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Timestamp: 2020-06-02 18:10:11+00:00

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Tribunal Superior do Trabalho TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA : AIRR 100674020145150018
Tribunal Superior do Trabalho TST - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA : AIRR 100674020145150018 - Inteiro Teor
AIRR 10067-40.2014.5.15.0018
DEJT 30/09/2015
Inteiro TeorTST_AIRR_100674020145150018_a2297.pdf
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Advogado :Dr. Olavo Gliorio Gozzano
Agravado :DENISE MARIA DE ANDRADE SILVA
Advogada :Dra. Fabíola Eliana Ferrari
Agravado :MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICOS LTDA. (EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL)
Advogado :Dr. Roberto de Faria Miranda
BL/asm
Agravo de instrumento em que se objetiva a reforma da decisão agravada para destrancar o processamento do recurso de revista interposto contra acórdão publicado na vigência da Lei nº 13.015/2014.
O seguimento do referido recurso foi denegado nos seguintes termos:
Cumpre esclarecer que o eventual apontamento de ofensa a dispositivos legais e de divergência de arestos não serão apreciados, tendo em vista que a presente ação está sujeita ao procedimento sumaríssimo, nos termos do art. 896, § 9º, da CLT. Oportuno ressaltar que não é válida, para efeito de conhecimento do recurso de revista, a invocação de Orientação Jurisprudencial do Tribunal Superior do Trabalho, de acordo com o disposto na Súmula 442 do C. TST.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA/ SUBSIDIÁRIA.
OUTRAS RELAÇÕES DE TRABALHO/ CONTRATO DE APRENDIZAGEM.
No que se refere ao reconhecimento do recorrente (Fasam) como empregador e responsável pelo adimplemento dos haveres trabalhistas da reclamante e a responsabilidade subsidiária da 2ª reclamada (Mabe), o v. acórdão, além de ter se fundamentado nas provas, decidiu em consonância com o inciso IV da Súmula 331 do C. TST, o que inviabiliza o recurso, de acordo com as Súmulas 126 e 333 do C. TST.
Além disso, não afronta o art. 5º, II, da Carta Magna v. acórdão que fundamenta sua decisão em Súmula, pois a jurisprudência é fonte de direito expressamente prevista no art. 8º da CLT.
Cumpre ressaltar que a arguição de inconstitucionalidade de Súmula do C. TST não constitui hipótese de cabimento do presente recurso, pelo teor do art. 896 da CLT.
Na minuta em exame, a parte sustenta o cabimento do recurso de revista por afronta aos artigos 5º, II, e 203, III, da Constituição, violação aos artigos 428, 429, 430, II, 431, e 479, da CLT, 4º, 68, § 2º, 69, I e II, da Lei 8.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA), 5º, 9º, 15, § 2º, do Decreto 5.598/2005, bem como colaciona arestos para confronto de teses.
Todavia, a irresignação delineada nas razões do agravo de instrumento em exame não infirma os sólidos fundamentos invocados pela douta autoridade local.
Isso porque, a admissibilidade do recurso de revista interposto nas causas submetidas ao procedimento sumaríssimo depende da demonstração de contrariedade a súmula do Tribunal Superior do Trabalho ou a súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal ou, ainda, de ofensa direta a dispositivo da Constituição, na conformidade do artigo 896, § 9º, da CLT, e da Súmula 442/TST.
Dessa forma, não se habilita ao conhecimento desta Corte a violação legal e divergência jurisprudencial colacionadas na revista.
No tocante à pretensa afronta ao artigo 5º, inciso II, e 203, III, da Carta de 1988, cumpre reportar ao acórdão recorrido.
Dele se percebe ter o Regional mantido a sentença de origem, no tocante à responsabilidade subsidiária a 2ª reclamada. Vem a calhar os fundamentos deduzidos neste trecho do julgado:
A reclamante teve seu contrato registrado pela FASAM FAMILIARES E AMIGOS DA SAÚDE MENTAL (ID 1823533), como Aprendiz de Auxiliar Administrativo, em 13/08/2012, com salário de R$ 509,40. Há observação de que o contrato se deu por prazo determinado (1 ano), decorrente de contrato celebrado com a MABE Itu Eletrodoméstico S/A.
O que se verifica dos documentos juntados é que a FASAM não atuou, com quer fazer crer, como simples intermediária na colocação de menores aprendizes nas empresas com as quais firmou contrato, mas sim como real empregadora, como se observa dos documentos juntados e, especialmente do contrato de ID 1823582.
