Document ID: 32014R1348

REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) N.o 1348/2014 DA COMISSÃO
de 17 de dezembro de 2014
relativo à comunicação de dados que dá execução ao artigo 8.o, n.os 2 e 6, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo à integridade e à transparência nos mercados grossistas da energia
(Texto relevante para efeitos do EEE)
A COMISSÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
Tendo em conta o Regulamento (UE) n.o 1227/2011 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de outubro de 2011, relativo à integridade e à transparência nos mercados grossistas da energia (1), nomeadamente o artigo 8.o, n.os 2 e 6,
Considerando o seguinte:
(1)
Uma supervisão eficaz dos mercados grossistas da energia exige a monitorização regular dos dados dos contratos, incluindo ordens de negociação, bem como dados relativos à capacidade e utilização das instalações de produção, armazenamento, consumo ou transporte de eletricidade e gás natural.
(2)
O Regulamento (UE) n.o 1227/2011 estabelece que a Agência de Cooperação dos Reguladores da Energia (a Agência), criada pelo Regulamento (CE) n.o 713/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho (2), deverá monitorizar os mercados grossistas da energia na União. Para que a Agência possa desempenhar as suas funções, devem ser-lhe disponibilizados, em tempo útil, conjuntos completos de informações pertinentes.
(3)
Os participantes no mercado devem comunicar regularmente à Agência informações sobre os contratos grossistas de energia, tanto no que diz respeito ao fornecimento de eletricidade e de gás natural, como no que se refere ao transporte desses produtos. Os contratos de serviços de sistema, contratos entre diferentes membros do mesmo grupo de empresas e contratos de venda da produção de pequenas unidades de produção de energia devem ser comunicados à Agência unicamente mediante pedido específico fundamentado.
(4)
Em geral, ambas as partes do contrato devem comunicar os dados exigidos do contrato celebrado. Para facilitar a comunicação de informações, cada uma das partes deve poder comunicar informações em nome da outra ou utilizar os serviços de terceiros para este efeito. Não obstante o acima exposto e para facilitar a recolha de dados, os pormenores dos contratos de transporte adquiridos através da atribuição primária de capacidade de um operador de redes de transporte (ORT) apenas devem ser comunicados pelos respetivos ORT. Os dados comunicados deverão incluir também os pedidos de capacidade atribuídos e por atribuir.
(5)
A fim de detetar eficazmente os abusos de mercado, é importante que, juntamente com os pormenores dos contratos, a Agência possa também monitorizar as ordens de negociação emitidas em mercados organizados. Uma vez que não se pode esperar dos participantes no mercado que registem facilmente esses dados, as ordens cassadas e as não cassadas devem ser comunicadas através do mercado organizado onde foram emitidas ou através de terceiros que possam fornecer essas informações.
(6)
A fim de evitar a duplicação de comunicações, a Agência deve recolher informações sobre os produtos derivados relacionados com contratos de fornecimento ou de transporte de eletricidade ou de gás natural que tenham sido comunicados em conformidade com a regulamentação financeira aplicável aos repositórios de transações ou aos reguladores financeiros a partir de tais fontes. Não obstante este facto, os mercados organizados, os sistemas de cassação de ordens ou de comunicação de transações que tenham comunicado pormenores sobre tais produtos derivados nos termos da regulamentação financeira, sob reserva do respetivo acordo, devem poder facultar as mesmas informações também à Agência.
(7)
A eficiência da comunicação de informações e da monitorização com alvos específicos exige a distinção entre contratos tipificados e contratos não tipificados. Uma vez que os preços dos contratos tipificados servem também de referência para os contratos não tipificados, a Agência deve receber informações diárias sobre os contratos tipificados. Os pormenores dos contratos não tipificados devem ser comunicáveis no prazo de um mês a contar da data da respetiva celebração.
