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Timestamp: 2018-03-20 18:28:19+00:00

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Financeiro 94 - Outubro 2015 by Acrefi - issuu
O Brasil que Nós Sonhamos Delfim Netto
SIAC reúne grandes nomes da Economia e do Direito para analisar e buscar caminhos para o futuro do País Octavio de Barros “Com uma reforma da previdência, o risco Brasil se reduziria uns 150 pontos básicos, no ato”
5 Editorial 10 10o SIAC
Acrefi reúne grandes nomes em busca de novos caminhos para Brasil
12 Entrevista do mês Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Macroeconômicos do Bradesco
18 Recuperação de crédito 24 Economia Verde 26 Inovação:
30 Executivo Sergio Odilon dos Anjos,
sócio da Consultoria Comportamental
12 Luiz Rabi: economista da Serasa Experian
30 Escreva o seu e-mail, faça seu comentário: acrefi@acrefi.org.br
24 Rodomarque Tavares Meira: coordenador do Desuc (Banco Central)
outubro/novembro 2015 financeiro
34 Mídia Alexandre Caldini Neto, presidente da Editora Abril
44 Painel Cetip 46 Supermáquinas
Bicicletas com pedigree
Academia B-Active
54 Cultura Museu do Café
57 Happy hour
4 financeiro outubro/novembro 2015
Artigos 22 Milton Luiz de Melo Santos 23 Denise Campos de Toledo 28 Geraldo Coelho 29 Aquiles Leonardo Diniz 32 Marcos Braga e Marcelo Teixeira 38 Rodrigo Romero 41 Tiago Severo Gomes 58 Nicola Tingas
“Pacto da Alvorada” a hora é agora
fazer um diálogo entre odos os dias, sem partidos políticos, sindiexceção, lemos e catos e empresários que, ouvimos notícias depois de muito debate, que mostram a deterioconseguiram um pacto. O ração da situação política resultado não poderia ser e econômica do Brasil. O melhor: a Espanha tornouquadro, que há meses traz -se em uma referência de tanta apreensão, mostra democracia e um país com clareza que o país desenvolvido do ponto de caminha para um impasse, vista econômico e social. com a piora de um cenário Nossa tese é que o que a cada momento (ou a Brasil deve partir para cada dia) mostra-se mais um acordo nessa linha, e mais turbulento. que seria o “Pacto do Apesar de toda a carga Alvorada”. Vozes do negativa que essa situaÉrico Sodré Quirino Ferreira: empresariado têm defenção carrega, no entanto, presidente da ACREFI dido acordos semelhano momento não pode ser tes, mas na maioria dos de desânimo. Ao contrário. Vivemos uma situação em que é preciso casos se esquecem de que, para dar certo, achar saídas, usar a criatividade, arregaçar um acordo dessas dimensões deve obrias mangas e partir para a ação. Um país que gatoriamente envolver todos os segmentos já viveu situações piores do que a atual e que importantes da sociedade. Pouco ou nenhum conseguiu dar a volta por cima não pode se valor teria um pacto restrito aos líderes polídar por vencido. Os períodos anteriores de ticos, como chegou a ser proposto. É obrigacrise nos mostraram que é preciso reagir tório que tenhamos, no “Pacto do Alvorada”, nas situações adversas e o Brasil já mostrou o envolvimento de todos os setores com várias vezes que tem capacidade e criativi- representatividade suficiente para evitar que dade para vencer esses obstáculos que, a o acordo caia no vazio. Não é fácil chegar ao “Pacto do Alvorada”. princípio, parecem intransponíveis. Levando em conta essas constatações, Mas também não há outra saída para o ganha importância a ideia lançada neste impasse que o Brasil vive. Temos certeza espaço sobre a necessidade de o Brasil fazer de que há disposição para o diálogo, sem um grande pacto, de alcance nacional, em intransigência nem “cláusulas pétreas”. No que todos os setores importantes da socie- entanto, não pode haver demora. Esse camidade devem se sentar à mesa para discutir nho precisa começar a ser trilhado agora, as saídas para a atual crise. Esse diálogo até porque está claro para todos nós que, terá que ter como pressuposto a disposição sem o pacto, estaremos condenados a conde todos abrirem mão de seus direitos em viver com um cenário de piora constante, benefício do bem maior, que é a volta do País que trará um resultado imprevisível, mas certamente pouco animador. aos trilhos. Então, este é o momento de fazer o “Pacto Como exemplo histórico de um grande acordo como esse, temos lembrado o Pacto do Alvorada”. Não podemos mais esperar. de Moncloa, firmado na Espanha em 1977. Esta é a hora de começar a construir “O Naquela ocasião os espanhóis viviam o fim Brasil que nós sonhamos”, não por coincidêndo franquismo e a transição para uma monar- cia o tema do nosso próximo SIAC (Seminário quia parlamentarista. Como a mudança impli- Internacional da ACREFI), que acontecerá em cava grandes transformações, decidiu-se novembro. f outubro/novembro 2015 financeiro
Inscrições gratuitas: www.acrefi.org.br Palestrantes Delfim Netto Economista, professor e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento Joaquim Barbosa Ex-procurador da República e ex-ministro do STF, presidente da corte entre 2012 e 2014 Eduardo Giannetti da Fonseca Economista e cientista social formado pela USP e PhD em Economia pela Universidade de Cambridge James Conrad CEO da TNS Brasil, profissional com mais 23 anos de experiência em pesquisa de mercado e opinião Patrocínio
ISSN 1809-8843 Publicação da acrefi – Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento Rua Líbero Badaró, 425 – 28°andar – São Paulo – SP Tel: (11) 3107-7177 fax: (11) 3106-6082 – www.acrefi.org.br Presidente Érico Sodré Quirino Ferreira Vice-presidentes Aquiles Leonardo Diniz, Décio Carbonari de Almeida, Élcio Antonio Azevedo, Felicitas Renner, Fernando Marsella Chacon Ruiz, José Luiz Acar Pedro, Leonardo Marcondes Dadalto, Mauro Roberto Vasconcellos Gouvêa e Rubens Buttion Diretor Tesoureiro José Garcia Neto Diretores regionais Carlos Alberto Samogim, Edmar Casalatina, Eliseu Colman, Leonardo Bortolini, Luis Eduardo da Costa Carvalho, Marcos Rosa e Paulo Henrique P. Guimarães Diretores executivos Alexandre Teixeira, Gabriel José Gama Ferreira, João dos Santos Caritá Júnior e Ronaldo Rondinelli Montadoras Edson Fróes Castilho, Edson Tadashi Ueda, Eduardo Tavares Nobre Varella, Gunnar Alejo Ramos Murillo, Joelcyr Carmello Filho e Nelson Dias de Aguiar Diretores conselheiros José Carlos Alves, Ricardo Janini e Roberto Jabali Conselho consultivo Alkindar de Toledo, Manoel de Oliveira Franco e Ricardo Malcon (membros natos); Alarico Assumpção Júnior, Alencar Burti, Décio Carbonari de Almeida, Gilson Finkelsztain, Ilídio Gonçalves dos Santos, Luiz Tavarez e Miguel José Ribeiro de Oliveira (membros) Conselho fiscal Domingos Spina e Sérgio Darcy (efetivos) e Geraldo Lima Wandalsen (suplente) Diretor superintendente Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho) Controller Carlos Alberto Marcondes Machado Consultora Jurídica Lívia Esteves Economista-chefe Nicola Tingas Assessoria contábil AG Silveira Contabilidade Assessoria de imprensa Tamer Comunicação Empresarial
8 financeiro outubro/novembro 2015
nossasassociadas AGIPLAN FINANCEIRA S.A. - CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO AGORACRED S.A. SOCIEDADE DE CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. BANCO A.J. RENNER S.A. Banco Bonsucesso S.A. BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. BANCO CACIQUE S.A. BANCO CBSS S.A. BANCO CETELEM S.A. BANCO CSF S.A.
BANCO DAYCOVAL S.A. BANCO DO BRASIL S.A.
Banco Honda S.A. BANCO INTERMEDIUM S.A. BANCO ITAÚ UNIBANCO S.A. BANCO ITAUCARD S.A. Banco Losango S.A. BANCO PAN S.A. BANCO PAULISTA S.A. BANCO PSA FINANCE BRASIL S.A.
Esperança RESPONSÁVEL Grandes nomes da Economia e do Direito vão se encontrar no dia 11 de novembro, em São Paulo, no 10o SIAC, tradicional evento organizado pela ACREFI, para expor seus pontos de vista sobre o futuro do Brasil. Inscreva-se
uando nos aproximamos de novembro, o mercado financeiro se prepara o para o SIAC (Seminário Internacional ACREFI), o evento mais significativo da comunidade brasileira de negócios. Já em sua 10ª edição, o tradicional encontro, que habitualmente reúne um seleto grupo de empresário, executivos e formadores de opinião, debaterá este ano, dia 11, no Teatro Cetip, em São Paulo, o tema “O Brasil que Nós Sonhamos”. Mesmo diante do período de incerteza, a ACREFI valo-
riza a esperança, sem perder o pé da realidade. As vozes escolhidas para tratar do assunto são: Delfim Netto, ex-ministro e economista; Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, acadêmico e escritor; Joaquim Barbosa, ex-ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2012 e 2014; e James Conrad, CEO da TNS Brasil e profissional com mais de 23 anos de experiência em pesquisa de mercado e opinião. Na condução da programação estará a jornalista Christiane Pelajo.
PROGRAMAÇÃO Recepção e café Abertura (Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da ACREFI) 9h10/ 9h30	Pesquisa ACREFI/TNS (James Conrad, CEO da TNS Brasil) 9h30/10h10	Palestra “O Desafio da Produtividade com Inclusão Social” (Eduardo Giannetti da Fonseca, economista, acadêmico e escritor) 10h10/10h40	Coffee break e networking 10h40/11h10	Palestra “A Inserção Competitiva do Brasil no Cenário Global: um sonho possível?” (Delfim Netto, economista e ex-ministro) 11h10/11h40	Palestra “Ética na Política e nos Negócios” (Joaquim Barbosa, ex-ministro e ex-presidente do STF) 11h40/11h50	Encerramento (Érico Sodré Quirino Ferreira, presidente da ACREFI) 8h/ 8h30	8h30/ 9h10
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Assim como aconteceu no ano passado, atraindo enorme interesse da média, o 10º SIAC apresentará o resultado de uma pesquisa exclusiva, realizada pela TNS Brasil, sobre como os principais dirigentes do setor financeiro analisam o quadro de instabilidade da economia brasileira. Veja algumas opiniões recentes dos palestrantes do 10º SIAC na mídia.
“A corrupção sistêmica é causada por essa mescla entre empreendedorismo econômico e, ao mesmo tempo, recebimento de vantagens financeiras da parte do Estado. A dependência excessiva de benefícios empresariais concedidos pelo Estado corrompe completamente a lógica do sistema público capitalista, a começar pelos próprios pilares, que são os princípios da concorrência e da livre iniciativa. A partir da aproximação com o governo, empresas buscam privilégios econômicos. Por sua vez, a partir da proximidade com o setor privado, a máquina pública pretende conquistar o financiamento. É o processo do ‘toma lá, dá cá’. Políticos naturalmente querem se eleger e se perpetuar nos cargos para os quais são eleitos. Já os empreendedores, nessa relação promíscua, com esse tipo de financiamento, querem subsídios, como uma espécie de dopantes que os ajudem a tirar a concorrência do seu caminho. Essa dinâmica perversa precisa urgentemente ser extirpada da vida pública brasileira.” Joaquim Barbosa (Zero Hora – 27/8/2015)
“É verdade que o Brasil está no piloto automático rumo ao precipício. Mesmo que o Executivo fosse virtuosíssimo, ele tem controle apenas sobre 8% do dispêndio. A coisa mais grave da Constituição são as vinculações. Por que todo sujeito com poder quer vincular o gasto? Porque não acredita na democracia. A vinculação significa que não importa quem seja o sujeito escolhido para Eduardo Giannetti da Fonseca governar o País, ele sempre será um imbecil. Aí, eu digo a “O País deve passar por ele o que tem de fazer para a reformas importantes para eternidade. Vincular gastos reduzir o tamanho do Estado, de educação e de saúde na permitindo uma menor carga Constituição significa que as tributária e, ao mesmo tempo, prioridades nunca mudarão. deve buscar uma maior O Congresso nunca entendeu eficiência ao setor público. Hoje que a vinculação é a destruição temos uma carga tributária de do próprio Congresso. Significa 36% do PIB e, mesmo assim, um colocar o país em piloto défice nominal de 8% do PIB. É automático. O piloto que foi insustentável. O País já superou posto para fora é o Congresso.” situações piores que a atual, e com entendimento político, pode Delfim Netto enfrentar essa nova turbulência. (Época – 11/9/2015) O Brasil é maior que a crise.” Eduardo Giannetti da Fonseca Teatro Cetip: (Valor Econômico – 30/9/2015) Instituto Tomie Ohtake Rua Coropés, 88, Pinheiros São Paulo (SP)
Não perca a apresentação desses craques que conhecem como poucos a realidade econômica, social e política do Brasil. Faça sua inscrição gratuita no site: www.siac.org.br f outubro/novembro 2015 financeiro
“Uma solução para a Petrobras atenuaria mais da metade da incerteza global em relação ao Brasil”
Octavio de Barros: diretor de Pesquisas e Estudos Macroeconômicos do Bradesco
ctavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Macroeconômicos do Bradesco, não gosta que ninguém de sua equipe confunda o objeto de análise com o desejo pessoal, como analista. Acha fundamental ter distância para analisar cenários sem emoções ou politização. Ele acha que há uma certa “criminalização” até mesmo no debate macroeconômico como reflexo das tensões políticas atuais. É tão frio e preciso quanto um arqueiro diante do alvo. Seus diagnósticos são baseados em fatos e números. Discípulo do economista e ex-professor Albert Hirschman, aprendeu que ao lado da boa teoria macroeconômica devemos contextualizar a nossa ação prática com base na chamada “economia política do possível”. Ele se autointitula um “possibilista” e um republicano no sentido clássico europeu, por ter vivido, estudado e trabalhado no velho continente por quase 10 anos. Fala sobre o mercado nacional e internacional com muita didática e ótimos exemplos. Em sua entrevista à FINANCEIRO, tratou de questões, como: a visão do investidor estrangeiro a respeito do Brasil; as razões para a atual desaceleração da China; os episódios envolvendo a Petrobras; o comportamento do dólar; e as perspectivas para 2016. A emoção Barros deixa para extravasar quando o seu Fluminense entra em campo.
