Source: http://macauantigo.blogspot.pt/2017/07/
Timestamp: 2017-09-19 18:43:09+00:00

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Macau Antigo: Julho 2017
Anúncio do jornal Hong Kong Daily Press em Fevereiro de 1932. A Hong Kong, Canton and Macao Steamers partilhavam com a China Navigation Co Ltd a prestação de serviços relativos à ligação fluvial no delta do rio das pérolas, entre Hong Kong, Macau e Cantão. Estes "special services" publicitados são por certo relativos ao período do ano novo chinês que habitualmente tinha mais procura.
Um das embarcações referidas é o S.S. Sui Tai que levou o padre Manuel Teixeira até Macau quando chegou pela primeira vez em 1924.
Ferreira de Castro visitaria Macau alguns anos mais tarde e faz uma descrição dessa viagem entre a então colónia britânica e o porto interior em Macau.
Estas embarcações a vapor tinham a bordo o serviço "wireless"... claro que não o que se conhece hoje relativo à internet, mas sim o sistema de comunicações TSF, telegrafia sem fios....
Publicada por João Botas à(s) 11:10
Etiquetas: anos 30, hong kong, imprensa, publicidade, transportes
Manuel da Silva Mendes foi, como recorda João Botas, "um dos intelectuais mais relevantes da história de Macau na primeira metade do século XX. Foi professor e reitor de liceu, juiz, vereador e um dos melhores coleccionadores de arte chinesa". Foi ali que morreu, por sua vontade expressa, já que sentindo a chamada do seu fim, para ali fez uma derradeira viagem, para comungar os seus últimos dias com a terra que amou. Ao logo das páginas, vamos desvendando a sua vida e, especialmente, a sua diversificada vida em Macau, onde fez de tudo um pouco, resguardando-se quase sempre de actividades de forte índole política. Apesar das suas convicções republicanas e, dizem, anarquistas. Não deixa de ser curiosa a citação de Manuel da Silva Mendes que surge quase no início da biografia e que acaba por definir o próprio: "Afeiçoei-me à terra e aqui fiquei. Nunca ganhei nem perdi dinheiro no jogo, porque nunca joguei; nunca ganhei rios de dinheiro nem cousa que com isso parecesse, porque, para além de outras razões, em Macau rios de dinheiro, honestamente, ninguém pode ganhar. Mas consegui amealhar o bastante para viver modestamente e tem-me Macau, a China e amigos chineses proporcionado meios de satisfazer as minhas necessidades intelectuais. Nunca me intrometi em irritantes questões políticas ou administrativas, nunca me foi oferecido lugar algum de benesses ou honrarias, nem solicitei, nem ambicionei. E, assim, e posto que tenha sido, em regra, tratado com menos consideração do que muitos que nem sequer seis deveres tem cumprido, tenho vivido contente".
A biografia escrita por João Botas é elucidativa sobre o que estas palavras encerram. Ele foi uma figura ímpar num tempo de convulsões em Portugal, em Macau e na China.
Fernando Sobral in Jornal de Negócios - 30.06.2017
Publicada por João Botas à(s) 07:25
Etiquetas: livros, Silva Mendes
Uma fotografia de Neves Catela obtida em 1930 teve pelo menos dois fins distintos. Serviu de ilustração a um guia turístico da época que apresentava o território como "the oldest foreign colony in China" e tinha como mote "include a trip to Macao on your round the world tour"... "three & half hours from Hong Kong".
A mesma imagem foi ainda usada como capa da edição de 16 de Outubro de 1939 da revista portuguesa "Ilustração" com a legenda "uma linda paisagem de Macau", nada mais nada menos que um pôr-do-sol captado a partir da Avenida da República.
PS: é também uma foto de Neves Catela que serve de capa ao livro "Macau 1937-1945: os anos da guerra"
Etiquetas: anos 30, fotografias, imprensa, personalidades, turismo
Decreto-Lei n.º 22/77/M de 25 de Junho
É aprovado o Regulamento do Ensino Primário Luso-Chinês, que faz parte integrante deste decreto-lei e baixa assinado pelo chefe da Repartição dos Serviços de Educação.
É revogado o Diploma Legislativo n.º 1 716, de 3 de Setembro de 1966.
