Document ID: 32002R0333

Regulamento (CE) n.o 333/2002 do Conselho
de 18 de Fevereiro de 2002
relativo a um modelo uniforme de impresso para a aposição de vistos concedidos pelos Estados-Membros a titulares de documentos de viagem não reconhecidos pelo Estado-Membro que emite o impresso
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia, e, nomeadamente, o seu artigo 62.o, n.o 2, alínea b), subalínea iii),
Tendo em conta a proposta da Comissão(1),
Tendo em conta o parecer do Parlamento Europeu(2),
Considerando o seguinte:
(1) A harmonização da política de vistos constitui uma medida essencial para o estabelecimento progressivo de um espaço de liberdade, de segurança e de justiça, especialmente no que diz respeito à passagem das fronteiras.
(2) A medida 38 do Plano de Acção de Viena, adoptado pelo Conselho "Justiça e Assuntos Internos", de 3 de Dezembro de 1998, determina que devem ser tidos em conta os progressos da técnica a fim de garantir, se for caso disso, uma segurança ainda maior do modelo-tipo de visto.
(3) A conclusão n.o 22 do Conselho Europeu de Tampere, de 15 e 16 de Outubro de 1999, salienta a necessidade de continuar a execução de uma política comum activa em matéria de vistos e documentos falsos.
(4) Os impressos para a aposição de vistos, concedidos a titulares de documentos de viagem não reconhecidos pelo Estado-Membro que emite o impresso, não correspondem actualmente às normas de segurança exigidas. Por esta razão, é necessário harmonizar o modelo desses impressos, a fim de os tornar mais seguros.
(5) Esse modelo uniforme deve conter todas as informações necessárias e satisfazer normas técnicas de elevado nível, especialmente no que respeita às medidas de protecção contra a contrafacção e a falsificação. O modelo deve também ser adaptado à utilização por todos os Estados-Membros e incluir dispositivos de segurança harmonizados, universalmente reconhecidos, e claramente visíveis à vista desarmada.
(6) O presente regulamento apenas descreve o modelo uniforme de impresso. Esta descrição terá de ser completada por outras especificações técnicas que deverão permanecer secretas, de modo a evitar a contrafacção e a falsificação, e das quais não podem constar dados pessoais nem referências a estes. As competências para a adopção dessas especificações técnicas devem ser conferidas à Comissão, a qual será assistida pelo Comité criado pelo artigo 6.o do Regulamento (CE) n.o 1683/95 do Conselho, de 29 de Maio de 1995, que estabelece um modelo-tipo de visto(3).
(7) Para assegurar que as informações em questão não sejam divulgadas a mais pessoas do que o estritamente necessário, cada Estado-Membro deverá designar um único organismo responsável pela impressão do modelo uniforme de impresso, podendo, no entanto e se necessário, substituí-lo por outro organismo. Cada Estado-Membro deverá comunicar o nome do organismo competente à Comissão e aos outros Estados-Membros.
(8) Os Estados-Membros devem, em concertação com a Comissão, tomar as medidas necessárias para que o tratamento de dados pessoais respeite o nível de protecção estabelecido na Directiva 95/46/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 24 de Outubro de 1995, relativa à protecção das pessoas singulares no que diz respeito ao tratamento de dados pessoais e à livre circulação desses dados(4).
(9) As condições de entrada no território dos Estados-Membros ou de emissão de vistos não prejudicam as disposições que regulam actualmente o reconhecimento da validade dos documentos de viagem.
(10) O presente regulamento constitui, em relação à aplicação do Acordo de Associação com a Noruega e a Islândia, um desenvolvimento do acervo de Schengen, na acepção do protocolo que integra esse acervo no âmbito da União Europeia.
(11) Nos termos do artigo 3.o do Protocolo relativo à posição do Reino Unido e da Irlanda, anexo ao Tratado da União Europeia e ao Tratado que institui a Comunidade Europeia, o Reino Unido notificou, por carta de 3 de Julho de 2001, o seu desejo de participar na aprovação e aplicação do presente regulamento.
(12) De acordo com o artigo 1. o do protocolo relativo à posição do Reino Unido e da Irlanda anexo ao Tratado da União Europeia e ao Tratado que institui a Comunidade Europeia, a Irlanda não participa na aprovação do presente regulamento. Por seguinte e sem prejuízo do artigo 4.o do referido protocolo, o disposto no presente regulamento não é aplicável à Irlanda.
