Source: https://pt.scribd.com/document/25269461/Transdisciplinaridade-A-Dimensao-Espiritual-Na-Educacao-Superior-Texto-1-Jose-a-Bonilla-CA
Timestamp: 2018-06-18 11:32:58+00:00

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A TRANSDISCIPLINARIDADE E A DIMENSÃO ESPIRITUAL NA EDUCAÇÃO SUPERIOR . I : ABORDAGEM TEÓRICA Prof. José A. Bonilla Faculdade de Ciências Econômicas (UFMG) E-mail: bonilla.bhz@terra.com.br SUMARIO
Este artigo aborda os aspectos conceituais relacionados com Transdisciplinaridade, Dimensão Espiritual e Educação Superior, dividindo-se em quatro partes. Na primeira parte expõe-se o significado da Transdisciplinaridade, com base na Carta de Arrábida, frisando que ela não existe sem o seu componente espiritual não é abordado; nesse caso, será, no máximo, interdisciplinaridade. A segunda parte aborda o significado da Dimensão Espiritual, com base em estudos científicos bem recentes. A terceira parte discute a Espiritualidade e sua relação com a Educação Superior, levantando uma série de informações que mostram como esse assunto é abordado cada vez com maior intensidade por muitas das mais avançadas Universidades do mundo. A quarta parte, refere-se aos pressupostos fundamentais inerentes à pesquisa do tema, que será desenvolvido num próximo artigo. Finalmente, a abordagem geral do artigo é consolidada através de quatro conclusões. 1. TRANSDISCIPLINARIDADE 1.1. Conceitos básicos A Transdisciplinaridade, segundo Nicolescu (1970), é uma nova abordagem científica, cultural, espiritual e social. Como o prefixo trans o indica, ela diz respeito ao que está ao mesmo tempo entre as disciplinas, através das diferentes disciplinas, e além de qualquer disciplina. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente, para a qual um dos imperativos é a unidade de conhecimento. O mundo acadêmico, o mundo das ciências, é o mundo das disciplinas autônomas isoladas. Mas devido a seu vertiginoso avanço e à proliferação de tecnologias, a complexificação dos problemas está levando à aproximação e a reconstrução da associação entre as disciplinas em diferentes graus, do mais simples (multidisciplinaridade) até o mais completo (transdisciplinaridade). Esta evolução deveria acercar as Universidades, que hoje são uma soma de Faculdades, a seu verdadeiro sentido universal, abrangente, o de “universitas”. Piaget (1970), considerou que a transdisciplinaridade era um sonho. Mas esse sonho se está transformando em realidade, apenas por necessidade. A complexidade crescente acerca de nossa compreensão do Universo, exige uma integração de conhecimentos, através da transdisciplinaridade, pois, as disciplinas isoladas não dão conta do recado. Chaves (1998) num estudo sobre a transdisciplinaridade, aplicada a saúde, propõe oito dimensões daquela: Ecológica, ética, epidemiológica, estratégica; Político-econômica, educacional, psico-sócio-cultural; Transcendental.
Em particular, a dimensão transcendental, em que o profano e o sagrado convivem, e que foi tão bem estudado por Elíade (1973), completando-se e fazendo parte de nossa estrutura arquetípica, é a dimensão da transdisciplinaridade que será o objeto central deste artigo. 1.2. A Carta de Arrábida Esta carta é o quilômetro zero da Transdisciplinaridade e foi adotada no primeiro Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, no Convento de Arrábida, Portugal, em novembro de 1994. Ela conta com um preâmbulo composto por 7 considerandos e 15 artigos, sendo os mais destacados os seguintes: Artigo 2: O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regidos por lógicas diferentes, é inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir a realidade a um único nível, regido por uma única lógica, não se situa no campo da transdisciplinaridade. Artigo 5: A visão transdisciplinar está resolutamente aberta na medida em que ela ultrapassa o domínio das ciências exatas, por seu diálogo e sua reconciliação, não somente com as ciências humanas mas também com a arte, a literatura, a poesia e a experiência espiritual. Artigo 7: A transdisciplinaridade não constitui uma nova religião, uma nova filosofia metafísica ou uma ciência das ciências. Artigo 11: Uma educação autêntica não pode privilegiar a abstração no conhecimento. Deve ensinar a contextualizar, concretizar e globalizar. A educação transdisciplinar reavalia o papel da intuição, da imaginação, da sensibilidade e do corpo na transmissão dos conhecimentos. Artigo 12: A elaboração de uma economia transdisciplinar é fundada sobre o postulado de que a economia deve estar a serviço do ser humano e não o inverso. Artigo 14: Rigor, abertura e tolerância são características da atitude e da visão transdisciplinar. O rigor na argumentação, que leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento do direito às idéias e verdades contrárias às nossas. 1.3. Alguns comentários adicionais Neste artigo se dará ênfase à ligação entre Transdisciplinaridade, a sua Dimensão Espiritual e seus reflexos na Educação Superior. Nesse contexto, é importante salientar o que a Unesco, na Declaração de Veneza (1986) expressou com total clareza: “O conhecimento científico, através de seu próprio movimento interno, chegou aos confins, onde pode começar o diálogo com outras formas de conhecimento. Nesse sentido, reconhecendo as diferenças fundamentais entre a ciência e a tradição espiritual, constatamos não a sua oposição, mas sim a sua complementaridade”... “O encontro inesperado e enriquecedor entre a ciência e as diferentes tradições espirituais; permite pensar no aparecimento de uma nova visão da humanidade, que poderá conduzir a uma nova perspectiva metafísica”. Ou seja, não se pode falar de transdisciplinaridade, se o componente espiritual não é considerado seriamente. O motivo disso é que esse componente é “parte” da natureza humana; sua exclusão nos poderá levar a um novo cartesianismo ampliado, mas nunca a uma verdadeira abordagem holística. Esse é o motivo principal pelo qual este artigo encampa uma discussão séria, ética e profunda do componente espiritual do ser humano, o que leva ao reconhecimento de que ele precisa ser abordado nas Universidades. Antes que a Unesco, Capra (1983), em seu
