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Timestamp: 2018-08-22 01:02:31+00:00

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Saturday, 24 June 2017 13:55
Formação para fraternidade: Artigo 10 da Regra
Autores: Raphael Taboada, OFS e Ariana Baccin, OFS
Artigo 10 da Regra da OFS
01 - CHEGADA, silêncio, oração pessoal...
(acende-se uma vela enquanto se canta)
Mantra: Vinde, Santo Espírito! (4x)
02 – ORAÇÃO INICIAL
03 - ESTUDO DO ARTIGO 10 DA REGRA DA OFS
A Igreja, rica na diversidade de carismas, fora premiada pelo Espírito Santo, durante a história, com o surgimento de diferentes ordens religiosas, cada qual com suas características específicas, porém todas elas convergindo na sua centralidade para o Cristo.
As pessoas de boa vontade, vocacionadas pelo Senhor ao ingresso nas diversas ordens, professam votos / conselhos evangélicos específicos de cada uma dessas associações religiosas. Os irmãos e irmãs admitidos à Família Franciscana, por sua vez, prometem a vivência do Evangelho, nos passos de Francisco de Assis, em espírito de pobreza, castidade e OBEDIÊNCIA.
Especificamente nós, franciscanos seculares, temos uma Regra de vida que dedica um espaço privilegiado para nos exortar sobre a obediência, tema central do estudo deste encontro. Reza o artigo 10 da Regra: “Unindo-se à obediência redentora de Jesus que depôs sua vontade nas mãos do Pai, cumpram fielmente as obrigações próprias da condição de cada um nas diversas situações da vida, e sigam o Cristo, pobre e crucificado, testemunhando-o, mesmo nas dificuldades e perseguições.”
Vale dizer que a obediência descrita na nossa Regra deve ser analisada, traduzida e vivida a partir da Espiritualidade Franciscana, com todas as novidades trazidas pelo Espírito por meio do santo de Assis.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a palavra obediência tem sua raiz etimológica no verbo latino oboedire = ob + audire, que significa “prestar atenção”, “escutar com seriedade”. Com efeito, a obediência franciscana deve nos conduzir para uma vida em liberdade, uma liberdade que deriva da abertura para a escuta do que o Senhor nos sopra aos ouvidos por meio do Espírito Santo. Devemos, igualmente, estar abertos humildemente à escuta do que nos exortam nossos irmãos de Fraternidade: O Senhor fala por eles!
Muito relevante para a compreensão da obediência franciscana é termos em vista que São Francisco, em seus escritos, inter-relaciona intimamente a obediência com a caridade, assim como faz o Apóstolo Paulo (ver Carta aos Gálatas 5, 13-14; Saudação às virtudes; Admoestações, 3). Na prática, este conceito de obediência caritativa deve nos motivar a anteciparmo-nos à necessidade de nosso irmão, de modo a não nos tornarmos meros “cumpridores de ordens”, tanto advindas do irmão Ministro ou de quem lhe faça às vezes; mas, ao contrário, devemos crescer na sensibilidade para cumprir fielmente nossas obrigações fraternas, “provendo os irmãos do mesmo modo que gostaríamos de ser providos se estivéssemos em situação semelhante” (ver Regra não bulada, cap. 6).
Que riqueza são as Fraternidades onde os irmãos realmente entenderam a obediência da caridade. Elas contam com a criatividade e iniciativa de seus membros e avançam juntos na humildade do serviço generoso e alegre e na simplicidade de encontrar no irmão o próprio Cristo. Aqui se mostra valioso evidenciar que a nossa regra traz expressa menção à “obediência redentora de Jesus” que teve seu ápice na Cruz, momento que se constitui o maior ato de caridade já visto pelos olhos humanos! A aceitação de Jesus no “abraçar da Cruz” deve nos impelir a aceitarmos também nós as dificuldades que enfrentamos nas diversas situações de vida, decorrentes de nossa adesão aos valores contidos no evangelho.
Neste aspecto, devemos ter o cuidado para que nossa obediência franciscana não se sustente somente na observância daquilo que nos convém ou ainda do que imaginamos ser a vontade do Senhor. É preciso que os franciscanos seculares saibam ler os sinais dos tempos! Para tanto, devemos sempre recorrer ao que nos diz as Sagradas Escrituras e o magistério da Igreja, assim como fez nosso Seráfico Pai em sua vida.
Importante ressaltar que São Francisco inaugura uma nova perspectiva sobre a obediência no âmbito fraterno ao afastar o dever de “obediência cega” ao comando de um Ministro, asseverando em sua Regra não bulada que o franciscano “não deve obedecer uma ordem que vá contra a sua vida ou contra sua alma”, por não se constituir o cumprimento desta ordem em um ato de obediência (ver Regra não-bulada, cap. 5). A obediência deve sempre gerar a unidade! E continua, afirmando que somente “quando perseverarmos nos mandatos do Senhor é que estaremos na verdadeira obediência” (ver Regra não-bulada, cap. 5).
Portanto, diante da graça de sermos vocacionados à vivência da vida fraterna franciscana devemos ter claro em nossas mentes e corações o dever de assumirmos o compromisso na observância da verdadeira obediência idealizada pelo nosso Seráfico Pai São Francisco, consistente no exercício da obediência caritativa, que nos permite antecipar às necessidades de nossa Fraternidade e de nossos irmãos, tornando-nos “submissos a todos os homens deste mundo; e não só aos homens, mas ainda a todas as bestas e feras, para que possam fazer de nós o que quiserem, na medida em que lá do Alto o Senhor o permitir.”
04 – PARTILHA DO TEMA
Neste momento, busquemos a condução de um diálogo de modo estritamente construtivo, devendo as reflexões serem pautadas pela ternura e pela cordialidade que devem permear todos os momentos da vida fraterna.
 Como nossa fraternidade compreende em âmbito individual e coletivo o compromisso evangélico da obediência?
 A vivência da obediência por nós professada tem gerado a unidade em nossa fraternidade e em nossa comunidade eclesial?
 Como viver a obediência caritativa em minha família, trabalho e sociedade?
05 – ORAÇÃO FINAL
Altíssimo e glorioso Deus, ilumina as trevas do meu coração, dá-me fé direita, esperança certa e caridade perfeita, bom senso e conhecimento, Senhor, para que cumpra teu santo e verdadeiro mandamento. Amém!
PARA ENRIQUECIMENTO DO ESTUDO
- Fontes Franciscanas:
 Admoestações, 3;
 Regra Não Bulada, 5.
- Sagradas Escrituras:
 Filipenses 2, 1-18;
 Gálatas 5, 1-18.
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