Source: http://www.docstoc.com/docs/892209/doping-no-esportes
Timestamp: 2014-10-24 12:13:38+00:00

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doping no esportes
DOPING GEN&#201;TICO E ESPORTE
Andr&#233;a Ramirez1 &#193;lvaro Ribeiro2
RESUMO Em uma &#233;poca em que as Ci&#234;ncias do Esporte aportam cada vez mais decisivamente elementos para a melhora do desempenho esportivo dos praticantes de esportes de alto rendimento, em particular, e de atividades f&#237;sicas, em geral, ganham em import&#226;ncia discuss&#245;es acerca da utiliza&#231;&#227;o de novos m&#233;todos e subst&#226;ncias em suas mais amplas implica&#231;&#245;es. Quer do ponto de vista sanit&#225;rio ou &#233;tico, o doping gen&#233;tico tem suscitado debates t&#227;o intensos quanto question&#225;veis do ponto de vista cient&#237;fico. Pelo m&#233;todo dial&#233;tico v&#234;m as linhas a seguir com o objetivo de propor novo enfoque sobre o que &#233; atualmente considerado doping gen&#233;tico pela Ag&#234;ncia Mundial Antidoping, assim como para enfatizar a necessidade de buscar uma solu&#231;&#227;o mais adequada &#224; inevit&#225;vel evolu&#231;&#227;o e impacto que ter&#227;o as tecnologias biomoleculares na humanidade e, logo, no esporte de alto rendimento. Com a apropria&#231;&#227;o de conceitos de &#225;reas do conhecimento humano como a Biologia, o Direito e a Filosofia, este ensaio se prop&#245;e a auxiliar na compreens&#227;o de elementos centrais do doping gen&#233;tico e a provocar o surgimento de novas interroga&#231;&#245;es. Considera-se ao final que o tratamento dado pela Ag&#234;ncia Mundial Antidoping &#224; utiliza&#231;&#227;o de tecnologias biomoleculares corresponde apenas em parte &#224;s transforma&#231;&#245;es por que passa o mundo e &#224;s expectativas do Movimento Ol&#237;mpico quanto &#224; sua raz&#227;o de existir. Unitermos: Doping Gen&#233;tico, Esportes, Tecnologias Biomoleculares, Ag&#234;ncia Mundial Antidoping, Direito ABSTRACT At a time where Sports Sciences bring more and more decisively elements for the improvement of athletes’ performance both in competitions and physical activities, issues concerning the use of new methods and substances in its broader implications gain in importance. Weather from the point of view of health or ethics, gene doping has provoked debates as excited as questionable in a scientific perspective. This essay try to consider a new approach on what is called gene doping by the World Anti-Doping Agency as well as emphasize the necessity to search a more adequate solution to the inevitable evolution and impact that biomolecular technologies may have on the humanity as a whole. With concepts from areas of knowledge such as Biology, Law and Philosophy, the following lines try to expose central elements of gene doping in order to make other interrogations resurge. At last, it is considered that the treatment given by the World Antidoping Agency to the use of biomolecular technologies correspond only partly to the transformations that world passes by and to the expectations of the Olympic Movement concerning the Agency’s goals. Uniterms: Gene Doping, Sports, Biomolecular technologies, World Anti-Doping Agency, Law
Bi&#243;loga, Mestre em Gen&#233;tica, Professora do Curso de Educa&#231;&#227;o F&#237;sica do UniFMU. Advogado, Membro Consultor da Comiss&#227;o de Legisla&#231;&#227;o e Direito Desportivo do Conselho Federal da OAB.
Revis&#227;o: Ms Cleber da Silva Costa, professor de gen&#233;tica da Uninove e UniA
2 1 - Introdu&#231;&#227;o
Em uma &#233;poca em que as Ci&#234;ncias do Esporte aportam, cada vez mais decisivamente, elementos para a melhora do desempenho dos praticantes de esportes de alto rendimento, em particular, e de atividades f&#237;sicas em geral, ganham import&#226;ncia discuss&#245;es acerca da utiliza&#231;&#227;o de novos m&#233;todos e subst&#226;ncias que potencializem fun&#231;&#245;es org&#226;nicas no homem. Considerando a quantidade de artigos de divulga&#231;&#227;o cient&#237;fica ressaltando aspectos principalmente bio&#233;ticos acerca do tema e a parca literatura cient&#237;fica especializada, este ensaio tem o objetivo de esclarecer aspectos cient&#237;ficos e propor novo enfoque sobre o que &#233; atualmente considerado doping gen&#233;tico pela Ag&#234;ncia Mundial Antidoping (WADA – World Anti-Doping Agency). S&#227;o apresentados conceitos de doping e tecnologias biomoleculares, bem como os principais genes candidatos ao doping gen&#233;tico. S&#227;o discutidas, dialeticamente, as rela&#231;&#245;es entre terapias g&#234;nicas e doping gen&#233;tico e a inclus&#227;o do doping gen&#233;tico na lista proibida da WADA sob a &#233;gide da Biologia, do Direito e da Filosofia. Considera-se, ao final, que o tratamento dado pela Ag&#234;ncia Mundial Antidoping &#224; utiliza&#231;&#227;o de tecnologias biomoleculares corresponde, apenas em parte, &#224;s transforma&#231;&#245;es por que passa o mundo e &#224;s expectativas do Movimento Ol&#237;mpico quanto &#224; sua raz&#227;o de existir.
