Source: http://viasfacto.blogspot.com/2012/12/
Timestamp: 2019-06-16 23:50:52+00:00

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Vias de Facto: Dezembro 2012
às 23:33 14 comentários Hiperligações para o post
Está a ter uma grande repercussão na Alemanha a obra de um arquitecto e engenheiro estónio, em que a situação económica é analisada numa perspectiva semelhante à da maioria dos sectores patrióticos e anti-imperialistas do sul da Europa. Parece-nos que basta esta passagem para chamar a atenção, mas se os leitores estiverem interessados forneceremos o link para a obra completa.
«Actualmente a ciência da bolsa e das finanças tornou-se um jogo com valores fictícios, um mágico ilusionismo de números, com que certos meios provocam uma distorção sistemática na passagem da produção para a comercialização. Os donos da bolsa recorrem hoje à hipnose de massas, adulterando as notícias, para gerar reacções de pânico. Excitam deliberadamente todos os impulsos patológicos, e a vida económica, que era uma actividade saudável de trocas, deu lugar a uma arbitrariedade e uma decomposição generalizadas. [...] As perturbações económicas sofridas por todos os povos nórdicos resultam das tentativas de subordinar o seu modo de vida a estas manipulações [...] contranatura, baseadas em instintos meramente parasitários. Se acabar por ter êxito, este processo há-de destruir completamente todas as nossas condições naturais de vida».
às 20:20 6 comentários Hiperligações para o post
Etiquetas: Capital financeiro, Economia, Finanças
mas não fazia mal pensei pois me bastava olhar
(Transporte no Tempo, 1973)
às 21:41 2 comentários Hiperligações para o post
[Via Passa Palavra]
às 02:14 0 comentários Hiperligações para o post
"It is not an exaggeration to claim that Greece is a debt colony now, shackled to its lenders."
Onde estão as multidões em fúria, por essa Europa fora, com o tratamento que está a ser dado aos habitantes da região grega? O que mais é preciso acontecer-lhes para que tal ocorra? Irá o Syriza, quando chegar ao governo do Estado grego, apertar um pouco mais os grilhões em nome duma estratégia de que se não vê sinais de ser viável?
às 11:41 2 comentários Hiperligações para o post
(o meu artigo no i de ontem)
Contra ambos os mapas, há quem venha sugerindo a hipótese de um mapa universal (por contrário às identificações nacionais e patrióticas que ameaçam medrar a partir das linhas do segundo mapa) e antagonista (por contrário à ilusão de uma paz social liberal que obedece ao sonho do primeiro mapa). O trabalho de Sandro Mezzadra, autor de “Direito de Fuga” (recentemente publicado em português), tem justamente apelado à capacidade de elaborarmos mapas capazes, por um lado, de diagnosticar o desenvolvimento a um tempo diferenciado e combinado de uma economia contemporânea que cria terceiros mundos no interior do primeiro e vice-versa; e mapas capazes, por outro lado, de mobilizar as forças e vontades susceptíveis de vencer essa economia. Neste sentido, mais que de um território global ou de mil e um territórios nacionais, precisaríamos de um mapa que tanto desse conta das ligações que fazem circular e fixar coisas e pessoas ao ritmo dos lucros privados e dos interesses estatais, como iluminasse relações determinadas por outras morais que não a do capitalismo e a do nacionalismo.
às 17:34 10 comentários Hiperligações para o post
As preocupações de Luís M. Jorge nas Londres, já que nem todos declinam o que lhes vai na alma em palavras que tão bem caem ao seu vício de ousar pensar
Recomenda-se, no Declínio e Queda, a leitura na íntegra, é claro.
É certo que os pobrezinhos ingleses me pareceram mais gordinhos, mais rosados do que os nossos, e gostei de vê-los trajando de Pai Natal à porta dos grandes armazéns, exibindo a sua fé inabalável na caridade, que é fruto do amor, e um saudável desprezo pelo estado social, que é fruto do comunismo. Enquanto tivermos connosco os tontos, os bêbados e os andrajosos haverá sempre esperança para a doce utopia liberal. Mas não é fácil ser missionário tão longe da pátria.
