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Timestamp: 2019-10-18 04:43:08+00:00

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CARACTERIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS NEGATIVOS E MEDIDAS MITIGATÓRIAS DO PROCESSO DE ASSOREAMENTO DO LAGO IGAPÓ, LONDRINA – PR | Ideias Fora da Caixa
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J 18-03:00 março 18-03:00 2012 por Mariana Lorenzo
O lago Igapó, principalmente nos segmentos 2, 3 e 4, encontra-se em processo de assoreamento. A raiz do assoreamento encontra-se principalmente na falta de conscientização da população, falta de fiscalização de terrenos baldios e inadequado armazenamento de materiais de construção e a pequena concentração de mata ciliar em suas margens. De modo geral, o assoreamento danifica a fauna a flora lacustre e reduz a qualidade da água. Desta maneira, torna-se indispensável o conhecimento do problema para se estabelecer um conjunto de medidas mitigatórias que possam evitar ou amenizar o processo de assoreamento. Vale lembrar que este processo está associado a processos erosivos e de movimentação de solos, não possuindo controles geotécnicos. Deve-se analisar não apenas os quatro lagos, mas também seus afluentes, que influenciam no processo de assoreamento do Lago Igapó.
Diante deste contexto, o presente trabalho tem como objetivo analisar o processo de assoreamento do lago Igapó de Londrina (PR) com base em trabalhos acadêmicos, artigos e levantamento de campo em agosto de 2011 com registros fotográficos. Foram analisados, em especial, os lagos 2, 3 e 4 e seus afluentes. O lago Igapó 1 não entrou no diagnóstico por não estar numa situação tão crítica quanto os demais.
2 BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO CAMBÉ
O lago Igapó encontra-se na bacia hidrográfica do Ribeirão Cambé, que faz parte da bacia do Ribeirão Três Bocas. O Ribeirão Cambé mede aproximadamente 27 km de extensão. Sua nascente se encontra no oeste de Londrina, no trevo das estradas Londrina/ Cambé – São Paulo/ Curitiba – e sua foz está localizada no Ribeirão Três Bocas. A bacia hidrográfica do Ribeirão Três Bocas faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Tibagi, que se liga às bacias hidrográficas dos rios Paranapanema, Paraná e finalmente à Bacia Platina (ROCHA, 1995; SOARES et al, 2010; BARROS et al, 2008; ISHIKAWA et al, 2009; BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Vale dizer que o Ribeirão Cambé abrange parte do núcleo urbano de Londrina, constituindo os quatro lagos que formam o lago Igapó. O ribeirão Cambé, de sua nascente até a barragem do lago Igapó 1, recebe oito afluentes: córrego Cacique; córrego da Mata; córrego Baroré; córrego Rubi; córrego Colina Verde; córrego Água Fresca; córrego Leme; e córrego Capivara, como se pode observar na figura abaixo (ROCHA, 1995; SOARES et al, 2010; BARROS et al, 2008; ISHIKAWA et al, 2009; BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Delimitação da área de estudo.
Fonte: Valores de curvas de nível obtidos através da carta topográfica Sf.22-Y-D-III-4, folha Londrina.
Elaborado por DALBÓ & CAINZOS, 2011.
3 LAGO IGAPÓ
Igapó na língua Tupi Guaranisignifica transvasamento de rios. O lago Igapó, que faz parte do Ribeirão Cambé, localiza-se ao sul do sítio urbano de Londrina (PR) e possui de 4,5 quilômetros de extensão. Este ribeirão nasce a oeste da cidade, próximo ao município de Cambé, fazendo divisa entre esses municípios. Grande parte do seu curso percorre a área urbana de Londrina seguindo em direção leste (MENDES, 2000; FRAZÃO, 2009; BORTOLO, 2009; BARROS, 2008).
Segundo Cabrera (1992 apud BORTOLO, 2009), o lago Igapó foi criado em 1959, a partir do represamento do Ribeirão Cambé, subdividindo-se em lago Igapó 1, 2, 3 e 4 devido à sua fragmentação por ruas e avenidas. O principal objetivo deste represamento era inicialmente solucionar o problema da drenagem deste ribeirão, e mais tarde, consistiu em ampliar áreas de lazer e o embelezamento paisagístico da cidade de Londrina. Isso valorizou a região centro-sul do município, tornando-a uma das mais belas áreas de lazer da cidade. O lago Igapó, portanto, tornou-se um dos principais pontos turísticos de Londrina, sendo considerado um dos cartões postais da cidade (MENDES, 2000; FRAZÃO, 2009; BORTOLO, 2009; BARROS, 2008).
Por outro lado, vale ressaltar que devido a diversos fatores, tais como crescimento urbano, falta de conscientização e de fiscalização de terrenos e de deposição adequada de materiais de construção, o lago encontra-se assoreado, prejudicando sua qualidade ambiental, sendo que algumas medidas mitigatórias para desassoreá-lo encontram-se ainda em projetos e outras foram efetuadas, mas com pouco resultado (MENDES, 2000; FRAZÃO, 2009; BORTOLO, 2009).
Subdivisão do Lago Igapó.
Fonte:Imagem de DigitalGlobe de 26 Jul. 2006 e MapaLink/ Tele Atlas de 2011.
Como se observa na Figura acima, o lago Igapó se subdivide em 4 lagos localizados, respectivamente, entre os bairros:
Lago Igapó 1: bairros Lago Parque, Parque Guanabara, Petrópolis, Caiçaras, Colonial e Igapó;
Lago Igapó 2 e aterro: bairros Gleba Fazenda Palhano, Lima Azevedo, Parque Guanabara e Parque Residencial do Lago;
Lago Igapó 3: bairros Jardim Presidente e Universitário; e
Lago Igapó 4: bairros Hedy e Jardim Tókio
3.1 Nascente do Ribeirão Cambé
Nascente do Ribeirão Cambé.
A nascente do Ribeirão Cambé se encontra no bairro Parque Ney Braga ao oeste de Londrina, no trevo das estradas Londrina/ Cambé – São Paulo/ Curitiba.
O Ribeirão Cambé, após a nascente, constitui primeiramente o lago Igapó 4, cuja descrição de sua localização será feita a seguir.
3.2 Lago Igapó 4
O lago Igapó 4 começa na avenida Castelo Branco e se estende até o Jardim Tóquio.
Localização do lago Igapó 4, destacando as ruas de início e término do lago.
3.3 Lago Igapó 3
O lago Igapó 3 começa na rua Prefeito Faria Lima e termina na avenida Castelo Branco.
Localização do lago Igapó 3, destacando as ruas de início e término do lago.
3.4 Aterro do Lago Igapó 2
O aterro do lago Igapó 2 começa na avenida Maringá e termina na Rua Prefeito Faria Lima.
Localização do lago Igapó 2 e aterro, destacando as ruas de início e término do lago. Fonte:Imagem de DigitalGlobe de 26 Jul. 2006 e MapaLink/ Tele Atlas de 2011.
3.5 Lago Igapó 2
O lago Igapó 2 tem seu início na avenida Higienópolis e termina na rua Prefeito Faria Lima (Figura acima).
Bairro Gleba Palhano.
A margem esquerda deste lago passou a ser ocupada por loteamentos de médio a baixo padrão social desde sua inauguração. Seu lado direito ficou parcialmente ocupado até a década de 90, quando loteamentos de alto padrão começaram a ser construídos, constituindo o bairro Gleba Palhano, tornando-se desde então, a área mais valorizada da cidade. Como aponta Bortolo (2009), este processo gerou novos mecanismos de revitalização do lago Igapó (BORTOLO, 2009, p. 26).
3.6 Lago Igapó 1
O lago Igapó 1 compreende a barragem do Ribeirão Cambé até a Avenida Higienópolis do município de Londrina.
Localização do lago Igapó 1, destacando as ruas de início e término do lago.
A ocupação em seu entorno começou desde sua inauguração, em 1959, mas se intensificou nos anos setenta, quando processos de renovação de bairros de menor poder aquisitivo via programas federais permitiram a implantação dos primeiros bairros de elevado status social. Uma parcela do entorno do Lago Igapó 1, abrangendo sua margem direita e esquerda, passou a ser ocupada por loteamentos de alto poder aquisitivo (BORTOLO, 2009, pg. 26). Atualmente, dentre os quatro lagos Igapó, o lago Igapó 1 é o que se encontra menos assoreado e sofre menos impactos ambientais negativos.
