Source: http://yudicerandol.blogspot.com/2009/01/
Timestamp: 2017-06-27 00:09:14+00:00

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No caso da Penal Eletrônica, a diferença entre a já existente, que opera produzindo papéis, começa pelo próprio espaço físico, já que a eletrônica não necessita de grandes áreas. Ela precisa de espaço necessário para a instalação dos computadores, nesse caso serão cinco e apenas uma impressora, uma vez que os procedimentos serão transmitidos pro meio eletrônico, com certificação digital. No apoio e coordenação da viabilidade técnica da Vara está a Juíza Tânia Batistelo, que atua na 1ª. Vara de Execução Penal da RMB. Juntamente com técnicos da Secretaria de Informática da Casa, a juíza esteve em João Pessoa, para trocar informações e conhecer melhor o software que está em fase de implantação no TJ da Paraíba, adaptado do modelo de Sergipe, e recomendado pelo Conselho Nacional de Justiça. Todos os procedimentos da nova Vara de Execução Penal, que abrange todo o Estado passam a ser realizados somente através do software, que recebeu dos técnicos daqui, mais alguns recursos adicionais já encontrados no Sistema de Processos de Presos Sentenciados (Sispe). Um deles é a foto digital do apenado, recurso não encontrado no da Paraíba. Outro recurso que ampliou as possibilidades de operacionalização do Sistema é que o operador ao digitar o nome do cidadão e da genitora, todos os processos que a pessoa responde deverá aparecer na tela do computador. A execução penal por meio eletrônico passo a passoA juíza Tânia Batistelo explicou que o processo eletrônico começa como o outro processo convencional. “Os juizes penais de todas as comarcas ao condenar um cidadão enviarão toda a documentação processual ao juiz da Execução para iniciar o cumprimento da pena, só que por meio eletrônico”, informou. A magistrada disse que o processo se não estiver todo ok, poderá ser devolvido ao juiz que condenou, também por meio eletrônico, destacando que a segurança da autenticidade das informações se dará por conta da Certificação Eletrônica, com a assinatura digital dos operadores, “tudo está previsto em lei sobre a certificação eletrônica”, alertou a juíza.
Na tramitação eletrônica, de acordo com a magistrada, o juiz após analisar a documentação vinda de cumprimento da sentença, fará o seu despacho remetendo o processo para manifestação do Ministério Público, Defensoria Pública ou advogados, que atuam no processo. Todos eles serão, previamente, cadastrados para operar com o sistema, além da Superintendência do Sistema Penal (Susipe).Para a juíza Tânia Batistelo a grande vantagem do processo eletrônico será a economia de tempo que será feita, além da economia em papel, tonner, tempo gasto pelo funcionário para localizar no armário um processo. E com isso o juiz terá informação diária da situação do preso, fornecida pelo diretor da casa penal, que poderá remeter ao mesmo tempo as informações ao superintendente do Sistema Penal e ao juiz da vara sobre uma fuga, por exemplo, ou um benefício de progressão de regime ou livramento condicional, e até mesmo uma extinção da pena em razão do término de cumprimento dela, que o preso tenha direito. A juíza informou também que o sistema enviará um alerta à juíza sobre a aplicação dos benefícios. A magistrada lembrou que já remeteu informações à direção administrativa do TJE, e fez a foto digital para a certificação eletrônica. Em relação aos advogados que ainda não possuem a certificação digital haverá um técnico na vara para apoio aos advogados. Sem dúvida, um grande avanço, que chega em boa hora. Pouco a pouco, a burocracia estatal — e particularmente o Judiciário, lembrando que muitos profissionais do Direito são avessos à tecnologia, por não a compreenderem — cede a uma nova racionalização da atividade, possível graças a essas novas tecnologias. Ganha-se em eficiência, sem se perder em segurança. E quem ganha, no caso da execução penal, é o condenado.
Após 6 meses e 6 dias sem pisar numa sala de cinema, eu e minha esposa retornamos ontem, para ver O curioso caso de Benjamin Button, tradução literal do título do mais recente filme de David Fincher (2008). Adaptado de um conto do escritor estadunidense Francis Scott Fitzgerald (1896-1940), o que torna Benjamin Button curioso é o fato de ter nascido velho e rejuvenescer à medida que o tempo passa. Li uma crítica antes de ver o filme, que mencionava algumas inconsistências no roteiro de Eric Roth, e depois tive os meus próprios inconformismos. Minha mentalidade jurídica se inquietou com a total ausência de esclarecimento sobre como poderia uma pessoa viver naquela situação, sem documentos. Se ele saiu do país, foi porque tirou um passaporte e obteve um visto. Mas como poderia fazê-lo se sua aparência discrepava da idade cronológica? Como justificar-se perante as autoridades? Como não ser exposto à curiosidade cruel da sociedade?
