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Margarida Lima Rego, obra e p.. 2 Há que analisar a figura do anatocismo sem o anátema de proibição antiga e a unilateralidade da visão exclusiva do princípio favor debitoris, devendo ser colocada no outro prato da balança a perda simétrica que a mora dos juros gera na esfera do credor; 2 Se, como afirma o Tribunal a quo, o Autor, a Ré e o seu falecido marido quisessem fazer um simples "apuramento do valor atual em dívida”, jamais capitalizariam os juros vencidos; 2 Se, como afirma o Tribunal a quo, o A., a Ré e o seu falecido marido, apenas faziam "operações aritméticas” para "apuramento o capital em dívida”, não fazia nenhum sentido "dar sem efeito” os "apuramentos” anteriores, os quais explicam as ditas "operações aritméticas”; 2 No caso dos autos, "dar sem efeito as declarações anteriores”, aliado à capitalização de juros e às alterações da taxas de juros remuneratórios, significa precisamente extinguir uma obrigação anterior para a substituir por outra; 2 Não tendo a nova obrigação assumida em substituição das anteriores, respeitado a existência da forma legal, verifica-se a sua nulidade, com a consequente obrigação de restituição do capital mutuado, que no caso corresponde a €29532,50; 2 Existe um comportamento anterior e reiterado da Ré mulher e do autor da Herança, durante cerca de 18 anos, adequada a criar no A. como uma situação objectiva de confiança, no sentido de que a Ré o falecido marido iriam cumprir o acordado, pagando os juros estabelecidos até ao momento em que procedesse à restituição do capital mutuado, e no sentido de se confessarem devedores de todas as quantias, incluindo dos juros vencidos e não pagos, que de comum acordo aceitaram capitalizar.