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E se, por hipótese, um desses ordenamentos não contemple todas as causas de exclusão obrigatória, deve ser feita uma interpretação conforme à Directiva nesse ponto;  N)	Já no que respeita à segunda categoria de exclusões de natureza, e que actuamente constam do n. 4 do artigo 5 da Directiva 2014/24/UE, a mesma sempre foi interpretada - e continua a sê-lo - no sentido de que os Estados-Membros não estavam obrigados a acolher estes fundamentos de exclusão no seu ordenamento jurídico interno, dispondo antes de uma liberdade para decidir sobre se estes fundamentos de exclusão devem ser colocados à disposição das suas autoridades adjudicantes; O)	Do mesmo modo, a jurisprudência do TJUE sempre entendeu que os diversos Estados-Membros tinham a faculdade de transpor estas causas para os respectivos ordenamentos em termos menos rigorosos - nesse sentido, entre outros, ver o Acórdão de 9 de Fevereiro de 2006 La e o Acórdão de 10 de Julho de 2014 Consorzio Stabile Libor Lavori; P)	Do exposto decorre que as causas de exclusão de natureza facultativa previstas nas várias alíneas do n. 4 do artigo 5 da Directiva 2014/24/UE não são de adopção obrigatória nos diversos ordenamentos e que, no caso de um determinado Estado-Membro optar por não incorporar essas causas de exclusão no seu ordenamento, não poderá, em circunstância alguma, ser invocado o efeito directo dessas normas;  Q)	No caso de a causa de exclusão da alínea do n. 4 da Directiva 2014/24/UE não ser transposta para o direito interno, poderá porventura entender-se — o que se admitiu nestas alegações, sem conceder, por mera cautela de patrocínio — que as entidades adjudicantes têm o direito de invocar directamente o mencionado preceito da Directiva para suscitar a questão da exclusão de um operador económico, mas a admitir-se este efeito directo, tratar-se-ia sempre de uma mera faculdade da entidade adjudicante e não de uma causa de exclusão de obrigatória;  R)	O legislador nacional, em 2017, não incorporou no CCP a causa de exclusão da alínea do n. 4 do artigo 5 da Directiva 2014/24/UE no nosso ordenamento, mantendo antes como causa de impedimento apenas o caso de aplicação de sanção acessória deproibição temporária de participação em procedimentos de contratação pública, aplicada pela Autoridade da Concorrência por infracções às leis da concorrência alínea do n. 1 do artigo 5 do Código) e mantendo nos seus exactos termos a norma da alínea do n. 2 do artigo 7 do CCP; S)	Nem pode pretender-se que o legislador nacional, na transposição feita em 2017, tenha transformado o impedimento previsto na alínea do n. 4 do artigo 5 da Directiva 2014/24/UE numa causa de exclusão de propostas, vertendo-a na mencionada alínea do n. 2 do artigo 7 do CCP;  T)	Desde logo, porque, como assinala PEDRO COSTA GONÇALVES no seu parecer, é legítimo sustentar que o próprio artigo 5, n. 4, alínea, da Directiva — enquanto causa de impedimento — se refere exclusivamente a factos praticados acordos no âmbito de um determinado procedimento ou em vista e na preparação da apresentação de propostas num certo procedimento; U)	Sendo, portanto, completamente deslocada a convocação por parte do Tribunal a quo do cânone de interpretação em conformidade com o direito da União Europeia, para, por essa via, "reescrever" o artigo 7, n. 2, alínea, do CCP;  )	Mas, mais importante ainda é que o artigo 7 do CCP diz respeito à exclusão de propostas, sendo que está em causa, no caso da alínea do seu n. 2, a exclusão de proposta "cuja análise revele": "a existência de fortes indícios de atos, acordos, práticas ou informações suscetíveis de falsear as regras da concorrência"; W)	Ou seja, é a própria letra da lei que afasta radicalmente a solução no sentido da aplicação da norma aqui em causa a práticas anticoncorrenciais exteriores ao procedimento; )	Conforme refere PEDRO COSTA GONÇALVES, a exclusão de propostas com fundamento no artigo 7, n. 2, alínea, do CCP preceito anterior às diretivas de, pressupõe a verificação da existência de fortes indícios em relação a situações ocorridas no desenvolvimento do procedimento; nos termos literais do preceito, a proposta tem de revelar esses indícios.