Estagiário responde ação por falsificar processoUm estagiário de escritório de advocacia não conseguiu que o Superior Tribunal de Justiça o livrasse da acusação de inserir documento falso em um processo. O estagiário pediu Habeas Corpus ao STJ sem passar pela segunda instância, no caso, o Tribunal de Justiça de São Paulo. Por isso, o ministro Cesar Asfor Rocha, presidente da corte, declarou a incompetência do tribunal para apreciar o pedido.O estagiário é acusado de inserir e protocolar documento adulterado em uma petição. Esse crime é tipificado no artigo 299 do Código Penal. Ele alega que não praticou ato ilegal, que é um simples aprendiz e não tem capacidade postulatória. Também afirmou não ter as mínimas condições de analisar qualquer documento enviado ao fórum.O estagiário explicou que sua atribuição diária é pegar os processos em cima das mesas, assinar em conjunto com o advogado responsável e levar ao fórum competente. Por acreditar que a denúncia poderá prejudicar sua carreira profissional, principalmente em concursos públicos, o estagiário pediu para que figure como testemunha na Ação Penal, e não como réu.Cesar Asfor Rocha verificou que não existe nos autos informação sobre a interposição de recurso ou pedido de Habeas Corpus no Tribunal de Justiça de São Paulo. Com isso, fica configurada a incompetência do STJ para apreciar o caso. O pedido de HC foi extinto.HC 125.174
Trata-se, portanto, de conhecimentos ou suposições científicas ligados a uma Física hiperavançada e, por isso mesmo, sabidamente inacessível ao público leigo, a menos que traduzida numa linguagem assaz simplificada. Contudo, Lost é um programa de entretenimento e não uma videoaula para o pós-doutorado em Física da Universidade de Oxford. Logo, a finalidade não é tornar ninguém especialista na curvatura tempo-espaço, e sim apresentar isso como pano de fundo para uma história sobre pessoas perdidas em suas vidas normais, passando por dolorosos processos de transformação num mundo à parte, ao fim do qual podem se tornar indivíduos melhores — caso sobrevivam, logicamente.
Estado é condenado a indenizar aluna estupradaO estado de São Paulo terá de pagar R$ 177 mil de indenização por danos morais a uma garota que foi estuprada dentro de uma escola em Hortolândia, interior do estado, quando tinha 12 anos. O crime aconteceu há quase 10 anos. A decisão é do Tribunal de Justiça paulista.De acordo com o portal G1, o crime aconteceu numa escola estadual do bairro Jardim Santa Clara do Lago, em setembro de 1999. Naquela ocasião, um jovem pulou o muro e se escondeu no banheiro. A estudante, que estava na quinta série, foi encontrada por funcionários nua e amordaçada.O RG do estuprador estava dentro do vaso sanitário. A polícia prendeu o rapaz de 22 anos quando ele chegava em casa. O suspeito confessou o crime, segundo os policiais.O estado já recorreu da decisão, mas o pedido foi negado. O advogado da família, Ademar Gomes, informou ao G1 que não cabe mais recurso do estado. Ainda não há previsão para o dinheiro ser liberado.A Procuradoria-Geral do estado informou que tem conhecimento da decisão, mas ainda não tem detalhes do processo.
