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Ora, essa conduta –adoptada pelo Réu de forma continuada – era idónea para criar no Autor a confiança de que o Réu iria cumprir o acordado, pagando os juros estabelecidos até ao momento em que procedesse à restituição do capital mutuado; por outro lado, é legítimo afirmar que o Autor investiu nessa confiança, já que, foi nesse pressuposto que permitiu ao Réu a disponibilidade do capital mutuado durante tanto tempo e que se dispôs a aceitar que tal capital não lhe proporcionasse os rendimentos que poderia auferir caso estivesse na sua disponibilidade e, ao que nos parece, a total restituição das prestações efectuadas designadamente, as prestações de juros que foram pagas pelo Réu) conduziria a uma situação de clara injustiça, porquanto o Réu teria tirado todo o benefício que o contrato lhe podia proporcionar porquanto, não obstante a nulidade, sempre teria tido a disponibilidade do capital durante vários anos e a possibilidade de o aproveitar em seu e o Autor ficaria apenas com o capital, sem auferir qualquer proveito e suportando ainda o prejuízo decorrente do facto de, durante aqueles anos, ter ficado impossibilitado de rentabilizar aquele capital e de o utilizar em seu benefício.