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Timestamp: 2016-12-10 05:46:17+00:00

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Porque não é pagável a dívida pública portuguesa - LiveSlideToggle navigationBUSINESSEDUCATIONTECHNOLOGYTRAVELMORE TOPICSSign upSign in HomeNews & PoliticsPorque não é pagável a dívida pública portuguesa of 25Porque não é pagável a dívida pública portuguesa GRAZIA TANTA
Não há “uma única circunstância histórica" em que as políticas de austeridade tenham conduzido ao fim do pesado fardo de dívida Ashoka Mody, ex- chefe de missão do FMI na Irlanda Sumário Conclusões
3 - Portugal – Cenários de continuidade no pagamento da dívida 3.1 – A continuidade pró-ativa e radical (Hipótese I) 3.2 – A continuidade pró-ativa amortecida (Hipótese II) 3.3 – A continuidade prolongada (Hipótese III)
4 – Avaliação das parcelas da dívida a não pagar 5 - Como sair disto?
News & Politics Source: www.slideshare.net Transcripts - Porque não é pagável a dívida pública portuguesa
Não há “uma única circunstância
histórica" em que as políticas de
austeridade tenham conduzido ao
fim do pesado fardo de dívida
Ashoka Mody, ex- chefe de missão do FMI
A dívida é um modo de domínio que incute no devedor a submissão através da
O predomínio financeiro no capitalismo de hoje exige um ciclo infernal de
geração artificial de dinheiro e crédito, com a subsequente captura incessante e
permanente de devedores;
A austeridade, o empobrecimento, a perda de direitos, a precariedade da vida
Os mecanismos da dívida e a austeridade têm como actores essenciais o alto
poder do sistema financeiro e as classes políticas, acotovelando-se nestas, os
servis domésticos do primeiro;
O aparelho de Estado, além do já conhecido papel de capitalista coletivo, é um
departamento do sistema financeiro, cujos diretores se designam por ministros.
A incorporação formal não existe porque convém manter a ilusão da separação
face ao grande capital e com isso garantir a aceitação pela multidão, da
legitimidade da punção fiscal e da autoridade;
O sistema financeiro e os seus Estados dedicam-se à reprodução desmedida de
As limitações deste modelo gera dificuldades nas estirpes mais frágeis do
O capitalismo, na sua configuração atual, transfere os seus problemas para os
Estados que, obedientemente assumem dívidas, reduzem mais e mais as suas
funções sociais, colocando mais do que nunca a questão da utilidade do Estado
se a sua atividade se reduz a ajudar os capitalistas e criar dificuldades para a
Não se espera nada de virtuoso, de alterações estruturais provenientes das
instituições comunitárias ou nacionais; a continuidade está garantida e só a
Qualquer solução de continuidade no pagamento do serviço de dívida
corresponde a um pesadíssimo fardo financeiro na vida de quantos vivem em
Portugal, mormente trabalhadores e pobres:
Para além de não ser economicamente possível pagar em prazos normais uma
dívida que brevemente será computada em € 242000 M1 há várias questões de
legitimidade. Uma das razões é que muito pouco daquele montante se prende
com a satisfação das necessidades dos portugueses; depois, os objetivos da
constituição da dívida – absorver os efeitos da política de crédito vigente desde
http://www.noticiasaominuto.com/economia/160124/divida-publica-aumenta-quase-10-do-pib-comnovas-regras#.UthDGPRdUYE
os anos 90, bem como a dificuldades do euro - não têm que ser suportados
pela população; e, finalmente, porque os gangs no governo atuaram em
medidas de impactos tão desastrosos ao arrepio e ultrapassando largamente as
prerrogativas que podem ser imputadas à chamada democracia representativa;
Por seu turno, as instituições financiadoras, globais ou privadas, não ignoravam
essa ilegitimidade decorrente do divórcio entre os beneficiários do crédito e os
seus reais pagadores; nem ignoravam o rápido crescimento da dívida, em
paralelo com o definhamento da economia portuguesa, a desestruturação
social ou o caráter degenerado das instituições políticas em Portugal;
Um volume de abates na divida que a conduzam a uns 60% do PIB, o máximo
ordem dos 143000 M e, mesmo assim, o crescimento económico ficará refém
do pagamento da dívida, deixando o nível de vida das pessoas estagnado
Qualquer solução definitiva para a questão da dívida e que permita a geração
de bem estar em Portugal exigirá:
Mobilização social para o confronto com o capital financeiro e suas
Enquadramento num contexto de contestação, ao nível das periferias
Sul e Leste da UE, com relevo para a Espanha;
A radical alteração das desigualdades existentes, para ser consolidada,
E ainda a construção de uma sociedade sem capitalismo, sem
apropriação privada do produto do trabalho, auto-gestionada e
orientada para a satisfação das necessidades da população.
A dívida é um instrumento de domínio. Em certas culturas, um insolvente terá mesmo
de se apresentar como escravo com a sua família, penhorando-se a si próprio, junto do
Essa desonra e humilhação tem também reminiscências em certas culturas do norte da
Europa. Em alemão, a palavra culpa traduz-se por schuld e numa frase tão corrente em
qualquer língua, no momento de uma transação vulgar, como “quanto devo?”, em
alemão diz-se Was schulde Ich?, sendo a mesma conexão débito-culpa semelhante em
outras línguas germânicas. Nessa cultura, a dívida estará associada a algo de ilícito
(pecaminoso na lógica cristã) ou pouco recomendável, pois em nada ilustra o devedor.
O capital financeiro é o verdadeiro arquiteto da insana espiral do crédito a que se
assiste, da criação artificial de capital-dinheiro, desligada da criação de valor – que só o
trabalho gera – ou de qualquer poupança acumulada. Para a conservação dessa
situação, procura, naturalmente, dividir os povos entre devedores e credores, entre
gente de boas e más contas. E daí, que os mandarins e os plumitivos dos grandes
media acusem os países devedores do sul da Europa como habitados por esbanjadores
e mandriões, pois despreocupadamente terão gerado uma dívida que agora lhes dói
pagar ou a cujo pagamento se querem eximir.
Não é incomum, gente modesta, com dificuldades na vida resultantes da estratégia de
fomento do endividamento por parte do sistema financeiro, assumir a sua culpa, como
“tendo vivido acima das suas possibilidades”, acarretando com o ónus moral, a autoflagelação tão inerente às religiões, submetendo-se a assumir o pecado e a expiar com
as prestações de uma dívida impagável e que se pretende eterna.
“Não queremos ser caloteiros” diz-se na assunção imbecil da dívida de um Estado que
nada tem a ver com as pessoas e que se coloca sempre de fora da resolução dos
problemas criados junto da maioria da população. Se alguém tem dificuldades em
pagar a prestação da casa, em alimentar a família, porque caiu no desemprego ou na
indigência, o Estado ou se alheia ou toma mesmo atitudes que só pioram a situação,
com a redução dos subsídios de desemprego, das condições para o desembolso do
RSI, de acesso à saúde, etc. Inversamente, o mesmo totalitário Estado, para arcar com o
pagamento das suas dívidas, que contraiu para servir o sistema financeiro, os grandes
empreiteiros de obras públicas ou capitalistas em geral, reduz tudo o que pode nas
despesas de caráter social e aumenta a carga fiscal a pagar pelos trabalhadores, pelos
reformados e consumidores, ao mesmo tempo que desonera os empresários e os
bancos, de encargos fiscais.
