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São as seguintes, as Conclusões aperfeiçoadas: 1 O Apelante/Recorrente cumpriu de forma cabal o ónus da prova que sobre si impendia, demonstrando a existência de um contrato de trabalho celebrado com a Recorrida, materialmente vigente ao longo de 19 anos, de harmonia com o previsto com a LCT aprovada pelo Decreto-lei n. 4408 de 24 de novembro de 1969, em vigor à data da celebração do contrato; 2 O aludido contrato celebrado entre o Apelante/Recorrente e a Recorrida implicava, além das funções médicas no âmbito da especialidade do primeiro em Ortopedia, e nesta qualidade prestando a sua atividade de cuidados médicos, outras funções, designadamente, as de diretor e coordenador clínico; 3 No âmbito destas últimas, o Apelante/Recorrente, garantia a definição de planos estratégicos na organização do serviço que dirigia e o tratamento de reclamações apresentadas quer por doentes, quer por funcionários ou terceiros, o que claramente é demonstrativo da inserção do Apelante/Recorrente na estrutura organizativa da Recorrida; 4 Ademais, o Apelante/Recorrente cumpria ordens e instruções do diretor clínico e do conselho de administração; 5 Além de que, o Apelante/Recorrente cumpria um horário de trabalho, fazendo prova da sua assiduidade e pontualidade através da assinatura de um livro de ponto e posteriormente por controlo biométrico; 6 Embora tivesse de emitir mensalmente, à Recorrida um "recibo verde”, 7 Não era o Apelante/Recorrente livre de escolher o material cirúrgico a utilizar no seu trabalho, nomeadamente próteses, uma vez que estas e outros materiais lhe eram impostos pela Recorrida no âmbito das suas funções cirurgias que, conforme, aliás, consta da prova, na sua maioria, documental que o Apelante/Recorrente apresentou e foi pura simplesmente ignorado pelo tribunal a quo, desconsideração esta confirmada pelo Tribunal da Relação ...; 8 De facto, uma análise crítica rigorosa feita aos elementos probatórios careados para aos autos, quer documentais quer testemunhais permitiriam concluir juridicamente que o contrato de trabalho celebrado entre o Apelante/Recorrente e a Recorrida deve ser considerado um contrato de trabalho; 9 De igual modo, no que diz respeito às ordens recebidas pelo Apelante/Recorrente provindas da Recorrida, a sua factualidade resulta de matéria conclusiva da análise rigorosa dos documentos probatórios juntos pelo Apelante/Recorrente aos autos, 10 Bem como da interpretação das normas jurídicas a operar na aplicação do direito, o que salvo o devido respeito, foi ignorado e desconsiderado pela Primeira Instância e pelo Tribunal da Relação ...; 11 Assim, consideraram aquelas Instâncias que pelo facto do Apelante/Recorrente ter emitido à Recorrida, mensalmente durante 19 anos, de forma contínua e ininterrupta, um "recibo verde”, tal circunstância descaracterizaria o contrato celebrado entre aqueles como sendo um Contrato de Trabalho; 12 Ignoraram, pois, reitere-se, que o objeto do contrato de trabalho celebrado entre o Apelante/Recorrente e a Recorrida implicava a prestação de uma atividade que, abstraindo de outras que iam para além das simples funções médicas, foram exercidas com uma autonomia relativa na medida em que aquele estava sujeito às ordens, instruções e diretivas dos seus superiores hierárquicos e do conselho de administração da Recorrida; 13 Ora, o Apelante/Recorrente fez prova em sede de tribunal ad quo da existência de um contrato de trabalho celebrado entre si e a Recorrida na medida em que provou os seus elementos essenciais: 14 A utilização de equipamentos do empregador e imposição do material cirúrgico a utilizar no âmbito da sua atividade, 15 O exercício das funções de diretor e coordenador do serviço de ortopedia, 16 O pagamento da contrapartida a cargo da Recorrida pelo trabalho prestado, 17 A sua inserção na estrutura organizacional e empresarial da Recorrida, enquanto sua entidade empregadora, sujeito, pois, às suas ordens, orientações e diretivas, 18 A prestação do trabalho sempre realizada nas mesmas instalações da Recorrida, sendo certo que esta tem inúmeras espalhadas pelo país; 19 O Apelante/Recorrente exerceu assim as funções de médico ortopedista e de diretor e coordenador do serviço de ortopedia ao serviço da Recorrida ao abrigo de um contrato de trabalho entre eles celebrado, na medida que a esta última aquele estava subordinado hierarquicamente e sujeito às suas ordens e diretivas; 20 Esclareça-se que e tal como ficou demonstrado em sede de tribunal ad quo, as funções que o Apelante/Recorrente exerceu ao serviço da Recorrida foram-no em moldes completamente diferentes de outras que aquele exerce em Entidades cuja prestação é, efetivamente, de autêntico prestador de serviços na medida em que: 21 Não tem subordinação de qualquer natureza, 22 Opera com as equipas cirúrgicas que livremente escolhe, 23 Utiliza o material e próteses com total autonomia, 24 Gerindo essa utilização e o seu tempo como quer e quando quer, com plena liberdade de movimentos; 25 Posto isto, tendo ficado totalmente demonstrado que o Apelante/Recorrente trabalhava para a Recorrida com subordinação jurídica e encontra-se integrado na sua estrutura organizacional dela recebendo ordens e diretivas, 26 E ainda que se diga que a Recorrida não pagava ao Recorrente subsídio de férias e/ou de Natal e que não efetuava descontos para a segurança social e que 27 O Recorrente emitia mensalmente um único recibo verde pelo exercício das suas funções como médico e como diretor e coordenador do serviço de ortopedia, 28 Certo é que essas circunstâncias desacompanhadas dos restantes pressupostos não podem afastar a qualificação da relação jurídica como sendo a de um "Contrato de Trabalho”, sendo que se outro tipo de relação foi estabelecido entre o Apelante/Recorrente e a Recorrida, foi imposta por esta para camuflar uma realidade subjacente a uma relação laboral.