Document ID: 32012D0118

DECISÃO DA COMISSÃO
de 18 de julho de 2011
relativa ao auxílio estatal C 15/09 (ex N 196/09) que a Alemanha concedeu e tenciona conceder ao Hypo Real Estate
[notificada com o número C(2011) 5157]
(Apenas faz fé o texto em língua alemã)
(Texto relevante para efeitos do EEE)
(2012/118/UE)
A COMISSÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, nomeadamente o artigo 108.o, n.o 2, primeiro parágrafo (1),
Tendo em conta o Acordo sobre o Espaço Económico Europeu, nomeadamente o artigo 62.o, n.o 1, alínea a),
Após ter convidado as partes interessadas a apresentar as suas observações em conformidade com essas disposições (2) e tendo em conta as suas observações,
Considerando o seguinte:
I. PROCEDIMENTO
(1)
Em 2 de outubro de 2008, a Comissão Europeia autorizou um auxílio estatal ao Hypo Real Estate Holding AG sob a forma de uma garantia estatal no montante de 35 mil milhões de EUR (registado com o número N 44/08) (3) a título temporário, isto é, pelo período de seis meses ou até à apresentação de um plano de reestruturação credível e fundamentado para o banco. A Alemanha notificou a medida em 30 de setembro de 2008.
(2)
Em 1 de abril de 2009, a Alemanha notificou um plano de reestruturação do Hypo Real Estate («HRE») (registado com o número N 196/09). Por carta de 17 de abril de 2009, a Alemanha completou a notificação do plano de reestruturação informando a Comissão de uma injeção de capital no montante de 60 milhões de EUR da prorrogação das garantias estatais no montante de 52 mil milhões de EUR concedidas ao regime de apoio ao banco aprovado (4).
(3)
Por carta de 7 de maio de 2009 (5), a Comissão informou a Alemanha de que tinha dado início ao procedimento previsto no artigo 108.o, n.o 2, do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Esta decisão («decisão de início de procedimento») foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia (6), tendo as partes interessadas sido convidadas a apresentar observações.
(4)
Em 3 de junho de 2009, a Alemanha notificou uma injeção de capital no montante de 2,96 mil milhões de EUR, registada com o número N 333/09.
(5)
Em 17 de agosto de 2009, a Alemanha informou a Comissão (registado com o número C 15/09) de que tencionava voltar a prorrogar as garantias anteriormente prestadas pelo Sonderfonds Finanzmarktstabilisierung («SoFFin») ao HRE, no montante de 52 mil milhões de EUR (ver considerando 2).
(6)
Em 20 e 21 de outubro de 2009, a Alemanha apresentou uma nova atualização do plano de reestruturação, notificou a Comissão sobre outras medidas destinadas ao HRE (criação de uma instituição de acantonamento, prestação de garantias adicionais) e informou a Comissão sobre uma nova prorrogação, ou seja, a terceira prorrogação, das garantias SoFFin existentes no montante de 52 mil milhões de EUR (registado com o número N 557/09).
(7)
Em 26 de outubro de 2009, a Alemanha notificou, nos termos do processo número N 557/09, uma nova injeção de capital no montante de três mil milhões de EUR, garantias SoFFin no montante total de 18 mil milhões de EUR a favor do HRE, bem como uma garantia SoFFin no montante de dois mil milhões de EUR a favor da instituição de acantonamento do HRE (7). A Comissão não aprovou a garantia SoFFin no montante de dois mil milhões de EUR.
(8)
Em 13 de novembro de 2009, a Comissão alargou o procedimento formal de investigação e aprovou temporariamente injeções de capital no montante de 60 milhões de EUR, 2,96 mil milhões de EUR e três mil milhões de EUR (nos processos: C 15/09, N 333/09 e N 557/09) até tomar uma decisão final sobre o plano de reestruturação. Esta decisão foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia (8), tendo as partes interessadas sido convidadas a apresentar observações.
(9)
Em 15, 16 e 17 de dezembro de 2009 (registado com o número N 694/09), as autoridades alemãs completaram a notificação de 26 de outubro de 2009 apresentando informações adicionais sobre as garantias SoFFin no montante de 18 mil milhões de EUR.
(10)
Em 21 de dezembro de 2009, a Comissão autorizou temporariamente as garantias SoFFin no montante de 18 mil milhões de EUR por um prazo máximo de um ano (processo número N 694/09) (9).
(11)
Em 30 de abril de 2010, a Alemanha notificou uma injeção de capital do SoFFin no montante de 1,85 mil milhões de EUR (processo número N 161/10).
(12)
Em 19 de maio de 2010, a Comissão autorizou temporariamente a injeção de capital no montante de 1,85 mil milhões de EUR até tomar uma decisão final sobre o plano de reestruturação (10).
(13)
Em 2 de setembro de 2010, a Alemanha notificou uma garantia de liquidez do SoFFin no montante de 20 mil milhões de EUR (processo número N 380/10).
(14)
Em 10 de setembro de 2010, a Alemanha notificou uma medida de apoio aos ativos depreciados - ou seja, a intenção de transferir ativos do HRE para o FMS Wertmanagement AöR (11) («FMS-WM») - e uma injeção de capital num montante máximo de aproximadamente 2,13 mil milhões de EUR, bem como uma garantia adicional, isto é, uma garantia de liquidação no montante máximo de 20 mil milhões de EUR (processo número N 380/10).
(15)
Em 24 de setembro de 2010, a Comissão voltou a alargar o procedimento formal de investigação e autorizou temporariamente a medida de apoio aos ativos depreciados, a garantia de liquidez no montante máximo de 20 mil milhões de EUR e a garantia de liquidação no montante máximo de 20 mil milhões de EUR. Esta decisão foi publicada no Jornal Oficial da União Europeia (12), tendo as partes interessadas sido convidadas a apresentar observações. A decisão da Comissão de 24 de setembro de 2010 não abrangia a injeção de capital no montante máximo de 2,13 mil milhões de EUR notificada pela Alemanha em 10 de setembro de 2010; ou seja, esta injeção de capital não foi aprovada pela Comissão.
(16)
Em 14 de junho de 2011, a Alemanha apresentou uma última atualização do plano de reestruturação. Em 15 de junho de 2011, a Alemanha apresentou uma lista de compromissos, que foi completada em 1 de julho de 2011.
(17)
Em 14 de junho de 2011, a Alemanha esclareceu que a injeção de capital seguinte não se elevaria a 2,13 mil milhões de EUR, conforme notificado em 10 de setembro de 2010, mas sim a 2,08 mil milhões de EUR e que o montante reduzido seria disponibilizado ao FMS-WM.
(18)
Ao longo do tempo, realizaram-se diversas reuniões e conferências telefónicas e foi trocada correspondência entre os serviços da Comissão, a Alemanha e o HRE.
(19)
A Comissão recebeu observações de partes interessadas, comunicou-as à Alemanha e recebeu observações da Alemanha por carta de 24 de março de 2010.
II. O BENEFICIÁRIO E AS MEDIDAS DE AUXÍLIO
II.1. O beneficiário
(20)
Em Outubro de 2003, o HRE foi fundado como uma empresa derivada de partes da divisão de crédito imobiliário a clientes comerciais do Grupo HVB. Em 2007, o HRE adquiriu o DEPFA Bank plc, com sede em Dublin, e alargou as suas atividades ao financiamento do setor público e de infraestruturas. O grupo HRE (13) é atualmente composto pelo Hypo Real Estate Holding AG («HRE Holding») e pelas suas três filiais, PBB Deutsche Pfandbriefbank AG («PBB»), DEPFA Bank plc e Hypo Real Estate Finance B.V. in Liquidation («HRE Finance i.L.»). O DEPFA Bank plc e o PBB têm, cada um, várias outras filiais e participações. O PBB é o novo nome do banco principal do grupo e o único das três filiais do HRE Holding que continua a gerar novos negócios. Os seus setores de atividade são o crédito imobiliário e o financiamento do investimento público. O DEPFA Bank plc está em extinção e não contratará novos negócios a partir da notificação da presente decisão da Comissão. As suas atividades incluíam principalmente empréstimos ao setor público, o financiamento público e o financiamento de projetos de infraestruturas (por exemplo, estradas, pontes, túneis e edifícios públicos). Como o seu nome sugere, o HRE Finance i.L. é uma sociedade em liquidação (14).
(21)
O FMS-WM, a instituição de acantonamento do HRE, foi constituído em 2010. Gere os ativos e os derivados do grupo HRE, que assumiu por não serem estratégicos ou por incluírem um risco ou ónus em termos de capital inaceitáveis. O FMS-WM assumiu, ao longo do tempo, uma parte importante dos ativos do HRE. O FMS-WM não é titular de uma autorização bancária.
(22)
O HRE apresentou perdas no montante de 5,5 mil milhões de EUR no exercício financeiro de 2008, de 2,2 mil milhões de EUR no de 2009 e de 0,9 mil milhões de EUR no de 2010.
(23)
Pela injeção de capital no montante aproximado de 3,02 mil milhões de EUR (60 milhões de EUR em março de 2009 e 2,96 mil milhões de EUR em junho de 2009), a Alemanha passou a ser proprietária de 90 % do HRE. No outono de 2009 foi realizada uma aquisição potestativa dos acionistas minoritários. A Alemanha adquiriu as restantes ações, ao preço de 1,30 EUR por ação, e passou a deter 100 % do HRE. Um plano de reestruturação do HRE foi subsequentemente iniciado.
II.2. Dificuldades do HRE no contexto da crise financeira
(24)
No final de setembro de 2008, o HRE enfrentou uma escassez de liquidez que colocou o banco à beira da insolvência. O HRE não conseguiu obter financiamento a curto prazo nos mercados, uma vez que a crise no mercado financeiro levou ao colapso de alguns mercados financeiros. Em meados de setembro de 2008, depois de o Lehman Brothers ter pedido a proteção dos credores, o mercado interbancário, em especial, ficou praticamente paralisado.
(25)
O modelo de negócios do DEPFA Bank plc, uma filial a 100 % do HRE desde outubro de 2007 que dependia fortemente de financiamento no mercado interbancário e de outras fontes de financiamento de curto prazo não garantidas, revelou ser extremamente frágil perante a crise de liquidez, tendo os problemas dela resultantes ameaçado a sua própria existência.
