Document ID: 32005R0980

REGULAMENTO (CE) N.o 980/2005 DO CONSELHO
de 27 de Junho de 2005
relativo à aplicação de um sistema de preferências pautais generalizadas
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia, nomeadamente o artigo 133.o,
Tendo em conta a proposta da Comissão,
Tendo em conta o parecer do Parlamento Europeu (1),
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social Europeu (2),
Considerando o seguinte:
(1)
A Comunidade concede preferências comerciais aos países em desenvolvimento desde 1971, no âmbito do seu sistema de preferências pautais generalizadas.
(2)
A política comercial comum da Comunidade deve ser coerente com os objectivos da política de desenvolvimento, os quais deve consolidar, em especial no que respeita à erradicação da pobreza e à promoção do desenvolvimento sustentável e da boa governação nos países em desenvolvimento. Essa política deve ser conforme com os requisitos da OMC, designadamente a cláusula de habilitação do GATT de 1979 (3).
(3)
A Comunicação da Comissão ao Conselho, ao Parlamento Europeu e ao Comité Económico e Social Europeu de 7 de Julho de 2004 intitulada «Paises em desenvolvimento, comércio internacional e desenvolvimento sustentável: O papel do Sistema das Preferências Generalizadas (SPG) da Comunidade para o decénio 2006/2015» estabelece orientações em relação à aplicação do sistema de preferências pautais generalizadas durante o período compreendido entre 2006 e 2015.
(4)
O presente regulamento é o primeiro regulamento de execução dessas orientações. É aplicável até 31 de Dezembro de 2008.
(5)
O sistema das preferências pautais generalizadas (adiante designado «sistema») deverá consistir num regime geral concedido a todos os países e territórios beneficiários e dois regimes especiais que atendam às diversas necessidades de desenvolvimento de países em desenvolvimento em situações análogas.
(6)
O regime geral deverá ser concedido a todos os países beneficiários, excepto os classificados como países de elevado rendimento pelo Banco Mundial e os países com uma diversificação insuficiente das suas exportações.
(7)
O regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação baseia-se no conceito global de desenvolvimento sustentável reconhecido por instrumentos e convenções internacionais, como a Declaração das Nações Unidas de 1986 sobre o Direito ao Desenvolvimento, a Declaração do Rio de 1992 sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, a Declaração da OIT de 1998 sobre os Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, a Declaração do Milénio das Nações Unidas de 2000 e a Declaração de Joanesburgo de 2002 sobre o Desenvolvimento Sustentável. Por conseguinte, os países em desenvolvimento que, devido à sua reduzida diversificação e à sua insuficiente integração no sistema do comércio internacional, se encontrem em posição vulnerável e assumam simultaneamente encargos e responsabilidades especiais decorrentes da ratificação e aplicação efectiva das convenções básicas sobre direitos humanos e dos trabalhadores e sobre a protecção do ambiente e a boa governação deverão beneficiar de preferências pautais suplementares. Essas preferências destinam-se a promover um maior crescimento económico e, por conseguinte, a responder positivamente às necessidades de um desenvolvimento sustentável. No âmbito deste regime são, portanto, suspensos os direitos aduaneiros ad valorem em relação aos países beneficiários, bem como os direitos específicos (a menos que estejam combinados com um direito ad valorem). O regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação deverá, excepcionalmente, aplicar-se antes da entrada em vigor da totalidade do regulamento, a fim de se conformar com as normas da OMC sobre os regimes especiais de combate à produção e ao tráfico de droga.
(8)
Os países em desenvolvimento que, à data de entrada em vigor do presente regulamento, já satisfazem os critérios aplicáveis ao regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação deverão beneficiar deste regime o mais rapidamente possível. Deverão por isso ser provisoriamente incluídos na lista dos países beneficiários e continuar a usufruir das preferências se, após terem apresentado um pedido nesse sentido, a Comissão confirmar, até 15 de Dezembro de 2005, que satisfazem os critérios de elegibilidade.
(9)
A Comissão deverá acompanhar a aplicação efectiva das convenções internacionais em conformidade com os mecanismos criados ao abrigo das mesmas e avaliar a relação existente entre preferências pautais suplementares e a promoção do desenvolvimento sustentável.
(10)
O regime especial em favor dos países menos desenvolvidos deverá continuar a proporcionar o acesso com isenção de direitos aduaneiros aos produtos originários dos países menos desenvolvidos, como tal reconhecidos e classificados pelas Nações Unidas. Para os países que deixem de ser classificados pelas Nações Unidas como países menos desenvolvidos, deverá ser estabelecido um período de transição destinado a atenuar as dificuldades causadas pela retirada das preferências pautais concedidas no âmbito desse regime.
(11)
As preferências deverão continuar a ser diferenciadas em função da sensibilidade dos produtos, devendo distinguir entre produtos sensíveis e não-sensíveis para atender à situação dos sectores que fabricam esses mesmos produtos na Comunidade.
(12)
Deverá manter-se a suspensão dos direitos pautais sobre produtos não-sensíveis, e os produtos sensíveis deverão desfrutar de uma redução pautal a fim de assegurar uma taxa de utilização satisfatória e simultaneamente atender à situação das mesmas indústrias comunitárias.
(13)
Essa redução deverá ser suficientemente atraente para incentivar os operadores a aproveitar as oportunidades proporcionadas pelo sistema. No que se refere aos direitos ad valorem, a redução deverá pois corresponder a uma taxa fixa de 3,5 pontos percentuais da taxa do direito de nação mais favorecida (NMF). Os direitos específicos deverão ser reduzidos em 30 %. Sempre que os direitos em questão especifiquem um direito mínimo, esse direito mínimo não deverá ser aplicável.
