Source: http://jusro.com.br/tag/conselho-tutelar/
Timestamp: 2020-04-04 18:05:35+00:00

Document:
29/07/2017 Published by: Redação da Revista JusRO
14/01/2017 Published by: Hemerson Gomes Couto
22/11/2016 Published by: Redação da Revista JusRO
17/11/2016 Published by: Redação da Revista JusRO
O Conselho Tutelar foi acionado para apurar denúncia de maus-tratos contra uma criança que não parava de chorar e gritar no interior de uma residência. Enquanto seus pais estavam trabalhando. Chegando ao local, os conselheiros se depararam com a seguinte situação…
Obs.: Atenção Conselheiros ao ler e estudar o artigo abaixo tenha em mãos um Estatuto da Criança e do Adolescente atualizado.
PROVIDÊNCIAS PARA MUDANÇA DE USOS, HÁBITOS E COSTUMES DA FAMÍLlA, SOCIEDADE E ESTADO, QUANTO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL
Elaboração de Edson Sêda
Advogado, educador, membro da comissão redatora do Estatuto da Criança e do Adolescente (julho de 1992)
“Projeto Construção da Esperança, implantando o Estatuto da Criança e do Adolescente”
Comissão Justiça e Paz, S. Paulo
Presidente: Margarida Genevoix
CBIA – Centro Brasileiro da Infância e Adolescência – Escritório S. Paulo Maria Cecília Ziliotto
Coordenação e Execução do projeto: Sonia Paz
Assistência de Coordenação: Lygia Bove Therezinha Fram
Três são os Poderes da República: o Legislativo, o Judiciário e o Executivo. A vida do Conselho Tutelar, para os efeitos de sua instalação física, percepção de recursos públicos, prestação de contas, eventual remuneração de conselheiros, publicações em Diário Oficial, tramitações burocráticas como pagamento de aluguel de sua sede, despesa telefônica, despesa de luz, encaminhamento de licença de conselheiros, etc., deve ser controlada por um desses poderes. O Conselho Tutelar vincula-se ao Poder Executivo, representado em sua esfera municipal pela Prefeitura. No âmbito de suas decisões não se subordina a nenhum órgão. Se alguém se sentir prejudicado por ação desse Conselho, recorre à Justiça da Infância e da Juventude que, quando provocada, é competente para rever as decisões do Conselho Tutelar. (ECA – art. 137)
A.4. O QUE É “SER ENCARREGADO PELA SOCIEDADE DE ZELAR PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE”
Artigos 24 – XV e par. 10. e artigo 30 – II e V e 204 da Constituição Federal. Título V do Livro lI da Lei Federal 8.069 que trata das normas gerais federais a que se refere a Constituição Federal.
A norma geral federal, que é o ECA, diz que “haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros, escolhidos pela comunidade local para mandato de três anos, permitida uma recondução”. Logo, se for da conveniência do Município, haverá tantos Conselhos Tutelares quantos forem julgados necessários.
Trata-se de serviço público de interesse local (segundo arts. 227, par. 7º e 204 C.F.) a ser criado em obediência a norma geral federal (art. 204, I, C.F.) nos termos do parágrafo primeiro e do inciso XV do artigo 24 da Constituição Federal, por lei municipal, conforme incisos V e II do artigo 30 da mesma Constituição. Ou seja, cumprindo a norma geral federal (O Estatuto da Criança e do Adolescente), a lei municipal suplementa a legislação federal, organizando um serviço público local que tem caráter essencial no campo da proteção à infância e à juventude.
O Estatuto da Criança e do Adolescente é um conjunto de regras as quais não aceitam em hipótese nenhuma a inexistência de um serviço público essencial ao atendimento dos direitos da criança e do adolescente. O Conselho Tutelar é um desses serviços. A não-oferta de um serviço protegido pela Constituição e pelo Estatuto (parágrafo único do art. 208 do ECA) autoriza a propositura de ação judicial de responsabilidade por ofensa aos direitos assegurados à criança e ao adolescente. Podem propor essa ação cível o Ministério Público, os Estados, a União e as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos pelo Estatuto. Quando houver resistência para a criação do Conselho Tutelar, qualquer cidadão pode e todo servidor público deve comunicar ao Promotor local da Infância e da Juventude a não-oferta local dos serviços devidos pelo Conselho Tutelar (por sua inexistência) para a promoção da ação pública correspondente nos termos do artigo 220 do Estatuto, cabendo no caso aplicação de multa à autoridade responsável, nos termos do art. 213.
2. Atender e aconselhar os pais ou responsável e aplicar medidas pertinentes previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
3. Promover a execução de suas decisões, podendo requisitar serviços públicos e entrar na Justiça quando alguém, injustificadamente, descumprir suas decisões.
4. Levar ao conhecimento do Ministério Público fatos que o Estatuto tenha como infração administrativa ou penal.
5. Encaminhar à Justiça os casos que a ela são pertinentes.
6. Tomar providências para que sejam cumpridas as medidas sócio-educativas aplicadas pela Justiça a adolescentes infratores.
7. Expedir notificações em casos de sua competência.
8. Requisitar certidões de nascimento e de óbito de crianças e adolescentes, quando necessário.
9. Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentar para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente.
10. Entrar na Justiça, em nome das pessoas e das famílias, para que estas se defendam de programas de rádio e televisão que contrariem princípios constitucionais bem como de propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
11. Levar ao Ministério Público casos que demandam ações judiciais de perda ou suspensão do pátrio poder.
12. Fiscalizar as entidades governamentais e não-governamentais que executem programas de proteção e sócio-educativos.
É ouvir queixas e reclamações sobre situação de crianças (pessoa até doze anos incompletos) e de adolescentes (pessoa de doze a dezoito anos) cujos direitos, reconhecidos no ECA, forem ameaçados ou violados. Um direito é ameaçado quando uma pessoa está na iminência de ser privada de bens (materiais ou imateriais) ou interesses que são protegidos por Lei. Está violado um direito quando essa privação se concretiza. No caso da criança e do adolescente, o Estatuto prevê que essa ameaça ou privação gera um direito especial de proteção quando essa ameaça ou privação se derem (art. 98 do ECA):
a – por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
b – por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
c – em razão da conduta da própria criança ou adolescente.
A Sociedade é a coletividade difusa das pessoas que residem no território. O Estado é a sociedade organizada. O Brasil tem pouco mais de 4.500 municípios que se reúnem em 36 Estados, os quais, em conjunto, se reúnem na União. A mesma palavra “Estado” é usada para designar duas coisas distintas. Uma é a sociedade política e juridicamente organizada. Outra é qualquer das Unidades Territoriais que reúnem os municípios que as compõem. Quando o Estatuto aí se refere ao Estado trata do conjunto formado pela União (representada pelo Governo Federal) pelos Estados membros e pelos municípios. Os três em conjunto ou um deles em particular podem, agindo (por ação) ou deixando de agir quando deveriam (por omissão), ameaçar ou violar bens ou interesses de crianças e adolescentes. O Estado ameaça ou viola direitos quando em sua política social deixam de ser prioritárias as necessidades básicas da criança e do adolescente: educação, saúde, recreação, esporte, cultura, lazer, trabalho, assistência social, segurança pública, habitação, saneamento, e assim por diante (ver art. 4º do ECA). Há entretanto uma política pública brasileira constitucionalmente importante para atender direitos da população infanto-juvenil. Trata-se da definida no art. 203 da Constituição Federal: Art. 203 – A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I – a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II – o amparo às crianças e adolescentes carentes; III – a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV – a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V – a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme dispuser a lei. Essa política pública de assistência social, deverá ter programas coordenados e executados pelos Estados (S. Paulo, Minas, Pernambuco, etc.) e pelos Municípios, sendo vedada essa coordenação e execução à esfera federal. Assegurando o princípio básico da municipalização (art. 88, I ECA), Prefeitura e Governo Estadual devem dividir programas nessa área. Cumpre observar que a garantia a que se refere o inciso “V”, acima, depende de lei para sua efetivação e só será exigível quando assim o dispuser a Lei Orgânica da Assistência Social. Os demais incisos estão em vigor e devem ser exigidos pelo Conselho Tutelar. É essencial, para o atendimento dos direitos da criança e do adolescente, que o Município tenha programas que efetivem a proteção, o amparo, a promoção e a habilitação citados no artigo 203 da Constituição Federal. Sua não-oferta ou oferta irregular, como se viu, não pode ser tolerada e, quando ocorrer, faculta ao cidadão comum e obriga a todo servidor público que dela tome conhecimento, levar o fato ao Promotor da Infância e da Juventude.
