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Reconhece-se que a vítima deve poder decidir se ao mal do crime lhe convém juntar o que pode ser o mal da revelação processual da sua intimidade quando o processo possa significar uma afronta ainda maior para a intimidade do ofendido do que o próprio, sob pena de, de outra forma, poderem frustrar-se as intenções político-criminais que, nesses casos, se pretenderam alcançar com a criminalização.4 Nos crimes de natureza pública estão em causa ofensas a bens jurídicos de maior relevância, que superando a vontade individual da vítima se apresentam de forma tão directa e imediata que justificam uma reacção automática do ius puniendi, não admitindo a cessação do procedimento criminal por vontade da vítima.