(13) As medidas necessárias à execução do presente regulamento serão aprovadas nos termos da Decisão 1999/468/CE do Conselho, de 28 de Junho de 1999, que fixa as regras de exercício das competências de execução atribuídas à Comissão(5),
ADOPTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
Artigo 1.o
1. Para efeitos do presente regulamento, entende-se por "impresso para a aposição de vistos" o documento emitido pelas autoridades de um Estado-Membro e destinado ao titular de um documento de viagem não reconhecido por esse Estado-Membro, no qual é aposto um visto pelas autoridades competentes desse Estado.
2. O impresso para a aposição de vistos corresponde ao modelo reproduzido em anexo.
3. Quando o titular de um impresso para a aposição de vistos estiver acompanhado de uma ou mais pessoas a seu cargo, compete a cada Estado-Membro decidir se devem ou não ser emitidos impressos separados para o titular desse documento e para cada uma das pessoas a seu cargo.
Artigo 2.o
As especificações técnicas aplicáveis ao modelo uniforme de impresso para a aposição de vistos serão estabelecidas nos termos do n.o 2 do artigo 5.o, tal como as especificações técnicas relativas aos:
a) elementos e requisitos de segurança, nomeadamente normas de prevenção reforçadas contra os riscos de contrafacção e falsificação;
b) processos e normas técnicas a utilizar no preenchimento do modelo uniforme para a aposição de vistos.
Artigo 3.o
As especificações a que se refere o artigo 2.o são secretas e são comunicadas exclusivamente aos organismos responsáveis pela impressão dos modelos uniformes, designados pelos Estados-Membros, e às pessoas devidamente autorizadas por um Estado-Membro ou pela Comissão.
Cada Estado-Membro designa um organismo único, responsável pela impressão do modelo uniforme. O Estado-Membro comunica o nome desse organismo à Comissão e aos outros Estados-Membros. Pode ser designado um mesmo organismo por dois ou mais Estados-Membros. Cada Estado-Membro pode substituir o organismo por si designado, devendo informar desse facto a Comissão e os outros Estados-Membros.
Artigo 4.o
Sem prejuízo das regras em matéria de protecção de dados, as pessoas para quem tenha sido emitido um modelo uniforme de impresso têm o direito de verificar os dados pessoais inscritos nesse impresso e, se for caso disso, requerer a rectificação ou a supressão desses dados.
O modelo uniforme de impresso não contém quaisquer informações reservadas a leitura óptica, excepto nos casos previstos no anexo ou se os dados em causa constarem do correspondente documento de viagem.
Artigo 5.o
O presente regulamento não prejudica a competência dos Estados-Membros em matéria de reconhecimento dos Estados e das entidades territoriais, bem como dos passaportes, dos documentos de identidade ou de viagem, emitidos pelas suas autoridades.
Artigo 6.o
1. A Comissão é assistida pelo comité criado pelo artigo 6.o do Regulamento (CE) n.o 1683/95.
2. Sempre que se faça referência ao presente número, são aplicáveis os artigos 5.o e 7.o da Decisão 1999/468/CE.
O prazo previsto no n.o 6 do artigo 5.o da Decisão 1999/468/CE é de dois meses.
3. O Comité aprovará o seu regulamento interno.
Artigo 7.o
Sempre que os Estados-Membros utilizem o modelo uniforme de impresso para efeitos diferentes dos previstos no artigo 1.o, devem ser tomadas medidas adequadas por forma a excluir qualquer possibilidade de confusão com o impresso a que se refere o artigo 1.o
Artigo 8.o
Os Estados-Membros devem utilizar o modelo uniforme de impresso para a aposição de vistos, o mais tardar, no prazo de dois anos a contar da adopção das medidas referidas na alínea a) do artigo 2o. Todavia, a introdução do modelo uniforme de impresso para a aposição de vistos não prejudica a validade das autorizações já emitidas segundo outro modelo de impresso, salvo decisão em contrário do Estado-Membro em causa.
Artigo 9.o
O presente regulamento entra em vigor no dia da sua publicação no Jornal Oficial das Comunidades Europeias.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e directamente aplicável nos Estados-Membros, em conformidade com o Tratado que institui a Comunidade Europeia.
Feito em Bruxelas, em 18 de Fevereiro de 2002.

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