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A este respeito, depõe em desfavor do arguido, no tocante à culpa, o elevado grau de intensidade da vontade criminosa, revelada pelo número de golpes desferidos numa zona do corpo do ofendido onde se alojam órgãos vitais, não tendo havido outros em virtude da defesa daquele com o braço esquerdo, onde sofreu diversos cortes; o exasperado grau de ilicitude do facto, traduzido numa agressão de surpresa, sem qualquer pré-aviso; pelas costas do ofendido e na presença de uma criança de 16 meses; o modo de execução do crime, através de um instrumento corto-perfurante, reduzindo significativamente as possibilidades de defesa do ofendido; a personalidade do arguido, com diagnóstico de Perturbação de Personalidade Paranóide, circunstância ambivalente que, por um lado, contribui para reduzir o grau de culpa e, por outro, contribui para aumentar as exigências de prevenção especial, sobretudo tendo em conta a elevada propensão para o uso da agressividade física, a falta de controlo inibitório do comportamento, correspondendo a alguém que exibe um risco de violência elevado, associado a estados de desrealização face à exposição a certas situações/estímulos; as elevadas exigências de prevenção geral verificadas no caso, sendo patente a repulsa social quanto a este tipo de crimes, a reclamar reacção visível e severa por forma a repor a confiança da comunidade na vigência da norma violada; a situação de desemprego e de instabilidade profissional e afectiva; a inexistência de qualquer espécie de remorso ou arrependimento activo, designadamente revelado pela ausência de qualquer conduta destinada a reparar as consequências do crime, de empatia pelas vítimas e pela opção por um discurso de vitimização.