(14)
Os direitos deverão ser totalmente suspensos sempre que, relativamente a uma determinada declaração de importação, o tratamento preferencial se traduza em direitos ad valorem iguais ou inferiores a 1 % ou direitos específicos iguais ou inferiores a 2 euros, dado que os custos de cobrança de tais direitos poderão ser superiores às receitas obtidas.
(15)
Por uma questão de coerência da política comercial comunitária, um país não deverá beneficiar simultaneamente do sistema e de um acordo de comércio livre se este último abranger, no mínimo, todas as preferências concedidas a esse país pelo presente sistema.
(16)
A graduação deverá basear-se em critérios relativos às secções da Pauta Aduaneira Comum. A graduação de uma secção no que respeita a um país beneficiário deverá ser aplicada se essa secção satisfizer os critérios de graduação durante três anos consecutivos, de modo a aumentar a previsibilidade e a equidade da graduação através da supressão dos efeitos de variações elevadas e excepcionais nas estatísticas de importação.
(17)
As regras de origem, no que respeita à definição da noção de produtos originários, e os respectivos procedimentos e métodos de cooperação administrativa, estabelecidos no Regulamento (CEE) n.o 2454/93 da Comissão, de 2 de Julho de 1993, que fixa determinadas disposições de aplicação do Regulamento (CEE) n.o 2913/92 do Conselho que estabelece o Código Aduaneiro Comunitário (4), aplicam-se às preferências pautais previstas no presente regulamento, a fim de assegurar que apenas os destinatários do sistema dele possam beneficiar.
(18)
Os motivos de suspensão temporária deverão incluir violações graves e sistemáticas dos princípios estabelecidos nas convenções enumeradas no Anexo III, a fim de promover os objectivos dessas convenções e de assegurar que nenhum beneficiário obtenha uma vantagem desleal por intermédio da violação contínua dessas convenções.
(19)
Devido à situação política em Mianmar, deverá permanecer em vigor a suspensão temporária de todas preferências pautais aplicáveis às importações de produtos originários de Mianmar.
(20)
As medidas necessárias à execução do presente regulamento serão aprovadas nos termos da Decisão 1999/468/CE do Conselho, de 28 de Junho de 1999, que fixa as regras de exercício das competências de execução atribuídas à Comissão (5),
APROVOU O PRESENTE REGULAMENTO:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 1.o
1. O sistema comunitário de preferências pautais generalizadas (a seguir denominado «o sistema») será aplicável entre a data de entrada em vigor do presente regulamento e 31 de Dezembro de 2008 em conformidade com o disposto no presente regulamento.
2. O presente regulamento prevê:
a)
Um regime geral;
b)
Um regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação;
c)
Um regime especial em favor dos países menos desenvolvidos.
Artigo 2.o
Os países beneficiários dos regimes referidos no n.o 2 do artigo 1.o constam do Anexo I.
Artigo 3.o
1. Um país beneficiário é retirado do sistema quando for classificado pelo Banco Mundial, durante três anos consecutivos, como país de elevado rendimento e quando os valores das cinco maiores secções das suas exportações para a Comunidade, abrangidas pelo SPG, representarem menos de 75 % do total das suas exportações para a Comunidade abrangidas pelo SPG.
2. Se um país beneficiário tiver concluído um acordo comercial preferencial com a Comunidade que abranja, no mínimo, todas as preferências previstas no presente regime em relação a esse país, este último será retirado da lista dos países beneficiários constante do Anexo I.
3. A Comissão notifica ao país beneficiário a sua retirada da lista de países beneficiários constante do Anexo I.
Artigo 4.o
Os produtos abrangidos pelos regimes referidos nas alíneas a) e b) do n.o 2 do artigo 1.o estão enumerados no Anexo II.
Artigo 5.o
1. As preferências pautais previstas no presente regulamento são aplicáveis às importações dos produtos incluídos nos regimes concedidos ao país beneficiário de que são originários.
2. Para efeitos dos regimes referidos no n.o 2 do artigo 1.o as regras de origem, no que respeita à definição da noção de produtos originários, e os respectivos procedimentos e métodos de cooperação administrativa estão estabelecidos no Regulamento (CEE) n.o 2454/93.
3. A acumulação regional, na acepção do Regulamento (CEE) n.o 2454/93, é igualmente aplicável sempre que um produto utilizado numa posterior fabricação num país que pertença a um grupo regional for originário de outro país do grupo que não beneficie dos regimes aplicáveis ao produto final, desde que ambos os países beneficiem de acumulação regional para esse grupo.
Artigo 6.o
Para efeitos do presente regulamento, entende-se por:
a)
«Direitos da Pauta Aduaneira Comum», os direitos especificados na Segunda Parte do Anexo I do Regulamento (CEE) n.o 2658/87 do Conselho, de 23 de Julho de 1987, relativo à nomenclatura pautal e estatística e à paiuta aduaneira comum (6), com excepção dos direitos fixados no âmbito de contingentes pautais;
b)
«Secção», qualquer uma das secções da Pauta Aduaneira Comum, adoptada pelo Regulamento (CEE) n.o 2658/87 do Conselho. Para efeitos do presente regulamento, a Secção XI é tratada como duas secções distintas: a Secção XI(a), que inclui os Capítulos 50-60 da Pauta Aduaneira Comum e a Secção XI(b), que inclui os Capítulos 61-63 da Pauta Aduaneira Comum.
c)
«Comité», o Comité a que se refere o artigo 28.o
CAPÍTULO II
REGIMES E PREFERÊNCIAS PAUTAIS
SECÇÃO 1
Regime geral
Artigo 7.o
1. São totalmente suspensos os direitos da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos não-sensíveis enumerados no Anexo II, com excepção dos componentes agrícolas.
