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depoimento da testemunha OP gravação do depoimento prestado na sessão de audiência de discussão e julgamento de 13 de março de 2019, trecho 00:20:10 -00:23:16); 18 Tudo visto e ponderado, não colhe o argumento do Tribunal a quo segundo o qual o facto de a Recorrente ser «reconhecida internacionalmente pelo sistema financeiro como entidade de risco» legitima a dúvida alegada pelo Recorrido para se escusar à execução das ordens de transferência; 18 Já no que concerne às «instruções do Banco de Portugal» referidas na sentença recorrida, há que dizer, antes de mais, que a Recorrente desconhece que instruções serão essas e o Tribunal a quo tão-pouco o esclarece, ficando por saber qual o seu objeto, destinatário, data de emissão, se têm ou não diretamente que ver com a Recorrente e/ou com o litígio dos autos; 18 Na alínea, o Tribunal a quo deu como provado que, em reunião mantida com a Recorrente, o «Requerido esclareceu» que «não estava a atuar ao abrigo ou em consequência de ordens ou instruções recebidas nesse sentido de qualquer autoridade, nacional ou internacional, com competência para o efeito», resultando assim manifesta a ambiguidade da sentença recorrida; 18 Isto porque se, por um lado, nela se dá como provado que o Recorrido esclareceu, em reunião, com a Recorrente que, ao decidir não processar as ordens de transferência, «não estava atuar ao abrigo ou em consequência de ordens ou instruções recebidas nesse sentido de qualquer autoridade, nacional ou internacional, com competência para o efeito», nela se consigna, por outro, na fundamentação de direito, que foram tidas em conta, na apreciação do bem fundado da dúvida que o Recorrido invocou em prol da atuação, «instruções da entidade portuguesa de supervisão, o Banco de Portugal»; 18 Arguida vai assim, neste ponto, a nulidade parcial da sentença recorrida, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 61, n. 1, alínea , 2 segunda parte; 18 O Tribunal a quo considerou que o Recorrido, no que se refere à não execução das trinta e nove ordens em causa nos autos, exerceu o dever de abstenção, previsto na LCBFT; 18 Contudo, não foram alegados nem provados os factos cuja verificação determina o exercício do dever de abstenção; 19 Nos termos do artigo 4, da LCBFT, o dever de abstenção é exercido quando as entidades obrigadas «saibam» ou «suspeitem» que as operações possam «estar associadas a fundos ou outros bens provenientes ou relacionados com a prática de atividades criminosas ou com o financiamento do terrorismo»; 19 Lida e relida a oposição ou do depoimento da testemunha FM, não se encontra a alegação de uma única suspeita de atividade criminosa ou financiamento do terrorismo associada com as operações que o Recorrido afirma ter-se abstido de executar; 19 Dos factos provados não consta uma só suspeita, por mais leve ou ténue que seja, de prática criminosa associada às ou alguma trinta e nove operações que o Recorrido decidiu não executar.