(8)
Os participantes no mercado devem igualmente comunicar regularmente à Agência e às entidades reguladoras nacionais, mediante pedido, dados referentes à disponibilidade e utilização de infraestruturas de produção e transporte de energia, inclusive de gás natural liquefeito (GNL), e instalações de armazenamento. Com vista a reduzir os encargos com a comunicação de informações sobre os participantes no mercado e utilizar da melhor forma as fontes de dados existentes, a comunicação de informações deve incluir, sempre que possível, os ORT, a rede europeia de operadores de redes de transporte de eletricidade (REORT para a eletricidade), e a rede europeia de operadores de redes de transporte de gás (REORT para o gás), os operadores de redes de GNL e os operadores de sistemas de armazenamento de gás natural. Consoante a importância e a disponibilidade dos dados, a regularidade da comunicação das informações pode variar com a maior parte dos dados comunicados diariamente. Os requisitos em matéria de comunicação de informações devem respeitar a obrigação da Agência de não publicar informações comercialmente sensíveis e apenas publicar ou disponibilizar informações que não sejam suscetíveis de criar qualquer distorção da concorrência nos mercados grossistas da energia.
(9)
É importante que as entidades que comunicam as informações tenham uma compreensão clara dos pormenores das informações que são obrigadas a comunicar. Para este efeito, a Agência deve explicar o teor das informações comunicáveis num manual do utilizador. A Agência deve também certificar-se de que as informações são comunicadas em formatos eletrónicos e facilmente acessíveis às partes que as comunicam.
(10)
A fim de assegurar a transferência contínua e segura de conjuntos completos de dados, as partes que os comunicam devem cumprir requisitos básicos relativamente à sua capacidade de autenticar as fontes de dados, verificar os dados em termos de exaustividade e exatidão e assegurar a continuidade da atividade empresarial. A Agência deve avaliar o cumprimento dos requisitos pelas partes que comunicam dados. A avaliação deve assegurar um tratamento equitativo dos participantes no mercado que comunicam os seus próprios dados e dos terceiros que, a título profissional, tratam os dados dos participantes no mercado.
(11)
O tipo e a fonte de dados comunicáveis podem ter influência sobre os recursos e o tempo que as partes que os comunicam têm de investir na preparação da apresentação dos dados. Por exemplo, a conclusão dos procedimentos de comunicação de contratos tipificados celebrados em mercados organizados demora menos tempo do que a criação de sistemas de comunicação de contratos não tipificados ou certos dados fundamentais. Para esse efeito, a obrigação de comunicação deve ser faseada, começando pela transmissão de dados fundamentais disponíveis nas plataformas de transparência da REORT para a eletricidade e da REORT para o gás, bem como de contratos tipificados executados em mercados organizados. Deve seguir-se a comunicação de contratos não tipificados, tendo em conta o tempo adicional necessário para concluir os procedimentos para a comunicação das informações. A comunicação de dados escalonados contribuirá também para que a Agência possa afetar melhor os seus recursos a fim de preparar a receção das informações.
(12)
As medidas previstas no presente regulamento estão em conformidade com o parecer do Comité instituído nos termos do artigo 21.o do Regulamento (UE) n.o 1227/2011,
ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 1.o
Objeto
O presente regulamento estabelece regras para o fornecimento de dados à Agência, dando execução ao artigo 8.o, n.os 2 e 6, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011. Define os pormenores dos produtos energéticos grossistas e dos dados fundamentais comunicáveis. Estabelece igualmente canais adequados para a comunicação de dados, incluindo a definição do calendário e da regularidade da comunicação dos dados.
Artigo 2.o
Definições
Para efeitos do presente regulamento, são aplicáveis as definições constantes do artigo 2.o do Regulamento (UE) n.o 1227/2011 e do artigo 3.o do Regulamento (UE) n.o 984/2013 da Comissão (3).
São igualmente aplicáveis as seguintes definições:
1.
«Dados fundamentais», as informações relativas à capacidade e utilização das instalações de produção, armazenamento, consumo ou transporte de eletricidade e de gás natural ou relativas à capacidade e utilização de instalações de GNL, incluindo a indisponibilidade programada ou não programada destas instalações,
2.
«Contrato tipificado», um contrato relativo a um produto energético grossista admitido à negociação num mercado organizado, independentemente de a transação ter efetivamente lugar nesse mercado;
3.
«Contrato não tipificado», um contrato respeitante a qualquer produto energético grossista que não seja um contrato tipificado;
4.
