Source: http://blogdobomdia.blogspot.com/2016/11/
Timestamp: 2017-11-18 02:36:28+00:00

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bom dia: Novembro 2016
carta de amor aos 4 anos
meu primeiro filho amor,
meu, meu, meu e meu.
é esmagador como te amo cada vez mais, a cada dia que passa há qualquer coisa nova que me faz gostar mais de ti, por te ter criado e ter feito nascer, por te ver crescer e ocupares cada vez mais espaço - físico e mental - na minha, nas nossas vidas.
ver-te crescer e formar, uns dias bem disposto e fácil, outros dias virado do avesso, ver como reages à vida e ao mundo, ver-te reproduzir o que te ensinamos, ver-te a disparatar, a dar e pedir beijos ao mano, a abraçares a mãe-princesa, a pedires ao pai para brincar às espadas. ver-te feliz com os primos-amigos, ver-te com sono e a cara esborrachada no sofá, ver-te aos pulos na piscina ou na praia e ver-te sozinho a brincar com os carros da polícia. ver-te a superar mais um desafio no parque infantil ou a saltar mais longe e mais alto. só ver-te já é uma dádiva incrível.
somar a isso todos os beijos e cheiros é a lotaria.
os clandestinos da vida
ontem fui jantar fora com uma amiga.
numa jornada inédita, saí do trabalho, fui pintar as unhas de preto e fui ter com ela à zona do intendente/martim moniz.
eu com sapatos de verniz, ela de all star, as duas de preto e branco e cheias de novidades boas para partilhar.
as escadas sinuosas e tortas, as paredes todas autografadas, subimos ao segundo andar porque o restaurante do segundo andar é melhor do que o do primeiro (!). é espantoso como em 2016, no epicentro cultural e étnico de lisboa existe um prédio com DOIS restaurantes chineses clandestinos.
gostei da comida, do ambiente misturado de estrangeiros e clientes habituais, gostei da simplicidade das mesas e do serviço. gostei da comida.
acima de tudo gostei da conversa. falámos tanto e tudo. coisas felizes, coisas menos felizes, coisas más. e percebi que do outro lado da mesa está alguém de quem gosto muito, uma amizade nova mas que é boa e que tanta falta me fazia.
obrigada, i., pelos abraços, pela partilha e por me teres levado a um clandestino.
ps: os putos ficaram com o pai, que pelo meio convidou um amigo para jantar, o mesmo que andamos a tentar juntar com esta amiga. ao chegar a casa e vê-lo a arrumar a cozinha, apaixonei-me novamente.
tirada #15
- joão, veste o casaco para não teres frio, sff.
- porquê, mãe? fico roto?
nota: ele queria dizer rouco, que na realidade já o está.
a minha mãe a construir (novas) memórias do meu pai
faz muitos e muitos anos (41) hoje, que o vosso pai estava muito contente, pois o país dele tornou-se independente.
grandes ilusões e desilusões.
os pais vistos pelo código civil
como sou teimosa e ando a pesquisar legislação para esclarecer uma coisa, dei por mim a ler o código civil - decreto-lei nº 47344/66, de 25 de novembro - e as suas 69 actualizações até à data. a última é de setembro de 2015, já deve estar a caducar, também... adiante.
comecei eu a ler este monumental conjunto de páginas que rege a nossa vida civil e dei de caras com estas preciosidades:
Artigo 1874.º - Deveres de pais e filhos
Artigo 1877.º - Duração das responsabilidades parentais
Artigo 1878.º - Conteúdo das responsabilidades parentais
Artigo 1879º - Despesas com o sustento, segurança, saúde e educação dos filhos
Artigo 1879.º - Despesas com o sustento, segurança, saúde e educação dos filhos
Os pais ficam desobrigados de prover sustento aos filhos e de assumir as despesas relativas à sue segurança, saúde e educação na medida em que os filhos estejam em condições de suportar, pelo produto do seu trabalho ou outros rendimentos, aqueles encargos.
Artigo 1882.º - Irrenunciabilidade
Os pais não podem renunciar às responsabilidades parentais nem a qualquer dos direitos que ele especialmente lhes confrere, sem prejuízo do que neste Código se dispõe à cerca da adopção.
Artigo 1885.º - Educação
Artigo 1886.º - Educação religiosa
Artigo 1887.º - Abandono do lar
Artigo 1887.º -A - Convívio com irmãos e ascendentes
Artigo 1917-º - Alimentos
A inibição do exercício das responsabilidades parentais em nenhum caso isenta os pais do dever de alimentarem os filhos.
Artigo 2003.º - Noção (de alimentos)
1. Por alimentos entende-se tudo aquilo que é indispensável ao sustento, habitação e vestuário.
2. Os alimentos correspondem também à instrução e educação do alimentado no caso de este ser menor.
ora toma, que podem ameaçar à vontade sair de casa que estão proibidos, por lei, de o fazer. têm que aguentar com a comida que a mãe faz e as roupas emprestadas e sou eu e o pai que escolhemos se fazem natação, judo ou ballet.
sim, por muita vontade que (às vezes) tenha de vos rifar, estejam descansados! não o posso fazer, está escrito. e dêem-se por contentes por não vos puder separar também, às vezes dava jeito.

References: Artigo 1874

Artigo 1877

Artigo 1878

Artigo 1879

Artigo 1879

Artigo 1882

Artigo 1885

Artigo 1886

Artigo 1887

Artigo 1887

Artigo 1917

Artigo 2003