4 AFLUENTES DO LAGO IGAPÓ
O processo de assoreamento do lago Igapó pode estar relacionado aos processos erosivos identificados nos seus afluentes, em suas margens ou em solos adjacentes, principalmente. Foi realizada em campo, no mês de agosto de 2011, uma análise visual e com registros fotográficos dos afluentes que deságuam no lago Igapó 2, 3 e 4 em relação a processos erosivos em suas margens. Através do levantamento das fontes de assoreamento é possível estabelecer medidas mitigatórias para amenizar o processo. Todavia, vale lembrar que para obter melhores resultados é preciso realizar um diagnóstico detalhado de todos os afluentes do Ribeirão Cambé.
Será descrito, primeiramente, a localização de cada córrego que deságua no lago Igapó com registros fotográficos da ida ao campo em agosto de 2011.
4.1 Córrego Baroré e Rubi
Os afluentes do lago Igapó 4 e 3 são o Córrego Baroré e o Córrego Rubi, respectivamente.
Córrego Rubi e Baroré. Fonte:Imagem de DigitalGlobe de 26 Jul. 2006 e MapaLink/ Tele Atlas de 2011.
4.2 Córregos Colina Verde e Água Fresca
Os afluentes do aterro do lago Igapó 2 e do lago Igapó 3 são o córrego Colina Verde e o Água Fresca, respectivamente.
Córrego Colina Verde e Água Fresca.
Fonte: Imagem de DigitalGlobe de 26 Jul. 2006 e MapaLink/ Tele Atlas de 2011.
4.3 Córregos Lema e Capivara
Os afluentes do Lago Igapó 1 são o Córrego Leme e o Córrego Capivara, como mostra a figura abaixo.
Córregos Leme e Capivara.
No capítulo 9 (nove) – Situação Atual do Lago Igapó – são descritas as observações feitas do levantamento de campo dos afluentes e dos 3 lagos: Igapó 2,3 e 4. A seguir será descrito o histórico do lago Igapó.
5.1 Anos 1950: Inauguração do Lago e a Construção da Barragem
Lago Igapó 1 em 1960.
Fonte: IWANAGA (1989) apud BORTOLO (2009).
O lago Igapó começou a ser idealizado em 1957, na gestão do prefeito da época, Antonio Fernandes Sobrinho, e foi inaugurado dia 10 de dezembro de 1959 quando Londrina completou 25 anos. O lago foi construído na área urbana, porém afastado do núcleo urbano à época. Foi formado através do represamento do Ribeirão Cambé, que corta a porção sul de Londrina, visando solucionar o problema da drenagem deste ribeirão, dificultada por uma barragem natural de pedras que afligia as áreas rurais das proximidades da região por criar um grande charco (BORTOLO, 2009; MENDES, 2000; ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8; IWANAGA, 1989 apud BORTOLO, 2009; HIGUCHI, 1986, apud BORTOLO, 2009).
5.2 Anos 1960 e 1970: A Desvalorização do Lago Igapó 1 e sua Revitalização
Após a construção das barragens, nas gestões municipais seguintes, a região do lago sofreu um processo de desvalorização, sendo que o lago ficou abandonado até o ano de 1969 devido à dificuldade de acesso ao local e também pelo descuido dos órgãos municipais. Vale dizer que devido ao descuido do município e à distância do núcleo urbano, as margens do Igapó 1 encontravam-se com curtumes, passagem de caminhões, contaminação da agricultura, dentre outros elementos de impacto. Além disso, outro fator que influenciava em seu descuido era o lixão que se localizava próximo ao lago, onde hoje é o Conjunto Jerumenha (BORTOLO, 2009).
Lago Igapó em 1970.
Em 1969, o prefeito Dalton Paranaguá (1969 – 1973) queria revitalizar o lago para melhorar a saúde e qualidade de vida da população e para isto contratou o paisagista paulistano, Burle Marx, para desenvolver o projeto de revitalização do Lago Igapó 1, que foi entregue no final da administração de Paranaguá e deixado como herança para o próximo prefeito, que foi José Richa (1974-1976). Foram construídas avenidas nas margens do lago Igapó 1, facilitando o acesso. Esse investimento em infra-estruturas ao redor do lago Igapó 1 o tornou local público para práticas esportivas e de lazer, resultando nas primeiras ocupações próximas ao lago. Apesar do investimento, o projeto foi executado parcialmente, com seu término em 1974. Segundo o arquiteto Léo de Judá Barbosa (2000), que acompanhou o projeto original, este não tinha apenas como objetivo a restauração da paisagem, mas a restauração da mata atlântica subtropical com espécies nativas (BORTOLO, 2009; MENDES, 2000; ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8).
Construção de uma Avenida margeando o lago Igapó 1, em 20 de agosto de 1969.
Fonte: Acervo da PML (apud BORTOLO, 2009).
Em 1974 na gestão de José Richa, foi ampliada a margem pública do lago Igapó 1, dentre elas foi executada a ligação entre a rua Duque de Caxias e o início da Rua Bélgica (na altura da barragem), melhorando o acesso e o tráfego ao redor do lago. Ao construir essas novas pistas foi implantado também um sistema de drenagem e canalização pluvial, visando evitar problemas decorrentes das correntes pluviais. Foi instalada uma rede de galerias destinadas a recolher águas pluviais na margem do logradouro, que conduz as vias subterrâneas à represa do lago. Vale ressaltar que na administração de Richa foi realizado o primeiro esvaziamento e limpeza (desassoreamento) do lago Igapó 1 (BORTOLO, 2009; BRITO & SANT’ANNA, 2007).
5.3 Anos 1980: Aterro do Lago Igapó 2
Durante a década de 1980 houve uma crescente urbanização em direção ao lago devido ao crescimento demográfico, justificado pelo resultado da continuidade do processo migratório imposto pelas mudanças e transformações na estrutura econômica de produção. Tal fato juntamente com a melhoria da infra-estrutura do lago, o tornou um espaço público mais visitado e melhor visto (LUIZ, 1991 apud BORTOLO, 2009).
O aterro do lago Igapó 2 foi construído em 1985, quando o prefeito Wilson Moreira, sob alegação sanitária, instalou drenos no Igapó 2 para recolher águas das nascentes e autorizou o aterramento do ribeirão com 30 cm de terra (MENDES, 2000; ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8).
5.4 Anos 1990: Revitalização da Margem do Lago Igapó 1 e Surgimento do Pró-Igapó
5.4.1 Revitalização do Lago Igapó 1
Em 1990, durante a gestão de António Belinati, foi feito um mutirão envolvendo pescadores, voluntários, Corpo de Bombeiros, dentre outros, para a retirada de entulhos e detritos existentes no lago (ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8; BORTOLO, 2009).
Na administração de Luiz Eduardo Cheida, em 1996, devido ao aumento de poluentes no lago, foram realizadas ações para localizar as fontes de poluição. Além disso, o lago foi esvaziado, desassoreado e limpo e foi realizada a revitalização de sua margem. Também foi feita a transposição ligando a avenida Maringá à rua Bento Munhoz da Rocha Neto. Para aumentar a segurança da população ao redor do lago foi construída a iluminação no local. Ainda no mesmo ano, a ocupação no bairro Gleba Palhano aumentou devido à construção do Shopping Catuaí em 1990, o que levou a um aumento de visitas ao lago (ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8; BORTOLO, 2009).
5.4.2 Pró-Igapó
Em 1998 foi incorporado o conceito de gestão por bacias hidrográficas em Londrina com o lançamento do Pró-Igapó – Programa Permanente de Promoção Preservação e Recuperação da Bacia do Ribeirão Cambé – administrado pela ONG Patrulha das Águas e coordenado pelo ambientalista João Batista Moreira conhecido como “João das Águas”. Porém, o programa foi desarticulado um ano depois, pois não houve a participação efetiva da Prefeitura e das demais instituições (ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8; BARÃO, 1998).
