Document ID: 32014R0135

REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) N.o 135/2014 DO CONSELHO
de 11 de fevereiro de 2014
que revoga o direito anti-dumping definitivo sobre as importações de dicianodiamida originária da República Popular da China, na sequência de um reexame da caducidade nos termos do artigo 11.o, n.o 2, do Regulamento (CE) n.o 1225/2009
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
Tendo em conta o Regulamento (CE) n.o 1225/2009 do Conselho, de 30 de novembro de 2009, relativo à defesa contra as importações objeto de dumping dos países não membros da Comunidade Europeia (1) («regulamento de base»), nomeadamente o artigo 11.o, n.os 2 e 6, e o artigo 9.o,
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia, após consulta ao Comité Consultivo,
Considerando o seguinte:
1. PROCEDIMENTO
1.1. Medidas em vigor
(1)
O Conselho, na sequência de um inquérito anti-dumping («inquérito inicial»), instituiu, através do Regulamento (CE) n.o 1331/2007 (2), um direito anti-dumping definitivo sobre as importações de 1-cianoguanidina (dicianodiamida) originária da República Popular da China («China» ou «país em causa») («medidas anti-dumping definitivas»). As medidas assumiram a forma de um direito ad valorem ao nível de 49,1 %.
1.2. Pedido de um reexame da caducidade
(2)
Na sequência da publicação de um aviso de caducidade iminente das medidas anti-dumping definitivas em vigor (3), a Comissão recebeu, em 14 de agosto de 2012, um pedido de início de um reexame da caducidade dessas medidas, ao abrigo do artigo 11.o, n.o 2, do regulamento de base. O pedido foi apresentado pela empresa AlzChem AG («requerente»), que representa 100 % da produção total da União de dicianodiamida.
(3)
O pedido baseou-se no facto de a caducidade das medidas anti-dumping definitivas conduzir provavelmente a uma continuação do dumping e a uma recorrência do prejuízo para a indústria da União.
1.3. Início de um reexame da caducidade
(4)
Tendo determinado, após consulta do Comité Consultivo, que existiam elementos de prova suficientes para justificar o início de um reexame da caducidade, a Comissão anunciou, em 15 de novembro de 2012, através da publicação de um aviso no Jornal Oficial da União Europeia (4) («aviso de início»), o início de um reexame da caducidade nos termos do artigo 11.o, n.o 2, do regulamento de base.
1.4. Inquérito
1.4.1. Período de inquérito de reexame e período considerado
(5)
O inquérito sobre a continuação do dumping abrangeu o período compreendido entre 1 de outubro de 2011 e 30 de setembro de 2012 («período de inquérito do reexame» ou «PIR»). O exame das tendências relevantes para a avaliação da probabilidade de reincidência do prejuízo abrangeu o período compreendido entre 1 de janeiro de 2009 e o final do período de inquérito do reexame («período considerado»).
(6)
Após a divulgação final, o requerente alegou que o período considerado deveria ter tido início em 2008, porque 2009 conduziria a resultados não representativos. Note-se, em primeiro lugar, que a Comissão goza de um amplo poder de apreciação para determinar o período a ter em conta para efeitos de verificação do prejuízo. Em segundo lugar, o requerente fez esta alegação numa fase demasiado tardia para alterar o período. O período considerado foi anunciado no início de processo, mas o requerente não contestou nessa altura. O período não pode ser alterado numa fase tão tardia do processo, por razões de ordem prática e porque uma alteração com base nos elementos de prova recolhidos seria contrária à condução imparcial de um inquérito. A alegação foi, por conseguinte, rejeitada.
1.4.2. Partes interessadas no inquérito
(7)
A Comissão informou oficialmente do início do reexame da caducidade o requerente, os produtores-exportadores do país em causa, os importadores independentes, os utilizadores conhecidos como interessados na União, bem como os representantes do país de exportação. Foi dada às partes interessadas a oportunidade de apresentarem as suas observações por escrito e de solicitarem uma audição no prazo fixado no aviso de início.
(8)
Tendo em conta o número aparentemente elevado de produtores-exportadores do país em causa e importadores independentes, a Comissão considerou conveniente, nos termos do artigo 17.o do regulamento de base, determinar se devia recorrer à amostragem. Para que pudesse decidir se era necessário recorrer à amostragem e, em caso afirmativo, selecionar uma amostra, a Comissão, ao abrigo do artigo 17.o do regulamento de base, convidou as partes supramencionadas a darem-se a conhecer no prazo de 15 dias a contar do início do reexame e a prestarem à Comissão as informações solicitadas no aviso de início.
(9)
Foram contactados doze produtores-exportadores da China conhecidos. Como só um produtor-exportador da China apresentou as informações requeridas, não foi necessário selecionar uma amostra de produtores-exportadores.
(10)
No que diz respeito aos importadores, 10 importadores independentes de dicianodiamida na União foram identificados e convidados a prestar informações no âmbito da amostragem. Só dois deles se deram a conhecer e se mostraram dispostos a colaborar no reexame em questão. Por conseguinte, não foi necessário recorrer a qualquer amostragem para os importadores independentes.
(11)
A Comissão enviou questionários a todas as partes conhecidas como interessadas e às partes que se deram a conhecer nos prazos fixados no aviso de início. Foram recebidas respostas do produtor da União, do produtor-exportador na China que colaborou no inquérito, de dois importadores independentes e de um utilizador na União.
(12)
Foram recebidas observações adicionais de dois importadores/comerciantes independentes e de três utilizadores na União.
