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Timestamp: 2018-08-19 00:12:02+00:00

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Introdução a engenharia aulas 1 a 4 [unifacs] by EAD UNIFACS - Issuu
INTRODUÇÃO À ENGENHARIA Autor – Rafael Santiago Floriani Pereira
Adriano Lima Barbosa Miranda Diretor de Educação Corporativa e Novos Projetos
Fabiano Prado Marques Diretor Acadêmico – Escola de Engenharia e Tecnologia
Rafael Gonçalves Bezerra de Araújo Diretor da Escola de Engenharia e TI
Adriana Trigolo Revisor Técnico
Diniz Alves de Sant’Ana Silva Revisor Técnico
Barney Vilela Coordenador Geral do Núcleo de Coordenação a Distância Catarina de Sena Pinheiro Diretora da Escola de Engenharia e Ciências Exatas
Daniella Loureiro Koncz Coordenadora de Novos Negócios André Torres Gregório Designer Instrucional
FabriCO Projeto educacional Projeto gráfico Autoria do conteúdo Revisão ortográfica e gramatical
SUMÁRIO CARTA AO ALUNO................................................................................................................ 5 AULA 1 - CONCEITO DE ENGENHARIA.................................................................................. 7 INTRODUÇÃO........................................................................................................... 7 OBJETIVOS................................................................................................................ 8 1.1 A história da engenharia.................................................................................. 8 1.2 Engenharia, ciência e tecnologia...................................................................... 9 1. A Engenharia no Brasil..................................................................................... 13 CONCLUSÃO........................................................................................................... 14 AULA 2 - FUNÇÕES DO ENGENHEIRO NO CONTEXTO TECNOLÓGICO E SOCIAL..................... 15 INTRODUÇÃO......................................................................................................... 15 OBJETIVOS.............................................................................................................. 16 2.1 Engenharia, tecnologia e sociedade............................................................... 16 2.1.1 O engenheiro e a tecnologia.................................................................. 17 2.1.2 O engenheiro e a sociedade................................................................... 18 2.2 O engenheiro e seu ambiente de trabalho.................................................... 20 CONCLUSÃO........................................................................................................... 22 AULA 3 - ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR ENGENHEIROS E SUAS ÁREAS DE ATUAÇÃO... 23 INTRODUÇÃO......................................................................................................... 23 OBJETIVOS.............................................................................................................. 24 3.1 O engenheiro no mercado de trabalho.......................................................... 24 3.2 A Engenharia e suas áreas............................................................................. 26 3.2.1 Especialização......................................................................................... 29 CONCLUSÃO........................................................................................................... 30 AULA 4 - O CONFEA/CREA E SUA LEGISLAÇÃO: ATRIBUIÇÕES LEGAIS DOS ENGENHEIROS.. 31 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 31 OBJETIVOS.............................................................................................................. 32 4.1 O surgimento de um sistema regulador........................................................ 32 CONCLUSÃO........................................................................................................... 39
AULA 1 Conceito de Engenharia
INTRODUÇÃO Conhecer a Engenharia envolve, de certa maneira, conhecer a história da humanidade, uma vez que o desenvolvimento de uma está intimamente ligado à outra. A evolução do ser humano em sociedade só foi possível graças ao aperfeiçoamento de suas técnicas e tecnologias, que contribuíram para que mais avanços sociais ocorressem, culminando em um ciclo responsável pela criação da ciência e da Engenharia. Das pontes feitas com troncos de árvores às estaiadas, das machadinhas de pedra à serra elétrica, das fogueiras aos fornos industriais, a Engenharia possibilitou ao homem modernizar seus costumes, concedendo mais estabilidade à vida em sociedade e moldando as características do ser humano contemporâneo. Nesta aula, você observará essa evolução, as dificuldades envolvidas neste processo e a incrível capacidade humana de interagir com o meio, modificando-o conforme sua necessidade ou vontade, até a chegada e o
desenvolvimento da Engenharia no Brasil. Você também conhecerá as diferenças entre Engenharia, tecnologia e ciência e a maneira com que uma age sobre a outra.
OBJETIVOS » » Conhecer a história da engenharia e o desenvolvimento tecnológico humano. » » Fixar os conceitos de: ciência, tecnologia e engenharia. » » Compreender a interdependência entre os conceitos fixados e de que maneira um interage sobre o outro. » » Definir a engenharia moderna. » » Conhecer o processo de desenvolvimento da engenharia no Brasil.
1.1 A HISTÓRIA DA ENGENHARIA A interação com objetos para a produção de bens não é exclusividade humana. Observar a natureza é uma maneira simples de percebermos o quanto evoluímos nossas habilidades como transformadores de nosso meio, diferenciando-nos de outros animais. Por exemplo, um pássaro, quando constrói sua casa de barro, utiliza a matéria-prima que lhe é disponível. Ele não precisa transformar materiais, mas sim dar forma a eles, atingindo seu objetivo. Sem grande poder de transformação de materiais, os primeiros hominídeos buscavam na natureza objetos que não necessitassem de grandes alterações para serem utilizados, como pedras para a fabricação de elementos cortantes.
Figura 1 - Artefato cortante utilizado na Pré-História. Fonte: Shutterstock (2014).
Essa capacidade de transformar objetos ao dar utilidade a eles foi o diferencial entre a espécie humana e outros primatas e pode ser atribuída à engenhosidade, que até hoje é responsável por nos auxiliar na solução de problemas práticos. Através da confecção desses objetos, os hominídeos conseguiam caçar e se defender de outros animais do seu meio. O primeiro período pré-histórico (paleolítico) já separava o homem do restante dos animais, entretanto, o grande salto evolutivo para a criação de comunidades e o aprimoramento de
AULA 2 – CONCEITO DE ENGENHARIA
tecnologias foi o desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais, ocorridos no período neolítico. Com a redução cada vez maior do caráter nômade humano e o menor tempo necessário para a aquisição de alimentos, restava ao ser humano mais tempo para a criação e o aprimoramento de seus bens. Nessa era foram desenvolvidos, por exemplo, cerâmicas cozidas (de argila), que proporcionaram a criação de novos alimentos, como o pão. Posteriormente, a Pré-História passou por outra revolução técnica que alterou os padrões de vida humanos. É a terceira divisão desse período, a idade dos metais. Como o nome sugere, nessa fase evolutiva, o homem passou a ter domínio sobre alguns metais (inicialmente cobre e estanho), aprimorando ainda mais seus instrumentos de trabalho e, consequentemente, fortalecendo seus laços em sociedade. No período, o homem também inventou a roda, possivelmente na Mesopotâmia, e os egípcios passaram a escrever em papiros. Esses são alguns dos grandes marcos da história humana que podem ser atribuídos à engenharia antiga. Com a engenhosidade humana em pleno desenvolvimento e a possibilidade de documentar as descobertas realizadas (através da utilização de papiros), a engenharia passou por grandes revoluções. Mas ainda faltava uma aliança com outra área em ascensão: a ciência, que, até então, devido à dificuldade de documentação e falta de aplicação, fazia com que a fabricação dos engenhos humanos fosse realizada de forma artesanal, sem conhecimentos teóricos aprofundados. Assim, surgiram duas fases distintas: a engenharia antiga e a engenharia moderna.
1.2 ENGENHARIA, CIÊNCIA E TECNOLOGIA Para compreender melhor a revolução ocorrida na engenharia antiga, cabe uma abordagem contemporânea dessas três diferentes, porém interdependentes, palavras. Segundo o dicionário Michaelis (2014), a engenharia pode ser definida como a “[...] arte de aplicar os conhecimentos científicos à invenção, aperfeiçoamento ou utilização da técnica industrial em todas as suas determinações. Ciência ou arte de construções civis, militares e navais”. Com essas definições, é possível perceber a forte dependência da engenharia moderna à ciência, fato não observado na engenharia antiga, baseada no empirismo e na transferência de métodos de geração para geração. Mas se a engenharia moderna se diferencia justamente por conta da aplicação da ciência, qual é o conceito desta palavra? Por que ela não foi aplicada à engenharia desde os primórdios? A primeira pergunta pode ser respondida novamente com o auxílio do dicionário Oxford (2014), que define ciência da seguinte maneira: “A atividade intelectual e prática que abrange o estudo sistemático da estrutura e comportamento do mundo físico e natural através da observação e experiência”. Com base nessa definição, percebe-se que, nos primórdios da civilização, não existia ciência. Afinal, ainda não ocorria o estudo dos fatos com essa sistematização, para que fosse possível criar padrões para analisar o comportamento das coisas. Nesse ponto, o desenvolvimento das técnicas humanas foi de fundamental importância para o surgimento da ciência, uma vez que a escrita consolidou os conhecimentos adquiridos. Aqui outro conceito começa a ser formado: a tecnologia. Recorrendo mais uma vez ao dicionário Oxford (2014), encontramos esta definida como: “Aplicação do conhecimento científico para fins práticos, especialmente na indústria”.
