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Timestamp: 2017-05-29 20:45:11+00:00

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Os Cânones de Dort	Detalhes
Acessos: 5062	O terceiro dos padrões doutrinários das Igrejas Reformadas é Os Cânones de Dort, também chamado de Os Cinco Artigos Contra os Remonstrantes. Os Cânones são exposições doutrinárias que foram adotadas pelo grande Sínodo Reformado de Dort de 1618/1619. Esse Sínodo teve dimensão internacional, pois não se compunha apenas de delegados das igrejas Reformadas dos Países Baixos; vinte e sete representantes de igrejas estrangeiras também participaram dele.
Primeiro Capítulo da Doutrina: A Eleição e a Reprovação Divinas
Dt 7.7; 9.6; Ef 1.4, 5; 2.10. Artigo 9 — A eleição não se baseia em fé prevista
Gn 17.7; Is 59.21; At 2.39; 1Co 7.14. Artigo 18 — Não protesto, mas sim adoração
Jó 34.34-37; Rm 9.20; Mt 20.15; Rm 11.33-36. Rejeição de Erros
Erro 1 — O completo e total decreto da eleição para a salvação é a vontade de Deus de salvar aos que irão crer e perseverar na fé e na obediência. Quanto a esse decreto, nada mais que isso foi revelado pela Palavra de Deus.
Refutação — Esse erro é um engano e contradiz claramente à Escritura que declara não somente que Deus irá salvar aos que crêem mas também que Ele, desde a eternidade, escolheu pessoas específicas. No tempo oportuno ele concede a esses eleitos, em detrimento de outros, a fé em Cristo e a perseverança. “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo” (Jo 17.6). “E creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). “assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4).
Refutação — Tudo isso é invenção da mente humana sem ne- nhuma base na Escritura. Isso corrompe a doutrina da eleição e rompe a corrente de ouro da nossa salvação: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30).
Erro 3 — O beneplácito e o propósito de Deus do qual a Escri- tura fala na doutrina da eleição não é que Ele escolheu especifi- camente algumas pessoas e outras não, mas que de entre todas as condições possíveis (assim como as obras da lei) Ele escolheu e selecionou o ato de fé — que não tem nenhum mérito em si mesmo — e também a imperfeita obediência da fé, para que fossem condição de salvação. Em Sua graça Ele quis considerar essa fé como obediência perfeita e digna da recompensa da vida eterna.
Refutação — Esse erro ofensivo rouba toda a eficácia do bene- plácito de Deus e dos méritos de Cristo, empurra as pessoas para longe da verdade da justificação pela graça e da simplicidade da Escritura; além de contradizer a palavra do apóstolo: “[Deus] nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a Sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” (2Tm 1.9).
Erro 4 — A eleição para a fé depende das seguintes condições: o homem deve fazer uso da luz da natureza do modo apropriado, deve ser piedoso, humilde, manso e qualificado para a vida eterna.
Refutação — Se isso fosse verdade a eleição dependeria do homem. Isso assemelha-se ao ensinamento de Pelágio e choca-se diretamente com ensinamento do apóstolo em Efésios 2.3-9: “entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mos- trar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.
Erro 5 — A eleição incompleta e não-definitiva de pessoas específicas para a salvação dá-se com base na presciência da fé, da conversão, da santidade, da piedade que começaram ou existiram por algum tempo. A eleição completa e definitiva, no entanto, ocorreu por causa da presciência da perseverança na fé, da conversão, da santidade e da piedade até o fim. Esse é o mérito gracioso e evangélico pelo que o eleito é mais digno do que o não eleito. Por isso, a fé, a obediência da fé, a santidade, a piedade e a perseverança não são frutos da imutável eleição para a glória. Antes, são as condições e as causas necessárias requeridas e sabidas de antemão como concretizadas naqueles que serão eleitos integralmente.
Refutação — Esse erro milita contra toda a Escritura, que constantemente nos incute o seguinte: A Eleição é motivada “não por obras, mas por Aquele que chama” (Rm 9.11); “e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48); “assim como nos escolheu nEle antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante Ele” (Ef 1.4); “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15.16). “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.6); “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10).
Erro 6 — Nem toda eleição para a salvação é imutável. Alguns dos eleitos podem e até mesmo perecem eternamente a despeito de qualquer decreto de Deus.
Refutação — Esse erro grosseiro torna Deus mutável, destrói a consolação que os crentes têm na firmeza da sua eleição e con- tradiz a Sagrada Escritura: O eleito não pode ser desviado, Mt 24.24; “E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu” (Jo 6.39). “E aos que predesti- nou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses tam- bém justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.30).
Erro 7 — Nesta vida não há fruto, consciência ou certeza da imutável eleição para a glória, exceto a que se baseia numa condição mutável e incerta.
Refutação — Falar de uma certeza incerta não é apenas absurdo mas é também contrário à experiência dos crentes. Sendo conscientes da sua eleição, eles se gloriem com os apóstolos nesse favor de Deus (Efésios 1); eles se regozijem com os discípulos de Cristo, por terem os seus nomes escritos no céu (Lucas 10.20); e eles levantem a consciência da eleição contra os dardos inflamados do maligno, quando exclamam: “Quem intentará acusa- ção contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8.33).