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Revista Financeiro – O senhor acredita que a Moody’s e a Fitch podem rebaixar o grau de investimento do Brasil, assim como fez a Standard and Poor’s (S&P)? Octavio de Barros – Desde o final de agosto, eu já esperava a decisão da Fitch de rebaixar a nota de crédito do Brasil, sem retirar o grau de investimento. A Fitch se nivelou à Moody’s, mas acredito que a perda do grau de investimento por uma dessas duas agências ainda pode ser evitado, dependendo apenas do Congresso. O que aconteceu com a S&P era previsível, mas foi surpreendente quanto ao timing. Ninguém imaginava que isso fosse acontecer antes de dezembro ou janeiro de 2016. Poderemos ter sequelas maiores se tivermos duas agências classificadoras de risco retirando o grau de investimento do Brasil, pois vários fundos de investimento são estatutariamente proibidos de alocar ativos em países emergentes nessas condições. Isso seria muito ruim.
RF – Então, não teremos uma evasão tão pesada dos investimentos? Barros – Não. Alguma redução de fluxos de investimento parece óbvia, mas nada que configure nem cheiro de fuga de capitais. Esse cenário está longe do meu radar. Quando o Brasil ganhou o grau de investimento, em abril de 2008, o cenário econômico era diferente. Naquela ocasião, fiz um estudo que mostrava que o País multiplicava por 17 o tamanho das fontes de financiamento externo. Não significa, porém, que perdendo o grau de investimento, seu potencial seja reduzido em 17 vezes. Até porque a crise que enfrentamos hoje, diferentemente das anteriores, não é provocada por problemas de balanço de pagamentos. Essa é uma crise de incerteza fiscal. Eu diria mesmo que é apenas uma crise política com sérios impactos econômicos. RF – E como os investidores globais estão vendo o Brasil nesse momento? Barros – Quando estive na reunião anual do FMI, agora em outubro, em Lima (Peru), vários investidores falaram: ‘o Brasil está sendo avaliado aqui não por conta de algum desequilíbrio do balanço de pagamentos. Isso é raro’. A incerteza é unicamente fiscal. Diversos investidores estrangeiros
com quem tenho falado observam o Brasil com menos negativismo do que os próprios brasileiros. Isso ocorre porque o olhar deles é relativo, comparando o Brasil com outros emergentes, ao passo que o nosso olhar brasileiro é absoluto, implacável. Eles acham que os ativos nacionais estão muito baratos (distressed assets) e que o País, a despeito das incertezas políticas, tem tudo para resolver esse nó e aprovar meia dúzia de decisões relevantes na área fiscal. Claro que há uma frustração ampla sobre o desempenho pífio da economia brasileira.
RF – Para os investidores internacionais, o maior problema do Brasil está então na área fiscal? Barros – A questão fiscal é essencial. Estamos falando do pecado original brasileiro, que é a total falta de disciplina orçamentária e fiscal. O gasto público total cresce sistematicamente acima do PIB nominal há duas décadas e isso é insustentável porque a carga de impostos tem que correr atrás para pagar essas despesas cada vez mais rígidas. No entanto, bem pragmaticamente, mais importante do que isso na ótica do investidor externo de portfólio é a necessidade de o País encontrar uma solução para os problemas da Petrobras. A Petrobras é emblemática, globalmente falando, como o maior símbolo da crise brasileira. Se for encontrado um bom encaminhamento para o problema da Petrobras, eu diria, sem nenhum exagero, que mais da metade da incerteza do investidor global sobre o Brasil vai ser atenuada, apesar das dificuldades fiscais. A leitura média é a de que se o problema da Petrobras não for equacionado, nada mais vai se equacionar no Brasil e tudo ficará ainda mais difícil. A maior das prioridades é melhorar a situação financeira da Petrobras. Isso pode vir através de novos aumentos de combustíveis ou até mesmo pela venda de ativos fora do core business, que é produção e exploração de petróleo. Não acredito, porém, que o Tesouro vá capitalizar a Petrobras. Isso impactaria direto no primário. É bem verdade que o investidor gostaria de ter a certeza explícita de que a Petrobras conta com a garantia do Estado, que é o maior acionista da empresa. É algo intuitivo, mas eles têm dúvidas.
RF – Essa crise também seria uma chance para o Brasil dar uma virada? Barros – Tudo o que disse até agora foi a partir do olhar do investidor internacional. Existe, porém, uma crise de fato, há uma incerteza política, mas não é uma crise institucional. Uma crise política, por definição, é temporária, ainda que a Argentina me desminta. Em algum momento, retomaremos o equilíbrio político porque o processo está começando a adquirir uma dimensão destrutiva gravíssima com grandes sequelas sobre os negócios empresariais em geral e sobre a atividade. Os bombeiros precisam chegar rapidamente. Segundo nos sinalizam as três consultorias políticas que ouvimos regularmente — a Arko Advice, o Instituto Análise e a internacional Eurasia Group —, está aumentando a probabilidade de que a presidente Dilma Rousseff governe até o fim do seu mandato, a despeito de todas as incertezas ainda presentes. O ambiente político não é o adequado para adoção de algumas medidas cruciais, mas não deveríamos exagerar no ceticismo. Acho que alguns temas podem avançar no Congresso apesar das dificuldades. Acho que essa crise não deveria ser desperdiçada. Sem crise ninguém faz reformas.
RF – Qual é a sua percepção em relação à economia, caso tenhamos um agravamento do desemprego? Há algum risco para uma ruptura de governo? Barros – Ruptura? Não sei o que isso significa. Acho que as dificuldades políticas já são tão significativas que não consigo vê-las ainda mais agravadas do que hoje estão. Na minha visão, elas só podem se atenuar. Está mais do que na hora de pensarmos no país e não na guerra política. Temos que ter a distância para reconhecer que a exacerbação do pessimismo, infelizmente, faz parte da estratégica política de importantes setores políticos que só conseguem pensar na desestabilização do governo. Compreendo bastante bem o embate político, mas estamos indo longe demais. As pessoas não estão conseguindo ver o Brasil econômico e social como de fato ele é. Um país capitalista vibrante, o segundo mais diversificado setorialmente do mundo emergente e com a segunda melhor democracia da América latina.
Porém, não convém a muitos, que haja qualquer melhora de percepção do ponto de vista da economia, ao ponto de terem votado contra o fator previdenciário, um dos maiores legados do governo FHC. Isso é difícil de compreender. É muito destrutivo. Tenho para mim que seria muito bom se avançássemos agora em reformas que permitissem que lá na frente um novo governo no futuro não precise começar tudo da estaca zero. Seria importante que tivéssemos avanços, por exemplo, na área da reforma da previdência com idade mínima, unificação da aposentadoria de homens e mulheres e vínculo à tabua de mortalidade do IBGE. Com uma reforma da previdência, o risco Brasil, medido pelo CDS-Credit Default Swap, se reduzia uns 150 pontos básicos, no ato. Quanto à capacidade de o desemprego agravado dificultar ainda mais as coisas, acho que seria necessário algum catalizador para que isso ganhasse uma dimensão política muito relevante.
RF – O ajuste proposto pelo governo melhoraria a situação no ano que vem?
Barros – Sim, mas depende da aprovação de uma agenda mínima no Congresso que reverta a sinistrose atual. Está tudo nas mãos do Congresso, uma vez que o governo, na fase atual, está se posicionando na direção correta, apesar dos erros do passado recente. Não há dúvida de que a agenda do Joaquim Levy é uma agenda de crescimento. Digo mais: acho que é a única agenda de crescimento possível no Brasil que depende essencialmente da previsibilidade fiscal e da retomada da confiança. Buscar atalhos seria fracasso garantido. Mas precisaríamos de algumas mudanças, como a aprovação de um teto para o crescimento do gasto público ex-previdência) e uma nova governança orçamentária que dê alguma disciplina fiscal ao País. Previdência requer uma reforma à parte. Costumo dizer que todos os formadores de opinião deveriam ser contundentes no apoio ao Joaquim Levy, que eu classifico como um missionário cívico.
RF – A redução do crescimento da China e uma possível elevação dos juros nos Estados Unidos podem agravar ainda mais o desempenho do Brasil no próximo ano?
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entrevistadomês Barros – A situação da China tem a ver com uma mudança radical no regime de crescimento chinês mais voltado agora para a demanda interna. Hoje a China vive uma crise de sobreinvestimento e opera com muita ociosidade. A competitividade chinesa se reduziu bastante e as exportações pesam a metade do já pesaram no passado no PIB chinês. O mundo hoje não tem mais locomotivas e a China foi a última que puxou os emergentes e o Brasil até 2011. Alguém me disse que o investment grade que o Brasil obteve em 2008 foi “made in China”. (risos). Agora não tem mais a China para salvar a pátria. A China está virando um país normal. Um ex-diplomata brasileiro residente na China me disse noutro dia que “a China vem tendo muita dificuldade de lidar com as ineficiências da democracia”. Nós estamos prevendo 5,5% de crescimento para a China ano que vem, com viés de baixa. Além disso, como você mencionou, temos a normalização monetária nos Estados Unidos que, quando começar, será bastante moderada porque a inflação por lá está muito baixa. A economia norte-americana, segundo o próprio FED (Banco Central dos Estados Unidos), já vem sofrendo com as consequências do dólar forte, prejudicando a sua indústria. A economia norte-americana não está com essa bola toda para carregar o mundo nas costas. Não acredito, portanto, que o início do aumento de juros nos Estados Unidos terá impacto muito forte sobre a economia brasileira, sobretudo se fizermos os ajustes adequados no fiscal. RF – O fortalecimento do dólar não está pressionando mais a nossa inflação?
Barros – Já pressionou bastante e algum repasse ainda pode ocorrer. Não podemos esquecer que o dólar se valorizou bastante de julho de 2014 até fevereiro de 2015 em relação a todas as moedas do mundo. Todas as moedas apanharam, sobretudo o real, que apanhou mais porque esse processo coincidiu com o agravamento da crise política brasileira, aumentando as incertezas fiscais. Na minha visão, esse processo já está um pouco esgotado. Os dados mostram que o dólar parou de se fortalecer no mundo porque está prejudi-
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cando muito a economia norte-americana, sobretudo a sua indústria e as exportações. Na minha visão, o real se depreciou muito acima do que o fundamento justificaria. Estamos diante do mais brutal ajuste do balanço de pagamentos da história do Brasil (quase US$ 80 bilhões de ajuste em 24 meses). Um câmbio um pouco acima de R$ 4,00/US$ nos levaria a um leve superávit em transações correntes. Estamos prevendo um saldo na balança comercial ano que vem de quase US$ 50 bilhões. A taxa de câmbio também flutua ao sabor das notícias na área fiscal. Se houver boas notícias, não há dúvida de que o câmbio aprecia um pouco. A pressão inflacionária do câmbio é uma realidade que ajuda a explicar a resistência à baixa da inflação em plena recessão. Claro que o ajuste de preços relativos também explica a pressão inflacionária. Mas sigo acreditando que não há fogo sem oxigênio e acho perfeitamente viável que tenhamos uma inflação próxima de 4,5% em 2017. Antes, é virtualmente impossível.
RF – Olhando mais para a frente, começaremos a nos reerguer apenas em 2017? Barros – É muito possível que nos dois últimos trimestres do ano que vem, já tenhamos algum sinal na margem de um desempenho melhor da economia. Isso pode aparecer, por exemplo, na comparação do terceiro trimestre de 2016 contra o terceiro trimestre deste ano. A mesma coisa no quarto trimestre de 2016. Podemos ter um crescimento do PIB, em 2017, em torno 1,5%. E algo como 2% ou 2,5% em 2018. Só dependerá da confiança. Ela é a forma mais barata de estímulo econômico. Se fizermos minimamente um ajuste fiscal, avançarmos um pouco na agenda da produtividade, na tributária e na abertura, o próprio mercado vai ajudar a restauração dessa confiança e o crescimento volta.
RF – Mesmo com a melhora do País a partir de 2017, como fica a questão do consumo? Barros – Todo ajuste é doloroso. As famílias estão com um comportamento muito cauteloso. A demanda por crédito despencou. Na verdade, ela já vem caindo sistema-
“Podemos ter um crescimento do PIB, em 2017, em torno 1,5%. E algo como 2% ou 2,5% em 2018”
ticamente desde 2012. O comprometimento de renda e o endividamento imobiliário vêm se reduzindo sistematicamente. Houve um grande aprendizado com a crise aguda de inadimplência de 2011. Não se pode confundir orçamento apertado das famílias com sobre-endividamento. Vejo sempre uma grande confusão nesse debate. Com o desemprego maior, estamos monitorando uma importante mudança nos hábitos de consumo. A população está bem mais disciplinada do que no passado, até porque o grande ciclo de consumo de equipamentos domésticos já concluiu um ciclo que será retomado só daqui a alguns anos. Um comentário sobre o desemprego: ele não é consequência do ajuste fiscal, que sequer ocorreu para valer. Apesar de a economia ter começado a desacelerar em 2013, as empresas não demitiram trabalhadores porque tinham a esperança da retomada de crescimento após as eleições. Constatada a frustração com o crescimento em 2015, as empresas passaram a demitir seus funcionários treinados e qualificados, que retiveram heroicamente por dois anos ou mais. Ou seja, o desemprego de agora é em grande medida o desemprego que não houve em 2013 e 2014.
RF – E como será a retomada da produção?
Barros – Na minha visão, teremos em 2016 menor pressão salarial e os salários expressos em dólar tendem a uma redução bastante importante. Isso tudo ajuda a competitividade externa. Estou convencido que as exportações vão contribuir para essa reação. Já temos boas notícias do setor de calçados. Observando os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) da cidade de Franca (SP), o município gerou 6 mil novos empregos no primeiro semestre deste ano só por conta das exportações de calçados. É um reequilíbrio saudável, baseado na atividade econômica voltada um pouco mais para mercado externo. Uma pena que a demanda internacional ainda esteja muito fraca. Pela primeira vez em 30 anos, o comércio mundial vem crescendo abaixo do PIB mundial. As importações da China, por exemplo, estão caindo 9% nos últimos 12 meses. Mesmo assim, o Brasil está recuperando algumas exportações. Estou convencido que esse é o caminho. Precisamos de mais abertura e novos acordos comerciais para potencializar essa mudança na taxa de câmbio real.
RF – Neste período, qual será o comportamento da inflação?
Barros – A inflação atual é reflexo dessa brutal mudança de preços relativos. Câmbio, preços públicos que estavam quase congelados, novos tributos, inevitavelmente, batem na inflação de 2015 e um pouco na de 2016. Era algo inevitável. Trabalhamos com uma inflação desacelerando de 10% em 2015 aproximadamente para algo em torno de 6% em 2016. Entendo que no momento em que ficar efetivamente claro que a inflação de 12 meses desacelera, a taxa de juros nominal também desacelerará. Caso contrário, estaremos com aumento ainda maior da taxa real de juros. Isso não me parece plausível diante da forte recessão e do desemprego alto. Claro que dentro do ambiente em que o ajuste fiscal esteja razoavelmente bem encaminhado.
