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Timestamp: 2019-07-24 03:18:27+00:00

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Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul TJ-MS - Apelação : APL 08018156420178120043 MS 0801815-64.2017.8.12.0043
Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul TJ-MS - Apelação : APL 08018156420178120043 MS 0801815-64.2017.8.12.0043 - Inteiro Teor
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Apelação / Remessa Necessária - Nº 0801815-64.2017.8.12.0043 - São Gabriel do Oeste Relator – Exmo. Sr. Des. Nélio Stábile
Juízo Recorr. : Juiz (a) de Direito da 2ª Vara da Comarca de São Gabriel do Oeste
Apelante : João Batista Farias de Castro
Advogado : Alberto Santana (OAB: 13254/MS)
Advogado : Ademir de Oliveira (OAB: 5425/MS)
Apelante : Município de São Gabriel do Oeste
Proc. Município : Ricardo Macena de Freitas (OAB: 12589/MS)
Apelado : Município de São Gabriel do Oeste
Apelado : João Batista Farias de Castro
E M E N T A – APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO PREVIDENCIÁRIA – PEDIDO DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA POR ENTE PÚBLICO MUNICIPAL – RECURSO DO MUNICÍPIO – ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI MUNICIPAL QUE DETERMINA COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA – MENÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE INSTITUTO DE PREVIDÊNCIA PRÓPRIA – PREVISÃO LEGAL NÃO AFRONTA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA APÓS EMENDAS CONSTITUCIONAIS QUE ALTERARAM REGIME PREVIDENCIÁRIO – OPÇÃO MUNICIPAL POR DETERMINAR QUE O SERVIDOR SEJA VINCULADO AO RGPS NÃO O DESOBRIGA DE CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO MUNICIPAL QUE DETERMINA COMPLEMENTAÇÃO – SENTENÇA MANTIDA NO PONTO – RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO PREVIDENCIÁRIA – PEDIDO DE
COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA POR ENTE PÚBLICO MUNICIPAL
– RECURSO DO MUNICÍPIO – PEDIDO DE COMPLEMENTAÇÃO INTEGRAL
DE APOSENTADORIA, E NÃO COM BASE EM 80% DA MÉDIA DOS ÚLTIMOS
VENCIMENTOS – POSSIBILIDADE – LEGISLAÇÃO MUNICIPAL FOI EDITADA
JUSTAMENTE PARA GARANTIR A PARIDADE ENTRE OS VENCIMENTOS DO
SERVIDOR E OS PROVENTOS DE APOSENTADORIA – SENTENÇA
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os juízes da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, na conformidade da ata de julgamentos, por unanimidade, rejeitar a preliminar, dar provimento ao recurso de João Batista, dar provimento ao apelo do Município e retificar a sentença, nos termos do voto do Relator.
Campo Grande, 18 de junho de 2019.
Trata-se de Remessa Necessária e Recursos de Apelação interpostos por Município de São Gabriel do Oeste e João Batista Farias de Castro contra a Sentença proferida pelo Juízo da 2ª Vara de São Gabriel do Oeste nos autos de Ação de Procedimento Comum, que julgou parcialmente procedente o pedido inicial, para o fim de: a) condenar o requerido a promover complementação dos proventos de aposentadoria do requerente, cujo cálculo deverá considerar a média aritmética de 80% das maiores contribuições vertidas por ele ao regime previdenciário (proventos integrais), a ser apurado em liquidação de sentença; b) condenar o requerido, ainda, no pagamento das parcelas de complementação não pagas, contadas da concessão da aposentação da requerente (27.06.2017) até a efetiva implantação da complementação em questão, sobre as quais deverão incidir correção monetária vinculada ao IPCA-E e juros equivalentes ao índice de remuneração da caderneta de poupança, conforme determinado no artigo 1º-F, da Lei 9.494/1997, a contar dos respectivos vencimentos.
Em suas razões, o Apelante Município de São Gabriel do Oeste argui preliminar de nulidade da Sentença, ao argumento de que o Decisum não teria apontado o fundamento legal para a concessão parcial do pedido inicial. Alega que o artigo 3º, da EC nº 47/2005, não determina que os proventos integrais devam ser complementados pelo ente público; pelo contrário, o fato do servidor ter se aposentado sob a égide da Emenda 41 teria como consequência a sujeição ao sistema contributivo.
No mérito, requer a reforma da Sentença, para que seja declarada incidentalmente inconstitucional a Lei Municipal nº 401/1999. Alega que o Município de São Gabriel do Oeste é optante do RGPS; portanto, não há fundo próprio de previdência instituído e gerido pela municipalidade. Aduz que no regime anterior à EC nº 41/2003 pouco importava a vida contributiva do servidor, bastando observar o valor que o servidor percebia a título de remuneração do cargo efetivo. Pondera que se a Constituição e a lei federal previdenciária estabelecem o caráter contributivo e solidário, não pode a lei municipal estabelecer critério diverso, sendo este inconstitucional. Afirma que a lei municipal carece de regulamentação própria para ser aplicada, pois não seria autoaplicável. Alega que impor ao município a complementação, se incontroverso que o Apelado já recebe os proventos integrais, nos termos da legislação federal, é incorrer em inconstitucionalidade e proporcionar enriquecimento indevido àquele.
