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Foi também nesta mesma linha de entendimento que, quer o Tribunal de 1 Instância, quer o Tribunal da Relação, consideraram que se tratava de uma questão de perda de oportunidade ou "perda de chance” processual, não obstante divergirem, quer quanto aos índices de probabilidade a exigir para o reconhecimento da perda de chance como dano autónomo, quer quanto à existência do nexo de causalidade entre o facto ilícito e culposo resultante da conduta do réu BB e o dano resultante da sua condenação no pagamento da quantia de €4000,0 Com efeito e não obstante a sentença proferida pelo Tribunal de 1 Instância ter defendido que a perda de chance só se traduz num dano autónomo e, portanto, qualificável como dano emergente desde que o lesado prove, com elevado grau de probabilidade, que obteria certo benefício não fora a chance perdida, concluiu não ter o autor, no caso dos autos, logrado fazer essa prova, pois, contrariamente ao que alega, «não só a conjugação do referido documento particular anexo à contestação que foi desentranhada, com a demais prova produzida e assente, e bem assim com a ausência de qualquer facto alegado pelo autor nesse sentido, no respetivo articulado, tem a virtualidade de, sem mais, afastar a sua participação e responsabilidade no incumprimento do referido contrato-promessa, como, contrariamente ao que alega, não poderia o mesmo invocar a invalidade do contrato promessa de compra e venda das garagens, por falta de forma, pois, como é sabido, trata-se de uma nulidade mista ou atípica decorrente da inobservância dos requisitos estabelecidos nos ns 2 e 3 do artigo 41 do Código Civil e que não pode ser invocada por terceiros, nem declarada oficiosamente pelo tribunal, e o promitente vendedor apenas poderá invocar a omissão de tais requisitos quando tenham sido culposamente causados pela outra parte, ou seja, pela promitente compradora, o que não foi alegado nem sequer demonstrado nesta ação.» Concluiu, assim, que «não obstante ter ficado demonstrado que o réu BB praticou um ato ilícito e culposo ao não ter cuidado de proceder ao pagamento da multa devida, assim evitando o desentranhamento da contestação, a verdade é que não logrou o autor alegar nem provar que, ainda que a contestação apresentada não tivesse sido desentranhada, existiria uma probabilidade consistente e elevada de obter vencimento na ação, ao que acresce que também um eventual recurso da sentença proferida não determinaria decisão distinta face à factualidade provada e à impossibilidade de, nessa sede, poder já ser invocada a referida nulidade e de serem apresentados documentos que deveriam ter sido juntos com a contestação», e que «não só não ficou demonstrado o dano resultante da perda de oportunidade do autor contestar e obter ganho de causa, como inexiste o necessário nexo de causalidade entre o facto ilícito e culposo resultante da conduta do réu BB e o dano resultante da sua condenação no pagamento da quantia de €4000,00».