Com o aprimoramento das técnicas disponíveis, os indivíduos responsáveis por solucionar problemas de ordem prática tornaram-se cada vez mais especialistas, tornando-se a categoria que hoje conhecemos como engenheiros. Essa mudança de um artesão especializado para o que conhecemos hoje é marcada, assim como a própria engenharia, pela aplicação da ciência no desenvolvimento de novas tecnologias. Um dos precursores desta nova fase da engenharia foi Leonardo da Vinci que, além de renomado artista, projetou diversos equipamentos, como um esboço de helicóptero, que pode ser visto na figura a seguir.
Figura 2 - Helicóptero de Leonardo da Vinci. Fonte: Shutterstock (2014).
Outro importante nome para essa revolução na aplicação da ciência foi Galileu Galilei, responsável pelo famoso experimento que comprovou que a aceleração de corpos em queda livre é constante, redator de diversas publicações científicas e considerado o provável elo entre a engenharia antiga e a Engenharia moderna.
A partir desse momento, com os métodos da ciência amplamente empregados, diversos inventos relacionaram ciência e Engenharia, culminando, ao final do século XVII, na Revolução Industrial, período marcado pela mecanização de processos de manufatura. Logo, as funções do engenheiro foram se tornando cada vez mais setorizadas e apareceram as primeiras escolas de engenharia, acrescendo ainda mais aos conhecimentos em expansão. Segundo Bazzo (2006), a primeira escola de engenharia foi criada na França em 1747. Bazzo (2006) relaciona alguns fatos que merecem destaque na evolução científica e tecnológica e, por consequência, na engenharia. 1620 – Francis Bacon preconiza o método experimental. 1637 – René Descartes publica o Primeiro Tratado da Geometria Analítica e formula as leis da refração. 1642 – Blaise Pascal constrói a primeira máquina de calcular.
1660 – É estabelecida a lei de Hooke, princípio básico para o estudo da Resistência dos Materiais, ciência básica das Engenharias. 1674 – O cálculo infinitesimal, ferramenta básica para a análise matemática, é inventado por Newton e Leibniz. 1729 – Stephen Gray descobre que há corpos condutores e não condutores de eletricidade. 1745 – Ewald Jurgen Von Kleist inventa o capacitor elétrico. 1752 – Benjamin Franklin inventa o para-raios. 1764 – James Watt inventa o condensador, componente fundamental para o motor a vapor. 1768 – Gaspar Monge cria a geometria descritiva. 1775 – Pierre Simon inventa a turbina d’água. 1789 – Antoine Laurent Lavoisier enuncia a lei da conservação da massa. 1790 – Lavoisier publica a tábua dos 31 primeiros elementos químicos. 1800 – Alessandro Volta constrói a primeira bateria de zinco e chapas de cobre. 1802 – Joseph Gay-Lussac formula a lei da dilatação dos gases. 1805 – Joseph Furier formula a teoria do desenvolvimento das funções em séries trigonométricas. 1811 – Amedeo Avogadro formula a hipótese sobre a composição molecular dos gases. 1814 – George Stephenson constrói a primeira locomotiva. 1819 – Hans Derstedt descobre o eletromagnetismo. 1824 – Sadi Carnot cria a termodinâmica. 1825 – Nielson constrói o primeiro alto-forno. 1831 – Michael Faraday descobre a indução eletromagnética. 1834 – Charles Babbage inventa a máquina analítica (ancestral do computador). 1837 – Samuel Morse inventa o telégrafo elétrico. 1855 – Henry Bessemer constrói o primeiro conversor para produção do aço. 1867 – Joseph Monier inventa o processo de construção de concreto reforçado. 1878 – Thomas Edison inventa a lâmpada elétrica. 1885 – Gottlieb Daimler e Karl Benz constroem o primeiro automóvel. 1891 – É construída a primeira linha de transmissão elétrica em corrente alternada. 1892 – Rudolf Diesel estuda, inventa e patenteia, e em seguida produz industrialmente, o seu motor de combustão interna. O fato de existirem evoluções científicas e tecnológicas mostra que, apesar da conexão entre estes dois termos, há uma diferença entre eles. Da mesma forma, há uma diferença entre um cientista, “[...] homem ou mulher instruído em ciências ou em uma ciência, principalmente nas ciências naturais; sábio ou sábia” (MICHAELIS, 2014), e um engenheiro, “[...] profissional que,
diplomado por curso de Engenharia, se dedica à arte de construções civis e públicas, como edifícios, estradas, pontes, redes de distribuição e usinas elétricas e a invenções, construções e instalações de máquinas e equipamentos” (MICHAELIS, 2014). De fato, podemos classificar o cientista como o agente fomentador de ciência, enquanto o engenheiro é usuário desta. Para ilustrar melhor a dependência e a diferença entre os três conceitos, pense em algo do seu cotidiano, como os LEDs presentes em diversos utensílios domésticos. Esse componente eletrônico tem seu princípio baseado no fenômeno de eletroluminescência, que é a emissão de luz pela passagem de corrente elétrica e não deve ser confundido com a incandescência, que ocorre em altas temperaturas. O processo de invenção do LED não ocorreu, como em alguns casos, pela demanda por esta tecnologia, mas seguiu o caminho natural da Engenharia moderna. Inicialmente, cientistas descobriram, através de estudos, o comportamento supracitado. Após essa descoberta, foram vislumbradas novas aplicações para o fenômeno descoberto e coube à Engenharia usufruir disso.
Quando se encontra uma solução de Engenharia, está desenvolvida uma nova tecnologia. No caso do nosso exemplo, é o próprio LED..
Ciência » » Fundamento » » Fenômeno
Engenharia » » Aplicação » » Processamento
Ciência » » Produto
Figura 3 - Interação entre ciência, Engenharia e tecnologia. Fonte: Adaptado de Shutterstock (2014).
É importante que o engenheiro sempre tenha em mente que a ciência aplicada à Engenharia gera tecnologia, que é capaz de realimentar o processo, gerando mais ciência. Quando aplicada à Engenharia, ela gera ainda mais tecnologia, criando um ciclo de melhoramento técnico.
1.3 A ENGENHARIA NO BRASIL No Brasil, a Engenharia como conhecemos chegou através dos portugueses. No século XVIII, eles experimentaram uma grande ascensão no estudo de ciências, impulsionada pelo rei Dom João V, que buscava minimizar o atraso tecnológico de Portugal frente às outras nações europeias. Antes disso, ainda no início do período colonial, as estruturas montadas em nosso território não eram exatamente obras de Engenharia, mas sim abrigos improvisados que serviam para os mais diversificados fins. Conforme Telles (1994), construções mais bem elaboradas, executadas por profissionais construtores, começaram a surgir com a fundação da cidade de Salvador em 1549. De acordo com Bazzo (2006), o desenvolvimento da Engenharia no Brasil manteve-se atrasado por muito tempo. Isso porque a economia era baseada na escravidão – que representava uma mão de obra bastante barata. Logo, não era do interesse da monarquia a instalação de indústrias na sua colônia. Um fato que comprova essa afirmação é o envio de engenheiros apenas para a construção de edificações, ruas, fortalezas e afins. Essas atividades não causavam impacto tecnológico no País, apenas proviam um local habitável e seguro (principalmente contra invasores) para os padrões da época.
Figura 4 - Fortaleza de São Marcelo, construída no século XVII. Fonte: Shutterstock (2014).
Com a vinda da família real portuguesa para o Brasil, iniciou-se o processo de industrialização nacional. Devido ao caráter colonial brasileiro, a Engenharia moderna surgiu no exército, que, na época, ainda era português. Foi consolidada com a Proclamação da Independência, quando alguns dos engenheiros militares tornaram-se brasileiros, e pela supressão sucessiva do comércio de escravos. Assim, o ensino da Engenharia começou no Brasil. Após esse período, diversas escolas de Engenharia foram criadas no País, aumentando significativamente o número de engenheiros e fortalecendo a indústria em expansão. O reflexo disso pode ser observado durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, que, no período da Segunda Guerra Mundial, experimentou um forte crescimento da indústria nacional. Foi aí que ocorreu a criação de importantes indústrias estatais, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN),
a Companhia Vale do Rio Doce e a Petrobras, o que abriu espaço para o contínuo processo de industrialização do País e para a redução do atraso tecnológico nacional. Hoje, o Brasil é competitivo internacionalmente em diversas áreas da Engenharia, como a indústria de petróleo, a produção de cerâmicas de revestimento, siderurgia, o setor aeronáutico, entre tantos outros setores. Obviamente, ainda necessitamos de maiores investimentos e cultura nas pesquisas de ciências naturais para que, embasados nela, possamos avançar ainda mais e nos tornarmos um país inventor, e não apenas produtor.
