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; Não só o interesse público deverá ser específico e concreto, como também o interesse privado deverá ser específico e concreto, não se bastando com uma alegada lesão previsível dos interesses da Requerente; Dúvidas não restam quanto aos danos e prejuízos, pela aqui Apelante, decorrentes do decretamento da providência requerida; Estamos, sim, perante uma relação laboral em funções públicas que, para além de se dever pautar por princípios, direitos e deveres decorrentes da lei e do contrato de trabalho, impõe uma especial relação de confiança, responsabilidade e idoneidade por parte do trabalhador; Estamos pois, como refere o Tribunal a quo perante um interesse "alicerçado em exigências de prevenção especial ‒ ao alegar que a Requerente inviabilizou, de forma irreparável e irreversível, a manutenção do seu vínculo de emprego público, não sendo possível confiar que não voltará a adotar uma conduta violadora dos deveres laborais ‒ e de prevenção geral ‒ ao sustentar que a presença da Requerente poderá criar desconforto e mal-estar junto dos demais trabalhadores,designadamente uma sensação de impunidade quanto a comportamentos violadores dos deveres funcionais, ou de que a Requerente estava a ser objeto de um tratamento preferencial.”: Para a Requerida e aqui Apelante, bem como para a manutenção da confiança e idoneidade da relação laboral e do trabalhado exigidas, a conduta da Requerente afetou de forma irreparável não só a confiança exigida para o desempenho das suas funções, como ainda a sua idoneidade e bem, assim, a confiança e idoneidade da Requerida e o interesse público; Pois, está em causa o desempenho de funções públicas que requer e a quem se requer confiança, transparência e idoneidade no exercício das suas funções, existindo, assim, rigorosas exigências de prevenção especial e de prevenção geral; Salvo o devido respeito, o Tribunal a quo desconsiderou, mais uma vez, o alegado pela Requerida quanto à afetação do interesse público e quanto à impunidade quanto à Requerente, como também em relação aos restantes funcionários; As sanções disciplinares têm, pois, de preencher essas duas necessidades ou exigências; As faltas alegadamente injustificadas estão, directa e indirectamente, relacionadas com o seu desempenho profissional; Por um lado, as funções que lhe são confiadas não se encontram confiadas enquanto a Requerente exercia o seu a mais ninguém; Por outro lado, tal comportamento é fundamento quer na LGTFP quer no CT de despedimento com justa causa, pela quebra da confiança e da responsabilidade assumida pelo trabalhador perante a sua entidade patronal; O que ora se discute é a readmissão provisória, quando ainda não foi discutida a causa principal; O decretamento provisório, sem qualquer segurança, da sua readmissão, sem que tenha existido uma apreciação da causa principal, nem tão pouco uma decisão transitada em julgado, gerará uma sensação de impunidade e de imunidade; Pois, a Requerente, ainda que tenha agido de forma contrária à lei e em violação do seu contrato de trabalho, continuará a exercer as suas funções, nomeadamente, com a confiança e a idoneidade exigidas a qualquer trabalhador, sem que tal se verifique; Apenas uma decisão que aprecie a causa principal poderá repor a confiança e a estabilidade, já afectada, quer da Requerida, quer dos demais funcionários; Fica, assim, provado nos autos a existência de um interesse público qualificado, específico e concreto, que justifique o não decretamento da presente providência; Com esta apreciação, o Tribunal a quo limita-se a refutar a argumentação da Requerida, abstendo-se, contudo, de apreciar os interesses privados concretos da Requerente, que poderão estar em causa e que claramente não foram alegados de um modo concreto pela mesma, pois só assim seria possível fazer a devida ponderação dos interesses públicos e privados; Como afirma Mário Aroso de Almeida no seu Manual de Processo Administrativo, "A atribuição da providência não está, pois, exclusivamente dependente da formulação de um juízo de valor absoluto sobre a situação do requerente – como sucederia se apenas dependesse da aplicação dos critérios do artigo 12, n. 1 – mas ainda depende da formulação de um juízo de valor relativo, fundado na comparação da situação do requerente com a dos eventuais titulares de interesses contrapostos.” negrito e sublinhado: Assim sendo, como parece que é, e não pode deixar de ser, sempre se terá de concluir que, não se verifica o preenchimento cumulativo dos três pressupostos necessários para o provimento da providência cautelar peticionada de suspensão de eficácia do ato de despedimento da Requerente; Não tendo por isso, contrariamente ao que foi decidido pelo Tribunal a quo, a Requerente, direito à sua readmissão provisória, e, portanto, à ocupação efetiva do seu posto de trabalho, nos mesmos moldes em que o vinha fazendo anteriormente; Nem tão pouco deve ser reposta a relação jurídico-laboral, nem readquirir a Requerente, todos os direitos e laborais, até que seja proferida decisão transitada em julgado no âmbito do processo de impugnação previsto no n. 1 do artigo 29 da LGTFP.