Source: https://issuu.com/demetriusbrasil/docs/sinoreg_es_043
Timestamp: 2019-01-21 17:24:48+00:00

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SINOREG ES 43 by Demetrius Brasil F. Silva - Issuu
Direito Notarial do Espírito Santo e Registral Ano IV – nº 43 – Novembro de 2018
Sinoreg-ES participa do tradicional Salão do Imóvel em Vitória Promovido pela Ademi-ES, evento recebeu cerca de 5 mil pessoas e teve 50 expositores entre construtoras, bancos e empresas do ramo imobiliário Págs 6 a 12
Dados do Sinoreg-ES revelam que os capixabas estão se divorciando mais Págs 15 a 22
Angariar conhecimento e propagar informações
A Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo é uma publicação mensal das entidades notariais e registrais do Estado do Espírito Santo, voltada para os profissionais dos serviços notariais e registrais do País, juízes, advogados e demais operadores do Direito. O Sinoreg-ES não se responsabiliza pelos artigos publicados na revista, cuja opinião expressa somente as ideias de seus respectivos autores. É proibida a reprodução total ou parcial dos textos sem autorização do Sinoreg-ES. Endereço: Av. Carlos Moreira Lima, 81 Bento Ferreira – Vitória (ES) – Cep: 29050-653 Fone: (27) 3314-5111 URL: www.sinoreg-es.org.br
4 CNB ES
Colégio Notarial promove campanha de valorização da atividade tabelioa
Sinoreg ES Dados do Sinoreg-ES revelam que os capixabas estão se divorciando mais
Presidente Márcio Valory Silveira 1º vice-presidente Jeferson Miranda 2º vice-presidente Milson Fernandes Paulin 1º Secretário Fernando Brandão Coelho Vieira 1º Tesoureiro Roberto Willian de Oliveira Ruy 2º Tesoureiro Rogério Lugon Valladão Diretor de Relações-Institucionais Hélvecio Duia Castello Diretor de Registro de Imóveis Jocsã Araújo Moura Diretor de Protesto de Títulos Vago Diretor de Registro de Títulos e Documentos Civis das Pessoas Jurídicas Franklin Monteiro Estrella Diretor de Tabelionato de Notas Rodrigo Reis Cyrino Diretor de Registro Civil das Pessoas Naturais Paulo Barreto Soares CONSELHO FISCAL conselhofiscal@sinoreg-es.org.br Efetivos Domingos Matias Andreon Jullius Cesar Wyatt Moises Barbosa de Sousa Filho Suplentes Cintia Vieira Petronetto Rubens Pimentel Filho CONSELHO DE ÉTICA conselhoetica@sinoreg-es.org.br Efetivos Eleutério Conrado Paste Nelisa Galante de Melo Santos Henrique Deps Suplentes Bruno Santolin Cipriano Natália Bastos Bechepeche Antar Marcelo Pessoa Cavalcante Jornalista Responsável: Alexandre Lacerda Nascimento Edição: Larissa Luizari Reportagens: Frederico Guimarães
6 Anoreg-ES
Colaboração: Bruno Bittencourt e Elaine Viana
Sinoreg-ES participa de tradicional Salão do Imóvel em Vitória
12 Anoreg-ES Adquiriu um imóvel com dívidas pendentes? De quem é a responsabilidade? 2
Sugestões de Artigos e Matérias: elaine@sinoreg-es.org.br / alexlacerda@hotmail.com / (27) 3314-5111
IEPTB-ES Senado aprova PLS que amplia o rol de títulos passíveis de protesto
a busca constante de melhorias e conhecimento para as serventias extrajudiciais, o Sinoreg-ES marcou presença durante a realização do Novo Salão do Imóvel Ademi-ES, que aconteceu nos dias 18 a 21 de outubro, na arena atrás do Shopping Vitória. Estar atualizado para com as diretrizes do mercado imobiliário é muito importante para o serviço notarial e registral, eis que somos peças fundamentais para a concretização de uma compra e venda, posterior transferência e seu registro definitivo. Afinal, só é dono quem registra. Tiramos muitos pontos positivos, dos quais podemos destacar a participação de integrantes da classe em diversas palestras no decorrer do evento. Foram momentos oportunos em que conseguimos expor para as imobiliárias, construtoras e terceiros interessados sobre as atividades exercidas pelos tabelionatos de notas desde a lavratura da escritura até o seu registro no cartório de registro de imóveis. O estande dos cartórios teve a colaboração das diversas entidades representativas da classe no Estado, tal como a Associação dos Notários e Registradores do Espírito Santo – Anoreg-ES, a Associação dos Registradores Imobiliários do Espírito Santo – ARIES, o Instituto de Estudos e Protestos de Títulos do Espírito Santo – IEPTB-ES, o Instituto de Registo Imobiliário do Brasil Seção Espírito Santo – IRIB, e o Colégio Notarial do Brasil - Seção Espírito Santo – CNB/ES. Ademais, contou com uma equipe capacitada para atender e esclarecer dúvidas dos que ali passavam. Isso reforça ainda mais a força e união preponderante por parte de seus representantes em trazer novidades para os delegatários do foro extrajudicial. O evento teve um olhar para o futuro do imóvel e as novas formas de habitar as cidades, com um espaço inédito para discussões sobre inovações, tecnologia e mobilidade. A Arena Ideias em Debate se mostrou um meio importante de propagar informações sobre financiamento e tudo o que envolve a compra do primeiro imóvel, escrituras e registro. Márcio Valory Silveira Presidente do Sinoreg-ES
“Estar atualizado para com as diretrizes do mercado imobiliário é muito importante para o serviço notarial e registral, eis que somos peças fundamentais para a concretização de uma compra e venda, posterior transferência e seu registro definitivo”
Márcio Valory Silveira, presidente do Sinoreg-ES
Colégio Notarial promove campanha de valorização da atividade tabelioa Campanha da entidade é veiculada em televisão, veículos impressos e mídias sociais.
ma campanha do Colégio Notarial do Brasil - Conselho Federal (CNB-CF) pretende buscar novas conexões com as pessoas e esclarecer as principais funções dos Tabelionatos em benefício da sociedade. A “Campanha de Valorização do Notariado” foi iniciada no dia 7 de outubro, um dia depois do primeiro turno das eleições. Idealizada entre toda a diretoria e as 24 Seccionais do CNB, a iniciativa durará quatro meses e visa combater o preconceito com informação qualificada, com comunicação direta e profissional, simplificando processos, desburocratizando a vida e resolvendo os problemas da sociedade. Para isso, são veiculados conteúdos promocionais em redes de televisão como a Globonews, revistas como a Veja e Gol, sites como o UOL, redes sociais e mais de 2.500 rádios espalhadas pelo Brasil. Segundo o presidente do Colégio Notarial do Brasil - Conselho Federal, Paulo Roberto Gaiger Ferreira, o CNB deseja se comunicar melhor com a sociedade. “As pessoas têm dificuldade de entender a nossa atividade. Por isso, há, muitas vezes, preconceitos que prejudicam a relação do tabelião com seus clientes, com a comunidade, até mesmo com as autoridades. A publicidade é uma importante ferramenta de comunicação que deve ser utilizada pela entidade para mostrar ao público que os Tabelionatos de Notas agem para dar segurança aos negócios das pessoas e das empresas”, explica o presidente do CNB-CF.
