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Timestamp: 2019-11-22 22:53:11+00:00

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Contra Monica Iozzi sobre a Reforma Trabalhista – Microtitanomaquia
Microtitanomaquia
Contra Monica Iozzi sobre a Reforma Trabalhista
30 de abril de 2017 15 de maio de 2017 ~ moscanarius
[textão. TL;DR: Monica Iozzi não tem noção do que diz]
Além da juíza Tamara Hiss, cujas objeções já se analisou aqui, também atriz Mônica Iozzi resolveu se manifestar contra a Reforma Trabalhista. A moça publicou no Facebook uma lista de objeções ao PL6787/2016 com a intenção de convencer seus seguidores a aderirem à greve de 28/IV, que ocorre em protesto contra as reformas da CLT. Até agora, a publicação teve mais de 23000 curtidas e 10000 compartilhamentos – um sucesso, com certeza.
Pena que tudo o que ela escreveu é mentira.
O texto da juíza do trabalho era ruim, mas era mais honesto; pelo menos havia como verificar cada uma das afirmações, contrastando-as com os artigos citados por ela. Monica Iozzi (ou quem quer que tenha escrito o texto, caso ela seja só divulgadora) nem se deu esse trabalho – jogou um monte de frases agrupadas em 13 itens, contando que ninguém iria procurar nada na fonte original – o texto do PL6787/2016. Ninguém lê as fontes originais, afinal. Monica Iozzi provavelmente não leu também.
Ponto a ponto, vejamos o que temos:
“Entendendo os motivos da greve de hoje:”
“1. Demissões coletivas . Agora os empregadores podem demitir todo mundo da sua empresa e contratar outras pessoas por menores salários e menores benefícios sem nenhuma multa.”
Demissões coletivas não estão se tornando legais só agora; elas sempre foram legais por razões muito óbvias: quem pode demitir um funcionário tem que poder demitir quantos quiser; tem que poder demitir todos. E sim, o empregador pode demitir o funcionário e contratar outro com menores salários e menores benefícios – isso não é e nem tem como ser ilegal! Mas evidentemente, ele precisa respeitar as regras. O salário não pode ser menor que o mínimo regional ou que o valor acordado com os sindicatos, e os benefícios deverão ser no mínimo aqueles que asseguram os direitos escritos na CLT. O que ela disse até aqui se resume a apresentar o antigo e óbvio como se fosse novo e surreal.
A parte do “sem nenhuma multa” é mistificação. Não se abole multa nenhuma nas novas mudanças da CLT. Ela parece estar fazendo referência ao novo modelo de demissão por acordo, introduzido pelo artigo 484A. A “multa”, no caso, é o acréscimo de 40% ao FGTS a que o trabalhador tem direito se dispensado sem justa causa – que não seria pago se a demissão ocorresse por acordo entre as partes.
Isso é semelhante à objeção feita pela juíza Tamara Hiss, e igualmente sem sentido: não há como a empresa obrigar o empregado a assinar a demissão. Se ele se recusar a assinar (por não querer perder os 40% da multa do FGTS), o máximo que a empresa poderá fazer é… demiti-lo sem justa causa, e pagar-lhe tudo. Essa nova modalidade de demissão ajuda o empregado que quer sair da empresa, mas não quer pedir demissão voluntária porque se o fizer não poderá receber o FGTS.
Conclusão: objeção mal formulada e sem mérito nenhum.
“2. Trabalho temporário sempre. O patrão vai poder te contratar por hora durante toda a sua vida. Sem garantias. Por exemplo: bares, restaurantes, indústrias poderão te chamar para trabalhar temporariamente quando quiserem e você não terá seu emprego e salário fixos garantidos.”
Trabalho temporário já existe, já é mencionado na CLT (art. 13), já tem lei específica, e não é mencionado nenhuma vez no texto do PL6787. A menção a contratos por hora e emprego em restaurantes me faz crer que ela se refira a trabalho intermitente, que não é a mesma coisa que trabalho temporário!