Na sociedade brasileira, os pais (art. 229 C.F.) têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Como se deve entender isso? Nós vivemos no mundo dos fatos, ou seja, no mundo dos acontecimentos. Como são os acontecimentos nesse mundo dos fatos entre pais e filhos? Às vezes acontece que os pais assistem. criam e educam os filhos. Às vezes ocorre que não. Existe um dever quando as pessoas não podem deixar que um acontecimento previsto na lei ocorra na realidade. Quando a lei é bem feita, sempre que esse acontecimento obrigatório deixa de ocorrer, o responsável por essa ausência pode ser obrigado pelo Estado (através de um órgão da União, do Estado ou do Município) a suprir sua falta. Sendo bem feita, a lei prevê também que qualquer cidadão tem o poder de compelir o Estado a cumprir com suas obrigações. E aquele que foi prejudicado deve receber a proteção do Estado, num sistema eficaz de garantias. Assim, portanto, quando os pais deixam de assistir, criar e educar os filhos, seja por agirem nesse sentido ou por deixarem de agir quando deviam, eles ameaçam ou violam o direito dos filhos. Nesse caso, alguém pode dar a notícia dessa ação ou omissão ao Conselho Tutelar, órgão público municipal encarregado de repor as coisas no devido lugar. Ou seja, encarregado de provocar aqueles acontecimentos que consistem em fazer com que os filhos sejam devidamente assistidos, criados e educados.
Assistir é promover o atendimento das necessidades básicas da criança ou do adolescente. Necessidades básicas são aquelas condições indispensáveis para que a dignidade humana seja garantida. Como se vive com dignidade? Dispondo de abrigo, higiene, alimentação, vestuário, convivência sadia, estímulos positivos para a adequada integração social, etc. Criar é reunir condições em torno da criança ou do adolescente para que seu processo de desenvolvimento pessoal se faça no caminho de sua plenitude como ser humano. Educar é orientar a criança e adolescente no sentido da aquisição de hábitos, usos e costumes tais que suas atitudes possam se integrar à cultura da sociedade em que vive, refletindo valores de um mundo comum de conhecimentos e aspirações coletivas. Cabe ao Conselho Tutelar verificar se a condição de vida de seu atendido caminha nesse tríplice sentido (não se esquecendo nunca de que a Constituição Federal dá aos pais o poder de determinarem quanto à forma de assistência, criação e educação dos filhos).
C.4. O QUE É “RESPONSÁVEL”
Assistir, criar e educar é dever dos pais ou do responsável. Aqui, responsável é aquela pessoa maior de idade que responde por pessoas menores de idade. Os pais são responsáveis naturais pelos filhos. Pai e mãe, casados ou não, tem, juntos ou separados, o dever de assistência, criação e educação. Pai e mãe que, podendo (ou seja, tendo condições para isso), não cumprem com essa assistência, cometem crimes previstos no Código Penal. Deixando de assistir, o crime é de abandono material (art. 244 C. Penal); deixando de educar, crime de abandono intelectual (art. 246 C. Penal). Entregar filho menor de dezoito anos a pessoa com a qual saiba ou deva saber ficar moral ou materialmente em perigo (art. 245 C. Penal) também é crime. Pois bem, os pais são responsáveis por seus filhos menores. Mas há situações em que essa responsabilidade passa para outras pessoas que não o pai e a mãe. É quando, por impossibilidade permanente ou eventual dos pais a exercerem, essa responsabilidade é entregue, por um Juiz, a outra pessoa, seja ela um parente ou um estranho, conforme a conveniência de cada caso. Chama-se a isso “colocação numa família substituta” e ela pode ser feita através de três modalidades: Tutela, quando a Justiça suspende temporariamente ou decreta definitivamente a perda do pátrio poder dos pais e nomeia um tutor; Guarda, quando mantendo o pátrio poder dos pais, instituir um “guardião” que fica encarregado de assistir, criar e educar o filho de outra pessoa. Adoção, quando se nomeiam novos pais definitivos, de forma irrevogável, para a criança ou o adolescente. (art. 28 e segs. – ECA). Não sendo possível conseguir um responsável no âmbito da colocação familiar o Estatuto prevê (arts. 92 e 93) que a criança ou o adolescente sejam abrigados numa entidade de atendimento. Nessa condição, o dirigente da entidade é juridicamente equiparado ao guardião, ou seja, passa a ser o responsável pelo abrigado. Para se ter idéia da responsabilidade para com crianças e adolescentes, é crime (art. 247 C. Penal) permitir alguém que menor de dezoito anos, sujeito a seu poder ou confiado a sua guarda ou vigilância, freqüente casa de jogo ou conviva com pessoa viciosa; freqüente espetáculo ou participe de representação inadequada; resida ou trabalhe em casa de prostituição; mendigue ou sirva a mendigo para excitar a comiseração pública. É infração administrativa descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres do pátrio poder, tutela ou guarda (também em abrigo) (art. 249 ECA).
A criança e o adolescente podem se ver ameaçados ou violados em seus direitos em razão de sua própria conduta. É quando apesar do processo de assistência, criação e educação na sua família, em família substituta ou na entidade de abrigo, o rapaz, o menino, a menina ou a moça por iniciativa própria ou por envolvimento de terceiros, passam a adotar hábitos, usos ou costumes incompatíveis com a ética da solidariedade social. Ficam na iminência ou na prática de atos anti-sociais, ou da desproteção. A sociedade política e juridicamente organizada não pode aceitar que aqueles que devem estar assistidos, criados e educados por alguém se desviem do processo adequado de formação da cidadania. Maiores de idade são as pessoas que podem se autodeterminar, ou seja, podem decidir livremente sobre o bem e o mal em sua conduta. Menores de idade são os que devem ser preparados para essa determinação plena um dia mas que, aqui e agora, têm alguém que por eles se responsabilize: o seu responsável. Então, quando crianças e adolescentes se encontram em condições tais que por sua conduta se colocam na situação potencial ou efetiva de violarem os deveres e os direitos de sua cidadania e da cidadania alheia, devem receber uma ou mais medidas de proteção (art. 98 – III ECA) a serem aplicadas pelo Conselho Tutelar. Como as pessoas não vêm percebendo claramente o que isso significa, vamos considerar alguns exemplos: deixarem a criança e o adolescente de freqüentar a escola em que estão matriculados é um desvio inaceitável; da mesma forma, se agirem nas condições previstas no art. 247 do Código Penal acima citadas; também, se crianças e adolescentes perambulantes pelas ruas ficarem na iminência de participarem de bando ou quadrilha (art. 288 do C. Penal) ou se drogarem devem ser submetidos a medida de proteção.
1. Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade. Quando os pais ou o responsável (tutor, guardião, dirigente de entidade de abrigo) deixam de cumprir os deveres de assistir, criar e educar, podem ser comunicados (notificados) pelo Conselho Tutelar de que devem comparecer à sua sede, onde tomam conhecimento oficial da ameaça ou violação que atingem a criança ou o adolescente e assinam termo de responsabilidade através do qual se comprometem a doravante zelarem pelo cumprimento de seus deveres no caso.
2. Orientação, apoio e acompanhamento temporários.
Como vimos no comentário sobre como o Estado ameaça ou viola direitos, as políticas públicas devem oferecer serviços de assistência social a todos que deles necessitem. Um dos aspectos a serem atendidos nesses serviços é o da orientação, apoio e acompanhamento temporários a crianças e adolescentes, nos casos em que o exercício por si só do dever de criar, educar e assistir pelos pais ou responsável for insuficiente. Havendo necessidade dessa medida, o Conselho Tutelar convoca os pais, explica-lhes essa necessidade e encaminha a criança ou o adolescente à agência de assistência social local encarregada de executar programa relativo à medida aplicada. Deixando de haver esse tipo de programa, o Conselho Tutelar comunica ao responsável pela política local de assistência social e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do adolescente que essa não-oferta de serviço público obrigatório ameaça e viola direitos, devendo tal serviço ser criado com urgência, sob pena de ação judicial, prevista nos artigos 208 e seguintes do Estatuto. Deve ser deixado claro ao citado responsável pela política irregular, que o Conselheiro Tutelar, sendo servidor público, deve cumprir com o que dispõe o art. 220 do Estatuto:Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a Iniciativa do Ministério Público, prestando-lhe Informações sobre fatos que constituam objeto de ação civil, Indicando-lhe os elementos de convicção. Assim, deixando de serem tomadas as providências para sua criação, deve o Conselho Tutelar informar ao Promotor da Infância e da Juventude local da inexistência do programa e da resistência em criá-lo, para que promova a ação civil devida, pedindo decisão liminar do magistrado e, nos termos do art. 213 do Estatuto, a imposição de multa diária ao réu até que a providência seja tomada em valor igual ao pagamento de serviço equivalente em entidade privada.
3. Matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental.
O dever de criar, assistir e educar implica o dever de matricular o filho na escola e controlar-lhe a freqüência. Como já vimos (art. 246 C. Penal), deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária de filho em idade escolar é crime. Deixando pois os pais ou responsável de fazê-lo, e tendo o Conselho Tutelar disso tomado conhecimento, cabe-lhe aplicar a medida, orientando a família e a escola para o devido acompanhamento do caso. Mas não são apenas os pais e responsável que devem zelar para que a freqüência escolar seja respeitada. Esse dever é também do dirigente de estabelecimento de ensino fundamental (art. 56 ECA), que deve comunicar ao Conselho Tutelar os casos de maus-tratos envolvendo seus alunos; a repetição de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares, e os elevados níveis de repetência. Vemos aí que o Conselho Tutelar, ao receber essas comunicações, deve providenciar junto à política local de assistência social (arts. 203 e 204 da C.F.) para que se verifique o que ocorre no âmbito familiar, de forma a se tomarem medidas para o cumprimento do que dispõe o art. 229 da Constituição Federal.
4. lnclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança o ao adolescente.
Em muitos casos os pais querem mas não podem, não têm condições, não têm recursos para bem exercer os deveres do pátrio poder. Já vimos que é dever do Município contar com política de assistência social cuja primeira linha de atuação éa proteção à família, à maternidade, à Infância, à adolescência e à velhice. Nesse caso, o Conselho Tutelar aplica a medida de “inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio”, encaminhando a família à agência de assistência social, que a executa, para os devidos fins. Na ausência de programa desse tipo, o Conselho Tutelar comunica ao responsável pela política local de assistência social e ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente que essa não-oferta de serviço público obrigatório ameaça e viola direitos, devendo portanto ser urgentemente corrigida, sob as penas da ação judicial cabível nos termos do artigo 208 e seguintes do Estatuto, com especial observância do art. 213.
5. Requisição de tratamento médico psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial.
A solução do caso levado à apreciação do Conselho Tutelar muitas vezes só se resolve com tratamento especializado. Em muitos desses casos, a família procura a agência pública cujos serviços devem suprir tais necessidades, mas não é atendida, é mal atendida ou maltratada. Cabe ao Conselho Tutelar entender-se com o serviço público correspondente e chamar-lhe a atenção para a prioridade de que gozam crianças e adolescentes, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 4º do Estatuto:a garantia de prioridade (à criança e ao adolescente) compreende: a)primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b)precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c)preferência na formulação o na execução das políticas sociais públicas; d)destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à Infância e à juventude. Verificada a hipótese da não-oferta ou da oferta irregular do serviço público devido nesses termos, cabe ao Conselho Tutelar chamar a atenção para o fato do seu responsável, seja informalmente, por telefone ou em contacto pessoal, seja formalmente, através de notificação para que seja providenciada a correção do desvio entre a realidade e a norma prevista no Estatuto. Deva o Conselho alertar também que a persistência nesse desvio implica ação judicial promovida nos termos do art. 208 e seguintes do Estatuto, valendo aqui as observações feitas no comentário à medida de proteção nº 2.
6. Inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras o toxicômanos.
Estamos tratando aqui de um dos grandes males da época em que vivemos: a submissão da juventude ao império do tráfico, da criminalidade, de sua exploração por indivíduos inescrupulosos e quadrilhas. Em torno dessa matéria, deve o Conselho Tutelar considerar o fato concreto representado pela escalada que parte do uso de substâncias em si mesmas inocentes: xaropes, cola de sapateiro, thinner, etc., e vai progressivamente galgando os níveis de dependência e perigo, até as raias da destruição da pessoa. Observar, de passagem, o que dispõe o artigo 81, inciso III do Estatuto:É proibida a venda à criança a ao adolescente de produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida. Para se aquilatar da gravidade com que a questão é tratada nessa legislação, lembrar sempre que é crime (art. 243 ECA):Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, à criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida. Assim sendo, deve o Conselho Tutelar aplicar esta medida para prevenir que a escalada ocorra (nunca se esquecer dos “meninos de rua” cheiradores de cola) ou tratar os casos já instalados, seguindo a letra e o espírito da lei. Com a maior ênfase, empenho e determinação, a existência desse programa é absolutamente obrigatória, não se aceitando a hipótese de sua não-oferta ou oferta irregular. O Conselho Tutelar age como nas situações anteriores, devendo, como nunca, cumprir com as obrigações que lhe são impostas pelo artigo 220 do Estatuto.
Já comentamos anteriormente que o abrigo em entidade é a última das formas previstas pelo Estatuto para que em nenhum Município brasileiro se aceite que crianças e adolescentes fiquem sem um responsável que os assista, crie e eduque, conforme determina o artigo 229 da Constituição Federal. Não há, na lei brasileira, hipótese alguma em que seja admitida a presença de crianças e adolescentes perambulando pelas ruas, dormindo ao relento, che2irando cola, mendigando ou explorados por adultos sem um responsável que os assista, crie e eduque. Assim, portanto, sempre que essas circunstâncias ocorrerem, e constatada a impossibilidade de assistência na própria família ou em família substituta, deve o Conselho Tutelar aplicar a medida de abrigo, dando imediato conhecimento ao Juiz da Infância e da Juventude para as providências cabíveis. A providência cabível, por parte do Juiz, é decidir se o afastamento da criança e/ou adolescente da família nesse caso é justo e se, realmente, o dever de assistir, criar e educar (previsto no art. 229 da Constituição Federal) deve ser confiado àquele abrigo, porquanto, se assim o for, o responsável pela entidade que executa o programa de abrigo, nos termos do Estatuto (par. único, art. 92) passa a se equiparar ao guardião daquela criança ou adolescente. A não-oferta ou a oferta irregular do serviço de abrigo no Município dá ensejo, junto à política de assistência social, às providências referidas nos tópicos anteriores.
Basicamente é prestar um dos serviços públicos mais importantes quando crianças e adolescentes são ameaçados ou violados em seus direitos no âmbito da família. Seja por omissão ou abuso dos pais, ou em decorrência da impossibilidade dos pais se desincumbirem de seus deveres, por carência de recursos ou outros motivos. Devem os Conselheiros Tutelares ter sempre em mente que o Estatuto busca sempre fortalecer o pátrio poder. O pátrio poder é na verdade um conjunto de deveres que os juristas chamam de “deveres parentais”. Pai e mãe têm o dever de assistir, criar e educar os filhos. Nesse dever está implícito o poder de escolher como a prole será assistida, criada e educada. Há pais mais conservadores ou mais progressistas; mais exigentes ou mais liberais; mais pobres ou mais ricos; mas todos devem cumprir com esse poder-dever. Se não o fizerem, podendo, cometerão o desvio da “omissão”. Se o fizerem, podendo, cometerão o desvio do “abuso”. O Estatuto prevê medidas tanto para o desvio da omissão, quanto para o abuso.
1. Encaminhamento a programa oficial ou comunitário de promoção à família. A sociedade brasileira política e juridicamente organizada através da Constituição e do Estatuto fixou a regra de que a família tem a proteção do Estado quando dessa proteção necessitar (veja-se o art. 203 da C. F.)Nesse sentido, ao lado do dever de assistir, criar e educar os filhos, a família tem o direito de receber assistência, a qual, segundo o art. 204 da mesma Constituição, cabe ao Município e ao Estado, com recursos próprios e com o devido repasse de recursos federais. A primeira medida de proteção é, assim, o encaminhamento dos pais a programa municipal ou estadual de promoção à família, serviço esse obrigatório. Não havendo o programa, deve o Conselho Tutelar dirigir-se à autoridade responsável, comunicando-lhe da urgência de sua criação, providência essa que, se não for tomada, enseja a propositura de ação judicial por não-oferta ou oferta irregular de serviço indispensável à garantia dos direitos da criança e do adolescente (art. 208 e segs. do ECA).
2. lnclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos. O exercício do pátrio poder é fundamental para que a criança e o adolescente em estado de menoridade tenham a assistência devida, sejam criados corretamente e recebam a educação básica indispensável para o exercício da cidadania. Pais alcoólatras e toxicômanos estão com sua capacidade de fato comprometida para o elevado exercício daquele poder-dever. O próprio Estatuto dispõe em seu artigo 19 o seguinte:Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado no selo de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. Assim sendo, casos levados ao conhecimento do Conselho Tutelar onde seja constatada a presença de adultos alcoólatras e toxicômanos ensejam a aplicação dessa medida, cabendo aqui as mesmas observações feitas quando do comentário à sexta medida de proteção.
3. Encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico. A situação aqui é análoga à da medida anterior.
4. Encaminhamento a cursos ou programas de orientação. Dramática tem sido a situação econômica das famílias que compõem a classe de rendimentos mais baixos na sociedade brasileira. A sociedade política e juridicamente organizada ascende a condições mais adequadas de vida para sua população através de um conjunto de políticas públicas, que são eficientes e eficazes quando realmente melhoram as condições de vida dos cidadãos. Embora a política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente não tenha em si mesma o poder de transformar radicalmente as condições de vida, a lei que a preside, o Estatuto, a ela dá condições de influir progressivamente na eficácia das demais políticas. Assim é que quando os pais por desqualificação pessoal não conseguem auferir rendimento suficiente para a manutenção dos filhos, muitas vezes podem ter o encaminhamento da solução de seu problema freqüentando curso que os habilitem a exercer profissão mais lucrativa, ou receber orientação adequada para se qualificar na busca de melhores condições de vida. Se tal for o caso, o Conselho Tutelar aplicará a presente medida, agindo sempre no sentido preconizado pelo artigo 208 do Estatuto.