(13)
A Comissão procurou obter e verificou todas as informações que considerou necessárias para determinar a probabilidade de continuação do dumping e de reincidência do prejuízo, e o interesse da União. Foram realizadas visitas de verificação às instalações das seguintes partes interessadas:
a)
Produtor da União:
-
AlzChem AG, Trostberg, Alemanha
b)
Produtor-exportador na China:
-
Ningxia Jiafeng Chemicals Co., Ltd. Shizuishan, China
c)
Importador independente na União:
-
Helm AG, Hamburgo, Alemanha
d)
Utilizador na União:
-
Merck Santé S.A.S., Lyon, França
2. PRODUTO EM CAUSA E PRODUTO SIMILAR
2.1. Produto em causa
(14)
O produto em causa no presente reexame é idêntico ao do inquérito inicial, ou seja 1-cianoguanidina (dicianodiamida) («DCD») originária da República Popular da China («produto em causa»), atualmente abrangida pelo código NC ex 2926 20 00. Obtém-se a partir de cal viva e de negro de carbono, e o processo de produção é constituído por diversas etapas. Trata-se de uma substância sólida sob a forma de um pó fino, branco, cristalino, geralmente inodoro.
(15)
A DCD é geralmente utilizada como um produto químico intermédio para produzir uma vasta gama de outros produtos químicos intermédios, como produtos farmacêuticos, várias aplicações industriais (água, pasta de papel e papel, têxteis, couro) e diversas aplicações epoxídicas. É um elemento-chave da cadeia azoto - carbono - azoto (NCN), com produtos finais de nicho, tais como o nitrato de guanidina e outros derivados NCN.
(16)
A maioria da DCD vendida no mercado da União é do tipo corrente. Só uma quantidade limitada é constituída por partículas mais pequenas (a chamada microdicianodiamida ou micro-DCD). O produtor-exportador chinês colaborante apresentou dados apenas para o tipo corrente.
2.2. Produto similar
(17)
Um utilizador questionou o facto de a DCD da União e a DCD da China serem produtos similares, com base no pressuposto de que o tipo corrente de DCD produzido pela indústria da União ser, alegadamente, de qualidade superior ao produzido pelos produtores-exportadores chineses. Em especial, este utilizador alegou que o teor de água da DCD chinesa seria significativamente mais elevado e mais variável em comparação com o teor de água da DCD produzida na União. Além disso, a DCD chinesa teria igualmente um teor de impurezas mais elevado.
(18)
Contudo, tal como o inquérito inicial, o inquérito revelou que, ainda que possa haver certas diferenças de qualidade, estas não podem ser quantificadas e, além disso, não afetam as características químicas, físicas e técnicas de base da DCD produzida e vendida pela indústria da União na União, e do produto em causa, tendo-se concluído que são iguais e que têm as mesmas utilizações finais.
(19)
Outro utilizador alegou que a micro-DCD devia ser excluída da definição do produto e do âmbito de aplicação das medidas anti-dumping, devido às alegadas diferenças nas características físicas, utilizações finais e preços em relação à DCD corrente.
(20)
O inquérito mostrou, contudo, que ambos os tipos partilham as mesmas características químicas, físicas e técnicas de base. A transformação subsequente de DCD corrente para produzir a micro-DCD implica um processo físico simples (fresagem), mas não uma transformação química. Além disso, apesar de os preços da micro-DCD serem mais elevados do que os da DCD corrente, ambos os tipos têm as mesmas utilizações finais de base e podem normalmente ser permutáveis.
(21)
O inquérito confirmou que, tal como no inquérito inicial, o produto em causa e os produtos fabricados e vendidos no mercado interno da China, assim como os produtos fabricados e vendidos na União pelo produtor da União, apresentam as mesmas características físicas e técnicas de base e destinam-se às mesmas utilizações, sendo, consequentemente, considerados produtos similares na aceção do artigo 1.o, n.o 4, do regulamento de base.
3. PROBABILIDADE DE CONTINUAÇÃO DO DUMPING
3.1. Observações preliminares
(22)
Nos termos do artigo 11.o, n.o 2, do regulamento de base, examinou-se a probabilidade de a caducidade das medidas em vigor conduzir a uma continuação do dumping.
(23)
Tal como referido no considerando 9, devido ao facto de apenas uma empresa ter colaborado, não foi necessário selecionar uma amostra de produtores-exportadores da China. Esta empresa abrangia mais de 35 % das importações do produto em causa na União provenientes da China durante o PIR. Essa empresa não exportou durante o período de inquérito (PI) do inquérito inicial e, por conseguinte, não colaborou no inquérito inicial.
3.2. Importações objeto de dumping durante o PIR
3.2.1. País análogo
(24)
Nos termos do artigo 2.o, n.o 7, alínea a), do regulamento de base, o valor normal teve de ser estabelecido com base nos preços ou no valor normal calculado num país terceiro adequado com economia de mercado («país análogo») ou no preço desse país terceiro para outros países, incluindo países da União, ou, sempre que tal não foi possível, a partir de qualquer outra base razoável, incluindo o preço efetivamente pago ou a pagar na União pelo produto similar, devidamente ajustado, se necessário, a fim de incluir uma margem de lucro razoável.
(25)
Na ausência de produção do produto em causa fora da União e da China, a Comissão indicou, no aviso de início, a sua intenção de estabelecer o valor normal com base nos preços efetivamente pagos ou a pagar na União pelo produto similar, tal como foi igualmente efetuado no inquérito inicial.