Refutação — A Escritura, no entanto, declara: “tem Ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem Lhe apraz” (Rm 9.18). Afirma também: “a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido” (Mt 13.11). E ainda: “Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt 11.25, 26).
Erro 9 — Deus envia o Evangelho a um povo mais que a um outro, não meramente e somente por causa do bom propósito de sua vontade, mas por ser este melhor e mais digno que o outro, ao qual o Evangelho não é comunicado.
Segundo Capítulo da Doutrina: A Morte de Cristo e a Redenção do Homem Através Dela
Rm 5.8; 2Co 5.21; Gl 3.13. Artigo 3 — O valor infinito da morte de Cristo
Hb 9.26, 28; 10.14; 1Jo 2.2. Artigo 4 — Por que a Sua morte tem valor infinito
Hb 4.15; 7.26; 1Jo 4.9; Mt 27.46. Artigo 5 — A proclamação universal do evangelho
Erro 5 — Todos os homens foram aceitos no estado de reconciliação e na graça da aliança, de sorte que ninguém está sujeito à condenação nem será condenado por causa do pecado original. Todos estão livres da culpa do pecado original.
Terceiro e Quarto Capítulos da Doutrina: A Corrupção do Homem, a sua Conversão a Deus e o Modo como isso Ocorre
No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e total conhecimento do Seu criador e de todas as coisas espirituais. A sua vontade e o seu coração eram retos; todos os seus sentimentos, puros; o homem era, portanto, completamente santo.Mas ao rebelar-se contra Deus pela instigação do diabo e pelo próprio livre-arbítrio, ele se privou desses dons excelentes e em lugar deles trouxe sobre si cegueira, trevas terríveis; vão e perverso juízo em sua mente; malignidade, rebelião e obstinação em sua vontade e coração; além de impureza em todos os seus sentimentos.
Erro 2 — Os dons espirituais ou as boas qualidades e virtudes — tais como a bondade, a santidade e a justiça — não podiam fazer parte da vontade do homem quando no princípio foi criado, e por isso não podiam ser separadas da sua vontade quando ele caiu. Refutação — Esse erro é contrário à descrição da imagem de Deus que o apóstolo dá em Efésios 4.24, ao associá-la à justiça e à santidade, as quais pertencem — sem a menor dúvida — à vontade.
Erro 3 — Na morte espiritual os dons espirituais não se separam da vontade do homem, porque a vontade em si jamais se cor- rompeu, estando apenas impedida pela escuridão da mente e o descontrole das paixões. Se esses obstáculos forem removidos a vontade poderá exercitar toda a sua capacidade inata. A vontade é em si mesma capaz de querer e de escolher, ou não, todo tipo de bem que lhe for apresentado.
Erro 4 — O homem não-regenerado não está realmente nem completamente morto em pecados, nem privado de toda capacidade para realizar o bem espiritual. Ele ainda é capaz de sentir fome e sede de justiça e de vida, e de oferecer o sacrifício de um espírito contrito e quebrantado que agrada a Deus.
Refutação — Essas declarações conflitam com o claro testemu- nho da Escritura: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vos- sos delitos e pecados” (Ef 2.1, 5). E: “era continuamente mau todo desígnio do coração do homem” (Gn 6.5 e 8.21). Além disso, somente os regenerados e os bem-aventurados é que têm fome e sede de libertação da miséria e da vida, e oferecem a Deus o sacrifício de um espírito quebrantado (Sl 51.19 e Mt 5.6).
Erro 5 — O homem corrompido e natural bem pode usar da graça comum (que para os Arminianos é a luz da natureza) ou dos dons ainda remanescentes nele depois da queda, e pode conquistar gradualmente pelo bom uso que faz deles uma graça maior, isto é, a graça evangélica ou salvadora, e a salvação em si mesma. Deste modo, Deus, por Sua vez, mostra-se pronto a revelar Cristo a todo homem, porque a todos Ele administra, suficiente e eficazmente, os meios necessários para que conheçam a Cristo, pela fé e arrependimento.
Quinto Capítulo da Doutrina: A Perseverança dos Santos
Rm 7.20; 1Co 10.13; 1Pe 1.5. Artigo 4 — Os santos estão sujeitos a cair em pecados graves
Dt 6.20-25; 2Tm 3.16, 17; At 2.42. Artigo 15 — Esta doutrina é odiada por Satanás, mas é amada pela igreja
Ap 14.12; Ef 5.32; Sl 33.10, 11; 1Pe 5.10, 11. Rejeição de Erros
— A fé daqueles que creram apenas por um tempo não di- fere da fé justificadora e salvadora, senão quanto à sua duração.Refutação
Erro 8 — Não é absurdo que alguém, tendo perdido a sua pri- meira regeneração, seja novamente e até frequentemente nasci- do de novo.Refutação — Essa doutrina nega que a semente de Deus, pela qual nascemos de novo, seja imperecível, e contraria o testemunho do apóstolo Pedro: “pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível” (1Pe 1.23).
— Cristo jamais orou em nenhuma parte para que os crentes perseverassem infalivelmente na fé.Refutação

References: Artigo 9
 Artigo 18
 Artigo 3
 Artigo 4
 Artigo 5
 Artigo 4
 Artigo 15