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do Código Civil;  ─ Os créditos da Requerente sobre a  Requerida ─ a prestação de facto materializada na construção do hospital, seja o crédito resultante do ressarcimento dos danos patrimoniais maxime, lucros, caso o cumprimento não venha a verificar-se por causa imputável à  Requerida ─ são muito anteriores ao acto que se pretende impugnar;  ─ E mesmo que este crédito se considere posterior ao acto que se pretenderá impugnar, não restam dúvidas de que o referido acto foi realizado dolosamente, com o intuito de impedir a satisfação do direito da Requerente, seja qual for o prisma que venha a vingar na futura acção;  ─ Da parte da  Requerida , adquirente do imóvel, não restam dúvidas de que a compra foi efectuada de má-fé, em conluio com a 1 Requerida, e em plena consonância de objectivos com esta, pois desde o início da obra, que ocorreu, como já referido, no início de 2018, existem no local onde a obra está a decorrer um outdoor e uma lona de grandes dimensões, que identificam claramente que se trata de um futuro hospital do Grupo B, exibindo claramente esses outdoors o nome e o logótipo do grupo e da marca "B", ali constando expressamente os dizeres: "B B1”  e  "B2”;  ─ A venda foi efectuada pelo preço declarado de €00000,00, um valor muitas  vezes inferior ao seu valor real, mesmo considerando o estado inacabado do edifício;  ─ O que apenas vem reforçar a evidente má-fé de ambas as Requeridas, e o intuito claro de impedir a satisfação do crédito da Requerente, que consiste, em primeira linha e a título principal, na prestação de factomaterializada na finalização da obra e na celebração do contrato de arrendamento prometido;  ─ Não restam também dúvidas de que do acto a impugnar - compra e venda de 22019 - resultará necessariamente para o credor, ora Requerente, a impossibilidade de obter a satisfação integral do seu crédito, ou o agravamento dessa impossibilidade;  ─ É que, não sendo já a proprietária do referido imóvel, a  Requerida não pode, por si só, cumprir a obrigação de terminar a construção do hospital, e de celebrar no final o contrato de arrendamento a que se obrigou, e não pode também – tal como a Requerente não pode - exigir o cumprimento dessas prestações contratuais por parte da compradora , que não foi parte no contrato-promessa;  ─ As Requeridas sabiam e tinham perfeita consciência que daquele acto e de futuras revendas poderia vir a resultar a impossibilidade de a Requerente obter a satisfação do seu crédito, ou, pelo menos, do enorme agravamento dessa impossibilidade;  ─ O crédito da Requerente diz respeito à edificação e arrendamento daquele concreto Hospital previsto, com aquelas características e naquele exacto local;   ─ A Requerente está convicta de que, caso este Tribunal não decrete a providência de arresto, correrá o sério risco de ver desaparecer a garantia patrimonial do seu crédito;   ─ O crédito da Requerente sobre a  Requerida, e que a Requerente pretende fazer a título principal, consiste no direito a uma prestação de facto da  Requerida, materializada na celebração do contrato de arrendamento prometido, uma vez finalizada a obra de construção do Hospital;  ─ Antes de mais, a prestação de facto que a Requerente pretende exigir da  Requerida, uma vez declarada nula ou ineficaz ou anulada a venda entretanto operada, incide, pelo seu objecto e natureza, apenas e exclusivamente, sobre o imóvel que se pretende arrestar, não sendo possível relativamente a qualquer outro imóvel, ao contrário do que sucederia se o seu crédito incidisse sobre a entrega de uma determinada quantia em dinheiro, caso em que à Requerente caberia alegar e provar que a 1 Requerida não detinha outros imóveis de valor suficiente para garantir o seu crédito pecuniário;  ─ A  Requerida vendeu já a terceiros  o imóvel objecto da dita prestação;  ─ A  Requerida é uma empresa ligada ao Grupo , do mesmo sector de actividade ─ imobiliário ─ , e  os respectivos líderes, N e G, são conhecidos um do outro, desde há muito;  ─ A  Requerida, declarou expressamente na escritura pública de compra e venda que a aquisição se destinava a revenda, resultando claro o risco sério e iminente de a 2 Requerida vender a outra empresa o imóvel em causa, e com alta probabilidade de o fazer a uma empresa do sector hospitalar, conforme ameaça expressa nesse sentido que a 1 Requerida já fez por diversas vezes à Requerente; ─ Não faltarão grupos do sector hospitalar interessados em comprar este imóvel, dado que a zona oriental da cidade do Porto não tem equipamentos hospitalares desta natureza, de onde resulta que o Grupo de hospitais privados, de entre os quatro principais, que vier a explorar este hospital, irá "fechar o mercado” dos hospitais privados no Porto, uma vez que deixa de ser economicamente racional a abertura de um novo hospital no Porto, especialmente na zona oriental da cidade;  ─ A isto acresce que esta zona da cidade tem vindo a valorizar-se no sector imobiliário, para além de um outro ponto muito importante, que é o facto de, no PDM do Porto, parte da área do imóvel corresponder a uma "Área de equipamento” - "parcela afecta ou a afectar à instalação de equipamentos ou infraestruturas de interesse público e com carácter estruturante no ordenamento e funcionalidade da cidade;  ─ A venda do imóvel vier a um terceiro de boa-fé, tal poderá comprometer definitivamente a possibilidade de a Requerente vir a exigir da 1 Requerida as prestações de facto que consistem na conclusão da construção do Hospital e na celebração do contrato de arrendamento prometido;  ─ O que justifica plenamente o receio da Requerente de ver perdida a garantia patrimonial de que o seu crédito sobre a  Requerida actualmente goza.