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Contudo, nada impede que aquela especial vulnerabilidade possa ser reconhecida, nomeadamente pelo Juiz de Instrução, quando visa o exercício de um direito próprio, através dos elementos de facto disponíveis – exercício que, in casu, efectuamos sem grande dificuldade, face às sequelas físicas e psicológicas, cientificamente apuradas, da vítima.” Com efeito, a especial vulnerabilidade da vítima é, por tudo o que se disse atrás, óbvia, manifesta, clara, perfeitamente adquirida e cognoscível pelos factos indiciados no processo, pelo que, considerando esse estatuto, a extrema gravidade dos factos imputados ao arguido, a relação entre este e a ofendida, e a profunda violência das lesões, físicas e psicológicas que dos factos indiciariamente alinhados resultaram para aquela, mal andou o tribunal a quo  ao não ter aplicado o regime decorrente do Art 24 ns1 e 6 da Lei 130/205 de 04/09 e, consequentemente, deferido as requeridas declarações para memória futura da vítima, errando, desde logo, na aplicação da norma.