(26)
O produto similar foi vendido pela indústria da União em quantidades representativas. No entanto, as vendas no mercado interno da indústria da União estavam a provocar prejuízo, embora muito perto do ponto de equilíbrio. Por conseguinte, o valor normal foi baseado nos custos de produção da indústria da União, acrescido de um montante razoável para encargos de venda, despesas administrativas e outros encargos gerais (VAG), bem como o lucro das vendas. As despesas VAG e o lucro foram determinados com base no mesmo método que no inquérito inicial. Nos termos do artigo 11.o, n.o 9, foram realizados ajustamentos aos custos de produção da indústria da União para compensar os custos adicionais de transportes decorrentes da separação geográfica entre as unidades de produção, à falta de acesso direto às matérias-primas, que têm de ser transportadas de instalações de produção remotas, e à eliminação do subproduto (cal preta). Estes ajustamentos foram igualmente realizados no inquérito inicial.
3.2.2. Preço de exportação
(27)
Todas as vendas de exportação, para a União, do produtor-exportador colaborante foram efetuadas diretamente a clientes independentes estabelecidos na União. O preço de exportação foi estabelecido com base nos preços efetivamente pagos ou a pagar, nos termos do artigo 2.o, n.o 8, do regulamento de base.
3.2.3. Comparação
(28)
A comparação entre o valor normal e o preço de exportação foi efetuada no estádio à saída da fábrica.
(29)
A fim de assegurar uma comparação equitativa entre o valor normal e o preço de exportação do produtor-exportador colaborante, e nos termos do artigo 2.o, n.o 10, do regulamento de base, foram devidamente tidas em conta, sob a forma de ajustamentos, certas diferenças a nível do transporte, do seguro, de impostos e custos de crédito que afetaram os preços e a sua comparabilidade.
3.2.4. Margem de dumping
(30)
A margem de dumping foi estabelecida com base numa comparação entre o valor normal médio ponderado e o preço de exportação médio ponderado, de acordo com com o artigo 2.o, n.o 11, do regulamento de base.
(31)
Para o produtor-exportador que colaborou no inquérito, essa comparação revelou a existência de dumping, embora consideravelmente inferior à margem de dumping estabelecida no inquérito inicial.
3.3. Evolução das importações em caso de revogação das medidas
3.3.1. Observação preliminar
(32)
Além da análise da existência de dumping durante o PIR, foi examinada a probabilidade de continuação do dumping se as medidas fossem revogadas, tendo sido analisados os seguintes elementos: capacidade de produção e capacidade não utilizada na China, volume e preços das importações objeto de dumping provenientes da China e atratividade do mercado da União no tocante às importações chinesas.
(33)
A este respeito, importa salientar que o produtor-exportador colaborante representava mais de 30 % da produção total da China durante o PIR.
3.3.2. Capacidade de produção e capacidade não utilizada dos produtores chineses
(34)
Uma vez que existe pouca informação pública disponível acerca da indústria de DCD chinesa, as conclusões em relação a capacidade não utilizada fundamentaram-se, principalmente, na informação incluída no pedido de reexame e nas informações fornecidas pelo único produtor colaborante, sempre que possível comparadas com informação publicamente disponível.
(35)
Nesta base, parte-se do princípio de que a capacidade instalada total na China aumentou entre 2007 e 2012. A produção efetiva durante o PIR ficou, contudo, limitada a 80 000 toneladas, indicando que poderá estar disponível alguma capacidade não utilizada. A capacidade instalada chinesa durante o PIR representa mais do que a procura global de DCD e a capacidade não utilizada pode representar mais do que o consumo total da União durante o PIR, enquanto o consumo interno chinês durante o PIR ascendeu apenas a 40 000 toneladas, ou seja, metade da produção efetiva chinesa.
(36)
Quanto à capacidade não utilizada, as informações recolhidas no local durante o inquérito mostram que já foi concedida autorização ao único produtor colaborante, que representava mais de 20 % da capacidade total instalada na China em 2012, para expandir a sua capacidade em 50 %, em 2014. Espera-se que esta nova capacidade vá, nomeadamente, continuar a servir os próprios processos de produção deste produtor (utilização cativa de DCD) e o mercado interno chinês, que, durante o PIR, absorveu cerca de metade da produção de DCD do único produtor colaborante. As informações obtidas do único produtor que colaborou no inquérito mostraram que os futuros investimentos em capacidade serão utilizados para aprovisionamento, nomeadamente, do mercado interno na China, que é de grandes dimensões e está em rápido crescimento.
(37)
A China está, assim, em condições de produzir grandes quantidades para exportação, tanto mais porque não existem indicações de que o mercado interno possa absorver toda a capacidade não utilizada.
3.3.3. Volume e preços das importações objeto de dumping provenientes da China
(38)
Segundo o Eurostat e os dados sobre importação verificados, os volumes das importações provenientes da China diminuíram drasticamente quando as medidas foram introduzidas em 2007 e registaram de novo um ligeiro aumento entre 2009 e o final do PIR, mas sem nunca chegarem a atingir o nível de 2007. Esta situação também se reflete na parte de mercado das importações chinesas, que baixou de 40 %-45 %, em 2007, para 10 %-15 %, em 2009, e alcançou novamente um nível de 15 %-20 % no final do PIR, apesar de os preços chineses terem subido 73 %.
3.3.4. Atratividade do mercado da União
(39)
O mercado da União é um mercado relativamente grande, representando cerca de 18 % do consumo mundial de DCD, mas não é necessariamente o mais atrativo, ou o único mercado atrativo, no tocante a segmentos de venda e preços (ver considerando 74). Com efeito, as informações disponíveis sugerem que os produtores chineses antecipam uma procura crescente por parte da indústria farmacêutica, por exemplo, na Índia, que utiliza a DCD, designadamente, como input no fabrico de um medicamento para a diabetes (metformina). Por conseguinte, esta nova procura será potencialmente capaz de absorver uma grande parte da capacidade não utilizada da China. Com base no que precede, considera-se que o mercado da União não é o único mercado atrativo para os exportadores chineses.