Nunca é demais recordar que o Estado sempre foi o capitalista coletivo2 e que
atualmente é apenas um departamento do sistema financeiro e cujos diretores se
designam por ministros. O Estado vai estando em processo de privatização direta ou
de concessão de rendas ou benfeitorias de bens e serviços públicos a favor de
capitalistas. As funções diretamente exercidas pelo Estado tenderão a restringir-se ao
exercício da punção fiscal e da autoridade – emissão de leis, aplicação da “justiça” e da
repressão necessária à manutenção do statu quo - não sendo de espantar que algumas
dessas funções já não estejam ou venham a ser exercidas por privados – cobrança de
impostos, prisões, elaboração de leis, sob formas jurídicas elaboradas como contratos,
parcerias, ajustes, cedência de espaços, etc
Convém ter em conta que o Estado, como entidade, nunca será diluído num qualquer
grupo financeiro. Os capitalistas sabem bem a importância de um aparelho coletivo,
que exerça funções úteis a todos, embora tendo em conta a hierarquia entre os vários
capitalistas, grupos e empresas. Por outro lado, é do seu interesse manter um aspecto
de aparelho “acima” da sociedade, “neutro” face a empresas e indivíduos, para que
estes aceitem a sua autoridade para a cobrança de impostos, a emanação de leis, as
decisões dos tribunais e da legitimidade da atuação da polícia, mesmo quando bestial.
Voltando à dívida, é evidente que os bancos não vão aceitar que os insolventes se
ofereçam como escravos tal como vão adiando os despejos de casas, porque isso lhes
traria mais custos. Como conhecem a fábula da galinha dos ovos de ouro, preferem
mantê-las, famintas, a esgravatar num solo próximo da esterilidade, enquanto houver
ovos para pôr. Exigindo, naturalmente, que as galinhas se mantenham de cabeça baixa,
sem pensar no cutelo que lhes cortará o pescoço, entretidas com os comentadores
De facto, a relação entre o sistema financeiro e os devedores pouco tem de equiparado
com as vigentes em ambientes sociais pré-capitalistas, onde o devedor arrisca a
escravidão em caso de insolvência. Atualmente, o sistema financeiro precisa de
multiplicar e aplicar capital a todo o momento e minimizar o capital não
comprometido numa relação creditícia; numa sociedade pré-capitalista, o crédito é,
essencialmente baseado numa cedência temporária de poupanças, pois os credores
não têm disponíveis as variadas ferramentas e artifícios de criação de capital que o
sistema financeiro, hoje, tem e em situação de monopólio.
Nesse contexto, o sistema financeiro precisa desesperadamente de colocar capital, de o
reproduzir, mesmo que com isso descure, desestruture e destrua parte do aparelho
produtivo de bens e serviços, a chamada “economia real”, aquela que de facto, satisfaz
as necessidades das pessoas. O sistema financeiro orquestra o empresariato e o
mandarinato na geração de uma psicologia social assente num consumo inveterado e
irracional, num apelo constante ao crescimento a que, por vezes, se acrescenta
piamente o adjetivo de sustentável, para alegrar os ecologistas. Essa adjetivação revela
precisamente a omissão de que os recursos, o ambiente, são finitos e não admitem um
crescimento adequado aos desejos do insaciável sistema financeiro.
Essa pulsão consumidora conduz as pessoas ao endividamento, ao comprometimento
de rendimentos futuros, que se estão a revelar muito pouco seguros, como pareceria
anos atrás; e, para corresponder a essa gula, as empresas produzem com o que têm e o
que lhes é propiciado pelo sistema financeiro para que as pessoas comprem,
consumam, o que precisam e o que julgam precisar, por indução da publicidade e da
injeção de conceitos de promoção social em que o consumo e a modernidade dele
resultante enformem a subjetividade dos indivíduos3.
Como já em tempos assinalámos4, o crédito acumulado pelas famílias e pelas empresas
não está a permitir a rotação nem a liquidez de que os bancos gostariam; antes pelo
contrário, os incumprimentos e as dilações de prazos de pagamento vão crescendo, tal
como crescem as insolvências, com o fecho de empresas e a ruina de pessoas. Assim, o
sistema financeiro tem dificuldades em continuar a manter a volúpia da concessão de
crédito dado que os indivíduos se retraem no consumo e na assunção de acrescidas
responsabilidades e as empresas, não tendo garantido o escoamento dos seus bens e
serviços, não adquirem matérias-primas, nem equipamentos. Os crescentes
rendimentos dos ricos5 não compensam, obviamente, a retração na satisfação das
necessidades das pessoas; já não as relativas ao exibicionismo social mas, no capítulo
das necessidades elementares.
A dívida de pessoas e empresas – a dependência eterna http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/09/vbehaviorurldefaultvmlo_15.html
A incapacidade do sistema financeiro em manter a volúpia do crédito promove uma
reação em cadeia, que se repercute a montante, uma vez que o sistema gera redes de
interdependência, de relações devedor/credor que o equipara a um castelo de cartas,
em articulação e fragilidade. Como qualquer devedor que não consegue satisfazer os
seus compromissos com os credores, os bancos mais débeis ficam bloqueados – não
conseguem manter o ritmo da entrada de fundos e por isso, também não conseguem
reembolsar os seus refinanciadores de dinheiro, os seus colegas mais abonados.
Naturalmente que isso tem um impacto evidente nos indicadores de solvabilidade e
rendabilidade dos bancos fragilizados, com manifestações nas cotações das ações que
tendem a afugentar “investidores” e bloquear a sua atividade, tornando-os abertos a
operações hostis de compra, provenientes de fundos de investimento ou de pensões,
Esta situação, para mais, generalizada, conduziu a várias falências de bancos, entre os
quais se destaca o Lehmans; intervenções de fundos estatais como nos casos do Dexia
ou em Portugal, do Banif; assunção dos “tóxicos” existentes nos bancos espanhóis, no
Anglo-Irish ou no célebre BPN. Estas atitudes representam atitudes de amortecimento
dos desmandos do sistema financeiro para o salvar, para evitar o desmantelamento do
referido castelo de cartas.
Mas isso demonstrou ser insuficiente. Foi necessário introduzir mais dinheiro no
sistema para o rendabilizar e disso, na Europa, se encarregou o BCE, ao fornecer meios
aos bancos para que estes o aplicassem em apostas de elevada remuneração. O BCE
fornece liquidez aos bancos6 a 0.25% e estes, dada a anemia das economias, dos riscos
associados a famílias empobrecidas e empresas, sem perspetivas de crescimento,
inventaram os Estados como grandes devedores, em muito poucos anos. A propagada
fobia do BCE à inflação induzida pelo trauma alemão com a hiper-inflação dos anos
vinte é uma mentira; é importante não haver inflação pois esta tende a reduzir o valor
real da enorme liquidez detida pelo sistema financeiro global.
