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Timestamp: 2020-08-09 22:04:29+00:00

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Sebenta_Curso_Exame_OTOC_12ª_edição[1] | Contabilidade de Custos | Despesa
Sebenta_Curso_Exame_OTOC_12ª_edição[1]
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IVA - Operações Triangulares - Exemplos
Exame_OTOC_Novembro_2010.[1]
Resolução das Q33 à 39 EXAME OTOC 30/OUT/10
Manual de Preenchimento da Declaração Modelo 22 do IRC e Anual - OTOC
Resolução do Exame OTOC 26/FEV/2011
11_-_EXERCICIO_BALANCO
Resolução 27.JUN.09
RITI - Testes e Exames
Programa Exame OTOC
Curso OTOC - Guarda
Contabilidade - Inventarios
Impostos Diferidos - Resolucao Exercicios
Apresentacao Contabilidade de Seguros
Contabilidade analítica em empresas de Const
6214 - SISTEMA DE NORMALIZAÇÃO CONTABILISTICA
Curso de Preparação para os Exames de Avaliação Profissional da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas
Insuficiências da Contabilidade Geral ou Financeira
Não determina o custo unitário de cada unidade produzida (ou servida). Esta informação é necessária para a determinação dos preços de venda, para a valorização das existências finais e para efeitos de controlo dos custos de produção.
Não apura em quanto é que cada produto contribui para a formação do resultado do exercício. Esta informação é fundamental para sabermos se existe algum produto que dá prejuízo ou que não é suficientemente rentável.
É incapaz de determinar se é mais vantajoso adquirir ou fabricar as matérias-primas e outros factores produtivos.
É incapaz de responder se é mais vantajoso para a empresa ter uma oficina de reparações ou se esta deve recorrer ao exterior.
Não informa a empresa sobre quando é que se deve optar por substituir uma máquina em lugar de a reparar.
Definições de Contabilidade Analítica
Charles Brunet, em "Técnica de Contabilidade Analítica de Exploração", define Contabilidade Analítica como a parte da contabilidade que determina por ramos de actividade, produtos, serviços, clientes ou por outros elementos:
O montante de vendas Os custos correspondentes O lucro ou prejuízo
O Plano de Contas Francês (1957) define Contabilidade Analítica como uma forma de tratamento de dados que visa pôr em evidência elementos constituintes dos custos e dos proveitos que apresentam maior interesse para a gestão da empresa. A Contabilidade de Custos recebia, até algumas décadas atrás, a designação de Contabilidade Industrial, já que era utilizada essencialmente por empresas industriais,
sobretudo dos sectores automóvel e têxtil. Também recebe a designação de Contabilidade Analítica de Exploração, uma vez que recolhe os custos da conta de exploração e analisa-os detalhadamente.
A Contabilidade de Custos é uma parte da contabilidade que tem por objectivo a captação, medição, registo, avaliação e controlo da circulação interna dos valores da empresa, visando a transmissão de informação sobre a produção, formação interna de preços de custo e sobre a política de preços e vendas, análise dos resultados através do confronto com a informação transmitida pelo mercado de factores e produtos. Assim, trata-se de um subsistema de informação que tem em vista a medida e análise de custos, proveitos e resultados relacionados com os diversos objectivos definidos pelas organizações. Salienta-se, pois, que o seu objecto são os custos, os proveitos e o resultado das organizações, que determina e analisa não de uma forma globalizante, como acontece na contabilidade geral, mas sim de forma analítica e de acordo com as necessidades da Gestão da organização em causa.
Objectivos da Contabilidade Analítica
Segundo o Plano de Contas Francês os objectivos essenciais da Contabilidade de Custos são os seguintes:
Conhecer os custos das diferentes funções desenvolvidas pela empresa; Determinar as bases de valorimetria de alguns elementos do Balanço da empresa; Explicar os resultados, comparando os custos dos produtos (bens e serviços) com os correspondentes preços de venda; Estabelecer previsões de despesas e de receitas correntes; Constatar a sua realização e explicar os desvios resultantes.
Podemos referir ainda os seguintes objectivos:
1. Fornecer informações atempadas e oportunas para facilitar a tomada de decisões
aos gestores, com base em critérios de racionalidade económica, nomeadamente:
Informação necessária para a planificação e controlo;
Informação complementar à contabilidade financeira;
Informação para a avaliação das existências finais.
2. Reclassificação dos custos por funções
3. Medida e análise de custos e proveitos
4. Apoio a outros instrumentos técnicos e de gestão
5. Avaliar a performance económico-financeira
Os objectivos da Contabilidade de Custos não podem estar dissociados da sua missão e
do seu papel, como instrumento que pode e deve contribuir para a criação de valor das empresas. Neste sentido, na modelação do sistema contabilístico, deve ter-se presente a:
Orientação Estratégica Utilidade para a Gestão
A Contabilidade Analítica permitirá apoiar a Gestão em decisões tais como:
Comprar ou fabricar?
Transportes e manutenção próprios?
Investir ou não?
Que programa de produção e de vendas?
Quais os produtos que a empresa deverá fabricar?
Quais as quantidades a produzir?
Que preços se devem exigir?
Quais as modalidades de venda a adoptar?
Características da Contabilidade Analítica
Objectiva; Opõe-se à rigidez e uniformidade da Contabilidade Geral ou Financeira; Permite o estabelecimento de padrões e previsões; Examina todas as situações que tenham originado desvios em relação ao previsto.
Contabilidade Geral versus Contabilidade Analítica
Face à lei
“Facultativa”
Natureza dos fluxos observados
Classificação dos encargos
Rígidas e normativas (PCGA)
Maleáveis e evolutivas
Terceiros + Direcção
Todos os responsáveis
Precisa, Certificada, Histórica, Quantitativa, Monetária, Exacta
Rápida, Pertinente, Aproximada, Qualitativa, Não Monetária
Princípios subjacentes
Informação sobre a organização
A Demonstração dos Resultados por Funções versus Demonstração dos Resultados por Naturezas
O novo modelo de normalização contabilística, aprovado pelo Decreto-Lei nº 158/2009 de 13 de Julho, sucede ao Plano Oficial de Contabilidade (POC) e é designado por Sistema de Normalização Contabilística (SNC), produzindo efeitos no primeiro exercício que se inicie em ou após 1 de Janeiro de 2010. O SNC assimila a transposição das directivas contabilísticas da UE, com as necessárias adaptações à realidade nacional, e é composto pelos seguintes instrumentos:
− Bases para a apresentação de demonstrações financeiras (BADF);
− Modelos de demonstrações financeiras (MDF);
− Código de contas (CC);
− Normas contabilísticas e de relato financeiro (NCRF);
− Norma contabilística e de relato financeiro para pequenas entidades (NCRF- PE);
− Normas interpretativas (NI).