3.3.5. Conclusão sobre a probabilidade de continuação do dumping
(40)
O inquérito confirmou que as importações chinesas continuaram a entrar no mercado da União a preços objeto de dumping durante o PIR. Dado o dumping continuado, o facto de o mercado da União ser um grande mercado bastante atrativo para os exportadores chineses no passado, bem como as capacidades não utilizadas na China, que ultrapassam o consumo total da União, pode concluir-se que existe uma probabilidade de continuação do dumping, se as medidas viessem a ser suprimidas. No entanto, é de assinalar que o atual nível de dumping é consideravelmente inferior ao estabelecido no inquérito inicial.
4. SITUAÇÃO DO MERCADO DA UNIÃO
4.1. Observação preliminar
(41)
Como a análise diz respeito apenas a uma empresa, por razões de confidencialidade, a maioria dos indicadores é apresentada sob a forma de índice ou de intervalos.
4.2. Indústria da União
(42)
A produção do produtor da União AlzChem AG representa 100 % da DCD produzida na União. Assim, considera-se que esta empresa representa a indústria da União na aceção do artigo 4.o, n.o 1, e do artigo 5.o, n.o 4, do regulamento de base.
4.3. Consumo no mercado da União
(43)
O consumo da União foi determinado com base nos volumes de vendas não cativos da indústria da União no mercado da União, bem como nos dados do Eurostat relativos às importações, cruzados com outras fontes estatísticas. Ao longo do período considerado, a evolução foi a que se apresenta em seguida:
Quadro 1
2009
2010
2011
PIR
Consumo da União (toneladas)
11 042
13 712
14 338
14 146
Índice (2009 = 100)
100
124
130
128
(44)
Para além do consumo no mercado livre acima apresentado, é de notar que, durante o período considerado, a utilização cativa de DCD pela indústria da União variou entre 10 % e 20 % da produção da União e evoluiu da seguinte forma:
Quadro 2
2009
2010
2011
PIR
Utilização cativa - Índice (2009 = 100)
100
123
124
127
4.4. Importações na União provenientes da China
(45)
Tendo em conta que apenas um exportador colaborou no inquérito, constatou-se que os dados do Eurostat eram a melhor fonte de informação no que diz respeito aos volumes e aos preços de importação. Os dados do Eurostat referem-se à UE27 e foram cruzados com outras fontes, tais como as estatísticas de exportação chinesas, a base de dados do artigo 14.o, n.o 6, e os dados fornecidos pelo importador/utilizador colaborante.
(46)
As entregas de DCD provenientes da China foram importadas ao abrigo de dois regimes aduaneiros. No quadro do regime normal, deviam ser cobrados tanto os direitos aduaneiros normais como o direito anti-dumping. Ao abrigo do regime de aperfeiçoamento ativo, nenhum destes direitos devia ser cobrado, porque o material fora utilizado na produção de produtos a jusante exportados para fora da União. Tal como indicado no quadro abaixo, o regime de aperfeiçoamento ativo abrangeu cerca de dois terços das importações no PIR.
4.4.1. Volume e parte de mercado
(47)
Na sequência da instituição das medidas anti-dumping em 2007, o volume das importações chinesas diminuiu significativamente. A sua parte de mercado global era de cerca de 15 %-20 % durante o PIR. Não obstante, durante o período considerado, o volume das importações efetuadas ao abrigo do regime aduaneiro normal originárias da China variou, ao passo que as importações chinesas efetuadas ao abrigo do regime de aperfeiçoamento ativo aumentaram para mais do dobro. Tendo em conta ambos os regimes, os volumes das importações aumentaram durante o período, mas ainda estão muito abaixo dos níveis observados antes da instituição das medidas (mais de 6 000 toneladas).
Quadro 3
Importações provenientes da China
2009
2010
2011
PIR
Volume de importações - regime normal (toneladas)
881
1 251
1 781
730
Índice (2009 = 100)
100
142
202
83
Parte de mercado
5 %-10 %
5 %-10 %
10 %-15 %
5 %-10 %
Preço médio de importação - regime normal (EUR/tonelada)
1 218
1 267
1 826
2 101
Preço médio de importação - regime de aperfeiçoamento ativo (EUR/tonelada)
1 677
1 463
1 674
2 069
Volume de importações - regime de aperfeiçoamento ativo (toneladas)
676
984
654
1 467
Índice (2009 = 100)
100
146
97
217
Parte de mercado - todos os regimes
10 %-15 %
15 %-20 %
15 %-20 %
15 %-20 %
4.4.2. Preço
(48)
Tal como refletido no quadro supra, durante o período considerado, os preços das importações chinesas registaram um aumento considerável.
(49)
A indústria da União alegou que a evolução dos preços não pode ser explicada pela evolução dos preços dos principais fatores de custo, ou seja, o custo das matérias-primas e da energia. Todavia, não forneceu qualquer outra explicação ou elementos de prova conclusivos em apoio da alegação.
