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Ora, se a "união de facto” é uma vivência análoga à dos cônjuges, argumenta-se ser de concluir que dois cônjuges ainda que separados não podem ter uma vivência "análoga” à sua, o que prova que a "união de facto” só poderá ser aplicável a não cônjuges: só os não cônjuges poderão viver analogamente aos cônjuges 2 Cremos, porém, que este argumento literal é facilmente ultrapassável, desde que se faça uma clara distinção, que se impõe, entre duas situações perfeitamente distintas entre si: a situação dos casados separados judicialmente de pessoas e bens que deixaram de fazer, de facto, vida em comum como será a situação, diríamos, normal e; e a distinta situação, como a dos autos, de casados, separados judicialmente, que continuam a viver em "plena comunhão de leito, mesa e habitação” ou que, após uma real separação, vêm a retomar uma "plena comunhão de leito, mesa e habitação”.