É criada uma norma especificamente destinada às entidades de menor dimensão que permite delimitar e simplificar num único documento, mais acessível e de mais fácil aplicação, as exigências contabilísticas mais comuns a esse universo. Assegura -se, assim, inteira compatibilidade e coerência entre os normativos aplicáveis aos seguintes três grandes grupos de entidades que operam em Portugal:
− Empresas com valores cotados que aplicam directamente as normas internacionais de contabilidade;
− Restantes empresas dos sectores não financeiros, que aplicarão as NCRF;
− Empresas de menor dimensão que aplicarão a NCRF -PE.
De acordo com o artigo 9º do DL 158/2009 de 13 de Julho, alterado pela Lei n.º 20/2010 de 23 de Agosto, a NCRF -PE apenas pode ser adoptada, em alternativa ao
restante normativo, pelas entidades, de entre as referidas no artigo 3.º e excluindo as situações dos artigos 4.º e 5.º, que não ultrapassem dois dos três limites seguintes, salvo quando por razões legais ou estatutárias tenham as suas demonstrações financeiras sujeitas a certificação legal de contas:
a) Total de balanço: € 1 500 000;
b) Total de vendas líquidas e outros rendimentos: € 3 000 000;
c) Número de trabalhadores empregados em média durante o exercício: 50
De acordo com o nº 1 do artigo 11.º do DL 158/2009 de 13 de Julho, “as entidades sujeitas ao SNC são obrigadas a apresentar as seguintes demonstrações financeiras:
c) Demonstração das alterações no capital próprio;
d) Demonstração dos fluxos de caixa pelo método directo;
e) Anexo.”
“Adicionalmente, poderá ser apresentada uma Demonstração dos Resultados por Funções” (nº3 do artigo 11.ºdo DL 158/2009 de 13 de Julho).
As pequenas entidades a que se refere o artigo 9.ºdo referido diploma são dispensadas
de apresentar a demonstração das alterações no capital próprio e a demonstração dos
fluxos de caixa, podendo apresentar modelos reduzidos relativamente às restantes
demonstrações financeiras (nº2 do artigo 11.ºdo DL 158/2009 de 13 de Julho).
POR FUNÇÕES (*)
POR NATUREZAS (*)
Custo das vendas e serviços prestados
Variação nos inventários da produção
Trabalhos para a própria entidade
Gastos de distribuição
Custo mercad. Vendidas e mat. consumidas
Ajustamentos de inventários
Resultado operacional (antes de gastos de
Imparidade de dívidas a receber
financiamento e impostos
Gastos de financiamento líquidos
Provisões (aumentos/reduções)
Outras imparidades
Aumentos/reduções de justo valor
Resultados antes de depreciações, gastos de
Gastos/reversões de depreciação/amortização
Resultado operacional (antes de gastos de financiamento e impostos)
(*) De acordo com o modelo reduzido proposto pelo SNC para as entidades que apliquem a “Norma Contabilística de Relato Financeiro para Pequenas Entidades” (NCRF-PE) (ver Portaria n.º 986/2009, de 7 de Setembro).
Lei n.º 35/2010, de 2 de Setembro (Simplificação das normas e informações contabilísticas das microentidades).
Lei n.º 20/2010, de 23 de Agosto (alarga o conceito de pequenas entidades para efeitos da aplicação do SNC; Primeira alteração ao Decreto -Lei n.º158/2009, de 13 de Julho).
Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de Julho (aprova o Sistema de Normalização Contabilística) e correspondente rectificação.
Aviso n.º 15652/2009 do Diário da República, 2ª série - Nº 173, de 7 de Setembro (Estrutura Conceptual do SNC)
Aviso nº 15655/2009 do Diário da República, 2ª série - Nº 173, de 7 de Setembro (Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro do SNC).
Art.º262ºdo Código das Sociedades Comerciais.
Decreto-Regulamentar n.º25/2009 do Diário da República, 1.ª série - N.º178, de 14 de Setembro (Regime das Depreciações e Amortizações).
Portaria n.º1011/2009 do Diário da República, 1.ª série - N.º175, de 9 de Setembro (Código de Contas).
Portaria n.º 986/2009 do Diário da República, 1.ª série - N.º 173, de 7 de Setembro (Modelos de Demonstrações Financeiras).
Conceitos económico – financeiros: Custos, Despesas, Pagamentos e Perdas; Proveitos, Receitas, Recebimentos e Ganhos
Custo: Utilização, consumo dos bens ou serviços na expectativa de obter um
rendimento/proveito. Há que distinguir entre custos do período, custos de
períodos passados e de períodos futuros.
Despesa: Aquisição de bens e serviços (facturação, aceitação de uma obrigação).
Pagamento: Pagamento da despesa, da aquisição do bem ou serviço (recibo,
cumprimento da obrigação).
Perda: Consumo ou desaparecimento de valor sem a equivalente compensação (sem
expectativa de proveito). Por exemplo: incêndio, roubo, etc.
Proveito: Acréscimo no património proveniente da actividade normal.
Por exemplo: valor da produção acabada, trabalhos para a própria empresa, etc.
Receita: Venda ou prestação de serviços (nossa facturação, aceitação de um direito).
Recebimento: Recebimento da venda ou da prestação de serviços (nosso recibo,
concretização do direito).
Ganho: Acréscimo extraordinário do património da empresa, não proveniente da
actividade normal. Por exemplo: subsídio extraordinário, diferenças cambiais
extraordinárias, etc.
