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Claro está que uma tal tarefa há de partir, logicamente, da análise dos factos, no seu cotejo com a também apurada personalidade do seu agente, o que equivale por dizer que " o substrato da culpa, e portanto também o da medida da pena, não reside apenas nas qualidades do caráter do agente, ético-juridicamente relevantes, que se exprimem no facto, na sua totalidade todavia cindível” mas reside, isso sim, "na totalidade da personalidade do agente, ético-juridicamente relevante, que fundamenta o facto, e portanto também na liberdade pessoal e no uso que dela se fez, exteriorizada naquilo que chamamos a atitude da pessoa perante as exigências do dever-ser.”  De tudo isto cientes, e revisitando este peculiar aspecto da decisão recorrida constata-se que o tribunal ponderou os seguintes aspectos:   os antecedentes criminais do arguido, que descreveu em pormenor, e que considerava reveladores de uma personalidade claramente desviante e indiferente às sanções penais não detentivas da liberdade, que não o inibiram de prosseguir a sua actividade criminosa;   que, muito embora tenha confessado a quase totalidade da sua apurada conduta e se tenha declarado arrependido, não revelava adequado juízo de autocensura e vontade de se redimir, na medida em que minimizou ao máximo a sua culpa, desculpabilizando-se, vitimizando-se, responsabilizando terceiros;   que não mostrou empatia pelas pessoas que se sentiram enganadas e que ficaram prejudicadas e não ressarciu, ainda que parcialmente, as sociedades lesadas;   que o grau de ilicitude dos crimes de burla cometidos era acentuado, considerando que os cometeu ao longo de cerca de 8 anos;   que é elevado, nuns casos, e consideravelmente elevado, noutros casos, o prejuízo que causou às sociedades ofendidas, sendo igualmente muito elevada a vantagem patrimonial que conseguiu alcançar não inferior a 39844,00€);   que a sua culpa era muito acentuada, considerando a sua idade, o seu grau de instrução concluiu o Curso Profissional Geral de, a sua experiência de vida, o facto de ter explorado juntamente com a esposa um empresa de transportes, que acabou por fechar devido a problemas financeiros, o facto de não se ter deixado sensibilizar pelos problemas financeiros que sucessivamente causou às sociedades ofendidas, actuando sempre com o propósito de as enganar e de as fazer prestar serviços de transporte que nunca fez intenção de pagar, conduta que se considera deveras censurável, tanto mais que trabalho não lhe faltava, pelo que podia perfeitamente ter levado uma vida honesta, o que optou claramente por não o fazer;   que as exigências de prevenção geral eram intensas, atentos os bens jurídicos protegidos pelas normas violadas, sendo que, através da sua conduta, conseguiu enganar inúmeras pessoas e causar elevados prejuízos às ofendidas, em proveito próprio, o que é fortemente repudiado pela nossa comunidade.