RF – Qual foi o tamanho do abalo sofrido pelo setor de infraestrutura com a ação da Lava Jato? Barros – A Lava Jato afetou toda a cadeia da construção civil, além das áreas de óleo
dito imobiliário, por sinal, é percebido pela sociedade como um crédito sênior, em que as pessoas dão prioridade na hora do pagamento. Eu ousaria dizer que hoje nós temos um dos menores níveis de inadimplência pessoa física dos últimos anos por conta da mudança no mix do crédito ofertado. Além disso, no Brasil, as famílias se desalavancam muito rapidamente.
Barros – Como eu já mencionei, a par-
RF – Se o senhor estivesse à frente do Ministério da Fazenda, faria alguma coisa diferente a respeito das medidas propostas pelo ministro Joaquim Levy? Barros – O ministro Joaquim Levy é um luxo para o Brasil. É o melhor ministro que o País poderia sonhar em ter nesse momento. Possivelmente seria um ministro ideal em qualquer nação desenvolvida. Enganam-se aqueles que acham que o Levy é um neoliberal, conservador e insensível a questões sociais. Muito longe disso. Ele se orgulha de ter participado da montagem fiscal do Bolsa Família, por exemplo. Assim como tem consciência plena da necessidade de que um estado do bem-estar que funcione bem, beneficiando de fato quem precisa. Eu faria praticamente as mesmas coisas que ele fez, só daria muito mais ênfase às medidas de médio e de longo prazos. Eu acho que o desafio do Brasil agora é criar uma nova governança orçamentária com teto para o gasto público além das demais agendas da produtividade (doing business, tributária, trabalhista, educação com meritocracia e abertura), da infraestrutura (BNDES focado no tema e com papel protagônico do setor privado) e uma outra agenda final, que seria a do aumento da potência da política monetária, porque o mercado dual de crédito é o grande culpado por taxas de juros elevadas no Brasil. Essa é a minha contribuição para o atual debate. Acredito que isso seria bastante importante. Aliás, ele conhece a minha opinião.
tir de 2012, sobretudo depois da crise de inadimplência de 2011, as pessoas estão muito mais conservadoras na tomada de crédito. Hoje a demanda de crédito pessoa física é extremamente baixa, muito mais baixa do que foi em 2014. O mix do setor está mais concentrado nos créditos imobiliário e consignado, que por si só já embutem uma inadimplência bem menor. O cré-
RF – Qual seria a trajetória para o Brasil voltar a andar nos trilhos? Barros – Eu diria que o Brasil tem que ingressar naquilo que eu chamo de “era da exemplaridade”. A busca permanente de excelência sem tentar reinventar a roda. O nome do jogo é disciplina, nova governança em vários planos e transparência. f
e gás. Tanto que a formação bruta de capital fixo no Brasil pode cair 11% esse ano. O resto é crise de confiança e a ociosidade. Ainda acredito que a infraestrutura tende a avançar em condições mais favoráveis, com uma maior taxa de retorno para o setor privado e com melhor segurança jurídica. Creio que nos próximos quatro ou cinco anos, o BNDES vai se concentrar nas áreas de infraestrutura e inovação, reduzindo o seu peso nos financiamentos diretos às empresas privadas fora dessas áreas. Essas devem encontrar crédito no mercado privado bancário e de capitais, a partir do primeiro momento em que a taxa de juros começar a ceder. Esperamos que a taxa de juros no Brasil comece a cair, gradualmente, em meados de 2016.
RF – Como fica a questão da oferta de crédito?
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Tempos de incerteza econômica
ambiente de instabilidade política acelerou o ritmo da deterioração da conjuntura econômica. O País não tem previsão de crescimento nos próximos dois anos, vive um período prolongado de retração, o desemprego e a inadimplência ganham vigor. Atenta ao cenário de instabilidade, a ACREFI reuniu, em São Paulo, no Hotel Renaissance, um time de especialistas para analisar as perspectivas. Nicola Tingas, economista-chefe da instituição, destacou que na década de 90 havia uma solidez global e era possível fazer cenários e tomar decisões. “Em 2000, o Brasil aproveitou as commodities, o cenário global favorável e melhorou a distribuição de renda. Hoje o cenário mudou. Precisamos olhar a linha do tempo, uma vez que só o tempo acomo-
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dará essas profundas distorções”, frisou. O economista-chefe da ACREFI enfatizou também que precisamos retomar o tripé econômico (meta de inflação, câmbio flutuante e superávit fiscal) para melhorar o ambiente interno, resgatando o otimismo. “No curto prazo, temos tempestade, nebulosidade e crise prolongada. Com isso, a economia não anda. A queda do PIB entre 2,5% e 3% é algo inédito”, refletiu Tingas, mencionando que “a inflação na média de 9,5% também está corroendo parte considerável da renda e, para piorar, cresceu o desemprego. A demanda atual não é por consumo, mas por dinheiro para pagar contas no fim do mês. Isso precisa mudar. O tempo é o senhor da razão”, explanou. O economista-chefe da Serasa Experian, Luiz Rabi, mencionou que a inflação se aproximando dos dois dígitos, com o
ACREFI reúne especialistas para uma ampla discussão sobre a “Recuperação de Crédito, Estratégias e Boas Práticas no Atual Cenário Econômico”
aumento do desemprego e os problemas de gestão da dívida pública são indicadores que agravam ainda mais os ânimos do mercado. “A inadimplência está crescendo desde o ano passado, mas ela começou a ganhar vigor no segundo semestre de 2014. Ou seja, a economia brasileira entrou em recessão depois da Copa do Mundo”, expôs Rabi. Em termos de negativação, segundo o economista da Serasa Experian, os números estão já acima do patamar histórico. “A inadimplência na pessoa física está em torno de 15% e na jurídica 20%. Não chegamos ao nível da crise financeira do subprime, que eclodiu no primeiro semestre de 2008 e promoveu uma onda de falências dos bancos norte-americanos. O problema é que estamos chegando nesse patamar e o desemprego é uma va-
riável que agrava essas condições”, disse Rabi, alertando que “a inadimplência na pessoa física deverá continuar crescendo e, na pessoa jurídica, se estabilizar, será em patamares elevados”. Em termos de crescimento do País, Rabi projeta que não há avanço até 2016. “O cenário não é otimista e a inadimplência é uma crise conjuntural. Dos países do G20, o Brasil é o único que não está operando o cadastro positivo de forma plena e, se fosse introduzido, há uma previsão que se poderia melhorar a inadimplência em 45%. Isso ajudaria a economia”, pontuou.
Nicola Tingas: economista-chefe da ACREFI
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Luiz Rabi: economista-chefe da Serasa Experian
Gláucio Nery: gerente-executivo da diretoria de Reestruturação de Ativos Operacionais do Banco do Brasil
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Gláucio Nery, gerente executivo da Diretoria de Reestruturação de Ativos Operacionais do Banco do Brasil, mostrou um painel sobre estratégias de recuperação de crédito no cenário atual. “Para acrescentar ao cenário macroeconômico, dito acima, o efeito de desaceleração da China e a crise migratória da Europa também pioram o ambiente. Em termos de cobrança e recuperação, nós precisamos redefinir o conceito de sucesso. Adotamos um exercício reflexivo de prioridades que lista prioridades, como a recuperação de ativos, diminuição da inadimplência e direcionamento de ações mitigando perdas. A definição desse ‘sucesso’ é perseguir todas essas frentes juntas, praticando uma espécie de estrutura de operação, revisão e criação de novas ferramentas e inteligência analítica com identificação prévia que melhora os resultados”, ressaltou Nery. Ricardo Tadashi Takeyama, superintendente de Cobrança do Banco Pan, ateve-se na construção de pilares sólidos da recuperação de crédito. “É preciso testar suas crenças. Manter estrutura de custos equilibrada, processos ajustados com tecnologia e controle, uso de análises e gestão ágil e descomplicada”, alertou. Para Takeyama, a agilidade em identificar e implantar oportunidades determinará o quão longe se suporta um cenário econômico adverso. “Precisaremos cruzar algumas linhas que antes não foram trabalhadas. Na prática, adotar mais descontos para recuperar”, ponderou. Por fim, André Queiroz, head de Verticais da Serasa Experian, mencionou que o panorama é desafiador. “Somen-
Ricardo Takeyama: superintendente de Cobrança do Banco Pan te 26% das dívidas estão no setor bancário, sendo que 70% delas têm mais de um ano. 64,4% dos devedores têm mais de uma dívida na Serasa e 50,9% devem para mais de um credor. Jovens da periferia representam 16,8% da população e 28,2% dos inadimplentes. Já nas empresas, 70,5% dos devedores têm mais de uma dívida e 40,7% devem para mais de um credor. 37,2% das empresas inadimplentes têm de dois a cinco anos. Entender o perfil do devedor, aliado a sofisticação da cobrança, é importante nesse processo e determina o sucesso da recuperação”, finalizou Queiroz. f
André Queiroz: head de Verticais da Serasa Experian
artigo Milton Luiz de Melo Santos
Crédito e inovação devem andar juntos
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peciais com taxas de juros reduzidas e longos prazos para pagamento, seu grande diferencial. Criada em março de 2009 e com carteira de crédito de R$ 1,1 bilhão, a Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, aposta no fomento à inovação como estratégia para incentivar o crescimento econômico sustentável Milton Luiz de Melo Santos: das empresas, apoiando economista e presidente da também a transformaDesenvolve SP – Agência de ção de pesquisa acadêDesenvolvimento Paulista mica em produtos com grande valor agregado e as empresas inovadoras em empreendimentos economicamente viáveis. A instituição paulista idealizou o lançamento de um fundo de investimento, o Fundo Inovação Paulista, que em parceria com outras instituições de fomento brasileira e a Corporación Andina de Fomento (CAF), está investindo mais de R$ 100 milhões em empresas inovadoras e startups das áreas de tecnologia da informação (TI), nanotecnologia, fotônica e ciências da vida. A evolução das agências de fomento e o fortalecimento de seu papel de parceiras do empreendedorismo e da inovação colocam essas instituições financeiras como importantes instrumentos de financiamento do crescimento econômico sustentável, contribuindo assim para ampliar a liderança brasileira no cenário internacional. Está na hora de o Brasil passar definitivamente de nação dos produtos primários, das commodities, para também ser o país do valor agregado, do conhecimento e da inovação. f Artigo enviado em 19/10/2015
constante busca por novos modelos produtivos, que agreguem valor aos produtos e serviços, é condição determinante para aumentar a competitividade das empresas brasileiras. O aperfeiçoamento da nossa matriz econômica, no entanto, depende do aumento do investimento na inovação. Para alcançar essa meta, o acesso ao crédito sustentável é fundamental. Somente por meio de um planejamento, no qual o foco principal sejam projetos inovadores, é possível garantir o crescimento e o desenvolvimento das empresas no longo prazo. O empresariado brasileiro sabe o caminho, mas conhece pouco sobre os canais disponíveis para o investimento em inovação. Hoje, o investimento em inovação não pode ficar restrito ao que sobra no caixa da empresa. Há muitas formas de conseguir os recursos para tirar o projeto do papel. Ser alvo de investidores em capital de risco, os chamados venture capital, é uma das formas de levantar a verba necessária para inovar. Eles podem ser pessoas físicas (investidor-anjo), grandes empresas ou Fundos de Investimento em Participação, os FIPs. Há também linhas de financiamento, mas o crédito sustentável ainda não alcança as empresas em escala mais significativa. Uma das premissas para o financiamento da inovação é o oferecimento da combinação de longo prazo de pagamento e juros baixos. Enquanto o crédito privado ainda encontra dificuldades de se adequar às necessidades do investimento em inovação, as agências de fomento, instituições financeiras reguladas pelo Banco Central e controladas por governos estaduais, aparecem como um importante parceiro das empresas inovadoras. O país conta hoje com 17 agências de fomento estaduais espalhadas por todas as regiões. Criadas para funcionar como indutoras do crescimento econômico nos Estados, essas instituições oferecem, em sua grande maioria, linhas de crédito es-
As dúvidas agora ficam para 2016...