2. Os direitos ad valorem da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos sensíveis enumerados no Anexo II são reduzidos em 3,5 pontos percentuais. Para os produtos das secções XI(a) e XI(b), esta redução é de 20 %.
3. Sempre que as taxas dos direitos preferenciais, calculadas em conformidade com o artigo 7.o do Regulamento (CE) n.o 2501/2001 (7), relativo aos direitos ad valorem da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis no dia anterior à entrada em vigor do presente regulamento, no que respeita aos produtos mencionados no n.o 2, proporcionarem uma redução pautal superior a 3,5 pontos percentuais, são aplicáveis essas taxas dos direitos preferenciais.
4. Os direitos específicos da Pauta Aduaneira Comum, que não os direitos mínimos ou máximos, aplicáveis aos produtos sensíveis enumerados no Anexo II são reduzidos em 30 %.
5. Sempre que os direitos da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos sensíveis enumerados no Anexo II compreenderem direitos ad valorem e direitos específicos, os direitos específicos não serão reduzidos.
6. Sempre que os direitos reduzidos em conformidade com os n.os 2 e 4 especifiquem um direito máximo, esse direito máximo não é reduzido. Se esses direitos especificarem um direito mínimo, esse direito mínimo não é aplicável.
7. As preferências pautais referidas nos n.os 1 a 4 não se aplicam a produtos das secções relativamente às quais essas preferências pautais tenham sido suprimidas, para o país de origem em causa, em conformidade com o artigo 14.o, o n.o 8 do artigo 21.o e a coluna C do Anexo I.
SECÇÃO 2
Regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação
Artigo 8.o
1. São suspensos os direitos ad valorem da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis a todos os produtos enumerados no Anexo II originários de um país abrangido pelo regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação.
2. Os direitos específicos da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos referidos no n.o 1 são suspensos na sua totalidade, excepto em relação aos produtos cujos direitos da Pauta Aduaneira Comum também incluam direitos ad valorem. O direito específico é limitado a 16 % do valor aduaneiro em relação aos produtos dos códigos NC 1704 10 91 e 1704 10 99.
3. Relativamente a um país beneficiário, o regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação não abrange os produtos constantes das secções relativamente às quais essas preferências pautais tenham sido suspensas, de acordo com a coluna C do Anexo I.
Artigo 9.o
1. O regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação pode ser concedido a um país que:
a)
Tenha ratificado e aplicado efectivamente as convenções enumeradas na Parte A do Anexo III;
b)
Tenha ratificado e aplicado efectivamente pelo menos sete das convenções enumeradas na Parte B do Anexo III;
c)
Se comprometa a ratificar e aplicar efectivamente até 31 de Dezembro de 2008 as convenções enumeradas na Parte B do Anexo III que não tenha ainda ratificado e aplicado efectivamente;
d)
Se comprometa a manter a ratificação das convenções, bem como as respectivas medidas e legislação de aplicação, e aceite o acompanhamento e a revisão periódica dos seus resultados em matéria de implementação em conformidade com as disposições de aplicação das convenções que ratificou; e
e)
Seja considerado um país vulnerável, tal como definido no n.o 3.
2. Em derrogação das alíneas a) e c) do n.o 1, no que diz respeito aos países onde vigorem restrições constitucionais específicas, o regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação pode ser concedido a um país que não tenha ratificado e aplicado efectivamente um máximo de duas das dezasseis convenções enumeradas na Parte A do Anexo III, desde que:
a)
O país em causa assuma o compromisso formal de assinar, ratificar e aplicar qualquer convenção em falta, caso se verifique não existir incompatibilidade com a sua Constituição, o mais tardar até 31 de Outubro de 2005;
b)
Em caso de incompatibilidade com a sua Constituição, o país em causa assuma o compromisso formal de assinar e ratificar qualquer convenção em falta o mais tardar até 31 de Dezembro de 2006.
Até ao final de 2006, a Comissão informará o Conselho da observância dos referidos compromissos por parte dos países em causa. A concessão do regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação a cada um desses países para além de 1 de Janeiro de 2007 fica dependente de uma decisão do Conselho. Se for caso disso, e com base na informação acima referida, a Comissão propõe ao Conselho a prorrogação do benefício desse regime.
3. Por país vulnerável, entende-se um país que:
a)
Não seja classificado pelo Banco Mundial durante três anos consecutivos como um país de elevado rendimento e cujas cinco maiores secções das exportações para a Comunidade abrangidas pelo SPG representem mais de 75 % do valor total das suas exportações abrangidas pelo SPG; e
b)
Cujas exportações para a Comunidade abrangidas pelo SPG representem menos de 1 % do valor total das exportações para a Comunidade abrangidas pelo SPG.
Os dados a utilizar são os dados disponíveis em 1 de Setembro de 2004, que representam uma média de três anos consecutivos.
4. A Comissão acompanhará a evolução do processo de ratificação e a aplicação efectiva das convenções enumeradas no Anexo III. Antes do termo do período de aplicação do presente regulamento e em tempo útil antes do debate do próximo regulamento, a Comissão apresentará ao Conselho um relatório sobre a situação em termos de ratificação de tais convenções que incluirá recomendações dos organismos de controlo.