5.4.3 Aterro do Lago Igapó 2 Torna-se Parque Ecológico
Em setembro de 1998, durante a gestão de Antônio Belinati, foi feito um pedido em virtude de um projeto do executivo municipal, aprovado pela Câmara dos Vereadores, que determinava a doação da área do aterro do lago Igapó 2 para empresas ou consórcio para realizarem empreendimentos de lazer. O projeto foi aprovado em junho de 1998 e sancionado em agosto do mesmo ano por meio de manifestações e abaixo-assinados da escola SETA – A Nossa Escol(h)a, cuja diretora é Mira Roxo. “O Igapó é Nosso”, o lema das manifestações, despertou a população sobre a ilegalidade do projeto proposto (HORTA, 1998).
Movimento “O Igapó é Nosso”.
Fonte: SARIS, 1998.
Com a polêmica em relação a destinação do aterro do lago Igapó 2 que teve seu início com a aprovação pela Câmara de Vereadores no mês de Setembro do projeto do Executivo que determinava a doação do local para empreendimento de lazer, em 17 de outubro de 1998, Antônio Belinati assinou um decreto que transformou a área do aterro do lago Igapó 2 em Parque Ecológico. Segundo Belinati (1998), “esta decisão coloca um ponto final sobre a questão do aterro e significa um gesto de respeito ao pensamento da grande maioria da população de Londrina sobre o assunto” (SILVA, 1998).
5.5 Anos 2000: Desassoreamento do Lago; Programa Águametrópole e Ecometrópole
No início dos anos 2000 começou a construção de novos empreendimentos no entorno do lago Igapó devido a implantação do Shopping Catuaí. Na margem direita do lago Igapó 2, no bairro Gleba Palhano, ocorreu um processo de verticalização voltado para consumidores de alto poder aquisitivo. Tal fato levou a um aumento nas visitas ao lago (BORTOLO, 2009).
Esvaziamento do lago Igapó 2 em 2001.
Fonte: Paccola, 2001.
Durante a gestão de Nedson Micheleti em 2001 foi realizado o esvaziamento do lago 2 para a retirada, principalmente da lama tóxica, “a lama contaminada que estava em uma parte do lago foi espalhada”, disse ambientalista João Batista (2001). Realizou-se além da limpeza, o desassoreamento, mas a ação tornou-se um grande problema ambiental, pois segundo Batista (2001), o serviço foi mal planejado, prejudicando a fauna e flora do local. Como ressalta o ambientalista (2001), as obras causaram o assoreamento do lago Igapó 1 e do próprio Igapó 2 (PELEGRINO, 2001). Em 2002, Micheleti urbaniza o Igapó 2, com a instalação de cascata, pista de caminhada, pontes e iluminação (ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8).
5.5.1 Águametrópole
Em 2007, o programa Ácquametrópole foi estabelecido e o conceito de gestão por bacias hídricas se consolida ainda mais. No mesmo ano a prefeitura lançou o projeto Rio da Minha Rua, com foco em gestos de marketing, que não acarretou em efeitos práticos para o lago e cursos hídricos da cidade (ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8).
5.5.2 Ecometrópole
No ano de 2009 é estabelecido o Programa Ecometrópole, que visa à preservação do Igapó e dos recursos hídricos de Londrina, além da ecocidadania e cuidado com as ruas (ECOMETRÓPOLE, 2009 apud FRAZÃO, 2009, p. 8).
A seguir será descrito o processo de urbanização em Londrina como um dos fatores contribuintes do assoreamento do lago Igapó.
Segundo Faria (2001 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007), a partir da década de 1970 a urbanização da região da bacia do ribeirão Cambé deu-se em razão de dois motivos: 1) projeto implementado pelo prefeito Dalton Paranaguá de provisão de infra-estrutura e; 2) em face ao desinteresse do cultivo do café naquela área. Por conseguinte, tal área tornou-se propícia para a expansão urbana ou para a agricultura de outras culturas. Como aponta o autor, devido a essa urbanização desordenada e acelerada, formou-se “vazios urbanos” além de áreas impermeabilizadas, proporcionado o escoamento hidráulico com alta energia. Nesse sentido, o escoamento de águas pluviais passa por áreas com solo exposto susceptível a erosão, acarretando em processos erosivos e transporte de solo para o interior de cursos hídricos, causando, consequentemente, o assoreaento (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Já durante a década de 1970 e 1980, de acordo com Faria (2001 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007), a urbanização contribuiu também para a diminuição da mata ciliar na bacia do ribeirão Cambé, o que igualmente deixou esta área vulnerável a processos erosivos. Nos anos noventa, essa tendência de urbanização firmou-se, em especial, ao redor do Igapó 1 e 2, que, posteriormente, tornaram-se áreas nobres (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Conforme BRITO & SANT’ANNA (2007), o bairro Gleba Palhano, que abrange o lago Igapó 2,
[…] carece de uma preocupação especial, por estar localizada praticamente nas margens do lago Igapó 2 e ainda com uma ocupação incipiente podendo-se utilizá-la como uma “área piloto”, para que sejam adotadas medidas que inibam a produção de sedimentos e o assoreamento de cursos d’água e do lago. As áreas ocupadas por áreas verdes e pelos lagos devem ser mantidas e aumentadas, no caso de vegetação, pois além de enriquecer a cidade em áreas de lazer e áreas de relativo “equilíbrio” ambiental, vide que essas áreas são responsáveis pela existência de um clima local e pela existência de uma biota muitas vezes difícil de ser observada em ambientes urbanos. Além de essas áreas serem praticamente as únicas permeáveis, o que contribui para o balanço hidrogeológico (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Devido à impermeabilização dos solos decorrentes da urbanização, a quantidade de água na superfície aumenta e o nível freático meteórico abaixa. De acordo com Oliveira (1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007),
[…] os elementos físicos do uso do solo, como ruas, cercas, caminhos, estradas e galerias de água pluvial causam a concentração do escoamento superficial, formadores de enxurradas, que quando encontram áreas com solo exposto, sem cobertura vegetal, formam feições erosivas lineares (OLIVEIRA, 1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Convém citar um problema verificado por Oliveira & Herman (2001): em núcleos urbanos deve-se levar em conta os sedimentos originados de construção civil, como areia e brita além do solo varrido de áreas expostas, que são transportados através da rede de galeria pluvial até a bacia. Pode-se dizer, portanto, que a suscetibilização de áreas a processos erosivos e de assoreamento ocorrem devido à perda da vegetação original e pelas técnicas de uso e ocupação do solo (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
A água consiste no maior agente transportador de sedimento para uma bacia e devido às características da urbanização com formas que concentram as águas, o poder de transporte se torna maior. De acordo com Foster et al (1982 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007), “a capacidade de produção de sedimento é mais indicativa da capacidade de transporte do escoamento superficial do que da intensidade dos processos erosivos” (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Será descrito adiante outro elemento que contribui para o assoreamento: os processos erosivos.
7 PROCESSOS EROSIVOS
Como os processos erosivos são uma das principais causas do assoreamento, serão descritos seus conceitos e tipos.
Erosão em geologia consiste em
conjunto de processos geológicos que implicam em retirada e transporte de material solto (solo e regolito) da superfície do terreno, provocando o desgaste do relevo. Os principais agentes de transporte são: água; vento e gelo. O material transportado recebe o nome de sedimento e vai dar origem aos depósitos aluvionares e às rochas sedimentares (DICIONÁRIO PRO, 2011).
Além da erosão ocorrer por causas naturais, vale dizer que o homem também provoca processos erosivos ao retirar a cobertura vegetal de um solo, deixando este sem consistência. Através dos agentes intempéricos (agentes de transporte), as partículas soltas do solo são transportadas para as partes mais baixas dos relevos, assoreando cursos hídricos. Para minimizar a erosão deve-se adaptar práticas de conservação de solo. Em solos cobertos por vegetação, a erosão torna-se quase inexistente; porém, ela é um processo natural para a formação dos solos. A erosão torna-se grave quando atividades antrópicas acarretam no solo sem cobertura vegetal e assim, vulnerável à erosão, podendo levar à desertificação. Se o terreno tem pouco declive, a água da chuva irá “correr” menos e, consequentemente, erodir menos. As águas da chuva quando transportam partículas do solo provocam o enchimento dos leitos dos rios e lagos com esses materiais e esse fenômeno denomina-se assoreamento (DICIONÁRIO PRO, 2011; SUA PESQUISA, 2011).
