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Timestamp: 2017-01-16 15:36:23+00:00

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⭐Mestrado em Marketing
Zilda Carvalhal Escobar
1 Mestrado em Marketing A ORIENTAÇÃO PARA O MERCADO NAS INSTITUIÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS: O CASO DAS INSTITUIÇÕES PARTICULARES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL MARTA MARIA ABREU OLIVEIRA LOURENÇO Orientação: Júri: Presidente: Vogais: Prof. Doutor José Manuel Cristóvão Veríssimo Prof. Doutor João José Quelhas Mesquita Mota, Professor Catedrático, do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa Prof. Doutor Pedro Manuel da Silva Picaluga Nevado, Professor Auxiliar, do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa Prof. Doutor José Manuel Cristóvão Veríssimo, Professor Auxiliar, do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa Fevereiro 20112 RESUMO A utilização do Marketing no sector não lucrativo é cada vez mais importante e notória nas organizações sem fins lucrativos. Embora ainda haja pouca investigação nesta área, a introdução das ferramentas do Marketing nestas organizações, como a orientação para o mercado, tem sido alvo de boas críticas pelas vantagens que lhe são reconhecidas. Neste estudo foi considerado o caso específico das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) portuguesas, e foi avaliada a sua orientação para o mercado nas perspectivas dos dois maiores grupos de intervenientes: beneficiários/utentes e benfeitores. A recolha dos dados foi conseguida pela utilização da metodologia quantitativa, através da qual foi enviado, por , um questionário para as IPSS portuguesas. Os resultados mostraram que as IPSS portuguesas estão orientadas para o mercado tanto na perspectiva dos benfeitores como na dos beneficiários, evidenciando um comportamento mais proactivo em relação a este último grupo. Não se verificaram diferenças significativas na orientação para o mercado das IPSS estudadas, tendo em conta algumas das suas características, como a sua área de actuação, o número de beneficiários, o número de voluntários e a fonte de recursos. Palavras-chave: Instituições sem fins lucrativos, Instituições Particulares de Solidariedade Social Portuguesas, Orientação para o mercado, Beneficiários, Benfeitores. Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 23 ABSTRACT The use of marketing in the nonprofit sector is increasingly important and prominent in nonprofit organizations. While there is still little research in this area, the introduction of marketing tools in these organizations, as market orientation, has received good critics by the benefits that are recognized. This study is about specific case of Portuguese nonprofit organizations (NPOs), called private organizations of social solidarity (IPSS), and aims to ascertain the existence of market orientation in both users and donors perspectives. Data collection was achieved by using the quantitative methodology and a survey was sent to Portuguese IPSS, by . The results demonstrate that Portuguese IPSS are, in fact, market oriented to both users and donors, revealing a more proactive behavior in relation to their users. No significant differences were found in market orientation of the studied IPSS, taking into account some of its characteristics, as its area of operation, the number of users, the number of volunteers and their method of collecting funds. Key words: Nonprofit organizations, Portuguese Private Organizations of Social Solidarity Market Orientation, Users, Donors. Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 34 ÍNDICE GERAL 1 INTRODUÇÃO Introdução Enquadramento e relevância do tema Objectivos Metodologia Estrutura da tese REVISÃO DA LITERATURA Introdução O Marketing nas Instituições sem fins lucrativos A introdução do conceito do Marketing no sector não lucrativo Desafios da aplicação dos princípios do marketing nas ISFL Adaptação da linguagem do Marketing ao sector não lucrativo As vantagens da utilização do Marketing nas ISFL A Orientação para o Mercado A Orientação para o Mercado nas ISFL As dimensões da Orientação para o mercado A Orientação social O Terceiro Sector em Portugal o caso das IPSS As Instituições Particulares de Solidariedade Social Conclusão MODELO DE PESQUISA Introdução Modelo Teórico adoptado Definição do Problema e Objectivos Conclusão METODOLOGIA DE INVESTIGAÇÃO Introdução Método da Recolha de