2 - Doping 2.1 - Defini&#231;&#227;o de doping
Mais importante do que se ater a eventuais diverg&#234;ncias entre cada uma das defini&#231;&#245;es de dopingi &#233; perceber que em todas est&#227;o presentes elementos comuns que se interrelacionam: a inten&#231;&#227;o deliberada de melhorar o desempenho esportivo em detrimento da &#233;tica esportiva. O preju&#237;zo, ainda que meramente potencial, &#224; sa&#250;de dos atletas, n&#227;o &#233; elemento constitutivo do “doping”, mas sua eventual decorr&#234;ncia. Com efeito, n&#227;o se faz uso de doping com a inten&#231;&#227;o de causar um dano &#224; sa&#250;de. Logo o aspecto de prote&#231;&#227;o &#224; sa&#250;de dos atletas &#233; um dos elementos centrais da investida “antidoping”ii. Assim, o doping pode ser compreendido como a (utiliza&#231;&#227;o de) subst&#226;ncia ou m&#233;todo que possa melhorar o desempenho esportivo e atente contra a &#233;tica esportiva em determinado tempo e lugar, com ou sem preju&#237;zo &#224; sa&#250;de do esportista. A solu&#231;&#227;o
3 para o problema do doping no Movimento Ol&#237;mpico, se existe uma, deve passar necessariamente pela releitura dos valores abrigados pela Carta Ol&#237;mpica3, como se ver&#225; adiante. Evitando eventuais lacunas na interpreta&#231;&#227;o das diversas defini&#231;&#245;es existentes, a Ag&#234;ncia Mundial Antidoping definiu doping como sendo “a ocorr&#234;ncia de uma ou mais viola&#231;&#245;es das regras antidoping, tais como enunciadas nos artigos 2.1 a 2.8 do C&#243;digo” (WADA/AMA, 2003, artigo 1). Conquanto esta defini&#231;&#227;o seja &#250;til do ponto de vista do enquadramento de um caso concreto, por ser remissiva ela n&#227;o contribui para a tarefa de justificar a utiliza&#231;&#227;o das tecnologias biomolecurares para fins n&#227;o terap&#234;uticos, como o doping. Com efeito, s&#227;o oito as possibilidades de viola&#231;&#227;o das regras no atual sistema antidoping da AMA, quais sejam (WADA/AMA, artigo 2.1 a 2.8): 1. “a presen&#231;a de uma subst&#226;ncia proibida, de seus metab&#243;litos ou seus marcadores em uma amostra corp&#243;rea do desportista”; 2. “uso ou tentativa de uso de uma subst&#226;ncia ou m&#233;todo proibidos”; 3. “n&#227;o-comparecimento, sem justifica&#231;&#227;o v&#225;lida, a uma coleta de amostras”; 4. “n&#227;o-fornecimento de informa&#231;&#245;es exigidas sobre sua localiza&#231;&#227;o para efeitos de controles fora-de-competi&#231;&#227;o ou o n&#227;o comparecimento a um deles”; 5. “a adultera&#231;&#227;o ou a tentativa de adultera&#231;&#227;o de qualquer elemento em qualquer fase do Controle Antidoping”; 6. “o porte de subst&#226;ncias ou m&#233;todos proibidos”; 7. “o tr&#225;fico de subst&#226;ncias e m&#233;todos dopantes” e 8. “a administra&#231;&#227;o ou tentativa de administra&#231;&#227;o, o encorajamento, a incita&#231;&#227;o, a instiga&#231;&#227;o a assist&#234;ncia ou de qualquer modo a ajuda ou a dissimula&#231;&#227;o da administra&#231;&#227;o de subst&#226;ncia ou m&#233;todo proibidos a qualquer desportista, ou a pr&#225;tica de qualquer outra forma de cumplicidade que implique em viola&#231;&#227;o ou tentativa de viola&#231;&#227;o de qualquer regra antidoping”. Assim, das possibilidades acima enumeradas, o recurso &#224;s tecnologias biomeleculares subsumir-se-ia &#224; hip&#243;tese do item 2 (uso ou tentativa de uso de uma subst&#226;ncia ou m&#233;todo proibidos), uma vez que a “utiliza&#231;&#227;o para fins n&#227;o terap&#234;uticos de c&#233;lulas, genes, elementos gen&#233;ticos, ou de modula&#231;&#227;o da express&#227;o gen&#233;tica, que tenham a capacidade de melhorar o desempenho esportivo &#233; proibida”, conforme preconiza a WADA desde 2003.
Vide refer&#234;ncias.
4 2.2 - Inclus&#227;o de M&#233;todos na “Lista Proibida”: Crit&#233;rios
&#201; atrav&#233;s de decis&#227;o do Conselho Executivo da Ag&#234;ncia que uma subst&#226;ncia ou um m&#233;todo s&#227;o inclu&#237;dos na Lista Proibida, mas n&#227;o aleatoriamente, pois que o C&#243;digo Mundial Antidoping estabelece crit&#233;rios - objetivos e subjetivos – para tanto. Com efeito, uma subst&#226;ncia ou um m&#233;todo &#233; suscet&#237;vel de inclus&#227;o na lista de subst&#226;ncias e m&#233;todos proibidos se atuarem no organismo como um agente-m&#225;scara4 ou se a subst&#226;ncia ou m&#233;todo atender a DOIS dos TR&#202;S cen&#225;rios seguintes (WADA/AMA, artigos 4.3.1 e seguintes): 1. melhora, ainda que potencialmente, o rendimento esportivo; 2. representa um risco, ainda que potencial, para a sa&#250;de; ou 3. seu uso &#233; contr&#225;rio ao esp&#237;rito esportivo, tal como descrito na Introdu&#231;&#227;o do C&#243;digo Mundial Antidoping, por decis&#227;o da WADA. Com base nestes crit&#233;rios, a Ag&#234;ncia Mundial Antidoping incluiu o recurso &#224;s tecnologias biomoleculares na “Lista Negra” porque “seria inadequado exigir que a subst&#226;ncia ou m&#233;todo atendesse aos tr&#234;s crit&#233;rios para ser proibida. Por exemplo, a utiliza&#231;&#227;o da tecnologia de transfer&#234;ncia gen&#233;tica para aumentar sensivelmente o rendimento esportivo dever ser proibida por contrariar o esp&#237;rito esportivo, ainda que n&#227;o ofere&#231;a riscos &#224; sa&#250;de” (WADA/AMA, coment&#225;rios aos artigos 4.3.1 e seguintes). Efetivamente, &#233; altamente prov&#225;vel que manipula&#231;&#245;es gen&#233;ticas favore&#231;am a melhora do desempenho esportivo. Entretanto, os outros dois crit&#233;rios n&#227;o est&#227;o claros. Discutiremos, posteriormente, se o recurso &#224;s tecnologias biomoleculares pode causar dano &#224; sa&#250;de do atleta. Mas &#233; precisamente quanto ao terceiro crit&#233;rio (uso contr&#225;rio ao esp&#237;rito esportivo) que se faz necess&#225;rio tecer algumas considera&#231;&#245;es neste momento. O esp&#237;rito esportivo, para a Ag&#234;ncia Mundial Antidoping, &#233; precisamente “o valor intr&#237;nseco do esporte”, que se apresenta como “a ess&#234;ncia propriamente dita do olimpismo” e que incentiva os esportistas “ao jogo franco”. &#201; um conjunto de qualidades tais como “&#233;tica, fair play, honestidade, sa&#250;de, excel&#234;ncia no rendimento, bom car&#225;ter, educa&#231;&#227;o, divers&#227;o e alegria, trabalho de equipe, dedica&#231;&#227;o e comprometimento, respeito &#224;s regras e leis, respeito a si e aos outros competidores, coragem, sentido de comunidade e solidariedade” (WADA/AMA - Introdu&#231;&#227;o).
Agente que tenha a propriedade de mascarar a utiliza&#231;&#227;o de outras subst&#226;ncias ou m&#233;todos, e.g., alguns diur&#233;ticos.
