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-No que respeita ao abandono dos bens, resultou provado que a Recorrida, de forma voluntária, desfez-se de coisas de que era proprietária, perdendo a sua posse, desde logo, por força da perda de controlo material sobre as coisas, e ainda, em acréscimo, por não ter atuado como se estas lhe pertencessem por mais de nove meses, quebrando, assim, o nexo de pertença que tinha com as suas coisas, -Decidindo como decidiu, violou o Tribunal a quo os mais consensuais entendimentos doutrinários e jurisprudenciais acerca da verificação de uma situação de abandono, bem como o disposto nos artigos 34, n. 1, 131, alínea e 131, todos do  nn.-Laborou de novo em erro o Tribunal a quo no segmento decisório em que considerou que nos encontramos perante um contrato depósito, na medida em que não resultou provado que tivesse sido celebrado um contrato de depósito entre a Recorrida e a Recorrente - nem uma vontade dirigida à respetiva celebração -, o que impunha o afastamento liminar da presunção legal acerca do caráter gratuito da guarda dos bens.