“As pessoas têm dificuldade de entender a nossa atividade. Por isso, há, muitas vezes, preconceitos que prejudicam a relação do tabelião com seus clientes” Paulo Roberto Gaiger Ferreira, presidente do Colégio Notarial do Brasil - Conselho Federal 4
Ainda de acordo com o presidente do CNBCF, a campanha é importante para esclarecer para a população quais são as funções dos Tabelionatos de Notas. “Temos os atos de autenticação, o reconhecimento de firmas e a autenticação de cópias de documentos. Além destes, também a ata notarial é do escopo autenticatório, uma importante ferramenta notarial que a população e a comunidade jurídica ainda desconhece. Finalmente, os atos de formalização da vontade, as procurações, as escrituras de toda espécie, mas com especial atenção para as imobiliárias, os pactos de regime de bens, os divórcios, inventários e partilhas e nosso filho mais dileto, o testamento público. Vamos também destacar a possibilidade de as pessoas recorrerem aos tabeliães para as mediações e conciliações, ainda que a regulamentação esteja pendente”, relata Paulo Gaiger. Vale lembrar que dentre os principais ser-
“Vamos também destacar a possibilidade de as pessoas recorrerem aos tabeliães para as mediações e conciliações, ainda que a regulamentação esteja pendente” Paulo Roberto Gaiger Ferreira, presidente do Colégio Notarial do Brasil - Conselho Federal
viços oferecidos pelos Tabelionatos de Notas, estão as lavraturas de escrituras e procurações públicas, testamentos e atas notariais. O Tabelionato também efetua reconhecimentos de firma e autenticações. Além disso, a escolha do notário é livre, ao contrário de quando a localização do imóvel, o endereço das partes ou a distribuição do serviço restringe as opções.
Saiba quais são os principais canais de comunicação que divulgam a campanha do CNB-CF
Intervalos da Globo News
Principais emissoras do interior
Veja e Revista Gol
Youtube, Facebook e portais de notícias Uol
Websérie: Os Silveira
Sinoreg-ES participa de tradicional Salão do Imóvel em Vitória Promovido pela Ademi-ES, evento recebeu cerca de 5 mil pessoas e teve 50 expositores entre construtoras, bancos e empresas do setor imobiliário
om a participação do Sindicato dos Notários e Registradores do Estado do Espírito Santo (Sinoreg-ES), a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES) promoveu, de quinta-feira (18.10) a domingo (21.10), a 25ª edição do Salão do Imóvel. O evento, realizado na Arena Shopping Vitória, contou a presença de cerca de 5 mil pessoas, e apresentou ao público diversas opções de imóveis à venda de um jeito interativo e inédito no Estado.
Batizado de “Novo Salão do Imóvel”, pelo seu novo formato, a maior vitrine de vendas do setor ofereceu não só as principais opções de imóveis em comercialização em todo o Estado, como também espaços de experiências e conteúdos, por meio de ações interativas, recursos tecnológicos, além do enfoque em gastronomia e temas nas áreas de decoração, bem-estar e discussões sobre as novas formas de habitar, ocupar e viver a cidade. Além de mais de 50 expositores de diferentes áreas da construção civil e do mercado
imobiliário, a solenidade de abertura contou com a presença do governador do Espírito Santo, Paulo César Hartung Gomes (PMDB), que elogiou o Novo Salão do Imóvel e se mostrou otimista em relação a retomada do crescimento imobiliário no País. Uma das novidades do evento, o estande do Sinoreg-ES funcionou durante todo o Salão, esclarecendo dúvidas sobre a participação dos notários e registradores na aquisição de imóveis e outras atividades concernentes aos serviços extrajudiciais.
Equipe do Sinoreg-ES e colaboradores do 1º Oficio da 2ª Zona da Serra trabalharam com afinco durante a 25ª edição do Salão do Imóvel e proporcionou possíveis parcerias futuras para os cartórios 6
Assim, existe a possibilidade de termos novos serviços com essas instituições e organizações”, afirma o oficial. De acordo com o presidente da Ademi-ES, Sandro Udson Carlesso, o evento teve um novo formato para proporcionar uma experiência diferente ao visitante. “O Salão do Imóvel é o maior e principal evento de comercialização de imóveis do Espírito Santo. Nesta edição, apresentamos o Novo Salão do Imóvel, que além de oferecer toda diversidade de imóvel, também ofertou conteúdo, experiências, entretenimento e lazer aos visitantes.”, explica Carlesso.
Centro de discussão de assuntos de interesse dos capixabas, a Arena de Debates contou com três palestras sobre a atividade dos notários e registradores
Para o presidente do Sinoreg-ES, Márcio Valory Silveira, o Sindicato teve importância fundamental no evento. “Montamos um estande convidativo ao público presente, buscando explicar para os interessados o papel dos cartórios nos atos que envolvem uma aquisição imobiliária, desde a lavratura da escritura no Tabelionato de Notas e seu posterior registro no cartório de Registro de Imóveis. Foram respondidas diversas dúvidas que norteiam o meio registral e notarial e que é pouco conhecido pela sociedade”, esclarece Valory. Segundo o oficial substituto do 1º Ofício da 2ª Zona da Serra-ES, Bruno do Valle Couto Teixeira, a participação do Sinoreg -ES no salão da Ademi-ES pode possibilitar em breve novos serviços para o segmento dos cartórios.
“A ideia foi trazer todas as instituições representativas de serviços notariais e registrais para o salão. Estavam representados o IRIB, o IEPTB-BR, o IRTDPJBrasil, o CNB-CF. A intenção era mostrar que há serviços que podiam ser feitos não só no Espírito Santo, mas também em todas as unidades Federativas. Nós visitamos todos os estandes, como construtoras, bancos e mostramos o nosso serviço.
Arena de Debates Outro destaque do salão foi a Arena de Debates para discussão de assuntos de interesse dos capixabas. No local, houveram debates sobre o futuro das cidades e o formato dos novos imóveis, além de bate-papos sobre financiamento habitacional, dicas de decoração, sustentabilidade, entre outras atrações. Sobre o segmento notarial, três palestras foram realizadas sobre o assunto em dias diferentes. Na sexta-feira (19.10), o oficial substituto Bruno do Valle apresentou a palestra “Função Social do Registro Imobiliário”. No sábado, foi a vez da palestra sobre os “Aspectos práticos das escrituras”, ministrada pelo presidente do Colégio Notarial (CNB/ES) e diretor de notas do Sinoreg-ES, Rodrigo Reis Cyrino. Além deles, também houve uma palestra do assessor jurídico do Sinoreg-ES, Bruno Bittencourt Bittencourt, que falou sobre o “Panorama dos Serviços Notariais e Registrais no Brasil”.
