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Timestamp: 2017-05-26 01:45:36+00:00

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Tudo por São Paulo 1932: Agosto 2014
Tenente Mario Amazonas - 7o B.C.R. Santos
Esta é uma daquelas peças que trazem consigo uma carga histórica enorme e que deixam qualquer colecionador boquiaberto: Um capacete de aço como tantos outros que já mostrei aqui - porém com algumas marcações que depois de pesquisadas, acabam revelando passagens emocionantes!
O Tenente Mario Amazonas ajudou a organizar e foi um dos comandantes do 7o B.C.R. (Batalhão de Caçadores da Reserva) de Santos. Em algum momento daqueles distantes dias de 1932 teve a ideia de marcar seu capacete de aço com seu nome e batalhão - o que me permitiu após uma pesquisa na literatura da época, colher alguns dados e algumas de suas passagens durante a revolução. O livro "Santistas nas Barrancas do Paranapanema", um clássico sobre a revolução, traz seu nome em momentos cruciais da batalha. Escolhi duas passagens do livro que ilustram de forma clara, quem foi o bravo Tenente Mario Amazonas.
Abaixo vemos um documento de 1937 com uma foto do Tenente Amazonas, e na foto menor temos o tenente em 1932 usando o capacete de aço que chegou em minhas mãos 82 anos depois.
Em Victorino Carmillo A ação heróica das 2ª e 3ª Companhias do 7º Batalhão
Desde o dia 4 de agosto, as 2ª e 3ª Cias. do 7º Batalhão haviam se transportado para Victorino Carmillo. A fim de atender a qualquer necessidade da linha de frente, ocupada pelas seguintes unidades: - 1ª e 2ª Cias. do 9º B.C.R. e uma seção da 1ª Cia. do 18 R.A.M. Naquele dia. Logo pela manhã. Atendendo a um pedido de reforço, seguiu para a Fazenda S. Raphael o 2º pelotão da 3ª Cia. do 7º. Ficando localizado entre as posições ocupadas na linha Victorino Carmillo - Buri (quilômetro 286) onde permaneceu até o fim do combate. A 18 do mesmo mês. No dia 11. Novo reforço foi pedido para o prolongamento do nosso flanco direito. Por isso que o adversário procurava ocupar as alturas fronteiriças às nossas posições. O que, se acontecesse, fácil tornaria o envolvimento desse flanco. Nessa emergência, o tenente Mário Amazonas colocou o 1º pelotão no prolongamento do flanco direito. Onde já estava a 2ª Cia. do 9º B.C.R. Sob o comando do capitão Miranda. Nesse mesmo dia sofremos sério ataque da aviação inimiga. Nessas evoluções contínuas, não só procuravam reconhecer as posições que ocupávamos. Como ainda dificultavam seriamente o transporte de alimentação para a tropa. Até 13, à noite, toda a nossa linha viveu horas inquietantes. Não porque houvesse ataque do adversário. Entretanto, era tão intenso o movimento das nossas tropas, que a nossa situação agravava-se cada vez mais.
Em Saltinho Embarcamos. No mesmo dia 17. À tarde. Para Saltinho. Substituir tropas do capitão Ferreira. Nas trincheiras. Às margens do Paranapanema. A 18 tomamos posição. E ali ficamos até 20. Três noites de fogo. Com pequenos intervalos. Eu fico próximo a Oscar Alcover. Quando a fuzilaria dá-nos uma trégua, saímos da vala. Rastejando. Em busca de comida. Ou de café. O que nem sempre conseguimos. Porque é impossível, às vezes, levar a bóia no lugar em que estamos. Não há outro remédio. Senão curtir fome e sede. E ficar sem fumar. Atravessando as noites em claro. Na umidade. Dedo premendo o gatilho do fuzil. Disparando-o. Em defesa da própria vida. Que o inimigo no-la sacrificará. Se não estivermos vigilantes. E dispostos a reagir. Matando para não morrer. O tenente Mário Amazonas é o comandante das forças combatentes. Em Saltinho. Raramente se detêm no P. C. Vai às trincheiras. Cuida dos soldados. Interessa-se por todos. Faz o que é possível. Com inteligência. E energia. Sem esmorecimentos. Sua conduta merece louvores. Os voluntários santistas estão satisfeitos... Abaixo vemos o capacete de aço do Tenente Amazonas, com o qual ele participou da campanha com o 7o B.C.R. A data 10 - 7 - 1932 corresponde a formação do 7o B.C.R. Não está marcada a data do final da campanha.
Com tão poucas informações marcadas no capacete é possível saber de tanta história!
Para ler o livro Santistas nas Barrancas do Paranapanema de Santos Amorim na íntegra, basta acessar este link.