(26)
O HRE teve de cobrir as necessidades de liquidez a curto prazo do DEFPA Bank plc. Todavia, o volume das linhas de crédito vencidas em 30 de setembro de 2008 era demasiado elevado para ser suportado pelo HRE. Além disso, as transações e atividades internas do grupo HRE, como valores a receber, cauções e cartas de garantia, significavam que a maioria das sociedades do grupo HRE estava na mesma situação. Por conseguinte, os problemas de liquidez representavam uma séria ameaça à existência do grupo HRE.
(27)
As dificuldades do HRE eram, inter alia, igualmente atribuíveis a um problema «herdado», ou seja, ativos que não tinham uma rendibilidade adequada face ao investimento se o seu perfil de risco efetivo fosse tido em consideração, e ao facto de o HRE ser o resultado de uma fusão de várias instituições bancárias mais pequenas que utilizavam diferentes sistemas de TI, […] (15).
II.3. As medidas de auxílio estatal
(28)
Globalmente, o Estado alemão concedeu ou vai conceder injeções de capital ao HRE num montante total de aproximadamente 9,95 mil milhões de EUR (o FMS-WM recebeu ou vai receber parte deste capital) e garantias no montante de 145 mil milhões de EUR. O HRE também beneficiou de uma medida de apoio aos ativos depreciados com um elemento de auxílio de aproximadamente 20 mil milhões de EUR.
II.3.1. Injeções de capital
II.3.1.1. Injeção de capital de 60 milhões de EUR
(29)
No âmbito da intenção da Alemanha de obter o controlo total do HRE através da aquisição de todas as suas ações em várias fases, em 30 de março de 2009, o SoFFin comprou 20 milhões de novas ações do HRE pelo seu valor nominal de três EUR por ação, o que resultou numa injeção de capital no HRE de 60 milhões de EUR e deu ao SoFFin uma participação de 8,65 % no capital. A Comissão aprovou temporariamente esta injeção de capital em 13 de novembro de 2009.
II.3.1.2. Injeção de capital de 2,96 mil milhões de EUR
(30)
Em 2 de junho de 2009, os acionistas do HRE aprovaram uma injeção de capital no montante de 2,96 mil milhões de EUR, através da emissão de novas ações a adquirir pelo SoFFin. Na sequência desta operação, o SoFFin ficou com 90 % das ações do HRE. Esta nova emissão de ações foi inscrita no registo comercial em 8 de junho de 2009. A Comissão aprovou temporariamente esta injeção de capital em 13 de novembro de 2009.
II.3.1.3. Injeção de capital de três mil milhões de EUR
(31)
A injeção de capital notificada em 26 de outubro de 2009, no montante total de 3,0 mil milhões de EUR, foi estruturada da seguinte forma:
a)
Dois mil milhões de EUR injetados nas reservas não comprometidas («freie Rücklagen») do HRE Holding e do PBB. Após a aquisição potestativa dos acionistas minoritários, o HRE passou a ser totalmente detido pela Alemanha/SoFFin;
b)
Mil milhões de EUR foram injetados como participação passiva no PBB, com um cupão de 10 % p.a. dependente do lucro.
(32)
Os contratos relativos a essa injeção de capital de três mil milhões de EUR foram assinados em 16 de novembro de 2009. A Comissão aprovou temporariamente a injeção de capital em 13 de novembro de 2009.
II.3.1.4. Injeção de capital de 1,85 mil milhões de EUR
(33)
A injeção de capital no montante de 1,85 mil milhões de EUR, para as reservas não comprometidas («freie Rücklagen») do HRE, foi dividida em duas frações:
a)
Uma injeção de capital de 1,4 mil milhões de EUR (parte que a Comissão aprovou temporariamente em 19 de maio de 2010 e que foi posteriormente transferida);
b)
Uma injeção de capital num montante máximo de 450 milhões de EUR (fração que a Comissão também aprovou temporariamente em 19 de maio de 2010, sujeita à existência de determinadas circunstâncias (16). A transferência ainda não se realizou, dado que essas circunstâncias ainda não se verificaram).
(34)
A injeção de capital de 1,85 mil milhões de EUR faz parte do total de capital necessário definido no plano de reestruturação do HRE. Desta injeção de capital, 1,4 mil milhões de EUR foram transferidos para cumprir os requisitos regulamentares de fundos próprios e para dispor de um instrumento de absorção de riscos. O contrato para esta injeção de capital de 1,4 mil milhões de EUR foi assinado em 20 de maio de 2010. A Alemanha espera que a parte remanescente dos 1,85 mil milhões de EUR, ou seja, 450 milhões de EUR, seja transferida no terceiro trimestre de 2011.
II.3.1.5. Injeção de capital de 2,08 mil milhões de EUR
(35)
Em 10 de setembro de 2010, as autoridades alemãs notificaram uma injeção de capital num montante máximo de 2,13 mil milhões de EUR a favor do HRE. Em 14 de junho de 2011, a Alemanha esclareceu que a injeção de capital não ascenderia a 2,13 mil milhões de EUR, mas que se elevaria a 2,08 mil milhões de EUR e que o montante seria transferido para o FMS-WM. De acordo com a Alemanha, os 2,08 mil milhões de EUR seriam transferidos no terceiro trimestre de 2011. O SoFFin colocou os 2,08 mil milhões, sob reserva de aprovação da Comissão Europeia, como capital realizável («Einlageanspruch») no âmbito das reservas («Kapitalrücklage») do HRE Holding. O HRE Holding transferiu o crédito de capital para o FMS-WM com efeitos a partir de 1 de outubro de 2010.
II.3.2. Garantias
II.3.2.1. Garantias de 35 mil milhões de EUR
(36)
Em 13 de novembro de 2008, a Alemanha concedeu garantias estatais no montante de 35 mil milhões de EUR para cobrir as necessidades de refinanciamento do HRE. A Comissão aprovou temporariamente as garantias em 2 de outubro de 2008.
(37)
Estas garantias foram concedidas relativamente a uma linha de liquidez no montante de 20 mil milhões de EUR fornecida pelo Deutsche Bundesbank e a títulos de dívida no montante de 15 mil milhões de EUR subscritos por um consórcio de instituições financeiras alemãs.
(38)
O HRE pagou ao Estado um prémio pela garantia de 35 mil milhões de EUR, composto por um prémio básico e por um prémio associado ao desempenho. O prémio básico correspondia a 1 % p.a. sobre a denominada «Primeira perda de montante garantido» e a 0,5 % p.a. sobre a denominada «Segunda perda de montante garantido». O prémio associado ao desempenho correspondia a 1,25 % p.a. sobre a denominada «Primeira perda de montante garantido» e a 0,25 % p.a. sobre a denominada «Segunda perda de montante garantido».
II.3.2.2. Garantias de 52 mil milhões de EUR
(39)
Entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009, o HRE recebeu garantias num montante total de 52 mil milhões de EUR do SoFFin com base no regime alemão aprovado de auxílios de emergência ao setor bancário (17).
(40)
O HRE pagou um prémio de garantia de 0,5 % pelas partes da garantia efetivamente utilizadas para cobrir obrigações e uma comissão de imobilização de 0,1 % pelas partes não utilizadas.
II.3.2.3. Garantias de oito mil milhões de EUR
(41)
Os «títulos garantidos» vencidos a 23 de dezembro de 2009 foram substituídos por uma garantia do SoFFin de oito mil milhões de EUR. A Comissão aprovou temporariamente esta garantia em 21 de dezembro de 2009.
(42)
O HRE pagou um prémio da garantia ao SoFFin correspondente a 0,5 % p.a. do montante garantido. Relativamente às partes da garantia que não foram utilizadas, foi aplicada uma comissão de imobilização de 0,1 % p.a.
II.3.2.4. Garantia de 10 mil milhões de EUR
(43)
Em 21 de dezembro de 2009, a Comissão aprovou temporariamente uma garantia do SoFFin no montante de 10 mil milhões de EUR, com uma duração máxima de um ano, com vista a cobrir as necessidades de liquidez do HRE.
(44)
O HRE pagou um prémio de garantia ao SoFFin correspondente a 0,5 % p.a. do montante garantido. Relativamente às partes da garantia que não foram utilizadas foi aplicada uma comissão de imobilização de 0,1 % p.a.
II.3.2.5. Garantia de 20 mil milhões de EUR
(45)
O HRE necessitou de uma garantia de liquidez adicional de 20 mil milhões de EUR devido a uma evolução negativa dos mercados de futuros de capital e de taxas de juros, que afetaram o HRE até à transferência dos ativos para a instituição de acantonamento, o FMS-WM. A Comissão aprovou temporariamente a garantia em 24 de setembro de 2010.
(46)
O HRE pagou um prémio de garantia de 0,8 % p.a. Relativamente à parte da garantia que não foi utilizada, foi aplicada uma comissão de imobilização de 0,1 % p.a.
II.3.2.6. Garantia no montante máximo de 20 mil milhões de EUR
(47)
Foi necessária uma garantia de liquidação no montante máximo de 20 mil milhões de EUR devido às incertezas subsistentes quanto aos procedimentos, tecnicamente complexos, de transferência de ativos para a instituição de acantonamento. A Comissão aprovou temporariamente a garantia em 24 de setembro de 2010.
(48)
O HRE pagou um prémio da garantia ao SoFFin correspondente a 0,8 % p.a. Relativamente à parte da garantia que não foi utilizada, foi aplicada uma comissão de imobilização de 0,1 % p.a.
II.3.3. Transferência de ativos para uma instituição de acantonamento
(49)
Em 10 de setembro de 2010, a Alemanha notificou igualmente a transferência de um montante nocional de cerca de 210 mil milhões de EUR em ativos e de 280 mil milhões de EUR em derivados para a instituição de acantonamento FMS-WM. O FMS-WM foi criado por decisão do Conselho de Direção de 8 de julho de 2010, ao abrigo da Finanzmarktstabilisierungsfondsgesetz alemã [Lei relativa ao Fundo de Estabilização do Mercado Financeiro] (artigo 8.o a) da FMStFG). Gere os ativos e os derivados do grupo HRE, que assumiu por não serem estratégicos ou por incluírem um risco ou ónus em termos de capital inaceitável. O FMS-WM atua de forma independente do HRE e beneficia de uma obrigação, assumida pelo SoFFin, de compensação dos seus prejuízos («Verlustausgleichspflicht»). Todavia, o FMS-WM não é titular de uma autorização bancária. Em virtude disso, diversos ativos do HRE só podiam ser transferidos sob a forma de títulos sintéticos; foram criados diversos mecanismos de «transferência» em função das circunstâncias específicas, com vista a obter um efeito semelhante a nível dos fundos próprios regulamentares para o PBB e para o grupo HRE.
