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INTERAÇÕES ENTRE NEMATOIDES ENTOMOPATOGÊNICOS, O PREDADOR - PDF
INTERAÇÕES ENTRE NEMATOIDES ENTOMOPATOGÊNICOS, O PREDADOR
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Ágatha Pinhal Freire
1 NATALIA RAMOS MERTZ INTERAÇÕES ENTRE NEMATOIDES ENTOMOPATOGÊNICOS, O PREDADOR Calosoma granulatum PERTY, 1830 (COLEOPTERA:CARABIDAE) E ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS NA DIVERSIFICAÇÃO AGRÍCOLA PARA O CONTROLE DE Spodoptera frugiperda (J. E. SMITH, 1797) LAVRAS MG 2013
2 NATALIA RAMOS MERTZ INTERAÇÕES ENTRE NEMATOIDES ENTOMOPATOGÊNICOS, O PREDADOR Calosoma granulatum PERTY, 1830 (COLEOPTERA:CARABIDAE) E ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS NA DIVERSIFICAÇÃO AGRÍCOLA PARA O CONTROLE DE Spodoptera frugiperda (J. E. SMITH, 1797) Tese apresentada à Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do Programa de Pós- Graduação em Agronomia/Entomologia, área de concentração em Entomologia Agrícola, para a obtenção do título de Doutora. Orientador Alcides Moino Junior LAVRAS MG 2013
3 Ficha Catalográfica Elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca da UFLA Mertz, Natália Ramos. Interações entre nematóides entomapatogênicos, o predador Colosoma granulatum Perty, 1830 (Coleoptera: Carabidae) e espécies vegetais utilizadas na diversificação agrícola para o controle de Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797) / Natália Ramos Mertz. Lavras : UFLA, p. : il. Tese (doutorado) Universidade Federal de Lavras, Orientador: Alcides Moino Junior. Bibliografia. 1. Organismos não-alvo. 2. Compatibilidade. 3. Deslocamento. 4. Forésia. 5. Infectividade. I. Universidade Federal de Lavras. II. Título. CDD
4 NATALIA RAMOS MERTZ INTERAÇÕES ENTRE NEMATOIDES ENTOMOPATOGÊNICOS, O PREDADOR Calosoma granulatum PERTY (COLEOPTERA:CARABIDAE) E ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS NA DIVERSIFICAÇÃO AGRÍCOLA PARA O CONTROLE DE Spodoptera frugiperda (J. E. SMITH, 1797) Tese apresentada à Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do Programa de Pós-Graduação em Agronomia/Entomologia, área de concentração em Entomologia Agrícola, para a obtenção do título de Doutora. APROVADA em 28 de fevereiro de Prof. Dr. Amarildo Pasini Prof. Dra. Vanessa Andaló Mendes de Carvalho Prof. Dr. Luis Cláudio Paterno Silveira Prof. Dr. Martin Francisco Pareja UEL UFU UFLA UFLA Prof. Dr. Alcides Moino Junior Orientador LAVRAS MG 2013
5 Aos meus pais, Urbano e Noemi, e ao meu amigo e parceiro, Marlon, DEDICO.
6 AGRADECIMENTOS À Universidade Federal de Lavras (UFLA), ao Programa de Pós- Graduação em Entomologia (DEN) e ao CNPq, eu agradeço por todo o apoio e confiança. Aos professores do Departamento de Entomologia, pelo carinho, ensinamentos e tempo dedicado à nossa formação como Entomólogos. Ao professor Alcides Moino Jr, pela confiança, orientação e ajuda. Ao professor Amarildo Pasini, que me auxiliou na metodologia de criação do Calosoma granulatum quando eu estava quase desistindo. A todos os colegas do laboratório de Patologia de Insetos, em especial aos meus três anjos: Dona Irene, Judith e Fernanda, que foram muito importantes para o desenvolvimento deste trabalho. Aos parceiros e amigos do grupo de autoajuda do almoço: Dejane, Juraci, Valkiria, William, Adriano e Judith, que foram os responsáveis pelas melhores horas do dia. Um agradecimento adicional aos amigos Cristhiane e Martin, que me ajudaram nos momentos em que eu mais estava perdida. À amiga Juliana, que mais uma vez dividiu comigo todas as alegrias e tristezas deste período e ajudou a torná-lo mais fácil. Aos meus pais, que sempre me apoiaram e me deram força, mesmo tão longe de mim. Ao Marlon, que foi um companheiro excepcional, um excelente estagiário, ótimo conselheiro e o meu aconchego nessa fase de doutorado, mesmo com a distância nos separando. Obrigada a todos!
