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Timestamp: 2020-02-27 18:27:23+00:00

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Filha adolescente mandando nudes? | Luiz Silverio
por Luiz Silverio | ago 22, 2019 | Sexualidade | 0 Comentários
Um em cada 7 adolescente envia mensagens com conteúdo sexual, e um em cada 4 adolescentes recebem esse tipo de mensagem. Saiba como proteger a sua filha dos danos que este tipo de prática pode causar
Sexting é o nome técnico da prática de compartilhar eletronicamente material sexualmente explícito. Envolve o compartilhamento de imagens e vídeos de nudez ou sexo, bem como mensagens de texto eróticas com convites ou insinuações sexuais.
Com a acessibilidade da internet e o barateamento dos Smartfones, esta prática que era exclusiva de adultos é assumida cada vez mais por adolescentes. Mesmo que a prevalência seja maior entre os adolescentes mais velhos,mesmo as crianças pré-púberes (10 a 12 anos) estão tendo este tipo de atitudes na internet. Os mais novos estão entrando nessa pela disponibilidade dos meios de comunicação em redes sociais.
Evidentemente você como pai ou mãe consegue perceber vários perigos neste tipo de prática. Um dos perigos é a sextorsão, alguém se aproveitar das imagens para exigir que a adolescente mande mais fotos, ou que lhe forneça favores sexuais sob ameaça de divulgar o material intimo que já possui dela. A divulgação das fotos, conversas ou vídeos também são outro problema grave que, inclusive, já levou várias meninas ao suicídio. Por fim há a ansiedade e angústia de outras pessoas terem material íntimo que pode ser utilizado contra ela.
Apesar dos pais conseguirem identificar com muita clareza estes perigos, os adolescentes apresentam maior dificuldade de percebê-los. Não é porque uma adolescente apresenta facilidade de mexer em computadores e celulares que ela consegue prever os riscos que aquela ferramente trás. Pelo contrário, quanto mais íntima da ferramenta, menos risco a adolescente percebe; o envolvimento afeta a percepção.
Por outro lado adolescentes naturalmente têm dificuldade de antecipar as consequências de suas ações, isso ocorre pelo fato do cérebro ainda estar em desenvolvimento. Apenas por volta dos 18 anos ou mais o cérebro do adolesceste possui capacidade de antecipar corretamente vários níveis de riscos. Por isso os jovens precisam ser orientados e monitorados pelos pais.
Antes de orientar sobre como os pais podem prevenir ou remediar o danos causados pelo envio de nudes quero discutir outra coisa que você deve estar se perguntando: por que minha filha mandaria nudes?
Entre os adolescentes mais jovens a prática do sexting não está necessariamente relacionada a uma expressão da sexualidade, e sim a inclusão em um grupo. Quando as crianças passam para a fase da adolescência a opinião do grupo se torna mais importante que as dos pais. Para um adolescente ser excluído é a pior coisa que pode acontecer. Desta forma eles fazem tudo o que podem para se enturmar, inclusive mandar nudes.
Com os adolescentes mais velhos o motivo muda um pouco, está mais relacionado a expressão da sexualidade em si. Quando a garota começa a desenvolver as características secundárias na adolescência ela percebe que causa um efeito muito intenso nos meninos, e isso a faz se sentir poderosa e desejada. Freud já dizia que o desejo da mulher é se sentir desejada, na adolescência a menina não tem muita noção dos estragos que a exposição exagerada por causar em sua vida, e acaba por ter práticas de sexting de risco.
Por outro lado, se a menina não tem uma estrutura familiar forte que a proteja, ou se ela tem muitas mágoas ou traumas em sua vida, ela para de se importar com as consequências e acaba fazendo coisas com o intuito de agradar outras pessoas, mesmo que isso signifique danos à ela.
Eu escrevi o texto na perspectiva de uma garota adolescente que mandaria nudes para um garoto, porém o mesmo pode acontecer com os meninos.
Como os pais podem proteger os filhos do sexting
A primeira coisa que os pais vão ter que fazer é conversar com os filhos sobre isso. Não existe forma de proteção que não passe pela conversa. Porém a conversa não deve ser punitiva, e sim acontecer de um jeito que eles se posicionem como quem estão preocupados com a segurança dos filhos e querem instruir.
Não vá com a expectativa que sua filha vá admitir que já mandou ou recebeu nudes, isso nunca vai acontecer. Nem que ele vá falar muita coisa, provavelmente só vai ouvir. Mesmo assim o diálogo (na verdade monólogo) deve acontecer.
Você pode começar a conversa assim:
“filha, precisamos falar com você sobre algo muito importante, sente aqui para nós conversarmos”.
Ela vai sentar, mas toda desconfiada. Ai você pode perguntar
“você já ouviu falar de sexting?”
