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Senão repare-se, Y) A premissa do exercício de uma atividade por um beneficiário do subsídio de desemprego, implica necessariamente a perda do requisito de atribuição do subsídio em causa, nomeadamente, o requisito da disponibilidade para o trabalho consagrado no artigo 1 do Decreto-Lei n. 220/2006), e a consequente suspensão/cessação do pagamento das prestações de desemprego, ainda que, em concreto, essa atividade possa ocorrer por um curto período de tempo, a verdade é que tal exercício, é obstativo do reconhecimento inicial à atribuição do direito às prestações, quando aquele exercício de atividade profissional ocorre à data da atribuição e é também uma condicionante, caso aquele exercício de atividade ocorra durante o período de concessão das prestação; Z) Com efeito, caso porventura ao invés de receber o montante global das prestações de desemprego, o Recorrido tivesse recebido o subsídio de desemprego, teria de cumprir com as comunicações obrigatórias suscetíveis de determinar a suspensão ou a cessação das prestações, como é o caso do exercício de uma atividade profissional, entendimento esse que se retira dos artigos 4 5, 5, 5 e 5 do Decreto-Lei n. 220/2006; AA) Das citadas disposições legais resulta também claro que, para efeitos da suspensão do pagamento das prestações de desemprego, e de cessação do respetivo direito, as situações de exercício de atividade profissional por conta de outrem e por conta própria, estão expressa e totalmente equiparadas no diploma, e são um obstativo do reconhecimento inicial à atribuição do direito às prestações, quando aquele exercício de atividade profissional ocorre à data da atribuição e são também uma condicionante à atribuição do subsídio de desemprego parcial; BB) De forma idêntica se deverá entender que essa atividade não pode ser acumulada com a que esteve na base do pagamento do montante global das prestações de desemprego, pois o trabalhador deixa de estar em situação de perda involuntária de emprego, ou seja, deixa de estar desempregado; ) Não estando numa situação de desemprego, cessa a necessidade de compensar o beneficiário por essa eventualidade,consequentemente,cai por terra a teoria que o Recorrido desenvolveu, em torno de não lhe ser aplicado o requisito da exclusividade, porquanto tal requisito, sobreveio com a redação conferida ao artigo 3, pelo Decreto-Lei n. 64/2012, de 15 de Março; ) Nessa esteira, se porventura, aquele entendimento fosse acolhido estaríamos a defraudar os princípios que emergem da concessão de subsídio de desemprego, na vertente do pagamento global das prestações de desemprego com vista à criação do próprio emprego, tendo presente que esta medida se destina a apoiar as pessoas que involuntariamente se encontrem em situação de desemprego, promovendo a criação do próprio emprego a tempo inteiro, em regime de exclusividade do beneficiário e promotor do projeto, durante, pelo menos três anos; EE) Motivo pelo qual,o regime da proteção no desemprego, e no caso concreto o artigo 3 do Decreto-Lei n. 220/2006, deve de ser analisado numa perspetiva global, pois que na sua génese está implícita a criação do próprio emprego do beneficiário, destinatário da prestação, com dedicação a tempo inteiro e em regime de exclusividade, durante, pelo menos, três anos, não podendo aquele acumular o benefício da prestação de desemprego com outra atividade para além do próprio emprego por força do disposto no n. 4 do artigo 6 do mesmo Decreto-Lei; FF) In casu, o Recorrido acumulou o benefício do pagamento global das prestações de desemprego com outra atividade remunerada, primeiro em 26/09/2010, e, posteriormente em 04/10/2011, no Agrupamento de Escolas AS e no Agrupamento de Escolas de , respetivamente, quando impendia sobre ele, a obrigação de manter o próprio emprego, a tempo inteiro e que assim se mantivesse por, pelo menos, três anos, a contar da data em que recebeu o apoio para a criação do próprio emprego; GG) Provada que está a violação, por parte do Recorrido, da obrigação manter o próprio emprego, a tempo inteiro, durante pelo menos, três anos, é despropositado, considerar que aquele podia manter uma outra atividade em paralelo com a primeira, ainda que por algumas horas semanais, porquanto o requisito a "tempo inteiro” pressupõe uma dedicação completa e total, a todo o tempo e em consequência, exclusiva; HH) Aliás, qualquer pesquisa a um dicionário de língua portuguesa, esclareceria a "dúvida” do Recorrido, porquanto "inteiro”, significa todo, completo e total.