Document ID: 32012R1039

REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) N.o 1039/2012 DO CONSELHO
de 29 de outubro de 2012
que institui um direito anti-dumping definitivo e estabelece a cobrança definitiva do direito provisório instituído sobre as importações de radiadores de alumínio originários da República Popular da China
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
Tendo em conta o Regulamento (CE) n.o 1225/2009 do Conselho, de 30 de novembro de 2009, relativo à defesa contra as importações objeto de dumping dos países não membros da Comunidade Europeia (1) («regulamento de base»), nomeadamente o artigo 9.o,
Tendo em conta a proposta da Comissão Europeia («Comissão»), apresentada após consulta do Comité Consultivo,
Considerando o seguinte:
1. PROCEDIMENTO
1.1. Medidas provisórias
(1)
A Comissão, pelo Regulamento (UE) n.o 402/2012 (2) («regulamento provisório») instituiu um direito anti-dumping provisório sobre as importações de radiadores de alumínio originários da República Popular da China («RPC» ou «país em causa»).
(2)
O processo foi iniciado em 12 de agosto de 2011 (3), na sequência de uma denúncia apresentada pela International Association of Aluminium Radiator Manufacturers Limited Liability Consortium (AIRAL S.c.r.l - «autor da denúncia»), em nome de produtores que representam mais de 25 % da produção total da União de radiadores de alumínio.
(3)
Em conformidade com o considerando 14 do regulamento provisório, o inquérito sobre o dumping e o prejuízo abrangeu o período compreendido entre 1 de julho de 2010 e 30 de junho de 2011 («período de inquérito» ou «PI»). A análise das tendências pertinentes para a avaliação do prejuízo abrangeu o período compreendido entre 1 de janeiro de 2008 e o final do PI («período considerado»).
1.2. Procedimento subsequente
(4)
Na sequência da divulgação dos principais factos e considerações com base nos quais foi decidido instituir um direito anti-dumping provisório («divulgação provisória»), várias partes interessadas apresentaram por escrito as suas observações sobre as conclusões provisórias. A Comissão concedeu às partes que o solicitaram a possibilidade de serem ouvidas.
(5)
A Comissão continuou a procurar obter e verificar todas as informações que considerou necessárias para as suas conclusões definitivas. As observações apresentadas oralmente e por escrito pelas partes interessadas foram levadas em consideração, tendo as conclusões provisórias sido alteradas em conformidade sempre que adequado.
(6)
Como já referido no considerando 12 do regulamento provisório, um grupo de produtores-exportadores coligados pediu o exame individual em conformidade com o artigo 17.o, n.o 3, do regulamento de base. A realização do exame destes pedidos na fase provisória era demasiado onerosa, pelo que foi deferida até à fase definitiva. Decidiu-se, assim, conceder um exame individual ao grupo que o solicitou, isto é, o Sira Group. No que diz respeito às suas operações na RPC, o Sira Group é composto pela Sira (Tianjin) Aluminium Products Co. Ltd. e pelo Sira Group (Tianjin) Heating Radiators Co. Ltd.
(7)
Todas as partes foram informadas dos principais factos e considerações com base nos quais a Comissão tencionava recomendar a instituição de um direito anti-dumping definitivo sobre as importações de radiadores de alumínio originários da RPC e a cobrança definitiva dos montantes garantidos por meio do direito provisório («divulgação final»). Foi concedido a todas as partes um prazo para apresentarem as suas observações sobre a divulgação final.
(8)
As observações orais e escritas apresentadas pelas partes interessadas foram examinadas e, sempre que adequado, tomadas em consideração.
2. PRODUTO EM CAUSA E PRODUTO SIMILAR
(9)
Como indicado no considerando 15 do regulamento provisório, o produto em causa são os radiadores de alumínio e elementos ou secções que compõem tais radiadores, quer tais elementos ou secções sejam montados ou não em blocos, com exclusão de radiadores e respetivos elementos e secções de tipo elétrico («produto em causa»). O produto em causa está atualmente classificado nos códigos NC ex 7615 10 10, ex 7615 10 90, ex 7616 99 10 e ex 7616 99 90.
(10)
Após a publicação das medidas provisórias, uma parte alegou que os radiadores de aço eram intermutáveis com o produto em causa e com o produto similar, e solicitou à Comissão que analisasse e incluísse a tendência do mercado de radiadores de aço, a fim de a comparar, em especial, com o mercado dos radiadores de alumínio.
(11)
Com base nas informações disponíveis, os radiadores de alumínio parecem ter características técnicas diferentes, especialmente no que se refere à matéria-prima de base (aço num caso e alumínio no outro), ao peso, à inércia térmica e à condutibilidade térmica. Acresce que as informações recolhidas não apontaram para uma concorrência direta e intermutabilidade entre os dois produtos. Por último, a parte não apresentou quaisquer elementos de prova que apoiassem as suas alegações. À luz do que precede, a alegação foi rejeitada.
(12)
Na ausência de outras observações sobre o produto em causa e o produto similar, confirma-se o teor dos considerandos 15 e 23 do regulamento provisório.
3. DUMPING
3.1. Tratamento de economia de mercado («TEM») e tratamento individual («TI»)
3.1.1. Observações preliminares
(13)
Como já referido no considerando 6, foi decidido conceder um exame individual ao Sira Group. No que diz respeito às suas operações na RPC, o Sira Group é composto pela Sira (Tianjin) Aluminium Products Co. Ltd. e pelo Sira Group (Tianjin) Heating Radiators Co. Ltd. O Sira Group também solicitou o tratamento de economia de mercado ou o tratamento individual.
3.1.2. TEM
(14)
Recorde-se que, como mencionado nos considerandos 30 e 31 do regulamento provisório, nenhuma das partes incluídas na amostra solicitou o TEM.