(50)
A Comissão aprovou temporariamente a transferência em 24 de setembro de 2010. A medida permitiu a transferência de ativos não estratégicos e improdutivos, como títulos de dívida pública ou empréstimos imobiliários improdutivos (ou, como descrito no considerando 49, apenas a sua utilização em termos de fundos próprios regulamentares) para um veículo garantido pelo Estado, que será progressivamente liquidado ao longo de um determinado número de anos. Os ativos não estratégicos transferidos também incluíram os que não podiam ser utilizados como garantia por obrigações cobertas.
(51)
A data efetiva da transferência foi 30 de setembro de 2010. Nessa data, devido a depreciações, a carteira destinada à transferência tinha um valor contabilístico de 173 mil milhões de EUR. Em conformidade com a Comunicação da Comissão relativa ao tratamento dos ativos depreciados no setor bancário da Comunidade («Comunicação relativa aos ativos depreciados» ou «CAD») (18), a Comissão nomeou peritos externos para a ajudarem a avaliar a carteira, determinando o elemento de auxílio e apurando se e em que medida o valor da transferência foi superior ao valor económico real (VER) da carteira. Conforme estabelecido na CAD, a Alemanha também nomeou um perito externo para realizar uma avaliação independente.
(52)
A carteira incluía cerca de 30 mil milhões de EUR de créditos imobiliários a clientes comerciais, geograficamente diversificados e compostos, principalmente, por financiamentos de edifícios de escritórios e centros comerciais. Têm uma duração relativamente curta (três anos), mas são créditos de qualidade inferior.
(53)
A parte imobiliária não comercial da carteira era composta por financiamentos do setor público ou por obrigações e empréstimos a entidades públicas ou serviços públicos. A maior parte destas atividades consistia em obrigações tradicionais (obrigações do tipo «plain vanilla»), mas incluía também 31 mil milhões de EUR de «instrumentos de crédito estruturados» e outros 30 mil milhões de EUR de empréstimos ao setor público. A qualidade dos ativos nesta parte da carteira era significativamente superior à dos créditos imobiliários a clientes comerciais. Todavia, devido aos seus longos prazos de vencimento e ao facto de o diferencial no mercado do crédito ter aumentado desde a aquisição, os títulos sofreram uma desvalorização significativa em termos de preço de mercado.
(54)
Os peritos da Comissão concluíram que, contrariamente a alguns outros casos de auxílios estatais, as complexas categorias de créditos imobiliários a clientes comerciais e de ativos de crédito estruturado (compostas, principalmente, por títulos garantidos por empréstimos a estudantes, títulos garantidos por ativos do setor público e cinco mil milhões de EUR num investimento em «swap» de rendibilidade total) eram, de forma geral, seguras. Previam apenas perdas limitadas nessas categorias, ainda que superiores às estimativas dos peritos alemães, principalmente devido à valorização de obrigações de tesouraria nas estruturas Halcyon/Pegasus, bem como à base negativa e ao custo de financiamento implícito dos «swaps» de rendibilidade total. Em contrapartida, as obrigações do tipo «plain vanilla» foram transferidas no âmbito de uma troca de ativos a um nível próximo da paridade, consideravelmente acima do respetivo VER. Além disso, pertenciam a mercados que não foram particularmente depreciados, pelo que o respetivo VER deveria ser, de facto, próximo do seu valor de mercado. Assim, os peritos da Comissão concluíram que o VER referente a essa parte da carteira seria consideravelmente inferior ao valor pelo qual o HRE a transferiu para o FMS-WM.
(55)
Quanto à carteira de derivados, os peritos da Comissão concordaram em larga medida com as conclusões dos peritos alemães. Além disso, calcularam que o contravalor do risco de crédito seria ligeiramente superior ao nível apurado pelos peritos alemães e incorporaram algumas conclusões da sua amostra, bem como um encargo relativo ao risco operacional geral, decorrente dos pressupostos cautelosos devido às falhas na eficácia geral da cobertura.
(56)
O quadro que se segue resume as conclusões dos peritos da Comissão:
(em milhares de milhões de EUR)
Carteira
Valor Nocional
Valor de Transferência (VT)
Δ VER-VT
(valores da Alemanha)
Δ VER-VT
(valores dos peritos da Comissão)
Divergências
(Comissão/Alemanha)
Obrigações
83,444
93,960
-0,902
-7,590
-6,688
Crédito Estruturado
31,199
30,111
-0,765
-1,981
-1,216
Empréstimos CRE
26,312
23,874
-1,211
-2,800
-1,589
Outros Empréstimos
29,834
31,115
-0,222
-1,084
-0,862
Derivados
280,255
-13,106
-2,149/
-2,531
-2,786
-0,255
Total
451,044
165,954
-5,249/
-5,631
-16,241
-10,610
(57)
Assim, o montante do auxílio que, em consonância com a CAD, não é a priori compatível com o mercado interno (ou seja, a diferença entre o VER e o valor de transferência) situa-se, segundo os cálculos dos peritos, nos 16,2 mil milhões de EUR. É complexo estabelecer o montante total de auxílio, ou seja, a diferença entre o valor de transferência e o valor de mercado, devido à dificuldade em dispor de preços de mercado relativamente à parte de empréstimos da carteira. O pressuposto radical segundo o qual o valor de mercado da carteira de empréstimos é zero levaria a um montante total de auxílio de 90 mil milhões de EUR. Partindo do princípio de que empréstimos se negoceiam do mesmo modo que as obrigações líquidas com vencimento e qualidade de crédito semelhante, o valor total do auxílio seria de cerca de 20 mil milhões de EUR.
II.4. Descrição das razões que levaram ao início e à extensão da investigação aprofundada
(58)
Em 7 de maio de 2009, a Comissão iniciou uma investigação aprofundada às medidas de auxílio a favor do HRE, com base, principalmente, nas dúvidas sobre a sua viabilidade, nomeadamente à luz da estratégia e das necessidades de financiamento do HRE. O plano de reestruturação inicial, submetido à Comissão em 1 de abril de 2009, identificava unicamente fatores externos como razões para os problemas financeiros do HRE e tinha por objetivo uma redução do balanço de apenas 25 %, o que significava que o volume de refinanciamento se manteria elevado. O HRE planeava reduzir o balanço do grupo através da venda de ativos no mercado e não através da sua transferência para uma instituição de acantonamento. Uma das principais áreas de atividades descritas no plano de reestruturação eram as atividades de financiamento público que geravam margens baixas e o plano incluía informações escassas sobre questões vitais para o processo de reestruturação, como a alteração e a integração dos sistemas de TI. Nessa fase, a Comissão tinha também dúvidas sobre a existência de medidas suficientes para limitar as distorções de concorrência e em termos de repartição de encargos.
(59)
A investigação aprofundada foi alargada em 13 de novembro de 2009 porque:
a)
As medidas de auxílio estatal adicionais a favor do HRE, sob a forma de uma injeção de capital de 2,96 mil milhões de EUR (ver considerando 30), de uma injeção de capital de três mil milhões de EUR (ver considerandos 31 e 32), de uma garantia de oito mil milhões de EUR (ver considerandos 41 e 42), de uma garantia de 10 mil milhões de EUR (ver considerandos 43 e 44) e de uma garantia de dois mil milhões de EUR (19) destinadas ao refinanciamento de uma eventual solução de liquidação, e as injeções de capital num montante total de quatro mil milhões de EUR (estruturadas da seguinte forma: a injeção de capital de 1,85 mil milhões de EUR referida nos pontos 33 e 34 e a injeção de capital de 2,08 mil milhões de EUR analisada no considerando 35) tinham de ser cobertas; e
b)
A Comissão tinha dúvidas quanto ao facto de as medidas de reestruturação serem compatíveis com a Comunicação da Comissão sobre o regresso à viabilidade e avaliação, em conformidade com as regras em matéria de auxílios estatais, das medidas de reestruturação tomadas no setor financeiro no contexto da atual crise (20) (Comunicação relativa à Reestruturação).
(60)
Em 24 de setembro de 2010, a investigação aprofundada voltou a ser alargada porque:
a)
As medidas de auxílio estatal adicionais a favor do HRE, nomeadamente uma garantia de 20 mil milhões de EUR (ver considerandos 45 e 46), uma nova garantia no montante máximo de 20 mil milhões de EUR (ver considerandos 47 e 48) e a transferência de ativos para uma instituição de acantonamento (ver considerandos 49 a 57) tinham de ser cobertas; e
b)
A Comissão tinha dúvidas quanto à compatibilidade da medida de apoio aos ativos depreciados com a CAD, em particular no que respeita à transparência, valorização, repartição de encargos e remuneração, e salientou que o plano de reestruturação apresentava falhas relativamente à demonstração do restabelecimento da viabilidade, de uma repartição de encargos adequada e de uma correta minimização das distorções da concorrência.
II.5. Principais características do plano de reestruturação
(61)
Em 1 de abril de 2009, a Alemanha notificou uma primeira versão de um plano de reestruturação para o HRE e, após várias alterações, submeteu a versão final do plano em 14 de junho de 2011. Salvo se especificado em contrário, todas as referências ao plano de reestruturação doravante incluídas na presente decisão são referências à versão final de 14 de junho de 2011.
(62)
De acordo com o plano de reestruturação, o HRE - uma vez liberto do seu legado de ativos depreciados num valor nominal de 210 mil milhões de EUR através da sua transferência para a instituição de acantonamento FMS-WM - irá reestruturar as suas atividades comerciais de modo a que o respetivo banco principal, o PBB, possa desenvolver as suas atividades com base numa abordagem estável de financiamento e em sistemas de controlo internos melhorados. As suas atividades futuras serão de muito menor escala do que antes da crise, independentemente de serem avaliadas em termos do total do balanço, volume de novas atividades, efetivos, rede de balcões ou âmbito geográfico.
(63)
Em comparação com a situação anterior à crise, o total do balanço estratégico do PBB no final de 2011 - corrigido no que se refere a rubricas em liquidação ou que tenham sido transferidas sob a forma de títulos sintéticos para o FMS-WM - representa aproximadamente 15 % do balanço do HRE. As novas atividades em matéria de crédito imobiliário irão, por exemplo, ser reduzidas para aproximadamente 30 % do nível anterior à crise (as novas atividades do HRE em matéria de crédito imobiliário a clientes comerciais ascendiam a 32,1 mil milhões de EUR em 2007). Os efetivos foram reduzidos em aproximadamente 30 % e todos os membros executivos do Conselho de Administração do HRE em funções antes da crise foram substituídos. Mais de 30 participações, um terço das quais fora da Europa, foram já alienadas ou liquidadas ou estão em processo de liquidação. Perto de 26 dos 32 balcões foram encerrados. Além disso, foi lançado um projeto de transformação plurianual a nível de todo o grupo, denominado «Nova Evolução», com um orçamento de aproximadamente 180 milhões de EUR com vista a melhorar e a integrar os sistemas de TI.