Dos objectivos e órgãos
O ensino primário luso-chinês tem por fim fornecer às crianças chinesas a formação correspondente ao ensino primário chinês e um conhecimento básico da língua portuguesa que permita maior aproximação e compreensão entre as duas principais comunidades de Macau. Visa ainda facilitar-lhes o ingresso na vida social do Território, sem barreiras de língua, e o prosseguimento de estudos no ensino secundário oficial português, se o desejarem.
Para o efeito referido no artigo anterior, criar-se-ão escolas com organização própria, denominadas Escolas Luso-Chinesas, onde serão instruídas, gratuitamente, crianças chinesas ou portuguesas, desde que estas últimas queiram optar pelo ensino chinês.
O ensino primário luso-chinês será ministrado gratuitamente nas escolas que o Governo determinar, com separação de sexos ou em regime misto, conforme as conveniências do serviço e as normas pedagógicas aconselháveis.
A Escola Luso-Chinesa "Sir Robert Hó Tung" é a primeira de uma rede de escolas a criar com a mesma finalidade.
Art. 5.º (Revogado)
O curso professado nas Escolas Luso-Chinesas será distribuído por sete anos de aprendizagem, compreendendo uma classe pré-primária e seis classes primárias.
O ensino curricular será ministrado em Língua Chinesa (dialecto cantonense), mas a aprendizagem da Língua Portuguesa será obrigatória.
Artigo 7.º (Revogado)
1) O ensino da Língua Portuguesa tem como objectivo não só dar aos estudantes o conhecimento do idioma corrente e rudimentos da cultura portuguesa, mas também a possibilidade de expressarem nesta língua as matérias curriculares programadas em língua chinesa.
2) Esse ensino será ministrado em todas as classes, devendo o nível dos alunos que terminam a 6.ª classe das Escolas Luso-Chinesas ser equivalente, no que respeita ao conhecimento daquela língua, ao dos alunos aprovados na 4.ª classe da instrução primária em português.
Artigo 11.º (Revogado)
O ensino compreende as seguintes matérias:
a) Língua Portuguesa; b) Língua e literatura chinesa; c) Aritmética e ábaco; d) Rudimentos de Geografia e História da China; e) Ciências da Natureza; f) Moral e Educação Cívica; g) Canto Coral; h) Desenho; i) Trabalhos Manuais; j) Língua estrangeira: Inglês; k) Educação Física.
Artigo 99.º (Revogado)
1) Nas escolas luso-chinesas, além do horário normal das turmas da sua população escolar própria, poderá haver cursos vespertinos ou nocturnos para Chineses que queiram aprender a língua portuguesa.
2) O curso poderá ser frequentado por indivíduos de ambos os sexos, com idade superior a catorze anos, havendo separação sempre que o número de alunos o justifique.
Artigo 103.º (Revogado)
Os professores e agentes docentes referidos no artigo anterior devem conhecer a língua chinesa (dialecto cantonense) pelo menos falada, e o seu serviço será gratificado nos termos do Decreto Provincial n.º 4/76, de 28 de Fevereiro, ou ulterior disposição legal.
Artigo 134.º (Revogado)
Os professores de Língua Portuguesa das escolas luso-chinesas deverão ser diplomados por qualquer Escola do Magistério Primário Oficial e terão de fazer prova de ter conhecimento da língua chinesa (dialecto cantonense) pelo menos falada. Tal conhecimento deve ser comprovado mediante a apresentação de certificado emitido pela Repartição dos Serviços de Assuntos Chineses.
Artigo 138.º (Revogado)
1) Para efeitos de recondução, no fim de dois anos de serviço, os professores de língua chinesa do quadro, deverão demonstrar que possuem conhecimento, ainda que rudimentar, da língua portuguesa, mediante certificado passado pelos Serviços de Educação.
2) A passagem do certificado mencionado no número anterior será precedida de uma prova de carácter sumário em termos a regulamentar por despacho do Governador.
Sala de aulas na década de 1970. Foto de Ou Ping
Etiquetas: anos 70, Boletim Oficial, educação, Ensino, escolas
"Em busca do Inominado: Silva Mendes e sua reescrita de alguns trechos do Dao De Jing e do Nan Hua Jing" é o título da tese de mestrado em Literatura Portuguesa da autoria de Erasto Santos Cruz apresentada em medos de 2016 na Universidade de S. Paulo e agora tornada pública.
