ida e sendo completamente inverosímil que tal tenha efetivamente ocorrido; Da referida folha de itinerário resulta, também, que o trabalhador recebeu "ajudas de custo completas 100%) apesar de ter vindo pernoitar a Portugal; Apesar de ser de aplicar à situação em apreço, deve ter-se presente que a alínea, do n. 3, do artigo , do CIRS, remete de forma expressa para os pressupostos da atribuição das ajudas de custo aos servidores do Estado; Os boletins de itinerário referidos no Relatório/Conclusões mais não são do que os documentos que o próprio CIRC exige para que as despesas qualificadas como ajudas de custo pelas entidades patronais sejam aceites como custos da sua atividade Cfr.