5 A quest&#227;o que se coloca, ent&#227;o, consiste em perquirir se o recurso &#224;s tecnologias biomoleculares se choca com a id&#233;ia de “esp&#237;rito esportivo”. E justamente porque ele &#233; a ess&#234;ncia do olimpismo, &#233; necess&#225;rio investigar se estas tecnologias s&#227;o contr&#225;rias aos princ&#237;pios do Olimpismo nele mesmo. De seus Princ&#237;pios Fundamentais, &#233; preciso reter que o Olimpismo &#233; uma filosofia de vida que busca equil&#237;brio entre corpo, mente e esp&#237;rito, fazendo da arte, da cultura e da educa&#231;&#227;o seus aliados principais. Com respeito aos princ&#237;pios &#233;ticos fundamentais universais, o Olimpismo visa “colocar o esporte a servi&#231;o do desenvolvimento harmonioso do homem tendo em vista a promo&#231;&#227;o de uma sociedade pac&#237;fica e preocupada em preservar a dignidade humana” (COI, 2003 – Carta Ol&#237;mpica). 3 - Gen&#233;tica 3.1 – Conceitos e terapia g&#234;nica Definimos tecnologias biomoleculares como o conjunto das t&#233;cnicas de manipula&#231;&#227;o do DNA (&#225;cido desoxirribonucleico), RNA (&#225;cido ribonucleico) e/ou prote&#237;nas, que incluem extra&#231;&#227;o, quantifica&#231;&#227;o, amplifica&#231;&#227;o, marca&#231;&#227;o, localiza&#231;&#227;o de genes, isolamento,
sequenciamento, transfer&#234;ncia e clonagem para a realiza&#231;&#227;o de terapias g&#234;nicas ou gen&#233;ticas, inclusive o doping gen&#233;tico. Terapia g&#234;nica humana consiste em introdu&#231;&#227;o de: a) genes respons&#225;veis por produtos terap&#234;uticos, isto &#233; genes normais, ou b) c&#233;lulas geneticamente modificadas com a finalidade de bloquear a atividade de genes prejudiciais, ativar mecanismos de defesa imunol&#243;gica, ou ainda produzir mol&#233;culas de interesse terap&#234;utico (Nadir e Ventura, 2005). O primeiro protocolo de terapia g&#234;nica em humanos foi realizado em 1990. Desde ent&#227;o, as t&#233;cnicas para a realiza&#231;&#227;o da terapia g&#234;nica humana multiplicam-se rapidamente. Apesar de pouco sucesso documentado e algumas intercorr&#234;ncias, a terapia g&#234;nica tem revelado influ&#234;ncia importante no paradigma cl&#237;nico para o tratamento de doen&#231;as herdadas e n&#227;o herdadas. Uma boa revis&#227;o dos trabalhos encontra-se em Culver (1996) e Crofts e Krimsky (2005). Atualmente as estrat&#233;gias utilizadas para experimenta&#231;&#227;o em terapia g&#234;nica s&#227;o: a) inser&#231;&#227;o de um gene em local n&#227;o espec&#237;fico do genoma para substitui&#231;&#227;o de um gene n&#227;o
6 funcional, b) um gene anormal pode ser substitu&#237;do por um gene normal pela recombina&#231;&#227;o hom&#243;loga, c) o gene anormal pode ser corrigido por muta&#231;&#227;o reversa seletiva, o que retorna o gene &#224; sua fun&#231;&#227;o normal, d) a regula&#231;&#227;o da express&#227;o g&#234;nica de um determinado gene pode ser alterada. Especificamente para o esporte, a terapia g&#234;nica oferece um caminho promissor na recupera&#231;&#227;o de tecidos de baixa capacidade regenerativa, tais como tend&#245;es, cartilagens e m&#250;sculos esquel&#233;ticos, facilitando a recupera&#231;&#227;o de rompimentos de ligamentos cruzados (anterior e posterior), meniscos, les&#245;es em cartilagens, e calcifica&#231;&#227;o &#243;ssea tardia pela inser&#231;&#227;o de fatores de crescimento (IGF-1, bFGF, NGF, PDGF , EGF , TGF-alpha, TGF-beta, BMP-2)5 para estimular a cicatriza&#231;&#227;o (Martinek et al., 2000, Huard et al., 2003). 4 – Doping gen&#233;tico
Foi partindo da premissa e das perspectivas da terapia g&#234;nica que surgiu o termo - e o temor - Doping Gen&#233;tico na WADA em 2003. O termo refere-se &#224; utiliza&#231;&#227;o n&#227;o terap&#234;utica de genes, elementos gen&#233;ticos e/ou c&#233;lulas que t&#234;m a capacidade de melhorar o desempenho esportivo (WADA, 2003). Diferentemente do objetivo da terapia g&#234;nica, que consiste em alterar um gene para obter a cura como resultado, o doping gen&#233;tico n&#227;o requer exatamente a modifica&#231;&#227;o em um gene espec&#237;fico, pois h&#225; muitos genes que, se modificados, podem levar ao aumento do desempenho esportivo. Rankinen et al. (2004) elaboraram, a partir de dados da literatura espec&#237;fica, um mapa com os genes candidatos para os fen&#243;tipos de desempenho f&#237;sico e sa&#250;de. Como tem sido um trabalho constante do pesquisador desde 2000, na atualiza&#231;&#227;o de 2003 do mapa foram registrados 109 genes nucleares, dois ligados ao cromossomo X e 15 mitocondriais. Na atualiza&#231;&#227;o de 2005 os autores incorporaram os genes que foram associados tanto &#224; condi&#231;&#227;o f&#237;sica quanto aos indicadores de sedentarismo. Assim, a nova vers&#227;o inclui 140 genes autoss&#244;micos e QTLs6, al&#233;m de quatro genes ligados ao cromossomo X e 16 genes mitocondriais (Wolfarth, 2005).
IGF-1 = insulin-like growth factor-1; bFGF = basic fibroblast growth factor; NGF = nerve growth factor; PDGF = platelet-derived growth factor; EGF = epidermal growth factor;TGF = transforming growth factor; BMP-2 = bone morphogenetic protein-2 6 Quantitative trait loci s&#227;o regi&#245;es polim&#243;rficas de um cromossomo contendo alelos que influenciam diferentemente a express&#227;o de uma caracter&#237;stica quantitativa.A presen&#231;a do QTL &#233; inferida a partir do mapeamento gen&#233;tico.
7 Os genes candidatos ao doping gen&#233;tico mais estudados s&#227;o EPO (eritropoietina), IGF-1 (fator de crescimento 1, semelhante &#224; insulina) e GDF-8 (miostatina). O VEGF (fator de crescimento vascular), o LEP (leptina) e o gene codificador da endorfina tamb&#233;m foram mencionados como fortes candidatos. No Congresso Pr&#233;-Ol&#237;mpico de 2004, o VEGF foi citado como prov&#225;vel alvo por aumentar o n&#250;mero de vasos sangu&#237;neos permitindo uma maior vasculariza&#231;&#227;o dos diferentes &#243;rg&#227;os solicitados pela pr&#225;tica desportiva. O gene codificador da endorfina tamb&#233;m foi apresentado como estrat&#233;gico por aumentar o limiar da dor, permitindo treinos e competi&#231;&#245;es ainda mais intensos (van Hilvoorde, 2004). 4.1 – Principais genes candidatos ao doping gen&#233;tico
A) Eritropoietina (EPO) - A Eritropoietina &#233; uma citocina de 34kDa de massa molecular, historicamente considerada horm&#244;nio (glicoprot&#233;ico), sintetizada pelo gene EPO localizado em 7q217. &#201; o principal regulador da produ&#231;&#227;o de c&#233;lulas vermelhas, com fun&#231;&#227;o de promover a diferencia&#231;&#227;o eritrocit&#225;ria e o in&#237;cio da s&#237;ntese de hemoglobina. &#201; sintetizada principalmente pelas c&#233;lulas renais, por&#233;m os astr&#243;citos tamb&#233;m produzem EPO (OMIM, 2005). Como o aumento na quantidade de EPO aumenta o n&#250;mero de gl&#243;bulos vermelhos no sangue e a produ&#231;&#227;o de hemoglobina, a administra&#231;&#227;o de v&#225;rios tipos de EPO, recombinantes e similares (rHuEPO-α, rHuEPO-β, rHuEPO-ω, darbepoietina-α, rHuEPO-δ/GA-EPO, rHuEPO encapsulada, EPO mim&#233;ticos), &#233; &#250;til no tratamento de anemias severas (cong&#234;nitas, adquiridas, e causadas por insufici&#234;ncia renal cr&#244;nica). Por racioc&#237;nio semelhante, a administra&#231;&#227;o de EPO &#233; uma das formas de aumentar o transporte de oxig&#234;nio e, consequentemente, o desempenho esportivo em modalidades de longa dura&#231;&#227;o. Pesquisas revelaram que a introdu&#231;&#227;o de v&#237;rus contendo EPO aumentou cerca de 80% o hemat&#243;crito de camundongos e macacos (cf. Unal eUnal, 2004). O uso dos vetores retrovirais (Osborne et al., 1995), adenovirais (Tripathy et al., 1994), DNA puro e a transfer&#234;ncia de linhagens de c&#233;lulas transfectadas (fibroblastos e m&#250;sculos), tamb&#233;m foram eficientes em roedores (Hamamori et al., 1994). No entanto ainda faltam estudos para garantir a seguran&#231;a e efic&#225;cia do m&#233;todo para a cura de anemias agudas e cr&#244;nicas (Culver, 1996). Experimentos conflitantes s&#227;o os
Nomenclatura cromoss&#244;mica. Neste caso, o gene que codifica a EPO se localiza na regi&#227;o 21 do bra&#231;o longo (q) do cromossomo 7 humano.