CONCLUSÃO Para que isso ocorra, é imprescindível que o País forme mais engenheiros, pois indústrias que possuem elevado valor tecnológico, como o caso da Embraer, necessitam de muitos profissionais que agreguem tecnologia, tanto em seu produto como em seus processos, fomentando empresas saudáveis financeiramente. Pesquisas recentes mostram que há um déficit de engenheiros em atividade no Brasil, e a situação é ainda mais agravada quando comparada a outros países emergentes, como China e Índia.
Você pode observar alguns dados sobre a situação profissional dos engenheiros no Brasil no link <http://www.seesp.org.br/site/ cotidiano/1213-brasil-deveria-formar-o-dobro-de- engenheiros.html.
A evolução humana está intimamente ligada à evolução da Engenharia, que, por sua vez, se encontra ligada ao desenvolvimento da ciência. As duas unidas podem fazer avançar ainda mais os recursos tecnológicos disponíveis no mundo, conferindo conforto e qualidade de vida aos seres humanos. Olhar para trás, principalmente após o surgimento da Engenharia moderna, e perceber o quão rápido é o crescimento tecnológico humano, consolida ainda mais a necessidade da utilização dos conceitos estudados, fazendo com que a Engenharia não seja algo primitivo, fruto de repetições, mas a aplicação das ciências básicas no dia a dia de trabalho. A aplicação da ciência na Engenharia para o fomento de tecnologia mostra-se desafiador e imprescindível para que o Brasil, refém dos atrasos oriundos do período colonial, progrida como país exportador de produtos de ponta, superando seus problemas internos.
AULA 2 Funções do engenheiro no contexto tecnológico e social
INTRODUÇÃO Com a Engenharia em pleno desenvolvimento e cada vez mais dependente das inovações científicas, a sociedade, de maneira geral, alcançou um novo patamar de conforto e interação com novas tecnologias. É difícil imaginarmos a vida sem a conectividade e a praticidade de um telefone celular, pensarmos em como eram realizadas buscas sem o auxílio da internet ou então como estariam os níveis de poluição de grandes metrópoles com os antigos carros carburados. Todos esses avanços foram possíveis através do melhoramento e da aplicação da Engenharia em novas tecnologias ou em processos, gerando bens, permanentes ou de consumo, à sociedade. O avanço tecnológico, entretanto, traz consigo diversos problemas decorrentes das falhas de nossa natureza humana. Apesar de termos a Engenharia como grande aliada para o nosso conforto (através da criação de equipamentos e processos que minimizam o esforço humano), ela contribui efetivamente para a poluição do mundo, como com a criação de embalagens não retornáveis.
Com esses dois lados da geração de tecnologia em suas mãos, cabe ao engenheiro mensurar a forma menos impactante de realizar seu trabalho. Isso deve ser feito através do aprimoramento de seu conhecimento, não apenas nas áreas técnicas, mas também no desenvolvimento do pensamento coletivo e na interação com a sociedade na qual a Engenharia será aplicada.
OBJETIVOS » » Compreender o papel do engenheiro no desenvolvimento tecnológico da sociedade. » » Compreender a responsabilidade social inerente ao desenvolvimento de tecnologias e processos. » » Ressaltar a importância das relações humanas no ambiente de trabalho inerente à Engenharia.
2.1 ENGENHARIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE Como você viu na aula anterior, Engenharia e tecnologia estão intimamente ligadas e são capazes de transformar os hábitos e costumes da sociedade. Assim, o engenheiro possui em suas mãos a possibilidade de mudar seu ambiente em aspectos da natureza, do bem-estar humano, econômicos e até mesmo políticos. A globalização, palavra muito utilizada na virada do século XX para o XXI, é o maior exemplo de como a Engenharia é capaz de transformar o mundo moderno. Diversas invenções e melhoramentos fizeram com que as pessoas de todo o planeta pudessem estar conectadas em tempo real. Computadores, celulares, internet, aviões, satélites, fibra ótica e até o túnel sob o canal da mancha são exemplos de desenvolvimentos da Engenharia que propiciam acessibilidade a pessoas de diferentes partes do globo.
Figura 5 - A aplicação da Engenharia alterando a interação entre pessoas. Fonte: Shutterstock (2014).
Segundo Bazzo (2006), o estudante de Engenharia pode contribuir com o desenvolvimento da
AULA 2 – FUNÇÕES DO ENGENHEIRO NO CONTEXTO TECNOLÓGICO E SOCIAL
tecnologia através de uma formação profissional consistente, de uma conscientização das necessidades da sociedade em que vive e de uma visão realística de uma perspectiva de futuro para a humanidade. Desenvolver confiança, interesse, trabalho em equipe, perseverança, bom senso e uma boa capacidade para solucionar problemas também é um bom caminho para isso. Com tanta influência sobre as transformações do mundo, é imprescindível que o engenheiro tenha conhecimento sobre aquilo que está desenvolvendo, tanto do ponto de vista técnico quanto do social.
2.1.1 O engenheiro e a tecnologia Como agente responsável pelo uso e fomento da tecnologia, o engenheiro deve, antes de tudo, ter o conhecimento básico das ciências que a regem. Isso significa que ele deve estudar com afinco o que chamamos de “ciências naturais”, como Química, Física e Matemática. É embasado nesses conhecimentos que o engenheiro será capaz de desenvolver e aplicar a tecnologia. Normalmente, esses conhecimentos serão aplicados para a resolução de problemas. Por isso, é importante que o engenheiro desenvolva seu raciocínio lógico, aumentando sua capacidade de entender e sistematizar problemas para, então, aplicar seus conhecimentos teóricos. Aliando os dois fatores – o conhecimento e um raciocínio lógico sistematizado –, é possível não apenas solucionar desconformidades, mas também fazer melhoramentos na tecnologia disponível. Nesse contexto, se encaixa um departamento específico e que ainda carece de investimentos no Brasil, o de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Quando um engenheiro inicia seu processo de descobertas através das diversas disciplinas técnicas que lhe são oferecidas, sua bagagem teórica científica ganha robustez. Assim, ele é capaz de analisar seus desafios de maneira a encontrar a melhor solução possível, sem a preocupação de cumprir prazos que acarretem em prejuízos corporativos. Porém, entrando no mercado de trabalho, a dinâmica industrial é ligeiramente diferente e o profissional torna-se normalmente um solucionador de problemas com embasamento científico. Ou seja, ele não tem tempo suficiente para buscar soluções inovadoras, ficando restrito a corrigir os defeitos com a melhor solução possível para o curto espaço de tempo disponível. Esse é o chamado “engenheiro de chão de fábrica” ou “engenheiro de campo”. Sua atuação é importantíssima para a manutenção da produtividade industrial, mas sua contribuição para o desenvolvimento tecnológico não costuma ser significativa. Por outro lado, há o “engenheiro de pesquisa e desenvolvimento”, responsável pela pesquisa e pelo desenvolvimento de novos produtos, normalmente aliados a novas tecnologias. Esse profissional encontra-se alocado no departamento de P&D e é responsável pela inovação em produtos e processos da indústria. Seu trabalho é menos dinâmico e mais teórico, normalmente envolvendo o desenvolvimento de projetos que podem durar de meses a anos. No Brasil, essa é uma cultura ainda em desenvolvimento, visto que a maioria das indústrias nacionais possui seu departamento de Engenharia focado na produção, utilizando tecnologias importadas. A importância do P&D é tão grande para a indústria de um país que o governo federal subsidia, através de programas e leis específicas, pesquisas realizadas em empresas com foco na inovação.
Você pode obter mais informações sobre incentivos à inovação em: <http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,mesmo-com-subsidio-do-governo-total-de-investimentos-em-inovacao-recua,1123766,0.htm>.
A indústria necessita de profissionais dedicados exclusivamente a solucionar problemas de maneira rápida, conferindo produtividade. Ao mesmo tempo, precisa de empregados que tragam inovação, garantindo que a empresa continue no mercado. O posicionamento do engenheiro em determinada função dependerá muito de suas características pessoais e de sua realização pessoal, nunca deixando de lado seu compromisso com a sociedade, desenvolvendo ou produzindo bens para a população.
2.1.2 O engenheiro e a sociedade Sabendo que somos capazes de influenciar diretamente a sociedade, cabe a nós engenheiros possuirmos discernimento sobre a melhor maneira de realizar nossa tarefa. Apenas isso, porém, não basta. É preciso estar atento para utilizar a tecnologia de maneira consciente. A sociedade se beneficia do desenvolvimento tecnológico, como você já viu nesta aula, mas também pode ser vítima dele. Um exemplo importante é o desenvolvimento da arma mais mortal já vista pelo ser humano, a bomba nuclear. Sua construção partiu das teorias desenvolvidas por Albert Einstein, que não era um engenheiro, mas sim um físico. Ele admitiu ter escrito pessoalmente uma carta ao presidente dos Estados Unidos recomendando o estudo dessa arma, o que acabou culminando em um dos episódios mais dramáticos da História, quando duas dessas bombas foram lançadas em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, durante a Segunda Guerra Mundial.
