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Timestamp: 2020-02-28 10:21:28+00:00

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Luciana Dos Santos Goncalves | Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade | Aprendizado
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LUCIANA DOS SANTOS GONÇALVES
PSICOPEDAGOGIA: FORMAÇÃO, IDENTIDADE E ATUAÇÃO PROFISSIONAL
apresentado à Faculdade de Educação, da
DE CAMPINAS, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Educação e Psicopedagogia, sob orientação da Profa. Ms. Maria Regina Peres.
A verdadeira viagem da descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em possuir novos olhos.
Dedico este trabalho especialmente ao meu marido Gabriel e a todos aqueles que de alguma maneira colaboraram para sua execução e souberam valorizar a sua importância.
À Deus, primeiramente, que pela sua força me conduziu até o final do curso.
Minha eterna gratidão e reconhecimento às pessoas cuja contribuição tornou-se decisiva para
a realização desse trabalho:
A toda equipe de docentes que constituíram o curso de Especialização em Educação e
Psicopedagogia, em 2007, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas.
Em especial, Mônica Hoehne Mendes, atual presidente da ABPp-Seção São Paulo, pela ajuda
e, que generosamente, compartilhou suas experiências cedendo seu trabalho.
À Profa. Ms. Maria Regina Peres pelas orientações e críticas, bem como apoio, dedicação e
disponibilidade na elaboração desta pesquisa.
Aos colegas de curso pelos momentos que compartilhamos na busca pelo saber.
Ao meu marido que tive paciência e entendeu a minha ausência durante a realização do curso
e que sempre acreditou que eu era capaz, por meio de palavras encorajadoras muito me estimularam.
E a todas as pessoas que, direta e indiretamente, cooperaram para a concretização desse projeto de pesquisa.
Capítulo I – Aspectos históricos da formação da Psicopedagogia
na Argentina e no Brasil
Capítulo II – Experiências atuais na formação e atuação do
Psicopedagogo na Argentina e no Brasil
Capítulo III – A identidade do psicopedagogo brasileiro
Resultados obtidos e análises
GONÇALVES, Luciana dos Santos. Psicopedagogia: formação, identidade e atuação profissional. Monografia (Especialização em Educação e Psicopedagogia). Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Campinas, São Paulo, 2007. pp. 71.
Este trabalho se propõe a pesquisar sobre a formação do profissional em Psicopedagogia, sua identidade e atuação profissional no Brasil e na Argentina. Objetiva-se a reflexão sobre o esboço histórico da Psicopedagogia e sua atual perspectiva. Apresenta-se o percurso argentino entrelaçado com a realidade psicopedagógica brasileira. Para a metodologia de trabalho utilizou-se a abordagem qualitativa enfocando a pesquisa bibliográfica. Utilizou-se como referencial teórico um estudo científico de vários profissionais da educação, em especial, de psicopedagogos, acerca da psicopedagogia bem como, as reflexões pessoais sobre o objeto a ser investigado. Também se considerou a análise da construção da identidade do Psicopedagogo nas questões vinculadas a sua ação profissional. Como resultados obtidos, destaca-se a importância da regulamentação da profissão diante da atuação psicopedagógica, bem como a necessidade de estudos mais aprofundados sobre o tema.
This work is the search on the training of the formation Psychopedagogy professional Psychopedagogy, their identity and professional practice in Brazil and Argentina. The objective is to consider the Psychopedagogy. Historical outline and his current perspective. It presents the Argentine's journey coupled with Brazilian Psychopedagogy's reality. For the methodology of work a qualitative approach was used focusing the research literature. As a benchmark theoretical scientific studies of various professionals in education were used, in particular, the Psychopedagogy Professionals, on the topic as well as the personal reflections on the subject being investigated. It also considered the analysis of the construction of the identity of the Psychopedagogy professional on issues linked to his professional action. As results, it highlights the importance of the profession regulation front of the psychopedagogy performance, and the need for further investigation on the subject.
Key- words: Psychopedagogy, formation, identity, Professional practice, regulations.
A Psicopedagogia nasceu da necessidade de uma melhor compreensão
do processo de aprendizagem e se tornou uma área de estudo específica que
busca conhecimento em outros campos e cria seu próprio objeto de estudo
(Bossa, 2007, p.24.). Ocupa-se do processo de aprendizagem humana: seus
padrões de desenvolvimento e a influência do meio nesse processo.
Considerando essas idéias, dentre outras, esta pesquisa aborda a
temática da formação de psicopedagogos e sua identidade, no contexto das
políticas educacionais que têm repercussão nos processos de formação e na
atuação profissional dos psicopedagogos.
psicopedagogo a partir de dados bibliográficos, tendo como referencial o estudo
da legislação e da reflexão teórica no que se refere à Psicopedagogia no Brasil
como também na Argentina.
Para atingir os objetivos foram realizadas leituras e pesquisas em livros e
artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras. Dentre elas a Revista
Universidad del Salvador (Usal) da Argentina. Nosso objetivo foi buscar uma
revisão mais apurada da literatura disponível na investigação do tema.
Também foram identificados e estudados os instrumentos legais: leis,
pareceres, resoluções, sobre a formação do psicopedagogo, em especial os
documentos sobre a legislação vigente, tanto no Brasil como na Argentina.
Da coleta e análise dos dados, do estudo da legislação e da reflexão
buscou-se a compreensão crítica da
Psicopedagogia na Argentina e no Brasil, a formação do psicopedagogo e sua
Algumas questões nortearam esta pesquisa: Qual a identidade do
psicopedagogo? Qual é a sua atuação profissional, enquanto psicopedagogo?
Como ocorre a formação do Psicopedagogo na Argentina e no Brasil? Existe
uma legislação que regulamenta a profissão na Psicopedagogia?
nosso olhar para a realidade da formação do Psicopedagogo, uma vez que no
Brasil ainda há poucos registros dedicados a esta temática.
constituição da psicopedagogia; analisar as contribuições da Psicopedagogia
Argentina; compreender o contexto atual da Psicopedagogia no Brasil; resgatar
através da pesquisa bibliográfica, como esta organizada, a formação do
psicopedagogia argentina e a brasileira.
Destacamos a relevância desta pesquisa, uma vez que ela já se inicia a
partir do seguinte questionamento. “Qual a formação do Psicopedagogo no
Brasil?”, podemos aqui enunciar o que nos apresenta Bossa (2007:37), “O
movimento da psicopedagogia no Brasil remete ao seu histórico na Argentina”.
Isso nos auxiliaria a melhor compreender a atual formação da psicopedagogia
no Brasil e suas possíveis tendências.
trajetória e seu contexto atual.
podemos constatar, especialmente, a presença dos trabalhos de autores como:
Jorge Visca, Alicia Fernádez e Marina Müller.
Assim, por exemplo, em seu artigo “Perspectivas de la psicopedagogia
em el comienzo del milenio”,
Müller (1995) comenta que na Universidade de
Salvador, há cinco décadas, surgiu a psicopedagogia como uma disciplina.
Disciplina esta que trabalha com a aprendizagem, como atividade que inclui a
relação entre ensino e aprendizagem, em contextos sistemáticos ou não. Deste
modo, nasceu a psicopedagogia como carreira universitária de três anos, no
ano de 1956. Ela confluiria da carreira de Psicologia e da Pedagogia.
O esboço histórico da psicopedagogia na Argentina e seu atual contexto
nos conduzirão a uma leitura aprofundada da formação do psicopedagogo no
Segundo Bossa (2007)
A questão da formação do psicopedagogo assume um papel de grande importância na medida em que é a partir dela que se inicia o percurso para a formação da identidade desse profissional. (p. 63)
Na citação mencionada, podemos perceber quão importante é identificar
a formação do profissional em psicopedagogia. A construção da identidade do
Ampliando as idéias anteriores temos as contribuições de Masini (2006)
ao enfatizar:
A identidade da psicopedagogia não está ainda bem delimitada como área de estudos, apesar de décadas de existência, no Brasil e na Europa, comprovadas em livros e revistas especializadas. Permanecem discussões e em bates com pares, em meio a mal entendidos sobre fins, locais, modalidades e recursos de atuação.
Diante disto, podemos observar que persistem os questionamentos
acerca da identidade da psicopedagogia.
Com isto ao tomarmos a psicopedagogia como o fenômeno a ser
estudado e analisado nesta pesquisa, temos que esta área é entendida como
atividade que abrange a educação, compreendida como prática social, tanto em
seu contexto sistemático como informal. Logo, o que se pretende é entender as
perspectivas sobre o psicopedagogo e a Psicopedagogia, para explicar e
compreender a formação e a atuação do psicopedagogo, a partir de dados
bibliográficos e da síntese do percurso teórico percorrido pelos psicopedagogos
nos dois paises citados.
aprendizagem e dar-se-á por meio da análise e reflexão da Psicopedagogia no
Brasil e seus aportes teóricos na Argentina.
Capítulo I – Aspectos históricos da formação em Psicopedagogia na Argentina e no Brasil
Historicamente, segundo Bossa (2007) os primórdios da Psicopedagogia
ocorreram na Europa, ainda no século XIX, sustentada pela preocupação com os
problemas de aprendizagem na área médica.
Os primeiros Centros Psicopedagógicos foram fundados na França, em
1946, com o objetivo de desenvolver um trabalho voltado para crianças com
problemas escolares ou comportamentais atendidos por uma equipe da área de
Psicologia, Psicanálise e Pedagogia.
