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Timestamp: 2019-04-25 09:04:12+00:00

Document:
Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF-3 - RECURSO INOMINADO : RI 00028198120154036201 MS
Tribunal Regional Federal da 3ª Região TRF-3 - RECURSO INOMINADO : RI 00028198120154036201 MS - Inteiro Teor
TERMO Nr: 9201013338/2018
PROCESSO Nr: 0002819-81.2015.4.03.6201 AUTUADO EM 15/05/2015
RECTE: JOAO VICENTE ALVES
ADVOGADO (A)/DEFENSOR (A) PÚBLICO (A): MS016213 - FELIPE DE MORAES GONÇALVES MENDES
DISTRIBUIÇÃO ORDINÁRIA POR SORTEIO ELETRÔNICO EM 16/08/2016 13:44:39
O artigo 40, § 4º, da Constituição Federal, em sua redação original, assegurava aos aposentados do serviço público reajuste de seus proventos de aposentadoria pelos mesmos critérios adotados para os servidores ativos – o que se convencionou denominar de direito ou regra de paridade.
Esse direito permaneceu assegurado pela Emenda Constitucional n. 20/98, que o realocou no § 8º do mesmo artigo 40 da Constituição Federal.
A Emenda Constitucional n. 41/2003, contudo, ao alterar a redação do § 8º do artigo 40 da Constituição Federal, revogou o denominado direito de paridade dos servidores aposentados com os servidores ativos, para assegurar apenas direito a reajuste dos benefícios para garantir, em caráter permanente, o valor real, de acordo com critérios definidos em lei.
Não obstante a revogação, a Emenda Constitucional n. 41/2003, em seu artigo 7º, assegurou o direito de paridade aos que já haviam se aposentado ou que tinham direito ao benefício de aposentadoria ou pensão na data do início de sua vigência. Veja o texto:
Emenda Constitucional n. 41/2003
De seu turno, a Emenda Constitucional n. 47/2005 assegurou o mesmo direito àqueles que se aposentaram na forma do artigo 6º da Emenda Constitucional n. 41/2003 ou na forma do artigo 3º da própria Emenda n. 45, consoante expresso em seus artigos 2º e 3º, parágrafo único.
Pacificou-se na jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal que se incluem entre os benefícios ou vantagens concedidos aos servidores em atividade todas as gratificações que, a despeito de estarem vinculadas à produtividade na lei, são pagas de maneira geral e por igual a todos os servidores ativos, sem aferição efetiva da produtividade. São exemplos dessa jurisprudência a Súmula Vinculante n. 20, que trata da gratificação denominada GDATA (Lei n. 10.404/2002), e o julgado do Recurso Extraordinário n. 572.052, cuja ementa tem o seguinte teor:
RE 572.052 – STF – Pleno – DJe 17/04/2009 RELATOR:MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI EMENTA: […]
A Gratificação de Atividade de Combate e Controle de Endemias (GACEN), instituída pela Lei n. 11.784/2008, tem natureza de gratificação de atividade: não tem natureza indenizatória. Com efeito, não é devida para ressarcimento de despesas do servidor em razão do desempenho de suas funções, mas, sim, em razão do próprio desempenho da atividade, consoante conformação legal da aludida gratificação contida no artigo 55 da Lei n. 11.784/2008.
Dessa forma, a GACEN: i) é gratificação desvinculada da efetiva produtividade dos servidores ativos que ocupam os cargos e desempenham as atividades especificadas no artigo 54 da Lei n. 11.784/2008; ii) é paga aos aposentados que ocupavam aqueles mesmos cargos e que tenham os benefícios concedidos até 19/02/2004, ou com fundamento nos artigos 3º e 6º da Emenda Constitucional n. 41/2003 ou no artigo 3º da Emenda Constitucional n. 47/2005. No entanto, aos aposentados e pensionistas é paga em valor inferior aos servidores ativos, no percentual de 50% do valor pago aos servidores ativos, a partir de 1º de janeiro de 2009, tendo sido paga no percentual de 40% no ano de 2008, aos aposentados que ocupavam cargos que a ela têm direito.
Logo, a GACEN não poderia ser paga ao (à) recorrente em percentual do valor que é pago aos servidores ativos que a ela têm direito, como determinado no artigo 55, § 3º, inciso II, alínea a, da Lei n. 11.784/2008. Referido dispositivo padece de inconstitucionalidade no que determina pagamento reduzido da gratificação em comento aos servidores inativos e pensionistas com direito de paridade com os servidores ativos, por estar em confronto com o disposto no artigo 7º da Emenda Constitucional n. 41/2003 e com o artigo 3º, parágrafo único, da Emenda Constitucional n. 47/2005.
Importa registrar que o acolhimento do pedido, demais disso, não viola a iniciativa privativa do Presidente da República na matéria, tampouco a necessidade de previsão orçamentária para seu pagamento, nem há criação de vantagem não prevista em lei ou extensão de pagamento de verba remuneratória com fundamento na isonomia. Ora, a GACEN tem previsão legal e o direito de paridade, nos termos do artigo 7º da Emenda Constitucional n. 41/2003 e do artigo 3º, parágrafo único, da Emenda Constitucional n. 47/2005, é consagrado constitucionalmente, autoaplicável, de eficácia plena, de maneira que não pode ser contido, muito menos esvaziado, pela legislação infraconstitucional.
O recorrente, portanto, tem direito ao pagamento da GACEN de acordo com o valor pago aos servidores ativos, porquanto se aposentou com direito de paridade, previsto no artigo 7º da Emenda Constitucional n. 41/2003 e no artigo 3º da Emenda Constitucional n. 47/2005, conforme documentos acostados aos autos.
Saliente-se, por fim, que a Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais reiterou, em recentíssimo julgado, entendimento já consolidado daquele colegiado, no sentido aqui externado:
Trata-se de agravo interposto contra decisão que inadmitiu o incidente de uniformização nacional suscitado pela FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE - FUNASA, pretendendo a reforma de acórdão da Turma Recursal de origem, em que se discute a possibilidade de pagamento da Gratificação de Atividade de Controle e Combate de Endemias (GACEN) a servidor inativo, considerando a paridade do valor pago a servidor em atividade. Sustenta a parte requerente divergência do acórdão recorrido com o entendimento da Turma Recursal dos Juizados Federai...
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References: artigo 40
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 artigo 7
 artigo 6
 artigo 3
 artigo 55
 artigo 54
 artigo 3
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 artigo 7
 artigo 3
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 artigo 3
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