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", continuando o "Banco  .. , S.A." como proprietário dos dinheiros aí existentes e, por isso, nenhuma deslocação de propriedade se verificou; 10 - O que se deixa exposto reveste manifesta pertinência em face do depoimento de  .. , legal representante da empresa " J... , Lda.”, o qual no depoimento que prestou em audiência no dia 02 de Junho de 2015, declarou inequivocamente que apesar da identificada transferência ter sido processada, o "Banco  .. , S.A.", enquanto proprietário do dinheiro, lhe retirou da conta a indicada quantia de 331,37€, com a argumentação de que tal transferência fora indevidamente processada, tal como resulta da seguinte passagem do seu depoimento:  Passagem com início ao minuto 07:06 e termo ao minuto 08:03; 11 - Resulta assim evidente que o "Banco  .. , S.A.” ao reter/retirar a quantia que foi transferida para a firma " J... , Lda.” atuou como proprietário do dinheiro das contas, inexistindo qualquer deslocação da propriedade mercê das transferências alegadamente processadas pelo arguido; Desta forma, 12 - Não se poderá também concluir como se afirma na sentença recorrida, que o arguido se apropriou das quantias derivadas das identificadas transferências, integrando-as no seu património, o que fez comportando-se como se fosse o proprietário do dinheiro; trata-se de uma mera conclusão que não se mostra alicerçada em factos concretos, sendo que da factualidade provada não resulta que o arguido tenha praticado qualquer ato objetivamente idóneo e concludente, nos termos gerais - "uti dominus”, sendo exatamente nesta realidade objetiva que se traduz a "inversão do título de posse ou detenção” e é nela que se traduz e se consuma a apropriação; 13 - Porque assim não decidiu, o Tribunal a quo violou o preceituado no artigo 205, n. 1, do Código Penal; Por outro lado, 14 - Apesar do arguido ter negado a prática dos factos, na fundamentação da decisão sobre a matéria de facto, e mediante o recurso a prova indireta e indiciária, considerou o Tribunal a quo que foi o arguido que efetuou as identificadas transferências bancárias através da utilização do seu "user”, ou seja do código que lhe permitia o acesso ao sistema informático interno do "Banco  .. , S.A.”; Neste enquadramento, 15 - O arguido negou a prática dos factos, sendo que tal como foi reconhecido na motivação processada pelo Tribunal a quo não foi produzida qualquer prova direta nos autos, nomeadamente testemunhal, donde se pudesse extrair que foi o arguido que processou as identificadas transferências mediante a utilização da sua "user”; 16 - Por outro lado, e também como foi reconhecido na motivação processada pelo Tribunal a quo, não resulta da matéria de facto considerada provada, ou de qualquer outro elemento do processo, com que motivação e intenção terá agido o arguido, sendo certo que também não resultou provado que o arguido tenha integrado no seu património as quantias referentes às transferências bancárias; Além disso, 17 - Também não resultou sequer provado que o arguido tenha tido qualquer benefício com a realização das transferências, nomeadamente e a título exemplificativo, recebendo contrapartidas dos beneficiários das transferências; Outrossim, 18 - Resulta da fundamentação da decisão sobre a matéria de facto que o Tribunal a quo formou a sua convicção no sentido de que foi o arguido que efetuou as transferências por as mesmas terem sido efetuadas com o seu código pessoal, por o arguido ter tido de alguma forma participação ou contacto com os beneficiários, e tendo por referência e suporte os depoimentos das testemunhas  .. ,  H...  e  .. ; Isto posto, 19 - Atenta a falta de prova da motivação com que o arguido terá agido, e a completa ausência de prova no que respeita a benefícios ilegítimos pelo mesmo auferidos com as identificadas transferências bancárias, haverá que conceder que a prova indiciária indicada pelo Tribunal a quo não é suficientemente firme, segura e sólida para através dela se estabelecer a conclusão considerada provada de que foi�� efetivamente o arguido que procedeu às transferências em questão; 20 - É certo que as transferências foram efetuadas com a "user” do arguido, traduzido num código pessoal e intransmissível, tal como por este foi aceite em audiência de julgamento, mas daí não se poderá retirar a conclusão de que tal código, mercê da sua utilização diária, não é suscetível de ser visionado, decifrado e/ou apreendido por outrem; 21 - Note-se que, e tal como se reconheceu na motivação processada, com o arguido trabalhavam mais três funcionários, em agência de reduzidas dimensões, existindo entre todos uma relação de confiança, e sendo certo que era frequente e constante a utilização diária por cada