Source: http://orvalhosud.org/artigo-08-deus-fala-comigo-uma-voz-imperativa/
Timestamp: 2018-01-19 07:44:03+00:00

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Artigo 08 - "Deus fala comigo" - Uma voz imperativa - Orvalho SUD
A voz de Deus pode ser ouvida por nós de diversas maneiras, dependendo do momento que estamos vivendo e da necessidade que temos. Analisamos até aqui diferentes formas de sentimentos, vimos o que significam a paz, o estupor de pensamento e o ardor no coração. Porém, há momentos onde literalmente ouvimos uma voz nos dizer alguma coisa, e isso ocorre de forma tão real que é possível até mesmo escrevermos aquilo que ouvimos. Diferente de sentimentos que são difíceis de descrever, quando ouvimos a voz do Espírito de Deus é como se alguém literalmente estivesse nos sussurrando palavras no ouvido, ou diretamente em nossa mente. Meus próximos quatro artigos falarão sobre essa voz que nos sussurra, e às vezes grita, palavras claras, que assim classifico:
Uma voz imperativa – artigo 08
Uma voz explicativa – artigo 09
Uma voz que profetiza – artigo 10
Uma voz de inteligência do alto– artigo 11
Uma voz e um sentimento indescritíveis – artigo 12
A forma de revelação que veremos neste artigo, uma voz imperativa, refere-se a situações nas quais o Senhor não terá muita coisa para te dizer e nem terá nada para te explicar, a única coisa que ele te dirá será uma ordem, através de uma frase no modo imperativo. Exatamente isso, uma frase com o verbo no modo imperativo simplesmente te dando uma ordem, por exemplo: Vá! Volte! Desça! Pare! Diminua! Espere! – São claras e puras ordens que vem dos céus. Quando as ouvimos e obedecemos, somos abençoados de imediato. Muitas vezes isso ocorre quando você precisa tomar uma decisão rápida e não pode haver demora. Ocorrem muitas vezes em um contexto que envolve perigo e emergência.
Em 2005, Glédson, um amigo meu da minha antiga ala Planalto, em Jundiaí, teve uma experiência muito sagrada com esta voz imperativa. Enquanto ele morava nos EUA ele ouviu esta voz que protegeu algumas vidas e marcou sua alma. Compartilho seu relato abaixo.
“Em meados de julho de 2005 estava indo para o trabalho apressado com uma Van cheia de materiais de construção e muitas escadas em cima, na cidade de Lexington MA. Onde eu estava indo, as ruas eram bastante curvas e na descida o veículo pegava mais velocidade até que ouvi uma voz dizendo : – Vai devagar !
Quando escutei achei que tinha alguém do meu lado até virei o pescoço pra ver alguma coisa então continuei meu caminho e mais curvas fechadas e escutei novamente: – Vai devagar !
Desta vez eu soltei o pé do acelerador e senti o peito quente e na sequência veio outra voz mais alto dizendo : – PARE !
Pisei no feio imediatamente até a Van parar por completo. Olhei para os lados sem saber o que fazer, quando vi na minha frente uma bolinha de tênis pingando, atravessando a rua, e correndo logo atrás uma criança de talvez 2 anos, indo pegá-la. Em poucos segundos um homem correu, pegou a criança no colo e olhou pra mim sem entender porque eu estava parado ali numa curva vendo todo o ocorrido. Após o homem retirar-se do caminho olhei no espelho retrovisor e vi um carro de polícia parado atras fazendo joia 👍🏻 O espírito estava do meu lado o tempo todo !”
Acima podemos ver uma foto do Gledson com seu carro branco, à esquerda, que ele dirigia naquela noite em 2005. Vemos por meio desta experiência que em alguns casos o espírito não irá sussurrar, mas irá falar de maneira tão clara que o fará pensar que foi alguma pessoa que falou com você. A ordem foi direta, um verbo imperativo, “Vai de devagar! Pare!”, a obediência foi imediata e o resultado foi um milagre, uma bênção de Deus. Devido à urgência, não havia tempo para explicar nada ao Gledson, ele só precisava obedecer, e creio que por isso a voz foi tão clara.
Voltemos à Néfi, no Livro de Mórmon, para vermos um bom exemplo nas escrituras. Quando ele resolve seguir o Espírito sem nenhum plano em mente, indo contra a lógica humana, e encontra com Labão bêbado e desprotegido de seus guardas, através de uma coincidência sagrada, qual é a primeira coisa que vêm à mente dele? “Mata-o! O Senhor o entregou em suas mãos. ” – uma ordem, uma frase com o verbo no modo imperativo.