7 A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar Eduardo H. Galeano
8 RESUMO Os nematoides entomopatogênicos (NEP) são agentes de controle biológico de pragas no solo, suprimindo populações de insetos fitófagos naturalmente ou em programas de controle biológico. A lagarta-do-cartucho, Spodoptera frugiperda, é suscetível a nematoides do gênero Heterorhabditis, principalmente quando vai ao solo para empupar. Outro inimigo natural desta lagarta é o besouro Calosoma granulatum, cujas larvas e adultos predam as fases larval, de pré-pupa e pupa de S. frugiperda, sendo considerado um dos principais agentes de controle natural de lagartas em sistemas agrícolas. Apesar de haver pouco conhecimento a respeito da compatibilidade entre os NEP e o predador e as possíveis interações entre eles, tanto o controle biológico, aplicado com NEP, quanto o natural, com o predador, podem ser potencializados com estratégias conservacionistas que aumentam a persistência dos nematoides e a população dos predadores no ambiente agrícola. Os objetivos deste trabalho visaram avaliar tais efeitos e interações. Para isso, realizaram-se experimentos de laboratório para avaliar o efeito direto de dois nematoides nativos do gênero Heterorhabditis sobre o predador, e foi observado que apenas o primeiro ínstar larval é suscetível aos NEP, quando aplicados topicamente em concentrações maiores que 150 JI (juvenis infectantes)/ml. Experimentos observacionais, com e sem chance de escolha alimentar, foram realizados. No primeiro, o predador possuía duas opções de presa, uma contaminada por NEP e a outra não. No segundo, avaliou-se a sua sobrevivência quando existia apenas uma dessas opções como alimento por tratamento. Foi constatado que, com outra opção alimentar, o predador evita lagartas infectadas quando estas já hospedam a bactéria simbionte do NEP, e quando são oferecidos somente cadáveres infectados, ocorre grande mortalidade de suas larvas. Avaliou-se, em laboratório, a capacidade que larvas de terceiro ínstar e adultos do predador têm em dispersar os NEP por forésia, constatando-se que ambos são bons agentes de dispersão e que o transporte de maior número de nematoides pelos adultos ocorre quando a distância percorrida é curta (10 cm), sendo estes capazes de carregá-los a distâncias maiores (40 cm). Em casa-de-vegetação, foram avaliadas a persistência e a capacidade de deslocamento em direção ao hospedeiro do NEP na presença de plantas utilizadas como adubo verde e para a atração de inimigos naturais. Os resultados indicaram que as plantas Crotalaria spectabilis, C. breviflora e Tagetes erecta não influenciam a infectividade, o deslocamento e a persistência do NEP em longo prazo. Porém, C. spectabilis proporcionou o maior número de NEP viáveis em curto prazo, e T. erecta causou uma rápida supressão populacional dos NEP aplicados inundativamente. Palavras-chave: Compatibilidade. Organismos não-alvo. Forésia. Deslocamento. Infectividade.
