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Timestamp: 2020-04-09 05:10:20+00:00

Document:
Ordem Franciscana Secular do Brasil - OFS - Estudo da Regra em Fraternidade - Artigo 16
Estudo da Regra em Fraternidade - Artigo 16
Terça, 19 Fevereiro 2019 11:43
ARTIGO 16 DA REGRA DA ORDEM FRANCISCANA SECULAR
“Estimem o trabalho como um dom e como participação na criação, na redenção e no serviço da comunidade humana”.
I – ORAÇÃO INICIAL
1 - Preparação do Ambiente
Velas, Flores, Bíblia, Escritos de São Francisco, Regra da OFS e alguns instrumentos de trabalho.
2 - Saudação
Dirig.: Irmãos e irmãs, Paz e Bem!
Sejam bem vindos a este nosso encontro. Hoje vamos refletir mais um Artigo da Nossa Regra e Vida. O Artigo 16, que contempla o TRABALHO. Iniciemos saudando a Trindade Santa: Em Nome do Pai... .
E peçamos ao Espírito Santo de Deus que nos ilumine e abra nossos corações, para que a semente semeada produza frutos de paz e fraternidade. Cantemos:
Espírito de Deus, toma conta de nós, toma conta de nós.
Espírito de Deus, Espírito de Deus, toma conta de nós (três vezes).
(ou outro canto de Invocação ao Espírito Santo).
3 - A Palavra que Ilumina
Dirig.: Trabalhar é uma graça. Pelo trabalho praticamos o bem, livramo-nos da ociosidade, nos tornamos merecedores daquilo que usufruímos e ainda, podemos transformar o trabalho em serviço ao próximo.
Leitor 1: Do Testamento de São Francisco (Test. 20-23)
(momento para interiorização)
Dirig.: Paulo adverte: mesmo quando a serviço do Reino, o trabalho justifica o pão de cada dia.
Leitor 2: Da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses (2Tes 3, 6-10).
II – REFLEXÃO DO TEMA
Artigo 16 da Regrada OFS
O texto muito breve, diz o seguinte:
1 - O trabalho, que pode ser manual, intelectual, e espiritual, é o centro da vida de cada pessoa, de cada família e, é um grande educador que leva o ser humano a procurar e produzir os meios para a sua sobrevivência. O trabalho é uma necessidade; completa e realiza o homem e a mulher; está a serviço da humanidade e é um direito.
2 - Este é o Artigo da Regra que contempla a espiritualidade do trabalho como presente, dom de Deus e nós vamos refleti-lo sob os seguintes aspectos:
- Segundo São Francisco: o trabalho é uma graça. Por isso ele colocou em sua Regra: “os irmãos a quem o Senhor concedeu a graça de trabalhar, trabalhem, fiel e devotamente, de modo que, afastado o ócio que é inimigo da alma, não extingam o espírito da santa oração e devoção, ao qual devem servir as demais coisas temporais” (RB V,2-4). Então, se entendemos o trabalho como graça, ele pode transformar-se numa ação de graças a Deus e ao próximo, quando realizado com fidelidade e devoção. Isso significa com competência, precisão, exatidão e perfeição.
- Segundo a Regra da OFS: como franciscanos seculares devemos estimar o trabalho. Primeiro porque se ele é um dom (presente) do qual devemos nos alegrar – quantos não o possuem. Segundo porque quem trabalha, além de prover o próprio sustento, torna-se continuador da obra da criação, na medida em que produz. Aí se experimenta a graça poder criar. Basta olharmos para o progresso da ciência, da tecnologia, no campo das artes e em tantas outras dimensões da vida humana, que expressam a beleza e a bondade de Deus através dos dons concedidos a cada um. A Regra também coloca o trabalho como parte da obra redentora. Jesus quis trabalhar com as próprias mãos, como filho que era do carpinteiro, dando novo sentido ao trabalho humano. Pelo trabalho Ele procurou cumprir a vontade do Pai. Finalmente, o trabalho como serviço à comunidade. O trabalho que é útil, realizado em comunhão com Cristo, é transformado em serviço ao próximo, fazendo com que condições de vida menos humanas, se tornem mais humanas e que, o serviço através do trabalho, sejam atos de amor a Deus e ao próximo.
3 - O mundo e a realidade do trabalho hoje
- A questão do trabalho aqui no Brasil e em grande parte do mundo apresenta muitas dificuldades. São os problemas causados pelo desemprego, pelo subemprego e pelas condições péssimas, muitas vezes oferecidas ao trabalhador, pelos salários injustos, pela desigualdade e jornadas excessivas, pelo trabalho escravo e exploração da mão de obra de crianças e adolescentes. Assim sendo, o mundo do trabalho, tornou-se para muitos causa de sofrimento, injustiça e violência.
