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Com efeito, à semelhança do que se verifica no plano da prova, o tratamento jurídico do quadro factual apurado não pressupõe uma certeza absoluta, lógico-matemática ou apodítica 12 relativamente à sua completude, sendo irrelevante a mera probabilidade deverificação de dimensões factuais que não tenham sido apuradas maxime, quando as mesmas não são sequer suscitadas no.13 Sob pena de o Direito falhar clamorosamente na sua função essência de instrumento de paz social e de realização da justiça, a prova assenta na certeza relativa ou histórico-empírica dos factos 14, ou seja, noutras palavras, mas com o mesmo alcance: no alto grau de probabilidade de verificação dos factos, suficiente para as necessidades práticas da vida; 15 no grau de certeza que as pessoas mais exigentes da vida reclamariam para dar como verificado o determinado facto; 16 na consciência de um elevado grau de probabilidade convicção), assente no raciocínio lógico do juiz e não em meras impressões.17” Na consideração, pois, de tudo o que se disse anteriormente, importando agora decidir o caso que se aprecia, não encontrando as premissas de que parte a Apelante suficiente sustentação na factualidade provada, em particular quando parte do pressuposto não de que a explosão tenha ocorrido na sequência de rebentamento de uma das latas que se encontravam no contentor ou junto desse, não se pode concluir, e muito menos como a norma o exige, que o acidente tenha sido devido, muito menos como causa exclusiva, do comportamento do Sinistrado – importa não esquecer que a descaraterização do acidente constitui um facto impeditivo do direito reclamado pelo autor, competindo ao réu a prova da materialidade integradora dessa descaraterização, na dupla vertente antes mencionada.