Artigo 10.o
1. Sem prejuízo do disposto no n.o 3, o regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação será concedido se forem observadas as seguintes condições:
a)
Um país ou território enumerado no Anexo I apresentou um pedido nesse sentido até 31 de Outubro de 2005; e
b)
A análise do pedido revela que o país requerente satisfaz as condições previstas nos n.os 1 e 2 do artigo 9.o
2. O país requerente deve apresentar o seu pedido por escrito à Comissão, bem como fornecer informações completas sobre a ratificação das convenções referidas no Anexo III, a legislação e as medidas de execução das convenções e o seu compromisso de aceitar e colaborar plenamente nos mecanismos de acompanhamento e revisão previstos nas convenções pertinentes e nos instrumentos conexos.
3. Os países que beneficiem provisoriamente do regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação a partir da data de entrada em vigor do presente regulamento devem igualmente apresentar um pedido em conformidade com os n.os 1 e 2 até 31 de Outubro de 2005. A Comissão avaliará esses pedidos em conformidade com o disposto no artigo 11.o
Artigo 11.o
1. A Comissão analisa os pedidos acompanhados das informações a que se refere o artigo 10.o. Esta análise deve atender às informações provenientes das organizações e agências internacionais pertinentes. A Comissão pode apresentar ao país requerente quaisquer questões que considere pertinentes, bem como verificar as informações fornecidas com o país requerente ou quaisquer outras fontes pertinentes.
2. A Comissão decide, em conformidade com a análise a que se refere o n.o 1 e com o procedimento a que se refere o n.o 4 do artigo 28.o, se o regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação deve ser concedido a um país requerente a partir de 1 de Janeiro de 2006.
3. A Comissão notifica os países requerentes de qualquer decisão tomada em conformidade com o n.o 2. Sempre que o regime especial de incentivo seja concedido a um determinado país, o mesmo é informado da data em que essa decisão entra em vigor. Até 15 de Dezembro de 2005, a Comissão publica um aviso no Jornal Oficial da União Europeia, que enumere os países beneficiários do regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação.
4. Sempre que o regime especial de incentivo não seja concedido a um determinado país requerente, a Comissão explica os motivos da sua decisão, se o país o solicitar.
5. A Comissão conduz todos os contactos com o país requerente relativos ao pedido, em estreita coordenação com o comité que actua de acordo com o procedimento referido no n.o 4 do artigo 28.o
SECÇÃO 3
Regime especial em favor dos países menos desenvolvidos
Artigo 12.o
1. Sem prejuízo do disposto nos nos 2, 3 e 4, os direitos da Pauta Aduaneira Comum são suspensos na sua totalidade, no que se refere a todos os produtos dos capítulos 1 a 97 do Sistema Harmonizado, com excepção do capítulo 93, que sejam originários de um país que, de acordo com o Anexo I, beneficie do regime especial em favor dos países menos desenvolvidos.
2. Os direitos da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos da posição pautal 1006 são reduzidos em 20 % em 1 de Setembro de 2006, em 50 % em 1 de Setembro de 2007 e em 80 % em 1 de Setembro de 2008. Estes direitos são totalmente suspensos a partir de 1 de Setembro de 2009.
3. Os direitos da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos do código NC 0803 00 19 são reduzidos anualmente em 20 % a partir de 1 de Janeiro de 2002. Estes direitos são totalmente suspensos a partir de 1 de Janeiro de 2006.
4. Os direitos da Pauta Aduaneira Comum aplicáveis aos produtos da posição 1701 são reduzidos em 20 % em 1 de Julho de 2006, em 50 % em 1 de Julho de 2007 e em 80 % em 1 de Julho de 2008. Estes direitos são totalmente suspensos a partir de 1 de Julho de 2009.
5. Até que os direitos da Pauta Aduaneira Comum estejam suspensos na sua totalidade em conformidade com os n.os 2 e 4, será aberto um contingente pautal global com direito nulo para cada campanha no que se refere aos produtos da posição pautal 1006 e da subposição 1701 11 10, respectivamente, que sejam originários dos países beneficiários do presente regime especial. Os contingentes pautais iniciais para as campanhas de comercialização 2001/2002 são fixados em 2 517 toneladas (equivalente em arroz descascado) para os produtos da posição pautal 1006 e em 74 185 toneladas (equivalente em açúcar branco) para os produtos da subposição 1701 11 10. Os contingentes para as campanhas de comercialização seguintes registarão um aumento anual de 15 % do volume do contingente da campanha de comercialização anterior.
6. A Comissão adoptará regras pormenorizadas no que respeita à abertura e gestão dos contingentes referidos no n.o 4, em conformidade com o procedimento previsto no n.o 4 do artigo 28.o. A Comissão é assistida pelos comités de gestão encarregados das organizações comuns de mercado pertinentes no que se refere à abertura e gestão dos contingentes.
7. Quando um país for excluído pelas Nações Unidas da lista dos países menos desenvolvidos, esse país será excluído da lista dos beneficiários deste regime. A Comissão decidirá sobre a retirada de um país do regime e sobre o estabelecimento de um período de transição de três anos no mínimo, em conformidade com o procedimento referido no n.o 4 do artigo 28.o
Artigo 13.o
O n.o 4 do artigo 12.o e as disposições do n.o 5 do artigo 12.o que se referem aos produtos da subposição pautal 1701 11 10 não são aplicáveis aos produtos originários de países beneficiários das preferências a que se refere esta Secção e introduzidos em livre prática nos departamentos franceses ultramarinos.