famoso Tao da Física, mostrou a atual convergência entre ciência e tradição espiritual. É, portanto, passada a hora de incorporar o tema Espiritualidade nos curricula universitários. O fato é que a sabedoria tradicional e as ciências mais avançadas parecem coincidir na afirmativa de que o limite entre o “material” e o “espiritual” é arbitrário. Trata-se, apenas de diferentes níveis de energia. Tudo o que existe, tem sua especial freqüência vibratória; as mais baixas foram detectadas, estudadas e aplicadas através do método científico. As mais altas são de domínio exclusivamente espiritual, pelo menos até agora. Por exemplo, as ondas de rádio e de televisão existem desde tempos imemoriais, mas para os cientistas de cento e poucos anos atrás, elas não existiam! (Lembrar que Marconi, quase foi encerrado num manicômio pelos seus amigos quando anunciou a existência dessas ondas; Hertz teve mais sorte e compreensão, e hoje conhecemos as ondas de rádio como “hertzianas”). Para se ter uma idéia aproximada da escala de freqüências vibratórias, a Física reconhece os seguintes níveis aproximados: tato (até 16 vibrações por segundo), som (16 até 16.000), ondas hertzianas (16.000 até 1010), raios ultravioletas (1012 até 1014), luz visível (1014 até 1015), raios ultravioletas (1015 até 1016); raios X (1016 até 1018), raios gamma e raios cósmicos, limite do conhecimento científico atual (da ordem de 1020 até 1025 vibrações por segundo). Com certeza, as freqüências espirituais são bem mais altas ainda, pelo que escapam à compreensão científica, mas elas são compreensíveis a níveis vivenciais. As sentimos (a menos que estejamos petrificados), sem poder explicá-las. Essa petrificação parece muito estendida nos meios acadêmicos, Entretanto, a integração da ciência com a tradição espiritual (sabedoria milenar), fornecerá uma formidável via para a expansão da compreensão de coisas essenciais, mas até agora não respondidas pela ciência, e nunca discutidas na Universidade. Por exemplo, para que estamos aqui? É fundamental sim, conhecer o mundo físico (eis o grande papel da ciência). Mas isso é apenas um meio para o fim fundamental: conhecer o ser humano e transformar a sociedade num lugar melhor para viver, onde os valores universais (dignidade, justiça, solidariedade, bem-estar, etc) sejam os grandes objetivos da vida. E não poderemos fazer isso sem nos envolver com a dimensão espiritual. 2. A DIMENSÃO ESPIRITUAL A palavra Espiritualidade tem diversidade de significados e muitas pessoas a confundem com religião ou religiosidade. Entretanto, para não alongar a consideração deste tema extremamente relevante, o abordaremos – basicamente – através do enfoque moderníssimo (a partir do ano 2000) representado pelo conceito de inteligência espiritual. Os pioneiros sobre o assunto (Zohar e Marshall, 2000) definem a inteligência espiritual como “a inteligência com que abordamos e solucionamos problemas de sentido e de valor, a inteligência com a qual podemos pôr nossa vida em um contexto mais amplo” ... “É a fundação necessária para um funcionamento eficiente do QI e do QE. É a nossa inteligência final”... “Seres humanos são, essencialmente, criaturas espirituais, porque somos impulsionados pela necessidade de fazer perguntas “fundamentais”, ou “finais”, tipo: qual é o significado de minha vida? O que torna a vida digna de ser vivida?...” (p. 18). Wolman (2001:15), define a inteligência espiritual como “a capacidade humana de fazer as perguntas fundamentais sobre o significado da vida e de experimentar simultaneamente a conexão perfeita entre cada um de nós e o mundo em que vivemos”. Na verdade, “a espiritualidade é um conceito abrangente, do qual a religião é um subsistema” (Wolman, 2001:17) Palmer (1998/99) nos fala do “curriculum espiritual oculto”: “Por espiritual quero dizer a busca secular e permanente pela capacidade de conexão com algo maior e mais confiável que nossos egos; na verdade, com nossas
próprias almas, uns com os outros, com os mundos da História e da Natureza, com os meandros invisíveis do espírito, com o mistério de estarmos vivos”. Também deve ser lembrado que “não temos que procurar o esotérico para encontrar o espiritual. A vida diária fornece uma ampla gama de lembretes do quanto a vida é frágil, e de como estamos profundamente interrelacionados”. (Wolman, 2001: 17). Por outra parte, as Universidades norte-americanas estão experimentando uma ressurreição, no tocante a espiritualidade e temas afins. Wolman (2001:44) fornece as seguintes informações: • •
No ano 2000, em Harvard foi oferecido um curso sobre “A Bíblia e seus intérpretes”, com 853 alunos inscritos. Cursos de ética e de religiões comparadas têm excesso de alunos em quase todas as Universidades americanas. As Faculdades de Medicina de Harvard, Stanford, Duke, Columbia, John Hopkins – entre outras – ministram cursos de espiritualidade e cura. Na psicologia, numerosas universidades lecionem cursos sobre os benefícios da espiritualidade na psicoterapia.
