Source: https://www.conjur.com.br/2013-set-10/hamilton-carvalhido-lei-803890-nao-revogou-previsao-embargos-infringentes
Timestamp: 2019-07-23 22:45:37+00:00

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ConJur - Hamilton Carvalhido: Lei 8.038/90 não revogou previsão de Embargos Infringentes
Lei 8.038/90 não extinguiu Embargos Infringentes
10 de setembro de 2013, 20h04
O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal prevê no seu artigo 333, inciso I, o cabimento de embargos infringentes contra a decisão não unânime do Plenário que julgar procedente a ação penal.
Também previstos, entre outras espécies, para a revisão criminal e o recurso ordinário em habeas corpus como recurso exclusivo da defesa (incisos II e V), os embargos infringentes da condenação na ação penal originária somente serão admissíveis quando houver divergência qualificada, qual seja, de, no mínimo, quatro votos, requisito especifico de todas as hipóteses da regra regimental, quando tratar-se de acórdão do Tribunal Pleno (artigo 333, parágrafo único).
Cuida-se de norma regimental, que reproduz norma regimental anterior, e antecedeu à Constituição de 1988, com a qual se harmoniza plenamente, em especial com a sua disciplina dos direitos fundamentais, fazendo-se indiscutível a sua recepção pela nova ordem constitucional. E foi recepcionada como norma materialmente legislativa, eis que editada pelo Supremo Tribunal Federal no exercício da competência para disciplinar o processo e o julgamento dos feitos de sua competência originária ou de recurso, que lhe foi atribuída, com exclusividade, pela Emenda Constitucional 1, de 1969.
A sua vigência, contudo, vem de alcançar atualidade como questão em processo de ação penal que flui no Supremo Tribunal Federal, em face da Lei 8.038, editada nos idos de 1990.
A questão, enquanto pura de Direito, não se submete a critérios outros que não os que se pode extrair da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, que, no seu artigo 2º, parágrafo 1º, preceitua a revogação da lei anterior pela posterior, quando a lei nova expressamente o declare; quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (Decreto Lei 4.657, de 4 de setembro de 1942).
Sendo essa a lei de regência do conflito de normas no tempo, a solução da questão é a da declaração positiva da vigência da norma regimental anterior, qual seja, a do cabimento dos embargos infringentes do acusado contra acórdão do Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando condenatório e assentado por maioria contra, no mínimo, quatro votos divergentes.
É que a Lei 8.038/90 não revogou expressamente o artigo 333, inciso I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal; nada dispõe em contrário à norma regimental e não disciplina inteiramente nem o processo da ação penal originária, nem taxativamente os recursos da competência do Excelso Pretório.
Com efeito, primeiro, a Lei 8.038/90, no seu artigo 44, revogou expressamente apenas os artigos 541 a 546 do Código de Processo Civil de 1973, e a Lei 3.396, de 2 de junho de 1958, referentes os primeiros aos recursos extraordinários e especial e a última aos artigos 863 e 864 do Código de Processo Civil de 1939 e 622 a 636 do Código de Processo Penal. Segundo, quanto ao Supremo Tribunal Federal e aos recursos da sua competência, apenas disciplinou o recurso extraordinário, assim nada dispondo em contrário ao artigo 333, inciso I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Por fim, tratou tão somente da fase de conhecimento do processo da ação penal originária e o fez não completamente, pois que também se remete ao Regimento do Tribunal, com vistas à disciplina do julgamento da causa.
Não é diverso o entendimento do Supremo Tribunal Federal, como exsurge, por todos, do voto condutor do acórdão no Agravo Regimental nos Embargos Infringentes no Habeas Corpus 77.664/SP, da lavra do ilustre ministro Carlos Veloso, relator, verbis: “no Supremo Tribunal Federal, os embargos infringentes são cabíveis da decisão não unânime do Plenário ou da Turma, que julgar procedente a ação penal, que julgar improcedente a revisão criminal, que julgar a ação rescisória, a ação direta de inconstitucionalidade e a decisão que, em recurso criminal ordinário for desfavorável ao acusado, sendo certo que, tratando-se de decisão do plenário, o cabimento dos embargos infringentes depende da existência, no mínimo, de quatro votos divergentes (RI/STF, art. 333, e seu Parágrafo Único)”.
É de se afirmar, portanto, a vigência da norma regimental que prevê os embargos infringentes como recurso oponível a acórdão condenatório não unânime, do Pleno do Supremo Tribunal Federal, com divergência de pelo menos quatro votos.
Trata-se, como convém averbar em remate, o artigo 333, inciso I, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, de norma do devido processo legal, garantia individual, titularizada por todos os membros da Sociedade Civil, de observância absoluta, pena de irreparável ofensa ao Pacto Social ele mesmo. A exceção, que o atinja, jamais será individual ou particular, mas, por força de natureza, coletiva e geral, gravíssima e permanente, enquanto ofensa aos direitos fundamentais, com comprometimento intenso da sua efetividade.
Hamilton Carvalhido é advogado, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior Eleitoral e presidente da Comissão de Reforma do Código de Processo Penal brasileiro.
Revista Consultor Jurídico, 10 de setembro de 2013, 20h04
Ponderação em razão das circunstâncias
Geraldo Azevedo Siqueira (Advogado Autônomo - Civil) 17 de setembro de 2013, 17h24
Caro Min. Carvalhido
Embora a doutrina dominante afirme e reafirme a desproporcionalidade do réu na ação penal, frente ao Estado, haja vista este dispor de meios e recursos incomparavelmente maiores que aquele, no caso concreto, aparentemente não se vislumbra esta desproporcionalidade. Isto porque os réus dispõe de meios e recursos notoriamente comparáveis aos do Estado. Inclusive, foro privilegiado, prerrogativa política que por sua natureza e origem - em tese - deveria lhes representar um benefício. (Caso as indicações para os tribunais superiores não dependessem do presidente da república, e sim dos atores da administração da justiça, seria diferente.) Com estas considerações, e diante da antítese já apresentada no plenário do STF, se possível, gostaria de vosso parecer quanto a possibilidade da relativização - no caso concreto - em virtude das disposições do art. 5º da LIDB. - "Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum."? Ou seja, a singularidade do caso não estaria a ensejar uma aplicação também singular da lei, levando-se em conta a natureza do bem jurídico lesionado?
Faltou lembrar..
Menslex (Advogado Assalariado - Administrativa) 11 de setembro de 2013, 10h41
...que a lei também manda Juiz ou Ministro declarar-se impedido em certas circunstâncias e eis que o Ministro Dias Toffoli finge que não é com ele....
Celeridade x pressa
Zé Machado (Advogado Autônomo - Trabalhista) 11 de setembro de 2013, 6h48
Dentre outros perigos,o relator está confundindo celeridade com pressa.É um argumento muito mesquinho, porque se a CF atribuiu o foro previlegiado, celeridade sim, mas, a pressa é inimiga da perfeição, como o tem demonstrado os Embargos de Declaração e, agora, a necessidade dos Embargos Infringentes.

References: artigo 333
 artigo 2
 artigo 333
 artigo 44
 artigo 333
 artigo 333