Legal Document Excerpt:

Não obstante o que atrás se deixou dito sobre a realidade que se nos apresenta, relativamente ao sistema bancário, à rentabilização das aplicações financeiras que praticamente não e à actual conjuntura existente no nosso país, relacionada com a grave crise sanitária e económica que estamos a viver, e o facto de termos aderido à posição defendida no citado acórdão da RE de 22/03/2018, tendo em atenção o elevado montante da indemnização por danos patrimoniais futuros a que chegámos, as circunstâncias concretas do caso em apreço e a posição que vem sendo defendida pela jurisprudência dos nossos tribunais superiores embora em situações diferentes da dos presentes autos, não se vislumbrando um caso, entendemos que, neste caso do dano patrimonial futuro que integra o dano biológico, justifica-se que se proceda a um "desconto” ou "dedução” em função da antecipação do pagamento da indemnização, com recurso à equidade, havendo que ponderar o seguinte:  Embora se tenha provado que as sequelas de que o A. é portador são compatíveis com o exercício da sua actividade habitual, mas implicando esforços suplementares, também se provou que devido a tais sequelas o A. encontra-se incapaz de exercer actividades que impliquem esforços físicos, de realizar determinadas tarefas relacionadas com a sua profissão e actividades do seu dia-a-dia supra enunciadas nos factos provados, bem como de praticar qualquer actividade desportiva, como as que praticava antes do acidente, para além de ter as limitações físicas e a nível de condução de veículos automóveis descritas nos factos provados.