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Como resulta da certidão junta pela ora requerente, na petição inicial daquela acção ordinária, os AA alegaram, em síntese, que: - são proprietários de determinados prédios rústicos, que estavam dotados se um sistema de irrigação, que descrevem; - à R. , SA, foi adjudicada a construção, conservação e exploração da auto-estrada A11/IP9, sublanço entre Selho e Calvos; - as restantes RR ficaram obrigadas, na qualidade de sub-empreteiros, à realização dos trabalhos de construção ; - os referidos prédios dos AA distam cerca de 100 metros do troço da auto-estrada, cujas obras de construção implicaram o corte de rochas e escavações de terras bem como alterações de caminhos e de condutas de água; - pelo que, ao longo dos anos de 2005 e 2006, foram utilizados explosivos e técnicas de corte, tendo a segunda R. tomado a opção de concentrar, num ponto situado a montante dos prédios dos AA, todo o fluxo de águas pluviais vertentes, para evitar o seu derramamento e dispersão; - com esse objectivo, as RR construíram uma caixa em cimento num prédio vizinho do dos AA e situado a um nível superior, para a qual fizeram o desvio das águas; - essa caixa, pela sua localização e reduzidas dimensões, revelou-se incapaz de conter adequadamente essas águas, fazendo com que os AA, além de ficaram privados da sua fruição habitual, passassem também a receber, nos solos dos seus referidos prédios, a queda desordenada dessas mesmas águas que, pela intensidade dos respectivos caudais e modo de queda, abriram valas, arrastaram terra e destruíram culturas, vedações e muros de suporte; - em 208, a Juiz da 1 Vara de Competência Mista de Guimarães, considerando que as RR foram demandadas na qualidade de concessionárias e prestadoras de um serviço público, julgou esse tribunal materialmente incompetente para conhecer dos pedidos formulados pelos AA e, por consequência, absolveu as RR da instância; - tal decisão veio a ser confirmada, por acórdão da Relação de Guimarães, de 209; - na sequência do que os AA propuseram no TAF de Braga acção administrativa comum sob a forma ordinária, na qual, invocando os mesmos fundamentos, formularam idênticos pedidos de condenação das RR; - porém, em 110, a Juiz do TAF de Braga, considerando estar em causa litígio entre os AA e sociedades anónimas de direito privado que, apesar de uma destas ser concessionária, não decorre de relação jurídica administrativa, declarou esse TAF incompetente para apreciar os pedidos formulados pelos AA e, em consequência, absolveu as RR da instância; - as referidas decisões da 1 Vara de Competência Mista de Guimarães e do TAF de Braga transitaram em julgado.