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; 40) O "querendo com isso dizer” foi resultado de uma percepção subjectiva, de uma fé, de uma crença a priori do julgador mas não resultado de qualquer silogismo lógico dedutivo racional cujas premissas se tivessem ficado a conhecer em sede de fundamentação ou sejam conhecíveis; 41) Resulta das regras da lógica e da experiência comum que, numa festa onde se encontram muitas pessoas, pela dinâmica e confusão próprias de tais eventos não é possível aferir ao segundo e minuto quem está, quem saiu ou se ausentou por breves instantes, sendo apenas razoavelmente possível aferir quem foi à festa porque aí se viu, ainda que, momentaneamente, tal pessoa se tivesse ausentado daquele local; 42) A arguida declarou o que conhecia e conseguiu percepcionar daquele dia em concreto, isto é, o facto de ter ido com a sua mãe para o magusto, de a ter visto lá e ter regressado a casa com ela pelo que a realidade que ela conhecia era de que "ela e a sua mãe no dia 14 de novembro de 2015, após a missa que terminou às 20horas foram para um magusto em casa da colega Carla; 43) Não foi sequer demonstrado e provado que a arguida e a sua mãe não tivessem estado naquele magusto, ou que apenas a aqui arguida esteve no magusto ou que até naquele dia nem esteve com a sua mãe, pelo que só através de uma prova neste sentido seria possível demonstrar e provar que a arguida tinha consciência que aquilo que declarava era falso, e fazia-o deliberadamente no sentido de obstaculizar à justiça e ilibar a sua mãe; 44) Analisado todo o processo, tal investigação e prova não foi nem de longe nem de perto produzida, isto é, não foi junta aos autos nem produzida em sede de audiência de julgamento qualquer prova positiva no sentido de demonstrar que a arguida quando prestou declarações conhecia uma realidade diferente daquela que relatou a supostamente ocorrida no; 45) Assim, atenta esta ausência total de prova da intenção da arguida de mentir em juízo, não poderia o tribunal a quo considerar como considerou provados os factos vertidos nos pontos ,  e  da douta sentença, uma vez que não dispunha de elementos suficientes para tal consideração; 46) Ainda que assim não se entendesse, deveria o tribunal a quo, por referência ao princípio basilar do processo penal in dubio pro reo ter dado como não provados tais factos, uma vez que nenhuma prova foi realizada no sentido de demonstrar, com o grau de certeza exigível, que a arguida quis praticar um falso testemunho; 47) Deve, nesta parte, ser a douta sentença recorrida revogada, sendo alterada a resposta dada aos pontos ,  e  considerando-se como não provados nos termos que se expuseram e em consequência ser a arguida absolvida do crime de falso testemunho de que foi acusada e condenada; 48) A douta sentença padece de erro na medida em que não específica as razões de facto e de direito que sustentaram e motivaram a prolação de uma sentença condenatória, concretamente, não esclarece de forma clara, concisa e objectiva como deu como provado o elemento subjectivo do tipo legal de crime em causa o, quais os factos e provas existentes nos autos e que motivaram tal decisão e por isso está a mesma eivada de nulidade, ex do disposto nos artigos 37, n. 2 e 37 n. 1 ambos do CPP que aqui e desde já expressamente se invocam para todos os legais efeitos; 49) Os elementos de prova que o julgador a quo faz alusão na douta fundamentação demonstram apenas e só a verificação do elemento objectivo do tipo, isto é, a existência de um depoimento sendo o mesmo divergente face aos demais prestados no processo em causa; 50) Não se conforma a recorrente como pôde o julgador a quo dar como assente e provado sem qualquer margem para dúvidas, com base apenas e só na certidão judicial com a ata do julgamento e as transcrições de áudio do depoimento por si prestado que esta conhecia uma realidade diversa daquela que declarou e que até fez essa omissão ciente e deliberadamente quando de verdade e de facto nenhuma prova foi produzida nesse sentido nem consta nos autos relativamente ao elemento subjectivo; 51) Lida a douta fundamentação da matéria de facto esta não permite descortinar as razões que levaram o tribunal recorrido a considerar que a recorrente sabia e conhecia outra realidade diferente daquela que estava a declarar e que agiu de forma voluntária, livre e consciente; 52) Lida e relida tal parte da sentença, não se descortina qualquer interligação entre os meios de prova referidos, nem qualquer opção por algum deles que tenha permitido a conclusão do julgador pela consideração da verificação e prova irrefutável do dolo da arguida; 53) Tem a sentença por assente que o dolo em qualquer das suas modalidades é uma conclusão a retirar de factos e não depende de prova directa sobre a intenção com que o agente actuou mas, todavia, e não obstante essa realidade, a intenção com que o agente actuou deve ser explicitada na fundamentação da matéria de facto, maxime no caso como o dos autos, em que o agente do crime não presta declarações sobre os factos constitutivos do mesmo; 54) Não existindo documentos que provem o dolo da arguida, não tendo sido ouvida qualquer testemunha nem tendo a arguida prestado declarações, a única conclusão lógica e possível quanto à existência de elementos factos e que provem o dolo não existem nos presentes autos, mas o certo é que o julgador a quo, inexplicavelmente, as considerou na fundamentação!