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MARCELA BORGES NUNES ADIÇÃO DE CAFEÍNA AO SÊMEN SUÍNO RESFRIADO OU DESCONGELADO - PDF
MARCELA BORGES NUNES ADIÇÃO DE CAFEÍNA AO SÊMEN SUÍNO RESFRIADO OU DESCONGELADO
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Daniela Botelho Bonilha
1 MARCELA BORGES NUNES ADIÇÃO DE CAFEÍNA AO SÊMEN SUÍNO RESFRIADO OU DESCONGELADO LAVRAS-MG 2012
2 MARCELA BORGES NUNES ADIÇÃO DE CAFEÍNA AO SÊMEN SUÍNO RESFRIADO OU DESCONGELADO Dissertação apresentada à Universidade Federal de Lavras como parte das exigências do Programa de Pós-graduação em Ciencias Veterinarias, área de concentração em Ciências Veterinárias, para a obtenção do título de Mestre. Orientador Dr. Márcio Gilberto Zangeronimo Coorientador Dr. Raimundo Vicente de Sousa LAVRAS-MG 2012
3 Ficha Catalográfica Elaborada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca da UFLA Nunes, Marcela Borges. Adição de cafeína ao sêmen suíno resfriado ou descongelado / Marcela Borges Nunes. Lavras : UFLA, p. : il. Dissertação (mestrado) Universidade Federal de Lavras, Orientador: Márcio Gilberto Zangeronimo. Bibliografia. 1. Espermatozoide. 2. Ativadores do metabolismo. 3. Adenosina monofosfato cíclico. 4. Criopreservação. I. Universidade Federal de Lavras. II. Título. CDD
4 MARCELA BORGES NUNES ADIÇÃO DE CAFEÍNA AO SÊMEN SUÍNO RESFRIADO OU DESCONGELADO Dissertação apresentada à Universidade Federal de Lavras como parte das exigências do Programa de Pós-graduação em Ciencias Veterinarias, área de concentração em Ciências Veterinárias, para obtenção do título de Mestre. APROVADA em 28 de Maio de Luis David Solis Murgas Raimundo Vicente de Sousa José Nélio de Sousa Sales UFLA UFLA UFPB Dr. Márcio Gilberto Zangeronimo Orientador LAVRAS-MG 2012
5 Ofereço e dedico, aos meus pais, Maria Helena e José Zacarias.
6 AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus, por todas as bençãos que sempre colocou em meu caminho e por me amparar nos momentos mais difíceis, me fazendo sempre ter a fé, a força e o foco necessários para alcançar meus objetivos. Agradeço e dedico essa vitória, em especial, a meus pais, que sempre me incentivaram e me apoiaram na luta e na conquista dos meus sonhos, que me ensinaram a acreditar em mim mesma e que sempre fizeram todo o possível para me auxiliar nas minhas caminhadas, abdicando, inclusive, de suas aspirações pessoais para favorecer a realização dos meus desejos muitas vezes descabidos. Também dedico essa vitória às minhas vózinhas, que sempre foram e sempre serão estrelas-guias. Amo muito vocês! Não poderia deixar de agradecer, de todo coração, aos meus grandes amigos, que muito me ajudaram em toda essa etapa e que tiveram suma importância na parte profissional e também pessoal, Chico, Mayara e toda família (que é para mim como uma família também), Thiago, Rodrigo, Naina, Bianca, Evandro, Bárbara... Vocês são anjos em minha vida! Gostaria de agradecer, com muito carinho, ao pessoal do Laboratório de Fisiologia e Farmacologia da UFLA e do Grupo de Estudos de Reprodução de Suínos, com quem muito aprendi e que muito me auxiliaram na concretização deste trabalho. Todos vocês foram fabulosos e fundamentais! Agradeço ao meu orientador e coorientador e ao pessoal da banca avaliadora, por toda ajuda e sabedoria repassada. Valeu, por toda oportunidade concedida! Também agradeço ao pessoal da fazenda São Paulo, pelo auxílio. Sem vocês este trabalho não teria se concretizado!
7 Não poderia deixar de me lembrar e agradecer ao pessoal do Exército Brasileiro, da Escola de Sargentos das Armas, que passaram a fazer parte de minha vida no final dessa etapa, mas que muito me incentivaram e apoiaram na finalização da mesma. Obrigada, pela força. Brasil acima de tudo! Para finalizar, agradeço, com muito orgulho e muita honra, a essa grande e renomada instituição de ensino, Universidade Federal de Lavras, onde me formei Médica Veterinária e onde concluo hoje meu Mestrado, o que é para mim motivo de muita satisfação e alegria! Obrigada, com toda a força de minha alma, a todos vocês que fizeram e fazem, junto a mim, parte desta história!
