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É incontestável e que não se pode/deve trazer para a apreciação do que aconteceu em Abril de 2004, em termos de cumprimento dos deveres de informação e de verificação do nexo causal, tudo o que entretanto se tornou público e que hoje sabemos, porém, não podemos deixar de afirmar que temos como certo que, se "um banqueiro dá informações inexatas a um cliente que, assim, adquire um mau produto e tem prejuízos”12 deve ser responsabilizado1  É que o banqueiro/intermediário financeiro está obrigado, como já referimos, a veicular/informar o seu cliente de toda a "verdade que conheça”, sendo que também no juízo abstrato de adequação se devem tomar em consideração e incluir, além das circunstâncias reconhecíveis à data do facto por um observador experiente, "todas as circunstâncias efetivamente conhecidas do lesante na mesma data, posto que ignoradas de outras pessoas”1 Significa isto que, estando provado ou melhor, caso estivesse que, em Abril de 2004, atinha uma situação económico-financeira débil – que as suas contas eram fictícias e que não refletiam com fidelidade a substância da sua situação patrimonial, razão pelo qual os seus reais ratios de solvabilidade nada tinham a ver com os que as sua contas espelhavam15 – e que o sabia disso mesmo, faria parte dos deveres de informação – da boa fé e lealdade – informar os clientes de tal risco que a representava; pelo que, tendo entretanto ocorrido a sua insolvência, não estaríamos perante uma circunstância extraordinária e estranha ao especto de proteção do dever de informação violado não informar/advertir do risco que a1 Quando a obrigação de indemnização pressupõe um facto ilícito culposo quer se trate de responsabilidade contratual, quer se trate de responsabilidade extra-contratual), só quando tenham ocorrido circunstâncias extraordinárias, fortuitas ou excecionais o facto ilícito não será considerado causa adequada do dano; sendo que para que um dano seja considerado como efeito adequado de certo facto não é necessário que ele seja previsível para o autor desse facto: essencial é apenas que o facto constitua – considerando todo o processo factual que, em concreto, conduziu ao dano – uma causa objetivamente adequada.