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Timestamp: 2020-04-06 02:55:12+00:00

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Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul TJ-RS - Apelação Crime : ACR 70080128887 RS
Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul TJ-RS - Apelação Crime : ACR 70080128887 RS - Inteiro Teor
TJ-RS_ACR_70080128887_1b23b.doc
Nº 70080128887 (Nº CNJ: 0378100-56.2018.8.21.7000)
APELAÇÃO. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO SIMPLES. insurgência defensiva. CONDENAÇÃO CONFIRMADA. SUFICIÊNCIA DA PROVA.
SUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. Não se mostra possível a absolvição quando a prova angariada for sólida a identificar o acusado como autor da subtração. Hipótese em que o réu foi flagrado na posse da res instantes após a infração, não se podendo deixar de considerar a apreensão contemporânea da coisa como fator de formação da convicção condenatória.
PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. A atipicidade derivada do reconhecimento da bagatela é figura excepcional, não podendo ser aplicada de modo irrestrito. O histórico criminal do acusado, que ostenta registros condenatórios múltiplos em crimes patrimoniais, obsta o reconhecimento da insignificância ou da irrelevância penal do fato. Precedentes.
REDIMENSIONAMENTO DA PENA. No caso dos autos, devida a manutenção da basilar acima do mínimo legal diante dos antecedentes apresentados pelo réu. Afasta-se, todavia, a consideração negativa da vetorial relativa à personalidade do agente. Pena-base redimensionada.
REGIME CARCERÁRIO. Mostra-se indispensável a manutenção do regime carcerário intermediário, tendo em vista a recidiva apresentada pelo réu, nos termos do artigo 33, § 2º, alínea c, a contrario senso, do Código Penal.
Nº 70080128887 (Nº CNJ: 0378100-56.2018.8.21.7000) Comarca de Carazinho
DIOGENES FRAGOSO PIMENTEL APELANTE
Acordam os Magistrados integrantes da Sétima Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado, por maioria, em dar provimento ao recurso a fim de reduzir as penas do réu para 01 (um) ano e 05 (cinco) meses de reclusão e 15 (quinze) dias-multa, à razão unitária mínima, vencido o relator, que provia o recurso a fim de absolver o acusado, com base no artigo 386, III, do Código de Processo Penal.
Participou do julgamento, além dos signatários, o eminente Senhor Des. Ivan Leomar Bruxel (Presidente).
Trata-se de denúncia oferecida pelo Ministério Público contra DIÓGENES FRAGOSO PIMENTEL, 10/04/1985, com 29 anos de idade à época do fato, como incurso nas sanções do Art. 155 do Código Penal.
“No dia 23 de fevereiro de 2015, por volta das 10h30min, no Supermercado Coqueiros, situado na Avenida Flores da Cunha, n. 1100, centro, nesta Cidade, o denunciado DIÓGENES FRAGOSO PIMENTEL subtraiu, para si, 03 (três) barras de chocolate, Diamante Negro, Lacta, pesando 150g cada, avaliadas no total de R$ 17,55 (dezessete reais e cinquenta e cinco centavos), consoante auto de avaliação indireta da fl. 15 do IP, pertencentes ao citado estabelecimento comercial.
Na ocasião, o denunciado adentrou no Supermercado e furtou as barras de chocolate, escondendo-as embaixo da bermuda que vestia. Em seguida, saiu do estabelecimento.
A ação do denunciado foi percebida por funcionário (s) do estabelecimento vítima, tendo a Brigada Militar sido acionada. Em diligências realizadas nas proximidades do Supermercado, Policiais Militares encontraram o denunciado, o qual mantinha escondidas as res furtivae, sendo elas apreendidas (fl. 05 do IP) e, após, restituídas ao estabelecimento vítima (fl. 09 do IP).
O denunciado é reincidente (certidão da fls. s/nº do IP).“
Recebida a denúncia em 04/05/2017 (fl. 33).
Procedida à citação do réu (fls. 37-38), que ofereceu resposta à acusação por intermédio da Defensoria Pública (fl. 39).
