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Neste sentido, a título exemplificativo, veja-se o acórdão da Relação de Lisboa de 24-10-2019, no processo n. 1499/14T8LSB.L1-2, disponível em www.dgsi.pt: "Num seguro de incapacidade o risco que se pretende acautelar são as consequências que para o segurado podem resultar da circunstância de ficar numa tal situação de debilidade funcional que o torna incapaz de fazer a sua vida normal e de auferir rendimentos pelo seu trabalho, em razão de invalidez absoluta e definitiva, com diminuição das capacidades para os atos normais da vida diária espelhadas numa incapacidade de 60% ou mais, sendo nessa previsão que, com lealdade e seriedade, se encontra o equilíbrio das prestações.” Nesse caso, havia sido estabelecido, numa cláusula contratual geral, o conceito de incapacidade que exigia, na consideração da situação de invalidez absoluta e definitiva, que a pessoa segura necessitasse de recorrer de modo contínuo à assistência de terceira pessoa para efetuar os atos normais da vida diária, identificados como os mais básicos - comer, vestir-se e cuidar da sua higiene - exigindo, na prática, uma total e absoluta falta de autonomia, quase só equiparável a um estado vegetativo; considerou-se que tal exigência já nada tinha a ver com a afetação da capacidade de trabalho e de obtenção de rendimentos ou com uma diminuição das capacidades para o exercício de uma vida normal, que sempre é indiciada por uma incapacidade funcional de 60%, antes ia além deste conceito e da razão de ser do contrato, determinando um desequilíbrio das prestações contratuais e frustração da confiança do segurado, sendo abusiva por desproporcionada e contrária à boa fé e, por isso, nula.