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Conclui a sua alegação de recurso nos seguintes termos: «1 - A presente acção tem natureza obrigacional, prendendo-se com a existência e validade entre as partes de um contrato de arrendamento e consequências do seu incumprimento; 2 - O A/ Recorrente esteva autorizado a celebrar com terceiros contrato de arrendamento definindo livremente a sua natureza e conteúdo, tendo o poder de a fruir como bem entender; 3 - Celebrou o contrato de arrendamento "sub judice”, sabendo a arrendatário que o locador se arrogava, não como proprietário, mas como titular do direito de retenção; 4 - Sabia ainda o locatário que a, Imóveis, S.A. havia já sido declarada insolvente; 5 - Pagou rendas e ocupou a fracção objecto do contrato enquanto quis, não tendo ainda procedido à respectiva entrega; 6 -Mais sabia o arrendatário que o administrador de insolvência não havia tomado posse efectiva de nenhuma das fracções autónomas integrantes da massa insolvente, que se mantinham, como hoje se mantêm, na posse dos promitente compradores: 7 - Assim, o arrendatário usufruiu do locado, constituindo-se na obrigação de pagar as correspectivas rendas; 8 - A questão de se apurar quais os direitos e obrigações do titular do direito de retenção, uma vez que a posse sobre o locado se manteve sempre na pessoa do A/Recorrente terá de ser decidida no processo de insolvência, onde já está suscitada, e não no presente processo, que tem natureza meramente obrigacional; 9 - Daí entendermos que o Meritíssimo Juiz "a quo” não podia tomar posição sobre tal questão, por lhe estar vedado neste processo e, assim, considerar o recorrente parte ilegítima por ter caducado o consentimento que a Imóveis, S.A. que lhe concedera anteriormente; 10 - Outro factor a considerar é que só o administrador de insolvência poderia ter levantado tal questão, através da intervenção de terceiros, espontânea ou provocada, o que não foi feito; 11 - Pelo facto do arrendatário ter outorgado o contrato e ocupado a fracção autónoma, pagando rendas e fruindo-o, estava-lhe vedado vir invocar a ilegitimidade própria e do Recorrente, pois tal configura inquestionavelmente a figura do abuso de direito na modalidade de "venire contra factum proprium”; 12 - Pois estava-lhe vedado assumir posições contrárias a outras anteriormente tomadas de boa fé, com criação de expectativas legítimas e causando um dano; 13 - Constituem elementos do "venire contra factum proprium”, o factum próprio, no caso, o contrato de arrendamento assinado, a tomada de posição contrária à posição assumida anteriormente, no presente caso, a invocação da nulidade do contrato por ilegitimidade, a inexistência de qualquer causa que legitime tomada de posição diferente, não houve qualquer alteração das circunstâncias existentes à data da celebração do contrato, mais se verificando um dano, causado ao A./Recorrente – neste caso o não recebimento da renda acordada; 14 - Pelo exposto, deverá ser considerado válido o contrato de arrendamento e a Ré ser condenada reconhecer tal validade e no pagamento das rendas vencidas e vincendas já peticionadas; 15 - Se assim se não entender, o que se não se concede, tendo o Réu/ Recorrido ocupado e fruído o locado até ao termo do contrato e não tendo pago as rendas respectivas, enriqueceu-se sem causa que o justifique, nesse montante, encontrando-se o A/Recorrente empobrecido nesse mesmo valor; 16 - A sentença recorrido violou, entre outras, as disposições constantes dos artigos 334 e 473 e seguintes do ;»  Em sede de contra-alegações, o Recorrido pugna pela manutenção da sentença recorrida, salientando que não foi peticionado em  Instância o pagamento a título de responsabilidade ou de enriquecimento sem causa, que o direito de retenção não legitima o respetivo titular a gozar e a fruir da coisa retida, que o Recorrente estava obrigado a restituir à massa insolvente a fração que foi apreendida em benefício desta, que sendo o contrato de nulo o que é de conhecimento não faz sentido apelar ao instituto do abuso do direito.