Em audiência de instrução e julgamento, foram ouvidas as testemunhas arroladas pela acusação, e efetuado o interrogatório do réu (CD à fl. 57).
Foram atualizados os antecedentes criminais do réu (fls. 63-69)
As partes apresentaram memoriais (fls. 70-72 e 84-89).
Determinada a instauração de incidente de insanidade mental do réu (fl. 75), que atestou que “o réu era, a época dos fatos, inteiramente capaz de entender o caráter delituoso de seus atos e inteiramente capaz de se determinar de acordo com este entendimento” (sic) (fls.78-82).
Sobreveio sentença (fls. 90-94), prolatada em 26/10/2018, julgando procedente a denúncia para condenar o réu Diógenes Fragoso Pimentel como incurso nas sanções do Art. 155 do Código Penal, nos seguintes termos:
“O réu ostenta condenações transitadas em julgado nos processos 009/2.04.0002704-8, 009/2.04.0003560-1, 009/2.05.0001223-9, 009/2.05.0003717-7, 009/2.06.0002500-6, 009/2.10.0002112-1, 009/2.15.0001234-2 e 009/2.17.0000032-1; deixo de valorar nesta etapa a do processo nº 009/2.10.0002112-1, a fim de evitar bis in idem, uma vez que será avaliada na segunda etapa, a título de reincidência. Considero as condenações dos processos 009/2.04.0002704-8, 009/2.04.0003560-1, 009/2.05.0001223-9, 009/2.05.0003717-7, 009/2.06.0002500-6 e 009/2.15.0001234-2 como maus antecedentes, razão pela qual aumento a pena em CINCO MESES. Conduta social sem elementos para aferição. Personalidade desfavorável, em face da condenação no processo 009/2.17.0000032-1, que não configura reincidência nem maus antecedentes, dado que é de fato ocorrido posteriormente àquele em análise no presente feito, razão pela qual aumento a pena em UM MÊS. Motivo do crime de obtenção de lucro fácil à custa do patrimônio alheio. As circunstâncias do crime não apresentam particularidades. As consequências são as próprias da ação praticada. O comportamento da vítima não teve influência no delito. Desta forma, sendo a culpabilidade uma decorrência de todas as circunstâncias antes analisadas, fixo a pena-base que entendo necessária e suficiente para prevenção e reprovação do crime em UM ANO E SEIS MESES DE RECLUSÃO.
O réu é reincidente, conforme condenação transitada em julgado no processo nº 009/2.10.0002112-1, razão pela qual exaspero a reprimenda em TRÊS MESES. Por outro lado, abrando a pena na mesma proporção, considerando a confissão acerca da autoria, quedando em UM ANO E SEIS MESES DE RECLUSÃO, que torno definitiva por não haver outras circunstâncias modificadoras pendentes de apreciação.
Oportunamente, consigno que desmerece acolhimento a tese defensiva de inconstitucionalidade da agravante alhures, conforme entendimento sedimentado nas Cortes de Justiça pátrias.
Mister frisar que a agravante do art. 61, I, do Código Penal permeia o referido diploma, refletindo os efeitos de seu reconhecimento em inúmeros momentos, mormente no tocante à fixação dos parâmetros de cumprimento da pena.
Todavia, ao contrário do que quer levar a crer a defesa, o preceito em análise não atenta contra o princípio da individualização da pena, mas, sim, o exalta, haja vista tratar-se de critério de exasperação da sanção considerando critérios subjetivos, inerentes à conduta do réu. Veja-se que o agravo considera a reiteração delitiva e não o delito pelo qual condenado, motivo pelo qual não há que se falar em ofensa ao non bis in idem.
