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Timestamp: 2020-02-20 07:14:59+00:00

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Modelo de Petição: Direito Civil e Processual Civil – Petição Inicial – Ação Civil Pública – Ação civil pública em face de concessionária de transporte, com o fito de cessar a cobrança de pedágio pelo período de não execução de obras.
Ação civil pública em face de concessionária de transporte, com o fito de cessar a cobrança de pedágio pelo período de não execução de obras.
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE ….., através do Promotor de Justiça do Consumidor desta Comarca, ao final subscrito, com fundamento no artigo 127, caput, c.c. o artigo 129, inciso III, da Constituição Federal, c.c. o artigo 25, inciso IV, alínea “a”, da Lei Orgânica Federal nº 8.625/93, c.c. o artigo 103, inciso VIII, da Lei Orgânica Estadual nº 734/93, c.c. os artigos 5º, caput, e 12, da Lei Federal nº 7.347/85, sob o rito ordinário previsto nos artigos 282 e seguintes, do Código de Processo Civil, vem propor a presente
D.E.R. – DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM, pessoa jurídica de direito público interno, com sede na ….., da ….., pessoa jurídica de direito privado, com sede na ….., e da FAZENDA DO ESTADO DE …., pessoa jurídica de direito público interno, com sede na Rua ….., pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas.
…… (Concessionária), criada pelo consórcio de empresas privadas de engenharia que participaram da concorrência pública nº ….., realizada pelo Governo do Estado de ….. (Poder Concedente), através do Departamento de Estradas de Rodagem – D.E.R. (Contratante), teve para si adjudicado o objeto da licitação, mediante concessão, do sistema rodoviário constituído pelo lote …..
Em ….., o D.E.R. (contratante) e a ….. (concessionária) assinaram o termo de contrato de concessão rodoviária (fls. ….. do inquérito civil ….. em anexo, com quatro volumes – todas as referências de páginas serão relativas à numeração original do referido inquérito civil), através do qual a concessionária obteve o direito de, por 240 (duzentos e quarenta) meses, explorar o sistema rodoviário aludido (cláusula …..ª do contrato), obrigando-se a conservá-lo e a realizar várias obras. Em contrapartida, a concessionária poderia cobrar pedágio ao longo da malha rodoviária mencionada, sendo que reajustes de preços tem que ser homologados pelo Poder Concedente, sendo que este pode modificar estes valores unilateralmente (cláusulas ….. do contrato). Já ao Contratante (D.E.R.) cabe a obrigação de fiscalização do cumprimento do contrato.
A concessionária obrigou-se a pagar ao contratante (D.E.R.) pela delegação do serviço público de exploração desse sistema rodoviário, o seguinte preço:
Certo e lógico que o Juízo desta Comarca não tem competência para conhecer de eventual questionamento sobre obras e postos de pedágios que estão localizados em outras circunscrições territoriais. Portanto nos limitamos à malha rodoviária dentro desta Comarca, a saber: …..
Neste trecho da rodovia está implantado um posto de pedágio no km. ….., cuja tarifa unidirecional é de R$ ….. (fls. ….). Este posto de pedágio foi criado com base no contrato e visa a arrecadação por parte da concessionária, com a cobrança da tarifa de pedágio dos usuários.
Ocorre que várias obras previstas no contrato não foram realizadas, ou não foram iniciadas na data determinada na Rodovia….., conforme previsto no anexo …..
Como já dito, a concessionária obrigou-se, pelo contrato, a realizar as obras acima e a manutenção da rodovia em troca da concessão de exploração desta, por meio da praça de pedágio construída em …… Anotamos novamente que neste feito somente estamos discutindo a área dentro desta Comarca.
Ao não efetuar obras previstas no contrato, a concessionária …..descumpriu suas obrigações contratuais. No caso em tela houve o descumprimento de uma obrigação de fazer.
Ressaltamos, também, que a Concessionária tem a obrigação de prestar serviço adequado (art. 175, § único, IV, da CF, art. 6º, “Caput”, da Lei nº 8.987/95, arts. 22 e 24 do Código de Proteção do Consumidor, e arts. 16º, I, e 18º, I, da Lei Estadual nº 7.835/92), sendo considerado como tal aquele que satisfaz as condições de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, e cortesia, incluindo-se no conceito de atualidade a modernidade técnica, bem como a melhoria e expansão do serviço ( art. 6º , § 1º e § 2º, da Lei nº 8.987/95 e art. 22 do CDC).
O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 84 prevê:
§ 4º O juiz poderá, na hipótese do § 3º ou na sentença, impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito (grifos nossos).
Assim temos que a concessionária …. tem a obrigação de fazer as obras previstas no contrato, bem como não pode exigir o implemento da obrigação de contrapartida antes de cumprida a sua, ou seja, não tem o direito de exigir a cobrança da tarifa de pedágio sem que tenha cumprido sua parte no contrato.
Em face de tudo o quanto se expôs, é possível o ajuizamento da presente ação civil pública, visando a obrigar a Concessionária a realizar as obras e serviços previstos no Contrato de Concessão, dentro de prazo fixado pelo Juiz, sob pena de multa diária, e após este prazo, não sendo realizadas as obras, que sejam obrigadas, todas as rés, a não mais cobrar o pedágio instituído na nova Praça …..