Artigo enviado em 14/10/2015
015 está dado. Estamos chegando ao final de um ano dos mais difíceis da história do País, com uma combinação complicada de crises, na economia, na política, de confiança dos agentes econômicos. A deterioração dos principais indicadores da economia reforçou a fragilidade do governo e a perda de popularidade, o que acabou alimentando os impasses na área política. E a crise política acaba dificultando as estratégias do governo para se tentar reverter a crise econômica. Parece imprescindível que se faça um ajuste das contas públicas, para que a economia possa voltar aos eixos. O ajuste pode evitar, inclusive, novos rebaixamentos da nota de avaliação do País. Mas, como implementar as medidas de austeridade, exigindo mais pagamento de impostos, por exemplo, com esse ambiente desfavorável para o governo nos vários aspectos, com o risco de um processo de impeachment no radar, sem esquecer da recessão? Por mais que se saiba da importância do ajuste, não dá pra deixar de lado o fato de o atual governo, em sua primeira gestão, ter sido o responsável pela maior das dificuldades que o País vem enfrentando, pelo desmonte de conquistas importantes e a desorganização quase geral da economia. Não dá pra contar com uma colaboração espontânea, não é mesmo? Ao contrário. Em vez de apoio, o que se vê é uma grande resistência por parte da sociedade e da classe política. Há um “cansaço”, diante de tantas crises, que mexe com a confiança, afeta a capacidade de reação da economia e o entendimento que deveria ocorrer para tirar o Brasil da atual enrascada. Enquanto o foco maior das ações na área econômica continua no ajuste fiscal, na necessidade de gerar superávit das contas públicas, em meio a um cenário políticos dos mais conturbados, o governo deixa quase totalmente de lado medidas que poderiam dar um oxigênio a mais para a atividade econômica. Daí a perspectiva de uma recessão mais intensa neste ano, que não deixará uma boa herança para 2016. No ano que vem também vamos conviver com o PIB em queda. Pior é que as previsões para a inflação também estão piorando. Um dos principais motivos é a alta do dólar, que vem refletindo muito esse emaranhado de problemas em que o País está mergulhado. Quanto maiores as dificuldades e incertezas, maior a instabilidade do mercado. E o dólar, além do reflexo direto sobre a formação de preços no Brasil, ainda tem levado a novos ajustes de
tarifas. Esse processo que reforça as pressões inflacionárias, com reflexos sobre o próximo ano. É certo que ainda dá pra esperar por uma recessão mais amena no ano que vem, com inflação mais baixa que a deste ano, mas nada muito animador. Menos ruim está longe de significar maior alívio para as empresas e consumidores. Ainda que possamos ter melhoria de alguns indicadores, no geral, Denise Campos de Toledo: 2016 ainda vai exigir muito jogo de cinjornalista, comentarista de economia da Rádio Jovem tura. A melhoria pode vir, em parte, até Pan e do Jornal da Gazeta da alta do dólar, que em alguma medida e editora do site www. favorece a competitividade da produeconomiaemfoco.com.br ção nacional, tanto no mercado interno como no externo, o que potencialmente pode beneficiar a atividade industrial. Mas isso deve ocorrer aos poucos, já que outros fatores, como o aumento da carga tributária, ainda jogam na contramão dessa melhoria da capacidade de concorrência. Por outro lado, a própria recessão vai acabar segurando a alta dos preços, a inflação. Só que, por aí, a correção também virá aos poucos, já que as empresas estão tendo de bancar custos maiores, que, em alguma medida, batem nos preços. Enfim, mesmo que dê pra esperar por uma crise menos pesada em 2016, o freio de mão ainda vai continuar puxado, com as empresas tendo de controlar muito os custos, as margens de ganho, com queda do movimento na maior parte dos setores. Já os consumidores terão de continuar driblando as dificuldades na gestão das finanças pessoais, prejudicadas pela inflação alta, pelos juros elevados e até pelo desemprego, que avançou bastante nos últimos meses. É torcer para chegarmos ao próximo ano, pelo menos, com menos imprevisibilidade quanto ao que pode acontecer na política e com a economia do País, sendo que as duas estão andando num ritmo muito parecido, com uma crise reforçando a outra. Mas se a crise, como se costuma falar, oferece oportunidades pra exercemos toda a nossa competência, vamos buscar essas oportunidades. É na gestão dos problemas que nos afetam no dia a dia que podemos fazer com que a crise ou as crises nos prejudiquem o mínimo possível ou até encontrar brechas pra virar o jogo e fazer do limão uma limonada. f outubro/novembro 2015 financeiro 23
A busca pela economia verde
a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada em junho de 2012 no Brasil, aconteceu o encontro Finanças Sustentáveis, em que foram discutidos os processos de regulação e autorregulação do setor financeiro, o papel das agências multilaterais de financiamento para a sustentabilidade e os riscos e as oportunidades no financiamento da transição para a Economia Verde. Na época, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, anunciou o lançamen-
Sergio Odilon: consultor, ex-chefe do departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC e atual presidente do Comitê Consultivo de Regulação da Cetip
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to de propostas regulatórias para adoção de uma política socioambiental por todo o sistema financeiro no País. Para que esse tema permaneça de discussão, a ACREFI organizou em São Paulo, dia 16 de setembro, o evento “Responsabilidade Socioambiental no Sistema Financeiro”. Como as proposições para regular o setor financeiro sob a ótica da responsabilidade socioambiental partiu do Banco Central, a Acrefi convidou Sergio Odilon, consultor, ex-chefe do departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC e atual presidente do Comitê Consultivo de Regulação da Cetip, para abrir o evento e apresentar um panorama sobre os avanços conquistados nos últimos três anos. Segundo Odilon, a grande sacada foi a adoção da resolução 4.327 do BC, de abril de 2014, que diz que “as instituições financeiras devem manter estrutura de governança compatível com o seu porte, a natureza do seu negócio, a complexidade de serviços e produtos oferecidos, bem como com as atividades, processos e sistemas adotados, para assegurar o cumprimento das diretrizes e dos objetivos da PRSA (Política de Responsabilidade Socioambiental)”. “Cada banco tem o seu planejamento estratégico, sua estrutura, suas normas internas, que devem ser preservados por todos os colaboradores e parceiros que
Em seminário em São Paulo, a ACREFI estimula a conscientização e o fortalecimento da “Responsabilidade Socioambiental no Sistema Financeiro”
de Instituições não Bancárias), do Banco Central, falou a respeito de termos um comando normativo que envolve questões relacionadas à Política de Responsabilidade Socioambiental do Sistema Financeiro e abarca 13 tipos de instituições, como bancos, cooperativas de crédito e corretoras de câmbio. “As responsabilidades e os riscos (social e ambiental) são proporcionais ao tamanho das empresas”, lembra Meira. “Depende dessas instituições financeiras transformar em política interna as normas do BC e exercer o seu papel perante a sociedade”, alertou o coordenador do Desuc. De acordo com Meira, o órgão supervisor e os supervisionados estão aprendentrabalham na instituição, do presidente ao contínuo”, esclarece Odilon. “No entanto, cabe o BC avaliar se a proposta do banco é compatível com a resolução socioambiental oficial”. Ele mostrou também que as regras exigem das instituições transparência contratual e nas operações de crédito, tarifas compatíveis com as praticadas pelo mercado, respeito ao CET (Custo Efetivo Total), obediências à legislação que rege as portabilidades de salário, cadastral e de crédito. “As instituições financeiras que ainda não enxergaram o risco
Rodomarque Tavares Meira: coordenador do Desuc (Banco Central)
de se manterem arredias à Política de Responsabilidade Socioambiental do BC correm sério perigo”, alerta Odilon. Segundo a convidada do evento da ACREFI, Maria Aparecida Moraes, diretora de RH do Tribanco, instituição criada em 1990 pelo Grupo Martins para inclusão de pequenos e médios varejistas, segmento ainda pouco estruturado: “Trabalhamos muitas vezes como banco e também como escola”, conta a executiva. De acordo com Maria Aparecida, a política socioambiental do Tribanco foi finalizada e aprovada no final de julho deste ano, e o processo envolve os funcionários de todas as áreas do banco. “Estabelecemos um processo de mudanças internas e externas, preparando a empresa para mitigação de risco. Quando executamos bem uma ação, ela certamente acaba influenciando positivamente o companheiro do lado”, lembra ela. “Sabemos da nossa responsabilidade perante os nossos clientes e a sociedade. Somos uma empresa de crédito, não meros tiradores de pedidos. É uma ação de relacionamento contínuo e de intensa troca de informações”, reforça a diretora de RH do Tribanco. Para encerrar a manhã de atividades proposta pela ACREFI, Rodomarque Tavares Meira, coordenador do Desuc (Departamento de Supervisão de Cooperativas e
Maria Aparecida Moraes: diretora de RH do Tribanco do juntos a gerenciar o risco. “Não adianta ter no papel um programa de prevenção ao risco se ele não representa a realidade vivida pela empresa. Em uma operação de crédito rural, por exemplo, é necessário ter em mãos as licenças ambientais exigidas pela legislação”, esclarece o servidor do BC. Antes de finalizar, Meira deixou uma mensagem às instituições financeiras: “A Política de Responsabilidade Socioambiental não anda sozinha. É necessário realizar e manter ações que minimizem os riscos sociais e ambientais”. f
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Evento da ACREFI reúne empresas que oferecem soluções para empresas que buscam na crise oportunidade para inovar, crescer e ganhar novos mercados
ma empresa que se propõe a enfrentar uma situação adversa de forma diferente caminha, indiretamente, em busca de algum tipo de inovação. Em um período de dificuldades econômicas, a criatividade ganha espaço para novas ferramentas, processos e sistemas. Foi pensando nesse segmento que floresce e abre horizontes que a ACREFI organizou, no dia 7 outubro, no hotel Renaissance, em São Paulo, o evento “Inovação: Desafios para o Crescimento”. Para Anderson Santos, engenheiro de vendas da MicroStrategy, empresa parceira da ACREFI, os desafios que impactam o dia a dia, como geração de informações, qualidade e performance, devem acompanhar uma dinâmica de eficiência. “São desafios que exigem uma análise interativa a partir de bases estruturadas e não estruturadas, gerando respostas rápidas e assertivas, com margem mínima de erro. As informa-
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ções relacionadas ao crédito, por exemplo, são apuradas de maneira personalizada — cruzando-se elementos de inúmeras fontes e banco de dados —, que depois são reunidas e formatadas em um padrão uniforme de métrica”, explica Santos. Em termos de inovação, segundo o especialista, há plataformas que permitem criar gráficos que mesclam parâmetros de informações, a partir da interação de dados, gerando, invariavelmente, resultados diferenciados. “Dessa forma, oferecemos um processo ágil, com governança e precisão, pois conseguimos aferir, entre outras informações, a taxa média de juros e o nível de endividamento por região. Além disso, apresentamos ainda relatórios com dados consolidados e rating”, garante o engenheiro de vendas da MicroStrategy. Em sua exposição aos convidados da ACREFI, Rodrigo Leme Santos, diretor de Inovação, Integração e Negócios da WebSIAlive,
apresentou soluções de gestão em nuvem, organizadas em modelo ‘Lego’ (peças que se encaixam). “Trabalhamos com uma tecnologia israelense que, dentro dessa plataforma, nos permite adaptar às necessidades de cada cliente. Essa plataforma cria variáveis
Anderson Santos: engenheiro de vendas da MicroStrategy de captura de dados a partir de avaliação de oportunidades e análise de vertentes de negócios. Trata-se de um sistema de armazenamento de dados extremamente eficiente e ágil. Em um atendimento de call center, por exemplo, a ferramenta da WebSIAlive consegue registrar dados, como telefone,
clientes, adicionam vantagens competitivas e agregam oportunidades no mercado, além de reduzir custos”, resume Sala. O pacote tecnológico para call center da Verbio estabelece com o cliente um atendimento ideal, com resolução no primeiro contato, sem a necessidade de relembrar senhas e números de contratos a cada etapa do relacionamento virtual. A atendente
nome, e-mail e assunto”, garante Leme Santos. Já a solução multicanal da empresa, em software, unifica as informações, cruzando dados gerados até nas redes sociais”. Após o coffee break do evento, Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho),
Norberto Sala: vice-presidente global da Verbio
Rodrigo Leme Santos: diretor de Inovação, Integração e Negócios da WebSIAlive superintendente da ACREFI, passou a palavra ao terceiro palestrante: Norberto Sala, vice-presidente global da Verbio, empresa espanhola especializada em tecnologia de reconhecimento de fala, biometria de voz e processos de sinais acústicos. “São soluções que facilitam o relacionamento com os
tem um comportamento “natural”, interagindo de acordo com as demandas e os comando dos clientes, capaz de identificar se quem está do outro lado linha está estressado, furioso ou simplesmente atento e sereno. “Se o sistema identifica, por exemplo, que o interlocutor está estressado, sua ligação rapidamente é repassada para um atendimento pessoal (humano)”, esclarece o vice-presidente global da Verbio. Para completar a manhã de troca de conhecimento e network, Sergio Donizeti Silva, diretor-executivo da Stefanini, multinacional brasileira que está entre as 100 maiores empresas de TI do mundo, fez uma palestra com dados extremamente relevantes. Mostrou que o Brasil, apesar de ser a sétima economia do mundo, está apenas na 70ª posição quando o assunto é inovação. Contou que os grandes avanços na
área da inovação surgiram em momentos críticos para a humanidade, como as duas grandes guerras e depressão de 1930. “Pressionados pela crise que abala atualmente os mercados, estamos experimentando novamente fortes mudanças. Diante das incertezas, é preciso entender melhor os costumes, acompanhar cada passo do consumidor, estabelecer novas estratégias de mídia e de logística. São movimentos que estimulam os avanços industriais e de produção e o surgimento de serviços on-line surpreendentes, como o Uber, o Ifood, Foursquare, entre outros”, explica Donizeti Silva. De acordo com o executivo da Stefanini, a indústria brasileira precisa aproveitar o momento para se modernizar e ganhar performance para reconquistar seu espaço e ingressar nas cadeias globais de valor. “Isso significa agregar mais valor à sociedade, ao trabalho e à produção, transferindo custos antes gastos em processos pro-
Sergio Donizeti Silva: diretor-executivo da Stefanini dutivos dispendiosos para sistemas mais eficientes, com maior rentabilidade e democratização dos serviços, permitindo que economia permaneça aquecida em todos os segmentos”, finalizou Donizeti Silva. f outubro/novembro 2015 financeiro 27
artigo Geraldo Coelho
O caminho para o ajuste fiscal fação que lhes é imposta (dependendo dos cortes discricionários). Faz-se necessário buscar fontes de financiamento que permitam cortes graduais na concessão de benefícios, tornando as mudanças propostas mais palatáveis. Uma possível forma de realizar o ajuste fiscal nos próximos anos seria através da redução da dívida do BNDES com a União. O saldo devedor das captações realizadas pelo BNDES com recursos do Tesouro Nacional em 30 de junho de 2015 era de R$ 521 bilhões, aproximadamente 9.5% do PIB nominal de 2014. O total de ativos
Geraldo Coelho: diretor Comercial da Bloomberg para a América Latina no balanço publicado em dezembro de 2014 era de R$ 877 bilhões. A redução da dívida traria três benefícios: (i) aumento da arrecadação de impostos e contribuições da União à medida que os ativos fossem liquidados e a dívida quitada, (ii) redução dos gastos com subsídio das captações, (iii) redução da relação dívida bruta/PIB. Assim, a solução desenhada no Ajuste Inevitável não seria excludente de outros caminhos. A medida precisa acontecer, contudo, de forma menos custosa e impositiva aos agentes econômicos. f
*Mansueto Almeida, Marcos de Barros Lisboa e Samuel Pessoa
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Artigo enviado em 21/10/2015
ntre 2007 e 2013, de acordo com dados do Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) oscilou entre 50% e 60% do PIB. Nos últimos 20 meses, o indicador saltou de 54% para mais de 62% do PIB, um crescimento explosivo, quando comparado com outras economias emergentes. No entanto, em função do nível elevado e da dificuldade em gerar um superávit primário capaz de estabilizar a relação DBGG/PIB, vivenciamos uma reprecificação abrupta e intensa dos ativos. Impulsionada pela perda do grau de investimento e desvalorização de mais de 50% do Real, a sociedade brasileira discute a desalavancagem do Estado. O Ajuste Inevitável proposto por *Almeida, Lisboa e Pessoa demonstra a necessidade de se equacionar a taxa de crescimento de despesas às receitas do governo, interrompendo o desequilíbrio estrutural iniciado em 1991 que jamais será corrigido por decisões ad hoc de contenção de despesas discricionárias. Apenas uma ampla e profunda reforma, capaz de alinhar a concessão de benefícios à realidade da renda nacional, solucionará em definitivo o problema fiscal. O corte dos investimentos (R$ 25 bilhões em 2015) vem reduzindo parcialmente o déficit atual e, segundo estimativas, ainda poderão ser cortados R$ 15 bilhões em 2016. Então, como será feito o ajuste fiscal nos próximos anos? “*A correção dos desequilíbrios recentes é essencial para evitar, no curto prazo, uma crise aguda. ”A afirmação dos autores impõe um ritmo de cortes de benefícios demasiadamente intenso e torna o debate unidimensional por restringir as possíveis soluções. Os agentes econômicos que sofrerem dramáticas perdas de renda em um curto intervalo de tempo, certamente dificultarão as reformas requeridas pelo Ajuste Inevitável. A probabilidade de ADINs questionarem, atrasarem ou impedirem alguns acertos aumenta na proporção da insatis-
Brasil: é imposto ou confisco?
