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Efectivamente, a sentença apelada absolveu do pedido os Réus e Interveniente, seguindo o raciocínio que ora se explana: - está em causa uma situação de responsabilidade contratual aplicável em primeira linha, sem prejuízo de poder ser aplicável o regime da responsabilidade extracontratual, como regime supletivo, por também existir uma violação de um direito à integridade física do, face à existência de um contrato de prestação de serviços médicos com a  Ré tendo esta última utilizado o  Réu para efectivar a prestação concreta dos actos, regido pelas cláusulas contratuais acordadas e pelas normas reguladoras do exercício da actividade médica, em particular as constantes dos respectivos regulamentos deontológicos: o artigo  do Regulamento de Deontologia Médica da Ordem dos Médicos; o Código Deontológico da Ordem dos Médicos Dentistas, publicado no Diário da República,  série, n. 143, de 22/06/1999, alterado pelo regulamento interno n. 4/2006, publicado no Diário da República,  série, n. 103, de 29/05/2006 e, actualmente, o Código Deontológico da Ordem dos Médicos Dentistas, publicado no Diário da República,  série, n. 115, de 18/06/2019 publicado em data posterior à dos factos; - em face do artigo 80 do Código Civil não é necessária a verificação da relação de dependência prevista no artigo 50 do Código Civil, bastando a verificação de um vínculo contratual quer entre a clínica/hospital privado e o médico e/ou entre o médico e os seus auxiliares para que os primeiros respondam apenas com culpa dos últimos, assente que estejam reunidos os pressupostos da responsabilidade ; - num contrato com escolha de médico, há uma responsabilidade solidária entre a clínica/hospital privado e o médico que executa o acto, pois ao lado da relação contratual entre a clínica/hospital privado e o paciente, existe também uma relação entre o médico e o paciente pautada pela elevada autonomia do médico e pelos deveres deontológicos a que este está; - sendo responsáveis os Réus sê-lo-á também a seguradora interveniente, em face do contrato de seguro existente; - defendendo a Autora ter existido uma prestação defeituosa por parte do primeiro Réu, haveria de ter provado que este poderia e deveria ter actuado de modo diferente, não actuando zelosamente, nem colocando em acção todas as suas capacidades técnicas e científicas na execução das suas tarefas acordadas, para objectivo pretendido, ou mesmo que tivesse utilizado na melhor técnica utilizada; - estão em causa actos médicos desprovidos de finalidades terapêuticas colocação de próteses, fundamentados por razões de ordem pessoal e estética descontentamento com a prótese amovível que possuía), sendo que os actos médicos praticados respeitaram, por um lado, à preparação da boca da Autora para a colocação das próteses sempre com um resultado final incerto, por não estar da disponibilidade do médico o controlo dos mecanismos biológicos da Autora e as suas reacções) e, por outro, à colocação, em si mesmas, das próteses aqui já com a exigência de resultado objectivo e concreto: a colocação de um objecto fabricado de forma a adaptar-se correctamente à anatomia das gengivas da Autora, independentemente que quem as fabrique, atento o disposto no artigo 80 do; - a presunção de culpa por parte do devedor/prestador dos serviços médicos constante do artigo 79, n. 1, do Código Civil, não afasta o ónus de alegação e prova por parte do credor/paciente de que existe um defeito/desconformidade entre o que foi praticado e o que deveria ter sido só dessa forma se assegurando o direito de defesa do devedor/prestador dos serviços de alegar e provar que o defeito/desconformidade não adveio de culpa; - a violação das leges artis por parte do primeiro Réu, no sentido da opção incorrecta uma planificação errada do número de implantes a colocar face ao tamanho da prótese, que teria causado uma "desadaptação” da prótese do maxilar superior à anatomia da boca da, de colocar apenas quatro implantes para uma ponte aparafusada com doze dentes, não se comprovou, desde logo por inexistir essa regra/norma técnica e, ainda, face à osteointegração dos implantes e à passividade da prótese); - esgotando a factualidade alegada para encontrar outras possibilidades de sustentar a existência de uma prestação defeituosa: - um dos implantes ter começado a soltar-se não se; falta de qualidade da prótese da arcada superior não se; falta de convergência entre a prótese e os moldes não se;  - prestação dos serviços médicos desadequados à preparação da boca da Autora e tratamento dos sintomas/lesões que a mesma ia apresentando: raspagem das gengivas infectadas com abcessos não se; tratamentos com "pontas de fogo” não se, falta de colocação de prótese de substituição para além de inexistir regra de leges artis que a imponha, foi recomendada à Autora a utilização da prótese amovível que já possuía e esta apenas não o fez porque não, sendo certo que, dos efectivamente comprovados, nada se apurou quanto a qualquer incorrecção caso da utilização de electrobisturi para tratamento de hipertofia gengival com;  - incumprimento da prestação no prazo contratualizado: falta de colocação da prótese antes do Carnaval não se provou a fixação desse; - de tudo resulta a inexistência de qualquer nexo causal entre quaisquer danos morais, estéticos, decorrentes da ausência de dentes e qualquer facto praticado pelo  Réu.