8 que revelaram a efic&#225;cia da terapia g&#234;nica com EPO em macacos (Zhou et al., 1998), pois da mesma maneira que a transfer&#234;ncia g&#234;nica se revelou eficiente, foi respons&#225;vel pelo aumento excessivo de EPO (75%), levando a uma concentra&#231;&#227;o de hem&#225;cias incompat&#237;vel com a vida. Pesquisa recente revela que o controle farmacol&#243;gico da express&#227;o g&#234;nica ser&#225; necess&#225;rio para a seguran&#231;a e efic&#225;cia da terapia g&#234;nica (Rivera et al., 2005). Al&#233;m de EPO, &#233; poss&#237;vel modificar a hemoglobina como estrat&#233;gia para oferecer aumento de oxig&#234;nio aos tecidos. Gaudard et al. (2003) oferecem uma extensa revis&#227;o sobre o assunto com especial refer&#234;ncia ao doping sangu&#237;neo. Estudos mais recentes procuram estrat&#233;gias para a detec&#231;&#227;o do doping gen&#233;tico provocado por EPO com t&#233;cnicas biomoleculares, &#233; o que revela o editorial da revista cient&#237;fica Haematologica (2004), que dedicou um fasc&#237;culo inteiro ao tema. B) Fator de crescimento 1 semelhante &#224; insulina (IGF-1) - O fator de crescimento 1 semelhante &#224; insulina (tamb&#233;m conhecido como fator de crescimento muscular ou somatomedina C), codificado por um gene localizado em 12q22-q24.1, &#233; uma cadeia polipept&#237;dica simples contendo 70 amino&#225;cidos. O IGF-1, al&#233;m de ter estrutura tridimensional semelhante &#224; da insulina, permite a a&#231;&#227;o do horm&#244;nio de crescimento por ser mediador de muitos, se n&#227;o de todos, os efeitos deste horm&#244;nio (OMIM, 2005). Apesar do IGF-1 s&#233;rico ser sintetizado em maior quantidade pelo f&#237;gado, outros tecidos tamb&#233;m o sintetizam e s&#227;o sens&#237;veis ao seu efeito. Os genes finais na cascata de s&#237;ntese do GH incluem o IGF-1 e seu receptor IGF-1R, cujos produtos estimulam o crescimento em v&#225;rios tecidos, incluindo ossos e m&#250;sculos (Phillips, 1995; Rimoin and Phillips, 1997 apud OMIM, 2005). Na circula&#231;&#227;o, os IGFs s&#227;o predominantemente unidos &#224;s prote&#237;nas de liga&#231;&#227;o (IGFBPs), que prolongam a meia vida dos IGFs e t&#234;m fun&#231;&#227;o de envi&#225;-los aos tecidos alvo (Yakar et al., 1999). O processo de envelhecimento humano leva a um decl&#237;nio da massa e do desempenho muscular esquel&#233;tico, comprometendo a integridade muscular com invas&#227;o fibr&#243;tica em substitui&#231;&#227;o ao tecido contr&#225;til. Musaro et al. (2001) bem como Barton-Davis et al. (1998) e Barton et al. (2002), trabalhando com modelos animais, sugeriram que a transfer&#234;ncia g&#234;nica de IGF-1 para o m&#250;sculo poderia servir de base para a terapia g&#234;nica como preven&#231;&#227;o da perda de fun&#231;&#227;o muscular associada ao envelhecimento, al&#233;m de servir de benef&#237;cio &#224;s doen&#231;as nas quais h&#225; muitas les&#245;es no m&#250;sculo esquel&#233;tico tais como as distrofias musculares. O aumento do IGF1 tamb&#233;m pode promover a hipertrofia atrav&#233;s de um aumento na s&#237;ntese prot&#233;ica e prolifera&#231;&#227;o de c&#233;lulas sat&#233;lites. Lee et al. (2004) verificaram um aumento da hipertrofia
9 atrav&#233;s do efeito acumulativo da combina&#231;&#227;o de exerc&#237;cio de resist&#234;ncia e administra&#231;&#227;o de IGF-1 que resultou em aproximadamente 30% de aumento de massa muscular e for&#231;a em camundongos. A combina&#231;&#227;o do exerc&#237;cio de resist&#234;ncia e a express&#227;o de IGF-1 induziram mais a hipertrofia que os dois isoladamente. Al&#233;m disto, a perda de massa muscular pelo destreino foi maior quando n&#227;o houve a administra&#231;&#227;o de IGF-1. Resumidamente presume-se que as fissuras microsc&#243;picas nas fibras musculares, causadas pelo esfor&#231;o, disparam um alarme qu&#237;mico que ativa os genes nucleares e desencadeia a regenera&#231;&#227;o do tecido (n&#227;o a produ&#231;&#227;o de novas c&#233;lulas, mas a recupera&#231;&#227;o da membrana exterior das j&#225; existentes) e o preenchimento do seu interior com novas miofibrilas. Quando a demanda por miofibrilas &#233; muito grande, as c&#233;lulas-sat&#233;lites respondem ao sinal, promovendo a divis&#227;o celular (hiperplasia) e depois algumas se fundem com a fibra muscular (hipertrofia). A regula&#231;&#227;o desse processo envolve tanto os genes que incentivam (IGF-1) quanto os que inibem (GDF-8) o crescimento muscular (Sweeney, 2004). Obviamente, altera&#231;&#245;es nestes genes seriam altamente desej&#225;veis para a melhora no desempenho em muitas modalidades esportivas. C) Miostatina (GDF-8) - A superfam&#237;lia do fator de crescimento transformante beta compreende um grande n&#250;mero de fatores de crescimento e diferencia&#231;&#227;o fundamentais na regula&#231;&#227;o do desenvolvimento embrion&#225;rio e manuten&#231;&#227;o da homeostase tecidual em animais adultos e em desenvolvimento. O GDF-8 &#233; um gene desta superfam&#237;lia localizado na regi&#227;o 2q32.2 respons&#225;vel pela codifica&#231;&#227;o da miostatina, uma prote&#237;na de controle e manuten&#231;&#227;o da massa muscular esquel&#233;tica (OMIM, 2005). Durante os primeiros est&#225;gios da embriog&#234;nese a express&#227;o do GDF-8 &#233; restrita ao compartimento miot&#244;mico dos somitos, nos est&#225;gios posteriores, e nos animais adultos, o GDF-8 &#233; expresso na musculatura esquel&#233;tica. A express&#227;o de miostatina parece n&#227;o modificar conforme a idade (Costa, 2002). No m&#250;sculo esquel&#233;tico a miostatina &#233; transcrita como um RNA mensageiro de 3.1kb que codifica uma prote&#237;na precursora contendo 335 amino&#225;cidos. Esta prote&#237;na &#233; expressa, sofre clivagem, &#233; secretada no plasma e pode ser detectada nas fibras musculares esquel&#233;ticas do tipo I e II (Gonzalez-Cadavid et al., 1998). Em camundongos adultos, a miostatina circula como uma forma latente no sangue que pode ser ativada em meio &#225;cido, similar ao TGF-β8. A express&#227;o excessiva de miostatina sist&#234;mica em ratos adultos induziu a perda de massa muscular profunda e de gordura sem, no entanto, diminuir a absor&#231;&#227;o de nutrientes (Zimmers et al.,