Você pode saber mais sobre o ponto de vista de Einstein sobre esse assunto em um especial publicado pela Veja, disponível em: <http:// veja.abril.com.br/especiais_online/segunda_guerra/edicao010/pontodevista.shtml>.
Algumas pessoas próximas a Einstein dizem que, anos após a guerra, ele se arrependeu amargamente pelo ocorrido. Provavelmente por ter percebido que, por mais que desejasse o fim rápido do conflito, a solução encontrada alimentou ainda mais a necessidade humana por poder. O lançamento das bombas nucleares alterou completamente o rumo do planeta, criando uma posterior Guerra Fria, que polarizou o mundo e fortaleceu uma política armamentista que dura até hoje.
Figura 6 - Reprodução da Little Boy, uma das bombas lançadas no Japão em 1945. Fonte: Shutterstock (2014).
É claro que a culpa pela situação Pós-Guerra não pode ser atribuída inteiramente ao fatídico episódio ocorrido no Japão. Muitos engenheiros já haviam tomado decisões contrárias ao bem-estar social ao desenvolver outras armas durante a Grande Guerra. A produção de tanques, navios, aviões, armas e todo o aparato militar passava pelas mãos de engenheiros. Por mais que devessem lealdade a seu país, será que a postura do engenheiro deve ser essa perante o desenvolvimento tecnológico? Inúmeros engenheiros trabalham aprimorando e criando novos armamentos e novas maneiras de deixar a sociedade mais protegida. Mas aqui cabe uma reflexão: será que a sociedade está realmente mais segura com o desenvolvimento desse tipo de tecnologia? Ou isso fomenta um ciclo vicioso no qual nos tornamos vítimas daquilo que estudamos? O exemplo da guerra é o mais trágico, em curto prazo, de como a tecnologia pode estar de encontro aos nossos interesses, mas não é o único. Por muito tempo, o desenvolvimento tecnológico foi realizado sem a preocupação com os impactos ambientais causados. Essa consciência ambiental está cada dia mais crescente, porém ainda temos muito que evoluir. Avançamos em alguns aspectos e regredimos em outros. Por exemplo, nas embalagens retornáveis. O vidro não é um material biodegradável, mas, em tempos antigos, os frascos de refrigerante (e até leite) eram devolvidos à fábrica para serem lavados e reaproveitados. Hoje, grandes montantes de recursos são gastos no desenvolvimento de embalagens em plástico biodegradável, que evitam a poluição através da rápida degradação quando abandonadas no ambiente. Com isso, não deixamos de produzir plástico, alimentando a indústria responsável por ele. Mas será que essa é a alternativa mais eficiente? Muitas vezes, cabe ao engenheiro desenvolver, aprimorar ou mesmo acompanhar processos de produção. Esses processos são afetados diretamente pelo uso da tecnologia, que possibilita o melhor aproveitamento de matérias-primas, a menor emissão de poluentes e até mesmo a otimização de condições de trabalho. Porém, quando a tecnologia é aplicada equivocadamente, pode passar de aliada à vilã, como no caso da incorporação de chumbo no processamento de produtos elétricos e eletrônicos. Apesar de promover o desenvolvimento tecnológico, foi a causa de diversos casos de câncer em trabalhadores da indústria.
Várias outras situações poderiam ser citadas como modelo de desenvolvimento inadequado da tecnologia, ou sua aplicação meramente comercial, sem o intuito de realmente promover o desenvolvimento social. Laudares (2001, p. 492) fez uma análise do novo posicionamento dos engenheiros perante a sociedade e o mercado de trabalho, mostrando a importância em extrapolar o conhecimento técnico adquirido durante o período acadêmico: As mudanças ocorridas na organização do trabalho passaram a utilizar, em maior escala, o componente intelectual do trabalhador, em detrimento do componente físico-manual. Dessa forma, articula-se uma nova base técnica com a lógica sistêmica de organização da produção e formas participativas de atuação. O engenheiro, nesse contexto, ocupa posição estratégica, assumindo responsabilidades de gerenciamento de pessoas e processos que lhe exigem conhecimentos humanos e sociais somados àqueles de cunho puramente técnicos. Os cursos universitários, outrora baseados numa lógica instrumental e tecnicista, vêm discutindo a urgência de um novo modelo que possibilite uma formação mais ampliada do engenheiro, envolvendo questões que incluem as dimensões humana e social, econômica e política.
Para que o engenheiro tenha consciência de seu papel, no momento de sua formatura, ele faz o juramento: No cumprimento do meu dever de engenheiro, não me deixarei levar pelo brilho excessivo da tecnologia, esquecendo-me completamente de que trabalho para o bem do homem e não da máquina. Respeitarei a natureza, evitando projetar ou construir equipamentos que destruam o equilíbrio ecológico ou que o poluam. Colocarei todo meu conhecimento científico a serviço do conforto e desenvolvimento da humanidade. Assim sendo, estarei em paz comigo e com Deus.Com isso, fica evidente o papel crítico que o engenheiro deve ter para resguardar a sociedade o máximo possível de tecnologias prejudiciais. Esse senso crítico só pode ser alcançado através de informação, estudo e reflexão, para que o viés técnico e científico do engenheiro não ofusque completamente seu dever como cidadão pensante.
Apesar de todo o contexto social envolvido no desenvolvimento de tecnologias, os empresários buscarão no mercado engenheiros que possam lhes garantir lucratividade. Cabe ao profissional adequar-se a esta realidade, porém sem esquecer os princípios contidos no juramento realizado durante sua formatura, os quais devem nortear seu trabalho.
2.2 O ENGENHEIRO E SEU AMBIENTE DE TRABALHO O engenheiro ingressa no mercado de trabalho para que possa reduzir gastos, propor soluções inteligentes e ainda respeitar leis ambientais, trabalhistas e de controle de qualidade, sendo sempre produtivo. Para isso, muitas vezes, conhecimento não basta. É necessário que o profissional também tenha um bom poder de comunicação. Como agente executor das ciências, muitas vezes o trabalho do engenheiro está voltado para a resolução de problemas de forma individual. Isso faz com que os estudantes de Engenharia, por 20
vezes, esqueçam a importância de se comunicar de maneira clara com seus colegas de trabalho ou de estudo.
Durante sua vida profissional, tenha a comunicação como sua aliada. Gerenciar processos, emitir laudos, desenvolver produtos, e todas as outras possíveis tarefas inerentes à profissão dependem fortemente de se expressar de maneira clara e concisa.
Por mais que o campo estudado esteja dentro das ciências exatas, e não nas ciências humanas, o contato com uma grande equipe de trabalho é iminente e provavelmente caberá ao profissional da Engenharia transmitir orientações, fazendo da comunicação uma ferramenta de trabalho. Não é possível fazer uma predição do público e do ambiente que o engenheiro encontrará depois de formado. Mesmo dentro de uma área específica, muitas são as possibilidades de atuação do engenheiro. Os profissionais da Engenharia Civil, por exemplo, podem trabalhar em campo, projetando e acompanhando a execução de obras, ou mesmo em um escritório, desenvolvendo softwares para o cálculo estrutural de construções. Já os engenheiros mecânico e de produção estão sujeitos tanto ao ambiente fabril, controlando processos ou solucionando problemas in loco, quanto ao ambiente de escritório, projetando e desenvolvendo produtos e a melhor maneira de produzilos. É notável a diferença entre estas duas alocações em termos físicos, psicológicos e inclusive no relacionamento pessoal exigido.
Figura 7 - Engenheiro supervisionando um processo. Fonte: Shutterstock (2014).
Com isso, cabe ao engenheiro saber adequar-se ao ambiente no qual está inserido, possuindo uma conduta maleável, uma boa capacidade de expressão e, sobretudo, não se esquecendo de seu embasamento teórico no momento de resolver problemas práticos.
CONCLUSÃO A profissão de engenheiro possui grandes responsabilidades diante da sociedade, não apenas como elemento de modificação de costumes e técnicas, como também no contexto político e econômico. Conhecer as bases teóricas científicas e a maneira correta de aplicá-las é apenas uma parte da formação de um profissional engajado na sociedade. É necessária a formação de uma análise crítica a respeito das mudanças que seu trabalho pode causar no ambiente em que ele está inserido. As responsabilidades do profissional da Engenharia vão muito além de solucionar os problemas decorrentes de sua profissão, passando pelo trato com seus colegas de trabalho, pela avaliação dos impactos ambientais e sociais provenientes de seus projetos e inclusive pela qualidade e necessidade daquilo que está sendo produzido. Com isso em mente, você provavelmente será um grande profissional, com a consciência tecnológica necessária para aplicar seus conhecimentos científicos e também com a consciência social para que seu trabalho venha a contribuir para a sociedade e não se tornar um problema.
