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A apreciação da questão suscitada na apelação impõe se atenda à tramitação processual seguinte: - na sequência da declaração de insolvência de BB – Sociedade de Construções, S.A., o credor reclamou um crédito no montante de € 125 000, correspondente à devolução em dobro do sinal prestado no âmbito de contrato-promessa de compra e venda celebrado no dia 17-02-2003 com a ora insolvente, relativo à aquisição de fração autónoma de um edifício em construção, acrescentando que lhe assiste o direito à resolução do contrato, por incumprimento imputável à promitente-vendedora, sendo certo que não invocou a existência de qualquer garantia, designadamente o direito de retenção sobre a fração autónoma prometida vender; - o Sr. Administrador da Insolvência apresentou relação de créditos reconhecidos e não reconhecidos, fazendo constar da lista de créditos reconhecidos o crédito reclamado pelo aludido credor, no montante de € 125 000, o qual classificou como crédito comum; - posteriormente, através de requerimento apresentado em 24-08-2009, o credor apelado, alegando que a fração autónoma prometida vender lhe foi entregue em agosto de 2005, bem como que entretanto a mobilou e celebrou contratos de fornecimento de eletricidade, gás e água, invoca que o seu crédito goza de direito de retenção sobre a fração autónoma prometida vender, peticionando seja tal direito de retenção considerado na graduação de créditos; - notificada do aludido requerimento, a credora Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de , R.pronunciou-se no sentido do indeferimento do reconhecimento do direito de retenção aí invocado, sustentando que tal direito só pode ser invocado no requerimento de reclamação de créditos, cujo prazo havia já decorrido; posteriormente, em sede de tentativa de conciliação, esta credora concordou em que tal requerimento fosse considerado como impugnação da lista de credores reconhecidos; - a sentença recorrida, classificando o requerimento apresentado como impugnação da lista de credores, atendeu à invocação do direito de retenção através do requerimento apresentado em 24-08-2009, apreciou a existência de tal direito e classificou o crédito de como privilegiado por via da garantia adveniente do direito de retenção de que beneficia.