No quadro seguinte, pode observar-se que, excepto para o caso da Alemanha, há um
acréscimo da representação dos bancos domésticos no total da dívida soberana dos
seus respetivos Estados, constituída junto do sistema bancário e que na maioria dos
países selecionados ultrapassa os 70% do total em 2013. No caso de Portugal, a
estabilidade da dívida detida pelo sistema bancário entre os dois momentos revela
contudo um reforço do papel dos bancos portugueses. Por seu turno, é bem evidente a
fuga dos bancos não gregos dos títulos soberanos do país, contrariando promessas
feitas para conseguir o apoio do FMI ao empréstimo de 2010 7, contribuindo para a
fragilidade posterior do país.
http://www.noticiasaominuto.com/economia/172625/bancos-reduzem-financiamento-do-bce-em-janeiro-paraminimos-de-2-anos#.UvpMxfRdUYE
Este reforço do financiamento dos bancos domésticos aos seus Estados revela a
procura de aplicações financeiras rentáveis e onde seja possível um controlo direto
sobre o devedor, sobre os mandarins. No caso português, em 2013, apesar dessa
almofada. a banca doméstica não evitou os enormes prejuízos registados no último
ano8.
Há muito boas razões para esse compromisso dos bancos. De facto, mesmo para iguais
taxas de juro, um dado valor de empréstimo concedido pelo sistema financeiro a
famílias e empresas terá sempre um grau de risco superior para o banco credor e
reparte-se por milhões de mutuários, exigindo custos mais elevados de
acompanhamento e gestão. Por outro lado, como se viu no caso dos swaps ou, na
constante mutação das mesmas pessoas entre cargos políticos e na direção de bancos,
há uma relação promíscua entre o sistema financeiro e o Estado, sendo os mandarins,
por corrupção, conivência ou ignorância, muito abertos às sugestões dos vendedores
de “produtos” bancários.
O sistema financeiro tem também outras vantagens em ser um grande detentor de
dívida pública, sobretudo em época de retração económica em que os negócios
promissores, a financiar, não abundam. Uma empresa comum ou uma família têm
patrimónios e fluxos de receitas e gastos limitados e contingentes; numa empresa, o
recurso ao crédito depende das capacidades de gestão e do “mercado” enquanto nas
famílias quase tudo fica dependente da saúde dos seus membros e dos rendimentos
do trabalho, daí resultando sempre um risco para os prestamistas.
Os Estados não apresentam um balanço, uma avaliação do património, porque é
escusado. Os Estados têm um privilégio especial, a coercividade na obtenção de
receitas (impostos, taxas, preços administrativos) sem contrapartidas diretas e o
próprio poder de expropriação, a arbitrariedade e a essencial perenidade na
determinação das receitas; assim, quando devedores, apresentam uma capacidade
infinita de pagamento. As chamadas bancarrotas, mesmo não sendo raras na História,
jamais colocam em causa a existência dos Estados devedores, sempre associados a
uma soberania sobre um território, um povo, a uma capacidade de extorsão de
rendimentos do trabalho ou de bens privados. Um Estado que determine o não
pagamento de dívida pública, pode arrostar com as manobras e a solidariedade da
comunidade capitalista e das suas instituições políticas; mas, se for determinado terá
bons resultados, como no caso do Equador ou da Islândia enquanto em outros casos, é
o próprio sistema financeiro que procede ao hair-cut (corte de cabelo) para evitar
Uma aceite ausência de risco de não pagamento associada a dívida pública traz
vantagens importantes para os indicadores saídos dos balanços bancários. No capítulo
de uma dívida privada, os bancos consideram nos seus custos uma parcela de
provisões, para futuramente poderem compensar casos de não pagamento; e, a
constituição de provisões implica um nível mais baixo de lucros, de capitais próprios, o
que pode obrigar os acionistas a proceder a aumentos de capital. No caso de títulos de
dívida pública considera-se-lhes associada uma segurança absoluta de reembolso e
ficam os bancos exonerados de proceder a provisões relativas aqueles títulos,
aumentando assim a sua rendabilidade. Como se vê, o que não será contemplado em
leis e regulamentos para ajudar o sistema financeiro? Quem manda escolhe as regras
No cenário do sistema financeiro global, as agências de rating sabem como influenciar
a percepção dos “investidores” quanto ao risco associado a uma dívida; como sabem
corresponder aos interesses que as controlam. Numa atividade em que a informação é
volátil e a decisão se pretende rápida, não é praticável a utilização de milhares de
operadores, sendo estes substituídos por sistemas informáticos poderosos
incorporando programas com algoritmos sofisticados. Requere-se uma confiança e
uma credibilidade quase cega nos oráculos das agências de rating; o mercado é um
Se um país apresenta dificuldades sociais, económicas ou financeiras, nada melhor do
que um rating menos favorável para que aumentem os juros exigidos pelos futuros
compradores dos títulos da sua dívida soberana. Para um banco haverá melhor cliente
do que aquele que não irá à falência, que paga elevados juros e cuja casa se frequenta,
No cenário europeu, na zona euro, o BCE não deixaria nunca de intervir para evitar a
contaminação sistémica de um incumprimento declarado por um estado-membro,
tendo mesmo feito algum bluff para pressionar os gregos, mais precisamente.
Recordamos nesse aspeto que Draghi anunciou comprar “sem limites” dívida soberana
dos países intervencionados para salvar o euro9 o que anda a causar uma querela
constitucional na Alemanha10. Por outro lado, tendo em conta o caráter subalterno dos
mandarins em funções governamentais nos países em dificuldades, não é
compaginável que Passos, Rajoys ou Samaras decretem unilateralmente um não
pagamento de dívida, para defender os respetivos povos.
Assim, os Estados enchem-se de dívida a juros elevados inerentes a um elevado risco
que os bancos não refletem nos seus balanços. Estranha contabilidade…
Essa situação é sabiamente aproveitada pelos bancos, particularmente domésticos,
para obterem boas taxas de rendabilidade, inalcançáveis com outros potenciais
devedores. Recentemente, foi divulgado que as remunerações conseguidas pelos
detentores de dívida pública portuguesa foram de 9.62% em 2013 mas, ainda mais
elevadas no caso de Espanha (11.41%), Irlanda (12.21%) e da Grécia, com uns
espantosos 47.72%11; aliás já havia sido referido em finais de 2012, no relatório anual
da CMVM referente a 2011 que “a dívida pública foi o investimento mais rentável dos
http://www.rtve.es/noticias/20120906/bce-comprara-deuda-sin-limite-si-paises-piden-rescate-cumplen-formaestricta/561745.shtml
últimos 10 anos”12. Finalmente, também o Banco de Portugal - cujos governadores são
sempre muito (?) independentes - revelou em novembro último no seu Relatório de
Estabilidade Financeira que "uma parte significativa das carteiras de títulos das
instituições financeiras é composta por activos nacionais, designadamente de dívida
soberana, que continua a proporcionar níveis de rendibilidade relativamente altos."13
Que daí advenham dificuldades na gestão das contas públicas, trata-se de matéria de
segunda linha de grandezas. É para gerir essas dificuldades que existem as classes
políticas, os mandarins, as “concertações sociais” e os media; e é da sua harmonia que
resultam privatizações, despedimentos, alterações nas leis laborais, cortes brutais nos
deveres sociais dos Estados, redução de pensões, atrasos na idade da reforma… As
troikas funcionam como os auditores designados pelos altos representantes do poder
financeiro global para a supervisão dos governos nacionais em dificuldades. Também
neste caso, se considera mais ajustado manter um governo indígena de mainatos para
desarmar os orgulhos patrióticos da plebe do que nomear um governador-geral tipo
Beresford, um procônsul como o Bremer que Bush colocou no Iraque ou, um qualquer
gauleiter para o Lusitanienbezirk.