9 ABSTRACT The entomopathogenic nematodes (EPN) are biological control agents of pests in the soil, by suppressing phytophagous populations naturally or in biological control programs. Spodoptera frugiperda, is susceptible to nematodes of the genus Heterorhabditis, especially when the larvae drop to the ground and pupate. Another natural enemy of this caterpillar is Calosoma granulatum beetle, whose larvae and adults prey the larval, prepupal and pupal stages of S. frugiperda and is considered one of the main agents of natural control of insects on agricultural systems. Both biological control with EPN and the natural one using the predator, can be improved with conservation strategies that increases the persistence of nematodes and predator s population in the agricultural environment. However, little is known about the compatibility between the EPN and the predator and the possible interactions among them, and there are few studies on the effects of plants used in agricultural diversification on the EPN. The objectives of this study were to evaluate such effects and interactions. Laboratory tests were conducted to evaluate the direct effect of two native nematodes of Heterorhabditis genus on C. granulatum. It was observed that only the first instar larvae are susceptible to EPN when applied topically at concentrations larger than 150 IJ (infective juveniles)/ml. Two observational tests with and without feeding choice were conducted. At first the predator had two feeding options, contaminated or not by EPN. In the second one, C, granulatum survivorship was evaluated when there was only one of these food options. With two feeding options the predator avoided infected larvae where they host the symbiotic bacteria of EPN, when there were only offered infected carcasses, there is a high mortality of predator s larvae. In another essay, we evaluated in laboratory the ability of third instar larvae and adult of C. granulatum to transport EPN by phoresy, confirming that both are good dispersing agents. The greater number of nematodes transported by adults occurred when the distance traveled was short (10 cm), but they are able to transport at greater distances (40 cm). In a greenhouse, we evaluated the nematodes persistence and its ability to move towards S. frugiperda in the presence of plants used as green manure and to attract natural enemies. The results indicated that plants Crotalaria spectabilis, C. breviflora and Tagetes erecta did not affect the persistence, the infectivity and the dispersion of EPN at long-term. C. spectabilis obtained the largest number of viable nematodes at short-term and T. erecta caused a rapid population suppression of EPN applied as an inundativo biological control agent. Keywords: Compatibility. Non-target organisms. Phoresy. Displacement. Infectivity.
10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REFERENCIAL TEÓRICO Importância e controle de Spodoptera frugiperda Controle biológico de Spodoptera frugiperda Utilização de nematoides entomopatogênicos para o controle de Spodoptera frugiperda Importância dos predadores da família Carabidae no controle natural de Spodoptera frugiperda A diversificação do sistema no manejo de pragas e sua interação com agentes de controle biológico Conservação de nematoides entomopatogênicos Conservação de predadores Interação nematoides entomopatogênicos predadores REFERÊNCIAS SEGUNDA PARTE - ARTIGOS ARTIGO 1 Efeitos de nematoides entomopatogênicos sobre o predador Calosoma granulatum em laboratório INTRODUÇÃO MATERIAIS E MÉTODOS Produção dos nematoides entomopatogênicos Criação do predador Calosoma granulatum e de Spodoptera frugiperda Efeito da aplicação direta de nematoides Heterorhabditis amazonensis isolado RSC 5 e Heterorhabditis amazonensis isolado JPM 4 sobre o predador Calosoma granulatum Testes de alimentação com chance de escolha Teste de alimentação sem chance de escolha RESULTADOS Efeito da aplicação direta de nematoides Heterorhabditis amazonensis isolado RSC 5 e Heterorhabditis amazonensis isolado JPM 4 sobre o predador Calosoma granulatum Teste de alimentação com chance de escolha Teste de alimentação sem chance de escolha DISCUSSÃO REFERÊNCIAS ARTIGO 2 Dispersão forética de Heterorhabditis amazonensis pelo predador Calosoma granulatum, em laboratório INTRODUÇÃO MATERIAIS E MÉTODOS... 85
