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Timestamp: 2020-05-27 02:49:08+00:00

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Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4 - APELAÇÃO CRIMINAL : ACR 50056535920184047002 PR 5005653-59.2018.4.04.7002
Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4 - APELAÇÃO CRIMINAL : ACR 50056535920184047002 PR 5005653-59.2018.4.04.7002 - Inteiro Teor
Apelação Criminal Nº 5005653-59.2018.4.04.7002/PR
APELANTE: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (EMBARGADO)
APELADO: ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA (EMBARGANTE)
Trata-se de apelação criminal interposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERA em face de sentença que julgou procedente os embargos de terceiro opostos por ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA, deferindo o levantamento das constrições pendentes sobre o imóvel inscrito no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 83.307, nos seguintes termos (evento 18 dos autos originários):
A embargante ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA opôs embargos de terceiro em face do Ministério Público Federal, com objetivo de ver levantado o arresto e o sequestro do imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 83.307, decretado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região no evento nº 02 dos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002, sob argumento de que adquiriu a res de forma onerosa, antes da decretação da medida cautelar, ostentando a qualidade de terceiro de boa-fé (evento nº 01).
O Ministério Público Federal apresentou contestação no evento nº 07, oportunidade em que se manifestou pela procedência do pedido, com ressalva da aplicação do disposto no parágrafo único do art. 130 do Código de Processo Penal.
A embargante ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA, no dia 01 de abril de 2016, firmou compromisso de compra e venda com SG – BERTTONI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – EPP se comprometendo a adquirir o lote nº 01 da quadra nº 05, com área total de 442,69m do Loteamento Delta Parque, situado no Município de Santa Terezinha de Itaipu/PR, matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 83.307, pelo valor de R$ 119.580,30 (cento e dezenove mil quinhentos e oitenta reais e trinta centavos) (evento nº 01 – OUT8).
Referido lote, conforme se depreende da matrícula digitalizada no evento nº 01 – OUT13, constituía parcela do imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 71.954, e é resultante de seu loteamento, levado a registro no dia 16 de junho de 2012 (evento nº 01 – OUT13).
No dia 17 de outubro de 2016, ou seja, há mais de 04 (quatro) anos depois do loteamento, foi decretado o sequestro e o arresto do terreno / fração urbano, com área total de 51.757,41 m², situado no Município de Santa Terezinha de Itaipu/PR, matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 71.954, registrado em nome de SG BERTTONI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. – ME (evento nº 02 dos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002).
Conforme se observa da decisão proferida no evento nº 02 dos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002, o sequestro e o arresto decretado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região abrange o imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 71.954 e não os lotes que são fruto de seu loteamento. Ademais, impende observar que não houve decretação da indisponibilidade da totalidade dos bens pertencentes a SG BERTTONI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. – ME, mas tão-somente dos imóveis indicados pelo Ministério Público Federal e de seus ativos financeiros.
Data venia, tratando-se de medida restritiva do direito de propriedade, não há como ser dada a ela interpretação extensiva, para o fim de abranger bens decorrentes de loteamento efetivado cerca de 04 (quatro) anos de sua decretação, uma vez que com a abertura de novas matriculas, passaram os lotes frutos da subdivisão a possuir existência autônoma em relação à res originária. Além disso, não há na decisão proferida no evento nº 02 dos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002, autorização para que a medida constritiva tenha incidência sob bens decorrentes da repartição da res originária.
Note-se, por oportuno, que apesar de o loteamento do imóvel ter sido levado a registro no ano de 2012, tal fato não foi noticiado pelo Ministério Público Federal nos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002. Com efeito, acabou a medida decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região incidindo sobre imóveis sobre os quais terceiras pessoas possuem direitos, sejam decorrentes da aquisição, sejam decorrentes de compromisso de compra e venda, sendo provável que, se aquela corte tivesse conhecimento acerca do loteamento do bem, teria determinado a promoção de medidas aptas a evitar que pessoas estranhas à lide originária não fossem indevidamente atingidas pela medida cautelar.
Além da extrapolação dos limites da ordem judicial emanada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que, por si só, constitui fundamento apto para o fim de autorizar o levantamento do sequestro e do arresto do imóvel pertencente à embargante, observo que não há nos autos notícia de que ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA possua qualquer envolvimento com os fatos que constituem objeto das ações penais decorrentes das cognominadas OPERAÇÃO PECÚLIO e NIPOTI e tampouco com as pessoas que figuram como rés em referidos procedimentos.
