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417 do CPC – que regula o dever de cooperação para a descoberta da verdade – encontra-se primordialmente pensado para a permitir à parte onerada com a prova de um facto a obtenção de esclarecimentos da parte contrária, em matéria do conhecimento desta, com vista a dar cumprimento ao ónus da prova que sobre a primeira incide; – Por vezes, mais do que a satisfação da pretensão que se possa vir a obter através do eventual esclarecimento prestado, é o resultado indireto da posição assumida pela parte contrária, através de um comportamento de recusa ou de enviesamento e ambiguidade na resposta indício, que poderá vir a relevar para efeitos probatórios; – Numa ação em que se pretende a declaração de nulidade por simulação absoluta e, subsidiariamente, a impugnação pauliana de determinado negócio, a informação pretendida pela Autora/Recorrente, sobre a proveniência de um depósito em dinheiro na conta do Réu comprador, efetuado na data do desconto do cheque com que supostamente o preço foi pago e correspondente ao exato montante do dito preço, não constitui violação do princípio da reserva da intimidade da vida privada, sendo necessária e proporcional à realização dos fins probatórios visados por aquela e à defesa do interesse público do Estado na prestação da tutela jurisdicional que está na base da consagração do princípio da cooperação.