Pept&#237;deo multifuncional que controla a prolifera&#231;&#227;o, diferencia&#231;&#227;o, e outras fun&#231;&#245;es em muitos tipos celulares
10 2002). Para determinar a fun&#231;&#227;o biol&#243;gica da miostatina, McPherron et al (1997) inviabilizaram a express&#227;o do gene GDF-8 em camundongos. Como resultado, os animais ficaram significantemente maiores que os n&#227;o modificados, e a an&#225;lise de cada m&#250;sculo revelou aumento de duas a tr&#234;s vezes na massa muscular quando comparados aos animais n&#227;o transformados. Estes aumentos foram atribu&#237;dos a uma combina&#231;&#227;o de hiperplasia e hipertrofia. Outros experimentos em camundongos (Lin et al., 2002; McPherroneLee, 2002) tamb&#233;m revelaram aumento na massa muscular, al&#233;m de redu&#231;&#227;o na produ&#231;&#227;o e secre&#231;&#227;o de leptina, sugerindo que a miostatina estivesse envolvida tanto na regula&#231;&#227;o do tecido adiposo quanto na do tecido muscular estriado esquel&#233;tico. Al&#233;m disto, os autores perceberam que a inibi&#231;&#227;o da miostatina atenua parcialmente a obesidade e o diabetes tipo II, sugerindo que os agentes farmacol&#243;gicos que bloqueiam a fun&#231;&#227;o da miostatina dever&#227;o ser &#250;teis, n&#227;o somente para promover o crescimento muscular, mas tamb&#233;m para desacelerar, ou prevenir, o desenvolvimento da obesidade e do diabetes tipo II. Bogdanovich et al. (2002) testaram a inibi&#231;&#227;o da miostatina in vivo em camundongos mdx9. Os resultados revelaram aumento de peso, massa, tamanho e for&#231;a muscular absoluta, com uma diminui&#231;&#227;o significante na degenera&#231;&#227;o muscular, e concentra&#231;&#227;o s&#233;rica de creatino-quinase. Os autores conclu&#237;ram que o bloqueio da miostatina oferece uma boa estrat&#233;gia para o tratamento de doen&#231;as associadas &#224; perda muscular como, por exemplo, a Distrofia Muscular de Duchenne. Em experimento semelhante, Wagner et al. (2002) verificaram redu&#231;&#227;o na extens&#227;o da fibrose muscular e melhora em algumas caracter&#237;sticas do fen&#243;tipo distr&#243;fico. Em pesquisa brasileira, a
express&#227;o diferencial do gene GDF-8 nos m&#250;sculos gastrocn&#234;mio e diafragma de camundongos mdx e controles, realizada por Costa (2002), revelou que o m&#250;sculo gastrocn&#234;mio do camundongo mdx apresentou baixa taxa de degenera&#231;&#227;o e alta taxa de regenera&#231;&#227;o quando comparado ao diafragma, que, por sua vez, apresentou alta taxa de degenera&#231;&#227;o e baixa taxa de regenera&#231;&#227;o. O autor tamb&#233;m verificou hiperexpress&#227;o do gene GDF-8 no gastrocn&#234;mio de camundongos mdx. Assim, hipotetizou a exist&#234;ncia de um mecanismo de retroalimenta&#231;&#227;o negativa para a express&#227;o do gene GDF-8 devido &#224; rela&#231;&#227;o entre regenera&#231;&#227;o tecidual e express&#227;o proteica. A express&#227;o do gene GDF-8 &#233; similar em tecidos musculares de pacientes portadores de dois tipos de distrofia muscular (Duchenne e Becker) com diferentes graus de comprometimento cl&#237;nico (2002). Com vistas &#224;s perspectivas
Linhagem de camundongos com distrofia muscular
11 de terapia g&#234;nica Walter et al. (2000) postularam uma perspectiva de mensurar a express&#227;o da miostatina de forma n&#227;o invasiva, enquanto Blankinship et al. (2004) enfatizaram a efic&#225;cia dos adenov&#237;rus como vetores mais apropriados para carregar o GDF-8. Curiosamente, foi identificada uma varia&#231;&#227;o al&#233;lica em uma m&#227;e e uma crian&#231;a com hipertrofia e for&#231;a muscular incomuns, uma muta&#231;&#227;o que levou &#224; s&#237;ntese de prote&#237;na severamente truncada, que, no entanto, n&#227;o provocou anormalidade da fun&#231;&#227;o card&#237;aca em ambos (Schuelke et al., 2004). 4.2 – Considera&#231;&#245;es sobre a terapia g&#234;nica
Nos &#250;ltimos anos as tecnologias biomoleculares v&#234;m sendo aplicadas na &#225;rea biom&#233;dica principalmente para o diagn&#243;stico de doen&#231;as. Por&#233;m, diferentemente dos testes de paternidade e dos exames de identifica&#231;&#227;o criminal, que passaram a ser feitos pela an&#225;lise do DNA e oferecem mais de 99,999% de fidedignidade diagn&#243;stica, ainda n&#227;o h&#225; terapias g&#234;nicas 100% eficazes e seguras &#224; sa&#250;de humana. As terapias g&#234;nicas atuais ainda s&#227;o experimentais e n&#227;o foram muito bem sucedidas na cl&#237;nica m&#233;dica, principalmente ap&#243;s a morte de um adolescente que participava de um protocolo para a Defici&#234;ncia da Ornitina Transcarboxilase, em 1999. A causa da morte foi atribu&#237;da ao vetor, adenov&#237;rus, porque o rapaz apresentou uma resposta imune severa que levou &#224; fal&#234;ncia m&#250;ltipla de &#243;rg&#227;os quatro dias ap&#243;s o tratamento. Em 2003, a FDA (Food and Drug Administration, departamento americano de controle de alimentos e rem&#233;dios) interditou as pesquisas com vetores retrovirais em c&#233;lulas tronco sangu&#237;neas como conseq&#252;&#234;ncia do desenvolvimento de leucemia por duas crian&#231;as ap&#243;s a terapia g&#234;nica para um tipo de imunodefici&#234;ncia severa condicionada por um gene ligado ao cromossomo X (PGH, 2005). As principais dificuldades atuais relacionadas &#224; efic&#225;cia da terapia g&#234;nica s&#227;o: A) Efeito transit&#243;rio – para que ocorra a cura permanente pela terapia g&#234;nica, os DNAs introduzidos nas c&#233;lulas alvo precisam permanecer nas c&#233;lulas sintetizando prote&#237;nas. Pressup&#245;e-se, tamb&#233;m, que as c&#233;lulas que recebem o DNA terap&#234;utico precisem ter tempo de vida longo. Alguns problemas, como a integra&#231;&#227;o do DNA ao genoma e a divis&#227;o celular, impedem, em muitas c&#233;lulas, que a terapia g&#234;nica ofere&#231;a benef&#237;cios a longo prazo, fazendo com que os pacientes passem por v&#225;rias sess&#245;es durante o tratamento.