Na terminologia do SNC:
Resultado do Período = Rendimentos – Gastos
Se Rendimentos > Gastos => Lucro
Se Rendimentos < Gastos => Prejuízo
SISTEMA NORMALIZAÇÃO CONTABILÍSTICA - ESTRUTURA CONCEPTUAL (Aviso n.º15652/2009 do Diário da República, 2ª série -Nº173, de 7 de Setembro)
“68. (…) Os elementos directamente relacionados com a mensuração do lucro são rendimentos e gastos…”
“69. Os elementos de rendimentos e de gastos são definidos como se segue:
rendimentos são aumentos nos benefícios durante o período contabilístico na forma de influxos ou aumentos de activos ou diminuições de passivos que resultem em aumentos no capital próprio, que não sejam os relacionados com
as contribuições dos participantes no capital próprio;
gastos são diminuições nos benefícios económicos durante o período contabilístico na forma de exfluxos ou deperecimentos de activos ou na incorrência de passivos que resultem em diminuições do capital próprio que não sejam as relacionados com distribuições aos participantes no capital próprio. ”
“72. A definição de rendimentos engloba quer réditos quer ganhos. Os réditos provêm do decurso das actividades correntes (ou ordinárias) de uma entidade sendo referidos por uma variedade de nomes diferentes incluindo vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e rendas”.
“73. Os ganhos representam outros itens que satisfaçam a definição de rendimentos e podem, ou não, provir do decurso das actividades correntes (ou ordinárias) de uma entidade. Os ganhos representam aumentos em benefícios económicos e como tal não são de natureza diferente do rédito”.
“74. Os ganhos, incluem, por exemplo, os que provêm da alienação de activos não correntes… os que provenham da revalorização de títulos negociáveis e os que resultem de aumentos na quantia escriturada de activos a longo prazo”.
“76. A definição de gastos engloba perda assim como aqueles gastos que resultem do decurso das actividades correntes (ou ordinárias) da entidade. … por exemplo, o custo das vendas, os salários e as depreciações”.
“77. As perdas representam outros itens que satisfaçam a definição de gastos e podem, ou não, surgir no decurso das actividades ordinárias da entidade. As perdas representam diminuições em benefícios económicos e como tal não são na sua natureza diferentes de outros gastos”.
“78. As perdas incluem, por exemplo, as que resultem de desastres como os incêndios e as inundações bem como as que provêm da alienação de activos não correntes… inclui também perdas não realizadas como, por exemplo, as provenientes dos efeitos do aumento da taxa de câmbio de uma moeda estrangeira respeitante a empréstimos obtidos de uma entidade nessa moeda”.
N.B.: Doravante utilizaremos indistintamente os termos Gastos ou Custos, Réditos ou Proveitos.
Reclassificação de Custos/Gastos
a) Quanto à Identificação com a Actividade Económica e com o Produto
Não Industriais
Incorporáveis
Não incorporáveis
c) Quanto à Imputação e à Relação com o Volume de Produção
Semi-Variáveis
d) Quanto à valorimetria das prestações internas
Divisão Clássica:
• Mão-de-obra Directa
• Gastos Gerais de Fabrico:
• Matérias Indirectas
• Mão-de-obra Indirecta
Custos Não Industriais
• Custos Administrativos
• Custos Financeiros
• Custos Comerciais ou de Distribuição
• Custos Extraordinários
Os custos industriais são todos aqueles que estão afectos à função de produção. Os custos não industriais, por sua vez, são todos os restantes custos, tais como, custos administrativos, custos de distribuição, custos financeiros e custos extraordinários.
Custos Directos e Custos Indirectos
Os custos podem ser agrupados, por exemplo por:
• Contas (classificação por natureza)
• Departamentos, secções, actividades
• Produtos, encomendas, serviços, etc.
Podemos classificar os custos em directos ou indirectos. Neste sentido, podemos ter custos: directos ou indirectos aos produtos, directos ou indirectos às encomendas, directos ou indirectos aos serviços, directos ou indirectos às secções, directos ou indirectos aos departamentos, directos ou indirectos às actividades, etc.
Para esta distinção deveremos ter em consideração o objecto de custo. Como tal, os custos indirectos deverão ser relacionados com o objecto de custo através de alguma Base de Repartição ou de Rateio.
Regra geral, quando se fala de custos directos ou indirectos, sem especificar em relação a quê, pretende-se classificar os custos em relação aos produtos/ encomendas/ serviços.
Custos directos são aqueles que são específica e directamente suportados pela fabricação de determinado produto ou directamente suportados por uma única produção ou por um único departamento, secção, actividade e, como tal, exclusivamente imputáveis a esse produto, produção, departamento ou actividade, etc. (por exemplo, matérias primas, mão de obra directa, alguns gastos gerais de fabrico). Custos indirectos são aqueles que não podem ser relacionados directamente com um produto, produção, departamento ou actividade, uma vez que não possuem uma relação de causalidade específica entre o input (factor de custo) e o output (por exemplo, o produto).
Custos fixos, custos variáveis e custos semi-variáveis
Os custos fixos (também designados por custos de estrutura) são aqueles que a empresa suporta quando opta por uma determinada capacidade de produção, não variando quando se altera o volume de produção (até um determinado volume de produção, por exemplo capacidade instalada, e dentro de um determinado período de tempo, por exemplo um ano).
Gráfico 1: Comportamento dos Custos Fixos
Custo fixo (CF)
Por sua vez, os custos variáveis são custos que variam necessariamente com o volume
de produção. Existem basicamente três tipos de custos variáveis: proporcionais,
progressivos e degressivos.
Gráfico 2: Comportamento dos Custos Variáveis
Custos Progressivos
Custos Degressivos
Os custos semi-variáveis são custos nos quais uma parte é fixa e a outra é variável.
Custo Médio = Custo Total / Quantidade
Custos Reais ou Custos Teóricos
Custos Reais – são os que realmente se verificaram. São custos históricos, determinados “à posteriori” e fornecidos pela Contabilidade Geral ou Financeira.
Custos Teóricos – são definidos “à priori” para valorização interna de matérias, produtos e serviços prestados. Os critérios seguidos na sua definição podem ser de vários tipos, salientando-se os custos padrão e os custos orçamentados.
Custos Orçamentados – custos obtidos nos orçamentos elaborados pela empresa.
Custos Padrão ou Standard – definidos a partir de estudos especializados.
Preços de mercado – são custos de substituição, valores existentes no mercado.
Custos históricos – custos médios verificados em anos (períodos) anteriores.
