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Timestamp: 2018-03-18 21:53:27+00:00

Document:
Hospital Veterinário Accavet by Letícia De Marchi - issuu
hospital veterinรกrio:
Projeto e estudo de suas espacialidades
LETICIA THAIS DE MARCHI FURUYA
Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação Campus Bauru
Hospital Veterinário: Projeto e estudo de suas espacialidades Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação UNESP Campus de Bauru sob orientação da Profª Drª Silvana Aparecida Alves.
Dedico este trabalho e agradeço: Aos meus pais que me trouxeram até aqui, me apoiaram de todas as formas, e possibilitaram que eu conseguisse concluir mais esta etapa. Ao meu irmão Daniel e à minha cunhada-irmã Carolina que fazem com a paixão pela veterinária seja contagiosa. À minha família que extravasa laços de sangue, que faz parte do meu dia-a-dia, da minha evolução e formação, em Indaiatuba, Bauru, Roma, em qualquer lugar. Aos meus animais de estimação que mostraram que o amor pode ser bem mais do que aquilo que conhecemos, vence obstáculos, barreiras e limitações. À Fernanda e Rita que me ajudaram muito e tiveram a paciência de me ensinar coisas essenciais. À minha professora e orientadora Silvana, que não só me orientou como me ajudou a conquistar a confiança necessária para prosseguir e persistir na arquitetura. À professora e co-orientadora Maria Helena por sua paciência e grande contribuição para este projeto. A todos aqueles que me apoiaram e me incentivaram a seguir os meus sonhos, este é mais um deles. À minha família, amigos e professores, muito obrigada, sem vocês eu não seria nada.
“Se você nunca tentar nunca saberá do que é capaz” Fix you - Coldplay
RESUMO Passou o tempo em que o espaço destinado aos animais de estimação era restrito ao nosso quintal, com pouco mais que uns vasilhames de água, comida, e um cantinho para deitar. O setor dedicado aos pets cresce a cada dia que passa, a causa do grande processo de humanização dos animais de companhia. A exigência sobre os serviços e profissionais da área é ainda maior. Em contrapartida, parece que a legislação brasileira não acompanhou esse crescimento descontrolado, e deixa a desejar no que diz respeito às regulamentações básicas para o setor. Este trabalho tem como objetivo levantar dados e experiências, que posteriormente culminarão a elaboração de um projeto de um hospital veterinário.
Introdução ____________________________________________________________________________________ 10
Objetivos _____________________________________________________________________________________ 13
Revisão Bibliográfica____________________________________________________________________________ 14 3.1. A domesticação dos animais ________________________________________________________________ 14 3.2. A arquitetura hospitalar ____________________________________________________________________ 19 3.3. Veterinária e seus serviços __________________________________________________________________ 20 3.3.1. A origem _________________________________________________________________________ 20 3.3.2. Veterinária no Brasil _________________________________________________________________ 22
Normas e Legislação para Estabelecimentos Veterinários ________________________________________________ 24 4.1. Fiscalização ______________________________________________________________________________ 25
Estudos de caso ________________________________________________________________________________ 26 5.1. Hospital Veterinário Universidades Paulista (UNIP) - Bauru, SP ______________________________________ 26 5.1.1. Leitura de Projeto ___________________________________________________________________ 29 5.2. Ospedale Veterinario Ardeatino - Roma, Lazio ____________________________________________________ 29 5.2.1. Leitura de Projeto ____________________________________________________________________ 31
Consultoria dos Funcionários ______________________________________________________________________ 32 6.1. Análise de dados __________________________________________________________________________ 32
Métodos de projeto _______________________________________________________________________________ 34
7.1. Inserção do Proketo ________________________________________________________________________ 34 7.1.1. Localização ________________________________________________________________________ 34 7.1.2.1. Indaiatuba _________________________________________________________________ 35 7.1.2.2. O terreno __________________________________________________________________ 36 7.1.2. Público Alvo _______________________________________________________________________ 39 7.2. Programa Preliminar _______________________________________________________________________ 39 7.3. Setorização ______________________________________________________________________________ 41 7.4. Disposição _______________________________________________________________________________ 41 7.4.1. Módulos __________________________________________________________________________ 42 8.
Proposta ______________________________________________________________________________________ 44 8.1. Implantação ______________________________________________________________________________ 44 8.2. Fluxos e acessos ao terreno _________________________________________________________________ 46 8.3. Setorização ______________________________________________________________________________ 46 8.4. Percursos _______________________________________________________________________________ 48 7.4. Soluções de projeto _______________________________________________________________________ 61 7.5. Equipe Interprofissional ____________________________________________________________________ 63
Conclusões __________________________________________________________________________________ 64
LISTA DE FIGURAS Figura 01 - Análise do tempo médio em que se consolidou a domesticação dos gatos pelo mundo ______________________ 16 Figura 02 - Esboço da Planta do Hospital Veterinário UNIP, campus de Bauru ______________________________________ 28 Figura 03 - Esboço Planta Hospital Veterinário de Roma _______________________________________________________ 30 Figura 04 - Inserção do terreno no contexto urbano da cidade de Indaiatuba _______________________________________ 36 Figura 05 - Localização do terreno escolhido ________________________________________________________________ 38 Figura 06 - Programa preliminar de projeto __________________________________________________________________ 40 Figura 07 - Disposição prévia de cômodos __________________________________________________________________ 42 Figura 08 - Implantação do projeto _________________________________________________________________________ 45 Figura 09 - Setorização do Projeto - Pavimento Superior _______________________________________________________ 46 Figura 10 - Setorização do Projeto - Pavimento Térreo _________________________________________________________ 47 Figura 11 - Acessos ao edifìcio___________________________________________________________________________
Figura 12 - Detalhe dos percursos do proprietário e do animal no setor de emergências _____________________________ 49 Figura 13 - Detalhe do percurso do proprietário e do animal no setor de consultas____________________________________ 52 Figura 14 - Detalhe do percurso do animal e dos veterinários no setor de cirurgias ___________________________________ 51 Figura 15 - Portaria de acesso ao terreno __________________________________________________________________ 52 Figura 16 - Fachada da recepção principal ___________________________________________________________________ 53 Figura 17 - Fachada da recepção de emergências. _____________________________________________________________ 54 Figura 18 - Vista do espelho d’água em direção à recepção principal ______________________________________________ 55 Figura 19 - Vista do espelho d’água em direção à recepção de emergência _________________________________________ 56
Figura 20 - Vista do acesso de Funcionários _________________________________________________________________ 57 Figura 21 - Vista do principal acesso de funcionários __________________________________________________________ 58 Figura 22 - Vista do café em direção à área de lazer dos pets ___________________________________________________ 59 Figura 23 - Perspectiva da área interna de convivência ________________________________________________________ 60
1. Introdução O processo de humanização dos animais de estimação em nosso país ganha cada vez mais magnitude. Antes, os animais que não passavam da porta de entrada das casas de seus donos, hoje dormem em suas camas, tomam banho semanalmente, usam acessórios, joias e até fazem as unhas (FURBINO, 2014). O Brasil possui o quarto maior índice de animais de companhia, e, atualmente, a ascensão deste índice acompanha o crescimento populacional humano, contribuindo para que o mercado pet (animais de estimação) seja um dos segmentos que mais cresce nos setores de comércio e serviços (FURBINO, 2014). Mas a relação entre o ser humano e os animais não é recente, teve muitos precedentes e foi consolidada há muito tempo atrás. Presentes em cavernas históricas, gravuras rupestres ilustram a proximidade entre os animais e o ser humano desde 2,6 milhões de anos atrás. O processo de domesticação de alguns deles, trouxe inúmeros benefícios aos seres humanos. (SHIPMAN, 2010). Esta aproximação começou como uma relação conveniente, independente de qualquer questão afetiva ou sentimental. Há especulações de que estes animais se aproximaram das aldeias em busca de comida, buscando restos alimentares e aos poucos acabaram conquistando um certo espaço. Estes bichos passaram a contribuir fornecendo produtos como leite, alimentos, roupas, e posteriormente, força de trabalho e transporte para o ser humano. Estudos sobre a domesticação apontam que características específicas, presentes em certas espécies possibilitaram essa interação. Entre elas: o tamanho, a facilidade de reprodução, as habilidades para caça, a grande variedade de forma física e/ou comportamento padrão dentro da espécie (SHIPMAN, 2010). Durante muito tempo foram de grande utilidade ao ser humano, em seu trabalho, sua alimentação e abrigo. Mas com a Revolução Industrial com novas forças de trabalho e conceitos manufatureiros, os animais não tinham mais o papel principal. Esta
mudança foi claramente apresentada pelo êxodo rural e a consequente distância entre o ser humano e os animais, que modificou a forma conhecida de contato animal-humano (SHIPMAN, 2010). Muitos anos depois, as espécies já domesticadas foram inseridas, pouco a pouco, em casas e comunidades. Acredita-se que essa foi uma nova maneira de reestabelecer a convivência com os animais, modificando também o conceito sobre a serventia dos animais na vida do ser humano. Esta mudança da realidade vivida pela sociedade interferiu em nossos costumes e hábitos. As famílias, em geral, passaram a ser menores devido à difusão dos métodos contraceptivos e a valorização da qualidade de vida. Desta forma, muitos lares passaram a adotar animais de estimação e tratá-los como verdadeiros membros familiares, gerando demanda de profissionais, serviços e estabelecimentos capacitados para garantir o seu bem estar. (SHIPMAN, 2010). Sociólogos afirmam que posteriormente, o aumento da quantidade de animais domésticos, se deu também pela difusão da urbanização e da higiene (acesso à água e sabão). A atividade veterinária também contribuiu para melhor aceitação dos animais de estimação tratando e curando doenças como a raiva, que antes assustavam a população. (MANNUCCI, 2005). Atualmente, o crescimento do mercado de pets está marcado no mundo todo. Estudos comprovam que a convivência com animais podem trazer benefícios como: aumentar o índice de endorfina, diminuir o colesterol e baixar a pressão arterial, uma vez que os companheiros são motivo de muita alegria e conforto emocional (UERLINGS, 2012). Existem também, histórias marcantes sobre animais de estimação que foram capazes de salvar os seus donos, avisando sobre doenças, desastres ou acidentes, de diversas maneiras. (UERLINGS, 2012). Considerando as características da nossa sociedade de consumo e a lei de oferta e procura, essa aproximação intensa resultou em aumento dos preços de produtos e serviços oferecidos aos pets, a inflação registrada no setor no primeiro semestre de 2012, foi cinco vezes maior do que os outros produtos na Região Metropolitana de São Paulo. O aumento da inserção deste tipo
de atividade no mercado despertou tanta atenção da população e das instituições envolvidas que o Ministério da Agricultura cogita criar uma câmara voltada especialmente ao setor (NAVARRO; VELLUTO, 2012). Neste contexto, cresce o reconhecimento dos profissionais da área mas também, a exigência sobre os seus serviços e estabelecimentos, temas a serem abordados neste trabalho
2. Objetivos O trabalho tem por objetivo realizar a elaboração de um projeto arquitetônico de um hospital veterinário. Tendo em vista que ramo da saúde, seja animal ou humana, é marcada pela urgência e pela precisão de seus procedimentos, pretende-se desenvolver uma proposta que ofereça a todos os usuários (animais, equipe técnica e proprietários dos animais) conforto ambiental e bem estar. O processo de criação deste projeto se inicia com o estudo das relações entre os seres humanos e animais, se alia à legislação (sobre estabelecimentos veterinários) e ao auxílio de profissionais da área, para possibilitar a elaboração de um projeto fluido e funcional.
3. Revisão Bibliográfica 3.1. A domesticação dos animais A domesticação é um processo existente desde a pré-história que visa adaptar os animais e plantas tornando-os úteis aos seres humanos, e facilitando a sua sobrevivência (CARVALHO, 2011). A busca desenfreada por características que atendessem as necessidades dos mesmos fez com que as espécies passassem por um grande processo de seleção artificial1. Este fenômeno causou grande desequilíbrio ambiental e reduziu drasticamente a biodiversidade. A mudança no habitat dos animais também pode influenciar seus aspectos físicos, e refletir em seus comportamentos, por exemplo: o estresse do confinamento, condições inadequadas de vida, solidão, ansiedade, e outros fatores, podem induzir animais ao aumento da agressividade, violência e em alguns casos, até mesmo automutilação (CARVALHO, 2011). Este processo altera também, a capacidade dos animais de caçarem a própria comida ou se defenderem. Muitas vezes, tomados pelo medo, se tornam incapazes de serem autossuficientes ou independentes (CARVALHO, 2011). A domesticação representa uma aproximação entre duas espécies onde, não só mantenham uma certa convivência, mas também busquem-na (GEARY, 1978), este conceito pode ser confundido com o de mansidão. Segundo Geary (1978), a diferença entre eles está em sua perpetuação. Ou seja, a mansidão não é transmitida para as gerações seguintes (filhotes de leão, nascidos de pais mansos, não são mansos), enquanto a domesticação caracteriza um processo longínquo que altera o comportamento de toda uma raça ou espécie. Wolchover (2012) cita seis critérios em que se encaixam os animais domesticados: 1
Processo conduzido pelo ser humano, onde cruzamentos seletivos ajudam a reservar apenas as características desejáveis em animais, plantas e outros seres vivos. Com por exemplo, o aumento da produção de leite, lã, frutas. Com este objetivo, foram produzidas diversas raças em cada espécie (LAURIANO, 2012).