dados Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 45 4.2.1 Tipo de Pesquisa Características da amostra Desenvolvimento do questionário Mensuração e escalas Análise e aperfeiçoamento das variáveis Composição dos índices sintéticos Recodificação de variáveis Conclusão ANÁLISE EMPÍRICA Introdução Caracterização dos questionários recebidos Análise Descritiva Comparação de médias Análise das hipóteses Análise Correlacional Conclusão CONCLUSÃO Introdução Discussão Objectivo 1 Orientação para o Mercado nas IPSS portuguesas, avaliando as diferenças entre os beneficiários e os benfeitores Objectivo 2 Influência de algumas características das IPSS no grau de orientação para o mercado Contribuições para a teoria e para a gestão Limitações Recomendações para pesquisas futuras Conclusão REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS Anexo 1 que continha o questionário Anexo 2 Questionário enviado às IPSS Anexo 3 As IPSS em Números Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 56 Anexo 4 Análise da Normalidade Anexo 5 Recodificação de variáveis Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 67 ÍNDICE DE TABELAS E FIGURAS Tabela 4.1 Componente final das variáveis Conhecimento do sector Tabela 4.2 Componente final das variáveis Disseminação da Informação Tabela 4.3 Componente final das variáveis Resposta Tabela 5.1 Caracterização das IPSS Tabela 5.2 Caracterização dos respondentes Tabela 5.3 Estatística descritiva Conhecimento do sector Tabela 5.4 Estatística descritiva Disseminação da informação Tabela 5.5 Estatística descritiva Resposta às necessidades e expectativas Tabela 5.6 Diferença de médias da orientação para o mercado para os beneficiários e benfeitores Tabela 5.7 Coeficientes de correlação de Pearson Tabela 5.8 Coeficientes de correlação de Pearson - Benfeitores Tabela 5.9 Coeficientes de correlação de Pearson - Beneficiários Tabela 5.10 Resultados das Hipóteses testadas Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 78 1 INTRODUÇÃO 1.1 Introdução Neste capítulo será apresentado o tema de investigação, suportada na revisão de literatura, bem como a sua relevância para a autora. São também referidos os objectivos e as hipóteses de pesquisa e a metodologia de análise utilizada. Por fim faz-se uma perspectiva da estrutura desta tese. 1.2 Enquadramento e relevância do tema Embora a aplicação do Marketing às organizações sem fins lucrativos seja uma área pouco explorada em Portugal, o mesmo não sucede noutros países como os Estados Unidos da América e o Reino Unido (Rees, 1998). O sector não lucrativo tem vindo a crescer e a sua importância na sociedade é cada vez mais notada (Salamon e Anheier, 1999), por isso vários autores replicaram o estudo da orientação para o mercado nas ISFL para outros países que incluem o Reino Unido (Balabanis et al., 1997), Austrália (Caruana et al., 1997), Espanha (Cervera et al., 2001; Vásquez et al., 2002) e Portugal (Macedo e Pinho, 2003). O marketing pode ser aplicado no sector da caridade desde que sejam devidamente adaptadas as suas técnicas, ferramentas, linguagem, ao contexto social destas instituições e às relações que estas têm (ou desejam ter) com todos os seus intervenientes beneficiários, benfeitores, técnicos profissionais e voluntários (Helming et al. 2004). Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 89 Actualmente existe pouca pesquisa nesta área em Portugal (Macedo e Pinho, 2006). Desta forma, a partir deste estudo, pretende-se conhecer melhor a realidade na qual estão inseridas as IPSS portuguesas, no que diz respeito à sua orientação para a sociedade e suas necessidades. Sendo assim, ao ser conhecida a realidade desta temática em Portugal, as IPSS poderão conhecer as mais-valias que o Marketing lhe poderá trazer, tal como contribuir para uma maior notoriedade na sociedade, uma melhor comunicação das suas necessidades e uma mais vantajosa angariação de fundos. Para além da já mencionada relevância concreta para as IPSS, o estudo desta aplicabilidade do marketing ao sector não lucrativo pode também contribuir para o desenvolvimento da filosofia do Marketing (Bajde, 2006). 