"Esta dissertação tem como objetivo apresentar a obra Excerptos de Filosofia Taoista do autor Manuel da Silva Mendes, considerado o primeiro português a estudar e divulgar a tradição taoísta chinesa em Macau. Baseado nos conceitos de que tradução é uma recriação ou reinvenção, apresentados por Haroldo de Campos em sua obra Da transcriação poética e semiótica da operação tradutora, 2011, procurar-se-á analisar quatro poemas da obra em questão a fim de demonstrar que estes tratam-se de adaptações dos trechos dos livros clássicos do pensamento chinês 道德經 Dào Dé Jīng de 老子 Lăozĭ, e 南華經 Nán Huá Jīng de 莊子 Zhuāngzĭ. Para se atingir este fim, será feita uma análise comparativa com os originais em chinês clássico e com as traduções para o inglês do sinólogo escocês James Legge, tradutor com o qual Silva Mendes dialoga. A análise também servirá para mostrar as semelhanças e diferenças entre as versões poéticas do autor português e as originais, em sua grande parte escrita em prosa."
"Fala o vulgo, discute e discreteia. E cuida em seu orgulho saber tudo: Contempla o sábio o mundo que o rodeia. E, por fim, recolhido, fica mudo!... "
Manuel da Silva Mendes in Excerptos de Filosofia Taoista (1930)
Etiquetas: Brasil, livros, Silva Mendes
Título de um artigo publicado no jornal "A Voz de Macau" de 23 de Fevereiro de 1932
Os jornais de Hong Kong anunciam a venda da colecção Dr. Silva Mendes: "uma rara oportunidade para coleccionadores. À venda a bem conhecida colecção do Dr. Silva Mendes, etc..."
Numa época em que, como se diz, a preocupação da humanidade é o culto da arte, ler tal notícia sem um calafrio, sem um estremecimento, sem um protesto, seria uma manifestação de indeferentismo que, felizmente, se não nota em todos. Ainda há quem pratique um pouco esse culto e vibre de indignação ao ver anunciada, em língua estrangeira, a venda de uma colecção preciosa, seleccionada, durante trinta anos por um artista português em terra portuguesa. É na verdade uma rara oportunidade; uma oportunidade que devia ser aproveitada, não por coleccionadores estranhos, mas pelo Governo da Província. Macau passaria a ter um museu, digno desse nome, com a dupla qualidade de ser um elemento valiosíssimo para aqueles que quizessem dedicar-se ao estudo da arte chinesa e de atraír à Colónia curiosos, coleccionadores, artistas e estudiosos que, para isso, é sobejamente conhecida a colecção.
Muito antes do falecimento do Sr. Silva Mendes, o jornal chinês de Hong Kong, Va Seng, publicava notas acerca de pinturas da sua colecção, algumas das quais classificava de relíquias. E, se é certo que nem todas terão o mesmo valor, não é menor verdade que são para cima de tresentas e cincoenta pinturas, escolhidas por (como dizem os coleccionadores chineses) o homem que mais conhecia a pintura chinesa no Sul da China. Mas não só as pinturas, embora seja o forte da colecção.
São os barros: cerca de tresentos exemplares de vários tipos, espécimes das épocas que vão de Sung a Ch'in Lung. É a estatuária de bronze de Tang e Ming. São os bronzes preciosos de On a Sung. É a loiça funerária das mesas épocas. É a estatuária de barro, moderna, mas de autores afamados já no Sul da China, como Chang Nam e Pun Ioc Si. São, embora muito desfalcadas pela explosão do paiol da Flora, as porcelanas delicadas dos séculos XVIII e XIX. São os quadros de Chinnery: um auto-retrato, um crayon, quatro quadros pequenos, uma aguarela e duas paisagens do norte da Europa. São muitas, muitas, muitas coisas mais, que seria impossível citar aqui. Sem acrescentar que entre essas preciosidades se encontram algumas que interessam, particularmente, a Macau, como os cobiçados quadros de Chinnery, que nesta terra viveu e ensinou, como os dos seus discípulos Marciano Baptista e Lam Kua e como os de Belsito. É certo que só um destes pintores é português. Mas todos o são na arte; todos fixaram, na tela, motivos portugueses; todos sentiram a alma portuguesa.
