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Timestamp: 2019-10-15 05:58:01+00:00

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Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4 - RECURSO CÍVEL : 50005401920184047134 RS 5000540-19.2018.4.04.7134
Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4 - RECURSO CÍVEL : 50005401920184047134 RS 5000540-19.2018.4.04.7134 - Inteiro Teor
Gab. Juiz Federal ANDREI PITTEN VELLOSO (RS-5C)
RECURSO CÍVEL Nº 5000540-19.2018.4.04.7134/RS
RELATOR: Juiz Federal ANDREI PITTEN VELLOSO
RECORRIDO: CATIA CRISTINA POGLIA (AUTOR)
ADVOGADO: DÉBORA DE SOUZA BENDER (OAB RS032924)
Trata-se de ação na qual o autor, servidor da Receita Federal do Brasil, requer seja a ré condenada ao pagamento de indenização de localidade estratégica nos dias de férias já gozadas pelo Autor desde janeiro de 2018. Sustentou que o art. 2º, § 2º, da Lei nº 12.855/2013, excluiu os dias de férias das hipóteses em que não há pagamento do referido benefício.
Na contestação, a União discorreu sobre a natureza indenizatória da 'indenização de localidade estratégica' - a qual chama de 'adicional de fronteira' - e defendeu que o pagamento da indenização somente é devido por dia efetivamente trabalhado e que o rol do § 2º do art. 2º, da Lei nº 12.855/2013 é meramente exemplificativo. Sustentou, ainda, a impossibilidade de concessão de vantagem pecuniária sem prévia dotação orçamentária e autorização específica na LDO (art. 167 e 169 da CF/88).
Julgado procedente o pedido, a União requer a reforma da sentença pelas mesmas razões apresentadas na peça contestatória.
Esta Turma Recursal já teve a oportunidade de apreciar a matéria quando do julgamento d Recurso Cível nº 5002442-94.2018.4.04.7105/RS, de relatoria da Juíza Federal Joane Unfer Calderaro, cujos fundamentos adoto como razões de decidir:
O art. 2º da referida legislação reservou ao Poder Executivo a edição de ato que definisse quais são as unidades que ensejam o pagamento da indenização:
Após um longo período de atraso na regulamentação da legislação, durante o qual houve muitos debates jurisprudenciais acerca de se a norma em questão seria autoexecutável ou dependeria da edição do ato em questão, foi publicado, em 06/12/2017 o Decreto nº 9.227, declarando expressamente que a regulamentação seria efetuada por ato do Ministro de Estado do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MPDG).
Em atendimento a essa previsão, foi publicada pelo MPDG, em 20/12/2017, a Portaria nº 459, de 19/12/2017, listando as unidades cujos servidores teriam direito ao recebimento do benefício em questão, dentre as quais se encontra a lotação ocupada pela parte autora.
A referida verba, contudo, não está sendo paga nos períodos de férias dos servidores, conforme amplamente divulgado, situação contra a qual se insurge o autor.
Analisando a legislação instituidora, tem-se as seguintes disposições:
Art. 2º A indenização de que trata o art. 1º será devida por dia de efetivo trabalho nas delegacias e postos do Departamento de Polícia Federal e do Departamento de Polícia Rodoviária Federal e em unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Ministério do Trabalho e Emprego situadas em localidades estratégicas, no valor de R$ 91,00 (noventa e um reais). (grifo nosso)
§ 1º O pagamento da indenização de que trata o art. 1º somente é devido enquanto durar o exercício ou a atividade do servidor na localidade.
§ 2º O pagamento da indenização de que trata o art. 1º não será devido nos dias em que não houver prestação de trabalho pelo servidor, inclusive nas hipóteses previstas no art. 97 e nos incisos II a XI do artigo 102 da Lei nº 8.112/90. (grifos nossos).
A controvérsia diz respeito ao trecho do § 2º, acima sublinhado, que faz menção aos "incisos II a XI do artigo 102 da Lei nº 8.112/90". Para melhor compreensão, transcrevo o artigo em questão:
Percebe-se que, ao fazer referência aos incisos II a XI do art. 102 da Lei nº 8.112/90, o § 2º da legislação instituidora da indenização não fez menção ao período de férias.
Nesse ponto, a ré alega que o rol do § 2º é exemplificativo, devendo prevalecer a regra geral do caput que diz que "a indenização de que trata o art. 1º será devida por dia de efetivo trabalho." O autor, por sua vez, entende que se trataria de rol taxativo diante de sua especificidade.
Tenho que assiste razão ao autor. O Projeto de Lei (PL) nº 4.264/2012, que resultou na edição da Lei n. 12.855/13, trazia, originalmente, a seguinte redação para o § 2º do artigo 2º:
§ 2º O pagamento da indenização de que trata o art. 1º não será devido nos dias em que não houver prestação de trabalho pelo servidor, inclusive nas hipóteses previstas nos arts. 97 e 102 da Lei nº 8.112, de 1990”. (grifo nosso).