Bossa (2007) apresenta que:
A literatura francesa influencia as idéias sobre psicopedagogia na Argentina a qual, por sua vez, influencia a práxis brasileiras. A psicopedagogia francesa apresenta algumas considerações sobre o termo psicopedagogia e sobre a origem dessas idéias na Europa, e os trabalhos de George Mauco, fundador do primeiro centro médico psicopedagógico na França, em que se percebem as primeiras tentativas de articulação entre medicina, psicologia, psicanálise e pedagogia, na solução dos problemas de comportamento e de aprendizagem (p. 39)
Observamos que a Psicopedagogia teve uma trajetória significativa
tendo, inicialmente, um caráter médico-pedagógico já que a equipe de trabalho
reeducadores de psicomotricidade e da escrita.
Ao final dos anos 60, na Argentina, o trabalho entre os psicopedagogos e
a escola e sua relação com os psicólogos e os pedagogos influenciaram
significativamente os profissionais argentinos na sua atuação psicopedagógica.
Conforme Alicia Fernández, psicopedagoga Argentina, a graduação em
Psicopedagogia passou a existir na Argentina há mais de 30 anos, criada na
Universidade de Buenos Aires (UBA). Deste modo, Buenos Aires foi a primeira
cidade argentina a oferecer o curso de Psicopedagogia. (apud BOSSA, 2007,
p.42-43)
Entretanto, na prática, a atividade psicopedagógica iniciou-se antes da
criação do próprio curso. Profissionais que possuíam outra formação viram a
reeducação, com o objetivo de resolver fracassos escolares.
De acordo com Peres (1998)
A Psicopedagogia passa a despertar a atenção de vários países que, preocupados com os altos índices de fracassos escolares passam a buscar novas alternativas de trabalho. Dentre estes países, na Argentina, a psicopedagogia tem recebido um enfoque especial, sendo considerada uma carreira profissional. (p.42)
Inicialmente, a Psicopedagogia aparece como uma disciplina na Facultad
del Psicología da Universidad del Salvador, Buenos Aires.
Já em 1956, a Psicopedagogia constitui-se como curso de graduação de
três anos, para formar professores com capacitação em psicologia escolar, na
confluência da psicologia e pedagogia.
Psicopedagogia e a Pedagogia, porém
El 2 de mayo de 1956, en la Universidad del salvador y desde el Instituto de Psicopedagogía, ingresa a la enseñanza oficial una nueva carrera de grado: la Psicopedagogía.(p.57)
Müller (1995) aborda em seu artigo “Perspectivas de la psicopedagogia
em el comienzo del milenio”, que as novas tendências do sistema educativo na
propondo uma carreira de quatro anos.
Portanto, estabelecendo uma grade curricular de dois anos de formação
básica compartilhada com a carreira de Psicologia e fixando dois anos de
formação psicopedagógica específica. Existem também os cursos de mestrados
e doutorados, possibilitando especialização de um ano de duração, como
formação acadêmica para a docência superior e pesquisa.
Deste modo, como do interior da carreira de Psicologia se criou à carreira
de Psicopedagogia, que no começo não tinha caráter universitário, mas,
especialistas, aos poucos, foi se construindo o seu objeto de estudo próprio: o
sujeito em processo de ensino-aprendizagem. Em outras palavras, o sujeito
como agente da sua própria aprendizagem.
Com isso, a psicopedagogia argentina se origina como um conhecimento
empírico, a partir da necessidade de atender as crianças com problemas de
aprendizagem escolar.
Para Visca (1987),
A psicopedagogia nasceu como uma ocupação empírica pela necessidade de atender as crianças com dificuldades na aprendizagem, cujas causas eram estudadas pela medicina e psicologia. Com o decorrer do tempo, o que inicialmente foi uma ação subsidiária destas disciplinas, perfilou-se como um conhecimento independente e complementar, possuidor de um objeto de estudo (o processo de aprendizagem) e de recursos diagnósticos, corretores e preventivos próprios (p.33)
entendendo-se que a psicopedagogia nasceu na Argentina a partir dos seus
estudos acerca da epistemologia da psicopedagogia, no que se chamou de
epistemologia convergente 1 .
1 Epsitemologia Conversente é o resultado da assimilação recíproca de conhecimentos fundamentados no construtivismo, no estruturalismo construtivista e no interacionismo. Isto é, linha teórica que propõe um trabalho com a aprendizagem integrado com três linhas de Psicologia: Escola de Genebra (Piaget), Escola Psicanalítica (Freud) e a Escola de Psicologia Social (Pichon-Rivière). Para uma melhor compreensão a respeito do tema, sugerimos a leitura do livro Psicopedagogia: novas contribuições da autoria de Jorge Visca, edições Nova Fronteira, ano de 1991.
Jorge Visca é considerado pela literatura dos profissionais da área, como
“pai da psicopedagogia”.
consideram a Psicopedagogia como uma área de conhecimento que se dedica
ao diagnóstico, tratamento e prevenção das dificuldades de aprendizagem
escolar. Estaremos também considerando a Psicopedagogia como área que
trabalha com a aprendizagem no seu sentido mais amplo, possibilitando a
todos, principalmente a quem ensina, a oportunidades de lidar com seus
próprios processos de aprendizagem como aprendizes.
Na realidade, a Psicopedagogia é uma área do conhecimento que se
apóia nas diferentes Ciências, tais como Pedagogia, Psicologia, Psicanálise,
coerentemente, tendo como finalidade adquirir uma melhor compreensão a
respeito dos diversos processos inerentes a aprendizagem.
De acordo com Fernández (1994), a partir do objeto de estudo da
psicopedagogia – o processo de aprendizagem – ainda não foi possível
construir uma teoria acerca dessa prática psicopedagógica. Ela menciona que
Estamos tentando construir nossa própria teoria, nosso específico enquadramento, os rasgos diferenciadores de nossa técnica e nosso lugar como especialistas em problemas de aprendizagem. (p.102)
Como psicopedagogos nossa tarefa é ajudar as pessoas, quer sejam
crianças ou jovens, até adultos, a se descobrirem como indivíduos criativos,
livres, potencializando suas próprias soluções diante das dificuldades que
Do ponto de vista de Müller (1984), ao se referir sobre o objeto de estudo
aprendizagem. É importante, para ela, considerar:
Que leis regem estes processos; que dificuldades interferem ou impedem; de que maneira é possível favorecer as aprendizagens ou tratar suas alterações. (p.7-8)
aprendizagem, como se educa, como se ensina, como se aprende, como
surgem os problemas da aprendizagem, quais as propostas para tratá-lo, que
fazer para preveni-los e promover mudanças nos processos de aprendizagem.
O transcurso da prática profissional desenvolvida durante vários anos,
define um marco contextual teórico e elabora a pratica em Psicopedagogia,
gerando novos enfoques conceituais no interior de si mesmas.
Isto demanda realizar uma análise dos próprios pressupostos teóricos da
Psicopedagogia, como por exemplo, a que se dedica um psicopedagogo, qual o
campo atual da psicopedagogia na Argentina?
Argentina, na Universidade de Buenos Aires (UBA). Entretanto, o curso passou
por três instâncias em relação ao plano de estudo: nos anos de 1956, 1958 e
1961 a ênfase esteve na formação biológica e psicologica; evidenciava-se a
formação instrumental do psicopedagogo nos anos de 1963, 1964 e 1969;
Assim, com a criação da licenciatura, o enfoque passou a ser clínico e para a
obtenção do título de psicopedagogo, a carreira de graduação passou de quatro
para cinco anos de duração em 1978, tal como hoje em dia.
Bossa (2007), afirma que:
Acontece assim, em 1978, o terceiro momento do curso de psicopedagogia, com a criação da licenciatura na matéria, tal como existe atualmente, ou seja, uma carreira de graduação com duração de cinco anos. (p. 43)
Durante os trinta anos que se passou desde o seu estabelecimento na
Argentina, a Psicopedagogia tem ocupado um significado espaço no âmbito da
educação e da saúde. Nesse processo evolutivo, é importante destacar um fato
reeducação à clínica.
Esse fato se relaciona a década de 70 em que surgiram, em Buenos
Aires, os Centros de Saúde Mental, onde atuavam equipes de psicopedagogos
Esses profissionais observavam que, depois de um ano de tratamento,
quando os pacientes retornavam para controle, haviam resolvido os seus
problemas de aprendizagem. Mas, surgiam graves distúrbios de personalidade,
produzindo-se, pois, um deslocamento de sintoma. A partir daí ocorre uma
começam a incluir no seu trabalho a clínica da Psicanálise, resultando no atual
perfil do psicopedagogo argentino.
Em 17 de setembro de 1982 foi fundada a Federación Argentina de
Psicopedagogos (FAP) por um Colegiado Profissional de Psicopedagogos. E
esse dia se estabeleceu como o “Dia Nacional de Psicopedagogo”.
Em 1983 foi criada a Asociación de Psicopedagogos de Capital Federal -
PSP 2 . Mas foi no ano de 1986 que PSP passou a reconhecida juridicamente. È
universitário, dos formados em nível de pós-graduação, defendendo o campo
profissional, a ética profissional, preservando e enriquecendo o conceito
humano de nossa profissão.
