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O venire vai contudo mais longe: ele coloca a hipótese de, independentemente de ter sido accionada qualquer previsão normativa comum, de tipo contratual, o agente ficar adstrito a não contradizer o que primeiro fez e disse”  No plano jurisprudencial, igualmente se tem afirmado repetidamente a necessidade de tutelar, por via da figura do abuso de direito genericamente prevista no artigo 334 do Código Civil, a confiança gerada na conservação de determinada situação jurídica, perfeitamente consolidada pela reiterada conduta de quem a aceitou pacificamente, ao longo de anos a fio, para um dia, contra todas as expectativas, contradizer frontal e totalmente essa sua postura e colocar em crise aquele realidade que o tempo e a boa fé dos intervenientes tinha por perfeitamente adquirida e imodificável  Por todos estes motivos, o exercício de arguição desta anulabilidade ofende manifestamente os limites impostos pela boa fé, pelos bons costumes ou pelo fim social ou económico desse direito, preenchendo inteiramente a previsão do artigo 334 do Código Civil  Existe, portanto, na situação sub judice, um caso de inalegabilidade do vício do negócio que impede o Réu  de obter a declaração da sua invalidade.