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Dito de outra forma, o crime pelo qual foi o arguido condenado é um crime de perigo comum abstracto, o que significa que o tipo não pressupõe que seja colocado em perigo um qualquer outro bem jurídico – característica típica dos crimes de perigo concreto –, bastando-se o legislador com a perigosidade associada à mera detenção de armas proibidas e à potencial capacidade de as mesmas serem utilizadas para lesar e lesarem outros bens jurídicos.5 Nas palavras de Paulo Pinto de Albuquerque, «no crime de perigo abstracto o tipo não inclui a colocação em perigo de bem jurídico, mas o perigo constitui o motivo da incriminação, verificando-se uma presunção inilidível de perigo associada à conduta típica»  Não obstante esta incorrecta fundamentação quanto à apontada matéria, a medida concreta da pena fixada na decisão recorrida – 1 ano e 2 meses de prisão – mostra-se adequada às circunstâncias do caso, pois, não obstante a actual inserção social e profissional do arguido, o mesmo detinha duas armas proibidas em condições de rápido e fácil acesso para utilização – como se explica na decisão recorrida, não no fundo de um armário mas na quartela da porta da viatura que conduzia –, é a quinta vez que é condenado pela prática deste ilícito, sendo que cometeu o crime no período da suspensão da execução da pena da anterior condenação pelo mesmo ilícito penal, tendo sofrido ainda as outras condenações, ponderadas na decisão recorrida em sede de antecedentes criminais, pela prática de um crime de tráfico de estupefacientes oito anos de prisão) e dois crimes de ofensa à integridade física penas de.