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Os factos que se indiciaram com suficiência não bastam para satisfazer as exigências objectivas e principalmente subjectivas tanto do crime de prevaricação, como do crime de abuso de poderes, que o Ministério Público sustenta estar em concurso aparente, ilícitos previstos e punidos pelos artigos 1 e 2 da Lei 34/87, de 16/0  Ambos, além do mais, contêm, a par do dolo, elementos subjectivos especiais da ilicitude, ou noutra formulação, demandam a verificação do "dolo específico”, como se constata, à margem de qualquer dúvida, mediante a inclusão nos tipos de ilícito dos seguintes incisos:  «com a intenção de por essa forma prejudicar ou beneficiar alguém» - artigo 1 prevaricação);  «com a intenção de obter, para si ou para terceiro, um benefício ilegítimo ou de causar um prejuízo a outrem» - artigo 2, ambos da Lei 34/87, de 16/0  Prejudicar ou beneficiar alguém, não é tipicamente o mesmo que prejudicar ou beneficiar o Estado, o Estado/Administração ou o Estado/Nação/Colectividade, mas sim pessoa concreta; Obter benefício ilegítimo para terceiro, não envolve o Estado, o Estado-Administração ou o Estado/Nação/Colectividade como terceiro beneficiado em termos típicos, mas sim pessoa concreta;  Causar um prejuízo a outrem, não envolve o Estado em qualquer das vertentes referidas como corporizador do elemento típico outrem, mas antes pessoa concreta.