- O Trabalho informal, nos períodos de crise, não oferece nenhuma garantia trabalhista ao empregado, ficando ele “a mercê” do empregador.
- A discriminação do trabalho feminino ainda é uma realidade: salários mais baixos na mesma função do homem, assédio, desvalorização do trabalho feminino, principalmente no momento de promoções e na ocupação dos altos cargos.
- A modernização e a tecnologia acarretaram transformações que mudaram a vida das pessoas e da sociedade. A mecanização na agricultura, provocou o êxodo rural e o inchaço na zona urbana e, marginaliza a mão de obra do trabalhador rural. Se por um lado o avanço da tecnologia diminui o desgaste físico, por outro lado aumenta a tensão emocional gerada pelo medo da substituição profissional pela arte das máquinas.
4 - Concluindo
Olhando para a realidade do mundo do trabalho hoje, podemos fazer uma leitura para as manifestações de Deus ao longo da história do seu povo:
- Nos momentos mais difíceis, como no Egito e na Babilônia, quando o povo era escravizado, o povo de Israel, constituído por camponeses e pastores, experimentou o poder de Deus.
- Foi também entre camponeses, lavradores e trabalhadores braçais, que Jesus viveu e anunciou o Reino.
- Olhando para a nossa realidade, quando milhares de africanos eram arrancados de sua terra para servirem de mão de obra escrava, na “Terra de Santa Cruz”, a Mãe de Jesus, apareceu nas águas do Rio Paraíba do Sul, sob a forma de mulher negra, para denunciar e se colocar ao lado daqueles seus filhos e filhas, que viviam os horrores da escravidão, para enriquecer poucos com o suor e o sangue derramado por muitos.
-Portanto, participar, através do trabalho na transformação do mundo, é ser, com Deus, co-autor da vida e da história humana, que vista à luz da fé, é resultado das mãos de Deus e das mãos dos homens e mulheres de boa vontade.
III – ATUALIZANDO
Em pequenos grupos, partilhar:
“O trabalho é um direito fundamental da pessoa. Por meio dele o cristão serve a sociedade e a organiza segundo os valores do Evangelho” (Documento 105 da CNBB). Diante dessa afirmativa:
- Nesse Ano Nacional do Laicato e, como parte das celebrações dos 800 Anos da OFS, como poderíamos trabalhar a formação em nossas Fraternidades, para uma autêntica espiritualidade do mundo do trabalho, como participação da obra do Criador?
- Como poderíamos participar de iniciativas de combate ao trabalho escravo e infantil no campo e na cidade?
- O que cada um de nós poderia fazer para ajudar no processo de inclusão no mundo do trabalho, os migrantes, os refugiados e os desempregados?
Os franciscanos seculares “como primeira e fundamental contribuição para um mundo mais justo e fraterno, empenhem-se no cumprimento dos deveres próprios do trabalho e na correspondente preparação profissional. Com o mesmo espírito de serviço assumam as próprias responsabilidades sociais e civis” (CCGG 20, 2).
- Comente este Artigo das Constituições Gerais da OFS, diante da realidade em que estamos vivendo.
IV – ENCERRAMENTO
1 - Preces
Dirig.: Diante de tudo o que ouvimos, refletimos e partilhamos, elevemos a Deus as nossas preces, com a confiança de filhos e filhas amados.
(preces espontâneas).
Dirig.: Coloquemos todas as nossas súplicas no Coração de Jesus e da sua Santíssima Mãe, a Senhora dos Anjos, rezando:
- Pai Nosso ....
- Ave Maria ....
- Glória ao Pai ...
2 - Bênção
- O Senhor nos abençoe e nos guarde
- Mostre-nos o seu rosto e tenha misericórdia de nós.
- Volte a sua face para nós e nos dê a paz.
- O Senhor esteja sempre conosco e que nós estejamos sempre com ele.
- Amém.
Comentário Espiritual à Regra da Ordem Franciscana Secular, Frei Alberto Beckhäuser
Lm 5,6
CCGG da OFS 20, 2
Documento 105 da CNBB
Para Aprofundamento do texto
Encíclicas Gaudium et Spes e Laboren Exercens
Autora: Maria Bernadete Amaral Mesquita, OFS. Regional Sudeste 3 - São Paulo
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