Source: http://ipol.org.br/revista-brasileira-de-linguistica-antropologica-rbla-v-11-n-1-2019/
Timestamp: 2020-06-01 12:35:48+00:00

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Revista Brasileira de Linguística Antropológica – RBLA – V. 11, N. 1 (2019) – | IPOL
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A equipe editorial da Revista Brasileira de Linguística Antropológica – RBLA tem o prazer de divulgar, ao lado da sua indicação para classificação A1, no Qualis Capes, o seu mais recente um volume: v. 11, n. 1 (2019) (DOI: https://doi.org/10.26512/rbla.v11i1). Nessa edição, ratificando o seu compromisso com a interdisciplinaridade, a RBLA apresenta sete artigos que integrando conhecimentos linguísticos, antropológicos e arqueológicos, tratam de aspectos das línguas e das culturas dos povos nativos do continente sul-americano. Esse volume também marca o protagonismo dos pesquisadores indígenas, que se destacam como autores de alguns dos artigos dessa edição. Apresentamos a seguir uma breve síntese dos artigos que compõe o volume:
Artigo 01: “Ñande reko: fundamentos dos conhecimentos tradicionais ambientais Guaraní”, trata de aspectos fundamentais do manejo de recursos ambientais e da territorialidade Guaraní no Brasil meridional e Bacia Platina. A hipótese apresentada pelos autores é a de que o povo Guaraní reproduzia em seus assentamentos um sistema de conhecimentos originalmente desenvolvidos na Amazônia. As especificidades desses conhecimentos ecológicos e botânicos tornavam os Guaraní aptos a fundar assentamentos, manejar plantas e animais em diversos ecossistemas, assim como a modificar as paisagens vegetais para prover sua segurança alimentar. A interface da arqueologia com a linguística se faz presente com a terminologia, em língua Guaraní, relativa ao manejo e territorialidade Guaraní.
Artigo 02: “Karirí como família linguística Macro-Jê no Nordeste do Brasil”, de Aryon Dall’Igna Rodrigues, compõe a documentação do Acervo e da Fundação Aryon Dall’Igna Rodrigues. Nesse artigo o autor apresenta novas evidências do parentesco genético da família Karirí com línguas de outras famílias Macro-Jê. Levando em consideração que a primeira inclusão da família Karirí no tronco Macro-Jê (Mason 1950) foi baseada, sobretudo, em algumas semelhanças lexicais, e a de Rodrigues (1999) considerou alguns traços morfológicos e sintáticos de concordância tipológica dessa família com outras famílias incluídas no mesmo tronco, a proposta delineada neste artigo discuti a consistência de todos os elementos disponíveis para considerar a família Karirí como membro do tronco Macro-Jê.
Artigo 03: “Metáfora das emoções em Kaiowá” apresenta uma descrição de algumas expressões linguísticas metafóricas que codificam as emoções e os sentimentos em Kaiowá. Nessa língua, enquanto o fígado – “py’a” – representa o local/centro das emoções, os fenômenos emocionais e sentimentais inerentes ao ser humano são descritos a partir do conceito de teko. No que diz respeito a codificação da emoção, a análise corrobora a proposta defendida por Wierzbicka (1999) de que as metáforas conceptuais são universais: todos os humanos possuem emoções e respectivas metáforas representativas de experiências afetivas, contudo “cada cultura determina como ocorre a codificação das emoções”.
Artigo 04: “La historia profunda de la palabra kachi: contribución a la etnohistoria protoquechu”, traz contribuições para o estabelecimento de uma história das relações andino-amazônicas, especificamente, no que diz respeito ao território peruano. O autor, por meio de um estudo comparativo, mostra a origem “estrangeira” da palavra quéchua para sal – “kachi” – evidenciando um antigo contato andino-arawak no sopé dos Andes peruanos, que influenciou a formação desta palavra, bem como do léxico de outras línguas da região. As consequência dessa proposta além de contribuírem para os estudos linguísticos, também trazem elementos para a compreensão da etno-história desses povos.
