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A Recorrida obrigava-se a transportar a mercadoria da Recorrente, que consistia em mobiliário, de Portugal para França, mediante pagamento do preço;  Ficou estipulado que o serviço de entrega dessa mercadoria seria em regime de "entrega expresso”;  A mercadoria teria que ser entregue impreterivelmente no dia 24 de Maio de 2018;  A Recorrida não só não procedeu à entrega da mercadoria na data expressa e imperativamente acordada;  Como perdeu completamente o rasto à mercadoria que lhe havia sido entregue para transportar;  E não se bastou pela perda absolutamente negligente do rasto da mercadoria;  A partir da data em que não entregou a mercadoria como se havia obrigado, nunca indagou junto de quem quer que fosse sobre o sucedido, bem como nunca tentou localizar a mesma;  Interpelada sistematicamente pela Recorrente a Recorrida nunca prestou quaisquer informações à mesma;  A Recorrente nunca assumiu qualquer postura diligente ou activa no sentido de insistir junto da sua subcontratada ou quaisquer por informações ou explicações acerca da mercadoria transportada;  O contrato descrito nos autos respeita a um contrato de transporte internacional de mercadorias por estrada, regulado pela Convenção Relativa ao Contrato Internacional de Mercadorias por Estrada;  O transportador é efectivamente responsável pela perda total ou parcial da mercadoria transportada;  É apanágio do nosso ordenamento jurídico que o responsável pelo dano está obrigado a reparar integralmente o dano sofrido pelo lesado;  No âmbito da CMR está efectivamente previsto um regime especial de indemnização, limitando o seu valor;  Essa limitação da indemnização não ocorre se o dano provier de dolo do transportador ou de falta que lhe seja imputável e que, nomeadamente segundo a lei portuguesa, seja considerada equivalente ao dolo;  Quando houver dolo do transportador ou falta equivalente, a indemnização deve reparar integralmente os danos verificados;  A jurisprudência dos tribunais superiores tem entendido, para os efeitos do artigo 29 da CMR, como falta equivalente ao dolo, a negligência ou mera culpa que, conjuntamente com o dolo, faz parte da culpa lato sensu;  No regime jurídico português, que equipara o dolo e a mera culpa, para efeitos de responsabilidade contratual, o transportador, com um comportamento meramente negligente, não beneficia da exclusão ou limitação da sua responsabilidade prevista na CMR;  Dúvidas não persistem de que a Recorrida deve indemnizar a Recorrente pela totalidade dos danos dados como provados em sede de audiência de julgamento decorrentes do incumprimento do contrato em crise nos autos;  Incumbia à Recorrida ser diligente e zelar pela conservação da mercadoria enquanto a mesma se encontrasse sobre a sua posse, evitando que se perdesse sem paradeiro e se deteriorasse ao ponto em que posteriormente foi encontrada;  A Recorrida teve um comportamento totalmente inesperado, irresponsável, negligente e totalmente desfasado da actuação do homem médio;  Incumpriu com o prazo de entrega "EXPRESSO” contratualmente estipulado;  E perdeu absolutamente o rasto a uma mercadoria com 210kg, prestando em cada uma das sucessivas interpelações ao longo de vários dias seguintes, informações inócuas à Recorrente quanto à sua localização;  Acabando por ser esta a responsável pela localização da mercadoria que, por sua vez, se encontrava totalmente destruída;  A Recorrida encontrava-se no dever de custódia da mercadoria, velando pela sua guarda e rastreando o seu paradeiro, tal como o faria um bonus pater famílias, o que manifestamente não fez;  Por tal, deve a Recorrente ser indemnizada pela totalidade dos danos e prejuízos dados como provados em sede de audiência de julgamento decorrentes da actuação grosseiramente negligente da Recorrente.