Como inclusive foi assinalado pelo Ministério Público Federal na manifestação do evento nº 07, “enquadra-se o requerente como terceiro de boa-fé (...) devendo os presentes embargos serem julgados procedentes para o fim de que o gravame seja levantado, vez que além de ter adquirido o imóvel de forma onerosa antes da medida cautelar, não há nada que demonstre possuir relação com as condutas ilícitas denunciadas no bojo da Operação Pecúlio / Nipoti”.
Diante de tais fundamentos, merece deferimento o pedido formulado pela embargante ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA no evento nº 01, para o fim de ser levantada a indisponibilidade inscrita junto aos assentos do imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 83.307.
Arguiu o Ministério Público Federal que há, in casu, incidência do disposto no parágrafo único do art. 130 do Código de Processo Penal, segundo o qual “não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de passar em julgado a sentença condenatória”.
Data venia, não há como se acolher o entendimento esposado pelo Ministério Público Federal, primeiro porque, in casu, há mácula quanto cumprimento dos limites da ordem emanada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, uma vez que o imóvel objeto dos presentes embargos, a partir do loteamento, passou a ter existência autônoma em relação à res originária. Insista-se, não foi decretado o sequestro ou o arresto do imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 83.307, mas sim, especificamente, daquele que lhe deu origem.
Se não bastasse isso, ainda que se diga que a decretação do sequestro e do arresto, sem que tenha sido levado ao conhecimento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a existência de loteamento, abrange os bens decorrentes da subdivisão da res originária, constitui a aplicação do parágrafo único do art. 130 do Código de Processo Penal, in casu, ofensa ao disposto no inciso XXII do art. 5º da Constituição Federal, porquanto se tratar a embargante ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA de pessoa que não possui qualquer relação com os fatos que constituem objeto das ações penais decorrentes das cognominadas OPERAÇÕES PECÚLIO e NIPOTI, não sendo razoável que permaneça com a res constrita até o trânsito em julgado daqueles feitos, o que, a julgar pelo sistema recursal pátrio, pode demandar décadas. Além disso, não logrou o Ministério Público Federal apresentar qualquer fundamento para aplicação da regra do parágrafo único do art. 130 do Código de Processo Penal nos presentes autos.
Diante do exposto, por afrontar a garantia fundamental insculpida no inciso XXII do art. 5º da Constituição Federal e o princípio constitucional da proporcionalidade, em sua vertente razoabilidade, declaro inconstitucional a aplicação do parágrafo único do art. 130 do Código de Processo Penal no caso dos autos e, consequentemente, julgo procedente o pedido formulado no evento nº 01, para o fim de deferir o levantamento do sequestro e do arresto do imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 71.954, determinado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002.
Condeno o embargado ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, os quais, ex vi do art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil, arbitro em R$ 1.000,00 (mil reais), considerando a baixa complexidade da causa e o parco número de atos processuais praticados.
Oficie-se ao Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR determinando o levantamento do sequestro e do arresto do imóvel matriculado naquela serventia sob o nº 83.307, determinado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, nos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002.
Junte-se cópia desta decisão aos autos da cautelar inominada criminal nº 5001394-55.2017.4.04.7002 e, naqueles autos, notifique-se o Ministério Público Federal para que, no prazo de 15 (quinze) dias, do sequestro / arresto dos imóveis matriculados no 1º Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Foz do Iguaçu – PR sob os nº 83255, 83256, 83257, 83259, 83258, 83259, 83260, 83261, 83262, 83263, 83264, 83265, 83266, 83267, 83268, 83269, 83270, 83271,83272, 83277, 83278, 83279, 83280, 83281, 83282, 83283, 83284, 83285, 83286, 83273, 83274, 83275, 83276, 73547, 73548, 73549, 73550, 73551, 73552, 73553, 73554, 73555, 73556, 73557, 73558, 83289, 83290, 83291, 83292, 83293, 83294, 83295, 83296, 83297, 83298, 83299, 83300, 83301, 83302, 83303, 83304, 83305, 83306, 83308, 83309, 83310, 83311, 83312, 83313, 83314, 83315, 83316, 83317, 83318, 83319, 83320, 83321, 83322, 83323, 83324, 83325, 83326, 83327, 83328, 83329, 83330, 83331, 83332, 83333, 83334, 83335, 83336, 83337, 83338, 83339, 83340 e 83341, frutos do loteamento do imóvel matriculado naquela serventia sob o nº 71.954, uma vez que a medida decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região estava restrita ao terreno originário e não aos decorrentes de sua subdivisão.
