Legal Document Excerpt:

Assim: - 40 minutos de encarceramento; - assistência no local pelo VMER e transporte para o hospital S. Teotónio de Viseu; - entrada nas urgências, consciente com discurso confuso, hemodinâmicamente estável e muito queixoso com dor torácica e dos membros inferiores, particularmente do pé esquerdo; - lesões sofridas: fractura bimaleolar da tíbia tipo com luxação tibioastragaliana fractura-luxação do tornozelo e fractura do cubóide esquerdo e do perónio, lesões que lhe causaram dores sensíveis, objecto de redução da luxação e imobilização com tala gessada e interna em ortopedia A, internado em ortopedia e operado de urgência ao pé esquerdo para redução e osteosintese do perónio com placa e parafusos e fixação do maléolo interno com parafusos com anilhas, realização de RX do tórax, cervical, dorsal, lombar, bacia e à perna e tornozelo esquerdos; - após operação complicações/dificuldades ventilatórias, com insuficiência respiratória global e acidose, motivam transferência para a Unidade de Cuidados Intensivos, no dia 16/01/2008, ficando algaliado, medicado, entubado orotraquelmente e conectado a prótese ventilatória sob sedação com Propofol e vários bólus de relaxamento muscular, apresentando tórax assimétrico com hematoma na parede anterior esquerda, sem crepitação ou enfisema, sendo que no TAC torácico foi-lhe detectada colapso passivo dos lobos inferiores dos dois pulmões, pequeno hemopericárdio e pequena zona de enfisema no mediastino; - permanência naquele serviço, entubado, mantendo-se ventilado mecanicamente até 23/01/2008, com estado febril nos primeiros dias; - transferência para o Serviço de Ortopedia em 26/01/2008, submetido a um TAC ao pé esquerdo, em 30/01/2008, que constatou uma fractura multi esquirolosa do cubóide, fractura das primeiras e segunda cunhas e do segundo metatársico, sem fractura do astrágalo, além da rotura do grande peitoral esquerdo e compressão do nervo cubital direito; - perda de dois dentes e outros a abanar ao ser entubado; - redução de OST com 2 parafusos e redução e OST com placa 1/3, pensos nos dias 28 e 31 de Janeiro, 4 e 11 de Fevereiro de 2008 e dores; - alta hospitalar em 19/02/2008, orientado para consulta externa de ortopedia, onde também fez curativos até passar a ser tratado pelas clínicas da seguradora aqui Ré; - tratamento ambulatório, primeiro no hospital de Viseu, depois em fisioterapia, deslocando-se com o auxílio de muletas, tendo frequentado pelo menos oito consultas externas dias 22/02/2008, 26/02/2008, 29/02/2008, 04/03/2008, 07/03/2008, 11/03/2008, 13/03/2008 e 18/03/2008) no Hospital S. Teotónio de Viseu; - entre 24/03/2008 e 01/10/2008, efectuou pelo menos 124 sessões de fisioterapia na Clínica Sr. da Beira, em Viseu; - a partir de 4/11/2008, passou a ser seguido e observado pela Clinica da Ribeira, em Viseu, na qual, até 29/07/2009, fez, pelo menos, 30 sessões de fisioterapia; - deslocação a pelo menos 13 consultas de ortopedia e 19 2 vezes por mudanças de penso nessa referida Clínica da Ribeira; - pelo menos 6 consultas pela seguradora Ré na Planicare– Gestão de Redes e Cuidados de Saúde, S.A., no Porto, desde Agosto de 2009, até à alta dada pelos serviços clínicos da Ré; - 19/06/2008: realização de RX ao Tórax, à perna e pé esquerdo e uma ecografia ao músculo peitoral esquerdo; - 30/09/2008: fez ecografia e RX ao tornozelo esquerdo; - 4/11/2008: sinais de não consolidação do maléolo interno esquerdo, já com afastamento dos topos ósseos e desvio axial; - 10/03/2009: reoperação ao tornozelo esquerdo, com internamente desde esse dia até 11/03/2009, com cirurgia de difícil cicatrização, mantendo pseudartrose; - 26/11/2009: RX à perna esquerda, tornozelos e pés, onde se observaram sequelas de fractura do maléolo tibial e da região diafisária distal do perónio tendo sido fixada as fracturas com placas e parafusos; - nesse RX o tornozelo direito mostra ligeiros sinais degenerativos e no pé notavam-se sinais de fractura, consolidada, destacando-se uma artrose médio-társica, mostrando o pé direito uma ossificação incompleta da cabeça do  metatarsiano, há ainda lesões degenerativas das metatarso-falangicas com ligeira subluxação lateral; - 31/03/2010: consulta de pneumologia ao Porto por força de uma queixa de persistência de dor torácica, tendo tido alta pneumológica em 14/04/2010; - 25/10/2010: ecografia das partes moles da região peitoral esquerda; - 20/07/2010: TAC torácica, que relata "significativa alteração da textura do bordo esquerdo do esterno associado a exuberante calcificação marginal com dispermia e calcificação das cartilagens condroesternais, alterações que são compatíveis com um processo sequelar, traumático que envolve praticamente todo o rebordo esquerdo do esterno até ao nível do manúbrio”; - 15/03/2011: mamografia do seio esquerdo e ecografia bilateral por causa dos quistos que ali detém derivados do traumatismo ocorrido com o acidente, que poderá obrigar a uma intervenção cirúrgica para a sua remoção; - deslocação a consultas no Porto, aos médicos da Companhia de Seguros, nos dias 14/04/2010, 20/04/2010, 21/04/2010 e 28/04/2010; - à data do acidente o Autor era uma pessoa alegre e trabalhadora, com grande alegria de viver e constante boa disposição, para com toda a gente, em especial amigos e família, e actualmente sente-se diminuído, física e psicologicamente, não podendo fazer força e esforços, sentindo normalmente dores nos pés e no peito, principalmente quando levanta algo pesado, não conseguindo levantar totalmente o braço esquerdo; - fortes dores e susto, com receio de um mal maior, como a morte, aquando do acidente; - fortes dores durante os tratamentos; - impossibilitado de permanecer muito tempo de pé, por causa das dores, que o impedem também de caminhar longas distâncias, dores essas que se manifestam especialmente em dias húmidos e frios, e que se agudizam com o esforço e com a marcha, obrigando-o, por vezes, a ficar na cama; - quadro de lesões e limitações ao quotidiano do Autor causam-lhe elevado sofrimento moral, passando a ser pessoa triste, apática, com angústia permanente e que também em permanência tem queixas de dores; - dor moral durante o tempo de internamento por não poder estar com os seus amigos e/ou família, desenvolver a sua actividade profissional normal, tão pouco aquelas a que gostava de se dedicar nomeadamente a agricultura e passeios, e ainda com a impossibilidade de dispor do seu tempo de lazer; - situação de doença entre a data do acidente- 15 DE JANEIRO DE 2008 –e a da consolidação médico-legal das lesões, fixada em 3 DE JANEIRO DE 2011, com défice funcional temporário total de 66 dias entre 15/01/2008 e 19/02/2008 e 10/03/2009 e 11/03/2009), défice funcional temporário parcial de 047 dias entre 20/02/2008 e 9/03/2009 e 12/03/2009 e 3/01/2011), repercussão temporária na actividade profissional total de 085 dias entre 15/01/2008 e 3/01/2011) e nenhuma em termos de actividade profissional parcial; - quantum doloris pericialmente fixado no grau 5 numa escala de sete graus de gravidade crescente, "tendo em conta as lesões sofridas e sua evolução”.» - No respeitante ao dano estético.