Source: https://taouvindo.wordpress.com/category/artistas/charly-garcia/
Timestamp: 2017-12-13 15:05:34+00:00

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Charly García | Tá ouvindo o quê?
Serú Girán, a Superbanda Argentina.
Serú Girán é uma banda de rock progressivo argentina que fez furor no país e no cenário de rock hispânico entre 1978 e 1982. De certa forma permite alguns paralelos com o nosso Vímana, também de influências progressivas, que reuniu futuros ícone do pop/rock dos anos 80: Ritchie, Lulu Santos e Lobão. O Serú Girán também reuniu músicos que fizeram fama na música argentina após seu término: Charly García, Pedro Aznar, David Lebón e Oscar Moro. A diferença é que o Vímana não lançou um álbum sequer, pois os artistas ainda eram ilustres desconhecidos, enquanto os membros do grupo argentino já tinham certa estrada.
O mais conhecido de todos, disparado, era Charly García, que já tinha causado furor ao lado de Nito Mestres no duo Sui Géneris (1970-1974), fazendo um som que misturava o soft rock estilo Simon & Garfunkel com influências psicodélicas. Encantado cada vez mais com o rock progressivo, García foi alienando cada vez mais Mestre da parte criativa. Com o fim da dupla, García partiu pra um projeto de rock sinfônico com o grupo La Máquina de Hacer Pájaros, de resultados bem duvidosos, eu diria. Após dois álbuns, o projeto desandou.
Charly García partiu, então, com David Lebón para Búzios, e de lá pra São Paulo. Conheceu aquela galera toda de Minas, especialmente Milton Nascimento, e voltou um ano depois pra montar o Serú Girán. Toda essa volta pra dizer que o Brasil influenciou o surgimento da maior banda de rock argentino. É como dizer que Rivelino inspirou Maradona (e não foi?).
Serú Girán lançou quatro álbuns e um ao vivo de despedida (houve um retorno em 1992, mas deixa pra lá). O segundo, Grasa de las Capitales, é bastante elogiado, e contém a belíssima Viernes 3am, que mereceu excelente versão do Paralamas. Nas o auge da banda é mesmo Bicicleta, que equilibra perfeitamente os arroubos progressivos da banda (como na abertura com A los Jóvenes de Ayer), baladas delicadas (como a bela Desarma y Sangra, muito superior à versão que já havia ouvido em versão solo com Charly García), faixas de pop/jazz típicas dos anos 80, e até mesmo um surpreendente blues moderno, com direito a sopro de metais, na última faixa, Encuentro con el Diablo.
Canción de Alicia en el País, ao vivo em 1981.
Categorias: Charly García, Rock/Pop Latino, Serú Girán
As confissões de inverno de Charly Garcia
Charly Garcia é um dos mais importantes personagens do pop/rock argentino. Entretanto, tudo que ouvia dele não me chamava tanto a atenção, até ficar apaixonado por uma versão do Paralamas do Sucesso de Viernes 3am, no álbum Hey-na-na!, composta por ele. Fiquei de dar-lhe uma segunda chance.
Hello! MTV Unplugged (1995), Charly Garcia.
Então, certo dia, num café-sebo ao lado do IFCS, dei de cara com um CD usado, meio sujo mas em bom estado, de Hello! MTV Unplugged, pela bagatela de 10 reais. Comprei-o. E não é que o acústico de Charly Garcia era danado de bom? E estava lá ele tocando Viernes 3am. Mas a música era precedida por uma outra num tal de “medley Serú Girán”. Que diabos é isso? Nada como o Google…
Aí descobri que minha amada música não era da carreira solo (que, fora o acústico, ainda não me encantou), mas da época de uma banda chamada Serú Girán (?!). E lá fui eu atrás dos discos.
O Serú Girán reunia músicos argentinos de peso. Além de Garcia, David Lebón, Pedro Aznar e Oscar Moro. Entre 1978 e 1982 fizeram história no rock hispânico fazendo um rock progressivo de boa qualidade. Bem setentista, diga-se de passagem, o que o torna, apesar de bom, um pouco datado. E a versão original de Viernes 3am era também maravilhosa.
La Grasa de las Capitales (1979), Serú Girán.
Mas Charly Garcia não surgira ali, mas sim em 1972, num duo com o amigo de escola Nito Mestre, chamado Sui Generis. E foi nessa hora que descobri a sua melhor obra.
O Sui Generis durou apenas 3 álbuns e um ao vivo (em 2 volumes), entre 72 e 75. Em todos os discos, o duo é acompanhado por músicos, sendo um deles David Lebón, que mais tarde acompanharia Garcia no Serú Girán.
Vida (1972), Sui Generis.
O som da banda me evoca muitas coisas: rock progressivo, psicodelia, folk, rock mineiro dos anos 70, assim como o pessoal do Clube da Esquina. Mas a primeira coisa que me chamou a atenção foi o trabalho vocal de Nito e Charly, tão orgânico quanto Simon & Garfunkel. Além do acento folk, o fato da voz de Nito ser mais limpa e Charly ser o responsável pelas composições também reforça a comparação.
O álbum de estréia, Vida, com seu folk psicodélico, é bom, mas trata-se apenas um ensaio do que viria a ser Confesiones de Invierno. Neste, a dupla realiza sua obra-prima (e a melhor coisa que já ouvi com Charly Garcia até hoje). Um canto inspirado e afinadíssimo, belos arranjos e canções vigorosas, com uma pegada mais roqueira que o anterior.
Ainda que o som encarne o espírito dos anos 70, como podemos encontrá-lo nos discos de um 14 Bis, que possua um clima “eu acredito em fadas” de Jon Anderson, o disco, surpreendentemente, não me soa datado. Deve ser a idade…
No álbum seguinte, Pequeñas anécdotas sobre las instituciones, a banda se torna mais eletrificada e parte pro progressivo psicodélico. Há um estranhamento por parte do público, mas pior foi a reação do governo militar. Tiveram que cortar músicas, mudar letras. Desconheço se foi por isso, ou o mergulho cada vez mais profundo no progressivo e nos teclados, que Charly quis gravar um álbum todo instrumental, o que provocou o desânimo de Nito. O disco nunca saiu e eles decidiram fazer um show de despedida e lançá-lo em disco: Adiós Sui Generis.
Pequeñas Anécdotas de las Instituciones (1974), Sui Generis.
Nito Mestre se juntou a uma banda batizada de Los Desconocidos de Siempre, formada pela então namorada de seu ex-companheiro, seguindo o som mais folk do início do Sui Generis. Depois, teve uma carreira solo bem sucedida nos anos 80. Já Charly Garcia se bandeou de vez para o rock progressivo formando outra banda, La Máquina de Hacer Pájaros (que ainda não ouvi), da qual participava Oscar Moro e que não durou muito, antes de criar o Serú Girán. Sua carreira solo (um pouco pop demais nos anos 80) é marcada pela inquietude. Por isso, explorá-la pode ser como caminhar num campo minado.
Filosofia Barata y Zapatos de Goma (1990), Charly Garcia.
Rasguña las Piedras, do álbum Confesiones de Invierno, ao vivo no show Adiós Sui Generis.
Categorias: Charly García, Rock/Pop Latino, Serú Girán, Sui Generis

References: Sui Generis
Sui Generis
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