4.4.3. Subcotação dos preços
(50)
Tendo em vista analisar a subcotação de preços, os preços de vendas médios ponderados cobrados pela indústria da União a clientes independentes no mercado da União foram comparados com os preços CIF médios ponderados correspondentes das importações provenientes da China (só DCD corrente). Os preços de venda da indústria da União foram ajustados, especialmente para ter em conta os os custos de distribuição e as comissões ao nível à saída da fábrica. Os preços CIF das exportações provenientes da China foram obtidos junto do Eurostat, tendo sido cruzados com a base de dados do artigo 14.o, n.o 6, estando excluídas as importações que foram objeto do regime de aperfeiçoamento ativo. Estes preços CIF foram ajustados, a fim de cobrirem os custos relacionados com o desalfandegamento, ou seja, os direitos aduaneiros e os custos pós-importação. A subcotação no que respeita às importações sujeitas a aperfeiçoamento ativo é analisada no considerando 83.
(51)
A comparação mostrou que, durante o PIR, as importações do produto em causa não subcotaram os preços da indústria da União.
4.5. Importações na União provenientes de outros países terceiros
(52)
Não houve importações significativas provenientes de outros países terceiros.
(53)
Durante o período considerado, o volume das importações provenientes dos EUA nunca correspondeu a uma parte de mercado superior a 2 %. O inquérito revelou que, de facto, essas importações eram de DCD corrente que tinha inicialmente sido produzida na China e posteriormente micronizada nos EUA.
Quadro 4
Importações provenientes dos EUA
2009
2010
2011
PIR
Volume de importações (toneladas)
192
237
282
255
Índice (2009 = 100)
100
123
147
133
Parte de mercado
0 %-2 %
0 %-2 %
0 %-2 %
0 %-2 %
4.6. Situação económica da indústria da União
(54)
Nos termos do artigo 3.o, n.o 5, do regulamento de base, o exame do impacto das importações objeto de dumping na indústria da União incluiu uma apreciação de todos os fatores e índices económicos que influenciaram a situação da indústria da União durante o período considerado.
4.6.1. Produção, capacidade de produção e utilização da capacidade
(55)
A indústria da União funcionou como uma cadeia de produção integrada, que incluía não só a DCD, mas também produtos a montante e a jusante. Desde 2009, a capacidade de produção de DCD da União não mudou. Durante o período considerado, a produção do produtor da União aumentou em grande parte devido ao aumento da procura no mercado da União, tal como demonstra o quadro 1 supra. Desde 2010, o produtor da União funcionou a plena capacidade. Em 2009, quando a produção e as vendas foram afetadas pela crise financeira, a situação alterou-se.
Quadro 5
2009
2010
2011
PIR
Produção - Índice (2009 = 100)
100
115
113
109
Capacidade de produção - Índice (2009 = 100)
100
100
100
100
Utilização da capacidade
86,9 %
100,2 %
98,2 %
95,2 %
4.6.2. Existências
(56)
No decurso do período considerado, o produtor da União manteve existências negligenciáveis e tal não foi considerado um fator importante para a avaliação da situação da indústria da União.
Quadro 6
2009
2010
2011
PIR
Existências - Índice (2009 = 100)
100
73
88
49
4.6.3. Volume de vendas, parte de mercado e preços unitários médios na União
(57)
As vendas da indústria da União no mercado da União a clientes independentes aumentaram 26 % durante o período considerado, tendo os preços das vendas subido 7 %.
(58)
A indústria da União conseguiu aumentar as suas vendas na UE devido ao aumento do consumo indicado acima no quadro 1. A indústria da União manteve uma parte de mercado muito considerável no mercado da União.
Quadro 7
2009
2010
2011
PIR
Volume de vendas - Índice (2009 = 100)
100
121
125
126
Parte de mercado
80 %-85 %
80 %-85 %
80 %-85 %
80 %-85 %
Volume de vendas - Índice (2009 = 100)
100
95
98
107
4.6.4. Rendibilidade e cash flow
(59)
Durante o período considerado, a rendibilidade da indústria da União melhorou significativamente, visto que pôde aumentar o seu volume de vendas e os seus preços de venda a clientes independentes no mercado da União. A melhoria acentuada da rendibilidade é ainda mais evidente quando comparada com a situação de grave prejuízo que afetou a indústria no PI inicial (- 20 % a - 30 %).
Quadro 8
2009
2010
2011
PIR
Rendibilidade
- 10 % a 0 %
- 10 % a 0 %
- 10 % a 0 %
- 5 % a 0 %
(60)
A rendibilidade das transações cativas foi comparativamente boa.
(61)
Durante o período considerado, o cash flow manteve-se sempre negativo, à exceção do PIR, em consonância com a evolução da rendibilidade global.
Quadro 9
2009
2010
2011
PIR
Cash flow - Índice (2009= 100)
- 100
-84
- 229
174
4.6.5. Investimentos, retorno dos investimentos e capacidade de obtenção de capital
(62)
Durante o período considerado, a indústria da União realizou investimentos para manutenção e otimização dos atuais equipamentos de produção. Em 2009, realizou um novo investimento importante relacionado com a micro-DCD.
Quadro 10
2009
2010
2011
PIR
Investimentos - Índice (2009 = 100)
100
50
65
37
(63)
O retorno dos investimentos permaneceu negativo durante o período considerado, em consonância com a rendibilidade acima mencionada.
Quadro 11
2009
2010
2011
PIR
Retorno dos investimentos - Índice (2009 = 100)
- 100
-63
-62
-10
(64)
A indústria da União não alegou ter encontrado dificuldades em obter capital durante o período considerado.
4.6.6. Emprego, produtividade, crescimento e salários
(65)
Os investimentos efetuados durante o período considerado contribuíram para o aumento do número de trabalhadores qualificados. Os níveis salariais médios aumentaram 15 % durante o período considerado.
(66)
O aumento registado no emprego e na produtividade reflete o crescimento da produção em 2010.
