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Timestamp: 2018-02-18 09:03:14+00:00

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Artigos, Contos e Crônicas por Luzia (e convidados) Direitos autorais protegidos FBN: 2014
Do Debate entre os 7 candidatos à Presidência do Brasil ou Da Exclusão dos outros 4
Entre setembro e outubro, as emissoras de TV, Bandeirantes e Rede Globo, promoveram debates entre os candidatos à presidência do Brasil, relativos ao primeiro turno do pleito de 2014. Foram convidados, e estiveram presentes no debate, os seguintes candidatos: Eduardo Jorge - PV; Levy Fidelix - PRTB; Dilma Rousseff - PT; Marina Silva - PSB; Luciana Genro - PSOL; Aécio Neves - PSDB; e Pastor Everaldo - PSC.
Vejam, embora os eventos se propusessem a possibilitar o debate entre os candidatos à presidência do país, dos 11 candidatos, apenas 7 foram convidados, pois além dos listados acima, também são candidatos à presidência do Brasil: Mauro Iasi - PCB; Rui Costa Pimenta - PCO; Zé Maria - PSTU; e Eymael - PSDC. Estes quatro candidatos foram excluídos do debate.
Não consigo entender como que o Estado brasileiro e a sociedade pôde concordar com a promoção de debates excludentes ao cargo majoritário de nossa nação. Pelo que percebi, tal exclusão foi baseada na "Lei das Eleições de Nº 9. 504, de 30 de setembro de 1997 que conflita com o artigo 5º da Constituição Federal e que garante a todos o direito à igualdade.
Considero importante contextualizar a origem da referida Lei. Criada no mandato do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB. FHC se elegeu em 1997, e o novo pleito seria no ano seguinte, 1998. Entre outros candidatos à presidência do país, concorria com ele Luis Inácio Lula da Silva, cujo número de votos já vinha se mostrando bastante expressivo desde sua disputa com Fernando Collor de Melo, nas eleições anteriores. FHC se re-elegeu no pleito de 1998, ficando no governo até 2002, quando Lula venceu as eleições.
Para melhor entender o que aconteceu, citarei ADABO e CORTEZ (2010):
"Em 1998, de acordo com Rubim e Colling (2005), a cobertura das eleições presidenciais foi marcada pelo silêncio: ausência de debates e de matérias sobre o pleito, que tem como consequência o apoio ao candidato Fernando Henrique Cardoso, que se re-elege." (1)
Segundo os autores, no pleito seguinte, visando reconstruir sua imagem perante o público, a TV Globo promoveu intensos debates entre os candidatos à presidência, visando demonstrar imparcialidade. Com as rígidas regras e com o mediador, segundo os autores, a emissora "termina por esvaziar o discurso político, engessando as performances e tolhendo a sua espontaneidade".
Parece que foi o que verificamos no último debate promovido pela referida emissora de TV e realizado com a exclusão de candidatos à presidência do Brasil: ninguém discutiu a Saúde, ninguém discutiu Reforma Agrária, ninguém discutiu a Política Habitacional, entre tantos outros temas também ausentes.
Vejamos o que diz no artigo 46, da Lei das Eleições de Nº 9. 504:
Art. 46. Independentemente da veiculação de propaganda eleitoral gratuita no horário definido nesta Lei, é facultada a transmissão, por emissora de rádio ou televisão, de debates sobre as eleições majoritária ou proporcional, sendo assegurada a participação de candidatos dos partidos com representação na Câmara dos Deputados, e facultada a dos demais (...)." (2)
Apesar da existência da referida Lei, ao que me parece, o artigo 46 é inconstitucional, considerando que a Constituição é a Lei Maior e que todas as demais leis devem segui-la, implementá-la, portanto, viabilizá-la, nunca conflitá-la.
Ao possibilitar que emissoras de rádio e TV possam fazer distinções (e exclusões) na participação de debates que venham a promover, tal artigo também impede que candidatos ao cargo majoritário tenham a mesma oportunidade de exercerem o seu direito constitucional, e também o seu dever, de tornarem públicas as suas propostas de governo e de esclarecerem os pontos que estiverem obscuros. (3)
Ao criar tal brecha no princípio de igualdade garantido na Constituição, a legislação citada, em seu artigo 46, restringe o legítimo direito do povo brasileiro de ficar ciente, e consciente, de quem são os candidatos aos cargos majoritários (e também aos proporcionais), bem como de conhecerem os seus respectivos programas de governo, ficando o povo brasileiro, de certa forma, cerceado em seu direito de livre escolha. Sim, pois a liberdade de escolha está relacionada ao acesso aos candidatos e às suas propostas e o acesso, no que diz respeito aos debates públicos promovidos pelas emissoras de rádio e TV e ao horário eleitoral gratuito, está sendo cerceado pelos limites impostos pela Lei nº 9.504.