(64)
O PBB prosseguirá dois ramos estratégicos de atividade, o crédito imobiliário e o financiamento do investimento público. Ambos os ramos de atividade visam ativos elegíveis para as obrigações garantidas alemãs, quer sob a forma de obrigações hipotecárias («Hypothekenpfandbriefe») do Estado alemão, quer sob a forma de obrigações do setor público («öffentliche Pfandbriefe»). As restantes atividades, nomeadamente as atividades de financiamento público, financiamento de infraestruturas e atividades de mercados de capital e gestão de ativos, cessarão.
(65)
As medidas relativas às duas outras filiais do HRE Holding são as seguintes: o DEPFA Bank plc é colocado em liquidação com efeitos a partir da data de notificação da presente decisão e não pode gerar novas atividades. O mesmo se aplica às suas filiais. O HRE Finance está em liquidação e também não pode realizar novas atividades.
(66)
A Alemanha argumenta que a decisão fundamental no sentido de seguir uma estratégia comercial mais conservadora e de centrar as atividades em obrigações garantidas alemãs como fonte principal de refinanciamento garante uma melhoria qualitativa das atividades de concessão de empréstimos, porque ficam sujeitas ao quadro jurídico da Pfandbriefgesetz alemã [Lei Pfandbrief], que estabelece requisitos específicos quanto à gestão, acompanhamento e controlo de riscos e que prevê medidas de proteção, como o limite do rácio entre o montante do empréstimo e o da garantia. Esta estratégia de financiamento reduz consideravelmente a anterior dependência do HRE face ao mercado monetário interbancário, que no futuro só será necessário para o período intercalar que antecede a emissão de obrigações garantidas.
III. OBSERVAÇÕES DAS PARTES INTERESSADAS
(67)
A Comissão recebeu observações de partes interessadas, que podem ser resumidas da seguinte forma:
a)
Resumo das observações do Verband Deutscher Pfandbriefbanken (vdp) (novembro de 2009):
-
o vdp está convicto de que um modelo de negócios alinhado com as atividades elegíveis ao abrigo da Lei Pfandbrief é promissor e suscetível de assegurar a viabilidade e a rendibilidade a longo prazo de um banco sem garantias estatais;
b)
Resumo das observações do Heisse Kursawe Eversheds (novembro de 2009):
-
o Heisse Kursawe Eversheds considera que o auxílio estatal viola os direitos de determinados acionistas, que a planeada aquisição da totalidade das ações do HRE pelo SoFFin através da exclusão dos acionistas minoritários (aquisição potestativa) constitui um auxílio estatal adicional, que a aquisição potestativa não é um auxílio adequado e que constitui uma infração ao princípio da livre circulação de capitais;
c)
Resumo das observações do Heisse Kursawe Eversheds (fevereiro de 2010):
-
nas suas observações complementares, o Heisse Kursawe Eversheds considera que a exclusão dos acionistas minoritários do HRE (aquisição potestativa) constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o et seq. do TFUE, que este auxílio estatal viola a liberdade de circulação de capitais e que o auxílio estatal a favor do HRE só pode ser autorizado se o HRE prosseguir as suas atividades com base num plano de reestruturação sustentável;
d)
Resumo das observações de Bohdan Kalwarowskyj (fevereiro de 2010):
-
o Sr. Kalwarowskyj considera que, com base nos documentos de avaliação do HRE apresentados no contexto da aquisição potestativa em 5 de outubro de 2009, é evidente que o HRE será viável e rentável e que o SoFFin, em cooperação com o HRE, visa manipular o valor da empresa no sentido da baixa.
IV. COMENTÁRIOS DA ALEMANHA RELATIVAMENTE ÀS OBSERVAÇÕES DAS PARTES INTERESSADAS
(68)
Em 24 de março de 2010, a Comissão recebeu os comentários da Alemanha relativamente às observações das partes interessadas:
a)
Resumo das observações relativas ao Verband deutscher Pfandbriefbanken (vdp):
-
segundo a Alemanha, as observações do VDP confirmam que o plano de modelo de negócios do HRE se baseia em pressupostos plausíveis.
b)
Resumo das observações relativas ao Heisse Kursawe Eversheds:
-
a Alemanha considera que a aquisição potestativa não constitui um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE. Como a aquisição potestativa não constitui um auxílio estatal, a questão relativa à existência de uma violação do princípio da livre circulação de capitais (o que não é o caso na opinião da Alemanha) não é relevante para efeitos da investigação aprofundada em causa.
c)
Resumo das observações relativas a Bohdan Kalwarowskyj:
-
a Alemanha concorda com o Sr. Kalwarowskyj quanto ao facto de, com base nas medidas de reestruturação planeadas, a viabilidade a longo prazo do HRE ser assegurada.
V. POSIÇÃO DA ALEMANHA
(69)
A Alemanha concorda com o facto de as medidas constituírem um auxílio estatal na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.
(70)
Em 15 de junho de 2011, a Alemanha propôs uma série de compromissos (21) destinados a assegurar que o modelo de negócios definido no plano de reestruturação será posto em prática, que será alcançada uma partilha de encargos adequada e que as distorções de concorrência serão limitadas ao mínimo necessário. Estes compromissos podem ser resumidos como segue:
a) Implementação do plano de reestruturação e dos compromissos: a Alemanha assegurará que o plano de reestruturação, conforme definido na versão final, e os compromissos são totalmente implementados;
b) Duração dos compromissos: em princípio, os compromissos são válidos até ao fim do período de reestruturação, ou seja, 31 de dezembro de 2015. Todavia, os compromissos relativos ao DEPFA Bank plc e respetivas filiais terminarão, em princípio, assim que o DEPFA Bank plc for reprivatizado, se tal ocorrer antes dessa data. Neste caso, a Alemanha notificaria antecipadamente a Comissão da venda e esta não seria concluída sem a aprovação da Comissão se viesse a ocorrer antes de 31 de dezembro de 2013. Os compromissos referentes ao PBB terminarão logo que o PBB seja reprivatizado, mas, de qualquer forma, nunca antes de 31 de dezembro de 2013;
c) Ramos de atividade: a Alemanha assegurará que só o PBB desenvolverá novas atividades e que o fará apenas em dois ramos de atividade, crédito imobiliário e financiamento do investimento público. Os restantes ramos de atividades cessarão (a carteira de financiamento público mantém-se no balanço do PBB, mas em liquidação) e todas as outras entidades do grupo HRE cessarão as suas atividades comerciais;
d) Reprivatização do PBB: a Alemanha irá reprivatizar o PBB tão cedo quanto possível e, o mais tardar, até 31 de dezembro de 2015;
e) Restrição do crescimento do PBB: a Alemanha assegurará que as taxas de crescimento do PBB se mantêm dentro de limites definidos, medidos em termos do valor do balanço bem como do volume de novas atividades;
f) Instituição de acantonamento: a Alemanha assegura que, após 30 de setembro de 2013, o PBB não fornecerá nem serviços de gestão de ativos nem serviços de refinanciamento à instituição de acantonamento FMS-WM e que, de um ponto de vista organizacional, esses serviços podem ser assumidos por terceiros;
g) Presença no mercado: a Alemanha assegurará que o PBB só adquire novas atividades nos mercados geográficos que se seguem:
i)crédito imobiliário:
-
mercados principais (22): Alemanha, Reino Unido, França e Espanha,
-
mercados adicionais: Suécia, Polónia, República Checa, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Áustria, Suíça, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Eslováquia e Hungria,
ii)financiamento do investimento público:
-
mercados principais: Alemanha, França, Espanha e Itália,
-
mercados adicionais: Suíça, Áustria, Polónia, Hungria, República Checa, Eslováquia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo e Reino Unido;
h) Remuneração pela utilização da instituição de acantonamento: a Alemanha assegurará que o HRE, dentro dos limites das suas capacidades, paga uma remuneração adequada pela utilização da instituição de acantonamento FMS-WM. Especificamente, a Alemanha assegurará que o Bundesanstalt für Finanzmarktstabilisierung («FMSA») ordene ao HRE que pague um montante de 1,59 mil milhões de EUR ao FMS-WM diretamente ou através das suas filiais. As filiais do HRE que transfiram ativos para a instituição de acantonamento e que tenham um rácio de capital de base superior a 15 % são, em princípio, responsáveis por este pagamento. O PBB retém e acumula lucros com vista a reembolsar a participação passiva;
i) Restrições relativas ao pagamento de cupões e à distribuição de lucros: a Alemanha assegurará que o HRE e as suas filiais se abstêm, dentro dos limites legais, de realizar pagamentos de cupões e tomar outras medidas de distribuição de lucros;
j) Restrições relativas a reembolsos: a Alemanha assegurará que o HRE e as suas filiais se abstêm de reembolsar instrumentos financeiros existentes;
k) Proibição de aquisição: a Alemanha assegurará que o HRE e as suas filiais não adquirem outras atividades durante o período de reestruturação;
l) Compromissos relativos às tecnologias de informação do HRE/PBB: a Alemanha assegurará que o projeto concebido para melhorar os sistemas de TI do banco é totalmente implementado;
m) Compromisso relativo à rendibilidade do capital ajustada pelo risco: a Alemanha assegurará que no âmbito das novas atividades estratégicas do PBB não são emitidos novos empréstimos com uma rendibilidade do capital ajustada pelo risco inferior a 10 % numa base de transação a transação.
n) Administrador: a Alemanha assegurará que o plano de reestruturação e todos os compromissos serão corretamente aplicados e que tal aplicação será constantemente supervisionada por um administrador suficientemente qualificado.