AULA 3 Atividades desenvolvidas por engenheiros e suas áreas de atuação INTRODUÇÃO Você provavelmente escolheu seu curso de Engenharia refletindo sobre suas aptidões e a estabilidade financeira que a área é capaz de fornecer. Talvez tenha pesado na sua decisão a facilidade com números, a prática em montar e desmontar os mais variados equipamentos (e fazê-los funcionar) e o prazer de construir estruturas em madeira. Ou, então, quem sabe você almeje um cargo diferenciado na empresa em que trabalha, atuando na área de planejamentos, projetos, cargos de gerência ou até mesmo diretoria. Independentemente do motivo da sua escolha, o conhecimento abrirá novas portas para sua vida profissional, e o diploma que você receberá terá sido apenas uma entre várias outras decisões que terá de tomar quanto à sua futura carreira. Em posse do grau de bacharel, você terá de decidir, por exemplo, com o que trabalhará, onde, como, com quem e até mesmo quanto valerá o seu tempo. Todas essas escolhas são duras e muitas vezes o levarão a
repensar seu futuro. A experiência e o amadurecimento como engenheiro o auxiliarão nas melhores escolhas. Esta aula exibirá algumas alternativas, tanto em relação a futuros profissionais quanto a estudantes de Engenharia.
OBJETIVOS » » Compreender as diferentes colocações do engenheiro nas diversas áreas de atuação relacionadas à profissão. » » Obter uma visão geral sobre as áreas da Engenharia, bem como suas subdivisões e os diversos cursos criados.
3.1 O ENGENHEIRO NO MERCADO DE TRABALHO Nas aulas anteriores, você conheceu características inerentes ao trabalho com Engenharia, como o senso prático, raciocínio lógico, conhecimento científico e até mesmo a colocação do profissional como cidadão. Essas qualidades reunidas conferem ao engenheiro a possibilidade de executar as mais diferentes tarefas. Bazzo (2006, p. 88) elenca as seguintes: Tabela 1 - Tarefas executadas pelo engenheiro
Fonte: Bazzo (2006, p. 88).
Possuindo toda essa gama de habilidades, é esperado que o engenheiro, com o passar do tempo, adquira segurança em determinada área e passe a evoluir em outra, o que traz versatilidade ao profissional mais experiente. Isso possibilita a migração para setores de caráter administrativo onde ele executará funções como gerenciar equipes ou até mesmo dirigir uma empresa. O trabalho técnico em indústrias é o destino da maioria dos engenheiros formados, mas essa não é a única opção após a obtenção de seu grau de bacharel. Muitos profissionais buscam traçar seu próprio caminho utilizando a versatilidade dos cursos de Engenharia para o início e a condução de um novo negócio. Por conhecer processos, possuir noções de administração e recursos matemáticos, o empreendedorismo soa como algo tangível. E realmente é. Do nascimento ao início da produção de uma indústria, podemos diferenciar três categorias de trabalhadores responsáveis pelo seu funcionamento: o empreendedor, o administrador (ou gerenciador) e o técnico. O primeiro é o responsável por criar coisas (ou empresas) novas, não possuindo necessariamente as qualidades dos outros dois. Suas principais características costumam ser a criatividade, visão de futuro e inquietude. O segundo é o responsável por fazer com que a engrenagem corporativa
AULA 3 – ATIVIDADES DESENVOLVIDAS POR ENGENHEIROS E SUAS ÁREAS DE ATUAÇÃO
funcione, comandando equipes. Esse indivíduo costuma ser um líder, é organizado e tem boa voz de comando. Já o terceiro é o profissional que faz parte da maioria do mercado, o responsável por aplicar a Engenharia de forma pura, atuando diretamente na solução de problemas de ordem técnica. Seu principal aliado é o conhecimento das ciências naturais.
Você pode encontrar mais informações sobre esses três diferentes tipos de profissionais em: <www.prolucroconsultoria.com.br/blog/tecnico-x-gerente-x-empreendedor-quem-voce-e/>.>
Essas três características podem ser intrínsecas à personalidade do indivíduo, mas também não é raro que a experiência faça o profissional mudar seu curso. Como dito anteriormente, a segurança em determinada área faz com que o engenheiro arrisque-se em outra. Assim, uma carreira iniciada no âmbito técnico pode progredir para um setor administrativo. A curiosidade por explorar novos horizontes pode criar um empreendedor. Existe também o profissional autônomo, que está situado entre o técnico e o empreendedor. Ele atua, normalmente, de forma individual, aplicando seus conhecimentos técnicos com a inquietude de explorar seus próprios horizontes, embora sem a necessidade (ou capacidade) de gerir uma equipe. Atua normalmente como consultor de empresas, aplicando seus conhecimentos técnicos sem a necessidade de reportar-se a um superior. Outra abordagem de carreira é a acadêmica. No Brasil, o curso natural dessa modalidade é a continuidade no meio universitário, através de pós-graduações, até que se atinja o nível necessário (de grau e conhecimento) para atuar na área de interesse. Por vezes, engenheiros alocados em P&D de indústrias (ou os que desejam migrar para este departamento) também buscam conhecimento através de cursos de pós-graduação. A essência é a mesma para os dois casos: aprofundar o conhecimento. Existe ainda a possibilidade de o engenheiro buscar emprego fora do País, normalmente como empregado de alguma empresa multinacional. Com a escassez cada vez maior de profissionais no mercado, diversos países europeus buscam mão de obra qualificada em outros territórios, abrindo oportunidades aos brasileiros que buscam por experiência internacional.
Figura 8 - Professor universitário, uma opção de carreira aos engenheiros. Fonte: Shutterstock (2014).
Em suma, o engenheiro recém-formado poderá escolher diversas maneiras de conduzir sua carreira dentro da Engenharia. Após formado, você poderá atuar como empreendedor, empregado (técnico ou administrador), autônomo ou acadêmico. A escolha ou o direcionamento para cada área dependerá das características desenvolvidas por cada indivíduo. Alocações malfeitas culminarão em um profissional inquieto ou insatisfeito. Além dessas escolhas, que deverão ser realizadas depois de adquirir o conhecimento na área de atuação, o estudante deve fazer uma nova escolha: em qual área da Engenharia investir?
3.2 A ENGENHARIA E SUAS ÁREAS Recorde rapidamente o aspecto histórico da Engenharia, que você viu na aula 1. O engenheiro era a pessoa capaz de solucionar problemas práticos. Através do desenvolvimento de tecnologias e da incorporação da Ciência, nasceu a Engenharia Moderna, fornecendo base científica ao desenvolvimento tecnológico humano. Esse novo formato deu origem aos ramos básicos da Engenharia: Engenharia Civil, Engenharia Química, Engenharia Mecânica e Engenharia Elétrica. Com o aprofundamento dos conhecimentos humanos em diferentes áreas da ciência, a Engenharia sofreu ainda mais divisões e, assim, pôde ser mais bem explorada. Essas divisões acontecem conforme a sociedade sente a necessidade de explorar melhor um novo campo dentro de uma grande área já existente. Um exemplo desse aprofundamento é a Engenharia de Materiais, um campo novo no Brasil. Como o nome sugere, é voltada ao desenvolvimento e estudo de materiais e seus processamentos para aplicação nos mais variados produtos. Inicialmente, os estudos a respeito de materiais eram realizados dentro de outras Engenharias, como a Química e a Mecânica. Com o desenvolvimento científico e tecnológico, por exemplo, com a otimização de microscópios de luz refletida e a invenção do microscópio eletrônico de varredura, tornou-se possível estudar com mais profundidade os diversos materiais já existentes e também projetar novos, evidenciando a necessidade da criação de um curso específico para a área. Esta tendência repete-se em outros cursos. O Ministério da Educação (MEC) possui cadastrados em seu site mais de 100 diferentes cursos de graduação em Engenharia. Alguns destes são exibidos a seguir. 26
Engenharia Acústica Engenharia Aeroespacial Engenharia Aeronáutica Engenharia Agrícola Engenharia Agronômica Engenharia Ambiental Engenharia Automotiva Engenharia Bioenergética Engenharia Biomédica Engenharia Cartográfica Engenharia Cerâmica Engenharia Civil Engenharia da Computação Engenharia da Mobilidade
Engenharia de Produção Elétrica Engenharia de Produção Eletromecânica Engenharia de Produção em Controle e Automação Engenharia de Produção Mecânica Engenharia de Produção Química Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente Engenharia de Redes de Comunicações Engenharia de Segurança no Trabalho Engenharia de Sistemas Engenharia de Software Engenharia de Telecomunicações Engenharia de Teleinformática Engenharia de Transportes Engenharia de Transportes e Logística
Engenharia de Agrimensura Engenharia de Agronegócios Engenharia de Alimentos Engenharia de Aquicultura Engenharia de Bioprocessos Engenharia de Biossistemas Engenharia de Biotecnologia Engenharia de Computação Engenharia de Comunicações Engenharia de Controle e Automação Engenharia de Energia Engenharia de Energias Renováveis Engenharia de Energias Renováveis e Ambiente Engenharia de Fortificação e Construção Engenharia de Gestão Engenharia de Infraestrutura Engenharia de Inovação Engenharia de Instrumentação, Automação e Robótica Engenharia de Manufatura Engenharia de Materiais Engenharia de Minas Engenharia de Minas e Meio Ambiente Engenharia de Pesca Engenharia de Petróleo Engenharia de Petróleo e Gás Engenharia de Plásticos Engenharia de Produção Engenharia de Produção Agroindustrial Engenharia de Produção Civil
Engenharia Elétrica Engenharia Eletrônica Engenharia Eletrotécnica Engenharia em Energia Engenharia em Nanotecnologia Engenharia em Sistemas Digitais Engenharia Ferroviária e Logística Engenharia Ferroviária e Metroviária Engenharia Física Engenharia Florestal Engenharia Geológica Engenharia Hídrica Engenharia Industrial Engenharia Industrial Elétrica Engenharia Industrial Elétrica Engenharia Industrial Madeireira Engenharia Industrial Mecânica Engenharia Industrial Química Engenharia Mecânica Engenharia Mecatrônica Engenharia Metalúrgica Engenharia Naval Engenharia Naval e Oceânica Engenharia Nuclear Engenharia Portuária Engenharia Química Engenharia Sanitária Engenharia Sanitária e Ambiental Engenharia Têxtil
Figura 9 - Plataforma de petróleo, o lar de muitos engenheiros. Fonte: Shutterstock (2014).