Ao vincular a participação dos candidatos em debates promovidos por emissoras de rádio e TV à sua representatividade na Câmara dos Deputados, a Lei nº 9.504 institui uma espécie de pré-requisito aos cargos majoritários e proporcionais, criando condição de vantagem para alguns partidos, e, assim, criando a possibilidade de sua perpetuação no poder. Além do fato de deixar que o poder econômico de alguns candidatos determine o pleito.
Ao que me parece, no que se refere à divulgação de candidatos e suas respectivas propostas de governo nos pleitos do país, e, assim, ao acesso do povo aos mesmos, tal Lei instituí um 4º Poder: O Poder da Mídia, cuja audiência atraí patrocinadores e, por aí, se apresenta o poder econômico
Todos sabem que para que a população possa votar em alguém, ela precisa conhecer esse alguém, por isso há a campanha política. Acontece que se um candidato a vereador, com muita história de luta em seu município, pode se fazer conhecer e conseguir eleger-se pelo voto dos munícipes, o mesmo torna-se impossível para sua eleição para o cargo de deputado estadual, federal, senador, governador e, sobretudo, para a presidência do país, visto que deverá se tornar conhecido em uma extensão territorial muito maior do que os de seu município.
Para ganhar eleitores, o candidato precisa se fazer conhecido, bem como, penso eu, divulgar os seus feitos. E como divulgá-los? Para tanto, há a necessidade de meios de divulgação e de recursos financeiros. Para relativizar o poder econômico, existe o espaço da propaganda gratuita nas emissoras de rádio e TV, espaço que já discrimina os candidatos e os partidos, ao vincular o tempo de exposição à representação do partido na Câmara dos Deputados, conforme o artigo 47 da Lei supracitada.
Por tudo isso, creio que o artigo 46 e 47, da referida Lei Eleitoral, não só fere os artigos constitucionais 1º e 5º quanto fere o artigo 14º, tanto no princípio da igualdade, quanto com relação à soberania popular e ao direito à elegibilidade dos cidadãos candidatos, criando uma espécie de parágrafo segundo ao Artigo 1º da Constituição Federal de 1988 e que ouso aqui explicitar: Artigo 5º, Parágrafo Quinto: "Todos são iguais perante a lei, exceto para a sua divulgação e de suas propostas caso venham a concorrer aos cargos majoritários e proporcionais do país, cuja possibilidade está diretamente vinculada à representação do partido na Câmara dos Deputados".
Entendo que é inconstitucional vincular à composição de bancada na Câmara dos Deputados ou a pesquisas de intenção de votos o direito do cidadão candidato a cargos do Legislativo ou do Executivo à divulgação de suas propostas de governo, seja em horário gratuito, seja em debates promovidos por emissoras de TV e rádios, seja em entrevistas promovidas por qualquer mídia, pois isso é um critério excludente e que cria a iniquidade.
Como cidadão brasileira, quero ter preservado o meu direito à informação e tal direito inclui o acesso a todos os candidatos aos cargos majoritários e proporcionais de meu país. Tal direito inclui o acesso aos seus respectivos feitos, desfeitos e programas de governo. Tal direito inclui ouvir todos, sem restrições e sem distinção de tempo, em debates públicos promovidos por emissoras de rádio e TV e em horários de propaganda gratuita.
RJ, 04\10\2014
1 - ADABO, Gabrielle Maise e CORTEZ, Glauco Rodrigues. A Rede Globo e as Eleições Presidenciais no Período de 1998 a 2008: Transformações por uma nova imagem. In, Anais do XV Encontro de Iniciação Científica da PUC-Campinas, SP, de 26 a 27 de outubro de 2010. Disponível em https://www.puc-campinas.edu.br/websist/portal/pesquisa/ic/pic2010/resumos/2010923_19248_501993902_resabr.pdf):
2 - Lei das Eleições de Nº 9. 504, de 30 de setembro de 1997
"Art. 46. Independentemente da veiculação de propaganda eleitoral gratuita no horário definido nesta Lei, é facultada a transmissão, por emissora de rádio ou televisão, de debates sobre as eleições majoritária ou proporcional, sendo assegurada a participação de candidatos dos partidos com representação na Câmara dos Deputados, e facultada a dos demais, observado o seguinte:
Res.-TSE nº 22.318/2006: impossibilidade, no caso de debates, de exigir-se que a representação do partido na Câmara dos Deputados esteja vinculada ao início da legislatura, não se podendo ampliar o alcance do § 3º do art. 47 desta lei. Res.-TSE nº 22.340/2006: considera-se a representação dos partidos na Câmara dos Deputados na época das convenções para escolha de candidatos.
