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A Ré, ora recorrente, insurge-se contra a sentença em apreço, pretendendo que: A) - seja revogada a sentença na parte em que atribuiu ao A. a quantia de € 237,80, por este já se encontrar totalmente indemnizado das suas perdas salariais, uma vez que nos 323 dias em que o A. esteve com ITA deixou de obter rendimentos no valor de € 3244,46 € 106,02 x 323 e a Ré já lhe pagou a quantia de € 4700,00 a título de adiantamento por perdas salariais; - Ainda que se entendesse que deve ser considerada no cálculo das perdas salariais a totalidade dos rendimentos auferidos pelo A. incluindo, portanto, o subsídio de alimentação e abono para, que corresponde a um rendimento anual líquido de € 4895,85, as perdas salariais do A. atingiriam € 3073,94, valor ainda assim inferior ao que lhe foi pago pela Ré, o que implicaria também a absolvição da Ré do pagamento ao A. de qualquer quantia a título de perdas salariais; B) – seja a Ré absolvida do pedido no que toca ao alegado custo com a contratação de uma terceira pessoa até à data da sentença, por o A., pelo menos até essa data 15/07/2018), não ter sofrido qualquer prejuízo patrimonial conexo com a necessidade de terceira pessoa, já que não contratou quem quer que seja para lhe prestar auxílio e nada pagou a esse título, sendo a A. N. J. que tem prestado ao A. tal auxílio, e em face da sua situação familiar não terá efectiva necessidade no futuro, após a data da sentença, de contratar uma terceira pessoa, já que poderá contar com a sua esposa para o ajudar nas duas horas diárias, pelo que não sendo previsível este possível dano futuro, o mesmo não é indemnizável, pretendendo, por isso, a revogação da sentença na parte em que condenou a Ré a pagar ao A. o valor de € 11150,00 a este título;  - Mesmo que se considere que o dano patrimonial futuro do A., conexo com a necessidade de auxílio de terceiros, é previsível e passível de indemnização, é incerto se e quando se verificará e por quanto tempo perdurará, pelo que a Ré só deve ser condenada a pagar ao A. a quantia a liquidar ulteriormente e que corresponda às despesas que este venha efectivamente a suportar com a contratação de uma terceira pessoa, até ao limite da sua vida previsível, que se deve situar nos 77 anos de idade;  - Ainda que assim não se entendesse, no cálculo desta indemnização não se pode considerar a idade que o A. tinha à data da citação da Ré esta foi citada em 3/04/2017, altura em que o A. tinha 48 anos de idade, e não 49 anos como é referido pela, mas antes a que tinha na data da sentença 49 anos e não 50 anos como é referido pela, devendo a indemnização ser reduzida, pelo menos, em 1/3 do valor obtido matematicamente, de forma a que o lesado não obtenha um enriquecimento indevido decorrente da antecipação do capital, e considerando o custo da contratação de uma terceira pessoa, uma taxa de crescimento do valor necessário a essa contratação que julga adequado cifrar-se em 1%), uma taxa de juro na ordem dos 3% e a esperança de vida do A. até aos 77 anos de idade 27, indica o valor de € 6700,00 como sendo aquele que, em equidade, se mostra mais adequado a indemnizar esse dano, ou outro valor inferior ao atribuído a esse título; ) - seja revogada a sentença na parte em que condenou a Ré a ressarcir o A. das despesas que viesse a fazer em acompanhamento médico e medicamentoso às lesões sofridas por causa do sinistro e, em sua substituição, deve a Ré ser condenada a pagar ao A. a quantia que se vier a liquidar ulteriormente relativa às despesas que ele vier a fazer em acompanhamento médico permanente a nível psiquiátrico e consulta da dor crónica e em medicação de foro psiquiátrico e de analgésicos, e tendo em conta o limite de capital da apólice de seguro – que corresponde ao limite legal - essa condenação deve ser limitada ao valor do capital seguro ainda disponível, ou seja, aos indicados € 00000,00, abatidos das verbas que vierem a ser fixadas nesta acção e das quantias já pagas pela Ré ao A., que ascendem a € 8951,07; ) - seja revogada a sentença na parte em que atribuiu ao A. uma indemnização pela sua perda de capacidade de ganho/défice funcional permanente e, em sua substituição, seja proferida decisão que: - fixe a indemnização pelo défice funcional permanente que afecta o A., em equidade e antes de qualquer abatimento, no valor de € 20000,00, tendo em atenção que não se provou que o A. esteja incapaz para o exercício da sua profissão habitual, que tenha sofrido uma redução da sua remuneração, pelo menos no âmbito do seu trabalho habitual o que reduz a relevância da sua retribuição para efeitos de cálculo da indemnização) e que se provou que continuou a exercer a mesma actividade, auferindo a mesma remuneração, devendo operar-se uma redução, atendendo ao facto de ver antecipada e paga agora a indemnização de um dano que só se concretizaria ao longo de mais de duas décadas; ou noutra quantia que se julgue adequada, mas sempre inferior àquela em que foi valorizado esse dano na sentença, diferenciando-se, se for o caso, qual a parte dela que corresponde a dano patrimonial futuro e a que respeita à compensação de outros danos; - determine que a esse valor, ou ao valor exclusivamente conexo com