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Estamos perante realidades perfeitamente compatíveis, dado que de acordo com as regras do normal acontecer só uma pessoa com uma frágil situação económica social e familiar, isto é, numa situação de desespero, de pobreza extrema em que vivia, podia aceitar as condições de trabalho que o arguido lhe propôs, nomeadamente viver num atrelado de pequenas dimensões, onde dormia, sem água potável, casa de banho ou eletricidade e sem qualquer isolamento térmico, a ponto de a testemunha JO, que morava numa casa próxima, que denunciou os factos, ter referido que andou a colocar "borrachas” na porta do atrelado, certamente a pedido da vítima,  para vedar a entrada do frio; a vítima não ser inicialmente titular de qualquer contrato de trabalho escrito  e auferia a quantia € 75,00 por semana, apesar de trabalhar todo o dia da parte da manhã e da parte da tarde até cerca das 20h.