Ac.-TSE, de 26.10.2010, na Pet nº 377216: possibilidade de veiculação de debates considerando o horário local de cada unidade da Federação.
Ac.-TSE nº 19.433/2002: aplicação desta regra também quando são apenas dois os candidatos que disputam a eleição, salvo se a marcação do debate é feita unilateralmente ou com o propósito de favorecer um deles.
§ 5º Para os debates que se realizarem no primeiro turno das eleições, serão consideradas aprovadas as regras que obtiverem a concordância de pelo menos 2/3 (dois terços) dos candidatos aptos no caso de eleição majoritária, e de pelo menos 2/3 (dois terços) dos partidos ou coligações com candidatos aptos, no caso de eleição proporcional.
Parágrafo 5º acrescido pelo art. 3º da Lei nº 12.034/2009.
Res.-TSE nº 23.273/2010: "são considerados aptos os candidatos filiados a partido político com representação na Câmara dos Deputados e que tenham requerido o registro de candidatura na Justiça Eleitoral. Julgado o registro, permanecem aptos apenas os candidatos com registro deferido ou, se indeferido, esteja sub judice.
V. art. 16-A desta lei."
3 - Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
Disponível em http://www.tse.jus.br/…/lei-das-eleicoes-lei-nb0-9.504-de-3…
Postado por Magalhães Eu às sábado, outubro 04, 2014
Entrevista com a Presidente Dilma no Bom Dia Brasil, da TV Globo
É impressionante a falta de educação dos jornalistas que entrevistaram a presidente Dilma Rousseff . Eles Abriram o programa dizendo que o objetivo era conhecer o programa de governo da candidata, no entanto, longe de perguntar-lhe sobre as novidades, no caso de novo mandato, por meio de perguntas tendenciosas, ficaram manipulando a capacidade de compreensão da população.
Os jornalistas, do referido programa, iniciaram questionando Dilma sobre o escândalo da Petrobrás, insinuando que a presidenta deveria conhecer o diretor da instituição que se envolveu no escândalo. Quando Dilma começava a fazer uma retrospectiva da carreira do servidor para mostrar que era ilibada e que o mesmo vinha galgando os cargos desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, e que, portanto, fora uma surpresa para todos as denúncias de corrupção que o envolvia, os jornalistas a interrompiam, deseducadamente. Inclusive, dizendo que ela falava de carreira quando a direção da Petrobras fora por indicação. Ora, vejam, em uma administração que visa à democracia, se o diretor não é eleito pelos funcionários, para se ter coerência, no mínimo, busca-se os quadros da instituição, para as mais altas hierarquias, a partir de sua trajetória, ou seja, baseando-se em sua carreira. Não tirar novo gestor do bolso, não consultar as fichas dos "QI's" com o nome de seus apadrinhados e da bola da vez é sinal de compromisso com a democratização da instituição. Na realidade, ficou claro que os jornalistas queriam deixar uma pulga atrás da orelha dos telespectadores sobre a relação entre Dilma e o escândalo que vem sendo investigado na Petrobrás.
Quando Dilma começou a mostrar que a autonomia dos órgãos de investigação foi dada pelo governo do PT, seu antecessor, Lula e mantida por ela, e que, portanto, se as denúncias vêm à tona é devido à direção que vem sendo dada por seu governo, uma das jornalistas, mostrando completo equívoco, interrompeu-lhe dizendo: "mas são órgãos de Estado que investigam.". Ora, querida jornalista, Estado é sinônimo de União, não significa unidade da federação!
Depois, um dos jornalistas fez uma pergunta sobre desemprego, informando que países da Europa e o Chile têm índices de empregabilidade maiores do que o Brasil. Quando Dilma começou a apontar a inveracidade de tal informação, apresentando dados, os jornalistas, os três, ficaram impedindo a sua fala, uma disse ainda que ela não respondia à pergunta (?!). Mas como não respondia? Se alguém nos faz uma pergunta com um texto introdutório, para respondê-la, precisamos retomar ponto a ponto a introdução apresentada pelo entrevistador. Não?