Nessa esteira o voto do ministro Marco Aurélio, acolhido pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 453000/RS:
“[…] Descabe dizer que há regência a contrariar a individualização da pena. Ao reverso, leva-se em conta, justamente, o perfil do condenado, o fato de haver claudicado novamente, distinguindo-o daqueles que cometem a primeira infração penal, como se faz, já agora sob o ângulo da atenuante, a circunstância de ter
menos de vinte e um anos de idade ou mais de setenta ou de desconhecer a lei – artigo 65 do Código Penal. […] Está-se diante de fator de discriminação que se mostra razoável, seguindo a ordem natural das coisas. Repito que se leva em conta o perfil do réu, percebendo-se a necessidade de maior apenação, consideradas a pena mínima e a máxima do tipo, porque voltou a delinquir apesar da condenação havida, no que esta deveria ser tomada como um alerta, uma advertência maior quanto à necessidade de adoção de postura própria ao homem médio, ao cidadão integrado à vida gregária e solidário aos semelhantes. […]”
Assim restou ementado o referido julgado:
AGRAVANTE – REINCIDÊNCIA – CONSTITUCIONALIDADE Surge harmônico com a Constituição Federal o inciso I do artigo 61 do Código Penal, no que prevê, como agravante, a reincidência. (RE 453000, Relator (a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 04/04/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-194 DIVULG 02-10-2013 PUBLIC 03-10-2013)
Não é diferente o posicionamento do TJRS acerca do tema, senão vejamos:
APELAÇÃO CRIMINAL. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. ROUBO SIMPLES. AUTORIA. [...] DOSIMETRIA DA PENA. Mantida a pena-base aplicada na sentença, pois estabelecida no mínimo legal. INCONSTITUCIONALIDADE DA AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA. É assente na jurisprudência desta Corte, e das Cortes Superiores, que a elevação da pena pela reincidência não configura dupla penalização do réu pela mesma conduta. E assim porque, na antiga lição de Carrara, não se trata de aumento de imputação, mas sim de agravamento da resposta penal em crime posterior em face da insuficiência de apenamento do réu pelo crime anterior. Trata-se de interpretação que tem espeque no princípio da individualização da pena, segundo já se manifestou a Corte Constitucional do país. [...] APELAÇÃO PROVIDA, EM PARTE. (Apelação Crime Nº 70069319747, Sétima Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: José Conrado Kurtz de Souza, Julgado em 29/09/2016) (grifei)
Destarte, afasto a tese de inconstitucionalidade da agravante da reincidência e reconheço sua aplicação no caso em tela.
A MULTA vai fixada em 18 dias-multa, considerando as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal. Atribuo à unidade o valor de 1/30 do salário mínimo vigente à época do fato, corrigido monetariamente desde então, quando da execução, tendo em vista as condições financeiras do réu.
A pena, observadas as circunstâncias judiciais, deve ser cumprida em regime inicialmente semiaberto, nos termos do art. 33, § 2º, alínea b, do Código Penal.
Deixo de substituir a pena ou conceder a sursis, uma vez que não preenchidos os requisitos dos arts. 44 e 77 do Código Penal.
Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE a denúncia, para CONDENAR o acusado DIÓGENES FRAGOSO PIMENTEL, já qualificado, como incurso nas sanções do art. 155, caput, c/c art. 61, I, do Código Penal.
Aplico-lhe, conforme fundamentação supra, a pena de um ano e seis meses de reclusão, em regime inicialmente semiaberto. Aplico-lhe, outrossim, a pena de 18 dias-multa, equivalente cada dia a 1/30 do salário mínimo vigente à época do fato, corrigido monetariamente desde então.
Concedo ao réu o direito de apelar em liberdade, uma vez que ausentes os elementos ensejadores da segregação cautelar.
Custas pelo réu, com exigibilidade suspensa em face do patrocínio da DPE.
Após o trânsito em julgado, lance-se o nome do réu no rol dos
culpados, comunique-se ao TRE, preencha-se e remeta-se o BIE.
Publique-se. Registre-se. Intimem-se, inclusive a vítima.
Inconformado, apelou o réu (fl. 98).
