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28)	Através do estratagema aqui descrito e dado como provado, o arguido recebeu quantias que não lhe pertenciam que sabia não lhe pertencerem; 29)	Sabia o arguido que, com o seu comportamento, ao ter recebido o aludido montante se aproveitava ilícita e abusivamente do, facto de ser funcionário dos SMAS e dos direitos que a ADSE legalmente lhe concedeu, para à custa da qualidade de funcionário e daqueles direitos se enriquecer, com o consequente empobrecimento dos SMAS e do erário público; 30)	Conseguiu o arguido ter vantagens patrimoniais a que não tinha direito, enganando conscientemente os SMAS, a sua entidade patronal, que sempre cumprira as suas obrigações que sobre si impendiam no contexto do vínculo público que o ligava àquela; 31)	Com o seu comportamento o arguido contribuiu para envergonhar os SMAS e o Município P, porquanto a sita conduta foi idêntica à de muitos colegas, co-arguidos no presente processo; 32)	Aquando da denúncia criminal, e da dedução da acusação em processo-crime, em Outubro de 2008, tais factos vieram amplamente noticiados na comunicação social, aparecendo os SMAS e a edilidade no papel de entes enganados anos a fio por dezenas e dezenas de funcionários e pessoas terceiras, o que em muito manchou em especial a imagem dos SMAS que se viu "nas bocas" do mundo pelos piores motivos; 33)	E com grave ameaça do bom-nome dos funcionários não envolvidos no esquema em causa nos autos; 34)	O vergonhoso esquema subjacente aos autos levou a que a comunidade tomasse naturalmente a "parte pelo todo", no que concerne á seriedade dos trabalhadores dos SMAS, que entre 2001 e 2005 rondavam os 600 funcionários; 35)	Com o comportamento do arguido, os trabalhadores dos ex-SMAS, não arguidos, ficaram envergonhados e consternados pela sua ligação àquela entidade, situação agravada quando começaram a ser publicadas notícias do caso na comunicação social; 36)	O arguido praticou os factos aqui descritos e dados como provados sempre voluntária, deliberada e conscientemente, bem sabendo que a sua conduta era proibida e punida por lei: 37)	O arguido tem instrução, formação e experiência profissional mais do que bastantes para configurar e representar tudo o que fez, bem como o esquema de que foi peça integrante, o qual abrangeu, quase sem excepção, quadros administrativos, superiores e/ou funções de responsabilidade da AdP, antes SMAS; 38)	O próprio ambiente de trabalho dos SMAS foi gravemente comprometido, pois que os trabalhadores com menor categoria profissional ficaram com a inaceitável sensação que os serviços administrativos e alguns dos seus dirigentes estavam envolvidos em actos ilícitos; 39)	Com o comportamento ora descrito e dado como provado, o arguido, como funcionário, faltou ao respeito aos SMAS, ao serviço público, ao Município e aos colegas, sendo desleal para com os mesmos, atentando contra os deveres funcionais, que lhe são exigidos como trabalhador da administração pública; 40)	O arguido sabia que estava ao serviço público e com o seu comportamento prestou-lhe um péssimo serviço, degradando a confiança do público - que ao invés deveria sempre salvaguardar e promover, ofendendo e violando, desse modo, a imparcialidade, a legalidade e a transparência da administração publica e, consequentemente, o bom andamento da administração dos ex-SMAS e do Município P... e os fins de ordem pública que este devia e deve satisfazer; 62 Tipificação da Infracção disciplinar e eventuais Circunstâncias Agravantes e Atenuantes Os factos descritos constituem a prática, pelo arguido, de uma infracção disciplinar, pois violou alguns dos deveres gerais inerentes à função que exercia e exerce artigo , n 1 do E.).