Source: https://legislacao.fazenda.sp.gov.br/Paginas/RC-19422_2019.aspx
Timestamp: 2019-11-12 09:00:07+00:00

Document:
RC 19422/2019
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Última atualização em: 01/08/2019 14:17
RESPOSTA À CONSULTA TRIBUTÁRIA 19422/2019, de 30 de Abril de 2019.
Disponibilizado no site da SEFAZ em 21/05/2019.
ICMS – Benefício fiscal concedido conforme o disposto no artigo 155, § 2º, inciso XII, alínea "g" da CF/88 – Convênio ICMS 190/2017 - Decreto 51.597/2007.
I - O Decreto 51.597/2007 tem seu fundamento de validade no Convênio ICMS 91/2012, não contrariando o disposto no artigo 155, §2º, inciso XII, alínea "g" da CF/88, não sendo necessário, portanto, que siga as condições e prazos estabelecidos pelo Convênio ICMS 190/2017 para continuar em vigor.
1. A Consulente, que tem como atividade principal "Hotéis" (CNAE 55.10-8/01) e atividades secundárias de "Restaurantes e similares" (CNAE 56.11-2/01), "Representantes comerciais e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo" (CNAE 46.17-6/00), "Serviços de alimentação para eventos e recepções - bufê" (56.20-1/02), entre outras, relata que é optante pelo regime especial concedido pelo Decreto 51.597/2007, através do qual o contribuinte que exerce atividade econômica de fornecimento de alimentação, tal como a de bar, restaurante, lanchonete, pastelaria, casa de chá, de suco, de doces e salgados, cafeteria ou sorveteria pode apurar o imposto devido mensalmente mediante a aplicação do percentual de 3,2% sobre a receita bruta auferida no período, em substituição ao regime de apuração do ICMS, previsto no artigo 47 da Lei 6.374/1989.
4. A Consulente demonstra conhecimento de que este tema já foi objeto de reiteradas manifestações desta Consultoria Tributária, no sentido de que o regime especial concedido pelo Decreto 51.597/2007 está em conformidade com o Convênio ICMS 91/2012, e sua inclusão na lista de benefícios fiscais do Decreto 63.320/2018 teve o fim de regularizar sua fruição em períodos anteriores ao referido Convênio.
5. Todavia, argumenta a Consulente que o Decreto 64.118/2019 – que reinstituiu os benefícios fiscais relacionados no Anexo do Decreto 63.320/2018, em observância ao Convênio ICMS 190/2017 – não fez remissão de débitos passados, mas limitou-se apenas à reinstituição dos benefícios supramencionados.
6. Diante do exposto, questiona se a interpretação manifestada diversas vezes pela Consultoria Tributária permanece, após o advento do Decreto 64.118/2019.
7. Inicialmente, esclarecemos que o Convênio ICMS 190/2017 dispõe sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea "g" do inciso XII do § 2º do artigo 155 da Constituição Federal (CF/88), bem como sobre as correspondentes reinstituições.
"Cláusula primeira Ficam os Estados e o Distrito Federal, autorizados a conceder, na forma e condições estabelecidas em sua legislação, redução da base de cálculo do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e de Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS de forma que a carga tributária seja equivalente a aplicação de percentual entre 2% (dois por cento) e 5% (cinco por cento) sobre o valor do fornecimento de refeições promovido por bares, restaurantes e estabelecimentos similares, assim como na saída promovida por empresas preparadoras de refeições coletivas, excetuando, em qualquer das hipóteses, o fornecimento ou a saída de bebidas".
"Artigo 1° - O contribuinte do ICMS que exercer atividade econômica de fornecimento de alimentação, tal como a de bar, restaurante, lanchonete, pastelaria, casa de chá, de suco, de doces e salgados, cafeteria ou sorveteria, e que utilize Equipamento Emissor de Cupom Fiscal - ECF ou Nota Fiscal emitida por sistema eletrônico de processamento de dados, bem como as empresas preparadoras de refeições coletivas, poderão apurar o imposto devido mensalmente mediante a aplicação do percentual de 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento) sobre a receita bruta auferida no período, em substituição ao regime de apuração do ICMS previsto no artigo 47 da Lei n° 6.374, de 1° de março de 1989.
10. Assim, o Decreto 51.597/2007, que instituiu regime especial de tributação pelo ICMS para contribuintes que tenham como atividade o fornecimento de alimentação, encontra seu fundamento de validade no Convênio ICMS 91/2012, não contrariando o disposto no artigo 155, §2º, inciso XII, alínea "g" da CF/88. E, por não contrariar dispositivo constitucional, não é necessário que siga as condições e prazos estabelecidos pelo Convênio ICMS 190/2017 para continuar em vigor.
11. Esclarecemos que a inserção das disposições do Decreto 51.597/2007 no item 72 do Decreto 63.320/2018, que publicou relação dos benefícios concedidos pelo Estado de São Paulo, segundo o inciso I do caput da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/2017, teve por objetivo regularizar operações pretéritas ao Convênio ICMS 91/2012. Dessa forma, ficaram convalidadas as operações amparadas pelo regime especial, realizadas entre o início de produção de efeitos do Decreto 51.597/2007 (1º de fevereiro de 2007) e o início de produção de efeitos do Convênio ICMS 91/2012 (23 de outubro de 2012).
12. Importante destacar que a publicação do Decreto 64.118/2019 em nada alterou o entendimento acima exposto, já manifestado por esta Consultoria Tributária – de forma reiterada – em consultas anteriores. Ademais, cabe ressaltar que o instrumento de Consulta a este órgão consultivo serve, exclusivamente, ao esclarecimento de dúvida pontual sobre a interpretação e aplicação da legislação tributária paulista, não sendo o meio adequado para o debate de política tributária.
13. Em resumo, as disposições do Decreto 51.597/2007 encontram-se plenamente vigentes, vinculadas ao prazo de produção de efeitos do Convênio ICMS 91/2012.
14. Os efeitos da presente resposta estendem-se aos estabelecimentos filiais da Consulente citados na inicial.
15. É oportuno esclarecer, por último, que:
15.1 O critério para enquadramento no regime especial de tributação é aquele previsto no item 1 do § 1º do artigo 1º da Portaria CAT-31/2001, ou seja, tratando-se de contribuinte que promova, além do fornecimento de alimentação, outra espécie de operação ou prestação sujeita ao ICMS, caso da Consulente, o regime especial de tributação mencionado neste artigo somente se aplica se o fornecimento de alimentação, excluída a receita obtida com a venda de bebidas alcoólicas, constituir-se atividade preponderante, ou seja, o faturamento obtido com esse fornecimento deve corresponder a mais da metade do faturamento global do estabelecimento (obtido com operações ou prestações sujeitas ao ICMS).
15.2 O fornecimento de alimentação corresponde à venda de alimentos que serão consumidos, pelo adquirente, no recinto onde é desenvolvida a atividade da Consulente, seja ele seu próprio estabelecimento ou no de seus clientes (refeitórios corporativos, por exemplo).
15.3 Desse modo, tendo em vista que a atividade principal da Consulente é a de "Hotéis" (CNAE 55.10-8/01), possuindo ainda diversas outras atividades, caso não atenda o disposto no subitem 15.1 retro, orientamos procurar o Posto Fiscal a que estiverem vinculadas as suas atividades, a fim de regularizar seus procedimentos, valendo-se do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 529 do RICMS/2000.

References: artigo 155
 artigo 155
 artigo 47
 artigo 155
 artigo 47
 artigo 155
 artigo 1
 artigo 529