No presente caso, a empresa MABE é apenas a tomadora dos serviços prestados pela reclamante, que fora contratada pela FASAM.
Veja-se que o contrato de trabalho acima mencionado aduz expressamente que a menor é contratada pela FASAM, como sua aprendiz: "Clausula 1a - O EMPREGADOR admite como seu APRENDIZ,..."
Se a FASAM estivesse intermediando a colocação de menores aprendizes em empresas, o contrato de trabalho dos menores deveria ser firmado diretamente com a empresa onde o menor realizaria seu aprendizado, e não com a Associação intermediadora (FASAM).
O que existe neste caso é um contrato de trabalho firmado diretamente com a FASAM, que encaminhou a reclamante (sua empregada) para prestar serviços na empresa tomadora (MABE), típico caso de terceirização de mão-de-obra.
O contrato de trabalho a que se refere o artigo 3º do Decreto n.º 5.598/2005 diz respeito ao contrato de aprendizagem firmado DIRETAMENTE com a empregadora e não com associação intermediadora. Ao firmar contrato e registrar (diretamente) a CTPS da reclamante, a FASAM se colocou na condição inequívoca de empregadora, ainda que fosse diversa a sua intenção.
Art. 3º - Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado não superior a dois anos, em que o empregador se compromete a assegurar ao aprendiz, inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico-profissional metódica compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz se compromete a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação. (g.n.)
E, no presente caso, o fato de a FASAM ter encaminhado a menor para trabalhar em outra empresa (MABE) não lhe retira a condição de empregadora.
Nesse passo, escorreita a r. sentença que entendeu como principal empregadora e responsável pelo adimplemento dos haveres trabalhistas da reclamante, a FASAM - FAMILIARES E AMIGOS DA SAÚDE MENTAL (1ª reclamada), e, como responsável subsidiária a empresa tomadora - MABE BRASIL ELETRODOMÉSTICO LTDA. (2a reclamada).
E aqui, incontestável ser a responsabilidade da empresa tomadora (MABE) somente subsidiária, uma vez que trata-se de terceirização de serviços adotada pela 2ª reclamada.
Registre-se, ainda, que, embora não haja, efetivamente, qualquer dispositivo legal que trate especificamente da condenação subsidiária da empresa tomadora de serviços, esta se escora na construção jurisprudencial representada pela Súmula n.º 331, do C.TST. Esta, por sua vez, encontra suporte nos artigos 186 e 927 do Código Civil Brasileiro, no artigo 8º, da Consolidação das Leis do Trabalho, no artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e no artigo 127 do Código de Processo Civil, eis que "trata-se de princípio de responsabilidade trabalhista que todo aquele que se beneficia direta ou indiretamente do trabalho do empregado deve responder com seu patrimônio pelo adimplemento das obrigações correspondentes".
Nesse espeque, não obstante o permissivo legal, restou incontroverso que a 2ª reclamada beneficiou-se dos serviços prestados pela reclamante durante a vigência do pacto laboral.
Porém, não há que se falar em responsabilização solidária ou vínculo direto com a 2ª reclamada, como quer a 1ª reclamada. Como bem definiu a Origem, não se pode falar em solidariedade uma vez que este vínculo de direito material não se presume e tem origem necessariamente na lei ou no contrato, ambos ausentes.
E continua a nobre magistrada: "A condenação de forma subsidiária diz respeito ao dever de quitar a dívida não paga pelo devedor da obrigação (empregadora), e não ao pagamento de cada um dos títulos decorrentes do vínculo empregatício de forma individualizada. Ademais, a segunda reclamada admite que foi tomador (a) dos serviços prestados pelo reclamante no período declinado na exordial, não havendo falar-se em limitação da responsabilidade deste (a)."
Assim, fica mantida a r. sentença de Origem, especialmente no que tange à responsabilidade das rés, sendo a 1ª reclamada, empregadora e devedora principal e 2ª reclamada como responsável subsidiária pelos haveres trabalhistas da reclamante, deferidos em juízo.
Pois bem, é sabido que a base fática da controvérsia não pode ser revolvida pelo TST, consoante o que dispõe a Súmula nº 126. A este órgão incumbe apenas a conclusão jurídica dela resultante, ou seja, examinar se os fatos lançados no acórdão impugnado tiveram o correto enquadramento jurídico.