Uma escola estadual da cidade de São Paulo (Carlos Maximiliano) estava com vários andares ociosos e estava ameaçada de ser fechada por falta de alunos. No ano passado, decidiu-se ocupar as salas vazias para dar aulas de cursos técnicos, que só não se expandiam por falta de prédios. Uma ideia simples, óbvia, acabou produzindo o que pode ser encarado com milagre na administração pública.A escola que realizou aquela experiência (mais detalhes no www.catracalivre.com.br) não sabia, mas estava apresentando uma solução que economizou dezenas de milhões de reais --e vai economizar mais dezenas de milhões de reais nos próximos anos. Um levantamento mostrou que havia, no Estado de São Paulo, centenas de colégios em situação semelhante e se decidiu, em vez de erguer prédios para mais escolas técnicas, utilizar as salas vazias.Além da economia de dinheiro, ganham as escolas regulares, que passam a oferecer um importante atrativo para seus alunos, aproximando-os do mercado de trabalho. Tudo isso só ocorreu porque foi a comunidade que, ao tentar salvar aquela escola estadual, atraiu os cursos técnicos.Está aí uma boa lição aos políticos e administradores públicos, a maioria deles viciados em inaugurações para chamar a atenção: muitas vezes, menos obra significa mais ensino. Desperdiça-se pela incapacidade de juntar espaços, tarefas e programas.Porque não se pensa nisso, investiu-se e se investe tão pouco na formação dos professores, que não aparece - mas em obras que chamam a atenção do leitor*.
A minha preocupação é com um dos efeitos mais nefastos da exploração midiática: o fomento de copiadores. Esse é um fenômeno conhecido no mundo inteiro, que explica o motivo pelo qual as autoridades, quando investigam crimes em série, não revelam todos os detalhes, para conseguirem distinguir entre as vítimas do criminoso procurado e as de eventuais copiadores. Entre os estudiosos, há uma classificação específica para isso: os copy killers.
Entre as invenções muito bem sucedidas da humanidade, daquelas que podem ser inscritas na lista das unanimidades, sem dúvida podemos incluir o jeans. Segundo consta, o blue jeans teria sido desenvolvido pelo industrial teuto-americano Levi Strauss (1829-1902) por volta de 1873, quando ele usou o material para criar peças reforçadas, capazes de suportar grandes esforços. Até hoje se usam calças Levi's, certo? O jeans surgiu especificamente como roupa de trabalho, para tarefas pesadas, longe de qualquer sofisticação. Mas não demorou a se tornar um enorme sucesso de vendas, sobretudo depois que o inventor se uniu ao costureiro Jacob Davis, que teve a ideia de reforçar as calças (usadas por trabalhadores das minas) com rebites. A conjuntura de ausência de sofisticação mudou drasticamente nos anos 1970, quando o estilista americano Calvin Klein (1942-) colocou, pela primeira vez, o jeans na passarela, conferindo-lhe glamour.
Catalepsia é um estado de plasticidade motora no qual o indivíduo conserva as posições que lhe são dadas, como se se tratasse de um boneco de cera (flexibilidade cerosa). Os músculos tornam se como mecânicos, sem vida e sem potência. A Catalepsia pode ser observada, sobretudo, na Esquizofrenia, notadamente do tipo Catatônica e no sono hipnótico, caracterizando-se por uma perturbação psicomotora capaz de cessar bruscamente todos movimentos voluntários, sem que haja lesão dos músculos.A Catalepsia caractiza-se ainda pela manutenção da atitude ou posição em que se encontrava o paciente no momento do ataque. Durante a perturbação o doente conserva o uso perfeito das faculdades, da inteligência e da percepção, mas fica impossibilitado de responder às questões que lhe são propostas. Os membros se tornam moles, mas não ha contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A Catalepsia ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicações e alcoolismo.Existe ainda a chamada Catalepsia Projetiva. Trata-se de um fenômeno comum, pelo qual muitas pessoas são acometidas durante a vida e acontece da seguinte maneira. Como em um pesadelo, a pessoa desperta durante a noite e descobre que não pode se mover. Parece que uma força invisível lhe tolhe os movimentos. Desesperada, ela tenta gritar, mas não consegue. Tenta abrir os olhos, mas também não obtém resultado. A sensação é extremamente angustiante.Algumas pessoas portadoras de Catalepsia Projetiva criam fantasias subconscientes imaginando que um espírito possuiu-lhes, ou que está morrendo dormindo, etc. Essa catalepsia é considerada benigna, não apresenta riscos. Nessa situação a conduta mais adequada é não tente se mover, ficafr calmo tendo em mente que a crise passará logo.
Não faço nenhum comentário de fundo religioso. A questão é inteiramente social. Sempre fui contra a malhação do Judas, prática famosa em cidades como Belém, onde existem até associações constituídas para organizar o “evento”! Sou contra porque é um estímulo à violência gratuita. Veja na imagem que edificante é fomentar a selvageria em crianças!