Quadro 12
2009
2010
2011
PIR
Número de empregados - Índice (2009 = 100)
100
107
104
105
Produtividade (toneladas por trabalhador) - Índice (2009 = 100)
100
108
108
105
Custos da mão de obra por trabalhador - Índice (2009 = 100)
100
112
113
115
4.6.7. Amplitude do dumping e recuperação de práticas de dumping anteriores
(67)
As práticas de dumping continuaram durante o PIR, tal como explicado no ponto 3.2 supra.
(68)
O impacto da amplitude das margens de dumping efetivas na indústria da União, dado o volume das importações objeto de dumping provenientes da China, não pode ser considerado muito elevado. Em comparação com o inquérito inicial, a situação da indústria da União melhorou significativamente - estava já em vias de recuperação de anteriores práticas de dumping, sobretudo em termos de rendibilidade, vendas e parte de mercado.
4.6.8. Conclusão
(69)
Se bem que alguns dos desenvolvimentos positivos acima referidos sejam relativamente recentes, considera-se que a situação da indústria da União melhorou significativamente no período considerado. Todos os indicadores financeiros eram positivos ou estavam muito próximo de ser positivos no final do PIR.
(70)
A instituição das medidas anti-dumping, em 2007, permitiu à indústria da União recuperar de forma constante dos efeitos prejudiciais do dumping, explorando ainda mais o seu potencial no mercado da União e no dos países não UE. O facto de a indústria da União ter beneficiado com as medidas é sobretudo ilustrado pelos seus elevados níveis de produção, de utilização da capacidade e por preços de venda e uma rendibilidade mais elevados. Durante o PIR, o prejuízo importante resultante das importações chinesas já não se fazia sentir.
(71)
Na sequência da divulgação, o requerente alegou que o facto de, no âmbito do inquérito inicial, certos indicadores de prejuízo revelarem uma tendência positiva não impediu a Comissão de confirmar a existência de um prejuízo importante nesse momento. Essa alegação deve ser rejeitada. O Regulamento (CE) n.o 1331/2007 constituiu uma resposta a diferentes circunstâncias, em especial a existência de uma indústria da União menos rentável. Além disso, um reexame da caducidade é completamente diferente de um inquérito ao abrigo do artigo 5.o do regulamento de base. Enquanto o segundo se centra na questão de saber se o dumping causa prejuízo à indústria nacional, o primeiro é um exercício de análise prospetiva do que pode ocorrer se as medidas caducarem.
5. PROBABILIDADE DA REINCIDÊNCIA DO PREJUÍZO
(72)
Como acima se demonstra, conclui-se que a indústria da União não sofreu um prejuízo importante durante o PIR. Nos termos do artigo 11.o, n.o 2, do regulamento de base, procurou-se, pois, determinar se a caducidade das medidas em vigor poderia provocar a reincidência do prejuízo.
5.1. Impacto da capacidade não utilizada na China
(73)
O inquérito revelou que existem grandes capacidades de produção na China (ver considerandos 34 a 37). No entanto, não existem motivos razoáveis para concluir que as capacidades não utilizadas em questão são suscetíveis de dar origem a importações na União relevantes.
(74)
A União é um dos muitos mercados em que os produtores-exportadores chineses vendem. No que diz respeito a preços, os dados provenientes da indústria da União, do produtor-exportador chinês colaborante e das estatísticas de exportação chinesas confirmam que vários mercados de países não UE são, pelo menos, tão atrativos como o da União.
(75)
No que diz respeito às vendas de exportação da indústria da União, estas eram frequentemente efetuadas a preços mais elevados do que as vendas na União. Na sequência da divulgação, o requerente alegou que os seus preços de exportação mais elevados não tinham qualquer relação com a atratividade relativa destes mercados, devendo, em vez disso, ser explicados pelo facto de estarem em causa pequenos volumes de vendas. Esta alegação deverá ser rejeitada, dado os volumes de vendas totais da indústria da UE para os mercados de exportação serem ainda muito significativos no PIR (entre 20 % e 30 % da produção da indústria da União). Não foi demonstrado que as vendas aos clientes correspondiam a volumes significativamente inferiores.
(76)
Os dados estatísticos sobre os preços de exportação chineses de DCD para diferentes mercados também não apontam para uma atratividade especial do mercado da UE, em comparação com outros mercados de exportação. A substancial capacidade não utilizada já existia durante o PIR, mas não se traduziu por uma prática de preços lesivos por parte dos exportadores chineses. O facto de essa capacidade não utilizada aumentar novamente não constitui, no caso presente, uma indicação da probabilidade de reincidência do prejuízo. A Índia é, de longe, o maior mercado do mundo de DCD. As estatísticas de exportação chinesas mostram que o volume de vendas da China para a UE representou apenas cerca de 10 % do volume de vendas para a Índia, e que os preços médios por tonelada das vendas da China à UE são equivalentes aos preços praticados nas vendas da China para a Índia. Por outras palavras, os preços de mercado prevalecentes no importante mercado da Índia (que aumentaram, em média, 65 % no período considerado) são igualmente atrativos para os produtores de DCD. Não há indicações de que as capacidades não utilizadas da China se traduzirão por um volume enorme de importações na União. De momento, é provável que, pelo menos, parte dessas capacidades não utilizadas não será utilizada no futuro próximo. Esta conclusão baseia-se numa evolução da situação no passado, visto que os dados apresentados pelo requerente sugerem que, embora entre 2008 e o PIR, a China tenha aumentado a sua capacidade em cerca de 50 %, a sua produção total só registou um crescimento de cerca de 20 %. As projeções do requerente até 2016 indicam que as capacidades chinesas serão muito superiores à procura global e, consequentemente, continuarão, por ora, por utilizar. A sobrecapacidade a nível nacional seria menor se as projeções fossem feitas com base nos dados relativos às vendas do produtor-exportador chinês colaborante. Em todo o caso, o facto de a produção chinesa de DCD, ao contrário do que sucede com a produção da UE (ver considerando 55 supra) não fazer parte de uma cadeia de produção plenamente integrada significa que é menos oneroso manter capacidades não utilizadas.