Ordem do Ipiranga REDUX
Pouca gente conhece a honraria mais elevada do Estado de São Paulo: A Ordem do Ipiranga. Instituída pelo Decreto nº 52.064, de 20 de junho de 1969 e regulamentada pelo Decreto nº 52.078 de 24 de junho de 1969 - ambos editados pelo Governador Roberto Costa de Abreu Sodré, a primeira outorga ocorreu em 8 de janeiro de 1970.Foi idealizada pelo Dr. Lauro Ribeiro Escobar e executada pelo escultor Luiz Morrone, ambos integrantes do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito. A denominação evoca o episódio máximo da história brasileira, ocorrido em São Paulo e o lema da Ordem é a frase de D. Pedro I "INDEPENDÊNCIA OU MORTE". A Ordem foi criada para homenagear instituições, cidadãos brasileiros e estrangeiros por seus méritos pessoais e serviços de relevância prestados ao Estado de São Paulo e ao seu povo. ROBERTO COSTA DE ABREU SODRÉ, GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO, usando de suas atribuições legais, e Considerando ser de toda a conveniência e oportunidade a instituição de uma Ordem Honorífica, destinada a galardear os cidadãos brasileiros e estrangeiros, que, por excepcionais serviços prestados ao Estado de São Paulo, se tenham tornado dignos de reconhecimento;Considerando que em todos os tempos, distinções semelhantes tem sido instituídas com a finalidade de premiar serviços meritórios e virtudes cívicas; e Considerando, finalmente, que, em Terras paulista, à margem do riacho do Ipiranga, teve nascimento a Pátria Brasileira, Decreta:Artigo 1º - Fica instituída a Ordem do Ipiranga. Artigo 2º - Esta Ordem será conferida aos cidadãos brasileiros e estrangeiros que se houverem distinguido por serviços de excepcional relevância prestados ao Estado de São Paulo e seu povo, que, a juízo do Governo, dela se fizerem dignos.Artigo 3º - O Governador do Estado será o Grão-Mestre da Ordem; o Secretário de Estado Chefe da Casa Civil e o Presidente do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito, serão, respectivamente, o Chanceler e Vice-Chanceler. Artigo 4º - A Ordem constará de cinco graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro e as suas insígnias serão as que constarem dos desenhos ao Regulamento a ser baixado. Artigo 5º - A insígnia de Grão-Mestre será a Grã-Cruz, que conservará. Artigo 6º - As nomeações para os diferentes graus serão feitas por decreto do Governador do Estado, na qualidade de Grão-Mestre, mediante proposta do Conselho da Ordem ou dos Secretários de Estado. Artigo 7º - O Conselho da Ordem será constituído pelo Chanceler e Vice Chanceler e pelos Conselheiros do Conselho Estadual de Honrarias e Mérito. Artigo 8º - O Conselho da Ordem terá sua sede no Palácio do Governo do Estado de São Paulo, correndo seu expediente pela Casa Civil do Governador. Artigo 9º - As despesas decorrentes deste decreto correrão à conta das verbas próprias da Casa Civil do Governador. Artigo 10º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação. Artigo 11º - Revogam-se as disposições em contrário. Palácio dos Bandeirantes, 20 de junho de 1969.ROBERTO COSTA DE ABREU SODRÉ
Abaixo vemos o Governador Abreu Sodré posando ao lado de um retrato seu com a faixa de Grão Mestre da Ordem do Ipiranga.Interessante notar nesse antigo exemplar, a frase PRO S. PAVLO FIANT EXIMIA no brasão.Abaixo vemos imagens da placa da Ordem do Ipiranga e Governador José Serra galardoando a Bandeira do Corpo de Bombeiros.
Brasão da Polícia Militar de São Paulo, 56 anos
Trago aos leitores do blog um pequeno estudo sobre as origens e formas do Brasão da Polícia Militar de São Paulo, brasão que este ano completa 56 anos desde que foi criado em 1958 por um tenente da Força Pública. Recentemente alguns desinformados propuseram modificar o brasão, alegando insensatos motivos de fundo político. Não é a primeira vez que atentam contra os símbolos paulistas - no passado uma prefeita propôs a alteração do listel NON DVCOR DVCO para "São Paulo para todos". Não passou. Nem vão passar.
Os paulistas no entanto devem estar sempre vigilantes. Por aqui sempre estaremos!
Em 15 de dezembro de 1958, foi apresentado ao Governador do Estado o projeto que foi convertido em decreto dois dias depois, criando o brasão de armas da Força Pública de São Paulo. A concepção foi do 1o Tenente Olavo Soares - vemos abaixo raros rascunhos do estudo artístico do brasão.
