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Nos sistemas jurídicos como o nosso, em que, aderindo à conceção do direito romano – nemine res sua servit -, se entende que é juridicamente impossível constituir-se um direito de servidão entre dois prédios pertencentes ao mesmo dono 1, em "compensação”, admite-se que, se e quando, por qualquer ato translativo do direito de propriedade, esses prédios passam a pertencer a donos distintos, as serventias neles existentes convertem-se, por lei, em direitos de servidão – são as denominados servidões por destinação do pai de família  É o que atualmente se prevê no artigo 154 do Código Civil ao admitir-se a constituição de servidões prediais por destinação do pai de família, após no artigo 154 do mesmo diploma se ter excluído a possibilidade de se constituírem direitos de servidão entre prédios pertencentes ao mesmo dono, tendo essa opção sido, no entanto, objeto de discussão nos trabalhos preparatórios do Código Civil  A constituição de servidões prediais por destinação do pai de família terá sido mais uma das criações do jurisconsulto e glosador medieval Bártolo de Sassoferrato e ganhou expressão prática no direito consuetudinário francês 4, sendo depois acolhida pelo Código de Napoleão artigos 692 a 69), de onde transitou para o Código Civil Italiano de 1842 artigos 63 e 63) e para o Código Civil Espanhol artigo, cujo Projeto influenciou a sua previsão no artigo 227 do Código de Seabra 5 Conforme referiu Pires de Lima na Exposição de Motivos do anteprojeto por si elaborado sobre as servidões prediais no futuro Código Civil de 1966 7, no artigo  desse anteprojeto, que veio a corresponder ao texto do atual artigo 154 do Código Civil, manteve-se a redação do artigo 227 do Código de Seabra, segundo a reforma de 1930, uma vez que as dúvidas que a disposição primitiva suscitava foram afastadas, e em termos que não tem merecido reparos.