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Considera-se que essas transformações tendem a aproximar os portugueses, nas suas "práticas e representações” da vida conjugal e familiar dos demais países da Europa.2 A família tem vindo a tornar-se gradualmente num espaço privado, de exercício da liberdade própria de cada um dos seus membros, na prossecução da sua felicidade pessoal, livremente, entendida e obtida, deixando o casamento de assumir, progressivamente, um carácter institucional, máxime, sacramental, sobretudo na componente da afirmação jurídico-estadual da sua perpetuidade e indissolubilidade, para passar a constituir uma simples associação de duas pessoas, que buscam, através dela, uma e outra, a sua felicidade e realização pessoal, e em que a dissolução jurídica do vínculo matrimonial se verifica quando, independentemente da culpa de qualquer dos cônjuges, se haja já dissolvido de facto, por se haver perdido, definitivamente, e sem esperança de retorno, a possibilidade de vida em comum.3 Porém, a questão que se coloca nos presentes autos é diversa e não se prende com a rutura da vida em comum, mas sim com a sua permanência em simultâneo com a pretensão expressa por ambos os requerentes no sentido de se divorciarem por mútuo consentimento.