A inteligência intelectual pode ser reproduzida por computadores, que podem atingir altos desempenhos de QI, pois conhecem as regras, podendo-as seguir sem cometer erros, nem ter interferências emocionais. Mas eles não são capazes de se perguntarem por que estão em determinada situação, por que devem obedecer essas regras, nem se existiriam regras melhores. Eles, assim como os animais superiores, se comportam dentro de limites preestabelecidos, num jogo com cartas marcadas, claramente finito. Já a inteligência espiritual é a fonte da criatividade. Assim, podemos mudar regras, alterar situações, e criar outras novas, entrando num jogo desafiante, de natureza infinita. “Usamos a inteligência espiritual para lutar com questões acerca do Bem e do Mal, e imaginar possibilidades irrealizadas, tais como sonhar, aspirar e nos erguermos da lama” (p. 19). Dillard (1999) acrescenta: “A espiritualidade fala à necessidade mais fundamental de todas: a necessidade de saber que, de algum modo, somos importantes, que nossas vidas significam alguma coisa, que contam como algo mais que um simples lampejo momentâneo do Universo”. A inteligência emocional, segundo Goleman (1990) a define, permite julgar na situação em que nos encontramos, e logo a seguir, comportarmos apropriadamente dentro dela; assim a utilizamos como bússola orientadora, dentro dos limites de uma certa situação. A inteligência espiritual, entretanto, se caracteriza por sua natureza transformadora. Ou seja, a pergunta que ela faria é se queremos, mesmo, estar dentro dessa situação. Não poderíamos mudá-la para outra situação melhor? Por tanto, teremos controle sobre aquela; teremos poder de escolha. É através dela que podemos exercer plenamente o livre-arbítrio. “Em condições ideais, as três inteligências funcionam juntamente e se apóiam mutuamente. Mas todas elas possuem uma área própria (cerebral) em que são mais fortes, e podem, também, funcionar separadamente” (Zohar e Marshall, 2000:20). O trabalho desses autores não é especulativo. Ele tem sólida base científica experimental, desenvolvida pela moderna neurofisiologia. Até agora, a inteligência intelectual estava apoiada na “fiação neural serial”, e a inteligência emocional na “fiação neural associativa”. Mas existe um terceiro sistema neural, cujo estudo aprofundado só se desenvolveu na década de 90, “as oscilações neurais sincronizadas”, capazes de unificar dados em todo o cérebro. São elas que fornecem base empírica, experimental, ao conceito de inteligência espiritual.
Wolman (2001:87) diz: “A inteligência espiritual também é capaz de estar em dois estados mentais diferentes:
Estado de ser, ou seja, um estado no qual a experiência subjetiva por si só é a realidade. Conjunto de habilidades discretas e séries de ações que cada um de nós é capaz de realizar”.
