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Porém, o vício, terá de constar do teor da própria decisão de facto, não da motivação dessa decisão, ou da fundamentação de direito.”; 36)                   Ora, não nos parece que possam subsistir ambas as interpretações dadas pelo Tribunal, já que daqueles factos dados como provados e elementos de prova só se pode retirar que os factos dados como não provados devem ser dados como provados, sem margem para figurarem, em simultâneo num e noutro local; 37)                   Não parecendo possível, consequentemente, entender que os arguidos não faziam e queriam pertencer a uma organização criada exclusivamente para cometer crimes; 38)                   No caso dos autos parece-nos essencial, também e como se tem vindo a fazer referência, o recurso à prova indiciária, sendo que "A prova indiciária encontra o seu fundamento no princípio da livre apreciação da prova e na experiência humana, donde resulta que certas causas originam determinados resultados e estes são, necessariamente, consequências de determinadas causas.”, podendo afirmar-se, com Mittermayer, que "a prova artificial ou por concurso de circunstâncias é absolutamente essencial em matéria criminal.”;  39)                   Se é assim, este conceito de "concurso de circunstâncias” surge como absolutamente essencial nestes autos, assumindo as mesmas, assim o pensamos, uma direcção única e inequívoca de preenchimentos dos elementos do tipo de associação criminosa imputado e uma exteriorização muito clara de actos e intenções por parte dos quatro arguidos; 40)                   Estando perante evidências factuais e acções concretas – a associação teve actividade durante mais de um ano, não se limitando a ser só um perigo abstracto anterior aos crimes concretos - que fundamentam conclusões e outros factos consequenciais como aqueles que foram descritos supra, deveriam aqueles factos não provados ter sido dados como provados por parte do Tribunal; 41)                   Tal como teve ocasião de referir o Tribunal da Relação de Coimbra em Acórdão de 11 de Maio de 2005, "– Na ausência de prova directa nada impede que o tribunal deduza racionalmente a verdade dos factos a partir da prova indiciária prova artificial ou por concurso de circunstâncias).