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198 v e segs.Nas suas alegações, a apelante Maria formulou as seguintes conclusões:   O presente recurso é admissível por força do disposto no artigo 644, n 2, alínea do Código de Processo Civil. . O pedido de prestação de contas formulado pela autora abrangia a administração das contas bancárias do interdito após o decretamento da interdição e também no período anterior a esse momento, justificando a autora tal circunstância com o facto de já haver antes da interdição uma efetiva administração de bens alheios e, consequentemente, uma obrigação de prestar contas. . Na sentença proferida em 28/11/2016, transitada em julgado, o Tribunal a quo considerou justificado o pedido de prestação de contas formulado pela autora e julgou procedente a ação, determinando que a ré prestasse à autora contas acerca da administração das contas bancárias tituladas ou co tituladas pelo interdito. . O Tribunal a quo não fez qualquer ressalva quanto à administração das contas bancárias relativa ao período anterior ao decretamento da interdição. . Resulta da sentença proferida nestes autos que a ré ficou obrigada a juntar aos autos o extrato bancário completo das contas bancárias do interdito, desde a sua abertura. . Face ao disposto no artigo 619, n 1 do Código de Processo Civil, tal sentença, transitada em julgado, fica a ter força obrigatória dentro e fora do processo, ficando esgotado o poder jurisdicional do Tribunal quanto às questões sobre as quais se pronunciou. . Ao vir agora dizer que a requisição dos extratos bancários da conta do interdito referentes ao período anterior ao decretamento da interdição extravasa o âmbito dos presentes autos, o Tribunal a quo está a restringir o âmbito da decisão constante da sentença proferida neste processo, ofendendo assim o caso julgado. . O despacho recorrido viola o disposto no artigo 619, n 1 do Código de Processo Civil. . A obrigação de prestar contas é uma obrigação de informação que pode resultar da lei, de negócio jurídico ou até do princípio geral da boa-fé. . Todo aquele que trata, gere ou administra bens alheios, seja qual for a fonte que lhe dê origem, tem a obrigação de prestar contas, não sendo necessária a existência de um comando legal ou de uma relação contratual. . Estando assente que o interdito esteve sempre incapaz de reger a sua pessoa e os seus bens desde janeiro de 2000, é de concluir que foi a ré, e eventualmente o seu irmão , quem administrou a conta bancária daquele desde que a mesma foi aberta. . Tendo havido uma administração da conta bancária do interdito por parte da ré desde novembro de 2007, está a mesma obrigada a prestar contas dessa administração, independentemente de não existir na sua base qualquer lei ou negócio jurídico. . É do interesse do incapaz que haja informação sobre a gestão da sua conta bancária e que se apure toda a verdade sobre a administração da mesma no período em que, sendo já incapaz, ainda não havia sido declarado interdito. . O interdito não pode ser prejudicado pelo facto de a sua interdição não ter sido logo decretada em janeiro de 2000, circunstância à qual é alheio, não sendo aceitável que a administração do seu património não possa ser objeto de qualquer escrutínio. .