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Donde, a afirmação do perigo de fuga há-de estar, relacionada, ainda, para além, naturalmente da gravidade dos factos e correspondente moldura penal abstracta, com a real situação pessoal, familiar, social e económica do arguido e com factos que indiciem – não necessariamente, uma preparação, até pelo efeito surpresa, que naturalmente, preside à detenção – a existência de condições objectivas, bem como uma maior predisposição subjectiva, para a concretização de tal intento.» 	Aplicando os considerandos expendidos ao caso dos autos, entendemos que, pese embora se mostre indiciado que o arguido recorrente efetuava deslocações a Espanha, para adquirir estupefacientes, para posterior venda, em Portugal e apesar de não poder deixar de estar ciente da gravidade dos factos por que se mostra indiciado e da moldura penal abstrata que lhe corresponde que é de 4 a 12 anos de prisão), não se pode perder de vista que o arguido/recorrente tem a sua vida, familiar, profissional e social, organizada em território nacional, não se colhem nos autos quaisquer elementos factuais, nem os princípios da normalidade, no presente caso, permitem levar a perspetivar que o arguido se virá a ausentar para parte incerta, furtando-se, à ação da justiça.