(15)
Como referido no considerando 13, o Sira Group, a quem foi concedido o exame individual após a instituição das medidas provisórias, solicitou o TEM e apresentou formulários de pedido de TEM para as duas empresas envolvidas na produção e comercialização do produto em causa.
(16)
Nos termos do artigo 2.o, n.o 7, alínea b), do regulamento de base, o valor normal para as importações originárias da RPC deve ser determinado de acordo com os n.os 1 a 6 do referido artigo no que respeita aos produtores que se verifique satisfazerem os critérios definidos no artigo 2.o, n.o 7, alínea c), do regulamento de base. Resumidamente, e apenas a título de referência, esses critérios são sintetizados a seguir:
-
as decisões das empresas são adotadas em resposta a sinais do mercado, sem uma interferência significativa do Estado, e os custos refletem os valores do mercado,
-
as empresas têm um único tipo de registos contabilísticos sujeitos a auditorias independentes,
-
não existem distorções importantes herdadas do sistema de economia centralizada,
-
a legislação aplicável em matéria de falência e propriedade garante a estabilidade e certeza jurídicas, e
-
as operações cambiais são realizadas a taxas de mercado.
(17)
As informações fornecidas pelas duas empresas pertencentes ao Sira Group nos formulários de pedido de TEM foram devidamente analisadas, tendo sido solicitadas e obtidas informações adicionais. Atendendo às conclusões, considerou-se que não era necessário realizar uma visita de verificação às instalações das empresas.
(18)
O inquérito TEM demonstrou que o Sira Group não satisfazia os requisitos do primeiro critério, devido à interferência do Estado nas decisões relativas à principal matéria-prima, o alumínio. O custo do alumínio representa cerca de 70 % do custo de produção do produto em causa. O inquérito demonstrou que ambos os produtores do Sira Group adquiriram o alumínio utilizado na produção do produto em causa no mercado interno chinês. Os preços são baseados na cotação do alumínio na bolsa de transações de metais não ferrosos de Xangai (Shanghai Non-ferrous Metal Exchange market) («Bolsa» ou «SHFE»), que é controlada pelo Estado. A SHFE é uma bolsa destinada exclusivamente às empresas estabelecidas na China e aos cidadãos chineses, sendo controlada pela State Securities Regulatory Commission. Diversas regras que regulam o funcionamento da Bolsa contribuem para a baixa volatilidade e depreciação dos preços na SHFE: as flutuações diárias do preço são limitadas a 4 % acima ou abaixo do preço de liquidação do dia de negociação anterior, as transações ocorrem a uma frequência reduzida (até ao 15.o dia de cada mês), os contratos de futuros são limitados a uma duração máxima de doze meses, e tanto a Bolsa como os corretores faturam os encargos que incidem sobre as operações.
(19)
Além disso, no que respeita às operações da SHFE, as entregas físicas só podem ter lugar num entreposto aprovado na RPC, ao contrário do que acontece com as trocas comerciais internacionais em que a entrega pode ter lugar em qualquer ponto do mundo. Acresce que, como a SHFE é uma plataforma apenas para trocas físicas (não são vendidos derivados), esse facto isola completamente o mercado de alumínio chinês. Em consequência, a arbitragem com a London Metals Exchange («LME»), a referência mundial, ou outros mercados não é praticamente possível e a bolsa funciona em isolamento dos demais mercados mundiais. Assim, não pode ocorrer uma igualização entre estes mercados. A cotação do preço do alumínio na LME foi 14 % superior, numa base média mensal, à da SHFE durante o PI.
(20)
O Estado interfere igualmente nos mecanismos de fixação do preço na SHFE, já que é simultaneamente vendedor e comprador, através do State Reserve Bureau (gabinete de reservas do Estado) e de outros organismos estatais, de alumínio primário. Além disso, o Estado fixa diariamente limites de preços, em aplicação das regras da SHFE, que foram aprovadas pela entidade reguladora, a China Securities Regulatory Commission («CSRC»).
(21)
O inquérito demonstrou também que o alumínio primário para exportação está sujeito a 17 % de IVA, que não é reembolsável em caso de exportação, enquanto o IVA sobre o alumínio vendido no mercado interno e sobre os produtos acabados é reembolsável a 13 %. O alumínio primário para exportação está ainda sujeito a uma taxa de exportação de 17 %. Consequentemente, grande parte da produção de alumínio primário é vendida no mercado chinês, provocando uma depreciação do preço do alumínio primário no mercado interno, o que representa uma vantagem importante a nível de custos para os produtores de radiadores de alumínio na RPC. O Estado chinês interferiu ainda no mercado durante o PI, já que eliminou o direito de importação de 5 % sobre os metais durante a crise financeira.
(22)
Uma outra distorção do Estado chinês assume a forma de intervenções no mercado pelo State Reserve Bureau («SRB»), que faz parte da National Development Reform Commission («NDRC»). No final de 2008 e início de 2009, o SRB começou a comprar existências de alumínio primário às fundições. Tratava-se de um pacote de incentivos destinado a limitar os efeitos da crise financeira e económica global, que provocou um corte na procura. Estas compras financiadas pelo Estado absorveram a maior parte das existências do mercado nacional em março e abril de 2009, fazendo subir os preços durante o primeiro semestre de 2009. O SRB vendeu alumínio primário novamente no mercado, nomeadamente no início de novembro de 2010, quando vendeu 96 000 toneladas em leilão, tal como anunciado pela Bloomberg (4). A Xinhua News Agency divulgou as medidas de constituição de reservas em dezembro de 2008, explicando que se planeava acumular 300 000 toneladas de alumínio a preços que eram 10 % superiores ao preço de mercado, com o objetivo de reforçar os preços (5). O plano de constituição de reservas do SRB implicou compras a diversas fundições chinesas, embora cerca de metade dessas aquisições tenha sido feita à Aluminium Corporation of China Ltd. Além disso, o ministro responsável pela NDRC explicou que as outras vertentes do pacote de incentivos incluíam controlos à exportação menos rigorosos, subvenções à eletricidade, redução dos preços da eletricidade e aumento dos limites máximos dos empréstimos. Segundo comunicado, o pacote terá tido um efeito imediato nos preços. Os dados acima demonstram que o Estado chinês desempenha um papel fundamental na fixação dos preços do alumínio primário e que interfere no mercado.