12 B) Resposta imunol&#243;gica – o sistema imunol&#243;gico reconhece qualquer vetor como agressor ao organismo. Devido &#224;s in&#250;meras sess&#245;es de terapia g&#234;nica h&#225; o risco do sistema imunol&#243;gico ser excessivamente estimulado, reduzindo a efetividade da terapia g&#234;nica. C) Vetores virais – apesar dos v&#237;rus serem os melhores vetores em muitos estudos, podem provocar altera&#231;&#245;es nos pacientes, tais como toxidade, resposta imunol&#243;gica e inflamat&#243;ria, e controle g&#234;nico dos tecidos alvo. Al&#233;m disto, h&#225; sempre o receio de que os vetores virais recuperem suas habilidades de causar doen&#231;as, ou que estimule o desenvolvimento de outras, principalmente o c&#226;ncer. D) Doen&#231;as polig&#234;nicas – as doen&#231;as causadas por muta&#231;&#245;es em apenas um gene s&#227;o as mais indicadas para o tratamento com a terapia g&#234;nica. Infelizmente, os problemas mais comuns como doen&#231;as card&#237;acas, hipertens&#227;o, diabetes, mal de Alzheimer e artrite dentre outros, s&#227;o causados por efeitos acumulativos de v&#225;rios genes. As doen&#231;as polig&#234;nicas ou multifatoriais como estas s&#227;o especialmente dif&#237;ceis de serem tratadas efetivamente pela terapia g&#234;nica10. 4.3 – J&#225; existe o doping gen&#233;tico?
As discuss&#245;es acerca da exist&#234;ncia do doping gen&#233;tico aparecem mais em ve&#237;culos de divulga&#231;&#227;o do que em peri&#243;dicos cient&#237;ficos. Por ocasi&#227;o dos Jogos Ol&#237;mpicos de Atenas, em 2004, os jornais e a internet lan&#231;aram muitas mat&#233;rias, algumas das quais, juntamente com artigos cient&#237;ficos, foram redirecionadas e discutidas pelos participantes das listas de discuss&#227;o sobre doping (Cevdopagem, 2004) e gen&#233;tica (Cevgen&#233;tica, 2004), duas das mais de cem listas tem&#225;ticas de discuss&#227;o sobre esportes do Centro Esportivo Virtualiii. Analisando cientificamente podemos inferir que a terapia g&#234;nica e o doping gen&#233;tico, caso existam ou venham a existir de fato, ocorreriam por procedimentos id&#234;nticos, por&#233;m com finalidades diferentes. Pressup&#245;e-se, deste modo, que a inser&#231;&#227;o de material gen&#233;tico em indiv&#237;duos saud&#225;veis seja uma enorme insensatez, uma vez que as t&#233;cnicas de terapia g&#234;nica ainda est&#227;o sendo estudadas e est&#227;o sob a proibi&#231;&#227;o da FDA. No entanto, verifica-se que a biotecnologia necess&#225;ria para a realiza&#231;&#227;o de tais transfer&#234;ncias g&#234;nicas j&#225; est&#225; dispon&#237;vel e ser&#225; cada vez mais eficaz.
Seria necess&#225;ria a corre&#231;&#227;o de v&#225;rios genes que codificam estas condi&#231;&#245;es, muitos dos quais ainda desconhecidos.
13 “Todo mundo v&#234; na EPO e nos horm&#244;nios de crescimento medicamentos qu&#237;micos ou bioqu&#237;micos. Mas estas prote&#237;nas s&#227;o mesmo fabricadas por engenharia gen&#233;tica e constituem o primeiro passo rumo ao doping gen&#233;tico. Logo, esta forma de doping j&#225; existe” (D&#238;ne, 2003), todavia a produ&#231;&#227;o de insulina ocorre por t&#233;cnicas semelhantes de clonagem bacteriana desde 1979. Se o doping gen&#233;tico j&#225; foi ou est&#225; sendo realizado neste momento, os atletas est&#227;o servindo de cobaias humanas &#224; pseudo ci&#234;ncia. De fato, “fala-se de experimenta&#231;&#227;o humana quando toma-se algo desconhecido, faz-se tentativas e julgam-se, posteriormente, os resultados” (Escande, 2003). Com efeito, testar tratamentos m&#233;dicos em pessoas saud&#225;veis subleva problemas complexos de ordem bio&#233;tica frequentemente associados &#224; implica&#231;&#245;es de ordem legal. Ainda sabemos muito pouco sobre as intera&#231;&#245;es entre os genes no organismo humano. O sequenciamento do genoma humano revelou a exist&#234;ncia de um n&#250;mero de genes menor do que o esperado11. Tal fato sugere a exist&#234;ncia de mais pleiotropismos (e provavelmente de outros mecanismos ainda desconhecidos) para explicar a variedade e a intera&#231;&#227;o entre as prote&#237;nas expressas no corpo humano. O pleiotropismo &#233; a propriedade pela qual um gene, e sua respectiva prote&#237;na, influi em duas ou mais caracter&#237;sticas, ou seja a prote&#237;na sintetizada por um &#250;nico gene pode atuar em v&#225;rios &#243;rg&#227;os e tecidos do corpo humano. Considerando este aspecto podemos imaginar que a (re)posi&#231;&#227;o de um gene defeituoso ou ausente, ou o bloqueio g&#234;nico da s&#237;ntese de uma prote&#237;na em uma pessoa submetida &#224; terapia g&#234;nica oferece tantos benef&#237;cios que eventuais efeitos colaterais decorrentes do pleiotropismo seriam insignificantes. Entretanto, em pessoas saud&#225;veis, como &#233; o caso de atletas, a inser&#231;&#227;o de genes extras poderia levar n&#227;o somente &#224; s&#237;ntese exacerbada de prote&#237;nas e consequentemente ao aumento do desempenho esportivo esperado, como tamb&#233;m a preju&#237;zos imprevis&#237;veis, inclusive ao pr&#243;prio desempenho esportivo. Se utilizarmos o gene da EPO como exemplo, verificaremos que a inser&#231;&#227;o deste gene em pessoas com anemias severas &#233; extremamente funcional, pois os benef&#237;cios s&#227;o muito &#243;bvios. No entanto, se considerarmos os atletas de alto rendimento, verificaremos que a demanda por O2 no m&#250;sculo n&#227;o depende somente de altas concentra&#231;&#245;es de hem&#225;cias, mas tamb&#233;m de uma boa capacidade cardio-repirat&#243;ria, bem como da absor&#231;&#227;o intramuscular do O2. Em atletas o aumento
20.000 a 25.000 ao inv&#233;s dos 35.000
14 de EPO pode n&#227;o significar exatamente maior aumento de absor&#231;&#227;o de O2 pelo m&#250;sculo. N&#227;o se deve desconsiderar, tamb&#233;m, os m&#250;ltiplos efeitos colaterais de um hemat&#243;crito muito elevado, al&#233;m do que ainda &#233; invi&#225;vel “desligar” qualquer gene uma vez inserido no corpo humano. Ainda, infec&#231;&#245;es indesej&#225;veis podem decorrer de tentativas de doping gen&#233;tico em fun&#231;&#227;o das varia&#231;&#245;es imunol&#243;gicas sofridas pelos atletas submetidos a programas de treinamento intenso. Contraditoriamente, a terapia g&#234;nica com inje&#231;&#227;o de IGF-1 muscular tende a ser mais segura porque parece que a prote&#237;na produzida pela isoforma muscular fica restrita ao m&#250;sculo que recebe o tratamento. No entanto, a altera&#231;&#227;o g&#234;nica provocada desta maneira teria menos efic&#225;cia em atletas do que em pacientes porque os atletas t&#234;m danos musculares mais frequentes, facilitando a perda dos genes inseridos facilmente (Sweeney apud Aschwanden, 2000). Um grande problema para a WADA &#233; que a terapia g&#234;nica n&#227;o tem a preocupa&#231;&#227;o de ser ou n&#227;o detect&#225;vel. No entanto, j&#225; em 2000 procuravam-se estrat&#233;gias para a detec&#231;&#227;o de doping gen&#233;tico pelos tra&#231;os dos vetores, e pela super express&#227;o proteica em atletas (Aschwanden, 2000). Por&#233;m, ao avaliar a super express&#227;o prot&#233;ica, atualmente n&#227;o &#233; poss&#237;vel detectar eficazmente se a muta&#231;&#227;o foi induzida pelo doping gen&#233;tico ou herdada, como no caso de Mantyranta, ou do rec&#233;m descoberto portador do alelo mutante do GDF-8 (Schuelke et a., 2004). Algumas discuss&#245;es sobre o doping gen&#233;tico apontam para preocupa&#231;&#245;es da WADA com a detec&#231;&#227;o e para a percep&#231;&#227;o de que a descoberta de novos genes, aliada &#224;s perspectivas de sucesso na terapia g&#234;nica, dificultar&#227;o o antidoping gen&#233;tico (McCrory, 2003; Vogel, 2004). Concluindo, caracter&#237;sticas polig&#234;nicas aumentam as possibilidades de genes a serem modificados. Caracter&#237;sticas multifatoriais, sujeitas &#224;s a&#231;&#245;es ambientais (alimenta&#231;&#227;o, treino, etc.) dificultam a detec&#231;&#227;o de modifica&#231;&#245;es gen&#233;ticas. Polimorfismos gen&#233;ticos12, por exemplo de genes respons&#225;veis pelo metabolismo de subst&#226;ncias t&#243;xicas (P450, NATs, GST, etc. MichaeleDoherty, 2005), tornam ainda mais dif&#237;cil a detec&#231;&#227;o de altera&#231;&#245;es gen&#233;ticas. Procurar estabelecer testes antidoping para uma infinidade de possibilidades prestes a acontecer nos pr&#243;ximos anos &#233; insano. 4.3 – A utiliza&#231;&#227;o de tecnologias biomoleculares deve ser proibida nos esportes?