Já o Apelante João Batista Farias de Castro , em suas razões, requer a reforma parcial da Sentença, para que seu pedido seja atendido na integralidade. Alega que foi servidor público municipal desde 08.02.1984 e, visando regularizar sua situação junto ao Município, foi aprovado em concurso público para o cargo de motorista, vindo a tomar posse em 02.01.1991. Aduz que, como era servidor titular de cargo efetivo, faria jus a perceber seu benefício previdenciário na forma da regra de transição do artigo 6º da EC nº 41/2003, ou seja, na forma integral e paritária com os servidores da ativa (100% do valor, e não com valor “integral” calculado com base em média dos 80% dos últimos vencimentos), visto ter satisfeito todos os requisitos legais para tanto. Pondera que o município deve ser condenado na integralização total do benefício, haja vista que há lei municipal dispondo que é dever da municipalidade prover a complementação da aposentadoria do servidor.
Em contrarrazões, ambos Recorridos pugnaram pelo desprovimento do recurso da parte adversa (f.122/126 e 127/135).
I – Como há recurso de apelação interposto por ambas partes, hei por bem analisá-las em separado, para melhor elucidação das questões postas em julgamento.
II – Da Apelação de Município de São Gabriel do Oeste:
II.A) O Recorrente argui preliminar de nulidade da Sentença, ao argumento de que o Decisum não teria apontado o fundamento legal para a concessão parcial do pedido inicial. Alega que o artigo 3º, da EC nº 47/2005, não determina que os proventos integrais devam ser complementados pelo ente público; pelo contrário, o fato do servidor ter se aposentado sob a égide da Emenda 41 teria como consequência a sujeição ao sistema contributivo.
Referida preliminar não merece prosperar.
Analisando-se a Sentença, é possível concluir-se que está sobejamente fundamentada, com menção e citação a dispositivos constitucionais, legislação federal e municipal, além de jurisprudência, afeta à matéria, e que fundamentou, de forma cabal, a Sentença prolatada. Quanto à alegação sobre o artigo 3º da EC nº 47/2005 não determinar a complementação dos proventos de aposentadoria, tenho que tal questão se confunde com o mérito, e com ele será analisada.
II.B) No mérito, em análise do processado, concluo que o recurso do ente público não merece provimento.
Em breve relato dos fatos, o Apelado pugna pelo reconhecimento de seu direito à percepção da integralidade de sua aposentadoria. Alega que começou a trabalhar com vínculo ao Município de São Gabriel do Oeste em 08.02.1984, tendo aposentado em 27.06.2017. Assevera que pelo fato de o Apelado não ter regime próprio de previdência, deve se sujeitar a Lei Municipal nº 401/1999, que, em seu artigo 3º, § 2º, dispõe:
§ 2º. Será de responsabilidade da administração municipal, para os fins dos §§ 3º e 8º do art. 40 da Constituição Federal, garantir proventos e pensões integrais aos servidores ocupantes de cargos efetivos e seus dependentes, quando o valor do benefício devido for superior ao pago pelo Regime Geral de Previdência Social.
Com fundamento em tal dispositivo legal, o Recorrido pugna pela complementação do valor de sua aposentadoria.
O Município de São Gabriel do Oeste, conforme alegado em suas manifestações nos autos, não possui regime de previdência próprio, passando seus servidores a serem inscritos no Regime Geral da Previdência Social, de modo que, quando o Apelado se aposentou, os seus proventos foram calculados pela média de 80%. No entanto, tal escolha não exime a responsabilidade de o ora Apelante de arcar com os benefícios previdenciários devidos aos seus servidores nos termos da Constituição Federal, sendo responsável pela complementação de referidos valores.
Consoante já registrado acima, a Lei Municipal nº 401/1999 estabelece que referida complementação ficaria a seu encargo.
O Recorrido insere-se em regra de transição, de modo que, por ter ingressado no serviço público antes da Emenda Constitucional 41/2003 e posteriormente ser aposentado, tem direito aos proventos de aposentadoria calculados com base na remuneração dos cargos efetivos em que se der a aposentadoria, na forma da lei, conforme redação originária do § 3º, art. 40, da Constituição da República. Tal conclusão é extraída da Emenda Constitucional n. 41/2003, com as posteriores alterações.
Assim, a obrigatoriedade da filiação dos servidores municipais ao regime geral da Previdência Social acarretou, em contrapartida, a responsabilidade do Município de complementar os proventos pagos pelo INSS, de modo a atender a regra estabelecida no supramencionado art. 40, § 3º, da Constituição da República, com redação anterior à EC 41/2003 – ou seja, garantir a aposentadoria integral com base na remuneração do cargo efetivo.
Ademais, o caráter contributivo da previdência não se relaciona à forma de cálculo e ao montante do ...
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References: artigo 1
 artigo 3
 artigo 6
 artigo 3
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