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Acresce, como defende J.Coutinho de Abreu de modo incisivo, que o abuso de direito deve ser concebido "como um comportamento que, aparentando ser exercício de um direito, se traduz na não realização dos interesses pessoais de que esse direito é instrumento e na negação dos interesses de outrem.”  Defende este Autor que o abuso de direito deve ser compreendido, numa tríplice vertente: "1) É abusivo o comportamento emulativo, isto é, o que visa apenas prejudicar outrem; sempre que de um comportamento derivem utilidades actuáveis pelo direito invocado, quando a essas utilidades se juntem desutilidades para outrem já não cobertas pelo, há, nessa medida, abuso de direito; É abusivo o comportamento que se diz exercício de um direito quando – não constituindo tal exercício, mesmo em abstracto uma vantagem objectiva –, se revela resultar dele, em concreto, apenas ou uma desvantagem para terceiro.”   Na aplicação prática desse instituto há ainda que ter em mente, como já acima fomos adiantando e afirma Meneses Cordeiro, que ela depende de terem sido alegados e provados os competentes pressupostos — salva a hipótese de se tratar de posições indisponíveis.