Geralmente, quando Deus nos dá uma ordem desta maneira, usando basicamente um verbo no modo imperativo, não há mais nada que o Senhor tenha para nos dizer, somente faça isso e pronto. Acontece que às vezes nós queremos “discutir” com o Senhor, não aceitamos cegamente sua ordem, e começamos a questionar o porquê de termos de fazer isso ou aquilo. Neste contexto, muitas vezes o Senhor se utiliza de outro meio, o que chamo de voz explicativa, que é quando Deus nos explica e justifica o porquê de sua ordem, veremos isso melhor no artigo 09. Observe agora como o Espírito falou com Néfi na escritura abaixo:
“E aproximando-me dele, vi que era Labão. E vi a sua espada e tirei-a da bainha; e o punho era de ouro puro, trabalhado de modo admirável; e vi que sua lâmina era do mais precioso aço. E aconteceu que fui compelido pelo Espírito a matar Labão; mas disse em meu coração: Nunca fiz correr sangue humano. E contive-me; e desejei não ter de matá-lo. E o Espírito disse-me outra vez: Eis que o Senhor o entregou em tuas mãos. Sim, e eu sabia também que ele procurara tirar-me a vida e que não daria ouvidos aos mandamentos do Senhor; e também se apoderara de nossos bens. E aconteceu que o Espírito me disse outra vez: Mata-o, pois o Senhor entregou-o em tuas mãos.” 1Néfi 4:8-12
Vemos nesta escritura um exemplo claro de um momento no qual o Espírito de Deus dá uma ordem usando o verbo no modo imperativo – “Mata-o, pois o Senhor entregou-o em tuas mãos.”
No ano de 2014, um rapaz muito especial da ala que eu frequentava, com apenas 17 anos, compartilhou na reunião sacramental uma experiência que ele havia tido com a voz imperativa do Espírito de Deus. Este rapaz se chama Matheus e serve hoje na missão de Roma, Itália. O relato abaixo está em suas próprias palavras.
“Alguns anos atrás, enquanto servia como primeiro assistente do quórum de sacerdotes em minha Ala, fomos desafiados por nossa liderança a crescer o nosso círculo de amizades, isso poderia ser feito procurando jovens que naquele tempo eram inativos na igreja ou simplesmente convidando novos rapazes a virem à igreja conosco. Logicamente, como rapazes, a primeira ideia que nos veio à mente foi convidar os rapazes da vizinhança para jogarem bola conosco na igreja. Após alguns arranjos, mensagens de texto e talvez alguns puxões de orelha, uma tarde foi estabelecida como sendo o dia que empreenderíamos tal aventura.
Reunimos um grupo composto de aproximadamente 8 ou 9 rapazes com idades variando de 12 a 18 anos, do mais extrovertido ao mais tímido, todos estávamos determinados a dar o nosso melhor e assim fomos pelas ruas e bairros próximos de minha casa. Como estávamos no verão, o sol não estava perdoando, mas víamos ao longo da serra do Japi algumas nuvens mais escuras.
Passamos toda aquela tarde nos dedicando a fazer novos amigos, e ao mesmo tempo, mesmo que não fosse tão evidente, estávamos fortalecendo nossa própria amizade. Brincando e tirando sarro enquanto caminhávamos, todos estávamos felizes com o sucesso que tivemos e, com o pouco tempo que nos restava, decidimos passar pela casa de um membro da igreja que morava perto de onde estávamos e beber um pouco d’água antes de voltarmos para minha casa onde encerraríamos o dia assistindo à aula do seminário.
O membro gentilmente nos recebeu e nos parabenizou pela iniciativa. Pouco antes de partirmos fomos alertados pelo membro e sua esposa a andarmos depressa pois o tempo estava virando e chuva forte era esperada. Estando mais ou menos a 2 ou 3 quilômetros de minha casa pensamos que teríamos tempo de sobra para chegar antes que a chuva começasse, porém, como estávamos sempre brincando e caminhando despreocupadamente, acabamos levando mais tempo do que o esperado e a chuva nos pegou no meio do caminho.
Começamos a correr em direção à minha casa, sendo eu o mais velho e conhecendo melhor aquela parte da cidade tomei a ponta de nossa “fila” em corrida e também a responsabilidade sobre o caminho que seria percorrido. Enquanto eu procurava enxergar o máximo possível a frente, em meio a chuva e vento forte, os outros procuravam seguir o mesmo caminho olhando para baixo, apenas o suficiente para ver minhas pernas.
Ao nos aproximarmos de nosso destino poderíamos continuar correndo no meio da rua ou passar por debaixo de algumas árvores em meio a uma praça. Pareceu-me melhor correr em meio às árvores, isso além de reduzir um pouco a chuva me ajudaria a enxergar melhor aquele que estava à frente, e assim fomos. A praça se estendia em uma linha reta com árvores em ambos os lados. Ao passar da rua a calçada e logo em seguida a praça senti um alívio da chuva, mas um sentimento distinto de alerta tomou conta de mim. Não devia ser nada de importante, não tínhamos tempo para voltar atrás e já estávamos ensopados, meus pais certamente estavam preocupados.