Artigo enviado em 16/10/2015
omo se não bastassem todos os erros cometidos na condução da política econômica do País nos últimos três anos, o governo, num contrassenso sem precedentes, pratica reincidentes aumentos das despesas nas três instâncias de poder, mantendo o modelo falido de gestão pública ineficiente e ultrapassado. A carga tributária brasileira não é alta e, sim, proporcional ao tamanho das despesas que não param de crescer. Um desperdício de dinheiro que o povo brasileiro terá que pagar. É de desanimar qualquer cidadão de bem. Os recursos públicos, da maneira como são geridos, são insuficientes para suprir os gastos, então o governo aumenta os impostos. Mesmo assim, as contas nunca fecham. A cobrança deixa de ser tributo e vira confisco, sem que haja contrapartida necessária por parte do governo. O Estado ineficiente não dá conta sequer de suprir as obrigações impostas por lei, como educação de qualidade, saúde e segurança pública. Estamos chegando ao ponto em que o País se tornará inviável. Exemplos de países com alta carga tributária, como a Suécia e a Dinamarca e comprovadamente eficientes na distribuição de recursos, revertidos com sucesso à população, se devem ao fato de o Estado interferir minimamente na vida do cidadão. Até mesmo os governos de esquerda concordam que as altas taxas tributárias reduzem as receitas. No Brasil, a situação é agravada com o atual quadro de recessão, que inibe ainda mais a capacidade de arrecadação, aumentando o défice e comprometendo qualquer tipo de ajuste fiscal. Sem falar na disparada da taxa básica de juros, elevando os gastos com a dívida pública. Pesquisas revelam que o Brasil tem a maior carga tributária da América Latina. Vinha também arrecadando bem acima dos países da região e até mais que muitos países desenvolvidos. Porém, gastando com ineficiência, jogando dinheiro pela janela e o escoando pelos ralos da corrupção. Estudos realizados pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) revelam que os tributos consomem meio ano de trabalho do contribuinte. Em média, 60% da renda dos brasileiros é sugada pelo Estado e a parcela da população que mais sofre são as famílias de classe média. As famílias com renda inferior a R$ 3 mil também são fortemente penalizadas com o confisco de metade dos seus ganhos. Se pesarmos seriamente, chega a ser cruel pagar tanto tributo para o Estado oferecer em contrapartida tão pouco. Em “A Revolta de Atlas”, um dos livros mais influentes dos
Estados Unidos, é relatada a insana individualidade de uma nação fictícia, onde aqueles que produzem e trabalham para o desenvolvimento são explorados por parasitas sanguessuAquiles Leonardo Diniz: gas da sociedade. Nesse clássico da diretor executivo do Banco Intermedium e viceliteratura norte-americana, corrup-presidente da ACREFI tos e burocratas fazem de tudo para impedir o crescimento econômico e social da nação. Mostra, em resumo, um mundo decadente, onde a iminente divisão se dá com as pessoas de bem revoltanto-se e indo embora, deixando para trás o caos instalado. Se fizermos um paralelo, entre 2013/2015, o Brasil vive comparativamente a mesma situação. Milhares de dólares já saíram do País, a exemplo do que aconteceu na Venezuela, na Argentina e na Bolívia. Não há mais investimento no País e quem produz está indo embora. Sobram o governo ineficiente e suas sanguessugas. Outro aspecto importante da história do Brasil é abordado no livro “1808”, sobre a transferência da corte portuguesa para o Brasil, fugindo de Napoleão. O enredo do livro nos faz acreditar que, infelizmente o País padece dos vícios de origem desde o tempo do descobrimento da Terra de Santa Cruz, destinada à exploração sem limites até os dias atuais. Diferentemente de outras nações onde ocorreu de fato a colonização, aqui o que se viu foi invasão e divisão das faixas territoriais ao longo do litoral transformadas em capitanias hereditárias, com o intuito de dilapidar os bens naturais, enviando-os para o exterior. Desde então, ao que parece, ninguém pensa em País como nação e sim, individualmente, de forma a explorar cada centavo produzido a duras penas pelos honestos cidadãos. Aqui prevalece a inversão de valores, onde o Estado – gigante por natureza – é o maior gastador, controla tudo e a todos de maneira ineficaz, enquanto o correto seria “Nós – os acionistas do Brasil S/A” – determinarmos o montante e o destino dos recursos públicos. Um Brasil com o Estado mínimo, eficiente e produtivo, com os lucros revertidos ao bem-estar geral da população. Para o bem deste País, teoricamente, devemos seguir o conselho do governo federal, trabalhando sem cessar “diuturna e noturnamente” para diminuir despesas e não aumentar impostos. E, como diria Nelson Rodrigues, precisamos afastar de vez o nosso “complexo de vira-latas”. f outubro/novembro 2015 financeiro 29
do SISTEMA FINANCEIRO Por Gilberto de Almeida
Depois de 37 anos dedicados ao BC, Sergio Odilon dos Anjos abre sua consultoria e trata as questões dos clientes com o mesmo gás e lucidez que o evidenciaram como servidor na área de regulação do sistema financeiro
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xistem executivos que são tão ligados ao trabalho que parecem não tirar o paletó nem no fim de semana. São tão focados que perdem a desenvoltura habitual quando o assunto foge das pautas clássicas. Esse perfil, quase missionário, encaixa-se perfeitamente em Sergio Odilon dos Anjos, ex-chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central (Denor). Aposentado desde agosto do ano passado, depois de 37 anos dedicados exclusivamente ao BC, Sergio Odilon trabalha agora em sua nova consultoria de treinamento com o mesmo gás e lucidez que o evidenciaram como servidor. Em alguns momentos, chega a ser traído por um ato falho e fala como se ainda fizesse parte do time do BC. “O Banco Central é uma escola espetacular. As pessoas que estão lá têm compromisso e responsabilidade com a coisa pública. São preparadas para trabalhar com muita transparência e têm a noção exata do papel que representam na sociedade”, garante o atual sócio da consultoria Comportamental Treinamento, Produtos e Serviços e também presidente do Comitê Consultivo de Regulação da Cetip. Mas, antes de ingressar na “academia” do BC, em concurso público disputado em 1974, quando ainda cursava o último ano de Economia na Universidade de Brasília (UnB), Odilon já trazia de casa sólidos conceitos de educação financeira e uma refinada bagagem cultural. Filho de pai advogado — diretor da Câmara dos Deputados, transferido do Rio de Janeiro, em 1960, depois da inauguração da nova Capital Federal — e de mãe estatística e economista, aprendeu desde cedo a administrar uma modesta
mesada. “Meu pai tinha princípios muito rígidos com relação ao controle do dinheiro, aprendizado que fiz questão de repassar para os meus filhos. Graças a Deus, tínhamos uma vida confortável, mas sem desperdício, com a noção exata e correta do valor do dinheiro”, conta Odilon, que por pouco não trilhou o caminho da medicina, influenciado pela profissão do avô. Contemporâneos no curso de Economia na UnB, Odilon e Gustavo Loyola, que depois por duas vezes ocupou a presidência do Banco Central (1992/93 e 1995/97), entraram juntos no BC, quando prestaram o mesmo concurso público. Ambos contaram com a importante inspiração do mestre Edmar Bacha, que era o chefe do Departamento de Economia da universidade e, anos mais tarde, tornou-se um dos idealizadores do Plano Real. “O Bacha era um excelente professor. Mesmo com as dificuldades impostas pelo regime militar, das invasões no campus, ele nunca deixou de estimular o debate e as discussões entre os alunos sobre as diversas linhas e tendências da economia”, lembra Odilon. Ainda estudante, aos 20 anos, assumiu suas primeiras responsabilidades no Banco Central no Departamento de Mercado de Capitais. Depois, em 1985, deu um importante salto e passou integrar a enxuta equipe do recém-criado Departamento de Normas do Sistema Financeiro — atual Departamento de Regulação —, levado por seu mentor Sergio Darcy, que tinha no comando da área seu amigo Gustavo Loyola. “Ali, como em outros setores do BC, formamos uma grande família. Ninguém que trabalha ou trabalhou lá diz que faz isso ou aquilo sozinho. As tarefas realizadas pela equipe de Regulação são muita complexas e de grande envergadura. As pessoas analisam minuciosamente cada aspecto que envolve a norma, os processos devem cumprir etapas, até que se chegue a uma edição final”, explica Odilon. “Vou pegar bem leve, mas um processo como Basileia III (novas regras que aperfeiçoam a capacidade das instituições financeiras em absorver choques, fortalecendo a estabilida-
de financeira e a promoção do crescimento econômico sustentável) exigiu, antes da sua publicação, mais de 300 minutas”. Odilon refere-se ao BC com tanto entusiasmo, carinho e dedicação que nem parece já ter se aposentado há mais de um ano. “Quem fala pela instituição não pode dizer qualquer coisa sem antes ponderar sobre as consequências. Uma palavra mal-interpretada pode gerar expectativas adversas”. Segundo Odilon, essa postura extremamente cuidadosa tornou o BC do Brasil uma referência mundial. “Não é exagero, nós somos reconhecidos por organismos internacionais, como o FMI e o Banco Mundial. Nós passamos a ser uma espécie de G8 da Regulação”, compara o executivo.
Após abrir sua consultoria, em fevereiro deste ano, Odilon continua trabalhando em ritmo frenético, mas ainda está longe do turbilhão de questões em que se envolvia simultaneamente no Denor. Conta que, em determinado momento, chegou a ter listado no sistema mais 100 projetos, dos quais 20 eram considerados estratégicos pela direção do banco. “Em alguns instantes, sentia o meu cérebro triturar por tantos assuntos a serem resolvidos ao mesmo tempo, todos exigindo extrema atenção e muita responsabilidade. Atualmente, fazendo consultoria para diversos clientes, viajando o tempo todo, não ocupo 50% da capacidade do meu cérebro, em comparação ao que era requisitado no BC”. Com a vida relativamente mais tranquila, Odilon tem canalizado parte da sua energia ao esporte, paixão que cultiva desde a juventude, quando se tornou aficionado por voleibol. Mesmo com apenas 1,75 m de altura, baixo em comparação ao atual padrão dos atletas profissionais, não fazia feio nas quadras de Brasília. Revela que um dia quem chegou para bater bolas com eles, no Brasília Country Club, foi o Bebeto de Freitas, que já era jogador consagrado, e depois, como técnico da seleção brasileira, foi responsável pela “geração de prata” do vôlei masculino nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, e de Seul, em 1988. Hoje sua atividade esportiva é bem mais suave, com uma hora de caminhada forte pelas bem-arborizadas quadras de Brasília. Além disso, sua nova atividade de consultor permitiu dedicar-se mais às suas pesquisas sobre relógios antigos, ao hobby de cozinheiro e à música. “Sou fã de rock, se anunciarem um show do Paul McCartney em Brasília, compro o ingresso na mesma hora. Adoro frequentar também apresentações de bandas covers que tocam Elvis Presley, Supertramp e Led Zeppelin.” Esses são detalhes praticamente desconhecidos do perfil de Sérgio Odilon que mostram que o zeloso guardião dos princípios do Banco Central consegue, em algumas situações, tirar a gravata e o paletó para cair no rock’n’roll. f
“Quem fala pela instituição não pode dizer qualquer coisa sem antes ponderar sobre as consequências. Uma palavra mal-interpretada pode gerar expectativas adversas” Em seus 37 anos como servidor público, Odilon, assim como os demais executivos do BC, suou muito durante a implantação dos diversos planos econômicos que buscavam derrubar a inflação e nas crises internacionais. Para ele, o BC faz parte do governo, mas não é o governo. “Sua missão transcende os interesses políticos. Sua obrigação é preservar o poder de compra da moeda e manter um sistema financeiro sólido, eficiente e estável”, ensina. Ele lembra que um dia após a decretação do Plano Collor, em 1990, com o avassalador confisco dos depósitos bancários, sua equipe tentava digerir e olhar com lupa as novas e complexas regras para explicá-las aos jornalistas e à sociedade, quando abriu o jornal Gazeta Mercantil e viu o anúncio de um grande banco que, simploriamente, garantia solucionar por telefone qualquer dúvida dos clientes. “Eu olhei, achei muita graça e disse para os meus colegas: já que eles sabem tudo, vamos ligar para eles”, recorda-se, em tom de galhofa, com o desatino da mensagem publicitária.
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artigo Marcos Braga e Marcelo Teixeira
esde a emissão da Resolução do Banco Central do Brasil (Bacen) nº 2554 de 1998, que trata da implementação de sistemas de controles internos, tem sido observado no mercado financeiro um aumento significativo dos requerimentos regulatórios; incluindo a adoção de medidas prudenciais, do monitoramento de risco, de provisões e reforço de capital e do componente de ouvidoria; assim como adoção do IFRS – International Financial Reporting Standards – e o processo em curso de harmonização das práticas contábeis instituídas pelo Banco Central do Brasil para as instituições financeiras (Cosif), as normas internacionais. Como exemplo recente da corrente harmonização dos critérios contábeis adotados pelas instituições financeiras (Cosif), em 25 de junho de 2015 o Bacen emitiu a Resolução nº 4424, que trata da aprovação do pronunciamento CPC 33 – Benefícios a empregados, norma correspondente ao IAS 19 – Employee Benefits, que dispõe sobre o registro contábil e a evidenciação de benefícios a empregados, o qual passa a vigorar para as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil a partir de 1º de janeiro de 2016. Em 2013, um novo framework do COSO foi emitido, atualizando e complementando os requerimentos de gestão de riscos, controles internos e de prevenção a fraude. O referido framework atualizado deve ser utilizado nos sistemas de controles internos pelas instituições reguladas no Brasil e no exterior. A atualização dos sistemas de controles internos requer investimentos em metodologias compatíveis com o COSO 2013 e no treinamento dos profissionais. Mudanças como essas no ambiente regulatório, na governança das instituições e nas práticas contábeis estabelecidas pelo Bacen para as instituições financeiras têm sido frequentes, colocando grandes desafios à frente dos controladores, diretores e executivos de mercado responsáveis pela governança e pelo atendimento aos requeMarcelo Teixeira: rimentos regulatórios. Por sócio de Auditoria da Deloitte outro lado, os profissionais
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que se encontram preparados para atender aos requerimentos do mercado têm sido valorizados e agregam valor às instituições em que atuam, gerando novas oportunidades. No final de 2014, por Marcos Braga: diretor meio da Norma Brasileira de da Deloitte Educação Contabilidade – NBC PG 12, o Empresarial Conselho Federal de Contabilidade passou a exigir que os profissionais responsáveis técnicos por demonstrações contábeis, e aqueles que gerenciam áreas de contabilidade de empresas sujeitas à contratação de auditoria independente ou de empresas de grande porte, passem a cumprir anualmente o Programa de Educação Profissional Continuada, a exemplo do que já ocorria para profissionais de auditoria em geral. Na realidade, essa nova determinação está em sintonia com um processo mais amplo de crescimento da educação corporativa, que vem ocorrendo ao longo desses últimos anos em todo o mundo e em especial no Brasil, em resposta ao já mencionado crescimento dos requerimentos regulatórios. Estudos internos da Deloitte dão conta de que as empresas investem em educação, em nosso país, entre 25 e 30 bilhões de reais anualmente. Mais que isso, uma pesquisa realizada no final de 2014 indica que está havendo um processo acelerado de implementação de universidades corporativas – 28% das empresas pesquisadas declaram já ter estruturas dessa natureza funcionando e, entre as que ainda não as têm, quase um terço manifesta intenção de desenvolvê-las em até dois anos. Treinar e desenvolver as pessoas sempre foi um aspecto importante para a competitividade das organizações. Porém, essa importância vem crescendo ainda mais em função do ambiente empresarial muito mais dinâmico, do processo crescente de internacionalização dos negócios e da velocidade crescente com que novos conhecimentos, ferramentas, processos, leis e regulamentos vêm surgindo. Isto sem contar com a necessidade de se complementar e, muitas vezes, de cobrir lacunas que o próprio processo de formação básica dos profissionais apresenta. Diante desse cenário, a obrigatoriedade do cumprimento de Programa de Educação Profissional Continuada deve ser vista pelos profissionais de contabilidade muito mais como uma oportunidade consistente de desenvolvimento pessoal do que como uma simples obrigação a ser atendida. f
Artigo enviado em 9/10/2015
Os benefícios da educação profissional continuada
A nova Editora
abril Por Theo Carnier e Gustavo Girotto
lexandre Caldini Neto, presidente da Editora Abril, enfrenta uma tarefa espinhosa: colocar novamente no prumo aquele que já foi o maior grupo editorial da América Latina. Sua missão exigiu cortes drásticos, centenas de funcionários demitidos e a negociação de diversos títulos para a Editora Caras — Placar, Contigo, Você SA, Você RH, Ana Maria, Tititi e Arquitetura e Construção —, que no ano passado já havia absorvido outras dez publicações — Aventuras na História, Bons Fluidos, Manequim, Máxima, Minha Casa, Minha Novela, Recreio, Sou+Eu, Vida Simples e Viva Mais. Há um ano no cargo, em sua terceira passagem pela Abril — a primeira foi em 1998 e a segunda em 2011, sempre na área comercial —, Caldini mantém a tranquilidade, mesmo diante de novos ajustes, que executará em breve.