11 2.1 Produção do nematoide entomopatogênico Criação do predador Calosoma granulatum Ação de adultos e larvas do predador na forésia de NEP em diferentes concentrações Efeito da distância na forésia do NEP pelo adulto do predador Avaliação dos experimentos: Extração e quantificação dos nematoides Análise de dados RESULTADOS Ação de adultos e larvas do predador na forésia de NEP em diferentes concentrações Efeito da distância na forésia do NEP pelo adulto do predador DISCUSSÃO REFERÊNCIAS ARTIGO 3 Efeito de plantas utilizadas na diversificação agrícola sobre o nematoide Heterorhabditis amazonensis em casade-vegetação INTRODUÇÃO MATERIAIS E MÉTODOS Produção do nematoide entomopatogênico Criação de Calosoma granulatum Cultivo das plantas Experimento de persistência Experimento de deslocamento Análise dos dados RESULTADOS Experimento de persistência DISCUSSÃO REFERÊNCIAS CONCLUSÕES GERAIS
12 11 1 INTRODUÇÃO A agricultura sustentável vem crescendo nas últimas décadas, devido, principalmente, aos efeitos dos inseticidas sintéticos sobre mamíferos e organismos não-alvo, e ao desenvolvimento de resistência em insetos herbívoros. Por este motivo, técnicas alternativas de controle de pragas têm sido buscadas por agricultores e pesquisadores, e muitos destes sustentam hipóteses acerca da redução populacional de insetos fitófagos como consequência do aumento da biodiversidade agrícola (GURR; WRATTEN; LUNA, 2003). Os trabalhos realizados com este propósito envolvem o favorecimento de inimigos naturais no sistema através da manipulação ou introdução de plantas que dispõem de recursos extras, como pólen e néctar, ou presas/hospedeiros alternativos, que são refúgios e locais de acasalamento e oviposição para inimigos naturais ((LANDIS; WRATTEN; GURR, 2000). Estas plantas podem ser cultivadas ou não e arranjadas de diferentes formas no sistema: como em faixas nas entrelinhas, na bordadura ou formando ilhas em diferentes locais na cultura. São vários os inimigos naturais beneficiados com a diversificação do sistema, como parasitoides (BAGGEN; GURR, 1998), predadores de partes aéreas (PERDIKIS et al., 2007) e predadores de solo (VARCHOLA; DUNN, 2001). Além disso, pesquisas mostram que ambientes em policultivo também atuam a favor de entomopatógenos (JABBOUR; BARBERCHECK, 2008). A lagarta-do-cartucho Spodoptera frugiperda (J. E. Smith, 1797) (Lepidoptera: Noctuidae) é um inseto-praga extremamente polífago que ataca diversas culturas, como alfafa, algodão, amendoim, arroz, aveia, batata, cana-deaçúcar, soja, hortaliças e, principalmente, gramíneas (LEIDERMAN; SAUER, 1953), e é considerada a principal praga da cultura do milho (CRUZ; TURPIN, 1983). Os danos causados por ela são variados, podendo matar plantas novas por se alimentar do cartucho do milho ou inviabilizar a comercialização dos grãos
13 12 por se alimentar da espiga (GASSEN, 1996). Sob o ponto de vista da conservação dos inimigos naturais na cultura de milho, estudos mostram que a diversificação do cultivo e seu plantio consorciado ou próximo às áreas florestais aumentam o número de inimigos naturais e também o controle biológico da lagarta (BASTOS et al., 2003; SOUSA et al., 2011). Os predadores da família Carabidae, inimigos naturais da lagarta-docartucho, ocorrem em todo o Brasil e são coletados com grande frequência em trabalhos de levantamentos sobre inimigos naturais (BRONDANI et al., 2008; CIVIDANES; CIVIDANES, 2008), sendo muito eficientes no controle biológico natural desta lagarta (MENALLED; LEE; LANDIS, 1999). Como a maioria dos predadores, são também beneficiados pela diversificação do sistema agrícola (KROMP, 1999; PENAGOS et al., 2003). Além dos predadores, os nematoides entomopatogênicos (NEP) também têm destaque como agentes de controle biológico da