Source: http://palavrasformamfrases.blogspot.com/2015/12/
Timestamp: 2019-04-21 13:03:22+00:00

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Palavras Soltas: Dezembro 2015
You... Me... Us
«The other afternoon, when you fell asleep on my shoulder, I drifted off, too. But before I did, it occured to me looking around at all of your things and your work and going through years of work in my mind, that of all your work, you are still your most beautiful. The most beautiful work of all.»
Patti Smith, Letter To Robert Mapplethorpe
Quantas vezes agradecemos a quem nos ama e a quem nos quer bem? Talvez em ocasiões especiais, talvez quando estamos tristes e dão-nos um ombro onde chorar, talvez numa troca de prendas... E noutras alturas? Sabe tão bem expressar a preciosidade e importância que elas têm e às vezes esquecemos disso. Não deixar nada por dizer, relembrar várias vezes estes valores: há um minuto atrás sei que respirava mas daqui a um minuto isso poderá não acontecer, todavia não ficou nada por dizer, pelo menos por transmitir.
O amor, a amizade, o carinho, a felicidade, o alívio que sentia com este ou aquele todos receberam a mensagem... Agora posso partir em paz...
Acaba o tempo, Desespera a alma
O maior cego é aquele que se recusa a ver o que está à sua frente, não o que segura na "bengala" de ajuda. O mais doente é o que sofre por não querer amar, não o que toma antidepressivos ou opiáceos...
Quanto tempo correu desde o início? Pareceu uma eternidade e no entanto foram uns meses, a falar todos os dias, várias vezes, a desejar "Bom dia" e "Boa noite", meses que foram um desperdício. Quanto esforço e insistência, quantas indirectas directas para terminar tudo em dúvida e desespero. Só a mim estou a provocar dor porque tu ages como se de nada soubesses, como se o que sinto não significasse nada para ti (e não significa, correto?) e talvez é por isso que magoa ainda mais, porque eu, para ti, não sou nada, ninguém!
Serias pessoa para mudar de direcção se me avistasses na mesma rua? Ou passarias com indiferença, como se de uma estranha me tratasse? Talvez eu te fizesse isso, ou talvez não, provavelmente claro que não. Pararia por uns segundos e controlaria primeiro a vontade sobre-humana de não me atirar para os teus braços...
Sabes? O tempo está a terminar e tu... e eu... e... Isto! O que é isto? Diz-me, expressa-te, fala, grita!, mas não me deixes calar, por favor!
Só peço hoje
Renasce o crepúsculo na grande cidade... encontro-me a caminho de uma casa que já não é minha, que já não me diz nada. Hoje, em particular, desejaria que a viagem demorasse uma eternidade e tivesse o resto das horas do dia só para mim, que não fosse necessário entrar no carro e "encarnar" uma personagem. Caminhar pelas luzes das avenidas, inspirar o aroma da chuva que cai ou respirar as fragrâncias do mar, dois extremos que aliviam e alimentam o corpo é tudo o que quero neste momento, um momento para mim sem mais ninguém.
--- Não... não posso falar de livros numa sala de baile. Tenho sempre na cabeça outra ideia a distrair-me.
--- Nestes momentos é sempre o presente que a preocupa, não é verdade? - perguntou-lhe, com uma expressão de ceticismo.
--- Sim, sempre - replicou-lhe Elizabeth, sem saber o que dizia, pois estava a pensar em coisas muito diferentes, como logo a seguir demonstrou ao exclamar de repente: --- Lembro-me de o ouvir uma vez dizer, Mr. Darcy, que dificilmente perdoava... que o seu ressentimento, uma vez nascido, era implacável. Calculo que é muito cauteloso antes de estabelecer um ressentimento, não é verdade?
--- Pois sou - concordou com voz firme.
Insónias na madrugada
O cansaço esmurra o corpo e fatiga a alma
Ela quer, precisa, necessita de adormecer
O sono teima em chegar de madrugada e viver a noite
A mente num rodopio perde o controlo...
«Artigo 1.º Não estacione o coração em becos sem saída (demore o tempo estritamente necessário para largar despedidas ou carregar abraços).
Artigo 2.º Se beber, com o intuito de se lavar por dentro, não conduza (é quase impossível dar banho ao pensamento sem molhar a lucidez).
Artigo 3.º Antes de atravessar a realidade, pare, escute e olhe, certifique-se de que não existem ilusões em contra-mão (descalce os caminhos que já não lhe servem: caminhos são sapatos que a terra nos oferece para descalçar irrealidades).
Artigo 4.º Não abra a boca a beijos desconhecidos (especialmente aos conhecidos que se fazem desconhecer).
Artigo 5.º Evite adormecer em sonos usados (cansam mais do que subir o infinito a pé).
Artigo 6.º Seja mais sonhamor e menos sonhador (a dor não faz falta, cria ausências).
Artigo 7.º Nunca faça amor em locais proibídos, salvo em legítima defesa da saudade.»

References: Artigo 2

Artigo 3

Artigo 4

Artigo 5

Artigo 6

Artigo 7