Em razões de apelação (fls. 100-108v), a defesa pugna pelo reconhecimento do princípio da insignificância, tendo em vista o ínfimo valor da Res furtivae, que foi avaliada em R$ 17,55 (dezessete reais e cinquenta e cinco centavos). Alternativamente, requer a absolvição do réu pela caracterização do furto famélico, pois que foram subtraídos os chocolates para alcançá-los a sua filha pequena que passava por necessidades em razão da hipossuficiência do genitor, advinda de sua dependência química e alcoólica. Subsidiariamente, propugna pelo reconhecimento da atenuante da tentativa, porquanto o fato não se consumou por circunstâncias alheias a vontade do agente. No tocante a pena- base, pleiteia pelo seu redimensionamento e, para tanto, postula seja reduzido o quantum conferido a vetorial antecedentes, bem como busca o afastamento da valoração negativa conferida a vetorial personalidade. Requer a redução da pena de multa aplicada, em razão da situação econômica do réu.
Foram apresentadas contrarrazões (fls. 109/114).
Remetidos os autos a esta Corte, a douta Procuradoria de Justiça exarou parecer pelo desprovimento do recurso defensivo (fls. 116/118).
Registre-se que foi cumprido o comando estabelecido pelos artigos 613, inciso I, do Código de Processo Penal e 170 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, tendo em vista a adoção do sistema informatizado.
Trata-se de recurso de apelação manejado pela Defensoria Pública em favor de DIÓGENES FRAGOSO PIMENTEL contra a sentença que julgou procedente a denúncia a fim condená-lo como incurso nas sanções do Art. 155 do Código Penal, à pena privativa de liberdade de 01 (um) ano e 06 (seis) meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, e à pena de multa arbitrada em 18 (dezoito) dias-multa, à razão unitária de 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente ao tempo do fato.
Em suas razões recursais (fls. 100-108v), a defesa pleiteia a absolvição do acusado pela atipicidade material da conduta, invocando o princípio da insignificância, ou o reconhecimento do furto famélico, aduzindo que o réu furtou chocolates para suprir as necessidades da filha. Subsidiariamente, postula o reconhecimento da forma tentada do crime, a redução da pena-base e a isenção da pena de multa.
Adianto que estou dando provimento ao efeito de aplicar o princípio da insignificância no caso em atenção.
O crime, sob o seu conceito analítico, tem como elementos estruturais a ação típica, antijurídica e culpável – há uma minoria de autores que incluem, ainda, a punibilidade. No que se refere à tipicidade, destaca-se que ela possui três dimensões: tipicidade formal (composta da conduta, resultado naturalístico, nexo de causalidade e adequação do fato à letra da lei); tipicidade material (que compreende dois juízos distintos: de desaprovação da conduta e de desaprovação do resultado jurídico), e ainda exige-se a tipicidade subjetiva (dolo)1.
No caso dos autos narra a denúncia que o acusado furtou três barras de chocolate do Supermercado Coqueiros, as quais foram avaliadas em R$ 17,55 (dezessete reais e cinquenta e cinco centavos) e foram restituídas ao estabelecimento comercial, não havendo, desta forma, significância jurídico-penal da ação (desvalor da conduta), nem do resultado (desvalor do resultado).
Deve-se levar em conta, ainda, a lição de Luis Flavio Gomes2 citando Abel Cornejo, quanto à aplicação da bagatela:
“que é o que permite não processar condutas socialmente irrelevantes, assegurando não só que a justiça esteja mais desafogada, ou bem menos assoberbada, senão permitindo também que fatos nímios não se transformem em uma sorte de estigma para que seus autores. Do mesmo modo, abre a porta a uma revalorização do direito constitucional e contribui para que se imponham penas a fatos que merecem ser castigados por seu alto conteúdo criminal, facilitando a redução dos níveis de impunidade. Aplicando-se este princípio a fatos nímios se fortalece a função da Administração da Justiça, porquanto deixa de atender fatos mínimos para cumprir seu verdadeiro papel., não é um princípio de direito processual, senão de Direito penal.”
Destarte, a absolvição do réu é medida que se impõe, com fundamento no Art. 386, III, do Código de Processo Penal.
Ante o exposto, provejo o apelo defensivo para absolver o réu da imputação que lhe foi feita, com fulcro no Art. 386, III, do Código de Processo Penal.
É o voto. mcdp
Dr. Sandro Luz Portal (REVISOR E REDATOR)
Com a vênia do Relator, estou divergindo.