Há muito, há dezenas de anos, que se sentiu em Macau a utilidade e necessidade de um Museu. O Museu Luis de Camões foi aberto ao publico há uns três ou quatro anos, e para o ser, foi necessário que as direcções que por ele passaram dispusessem de uma enorme força de vontade e se sujeitassem a muito trabalho e muitas sensaborias.
É que o Museu não teve, nunca, nem dotação nem rendimentos; dos objectos que o constituem, uns são oferecidos e outros (a maior parte) depositados, confiados à guarda, conservação e responsabilidade individual dos membros da Direcção. Possue já, é certo, alguns documentos de valor para estudo da nossa influência no Oriente; mas está longe de atingir os fins que tem em vista uma instituição desta natureza, o que só conseguirá quando o Governo da Província se decidir a aproveitar oportunidades raras, como a que se lhe depara agora.
Esta à venda a colecção Dr. Silva Mendes, um museu que, como disse o doutor Juiz Brito e Nascimento na sua oração fúnebre, "está aí a lembrar a administração da colónia a indesculpável incúria de não ter feito o mesmo em quatro séculos do governo." Que se procure, desde já, reparar essa incúria de quatro séculos. Que a administração da Colónia não perca a oportundiade de enriquecer o Museu Luís de Camões, enriquecendo, assim, o património artístico a legar aos vindouros.
Li Tie Guai - Um dos Oito Imortais do Taoísmo. Huang Bing. Final da Dinastia Qing (1821 – 1911) peça com 67.5 cm de altura
NOTA: o governo de Macau com o apoio de particulares viria a adquirir parte significativa do espólio de obras de arte de Silva Mendes - com destaque para as peças de cerâmica de Shiwan - e ainda hoje podem ser vistas no Museu de Arte de Macau.
Etiquetas: museus, Silva Mendes
"De Macau a Fuchau - Cartas a J. M. Pereira Rodrigues, recordações de viagem" é uma obra da autoria de Gregório José Ribeiro publicada em Lisboa pela Typographia Universal em 1866.
Na verdade trata-se da publicação de uma série de sete cartas-folhetins escritas pelo capitão-tenente da Armada e que já antes tinham sido mostradas no jornal Ta-Ssi-Yang-Kuo.
O livro é sobre uma viagem feita em Dezembro de 1857, entre Macau e Fuchau, na distância de 627 milhas, a bordo de um brigue.
Excerto: (...) A 20 de dezembro do anno do Senhor de 1857 largamos da barra de Macau e a 22 fundeamos na bahia de Hongkong primeiro marco desta romaria. Pouco nos demorámos aqui; da colonia nada direi pois nem a terra fui. Os camaradas acharam augmentada com coisas colossaes e incríveis; eu, ingenuamente o digo, nada lhe achei do espantoso! (...)
Fuchau, também conhecido por Fuchou, Foochow, Fuchow e Fuzhou (em Pinyin), é a capital da província chinesa de Fujian.
Há registos de em 1869 a canhoneira a vapor "Camões" estar sob o comando do Capitão-Tenente Gregório José Ribeiro.
Etiquetas: China, livros, marinha, Século XIX
G. R. G. Worcester lived in China more than 30 years where he work as a river inspector for Costums Departmet. In 1947 this book (2 vol.) was published: The Junks and Sampans of the Yangtze. A Study in Chinese Nautical Research. Shanghai: Statistical Department of the Inspectorate General of Customs. In almost 500 pages on this first edition we find over 200 plates and maps inscribed by the Inspector General of Customs.
G. R. G. Worcester viveu na China mais de 30 anos tendo trabalhado como inspector dos serviços de alfândega. Foi dessa experiência que resultou a obra The Junks and Sampans of the Yangtze onde estão registadas mais de 250 tipos de embarcações de juncos e sampanas que sulcavam o Yangtze e também o delta do rio das Pérolas havendo várias referências a Macau, nomeadamente sobre as lorchas.