A maioria dos adolescentes (e dos pais) não conhece esse termo e ela vai negar. Você vai começar explicando o que é o termo.
“sexting é quando uma pessoa manda nudes, videos de nudez ou mensagens de texto picantes para outra pessoa. Nós queremos falar com você sobre isso porque temos visto muitas notícias de pessoas que se deram mal fazendo isso”.
Ela vai te olhar com uma poker face, você continua… essa é uma sugestão de como você pode abordar o assunto. É importante que na conversa você fale sobre alguns perigos que esse tipo de prática pode trazer: exposição das imagens, fotos ou videos, bullying virtual ou não, impactos psicológicos de outras pessoas conhecerem a intimidade dela e de ter a confiança traída por alguém, impacto na imagem dela, risco de pessoas má intencionadas usar o sexting como forma de conseguir mais coisas dela. Entre todos esses assuntos tem um que vou dar uma sugestão de como falar, a questão da confiança.
“Por mais que você ame uma pessoa e confie nele, há milhares de casos de garotas que confiaram no namorado, mandaram nudes ou gravaram vídeos com ele, e foram parar na internet. Duvida? vem até aqui o computador”.
Você vai digitar esta frase no Google “confiou no namorado e caiu na net”. O resultado vai indicar um monte de sites porno (não vá entrar nos sites para mostrar pra sua filha, pelo amor de Deus, é só pra você mostrar que muita gente confiou e se ferrou). Abra as várias abas de pesquisa no Google, se você colocar para incluir os resultados omitidos vão aparecer umas 30 abas. A intenção é que ela tenha um impacto ao ver tanta gente que teve vídeos vazados, e nem estamos falando de fotos.
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Na sequência você vai dizer:
“Todas essas mulheres acabaram tendo sua intimidade expostas por confiar em uma pessoa. Com certeza elas acharam que aquela pessoa nunca iria fazer nada disso, se não não teriam permitido gravar o vídeo, mas estão todas ali pra quem quiser ver.”
Agora você vai mostrar outra pesquisa no Google pra ela, digite: “se matou após vídeo vazado”. Essa pesquisa vai abrir várias resultados de sites de notícia trágicas de garotas que se mataram por ter a intimidade exposta. Pergunte pra ela o porque ela acha que acha que aconteceu com essas meninas para chegar ao ponto de acabar com a própria vida.
Por ultimo você vai se colocar como alguém a quem pode recorrer caso esteja ou venha passar algo parecido.
“filha, espero que isso nunca aconteça com você, porém se, por algum motivo, você tiver sua intimidade exposta venha e fale com a gente. Não vamos ficar bravos nem nada, queremos só o seu bem e vamos te ajudar”.
Sei que a frase acima vai fazer os pais vão pensar que estão dando anuência para que a filha pratique sexting, mas não é bem assim. Você como pai ou mãe nunca vai ter total controle sobre o que sua filha faz na internet e no celular. Caso você não diga a frase acima, se ela tiver sua imagem exposta vai penar “meus pais me avisaram e acabou acontecendo comigo, não posso falar isso pra eles”. O sentimento vai ser de desesperança e ela pode se matar caso não veja ninguém que possa dar apoio neste momento.
Além do diálogo há outras coisas que você pode fazer para prevenir danos causados pela exposição indevida:
Monitore as redes sociais de seus filhos. Não precisa ficar o dia inteiro vendo o que eles postam, mas pelo menos uma vez por dia de uma checada nos posts e stories. Até porque atualmente os adolescentes podem dar sinais que vão se matar pelas redes sociais.
Fale sobre sexo. Se os pais não querem que os filhos se envolvam em práticas sexuais de risco a melhor forma de prevenir isso é tirar todas as dúvidas dos filhos sobre sexo. Neste momento você controla as informações que são passadas, se a forma de saber sobre sexo de seus filhos é na internet eles podem ter informações erradas. E quando digo conversar não é dizer “você não pode fazer isso até casar”. Tem outras dúvidas sobre como conversar com os filhos sobre sexo? Escreva pra mim que tenho um material bem legal para ajudar os pais neste sentido: psicologo.luizsilverio@gmail.com
Não permita que crianças com menos de 13 anos tenha acesso irrestrito a celular e internet. A primeira fase da adolescência é a que mais corre risco de ser manipulada por alguém para compartilhar fotos e videos, e depois que fizer isso fica na mão de uma pessoa muito má intencionada. Desta forma você deve deixar o computador na sala e não no quarto de seus filhos, colocar controle parental, olhar o que eles estão pesquisando, ver com quem conversam no whatsapp e deixar o whasappweb deles acessado em algum computador. Parece invasão de privacidade, porém até essa idade é necessário como forma de proteção.
Repita a conversa sobre sexting de tempos em tempos. Não é porque você conversou uma vez que seu dever esta cumprido, os adolescentes tem memória fraca. O melhor é a cada dois meses você repetir a conversa sobre o assunto para que isso fique gravado na memória deles.
