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2) Não está provado nos autos que o preço pago pelos Recorrentes ao Vendedor tivesse sido de Euros: 85000,00, que o imóvel tivesse um valor sequer de Euros: 85000,00,, que ocorreram outras transações no mesmo prédio por aquele valor ou com aquele preço por metro quadrado, que o prédio estivesse à venda, em momento contemporâneo ao negócio, por aquele preço de Euros: 85000,00, pelo que dos factos provados nada permite concluir pelo valor de Euros: 85000,00 como tendo sido o valor real da compra e venda; 3) Tendo sido provado que "no dia a seguir à escritura, os Recorrentes pagaram-lhe, por transferência bancária, a quantia de Euros: 10000,00 – facto provado n. 9, alínea;” então, a contrario, está feita a prova de que o valor dos empréstimos concedidos Euros: 90000,00) não foi utilizado, pelo menos na totalidade, para pagar o preço da casa, pelo que, desde logo por aí, se impunha uma decisão diferente da proferida; 4) Conforme decorre da conclusão anterior, a matemática impõe uma decisão diferente, pois se aos Euros: 90000,00 dos empréstimos, subtrairmos a quantia de Euros: 10000,00 facto provado n. 9, alínea, mais o valor que foi pago com IMT Euros: 3000,00) e Imposto de Selo, decerto que temos um resultado muito inferior a Euros: 85000,00 valor pelo qual o Tribunal recorrido e a AT dizem que foi o valor da transação; 5) O Tribunal recorrido não fundamentou a sua decisão de considerar que estamos perante correções meramente aritméticas e não perante a utilização de métodos indirectos, pelo que ocorreu a nulidade por violação do dever de fundamentação; 6) O Tribunal incorreu num juízo arbitrário, aliás, totalmente insindicável na apreciação da prova, que não se circunscreveu à matéria dada por provada, antes optando por introduzir no processo realidades mentais pré-estabelecidas, que dele não resultam, ao ponto de ele próprio reconhecer que "é certo que a afirmação de que o imóvel se situa numa das "zonas mais nobres do .., frente ao .”, sendo um "empreendimento com acabamentos de luxo” e, nesse pressuposto, o custo de mercado ser superior ao declarado, é meramente conclusiva e não se mostra suportada, como devia, em qualquer elemento concreto, nomeadamente em qualquer análise comparativa com outros imóveis da mesma natureza, tipologia e localização, e que a AT deveria ter efectuado.” 7) Em caso de determinação da matéria tributável por métodos indirectos, como é o presente caso, compete à Administração Tributária o ónus da prova dos pressupostos da sua aplicação artigo 7, n. 3, da, que deveria provar o facto gerador da obrigação de imposto e, in casu, não se demonstrou sequer que a casa tivesse sido vendida por Euros: 85000,00, nem que o segundo empréstimo tivesse sido usado para pagar o imóvel – muito pelo contrário, até ocorreu um pagamento de Euros: 10000,00 no dia a seguir à escritura, pelo que da prova produzida sempre resultaria uma dúvida fundada sobre a existência e quantificação do facto tributário, pelo que o acto deveria ter sido anulado; 8) Ainda que assim não se entendesse, a verdade é que, da mera leitura dos factos dados como provados, os Recorrentes sempre lograram ilidir a presunção que contra eles foi estabelecida, pois ao conseguirem provar que, pelo menos, a quantia de Euros: 10000,00 foi transferida para o pai do Recorrente tal "bate certo” com a sua versão dos factos e infirma totalmente a tese da Autoridade Tributária segundo a qual o segundo empréstimo teve como destino pagar o preço da casa, pelo que a questão é apenas matemática.