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Importa ainda ressalvar que a aplicação prática das normas em causa recorrerá afinal a critérios de exigência menos apertados no direito de mera ordenação social em relação ao direito penal, atendendo precisamente ao carácter secundário do primeiro e à axiologia e sentimentos jurídicos que lhe subjazem, como também à especificidade normativa que o caracteriza1 Na verdade, como bem se assinala no Acórdão desta Relação de 23 de Março de 201118, ") o juízo de censura no Direito de mera ordenação social, nomeadamente aquele que em sede de erro sobre a ilicitude permite distinguir o erro dirimente da responsabilidade do erro que não possui esse efeito artigo 9, do, não se deve fundar ou reportar à atitude ética do sujeito perante os valores do sistema jurídico nomeadamente, à luz de uma ética universal da pessoa, deve antes funcionar com um referente social que sirva de auxiliar e de reforço) em relação às finalidades preventivas das sanções neste ramo do Direito”, pelo que, "nesta perspectiva, tomam-se mais relevantes para formular o juízo de censura em causa elementos de outra natureza como, por exemplo, a inserção sócio-profissional do agente e as exigências próprias do circuito económico, laboral ou social em que os factos ocorrem”1 Tudo para concluir-se, citando o mesmo Acórdão, que, "em suma, para decidir da censurabilidade da falta de consciência da ilicitude do agente no âmbito do Direito de mera ordenação social deve partir-se de critérios de exigibilidade adequados ao circuito económico e profissional onde se insere o agente; num segundo nível, pode identificar-se uma exigibilidade intensificada pelas circunstâncias do caso por exemplo, facilidade de conhecimento das normas vigentes ou de acesso a informação ou pela qualidade do agente por exemplo, em função do tempo de exercício da profissão ou do nível profissional assumido pelo; finalmente, pode recorrer-se a critérios de censura "ético-profissional".