1.3 Objectivos Para implementação do marketing nas ISFL, é necessário conhecer bem o mercado, bem como os comportamentos e preferências dos clientes (Andreasen et al., 2005). Esta investigação, pretende perceber se as IPSS em Portugal aplicam as técnicas do Marketing neste caso a Orientação para o mercado na sua organização, bem como perceber se algumas das suas características podem influenciar o seu grau de orientação para o mercado. Face ao exposto, coloca-se a seguinte questão de pesquisa: As Instituições Particulares de Solidariedade Social portuguesas aplicam a Orientação para o mercado na gestão das necessidades dos beneficiários e nas expectativas dos benfeitores? Os objectivos que pretendem responder a esta questão são: Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 910 Objectivo 1: Perceber se as IPSS, no geral, implementam a Orientação para o Mercado, avaliando as diferenças em relação aos beneficiários e aos benfeitores. Objectivo 2: Avaliar a influência de algumas características das IPSS (área de actuação, número beneficiários e voluntários, diversidade de fontes de recursos) no grau de orientação para o mercado. 1.4 Metodologia Face ao problema de investigação e aos objectivos acima identificados, o trabalho empírico foi baseado num estudo exploratório de natureza quantitativa, recorrendo a um questionário online e utilizando uma amostragem não probabilística, por conveniência, tendo sido efectuado às IPSS que possuíam . Os s foram dirigidos aos presidentes ou directores das IPSS, por terem uma visão holística sobre toda a actividade da instituição e por conhecerem todos os intervenientes que são servidos (beneficiários e benfeitores). 1.5 Estrutura da tese A presente tese está organizada em seis capítulos. No Capítulo 2 é feita uma revisão da literatura, já existente, sobre o tema, que inclui a introdução do marketing nas ISFL, a definição da orientação para o mercado e sua adaptação às ISFL, e uma breve descrição do sector não lucrativo em Portugal, sendo destacadas as IPSS, que são o objecto de estudo desta tese. No Capítulo 3 é apresentado o modelo teórico, no âmbito do problema identificado, e suportado na revisão da literatura, formulando-se as hipóteses do estudo. Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1011 O Capítulo 4 identifica a metodologia de investigação utilizada, onde se inclui o processo de recolha de dados, o desenvolvimento dos questionários e a construção final das variáveis e das escalas. No Capítulo 5 é efectuada a análise empírica dos resultados, através da utilização de testes estatísticos. As diversas técnicas estatísticas permitiram testar as hipóteses de investigação. O Capítulo 6 apresenta as principais conclusões do estudo, contributos para a teoria e para a gestão e finaliza referindo as limitações e recomendações para futuras pesquisas. Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1112 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Introdução No presente capítulo é feita a revisão da literatura do tema a analisar, e apresentadas as principais fontes de literatura que sustentam a investigação. Começa-se por contextualizar a evolução do marketing na adaptação das suas teorias e principais ferramentas, às Instituições sem fins lucrativos (ISFL). Seguidamente é exposto o conceito da Orientação para o Mercado, bem como o seu desenvolvimento e integração nas organizações sem fins lucrativos. Conclui-se o capítulo, com a caracterização do Terceiro Sector em Portugal (sector não lucrativo), e em especial das Instituições Particulares sem fins lucrativos (IPSS), que são o objecto de estudo desta tese. 2.2 O Marketing nas Instituições sem fins lucrativos A implementação do conceito do marketing caracteriza a intenção de uma organização em entregar valor aos seus clientes, de forma contínua, ao satisfazer necessidades e desejos (Narver e Slater, 1994) De acordo com Hall (1987), uma ISFL é definida como um conjunto de pessoas que se unem por causa de um dos seguintes propósitos: Executar tarefas públicas que lhe foram delegadas pelo Estado Executar tarefas públicas para as quais existe uma procura que nem o Estado nem as empresas conseguem dar resposta Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1213 Influenciar a direcção das políticas do Estado, das empresas do sector lucrativo e de outras ISFL Para Shapiro (1973), existem quatro conceitos-chave do marketing que se podem aplicar ao contexto das organizações sem fins lucrativos: o auto-interesse da transacção ou troca no qual tanto o vendedor como o comprador acreditam receber mais valor do que o que abdicam; a tarefa do marketing, que acima de tudo tem como objectivo a satisfação das necessidades dos clientes; o marketing-mix, de onde provêm as ferramentas utilizadas pelos marketeers; e a ideia da competência