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102-103, identifica as quatro dinâmicas centrais do abuso sexual de crianças, em contexto familiar: "a)- relacional quantas vezes a criança procura afecto e recebe;- acomodação o agente é o cuidador e o abusador da criança, deixando, muitas vezes, a criança impossibilitada de resolver a situação porque quer interromper o abuso mas quer manter a relação com o;- segredo o abuso sexual de uma criança é um crime secreto, longo e tranquilo para quem o comete – é frequente as crianças verbalizarem, em processos terapêuticos, sentimentos de culpa por assumirem que estas situações são consequência de elas terem falado sobre o abuso e não pelo facto de o agressor ter abusado delas;- poder e controlo o abuso sexual constitui um exercício de controlo e domínio baseado no desequilíbrio de poder entre o adulto e a criança, resultante da diferencial desenvolvimental, de maturidade e dos papéis/estatutos de amboscuidador/autoridade vs quem recebe os cuidados/dependente) – neste abuso intrafamiliar, o agressor continua muitas vezes a fazer parte da vida desta criança, e isso só por si é um factor de consolidação do poder na relação sexualmente abusiva”.