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Perante uma efectiva, nem sequer, potencial, vontade de virar de página;  - Assim e, em resumo, se o que releva para o efeito é um juízo de prognose sobre a personalidade e o desempenho futuro da personalidade do jovem - sem qualquer consideração autónoma dos factos, que apenas deverão contribuir para aquele juízo no ponto em que revelam ou neles se manifeste uma projecção de personalidade especialmente desvaliosa, se importa perceber se o desenvolvimento sócio-psicológico do jovem ainda consente uma qualquer intervenção de ajustamento e de consolidação da personalidade que funcione como uma "vantagem para a sua reinserção social” - ou se pelo contrário, qualquer intervenção já é tardia, perante uma personalidade que apresenta o seu quadro de desenvolvimento concluído, revelando um discernimento claro nas opções de vida que tomou”, perante a singela materialidade apurada, reportada ao tempo dos factos, a aparente integração familiar, que não obstante, não o impediu de praticar os factos aqui em apreciação, permite concluir que o arguido não possui um meio envolvente propício a que se afaste de ambientes, lugares e pessoas que o poderão levar, novamente, para a prática de actos da mesma natureza dos ora praticados, o que aliás, resulta claramente do relatório social elaborado pela DGRSP e junto aos autos;  - Tal, não só, não torna diminuta a ponderação das exigências de prevenção especial, como, pelo contrário, constitui circunstância que, colide, de forma preponderante, com as exigências mínimas e irrenunciáveis de defesa do ordenamento jurídico e a garantia de protecção dos bens jurídicos, assumidas, em sede de prevenção geral, pelo que, por um lado, carece de fundamento fáctico a conclusão afirmada na decisão recorrida, de que existe um forte e fundado juízo de prognose de não voltar a praticar actos delituosos e, por outro, da materialidade apurada se justifica a conclusão de que, não concorrem sérias razões no sentido de que, assim, se facilitará a reinserção do arguido, não resulta com uma razoabilidade evidente, que daí possam resultar vantagens para a ressocialização do arguido, o que, então, impede a aplicação do regime previsto no referido artigo  do Decreto Lei 401/8  - Do facto de o arguido ao tempo dos factos ter 17 anos de idade, ter em julgamento confessado parcialmente os factos e de a anterior condenação ser relativa a crime de condução sem habilitação legal - fundamentos aduzidos nesse sentido na decisão recorrida -, só por si, nenhum deles, nem todos conjugados, articulados e ponderados, entre si, têm o efeito de fazer desencadear a aplicação do regime especial para jovens delinquentes;  - Ao aplicar tal regime legal entendemos que descurou o tribunal a gravidade dos ilícitos, a gravidade dos concretos factos praticados pelo arguido e o seu comportamento posterior;  - Efectivamente, não podemos deixar de salientar que, segundo os factos dados por assentes, o arguido desferiu, de forma completamente gratuita, quatro facadas nas costas do ofendido quando o mesmo já se encontrava imobilizado pela zona do pescoço por parte do arguido BB e sem que, sequer, estivesse a oferecer qualquer resistência;  - A frieza e crueldade da actuação do arguido manifesta-se ainda na circunstância de ter corrido atrás do ofendido com o intuito de lhe retirar das costas a faca que aí ficou espetada, tal foi a força da quarta facada desferida, com o único intuito de ocultar as provas da sua actuação e assim escapar à acção da justiça;  - O arguido fugiu do local deixando o ofendido caído no solo, a esvair-se em sangue, tendo ainda a preocupação de fazer desaparecer a faca utilizada no cometimento dos factos referidos sem ter tido qualquer preocupação com a saúde e vida do ofendido;  - O crime de homicídio tentado imputado ao arguido só não foi consumado face à pronta intervenção de terceiros que apareceram no local sendo, no entanto, a extensão das lesões sofridas pelo ofendido que determinaram trezentos e treze dias de doença com afectação para o trabalho geral e cinquenta e oito com afectação para o trabalho profissional bem reveladoras da gravidade da sua actuação;  - Acresce que, só seis meses depois da prática dos factos, após várias diligências de investigação e com a ajuda dos outros co-arguidos, foi possível identificar o arguido AA como o autor das facadas que durante todo esse tempo nada fez quer para assumir a autoria dos factos praticados quer para se inteirar do estado de saúde do ofendido o que é bem demonstrativo da não assunção do desvalor das acções cometidas;  - E se é certo que não será a gravidade do ilícito que por si só afasta a aplicação daquele regime, também não é menos verdade que a gravidade intrínseca dos ilícitos terá que ser ligada à gravidade e intensidade dos factos cometidos e que o fizeram agente dos crimes em causa e ao modo e forma como o manifestado arrependimento surge no processo;  - O arguido, em audiência de julgamento, como resulta da fundamentação do acórdão supra transcrita, apresentou uma versão isolada e incongruente com os demais elementos probatórios negando ter havido qualquer intenção de subtracção do telemóvel do ofendido, negando, inclusive, que tal tenha ocorrido, e afirmando que desferiu as facadas no ofendido para defender os seus amigos, co-arguidos, das agressões do ofendido;  - E manteve tal versão mesmo depois de confrontado com as declarações contrárias que os co-arguidos haviam prestado, nomeadamente, em sede de primeiro interrogatório judicial, nunca tendo admitido, como tal, sem reservas a factualidade que lhe era imputada nem sobre a mesma ter demonstrado verdadeiro sentido de arrependimento, optando por contar uma versão desresponsabilizadora dos factos.