8 RESUMO Avaliaram-se os efeitos da adição de cafeína ao sêmen suíno após o resfriamento e o descongelamento. No experimento 1, 12 ejaculados provenientes de quatro animais foram processados em doses de 100 ml com três bilhões de espermatozoides. Foi utilizado um delineamento em blocos casualizados (ejaculado) em esquema fatorial 5x3 (cinco doses de cafeína 0, 2, 4, 6 e 8 mm/dose inseminante e três tempos de armazenamento a 15 ºC 0, 24 e 48 horas) com parcela subdividida no tempo (tempos de avaliação), com 12 repetições de um ejaculado. A cafeína foi adicionada logo após a incubação de amostras de sêmen e as avaliações foram feitas 10 e 120 minutos depois. No experimento 2, 12 ejaculados provenientes de quatro animais foram coletados e armazenados em palhetas de sêmen de 0,5 ml contendo 500 milhões de espermatozoides. Foi utilizado um delineamento em blocos casualizados (ejaculado) com cinco tempos de avaliação após a adição de cafeína (0, 15, 30, 45 e 60 minutos), com 12 repetições de um ejaculado. Não houve efeito (P>0,05) da cafeína na motilidade, na taxa de degradação da motilidade espermática e no total de alterações morfológicas, em ambos os experimentos. Não houve efeito (P>0,05) da concentração de dialdeído malônico espermático para o sêmen resfriado. Houve interação (P<0,05) entre cafeína e tempo de armazenamento no vigor e na viabilidade espermática, tendo o vigor melhorado (P<0,05), com a adição de cafeína na concentração de 8 mm/dose, apenas no sêmen resfriado armazenado por 48 horas, em que, em tempos inferiores de armazenamento, a cafeína reduziu (P<0,05) de forma linear a viabilidade espermática. Não houve efeito (P>0,05) da cafeína na viabilidade espermática para o sêmen descongelado, mas a taxa de resistência osmótica diminuiu com o aumento da dose de cafeína utilizada (P<0,05). Não houve diferenças para a taxa de resistência osmótica e o tempo de armazenamento do sêmen (P>0,05). Conclui-se que a adição de cafeína ao sêmen suíno resfriado na dose de 8 mm melhora o vigor às 48 horas de resfriamento, porém, afeta negativamente em tempos inferiores de armazenamento e que a adição de cafeína não melhora a qualidade do sêmen suíno descongelado. Palavras-chave: Varrão. Espermatozoide. Ativadores do metabolismo. Adenosina monofosfato cíclico. Criopreservação
9 ABSTRACT We evaluated the effects of adding caffeine to boar semen after cooling and thawing. In experiment 1, 12 ejaculates from four animals were processed in doses of 100 ml with three billion sperm. We used a randomized block design (ejaculate) in factorial 5x3 (five doses of caffeine 0, 2, 4, 6 and 8 mm/insemination dose and three days of storage at 15 C - 0, 24 and 48 hours) with plot subdivided in time (time of review) with 12 repetitions of one ejaculate. Caffeine was added after incubation of semen samples and assessments were made at 10 and 120 minutes after. In experiment 2, 12 ejaculates from four animals were collected and stored in straws of semen containing 500 ml of 0.5 million sperm. We used a randomized block design (ejaculate) with five evaluation times after addition of caffeine (0, 15, 30, 45 and 60 minutes) with 12 repetitions of one ejaculate. There was no effect (P>0.05) of caffeine on motility, the rate of degradation of total sperm motility and morphological changes in both experiments. There was no effect (P>0.05) for the concentration of malonic dialdehyde sperm for cooled semen. There was an interaction (P<0.05) between caffeine and storage time on sperm viability and vigor, and the vigor has improved (P<0.05) with the addition of caffeine in 8 mm concentration/dose only in cooled semen stored for 48 hours, where at inferior storage times, caffeine reduced (P<0.05) linearly sperm viability. There was no effect (P>0.05) of caffeine on sperm viability for thawed semen, but the rate of osmotic resistance decreased with increasing dose of caffeine used (P<0.05). There were no differences in the rate of osmotic resistance and time of sperm storage (P>0.05). We conclude that the addition of caffeine to swine semen cooled at the rate of 8 mm improves the force at 48 hours of cooling, but negatively affects in lower storage times and that the addition of caffeine does not improve the quality of boar semen thawed. Keywords: Boar. Spermatozoon. Metabolism activators. Adenosine monophosphate cyclic. Cryopreservation.
10 LISTA DE FIGURAS SEGUNDA PARTE ARTIGO 1 Figura 1 Viabilidade espermática do sêmen suíno no tempo de 0h (A) e 24h (B) de incubação, tratado com concentrações crescentes de cafeína...42
11 LISTA DE TABELAS SEGUNDA PARTE ARTIGO 1 Tabela 1 Motilidade (%) e vigor espermático do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína em diferentes tempos de resfriamento (n=12)...40 Tabela 2 Taxa de degradação da motilidade (%) e viabilidade espermática (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o resfriamento (n=12)...41 Tabela 3 Taxa de resistência osmótica (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o resfriamento (n=12)...42 Tabela 4 Total de alterações espermáticas (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o resfriamento (n=12)...43 SEGUNDA PARTE ARTIGO 2 Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Tabela 4 Motilidade espermática (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o descongelamento (n=12)...56 Vigor espermático (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o descongelamento (n=12)...56 Taxa de resistência osmótica (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o descongelamento (n=12)...57 Viabilidade espermática (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o descongelamento (n=12)...57
12 Tabela 5 Total de alterações espermáticas (%) do sêmen suíno adicionado de diferentes concentrações de cafeína após o descongelamento (n=12)...58