Inconformado, o Ministério Público interpôs apelação, alegando, em síntese: a) que o fundamento legal utilizado para justificar a procedência da ação, seria o artigo 130, inciso II, do Código de Processo Penal e artigo 674 e seguintes do Código de Processo Civil, ao argumento de que adquiriu o imóvel a título oneroso e de boa-fé. Ocorre que, segundo o artigo 130, parágrafo único, do Código de Processo Penal, não poderá ser pronunciada sentença em embargos de terceiro antes do trânsito em julgado da sentença penal condenatória. Alternativamente, entende indevida a condenação do Ministério Público em custas e honorários advocatícios, salvo comprovada e inequívoca má-fé do membro atuante, inocorrente e sequer aventada na espécie. Isto porque o parquet age em prol da coletividade e as medidas assecuratórias (arresto/sequestro) visam atender ao interesse público, resguardando bens que posteriormente poderão ser objeto de perdimento em favor da União, considerados o produto do crime ou qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prática do fato criminoso, conforme determina o artigo 91, inciso II, b, do Código Penal.
Com contrarrazões (evento 37).
A Procuradoria Regional da República, em parecer, opinou pelo parcial provimento do apelo ministerial, para afastar a condenação do embargado em honorários advocatícios e custas processuais (evento 5).
Documento eletrônico assinado por LUIZ CARLOS CANALLI, Relator, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40001265627v7 e do código CRC 345d00be.
Data e Hora: 27/8/2019, às 18:49:7
5005653-59.2018.4.04.7002
40001265627 .V7
Conferência de autenticidade emitida em 28/08/2019 21:12:05.
Documento:40001265628
Cuida-se de embargos de terceiro manejados por ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA objetivando a liberação de bem imóvel matriculado no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR sob o nº 83.307, arrestado e sequestrado por decisão do egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em medida cautelar inominada requerida no bojo da Operação Pecúlio (autos 5041012-95.2016.404.0000).
A douta juíza singular substituta FLAVIA HORA OLIVEIRA DE MENDONÇA julgou procedente o pedido formulado pela defesa da embargante, deferindo o levantamento das constrições pendentes sobre o imóvel, com declaração da inconstitucionalidade do art. 130, parágrafo único, do Código de Processo Penal.
Inconformado, o órgão do MPF atuante no processo originário apela, defendendo, em síntese, a aplicabilidade do art. 130, parágrafo único, do Código de Processo Penal, pois os presentes embargos somente poderiam ser julgados após o trânsito em julgado da Ação Penal, conforme dispõe o artigo 130, parágrafo único do CPP. Subsidiariamente, pede o afastamento da condenação em custas e honorários, no montante de R$ 1.000,00 (mil reais).
O recurso merece parcial acolhida, nos termos da motivação adiante expendida.
Os embargos de terceiro constituem um meio de impugnação jurisdicional que pode viabilizar a liberação de bem de terceiro (aquisição de boa-fé e a título oneroso), apreendido por ordem judicial. No âmbito processual penal, os arts. 125 a 135 da CPP autorizam tal via processual contra ato de constrição judicial, aplicando-se subsidiariamente, no que couber, a legislação processual civil em vigor.
In casu, este TRF deferiu, na data de 17/10/2016, o sequestro e arresto nos autos 5001394-55.2017.4.04.7002, em face do imóvel descrito como Lote nº 1, quadra 5, do Loteamento Delta Parque, no Município de Santa Terezinha de Itaipu/PR, com área total de 442,69 m², matriculado sob nº 83.307, no 1º Ofício de Registro de Imóveis da Comarca de Foz do Iguaçu/PR.
A embargante afirmou na inicial que adquiriu o referido imóvel em 04/04/2016, através de Contrato de Compromisso de Compra e Venda firmado com SG BERTTONI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA - EPP, ou seja, em momento anterior a constrição realizada em 16/10/2016 (autos originários no TRF da 4a Região n. 5041012-95.2016.404.0000).