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Um deles envolve um dos maiores orgulhos de Roberto Civita, falecido em 2013, que esteve à frente do grupo durante quase 30 anos. A saída da editora do NEA (Novo Edifício Abril), na Marginal do Rio Pinheiros, em São Paulo, que abriga boa parte da empresa desde fins dos anos 1990. “Estamos procurando um prédio adequado às nossas necessidades, mas a situação está sob controle e sabemos onde vamos chegar”, garantiu Caldini. Sobre os boatos de quebra da empresa, reconhece que busca saída para problemas seríssimos, mas nem tudo está perdido. Uma de suas apostas é o novo modelo de negócio baseado na criação de conteúdo adaptado às necessidades dos clientes, sem transgredir os princípios editoriais. A seguir, leia sua entrevista na íntegra.
Alexandre Caldini Neto revela sua estratégia para gerar faturamento e revitalizar a gestão daquele que já foi o maior grupo editorial da América Latina
Revista Financeiro – O senhor tinha noção do tamanho do problema quando assumiu, há um ano, a presidência da Abril? Alexandre Caldini – Quando o Fabio Barbosa — ex-presidente da Abril Mídia, que deixou o grupo em março deste ano — me convidou a voltar para a Abril, ficamos negociando por um bom tempo. Aceitei e, desde então, estou vivendo momentos muito interessantes. Tanto o Fabio, que é um querido amigo e um profissional muito capaz, quanto os dois acionistas mais próximos, o Victor Civita Neto e o Giancarlo Civita, já sabiam que enfrentavam uma situação muito complexa. Isso facilitou porque, quando você entra e a condição está estável, é muito difícil mudar qualquer coisa. Hoje, eu sento e digo: “Olha, isso não dá mais. Isso sim, isso não”. Além disso, o apoio dos acionistas foi fundamental para implantar as mudanças e deixar a empresa muito mais focada. O Abilio Diniz, que falou no nosso evento de integração da equipe, relacionou três termos essenciais para quem busca a reengenharia do negócio: foco, simplificação e eficiência. As duas primeiras palavras levam à terceira. É exatamente isso o que estamos fazendo aqui.
RF – Como foram o processo de revisão e o ajuste dos títulos? Caldini – Nós abrimos mão de títulos que não eram tão rentáveis e alguns já deficitários. Isso, no passado, era muito difícil por causa do tamanho da estrutura da empresa, combinado com um mercado incerto, que encobria as deficiências. Em estruturas grandes, sempre existe o receio de que os ajustes afetem outros setores. No caso da Abril, por exemplo, os setores de assinatura e da gráfica. Isso aqui não existe mais. Cada área de negócio cuida da sua saúde. Títulos que para nós já não eram interessantes foram negociados. No entanto, eles se tornaram muito atraentes para a Editora Caras. No total, vendemos, em duas etapas, 17 títulos.
RF – Como foi essa negociação? Caldini – Nós vendemos e eles pagaram um bom dinheiro. São duas empresas com estratégias de negócios diferentes. Aliás, admiro muito o trabalho da Caras. Eles ficaram com um portfólio bastante interessante. Eu diria que se tornaram a segunda maior editora do País, depois da Abril.
RF – Os títulos internacionais também passaram por ajustes? Caldini – Dos contratos de marcas internacionais, como a Elle, renegociamos os royalties. Essa foi uma operação conduzida integralmente pelo Tiago Afonso, diretor de Marketing, um executivo de 36 anos de idade, há 16 na empresa, que enxerga o mundo de forma digital. Esse é um mundo que não é meu.
RF – Após os cortes, quais serão os próximos passos? Caldini – Focamos nos títulos rentáveis, reduzimos a estru-
tura e o número de pessoas. Este prédio, hoje, está praticamente vazio. Só ocupamos um pouco mais de seis andares, em 26 pavimentos. Boa parte do que restou transferimos para o nosso prédio próprio na Marginal Tietê, que estava desocupado desde a saída da estrutura da Abril Educação, que foi negociada, em fevereiro deste ano, com os Fundos Tarpon. Aqui, o NEA é alugado da Previ, por um dinheiro enorme.
RF – Toda as redações da Abril irão para o prédio da Marginal Tietê?
Caldini – Não. Esse era o grande desespero das pessoas. Mas, curiosamente, existem aqueles que até acham a ideia bacana. No entanto, nós vamos para um espaço menor. Outra mudança que estamos implantando é o teletrabalho. No começo é opcional, um dia por semana o funcionário trabalha de casa. Você decide o dia e acerta com o seu chefe. Para otimizar o espaço físico, estamos estudando também a adoção do free desk, estações de trabalho sem ocupante fixo.
RF – É a busca por mais eficiência e redução de custo? Caldini – Essas mudanças, na verdade, compõem o perfil de uma nova Abril, que surgirá em um ano, um ano e meio. Será uma empresa radicalmente nova.
RF – Mudou também a relação da Abril com as agências de propaganda? Caldini – Nós estamos treinando muito o nosso pessoal. É preciso, antes de tudo, entender o que o cliente quer. Muitas vezes, vamos além das suas necessidades. Outro dia um dos nossos vendedores e a Virginia Any, diretora de Publicidade, foram visitar uma superagência de São Paulo, que atende uma grande montadora. No dia seguinte, coincidentemente, eles tinha uma reunião com o marketing dessa mesma montadora. Resultado: do encontro com a agência extraíram três linhas de anotações. Já com a montadora conseguiram três páginas de informações. O cliente sabe muito mais sobre o produto. É possível sentir a sua angústia. Essa relação permite que a gente ofereça uma proposta muito mais específica e assertiva. RF – Isso não pode criar um problema no relacionamento com as agências? Caldini – Continuamos respeitando muito as agências. Elas continuam envolvidas nas negociações e recebem sempre o seu percentual previsto pelo mercado. Mas não podemos ficar mais só com as informações passadas pelas agências, pois nunca teremos 100% dos dados. RF – Quais são os objetivos com a criação do Estúdio ABC (Abril Branded Content)? Caldini – O Estúdio ABC é uma área tocada pelo Edward Pimenta, diretor de Apoio Editorial, que faz o que todo cliente sempre pediu e a gente nunca conseguiu entregar direitinho. Com a ajuda de alguns jornalistas sêniores, outubro/novembro 2015 financeiro 35
mídia “Todo mundo escreve para o conteúdo impresso e para as plataformas digitais. Se for o caso, o jornalista também aparece falando no vídeo”
produzimos conteúdos criativos e customizados para os clientes. Quer um exemplo? Fomos procurados pela HBO, que lançou em agosto a série O Hipnotizador. Eles pretendiam transformar o assunto em pauta. Nós produzimos, então, oito páginas na Superinteressante, com um texto absolutamente isento, com a pegada que agrada o leitor da revista. A intenção era só despertar para o tema. O assunto depois bombou no portal Brasil Post, parceria da Abril com a matriz americana do Huffington Post, que propôs brincadeiras e sugeriam hipnotizações. Sei que isso acabou viralizando nas redes sociais. Isso não é propaganda, mas também não é matéria paga. Não sei definir exatamente. Acho, porém, que é uma coisa que veio para ficar. Talvez esteja aí uma grande saída para a Abril em termos de faturamento publicitário.
RF – E no editorial? Caldini – O editorial também tem que mudar. Um palestrante do Huffington Post falou aqui uma coisa muito interessante: “Antes, o jornalista escrevia uma matéria e ia embora para casa. Agora, não. Tudo depende da receptividade”. Com a facilidade do on-line, se a matéria não tiver boa resposta, é possível trocar o título, colocar ou tirar uma interrogação.
RF – Ou seja, ficou mensurável? Caldini – Eu fui marketing a vida inteira. Antes, mesmo que eu tivesse dúvida em uma campanha e ousasse questioná-la, era convencido a aprová-la depois de argumentos charmosos dos publicitários. Ninguém media nada. Se o produto não vendesse, existia o argumento de que campanha era engraçada. Não é mais assim, tudo é mensurado. O jornalista tem que se adaptar a essa nova realidade. 36 financeiro outubro/novembro 2015
Estamos fazendo o on e o off. O trabalho é integrado. Todo mundo escreve para o conteúdo impresso e para as plataformas digitais. Se for o caso, o jornalista também aparece falando no vídeo. Não há limites estabelecidos.
RF – O posicionamento editorial da Veja não está trazendo impacto em receita? O governo responde com corte na publicidade. Caldini – Isso é muito grave. Isso envolve muito dinheiro. Mas isso não atinge apenas a Veja, outros veículos diários e semanais também estão sendo afetados. Começamos agora a ter um retorno velado do governo, com a Petrobras e o Banco do Brasil. Se eu pegar os números de anos atrás, atualizados para hoje, o rombo é gigantesco. Mas é preciso viver sem isso. É uma opção da casa manter a linha editorial da Veja. É o custo da liberdade. RF – Como imagina a Abril nos próximos anos? Caldini – Como sou um profissional de marketing, espero a manutenção do reconhecimento de qualidade da marca. É importante manter a força e a vitalidade de títulos, como Veja, Exame, Quatro Rodas, Viagem e Turismo, Superinteressante, Mundo Estranho, construídos ao longo desses 65 anos da editora. Como é que eu faço para manter essas marcas vivas e fortes para as novas gerações? Explorando as plataformas digitais, as redes sociais, a produção de vídeos, entre outras coisas. São comunidades que orbitam em torno das marcas. Não sei qual é o futuro do formato impresso. Não sei como irá se comportar a circulação. Hoje, surpreendentemente, as assinaturas correspondem a 8% do rendimento, 1% acima do ano passado. Em carteira, estamos 8% abaixo do ano passado, circulação total de 6%. Não estamos vivendo uma queda drástica. f
Revisão do quadro político e econômico brasileiro
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egundo o G100, Núcleo de Estudo empresariado nacional. Por endos Internacional, que no Brasil quanto, os movimentos são pendulaé composto de 100 membros res. Alguns setores ainda se mantêm (acionistas, presidentes e CEOs) efeativos enquanto outros desaceleram tivos e nomeados, mais 20 membros mais fortemente. A produtividade au(economistas-chefes e especialistas mentou, graças à redução dos ganhos financeiros), orientado pelas alianças reais. A descoordenação do governo é de conteúdo com a FGV, a ESPM e ammuito grande, com o País em liquidapla rede de parceiros estratégicos, na quase unanimidade ção de seus ativos operacionais. de seu núcleo econômico, tem-se que as expectativas consDe fato, o governo não tem um plano de voo. Tentruídas sobre o momento econômico e político embutem ta ganhar tempo para reduzir as pressões políticas que percepções bastante negativas, mas convergentes, sobre o atravessa, mas não definiu direções e carece de um plamau momento vivido pelo País. no de longo prazo. Sugerem um agravamento do quadro econômico para o A imobilização governamental atingiu as áreas de coúltimo trimestre do ano, sustentado por incertezas de cará- operação técnica e de transferências de tecnologias. O ter político. Espera-se pelo aprofundamento Japão firmou contrato com o Brasil para dos níveis de desemprego, hoje em 7,6% nas transferência de tecnologia na área de grandes capitais, segundo o IBGE, podendo alprocessamento de alumínio, contrato esse cançar 10 ou 11% até o final do ano. A inadimreafirmado pelo Ministro Abe, quando de plência também se ampliará, impulsionada sua presença recente ao Brasil. O Japão pelo baixo nível de atividade e pelas altas tacumpriu sua parte, alocando recursos fixas de juros praticadas no Brasil. As tentatinanceiros e levando bolsistas brasileiros vas de construção de um cenário econômico para treinamento naquele país. O intuito ficam prejudicadas pela instabilidade política. japonês era o de desenvolver tecnologia loAté que a âncora fiscal não esteja consolidada, calmente, transferindo-a para produção no será difícil visualizar o fim desse ciclo de reBrasil e possibilitando um aumento das extração. O câmbio tem apresentado volatilidaportações para a Ásia e a Indochina. Países, de inusitada, com variações fortes a cada dia, como a Indonésia, crescem a taxas de 4% a especialmente no mercado futuro, em que os 5% ao ano. O Brasil não aportou os recurRodrigo Romero: fundador descasamentos são muito grandes. A inflação sos prometidos e cortou as bolsas dos pare presidente do G100 sofre reduções, a reserva cambial está em paticipantes do curso. Os bolsistas passaram Brasil – Núcleo de Estudos tamar confortável, mas o País não cresce. a viver em situações precárias no exterior. do Desenvolvimento O ajuste fiscal é necessário. Entretanto, não O programa, tido como prioridade pelo goEmpresarial e Econômico temos sido capazes de realizá-lo e, mesmo que verno japonês, encontra-se paralisado. Falo ajuste proposto fosse levado a cabo, não há perspectiva para tam empenho e compromisso da parte brasileira em relação que as contas públicas voltem a ser positivas. Não há planos a essas oportunidades, que mais uma vez demonstra a falta para a contenção de gastos e não há apoio no Congresso para de preocupação e interesse em desenvolver o País, com as fazer cortes. A vontade política sujeita-se a negociações estra- boas oportunidades que nos surgem. f nhas à vida econômica, mantendo uma Segundo as pesquisas realizadas com os membros Brasil, trajetória crescente da dívida públiatualmente temos os seguintes indicadores: ca. O mercado financeiro continua em queda, deixando ver a continuidade do processo de retração. Os resultados da operação “Lava Jato” e as concessões podem levar novo ânimo à confiança
) Extrato
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artigo Tiago Severo Gomes
Conselhinho em 360 graus tem como objetivo apresentar, em apenas uma volta, um panorama amplo em relação ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional – CRSFN. Assim como um relógio de ponteiro, pode-se dividir esse giro em quatro vetores principais, quais sejam:
Vamos à volta completa?