“Montamos um estande convidativo ao público presente, buscando explicar para os interessados sobre o papel dos cartórios nos atos que envolvem uma aquisição imobiliária” Márcio Valory Silveira, presidente do Sinoreg-ES
O presidente do Sinoreg-ES, Márcio Valory Silveira, durante o evento ao lado do oficial Bruno do Valle (esq.) e do presidente da Ademi-ES, Sandro Carlesso Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
Estande do Sinoreg-ES no Salão do Imóvel realizou inúmeros atendimentos ao público para esclarecer dúvidas a respeito da função de notários e registradores
“O Salão do Imóvel é o maior e principal evento de comercialização de imóveis do Espírito Santo” Sandro Carlesso, presidente da Ademi-ES
Segundo o presidente do CNB/ES, Rodrigo Reis Cyrino, sua palestra foi importante para esclarecer aos usuários sobre a necessidade de conferir segurança jurídica a todo ato negocial referente à propriedade de um imóvel. “O imóvel pode ser o maior patrimônio material de uma pessoa, sendo ele transferido através da escritura pública, podendo ser utilizada uma procuração pública, sendo fundamental buscar várias informações nas relações imobiliárias, com a conferência da documentação atualizada necessária para o fechamento de uma negociação imobiliária, tais como: a certidão de casamento, certidão de ônus, certidão negativa de interdição e tutela dos vendedores, fazer um levantamento na central de indisponibilidade de bens para confirmar a inexistência de algum bloqueio judicial ou não sobre o imóvel”, diz o presidente do CNB/ES. Ainda de acordo com Reis, o Sinoreg-ES teve participação importantíssima no evento para levar ao público informações muitas vezes desconhecidas da maioria. “As instituições 8
notariais e registrais contribuíram muito para esclarecer como uma transferência imobiliária é feita, o que começa pela escritura pública, depois o recolhimento dos tributos devidos à Prefeitura se for uma transmissão onerosa através do imposto de transmissão sobre bens imóveis, ou ao Estado se for uma transmissão gratuita por doação, sendo devido o imposto de transmissão pela doação”, explicou. Já o assessor jurídico do Sinoreg-ES, Bruno Bittencourt, acredita que sua palestra contribuiu para levar informações gerais aos visitantes do salão sobre o funcionamento dos cartórios extrajudiciais. “Abordei a questão de o cartório ser privado, como é a legislação atual e tirei dúvidas sobre os cartórios, já que muitas pessoas da sociedade não sabem como os cartórios funcionam exatamente”, explica o assessor do Sinoreg-ES. Para ele, durante o evento, houve um saldo positivo em relação a visão que as empresas formaram do Sinoreg-ES. “Evidentemente, essa visão é uma construção, mas quem não conhecia o Sindicato e outras instituições importantes agora conhece. Acredito que novos eventos farão com que os cartórios passem a ter uma imagem mais fortalecida perante a sociedade e as empresas privadas sobre os prestadores de serviço público de qualidade e que oferecem uma garantia da segurança jurídica. Não há nenhuma transação que seja mais segura do que aquela que passa pelos trâmites legais e pelos cartórios extrajudiciais”, opina Bittencourt.
Imóveis com preços a partir de R$ 124 mil Neste ano, o Salão do Imóvel reuniu cerca de 50 expositores, entre construtoras, incorporadoras, loteadoras, imobiliárias, além da participação do Sicoob, Banestes e da Caixa Econômica com sugestões de financiamento. Uma das inovações desta edição são as cabines exclusivas para negociação entre cliente e corretor de imóveis. O espaço ofereceu mais comodidade para a tomada de decisão. Quem estava em busca de opções de imóveis encontrou sugestões para todos os perfis e bolsos, entre casas e apartamentos, lotes, lojas e salas comerciais, com tipologias variadas, incluindo desde unidades de um a cinco quartos nos segmentos econômicos “Minha Casa, Minha Vida”, além dos empreendimentos de médio e alto padrão. Foram cinco mil unidades em oferta em diferentes bairros da Grande Vitória e interior do Espírito Santo. O imóvel mais barato teve custo médio de R$ 124 mil.
Segundo o oficial substituto Bruno do Valle, a participação no salão pode possibilitar novas parcerias para os cartórios: “possibilidade de novos serviços com as instituições”
“Visitamos todos os estandes, como construtoras, bancos e mostramos o nosso serviço. Assim, existe a possibilidade de termos novos serviços com essas instituições e organizações” Bruno do Valle Couto Teixeira, oficial substituto do 1º Ofício da 2ª Zona da Serra-ES
O presidente do CNB/ES, Rodrigo Reis, palestrou sobre os aspectos práticos das escrituras: “buscar informações nas relações imobiliárias”
Assessor do Sinoreg-ES, Bruno Bittencourt palestrou sobre o panorama dos serviços extrajudiciais: “muitas pessoas não sabem como os cartórios funcionam”
Presidente do Sinduscon-ES, Paulo Baraona elogiou o Salão do Imóvel: “estimular a população a ter mais acesso as informações da construção civil”
“O imóvel pode ser o maior patrimônio material de uma pessoa, sendo ele transferido através da escritura pública”
“Acredito que novos eventos farão com que os cartórios passem a ter uma imagem mais fortalecida perante a sociedade e as empresas privadas”
“Essa eleição gerou uma expectativa positiva, que é crescente dentro do ramo imobiliário e econômico”
Rodrigo Reis Cyrino, presidente do CNB/ES
Bruno Bittencourt, assessor jurídico do Sinoreg-ES
Paulo Baraona, presidente do Sinduscon-ES
Vale ressaltar que a 25ª edição aconteceu em um momento de retomada do mercado imobiliário capixaba. De acordo com a pesquisa Indicadores Nacionais Imobiliários, divulgado recentemente pela Ademi-ES e pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Espírito Santo (Sinduscon-ES), a Grande Vitória apresentou crescimento consistente das vendas nos primeiros seis meses do ano, superando, inclusive a média nacional. O primeiro trimestre encerrou com 838 unidades vendidas na Grande Vitória, enquanto que no segundo foram 1.142, um incremento de 36%. No âmbito nacional, o crescimento das vendas ficou em 15% entre o primeiro trimestre e o segundo. Foram comercializadas 25.394 unidades, de janeiro a março, e 29.951, de abril a junho. Somente a Grande Vitória lançou no total 2.076 novas unidades residenciais até junho, sendo 1.160 projetadas no primeiro trimestre e 916 no segundo. O município de Serra liderou o volume de unidades lançadas, com 776 unidades. A cidade vem seguida de Vitória
com 763. Na sequência, veio Vila Velha, com 537 novas unidades. Segundo o presidente do Sinduscon-ES, Paulo Baraona, o salão da Ademi-ES foi uma oportunidade de as empresas mostrarem ao público os seus produtos, imóveis e lançamentos. “Tanto ter um espaço para apresentar esses imóveis, quanto os compradores terem um espaço mais aprazível de estarem olhando os lançamentos e fazerem as suas opções. Também foi uma oportunidade de acompanhar palestras e estimular não só o setor produtivo, mas também a população a ter mais acesso as informações da construção civil e das tendências que estão acontecendo no mercado imobiliário”, esclarece Baraona. Ainda de acordo com ele, há uma tendência de recuperação do mercado imobiliário no País. “A construção civil e as imobiliárias atendem muito a confiança. A construção civil baliza a economia. Quando a economia tem problemas a construção civil é o primeiro setor a sofrer. Quando a economia melhora, a construção civil é o último a sair. Nós trabalha-
mos com produtos de valor agregado muito alto e financiamento de médio e longo prazo. Ninguém vai fazer um financiamento se não houver confiança na economia. Essa eleição gerou uma expectativa positiva e essa expectativa é crescente dentro do ramo imobiliário e econômico. Evidentemente, esperamos que essa expectativa se transforme em certezas com os lançamentos das agendas e reformas que o Brasil precisa para poder começar a dar sinais de sair da crise”, revela o presidente do Sinduscon-ES. De acordo com o presidente da Ademi-ES, Sandro Carlesso, quem foi ao Novo Salão do Imóvel se deparou com um novo conceito, que incluiu serviços, conteúdos, entretenimento e a comodidade de encontrar em um só lugar as principais opções de imóveis à venda do mercado imobiliário. “O evento contou com espaços de experiências e conteúdos, com enfoque nos temas de bem-estar e discussões sobre as novas formas de habitar, ocupar e viver a cidade”, ressalta Carlesso. Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
“A participação do Sinoreg-ES serve para estreitar ainda mais a relação com a Ademi-ES” Presidente da Ademi-ES, Sandro Carlesso elogia o Sinoreg-ES e diz que a entidade ampliou o leque de serviços disponíveis para os visitantes do evento
O presidente da Ademi-ES, Sandro Carlesso, destaca a participação do Sinoreg/ES no Salão do Imóvel: “participação importante do Sinoreg-ES no evento” 10 Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
residente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Estado do Espírito Santo (Ademi-ES) desde 2015, Sandro Udson Carlesso é engenheiro civil e tem MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Especialista nas áreas de incorporação e construção civil ele também é diretor executivo da Impacto Engenharia e diretor da S2U Empreendimentos Imobiliários. Em entrevista a Revista de Direito Notarial e Registral do ES, Sandro Carlesso fala sobre a 25ª edição do Salão do Imóvel e sobre a participação do Sinoreg-ES no evento. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Qual a importância da 25ª edição do Salão do Imóvel, promovido pela Ademi-ES, realizado na Arena Shopping Vitória, no Espírito Santo? Sandro Carlesso – O Salão do Imóvel é o maior e principal evento de comercialização de imóveis do Espírito Santo. Reúne, há 25 edições ininterruptas, diversas empresas em atuação no mercado imobiliário capixaba para a oferta das mais variadas tipologias de produtos, entre lançamentos, prontos, em construção e até seminovos. E principalmente nesta edição apresentamos o Novo Salão do Imóvel, que além de oferecer toda diversidade de imóvel, também ofertou conteúdo, experiências, entretenimento e lazer aos visitantes. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Como vê a participação do Sinoreg-ES no salão da Ademi-ES? Sandro Carlesso – A participação da entidade foi importante para ampliar ainda
“O novo Salão do Imóvel colocou mais de 5 mil unidades à venda, entre apartamentos, salas comerciais, lojas, loteamentos e casas em diferentes bairros da Região Metropolitana de Vitória, como também municípios do interior do Espírito Santo”
mais o leque de serviços disponíveis para os visitantes do evento, já que esta edição foi batizada de Novo Salão do Imóvel, passando a congregar expositores e parceiros que oferecem atividades, serviços e produtos relacionados à compra de um imóvel. A participação do Sinoreg-ES também serviu para estreitar ainda mais a relação com a Ademi-ES, que está sempre aberta para as demandas e oportunidades de parceria com a entidade.
