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Timestamp: 2020-06-05 00:32:01+00:00

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Tribunal de Justiça de São Paulo TJ-SP - Remessa Necessária Cível : 10110813720188260344 SP 1011081-37.2018.8.26.0344
Tribunal de Justiça de São Paulo TJ-SP - Remessa Necessária Cível : 10110813720188260344 SP 1011081-37.2018.8.26.0344 - Inteiro Teor
1011081-37.2018.8.26.0344 SP 1011081-37.2018.8.26.0344
Inteiro TeorTJ-SP__10110813720188260344_ba36c.pdf
Registro: 2019.0000459830
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Remessa Necessária Cível nº 1011081-37.2018.8.26.0344, da Comarca de Marília, em que é recorrente JUÍZO EX OFFICIO, são recorridos ANTONIO APARECIDO GOMES MONTEIRO (E OUTROS (AS)), ADRIANA PIEDADE MONTEIRO GABRIEL, REGINALDO GOMES MONTEIRO, RICARDO GOMES MONTEIRO, ERALDO GOMES MONTEIRO e JOSÉ RAFAEL GOMES MONTEIRO.
O julgamento teve a participação dos Desembargadores MOREIRA DE CARVALHO (Presidente sem voto), DÉCIO NOTARANGELI E OSWALDO LUIZ PALU.
VOTO Nº 27.281 - JV
REEXAME NECESSÁRIO Nº 1011081-37.2018.8.26.0344
RECORRIDOS: ANTONIO APARECIDO GOMES MONTEIRO E OUTROS
INTERESSADOS: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO E CHEFE DO NÚCLEO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS - NSE II DA DELEGACIA
REGIONAL TRIBUTÁRIA DE MARÍLIA DRT 11
Cuida-se de mandado de segurança impetrado por
Antonio Aparecido Gomes Monteiro e outros contra ato do Chefe do Núcleo
de Serviços Especializados NSE II da Delegacia Regional Tributária de
Marília, consistente na imposição do recolhimento do ITCMD de imóveis
rurais deixados em razão dos falecimentos de Geraldo Gomes Monteiro (em
30/07/2013) e de Rachel Arana Monteiro (em 06/10/2016), com base no
valor definido pelo Instituto de Economia Agrícola IEA, órgão da
Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, razão
pela qual pleiteiam a substituição desta base de cálculo para o valor venal constante do ITR, nos termos da Lei nº 10.705/00.
A r. sentença de fls. 170/174, cujo relatório adoto, concedeu a segurança, por entender que a base de cálculo do ITCMD deve ser calculado sobre os valores utilizados no lançamento do ITR.
Sem apelo voluntário, subiram os autos por força do reexame necessário.
Como é perceptível, o tema controvertido neste mandamus está circunscrito à base de cálculo do ITCMD, notadamente em relação à utilização do valor venal, assim entendido pela impetrada como sendo o valor de mercado apurado pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, sem observar aquele definido pelo ITR, cuja diferença de valores imporá aos impetrantes o recolhimento do ITCMD em valor superior ao legalmente devido.
gratuito, de competência estadual, é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos. Normalmente a lei aceita os valores fixados para lançamento de outros impostos, a exemplo do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU , do Imposto Territorial Rural ITR ou do próprio Imposto de Renda, mas, não havendo um valor efetivo ou não sendo aceitos os valores apresentados pelo contribuinte deve-se realizar avaliação administrativa ou judicial, com o contraditório, na forma do art. 148 do CTN e do art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal de 1988”. (“Código Tributário Nacional Comentado”, Coordenação Vladimir Passos de Freitas, Ed. Revista dos Tribunais, 6ª edição, p. 1165).
É de se convir que, a partir do que consta do art. 155, I, da Constituição Federal 2 , houve a vigência da Lei Estadual nº 10.705/00, regulamentada pelo Decreto Estadual nº 46.655/02 (RITCMD), e que expressamente considera o seguinte:
Artigo 1º - Passa a vigorar com a redação que se segue o parágrafo único do artigo 16 do Regulamento do Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos RITCMD, aprovado pelo Decreto 46.655, de 1º de abril de 2002:
Então, como se pode perceber, a Lei Paulista é
expressa em reputar como referência da base de cálculo do ITCMD o valor venal admitido oficialmente pelo ITR (art. 13, II, da Lei Estadual nº 10.705/00), não havendo como Decreto Estadual posterior alterar essa base de cálculo, até porque esta manobra acarretou inevitável majoração do
“MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO -ITCMD -Base de cálculo prevista na Lei Estadual nº 10.705/00, que nos imóveis rurais é o valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, e não aquele definido pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola) -Majoração do tributo que deve observar os estritos
termos da Lei e não por via de Decreto (art. 97, do CTN)- Precedentes desta C. 9ª Câmara de Direito Público - Concessão da segurança mantida - Recursos oficial e voluntário não providos. (APELAÇÃO CÍVEL Nº 1005991-28.2016.8.26.0438, desta Relatoria, j. 11.05.2018)
“APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA. Mandado de segurança. IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO "CAUSA MORTIS" - ITCMD. Adoção pela Fazenda do Estado do valor de mercado publicado pelo Instituto de Economia Agrícola -IEA, órgão da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo como base de cálculo do ITCMD, conforme previsto no Decreto n.º 55.002/09. Inadmissibilidade. Correta a utilização como valor venal o da base de cálculo do ITR, tendo por parâmetro o artigo 13, inciso II, da Lei nº 10.705/00. Ausência de prova de que o valor venal do ITR não corresponda ao valor de mercado, ou mesmo de que o valor previsto pelo Instituto de Economia Agrícola -IEA era o mais condizente com o valor de mercado. Ademais, impossibilidade de alteração da base de cálculo de tributo por decreto. Princípios (no campo penal e tributário). Reserva de lei (= reserva constitucional de lei = reserva horizontal de lei = reserva formal de lei) através da qual a Constituição reserva à lei a regulamentação de certas matérias; (2) congelamento do grau hierárquico, dado que, de acordo com este princípio, regulada por lei uma determinada
matéria, o grau hierárquico da mesma fica congelado e só uma outra lei poderá incidir sobre o mesmo objeto; (3) precedência da lei ou primariedade da lei (= reserva vertical de lei), pois não existe exercício de poder regulamentar sem fundamento numa lei prévia anterior. Reserva legal absoluta, no caso. Sentença mantida. Recursos oficial e voluntário não providos. (Apelação / Remessa Necessária nº 1001002-30.2018.8.26.0269, Rel. Des. Oswaldo Luiz Palu, j. 16.08.2018).