Criação de regras específicas para o trabalho intermitente é uma novidade introduzidas com o artigo 452A. E sim, o patrão malvadão vai poder te contratar por hora por toda a sua vida, assim como pode te contratar por mês por toda a sua vida. QUAL O PROBLEMA DISSO? O valor recebido por hora terá que respeitar a proporção com o salário mínimo. Enquanto for vantajoso para você trabalhar para ele e para ele te empregar, vocês trabalham um com o outro.
Continuando: a partir da frase “sem garantias”, tudo o que Monica Iozzi diz é mentira. Sem garantias? Leiam os parágrafos 5 a 9 do novo artigo 452A:
“§ 5º O período de inatividade não será considerado tempo à disposição do empregador, podendo o trabalhador prestar serviços a outros contratantes.”
“§ 6º Ao final de cada período de prestação de serviço, o empregado receberá o pagamento imediato das seguintes parcelas:
I–remuneração;
II–férias proporcionais com acréscimo de um terço;
III–décimo terceiro salário proporcional;
IV–repouso semanal remunerado; e
V–adicionais legais.”
“§ 7º O recibo de pagamento deverá conter a discriminação dos valores pagos relativos a cada uma das parcelas referidas no § 6º deste artigo.”
“§ 8º O empregador efetuará o recolhimento da contribuição previdenciária e o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, na forma da lei, com base nos valores pagos no período mensal e fornecerá ao empregado comprovante do cumprimento dessas obrigações.”
“§ 9º A cada doze meses, o empregado adquire direito a usufruir, nos doze meses subsequentes, um mês de férias, período no qual não poderá ser convocado para prestar serviços pelo mesmo empregador.”
Isso parece sem garantias para vocês?
E dizer que bares e restaurantes poderão te chamar para trabalharem quando eles quiserem é uma distorção inaceitável do que diz o texto. VAI HAVER UM CONTRATO, CAZZO! E o mesmo artigo 452A estabelece as condições para a negociação das horas de trabalho. Não tem essa de o patrão “convocar” e você só ter que acatar ou ir para a rua; leiam:
“§ 1º O empregador convocará, por qualquer meio de comunicação eficaz, para a prestação de serviços, informando qual será a jornada, com, pelo menos, três dias corridos de antecedência.”
“§ 2º Recebida a convocação, o empregado terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado, presumindo-se, no silêncio, a recusa.”
“§ 3º A recusa da oferta não descaracteriza a subordinação para fins do contrato de trabalho intermitente.”
“§ 4º Aceita a oferta para o comparecimento ao trabalho, a parte que descumprir, sem justo motivo, pagará à outra parte, no prazo de trinta dias, multa de 50% (cinquenta por cento) da remuneração que seria devida, permitida a compensação em igual prazo.”
É bom lembrar sempre que o contrato de trabalho intermitente é um contrato feito dentro da CLT, e confere as mesmas garantias de proteção ao emprego dadas aos demais trabalhadores. O emprego do trabalhador intermitente está tão “garantido” quanto o de qualquer outro trabalhador.
Conclusão: mais uma objeção mal formulada e sem mérito.
“3. Hora-extra. A CLT prevê jornada de trabalho de no máximo 8 horas por dia. Agora, ao invés de pagar horas extras para o trabalhador que ficar mais tempo trabalhando, o empregador vai contratar uma jornada de trabalho maior. Diminui o salário do empregado no final do mês.”
Terceira objeção mal formulada. Ela mistura duas coisas aqui: hora extra e jornada de trabalho.
Sobre a hora extra, eis o que o PL6787 tem a dizer:
“Art. 59. A duração diária do trabalho poderá ser acrescida de horas extras, em número não excedente de duas, por acordo individual, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho.”
(o texto da CLT traz “normal” no lugar de “diária”. A modificação está sendo feita para aumentar a clareza)
“§ 1º A remuneração da hora extra será, pelo menos, 50% (cinquenta por cento) superior à da hora normal.
O texto do parágrafo 1 que temos hoje determina que o acréscimo mínimo na remuneração da hora extra seja de 20%. O novo texto AUMENTA a remuneração mínima! Ou por outra: não só a hora extra continua existindo, como agora deverá ser melhor remunerada.
