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Inconformados com aquela decisão os requeridos apelaram, tendo formulado as seguintes conclusões: A) Em Portugal, a tutela jurídico-constitucional, nomeadamente, da liberdade de expressão, de informação e de imprensa, no seu feixe de direitos dos jornalistas a acederem às fontes de informação e à proteção do sigilo profissional, abrange também a publicação ou divulgação por jornalistas de notícias ou informações recolhidas e fornecidas de forma ilícita por terceiros, que não os próprios jornalistas, ou em circunstâncias não apuradas, pelo que, uma vez na posse de informações recolhidas ou transmitidas ilicitamente por outrem, em regra, poderá e deverá o jornalista publicá-las livremente; B) A obtenção, em circunstâncias não apuradas, por terceiros relativamente a um jornal e seus, via "hacking", de correspondência eletrónica de advogados e documentos sua pertença e de clientes, publicados e disponibilizados em vários blogues de internet, não é ilícita nem impeditiva de produção posterior de trabalho jornalístico, com base parcial nessa mesma informação, ilegal e anteriormente acedida e publicada erga omnes, sem qualquer tipo de comportamento censurável do jornal e seus jornalistas, no que concerne ao acesso e retirada indevida de tal informação, não inquinando, tal facto, a divulgação jornalística posterior dos factos de que assim se tenha tomado conhecimento; ) Para efeitos do parâmetro constitucional de garantia de liberdade de imprensa artigo 3, n. s 1 e 2 alínea, da, inexistindo censurabilidade da conduta do jornalista, ou mesma a sua participação causal na lesão do bem afectado, na gravidade desta e no relevo dos interesses atingidos, o facto de certas formas de obtenção de informação não gozarem de tutela jurídico- constitucional, não acarreta automaticamente igual tratamento da sua difusão, uma vez obtido o elemento a transmitir, sob pena se verificar uma restrição indevida do direito de recolher informações pelos jornalistas, correspondente a uma forma de censura em sentido amplo e constitucionalmente proibida, também porque a existência de restrições à liberdade de imprensa numa fase prévia à publicação representam um grave perigo para a civilização e democracia atuais; ) Inexistem verificados naos autos os requisitos legais habilitadores da emissão das duas injunções "atenuantes" que foram dirigidas na sentença recorrida contra os Requeridos, porquanto a lesão causada à Requerida foi-o por terceiros, em data anterior a qualquer um dos factos imputados aos Recorrentes, tal lesão assenta unicamente na anterior revelação e disponibilização pública e erga omnes das comunicações e documentos relativos à Requerente e seus clientes, pelo que a "confidencialidade" invocada nos autos quanto aos suportes da Requerente já havia sido totalmente posta em causa, e sem qualquer tipo de intervenção dos Requeridos, não se vendo, bem assim, que a elaboração de uma notícia e sua publicação, em parte assente nessa informação anteriormente publicada e a todos acessível, possa agravar e trazer maior lesão para a esfera dos direitos de "confidencialidade" convocados nos autos pela Recorrida; E) Inexiste nexo de causalidade entre o comportamento dos Recorrentes, "censurado" para futuro nos autos, com a possibilidade de, por meio das injunções que lhes foram dirigidas com base na sentença recorrida, se atenuar os efeitos dessa anterior e já concretizada "devassa" de "confidencialidade", devendo entender-se que nada existe de passível de ser atenuado por meio das proibições impostas nos autos; F) Verifica-se nos autos grave desproporcionalidade, discriminação injustificada e prejuízo na prolação das injunções sentenciadas contra os Recorrentes, que afetam intoleravelmente o reduto intangível do direito de liberdade de expressão e de informação de que gozam os Recorrentes, sendo assim também impossível a atenuação de uma ofensa já anteriormente totalmente executada, e por terceiros aos Recorrentes; G) A decisão recorrida, ao proclamar que a queda no domínio público da informação suportada pela correspondência e documentos da Recorrida e seus clientes, "não retira a natureza primária da ação ilícita na obtenção da informação confidencial", assim estendendo a "raiz do mal" à esfera da atividade profissional exercida pelos Requeridos, postergando ilegalmente o seu direito constitucional de acesso às fontes de informação e de sigilo profissional, procede a interpretação e aplicação ilegais no caso dos autos, designadamente, das normas jurídicas vertidas nos artigos 1, n.s 1 e 2 da CEDH, 3, n. 2, alínea da CRP, 2, alíneas e da Lei de Imprensa, , alíneas e, , n. 3 por ser inaplicável ao caso dos autos, por não estarem em causa fontes oficiais de informação), 1, n. 1 do Estatuto do Jornalista, e pontos  e  do novo Código Deontológico do Jornalista.