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O Tribunal "a quo” para a determinação da pena conjunta atendeu aos seguintes fatores:  - o acentuado grau de ilicitude dos crimes de burla cometidos, considerando que os cometeu ao longo de cerca de 8 anos, que é elevado, nuns casos, e consideravelmente elevado, noutros casos, o prejuízo que causou às sociedades ofendidas, sendo igualmente muito elevada a vantagem patrimonial que conseguiu alcançar não inferior a 39844,00€);  - a sua culpa que é muito acentuada, considerando a sua idade, o seu grau de instrução, a sua experiência de vida, o facto de ter explorado juntamente com a esposa um empresa de transportes, que acabou por fechar devido a problemas financeiros, o facto de não se ter deixado sensibilizar pelos problemas financeiros que sucessivamente causou às sociedades ofendidas, atuando sempre com o propósito de as enganar e de as fazer prestar serviços de transporte que nunca fez intenção de pagar, conduta que se considera deveras censurável, tanto mais que trabalho não lhe faltava, pelo que podia perfeitamente ter levado uma vida honesta, o que optou claramente por não o fazer, o que é revelador de uma personalidade mal formada;  - os seus antecedentes criminais – já foi condenado por crimes de emissão de cheque sem provisão, de abuso de confiança fiscal, de falsificação ou contrafação de documento, de falsificação de boletins, atas ou documento, em penas de multa, que cumpriu –, reveladores de uma personalidade claramente desviante e indiferente às sanções penais não detentivas da liberdade, que não o inibiram de prosseguir a sua atividade criminosa;  - que muito embora tenha confessado quase a totalidade da sua apurada conduta e se tenha declarado arrependido, o certo é que não revelou adequado juízo de autocensura e vontade de se redimir, na medida em que minimizou ao máximo a sua culpa, desculpabilizando-se, vitimizando-se, responsabilizando terceiros, não mostrou empatia pelas pessoas que se sentiram enganadas e que ficaram prejudicadas e não ressarciu, ainda que parcialmente, as sociedades lesadas;  - as intensas exigências de prevenção geral, atentos os bens jurídicos protegidos pelas normas violadas, sendo que o arguido, através da sua conduta, conseguiu enganar inúmeras pessoas e causar elevados prejuízos às ofendidas, em proveito próprio, o que é fortemente repudiado pela nossa comunidade;  - apresenta uma carreira criminal persistente desde o ano de 1996, agravada pela irregularidade laboral e pelas dificuldades de realização independente; revela adequado comportamento no estabelecimento prisional, condicionado pelos problemas de saúde que tem, os quais são alvo de acompanhamento médico especializado; demonstra interesse em determinar-se pelo compromisso com a resolução definitiva da conduta criminal e em recuperar um estatuto social independente; como não possui autonomia económica, depende do apoio da sua companheira; parece ter percebido que se confronta com um problema que carece de ser mudado e assim comprometer-se com um estilo de vida orientado por censores da conduta e por um projeto de realização profissional e de reconstrução da independência condicionados à qualidade do seu estado de saúde, pelo que o tempo de prisão cumprido terá já surtido algum efeito em termos de esbatimento das fortes exigências de prevenção especial que se faziam sentir, atenta a revelada ausência de adequado juízo de autocensura e a sua personalidade marcadamente desviante.