O brasileiro médio desconhece o conceito de federação. A palavra, na acepção a que me refiro, não lhe diz nada. No máximo, ele sabe que existem federações (ou confederações) esportivas e nada mais. O que ocorre, na prática, é a ignorância completa quanto aos conceitos de União, Estado federado (ou Estado membro) e Município*, tomando-se tudo como "governo". Ou seja, coloca-se a função administrativa no lugar do ente estatal. Assim, existe um governo federal (com sorte, entende-se presidência da República) e um governo estadual (aqui no Pará a era tucana tratou o "governo do Estado" como se fosse um ente com existência própria), mas curiosamente não existe um governo municipal. O que existe é uma prefeitura.
Já no Brasil, a circunscrição territorial com governo próprio é justamente o Município. Entre nós, o termo ora analisado possui duas acepções: 1) equivale ao cargo (p. ex. "Na prefeitura de Fulano", que é o mesmo que dizer "Na gestão/administração de Fulano", "Ao tempo em que Fulano era prefeito", etc.);
O melhor dicionário da Língua Portuguesa, o Houaiss, registra as acepções "Poder Executivo nos municípios" (letra minúscula, viram?) e "prédio da administração municipal onde fica o gabinete do prefeito" como regionalismos do Brasil. Os sentidos próprios da palavra seriam os históricos, acima citados.
Indefiro os Benefícios da Assistência Judiciária a pessoas jurídica autora, a teor dos artigos 2º e 5º da Lei 1060/50.Sobre não ser cabível o benefício da assistência judiciária da Lei 1060, de 1950, para entes morais com finalidade de lucro, é preciso observar que a Assistência não dispensa a prova, art. 5º, LXXIV, Constituição Federal de 1988, quando requerida por pessoas físicas. De fato, tanto a Assistência Judiciária da Lei 1060, quanto a gratuidade da justiça, objeto do dispositivo constitucional, serão deferidas “aos que comprovarem insuficiência de recursos”.É Entendimento no TJSP que “O artigo 2º. da Lei 1060/50 permite concluir que essa lei só tratou da assistência judiciária gratuita a pessoas físicas ao dizer que gozarão dos benefícios da lei os nacionais e estrangeiros, residentes no país, que necessitarem recorrer à justiça e o seu parágrafo único, que dá o conceito de necessitado: aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado , sem prejuízo do sustento próprio e ou da família. Ora, pessoa jurídica, com a qual não se confundem as pessoas de seus sócios, não tem família e nem precisa se sustentar, no sentido de alimentar-se. Recurso desprovido.” (TJSP- 2ª Câm. Dir. Público-AI 193559.5/3-Pompéia, Rel. Des. PAULO SHINTATE, j. 24.10.2000)Mais recentemente: Assistência Judiciária - Indeferimento mantido, ressalvado à parte fazer em primeiro grau, pelo incidente próprio, a comprovação de insuficiência de meios para enfrentar os ônus processuais - Fundamentação que considera, inclusive, a exigência da Constituição Federal de 1988, por seu artigo 5°, ´caput´, LXXIV.”E no Voto condutor, afirma-se: “Com efeito, o artigo 5°, caput, da Constituição Federal de 1988, limita a concessão da assistência judiciária aos que “comprovarem insuficiência de recursos”, assim não mais prevalecendo a previsão de que a parte gozará dos benefícios da justiça gratuita mediante simples afirmação de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, contida na redação dada ao “caput” do artigo 4º, da Lei n º 1060/50 pela Lei nº 7510, de 4 de julho de 1986, e não se aplicando a presunção trazida no § 1º, do aludido art. 4º, também com a redação da lei de 1986, os quais não foram recepcionados pela Constituição Federal”. (Ag.Instr 324.449/4/6, j. em 04.11.2003).A isto se acresce que ao requerer os benefícios da assistência judiciária, os advogados constituídos prejudicam a própria Corporação de Ofício, a OAB, e a entidade previdenciária dos advogados, porque 25% do valor arrecadado com as custas judiciais é transferido para essas Entidades, embora não se fale disto abertamente.O advogado constituído nas condições dos autos trabalha com remuneração, mesmo que seja pelos honorários da sucumbência ou por quota litis. Desse modo, a isenção proporcionada pela assistência judiciária é utilizada com um sério desvio de finalidade, que cabe ao juiz reprimir, impedindo danos à Fazenda Pública mediante a fiscalização imposta pelo art. 35, VII, da Lei