A HIERARQUIA DOS CUSTOS E A ANÁLISE DOS VÁRIOS TIPOS DE RESULTADOS
Os Estágios de Custos
O desenvolvimento do processo produtivo efectuado numa organização implica que esta incorra num conjunto de custos, os quais podem ser organizados segundo uma hierarquia. Assim, ao contrário das empresas comerciais, as empresas industriais transformam em produtos as matérias adquiridas. Em relação a esta matéria é importante reter que as Funções de Gestão originam custos (funcionais) de:
• Aprovisionamento
• Produção ou Industriais
• Venda ou de Distribuição ou Comercialização
• Financeiros
Na óptica do produto fabricado, podemos distinguir diversos estádios:
1. Custo Industrial ou de Produção (MP + MOD + GGF)
2. Custos Não Industriais (Custos de Distribuição + Custos Administrativos + Custos Financeiros + Custos Extraordinários)
3. Custo Primo (MP+MOD)
4. Custo de Transformação (MOD+GGF)
5. Custo Industrial dos Produtos Acabados (EIPVF+CI-EFPVF)
6. Custo Industrial dos Produtos Vendidos (EIPA+CIPA-EFPA)
7. Custo Complexivo ou Completo (CIPV + Custos Não Industriais)
8. Custo Económico–Técnico (Custo Complexivo + Custos de Oportunidade)
Custos do Produto e Custos do Período
Para se poder fabricar os produtos é necessário consumir, sacrificar bens e serviços. Desses consumos nasce o produto, cujo custo unitário é necessário determinar, uma vez que, entre outras finalidades, há que proceder à valorização dos Produtos Acabados que se encontram em armazém no final do período.
De acordo com o nº 3 do art. 2º do Decreto Regulamentar n.º 25/2009, de 14 de Setembro:
“O custo de produção de um elemento do activo obtém-se adicionando ao custo de aquisição das matérias-primas e de consumo e da mão-de-obra directa, os outros custos directamente imputáveis ao produto considerado, assim como a parte dos custos indirectos respeitantes ao período de construção ou produção que, de acordo com o sistema de custeio utilizado, lhe seja atribuível”.
1- Só são custos do período:
O custo das unidades efectivamente vendidas no período em causa
Os custos não industriais
Os custos industriais não incorporados
2- Toda a produção do período não vendida nesse período – EFPA – será custo do(s) período(s) em que for vendida.
3- Apenas os custos industriais incorporados são inventariáveis e, como tal, só estes são considerados na valorização das existências.
Por outras palavras, só os custos industriais são custos do produto. Os custos não industriais não são inventariáveis.
Armazém de Materiais
Mat. Sub.
Outros GGF
EFPVF
C. Distribuição
C. Financeiro
Armazém de Produtos em Curso
Custo das matérias directas consumidas
Gastos de Transformação
Gastos de Financiamento
Produção Acabada
1 000 unidades
Existências de PVF
= MP + MOD + GGF = 3 500+1 500 = 5 000 €
CI unit. =
1 000 unid.
5 000€ são custos dos produtos e não do período.
Das 1 000 unidades acabadas venderam-se apenas 800 unidades. Assim,
Custo do período = 800*5 = 4 000€ (CIPV)
O custo industrial (CI) das 200 unidades produzidas (que não foram vendidas) constitui custo do
período em que essas unidades forem vendidas.
Além do CIPV constituem ainda custos do período, os custos não industriais (CNI), no
montante de 2 500€.
Custo Complexivo ou Completo = CIPV + CNI = 4 000 + 2 500 = 6 500€
Custo Complexivo unit. = 6 500€ = 8,13€ 800 unid.
Neste caso é fácil determinar o custo complexivo ou completo, dado que a empresa fabrica e
comercializa um único produto (produção uniforme). No entanto, se a empresa produzisse
diversos produtos era mais complicado pois seria necessário repartir os CNI comuns.
Análise das Componentes do Custo de Produção
O custo das Matérias-primas e outros Materiais Directos
As matérias são os factores tangíveis adquiridos pela empresa a fim de serem consumidos, de forma gradual, na fabricação ou distribuição dos produtos.
1. Quanto ao modo de participação no processo produtivo:
a) Matérias-primas
Bens consumíveis, objecto de trabalho posterior de natureza industrial. São incorporadas fisicamente nos produtos finais (constituem a substância dos produtos
acabados). Exemplo: madeira; farinha; papel; etc.
b) Matérias Subsidiárias
Bens consumíveis que possibilitam ou auxiliam a transformação das matérias-primas, podendo não integrar fisicamente os produtos finais. Não são objecto de transformação. Exemplo: combustíveis; lubrificantes; pregos; vernizes; linhas; bordados; forros; etc.
c) Materiais Diversos
Outros bens consumíveis, que não embalagens, utilizados nos centros de custos, aprovisionamento, transformação, distribuição ou administração. Não se incorporam fisicamente nos produtos finais. Exemplo: materiais de conservação e reparação; materiais de publicidade e propaganda; materiais de escritório; material de limpeza; etc.
d) Embalagens de Consumo
Objectos envolventes ou recipientes das mercadorias ou produtos, não retornáveis, que
são facturados ou consignados juntamente com os produtos.
e) Semi-produtos
Todos aqueles bens que funcionam simultaneamente como produto acabado (susceptível de ser vendido) ou como matéria-prima para uma fase seguinte.
NORMA CONTABILÍSTICA E DE RELATO FINANCEIRO 18 - INVENTÁRIOS
CUSTO DOS INVENTÁRIOS
“10. O custo dos inventários deve incluir todos os custos de compra, custos de conversão e outros custos incorridos para colocar os inventários no seu local e na sua condição actuais”.
“11. Os custos de compra de inventários incluem o preço de compra, direitos de importação e outros impostos (que não sejam os subsequentemente recuperáveis das entidades fiscais pela entidade) e custos de transporte, manuseamento e outros custos directamente atribuíveis à aquisição de bens acabados, de materiais e de serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes deduzem-se na determinação dos custos de compra”.
Nota: Os custos de conversão incluem os custos directamente relacionados com as unidades de produção, tais como mão-de-obra directa ou gastos gerais de produção fixos e variáveis que sejam incorridos ao converter matérias em bens acabados. Os gastos gerais de produção fixos são os custos indirectos de produção que permaneçam relativamente constantes independentemente do volume de produção, tais como a depreciação e manutenção de edifícios e de equipamentos de fábricas e os custos de gestão e administração da fábrica. Os gastos gerais de produção variáveis são os custos indirectos de produção que variam directamente, ou quase directamente, com o volume de produção tais como materiais indirectos.