No entanto, vão-se avolumando notícias que apontam para um redimensionamento e
aumento do controlo sobre a banca europeia depois de um longo período de apoios
públicos, como quantificado num estudo14 recente coordenado por um eurodeputado
belga. Revela esse estudo que os apoios públicos ao sistema financeiro (assunção de
tóxicos, nacionalizações, financiamentos) orçaram os 1.33 biliões de euros, isto é, mais
de oito vezes o PIB português ou 10% do da UE. Há contudo, muitas dúvidas que os
mandarins comunitários procedam, de facto, a alterações profundas no sistema.
Por seu turno, a EBA – Autoridade Bancária Europeia selecionou para supervisão (os
chamados testes de stress) os 124 bancos europeus que abarcam mais de 50% dos
sectores bancários domésticos. Os resultados deverão ser apresentados em outubro e
a responsável pela supervisão bancária europeia avança com a ideia de que virá a
haver falências de bancos muito em breve15. Do outro lado do Atlântico, nos EUA o
governo federal poderá a ficar sem margem para obter mais crédito16 e a ter de deixar
de proceder aos quantitative easings com o qual se tem financiado há vários anos.
Uma crise dentro da crise, anuncia-se e adensa-se17.
Nesta hipótese contempla-se o fiel cumprimento do plano de amortizações da dívida
de médio ou longo prazo divulgado pelo IGCP (ver o anexo), para o período 2014/21,
http://economico.sapo.pt/noticias/temos-de-aceitar-que-alguns-bancos-nao-tem-futuro_186840.html
17 http://www.cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FEconomia%2F-Isso-nao-e-uma-recuperacao-e-uma-bolhae-ela-vai-estourar-%2F7%2F30341
sem reescalonamentos ou o recurso a novos débitos de médio ou longo prazo, que
tenham impactos no volume dos reembolsos previstos. Isso será de todo muito pouco
provável dado o grau de esforço imanente àquele plano para a depauperada economia
portuguesa e para o conjunto da população, mormente trabalhadores, desempregados,
reformados e pobres em geral.
Por outro lado, foi realizada recentemente uma operação de emissão de dívida,
pagável em 2024 mas, para fazer face à satisfação de compromissos deste ano, com
uma taxa pouco aliciante de 5.112%, durante dez anos, o que provocou festejos na
área governamental, porque o “mercado” se mostrara receptivo (!), dado que a retoma
estará visível, que haverá reconhecimento perante o esforço dos portugueses (todos?),
etc. De facto, com taxas daquelas e o BCE como garante último, o negócio não é mau
para os credores; note-se que a taxa de juro implícita no total da dívida (todos os
prazos) foi da ordem de 3.7% no ano passado contra 4.4% em 2012.
O gráfico que se segue contempla o peso no PIB das amortizações de dívida, de médio
ou longo prazo, bem como dos juros de toda a dívida e ainda o esforço exigido,
correspondente à soma do capital emprestado e dos juros vencidos (o serviço de
dívida) que representa o rendimento que é preciso desviar para a satisfação dos
credores. A coisa pode ser minorada se forem afetados para a amortização da dívida,
reservas de dinheiro pré-existentes – e que neste momento garantem um ano de
pagamentos do plano do IGCP - ou o produto de privatizações, como a da TAP, se bem
que a longo prazo, haja muitas dúvidas sobre as vantagens da alienação da companhia.
Fora essas situações ocasionais, o pagamento do serviço de dívida exigirá um superavit
externo dessa dimensão; caso contrário é o rendimento global que tem de encolher,
sabendo-se de antemão quem serão os sacrificados pelos governos.
Crescimento necessário do PIB para cumprimento do plano
governamental - Hipótese I
% PIB - amort dív ida M/L
% PIB - juros totais
Crescimento necessário PIB
Excluindo as ressalvas anteriores, esse esforço de pagamento do serviço de dívida
(amortização de capital e juros) varia entre 12.4% do PIB em 2016 e 8.8% em 2021,
cifrando-se o valor em dívida em cerca de € 105000 M em 2021, contra os € 205252 M
no final de 2013, nas contas do IGCP. Tendo em conta o montante em dívida calculado
para 2021, isso significaria o cumprimento das exigências do Tratado sobre
Estabilidade, Coordenação e Governação (dívida pública ao nível de 60% do PIB).
Assim, o rendimento nacional previsto (PIB), deduzido o serviço de dívida ficaria
estagnado durante a maioria dos anos vindouros, mesmo admitindo algum
crescimento económico, como indicado no anexo:
Disponível após serviço de dívida 14546 14746 14748 14685 14859 15366 15465 15796
Neste contexto, cabe fazer várias perguntas. Qual a margem para proceder à melhoria
da vida das pessoas? Como se espera proceder a um alívio sequer da lógica da
austeridade? A manter-se esta situação haverá esperança de acabar com a austeridade
e os cortes? A sua continuidade não inviabilizaria ainda mais, nos próximos anos a
existência de grande parte dos residentes em Portugal? E se assim fosse, continuaria
toda a dívida a ser tomada como legítima? Em que sistema de valores, que não os da
barbárie e do genocídio isso se enquadraria?
A adopção, em setembro, de novas regras de contabilização europeia conduzirá à
inclusão na dívida pública18 da Parpública e das suas próximas – com destaque para a
célebre Parvalorem – bem como das EPE e alguns dos preciosos reguladores, cuja
atuação consiste em ajudar os grandes grupos económicos. O aumento daí resultante
colocará a dívida nuns € 242000 M (cerca de 147% do PIB). Assim, as responsabilidades
financeiras daquelas entidades já hoje contidas na esfera estatal, ao serem
consideradas no âmbito do escrutínio da dívida pela UE, irão acrescer a pressão sobre
as finanças públicas e, como é habitual, aumentar a pressão governamental, da
Comissão Europeia e do BCE (a troika fechará a loja em maio) para novos cortes e
impostos sobre trabalhadores, reformados e funcionários públicos. Esse reajuste
contabilístico irá, portanto, piorar os indicadores da dívida pública e incentivar ao
reajustamento em baixa, dos salários e demais rendimentos da maioria da população.
A austeridade futura será certamente mais pungente do que a recente e, até ver,
encontrará a mesma raiva resignada entre os portugueses, sem expressão política.
Para que o cumprimento desta hipótese se verificasse, a taxa de crescimento da
economia portuguesa teria de superar a parcela do PIB associada à punção do serviço
de dívida. Isso significa que até 2021 o PIB teria de crescer acima da taxa de esforço
inserta no gráfico 1 e que só a partir de 2019 poderia ser inferior a 10%. Estas taxas são
excepcionais, mesmo no contexto chinês, onde o PIB consegue subir desse modo
devido à construção de cidades que ninguém habita (em Espanha também se observou
isso mesmo, em menor escala) e uma pulsão exportadora só possível com baixos
salários, jornadas de trabalho extensivas, curtos períodos de férias, deficientes
condições de trabalho e habitação, trabalho clandestino e desprezo pela qualidade do
ambiente. É pouco provável que Portugal se transforme numa região especial chinesa
mas, é claro que está em curso a sua transformação numa área periférica de baixos
salários, vocacionada para exportações de menor valia para o Centro da UE19.