“Entre os diferenciais da programação deste ano está a instalação da Arena de Debates para discussões sobre o futuro das cidades e o formato dos imóveis do futuro”
Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Qual foi o conteúdo e os serviços expostos no salão da Ademi-ES? Sandro Carlesso – O evento contou com espaços de experiências e conteúdos, com enfoque nos temas bem-estar e discussões sobre as novas formas de habitar, ocupar e viver a cidade. Um dos diferenciais da programação deste ano foi a instalação da Arena de Debates para discussões sobre o futuro das cidades e o formato dos imóveis do futuro, bate-papos sobre financiamento habitacional, dicas de decoração, sustentabilidade, mobilidade urbana, hora do expositor. Destaque, ainda, para a área de acolhimento ao visitante, com participação da EDP que apresentou experiências como energias renováveis, a Casa Interativa da Fibria mostrando como a indústria florestal está presente na vida das pessoas e o espaço Experiência da Vale, onde o visitante pode passear virtualmente pelo Atlântica Parque, um novo espaço de convivência com equipamentos de esporte e lazer para toda a família, que será inaugurado na Praia de Camburi, na capital do Espírito Santo. Na entrada do Novo Salão do Imóvel, o público também foi convidado a fazer uma viagem no tempo, passando por uma galeria de imagens que mostraram a transformação e a evolução das cidades da Grande Vitória com o passar dos anos. Também chamou a atenção do público o espaço Hall de Serviços, onde cartórios, empresas de consórcio, tecnologia, telecomunicações e rede de supermercados apresentaram seus produtos e serviços.
Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Quais foram os parceiros da Ademi-ES que estiveram presentes no evento? Sandro Carlesso – O Salão do Imóvel teve o patrocínio da Caixa, Banestes e Sicoob e apoio do Sebrae-ES.
Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Um dos motes do novo salão do imóvel foi que ele chegou com oferta de mais de 5 mil unidades de imóveis. Como foi a negociação dessas unidades?
Sandro Carlesso – O novo Salão do Imóvel colocou mais de 5 mil unidades à venda, entre apartamentos, salas comerciais, lojas, loteamentos e casas em diferentes bairros da Região Metropolitana de Vitória, como também municípios do interior do Espírito Santo. A organização do evento ainda não tem os resultados compilados, entretanto pelo feedback dos expositores, foram quatro dias muito produtivos, com vendas concretizadas e diversos contatos foram prospectados para fechamentos no decorrer dos próximos meses, uma vez que no cenário atual, o tempo para a conclusão de uma venda tem sido mais longo.
Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Quais foram as autoridades mais importantes que participaram do evento? Sandro Carlesso – Contamos com a presença de diversas autoridades locais, incluindo o governador do Estado, Paulo Hartung, secretários de Estado, prefeitos de Vitória e Vila Velha, secretários municipais, vereadores, lideranças do meio empresarial, presidentes e gestores de bancos público e privado e presidentes de entidades afins com o mercado imobiliário, como Paulo Baraona, a frente do Sinduscon-ES, dirigentes da Findes, Sindimóveis, Creci-ES, entre outras lideranças importantes do Estado. Destacamos, ainda, a presença de Silvio Barros, que veio representando a CBIC na abertura do evento. Ele, inclusive, abriu a Arena de Debates trazendo toda sua expertise sobre mobilidade e desenvolvimento urbano. Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
Adquiriu um imóvel com dívidas pendentes? De quem é a responsabilidade?
uando se vai adquirir um imóvel já pronto e usado, muitas questões, dúvidas e obrigações são levantadas, tais como: avaliar se o imóvel está em bom estado, vistoriar, verificar a documentação do imóvel e do condomínio, consultar preços, conhecer o condomínio, buscar informações com condôminos a respeito do condomínio (isso é mais importante do que parece), entre outras tantas. Ocorre que muitas pessoas não olham e não colhem nenhuma ou quase nenhuma dessas informações e, por vários motivos, principalmente o sonho da casa própria, acabam adquirindo a unidade. Mas, aí vem a pergunta: e se a unidade comprada está cheia de encargos pendentes, como por exemplo as taxas condominiais (o condomínio) em atraso, sejam taxas ordinárias ou extraordinárias, de quem é a responsabilidade? A responsabilidade é de quem estava lá antes e deu causa às dívidas (vendedor) ou é do novo morador (adquirente)? Em síntese, a responsabilidade é do ADQUIRENTE. O Código Civil, a “Lei dos Edifícios” (Lei nº 4.591/1964) e a própria jurisprudência respondem esta pergunta e confirmam essa responsabilidade. Explica-se. O termo jurídico que explica essa obrigação e responsabilidade do ADQUIRENTE é sub-rogar-se. Significa que o ADQUIRENTE sub-roga-se (substitui; se coloca no lugar) do alienante quando adquire o imóvel não só em seu lugar como também em suas obrigações. Isto tudo ocorre porque, no Direito Imobiliário e Condominial, as taxas ordinárias e/ou extraordinárias pertencem À COISA, ou seja, ao imóvel, à unidade, pois a natureza desta obrigação é propter rem (“da coisa”) e, portanto, a pessoa que lá se encontrava (o futuro alienante), ao vende-la e transferi-la para outra pessoa (o futuro adquirente) não leva consigo as dívidas e pendências, pois a “coisa” é imóvel (num linguajar mais claro: o imóvel não se mexe, não sai do
“O adquirente de unidade responde pelos débitos do alienante, em relação ao condomínio, inclusive multas e juros moratórios” 12 Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
lugar e, portanto, não pode ser transportado). Assim, as dívidas e encargos ficam imóveis juntamente à unidade, de modo que a mera mudança de pessoas (adquirente que compra do alienante) não exime quem está ingressando da unidade das responsabilidades que nela ficaram. O artigo 1.345, do Código Civil não deixa dúvidas que o entendimento realmente é este, conforme sua redação que diz o seguinte: Art. 1.345. O adquirente de unidade responde pelos débitos do alienante, em relação ao condomínio, inclusive multas e juros moratórios. Ao alienante, nada o impede de transferir a unidade com dívidas. Não existe essa vedação e cabe ao ADQUIRENTE agir com zelo e cuidado, buscando todas as informações possíveis do imóvel, sendo, inclusive, irrelevante a forma de aquisição (se por meio de arrematação em leilão judicial ou uma simples compra e venda). Mas, Dr. tem alguma coisa que o ADQUIRENTE pode fazer para não arcar com esse débito ou ser ressarcido por pagar uma dívida que não é sua? SIM. Existe a possibilidade de o ADQUIRENTE estipular, no contrato de compra e venda junto ao alienante, uma cláusula na qual confirma ser de responsabilidade do alienante os débitos da unidade e que, ao ingressar no imóvel e pagar as pendências deixadas pelo alienante, poderá cobrá-lo por aqueles débitos através de uma Ação de Regresso. E se esta cláusula não for anexada ao contrato, ainda assim teria direito? SIM. O Judiciário já se manifestou no sentido de que cabe Ação de Regresso, advindo do direito de regresso entre o adquirente e o antigo proprietário que aliena o imóvel. O STJ já decidiu desta forma (à exemplo: AgRg no AREsp 215.906/RO, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/03/2016, DJe 28/03/2016). No caso de promessa de compra e venda, o entendimento é um pouco diferente e pode ser objeto de um novo artigo. De toda sorte, deve ser prudência do ADQUIRENTE averiguar tudo em relação ao imóvel que pretende adquirir para que não sofra com nenhuma surpresa desagradável e não ter nenhuma dor de cabeça. Noutro lado, deparando-se com a hipótese descrita, procure um advogado especialista, explique a situação para obter um parecer correto e confiável para poder solucionar a problemática.