“15. Outros custos somente são incluídos nos custos dos inventários até ao ponto em que sejam incorridos para os colocar no seu local e na sua condição actuais. Por exemplo, pode ser apropriado incluir no custo dos inventários gastos gerais que não sejam industriais ou os custos de concepção de produtos para clientes específicos”.
“16. Exemplos de custos excluídos do custo dos inventários e reconhecidos como gastos do período em que sejam incorridos são:
a) Quantias anormais de materiais desperdiçados, de mão de obra ou de outros custos de
b) Custos de armazenamento, a menos que esses custos sejam necessários ao processo
de produção antes de uma nova fase de produção;
c) Gastos gerais administrativos que não contribuam para colocar os inventários no seu
local e na sua condição actuais; e
d) Custos de vender”.
“17. Em circunstâncias limitadas, os custos de empréstimos obtidos são incluídos no custo dos inventários …”
Valorização dos fluxos de saída em armazém – Fórmulas de Custeio
1. Custo Médio de acordo com este critério, as saídas de inventário são
valorizadas através de um custo unitário obtido através de uma média ponderada
entre os preços de entrada e as correspondentes quantidades.
2. FIFO os custos das saídas de armazém correspondem aos custos de entrada mais antigos e, em consequência, as existências finais de bens em inventário são valorizadas pelos custos de entrada mais próximos dos valores de mercado.
3. Custo Específico o custo da saída de cada lote é identificado especificamente com a respectiva entrada. Para a utilização deste método é necessário ter acesso à perfeita identificação física dos vários lotes no armazém, permitindo deste modo o conhecimento do custo específico de cada saída.
4. Custo Padrão os custos das saídas de armazém são valorizados a custos padrão (custos estimados com base em condições ideais ou normais de funcionamento), em consequência, teremos que proceder, no final do período, às correcções necessárias.
“25. O custo dos inventários… deve ser atribuído pelo uso da fórmula “primeira entrada, primeira saída” (FIFO) ou da fórmula do custeio médio ponderado. Uma entidade deve usar a mesma fórmula de custeio para todos os inventários que tenham uma natureza e um uso semelhantes para a entidade”.
Nota: A NCRF 18 permite também como custeio de saída de inventários a identificação específica do custo e nos parágrafos 21 e 22 apresenta-se o método do custo padrão 1 ou o método do retalho 2 como técnicas para a mensuração do custo dos inventários que podem ser usadas por conveniência se os resultados se aproximarem do custo. A valorização pelo método LIFO deixa de ser considerada.
1 Tomam em consideração os níveis normais dos materiais e consumíveis, da mão-de-obra, da eficiência e da utilização da capacidade produtiva. Estes devem ser regularmente revistos e, se necessário, devem sê- lo à luz das condições correntes. 2 É muitas vezes usado no sector de retalho para mensurar inventários de grande quantidade de itens que mudam rapidamente, que têm margens semelhantes e para os quais não é praticável usar outros métodos de custeio.
Custos com a Mão-de-obra Directa (MOD)
Unidade de medida - Horas homem (Hh)
Remunerações e Encargos:
Remuneração mensal (ordenado)
Remunerações por horas extraordinárias
Subsídios pela prestação de trabalho em turnos
Encargos sobre remunerações por conta da entidade patronal em empresas privadas:
Encargos com a Segurança Social
21,25% para os corpos gerentes
23,75% para os restantes trabalhadores
Seguros de Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais (taxa variável)
Existe um benefício fiscal para aquelas organizações que contratem trabalhadores com mais de 45 anos (redução de 3 pontos percentuais).
De acordo com o Novo Código dos Regimes Contributivos do Sistema Previdencial de Segurança Social, a taxa contributiva relativa aos membros dos órgãos estatutários é de 29,6%, sendo, respectivamente, de 20,3% e de 9,3% para as entidades empregadoras e para os trabalhadores.
Obrigatórios ou Facultativos:
formação profissional, etc.
refeitórios,
Descontos sobre remunerações por conta do trabalhador dependente:
10%/11% do Rendimento Bruto para Segurança Social
Retenção de I.R.S.
Custo Total = Vencimento + Encargos sobre Remunerações
Custo Horário:
Deve incluir, não só as remunerações mensais, como também as restantes
remunerações fixas e encargos patronais.
Dividindo esse custo pelo n.ºde horas de trabalho, obtemos o custo horário.
Custo Total Ano Custo Hora = NºHoras Trabalhadas ao ano
• Taxa Teórica:
Custo médio mensal ou NºHoras Trabalhadas mês
Taxa Teórica = Encargos Médios Mensais Remuneração Mensal
Encargos Médios Mensais =
Encargos Ano
Contabilização dos Encargos
Poder-se-á determinar, em termos previsionais, uma taxa de Encargos Sociais já que
normalmente não se dispõe dos dados reais quando se faz a contabilização.
Sugestão de contabilização:
Encargos a Repartir
Da Contabilidade Geral
Encargos Mensais
Taxa Teórica *
* Vencimentos
Taxa Teórica
Diferenças de Incorporação
Se os custos
reais forem
aos previstos
inferiores aos
Os Gastos Gerais de Fabrico
Classificação de G.G.F.:
MATERIAIS INDIRECTOS
Combustíveis, colas, vernizes Lubrificantes Material de limpeza Ferramentas não duradouras, etc.
Ordenados dos encarregados de secção Ordenados do pessoal de limpeza
Ordenados do pessoal de supervisão Preparação de máquinas, etc.
MÃO-DE-OBRA INDIRECTA
Conservação e Reparação Água, Electricidade Depreciações (?) Rendas e alugueres Seguros, Embalagens (?), etc.
GASTOS INDIRECTOS DE TRANSFORMAÇÃO
Os métodos utilizados para a análise e repartição dos custos
Imputação dos Gastos Gerais de Fabrico
Os Coeficientes de Imputação:
Coeficiente de Imputação =
Montante dos Custos a Repartir
Base de Imputação
Imputação de Base Única:
Coeficiente Geral = Base Montante de Imputação de GGF
Valor a imputar = Coeficiente * Base de Imputação
Este método só deve ser utilizado quando o montante de GGF for uma percentagem muito
reduzida em relação às matérias-primas e à M.O.D., ou seja, em situações em que não se
justifique a utilização de diversas bases de imputação.