Esse ponto de vista parece não ter sido absorvido por Gardner (1983, 1999), para quem qualquer tipo de inteligência requer necessariamente o fazer. A espiritual não estaria limitada a esta faixa de ação; assim sendo, seu estado de ser permite que ela, simplesmente, seja ela mesma. Como se pode apreciar, no estudo da inteligência espiritual, se apresentam novamente os dois princípios universais holísticos: o auto-afirmativo (conjunto de habilidades) e integrativo (estado de ser). Dizem Zohar e Marshall (2000:21): “a inteligência espiritual unifica, integra e reveste-se do potencial de transformar o material surgido dos outros dois processos. Facilita um diálogo entre razão e emoção, entre mente e corpo. Fornece um centro de crescimento e transformação, dá ao Eu, um centro ativo, unificado, gerador de sentido”. Zohar e Marshall (2000:23) deixam extremamente clara qual é a diferença entre espiritualidade e religião: “A inteligência espiritual não tem nenhuma conexão necessária com religião. Para algumas pessoas, aquela inteligência pode encontrar um modo de expressar-se através da religião tradicional. Mas, ser “religioso” não garante alto quociente espiritual... “A religião convencional é um conjunto de regras e crenças (dogmas) impostas de fora; a inteligência espiritual, entretanto, é uma capacidade interna, inata, do cérebro e da psique humana, extraindo seus recursos mais profundos do âmago do próprio universo” ... “A inteligência espiritual é a inteligência da alma, com a qual nos curamos, e com a qual nos tornamos um todo íntegro”. Ainda acrescentam aqueles autores: “a inteligência espiritual tem sido tópico embaraçoso para acadêmicos, porque a ciência atual não está preparada para estudar coisas que não possa medir objetivamente” ... “Mas, existe de fato, um grande volume de provas científicas da inteligência espiritual em estudos psicológicos, neurológicos e antropológicos recentes, da inteligência humana, e em estudos sobre pensamento humano e processos lingüísticos. Cientistas já realizaram a maior parte da pesquisa básica que revela as fundações neurais da inteligência espiritual no cérebro” (p. 25). Outros autores corroboram essas afirmativas através de pesquisas científicas de alto nível, especialmente os seguintes, entre muitos: * Trabalhos de Persinger (1993), e Ramachandran e Blakesler (1998) com a sua equipe da Universidade de Califórnia, comprovaram a existência do que chamaram um “ponto divino” no cérebro humano. Esse centro espiritual está localizado entre conexões neurais nos lobos temporais. A prova foi obtida através de escaneamentos realizados com topografia de emissão de pósitrons (moderníssima tecnologia neurofisiológica). Esse “ponto divino” ou centro espiritual, iluminou-se em todos os casos em que os participantes da pesquisa, se envolveram com tópicos espirituais ou religiosos. Dizem Zohar e Marshall (2000:26): “Esse “ponto divino” não prova a existência de Deus, mas de fato, demonstrou que o cérebro humano evoluiu para fazer as “perguntas finais”, para ter e usar a sensibilidade a sentidos e a valores mais amplos”. * O trabalho de Singer (1992) mostrou que há um processo neural no cérebro dedicado a unificar e dar sentido às nossas experiências. Anteriormente eram
conhecidas só duas formas de organização neural do cérebro, que se manifestam através de QI(conexões seriais), e a outra através do QE (conexões associativas). As pesquisas de Singer oferecem um primeiro indício científico acerca de um terceiro tipo de pensamento, chamado unitivo, que é a base da inteligência espiritual. * Llinas e Ribary (1993), aperfeiçoaram a nova tecnologia neurofisiológica chamada MEG (magnetoencefalografia), que permite estudos acerca dos campos elétricos oscilantes, relacionados com o desenvolvimento do pensamento unitivo.
Deacon (1997), da Universidade de Harvard, mostrou que a evolução da imaginação simbólica, e seu conseqüente papel no cérebro e na evolução social, dão sustento à faculdade de inteligência espiritual. Em palavras mais simples, a inteligência espiritual instalou a “fiação” necessária para saber quem somos e ainda para implantar novas “fiações”, que sejam capazes de participar no crescimento e transformação de nosso potencial humano.
E como anda o nível da dimensão espiritual em nossa tecnologicamente avançada sociedade moderna? Mais uma vez, Zohar e Marshall (2000:31) respondem: “A inteligência espiritual coletiva é baixa na sociedade moderna. Vivemos em uma cultura espiritualmente estúpida, caracterizada por materialismo, utilitarismo, egocentrismo míope, falta de sentido e recusa de assumir compromissos”... “A cultura ocidental, onde quer que exista no globo, está saturada do imediato, do material, da manipulação egoísta de coisas, experiências e pessoas. Usamos mal nossos relacionamentos e o meio ambiente, da mesma forma como usamos mal nossos sentidos humanos mais profundos”... Negligenciamos tristemente o sublime e o sagrado, que existem em nós, nos outros e no mundo”. Castañeda (1978) nos adverte: “É inútil desperdiçar a vida em um único caminho, especialmente se esse caminho não tiver coração” (ou seja, se ele não estiver pleno de inteligência espiritual). Em resumo, uma constelação de fatores está operando para que a espiritualidade seja tratada como corresponde pelos meios acadêmicos, e incorporada nos respectivos currícula. Obviamente, não se está falando aqui de psedoespiritualidade, dogmatismo, obscurantismo, fanatismo ou charlatanice, que de alguma forma podem estar relacionadas no imaginário popular com aquela palavra. Os principais fatores dessa constelação são os seguintes: * Recomendação da Unesco (1998), reclamando que a Educação Superior assuma “dimensões éticas e espirituais mais arraigadas”. * Estudos da física quântica (desde 1930), convergendo para uma visão unificada do Universo e uma sintonia cada vez maior entre a Ciência e a sabedoria mística milenar. * O que o misticismo denominava de Ser Supremo, e as religiões, de Deus, a Ciência agora conhece como “vazio quântico” ou Unidade. * Estudos de neurofisiologia recentíssimos (década de 90) apontam para uma terceira “fiação” neural e para o “ponto divino”. * O trabalho pioneiro de Zohar e Marshall (2000), combinando todos esses fatores e criando o término moderníssimo de inteligência espiritual. Até quando os meios acadêmicos continuarão a fazer o jogo da “avestruz racional”? (ver Aktouf s/d). Não se quer ver, neles, o que as pessoas da rua sabem: somos seres espirituais! Portanto, a dimensão espiritual é um assunto imprescindível nas aulas universitárias.