A propósito do tema invocado para a absolvição, Carlos Vico Mañas anuncia que "o princípio da insignificância surge como instrumento de interpretação restritiva do tipo penal que, de acordo com a dogmática moderna, não deve ser considerado apenas em seu aspecto formal, de subsunção do fato à norma, mas, primordialmente, em seu conteúdo material, de cunho valorativo, no sentido da sua efetiva lesividade ao bem jurídico tutelado pela norma penal, o que consagra o postulado da fragmentariedade do direito penal". Esclarece, outrossim, que o princípio em análise baseia-se "na concepção material do tipo penal, por meio da qual é possível alcançar, pela via judicial e sem macular a segurança jurídica do pensamento sistemático, a proposição político-criminal da necessidade de descriminalização de condutas que, embora formalmente típicas, não atingem de forma socialmente relevante os bens jurídicos protegidos pelo Direito Penal"3.
O Superior Tribunal de Justiça4, neste ponto, estabelece como requisitos à aplicação da bagatela a presença concomitante a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a ausência de periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) inexpressividade da lesão jurídica provocada.
No caso concreto, muito embora o valor do bem seja de fato ínfimo, avaliado em R$ 17,55, se mostra inviável o reconhecimento da atipicidade material do fato, tendo em vista que o acusado ostenta cinco sentenças condenatórias transitadas em julgado por crimes de idêntica estirpe, e uma condenação definitiva por crime de roubo, tratando-se o apelante de multirreincidente específico, conforme segue transcrito:
009/2.04.0002704-8
1ª Vara Criminal da Comarca de Carazinho. Proposto em 08/11/2004.
» Inquérito (Policial) número 3399/2004, aberto em 05/11/2004, origem: Carazinho, Carazinho
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 155, § 4, inc. IV, cometido em 05/11/2004
» Dec. Lei nº 2848 de 1984 Art. 14, cometido em 05/11/2004
» Denúncia recebida em 19/11/2004.
» Sentença Condenatória em 23/08/2006, transitada em julgado em 17/10/2006.
» Remessa do PEC à VEC em 14/12/2006.
» Extinção ou cumprimento da pena em 15/04/2013.
» 1 ano (s) de reclusão, regime aberto
» 15 dia (s) de multa a razão de 1/30 do salário mínimo vigente à época dos fatos
009/2.04.0003560-1
1ª Vara Criminal da Comarca de Carazinho. Proposto em 06/12/2004.
» Inquérito (Policial) número 3539/2004, aberto em 04/12/2004, origem: Carazinho, Carazinho
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 155, § 4, inc. II, cometido em 04/12/2004
» Denúncia recebida em 17/12/2004.
» Sentença Condenatória em 04/03/2005, transitada em julgado em 25/10/2005.
» Remessa do PEC à VEC em 03/11/2009.
» 2 ano (s) de reclusão, regime aberto
» 15 dia (s) de multa a razão de 1/30 do sm
009/2.05.0001223-9
1ª Vara Criminal da Comarca de Carazinho. Proposto em 09/03/2005.
» Inquérito (Policial) número 427/2005, aberto em 08/03/2005, origem: Carazinho, Carazinho
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 155, § 4, inc. II, cometido em 08/03/2005
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 140, § 1, inc. II, cometido em 08/03/2005
» Denúncia recebida em 21/03/2005.
» Sentença Condenatória em 14/09/2005, transitada em julgado em 11/04/2006.
» Remessa do PEC à VEC em 10/11/2009.
» 1 ano (s) de reclusão, regime aberto substituída por 1 ano (s) de prestação de serviço à comunidade
» 12 dia (s) de multa a razão de 1/30 do salário mínimo vigente
009/2.05.0003717-7
1ª Vara Criminal da Comarca de Carazinho. Proposto em 25/07/2005.
» Inquérito (Policial) número 3315/2004, aberto em 27/10/2004, origem: Carazinho, Carazinho
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 155, § 4, inc. II, cometido em 26/10/2004
» Denúncia recebida em 03/08/2005.
» Sentença Condenatória em 09/05/2007, transitada em julgado em 08/01/2008.