Nem Passos, com o seu habitual misto de desplante e ignorância será capaz de afirmar
que algo semelhante será possível.
Neste cenário considera-se o fiel cumprimento do plano de amortizações da dívida de
médio ou longo prazo divulgado pelo IGCP (ver o anexo) para o período 2014/21, com
recurso parcial a nova dívida, no valor equivalente a metade dos montantes de
É comum os Estados procederem a operações de obtenção de crédito para pagamento
de outros créditos com vencimento breve ou condições mais onerosas, com o eventual
pagamento de comissões, lateralmente. Na operação de troca de dívida realizada em
dezembro último, o governo, para adiar pagamentos a efetuar em 2014/15 (anos de
eleições…) para 2017/18 pagou € 134 M de incentivos aos titulares dos créditos20
Para além das vantagens que estas operações possam ter do ponto de vista da gestão
da tesouraria, qualquer alongamento de prazos, mesmo sem alteração na taxa de juros
e outros encargos a pagar, envolve aumento no serviço de dívida acumulado21
A realidade no período de três anos - 2011/13 - considerados no gráfico 2, evidencia
que as novas dívidas preponderaram sobre as amortizações de outras, mais antigas,
não sendo muito visíveis os benefícios da omnipotente troika e do indigente governo
Do ponto de vista de quem “não quer ser caloteiro” é uma má opção porque vai
alargar o período de dívida e de juros a pagar e manter intacta a subordinação aos
http://www.ionline.pt/artigos/dinheiro/estado-da-premio-134-milhoes-euros-investidores-aceitaramtrocar-divida/pag/-1
credores. Do ponto de vista de quem nada tem a ver com a dívida e que é coagido a
pagá-la à custa do sacrifício da sua qualidade de vida, poderá constituir um alívio
momentâneo na degradação daquela22, embora de facto, vá incorrer num aumento dos
juros a pagar e um alargamento indefinido do tempo de sacrifícios.
Mesmo com um esforço financeiro muito menor do que a opção contemplada na
Hipótese I, o crescimento anual exigido para o PIB, para o cumprimento desse plano
(gráfico 3) continuaria a ser muito elevado (entre 6.6 e 8.5%), quedando-se a dívida
contabilizada pelo IGCP no final do período, em cerca de € 155000 M. A redução da
amortização de capital, com transferências para depois de 2021 – como ensaiado pelo
governo em 11 de fevereiro - constitui um alívio mas, é parcialmente compensado
próximo de ¼ da dívida atual) não é realista que se consigam taxas de crescimento
como as aqui obtidas; continuaríamos supondo um cenário de economias como a
chinesa ou de alguns países africanos. Esse crescimento é irrealista para mais com uma
população em envelhecimento rápido devido ao volume dos chamados “baby
boomers” e ao enorme fluxo de saída de jovens, sem oportunidades de trabalho
decente em Portugal, onde prepondera um empresariato descapitalizado, viciado em
apoios estatais e tão incapaz quanto cúpido e historicamente gerador de
subdesenvolvimento23.
governamental - Hipótese II
Um exemplo como este, moderado quanto a exigências efetivas de amortização de
dívida, admite uma descida do valor global da dívida o que não tem sido conseguido,
mesmo com as rédeas da governação seguras pela troika, com a execução de um
extenso plano de cortes e com o rebaixamento dos padrões de vida para a esmagadora
Se, pelo contrário, qualquer governo vigente não continuar a aplicar as mesmas doses de austeridade
para apoiar o empresariato luso, sedento de trabalho mal pago e benefícios fiscais; que será o mais
empobrecimento relativo. Os cálculos para esta hipótese que envolvem um alívio nos
pagamentos da dívida, comparativamente à Hipótese I, de pagamento acelerado,
evidenciam também a estagnação do rendimento médio previsível para os residentes
em Portugal; e convém não esquecer que nisto de médias, há sempre quem coma uma
galinha inteira a ver alguém de barriga vazia para que, em média, haja uma capitação
de meia galinha. E evidencia-se ainda que uma reestruturação da dívida, como uma
renegociação entre cavalheiros com o sistema financeiro – a existir - não traz
resultados para a vida de cada um de nós.
Disponível após serviço de dívida 15077 15243 15311 15346 15501 15823 15941 16176
Este caso mostra, com uma quantificação meramente exemplificativa, uma
continuidade do que o governo tem feito na prática, que é uma reestruturação da
dívida, no âmbito do “mercado” sem qualquer renegociação formal com os credores.
Joga com prazos de pagamento, substituição de títulos, nem sempre com resultados
interessantes em termos de taxas de juro; é o que se chama empurrar o problema com
a barriga ou, em termos futebolísticos, o alivio da pressão do adversário, chutando
Esta terceira hipótese configura-se pela reformulação do plano de amortizações da
dívida de médio ou longo prazo divulgado pelo IGCP (ver o anexo) para o período
2014/21, para um período de 30 anos (até 2044).
Esta é mais uma saída que nada altera a correlação de forças entre a multidão e o
capital; é uma saída que não golpeia o capital, que mantém a renda do sistema
financeiro, constituída pelos juros e que mantém o torniquete da austeridade sobre a
população. É mais uma forma de pacífica rendição aos ditames do capital que
benevolamente aceitaria a dilatação do prazo de pagamento que, eventualmente,
arrostaria com maiores taxas de juro, dada a incerteza dos “mercados de capitais”, a
menor disponibilidade dos capitais mutuados e loas semelhantes. Aliás, Passos já
admitiu que a dívida irá durar 20/30 anos a pagar24, pelo que nesta hipótese simulamos
uma versão incluída na franqueza da repelente figura.
Presumimos neste caso que a economia portuguesa continuará a estar polarizada no
cumprimento do serviço de dívida e que não precisará do recurso a nova dívida
durante os próximos 30 anos; embora seja de todo inverosímil, ajuda à compreensão
dos custos financeiros e sociais da dívida atual. Nesse reescalonamento inclui-se
apenas o montante dos atuais compromissos para 2014/21 dividindo o seu montante
global por 30 anos, dando-nos o IGCP a informação sobre a dívida a liquidar depois
Esta distribuição da dívida de longo prazo por um prazo de 30 anos reduz o esforço a
exigir para a sua liquidação, em 2014/21, uma vez que se reduz a amortização ficando
os juros com uma pequena variação face à Hipótese II. No entanto, esta terceira
simulação, exigiria um crescimento do PIB acima dos 6%, sendo de recordar o seu
prolongamento até 2044!
governamental - Hipótese III
Não é de todo plausível um crescimento económico tão elevado por um período tão
longo, pelo que mesmo esta hipótese de reescalonamento, com alguma
admissibilidade na ala esquerda do sistema político português, não é viável do ponto
de vista económico, é desastroso socialmente e, politicamente, é indefensável. A visão
do rendimento disponível após o cumprimento do serviço de dívida condena os
residentes em Portugal à estagnação económica, o que tem impactos ainda mais
gravosos para a população trabalhadora, vítima da atuação do sistema político que
induz à manutenção ou agravamento das desigualdades e à acumulação de riqueza em
torno dos segmentos mais elevados do capital.
Disponível após serviço de dívida 15289 15433 15577 15722 15868 16016 16164 16314
Se os rendimentos gerados por uma economia, no mínimo, em estagnação são
desviados para pagar aos credores, mormente às instituições financeiras, o que sobrar
evitará ou reduzirá a destruição de muitas empresas ou o desemprego? Estancará as
reduções de salários e direitos, como projetados em permanência pelo governo?
