Source: http://prcequinel.blogspot.com/2017/01/massacre-de-manaus-tragedia-do.html
Timestamp: 2017-06-23 18:53:23+00:00

Document:
O ORNITORRINCO: Massacre de Manaus: a tragédia do punitivismo
Massacre de Manaus: a tragédia do punitivismo
Manifesto, de plano, minha irrestrita e integral solidariedade ao Juiz de Direito Luis Carlos Valois (da Vara de Execuções Penais do Amazonas), que conheço desde 2005, quando trabalhei como voluntário no Conselho Comunitário da Comarca de Antonina, que tem como uma das suas funções a assistência aos presos da 7º DRP.De outra banda, depois da nota da AJD, reproduzo partes da legislação aplicável aos presos, que tem sido sistematicamente descumprida pelas autoridades todas desse país.No Brasil, o ódio dos linchadores e a gosma fedida do "senso comum", resultam na sórdida concepção de que os presos não são titulares de direitos.
As mortes em Manaus configuram a tragédia anunciada do punitivismo
A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre suas finalidades o respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito, diante das dezenas de mortes ocorridas no privatizado Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) de Manaus, em 02 de janeiro de 2017, vem a público manifestar-se nos seguintes termos:
O massacre sucedido na capital do Amazonas somente ocorreu em razão de uma histórica política de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos países mais desiguais do mundo como caso de polícia. É assim que se deve entender o crescente processo de encarceramento em massa, que inseriu o Brasil à posição de quarta maior população carcerária do mundo, formada basicamente pelos excluídos dos mercados de trabalho e de consumo, jogados, em abandono, para as redes de organizações criminosas que comandam estabelecimentos penitenciários que se assemelham a masmorras medievais.
A tragédia do Compaj corrobora a necessidade da sociedade e do Estado brasileiro refletirem sobre tal política punitivista. É necessário desvencilhar-se da crença no Direito Penal como solução de problemas estruturais, como a violência decorrente da pobreza e das desigualdades. É necessário também cessar a irracional “guerra contra as drogas”, que vem causando a morte de milhares de pessoas socialmente excluídas em todo o mundo, o que, a propósito, tem levado a seu paulatino abandono até mesmo nos países que mais a incentivaram.
A tragédia do Compaj corrobora, ainda, a importância do respeito à independência de juízas e juízes, como imperativo democrático. É o caso da fundamental atuação do Juiz da Vara de Execução Penal de Manaus, Luis Carlos Valois, que, coerentemente com o que defende em sua carreira acadêmica e conforme se espera de um magistrado no Estado de Direito, exerce controle rigoroso sobre o poder punitivo oficial, priorizando as liberdades públicas sobre o encarceramento: por tal motivo, desagrada os donos do poder, acomodados com o tratamento prevalentemente repressivo dos problemas sociais do país.
Por tudo isso, a AJD reitera sua histórica crítica ao crescimento do punitivismo estatal e clama para que a sociedade e o Estado brasileiro atentem que velhos problemas sociais do país não se resolvem com o encarceramento ou com a intimidação de juízas e juízes que exercem seu dever funcional de controlar o aparelho repressivo oficial.
Do contrário, a tragédia de Manaus continuará a não ser caso isolado.
Artigo 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante.(...)
e) cruéis;(...)
LEI.7.210 (LEI DE EXECUÇÃO PENAL), 11/07/1984
Artigo 1º. A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.
Artigo 3º. Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei.(...)
Artigo 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.
Artigo 11. A assistência será:
VI - religiosa.(...)
Artigo 40. Impõe-se a todas as autoridades o respeito à integridade física e moral dos condenados e dos presos provisórios.
Artigo 41. Constituem direitos do preso:
Artigo 42. Aplica-se ao preso provisório e ao submetido à medida de segurança, no que couber, o disposto nesta Seção.
Artigo 43. É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento.
bomba penal,
CF 88,
Lei de Execução Penal,
Luis Carlos Valois,
massacre de Manaus,
Milton Alves,
o punitivismo rastaquera,
punitivismo penal

References: Artigo 1

Artigo 1

Artigo 3

Artigo 10

Artigo 11

Artigo 40

Artigo 41

Artigo 42

Artigo 43