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Inconformado, o arguido recorreu directamente para este Supremo Tribunal de Justiça, cuja motivação rematou com as seguintes conclusões: "a) O presente recurso vem interposto do acórdão proferido no âmbito deste processo, onde se condenou o ora Recorrente pela prática de 38 crimes, na pena 123 anos e 9 meses de prisão, na pena única de 11 anos de prisão, através de cúmulo jurídico;  b) Mais foi o mesmo condenado nas penas acessórias de 15 anos de proibição de exercer profissão, emprego, funções ou actividades, públicas ou privadas, cujo exercício envolva contacto regular com menores e de assumir a confiança de menor, em especial a adopção, tutela, curatela, acolhimento familiar, apadrinhamento , entrega, guarda ou confiança de menores, e quanto a estas penas acessórias o Recorrente nada tem a apontar, aceitando as mesmas sem qualquer contestação; ) Porém, quanto à medida concreta da pena de prisão que lhe foi aplicada pelo Tribunal ora Recorrido não pode aquele aceitar a forma como a mesma foi fixada, considerando ter ocorrido erro na aplicação do Direito; ) Porquanto, limitou-se o Tribunal recorrido a elencar uma série de factos, sem em concreto, fazer qualquer exame crítico, passando daí à fixação da pena, não existindo a devida ponderação, nem qualquer juízo lógico que nos explicasse de que forma tais factos contribuíram para a fixação de tal pena única concreta; e) Não foi feita a devida ponderação quanto às exigências de prevenção geral e especial, pelo que, consideramos que o acórdão é nulo, por falta de fundamentação, relativamente à pena única aplicada ao Arguido, nos termos dos artigos 37, n. 1, alínea e 37, n. 2, do Código de Processo Penal; f) Errou o Tribunal na aplicação do direito, isto porque, para a determinação da pena única, deveria atender não apenas aos critérios referidos no artigo 7 do Código Penal, mas também aos previstos no artigo 7; g) Ou seja, a pena deverá ser fixada tendo em consideração o conjunto dos factos, a personalidade e comportamento do Arguido, mas também em função da culpa e da prevenção e analisando o acórdão de que ora se recorre, verificasse que não existiu a devida análise das necessidades de prevenção geral e especial, nem tão pouco da finalidade de ressocialização; h) Mais resulta claro que o tribunal recorrido errou na apreciação dos critérios previstos no artigo 7, porquanto, atendendo à ausência de outros crimes que os apreciados no processo, deveriam ter concluído que o Arguido não tem uma tendência ou personalidade criminosa; ) Assim, a pena única deveria ter sido fixada nos cinco anos, possibilitando a suspensão da sua execução, o que no nosso modesto entendimento deveria ter ocorrido; j) Pelo que, a escolha da medida da pena e a sua execução efectiva, são a nosso ver manifestamente exageradas e desadequadas; k) Veja-se que o Arguido desde o primeiro interrogatório que assumiu os factos por si praticados, onde foi aplicada a medida e coacção de prisão preventiva, estando no âmbito desta medida preso desde Maio de 2019; ) O Arguido, durante o período em que está em prisão preventiva tem e sempre teve um comportamento exemplar; ) O Arguido confessou integralmente e sem reservas todos os factos constantes da acusação em audiência de julgamento e como referido no Douto Acórdão recorrido, foi determinante a confissão dos factos feita pelo Arguido, desde o início do julgamento; n) O Arguido mostrou-se arrependido e envergonhado e sabe que os factos por si praticados foram muito graves e reconhece que deve ser punido pelos mesmos, não utilizando qualquer desculpa para a sua conduta; o) O Arguido não tem quaisquer antecedentes criminais e o menor vitima neste está afastado dos contactos do mesmo; p) O Arguido está integrado socialmente e familiarmente sem carências económicas que possam levar à sua marginalização, é uma pessoa de vida dentro de um padrão social; q) Enfim, o Arguido demonstrou autocritica com a mencionada confissão e até vergonha, uma interiorização que, conforme consta do Douto Acórdão recorrido: "... que nos deixa acreditar numa interiorização valorativa para que se mostra agora sensibilizado”; r) O Arguido reconhece a necessidade de ser ajudado, o que aliás solicita e quer pautar o resto da sua vida de acordo com as regras do Direito; s) Pelo que, se salienta que o acórdão não concretiza os fundamentos do artigo 7 Código Penal, sendo por isso nulo conforme se alegou para além de omisso quanto às necessidades de prevenção geral e especial também o é quanto à reintegração social; t) A determinação da medida da pena assenta na culpa do agente e nas exigências de prevenção.