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O elemento volitivo do dolo traduz-se, aqui, na conformação do agente com a possível imutabilidade da situação de perigo para os bens jurídicos pessoais da vítima e há-de induzir-se do seu comportamento face à factualidade típica.. Por fim, o dolo eventual poderá configurar a conduta do agente que, tendo assistido a um facto como os descritos no artigo 20, máxime, se foi por ele provocado e, representando-se como possível a existência de uma pessoa na situação de grave necessidade, não cura de se certificar da real existência da vítima, permanecendo inactivo, conformando-se com a manutenção da possível situação de perigo.» Tendo presentes as considerações que se deixam expendidas, baixando ao caso dos autos e revertendo à questão suscitada no recurso: Encontra-se provado que o arguido/recorrente, nas circunstâncias de tempo e lugar apuradas, conduzindo o seu veículo automóvel ligeiro de passageiros, ao efetuar a manobra de mudança de direção à esquerda, ocupou a faixa de trânsito de sentido contrário àquele em que seguia e onde, na ocasião, circulava o motociclo conduzido por ...), tendo o veículo do arguido embatido na lateral esquerda do motociclo e dessa colisão resultado a queda do motociclo e do seu condutor, o qual ficou caído no solo e tendo sofrido, como consequência direta e necessária do embate, traumatismo do D5 do pé esquerdo, com amputação traumática da 2 falange e úlcera traumática do dorso desse mesmo pé, lesões essa que lhe determinaram 180 dias de doença, com afetação para o trabalho profissional e 120 dos quais com afetação para o trabalho em geral.