Oras, Rede Globo, se se trata de entrevista, a regra é perguntar, deixar o entrevistado responder (SEM INTERROMPÊ-LO!!!!) e depois, (SÓ DEPOIS!) o entrevistador pegará pontos da resposta e solicitará esclarecimentos. Ficar impedindo o entrevistado de falar, gastando o tempo que "lhe fora dado" para manipular o público, além de profunda falta de educação (já que quando um fala, o outro cala), demonstra a CLARA POSIÇÃO DA TV GLOBO DE NÃO QUERER QUE DILMA ROUSSEFF SE REELEJA.
Ora, Rede Globo, até eu sei que não dá para comparar o Brasil com os países da Europa, quando tratamos, por exemplo, de emprego e desemprego, e por tais motivos: 1 - A população de cada país da Europa é muito menor que a do Brasil; 2 - Cada Unidade da Federação brasileira equivaleria a um país europeu, em termos de dimensão, população e problemas. Nesse caso, o mais razoável seria, por exemplo, comparar um país europeu com São Paulo. 3- As instituições multinacionais têm uma política de emprego e salário diferentes, para os países centrais, daquelas adotadas nos países periféricos. Assim, considerando que são empresas capitalistas, multinacionais e que sobrevivem da mais-valia extraída do trabalhador, para aumentarem o número de empregos e o salário em um ponto do planeta, exploraram o trabalho de forma mais intensa em outro. E aí, dá para comparar as taxas de emprego entre o Brasil e a Alemanha? Ah, sim,eles compararam com o Chile. Mas comparar o Brasil, com o tamanho que tem e com a complexidade que tem, com Chile é, no mínimo, uma piada!
Ao final, quando a candidata não tinha mais a possibilidade de falar, quando o tempo estipulado para a entrevista já havia terminado, lembrando que a entrevista foi gravada e feita ontem, a jornalista, no programa de hoje, reafirmou os dados que apresentou durante a entrevista, dizendo que os da presidenta eram referentes a período anterior. Ou seja, pelo que entendi, a presidenta, candidata à reeleição, foi chamada de mentirosa.
Precisa disso? Durante a entrevista, nós ouvimos que os dados dos jornalistas eram diferentes do da Presidenta. Cabe a nós, telespectadores, buscarmos mais informações. É completamente desnecessário, deselegante, desrespeitoso, reafirmar uma dada informação quando o outro, que fazia parte da contenda, não tem mais oportunidade de falar.
Gente, é verdade o que estamos vendo? É verdade o que estão fazendo com Dilma Rousseff nestas entrevistas? É verdade que os entrevistadores perguntam o que querem e como querem e que não deixam a presidenta respaldar a sua resposta e, tampouco, concluí-la? É verdade que vimos jornalistas impedindo a presidenta, e candidata a reeleição, de falar, induzindo os telespectadores a crerem que ela fugiu das respostas?
Já declarei que votarei em Mauro Iasi, do Partido Comunista Brasileiro - PCB (Oficial), bem como expliquei o porquê, mas isso não me impede de perceber a campanha anti-Dilma que a mídia está fazendo.
O que tenho visto nas entrevistas e nos debates da mídia para com Dilma Rousseff é um desrespeito. Seria mais profissional se, a cada pergunta feita à candidata, fosse comunicado o tempo que teria para responder e deixar que a resposta ocorresse, sem interrupções, pois quando o entrevistador interrompe, ele gasta o tempo de resposta, causa confusão em quem acompanha o raciocínio e demonstra um profundo desrespeito para com todos.
E aí, fico eu a pensar com os meus botões. "As tímidas propostas sociais que vem sendo, vagarosamente, implementadas pelo PT causam muita ameaça às classes detentoras do poder econômico e,sendo assim, se depender delas, NUNCA os candidatos com propostas Socialistas terão espaço na mídia dominada por elas."
Pois é, está tudo dominado!!!
Rio de Janeiro, 22\09\2014
Postado por Magalhães Eu às segunda-feira, setembro 22, 2014
Alemanha 7 X Brasil 1: Procura-se o Bode Expiatório
É quarta-feira, dia 09 de julho de 2014, e o povo brasileiro acorda sem querer levantar. Reúne forças, faz das tripas as ataduras para as feridas do peito e da alma.