13 SUMÁRIO PRIMEIRA PARTE 1. INTRODUÇÃO REFERENCIAL TEÓRICO Importância do uso do sêmen resfriado e congelado para a suinocultura Fatores que interferem na qualidade do sêmen suíno resfriado e congelado Metabolismo energético dos espermatozoides Utilização da cafeína como ativadora metabólica no sêmen...22 REFERÊNCIAS...25 SEGUNDA PARTE ARTIGOS...32 ARTIGO 1 Avaliação da qualidade do sêmen suíno resfriado após adição de cafeína (Revista Brasileira de Zootecnia - versão preliminar)...33 ARTIGO 2 Qualidade espermática no sêmen suíno descongelado após adição de cafeína (Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia - versão preliminar) ANEXOS...62
15 14 1. INTRODUÇÃO A produção nacional de carne suína, em 2011 cresceu 4,7% em relação a 2010, passando de 3,24 milhões para 3,4 milhões de toneladas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA PRODUTORA E EXPORTADORA DA CARNE SUÍNA - ABIPECS, 2012). Neste contexto, a suinocultura brasileira tem se destacado, crescendo em qualidade e volume de produção, utilizando novas tecnologias e obtendo melhores índices zootécnicos. Essa mudança estrutural no setor criou uma demanda por animais com elevada eficiência reprodutiva, sanitária e alimentar, associada a uma excelente qualidade de carne. A inseminação artificial (IA) apresenta vantagens em relação à monta natural, porém, existem fatores que limitam a otimização dessa biotécnica (número elevado de espermatozoides e volume por dose) (BORTOLOZZO; WENTZ; DALLANORA, 2005). Além disso, a dificuldade de preservação de sêmen suíno por períodos prolongados, sem alterar sua capacidade fecundante, corresponde à outra limitação da expansão da técnica de inseminação artificial. Considerando o sêmen resfriado, este deve ser mantido à temperatura entre 15 ºC a 18 ºC, até o terceiro dia após a coleta e a diluição. Ainda assim, a qualidade do sêmen é questionável, quando armazenado por mais de 24 horas. Pesquisas têm sido realizadas com o objetivo de testar novas soluções crioprotetoras formuladas com produtos que minimizem os efeitos deletérios das baixas temperaturas sobre o espermatozoide. As expectativas oriundas das pesquisas já realizadas, e também daquelas ainda em andamento, apontam para uma ampliação no uso da IA com sêmen resfriado ou congelado, contribuindo para aumentar a competitividade e a rentabilidade da cadeia produtiva da suinocultura. Além de inúmeras tentativas do aprimoramento de técnicas de manipulação do sêmen em laboratório e protocolos de inseminação, o
16 15 conhecimento do papel de substâncias reguladoras do metabolismo espermático tem recebido especial atenção nos últimos anos. Substâncias como a cafeína são capazes de inibir a enzima fosfodiesterase, que é responsável pela degradação do AMP cíclico (camp). Portanto, a cafeína se destaca devido ao seu potencial estimulador do metabolismo celular. Assim, sua utilização no sêmen suíno resfriado ou descongelado poderia melhorar a qualidade da dose inseminante. Ao longo do tempo, a queda da fertilidade do sêmen suíno congelado ou resfriado ocorre devido ao desgaste energético da célula espermática. Dessa forma, o uso de substâncias que aumentem a concentração de energia no interior da célula espermática é importante para a manutenção da fertilidade do sêmen (ANDRÉ, 1983; CHULAVATNATOL; TREETIPSATIT, 1983). Este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar a motilidade, o vigor, a viabilidade, a degradação de motilidade, a resistência osmótica, as alterações morfológicas e a concentração de dialdeído malônico do sêmen suíno resfriado ou descongelado, após a adição de cafeína. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Importância do uso do sêmen resfriado e congelado para a suinocultura Os primeiros relatos sobre a inseminação artificial (IA) em suínos datam do final da década de Entretanto, estas primeiras tentativas estavam restritas a um plano experimental (BORTOLOZZO; WENTS, 1995). No Brasil, a IA de suínos desenvolveu-se, efetivamente, a partir do ano de 1975, com a criação de centrais de IA na região Sul do país. Em 1990, cerca de 2% do rebanho nacional já estava sendo inseminado, como consequência do crescimento tecnológico na suinocultura do país (SCHEID, 1991). No ano de
17 , o mercado envolvendo a IA movimentou, no total, cerca de R$ 7,5 milhões, referentes, principalmente, ao material de consumo (frascos, diluentes, pipetas, entre outros), ao qual se somam um valor não quantificado de investimentos em instalações, equipamentos e qualificação pessoal (SCHEID; SILVEIRA, 2002). No Brasil, estima-se que tenham sido realizadas 1,6 milhão de primeiras inseminações em 2000, equivalente à utilização desta biotécnica em 51% da matrizes do plantel tecnificado (WENTZ et al., 2000). Durante décadas, atenção considerável foi direcionada ao desenvolvimento de tecnologias reprodutivas. A IA é um exemplo desta biotécnica, que continua a se expandir nos sistemas de produção de suínos (DAY, 2000). De acordo com Rodriguez-Martinez et al. (2005), a utilização do sêmen do reprodutor suíno em programas de IA triplicou nos últimos 17 anos. Em muitos países da Europa, mais de 90% das fêmeas são inseminadas e, na América do Norte, cerca de 70%. A compreensão e a adoção dos procedimentos para a preparação doses inseminantes contribuíram para essa melhora significativa na qualidade das doses e a maior difusão desta biotecnologia. Outro fator que contribuiu para o desenvolvimento da IA foi a maior disponibilidade de equipamentos por parte das indústrias associadas ao agronegócio (BORTOLOZZO; WENTZ; DALLANORA, 2005). Atualmente, avanços substanciais têm ocorrido em outras áreas associadas à IA. Muitas pesquisas têm sido conduzidas para melhorar os métodos de avaliação de sêmen, sua funcionalidade e predição da fertilidade do reprodutor suíno. Outras têm focado o efeito do tempo de inseminação relativo à ovulação, o papel do plasma seminal no transporte de espermatozoides, o período de ovulação e a adição de diferentes componentes nas doses inseminantes para melhorar a qualidade do sêmen (MARTINEZ et al., 2001).