distinta, onde a organização se foca no que faz melhor e de onde consegue maximizar o seu proveito. Helming et al. (2004) afirmam que a principal diferença da aplicação do marketing nas empresas do sector lucrativo para as organizações sem fins lucrativos, é que nesta última há uma multiplicidade de intervenientes a quem é necessário dar respostas. As estratégias de marketing tanto têm de ajudar a angariar recursos (tempo dos voluntários, dinheiro dos benfeitores), como têm de servir para alocar recursos como por exemplo, divulgar uma campanha para persuadir as pessoas a deixarem de fumar, promover campanhas de sensibilização de cuidados médicos, ou campanhas para apelar ao voto (Shapiro, 1973) A introdução do conceito do Marketing no sector não lucrativo O ponto de partida da introdução do marketing no sector não lucrativo data do final da década de 60, Kotler e Levy (1969) afirmam que o marketing não serve apenas para aplicar no sector empresarial, mas que constitui também uma ferramenta válida a aplicar ao sector não lucrativo, por considerarem que todas as organizações têm problemas de marketing e todas necessitam de os saber resolver. Esta teoria foi rejeitada tanto por Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1314 estudantes de marketing, como pelos administradores das organizações sem fins lucrativos. Na verdade, o marketing foi das últimas áreas da gestão a serem implementadas por estas organizações, já em meados da década de 70 (Kotler, 1979). Não é muito comum as organizações de caridade terem um plano estratégico definido de como e quando vão actuar no mercado (Mindak e Bybee s, 1971), no entanto estes autores foram dos primeiros a defender a utilização das técnicas de marketing na angariação de fundos para estas organizações. A gestão das ISFL começou por ser estudada pela Sociologia e pela Economia, mas rapidamente se percebeu que estas duas áreas não chegavam para resolver todos os dilemas destas instituições. Era necessário passar-se de uma administração amadora para uma profissional principalmente no que toca à angariação de recursos e foi a partir desta necessidade que foi introduzido marketing como área de estudo das ISFL (Helming et at, 2004). Embora a aplicação do marketing nas organizações sem fins lucrativos seja uma realidade recente, cada vez mais se escrevem artigos relacionados com este tema em jornais académicos de grande referência (Helming et al., 2004). Os primeiros artigos científicos relacionados com este tema surgiram, a partir do final da década de 60, nalguns dos mais conceituados jornais académicos como o Journal of Marketing, o Journal of the Academy of Marketing Science, o Journal of Business Research e o Journal of Direct Marketing (Rees 1998). No entanto, onde se tem escrito mais artigos sobre o marketing nas instituições sem fins lucrativos, e que são referenciados com os principais jornais que abarcam este tema são dois: o International Journal of Nonprofit Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1415 and Voluntary Sector Marketing e o Journal of Nonprofit & Public Sector Marketing, onde foram escritos mais de 600 artigos entre 1999 e 2003 (Helming et al. 2004). Vários sectores têm vindo a ser abordados nestes jornais, mas o que tem vindo a ser mais frequentemente estudado é o sector dos serviços sociais, onde os principais temas se centram em analisar o que as instituições de caridade podem fazer para promover angariações de fundos eficientemente, bem como as principais estratégias de comunicação que devem adoptar (Helming et al. 2004) Desafios da aplicação dos princípios do marketing nas ISFL Apesar da já reconhecida mais-valia da aplicação do marketing nas ISFL, apenas algumas destas organizações incorporaram uma abordagem compreensiva do marketing, a maior parte das ISFL utilizam apenas uma ou outra função do marketing (Akchin, 2001). A transferência do conhecimento, ferramentas e técnicas do marketing do sector lucrativo para o sector não lucrativo é de facto possível, mas este último tem particularidades que têm de ser contornadas. Pode ser mais difícil a gestão dos voluntários de uma ISFL do que os trabalhadores de uma empresa, pois os primeiros não têm espírito competitivo, querem apenas praticar o bem (Andreasen et al., 2005) As grandes linhas orientadoras da gestão das ISFL passam obrigatoriamente pelos princípios da ética e da moral, pois a grande missão destas instituições é fazer o bem. O marketing social