O povo sai para a lida. Para a lida nas fábricas, nos bancos, no comércio, no setor de serviços, no trabalho informal... O povo volta para a lida de todo dia. O povo brasileiro retorna ao tronco do trabalho precário, dos baixos salários, dos transportes de massa abarrotados, da marmita fria, da escola largada, dos hospitais com emergências fechadas, das calçadas com crianças e adolescentes entorpecidos. O povo volta ao tronco na névoa do spray de pimenta que toma na cara sob a bombas de efeito moral largada no estádio do Mineirão pela Seleção Alemã... O povo volta passivo para o tronco e vai de olhos baixos que retornam ao chão ao peso do placar de 7 a 1 na arena mineira da "Copa das Copas".
Perdemos o sonho de ter em mãos o troféu da cor do nosso ouro, o troféu de valor de muitas de nossas pedras preciosas juntas. Do ouro e das pedras das MInas Gerais.
Acordamos, nesta quarta-feira, em meio a um pesadelo bizarro, inacreditável. A seleção pentacampeã perdeu de 7 a 1 nas Minas Gerais. Na arena denominada de Mineirão. E quem é o culpado?
Alguns dizem que a culpa é do técnico que não soube escolher os jogadores e que se utilizou de ultrapassada estratégia de jogo. Outros acreditam que perdemos porque a estrela maior de nosso time e o nosso capitão não puderam jogar. A pequena burguesia - aquela que vive estendendo o tapete para a burguesia passar e que confunde o povo para continuar recebendo benesses- atribui a derrota ao povo brasileiro, dizendo que somos indolentes, malandros, que não queremos estudar, que somos o povo do jeitinho e que gostamos de viver ociosos na rede do Bolsa Família. Para esses últimos, caso Deus seja mesmo brasileiro, eu rogo "Oh, Senhor, perdoa-os! Eles não sabem o que dizem."
Acordamos, como acordamos todos os dias, tendo na primeira refeição, quando muito, o café ralo, o pão dormido, a farinha com água, e corremos direto para a lida, ofertando as nossas artérias para a sangria diária.
Nesta quarta-feira cinza de julho de 2014, entorpecidos com as pedras de crack de nossa história, buscamos e rebuscamos os cantos da nação à procura do bode expiatório para a derrota do Brasil para a Alemanha: 7 a 1.
RJ, 09\07\2014
Postado por Magalhães Eu às quarta-feira, julho 09, 2014
Os heróis olímpicos, os heróis nacionais, os heróis do futebol, das olimpíadas, das corridas de carros: cria-se poucos Pelés entre tantos Garrinchas.
As arenas construídas para eventos de massa datam de muito longe na história da humanidade. Construídas no mundo antigo, época das grandes conquistas e da ostentação dos imperadores.
As arenas foram projetos para reunir a plebe e, em lugar de destaque, os soberanos, tendo, ao centro, aqueles designados para garantir o entretenimento. Tratava-se de um grande circo para extravasar a dor dos explorados e lançar névoa sobre a sua realidade. E a névoa ajudava a criar a torcida: uns, torcendo para um lado e outros, torcendo para o outro lado e, assim, ambos, esqueciam-se que pertenciam, todos, ao lado dos oprimidos. E, em local privilegiado, banqueteava-se a elite dominante e seus convidados.
Enquanto isso, nos centros das arenas, a névoa se formava pela areia, pelo suor e pelo sangue dos que seriam abatidos e essa névoa se estendia à plateia, grudando os seus olhos e as suas mentes.
Ao mesmo tempo, no centro das arenas, os gritos, o suor, o sangue e a dor dos que estavam lá para dar vida ao circo, num circo onde sempre havia quem caçasse e quem ficasse abatido ao chão. Nas arenas antigas, a luta dos gladiadores, de homens contra homens... De homens contra animais.
E as arenas, o circo, o mais eficaz instrumento de manipulação e de alienação das massas, se multiplicou, continua se multiplicando, e se sofistica, tanto em impérios quanto em repúblicas. E nessas arenas são testados os homens, sua força e sua coragem. Também aí são testadas e apresentadas novas tecnologias. Também aí é avaliada a repercussão emocional que causa às massas.
E a plateia rodeia o centro da arena. E a plateia de hoje é mundial, é virtual e todos, dos quatro cantos do mundo, muitos milhares de pessoas, todos rodeiam o centro de uma mesma arena, com os soberanos, em destaque, que estão lá a lucrar.
