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De referir ainda que o próprio arguido afirmou que, quando perguntou à sua filha se podiam fazer o que tinham visto fazer no filme, a menina lhe respondeu «que os pais não fazem essas coisas com as filhas», afirmação que, apesar de provir de uma criança com tão pouca idade, não foi suficiente para chamar o arguido à razão levando-o a controlar os seus instintos e apetites sexuais, persistindo o mesmo na violação de valores universais e intemporais naturalmente associados ao vínculo familiar existente entre pais e filhos e que se referem a sentimentos de afecto, estima e protecção apreensíveis, aceites, compreendidos e seguidos, na prática, pela esmagadora maioria das pessoas;  - a circunstância de o arguido se ter aproveitado do facto de estar a sós com a filha, em casa, enquanto a sua companheira e mãe da menina se encontrava a trabalhar, com visionamentos prévios de filmes pornográficos, enfim com uma dose de força de vontade, eficácia e determinação em nada consentâneos com a sua condição de pai desta menina;  - o elevado desvalor do resultado, considerando as consequências nefastas ao desenvolvimento da personalidade desta menina, como o ilustram as alterações de comportamento, as dificuldades de conciliação do sono, os sentimentos de culpa e os vários medos resultantes do abuso sexual de que esta menina foi acometida, tal como descrito nos pontos 4 a 6 da matéria de facto provada, de que se destaca o medo de dizer não aos adultos, que cria um perigo acrescido de que volte a ser vitimizada por este tipo de práticas;  - as exigências de prevenção geral, que são fortíssimas, em face da indesejável proliferação de crimes de natureza idêntica, atenta a natureza do bem jurídico protegido, quer em face da indesejável e preocupante proliferação de crimes desta natureza, quer do grande alarme social que provocam, dado o seu carácter repulsivo e contrário à consciência ética da generalidade dos cidadãos.