Próximos do final da praça estávamos todos alinhados e bem próximos; ainda correndo me lembro de ouvir uma voz nítida e firme dizendo. PARE! Obedeci ao comando imediatamente, parando de forma abrupta e fazendo com que os outros jovens parassem em minhas costas apenas em tempo de ver um grosso galho de árvore cair centímetros a minha frente. O tamanho dele era mais do que suficiente para mandar um adulto ao hospital.
Continuamos a correr pois ainda estava chovendo. Chegando em frente à minha casa ouvi um de meus amigos dizer: “Você poderia ter morrido ali cara!”, perguntei aos jovens quem deles havia dito “pare”. A resposta foi negativa da parte de todos, todos estavam rindo e correndo, sem prestar particular atenção. Foi naquele momento que percebemos que foi a voz do espírito, audivelmente me alertando, que nos protegeu de um acidente.
Sei que, mesmo hoje, ainda me lembro perfeitamente daquela voz familiar e direta, não havia espaço para dúvida, inspirava confiança e demandava toda atenção. A voz do espírito é real.”
Anziano Governici – atualmente servindo como missionário na missão italiana de Roma, Itália.
Aprender a se comunicar com Deus é semelhante a aprender um novo idioma. Quando aprendemos uma nova língua, estudamos novas formas, novos sons e uma nova lógica. Ao aprender a ouvir a voz de Deus, precisamos entender as diversas formas, lógicas e sons desta linguagem celestial, e uma delas, com certeza, é esta voz imperativa nos advertindo para algo imediato. Quando ouvirmos esta voz, é sempre melhor obedecer.
Eu nunca passei por uma experiência de urgência envolvendo perigo de vida, como as experiências acima citadas dos meus amigos Gledson e Matheus, porém, lembro-me de uma ocasião simples que me marcou. Uma noite em casa eu estava brigado com minha esposa, eu estava chateado com alguma coisa que ela havia feito, por isso acabou ficando cada um em um canto do apartamento, e ela ficou na sala. Em um momento, eu fui até a cozinha e passei pela sala ignorando a presença dela que estava ali, no sofá. Ao chegar na cozinha, ouvi claramente uma voz em minha mente dizer: Peça desculpas.
Acho que você, leitor, consegue imaginar a “cara” que eu fiz quando o Espírito me falou isso, é claro que eu não gostei, pois estava claro para mim que minha esposa que estava errada, não eu. Continuei um pouco na cozinha, tentando de alguma maneira ignorar aquela voz que eu sentira, mas me veio novamente com clareza na mente: Peça desculpas. Respirei fundo, fiz uma oração, eu sabia que eu precisava ser obediente à voz de Deus. Fui até a sala, ajoelhei-me em frente à minha esposa, ela olhou para mim com ar de assustada, pois ela devia estar esperando alguma bronca minha provavelmente, mas eu lhe pedi desculpas. Naquele momento, parece que um grande peso saiu de nós dois, ela me abraçou, e ficamos bem. Talvez ela realmente tenha errado em alguma coisa naquele dia, nem lembro o que foi, mas hoje eu sei que era eu quem devia ter pedido desculpas, sim, desculpas por ainda não tê-la perdoado. Como sou grato por sentir que Deus está presente em minha vida, e por saber que Ele se preocupa e se comunica comigo.
Por fim, observo dois grandes momentos onde podemos ver esta ordem do Senhor nas escrituras. Primeiramente em gênesis, na criação do mundo, o tempo todo nós vemos verbos no modo imperativo – o Senhor ordena aos elementos e eles o obedecem.
“E os Deuses fixaram-nas na expansão dos céus para darem luz à Terra, e para governarem o dia e a noite, e para separarem a luz das trevas. E os Deuses vigiaram aquelas coisas que eles haviam ordenado, até elas obedecerem.” Abr. 4:17-18
Outro momento único foi na restauração da Igreja, quando Deus o Pai apareceu ao menino Joseph Smith, lemos:
“Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar, acima de mim. Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”
Interessante notar que estes dois eventos gloriosos, a restauração do evangelho nesta última dispensação e a criação deste planeta, deram início com uma voz no modo imperativo vindo de Deus – “Haja luz”, “Ouve-o!”. Que possamos nós também sermos sempre obedientes à essa voz de ordem do Senhor, assim como foi Joseph Smith e assim como o foram os elementos que deram luz e forma a este planeta.
Este é o oitavo artigo da série “Deus fala comigo”, do OrvalhoSUD. Até aqui já vimos que Deus se comunica conosco através das escrituras, de sonhos, de um ardor no coração, de uma paz no peito e na mente, de um estupor de pensamento, através de sentimentos contra nossa lógica humana, através coincidências sagradas, e por uma voz de ordem, com um verbo no modo imperativo. Ao longo desta série veremos 21 maneiras distintas pela qual se dá esta comunicação celestial. Nosso próximo artigo falará sobre “Uma voz explicativa”. Até lá!
Deus, Jesus Cristo, Livro de Mórmon, mormon, Voz de Deus

References: artigo 08
 artigo 09
 artigo 10
 artigo 11
 artigo 12
 artigo 09