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b) É destas decisões que vem interposto recurso por parte da Ré, cujas conclusões são as seguintes: «O presente recurso vai interposto do despacho saneador que, não pondo termo à causa, julgou improcedentes as invocadas exceções de caducidade da ação e da irresponsabilidade da Recorrente, enquanto facto impeditivo do direito invocado pela Recorrida, entendendo aquela que, ao decidir como decidiu, o Tribunal a quo errou na determinação da norma aplicável, incorrendo também na inobservância de normas e princípios de direito, como se concretizará; Celebrado entre Recorrente e Recorrida, respetivamente na qualidade de vendedora e compradora não consumidora contrato de compra e venda de veículo automóvel, da marca Ford, em estado de novo, no âmbito do qual foi prevista garantia do fabricante pelo período de dois anos, e vindo tal veículo, entregue à compradora em 202016, a revelar as alegadas avarias, será aplicável ao dito contrato o regime jurídico da compra e venda de bens defeituosos, o qual estabelece um prazo de garantia de seis meses; Findo o prazo legal de garantia de seis meses em 202017, a Recorrida continuou a beneficiar da dita garantia prestada pelo fabricante, enquanto garantia comercial que acompanha o veículo, independentemente, inclusive, de quem seja o vendedor, já que, desde logo e em abstrato, o comprador, verificando-se nesse período alguma anomalia ou desconformidade, poderá apresentar o veículo em qualquer concessionário ou reparador autorizado da marca e não, necessariamente, naquele onde adquiriu a viatura; A garantia prestada pelo fabricante não exclui, mas também não impede o decurso do prazo legal de garantia imposto ao vendedor, sendo que, findo este, à Recorrente, enquanto vendedora, caberia apenas, durante o período correspondente àquela outra garantia e verificada qualquer anomalia ou desconformidade, independentemente de culpa sua ou erro do comprador, reparar ou substituir o veículo, assim assegurando, em termos materiais e efetivos, a execução dos atos tendentes à concretização da garantia comercial do fabricante, sempre sob indicações deste e, até, no caso de ser necessária substituição, limitando-se a entregar o veículo substituto, naturalmente fornecido pelo fabricante; Assim, apesar de diretamente relacionada com o contrato de compra e venda, a concessão da garantia comercial de que o veículo beneficiou, assim como o respetivo âmbito, não teve qualquer intervenção da Recorrente, cuja vinculação decorreu exclusivamente de tal contrato, pelo que é à mesma alheia; De modo que, uma vez findo o prazo legal de garantia, verificadas avarias/anomalias no veículo em causa nos autos e tendo sempre a Recorrente cumprido sem vícios a obrigação de os reparar, não lhe será imputável qualquer obrigação de indemnização pela eventual privação do uso do veículo, privação que, aliás, é inerente ao cumprimento da obrigação de reparar, para satisfação da pretensão da Recorrida, pelo que apenas poderia ser, em tempo, responsabilizada a fabricante, não demandada nos autos; Ainda que assim não se viesse a entender, e mesmo considerando que a Recorrente cumpriu a obrigação de reparar o veículo automóvel ao abrigo de convencionada garantia de bom funcionamento, a respetiva disciplina não prevê, de acordo com a estipulação do n 1 do artigo 921 do , qualquer obrigação de indemnização, mas tão só, e uma vez que decorrido o prazo legal de garantia, de reparação ou substituição, o que não está em causa nos autos; Ainda que também assim não se entendesse, à data da propositura da ação, 312019, e considerada a data de entrega da viatura nova à recorrida, 202016, já há muito havia decorrido o prazo legal de garantia, assim como o prazo de seis meses previsto no n 4 do artigo 921 do , contado desde a data da última reclamação apresentada pela Recorrida à Recorrente, em 102018, pelo que se extinguiu, por caducidade, o direito que a Recorrida pretende fazer valer; E assim é também na medida em que o alegado dano da privação do uso, embora autonomamente ressarcível, não é autónomo dos alegados vícios ou defeitos do veículo automóvel, mas antes deles deriva, traduzindo ainda danos "circa rem”, pelo que lhes será aplicável o regime do cumprimento defeituoso, sujeitando-se, pois, aos respetivos prazos de caducidade e não ao regime geral da responsabilidade contratual e ao prazo ordinário de prescrição de vinte anos; Ao decidir diversamente, ou seja, que o direito que a Recorrida reclama está sujeito ao prazo ordinário de prescrição e que a Recorrente detém legitimidade substantiva no sentido da responsabilização pela indemnização dos danos peticionados ao abrigo do disposto no artigo 798 e no artigo 309, ambos do , o Tribunal a quo incorreu, salvo o maior respeito por entendimento diverso, em erro na determinação das normas aplicáveis, pois que a situação fática sub iudice deverá ser regida pelos normativos previstos nos artigos 916, n 2, 917 e 921, todos do , para além de ter inobservado também os princípios da prevalência das normas especiais sobre as normas gerais previsto no n 3 do artigo 7 do e, fazendo observar prazos distintos para a reclamação dos peticionados danos e para a eventual reparação dos defeitos, da unidade do sistema jurídico; Na medida do exposto, o Tribunal a quo incorreu ainda em violação do disposto no artigo 298, n 2 do , o qual, salvo entendimento distinto, deveria ter sido aplicado no sentido, em conformidade com o que antecede, de o caso sub iudice não estar sujeito às regras da prescrição ordinária, como decidido, mas sim ao regime de caducidade previsto no regime especial da compra e venda de bens defeituosos.