«Mercado organizado»,
a)
um sistema multilateral que permite o encontro ou facilita o encontro de múltiplos interesses de compra e venda de produtos energéticos grossistas manifestados por terceiros por forma a que tal resulte num contrato,
b)
qualquer outro sistema no qual vários terceiros que vendam e comprem interesses em produtos energéticos grossistas possam interagir por forma a que tal resulte num contrato.
Tal inclui as bolsas de eletricidade e de gás, corretores e demais pessoas que, a título profissional, organizem transações e plataformas de negociação, tal como definidas no artigo 4.o da Diretiva 2014/65/UE (4);
5.
«Grupo», um grupo na aceção do artigo 2.o da Diretiva 2013/34/UE do Parlamento Europeu e do Conselho (5);
6.
«Contrato intragrupo», um contrato sobre produtos de energia grossistas celebrado com uma contraparte que integra o mesmo grupo, desde que ambas as contrapartes estejam integralmente incluídas no mesmo perímetro de consolidação;
7.
«Mercado de balcão» (OTC), qualquer transação efetuada fora de um mercado organizado;
8.
«Nomeação»,
-
para a eletricidade: a notificação da utilização de capacidade interzonal por um titular de direitos físicos de transmissão e a sua contraparte aos respetivos operadores de redes de transporte (ORT),
-
para o gás natural: a comunicação prévia ao ORT, pelo utilizador da rede, do fluxo efetivo que o utilizador da rede pretende injetar ou retirar da rede;
9.
«Energia de balanço», a energia utilizada pelos ORT para efetuar o balanço;
10.
«Capacidade de balanço (reservas)», a capacidade de reserva contratada;
11.
«Serviços de sistema»,
-
para a eletricidade: a capacidade de balanço ou a energia de balanço, ou ambas,
-
para o gás natural: um serviço prestado a um ORT com base num contrato relativo ao gás necessário para responder a flutuações de curto prazo na procura ou oferta de gás;
12.
«Unidade de consumo», uma instalação que recebe eletricidade ou gás natural para consumo próprio;
13.
«Unidade de produção», uma instalação de produção de eletricidade, constituída por uma única unidade de geração ou um conjunto de unidades de geração.
CAPÍTULO II
OBRIGAÇÕES DE COMUNICAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE TRANSAÇÕES
Artigo 3.o
Lista de contratos comunicáveis
1. Os seguintes contratos devem ser comunicados à Agência:
a)
relativamente aos produtos energéticos grossistas respeitantes ao fornecimento de eletricidade ou gás natural com entrega na União:
i)
contratos intradiários para o fornecimento de eletricidade ou gás natural com entrega na União, independentemente do local e da forma como são negociados, nomeadamente do facto de serem leiloados ou transacionados continuamente,
ii)
contratos para o dia seguinte, para o fornecimento de eletricidade ou gás natural com entrega na União, independentemente do local e da forma como são negociados, nomeadamente do facto de serem leiloados ou transacionados continuamente,
iii)
contratos com dois dias de antecedência para o fornecimento de eletricidade ou gás natural com entrega na União, independentemente do local e da forma como são negociados, nomeadamente do facto de serem leiloados ou transacionados continuamente,
iv)
contratos de fim de semana para o fornecimento de eletricidade ou gás natural com entrega na União, independentemente do local e da forma como são negociados, nomeadamente do facto de serem leiloados ou transacionados continuamente,
v)
contratos para o dia anterior para o fornecimento de eletricidade ou gás natural com entrega na União, independentemente do local e da forma como são negociados, nomeadamente do facto de serem leiloados ou transacionados continuamente,
vi)
outros contratos para o fornecimento de eletricidade ou gás natural com um prazo de entrega superior a dois dias com entrega na União, independentemente do local e da forma como são negociados, nomeadamente do facto de serem leiloados ou transacionados continuamente,
vii)
contratos de fornecimento de eletricidade ou gás natural para uma única unidade de consumo com uma capacidade técnica de consumo de 600 GWh/ano ou mais,
viii)
opções, futuros, swaps e quaisquer outros derivados de contratos relativos a eletricidade ou gás natural produzido, transacionado ou entregue na União;
b)
produtos energéticos grossistas respeitantes ao transporte de eletricidade ou gás natural na União:
i)
contratos relativos ao transporte de eletricidade ou de gás natural na União entre dois ou mais locais ou zonas de licitação, celebrados na sequência de uma atribuição primária explícita de capacidade pelo - ou em nome do - ORT, que especificam os direitos ou obrigações de capacidade física ou financeira,
ii)
Contratos relativos ao transporte de eletricidade ou de gás natural na União entre dois ou mais locais ou zonas de licitação, celebrados entre os participantes no mercado em mercados secundários, que especificam os direitos ou obrigações de capacidade física ou financeira, incluindo a revenda e transferência desses contratos,
iii)
opções, futuros, swaps e quaisquer outros derivados de contratos respeitantes ao transporte de eletricidade ou gás natural na União.
