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ta importância que tais peças assumiam para o arguido se sentir "obrigado” a realizar o transporte de cem quilos de estupefaciente que a dita pessoa lhe propôs como contrapartida de conseguir o fornecimento ao arguido de tais peças de vestuário, contrapartida a que acresceriam vinte euros; depois ainda, não se compreende o motivo pelo qual o arguido só em Lisboa teria sabido que necessitaria de um "batedor” para realizar o referido "transporte”, já que se o arguido era um amador, certamente que os seus alegados mandantes o não seriam, tendo corrido o risco de enviar um transportador, que, afinal, não poderia realizar o transporte; só que, na versão do arguido, afortunadamente ter-se-ia lembrado de um motorista de uma amiga da sua família, que poderia assegurar consigo o transporte do estupefaciente, tendo contactado a dita amiga, informando-a que necessitava dos serviços dos seu motorista, sem a esclarecer sobre o motivo de tal necessidade, ao que a sua amiga lhe teria dito que assegurava os préstimos daquele motorista e não só assegurou como também ela se terá deslocado a Lisboa de automóvel, acompanhando o dito motorista – o arguido – e percorrendo mais de dois e duzentos quilómetros, para depois deixar o motorista e a sua viatura, regressando de avião à Suíça; depois ainda, o arguido teria finalmente revelado a que necessitava da sua ajuda para transportar cem quilos de cocaína entre Lisboa e Madrid a troco de cinco euros, novamente correndo o risco de não aceitar tal incumbência, como sucederia com a esmagadora maioria das pessoas – para mais com o enquadramento social, familiar e profissional em que arguido alegou inserir-se -, mas o arguido acabou por aceitar o serviço; nada disto é credível, por se mostrar totalmente avesso às mais elementares regras de experiência comum; de igual falta de credibilidade padecem as declarações do arguido ; este arguido teria, segundo afirmou, aceitado fazer um serviço de motorista para transporte de dinheiro, sem outros esclarecimentos, a troco de euros, o que o determinou a afastar-se da sua família e a fazer mais de dois quilómetros em viatura automóvel, tendo-lhe, apesar disso, conferido o direito a estadia em dois hotéis de Lisboa por cerca de uma semana e a visita a alguns restaurantes da cidade, como se comprova dos documentos que lhe foram apreendidos; esse serviço, afinal, tinha-se convertido no transporte de cem quilos de cocaína a troco de cinco euros, serviço que o arguido apenas aceitou fazer por se sentir encurralado em Lisboa, onde até tinha uma viatura – a da sua empregadora – à sua disposição, não sendo certamente impossível, se tal fosse efectivamente necessário, pedir ajuda à sua família ou às autoridades, considerando até que o arguido é um cidadão europeu e se encontrava dentro do espaço Schengen, onde, ademais, parece mover-se com alguma facilidade, como dá nota a viagem que realizou com a viatura Audi Q5 inicialmente apreendida nos autos, comprovada pelos documentos juntos a fls.