5. Obrigação de matricular o filho ou pupilo e de acompanhar sua freqüência e aproveitamento escolar. Embora o Estatuto aqui se refira somente a filho ou pupilo, em se tratando de medidas aplicáveis aos pais ou responsável, a obrigação de matricular criança e adolescente e acompanhar-lhe a freqüência e aproveitamento escolar é também do guardião e do responsável por entidade de abrigo. Isso é evidente, pois a obrigação de educar implica no exercício de educação informal e formal. Freqüentar escola é, na regra geral, indispensável para a formação da cidadania. Exceções naturalmente justificam a regra. Aqui o Conselho Tutelar aconselhará os pais quanto à natureza do poder-dever parental já atrás explicitado, enfatizará o caráter obrigatório da preparação para a cidadania, exaltará o sentido ético da convivência social, sem deixar de mencionar o que já aqui se comentou nas medidas de proteção, quanto ao crime de abandono intelectual. Ao tratar desta medida não se pode perder de vista o sentido do artigo 56 do Estatuto, pois a abordagem dos pais para a aplicação desta quinta medida, pode decorrer da efetivação de seu conteúdo: Art. 56. Os dirigentes de estabelecimento de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I – maus-tratos envolvendo seus alunos; II – reiteração de faltas injustificadas o de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III – elevados níveis de repetência. Ou seja, criança brasileira, pela regra estabelecida no pacto constitucional de 1988 e na regulamentação jurídica de 1990 (ECA) não pode deixar de cursar o ensino fundamental. Quando na realidade isso ocorre, cabe ao Conselho Tutelar, verificando que se trata de um desvio inaceitável em relação às normas do Estatuto, providenciar para que se faça a correção do desvio. lnexistindo oferta adequada do ensino obrigatório, o Conselho Tutelar alertará os responsáveis pela política de educação para o que contém o art. 208, inciso I e 220 do Estatuto.
6. Obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado. Cabem aqui todas as observações feitas a respeito do exercício do pátrio poder para deixar claro que o Conselho Tutelar, se for o caso, deve fazer ver os pais que o dever de assistir os filhos implica sempre a obrigação de encaminhá-los a tratamentos especializadas quando necessário. O Conselho Tutelar auxiliará os pais a localizar a política pública responsável pelo serviço público devido e atuará junto ao mesmo para que faça cumprir o princípio da prioridade absoluta presente no artigo 227 da Constituição a regulamentado pelo artigo 4º do Estatuto. Alertará sempre para os desígnios do artigo 208 do Estatuto.
7. Advertência. De tudo o que foi dito até agora, resta lembrar que quando os pais ou o responsável (lembrando sempre que este pode ser o tutor, o guardião ou o responsável por entidade de abrigo) deixam de cumprir com as obrigações previstas no art. 229 da Constituição Federal, podendo fazê-lo (ou seja, tendo condições para isso) podem ser advertidos verbalmente ou por escrito pelo Conselho Tutelar. Repetimos: sempre que o Conselho Tutelar identificar desvios da realidade em relação ao que dispõe o Livro I do Estatuto (arts, 1 a 85) tomará providências para que, no plano da realidade, se criem fotos capazes de corrigir tais desvios. A advertência em muitos casos é extremamente eficaz para esse fim.
F. O QUE É “PROMOVER A EXECUÇÃO DE SUAS DEClSÕES”
O Conselho Tutelar não é órgão executivo. Executivos são os muitos órgãos dos poderes executivos municipal e estadual (art. 204 da C.F.), ficando para o Poder Executivo Federal as normas gerais sobre o assunto e a coordenação da descentralização político-administrativa prevista na Constituição e no Estatuto. A execução dos Programas de que depende o Conselho Tutelar para cumprir suas altas funções constitucionais e estatuárias é feita pela Política de Atendimento dos direitos da Criança e do Adolescente.
Ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente cabe definir, em cada município, como essa execução será distribuída entre as políticas públicas e as entidades não-governamentais. Notar que quando uma entidade não-governamental executa programas que integram essa política de atendimento, ela estará executando um serviço público.
Essa a razão pela qual as entidades não-governamentais devem atuar intensamente no âmbito do Conselho Municipal dos Direitos da Criança a do Adolescente, ao lado das entidades que executam programas governamentais. Por essas razões o Conselho Tutelar deve promover a execução de suas decisões, o que será feito no âmbito das entidades governamentais e não-governamentais de prestação dos serviços previstos na Constituição e no Estatuto.
Requisição é o ato de determinar uma medida, praticado por quem tem autoridade para isso. Existe um princípio constitucional (art. 5º II, C.F.) que diz: ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei. Assim sendo, o Conselho só pode compelir alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se houver uma lei que o autorize. Pois o Estatuto (art. 136 – III “a”) dá poderes ao Conselho para requisitar serviços públicos. Que serviços? Aqueles que, pela Constituição, por outras leis e pelo Estatuto, são devidos à criança, ao adolescente e à sua família. Num país que se habituou a não cumprir as leis e que se habituou a aceitar que não se cumpram as leis, o Estatuto veio para introduzir novos usos, hábitos o costumes no âmbito da sociedade política e juridicamente organizada. E tudo começa quando, tendo repartições públicas praticado o velho uso, hábito, costume da não oferta ou da oferta irregular do serviço devido, o cidadão ofendido passa a praticar o novo hábito de defender o seu direito. Para a defesa de direitos do cidadão, no âmbito administrativo (não no jurisdicional, como vimos na letra A) ou para simplesmente promover a execução de suas decisões, o Conselho requisita serviços públicos. Isso se faz através de uma correspondência oficial, ou em formulário específico, para esse fim impresso. O Estatuto limita tais requisições às áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança. Na verdade, entretanto, outras áreas, como esporte, cultura, lazer, alimentação, saneamento, habitação, estão cobertas por outros artigos tais como os nºs 4, 59, 71 e 74. Isso quer dizer que, embora tecnicamente o Conselho Tutelar não tenha autorização legal para fazer requisição nessas áreas, na verdade nelas ele pode influir poderosamente, exercitando, como já comentamos na letra D.2., o dever que lhe é conferido pelo art. 220 do Estatuto.
Já verificamos que o Conselho Tutelar executa funções públicas não jurisdicionais. Ou seja, não julga. Em razão disso, quando há descumprimento injustificado de suas deliberações, não cabe ao Conselho Tutelar, como a ninguém, “fazer justiça pelas próprias mãos”. O assunto deve ser levado ao Poder Judiciário. Representar, no caso, é pedir providências cabíveis, expondo à autoridade judiciária fato ocorrido no âmbito da família, da sociedade ou da administração pública, através do qual alguém, sem justificativa, descumpriu deliberação do Conselho Tutelar, seja quanto à aplicação de medidas (de proteção ou pertinentes aos pais ou responsável), ou quanto à requisição de serviço público obrigatório. Tal exposição pode ser feita através de correspondência oficial ou de formulário específico impresso para esse fim. O Juiz, funcionário público de carreira, devido ao princípio da inércia que preside os atos do Poder Judiciário, somente pode agir quando “provocado”, ou seja, quando alguém (cidadão ou autoridade), desde que autorizado por lei, exponha um fato, exponha a lei, exponha o desvio entre um e outro e peça a providência cabível que corrija o desvio entre fato e norma. Entregue regularmente a representação, o caso passará à esfera da Justiça da Infância e da Juventude, a qual adotará as medidas cabíveis para compelir aquele que descumpriu deliberação do Conselho Tutelar a agir de acordo com o Estatuto e, se for o caso, aplicar a punição correspondente.
Embora no artigo 136, IV o Estatuto determine que o Conselho encaminhe apenas as infrações administrativas e os crimes tipificados pelo próprio Estatuto, é da natureza do Conselho Tutelar (art. 131) zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Nesse sentido, deve levar ao conhecimento do Ministério Público os crimes que, mesmo fora do Estatuto, são tipificados como sendo contra a população infanto-juvenil. Ver comentários à letra C.4.
