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Timestamp: 2019-07-18 08:53:22+00:00

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Quadro Legal | Portal da Comissão Prevenção do Branqueamento de Capital e Financiamento do Terrorismo
A Lei n.º 97/2017, de 23 de agosto regula a aplicação e a execução, no território nacional, das medidas restritivas aprovadas pela Organização das Nações Unidas e pela União Europeia e estabelece o regime sancionatório aplicável à violação destas medidas.
Pela sua relevância, merecem especial destaque as seguintes normas:
EXECUÇÃO IMEDIATA | artigo 11º
Os atos jurídicos da ONU ou da UE que aprovam ou que alteram uma medida restritiva são imediatamente executados na ordem jurídica portuguesa, logo que sejam aprovados.
IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE BENS | artigo 12º
À execução das medidas restritivas relativas à importação e exportação de bens aplicam-se os regimes jurídicos destas atividades.
Quando a medida restritiva aprovada for a de exigência de autorização prévia para a importação ou exportação de bens, o pedido de autorização é dirigido à AUTORIDADE TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA, a qual decide no prazo fixado no ato de aprovação da medida ou, na sua falta, no prazo de 60 dias.
A não prolação de uma decisão no prazo indicado tem os efeitos previstos no ato que aprova a medida restritiva, aplicando-se, na sua falta, o disposto no Código do Procedimento Administrativo sobre o incumprimento do dever de decisão.
CONGELAMENTO DE FUNDOS E RECURSOS ECONÓMICOS | artigos 13º e 16º
O congelamento de fundos é uma ação destinada a impedir o movimento, transferência, alteração, utilização ou operação sobre ativos financeiros e benefícios económicos de qualquer tipo, ou o acesso aos mesmos, que sejam suscetíveis de provocar uma alteração do respetivo valor, volume, localização, propriedade, posse, natureza, destino ou qualquer outra alteração suscetível de permitir a sua utilização, incluindo a gestão de carteiras de valores mobiliários.
O congelamento de recursos económicos é uma ação destinada a impedir o movimento, transferência, alienação ou oneração de ativos de qualquer tipo, corpóreos ou incorpóreos, móveis ou imóveis, que não sejam fundos mas que possam ser utilizados na obtenção de fundos, bens ou serviços, por qualquer meio, nomeadamente através da sua venda, locação ou hipoteca.
O ato que aprova ou, quando necessário, que aplica a medida restritiva de congelamento de fundos e recursos económicos é diretamente aplicável, sendo executado sem necessidade de emissão de qualquer outro ato.
As entidades executantes procedem de imediato ao congelamento de fundos e de recursos económicos sob a sua responsabilidade.
A medida de congelamento de recursos económicos que respeite a bens imóveis e móveis sujeitos a registo é registada, bem como as respetivas prorrogação e cessação. O registo é realizado por anotação, da qual consta o ato que aprova a medida restritiva, o conteúdo desta e a respetiva duração.
As medidas restritivas não abrangem a utilização de recursos económicos para fins exclusivamente pessoais, incluindo despesas para efeitos de garantia de tutela jurisdicional efetiva, não podendo da execução da medida restritiva resultar qualquer circunstância atentatória do mínimo de existência condigna do destinatário e do seu agregado familiar. A determinação dos recursos económicos não abrangidos é realizada pelo juiz competente pela receção da impugnação.
INFORMAÇÃO, NOTIFICAÇÃO PRÉVIA E AUTORIZAÇÃO PRÉVIA PARA TRANSFERÊNCIA DE FUNDOS | artigos 14º e 15
O ato que aprova uma medida restritiva de obrigação de informação ou de notificação prévia de transferência de fundos pode determinar:
a antecedência com que a notificação prévia deve ser feita;
o prazo em que a transferência de fundos deve ser comunicada;
o conteúdo da notificação e da informação.