0h00: o mercado financeiro brasileiro e a origem de sua regulação jurídica O País aderiu ao sistema financeiro internacional proposto em Bretton Woods, em 1944. A partir de então, a política econômica nacional necessitava de um modelo que contivesse autoridades centrais para a integração entre os sistemas econômico, político e jurídico. Somente com a entrada em vigor das Leis 4.595/64 (Reforma Bancária) e 4.728/65 (Reforma do Mercado de Capitais), foi efetivamente organizado o Sistema Financeiro Nacional e definidas as competências de cada órgão, em suas respectivas áreas de atuação. Foram criados e estruturados o Conselho Monetário Nacional — CMN — (antigo SUMOC) e o Banco Central do Brasil (BACEN). O CMN ficou responsável pela implementação das políticas monetária, cambial e creditícia. A competência para a regulação do sistema bancário foi atribuída ao BACEN, e do mercado de capitais à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
3h00: o Conselhinho O Conselhinho foi criado pelo Decreto nº 91.152, de 15/3/1985, com o objetivo de substituir a competência recursal do CMN. É órgão de deliberação colegiada, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda (MF), composto por oito conselheiros (quatro representantes indicados pela administração pública – dois nomes escolhidos pelo Ministério da Fazenda (MF), um pelo BACEN e um pela CVM – e outros quatro de entidades de classe do mercado financeiro, tais como FEBRABAN, ANCORD, ANBIMA e ABRASCA, por exemplo). Também integram o Conselhinho: três procuradores da Fazenda Nacional (PGFN), designados pelo procurador-geral da Fazenda Nacional, com a atribuição de zelar pela fiel observância da legislação aplicável, e um secretário-executivo, nomeado pelo Ministério da Fazenda, responsável pela execução e coordenação dos trabalhos administrativos. Os membros do Conselhinho e seus suplentes são designados por ato do ministro da Fazenda, com mandato de dois anos, prorrogáveis por prazo idêntico, não sendo passíveis de demissão ad nutum. De forma
bem ampla, compete ao Conselhinho julgar em segunda e última instância administrativa recursos interpostos de decisões relativas às penalidades administrativas aplicadas pelo BACEN, pela CVM, pelo Banco Nacional de Habitação (BNH), pela Carteira de Comércio Exterior (CACEX) e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Tiago Severo Gomes: advogado do Pinheiro Neto Advogados e professor da FGV
6h00: o Conselhinho, seus números e principais decisões tomadas em 2015 Entre os anos de 1985 e 2013, o Conselhinho julgou 13.604 (treze mil seiscentos e quatro) recursos. Arredondando os números, pode-se dizer que o colegiado leva em média três anos para analisar um recurso e 68% (sessenta e oito por cento) de suas decisões mantêm o entendimento fixado em primeira “instância” administrativa. Entre as principais decisões tomadas em 2015, o Conselhinho definiu que não possui competência para aplicar o princípio da reformatio in pejus, ou seja, não pode piorar uma determinada sanção anteriormente aplicada. Nos últimos meses, o colegiado já teve a oportunidade de analisar recursos envolvendo as atividades desenvolvidas por auditores independentes, factorings e gestores de carteira. No recurso nº 13.286, por exemplo, levou em consideração o princípio do in dubio pro reo para absolver uma empresa de auditoria e seus auditores. Por maioria de votos, o colegiado considerou que o conteúdo disposto em parágrafo de ênfase ao relatório contábil sobre a amortização integral do ágio oriundo de expectativa de rentabilidade futura em companhia controlada produz o mesmo efeito prático de eventual ressalva em parecer emitido por auditor independente, com fundamento no artigo 14, § 2º, letra “a”, da IN CVM nº. 247/96. No recurso nº 12.972, o Conselhinho entendeu que a mera previsão para o exercício de regresso, em caso de simples inadimplemento da obrigação cambial, descaracteriza a atividade de factoring e materializa o exercício irregular de atividade própria de uma instituição financeira, nos termos do artigo 17, da Lei nº. 4.595/64. E no recurso nº 13.356, as falhas na prestação do serviço de hedge dinâmico caracterizaram a falta de dever de diligência do gestor de carteira, em desacordo com o artigo 153 da Lei das Sociedades por Anônimas c.c. artigo 14, inciso II, da IN CVM nº. 306. outubro/novembro 2015 financeiro 41
artigo Tiago Severo Gomes Comparação anual entre o percentual de decisões confirmadas e alteradas
http://www.bcb.gov.br/crsfn/Relatorio_2013_CRSFN.pdf
9h00: o controle judicial de suas decisões Nos últimos dez anos, menos de 1% das decisões proferidas pelo Conselhinho tiveram algum desfecho perante o Poder Judiciário. O número é bastante pequeno, de fato. O que não quer dizer que não haja espaço para discussão. O Judiciário já afastou a condenação de um ex-administrador de instituição financeira por ato omissivo; considerou (i) que a incidência da multa por sonegação de cobertura cambial, prevista no artigo 3º, do Decreto nº 23.258/33, pode vir a ser afastada na hipótese de comprovação da efetiva prática de atos no sentido de buscar dar cobertura aos valores de exportação faltantes, desde que antes da intimação promovida pelo BACEN; e (ii) determinou que é ilegal a cobrança de multa imposta pelo BACEN diretamente da conta de reserva bancária da instituição financeira, fiscalizada pela própria autarquia, pelo fato de ter ocorrido o fechamento de câmbio fora do prazo previsto nas circulares nos 2.747, 2.749, 2.777 e 2.778/97, extraídas da Medida Provisória nº 1.734-22/99. Analisando questões processuais, o Poder Judiciário fixou o entendimento de que (i) a pretensão punitiva da Administração Pública em relação à infração administrativa, que também configura crime em tese, somente se sujeita ao prazo prescricional criminal quando instaurada a respectiva ação penal (REsp nº 1.116.477/DF, 1ª Turma do STJ); e (ii) o CRSFN terá legitimidade para figurar no polo passivo da lide que tiver a finalidade de anular decisão proferida pelo BACEN e revista pelo CRSFN (EDcl no REsp nº. 1.149/477/DF, 1ª Turma do STJ).
12h00 e fechando o giro de 360 graus: a importância do Conselhinho e o porquê de se recorrer A regulação econômica do mercado financeiro nacional tem o objetivo de assegurar a solidez e o seu regular funcionamento, promover a sua eficiência e a inclusão financeira da população,
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mas, para as partes sujeitas a essa regulação setorial do Estado, a atuação na área pode ter como consequência sanções administrativas impostas pelos referidos órgãos. O papel do Conselhinho como revisor, em último grau administrativo, das sanções aplicadas no âmbito da regulação do sistema financeiro nacional está inserido no contexto em que (i) o volume total de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 3.022 bilhões em dezembro de 2014, com expansões de 2% no mês e 11,3% no ano (comparativamente a 14,7% em 2013). A relação crédito/PIB atingiu o patamar de 58,9%, ante 58% em novembro e 56% no final de 2013; e (ii) no conjunto, as distribuições públicas de ações, debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), notas promissórias (NPs) e fundos estruturados (FIDCs, FIIs e FIPs), tomando por base os valores dos registros concedidos, das dispensas de registro e das ofertas realizadas ao amparo da Instrução CVM nº 476/091, atingiram o patamar de R$ 160 bilhões. Vale ressaltar, ainda, que as decisões proferidas pelo Conselhinho equiparam-se a atos administrativos, de modo que o Poder Judiciário, com fundamento no princípio da jurisdição una (CR/88, artigo 5º, inciso XXXV), só poderá exercer controle judicial sobre esses atos quando não forem discricionários. Em outras palavras, em algumas situações o Judiciário não poderá intervir nos motivos que determinaram a aplicação da certa norma infralegal, tais como circulares, resoluções ou instruções normativas, por exemplo. Portanto, em algumas situações, a “jurisdição” administrativa será a única via recursal. Foi cumprido, assim, o objetivo aqui em conduzir o leitor por um giro de 360 graus em torno do Conselhinho. Tratou-se do mercado financeiro brasileiro e a origem de sua regulação jurídica; foi contextualizada a criação do Conselhinho; indicou-se alguns números e principais decisões em 2015; e ficou registrado o baixo número de ações anulatórias submetidas à apreciação do Poder Judiciário Brasileiro. Qual seria o próximo ciclo?
15h00 e o próximo ciclo: compliance no mercado financeiro e de capitais A prevenção, em termos mais precisos. O compliance, sem dúvida nenhuma pode ser o melhor caminho para o atendimento de normas regulatórias que disciplinam o modus operandi do mercado financeiro brasileiro. Pode até não parecer, mas no País, a cada dia que passa, não há como se furtar em saber o que se passa e que norma deve ser cumprida. Por exemplo, a depender da conduta praticada pelo agente atuante no mercado financeiro, a preocupação deve estar voltada para a pena de inabilitação. Com a edição da Lei da Ficha Limpa, LC nº 135, de 4 de junho de 2010, em vários casos tem-se visto o BACEN não autorizar a posse em cargo de direção de instituição financeira até a decisão final do Conselhinho, como se o candidato à vaga fosse “ficha suja”. Esse e outros temas farão parte do próximo ciclo, que envolve o Conselhinho. f
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Financiamentos de veículos somam 1,3 milhão unidades no 3o Trimestre/2015
o terceiro trimestre do ano, os financiamentos de veículos no Brasil somaram 1.322.639 unidades, sendo 578.014 novas e 744.625 usadas. O volume representa queda de 18,1% em relação ao mesmo período de 2014. Já considerando o acumulado do ano até setembro, as vendas financiadas de veículos atingiram 4.034.689 unidades, recuo de 13,2% na comparação com o ano passado. Os números levam em consideração automóveis de passeio, comerciais leves, motos e pesados. O levantamento é da Unidade de Financiamentos da Cetip, que opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG), base integrada de informações que reúne o cadastro das restrições financeiras de veículos dados como garantia em operações de crédito em todo o Brasil. O SNG impede que o processo de financiamento de veículos seja suscetível a fraudes sistêmicas. Volume de financiamento de veículos (3o Trimestre/2015)
Nos últimos anos, o desempenho dos usados tem sido melhor em relação aos novos. No terceiro trimestre, esse movimento se manteve. Foram financiados 744.625 veículos usados, entre autos leves, motos e pesados, queda de 10,4% ante o mesmo período de 2014. Já as vendas a crédito de novos somaram 578.014 unidades, queda de 26,3% na mesma base de comparação.
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No acumulado do ano, o menor recuo dos usados também é percebido. De janeiro a setembro, foram financiados 2.240.226 veículos, volume 4,9% inferior na comparação com o mesmo período de 2014, enquanto os novos somaram 1.794.463 unidades, queda de 21,8%. Esse menor recuo dos usados também acontece nos financiamentos de automóveis leves. No terceiro trimestre, os carros novos somaram 356.307 unidades, baixa de 29,4% em relação ao mesmo período de 2014. Já os usados totalizaram 682.145 unidades, queda de 10,4% na mesma base de comparação. Volume de financiamento de veículos por categoria
No período, vendas financiadas de automóveis leves novos acumulam queda de 29,4% Modalidades de financiamento de veículos (3o Trimestre/2015)
A melhor performance dos autos leves usados, em relação aos novos, está sendo impulsionada pelas vendas financiadas dos carros de 4 a 8 anos de uso. No terceiro trimestre, foram negociadas 355,8 mil unidades. O volume representa uma queda de 5,7% na comparação com o mesmo período de 2014. Apesar disso, o recuo verifi¬cado é menor do que nas outras faixas etárias. Nos autos leves novos, a baixa foi de 29,4%, enquanto os financiamentos dos carros com até três anos de uso caíram 15,2%. Financiamento por tempo de uso (3o Trimestre/2015)
Já em relação ao prazo médio de financiamento por tempo de uso, no terceiro trimestre, o levantamento aponta que ficou praticamente estável, na comparação com o mesmo período de 2014, em todas as categorias. Os automóveis leves novos apresentaram um prazo médio de 37,5 meses, enquanto o prazo para os de quatro a oito anos de uso ficou em 42,5 meses. f Prazo médio de financiamento por tempo de uso (3o Trimestre/2015)
Entre as modalidades de financiamento de veículos, o consórcio apresentou a menor queda no terceiro trimestre do ano. Os dados consideram as aquisições de veículos por cotas contempladas, mas não quitadas de consórcio. Foram vendidas 211,6 mil unidades por meio de cotas de consórcio, queda de 6,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O menor recuo da modalidade foi impulsionado principalmente pelos automóveis leves usados, que somaram 69,6 mil unidades comercializadas por meio do consórcio no terceiro trimestre, volume 18,5% maior do que o veri¬ficado no mesmo período do ano passado. Os dados consideram as aquisições de veículos por cotas contempladas, mas não quitadas de consórcio. outubro/novembro 2015 financeiro 45
O esportivo do para chamar de seu Criado para comemorar os 24 anos da parceria da Aston Martin e a produtora Eon, responsável pelos longas-metragens de James Bond, DB9 GT Bond Edition será fabricado em edição limitada: apenas 150 unidades. O esportivo, com motor V12 de 6 litros, 547 cavalos e 63,2 kgfm, alcança velocidade máxima é de 295 km/h. Acelera de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos. Ao ligar a ignição, o fã ouve uma saudação especial de Mr. Bond.