Quanto à jornada de trabalho, a única alteração que se introduz é a possibilidade de jornada diária com 12 horas… desde que compensada por 36 horas ininterruptas de descanso. Sim, vocês mesmos podem ler isso no novo artigo 59A:
“Art. 59A – Em exceção ao disposto no art. 59 desta Consolidação, é facultado às partes, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, estabelecer horário de trabalho de doze horas seguidas por trinta e seis horas ininterruptas de descanso, observados ou indenizados os intervalos para repouso e alimentação.
Dados seis dias úteis na semana, esse sistema leva a um total de 36 horas semanais trabalhadas. A JORNADA DE TRABALHO NÃO AUMENTA! A introdução desse sistema é uma demanda antiga do pessoal da saúde, que já trabalha nesse sistema de plantão há anos sem reconhecimento legal.
Conclusão: terceira crítica sem fundamento. Faltam só dez…
“4. Meia-hora de almoço . Antes era obrigatório almoço de uma hora. Mas, para este governo, apenas meia-hora é suficiente.”
É um mistério de onde essa moça tira essas informações. O intervalo de uma hora é determinado pelo artigo 71 da CLT:
O caput deste artigo não será alterado. Continua como padrão o intervalo de 1h! A diferença é que a duração dos intervalos poderá ser alvo de negociação em convenções, segundo o novo artigo 611B proposto; e neste caso, não poderá ser menor que 30 minutos:
“Art. 611A – A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre:
III– intervalo intrajornada, respeitado o limite mínimo de trinta minutos para jornadas superiores a seis horas.”
Ou seja: a menos que a negociação entre empresa e os sindicatos decidir mudar as regras, continua tudo como antes. Decidindo mudá-las (se o sindicato aceitar, portanto), o intervalo mínimo terá que ser de 30 minutos para jornadas acima de 6 horas.
Mas eu quero ressaltar a estupidez da parte final da frase: a demanda por uma hora de intervalo mais curta é muito comum entre os trabalhadores. Como a hora de almoço não é contada como hora trabalhada (CLT art. 71 par 2), há uma vantagem em fazer só meia hora de almoço: você sai meia hora mais cedo no final do expediente. Entenderam? A meia hora perdida de almoço não vai se transformar em meia hora adicional de trabalho, porque ela não conta como hora de trabalho.
Conclusão: quarta objeção nonsense.
Eis o artigo a que ela desonestamente se refere:
“Art. 456A – Cabe ao empregador definir o padrão de vestimenta no meio ambiente laboral, sendo lícita a inclusão no uniforme de logomarcas da própria empresa ou de empresas parceiras e de outros itens de identificação relacionados à atividade desempenhada.”
Seria mais honesto dizer que as suas roupas de trabalho entram na reforma. Ainda mais honesto seria admitir que a pequeníssima reforma neste campo apenas oficializa o uso dos uniformes – aquelas roupas, sabe, que crianças e professores usam na escola, operários usam na fábrica, médicos usam em hospitais, jogadores de futebol usam no gramado, e garçons usam no restaurante.
Ela escreve como se exigir o uso de uniforme fosse uma grande violação de direitos, mas é só uma coisa banal que já acontece. E ela mente descaradamente ao dizer que uniformes que exponham ao ridículo ou que sejam termicamente desconfortáveis estão liberados. Do texto do artigo 223C, introduzido na CLT pela mesma reforma:
“Art. 223C – A honra, a imagem, a intimidade, a liberdade de ação, a autoestima, a sexualidade, a saúde, o lazer e a integridade física são os bens juridicamente tutelados inerentes à pessoa física.”
Se você estiver exposto aos ventos do inverno ou ao calor do verão em uma roupa ridícula, você tem grandes chances de ganhar uma ação trabalhista.
Conclusão: crítica profundamente desonesta.
Mentira e confusão. As empresas precisam pagar pelo deslocamento por conta do artigo 458 parágrafo 2o inciso III da CLT, QUE NÃO SERÁ ALTERADO. A única alteração em matéria de transporte se dá no parágrafo 2o artigo 58, que passará a ter essa forma:
“Art. 58 § 2o – O tempo despendido pelo empregado desde a sua residência até a efetiva ocupação do posto de trabalho e para o seu retorno, caminhando ou por qualquer meio de transporte, inclusive o fornecido pelo empregador, não será computado na jornada de trabalho, por não ser tempo à disposição do empregador.”
