Document ID: 32001R0786

Regulamento (CE) n.o 786/2001 da Comissão
de 24 de Abril de 2001
que abre a destilação de crise referida no artigo 30.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999 do Conselho para os vinhos de mesa em Espanha
A COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS,
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia,
Tendo em conta o Regulamento (CE) n.o 1493/1999 do Conselho, de 17 de Maio de 1999, que estabelece a organização comum do mercado vitivinícola(1) alterado pelo Regulamento (CE) n.o 2826/2000(2), e, nomeadamente, os seus artigos 30.o e 33.o,
Considerando o seguinte:
(1) O artigo 30.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999 prevê a possibilidade de abrir uma destilação de crise em caso de perturbação excepcional do mercado provocada pela existência de importantes excedentes. Esta medida pode ser limitada a determinadas categorias de vinho e/ou a determinadas zonas de produção e pode ser aplicada aos vqprd a pedido do Estado-Membro.
(2) O Governo espanhol pediu a abertura de uma destilação de crise para os vinhos de mesa produzidos no seu território.
(3) A produção de vinhos em Espanha foi de 33,2 milhões de hectolitros em 1997/1998 e de 31,2 milhões de hectolitros em 1998/1999. Elevou-se a 33,5 milhões de hectolitros em 1999/2000 e a 41,1 milhões de hectolitros em 2000/2001, ou seja, um importante aumento de 22,8 % comparado com a campanha anterior. Este aumento é de 33 % relativamente à média das dez campanhas anteriores.
(4) No início da campanha, as existências de vinhos eram de 20,3 milhões de hectolitros em 1997/1998 e de 21 milhões de hectolitros em 1998/1999. Aumentaram para 23,7 milhões de hectolitros em 1999/2000 e, de novo, em 2000/2001, para 27,5 milhões de hectolitros, ou seja, cerca de 16 %. O nível é superior em 26 % ao nível médio das dez últimas campanhas.
(5) O importante aumento da produção bem como o aumento das existências tiveram uma influência muito negativa na evolução dos preços, que diminuíram no decorrer da campanha em curso comparada com o mesmo período da campanha anterior em cerca de 26 % para os vinhos brancos e em cerca de 37 % para os vinhos tintos.
(6) Atendendo a que as condições referidas no n.o 5 do artigo 30.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999 estão preenchidas, é conveniente prever a abertura de uma destilação de crise para um volume máximo de 2,6 milhões de hectolitros de vinhos de mesa. Este volume deverá permitir reduzir a queda dos preços e reconduzir a situação do mercado dos vinhos de mesa a um nível aceitável. A medida é aberta para um período limitado, a fim de maximizar a sua eficácia. Sem prejuízo do artigo 79.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999, não é adequado fixar um limite máximo que cada produtor pode fazer destilar, porque as existências podem variar sensivelmente de produtor para produtor e dependem mais dos resultados das vendas do que da produção anual de cada produtor.
(7) O mecanismo a prever é o mecanismo estabelecido pelo Regulamento (CE) n.o 1623/2000 da Comissão, de 25 de Julho de 2000, que fixa as regras de execução do Regulamento (CE) n.o 1493/1999 que estabelece a organização comum do mercado vitivinícola, no que diz respeito aos mecanismos de mercado(3) com a última redacção que lhe foi dada pelo Regulamento (CE) n.o 545/2001(4). Além dos artigos deste regulamento que fazem referência à medida de destilação prevista no artigo 30.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999, outras disposições do Regulamento (CE) n.o 1623/2000 são de aplicação, nomeadamente as disposições em matéria de entrega do álcool ao organismo de intervenção.
(8) É necessário fixar o preço de compra a pagar pelo destilador ao produtor a um nível que permita remediar os problemas, permitindo que os produtores beneficiem da possibilidade oferecida por esta medida. Por outro lado, não é oportuno fixar este preço a um nível que prejudique a aplicação da medida de destilação do artigo 29.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999.
(9) O produto proveniente da destilação de crise só pode ser um álcool em bruto ou a neutro a entregar obrigatoriamente ao organismo de intervenção a fim de evitar a perturbação do mercado de álcool de boca alimentado, em primeiro lugar, pela destilação do artigo 29.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999.
(10) As medidas previstas no presente regulamento estão em conformidade com o parecer do Comité de Gestão do Vinho,
ADOPTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
Artigo 1.o
A destilação de crise, referida no artigo 30.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999, é aberta para uma quantidade máxima de 2,6 milhões de hectolitros de vinhos de mesa em Espanha.
Artigo 2.o
Além das disposições do Regulamento (CE) n.o 1623/2000 que fazem referência ao artigo 30.o do Regulamento (CE) n.o 1493/1999, as disposições seguintes do Regulamento (CE) n.o 1623/2000 são igualmente de aplicação para a referida medida no presente regulamento:
- as disposições do n.o 5 do artigo 62.o para o pagamento do preço pelo organismo de intervenção referido no n.o 2 do artigo 6.o; todavia, este pagamento só pode ser efectuado a partir de 16 de Outubro de 2001.
Artigo 3.o
Cada produtor pode subscrever um contrato referido no artigo 65.o do Regulamento (CE) n.o 1623/2000 a partir de 27 de Abril de 2001 e até 1 de Junho de 2001. O contrato é acompanhado da prova da constituição de uma garantia igual a 5 euros por hectolitro. Estes contratos não podem ser transferidos.
Artigo 4.o
1. O Estado-Membro determina a taxa de redução a aplicar aos contratos mencionados, caso o volume global dos contratos apresentados exceda o volume estabelecido no artigo 1.o
2. O Estado-Membro toma as disposições administrativas necessárias para aprovar, o mais tardar em 15 de Junho de 2001, os contratos mencionados com a indicação da taxa de redução aplicada e o volume de vinho aceite por contrato, bem como a possibilidade para o produtor de rescindir o contrato em caso de redução. O Estado-Membro comunica à Comissão, antes de 22 de Junho de 2001, os volumes dos vinhos que constam dos contratos aprovados.
3. As entregas dos vinhos na destilaria devem ser feitas o mais tardar em 31 de Agosto de 2001.
4. A garantia é liberada proporcionalmente às quantidades entregues quando o produtor faz prova da entrega na destilaria.
5. Se nenhuma entrega for efectuada nos prazos previstos a garantia é executada.
6. O Estado-Membro pode limitar o número de contratos que um produtor pode subscrever para a operação de destilação em causa.
Artigo 5.o
O preço mínimo de compra de vinho entregue à destilação, a título do presente regulamento, é igual a 1,723 euros por % de vol. e por hectolitro.
Artigo 6.o
1. O destilador entrega os organismos de intervenção o produto proveniente da destilação. Este produto tem um título alcoométrico de pelo menos 92 % de vol. Deve ser entregue ao organismo de intervenção a partir de 16 de Outubro de 2001 e o mais tardar em 31 de Dezembro de 2001.
2. O preço a pagar ao destilador pelo organismo de intervenção para o álcool em bruto entregue é de 2,090 euros por % vol. e por hectolitro.
Artigo 7.o
O presente regulamento entra em vigor na data da sua publicação no Jornal Oficial das Comunidades Europeias.
É aplicável a partir de 27 de Abril de 2001.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito em Bruxelas, em 24 de Abril de 2001.

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