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; 2 - Em sede de embargos, vieram os Recorridos alegar que ainda que a dita sentença homologatória dada à execução consubstanciasse título executivo, o certo é que da mesma não resultava uma obrigação com prazo certo, e que, alegadamente, nunca foram interpelados pelos aqui Recorrentes para proceder a qualquer divisão, pelo que nunca incorreram em mora; 2 - Os Recorridos bem sabem – ou pelo menos, o seu Mandatário – que o aqui signatário, na qualidade de mandatário constituído pelos Recorrentes, não só solicitou, por diversas vezes, que os mesmos procedessem à divisão da dita quantia de € 2070,92 – que, repita-se, só aqueles podiam movimentar e, consequentemente, dividir, cumprindo, assim, com aquilo a que se obrigaram – como também entregou ao Ilustre Mandatário dos Recorridos uns impressos bancários, que desde que fossem assinados por aqueles, resolviam definitivamente a questão, mas tais nunca foram assinados; 2 - A partir do momento que o aqui signatário contactou o Ilustre Mandatário dos Recorridos, solicitando que os mesmos diligenciassem no sentido de procederem à divisão da dita quantia de € 2070,92, nomeadamente através da assinatura dos mencionados impressos bancários, ficou mais que evidente a existência de interpelação, a qual, aliás, reveste o carácter de admonitória, porquanto o aqui signatário informou, expressamente, o Ilustre Mandatário dos Recorridos de que, caso a transacção não fosse cumprida pelos Recorridos no prazo indicado, seria instaurada a competente execução; 2 - Daí, ser assaz curioso e demonstrador de manifesta má fé, o facto do Ilustre Mandatário dos Recorridos dizer que nunca foi interpelado pelo ora signatário, quando não só recebeu os ditos impressos bancários pessoalmente, no seu escritório – que, por sinal, até fica no mesmo piso do escritório do aqui signatário – como depois até se pronunciou telefonicamente sobre os mesmos, mais do que uma vez, o que foi presenciado por colaboradores do escritório do aqui signatário; 2 - Não fosse a precipitação do Meritíssimo Juiz a quo ao proferir uma decisão de mérito sem, previamente, ter em seu poder todos os elementos necessários à boa decisão da causa, nomeadamente no que concerne ao plano da prova, os aqui Recorrentes conseguiriam ter provado, sem margem para dúvidas, tais interpelações, designadamente interpelação admonitória, em sede de audiência de discussão e julgamento, através da produção de prova testemunhal;  ACRESCE QUE, 2 - Ainda que não tivesse ocorrido a referida interpelação admonitória, previamente à instauração da dita acção executiva – o que não se concede, nem concebe, e apenas por mera cautela de patrocínio se equaciona – o certo é que, sempre a citação dos Recorridos para a dita execução, valeria como interpelação veja-se por todos neste sentido o douto Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 25/10/2012, proferido no âmbito do processo n. 73127/00YYLSB-A.LS1, relatado por Lopes do Rego e disponível in www.dgsi.pt);  SEM PRESCINDIR, 2 - Mesmo que se admitisse que assiste qualquer direito aos Recorridos, o que não se concebe, nem concede e apenas por mera cautela de patrocínio se equaciona, o certo é que ainda que se entendesse que o Ilustre Mandatário dos então Embargantes nunca tinha sido contactado pelo mandatário dos ora Recorrentes – o que é rotundamente falso e ofensivo – nem por isso lhes assistiria razão para se oporem à execução, pois, como já se viu, o título executivo resultou de uma transacção efectuada entre as partes e como fiel expressão das suas vontades, que foi demoradamente negociada e através da qual ambas quiseram e ficaram conscientes do dever de partilhar a dita quantia de € 2070,92; 2 - Alegar, como alegam os Recorridos, que nenhuma obrigação têm perante os ora Recorrentes, nada mais traduz, senão o manifesto abuso de direito com que litigam, enquanto venire contra factum proprium, pois aquando da transacção celebrada, os Recorridos sabiam que os Recorrentes tinham direito a receber a quantia de € 500,00, que só eles podiam movimentar, tendo estes últimos a plena confiança de que a iriam receber;  3 - Esta situação objectiva de confiança, traduziu-se numa conduta dos Recorridos, que não poderia deixar de ser entendida pelos Recorrentes como uma tomada de posição vinculativa relativa a dada situação futura, sendo merecedora de tutela jurídica, uma vez que levou os Recorrentes a organizar planos de vida que não conseguiram alcançar, já que confiança veio a ser frustrada pelo comportamento assumido pelos Recorridos veja-se por todos neste sentido, o douto Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, de 12/02/2009, proferido no âmbito do processo n. 4069/08, citado noutro Acórdão deste mesmo Tribunal, de 19/11/2015, proferido no âmbito do processo n. 884/10TVLSB.LS1, relatado por Lopes do Rego e disponível in www.dgsi.pt); 3 - Os Recorridos litigam, assim, com manifesto abuso de direito e má-fé, assumindo uma posição reveladora da frontal violação do princípio da cooperação e do dever de boa-fé processual, que se encontram legalmente consagrados nos artigos  e  do Código de Processo Civil, apenas objectivando protelar a realização da justiça devida, bem espelhada num acordo em que os mesmos foram parte activa; 3 - A decisão ora em recurso violou, pelo menos, os artigos 1 e 2, n.s 1 e 4 da Constituição da República Portuguesa, os artigos , n. 3, 19, 59, n. 1, al.