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JOÃO MARCOS LOGICS OF FORMAL INCONSISTENCY - PDF
JOÃO MARCOS LOGICS OF FORMAL INCONSISTENCY
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1 JOÃO MARCOS LOGICS OF FORMAL INCONSISTENCY PhD Thesis FEB/2005
3 UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO Dissertação para Obtenção do Grau de Doutor em Matemática Júri
4 Dissertação apresentada ao Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Filosofia pelo IFCH / Unicamp e do grau de Doutor em Matemática pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, em regime de cotutela entre as duas universidades.
5 JOÃO MARCOS DE ALMEIDA LOGICS OF FORMAL INCONSISTENCY Tese de Doutorado apresentada ao Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos para obtenção do título de Doutor em Filosofia pelo IFCH / Unicamp e do grau de Doutor em Matemática pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, em regime acordado de co-supervisão entre as duas universidades. Este exemplar corresponde à redação final da tese defendida e aprovada com distinção e louvor pela Comissão Julgadora em 16/02/2005. BANCA Prof. Carlos M. C. L. Caleiro (orientador pelo IST / UTL) Prof. Walter A. Carnielli (orientador pelo IFCH / Unicamp) Prof. Décio Krause Prof. Frank T. Sautter Prof. João F. Q. S. Rasga Prof. Marcelo E. Coniglio Prof. Marcelo Finger FEVEREIRO/2005
6 FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DO IFCH UNICAMP AL64L Almeida, João Marcos de Logics of Formal Inconsistency / João Marcos de Almeida. - - Campinas, SP : [s. n.], Orientador: Walter Alexandre Carnielli. Co-orientador: Carlos Caleiro Tese (doutorado) Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. 1. Lógica Filosofia. 2. Lógica Matemática Não-Clássica. 3. Semânticas (Filosofia). 4. Modalidade (Lógica). 5. Inferência (Lógica) I. Carnielli, Walter Alexandre. II. Caleiro, Carlos. III. Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. IV. Título.
7 Ad parentes meos, sine qui non
9 But we never admitted the birth of logic among us. Oswald de Andrade, Anthropophagite Manifesto, May 1928.
11 Contents Resumo Abstract Introdução xiii xv xvii PROLEGOMENA TO ANY FUTURE PARACONSISTENCY xxiii THE BIRTH OF PARACONSISTENT LOGIC SEMANTIC INTUITIONS THE FUNDAMENTAL FEATURE OF LFIS Agnosticism in logic Recipe for a certain programme in paraconsistency The fetish formula, and the Principle of (Non-)Contradiction The replacement property Good behavior and formal consistency OTHER ASPECTS OF PARACONSISTENCY On set theory On an infinity of logics On maximality On predicate logic On databases and mechanized deduction for LFIs Advertising LFIs On the duality between inconsistency and undeterminedness Paraconsistent mistakes The future SOME CONTRIBUTIONS OF THE PRESENT THESIS TRAVELLING SALESMAN SHORT ADDENDUM ON UNNECESSARY EXPLANATIONS LATE, AND HOPEFULLY ALSO UNNECESSARY, WARNING Acknowledgements Bibliography Appendix: Brief historical note xxiii xxvii xxx xxx xxxiii xxxiv xxxvi xxxviii xli xlii xliii xliv xliv xlv xlvi xlvi xlvii xlviii xlix lii lviii lviii lix lx lxvii vii
12 1 MAP OF THE TERRITORY 1 RESUMO 1 CONTENTS 2 Byzantinisms 2 The meat 5 Parts that were promised and are missing, things that will change 8 BRIEF HISTORY 9 On coauthorship 11 Bibliography A taxonomy of C-systems 15 1 THOU SHALT NOT TRIVIALIZE! Contradictory theories do exist Paraconsistent, but not contradictory! What do you mean? Standing on the shoulders of each other 28 2 A PARACONSISTENT LOGIC IS A PARACONSISTENT LOGIC IS A question of principles The paraconsistency predicament The trivializing predicament Huge tracts of the logical space DEFCON 2: one step short of trivialization C-systems 45 3 COOKING THE C-SYSTEMS ON A LOW FLAME Paleontology of C-systems The basic logic of (in)consistency On what one cannot get Letting bc talk about (dual) inconsistency The logic Ci, where contradiction and inconsistency meet On a simpler presentation for Ci Using LFIs to talk about classical logic 63 viii