Fatores antrópicos que contribuem para os processos erosivos:
Desmatamentos (desflorestamentos) que desprotegem os solos das chuvas;
O avanço imobiliário em encostas que, além de desflorestar, provocam a erosão acelerada devido ao declive do terreno;
As técnicas agrícolas inadequadas, quando se promovem desflorestações extensivas para dar lugar a áreas plantadas;
A ocupação do solo, impedindo grandes áreas de terrenos de cumprirem o seu papel de absorvedor de águas e aumentando, com isso, a potencialidade do transporte de materiais, devido ao escoamento superficial (DICIONÁRIO PRO, 2011; SUA PESQUISA, 2011).
Há sete tipos de erosão, porém, para este estudo vale citar os dois tipos principais que contribuem para o assoreamento do lago Igapó, a erosão fluvial e a pluvial.
Erosão fluvial consiste no desgaste do leito e das margens dos rios pelas suas águas, podendo levar a alterações no curso do rio. De acordo com Oliveira (1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007) a erosão fluvial também contribui para produção de sedimentos, isso acontece, por exemplo, quando ocorre o solapamento de margem, jogando grande quantidade de solo para dentro do curso hídrico. Quando o sedimento atingir os cursos hídricos, ele começará a responder aos processos fluviais (OLIVEIRA, 1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007; DICIONÁRIO PRO, 2011).
Exemplo de erosão fluvial tirada nas margens do Lago Igapó.
Erosão pluvial é provocada
pela retirada de material da parte superficial do solo pelas águas da chuva. Esta ação é acelerada quando a água encontra o solo desprotegido de vegetação (DICIONÁRIO PRO, 2011).
Exemplo de erosão pluvial em um terreno baldio nas adjacências do Lago Igapó.
Diante da descrição dos fatores causadores do assoreamento, será descrito a seguir o que é assoreamento.
8 ASSOREAMENTO
Assoreamento consiste no processo acelerado de deposição de sedimentos detríticos em uma área rebaixada. Do ponto de vista geológico a sedimentação é um processo natural, decorrente da erosão, porém devido à ação antrópica o processo é acelerado e acarreta diversos impactos ambientais negativos. Assoreamento corresponde, portanto, à sedimentação acelerada por meio de processos de ocupação do espaço geográfico pelo homem, com suas atividades decorrentes: desmatamento, pecuária, agricultura, mineração, urbanismo, dentre outras (DICIONARIO PRO, 2011).
De acordo com Oliveira (1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007),
[…] a deposição do sedimento, ou seja, o assoreamento em si, ocorre quando a produção de sedimento excede à capacidade de transporte dos cursos d’água, sucedida de entalhe quando a capacidade de transporte é readquirida. Portanto, quanto maior a vazão maior é a capacidade de transporte e maior e maior é o assoreamento (Oliveira, 1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Interessante dizer que Oliveira (1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007) denomina os depósitos formados de depósitos tecnogênicos, pois são resultantes das atividades antrópicas associadas ao uso do solo (OLIVEIRA, 1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Ilha vegetação no Lago Igapó 2 decorrente do processo de assoreamento.
O processo de assoreamento está relacionado aos processos erosivos, sendo que estes fornecem os materiais que, ao serem transportados e depositados darão origem ao assoreamento. Segundo DICIONARIO PRO (2011),
assoreamento e erosão são dois processos diretamente proporcionais na dinâmica de uma bacia hidrográfica: quando aumenta a erosão, haverá o consequente aumento do assoreamento em algum lugar a jusante na bacia hidrográfica (DICIONARIO PRO, 2011).
Segundo Oliveira (1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007),
o assoreamento ocorre quando a produção de sedimentos excede a capacidade de transporte do curso d’água, podendo assim refletir a dinâmica dos processos erosivos.
Oliveira & Carvalho (1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007) ressaltam que o assoreamento de reservatórios relaciona-se à produção de sedimentos, o transporte desses até os cursos d’água e a deposição. Os mesmos autores supramencionados apontam que a produção de sedimentos advém de processos erosivos existentes na bacia hidrográfica (OLIVEIRA, 1994 apud BRITO & SANT’ANNA, 2007).
De acordo com DICIONÁRIO PRO(2011), as consequências do assoreamento em lagos, lagoas, baías e golfos são:
Elevação do fundo do corpo hídrico, prejudicando a navegação e diminuindo a lâmina d’água, o que provoca seu maior aquecimento e menor capacidade de dissolver oxigênio;
Alteração da circulação e dos fluxos das correntes internas, comprometendo a vegetação da orla (manguezais) e as zonas pesqueiras;
O material fino em suspensão na coluna d’água (turbidez) é uma barreira à penetração dos raios solares, prejudicando a biota que realiza fotossíntese e consequentemente diminuindo a taxa de oxigênio dissolvido (OD) na água.
Segundo o ambientalista, João Batista (2010), o assoreamento de lagos artificiais consiste em um processo natural, que leva cerva de mil anos para acontecer. Mas o que diferencia o processo natural da situação atual do Igapó é a velocidade em que o assoreamento está acontecendo, sendo que o processo no Igapó está muito acelerado (ELORZA, 2010). Diante desse contexto, será descrita adiante a situação atual do lago Igapó.
9 SITUAÇÃO ATUAL DO LAGO
O processo de assoreamento no lago Igapó não é recente, sendo que já aconteceu algumas vezes e foi necessário esvaziar o lago para dessasoreá-lo. O assoreamento suscetibiliza áreas adjacentes à inundação em períodos de chuva intensa, além de impactar a qualidade da água, desequilibrando os ecossistemas do local. Também causa impacto social negativo, pois o lago Igapó é considerado um espaço de lazer e para práticas esportivas e sua depreciação pode acarretar no afastamento dos frequentadores. Vale lembrar também que o lago é um elemento importante no controle climático de Londrina e região (BRITO & SANTA’ANNA, 2007).
Falta de conscientização da população – um dos elementos causadores do assoreamento.
Foto: Londrina, 2011.
Segundo BRITO & SANT’ANNA (2007),
O assoreamento do lago Igapó é um processo que há muito tempo vem se repetindo, onde algumas vezes já foi feita a remoção do sedimento do lago, sendo que em curto período de tempo uma grande quantidade de sedimentos volta ao seu fundo. Isso ocorre porque não é feito um trabalho de identificação das causas do assoreamento, com base no qual se possa propor medidas que venham a diminuir a quantidade de sedimento remobilizado para dentro do lago (BRITO & SANTA’ANNA, 2007).
Segundo o Secretário de Obras do município de Londrina, Agnaldo Rosa (2011), o processo de assoreamento do Lago Igapó se iniciou há mais de cinquenta anos. O Secretário cita que os elementos causadores do assoreamento são à falta de conscientização da população londrinense que joga diariamente resíduos nas ruas, à falta de fiscalização nos terrenos sem muretas de proteção e nos materiais de construção e ao despejo irregular de esgoto, que não seguem o Código de Posturas do Município (sem calçadas, sem muretas e sem controle de erosão). Esses resíduos são levados pela água das chuvas até o lago passando pelos bueiros e tubulações, ou atingem o lago diretamente, devido à escassez de mata ciliar. Segundo o ambientalista, João Batista (2011), o lago Igapó 3 já possuiu mais de três metros de profundidade e hoje apresenta 20 centímetros, no máximo devido ao assoreamento (RPC, 2011).
Além dos elementos citados que causam o assoreamento do lago Igapó, segundo FRAZÃO (2009) os efluentes de tratamento de empresas alimentícias e os estabelecimentos de lavagem rápida de veículos que despejam resíduos nas galerias de escoamento de chuvas além centenas de ruas conectadas por bueiros que direcionam os resíduos e efluentes das ruas do município ao lago Igapó, aumentando seu nível de poluição e o assoreamento. Nessa esteira, óleos, graxas de carros, entulhos, areia de obras, calçadas destruídas ou em terra nua e resíduos jogados pela população nas ruas formam uma massa de poluição que atinge diariamente a Bacia do lago Igapó, diretamente ou pela alimentação de seus oito afluentes (FRAZÃO, 2009).
Diante deste contexto, pode-se concluir, portanto, que os principais elementos que contribuem para o assoreamento são:
Falta de conscientização da população por descartar resíduos nas ruas;
Falta de fiscalização em terrenos e armazenamento de materiais de construção sem muretas de proteção; e
Falta de dissipadores de energia adequados.
Segundo Elorza (2010), o lago Igapó em toda sua extensão encontra-se assoreado, sendo os lagos Igapó 3 e 4 os pontos mais críticos (ELORZA, 2010).