SECÇÃO 4
Disposições comuns
Artigo 14.o
1. As preferências pautais referidas nos artigos 7.o e 8.o devem ser retiradas em relação aos produtos originários de um país beneficiário pertencentes a uma secção se o valor médio das importações comunitárias de produtos incluídos nessa secção originárias desse país exceder durante três anos consecutivos 15 % do valor das importações comunitárias desses mesmos produtos originárias de todos os países e territórios enumerados no Anexo I, com base nos dados mais recentes disponíveis em 1 de Setembro de 2004. Em relação às secções XI(a) e XI(b), o limiar é de 12,5 %.
2. As secções retiradas em conformidade com o n.o 1 estão enumeradas na coluna C do Anexo I.
3. A retirada de secções deste regime é aplicável desde 1 de Janeiro de 2006 até 31 de Dezembro de 2008.
4. A Comissão notifica ao país beneficiário a retirada de uma secção.
5. O n.o 1 não se aplica às secções de um país beneficiário que representem mais de 50 % do valor das exportações para a Comunidade abrangidas pelo SPG originárias do país em questão.
6. A fonte estatística utilizada para efeitos do disposto no presente artigo são as estatísticas COMEXT.
Artigo 15.o
1. Se, relativamente a uma determinada declaração de importação, a taxa de um direito ad valorem, reduzida ao abrigo do presente capítulo, for igual ou inferior a 1 %, esse direito é suspenso na sua totalidade.
2. Se, relativamente a uma determinada declaração de importação, a taxa de um direito específico, reduzida ao abrigo do presente capítulo, for igual ou inferior a 2 euros para cada montante calculado em euros, esse direito é suspenso na sua totalidade.
3. Sob reserva dos n.os 1 e 2, a taxa final dos direitos preferenciais calculada em conformidade com o presente regulamento é arredondada por defeito para a primeira casa decimal.
CAPÍTULO III
SUSPENSÃO TEMPORÁRIA E CLÁUSULAS DE SALVAGUARDA
SECÇÃO 1
Suspensão temporária
Artigo 16.o
1. Os regimes preferenciais previstos no presente regulamento podem ser temporariamente suspensos relativamente a todos ou a alguns produtos, originários de um país beneficiário, por um dos seguintes motivos:
a)
Violações graves e sistemáticas dos princípios estabelecidos nas convenções enumeradas na parte A do Anexo III, com base nas conclusões dos organismos de controlo competentes;
b)
Exportação de produtos fabricados em prisões;
c)
Deficiências graves a nível dos controlos aduaneiros em matéria de exportação ou trânsito de droga (substâncias ilícitas e precursores) ou inobservância das convenções internacionais sobre branqueamento de capitais;
d)
Práticas comerciais desleais, graves e sistemáticas, que prejudiquem a indústria comunitária e a que o país beneficiário não tenha posto termo. Quanto às práticas comerciais desleais proibidas ou que podem dar lugar a uma acção ao abrigo dos acordos da OMC, a aplicação deste artigo deve basear-se numa decisão anterior nesse sentido adoptada pelo órgão competente da OMC;
e)
Infracções graves e sistemáticas aos objectivos das organizações regionais das pescas ou a acordos relativos à conservação e gestão dos recursos haliêuticos de que a Comunidade seja parte.
2. Sem prejuízo do disposto no n.o 1, o regime especial de incentivo a que se refere a Secção 2 do Capítulo II pode ser temporariamente suspenso, em relação à totalidade ou a alguns dos produtos abrangidos por esse regime originários de um país beneficiário, designadamente caso a legislação nacional deixe de incorporar as convenções referidas no Anexo III que tenham sido ratificadas em cumprimento dos requisitos dos n.os 1 e 2 do artigo 9.o ou se essa legislação não for efectivamente aplicada.
3. Os regimes preferenciais previstos no presente regulamento não serão suspensos, nos termos da alínea d) do n.o 1, relativamente a produtos que estejam sujeitos a medidas anti-dumping ou de compensação adoptadas ao abrigo dos Regulamentos (CE) n.o 384/96 (8) ou (CE) n.o 2026/97 (9), pelos motivos que levaram à adopção dessas medidas.
Artigo 17.o
1. Os regimes preferenciais previstos no presente regulamento podem ser temporariamente suspensos, em relação à totalidade ou a alguns dos produtos originários de um país beneficiário, em caso de fraude, irregularidades ou incapacidade sistemática de respeitar ou fazer respeitar as regras de origem dos produtos e os procedimentos nesta matéria e de prestar a cooperação administrativa necessária para efeitos de aplicação e controlo da observância dos regimes a que se refere o n.o 2 do artigo 1.o;
2. A cooperação administrativa referida no n.o 1 exige, nomeadamente, que os países beneficiários:
a)
Comuniquem à Comissão e actualizem as informações necessárias à aplicação das regras de origem e ao controlo da sua observância;
b)
Assistam a Comunidade, realizando, a pedido das autoridades aduaneiras dos Estados-Membros, uma verificação subsequente da prova de origem, e comuniquem atempadamente os respectivos resultados;
c)
Assistam a Comunidade, permitindo que a Comissão, em coordenação e estreita colaboração com as autoridades competentes dos Estados-Membros, realize missões de cooperação administrativa e de investigação nesses países, a fim de verificar a autenticidade dos documentos ou a exactidão das informações pertinentes para a concessão do benefício dos regimes a que se refere o n.o 2 do artigo 1.o;
d)
Realizem ou organizem inquéritos adequados a fim de identificar e evitar o desrespeito das regras de origem;
e)
Observem ou assegurem a observância das regras de origem no que respeita à acumulação regional, na acepção do Regulamento (CEE) n.o 2454/93, se esses países dela beneficiarem.
f)
Assistam a Comunidade na verificação de comportamentos que constituam presumivelmente uma fraude relativa à origem. Pode presumir-se a existência de fraude quando as importações de produtos efectuadas ao abrigo dos regimes preferenciais concedidos no âmbito do presente regulamento excederem consideravelmente os níveis habituais de exportações do país beneficiário.