18 17 O sêmen criopreservado facilita consideravelmente a distribuição de genes desejáveis e o uso de sêmen congelado ajuda a controlar a transmissão de certos patógenos, o que propicia a manutenção do estado sanitário do rebanho. Também, uma reserva de sêmen criopreservado minimiza os efeitos de um surto de uma doença contagiosa ou de um desastre natural, além de a criopreservação de sêmen suíno ser necessária para comercialização internacional das doses inseminantes. Apesar dessas vantagens, o espermatozoide suíno é particularmente sensível a temperaturas muito baixas e o sêmen congelado ainda não é habitualmente utilizado na suinocultura. Assim, o desenvolvimento de técnicas que permitam longa conservação da capacidade fecundante do sêmen poderá facilitar a utilização da IA, proporcionando a utilização mais racional dos reprodutores (PAQUIGNON; BUSSIERE; BARITEAU, 1987). 2.2 Fatores que interferem na qualidade do sêmen suíno resfriado e congelado O sêmen suíno, após a coleta e a diluição, tem sido tradicionalmente armazenado a temperaturas entre 16 ºC e 18 ºC (LAFOREST; ALLARD, 1996). Este intervalo de temperatura não interrompe totalmente o metabolismo dos espermatozoides, ocorrendo acúmulo de metabólitos que podem interferir na motilidade espermática, e também não impede a multiplicação bacteriana, a qual influencia a qualidade do sêmen. Tais fatores são limitantes para o armazenamento do sêmen por períodos prolongados (WEITZE, 1990). A utilização dessa faixa de temperatura se justifica pela sensibilidade do espermatozoide suíno a temperaturas inferiores a 15 C, o que resulta em diminuição da sobrevivência espermática (MAXWELL; JOHNSON, 1997).
19 18 Com a diminuição da temperatura de incubação do sêmen suíno é observada redução na motilidade espermática, na quantidade de acrossomas normais e também diminuição da integridade de membranas (KATZER et al., 2004). A alternativa para essa sensibilidade relacionada à temperatura convencional de resfriamento seria a utilização do sêmen congelado. No entanto, a grande variabilidade nos resultados de fertilidade após inseminação com doses de sêmen descongeladas limita a aplicação prática do sêmen suíno congelado (TONIOLLI; BARROS; JATAHY, 2001). Sabe-se que a membrana espermática está envolvida nas trocas metabólicas com o meio ambiente (CORREA; HEERSCHE; ZAVOS, 1997), com o processo de capacitação, a reação acrossômica e a ligação do espermatozoide à superfície do oócito, a qual requer uma membrana bioquimicamente ativa (JEYANDRAN; VEN; PEREZ-PELAEZ, 1984), sendo sua integridade um importante indicador da capacidade fertilizante do espermatozoide. Em muitas espécies de mamíferos, mais de 60% dos ácidos graxos da membrana espermática são ácidos graxos poli-insaturados (PUFA) de cadeia longa da série ômega 3 (ω3) (NISSEN; KREYSEL, 1983). Tal presença de ligações duplas nos ácidos graxos poli-insaturados confere maior fluidez à membrana plasmática (ERICKSON, 1998). A membrana dos espermatozoides de suínos é particularmente composta por lipídios insaturados: ácido docosahexanoico (DHA, 30%) e docosapentaenoico (DPA, 25%) (PENNY; NOBLE; MALDJIAN, 2000). Tais diferenças encontradas no sêmen da espécie suína os tornam mais susceptível ao choque pelo frio, durante o congelamento e ao choque térmico, no descongelamento (ANTUNES, 2007). Diferenças na composição de lipídios da membrana espermática têm sido reportadas como fator chave na diferenciação da congelabilidade dos espermatozoides (PARKS; LYNCH, 1992). A possibilidade de aumentar a
20 19 congelabilidade de espermatozoides suínos por meio da alteração da constituição da membrana espermática é considerada, como, por exemplo, o aumento do teor de DHA na membrana plasmática por meio de sua adição à dieta (PENNY; NOBLE; MALDJIAN, 2000). O aumento do grau de insaturações e, portanto, da fluidez da membrana poderia aumentar a resistência dos espermatozoides suínos aos danos causados pelo processo de resfriamento/descongelamento (PAULENZ; TAUGBOL; KOMMISRUD, 1999). Além disso, a composição das membranas que recobrem os espermatozoides é diferente entre as várias partes (cabeça, peça intermediária e cauda) (JONES; STEWART, 1979) e, dessa forma, respondem diferentemente ao estresse causado pelo processo de congelamento e descongelamento (WATSON; DUNCAN, 1988). Sendo assim, os espermatozoides podem apresentar baixa motilidade e serem viáveis (BLACH; AMMANN; BOWEN, 1989), apresentar boa motilidade pós-descongelação, porém, com danos de acrossoma que reduzem sua capacidade fecundante (CHRISTENSEN; PARLEVLIET; BUITEN, 1994). De acordo com Buhre e Pettitt (1996) e Watson (1995), há diferenças na bicamada lipídica da membrana do espermatozoide suíno que podem explicar a maior susceptibilidade ao choque pelo resfriamento. Dentre as principais diferenças, podem-se citar a menor porcentagem de moléculas de colesterol (PAULENZ; TAUGBOL; KOMMISRUD, 1999) e a distribuição assimétrica na membrana, tendo uma maior quantidade na monocamada interna. Estas diferenças estruturais ajudam a explicar a alta sensibilidade do espermatozoide suíno ao choque pelo frio, devido ao aumento da permeabilidade da membrana e a consequente perda de cátions e enzimas, a redução da atividade enzimática e dos processos de difusão controlados pela membrana e as mudanças no movimento lateral de canais (JOHNSON et al., 2000).