Será analisado o assoreamento do lago Igapó 2, 3 e 4. Vale lembrar que devido ao lago Igapó 1 não estar em um processo de assoreamento tão acelerado quanto os demais, não entrou neste estudo.
9.1 Lago Igapó 2
Segundo o ambientalista, João Batista Moreira de Souza, que monitora o Igapó e as demais bacias da cidade desde a década de 90 com a Patrulha das Águas, o Igapó 2 começou a sofrer impactos ambientais negativos com o crescimento do bairro Gleba Palhano, onde localiza-se o lago (ELORZA, 2010).
Como apontam BRITO & SANT’ANNA (2007),
A carga sedimentar encontrada no seu leito é transportada pelos rios que deságuam no lago, Ribeirão Cambé e o córrego Água Fresca, pelas diversas galerias de água pluvial e, com menor importância, o sedimento erodido das margens do próprio lago. Essa tendência foi também observada por Oliveira (1994), onde a influencia dos sedimentos de margem do reservatório é muito menor em relação aos sedimentos que vem de fora (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
Lago com poucos centímetros de altura.
Foi constatado em campo, em agosto de 2011, erosões fluviais laterais em alguns pontos das margens do córrego Água Fresca, que deságua no lago Igapó 2, o que contribui para o seu assoreamento. Ainda em campo, observou-se formação de ilhas de vegetação decorrentes do assoreamento no lago Igapó 2. Também foram detectados terrenos sem muretas de proteção com solo e materiais de construção expostos em ruas adjacentes ao lago, como na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, que percorre uma de suas margens, fator que também promove o assoreamento. Neste diagnóstico do lago Igapó 2, observou-se que o lago encontra-se com apenas alguns centímetros de altura, como pode-se observar na figura acima. Isso provoca seu maior aquecimento e menor capacidade de dissolver oxigênio, ocasionando em uma má qualidade de vida da biodiversidade lacustre.
9.2 Aterro do Lago Igapó 2
Com uma largura mais estreita, o Ribeirão Cambé percorre uma de suas margens enquanto o córrego Colina Verde deságua na outra margem. Devido a sua menor largura em relação aos outros lagos, ocorre uma maior sedimentação, encontrando-se em um estado crítico.
Materiais de construção expostos nas adjacências do aterro do lago Igapó 2.
Em campo, constatou-se ilhas de vegetação devido à sedimentação além de terrenos com materiais de construção e solo exposto sem mureta de proteção na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, que consiste na rua adjacente ao córrego Colina Verde. Foram vistos tubulações da rede de água pluvial desaguando na margem do córrego. Isso acarreta numa concentração de água, com alta energia, encontrando trechos de solo exposto localizado na margem, dando início a processos erosivos. Foram observadas árvores caída próximas ao córrego, haja vista que ao cair abre-se buracos, que com a ação das chuvas podem evoluir para ravinas.
9.3 Lago Igapó 3
Elorza (2010) ressalta que o lago Igapó 3 possui, devido ao processo de assoreamento, várias ilhas e penínsulas com vegetação de médio porte avançando pelas águas (ELORZA, 2010).
Ilhas de vegetação devido ao processo de assoreamento.
Foram observados em campo vários pontos nas margens do córrego Rubi de solo exposto, vulneráveis a processos erosivos. Além de erosão fluvial lateral em alguns pontos da margem do córrego. Também se constatou terrenos com solo exposto e materiais de construção sem muretas de proteção na Rua Bento Munhoz da Rocha Neto, paralela a uma das margens do lago Igapó 3. Observou-se, ainda, a falta de mata ciliar nas margens, principalmente na da rua citada acima. Árvores caídas também foram detectadas, o que indica a falta de monitoramento da área. Ao cair, deixa o solo exposto, vulnerável à erosão. Todos os elementos citados contribuem para o assoreamento do Lago Igapó.
9.4 Lago Igapó 4
Peixes com o dorso fora d’água.
O lago Igapó 4, considerado o mais prejudicado, está com sua lâmina d’água com apenas centímetros de profundidade, que acarreta na má qualidade de vida dos peixes, que se locomovem com seus dorsos fora d’água, e dos demais seres lacustres atingindo todos os ecossistemas existentes no local (ELORZA, 2010).
Material fino em suspensão na coluna d’água (turbidez).
Em campo constatou-se ilhas de vegetação avançada, resíduos jogados pelos londrinenses atingindo o lago e materiais de construção sem muretas de proteção na Rua Uberlândia, próxima ao Igapó 4. Além disso, detectou-se material fino em suspensão na coluna d’água (turbidez), que bloqueia a entrada de luz para o interior e assim, impede que a fotossíntese ocorra. Conseqüentemente, ocorre a diminuição da taxa de oxigênio dissolvido (OD). Também foram observados vários pontos ao longo das margens do córrego Baroré com erosão fluvial lateral e árvores caídas.
10 IMPACTOS AMBIENTAIS
10.1 Biodiversidade Lacustre
O processo de assoreamento atinge diretamente a biodiversidade lacustre. Sem controle e programas específicos de cuidados e monitoramento do que ocorre nas ruas, Londrina cresce e atinge diariamente os recursos hídricos e os animais que vivem nele e dele (FRAZÃO, 2009).
Segundo Francisco Striquer (2009), doutor em Ecologia e Recursos Humanos, após várias reformas e reestruturações do lago Igapó, a fauna lacustre do local tem se adaptado ao ambiente urbanizado por uma questão de sobrevivência. Vale lembrar que após percorrer o Lago Igapó, a água poluída de resíduos jogados pela sociedade londrinense segue seu curso no Parque Municipal Arthur Thomas, onde animais ameaçados de extinção como a irara (Eira Barbara) e a jaguatirica (Leopardus pardalis) bebem a água (FRAZÃO, 2009).
Segundo o presidente da ONG MAE – Meio Ambiente Equilibrado, Eduardo Panachão (2009), a biodiversidade aquática do lago Igapó, como os peixes, moluscos e algas, encontra-se com uma má qualidade de vida devido ao acúmulo de resíduos, óleos e poluentes no interior do corpo hídrico. Tais elementos são levados dos logradouros pelas as águas pluviais até o lago, passando pelas galerias pluviais. Além de contaminar a fauna aquática, Panachão (2009) enfatiza que aqueles que se alimentam dos peixes encontrados no Lago Igapó passam a acumular os poluentes em seu próprio organismo, ou seja, ocorre efeito cumulativo (FRAZÃO, 2009).
Além disso, a diminuição da lâmina d’água atinge, em especial, as aves aquáticas como as três espécies de martim-pescador (Megaceryle torquata, Chloroceryle americana e Chloroceryle amazona) e o biguá (Phalacrocorax brasilianus), existentes no Igapó que dependem do mergulho para abordar suas presas (SIGRIST, 2009).
Biguá (Phalacrocoraxbrasilianus) mergulhando para abordar sua presa.
Fonte: Lorenzo, 2011.
10.2 Eutrofização
Eutrofização consiste no aumento da quantidade de nutrientes, principalmente nitratos e fosfatos, resultante da poluição das águas por ejeção de adubos, fertilizantes, detergentes e esgoto doméstico sem tratamento prévio que provocam o aumento de minerais e, conseqüentemente, a proliferação de algas existentes na superfície do corpo hídrico. Essa camada espessa de algas na superfície hídrica impede a entrada de luz no interior da água, não sendo possível a realização da fotossíntese pelos organismos presentes nas camadas mais profundas, acarretando na morte das algas, a proliferação de bactérias decompositoras e o aumento do consumo de oxigênio por estes organismos. Este fenômeno resulta na escassez de oxigênio na água o que gera a mortandade dos peixes e os demais seres aeróbicos, danificando a biodiversidade aquática. A decomposição orgânica, na ausência do oxigênio, torna-se anaeróbica produzindo gases tóxicos, como sulfúrico, causador do cheiro forte característico do fenômeno. Vale dizer que a eutrofização promove a proliferação de inúmeras doenças causadas por bactérias, vírus e vermes (INFOESCOLA, 2009).
Esse fenômeno se destacou em 2003 e 2004 no lago Igapó 3 e 4, decorrente da contaminação por esgoto e aumento de resíduos que chegam até o lago através das águas pluviais (MENEGHEL, 2003; ARAÚJO, 2004).