(23)
O facto de o Estado ter a intenção clara de interferir, como acima descrito, é corroborado nomeadamente pelo Décimo Segundo Plano de Desenvolvimento Quinquenal para o Alumínio (2011-15), em que o Governo da China declara explicitamente a sua intenção de «ajustar os impostos e as deduções fiscais à exportação e outras alavancas económicas, e controlar rigorosamente o montante total da expansão e as exportações de produtos primários». Este plano continua a política já existente no anterior Plano para o Alumínio. Além disso, estes planos foram executados ao longo de muitos anos e, como acima demonstrado, durante o PI estavam em funcionamento várias medidas de execução.
(24)
Assim, as múltiplas distorções causadas pelo Estado nos preços do alumínio primário chineses afetam os preços das matérias-primas. Os produtores auferem ainda uma vantagem destas distorções, na medida em que as suas compras são normalmente efetuadas no mercado chinês a fornecedores locais, utilizando os preços dos mercados a pronto chineses (ou SHFE) como valor de referência. Durante o PI, estes preços foram cerca de 15 % inferiores aos preços do mercado mundial. Em teoria, as empresas chinesas podem também comprar certas quantidades a preços LME, quando os preços no mercado chinês forem mais elevados devido à intervenção do Estado - o contrário não é no entanto possível para os operadores não chineses.
(25)
Uma análise das respostas ao questionário tanto da Sira (Tianjin) Aluminium Products Co. Ltd. como do Sira Group (Tianjin) Heating Radiators Co. Ltd. mostrou que estes compraram produtos de alumínio primário a preços ligados ao preço SHFE no PI e que os seus preços de compra tinham acompanhado o índice SHFE durante um período mais longo.
(26)
Além disso, o inquérito mostrou que uma das duas empresas em causa beneficiou de «two free three half», uma redução no imposto sobre o rendimento das empresas. Trata-se de um sistema de reduções do Estado chinês que permite que, quando uma empresa começa a realizar lucro, essa empresa não pague imposto sobre o rendimento das empresas durante dois anos e pague apenas 50 % nos três anos seguintes. Estas distorções são registadas como custos negativos na conta de ganhos e perdas, aumentando dessa forma a rendibilidade.
(27)
Nestas circunstâncias, nenhuma das empresas pôde provar que as suas decisões em matéria de aquisição de matérias-primas não estão sujeitas a uma interferência significativa do Estado e que os custos dos inputs mais importantes refletem substancialmente os valores do mercado. Por conseguinte, não conseguiram demonstrar que satisfazem o primeiro critério.
(28)
Atendendo ao que precede relativamente ao primeiro critério, considerou-se, após consulta do Comité Consultivo, que o pedido de TEM para o Sira Group deveria ser rejeitado.
(29)
Atendendo ao que precede, os restantes critérios TEM definidos no artigo 2.o, n.o 7, alínea b), do regulamento de base não continuaram a ser analisados.
(30)
A Comissão comunicou oficialmente as conclusões relativas aos pedidos de TEM ao grupo de empresas coligadas da RPC interessadas, bem como ao autor da denúncia. Foi-lhes igualmente dada a possibilidade de apresentarem as suas observações por escrito e solicitarem uma audição, caso existissem razões especiais para serem ouvidos.
(31)
No seguimento da divulgação TEM, o Sira Group teceu observações sobre as conclusões propostas em matéria de TEM. Contudo, uma vez que o Sira Group rotulou as suas observações como sendo limitadas por natureza, a Comissão analisou as questões levantadas numa base bilateral através de um documento de divulgação específico. As observações não conduziram a alterações nas conclusões relativas ao primeiro critério.
(32)
À luz do exposto e na ausência de quaisquer outras observações, confirma-se o teor dos considerandos 30 a 31 do regulamento provisório.
3.1.3. TI
(33)
Nos termos do artigo 2.o, n.o 7, alínea a), do regulamento de base, se necessário, é estabelecido um direito aplicável à escala nacional para os países abrangidos pelo disposto no referido artigo, exceto nos casos em que as empresas demonstrem satisfazer todos os critérios previstos no artigo 9.o, n.o 5, do regulamento de base. Resumidamente, e apenas a título de referência, esses critérios são indicados no considerando 32 do regulamento provisório.
(34)
Ambos os produtores-exportadores coligados do Sira Group solicitaram o TI, caso o TEM não fosse concedido. Estes pedidos foram examinados. O inquérito mostrou que satisfaziam todos os critérios do artigo 9.o, n.o 5, do regulamento de base.
(35)
Por conseguinte, foi concedido o TI ao Sira Group.
(36)
Em 28 de julho de 2011, o Órgão de Resolução de Litígios da OMC («ORL») aprovou o relatório do Órgão de Recurso e o Relatório do Painel, como alterado pelo relatório do Órgão de Recurso sobre o processo European Communities - Definitive Anti-Dumping Measures on Certain Iron or Steel Fasteners from China (6) («relatórios»).
(37)
Nos relatórios, estabeleceu-se, nomeadamente, que o artigo 9.o, n.o 5, do regulamento de base era contrário aos artigos 6.10, 9.2 e 18.4 do Acordo Anti-Dumping da OMC e ao artigo XVI:4 do Acordo OMC. O artigo 9.o, n.o 5, do regulamento de base prevê que os produtores-exportadores individuais em países sem economia de mercado que não beneficiem do tratamento de economia de mercado nos termos do artigo 2.o, n.o 7, alínea c), do regulamento de base serão sujeitos a uma taxa do direito à escala nacional, a menos que esses exportadores possam demonstrar que satisfazem as condições para a obtenção do tratamento individual estabelecidas no artigo 9.o, n.o 5, do regulamento de base («conclusão do ORL sobre o artigo 9.o, n.o 5, do regulamento de base»).
