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A distinção tem interesse, sendo dado como exemplo, o contrato de arrendamento em que o dono do prédio encarrega o operário de fazer reparações no prédio e, por culpa do operário, são feridos a mulher, os filhos ou os empregados do arrendatário, havendo responsabilidade do senhorio pela culpa do operário, enquanto auxiliar do devedor, mesmo em face de tais pessoas, atendendo a que o contrato de locação se considera celebrado também a favor delas.4 Outros exemplos, para além dos casos de arrendamento de habitações em condições que vêm a causar lesões a familiares do inquilino, são tradicionalmente apontados como sejam um contrato de fornecimento defeituoso a determinado empresário que vem a causar danos nos seus trabalhadores5, o contrato de prestação de serviço entre o auditor e o vendedor de uma empresa em que a prestação defeituosa do auditor como sobreavaliar uma lesa sobretudo os interesses do comprador, ou o contrato de prestação de serviços entre um perito e um vendedor de um quadro em que a prestação defeituosa do perito como atribuir o quadro a um pintor consagrado, quando na realidade é de um autor lesa sobretudo os interesses do comprador Em comum a todos estes exemplos – e nisso radica a autonomização desta figura sem consagração legal expressa – está a circunstância de certos deveres laterais criados pelo contrato se poderem estender a terceiros, de tal modo que, sendo violados, os terceiros se tornam credores de um direito a uma indemnização, por esses terceiros estarem abrangidos no círculo de protecção do contrato Ora, no caso presente, sem prejuízo de, em abstracto ou em termos teóricos, o contrato de concessão celebrado entre a ré e a empresa municipal de Cascais poder ser visto como abrangendo dimensões de protecção de terceiros, a resposta a esta qualificação apenas será relevante em face das pretensões e fontes de responsabilidade concretamente formuladas.