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Estribou a Meritíssima Juiz A Quo, à revelia das boas práticas, e bem assim da lei, a sua convicção em depoimentos escritos tomados pelos Instrutores do Banco de Portugal, em sede de procedimento administrativo;  Não levou em consideração o interesse das testemunhas em causa;  A Meritíssima Juiz A Quo ignorou de forma inadmissível a natureza bem assim como o teor de documentos autênticos – as escrituras públicas de compra e venda – que não foram postas em causa por nenhuma das testemunhas em causa;  Ignorou que as testemunhas em apreço assinaram – os contratos promessa de compra e venda – sendo que da generalidade dos mesmos constam as respectivas assinaturas reconhecidas notarialmente;  Ignorou o facto de os contratos de arrendamento e de promessa de compra e venda terem sido assinados vários meses, por vezes anos, após a celebração das escrituras públicas;  Ignorou o facto de durante vários anos TODOS os arrendatário/testemunhas terem recebido dos arguidos os competentes recibos de renda – comprovativo dos montantes que a esse título entregaram aos arguidos – que não devolveram, por nenhuma forma reclamaram; 1 A Merítíssima Juiz A Quo estriba toda a construção mental que a levou a dar como provada a matéria de facto referida no estado de fragilidade financeira e de necessidade económica dos vendedores; 1 A Meritíssima Juiz A Quo ignorou que em cerca de 15 anos, nunca algum dos vendedores recorreram ao Tribunal para anularem os contratos em causa; 1 Atribuindo tal situação ao facto de em caso de anulação do contrato, todas as partes terem que devolver o que o outro prestou obrigaria os vendedores a devolver os montantes que haviam recebido dos arguidos, os impediam de o ter feito; 1 Não pode a Meritíssima Juiz A Quo desconhecer que vigora em Portugal um Sistema de Apoio Judiciário que se destina a garantir aos cidadãos, nomeadamente os que tenham evidentes dificuldades económicas, a recorrer à justiça e aos tribunais; 1 Ignorando que nessa eventualidade, os arguidos além de se verem obrigados a entregar os imóveis que por força dos ditos contratos vieram à sua titularidade, teriam também que devolver os montantes que teriam recebido dos vendedores aqui testemunhas a título das rendas ou do que quer que fosse; 1 Usando um argumento falacioso e enganador, de forma premeditada para justificar uma omissão extremamente relevante para a formação da convicção, desvalorizando a posição assumida pelos arguidos desde a primeira hora, e demonstrada à saciedade pelos documentos juntos; 1 Não considerou, e deveria tê-lo feito, que as testemunhas cujos depoimentos fundamentam toda a tese e motivaram a sua convicção depois de terem celebrado, nas circunstâncias que celebraram as escrituras públicas de compra e venda, vários meses, e mesmo anos depois, tenham assinado os contratos de arrendamento, e os contratos promessa de compra e venda juntos aos autos, apesar de considerarem que os negócios que haviam celebrado mais não eram que empréstimos /financiamentos /concessão de crédito; 1 Não é compreensível que, considerando que não haviam efectivamente vendido os seus imóveis, e decorridos que eram já vários meses e meses anos após tal facto, ainda se vinculassem em contratos de arrendamento e em contratos promessa de compra e venda; 1 Não refere a Meritíssima Juiz A Quo, porque razão, se tais contratos configuravam verdadeiros contratos de financiamento, garantidos pela "venda da casa” dos vendedores, e se estes já haviam pago os ditos montantes mutuados, nenhum deles remeteu aos arguidos qualquer missiva no sentido de se proceder à transmissão da casa de volta ao seu património; 1 A prova produzida deve ser devidamente e escrupulosamente analisada pelo julgador, devendo este na formação da sua convicção levar em linha de conta toda a prova produzida, e bem assim a respectiva natureza; 2 Não podia a Meritíssima Juiz A Quo motivar e fundamentar a matéria de facto dada como provada unicamente com os depoimentos verbais recolhidos em sede de procedimento administrativo; 2 Ignorando de forma ostensiva e despropositada a natureza e o teor de todo o conjunto de documentos – vários deles autênticos, outros autenticados, com assinaturas devidamente reconhecidas – juntos aos autos; 2 A Meritíssima Juiz A Quo não deveria ter dado como provada, a matéria de facto dada como provada nos arts.