às 19:54 1 comentários Hiperligações para o post
Um assunto a que ninguém tem ligado muito foram as eleições japoneses (e eu também só liguei depois de ler isto).
O sistema eleitoral japonês é confuso (é um sistema misto, em que alguns deputados são eleitos em círculos maioritários e outros em círculos uninominais e cada eleitor tem dois boletins de voto), mas nos resultados dos círculos proporcionais em primeiro lugar ficaram, com 27%, os conservadores tradicionais (e cada vez mais nacionalistas, sobretudo sobre a actual liderança de Shinzō Abe) do chamado Partido Liberal Democrata, e em segundo, com 20%, a extrema-direita do Partido da Restauração. Com os resultados dos círculos uninominais, os Liberais Democratas têm uma maioria sólida, provavelmente ultrapassando os 2/3.
Estes resultados (e primeiro lugar, com uma maioria esmagadora de deputados, um partido conservador-nacionalista, em segundo* a extrema-direita) fazem-me lembrar a Hungria, e quem sabe que mais se seguirão.... (a titulo de curiosidade, no período inter-guerras certos nacionalistas húngaros e japoneses chegaram a ter uma colaboração significativa, baseada em mitos de origens étnicas comuns).
*na Hungria a extrema-direita está em terceiro, mas a diferença não é muita; e de qualquer forma, nos circulos uninominias, a extrema-direita japonesa também ficou em terceiro
às 19:31 1 comentários Hiperligações para o post
Ainda sobre saida do euro, desvalorização e salários
A respeito deste debate entre Octávio Teixeira, o nosso João Valente Aguiar e João Rodrigues, alguns apontamentos:
- Realmente, uma desvalorização de 30% do "novo escudo" face ao euro não iria originar uma quebra dos salários reais em 30%; mas pelos meus cálculos iria originar uma redução do poder de compra em 18%. como chego a este valor? Se o "escudo" desvalorizar 30%, os preços dos produtos importados irá aumentar 43% (já que uma desvalorização de 30% do escudo face ao euro significará uma valorização de 43% [1/0,3 - 1] do euro face ao escudo); como penso que importamos para aí metade do que consumimos, uma subida de 43% do preços das importações levará para aí a uma subida de 21,5% do nível geral de preços; se os preços subirem 21,5%, os salários reais - se os nominais se mantiverem constantes -baixam 18% [1/1,215 - 1].
- O João Rodrigues argumenta que "só se a taxa de crescimento dos salários nominais fosse nula, hipótese pouco plausível"; mas a ideia da desvalorização da moeda é exactamente fazer baixar os custos (medido em moeda estrangeira) das empresas exportadoras (ou seja, o salário dos seus trabalhadores mantêm-se o mesmo na moeda nacional, mas como a moeda nacional desvaloriza, os produtos da empresa ficam mais baratos medidos em "moeda internacional" e a empresa "ganha competitividade"). Ora, se a desvalorização da moeda for acompanhada pelo aumento dos salários nominais é inútil nesse aspecto. Por outras palavras, se a desvalorização da moeda for acompanhada por um aumento dos salários nominais, a desvalorização terá que ser ainda maior ("comendo" esse aumento nominal) para ter efeito.
às 13:05 6 comentários Hiperligações para o post
A ciclovia do nacionalismo: resposta a João Rodrigues (excertos)
No blog Ladrões de Bicicletas (leia aqui) o economista João Rodrigues apresentou uma crítica à primeira parte do meu artigo “A minhoca e a maçã. A esquerda nacionalista e o euro”. Para quem se interessar, a segunda parte que trata dos efeitos económicos e políticos à escala internacional de uma saída portuguesa ou grega do euro pode ser encontrada aqui.