2. A fim de facilitar a comunicação de informações, a Agência deve elaborar, manter e atualizar oportunamente uma lista pública de contratos tipificados. A fim de facilitar a comunicação de informações, a Agência deve elaborar e publicar a lista dos mercados organizados a partir da data de entrada em vigor do presente regulamento. A Agência deve atualizar oportunamente essa lista.
A fim de auxiliar a Agência no cumprimento das suas obrigações nos termos do primeiro parágrafo, os mercados organizados devem apresentar os dados de referência de identificação para cada produto energético grossista que admitem à negociação à Agência. As informações em causa devem ser apresentadas antes do início da negociação desse contrato específico num formato definido pela Agência. Os mercados organizados devem apresentar atualizações das informações sempre que se verifiquem alterações.
A fim de facilitar a comunicação de informações, os clientes finais que são partes num contrato, como referido no artigo 3.o, n.o 1, alínea a), ponto vii), devem indicar à sua contraparte se a unidade de consumo em questão tem ou não capacidade técnica para consumir uma energia de 600 GWh/ano ou superior.
Artigo 4.o
Lista de contratos comunicáveis a pedido da Agência
1. Salvo se celebrados em mercados organizados, os contratos a seguir enumerados e os dados das transações no âmbito desses contratos são comunicáveis unicamente mediante pedido específico fundamentado da Agência:
a)
Contratos intragrupo;
b)
Contratos relativos à entrega física de eletricidade produzida por uma única unidade de produção com uma capacidade igual ou inferior a 10 MW ou por unidades de produção com uma capacidade agregada igual ou inferior a 10 MW;
c)
Contratos para a entrega física de gás natural produzido por uma única instalação de produção de gás natural com uma capacidade de produção igual ou inferior a 20 MW;
d)
Contratos de serviços de sistema em eletricidade e gás natural.
2. Os participantes no mercado que apenas participem em transações relacionadas com os contratos referidos no n.o 1, alíneas b) e c), não são obrigados a registar-se junto da entidade reguladora nacional nos termos do artigo 9.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011.
Artigo 5.o
Pormenores dos contratos comunicáveis, incluindo ordens de negociação
1. As informações a comunicar nos termos do artigo 3.o devem incluir:
a)
em relação aos contratos tipificados para o fornecimento de eletricidade ou gás natural, os dados indicados no quadro 1 do anexo;
b)
em relação a contratos não tipificados para o fornecimento de eletricidade ou gás natural, os dados indicados no quadro 2 do anexo;
c)
em relação aos contratos tipificados e não tipificados para o transporte de eletricidade, os dados indicados no quadro 3 do anexo;
d)
em relação aos contratos tipificados e não tipificados para o transporte de gás natural, os dados indicados no quadro 4 do anexo.
Os dados das transações executadas no âmbito de contratos não tipificados que especifiquem, pelo menos, um volume e um preço definitivos devem ser comunicados mediante a utilização do quadro 1 do anexo.
2. A Agência deve explicar os pormenores das informações comunicáveis referidas no n.o 1 num manual do utilizador e, após consulta das partes interessadas, disponibilizá-las ao público aquando da entrada em vigor do presente regulamento. A Agência deve consultar as partes interessadas sobre as atualizações substantivas do manual do utilizador.