» Remessa do PEC à VEC em 25/03/2008.
» 2 ano (s) de reclusão, regime semi-aberto
009/2.06.0002500-6
1ª Vara Criminal da Comarca de Carazinho. Proposto em 14/06/2006.
» Inquérito (Policial) número 393/2006, aberto em 14/06/2006, origem: Carazinho, Carazinho
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 155, § 4, inc. IV, cometido em 14/06/2006
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 14, inc. II, cometido em 14/06/2006
» Denúncia recebida em 30/06/2006.
» Sentença Condenatória em 11/10/2007, transitada em julgado em 14/02/2008.
» Remessa do PEC à VEC em 20/05/2008.
» 1 ano (s) e 10 mes (es) de reclusão, regime semi-aberto
» 20 dia (s) de multa a razão de 1/30 DO S. M.
009/2.10.0002112-1
1ª Vara Criminal da Comarca de Carazinho. Proposto em 05/05/2010.
» Inquérito (Policial) número 487/2010, aberto em 06/05/2010, origem: Carazinho, Carazinho
» Ofício (Policial) número 3112/2010, aberto em 04/05/2010, origem: Carazinho, Carazinho - Centro de Operações
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 157, cometido em 04/05/2010
» Dec. Lei nº 2848 de 1940 Art. 14, inc. II, cometido em 04/05/2010
» Denúncia recebida em 02/06/2010.
» Sentença Condenatória em 10/11/2011, transitada em julgado em 19/12/2011.
» Remessa do PEC à VEC em 03/02/2012.
» 2 ano (s) e 2 mes (es) de reclusão, regime semi-aberto
» 10 dia (s) de multa a razão de 1/30 so sm vigente a epoca dos fatos
E este histórico criminal, com a vênia do E. Relator, torna indevido o reconhecimento do crime bagatelar, pois demonstra atuação criminosa reiterada do acusado, sendo esta a compreensão pacifica do Superior Tribunal de Justiça, que se exemplifica:
Dessa forma, afastada a possibilidade de absolvição pelo reconhecimento do crime bagatelar, confirmo a sentença guerreada por seus próprios fundamentos, de modo a evitar odiosa tautologia:
A materialidade e a autoria do fato exsurgem do registro de ocorrência policial de fls. 03/04; autos de apreensão de fl. 05, de restituição de fl. 09 e de avaliação indireta de fl. 15, bem como da prova oral coligida, que passo a perscrutar com o escopo de perquirir a tipicidade.
O policial militar Eduardo Antônio Nunes contou que estavam em patrulhamento quando foram acionados por funcionários do Supermercado, que apontaram as características das vestes do acusado e a direção que ele havia tomado. Ele foi abordado próximo à praça central e estava em posse das barras de chocolate.
A testemunha Gabriel Franco Vargas, funcionário do Supermercado Coqueiros à época dos fatos, disse que viu o acusado subtraindo a mercadoria e avisou o gerente que, por sua vez, acionou a Polícia. O acusado escondeu os chocolates sob suas vestes e saiu do estabelecimento sem pagar. Confirmou a identidade do réu.
Por fim, quando interrogado, o denunciado Diógenes Fragoso Pimentel confessou a prática do furto e alegou que, na ocasião, estava embriagado. Daria um dos chocolates à sua filha.
Note-se que a autoria é inconteste e encontra respaldo, sobretudo, na abordagem do denunciado, instantes após a subtração, na posse das res furtivae, reconhecidas como sendo da empresa vítima. Ademais, a conduta também foi corroborada pelo depoimento do funcionário do supermercado, que, além de ser presenciado o furto, confirmou, em audiência, a identidade do acusado. Por fim, o denunciado confessou a subtração dos bens em juízo.
Quanto à tese defensiva de crime tentado, não vislumbro sua procedência, pois entendo que a plena consumação do fato se deu quando da inversão da posse das res furtivae. Note-se que o relato das testemunhas ouvidas, especialmente dos policiais, afirmam que o acusado foi abordado quando já estava afastado do estabelecimento vítima, restando, portanto, consumado o delito.
