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Dos Factos  Realizada a audiência de julgamento, o tribunal considera provados, com interesse para a decisão da causa, os seguintes factos:  No início do ano lectivo de 2013/2014, os arguidos AA e BB frequentavam a Universidade de Évora, encontrando-se inscritos como alunos dessa Universidade;   O arguido BB estava inscrito no 1 ano do Curso de Relações Internacionais;   A arguida AA fazia parte do "Conselho de Notáveis”, sendo que este é reconhecido pela Universidade de Évora e as suas principais funções consistem em preservar e fazer respeitar a tradição académica e organizar as cerimónias que da mesma fazem parte;   Está incluída nessa tradição académica a praxe académica;   A Universidade de Évora, através do seu Reitor, toma conhecimento das actividades do "Conselho de Notáveis”, entre as quais se incluem as reuniões gerais com alunos do primeiro ano acerca da praxe académica e de todos os cuidados que deverão ter no âmbito da mesma;   Tais reuniões decorrem no interior da Universidade;   No âmbito da aludida praxe, os alunos do primeiro ano são praxados, ou seja recebem ordens ou são submetidos a provas, exercícios e outras actividades determinados pelos alunos mais velhos ou pelos "notáveis” membros do referido "Conselho de Notáveis”), a quem obedecem;   A realização das praxes está proibida no recinto da Universidade, por despacho de 20 de Outubro de 2008 do Reitor da Universidade de Évora, mas as reuniões para dinamização, divulgação e preparação da praxe decorrem no interior da Universidade, em salas desta, cedidas para o efeito;   Os estudantes do primeiro ano que vão ser praxados eram normalmente aguardados à porta das salas onde decorrem as aulas ou do lado de dentro dos portões da Universidade;  1 Também no ano lectivo de 2013/2014 estava inscrito no primeiro ano de Relações Internacionais, pertencendo à turma do arguido BB, o assistente ;  1 O assistente é uma pessoa alta e forte, que depois de ter engordado mais de 20 quilogramas por dificuldade de mobilização após 18 de Setembro de 2013, apresentava, em 17 de Novembro de 2015, 129 quilogramas de peso;  1 No dia 18 de Setembro de 2013, no período compreendido entre as 18h00m e as 19h00m, logo após o final de uma aula, os estudantes do primeiro ano de Relações Internacionais, entre os quais o arguido BB e o assistente, foram levados pelos estudantes mais velhos, que os aguardavam do lado de dentro dos portões da Universidade para o Largo dos Colegiais, nesta cidade de Évora, situado em frente à Universidade de Évora;  1 O espaço do Largo dos Colegiais é relvado, tendo algumas árvores e empedrado e é constituído por um terreno em declive e irregular, o qual na data referida no ponto 11 dos factos provados tinha buracos no relvado; 1 O arguido BB e o assistente participaram nas praxes;  1 A dado momento o assistente cumpriu uma ordem ajoelhado, na parte mais baixa do relvado, e depois de se levantar subiu o terreno relvado para junto dos outros estudantes, que estavam junto a um muro, na parte mais alta;  1 A dado passo, quanto o assistente vinha a descer da zona do muro para a parte mais baixa do relvado, a arguida AA, que estava a praxar, ordenou ao arguido BB que desse um abraço ao assistente;  1 Quando o arguido BB se aproximou do assistente para cumprir a ordem que lhe fora dada, o assistente opôs-se a que aquele lhe desse um abraço, esbracejando e esquivando-se;   1 Nesse momento o arguido BB dirigiu-se à arguida AA, dizendo-lhe que o assistente não queria que lhe fosse dado um abraço;  1 Quer o arguido BB, quer a arguida AA tomaram conhecimento e tiveram perfeita consciência de que o assistente não queria e se opunha a que o arguido BB o abraçasse ou agarrasse;  2 Não obstante, a arguida AA insistiu em ordenar ao arguido BB que desse um abraço ao assistente;  2 O arguido BB dirigiu-se então ao assistente e deu-lhe um abraço, rodeando-lhe o tronco com os braços, enquanto se encontravam os dois virados de frente um para o outro, ou seja, com o peito de um a tocar no peito do outro;  2 Nessa ocasião o assistente encontrava-se virado de frente para a parte de baixo do relvado, enquanto o arguido BB se encontrava virado de frente para o muro superior;  2 No momento em que o arguido BB o abraçou, o assistente deu um passo atrás e desequilibrou-se devido a um buraco existente no relvado, caindo ambos ao solo;  2 Como consequência directa e necessária dessa queda, resultaram para o assistente traumatismo do tornozelo esquerdo, com fractura e luxação da tibiotársica, que determinaram que até 17 de Novembro de 2015 fosse submetido a três intervenções cirúrgicas, fosse seguido em tratamento de fisioterapia e determinaram, também directamente, pelo menos doença pelo período de 476 dias, todos com incapacidade para o trabalho, e deixaram como sequelas permanentes edema do tornozelo esquerdo, rigidez do tornozelo na flexão dorsal do pé, três cicatrizes laterais no tornozelo, duas na face interna, uma na vertical com 3 e outra oblíqua com 6 , e uma na face externa com 9cm;  2 O assistente foi assistido no Hospital do Espírito Santo de Évora;  2 Ao realizarem uma actividade da praxe, os arguidos sabiam que o tinham de fazer de modo a não causar lesões físicas ao assistente;  2 Os arguidos sabiam que na ocasião referida no ponto 17 dos factos provados o assistente não consentiu naquela actividade e se lhe opôs, quer esbracejando, quer esquivando-se;  2 A arguida AA é técnica de operações no "BNP Paribas”, auferindo a remuneração mensal bruta de € 975;  2 Vive juntamente com colegas em casa arrendada, pagando da sua parte a renda mensal de € 280;  3 Tem como habilitações literárias a licenciatura em Relações Internacionais;  3 O arguido BB encontra-se desempregado, não recebendo qualquer quantia a título de subsídio de desemprego;  3 Vive com os pais, em casa destes;  3 Tem como habilitações literárias a licenciatura em Relações Internacionais;  3 Dos certificados de registo criminal dos arguidos não constam quaisquer averbamentos.