De acordo com Lamarra (2007), a legislação referida a Educação
Superior consagra a autonomia universitária:
2 Para mais informações consulte o site da PSP; www.asoc-psicopedagogos.com.ar
La Ley Feredal de educación N o 24.195 3 , sancionada en el año 1993
y la Ley de Educación n o 24.521 sancionada emn el año 1995,
regulan el sitema educativo en su totalidad y el sistema de educación superior, en particular. La Ley de Educación superior es la primera ley que abarca, en su conjunto, la educación superior universitaria y no universitaria. Ademá, crea la Comisión Nacional de Evaculuación y Acreditación Universitaria (CONEAU) como organismo encargado de
la evaculación externa y acreditación de las carreras de posgrado y
de las de grado con “títulos correspondientes a profesiones regulares por el Estado”, fija las normas y las pautas para el reconocimiento de las universidades privadas y los regímenes de funcionamiento de las mismas, tanto provisorio como definitivo. (p. 47)
Na Argentina, a especialização em Psicopedagogia tem sido oferecida
de forma geral pelos institutos terciários que não contam com autorização do
certificados com validade acadêmica.
Lamarra (2007) argumenta que
El Sistema de Educación Superior de Argentina es de carácter binario, es decir está integrado por dos tipos de instituciones:
las universidades y los institutos universitarios y los institutos superiores no universitarios (llamados terciarios) que comprende a los institutos técnicos, de formación profesional, de formación docente, etc.
Según información suministrada por la Comisión Nacional de Mejoramiento de la educación Superior (CONEDUS), al año 2001 existían alrededor de 4.446 carreras universitarias de grado y de pregado (3514 carreras de grado y 932 carreras de pregado) y 6.960 carreras no universitarias. Estas ultimas otorgan títulos como de psicopedagogo y además de las de profesor en las carreras de formación docente. (p. 20-21)
A constituição nacional da Argentina consagra o respeito pelo direito a
educação e a autonomia universitária. Porém, não são delegadas funções para
o desenvolvimento da educação garantindo a qualidade do ensino.
O sujeito-objeto da psicopedagogia é o ser humano em situação de
aprendizagem, contextualizado. (Müller, 1984)
3 A lei 24.195 foi recentemente revogada a partir da sanção da nova Ley de Educación N o 26.206, a qual inclui muito genericamente a Educação Superior em seu artigo.
Numa entrevista realizada por um site 4 , Mônica K. de Rojas Silveyra,
psicopedagoga e atual Vice-Presidente da Asociación de Psicopedagogos de
Capital federal, argumenta sobre as questões legais acerca do exercício da
profissão de psicopedagogo na Argentina:
En este momento histórico de la Asociación estamos trabajando conjuntamente con la Federación Argentina de Psicopedagogos, institución de 2do. Grado que agrupa a todos los psicopedagogos universitarios del país, y con la Confederación de Profesionales Universiarios de la República Argentina (CGP) que agrupa a todos los profesionales (médicos, psicólogos, psicopedagogos, etc). Allí se discuten y se defienden en las distintas comisiones los temas relacionados ala problemáticas de cada profesión. En cuanto a la Legislatura de la Ciudad de Buenos Aires, se ha presentado un Anteproyecto de Ley n o 4071 del Ejercicio Profesional del Psicopedagogo en el anõ de 1997, y la suerte corrida es similar. Pero no nos desanimamos, seguiremos y la obtendremos.
2473/84,
psicopedagogo possa atuar na área da saúde e da educação, ao que diz
assistenciais. Assim, sua atuação profissional dar-se-á em âmbito do sistema
de saúde e no âmbito do sistema educativo em seus diferentes níveis ou
modalidades na dimensão pública e/ou privada.
A nova Ley de Educación Nacional, Ley N o . 26.206, publicada no dia 28
de dezembro de 2006, promulga no Capítulo V, artigo 34, que:
Articulo 34. – La Educación Superior comprende:
a) Universidades e Institutos Universitarios, estatales o privados autorizados, en concordancia con la denominación establecida en la Ley N o 24.521. b) Institutos de Educación Superior de jurisdicción nacional, provincial o de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires, de gestión estatal o privada. (p.10-11)
No Capítulo IV sobre a Educação Secundaria, a Ley de Educación
Nacional também estabelece que:
4 http://www.xpsicopedagogia.com.ar/contenido/entrevistas/entrevistas_kerckhaert_matricula.ht ml (Entrevista extraída em 02 de julho de 2007).
Articulo 32. – El Consejo Federal de Educación fijará las disposiciones necesarias para que las distintas jurisdicciones garanticen:
h) La atención psicológica, psicopedagógica y médica de aquellos adolescentes y jóvenes que la necesiten, a través de la conformación de gabinetes interdisciplinarios en las escuelas y la articulación intersectorial con las distintas áreas gubernamentales de políticas sociales y otras que se consideren pertinentes. (p.9-10)
psicopedagogia no Brasil, pois naquele país é permitida a aplicação de testes,
como, por exemplo, as provas de inteligência, mais conhecidas por teste de
Quociente de Inteligência 5 (Q.I.) pelos psicopedagogo. Enquanto, no Brasil,
somente os psicopedagogos com formação em Psicologia podem fazer o uso
destes tipos de testes.
De acordo com BOSSA (2007) alguns instrumentos de uso freqüente por
psicopedagogos argentinos não são permitidos aos brasileiros
No Brasil não é permitido ao psicopedagogo recorrer a muitos dos instrumentos que são de uso do psicólogo. O psicopedagogo, que não tem formação em Psicologia, quando a situação requer, solicita ao psicólogo ou, dependendo do caso, a outros profissionais (neurologistas, fonoaudiólogos, psiquiatras), habilitados e de sua confiança, as informações necessárias para completar o seu diagnostico. (p. 100)
Na década de 60, advém a Psicopedagogia no Brasil, surgindo as
primeiras iniciativas de atuação psicopedagógica. Neste período os problemas
de aprendizagem eram associados a uma disfunção neurológica: disfunção
cerebral mínima 6 (DCM).
O rótulo DCM foi apenas um dentre os vários diagnósticos empregados
para camuflar problemas de origem sociopedagógicos, termos como Transtorno
5 De acordo com o Dicionário Técnico de Psicologia (2001) o Teste de Inteligência destina-se a avaliar a inteligência geral ou nível mental do indivíduo; pode, inclusive, avaliar certos aspectos da inteligência condensados num só resultado, procurando-se, tanto quanto possível, obter uma avaliação independente dos antecedentes culturais. (p.162)
6 Garcia (1998) diz que durante os anos 50 e 60, considerava a hiperatividade motora como originados por alterações
neurológicas ou, inclusive, como o extremo ao longo de um contínuo dentro da variabilidade normal. Isto apontou para
uma mudança de nome, de “lesão cerebral mínima” até a de “disfunção cerebral mínima” ( Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) a partir dos anos 80. (p.74)
para Transtorno por
de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDH/A), dislexia e outros mais, são
conceitos usados ideologicamente para esse fim.
Em 1958, no Brasil surge o Serviço de Orientação Psicopedagógica da
Escola Guatemala (Escola Experimental do INEP - Instituto de Estudos e
Pesquisas Educacionais do MEC), na Guanabara, atualmente Estado do Rio
de Janeiro, tendo como principal objetivo a melhoria da relação professor-
Segundo Peres (1998), acredita-se que
a primeira experiência psicopedagógica no nosso país ocorreu em 1958, com a criação do Serviço de Orientação Psicopedagógica (SOPP) da “Escola Guatemala” na então Guanabara. O SOPP tinha como meta desenvolver a melhoria da relação professor-aluno e criar um clima mais receptivo para a aprendizagem, aproveitando para isso as experiências anteriores dos alunos. (p.43)
No Brasil, por volta dos anos 70, alguns profissionais preocupados com
os altos índices de evasão escolar e repetência, engajados no estudo das
causas e intervenções dos problemas educacionais relacionados ao fracasso
escolar trouxeram da França para a Argentina os aportes teóricos sobre a
Psicopedagogia. Mais recentemente, isto é, desde 1980 até hoje, passamos a
conceber o fracasso escolar também como “problemas de ensinagem”, e não
somente de aprendizagem.
Essas contribuições foram trazidas para o Brasil, tanto por meio de
palestrantes oriundos da França como da Argentina, como também, por meio
de professores que participavam de palestras, cursos a respeito da experiência
psicopedagógica voltada para a educação.
Em decorrência de novas descobertas científicas e movimentos sociais,
a Psicopedagogia sofreu muitas influências.
Em 1979, decorrido quase vinte anos de prática psicopedagógica, surge
na cidade de São Paulo, o primeiro curso em nível de pós-graduação em
Psicopedagogia no Instituto Sedes Sapientiae, indicando como a área de
psicopedagogia é relativamente nova no Brasil.
Psicopedagogia é o Instituto Sedes Sapientiae. Ela ressalta que
A retomada das raízes do curso de formação em Psicopedagogia do
Sedes Sapientiae justifica-se por ter sido um curso pioneiro na
realidade de São Paulo, gerador de líderes de mudança que prosperaram em projetos como o da construção da Associação de Psicopedagogia em São Paulo” (p. 19-20)
terminavam
especialização em Psicopedagogia, no Instituto Sedes Sapientiae, em São
Paulo, organizaram um grupo para estudar e definir a prática psicopedagógica
trabalhasse
ensinagem,
Associação Estadual de Psicopedagogia de São Paulo (AEP).
Segundo Rubinstein (1987)
A Associação Estadual de Psicopedagogia de São Paulo foi criada por
um grupo de profissionais que já atuava na área, acabava de fazer sua formação em Psicopedagogia no Instituto Sedes Sapientiae e sentia a necessidade de ser reconhecido como categoria profissional, consciente de seu papel na comunidade. Tendo a Associação se expandido, pois temos associados do interior de São Paulo e de outros Estados da União e este crescimento faz com que sintamos a necessidade de efetivar a proposta da criação da Associação Brasileira de Psicopedagogia. (p. 13)
Após seis anos, de funcionamento a AEP, se tornou a Associação
(ABPp).
fundamental, pois se assume a área de conhecimento psicopedagógico, a partir
de um órgão de classe.