(38)
Convidam-se todos os produtores-exportadores da RPC que considerarem que o presente regulamento deverá ser objeto de um reexame à luz das interpretações jurídicas relativas ao artigo 9.o, n.o 5, incluídas nos relatórios a solicitar um reexame com base no artigo 2.o do Regulamento (CE) n.o 1515/2001 do Conselho, de 23 de julho de 2001, relativo às medidas que a Comunidade pode adotar na sequência de um relatório sobre medidas anti-dumping e antissubvenções aprovado pelo Órgão de Resolução de Litígios da OMC (7) («regulamento de habilitação da OMC»).
(39)
A instituição competente da União pode revogar, alterar ou manter as medidas revistas, a fim de refletir as conclusões do reexame. As partes que solicitem um reexame deverão estar cientes de que se as conclusões que lhes dizem respeito exigirem uma alteração das medidas, essa alteração pode levar a uma redução ou a um aumento do nível das medidas.
(40)
Além do já exposto, não foram recebidas outras observações sobre a concessão de TI, confirmando-se o teor dos considerandos 32 a 34 do regulamento provisório.
3.2. País análogo
(41)
Na ausência de quaisquer observações sobre o país análogo, confirma-se o teor dos considerandos 35 a 41 do regulamento provisório.
3.3. Valor normal
(42)
A metodologia utilizada para estabelecer o valor normal para o Sira Group é a mesma que a descrita nos considerandos 42 a 46 do regulamento provisório. Na ausência de quaisquer observações sobre o valor normal, confirma-se o teor dos considerandos 42 a 46 do regulamento provisório.
3.4. Preço de exportação
(43)
O preço de exportação do Sira Group foi calculado nos termos do artigo 2.o, n.o 9, do regulamento de base, uma vez que as exportações foram realizadas a preços de transferência que foram considerados não fiáveis. Assim, os preços de exportação foram calculados com base nos preços de revenda aos primeiros clientes independentes no mercado da União, tendo sido efetuadas as devidas deduções relativas a custos e lucro, a fim de ajustar o preço de exportação a um estádio à saída da fábrica. Foram efetuados ajustamentos no preço de revenda ao primeiro cliente independente da União, para ter em conta todos os custos, incluindo os direitos e encargos incorridos entre a importação e a revenda, bem como uma margem razoável correspondente aos VAG e lucros. No que se refere à margem de lucro, foi utilizado o lucro obtido por um importador independente colaborante do produto em causa, visto que o lucro real do importador coligado não foi considerado fiável, tendo em conta a relação existente entre o produtor-exportador e o importador coligado.
(44)
No que respeita aos exportadores incluídos na amostra, na ausência de quaisquer observações sobre o preço de exportação, confirma-se o teor do considerando 47 do regulamento provisório.
3.5. Comparação
(45)
Foram apresentadas certas observações sobre a comparação entre o valor normal e o preço de exportação.
(46)
O Metal Group Ltd. contestou a comparação entre o valor normal e o preço de exportação, argumentando que a comparação efetuada não seria equitativa devido à metodologia de correspondência utilizada, e alegou diferenças nas características físicas.
(47)
Quanto à comparação realizada, o Metal Group sugeriu um método alternativo baseado simplesmente no peso. Esta metodologia foi rejeitada, já que ignora outros domínios importantes incluídos no sistema de comparação de tipos do produto, por exemplo, potência, que dessa forma garantem uma melhor comparabilidade.
(48)
A alegação relativa às diferenças físicas apresentada pelo Metal Group Ltd. incluía três elementos e foi apresentada após o encerramento do prazo para apresentação de observações. Nenhuma das três alegações a este respeito tinha sido mencionada na resposta ao questionário (em que se solicitava especificamente que se incluíssem estas alegações). Acresce que as referidas alegações não foram apresentadas durante a visita de verificação, o que teria dado à equipa de inquérito a oportunidade de verificar a respetiva validade e amplitude.
(49)
A primeira alegação dizia respeito ao tipo de liga de alumínio utilizado na produção. A este propósito, afirmou-se que a norma chinesa relativa a essa liga não era a mesma da liga com o mesmo nome utilizada na União. Embora seja claro que estas ligas não são idênticas, não foram apresentados elementos de prova em como existia qualquer diferença de custo.
(50)
A segunda alegação envolveu a utilização de uma versão alegadamente mais barata de pó de acabamento. Mais uma vez, não foram apresentados quaisquer elementos de prova em apoio desta alegação, devendo salientar-se que este pó de acabamento representava uma percentagem tão baixa do custo de produção total, que o seu impacto seria apenas marginal.
(51)
A terceira alegação dizia respeito ao facto de não ter sido aplicado pela empresa nenhum revestimento anticorrosão interno, ao contrário do produto produzido na UE. Como nos dois casos supra, não foram apresentados elementos de prova em apoio desta alegação.
(52)
Atendendo ao que precede, a alegação relativa às diferenças nas características físicas foi rejeitada.
(53)
Na ausência de quaisquer outras observações, confirma-se o teor dos considerandos 48 a 50 do regulamento provisório.
3.6. Margens de dumping
(54)
No que respeita ao Sira Group, a margem de dumping foi calculada com base na metodologia mencionada no considerando 51 do regulamento provisório, tendo sido fixada em 23,0 %.
(55)
Na ausência de quaisquer outras observações, confirma-se o teor dos considerandos 51 a 54 do regulamento provisório.
4. PREJUÍZO
4.1. Produção total da União
(56)
Na ausência de observações sobre a produção total da União, confirma-se o teor dos considerandos 55 a 57 do regulamento provisório.
