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Juiz a quo realizou uma análise própria e independente da realizada pelo Ministério Público, invocando normas jurídicas, jurisprudência e factos que este omitira, não se coibindo, todavia, de analisar os fundamentos apresentados pelo Ministério Público, como era seu dever funcional, sob pena de ocorrer omissão de pronúncia; k. Não se verifica, pois, a invocada falta de fundamentação alegada pelo recorrente; Todavia, não podemos deixar de afirmar a legitimidade e a legalidade da remissão como técnica judiciária de fundamentação de decisões; A fundamentação por remissão é ato processual válido uma vez que a remissão tem o efeito, não de mera adesão ao ato remido, mas de fazer seu o argumentário constante do mesmo, e. pela remissão os argumentos constantes do ato para o qual se remete passam a ser argumentos do ato que opera a remissão; n. O instrumento da remissão estriba-se em razões de economia e de celeridade processuais, circunstâncias que correspondem as preocupações do atual tempo judicial e, como tal, são de saudar e não de criticar; o. Sobre a validade e a legalidade da técnica da remissão como modelo de fundamentação de atos judiciais pode ver-se, entre outros, os acórdãos do TRC de 25-03-2010, publicado na CJ, 2010, T2, p.54, e da mesma Relação, de 13-12-2007, publicado na CJ, 2007, T5, p.49; p. Sendo a fundamentação um dos modos de legitimação das decisões judiciais, a mesma corresponde à descrição e à análise valorativa e concatenada dos argumentos que sustentam cada um dos possíveis soluções em confronto, em termos tais que os sujeitos a quem a decisão se dirige e a comunidade tenham a possibilidade de as razões nas quais se estriba a decisão e o iter racional que o autor da decisão seguiu para a tomada de posição; q.