Imputação de Base Múltipla ou Imputação pelo Método dos Coeficientes Diferenciados:
1ºRepartem-se os GGF por Grupos ou Centros de Custo ou Actividades;
2ºAtribui-se uma Base de Imputação adequada para cada;
3ºCalcula-se o Coeficiente de Imputação;
4ºImputa-se os custos aos produtos.
1) Imputação de Base Única:
GGF do mês
Horas de MOD gastas em cada produto:
A 5 000 h
B 4 950 h
C 5 050 h
Horas de MOD
Qual o montante de GGF a atribuir a cada um dos produtos?
2) Imputação pelo Método dos Coeficientes Diferenciados (Imputação de Base Múltipla):
Matérias consumidas N.ºde horas máquina N.ºde horas homem MOD Valor de Vendas
7 500 € 15 000 17 500 17 500 € 45 000 €
Os GGF foram os seguintes:
As bases de imputação são as seguintes:
N.ºde Horas homem (Hh)
Valor de vendas
N.ºde Horas máquina (Hm)
Valor da MOD
Determine o montante de GGF a imputar a cada produto e o respectivo custo de produção.
Total de Horas de MOD = 5 000 + 4 950 + 5 050 = 15 000 Hh
GGF = 18 900 €
Coef. Imp. = 18 900 = 1,26 €/h 15 000
Ou seja, vamos imputar 1 € e 26 Cêntimos por cada Hora de MOD.
Produto A: 5 000 * 1,26 = 6 300 Produto B: 4 950 * 1,26 = 6 237 Produto C: 5 050 * 1,26 = 6 363 18 900
• Energia: 2 850 €
N.ºde Hh
Total Hh = 11 000 + 17 500 = 28 500 Hh
Coef. Imp. = 2 850 = 0,1 €/h
Produto X: 11 000 * 0,1 = 1 100 Produto Y: 17 500 * 0,1 = 1 750 2 850
• Seguros: 2 550 €
Valor das Vendas = 40 000 + 45 000 = 85 000 €
Coef. Imp. = 2 550 = 0,03 €
Produto X: 40 000 * 0,03 = 1 200 Produto Y: 45 000 * 0,03 = 1 350 2 550
• Depreciações: 5 700 €
N.ºHm
Total Hm = 13 500 + 15 000 = 28 500 Hm
Coef. Imp. = 5 700 = 0,2 €/Hm
Produto X: 13 500 * 0,2 = 2 700 Produto Y: 15 000 * 0,2 = 3 000 5 700
• MOI: 21 375 €
Valor da MOD = 11 000 + 17 500 = 28 500 €
Coef. Imp. = 21 375 = 0,75 €
Produto Y: 17 500 * 0,75 = 13 125
Produto X: 11 000 * 0,75 =
Total dos GGF = 2 850 + 2 550 + 5 700 + 21 375 = 32 475
Imputação total aos produtos:
Produto Y: 1 750 + 1 350 + 3 000 + 13 125 =19 225
Produto X: 1 100 + 1 200 + 2 700 + 8 250 =
Custo Industrial:
Margem Bruta:
Produto X: 40 000 – 30 250 = 9 750
Produto Y: 45 000 – 44 225 =
Quotas Teóricas: quotas normais e quotas ideais
Coeficiente de Imputação dos GGF = Base de GGF Imputação
A empresa aguarda pelos valores reais dos GGF?
Coeficiente Teórico ou Pré - Estabelecido
1. O valor dos produtos não é prejudicado por algum
facto anormal (avaria, greve
2. Não é necessário aguardar pelo fim do mês para
calcular o coeficiente de imputação;
3. Procedimento menos trabalhoso, uma vez que só
existe um coeficiente ao longo do ano.
NORMAIS: coeficientes pré-determinados pressupondo que a empresa vai laborar em condições normais de funcionamento.
IDEAIS: coeficientes pré-determinados pressupondo que a empresa vai laborar em condições ideais de funcionamento.
Quotas reais / Quotas teóricas
Qual o tratamento a dar à diferença entre a quota estimada e a quota real?
(imputados)
GGF Reais
GGF Estimados
Sf se:
Se a diferença
GGF Reais >>>> GGF Estimados
GGF Reais <<<< GGF Estimados
A Empresa “Nocturno” dedica-se ao fabrico de malas de viagem de diversos tipos. Para
calcular o custo unitário das malas abre-se, para cada lote a fabricar constituído por
malas do mesmo tipo, uma ficha de custo. Os GGF são imputados às ordens com base
nos custos da MOD aplicada em cada uma.
No mês de Janeiro, os GGF da empresa e a MOD correspondente às diversas ordens de
fabrico foram os seguintes:
Ordem n.º1
Ordem n.º2
Ordem n.º3
Durante o mês em causa, consideram-se duas hipóteses para imputar os GGF às ordens
Hipótese: a imputação dos GGF faz-se por quotas reais.
Hipótese: a imputação dos GGF faz-se por quotas teóricas (admita que os GGF e a
MOD previstos para o ano são, respectivamente, de 19 000 € e 9 500 €).
Coef. Imp. = 1 680 = 2,1
Ou seja, por cada Euro de MOD imputa-se 2,10€ de GGF.
Ordem n.º1: 2,1 * 275 = 577,5 Ordem n.º2: 2,1 * 350 = 735 Ordem n.º3: 2,1 * 175 = 367,5 1 680
Coef. Imp. = 19 000 = 2 9 500
Ou seja, imputa-se 2 € de GGF por cada Euro de MOD.
Ordem n.º1: 2 * 275 = 550 Ordem n.º2: 2 * 350 = 700 Ordem n.º3: 2 * 175 = 350 1 600
NOTA: Repare-se que há uma diferença de imputação de 80 €. Esta diferença constitui
um custo do mês em causa, sendo contabilizada na conta da Contabilidade de Custos
“Diferenças de Incorporação”.
O MÉTODO DAS SECÇÕES HOMOGÉNEAS
Definição das secções homogéneas
É um centro de custos relativo a operações idênticas, com fácil atribuição de
responsabilidades, permitindo um controlo dos custos e a sua afectação posterior. O
facto de ter operações idênticas facilita a escolha de uma unidade de obra. É, portanto,
um centro de custos (centro de responsabilidade cujo responsável controla a qualidade
e/ou o custo dos factores consumidos), cujas características consistem:
• Homogeneidade de funções
• Responsabilização
• Existência de uma unidade de medida da actividade do centro
Objectivo do método
(unidade de obra)
O grau de divisão em secções depende do objectivo definido:
a) Apuramento mais correcto do custo dos produtos
b) Controlo de gestão
Escolha da Unidade de Obra
A unidade de obra é uma unidade que permite medir a actividade da secção e em
relação à qual todos os custos da secção são proporcionais.