21 20 Pursel, Johnson e Rampacek (1972) e Pursel, Johnson e Schulman (1973) demonstraram que os espermatozoides aumentam sua resistência ao choque térmico quando incubados (antes do resfriamento e por certo período) a temperaturas acima de 15 ºC, resultando em maiores índices de motilidade e de acrossomas normais. Neste contexto, a adição de diluentes ao sêmen suíno tem várias funções, tais como aumentar o volume do total da amostra de sêmen, fornecer nutrientes para a produção de energia, proteger os espermatozoides contra o choque térmico, controlar a flutuação de ph, manter o balanço osmótico e inibir o desenvolvimento bacteriano (LEVIS, 2000; JOHNSON et al., 2000). Os diluentes desenvolvidos na década de 1980 visavam prolongar a viabilidade espermática (WEITZE, 1991). A exemplo dos diluentes de longa preservação utilizados em outras espécies, foram incluídas macromoléculas na composição dos diluentes utilizados para suínos, com o objetivo de proteger suas membranas contra os danos do choque térmico (LEVIS, 2000). A albumina sérica bovina (BSA) é a macromolécula mais utilizada nesses diluentes (WEITZE, 1991). Além disso, um tampão anfótero também passou a constituir tais diluentes (COSTI, 2003). No sêmen resfriado, o período de manutenção da viabilidade e da capacidade fecundante do espermatozoide varia de um a seis dias, dependendo do diluente utilizado (LEVIS, 2000). Entretanto, outro fator importante na qualidade do sêmen suíno está correlacionado ao metabolismo energético dos espermatozoides, sendo uma das principais causas da queda na fertilidade do sêmen estocado (FORD; WAITES, 1986).
22 Metabolismo energético dos espermatozoides As células espermáticas, em algumas espécies, podem realizar tanto o metabolismo aeróbico quanto o anaeróbico, sendo metabolicamente flexíveis (BACILA, 2003). Isso, talvez, seja reflexo da grande variação de tensão de oxigênio a que estes gametas são submetidos, desde próximo à anóxia, nos testículos e epidídimo, até grandes tensões na vagina e, em casos particulares, em ambientes in vitro (CUMMINS; JEQUIER; KAN, 1994). As duas importantes fontes de geração de adenosina trifosfato mitocondrial são o ciclo de Krebs e a ß oxidação dos ácidos graxos. As mitocôndrias, na célula espermática, estão localizadas apenas na peça intermediária, formando a bainha mitocondrial e produzindo adenosina trifosfato (ATP) para a célula por respiração aeróbica (TRAVIS et al., 1998). Por outro lado, no catabolismo anaeróbico, o piruvato gerado por frutólise é transformado em ácido láctico (BACILA, 2003), independente das mitocôndrias. Estudos demonstraram que a habilidade do espermatozoide em utilizar de forma similar a frutose, a glicose e a manose deve-se ao fato de estes três açúcares entrarem na glicólise por meio da atividade da hexoquinase, seguida pela formação do hexosemonofosfato até ácido láctico (KING et al., 2006). O metabolismo energético dos espermatozoides, de forma geral, está diretamente relacionado à concentração interna de adenosina monofosfato cíclica (AMPc) (CHULAVATNATOL; TREETIPSATIT, 1983; SIMPSON; WHITE, 1987). Segundo Harper, Rodwell e Mayes (1982), estes nucleotídeos cíclicos são metabolizados pela enzima fosfodiesterase, interrompendo suas funções metabólicas. Dessa forma, a adição de inibidores da fosfodiesterase ao sêmen pode resultar em aumento na concentração de AMPc nas células
23 22 espermáticas, acelerando o metabolismo energético dos espermatozoides (GARBERS et al., 1971). A principal função conhecida do AMPc, em células eucarióticas, é a estimulação da fosforilação proteica por meio da ativação de uma proteína quinase dependente de AMPc (CHULAVATNATOL; TREETIPSATIT, 1983; ROSEN; ERLICHMAN; RUBIN, 1975). Em espermatozoides, o aumento da concentração de AMPc induz à maturação (GARBERS et al., 1971), estimula a motilidade e participa no processo de capacitação (MORTON; ALBAGLI, 1973). Relatos sugerem que substâncias derivadas da metilxantina, tais como a cafeína, a teofilina e a pentoxifilina, podem estimular a motilidade progressiva espermática pela inibição da adenosina cíclica 3'-5' monofosfato fosfodiesterase, levando a um aumento intracelular das concentrações de AMPc (GOULART et al., 2004). Dessa forma, o uso de tais substâncias poderia resultar em sêmen de melhor qualidade destinado à inseminação artificial e a programas de fertilização in vitro (FIV). 2.4 Utilização da cafeína como ativadora metabólica no sêmen O aumento da concentração do AMP cíclico, durante a capacitação espermática, pode ser alcançado pela adição de cafeína, considerada um inibidor da fosfodiesterase (GOULART et al., 2004). Funahashi e Nagai (2001) demonstraram, em um estudo, que a cafeína induz à capacitação espermática e à reação acrossômica em sêmen in natura de suínos e, consequentemente, aumentam a penetração de espermatozoides (ABEYDEERA; DAY, 1997, FUNAHASHI; NAGAI, 2001). Em truta arco-íris, a cafeína, em concentração de 10 mm em meio isotônico, aumentou significativamente a motilidade espermática (VALDEBENITO, 2007).