Abaixo a versão aprovada do brasão em uma belíssima peça de presenteação dos anos 60 - que era entregue como homenagem a personalidades civis e militares. A simbologia heráldica do brasão tem os seguintes significados:
Metais - O ouro simboliza riqueza, força, fé, pureza e constância. Na prata estão representadas inocência, candura e lisura. Esmaltes - O vermelho significa valor, intrepidez, ânimo valoroso, espírito decidido e guerra. O azul é a cor da majestade, nobreza, serenidade e formosura. A ciência, modéstia, abundância, fertilidade e estoicismo vem representados pelo preto.
As dezesseis estrelas, símbolos de vitória, representam:
O escudete encerra as cores da Bandeira Paulista e o leão passante é símbolo da majestade, soberania, autoridade, vigilância e bravura. Ao empunhar o sabre representa ainda a justiça, nobreza, poder conspícuo e longevidade. Com as figuras de Jorge Velho e do soldado de milícia homenageia o passado da corporação. O listel caracteriza um dever sempre cumprido: LEALDADE E CONSTÂNCIA!
Na imagem abaixo a versão desenhada do brasão usada nos antigos capacetes da PM.
Nas próximas imagens, a versão mais atual do brasão, bordada em tecido, com duas estrelas a mais, o Leão em posição "rampante" além do bandeirante e miliciano em posição de sentido. As estrelas significam:
Nas imagens seguintes, diversas aplicações do brasão da Polícia Militar em fivelas de cintos e abotuaduras. Reparem no uso das duas versões do brasão de acordo com a antiguidade da peça.
Termino esse pequeno estudo com o brasão em forma de mosaico que está instalado do páteo do Quartel da Luz na cidade de São Paulo.
BIBLIOGRAFIA: História da Força Pública, Capitão Luiz Sebastião Malvasio, dezembro de 1967.
Distintivo do Departamento de Assistência aos Feridos Para completar a "trilogia" dos distintivos das entidades civis que apoiaram as linhas de frente paulistas em 1932, trago hoje o distintivo do D.A.F. Departamento de Assistência aos Feridos. Para a maioria das pessoas este simples distintivo passaria despercebido - mas ele tem um significado enorme e muito bonito na história da Revolução de 1932.
Para entender a importância do D.A.F. vou recorrer ao trabalho da Professora Doutora Mônica Raisa Schpun sobre uma de suas fundadoras, Carlota Pereira de Queiroz.
Na imagem abaixo, vemos Dona Carlota mostrando sua coleção de distintivos paulistas para um repórter em 1954.
Distintivo do "Lunch Expresso"
Mais um distintivo histórico relacionado a São Paulo. O serviço de "Lunch Expresso" que funcionou na Revolução de 1932 foi uma iniciativa das Senhoras e Senhoritas da "Instrucção Artística do Brasil" - o expediente abastecia as tropas em combate com lanches acondicionados em pequenas caixas de papelão. Com sede na rua 24 de Maio no centro da cidade, o "Lunch Expresso" começou a funcionar em 15 de julho de 1932. O serviço prestado por estas almas caridosas que cuidavam de um desconhecido com o mesmo cuidado que teriam com o marido, irmãos ou filhos acolheu milhares de soldados. As senhoras e senhorinhas do "Lunch Expresso", o nosso mais profundo respeito.
Figurinha número 58 do Album Paulista, eis o raro distintivo do "Lunch Expresso".
Cada uma das caixas geralmente continham 1 sanduíche, bananas, laranjas, ovo cozido, sal, biscoito, balas, paçoca, um santinho com a imagem de Nossa Senhora e um maço de cigarros. Era um pouco do conforto do lar na borda das trincheiras nos infinitos do Estado de São Paulo.
Agradeço novamente ao colecionador Rodrigo Telles, que permitiu que eu tirasse fotos de seu acervo.
Caso você possua um destes distintivos e se interesse em vendê-lo, entre em contato (tudoporsp1932@gmail.com).
Distintivos do C.I.D.T.
Trago hoje aos leitores o raro distintivo do C.I.D.T. - Comissão Inspetora das Delegacias Técnicas, entidade que em 1932 atendia as necessidades de organização de serviços técnicos e coordenava a comunicação entre autoridades municipais e o Comando Militar Revolucionário, exercendo inclusive serviços de vigilância em linhas telefônicas e telegráficas durante todo o período dos combates. A medalha desta entidade já foi apresentada neste link.Todos os distintivos eram numerados e foram fabricados pela tradicional PETRACCO & NICOLI. As duas peças apresentadas abaixo fazem parte do acervo do colecionador Rodrigo Telles.
Distintivo do Departamento de Assistência aos Feri...

References: Artigo 2
 Artigo 4
 Artigo 5
 Artigo 6
 Artigo 7
 Artigo 8
 Artigo 9
 Artigo 10
 Artigo 11