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525 e ss.. Formulando, portanto, um juízo ex ante ou de prognose póstuma, reportado ao momento da ação- como se a produção do resultado se não tivesse ainda verificado-com referência às regras gerais da experiência comum aplicadas ao condicionalismo concreto do caso – destacando-se, g. as características do terreno, o tipo de vegetação, a época do ano, os diferentes pontos de ignição acionados, sendo, a respeito, elucidativo o ponto 19, que uma vez mais se transcreve: «Os focos de incêndio assim ateados pelos arguidos deflagraram em locais inseridos numa extensa zona florestal, em plena Serra do Caramulo, com condições favoráveis à propagação das chamas, dada a falta de acessos, o relevo irregular, em desfiladeiros ou encostas, com grandes declives, as condições climatéricas favoráveis, a continuidade de combustíveis arbustivos na horizontal e na vertical, e a falta de humidade no solo, características essas que eram do conhecimento dos arguidos» -, não há como negar, na situação em apreço – posto que, também, não ocorrem as hipóteses de "risco permitido, de "ações diminuidoras do risco”, de "risco normal da vida”, de "ações de auxilio arriscadas e falhadas”, as quais, pela ausência da violação do dever objetivo de cuidado, conduzem à exclusão do ilícito criminal negligente - o nexo de adequação entre a ação e as mortes/ofensas à integridade física verificadas, surgindo estas como consequência típica, normal e previsível, segundo as regras gerais da vida, dos grandes incêndios florestais, não assumindo relevância o facto de os eventos mencionadas nos ponto 51 a 5 dos factos provados, tenham resultado de um reacendimento do incêndio ocorrido em 202013, fenómeno que, como aduz o Ilustre Procurador, surge como «uma consequência habitual e natural dos incêndios, sendo, mesmo, como é do conhecimento comum, uma das principais causas de propagação e expansão dos fogos florestais», não comprometendo, em consequência, perante o condicionalismo descrito, a previsibilidade objetiva, cuja verificação, também, não resulta abalada em função de, relativamente a algumas vítimas, os ferimentos se tenham produzido na face plantar dos pés, desde logo porque a previsibilidade – no caso do crime de ofensa à integridade física por negligência - não tem de se dirigir às) do corpo que virão a ser atingidas, depois porque mesmo envergando o uniforme destinado ao respetivo desempenho, inclusive o calçado, no combate a um incêndio de semelhante envergadura, quer quanto à extensão, quer quanto à intensidade, em solos com as características descritas no ponto 1 dos factos provados, não deixa de ser previsível uma eventual falência do material reservado à proteção de quem o combate, pois se assim não fosse sempre, em caso de combate a incêndios, por parte dos bombeiros, supostamente trajando o uniforme afeto, que lhes adviessem danos, seria de afastar a previsibilidade, já que os meios de proteção revelar-se-iam adequados a evitar, no seio deles, feridos e/ou mortos!