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SEM PRESCINDIR   No âmbito da responsabilidade extracontratual, não pode prescindir-se da detecção de um facto voluntário do alegado responsável, nem da ilicitude, nem culpa, nem do nexo causal entre os alegados facto e dano, nem da verificação do dano, pois que "cada um desses pressupostos desempenha um papel especial na complexa disciplina das situações geradoras do dever de reparação do dano” – Professor Antunes Varela, in Das obrigações em geral,  edição, 1996, Almedina, Coimbra, página 54  Constando da matéria de facto provada que o facto voluntário que causou danos não foi praticado pelos réus, mas por terceiro, pois que foi um terceiro que ergueu as paredes divisórias das fracções de um edifício no momento da construção do próprio edifício, tendo-o assim vendido, não podem aqueles ser condenados no pagamento de qualquer indemnização;  Não constando da matéria qualquer nexo causal entre qualquer comportamento dos réus que só compraram, ao incontestado dono, duas fracções autónomas tal como estavam separadas das outras fracções por paredes erguidas pelo e os danos invocados pelos autores a privação do uso de uma determinada área), não podem aqueles ser condenados no pagamento de qualquer indemnização;  Não constando da matéria qualquer facto de que resulte que os réus actuaram com culpa, o que é dizer que actuaram de uma forma quando deviam actuar de outra e os réus, mais uma vez só compraram, ao incontestado dono, duas fracções autónomas tal como estavam separadas das outras fracções por paredes erguidas pelo, não podem aqueles ser condenados no pagamento de qualquer indemnização pela privação de uma qualquer área por terceiros;  SEM PRESCINDIR,   Ainda que se entenda que se verificam todos os pressupostos da obrigação de os réus indemnizarem os autores pela privação do uso de uma determinada área porque, entre o mais, se considera que houve culpa dos réus, porque se entenda que deviam ter verificado se as fracções que o empreiteiro lhes mostrou e que decidiram comprar, estavam em conformidade com o título constitutivo da propriedade horizontal, porque assim actuaria o homem médio, necessariamente sabendo que as áreas das fracções autónomas constam do respectivo título, sempre a indemnização deve ser afastada por concorrer culpa muitíssimo maior do lesado uma vez que, pelo mesmo padrão, também o lesado não devia ter comprado, para mais em momento posterior, sem confirmar a coerência entre o título constitutivo da propriedade horizontal e as fracções autónomas efectivamente construídas, sem sequer ver o que estava à vista do homem médio), tudo nos termos do disposto no artigo 57, do Código Civil.