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Esse mesmo princípio subjaz também aos casos, frequentemente apreciados pela Doutrina e Jurisprudência, em que esteja em causa um acidente que possa ser configurado como de viação e de trabalho, casos em que a Jurisprudência tem também entendido, de um modo que se pode ter como uniforme, que as consequentes indemnizações – "assentes em critérios distintos e cada uma delas com a sua funcionalidade própria – não são cumuláveis, mas antes complementares até ao ressarcimento total do prejuízo causado, pelo que não deverá tal concurso de responsabilidades conduzir a que o lesado/sinistrado possa acumular no seu património um duplo ressarcimento pelo mesmo dano concreto.”1 Na verdade, não obstante as diferenças existentes entre esses casos e a situação que se aprecia, desde logo quanto a quem deve considerar-se como assumindo a posição de responsável primacial – pois que, assumindo essa posição em caso de acidente de viação o responsável quer com fundamento na culpa, quer com base no, podendo sempre a entidade patronal ou respetiva seguradora repercutir aquilo que, a título de responsável objetivo pelo acidente laboral, tenha pago ao sinistrado2, no caso que se aprecia, noutros termos, a responsabilidade é, em primeira linha, da entidade patronal, enquanto responsável objetivo pelo acidente laboral, localizando-se apenas a responsabilidade do terceiro, por ato próprio gerador da sua responsabilidade, já posteriormente, no âmbito da relação inerente à transferência da responsabilidade da entidade patronal para a companhia seguradora –, ainda assim, quanto ao chamamento na ação enquanto responsável direta da entidade patronal pelo ressarcimento dos danos e como veremos infra, depois, do FAT, aqui, sendo afinal aquela atuação do terceiro que, ao obstar à transferência da responsabilidade para a seguradora, que lhe dá causa – não fosse esse ato e seria a seguradora, no âmbito da relação de seguro, que seria chamada ao ressarcimento dos danos na acção3 –, caso esse venha a ressarcir o sinistrado, no todo ou em parte, dos danos que emergiram do acidente, ainda que em ação diversa e não pois no processo de acidentes de, admitir a cumulação de ambas as indemnizações traduzir-se-ia, sem dúvidas, num caso de enriquecimento sem justa causa.