vem prometer mais responsabilidade social e mais ética ao modelo actual de marketing (Crane e Desmond, 2002). Embora houvesse muitos autores contra esta nova versão do marketing (ver por exemplo, Dawson, 1969; Lazer, 1969; Spratlen, Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1516 1970; Bell e Emory, 1971; Feldman, 1971; Sweeney, 1972), Kotler inicia esta adaptação do marketing incorporando preocupações como a moral e a como o meio social no estudo desta ciência. Em 1972, Kotler aos dois elementos principais que caracterizavam o marketing, satisfação dos clientes e rentabilidade, juntou um terceiro Bem-estar do cliente a longo prazo, argumentando que por vezes, o que seria desejável para os interesses individuais dos clientes, poderia ter efeitos negativos na sociedade. Como exemplos referiu o aumento da poluição devido ao incentivo à compra de um carro por pessoa, má nutrição devido a publicidade a comida de plástico, entre outros. Um dos problemas que as ISFL enfrentam frequentemente é o facto de que o seu objectivo pode ir contrariamente ao comportamento do seu target (exemplo: campanhas sensibilização para a utilização do preservativo, para os toxicodependentes deixarem as drogas, ou para ou automobilistas utilizarem o cinto de segurança). Outro grande problema que o marketing enfrenta nas ISFL é o facto de ainda ser visto como indesejável, muito caro e ser um desperdício de dinheiro (Tscheulin e Helmig, 1998). Há algumas características da gestão das empresas com fins lucrativos que podem ser exportadas para as ISFL, no entanto, há que ter sempre em conta as especificidades deste sector. A multiplicidade de intervenientes (benfeitores, voluntários, beneficiários e trabalhadores) é uma das mais importantes, pois todos têm necessidades diferentes para dar resposta (Parsons e Broadbridge, 2004). Finalmente, outro dos grandes desafios da aplicação do marketing às ISFL é a qualificação (ou falta dela) das pessoas que trabalham nestas instituições. A maior parte das pessoas que trabalham o marketing nas ISFL não têm formação académica para Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1617 exercer tais funções, nem se demonstram muitos interessados em aprender o necessário para aplicar as técnicas e ferramentas do marketing. Como o sector não lucrativo é uma área onde não se pagam salários muito altos, há uma certa dificuldade em atrair profissionais do marketing (Akchin, 2001). Parsons e Broadbridge (2004) defendem que se têm feito esforços para profissionalizar o sector não lucrativo, através da importação de profissionais do sector lucrativo (que implementam as técnicas utilizadas neste sector), de novas políticas de gestão (estabelecimento de objectivos) e dos novos tipos de voluntários (com formação académica). Em 2001, Durst e Newell enumeraram algumas estratégias que podem contribuir para a profissionalização das ISFL: elaboração de um plano estratégico, introdução de novos processos, aumentar as oportunidades da participação dos trabalhadores da instituição na gestão da mesma, redefinir a missão organizacional e reorganizar a força de trabalho Adaptação da linguagem do Marketing ao sector não lucrativo A utilização do marketing numa qualquer instituição oferece um mais rico entendimento acerca do que se passa à sua volta e favorece a descoberta de novas oportunidades (Kotler, 1979). Sensivelmente servindo e satisfazendo as necessidades humanas (Kotler e Levy, 1969) terá de haver uma adaptação da linguagem, das técnicas e conceitos de marketing ao contexto e objectivos de cada organização. Esta definição deverá levar os especialistas em marketing das causas e ideias a perguntarem-se se estarão verdadeiramente centrados nas necessidades dos clientes, e não apenas centrados no serviço (Mindak e Bybee, 1971). Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1718 Kotler e Levy (1969) defenderam a utilização do marketing no terceiro sector (sector não lucrativo) ilustrando a sua posição com a seguinte analogia: o marketing é uma actividade social que vai para além da venda de pastas de dentes, sabão ou aço. A propaganda política lembra-nos que um candidato político é marketiado como o sabão; o recrutamento de estudantes lembra-nos que as universidades também são marketiadas; e as angariações de fundos lembra-nos que as causas também são marketiadas. Ao adaptar-se o marketing ao sector da caridade Bajde (2006) faz a seguinte comparação: Sector lucrativo Sector não lucrativo Consumidor/Cliente Benfeitores e Beneficiários Produto/Serviço Causa Ou seja, no sector não lucrativo a causa deve ser vendida a um benfeitor como é vendido um produto ou um serviço a um cliente, no sector lucrativo. Sargeant (1999) defendem ainda que as comuns técnicas de marketing (na perspectiva da venda de produtos ou serviços) podem ser perfeitamente utilizadas pelas ISFL, mas neste caso na venda da sua causa. Rados (1996) defende que a principal contribuição que o marketing pode trazer a uma ISFL é a aplicação das técnicas da Orientação para o consumidor, que no caso das ISFL Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1819 são os benfeitores, isto porque estes são a principal fonte de recursos da qual a instituição depende para dar continuidade à sua missão As vantagens da utilização do Marketing nas ISFL As áreas das ISFL onde se pode verificar melhor o contributo do marketing, mas as que é dado maior ênfase são: a angariação de fundos, o planeamento de eventos e as estratégias de relações públicas. (Akchin, 2001) Atrair recursos não consiste apenas em campanhas de recolha de fundos, mas também em obter o serviço dos voluntários, bens e serviços de empresas dispostas a ajudar (Shapiro, 1973) Com o crescimento do sector não lucrativo, as técnicas do marketing podem ajudar as instituições sem fins lucrativos na auto-geração de fundos e na angariação de novos benfeitores e voluntários (Andreasen et al., 2005). Andreasen et al. (2005) enumeraram vários outros factores que têm contribuído para o crescente interesse por parte das ISFL em aplicar as técnicas do marketing: As ISFL querem aprender novas formas de recolha de fundos (o governo tem baixado as verbas para este sector); Têm aprendido algumas técnicas de marketing com as empresas com fins lucrativos com quem já tiveram e têm alianças Novas formas filantrópicas, passando de doações pontuais para investimentos por parte das empresas nas ISFL Há cada vez mais ISFL a investirem em profissionais do marketing que lhes têm trazido muitos benefícios Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 1920 2.3 A Orientação para o Mercado A orientação para o mercado é considerada uma importante ferramenta para uma organização ter vantagem competitiva e para aumentar a sua performance (Kohli e Jaworski, 1990; Narver e Slater, 1990; Jaworski e Kohli, 1993). Kohli e Jaworski (1990) definem a orientação para o mercado como uma ferramenta que permite gerar conhecimento sobre as necessidades actuais e futuras dos clientes, difundindo este conhecimento pelos vários departamentos da organização, e dando respostas a estas necessidades. Narver e Slater (1990) argumentam que a orientação para o mercado é constituída por três componentes comportamentais: orientação para o cliente, orientação para a concorrência, e coordenação inter-funcional; e por dois principais critérios: foco no longo prazo e rentabilidade. Shapiro (1988) defende que uma organização para ser orientada para o mercado tem de possuir as seguintes características: possuir informação de todos os importantes influenciadores de compra; as estratégias e tácticas da organização fazem-se interfuncionalmente e inter-departamentalmente; e todos os departamentos tomam decisões de forma coordenada, assumindo um compromisso A orientação para o cliente e para a concorrência consiste em todas as actividades que permitam adquirir mais informação sobre estes intervenientes para depois difundi-la por toda a empresa que através da coordenação inter-funcional irá utilizar essa informação para reunir todos os esforços dos vários departamentos, com o fim de gerar mais valor para o cliente (Narver e Slater, 1990) Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 2021 A literatura de marketing confirma que implementar o conceito de marketing, usando o conceito da orientação para o mercado, resulta numa superior performance organizacional (Kara et al., 2004; Kohli e Jaworski, 1993; Slater e Narver, 1994; Pelham e Wilson, 1996) A Orientação para o Mercado nas ISFL Para ser introduzida uma estratégia de orientação par o mercado nas ISFL é necessário estudar a orientação da instituição para os seus vários intervenientes tais como: benfeitores individuais, empresas, fundações, directores, trabalhadores, voluntários, beneficiários e o governo (Mei-Na e Sargeant, 2000). A multiplicidade de intervenientes das ISFL é a característica que mais as difere das empresas com fins lucrativos, e