Nas hipóteses anteriores, de continuidade à situação atual, considerou-se que a
prioridade do desempenho da economia é o pagamento aos “nossos credores”, para
um conveniente presença nos “mercados”; e verificou-se que em nenhuma se divisa
qualquer possibilidade de atingir esse “patriótico” desiderato. A ansiedade nas hostes
governamentais é tanta que caem na mais infantil propaganda quanto ao estado da
economia; é o desemprego que se reduz, o emprego que aumenta, o PIB que cresce, a
exportação que dispara… O delírio até pode surgir de um ministro que, bebidas umas
boas canecas, fala de milagre económico, tal como Nero cantava os seus poemas
perante uma Roma em chamas.
A satisfação das imposições dos credores não tem de ser, de modo algum, a
prioridade. A aceitação do Memorando de Entendimento ou das suas várias revisões
pelos governos, foi efetuada por gente submissa, domesticada pelo sistema financeiro,
através de um pacto leonino, onde subjaz uma evidente chantagem. Quem assinou
esses textos, não obteve um prévia aceitação por parte da população, que deveria ter
sido consultada dado o seu enorme e desastroso impacto sobre a sociedade. As
imposições da troika tornaram-se um guia de desconstrução social regressiva que, de
facto, substituiu a Constituição. E, nem sequer, esses signatários partidários incluíram
esses enormes sacrifícios nas suas agendas eleitorais, em 2011, pelo que os seus actos
se podem considerar de flagrante ilegitimidade, confirmando assim que vivemos num
estado de paródia democrática.
Em condições de normalidade ninguém aceita ser devedor de um empréstimo do qual
não recolhe qualquer benefício, se, pelo contrário o onera e empobrece. Num contrato
de mútuo, o credor tem direito a juros mas, não o de interferir em toda a vida própria
do devedor, de lhe demarcar os lugares onde pode colocar os pés; a não ser que o
devedor se assuma como insolvente e se prontifique a uma situação de escravidão.
O artigo 55º da Carta das Nações Unidas25 estatui que «com o fim de criar condições de
estabilidade e bem-estar, necessárias às relações pacíficas e amistosas entre as
Nações, baseadas no respeito do princípio da igualdade de direitos e da
autodeterminação dos povos, as Nações Unidas promoverão: a) A elevação dos níveis
de vida, o pleno emprego e condições de progresso e desenvolvimento económico e
social; b) A solução dos problemas internacionais económicos, sociais, de saúde e
conexos, bem como a cooperação internacional, de carácter cultural e educacional.».
Sendo o FMI uma agência da ONU e não cumprindo este preceito, age de forma
ilegítima. Por outro lado, pelo disposto no artigo 56º do mesmo diploma, «para a
realização dos objectivos enumerados no artigo 55º, todos os membros da
Organização se comprometem a agir em cooperação com esta, em conjunto ou
separadamente.» A questão neste ponto é saber qual o poder efetivo da ONU, face ao
O artigo 103º da mesma Carta estatui que «no caso de conflito entre as obrigações dos
membros das Nações Unidas em virtude da presente Carta e as obrigações
resultantes de qualquer outro acordo internacional, prevalecerão as obrigações
assumidas em virtude da presente Carta». Daqui se deduz que “os actos de submissão
à troika assinados por governos e oposições são ilegais”, bem como os resultantes do
caráter submisso dos mandarins portugueses para com o sistema financeiro global.
Um outro diploma, o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP),
determina no seu artigo 1º que «todos os povos têm o direito à autodeterminação. Em
virtude deste direito estabelecem livremente a sua condição política e, desse modo,
Todas as referências que se seguem a dispositivos legais contidos em instituições internacionais foram
organizadas por Rui Viana Pereira, http://cadpp.org/node/144
providenciam o seu desenvolvimento económico, social e cultural.» Como se tem visto,
não há e nem vai haver qualquer soberania portuguesa na área financeira, que passará
a ser determinada pela Comissão Europeia e pelos seus executantes lusos.
Finalmente, o artigo 1º do Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e
Culturais dispõe que «todos os povos têm o direito a dispor deles mesmos. Em virtude
deste direito, eles determinam livremente o seu estatuto político e asseguram
livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural.”
Considera-se que a satisfação das necessidades dos povos, mormente da sua
população trabalhadora, constitui o elemento supremo na definição dos objetivos de
uma comunidade. A existência de um Estado, de uma classe política e de capitalistas é
sempre um estorvo e isso é bem evidente em todos os processos de empobrecimento
coletivo a que se assiste nos últimos anos, bem como à ausência de escrúpulos dos
que se dizem representantes empenhados na defesa de milhões de pessoas.
Qualquer solução que contemple prioritariamente a satisfação das necessidades dos
residentes em Portugal, passa por uma declaração de não pagamento da dívida atual –
e à qual se estará para se lhe somar uma fatia substancial – a que se lhe seguirá uma
Convirá ter presente que a defesa da anulação de parte da dívida exige uma posição
negocial forte, que contemple as reivindicações necessárias para uma digna
sobrevivência das pessoas que residem em Portugal. Essa posição nunca sairá do atual
governo ou de um seu alter ego encabeçado pelo PS; nem de qualquer atitude
protagonizada pela faixa esquerda do pentapartido, mesmo engrossada com os
estéreis grupos que se perfilam na conquista de lugares em Estrasburgo.
A contestação exige um ordenamento político muito distinto do atual em Portugal,
bem como uma mobilização social muito grande, para além de uma conveniente
concertação com os outros países acossados pela intervenção da troika; que nunca
existiu até agora, a despeito da grande proximidade ideológica entre os gangs no
poder em Portugal, Espanha, Itália, Grécia, Chipre e Irlanda.
Uma avaliação realista e atualizada (com a inclusão de dívida relativa a empresas
públicas, responsabilidades no âmbito de PPP e outros26) da dívida pública e da sua
composição27 é a que consta no gráfico seguinte.
29.3% do total (€ 72051 M) é detida pelo FMI, pelo Fundo Europeu de
Estabilidade Financeira (FEEF) e pelo Mecanismo Europeu de Estabilização
Financeira (MEEF)
O peso do reembolso desta dívida só se fará sentir com mais dor a partir de 2016. A
experiência internacional mostra que o FMI só em casos especiais concede perdão de
dívidas – Haiti e Libéria, como resultado do terramoto e da guerra, respetivamente –
embora tenha chegado a propor à UE um perdão de dívida grega28, numa rara
expressão pública da gravidade da situação. No âmbito das instituições europeias um
perdão de dívida não terá acolhimento junto dos governos e mesmo das populações
dos países do Centro comunitário, com relevo para a Alemanha.
Não é de excluir a redução das taxas de juro, embora o FMI e a UE logo viessem a
sentir uma pressão para que o benefício atingisse todos os países intervencionados.