Unidade de Custeio
– unidade definida para medir os custos de cada secção.
Caracterização do método
Auxiliares prestam serviço a outras secções
Principais (de produção) concorrem directamente para a produção.
Administrativas, Distribuição e Financeiras não concorrem directamente para a produção.
Exemplo: contabilidade, administração, comercialização.
1º) Determinação dos Custos Directos e Comuns aos Centros ou Repartição Primária:
Distribuição dos gastos directos e comuns pelos respectivos centros/secções (principais e auxiliares).
2º) Determinação do Valor dos Reembolsos ou Repartição Secundária:
Repartição dos custos dos centros/secções auxiliares pelos centros/secções receptoras do serviço prestado por cada um dos centros/secções auxiliares.
3º) Determinação do Custo Global dos Produtos / Serviços ou Repartição Terciária:
Imputação dos custos totais das secções principais aos produtos/serviços através das Unidades de Obra.
PRESTAÇÕES SIMPLES OU EM CADEIA
PRESTAÇÕES RECÍPROCAS
COMO APURAR O CUSTO DA UNIDADE DE OBRA DE CADA SECÇÃO?
• Algebricamente
• Aritmeticamente
Na Empresa X, no mês de Janeiro, a secção de Distribuição de Energia forneceu electricidade à secção de Reparações Eléctricas e esta última fez reparações no posto de transformação de energia da primeira. A actividade das secções no mês em causa foi a seguinte:
Distribuição de Energia: 50 000 Kwh, dos quais 1 000 Kwh se destinaram à secção das Reparações Eléctricas; Reparações Eléctricas: 800 Hh, das quais 100 Hh se destinaram a servir a secção de Distribuição de Energia.
Os custos das secções foram os seguintes:
Distribuição de Energia: 163 000 € Reparações Eléctricas: 92 500 €
Para apurar o custo da unidade de obra de cada secção, resolvemos o seguinte sistema de duas equações e incógnitas:
DE = 163 000 + (100/800) RE
RE = 92 500 + (1 000/50 000) DE
DE = 163 000 + 0,125 RE
RE = 92 500 + 0,02 DE
DE = 163 000 + 0,125*(92 500 + 0,02 DE)
DE = 163 000 + 11 562,50 + 0,0025 DE
DE – 0,0025 DE = 174 562,50
DE = 174 562,5/ 0,9975
DE = 175 000
RE = 92 500 + 0,02*175 000 = 96 000
Coeficiente de Imputação DE = 175 000/50 000 = 3,5 Coeficiente de Imputação RE = 96 000/800 = 120
Quadro de repartição dos Gastos Indirectos de Fabrico ou dos Custos de Transformação
Secções Auxiliares
Secção Y
1. Custos directos ou comuns às secções Consumos de Mat. Subsidiárias Mão de Obra Indirecta Energia Eléctrica Depreciação de Edifícios e Equipam. Seguros da Secção Outros Total da Repartição Primária
2. Reembolsos ou Repartição Secundária Secção Auxiliar (secundária) X Secção Auxiliar (secundária) Y Total da Segunda Repartição
3. Custo global Unidade de Obra (imputação) Custo unitário
Exemplo: Companhia NOVA I
Sobre a Companhia NOVA I sabem-se as seguintes informações:
Custos MOD
GGF´s dos Departamentos (€)
· O departamento A serve todos os outros, sendo a base de rateio o n.º de
· O departamento B serve todos os outros, excepto o departamento A, sendo a
base de rateio as horas de MOD.
· O departamento C serve somente os departamentos Y e Z, sendo a base de
rateio os custos de MOD.
· O departamento D serve somente o departamento X.
· O departamento E serve os departamentos X, Y e Z de acordo com as
proporções 2; 2; 1, respectivamente.
Elaboração de um mapa de trabalho com toda a distribuição dos gastos gerais de
fabrico, segundo os dados do problema.
Secções Auxiliares: A; B; C; D e E. Secções Principais: X; Y e Z. N.ºEmpregados: 525 Horas MOD: 61 200 Custos MOD: 10 000 € GGF: 25 650 €
Quadro de Repartição dos Custos pelas Secções:
Secção A: 1 500 u.m
Coef. Imp.: 1 500 = 3
N.ºEmpregados
B: 100*3= 300
X: 30*3=
95*3= 285
Y: 90*3= 270
D: 85*3= 255
Z: 45*3= 135
E: 55*3= 165
Secção B: 5 700 u.m + 300 u.m (Secção A)
Horas MOD
Coef. Imp.: 6 000 = 0,125
C: 10 800*0,125= 1 350
D: 12 000*0,125= 1 500
9 600*0,125= 1 200
X: 4 800*0,125= 600 Y: 7 200*0,125= 900 Z: 3 600*0,125= 450
Secção C: 3 365 u.m + 285 u.m (Secção A) + 1 350 u.m (Secção B)
Coef. Imp.: 5 000 = 0,5
Y: 5 200*0,5= 2 600 Z: 4 800*0,5= 2 400
Secção D: 1 410 u.m + 255 u.m (Secção A) + 1 500 (Secção B)
Como serve somente o departamento X vamos imputar o total (3 165 u.m) a esse departamento.
Secção E: 2 635 u.m + 165 u.m (Secção A) + 1 200 (Secção B)
Coef. Imp.: 4 000 = 800 2 + 2 + 1
X: 2*800= 1 600 Y: 2*800= 1 600
Z: 1*800=
Proporções 2; 2; 1
SISTEMAS DE CUSTEIO NA IMPUTAÇÃO DOS CUSTOS
Sistemas de Custeio Reais e Sistemas de Custeio Teóricos
Nos domínios da Contabilidade Analítica existem distintos métodos para o cálculo do custo final do produto. Os sistemas de custeio mais utilizados são:
• SISTEMA DE CUSTEIO TOTAL
• SISTEMA DE CUSTEIO VARIÁVEL
• SISTEMA DE CUSTEIO RACIONAL
Cada um destes sistemas de custeio poderá ser utilizado recorrendo a custos reais/históricos ou recorrendo a custos teóricos, conforme, se utilizem os custos nos quais a empresa realmente incorreu (informação contabilística a posteriori) ou se utilizem custos pré-estabelecidos (informação contabilística a priori), respectivamente.