4.2. Consumo da União
(57)
Na ausência de observações sobre o consumo da União, confirma-se o teor dos considerandos 58 a 61 do regulamento provisório.
4.3. Importações provenientes do país em causa
4.3.1. Preços das importações e subcotação dos preços
(58)
Após a divulgação das conclusões provisórias, uma parte defendeu que a margem de subcotação dos preços de 6,1 % constatada durante o PI era baixa, não podendo ter causado um prejuízo importante à indústria da União.
(59)
A subcotação dos preços praticada pelos exportadores chineses deverá, contudo, ser entendida à luz da pressão que exerceu sobre o mercado da União e do impacto que teve no nível de preço da indústria da União. O inquérito mostrou que, devido à pressão exercida sobre os preços provocada pelas importações a baixo preço objeto de dumping, a indústria da União não pôde fixar preços a um nível que lhe permitisse cobrir os custos e alcançar uma margem de lucro razoável, em especial durante o PI.
(60)
Como mencionado no considerando 65 do regulamento provisório, o inquérito confirmou que os preços das importações provenientes da RPC foram objeto de dumping, tendo sido sempre inferiores aos preços de venda da indústria da União durante o período considerado. A subcotação constante praticada pelos exportadores chineses permitiu que tanto o seu volume de vendas como a sua parte de mercado se expandissem, em especial, durante o PI. Constatou-se ainda que a diferença de preços no caso de certos tipos de radiadores era consideravelmente mais elevada do que a subcotação média apurada. Assim, o impacto negativo da subcotação constatada no mercado da União e na indústria da União não pode ser subestimado. A alegação foi, pois, rejeitada.
(61)
A mesma parte reiterou que os radiadores chineses eram de qualidade inferior em comparação com os produzidos na União e que, consequentemente, não poderiam causar qualquer prejuízo à indústria da União.
(62)
Esta alegação não foi, contudo, fundamentada e o inquérito não revelou factos que pudessem apoiar esta alegação. Como declarado no considerando 23 do regulamento provisório, o inquérito mostrou que os radiadores de alumínio produzidos e exportados pela RPC e os radiadores de alumínio produzidos e vendidos na União pelos produtores da União têm as mesmas características físicas e técnicas de base, bem como as mesmas utilizações de base. Além disso, são completamente intermutáveis e parecem idênticos, em especial para o público. Por conseguinte, são considerados produtos similares na aceção do artigo 1.o, n.o 4, do regulamento de base.
(63)
É de notar que a subcotação dos preços e o nível de eliminação do prejuízo são determinados com base numa comparação pormenorizada dos tipos do produto chineses e da União. A alegada diferença entre os vários tipos de radiadores é, portanto, considerada na comparação pormenorizada dos preços. À luz do que precede, a alegação foi rejeitada.
(64)
Na ausência de quaisquer outras observações sobre as importações provenientes do país em causa, confirma-se o teor dos considerandos 62 a 67 do regulamento provisório.
4.4. Situação económica da indústria da União
(65)
Na ausência de outras observações sobre as observações preliminares, confirma-se o teor dos considerandos 68 a 71 do regulamento provisório.
4.4.1. Produção, capacidade de produção e utilização da capacidade
(66)
Na ausência de quaisquer outras observações sobre produção, capacidade de produção e utilização da capacidade, confirma-se o teor dos considerandos 72 a 74 do regulamento provisório.
4.4.2. Volume de vendas e parte de mercado
(67)
Na ausência de observações sobre a evolução do volume de vendas e da parte de mercado da indústria da União, confirma-se o teor do considerando 75 do regulamento provisório.
4.4.3. Crescimento
(68)
Na ausência de observações sobre o crescimento, confirma-se o teor do considerando 76 do regulamento provisório.
4.4.4. Emprego
(69)
Na ausência de observações sobre o emprego, confirma-se o teor dos considerandos 77 e 78 do regulamento provisório.
4.4.5. Preços unitários médios da União e custo de produção
(70)
Na ausência de observações sobre os preços unitários médios da União e o custo de produção, confirma-se o teor dos considerandos 79 e 80 do regulamento provisório.
4.4.6. Rendibilidade, cash flow, investimentos, retorno dos investimentos e capacidade de obtenção de capital
(71)
Na ausência de comentários sobre a rendibilidade, o cash flow, os investimentos, o retorno dos investimentos e a capacidade de obtenção de capital, confirma-se o teor dos considerandos 81 a 83 do regulamento provisório.
4.4.7. Existências
(72)
Na ausência de observações sobre as existências, confirma-se o teor do considerando 84 do regulamento provisório.
4.4.8. Amplitude da margem de dumping efetiva
(73)
Na ausência de quaisquer observações sobre a amplitude da margem de dumping efetiva, confirma-se o teor do considerando 85 do regulamento provisório.
4.4.9. Conclusão sobre o prejuízo
(74)
O inquérito confirmou que a maior parte dos indicadores de prejuízo mostrou uma tendência negativa durante o período considerado. Por conseguinte, confirma-se a conclusão dos considerandos 86 a 89 do regulamento provisório de que a indústria da União sofreu um prejuízo importante na aceção do artigo 3.o, n.o 5, do regulamento de base.
5. NEXO DE CAUSALIDADE
5.1. Introdução
(75)
Na ausência de quaisquer observações sobre o considerando 90 do regulamento provisório, confirma-se o teor do mesmo considerando.
5.2. Efeito das importações objeto de dumping
(76)
Na ausência de quaisquer observações sobre o efeito das importações objeto de dumping, confirma-se o teor dos considerandos 91 a 95 do regulamento provisório.
5.3. Efeito de outros fatores
5.3.1. Importações provenientes de países terceiros
(77)
Na ausência de quaisquer observações sobre as importações provenientes de países terceiros, confirma-se o teor do considerando 96 do regulamento provisório.