lagarta-do-cartucho, sendo que trabalhos mostram grande eficiência de várias espécies das famílias Steinernematidae (FUXA; RICHTER; AGUDELO-SILVA, 1988; GARCIA; RAETANO; LEITE, 2008) e Heterorhabditidae (ANDALÓ et al., 2010; MOLINA-OCHOA et al., 1996) no seu controle em experimentos de laboratório e de campo. Com isso, a utilização do controle biológico aplicado, como com entomopatógenos, aliada com a maior diversidade de plantas no sistema, favorecendo o aumento de predadores, é uma estratégia interessante para o controle de pragas. Porém, para garantir sua eficiência, os inimigos naturais atraídos para o sistema não podem ser prejudicados pela utilização de nematoides, e estes não podem ter sua ação afetada pelas plantas utilizadas para aumentar a diversidade agrícola. Considerando-se a importância econômica da lagarta-do-cartucho e as diferentes possibilidades de controlá-la biologicamente (controle aplicado com NEP e controle natural por predadores de solo - potencializado por plantas
14 13 benéficas para os inimigos naturais), o objetivo geral deste trabalho foi estudar a compatibilidade e os efeitos da interação entre essas formas de controle biológico. Para tal, foram confeccionados três artigos com os seguintes objetivos específicos: Artigo 1: Avaliar, em laboratório, o efeito direto de quatro diferentes concentrações dos nematoides Heterorhabditis amazonensis isolado RSC 5 e Heterorhabditis amazonensis isolado JPM 4 sobre a mortalidade de todas as fases de desenvolvimento do predador Calosoma granulatum; Avaliar, em laboratório, o comportamento alimentar de adultos do predador quando ofertadas lagartas de S. frugiperda recém-infectadas por H. amazonensis isolado RSC 5 ou H. amazonensis isolado JPM 4 a lagartas saudáveis como opção alimentar; Avaliar, em laboratório, o comportamento alimentar de larvas de terceiro ínstar e adultos do predador quando ofertados cadáveres de lagartas de S. frugiperda infectadas pelos nematoides H. amazonensis isolado RSC 5 ou H. amazonensis isolado JPM 4 e mortas por congelamento como opção alimentar; Avaliar, em laboratório, a mortalidade e o consumo diário de larvas de terceiro ínstar e adultos do predador quando alimentados apenas com lagartas de S. frugiperda mortas pelos nematoides H. amazonensis isolado RSC 5 ou H. amazonensis JPM 4 ou mortas por congelamento; Artigo 2: Avaliar, em laboratório, a capacidade de larvas de terceiro ínstar e adultos do predador de atuarem como agentes de dispersão forética de juvenis infectantes de H. amazonensis isolado RSC 5 em três diferentes concentrações;
15 14 Avaliar, em laboratório, a capacidade de adultos do predador de atuar como agentes de dispersão forética de juvenis infectantes de H. amazonensis isolado RSC 5 em três diferentes distâncias; Artigo 3: Avaliar, em casa-de-vegetação, o efeito das plantas Crotalaria spectabilis L., C. breviflora L. (Fabaceae) e Tagetes erecta L. (Astraceae) na persistência e infectividade de juvenis infectantes de H. amazonensis isolado RSC 5; Avaliar, em casa-de-vegetação, o efeito das plantas C. breviflora e T. erecta e do adulto do predador C. granulatum no deslocamento do nematoide H. amazonensis em direção ao hospedeiro.
16 15 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Importância e controle de Spodoptera frugiperda A lagarta-do-cartucho S. frugiperda é uma praga cosmopolita que ataca diversas culturas, como algodão, batata, arroz, soja, hortaliças e gramíneas (LEIDERMAN; SAUER, 1953). Ela é considerada a principal praga da cultura do milho no Brasil, ocorrendo em todo o ciclo da cultura, e seus danos à produção podem variar quanto à cultivar utilizada, fase de desenvolvimento da cultura e local de plantio (SARMENTO et al., 2002). Os danos causados pela lagarta derivam de sua alimentação das folhas e do cartucho, comprometendo o vigor das plantas e a produção dos grãos (GALLO et al., 2002). Quando ela ataca plantas de até 30 dias, pode matá-las e, em plantas maiores, reduzir a produtividade ao alimentar-se do parênquima das folhas, do broto central da planta e dos grãos da