No relato que prossegue, Mônica Hoehne Mendes 7 (apud Carvalho,
2005) comenta
Evidentemente esse curso faz parte da história da Psicopedagogia no Brasil, como pioneiro, acrescido do fato de ter sido o responsável pela formação das pessoas que fundaram a Associação Estadual de Psicopedagogos em 1980; são duas histórias que se entrelaçam. Dessa forma, o Instituto Sedes Sapientiae contribui duplamente para a construção da identidade da Psicopedagogia em nosso país. (p.48)
Quando nos situamos no eixo norteador da economia no cenário global,
parâmetros educacionais.
Alcântara & Silva (2006) afirmam que
Influencias que fueran gestadas el mundo, derivadas de los procesos del creciente internacionalización de las economías, bien como del sus repercusiónes en los mercados y la própria organización de los Estados nacionais ( p.15)
Isso quer dizer, que o ajuste econômico processados nos países latino-
americanos, bem como Brasil e Argentina, redefiniu o papel do Estado na
educação. Porém, o atual processo de reestruturação da Educação Superior, se
ocorrendo,
reestruturação se constituir em uma real opção.
Desde 1980, os psicopedagogos brasileiros podem contar com uma
associação voltada para o interesse da classe e que luta por seus direitos. É a
Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), criada em 1988.
psicopedagogos estruturarem um espaço de discussão sobre o corpo teórico de
7 Pedagoga pela Universidade São Marcos, SP, psicopedagoga pela Espacio Psicopedagógico de Buenos Aires (EPSIBA), mestre em Psicologia pela Universidade São Marcos, SP, presidente da ABPp Nacional no biênio 91/92, presidente fundadora da ABPp Seção São Paulo.
conhecimentos psicopedagógicos, através do seu vasto acervo de trabalhos
científicos publicados, dissertações de mestrado e teses de doutorado.
Peres (1998) aborda que
Ao longo de sua existência a associação tem promovido vários encontros e congressos visando dentre outras coisas refletir sobre: a formação do psicopedagogo, a atuação psicopedagógica objetivando melhorias da qualidade de ensino nas escolas, a identidade profissional do psicopedagogo, o campo de estudo e atuação do psicopedagogo, o enfoque psicopedagógico multidisciplinar. (p.43)
A Psicopedagogia no Brasil enquanto área de atuação é sustentada por
referenciais teóricos, isto é, uma práxis psicopedagógica. É reconhecida pela
área acadêmica através das produções científicas consolidadas em teses,
publicações e reuniões que tem o rigor da ciência organizadas pela Associação
profissionais e áreas afins.
Falar da construção ou dos rumos da Psicopedagogia na Argentina e no
especial, Jorge Visca, Alicia Fernàndez, Sara Pain e Marina Müller.
Assim, começou-se a conhecer a Psicopedagogia e suas interconexões,
por meio desses profissionais, sobretudo o psicopedagogo argentino Visca, que
contribuiu com a sistematização teórica de grande parte dos psicopedagogos
brasileiros, em especial os curitibanos, através da difusão da Epistemologia
Zenicola, Barbosa & Carlbert (2007) apresentam que
No final da década de 1970, tanto no Rio de janeiro, quanto em Curitiba, os estudos de Jorge Visca, psicopedagogo argentino, começaram a fazer diferença na compreensão do aprendiz e de suas dificuldades de aprendizagem. Na década de 1990, em Curitiba, os estudos da visão Sistêmica por psicopedagogos que possuíam a visão da Epistemologia Convergente, inicialmente na Síntese, bem como, no Rio de Janeiro, as contribuições de Alicia Fernàndez, trouxeram uma nova compreensão da dinâmica familiar e de suas relações com as dificuldades para aprender. (p.36-37)
Psicopedagogia, cabe ressaltar que foram estes profissionais argentinos que
trouxeram os conhecimentos da Psicopedagogia para o Brasil e enriqueceram o
desenvolvimento desta área de conhecimento.
mostra autores como Janine Mery, Pichón-Rivière, Jacques Lacan, dentre
outros, cujos pensamentos influenciaram a Psicopedagogia na Argentina, que
vem se destacando como forte, na práxis psicopedagógica brasileira.
entrelaçamento dos aspectos teóricos e da práxis psicopedagógica deste
Capítulo II – Experiências atuais na formação e atuação do Psicopedagogo na Argentina e no Brasil
A Psicopedagogia nascente na época moderna se diferencia como área
de atuação e reflexão sobre a práxis psicopedagogia, a partir da aprendizagem
humana, ao levar em conta a articulação entre subjetividade e a objetividade
humana e o conhecimento nas diversas maneiras de aprender.
O objeto de estudo da psicopedagogia se sintetiza àquilo que a Silva
(1998) nos apresenta
No início, seu objeto são os sintomas das dificuldades de aprendizagem, como desatenção, desinteresse, lentidão, etc. e, assim, seu objetivo é remediar esse sintomas. A dificuldade de aprendizagem seria apenas um mau desempenho, um produto a ser tratado. (p.25)
psicopedagogia num patamar mais alto, obtendo-se assim uma visão mais
Na Argentina, a psicopedagogia surge como disciplina científica no
meados do século XX, destacando o valor da interdisciplinaridade e composta,
a princípio, pelos saberes e experiências da educação e da saúde mental.
A Universidad del Salvador (USAL) havia sido pioneira, pois a primeira
carreira de graduação em Psicopedagogia na América Latina foi criada por
meio de sua Ata de Fundação de 2 de maio de 1956, em Buenos Aires.
Conta-nos então Oliveira (2007) em seu artigo 8 intitulado “Família, escola
e o nascimento da psicopedagogia” que
8 Confira OLIVEIRA, Vera Barros de. Família, escola e o nascimento da psicopedagogia: a aprendizagem e a educação, dos limites informais às instituições e ferramentas de auxílio que hoje conhecemos. In: Revista Psique Especial ano 1 n o 2. Editora Escala, 2007.
Na década de 40, a Piscopedagogia aparece como uma disciplina na recém-criada Facultad de Psicologia da Universidad del Salvador, Buenos Aires. Em 1956, na USAL, a psicopedagogia torna-se um curso de graduação de três anos (p. 10)
construção de uma identidade profissional que abre caminhos e ganha espaços
e continua, ainda hoje, respondendo as demandas de uma sociedade em
transformação. No anexo I consta o plano de curso de Psicopedagogia da
Ao resgatarmos a história da psicopedagogia na Argentina, Fagali (2007)
apresenta que
Em 1978, anunciou-se o primeiro Congresso Latino-Americano em Buenos Aires em que ela era a representante da equipe sedes, em busca de atualizações e de novos sentidos sobre a identidade da Psicopedagogia. Em Buenos Aires, a Psicopedagogia já se apresentava com uma longa trajetória enquanto formação e atuação psicopedagógica. Destava-se a formação em graduação de Psicopedagogia (Universidad del Salvador) com uma abordagem mais constitucional do aprendiz, em relação aos aspectos fisiológicos e neurológicos. Na Pós-Graduação, evidenciava-se, entre as teorias e as práticas da psicopedagogia, A “Psicopedagogia Convergente” de Jorge Visca, aprofundando nas articulações entre a epistemologia genética de Piaget e a abordagem psicanalítica. (p.24)
psicopedagogos brasileiros foram a procura de conhecimentos acerca da
formação e atuação psicopedagógica para fundamentarem a Psicopedagogia
no Brasil. Ainda hoje, as obras publicadas por Jorge Visca, Alicia Fernàndez ,
Sara Pain e Marina Müller fazem parte do nosso acervo bibliográfico.
(ABPp)
documento acerca da identidade profissional do psicopedagogo e os objetivos
divulgando a Psicopedagogia.
Escolas 9 ,
Bombonatto,
2005/2007,
importância da Associação para a descoberta da identidade do psicopedagogo
brasileiro. Ela comenta que
A ABPp, neste momento, cumpre um papel importante na história da psicopedagogia e oferece uma vasta material para a pesquisa e a compreensão acerca da epistemologia da psicopedagogia, oferecendo uma significativa contribuição para o conhecimento e a atualização dos psicopedagogos, educadores e estudiosos da área.
Em 1992, entrou em vigor o Código de Ética 10 , aprovado em assembléia
durante o V encontro e II Congresso de Psicopedagogia. Nós, psicopedagogos,
não poderíamos deixar de falar deste tema tão atual e de urgência prática em
nossa práxis psicopedagógica.
De acordo com Mendes (2007), a discussão acerca da questão do
reconhecimento da profissão gerou grande inquietação. Dessa maneira temos
Conscientes do momento histórico que atravessávamos, elaboramos o Código de Ética, o que era essencial, já que não tínhamos (como até hoje não temos) nossa profissão reconhecida. Este passou a ser o documento norteador dos Princípios da Psicopedagogia, das Responsabilidades Gerais do Psicopedagogo, das Relações deste com outras Profissões, sobre a Importância do Sigilo, etc. (p.202-203)
Contudo, o documento citado sofreu alteração na Assembléia Geral do III
transcorreu a presente redação que apresentamos a seguir:
Elaborado pelo Conselho Nacional do Biênio 91/92 e Reformulado pelo Conselho Nacional e Nato do Biênio 95/96
9 Matéria divulgada na Revista Direcional Escolas – edição 18 – julho/2006. Acesso disponível no URL: //www.direcionalescolas.com.br/EDUCADOR/Edicoes/Edição%2018/Entrevista [14 de Novembro de 2007] 10 Confira na Revista Psicopedagógica, 15(38), 1996.