5.3.2. Crise económica
(78)
Uma parte afirmou que a causa do eventual prejuízo sofrido pela indústria da União seria a crise económica que prevaleceu nos setores da construção e da habitação, em especial, em certos Estados-Membros como a Espanha e a Itália, considerados por esta parte como os principais mercados de venda da indústria da União.
(79)
O inquérito, contudo, revelou que a indústria da União também vendeu volumes importantes de radiadores noutros Estados-Membros, para além de Espanha e Itália. Acresce que o mercado do produto em causa e do produto similar abrange outros mercados e não apenas o da construção e da habitação de Espanha e Itália. No entanto, mesmo que não seja de excluir que a crise económica teve um impacto no mercado da União, a presença de volumes crescentes de importações chinesas a baixo preço objeto de dumping intensificou quaisquer efeitos negativos que a recessão económica possa ter tido durante o período considerado, impedindo a indústria da União de beneficiar da recuperação económica geral durante o PI. A alegação foi, por conseguinte, rejeitada.
(80)
Na ausência de outras observações sobre a crise económica, confirma-se o teor dos considerandos 97 a 100 do regulamento provisório.
5.3.3. Evolução do custo de produção da indústria da União
(81)
Alegou-se que o aumento do preço do alumínio, que representa uma parte importante do custo de produção do produto análogo, foi a causa do prejuízo sofrido pela indústria da União.
(82)
Todavia, considerou-se que, num mercado regido por uma concorrência leal, os preços podem ser fixados a um nível que cubra os custos e permita alcançar uma margem de lucro razoável. Como confirmado no considerando 60, os preços médios das importações provenientes da RPC subcotaram continuamente os preços da indústria da União durante o período considerado. Quando os custos aumentaram, a indústria da União não pôde aumentar os seus preços em conformidade, devido à pressão continua exercida sobre os preços. Assim, esta alegação foi rejeitada.
(83)
Na ausência de quaisquer outras observações sobre a evolução do custo de produção da indústria da União, confirma-se o teor dos considerandos 101 a 103 do regulamento provisório.
5.3.4. Resultados das exportações da indústria da União incluída na amostra
(84)
Uma parte afirmou que o nível e a diminuição das vendas de exportação da indústria da União influenciaram decisivamente o seu desempenho económico geral durante o período considerado.
(85)
O inquérito mostrou, contudo, que apesar de as vendas de exportação da indústria da União terem diminuído durante o período considerado, continuaram a representar uma parte importante, atingindo 51 % do total de vendas da indústria da União na UE no PI e 27 % da produção total da indústria da União no PI. Assim, como afirmado no considerando 106 do regulamento provisório, as vendas de exportação permitiram à indústria da União obter economias de escala, não podendo portanto considerar-se que causaram o prejuízo importante sofrido pela indústria da União durante o período considerado. A tendência e o nível das vendas de exportação da indústria da União não são de molde a quebrar o nexo de causalidade entre o prejuízo e as importações a baixo preço objeto de dumping provenientes da RPC. Por conseguinte, a alegação foi rejeitada.
(86)
A mesma parte solicitou a divulgação dos valores das exportações da indústria da União, e consequentemente dos preços, uma vez que, no regulamento provisório, apenas foram publicados os volumes de exportação. Estes dados não podem, todavia, ser divulgados, porque são considerados confidenciais.
(87)
Na ausência de outras observações sobre os resultados da exportação da indústria da União incluída na amostra, confirma-se o teor dos considerandos 104 a 106 do regulamento provisório.
5.4. Conclusão sobre o nexo de causalidade
(88)
Uma parte declarou que a decisão da indústria da União de aumentar a capacidade de produção em 2008, combinada com a situação económica difícil, que também prevaleceu nos anos subsequentes, constitui a principal causa da diminuição da utilização da capacidade da indústria da União e da sua rendibilidade negativa. Defendeu-se, por isso, que o prejuízo teria sido causado por vários fatores internos, como a crise económica e as decisões erradas em matéria de investimento tomadas pela indústria da União.
(89)
Contudo, uma análise do prejuízo inclui a avaliação de todos os fatores de prejuízo em conjunto, sendo a utilização da capacidade e a rendibilidade apenas dois dos fatores analisados. O inquérito sobre o prejuízo mostrou, em especial, que o volume de vendas da indústria da União baixou 16 % ao longo do período considerado, enquanto as importações provenientes da RPC aumentaram 77 % no período considerado, tendo a parte de mercado subido de 13 % para 24 % durante o período considerado. Mesmo durante o PI, quando o consumo aumentou em comparação com 2009, a parte de mercado da indústria da União continuou a diminuir. Independentemente da deterioração de outros fatores de prejuízo, outro elemento que ilustra a difícil situação económica atravessada pela indústria da União é o aumento significativo dos níveis de existências da indústria da União durante o período considerado. Por conseguinte, o aumento da capacidade de produção da indústria da União em 2008 deverá ser analisado juntamente com todos estes elementos, a fim de obter uma imagem completa.
(90)
Apesar de a crise económica ter tido um certo impacto negativo na situação da indústria da União, não se pode ignorar que as importações chinesas a baixo preço objeto de dumping aumentaram significativamente ao longo do período considerado, tendo assim intensificado quaisquer efeitos negativos que a recessão económica possa ter tido durante o período considerado e impedido a indústria da União de beneficiar da recuperação económica geral durante o PI.
(91)
O inquérito mostrou que o consumo registou um aumento de 9 % entre 2009 e o PI, enquanto a parte de mercado da indústria da União continuou a baixar e, mesmo numa situação económica geral mais favorável, a indústria da União não conseguiu recuperar, porque esteve sempre sob a pressão das importações a baixo preço objeto de dumping provenientes da RPC. À luz do que precede, a alegação foi assim rejeitada.
(92)
Na ausência de outras observações relativamente à conclusão sobre o nexo de causalidade, confirma-se o teor dos considerandos 107 a 110 do regulamento provisório.
