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16) Por isso, assinala a doutrina, se a lógica económica da decisão e as formas de financiamento são idênticas, se além disso, em todos esses casos se potenciou a obtenção de proveitos, não há razão para que os encargos financeiros sejam dedutíveis nuns casos e o não sejam em outros; 17) Sendo certo que os investimentos financeiros realizados pela A.GPII são geradores de rendimentos, sejam dividendos, sejam mais-valias e, estas últimas, porque a A..GPII, não é uma SGPS, eram integralmente tributadas; 18) A jurisprudência arbitral tem considerado que a concessão de prestações às participadas, reforçando o capital próprio desta, integra o objecto das entidades que concedem as prestações, se tal objecto consistir na gestão de participações sociais; 19) Assim, conclui a referida jurisprudência arbitral, se o objecto da entidade concedente das prestações for a gestão de participações sociais, os encargos financeiros por ela suportados na obtenção de financiamento para poder conceder as referidas prestações cumprem os requisitos da sua admissibilidade como custo fiscal; 20) A jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo tem recusado a aceitação, como custo fiscal, dos encargos financeiros referentes a crédito obtido para, com ele, se realizar empréstimos gratuitos a participadas, quando não faz parte do objecto social da sociedade que efectua tais empréstimos, a gestão de participações sociais; 21) A jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo, num caso de concessão de prestações acessórias, também recusou a aceitabilidade fiscal dos custos financeiros referentes ao crédito obtido para realizar tais prestações, porque a sociedade que realizou as referidas prestações não tinha como objecto a gestão de participações sociais; 22) Ora, não só a A..GPII tem como objectivo e efectiva actividade, a gestão de participações sociais, como estão em causa, não puros financeiros às participadas, mas sim a realização de prestações suplementares, isto é, realização de verdadeiros investimentos financeiros; 23) Assim, decorre da jurisprudência do Venerando STA a aceitação como custo fiscal dos encargos resultantes do recurso ao crédito, quando os meios assim obtidos são utilizados em investimentos financeiros, se a gestão de participações fizer parte do objecto da entidade que realizou os investimentos; 24) O referido Supremo Tribunal Administrativo, em Acórdão recente Acórdão de 212/2018, Processo n 0473/13), em processo em que a recorrente era a ora impugnante e em que se analisou, precisamente, a aceitação, ou não, como custo fiscal, dos encargos financeiros suportados pela A.GPII com empréstimos bancários utilizados para a concessão de prestações a participadas, concluiu/decidiu pela plena aceitabilidade, como custos fiscal, dos referidos encargos financeiros; 25) E fê-lo, precisamente, porque o objecto social e a efectiva actividade da AGPII é a gestão de participações financeiras; 26) Como ai se diz, "o objecto social de gestão de participações sociais significa que uma empresa adquire ou aliena participações sociais de uma outra empresa e através dessa actividade exerce actividade comercial, utilizando única exclusivamente o poder de decisão sobre " a vida da empresa participada "que o valor das acções de que é titular lhe podem conferir”; 27) E acrescenta-se no citado Acórdão "os encargos impostos por estes empréstimos na empresa A.. – Gestão de Participações e Investimentos Imobiliários, S.A., estão conexionados com a realização de proveitos ou ganhos sujeitos a imposto ou para a manutenção da fonte produtora da empresa participante que contraiu os empréstimos e pagou os encargos financeiros correspondentes”; 28)A correcta interpretação do art 23 do CIRC não pode, assim, deixar de conduzir à aceitação fiscal dos custos incorridos pela AGPII, na medida em que eles se inserem no seu objecto social e na sua actividade e são indispensáveis à obtenção de proveitos e à manutenção da fonte produtora.