Segundo o especialista em Processo Civil pela FDV, Pérecles Ribeiro Reges, são comuns dúvidas na hora de se adquirir um imóvel
“Cabe ao adquirente agir com zelo e cuidado, buscando todas as informações possíveis do imóvel, sendo, inclusive, irrelevante a forma de aquisição”
Pérecles Ribeiro Reges é especialista em Processo Civil pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV), ênfase em Prática Cível pelo Centro de Ensino Renato Saraiva (CERS), mestrando do Programa de Pós-graduação em Direito Processual (PPGDIR) da UFES como aluno especial, advogado da BRFT Sociedade de Advogados, inscrito nos quadros da OAB/ES sob o nº 25.458 e militante na área do Direito Imobiliário na Comarca da Grande Vitória/ES.
Dados do Sinoreg-ES revelam que os capixabas estão se divorciando mais Desde 2008, número de dissoluções aumentou em 26,5% no Espírito Santo; divórcios também subiram no Brasil.
eguindo uma tendência nacional, o número de divórcios vem aumentando no Espírito Santo se forem analisados os dados desde 2008, segundo dados do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito Santo (Sinoreg-ES), que reúne informações dos registros civis e notas feitos em cartórios entre 2008 e 2018. Os divórcios aumentaram 4,4% entre 2015 e 2017. Se considerados os dados desde 2008, o número de separações aumentou em 26,5%. Se considerados os primeiros sete meses de 2018, houve aumento de 7,4% nas separações se comparado com o mesmo período do ano anterior. A Serra foi o município da Grande Vitória que teve o aumento mais expressivo no número de divórcios. Segundo o Sinoreg-ES, entre 2010 e 2017, a quantidade de separações cresceu 86%. Por comparação, em Cariacica, o aumento foi de 26%. Em Viana e Vila Velha o crescimento no número de divórcios em oito anos foi de 27% e 20% respectivamente. Também bem menor do que a variação ocorrida na Serra. Na contramão dos demais municípios, Vitória teve queda na quantidade de separações no mesmo período. Os divórcios na capital caíram 5,42%. Ainda assim, é em Vitória que se concentra o maior número de registros de separação. Em 2017, 1.552 casais assinaram o documento de divórcio em algum dos cartórios da Capital. Entre janeiro de 2017 e junho de 2018, o Cartório do 2º Ofício de Notas do Juízo de Vitória, mais conhecido como cartório Camburi, realizou a lavratura de 53 escrituras de divórcio. Para o titular do cartório, Márcio Henrique Martins de Almeida, existem vários fatores que podem contribuir para por fim a vida conjugal. “É uma questão muito particular, que demandaria um estudo específico. No
Para o titular do cartório Camburi, Márcio de Almeida, vários fatores contribuem para por fim a vida conjugal: “questão muito particular”
entanto, não cumpre ao tabelião de notas verificar com profundidade o que ocasionou a decisão de se por fim a relação jurídica entre as partes”, comenta o tabelião. Já o cartório de Notas e Registro Civil de Serra-ES, conhecido como Antônio Maria, realiza em torno de 20 escrituras de divórcio extrajudicial por mês. Segundo o tabelião João Fernandes, são necessário alguns documentos para se efetuar a separação. “Para o casal realizar o divórcio extrajudicial é necessário petição do advogado, identidade e CPF dos cônjuges, certidão de casamento atualizada, OAB do Advogado e se houver bens a serem partilhados os documentos dos bens”, orienta Fernandes.