Para recuperar a qualidade ambiental do lago Igapó reduzindo a magnitude dos impactos ambientais negativos é preciso aplicar um conjunto de medidas mitigatórias, que serão descritas a seguir.
11 MEDIDAS MITIGATÓRIAS
De acordo com Sánchez (2008), medidas mitigatórias (ou mitigadoras, ou ainda, de atenuação) “são ações propostas com a finalidade de reduzir a magnitude ou a importância dos impactos ambientais adversos” (SÁNCHEZ, 2008).
Para combater o assoreamento deve-se adotar um conjunto de medidas que reduzam a erosão. Dentre elas:
Manutenção da cobertura vegetal do solo, ou, na sua impossibilidade, proteção do solo com coberturas artificiais;
Obras hidráulicas que diminuam a velocidade das correntes, como escadas e obstáculos transversais ao longo do talvegue;
Construção de reservatórios ao longo da drenagem, que possam represar a água, o que, além de diminuir sua velocidade e volume, passam a se constituir em locais de deposição de sedimentos, evitando que cheguem ao local que se pretende proteger (DICIONARIO PRO, 2011).
Segundo João Batista (2010),
O que precisa: gestão, fiscalização e autuação, por parte da Prefeitura, e o envolvimento da comunidade. […] o povo tem que saber que a bituca de cigarro que ele joga na rua vai parar no Igapó. A maioria ainda confunde galeria pluvial com escoamento de esgoto. […] É preciso ser mais científico, conhecer os problemas, estabelecer metas, saber as diferenças de cada área. Uma microbacia é diferente da outra, tem problemas diferentes e precisa de soluções diferentes (BATISTA, 2010).
De acordo com o ambientalista, as cidades, de forma geral são gerenciadas de forma amadora e empírica. Além disto, para ele o Programa Ecometrópole, desenvolvido em parceria pelo Instituto Ecometrópole e diversos órgãos e entidade, além de ONGs ambientais da cidade, visa promover, dentre outros elementos, a conscientização ambiental da população londrinense, sendo esta uma das etapas para solucionar o assoreamento do lago Igapó (ELORZA, 2010).
11.1 Dragagem do Lago
Uma das sugestões, segundo o Secretário de Obras do município, Agnaldo Rosa (2011) e o ambientalista João das Águas consiste em dragar a terra para recuperar o leito, além de fiscalizar as obras no entorno visando evitar que os resíduos dos terrenos adjacentes com proteção inadequada se direcionem até o lago (RPC, 2011).
Fonte: Medeiros, 2011.
Rosa (2011) explica uma medida mitigatória para desassorear o lago Igapó, conforme o projeto estabelecido no início de 2011 na administração de Barbosa Neto, que visa colocar uma draga no lago, sendo que foi solicitado em janeiro de 2011 um orçamento a uma empresa especializada para a construção do equipamento. De maneira sucinta, de acordo com o secretário, o projeto consiste em colocar uma draga com uma bomba cascalho – como se faz extração de areia – em toda bacia do Ribeirão Cambé, principalmente nos locais mais críticos, e com o auxílio de um banco de dados e levantamentos da Ecometrópole, o desassoreamento ocorrerá com o tempo, sendo que os resíduos acumulados serão dragados aos poucos para fora do lago. Rosa (2011) ressalta que o projeto não deve apenas ser administrado na gestão atual do prefeito Barbosa Neto, mas também deverá ter continuidade nas futuras gestões para evitar que o lago volte a assorear, “já que não é apenas um cartão postal da cidade londrinense, é um dos maiores patrimônios de nossa cidade”, afirma (RPC, 2011).
Porém, João das Águas afirma:
Dragar o Igapó não é a solução se não for feito um gerenciamento dos problemas. Que adianta gastar milhões se o processo vai continuar? Temos que fazer a chamada solução na origem (ELORZA, 2010).
11.2 Fiscalização dos Terrenos
Segundo o Secretário de obras do município, Agnaldo Rosa (2011), para solucionar a questão dos terrenos sem mureta além dos materiais de construção deixados em calçadas sem proteção, é preciso haver a cobrança dos proprietários de cumprir a legislação vigente através de multas e notificações. O Secretário (2011) ressalta que, devido ao início do Ribeirão Camé ser próximo a PR – 445 com a BR – 369, essa fiscalização deve ser feita desde este local até a foz do rio Tibagi, abrangendo a bacia do ribeirão Cambé, e suas microbacias, Rubi, Água Fresca, Colina Verde além das demais que a compõe. Rosa afirmou à RPC em janeiro de 2011 que além das ações da prefeitura será realizada uma campanha solicitando que os proprietários cuidem de maneira adequada de seus imóveis (RPC, 2011).
Materiais de construção desprotegidos de mureta na Rua Uberlândia, próximo ao Igapó 4.
Barros (2010), presidente do Consemma (Conselho Municipal do Ambiente de Londrina), afirmou que o conselho recomendará o cumprimento da legislação ambiental, exigindo que a prefeitura fiscalize e multe os proprietários cujas obras e terrenos vazios não estiverem em conformidade com as determinações do Código de Posturas do Município (nº 4.607/90) (BARROS, 2010 apud ELORZA, 2010).
Segundo a lei nº 4.607/90 em seu artigo 50:
É proibido embaraçar ou impedir, por qualquer meio, o livre trânsito de pedestres ou de veículos nas ruas, praças e passeios, exceto para efeito de obras públicas ou quando exigências policiais o determinarem.
§ 2º Sempre que houver necessidade de se interromper o trânsito, deverá ser colocada sinalização claramente visível de dia e luminosa à noite (Lei nº 4.607/90).
O artigo 51 da mesma lei continua:
Compreendem-se na proibição do artigo anterior o depósito de quaisquer materiais, inclusive de construção, entulhos e podas de árvores e jardins.
§ 1º Tratando-se de materiais que não possam ser depositados diretamente no interior dos prédios ou dos terrenos, serão toleradas a descarga e permanência na via pública, com o mínimo prejuízo ao trânsito, por tempo estritamente necessário à sua remoção, não superior a seis horas (Lei nº 4.607/90).
No que diz respeito à preparação de reboco ou argamassa em calçadas o artigo 53 determina:
Não será permitida a preparação de reboco ou argamassa nas vias públicas, senão na impossibilidade de fazê-lo no interior do prédio ou terreno. Neste caso, só poderá ser utilizada a área correspondente à metade da largura do passeio e sem prejuízo para o trânsito de pedestres (Lei nº 4.607/90).
Em relação ao transporte de materiais como terra, entulho, areia, dentre outros, o artigo 54 aponta:
Todo aquele que transportar detritos, terra, entulhos, areia, galhos, podas de jardim e outros, e os deixar cair sobre a via pública transitável, fica obrigado a fazer a limpeza do local imediatamente, sob pena de multas e apreensão do veículo transportador.
Parágrafo único. No caso de colocação dos referidos materiais na via pública para serem removidos, o prazo será de seis horas no máximo, e não poderão ser colocados próximos as bocas-de-lobo, de maneira a comprometer a captação de águas pluviais (Lei nº 4.607/90).
No caso dos terrenos o artigo 111 da mesma lei estabelece:
Os proprietários de terrenos, dentro dos limites da cidade, vilas e povoados devem manter os quintais, pátios, datas, lotes e terrenos em perfeito estado de conservação e manutenção e manter os terrenos murados e calçados, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 4.607/90).
O artigo n°154 da mesma lei institui:
Os proprietários de terrenos são obrigados a murá-los ou cercá-los e a executar e conservar o respectivo passeio dentro dos prazos fixados pela Prefeitura”. Em seu artigo 156 reza: “Os terrenos da zona urbana serão fechados com muros, rebocados e caiados, ou com grades de ferro ou madeira, assentados sobre alvenaria, devendo em qualquer caso ter uma altura mínima de um metro e trinta centímetros (Lei nº 4.607/90).
11.3 Bueiros Ecológicos
Segundo Elorza (2010), o Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma) cobrará do Município o cronograma para a substituição de todos os bueiros e bocas de lobo atuais pelos bueiros ecológicos, que retêm a maior parte da terra e dos resíduos que se direcionam ao Igapó. A retenção dos resíduos acontece devido ao revestimento de pedras no fundo dos bueiros para que a água infiltre no solo ao invés de serem apenas de concreto. A instalação desses bueiros, segundo o presidente do Consemma, Fernando Barros (2010), vai amenizar o assoreamento do lago (ELORZA, 2010).