3. A ESPIRITUALIDADE E A EDUCAÇÃO SUPERIOR Nos EUA, educadores especialmente da área gerencial, estão dando um interesse crescente para práticas, crenças e valores espirituais. Há uma tendência bem definida para infundir espiritualidade em seus cursos e instituições. (Cavanagh, 1999; Weah, 1997). Pesquisas sobre espiritualidade segundo as exigências do método científico, requerem construtos bem definidos. Na verdade, trata-se de um construto difícil, porque ele envolve, segundo Schmidt-Wilk et al (2000) vertentes tais como: • • • Experiência interior. Princípios tais como valores, ética, emoção, intuição, sabedoria. Relação entre experiência interior e manifestações.
Segundo o mencionado autor, a espiritualidade pode ser classificada como pura (consciência transcendental) ou aplicada (envolve comportamento, intelecto, emoção e intuição). Na “Maharishi University Management”, nos EUA, estão incorporadas ao curriculum, uma série de disciplinas relacionadas com espiritualidade, a saber: • Como disciplina introdutória, tem-se Ciência da Inteligência Criativa, que inclui a Meditação Transcendental, a qual procura fornecer experiência direta sobre o “campo unificado do ser” em sua própria consciência. Semestralmente há uma disciplina denominada “Pesquisas sobre consciência”, onde continua se aplicando a Meditação Transcendental. Meditação Transcendental avançada.
Schmidt-Wilk et al (2000:595-602) descrevem 20 pesquisas realizadas entre 1975 e 1994 sobre o Programa de Meditação Transcendental da Universidade Maharishi de Administração, utilizando variados delineamentos experimentais, mensurando através de testes científicos reconhecidos, variáveis tais como: ansiedade, criatividade, performance, saúde mental, bem-estar, fluidez intelectual, fluidez não verbal, personalidade, velocidade dos processos mentais, desenvolvimento afetivo e cognitivo, desenvolvimento ético, relação entre experiências de consciência transcendental com saúde psicológica, aprendizado, coerência, etc. Praticamente todas as pesquisas mostraram efeitos significativos acerca da Meditação Transcendental (técnica desenvolvida pelo ioga indiano Maharishi Mahesh) sobre praticamente todas as variáveis estudadas, seja a um nível de segurança estatística padrão (p = 0,05) ou a níveis bem mais exigentes (chegando até p = 0,000002). Neste último caso, o estudo foi feito depois de que o grupo em estudo, tinha aplicado a Meditação Transcendental, durante 10 anos. Na maioria dos outros casos, o tempo foi bem menor (3 a 6 meses). Isso parece provar o efeito cumulativo da mencionada técnica. Schmidt-Wilk et al (2000:603-04) encerram seu trabalho fazendo as seguintes sugestões para os educadores gerenciais:
Ensinar aos estudantes, as bases espirituais da vida e dos negócios. Haveria várias formas de fazer isso. Por exemplo, Hagelin (1998), diz que a inteligência holística (que Zohar e Marshall chamam de inteligência espiritual,”é o nível mais básico da Natureza que pode ser utilizado na administração de instituições humanas, através de grupos que tenham desenvolvido sua auto-consciência”. Ensinar os estudantes que eles podem ter experiências de espiritualidade pura. Avaliar as conseqüências de aspectos espirituais da educação gerencial. Estimular a compreensão e a experiência espiritual das pessoas em geral.