Complementar nº 35, de 14.03.79, dita Lei Orgânica da Magistratura.Além de tudo isto, o pedido de assistência, depois da condenação, tem o propósito deliberado de frustrar o pagamento das verbas sucumbenciais a que deram causa os requeridos com sua inadimplência voluntária e injustificável. Deferir o benefício diante de circunstâncias que tais é impor trabalho escravo aos patronos dos requerentes e desprestígio para o trabalho do advogado, indispensável para a entrega da prestação jurisdicional estatal.O Superior Tribunal de Justiça decidiu: ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA - Justiça gratuita - Benefício pleiteado concomitantemente com a interposição da apelação - Inadmissibilidade - Notório propósito de se esquivar do pagamento sucumbencial. Ementa Oficial: Identificado pelo Tribunal estadual propósito da parte de se esquivar de sucumbência a ela imposta, mediante pedido de gratuidade feito tardiamente, concomitantemente com a interposição da apelação, julgada deserta.Nesse sentido: APELAÇÃO - Deserção - Ocorrência - Falta de preparo - Hipótese em que somente se justificaria a anulação da decisão para que se oportunizasse o pagamento do preparo mediante prévia autorização judicial. Ementa Oficial: Não se justifica a anulação do acórdão para que se oportunize o pagamento do preparo, mormente porque o recolhimento das custas é a regra legal e geral, e a exceção (a dispensa) deve ser precedida de decisão judicial expressa, até lá valendo o princípio comum a todos. REsp 539.832-RS - 4.ª T. - j. 28.10.2003 - rel. Min. Aldir Passarinho Junior - DJU 19.12.2003.
Alanis Morissette já está no Brasil, em Manaus, onde se apresenta nesta quarta-feira, 21. Chegou no domingo, 18, com seus dois cachorros chihuahua. A cantora já nadou com botos no Rio Negro, alimentou macacos e cantou para uma tribo de índios, informa matéria publicada no jornal "Folha de São Paulo".Segundo a publicação, Alanis veio um tanto desprevenida: sem saber que passaria perto da floresta amazônica, não tomou a vacina contra a febre amarela, que é indicada. Por telefone, antes de chegar ao país, a cantora contou ao jornal como tudo aconteceu: "Eu basicamente disse aos meus produtores: 'Quero ir à América do Sul, organizem uma viagem que faça valer a pena ir até lá embaixo e cantar para as pessoas'. E eles voltaram com essa lista", conta Alanis, referindo-se às 11 cidades onde vai se apresentar...
Índia mordida por cobra divide médicos e pajésUma índia de 12 anos, que foi picada no pé por uma cobra, está no centro de uma polêmica no Amazonas. De um lado, o tratamento médico convencional. De outro, as tradições indígenas. A menina foi internada no Hospital e Pronto-Socorro da Criança, em Manaus, há duas semanas. Segundo os médicos, o local da picada da cobra apresentava sinais de necrose - quando os danos ao tecido são irreversíveis. A criança vive em uma aldeia em São Gabriel da Cachoeira (AM), no extremo norte do país. De acordo com o tio da menina, a família foi impedida de praticar os rituais de cura no hospital. Os médicos também não concordaram com as restrições alimentares impostas pelos índios e em proibir o acesso ao local de gestantes e mulheres no período menstrual. “Na Carta Magna existe um artigo sobre os povos indígenas que garante esses direitos. É o artigo 231, que diz que devemos respeitar tradições, língua, costumes e formas de organização”, afirma João Paulo Barreto, tio da menina. O Ministério Público Federal emitiu uma recomendação para que o tratamento da criança conciliasse medicina indígena com os métodos convencionais. A recomendação foi atendida, o pajé passou a ter acesso à menina desde que os rituais não incomodassem os outros pacientes. Porém, o impasse permanece. “Nós não temos conhecimento da eficácia no resultado da aplicação combinada dos medicamentos convencionais com as ervas que são parte da cultura indígena”, afirmou o diretor do hospital, Joaquim Alves. Por causa da possibilidade de amputação, que não é aceita pelos índios, a família levou a menina para a Casa de Apoio à Saúde Indígena, onde ela está sendo tratada por pajés e por um cirurgião geral. O Ministério Público diz que vai continuar acompanhando o caso. “A preocupação do Ministério Público Federal agora é com a vida da criança. Então, neste sentido, eu realmente vou analisar o caso com carinho, com cuidado, e ver quais providências eu vou tomar”, afirmou a procuradora da República Luciana Portal Gadelha. (G1)