A aplicação do referido verbete sumular impede esta Corte de emitir qualquer pronunciamento em virtude de a matéria, tal como colocada, ter adquirido contornos nitidamente fático-probatórios, porque não é possível chegar a conclusão diversa do decidido pelo Regional sem revolver fatos e provas, ou seja, sem se imiscuir na competência do Tribunal a quo para considerar inaplicável a responsabilidade subsidiária à ora agravante.
Ademais, constata-se do acórdão recorrido que o Regional, ao atribuir à agravante responsabilidade subsidiária pelos créditos trabalhistas, o fez ao entendimento de que -o que existe neste caso é um contrato de trabalho firmado diretamente com a FASAM, que encaminhou a reclamante (sua empregada) para prestar serviços na empresa tomadora (MABE), típico caso de terceirização de mão-de-obra-.
A decisão, tal como posta, encontra-se em plena consonância com os ditames do item IV da Súmula 331 desta Corte, segundo a qual -o inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços quanto àquelas obrigações, desde que haja participado da relação processual e conste também do título executivo judicial-.
Com isso, avulta a convicção de que o recurso de revista não desafiava processamento ante o óbice do artigo 896, § 6º, da CLT e da Súmula nº 333/TST, em que os precedentes desta Corte foram erigidos à condição de requisitos negativos de admissibilidade do apelo extraordinário.
Não é demais salientar que a decisão não foi debatida à luz do artigo 203, III, da Constituição Federal, tampouco a parte cuidou de interpor embargos declaratórios para solicitar pronunciamento a respeito, motivo pelo qual não há lugar para manifestação deste Tribunal, dada a ausência do prequestionamento da Súmula nº 297/TST.
Já a indicada ofensa ao artigo 5º, inciso II, da Carta Magna, se existente, o seria apenas de forma reflexa e não direta, pois dependeria do prévio exame da legislação infraconstitucional, não viabilizando, portanto, o processamento do apelo.
A propósito, vem a calhar o acórdão proferido no ARE nº 721537 AgR/AC, em que fora Relator o Ministro Luiz Fux:
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRABALHISTA. EXECUÇÃO. PLANOS ECONÔMICOS COMPENSAÇÃO. INTERPRETAÇÃO DE LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. ANÁLISE DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 279 DO STF. 1. A violação reflexa e oblíqua da Constituição Federal decorrente da necessidade de análise de malferimentos de dispositivos infraconstitucionais torna inadmissível o recurso extraordinário. Precedentes: RE 596.682, Rel. Min. Carlos Britto, Dje de 21/10/10, e o AI 808.361, Rel. Min. Marco Aurélio, Dje de 08/09/10. 2. Os princípios da legalidade, o do devido processo legal, o da ampla defesa e o do contraditório, bem como a verificação dos limites da coisa julgada e da motivação das decisões judiciais, quando a aferição da violação dos mesmos depende de reexame prévio de normas infraconstitucionais, revelam ofensa indireta ou reflexa à Constituição Federal, o que, por si só, não desafia a instância extraordinária. Precedentes: AI 804.854-AgR, 1ª Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 24/11/2010 e AI 756.336-AgR, 2ª Turma, Rel. Min. Ellen Gracie, DJe de 22/10/2010. 3. A decisão judicial tem que ser fundamentada (art. 93, IX), ainda que sucintamente, sendo prescindível que a mesma se funde na tese suscitada pela parte, nesse sentido, AI-QO-RG 791.292, Rel. Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe de 13.08.2010. 4. A Súmula 279/STF dispõe: -Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário-. 5. É que o recurso extraordinário não se presta ao exame de questões que demandam revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, adstringindo-se à análise da violação direta da ordem constitucional. (...) 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (DJE 21/5/2013)
Constatada a inviabilidade de provimento do agravo de instrumento, inaplicável a disposição contida no artigo 896, § 4º, da CLT, ante o que preconiza a Instrução Normativa nº 37/2015, a qual, ao regulamentar os procedimentos em caso de Incidente de Uniformização de Jurisprudência no âmbito dos TRTs, estabelece em seu artigo 2º, § 2º, que o referido incidente -somente será suscitado nos recursos de revista, inclusive aqueles oriundos dos agravos de instrumento providos.
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References: artigo 896
 artigo 5
 artigo 3
 artigo 8
 artigo 4
 artigo 127
 artigo 896
 artigo 203
 artigo 5
 artigo 896
 artigo 2