3. A Comissão pode suspender os regimes preferenciais previstos no presente regulamento, relativamente à totalidade ou a alguns dos produtos originários de um país beneficiário, sempre que considere que existem elementos de prova suficientes para justificar a suspensão temporária pelos motivos referidos nos n.os 1 e 2, na condição de ter primeiramente:
-
informado o Comité;
-
solicitado aos Estados-Membros que tomem as medidas de precaução necessárias a fim de salvaguardar os interesses financeiros da Comunidade e/ou assegurem que os países beneficiários cumprem as suas obrigações;
-
publicado um aviso no Jornal Oficial da União Europeia, declarando que existe motivo para dúvidas quanto à aplicação dos regimes preferenciais e/ou cumprimento das suas obrigações por parte do país beneficiário, o que pode pôr em causa o direito desse país de continuar a usufruir dos benefícios concedidos ao abrigo do presente regulamento.
A Comissão informa o país beneficiário em causa de qualquer decisão tomada nos termos do presente número antes da aplicação dessa decisão. A Comissão notifica igualmente o Comité dessa decisão.
4. Qualquer Estado-Membro pode submeter uma decisão tomada nos termos do n.o 3 à apreciação do Conselho no prazo de um mês. O Conselho, deliberando por maioria qualificada, pode tomar uma decisão diferente no prazo de um mês.
5. O período de suspensão não deverá ultrapassar 6 meses. No termo desse período, a Comissão decidirá se deve pôr termo à suspensão, depois de informar o Comité, ou se deve prorrogar o período de suspensão de acordo com o procedimento a que se refere o n.o 3.
6. Os Estados-Membros comunicam à Comissão todas as informações pertinentes susceptíveis de justificar a suspensão das preferências ou a sua prorrogação.
Artigo 18.o
1. Se a Comissão ou um Estado-Membro receber informações que possam justificar a suspensão temporária e considerar que há motivos suficientes para um inquérito, deve informar desse facto o Comité e solicitar a realização de consultas, que se devem efectuar no prazo de um mês.
2. Na sequência das consultas, a Comissão pode decidir, no prazo de um mês e em conformidade com o procedimento a que se refere o n.o 5 do artigo 30.o, dar início a um inquérito.
Artigo 19.o
1. Sempre que decida dar início a um inquérito, a Comissão deve anunciar esse facto publicando um aviso no Jornal Oficial da União Europeia, bem como notificar o país beneficiário em causa. Esse aviso deve incluir um resumo das informações recebidas e precisar que qualquer informação pertinente deve ser comunicada à Comissão. No aviso, deve ser igualmente fixado o prazo, que não deverá exceder quatro meses a contar da data da sua publicação, durante o qual as partes interessadas podem apresentar as suas observações por escrito.
2. A Comissão proporciona ao país beneficiário em causa a possibilidade de colaborar no inquérito.
3. A Comissão procura obter todas as informações que considere necessárias, incluindo as avaliações, comentários, decisões, recomendações e conclusões disponíveis dos organismos de controlo competentes das Nações Unidas, da OIT e de outras organizações internacionais competentes. Estes devem servir de ponto de partida para averiguar se a suspensão temporária se justifica pelo motivo a que se refere a alínea a) do n.o 1 do artigo 16.o. A Comissão pode confirmar as informações recebidas junto de operadores económicos e do país beneficiário em causa.
4. A Comissão pode ser assistida nessas funções por funcionários do Estado-Membro em cujo território possam vir a efectuar-se verificações, se esse Estado-Membro o solicitar.
5. Se as informações solicitadas pela Comissão não forem prestadas dentro do prazo especificado no aviso, ou se o inquérito for dificultado de forma significativa, podem ser estabelecidas conclusões com base nos dados disponíveis.
6. O inquérito deve ser concluído no prazo de um ano. A Comissão pode prorrogar esse prazo em conformidade com o procedimento a que se refere o n.o 5 do artigo 30.o
Artigo 20.o
1. A Comissão apresenta ao comité um relatório sobre as suas conclusões.
2. Se a Comissão considerar que as conclusões não justificam uma suspensão temporária, pode decidir, em conformidade com o procedimento a que se refere o n.o 5 do artigo 30.o, encerrar o inquérito. Nesse caso, publica um aviso no Jornal Oficial da União Europeia, anunciando o encerramento do inquérito e comunicando as suas principais conclusões.
3. Sempre que considere que as conclusões justificam a suspensão temporária pelo motivo a que se refere a alínea a) do n.o 1 do artigo 16.o, a Comissão decide, em conformidade com o procedimento referido no n.o 5 do artigo 28.o, acompanhar e avaliar a situação no país beneficiário interessado por um período de seis meses. A Comissão notifica ao país beneficiário interessado essa decisão e publica um aviso no Jornal Oficial da União Europeia em que anunciará a sua intenção de apresentar ao Conselho uma proposta de suspensão temporária a menos que, antes do termo desse período, o país beneficiário interessado se comprometa a tomar as medidas necessárias para dar cumprimento, num prazo razoável, às convenções referidas na Parte A do Anexo III.
4. Se a Comissão considerar que é necessária uma medida de suspensão temporária, deve apresentar uma proposta nesse sentido ao Conselho, que delibera por maioria qualificada no prazo de um mês. Nos casos a que se refere o n.o 3, a Comissão apresenta ao Conselho a sua proposta no final do prazo a que se refere esse número.