A Psicopedagogia é um campo de atuação em educação e saúde que
lida com o processo de aprendizagem humana; seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio - família, escola e sociedade - no seu desenvolvimento, utilizando procedimentos próprios da Psicopedagogia. Parágrafo Único
A intervenção psicopedagógica é sempre da ordem do conhecimento
relaciona do com o processo de aprendizagem.
A Psicopedagogia é de natureza interdisciplinar. Utiliza recursos das
várias áreas, do conhecimento humano para a compreensão do ato
de aprender no sentido, ontogenético e filogenético, valendo-se de
métodos e técnicas próprias.
O trabalho psicopedagógico é de natureza clínica e institucional, de
caráter; preventivo e/ou remediativo.
Artigo 4º Estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os profissionais graduados em 3º grau, portadores de certificados de curso de Pós-Graduação de Psicopedagogia, ministrado em estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido, ou mediante direitos adquiridos, sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal.
O trabalho psicopedagógico tem como objetivo: (i) promover a
aprendizagem; garantindo o bem-estar das pessoas em atendimento profissional, devendo valer-se dos recursos disponíveis, incluindo a
relação interprofissional; (ii) realizar pesquisas científicas no campo
Capítulo II – Das responsabilidades dos psicopedagogos Artigo 6º São deveres fundamentais dos psicopedagogos:
a) Manter-se atualizado quanto aos conhecimentos científicos e
técnicos que tratem do fenômeno da aprendizagem humana.
b) Zelar pelo bom relacionamento com especialistas de outras áreas,
mantendo uma atitude crítica, de abertura e respeito em relação às
c) Assumir somente as responsabilidades para as quais esteja
preparado dentro dos limites da competência psicopedagógica.
Colaborar com o progresso da Psicopedagogia.
Difundir seus conhecimentos e prestar serviços nas agremiações
classe sempre que possível.
f) Responsabilizar-se pelas avaliações feitas, fornecendo ao cliente uma definição clara do seu diagnóstico.
g) Preservar a identidade, parecer e/ou diagnóstico do cliente nos
relatos e . discussões feitos a título de exemplos e estudos de casos.
h) Responsabilizar-se por crítica feita a colegas na ausência destes
i) Manter atitude de colaboração e solidariedade com colegas sem ser conivente ou acumpliciar-se, de qualquer forma, com o ato ilícito ou calúnia. O respeito e a dignidade na relação profissional são deveres
fundamentais do psicopedagogo para a harmonia da classe e a manutenção do conceito público.
Capítulo III – Das relações com outras profissões Artigo 7º
O psicopedagogo procurará manter e desenvolver boas relações com
os componentes das diferentes categorias profissionais, observando, para este fim, o seguinte:
a) Trabalhar nos estritos limites das atividades que lhe são
b) Reconhecer os casos pertencentes aos demais campos de
especialização, encaminhando-os a profissionais habilitados e
qualificados para o atendimento.
Capítulo IV – Do sigilo
O Psicopedagogo está obrigado a guardar sigilo sobre fatos de que
tenha conhecimento em decorrência do exercício de sua atividade. Parágrafo Único Não se entende como quebra de sigilo informar sobre o cliente a especialistas comprometidos com o atendimento.
O Psicopedagogo não revelará, como testemunha, fatos de que tenha
conhecimento no exercício de seu trabalho, a menos que seja
intimado a depor perante autoridade competente.
Artigo 10º Os resultados de avaliações só serão fornecidos a terceiros interessados mediante concordância do próprio avaliado ou do seu representante legal.
Artigo 11º Os prontuários psicopedagógicos são documentos sigilosos e não será franquiado o acesso a pessoas estranhas ao caso.
Capítulo V – Das publicações científicas
a) As discordâncias ou críticas deverão ser dirigidas à matéria em
discussão e não ao autor.
b) Em pesquisa ou trabalho em colaboração, deverá ser dada igual
ênfase aos autores, sendo de boa norma dar prioridade na enumeração dos colaboradores àquele que mais contribuiu para a realização do trabalho.
c) Em nenhum caso o Psicopedagogo se prevalecerá da posição
hierárquica para fazer publicar; em seu nome exclusivo, trabalhos
executados sob sua orientação.
d) Em todo trabalho científico deve ser indicada a fonte bibliográfica
utilizada, bem como esclarecidas as idéias descobertas e as
ilustrações extraídas de cada autor.
Capítulo VI – Da publicidade profissional
O Psicopedagogo ao promover publicamente a divulgação de seus
serviços, deverá faze-lo com exatidão e honestidade.
O Psicopedagogo poderá atuar como consultor científico em
organizações que visem o lucro com venda de produtos, desde que
busque sempre a qualidade dos mesmos.
Capítulo VII – Dos honorários
Artigo 15º Os honorários deverão ser fixados com cuidado a fim de que representem justa retribuição aos serviços prestados e devem ser contratados previamente.
Capítulo VIII – Das relações com educação e saúde Artigo 16º
O Psicopedagogo deve participar e refletir com as autoridade
competentes sobre a organização, a implantação e a execução de
projetos de Educação e Saúde Pública relativas a questões psicopedagógicas.
Capítulo IX – Da observância e cumprimento dói código de ética Artigo 17º Cabe ao Psicopedagogo, por direito, e não por obrigação, seguir este código.
Artigo 18º Cabe ao Conselho Nacional da ABPp orientar e zelar pela fiel observância dos princípios éticos da classe.
O presente código poderá ser alterado por proposta do Conselho da
ABPp e aprovado em Assembléia Geral;
O presente código de ética entrou em vigor após sua aprovação em
Assembléia Geral, realizada no V Encontro e II Congresso de Psicopedagogia da ABPp em 12/07/1992, e sofreu a 1ª alteração proposta pelo Congresso Nacional e Nato no biênio 95/96 sendo aprovado em 19/07/1996, na Assembléia Geral do III Congresso Brasileiro de Psicopedagogia, da ABPp, da qual resultou a presente redação.
Os psicopedagogos devem seguir certos princípios éticos que estão
condensados no Código de Ética. Porém, a ética não estabelece regras, sua
principal característica é a reflexão sobre a ação do Homem.
Então perguntaríamos: Vemos quantos psicopedagogos descumprem a
ética no exercício de sua práxis psicopedagógica?
Em busca de respostas, recorremos a Griz (2007), ao afirmar que
É a Psicopedagogia, hoje, a área de conhecimento que mais se
propõe a uma práxis que atenda a estes requisitos e princípios éticos.
Também aqui vemos muitos profissionais que sequer conhecem seu código de ética. Á ética profissional é um compromisso social; não existe bem-estar individual sem bem-estar coletivo. (p.78)
Assim sendo, o psicopedagogo deve ser um profissional que tem
diagnóstica, é necessário estabelecer e interpretar dados em várias áreas. O
conhecimento dessas áreas fará com que o profissional compreenda o quadro
diagnóstico do aprendente e favorecerá a escolha da metodologia mais
inadequações do aprendente. Nesse caso, lembramos que a psicopedagogia
deve ser compreendida como área de estudo interdisciplinar 11 , que abrange
diferentes áreas de conhecimento e cujo campo de atuação vem a ser
identificado por meio do processo de aprendizagem e “que tem por objeto de
estudo o ser cognoscente” (Silva, 1998, p.51)
Neste mesmo sentido, Berlim e Portella (2007), argumentam que
A partir dos anos 90, a práxis psicopedagógica amplia sua visão e
possibilidade de trabalho, entendendo o ser cognoscente como sujeito ativo de sua aprendizagem e, extremamente, vinculado com o outro que ensina. (p. 85)
imperiosa, uma vez que trabalhando com tantas áreas, a descoberta e a
produção do conhecimento é bastante acelerada.
Scoz e colaboradores (apud Bossa, 2007), escreveram um artigo 12 no
qual abordam a trajetória da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Neste
artigo, Scoz afirma que
11 “As partes do mundo têm, todas elas, tal relação e tal encadeamento uma com outra, que acredito impossível conhecer uma sem a outra e sem o todo, não mais do que conhecer o todo sem conhecer as partes”. Pascoal, B. – Pensamentos.
12 O artigo “A regulamentação da profissão assegurando o reconhecimento do psicopedagogo” disponível na internet: www.abpp.com.br ou SCOZ, B. J. L.; MENDES, M. H. A psicopedagogia no Brasil: evolução histórica. In: Boletim da Associação Brasileira de Psicopedagogia, ano 6, n, 13. São Paulo, junho de 1988.
A contínua expansão da psicopedagogia e, em conseqüência disso, a
abertura de inúmeros cursos em nível de pós-graduação para formação nessa área em todo o país levou a associação a elaborar um documento sobre a identidade profissional do psicopedagogo e os objetivos da Psicopedagogia, a partir da delimitação de seu campo de estudos e de atuação. Esse documento passou por várias etapas de discussão, contando com a participação dos associados da Associação Brasileira e de suas seções, bem como de coordenadores e representante de inúmeros cursos de Psicopedagogia de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em 1989, o citado documento foi reformulado com a preocupação de
torná-lo condizente com a realidade educacional brasileira e publicado nas Revistas n os 18 e 19 da ABPp.
