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A requerente da providência contra-alegou, tendo para o efeito formulado as seguintes conclusões: "1 – Deverá o recurso da recorrente ser rejeitado na parte que discorre sobre a matéria de facto provada e não provada, não se encontrando verificados os pressupostos definidos nas normas legais aplicáveis para o seu conhecimento pelo tribunal ad quem artigo 640, "ex ” artigo 1 do Código de Processo nos Tribunais; 2 – Não merecem censura os segmentos decisórios da douta decisão recorrida no que respeita à interpretação e aplicação das normas legais e processuais quanto ao requisito do fumus boni iuris, porquanto a recorrente, no cumprimento do respectivo dever de fundamentação dos actos administrativos, não podia deixar de dar a conhecer ao destinatário o respectivo percurso cognitivo e valorativo relativo àquele mesmo acto, de modo a permitir uma defesa adequada e consciente dos direitos e interesses legalmente protegidos do particular lesado; 3 – Ao concluir que não existe possibilidade de recuperação vegetativa da plantação, o ora recorrente não preenche os requisitos exigidos para a fundamentação de um acto administrativo como o que ora está em causa, resultando claro dos presentes autos que um destinatário médio ou normal, colocado na posição do real destinatário do acto, não lograria compreender a motivação que subjaz ao raciocínio decisório no que respeita à invocada conclusão pelo incumprimento dos objectivos propostos por parte da requerente; 4 – A adopção de fundamentos que pela sua obscuridade, contradição ou insuficiência, não esclareçam concretamente a motivação do acto equivale à correspondente falta fundamentação, não tendo o ora recorrente logrado apresentar fundamentos que permitam concluir pela existência de uma fundamentação cabal da decisão final da vogal do Conselho Directivo do IFAP, IP, de 17-8-2021, que motivou a determinação da "obrigação de devolução da quantia indevidamente recebida, no valor de 6506,66 €” por parte da recorrida; 5 – Não merecem censura os segmentos decisórios da douta decisão recorrida no que respeita à interpretação e aplicação das normas legais e processuais quanto ao requisito do periculum in mora, porquanto resulta evidente dos presentes autos a existência de um risco efectivo de que, quando for proferida sentença na acção principal e caso esta seja procedente, a recorrida já tenha sido declarada insolvente, com a consequência natural do encerramento definitivo da sua actividade; 6 – Resulta da matéria dada como provada, e não impugnada pelo ora recorrente, que, não obstante o activo da recorrida ser ligeiramente superior ao seu passivo, esse activo não é suficiente para proceder ao pagamento do montante exigido pelo recorrente, e, mesmo uma sua devolução em prestações teria como consequência que o activo da requerente passasse a ser inferior ao seu passivo, uma vez que esta perdeu, desde o ano de 2020, a sua capacidade produtiva; 7 – Resultando, como tal, claro que, no que respeita ao preenchimento do requisito do periculum in mora, os factos invocados e dados como provados nos presentes autos inspiram o fundado receio de que, se a presente providência cautelar for recusada, se tornará depois impossível, no caso de o processo principal vir a ser julgado procedente, proceder à reintegração, no plano dos factos, da situação conforme à legalidade; 8 – Verifica-se, assim, que a decisão recorrida não padece de qualquer erro de julgamento relativamente aos fundamentos alegados pelo recorrente, pelo que improcedem as alegações e conclusões do recorrente Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, IP, devendo ser mantida a decisão que deferiu "a providência cautelar requerida, suspendendo a eficácia da decisão da entidade requerida que determinou que a requerente procedesse à devolução do montante de € 6506,66”; 9 – Não merece censura a douta decisão no que respeita à interpretação e aplicação das normas legais e processuais quanto ao requisito da ponderação de interesses, porquanto do invocado pela ora recorrida resulta evidente que os prejuízos decorrentes para o recorrente e resultantes do deferimento da presente providência cautelar não são superiores aos prejuízos concretos que poderão verificar-se relativamente à recorrida caso seja indeferida a presente providência cautelar; 10 – No que respeita aos presentes autos, não obstante estarem em causa montantes pagos pelo Estado, tal não significa que deverá ser implementada uma integral subserviência aos interesses económicos das entidades públicas, até porque, caso contrário, o estabelecido no artigo 120, n 2 do Código de Processo nos Tribunais Administrativos teria esgotado a sua razão de ser; 11 – O não decretamento da presente providencia cautelar resultará na verificação de consequências nefastas no que respeita à manutenção da ora recorrida no mercado, sendo muito provável a respectiva insolvência, enquanto que, no que respeita aos interesses do ora recorrente, é certo que o valor por esta prestado à ora recorrida sempre será ressarcido – na eventualidade de as atribuições serem declaradas indevidas – caso esta retome a sua actividade no mercado e não seja declarada insolvente.