1. Exigência: Os animais domesticados não apresentam grandes exigências em sua alimentação. 2. Maturidade: Deverá ser rápida, de forma que o ser humano não precise perder muito tempo em seu desenvolvimento. 3. Cativeiro: Facilidade para procriação em cativeiro. 4. Docilidade: Precisam ser dóceis por natureza, buscando prazer na companhia do ser humano 5. Pânico: Não podem ser possuídos pelo medo ou desconfiança, senão poderão tentar fugir ou agredir aquele que tenta se aproximar. 6. Liderança: Deverão ser suscetíveis a outros tipos de hierarquia, aceitando o ser humano como seu líder. Os animais que podem ser considerados totalmente domesticados são: vacas, cabras, ovelhas, galinhas, cavalos, porcos e cães. O gato apresenta-se em um processo de domesticação incompleto, já que são animais que de certa forma ainda são independentes do ser humano (WOLCHOVER, 2012). Pesquisadores que fizeram o levantamento científico sobre a domesticação dos gatos e sua disseminação por todo o mundo partiram do princípio que o gato selvagem defendia apenas um território e com isso o processo de difusão desta espécie foi retardado. Neste caso, cada região teria desenvolvido uma raça específica com um DNA diferente. Depois de diversos estudos, foram encontrados quatro tipos de gato selvagem. Mas apenas um teria dado origem aos gatos domésticos: o Felis silvestris lybica, presente em Israel, Emirados Árabes ou Árabia Saudita. Não se sabe ao certo em que data foi consolidada a relação entre os homens e estes animais. Pinturas e representações do Egito Antigo, retratam gatos coabitando com o ser humano em uma relação próxima, aparecendo sentados em cadeiras, com coleiras e focinheiras. A importância da espécie para a região era tão grande que a exportação
destes animais para outras regiões foi proibida. Esta medida não teve grande eficácia, uma vez que acabaram sendo disseminados através das cidades portuárias para Grécia, Alexandria e depois toda a Europa (DRISCOLL et al., 2008).
Figura 01 - Análise do tempo médio em que se consolidou a domesticação dos gatos pelo mundo. Fonte: (DRISCOLL et al,2008)
Cientistas puderam especificar em que ano foram domesticados através do rastreamento e estudo das mutações genéticas sofridas pela espécie. Como a sua domesticação pode ser considerada recente (menos de 10 mil anos), a especulação foi feita com base em registros arqueológicos.
Nas Ilhas Mediterrâneas, foi encontrado um esqueleto humano ao lado de um gato, datado de 9500 anos atrás, ou seja, neste período já existia a proximidade entre as duas espécies (DRISCOLL et al, 2008). Por fim, não se sabe porque estes animais se aproximaram da raça humana, uma vez que não possuem características básicas para a domesticação. Por exemplo: não apresentam utilidade aos homens, não obedecem ordens e são totalmente independentes uns dos outros (dispensam a convivência em bandos) (DRISCOLL et al., 2008). Acredita-se que a aproximação destes indivíduos com os seres humanos, estivesse vinculada à população de ratos que começaram a coabitar comunidades e vilarejos. Ainda assim, os gatos ainda se apresentaram como animais com comportamento independente, capacitados para encontrar comida e água sem a ajuda do ser humano e portanto, sobreviver sem ele (DRISCOLL et al., 2008). Foram poucas as variações entre raças desde o começo do processo até hoje. Como não apresentavam tantas utilidades quanto os cães, sofreram a pressão da criação seletiva e a busca por raças mais adequadas. Como resultado disso, a quantidade de raças felinas acaba sendo extremamente menor que as caninas. Atualmente, são contabilizadas apenas 60 raças diferentes de gatos (DRISCOLL et all, 2008). Sobre a domesticação canina, pesquisadores especulam que a aproximação das duas espécies se deu por pequenos gestos onde o lobo se alimentava dos restos deixados pelo ser humano, contribuindo de alguma forma para a higiene do povoado, e estabelecendo uma relação de contribuição mútua. Aos poucos começaram a ajudar na caça e na proteção, aumentando seu período de estadia na comunidade. Em algum momento, ambas as espécies começaram a buscar companhia entre si e estabelecer laços (GEARY, 1978). Esta aliança facilitou tanto os meios de caça, que os seres humanos passaram a adquirir alimentos sem que para isso precisassem desenvolver habilidades ou características físicas específicas, como dentes afiados, garras ou olfato aguçado ao buscar suas presas (SHIPMAN, 2010).
Geary (1978) observa a influência dos seres humanos no comportamento canino e a diversidade dos aspectos físicos encontrados nestes animais. As diferentes utilidades desejadas em cada uma das raças induziram a novos cruzamentos, sempre em busca da ‘raça perfeita’, dando origem a mais de 350 raças existentes no mundo inteiro (GONÇALVES, 2013). Já sobre as aves, existem poucos registros de seu processo de domesticação e não foram todas as raças que concluíram o processo de domesticação. Acredita-se que, dentre elas, a primeira a ser domesticada foi a galinha, que a partir da Gallus bakiva (originalmente encontrada no continente asiático), disseminou a espécie por todo o mundo (PORTAL DA EDUCAÇÃO, 2013). A cultura dos animais de estimação disseminou-se, e o seu leque de opções está cada vez mais amplo. Além dos cães e gatos, apenas tartarugas, peixes, coelhos e hamsters costumavam ser criados em nossos lares, mas hoje em dia, existem várias residências abrigando outros tipos de animais, considerados mais exóticos. A exemplo disso, hoje o sagui, vendido por um valor entre R$2000,00 e R$4000,00, pode ser criado como animal de estimação e a procura por eles tem aumentado cada vez mais (ZACCARO, 2011). O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Animais) controla a comercialização de outros animais como teiú e arara vermelha, que devem possuir microchips de identificação para controle do órgão ambiental. No que diz respeito à sobrevivência do animal, as exigências são bem mais altas que a dos pets mais populares, pois ainda não são totalmente adaptados ao nosso tipo de ambiente nem à nossa alimentação. Além disso, estão suscetíveis a algumas doenças comuns como gripe e herpes (CRUZ, 2014). O maior problema deste contexto está na aquisição não planejada, que muitas vezes acaba resultando em abandono destes animais, geralmente em locais púbicos como parques e praças (ZACCARO, 2011). Muitos autores (V.A. Rice, Sanson, Guilherme Ferrero, Kronacher) afirmam que sem a existência dos animais domésticos, a civilização não teria ido tão longe e conquistado tantas habilidades na caça, na produção e progresso em geral.
“É com o animal doméstico que o ser humano mata sua fome. É ainda com ele que se transportam suas mercadorias e lavra a sua terra. Dele o ser humano obtém os meios para agasalharse. Além disso é ele motivo de afetividade e divertimento (CARVALHO, 2011).”
3.2. A arquitetura hospitalar O atual conceito sobre os estabelecimentos hospitalares e a sua serventia, nem sempre se apresentou desta maneira. Na Idade Média, os indivíduos que apresentavam qualquer tipo de doença eram levados aos denominados morredouros, onde eram mantidos em ambientes de péssimas condições sem receber qualquer cuidado, apenas à espera da morte (FOCAULT, 1979). A alteração do contexto temporal, fez com que a população começasse a acreditar que os enfermos poderiam ser curados, e que algumas condições facilitariam este processo. Como por exemplo, as condições do ambiente em que se encontrava o paciente, passaram a ser essenciais para a sua cura (MACEACHERN, 1957). E então, com o passar dos séculos, a construção hospitalar ganhou espaço e importância na arquitetura, gerando estudos prévios de sua aplicabilidade, com a cooperação de profissionais das mais diversas áreas de conhecimento para que o estabelecimento pudesse ser concretizado. De acordo com Mendes (2007), uma característica intrínseca à problemática hospitalar, tanto como instituição quanto edificação, é a sua complexidade. As inúmeras especializações da medicina (pediatria, geriatria, oncologia, ginecologia, etc) geram diferentes necessidades ao ambiente de trabalho, de maneira que, para projetar um estabelecimento eficiente e rentável deverão ser estabelecidas estratégias e diversos tipos de estudo do espaço. Com a acelerada evolução das doenças e as tecnologias desenvolvidas para saná-las, a demanda por ambientes maiores e bem planejados só aumenta. Desta forma, os pequenos hospitais, na tentativa de se adaptar ao mercado, crescem de maneira desordenada e se transformam em grandes estabelecimentos totalmente não funcionais. A criação de cômodos em espaços impro-
visados, dão origem a verdadeiros labirintos em suas plantas, diminuindo significativamente a eficácia do atendimento aos seus pacientes (CAMPOS, 1995). Por isso, o estudo específico da arquitetura aplicada às áreas médicas é de grande importância. Existem inúmeros fatores que podem prejudicar muito uma obra deste porte. A exemplo disso, os custos da manutenção do espaço hospitalar, geralmente empatam com os custos de sua construção (CAMPOS, 1995). Mendes (2007) explora toda a problemática hospitalar e algumas possíveis soluções, sugerindo a elaboração cuidadosa de um plano diretor que possa guiar desde o funcionamento e administração do espaço hospitalar, até a sua manutenção e remanejamento de espaços. Podemos definir o espaço hospitalar como a união de diversos tipos e categorias de edificações e suas respectivas demandas arquitetônicas. Ou seja, além da medicina, deve-se considerar as necessidades de outras áreas profissionais como: hotelaria, gastronomia, empresa comercial, lavanderia, farmácia, oficina de manutenção, etc (MENDES, 2007).
3.3. Veterinária e seus serviços 3.3.1. A origem Acredita-se que o início da atividade veterinária tenha tido início nos primórdios da civilização durante o processo de domesticação dos animais. Segundo o “Papiro de Kahoun”, encontrado no Egito em 1890, a arte de curar os animais teve início em 4000 a.C., através de diagnósticos, prognósticos, sintomas e tratamentos de doenças em diversas espécies (CFMV, 2012). O primeiro registro europeu da prática, foi na Grécia no século VI a.C., onde cargos públicos eram reservados aos hipiatras2, e a eram cargos de grande importância.
Profissionais empenhados na cura dos animais.
Durante o século XVIII houveram diversas transformações econômicas, sociais e culturais na Europa, estas mudanças acabaram se extendendo ao campos das ciências também. Na Idade Média, os responsáveis pelo bem estar dos animais eram os ferreiros, que além de cavalos, cuidavam também de animais domésticos. Acreditavam que poderiam diagnostica-los apenas pela análise de sua aparência e seus sintomas externos. Em 1711, com a epidemia de peste bovina e o pânico disseminado na população, os governos das nações europeias foram obrigados a se ocuparem da saúde animal. Já era tempo de apresentar um médico responsável que estivesse a altura dos atendimentos dedicados humanos (ANALLI DI STORIA DELLE UNIVERSITÀ ITALIANE, 2005). Posteriormente, a primeira escola de medicina veterinária foi inaugurada em Lyon, França, por Claude Bougerat. A partir deste momento, acredita-se que a relevância social da atividade veterinária elevou-se consideravelmente (CFMV, 2012). Na Grécia e na Itália, praticamente todos os hipiatras eram militares, por isso, possuíam uma enfermaria e um atendimento muito bem estruturado. Segundo Benassi (2010) pode-se afirmar que o serviço militar foi um grande precursor da atividade veterinária em si. Realidade esta, que se estendeu à outras nações por conta de períodos de guerra. Com o passar das décadas, os estudos foram se aprofundando cada vez mais, de forma a ganhar maior reconhecimento e espaço no mercado de serviços. Com isso, a necessidade da regularizar da atividade. Na Itália, foi imposto através da lei número 281 de 1991, que todos os cães deverão ser registrados em cartório e receberem a devida identificação; através de tatuagem ou microchip. Essa medida facilita a apuração de dados sobre a população canina nas vinte regiões que compõe o país (ITÁLIA, 2016). A movimentação de animais de companhia entre países da União Europeia é livre desde que o proprietário possua o Passaporte para animais de estimação, esta medida foi implementada desde Outubro de 2004, de acordo com o Regulamento (CE) número 998/2003. Já para entrada em países como Irlanda, Reino Unido, Malta e Suécia, é exigida também a vacinação do animal (com eficácia comprovada) e o uso do microchip de identificação (EUROCID, 2015).
3.3.2. Veterinária no Brasil Já no Brasil, a ideia de primeira Instituição de Medicina Veterinária, surgiu após uma viagem do Imperador Dom Pedro I à França, onde conheceu a Escola Veterinária de Alfort. Em seu retorno ele tentou introduzir o projeto no país, sem sucesso. Apenas no início do século XX decretou-se a criação de duas escolas de veterinária, instituídas no Rio de Janeiro: a Escola Veterinária do Exército e a Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária (CFMV, 2012). A regulamentação da profissão aconteceu apenas em 1933, e a criação de conselhos dedicados à ela se deu em 1968. A prática está inserida em nosso país há quase 50 anos e a área não para de se desenvolver (CFMV, 2012). Um dos maiores problemas no setor, é a ausência de serviços financeiramente acessíveis ao público. O Primeiro Hospital Veterinário Público no Brasil, foi inaugurado há apenas dois anos. Além disso, os planos de saúde animal, também recentes, são restritos e ineficientes, sendo que geralmente limitam o atendimento à uma instituição veterinária específica e apresentam altos custos (WILTGEN, 2012). Em compensação, o número de estabelecimentos de grande porte dedicados à saúde animal tem crescido cada vez mais. Considerando que esta variação se dá em função da demanda crescente da população, as exigências tecnológicas neste tipo de instituição tem acompanhado esse desenvolvimento também. A responsável pela Pet Care3, Carla Alice Berl diz que o seu estabelecimento pretende apresentar tecnologias avançadas e diferenciadas que atualmente só existem em hospitais humanos de grande padrão (WILTGEN, 2012). Segundo o Decreto Estadual nº 40.400 de 1995:
Hospital veterinário de alto padrão fundado em 1990, na cidade de São Paulo.
“Art.1º - Consideram-se estabelecimentos veterinários para os efeitos desta Norma Técnica Especial: III - hospital veterinário: o estabelecimento destinado ao atendimento de animais para consulta, tratamento médico e cirúrgico e internação de animais, funciona durante as vinte e quatro horas do dia”. O projeto deste tipo de edificação demanda um grande estudo e conhecimento para que não se crie um espaço irreal e obsoleto. Desta forma, as disposições do Decreto Estadual nº 40.400 (1995), a Resolução nº 670 (2000) e da Resolução nº 1015 (2013) servem como ponto de partida para elaboração de um programa que possa atender as necessidades mínimas, podendo se aliar à outras ferramentas que ofereçam conforto e funcionalidade não só aos animais de estimação, mas também aos proprietários. O SEBRAE (Serviço de Apoio às micro e pequenas empresas) elaborou uma série de cartilhas-guia que tratam a
empresarial de várias áreas. O “Comece Certo - Clínicas veterinárias” aborda os estabelecimentos veterinários de forma interessante. Trata de forma didática a construção e manutenção destes espaços, levantando assuntos como: a higiene local, o isolamento de animais internados e animais saudáveis (banho e tosa), a separação obrigatória dos leitos de doença contagiosa e não contagiosa, etc. Chega a discutir a apresentação da fachada, o trabalho das cores nos cômodos e sua organização. O estabelecimento pode se destacar entre a concorrência com alguns diferenciais como: atendimento a domicílio, serviço de hotel, petshop, adestramento, planos de saúde, serviço de fisioterapia e acupuntura, odontologia, etc. Para fazer um levantamento destes e outras novidades, minúcias e influências no espaço de trabalho, será aplicado um questionário aos profissionais da área, citado no item 6.
4. normas e LEGISLAçÃO para estabelecimentos veterinários A legislação sobre os estabelecimentos dedicados à atividade veterinária é pouco abrangente e se restringe a poucos documentos, entre eles: o Decreto Estadual nº 40.400 de 24 de outubro de 1995 (Anexo 1), o Decreto nº 40.646, de 2 de Fevereiro de 1996, a Resolução nº 670 de 10 de Agosto de 2000 (Anexo 2), e a Resolução CFMV nº 1015 de 09 de Novembro de 2012 (Anexo 3). Alguns detalhes são discutidos em outras resoluções específicas, como “Regularização das atividades de banho e tosa” estabelecida na Resolução 878/1998 ou a Lei nº 5517 de 1968 que “Dispõe sobre o exercício da profissão de médico-veterinário e cria os Conselhos Federal e Regionais de Veterinária”. A vigilância sanitária atua em estabelecimentos veterinários apenas em casos relacionados à prevenção de riscos e danos à saúde humana, e não estabelece diretrizes às condições dos animais ali tratados ou recebidos. Segundo a Resolução nº 1015 de 09 de Novembro de 2012: “Art. 2º. Hospitais Veterinários são estabelecimentos capazes de assegurar assistência médica curativa e preventiva aos animais, de funcionamento obrigatório em período integral (24 horas), com a presença permanente e sob a responsabilidade técnica de médico veterinário.” Além disso, existe uma relação de aposentos mínimos a serem inclusos em um projeto para que possa ser denominado como Hospital Veterinário, encontrado no anexo 3, página 102.