o dano patrimonial futuro decorrente do défice funcional permanente de que sofre o A., devem ser abatidas as pensões de invalidez no seu valor bruto ou, assim não se entendendo, no seu valor líquido, que o CNP tenha pago e venha a pagar ao A. a título de pensão por invalidez, até ao trânsito em julgado da decisão que ponha termo a este processo; - relegue o concreto apuramento da indemnização devida a este título, ou pelo dano patrimonial futuro decorrente da incapacidade do A., para liquidação ulterior, dentro desses parâmetros e nesses termos, de forma a se poder obter a informação dos valores pagos pelo CNP e proceder ao seu abatimento na verba fixada a título de indemnização por este dano, sendo que os autos não dispõem, de momento, dos elementos suficientes para fixar definitivamente a indemnização devida ao A. pela perda de capacidade de ganho; - estabeleça, em qualquer circunstância, como limite da liquidação o valor atribuído na sentença a este título e sempre limitada à parte do valor do pedido que ficar ainda disponível depois de proferida a decisão final que ponha termo à presente acção; - Ainda que assim não se entendesse, se proceda, desde já, ao abatimento na indemnização devida ao A. pela perda de capacidade de ganho/défice funcional permanente da quantia ilíquida de € 12870,61, que aquele já recebeu, até à data da interposição de recurso Setembro de, a título de pensão de invalidez, calculada por operação aritmética, relegando-se para momento ulterior a determinação das demais quantias pagas a esse título até ao trânsito em julgado da decisão que ponha termo a esta acção e que devem ser abatidas à indemnização; - Ou, caso se entenda que deve ser abatida a pensão líquida, seja revogada a sentença na parte em que atribuiu ao A. uma indemnização pela sua perda de capacidade de ganho/défice funcional permanente, devendo ser abatida àquela indemnização a quantia de € 92 023,91 que aquele recebeu, até Setembro de 2020, a título de pensão de invalidez, relegando-se para momento ulterior a determinação das demais quantias pagas a esse título até ao trânsito em julgado da decisão que ponha termo a esta acção e que devem ser abatidas à indemnização; - Mesmo que se entendesse que não deve ser efectuado o cálculo acima mencionado, sempre se imporia, pelo menos, que fosse revogada a sentença na parte em que atribuiu ao A. uma indemnização pela sua perda de capacidade de ganho/défice funcional permanente e fosse abatida naquela indemnização a verba de € 2468,78 que sabemos já ter sido paga ao A. até 23/05/2018, a título de pensão de invalidez, relegando-se para momento ulterior a determinação das demais quantias pagas a esse título até ao trânsito em julgado da decisão que ponha termo à presente acção e que devem ser abatidas à indemnização; - Ainda que se venha a entender não ser de abater a tal indemnização a quantia que o A. já recebeu e venha a receber a título de pensão de invalidez, se proceda à redução, em equidade, da verba arbitrada para o indicado valor de € 20000,00 ou outro que se considerasse mais ajustado, considerando as várias circunstâncias do caso referidas nas alegações de recurso, com especial ênfase para o facto de ter sido atribuída ao A. uma indemnização baseada na ficção de uma perda salarial de 54%, de se ter atendido no cálculo da indemnização aos rendimentos incorrectamente do A., quando tal elemento não assume, no caso, decisiva importância, de se ter estendido o cálculo até aos 80 anos, idade superior ao limite da vida activa e mesmo da vida provável e de não se  ter procedido a uma redução equitativa, atendendo à antecipação de uma indemnização por dano que só se consumaria ao longo de mais de duas décadas; E) – seja reduzida, em equidade, para a quantia de € 3000,00 a compensação devida ao A. pelos danos não patrimoniais sofridos, tendo em conta os factores enunciados nas alegações de recurso; - para a hipótese de se entender que o facto de apenas existir a mera possibilidade de tratamento e recuperação da disfunção eréctil de que o A. é portador, não afasta a existência potencial de um dano, não podendo este, desde já, ser quantificado já que só com a realização desses tratamentos se saberá a sua extensão), deve ser revogada a sentença na parte em que atribuiu ao A. a compensação de € 6000,00 pelos seus danos não patrimoniais, e relegada a sua quantificação para liquidação ulterior, a efectuar depois de concluídos os tratamentos adequados à disfunção eréctil de que ele padece, estabelecendo-se, ainda, como limite de tal condenação ilíquida o valor da compensação arbitrada na sentença pelos danos não patrimoniais e, sempre, a parte do valor do pedido que ficar ainda disponível depois de proferida a decisão final que ponha termo à acção; - Ainda que assim não se entendesse e mesmo que não seja alterada a decisão proferida quanto ao ponto dos factos não provados e pontos 32, 34, 36, 37 e 48 dos factos provados, atendendo globalmente aos factos provados, se imporia, em equidade, a redução da compensação pelos danos não patrimoniais para a quantia de € 4000,00; F) – seja abatida na indemnização que vier a ser atribuída ao A., a quantia de € 000,00 já paga pela Ré ao A. a título de adiantamento por conta da indemnização.