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3 -Transcrição dos factos dados como provados, dos não provados e da respetiva motivação, constantes do acórdão, proferido pela Ia instância, ora recorrido: "A) Factos provados:  Da discussão da causa, com relevo para a decisão, resultaram provados os seguintes factos: Da acusação:    No dia 25 de Junho de 2018, pelas 17,30 horas, no bairro localizado na Avenida , em , AA encetou uma discussão com a companheira de um seu filho, , devido ao facto de esta ter agredido um seu neto, filho desta;    No âmbito da aludida discussão, AA proferiu a expressão "vamo-nos-vingar da familia dela ", dirigindo-se, juntamente com , até ao local onde se encontrava BB, sobrinho de , junto da casa de EE;   Acto contínuo, AA apontou uma arma de fogo curta, do tipo pistola, de cor cinzenta, de características não concretamente apuradas, à cabeça de BB, encaminhando-o, agarrado por um braço, até junto de um estendal existente nas proximidades, onde o obrigou a ajoelhar, proferindo a seguinte expressão: "não te mexas que eu posso-te matar";   Entretanto, aproxima-se FF, que tenta demover o arguido AA dos seus intentos e retirar do local BB, momento em que efectua um disparo para o chão com o revólver, da marca "Taurus Ultra-Lite", modelo "22 Magnum", n." SK 8858, de percussão lateral, devidamente municiado com 8 munições de calibre 22 magnum;   De seguida, chegaram ao local EE e GG, progenitores de BB, fazendo-se transportar no interior do veículo automóvel, da marca "Toyota", modelo "Hiace", de cor branca, com a matrícula" ...--...";  EE seguia no interior do veículo referido em , sentado no lugar do condutor, e GG seguia sentada o lugar do passageiro;  Porém, quando o referido veículo iniciou a mudança de direcção para a esquerda, para um caminho de acesso à residência de EE e GG, aproximou-se do mesmo, até uma distância de 3 ou 4 metros, empunhando o revólver referido em , com o qual efectuou três disparos na direcção de GG, atingindo e perfurando a porta do lado do passageiro, ao nível do tronco daquela, após o que efectuou um disparo na direcção de EE, atingindo o vidro pára-brisas, ao nível da cabeça do condutor, resvalando sem o perfurar;   Ao mesmo tempo que efectuava os disparos, AA proferiu as seguintes" expressões, em tom alto e sério, dirigindo-se a ; "mata-os todos", "mata, mata, mata" e "filho mata, não pares", enquanto encetava fuga do local até à sua residência;  Na mesma ocasião, efectuou ainda, com o mesmo revólver, disparos adicionais, em número e para direcções não concretamente apurados, enquanto EE, GG, BB, FF e vários menores que se encontravam no local, corriam para o interior da casa de EE e GG, ficando apenas uma munição por disparar no interior do revólver;  1AA é o proprietário do revólver, da marca "Taurus", modelo "22 Magnum" supra descrito, tendo-o adquirido de modo não concretamente apurado, para sua posse e detenção;  1Após, ainda no mesmo dia nas traseiras da sua residência sita no mesmo Bairro, o arguido AA detinha ainda uma espingarda caçadeira de marca "Boniotti", com o n.” 2481, de dois canos sobrepostos, calibre 12,. carregada com dois cartuchos e registada em nome do mesmo arguido com o livrete n." G3523, possuindo este licença trienal para uso e porte de arma de caça, caducada desde 202008;  1AA e não detinham licença de uso e porte' de arma válida, ou outra, para qualquer tipo de arma de fogo;  1pretendeu tirar a vida a EE e GG e representou a sua morte como consequência directa dos disparos que efectuou na direcção destes, considerando e conhecendo a perigosidade da arma utilizada, sabendo que as zonas que visou atingir, nomeadamente a zona da cabeça e do tronco dos ocupantes do veículo, alojam órgãos essências à vida, e só não logrou alcançar os seus intentos por motivos alheios à sua vontade;  1Ao continuar os disparos - até que AA se refugiasse na sua residência, agiu segundo as intenções delitivas daquele e por ele determinadas, actuando, porém, livremente, sem nunca perder o controlo dos factos por si perpetrados;  1AA e quiseram deter o revólver supra descrito, bem como as munições e invólucros nele contidas, bem conhecendo as características e as qualidades de tais objectos e as respectivas aptidões para causar graves lesões na saúde ou a morte das pessoas contra as quais fossem usados, bem como que não os podia deter, transportar e utilizar sem que fosse detentor de licença de uso e porte de arma válida, intentos que lograram alcançar;  1Ao apontar arma de fogo à cabeça de BB, proferindo a expressão supra aludida, AA sabia que tais palavras e gestos violentos eram idóneos a provocar-lhe receio e medo pela sua vida e integridade física, e que o constrangia a não se movimentar, como logrou, e ainda assim não se coibiu de perpetrar tal conduta;  1AA pretendeu, com a sua actuação, determinar a perpetrar os disparos supra descritos, como logrou, tendo por desiderato tirar a vida a EE e GG e representando a sua morte como consequência directa dos disparos efectuados na direcção dos mesmos, considerando e conhecendo a perigosidade da arma utilizada, sabendo que as zonas que visaram atingir, nomeadamente a zona da cabeça e do torso dos ocupantes do veículo, alojam órgãos essências à vida, e só não logrou alcançar os seus intentos por motivos alheios à sua vontade;  1AA sabia que devia deter licença de uso e porte de arma de caça válida e não obstante desrespeitou tal imposição;  1AA e agiram sempre de forma consciente, livre, deliberada e voluntária, bem sabendo que as suas condutas eram proibidas e punidas por lei e que tinham a liberdade necessária para se determinar de acordo com essa avaliação.    )