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4 – A Entidade Demandada apresentou contra-alegações, que rematou com as seguintes conclusões: « 1	Por via do recurso, pretende a Recorrente reagir contra a sentença proferida a 2021-04-30, pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria, nos termos da qual foi julgada improcedente a Ação Administrativa;  2	A Recorrente dirige o seu Recurso ao ST, imputando-lhe erro de julgamento exclusivamente em matéria de Direito; 3	Alegar que o tribunal a quo falhou ao dar como provados facto que constituem meros indícios e simultaneamente defender que a Recorrida não cumpriu o ónus da prova não são questões exclusivamente atinentes a matéria de Direito, pois está em causa a emissão de um juízo crítico, pelo tribunal ad quem, sobre a valoração da prova realizada pelo tribunal a quo; 4	O mesmo se diga, mutatis mutandis, relativamente ao primeiro erro de julgamento, uma vez que a questão de direito tem como pressuposto prévio a existência, ou não, de operações económicas por parte da Recorrente, facto que a Recorrida demonstrou existir e que a Recorrente se recusa a reconhecer; 5	Dado que o Recurso não contende exclusivamente com a discussão de matéria de direito, o mesmo deveria ser dirigido ao Tribunal Central Administrativo, e não ao STA, uma vez que a este último apenas cabe a competência para conhecer de recursos cuja discussão se prende exclusivamente com questões de direito;  6	Alega a Recorrente que o tribunal a quo falhou na interpretação artigos 11, n.os 1 e 6, do CIRC e 2 da Concordata, contudo a sua argumentação não tem qualquer suporte factual, legal e teológico; 7	A Recorrida demonstrou em sede de  instância e o tribunal a quo julgou provado que a Recorrente não exerce exclusivamente atividades com "fins religiosos”, dado que vende , vídeos e refeições; 8	O artigo 2/1 da Lei da Liberdade Religiosa é bastante claro ao elencar as manifestações do "fim religioso”, a saber: o exercício do culto e dos ritos; a assistência religiosa; a formação dos ministros do culto; a missionação; a difusão da confissão professada; e o ensino da religião; 9	Tais atividades não são "fins religiosos” à luz da lei, como não o são à luz da própria teologia da Igreja Católica, dado que os "fins religiosos” prosseguidos por pessoas jurídicas canónicas da Igreja Católica são: «- o ‘múnus de ensinar munus’, que se desdobra na pregação da palavra, na actividade missionária e na educação religiosa; - o ‘múnus de santificar munus’, que se traduz na administração dos sacramentos, bem como noutros atos de culto divino; e - o ‘múnus de governar munus’, que se reflete na emissão de leis e providências para melhor governar a sociedade eclesial»; 10	Os rendimentos da venda de , vídeos e refeições resultam de atividades com "fins diversos dos religiosos” e, nessa medida, a Recorrida fica sujeita ao regime fiscal aplicável à respetiva atividade; 11	A atitude da Recorrente contraria as próprias instruções da hierarquia Igreja Católica Portuguesa, designadamente a circular emitida pela Conferência Episcopal Portuguesa, que reconhece expressamente a obrigação de as pessoas coletivas religiosas cumprirem a obrigação fiscal declarativa aqui em causa que a Recorrente se recusa a admitir; 12	Não é o facto de a Recorrente ser uma pessoa jurídica canónica que torna em "fim religioso” toda e qualquer atividade por ela desenvolvida; 13	Quanto ao argumento final de a Recorrente ser equiparada a IPSS, o mesmo não colhe por duas razões; 14	Em primeiro lugar, só agora veio a Recorrente esgrimir esse argumento não superveniente, não o tendo suscitado em sede de  instância; 15	Em segundo lugar, não basta a mera alegação, por parte da própria Recorrente, de que é equiparada a uma IPSS, dado que tal equiparação depende de registo e de reconhecimento no Instituto da Segurança Social, o que a Autora não prova;  16	Alega a Recorrente que o tribunal a quo falhou ao confundir "indícios” com "prova” e ao olvidar o cumprimento do ónus da prova que competia à Recorrida, sendo certo que a esta última não cabe moldar o conteúdo substantivo do que sejam atividades com "fins religiosos”; 17	O litígio que subjacente aos presentes nasceu da intenção da Recorrente não cumprir uma obrigação declarativa, qual seja a de apresentar o modelo 22 do IRC; 18	A Recorrida alegou e demonstrou claramente em sede de  instância que a Recorrente, além dos "fins religiosos”, desenvolve atividades com "fins diversos dos religiosos”; 19	Tudo isto resulta de prova documental carreada para os autos, a qual foi alvo de contraditório por parte da Recorrente em sede de alegações finais e foi apreciada pelo tribunal a quo, que decidiu na mesma linha de pensamento da Recorrida.