espiga (CRUZ; TURPIN, 1983). O maior prejuízo é causado pela destruição do cartucho, sendo que, quando a lagarta ataca a base da espiga, permite a entrada de microrganismos, podendo ainda causar a queda da mesma (ANDREWS, 1988). A lagarta alimenta-se do cartucho do milho e o abandona ao terminar seu desenvolvimento larval, deslocando-se ao solo para empupar (SARMENTO et al., 2002). Normalmente, o controle dessa praga é curativo e feito quimicamente com produtos de alta toxicidade, ou tratando-se as sementes, mudas ou o sulco do plantio com piretroides ou inseticidas sistêmicos (GALLO et al., 2002). Além do controle químico, o advento da biotecnologia permitiu e popularizou o controle de lepidópteros-pragas através do cultivo de plantas de milho transgênicas que portam o gene da bactéria Bacillus thuringiensis Berliner (Bt), sendo capazes de produzir a proteína inseticida desta bactéria em seus tecidos (ARMSTRONG et al, 1995). Porém, a resistência da lagarta-do-cartucho a
17 16 inseticidas químicos (YU, 1991) e à proteína Bt em culturas transgênicas (STORER et al., 2010; TABASHINIK et al., 2003), os danos ao meio ambiente e aos inimigos naturais causados por estes produtos, além da pressão do mercado a favor de alimentos saudáveis e que causem poucos impactos ambientais no seu processo de produção têm feito com que muitos produtores adotem o controle biológico de pragas (ALVES, 1998). 2.2 Controle biológico de Spodoptera frugiperda Os inimigos naturais da lagarta-do-cartucho têm grande importância para a cultura do milho, sendo que somente o controle biológico natural evita cerca de 50% da redução do rendimento de grãos causada por fitófagos (FIGUEIREDO; MARTIN-DIAS; CRUZ, 2006). Porém, além do controle biológico natural, os inimigos naturais podem ser adicionados ao sistema agrícola através do controle biológico aplicado, com a produção massal e aplicação de microrganismos entomopatogênicos, ou com a liberação de parasitoides e predadores. O controle microbiano da lagarta-do-cartucho pode ser feito com a utilização de bactérias, como Bt (POLANCZYK; SILVA; FIUZA, 2000; SALAMA et al., 1995); vírus, como o vírus da poliedrose nuclear (CRUZ et al., 1997) e, quando as lagartas deslocam-se para o solo, onde passam para a fase de pupa, podem ser controladas por NEP (FUXA; RICHTER; AGUDELO-SILVA, 1988; KAYA, 1993). Já para o controle com artrópodes inimigos naturais, pode-se citar os parasitoides, importantes tanto para o controle natural quanto para o controle aplicado de S. frugiperda, sendo as principais espécies Telenomus remus Nixon (Hymenoptera: Scelionidae), Trichogramma pretiosum Riley (Hymenoptera: Trichogrammatidae) (LENTEREN; BUENO, 2003), Campoletis sonorensis Cameron (Hymenoptera: Ichneumonidae) (HOBALLAH et al., 2004) e
18 17 Chelonus insularis Cresson (Hymenoptera: Braconidae) (PENAGOS et al., 2003). Quanto aos predadores que se alimentam de S. frugiperda, a maioria dos trabalhos publicados está relacionada ao controle biológico natural da praga. Dessa forma, podemos citar hemípteras da espécie Geocoris uliginosus Say (Hemiptera: Geocoridae) (BRAMAN et al., 2003), dermápteros do gênero Doru (Dermaptera: Forficulidae) (SUELDO; BRUZZONE; VIRLA, 2009; WYCKHUYS; O NEIL, 2006) e diversos besouros das famílias Carabidae (KAGAWA; MAETO, 2007; PENAGOS et al., 2003; WYCKHUYS; O NEIL, 2006; YOUNG, 2008) Utilização de nematoides entomopatogênicos para o controle de Spodoptera frugiperda A utilização de nematoides é uma boa alternativa para o controle de pragas, pois, além de não serem tóxicos para os mamíferos, têm rápida ação de controle, levando-as à morte entre 24 e 72 horas. Além disso, os nematoides têm o potencial para o estabelecimento em longo prazo no solo através de sua reprodução em hospedeiros infectados (ALVES, 1998; GAUGLER, 2002). As duas principais famílias de NEP, Heterorhabditidae e Steinernematidae, possuem ciclo de vida semelhante. Elas estão mutualisticamente associadas às bactérias patogênicas Photorhabdus e Xenorhabdus, respectivamente, que são as responsáveis pela morte do hospedeiro. O ciclo de vida dos NEP ocorre no interior do hospedeiro, havendo apenas um estágio livre, o terceiro estágio larval, também chamado de juvenil infectante (JI), que não se alimenta e é mais resistente ao dessecamento, pois se mantém no interior da cutícula do estágio anterior. Quando encontra um hospedeiro, o JI penetra através de seu tegumento ou por aberturas naturais e