A associação implantou um curso de Psicopedagogia, em 1994, em
caráter piloto, assumindo seu próprio modelo de formação, embasado no documento sobre a identidade profissional do psicopedagogo, elaborado em 1989. (p.71)
Sendo assim, a ABPp tem discutido e analisado amplamente temas
como: a identidade do Psicopedagogo, a legitimidade da ação social da
Psicopedagogia, dentre outros estudos.
Entendemos por dimensão social 13 da Psicopedagogia a busca do saber
através de uma ação sócio-educativa, pois a aprendizagem acontece na
instituição seja educacional ou familiar, articulando a experiência acumulada
com o conhecimento que se faz presente.
Para Noffs (2000) pensar a
formação de qualidade do Psicopedagogo é articular docência, pesquisa e gestão. È essencial que o psicopedagogo conheça o contexto institucional (seja ele escolar, hospitalar, familiar) onde o processo de aprendizagem vai desenvolver-se. Conhecendo o sujeito desvinculado de seu meio é uma “fresta” para o insucesso. (p.45)
contextualizar todas as instâncias presentes na ação social do psicopedagogo.
aprendizagem como processo, o qual se constitui na construção do saber,
conceituando aprendizagem e suas dificuldades com base em uma interseção
13 O A ação em uma dimensão sociológica significa “às demandas sociais e culturais e tem como função social à de que as pessoas sejam membros ativos e responsáveis da sociedade.” (NOFFS, 2000, p.45)
das contribuições de diferentes áreas, para as quais também contribui com o
Diferentemente dos primórdios do movimento educacional preocupado
em compreender as razões do insucesso das crianças na escola, buscando
apenas no aluno as respostas, a atual tendência considera o insucesso
enquanto sintoma social e não apenas como uma patologia. Portanto, não há
como desconhecer o papel relevante desta profissão que, cada vez mais, tem
contribuído para a integração entre criança e instituições onde a aprendizagem
é o centro e que por razões diversas estão desarticulados. Hoje é evidente o
educacional brasileira.
A Psicopedagogia é um campo de conhecimento e atuação em Saúde e
Educação, enquanto prática clínica tem-se transformado em campo de estudos
para investigadores interessados no processo de construção do conhecimento
preventiva, busca construir uma relação saudável com o conhecimento, de
modo a facilitar a sua construção.
Deste modo, fala-se de uma psicopedagogia institucional propondo uma
atuação preventiva dentro da instituição escolar, objetivando instrumentalizar a
criança como um todo. Fala-se, ainda, de uma orientação psicopedagógica e, a
promovem o desenvolvimento do individuo.
A Psicopedagogia lembra KIGUEL (1983), encontra-se em fase de
organização de um corpo teórico específico, visando à integração das Ciências
Humanas e Biológicas tais como Pedagogia, Psicologia, Neurologia, entre
outras para um entendimento mais global da aprendizagem humana.
No que diz respeito à Pedagogia, a relação que se pode estabelecer
com a Psicopedagogia, é que ela representa uma das colunas de sustentação
do emergente campo de conhecimento, assim como igual importância, tem a
Psicologia e outras áreas de conhecimento que o permeiam.
compreensão e atendimento às pessoas com dificuldades e distúrbios de
aprendizagem e ao longo de sua estruturação, veio e vêm adquirindo novas
perspectivas. O psicopedagogo deve desenvolver sua ação, mas sempre se
retratando as teorias, englobando vários campos de conhecimentos.
Como já havia ocorrido em outras universidades, temos como exemplo,
à implantação do Curso de Especialização em Educação e Psicopedagogia da
Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica (Puc-Campinas)
que vem ao encontro da Educação Continuada do Pedagogo e de outros
profissionais ligados à área da educação.
De modo geral, a ênfase do Curso em Psicopedagogia era nas causas
de origem das dificuldades de aprendizagem e no desenvolvimento de técnicas
de trabalho voltadas para a educação e reeducação.
Os primeiros cursos formais de Psicopedagogia foram chamados de:
Psicopedagógica;
Escolares; A criança-problema numa sala de aula, entre outros. As cidades de
São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, foram as primeiras cidades a
oferecem esses cursos.
Na prática, o que faz hoje um psicopedagogo? Como ele trabalha? O
que é ser Psicopedagogo no Brasil? Quem são os profissionais que buscam a
profissão de Psicopedagogo?
Atualmente no Brasil, exceto raras exceções, a formação é realizada em
início do século XXI, além dos
de 120 Cursos
Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia, existem também no Brasil:
um curso superior de curta duração, dois anos, na Universidade
Estácio de Sá, Rio de Janeiro;
um mestrado em Psicopedagogia, com duração de dezoito a vinte
e quatro meses, iniciado em 1999 na Universidade de Santo
Amaro em São Paulo;
o 1º Curso de Pós-Graduação Strictu Senso em Psicopedagogia,
na Universidade de São Marcos, São Paulo teve origem em 1985;
Humanas na Universidade de Santo Amaro, iniciado em 2001,
com duração de três a quatro anos na capital do Estado de São
Psicopedagogia na Argentina, constatamos no Brasil a buscar pela autonomia
desta área de conhecimento, ainda que sem delimitar cientificamente seu objeto
de estudo, aprendizagem humana.
especialização no Brasil. Apenas a partir de 2005, três cursos de graduação
passaram a ser oferecido nos Estados do Rio Grande do Sul e um em São
O curso de Graduação em Psicopedagogia, da Faculdade de Educação,
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, implantado em 2002,
foi reconhecido em 11 de junho de 2007, pela portaria n o 519, tendo como base
legal o decreto n o 5.773, de 09 de maio de 2006, e o Parecer CNE/CES n o
22/2007, homologado por ato publico.
De um lado temos a regulamentação do curso de graduação em
psicopedagogia no Rio Grande do Sul, e por outro lado temos o Projeto de Lei
3.124/97 do Deputado Barbosa Neto que prevê a regulamentação da profissão
de Psicopedagogo e que cria o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de
Psicopedagogia ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados em
Brasília na Comissão de Constituição, Justiça e Redação. Este projeto propõe
que a regulamentação da profissão ocorra em nível de especialização. O
projeto apesar de aprovado na Comissão do Trabalho e na Comissão de
Educação, Cultura e Desporto, encontra-se na comissão de Constituição e
Justiça e de Redação, aguardando para entrar em plenário para discussão.
Assim temos que o Projeto Lei de n o . 3124/97 encontra-se na Câmara dos
Deputados há quatro anos.
Rubinstein (2001), que foi a representante do Sindicato dos Pedagogos
na Câmara dos Deputados, por ocasião da discussão sobre a aprovação da
profissão, apresenta em seu depoimento a respeito da regulamentação da
profissão do Psicopedagogo, que
Exerço a profissão de Psicopedagoga há mais de vinte anos. Especializei-me em Psicopedagogia no primeiro curso de São Paulo, no Instituto Sedes Sapientiae. Minha formação primeira foi em Pedagogia, mas foi a partir da formação em Psicopedagogia, formação esta continuada – continuo em formação –, que pude efetivamente exercer esta profissão. (p. 9)
Sabemos que a orientação educacional tem sua formação em nível de
Graduação, no curso de Pedagogia. Muitas vezes encontramos na escola, tanto
o psicopedagogo como o orientador educacional. E aí fica uma dúvida: a quem
Psicopedagogia seria um apoio?
uma melhor execução de sua tarefa? A
De acordo com Nívea Maria C. de Fabrício, psicopedagoga e ex-
presidente da ABPp, na entrevista 14 concedida pela Psicopedagogia On Line,
uma das respostas obtida pela interlocutora foi
Minha habilitação é na área de orientação educacional. Faço psicopedagogia exatamente para complementar essa formação. Não são espaços distintos, ao contrário, são campos complementares. Mas da mesma forma que a psicopedagogia luta pelo reconhecimento, o mesmo se dá na área de orientação, pois somente escolas particulares têm.
legitimidade recente com a promulgação das diretrizes curriculares para o curso
de Pedagogia. Por outro lado, não significa dizer que os questionamentos sobre
o seu papel profissional no âmbito institucional tenham sido equacionados. Pelo
contrário, a partir da sua própria atuação, cabe ao orientador educacional
contribuir nas mudanças educativas que se processam atualmente, em um
campo de trabalho que lhe é próprio.
Conforme Pascoal (1998), uma necessidade básica para atuação do
Orientador é ter conhecimento sobre o ensinar e o aprender. Ela afirma que
14 Confira www.psicopedagogia.com.br.entrevistas/entrevista.asp?entrID=28.
É necessário que o orientador esteja sempre revendo suas práticas convencionais de forma crítica e cuidando para que seus conhecimentos não fiquem ultrapassados e descontextualizados. Ao mesmo tempo é preciso adquirir discernimento entre problemas psicológicos e problemas pedagógicos. (p.34-35)
O conhecimento psicopedagógico não se sustenta sem prática, e esta
demanda uma formação pessoal específica. Esta articulação já vinha sendo
construída,
psicopedagogos para uma associação de caráter nacional de psicopedagogia
que difundiu pelo Brasil afora um enfoque mais abrangente para a formação
profissional do psicopedagogo.
Hoje em dia existem várias prefeituras contratando profissionais que
tenham especialização em Psicopedagogia como é o caso da Prefeitura de
Ourinhos em São Paulo e Londrina, no Paraná. Este fato confirma que, a partir
da criação do órgão de classe, a Associação Brasileira de Psicopedagogos, a
acadêmicos e reconhecimento público e oficial.
