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Tidas em conta aquelas conceções e costumes e fazendo uso dum recomendável juízo de valor pouco severo, tem de considerar-se que os pais do  réu, não só não incorreram em violação do questionado dever, como também assumiram uma conduta idónea à não verificação dos ocorridos danos, já que haviam como que delegado no clube  réu a incumbência da vigilância do menor enquanto sob a sua dependência, para além de, simultaneamente e em segurança, investirem, correta e adequadamente, na futura valorização do menor, encontrando-se ilidida a presunção de culpa in vigilando sobre si, à partida, impendente e, como tal, excluída a respetiva responsabilização cível relativamente ao ato ilícito praticado pelo menor” sublinhados;  O entendimento do Supremo Tribunal de Justiça vertido no Acórdão citado é aplicável ao caso dos presentes autos, porquanto, ao terem aceite o convite que o Recorrido endereçou à sua filha menor, para que realizasse consigo um batismo de voo, conforme decorre da matéria vertida nos pontos 5 e 6 dos Factos Provados, os Recorrentes confiaram ao Recorrido o dever de vigilância que sobre eles impendia;  Ou seja, os Recorrentes delegaram no Recorrido a incumbência da vigilância da menor no decurso do seu voo de batismo, por confiarem que o mesmo era um piloto experiente, com competência técnica para pilotar aeronaves de recreio e lazer e, ainda, com conhecimento dos procedimentos de segurança inerentes à sua utilização por passageiros, conforme decorre da matéria vertida no ponto 61 dos Factos Provados;  No caso em apreciação nos autos, o dever de vigilância não poderia manter-se na esfera de atuação dos pais da menor , ora Recorrentes, não só porque não a iriam acompanhar durante o seu batismo de voo, tendo presente que a aeronave tinha apenas dois lugares, conforme resulta do ponto 3 dos Factos Provados, mas, sobretudo, porque os Recorrentes não possuíam quaisquer conhecimentos ou experiência relevantes no que respeita a aeronaves de recreio e lazer, tendo presente que nunca antes haviam viajado numa aeronave deste tipo, tendo o Recorrente AA, pai da menor , efetuado o seu próprio batismo de voo apenas momentos antes do voo realizado pela sua filha, conforme resultada matéria vertida no ponto 5 dos Factos Provados; 1 O Recorrente AA não apreendeu quaisquer características da aeronave ou quaisquer regras de segurança a cumprir no seu interior que pudesse transmitir à filha menor, num voo realizado apenas momentos antes e com uma curta duração, sem que lhe tivesse sido dado qualquer briefing explicativo pelo Recorrido; 1 Para fundamentar a decisão de condenação dos Recorrentes, por aplicação do regime estatuído no artigo 49 do , o Tribunal da Relação de Évora sustentou que o Recorrente AA conhecia "as características da aeronave, designadamente a circunstância de se encontrar dotada de um duplo comando perfeitamente acessível ao passageiro” e que, apesar disso, "nenhum esclarecimento prestaram à menor, designadamente quanto à função do comando e sensações que iria enfrentar na descolagem muito diferentes das percecionadas num avião comercial, nos quais a menor já, nenhuma instrução lhe deram e, sobretudo, não a proibiram de forma expressa, como se impunha, de mexer no comando manche ou nos pedais que pelo menos o progenitor bem sabia que se encontravam ao seu alcance”; 1 A fundamentação que se transcreveu encerra diversas contradições, porquanto, se o Tribunal da Relação de Évora expressamente reconhece que as tarefas mais elementares, como a colocação dos auscultadores e dos cintos de segurança à menor, realizadas pelo Recorrente AA, "competiriam” ao Recorrido, por maioria de razão, deveria reconhecer que a prestação de esclarecimentos sobre a manche e as suas funções e sobre os procedimentos de segurança a adotar no interior da aeronave competiria ao piloto da aeronave, o único com os necessários conhecimentos e experiência para os poder prestar; 1 É incompreensível que o Tribunal da Relação de Évora tenha concluído linearmente que o Recorrente AA tinha conhecimentos sobre as características da aeronave acidentada, em concreto sobre os seus comandos de voo, quando nunca foi alegado ou dado como provado nos autos que o Recorrente sabia que a manche que estava colocada em frente ao lugar do passageiro era o comandado de voo, bem como que a mesma estava operacional ou, ainda, que trabalhava em simultâneo com a manche existente em frente ao lugar do piloto; 1 O Recorrente AA ignorava em absoluto que a manche existente em frente ao lugar do passageiro possuía as mesmas funções da manche que se encontrava em frente ao piloto, uma vez que não lhe foram prestadas quaisquer informações sobre a aeronave pelo Recorrido; 1 Fazendo-se apelo às regras da experiência comum, é razoável que o Recorrente AA tenha subentendido, perante a falta de qualquer informação ou advertência prestada pelo Recorrido, que o comando existente junto ao passageiro estava desativado, uma vez que a aeronave pertencente ao Recorrido não se destinava à instrução de pilotos, ou, não sendo o caso, que o comando do piloto prevaleceria sempre sobre qualquer ação efetuada sobre o comando que se encontrava em frente ao passageiro, à semelhança do que sucede, por exemplo, nos carros de instrução, a fim de garantir a segurança rodoviária; 1 A jurisprudência tem entendido que, "para a compreensão do "dever de vigilância” deve apelar-se ao "padrão de conduta exigível”, com suficiente plasticidade, impondo-se a indagação casuística e a convocação do ��pensamento tópico”, pelo que importa valorar, designadamente, a idade do incapaz, a perigosidade da atividade, a disponibilidade dos métodos preventivos, a relação de confiança e proximidade, a previsibilidade do dano” Cfr.