Nos seus encargos pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente art. 131 ECA), deve o Conselho Tutelar zelar para que a medida estabelecida pela autoridade judiciária, nesse caso, se cumpra adequadamente em busca dos fins sociais a que ela se destina. A esse respeito cabe lembrarmos a regra de ouro do Estatuto, expressa em seu
Art. 6º:Na Interpretação deste lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ala se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Tendo o adolescente praticado o ato infracional, isso significa que ele violou O limite ético aceitável pela sociedade brasileira política e juridicamente organizada. Esse limite é a linha que separa o mundo dos atos lícitos do mundo do crime. Ao aplicar medida sócio-educativa ou de proteção, o Juiz tem por fim social condicionar o retorno do adolescente para aquém dessa linha que ele ultrapassou com o ato praticado. O Estatuto quer que o Conselho Tutelar faça o controle dessas condições nos casos em que a medida aplicada for “de proteção” (art. 101 ECA) e, em nome dessa mesma sociedade política e juridicamente organizada, acione os serviços públicos que as garantam segundo as exigências do bem comum. Os comentários que fizemos à letra C.5. referiam-se às medidas de proteção aplicáveis quando crianças e adolescentes encontravam-se na iminência de praticarem atos anti-sociais (de que os infracionais são os mais graves). Aqui estamos tratando dos adolescentes que os praticavam, violando a cidadania dos seus semelhantes no conjunto de direitos e deveres socialmente exigíveis de todos e de cada um. Os programas que executam medidas de proteção e sócio-educativas são de responsabilidade de entidades de atendimento previstas no artigo 90 do Estatuto. Segundo o artigo 95, essas entidades são fiscalizadas pelo Conselho Tutelar, ao lado do Judiciário e do Ministério Público. Tais programas, segundo o espírito do art. 6º, têm a índole de trabalharem pela prevenção da criminalidade. Ao zelar pelo atendimento dos direitos de adolescentes nesse campo, o Conselho Tutelar vai muito além da ação sobre indivíduos, efetuando relevante trabalho no campo da criminologia aplicada, o que nos lembra das qualificações exigíveis do Conselheiro Tutelar.
K. O QUE É EXPEDIR NOTIFICAÇÕES
Notificar, no caso, é o Conselho Tutelar dar a alguém notícia de fato ou ato praticado que legalmente gera importantes conseqüências jurídicas. A notificação pode ser feita através de correspondência oficial ou em impresso especialmente criado para esse fim. A notificação do Conselho Tutelar pode se referir a atos ou fatos passados ou futuros, segundo se refiram a situações ocorridas ou a ocorrer que gerem importantes conseqüências jurídicas emanadas do Estatuto, da Constituição ou de outras legislações. O Conselho pode expedir notificação de que algo ocorreu. Exemplo: notificar o Diretor de Escola de que o Conselho determinou a medida de proteção nº III em relação ao aluno fulano de tal, matriculado naquela unidade de ensino. Ou expedir notificação para que algo ocorra. Exemplo: notificar os pais do aluno fulano de tal para que cumpram a medida aplicada, garantindo a freqüência obrigatória de seu filho em estabelecimento de ensino, em decorrência de seu dever constitucional de assisti-lo, criá-lo e educá-lo.
L. O QUE É “REQUISITAR CERTlDÕES DE NASCIMENTO E DE ÓBlTO DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE QUANDO NECESSÁRIO
“Estatuto dispõe expressamente que:
Art. 102. As medidas de proteção de que trata este capítulo serão acompanhadas da regularização do registro2 civil. Par. 1º. Verificada a inexistência de registro anterior, o assento de nascimento da criança ou adolescente será feito à vista dos elementos disponíveis, mediante requisição da autoridade judiciária.
Isso significa que o Conselho, ao determinar quaisquer das medidas de proteção, deverá fazê-las acompanhar, necessariamente, da regularização do registro civil. lnexistindo o registro, o Conselho comunica ao Juiz para que este requisite o assento do nascimento, o que será feito com absoluta prioridade (passará a frente dos demais casos, com isenção de muitas, custas e emolumentos, vale dizer, sem despesas para a família). Combinando-se o inciso VIII do art. 136 com o par. 1º do art. 102, verifica-se que dois são os órgãos legitimados para requisitar certidões a registros. A Justiça da Infância e da Juventude nos casos em que não há registro e o Conselho Tutelar nos casos em que há o registro mas, administrativamente, há a necessidade da certidão que comprove a existência desse registro.
M. O QUE É “ASSESSORAR O PODER EXECUTIVO LOCAL NA ELABORAÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA PARA PLANOS E PROGRAMAS DE ATENDIMENTO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE”
Quando da vigência do antigo “Direito do Menor”, a legislação brasileira não continha normas para compelir o executivo e o legislativo a cumprirem com suas obrigações para com crianças e adolescentes no âmbito das políticas públicas. Não era do espírito daquela legislação interferir nas irregularidades (ilegalidades e abusos de poder) que o Estado cometia contra a população infanto-juvenil.
Agora, com o novo Direito da Criança e do Adolescente, é do espírito do ordenamento jurídico brasileiro atuar poderosamente para que a não-oferta e a oferta irregular de serviços públicos sejam devidamente corrigidos, quando vierem a ocorrer. E tudo começa com a existência ou não de recursos públicos capazes de financiar, viabilizar, criar ou manter serviços devidos à família, à criança e ao adolescente. Antes, nunca Juizes prolataram sentenças determinando que o Município, o Estado ou a União criassem serviços devidos nesses termos, porque nenhum dispositivo legal os autorizava a isso. Agora, com o Estatuto, normas expressas existem a respeito. O princípio geral é o de caráter constitucional (art. 227, C.F.), da prioridade absoluta no atendimento dos direitos da criança e do adolescente (valendo pois para todos esses direitos).
Regulamentando essa prioridade, ou seja, definindo legalmente no que ela consiste, o Estatuto dispõe em seu artigo 4º que a garantia de prioridade compreende:a)primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b)procedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c)preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d)destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à Infância o à juventude. Ou seja, a própria elaboração orçamentária está sujeita ao princípio da prioridade absoluta. Por essa razão, o Estatuto prevê que o órgão encarregado de atender casos de ameaças ou violações a esses direitos (O Conselho Tutelar) tenha a atribuição de assessorar o Poder Executivo local na elaboração orçamentária. É atribuição do Poder Executivo propor o orçamento, o qual é aprovado pela Câmara de Vereadores local quando o assunto é municipal e pela Assembléia Legislativa local, quando o assunto é da esfera do Estado membro a que o Município pertence. Nessa propositura e nessa aprovação, devem o Executivo e o Legislativo preverem sempre recursos para “planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente”, principalmente naquilo que não foi contemplado no exercício anterior. Para essa propositura, o Executivo deve se assessorar dos Conselhos Tutelares, os quais, recebendo reclamações e denúncias sobre a não-oferta ou a oferta irregular de serviços públicos obrigatórios, tem condições de informar ao executivo onde o desvio entre os fatos e a norma vem ocorrendo com freqüência. Para a correção desses desvios, a primeira providência é reservar recursos para que os serviços públicos possam funcionar segundo o princípio da prioridade absoluta. Embora, nesse caso, a função do Conselho Tutelar seja de assessorar, a não-provisão de recursos para serviços indispensáveis gerará a não-oferta ou oferta irregular de serviços previstos no artigo 208 do Estatuto, o que caracteriza, concretamente, ameaça ou violação de direitos garantidos. Nesse caso, cabe ao Conselho Tutelar, cumprindo o dever que lhe é imposto pelo artigo 220 do Estatuto, dar notícia do fato ao Promotor da Infância e da Juventude local, para que esse entre com ação pública mandamental, solicitando ao Juiz que determine a provisão de recursos necessários, como condição “sine que non” para que a oferta regular de serviços seja garantida no exercício orçamentário correspondente. O executivo e o legislativo podem querer argumentar que eles desfrutam do poder discricionário da formulação e da aprovação do orçamento público. Essa discricionariedade é representada pela faculdade de dizer da oportunidade e da conveniência de se priorizar esta ou aquela arca dos serviços públicos com mais ou menos recursos orçamentários.
O Conselho Tutelar argumentará entretanto com a circunstância de que “ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.
Ora, a Constituição, Lei Maior, fixa o princípio da prioridade absoluta. Não se trata de uma prioridade qualquer, o que já seria suficiente. Mas de prioridade absoluta, a qual é regulamentada pelo art. 4º do Estatuto. Prefeitura e Câmara de Vereadores deverão dar prioridade absoluta ao que dispõem Constituição e Estatuto, ao exercitarem os princípios da conveniência e oportunidade de fixar prioridades orçamentárias. O mesmo vale para o Governo do Estado e Assembléia Legislativa, para o Governo Federal e o Congresso Nacional. Ministério Público e Judiciário se determinarão portanto no sentido de que conveniência e oportunidade para crianças e adolescentes já estão fixadas na Constituição e no Estatuto.
N. O QUE É REPRESENTAR, EM NOME DA PESSOA E DA FAMÍLlA, CONTRA A VIOLAÇÃO DOS DIREITOS PREVISTOS NO ART. 220, PAR. 3º, II DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL
N.1. O QUE É REPRESENTAR EM NOME DA PESSOA E DA FAM[LIA
O Estatuto caracteriza como infração administrativa (art. 254) “Transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em horário diverso do autorizado, ou sem aviso de sua classificação”. Se for este o caso, a providência judicial será aplicar a pena correspondente prevista no mesmo artigo 254: muita de vinte a cem salários-de-referência; duplicada em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias. O valor da multa vai para o fundo controlado pelo Conselho Municipal dos Direitos.