Você pode obter mais informações sobre a atuação de algumas destas engenharias em: <http://guiadoestudante.abril.com.br/blogs/pordentrodasprofissoes/conheca-os-35-tipos-de-engenharia-que-existem/>.
Este número deve aumentar cada vez mais, uma vez que o ciclo Ciência-Engenharia-Tecnologia é autoalimentado, criando fatalmente a necessidade de aplicações mais aprofundadas para as novas descobertas científicas. A escolha de um campo da Engenharia é apenas o início de um longo aprendizado. Depois de formado, você será alocado em uma subárea no seu emprego, onde adquirirá um conhecimento mais profundo. Isso porque, mesmo com as diversas divisões, cada curso ainda abrange uma grande quantidade de conteúdo. A base de conhecimentos adquirida na faculdade será aprofundada somente após os anos de experiência profissional. Um exemplo é o da Engenharia de Produção. Quem optar por essa área não chegará ao mercado como um “engenheiro de produção”, mas sim como um profissional de uma área específica dentro desse ramo de atuação. Segundo dados da Associação Brasileira de Engenharia de Produção, o engenheiro por ela representado pode atuar nas seguintes áreas: Engenharia de operações e processos da produção, logística, pesquisa operacional, Engenharia da qualidade, Engenharia do produto, Engenharia organizacional, Engenharia econômica, Engenharia do trabalho e Engenharia da sustentabilidade.
Todas estas categorias ainda contam com subcategorias, que podem ser exploradas no website da instituição, disponível em: <www.abepro.org. br/interna.asp?c=362>.
3.2.1 Especialização Dentro do contexto do aperfeiçoamento, ou setorização, surgem as pós-graduações, nas quais o profissional tem a oportunidade de estudar especificamente aquilo que lhe interessa, ou que lhe faz falta durante sua atuação profissional. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES, 2014) classifica os cursos de pós-graduação da seguinte maneira: No Brasil há dois tipos de pós-graduação: lato sensu (conhecida como especialização ou MBA) e stricto sensu (que abrange os cursos de mestrado e doutorado). A primeira, como o próprio nome diz, designa todo e qualquer curso que se segue à graduação. Normalmente os cursos de especialização e aperfeiçoamento têm objetivo técnico profissional específico sem abranger o campo total do saber em que se insere a especialidade. São cursos destinados ao treinamento nas partes de que se compõe um ramo profissional ou científico. Sua meta é o domínio científico e técnico de uma certa e limitada área do saber ou da profissão, para formar o profissional especializado. A pós-graduação stricto sensu é o ciclo de cursos regulares em segmento à graduação, sistematicamente organizados, visando desenvolver e aprofundar a formação adquirida no âmbito da graduação e conduzindo à obtenção de grau acadêmico. Ela se subdivide em dois ciclos: mestrado e doutorado. Ambas compreendem a definição de pós-graduação stricto sensu, com a diferença no grau de profundidade dedicado ao estudo do objeto de pesquisa. Embora representem um escalonamento na pós-graduação, esses cursos podem ser considerados relativamente autônomos. Isto é, o mestrado não constitui obrigatoriamente requisito prévio para inscrição em um curso de doutorado.
Comumente, os cursos de especialização são procurados por profissionais já inseridos no mercado de trabalho, que buscam o aperfeiçoamento em sua área específica de atuação. Já os cursos de mestrado são frequentados em sua maioria por recém-formados, que buscam melhorar o currículo ou seguir a vida acadêmica. Há também casos de profissionais já inseridos na indústria que procuraram esta modalidade de pós-graduação tanto por terem interesses similares aos que buscam a especialização quanto por buscarem a alocação em um departamento de pesquisa e desenvolvimento. Por fim, assim como o curso de mestrado, o doutorado é majoritariamente procurado por quem busca a atuação na área acadêmica. No entanto, é a escolha de poucos industriais devido ao seu longo tempo de conclusão – normalmente quatro anos – e seu caráter mais teórico e científico. Com tantas possibilidades, escolher um curso torna-se uma tarefa muitas vezes difícil. A escolha com base em projeções salariais ou mercadológicas pode vir a ser rentável financeiramente, mas a insatisfação com seu trabalho torna-se um risco iminente.
A melhor maneira de fazer essa escolha é comparando suas aptidões às áreas de atuação dos cursos.>
Em uma sociedade comandada pelo consumo e pelo capital, vale a reflexão sobre como você deseja construir seu futuro profissional. Trabalhar diariamente em algo que não lhe satisfaça não é uma opção saudável. Lembre-se: você deixará ao menos oito horas do seu dia em seu emprego, logo, deverá estar contente consigo mesmo ao realizar suas tarefas.
CONCLUSÃO A opção de cursar Engenharia abre diversas portas no mercado de trabalho, mas a construção de um bom profissional passa pela realização de diversas escolhas que só poderão ser feitas após o amadurecimento profissional do engenheiro. Com o desenvolvimento de habilidades específicas através de experiências profissionais ou da realização de cursos de pós-graduação, você, futuro engenheiro, poderá realizar as mais diferentes tarefas dentro de sua área de atuação, ampliando seus horizontes para variados enquadramentos profissionais. Suas escolhas durante a graduação, seu modo de lidar com as pessoas e sua criatividade são algumas das características que determinarão qual tipo de profissional você será. Suas opções de carreira poderão estar voltadas à criatividade e inovação, ao gerenciamento e à instrução de pessoas ou puramente à solução de problemas. Todos esses campos contribuirão de alguma forma com o desenvolvimento tecnológico da sociedade, cabendo a você realizar as melhores escolhas quanto à sua satisfação pessoal, de acordo com suas prioridades.
AULA 4 O CONFEA/CREA e sua legislação: Atribuições legais dos engenheiros INTRODUÇÃO Diversas áreas da Engenharia surgindo sem um padrão de qualidade, muitas pessoas com senso prático – mas sem conhecimento teórico – executando projetos, erros recorrentes, produtos falhando, obras ruindo, pessoas morrendo por falhas em equipamentos, ausência de culpados, a tecnologia sem espaço para evoluir e sem conhecimento para ser aplicada. Este cenário parece improvável? Pois saiba você que, apesar dos exageros, algumas dessas situações poderiam se tornar corriqueiras se não fosse por um mecanismo responsável por garantir a qualidade dos serviços de Engenharia prestados, criando responsáveis, designando competências e validando diplomas. Todas essas características que certificam a confiança no engenheiro brasileiro são definidas e fiscalizadas por um sistema instituído legalmente, chamado Confea/Crea, ao qual os engenheiros se reportam enquanto exercem suas atividades profissionais. Nesta aula, você saberá mais detalhes sobre os conselhos reguladores da profissão e as normas que você, como futuro engenheiro, precisará obedecer.