VI. APRECIAÇÃO DOS AUXÍLIOS
VI.1. Existência de auxílio estatal nos termos do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE e potenciais beneficiários
(71)
As várias medidas em causa foram concedidas diretamente pela Alemanha ou pelo SoFFin, uma entidade constituída e controlada pelo Governo alemão e, por conseguinte, envolvem recursos do Estado. As medidas conferem uma vantagem seletiva ao HRE ao permitirem que este obtenha novo capital e garantias e que beneficie de medidas de apoio aos ativos depreciados em condições mais favoráveis do que as normalmente encontradas no mercado. O HRE é um banco ativo a nível internacional, que concorre com outros bancos na Alemanha e noutros países. Por conseguinte, e pelas mesmas razões que as já delineadas nas decisões anteriores da Comissão relativamente ao HRE (23), as medidas constituem um auxílio estatal nos termos do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.
(72)
No grupo HRE, só o PBB (e respetivas filiais) desenvolve novas atividades económicas e está, como tal, ativo nos mercados. Assim, o PBB pode ser considerado como a entidade que prossegue as atividades do antigo HRE (ainda que de forma limitada conforme explicado no considerando 63). As restantes entidades do grupo HRE (ou seja, o DEPFA Bank plc e respetivas filiais e HRE Finance i.L.) estão em modo de liquidação e as respetivas atividades estão limitadas ao necessário para permitir uma liquidação ordenada, mas não geram novos negócios.
(73)
O objetivo e o efeito finais de todas as medidas de auxílio (independentemente de terem sido formalmente concedidas ao HRE, HRE Holding, PBB ou DEPFA Bank plc) consistem em permitir que o PBB permaneça ativo nos mercados. Deste modo, é a continuação da existência do PBB nos mercados que provoca a distorção da concorrência. O DEPFA Bank plc (tal como o FMS-WM) pode ser meramente considerado como uma instituição de acantonamento para ativos que, por diversas razões, não foram transferidos para o FMS-WM (o «mau banco»). Irá realizar os seus ativos à medida que vão vencendo ou através da sua venda no mercado, mas não produzirá novos negócios a partir da data de notificação da presente decisão (24).
(74)
Tendo em conta o facto de o PBB ser a continuação económica do HRE e, em consonância com a prática decisória da Comissão (25), o PBB ser considerado o beneficiário do auxílio, a apreciação que se segue relativa à compatibilidade do auxílio irá centrar-se no PBB.
(75)
No que respeita à opinião manifestada pelo Heisse Kursawe Eversheds, segundo a qual a aquisição potestativa constitui um auxílio estatal, a Comissão faz notar que, embora as injeções de capital no HRE constituam um auxílio estatal, a aquisição potestativa a acionistas minoritários (ou seja, a aquisição das respetivas ações contra pagamento a estes acionistas) não contém, em si própria, elementos de auxílio estatal, porque não fornece ao banco uma vantagem decorrente de recursos estatais. A aquisição potestativa envolveu um pagamento do Estado aos acionistas minoritários, mas não teve qualquer efeito económico sobre o HRE. Na perspetiva do HRE, só a sua estrutura de propriedade mudou. Em virtude disso, a questão de saber se a aquisição potestativa infringe as disposições do Tratado relativas à livre circulação de capitais não necessita de ser apreciada no âmbito da presente decisão.
VI.2. Compatibilidade do auxílio com o mercado interno
VI.2.1. Aplicação do artigo 107.o, n.o 3, alínea b), do TFUE
(76)
Nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea b), do TFUE, pode considerar-se que um auxílio é compatível com o mercado interno se sanar uma perturbação grave da economia de um Estado-Membro. Visto que o colapso de um banco sistemicamente importante é suscetível de afetar diretamente os mercados financeiros e indiretamente toda a economia de um Estado-Membro, a Comissão baseia atualmente, à luz da persistente situação de fragilidade nos mercados financeiros, as suas apreciações relativas às medidas de auxílio estatal no setor bancário concedidas ao abrigo da legislação em matéria de auxílios estatais nessa disposição do Tratado.
(77)
A Comissão não tem razões para duvidar da classificação que a Alemanha atribuiu ao HRE como banco sistemicamente importante, nomeadamente à luz da posição que ocupava anteriormente no mercado alemão das obrigações Pfandbrief, do valor original do balanço do HRE e do montante de derivados anteriormente detidos pelo HRE.
(78)
A Comissão observa que o HRE recebeu auxílios de emergência que a Comissão considerou compatíveis com o mercado interno; todavia, estes auxílios terão de ser agora apreciados a fim de determinar se podem ser considerados auxílios à reestruturação compatíveis com o mercado interno. Por conseguinte, a Comissão deve agora apreciar a compatibilidade dessas medidas e de todas as outras medidas de reestruturação, ou seja, as garantias no montante de 52 mil milhões de EUR e a injeção de capital no montante de 2,08 mil milhões de EUR, com base na Comunicação relativa aos Ativos Depreciados e na Comunicação relativa à Reestruturação.
VI.2.2. Apreciação com base na Comunicação relativa aos Ativos Depreciados (CAD)
(79)
Qualquer transferência de ativos para uma instituição de acantonamento deve decorrer em conformidade com a CAD. Além disso, a Comunicação relativa à Reestruturação afirma claramente que uma remuneração adequada de qualquer intervenção estatal constitui uma das limitações mais adequadas às distorções de concorrência, dado que limita o montante do auxílio estatal. Pode ser igualmente exigida uma limitação da expansão do banco em determinadas atividades ou áreas geográficas, por exemplo, através de medidas corretivas orientadas para o mercado, como requisitos específicos de capital, nos casos em que as restrições diretas à expansão enfraqueçam o mercado ou para limitar o risco moral.
(80)
Quanto à elegibilidade dos ativos a transferir, o ponto 34 da CAD reconhece a necessidade de uma abordagem pragmática e flexível no que se refere à seleção dos tipos de ativos para beneficiarem de medidas de apoio aos ativos depreciados. A Comissão aplicou esta flexibilidade noutros casos de auxílios estatais e aceitou a transferência de ativos que, em rigor, não estavam sob pressão, mas que não eram estratégicos tendo em conta as profundas alterações no modelo de negócios do banco em questão.
(81)
Conforme definido no ponto 46 da CAD, para facilitar a concentração das atividades do banco no restabelecimento da viabilidade e para evitar eventuais conflitos de interesses, é necessário garantir uma separação funcional e organizativa clara entre o banco beneficiário e os seus ativos depreciados. A Comissão compreende que quando a instituição de acantonamento foi criada não foi possível, nomeadamente por questões técnicas, cortar imediatamente os laços entre o PBB e o FMS-WM. Todavia, esta situação tem de ser solucionada o mais rapidamente possível. Assim, a Alemanha assumiu um compromisso no sentido de o PBB estabelecer uma independência organizativa completa dos serviços conexos e deixar de os fornecer ao FMS-WM após 30 de setembro de 2013.
(82)
No que respeita à avaliação e à partilha de encargos, o ponto 21 da CAD salienta que uma remuneração correta é um elemento do requisito de repartição de encargos. A Comissão irá assegurar que, como referido no anexo IV da CAD, a fixação de preços para efeitos do apoio aos ativos depreciados inclui uma remuneração do Estado que tome em consideração, de forma adequada, os riscos de perdas futuras que ultrapassem as projetadas no cálculo do VER. De acordo com a prática decisória da Comissão sobre as medidas de apoio aos ativos depreciados (26), a apreciação da remuneração necessária das medidas de apoio aos ativos depreciados terá por base uma transferência pelo VER, mesmo que este seja inferior ao valor da transferência.
(83)
O ponto 41 da CAD estabelece que o valor de transferência deve corresponder ao VER. Quando um Estado-Membro considerar necessário - nomeadamente para evitar a insolvência técnica - utilizar um valor de transferência dos ativos superior ao VER, tal só pode ser aceite se for acompanhado de uma reestruturação profunda e da introdução de condições que permitam a recuperação do auxílio adicional numa fase posterior, por exemplo, através de cláusulas de reembolso.
(84)
Com base no atrás exposto, a Comissão conclui que a diferença entre o VER e o valor da transferência, que será recuperada numa fase posterior e que foi estabelecida com a ajuda de peritos independentes da Comissão, se eleva a 16,2 mil milhões de EUR e implica uma reestruturação particularmente aprofundada e uma redução da dimensão do banco. Não é necessária uma remuneração adicional, nos termos do ponto 21 da CAD, porque, depois de uma dedução de capital a priori no montante de 16,2 mil milhões de EUR, a medida não acarreta nenhum outro efeito de apoio aos ativos depreciados (27).
(85)
A Comissão observa que a Alemanha não previu expressamente uma recuperação deste montante. Todavia, introduziu disposições que permitem a recuperação na medida do possível. Trata-se das seguintes medidas:
a)
Um pagamento condicional de 1,59 mil milhões de EUR a efetuar pelo HRE à instituição de acantonamento;
b)
A utilização, por parte do PBB, dos lucros retidos para reembolsar a participação passiva da República Federal da Alemanha;
c)
Depois do pagamento integral de 1,59 mil milhões de EUR, o subgrupo DEPFA Bank plc (ou seja, a empresa-mãe e todas as filiais) deve pagar à Alemanha uma remuneração adequada pelo auxílio estatal;
d)
Embora o HRE tenha sido nacionalizado, a Alemanha planeia reprivatizar o PBB, o que significa que a Alemanha receberá os proveitos de uma reprivatização subsequente. Uma vez que o Estado passou a deter o banco e planeia agora reprivatizá-lo, também pode argumentar-se que o Estado tentará recuperar o máximo possível da sua contribuição e que os antigos acionistas contribuíram de forma adequada.
Ademais, a reestruturação proposta é profunda e inclui uma redução significativa do banco principal «bom», para aproximadamente 15 % da dimensão do HRE no final de 2008. Juntamente com os compromissos em matéria de restrição ao crescimento, das limitações relativas ao leque de produtos, de governo da sociedade e de reprivatização através de concurso público, pode considerar-se que o pacote completo de reestruturação é suficientemente profundo, na aceção da CAD.
(86)
A Comissão observa, também, que as dúvidas que tinha levantado quanto à vontade e capacidade da Alemanha e do HRE de garantirem uma transparência e divulgação completas ex ante das imparidades foram dissipadas pelos dados exaustivos fornecidos por uma equipa criada para o efeito no banco. Além disso, parcialmente a pedido da Comissão, o HRE submeteu os seus dados a uma auditoria em matéria de coerência e qualidade, o que facilitou a apreciação final por parte dos peritos da Comissão. Por outro lado, a Alemanha e o PBB comprometeram-se a introduzir profundas melhorias a nível dos sistemas de gestão de risco e de relato, com vista a dar resposta às preocupações da Comissão quanto a potenciais futuras lacunas nos sistemas de gestão da informação.