(77)
Acresce que determinada procura crescente, em especial pela indústria farmacêutica em países como a Índia (ver considerando 39), poderá, em princípio, ser capaz de absorver também uma parte considerável da sobrecapacidade chinesa. Além disso, o inquérito concluiu que os produtos DCD da empresa AlzChem eram considerados mais atrativos para os utilizadores da UE, devido, nomeadamente, à localização geográfica e à fiabilidade do abastecimento. Isto confere uma certa vantagem sobre os produtores chineses no que respeita aos principais utilizadores na UE, que adquirem quantidades significativas de DCD. Por conseguinte, tendo em conta o presente contexto, as grandes capacidades de produção na China não são, por si só, uma razão para concluir que existe uma probabilidade de reincidência do prejuízo. O simples facto de a indústria da União ter registado perdas na sua parte em termos de capacidade de produção global não pode anular essa conclusão.
5.2. Impacto do crescimento de mercado previsto
(78)
Várias partes interessadas mencionaram um crescimento significativo do mercado da DCD previsto a nível mundial, principalmente impulsionado por aplicações alicerçadas nos setores farmacêutico e da agricultura. Tal deve-se ao aumento da produção de medicamentos para combater a diabetes, predominantemente na Índia. Este crescimento faz-se já anunciar através do aumento do consumo na UE, como figura no quadro 1 supra.
(79)
No que respeita ao mercado da UE, prevê-se igualmente um maior crescimento, mas num grau mais limitado. Tal deve-se ao facto de um grande produtor do setor farmacêutico, com vendas a nível mundial, estar localizado na União.
(80)
Na sequência da divulgação, o requerente contestou o grau de crescimento. No entanto, é de salientar que as suas observações a este respeito são contraditórias e que várias fontes apontam para uma sólida procura da UE e para um crescimento significativo à escala mundial. Dados relativos às vendas do produtor-exportador chinês colaborante indicam um rápido aumento do consumo no mercado interno chinês. Por conseguinte, nenhum dos dados que constam do processo pode confirmar a alegação do requerente de que a procura vai (ou irá) manter-se inalterada.
(81)
Na sequência da divulgação, o requerente salientou também que tinha registado perdas no volume de vendas e na parte de mercado nos mercados fora da UE. A este respeito, note-se que a indústria da UE tem trabalhado, quase na sua plena capacidade, com existências insignificantes, enquanto o consumo de DCD na UE continuou a crescer. Por conseguinte, se a indústria da UE não pôde tirar pleno partido do crescimento registado noutros mercados, tal deve-se, antes de mais, ao facto de ter decidido centrar-se sobretudo no mercado da UE, sem aumentar significativamente a sua capacidade de produção. No entanto, esta situação poderá vir a alterar-se, caso os seus planos de expansão se concretizem. Por conseguinte, é provável que, mesmo que os volumes de importação de DCD da China na União aumentem num futuro próximo, tal não implique, automaticamente, uma reincidência do prejuízo. A indústria da União, tal como os produtores chineses, beneficiará de um aumento da procura a nível mundial.
(82)
A este respeito, tal como acima referido, o produtor da União está muito bem classificado no mercado e parece ser o fornecedor preferencial de vários dos principais clientes de DCD - pelo menos, no que diz respeito a certas aplicações. A qualidade e a fiabilidade dos seus produtos da DCD na União significam que a empresa está em condições de assegurar grandes contratos com os principais clientes da UE, e que esta situação se irá manter, independentemente do facto de as medidas serem ou não revogadas. Após a divulgação, um utilizador da UE relevante declarou que iria continuar a aprovisionar-se do produto objeto do presente processo junto da indústria da União, mesmo que as medidas anti-dumping viessem a ser revogadas.
5.3. Outras considerações
(83)
Conforme se explicita nos considerandos 50 a 51, os preços de importação chineses não subcotaram os preços da indústria da União durante o PIR. A subcotação não se verificou ao abrigo do regime normal (cerca de um terço dos volumes de importação). Registou-se um nível muito baixo de subcotação quando o regime de aperfeiçoamento ativo foi igualmente tido em conta (os restantes dois terços das importações durante o PIR). Esta situação difere da subcotação substancial estabelecida no inquérito inicial, e resultou de um aumento gradual dos preços de importação a nível global, desde a instituição das medidas, embora este aumento não tivesse ocorrido de forma constante. De facto, o preço CIF fronteira da UE das importações chinesas aumentou 73 % no período de 2009 até ao final do PIR.
(84)
A indústria da UE mostrou que se mantém competitiva, mesmo na ausência de medidas, em virtude das suas exportações consideráveis (entre 20 % a 30 % da produção durante o PIR) para os países não-UE, na ausência de quaisquer medidas em vigor e enfrentando a concorrência chinesa sem o apoio de quaisquer medidas anti-dumping. A diminuição do volume de exportação abaixo indicada tem de ser vista em conjunto com o aumento do volume de vendas na União e a capacidade de produção inalterada da indústria da União, a qual foi, em princípio, integralmente utilizada.