Argumentou que se enquadra como terceira de boa-fé, pois adquiriu o imóvel a título oneroso e de boa-fé, sendo aplicável, na espécie, o artigo 130, inciso II, do Código de Processo Penal e artigo 674 e seguintes do CPC.
Efetivamente, é forçoso dar razão à ora apelada.
Ab initio, não prevalece a alegação ministerial no sentido de que os presentes embargos somente poderiam ser julgados após o trânsito em julgado da Ação Penal, conforme dispõe o artigo 130, parágrafo único do CPP, uma vez que o regramento não se aplica ao sequestro de bens pertencentes a terceiros de boa-fé totalmente estranhos aos fatos que constituem objeto da persecução penal. Nessa alinha os recentes jugados desta Turma criminal e do STJ:
PENAL E PROCESSUAL PENAL. OPERAÇÃO SHYLOCK. EMBARGOS DE TERCEIRO. BEM IMÓVEL. SEQUESTRO. DECRETO-LEI 3.240/41. ORIGEM LÍCITA DO PATRIMÔNIO ATINGIDO PELA CONSTRIÇÃO. JULGAMENTO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 130, § ÚNICO DO CPP. INAPLICABILIDADE. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE. REMESSA AO JUÍZO CÍVEL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. TERCEIRO DE BOA-FÉ. LEVANTAMENTO. DEPÓSITO. PARCELAS ADIMPLIDAS PELOS INVESTIGADOS. DESNECESSIDADE.
1. O credor fiduciário - terceiro de boa-fé em relação aos fatos investigados na Operação Policial - possui direito à liberação do bem sequestrado, em relação ao qual detém a domínio resolúvel e a posse indireta.
2. Comprovam a propriedade do bem o contrato de financiamento com garantia de alienação fiduciária a que está vinculado o imóvel e o demonstrativo de inadimplemento das parcelas contratuais pelos investigados. Esses elementos formam conjunto cognitivo hábil à demonstração da propriedade, em relação à qual, a propósito, não remanescem dúvidas que justifiquem a remessa do processo ao Juízo Cível, como pretendem os apelantes.
3. Hipótese em que não se está a discutir os pressupostos formais de validade do instituto da alienação fiduciária, debate este de natureza cível. O que se está a avaliar é a equalização do gravame oriundo da alienação com a constrição de jaez criminal, e, para tanto, a instituição financeira apresentou documentos suficientes para elucidar a legitimidade do seu pleito, comprovando que é a proprietária do imóvel e que o pagamento das parcelas do financiamento está em atraso.
4. Não prevalece a alegação de que os presentes embargos somente poderiam ser julgados após o trânsito em julgado da Ação Penal, conforme dispõe o artigo 130, parágrafo único do CPP, uma vez que o regramento não se aplica ao sequestro de bens pertecentes a terceiros de boa-fé totalmente estranhos aos fatos que constituem objeto da persecução penal.
5. A medida constritiva prevista no Decreto-Lei 3.240/41 possui finalidade eminentemente assecuratória, visando, precipuamente, a garantir o ressarcimento do Erário, nos casos em que a prática de crimes resulta em prejuízo à Fazenda Pública. A constrição dessa natureza pode atingir todo o patrimônio do réu, ainda que tenha origem lícita e não possua vinculação com o crime, no que difere do sequestro previsto nos artigos 125 e 126 do Código de Processo Penal, a despeito da idêntica terminologia utilizada.
6. Caso em que a instituição financeira comprovou que é terceira de boa-fé em relação aos fatos que são alvo da persecução penal, já que não constam indícios de que esteja de alguma forma envolvida com os crimes investigados, bem como que é a legítima proprietária do imóvel pleiteado, havido como garantia de alienação fiduciária, em contrato parcialmente inadimplido pelos réus. Sendo a instituição financeira - credora fiduciária, terceira de boa-fé, não pode ser lesada em seu patrimônio, devendo-se proceder a liquidação do crédito dos acusados nos termos da Lei 9.514/97.
7. O valor que deve permanecer seqüestrado nos autos é tão somente o saldo remanescente ao qual os acusados fazem jus, após a venda do bem em leilão e a incidência de todos os descontos devidos, sobre ele remascendo a medida assecuratória patrimonial.