5. Sempre que o Conselho se decida pela suspensão temporária, a decisão entra em vigor seis meses após a respectiva adopção, excepto quando antes se tenha decidido que os motivos que a fundamentavam deixaram de existir.
SECÇÃO 2
Cláusula de salvaguarda
Artigo 21.o
1. Se um produto originário de um dos países beneficiários for importado em condições que provoquem ou possam provocar dificuldades graves a um fabricante comunitário de produtos similares ou directamente concorrentes, podem ser restabelecidos relativamente a esse produto, em qualquer momento, os direitos da Pauta Aduaneira Comum a pedido de um Estado-Membro ou por iniciativa da Comissão.
2. A Comissão deve tomar uma decisão final para dar início a um inquérito num prazo razoável. Sempre que decida dar início a um inquérito, a Comissão deve anunciar esse facto publicando um aviso no Jornal Oficial da União Europeia. Esse aviso deve incluir um resumo das informações recebidas e precisar que qualquer informação pertinente deve ser comunicada à Comissão. No aviso, deve ser igualmente fixado o prazo, que não deverá ser superior a quatro meses a contar da data da sua publicação, durante o qual as partes interessadas podem apresentar as suas observações por escrito.
3. A Comissão deve procurar obter todas as informações que considere necessárias, podendo verificar as informações recebidas junto do país beneficiário em causa e de qualquer outra fonte pertinente. Pode ser assistida nessas funções por funcionários do Estado-Membro em cujo território possam vir a efectuar-se verificações, se esse Estado-Membro o solicitar.
4. Ao analisar a eventual existência de dificuldades graves, a Comissão deve ter nomeadamente em conta os seguintes elementos relativos aos produtores comunitários, desde que para tal disponha de informações:
-
parte de mercado;
-
produção;
-
existências;
-
capacidade de produção;
-
falências;
-
rendibilidade;
-
utilização da capacidade instalada;
-
emprego;
-
importações;
-
preços.
5. O inquérito deverá estar concluído no prazo de seis meses após a publicação do aviso a que se refere o n.o 2. Em circunstâncias excepcionais e após consulta ao Comité, a Comissão pode prorrogar esse prazo de acordo com o procedimento a que se refere o n.o 5 do artigo 30.o
6. A Comissão deve tomar uma decisão no prazo de 1 mês, de acordo com o procedimento a que se refere o n.o 5 do artigo 30.o. Essa decisão entrará em vigor 1 mês após a sua publicação.
7. Em caso de circunstâncias excepcionais que exijam uma acção imediata e que impossibilitem a realização de um inquérito, a Comissão, após informação prévia do comité, pode tomar as medidas preventivas que sejam estritamente necessárias.
8. Se as importações de produtos referidos na secção XI(b), referidos no n.o 1 do artigo 14.o, originários de um país beneficiário:
a)
Aumentarem pelo menos 20 % em quantidade (volume) em relação ao ano anterior, ou
b)
Excederem 12,5 % do valor das importações comunitárias de produtos da secção XI(b) de todos os países e territórios enunciados no Anexo I durante um período de doze meses.
A Comissão, em 1 de Janeiro de cada ano durante o período de aplicação do presente regulamento, por sua própria iniciativa ou a pedido de um Estado-Membro, depois de ter informado o Comité, retirará as preferências a que se referem os artigos 7.o e 8.o em relação aos produtos da Secção XI(b). Esta disposição não é aplicável a países que beneficiem do regime especial de países menos desenvolvidos referido no artigo 12.o, nem a países cuja quota de importação na Comunidade definida no n.o 1 do artigo 14.o não exceda 8 %. A Comissão deve notificar o país beneficiário da retirada das preferências. Essa retirada deve produzir efeitos dois meses a contar da data da publicação da decisão da Comissão no Jornal Oficial da União Europeia.
Artigo 22.o
Se as importações dos produtos incluídos no Anexo I do Tratado causarem ou ameaçarem causar perturbações graves nos mercados comunitários, especialmente em uma ou mais regiões ultraperiféricas, ou nos mecanismos reguladores desses mercados, a Comissão pode, a pedido de um Estado-Membro ou por sua própria iniciativa, suspender os regimes preferenciais em relação aos produtos em causa após consulta ao comité de gestão para a organização comum de mercado em causa.
Artigo 23.o
1. A Comissão informa, o mais rapidamente possível, o país beneficiário em causa de qualquer decisão tomada nos termos dos artigos 21.o ou 22.o antes da aplicação dessa decisão. A Comissão informa igualmente o Conselho e os Estados-Membros dessa decisão.
2. Qualquer Estado-Membro pode submeter uma decisão tomada nos termos dos artigos 21.o ou 22.o à apreciação do Conselho no prazo de 1 mês. O Conselho, deliberando por maioria qualificada, pode tomar uma decisão diferente no prazo de 1 mês.
SECÇÃO 3
Medidas de vigilância no sector agrícola
Artigo 24.o
Os produtos incluídos nos capítulos 1 a 24 originários de países beneficiários podem ser sujeitos a um mecanismo especial de vigilância para evitar perturbações no mercado comunitário. Por sua própria iniciativa ou a pedido de um Estado-Membro, a Comissão decide os produtos aos quais será aplicável esse mecanismo de vigilância.
Todos os períodos a que se refere o artigo 21.o, que sejam superiores a 2 meses, serão reduzidos para 2 meses nos seguintes casos:
-
quando o país beneficiário não cumprir as regras de origem ou não prestar a cooperação administrativa requerida pelo artigo 17.o, ou
-
quando as importações dos produtos incluídos nos capítulos 1 a 24, ao abrigo dos regimes preferenciais concedidos no âmbito do presente regulamento, excederem consideravelmente os níveis habituais de exportações do país beneficiário.
