Source: http://bpoadvogados.com.br/a-potencializacao-do-poder-da-fazenda-publica-em-detrimento-do-contribuinte/
Timestamp: 2019-10-23 12:53:25+00:00

Document:
A potencialização do poder da Fazenda Pública em detrimento do contribuinte | Batista Pereira & Oliveira Advogados Associados
Nesse sentir, alega-se tratar pura e simplesmente da materialização da garantia do crédito tributário, conforme previsão do artigo 185 do Código Tributário Nacional, onde “presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa”.
“Art. 3º. A Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, passa a vigorar acrescida dos seguintes artigos 20-B, 20-C, 20-D, 20-E, 20-F, 20-G e 20-H:
Art. 20-B. II – averbar, inclusive por meio eletrônico, a certidão de dívida ativa nos registros de bens móveis ou imóveis sujeitos a arresto ou penhora, tornando-os indisponíveis” (transcrição na íntegra de comentário extraída do texto do projeto).
Igualmente, a previsão do artigo 20-B, II, da Lei 10.522/02 não concretiza a previsão do artigo 185 do CTN, pois vai além da descrição desta norma e, mais, é incoerente com o próprio parágrafo único deste artigo e com a previsão da alínea ‘A’ do artigo 185, todos do CTN, vejamos:
A leitura isolada do artigo 185 do CTN pode levar à conclusão de que assiste razão à Procuradoria, mas é deixada a margem quando analisada em conjunto com os artigos que se seguem (parágrafo único do artigo 185 e 185-A, do CTN). Não nos esqueçamos da importância da interpretação sistêmica da norma, a qual zela pela aplicação dada aos enunciados e seus sentidos, sem rejeição da validade de outras de mesma hierarquia, preservando-se, assim, a harmonização do sistema “normativo” tributário como um todo — o que não ocorre no presente caso.
Ou seja, realmente “uma dívida pode bloquear toda a capacidade de negociação dos bens, sem diferenciar estágios de gravidade”[3], sem contar no tempo gasto pelo contribuinte para tentar cancelar a anotação do patrimônio averbado — cuja realização pode se dar independentemente de ter ou não outros bens a oferecer, sobre a presunção de fraude a execução, o qual este pode nunca ter cogitado realizar — devendo passar por procedimento que pode durar até 45 dias até o pronunciamento da PGFN, isso se o pedido for deferido, caso contrário, terá de recorrer ainda ao Poder Judiciário.
Sobre estes dois últimos princípios, salientamos que, apesar do direito de propriedade realmente não ser absoluto, deve-se levar em consideração a determinação do artigo 5, LIV, CF, na medida em que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”.
Ao fim, conclui-se que o Fisco, no seu afã arrecadatório, tenta convencer os contribuintes e a sociedade de que a medida respeita precedentes e reconhece direitos, mas como bem disse Montesquieu: “Todo homem investido de poder é tentado a abusar dele”. No presente caso, por certo, seria melhor que não os tivesse.

References: artigo 185
 artigo 20
 artigo 185
 artigo 185
 artigo 185
 artigo 185
 artigo 5