8. Provido parcialmente o recurso da instituição financeira para autorizar o levantamento da constrição de indisponibilidade que atingiu o imóvel, mediante a depósito apenas dos valores que os devedores fiduciantes teriam a receber, após a execução do contrato. (TRF4, 7ª Turma, Apelação Criminal Nº 5000989-74.2017.4.04.7210, RELATORA: Desembargadora Federal CLAUDIA CRISTINA CRISTOFANI, j. em 17/07/2019)
“RECURSO ESPECIAL. PROCESSO PENAL. EMBARGOS DE TERCEIRO EM SEQUESTRO. JULGAMENTO SUBMETIDO AO TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO PENAL. DESNECESSIDADE. ADQUIRENTE INTEIRAMENTE ALHEIO AO FATO INVESTIGADO. REEXAME DE PROVA. 1. O julgamento dos embargos do terceiro não fica no aguardo do término da ação penal, ainda que o bem objeto de constrição tenha sido adquirido diretamente do réu, se resta comprovado nos autos que o adquirente é terceiro inteiramente alheio ao fato investigado na ação penal.
2. Decidido nas instâncias ordinárias que o embargante é terceiro de boa-fé inteiramente alheio ao fato de que cuida a ação penal, maiores considerações acerca do tema demandariam o exame da prova dos autos, o que é inviável nesta sede especial, a teor do enunciado nº 7 da Súmula desta Corte. 3. Recurso improvido.” (STJ, 6ª Turma, REsp 1385161/ES, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, DJe 03/02/2015)
Quanto ao deferimento do pedido da embargante, observo que há documentos que amparam o pedido deduzido.
Da análise do Contrato de Compromisso de Compra e Venda (evento 1, OUT8) infere-se que o mesmo foi celebrado em 01/04/2016, ou seja, em momento anterior a 17/10/2016, data do deferimento das medidas assecuratórias pelo Tribunal Regional Federal da 4 a Região nos autos 5041012-95.2016.404.0000. Ademais, dos documentos acostados no evento 1, OUT26 a OUT38 afere-se o pagamento das parcelas referentes aos meses de setembro/2016 a agosto/2017.
Além disso, inexiste nos autos informação no sentido de que a apelada ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA esteja envolvida com os fatos que constituem objeto das ações penais decorrentes da operações PECÚLIO e NIPOTI, tampouco com as pessoas que figuram como rés nos referidos procedimentos, tudo a reforçar sua posição de adquirente de boa-fé, consoante bem delineado na sentença apelada:
(...) observo que não há nos autos notícia de que ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA possua qualquer envolvimento com os fatos que constituem objeto das ações penais decorrentes das cognominadas OPERAÇÃO PECÚLIO e NIPOTI e tampouco com as pessoas que figuram como rés em referidos procedimentos.
Deste modo, enquadra-se a requerente como terceiro de boa-fé, nos termos do artigo 130, inciso II, do Código de Processo Penal c/c artigo 674, § 1º, do Código de Processo Civil, estando correta a sentença que julgou procedentes os embargos de terceiro para o fim de que o gravame seja levantado, vez que além dela ter adquirido o imóvel de forma onerosa antes da medida cautelar, não há nada que demonstre possuir relação com as condutas ilícitas denunciadas no bojo da Operação Pecúlio/Nipoti.
Saliento - porque importante -, que, no feito da origem, o Ministério Público Federal se manifestou (no evento 7 - CONTEST1) favoravelmente à procedência dos embargos de terceiro.
Por conseguinte, é de rigor a manutenção da sentença que julgou procedente os embargos de terceiro opostos por ANDREA CRISTINA BRAUER FERREIRA no tocante ao desbloqueio do imóvel matriculado sob nº 83.307 no Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Foz do Iguaçu/PR.
Ao julgar procedente os embargos de terceiro, o Juízo de origem também condenou o Ministério Público Federal ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, no montante de R$ 1.000,00 (mil reais) com fundamento no art. 85, § 2º, do Código de Processo Civil.
Irresignado, o MPF pede o afastamento da aludida condenação, sob o argumento de ser totalmente incompatível com as funções que a Instituição exerce, enquanto representante da sociedade.