Eventualmente vasculhe as imagens que seus filhos tem no celular. Novamente, mesmo que os filhos sejam mais velhos, até 16 anos você tem o dever de, eventualmente, olhar o conteúdo que ele tem no celular. Quando você for dar um celular pra ele faça ele assinar um termo se responsabilizando em usar o celular corretamente, que o celular está com ele, mas é propriedade dos pais e que, quando quiser, vocês vão ver com quem ele está conversando ou o que tem no celular. Abaixo deixo o termo que ele tem que assinar. Se não assinar, não tem celular.
TERMO DE COMPROMISSO DE UTILIZAÇÃO DO CELULAR
Eu _________________________________________________________ aceito os termos abaixo sobe a utilização de celular e estou ciente das consequências que a má utilização dele pode trazer.
Artigo 1. O celular estará em minha posse, porém eles são propriedade de meus pais.
Artigo 2. Como proprietários do celular que está em minha posse meus pais terão o direito de verificar os conteúdos presentes nele a qualquer momento.
Artigo 3. Caso eu utilize o celular para sexting, acessar conteúdo pornográfico ou cometer bullyng contra alguém estou sujeitos às sanções previstas neste termo.
Artigo 4. Caso cometa bullyng contra alguém, ou seja conivente com esta prática, terei o dever de reparar o dano contra essa pessoa e ficarei por um mês sem acesso ao meu celular.
Artigo 5. Caso eu pratique sexting ou compartilhe imagens de outras pessoas ficarei sem acesso ao celular pelo período de um ano.
Artigo 6. Em caso de eu manter, compartilhar, curtir ou acessar conteúdos pornográficos terei o uso de celular restringido a uma hora por, sob monitoramento de meus pais, pelo período de dois meses.
Data: ___/_____/______
Assinatura do filho
Legal né? Você pode usar o mesmo termo referente ao uso do computador. Se você quiser ir mais longe pode colocar o termo em um quado e pendurar em local visível.
Minha filha teve sua intimidade exposta, e agora?
Não era pra acontecer, mas aconteceu, o que fazer?
Primeira coisa, não xingue a sua filha, xingar só vai fazer ela se sentir pior, e o que está feito está feito. Os adolescentes não contam as coisas para os pais exatamente pela postura punitiva e de não aceitação deles. Se você quer sua filha bem, não descarregue sua frustração nela, a apoie. Ou a sua frustração é maior do que o querer o bem estar da sua filha? Quer que ela se mate? O risco existe e é grande.
Segundo, segure a onda do seu machismo. Aceite que sua filha tem desejo sexual, todas as pessoas saudáveis a partir da adolescência têm desejo, e isso não tem nada de errado. Na verdade o errado seria se ela não tivesse, ai teria algum problema clínico ou psicológico. Neste momento você não vai conversar sobre isso com ela, só aceitar mesmo para não descarregar suas emoções nela.
O próximo passo é não ficar questionando porque ela fez isso, como ela pode fazer uma coisas dessa, se ela não pensou no que poderia acontecer. Não, ela não pensou, ou até pensou mas se iludiu que não aconteceria com ela e confiou em alguém (um dos problemas dos adolescentes é achar que nunca vai acontecer com ele, isso porque o cérebro ainda não se desenvolveu totalmente). Só questione sobre o que foi feito e qual a proporção o caso tomou, ou seja, quem tem acesso ao material compartilhado.
Terceiro, fale para ela que vocês vão superar isso junto, que vocês a amam e não vão deixar de a amar por conta do ocorrido, e que vão proteger ela. Esse acolhimento é a melhor forma de lidar com a situação.
Na sequência você vai proteger ela da repercussão que o caso pode ter tomado. Você faz isso de duas formas, primeiro falando pra ela que ela vai ficar um tempo sem celular ou computador para não ficar pesquisando ou tentando resolver o problema, que agora é sua responsabilidade como pai ou mãe fazer isso. A segunda é abrir um Boletim de Ocorrência e procurar a direção da escola para tratar do assunto.
Por ultimo leve sua filha a um psicólogo. O psicólogo é o profissional mais adequado para ajudá-la a superar o problema, é quem vai acolher, ouvir sem julgamentos, ajudar ela a lidar com as queixas e sofrimento, ensinar ela a como se defender de um possível bullyng e identificar risco de suicídio, algum grau de depressão ou necessidade de encaminhamento para psiquiatra.
Se você sentir que também não está sabendo lidar com a situação, o psicólogo de sua filha pode te orientar no que fazer e no que não fazer. E, caso necessário, também pode te encaminhar para um processo de psicoterapia para lidar com o sofrimento.
Qualquer pergunta ou dúvidas sobre o assunto pode entrar em contato comigo no whatsapp (41) 9.8437-9159 ou por e-mail.

References: Artigo 1

Artigo 2

Artigo 3

Artigo 4

Artigo 5

Artigo 6