um deles da sua "user”, e entre 5, 20 ou 30 vezes por dia, tal como resultou do depoimento da testemunha  B... , na seguinte passagem:  Passagem com início ao minuto 27:30 e termo ao minuto 31:15; 22 - Sendo, pois, de conceder, segundo as regras da experiência comum que a "user” do arguido pudesse ser visionada e decifrada, atenta a sua frequente utilização em conjugação com as descritas condições de trabalho; Por outro lado, 23 - Se nos debruçarmos sobre cada uma das transferências processadas, em conjugação com a falta de prova no que respeita à motivação do arguido e à ausência de benefícios com a realização das mesmas, é de conceder segundo as regras da experiência comum que resultem sérias dúvidas de que tenha sido o arguido o respetivo autor; 24 - É que não se poderá olvidar que durante mais de 10 anos, o "Banco  .. , S.A." confiou ao arguido as funções de diretor comercial do balcão de  ...) , sem qualquer antecedente semelhante conhecido; 25 - Não se justificando à luz das regras da experiência comum que o arguido, ocupando há largos anos um cargo bancário de responsabilidade, tenha efetuado a identificada transferência bancária 000,00€) a favor de  E...  e mulher  F... , pois que nem sequer os conhecia, nem nunca com eles tratou qualquer assunto bancário, por os mesmos se dirigirem apenas ao funcionário  G... , sendo que até foi este funcionário  G...  que lhes prometeu a reposição dos juros relativos ao resgate antecipado, tal como resulta das seguintes passagens do depoimento de  E... :  Passagem com início ao minuto 06:12 e termo ao minuto 08:01; E do depoimento de  F... :  Passagem com início ao minuto 00:57 e termo ao minuto 01:37;  Passagem com início ao minuto 05:38 e termo ao minuto 06:34;  Passagem com início ao minuto 12:22 e termo ao minuto 13:04; Outrossim, 26 - Também não é de todo crível segundo as regras da experiência comum que o arguido, na qualidade de diretor de balcão, tenha efetuado a identificada transferência bancária a favor de  H...  no avultado montante de 2500,00€, com o qual não tinha qualquer relação de amizade, sem qualquer contrapartida de juros, e em altura em que esta testemunha, segundo declarou, já tinha crédito bancário hipotecário aprovado pelo "Banco  .. , S.A."; Mas mais, 27 - É de todo antagónico com as regras da experiência comum que esta testemunha com problemas de restruturação de dívidas bancárias por virtude de incumprimentos, declare ao Tribunal que pretendia contratar com o Banco um empréstimo no montante de 2500,00€, que se propunha pagar o mesmo em largo decurso temporal superior a 10 anos, e que por virtude da identificada transferência, aliás não solicitada pelo mesmo, tenha pago esse exato valor ao arguido no prazo de 1 ano, sem juros, e em 4 prestações, e sem qualquer documento de suporte que sustente tal contratação ou pagamentos alegadamente processados, tal como resulta das seguintes passagens do seu depoimento:  Passagem com início ao minuto 00: 19 e termo ao minuto 00:32;  Passagem com início ao minuto 04:25 e termo ao minuto 05:34;  Passagem com início ao minuto 01:03 e termo ao minuto 03:12;  Passagem com início ao minuto 05:35 e termo ao minuto 07:55;  Passagem com início ao minuto 11:10 e termo ao minuto 14:23;  Passagem com início ao minuto 16:20 e termo ao minuto 19:07;  Passagem com início ao minuto 23:59 e termo ao minuto 25:30;  Passagem com início ao minuto 26:07 e termo ao minuto 26:45; De facto, 28 - Este depoimento revelou-se manifestamente contra a lógica das coisas, e do senso comum, sendo que por não ter o mínimo de sustentação, nomeadamente documental, são variadas as ocasiões em que o Tribunal a quo também manifestou a estranheza do respetivo relato, pelo que não poderá ser minimamente valorado; Por fim, 29 - Resta-nos a transferência a favor de " J... , Lda.” no indicado valor de 331,37€, suportado no depoimento do seu legal representante  .. , sendo que, nesta parte, haverá também que atentar que o empréstimo a título pessoal no exato valor de 331,37€ que o identificado  ..  refere ter processado ao arguido não encontra expressão em qualquer prova, nomeadamente documental, nem sequer se apurou a proveniência e o destino desse exato montante de 331,37€, pelo que o Tribunal a quo apenas e só deveria ter considerado o alegado mútuo como inexistente, é o que resulta do seu depoimento, nas seguintes passagens:  Passagem com início ao minuto 11:32 e termo ao minuto 12:29;  Passagem com início ao minuto 13: 11 e termo ao minuto 13:36;  Passagem com início ao minuto 15:02 e termo ao minuto 15:30;  Passagem com início ao minuto 16:16 e termo ao minuto 18: 17; Aliás, 30 - Ao contrário do referido por esta testemunha não resulta sequer do documento�� a que faz referência, e constante de fls.