variantes de um mesmo gene, como ocorre com o sistema ABO
15 Quanto aos dois primeiros crit&#233;rios da WADA de inclus&#227;o de subst&#226;ncias ou m&#233;todos ou na lista proibida, fica claro que a modifica&#231;&#227;o de genes tem o potencial de melhorar o rendimento esportivo, porque tem o potencial de curar doen&#231;as. Por&#233;m, n&#227;o &#233; poss&#237;vel prever as conseq&#252;&#234;ncias da modifica&#231;&#227;o de genes em pessoas saud&#225;veis, principalmente atletas, nos quais o aumento de massa muscular poder&#225; comprometer, por exemplo, os tend&#245;es e ligamentos, levando &#224; diminui&#231;&#227;o no desempenho esportivo e possivelmente, na sa&#250;de do atleta. Entretanto, ainda n&#227;o h&#225; dados suficientes na literatura que nos permita responder, com exatid&#227;o, se o doping gen&#233;tico contempla os crit&#233;rios de inclus&#227;o de subst&#226;ncias na lista da WADA. Estas quest&#245;es ser&#227;o respondidas de acordo com os avan&#231;os das pesquisas relacionadas &#224; terapia g&#234;nica. O fato &#233; que a WADA opta pela inadequa&#231;&#227;o das in&#250;meras formas de manipula&#231;&#245;es gen&#233;ticas aos princ&#237;pios fundamentais do olimpismo. Neste ponto &#233; poss&#237;vel tamb&#233;m cogitar que a tomada de consci&#234;ncia da evolu&#231;&#227;o inevit&#225;vel por que passa, e por que passar&#225;, a Biologia Molecular, com todos os seus reflexos e impactos na melhora da qualidade de vida dos seres humanos, requereria da Ag&#234;ncia Mundial Antiodoping uma sintonia mais fina com a realidade. Imposs&#237;vel n&#227;o se lembrar da m&#225;xima de Georges Rippert, segundo a qual “quando o Direito ignora os fatos, os fatos se vingam e ignoram o Direito”. Mais especificamente, “n&#227;o h&#225; porque produzir normas ou regula&#231;&#245;es de fatos que n&#227;o possuam uma dimens&#227;o social abrangente. Numa hip&#243;tese, em concreto, que venha tangenciar, eventualmente, a &#225;rea jur&#237;dica, poderia ter sua solu&#231;&#227;o equacionada por um juiz, com o instrumental legal de que disp&#245;e. Por outro lado, o Direito mant&#233;m-se aprisionado ao dogma da efici&#234;ncia de seu equipamento conceitual: toda e qualquer mudan&#231;a no mundo da realidade, qualquer que seja o setor, ser&#225; absorvida, sem precipita&#231;&#245;es, na teia jur&#237;dica” (Franco, 2005). Com rela&#231;&#227;o ao terceiro crit&#233;rio, uma vez que as terapias g&#234;nicas tendem a ser realizadas com sucesso nos pr&#243;ximos anos, pressup&#245;e-se que as altera&#231;&#245;es g&#234;nicas sejam procedimentos terap&#234;uticos t&#227;o naturais quanto tomar uma vacina em 1904. Assim, seria mais
interessante investir em discuss&#245;es &#233;ticas e programas de preven&#231;&#227;o ao doping gen&#233;tico na comunidade esportiva. Segundo Oliver Rabin, diretor cient&#237;fico da WADA, idealmente cada atleta deveria submeter um “passaporte” biol&#243;gico contendo informa&#231;&#245;es gen&#233;ticas sobre sua bioqu&#237;mica. Ao encontrar alguma anormalidade, os atletas poderiam ser clinicamente acompanhados. A t&#233;cnica de microarrays, que mede quantitativamente a express&#227;o de milhares de genes de uma s&#243; vez, poderia detectar neste “passaporte”, a express&#227;o de genes extras ou
16 alterados, resultantes do doping gen&#233;tico. No momento estes testes ainda s&#227;o muito dispendiosos (Vogel, 2004). Resta apenas saber como o Rastreamento Gen&#233;tico seria recebido pelo mundo esportivo, presumindo-se que tal recurso esteja dispon&#237;vel em alguns anos de forma comprovadamente segura. 5 – Considera&#231;&#245;es finais Doping gen&#233;tico &#233; a express&#227;o utilizada para sintetizar a “utiliza&#231;&#227;o para fins n&#227;o terap&#234;uticos de c&#233;lulas, genes, elementos gen&#233;ticos, ou de modula&#231;&#227;o da express&#227;o gen&#233;tica, que tenham a capacidade de melhorar o desempenho esportivo”iv (WADA, 2003). Hipoteticamente, esta utiliza&#231;&#227;o implicaria na suspens&#227;o m&#237;nima de dois anos das atividades esportivas (WADA/AMA, 2003, artigo 10.2), &#224; condi&#231;&#227;o que se pudesse produzir prova material dos efeitos da terapia gen&#233;tica, algo ainda n&#227;o relatado na comunidade cient&#237;fica. Assim, de um lado, &#224; luz das recentes incurs&#245;es cient&#237;ficas no campo da Biologia Molecular, e tendo-se em conta a defini&#231;&#227;o corrente de doping gen&#233;tico, somos remetidos a questionar a utilidade de se prever puni&#231;&#227;o para algo que ainda n&#227;o se pode provar. De outro lado, h&#225; relatos de pesquisas em curso nesta &#225;rea do conhecimento humano que tamb&#233;m tratam da modifica&#231;&#227;o dos n&#237;veis de sensibilidade dos receptores hormonais, da otimiza&#231;&#227;o do transporte e dura&#231;&#227;o de vida dos horm&#244;nios no organismo, ativa&#231;&#227;o de neurotransmissores que agem no sistema nervoso central (Volodalen, 2005), entre outras que podem vir a ter impacto positivo na qualidade de vida do ser humano, como atestam os especialistas no assunto. Tamb&#233;m para a Ag&#234;ncia, “a terapia gen&#233;tica representa um importante passo na pesquisa m&#233;dica” (WADA, 2005, editorial). Fala-se, ent&#227;o, de um poss&#237;vel legado para a humanidade, o que &#233; contradit&#243;rio com a determina&#231;&#227;o de que “sua utiliza&#231;&#227;o para melhorar o desempenho esportivo &#233; t&#227;o errado quanto qualquer forma de doping tradicional” (id ibidem). Desde 1968, no m&#237;nimo, tem-se a consci&#234;ncia de que “a ci&#234;ncia tem com efeito dado uma nova dimens&#227;o aos Jogos Ol&#237;mpicos, aportando &#224;s ci&#234;ncias m&#233;dicas uma pesquisa muito mais vasta sobre o melhoramento da esp&#233;cie humana”v (AAFLA, p&#225;g 968). &#201; precisamente isto que justifica a assertiva segundo a qual “n&#227;o seria razo&#225;vel proibir atletas geneticamente modificados de participar de competi&#231;&#245;es esportivas” (Miah, 2004), sobremaneira quando n&#227;o se negligencia que em todo o mundo est&#227;o atualmente sendo investidos recursos vultosos no