Reexame Necessário nº 1011081-37.2018.8.26.0344 Voto nº 27281 - JV - Cris
a) "só ao legislador estadual compete a fixação de regras sobre impostos cuja instituição seja de sua competência, desde que respeitadas as limitações ao poder de tributar (artigos 150 a 152 da Constituição Federal) e os princípios gerais (artigos 145 a 149, da Constituição Federal)" (fl. 580e);
b) "com base na legislação estadual, amparada pelo artigo 38 do Código Tributário Nacional, há regra expressa sobre a base de cálculo do ITCMD. Não é aceitável que o Inventariante e os Herdeiros adotem a base de cálculo do ITCMD que bem lhes aprouver, sendo inaceitáveis as suas alegações" (fl. 581e);
c) "há lei juridicamente válida, determinando a incidência do ITCMD, na qual restou determinado pelo artigo 9º, § 1º, da Lei Estadual instituidora do ITCMD acima invocada, na hipótese de transmissão de imóvel urbano ou direito a ele relativo, que a base de cálculo do ITCMD é o valor venal deste bem ou direito, observandose que a lei em questão considera valor venal o valor de mercado do bem ou direito na data da abertura da sucessão (data do óbito) ou da realização do ato ou contrato de doação" (fl. 581e);
d) "contudo, aludido dispositivo legal deve ser combinado com o preceito contido no artigo 13, inciso I da mesma Lei Estadual, dispositivo este que exige, quando se tratar de imóvel urbano ou direito a ele relativo, que o valor desta base de cálculo não seja inferior ao fixado para o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana - IPTU" (fl. 11
581e).
e) "o legislador paulista não está exigindo que o valor a ser utilizado para efeito de apuração da base de cálculo do lTCMD seja igual ao valor venal lançado pelo Fisco do Município da situação do imóvel para a cobrança do IPTU. A Lei Estadual 10.705/2000 impede que seja utilizado como valor para apuração da base de cálculo do ITCMD, valor inferior àquele lançado pelo município para a cobrança do IPTU" (fl. 581e).
Nesse sentido, não cabe ao STJ examinar a questão em Recurso Especial, diante do óbice da Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário".
"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - TESE DE OMISSÃO - IMPROCEDÊNCIA - IMPOSTO SOBRE TRANSMISSÃO CAUSA MORTIS E DOAÇÃO - BASE DE CÁLCULO - SUPOSTA AFRONTA A NORMAS ESTADUAIS - SÚMULA 280 DO STF. 1. Decisão meramente desfavorável aos interesses da parte embargante não deve ser confundida com decisão contraditória, obscura ou omissa. 2. Examinar a tese de afronta à Lei Estadual Paulista 10.705/00 e ao Regulamento Estadual do ITCMD dependeria de expediente inviável nesta via, nos termos da Súmula 280 do STF:"Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". 3. Recurso especial parcialmente conhecido e não provido" (STJ, REsp 1.324.966/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe de 25/04/2013).
No mais, quanto à alegação de omissão do acórdão recorrido, verifica-se que não há violação do art. 535 do CPC, na medida que a Corte de origem resolveu a questão na sua inteireza, de forma sucinta, inexistindo, na hipótese, a alegada omissão, contradição ou obscuridade, porquanto firmou o entendimento de que: "O artigo 38 do Código Tributário Nacional estabelece que a base de cálculo do ITCMD é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos. Também, o artigo 9º da Lei 10.705//00 assim o estabelece, acrescentando, em seu § 1º, que se considera valor venal o valor de mercado do bem ou direito na data da abertura da sucessão. O artigo 13 da referida lei traz, ainda, que:
'No caso de imóvel, o valor da base de cálculo não será inferior: I - em se tratando de imóvel urbano ou direito a ele relativo, ao fixado para o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana -IPTU' .
ART. 535 DO CPC. NÃO-OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária.
3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 - Presidência/STJ"(STJ, REsp 1.111.175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 01/07/2009)
Por fim, em razão de não se admitir a fixação da verba honorária na ação mandamental, nos termos do art. 25, da Lei nº 12.016/09, também não é possível o arbitramento dos honorários recursais, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Disponível em: https://tj-sp.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/720280750/remessa-necessaria-civel-10110813720188260344-sp-1011081-3720188260344/inteiro-teor-720280770

References: Artigo 1
 artigo 16
 artigo 13
 artigo 38
 artigo 9
 artigo 13
 artigo 38
 artigo 9
 artigo 13