VI.2.3. Compatibilidade com a Comunicação sobre a Reestruturação
(87)
A Comunicação sobre a Reestruturação define as regras em matéria de auxílios estatais aplicáveis à reestruturação de instituições financeiras no contexto da atual crise. De acordo com a Comunicação sobre a Reestruturação, para ser compatível com o mercado interno nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea b), do TFUE, a reestruturação de uma instituição financeira no contexto da atual crise financeira deve levar ao restabelecimento da viabilidade a longo prazo do banco, incluir uma contribuição própria suficiente por parte do beneficiário (repartição de encargos) e conter medidas suficientes para limitar as distorções da concorrência (28).
(88)
O montante de injeções de capital já concedido, o montante de injeções de capital ainda previsto e o montante de auxílio estatal resultante da transferência de ativos representam, no seu conjunto, mais de 20 % dos ativos ponderados pelo risco do HRE antes da crise.
VI.2.3.1. Restabelecimento da viabilidade do PBB a longo prazo
(89)
Em conformidade com a secção 2 da Comunicação sobre a Reestruturação, a Alemanha apresentou um plano de reestruturação abrangente e detalhado que identifica as causas das dificuldades financeiras com as quais o HRE se debate e fornece informações pormenorizadas sobre o modelo de negócios.
(90)
O plano de reestruturação e a informações complementares fornecidos pela Alemanha demonstram que as dificuldades do HRE se deviam principalmente:
a)
Ao estatuto do HRE e, em especial, da sua filial DEPFA Bank plc, como banco exclusivamente financiado a nível grossista sem qualquer financiamento decorrente de uma franquia, pelo que estava altamente dependente da solidez do mercado monetário interbancário, que temporariamente chegou a uma situação de total paralisia após o colapso do Lehman Brothers;
b)
A um problema herdado de ativos que não tinham uma rendibilidade adequada do investimento se o respetivo perfil de risco real fosse tido em consideração; e
c)
Ao facto de o HRE ser o resultado de uma fusão entre vários bancos mais pequenos com diferentes aplicações de TI que não tinham sido integradas num sistema de gestão de risco abrangente e coordenado.
(91)
Conforme acima referido, a reestruturação e as medidas planeadas, relacionadas principalmente com o financiamento do banco e com os sistemas de controlo interno, visam assegurar que os problemas de liquidez que colocaram o banco à beira da insolvência não se repetem. O plano de reestruturação aborda as principais preocupações de forma muito específica ao centrar-se num conceito de financiamento mais estável e baseado em obrigações Pfandbrief, ao reduzir consideravelmente a anterior dependência do mercado monetário interbancário, ao melhorar e integrar os sistemas de TI e ao reduzir o âmbito geográfico, a rede de balcões e a dimensão absoluta das atividades. A cessação de outras atividades e o seu tratamento como uma carteira em liquidação no balanço do PBB constituem um complemento lógico deste conceito.
(92)
Consequentemente, os dois ramos de atividade remanescentes do PBB só terão por objetivo ativos elegíveis para as obrigações garantidas alemãs, quer sob a forma de obrigações hipotecárias («Hypothekenpfandbriefe») quer sob a forma de obrigações emitidas por entidades de direito público («öffentliche Pfandbriefe»). O argumento segundo o qual uma estratégia comercial mais conservadora deste tipo levaria a uma melhoria qualitativa das atividades de concessão de empréstimos é credível, particularmente à luz dos requisitos específicos da Lei alemã Pfandbrief sobre a gestão, acompanhamento e controlo de riscos e respetivas medidas de proteção, como os limites do rácio entre o montante do empréstimo e o valor garantido.
(93)
No ponto 92 da decisão de alargamento de 24 de setembro de 2010 (ver considerando 15 da presente decisão), a Comissão manifestou dúvidas quanto ao facto de o banco conseguir atingir margens suficientes com as suas atividades futuras, nomeadamente as respeitantes ao financiamento do setor público, que se caracteriza por baixas margens. Algumas das antigas atividades de financiamento do setor público, nomeadamente as atividades de financiamento do investimento público, devem prosseguir. Todavia, as atividades de financiamento do investimento público só envolverão o financiamento de produtos associados a investimentos de clientes do setor público. Assim, podem ser distinguidas das atividades de financiamento público, ou seja, financiamento sem compromissos das autoridades públicas, que se caracteriza por margens particularmente baixas. No novo modelo de negócios, é posto termo às atividades de financiamento público com margens baixas (equivalem a aproximadamente 75 % das antigas atividades de financiamento do setor público) e a carteira daí resultante é colocada em liquidação no balanço do PBB, a fim de reduzir as preocupações da Comissão. Além disso, o compromisso da Alemanha no sentido de assegurar que o PBB, nas suas novas atividades estratégicas, não concederá novos empréstimos que tenham uma rendibilidade do capital ajustada pelo risco inferior a 10 % numa base de transação única contribui para reduzir tais preocupações.
(94)
A Comissão salienta, também, que a manutenção do financiamento ao investimento público como um segundo ramo de atividades do PBB minimiza os receios dos intervenientes no mercado e das agências de notação de risco sobre a falta de diversificação por parte dos bancos que restringem as suas atividades a um único ramo (conhecidos como «bancos monolinha») e que, como tal, estão demasiado dependentes de uma única área de atividades. A manutenção de dois ramos de atividades, com ciclos potencialmente diferentes, permite ao PBB assegurar receitas mais estáveis e previsíveis e alcançar a visibilidade exigida entre os investidores institucionais.
(95)
O plano de reestruturação dará origem a uma estrutura organizacional mais clara, dado que cessarão as atividades secundárias, como as atividades de mercados de capitais e de gestão de ativos, e a rede de balcões será consideravelmente reduzida. Um número significativo de balcões foi já encerrado; de acordo com o modelo de negócios mais pormenorizado e regional, quatro desses balcões (Berlim, Hamburgo, área de Rhine/Ruhr e Estocolmo) serão reabertos.
(96)
O plano de reestruturação assegura que o PBB não aumentará indevidamente a sua presença nos mercados. As novas atividades de concessão de empréstimos estarão limitadas em ambos os ramos de atividade. Nos respetivos mercados principais, o PBB tem por objetivo quotas de mercado de 1 % a 2 % para as suas atividades de financiamento ao investimento público e de 2 % a 6 % para as suas atividades de crédito imobiliário.
(97)
A Comissão salienta que o banco começou a abordar a situação do seu sistema de TI, que inicialmente era bastante heterogéneo e apresentava graves deficiências, especialmente no que respeita à funcionalidade e às aplicações de gestão de risco. Em 2009, o HRE concebeu um projeto plurianual a nível de todo o grupo, denominado «Nova Evolução», com um orçamento de aproximadamente 180 milhões de EUR com vista a transformar a infraestrutura de TI. O projeto irá implantar várias melhorias no sistema em seis versões consecutivas. O projeto abrange, inter alia, melhorias operacionais, como a consolidação dos sistemas de gestão de crédito, melhorias do sistema de TI relacionadas com a gestão de risco no que respeita ao crédito, mercado e liquidez, a normalização dos sistemas «front office» e melhorias do rigor, pormenor e qualidade das informações e dados. As informações fornecidas sobre o teor e os progressos realizados a nível do processo de transformação das TI sugerem que os problemas iniciais foram adequadamente abordados e podem ser resolvidos na medida do necessário durante o período de reestruturação do PBB. Na opinião da Comissão, o futuro sistema de TI será uma plataforma funcional e eficiente para uma gestão do risco atempada e prudente, adequada aos processos empresariais. A sua implementação integral é, portanto, crucial.
(98)
A liquidez, a solvência e a rendibilidade do PBB (29) são consideradas como os principais indicadores de viabilidade do banco, avaliadas tanto no âmbito de um cenário de base como no âmbito de um cenário de crise (30).
(99)
Nos termos do plano de reestruturação, o PBB deixa de beneficiar de garantias estatais para se refinanciar. O PBB mantém-se, contudo, como uma instituição financiada a nível grossista sem qualquer financiamento através de franquia. Esta situação é minimizada pela estratégia do PBB no sentido de reduzir significativamente o montante de financiamento não garantido necessário e de, em vez disso, emitir obrigações garantidas, consideradas uma fonte mais estável de financiamento.
(100)
Uma vez que uma grave escassez de liquidez foi uma das principais causas dos problemas do HRE que, em última análise, levaram à necessidade de apoio estatal, o plano de reestruturação prevê reservas de tesouraria e de liquidez adequadas, tendo em consideração quaisquer efeitos que possam resultar dos requisitos de Basileia III. A reserva atingirá o seu valor máximo no início do período de reestruturação e diminuirá gradualmente ao longo do tempo. No cenário de base, a reserva de tesouraria e liquidez será de aproximadamente [12-17] % do balanço do PBB no final de 2011 e atingirá um nível de aproximadamente [7-17] % até ao final de 2015. No cenário de crise, a reserva de tesouraria e liquidez será superior a [7-10] % do balanço do PBB no final de 2011 e atingirá um nível de aproximadamente [7-10] % até ao final de 2015. Na opinião da Comissão, a situação de liquidez parece ser adequada tanto num cenário de base como num cenário de crise.
(101)
Com um rácio de capital Tier 1 (calculado com base na abordagem de notações internas de Basileia II) projetado em 12,9 % no final de 2011 no cenário de base ou de 10,5 % no cenário de crise, o PBB está suficientemente capitalizado e cumprirá os requisitos de capital mínimo durante o período de reestruturação. De acordo com os pressupostos utilizados no plano de reestruturação, o rácio de capital Tier 1 no final de 2015 será de 12,4 % no cenário de base ou de 11,3 % no cenário de crise. Todavia, a diminuição no rácio de capital Tier 1 no cenário de base deve-se, principalmente, ao aumento programado dos ativos ponderados pelo risco resultantes do crescimento planeado e não a perdas (no cenário de base, o PBB apresenta resultados líquidos depois dos impostos positivos entre 2011 e 2015; só no cenário de crise é que o PBB não registaria uma situação de equilíbrio depois de impostos em 2011 e 2012).
