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Com efeito, além da celebração de contratos de trabalho redigidos em língua portuguesa, que estes cidadãos nepaleses outorgaram e assinaram sem que dominassem o português e que soubessem qual o conteúdo correspondente, a retenção abusiva e ilegal de quantias monetárias dos salários dos trabalhadores e do desconto ilegal de outras, como é o caso das que alegadamente seriam necessárias para efetuar as inscrições na Segurança Social, bem assim dos montantes cobrados pelo alojamento e pela alimentação, apesar da remuneração mensal ilíquida prometida e exarada nos contratos de trabalho de € 530,00 quinhentos e trinta, sujeita aos descontos legais e acrescida da quantia de € 1,70 a título de subsídio de refeição), quantias que nunca foram pagas, na totalidade e que eram entregues aos trabalhadores em montantes variáveis, de mês para mês, segundo o que o arguido NB, em seu livre arbítrio entendia pagar, a ponto de os trabalhadores nunca saberem, afinal, qual iria ser o seu salário, no final de cada mês, nem conseguirem prever qual seria esse valor, circunstâncias estas que, conjugadas com a situação irregular em que esta pessoas se encontravam em Portugal e com a vontade que todos tinham em estabelecer residência em Portugal, constituem, outros tantos indícios empíricos de especial vulnerabilidade, de acordo com a Convenção n 29 da OIT e no Human Trafficking and Forced Labour Exploitation: Guidance for Legislation and Law Enforcement, Genebra, 2005, págs.