TOTAL GERAL DE CASAMENTOS DO ES
TOTAL GERAL DE DIVÓRCIOS E SEPARAÇÕES DO ES
“Não cumpre ao tabelião de notas verificar com profundidade o que ocasionou a decisão de se por fim a relação jurídica entre as partes” Márcio Henrique Martins de Almeida, titular do cartório Camburi
Menos infelicidade O número de divórcios também aumentou no Brasil pelo segundo ano consecutivo, de acordo com a pesquisa “Estatísticas do Registro Civil”, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Somente no ano passado, foram registradas 373.216 separações, um aumento de 8,3% de 2016 para 2017. Ainda de acordo com o IBGE, quase 300 mil divórcios foram feitos judicialmente, enquanto que pouco menos de 80 mil foram realizados em cartório. A maior parte dos divórcios aconteceu em famílias com filhos menores de idade (45,8% do total). Para Zeno Veloso, especialista em Direito Civil e Constitucional e diretor nacional do Conselho de Administração do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), o aumento no número de divórcios demonstra um desapego em relação ao casamento e uma tolerância menor em relação a infelicidade. Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
Os casamentos e divórcios no Espírito Santo Casamentos
Para o especialista em Direito Civil, Zeno Veloso, há uma tolerância menor em relação à infelicidade: “outras alternativas de constituição de família”
“A liberdade estabelecida com a Lei nº 11.441/2007 de se fazer o divórcio em cartório é um facilitador da vida das pessoas e pode ajudar a desafogar o excessivo volume de processos do Judiciário” Rodrigo da Cunha Pereira, presidente do IBDFAM
“Os divórcios estão em grande número porque dada a infelicidade, o desencontro, o desenlace, o desacerto nos casamentos as pessoas não estão mais preferindo ficar mantendo uma aparência e continuar infelizes. Elas estão partindo para o divórcio. Como há outras alternativas de constituição de família, sendo a união estável a principal delas, acredito que as pessoas podem estar casando menos porque há alternativas para constituir família sem casamento”, aponta o diretor do IBDFAM. Já o presidente do IBDFAM, Rodrigo da Cunha Pereira, acredita que o Estado está intervindo menos na vida das pessoas, o que reflete em escolhas mais responsáveis na hora de se casar ou de se divorciar. “Cada vez mais, há uma tendência de menor intervenção na vida privada dos cidadãos. Essa é a previsão do artigo 1.513 do Código Civil Brasileiro: é defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família. Essa não intervenção estatal na vida privada imprime mais responsabilidade às pessoas por suas 16 Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
escolhas afetivas, na medida em que não há mais o Estado controlando o tempo de duração da intimidade, do desejo e do amor entre um casal. A partir da emenda Constitucional 66, proposta pelo IBDFAM, que simplificou o sistema de divórcio no Brasil, o discurso da culpa foi substituído pelo da responsabilidade”, analisa o presidente do IBDFAM. Embora o novo Código de Processo Civil tenha entrado em vigor em 2016, a lei 11.441, em vigor desde 05 de janeiro de 2007, foi que possibilitou a separação e divórcio consensuais pela via extrajudicial, diminuindo a burocracia na realização de um divórcio, permitindo que fosse feito em cartório e sem que haja necessidade de processo judicial. “A liberdade estabelecida com a Lei n. 11.441/2007 de se fazer o divórcio em cartório é um facilitador da vida das pessoas e pode ajudar a desafogar o excessivo volume de processos do judiciário. A tendência do Direito de Família e Sucessões é se tornar cada vez mais extrajudicial”, opina Rodrigo Pereira. Casamentos diminuem Embora o número de casamentos e uniões estáveis tenha aumentado entre 2008 e 2015 no Espírito Santo, quando mais de 28,5 mil casais se uniram, o número de uniões vem diminuindo, chegando a 24,2 mil em 2017. Uma queda de 15% em três anos. Para Zeno Veloso, diretor nacional do IBDFAM, os casamentos estão diminuindo porque as pessoas estão utilizando outras formas
de constituição de família além do casamento. “Há um grande número de pessoas que vivem informalmente sem se casarem. Não acho que as pessoas não estejam constituindo família, não estejam amando, convivendo, querendo ficar juntos, ao contrário. Acho que esse sentimento de amar, ficar junto, conviver, ele é permanente e crescente. Mas o casamento mudou em relação a outrora. As características daquele casamento cheio de favores para o homem, hierarquizado, patrimonializado não existe mais. Isso se acabou com a Constituição de 1988 e com o novo Código de Processo Civil”, relata o diretor do IBDFAM. O presidente do IBDFAM, Rodrigo da Cunha Pereira, também acredita que a re-
“Para o casal fazer o divórcio extrajudicial é necessário petição do advogado, identidade e CPF dos cônjuges, certidão de casamento atualizada, OAB do advogado e, se houver bens a serem partilhados, os documentos dos bens” João Fernandes, titular do cartório Antônio Maria
Casamentos 4.000 3.500 3.000 2.500 2.000
Segundo o presidente do IBDFAM, Rodrigo Pereira, há menos intervenção na vida privada: “o discurso da culpa foi substituído pelo da responsabilidade”
1.500 1.000 500 0 2010
2015 Vila Velha
Zeno Veloso, especialista em direito civil
Divórcios 1.800 1.600 1.400 1.200 1.000 800 600 400 200 0 2010
“Os divórcios estão em grande número porque dada a infelicidade, o desencontro, o desenlace, o desacerto nos casamentos as pessoas não estão mais preferindo ficar mantendo uma aparência e continuar infelizes”
2013 Viana
dução no número de casamentos se deve ao fato do surgimento de novas conjugalidades, apesar da grande resistência e dificuldade de muitos em aceitar tal realidade. “Surgirão ainda outras formas de conjugalidades que a nossa vã filosofia nem consegue imaginar. Por exemplo, há pessoas que querem ter filhos, mas sem conjugalidade, ou sem sexualidade, ou seja, querem apenas constituir uma família parental, sem casamento. A expressão coparentalidade ou famílias coparentais são aquelas que se constituem entre pessoas que não necessariamente estabeleceram uma conjugalidade, ou nem mesmo uma relação sexual”, explica o presidente do IBDFAM. Vale ressaltar que mesmo com essa queda no número de casamentos, a cidade de Serra registrou a maioria dos casamentos do Estado por município: 2.998 casais disseram “sim” em 2017. Em seguida, vem Vila Velha, com 2.971 casamentos no ano passado e Cariacica, com 2.444. Nos primeiros sete meses deste ano mais de 6 mil uniões já foram registradas na Grande Vitória. Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
“Os Cartórios de Notas e de Registro Civil começarão a ocupar a cena central do Direito de Família” Para o presidente do IBDFAM, Rodrigo da Cunha Pereira, o aumento de divórcios no Brasil tem relação direta com a praticidade oferecida pelos tabelionatos de notas
outor em Direito pela Universidade Federal do Paraná com mestrado em Direito Civil pela Universidade Federal de Minas Gerais, Rodrigo da Cunha Pereira é graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professor de Direito Civil – Direito de Família – da PUC/MG desde 1993, encontra-se licenciado do cargo. Advogado especializado em Direito de Família, com ênfase interdisciplinar em Psicanálise, atualmente Rodrigo ocupa a presidência Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Em entrevista a Revista de Direito Notarial e Registral do ES, o presidente do IBDFAM fala sobre o aumento de divórcios no Espírito Santo e no Brasil e sobre a diminuição aparente do número de casamentos. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Dados do Sindicato dos Notários e Registradores do Espírito santo (Sinoreg-ES) revelam que o número de divórcios vem aumentando no Estado nos últimos anos. Se considerados os dados desde 2008, o número de dissoluções aumentou em 26,5%. Como avalia esses aumentos? A que podemos atribuir essa elevação? Rodrigo da Cunha Pereira – Avalio de forma positiva, pois isto significa que as pessoas estão mais livres para determinarem, ou não, o fim da conjugalidade. Significa que o Estado interfere menos na intimidade das pessoas. E isto não significa que a família esteja em decadência. Ao contrário, está mais verdadeira e mais autêntica.
