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Tal realidade preenche, pois, os pressupostos do direito de desoneração contemplado no anteriormente referido artigo 3 da Lei n. 100/9 Como se escreveu no Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, supra identificado:  «) quando o acidente for, simultaneamente, de viação e de trabalho, as indemnizações atinentes não são cumuláveis, mas antes complementares, assumindo a responsabilidade infortunística laboral caráter subsidiário, pelo que os responsáveis pela reparação dos danos emergentes de acidente de trabalho ficam desonerados do pagamento de indemnização destinada a ressarcir os mesmos danos já reparados pelos responsáveis dos danos consequentes ao acidente de viação, visando tal regime evitar que os respetivos beneficiários acumulem um duplo ressarcimento pelo mesmo dano concreto, o que configuraria um enriquecimento injusto.» Nestes termos, tendo a seguradora responsável pelo infortúnio laboral, demonstrado que o sinistrado recebeu, no âmbito da responsabilidade emergente de acidente de viação, uma indemnização destinada a compensar o dano sofrido na capacidade de ganho do sinistrado bem juridicamente tutelado, nenhuma censura nos merece a decisão que, por via da determinação da suspensão do pagamento das pensões fixadas na ação de acidente de trabalho, desonerou a recorrida do pagamento de tais pensões até que se mostre esgotada a cobertura do capital recebido por virtude do acidente de viação.