Na hipótese dos autos, de rodovia privatizada, a ação é proposta em face não só da Concessionária, como também da Fazenda do Estado (Poder Concedente), com atribuições de fixar e autorizar o aumento do pedágio, e do DER, que figura nos Contratos de Concessão como Contratante, competindo-lhe o dever de fiscalizar a execução dos serviços delegados. Por um lado, tanto o Poder Concedente como o Contratante está sendo omisso em efetivamente aplicar medidas que façam o contrato ser adequadamente cumprido. Por outro, Poder Concedente e Contratante serão afetados, visto que recebem 3% da receita das praças de pedágio.
A Lei nº 7.347/85 estabelece em seu artigo 3º: “a ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”. E, no seu artigo 12: “poderá o juiz conceder mandado liminar, com ou sem justificação prévia, em decisão sujeita a agravo”.
No magistério de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria Andrade Nery, a “justificação prévia pode ou não ser realizada. Preenchidos os pressupostos legais do periculum in mora e do fumus boni juris, deve o juiz conceder a liminar, não havendo necessidade de justificação prévia” (Código de Processo Civil, Revista dos Tribunais, 1.996, pág. 1.431).
A jurisprudência tem reiterado a desnecessidade de ajuizar-se ação cautelar, antecedente de ação principal, para pleitear a liminar, com evidente desperdício de tempo e atividade jurisdicional. O pedido de concessão de liminar poder ser cumulado na petição inicial de ação civil pública de conhecimento. Nesse sentido: RJTJSP- 11/312.
Está claramente demonstrado que a Concessionária ….. tem a obrigação (legal e contratual) de concluir as obras previstas dentro do prazo do contrato. Também está claro que a Concessionária não pode exigir, antes de cumprida sua obrigação, o implemento correspondente, ou seja, o pagamento da tarifa de pedágio pelos consumidores/usuários. Assim, temos como evidente o fumus boni juris.
Quanto ao periculum in mora, este também encontra-se presente no caso em tela. Certamente os consumidores que estão utilizando a Rodovia Faria Lima e pagando o pedágio estão tendo prejuízo, pois pagam para transitar em uma estrada com pistas duplicadas e com obras que melhorariam a segurança (dispositivos de entroncamento, acostamentos pavimentados e no nível da pista e sinalização adequada). O ressarcimento deste dano é de difícil solução individual e o prejuízo é repetido a cada dia, com inúmeros usuários, aumentando drasticamente com o passar do tempo.
Assim, os requisitos para o deferimento da liminar estão presentes.
Desta forma, é necessário que se imponha liminarmente multa diária à Concessionária ….. pelo atraso das obras previstas no contrato (descriminadas no item “dos fatos”), com base no artigo 84, § 4º, do Código de Defesa do Consumidor. Deve ser observado pela concessionária os prazos de início e conclusão das obras previstos no contrato.
Quanto ao valor da multa, observamos que o contrato de concessão fixa uma multa administrativa diária em R$ …..pelos atrasos das obras aqui debatido . A multa aplicada judicialmente não deve ficar abaixo deste valor, pois caso contrário não teria força coercitiva para obrigar a concessionária a cumprir suas obrigações.
a) A concessão de medida liminar, impondo à ré …… a obrigação de regularizar o andamento das obras conforme o cronograma do contrato, no prazo de sessenta dias, sob pena de multa diária, pelos próximos seis meses, no valor de R$ ….., pelo início ou conclusão das obras relacionadas nesta inicial, com atraso. Após este prazo, suspendendo a multa diária, sem a realização de todas as obras atrasadas, que as rés cessem a cobrança de qualquer importância em dinheiro a título de pedágio, na Rodovia ….
b) A citação das rés para que, querendo, contestem a presente ação, oferecendo resposta no prazo legal, sob pena de serem considerados verdadeiros os fatos alegados na petição inicial e de se submeterem aos efeitos da revelia;
c) Seja a presente ação julgada procedente, tornando a liminar em definitiva (condenando-se a ré ….. a obrigação de regularizar o andamento das obras conforme o cronograma do contrato, no prazo de sessenta dias a partir da concessão da liminar ou, não sendo esta concedida, da decisão de mérito), sob pena de multa diária, pelos próximos seis meses, no valor de R$ ….., pelo início ou conclusão das obras relacionadas nesta inicial, com atraso. Após este prazo, sem a realização de todas as obras atrasadas, suspendendo a multa diária, que as rés cessem a cobrança de qualquer importância em dinheiro a título de pedágio, na Rodovia…..
A dispensa do pagamento de custas, emolumentos e outros encargos, à vista do disposto no art. 18 da Lei nº 7.347/85 e art. 87 do Código de Defesa do Consumidor.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente depoimento pessoal das rés, oitiva de testemunhas e juntada de novos documentos, sem prejuízo do mais que eventualmente se fizer necessário à completa elucidação dos fatos articulados.
Palavras-Chaves: Acabamento, Cobrança, Concessionária, DER, Obra, Pedágio, Poder Público, Transporte

References: artigo 127
 artigo 129
 artigo 25
 artigo 103
 artigo 84
 artigo 3
 artigo 12
 artigo 84