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1 A respeito duma situação idêntica à dos presentes autos, considerou-se que a solução demanda que se entrelacem normas específicas do regime da intervenção de terceiros, do contrato de seguro e da boa fé contratual, analisadas à luz do direito fundamental à protecção da vida familiar e à salvaguarda da habitação, sendo que nalguns arestos do STJ já se defendeu que «a realidade sócio-económica e psicológica associada aos contratos de seguro do ramo vida e o contexto em que são celebrados, quando ligados a um contrato de mútuo para habitação - bem essencial para a vida dos segurados - contribui, quer para reduzir a atenção do segurado sobre o conteúdo do contrato de seguro, visto como elemento meramente acessório em relação ao empréstimo, quer para a seguradora se aproveitar desta situação, inserindo cláusulas contratuais gerais prejudiciais aos interesses do segurado ou omitindo algumas das causas de exclusão de cobertura»18, e bem assim que o interesse dos aderentes que decorre naturalmente da ligação funcional entre o contrato de empréstimo, o contrato de seguro e o acto de adesão a este último, reclama o amparo dos mais elementares princípios da boa fé, sob pena de a adesão ao contrato de seguro que o banco mutuante exige ao seu devedor, com o inerente encargo de suportar o custo do respectivo prémio, não passar de «simples artifício destinado a obter mais uma prestação a favor da seguradora, muitas vezes ligada ao grupo de que o banco faz parte».19 E a actuação que vemos analisada em diversos arestos dos tribunais superiores leva a concluir que, por vezes, são causados sacrifícios aos mutuários de valor superior àquele que resulta do benefício da prestação ser cumprida através do recurso ao património da empresa integrada no mesmo grupo económico, dado o prejuízo normalmente infligido à família, elemento fundamental da sociedade cf., g., o art.