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Mais constava dessa acusação, e do mesmo artigo, que o "arguido A. quis ficar com tais objetos, apesar de, alegadamente, desconhecer a identidade de quem os vendia e, bem sabendo, que o preço que estava a pagar pelos mesmos era muito inferior ao seu valor real, o que indiciava que o mesmo poderia provir de facto ilícito típico contra o património; 2Ora, conforme resulta do trecho da acusação supra transcrito, nenhum dos co-arguidos era identificado como tendo sido a pessoa que vendeu ao recorrente diversos maços de tabaco, nem desta narrativa constava o número preciso de maços que aquele adquirira, o período e concretas circunstâncias de tempo, modo e lugar em que aquela aquisição tivera lugar, e porque preço fora adquirido cada maço de tabaco, a não ser o alegado preço global que o recorrente alegadamente pagara, realidade/factualidade essa que nem sequer deveria ter permitido a imputação - e muito menos a posterior condenação - do crime em causa ao recorrente, e em circunstância alguma permitiria ao Tribunal a quo dar por assente que o preço alegadamente pago pelo arguido, era inferior ao respetivo valor real do tabaco adquirido, e que, com essa conduta, aquele pretendia obter vantagem patrimonial; 2 Apesar da inserção desta factualidade, no libelo acusatório, na sequência do roubo ocorrido na tabacaria, descrito nos artigos antecedentes, o certo é que estes factos estavam absolutamente autonomizados, não existindo qualquer relação entre os mesmos e os factos que consubstanciaram a prática de um crime de roubo, descritos nos artigos 19 a 40 da acusação, e entre os factos alegadamente praticados pelo arguido/recorrente A. e os factos praticados posteriormente pelos co-arguidos A. , , A e P., nomeadamente no que diz respeito ao destino que deram aos bens de que se apropriaram, nas circunstâncias de tempo, modo e lugar dadas por assente nos pontos 19 a 40 dos factos provados; 2Acresce que, reitere-se, desconhecendo-se o número de maços de tabaco, o preço unitário efetivamente pago, e as circunstâncias detempo, modo e lugar em que aquela aquisição pelo recorrente teve lugar, de nenhuma forma era possível concluir pela pratica do crime e que o preço alegadamente pago pelo arguido A. , em circunstâncias absolutamente desconhecidas e indeterminadas, pelos maços de tabaco, era "inferior ao seu valor real, o que indicava que o mesmo poderia provir de facto ilícito típico contra o património", e que, com a sua conduta, o arguido/recorrente pretendia obter vantagem patrimonial a que não tinha direito; 2Ora, esta factualidade, mesmo que dada como provada, nunca seria suficiente para proferir uma condenação.