Hoje se comemora o Dia Nacional do Fusca. A data não foi instituída por lei (não me surpreenderia se tivesse sido), mas pela própria Volkswagen, para turbinar a inexplicável paixão que as pessoas têm — e não apenas no Brasil — pelo sedã (a classificação é controversa) feioso, apertado e barulhento. Sim, vão me odiar por dizer isto, eu sei. A festa deste ano tem um quê a mais, pois em 2009 temos o cinquentenário do começo da fabricação do carrinho no Brasil. Curiosamente, a página da Volkswagen não deu a menor bola para a data. A história do Fusca é bastante conhecida. Sabemos que, na década de 1930, a Alemanha, derrotada na I Guerra Mundial, enfrentava uma crise econômica sem precedentes. A solução para o transporte foi investir num veículo pequeno (havia grande carência de matéria-prima), resistente, potente (capaz de manter 100 Km/h!) e de preço acessível — daí o surgimento da Volkswagen ("carro popular", em alemão), uma fábrica criada para viabilizar o projeto. O apoio de Hitler foi essencial para o desenvolvimento do Fusca, a começar pela contratação de um nome de peso para conceber a primeira versão: o engenheiro automotivo austríaco Ferdinand Porsche, nome que está diretamente associado à esportividade. O projeto de Porsche foi tão poderoso que, incontáveis modificações depois, as suas linhas essenciais se mantêm. O modelo preto de 1938, que você vê na imagem acima, sofreu só um pouquinho do que hoje se chama face lift, em relação aos traços originais, algo militares, rascunhados por Porsche.
É provável que o Brasil seja o país onde o Fusca faça mais sucesso. Aqui, a linha de montagem cuspindo Fuscas a rodo esteve diretamente associada ao "milagre econômico" de meados do século XX, tempo de substituição do modelo econômico brasileiro, que migrava da economia essencialmente agrícola para a fase da industrialização. Época de estufar o peito e ter esperança, cantando o famoso jingle que começava com o verso "Este é um país que vai pra frente". Talvez fosse, caso no meio do caminho não houvesse um Juscelino Kubitschek explodindo a dívida pública graças à construção de Brasília, três décadas de ditadura militar e, por fim, a consagração da bandalheira nos governos e na atividade política em geral. Vale lembrar, aqui a VW encerrou a produção da baratinha em 1986, por considerá-la obsoleta. Quanto ao projeto, era mesmo, sem dúvida, a despeito de ser o segundo modelo mais vendido do país, na época. Em 1993, o então presidente Itamar Franco, famoso por sua vida nada discreta, deu vazão ao saudosismo e pediu à fábrica que retomasse a produção. Era sua visão sobre fomentar o acesso do brasileiro médio ao carro próprio. Foi aprovada a lei que instituiu redução de impostos para os veículos de motor 1.0 litro, batizados de "carros populares", que depois de alguns anos continuaram com os mesmos motores modestos, mas os preços já não eram tão populares assim. Apesar de ter vendido bem, as metas da VW não foram atingidas, particularmente devido ao "acabamento espartano" do Fusca, inferior ao de concorrentes na mesma faixa de preço. A produção se encerrou definitivamente em 1996 e, hoje, só subsiste no México. À esquerda, você vê o último Fusquinha fabricado no Brasil, que não foi vendido: está exposto no Museu da Volkswagen.
É difícil pensar em algo em que não tenham transformado o Fusca: limusine, off road, motor home, station wagon, ônibus, veículo militar. Isso na categoria automóvel. Se formos além, encontraremos todo tipo de máquina, objetos de decoração, joias, obras de arte. E protagonista de uma célebre série de filmes da Disney. É, sem dúvida, uma paixão. Que não resiste às exigências do bilionário mercado automobilístico, sequioso de modernidade, velocidade e, finalmente, economia de combustível. Mas ainda que saindo de cena, a paixão continua. Aliás, desde a década de 1990 um outro capítulo surgiu para essa história de amor. Ele se chama New Beetle e é arrojado, moderno, cheio de tecnologia, bonito e caro. Apesar de ser evidente que a concepção de Ferdinand Porsche continua lá, convenhamos: é um carro completamente diferente.

References: artigo 299
 artigo 2
 artigo 5
 artigo 5
 artigo 4
 artigo 231