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Ora, se à determinação da falsidade de um testemunho prestado por quem é ouvido uma única vez, se revela necessário apurar a verdade do facto histórico que o mesmo contradiz, para assim se poder demonstrar a sua falsidade, isto é, a divergência entre o declarado e a realidade do objeto da declaração, já tal necessidade não se põe quando a testemunha em causa, ela mesma, presta várias vezes declarações sobre os mesmos factos, e entre essas declarações assume uma contradição relativamente a esses factos que não tem outra justificação plausível senão a falsidade de uma delas, precisamente por referência à outra, justificando-se obviamente uma tal contradição com o fim visado de alterar o rumo do processo, de prejudicar a descoberta da verdade e, em suma, atingir o bem jurídico protegido pelo dever de verdade imposto, isto é, o da realização ou administração da justiça como função do Estado Ou seja, o padrão de referência deixa de ser uma qualquer realidade fáctica demonstrada, para passar a ser cada uma das declarações prestadas, na relação entre si, porque produzidas pela mesma pessoa e, logicamente, o facto de em relação a uma delas essa pessoa ter de estar, necessariamente, a faltar à verdade.