24 23 Muitos meios de FIV em suínos são suplementados com cafeína para elevar a concentração de AMPc intracelular. Apesar da alta incidência de polispermia, este é o agente mais utilizado na capacitação espermática em suínos (FUNAHASHI; FUJIWARA; NAGAI, 2000). Apesar de muito utilizada, a cafeína não é um reagente ideal porque causa aumentos de AMPc de forma desregulada, pela inibição da fosfodiesterase. Uma vez que o AMPc atinge um limiar intracelular, isso pode ativar reações acrossômicas espontâneas (FRASER et al., 2007). Funahashi, Fujiwara e Nagai (2000) compararam resultados obtidos quando cafeína, adenosina e peptídeo promotor de fertilização (FPP) foram adicionados individualmente em suspensões que contêm 2x10 6 espermatozoides por ml de sêmen suíno congelado. Para todas as combinações houve aumento da taxa de fertilização (cafeína, 98%; adenosina, 71%; FPP, 75%). No grupo tratado com cafeína, a maioria do oócitos era polispérmica, sendo apenas 13% de monospérmicos. Mas, os grupos tratados com adenosina e FPP apresentaram incidência relativamente alta de monospermia (adenosina, 79%; FPP, 75%). Em estudo subsequente do mesmo grupo, Funahashi e Nagai (2001), utilizando concentração de 5x10 5 espermatozoides por ml de sêmen suíno congelado tratado com cafeína, encontraram 96% de fertilização e 13% de monospermia. Sêmen suíno fresco também parece responder de forma semelhante (FUNAHASHI; ROMAR, 2004). Sabe-se que o meio tamponado com Tris modificado (mtbm), sem bicarbonato e sem hepes em tampão Tris e suplementado com cafeína, em condições de atmosfera úmida com 5% de CO 2 em ar, suporta tanto a capacitação espermática quanto a reação cortical de oócitos em suínos. O meio mtbm suplementado com 0,1% ou 0,4% de BSA apresenta taxas de penetração (99% e 95%) e de polispermia (93 e 96%) semelhantes, porém, mostra maior
25 24 número de espermatozoides penetrados por oócito no meio com 0,4% de BSA (ABEYDEERA; DAY, 1997). Milani et al. (2010) utilizaram cafeína nas doses de 0; 2,5; 5 e 7,5 mm, juntamente com outras substâncias (pentoxifilina e 2-deoxiadenosina) no diluidor, com o objetivo de avaliar o padrão de motilidade do sêmen canino descongelado. Estes autores observaram que, aos 120 minutos de incubação, a amplitude lateral da cabeça e a velocidade curvilinear apresentaram melhores resultados na amostra seminal que continha 7,5 mm de cafeína. Pereira et al. (2010) adicionaram cinco diferentes níveis de cafeína (0; 0,5; 1,0; 1,5 e 2,0 mm) no sêmen suíno descongelado e detectaram efeito linear decrescente para a viabilidade espermática com o aumento da concentração de cafeína. Dessa forma, pode-se observar que o sêmen suíno descongelado é sensível a substâncias ativadoras do metabolismo. Em estudos realizados com sondas fluorescentes de clortetraciclina (CTC) foi demonstrado que a cafeína induz à capacitação espermática e à reação acrossômica em sêmen in natura de suínos e, consequentemente, aumenta a penetração de espermatozoides (FUNAHASHI; NAGAI, 2001). Porém, a cafeína aumenta a polispermia e, conforme se aumenta a concentração de cafeína, aumenta também a penetração oocitária pelos espermatozoides (ABEYDEERA; DAY, 1997; FUNAHASHI; NAGAI, 2001), sendo as taxas de polispermia de 33,9%, 85,7%, 86,3% e 95,2% nas concentrações de 0; 1; 2,5 e 5 mm de cafeína, respectivamente (ABEYDEERA; DAY, 1997).
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33 SEGUNDA PARTE ARTIGOS 32
34 33 ARTIGO 1 Avaliação da qualidade do sêmen suíno resfriado após adição de cafeína (Elaborado conforme as normas da Revista Brasileira de Zootecnia - versão preliminar). Marcela Borges Nunes 1,*, Marcio Gilberto Zangerônimo 1, Evandro César Pereira 1, Bárbara Azevedo Pereira 1, Luiz Gustavo Pessoa Rocha 1, Bruno Generoso Faria 1, Luis David Solis Murgas 1, José Nélio de Sousa Sales 1. 1 Setor de Fisiologia e Farmacologia - DMV, Universidade Federal de Lavras, Campus Universitário, C.P 3037, , Lavras, Minas Gerais, Brazil * Autor de correspondência (Tel.: ; CONFLITOS DE INTERESSE: Os autores declaram que não há nenhum conflito de interesse relacionado com este estudo.