E ao redor da arena, a plateia extravasa as suas emoções... E as suas frustrações. Vibra, grita, canta, chora, torce, xinga, fica inflada, anestesiada para o que lhe espera do lado de fora da arena. A plateia se mascara, a massa é anônima, e na massa, cada um se perde em fantasia. Na massa anônima, nessa arena, os plebeus até xingam os soberanos, face a face. Não há cara nas arenas, todos usam máscaras.
A plebe, na arquibancada e em poucas cadeiras, frente à elite, em preservados e luxuosos camarotes em destaque e que assiste a tudo sorrindo ao tilintar dos metais brilhantes que abarrotam os seus cofres. E, ao centro, os artistas do circo dando o seu suor, as suas lágrimas, o seu sangue, vencendo a dor... A dor e o medo de ser um daqueles que tombará ao chão... Há sempre o que fica ao chão. Há sempre aquele que sai da arena carregado... E, também, sempre há aquele que é tragado pelo chão... E que nunca mais retornará... E, ainda no centro da arena, ainda entre os artistas do circo, há aqueles que se investem em sentimento de nacionalismo, de patriotismo, de heroísmo e se mantém em pé... Bravos gladiadores, almejam a aceitação dos soberanos, o orgulho da torcida e tudo o que que se materializará daí: o prêmio, o troféu, a medalha, o lugar de destaque no pódio dos vencedores e no imaginário da plateia, a fama e a conta bancária.
E a torcida vivencia o poder e a força do soberano, experiencia a crueldade da luta e se torna cúmplice da violência, das baixas e das mortes dos que se tornaram heróis ao centro da arena.
A massa, submersa em emoções, ao emergir, obedecerá passivamente à política da coerção e do medo, do chicote, pão e circo. E, no dia seguinte, caminhará, ombro a ombro, olhos ao chão, conforme a ordem social dominante.
Luzia M.Cardoso
RJ, 05\07\2014
Postado por Magalhães Eu às sábado, julho 05, 2014
A Voz do Muro
GRAFITES: A Voz do Muro
Percebo que os muros falam, e falam para quem tem ouvidos (e olhos) de ouvir. Os muros, por meio de suas cores, adornos, cuidados, detalhes, falam de sonhos, de pessoas, de amores, de expectativas.... E os muros falam também de dores, de perdas, de desesperanças, de conflitos, de abandono, de descaso...
O muro, que foi criado para demarcar limites, delimitar propriedades, separar o púbico do privado, se antes reproduzia apenas a fala de seus senhores, agora, parece querer mais. Parece que o muro rompeu os grilhões que o prendia, retirou a mordaça e começou a movimentar-se. Buscou a liberdade.
O muro parece querer interagir com calçadas, postes, ruas, pedestres, motoristas, crianças, adultos, jovens, idosos.... Ele cansou de olhar apenas para o seu rodapé e de acreditar que depende da vontade de salões, de portões e de porões. Hoje, os muros discutem com as cercas elétricas e questionam a origem de seu DNA.
O muro de hoje não quer ser individual, quer ser coletivo. Não quer ser família, quer ser comunidade, sociedade, nação. Não quer ser barreira, quer ser indicação. Por isso, o muro fala. E fala alto.
O muro fala dos descasos de governos, fala dos desejos e temores de crianças, fala dos sonhos e das desesperanças de adolescentes, de jovens e também de adultos e idosos. O muro fala de horrores, e também fala das paixões. O muro aponta perigos, os riscos e tam´bem novos caminhas, novas possibilidades.
O muro fala em prosa, e também fala em versos. Às vezes com voz aveludada, noutras vezes, com urros e grunhidos.
O muro canta, do lírico ao popular. Tem ritmo, toca clássicos, Jazz, MPB, Bossa Nova, Samba, Rock, Funk, Rap, Hip Hop, Charme, Forró, Sertanejo, Baião e adere a todos os estilos e tendências da música, da moda, da arte. O muro é da rua, do mundo, do tempo, da vida e quer mostrar que está na roda.
O muro fala, canta, recita e berra. E, se o muro se comunica, resta-nos aprender a ouvir o muro nos diz.
Postado por Magalhães Eu às quinta-feira, julho 03, 2014
Do Debate entre os 7 candidatos à Presidência do B...
Entrevista com a Presidente Dilma no Bom Dia Brasi...
Alemanha 7 X Brasil 1: Procura-se o Bode Expiatóri...

References: artigo 5
 artigo 46
 artigo 46
 artigo 46
 artigo 47
 artigo 46
 artigo 14
 Artigo 1
 Artigo 5