Nessa esteira já se manifestou o eg. TJRS:
APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO. FURTO SIMPLES. TENTATIVA INCABÍVEL. DOSIMETRIA. PENA DE MULTA. [...] Tentativa. O crime alcançou a plena consumação, na medida em que invertida a posse da res furtivae. Adoção da Teoria da Amotio. Decisão da Terceira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do Recurso Especial n. 1.524.450. APELO PARCIALMENTE PROVIDO. UNÂNIME. (Apelação Crime Nº 70076072511, Sexta Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Ícaro Carvalho de Bem Osório, Julgado em 26/09/2018)
No tocante ao pedido de incidência do princípio da insignificância, filio-me à posição jurisprudencial que entende que, para ser considerado atípico o fato, se deve analisar o valor da coisa subtraída, as condições pessoais do agente, o reflexo no patrimônio da vítima e, ainda, as circunstâncias do fato.
Assim, a fim de que se reconheça a incidência do princípio da insignificância, necessário que estejam presentes alguns pressupostos para aferição do relevo material da tipicidade, quais sejam “(a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada” (HC 98152, Relator (a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma, julgado em 19/05/2009, DJe-104 DIVULG 04-06-2009 PUBLIC 05-06-2009 EMENT VOL-02363-03 PP-00584 RF v. 105, n. 401, 2009, p. 594-602 LEXSTF v. 31, n. 366, 2009, p. 416-429).
No caso concreto, tenho que descabe a incidência do princípio da insignificância, porque a conduta do réu tem relevante reprovabilidade social, notadamente porque se trata de indivíduo reincidente, que ostenta diversas condenações transitadas em julgado, o que demonstra não ser o delito objeto deste feito um fato isolado em sua vida.
No mesmo viés, a alegação defensiva da ocorrência de furto famélico também não encontra amparo no acervo probatório, uma vez que não restou comprovado o estado de necessidade do réu, tampouco condição de miserabilidade que o impedisse de prover o mínimo de alimentação a ele e sua prole.
Ademais, a natureza do alimento subtraído não apresenta coerência com tal alegação, pois certamente o agente ou sua família não necessitam de chocolates para saciar as necessidades alimentares diárias, e, se prevalecesse o estado de necessidade alegado, o acusado teria subtraído alimentos aptos a promover a saciedade, o que não ocorreu, restando rechaçada a tese de furto famélico.
Desse modo, sobejamente comprovadas a autoria e materialidade delitiva, inexistindo qualquer causa excludente de tipicidade, ilicitude ou culpabilidade, a condenação do denunciado é medida impositiva.
No exame dosimétrico, afasto, todavia, a consideração negativa do vetorial personalidade, por se caracterizar a circunstância judicial pelo conjunto de caracteres exclusivos de uma pessoa, constituindo fatores positivos, por exemplo, a bondade, calma, paciência, responsabilidade, sensibilidade, tolerância; e, como fatores negativos, a agressividade, maldade, irresponsabilidade, intolerância, entre outros5, distinguindo-se, assim, de reincidência ou maus antecedentes.
Deste modo, mantido como negativo apenas o indicar antecedentes criminais, nos termos já expostos, redimensiono a basilar para 01 (um) e 05 (cinco) meses de reclusão.
Em sequência, reconhecidas a agravante da reincidência e a atenuante da confissão espontânea, o julgador monocrático exasperou a reprimenda em 03 (três) meses e, após, reduziu-a em mesmo quantum, de modo que, ausente recurso ministerial a controverter a matéria, embora entenda pela impossibilidade de compensação entre a confissão espontânea e a agravante da reincidência, por ser a medida contrária ao artigo 67 do Código Penal, mantenho o aumento e diminuição igualitários, sob pena de reformatio em pejus, tornando definitiva a basilar imposta, em 01 (um) ano e 05 (cinco) meses de reclusão.
Segundo os mesmos pressupostos, uma vez que deve a pena acessória modular-se à sanção principal, em observância aos critérios dispostos no artigo 59 do Código Penal, reduzo a pena de multa para 15 (quinze) dias, à razão unitária mínima.