Vale dizer que em 2007, de acordo com FRAZÃO (2007) o projeto Bacia-Escola Água Fresca, constituído pelo Ministério Público, Conselho Municipal, ONGs ambientais e Consemma, efetuou a instalação de bueiros ecológicos na Rua Goiás de Londrina. A principal idéia era construir bueiros de ecologicamente corretos, diferente dos atuais, com a função de reter o lixo jogado nas ruas pela população antes que chegasse ao Córrego Água Fresca, afluente do Lago Igapó. “A iniciativa vai nos permitir rios mais limpos e com melhor qualidade”, ressaltou a promotora Solange Vicentin (2007). A cada chuva os resíduos jogados pelos londrinenses se direcionam pelo subterrâneo pelas galerias não só até o Córrego Água Fresca, mas atingem também os 84 córregos da cidade. Segundo o ambientalista João Batista de Souza (2007):
Geralmente o que interessa numa obra é o custo financeiro e a drenagem tornou-se um sistema que transforma os nossos rios e lagos em verdadeiras lixeiras a céu aberto após as chuvas. É a retenção da poluição na origem. Assim grande parte dos resíduos, como brita, areia, dejetos, deixará de ir diretamente para o rio (SOUZA, 2007).
Segundo FRAZÃO (2007), os bueiros ecológicos têm um maior comprimento, de até três metros, com uma grade que possa ser aberta, onde uma espécie de lixeira interna impede a entrada do lixo e possibilita a passagem apenas da água (FRAZÃO, 2007).
Como aponta o engenheiro Fernando Barros (2007):
A poluição dos rios pelas águas pluviais é tão grave quanto a do esgoto. Nós engenheiros temos que mudar a nossa forma de pensar. Sou engenheiro e não dá mais para aprender na faculdade ou fazer bocas-de-lobo como há 30, 40 anos. É arcaico demais (BARROS, 2007).
11.4 Recuperação ou Reposição da Mata Ciliar
Mata ciliar consiste na formação vegetal localizada no entorno dos rios, córregos, lagos, represas e nascentes, ou seja, localizada nas margens dos corpos hídricos. A mata ciliar também é conhecida como mata de galeria, mata de várzea, vegetação ou floresta ripária. “Mata ciliar é uma área de preservação permanente obrigatória” (GOVERNO DO PARANÁ, 2011), que desde 1965 estão incluídas na categoria de áreas de preservação permanente (APPs) pelo Código Florestal (Lei n° 4.771/65). Como se observa na Figura 11.4, a largura da faixa de mata ciliar a ser preservada está relacionada com a largura do curso d’água. A vegetação natural (arbórea ou não) existente ao longo das margens dos rios, e ao redor de nascentes e de reservatórios, deve ser preservada de acordo com essa legislação, que em várias ocasiões não foi cumprida, como no caso do lago Igapó, que possui uma mata ciliar escassa (GOVERNO DO PARANÁ, 2011; LICENCIAMENTO AMBIENTAL, 2011).
Segundo o artigo 2°, inciso II, da RESOLUÇÃO CONAMA nº 302/02, a área de preservação permanente é:
a área marginal ao redor do reservatório artificial e suas ilhas, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem estar das populações humanas (CONAMA, 2002).
Ainda nesta mesma legislação, seu Artigo 3° define:
Constitui Área de Preservação Permanente a área com largura mínima, em horizontal, no entorno dos reservatórios artificiais, medida a partir do nível Maximo normal de: I – trinta metros para os reservatórios artificiais situados em áreas urbanas consolidadas e cem metros para áreas rurais (CONAMA, 2002).
Lei n° 4.771/65: Largura da faixa de mata ciliar a ser preservada relacionada com a largura do curso d’água.
Fonte: GOVERNO DO PARANÁ, 2011.
Como aponta Elorza (2010), o lago Igapó foi formado antes do Código Florestal, sem exigência das áreas de preservação permanente (APPs), que consiste na mata ciliar que protegeria as margens. Segundo a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, “Se não se cria barreiras de contenção, a tendência é de se juntar ali uma maior quantidade de água pluvial. No Igapó, como lago urbano, é muito complicado barrar tudo isso” (ELORZA, 2010).
Segundo as dimensões apresentadas na figura acima, o lago Igapó se encaixa entre 10 a 50 metros por ter larguras diferentes em toda sua extensão, tendo que possuir de 30 a 50 metros de mata ciliar dependendo da área (GOVERNO DO PARANÁ, 2011).
A alta concentração de pavimentação em conjunto com a escassez de mata ciliar em todo o entorno do lago Igapó faz com que aumente o escoamento superficial das águas pluviais, diminuindo sua infiltração no solo e assim, diminui o armazenamento no lençol freático. Desta maneira, reduze-se o volume de água disponível no subsolo e acarreta em enchentes nos córregos, rios e os riachos durante as chuvas (LICENCIAMENTO AMBIENTAL, 2011).
Em relação ao assoreamento do lago Igapó, a mata ciliar é essencial para evitá-lo, pois sem ela, as águas pluviais transportam o solo das margens erodidas para dentro do lago, causando o assoreamento e os sólidos em suspensão acarretam em danos ambientais. Vale dizer também que o processo de erosão dos solos se agrava devido, principalmente, à ocorrência de enchentes nas épocas de chuva. Pode-se concluir, portanto, que a mata ciliar é de suma importância para a qualidade da água do lago, pois reduz a erosão das margens e conseqüentemente o assoreamento, cujo acúmulo de resíduos danifica a biodiversidade lacustre. Vale acrescentar que a mata ciliar se recuperada e preservada, torna-se um corredor ecológico para a biodiversidade local que passa a garantir seu fluxo gênico (LICENCIAMENTO AMBIENTAL, 2011).
Recomposição da mata ciliar no Igapó IV pela UTFPR e IEIJ em junho de 2011.
Desde sua inauguração, foram realizados alguns projetos de recuperação da mata ciliar do lago Igapó, porém sem muitos resultados. Um exemplo foi a atividade desenvolvida no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho) de 2011 com o objetivo de recuperar a mata ciliar do lago Igapó IV e despertar a conscientização e sensibilização ambiental da população. Foram plantadas 200 mudas de espécies de árvores nativas na margem do lago por alunos de Técnico em Controle Ambiental e Engenharia Ambiental da UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná – e pelos alunos do ensino infantil e fundamental do IEIJ – Instituto de Educação Infantil e Juvenil. Porém, com a falta de monitoramento poucas mudas sobreviveram (AGUILLERA, 2011).
11.5 Plano Diretor e Ocupação Imobiliária
A ocupação imobiliária da região em volta do lago contribui para o seu rápido assoreamento, sendo a fiscalização da Prefeitura a ação fundamental para evitar que isso ocorra. Porém, segundo Elorza (2010), “não é possível exigir que as construtoras assumam a responsabilidade de resolver o problema já instalado sem que, de fato, se comprove uma infração ambiental.” Solange Vicentin, promotora de Defesa do Meio Ambiente, afirmou que é preciso que os órgãos de fiscalização identifiquem a infração e encaminhem a ela para que possa tomar medidas necessárias. “Mas eu preciso de um fato concreto. Poluição difusa é muito complicado identificar a fonte”, explica Vicentin (2010) (ELORZA, 2010).
Como aponta BRITO & SANT’ANNA (2007),
Os principais problemas de urbanização estão na falta de planejamento adequado na concepção de cidades, sendo que isso ocorre, uma vez que o parcelamento do solo e a implantação de infra-estrutura para suprir as demandas urbanas, são feitas de maneira acelerada. O papel do plano diretor ainda é visto somente como instrumento para traçar um zoneamento de ocupação, sem tocar nas peculiaridades do meio como: suscetibilidade a erosão e assoreamento, identificação de áreas de risco, monitoramento de qualidade e balanço hidrogeológico, entre outros. Cabe aos analistas ambientais indicarem a importância desses fatores para que sejam traçadas novas diretrizes que contemplem o plano diretor com uma nova visão de ocupação do ambiente urbano (BRITO & SANT’ANNA, 2007).
11.6 Limpeza do Lago
A limpeza dos lagos é realizada freqüentemente através de terceiros contratados pela prefeitura municipal para fazer a limpeza do lago como mostra a figura a seguir. Através da limpeza, resíduos que foram descartados pela população e levados através das galerias pluviais até o lago além de elementos que atingiram o lago de forma natural como folhas e galhos, são retirados do corpo hídrico manualmente, amenizando o assoreamento.
Terceiros contratados pela prefeitura para a realização da limpeza do lago.
Diante do presente trabalho, ao analisar o histórico do lago Igapó e o diagnóstico realizado de sua situação atual, pode-se concluir quais são as medidas mitigatórias para amenizar o assoreamento, sendo que algumas já foram executadas e outras ainda estão apenas em projetos.
Vale lembrar que a criação do lago tem sua raiz no represamento do córrego para solucionar o problema de enchentes nesse local somado a ideia de criar um espaço público para os londrinenses. Nos anos seguintes passou por um processo de desvalorização e devido à implantação de infra-estruturas, vias de acesso e a construção do Shopping Catuaí, o lago Igapó virou um espaço natural de lazer e para práticas esportivas, obtendo certa valorização. O lago já foi desassoreado duas vezes, porém o processo de assoreamento continua e de forma acelerada, pois praticamente não são efetuadas medidas para seu controle. Analisando seu histórico e com base diagnóstico feito em campo nos lagos 2, 3 e 4 e em seus afluentes, podem-se levantar alguns pontos que contribuíram para o assoreamento no lago.
Convém lembrar que o assoreamento consiste na deposição de sedimentos detríticos em uma área rebaixada, sendo que a sedimentação é resultado principalmente de processos erosivos. Foram detectados processos erosivos em alguns pontos das margens dos lagos e de seus afluentes além de pouca concentração de mata ciliar, suscetibilizando o solo à erosão.
Terrenos com solo exposto e materiais de construção civil como areia e brita, sem muretas de proteção, também foram detectados em áreas adjacentes ao lago e aos seus afluentes, haja vista que o solo exposto é vulnerável à erosão. Estes materiais de construção e partículas de solo, além de outros resíduos, são carregados pelas águas pluviais que se direcionam através de tubulações até os lagos e seus afluentes, onde ocorre sua sedimentação e, consequentemente, seu assoreamento.
Devido ao crescimento urbano em conjunto com a falta de planejamento de instalação de bueiros e sua estrutura, a falta de conscientização da população em relação aos aspectos ambientais da cidade somado a falta de projetos e campanhas para conscientizá-la, o assoreamento do Lago Igapó, o cartão postal de Londrina, se agrava. Além disso, vale citar a falta de fiscalização dos terrenos para ficarem em conforme com a legislação vigente, a falta de mata ciliar nas margens do lago, a falta de práticas de conservação do solo e recuperação de áreas degradadas, dentre outros elementos.
Para desassorear o lago Igapó é necessário efetuar um conjunto de medidas mitigatórias, não só no lago Igapó, mas em todo o ribeirão Cambé e em seus afluentes, que irão reduzir a magnitude ou a importância dos impactos ambientais adversos. Deve-se fazer um mapeamento e estabilização de erosões, instalação de bueiros ecológicos, monitoramento da vegetação de suas margens e recomposição da mata ciliar de todo o lago Igapó e de seus afluentes – para evitar ocorrência de solapamentos de margem. Além disso, é preciso que haja a fiscalização em terrenos e materiais de construção desprovidos de muretas, campanhas de conscientização e dragagem do lago.
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Publicado em LONDRINA, MARIANA P. LORENZO | Etiquetado Assoreamento, Bueiros ecológicos, Causas do assoreamento, Código de Posturas do Município (nº 4.607/90), Código Florestal (Lei n° 4.771/65), Consequências do assoreamento, Draga, Dragagem, Erosão fluvial, Erosão Pluvial, Fiscalização de terrenos, Foto por Mariana Lorenzo, História do lago Igapó, Histórico do lago Igapó, Ilhas com vegetação, Lago Igapó, Londrina, Mata Ciliar, O Igapó É Nosso!, Poluição, Processo de assoreamento, Programa Ecometrópole, Resolução CONAMA nº 302/02, Revitalização do lago Igapó, Ribeirão Cambé | 9 Comentários
em J 21-03:00 maio 21-03:00 2012 às 11:11 pm | Responder Zaka
Parabéns pelo trabalho Mariana. Sem dúvida possui uma grande relevância social para o povo londrinense. Estamos até hoje esperando a tal da draga de desassoreamento e até agora nada!
A situação do Igapó 4 é de dar pena, ali o lago provavelmente deixará de existir nos próximos anos se nada for feito.
No mais, fantástico o levantamento histórico e as fotos. Tinha muita coisa que eu não sabia!
Um grande abraço e parabéns novamente. Torço para que esteja dando continuidade a este trabalho, de alguma forma.
em J 21-03:00 maio 21-03:00 2012 às 11:23 pm | Responder Zaka
Parabéns pelo trabalho Mariana. Não sei se meu outro comentário foi aceito pelo sistema, então comentarei novamente. Sem dúvida, O Lago Igapó é de grande relevância social para todo o povo da região londrinense. Como você mesma citou, mais do que um símbolo turístico para a cidade, possui uma grande importância no equilíbrio ambiental da região.
E a tal da draga que até hoje não saiu do papel eim? Parece que vai ficar só na enrolação mesmo. Enquanto esvaziam o lago 2 de tempos em tempos para desassoreamento, o lago 3 e 4 estão agonizando, principalmente este último, que, acredito eu, deixará de existir nos próximos anos se nada efetivo for feito. Restará apenas um córrego estreito original naquela região.
A história do aterro do Igapó 2 eu também não conhecia! Quer dizer que onde estão aquelas quadras de areia e espaço para lazer antes era ocupado pelo lago? Será que alguém tem alguma foto daquela região antes do aterramento?
No mais, parabéns novamente pelo estudo Mariana, torço para que consiga e tenha intenção de dar continuidade a este maravilhoso trabalho.
em J 20-03:00 junho 20-03:00 2012 às 6:46 pm | Responder vitor
muito bom seu material e conteúdo, gostaria de saber mais sobre as reformas do lago em 2001 e tambem sobre a construçao da barragem se possivel ver algumas fotos.
grato Vitor !
em J 26-03:00 janeiro 26-03:00 2013 às 12:31 am | Responder idebenone
O professor de hidrogeografia da Universidade Estadual de Londrina, Geraldo Terceiro Correa, afirmou que o lago pode transbordar novamente se providências não forem tomadas. Segundo o docente, o assoreamento é apenas um dos aspectos que precisam ser pensados, pois os alagamentos têm outras fontes.
em J 26-03:00 janeiro 26-03:00 2013 às 7:12 am | Responder website seo
em J 22-03:00 janeiro 22-03:00 2017 às 4:34 am | Responder Paulo Dos Santos
Muito interessante seu trabalho! Parabéns! Em suas pesquisas, você encontrou algo que sugerisse se naquela época, o Ribeirão Cambé já possuía esse nome? A maior incógnita que ficou, daqueles anos, é: Por que Cambé?
em J 23-03:00 janeiro 23-03:00 2017 às 12:32 pm | Responder Mariana Lorenzo
Deve ser por causa de sua nascente, que se encontra no trevo das estradas Londrina/ Cambé – São Paulo/ Curitiba. Vai ver naquela época, ali se predominava o município de Cambé e assim o ribeirão ficou conhecido como Ribeirão Cambé.
em J 10-03:00 fevereiro 10-03:00 2017 às 11:42 am | Responder Claudemir de Oliveira
Muito bom parabéns por esse trabalho,eu só gostaria de saber porque as mansões construídas as margens do Lago Igapó,não são também notificadas a sai de lá já que é área de preservação ambiental? Quem são os tão poderosos que ale moram e que ninguém consegue fazer a desocupação daquela área.
em J 23-03:00 fevereiro 23-03:00 2017 às 8:44 pm | Responder Mariana Lorenzo
Na época em que foram construídas não havia fiscalização e a população e até mesmo prefeitura e órgãos ambientais não tinham muita (ou nenhuma) conscientização da lei da APP e nem conhecimento dos impactos que a construção de residencias nas margens do lago poderiam trazer ao lago.

References: artigo 50
 artigo 51
 artigo 53
 artigo 54
 artigo 111
 artigo 156
 artigo 2
 Artigo 3