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56 do Código Civil, quem estiver obrigado a reparar um dano deve reconstituir a situação que existiria se não se tivesse verificado o evento que obriga a reparação; j) Segundo a jurisprudência dominante, o lesado não tem de provar o dano em concreto, sendo a privação do uso um dano em si mesmo, mais concretamente um dano autónomo de natureza patrimonial; k) A jurisprudência dos Tribunais superiores tem entendido, de forma generalizada, que a privação do uso do veículo durante um determinado período que tenha originado a perda de utilidades que o mesmo era suscetível de proporcionar, e caso essa perda não tenha sido reparada mediante a forma natural de reconstituição, dá origem a que o responsável pelo sinistro compense o lesado na medida equivalente; ) A medida da indemnização, segundo a mesma jurisprudência, terá que ser encontrada com recurso à equidade 56 n. 3 do Código, pois uma vez que o dano se traduziu na impossibilidade do lesado utilizar o veículo sinistrado nas suas deslocações diárias, profissionais e de lazer, determina-se, em termos quantitativos, um valor que se mostre adequado a indemnizar o lesado pela paralisação diária de um veículo que satisfaz as suas necessidades básicas diárias; ) Assim sendo, deve procurar-se uma reconstituição efetiva, por equivalente valor em dinheiro, que corresponda ao montante dos danos, tendo-se em consideração, enquanto elemento objetivo, o valor médio que as empresas de aluguer de automóveis cobram pela disponibilização de um veículo com idênticas características, por ser o critério que corresponde, no fundo, ao custo da substituição da viatura que deveria ter sido proporcionada e não foi; n) Ora, foi o que o Recorrente peticionou perante o Tribunal Arbitrai, conforme decorre dos artigos 5 a 5 da petição inicial e do documento 16 junto com a mesma; o) Face ao exposto, a privação de uso é, por si só, geradora de dano ou prejuízo, uma vez que impede o seu dono do exercício dos direitos inerentes à propriedade, isto é, de usar, fruir e dispor do bem, nos termos genericamente consentidos pelo art 130 do Código Civil; p) Uma vez verificados os seus pressupostos, e porque a privação de uso constituiu um dano em si mesmo, deverá haver lugar à indemnização, nos termos reclamados pelo Recorrente na petição inicial; q) O que não foi atendido pelo Tribunal Arbitral, ao indeferir essa pretensão.