O Professor Harlos (2000) da Universidade Otago da Nova Zelândia nos informa que na literatura organizacional, o tema espiritualidade tem ganhado rapidamente a atenção
dos pesquisadores sobre seu rol na liderança, na mudança organizacional e na transformação organizacional. Esforços desenvolvidos na procura de integrar a espiritualidade e o trabalho são descritos em numerosos artigos e livros (por exemplo: Marcic, 1997; Mc Cormick 1994; Richmond, 1999). Acrescenta Harlos (2000:613): “As tendências sociológicas confirmam que embora o interesse por religiosidade está em declínio, há um número crescente de pessoas que procuram base espiritual em suas vidas, incluindo seus locais de trabalho. Inclusive alguns educadores estão explorando dimensões da espiritualidade em suas próprias vidas pessoais e profissionais”. Na Nova Zelândia, valores espirituais nos negócios são agora formalmente estudados (desde 1998) na Nova Academia de Negócios da Universidade de Bath. Harlos (2000:620-21) informa sobre um experimento realizado no primeiro semestre de 1999, com estudantes de terceiro ano, procurando “construir” o âmago do conhecimento de “comportamento organizacional”. O estudo era centrado em princípios gerenciais (participação, colaboração, mudança, “empowerment”), apoiados em valores espirituais (humildade, compaixão e simplicidade). Os assuntos eram: emoção, subculturas, injustiça nas organizações, usando várias abordagens de análise (neobehaviorista, psicoanalítica, feminista). Os resultados estão em processo de análise. Marcic (2000:642-650) descreve detalhadamente o Curso de Valores Espirituais na Organização oferecido pela Universidade de Vanderbilt, EUA. Este curso corresponde aos níveis de Mestrado e Doutorado na área de Desenvolvimento de Recursos Humanos. Barnelt, Krell e Sendry (2000:563) da Universidade de New Hampshire, EUA, dizem: “Há considerável consenso de que no treinamento de estudantes para a prática de negócios, é necessário, mas não suficiente, ensinar os assuntos tradicionais relativos a valores, objetivos, motivação e ética nos cursos de administração. O imperativo espiritual é que a educação gerencial possa engajar estudantes na autodescoberta, através das energias internas da alma, sua conexão com o desenvolvimento pessoal e profissional, e sua contribuição à evolução econômica e social”. “Embora a literatura sobre o tema aumenta, há pouco escrito sobre o ensino acerca da espiritualidade nos cursos de gestão. Isto conduz a dois aspectos:
As escolas de administração carecem de ferramentas adequadas para estimular e desenvolver alunos de grande potencial. Os graduados entram no mundo de trabalho sem compreender seus valores pessoais e profissionais, a condução de suas forças internas, seus propósitos de vida a curto e longo prazo, assim como a via pela qual corpo e espírito contribuem ao crescimento (ou decadência) da sociedade e de suas organizações”.
A comprida transcrição das palavras dos mencionados autores foi necessária, pois os pontos de vista sinalizados, sintonizam completamente com a nossa percepção do assunto e com nossa justificativa de trazer à discussão de alto nível o tema: dimensão espiritual na educação superior (especialmente na área gerencial). A professora Bento (2000), da Universidade de Baltimore, informa ter ministrado na primavera de 1999, no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachussets), no caráter de Professor Visitante um curso sobre liderança (“Dimensões espirituais da liderança”), cujo coração era a discussão sobre as perguntas: “quem somos?”, “por que existimos?”, “por que trabalhamos?”, “que significa ser um líder”?
Haroutnian et al (2000) relatam a experiência de oito doutorandos da Escola de Psicologia Profissional da Califórnia, desenvolvendo uma pesquisa sobre espiritualidade no trabalho. Eles relatam que a constante turbulência do trabalho contemporâneo é a primeira mudança que devem enfrentar líderes e gerentes. Isto envolve as relações entre seres humanos, e deles com a tecnologia, o que acaba gerando sentimentos de vazio e frustração (vácuo existencial). Como conseqüência: “procura-se o significado da vida. E a espiritualidade no trabalho pode ser a via capaz de preencher aquele vácuo existencial”. (p. 664) 4. PRESSUPOSTOS FUNDAMENTAIS PARA A PESQUISA DO TEMA
 O estado atual de evolução da sociedade humana, não mais comporta uma abordagem apenas cartesiana. O paradigma holístico é o mais adequado para as características do século XXI, onde a harmonia entre a biodiversidade individual, e a integração com níveis supra-individuais, faz-se imprescindível para poder atingir um “progresso”, agora autêntico, pois será a favor das pessoas, e não do sistema como está organizado.
Deve ser esclarecido que o novo paradigma holístico, não é antagonista, nem pretende substituir o atual paradigma cartesiano, que é brilhante quando se trata de analisar as partes. A abordagem holística coloca o cartesianismo em um contexto integrativo, vinculando as partes com o todo, e examinando primeiro esse todo. O enfoque cartesiano trabalha com o manifesto; o holístico vasculha o subjacente. Ambos são opostos complementares. Isso é o que nos ensina a Ciência mais avançada, a Física subatômica, e isso é o que já sabiam os antigos Iniciados das Escolas de Mistérios, dissimuladas nas Pirâmides. Estamos em tempos de síntese e de união, não de separatividade.
 A abordagem holística reconhece quatro componentes do ser humano (material, mental, afetivo e espiritual). Os dois primeiros respondem ao princípio autoafirmativo; os dois últimos ao princípio integrativo.
O princípio integrativo é o que fornece unidade ao Universo; sem ele, o Universo já teria-se desagregado. Embora mal compreendido, e muitas vezes desprezado, esse princípio nos foi legado pelo maior Mestre espiritual que a Humanidade já conheceu, através de uma simples palavrinha de quatro letras... amor!, hoje lamentavelmente deturpada.
 A Unesco, principal instituição mundial de educação, através de numerosos documentos, entre eles a Declaração de Veneza (1986), e a Conferência Mundial de Educação Superior (1998), recomenda que ela assuma, entre outras, a dimensão espiritual.
