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É de admitir essa exceptio sempre que, existindo um nexo de correspondência ou de reciprocidade entre as obrigações que, no âmbito dos contratos bilaterais, emergem para ambas as partes, ocorra um desequilíbrio injustificado e contrário às regras da boa fé, consagradas nos artigos 227 e 762, n 2, do Civil, configurando-se a exceptio como um meio de repor o equilíbrio contratual entre as prestações das partes   E, conforme vem sendo posição unânime da doutrina e da jurisprudência, este desequilíbrio contratual vale tanto para o caso de falta integral do cumprimento incumprimento temporário), como para o de cumprimento parcial ou defeituoso5, dependendo a procedência da exceptio, neste último caso, da demonstração pelo excipiens de que os efeitos da prestação realizada prejudicam, de forma relevante ou significativa, a satisfação do interesse visado no contrato   De realçar ainda, como refere João Abrantes7, que a exceptio non adimplente contractus só tem fundamento legal nas hipóteses de mora  incumprimento temporário) ou cumprimento defeituoso pelo devedor, mas já não se o devedor incorrer em situação de incumprimento definitivo, seja resultante da impossibilidade da realização da prestação  fortuita ou imputável ao devedor- art.