“Não intervenção estatal na vida privada imprime mais responsabilidade às pessoas por suas escolhas afetivas, na medida em que não há mais o Estado controlando o tempo de duração da intimidade” 18 Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
Para o presidente do IBDFAM, Rodrigo da Cunha Pereira, as separações refletem menos intervenção na vida das pessoas: “o divórcio em cartório é um facilitador”
Revista de Direito Notarial e Registral do ES – O número de divórcios também aumentou no Brasil, segundo a pesquisa Estatísticas do Registro Civil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa é uma tendência nacional? Rodrigo da Cunha Pereira - Sim. Cada vez mais há uma tendência de menor intervenção na vida privada dos cidadãos. Aliás, essa é a previsão do artigo 1.513 do Código Civil Brasileiro: É defeso a qualquer pessoa, de direito público ou privado, interferir na comunhão de vida instituída pela família. Essa não intervenção estatal na vida privada imprime mais responsabilidade às pessoas por suas escolhas afetivas, na medida em que não há mais o Estado controlando o tempo de duração da intimidade, do desejo e do amor entre um casal. A partir da emenda Constitucional 66, proposta pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), que simplificou o sistema de divórcio no Brasil, o discurso da culpa foi substituído pelo da responsabilidade, ou seja, cada um “sabe a dor e a delicia de ser o que é”, como já disse Caetano Veloso. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Enquanto os divórcios aumentaram, o número de casamentos diminuiu, tanto no Brasil como no Estado do Espírito Santo. Como explicar essa diminuição no número de casamentos? Rodrigo da Cunha Pereira – Acredito que a redução no número de casamentos se deve ao fato do surgimento de novas conjugalidades, apesar da grande resistência e dificuldade de muitos em aceitar tal realidade. E isso é um caminho sem volta. Surgirão ainda outras formas de conjugalidades que a nossa vã filosofia nem consegue imaginar. Por exemplo, há pessoas que querem ter filhos, mas sem conjugalidade, ou sem sexualidade, ou seja, querem apenas constituir uma família parental, sem casamento. A expressão Coparentalidade ou famílias coparentais são aquelas que se constituem entre pessoas que não necessariamente estabeleceram uma conjugalidade, ou nem mesmo uma relação sexual. Apenas se encontram movidos pelo interesse e pelo desejo em
“Acredito que a redução no número de casamentos se deve ao fato do surgimento de novas conjugalidades”
fazer uma parceria de paternidade/maternidade. Essas novas estruturas conjugais e parentais nos remetem a uma ideia de desordem da família e de que essas novas representações sociais de família produzirão filhos infelizes, desajustados, problemáticos e casais promíscuos. Na verdade, o que está em desordem, em crise, é a família nuclear burguesa patriarcal, que sobreviveu às custas da opressão e submissão da mulher, que não era considerada sujeito de desejos nem de direitos (até 1964, era relativamente capaz — Lei 4.121/62). Essa família idealizada, do passado, apesar da nostalgia que traz consigo em razão do sentimento de amparo que transmitia, tem cedido espaço para outras formas de constituir famílias. Apesar disso, a família foi, é e continuará sendo o núcleo básico da sociedade, isto é, o núcleo estruturante do sujeito, seja ela de que forma se constituiu. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Desde janeiro de 2007, encontra-se em vigor a Lei nº 11.441 que possibilitou a separação e divórcio consensuais pela via extrajudicial, diminuindo a burocracia na realização de um divórcio, permitindo que fosse feito em cartórios e sem que haja necessidade de processo judicial. Como avalia a importância dessa lei para o processo do divórcio? Rodrigo da Cunha Pereira – A via administrativa do divórcio, a exemplo de outros países, foi bem recepcionada pela maioria dos doutrinadores, embora tenha se formado uma corrente de pensamento sustentando que a via extrajudicial pode propiciar a fraude a terceiros, ou mesmo à parte economicamente mais fraca. Fraudes e simulações continuarão existindo, independentemente da forma jurídica que se faça o divórcio. Não se pode tolher a liberdade e o avanço legislativo que vem coroar o princípio da menor intervenção estatal em nome de se proteger eventuais fragilidades de uma das partes ou possível fraude a credores. A liberdade estabelecida com a Lei nº 11.441/2007 de se fazer o divórcio em cartório é um facilitador da vida das pessoas e pode ajudar a desafogar o excessivo volume de processos do Judiciário. Maior liberdade pressupõe também maior e mais responsabilidade com a própria autonomia privada. Se houver fraude, erro, inconformismo ou uma enganação qualquer de uma parte à outra, ou das partes a terceiros, o acordo pode ser objeto de questionamento através de Ação Anulatória. A tendência do Direito de Família e Sucessões é se tornar cada vez mais extrajudicial. Em breve, os Cartórios de Notas e de Registro Civil começarão a ocupar a cena central do Direito de Família.
Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Para quem quiser se divorciar... o que é necessário fazer? Rodrigo da Cunha Pereira – É necessário verificar se trata de um divórcio consensual ou litigioso (conflito de interesses). Seja qual for a forma jurídica pela qual o casamento acaba, isto é, pelo divórcio consensual ou litigioso, as cláusulas a serem discutidas e estabelecidas são as mesmas. Para melhor entendimento, classificamos estas cláusulas sob dois aspectos: pessoais e econômicos. Nos aspectos pessoais temos a cláusula relativa à mudança de nome, guarda e convivência familiar; nos aspectos econômicos, a de pensão alimentícia e partilha de bens. Cada uma destas cláusulas pode desdobrar-se e derivar outras. Entretanto, a discussão processual dessas decorrências ou consequências do fim do casamento pode desatrelar-se da discussão sobre o vínculo conjugal. Perfeitamente possível conseguir divórcio por liminar, sendo essas outras questões discutidas posteriormente. Caso seja divórcio consensual, sem filhos menores e sem a mulher estar em estado gravídico, poder ser feito por escritura pública em Tabelionato de Notas. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Como ficam questões polêmicas em um divórcio como partilha de bens e a pensão alimentícia? Rodrigo da Cunha Pereira – Hoje é possível que o divórcio seja decretado por liminar, ficando essas questões prejudiciais sendo discutidas posteriormente. Quando não ocorrer acordo na partilha de bens, por exemplo, os juízes podem resolver de imediato o divórcio. É o que prevê o artigo 731, parágrafo único do CPC/2015: Se os cônjuges não acordarem sobre a partilha dos bens, far-se-á esta depois de homologado o divórcio. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Qual a importância da conciliação antes de se dar entrada com o processo do divórcio? Rodrigo da Cunha Pereira – É acabar de vez com a discussão de um dos maiores atrasos em nosso ordenamento jurídico que é a discussão da culpa pelo fim da conjugalidade. Com o advento da EC nº 66/2010 ela restou superada, mas ainda há resquícios que precisam ser suprimidos. Pôr fim à conjugalidade não é nada fácil nem simples, do ponto de vista psíquico, mesmo quando consensual. Envolve dor e sofrimento, ainda que tenha um sentido de libertação. É um ato de coragem e de responsabilidade. Às vezes, é desejo, às vezes, necessidade. É o momento em que se depara, novamente, com o vazio existencial, o Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
desamparo estrutural do ser humano. Depara-se consigo mesmo ao constatar que aquele que se imaginava ser o complemento da vida já não sustenta mais esse lugar de tamponamento. E, assim, a formalização do fim da conjugalidade, seja divórcio ou união estável, cumpre uma importante função no sentido de ajudar na elaboração do luto do fim da conjugalidade. É um importante e necessário ritual de passagem. Para que seja possível estabelecer uma discussão saudável em um divórcio consensual é necessário “desmisturar” os elementos subjetivos que permeiam a objetividade destas cláusulas. Na maioria das vezes, o litígio se instala em razão da incapacidade de as partes não separarem uma coisa da outra. Do ponto de vista jurídico, divorciar é simples, é raciocínio objetivo e aritmético. Mas, na prática, isso nem sempre acontece. É que as questões de amor e ódio, quando mal resolvidas, atravessam constantemente os elementos
objetivos e impedem, ou dificultam, que se estabeleçam cláusulas estritamente dentro de uma objetividade. Além disso, ou talvez até por isso, a concepção de justo e justiça podem ter ângulos de visão diferentes para cada uma das partes. Revista de Direito Notarial e Registral do ES – Quais são os maiores entraves hoje para um casal se divorciar no Brasil? O que poderia ser feito para que isso fosse mais prático? Rodrigo da Cunha Pereira – Tentar ressuscitar a separação judicial, pois ela ressuscita a discussão da culpa pelo fim da conjugalidade. Por exemplo, o CPC/2015, ao tentar ressuscitar a separação judicial, abriu a possibilidade de discussão de culpa, que era um dos maiores sinais de atraso no ordenamento jurídico brasileiro. Interpretar os artigos do CPC-2015 como ressurreição de separação judicial, além de significar um grande retrocesso, pois em
nada ajuda no difícil fim da conjugalidade, significa também, e principalmente, voltar à procura de um culpado, que em outras palavras significa espalhar o mal, a maledicência e a vingança. Em vez de levar os restos do amor para o Judiciário, para que o Estado-juiz, que não deveria entrar nessa seara, diga quem tem razão, melhor invocar a arte, que assim como o Direito de Família trata da mesma humanidade e chega antes, sabe mais das coisas do que o Direito, como se vê na poesia de Paulo Lemiski: “O amor, então, também acaba?/ Não que eu saiba./ O que eu sei é que se transforma/ Numa matéria-prima/ Que a vida se encarrega de transformar em raiva/ ou em rima”. Para ocorrer agilidade no divórcio, deve ser feita uma releitura constitucional dos propósitos da EC nº 66/2010 que acabou com prazos desnecessários, colocou fim na discussão da culpa e extirpou com o anacrônico instituto da separação judicial.