(102)
Espera-se que a rendibilidade do PBB melhore ao longo do período de reestruturação. De acordo com o plano de reestruturação, no cenário de base, o lucro líquido depois de impostos do PBB ascenderá a [110-150] milhões de EUR em 2011 e a [280-320] milhões de EUR em 2015. Em 2011, este resultado corresponderá a uma rendibilidade do capital (depois de impostos) de apenas [3-6] %, mas no final do período de reestruturação, em 2015, corresponderá a uma rendibilidade do capital (depois de impostos) de [8-11] %. O objetivo em termos de rendibilidade no cenário de base pode, portanto, ser considerado satisfatório para um banco que prossiga as atividades definidas no plano de reestruturação, tanto do ponto de vista da viabilidade como à luz da planeada reprivatização do PBB. De acordo com a Alemanha, os lucros líquidos depois de impostos do PBB serão compensados pelas perdas de anos anteriores. Face aos prejuízos reportados, tal significa que o PBB irá registar perdas no balanço («Bilanzverluste») até 201[…], mas não em 201[…], no contexto do reembolso da participação passiva.
(103)
Quadro 1: Previsão de ganhos e perdas do PBB, Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) (cenário de base), de acordo com o plano de reestruturação
2011
2012
2013
2014
2015
Margem líquida de juros e receitas semelhantes
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Rendimento líquido de comissões
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Receitas de exploração
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Provisões para perdas com empréstimos
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Despesas administrativas
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Saldo de outras receitas/despesas
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Ganhos/perdas antes de impostos
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Impostos
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Ganhos/perdas depois de impostos
milhões de EUR
[110-150]
[140-160]
[170-220]
[240-270]
[280-320]
(104)
Ao avaliar os principais motores de rendibilidade do PBB, podem ser identificadas duas fontes: em primeiro lugar, as receitas do PBB decorrentes das suas atividades comerciais irão aumentar; e, em segundo lugar, os custos de exploração irão diminuir.
(105)
No que respeita ao aumento das receitas, o plano de reestruturação assume que as margens médias sobre os empréstimos podem ser melhoradas, particularmente através da subscrição de novas atividades mais rentáveis. No que respeita ao ramo de atividade do crédito imobiliário, parte-se do pressuposto de que as margens líquidas calculadas para as carteiras atuais podem melhorar de [80-100] pontos de base para [105-120] pontos de base em 2011, [105-110] pontos de base em 2012 e [95-100] pontos de base daí em diante. O ramo de atividades do financiamento do investimento público irá gerar uma margem líquida de [27-35] pontos de base durante todo o período de reestruturação, o que representa uma considerável melhoria face às margens líquidas de [6-12] pontos de base calculadas para a atual carteira das atividades de financiamento do setor público (31). Esta melhoria fica a dever-se, em larga medida, ao termo das atividades de financiamento público, caracterizadas por margens particularmente baixas.
(106)
Dada a importância de garantir margens suficientemente elevadas, o compromisso da Alemanha segundo o qual, nas suas novas atividades estratégicas, o PBB não concederá novos empréstimos com uma rendibilidade do capital ajustada pelo risco inferior a 10 % numa base de transação a transação é adequado e necessário.
(107)
Em 2011 e 2012, as remunerações decorrentes dos serviços de gestão de ativos fornecidos em nome do FMS-WM (o «mau banco» do HRE) representam uma importante fonte de rendimento para o PBB. Conforme definido na CAD, para permitir que o banco centre as suas atividades no restabelecimento da viabilidade e para evitar eventuais conflitos de interesses, é necessário assegurar uma clara separação funcional e organizativa entre o banco beneficiário e os seus ativos depreciados. A Comissão compreende que quando a instituição de acantonamento foi criada não foi possível, nomeadamente por questões técnicas, cortar imediatamente os laços entre o PBB e o FMS-WM. Todavia, esta situação tem de ser solucionada o mais rapidamente possível. Nesta base, a Alemanha comprometeu-se a assegurar que o PBB mantém uma completa independência organizativa dos serviços conexos e que deixa de os fornecer em nome do FMS-WM depois de 30 de setembro de 2013. O mesmo é aplicável ao refinanciamento do FMS-WM. Este compromisso contribui também para assegurar, a médio prazo, a autonomia da rendibilidade do PBB, deixando de se basear em remunerações associadas à transferência de ativos depreciados.
(108)
A Comissão salienta que o PBB tenciona reduzir consideravelmente os seus custos operacionais. Ao longo do período de reestruturação, o rácio custos/benefícios melhorará de forma significativa de [64-79] % em 2011 para [32-42] % em 2015 no cenário de base.
(109)
O PBB adotou algumas medidas de reestruturação decisivas que afetam a sua base de custos. Encerrou um número considerável de balcões e reduziu o seu pessoal em aproximadamente 30 % (1 366 funcionários no final de 2010, contra 2 000 funcionários no final de 2007) (32). Embora estas medidas tenham um impacto positivo nos custos de exploração a médio e longo prazo, o processo de reestruturação acarreta avultados custos extraordinários a curto prazo, em especial indemnizações por despedimento e reformas antecipadas, honorários de advogados e consultores, etc. Na opinião da Comissão, o pressuposto de que os custos de exploração irão estabilizar num nível consideravelmente inferior uma vez concluído o processo de reestruturação parece, por conseguinte, credível.
(110)
Após a transferência dos ativos depreciados para o FMS-WM, que produzirá uma significativa redução no balanço, no cenário de base as provisões por perdas com empréstimos do PBB mantêm-se estáveis para o período de reestruturação.
(111)
A Comissão considera que o objetivo de rendibilidade definido pelo PBB é também suficientemente robusto face aos pressupostos assumidos no cenário de crise, uma vez que nem a viabilidade do banco nem as perspetivas de reprivatização do PBB são colocadas em risco. De acordo com o plano de reestruturação, no cenário de crise, o PBB registaria perdas no montante de [100-125] milhões de EUR em 2011; contudo, no final do período de reestruturação, em 2015, o PBB deverá obter lucros de [270-310] milhões de EUR. O rendimento do capital (depois de impostos) seria negativo em 2011 (- [2,8-3,8] %) e em 2012, mas, neste cenário, o rendimento do capital previsto para 2015 seria de aproximadamente [9-12] %.
(112)
Quadro 2: Previsão de ganhos e perdas do PBB, Normas Internacionais de Relato Financeiro (IFRS) (cenário de crise), de acordo com o plano de reestruturação
2011
2012
2013
2014
2015
Margem líquida de juros e receitas semelhantes
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Rendimento líquido de comissões
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Receitas de exploração
Milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Provisões para perdas com empréstimos
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Despesas administrativas
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Saldo de outras receitas/despesas
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Ganhos/perdas antes de impostos
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Impostos
milhões de EUR
[…]
[…]
[…]
[…]
[…]
Ganhos/perdas depois de impostos
milhões de EUR
- [100-125]
- [75-90]
[230-290]
[250-290]
[270-310]
(113)
Tendo em conta as melhorias no modelo de negócios, na infraestrutura técnica e na estrutura organizativa e o seu impacto na situação do PBB relativamente às previsões de liquidez, solvência e rendibilidade, a Comissão considera que o plano de reestruturação preenche os requisitos da Comunicação sobre a Reestruturação no que respeita ao restabelecimento da viabilidade a longo prazo.
VI.2.3.2. Contribuição própria/repartição de encargos
(114)
A Comunicação sobre a Reestruturação estipula que o beneficiário deve assegurar uma contribuição própria adequada em relação aos custos de reestruturação. Os princípios são estabelecidos na secção 3 da Comunicação sobre a Reestruturação como se segue:
a)
Os auxílios à reestruturação devem limitar-se à cobertura dos custos necessários para efeitos do restabelecimento da viabilidade;
b)
A fim de limitar o montante do auxílio ao mínimo necessário, o banco beneficiário deve primeiramente utilizar os seus recursos próprios para financiar a reestruturação, por exemplo através da alienação de ativos;
c)
Os custos associados à reestruturação devem ser não apenas suportados pelo Estado, mas igualmente pelos que investiram no banco mediante a absorção das perdas pelo capital disponível e mediante o pagamento de uma remuneração adequada pelas intervenções do Estado. O objetivo da repartição de encargos é duplo: limitar as distorções de concorrência e prevenir o risco moral (33).
(115)
As dúvidas da Comissão quanto ao facto de o auxílio se limitar ao mínimo necessário para restabelecer a viabilidade a longo prazo do PBB foram dissipadas. No total, a Alemanha investiu ou vai investir perto de 10 mil milhões de EUR no HRE. Parte destas injeções de capital, ou seja, 2,08 mil milhões de EUR, será utilizada para recapitalizar a instituição de acantonamento FMS-WM, enquanto 1,59 mil milhões de EUR adicionais serão transferidos para o FMS-WM no decurso da reestruturação. Aproximadamente 63 % de cerca de 10 mil milhões de EUR permanecem no do grupo HRE.
(116)
O PBB é a única entidade do grupo HRE que realizará novas atividades no futuro e, como tal, participará ativamente a nível da concorrência. No cenário de base, prevê-se que os seus rácios de fundos próprios Tier 1 (com base no método das notações de Basileia II) sejam de 12,9 % no final de 2011, recuando ligeiramente durante o período de reestruturação para se fixarem em 12,4 % no final de 2015. O plano de reestruturação não expressa dúvidas quanto ao facto de o banco conseguir atingir os requisitos mínimos de fundos próprios durante o período de reestruturação. O rácio de fundos próprios Tier 1 projetado é forte, mas está em consonância com os da concorrência. Em reação à crise financeira, é de esperar que, na generalidade, os bancos exibam rácios de fundos próprios mais elevados do que antes da crise. Deve também ter-se em mente que o PBB, devido aos problemas que enfrentou durante a crise, precisa de uma base de capital forte para provar aos intervenientes no mercado que é um parceiro de negócios fiável. Na opinião da Comissão, o capital fornecido e os rácios dos fundos próprios dele resultantes são, por conseguinte, adequados e limitados ao mínimo necessário.
(117)
O HRE beneficiou ainda da provisão de garantias no montante total de 145 mil milhões de EUR, dos quais 124 mil milhões de EUR foram realmente utilizados. Estas garantias foram necessárias para permitir o prosseguimento das operações do banco quando corria o risco de insolvência, pelo menos até o HRE ter possibilidades de transferir os seus ativos depreciados para o FMS-WM. Todas as garantias a que o grupo HRE recorreu, que ascenderam a um total de 124 mil milhões de EUR, foram transferidas para o FMS-WM com efeitos a partir de 1 de outubro de 2010. As atividades operacionais do PBB já não dependem, portanto, de garantias estatais. Esta transferência contribuiu para limitar o apoio sob a forma de garantias ao período mínimo necessário.