Artigo 6.o
Canais de comunicação de informações para as transações
1. Os participantes no mercado devem fornecer à Agência informações pormenorizadas sobre os produtos energéticos grossistas executados em mercados organizados, incluindo ordens cassadas e não cassadas, através do mercado organizado em causa, ou através de sistemas de encontro de ordens ou de comunicação de transações.
O mercado organizado em que o produto energético grossista tenha sido executado ou a ordem tenha sido emitida deve, a pedido do participante no mercado, oferecer um acordo de comunicação de dados.
2. Os operadores das redes de transporte ou terceiros que atuem em seu nome devem comunicar os pormenores dos contratos referidos no artigo 3.o, n.o 1, alínea b), subalínea i), incluindo ordens cassadas e não cassadas.
3. Os participantes no mercado ou terceiros que atuem em seu nome devem comunicar os pormenores dos contratos referidos no artigo 3.o, n.o 1, alínea a), no artigo 3.o, n.o 1, alínea b), subalínea ii) e no artigo 3.o, n.o 1, alínea c), subalínea iii) que tenham sido celebrados fora de um mercado organizado.
4. As informações relativas aos produtos energéticos grossistas que tenham sido comunicadas em conformidade com o artigo 26.o do Regulamento (UE) n.o 600/2014 do Parlamento Europeu e do Conselho (6) ou com o artigo 9.o do Regulamento (UE) n.o 648/2012 do Parlamento Europeu (7) e do Conselho devem ser apresentadas à Agência através:
a)
dos repositórios de transações a que alude o artigo 2.o do Regulamento (UE) n.o 648/2012;
b)
dos mecanismos de comunicação de informações aprovados a que alude o artigo 2.o do Regulamento (UE) n.o 600/2014;
c)
das autoridades competentes a que alude o artigo 26.o do Regulamento (UE) n.o 600/2014;
d)
da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados;
consoante o caso.
5. Quando as pessoas tiverem comunicado informações pormenorizadas sobre as transações nos termos do artigo 26.o do Regulamento (UE) n.o 600/2014 ou do artigo 9.o do Regulamento (UE) n.o 648/2012, as respetivas obrigações no que diz respeito à comunicação de informações sobre esses dados nos termos do artigo 8.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011 devem ser consideradas como cumpridas.
6. Em conformidade com o artigo 8.o, n.o 3, segundo parágrafo, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011 e sem prejuízo do n.o 5 do presente artigo, os mercados organizados e os sistemas de encontro de ordens ou de comunicação de informações devem estar em condições de apresentar as informações referidas no n.o 1 do presente artigo diretamente à Agência.
7. Nos casos em que um terceiro comunique informações em nome de uma ou de ambas as contrapartes, ou nos casos em que uma contraparte comunique os dados de um contrato também em nome da outra contraparte, a comunicação deve conter os dados pertinentes da contraparte relativamente a cada uma das contrapartes e o conjunto completo de dados que teriam sido comunicados se os contratos tivessem sido comunicados individualmente por cada contraparte.
8. A Agência pode solicitar informações e esclarecimentos adicionais aos participantes no mercado e às partes que comunicam os dados relativamente aos dados por eles comunicados.
Artigo 7.o
Calendário da comunicação das transações
1. Os pormenores relativos aos contratos tipificados e às ordens de negociação, inclusive no âmbito dos leilões, devem ser comunicados logo que possível, o mais tardar no dia útil seguinte ao da celebração do contrato ou da emissão da ordem.
A eventual alteração ou cessação do contrato celebrado ou da ordem de negociação deve ser comunicada logo que possível, o mais tardar no dia útil seguinte ao da alteração ou cessação.
2. No caso dos mercados de venda por leilão em que as ordens não são publicamente visíveis, só devem ser comunicados os contratos concluídos e as ordens finais. Essa comunicação deve ter lugar até ao dia útil seguinte ao do leilão.
3. As ordens emitidas via serviços vocais de corretores e não presentes em ecrãs eletrónicos são comunicáveis unicamente a pedido da Agência.