4.1. Fiscalização A fiscalização dos estabelecimentos veterinários e da sua atividade, fica a critério do Conselho de Medicina Veterinária. Em casos de produtos veterinários, este tipo de controle diz respeito ao MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
5. Estudos de caso 5.1. Hospital Veterinário Universidade Paulista (UNIP) - Bauru, SP O Hospital Veterinário da Universidade Paulista (UNIP), campus de Bauru, está localizado na Rua Luiz Levorato, Jardim Marabá, Bauru - SP. Criado como parte da instituição de ensino, faz atendimentos de baixo custo à população local e ao mesmo tempo funciona como hospital escola, buscando se aperfeiçoar em tratamentos de doenças locais como leishmaniose e leptospirose (CAMARGO, 2011). Oferece atendimentos e procedimentos a baixo custo para facilitar o acesso dos alunos à diversos tipos de enfermidades e colocar em prática aquilo que aprenderam em sala de aula. As cirurgias são realizadas por veterinários formados que recebem auxílio básico de alunos (CAMARGO, 2011). O complexo, com mais de mil metros quadrados, faz intervenções em animais de todos os portes, atende desde os silvestres aos bovinos. O hospital oferece consultas, exames clínicos e laboratoriais, inseminação artificial, pronto atendimento, entre outros. A visita monitorada pelo professor e veterinário Dr. Rodrigo Minini, possibilitou a análise da maioria dos cômodos e sua disposição, mas o registro fotográfico não pôde ser efetuado. No caso de um estabelecimento que disponha também de atividades como: banho e tosa, pet shop e hotel, o projeto deverá atentar à divisão de animais saudáveis e não saudáveis, diminuindo o risco de contaminação e disseminação de doenças.
Cada ambiente possui sua particularidade no que diz respeito a mobiliário, tipos de revestimento e disposição. Segundo o Profº Minini, o Hospital Veterinário em questão pode ser considerado satisfatório, salvos alguns detalhes que poderiam ser alterados nas salas de consultas e no centro cirúrgico de grande porte. O estabelecimento também realiza atendimentos à animais silvestres, mas não possui dependências específicas para os mesmos, uma vez que, dificilmente poder-se-ia chegar a um consenso de layout e mobiliário em um ambiente destinado à atender animas tão distintos (desde répteis à aves raras).
Figura 02 - Esboรงo da Planta do Hospital Veterinรกrio UNIP, campus de Bauru Fonte: Acervo pessoalโฉ
5.1.1. Leitura de Projeto O hospital está situado em terreno de grande metragem, e possui espaço suficiente para ampliações e adaptações, se necessário. Caracterizado como hospital escola, se distingue um pouco da realidade no que diz respeito à dimensão de ambientes (para que se possa comportar alunos e professores dentro dos recintos, durante as aulas). Pode-se observar que os fluxos foram bem estudados, uma vez que o escoamento de material infectado e esterilizado praticamente não se cruzam. As vias de acesso aos cômodos são de grandes dimensões, também justificado por receber maior número de indivíduos que o necessário nos atendimentos e procedimentos. A interação com o meio externo é grande (com exceção dos ambientes que exigem isolamento por questões de assepsia e condições específicas de iluminação) o que contribui para o bem-estar de seus usuários. Pode-se dizer que em um local de trabalho marcado pela intensidade das vivências e constante estresse emocional (tanto para funcionários, quanto para proprietários e animais), existe uma atmosfera que pode ser considerada mais leve e agradável. Se analisado de acordo com a legislação vigente (citada no Item 4), o estabelecimento não poderia ser denominado como Hospital Veterinário porque não atua durante as 24 horas do dia.
5.2. Ospedale Veterinario Ardeatino - Roma, Lazio Foi feita uma visita guiada por um dos veterinários responsáveis, Dr. Stefano Pinelli. Desta forma, se pode conhecer a organização e interação de espaços e fluxos gerados pela atividade veterinária. Em entrevista, apresentou algumas exigências feitas para regularização do espaço, entre elas, relatórios luminotécnicos e análise de ventilação.
Figura 03 - Esboรงo Planta Hospital Veterinรกrio de Roma. Fonte: Acervo Pessoalโฉ
5.2.1. Leitura de Projeto O hospital está localizado em uma galeria de lojas, composto por piso térreo e subsolo. Este tipo de espaço implica em uma grande dificuldade no que diz respeito à maleabilidade dos espaços e sua adaptação à futuras exigências. Os limites espaciais alteram a interação com o meio externo, de forma que, todo o espaço disponível já estava ocupado com área útil ao Hospital, sem a dissolução do ambiente sistemático ou interação com áreas livres ou de descanso. Se estivesse localizado no Estado de São Paulo, não estaria enquadrado dentro dos padrões exigidos por lei, uma vez que não apresenta uma sala de lavagem e esterilização de materiais nem sala de anti-sepsia.
6. Consultoria dos funcionários A arquitetura tem como principal função criar um espaço adequado ao seu uso. Desta forma, se fez necessário o contato direto e constante com veterinários para conhecimento de procedimentos, hierarquia de atividades e posterior definição de prioridades dentro da edificação. Para isto, todo o processo foi acompanhado pelo Dr. Daniel de Marchi Furuya, definido como cliente fictício do projeto. Além disso, foi aplicado um questionário (Anexo 4 e 5) a outros veterinários para que suas percepções também pudessem contribuir para esta proposta.
6.1. análise de dados Os 30 profissionais entrevistados realizam em média, 40,8 h semanais de expediente e 66,7% atuam ou já atuaram em hospitais veterinários. Apesar de 1/3 deles acreditar que os estabelecimentos em que atuam atendem às normas legislativas, 60% deles estão insatisfeitos com o seu ambiente de trabalho. Estes dados nos levam a concluir que existe uma grande necessidade de melhoria na qualidade das instituição que executam o atendimento veterinário. Além disso, uma lista de ambientes foi estabelecida e os entrevistados foram convidados a assinalar quais eram deles possuíam pior estrutura em seus locais de trabalho. O mais citado foi a Internação para doenças infecciosas com 12 votos, seguido pela cozinha com 10 e aí a internação comum com 8. Quando questionados a respeito de mudanças cabíveis ao estabelecimento em que atuavam, muitas respostas apresentaram sugestões que na realidade não deveriam ser vistas como diferenciais, mas condições mínimas de funcionamento como consta na legislação. A exemplo disso temos: a separação entre internação comum e internação de doenças infecciosas, que aparece no Artigo 3, item III da Resolução CFMV nº 1015 de 09 de Novembro de 2012 (Anexo 3, pág.103).
A partir desta pesquisa de campo foi possível ter contato com a realidade dos locais de trabalho de alguns profissionais da área, de forma a nortear o processo projetual, que posteriormente será tratado no Item 7.
7. métodos de projeto O processo de criação de projeto foi marcado por cinco etapas, estudo de inserção do projeto, elaboração de programa preliminar, setorização, estudos de disposição e detalhamento (nas pranchas em Anexo ao caderno).
7.1. inserção do projeto Como exposto nos itens 3.1, 3.2 e 3.3, os laços cada vez mais estreitos entre animais de estimação e seres humanos, estabelecem uma demanda crescente no setor do comércio pet. Busca-se a criação de um espaço confortável aos animais, mas também aos proprietários e funcionários. Aliado às exigências de uso, estará também, a flexibilidade do espaço para possível readequação de ambientes à futuras demandas desconhecidas, tão comuns na área da saúde. Para realizar um estudo um pouco mais preciso das necessidades deste espaço, foi aplicado um questionário com alguns profissionais da área, de forma à reunir opiniões e estudar possíveis diferenciais para o projeto.
7.1.1. Localização Neste tópico é apresentada a localização da área de projeto para esse Trabalho Final de Graduação (TFG). Começa com a definição do objetivo do trabalho e justificativa para esse tema. Segue com uma apresentação dos dados sobre o município de Indaiatuba, interior do estado de São Paulo, cidade na qual se insere o terreno escolhido para desenvolver o projeto. Na sequência são mostradas as características do terreno. E por fim é feito um organograma que envolve a organização dos ambientes e setorização dos mesmos por funções e rotina de trabalho.
7.1.2.1. Indaiatuba Indaiatuba é uma cidade do interior paulista localizada na região metropolitana de Campinas, situada à aproximadamente 105km da capital do Estado. Em 2013 o IBGE divulgou que a sua população oficial era de 222.042 habitantes. A cidade registrou o quinto maior índice de crescimento populacional na região metropolitana de Campinas (3,72% ao ano). Este valor é composto em sua maioria por paulistanos que buscam moradia menos conturbada sem que para isso, precisem se distanciar muito da capital. A cidade é conhecida por seus grandes campos de Pólo 4 que atraem jogadores de todo o país, trazendo grande importância à atuação veterinária no que diz respeito ao tratamento dos cavalos atletas. O EQUIVET - Hospital Veterinário de Cavalos localizado na cidade é especializado neste tipo de atendimento e atualmente atende a demanda gerada por esta prática. A população de animais de estimação possui um crescimento constante, como afirma a ABINPET (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação) em excerto a seguir: “Tomando por base a população brasileira, de 199 milhões de habitantes em 2012, segundo o IBGE, podemos dizer que existe praticamente um animal de estimação para cada dois brasileiros. Mas como o crescimento dos pets é constante, e nossa população cresce mais vagarosamente, essa relação pet/ser humano deve se tornar maior”. (ABINPET, 2012) O índice de crescimento populacional indaiatubano é de 1,17% ao ano (ONU, 2006), o que pode representar um aumento significativo da quantidade de animais de estimação no Município. No entanto, Indaiatuba apresenta apenas um Hospital Veteriná-
4 Um esporte que se joga à cavalo, no qual quatro jogadores por equipe se enfrentam golpeando uma pequena bola de plástico ou madeira, com um taco longo, com
o objetivo de marcar gols contra a equipe rival (MENDONÇA, 2002)
rio para atender a demanda de animais de pequeno porte. Portanto, a criação de um novo estabelecimento que supra não só a necessidade municipal como regional, seria de grande valia.
7.1.2.2. O Terreno Foi feita a análise das principais características dos terrenos disponíveis para que se pudesse analisar a viabilidade da implantação de tal estabelecimento nestas localizações. O mapa abaixo exibe os eixos de maior fluxo urbano e o acesso à rodovia que liga a cidade à região metropolitana, além de outras estradas de grande fluxo e importância no estado (Bandeirantes, Anhanguera, etc).
Figura 04 - Inserção do terreno no contexto urbano da cidade de Indaiatuba Fonte: Google Maps
A área está identificada em vermelho (A), localizada no entroncamento das ruas 24 de Maio (em marrom) e Avenida Presidente Vargas (em verde), no centro da cidade, local de grande fluxo e fácil acessibilidade, considerando que a frente do lote encontra-se a rodoviária da cidade.Sua metragem quadrada é de aproximadamente 20.000 m², sendo que de acordo com o portal imobiliário “Agente do imóvel”, atualmente o valor do metro quadrado nesta região de R$ 4,64 o m², com aumento de 1,51% ao mês. As principais avenidas de acesso encontram-se destacadas nas cores verde, e em laranja, a Rodovia Santos Dumont, mais importante acesso à algumas cidades vizinhas como: Campinas, Salto, Itu, Sorocaba, além de outras estradas do Estado de São Paulo. Considerando a possível expansão desta edificação, torna-se relevante a sua metragem quadrada e a visibilidade comercial. Portanto, a área escolhida pode ser economicamente mais vantajosa, uma vez que possui uma localização mais acessível ao transporte público e conta com uma metragem quadrada suficiente para criação de uma instalação adaptável e expansível. Este lote abrigava uma antiga tecelagem que foi demolida, por conta disto não possui diferenças de nível. Antes desta intervenção, possuía apenas uma curva de nível que o cortava, segundo informações obtidas na prefeitura de Indaiatuba. As vias que tangenciam o terreno são a Rua Humaitá, Rua Dr. Oswaldo Cruz, Avenida Dr. Jácomo Nazário, Avenida Presidente Vargas e Rua 24 de Maio. As duas últimas apresentam maior fluxo de carros que as outras e oferecem maior visibilidade no que diz respeito à dimensão de vias e arborização. A Rua 24 de Maio conecta a Avenida à outras vias do centro urbano, e se estende até o Parque ecológico, grande eixo de ligação com o resto da cidade (Figura 04). Por ser uma via de velocidade média, caracteriza a melhor opção de acesso ao terreno (em vermelho) e por conta de sua extensão, possibilita a implantação de um bolsão de desaceleração dos carros, impedindo que o acesso ao hospital cause transtornos no trânsito.
r. J á
co m oN
Figura 05 - Localização do terreno escolhido. Fonte: Google Maps
7.1.2. Público alvo O projeto será restrito à animais de pequeno porte, mas terá flexibilidade para que no futuro seja possível fazer ampliações e as adaptações se necessário, podendo inclusive, atender animais de grande porte.
7.2. Programa preliminar A intersecção entre as legislações (Item 4), estudos de caso (Item 5) permitiu gerar um programa preliminar (Figura 06), que sofreu alterações de acordo com a consultoria dos funcionários (Item 6, anexos 4 e 5) e veio a se consolidar durante as especificações de disposição e fluxos de procedimento.
Figura 06 - Programa preliminar de projeto. Fonte: Acervo Pessoal
Alguns cômodos foram incluídos com base na consultoria citada acima, são exemplos disso: “Pós-perda” que oferece uma estrutura aos proprietários em uma despedida ao animal que acabou de falecer, “Discussão de caso com proprietário” que é utilizado pelo veterinário para informar ao proprietário a condição de saúde do animal e seus possíveis procedimentos, “Conforto dos proprietários” que estabelece um espaço reservado aos proprietários em momentos difíceis nas visitas aos pacientes, ou “Espaço ecumênico” que se dedica às diferentes crenças religiosas e espirituais dos proprietários e oferece um espaço para manifestação delas.
7.3. Setorização Tratando de um estabelecimento de grande complexidade, foi necessária a definição de setores que facilitariam posteriormente o estudo de disposições (entre cômodos e os próprios setores), de percursos (determinados pelos procedimentos veterinários) e fluxos (de pessoas, materiais limpos e materiais sujos). Analisando o programa, foram elencados setores de acordo com os procedimentos realizados em suas dependências, são eles: Emergências, Cirurgia, Internação, Exames, Consultas, Apoio, Administração, Funcionários e Alimentação.
7.4. Disposição Os quadros dos pacientes são determinantes para a interação destes setores, com base nisso foram feitos os estudos de disposição entre eles, foram levados em consideração também, os acessos que a serem implantados (funcionários, serviços e público). Por exemplo: o animal internado, na maioria das vezes, passa por diferentes tipos de exames para que se possa estabelecer um diagnostico e tratamento, por isso a proximidade entre os setores de internação e exames se faz importante. Já o setor de emergências, lida com casos que necessitam de agilidade, então há a necessidade de acesso exclusivo e independente ao público. Dentro de cada setor foi feito o esboço da disposição entre os cômodos que o compunham, também levando em consideração o fluxo de usuários, materiais e resíduos.
