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Timestamp: 2020-02-24 07:31:14+00:00

Document:
Legislação	 Criado em 14 Jan. 2013	 Atualizado em 27 Ago. 2013
Lei n.º 3/2013 de 14 de janeiro
Primeira alteração ao Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, que estabelece o regime jurídico do trabalho portuário
A presente lei procede à primeira alteração ao Decreto- -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, que estabelece o regime jurídico do trabalho portuário.
Os artigos 1.º, 2.º, 3.º, 4.º, 6.º, 7.º, 8.º, 9.º, 10.º, 11.º, 16.º, 17.º, 18.º e 19.º do Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, passam a ter a seguinte redação:
2 — Considera -se trabalho portuário, para efeitos do presente diploma, o prestado nas diversas tarefas de movimentação de cargas nas áreas portuárias de prestação de serviço público e nas áreas portuárias de serviço privativo, dentro da zona portuária.
3 — O disposto no presente diploma não é aplicável:
a) Ao trabalho prestado por trabalhadores das autoridades portuárias, nem ao dos trabalhadores que na zona portuária não se encontrem exclusiva ou predominantemente afetos à atividade de movimentação de cargas;
b) À movimentação de cargas em cais e terminais através da utilização de trailers ou veículos pesados de transporte de mercadorias;
c) Ao trabalho relativo à movimentação e arrumação de mercadorias em armazéns, bem como em parques e outras infraestruturas de plataformas logísticas constituídas ao abrigo da Lei n.º 152/2008, de 5 de agosto, ainda que integradas em zonas portuárias;
d) Ao controlo de entradas e saídas de mercadorias em portarias.
a) «Efetivo dos portos», o conjunto de trabalhadores que, possuindo aptidões e qualificação profissional adequadas ao exercício da profissão, desenvolvem a sua atividade profissional na movimentação de cargas, ao abrigo de um contrato de trabalho;
b) «Atividade de movimentação de cargas», a atividade de estiva, desestiva, conferência, carga, descarga, transbordo, movimentação e arrumação de mercadorias em cais, parques e terminais;
Artigo 3.º - Regime das relações de trabalho
Às relações entre o trabalhador que desenvolve a sua atividade profissional na movimentação de cargas e as empresas de estiva, as empresas de trabalho portuário e as empresas que explorem áreas de serviço privativo é aplicável o disposto no presente diploma, no Código do Trabalho e demais legislação complementar.
Artigo 4.º - [...]
2 — A organização do trabalho nas operações portuárias só pode ser sujeita aos limites ou contingentes admitidos por lei.
Artigo 6.º - Formação e qualificação profissional
1 — O trabalhador que desenvolve a sua atividade profissional na movimentação de cargas deve receber periodicamente da respetiva entidade empregadora a formação profissional necessária ao desempenho correto e em segurança das suas funções, a ministrar por entidades certificadas.
2 — Para efeitos de cumprimento do disposto no número anterior, a entidade empregadora deve assegurar ao trabalhador:
a) Formação inicial no momento do ingresso no mercado do trabalho portuário;
b) Formação profissional periódica visando a atualização de conhecimentos, sem prejuízo do direito individual à formação contínua prevista no artigo 131.º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de
12 de fevereiro.
3 — Constitui contraordenação grave a violação do disposto nos números anteriores.
Artigo 7.º - Regime especial do trabalho portuário
1 — É aplicável à atividade de movimentação de cargas o disposto no artigo 142.º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, não podendo a duração total de contratos de trabalho a termo de muito curta duração celebrados com o mesmo empregador para a atividade de movimentação de cargas exceder 120 dias de trabalho no ano civil.
2 — O contrato de trabalho a termo para movimentação de cargas pode ser celebrado por prazo inferior a seis meses, desde que a sua duração não seja inferior à prevista para a tarefa ou serviço a realizar.
3 — O contrato de trabalho a termo celebrado para movimentação de cargas não tem limite de renovações, não podendo, no entanto, a sua duração exceder três anos.
4 — É admitida a prestação de trabalho de movimentação de cargas na modalidade de trabalho intermitente.
5 — Para os efeitos previstos no número anterior, o empregador deve informar o trabalhador do início de cada período de prestação de trabalho com a antecedência de 10 dias, podendo em instrumento de regulamentação coletiva de trabalho ser acordado um prazo inferior.
6 — A prestação do trabalho portuário suplementar só pode ser feita até ao limite máximo de 250 horas anuais.
7 — O limite máximo referido no número anterior pode ser afastado por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho quando a adoção de outro regime contratual de trabalho suplementar ou de outro limite máximo melhor se harmonizem com a adoção e implementação de outras disposições sobre utilização, contratação e remuneração de pessoal que favoreçam a eficiência e competitividade do respetivo porto.
8 — O afastamento do limite máximo previsto no número anterior depende de homologação pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas dos transportes e laboral, sob parecer favorável do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, I. P. (IMT, I. P.), relativo à verificação das respetivas condições.
2 — O licenciamento das empresas de trabalho portuário é da competência do IMT, I. P., e será atribuído de acordo com o procedimento fixado por portaria do membro do Governo responsável pela área dos transportes.
Artigo 9.º - [...]
4 — As empresas de trabalho portuário podem ceder trabalhadores que para esse efeito tenham contratado diretamente ou, nos termos a definir em instrumentos de regulamentação coletiva de trabalho, com recurso a relações contratuais celebradas com empresas de trabalho temporário, não constituindo esta relação cedência ilícita tal como prevista no n.º 2 do artigo 173.º do Código do trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de
1 — O IMT, I. P., manterá atualizados os registos das empresas de trabalho portuário que atuam em cada porto.