4. Os pormenores relativos aos contratos não tipificados, incluindo a eventual alteração ou cessação do contrato e das transações a que se refere o artigo 5.o, n.o 1, segundo parágrafo, devem ser comunicados, o mais tardar, um mês após a celebração, alteração ou cessação do contrato.
5. Os pormenores relativos aos contratos referidos no artigo 3.o, n.o 1, alínea b), ponto i), devem ser comunicados logo que possível, o mais tardar no dia útil seguinte ao da disponibilidade dos resultados da atribuição. Qualquer alteração ou a cessação dos contratos celebrados deve ser comunicada logo que possível, o mais tardar no dia útil seguinte ao da alteração ou cessação.
6. Os pormenores dos contratos respeitantes a produtos energéticos grossistas celebrados antes da data em que a obrigação de comunicação de informações se torna aplicável e que continuem pendentes nessa data devem ser comunicados à Agência no prazo de 90 dias após a obrigação de comunicação se tornar aplicável a esses contratos.
As informações comunicáveis devem incluir apenas dados que possam ser extraídos dos registos existentes dos participantes no mercado. Devem incluir, no mínimo, os dados a que se refere o artigo 44.o, n.o 2, da Diretiva 2009/73/CE do Parlamento Europeu e do Conselho (8) e o artigo 40.o, n.o 2, da Diretiva 2009/72/CE do Parlamento Europeu e do Conselho (9).
CAPÍTULO III
COMUNICAÇÃO DE DADOS FUNDAMENTAIS
Artigo 8.o
Normas para a comunicação de dados fundamentais relativos à eletricidade
1. A REORT para a eletricidade deve, em nome dos participantes no mercado, comunicar informações à Agência respeitantes a capacidade e utilização das instalações de produção, consumo e transporte de eletricidade, incluindo a indisponibilidade programada ou não programada dessas instalações, tal como referido nos artigos 6.o a 17.o do Regulamento (UE) n.o 543/2013 da Comissão (10). As informações devem ser comunicadas através da plataforma central de transparência da informação, tal como referido no artigo 3.o do Regulamento (UE) n.o 543/2013.
2. A REORT para a eletricidade deve disponibilizar as informações referidas no n.o 1 à Agência logo que estejam disponíveis na plataforma central de transparência da informação.
As informações a que se refere o artigo 7.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 543/2013 devem disponibilizadas à Agência de forma desagregada, incluindo o nome e a localização da unidade de consumo referida, o mais tardar no dia útil seguinte.
As informações a que se refere o artigo 16.o, n.o 1, alínea a), do Regulamento (UE) n.o 543/2013 devem ser disponibilizadas à Agência o mais tardar no dia útil seguinte.
3. Os operadores das redes de transporte de eletricidade ou terceiros em seu nome devem comunicar à Agência e, a pedido, às entidades reguladoras nacionais, em conformidade com o artigo 8.o, n.o 5, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011, as nomeações definitivas entre zonas de licitação, especificando a identidade dos participantes no mercado envolvidos e a quantidade prevista. A comunicação das informações deve ser efetuada, o mais tardar, no dia útil seguinte.
Artigo 9.o
Normas para a comunicação de dados fundamentais relativos ao gás
1. A REORT para o gás deve, em nome dos participantes no mercado, comunicar informações à Agência respeitantes à capacidade e utilização de instalações de transporte de gás natural, incluindo a indisponibilidade programada e não programada dessas instalações, tal como referido nos pontos 3.3, n.o 1 e 3.3, n.o 5, do anexo I do Regulamento (CE) n.o 715/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho (11). As informações devem ser disponibilizadas através da plataforma central para toda a União, conforme referido no ponto 3.1.1, n.o 1, alínea h) do anexo I do Regulamento (CE) n.o 715/2009.
A REORT para o gás deve disponibilizar as informações referidas no primeiro parágrafo à Agência logo que estejam disponíveis na plataforma central para toda a União.
2. Os operadores das redes de transporte de gás ou terceiros em seu nome devem comunicar à Agência e, a pedido, às entidades reguladoras nacionais nos termos do artigo 8.o, n.o 5, do Regulamento (UE) n.o 1227/2011, as nomeações para o dia seguinte e as renomeações definitivas das capacidades reservadas que especifiquem a identidade dos participantes no mercado envolvidos e as quantidades atribuídas. A comunicação das informações deve ser efetuada, o mais tardar, no dia útil seguinte.