7.4.1. Módulos O estudo da organização dos cômodos se deu através da definição de módulos de 4,0 x 4,0 m e 4,0 m x 2,0 m (dimensões propostas com base num estudo básico de layout, presente no manual denominado SomaSUS5, além da legislação vigente e suas dimensões mínimas permitidas), facilitando a espacialização do programa e sua futura flexibilidade como edificação.
Figura 07 - Disposição prévia de cômodos. Fonte: Acervo Pessoal
Sistema de Apoio à elaboração de projetos de investimento em saúde. Manuais disponibilizados na internet que expõe estudos de layout para diversos cômodos dos estabelecimentos de saúde (BRASÍLIA, 2016) 5
8. Proposta A proposta de uma edificação de saúde deve levar em conta o impacto perceptivo dos recintos em seus usuários (animais, funcionários e proprietários). No caso dos animais, que não conseguem expressar suas sensações aos seus cuidadores, deve-se ter maior cuidado diante de suas condições de permanência no local de tratamento. O estudo feito por Dalla (2007) em sua dissertação de mestrado, expõe a direta influência do espaço na recuperação de pacientes humanos, mas também no bem-estar da equipe que realiza os atendimentos, e acompanhantes, que muitas vezes vivenciam a estrutura hospitalar mais que os próprios pacientes. Com base nos fatores citados no Item 7, pôde-se elaborar um projeto preliminar que através de algumas etapas deu origem à proposta final. Depois do esboço das disposições, foram desenhadas as paredes, e então foram feitos os estudos de layout para cada cômodo (de acordo com suas atividades) para que assim pudessem ser definidos os acessos e as aberturas. Para que se definisse o fluxo predominante de cada área de circulação, foram levantados alguns percursos possíveis pelos usuários tanto na área externa quanto dentro da instituição.
Figura 08 - Implantação do Projeto. Fonte: Acervo Pessoal
8.2 Fluxos e acessos ao terreno O acesso ao terreno é feito pela Rua 24 de Maio por meio de guarita, as vias internas foram divididas em acesso público (aos proprietários e animais) e acesso restrito (aos funcionários e serviços). Para atendimento dos proprietários e animais, foram estabelecidas duas recepções uma para pronto atendimento (emergência e urgência), e a outra dedicada a serviços como: consultas agendadas ou encaminhadas do setor de emergência, consultas com especialistas, reabilitação, exames de diagnostico, admissão para internação ou cirurgia, e visitação aos internados. Detalhamento na Prancha de Implantação em anexo ao caderno (Prancha 1/5).
8.3 Setorização
Figura 09 - Setorização do Projeto - Pavimento Superior. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 10 - Setorização do Projeto - Pavimento Térreo. Fonte: Acervo Pessoal
8.4 Percursos Neste item serão tratados os acessos públicos ao prédio (Figura 11) e alguns dos percursos estabelecidos em cada setor. O números representam a ordem de acesso aos cômodos e as letras A e V (Figura 13) representam a diferenciação entre animais e veterinários, respectivamente.
Acesso da emergência
Figura 11 - Acessos ao edifício. Fonte: Acervo Pessoal
Acesso às consultas,
1 Acesso da emergência
Acesso de urgências Figura 12 - Detalhe dos percursos do proprietário e do animal no setor de emergências. Fonte: Acervo Pessoal
1 Figura 13 - Detalhe do percurso do proprietário e do animal Acesso às consultas,
no setor de consultas.
3A 2A 2V
3A 4V
Figura 14 - Detalhe do percurso do animal e dos veterinรกrios no setor de cirurgias. Fonte: Acervo Pessoal
1A 1V
8.5 perspectivas
Figura 15 - Portaria de acesso ao terreno. Fonte: Acervo Pessoalâ&#x20AC;Š
Figura 16 - Fachada da recepĂ§ĂŁo principal. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 17 - Fachada da recepção de emergências. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 18 - Vista do espelho d’água em direção à recepção principal. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 19 - Vista do espelho d’água em direção à recepção de emergência. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 20 - Vista do acesso de Funcionรกrios Fonte: Acervo Pessoalโฉ
Figura 21 - Vista do principal acesso de funcionรกrios. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 22 - Vista do café em direção à área de lazer dos pets. Fonte: Acervo Pessoal
Figura 23 - Perspectiva da ĂĄrea interna de convivĂŞncia. Fonte: Acervo Pessoal
8.4. Soluções de Projeto Foram estabelecidas algumas soluções para certas particularidades do projeto. São elas: •
Pavimento técnico:
A necessidade de fornecimento ininterrupto de serviços aos pacientes, faz com que a manutenção e revisão das instalações e equipamentos seja complexa. Desta forma, uma solução encontrada nos estudos de Arquitetura Hospitalar humana, foi o pavimento técnico. Um espaço dedicado ao fácil acesso (pelo telhado) que permite que ambos os serviços possam ser feitos simultaneamente sem complicações. Este acesso foi estabelecido sobre áreas específicas como: ambulatórios da emergência, setor de cirurgia e internação. Como tratamos de um edifício majoritariamente térreo, a solução encontrada foi o telhado verde, que, com acessos pré estabelecidos atenderão à esta particularidade. Optou-se pela tecnologia de tetos-jardim oferecida pela empresa Skygarden, que através de um substrato enriquecido, demanda menor espessura de terra e simplifica a estrutura necessária. •
Vegetação e barreira física
As principais fachadas do edifício estão expostas à grande incidência da orientação Norte e Oeste. As soluções para estes contingentes serão a utilização de massas de vegetação nas áreas externas e barreiras físicas como painéis nas fachadas e beirais.
Aberturas zenitais:
Os vestiários e banhos localizados no setor de cirurgia, servem como corredor obrigatório de acesso à área asséptica, desta forma, não possuem aberturas suficientes para que se garanta a iluminação natural e ventilação necessários. Bem como o banheiro masculino público localizado no setor de exames, a cozinha que abastece o café e a escada de acesso ao segundo pavimento, para estes casos foram aberturas zenitais. •
Delimitação do espaço:
As áreas dedicadas aos funcionários permeiam as vias de acesso público ao prédio. Para que se garantisse a privacidade e delimitação dos espaço “privado” foi utilizada a repetição de elementos em série, de forma que estabelecesse uma barreira física, porém, permeável. O mesmo acontece entre o contexto urbano e o terreno de implantação. Outra questão, foi: a proposta da edificação é que seja de acolhimento aos animais, independente de sua situação de saúde, trabalhando com acesso livre durante o dia para que funcione também como equipamento público. Ao mesmo tempo, por se tratar de um estabelecimento de funcionamento ininterrupto, devemos nos atentar à segurança no período noturno, em que existe menor número de funcionários e menor movimento. Desta forma, para que a visualização da edificação e estrutura fornecida pelo hospital não fosse prejudicada pela necessidade de fechamento do terreno, foram projetados muros intercalados com elementos vazados, permitindo a visibilidade, mas garantindo uma barreira física em locais de menor vigilância.
8.5. Equipe interprofissional Tratando-se de um programa extenso e complexo, para elaboração de um projeto executivo deverão ser contratados profissionais específicos para elaboração de projetos complementares como: paisagismo, implantação estrutural, de instalações elétricas e hidráulicas, planejamento de instalação de aparelhos de auxílio diagnóstico e terapia, ar condicionado, automatização, entre outros. Além de todo o perfil técnico a ser detalhado, existe ainda a necessidade de estudo profundo administrativo das condições e pré requisitos do empreendimento, e sua organização sistemática criando a necessidade de uma relação contínua entre todos estes responsáveis, veterinários e sócios-proprietários. A interação entre os diversos responsáveis pela elaboração de projeto e seus investidores, deve firmar valores, objetivos, e metas que serão pilares da instituição. Desta forma, poderá ser elaborado um Plano Diretor que, dentro desta proposta, possa estabelecer os caminhos futuros da instituição, tanto em sua estrutura física, como administrativa sem que se perca seus fundamentos como instituição.
9. Conclusões Os textos usados como referência para este trabalho, destacam as exigências do setor da saúde e o desenvolvimento descontrolado da área. O maior desafio deste tipo de foco arquitetônico está na necessidade de mudanças constantes do espaço para se adaptar à essa realidade. Esta área de estudo é muito recente, não só no Brasil, como na maioria dos países. A relação humano-animal se reafirma com o passar dos anos, e com ela, a importância da qualidade dos serviços prestados. Existem poucas referências para a criação de um espaço adequado aos animais e seus usuários, e a fiscalização, baseada em uma legislação pouco detalhada, complica os dilemas encontrados neste tipo de edificação. A regularização das instituições de atendimento depende de maior investimento e um melhor planejamento dos sócios-proprietários, circunstância complicada diante de uma profissão que recebe grande exigência mas pouco reconhecimento. A pesquisa dentro do contexto da construção civil aplicada à atividade veterinária pode contribuir muito para a mudança deste quadro, mas demandará muito tempo para que se crie um modelo ideal ou ao menos, adequado de fato. Por conta deste pouco desenvolvimento da pesquisa na área e um complexo e extenso programa, foram encontradas algumas dificuldades no que dizia respeito à organização de métodos e etapas da elaboração do projeto.
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ANEXOS Anexo 1: DECRETO Nº 40.400, DE 24 DE OUTUBRO DE 1995 Aprova Norma Técnica Especial relativa à instalação de estabelecimentos veterinários
MÁRIO COVAS, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais, Decreta: Artigo 1.º - Fica aprovada a Norma Técnica Especial, anexa a este decreto, que dispõe sobre a instalação de estabelecimentos veterinários, determinando as exigências mínimas para este fim, uso de radiações, de drogas, medidas necessárias ao trânsito de animais e do controle de zoonoses. Artigo 2.º - Os estabelecimentos aludidos no artigo anterior e existentes na data de publicação deste decreto, tem prazo de 12 (doze) meses para se adequarem às exigências. Artigo 3.º - Este decreto entrará em vigor na data de sua publicação. Palácio dos Bandeirantes, 24 de outubro de 1995 MÁRIO COVAS José da Silva Guedes Secretário da Saúde Robson Marinho
Secretário-Chefe da Casa Civil Antonio Angarita Secretário do Governo e Gestão Estratégica Publicado na Secretaria de Estado do Governo e Gestão Estratégica, aos 24 de outubro de 1995. Artigo 1.º do Decreto n.º 40.400, de 24 de outubro de 1995 Norma Técnica Especial relativa às condições de funcionamento de estabelecimentos veterinários, determinando as exigências mínimas de instalações, de uso de radiações, de uso de drogas, de medidas necessárias para o trânsito de animais e do controle de zoonoses
Artigo 1.º - Consideram-se estabelecimentos veterinários para os efeitos desta Norma Técnica Especial: I - consultório veterinário: o estabelecimento onde os animais são levados apenas para consulta, vedada a realização de cirurgias; II - clinica veterinária: o estabelecimento onde os animais são atendidos para consulta, tratamento médico e cirúrgico: funciona em horário restrito, podendo ter, ou não, internação de animais atendidos: III - hospital veterinário: o estabelecimento destinado ao atendimento de animais para consulta, tratamento médico e cirúrgico e internação de animais: funciona durante as vinte e quatro horas do dia;
IV - maternidade veterinária: o estabelecimento destinado ao atendimento de fêmeas prenhes ou paridas, para tratamento pré e pós-natal e realização de partes; V - ambulatório veterinário: a dependência de estabelecimento industrial, comercial, de recreação ou de ensino e/ou pesquisa, onde são atendidos os animais pertencentes ao mesmo ou sob sua guarda, para exame clínico, curativos e pequenas cirurgias; VI - serviço veterinário: a dependência de estabelecimento industrial, comercial de recreação de ensino e/ou de pesquisa, onde são atendidos animais pertencentes ao mesmo para exame clinico, tratamento médico e cirúrgico e análises clinicas; VII - parque zoológico: o estabelecimento privado ou oficial, onde são mantidos animais vivos, nativos ou exóticos, domésticos ou silvestres, para visitação pública e exposição, com finalidade de lazer e/ou didática: VIII - aquário: o estabelecimento onde são mantidos animais cujo habitat natural e a água doce ou salgada, com finalidade de lazer e/ou didática, ou criação comercial; IX - hipódromo: o estabelecimento destinado a realização de corridas de cavalos e onde são mantidos equinos de propriedade de seus associados; X - hípica: o estabelecimento onde são mantidos equinos e realizados exercícios de sela e/ou salto, para uso dos seus associados e/ou exibição pública; XI - haras: o estabelecimento onde são criados equinos para qualquer finalidade: XII - carrossel-vivo: o estabelecimento fixo ou nômade, destinado a montaria de equinos de sela, em recinto fechado, ao público em geral: XIII - rodeio: o estabelecimento fixo ou nômade, onde são mantidos equinos, bovinos e bubalinos destinados a espetáculos e/ou competições de monta de chucros; XIV - cinódromo: o estabelecimento recreativo destinado à realização de corridas de cães, onde são mantidos caninos de sua propriedade ou de seus associados;
XV - circo de animais: o estabelecimento fixo ou nômade, onde são exibidos animais amestrados, domésticos ou silvestres, ao público em geral: XVI - escola para cães: o estabelecimento onde são recebidos e mantidos cães para adestramento: XVII - pensão para animais: o estabelecimento onde são recebidos animais para estadia; XVIII - granja de criação: o estabelecimento onde são criados animais de pequeno e médio porte destinados ao consumo (aves, coelhos, suínos, e outros): XIX - hotel-fazenda: o estabelecimento de hospedagem de pessoas, localizado em zona rural, em cuja propriedade existem dependências de criação e manutenção de animais destinados ao abastecimento da despensa e cozinha, e/ou atividades esportivas e de lazer: XX - pocilga ou chiqueiro: o estabelecimento destinado à criação de suínos com a finalidade de consumo ou fornecimento de reprodutores (matrizes); XXI - canil de criação: o estabelecimento onde são criados caninos com finalidades de comércio; XXII - gatil de criação: o estabelecimento onde são criados felinos com finalidades de comércio; XXIII - "pet shop": a loja destinada ao comércio de animais, de produtos de uso veterinário, exceto medicamentos, drogas e outros produtos farmacêuticos, onde pode ser praticada a tosa e o banho de animais de estimação; XXIV - drogaria veterinária: o estabelecimento farmacêutico onde são comercializados medicamentos, drogas e outros produtos farmacêuticos de uso veterinário; XXV - biotério: a dependência de estabelecimento de pesquisa de ensino, comercial ou industrial, onde são mantidos animais vivos destinados à reprodução e desenvolvimento com a finalidade de servirem a pesquisas médicas, científicas provas e testes de produtos farmacêuticos, químicos e biológicos, ou de diagnóstico; XXVI - laboratório veterinário: o estabelecimento que realiza análises clínicas ou de diagnóstico referentes à veterinária:
XXVII - salão de banho e tosa: o estabelecimento destinado à prática de banho, tosa e penteado de animais domésticos ("trimming" e "grooming"). Parágrafo único - São também considerados estabelecimentos veterinários quaisquer outros onde haja animais vivos destinados ao consumo, ao ensino, à pesquisa, ao lazer, ou qualquer outra utilização pelo ser humano, não especificada nesta Norma, mas que, por sua atividade, possam, direta ou indiretamente, constituir riscos à saúde da comunidade.
TÍTULO II Do Funcionamento CAPÍTULO I Disposições Gerais
