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gravações no sistema de gravação digital Habilus media dos depoimentos prestado na audiência final de dia 14 de janeiro de 2021, sessão única,  gravação, ficheiro áudio "20210114104727_5831184_2870529”, trechos 00:21:50-00:25:18, e 1 gravação, ficheiro áudio "20210114120734_5831184_2870529”, trechos 00:21:41-00:33:15); 11 Em face do exposto, conclui-se que a Recorrente alegou e logrou provar tanto quanto o Tribunal a quo lho matéria idónea a infirmar a verificação dos requisitos de que depende o decretamento do presente procedimento: por um lado, a alegação e prova de indícios razoáveis da existência do crédito invocado; por outro lado, a demonstração da existência de real risco de frustração, ou dificuldade considerável, na posterior execução desse crédito; 11 Da Recorrida dir-se-á, pelo contrário, que não alegou e muito menos factos integradores do perigo de não cobrança do crédito que, na sua tese, a determinaram recorrer ao procedimento dos autos; 11 Em relação ao outro dos fundamentos da decisão europeia de arresto, relacionado com a aparência do crédito, haverá que reconhecer que tão pouco resultou indiciariamente demonstrado, tendo a Recorrente logrado infirmar que seja devedora de qualquer montante à Recorrida;  Da decisão de direito 11 A respeito do primeiro pressuposto da fundamentação de direito, dir-se-á que, tal como sobejamente referido e demonstrado na presente apelação, a Recorrente não fez qualquer "encomenda” à Recorrida;  11 Por sua vez, no que tange à alegada «mora na liquidação do respectivo preço», afigura-se evidente que a Recorrente não pode ser considerada devedora – e muito menos devedora constituída em mora – relativamente a EUR 57486,00 de máscaras defeituosas, cuja distribuição no mercado farmacêutico francês lhe acarretou tão graves prejuízos patrimoniais e não; 11 Por conseguinte, ainda que pudesse reconhecer-se a existência de contrato de fornecimento entre a Recorrente e a Recorrida – o que, sem conceder, só por cautela de patrocínio se concebe –, o certo é que se estaria, no caso vertente, perante cumprimento defeituoso da obrigação vista no seu, circunstância que habilitaria a Recorrente não apenas a recusar o pagamento das máscaras entregues artigo 42 do Código, como também a operar, de imediato, a resolução do vínculo contratual artigo 80, n. 2 do, com o consequente cancelamento de encomendas futuras; 11 Tão pouco pode a Recorrente, qualquer que seja o caso, vir a ser chamada a liquidar o preço de máscaras que podendo ser também foram, como se viu, fabricadas ao arrepio das suas instruções, transmitidas após ter sido confrontada com a resolução do contrato-quadro celebrado com a P. Répartition; 12 Tendo a Recorrida fabricado, culposamente, EUR 57486,00 de máscaras defeituosas, facto que acarretou avultadíssimos prejuízos à Recorrente desde logo, perdas financeiras na ordem dos EUR 200000,00), tendo, como se isso não bastasse, ignorado a par com o W as instruções da Recorrente para a suspensão do corte de tecidos e a interrupção da produção, inutilizando assim largas quantidades de tecido e emitindo, depois, faturas no valor de EUR 94420,00, e tendo, ainda, incumprido repetidamente prazos de entrega, a conclusão que se impunha adotar era precisamente a contrária, ou seja, que a Recorrente nada deve à Recorrida; 12 Alcançada essa conclusão, a única possível, impunha-se ainda, por sua vez, concluir pela falta do primeiro requisito de que depende o arresto europeu de contas, a saber, a elevada probabilidade de o requerente in casu, a vir a obter ganho de causa no processo declarativo artigo , n. 2 do Regulamento n. 655/2014);  12 Já no tocante ao segundo requisito de que depende a decisão de arresto, não é menor – bem pelo contrário – o desnorte do Tribunal a quo: 12 Afirmar que, relativamente à saúde financeira da Recorrente, «nenhum facto foi alegado, nem produzida prova», só pode resultar de miopia ou desatenção: a Recorrente detém um importante conjunto de ativos edifícios, terras e equipamento, destacando-se, nesse património, uma enorme fábrica a 150 km da capital francesa; a Recorrente é líder de mercado na sua área, fornecendo marcas como a ..., a ... ou a ..., bem como insígnias da grande distribuição como a ...; a Recorrente emprega duzentos trabalhadores; 12 Demonstrado ficou outrossim, como não deixa de reconhecer Tribunal a quo, que a Recorrente conta com «ampla experiência e reputação consolidada no sector dos têxteis técnicos especiais, sendo detida a 100% pela sociedade anónima de direito francês denominada K, integrada no Grupo , cotado na Bolsa de Valores de Paris, com reputação de solidez e destacada actividade internacional nos sectores da protecção temporária de superfícies, entretela para vestuário, têxteis técnicos e lã penteada de luxo»; 12 Ao desconsiderar por completo a factualidade referida, o Tribunal a quo fez aplicar um padrão ou nível de prova incompatível com a natureza deste procedimento, em que, por estar em causa forma de tutela célere e urgente, a prova exigida é meramente perfunctória ou indiciária; 12 Além de ter decidido ignorar a prova carreada, resolveu Tribunal a quo entregar-se a exercícios especulativos sobre a atividade da Recorrente, indo a ponto de sugerir que esta se dedicou ao fabrico de máscaras sanitárias em virtude de «reflexos negativos no negócio do sector do têxtil para vestuário»; 12 Assim não foi, como o atesta o facto de ter sido em março de 2020, momento em que a atual pandemia estava ainda longe de ter produzido quaisquer «reflexos negativos no negócio do sector do têxtil para vestuário», que a Recorrente e o Grupo tomaram a decisão conjunta de apostar na produção de máscaras de proteção; 12 Acresce que não só a Recorrente não abdicou do seu tradicional segmento de negócio, como tem vindo a lidar bem com os «reflexos negativos» da crise pandémica, não enfrentando nesta data, conforme as testemunhas amplamente confirmaram, qualquer dificuldade financeira; 12 Por tudo isto, não podia nunca o Tribunal a quo ter concluído pela existência de «razões para reputar a execução subsequente do crédito do credor contra o devedor consideravelmente dificultada em caso de levantamento do arresto concretizado»; 13 Decidindo nestes termos, o Tribunal a quo violou flagrantemente o artigo , n. 1 e n. 2 do Regulamento n. 655/2014, impondo-se, por consequência, que a sentença recorrida seja revogada e substituída por outra que, fazendo aplicação correta do sobredito preceito, determine a revogação do arresto dos autos.