Devem ser fornecidas informações para os seguintes pontos da rede de transporte:
a)
todos os pontos de interligação;
b)
pontos de entrada das instalações de produção, incluindo os gasodutos a montante;
c)
pontos de saída ligados a um único cliente;
d)
pontos de entrada e de saída de armazenamento;
e)
instalações de GNL;
f)
centros físicos e virtuais.
3. Os operadores das redes de GNL, definidos no artigo 2.o, ponto 12, da Diretiva 2009/73/CE, devem comunicar à Agência e, a pedido, às entidades reguladoras nacionais, para cada instalação de GNL, as seguintes informações:
a)
a capacidade técnica, contratada e disponível da instalação de GNL, com uma resolução diária;
b)
envios e inventário das instalações de GNL, com uma resolução diária;
c)
avisos de indisponibilidade planeada e não planeada das instalações de GNL, incluindo a hora do aviso e as capacidades em causa.
4. As informações referidas nas alíneas a) e b) do n.o 3 são disponibilizadas, o mais tardar, no dia útil seguinte.
As informações, incluindo atualizações das mesmas, referidas no n.o 3, alínea c), são disponibilizadas logo que estejam disponíveis.
5. Os participantes no mercado, ou os operadores de redes de GNL em nome deles, devem comunicar à Agência e, a pedido, às entidades reguladoras nacionais, as seguintes informações para cada instalação de GNL:
a)
No que se refere à descarga e recarga das cargas:
i)
data de descarga ou de recarga,
ii)
volumes descarregados ou recarregados por navio,
iii)
nome do cliente final,
iv)
nome e dimensão do navio que utiliza a instalação;
b)
a descarga ou recarga programadas nas instalações de GNL numa resolução diária para o mês seguinte, especificando o participante no mercado e o nome do cliente final (se diferente do participante no mercado).
6. As informações referidas no n.o 5, alínea a), são disponibilizadas o mais tardar no dia útil seguinte ao da descarga ou recarga.
As informações referidas no n.o 5, alínea b), devem ser disponibilizadas antes do mês a que se referem.
7. Os operadores dos sistemas de armazenamento, tal como definidos no artigo 2.o, ponto 10, da Diretiva 2009/73/CE devem comunicar à Agência e, a pedido, às entidades reguladoras nacionais, para cada instalação de armazenamento ou, no caso de instalações que funcionam em grupos, para cada grupo de instalações de armazenamento, as seguintes informações através de uma plataforma conjunta:
a)
capacidade técnica, contratada e disponível da instalação de armazenamento;
b)
quantidade de gás em armazém no final do dia de gás, entradas (injeções) e saídas (extrações) para cada dia de gás;
c)
avisos de indisponibilidade planeada e não planeada da instalação de armazenamento, incluindo a data e a hora do aviso e as capacidades em causa.
8. As informações referidas nas alíneas a) e b) do n.o 7 são disponibilizadas, o mais tardar, no dia útil seguinte.
As informações, incluindo as respetivas atualizações referidas no n.o 7, alínea c), devem ser comunicadas logo que estejam disponíveis.
9. Os participantes no mercado, ou os operadores de sistemas de armazenamento em seu nome, devem comunicar à Agência e, a pedido, às entidades reguladoras nacionais, a quantidade de gás que o participante no mercado armazenou no final do dia de gás. Estas informações devem ser disponibilizadas, o mais tardar, no dia útil seguinte.
Artigo 10.o
Procedimentos para a comunicação de informações
1. Os participantes no mercado que divulguem informação privilegiada no seu sítio web ou os prestadores de serviços que divulguem essa informação em nome dos participantes no mercado devem fornecer comunicações de conteúdo atualizado (feeds web), a fim de permitir à Agência a recolha eficiente desses dados.
