Source: https://www.conjur.com.br/2020-fev-05/prazo-indenizacao-falha-aparente-imovel-10-anos
Timestamp: 2020-02-17 17:15:52+00:00

Document:
ConJur - Prazo para indenização por falha aparente em imóvel é de 10 anos
Construção incompleta
5 de fevereiro de 2020, 9h59
O prazo prescricional para pedir indenização por falhas aparentes de construção em imóvel vendido na planta é de dez anos. A decisão é da 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.
Prazo para pedido de indenização por falhas aparentes de construção em imóvel vendido na planta é de 10 anos, define STJ
Segundo o colegiado, na falta de um prazo específico no Código de Defesa do Consumidor para o caso, aplica-se o prazo geral de dez anos fixado pelo artigo 205 do Código Civil de 2002.
A decisão reforma acórdão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que havia aplicado o prazo de três anos previsto no artigo 206, parágrafo 3º, do Código Civil.
A ministra Nancy Andrighi, ao analisar o caso no STJ, afirmou que, nas relações de responsabilidade do fornecedor por vício de obra, o CDC confere tratamento mais abrangente do que aquele previsto pela legislação civil. Em seu artigo 26, por exemplo, o CDC prevê a proteção do consumidor em relação aos vícios aparentes, o que não ocorre na relação jurídica entre o empreiteiro e o comitente, que é regulada pelos artigos 615 e 616 do Código Civil.
Nesse sentido, apontou a relatora, quando o consumidor adquire imóvel na planta ou em construção, ou quando contrata empresa especializada para obras, a responsabilidade do fornecedor por vícios aparentes não termina no momento do recebimento do imóvel, podendo o consumidor reclamar de eventuais falhas de fácil constatação no prazo decadencial de 90 dias (artigo 26, inciso II, do CDC).
Nancy Andrighi também apontou que a legislação consumerista não traz limitação quanto à natureza dos vícios apresentados no imóvel, tampouco restrição quanto à magnitude do empreendimento. E, além da possibilidade de rescindir o contrato ou pleitear o abatimento do preço, o CDC oferece ao consumidor a opção de substituir o produto ou reexecutar o serviço.
Segundo a relatora, o prazo decadencial previsto no artigo 26 do CDC está relacionado ao período em que o consumidor pode exigir judicialmente alguma das alternativas que são conferidas pelo próprio código, não se confundindo com o prazo prescricional a que se sujeita o consumidor para pleitear indenização decorrente da má execução do contrato.
"E, à falta de prazo específico no CDC que regule a hipótese de inadimplemento contratual — o prazo quinquenal disposto no artigo 27 é exclusivo para as hipóteses de fato do produto ou do serviço —, entende-se que deve ser aplicado o prazo geral decenal do artigo 205 do CC/2002", afirmou. Com informações da assessoria de imprensa do STJ.
REsp 1.721.694
Revista Consultor Jurídico, 5 de fevereiro de 2020, 9h59
Comentários encerrados em 13/02/2020.
Moradores de conjunto construído sobre lixão serão indenizados
Moradora que teve casa destruída por deslizamento será indenizada
Impedir prova pericial em ação securitária é cerceamento de defesa
Direito de dispor
Locar imóvel por curto período não altera seu caráter residencial
Critérios razoáveis
Defeito em cor de azulejos não gera indenização por danos morais

References: artigo 205
 artigo 206
 artigo 26
 artigo 26
 artigo 27
 artigo 205