Source: https://familiacomdireitos.pt/a-modificacao-do-regime-de-bens-do-casamento-e-a-determinacao-do-tribunal-competente-para-apreciar-da-acao-de-simples-separacao-de-bens/
Timestamp: 2019-07-17 06:42:12+00:00

Document:
A modificação do regime de bens do casamento e a determinação do tribunal competente para apreciar da ação de simples separação de bens - Família com Direitos
A modificação do regime de bens do casamento e a determinação do tribunal competente para apreciar da ação de simples separação de bens
A responsabilidade do cônjuge pela administração dos bens comuns ou próprios do outro cônjuge
Apresentação do livro “Uma família parental, duas casas”, no dia 24 de outubro, às 18H, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa
A modificação do regime de bens do casamento e a determinação do tribunal competente para apreciar da ação de simples separação judicial de bens
O artigo 1714.º n.º 1 do Código Civil consagra a regra da imutabilidade das convenções antenupciais e dos regimes de bens legalmente fixados.
Dispõe esta norma nos seguintes termos:
«1. Fora dos casos previstos na lei, não é permitido alterar, depois da celebração do casamento, nem as convenções antenupciais nem os regimes de bens legalmente fixados.»
Ora, uma das exceções a esta regra encontra-se prevista na alínea b) do n.º 1 do artigo 1715.º do Código Civil, ao admitir que seja operada uma alteração ao regime de bens através da simples separação judicial de bens.
Com efeito, de acordo com quanto previsto no artigo 1767.º do Código Civil:
«Qualquer dos cônjuges pode requerer a simples separação judicial de bens quando estiver em perigo de perder o que é seu pela má administração do outro cônjuge.»
Esta separação tem que ser judicialmente decretada, através de ação movida, pelo cônjuge lesado contra o outro, conforme decorre do preceituado nos artigos 1768.º 1769.º, ambos do Código Civil.
Sendo intentada esta ação, após o trânsito em julgado da sentença que decretar a separação judicial de bens, é modificado o regime de bens, o qual passa a ser o da separação de bens, quando antes vigorava ou o regime da comunhão geral de bens ou o regime da comunhão de adquiridos.
Com a modificação do regime de bens, para o da separação de bens, importará proceder à partilha do acervo comum do casal, tal como ocorreria se o casamento tivesse sido dissolvido (artigo 1770. N.º 1 do Código Civil).
Desde já, importa destrinçar a separação judicial de bens da separação judicial de pessoas e bens, na medida em que aquela, uma vez decretada, modifica apenas a relação matrimonial quanto aos bens, mantendo inalterada a relação matrimonial quanto às pessoas, pelo que os cônjuges continuam a ter os mesmos direitos e deveres decorrentes do casamento.
Já na separação judicial de pessoas e bens, a separação produz efeitos, quer em relação aos bens, quer em relação às pessoas dos cônjuges.
Por esta razão, a ação de simples separação judicial de bens não se confunde com a ação de separação de pessoas e bens, com diferenças assinaláveis a nível processual, nomeadamente, o facto de aquela ter sempre carácter judicial e litigioso, seguindo o processo comum, contrariamente a esta que pode tramitar no quadro do mútuo consentimento, seja em tribunal, seguindo o processo especial de jurisdição voluntária previsto e regulado nos artigos 994.º e seguintes do Código de Processo Civil, seja junto da conservatória do registo civil, seguindo o processo previsto no artigo 931.º do Código de Processo Civil.
Assim sendo, é materialmente competente para conhecer da ação de simples separação judicial de bens a seção cível da instância local e não a secção de competência especializada de família, na medida em que a ação de simples separação judicial de bens não se enquadra em nenhuma das previsões constantes do artigo 122.º da Lei Organização do Sistema Judiciário.
Já quanto à ação de separação de pessoas e bens é materialmente competente para conhecer da mesma a secção de competência especializada de família, em decorrência de quanto previsto neste artigo 122.º n.º 1, alínea c).
29/03/2018 às 11:21 pm
O artigo em termos de legislação está correcto. Em termos pessoais e do povo em geral é muito complicado. Depois de ler o artigo fiquei sem saber realmente quais são os meus direitos. Precisa de ser um artigo mais simples e directo. Mais user frendly. A que é que tenho direito numa separação/divórcio? Casa ? É 50/50? Contas bancárias? Se tive direito a uma indemnização por despedimento coletivo esse dinheiro é meu ou tenho de o repartir ? Recheio da casa é 50/50? Viaturas também é 50/50?

References: artigo 1714
 artigo 1715
 artigo 1767
 artigo 931
 artigo 122
 artigo 122