OBJETIVOS Conhecer os conselhos reguladores da profissão e seu papel no desenvolvimento legal das atividades dos engenheiros. » » Introduzir o conceito das atribuições legais específicas para cada curso de Engenharia e as normas especificadas pelo Confea/Crea.
4.1 O SURGIMENTO DE UM SISTEMA REGULADOR Relembre um pouco as aulas anteriores, quando você aprendeu sobre os primórdios da Engenharia. Antigamente, o responsável por construir e projetar era o indivíduo que possuía habilidades para isso, e seus conhecimentos eram transferidos de geração a geração. Conforme a humanidade evoluiu, mais as técnicas de construção foram aperfeiçoadas e menos pessoas passaram a ter o domínio para a fabricação de determinado objeto (ou construção). Esse cenário fomentou o surgimento do engenheiro como conhecemos hoje, ou seja, o responsável pela aplicação da ciência e das técnicas para a manufatura de algo. No entanto, nada impedia que um cidadão não diplomado na área de Engenharia atuasse como engenheiro, como ainda ocorre na execução de pequenas obras ou na construção de engenhos domésticos. Isso pode colocar em risco a saúde dos utilizadores das obras e acarretar sansões legais para os executores. Para impedir a ocorrência deste tipo de prática, foram criadas legislações específicas, protegendo a população de profissionais que não possuem embasamento suficiente para a prática da Engenharia. No Brasil, essa regulamentação foi feita através do Decreto Federal no 23.569 de 1933, mas foi a Lei no 5.194 de 1966 que definiu o engenheiro profissionalmente da seguinte maneira: Art. 1 – As profissões de engenheiro, arquiteto e engenheiro-agrônomo são caracterizadas pelas realizações de interesse social e humano que importem na realização dos seguintes empreendimentos: a) aproveitamento e utilização de recursos naturais; b) meios de locomoção e comunicações; c) edificações, serviços e equipamentos urbanos, rurais e regionais, nos seus aspectos técnicos e artísticos; d) instalações e meios de acesso a costas, cursos e massas de água e extensões terrestres; e) desenvolvimento industrial e agropecuário.
Você pode ter acesso a essa e mais leis referentes à atuação de engenheiros no website: <http://normativos.confea.org.br/apresentacao/ apresentacao.asp>.
AULA 4 – O CONFEA/CREA E SUA LEGISLAÇÃO: ATRIBUIÇÕES LEGAIS DOS ENGENHEIROS
Figura 10 - Exemplo de mau projeto. Fonte: Shutterstock (2014).
Em seu segundo artigo, a mesma lei ainda define os critérios que o profissional deve atender para que possa exercer a profissão de engenheiro: Art. 2o - O exercício, no País, da profissão de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo, observadas as condições de capacidade e demais exigências legais, é assegurado: a) aos que possuam, devidamente registrado, diploma de faculdade ou escola superior de engenharia, arquitetura ou agronomia, oficiais ou reconhecidas, existentes no País; b) aos que possuam, devidamente revalidado e registrado no País, diploma de faculdade ou escola estrangeira de ensino superior de engenharia, arquitetura ou agronomia, bem como os que tenham esse exercício amparado por convênios internacionais de intercâmbio; c) aos estrangeiros contratados que, a critério dos Conselhos Federal e Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, considerados a escassez de profissionais de determinada especialidade e o interesse nacional, tenham seus títulos registrados temporariamente.
Com a Lei no 5.194 de 1966, foram criados ainda os Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), subordinados ao Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Engenharia (Confea), como descrito no artigo a seguir. Eles possuem a incumbência de fiscalizar e determinar a atuação dos engenheiros. Art. 24 - A aplicação do que dispõe esta Lei, a verificação e a fiscalização do exercício e atividades das profissões nela reguladas serão exercidas por um Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), e Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA), organizados de forma a assegurarem unidade de ação. 33
O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia foi criado em 1933, no governo de Getúlio Vargas, muito antes da criação dos Creas.
O artigo 27 da Lei no 5.194 de 1966 visa estabelecer as competências do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, que tem como uma de suas principais funções o gerenciamento dos Conselhos Regionais e suas normas. Além disso, cabe ao Confea a determinação e publicação, em última instância, das atribuições legais dos engenheiros, bem como o julgamento de recursos relativos ao exercício incorreto da profissão. Art. 27 - São atribuições do Conselho Federal: a) organizar o seu regimento interno e estabelecer normas gerais para os regimentos dos Conselhos Regionais; b) homologar os regimentos internos organizados pelos Conselhos Regionais; c) examinar e decidir em última instância os assuntos relativos ao exercício das profissões de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, podendo anular qualquer ato que não estiver de acordo com a presente Lei; d) tomar conhecimento e dirimir quaisquer dúvidas suscitadas nos Conselhos Regionais; e) julgar em última instância os recursos sobre registros, decisões e penalidades impostas pelos Conselhos Regionais; f) baixar e fazer publicar as resoluções previstas para regulamentação e execução da presente Lei, e, ouvidos os Conselhos Regionais, resolver os casos omissos; g) relacionar os cargos e funções dos serviços estatais, paraestatais, autárquicos e de economia mista, para cujo exercício seja necessário o título de engenheiro, arquiteto ou engenheiro-agrônomo; h) incorporar ao seu balancete de receita e despesa os dos Conselhos Regionais; i) enviar aos Conselhos Regionais cópia do expediente encaminhado ao Tribunal de Contas, até 30 (trinta) dias após a remessa; j) publicar anualmente a relação de títulos, cursos e escolas de ensino superior, assim como, periodicamente, relação de profissionais habilitados; k) fixar, ouvido o respectivo Conselho Regional, as condições para que as entidades de classe da região tenham nele direito à representação; l) promover, pelo menos uma vez por ano, as reuniões de representantes dos Conselhos Federal e Regionais previstas no Art. 53 desta Lei; m) examinar e aprovar a proporção das representações dos grupos profissionais nos Conselhos Regionais; n) julgar, em grau de recurso, as infrações do Código de Ética Profissional do engenheiro, arquiteto e engenheiro-agrônomo, elaborados pelas entidades de classe; 34
o) aprovar ou não as propostas de criação de novos Conselhos Regionais; p) fixar e alterar as anuidades, emolumentos e taxas a pagar pelos profissionais e pessoas jurídicas referidos no Art. 63. q) autorizar o presidente a adquirir, onerar ou, mediante licitação, alienar bens imóveis.
Figura 11 - Logotipo do Confea. Fonte: <http://blog.construir.arq.br/>.
Já os Conselhos Regionais são instituições estaduais, responsáveis pela aproximação com a comunidade local. Os Creas possuem uma responsabilidade com maior caráter executivo, reportando suas atividades ao Confea. Entre suas atribuições, estão a expedição de registros profissionais (necessários para a atuação do engenheiro), a fiscalização e o julgamento de inconformidades e o cadastro das instituições responsáveis pela formação acadêmica dos profissionais representados pelo conselho. As funções dos Creas são definidas pelo Artigo 34. Art. 34 - São atribuições dos Conselhos Regionais: a) elaborar e alterar seu regimento interno, submetendo-o à homologação do Conselho Federal; b) criar as Câmaras especializadas atendendo às condições de maior eficiência da fiscalização estabelecida na presente Lei; c) examinar reclamações e representações acerca de registros; d) julgar e decidir, em grau de recurso, os processos de infração da presente Lei e do Código de Ética, enviados pelas Câmaras Especializadas; e) julgar, em grau de recurso, os processos de imposição de penalidades e multas; f) organizar o sistema de fiscalização do exercício das profissões reguladas pela presente Lei; g) publicar relatórios de seus trabalhos e relações dos profissionais e firmas registrados; h) examinar os requerimentos e processos de registro em geral, expedindo as carteiras profissionais ou documentos de registro; i) sugerir ao Conselho Federal medidas necessárias à regularidade dos serviços e à fiscalização do exercício das profissões reguladas nesta Lei; j) agir, com a colaboração das sociedades de classe e das escolas ou faculdades de engenharia, arquitetura e agronomia, nos assuntos relacionados com a presente Lei; k) cumprir e fazer cumprir a presente Lei, as resoluções baixadas pelo Conselho Federal, bem como expedir atos que para isso julguem necessários;
l) criar inspetorias e nomear inspetores especiais para maior eficiência da fiscalização; m) deliberar sobre assuntos de interesse geral e administrativos e sobre os casos comuns a duas ou mais especializações profissionais; n) julgar, decidir ou dirimir as questões da atribuição ou competência das Câmaras Especializadas referidas no artigo 45, quando não possuir o Conselho Regional número suficiente de profissionais do mesmo grupo para constituir a respectiva Câmara, como estabelece o artigo 48; o) organizar, disciplinar e manter atualizado o registro dos profissionais e pessoas jurídicas que, nos termos desta Lei, se inscrevam para exercer atividades de engenharia, arquitetura ou agronomia, na Região; p) organizar e manter atualizado o registro das entidades de classe referidas no artigo 62 e das escolas e faculdades que, de acordo com esta Lei, devam participar da eleição de representantes destinada a compor o Conselho Regional e o Conselho Federal; q) organizar, regulamentar e manter o registro de projetos e planos a que se refere o artigo 23; r) registrar as tabelas básicas de honorários profissionais elaboradas pelos órgãos de classe; s) autorizar o presidente a adquirir, onerar ou, mediante licitação, alienar bens imóveis.