Em junho de 2011 os FEEF/MEEF reduziram os juros para o equivalente aos seus custos
de financiamento (eram inicialmente 2% acima), tendo ficado em 2.4% (FEEF) e 3%
(MEEF). No contexto de um hair-cut de um país em francos apuros, uma redução na
taxa de juro teria efeitos também no custo de refinanciamento dos bancos portugueses
e do crédito obtido pelas empresas (6.2% de taxa de juro, contra 3.8% na média da
zona euro) para mais, tradicionalmente com elevado peso da função financeira no valor
acrescentado. Seria até interessante e eventualmente cairia bem nas instâncias
credoras que o valor correspondente ao perdão de juros ficasse afeto a investimentos
de caráter social e não à disposição do capital financeiro ou de gangs partidários.
http://www.publico.pt/economia/noticia/fmi-avisa-zona-euro-que-vai-ter-de-perdoar-parte-doemprestimo-a-grecia-1601897
Numa visão de longo prazo, poderá obter-se um reescalonamento da amortização da
dívida, aliviando a sua relevância no total dos reembolsos no período 2016/21. Em
junho de 2013 o binómio FEEF/MEEF estendeu o prazo de pagamento, de 12.5 para
19.5 anos, com início dos reembolsos a partir de 2025. No que respeita à dívida para
com o FMI (€23873 M), cujo reembolso se concentra entre 2015 e 2023, pode encararse um reescalonamento, por exemplo para 20 anos (€ 1194 M por ano).
Poderá contudo, defender-se que as contrapartidas para este empréstimo não se
cingiram ao pagamento de juros mas que incluiram medidas desastrosas e desastradas
em função dos objetivos declarados no âmbito do Memorando, incluindo uma parcela
de € 12000 M para a recapitalização dos bancos lusos, cuja responsabilidade deveria
responsabilidades à população. Os custos sociais e económicos da desestruturação
motivada pela troika, bem evidentes que não para os seus mandatários locais, deverão
ser imputados ao FMI e à UE, como outorgantes do tal Memorando.
9.5% da dívida resulta das compras efetuadas pelo BCE (€ 23100M) no mercado
O BCE poderá anular esta dívida uma vez que a sua intervenção se enquadrou,
essencialmente na defesa da estabilidade do euro e não especificamente para ajudar a
vida aos portugueses. Como banco central, essa anulação não teria efeitos que não os
intervencionados, no seio de uma conveniente concertação dos interessados. A defesa
do não pagamento desta fatia insere-se, neste momento, na contestação da justiça
alemã, à afirmação de Draghi, sobre o apoio sem limites aos países endividados, para
salvar o euro.
Note-se que é relativo a Portugal que o BCE detém a maior fatia de dívida pública,
ligeiramente acima da Grécia.
8.9% (€ 21450M) estão titulados por bilhetes do Tesouro português
São títulos de curto prazo com taxas de juro baixas29 subscritos por entidades sem
outro fito que não a do jogo especulativo, sem quaisquer contrapartidas a exigir ao
Estado português. Os bancos portugueses detêm perto de metade deste tipo de dívida
(€11700 M). Tratando-se de dívida de curto prazo, não é objeto de reescalonamentos
8.9% (€ 21450M) inclui dívida não consolidada de empresas públicas ou que nem
tem estado contemplada pelo IGCP no montante oficial da dívida. A sua inclusão a
manobras de desorçamentação30.
Nos processos de recuperação de empresas, as instituições devedoras, são
habitualmente chamadas a reduzir substancialmente os seus créditos. Já que está tão
na moda a equiparação entre Estado e empresas, no contexto da gestão neoliberal, a
solidariedade destes credores é mesmo de considerar no contexto de um hair-cut da
Neste volume estão incluídas empresas de transportes e, particularmente, a famosa
Parpública que tem uma dívida de uns € 5100 M, as suas afiliadas, Sogestamo e
Estamo, produto da chamada “empresarialização” de funções do Estado, a qual permite
a obscuridade da desorçamentação, a “agilização dos processos” na gestão e a
colocação de mandarins como gestores bem pagos, fora dos quadros da administração
pública comum.
Estarão aqui englobadas também as PAR’s (Parvalorem, Parups e Parparticipadas) todas
pertencentes ao Estado e que funcionam como bad banks onde repousam os restos do
BPN; os quadros de Miró, por exemplo mas também, muitos incobráveis. Neste âmbito
e numa operação de reparação tardia da burla que foi a nacionalização do BPN pelo
governo Sócrates (que não englobou a SLN) há toda a legitimidade na expropriação do
grupo Galilei, cirurgia plástica da SLN, para colmatar o peso dos tóxicos herdados do
BPN e armazenados nas referidas PAR’s.
14.3% da dívida total (€ 34650 M) correspondentes a títulos, valores em atraso,
responsabilidades no âmbito das PPP e dívida não transacionável
Também aqui o hair-cut se pode fazer sentir de modo extensivo. No caso dos
beneficiários de PPP, a dívida é da ordem dos € 16000 M (€ 11000 a pagar até 2021)
mas, a sua situação é bastante frágil pois os contratos de concessão configuram
situações de verdadeiras fraudes, no âmbito das quais cabem responsabilidades
criminais e financeiras de quem os assinou por parte dos governos. Nada deve obstar a
que sejam anulados ou que as empresas concessionárias sejam objeto de expropriação,
se em Portugal existirem instituições verdadeiramente democráticas, emanadas do
No capítulo dos certificados de aforro (€10000 M em finais de 2013), a grande maioria
dos seus subscritores são pessoas que confiaram ao Estado as suas pequenas
poupanças e não capitalistas, gananciosos e especuladores; a não ser em casos em que
os subscritores tenham enormes fortunas em certificados de aforro, o que é pouco
29.3% da dívida (€ 70950 M) tem entidades privadas como credores
A parcela correspondente a bancos não domésticos era em junho de 2013 de € 9800 M
e a dos bancos domésticos é da ordem dos € 15600M.
Os bancos portuguesas têm as maiores responsabilidades, quer na desestruturação da
economia portuguesa, quer no desenvolvimento da corrupção sistémica31 –
população relativamente estável, pela especulação dos preços da habitação32, pelo
aproveitamento dos baixas taxas de juro desde meados dos anos 90, sem aplicação
produtiva33, pelo modo como monitoraram a classe política (juntamente com as
empresas do regime da área da construção) para a concretização de obras públicas
excessivas ou inúteis, na concessão de benefícios fiscais para o efeito e uma fiscalidade
socialmente tão distorcida quanto permissiva de fraude e evasão34.
Por outro lado e para além deste consolidado cadastro, os bancos portugueses, depois
do processo de empobrecimento em curso, pouco alteraram o seu nocivo
comportamento. O BCE contribuiu com financiamentos de longo prazo no equivalente
a cerca de 9% das ativos dos bancos portugueses; porém, eles aplicaram, obviamente,
esses meios na especulação (incluindo sobre a dívida soberana portuguesa) e não na
chamada economia real. Seria, aliás, candura esperar que os bancos viessem ajudar
empresas cujo excessivo endividamento promoveram nas últimas décadas, num
contexto de regressão económica e de encolhimento do poder de compra.
Em finais de 2012, o total das provisões constituídas pelo sistema bancário português
era de € 9657 M e os seus capitais próprios correspondiam apenas a 6.2% do ativo,
situação que em qualquer outro setor de atividade é impensável mas, que na banca
não é tomado como um indicador alarmante. Isto significa que a banca pode contribuir
para um hair-cut no equivalente ao seu total de provisões; a partir daí ou os acionistas
procederiam a entradas para colmatar o diferencial ou, haveria uma expropriação, com
gestão coletiva do sistema bancário, o que certamente, teria de ser precedida de uma
grande transformação política e económica em Portugal e na Europa; ou, pelo menos
na Ibéria, uma vez que uma saída nacionalista ou isolacionista para a crise é pouco
viável e mesmo inconveniente porque traria no seu bojo um retorno a um novo
O cumprimento dos critérios de Maastricht permitia uma dívida pública não superior a
60% do PIB35 e isso, foi incorporado na al. d) do artº 3º do Tratado sobre Estabilidade,
Coordenação e Governação.