Artigo 2.º - Os estabelecimentos veterinários somente poderão funcionar no território do Estado de São Paulo mediante licença de funcionamento e alvará expedido pela autoridade sanitária competente. Parágrafo único - Somente será concedida licença e expedido alvará aos estabelecimentos veterinários devidamente legalizados perante o Conselho Regional de Medicina Veterinária e autoridade municipal. Artigo 3.º - Os estabelecimentos veterinários são obrigados, na forma da legislação vigente, a manter um médico veterinário responsável pelo seu funcionamento. Artigo 4.º - A mudança para local diverso do previsto no licenciamento dependerá de licença prévia da autoridade sanitária competente e ao atendimento às exigências desta Norma.
Artigo 5.º - Os estabelecimentos veterinários deverão ser mantidos nas mais perfeitas condições de ordem e higiene, inclusive no que se refere ao pessoal e material.
CAPÍTULO II Das Instalações
Artigo 6.º - Para os efeitos desta Norma Técnica Especial constituem dependências, instalações, recintos e partes dos estabelecimentos veterinários: I - sala de recepção e espera: destina-se à permanência dos animais que aguardam atendimento; deve ter acesso diretamente do exterior; sua área mínima deve ser 10,00m² sendo a menor dimensão no plano horizontal não inferior a 2.50m; o piso dever ser liso, impermeável e resistente a pisoteio e desinfetantes; as paredes devem ser impermeabilizadas até altura de 2.00m; II - sala de consultas: destina-se ao exame clínico dos animais; deve ter acesso direto da sala de espera; sua área mínima deve ser 6,00m², sendo a menor dimensão no plano horizontal não inferior a 2,00m: o piso deve ser liso, impermeável e resistente a pisoteio e desinfetantes; as paredes devem ser impermeabilizadas até a altura de 2,00m; III - sala de curativos: destina-se à prática de curativos, aplicações e outros procedimentos ambulatoriais: obedece às especificações para a sala de consultas; IV - sala de cirurgia: destina-se à prática de cirurgias em animais; a sua área deve ser compatível com o tamanho da espécie a que se destina, nunca inferior a 10.00m², sendo a menor dimensão no plano horizontal nunca inferior a 2,00m; o piso deve ser liso, impermeável e resistente a pisoteio e desinfetantes; suas paredes devem ser impermeabilizadas até a altura de 2,00m; o
forro dever ser de material que permita constantes assepsia; não deve haver cantos retos nos limites parede-piso e parede-parede; as janelas devem ser providas de telas que impeçam a passagem de insetos; seu acesso deve ser através de antecâmara; V - antecâmara: compartimento de passagem; sua área mínima deve ser 4.00m², sendo a menor dimensão no plano horizontal nunca inferior a 2,00m; o piso deve ser liso e impermeável; as paredes devem ser impermeabilizadas até a altura de 2,00m; conterá pia para lavagem e desinfecção das mão e braços dos cirurgiões; poderá conter armários; VI - sala de esterilização: destina-se a esterilização dos materiais utilizados nas cirurgias, nos ambulatórios e nos laboratórios; seu piso deve ser liso e impermeável, resistente a desinfetantes; as paredes devem ser impermeabilizadas até o teto; sua área mínima é de 6,00m² sendo menor dimensão no plano horizontal nunca inferior a 2,00m; deve ser provida de equipamento para esterilização seca e úmida; VII - sala de coleta: destina-se á coleta de material para análise laboratorial médico veterinário: sua área minima deve ser 4,00m2, sendo a menor dimensão no plano horizontal nunca inferior a 2.00m; o piso e as paredes devem ser impermeabilizados; VIII - sala para abrigo de animais: destina-se ao alojamento de animais internados; nela se localizam as instalações e compartimentos de internação; seu acesso deve ser afastado das dependências destinadas a cirurgia e laboratórios; o piso deve ser liso e impermeabilizado, resistente ao pisoteio e desinfetantes: as paredes devem ser impermeabilizadas ate a altura de 2,00m; deve ser provida de instalações necessárias ao conforto e segurança dos animais e propiciar ao pessoal que nela trabalha condições adequadas de higiene e segurança ao desempenho: suas dimensões devem ser compatíveis com o tamanho das espécies a que se destina; deve ser provida de dispositivos que evitem a propagação de ruídos incômodos e exalação de odores: deve ser provida de água corrente suficiente para a higienização ambiental; o escoamento das águas servidas deve ser ligado á rede de esgoto, ou, na inexistência desta, ser ligado á fossa séptica com poço absorvente; as portas e as janelas devem ser providas de tela para evitar a entrada de insetos;
IX - sala de radiografias: deve ter dimensão compatível com o tamanho da espécie a que se destina; suas especificações de proteção ambiental e individual devem obedecer á legislação vigente para radiações; X - sala de tosa: destina-se ao corte de pelos dos animais; sua área minima deve ser 2,00m; o piso deve ser impermeável. liso e resistente a desinfetantes; as paredes devem ser impermeabilizadas até' a altura de 2,00m: XI - sala para banhos: deve ter piso impermeável e resistente a desinfetantes; as paredes devem ser impermeabilizadas até a altura de 2,00m; a banheira deve ter paredes lisas e impermeáveis; o escoamento das águas servidas deve ser ligado diretamente á rede de esgoto, sendo o da banheira provido de caixa de sedimentação; a área minima dever ser 2,00m²; XII - sala para secagem e penteado: deve ter piso liso, impermeável e resistente aos desinfetantes; as paredes devem ser impermeabilizadas até 2,00m de altura: XIII - canil: o compartimento destinado ao abrigo de cães; deve ser individual, construído em alvenaria. com área compatível com o tamanho dos animais que abriga e nunca inferior a 1,00m²; as paredes devem ser lisas, impermeabilizadas de altura nunca inferior a 1,5m; o escoamento das águas servidas não poderá comunicar-se diretamente com outro canil: em estabelecimentos destinados ao tratamento de saúde pode ser adotado o canil de metal inoxidável ou com pintura antiferruginosa. com piso removível; em estabelecimentos destinado ao adestramento e/ou pensão pode ser adotado o canil tipo solário, com área minima de 2,00m², sendo o solário totalmente cercado por tela de arame resistente, inclusive por cima; XIV - gaiola: a instalação destinada ao abrigo de aves, gatos e outros animais de pequeno porte; deve ser construída em metal inoxidável ou com pintura antiferruginosa; não pode ser superposta a outra gaiola nem o escoamento das águas servidas pode comunicar-se diretamente com outra gaiola; XV - jaula: o compartimento destinado ao abrigo de animais que oferecem risco a pessoas; sua área e volume devem ser compatíveis com o tamanho do animal que abriga; o sistema de limpeza deve ser adequado a eficiência e segurança: nos estabelecimentos de exposição ao público (zoológicos, feiras, e outros) deve estar afastado deste no mínimo 1,50m:
XVI - fosso: o compartimento destinado ao abrigo de animais silvestres proporcionando-lhes condições ambientais semelhantes às de seu habitat natural; sua área deve ser compatível com o número e espécies de animais que abriga; o vão que o separa do público deve ter distância e altura que impeçam, com segurança, a fuga de animais: o escoamento das águas servidas deve ligar-se diretamente a rede de esgotos ou, na inexistência desta, deve ser ligado a fossa séptica provida de poço absorvente; o sistema de limpeza deverá oferecer total segurança ao pessoal; XVII - viveiro: instalação destinada ao abrigo de aves e répteis: deve ter área e volume compatíveis com as espécies que abriga, de modo a evitar que os animais possam sofrer lesões por restrição aos seus movimentos naturais; XVIII - baia: compartimento destinado ao abrigo de animais de grande porte (equinos, bovinos, e outros); sua área deve ser compatível com o tamanho dos animais que abriga, nunca inferior a 10,00m², sendo a menor dimensão no plano horizontal nunca inferior a 3.00m, com pé direito mínimo de 3,00m: o piso deve ser resistente ao pisoteio e a desinfetantes, provido de escoamento de águas servidas ligado diretamente a rede de esgotos ou a canaleta coletora externa provida de grade protetora; XIX - box ou casela: a instalação destinada a permanência de animais por período restrito de tempo (ordenha, curativo, exposição, e outros): sua área deve ser compatível com a espécie que abriga e a finalidade de seu uso; XX - estábulo: recinto cercado de alvenaria, provido de cobertura, destinada ao abrigo de gado vacum; XXI - cocheira: dependência destinada ao abrigo de equinos; pode constituir-se por uma série de baias ou boxes; XXII - pocilga: um recinto cercado de alvenaria, provido de cobertura, destinado ao abrigo de suínos; XXIII - curral: um recinto cercado de mourões e arames, ou alvenaria, destinado ao recolhimento de gado vacum; XXIV - abrigo para resíduos sólidos: destina-se ao armazenamento de resíduos sólidos gerados no estabelecimento enquanto aguardam a coleta; deverá ser dimencionado para conter o equivalente a três dias de geração; as paredes e pisos deverão ser de material resistente a desinfetantes e impermeabilizados; sua área mínima deve ser 1,00m²; deve ser provido de dispositivos que impeçam a entrada e proliferação de roedores e artrópodes nocivos, bem como exalação de odores; sua localização deverá
ser fora do corpo do prédio principal; o armazenamento de resíduos infectantes deverá ser feito em separado dos resíduos comuns: XXV - esterqueira: destina-se ao armazenamento das fezes geradas no estabelecimento para posterior aproveitamento; deverá ser hermeticamente fechada e provida de dispositivos que evitem a entrada e proliferação de roedores e artrópodes, bem como a exalação de odores.
CAPÍTULO III Das Condições Mínimas para Funcionamento
Artigo 7.º - Nenhum estabelecimento veterinário poderá funcionar sem a presença do profissional médico veterinário durante o período de atendimento. Artigo 8.º - As instalações mínimas para funcionamento de consultório veterinário são: I - sala de espera; II - sala de consultas; III - sanitário. Artigo 9.º - As instalações mínimas para funcionamento de clínica veterinária são: I - sala de espera; II - sala de consultas; III - sala de cirurgias; IV - sanitário;
V - compartimento de resíduos sólidos. Parágrafo único - Se a clínica internar animais, deverá ainda ter: I - sala para abrigo de animais; II - cozinha. Artigo 10 - As instalações mínimas para funcionamento de hospital veterinário são: I - sala de espera; II - sala de consultas; III - centro cirúrgico, constando de: a) sala de esterilização de materiais; b) antecâmara de assepsia; c) sala de cirurgias com equipamento completo para anestesia geral e ressuscitador; d) sala de registro e expediente; e) serviço de radiologia; f) cozinha; g) local adequado para abrigo dos animais internados; h) compartimento de resíduos sólidos: i) sanitários e vestiários. § 1.º. - O descarte das camas e dejetos deverá ser feito de maneira a evitar a proliferação de artrópodes e roedores nocivos; deverá dispor de dispositivos que evitem a exalação de odores. § 2.º- As gaiolas, jaulas e canis não poderão ser superpostos. Artigo 11 - As instalações mínimas para funcionamento de serviço veterinário são:
I - local adequado para exame clínico dos animais; II - sala de cirurgias; III - sala de expediente e registro; IV - sala de estoque e almoxarifado geral; V - local adequado para abrigo dos animais. Artigo 12 - As instalações mínimas para funcionamento de ambulatório veterinário são: I - local para exame clínico dos animais; II - local adequado para a prática de curativos e pequenas cirurgias. Artigo 13 - As instalações mínimas para funcionamento de maternidade veterinária são: I - sala de recepção e espera; II - sala de consultas; III - sala de partes, devidamente equipada; IV - sala de cirurgias; V - sala de radiologia; VI - local adequado para alojamento dos animais internados. Artigo 14 - Os parques zoológicos, as hípicas, os hipódromos, os aquários, os cinódromos, e congêneres devem ter, além da estrutura necessária às suas finalidades, serviço veterinário conforme o disposto no artigo 11. Parágrafo único - Quando o estabelecimento não dispuser de condições para manter serviço veterinário próprio, poderá, a critério da autoridade sanitária competente, contratar a assistência veterinária de terceiros.
Artigo 15 - Os haras, carrosséis-vivos, escolas para cães, pensões para animais, granjas de criação, pocilgas, hotéis-fazenda, e congêneres devem ter, além da estrutura necessária ao desenvolvimento de suas atividades, ambulatórios veterinário conforme o disposto no artigo 12. Artigo 16 - As instalações mínimas para funcionamento de biotério são: I - sala para animais acasalados: II - sala para animais inoculados: III - sala para higiene e desinfecção e secagem das caixas, gaiolas, comedouros e demais insumos necessários; IV - depósitos de camas e rações; V - abrigo para resíduos sólidos; VI - forno crematório devidamente aprovado pelo órgão de controle ambiental competente. Parágrafo único - As águas servidas provenientes de animais inoculados devem, obrigatoriamente, ser tratadas antes de serem lançadas na rede de esgoto. Artigo 17 - As instalações mínimas para o funcionamento de laboratório de análises clinicas e de diagnóstico veterinário são: I - sala de espera; II - sala de coleta de material; III - sala para realização das análises clínicas ou de diagnósticos próprios do estabelecimento; IV - sala para abrigo dos animais, quando realizar testes biológicos: V - abrigo para resíduos sólidos. Artigo 18 - As instalações mínimas necessárias para funcionamento de "pet shop's" são: I - loja com piso impermeável; II - sala para tosa ("trimming");
III - sala para banho com piso impermeável; IV - sala para secagem e penteado ("grooming"); V - abrigo para resíduos sólidos. § 1.º - As instalações para abrigo dos animais expostos a venda deverão ser separadas das demais dependências. § 2.º - As "pet shop" não podem comercializar medicamentos e produtos terapêuticos. Artigo 19 - As demais dependências não específicas de estabelecimento veterinário obedecerão o disposto na legislação sanitária vigente.
Artigo 20 - O quadro de funcionários das clínicas, hospitais, maternidades, serviços e ambulatórios veterinários incluirá, obrigatoriamente: médico veterinário responsável, auxiliar de veterinário, faxineiro, que deverão estar presentes durante todo o período de atendimento. Artigo 21 - O quadro de funcionários dos parques zoológicos, aquários, hipódromos, hípicas, haras, carrosséis-vivos, escolas para cães, pensões para animais, granjas de criação, hotéis-fazenda, canis e gatis de criação, e "pet shop" incluirá, obrigatoriamente, faxineiro e auxiliar de veterinário, que deverão estar presentes durante todo o período de expediente. Parágrafo único - O médico veterinário responsável, obrigatório para todos os estabelecimentos veterinários, poderá exercer, suas atividades em horário mais restrito que o do expediente nos estabelecimentos incluso neste artigo, a critério da autoridade sanitária competente.
Artigo 22 - Os circo e os rodeios, por serem estabelecimentos nômades. quando não contarem com médico veterinário em seu quadro de pessoal, poderão contratar profissional veterinário em cada praça onde se apresentem.
CAPÍTULO V Da Localização
Artigo 23 - Os haras, os rodeios, os carrosséis-vivos, os hotéis-fazenda, as granjas de criação, as pocilgas, e congêneres não poderão localizar-se no perímetro urbano. § 1.º - Os estabelecimentos incluídos neste artigo que, à data de promulgação desta Norma Técnica Especial, já se encontram localizados dentro do perímetro urbano, poderão, a critério da autoridade sanitária competente, permanecer onde se encontram pelo tempo que esta determinar, desde que satisfeitos os requisitos desta Norma, notadamente no que se refere a exalação de odores, propagação de ruídos incômodos e proliferação de roedores e artrópodes nocivos. § 2.º - Sempre que o perímetro urbano alcance a área onde esteja instalado algum estabelecimento veterinário incluído neste artigo, este deverá providenciar a sua mudança de localização, no prazo que lhe for determinado pela autoridade sanitária competente. Artigo 24 - Os cinódromos, os hipódromos, as hípicas, e parque zoológicos poderão localizar-se no perímetro urbano, desde que fora de área estritamente residencial, a critério da autoridade sanitária competente. satisfeitas as exigências desta Norma Técnica e consideradas as condições locais e os eventuais prejuízos a saúde pública.