Com efeito, a lei processual não prevê pagamento de honorários de sucumbência nos procedimentos relativos às medidas assecuratórias penais (artigo 125 e seguintes do Código de Processo Penal), seja em face de arresto ou seqüestro, bem como nos embargos opostos pelo titular do bem, seja terceiro ou o próprio acusado (artigo 130 do Código de Processo Penal). Ademais, a lei que dispõe sobre as custas processuais na Justiça Federal isenta o Ministério Público Federal de seu pagamento (artigo 4 o , III, da Lei nº 9.289/96). Neste sentido, o ilustrativo julgado desta 7ª Turma:
PENAL. EMBARGOS DE TERCEIRO PROCEDENTES. SEQÜESTRO DE IMÓVEL PARA GARANTIR EVENTUAL DECISÃO CONDENATÓRIA EM AÇÃO PENAL. CONDENAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL EM CUSTAS E HONORÁRIOS. INCABÍVEL. Incabível a condenação do Ministério Público Federal em custas e honorários, em embargos de terceiro relativo a arresto ou seqüestro de imóvel para garantir eventual decisão condenatória em ação penal. A lei processual, na parte em que se dedica ao regramento das medidas assecuratórias penais (artigo 125 e seguintes do Código de Processo Penal), não prevê condenação em honorários advocatícios. O Ministério Público Federal é isento de custas processuais perante a Justiça Federal, nos termos do artigo 4º, III, da Lei nº 9.289/96. Requeridas as medidas assecuratórias no âmbito de investigação regular, a procedência dos embargos de terceiro, por si só, não é causa de condenação nas verbas de sucumbência. Tal condenação equivaleria a exigir o pagamento de custas e honorários do Ministério Público Federal nos casos em que a ação penal resulte em absolvição. (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL Nº 5055942-41.2014.404.7000, 7ª TURMA, Juiz Federal MARCELO MALUCELLI, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 07/10/2015)
Nestes termos reclama parcial guarida a apelação interposta pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL para afastar a condenação em custas e honorários.
Ante o exposto, voto por dar parcial provimento à apelação criminal
Documento eletrônico assinado por LUIZ CARLOS CANALLI, Relator, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40001265628v8 e do código CRC 91f210f9.
40001265628 .V8
Documento:40001265629
PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. OPERAÇÃO PECÚLIO e NIPOTI. PEDIDO DE LEVANTAMENTO DO bloqueio de imóvel. sentença procedente. boa fé do adquirente reconhecida. Desnecessidade do trânsito em julgado da sentença em ação penal para decidir os embargos de terceiro. condenação do ministério público em custas e honorários.
1. Os embargos de terceiro constituem um meio de impugnação jurisdicional que pode viabilizar a liberação de bem de terceiro (aquisição de boa-fé e a título oneroso), apreendido por ordem judicial.
2. Tendo a embargante, alheia à prática criminosa, demonstrado que adquiriu o imóvel constrito de forma onerosa, antes mesmo da deflagração da operação policial que ensejou o gravame, pode ser considerada como terceiro adquirente boa-fé.
3. Não prevalece a alegação de que os presentes embargos somente poderiam ser julgados após o trânsito em julgado da Ação Penal, conforme dispõe o artigo 130, parágrafo único do CPP, uma vez que o regramento não se aplica ao sequestro de bens pertencentes a terceiros de boa-fé totalmente estranhos aos fatos que constituem objeto da persecução penal. (precedentes deste TRF e do STJ).
4. Incabível a condenação do Ministério Público Federal em custas e honorários, em embargos de terceiro relativo a arresto ou sequestro de imóvel para garantir eventual decisão condenatória em ação penal.
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 7ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação criminal, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Documento eletrônico assinado por LUIZ CARLOS CANALLI, Relator, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40001265629v6 e do código CRC cb87c27e.
40001265629 .V6
ADVOGADO: JACIARA RAMOS (OAB PR067323)
Certifico que este processo foi incluído na Pauta da Sessão Ordinária do dia 27/08/2019, na sequência 64, disponibilizada no DE de 09/08/2019.
A 7ª TURMA DECIDIU, POR UNANIMIDADE, DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO CRIMINAL.
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ACR 5005653-59.2018.4.04.7002 PR 5005653-59.2018.4.04.7002

References: in casu
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 artigo 674
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 artigo 91
 artigo 1
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In casu
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