The Junks and Sampans of the Yangtze is the definitive work on the river craft of China, lavishly illustrated with photographs, diagrams and maps. Eager to record folk customs before they disappeared forever, Worcester recorded over 250 types of river craft, noting that “some of the finest types, as a result of the last few difficult years, have gone for ever, particularly the many varieties of deep-draught salt-junks and, of course, the lorchas, and many others.” A shorter version of Volume I was first published in 1940 under the same name; this 1947 edition was published as part of a series on Chinese Maritime Customs. Another edition was published in 1971 by Naval Institute Press.
Etiquetas: anos 40, livros, transportes
Duas perspectivas sobre o campo do Tap Seac em meados do século XX
Publicada por João Botas à(s) 07:04
Etiquetas: anos 40, anos 50, desporto, fotografias, hóquei em campo, liceu
São muitas as histórias relacionados com os canhões fundidos por Manuel Tavares Bocarro em Macau e, na verdade, continua por fazer, uma versão definitiva e sistematizada sobre o assunto. Para este post escolhi recordar o chamado canhão "milagre", nome que advém do excelente estado em que foi encontrado em 1977 uma peça de Bocarro fundida em Macau no século 17.
Entre 1505 e 1691 naufragaram, segundo os registos históricos, 12 (ou 13) naus portuguesas na costa sul-africana do Índico. Passados vários séculos as marés ainda atiram para a costa pedaços de cerâmica azul e branca, tão característica daquele período (Dinastia Ming) e que faziam parte da carga dos galeões portugueses que naufragaram naquela costa.
O que importa para este post são dois naufrágios ocorridos em 1647: o do "Santa Maria de Atalaia do Pinheiro" e o do "Santíssimo Sacramento" onde foram encontrados, em 1977, os dois canhões de bronze da autoria de Bocarro e considerados monumentos nacionais da África do Sul desde 1986.
This bronze artifice, cast by the Bocarro family foundry in Macao, also known as the Miracle Cannon, was salvaged in May 1977 from the wreck site of the Portuguese gallion Sacramento, which ran aground near Schoenmakerskop on her maiden voyage in 1647. It was declared a National Monument in 1986. It used to be in the Prince Alfred's Guard Museum in Port Elizabeth but its now housed in George VI Museum. Weighs about 4 tonnes and has a length of 3.7 metres and is one of the few remaining example of this cannon in the world. It is decorated with the coat of arms of the colony of Macao and the monogram of the Governor of India.
In 1647 the Portuguese galleons ''Santissimo Sacramento'' and ''Nossa Senhora da Atalaia do Pinheiro'' departed Goa with a cargo of Bocarro cannon intended as gifts from the Viceroy of India to John IV, the King of Portugal from 1640 to 1656. Four months later the ships encountered severe storms off the coast of South Africa and sank. Seventy two survivors from the ''Santissimo Sacramento'' managed to reach the shore and begin a 1300-kilometer trip to Portugal's trading post in Portuguese Mozambique, a journey that took almost a year and led to the deaths of all but nine of those who set out. The wreck of the ''Santissimo Sacramento'' was discovered by divers in Sardinia Bay, Port Elizabeth, in 1977. The ''Nossa Senhora da Atalaia do Pinheiro'' was found soon after near the Cefime estuary, about 30 miles northeast of East London, Eastern Cape: the vessel's identity was confirmed by its cargo of Bocarro cannon. The bronze gun salvaged from the ''Santissimo Sacramento'' was in near perfect condition and became known as the ''Miracle cannon''.
The two Bocarro cannon raised from the ''Santissimo Sacramento'' and ''Nossa Senhora da Atalaia do Pinheiro'' were declared South African national monuments in 1986. The gun is 3.6m inch long and the bears the arms of Macau; the inscription reads ANTo TELES DE MENZES GOVor DA INDIA A MANDOU FAZER NO ANNO DE 1640 POR Mel TAVARES BOCARRO (Antonio Teles De Menzes Governor of India ordered it to be made in 1640 by Manuel Tavares Bocarro). The Government Gazette of South Africa' describes the cannon's Cascabel (artillery) as "a clenched fist with the thumb protruding between the fore and middle fingers", a gesture known as the sign.The bronze cannon recovered from the ''Nossa Senhora da Atalaia do Pinheiro'' is 3.91m inch long and kept at Beacon Bay, East London.