As diferenças encontradas entre os conselhos federal e regional estão em suas atribuições, uma vez que o Confea é responsável por gerir os Creas.
Como você viu na aula anterior, diversos cursos de Engenharia têm surgido no Brasil, criando a possibilidade de desenvolvimento tecnológico em diferentes áreas. Com o avanço e a documentação dessas áreas, foi criada uma base de dados robusta, minimizando os erros cometidos por engenheiros durante a fase de projetos, a fim de evitar que estes se tornem produtos defeituosos ou que não atendam corretamente as especificações desejadas. Isso criou a necessidade legal das divisões de competência das diversas áreas da Engenharia, com a criação de atribuições para cada uma delas. Essa formalização foi realizada, como já previsto em lei, através da resolução 218 publicada pelo Confea em 29 de junho de 1973, discriminando as diversas áreas de atuação dos engenheiros formados na época. Veja, como exemplo, os artigos 7º e 12, que estipulam a atuação dos Engenheiros Civis e Mecânicos, respectivamente. I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a edificações, estradas, pistas de rolamentos e aeroportos; sistema de transportes, de abastecimento de água e de saneamento; portos, rios, canais, barragens e diques; drenagem e irrigação; pontes e grandes estruturas; seus serviços afins e correlatos.
I - o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes a processos mecânicos, máquinas em geral; instalações industriais e mecânicas; equipamentos mecânicos e eletromecânicos; veículos automotores; sistemas de produção de transmissão e de utilização do calor; sistemas de refrigeração e de ar condicionado; seus serviços afins e correlatos.
A legislação que define as atividades referentes às diversas modalidades da Engenharia pode ser vista em: <http://normativos.confea.org.br/ ementas/visualiza.asp?idEmenta=266.
Depois de formalizadas legalmente, as competências tornam-se atribuições legais, que serão atualizadas conforme as Engenharias ramificam-se ou se fundem, formando profissionais ainda não regulamentados. A atualização curricular dos cursos de Engenharia também faz com que as competências do engenheiro mudem, podendo causar alterações em suas atribuições legais. Um exemplo da atualização das atribuições legais é demonstrado no artigo 1o da resolução n o 218 de 1973, em que o Confea discrimina a atualização dos engenheiros de produção através do seguinte texto: Art. 1º - Compete ao Engenheiro de Produção o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º da Resolução nº 218, de 29 JUN 1973, referentes aos procedimentos na fabricação industrial, aos métodos e sequências de produção industrial em geral e ao produto industrializado; seus serviços afins e correlatos.
Atribuir competências a cada profissional é essencial para que haja segurança na aplicação correta da Engenharia. Essa divisão possibilita que, durante a execução de projetos, a soma de conhecimentos relativos a cada área resulte em saídas mais bem estruturadas e inteligentes, através da interação entre profissionais de diferentes ramos.
Entre em contato com o Crea de sua região quando existir dúvida a respeito de suas atribuições legais.
Como exemplo dessa interdisciplinaridade, podemos citar a construção de uma usina hidrelétrica. Os engenheiros civis são responsáveis pelo projeto estrutural da obra, os engenheiros eletricistas respondem pelas instalações elétricas e os engenheiros mecânicos cuidam dos componentes mecânicos. Estes últimos são atendidos por diversos outros profissionais também reconhecidos pelo Crea e responsáveis por diferentes tarefas, como determinar a rota de produção dos componentes utilizados (engenheiros de produção), projetar os materiais envolvidos (engenheiros de materiais),
entre outras atribuições que estão relacionadas diretamente ao sucesso do empreendimento, mas não são observadas no canteiro de obras.
Figura 12 - Usina hidrelétrica, a aplicação de diversas Engenharias. Fonte: Shutterstock (2014).
É comum você passar por grandes obras e encontrar uma placa com indicação da empresa responsável, do valor investido, da área do terreno e do fator que muitas vezes passa despercebido: o responsável técnico pela obra, como seu nome e registro no Crea. Essa informação é imprescindível, principalmente para os fiscais do conselho, que podem atestar que o serviço está sendo executado com as diretrizes de um profissional capacitado. Essa responsabilidade legal foi decretada através da Lei nº 6.496, de 7 de dezembro de 1977, que instituiu a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), como você pode observar nos artigos a seguir. Art. 1o - Todo contrato, escrito ou verbal, para a execução de obras ou prestação de quaisquer serviços profissionais referentes à Engenharia, à Arquitetura e à Agronomia fica sujeito à “Anotação de Responsabilidade Técnica” (ART). Art. 2o - A ART define para os efeitos legais os responsáveis técnicos pelo empreendimento de engenharia, arquitetura e agronomia.
A ART é o registro, junto ao Crea, das atividades para que o profissional, ou empresa, foi contratado. É um documento que deve ser preenchido por um profissional devidamente habilitado pelo Crea. Além de definir o responsável legal pela execução de serviços, a ART também serve como registro de serviços prestados pelo profissional, dando origem a um acervo técnico dele. Para que seja considerada válida, é importante que a ART seja assinada pelo responsável técnico e pelo contratante, além de devidamente quitada. No caso de uma obra ou um serviço ser iniciado por um profissional credenciado sem o preenchimento da ART, o Crea dará um prazo para que sejam apresentados os documentos necessários para a regularização da situação. Se descumprido, o notificado será multado. O procedimento é semelhante no caso de obras clandestinas (sem a presença de um profissional credenciado), situação na qual o executor da obra deverá procurar um profissional habilitado para assumir a ART. O engenheiro deverá apresentar um laudo técnico se responsabilizando por aquilo que já foi executado, executar os projetos necessários e preencher a ART correspondente.
Nas situações em que o projeto é executado por pessoa não habilitada, os executantes estarão cometendo uma contravenção penal, penalizada com multa ou prisão de 15 dias a três meses, como descrito pelo artigo 47 do Decreto-Lei no 3.688 de 1941. Esse tipo de ação pode ser muito agravado em caso de morte causada por falha no serviço executado, que poderá ser julgada como homicídio doloso (com intenção de matar) por parte dos executores. Por isso é importante que, durante sua atuação profissional, você não apenas execute seus serviços de maneira tecnicamente correta, mas que também observe o cumprimento da legislação vigente. Muitas vezes alguém executa um projeto e solicita a assinatura de um engenheiro e o preenchimento da respectiva ART. Saiba que, apesar da regularização do serviço perante o Crea, toda a responsabilidade por ele será do engenheiro cadastrado, e a falha do projeto será cobrada judicialmente de seu responsável técnico. Dentro da Lei nº 6.496, também foi criada a Mútua, que é definida como “[...] uma sociedade civil sem fins lucrativos” e possui como objetivo “[...] oferecer a seus associados planos de benefícios sociais, previdenciários e assistenciais, de acordo com sua disponibilidade financeira, respeitando o seu equilíbrio econômico-financeiro” (CONFEA, 2014). Com isso, os Creas passam a ser não só agentes regulares e fiscalizadores, para também oferecerem apoio ao engenheiro através de palestras, previdência privada, plano de saúde, entre outros benefícios.
CONCLUSÃO Você, futuro engenheiro, ao terminar sua faculdade, contará com um sistema responsável por fiscalizar e regulamentar seu campo de trabalho, atribuindo-lhe direitos e deveres. Esse sistema é baseado em dois órgãos distintos, mas atuantes de maneira conjunta, o Confea e o Crea. O primeiro será a instância máxima de sua profissão, responsável pela criação de leis e pelo gerenciamento do segundo, que atuará como agente fiscalizador. São os conselhos regionais que garantem que seus concorrentes no mercado de trabalho possuam formação acadêmica compatível com sua atuação profissional, através da aplicação de suas atribuições legais, instituídas pelos dois órgãos. Vale lembrar que você, como engenheiro, será membro atuante na sociedade e suas decisões profissionais podem influenciar a vida de muitas pessoas. Assim, o sistema Confea/Crea é uma ferramenta importante para garantir que apenas profissionais habilitados possam exercer a Engenharia como profissão.
Introdução a engenharia aulas 1 a 4 [unifacs]

References: artigo 27
 Artigo 34
 artigo 45
 artigo 48
 artigo 62
 artigo 23
 artigo 1
 artigo 1
 artigo 1
 artigo 1
 artigo 47