13 3.8 Beyond Ci: The dc-systems The opposite of the opposite Consistency may be contagious! Taking it literally: the Brazilian plan completed Algebraic stuff 89 4 FUTUROLOGY OF THE C-SYSTEMS 96 5 REFERENCES 102 Errata to the paper A Taxonomy of C-systems, and more POSSIBLE-TRANSLATIONS SEMANTICS FOR LOGICS OF FORMAL INCONSISTENCY 119 RESUMO DE PTSURVEY 119 RESUMO DE WEAKPTS 119 CONTENTS 120 One size fits all 120 How much is that in real money? 122 Não tem tradução 126 BRIEF HISTORY 128 Bibliography Possible-translations semantics (extended abstract) LOGICS, TRANSLATIONS, POSSIBLE-TRANSLATIONS What is a logic? What is the canonical notion of entailment? What can be done with translations between logics? What are possible-translations semantics? Which logics have adequate semantics? FURTHER ILLUSTRATIONS SOME OTHER RELATED SEMANTIC STRUCTURES 146 REFERENCES 147 ix
14 2.2 Possible-translations semantics for some weak classically-based paraconsistent logics LANGUAGES, BIVALUATIONS, AND SEQUENTS SOME FUNDAMENTAL PARACONSISTENT LOGICS BIVALUED ENTAILMENT, MODALITIES AND MATRICES INTERPRETATIONS THROUGH POSSIBLE TRANSLATIONS ADEQUACY OF EACH OF THE NEWLY PROPOSED PTS 162 REFERENCES MODAL SEMANTICS FOR LOGICS OF FORMAL INCONSISTENCY 169 RESUMO DE LEA 169 RESUMO DE MODPAR 169 RESUMO DE PARANORMAL 170 CONTENTS 171 Some metaphysics Understanding the problem Devising a plan Carrying out the plan Looking back 175 Some esoterism Of algebraization Some puzzles Of replacement Of duality and modality 185 Coda 188 BRIEF HISTORY 189 Bibliography Logics of essence and accident THE WHAT-IT-IS-TO-BE THE MINIMAL LOGIC OF ESSENCE AND ACCIDENT EXTENSIONS OF (K) EA, AND DEFINABILITY OF S AND S 203 x
15 4 CHARACTERIZABILITY OF CLASSES OF FRAMES ON ESSENCE, AND BEYOND 206 ACKNOWLEDGEMENTS 209 REFERENCES Modality and paraconsistency WHAT IS A PARACONSISTENT LOGIC? WHAT IS A MODAL LOGIC? D2 IS NOT A MODAL LOGIC MODAL LOGICS ARE PARACONSISTENT 216 REFERENCES Nearly every normal modal logic is paranormal AFFIRMATIVE AND NEGATIVE MODALITIES Basic modal semantics Modal negations? VARIETIES OF PARANORMALITY Duality, at last The route from modality to paranormality, and the easy way back IMAGINE THERE ARE NO SEA BATTLES 235 ACKNOWLEDGEMENTS 238 REFERENCES AN ABSTRACT PERSPECTIVE ON NEGATION 241 RESUMO DE PURELOCAL 241 RESUMO DE INEFFABLE 241 CONTENTS 242 Here is how you should do it 242 Here is how you should not do it 244 BRIEF HISTORY 248 Bibliography 249 xi
16 4.1 On negation: Pure local rules 251 PROPOSAL BACKGROUND RULES FOR ABSTRACT CONSEQUENCE RELATIONS PURE RULES FOR NEGATION CAUSES AND CONSEQUENCES FOR PARANORMAL LOGICS OH YES, WHY NOT? (BUT THEN AGAIN, WHAT IS NEGATION, AFTER ALL?) DIRECTIONS 284 REFERENCES Ineffable inconsistencies INCONSISTENT CLASSICAL LOGIC THE GENERAL RECIPE PARACONSISTENCY IS NOT ENOUGH 296 ACKNOWLEDGEMENTS 299 REFERENCES 300 Conclusão 301 xii
17 Resumo Segundo a pressuposição de consistência clássica, as contradições têm um cará[c]ter explosivo: uma vez que estejam presentes em uma teoria, tudo vale, e nenhum raciocínio sensato pode então ter lugar. Uma lógica é paraconsistente se ela rejeita uma tal pressuposição, e aceita ao invés que algumas teorias inconsistentes conquanto não-triviais façam perfeito sentido. As Lógicas da Inconsistência Formal, LIFs, formam uma classe de lógicas paraconsistentes particularmente expressivas nas quais a noção meta-teórica de consistência pode ser internalizada ao nível da linguagem obje[c]to. Como consequência, as LIFs são capazes de recapturar o raciocínio consistente pelo acréscimo de assunções de consistência apropriadas. Assim, por exemplo, enquanto regras clássicas tais como o silogismo disjuntivo (de A e não-a -ou-b, infira B) estão fadadas a falhar numa lógica paraconsistente (pois A e não-a poderiam ambas ser verdadeiras para algum A, independentemente de B), elas podem ser recuperadas por uma LIF se o conjunto das premissas for ampliado pela presunção de que estamos raciocinando em um ambiente consistente (neste caso, pelo acréscimo de consistente-a como uma hipótese adicional da regra). A presente monografia introduz as LIFs e apresenta diversas ilustrações destas lógicas e de suas propriedades, mostrando que tais lógicas constituem com efeito a maior parte dos sistemas paraconsistentes da literatura. Diversas formas de se efe[c]tuar a recaptura do raciocínio consistente dentro de tais sistemas inconsistentes são também ilustradas. Em cada caso, interpretações em termos de semânticas polivalentes, de traduções possíveis ou modais são fornecidas, e os problemas relacionados à provisão de contrapartidas algébricas para tais lógicas são examinados. Uma abordagem formal abstra[c]ta é proposta para todas as definições relacionadas e uma extensa investigação é feita sobre os princípios lógicos e as propriedades positivas e negativas da negação. Palavras-chave: Lógica Universal, negação, paraconsistência, semânticas de traduções possíveis, modalidades, filosofia formal. xiii
19 Abstract According to the classical consistency presupposition, contradictions have an explosive character: Whenever they are present in a theory, anything goes, and no sensible reasoning can thus take place. A logic is paraconsistent if it disallows such presupposition, and allows instead for some inconsistent yet non-trivial theories to make perfect sense. The Logics of Formal Inconsistency, LFIs, form a particularly expressive class of paraconsistent logics in which the metatheoretical notion of consistency can be internalized at the object-language level. As a consequence, the LFIs are able to recapture consistent reasoning by the addition of appropriate consistency assumptions. So, for instance, while classical rules such as disjunctive syllogism (from A and not-a -or-b, infer B) are bound to fail in a paraconsistent logic (because A and not-a could both be true for some A, independently of B), they can be recovered by an LFI if the set of premises is enlarged by the presumption that we are reasoning in a consistent environment (in this case, by the addition of consistent-a as an extra hypothesis of the rule). The present monograph introduces the LFIs and provides several illustrations of them and of their properties, showing that such logics constitute in fact the majority of interesting paraconsistent systems from the literature. Several ways of performing the recapture of consistent reasoning inside such inconsistent systems are also illustrated. In each case, interpretations in terms of many-valued, possible-translations, or modal semantics are provided, and the problems related to providing algebraic counterparts to such logics are surveyed. A formal abstract approach is proposed to all related definitions and an extended investigation is carried out into the logical principles and the positive and negative properties of negation. Keywords: Universal Logic, negation, paraconsistency, possible-translations semantics, modalities, formal philosophy. xv
21 Introdução Deveis considerar principiada contra os índios antropófagos uma guerra offensiva que continuareis sempre em todos os annos nas estações seccas e que não terá fim. Carta Régia de D. João VI, 13 de Maio de Há cerca de 40 anos, uma abordagem lógica notável à pacificação da bravia noção de inconsistência foi inaugurada pelo paranaense Newton Carneiro Affonso da Costa. A presente monografia comemora esta empreitada ao atualizar e estender alguns aspectos escolhidos da abordagem dacostiana, centrados na faculdade de assegurar o comportamento clássico de algumas asserções feitas no interior de ambientes paraconsistentes. Mais especificamente, este documento investigará uma ampla classe de lógicas paraconsistentes inspiradas pelo trabalho de da Costa, a classe das Lógicas da Inconsistência Formal, LIFs, cuja característica fundamental consiste na capacidade que possuem de internalizar uma certa noção de consistência ao nível da linguagem objeto. Como será visto, tal capacidade expressiva abre como consequência a possibilidade de se efetuar a recaptura completa do raciocínio consistente a partir de uma LIF uma lógica que, por concepção, falha necessariamente a pressuposição da consistência clássica (ou, equivalentemente, intuicionista). A tese trata dos fundamentos teóricos da lógica paraconsistente em geral, e das LIFs em particular. Ela se compõe de prolegômenos e 8 artigos divididos em 4 capítulos, sobre os quais discorrerei brevemente a seguir. Cada um destes capítulos vem precedido de um resumo em português e um texto explicativo que situa os resultados dos artigos aí apresentados dentro da perspectiva geral da monografia, esclarece pontos relacionados, e relata concisamente a história da redação e da apresentação pública destes artigos. O Capítulo 1 traça o mapa do território paraconsistente em larga escala. Tendo surgido a partir de uma proposta muito ambiciosa de entender bem o passado para poder reescrever o futuro da lógica paraconsistente made in Brazil, posso dizer talvez que a nossa abordagem já conta ao menos alguns sucessos, o menor das quais não terá sido a conquista de novos adeptos, como será anotado logo adiante, para um certo modo de se fazer lógica com uma motivação semântica precisa e um olho na formulação abstrata das estruturas e princípios com que se está a trabalhar, sem ao mesmo tempo fugir muito dos formatos sintáticos já tradicionais. O artigo 1.0: xvii
22 Introdução Walter A. Carnielli and João Marcos. A taxonomy of C-systems. In W. A. Carnielli, M. E. Coniglio, and I. M. L. D Ottaviano, editors. Paraconsistency: The Logical Way to the Inconsistent, Proceedings of the II World Congress on Paraconsistency, held in Juquehy, BR, May 8 12, 2000, volume 228 of Lecture Notes in Pure and Applied Mathematics. Marcel Dekker, 2002, pages Preprint available at: 5.htm. se trata do único artigo em co-autoria desta tese. A noção precisa de consistência com a qual pretendo trabalhar é ali cuidadosamente introduzida, e as definições precisas de LIFs, C-sistemas e dc-sistemas são apresentadas neste artigo pela primeira vez. Os princípios lógicos relevantes à nossa abordagem são ali estudados de um ponto de vista abstrato, e diversas formas de explosão são ilustradas. Novos e velhos cálculos paraconsistentes são exibidos como exemplos de lógicas de cada uma das supra-mencionadas classes, e um diligente levantamento é feito da literatura relacionada. Problemas ligados à frequente falha da propriedade de substitutividade em nossas lógicas são comentados e novos resultados são formulados a respeito deste problema, algumas vezes estendendo resultados anteriores, de outros autores. Uma classe de C-sistemas que são maximais com relação à lógica clássica é submetida à apreciação do leitor, e os problemas relacionados à algebrização dos C-sistemas e dc-sistemas estudados neste artigo são recordados ou mesmo generalizados. Tivemos a sorte de ter ótimos leitores e comentadores. Nem por isso nos livramos, contudo, dos erros técnicos e conceituais. Uma Errata contendo uma lista dos apontamentos que colhi nos últimos dois anos, desde a publicação de 1.0, é também apresentada aqui, no fechamento deste primeiro capítulo da tese. Na minha dissertação de mestrado estudei a aplicação de uma certa técnica semântica que possibilitava o uso de um conjunto de cenários para a interpretação de lógicas mais recalcitrantes. Os exemplos que ali estudei eram quase todos, como agora sabemos, amostras de dc-sistemas. No Capítulo 2 desta tese retomo o tema para mostrar como aquela abordagem continua viva e pode se aplicar a diversas outras lógicas paraconsistentes. O artigo 2.1: João Marcos. Possible-translations semantics. In W. A. Carnielli, F. M. Dionísio, and P. Mateus, editors. Proceedings of the Workshop on Combination of Logics: Theory and applications (CombLog 04), held in Lisbon, PT, July Departamento de Matemática, Instituto Superior Técnico, 2004, pages Extended version available at: foi publicado como resumo estendido no simpósio acima referido. A versão do artigo incluída nesta tese estende este resumo ao corrigir algumas de suas imprecisões e acrescentar as demonstrações de todos os seus teoremas. Trata-se aqui de definições novas e muito abrangentes de estruturas de xviii
23 Introdução traduções possíveis, como um estudo em Lógica Universal. Usam-se como arcabouços conceituais tanto lógicas com conclusão simples quanto lógicas com conclusões múltiplas. Estas últimas aparecem aqui pela primeira vez, no contexto desta tese, e provarão ser muito úteis em capítulos posteriores. O artigo 2.2: João Marcos. Possible-translations semantics for some weak classicallybased paraconsistent logics. Research report, CLC, Department of Mathematics, Instituto Superior Técnico, Lisbon, PT, Submitted for publication. Preprint available at: nasceu como um relatório de investigação escrito para registrar idéias e resultados para o uso de colegas, e a versão mais recente deste relatório se encontra presentemente submetida a publicação em um periódico internacional. Neste artigo, semânticas de traduções possíveis são oferecidas para uma coleção de lógicas paraconsistentes dedutivamente bem débeis, dentre as quais certas LIFs fundamentais baseadas na lógica clássica. Deve-se notar que este artigo é também o primeiro a oferecer uma axiomatização cuidadosa (e infinitária) para a lógica mci, que se encontra na base de quase todas as LIFs apresentadas no capítulo anterior. Muito se discutiu na literatura sobre o problema de se encontrar lógicas paraconsistentes nas quais valha a propriedade da substitutividade, e bastante se debateu também sobre as relações entre as lógicas paraconsistentes e as lógicas modais. O Capítulo 3 desta tese identifica os dois problemas (todas as lógicas modais usuais satisfazem a propriedade da substitutividade) e investiga LIFs que possuem semânticas modais. O artigo 3.1: João Marcos. Logics of essence and accident. Research report, CLC, Department of Mathematics, Instituto Superior Técnico, Lisbon, PT, Bulletin of the Section of Logic, In print. Preprint available at: considera interpretações modais para os conectivos de consistência e de inconsistência, independentemente da presença de um operador de negação paraconsistente. Como resultado, uma nova leitura metafísica parece se impor para os conectivos anteriores, enquanto modalidades assertóricas de essência e de acidente. Alguns resultados de caracterização da débil linguagem modal relacionada são estudados neste artigo. No artigo seguinte, 3.2: João Marcos. Modality and paraconsistency. Research report, CLC, Department of Mathematics, Instituto Superior Técnico, Lisbon, PT, In M. Bilkova and L. Behounek, editors. The Logica Yearbook 2004, Proceedings of the XVIII International Symposium promoted by the Institute of Philosophy of the Academy of Sciences of the Czech Republic. Filosofia, Prague, Preprint available at: xix
24 Introdução a linguagem modal inteira é considerada, contendo não apenas conectivos de (in)consistência mas também interpretações modais para a negação paraconsistente em termos de não-necessidade. O principal resultado deste artigo diz respeito à logica D2 de Jaśkowski, que já fora caracterizada como um dc-sistema, na Errata ao primeiro capítulo da tese. Aqui ficamos sabendo que D2 não é uma lógica modal usual tal como se poderia imaginar a partir da literatura relacionada: esta lógica não satisfaz a propriedade da substitutividade. Finalmente, no artigo 3.3: João Marcos. Nearly every normal modal logic is paranormal. Research report, CLC, Department of Mathematics, Instituto Superior Técnico, Lisbon, PT, Submitted for publication. Preprint available at: aprendemos que toda lógica modal não-degenerada pode muito naturalmente ser caracterizada como um dc-sistema. Um cuidadoso levantamento da literatura relacionada é avançado, e uma alternativa simplificada é proposta para as restrições ad hoc que caracterizam algumas reconstruções modernas do quadrado das oposições aristotélico, substitutindo a relação de subalternação pela relação de dualidade. Mais um artigo baseado na noção mais simétrica de relação de consequência com (premissas e) conclusões múltiplas, 3.3 mostra como a noção de paracompletude surge como uma dual muito natural à noção de paraconsistência, e as LUFs despontam como duais às LIFs. Ainda mais importante do que isto é a caracterização intuitiva e mais ou menos informal oferecida neste artigo para o dito Atributo Fundamental das LIFs, a propriedade que permite que estas lógicas recapturem o raciocínio consistente, mesmo em vista de seu desrespeito à pressuposição de consistência clássica. Encerrados os dois últimos capítulos sobre semânticas para LIFs, o capítulo final desta tese começa por retomar a abordagem mais abstrata da Lógica Universal. O artigo 4.1: João Marcos. On negation: Pure local rules. Journal of Applied Logic, In print. Preprint available at: 4,n 4,2004.html. mais uma vez faz uso das conclusões múltiplas, desta vez para estudar várias propriedades positivas e negativas da negação, e suas inter-relações. Ainda outra vez é feito o levantamento da literatura relacionada, e vários deslizes de outros autores são apontados. A dualidade tem aqui um papel importante, até mesmo para a definição de várias regras aparentemente desconhecidas como duais a regras bem conhecidas da literatura. A proposta mais original deste capítulo, no entanto, diz respeito à própria definição de lógica e de constantes lógicas, definição esta que é aproximada aqui a partir de um xx
25 Introdução prisma negativo, em aberto contraste com as abordagens usuais que pretendem caracterizar quais regras são comuns a todas as lógicas ou a todas as constantes de uma certa família. Finalmente, 4.2: João Marcos. Ineffable inconsistencies. In J.-Y. Béziau and W. A. Carnielli, editors. Proceedings of the III World Congress on Paraconsistency. North-Holland, Preprint available at: é o último artigo da tese. Aqui eu mostro mais uma vez como a escolha do arcabouço conceitual pode fazer toda a diferença. Usando conclusão simples pode-se dar uma receita para construir constrangedoras versões inconsistentes e paraconsistentes de lógicas absolutamente usuais sem causar-lhes no entanto grande violência a partir do ponto de vista de suas relações inferenciais. O paradoxo é desmascarado se usamos conclusões múltiplas. Isto mostra, de um ponto de vista abstrato e semântico, como é preciso cuidar, por exemplo, para não acabarmos com exemplos improfícuos de lógicas e de lógicas paraconsistentes em mãos, imaginando que estamos fazendo algum progresso. Um sinal a mais de maturidade da presente abordagem na minha certamente tendenciosa opinião será dado pela publicação em 2005, em colaboração com Walter Carnielli e Marcelo Coniglio, de um artigo intitulado Logics of Formal Inconsistency como um capítulo da segunda edição do celebrado Handbook of Philosophical Logic. Eis um primeiro fruto apurado do trabalho desta tese. Esperemos por mais. A proposta dacostiana para a lógica paraconsistente é tão rica e rebuscada que não seria nada menos do que uma temeridade imaginar que eu poderia tratar aqui de todos os seus aspectos. Na realidade, pouco ou nada será dito nesta tese sobre teorias de conjuntos paraconsistentes, sobre as relações entre paraconsistência, ontologia e pluralismo lógico, sobre a relevância filosófica da existência de uma infinidade de lógicas paraconsistentes puras ou sobre os critérios de escolha que poderíamos empregar com o fim de escolher uma dentre tais lógicas para uma aplicação específica, sobre os detalhes das importantes demonstrações de maximalidade, ou mesmo sobre versões predicativas das lógicas aqui estudadas. Como explicarei mais adiante, já estudei alguns destes aspectos em outros artigos que aqui não foram incluídos; a outros aspectos ainda não pude contribuir, por incompetência ou desinteresse. Assim, ao invés de perseguir uma contribuição abrangente ou quiçá exaustiva à paraconsistência feita à moda da casa, apesar da diversidade e do alcance dos artigos contidos neste trabalho, deve-se ter em vista que me dedico aqui obsessivamente a estudar apenas um único aspecto destes desenvolvimentos, a saber, a possibilidade de expressão formal de uma noção específica de consistência que é capaz de recuperar o caráter explosivo de uma contradição, permitindo a expressão limitada de antinomias clássicas. Há vantagens em se poder contar com uma lógica xxi
26 Introdução paraconsistente assim expressiva. Haverá também desvantagens. Não chego sequer a propor aqui que a classe das LIFs seja de algum modo superior à classe das não-lifs. O que se deve notar, de uma maneira ou de outra, é que estas duas classes podem ser objetivamente separadas, do ponto de vista técnico, e elas se diferenciam em geral por uma característica semântica muito precisa, a saber, a impossibilidade, em uma LIF, de se obter um modelo para todas as sentenças (e para todas as contradições) de uma determinada linguagem. Os paradoxos que ocasionam a trivialização a partir do uso de propriedades explosivas da negação dependem da pressuposição de consistência clássica. A opção entre uma LIF e uma lógica paraconsistente menos expressiva, para uma determinada aplicação, passará assim pela avaliação do quanto se deseja permitir a recuperação do raciocínio e da matemática clássicas, e do quanto se está disposto a ensejar (e arriscar) a recaptura da própria noção de consistência. xxii
27 Prolegomena to Any Future Paraconsistency Some 40 years ago, a remarkable logical approach to the taming of inconsistencies was pioneered by Newton Carneiro Affonso da Costa, in Brazil. The present monograph commemorates this endeavor by updating and extending some chosen aspects of the dacostian approach, centered around the possibility of securing the classical behavior of some assertions made inside a paraconsistent environment. The birth of paraconsistent logic Ai, ai, ai, ai Have you ever danced in the tropics? With that hazy lazy Like, kind of crazy Like South American Way Al Dubin e Jimmy McHugh, South American Way, 1930s. Time often helps us separate the wheat from the chaff. With some luck, inconsequent ideas eventually are abandoned and forgotten. It would be a pity, though, that an important approach to a variety of non-classical logics, and one that is so close to our hearts and minds, would end up remembered only for the wrong reasons. An everlasting myth perpetuated by a considerable parcel of the literature on paraconsistency concerns the alleged origin of paraconsistent logic nearby Curitiba, Paraná, to wit, somewhere in between the pinelands and the sea of Southern Brazil. This section aims at debunking that myth, if only for the sake of intellectual honesty in the practice of the science of logic. Let s initially consider here two expository papers by da Costa and collaborators, namely [43] (1995) and [42] (1999). In [42], for instance, one can find the following assertion [here in my translation]: In fact, the first logician to have built paraconsistent systems having a full scope (propositional logic, predicate logic, set theory) is N. C. A. da Costa (cf. [35], [36]). In a similar vein, [43] mentions, right from the start, the creation of paraconsistent logic by the first author of the present paper [da Costa], more than thirty years ago, as having shown that it is possible to develop a xxiii
28 Prolegomena to Any Future Paraconsistency logic in which contradictions can be mastered, in which there are inoffensive or, at least, not dangerous contradictions. In reality, the paper [43] proposes to tell us the history of the invention of paraconsistent logic, and to that effect it mentions the forerunners of paraconsistent logic (according to the paper: Lukasiewicz, Vasiliev, Jaśkowski, Nelson, Smiley, but not Orlov), setting them at a great distance from the discoverer of paraconsistent logic (according to the paper: Newton da Costa). In the particular case of Vasiliev, the paper asserts that his work was not really understood until the seventies, when the first author [da Costa] read an abstract of a paper of his written in English, and perceived that he had the intuition of paraconsistent logic. Then he suggested that one of his students, A. I. Arruda, investigate Vasiliev s works. On what concerns Jaśkowski, the title of discoverer is denied in that same paper because he has not constructed any discussive logic at the quantificational level. This was done by L. Dubikajtis and the first author [da Costa] in the sixties. Nelson and Smiley are merely mentioned by name, and their works are not commented upon. In addition, a great emphasis seems to be put on the allegation that da Costa developed his paraconsistent calculi in a completely independent way from the works of Vasiliev, Lukasiewicz and Jaśkowski. At that time, in Brazil, the works of these logicians were inaccessible to him. I cannot help but find the above statements utterly puzzling. In his initial thesis on paraconsistent logics, da Costa closes the introduction (p.5) by writing that [in my translation]: Our research had its origin in studies that we have previously published (see [32, 33] and [30, 31]). But, to the best of our knowledge, very little has been done on the topic, besides certain inquiries by Jaśkowski (see [55, 56] and [65, 66]); some studies by Nelson bear some relation to the object of this thesis, though the orientation of the North-American logician is very much distinct from ours (see [68], where you will find bibliographic references). This paragraph alone already seems to seriously impair the last contention about da Costa deserving a special merit for having been a lone researcher with no access to the work of other logicians as he does indeed seem to have had access to all relevant papers, at some point. At any rate, from a historical perspective, why should ignorance or lack of contact with the outside world be attached anything more than a sentimental value at the moment we are assessing one s contribution to science? A more balanced partial account of matters was presented by da Costa himself in his opening address (read by Itala D Ottaviano) at the Stanis law Jaśkowski s Memorial Symposium, held in Toruń, Poland, in 1998 (cf. [40]): I was delighted to notice, in the early 1960 s, that the work I had developed in Brazil by that time had close connections with Jaśkowski s. I recall, as if it were today, reading the English abstract of one of his papers, and realising that the two of us were independently producing xxiv

References: artigo 1
 artigo 2
 artigo 2
 artigo 3
 artigo 3
 artigo 4