Fundo de Apoio ao Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado do Espírito Santo – Farpen Demonstrativo mês de setembro de 2018 Em cumprimento ao artigo 2º da Lei Estadual 6.670/01, o SINOREG-ES no gerenciamento financeiro do FARPEN, analisou os relatórios e demais documentos remetidos por Notários e Registradores deste Estado, correspondentes ao mês de AGOSTO/2018, aprovando o ressarcimento dos Atos Gratuitos Praticados pelos registradores civis como segue: Cumprindo normas constantes do parágrafo 5º do artigo 5° da Lei Estadual 6.670/01, não houve depósito em aplicação CDB na agência 076 do Banestes, por insuficiência de saldo. Conforme decisão da Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 17 de agosto de 2018, convocada exclusivamente para fins de decisão relativa às novas regras do repasse, tendo em vista a arrecadação deficitária do FARPEN, informamos que a redução percentual do repasse no Mês de SETEMBRO/2018 foi de: Redução global do repasse: 14,50% (quatorze e meio por cento), aplicando-se este percentual para todas as rubricas que atualmente são pagas pelo FARPEN. Vitória, 01 de outubro de 2018. MARCIO VALORY SILVEIRA Presidente
A – RECEBIMENTOS (Art 7º - Lei 6.670/01)	Saldo em caixa mês anterior	RESGATE APLICAÇÃO/POUPANÇA BANESTES	VALOR TOTAL EM C/C FARPEN
684.810,34 10.056,85 0,00 694.867,19
B – PAGAMENTOS	1 – Repasse aos Cartórios de Registro Civil	638.716,60	2 – Repasse de Contribuição Sindical 27.813,99	3 – Devolução FARPEN	0,00	4 – Transferências bancárias e tarifas sobre serviços	529,20	5 - Repasse ao Sinoreg-ES	13.696,21	5.1 - 2% referente depósito entre 17/08 a 31/08	244,29	6 – Repasse à AMAGES	13.686,41	6.1 – 2% referente depósito entre 17/08 a 31/08	244,29	7 - Pagamento despesas Registro Civil – Portaria 009/2018	2.611,04
SALDO LÍQUIDO (697.542,03) (2.674,84) C- FUNDO DE RESERVA Apenas para fins informativo, não foi aplicado.	(CDB)	(68.481,03) C.a – 10% referente depósito entre 17/08 a 31/08	(1.221,45) SALDO	(2.674,84) Recebimentos entre 19/09 a 30/09	7.132,85 SALDO LÍQUIDO C/C – 9.012.881	4.458,01
Senado aprova PLS que amplia o rol de títulos passíveis de protesto Mudança aprovada pelo Plenário abrange notas fiscais e boletos bancários, incluindo as emitidas eletronicamente
Plenário aprovou no dia 30 de outubro o projeto de lei do Senado (PLS) 19/2018, que altera a Lei de Protesto de Títulos. O texto estabelece que qualquer prova escrita de dívida fica sujeita a protesto, como notas fiscais e boletos bancários. Os senadores alteraram dois pontos da matéria. A primeira emenda, do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), permite que empresas considerem o valor de títulos protestados como perda de crédito. Na prática, a medida reduz o valor do lucro real da pessoa jurídica, usado como referência para o cálculo de impostos. 22 Revista de Direito Notarial e Registral do Espírito Santo
A segunda emenda, da senadora Simone Tebet (MDB-MS) altera o rol de títulos passíveis de protesto. O texto original menciona “notas fiscais, boletos bancários e mensagens eletrônicas”. A mudança aprovada pelo Plenário se refere a “notas fiscais e boletos bancários, incluindo as emitidas eletronicamente”. O PLS 19/2018 foi proposto pela Comissão Mista da Desburocratização. Instalado entre 2016 e 2017, o colegiado avaliou e recomendou mudanças em procedimentos e rotinas de órgãos da administração pública federal. No ano passado, o presidente da Associação
dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg/BR), o tabelião de protesto Cláudio Marçal Freire, participou das audiências públicas da Comissão Mista da Desburocratização no Senado. Para ele, tanto a Comissão como o PLS 19/2018 são relevantes para a categoria. “A importância dessa Comissão está na oportunidade de todas as naturezas de serventias notariais e de registro poderem se apresentar ao Senado Federal, levando suas propostas de modernização, aperfeiçoamento e de desburocratização das atividades notariais e de registro. A relevância desse PLS está na
definição dos documentos de dívidas sujeitos a protesto, pondo fim a eventuais dúvidas que ainda possam ocorrer depois de 21 anos da vigência da Lei nº 9.492, de 10 de setembro de 1997”, afirma Marçal. Um dos titulares da Comissão Mista de Desburocratização, o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), acredita que o PLS 19 é importante para o desenvolvimento do ambiente de negócios do País. “A proposta é relevante para ampliar a segurança jurídica, principalmente, no ambiente de negócios. Precisamos ter como diretriz dos serviços extrajudiciais regras claras e convergentes para que tenhamos um processo ágil e, consequentemente,
eficaz”, esclarece o parlamentar. Ainda de acordo com o deputado, a burocracia no Brasil é um dos maiores entraves para a retomada do crescimento econômico. “Estamos empenhados, Câmara e Senado, em aprovar propostas que objetivam simplificar a vida dos empreendedores que geram emprego e renda, beneficiando na ponta os cidadãos”, complementa Júlio Lopes. Para o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que foi relator da Comissão Mista de Desburocratização, a aprovação do PLS 19/2018 vai evitar a judicialização de processos, desafogando parte das demandas do Judiciário. “O protesto poderá servir como
medida alternativa ao processo judicial para a recuperação de crédito”. Recentemente, o Plenário do Senado aprovou também o projeto que altera o Código de Processo Civil (CPC) para prever, como título executivo extrajudicial, o documento particular assinado pelo devedor, independentemente de testemunhas. A matéria (PLS 22/2018) segue agora para a análise da Câmara dos Deputados. Atualmente, o Código Civil requer duas testemunhas para que o documento seja considerado título executivo extrajudicial. O PLS acaba com a necessidade das testemunhas para simplificar o processo. As assinaturas de credor e de devedor serão suficientes.
O presidente da Anoreg/BR, Cláudio Marçal Freire, fala da importância de se aprovar o PLS 19/2018: “definição dos documentos de dívidas sujeitos à protesto”
Segundo o deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ), as propostas têm como objetivo a desburocratização: “simplificar a vida dos empreendedores”
De acordo com o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), a aprovação do PLS 19/2018 vai evitar a judicialização de processos: “desafogar o Judiciário”
“A importância dessa Comissão está na oportunidade de todas as naturezas de serventias notariais e de registro poderem se apresentar ao Senado Federal”
“A proposta é relevante para ampliar a segurança jurídica, principalmente, no ambiente de negócios”
“O protesto poderá servir como medida alternativa ao processo judicial para a recuperação de crédito”
Antonio Anastasia (PSDB-MG), senador federal
Cláudio Marçal Freire, presidente da Anoreg/BR
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