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Perfilhando-se aquele entendimento e equacionando, depois, a aplicação da referida alínea, não se vê como enjeitar a perspectiva de que a alusão na parte final à palavra "família” se tem de entender como referida às "acções sobre o estado das pessoas, ou seja, fazendo qualificar o conceito de estado usado no seu sentido restrito”8 - atendendo ao seu significado na linguagem corrente e apenas para se reportar a situações em que esteja em causa o posicionamento das pessoas relativamente ao casamento, união de facto ou economia comum, introduzindo a citada alínea, de carácter mais genérico e abrangente, no sentido de abranger toda e qualquer acção que se relacione com essas situações e cuja inclusão nas demais alíneas pudesse, eventualmente, suscitar algum tipo de dúvida9 -, e bem assim que o legislador terá certamente pretendido abranger o caráter fluído e flexível que hoje carateriza a vida familiar, que não se restringe a laços decorrentes do casamento, como sucede quando os progenitores não estão casados entre si, podendo essa relação ser ou não estável, e sabendo-se que estamos perante uma diversidade constitutiva da família e de distintos níveis de relacionamento da vida em família, que a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos tem vindo a reconhecer a partir do artigo 8 da CEDH10, razão pela qual a leitura mais consistente do segmento normativo em causa ao referir-se a "outras ações relativas ao estado das pessoas e família” se reporta às condições ou qualidades pessoais que têm como fonte as relações jurídicas familiares, incluindo as resultantes das uniões de facto11, de modo a individualizar ou a concretizar a situação jurídica pessoal familiar, tendo em atenção a natureza complexa e multinível que actualmente tem a família.12  A descrita perspectiva mostra-se consentânea com a própria evolução da organização judiciária: os  Tribunais/Juízos de Família desde o momento em que foram criados pela Lei n. 4/70, de 24 e vieram a ser regulamentados, pela primeira vez, pelo n. 8/72 de 001, e até à legislação estão pensados/vocacionados para o conhecimento de acções que versem o ramo do Direito Civil do Direito da Família, ou seja, a longa tradição já sedimentada é a de conferir a competência daquele tribunal de competência especializada às acções em que há lugar à aplicação de normas de Direito da Família, sendo pacífico que em acções relativas às situações de união de facto se aplicam normas de Direito da Família cf., designadamente, os art.s  1793 - conjugado com a Lei n. 7/2001, de 15 - e  2020 do Código13, "embora no conceito de família alargada pela evolução das condições sócio-familiares”.14  Concluiu-se, assim, que a união de facto é legalmente reconhecida como uma relação jurídica familiar, ligada ao estado das pessoas e família, pelo que, materialmente, a presente acção de reconhecimento judicial da união de facto se insere na competência do Juízo de Família e Menores, no caso vertente, atribuída ao Juízo de Família e Menores do Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra.