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Timestamp: 2020-02-18 09:36:28+00:00

Document:
TRT-4 17/01/2020 - Pg. 482 - Judiciário | Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região | Diários Jusbrasil
Andamento do Processo n. 0020515-79.2018.5.04.0231 - ATOrd - 17/01/2020 do TRT-4
1 VT de Gravataí
Processo Nº ATOrd-0020515-79.2018.5.04.0231
AUTOR KEVIN MARQUES HANAUER
ADVOGADO OSCAR CANSAN(OAB: 36919/RS)
RÉU CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA
ADVOGADO FERNAO DE MORAES SALLES(OAB: 9805/SP)
- CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA
- KEVIN MARQUES HANAUER
KEVIN MARQUES HANAUER , reclamante, ajuizou ação trabalhista em face de CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA , reclamada, em 26.07.2018. Refere que foi contratado em 18.12.2013, para exercer a função de líder de materiais, tendo sido dispensado sem justa causa em 01.06.2018. Pelos motivos de fato e de direito expostos na inicial de ID. 3430024, pleiteia a condenação da reclamada ao pagamento de horas extras, intervalo intrajornada, diferenças de PLR, garantia de emprego, dentre outros requerimentos. Atribuiu à causa o valor de R$ 50.515,63. Apresentou procuração e documentos.
Regularmente citada, a reclamada apresentou contestação com alegação de prescrição e com defesa de mérito nos termos do ID. da485df.
Em audiência, foram ouvidas as partes e uma testemunha, bem como ficou convencionada a utilização como prova emprestada do depoimento do preposto da reclamada prestado no processo
0020449-90.2018.5.04.0234. Sem mais provas, a instrução foi encerrada.
II. FUNDAMENTAÇÃO DIREITO INTERTEMPORAL. APLICABILIDADE DA LEI Nº
As normas processuais trabalhistas estabelecidas pela Lei nº 13.467/2017 aplicam-se de forma imediata aos processos em curso, em atenção ao sistema de isolamento dos atos processuais e ao artigo 14 do CPC c/c artigo 6º da LINDB, aplicáveis de forma subsidiária ao processo do trabalho (CLT, art. 769). De outra sorte, as normas de direito material previstas na lei supramencionada serão aplicadas tanto aos contratos de trabalho em curso quanto aos firmados após a vigência da lei (11.11.2017), a depender do período da prestação de serviços e da matéria, analisados nos capítulos próprios e em conformidade com o caso concreto.
ATUAÇÃO DA PREPOSTA
O reclamante reitera em manifestação o requerimento de aplicação da pena confissão à reclamada, tendo em vista que a preposta presente à abertura da audiência não é empregada da empresa. De acordo com as disposições do art. 843, § 3º, da CLT, incluído pela Lei nº 13.467/17, o preposto não precisa ser empregado da reclamada. Ademais ao contrário do caso paradigma trazido, é de conhecimento do Juízo (CPC, art. 375 c/c CLT, art. 769) que a preposta é ex-empregada da reclamada, já que houve o encerramento das atividades no local, de modo que a empresa não conta mais com empregados na região. Assim, mantenho o decidido na ata de ID. 2a2d278.
A reclamada argui a incidência da prescrição quinquenal, nos termos do art. 7º, XXIX, da CRFB.
Considerando a contratação da parte reclamante em 18.02.2013, com extinção contratual em 01.06.2018, e ajuizada a ação em 26.07.2018, pronuncio a prescrição dos créditos postulados e exigíveis anteriores a 26.07.2013, extinguindo-os com resolução do mérito (CPC, art. 487, II).
Atente-se que a prescrição quinquenal pronunciada atinge os reflexos em FGTS, uma vez que decorrentes de parcelas pretendidas e não pagas, nos moldes da Súmula 206 do TST.
O reclamante aduz que "desde o início do ano de 2013 passou a desenvolver a Função de Líder/Gestor, todavia, recebia salário inferior ao praticado para o exercício da função e/ou cargo pela Reclamada, a qual somente ao final do ano de 2014 (novembro) concedeu reajuste salarial ao Reclamante pelo exercício da respetiva função e realizou as retificações de função e salário. Desta forma requer o obreiro o reconhecimento do exercício da Função de Líder de Materiais desde o início do ano de 2013 , com o pagamento de diferenças salariais desde então (...)".
A reclamada impugna o pedido e aduz que o reclamante "foi admitido em 18/02/2013, na função de operador de materiais, sendo que, em novembro de 2014, o reclamante foi promovido para a função de Líder de Materiais, com aumento salarial, conforme comprova as cartas de comunicação de alteração de cargo e salário, em anexo, e ainda, a ficha de registro de empregado, também, em anexo. Portanto o reclamante, somente a partir de novembro de 2014, passou a exercer a função de Líder de Materiais, ficando impugnada a alegação de que, teria iniciado essa atividade no inicio do ano de 2013".
Inquirido, o reclamante declarou "que quando entrou na reclamada não tinha líder direto e era subordinado ao gerente Jeri; que a
reclamada criou a função de líder em setembro de 2014 mas o depoente já exercia a função desde quando entrou na empresa; que foi contratado para o abastecimento da linha mas desde o início da contratualidade emitia notas fiscais e coordenava o pessoal Observo que, ao contrário do alegado na inicial, o reclamante declara em depoimento que a função de líder de materiais foi criada após seu ingresso na reclamada, no ano em que foi promovido, não obstante defenda exercer as mesmas funções desde o início da contratualidade.
A testemunha DIEGO, convidada pelo reclamante, por sua vez, declarou"que sabe que o reclamante foi promovido à função de líder, mas não se recorda precisamente a data em que isso ocorreu; que antes de ser promovido o reclamante não exerceu efetivamente a função de líder, mas começaram a passar-lhe algumas atribuições para prepará-lo para a função; (...) que a reclamada sempre contou com líder de turno, mas não se recorda quem era o líder antes do reclamante".
Assim, concluo que o reclamante estava ciente das atividades a serem realizadas quando foi contratado, sendo promovido a líder de materiais em novembro de 2014, com aumento salarial, tal como consta na ficha de registro juntada pela reclamada (ID. 63296b0 -Pág. 2). Por derradeiro, não há que se falar em reconhecimento do exercício da função de líder desde o início do ano de 2013 e o pagamento de diferenças salariais, conforme pleiteado pelo reclamante.
EXTINÇÃO CONTRATUAL. GARANTIA DE EMPREGO. CIPA.
O reclamante afirma que" muito embora o obreiro tenha sido eleito representante dos empregados para o exercício de mandato de cipeiro, cumprindo o encargo para o qual fora eleito pelos seus colegas, ou seja, a sua efetiva participação na Comissão Interna de Prevenção de Acidente, inclusive participando das reuniões, cursos, etc., de forma arbitrária teve o seu contrato de trabalho rescindindo pela Reclamada, muito embora estivesse ao abrigo da garantia provisória ao emprego ".
A reclamada alega que o reclamante não foi membro da CIPA e
"que, mesmo o reclamante, tendo sido eleito membro da CIPA, por ocasião de sua dispensa, o mesmo, não goza de qualquer estabilidade e garantia de emprego, isso porque, na forma do item II, da Súmula 339, do TST, abaixo transcrita, no caso de encerramento das atividades da empresa é impossível a reintegração e indevida a indenização, e no caso, a contestante, encerrou suas atividades na planta de Gravataí, no dia 26 de maio de 2018, efetuando a dispensa de todos os seus empregados, inclusive o reclamante, conforme comprova o termo de
entendimento, em anexo, firmado com o Sindicato da categoria profissional do reclamante".
Verifico que o reclamante foi suplente da CIPA na gestão de
". 2016/2017 (ID. 82612c3), como membro indicado pelo empregador.
Assim, não se enquadra na garantia de emprego prevista no artigo 10, II, a do ADCT c/c artigo 165 da CLT e Súmula 339 do TST. Não obstante, em atenção ao edital de convocação para a gestão de 2017/2018 (ID. ea488f4) e diante da ausência de comprovação por parte da reclamada de que o reclamante não foi eleito pelos empregados (CLT, art. 818 c/c CPC, art. 373, II), pontuo que é incontroverso o encerramento das atividades da reclamada na cidade de Gravataí e que o reclamante confessa que foi dispensado em decorrência do referido fechamento, não havendo que se falar em garantia de emprego, de qualquer modo.
Em relação à alegação do reclamante de que a empresa conta com outras filiais em diferentes locais do país, o que manteria o seu direito à garantia de emprego, pontuo que o conceito de
"estabelecimento", previsto na NR-1, item nº 1.6, d, da Portaria nº 3.214/78 do MTE, estipula que "para fins de aplicação das Normas Regulamentadoras - NR, considera-se: (...) d) estabelecimento, cada uma das unidades da empresa, funcionando em lugares diferentes, tais como: fábrica, refinaria, usina, escritório, loja, oficina, depósito, laboratório".
Dessa forma, a extinção da filial da reclamada em Gravataí é circunstância suficiente a atrair a aplicação do disposto na Súmula nº 339, II, do TST, que também adoto como razão de decidir:
"SUM-339 CIPA. SUPLENTE. GARANTIA DE EMPREGO. CF/1988 II - A estabilidade provisória do cipeiro não constitui vantagem pessoal, mas garantia para as atividades dos membros da CIPA, que somente tem razão de ser quando em atividade a empresa. Extinto o estabelecimento, não se verifica a despedida arbitrária, sendo impossível a reintegração e indevida a indenização do período estabilitário".
Ante o exposto, julgo improcedente o pedido de reintegração e, por derradeiro, o pedido sucessivo de indenização do período de garantia de emprego.
JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS. REGIME COMPENSATÓRIO. INTERVALOS INTRAJORNADA. DOMINGOS E FERIADOS. ADICIONAL NOTURNO E HORA REDUZIDA NOTURNA. A reclamada acosta aos autos os cartões-ponto da contratualidade, com anotações eletrônicas e variáveis e intervalo intrajornada préanotados (ID. 56871dd e seguintes), assinados pelo reclamante e não afastados por prova em contrário.
Saliento que a testemunha ouvida não trabalhou no mesmo turno
que o reclamante, mas sim em horário administrativo, e declara
"que não havia proibição de fazer 1h de intervalo".
Assim, acolho os cartões-ponto como aptos a retratar a jornada laborada e os intervalos intrajornada, bem como a frequência ao trabalho do reclamante.
Horas Extras. Regime Compensatório.
Recebidos os cartões-ponto como válidos, observo que a reclamada adota a compensação no regime banco de horas, autorizado em norma coletiva (cláusula 46ª, a exemplo do ID. c50387b - Pág. 18). Registro que, ainda que a preposta tenha referido que a empresa adotava, também, a compensação semanal, tal situação não se verificou no contrato de trabalho do reclamante. Observo que os créditos e débitos estão listados nos cartões-ponto e são de fácil verificação pelo empregado, bem como que foi juntado extrato do banco de horas no ID. 9717731. Observo, ainda, que os contracheques juntados (ID. 78ea1e7) consignam o pagamento de horas extras excedentes ao regime compensatório, nos termos da norma coletiva.
No mesmo sentido, ao ser inquirido, o reclamante confessa "que os registros de entrada e saída eram realizados de forma correta mediante passagem de crachá; que recebia os espelhos de ponto após o recebimento dos contracheques", o que denota que acompanhava a correção dos registros.
Pontuo que a ausência de comprovação de envios de relatórios ao sindicato não invalida o sistema compensatório, nos moldes em que postulado pelo reclamante, bem como que dentre as situações apontadas como de labor em jornada superior a 10 horas diárias, algumas desconsideram o intervalo intrajornada. Em relação às demais situações apontadas, em análise dos registros de horário, verifico que são eventuais ao longo da contratualidade (18.02.2013 a 01.06.2018), não se prestando a invalidar o banco de horas. Por fim, no que tange a alegação de desconsideração de 10 minutos no início e término da jornada, o reclamante não aponta e também não verifico a ocorrência, o que, de qualquer modo, não se presta a invalidar a compensação por banco de horas.
Assim, tenho por válido o sistema compensatório adotado.
O reclamante, intimado a se manifestar sobre a documentação trazida pela reclamada, demonstrando eventual incorreção nos pagamentos efetuados, limitou-se a impugnar o banco de horas adotado, o que não prospera. Não aponta, sequer por amostragem, diferenças a seu favor, o que também não evidencio. Cumpre destacar, na esteira das alegações trazidas, que a prestação habitual de horas extras é inerente ao regime de banco de horas, não sendo motivo para a sua invalidação.
Assim, concluo que as horas extras prestadas pelo reclamante foram devidamente compensadas ou contraprestadas, conforme disposto na norma coletiva.
Recebidos os cartões-ponto como válidos, saliento que houve a préassinalação dos mesmos, prática permitida pelo art. 74, § 2º, da CLT.
Entretanto, em análise dos registros de horário, verifico que, no terceiro turno, tal como alega o reclamante em sua causa de pedir, houve labor em jornada superior a 6 horas com a concessão de apenas 15 minutos de intervalo, o que contraria o disposto no artigo 71 da CLT.
No caso, tendo em vista que o contrato de trabalho perdurou de 18.02.2013 a 01.06.2018, tenho por aplicável o disposto no artigo 71, § 4º da CLT, com a redação conferida pela Lei 13.467/17, a contar de 11.11.2017, uma vez que o contrato de trabalho é de trato sucessivo, não havendo que se falar em direito adquirido. No período anterior, observada a prescrição pronunciada (26.07.2013), é aplicável o disposto no artigo 71, § 4º da CLT, com a redação conferida pela Lei 8.923/94.
Assim, tendo em vista que após a alteração legislativa o reclamante não mais laborou no terceiro turno, tenho que a contar de 11.11.2017 os intervalos intrajornada foram usufruídos nos termos do artigo 71 da CLT.
No que diz respeito ao período de 26.07.2013 a 10.11.2017, os dias em que o reclamante laborou no terceiro turno em jornada superior a 6h, observado o disposto no artigo 58, § 1º da CLT, ante a concessão parcial do intervalo intrajornada, condeno a reclamada ao pagamento do período integral de uma hora como extraordinária (CLT, art. 71, § 4º; TST, Súm. 437; TRT4 Súm. 63 - conforme legislação vigente à época da prestação de serviços).
Por habituais e tendo natureza salarial (Súm. 437, III do TST), defiro reflexos nos repousos semanais remunerados e feriados (sem inflexão sobre outras parcelas - OJ 394 da SDI-1/TST; TRT4, Súm. 64), aviso-prévio indenizado, adicional noturno, férias com 1/3 e 13º salário.
Indefiro reflexos em hora reduzida noturna, por tratar-se de critério de cálculo.
Parâmetros - Base de cálculo deve observar a Súmula 264 do TST e evolução salarial. Divisor 210. Adicional convencional ou legal, o que for mais benéfico. Considerar os dias efetivamente laborados e registrados nos cartões ponto. Na ausência de algum cartão ponto, utilizar o do mês imediatamente anterior. Autorizo a dedução dos valores pagos sobre a mesma rubrica, na forma da OJ 415 da SDI-1/TST e Súmula 73 do TRT da 4ª Região, de forma a evitar o enriquecimento sem causa da parte reclamante.
O reclamante apresenta amostragem de dias laborados em domingos e feriados, mas desconsidera que o labor foi consignado como tal nos espelhos ponto respectivos e compensado ou que adimplidos nos contracheques, com o devido adicional. Cito, como exemplo, o labor em 01.05.2014, compensado em 03.05.2014 e o labor em 03.04.2015, compensado em 04.04.2015. Cito, ainda, o dia 02.08.2013, no qual foram consideradas e pagas 8h15 com adicional de 100% e menção aos domingos e feriados (ID. 56871dd - Pág. 6; ID. 78ea1e7 - Pág. 2).
O reclamante afirma que não recebeu corretamente o adicional noturno. Sustenta que "a Reclamada remunerava os seus empregados com o respectivo adicional noturno somente até às 05h, sendo a Reclamante credora do adicional noturno após às 05h, até o término da jornada, ante o fato de que a jornada cumprida integralmente no período noturno e esta prorrogada, também é devido o adicional quanto às horas prorrogadas, consoante o § 5ª do art. 73 da CLT e a Súmula 60, II do C. TST".
Considerando que a jornada contratual era, em média, das 0h às 6h, das 6h às 16h ou das 23h às 10h, não há que se falar em labor integral no período noturno (22h às 5h) apto a ensejar o pagamento das horas laboradas além das 5h como extras, nos termos do artigo 73, § 5º da CLT e da súmula nº 60, II do TST. Aplicável ao caso, portanto, o disposto no artigo 73, § 4º da CLT, por tratar-se de horário misto.
Em relação aos valores pagos a título de adicional noturno, o reclamante não aponta e também não evidencio, diferenças em seu favor.
Hora Reduzida Noturna. Previsão Normativa.
O reclamante afirma que "a Reclamada não considerou a hora reduzida noturna para fins de apuração das horas extras, a qual, consoante dispõe o artigo 73, § 1º, da CLT, é de 52 minutos e 30 segundos".
Assim dispõe a norma coletiva (ID. c50387b - Pág. 8, destaquei):
CLÁUSULA DÉCIMA QUINTA - TRABALHO NOTURNO
a) A hora de trabalho noturno será computada da mesma forma que a diurna, ou seja, 60 minutos.
b) Considera-se como trabalho noturno o trabalho executado entre as 22 horas e 5 horas.
c) A remuneração do trabalho noturno será acrescida do adicional de 37,14%. Neste percentual estão incluídos 20% de adicional noturno e 14,28% referente a diferença entre a hora noturna e diurna.
Dessa forma, a hora noturna, apesar de ser computada como 60 minutos, foi remunerada em patamares superiores do que a diurna, conforme negociação coletiva, o que não gera prejuízo ao trabalhador.
Aplica-se ao caso a súmula nº 101 do TRT4, in verbis:
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DIFERENÇAS. O reclamante afirma que a PPR "não foi adimplida integralmente ao longo do pacto laboral conforme prevê as Normas Coletivas aplicáveis". Requer o "pagamento da parcela a título de Participação nos Lucros e Resultados de forma integral relativamente aos anos de 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018, acrescidas da multa do § 8ª do art. 477 da CLT e do disposto no art. 467 da CLT".
A reclamada comprova o pagamento de R$ 413,30 em janeiro de 2014, de R$ 2.550,00 em abril de 2014, de R$ 1.286,00 em janeiro de 2015, de R$4.000,00 em maio de 2015, de R$4.000,00 em junho de 2016, de 908,57 em janeiro de 2017, de R$ 5.300,00 em maio de 2017, de R$ 1.903,30 em janeiro de 2018 e de R$ 2.672,91 em abril de 2018.
O reclamante, em manifestação sobre a defesa e documentos, apresenta as diferenças que entende devidas.
Destaco que é de conhecimento deste juízo (art. 375 do CPC), que há o lançamento e o desconto dos valores no contracheque, da maneira como operada pela reclamada, para fins de mero registro de pagamento, não significando que os valores não foram alcançados ao empregado. Nesse sentido, o depoimento do reclamante de que recebia valores a título de PPR. Saliento que o sindicato da categoria negociava e acompanhava o pagamento da parcela aos empregados.
Observo que o reclamante desconsidera a autorização das normas coletivas de abatimento dos valores adiantados aos empregados, bem como a incidência de descontos fiscais sobre as parcelas, razão pela qual deixo de considerar a amostragem apresentada. Assim, tenho por quitadas as parcelas de PPR dos anos de 2014 a 2017 em conformidade com o que foi negociado com o sindicato da categoria.
Em relação ao ano de 2018, verifico que foi estipulado que o valor a ser pago para cada empregado pelo atingimento de 100% das metas seria de R$ 6.415,00, com adiantamento de R$5.120,00 a ser pago em 20.04.2018 (ID. 3297ff2- Pág. 4). No entanto, ante a necessidade de a empresa encerrar as atividades em Gravataí, foi
firmado um acordo com o Sindicato representativo da categoria, que substituiu o anterior, assinado em maio de 2017 (ID. a86d600), tendo em vista a alteração do status quo da empresa. Em virtude disso, foi pago ao reclamante o valor de R$ 2.672,91 em abril de 2018, conforme acordado com o sindicato.
O reclamante, em manifestação sobre a defesa e documentos, inova a lide, ao afirmar que não foi pago ao reclamante o pacote de benefícios previstos do acordo firmado, a ser pago além do valor recalculado da PPR de 2018. Entendo, no entanto, descabida a pretensão do reclamante de alterar os termos dos critérios de pagamento estabelecidos com a supervisão do Sindicato que representa a categoria, detendo legitimidade para tanto. Pondero que não há ilegalidade na alteração de metas e valores em face da modificação do cenário econômico. Assim, de qualquer modo, concluo que o benefício foi alcançado ao reclamante, observados os critérios instituídos.
Ante todo o exposto, tenho que a PPR foi paga de forma correta ao longo da contratualidade, conforme recibos juntados, e julgo improcedente o pedido.
DEPÓSITOS DE FGTS
Condeno a reclamada ao depósito do FGTS devido sobre as verbas remuneratórias deferidas em sentença (principais e reflexos), na conta vinculada da parte autora (Lei n. 8.036/90, arts. 15; 18 e 26, p. único), acrescido da indenização de 40% (OJ 42, SDI-1/TST), sob pena de execução direta do valor correspondente.
Ante a dispensa imotivada da parte reclamante, autorizo o levantamento por alvará.
Tendo em vista o término do contrato de trabalho em 01.06.2018, com aviso prévio indenizado, bem como o pagamento das verbas rescisórias em 08.06.2018, indefiro o pagamento da multa prevista no art. 477, § 8º, da CLT.
Frente à inexistência de verbas rescisórias incontroversas na presente demanda, não quitadas na primeira audiência, não há que se falar na incidência da multa do artigo 467 da CLT, indefiro.
Natureza jurídica das parcelas conforme art. 28 da Lei 8.212/91, observado o teto de contribuição e Súmula Vinculante 53 do STF. O cálculo do IR deve observar o regime de competência, a teor da Súmula 368, II do TST. Os juros de mora sobre o crédito trabalhista não integram a base de cálculo dos descontos fiscais (Súmula nº 53 do TRT da 4ª Região).
A reclamada é responsável pelos recolhimentos fiscais e previdenciários, ficando autorizada a dedução da cota parte do reclamante (CLT, art. 832, § 3º c/c OJ 363, SDI-1/TST).
Por fim, conforme Recomendação da Corregedoria Regional do TRT4 nº 01/2012, o empregador também deverá prestar as informações constantes no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP).
Deixo de arbitrar juros e correção monetária por entender que devem ser apurados em liquidação de sentença e em conformidade com a legislação então vigente.
Defiro os benefícios da justiça gratuita ao reclamante, tendo em vista que foi efetuada declaração de hipossuficiência econômica, não afastada por prova em contrário (CPC, art. 99, § 3º c/c CLT, art. 769).
Considerando a data de propositura da presente ação, são cabíveis os honorários de sucumbência nos termos do artigo 791-A da CLT, não compensáveis entre si.
Assim, considerando os critérios dispostos no art. 791-A, § 2º, da CLT, arbitro os honorários sucumbenciais a serem pagos pela reclamada em 10% sobre o valor que resultar da liquidação da sentença.
Ato contínuo, arbitro os honorários sucumbenciais a serem pagos pelo reclamante em 10% sobre o valor dos pedidos julgados improcedentes, tendo como base de cálculo os valores apontados na inicial.
Ante o deferimento do benefício da justiça gratuita ao reclamante, a exigibilidade dos honorários sucumbenciais fica suspensa, nos termos do art. 791-A, § 4º da CLT. Registro que deixo de aplicar a condicionante prevista no artigo 791-A, § 4º da CLT, de que "desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa", em atenção ao decidido
pelo Pleno do TRT da 4ª Região (ARGINC 0020024-
05.2018.5.04.0124).
ANTE O EXPOSTO , pronuncio a prescrição dos créditos postulados e exigíveis anteriores a 26.07.2013, extinguindo-os com resolução do mérito (CPC, art. 487, II) e, no mérito propriamente dito, julgo PROCEDENTES EM PARTE os pedidos da ação movida por KEVIN MARQUES HANAUER para condenar CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA , nos termos e limites da fundamentação, nas seguintes obrigações:
a) pagamento de uma hora como extraordinária, no período de 26.07.2013 a 10.11.2017, nos dias em que o reclamante laborou no terceiro turno em jornada superior a 6h, observado o disposto no artigo 58, § 1º da CLT, com reflexos;
b) depósito do FGTS devido sobre as verbas remuneratórias deferidas em sentença (principais e reflexos), na conta vinculada da parte autora (Lei n. 8.036/90, arts. 15; 18 e 26, p. único), acrescido da indenização de 40% (OJ 42, SDI-1/TST), sob pena de execução direta do valor correspondente.
Autorizo a dedução de parcelas pagas sob o mesmo título, sob pena de enriquecimento sem causa.
Os valores serão apurados em liquidação da sentença (CLT, art. 879), com juros e correção monetária vigentes à época.
Natureza jurídica das parcelas em conformidade com o art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Para os fins do art. 832, § 3º da CLT, declaro que não detém natureza salarial a parcela deferida nos itens b.
Deverá a reclamada proceder aos recolhimentos previdenciários e fiscais, calculados conforme Súmula 368 do TST e Súmula 26 do TRT da 4ª Região. Autorizo que sejam descontados dos créditos do reclamante o imposto de renda e a sua cota das contribuições previdenciárias (OJ 363, SDI-1/TST). Os recolhimentos deverão ser comprovados nos autos, mediante GFIP, sob pena de execução.
Honorários sucumbenciais pela reclamada em 10% sobre o valor que resultar da liquidação da sentença.
Honorários sucumbenciais pela parte reclamante em 10% sobre o valor dos pedidos julgados improcedentes, os quais ficam com a exigibilidade suspensa.
Custas processuais, pela reclamada, no importe de R$ 300,00 calculadas sobre o valor provisório da condenação, ora arbitrado em R$ 15.000,00.
Cumpra-se. Publique-se. Nada mais.
Artigo 165 do Decreto Lei nº 5.452 de 01 de Maio de 1943
Oscar Cansan
1 Vt de Gravataí do TRT-4
Kevin Marques Hanauer
Processo n. 0020515-79.2018.5.04.0231 do TRT-4

References: artigo 14
 artigo 6
 artigo 10
 artigo 165
 artigo 71
 artigo 71
 artigo 71
 artigo 71
 artigo 58
 artigo 73
 artigo 73
 artigo 73
 artigo 467
 artigo 791
 artigo 791
 artigo 58

Artigo 165