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Sumário:   - As palavras "bom” e "jeitoso”, designam normalmente admiração, aprovação e qualidades positivas, sendo termos que não assumem, só por si, qualquer carga pejorativa, não se tratando de termos naturalmente polissémicos, ainda que o seu uso metafórico ou em determinados contextos possa assumir significados diversos; - As expressões "O doutor desculpe, mas o doutorestou a ver que é tão bom como ele”, "É tão jeitoso como o , senhor doutor”, proferidas por testemunha, ora ré, no contexto de uma audiência de julgamento e não se restringindo à resposta sobre a concreta questão formulada por Advogado surgem como desajustadas, posto denotarem uma abordagem muito informal e pouco polida no contexto indicado; - Não é possível conferir um significado objectivo e unívoco às referidas expressões se as mesmas surgem no decurso de interrogatório conduzido por Advogado, com um contexto concreto e dinâmico, sabendo-se que o Advogado actua na defesa do seu constituinte num processo em que se debatem posições conflituantes, sobretudo em sede de audiência de julgamento, e que tal contexto é susceptível de gerar algum tipo de reacção, exaltação ou mesmo perturbação em alguns dos intervenientes, designadamente nas testemunhas, perante o âmbito das questões, das abordagens e dos comentários que se desenvolvem e se, perante os factos provados, resultam indeterminados os termos da referida comparação;  - As referidas expressões não revelam, no contexto indicado, um concreto e determinado desvalor que permita considerar violado, de forma intolerável, o núcleo essencial das qualidades que permitem delimitar a honra, dignidade ou reputação do visado.