35 34 Resumo A utilização da cafeína no sêmen suíno resfriado pode melhorar a qualidade da dose inseminante, devido ao seu potencial estimulador do metabolismo celular. Sendo assim, objetivou-se, com este estudo, avaliar a qualidade do sêmen suíno resfriado, após a adição de cafeína. Doze ejaculados provenientes de quatro animais foram processados em doses de 100 ml com três bilhões de espermatozoides. Foi utilizado um delineamento em blocos casualizados (ejaculado) em esquema fatorial 5x3 (cinco doses de cafeína 0, 2, 4, 6 e 8 mm/dose inseminante e três tempos de armazenamento a 15 ºC 0, 24 e 48 horas) com parcela subdividida no tempo (tempos de incubação), com 12 repetições de um ejaculado cada. A cafeína foi adicionada logo após a incubação de amostras de sêmen e as avaliações foram feitas aos 10 e aos 120 minutos. Não houve efeito (P>0,05) da cafeína na motilidade e na taxa de degradação da motilidade espermática, na taxa de resistência osmótica, no total de alterações morfológicas e na concentração de ácido malondialdeído espermáticas. Houve interação (P<0,05) entre cafeína e tempo de armazenamento no vigor e na viabilidade espermática. O vigor foi melhor (P<0,05) com a adição de cafeína na concentração de 8 mm/dose apenas no sêmen armazenado por 48 horas. Nos tempos 0 e 24 horas de armazenamento, a cafeína reduziu (P<0,05) de forma linear a viabilidade espermática. Conclui-se que a adição de cafeína ao sêmen suíno resfriado na dose de 8 mm/100 ml melhora o vigor às 48 horas de resfriamento, porém, piora em tempos inferiores de armazenamento. Palavras-chave: espermatozoides, metilxantina, resfriamento
36 35 Introdução A produção nacional de carne suína, em 2011, cresceu 4,7% em relação a 2010, passando de 3,24 milhões para 3,4 milhões de toneladas (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora da Carne Suína - ABIPECS, 2012). Neste contexto, a suinocultura brasileira tem se destacado, crescendo em qualidade e em volume de produção, utilizando novas tecnologias e obtendo melhores índices zootécnicos. A inseminação artificial (IA) apresenta vantagens em relação à monta natural, porém, existem fatores que limitam a otimização desta biotécnica, como, por exemplo, o número elevado de espermatozoides e volume por dose (Bortolozzo et al., 2005). Além disso, a dificuldade de preservação de sêmen suíno por períodos prolongados, sem alterar sua capacidade fecundante, constitui outra limitação para a expansão da técnica de inseminação artificial. Em virtude disso, diversos estudos têm sido realizados a fim de testar novas soluções crioprotetoras que possam minimizar os efeitos deletérios das baixas temperaturas sobre o espermatozoide. As expectativas oriundas das pesquisas já realizadas, e também daquelas ainda em andamento, apontam para uma ampliação no uso da IA com sêmen resfriado ou congelado, contribuindo para aumentar a competitividade e a rentabilidade da cadeia produtiva da suinocultura. Além de inúmeras tentativas no aprimoramento de técnicas de manipulação do sêmen em laboratório e protocolos de inseminação, o conhecimento do papel de substâncias reguladoras do metabolismo espermático tem recebido especial atenção, nos últimos anos. É sabido que substâncias como a cafeína são capazes de inibir a enzima fosfodiesterase, a qual é responsável pela degradação AMP cíclico (camp). Dessa maneira, sua utilização no sêmen suíno resfriado pode melhorar a qualidade da dose inseminante, devido ao seu potencial estimulador do
37 36 metabolismo celular (Jiang et al., 1984). Em virtude do exposto, objetivou-se, com este estudo, avaliar a qualidade do sêmen suíno resfriado, após a adição de cafeína. Material e Métodos Para a realização deste experimento, foram utilizados quatro reprodutores suínos com capacidade reprodutiva comprovada, que estavam alojados na Fazenda São Paulo, situada no município de Oliveira, MG. Antes da coleta do sêmen dos animais, que foi realizada com auxílio de manequim, no período da manhã, pelo método da mão enluvada, realizou-se a higienização do prepúcio, por pressão manual no sentido da abertura prepucial e limpeza da região com papel toalha descartável. Para a coleta, foi utilizado copo coletor graduado com capacidade para 500 ml, pré-aquecido a 37 ºC e protegido por recipiente isotérmico. Durante esse procedimento, a separação da fração gelatinosa do ejaculado foi realizada por meio de uma camada tripla de gaze adaptada ao copo coletor, sendo coletada apenas a fração rica em espermatozoides. No laboratório da Fazenda São Paulo, foram feitas as avaliações macroscópicas (cor, odor e aspecto) e microscópicas (motilidade e concentração) do sêmen, seguidas da diluição em BTS (Beltsville Thawing Solution ) na proporção de 1:1, o qual foi previamente mantido em banho-maria, à temperatura de 35 ºC, até o momento da diluição. Ejaculados com valores acima de 90% para motilidade e 4 para vigor foram considerados para análises subsequentes. O sêmen foi, então, transportado para o Laboratório de Fisiologia e Farmacologia Veterinária da Universidade Federal de Lavras (UFLA), onde foram realizadas novamente avaliações de motilidade e vigor. Em seguida, a concentração espermática foi determinada utilizando-se o Spermacue (Minitub