Se na origem da trajetória profissional do psicopedagogo o destaque
estava nas técnicas, existia também preocupação com as teorias que melhor
pudesse explicar o caso dos problemas de aprendizagem.
A psicopedagogia nasceu de uma falta; fez-se necessário apresentar
melhores recursos teóricos e práticos para habilitar profissionais ligados à área
da educação que já atendiam a criança com insucesso na escola.
Na entrevista 15 de Neide de Aquino Noffs, Coordenadora do Curso de
Psicopedagogia da PUC/SP, Presidente da ABPP na gestão 95-96/97-98,
concedida ao Portal da Educação e Saúde Mental, ela afirma que
15 www.psicopedagogia.com.br/entrevista/entrevista.asp?entrID=9.
Várias escolas preferem profissionais formados em psicopedagogia. Legalizar esta profissão amplia o mercado de trabalho para pedagogos e psicólogos que convivem harmoniosamente no momento da formação. Não aceito os argumentos que o fazer psicopedagógico deveria acontecer naturalmente na ação dos professores. Lido com eles há mais de 30 anos, e este conhecimentos não fragmentados, ainda não chegou com esta força, pois a tendência é psicologizar ou pedagogizar. Há no Brasil por volta de 20.000 profissionais em efetivo exercício, deixemos que a sociedade decida a quem recorrer em caso de assuntos envolvendo a aprendizagem.
Todavia, no princípio a capacitação desses profissionais acontecia fora
do marco acadêmico, aos poucos foram sendo criados cursos mais densos,
alguns por iniciativa particular. De tal modo que a formação, aos poucos, de
início era realizada dentro dos cursos de especialização e hoje já se encontra
na graduação e no mestrado dentro das instituições universitárias.
Embora identifiquemos a Psicopedagogia, enquanto área de atuação
preocupada com a questão da aprendizagem humana sabemos que muitos são
os estilos dos psicopedagogos, uma vez que cada um os constrói a partir de
sua singularidade, a qual produz as diferentes escolhas pelos modelos e
referencias teóricos.
Entende-se que há uma intensa relação entre aspectos teóricos, à
formação profissional e a práxis psicopedagógica, quer dizer, como uma
prática, como um campo de investigação do ato de aprender e como um saber
Atualmente, os psicopedagogos estão expandindo seu olhar e seu
campo de atuação. Eles estão presentes onde se faz necessário aprender a
aprender, nas mais diferentes instituições, como, por exemplo, empresas ou
hospitais. O reconhecimento tem advindo pela contribuição e pelos efeitos da
práxis psicopedagógica.
O psicopedagogo é o profissional proveniente de diferentes graduações:
Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, Letras, dentre outras, que através de
aprendizagem e da sua prática educativa, ou seja, busca sair da mesmice de
uma práxis, na procura de uma identidade própria.
Na prática, o psicopedagogo tem como referência, papéis ostentados
tanto pelo psicólogo no que diz respeito à atuação clínica, como do pedagogo,
no trabalho com aprendizagem. Isto acontece porque foi através
especificidade própria.
A construção da identidade da Psicopedagogia vem com o tempo, com a
experiência dos profissionais, com a discussão e pesquisa científica entre os
pares, com a pesquisa e, principalmente, com a consciência profissional
advinda de uma coletividade, como já constituída pela ABPp, um órgão de
classe forte e unido.
Segundo Stroili (2001)
A psicopedagogia, no Brasil, conta desde 1980 com a ABPp
(Associação Brasileira de psicopedagogia) que congrega profissionais
área. Propõe-se a uma atuação científico-cultural, e pela ausência
um Sindicato, para sua representação política desses profissionais,
esta também tem assumido papel político, em especial frente à questão da legalização da profissão. (p.15)
A construção do esboço histórico da Psicopedagogia se dá a partir do
papel desempenhado pelos profissionais, estabelecendo-se em uma nova
cristalizadas. Sendo assim, o processo de institucionalização leva à legitimação:
a partir da práxis no seu dia-a-dia.
A legitimação da Psicopedagogia enquanto práxis e do Psicopedagogo
enquanto profissional, já foi alcançada. Entretanto, o processo de instituição
exige regulamentação, ou seja, uma forma pela qual pode ser esclarecido e
justificado. Diante disto podemos constatar que a legitimação já foi encontrada
no próprio bojo da comunidade que a instituiu, a partir da construção da sua
história por meio da práxis dia a dia.
Podemos perceber o movimento de legitimação desde a criação da
ABPp, das seções da Associação em outros estados do país, até mesmo o
Estado de São Paulo conta com a ABPp - Seção São Paulo desde 2003, da
constituição de seu estatuto, do código de ética, ambos redigidos pela ABPp e,
Psicopedagogia, no Brasil, temos que ela vem ocorrendo em caráter regular e
oficial, desde a década de setenta em instituições universitárias. Esta formação
se dá através de cursos de Pós-Graduação Lato Senso e Stricto Senso. Nos
casos dos cursos lato senso eles possuem carga horária de 360 horas a 720hs,
regulamentado pelo Ministério da Educação (MEC). Atualmente existem cursos
de Psicopedagogia nos estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal,
Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande
do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe.
Psicopedagogia é de iniciativa e responsabilidade da própria equipe que estará
à frente do programa dentro de cada instituição de ensino superior.
Como a profissão de psicopedagogos não é regulamentada a ABPp não
pode fiscalizar cursos voltados para a área de Psicopedagogia. Contudo, a
cadastramento, bem como, elaborou as diretrizes norteadoras do curso de
Psicopedagogia em nível de Pós-Graduação (ver em Anexo II).
É preciso agora oficializar através de leis o que já está legitimado pela
práxis psicopedagógica no contexto educacional brasileiro.
Pretende-se apresentar alguns movimentos na direção da oficialização e
educação. Neste sentido já temos a Lei n o 2277, de 11 de novembro de 2004
que implantou a assistência psicopedagógica nas escolas da rede Municipal de
Santos e a Lei estadual 10.891, promulgada pela Assembléia Legislativa do
psicopedagógica a rede Municipal de Ensino, como já acontece na Prefeitura
de Ourinhos, que abriu inscrições para oito vagas de psicopedagogos no Edital
de Concurso Público n o 02/07.
Qual a situação atual no que se refere ao reconhecimento legal da
profissão de psicopedagogia no Brasil?
Em 1997, o Deputado Federal Barbosa Neto do Partido do Movimento
Democrático Brasileiro eleito pelo Estado de Goiás (PMDB/GO) apresentou o
Projeto de Lei n o 3124, que visa regulamentar a profissão de psicopedagogo.
Este projeto já foi aprovado nas Comissões de Trabalho e educação. No
momento, está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça da câmara
(PMDB/RS).
problemática: atualmente a maior tendência do curso de formação profissional
do psicopedagogo é de especialização, e a população é proveniente de várias
áreas de formação acadêmica. Entretanto, em 2007, foi legalizado pela Portaria
n o 519, o Curso de Graduação em psicopedagogia, da Faculdade de Educação,
da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, garantindo uma
formação sólida, para que este profissional possa atuar em diversos extratos da
privilegiando a caráter ético, em todas as instâncias, de modo que
este seja um dos princípios norteadores básicos da ação humana, que neste
caso refere-se ao objeto da psicopedagogia – a aprendizagem humana.
Esses fatos, aliados ao contexto global explicam a importância crescente
perspectiva globalizadora condizente com os rumos da aprendizagem na
atualidade. Ela ocupa um lugar privilegiado porque justamente não está em um
único lugar, sua força está justamente localizada no poder de transitar pelas
fendas, pelos espaços entre objetividade/subjetividade – ensinante/aprendente.
De acordo com CIAMPA (1998), num primeiro momento somos levados
a ver a identidade como um traço estatístico que define o ser. Como algo que
aparece isoladamente, imutável, estático.
A partir dessas considerações, penso que a Construção da Identidade é
uma questão de aprendizagem. Precisamos sempre nos perguntar quem
queremos ser a partir da possibilidade de aprender. Quando perguntamos
quem queremos ser, essa pergunta sem uma resposta prévia, pode nos
assustar. Entretanto, como futuros profissionais psicopedagogos, não podemos
nos esquecer que a força da Psicopedagogia é justamente poder perguntar
sobre seu próprio objeto, porque a Psicopedagogia trata do aprender e
aprender implica perguntar e perguntar-se.
Parece então necessário que a Psicopedagogia como outra área de
conhecimento ligada com a subjetividade do “Ser – Humano” esteja sempre
aberta para perguntar sobre sua identidade, considerando os conhecimentos
adquiridos, o presente e o futuro, enfim, o desejo de se transformar, de
continuar crescendo.
Concordamos com Stroili (2005), quando diz que reconhecer e trabalhar
com a diversidade na escola, compreender que os diferentes grupos e todos os
sujeitos envolvido na práxis psicopedagógica, carregam consigo seu saber,
seus valores, suas vivências culturais e expectativas, parece ser o grande
desafio para o psicopedagogo.
Assim, esta pesquisa pode ter um alcance social relevante, uma vez que
a atuação do psicopedagogo contribui para a superação do fracasso escolar,
tão presente em nossa sociedade brasileira.