Ve-se, pois, que a intenção do legislador segundo tal redação era expressamente remover o pagamento de tal indenização quando houvesse qualquer dos afastamentos previstos no art. 102 da Lei nº 8.112/90 (inclusive no período de férias, previsto no inciso I de tal artigo).
Não obstante, após a apreciação do PL nº 4.264/2012 pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados, foi apresentado Substitutivo que, dentre outras mudanças, sugeriu a atual redação do § 2º do art. 2º da Lei nº 12.855/13, com a exclusão da referência ao inciso I do art. 102 da Lei nº 8.112/90.
Em seu voto acerca do substitutivo, o Deputado relator da matéria mencionou expressamente, como justificativa para alteração do PL, a necessidade de manutenção do pagamento da indenização durante as férias dos servidores:
“Como terceiro ponto, creio ser injustificada a interrupção do pagamento da indenização durante as férias dos servidores, conforme determina o § 2º do art. 2º do projeto. O período correspondente ao gozo de férias é considerado como de efetivo exercício do cargo. Ademais, durante as férias o servidor permanece lotado na mesma localidade considerada estratégica para fins de percepção daquela parcela. A redução remuneratória assim imposta tenderá a fazer com que os servidores evitem ou adiem ao máximo o gozo de férias, com possível prejuízo da estabilidade mental e emocional tão indispensável ao exercício de suas funções."(Exmo. Dep. Luciano Castro, grifos nossos).
Extrai-se do acima exposto que a redação final da Lei nº 12.855/13, com a menção expressa aos"incisos II a XI do artigo 102 da Lei nº 8.112/90"e a omissão acerca do inciso I, teve por fito justamente possibilitar o pagamento da indenização durante o período de férias do trabalhador.
Assim, não obstante a expressão" inclusive "na legislação possa induzir ao entendimento de que se trata de um rol exemplificativo, uma hermenêutica teleológica, ou seja, que busca compreender os fins pretendidos pelo legislador, conduz seguramente ao entendimento de que se trata de hipóteses taxativas, que não abrangem o período de férias do servidor.
É sabido que uma hermenêutica gramático-literal muitas vezes não é a que melhor atende às finalidades de uma legislação, devendo o julgador, no exercício da aplicação do Direito, fazer uso de outros instrumentos interpretativos, como, por exemplo, abordagens hermenêuticas históricas, sistemáticas, ou, como no presente caso, teleológicas.
É princípio cediço da interpretação legislativa que “não se presumem na lei palavras inúteis” (Verba cum effectu, sunt accipienda). Tivesse o legislador a intenção de remover o pagamento da indenização em todos os afastamentos legais, inclusive nas férias, teria mantido a redação do PL original, simplesmente omitindo a expressão"incisos II a XI", a qual, certamente, não foi adicionada debalde.
Por fim, deve ser ponderado, como refletiu o relator do voto no parecer substitutivo, que se a verba em debate busca indenizar o servidor pelas condições a que está sujeito em razão da localidade em que desempenha seu cargo, não se coaduna com a finalidade da legislação a retirada do valor durante o período de férias, pois " durante as férias o servidor permanece lotado na mesma localidade considerada estratégica para fins de percepção daquela parcela ". A redução em sua remuneração, que será experimentada quando do gozo das férias, configura-se, na verdade, em um desestímulo à sua fruição, em dissonância dos fins pretendidos pela lei.
Por todo o exposto, deve ser julgado procedente o pedido do autor, para o fim de reconhecer seu direito ao recebimento de indenização de localidade estratégica durante o gozo das férias, o que surtirá efeitos tanto em relação a suas férias já gozadas após a publicação da Portaria regulamentar, quanto às futuras.
Com efeito, o fato de o inciso I, do art. 102 da Lei nº 8.112/90 ter sido suprimido da redação final do § 2º do art. 2º da Lei nº 12.855/2013, demonstra a clara intenção do legislador de excluir das hipóteses de interrupção do pagamento da indenização o período de férias dos servidores.
Desse modo, a sentença é de ser confirmada pelos seus próprios fundamentos, nos termos do artigo 46 da Lei 9.099/1995, combinado com artigo 1º da Lei 10.259/2001, complementados pelas razões acima expostas. Os fundamentos do acórdão, pois, são os mesmos fundamentos da sentença, na qual todas as alegações já foram analisadas.
Assim, tendo solucionado adequadamente a lide, e estando em harmonia com o entendimento deste Colegiado, não merece reforma a sentença proferida.
1) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); portanto, quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com ...
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References: artigo 102
 artigo 102
 artigo 2
 artigo 102
 artigo 46
 artigo 1