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Perante tal acervo factual a sentença de 1 instância, tendo em conta o contrato e a proposta que o antecedeu, entendeu que a menção constante do contrato de que tem sido prática seguida pela Ré a "revisão anual das condições de remuneração estabelecidas nos anteriores números da cláusula sétima” deve ser interpretada no sentido de que a Ré assumiu expressamente perante o A. a obrigação contratual de rever anualmente a sua remuneração, e, por outro, que a prática que a Ré adoptou relativamente aos seus trabalhadores, durante vários anos seguidos, até 2008, de proceder a aumentos salariais anualmente, constitui um uso laboral vinculativo e relevante, concluindo que os aumentos salariais eram devidos, por se tratar de um uso laboral vinculativo e relevante, e por ter sido essa a obrigação contratual que a Ré assumira perante o A. Diferentemente o acórdão recorrido, tendo considerado, e bem, que no caso, as partes estão em desacordo quanto à vontade contratual expressa na declaração negocial constante do ponto  do contrato individual de trabalho, interpretando essa declaração negocial à luz da teoria da impressão do destinatário consagrada no artigo 236 do Código Civil, e das circunstâncias atendíveis para a interpretação, foi de entendimento que o teor literal da cláusula em questão não permite ou sustenta a conclusão de que a Ré se pretendeu vincular à obrigação de proceder anualmente à revisão das condições remuneratórias do A., e que tal sentido interpretativo mais se impõe no confronto com a proposta negocial que antecedeu o contrato de trabalho, na qual a Ré de forma expressa dizia que a remuneração seria revista uma vez por ano, sendo este, segundo o acórdão recorrido, o sentido que um declaratário medianamente instruído, diligente e sagaz retiraria e/ou deveria retirar do texto da cl 5 do contrato individual de trabalho, tanto mais se conjugada com a anterior proposta, e isto, sem ter sequer em conta que o A. era um alto quadro da Ré atendendo às suas funções e categoria profissional, reportando directamente ao Administrador Delegado da Ré, com o que teria certamente maior capacidade de entendimento e de interpretação quanto à diferença entre o que lhe foi proposto e o que ficou efectivamente vertido no contrato de trabalho.