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Hoje em dia, portanto, a filosofia subjacente à obrigação de prestação de alimentos entre ex-cônjuges - que decorre fundamentalmente do estatuído nos artigos 201 e 201A - está imbuída para usar uma expressão de J.P. Remédio de uma ideia de "recíproca solidariedade pós-conjugal”16, ou se se preferir, radicada na ideia de um "dever de solidariedade/dever assistencial imposto em função da vida em comum ocorrida no passado, que a lei assume verificar-se na generalidade dos casos”1 Guilherme de Oliveira assinala que, nestas situações, estamos perante um "prolongamento do dever de assistência conjugal, um resto de solidariedade familiar”18 tornado cada vez mais difícil, por força da banalização do divórcio e sucessão de núpcias e relações), que constitui uma medida justa e realista, ao conciliar "a aplicação de um ideal de solidariedade entre os indivíduos que se encontraram numa ‘plena comunhão de vida’ com a responsabilização individual daqueles que estão a dissolver esse vínculo e a caminhar no sentido da plena autonomia”19 Com Ana Resende podemos afirmar sem dúvidas que "o fundamento último, ético e jurídico, da obrigação de alimentos entre ex-cônjuges encontra-se num princípio de solidariedade pós-conjugal.