38 37 do Brasil LTDA ) para a elaboração de doses inseminantes de 100 ml contendo três bilhões de espermatozoides, sempre adicionando o diluidor ao sêmen. As doses foram introduzidas em recipientes plásticos e permaneceram em temperatura ambiente, por duas horas. Em seguida, foram incubadas sob refrigeração, à temperatura de 17 ºC. As avaliações do sêmen foram realizadas antes do resfriamento e durante dois dias consecutivos, a cada 24 horas, após o reaquecimento do sêmen em banho-maria, a 37 ºC, durante 15 minutos. No momento da avaliação, foram adicionadas diferentes doses de cafeína (0, 2, 4, 6 e 8 mm). Logo após a adição de cafeína (10 minutos) e após 120 minutos de incubação a 37 ºC, foram analisados a motilidade, o vigor, a presença de anormalidades espermáticas (%), a taxa de resistência osmótica (TRO) e de degradação de motilidade e a viabilidade espermática. Foi utilizado um delineamento experimental em blocos casualizados (ejaculado) em esquema fatorial 5x3 (cinco doses de cafeína e três tempos de armazenamento) com parcela subdividida no tempo (tempos de avaliação, 10 e 120 minutos de incubação) apenas para motilidade e vigor, todos com 12 repetições, cada amostra constituindo uma parcela experimental. Também foram coletadas amostras de 1,0 ml em tubos Eppendorf para a determinação da concentração de dialdeído malônico (MDA) nos tempos 10 e 120 minutos de incubação, nos tempos 0 e 48 horas de armazenamento. A motilidade foi avaliada por exame de uma gota de sêmen colocada entre lâmina e lamínula pré-aquecidas a 35 ºC, em microscopia de campo claro e aumento de 200x. As avaliações foram realizadas em triplicata, independentemente, por dois avaliadores e expressas em percentual de células móveis da amostra. Para o vigor, foram atribuídos valores de zero a cinco pontos em relação à intensidade do movimento progressivo dos espermatozoides, sendo os valores mais elevados indicadores de espermatozoides mais vigorosos.
39 38 A análise da presença de anormalidades espermáticas (%) foi realizada após o armazenamento de duas gotas do sêmen em solução formol-citrato (citrato de sódio 2,9 g, água destilada 100 ml e solução comercial formaldeido 35%). Foi avaliada a presença de espermatozoides anormais (alterações de cabeça, cauda, peça intermediária, formas teratológicas e presença de gota citoplasmática proximal) em 200 células aleatórias, utilizando-se um microscópio de contraste de fases em aumento de 400 vezes e a integridade acrossômica, no aumento de vezes. A TRO foi realizada em 1,0 ml de sêmen misturado a 1,0 ml de solução hiposmótica a 150 mos/l (50% solução BTS e 50% de água destilada) e incubando-se, por 30 minutos, a 37 C. Em microscopia óptica, 200 células espermáticas foram contadas, diferenciando-se as que apresentaram cauda reta (com ruptura de membrana) e cauda enrolada (membrana íntegra) (Scheid, 1993). Para o TDM foi realizada a incubação por 120 minutos e a avaliação de 2,0 ml de sêmen, a 37 ºC. Em seguida, foi utilizada a seguinte equação proposta por Salgueiro et al. (2003): TDM (%) = vigor (a 5 minutos) vigor (a 2 horas) x 100/vigor (a 5 minutos). A viabilidade espermática foi avaliada a partir da observação de um esfregaço de uma gota de sêmen misturada com eosina e nigrosina em microscópio óptico com aumento de 400 vezes. Foi verificado o percentual de células espermáticas vivas (brancas) e mortas (rosa) em um total de 200 células (Mies Filho, 1982). Na análise de peroxidação lipídica, as amostras foram centrifugadas a g, durante dez minutos e o sobrenadante transferido para novos tubos de Eppendorf e congelados, a -10 C, até o dia das análises. Para a realização dessa análise, foi empregado o método enzimático colorimétrico utilizando-se um kit específico (QuantiChromTM TBARS Assay Kit BioAssay Systems), seguindo a metodologia especificada pelo fabricante. As amostras foram submetidas ao
Rev. Bras. Reprod. Anim., Belo Horizonte, v.34, n.2, p.105-113, abr./jun. 2010. Disponível em www.cbra.org.br
Rev. Bras. Reprod. Anim., Belo Horizonte, v.34, n.2, p.105-113, abr./jun. 2010. Disponível em www.cbra.org.br Recentes avanços na tecnologia de sêmen e em inseminação artificial em suínos Recent progresses
DILUIDORES E VOLUMES DE SÊMEN DESTINADOS À INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL INTRA-UTERINA EM SUÍNOS ANA LUÍSA NEVES ALVARENGA
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Protocolos emergenciais para programas de inseminação artificial em suínos. Protocols for emergency programs of artificial insemination in pigs
Acta Scientiae Veterinariae. 36(Supl 1): s27-s32, 2008. ISSN 1678-0345 (Print) ISSN 1679-9216 (Online) Protocolos emergenciais para programas de inseminação artificial em suínos Protocols for emergency

References: ARTIGO 1
 ARTIGO 1
 ARTIGO 2
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 ARTIGO 1