19 18 libera a bactéria na hemolinfa, onde se multiplica e degrada os tecidos. O NEP, por sua vez, alimenta-se da bactéria e dos tecidos degradados, completa o seu desenvolvimento, acasala e reproduz. Quando a fonte de alimento do cadáver é exaurida, novos JI são formados e deixam o cadáver em busca de outros hospedeiros (KAYA; GAUGLER, 1993; POINAR JR., 1972). Os NEP podem reduzir a população de S. frugiperda pelo controle biológico natural, causando epizootias por populações nativas (LEZAMA- GUTIÉRREZ et al., 2001; MOLINA-OCHOA et al., 2003; WYCKHUYS; O NEIL, 2006) ou através do controle biológico aplicado, com a produção massal de JI, seguida de liberações inoculativas ou inundativas. Geralmente, as aplicações inoculativas são feitas para o controle de focos locais de pragas (WILSON et al., 2003). Porém, como os nematoides têm pouca persistência no ambiente agrícola devido a sua suscetibilidade aos raios UV, ao dessecamento e à atuação dos seus antagonistas (STUART et al., 2006), aplicações de pequenas concentrações de JI, espaçadas ao longo do tempo, não são efetivas. Assim, a maioria dos programas de controle com NEP é inundativa, utilizando-se grandes concentrações de JI (GEORGIS et al., 2006), que atuam de forma rápida na mortalidade dos insetos (KAYA; GAUGLER, 1993). Como as lagartas, pré-pupas e pupas de S. frugiperda são suscetíveis aos NEP (MOLINA- OCHOA et al., 1996), as aplicações inundativas para o seu controle podem ser feitas com a pulverização dos JI, aplicados na parte aérea para o controle das lagartas, ou no solo para o controle das pré-pupas ou pupas (GARCIA; RAETANO; LEITE, 2008; RICHTER; FUXA, 1990; SHAPIRO-ILAN et al., 2006). Trabalhos de campo realizados por Richter e Fuxa (1990) com a espécie de NEP S. feltiae mostraram que a pulverização de JI no cultivo de milho pode resultar em 33 a 43% das lagartas infectadas pelo nematoide e também em consequente diminuição da sua infestação na cultura.
20 19 Dessa forma, as espécies de NEP que possuem potencial para causar redução populacional à S. frugiperda são S. feltiae (FUXA et al., 1988), S. ribrave (MOLINA-OCHOA et al., 1996), Heterorhabditis indica (Rhabditida: Heterorhabditidae) (GARCIA; RAETANO; LEITE, 2008) e H. megidis (MOLINA-OCHOA et al., 1996). Além destas, trabalhos recentes de laboratório e casa-de-vegetação realizados por Souza et al. (2012) e Andaló et al. (2010) mostram a eficiência de vários isolados nativos brasileiros, inclusive com a espécie H. amazonensis, causando mortalidade das lagartas. Para aumentar a eficiência do controle com nematoides, estratégias conservacionistas visando à manutenção e ao aumento populacional dos NEP podem ser adotadas da mesma forma que são utilizadas para inimigos naturais de partes aéreas, como parasitoides e predadores (LANDIS; WRATTEN; GURR, 2000). Essas estratégias visam à manipulação do ambiente agrícola a fim de aumentar áreas com boas condições para a sobrevivência de NEP e aumentar também o número de hospedeiros alternativos que serão responsáveis pela reciclagem e persistência destes entomopatógenos em longo prazo, mesmo na ausência da cultura principal (ALUMAI et al., 2006; JABBOUR; BARBERCHECK, 2008; SUSURLUK; EHLERS, 2008). Portanto, o controle biológico natural de S. frugiperda pode ter sua eficiência aumentada com o manejo correto do solo e aumento da biodiversidade agrícola Importância dos predadores da família Carabidae no controle natural de Spodoptera frugiperda Os coleópteros da família Carabidae estão entre os principais agentes de controle natural de S. frugiperda (BRUST; STINNER; MCCARTNEY, 1986; RIDDICK; MILLS, 1994; SUENAGA; HAMAMURA, 1998). Levantamentos realizados por Wyckhuys e O Neil (2006) mostram alta incidência destes insetos