6. INTERESSE DA UNIÃO
(93)
No presente inquérito, não houve qualquer colaboração por parte dos utilizadores e, apesar dos esforços após a publicação das conclusões provisórias, não se deram a conhecer quaisquer utilizadores.
(94)
Com base nas informações disponíveis, apurou-se que os principais compradores de radiadores de alumínio são as grandes empresas de construção, distribuidores e grossistas, que os revendem a cadeias especializadas ou a retalhistas para venda a empresas de construção de menor dimensão ou a utilizadores finais. Uma avaliação do eventual impacto da instituição de direitos definitivos nas partes em causa revelou que mesmo no caso de um aumento de preço potencial por elemento de radiador de alumínio importado de 61 %, ou seja, o direito anti-dumping mais elevado proposto, o referido aumento de preço parece ser bastante reduzido, atendendo a que o produto em causa se integra normalmente em grandes projetos, em que o seu preço representa apenas uma pequena porção dos custos empresariais totais. Assim, mesmo tendo em conta o pior cenário, parece que o consequente aumento de preço poderia ser facilmente absorvido na cadeia de vendas a jusante.
(95)
Na ausência de observações sobre o interesse da União, confirma-se o teor dos considerandos 111 a 118 do regulamento provisório.
7. MEDIDAS ANTI-DUMPING DEFINITIVAS
7.1. Nível de eliminação do prejuízo
(96)
Foi alegado que a margem de lucro utilizada para calcular o montante do direito necessário para eliminar os efeitos do dumping prejudicial era demasiado elevada. Argumentou-se que a margem de 7,4 %, alcançada pelos produtores da União incluídos na amostra em 2008, seria excecional e irrealista. A crise económica que atingiu o mercado nos anos seguintes tornou impossível alcançar esse nível de lucro.
(97)
Convém assinalar que esta margem de lucro foi verificada durante o inquérito como a margem de lucro alcançada pelas empresas incluídas na amostra em condições de mercado normais, nomeadamente na ausência de dumping prejudicial. Não se pode concluir que a crise económica não teve um impacto na situação da indústria da União, mas o volume de importações a baixo preço objeto de dumping provenientes da RPC, que subcotavam os preços da indústria da União, continuou a aumentar durante todo o período considerado, em detrimento dos preços e da parte de mercado da indústria da União. Por conseguinte, é evidente que as importações objeto de dumping provenientes da RPC intensificaram qualquer efeito da recessão económica na indústria da União. Esta alegação foi, por conseguinte, rejeitada.
(98)
Defendeu-se também que o custo pós-importação utilizado para calcular as margens de subcotação e prejuízo (0,2 %, incluindo todos os custos necessários à introdução das mercadorias em livre prática na UE, nomeadamente o custo de manutenção e a taxa de desalfandegamento, mas excluindo o direito de importação) teria sido subestimado. Segundo esta parte, o custo pós-importação deveria incluir o custo de manutenção, a taxa de desalfandegamento e o frete interior, estimados em 3,5 %. Para calcular a subcotação dos preços e dos custos, o preço na fronteira da UE é comparado com o preço à saída da fábrica dos produtores da indústria da União. O preço na fronteira da UE tem de incluir todos os custos necessários à introdução das mercadorias em livre prática na UE (isto é, taxa de desalfandegamento e custos de manutenção), mas não o frete interior, como defendido pela parte. Esta alegação foi, por conseguinte, rejeitada.
(99)
Na ausência de outras observações sobre o nível de eliminação do prejuízo, confirma-se a metodologia descrita nos considerandos 119 a 123 do regulamento provisório.
7.2. Forma e nível dos direitos
(100)
À luz do exposto, considera-se que, em conformidade com o artigo 9.o, n.o 4, do regulamento de base, deverão ser instituídas medidas anti-dumping definitivas sobre as importações do produto em causa, ao nível da mais baixa das margens de dumping ou prejuízo estabelecidas, de acordo com a regra do direito inferior. Todas as taxas do direito deveriam, assim, ser fixadas ao nível das margens de prejuízo apuradas.
(101)
São propostos os seguintes direitos anti-dumping definitivos:
País
Empresa
Margem de dumping
Margem de prejuízo
Direito definitivo
RPC
Zhejiang Flyhigh Metal Products Co., Ltd.
23,0 %
12,6 %
12,6 %
Metal Group Co., Ltd.
70,8 %
56,2 %
56,2 %
Sira Group (Sira (Tianjin) Aluminium Products Co. Ltd. e Sira Group (Tianjin) Heating Radiators Co. Ltd.)
23,0 %
14,9 %
14,9 %
Outras empresas colaborantes
32,5 %
21,2 %
21,2 %
Todas as outras empresas (margem de dumping à escala nacional)
76,6 %
61,4 %
61,4 %
(102)
As taxas do direito anti-dumping aplicáveis a cada uma das empresas especificadas no presente regulamento foram estabelecidas com base nas conclusões do presente inquérito. Por conseguinte, refletem a situação constatada durante o inquérito no que diz respeito a essas empresas. Essas taxas do direito (contrariamente ao direito à escala nacional aplicável a «Todas as outras empresas») aplicam-se, portanto, exclusivamente às importações de produtos originários da RPC produzidos pelas empresas e, por conseguinte, pelas entidades jurídicas específicas mencionadas. As importações do produto em causa fabricado por qualquer outra empresa que não seja expressamente mencionada pela sua firma e pelo seu endereço na parte dispositiva do presente regulamento, incluindo entidades coligadas com as empresas especificamente mencionadas, não podem beneficiar destas taxas, ficando sujeitas à taxa do direito aplicável a «Todas as outras empresas».