Sugestão de leitura: "Manuel Bocarro: o grande fundidor" de N. Valdez dos Santos, Comissão de História Militar, Lisboa, 1981
Em 1625, Manuel Tavares Bocarro, filho de Pedro Tavares Bocarro, chefe dos fundidores de Goa, de onde partiu, chegou a Macau para reformular e dirigir uma fundição. A fábrica ficou localizada numa zona designada por Chunambeiro, junto à Fortaleza do Bom Parto e no sopé da colina da Penha. O encontro das técnicas metalúrgicas ocidentais e orientais tornou famosa a oficina tendo produzido inúmeros canhões, sinos e estátuas.
Já em 1635, o cronista António Bocarro, falando de Macau, escrevia: "Este lugar possui uma das melhores fundições de canhões no mundo, quer de bronze, que já tem ha muito ou de ferro, que foi feita por ordem do Vice-rei, Conde de Linhares, e onde é fundida continuamente artilharia para todo o seu Estado (da India), a preço muito razoável".
Sugestão de leitura (em inglês): ''The Guns of Sacramento", de 1978, por Geoffrey Allen e David Allen, que contam a história do 'descobrimento' do Santíssimo Sacramento" e da operação levada a cabo para retirar inúmeros canhões e outros produtos.
Etiquetas: curiosidades, estrangeiro, militares, século XVII
Medalha em Bronze: Quartel S. Francisco/ FSM 1830-1993
Medalha em bronze FSM/Quartel de S. Francico produzida em 1993
O logotipo do Comando das Forças de Segurança de Macau (CFSM) - criadas em 1975 após a extinção do Comando Militar Territorial - é composto por um escudo com correia e elmo com virol, paquife e timbre, voltado e três quartos para a dextra; sotoposta ao escudo encontra-se a divisa "Vos vão servir com passo diligente"; no interior, um dragão segura entre as garras o Escudo Nacional com cinco quinas.
A divisa foi 'extraída do Canto X de "Os Lusíadas".
Etiquetas: anos 80, Camões, memorabilia, militares
Conhecido entre os chineses por Fa Vong Tong (Igreja das Flores) - está localizada junto ao Jardim Camões - a Igreja de Santo António é uma das mais antigas de Macau sendo aqui o primeiro local onde os jesuítas se instalaram ainda antes de 1560. Começou por ser construída em madeira e bambú e depois, em 1638, em pedra. Uma cruz de pedra existente no adro (e outra na fachada) atesta este facto. Sofreu um incêndio em 1809 e foi reconstruída no ano seguinte.
Após a passagem de um tufão em Setembro de 1874 (imagem acima) ficou bastante destruída sendo remodelada em 1875.
Sofrei ainda obras de restauro em 1930 e na década de 1950 que lhe conferem o actual aspecto de cor cinzenta do "shangai plaster". Faz parte do conjunto de monumentos do "Centro Histórico de Macau" incluído pela UNESCO na Lista do Património da Humanidade.
Composta por dois pisos, apresenta uma fachada neoclássica de desenho simples, encimada por um arrojado frontão clássico. O frontispício é assimétrico, apresentando de um dos lados uma torre sineira. No topo da fachada existe uma estátua de Santo António com o menino Jesus ao colo (e tb no interior).
Santo António é um santo "militar" e "Capitão" de Exército Português desde 1783 tendo sido alistado como soldado em 1623.
Até 1999 (ano da transferência da soberania de Macau para a China), todos os anos, a 13 de Junho, realizava-se uma cerimónia em que o Presidente do Leal Senado lhe entrega o soldo e a sua imagem era levada em procissão ao redor da Igreja até ao Largo de Camões.
O valor do soldo foi variando ao longo do tempo: em 1783 era de 240 taéis. Nos anos 50 do século passado de duas mil patacas. Em 1967 passou para seis mil; em 1996 era 45 mil patacas, Em 1999 foi a última vez que, o então, Leal Senado, pagou o soldo devido a Santo António.
Muito perto da igreja está uma estátua de André Kim Taegon, santo e mártir da Igreja Católica. Considerado o primeiro sacerdote católico da Coreia. Durante o tempo que estudou teologia em Macau frequentou esta igreja.
Publicada por João Botas à(s) 22:42

References: Artigo 7

Artigo 11

Artigo 99

Artigo 103

Artigo 134

Artigo 138