21 20 na cultura de milho. No Brasil, uma das espécies mais importantes desta família é Calosoma granulatum Perty, 1830 (Coleoptera: Carabidae), um importante predador de lagartas e pupas de S. frugiperda (ALLEN, 1977; BRUST; STINNER; MCCARTNEY, 1986). Esta espécie é uma das mais estudadas em agroecossistemas brasileiros (CHOCOROSQUI; PASINI, 2000; CIVIDANES et al., 2009; PEGORARO; FOERSTER, 1988), com distribuição por todo o país (GIDASPOW, 1963). A ocorrência de C. granulatum em ambientes agrícolas está relacionada aos períodos de maior umidade e de maior incidência de lagartas (PEGORARO; FOERSTER, 1988), e sua reprodução ocorre somente quando há presas abundantes para os adultos (WESELOH, 1993). Além disso, possuem uma grande capacidade de predação, sendo que estudos realizados por Best e Beegle (1977) mostraram que os C. granulatum podem consumir, diariamente, até cinco lagartas de Agrotis ipslon H. (Lepidoptera: Noctuidae), que possuem tamanho semelhante ao da S. frugiperda. Este besouro apresenta hábito predador também na fase larval, e ambas as fases de desenvolvimento são consideradas importantes na redução populacional de lagartas e pupas de S. frugiperda (ALLEN, 1977). O desenvolvimento de ovo a adulto de C. granulatum tem duração de 22 dias (PEGORARO; FOERSTER, 1985), sendo que as fêmeas adentram ao solo em períodos de oviposição, e a postura é feita entre 4 e 5 cm de profundidade. De 10 a 11 dias, as larvas passam por três ínstares até a fase de pré-pupa. Esta constrói uma câmara pupal a 8-12 cm de profundidade do solo, onde passa para a fase de pupa e lá permanece até a emergência do adulto (cerca de cinco dias) (PASINI, 1995). Os adultos também se enterram quando entram em hibernação, o que ocorre na região sul do País em períodos frios e de menor umidade. Além disso, os insetos também demonstram este comportamento como forma de proteção e esconderijo (PEGORARO; FOERSTER, 1985). Provavelmente, tal
22 21 comportamento seja uma forma de proteção contra a dessecação, à qual são altamente suscetíveis (LOVEI; SUNDERLAND, 1996). As larvas de C. granulatum apresentam maior atividade no período diurno, e os adultos são mais ativos durante a noite (PASINI; FOERSTER, 1996). Elas possuem o hábito alimentar predominantemente carnívoro, e esta predominância é maior para larvas que para adultos, mas como possuem mobilidade mais limitada e não podem migrar a longas distâncias, alimentam- se principalmente de pré-pupas e pupas de lepidópteros no solo (LOVEI; SUNDERLAND, 1996). Por outro lado, os adultos, além de carnívoros, têm hábito fitófago e são capazes de se deslocar a grandes distâncias, podendo utilizar o voo para tal e, assim, buscar alimento (LOVEI; SUNDERLAND, 1996). Em trabalhos realizados por Pasini e Foerster (1996), adultos de C. granulatum marcados foram recapturados em até 800 m do ponto de liberação na cultura de soja. Esses insetos atuam no controle biológico natural de S. frugiperda, porém, o manejo dos sistemas agrícolas pode influenciar a sua eficiência, por exemplo, aumentando a disponibilidade de abrigo e presas alternativas na ausência da cultura principal. Isso mantém estes insetos no ambiente agrícola, evitando que migrem em busca de alimento (BRUST; STINNER; MCCARTNEY, 1986; CLARK; GAGE; SPENCE, 1997; HATTEN et al., 2007; MAGURA; TÓTHMÉRÉSZ; BÓRDAN, 2000). 2.3 A diversificação do sistema no manejo de pragas e sua interação com agentes de controle biológico Os inimigos naturais podem ter sua eficiência de controle aumentada através de estratégias conservacionistas, que envolvem a manipulação correta do solo e do sistema agrícola, e a sua diversificação. Um exemplo disso é o cultivo
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International Organization for Biological Control of Noxious Animals and Plants- IOBC Missão: promover o desenvolvimento do Controle Biológico e sua aplicação em programas de manejo integrado WWW.IOBC-GLOBAL.ORG

References: ARTIGO 1
 ARTIGO 2
 ARTIGO 3
 Artigo 1
 Artigo 2
 Artigo 3