(103)
Para limitar os riscos de evasão devidos à grande diferença entre as taxas dos direitos, considera-se necessário adotar, no caso em apreço, medidas especiais para assegurar a correta aplicação dos direitos anti-dumping. Trata-se, nomeadamente, da apresentação às autoridades aduaneiras dos Estados-Membros de uma fatura comercial válida em conformidade com as disposições do Anexo II do presente regulamento. As importações que não sejam acompanhadas da referida fatura serão sujeitas ao direito anti-dumping residual aplicável a todos os outros exportadores.
(104)
No caso de as exportações de uma das empresas que beneficiam de uma taxa do direito individual mais baixa aumentarem significativamente de volume após a instituição das medidas em causa, tal aumento de volume poderá ser considerado, em si mesmo, como constitutivo de uma alteração dos fluxos comerciais devida à instituição de medidas, na aceção do artigo 13.o, n.o 1, do regulamento de base. Em tais circunstâncias, e uma vez reunidas as condições necessárias, será possível iniciar um inquérito anti-evasão. Esse inquérito poderá examinar, entre outros aspetos, a necessidade de eliminar as taxas do direito individual e a consequente instituição de um direito à escala nacional.
(105)
Qualquer pedido de aplicação das taxas do direito anti-dumping individual (por exemplo, na sequência de uma alteração da firma ou da constituição de novas entidades de produção ou de venda) deverá ser imediatamente enviado à Comissão (8), juntamente com todas as informações pertinentes, nomeadamente sobre eventuais alterações das atividades da empresa relacionadas com a produção e com as vendas nos mercados interno e de exportação que estejam relacionadas, por exemplo, com a referida alteração da firma ou das entidades de produção e de venda em questão. Se necessário, o presente regulamento será então alterado em conformidade, mediante a atualização da lista das empresas que beneficiam de taxas do direito anti-dumping individual.
(106)
A fim de assegurar uma correta aplicação do direito anti-dumping, o nível do direito à escala nacional deverá ser aplicável não só aos produtores-exportadores que não tenham colaborado no inquérito, mas igualmente aos produtores que não tenham efetuado qualquer exportação para a União durante o PI.
(107)
Para garantir a igualdade de tratamento entre os eventuais novos exportadores e as empresas colaborantes não incluídas na amostra, enumeradas no Anexo I do presente regulamento, deverá prever-se a aplicação do direito médio ponderado aplicado a estas últimas a quaisquer novos exportadores que, de outro modo, teriam direito a beneficiar de um reexame nos termos do artigo 11.o, n.o 4, do regulamento de base, uma vez que este artigo não se aplica quando se recorre à amostragem.
7.3. Cobrança definitiva dos direitos anti-dumping provisórios
(108)
Tendo em conta a amplitude das margens de dumping constatadas e atendendo ao nível do prejuízo causado à indústria da União, considera-se necessário que os montantes garantidos pelo direito anti-dumping provisório instituído pelo regulamento provisório sejam cobrados definitivamente até ao montante dos direitos definitivos instituídos,
ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
Artigo 1.o
1. É instituído um direito anti-dumping definitivo sobre as importações de radiadores de alumínio e elementos ou secções que compõem tais radiadores, quer tais elementos ou secções sejam montados ou não em blocos, com exclusão de radiadores e respetivos elementos e secções de tipo elétrico, atualmente classificados nos códigos NC ex 7615 10 10, ex 7615 10 90, ex 7616 99 10 e ex 7616 99 90 (códigos TARIC 7615101010, 7615109010, 7616991091, 7616999001 e 7616999091) e originários da República Popular da China.
2. As taxas do direito anti-dumping definitivo aplicáveis ao preço líquido, franco-fronteira da União, do produto não desalfandegado referido no n.o 1 e produzido pelas empresas a seguir enumeradas são as seguintes:
Empresa
Direito definitivo
Código adicional TARIC
Zhejiang Flyhigh Metal Products Co., Ltd.
12,6 %
B272
Metal Group Co. Ltd.
56,2 %
B273
Sira (Tianjin) Aluminium Products Co. Ltd.
14,9 %
B279
Sira Group (Tianjin) Heating Radiators Co. Ltd.
14,9 %
B280
Empresas constantes do Anexo I
21,2 %
Todas as outras empresas
61,4 %
B999
3. A aplicação das taxas do direito individual previstas para as empresas mencionadas no n.o 2 está subordinada à apresentação, às autoridades aduaneiras dos Estados-Membros, de uma fatura comercial válida que seja conforme com os requisitos definidos no Anexo II. Se essa fatura não for apresentada, aplica-se o direito aplicável a todas as outras empresas.
4. Salvo especificação em contrário, são aplicáveis as disposições em vigor em matéria de direitos aduaneiros.
Artigo 2.o
São definitivamente cobrados os montantes garantidos por meio do direito anti-dumping provisório, por força do Regulamento (UE) n.o 402/2012 relativo às importações de radiadores de alumínio originários da República Popular da China. São liberados os montantes garantidos que excedam as taxas do direito anti-dumping definitivo.
Artigo 3.o
Caso um novo produtor-exportador da República Popular da China apresente à Comissão elementos de prova suficientes de que:
-
não exportou para a União o produto descrito no artigo 1.o, n.o 1, durante o período de inquérito (1 de julho de 2010 a 30 de junho de 2011),
-
não está coligado com nenhum dos exportadores ou produtores da República Popular da China sujeitos às medidas instituídas pelo presente regulamento,
-
exportou efetivamente para a União o produto em causa após o período de inquérito em que se basearam as medidas ou assumiu uma obrigação contratual irrevogável de exportar para a União uma quantidade significativa do produto,
o Conselho, deliberando por maioria simples sob proposta da Comissão, apresentada após consulta do Comité Consultivo, pode alterar o artigo 1.o, n.o 2, aditando o novo produtor-exportador às empresas colaborantes não incluídas na amostra e, assim, sujeitas à taxa do direito médio ponderado de 21,2 %.
Artigo 4.o
O presente regulamento entra em vigor no dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito no Luxemburgo, em 29 de outubro de 2012.

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