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Sumário  – Ocorre impossibilidade superveniente da lide quando se extingue um dos direitos em conflito, porquanto os interesses conflituantes no processo se reuniram nas mesmas pessoas, fenómeno conhecido na teoria da relação jurídica pelo nome de "confusão”;  – Feita a partilha, os poderes de administração sobre os bens adjudicados que até aí cabiam ao cabeça-de-casal, bem como os poderes que, a cada um dos herdeiros e por força da qualidade de contitulares do direito indivisível que recai sobre o conjunto da herança, cabiam na defesa do acervo hereditário, passam a integrar a esfera jurídica dos herdeiros a quem os ditos bens foram adjudicados, pelo que, coincidindo os herdeiros a quem os mesmos foram adjudicados com quem alegadamente tinha na sua posse os ditos bens e a quem o cabeça-de-casal/herdeiro pedia a respetiva restituição, forçoso é concluir que, com a dita partilha, se reuniram nas mesmas pessoas as qualidades de titular do direito à restituição e de sujeito passivo da correspetiva obrigação de restituir, o que conduz à extinção das relações jurídicas controvertidas na ação; – No caso da legitimidade extraordinária ou indireta, a legitimidade depende da efetiva demonstração do interesse ou da titularidade da relação legitimante que justifica a atribuição de legitimidade indireta, não se aferindo, pois, pela mera configuração dada pelo autor à ação, mas antes à configuração que lhe é dada por ambas as partes e resulta do normal desenvolvimento da lide, podendo, por isso, ocorrer situações de ilegitimidade superveniente;  – Por força da partilha judicial, os poderes do cabeça-de-casal extinguiram-se, cessando, pois, face à perda da sua qualidade de cabeça-de-casal, a legitimidade processual da autora, pressuposto este cuja verificação, no despacho saneador, é de conhecimento oficioso, não se podendo, tão pouco, proceder ao chamamento dos demais "herdeiros” à ação quando a herança já se mostra partilhada.