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31a É verdade que o arguido não teve uma conversa no sentido em que este vocábulo vem definido nos dicionários citados no acórdão recorrido, mas o arguido interpelou a criança através de palavras e movimentos expressivos de anúncio de desejo sexual fazendo gestos com a língua), de forma apta, idónea a perturbar, a comprometer o desenvolvimento harmonioso da mesma na sua esfera sexual, 3 Sendo certo que, socorrendo-nos aqui de novo do que vem dito no acórdão do STJ de 002007 «No abuso sexual de crianças será sempre relevante qualquer actuação objectivamente libidinosa por mais simples que ela seja ou pareça ser, em virtude de tais menores não disporem do discernimento suficiente para se relacionarem sexualmente em liberdade» - cfr., CJSTJ 2/07, 24 3 Deste modo, impõe-se em concluir que o arguido ao proferir a expressão supra enunciada, acompanhada de gestos feitos com a língua de molde a vincar, explicitar, a sua pretensão sempre dirigidas à menor, cometeu o crime por que vinha acusado com conteúdo pornográfico e, consequentemente, a sua conduta integra a previsão normativa do art 171, n 3, al.