Artigo 05: “Aspectos dos ideofones do Kamaiurá”, explora os chamados ideofones – expressões icônicas que estabelecem uma relação de caráter sonoro-simbólico – nas línguas indígenas brasileiras. Esse tema que tem sido pouco explorado nos estudos linguísticos, é discutido no artigo que tem como objetivo aprofundar a análise dos ideofones no kamayurá. O estudo parte da descrição de 50 ideofones encontrados no relato de Kayani Kamayurá, dividindo-os, de acordo com Kaufman (1994:66), em dois conjuntos semânticos principais: (a) ideofones imitativos ou onomatopeicos e (b) ideofones que expressam simbolismo sonoro sinestésico. Além da análise semântica de ideofones no Kamayurá, o estudo também apresenta observações sobre suas respectivas formas fonológicas e morfológicas, assim como sobre as combinações de ideofones em enunciados.
Artigo 06: “A mulher Tenetehára contemporânea: identidade étnica, gênero e movimentos sociais”, discute a construção da identidade da mulher Tenetehára contemporânea, que se projeta, nacional e internacionalmente, a partir de seu protagonismo nos movimentos sociais. A análise mostra que se por um lado o protagonismo dessa mulher dentro e fora de sua comunidade pode ser relacionado à influência dos movimentos sociais, por outro, são as relações de força no interior da universo Tenetehára o elemento determinante, ou seja, é o contexto sócio-histórico-ideológico Tenetehára – organizador das relações de gêneros e estabelecido por uma “flexibilidade” entre as posições da mulher e do homem – o que determina a constituição da identidade da mulher Tenetehára contemporânea e, por conseguinte, da sua posição de protagonismo.
Artigo 07: “Diálogos múltiplos em contextos linguísticos e identitários: relato de experiências vivenciadas na comunidade Wakalitesu/Nambikwarada aldeia Três Jacus”, apresenta as experiências do autor junto à comunidade Wakalitesu/Nambikwara, localizada na Terra Indígena Tirecatinga, no município de Sapezal (MT). O povo Wakalitesu que fala uma língua pertencente à família Nambikwara do Sul, vivencia, na atualidade, múltiplos contextos linguísticos e identitários em razão da convivência com outros grupos Nambikwara, assim como, com outros grupos indígenas falantes de línguas geneticamente distintas (Iranxe, Manoki e Paresi). Nesse contexto étnico plural, a maioria dos moradores da comunidade Três Jacus que se autodenomina Wakalitesu, manifestou o desejo de promover e fortalecer sua a língua. Nesse movimento, a comunidade foi convidada a aderir a um projeto que alia as pesquisas linguísticas desenvolvidas pelos pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso -UFMT, com uma formação continuada para os professores Wakalitesu.
Relembrando/Remeber
A seção Relembrando/Remember apresenta o estudo do Abade Etiènne Ignace publicado na primeira década do século XX, pela Revue Internationale d’Ethnologie et de Linguistique Anthropos V. Trata-se de um dos primeiros estudos a associar a língua dos Capiekrans aos complexo Timbira e a trazer alguns dados etnográficos sobre esse povo.
(Ignace, Etienne. 1910. Les Capiekrans. Revue Internationale d’Ethnologie et de Linguistique Anthropos V, Viena, pp. 473-482).
A RBLA é uma revista semestral, fundada em 2009 por Aryon Dall’Igna Rodrigues e Ana Suelly Arruda Câmara Cabral. Publicada pelo Laboratório de Línguas Indígenas, do Instituto de Letras da Universidade de Brasília, é um fórum aberto à contribuição não só de linguistas, mas também de antropólogos, arqueólogos, biólogos, psicólogos, e outros especialistas que buscam o aprofundamento dos conhecimentos sobre os seres humanos, neste caso, sobre os indígenas das Américas e, mais particularmente, sul-americanos.
2019.08.29.RBLA_V.11_ N.1_2019 – baixe a revista em pdf.

References: Artigo 01

Artigo 02

Artigo 03

Artigo 04

Artigo 05

Artigo 06

Artigo 07