Artigo 25 - As escolas para cães e pensões para animais poderão localizar-se dentro do perímetro urbano, fora das áreas estritamente residenciais, a critério da autoridade sanitária competente e autoridade municipal, que levarão em conta os eventuais prejuízos a saúde pública. Artigo 26 - Nos hoteis-fazenda, as baias, cocheiras, estábulos, apriscos e demais instalações de abrigo de animais deverão estar afastadas das instalações de hospedagem no mínimo 100,00m. Parágrafo único - As instalações para abrigos de grandes animais deverão estar afastadas dos terrenos limítrofes e da frente das estradas no mínimo 50,00m. Artigo 27 - Os estabelecimentos de caráter médico veterinário para atendimento de animais de pequeno porte poderão localizar-se no perímetro urbano. fora das áreas estritamente residenciais, considerados os eventuais prejuízos à saúde pública.
CAPÍTULO VI Do Uso de Radiações
Artigo 28 - Os estabelecimentos veterinários destinados ao atendimento médico cirúrgico poderão manter e utilizar aparelhos emissores de radiação. obedecidas as disposições legais vigentes. Artigo 29 - É vedada a manutenção e uso de aparelhos emissores de radiação nos estabelecimentos veterinários comerciais e industriais. Artigo 30 - Os estabelecimentos que se dedicam à inseminação artificial e/ou pesquisa científica poderão, a critério da autoridade sanitária competente, manter e usar aparelhos emissores de radiações, desde que comprovada a sua necessidade real.
Artigo 31 - Os aparelhos radiológicos portáteis, utilizados na clínica médica e cirúrgica de animais de grande porte, dos exóticos e/ou silvestres, deverão ter alvará especifico de funcionamento que especifique seus limites de uso.
CAPÍTULO VII Do Uso de Drogas sob Controle Especial
Artigo 32 - Os estabelecimentos veterinários destinados a tratamento de saúde, inclusive os ambulatórios e serviços veterinários de escolas de veterinária, dos haras, das hípicas, dos hipódromos, dos cinódromos, e congêneres podem adquirir e utilizar drogas sob controle especial, desde que devidamente legalizadas e reconhecidas pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária e pela autoridade sanitária estadual competente. Artigo 33 - A aquisição, prescrição e uso de tais drogas deverá obedecer ao disposto na legislação pertinente em vigor. Artigo 34 - As drogarias veterinárias obedecem às normas válidas para as drogarias em geral.
CAPÍTULO VIII Do Controle de Zoonoses
Artigo 35 - A ocorrência de zoonoses em animais e de notificação compulsória às autoridades competentes.
Artigo 36 - São de notificação obrigatória as ocorrências de raiva, de leptospirose, de leishmaniose, de tuberculose, de toxoplasmose, e brucelose, de hidatidose e de cisticercose. Artigo 37 - É obrigatória a vacinação de animais contra raiva e leptospirose.
CAPÍTULO IX Do Licenciamento dos Estabelecimento.
Artigo 38 - Somente os consultórios veterinários são dispensados do alvará de funcionamento previsto no artigo 2.º desta Norma Técnica. Parágrafo único - Os consultórios veterinários, para seu funcionamento deverão notificar sua abertura à autoridade sanitária de sua jurisdição, nos termos da legislação vigente. Artigo 39 - Conforme a característica do estabelecimento, a critério da autoridade sanitária competente, a responsabilidade veterinária de que trata o artigo 3.º desta Norma Técnica poderá ser contratada com outro estabelecimento veterinário.
CAPÍTULO X Do Trânsito de Animais
Artigo 40 - É vedada a entrada e o trânsito de animais no território do Estado de São Paulo sem o certificado de vacinação obrigatória e demais medidas sanitárias e de sanidade emitidos por veterinário oficial ou credenciado pelas autoridades sanitárias competentes. Artigo 41 - Nenhum animal em trânsito poderá permanecer embarcado por período superior a 24 horas sem que receba alimento e água convenientemente. Artigo 42 - Nenhum animal poderá ser transportado sem condições de conforto e segurança que lhes permita perfeita sanidade. de acordo com o preceituado no Decreto-Lei Federal n.º 24.645, de 10 de julho de 1934. Artigo 43 - Os veículos transportadores de animais em trânsito pelo território do Estado de São Paulo deverão ter prova de desinfecção e limpeza efetuadas antes do embarque. Artigo 44 - As condições de segurança e lotação dos veículos transportadores de animais deverão ser rigorosamente obedecidas. Artigo 45 - Os casos omissos na presente Norma Técnica Especial serão decididos pela autoridade sanitária estadual competente
Anexo 2: RESOLUÇÃO N.º 670, DE 10 DE AGOSTO DE 2000 ●
Conceitua e estabelece condições para o funcionamento de estabelecimentos médicos veterinários, e dá outras pro-
vidências. O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA, pelo seu Plenário reunido no dia 10 de agosto de 2000, no uso das atribuições que lhe confere a alínea "f" do artigo 16 da Lei n.º 5.517, de 23 de outubro de 1968, regulamentada pelo Decreto nº 64.704, de 17 de junho de 1969, RESOLVE: CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º A Instalação, equipamentos e o funcionamento de estabelecimentos Médicos Veterinários ficam subordinados às condições e especificações da presente resolução e demais dispositivos legais pertinentes. CAPÍTULO II DOS ESTABELECIMENTOS MÉDICOS VETERINÁRIOS Seção I Dos Hospitais Art. 2º Hospitais Veterinários são estabelecimentos destinados ao atendimento de pacientes para consultas, internamentos e tratamentos clínicos-cirúrgicos, de funcionamento obrigatório em período integral (24 horas), com a presença permanente e sob a responsabilidade técnica de Médico Veterinário. Parágrafo Único. Excetuam-se a regra estabelecida neste artigo os Hospitais-escola, que deverão ter atendimento continuado a pacientes internados durante o período de funcionamento pré-estabelecido pela instituição. (1)
Art. 3º São condições para o funcionamento de Hospitais Veterinários: I - setor de atendimento: 1. sala de recepção; 2. consultório; 3. sala de ambulatório; 4. arquivo médico. II - setor cirúrgico: 1. sala de preparo de pacientes; 2. sala de antissepsia com pias de higienização; 3. sala de esterilização de materiais; 4. unidade de recuperação intensiva; 5. sala cirúrgica: 1. mesa cirúrgica impermeável de fácil higienização; 2. oxigenoterapia e anestesia inalatória; 3. sistema de iluminação emergencial própria; 4. mesas auxiliares. III - setor de internamento: 1. mesa e pia de higienização; 2. baias, boxes ou outras acomodações individuais e de isolamento compatíveis com os animais a elas destinadas, de fácil higienização, obedecidas as normas sanitárias municipais e/ou estaduais; 3. local de isolamento para doenças infectocontagiosas.
IV - setor de sustentação: 1. lavanderia; 2. local para preparo de alimentos; 3. depósito/almoxarifado; 4. instalações para repouso de plantonistas; 5. sanitários/vestiários compatíveis com o nº de funcionários; 6. setor de estocagem de medicamentos e drogas V - setor auxiliar de diagnóstico: 1. serviço de diagnóstico por imagens e análises clínicas próprios, conveniados ou terceirizados, realizados nas dependências ou fora do Hospital, obedecendo as normas para instalação e funcionamento da Secretaria de Saúde do Município ou Estado, desde que as prestadoras atendam à Legislação em vigor. VI - equipamentos indispensáveis: 1. manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; 2. secagem e esterilização de materiais; 3. respiração artificial; 4. conservação de animais mortos e restos de tecidos. Seção II Das Clínicas Veterinárias Art. 4º Clínicas Veterinárias são estabelecimentos destinados ao atendimento de animais para consultas e tratamentos clínicos-cirúrgicos, podendo ou não ter internamentos, sob a responsabilidade técnica e presença de Médico Veterinário.
Parágrafo único. No caso de internamentos, é obrigatório manter, no local, um auxiliar no período integral de 24 horas e, à disposição, um profissional Médico Veterinário durante o período mencionado. Art. 5º São condições para funcionamento de Clínicas Veterinárias: I - setor de atendimento: 1. sala de recepção; 2. consultório; 3. sala de ambulatório; 4. arquivo médico. II - setor cirúrgico: 1. sala para preparo de pacientes; 2. sala de antissepsia com pias de higienização; 3. sala de esterilização de materiais; 4. sala cirúrgica: 1. mesa cirúrgica impermeável de fácil higienização; 2. oxigenoterapia; 3. sistema de iluminação emergencial próprio; 4. mesas auxiliares; 5. unidade de recuperação intensiva. III - setor de internamento (opcional), deve dispor de: 1. mesa e pia de higienização;
2. baias, boxes ou outras acomodações individuais e de isolamento, com ralos individuais para as espécies destinadas e de fácil higienização, e com coleta deferência de lixo, obedecidas as normas sanitárias municipais e/ou estaduais. IV - setor de sustentação: 1. local para manuseio de alimentos; 2. instalações para repouso de plantonista e auxiliar (quando houver internamento); 3. sanitários/vestiários compatíveis com o nº de funcionários; 4. lavanderia (quando houver internamento); 5. setor de estocagem de drogas e medicamentos. V - equipamentos indispensáveis para: 1. manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; 2. secagem e esterilização de materiais; 3. conservação de animais mortos e/ou restos de tecidos (opcional). Seção III Do Consultório e Ambulatório Médico Veterinário Art. 6º Consultórios Veterinários são estabelecimentos de propriedade de Médico Veterinário, destinados ao ato básico de consulta clínica, curativos e vacinações de animais, sendo vedada a internação e realização de cirurgia. Parágrafo único. Os Consultórios Veterinários estão isentos de pagamento de taxa de inscrição e anuidade, embora obrigados ao registro no Conselho de Medicina Veterinária. Art. 7º São condições de funcionamento dos consultórios dos médicos veterinários: I - setor de atendimento:
1. sala de recepção; 2. mesa impermeável de fácil higienização; 3. consultórios; 4. pias de higienização; 5. arquivo médico; 6. armários próprios para equipamentos e medicamentos. II - equipamentos necessários: 1. manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; 2. secagem e esterilização de materiais Art. 8º Ambulatórios Veterinários são as dependências de estabelecimentos comerciais, industriais, de recreação ou de ensino, onde são atendidos os animais pertencentes exclusivamente ao respectivo estabelecimento, para exame clínico e curativos, com acesso independente. I - setor de atendimento: 1. sala de recepção; 2. mesa impermeabilizada de fácil higienização; 3. consultório; 4. pias de higienização; 5. arquivo médico CAPÍTULO III DA UNIDADE MÓVEL DE ATENDIMENTO MÉDICO VETERINÁRIO
Art. 9º Unidade Móvel de Atendimento Médico Veterinário é o veículo utilitário vinculado a um estabelecimento Médico Veterinário, utilizado unicamente para transportes de animais, sendo vedada realização de consulta, vacinação ou quaisquer outros procedimentos médicos veterinários. § 1º A Unidade Móvel de Atendimento só poderá ter gravado o nome, logomarca, endereço, telefone, serviços prestados pelo estabelecimento e horário de atendimento, sendo vedado sua utilização para fins comerciais. § 2º A Unidade Móvel de Atendimento poderá prestar serviços de utilidade pública no transporte de animais em apoio à Saúde Animal, Saúde Pública, Pesquisa e Ensino Profissional. Art. 10. O estabelecimento médico veterinário deve comunicar, por escrito, ao respectivo Conselho a implantação da Unidade Móvel, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias antes do início dos serviços, contendo tal documento: a marca, cor, ano, placa, especificação completa dos equipamentos e gravações constantes do § 1º deste artigo. Art. 11. Para fins de aplicação do presente artigo, são considerados estabelecimentos médicos veterinários: hospitais veterinários, clínicas veterinárias, consultórios veterinários, estabelecimentos de ensino, pesquisa, outros órgãos públicos e privados que utilizem a Unidade Móvel de Atendimento Médico Veterinário. Art. 12. O estabelecimento médico veterinário que possuir unidade móvel, até a data de publicação desta resolução, terá o prazo de 90 (noventa) dias para comunicar, por escrito, a existência de serviços de unidades móveis, de acordo com o estabelecido no artigo 10 desta resolução. CAPÍTULO IV DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Seção I Das Penalidades Art. 13. Revogado(2)
§ 1º A multa será aplicada pelo respectivo Conselho Regional de Medicina Veterinária e deverá levar em conta o princípio de gradação da multa, cabendo pedido de reconsideração ao respectivo CRMV e recurso ao CFMV. § 2º Havendo reincidência, a multa será, de pelo menos, o dobro da multa anterior, não podendo ultrapassar o teto máximo. Seção II Dos Recursos Art. 14. Havendo recurso ao CFMV, o recorrente deverá depositar, junto ao CRMV, o valor da multa, dentro do prazo recursal, sob pena de deserção do recurso. § 1º O valor da multa recebida deverá ser depositada em caderneta de poupança específica, em nome do Conselho Regional de Medicina Veterinária/ empresa ou número do processo. § 2º Se o recurso for provido parcial ou totalmente, o valor será devolvido com os acréscimos correspondentes pagos pela caderneta de poupança neste período. Sendo rejeitado o recurso, tão logo o CFMV publique a decisão, será o valor da multa incorporado a receita do CRMV, para os fins legais. Seção III Das Disposições Finais Art. 15. A reincidência só ocorrerá quando a prática ou omissão do ato for sobre o mesmo tipo de infração e quando não caiba mais recurso em Processo Administrativo. Art. 16. Os hospitais, clínicas e consultórios veterinários podem conter dependências próprias e com acesso independente para comercialização de produtos para uso animal e prestação de serviços para animais, desde que conste de seus objetivos sociais regularmente inscritos na Junta Comercial ou Cartório de Registro de Títulos e Documentos.
100 Art. 17. Excepcionalmente os hospitais, clínicas, consultórios e ambulatórios veterinários terão prazo, até 30-09-2001, para se adequarem às exigências desta resolução. § 1º Os hospitais, clínicas, consultórios e ambulatórios veterinários que solicitarem ou forem intimados a se registrarem no Conselho, deverão obedecer as normas aqui estabelecidas. § 2º Os hospitais, clínicas, consultórios e ambulatórios veterinários que estiverem funcionando irregularmente, serão incursos nas penalidades previstas nesta resolução. Art. 18. Toda atividade passível de terceirização poderá ser aceita, desde que cumpridos os dispositivos estabelecidos nesta resolução, ou em outras que a substitua ou complemente, e legislação sanitária. Art. 19. Hospitais, clínicas, consultórios ou ambulatórios devem adotar providências para embalar e armazenar em separado o lixo hospitalar com maior risco de contaminação e transmissão de enfermidades, para coleta por órgão competente. Art. 20. A presente resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário, especificamente, a Resolução nº 630, de 08 de junho de 1995 e Resolução nº 642, de 24 de setembro de 1997.(3) Publicada no DOU de 20-03-2001, Seção 1, Págs. 88 e 89.
Anexo 3: Resolução CFMV Nº 1015 DE 09/01/2013
Publicado no DO em 31 jan 2013 Conceitua e estabelece condições para o funcionamento de estabelecimentos médicos veterinários, e dá outras providências. O Conselho Federal de Medicina Veterinária - CFMV -, no uso das atribuições que lhe confere a alínea "f" do art. 16 da Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1968, regulamentada pelo Decreto nº 64.704, de 17 de junho de 1969, Resolve: CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º. O funcionamento de estabelecimentos médicos veterinários, as instalações e os equipamentos necessários aos atendimentos realizados ficam subordinados às condições e especificações da presente Resolução e demais dispositivos legais pertinentes. Parágrafo único. Em se tratando de serviço especializado, deve ser atendido o que preceitua a Resolução CFMV nº 935, de 10 de dezembro de 2009, que dispõe sobre requisitos para exercício da especialidade. CAPÍTULO II DOS ESTABELECIMENTOS MÉDICOS VETERINÁRIOS Seção I Dos Hospitais