muitas vezes existem conflitos de interesses entre eles (Kara et al., 2004). No entanto, os gestores das ISFL têm de ter conta esta multiplicidade dos intervenientes quando definem a missão da instituição, de modo a que sejam todos contemplados: influenciar os benfeitores a contribuir, atrair voluntários, procurar beneficiários que necessitem de ajuda específica, formar todos os funcionários para tratarem bem todos os restantes intervenientes na instituição (Andreasen e Kotler, 2003). A performance de uma ISFL pode ser medida pela sua capacidade em prover serviços aos seus intervenientes (beneficiários/utilizadores) e em atrair recursos (benfeitores) (Chan e Chau, 1998). Gainer e Padyani (2001) defendem que o facto de uma organização ser orientada para o mercado pode promover bastante a sua reputação, e que esta cultura pode resultar numa maior satisfação dos seus beneficiários. Se for comunicado nos media que uma ISFL está a cumprir a sua missão, ao satisfazer as necessidades dos seus beneficiários e Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 2122 utilizadores, a reputação desta instituição vai aumentar e consequentemente poderá ter impacto no aumento de benfeitores (Kara et al., 2004). Kohli e Jaworski (1990) definem orientação para o mercado como um conjunto específico de actividades que transportam a filosofia da orientação para o mercado para a prática usando a geração de conhecimento, a disseminação do conhecimento e a resposta a essa informação com as imprescindíveis ferramentas para analisar e desenvolver estratégias de marketing, que se vão focar em atrair recursos para as organizações sem fins lucrativos As dimensões da Orientação para o mercado Kohli e Jaworski (1990) e mais tarde Kohli, Jaworski e Kumar (1993) operacionalizaram a orientação para o mercado baseando-se em três funções: geração de conhecimento, disseminação do conhecimento e a dar resposta a essa informação. Dimensão 1: Geração do conhecimento Nesta dimensão faz-se a recolha e análise da informação das características dos elementos que compõe o mercado da ISFL. Especificamente consegue-se obter dados acerca das necessidades actuais e futuras, desejos e expectativas tanto dos beneficiários, como dos benfeitores, e ainda sobre o impacto da regulação governamental, da concorrência, de tecnologia e outras alterações do sector (Macedo e Pinho, 2006). Esta é um a informação crucial (Gonzales et al., 2002). Uma organização com uma efectiva recolha de informação e capacidade de análise dessa informação, pode precisar com maior exactidão rápidas mudanças no sector e identificar o que os clientes dão valor (Pelham, 2000). Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 2223 Dimensão 2: Disseminação do conhecimento Para operar eficientemente a orientação para o mercado, é necessário partilhar a informação recolhida com os restantes departamentos da organização. Esta informação deverá ser comunicada horizontalmente e verticalmente, para que todos os departamentos a possam assimilar (Vazquez et al. 2002). Uma performance superior da orientação para o mercado só poderá ocorrer se existir uma coordenação inter-funcional, e neste caso, a troca de informação é essencial (Han et al., 1998). Glazer (1991) e Quinn (1992) consideram que uma disseminação do conhecimento eficaz ou uma partilha de informação oferece aos marketeers a possibilidade de recolher diferentes interpretações da informação recolhida e assim poderão surgir novas ideias. Dimensão 3: Resposta às necessidades Uma performance superior só pode ser alcançada se forem dada respostas às expectativas e necessidades dos benfeitores e beneficiários, de forma contínua. Depois da recolha e análise da informação, da partilha desta informação por todos os departamentos, terão de ser desenvolvidos planos de acção no que diz respeito às melhores estratégias de marketing a utilizar (Gonzalez et al., 2002). Kohli e Jaworski (1990) e Narver e Slater (1990) enfatizam que a implementação de uma eficiente estratégia de orientação para o mercado depende da resposta que é dada às necessidades dos clientes A Orientação social No contexto das instituições sem fins lucrativos, há que adaptar a linguagem de marketing e toda a sua terminologia utilizada no sector lucrativo (Bajde, 2006). Assim Marta Maria Abreu Oliveira Lourenço Página 23 Exibir mais
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 Artigo 1
 Artigo 1
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