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Timestamp: 2018-04-26 17:17:07+00:00

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TRT4. INTERVALO INTRAJORNADA. PRÉ-ASSINALAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Renan Oliveira Publicado em: 11/05/2016 06:02
Atualizado em: 11/05/2016 06:02
Decisão trabalhista: TRT4, 3ª Turma, Acórdão - Processo 0020190-75.2015.5.04.0016 (RO), Data: 04/05/2016
PROCESSOnº 0020190-75.2015.5.04.0016 (RO)
INTERVALO INTRAJORNADA. PRÉ-ASSINALAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Constando nos cartões-ponto a pré-assinalaçãoexigida pelo artigo 74, § 2º, da CLT, incumbe à parte autora demonstrar a não fruição parcial ou total do intervalo intrajornada,nos termos do artigo 818 da CLT.
ACORDAM os Magistrados integrantes da 3ª Turma do TribunalRegional do Trabalho da 4ª Região: por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Insurge-se contra o indeferimento da estabilidade provisória decorrentede atuação na CIPA, assim como pugna pela concessão do pagamento do intervalo intrajornada.
ESTABILIDADE PROVISÓRIA – MEMBRO DA COMISSÃO INTERNA DEPREVENÇÃO A ACIDENTES
Aduz o reclamante que no momento de sua dispensa era detentorde estabilidade no emprego, com fundamento no artigo 165 da CLT e artigo 7º, II, "a", do ADCT da Constituição, em face deter sido eleito membro da CIPA na eleição realizada em junho de 2012, gestão 2012/2013. Sustenta possuir estabilidade no empregode 12 meses após o final de seu mandato. Considerando a dispensa imotivada anterior ao término da alegada estabilidade, requero pagamento da indenização do período de estabilidade (12 meses de salários), acrescido de férias com 1/3, 13º salário e FGTSdo período.
O reclamante laborou para a reclamada na função de "operadorde máquinas", de 22/04/2009 a 20/08/2013, quando foi dispensado sem justa causa, ocasião em que percebia o salário/hora deR$ 7,70, acrescido do adicional de insalubridade em grau médio.
Quanto ao pedido de reconhecimento da estabilidade, aduz a reclamadaem sua peça de defesa:
[…] Cumpre salientar que o A., conforme se vê do documentoem anexo, abriu mão da estabilidade provisória da qual era portador, por motivos pessoais e irrevogável.
Portanto, diante da renúnciaexpressa do A., a qual foi válida e legal, inclusive chancelada pelo Sindicato de sua categoria profissional e submetidoà reunião da CIPA, tudo conforme documentos em anexo, não faz jus ao pagamento de qualquer indenização, muito menos a postuladana presente ação. […]
De fato, no documento ID a19b831 consta declaração de própriopunho do reclamante em que abre mão da estabilidade provisória decorrente da eleição para membro da CIPA, por motivos pessoaise em caráter irrevogável.
Observo, outrossim, que o mencionado documento, datado de 02 deagosto de 2013, conta com o visto do Sindicato profissional, além de ter sido tratado na reunião da comissão ocorrida no dia13/08/2013, com a presença e assinaturas de diversos membros da CIPA.
Os elementos probatórios contidos nos autos não comprovam qualquerespécie de coação por parte da empregadora, que levasse o autor a desligar-se da CIPA. Destaco que o documento ID a19b831- Pág. 4 contém a assinatura do reclamante e o visto do Sindicato obreiro. A prova oral colhida é incapaz de demonstrar qualquervício de consentimento do autor quando firmou sua assinatura nos mencionados documentos.
Tal qual já entendido pelo juízo de origem, o reclamante não provacoação ou qualquer outro defeito que vicie o ato de demissão e desligamento da CIPA.
Limita-se o reclamante a asseverar que durante a contratualidadea reclamada concedeu intervalo para descanso e alimentação menor do que o exigido em lei, por cerca de 30 minutos, além deaduzir a invalidade da pré-assinalação intervalar dos cartões-ponto.
Diante das afirmações do reclamante, a empresa reclamada aduz, nacontestação, que "os intervalos não são registrados, sendo pré-assinalados nos cartões de ponto, conforme se vê dos documentosem anexo, o que atende o disposto na legislação vigente".
Nos termos do artigo 74, § 2º, da CLT, é obrigação do empregadorcom mais de dez empregados a manutenção dos registros de horário de seus empregados, com a pré-assinalação do intervalo intrajornadade uma hora para repouso e alimentação, sendo despicienda a necessidade de autorização em norma coletiva ou acordo individual.
No caso, os controles de horário juntados contêm a pré-assinalaçãoexigida por lei, de modo que competia à parte autora produzir prova de que não fruía parcial ou integralmente o intervalointrajornada, conforme o artigo 818 da CLT.
E, desse encargo, não se desincumbiu a contento.
No aspecto, a sentença julgou improcedente o pedido:
[…] Ouvido, o reclamante reforçou a incorreção nos registros anotadosnos controles de horários, referindo que os intervalos eram automaticamente registrados no sistema, embora usufruísse de apenastrinta minutos por dia laborado.
A testemunha Thiago Carvalhode Moraes afirmou que "nunca tinham intervalo de 1 hora".
A testemunha Gilmar Ramosda Silva, por sua vez, disse que "tinham intervalo de 1 hora" e que "não trabalhavam durante esse intervalo".
As indicações da provatestemunhal são diametralmente opostas. Inexistem elementos ou outros indicativos, como postura, incoerências e assemelhados,que permitam concluir qual das testemunhas faltou com a verdade. Ambos as testemunhas, menciono ainda, trabalhavam em funçõessemelhantes e no mesmo setor do reclamante.
Considero, assim, quea prova testemunhal não trouxe elementos aptos a invalidar os horários registrados nos cartões-ponto, os quais foram devidamentesubscritos pelo reclamante ao longo do contrato de trabalho.
Prevalecem as informaçõescontidas nos documentos, que tenho como espelhos fidedignos da duração do trabalho.
A assinalação dos períodosde intervalo para repouso e alimentação de uma hora obedece ao permissivo contido no artigo 13 da Portaria nº 3.626/91 doMTPS.
Com efeito, a prova testemunhal mostra-se dividida quanto à fruiçãoparcial ou total do período intervalar.
Observo, no entanto, que o depoimento da testemunha convidada pelaempresa mostra-se mais fidedigno à realidade quando menciona que "há um ano e meio/dois anos, não registram mais o horáriode intervalo; que, antes, era registrado o horário de saída e de retorno do intervalo; que todos no setor tinham intervalode 1 hora". Compulsando os autos, verifica-se que até parte do período contratual, havia marcações intervalares, quepassaram a ser pré-assinaladas a partir de julho/2010 (ID ea84a83 – Pág. 09 e 10).
Por outro lado, a prova documental acima referida mostra situaçãodiversa daquela afirmada pela testemunha indicada pelo autor. Disse a testemunha, sem qualquer ressalva: "não registravamo horário de intervalo".
Assim, da mesma forma que o juízo singular, entendo que o reclamantenão comprovou, com robustez, a ausência de gozo do intervalo intrajornada.
Assunto: intervalo intrajornada, ÔNUS DA PROVA, trt4

References: artigo 74
 artigo 818
 artigo 165
 artigo 7
 artigo 74
 artigo 818
 artigo 13