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Ora, a execução instaurada tem como título executivo uma letra no valor de € 8000,00 cujo portador é a exequente aqui apelante, por a mesma lhe ter sido endossada, tendo como aceitante dessa letra a executada/apelada;  e) Nos embargos de executado, a apelada invocou a excepção prevista no artigo 17 da LULL, alegando para o efeito que o endosso da letra à exequente teve o propósito de dificultar ou impossibilitar à executada o uso de meios de defesa que poderia opor ao endossante ou sacador;  f) Ante o alegado, nos termos do disposto no artigo 342 do , o ónus da prova dos factos é da embargante;  g) Com efeito, como se colhe da fundamentação da sentença, o Tribunal "a quo" deu como provado que a exequente é filha do sacador J. F., residia com o seu pai, não existindo qualquer transacção que justifique o endosso artigo 28 da matéria de facto e ainda que a exequente estava a par da relação jurídica subjacente à emissão da letra, agindo de acordo com o pai, visando impedir a embargante de exercer os seus direitos de defesa artigo 29 da matéria de facto;  h) Esta posição do Tribunal "a quo", dando como provados aqueles factos, resulta unicamente do seguinte meio de prova - O depoimento de parte da embargada;  ) Contudo, não houve neste depoimento qualquer confissão, como se alcança da acta da audiência de discussão e julgamento, pois não foi feita qualquer assentada, com factos confessados;  j) Não foi produzido qualquer outro meio de prova sobre a matéria em causa, cuja obrigação ou ónus era da embargante;  k) Assim, ante a falta de confissão da depoente embargada e na ausência de prova produzida pela embargante nesta matéria, verifica-se que nas respostas formuladas naqueles artigos sobre a matéria em causa, o Tribunal "a quo" inverteu o ónus da prova, violando-o;  ) Pois não compete à embargada enquanto portadora da letra que recebeu por endosso, provar o que quer que seja relativamente à mesma, antes é obrigação da embargante, querendo beneficiar do regime de excepção previsto no artigo 17 da LULL, alegar e provar que o endosso foi feito com o intuito de a prejudicar;  ) Pelo que, o Meritíssimo Juiz "a quo" na decisão formulada inverteu erradamente o ónus da prova, pois a prova da execepção é da executada que a invoca e não o contrário.