102 Art. 2º. Hospitais Veterinários são estabelecimentos capazes de assegurar assistência médica curativa e preventiva aos animais, de funcionamento obrigatório em período integral (24 horas), com a presença permanente e sob a responsabilidade técnica de médico veterinário. Art. 3º. São condições para o funcionamento de hospitais veterinários: I - setor de atendimento: a) sala de recepção; b) consultório; c) sala de ambulatório; d) arquivo médico; e) sala de vacinação f) no caso de grandes animais a sala de vacinação será substituída por brete ou tronco de contenção. II - setor cirúrgico: a) sala de preparo de pacientes; b) sala de antissepsia com pias de higienização; c) sala de lavagem e esterilização de materiais; d) unidade de recuperação anestésica; 1. sistemas de aquecimento e monitorização do paciente; 2. sistemas de provisão de oxigênio e ventilação mecânica; 3. armário com chave para guarda de medicamentos e armário para descartáveis necessários a seu funcionamento. 4. no caso dos medicamentos sujeitos a controle, será obrigatória a sua escrituração em livro apropriado, de guarda do Médico Veterinário responsável técnico e devidamente registrado na vigilância sanitária. e) sala cirúrgica:
103 1. mesa cirúrgica impermeável, com bordas e dispositivo de drenagem e de fácil higienização; 2. equipamentos para anestesia inalatória, com ventiladores mecânicos; 3. equipamentos para monitorização anestésica; 4. sistema de iluminação emergencial própria; 5. desfibrilador; 6. foco cirúrgico; 7. instrumental para cirurgia, em qualidade e quantidade adequadas à rotina; 8. bombas de infusão; 9. aspirador cirúrgico. 10. mesas auxiliares. III - setor de internamento: a) mesa e pia de higienização; b) baias, boxes ou outras acomodações individuais e de isolamento compatíveis com os animais a elas destinadas, de fácil higienização, obedecidas as normas sanitárias municipais e/ou estaduais; c) local de isolamento para doenças infectocontagiosas; d) armário para guarda de medicamentos e materiais descartáveis necessários a seu funcionamento. IV - setor de sustentação: a) lavanderia; b) local para preparo de alimentos; c) depósito/almoxarifado; d) instalações para repouso de plantonistas e funcionários; sanitários /vestiários compatíveis com o nº de funcionários;
104 f) setor de estocagem de medicamentos e fármacos; g) conservação de animais mortos e restos de tecidos. V - setor auxiliar de diagnóstico: a) setor auxiliar de diagnostico próprio, conveniado ou terceirizado, realizados nas dependências ou fora do hospital. VI equipamentos indispensáveis: a) geladeira, com termômetro de máxima e mínima para manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; b) dispositivos para lavagem, secagem e esterilização de materiais; Parágrafo único. O hospital deverá manter convênio com empresa devidamente credenciada para recolhimento de cadáveres e lixo hospitalar. Seção II Das Clínicas Veterinárias Art. 4º. Clínicas veterinárias são estabelecimentos destinados ao atendimento de animais para consultas e tratamentos clínico-cirúrgicos, podendo ou não ter internamentos, sob a responsabilidade técnica e presença de médico veterinário. § 1º No caso de internamentos, é obrigatório manter no local um profissional médico veterinário e um auxiliar no período integral. § 2º Havendo internação apenas no período diurno, a clínica deverá manter Médico Veterinário e auxiliar durante todo o período de funcionamento do estabelecimento. § 3º Havendo atendimento cirúrgico a clínica deverá manter atendimento 24 horas e unidade de recuperação pós-anestésica. § 4º A opção de internação em período diurno ou integral e de atendimento cirúrgico deverá ser expressamente declarada por ocasião de seu registro no sistema CFMV/CRMVs. Art. 5º. São condições para funcionamento de clínicas veterinárias:
105 I - setor de atendimento: a) sala de recepção; b) consultório; c) sala de ambulatório; d) arquivo médico. II - setor cirúrgico: a) sala para preparo de pacientes; b) sala de antissepsia com pias de higienização; c) sala de lavagem e esterilização de materiais; d) unidade de recuperação anestésica 1. sistemas de aquecimento e monitorização do paciente; 2. sistemas de provisão de oxigênio e ventilação mecânica. 3. armário para guarda de medicamentos e descartáveis necessários a seu funcionamento. 4. no caso dos medicamentos sujeitos a controle, será obrigatória a sua escrituração em livro apropriado, de guarda do Médico Veterinário responsável técnico e devidamente registrado na vigilância sanitária. e) sala cirúrgica: 1. mesa cirúrgica impermeável, com bordas e dispositivo de drenagem e de fácil higienização; 2. equipamentos para anestesia inalatória, com ventiladores mecânicos; 3. equipamentos para monitorização anestésica; 4. sistema de iluminação emergencial própria; 5. desfibrilador; 6. foco cirúrgico;
106 7. instrumental para cirurgia em qualidade e quantidade adequadas à rotina; 8. bombas de infusão; 9. aspirador cirúrgico; 10. mesas auxiliares. III - setor de internamento (opcional) deve dispor de: a) mesa e pia de higienização; b) baias, boxes ou outras acomodações individuais e de isolamento, com ralos individuais para as espécies destinadas e de fácil higienização, e com coleta diferenciada de lixo, obedecidas as normas sanitárias municipais e/ou estaduais; c) local de isolamento para doenças infectocontagiosas; d) armário para guarda de medicamentos e descartáveis necessários a seu funcionamento. e) no caso dos medicamentos sujeitos a controle, será obrigatória a sua escrituração em livro apropriado, de guarda do Médico Veterinário responsável técnico e devidamente registrado na vigilância sanitária. IV - setor de sustentação: a) lavanderia; b) local para preparo de alimentos; c) depósito/almoxarifado; d) instalações para repouso de plantonistas e funcionários; e) sanitários/vestiários compatíveis com o nº de funcionários; f) setor de estocagem de medicamentos e drogas (fármacos); g) geladeira, com termômetro de máxima e mínima para manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; h) conservação de animais mortos e/ou restos de tecidos. Parágrafo único. A clínica deverá manter convênio com empresa devidamente credenciada para recolhimento de cadáveres e lixo hospitalar Seção III
107 Do Consultório e Ambulatório Médico Veterinário Art. 6º. Consultórios veterinários são estabelecimentos de propriedade de médico veterinário, destinados ao ato básico de consulta clínica, curativos e vacinações de animais, sendo vedadas a realização de procedimentos anestésicos e/ou cirúrgicos e a internação. Parágrafo único. Os Consultórios veterinários estão isentos de pagamento de taxa de inscrição e anuidade, embora obrigados ao registro no Conselho de Medicina Veterinária. Art. 7º. São condições de funcionamento dos consultórios dos médicos veterinários: I - setor de atendimento: a) sala de recepção; b) mesa impermeável com bordas e dispositivo de drenagem e de fácil higienização; c) sala de atendimento; d) pias de higienização; e) arquivo médico; f) armários próprios para equipamentos e medicamentos. II - equipamentos necessários: a) geladeira, com termômetro de máxima e mínima para manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; Parágrafo único. O consultório deverá manter convênio com empresa devidamente credenciada para recolhimento de cadáveres e lixo hospitalar. Art. 8º Ambulatórios veterinários são as dependências de estabelecimentos comerciais, industriais, de recreação ou de ensino, onde são atendidos os animais pertencentes exclusivamente ao respectivo estabelecimento, para exame clínico e curativos, com acesso independente, vedadas a realização de procedimentos anestésicos e/ou cirúrgicos e a internação.
108 I - setor de atendimento: a) sala de recepção; b) mesa impermeável com bordas e dispositivo de drenagem e de fácil higienização; c) sala de atendimento; d) pias de higienização; e) arquivo médico; f) armários próprios para equipamentos e medicamentos. II - equipamentos necessários: a) geladeira, com termômetro de máxima e mínima para manutenção exclusiva de vacinas, antígenos e outros produtos biológicos; Parágrafo único. O ambulatório deverá manter convênio com empresa devidamente credenciada para recolhimento de cadáveres e lixo hospitalar CAPÍTULO III DA UNIDADE DE TRANSPORTE E REMOÇÃO MÉDICO VETERINÁRIO E AMBULÂNCIA. Art. 9º. Unidade de transporte e remoção é o veículo destinado unicamente a de remoção de animais que não necessitem de atendimento de urgência ou emergência. Sua utilização dispensa a necessidade da presença de um médico veterinário. Art. 10º. Ambulância veterinária é o veículo identificado como tal, cujos equipamentos, utilizados obrigatoriamente por um profissional médico veterinário, permitam a aplicação de medidas de suporte básico ou avançado de vida, destinadas à estabilização e transporte de doentes que necessitem de atendimento de urgência ou emergência.
109 § 1º É condição fundamental para o funcionamento da unidade de transporte e remoção e da ambulância veterinária estarem vinculadas a um estabelecimento veterinário, sendo vedado seu uso como veículo móvel para realização de atendimentos veterinários. § 2º A unidade de transporte e remoção e a ambulância veterinária somente poderão ter gravados o nome do estabelecimento ao qual estejam vinculadas, logomarca, endereço, telefone, e a clara identificação "transporte de animais" ou "ambulância". § 3º São equipamentos indispensáveis à ambulância veterinária: I - sistema de maca com possibilidade de contenção e imobilização do paciente; II - sistema de monitorização do paciente; III - sistema para aplicação de fluidos; IV - sistema de provisão de oxigênio e ventilação mecânica. § 4º A Unidade de transporte e remoção poderá prestar serviços de utilidade pública no transporte de animais em apoio à Saúde Animal, Saúde Pública, Pesquisa e Ensino Profissional. § 5º É terminantemente vedado a utilização da unidade de transporte e remoção e da ambulância veterinária para transporte de animais para serviços de banho e tosa. Art. 11º. O estabelecimento médico veterinário deve comunicar, por escrito, ao respectivo Conselho a implantação da Unidade de transporte e remoção ou da ambulância veterinária, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias antes do início dos serviços, contendo tal documento: marca, modelo cor, ano, placa, especificação completa dos equipamentos e gravações constantes do § 2º do artigo 10. Art. 12º. Para fins de aplicação do presente artigo, são considerados estabelecimentos médicos veterinários: hospitais veterinários, clínicas veterinárias, consultórios veterinários, estabelecimentos de ensino, pesquisa, outros órgãos públicos e privados que utilizem a Unidade Móvel de Atendimento Médico Veterinário. CAPÍTULO III DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
110 Seção I Das Penalidades Art. 13º. Constitui falta grave, passível de multa, a utilização de unidade de transporte e remoção na função de ambulância veterinária ou o transporte de animais para serviços de banho e tosa em unidade de transporte e remoção ou ambulância veterinária. § 1º A multa será aplicada pelo respectivo Conselho Regional de Medicina Veterinária e deverá levar em conta o princípio de gradação da multa. § 2º Havendo reincidência, a multa será, de pelo menos, o dobro da multa anterior, não podendo ultrapassar o teto máximo. Seção II Das Disposições Finais Art. 14º. A reincidência só ocorrerá quando a prática ou omissão do ato for sobre o mesmo tipo de infração e quando não caiba mais recurso em Processo Administrativo. Art. 15º. Hospitais veterinários, clínicas veterinárias, consultórios veterinários podem conter dependências próprias e com acesso independente para comercialização de produtos para uso animal e prestação de serviços de estética para animais, desde que sejam regularmente inscritos na Junta Comercial ou Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Art. 16º. Excepcionalmente os hospitais veterinários, clínicas veterinárias, consultórios veterinários e ambulatórios veterinários terão prazo de 180 dias após a publicação para se adequarem às exigências desta Resolução. § 1º Os hospitais veterinários, clínicas veterinárias, consultórios veterinários e ambulatórios veterinários que solicitarem ou forem intimados a se registrarem no Conselho, deverão obedecer as normas aqui estabelecidas. § 2º Os hospitais veterinários, clínicas veterinárias, consultórios veterinários e ambulatórios veterinários que estiverem funcionando irregularmente, serão incursos nas penalidades previstas nesta Resolução.
111 Art. 17º. Toda atividade passível de terceirização poderá ser aceita, desde que cumpridos os dispositivos estabelecidos nesta Resolução, ou em outras que a substitua ou complemente, e legislação sanitária. Art. 18º. A presente Resolução entra em vigor dia 15 de março de 2014, revogando as disposições em contrário, especificamente a Resolução nº 670, de 10 de agosto de 2000, publicada no DOU nº 55-E, de 21.03.2001 (Seção 1, pg.88). (Redação do artigo dada pela Resolução CFMV Nº 1047 DE 07/01/2014).
Anexo 4: Questionário aplicado aos funcionários da área veterinária Questionário Você trabalha ou já trabalhou em algum estabelecimento do setor da saúde veterinária?
6. Você trabalha/trabalhou em quais tipos de estabelecimentos do setor veterinário? * Marque todas que se aplicam. Clínica Veterinária
Essa é a oportunidade de você fazer a boa ação do ano, e ajudar uma mera estudante de Arquitetura e Urbanismo a se formar! Olha só que legal!!!! Estou fazendo um levantamento básico das necessidades e dificuldades deste espaço de trabalho para que eu possa chegar à um projeto que atenda de forma razoável nossos animais de estimação, em Indaiatuba - SP. Seria muito importante ter a sua opinião!
Consultório | Ambulatório Médico Veterinário Pet Shop Banho e Tosa Canil | Gatil Outro:
Peço desculpas por alguma incongruência no questionário, e aceito sugestões :) Muito obrigada pela atenção. *Obrigatório
7. Quantas horas semanais você costuma/costumava passar neste(s) estabelecimento(s)? *
1. Nome (opcional)
8. Você faz/fazia plantão noturno? * Marcar apenas uma oval. Sim 2. Cidade e Estado *
3. Cargo *
Não 9. Se sim, quantos dias ao mês, aproximadamente?
Percepção do espaço de trabalho Muitas vezes não nos damos conta do quanto o espaço pode influenciar em nosso estado de humor e até mesmo rendimento. Pequenas mudanças podem ajudar a alterar o quadro estressante do nosso dia-a-dia.
4. Você tem alguma especialidade? * Marcar apenas uma oval.
10. Você acredita que o estabelecimento em que trabalha/trabalhava atende às normas legislativas? * Marcar apenas uma oval.
5. Se sim, qual?
Não, apresenta irregularidades Não, é totalmente irregular
11. Você está/estava satisfeito com a estrutura do seu local de trabalho? * Marcar apenas uma oval.
15. Se sim, quais seriam?
12. Se não, em quais áreas o estabelecimento deixa a desejar? Marque todas que se aplicam. Recepção Triagem Consultório Internação Internação: Doenças Infecciosas Sala de veterinários Sala de exames Laboratório Sala de preparação Centro cirúrgico Sala de recuperação Cozinha Banheiros de atendimento ao público Banheiros de funcionários Almoxarifado Escritório Outro: 13. Você acredita que o espaço pode influenciar na qualidade do atendimento ou procedimentos? * Marcar apenas uma oval. Sim Não 14. A respeito da questão arquitetônica (tanto da edificação, quanto a disposição de equipamentos e mobiliário), você faria alterações em seu atual/antigo local de trabalho? * Marcar apenas uma oval. Sim Não
Abaixo, segue uma proposta de programa para o projeto. 1. Recepção 2. Sala de espera 3. Consultórios 4. Ambulatório 5. Esterilização 6. Sala de preparo 7. Sala de recuperação 8. Centros cirúrgicos 9. Antecâmara de Assepsia 10. Depósito de materiais cirúrgicos 11. Expurgo 12. Internação 13. Internação - Doenças Infecciosas 14. Radiologia 15. Eletrocardiograma 16. Ultrassom 17. Laboratório 18. Sala de necrópsia 19. Gatil 20. Canil 21. Solarium 22. Almoxarifado 23. Farmácia 24. Sala de Apoio (Vacinação) 25. Sala de arquivo médico 26. Cozinha 27. Copa 28. Preparo de Alimentos (Animais) 29. Quarto para plantonistas 30. Sala de registro e expediente 31. Administração 32. Sala de arquivo médico 33. Conforto médico 34. Café (ao público) 35. Sanitários (ao público) 16. Você faria alterações nele? Marcar apenas uma oval. Sim Não
17. Se sim, o que você adicionaria ou subtrairia do programa? Por quê?
21. Funcionários:
18. Se você é especialista em alguma área, poderia citar alguma exigência específica na estrutura do estabelecimento, que facilitaria o seu trabalho?
Caso você queira adicionar algum comentário ou desabafo, essa seção é dedicada à você. :) 22. Deixe seu comentário aqui:
Conforto | Diferenciais O que você já visualizou em outros projetos, edificações, que se destacou? Me ajude a fazer diferente e trazer conforto para dentro do meu projeto. Tanto para os animais, quanto aos proprietários e funcionários. Sejam "posições de alguns ambientes ou equipamentos e mobiliários", novas tecnologias, ou outros aspectos positivos no ambiente que tenham chamado a sua atenção, serão de grande ajuda, tenho certeza.
19. Animais de estimação:
20. Proprietários:
Anexo 5: Respostas coletadas no questionário aplicado (anexo 4)
Editar este formulário Viçosa-MG Pelotas, RS Limeira/SP
Botucatu SP Sorocaba SP
Nome (opcional) Marina Jéssica Algayer Gonçalves Verônica Lopes dos Santos Melina Mariana Itagiba Nathalia Rodrigo Mariana
Jundiaí SP São Pauli- SP Porto alegre rs São Paulo - Sp Campinas SP são paulo, SP São Paulo, SP Rio das Ostras São Paulo SP Belo Horizonte MG
MARIANA SUEMI FUGITA Carolina Suzana
Sérgio raposo júnior
Fernanda Vituri
Estagiária e estudante de Veterinária
Suelen (Jaku)
Cidade e Estado São Paulo - SP São Paulo São Paulo Arapiraca - Alagoas Sao paulo sp Pelotas/RS
Estudante Recepcionista e banhista Medica Veterinária Autonomo Veterinaria residente em saúde pública Veterinario Clinico Coordenadora Internação
Clinica Medica de pequenos animais
MV cirurgiã-dentista
116 veterinário?
Veterinário Clínica Veter…
Médica Veterinária Atualmente desempregada. Geralmente, funcionária (na função clínica)
Hospital Vet…
Médica veterinária (clínica geral)
Consultório |…
Canil | Gatil Outros
Você tem alguma especialidade? 60%
Consultório | Ambulatório Médico Veterinário
Canil | Gatil
Se sim, qual? Anestesista Cardiologia Clínica de pequenos Animais Medicina esportiva equina Estudante de veterinária conta? Hahaha Pós Graduação em Animais Dilvestres Mantidos como PET Bioteconologia da reproducao Infectologia Odontologia Veterinaria Medicina Felina Odontologia Oncologista Fisioterapia e Reabilitação Animal oficialmente não, pois poucas são as especialidades reconhecidas na veterinária. mas trabalho com silvestres, principalmente aves. Clínica e cirurgia e anestesiologia Acupuntura e fisioterapia Patologista
Quantas horas semanais você costuma/costumava passar neste(s) estabelecimento(s)? 40 52h/semana 8 de 5 à 50 9 horas 4h 10 40h 48 horas 45 mais de 12 horas 42 44 30 Por volta de 30 horas 50
Você trabalha/trabalhou em quais tipos de estabelecimentos do setor
117 50horas
Você acredita que o estabelecimento em que trabalha/trabalhava atende às normas legislativas?
50 a 60 horas Consultório 6 horas Hospital 12 horas 50 horas
180 horas/mês 40 a 44 horas, além dos plantões/horas extras, geralmente compensados por folgas 33,3%
Você faz/fazia plantão noturno?
Não, apresenta irregularidades
Não, é totalmente irregular
Você está/estava satisfeito com a estrutura do seu local de trabalho? Se sim, quantos dias ao mês, aproximadamente?
10 4 15 12
3 2 vezes/mês. 8 Variava muito, alguns meses 15, outros 30 e outros apenas os finais de semana e feriados. 20 6 -8 5 4a5 No primeiro emprego o horário era das 00h as 08h, seis dias por semana. So aguentei um mes. Depois só quando necessario - 1 ou 2 vezes ao ano.
Percepção do espaço de trabalho
Se não, em quais áreas o estabelecimento deixa a desejar?
118 Recepção
Triagem Consultório
Se sim, quais seriam?
Internação:…
Local específico para doenças infecciosas, salas específicas para atendimento de felinos
Sala de vet… Sala de ex…
que auxilia no comportamento que o animal expressará
Alteraria o local e estrutura dos troncos e do brete, colocaria em um lugar mais calmo e
sem incidencia solar direta.
Local de espera mais estruturado e confortável para os clientes, maior espaço (os
Internação: Doenças Infecciosas
pacientes podem brigar), adicionar um centro cirúrgico para emergência (exclusivo).
Laboratório Sala de pre… Centro cirúr…
Sala de rec…
Sala de veterinários
Recepção, Esterilização, Sala de Recuperação.
Disposição de eqipamentos
Um quarto para plantonista é essencial
equiparia melhor o isolamento de animais com moléstias infecciosas, a fim de não
contaminar fômites e consequentemente outros animais, baias que não enferrujassem,
fazer um consultório apenas para atendimento emergencial, fazer uma sala de
preparo/paramentação/vestiário para bloco cirúrgico, sala para descanso dos
Banheiros de atendimento ao público
7,5 31.6%
Almoxarifado Escritório Outros
0,0 5,0 Banheiros de2,5 funcionários
plantonistas. 10,0
Melhora do fluxo de emergências Aumentaria o espaço da internação de felinos, sala de necropsia Disposicao dos mobiliarios. Mesa disposta de modo a ter contato visual com o cliente. Disposição de móveis, portas de entrada, corredores e escadas Sala maior, armário para guardar os equipamentos e objetos pessoais, mesa pra apoiar
Você acredita que o espaço pode influenciar na qualidade do atendimento ou procedimentos? Sim
papel e material Mais espaço Optaria por uma casa térrea Em algumas , mas seria por gosto próprio e não por ser ruim Muitas, mas especialmente: dividir o banheironde publico e de funcionarios, ampliar a cozinha (tanto de animais quanto a copa dos funcionarios), melhorar a disposicao do
centro cirurgico na planta, aumentar o almoxarifado (pela organização e conservação dos materiais), e a mobília toda para ser ergonômica. Internação no andar térreo Ampliaria e tornaria mais funcional
A respeito da questão arquitetônica (tanto da edificação, quanto a disposição de equipamentos e mobiliário), você faria alterações em seu atual/antigo local de trabalho? Sim
Local de almoço para Os veterinarios / copa Mais espaço
Abaixo, segue uma proposta de programa para o projeto.
119 Você faria alterações nele? 64%
hemograma, pHâmetro, análise de urina, lâmpada de wood, microscópio, sala para Raiox. Raio X Intraoral acoplado na parede, Foco Cirurgico Especifico, Tubulacao para canalizar anestesico inalatorio residual, Mesa com grade, Compressor de ar embutido Atendimento separado para felinos na recepçao e internacao
Sistema de ar comprimido Não tenho especialidade mas já trabalhei muito tempo com internação. Poderia haver uma sala para falar com os responsáveis sem ser na internação.
Se sim, o que você adicionaria ou subtrairia do programa? Por quê? Iria adicionar banheiros exclusivos para os veterinários, deixaria o eletrocardiograma junto com o ultrassom, adicionaria farmácia para controle dos medicamentos. Substituicao: Eletrocardiograma x Sala para Ecocardiografia + Eletrocardiograma + Pressao Arterial. Adicionaria Ambulatorio Cirurgico 25 e 32 são iguais. 24 a vacinação é realizada em consultório. 18 necropsia normalmente é terceirizada.35 se há sanitários para público tem qye haver para funcionrios tb e vestiário se possivel com chuveiro. Faltou a sala de laudos para o setor de imagem, que deve ser integrada ao rx, us e ecocardiografia. Adicionaria uma área externa de passeio para os animais internados, uma sala ou espaço específico para banho dos pacienes internados (no meu último local de trabalho
Consultorio de especialista (no caso do cardiologista onde fica o aparelho de eletrocardiograma e ecocardiografia). Alguns locais tem sala de laudos. Facilita imprimir as imagens ou ficar perto do aparelho com as imagens do exame e as medidas para laudar. Sala com capela para preparação de quimioterapico Sala da eletrocardiografia com espaço para aparelho de ecocardiografia e espaço para laudos Se existir uma área de passeios ou de reabilitação, é importante o piso ser antiderrapante, já que a maioria dos pacientes é senil ou tem dificuldade para se locomover ou se manter em estação Acima. Não atuo na minha área de especialização atualmente
isso facilitou bastante a higienização desses pacientes) e uma sala de fisioterapia (tanto
Bancadas, armários porta fármacos, ar condicionado
para pacientes internados quanto para pacientes externos), já que é minha área de
Sala que permita o atendimento do animal tanto no chão quanto sobre a mesa, piso anti
derrapante, mobiliário para colocação de aparelhos
Creio que sem querer há duas salas de arquivo médico. Eu entendo estas salas apenas como arquivo mesmo. Então não sei se teria, mas nessa sala seria bacana ter livros para consulta e uma mesa confortável/ergonômica para estudos. Sobre a internação, se
Conforto | Diferenciais
recebesse pet silvestres, eu ainda faria uma divisão por grupos taxonômicos, em virtude de estresse e doenças mesmo - o ideal seria uma sala para mamiferos, uma outra para aves e uma para répteis (ou duas para cada grupo, por conta das infecciosas).
Para o laboratório/sala de necrópsia há exigências específicas. Ajuda também ter uma
patio de passeio
sala de depósito para materiais com formol.
Baias dos animais internados com luz própria Serviço para buscar o animal.
Se você é especialista em alguma área, poderia citar alguma exigência específica na estrutura do estabelecimento, que facilitaria o seu trabalho?
baias amplas, bem limpas, com tapete higiênico em vez de jornal, cobertor térmico,
Sala de felinos separada
entretenimento, ração hiper proteica e palatável, ambientes com cores claras para melhor
higienização, baias com fecho difíceis de serem abertas pelos animais, para evitar fugas.
Sala de Internação específica para aves e repteis. Individualização de todas as baias inclusive encanamento de esgoto, para evitar contaminação cruzada sala para equipamentos de exames laboratoriais, como centrifuga, aparelho de
bomba de infusão, ar condicionado, no gatil baias com porta de vidro, brinquedos para
Controle de pulgas e carrapatos, mesas amplas, terraço para passeio. Sala de espera, consultorio, e gaiolas de internacao exclusiva para gatos (Aspersor Felliway), Playground para interação entre pacientes saudáveis Sala de espera para gatos, gaiolas de internação para gatos, área externa para pacientes internados
120 Ambiente diferente para caes e gatos Gaiolas e berços amplos e apropiados para o tamanho do paciente. Separação de ambiente de internação e sala de espera de gatos e cães. Na sala de gatos com felliway. Sala de espera grande que possibilite manter os animais em uma distância segura. Área separada pra caes e gatos Sala de espera de felinos separada da de cão
Wifi. Se colocam TV, que seja grande, pra poder ter legenda ao invés de som. Cadeiras confortáveis e quantidade suficiente para manter distancia segura e tranquila de outros animais. Na tal sala de cafe ter realmente cafe, chá, agua e bolachinhas diversas - ter uma estrutura pratica e higienica para isso. salas de espera e área de visitação Sala de espera Área de espera confortável, ter sempre lugares para sentar, rampas ao invés de escadas
Jardim ou área externa para passeios (ajuda a distrair o animal enquanto espera o atendimento e a dar algum tipo de lazer e atividade física aos pacientes que ficam muito tempo internados) As gaiolas de internação serem um pouco distantes entre si e com uma cobertura
Funcionários: Local para deixar coisas pessoais.
removível na porta, para evitar o contato visual - especialmente entre presa e predador
programa no computador com o histórico do animal, copa, sala para descanso, vestiário.
(ex.: ave de rapina e ave doméstica). Mesa de alumínio com cobertura emborrachado e
Area de convivencia sem cameras, Sala para pertences pessoais, Maquina de cafe
acoplada a balança. Isolamento de som em paredes e janelas, pra auscultar melhor e
expresso e chocolate, agua gelada e natural, Sala de Junta Medica/Discussoes de casos
pros animais não ouvirem os gritos dos outros. Local com terra/grama, tipo jardim de
clinicos, Salas de descanso com respeito aos horarios de alimentacao e de descanso
inverno, em algum local do eatabelecimento, para animais que só urinam/defecam
Quarto para descanso privativo, horários definidos para alimentação
nessas superficies - ex.: orientei uma vez sobre a internacao de minha cachorra, mas nao
Cozinha, local para socializacao
levaram na terra com medo da ferida cirurgica; nao adiantou, tive que levar na terra
Cozinha confortável, vestiários e acesso fácil a equipamentos e utensílios necessario
quando visitei, se nao ela nao faz.
Área de espera e atendimento separadas para cães e gatos
Sala/copa para descansar, tomar café. Recepção com escaninho seprando as fichas que
Locais mais confortáveis e de fácil limpeza
estão aguardando atendimento das que já podem ser liberadas. Recepção ter fácil
acesso para comunicar a chegada do paciente para o veterinário (ramal, sistema
Fácil acesso para animais grandes ou com mobilidade reduzida, potes de água
digital....).
disponíveis, piso adequado
Área de copa separada de cozinha. Sala veterinária separada das dos funcionários Sala de conforto
Proprietários: Sala Vip de internação, onde o proprietário é autorizado ficar 24horas com o seu animal. recepção ampla com tv, revistas, café e água, cadeiras confortáveis, banheiro bem higienizado. Cafe e TV LCD na recepcao, WiFi, Dispositivo digital para atendimento na recepcao "Senha", Quarto para Proprietario na Internaçao, Reconhecimento de cadastro por leitura de microchip Café, Wi-Fi, visita humanizada (poder vir sem restrição de horário)
Banheiros amplos e com mais de um chuveiro. Armários com cadeado de um tamanho que caiba pelo menos uma "bagagem se mão". Espelhos amplos. Quartos confortáveis para plantonistas. Mesas ergonômicas em consultórios, recepção e sala de estudos/arquivo médico. Área de descanso adequada área de descanso Local de almoço e intervalo Espaço, ergonomia, iluminação adequados; construção e design de interiores visando diminuir o estresse dos funcionários.
Wifi, cafe, tv para conforto durante a espera Televisão, revistas e coisas para distrair crianças. Espaço para poder se sentar e não ficar perto de outros pacientes para evitar brigas. Proprietários goatam que tenha potes de água e tapetes higiênicos.
Wifi, TV, café Área ampla de recepção Sala separada para proprietários que acabaram de sofrer uma perda Acesso a tv
Deixe seu comentário aqui: espero que tenha ajudado com o seu trabalho e se possível que esse projeto seja executado, pois pela estrutura descrita, seria um excelente hospital. Qualquer dúvida
121 pode entrar em contato comigo pelo email marianaaimeer@hotmail.com Muito sucesso aí. Quase utopico nesta profissao pensar sobre bem-estar do funcionario, visto que praticamente 100% dos empregadores nunca oferecem condiçoes nem perto do ideal Importante a preocupação dos arquitetos quanto ao bem estar dos animais no momento de projetar uma edificação De todo o tempo e lugares que já trabalhei, a estrutura física do local ajuda bastante ou atrapalha bastante. Ter que se deslocar muito para poder preparar uma internação, imprimir exames ou não ter corredores separados para não ser necessário passar pela recepção atrapalha bastante. Já trabalhei em um local que o centro cirúrgico era um corredor. Disposição e acesso aos ambientes é muito importante. Tem que lembrar tb das normas da vigilância e crmv para o projeto. Parabéns pelo projeto! E difícil ver ambientes veterinários construídos do zero. No Brasil, mesmo os mais modernos geralmente são adaptações de predios/casas já construídos Deveria ser todas as clínicas ter um mínimo padrão arquitetônico e ser fiscalizado, assim como ter todos maquinarios exigidos por lei
Número de respostas diárias 10,0 7,5 5,0 2,5 0,0
Hospital Veterinário Accavet
leticiademarchi
TFG (Trabalho Final de Graduação) do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual Paulista (UNESP)

References: Artigo 3
 Artigo 1
 Artigo 2
 Artigo 3
 Artigo 1

Artigo 1

Artigo 2
 Artigo 3
 Artigo 4

Artigo 5

Artigo 6

Artigo 7
 Artigo 8
 Artigo 9
 Artigo 10
 Artigo 11
 Artigo 12
 Artigo 13
 Artigo 14
 artigo 11

Artigo 15
 artigo 12
 Artigo 16
 Artigo 17
 Artigo 18
 Artigo 19

Artigo 20
 Artigo 21

Artigo 22

Artigo 23
 Artigo 24

Artigo 25
 Artigo 26
 Artigo 27

Artigo 28
 Artigo 29
 Artigo 30

Artigo 31

Artigo 32
 Artigo 33
 Artigo 34

Artigo 35

Artigo 36
 Artigo 37

Artigo 38
 artigo 2
 Artigo 39
 artigo 3

Artigo 40
 Artigo 41
 Artigo 42
 Artigo 43
 Artigo 44
 Artigo 45
 artigo 16
 artigo 10
 artigo 10