Quais os argumentos que tecnólogos, cientistas ou acadêmicos podem apresentar para rejeitar as recomendações da Unesco? Lembramos que as ciências humanas e sociais, estão fundamentadas teoricamente na Física de Newton, que tem uns 300 anos de antigüidade. Só se levasse em conta os conhecimentos de Termodinâmica, através de suas principais leis (descobertas por Carnot em 1824), se poderia perceber, por exemplo, que a base do “management” americano é anti-científica, pois um mundo materialmente finito, não pode comportar o objetivo desumano de maximizar a acumulação de riquezas.
 Numerosas figuras importantes da Humanidade, em todas as áreas (ciência, filosofia, educação, etc.), em épocas recentes, têm proclamado a importância da dimensão espiritual, tanto na vida cotidiana, como nas atividades científicas.
Deve ficar claro que a dimensão espiritual não tem nada a ver com as deformações, que instituições e pessoas interessadas, podem ter desenvolvido ao longo dos tempos. Pseudoespiritualidade, dogmatização, e charlatanice são muito comuns hoje em dia, mas seu uso, indiscriminado e fantasioso, não pode embaçar o espelho da verdadeira
espiritualidade, ensinada através dos milênios pelos maiores Mestres da Humanidade. É necessário ser muito cuidadoso com “os intérpretes da verdade” ou “representantes de Deus na Terra”.
 A globalização econômica que hoje nos afoga, notoriamente canibal, nos obriga a desenvolver rapidamente sua polarização oposta: a dimensão espiritual.
É através da compreensão de quem somos? e para que estamos aqui?, que poderemos ter maior clareza sobre nossa própria vida, e sobre o desenvolvimento da Humanidade. Assim fazendo, poderemos nos afastar, talvez gradualmente, do feitiço que hoje nos corroe, e que entroniza o ter sobre o Ser. Precisa-se passar da tristeza da sobrevivência, correndo cada vez mais rápido não sabendo para que, pela alegria de viver, que não depende de esfuziantes produtos que devemos ter, e sim da recuperação de nossa verdadeira identidade interior.
 O grau de aniquilamento dos valores humanos mais universais, é tão avançado, substituídos por um único valor (implícito) que é o dinheiro, que estamos começando a nos descaracterizar como Homo sapiens, e mutando velozmente para o Homo economicus.
Mas esse novo clone é falso, artificial. Como a ovelha Dolly, envelhece prematuramente. Precisa-se voltar às nossas raízes, à essência do ser humano. Tem-se que aprender com os antigos a nos reencontrar com as energias telúricas e cósmicas, das quais nos temos afastado, seduzidos pelo bezerro de ouro. Para isso é necessário reconhecer o papel fundamental da dimensão espiritual em nossas vidas.  A Ciência cartesiana, não mais consegue dilucidar os assuntos mais importantes relativos à vida humana. Ela é reducionista e mecanicista, níveis nos quais tem obtido resultados notáveis. Mas para quem? Para a classe alta e para os privilegiados da classe média, entre eles alguns de nós, profissionais universitários. Mas, o campo dos excluídos se alargou brutalmente na última década, e grande número de crianças do Terceiro Mundo morrem de diarréia infantil, e/ou crescem com retardo físico e mental irreversível, devido à insuficiente ingestão de proteínas, apesar de termos sofisticadas tecnologias agropecuárias.
Precisa-se combinar a sofisticação e a profundidade dos atuais conhecimentos científicos, com o contexto no qual está inserida a vida humana. E trabalhar a favor da vida, e não da morte1. Portanto, os aspectos éticos, afetivos, e especialmente a dimensão espiritual precisam ser promovidos, pois desejamos é sermos inteiros, completos, e não apenas partículas de pó arrastadas pelo vento (o sistema que nos rege).
As novas descobertas da Ciência mais avançada, especialmente da Neurofisiologia, mostram através de dados mensuráveis, a existência da inteligência espiritual (Zohar e Marshall, 2000). Essa existência, portanto, saiu da especulação filosófica ou da percepção mística, manifestando-se na forma de uma fiação neuronal própria, independente, tanto da inteligência clássica (intelectual), como da emocional segundo Goleman (1990).
Hoje, pode-se fazer uma pergunta provocante, e que gostaríamos que alguém respondesse: qual é a argumentação científica atualizada, que permite negar a existência de uma dimensão espiritual no ser humano? Acreditamos que ela não existe, e se trata apenas de uma crença, implantada na mente de alguns cientistas, e que os ajuda a supor que a Ciência é objetiva e neutra (e portanto isenta da subjetividade humana). A Ciência tem uma base filosófica (axiomas), que não é demonstrável cientificamente, e ela é semi-objetiva, pois a escolha do tema, a formulação das hipóteses etc são de natureza heurística (e portanto subjetiva). Ainda que o método científico fosse puro, neutro e objetivo, devemos lembrar que ele é apenas um instrumento, a ser usado por
Talvez pareça isso uma expressão muito forte: mas o que significa a fome, o desemprego, o desrespeito à pessoa humana, todos eles elementos que conduzem a violência e a criminalidade, cada vez mais desenfreadas?
alguns homens (cientistas). E em que direção? Qualquer que ela seja, implicará em escolha, e portanto cancelará qualquer idéia de neutralidade que possamos ter.