17 desenvolvimento das tecnologias biomoleculares. Equivale dizer que, nem todo aquele que sofre algum tipo de interven&#231;&#227;o biomolecular deveria ser proibido de participar de competi&#231;&#245;es esportivas. Finalmente, a utiliza&#231;&#227;o de tecnologias biomeleculares por atletas com o objetivo de melhorar seu desempenho n&#227;o fere, em princ&#237;pio, os preceitos fundadores do movimento ol&#237;mpico, ao contr&#225;rio. Fala-se, aqui, de excel&#234;ncia, de desenvolvimento humano, nos sentidos mais amplos que os termos podem tomar, &#224; condi&#231;&#227;o que tais recursos tenham sido satisfatoriamente testados e estejam ao alcance, ao menos formal, de todos. &#201; precisamente isto que justificaria, em nosso entender, ser in&#243;cuo o tratamento que a Ag&#234;ncia Mundial Antidoping vem dispensando ao tema, notadamente em se considerando sua raz&#227;o de existir. E a aceita&#231;&#227;o de que as tecnologias biomoleculares ser&#227;o postas ao alcance dos atletas, como parece j&#225; ocorrer, implicaria, por parte da Ag&#234;ncia, a economia de milh&#245;es de d&#243;lares que poderiam ser alocados de outras formas. Sobretudo no que diz respeito aos acompanhamentos m&#233;dicos longitudinais, de car&#225;ter preventivo, que substituiria, por sua maior propriedade e por seu car&#225;ter mais humanista, o atual sistema punitivo, repleto de equ&#237;vocos e brechas – sob o ponto de vista cient&#237;fico – e que propicia, aos atletas mais bem informados repara&#231;&#245;es de danos morais e materiais, pela fragilidade probat&#243;ria e desrespeito ao sigilo com que as puni&#231;&#245;es s&#227;o atualmente aplicadas.
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Doping pode ser 1) &#171;absor&#231;&#227;o de subst&#226;ncias, medicamentos ou de princ&#237;pios farmacol&#243;gicos ativos, assim como o recurso a pr&#225;ticas m&#233;dicas n&#227;o justificadas por condi&#231;&#245;es patol&#243;gicas, para modificar as condi&#231;&#245;es do organismo no intuito de alterar o desempenho esportivo do atleta” (REP&#218;BLICA ITALIANA, artigo 1); 2) “a administra&#231;&#227;o a um esportista ou o uso feito por este, de classes farmacol&#243;gicas de agentes ou m&#233;todos dopantes” (COUNCIL OF EUROPE), 3) “a utiliza&#231;&#227;o, no curso de competi&#231;&#245;es e manifesta&#231;&#245;es esportivas (...) ou em vista de participar delas, de subst&#226;ncias e procedimentos que tenham a propriedade de modificar artificialmente a capacidades atl&#233;tica ou de mascarar a utiliza&#231;&#227;o de subst&#226;ncias que tenham esta propriedade&quot; e “recorrer a estas subst&#226;ncias ou procedimentos cuja utiliza&#231;&#227;o seja submetida a condi&#231;&#245;es restritivas sem que estas condi&#231;&#245;es sejam preenchidas (R&#201;PUBLIQUE FRAN&#199;AISE, artigo 15); 4) “a administra&#231;&#227;o aos praticantes desportivos ou o uso por estes de classes farmacol&#243;gicas de subst&#226;ncias ou de m&#233;todos constantes das listas aprovadas pelas organiza&#231;&#245;es desportivas nacionais e internacionais competentes” (REP&#218;BLICA PORTUGUESA, artigo 2); 5) “a subst&#226;ncia, agente ou m&#233;todo capaz de alterar o desempenho do atleta, a sua sa&#250;de ou esp&#237;rito do jogo, por ocasi&#227;o de competi&#231;&#227;o desportiva ou fora dela” e “a administra&#231;&#227;o ao atleta, ou o uso por parte deste, de subst&#226;ncia, agente ou m&#233;todo
capaz de alterar o desempenho do atleta, prejudicar a sua sa&#250;de ou comprometer o esp&#237;rito do jogo, por ocasi&#227;o de competi&#231;&#227;o desportiva ou fora dela” (REP&#218;BLICA FEDERATIVA DO BRASIL). ii Em 1967, ocasi&#227;o em que assumia a presid&#234;ncia da Comiss&#227;o M&#233;dica do COI, Alexandre de M&#233;rode (Prince de M&#233;rode) (apud Lapouble, 1999, p. 121) expunha os princ&#237;pios de base da luta antidoping, a saber: &quot;d&#233;fense de l&#39;Ethique Sportive, protection de la sant&#233; des athl&#232;tes et mantien des chances &#233;gales pour tous&quot;. Poder&#237;amos acrescentar, hoje, que al&#233;m da &#233;tica esportiva, da prote&#231;&#227;o da sa&#250;de dos atletas e da igualdade de oportunidades, deve-se considerar a interrela&#231;&#227;o no plano social das condutas aditivas no esporte. iii O Centro Esportivo Virtual &#233; uma organiza&#231;&#227;o n&#227;o governamental brasileira constituindo-se em um centro de documenta&#231;&#227;o e informa&#231;&#227;o esportiva cujo portal na Internet se encontra em &lt;http://www.cev.org.br&gt;. iv Cf “the non-therapeutic use of cells, genes, genetic elements, or of the modulation of gene expression, having the capacity to enhance athletic performance”. v Cf. “La science a en effet donn&#233; une nouvelle dimension aux Jeux en ajoutant aux recherches de m&#233;decine sportive une enqu&#234;te beaucoup plus vaste sur l&#39;am&#233;lioration de l&#39;esp&#232;ce humaine”.
etica e esportes Doping-nos-esportes-9-ano
drogas nos esportes Esportes
15 Regulamento Esportes do Bilhar 2008
esportes radicais Doping in Cycling Doping in Radsport
os esportes “Doping in Cycling” _Doping in Radsport_

References: artigo 1
 artigo 2
 artigo 10
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 artigo 15
 artigo 2