Entretanto, publico aqui excertos da referida resposta a João Rodrigues que foi publicada hoje no Passa Palavra.
«O centro da minha crítica ao artigo de Octávio Teixeira, e que João Rodrigues deixou completamente à margem no seu texto: a saída do euro não representaria o fim da austeridade mas o seu aprofundamento, precisamente porque uma industrialização fora do euro implicaria o reforço dos mecanismos da mais-valia absoluta. E isto por duas razões fundamentais. E aqui repito o que já tinha dito na primeira parte do meu artigo e que JR passou completamente por cima:
Por um lado, o financiamento externo em euros ou dólares para a compra de maquinaria de alta intensidade tecnológica, de matérias-primas e mesmo de alimentos e produtos de consumo corrente seria muito mais caro, fruto da desvalorização cambial do escudo. A isto somar-se-iam taxas de juro elevadíssimas nos mercados de dívida. Se a economia portuguesa na actual situação já tem pouca credibilidade internacional junto dos investidores, sem o euro como a segunda moeda de reserva mundial e sem o Banco Central Europeu como entidade de garantia de última instância, a situação seria ainda pior do que já é hoje.
No entanto, a via preferida pela esquerda nacionalista não seria esta, mas a da emissão nacional e “soberana” de moeda nacional. Com efeito, a via da emissão de moeda para compensar essa ausência de crédito externo elevaria a já mencionada taxa de inflação de 8-9% a níveis estratosféricos, o que só contribuiria para desacelerar ainda mais a actividade económica. Octávio Teixeira fala numa inflação de 8 a 9% no caso de uma saída do euro e tomando como base a emissão de moeda nacional para cobrir os actuais gastos do Estado e actuais necessidades de financiamento da economia. Na realidade, isto não bate certo com a sua proposta de reindustrialização fora do euro. Se o país se reindustrializasse fora do euro e sem acesso aos mercados de dívida pública, a verdade é que, por exemplo, a necessidade de incrementar a compra de maquinaria de alta e de média-alta intensidade tecnológica e a reestruturação do parque industrial português exigiriam somas imensas de emissão de moeda. [Acrescento agora que o crescimento da emissão de moeda seria muito superior aos ganhos de produtividade, na medida em que esta não se poderia desenvolver fortemente num quadro de saída do euro]. O que, por seu turno, se reflectiria numa inflação muito superior aos tais 8 a 9% de que fala OT [e que JR subscreve]. Portanto, não só o acesso aos mercados financeiros seria inviável como a emissão maciça de moeda nacional não poderia corresponder a uma alternativa economicamente sustentável.
Não é por acaso que a primeira parte do meu artigo parte da produtividade e não da questão da desvalorização, como Octávio Teixeira e JR fizeram. Enquanto a desvalorização cambial recairá sobre os salários dos trabalhadores e apenas ajudará o sector exportador da burguesia, a abordagem desta questão a partir da produtividade coloca o problema do desenvolvimento do capitalismo no quadro da mais-valia relativa. Ao mesmo tempo, a abordagem da mais-valia relativa não é de todo irrelevante, pois foi no quadro desta (e contra ela) que as mais importantes lutas operárias dos últimos 50 anos se desenvolveram. Foi contra o fordismo plenamente desenvolvido e altamente produtivo para as condicionantes da época que no Maio de 68 ou no Outono Quente italiano se desenvolveram e se colocaram as lutas sociais num plano novo de rejeição da produção capitalista.
A conversão do antagonismo classista numa luta entre nações: nações proletárias contra as nações plutocráticas.
Quem defendeu esta tese no passado e quem a está a difundir nos dias de hoje?
É a partilha de ambiguidades políticas que torna possível a circulação de temas e de teses entre extremos do panorama político.
Eu e vários outros autores temos falado dos riscos económicos e também políticos de uma saída do euro. E aqueles que dizem que o fascismo está na zona euro estão a confundir empobrecimento com aquele fenómeno político. Na verdade, o fascismo é muito mais do que um regime repressor e autoritário. Se assim fosse, todos os regimes da modernidade seriam, em maior ou menor grau, fascistas… Para a tipologia política, os critérios da repressão e do empobrecimento são muito escassos. O fascismo é, para simplificar a minha abordagem, a utilização de um movimento de massas desarticulado e sem um grau mínimo de auto-organização, em prol de uma reorganização do capitalismo sobre novas bases. Geralmente o fascismo constitui-se a partir de uma aliança dos trabalhadores com os capitalistas “produtivos” contra a finança, para regenerar a nação. E é este ponto que a esquerda, representada pelo PCP em Portugal, e a extrema-direita um pouco por toda a Europa parecem estar apostadas em concretizar: devolver a soberania nacional às forças vivas e produtivas da sociedade portuguesa (italiana, grega, etc.) contra os ocupantes alemães e os seus feitores. Não estou com isto a pretender que o PCP é fascista. Estou a dizer que a partilha de elementos comuns entre as forças políticas declaradamente fascistas e a esquerda herdeira do Cominform deveria ser objecto de reflexão. É daí que surgem os fascismos. Fascismos que podem perfeitamente depois engolir as forças que à esquerda ajudaram a defender a nação contra a Europa.
às 11:25 11 comentários Hiperligações para o post
Etiquetas: Federalização, internacionalismo, Nacionalismo, Saída do Euro
Guns & Amo de Filipe Nunes Vicente: não é todos os dias que um post põe tão a nu os nossos
O nível actual do pensamento infantil-mediatizado: Se restringirem a posse de armas, os massacres acabam / A existência de armas é a causa para os massacres.
Em Portugal existe mais de um milhão de caçadeiras legalizadas. Deve haver uns dez massacres por ano. Se os americanos deixarem de ter acesso fácil a armas, os psicopatas vão passar a usar fisgas.
Na ausência de um mecanismo superegóico de controlo ( o machista e psicanalítico, o derivado da cultura judaico-cristã etc), os povos viram-se para a magia. Os Omaha ( Turner-High) acreditavam que o wakanda decretara o fim da guerra , do ódio e da vingança e que os povos tinham de se submeter. Acontece que os Omaha acreditavam também na superioridade da lei natural, que via a guerra como anti-vida e o casamento como pró-vida: assim, um homem que fosse para a guerra ficava a seco.
Como já só acreditamos no período sensório-motor da infância, a magia consiste num fetichismo ( feitiço) lançado sobre as clavas ( as armas): se estiverem enterradas, ficam enterradas.
às 14:20 10 comentários Hiperligações para o post
às 19:59 1 comentários Hiperligações para o post
O João Valente Aguiar não precisa de apresentação junto dos leitores do Vias de Facto, dada a frequência com que as suas tomadas de posição, não raro polémicas, têm sido objecto de discussão entre vários colaboradores deste blogue — ou directamente formuladas pelo próprio João nas caixas de comentários dos nossos posts.
Mas, se o seu nome dispensa apresentações, nem por isso podemos deixar de saudar e noticiar aqui que a sua pessoa passa a partir de hoje a fazer parte da tripulação do Vias e a assumir a sua quota-parte de responsabilidades na sua aventura.
Bem-vindo a bordo, João!
às 17:39 3 comentários Hiperligações para o post
às 16:24 5 comentários Hiperligações para o post
O João Valente Aguiar (I e II), o João Rodrigues e o Jorge Bateira (I e II) publicaram recentemente textos que enriquecem claramente o debate em curso sobre qual a melhor estratégia de actuação, no actual contexto político e sócio-económico, para quem se considere de Esquerda. Em particular, no que se refere à postura perante a possibilidade do Estado Português decidir criar uma nova moeda com curso legal (legal tender, ou aqui para uma definição mais simples).
Antes de abordar, num próximo post, de forma crítica, mas construtiva, o que é dito nesses textos, parece-me conveniente tentar esclarecer uma dúvida que me parece fundamental no debate em curso: quais são as consequências legais, em termos de inserção do Estado Português na União Europeia, do acto acima descrito?
No Tratado de Lisboa, que determina o actual modo de funcionamento da União Europeia, o artigo 128 da versão consolidada do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, tem a seguinte redacção:
"1. O Banco Central Europeu tem o direito exclusivo de autorizar a emissão de notas de banco em euros na União. O Banco Central Europeu e os bancos centrais nacionais podem emitir essas notas. As notas de banco emitidas pelo Banco Central Europeu e pelos bancos centrais nacionais são as únicas com curso legal na União.
2. Os Estados-Membros podem emitir moedas metálicas em euros, sem prejuízo da aprovação pelo Banco Central Europeu do volume da respectiva emissão. O Conselho, sob proposta da Comissão e após consulta ao Parlamento Europeu e ao Banco Central Europeu, pode adoptar medidas para harmonizar as denominações e especificações técnicas de todas as moedas metálicas destinadas à circulação, na medida do necessário para permitir a sua fácil circulação dentro da União."
Note-se que este artigo não diz respeito apenas ao países integrados na zona euro, mas a todos os que fazem parte da União Europeia (UE). Ou seja, todos os Estados membros da UE são obrigados a respeitar este artigo, a menos que tenham negociado para si uma excepção à sua aplicação (casos da Dinamarca e Reino Unido). No entanto, antes dum Estado membro da UE poder ser obrigado a respeitar o artigo mencionado, tem de cumprir os chamados "critérios de convergência", descritos no artigo 140 da actual versão consolidada do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. É devido a tal que o Estado Sueco não é obrigado a respeitar o artigo 128 da actual versão consolidada do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. Porque deliberadamente decidiu (continuar a) desrespeitar um dos "critérios de convergência" (não aderindo ao denominado MTC II).
Portanto, parece-me claro que se o Estado Português decidisse criar uma nova moeda com curso legal, tal infringiria o ponto 1 do artigo 128 da actual versão consolidada do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia. O que também aconteceria se o Banco de Portugal decidisse começar a emitir euros sem autorização prévia do Banco Central Europeu (BCE). O que isto quer dizer é que, tal acontecendo, as instituições da União Europeia poderiam abrir um processo contra o Estado Português, que poderia levar à imposição de multas e à suspensão dos direitos que resultam do seu estatuto de membro da UE. Neste último caso, tal procedimento teria de apoiar-se no artigo 7 da actual versão consolidada do Tratado da União Europeia. Mas este só pode ser invocado
"Sob proposta fundamentada de um terço dos Estados-Membros, do Parlamento Europeu ou da Comissão Europeia, o Conselho, deliberando por maioria qualificada de quatro quintos dos seus membros, e após aprovação do Parlamento Europeu, pode verificar a existência de um risco manifesto de violação grave dos valores referidos no artigo 2.o por parte de um Estado-Membro."
em que o artigo 2.o tem a seguinte redacção:
"A União funda-se nos valores do respeito pela dignidade humana, da liberdade, da democracia, da igualdade, do Estado de direito e do respeito pelos direitos do Homem, incluindo os direitos das pessoas pertencentes a minorias. Estes valores são comuns aos Estados-Membros, numa sociedade caracterizada pelo pluralismo, a não discriminação, a tolerância, a justiça, a solidariedade e a igualdade entre homens e mulheres."
Note-se que a suspensão dum Estado membro da UE não pode tornar-se numa expulsão. Segundo o Tratado de Lisboa, a saída da UE apenas é permitida de forma voluntária.
Nos próximos dias tentarei analisar as possíveis consequências práticas de diferentes cursos de acção, tendo em conta a situação que acabei de descrever.
às 15:28 3 comentários Hiperligações para o post
Wolfgang Münchau sobre a saída do euro, a "suspensão da democracia" e a ruptura com a UE
Um interessante artigo de Wolfgang Munchau — defensor da ideia de que Portugal e a Grécia deveriam falir dentro da UE e (co)responsabilizá-la persistindo no interior dela —sobre a "suspensão da democracia" que a "saída unilateral do euro" implicaria. Parte das medidas que tornariam "tecnicamente" necessário algo de muito parecido com um estado de sítio antes ainda de a decisão da ruptura ser anunciada já tinham sido, entre nós, postas em evidência, há largos meses, por Francisco Louçã, e por muitos outros, antes e depois dele — alguns dos quais têm intervindo neste blogue ou sido aqui trazidos à colação. Mas a análise de Munchau é mais expressiva e precisa do que a de Louçã, além de que o seu texto indica em termos convincentes como e porquê a saída unilateral do euro por parte da Grécia ou de Portugal seria, na realidade e no mínimo, um primeiro passo para a secessão e a saída da UE, ao mesmo tempo que acarretaria a suspensão da ordem constitucional e das suas garantias fundamentais. Aqui fica um excerto e o link que permitirá a aconselhável leitura na íntegra.
The euro is the currency of the EU. Just as Scotland cannot break out of the pound, Greece cannot break out of the euro. Britain has an opt-out, and so does Denmark, but for the others, the euro is obligatory. Once you are in, you are in. The only way to get out is to leave the EU, which is possible under the Lisbon Treaty. So the strict legal answer is that, to leave the euro, Greece would have to leave the EU.
às 21:25 0 comentários Hiperligações para o post
Versão em inglês. Análises no Fruits and Votes e na Al-Jazeera.
às 19:02 9 comentários Hiperligações para o post
A propósito deste post do Nuno Teles no Ladrões de Bicicletas, recomendo a leitura deste comentário de George Lakoff, que discute a importância da escolha das metáforas que utilizamos.
às 12:08 0 comentários Hiperligações para o post
Citando "Os Donos da Dívida" do José Maria Castro Caldas…
Se o José Maria Castro Caldas tem razão na análise que propõe no texto intitulado Os Donos da Dívida, que acaba de publicar na página da IAC, a conclusão a tirar é, uma vez mais, que a ofensiva oligárquica europeia, visando a absolutização do seu poder atraves da precarização e da destruição das liberdades e dos direitos dos trabalhadores e da imensa maioria dos cidadãos da Europa, é um traço comum da situação política de todos os países da zona euro e da UE, e que, por isso mesmo — embora assuma formas e graus diferentes nuns e noutros casos —, exige deles uma resposta política comum.
Com efeito, não se vê como a secessão soberanista seja uma resposta, porque, em primeiro lugar, debilitaria a força dos trabalhadores e do conjunto dos cidadãos no país que a praticasse como medida de resistência, aumentando ao mesmo tempo os traços dependentes da sua economia; e porque, em segundo lugar, tornaria mais provável a implosão nacionalista da UE, abrindo caminho à sua fragmentação em Estados e/ou coligações de Estados autoritários e militarizados, cujas rivalidades reforçariam a ameaça do fascismo ou desta ou daquela variante de "socialismo nacional" no plano interno de cada um deles, enquanto faria descer sobre o seu horizonte comum o espectro da balcanização armada e da guerra.
às 20:38 5 comentários Hiperligações para o post
Memorável post internacionalista de um camarada que muita falta faz neste Vias por onde já andou
Basta pensar nos 400 milhões de euros de prejuízos alegadamente provocados pelas paralisações dos estivadores, segundo o Secretário de Estado dos Transportes, para ter uma ideia da produtividade do seu trabalho e do seu peso na economia portuguesa. Se uma greve efectuada meramente às horas extraordinárias envolve valores dessa ordem, então como poderiam ser incomportáveis os níveis salariais actualmente praticados no sector? Semelhante pergunta parece não interessar à generalidade das reportagens que se ocupa do assunto, talvez porque o grande desígnio nacional de empobrecimento generalizado e de contracção salarial ocupou há muito o lugar que outrora se encontrava reservado ao jornalismo, que tinha, entre outras, a incumbência de fazer perguntas incómodas para as pessoas que não costumam ser incomodadas. Neste sítio e nesta hora, em que governo e patronato falam do povo como um rebanho inquieto mas apesar de tudo obediente, em que os trabalhadores são apresentados como vítimas pelos seus próprios representantes sindicais e os desempregados como um conjunto de pessoas cheias de azar, o facto de haver um sector operário que responde a tudo isso com um sorriso que ameaça tornar-se feroz escandaliza todos os escribas do partido da ordem.
às 23:15 1 comentários Hiperligações para o post
Segunda e última parte de "Sinal vermelho ou farol?" no Passa Palavra:
"O Passa Palavra tem alertado para os perigos de capitalismo de Estado decorrentes de um abandono do euro. Que ingenuidade a nossa! Julgávamos que erguíamos um sinal vermelho e tudo o que conseguimos foi acender um farol. Julgávamos que ao apresentar o capitalismo de Estado como horizonte previsível estaríamos a afastar alguma gente de esquerda deste cenário quando, pelo contrário, lhes tornámos esse futuro muito atractivo".
É assim que abre a segunda e última parte do artigo "Sinal vermelho ou farol? 2) o farol", cuja primeira parte foi publicada há oito dias, dando de resto origem a uma viva discussão neste blogue, e no qual o colectivo do Passa Palavra procede a uma abordagem política, económica e sociologicamente informada, dos riscos de fascização veiculados pelas propostas de saída unilateral do euro e de "recuperação da soberania" cada vez mais insistentemente repetidas por porta-vozes altamente colocados na área política hegemonizada pelo PCP e pela hierarquia da CGTP, bem como por outros sectores de "esquerda", minoritários mais influentes, como os que, por exemplo — exemplo meu — reiteram a urgência de um "Estado estratego" como alternativa ao federalismo, que apresentam como submissão frente a uma UE que consideram, no curto e médio prazo pelo menos, irremediavelmente governada pelo neoliberalismo, em termos claramente convergentes com as fórmulas do PCP sobre a sua natureza "irreformável".
Não vou nem retomar nem resumir aqui os argumentos com que o colectivo do Passa Palavra mostra — a meu ver mais do que suficientemente — que o regime de capitalismo de Estado defendido pelo PCP e pela hierarquia da CGTP (não se devendo aqui esquercer que "a influência política de que o PCP dispõe não lhe vem tanto da sua militância envelhecida como sobretudo da hegemonia que detém sobre a central sindical") significaria, do ponto de vista tanto das necessidades imediatas como da emancipação democrática grande maioria dos trabalhadores e dos cidadãos comuns da região portuguesa, não um passo em frente, mas um agravamento extremo dos traços mais odiosos da situação actual, comprometendo profundamente as perspectivas de quaisquer avanços e formas de luta capazes de começar a inverter as relações de força que governam a zona euro e a UE, de travar a ofensiva oligárquica em curso e de abrir caminho a acções e movimentos que reforcem os direitos, liberdades e o exercício pelo conjunto dos trabalhadores e cidadãos comuns de formas alternativas de participação igualitária. Acrescentarei apenas que, em meu entender, a ameaça de fascização, contra a qual, através da sua exemplar análise crítica de um cenário que concretizasse de perto as propostas políticas e o "projecto de sociedade" característico do PCP, alerta o colectivo do Passa Palavra alerta, pode tomar vias que, não se deixando representar com a mesma clareza intelectual do que o cenário considerado pelo artigo "Sinal vermelho ou farol?", não desembocariam em paisagens menos mortíferas.
às 18:51 1 comentários Hiperligações para o post

References: artigo 128
 artigo 140
 artigo 128
 artigo 128
 artigo 7
 artigo 2
 artigo 2