SECÇÃO 4
Disposição comum
Artigo 25.o
As disposições do presente capítulo não prejudicam a aplicação de cláusulas de salvaguarda adoptadas no âmbito da Política Agrícola Comum, ao abrigo do artigo 37.o do Tratado, ou no âmbito da Política Comercial Comum, ao abrigo do artigo 133.o do Tratado, nem de outras cláusulas de salvaguarda que possam ser aplicáveis.
CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES PROCESSUAIS
Artigo 26.o
A Comissão, em conformidade com o procedimento a que se refere o n.o 5 do artigo 30.o, adopta as alterações dos anexos do presente regulamento que sejam necessárias em consequência:
a)
De alterações à Nomenclatura Combinada;
b)
De alterações ao estatuto internacional ou à classificação de países e territórios;
c)
Da aplicação do n.o 2 do artigo 3.o;
d)
De um país ter atingido os limiares estabelecidos no n.o 1 do artigo 3.o;
e)
Da elaboração da lista final de países beneficiários, o mais tardar, até 15 de Dezembro de 2005, em conformidade com o artigo 11.o
Artigo 27.o
1. Os Estados-Membros transmitem ao Serviço de Estatística das Comunidades Europeias, no prazo de seis semanas após o final de cada trimestre, dados estatísticos sobre os produtos sujeitos ao regime aduaneiro de introdução em livre prática durante o trimestre de referência que tenham beneficiado das preferências pautais previstas no presente regulamento. Esses dados, fornecidos tomando como referência os códigos da Nomenclatura Combinada e, se necessário, os códigos TARIC, devem especificar, por país de origem, os valores, as quantidades e as unidades suplementares eventualmente requeridas, em conformidade com as definições dos Regulamentos (CE) n.o 1172/95 do Conselho (10) e (CE) n.o 1917/2000 da Comissão (11).
2. Nos termos do artigo 308.o do Regulamento (CEE) n.o 2454/93, os Estados-Membros devem fornecer à Comissão, se a Comissão assim o solicitar, dados pormenorizados sobre as quantidades de produtos introduzidos em livre prática durante os meses anteriores ao abrigo das disposições relativas às preferencias pautais previstas no presente regulamento. Esses dados devem incluir os produtos a que se refere o n.o 3.
3. A Comissão, em estreita cooperação com os Estados-Membros, controla as importações dos produtos do código NC 0803 00 19, das posições pautais 0603, 1006, 1701 e 6403 e dos códigos NC 1604 14, 1604 19 31, 1604 19 39, 1604 20 70, 2002 90 e 2103 20, a fim de determinar se se encontram preenchidas as condições previstas nos artigos 21.o e 22.o
Artigo 28.o
1. Na aplicação do presente regulamento, a Comissão é assistida por um Comité das Preferências Generalizadas, (a seguir designado por «o Comité»).
2. Esse comité pode examinar qualquer questão relativa à aplicação do presente regulamento apresentada pela Comissão ou a pedido de um Estado-Membro.
3. O comité analisará os efeitos do sistema com base num relatório da Comissão relativo ao período a contar de Janeiro de 2005. O referido relatório abrangerá todos os regimes preferenciais a que se refere o n.o 2 do artigo 1.o e será apresentado em tempo útil antes do debate sobre o próximo regulamento.
4. Sempre que seja feita referência ao presente número, são aplicáveis os artigos 5.o e 7.o da Decisão 1999/468/CE. O prazo previsto no n.o 6 do artigo 5.o da Decisão 1999/468/CE é de três meses.
5. Sempre que seja feita referência ao presente número, são aplicáveis os artigos 3.o e 7.o da Decisão 1999/468/CE.
6. O comité aprovará o seu próprio regulamento interno.
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS
Artigo 29.o
As referências feitas no Regulamento (CE) n.o 552/97 (12) aos Regulamentos (CE) n.o 3281/94 (13) e (CE) n.o 1256/96 (14) e consideram-se referentes às disposições correspondentes do presente regulamento. As referências feitas nos Regulamentos (CE) n.o 1381/2002 (15) (CE) n.o 1401/2002 (16) da Comissão ao Regulamento (CE) n.o 2501/2001 consideram-se referentes às disposições correspondentes do presente regulamento.
Artigo 30.o
1. O regime especial de incentivo ao desenvolvimento sustentável e à boa governação previsto na Secção 2 do presente regulamento, bem como as disposições aplicadas em ligação com esse regime, entrarão em vigor em 1 de Julho de 2005. Esse regime revoga, a partir da sua entrada em vigor, o regime especial de incentivo e o regime especial destinado do Título IV do Capítulo II a combater a produção e o tráfico de droga previsto no Título IV do Regulamento (CE) n.o 2501/2001 e as disposições do Regulamento (CE) n.o 2501/2001 aplicadas em ligação com esses regimes. As demais disposições do presente regulamento entrarão em vigor em 1 de Janeiro de 2006 e revogam, a partir dessa data, as disposições do Regulamento (CE) n.o 2501/2001 que ainda se encontrarem em vigor.
2. O presente regulamento é aplicável até 31 de Dezembro de 2008. No entanto, esta data não se aplica ao regime especial em favor dos países menos desenvolvidos nem, na medida em que for aplicada conjuntamente com esse regime, a qualquer outra disposição do presente regulamento.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito no Luxemburgo, em 27 de Junho de 2005.

Labels: 3
15
19