N.3. O QUE É “VIOLAÇÃO DOS DIREITOS PREVISTOS NO ART. 220 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL”
Em seu artigo 220, a Constituição imprime o princípio da livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação, com a ressalva de que devem ser observadas as normas a esse respeito previstas na própria Constituição. O inciso II do parágrafo 3º desse artigo impõe a norma de que compete à lei federal estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas e programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no artigo 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente. O inciso III manda lei federal (no caso o Estatuto) regular diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendam, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada. O artigo 221 por sua vez dispõe que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; lI – promoção da cultura nacional e regional e estímulo àprodução independente que objetive sua divulgação; III – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e dafamília. Essa a razão pela qual o Estatuto (lei federal) estabelece meios legais que garantem à pessoa e à família se defenderem de programas ou programações que contrariam esses princípios. Com relação ao primeiro desses princípios, deve o Conselho Tutelar levar sempre em consideração o que o Estatuto trata no artigo 74:O Poder Público, através do órgão competente, regulará as diversões e espetáculos públicos, informando sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre Inadequada. Cumprindo esse artigo, o Ministério da Justiça emitiu normas a respeito, fixando as faixas etárias correspondentes. Através da Portaria 773 de 19 de outubro de 1990 (os interessados deverão ver o Diário Oficial da União de 29-10-1990) o Ministro da Justiça dispõe que os programas para emissão de televisão, inclusive “trailers” deverão ter classificação indicativa feita por órgão competente daquele Ministério e publicada no Diário Oficial da União para conhecimento geral da população. Quando a classificação for livre o programa pode ser veiculado em qualquer horário; quando não recomendado para menores de 12 anos, é inadequado para antes das vinte horas; se não recomendado para menores de 14 anos é inadequado para antes das vinte e uma horas; classificado como não recomendado para menores de 18 anos, é inadequado para antes das vinte e três horas. Nesses termos, a classificação é indicativa, ou seja, indica os horários de adequação às faixas etárias (que, como se viu, vão até dezoito anos). Não havendo censura prévia no País, está proibido ao Ministério da Justiça impedir a veiculação de filmes ou programas. E assim sendo, se não classificado numa dessas quatro faixas indicativas, o filme ou programa pode ser exibido após as 23 horas. A mesma Portaria do Ministério da Justiça também dispõe que são dispensados de classificação os programas de televisão transmitidos ao vivo, responsabilizando-se o titular da empresa televisiva ou seu apresentador e toda a equipe de produção, pelos abusos e desrespeito à legislação e normas regulamentares vigentes. Para que o público se oriente sobre qual a classificação do programa levado ao ar, a portaria estabelece que nenhum programa de rádio ou televisão será apresentado sem aviso de sua classificação, antes e durante a transmissão. Fica claro portanto que o Conselho Tutelar representa à autoridade judiciária pedindo a aplicação de multa pela infração administrativa (art. 254 ECA), quando desrespeitada a classificação indicativa do Ministério da Justiça ou pedirá a aplicação de sanção por responsabilidade civil, no caso de abusos nos programas ao vivo, que são dispensados dessa classificação.
O. O QUE É “REPRESENTAPÚBLICO, PARA EFEITO DAS AÇÕES DE PERDA OU SUSPENSÃO DO PÁTRIO PODER
“Quando o Conselho Tutelar atende reclamações ou recebe denúncias de ameaças ou violações a direitos de criança ou adolescente pode, como vimos, aplicar medidas de proteção relacionadas à própria criança ou adolescente, ou medidas relativas aos pais ou responsável, as quais se destinam a garantir que o ameaçado ou violado em seu direito seja assistido, criado e educado.
Há porém situações em que esse processo de assistência, criação e educação não pode ou não deve continuar a ser exercido pelo próprio pai ou mãe. São os casos mais graves, em que os pais estão sujeitos à perda ou suspensão temporária do pátrio poder. Essas providências são da alçada da Justiça da Infância e da Juventude, casos em que o Conselho Tutelar toma as providências urgentes que lhe são deferidas pelo Estatuto para proteção do filho e encaminha representação ao Promotor para que este mova, junto ao Judiciário, a competente ação relativa ao pátrio poder.
Representar, em Direito, é expor alguma coisa a uma autoridade, e essa exposição, como vimos, consiste em descrever os fatos da realidade, descrever a norma violada, identificar o desvio entre os fatos e a norma, mostrar como se corrige o desvio e pedir as providências cabíveis. No caso, o promotor é quem é o legitimado pelo Estatuto para propor a ação de suspensão ou perda do pátrio poder, perante o juiz competente. O Conselho leva ao promotor elementos de convicção para que este exerça a representação judicial.
A competência territorial tem dois aspectos. O primeiro é o da jurisdição do Conselho Tutelar. Diz-se que o Conselho Tutelar tem jurisdição administrativa sobre determinada área, quando, no espaço físico do Município, a Lei Municipal fixa os limites sobre os quais o Conselho tem o poder de praticar o serviço público previsto em suas atribuições, resolvendo os problemas que lhe são afetos. (Como se viu no comentário à letra A esse poder advém dos artigos 24, XV e par. 1º e 30, I e V da C. F.)Nesse sentido cabe à lei que o cria definir se o Conselho atuará atendendo casos de todo o território municipal, ou se haverá mais de um, cada um deles atuando numa parte definida desse território. O segundo aspecto refere-se ao local de onde provém o tipo de caso levado à apreciação do Conselho Tutelar. Temos aí três considerações: o do domicílio dos pais ou responsável; o do lugar da prática do ato infracional; o do lugar da emissão de rádio ou televisão.
É competente para receber queixas, reclamações ou denúncias, o Conselho Tutelar cuja jurisdição administrativa se estenda ao território onde os pais ou responsável tenham domicílio. Ou seja, existindo pais ou responsável, onde eles mantiverem residência com ânimo de permanência (domicílio), desse pedaço do território municipal é competente o Conselho Tutelar para tomar conhecimento da ameaça ou violação de direitos da criança ou do adolescente. Se só houver um Conselho Tutelar, é ele competente para prestar seus serviços públicos a todos os casos em que os pais residam nesse município. O princípio geral é portanto o seguinte: pouco importa onde o ato ou a omissão foi praticada na ameaça ou violação de direitos de criança ou adolescente. O caso será apreciado pelo Conselho Tutelar do local onde os pais tenham seu domicílio. Se pai e mãe residirem em locais diferentes, em qualquer deles. Se um deles apenas tiver a guarda, prevalece o domicílio deste.
Dá-se essa competência quando ocorre a falta dos pais ou responsável. Ou seja, não havendo pais ou responsável, ou não sendo possível identificá-los, é competente para receber queixa, reclamação ou denúncia, o Conselho Tutelar do local onde se encontre a criança ou o adolescente. Para que o próprio Conselho Tutelar não se torne mais um serviço público lesivo aos direitos de crianças e adolescentes, sendo impossível localizar pais ou responsável, deve assumir a proteção do caso o Conselho Tutelar do local onde os lesados se encontrem, evitando toda e qualquer delonga burocratizante. Jamais se poderia admitir que o Conselho retardasse a proteção devida, por questões formais de onde residam ou se encontrem pais ou responsável. Atendido o caso, se a posteriori se identificarem pais ou responsável, o Conselho Tutelar originário informalmente encaminha o caso ao Conselho Tutelar da jurisdição domiciliar, passando-lhe rapidamente a informação que porventura tenha a respeito. O Conselho Tutelar não é criado para disputar com outro quem protege ou não determinada criança. Mas, sim, para dar proteção, como prioridade absoluta (art. 227 C. F.; 4º e 6º2 do ECA).
É competente para atender ao caso, aplicar medidas ou requisitar serviços, o Conselho Tutelar do local onde se deu a prática do ato infracional. Quando o ato é praticado por adolescente, medidas de proteção podem ser aplicadas pelo Judiciário, o qual encaminha o caso para o Conselho Tutelar providenciar como consta do comentário à letra J.Quando o infrator é criança (até 12 anos incompletos) é competente para aplicar medida de proteção, relativa aos pais ou responsável (arts. 101 e 129 do ECA), bem como requisitar serviços públicos, o Conselho Tutelar cuja jurisdição se estende ao local onde o ato foi praticado. Se vários forem os atos praticados e um deles já estiver sendo apreciado por um Conselho, os demais (“prevenção”) devem ser a ele anexados, para harmonia da proteção a ser determinada: da mesma forma, se queixas forem feitas a Conselhos diferentes por atos praticados pela mesma criança (“conexão” e “continência”), as matérias devem ser unificadas num deles (por exemplo, o que tenha jurisdição no domicílio dos pais, ou do local onde o serviço requisitado deva ser prestado), também para a harmonia da medida tutelar cabível (ver art. 147, par. 1º ECA).De qualquer forma, a execução das medidas aplicadas poderá sempre ser delegada (transferida) ao Conselho Tutelar competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde se encontra a sede da entidade que abrigar a criança ou o adolescente (art. 147, par. 2º ECA).