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ames Bond está para a Aston Martin assim como a Capela Sistina está para Michelangelo. Exagero à parte, o famoso personagem do agente secreto acaba de receber da montadora britânica uma merecida e emblemática homenagem: a série especial do DB9. Batizada de DB9 GT Bond Edition, o bólido será fabricado em edição limitada: apenas 150 unidades. A ideia foi comemorar os 50 anos do acordo entre a Aston Martin e produtora Eon, responsável pelos longas-metragens de James Bond. No entanto, para frustração dos fãs de Aston Martin, DB9 GT Bond não será usado na 24ª produção da Eon, Spectre, para o agente britânico. No longa, 007 pilotará o novo DB10, também concebido especialmente para o filme. Entre os chamarizes do DB9 GT Bond Edition estão a pintura exclusiva cor prata spectre, as rodas de 20 polegadas, com 10 raios, e as plaquetas que identificam a versão limitada do esportivo, com numeração de 1 a 150. Ao acionar a ignição, o motorista ouve uma saudação especial de Mr. Bond. O carro é equipado com motor V12 de 6 litros, com 547 cavalos e 63,2 kgfm. A transmissão é automática, de seis marchas. Para quem é ligado em velocidade, o DB9 GT acelera de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos, com máxima de 295 km/h. Cada unidade custa a partir de 165 mil libras. f
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Turma do pedal P
olêmica à parte com a criação das ciclofaixas em São Paulo, as bikes continuam em alta. Seja na hora de entrar em forma e perder calorias ou simplesmente nos momentos de lazer. Não importa. As magrelas ganham espaço na vida das pessoas e conquistam lugar especial nas garagens. Algumas são joias sobre duas rodas. Conheça e se inspire em modelos que atraem pela tecnologia e outros que provocam desejo por sua personalidade e estilo. f
Ferrari Steel 24
abricados pela Komda, a bicicleta da Ferrari reúne a tecnologia, o desempenho, a esportividade e a tradição das equipes de Maranello (Itália). As duas rodas do Cavalinho Rampante combinam leveza, resistência e design exclusivo.
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ua perfeita interação com o ciclista é resultado de minucioso estudo de ergonomia e design. O projeto da bike da BMW não economiza na comodidade, como o sistema de amortecimento diferenciado, e o sistema de segurança de ultrarresistente.
om o padrão de conforto dos carros Mercedes, a bike da montadora alemã esbanja no design e na qualidade. Seu quadro é produzido em alumínio, pintado de branco, e disponível em três tamanhos M, L e XL, de acordo com a altura do ciclista.
Land Rover All Route 633
uma bicicleta que não nega fogo na hora do esforço. Suas rodas robustas e seu câmbio aguentam qualquer parada, seja em percursos íngremes ou em pistas que exigem maior velocidade — sem deixar de oferecer um conforto compatível.
ó a marca já garante destaque nas ruas. Seu modelo unissex garante elegância e bom gosto. Com detalhes de couro, ela oferece bolsas ou suportes laterais que permitem levar pequenos objetos e alguns acessórios, como pequenas ferramentas e uma bomba portátil para calibrar os pneus.
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saúde perfil
Benjamin Apter: médico especialista em medicina esportiva e proprietário da B-Active
Direcionada ao público que não descuida da saúde mesmo com algum desconforto físico, a rede B-Active implantou o conceito da academia terapêutica. A proposta atraiu alunos que se transformaram em franqueados do negócio
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azer atividade física vai muito além de simplesmente vestir um calção, calçar um tênis e sair por aí. Antes de fazer as pazes com o parque ou com a academia de ginástica, é imprescindível ouvir a opinião de um médico. Esse cuidado deve ser ainda maior se você sente dores, desconfortos, tem algum tipo de limitação motora ou sofre de outros incômodos. Foi pensando exatamente nesse público mais atento à saúde e adepto de ambientes mais tranquilos que a B-Active implantou o conceito de academia terapêutica. De acordo com Benjamin Apter, médico especialista em medicina esportiva e proprietário da B-Active, a academia terapêutica atende com segurança pessoas lesionadas, idosos, atletas em recuperação, obesos, hipertensos ou qualquer outra pessoa que necessite de um acompanhamento constante na prática de exercícios ou, simplesmente, aqueles que buscam um atendimento diferenciado, exclusivo e dedicado. Outro benefício desse modelo de academia
é que cada profissional atende no máximo três alunos. Dependendo do objetivo ou restrição do aluno, ele será encaminhado para atividades como fortalecimento muscular (supervisionado), fisioterapia, RPG ou pilates. “O atendimento, a frequência e a modalidade serão definidos após a avaliação médica e fisioterapêutica. O aluno pode treinar de uma a cinco vezes na semana, com aulas de 50 minutos de duração, supervisionados de perto por profissionais de fisioterapia e educação física”, explica Apter. Foi exatamente esse padrão de atendimento que levou a administradora de empresas Patrícia Vizeu a buscar, por indicação médica, os cuidados da unidade do Ibirapuera da B-Active. Ela sofria com problemas de fibromialgia, síndrome que provoca dores por todo o corpo durante longos períodos. Nada como testar e aprovar o serviço. Passados os primeiros meses de tratamento, diante dos resultados conquistados, ela e o marido, Rubens Cusnir, resolveram investir no conceito da B-Active e
Rubens Cusnir e Patrícia Vizeu: franqueados das unidades Ibirapuera e Moema da B-Active inauguraram, em novembro de 2013, uma unidade da franquia em Moema, bairro nobre da zona sul de São Paulo. A rede B-Active possui seis unidades – cinco na capital paulista e uma em Campinas (SP). A partir daí, Patrícia passou a dedicar 100% do seu tempo à administração do negócio. “Só me dou o direito de esquecer as obrigações de franqueada uma hora por dia, tempo que dedico aos exercícios, e passo a ser apenas mais uma aluna da academia”, conta a franqueada. Sua atenção à administração da unidade de Moema levou o Dr. Benjamin Apter a oferecer ao casal também o comando da B-Active do Ibirapuera. Eles aceitaram a proposta e há um ano Patrícia se divide entre os afazeres das duas unidades. “O importante é não perder o pique e manter o foco no atendimento integral dos alunos”, ensina a empresária. f outubro/novembro 2015 financeiro 53
cultura Instalado em um prédio neoclássico, no centro histórico de Santos, litoral paulista, o Museu do Café conduz o visitante a uma viagem à cultura cafeeira que impulsionou a economia nacional até os anos 1950. Atenção: não saia de lá sem antes tomar um cafezinho inesquecível
Foto: Divulgação/André Monteiro
Era dos barões
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tro Histórico – Santos, SP, Tel.: (13) 3213.1750 www.museudocafe.org.br/
Salão do pregão: referências à cultura maçônica, como a estrela de Davi no piso, a pedra triangular, o martelo e a colher de pedreiro
Lojinha: o espaço oferece diversos tipos de suvenires, como camisetas, agendas, livros, canetas e buttons Cafeteria: bebidas de grãos selecionados, como Cerrado de Minas, Sul de Minas, Alta Mogiana, Chapadão do Ferro, Blend da Cafeteria, Orgânico, Vale da Grama e Jacu Bird Coffee
Museu do Café: Rua XV de Novembro, 95, Cen-
aso esteja em São Paulo e queira fazer um programa diferente e inesquecível, deixe a preguiça de lado, pegue o carro, desça a Serra do Mar e vá conhecer o Museu do Café, em Santos, litoral paulista. Não vai se arrepender. Instalado em um majestoso prédio em estilo neoclássico, onde funcionou a Bolsa Oficial de Café, o espaço ainda transpira atmosfera de riqueza produzida pela cultura cafeeira na primeira metade do século passado, quando a região central de Santos era a principal referência internacional na comercialização do produto. Seu último pregão oficial aconteceu ainda na década de 1950, período em que transações do produto foram transferidas para a capital paulista, e o uso do edifício ficou restrito, até 1986, à divulgação da cotação do café no mercado internacional. Porém, o museu ressurgiu com todo o seu esplendor em 1998, depois de mais de um ano de minuciosa restauração. Seu acervo, mantido pela Associação dos Amigos do Museu do Café, preserva murais e vitrais de Benedito Calixto, centenas de livros históricos, fotos memoráveis e documentos e objetos museológicos. No salão do pregão, decorado com imponentes cadeiras de jacarandá, reserve alguns minutos para analisar as referências da cultura maçônica, como a estrela de Davi no piso, a pedra triangular, o martelo e a colher de pedreiro, retratados também em painel de Calixto. No lado externo, a atração é o relógio projetado em contorno neoclássico. Na área de exposições, você acompanha a linha do tempo da produção e da comercialização do café no Brasil, desde a chegada dos primeiros grãos ao país até o período dos barões do café. Esse panorama histórico está dividido em três segmentos: o café e o trabalho; café e novas rotas; e Santos e o porto. Como quem se interessa pela história do café é, certamente, um apreciador do sabor marcante da bebida, não será surpresa que alguns tenham ido até lá movidos pelo simples prazer de tomar uma deliciosa xícara na cafeteria do museu. Só que o desejo pode se transformar em uma grande dúvida, pois deverá escolher entre oito seleções diferentes de grãos: Cerrado de Minas, Sul de Minas, Alta Mogiana, Chapadão do Ferro, Blend da Cafeteria, Orgânico, Vale da Grama e Jacu Bird Coffee. Uma sugestão é tomar um café na entrada e outro na saída. A satisfação será em dobro. f
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Renda-se à atmosfera da belle époque
Na esquina das ruas São Bento com Boa Vista, o Girondino preserva o esmero e a qualidade exigidos, em São Paulo, pelos barões do café
Brasil sempre teve uma relação íntima com o café. Entre o fim do século XIX e o início do século XX, o saboroso grão conquistou, por muitos anos, status de principal produto de exportação do País, e desde então se transformou em uma paixão nacional. Uma das formas que esse amor foi disseminado ocorreu por meio dos cafés, leiterias e casas de chá que se espalharam pelos centros de São Paulo e do Rio de Janeiro, contribuindo com o encantador clima da belle époque. Uma dessas atmosferas onde fervilhavam as discussões políticas e culturais permanece preservada: o Café Girondino, na esquina das ruas São Bento com Boa Vista, antigo coração financeiro paulista. A casa foi inspirada em uma homônima, inaugurada em 1875, na Rua XV de Novembro, próximo à Praça da Sé. Os salões atuais do Girondino foram projetados pelo arquiteto Mauro Bernardes e conservam o requinte cultivado pela aristocracia paulistana. É evidente que o uso obrigatório, na época, do chapéu tanto para os homens como para as mulheres só podem ser lembrados agora pelas fotos que decoram o espaço. No entanto, o serviço dos garçons mantém a tradição: atencioso e discreto. Por outro lado, a modernidade trouxe o café expresso, que praticamente colocou no esquecimento a bebida filtrada no coador de pano.
O Café Girondino hoje é uma interseção entre restaurante, lanchonete, choperia e, claro, cafeteria. Um balcão extenso expõe vistosos doces e salgados. Mas isso não é tudo. O cardápio ainda oferece opções atraentes de pratos e de sanduíches. Não deixe de guardar um espaço no estômago para experimentar uma especialidade da casa: o arroz-doce, combinação cremosa polvilhada com raspas de limão. Os quadros e as fotografias da decoração funcionam como um túnel do tempo em meio turbilhão que toma conta do centro de São Paulo nos dias de semana. O ambiente amplo e de ar intimista é ideal para a reunião de amigos, da família ou até para os encontros de negócios. Suas paredes recobertas por madeira escura destacam alguns bonecos distribuídos nos ambientes, inspirados em antigos boêmios e bons vivants da cidade. A vista de fora não é menos generosa; dali é possível observar o Mosteiro de São Bento e ouvir as badaladas dos seus seis sinos de 1920. É muita coisa e, para usufruir isso, basta tomar um expresso cremoso. f
Café Girondino: Rua Boa Vista, 365 – Centro de São Paulo Tel.: (11) 3229.4574 – www.cafegirondino.com.br outubro/novembro 2015 financeiro 57
o longo do ano de 2015 a nação brasileira tem enfrentado contínua deterioração do quadro econômico, político e social. Em síntese, há confluência de três dinâmicas que se retroalimentam levando à crescente paralisação da Nicola Tingas: economia, à incapacidaeconomista-chefe de de visualizar o futuro da ACREFI e à forte quebra de confiança: 1) crise de governabilidade; 2) vulnerabilidade fiscal; e 3) economia em queda livre. Muito se discute o como sair da crise. As ações de governo têm sido parciais e de curto alcance, insuficientes para reverter expectativas dos agentes econômicos e criar elementos para construir o futuro. O País precisa de sinalizações fortes, intensas e rápidas para sair do imobilismo degradante. É preciso desenvolver três elementos-chave: liderança, credibilidade e confiança. Sem isso, o Brasil corre o risco de permanecer por mais tempo no “vale do baixo crescimento”, com aversão a risco, consumo e investimento.
Liderança No sistema presidencialista predomina a tendência de ampla delegação do protagonismo e liderança ao presidente eleito, com vantagens e desvantagens. De um lado, fica mais fácil implementar a proposta de “economia política” sancionada nas urnas, na medida em que “ex-ante” esta proposição de governo adquire a força do voto, facilitando os acordos legislativos, legais, sociais e empresariais. Por outro lado, na cultura social e política predominante na América Latina, está implícita a expectativa do eleitor de ter um “governo salvador da pátria” ao qual se delega; mas, o eleitor cidadão não se in-
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teressa nem participa profundamente do processo de construção econômica, política e social. Nesse contexto, quando a liderança é fraca, é necessário que as instituições reforcem seu papel para suprimir parte desse vácuo. Cabe ao líder eleito ou à liderança institucional, sinalizar qual é a direção a seguir, estabelecendo missão e objetivos coerentes e exequíveis para o melhor futuro da nação.
Credibilidade A dinâmica da economia contemporânea é desafiadora, com decrescente espaço para acomodar ineficiência, baixa produtividade ou competitividade econômica; como também, inexiste elasticidade para absorver pesados custos fiscais, corrupção e precariedade na gestão pública. A economia virtuosa prescinde de direção construtiva e produtiva que amplie a capacidade de resposta às demandas econômicas e sociais. É preciso que haja liderança efetiva, qualitativa, assertiva, que tenha um “plano de voo” econômico e social exequível, consistente em curto, médio e longo prazos. Esse contexto virtuoso é o que traz a credibilidade necessária para a economia deslanchar, crescer e desenvolver.
Confiança Os consumidores, empresários, governo e indivíduos reagem à sua própria percepção do ambiente econômico presente e expectativa de futuro associada, tomando assim suas decisões (adaptado de John Maynard Keynes). Essa dinâmica contribui para gerar ciclos econômicos ascendentes (virtuosos) ou descendentes (viciosos). Para o Brasil sair do ciclo vicioso atual, é fundamental reverter as expectativas. Para tanto, são necessários os elementos acima indicados, liderança e credibilidade; e também transparência, comunicação e articulação adequada para assim resgatar a confiança e o ânimo dos empresários e consumidores, na retomada construtiva e produtiva da economia. f
Texto escrito em 19/10/2015
Elementos para construir o futuro: Liderança, credibilidade e confiança
Há quase 20 anos, a Cetip cria soluções inovadoras e eficientes para todas as etapas do ciclo de financiamento de veículos. Beneficia as instituições financeiras, revendas e compradores. É ela quem opera o Sistema Nacional de Gravames (SNG). As soluções da Cetip colaboram para tornar a concessão de crédito ainda mais ágil e segura. www.cetip.com.br/financiamentos.
Financeiro 94 - Outubro 2015

References: in dubio
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 artigo 17
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