Em face da dimensão da pena aqui redimensionada, bem como considerando tratar-se o apelante de réu multirreincidente, mantenho o regime inicial semiaberto para o cumprimento da reprimenda, nos termos do artigo 33, § 2º, alínea c, a contrario sensu, do Código Penal.
No restante, confirmo as disposições da sentença.
Portanto, renovada a vênia ao E. Relator, dou provimento ao recurso defensivo em menor extensão, para o fim de reduzir a sanção carcerária, mediante o afastamento da valoração negativa conferida à vetorial personalidade, restando o réu condenado à pena de 01 (um) ano e 05 (cinco) meses de reclusão e 15 (quinze) dias-multa, à razão unitária mínima, mantidas, no restante, as disposições da sentença.
Embora o fato possa ser admitido como de pouco relevância, diante do valor da coisa subtraída, não é possível o reconhecimento da forma privilegiada, diante da reincidência.
E, se tanto não é possível, também não é permitido, segundo a melhor jurisprudência, o reconhecimento da insignificância, uma vez que as condições pessoais do condenado são desfavoráveis, pois multirreincidente.
E a pena imposta, embora à primeira vista possa aparentar desproporcionalidade em relação ao fato, nada mais é do que o reflexo legal para a conduta praticada, aliada aos antecedentes, que não o recomendam.
Voto por negar provimento ao apelo defensivo.
DES. IVAN LEOMAR BRUXEL - Presidente - Apelação Crime nº 70080128887, Comarca de Carazinho: "POR MAIORIA, DERAM PROVIMENTO AO RECURSO A FIM DE REDUZIR AS PENAS DO RÉU PARA 01 (UM) ANO E 05 (CINCO) MESES DE RECLUSÃO E 15 (QUINZE) DIAS-MULTA, À RAZÃO UNITÁRIA MÍNIMA, VENCIDO O RELATOR, QUE PROVIA O RECURSO A FIM DE ABSOLVER O ACUSADO, COM BASE NO ART. 386, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL."
Julgador (a) de 1º Grau: GUILHERME FREITAS AMORIM
1 IBIDEM, p. 74.
2 GOMES, Luiz Flávio. Delito de bagatela : Princípios da Insignificância e da Relevância Penal do Fato. Revista dos Tribunais. Ano 90 v.789, São Paulo, julho de 2001. p. 145
3 MAÑAS, Carlos Vico. O Princípio da Insignificância como Excludente da Tipicidade no Direito Penal. 1ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 56-81.
4 HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO SUBSTITUTIVA DE RECURSO ESPECIAL. IMPROPRIEDADE DA VIA ELEITA. FURTO TENTADO. PAR DE CHINELOS (R$ 20, 00). REINCIDÊNCIA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. APLICABILIDADE. FLAGRANTE ILEGALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ORDEM DE OFÍCIO. 2. Consoante entendimento jurisprudencial, o "princípio da insignificância - que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentaridade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal - tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada na perspectiva de seu caráter material. (...) Tal postulado - que considera necessária, na aferição do relevo material da tipicidade penal, a presença de certos vetores, tais como (a) a mínima ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada - apoiou-se, em seu processo de formulação teórica, no reconhecimento de que o caráter ubsidiário do sistema penal reclama e impõe, em função dos próprios objetivos por ele visados, a intervenção mínima do Poder Público." (HC nº 84.412-0/SP, STF, Min. Celso de Mello, DJU 19.11.2004) [...] 4. Habeas corpus não conhecido. Concedida a ordem, de ofício, aplicado o princípio da insignificância, para trancar a ação penal, por atipicidade da conduta. (HC 360.863/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/2016, DJe 01/08/2016, grifei)
5 NUCCI, Guilherme de Souza. Código penal comentado. 11. Ed. ver., atual e ampl. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2012, p. 427/428.
Disponível em: https://tj-rs.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/721768661/apelacao-crime-acr-70080128887-rs/inteiro-teor-721768702

References: artigo 33
 artigo 386
 artigo 65
 artigo 61
 artigo 59
 artigo 67
 artigo 59
 artigo 33