Já vimos que o Conselho Tutelar tem a atribuição de representar em nome da pessoa e da família contra a violação de direitos cometida através da emissão de rádio ou televisão. O Estatuto prevê (art. 147, par. 3º ECA) que a penalidade a ser aplicada à estação emissora é da competência do Juiz do local da emissão, salvo quando a transmissão atinja mais de uma comarca, caso em que a competência passa a ser do Juiz da sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença eficácia para todas as transmissores ou retransmissoras do respectivo Estado. Assim sendo, recebida a reclamação no município onde se situa, ou na área municipal sob sua jurisdição, o Conselho Tutelar faz a representação ao Juiz da Comarca, se a emissão for local; e encaminha a representação ao Juiz da Comarca da sede estadual da emissora, cumprindo o que determinam os artigos 138 e 147, I e lI do ECA.
Q.1. O QUE QUER DIZER “EM CADA MUNlCÍPlO HAVERÁ, NO MÍNlMO, UM CONSELHO TUTELAR”
Quem legisla sobre o assunto é a Câmara dos Vereadores, por proposta do Executivo Municipal (ver comentários à letra A). Entretanto, esse é um assunto estatutariamente ligado à comunidade local. O ideal portanto é que uma comissão tripartite (sociedade civil, prefeitura e Câmara) análise todos os ângulos da questão. A análise é feita apreciando-se o volume de casos historicamente encaminhada até2 então à Justiça (anteriormente Juizado de Menores; hoje, Justiça da Infância e da Juventude), mais uma estimativa do volume de casos de lesão aos direitos infanto-juvenis no Município. A Lei pode criar tantos Conselhos quantos forem necessários e os mesmos podem ser implantados concomitante ou sucessivamente, segundo as conveniências e as oportunidades fixadas a critério da comunidade local. Devem-se evitar casos como o de um Município que, tendo cinco pessoas para trabalhar na área de assistência social, pretendia criar quatro Conselhos Tutelares. Ou seja, ficariam vinte pessoas para requisitar serviços e cinco, para executá-las.
A Constituição Federal determina que o atendimento dos direitos da criança e do adolescente no Brasil será feito (par. 7º do art. 227 combinado com o art. 204 da C.F.) com a participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. A formulação das políticas é cumprida pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. O controle das ações em todos os níveis é feito em dois âmbitos. Ao nível macro das políticas públicas realiza-se também na esfera do Conselho Municipal. Ao nível micro da pessoa e da família lesadas em seus direitos, realiza-se na esfera do Conselho Tutelar. O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente é formado paritariamente entre as entidades governamentais e as não-governamentais representativas da sociedade civil para assuntos ligados à população infanto-juvenil. Ou seja, as entidades são pré-existentes ao Conselho, o qual delas se compõe. O Conselho Tutelar é diferente. Ele é a própria entidade representativa escolhida pela comunidade para fazer o controle ao nível micro-social das lesões a direitos de famílias, crianças e adolescentes. Temos então que as entidades representativas que compõem o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente devem se reunir para, em nome da comunidade local, fornecer ao Poder Executivo e ao Legislativo, os elementos de convicção necessários à confecção da lei que cria o Conselho Tutelar.
Q.4. O QUE QUER DIZER “COMPOSTO DE CINCO MEMBROS”
Há portanto requisitos municipais que permitem adequar às peculiaridades locais o perfil do Conselheiro Tutelar mais condizente com a sua comunidade. Notar que o candidato a conselheiro não pode ser “qualquer um”, mas sempre um cidadão que goste de crianças, tenha vocação para a causa pública, seja experiente no trabalho com programas de atendimento aos direitos de crianças e adolescentes, conheça sua comunidade, identificando-lhe os desvios no atendimento desses direitos e demonstre conhecer espírito e letra do Estatuto da Criança e do Adolescente, que será seu instrumento de trabalho. Alguns municípios exigem que o candidato tenha nível universitário, dada a complexidade da realidade local e dos processos de correção dos desvios em relação às normas do Estatuto. Outros prescidem desse nível de escolaridade; alguns estabelecem que parte dos candidatos o terão e, os municípios menores, menos problemáticos, exigem nível primário ou secundário. De qualquer forma, as características que deve apresentar o conselheiro não podem ser escolhidas aleatoriamente, de modo que aventureiros não possam vir a ocupar essa importante função de serviço público. Lembrar sempre que a escolha será feita entre pessoas que tenham condições de cumprir com o artigo 60 do Estatuto. Razão pela qual certos municípios exigem, para homologar a candidatura, que os pretendentes se submetam a uma prova e que só os que nela demonstrarem conhecer o Estatuto sejam proclamados candidatos. Se esse for o caso, é recomendável que a prova seja redigida com o maior cuidado possível, para se evitar que o vazamento de quesitos ponha em risco a lisura da escolha.
Basta a leitura das atribuições estatutárias do Conselho Tutelar para se ter idéia de como prever esses requisitos de funcionamento. O local deve ser acessível, de fácil localização pela população mais lesada em seus direitos. O Conselho Tutelar não é mais uma repartição pública onde o povo é submetido à tortura de ser destratado, maltratado e violado em seus direitos de cidadão. Deve ser o contrário disso. Foi criado para fazer o contrário do que repartições, em seus hábitos, usos e costumes, vêm fazendo com a população brasileira, desrespeitada em sua cidadania. O local deve permitir que o atendimento público seja digno, rápido, simples e desburocratizado. É tão dramática a situação de não-oferta ou de oferta irregular de serviços públicos neste país, que os Conselhos Tutelares, pelo menos nesta fase inicial de sua instalação, devem funcionar todos os dias da semana, incluindo-se domingos e feriados. Quanto ao horário de funcionamento, parece evidente que deve o mesmo ocupar os dois turnos do dia, além de plantões para atender queixas, reclamações e denúncias urgentes no período noturno, bem como aos domingos e feriados. A lei deve prever, portanto, claramente, o lugar, dias e período em que os conselheiros vão atender o público (de segunda a sexta-feira, por exemplo, das oito às doze e das quatorze às dezoito horas), Deve ainda prever que um ou mais conselheiros terão seus telefones (também por exemplo) afixados para receber queixas, reclamações e denúncias no período noturno. Deve também deixar claro como o público será atendido aos sábados, domingos e feriados, pois muitas lesões a direitos se dão exatamente pela não oferta de serviços públicos nessas ocasiões. O Conselho Tutelar não pode repetir tais hábitos, usos e costumes, inadequados à cidadania, sob pena de se transformar ele mesmo num novo problema, em vez de constituir-se o meio para a solução de problemas já existentes. Sobre a necessidade de plantões noturnos, em domingos e feriados, lembrar sempre que o atendimento de crianças e adolescentes que o necessitarem deve ser feito no âmbito da política de assistência social (art. 203, C.F.) e não do Conselho Tutelar. Este só será acionado pelo cidadão que, procurando atendimento naquela área do serviço público, não for atendido, caso em que o Conselheiro Tutelar deve fazer a competente requisição de serviço informalmente, até por telefone e, se necessário, formalmente, por escrito.
R.2. EVENTUAL REMUNERAÇÃO DOS CONSELHEIROS
A norma geral federal fala em eventual remuneração. Logo, a comunidade local pode decidir por um Conselho remunerado ou não. O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, por essa mesma norma geral, é não remunerado, pois é composto de representantes de organizações representativas, que se reúnem periodicamente (uma vez ou duas ao mês) para deliberar sobre políticas públicas. Não é o caso do Conselho Tutelar, cujos membros trabalharão (dependendo do tamanho de sua jurisdição e do volume de casos) diariamente, atendendo pessoas, aplicando medidas e requisitando serviços públicos. O nível da remuneração também é proporcional à intensidade e à extensão do trabalho a ser executado e sempre proporcional à escala de vencimentos do funcionalismo público municipal. Ver comentários à letra S.Há casos de municípios pequenos que desejam, em função do seu porte, ter apenas dois ou três conselheiros e remunerá-los. Já vimos que deverão ser escolhidos cinco. Mas há uma fórmula para remunerar apenas parte deles. Basta que a lei municipal crie o Conselho, declare os conselheiros não remunerados, mas estabeleça um regime de trabalho em local, dias e horário definidos, a ser cumprido através de plantões por dois ou três conselheiros, por exemplo. A lei estabelecerá que o conselheiro receberá por plantão cumprido uma gratificação ou “pro labore” específico. Deve-se entretanto cuidar para que as normas gerais desse regime sejam claras e não discriminatórias, prevendo-se com nitidez os critérios de convocação dos plantonistas. Assim fazendo, respeitasse o princípio da isonomia, que consiste em tratar igualmente os iguais (conselheiros não-remunerados) e desigualmente as situações desiguais (conselheiro plantonista recebe por plantão cumprido).
S.O CONSELHEIRO TUTELAR É UM SERVIDOR PÚBLICO?
Sim. O Estatuto qualifica a função de conselheiro como sendo serviço público relevante. Mas o Conselheiro Tutelar não é funcionário público. Servidor público é todo aquele que exerce função pública. Funcionário, o que desempenha cargo em função de carreira, regido por regras específicas do Direito Administrativo. Vereador, Deputado, Secretário de Estado, Conselheiro Tutelar, são servidores mas não funcionários públicos.