A Empresa Ramos, Lda. dedica-se à produção de esferográficas de alta qualidade. A sua produção normal é de 150 000 unidades por ano. Durante o mês de Outubro de 2009 produziram-se 10 000 unidades.
Para tal, incorreu nos seguintes custos:
Custos Variáveis Industriais
• MOD 3
• GGF (25 000 são custos directos aos produtos)
Custos Fixos Industriais (GIF)
Custos não Industriais Variáveis
Custos não Industriais Fixos
a existência inicial de produtos acabados é nula.
das 10 000 unidades produzidas este mês, foram vendidas 8 000 unidades a um
a variação de existências de produtos em vias de fabrico é nula.
preço unitário de 125 .
Prevêem-se para o próximo ano Custos Fixos Industriais no valor de 3 750 000 .
Avaliar o custo dos produtos acabados, o custo dos produtos vendidos e o valor das existências finais de produtos acabados pelos vários sistemas de custeio que conhece.
3 Vamos considerar que os 175 000 € correspondentes à MOD se tratam de custos com horas extraordinárias ou prémios de produtividade sendo, por isso, classificados como um custo variável.
Sistema de Custeio Total
São considerados custos do produto todos os custos industriais - Fixos e Variáveis.
De acordo com este sistema, as existências de produtos acabados são avaliadas pelo
custo total da produção.
Tanto os custos variáveis industriais, como os custos fixos industriais são custos do
produto e só se tornam custos do período à medida que os produtos vão sendo
Neste sistema devemos atender ao seguinte:
• Não minimiza a importância e indispensabilidade dos custos fixos;
• Consistência com a informação externa;
• Arbitrariedade das repartições dos gastos indirectos;
• Instabilidade dos custos ao longo do exercício;
• Um aumento das vendas pode ser acompanhado por uma diminuição do lucro.
Utilizando o exemplo acima indicado:
Custeio Total
Custos Variáveis Custos Fixos
Custo Industrial Total
Produção do mês
Custo Unitário de produção
CIPA (10 000 un)
EFPA (2 000 un)
Vendas CIPV Dif. Inc. (CF não incorporados)
Pressupondo o exemplo anterior, teremos que:
CIPA = 300 000 + 45 * 10 000 = 750 000
Cada unidade que permanece em armazém no final do período é avaliada a 75 .
Custos Industriais Variáveis
EIPVF (CV’ + CF’)
Custos Industriais Fixos
Quantidade (CV 1 ’’ + CF 1 ’’)
EFPVF (CV’’ + CF’’)
EIPA (CV 1 ’ + CF 1 ’)
CIPV:
Qd vendida (CV 1 ’’’ + CF 1 ’’’)
EFPA (CV 1 ’’’ + CF 1 ’’’)
Custos Industriais Variáveis (Quantidade * CV 1 )
Qd vendida * PV 1
Sistema de Custeio Variável
Utilizando este sistema de custeio consideram-se custos do produto, única e
exclusivamente, os custos variáveis industriais, e só estes serão considerados para
efeitos de valorização das Existências Finais de Produtos Acabados (EFPA).
Como tal, os custos fixos são, na sua totalidade, custos do período.
Não esquecer que as existências de matérias são igualmente avaliadas apenas pelos
custos variáveis. Os custos fixos com elas relacionados - custos de armazenagem,
por exemplo - são custos do período.
• Os resultados reflectem variações das vendas;
• Não se considera os custos fixos numa base unitária;
• Apresenta maior interesse para análise da situação económica da empresa;
• Simplifica o trabalho contabilístico e fornece maior exactidão no apuramento dos
• Dificuldade na separação dos custos e custo incompleto.
CIPA = 45 * 10 000 = 450 000
Cada unidade que permanece em armazém, no final do período, é avaliada
apenas a 45 .
Custos Industriais não incorporados
EIPVF (CV’)
Quantidade (CV 1 ’’)
EFPVF (CV’’)
EIPA (CV 1 ’)
Qd vendida (CV 1 ’’’)
EFPA (CV 1 ’’’)
Sistema de Custeio Racional
O método de imputação racional dos custos fixos é um método de cálculo dos custos de produção que tem por objectivo eliminar ou isolar a variação do volume de produção sobre os custos. Para tal, este sistema de custeio, considera como custos do produto não só, a totalidade dos custos variáveis, como também uma percentagem dos custos fixos. Essa percentagem será a que resulta do quociente entre a produção/actividade real e a produção/actividade normal (instalada).
Custos Fixos Industriais a Imputar à Produção = CF *
Produção real
Custos Fixos Ind. Não Incorporados =
CF * 100%
− Produção normal
Ou seja, Imputam-se aos produtos os custos fixos respeitantes à percentagem da capacidade realmente utilizada.
A parte respeitante ao não aproveitamento da capacidade instalada, ou seja, os custos de sub - actividade, será custo do período e não do produto. Esse saldo será levado a uma conta de "DIFERENÇAS DE INCORPORAÇÃO – diferenças relativas a níveis de actividade".
Repare-se que o sistema de custeio racional parte do pressuposto de que não deverá ser imputada aos produtos fabricados em certo período uma quota de custos fixos industriais superior à que esteja na proporção do volume de produção real relativamente àquele que é considerado normal.
A utilização deste sistema é aconselhada pela “NCRF 18 – Inventários” do SNC, que no seu §13 esclarece que “a imputação de gastos gerais de produção fixos aos custos de conversão é baseada na capacidade normal das instalações de produção”.
• O custo de produção unitário é um bom instrumento de orientação da política de
• Dificuldade na definição da capacidade normal;
• Arbitrariedade das repartições dos gastos indirectos.
Qual será o custo industrial da produção acabada utilizando o sistema de custeio racional?
Produção normal / mês = 150 000 unidades / 12* = 12 500 unidades/mês
*Ou 11 meses (depende dos meses de trabalho da empresa).
Custeio Racional

References: artigo 9
 artigo 3
 artigo 11
 artigo 11
 artigo 9
 artigo 11