2. Ao comunicar as informações referidas nos artigos 6.o, 8.o e 9.o que incluam informação privilegiada, o participante no mercado deve identificar-se ou ser identificado pelo terceiro que efetue a comunicação em seu nome, mediante a utilização do código de registo da ACER recebido pelo participante no mercado ou o código único de participante no mercado por este fornecido aquando do registo nos termos do artigo 9.o do Regulamento (UE) n.o 1227/2011.
3. Após consultar as partes relevantes, a Agência deve estabelecer procedimentos, normas e formatos eletrónicos, com base em normas da indústria estabelecidas, para a comunicação das informações referidas nos artigos 6.o, 8.o e 9.o A Agência deve consultar as partes relevantes sobre as atualizações substantivas dos referidos procedimentos, normas e formatos eletrónicos.
CAPÍTULO IV
DISPOSIÇÕES FINAIS
Artigo 11.o
Requisitos técnicos e organizacionais e responsabilidade relativos à comunicação de dados
1. Para assegurar o intercâmbio e tratamento eficientes, eficazes e seguros de informações, a Agência deve, após consulta das partes relevantes, estabelecer requisitos técnicos e organizacionais para a apresentação dos dados. A Agência deve consultar as partes relevantes sobre as atualizações substantivas desses requisitos.
Os requisitos devem:
a)
garantir a segurança, a confidencialidade e a exaustividade das informações;
b)
permitir a identificação e a correção de erros nos relatórios de dados;
c)
permitir a autenticação da fonte de informação;
d)
assegurar a continuidade das atividades.
A Agência deve avaliar o cumprimento dos requisitos pelas partes que comunicam dados. As partes que comunicam dados que cumpram os requisitos devem ser registadas pela Agência. No que respeita às entidades enumeradas no artigo 6.o, n.o 4, os requisitos referidos no segundo parágrafo devem ser considerados satisfeitos.
2. As pessoas obrigadas a comunicar os dados referidos nos artigos 6.o, 8.o e 9.o são responsáveis pela exaustividade, exatidão e apresentação atempada dos dados à Agência e, quando exigido, às entidades reguladoras nacionais.
Caso a pessoa a que se refere o primeiro parágrafo comunique esses dados através de um terceiro, a mesma não é responsável por deficiências na exaustividade, exatidão ou apresentação atempada dos dados que sejam imputáveis a esse terceiro. Nestes casos, o terceiro é o responsável por tais deficiências, sem prejuízo do disposto nos artigos 4.o e 18.o do Regulamento n.o 543/2013 sobre a transmissão e a publicação de dados dos mercados da eletricidade.
As pessoas a que se refere o primeiro parágrafo devem, contudo, tomar medidas razoáveis para verificar a exaustividade, exatidão e apresentação atempada dos dados transmitidos através de terceiros.
Artigo 12.o
Entrada em vigor e outras medidas
1. O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
2. A obrigação de comunicação de informações prevista no artigo 9.o, n.o 1, é aplicável a partir de 7 de outubro de 2015.
A obrigação de comunicação de informações prevista no artigo 6.o, n.o 1, exceto no que respeita aos contratos a que se refere o artigo 3.o, n.o 1, alínea b), é aplicável a partir de 7 de outubro de 2015.
As obrigações de comunicação de informações previstas no artigo 8.o, n.o 1, são aplicáveis a partir de 7 de outubro de 2015, mas não antes de a plataforma central de transparência da informação se tornar operacional em conformidade com o artigo 3.o, n.o 3, do Regulamento (UE) n.o 543/2013.
As obrigações de comunicação de informações previstas nos artigos 6.o, n.os 2 e 3, 8.o, n.o 3, e 9.o, n.os 2, 3, 5, 7 e 9, são aplicáveis a partir de 7 de abril de 2016
A obrigação de comunicação de informações prevista no artigo 6.o, n.o 1, no que respeita aos contratos a que se refere o artigo 3.o, n.o 1, alínea b), é aplicável a partir de 7 de abril de 2016.
3. Sem prejuízo do disposto nos segundo e quinto parágrafos do n.o 2, a Agência pode celebrar acordos com mercados organizados, sistemas de encontro de ordens ou de comunicação de informações para obter pormenores de contratos celebrados antes de a obrigação de comunicação se tornar aplicável.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito em Bruxelas, em 17 de dezembro de 2014.

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