3 — O licenciamento e a autorização referidos no artigo 8.º serão oficiosamente comunicados, no prazo de oito dias, pelo IMT, I. P., às autoridades portuárias, para efeitos de registo.
Artigo 11.º - [...]
2 — Aos trabalhadores portuários inscritos no contingente dos diversos portos é reconhecida, sem qualquer formalidade, a integração no efetivo portuário nacional.
Artigo 16.º - Regime das contraordenações
1 — O regime geral das contraordenações laborais previsto nos artigos 548.º a 566.º do Código do trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, aplica -se às infrações por violação do presente diploma.
2 — O processamento das contraordenações laborais segue o regime processual previsto na Lei n.º 107/2009, de 14 de setembro, competindo ao serviço com competência inspetiva do ministério responsável pela área laboral a instrução dos respetivos processos.
3 — Sem prejuízo dos números anteriores, às infrações por violação do presente diploma no que respeita ao licenciamento, registo e autorizações das empresas de trabalho portuário é aplicável o regime geral das contraordenações, competindo ao serviço com competência inspetiva do ministério responsável pela área dos transportes a instrução dos respetivos processos.
4 — A tentativa e a negligência são puníveis, sendo, nesse caso, reduzidos para metade os limites mínimos e máximos das coimas.
Artigo 17.º - Exercício de atividade de empresa de trabalho portuário por entidade não licenciada
1 — O exercício da atividade de empresa de trabalho portuário por entidade não licenciada constitui contraordenação, punível com coima variável em função do volume de negócios da empresa e do grau da culpa do infrator.
2 — Os limites mínimo e máximo das coimas correspondentes são os seguintes:
a) Se praticada por empresa com volume de negócios inferior a € 500 000, de 20 unidades de conta processual (UC) a 40 UC em caso de negligência e de 45 UC a 95 UC em caso de dolo;
3 — O volume de negócios reporta -se ao ano civil anterior ao da prática da infração.
4 — Caso a empresa não tenha atividade no ano civil anterior ao da prática da infração, considera -se o volume de negócios do ano mais recente.
5 — No ano de início de atividade são aplicáveis os limites previstos para empresa com volume de negócios inferior a € 500 000.
6 — Se o empregador não indicar o volume de negócios, aplicam -se os limites previstos para empresa com volume de negócios igual ou superior a € 10 000 000.
Artigo 18.º - Sanções acessórias
1 — Para além das sanções acessórias previstas no Código do trabalho, o exercício da atividade de empresa de trabalho portuário por entidade não licenciada é ainda punível com ordem de encerramento do estabelecimento onde a atividade é exercida até à regularização da situação, juntamente com a coima.
2 — As sanções acessórias referidas no número anterior são averbadas no registo referido no artigo 10.º
Artigo 19.º - Destino das coimas
1 — Nos processos cuja instrução esteja cometida ao serviço com competência inspetiva do ministério responsável pela área dos transportes, o produto da coima será repartido de acordo com as seguintes proporções:
a) 20 % para o serviço com competência inspetiva do ministério responsável pela área dos transportes;
b) 20 % para a autoridade portuária;
2 — O serviço com competência inspetiva do ministério responsável pela área dos transportes transfere trimestralmente para as entidades referidas no número anterior as importâncias a que têm direito.»
É aditado ao Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, o artigo 6.º -A com a seguinte redação:
«Artigo 6.º -A Proteção da saúde e segurança no trabalho
1 — É aplicável à atividade de movimentação de cargas o regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho, aprovado pela Lei n.º 102/2009, de
10 de setembro, sem prejuízo do disposto nos números seguintes.
2 — A entidade empregadora deve assegurar ao trabalhador condições de saúde e segurança em todos os aspetos relacionados com a atividade de movimentação de cargas, nomeadamente no plano da instalação e manutenção da sinalização de segurança nas áreas portuárias.
3 — Sem prejuízo da formação prevista no artigo 6.º do presente diploma, a entidade empregadora deve assegurar ao trabalhador uma formação adequada no domínio da segurança e saúde no trabalho.
4 — Constitui contraordenação grave a violação do disposto nos n.os 2 e 3.»
1 — O regime de pré -reforma previsto nos artigos 318.º e seguintes do Código do trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro, e nos artigos 84.º a 88.º do Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social, aprovado pela Lei n.º 110/2009, de 16 de setembro, é aplicável aos trabalhadores de empresas de operação portuária e de trabalho portuário abrangidos pelo regime de transição previsto nos artigos 11.º a 15.º do Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, que ainda não tenham completado 55 anos de idade.
2 — O acordo de pré -reforma a que se refere o número anterior está sujeito a forma escrita e a homologação da respetiva administração portuária.
3 — O limite máximo previsto no n.º 7 do artigo 7.º do Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, na redação dada pela presente lei, não é aplicável aos trabalhadores a que se refere o n.º 1 do presente artigo.
O capítulo V do Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, passa a designar -se «Regime das contraordenações».
As disposições constantes de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho de conteúdo contrário ao disposto no Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, na redação conferida pela presente lei, devem ser alteradas no prazo de 12 meses após a sua entrada em vigor, sob pena de nulidade.
a) Os artigos 5.º e 20.º a 23.º do Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto;
b) O n.º 2 do artigo 5.º do Decreto -Lei n.º 298/93, de 28 de agosto.
É republicado, em anexo à presente lei, da qual faz parte integrante, o Decreto -Lei n.º 280/93, de 13 de agosto, com a redação atual.

References: Artigo 3

Artigo 4

Artigo 6
 artigo 131

Artigo 7
 artigo 142

Artigo 9
 artigo 173
 artigo 8

Artigo 11

Artigo 16

Artigo 17

Artigo 18
 artigo 10

Artigo 19
 artigo 6
 artigo 6
 artigo 7
 artigo 5