(118)
Como referido na Comunicação sobre a Reestruturação, os bancos beneficiários devem primeiramente utilizar os seus recursos próprios para financiar a reestruturação, o que é normalmente feito através da alienação de ativos. O HRE transferiu para a instituição de acantonamento FMS-WM uma parte considerável dos seus ativos, no montante nocional de cerca de 210 mil milhões de EUR de ativos e de 280 mil milhões de EUR de derivados, reduzindo efetivamente, assim, o seu balanço para metade. Todavia, esta transação não criou qualquer excedente suscetível de ser utilizado no financiamento dos custos de reestruturação. Ao invés, esta transferência deve ser, ela própria, considerada um auxílio estatal, uma vez que o preço recebido pelo HRE pelos ativos excedeu o VER dos mesmos em cerca de 16,2 mil milhões de EUR. Não obstante, o grupo vendeu e está a vender várias participações noutras empresas [por exemplo, Arsago ACM GmbH (Francoforte), Arsago Holding AG (Suíça), DEPFA First Albany Securities LLC (Nova Iorque) e Collineo Asset Management GmbH].
(119)
O HRE pagou ao SoFFin juros sobre todas as garantias concedidas pela Alemanha, cujas taxas oscilaram entre 0,5 % e 0,8 % ao ano. Deste modo, e em linha com a Comunicação da Comissão - Aplicação das regras relativas aos auxílios estatais às medidas adotadas em relação às instituições financeiras no contexto da atual crise financeira global (34) («Comunicação relativa aos bancos»), o HRE remunerou adequadamente esta parte do auxílio estatal. Pelo contrário, até à data, o banco não pagou qualquer remuneração relativa ao capital que recebeu, nem relativa às medidas de apoio aos ativos depreciados; além disso, não tem capacidade para assegurar um mecanismo de reembolso adequado no que se refere ao elemento de auxílio que consistia num valor de transferência de ativos superior ao respetivo VER.
(120)
À luz da situação económica global do HRE, pode concluir-se que o banco não estava em condições de assegurar uma contribuição própria suplementar significativa para os custos de reestruturação (35). Por conseguinte, a ausência de contribuição própria tem de ser compensada, no plano de reestruturação, por medidas estruturais particularmente profundas, com vista a assegurar uma repartição adequada, entre o banco e os acionistas, dos encargos do salvamento do banco. De modo geral, a Comissão considera que as medidas de redução definidas no plano de reestruturação em termos da dimensão da organização, presença no mercado, âmbito de atividades e total do balanço constituem uma compensação justa para a ausência de uma contribuição própria adequada, tendo em consideração as circunstâncias específicas desde caso.
(121)
Deve igualmente ter-se em consideração o facto de o banco ter sido adquirido pelo Estado e de as compensações pagas aos antigos acionistas se terem baseado no valor do grupo, sem auxílio estatal (36). Este é um elemento positivo na perspetiva das regras em matéria de auxílios estatais e significa que os antigos acionistas foram afastados, podendo por conseguinte considerar-se que contribuíram suficientemente para os custos de reestruturação do HRE.
(122)
Além disso, no que respeita aos detentores de dívida subordinada do HRE, a Alemanha assumiu um compromisso segundo o qual o HRE não efetuará pagamentos discricionários a terceiros referentes a instrumentos financeiros associados aos lucros assegurando, assim, que os detentores de capital Tier 2 receberão apenas uma compensação reduzida ou não receberão qualquer compensação pelo respetivo investimento, participando, deste modo, na repartição de encargos de um modo semelhante aos detentores de capital Tier 1.
(123)
A Comissão conclui, por conseguinte, que os acionistas do HRE contribuíram adequadamente para os custos da reestruturação e que, consequentemente, o risco moral foi devidamente prevenido.
VI.2.3.3. Medidas destinadas a limitar as distorções da concorrência
(124)
No que respeita às medidas destinadas a limitar as distorções da concorrência, a Comunicação sobre a Reestruturação estabelece que a Comissão terá em conta, no cálculo do montante do auxílio, o grau de repartição dos encargos e a posição que a instituição financeira irá ocupar no mercado após a reestruturação. Com base nesta análise, devem ser aplicadas medidas adequadas.
(125)
As distorções de concorrência provocadas pelo HRE foram significativas. De forma geral, o Estado alemão forneceu ou vai fornecer injeções de capital ao HRE que poderão totalizar aproximadamente 9,95 mil milhões de EUR (o FMS-WM recebeu ou vai receber parte deste capital) e garantias no montante de 145 mil milhões de EUR. O HRE também beneficiou de uma medida de apoio aos ativos depreciados com um elemento de auxílio de aproximadamente 20 mil milhões de EUR. Tendo em conta este considerável apoio estatal, deve ser realizada uma profunda reestruturação do HRE.
(126)
O sucessor do HRE, o PBB, estará bem dotado financeiramente e ficará liberto das operações de empréstimos de risco realizadas no passado pelo HRE. Para manter o PBB em atividade e para facilitar a cisão, foi necessário um avultado montante de auxílio. Todavia, o PBB será um banco de muito menores dimensões e a Alemanha aplicou medidas suficientes para limitar as distorções de concorrência.
(127)
Em primeiro lugar, o PBB será uma entidade económica consideravelmente diferente do antigo HRE. Foi adquirido pelo Estado e está a ser submetido a uma profunda reestruturação. Assim, o PBB é um banco muito mais pequeno do que o HRE. Após a transferência de uma série de ativos para o FMS-WM, o total do balanço estratégico do PBB - que não integra as rubricas de balanço que se encontram em liquidação ou que foram transferidas enquanto títulos sintéticos para o FMS-WM - representa cerca de 15 % do balanço do HRE no final de 2008.
(128)
Em segundo lugar, a Alemanha apresentou vários compromissos à Comissão destinados a limitar a presença do PBB no mercado, que foram descritos com maior pormenor na secção V. O PBB só realizará novas operações em dois ramos de atividade, ou seja, o crédito imobiliário e o financiamento do investimento público. Estes dois ramos de atividade terão um crescimento limitado durante o período de reestruturação, dado que foram estabelecidos limiares para as novas operações, para o total do balanço e para a dimensão da carteira, o que restringirá efetivamente a capacidade de expansão do PBB no mercado e, por conseguinte, limitará as distorções de concorrência. Estas restrições em termos de crescimento permanecerão em vigor pelo menos até 31 de dezembro de 2013 e talvez durante mais tempo se o PBB não tiver sido reprivatizado até lá. Todas as outras entidades do grupo HRE têm de cessar as suas atividades e liquidar as respetivas carteiras, em especial no que respeita ao financiamento de infraestruturas, mercados de capitais e gestão de ativos, bem como atividades relacionadas com o financiamento do setor público.
(129)
Em terceiro lugar, para dissipar as preocupações da Comissão quanto ao facto de o PBB poder prejudicar a concorrência e os concorrentes através de estratégias de preços demasiado agressivas, a Alemanha comprometeu-se a que, no âmbito das suas novas atividades estratégicas, PBB não conceda novos empréstimos com uma rendibilidade do capital ajustada pelo risco inferior a 10 % numa base de transação a transação. Na opinião da Comissão, este compromisso constituirá uma medida eficaz suplementar para evitar distorções indevidas da concorrência.
(130)
Em quarto lugar, as atividades do PBB são limitadas por restrições em termos de comportamento, que incluem a proibição de efetuar aquisições e a proibição de alusão ao auxílio estatal na publicidade.
(131)
Por último, a Alemanha comprometeu-se a reprivatizar o PBB tão cedo quanto possível, ou seja, o mais tardar até 31 de dezembro de 2015. A venda do PBB permitirá à República Federal da Alemanha recuperar (parcialmente) os fundos investidos no HRE. Além disso, a Comissão salienta que uma reprivatização atempada dará aos terceiros a oportunidade de adquirir o PBB.
VII. SUPERVISÃO
(132)
A Alemanha comprometeu-se a que a execução do plano de reestruturação do HRE e dos compromissos será objeto de supervisão por parte de um administrador que apresentará trimestralmente relatórios à Comissão.
VIII. CONCLUSÃO
(133)
A Comissão conclui que as medidas acima analisadas constituem auxílios estatais na aceção do artigo 107.o, n.o 1, do TFUE.
(134)
A Comissão conclui ainda que o auxílio à reestruturação é compatível com o mercado interno nos termos do artigo 107.o, n.o 3, alínea b), do TFUE, sob reserva de execução do plano de reestruturação na sua versão atualizada de 14 de junho de 2011 e sob reserva do cumprimento dos compromissos apresentados no anexo à presente decisão,
ADOTOU A PRESENTE DECISÃO:
Artigo 1.o
O auxílio estatal que a Alemanha concedeu e tenciona conceder a favor do Hypo Real Estate Group, composto por:
-
injeção de capital de 60 milhões de EUR, notificada em 17 de abril de 2009,
-
injeção de capital de 2,96 mil milhões de EUR, notificada em 3 de junho de 2009,
-
injeção de capital de três mil milhões de EUR, notificada em 26 de outubro de 2009,
-
injeção de capital de 1,85 mil milhões de EUR notificada em 30 de abril de 2010, dos quais 450 milhões de EUR estão condicionados à existência de determinadas circunstâncias,
-
injeção de capital de 2,08 mil milhões de EUR, notificada em 10 de setembro de 2010,
-
garantias no montante de 35 mil milhões de EUR, notificadas em 30 de setembro de 2008,
-
garantias no montante de 52 mil milhões de EUR, notificadas em 17 de abril de 2009,
-
garantia de oito mil milhões de EUR, notificada em 26 de outubro de 2009,
-
garantia de 10 mil milhões de EUR, notificada em 26 de outubro de 2009,
-
garantia de liquidez de 20 mil milhões de EUR, notificada em 2 de setembro de 2010,
-
garantia de liquidação de 20 mil milhões de EUR, notificada em 10 de setembro de 2010, e
-
transferência de ativos para a instituição de acantonamento FMS Wertmanagement AöR, notificada em 10 de setembro de 2010,
é compatível com o mercado interno com base no artigo 107.o, n.o 3, alínea b), do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, tendo em conta os compromissos apresentados no anexo à presente decisão.
Artigo 2.o
A Alemanha deve, após a adoção da presente decisão, apresentar à Comissão relatórios trimestrais pormenorizados sobre as medidas tomadas para lhe dar cumprimento, em conformidade com o calendário previsto no anexo relativo aos compromissos.
Artigo 3.o
A República Federal da Alemanha é a destinatária da presente decisão.
Feito em Bruxelas, em 18 de julho de 2011.

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