Exceto quando determinado em contrário no ato que aprova a medida restritiva:
a notificação prévia é feita com três dias úteis de antecedência em relação à data de execução ou receção da transferência dos fundos;
a comunicação é feita no prazo de cinco dias úteis a contar da data de execução ou receção da transferência dos fundos;
a notificação prévia ou a comunicação de transferência de fundos inclui o nome das partes e dos intervenientes, o montante, a origem, o destino, a finalidade e a data da transferência.
O pedido de autorização prévia para transferência de fundos é dirigido às autoridades nacionais competentes, que decidem no prazo de 30 dias, salvo se for fixado prazo diferente no ato que aprova a medida restritiva.
A não prolação de uma decisão no prazo referido tem os efeitos previstos no Código do Procedimento Administrativo sobre o incumprimento do dever de decisão, salvo se outro efeito for fixado no ato que aprova a medida restritiva.
RECUSA DE ENTRADA E INDEFERIMENTO DE VISTOS E DE AUTORIZAÇÕES DE RESIDÊNCIA | artigos 17º, 18º e 19º
A medida restritiva de recusa de entrada em território nacional só pode ser aplicada a cidadãos estrangeiros.
A aprovação ou, quando necessário, a aplicação de medida restritiva de recusa de entrada em território nacional determina a inscrição do destinatário da medida no Sistema Integrado de Informações do SERVIÇO DE ESTRANGEIROS E FRONTEIRAS para efeitos de sua não admissão.
A medida restritiva de indeferimento de vistos e de autorizações de residência determina o indeferimento de pedido de visto do destinatário da medida restritiva, mesmo tendo o pedido ocorrido em momento anterior ao da aprovação da medida ou da ocorrência dos factos que fundamentam a medida, o indeferimento da prorrogação de permanência, bem como o indeferimento da concessão ou da renovação da autorização de residência, desde que a autorização não tenha caráter permanente.
À execução de uma medida restritiva de entrada e circulação no território nacional é aplicável o regime jurídico da entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional, com as adaptações previstas na Lei n.º 97/2017, de 23 de agosto.
DEVER DE COOPERAÇÃO, DEVER DE COMUNICAÇÃO E INFORMAÇÃO E DEVER DE DENÚNCIA | artigos 22º, 23º e 24º
Todas as entidades públicas e entidades executantes têm o dever de comunicar às autoridades nacionais competentes quaisquer informações de que disponham e que possam facilitar o cumprimento das medidas restritivas.
Sempre que executem uma medida restritiva, as entidades executantes informam de imediato as autoridades nacionais competentes.
REGIME SANCIONATÓRIO | artigos 28º, 29º e 30º
Quem, violando uma medida restritiva, colocar, direta ou indiretamente, à disposição de pessoas ou entidades designadas, quaisquer fundos ou recursos económicos que as mesmas possam utilizar ou dos quais possam beneficiar, ou executar transferência de fundos proibida, é punido com pena de prisão de um até cinco anos.
Incorre na mesma pena quem, violando uma medida restritiva, estabeleça ou mantenha relação jurídica proibida com pessoas ou entidades designadas ou constitua, adquira ou aumente a participação ou posição de controlo relativo a imóvel, empresa ou pessoa coletiva, ainda que irregularmente constituída, situados, registados ou constituídos num território identificado nos atos de aprovação ou aplicação da medida.
Se as condutas previstas acima forem praticadas por negligência, o agente é punido com pena de multa até 600 dias.
As pessoas coletivas e entidades equiparadas respondem pelos referidos crimes nos termos do artigo 11.º do Código Penal.
As penas aplicáveis às pessoas coletivas e entidades equiparadas são determinadas nos termos do artigo 90.º-B do Código Penal.
NULIDADE | artigo 31º
ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE | artigo 33º
A Lei n.º 97/2017, de 23 de agosto regula a aplicação e a execução, no território nacional, das medidas restritivas aprovadas pela Organização das Nações Unidas e pela União Europeia e estabelece o regime sancionatório aplicável à violação destas medidas." data-share-imageurl="http://www.portalbcft.pt/sites/default/files/law_0.jpg">

References: artigo 11
 artigo 12
 artigo 11
 artigo 90
 artigo 31
 artigo 33