A Transdisciplinaridade é a nova abordagem global acerca do conhecimento humano. Nela, há um fundamental espaço reservado tanto a Ciência, como a Tecnologia. Mas há também outros espaços vitais, tais como Filosofia, Arte, Ética e Espiritualidade.
Nesse marco referencial, a dimensão espiritual passa a ser a integradora de todas as outras dimensões, pois é ela que da sentido e significado ao conjunto. No momento, estamos tateando na multidisciplinaridade, com alguns desenvolvimentos incipientes de interdisciplinaridade. Mas, o século XXI necessita urgentemente mergulhar na transdisciplinaridade.
As ciências mais avançadas (Física Subatômica, Psicologia Transpessoal, Radioastronomia, Neurofisiologia, Bio-Sistemática, Ecologia Profunda) estão convergindo de forma cada vez mais acelerada, com a dimensão espiritual. Os mais destacados físicos, por exemplo Einstein, Böhr e outros, se tornaram místicos, porque descobriram que os grandes enigmas que a matéria lhes colocava já tinham sido resolvidos, com outros códigos, pelos sábios antigos. Eles estavam reinventando a roda, agora mais “objetiva”, mais tangível, mas, recheada, entretanto, de incompreensíveis equações matemáticas.
Não há nenhum mistério nessa convergência. A Ciência começou a estudar a matéria, e o fez com brilhantismo. Depois passou para a energia, e o fez com igual competência. Os místicos sempre estudaram a energia com elevadas freqüências vibratórias; os cientistas aquelas mais densas, com freqüências vibratórias mais baixas. Há alguma estranheza na atual convergência? Simplesmente, na medida em que os cientistas vão progredindo em suas descobertas sobre as energias, e assim atingindo freqüências vibratórias mais altas, necessariamente se encontrarão com o misticismo, com a dimensão espiritual.  A religião e a espiritualidade têm o mesmo objetivo: sintonizar as energias internas do ser humano com as Energias Superiores.
As religiões tentam alcançá-lo, através de dogmas criados pelos seus líderes hierárquicos, e comunicados por seus representantes (padres, rabinos, pastores, etc.). Geralmente aqueles são oriundos de ensinamentos dos Mestres espirituais da Humanidade (por exemplo: Jesus, Moisés, Buda, Zoroastro, Maomé), mas geralmente adaptados, modificados e interpretados de modo que a pureza original é abandonada em função de condições específicas, e sobretudo de interesses institucionais, não sempre favoráveis ao desenvolvimento pleno do ser humano. Por sua vez, a dimensão espiritual, tenta iluminar as pessoas para que elas encontrem o caminho, utilizando seu livre arbítrio, sua autonomia e seu desenvolvimento humano; nele, o cume da montanha é único, mas os caminhos, trilhas e sendeiros que levam até ele são variáveis, dependendo da biodiversidade individual. No caso, cada um deve escolher o seu caminho, e não deixar que os “intérpretes”, “representantes” ou supostos “mestres” ou “gurus”, o façam. Só desse modo é que poderemos crescer. 5. CONCLUSÕES I. A Educação Superior deve caminhar o mais rápido possível para uma abordagem transdisciplinar: tecnologia, ciência, arte, filosofia, ética, espiritualidade...Neste artigo, a ênfase é dada à dimensão espiritual, geralmente ignorada, esquecida ou até ridicularizada no ambiente universitário. Mas se quisermos formar profissionais que possam fazer uso completo de sua inteligência, e isso será crucial a partir de século XXI, temos que diversificar o conteúdo curricular de modo que o material, o racional, o afetivo e o espiritual se complementem. É por isso que a dimensão espiritual hoje se torna imprescindível nos currícula universitários.
II. Para começar a desenvolver esta temática, totalmente incipiente (lembrar que “inteligência espiritual”, desde o ponto de vista científico é uma descoberta do ano 2000), precisamos começar a avaliar onde estamos? Ou seja, em que grau essa dimensão espiritual transparece no seio das atividades acadêmicas desenvolvidas na Educação Superior, especialmente em seus cursos mais avançados. III. A pouca importância dada à dimensão espiritual na Educação Superior (e na Educação em geral), deve-se a fortes resistências, próprias de lideranças acadêmicas formadas no paradigma prevalecente, fortemente reducionista e mecanicista, dentro de uma visão positivista. Eles estão como que amarrados a uma percepção de separatividade; é por isso que não compreendem que a dimensão racional, assim como a física e a emocional, estão ancoradas na dimensão espiritual e que todo é... Uno, como nos dizem os físicos subatômicos. IV. A Educação Superior precisa formar profissionais completos, verdadeiros líderes para a vida. Ou seja, as lideranças organizacionais, começando pelas acadêmicas, precisam incorporar em seu desenvolvimento a dimensão espiritual. V. Finalmente : Esta fundamentação teórica foi essencial para abordar seu complemento: a sua aplicação prática, através de um estudo de caso. Isso será feito num próximo artigo. 6. BIBLIOGRAFIA
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 Artigo 14