Quadro 13
2009
2010
2011
PIR
Volume de exportação - Índice (2009 = 100)
100
105
80
77
Preço de exportação (independentes) - Índice (2009 = 100)
100
100
109
125
(85)
Os preços das importações chinesas durante os oito meses seguintes ao PIR foram também analisados à luz de observações apresentadas pela indústria da União. A indústria da União alegou que uma forte pressão a nível dos preços, causada por importações chinesas, tinha recomeçado logo após o PIR. Nos termos do artigo 6.o, n.o 1, do regulamento de base, em conjugação com o artigo 11.o, n.o 5, do mesmo regulamento, as informações relativas a um período posterior ao PIR não devem, normalmente, ser tomadas em consideração. No entanto, mesmo se esta informação fosse tida em conta, dela não se podiam retirar conclusões na fase atual, uma vez que não é claro se estes novos preços, caso se confirmem, são de natureza duradoura. A título de exemplo, se bem que os preços tenham descido desde o final do PIR até maio de 2013, em junho de 2013 voltaram a subir 10 %. Dado que estes preços pós-PIR foram ainda consideravelmente superiores aos observados no inquérito inicial, as possibilidades de que, no futuro próximo, possam vir a comprometer significativamente a atual situação da indústria da União, que não está a sofrer um prejuízo importante, não atinge o limiar de uma probabilidade.
(86)
Por último, não existe qualquer indicação de que uma revogação das medidas teria um impacto sobre os preços de mercado, a curto e médio prazo. É de assinalar que uma grande parte da DCD vendida na União está sujeita a contratos por vários anos e, para a indústria utilizadora, um fornecimento fiável e regular por parte de um produtor de confiança parece ser de extrema importância. Além disso, dois terços das importações durante o PIR foram efetuadas ao abrigo do regime de aperfeiçoamento ativo, no âmbito do qual não devem ser pagos quaisquer direitos de importação ou anti-dumping. Em suma, embora não se possa excluir que alguns contratos venham a ser renegociados e os preços de importação no destino possam descer, não é provável que tal venha a ocorrer a níveis prejudiciais, caso os direitos sejam revogados.
5.4. Conclusão sobre a probabilidade de reincidência do prejuízo
(87)
Tendo em conta o que precede, não é provável que a indústria da União, se as medidas forem revogadas, tenha de diminuir os seus volumes de vendas e de produção e/ou os preços da DCD a tal ponto que a sua rendibilidade e posição global sejam substancialmente afetadas.
(88)
Pelo contrário, tendo em conta o crescimento do consumo a nível mundial, os volumes de importação e os preços chineses durante o PIR, bem como os preços noutros mercados, é de esperar que, na ausência de medidas, as vendas da DCD da indústria da União continuem a ser sólidas e também a contribuir positivamente para as suas atividades na cadeia DCD e na cadeia NCN.
(89)
A indústria da União deverá continuar a funcionar a plena capacidade, independentemente de as medidas serem ou não revogadas. Ademais, a indústria da União terminou os trabalhos preliminares para um programa de expansão este ano. No outono de 2013, acordou, em princípio, com um aumento substancial da sua capacidade de produção de DCD. O mercado, incluindo clientes importantes estabelecidos na UE, congratulou-se com este plano de expansão. O plano de expansão sugere que a indústria da União está convicta de que a procura mundial é forte e que a empresa AlzChem deveria estar a beneficiar deste crescimento.
(90)
Mesmo que a indústria da União seja sujeita a alguma pressão de preços por parte das importações chinesas no futuro próximo, não se espera que os efeitos a nível de preços e de rendibilidade venham a ser importantes, dado que a indústria da União detém uma parte de mercado considerável, vantagens em termos de qualidade e fiabilidade do aprovisionamento e capacidade de garantir contratos de grande dimensão. Os efeitos não corresponderiam à «probabilidade da reincidência do prejuízo», na aceção do artigo 11.o, n.o 2, do regulamento de base.
(91)
A Comissão conclui que não existe uma probabilidade da reincidência do prejuízo para a indústria da União, se as medidas em vigor forem revogadas.
6. INTERESSE DA UNIÃO
(92)
Uma vez que foi concluído que a reincidência do prejuízo não seria provável, não são necessárias conclusões sobre o interesse da União.
7. REVOGAÇÃO DAS MEDIDAS ANTI-DUMPING
(93)
Todas as partes foram informadas dos factos e considerações essenciais com base nos quais se tenciona recomendar a revogação das medidas em vigor. Foi-lhes igualmente concedido um prazo para apresentarem as suas observações após a divulgação das conclusões. As observações e os comentários apresentados foram, sempre que tal se justificou, devidamente tomados em consideração, mas nenhum deles pode alterar as conclusões anteriormente enunciadas.
(94)
Decorre do acima exposto que, como previsto no artigo 11.o, n.o 2, do regulamento de base, as medidas anti-dumping aplicáveis às importações de DCD originária da China deverão ser revogadas e o processo encerrado.
(95)
Tendo em conta algumas circunstâncias descritas supra, ou seja, a existência de capacidade não utilizada na China e a possível existência de subcotação no período pós-PIR, a Comissão acompanhará as importações do produto em causa, com vista a facilitar uma ação rápida adequada, caso a situação assim o requeira. O acompanhamento será limitado a um período de dois anos a contar da publicação do presente regulamento,
ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
Artigo 1.o
São revogadas as medidas anti-dumping aplicáveis às importações de 1-cianoguanidina (dicianodiamida), atualmente classificada no código NC 2926 20 00 e originária da República Popular da China e o processo relativo a essas importações é encerrado.
Artigo 2.o
O presente regulamento entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito em Bruxelas, em 11 de fevereiro de 2014.

Labels: 3
1
4
18