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alínea dos Factos Não; 2 Fazendo apelo às regras da experiência comum, da prudência e do bom senso, é razoável que os pais que confiem a um piloto experiente e avisado a realização de um batismo de voo com o seu filho, assumam que piloto lhe vai explicar todos os procedimentos de segurança que entenda necessários e convenientes adotar no interior da aeronave; 2 Pelo contrário, não é razoável defender-se que, nessas circunstâncias, sejam os pais a acompanhar o filho à entrada da aeronave e a realizar qualquer tipo de explicações técnicas e de segurança relativas ao voo, tendo presente as especificidades e a perigosidade daquela atividade, e, como sucedeu no caso dos autos, quando nenhuma experiência ou conhecimentos relevantes têm sobre a dita atividade; 2 Sem prejuízo, conforme decorre da matéria vertida no ponto 11 dos Factos Provados, o Recorrido colocou "de imediato” a aeronave em funcionamento, pelo que, em rigor, o Recorrente AA nem sequer teve tempo para dar quaisquer indicações ou prestar quaisquer informações à filha menor; 2 Tendo presente o exposto, é inequívoco que os Recorrentes ilidiram a presunção de culpa in vigilando ínsita no artigo 49 do Código Civil, sendo que, de acordo com o entendimento expendido no douto Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 7 de julho de 2016, disponível em www.dgsi.pt, "não está vedado legalmente ao Supremo verificar se o uso de presunções judiciais pelo Tribunal da Relação ofende qualquer norma legal, se padece de alguma ilogicidade ou se parte de factos não provados”; 2 Ainda que o Recorrente AA tivesse explicado à menor que a manche se tratava do comando de voo e de que não poderia mexer-lhe, conforme defende o Tribunal da Relação de Évora para sustentar a sua decisão, é razoável concluir que os danos ter-se-iam produzido de qualquer modo, porquanto, conforme expressamente reconhece o douto Acórdão recorrido, citando a motivação da sentença proferida em Primeira Instância, "desconhecendo-se o motivo que levou a menor a puxar a manche para si de forma abrupta e violenta, não é possível asseverar que, caso lhe tivesse sido detalhadamente explicada a sua função, não lhe teria mexido” sublinhado; 2 O entendimento do Tribunal da Relação de Évora referido no ponto anterior está em contradição com a matéria vertida na alínea dos Factos Não Provados, porquanto, se, por um lado, entende que não resultou provado que, "caso o R. tivesse informado a A. que a manche era o comando de voo e que em hipótese alguma lhe poderia mexer, esta teria cumprido a instrução que lhe tivesse sido dada”, por outro, considera que, se os pais tivessem cumprido o seu dever de vigilância, informando a menor que a manche se tratava do comando de voo e que não poderia mexer-lhe, ter-se-ia evitado o acidente; 2 É inaceitável o entendimento do Tribunal a quo segundo o qual, para demonstrar que os danos se teriam produzido mesmo que tivessem cumprido o dever de vigilância, os Recorrentes teriam que ter alegado e demonstrado que deram indicações à menor para não mexer na manche da aeronave, porquanto, ao ter aditado ao ponto 10 dos Factos Provados que o Recorrido advertiu a menor "de que não devia mexer em nada”, a Relação de Évora expressamente reconheceu que a menor incumpriu a indicação que lhe foi dada pelo Recorrido, puxando para si a manche, conforme resulta do ponto 14 dos Factos Provados; 2 Atento o estatuído no n. 2 do artigo 60 do CPC, apenas é possível lançar mão do incidente da liquidação em execução de sentença quando, no decurso do processo, não for possível quantificar o valor dos danos, em virtude da inexistência de elementos para determinar o seu quantum, quer por não serem conhecidos, quer por estarem ainda em evolução, o que manifestamente não acontece no caso em apreço; 3 Conforme explica o Supremo Tribunal de Justiça, em douto Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 13 de janeiro de 2000, "a remissão para execução de sentença é legítima e deve ocorrer, quando não haja elementos para fixar o objeto ou a quantidade do pedido.