Só diz que o tempo de deslocamento, tal como o intervalo de almoço, não conta como hora trabalhada. Aliás, o esse mesmo trecho é muito parecido na CLT atual; esse tempo já não era computado, exceto quando o empregador oferecia condução (o que, obviamente, desestimulava a oferta de condução…).
Conclusão: objeção mentirosa e absurda. Metade já foi…
“7. Mexeram nas suas férias. Agora os patrões podem parcelar livremente suas férias em até 3 vezes, como for melhor pra eles.”
Ah, parcelar livremente, como for melhor para eles? Assim, livremente, sem restrições? Vamos ler o trecho em questão?
“Art. 134 § 1o – Desde que haja concordância do empregado, as férias poderão ser usufruídas em até três períodos, sendo que um deles não poderá ser inferior a quatorze dias corridos e os demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos, cada um.”
Não é tanta a liberdade assim: o empregado tem que concordar com a distribuição das férias, e há regras para a duração mínima de cada período. A propósito, a divisão mais flexível do período de férias é outra demanda comum entre os empregados.
Conclusão: mentira e distorção, de novo.
“8. Se você é terceirizado, preste atenção: a empresa que contratou a terceirização (às vezes, é o governo ou outra empresa bem maior) não vai mais ter responsabilidade nenhuma sobre sua indenização se você for demitido. Se você não receber os seus direitos, já era.”A atual reforma não diz nada sobre terceirizados. Eles, os trabalhadores temporários, estão cobertos pela recentemente aprovada lei da terceirização (L13429/2017). Mas vamos ver o que o parágrafo 7o do artigo 9 dessa lei tem a nos dizer sobre a responsabilidade da empresa contratante?
“L13429, art. 9, § 7o – A contratante é subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas referentes ao período em que ocorrer o trabalho temporário, e o recolhimento das contribuições previdenciárias observará o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.”
Ou seja, a contratante poderá ser responsabilizada por muito do que acontecer durante o período em que o terceirizado trabalhar ali. Mas isso nem é o principal: COMO ASSIM “SE VOCÊ NÃO RECEBER OS SEUS DIREITOS, JÁ ERA?” Entre com processo na Justiça do Trabalho. O povo sustenta esses juízes por uma razão.
Conclusão: mentira e alarmismo.
“9. E se você tem carteira assinada e está há muitos anos na empresa? Saiba que agora a empresa vai poder te demitir e demitir todos os teus colegas para contratar terceirizados, mais baratos pros patrões, sem direitos, sem carteira assinada.”
Primeiro, a empresa sempre pôde te demitir. Incrível ter que dizer isso…
Esse é outro item que se refere à já aprovada lei 13429, e distorce tudo absurdamente. Eu não sei qual é a dificuldade de as pessoas entenderem isso, mas o terceirizado também é contratado pela CLT – só não pela empresa em que ele trabalha fisicamente. ELE TAMBÉM TEM DIREITOS TRABALHISTAS E CARTEIRA ASSINADA. Ele tem direito a férias, 13o salário, e todo o resto. Parece que a moça está confundindo contratação de pejotinha, que não é a mesma coisa.
(e dado que para abrir uma empresa de trabalho temporário é preciso um capital mínimo de 100000 reais (L13429 art 6 inc III), não vai ocorrer de qualquer trabalhador virar PJ).
Conclusão: desonestidade pura
“10. A crueldade chega às grávidas : quem decide onde as grávidas (e as lactantes) trabalham é o médico da empresa. Ou seja, mesmo que ela esteja em um local insalubre para ela e o bebê, quem decide agora o lugar de trabalho é teu patrão. E a quem você vai poder reclamar?”
