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Em suma: -Face ao disposto no art 3/3, do TUE, nos artigos 101, 119/1 e 2 e 120 do TFUE, no considerando 101 da Diretiva 2014/24/UE e no seu art 57/4/alínea e 5, tem de concluir-se que a sentença procedeu a uma interpretação desconforme do artigo 70/2/g), do CCP, face ao Direito da União Europeia e aos valores e princípios que devem nortear e reger a contratação pública, mormente a concorrência; -Seja porque os Tribunais nacionais zelam pela aplicação do Direito da União Europeia na ordem interna dos Estados-membros, seja porque a concorrência se assume como um valor central da ordem jurídica, de interesse público e tutelado pelo Direito Público, a sentença recorrida não pode, a nosso ver, ser mantida na ordem jurídica; -É que, face ao invocado Direito originário e derivado da UE e considerando que, de acordo com o TJUE, a concorrência é o valor mais destacado do Direito da Contratação Pública, da chamada interpretação conforme do art 70, n 2, alínea, do CCP ao Direito da União resulta que a proposta da então concorrente F. tinha de ser excluída pelo júri do concurso em virtude de, repete-se, três semanas antes da elaboração do relatório final, ter a ora Recorrida particular sido condenada ao pagamento de uma coima pela pela prática de infrações muito graves à Lei 19/2012, de 08/5;  -Temos para nós que, dadas as preocupações comunitárias e nacionais com as problemáticas do risco da degradação das propostas e da necessidade de acautelamento do cumprimento de todas as obrigações concorrenciais, que a interpretação que o Tribunal a quo efectuou do artigo visado do CCP não absorveu o espírito da lei; -Na verdade, a verificação de quaisquer ofensas jus-concorrenciais passadas, e por isso, estranhas ao procedimento adjudicatório em questão, não podem deixar de se refletir e de ter reflexo na vasta amplitude da exclusão da proposta; -Os Tribunais têm de fazer tudo o que for da sua competência, tomando em consideração o direito interno, considerado no seu todo e aplicando os métodos de interpretação, no sentido de se alcançar uma "fair”, "equitable”, "fair-minded”, "honest”, justa composição do litígio; -Dito de outro jeito, as reveladas ofensas jus-concorrenciais não podem merecer a tutela do Direito - nacional e/ou europeu - nem gozar do beneplácito judicial; -Com efeito, como bem aduz e sustenta a Autora, os motivos de exclusão têm como fundamento um ingrediente essencial da relação do adjudicatário do contrato com a autoridade adjudicante, a saber, a fiabilidade do primeiro, no qual assenta a confiança que a segunda deposita naquele.