Apresentamos neste capítulo os diferentes momentos da trajetória da
psicopedagogos. Esses registros foram obtidos através de pesquisa no site da
psicopedagogia on line e da Associação Brasileira de Psicopedagogia 16 , bem
como através da realização de estudo bibliográfico.
profissionais/psicopedagogos estava apoiada numa visão orgânica do processo
Assim, segundo Masini (2006)
Nessa primeira etapa da história da Psicopedagogia, todo o diagnostico recaia sobre a criança, o que significava que nela estava o problema, sendo então encaminhada para atendimento especializado. Esse enfoque de diagnóstico, prescrição e tratamento, envolvendo prognóstico, trazia implícita uma concepção de que o fim da educação era de adaptar o homem à sociedade. (p. 249)
voltados para os problemas de aprendizagem.
Também, nesta ocasião, os primeiros psicopedagogos consistiam em
profissionais da educação, cuja prática visava reintegrar o aprendiz que estava
Na obra Aprender a Ser, a autora argentina, Marina Müller (1986) aborda
sobre os princípios da psicopedagogia clínica. Ela explica que
El campo actual de la psicopedagogia es reconecer la sinuosa historia de las ideas acerca del aprendizaje, del conocimiento y sus vicisitudes, de quién es y a qué se dedica una psicopedagoga o un psicopedagogo, quién es un niño, una niña, un adolescente, un adulto que conocen y aprenden, qué es aprender y qué es un problema de aprendizaje, qué es la salud psíquica en cuanto a conocer, pensar y aprender, para qué sirve la escuela, qué es enseñar, cómo se aprende y se enseña en contextos escolares, cotidianos y laborales,
16 www.abpp.com.br
qué es el conocimiento, qué es el saber, qué lógicas sigue la construcción del sentido. (p.48)
Sendo assim, na Argentina, o campo de atuação do psicopedagogo é
dificuldades, problema de aprendizagem, no desenvolvimento integral dos
Psicopedagogia, Mônica Hoehne Mendes, psicopedagoga paulista, afirma que:
Quando a Psicopedagogia nasceu aqui em São Paulo, voltada principalmente para atender os distúrbios das áreas da leitura, escrita e da psicomotricidade, estas dificuldades eram entendidas como dificuldades especificas e voltadas para a dislexia especifica de evolução. A porta de entrada da Psicopedagogia parece ter sido a abordagem organicista, em que o orgânico assume grande importância sobre os distúrbios de aprendizagem.
Posteriormente, constamos uma nova identidade institucional, ou seja, a
abordagem organicista, mas também, os fatores cognitivos e emocionais do
desenvolvimento do sujeito cognoscente.
Em entrevista concedida a Psicopedagogia On Line 18 a pedagoga Laura
Monte Serrat Barbosa 19 aborda a evolução da psicopedagogia ao longo destes
20 anos de prática. Ela comenta que
a Psicopedagogia teve uma evolução invejável, nestes 20 anos, pois partiu de uma preocupação com um aspecto específico da questão da aprendizagem (a dificuldade de aprendizagem) e hoje estuda o ser cognoscente como um ser inteiro, mergulhado em um contexto, com possibilidades de aprendizagem em vários âmbitos da sociedade.
A presença de psicopedagogos argentinos tem um papel marcante nesta
17 Idem ao 16
18 Confira www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=30
Pedagoga pela Universidade Católica do Paraná e Especialista em Psicopedagogia Escolar e da Aprendizagem.
Psicopedagogia, devido o surgimento de cursos de especialização nesta área
com propostas mais objetivas e conhecimentos mais sistematizados.
Na entrevista 20 concedida a Psicopedagogia On Line, Maria Cecília
Castro Gasparian, psicopedagoga e professora de Psicopedagogia na Pontífica
Universidade Católica de São Paulo, fala sobre a psicopedagogia institucional
enfatizando que
Em trabalhos psicopedagógicos muito recente e em algumas monografias que foram apresentadas no Encontro Cultural patrocinado pala Associação Brasileira de Psicopedagogia em São Paulo notou-se uma tendência a novas possibilidades de atuação em Psicopedagogia. São trabalhos que apontam para uma nova abordagem sistêmica. Tem também os trabalhos de Alicia Fernádez e Sara Paín, quando falam que o individuo é organismo, desejo e corpo, embora elas não se intitulem sistêmicas. Pois, quem pensa sistematicamente, não trabalha com erros, trabalha com situações no máximo inadequadas. Como a vida é processo, tudo é válido.
Atualmente, na Argentina, a atuação psicopedagógica está voltada para
o trabalho multidisciplinar institucionalizado tanto na escola quanto no hospital.
Enquanto, na psicopedagogia brasileira, apesar de se discutir a respeito deste
trabalho multidisciplinar, pouco se vê desta atuação.
No artigo “La psicopedagogía: sus vinculaciones históricas con otros
saberes y su posición actual. Un debate necesario”, a autora Patricia S. Arias,
La psicopedagogía desde hace décadas ha ido configurando gradualmente sus campos de intervención, se ha instalado en el imaginario social, forma profesionales en institutos terciarios y universitarios, es objeto de demandas cada vez más diversas. (2007,
Beauclair 21 ,
Conferencista e Palestrante sobre temais educacionais e psicopedagógicos em
20 www.psicopedagogia.com.br/entrevista/entrevista.asp?entrID=10
21 Confira
<www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=98
Psicopedagogia Clínica e Institucional da Fundação Aprender (Varginha/MG)
Talvez o trabalho multidisciplinar institucionalizado ainda não seja prática comum nem mesmo em outros países, com raras exceções, evidentemente. O paradigma cartesiano-positivista ainda é o grande entrave a ser superado para que se possa pensar em um outro modo de fazer ciência e cuidar das pessoas. È necessário um processo longo, a ser vivenciado ainda por um bom tempo como desafio a ser superado. O modelo argentino de Psicopedagogia, com o trabalho multidisciplinar em escolas e hospitais também teve sua trajetória de luta, como em muitos momentos nos apontaram Jorge Visca e Alicia Fernádez. Realmente em nosso país, esta atuação ainda é restrita de fato. E um ponto essencial para tal é a regulamentação da profissão:
esta questão é primordial para o avançar da profissionalidade do psicopedagogo. A meu ver, é um processo muito rico a ser vivido por todos nós psicoipedagogos.
Com a criação da ABPp e sua luta para que a psicopedagogia seja
legitimada como profissão, que se estende até hoje, inicia-se um momento
diferente. É neste período que as discussões entre os profissionais desta
psicopedagogia e os grupos referenciais (psicólogos e pedagogos), se instalam
a partir da preocupação com espaço dentro do mercado de trabalho.
Em 2000, Elcie F. S. Masini e Maria Lucia M. C. Vasconcellos, eram
coordenadoras da Universidade Mackenzie, numa entrevista 22 realizada pela
Psicopedagogia On Line sobre o atual panorama dos cursos de pós-graduação,
elas contam que:
O curso de Pós-Graduação Lato Sensu não é tão influenciado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), mas sim pelo mercado de trabalho e pela própria dinâmica da sociedade. A idéia básica de nosso curso é a de preparar o psicopedagogo num enfoque preventivo, ou seja, voltado para as condições de aprendizagem. Em geral Cursos de Pedagogia e de Psicologia estuda-se teorias da aprendizagem, ou a aplicação das teorias de aprendizagem, ou pesquisas verificando a aplicação de uma certa teoria, mas permanece uma lacuna: a de acompanhar o aluno enquanto aprendendo. È o conhecimento sobre e o acompanhamento do ATO DE APRENDER que priorizamos e consideramos importante na formação do psicopedagogo.
22 www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=22
Todavia, este estudo nos confirma a importância do psicopedagogo nos
diferentes contextos em que a aprendizagem se constitua em eixo norteador.
De acordo com Müller (1986) temos que
A cada psicopedagogo como tal, e o conjunto deles como profissão, elaborar uma imagem do que é a Psicopedagogia, pela definição de sua própria identidade ocupacional em conexão com a tarefa, com seus êxitos e dificuldades. A identidade profissional deve ser elaborada através de uma contribuição intencional e institucionalizada. Não podemos prescindir, em nossa tarefa, nem das atividades de aprendizagem que cada psicopedagogo realiza, em especial com respeito a seu próprio campo profissional. (p. 53)
Outro aspecto importante é que, ao invés do curso estar voltado para
área clínica, às instituições deveriam formar o psicopedagogo tanto para
atuação institucional, quanto clínica considerando a vivência nos respectivos
Para Masini (2006), os cursos de psicopedagogia deveriam ter uma
orientação teórico-prático. Ela aponta que
Os cursos necessitam ter um currículo composto de aulas teóricas e estágios supervisionados, que constituam um espaço de discussão e reflexão teórica sobre a prática, para que o psicopedagogo saiba, de forma cientificamente fundamentada, o porquê utilizar um ou outro recurso para o aluno com que esta lidando. (p. 257)
Psicopedagogia na Argentina, conduzimos esta pesquisa para a identificação
de alguns entraves presentes em sua trajetória, como por exemplo, seu campo
de atuação psicopedagógica.
Encontramos em Arias (2007), uma proposta a respeito ao futuro da
Psicopedagogia Argentina. Ela considera
La psicopedagogia como um conjunto de prácticas institucionalizadas de intervención em diversos campos em los que el aprendizaje humano. De ellos pondré en un lugar privilegiado al campo escolar; sostento está afirmación ya que tanto en los orígenes como en el posterior desarrollo de sus prácticas, el sujeto en su posición de alumno y las múltiples intersecciones que desde ese lugar se
producen, ha sido el gran protagonista del acto psicopedagógico. (p.

References: artigo 34
 artigo 8

Artigo 4
 Artigo 6
 Artigo 7

Artigo 10

Artigo 11

Artigo 15
 Artigo 16
 Artigo 17

Artigo 18
 artigo 12