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Assim, nas circunstâncias que antecederam, contemporâneas ou posteriores ao cometimento do delito e que influenciam a determinação da pena, de modo a concretizar-se o tipo e a gravidade da mesma, têm de ser ponderadas as circunstâncias, desfavoráveis e as favoráveis:   As primeiras:  - o grau elevado de ilicitude dos factos, atendendo ao circunstancialismo em que os mesmos ocorreram e o período de tempo em que os mesmos ocorreram, consistentemente durante cerca de um ano, entre 102019 e 102020 e em estabelecimentos comerciais que se encontravam em funcionamento, abertos ao público, alguns com clientes presentes e outros funcionários, o que requer maior energia criminosa, e denota uma conduta particularmente censurável e gravosa;  - a circunstância de logrando obter entregue de dinheiro, a insistência na conduta criminosa no mesmo estabelecimento comercial, no dia seguinte, ou data próxima, o que denota manifesta persistência na prática de crimes, veja-se que o arguido se desloca, por cinco vezes, distintas e perfeitamente autonomizáveis, ao estabelecimento comercial reportado ao processo apenso n. 162/2......, sendo que entre essas deslocações, no dia 102020 pratica os factos referentes aos processos apensos n. 56/2...... e 55/2......;  - a existência, em todas as distintas situações, de dolo directo na sua forma mais;  - a ausência de comportamentos exteriores consentâneos com a genuína interiorização do desvalor da conduta, pois, não obstante o arguido reconhecer, em parte e de forma fragmentada, os factos acima dados como provados, a verdade é que, das suas declarações, mesmo na parte em que o foram de índole confessória, o que se extrai é uma incapacidade manifesta de descentração e de dificuldade de autocensura, denotativo de falta de sentido crítico;  - a assunção de uma postura autocomplacente e de autojustificações, ou seja, o arguido centra o seu discurso nas suas necessidades mormente a problemática e não no impacto que as suas condutas comportaram para os visados, quer em termos patrimoniais, quer, e sobretudo, em termos pessoais, surgindo tal dimensão sempre num patamar inferior e desvalorizado pelo arguido;  - o número elevado de ofendidos, a abrangência temporal e a dispersão geográfica;  - as doze condenações anteriores registadas no seu certificado de registo criminal, reveladoras de uma personalidade desconforme à Lei e ao Direito, o que agrava, de forma severa e acutilante, as necessidades de prevenção especial, dada propensão revelada pelo arguido para a prática de crimes e também da mesma natureza;  - aquando da prática de todos estes factos, o arguido já tinha sido condenado em penas de prisão efectiva, tendo assim vivenciado genuína privação de liberdade, o que não o demoveu da adopção da práticas criminais, sendo uma dessas doze condenações anteriores igualmente pela prática de crime de extorsão, na forma tentada, por factos de 102010, com trânsito em julgado a 102033, para além das demais condenações pela prática de crimes de roubo e de resistência e coacção sobre funcionário, cujos tipos de crimes comportam o emprego de violência ou a ameaça do seu, o que denota, por parte do arguido, uma personalidade avessa à Lei e ao Direito;  - a circunstância de ter praticado estes crimes no período de liberdade condicional de uma pena de prisão efectiva, tendo sido restituído à liberdade a 102019 sendo que estava preso ininterruptamente desde 202013) e inicia o cometimento dos factos deste processo no dia 102019, ou seja, cerca de três meses após ter sido restituído à liberdade, o que acentua de forma veemente as necessidades de prevenção especial positiva e negativa, em face da insistência na prática de crimes;  - a prática de crimes desde 1998, sendo os últimos de 112016, sendo condenado pela prática de crimes que cometeu no decurso de 1998, 1999, 2000, 2008, 2009 e 2010, tendo já anteriormente sido revogada a liberdade condicional que tinha sido concedida a 202008 até 202009, o que denota manifestamente um padrão comportamental de prática persistente de crimes;  A favor do arguido depõem as seguintes circunstâncias:  - o reconhecimento dos factos, embora de forma parcial e com muitas reservas, pois apenas quanto aos factos referentes ao processo apenso n. 1099/1......, ocorreu uma confissão integrai e sem reservas;  - a verbalização de arrependimento, com pedidos, em audiência, de desculpa a alguns dos ofendidos, mas acompanhada de uma postura autocomplacente, autodesculpabilizante e autocentrada, denotativa de falta de sentido crítico e fraca interiorização do desvalor da conduta;  - a integração mínima social e o amparo familiar;  - a problemática aditiva de que padece, a que o arguido recorre como causa justificativa para a resolução criminosa, e que, não obstante se afigurar tal dependência de substâncias estupefacientes pouco condizente com a sofisticação e sistematização que o estratagema arquitectado pelo arguido comporta, desde logo, pelo tempo que durava a execução de todos os gestos e actos do plano, a frieza que requer o cortar-se, o exibir de sangue, o colocar vidros/acrílicos/plásticos rijos nas peças de comida, cuja confecção tinha solicitado, o enredo de conversação quer com os ofendidos, quer com os funcionários que lá se encontrassem, o se deslocar, em dias seguintes, aos exactos estabelecimentos comerciais onde tinha ido e onde tinha logrado enriquecer indevida e à custa do prejuízo patrimonial dos ofendidos, a exigência de um discurso articulado e lógico aquando da interacção/"persuasão" com os ofendidos, ou seja, este quadro circunstancial subjacente a todas as situações descritas não se afigura ser objectiva e razoavelmente compatível com a necessidade de satisfação premente, perturbadora e imediata de hábitos de consumo de substâncias estupefacientes;  -o facto de alguns dos ofendidos terem sido ressarcidos do prejuízo patrimonial, embora já após a remessa dos autos para julgamento e, em parte, após o início da audiência de julgamento.