“Crueldade”. OK. Ela está se referindo desonestamente à modificação do artigo 394. Eis a versão válida hoje:
“Art. 394A – A empregada gestante ou lactante será afastada, enquanto durar a gestação e a lactação, de quaisquer atividades, operações ou locais insalubres, devendo exercer suas atividades em local salubre”
O artigo manda afastar a mulher nessas condições de qualquer coisa insalubre. Ocorre que a justiça reconhece diferentes graus de insalubridade, mas a lei obrigava a funcionária a ser afastada de todas elas. Algumas vezes, não havia qualquer trabalho considerado salubre que ela pudesse executar. A mudança proposta no PL6787 é a seguinte:
“Art. 394A -Sem prejuízo de sua remuneração, nesta incluído o valor do adicional de insalubridade, a empregada deverá ser afastada de:
III – atividades consideradas insalubres em qualquer grau, quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento durante a lactação”
Continua proibição de trabalho de gestantes em atividades de alta insalubridade. E nos outros casos, a gente será prontamente afastada caso apresente atestado fornecido por um médico de sua confiança – NÃO É O MÉDICO DA EMPRESA E NÃO É O PATRÃO QUE DECIDE!
Conclusão: mentira deslavada.
“11. Não tem mais Comissão de Conciliação Prévia . O que o patrão negociar com você vai valer mais do que a Lei. Vale o que o patrão mandou, e a regra que você assinou quando conseguiu o emprego.”
Juntou duas coisas diferentes, e mentiu. Mentiu mesmo.
A primeira frase é mentira. As Comissões de Conciliação Prévia foram criadas pelos artigos 625A a 625H, que não serão revogados. Elas continuam existindo como antes.
E o que o patrão negociar com você não vai valer mais do que a lei; isso é uma distorção inaceitável dos novos artigos 444 e 611, um erro que a juíza Tamara Hiss também cometeu.
Pelos novos artigos 611A e B, empresas e SINDICATOS poderão negociar acordos que se sobreporão à lei. Empresas e SINDICATOS, não você. Não empresas e cada trabalhador individual. A única exceção é aberta pelo novo parágrafo do artigo 444, que só se aplica a trabalhadores com curso universitário que ganhem mais que 11000 reais mensais – dificilmente uma classe que precisa de proteções especiais.
Conclusão: mais mentira
“12. Rescisão . Não vai ser mais obrigatório o sindicato assinar a tua rescisão. Eles podem agora fazer a rescisão do jeito que eles quiserem. Você ficou na mão dos patrões.”
Já não é. Quando você não é filiado a sindicato nenhum, a rescisão já é feita no Ministério do Trabalho. E “eles”, os patrões malvadões, não podem fazer a rescisão como quiserem; tem regras para isso. Toda essa confusão parece ser uma referência muito torta ao novo artigo 484A, que estabelece – vejam que coisa! – REGRAS PARA DEMISSÃO VOLUNTÁRIA.
Você não ficou na mão dos patrões, você saiu da mão do sindicato.
Conclusão: mentira e distorção.
“13. Golpe na Justiça do Trabalho . A justiça do trabalho não é mais gratuita. Você vai ter que pagar honorário até do perito. E se não tiver dinheiro, fica sem poder reclamar.”
A Justiça do Trabalho nunca foi gratuita. Sempre teve que pagar; ocorre que, caso o sujeito demonstre que não tem como pagar os custos, ele ganha direito à justiça gratuita. E ISSO NÃO MUDOU!
Mudaram alguns aspectos práticos sobre quem tem direito à justiça gratuita. Notoriamente,o PL6787 adicionou o parágrafo 4o ao artigo 790:
“Art. 790 § 4º O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas do processo.”
Ou seja: se mostrar que não pode pagar, não paga. Se não tiver dinheiro, vai poder reclamar sem pagar as custas, tal como antes – aliás, agora a lei ficou até mais clara do que antes.
Conclusão: mais mentiras, para fechar com chave de ouro.
Conclusão final: ninguém lê nada, ninguém sabe nada, e todo o debate público no Brasil é tocado por gente que não faz idéia do que diz.
Deus tenha misericórdia desta nação.
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References: artigo 484
 artigo 452
 artigo 452
 artigo 452
 artigo 59
 artigo 71
 artigo 611
 artigo 223
 artigo 458
 artigo 58
 artigo 9
 artigo 394
 artigo 444
 artigo 484
 artigo 790