Nesse contexto, os € 242000 M de dívida que se têm vindo a considerar neste ponto,
para o ano corrente, terão de se comprimir para atingirem uns € 100000 M apenas; isto
é, há pelo menos uns € 142000 M a anular para terminar a supervisão financeira da
Comissão Europeia, estabelecida no Tratado acima referido e que atualmente se antevê
Um ensaio para um hair-cut exemplificativo de cerca de € 142000 M para uma dívida
pública inferior a 60% do PIB, poderá ter o seguinte contorno:
Nível de “hair-cut”
Valor a anular
http://www.slideshare.net/durgarrai/a-dvida-dvida-de-pessoas-e-empresasa-dvida-de-pessoas-eempresas-a-dependncia-eterna-a-dependncia-eternaa-de-pessoas-e-empresas-a-dependncia-eterna
Para a restante dívida podem considerar-se três variantes, tomando-se para todas elas
que 2014 não tem grandes alterações face às hipóteses de continuidade:
A - Amortização da dívida de € 100000 M em 30 anos com uma taxa de juros
média semelhante à registada para o ano em curso (3.69%);
B - Amortização da dívida de € 100000 M em 30 anos com uma taxa de juros
média reduzida a 2.5%;
C - Amortização da dívida de € 100000 M em 50 anos com uma taxa de juros
média reduzida a 2.5%,
assumindo-se, como nos casos anteriores, que não há recursos a créditos de médio ou
longo prazo que conduzam a aumentos líquidos da dívida ou a redução do ritmo do
seu abate.
governamental - Variantes hipótese IV
Variante - A
Variante - B
Variante - C
Disponível após serviço de dívida 14517 15999 16136 16274 16413 16553 16695 16837
Disponível após serviço de dívida 14517 16071 16208 16345 16483 16622 16763 16904
Disponível após serviço de dívida 14517 16174 16308 16443 16580 16717 16855 16995
Como se pode verificar com este exercício, mesmo com o cumprimento das regras
comunitárias após um extenso hair-cut da dívida, torna-se exigível um crescimento
sustentado da formação de rendimento, durante décadas e apenas para o pagamento
da dívida sobrante, o que contrastará com o anémico ritmo de criação de riqueza a
nível europeu e as desigualdades que o acompanham. Mesmo neste contexto otimista
em termos de finanças públicas, esse crescimento do PIB não permite ilusões sobre
uma saída do empobrecimento ou a geração de algum bem estar para os residentes
em Portugal, como se evidencia acima, para os níveis estimados da capitação do
rendimento disponível.
A própria concretização de um plano extenso de hair-cut não é fácil de ser
conseguido, sobretudo com governos de base PSD/PS, com ou sem o adereço
Portas e os seus ajudantes de campo. Essa concretização exigirá a sua desaparição
de cena e um novo quadro de organização política democrático onde a população
possa intervir e ser sujeito ativo na definição dos seus interesses;
Esse extenso plano de duro confronto com o capital financeiro e as suas
instituições – FMI, BCE, Comissão Europeia… - tem menores possibilidades de êxito
se restrito a um pequeno e periférico país, empobrecido e subalterno, por muito
que isso excite nacionalistas saudosos de Aljubarrota, fronteiras e hinos patrióticos.
É determinante que haja mudanças substantivas, no mesmo sentido democrático e
de repúdio pelo sistema financeiro e suas instituições, no seio de vários países,
mormente nas periferias Sul e Leste da UE; para Portugal será essencial a conexão
com Espanha;
A consolidação dessas alterações no ordenamento político interno e sua integração
Uma profunda alteração das desigualdades36 tem de ser radical para ser coerente,
duradoura e imune a golpes de uma classe política que se pretende ficar apenas
nos livros de História, como fruto das mudanças na organização política e do
sistema de representação;
Essa radicalidade deve corresponder a um claro repúdio do capitalismo e portanto,
extinguir a especulação financeira e a apropriação privada do produto do trabalho,
centrando a atividade humana na satisfação das necessidades de todos e de cada
um, de forma auto-gestionada, retirando partido das imensas capacidades que as
tecnologias e o trabalho coletivo em rede, permitem no capítulo da produtividade.
Se os conhecimentos científicos e técnicos admitem que o planeta possa suportar a
vida de 12000 M de seres humanos de modo equilibrado em termos de
sustentabilidade ambiental, é possível reduzir substancialmente o tempo de
trabalho de todos para todos.
De acordo com os dados do IGCP publicados em 20 de janeiro último, o plano de
amortização da dívida pública de médio e longo prazo apresentava o seguinte perfil:
EUR mil milhões / EUR billions
operacionalizada próximo da respetiva data de amortização original), m as não se espera que Portugal venha a ter de
refinanciar qualquer em préstim o do MEEF antes de 2026. / The final maturity date of the EFSM loans in orange is still not
Considera-se apenas o período 2014/2021 que, como se vê, se encontra
particularmente sobrecarregado nas previsões do governo;
O PIB em 2012 foi da ordem dos € 165409 M e o orçamento aprovado para
2014 considera para 2013 uma quebra de 1.8% mas, já um optimista
crescimento de 0.8% para o ano em curso. Vamos aceitar, para efeitos do
exercício, essas previsões e admitir que o crescimento do PIB para o ano
corrente se vai repetir até… 2021.
162432 163731 165041 166361 167692 169034 170386 171749 173123
É de todo duvidoso que assim venha a ser, dado o habitual optimismo
enganador do governo e da troika, onde ressalta mais a manipulação política
do que o rigor técnico. Por outro lado, a previsão económica, sobretudo dada a
preponderância atual dos mercados financeiros, tornou-se um verdadeiro
exercício de futurologia, para mais quando incide sobre um prazo de sete anos;
e isso, quando se sabe que instituições especializadas como o FMI, o Eurostat
ou a OCDE, raras vezes não procedem a regulares correções das suas previsões,
mesmo as de curto prazo. A previsão económica objetiva, misturada com a
manipulação política para enganar eleitores e a população em geral, para
fomentar a “confiança” dos investidores e empresários ou ainda para beneficiar
os resultados das “goldman sachs”, instala-se bastante nos domínios de
monsieur de Nostradamus ou no determinismo saído de um baralho de tarot;
Os juros e encargos com a dívida previstos no orçamento para este ano são de
respetivamente. Admite-se neste exercício que os juros e encargos para os
anos que se seguem incidirão, de modo proporcional ao previsto para o ano
em curso sobre a dívida remanescente, após os pagamentos que incorporam as
hipóteses consideradas. Isso significa que se toma como constante a dívida de
curto prazo, não considerada no plano governamental de amortizações mas,
cujos juros estão, naturalmente incluídos nos números acima referidos.
De qualquer dos modos colocamos em seguida uma estimativa independente
sobre as necessidades de financiamento de curto prazo
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 artigo 103
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