O Conselheiro Tutelar é um servidor público cuja função relevante (art. 135 ECA) dura enquanto durar seu mandato de três anos, renovável por mais três. Mesmo remunerado, o trabalho que executa não gera vínculo empregatício com a municipalidade. Não é regido pelas leis trabalhistas, porque não é empregado. Sua função relevante é regida por norma geral federal (o Estatuto) e pode, nos termos dessa mesma norma geral, nem ser remunerado. A lei municipal deve prever (art. 134, par. único ECA) no orçamento, recursos para a manutenção do Conselho, aí incluída a função gratificada de Conselheiro.
T. QUE OUTRAS DISPOSIÇÕES A LEI MUNICIPAL DEVE CONTER
Para evitar problemas futuros, a lei deve dispor também sobre condições da perda do mandato, licenças eventuais dos conselheiros e edição do regimento interno de trabalho. Na letra U. trataremos das que se referem ao processo de escolha dos conselheiros.
T.1. PERDA DO MANDATO
Como ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer coisa alguma senão em virtude de lei (art. 50., lI, C.F.), se a lei municipal não prevê condições de perda, o conselheiro eleito exercerá o mandato até o fim, mesmo se for negligente, não assíduo e incapaz de cumprir com suas funções. Por esse motivo, a legislação municipal deve discriminar cuidadosamente as condições em que o conselheiro será legalmente afastado de suas funções. Sendo o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente o órgão mais alto na hierarquia dos serviços públicos prestados à população infanto-juvenil, a ele deve ser cometida a função e o processamento para declarar, após procedimento adequado, perda ou suspensão do mandato, dando-se posse ao novo conselheiro efetivo.
T.2. LICENÇAS EVENTUAIS DOS CONSELHEIROS
Eventualmente, os conselheiros podem necessitar de licença, seja por interesse particular ou por motivo de saúde. As normas para a percepção dessas licenças devem ser claras e precisas. Caso não haja conveniência de se fixarem regras próprias, a legislação que cria o Conselho pode mandar aplicar ao caso as mesmas regras utilizadas para os funcionários públicos municipais, erigindo-se o Conselho Municipal dos Direitos como instância administrativa para os atos necessários a essa consecução.
T.3. EDIÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO
Um dos problemas básicos do mundo do Direito é a criação de regras de conduta em causa própria. Por exemplo, no Brasil, o Congresso Nacional fixa regras para o salário do trabalhador e para os próprios congressistas. Nunca é a mesma regra para os dois casos. Essa a razão pela qual a lei municipal deve prever todas as situações que, em normas gerais, devem obrigar o Conselho Tutelar, para que, quando este editar seu regimento interno, o faça dentro de parâmetros objetivos, legalmente instituídos, evitando-se, assim, que os conselheiros acabem legislando em causa própria. Não devemos nos esquecer, mais uma vez, que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Se a lei não fixa limites, os conselheiros não estarão limitados.
U. COMO É O PROCESSO DE ESCOLHA DOS CONSELHEIROS
A lei municipal deve prever como os conselheiros serão escolhidos pela comunidade local. O processo da escolha será da responsabilidade do Conselho de Direitos. Há duas formas básicas para definição desse processo de escolha: um com normas rígidas e completas no texto da própria lei, outro com normas gerais rígidas na lei, contendo autorização legislativa para que o Conselho de Direitos disponha sobre detalhes do processo de escolha. Lembrar sempre que o Conselho de Direitos não tem poderes em si mesmo. Suas prerrogativas emanam sempre da lei, seja ela o Estatuto federal, seja a lei municipal que o suplemente. Assim sendo, ele só pode dispor sobre o processo de escolha, se a lei for clara em lhe conceder essa atribuição.
V. COMO REGISTRAR CANDIDATURAS
As candidaturas podem ser apresentadas individualmente ou por chapas. Elas não tem e não devem ter nada a ver com partidos políticos. Não são candidaturas partidárias. Os candidatos se oferecem para exercer uma função técnica, não política, técnica, porque os conselheiros trabalharão oito horas diárias buscando fins específicos para resolver problemas de pessoas, aplicando medidas que devem ser tecnicamente adequadas a cada caso e requisitando serviços também tecnicamente aptos a resolver problemas concretos. Os candidatos devem ter bom nível intelectual e cultural, além de conhecimento técnico do Estatuto que os tornem aptos a cumprir com suas relevantes futuras funções. As candidaturas serão apresentadas perante o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente na forma prevista na lei, ou na forma prevista na Resolução emitida pelo próprio Conselho, se a lei municipal assim dispuser.
A lei pode prever que essa apresentação seja feita pelos próprios candidatos ou por entidades de atendimento com assento no Conselho Municipal. Ser candidato ao Conselho Tutelar não é um direito da cidadania como o é ser candidato a vereador, prefeito, deputado, etc. Neste último caso, o que está em jogo é o trato dos problemas políticos da sociedade. Naquele, o trato com intrincadas questões técnicas para solução de problemas de crianças e adolescentes no âmbito da família ou da não-oferta ou oferta irregular de serviços públicos obrigatórios. Por essa razão a definição das candidaturas deve ser rigorosa, para filtrar candidatos incapazes de fazer cumprir os fins sociais (art. 60 ECA) a que se destina o Estatuto da Criança e do Adolescente. Apresentadas as candidaturas, as normas do processo de escolha devem prever como se fará a avaliação dos candidatos; se cumprem com os requisitos para a escolha, abrirá prazos para eventuais impugnações, defesa dos interessados e finalmente o registro formal da candidatura.
X. QUEM É IMPEDIDO DE SERVIR COMO CONSELHEIRO?
De acordo com o art. 140 do Estatuto, são impedidos de serviço no mesmo Conselho, marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados (durante o cunhadio), tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado. Também não podem servir os que mantiveram tais graus de parentesco com o Juiz ou o Promotor da Infância e Juventude com atuação local.
Z. COMO A COMUNIDADE ESCOLHE OS CONSELHEIROS
O Estatuto diz que a escolha é da comunidade. Se houver consenso entre as entidades que tratam de crianças e adolescentes no Município, a lei pode prever que a escolha será feita indiretamente, num processo de que participem apenas essas entidades. Deve-se cuidar para que nenhuma possível entidade da área seja discriminada, deixada de fora do processo, caso em que ela poderia impugnar a escolha. Assim, o melhor é fazer um editei amplamente divulgado, convocando as entidades que desejarem. Quem não comparecer não terá como reclamar, pois “o direito não socorre aos que dormem”.Mais democrático, entretanto, será promover a escolha através de uma eleição facultativa aos cidadãos do município. Nesse caso, a eleição nada terá a ver com o Direito Eleitoral como em algumas localidades ocorreu. O Direito Eleitoral só tem a ver com a constituição dos Poderes da República. O Conselho Tutelar é um órgão técnico-administrativo e a eleição de seus membros é regida pela norma geral do Estatuto, suplementada por lei municipal (arts. 204, 24, XV e par.10. e 30 I, II e V da C.F.).
As normas do processo de escolha através da eleição (se for o caso) devem prever a convocação dos eleitores através de edital, o local onde ficarão as urnas, a forma de identificação do eleitor, o processo de apuração, a proclamação dos eleitos e a forma de posse. Empossados, os conselheiros representarão a sociedade, com o encargo (art. 131 ECA) de “zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente” o que, como vimos (letra A.), consiste em comparar a situação real, concreta, vivida pela população infanto-juvenil, com as normas constantes do livro I do Estatuto. Havendo desvio, cabe-lhes promover a devida correção, nos termos do Livro II do Estatuto.
ABC do Conselho Tutelar – Elaboração de Edson Sêda
11/05/2016 Published by: Hemerson Gomes Couto
09/05/2016 Published by: Redação da Revista JusRO
Requisição de serviço do Conselho Tutelar não deve ser encaminhada ao médico do posto de saúde, diretor de escola, técnico do CREAS/CRAS CAPS ou outro programa/serviço público, mas sim ao Secretário Municipal titular da “pasta” responsável pelo setor correspondente (saúde, educação, assistência social etc.), a qual compete prestar espontaneamente, como dito acima, o atendimento à criança, adolescente ou família.
Data: XXX Encaminhamento nº XXX
A (Profissional ou Tecnico CRAS/CREAS)
A/C XXX
Encaminhamos o Sr. (a) XXX e seus filhos XXX para os técnicos deste órgão acompanhamento familiar (faça um breve relato o caso).
(Assinatura dos conselheiros tutelares)
Fonte: Com informação MPPR

References: artigo 30
 artigo 24
 artigo 30
 artigo 220
 artigo 203
 artigo 208
 artigo 4
 artigo 81
 artigo 220
 artigo 229
 artigo 19
 artigo 208
 artigo 56
 artigo 227
 artigo 4
 artigo 208
 artigo 136
 artigo 90
 artigo 95
 artigo 4
 artigo 208
 artigo 220
 artigo 254
 artigo 220
 artigo 221
 artigo 221
 artigo 74
 artigo 60