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Timestamp: 2020-02-18 18:49:34+00:00

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Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4 - APELAÇÃO CIVEL : AC 50118817220174047200 SC 5011881-72.2017.4.04.7200
Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4 - APELAÇÃO CIVEL : AC 50118817220174047200 SC 5011881-72.2017.4.04.7200 - Inteiro Teor
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM Apelação Cível Nº 5011881-72.2017.4.04.7200/SC
EMBARGANTE: SUPERMERCADOS MANENTI LTDA (IMPETRANTE)
ADVOGADO: EDUARDO SILVA REMOR DE OLIVEIRA
Trata-se de novos embargos de declaração opostos por Supermercados Manenti contra acórdão desta Turma assim ementado:
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO.
1. São cabíveis embargos de declaração contra decisão judicial para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; suprir omissão ou corrigir erro material, conforme dispõe o artigo 1.022 do CPC.
2. Não se verifica a existência das hipóteses ensejadoras de embargos de declaração quando o embargante pretende apenas rediscutir matéria decidida, não atendendo ao propósito aperfeiçoador do julgado, mas revelando a intenção de modificá-lo, o que se admite apenas em casos excepcionais, quando é possível atribuir-lhes efeitos infringentes.
Insiste a parte embargante ser necessária a manifestação expressa acerca dos documentos juntados com a inicial.
Conforme prescrito no artigo 1.022 do Novo CPC, a natureza reparadora dos embargos de declaração só permite a sua oposição contra sentença ou acórdão acoimado de obscuridade ou contradição, bem como nos casos de omissão do Juiz ou Tribunal, ou, ainda, para correção de erro material no julgado.
No caso dos autos, inexiste qualquer omissão, erro material, contrariedade ou obscuridade que fundamente a oposição dos presentes embargos de declaração, tendo o inteiro teor do acórdão examinado com suficiência todas as questões postas. Transcrevo, a propósito, os seguintes excertos do voto condutor do acórdão proferido no Evento 8:
A filial representa uma universalidade de fato que integra o patrimônio da sociedade empresária e não uma pessoa distinta desta, de sorte que a discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica. Digno de nota, também, o princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, que considera filial e matriz unidades autônomas e independentes nas relações jurídico-tributárias travadas com a Administração Fiscal.
Nesse sentido, cito precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que reconheceu a unidade patrimonial da devedora para fins fiscais:
"PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACEN-JUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA.
2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual"o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei".
(REsp 1355812/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2013, DJe 31/05/2013)" (destaquei)
Se, por um lado, há responsabilidade patrimonial das filiais pelos débitos da matriz e vice-versa, a obrigação tributária nasce de forma individualizada para cada um dos estabelecimentos. No entanto, nada impede que a lei estabeleça a centralização dos elementos necessários ao controle da arrecadação em um único estabelecimento, com a finalidade de melhor desempenhar suas funções.
É o que ocorreu com a criação da chamada Super Receita pela Lei 11.457, de 16 de março de 2007, que estabeleceu caber à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91 (art. 2º).
Neste passo, o estabelecimento centralizador, onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, passou a ser a matriz, por determinação do citado art. 489, I, da IN/RFB 971, de 13.11.2009, a qual tem amparo legal, entre outros, no art. 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999, prevendo que "Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável."
No âmbito da Receita Federal do Brasil, existe o Sistema de Arrecadação "CONCEN-CONSULTA CENTRALIZADORES", pelo qual a fiscalização dos estabelecimentos filiais, independente de onde se localizem, é centralizada na matriz, identificando-se com isso a Delegacia que sobre ela atua, informação importante para indicação da autoridade coatora e definição da competência em caso de mandado de segurança. Isso porque a jurisdição tributária federal, em se tratando de contribuições previdenciárias, é determinada pela localização do estabelecimento matriz. É dizer, a competência para o lançamento, cobrança, arrecadação, fiscalização, expedição de certidões de regularidade fiscal, concessão de parcelamento, análise de pedidos de restituição/ressarcimento/compensação é definida em função do estabelecimento matriz/centralizador da pessoa jurídica, que é tratada como um todo e não por estabelecimentos, pois o sujeito passivo é a empresa.
Como visto, a centralização obrigatória no estabelecimento matriz decorreu da criação da Super Receita, a partir de quando toda a cobrança das contribuições previdenciárias migrou do Ministério da Previdência Social para a Receita Federal do Brasil, tornando-se necessária a unificação do tratamento dado às empresas, já que a fiscalização seria única pelo mesmo auditor fiscal.
Portanto, se uma empresa com filiais pretende questionar a cobrança de contribuições previdenciárias por meio da ação do mandado de segurança, deve fazê-lo na Seção Judiciária da Justiça Federal com jurisdição sobre o estabelecimento matriz, sendo indicada autoridade coatora o Delegado da Receita Federal do Brasil com atuação sobre ele.
Outrossim, o CNPJ da matriz tem caráter centralizador, e, portanto, atrai as discussões relativas às filiais. Logo, conquanto haja legitimidade da filial para representar a pessoa jurídica, mercê do princípio da unicidade da personalidade jurídica da matriz e das filiais, para fins de delimitação do domicílio tributário, e, por consequência, para definição do juízo competente, deve ser levado em consideração o disposto no art. 127 do CTN, que determina que o domicílio tributário das pessoas jurídicas de direito privado será o lugar da sua sede, no caso, Criciúma/SC..
Destarte, se no passado persistia alguma dúvida, com a Instrução Normativa RFB nº 971. de 13 de novembro de 2009, ficou esclarecido definitivamente que os contribuintes pessoa jurídica, relativamente às contribuições à seguridade social, têm domicílio tributário centralizado no lugar onde se situa a sua matriz (ou, por opção expressa do contribuinte, outro estabelecimento centralizador), devendo ali serem mantidos todos os documentos necessários à fiscalização integral (art. 489).
Desse modo, o mandado de segurança que tenha por objeto contribuições à seguridade social deve ser impetrado pela matriz da pessoa jurídica, na Seção Judiciária da Justiça Federal com jurisdição sobre o estabelecimento matriz, sendo indicada autoridade coatora o Delegado da Receita Federal do Brasil com atuação sobre ele.
Ainda, como bem destacado no voto condutor juntado no Evento 22, “o presente mandado de segurança foi interposto na Seção Judiciária de Florianópolis enquanto ambos os estabelecimentos (matriz/Criciúma e filial/Forquilhinha) estão sob a jurisdição da Seção Judiciária da Justiça Federal em Criciúma/SC”.
Logo, não há razão para a análise dos documentos juntados com a inicial.
Reitero que, quanto ao prequestionamento de dispositivos legais e/ou constitucionais que não foram examinados expressamente no acórdão, consideram-se nele incluídos os elementos suscitados pela parte embargante, independentemente do acolhimento ou não dos embargos declaratórios, conforme disposição expressa no artigo 1.025 do Novo CPC.
Documento eletrônico assinado por ANDREI PITTEN VELLOSO, Juiz Federal Convocado, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40000983097v4 e do código CRC 271b9df9.
Data e Hora: 11/4/2019, às 18:42:24
5011881-72.2017.4.04.7200
40000983097 .V4
Conferência de autenticidade emitida em 15/04/2019 22:09:43.
Documento:40000983098
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE E ERRO MATERIAL INEXISTENTES. PREQUESTIONAMENTO.
1. Conforme prescrito no artigo 1.022 do Novo CPC, a natureza reparadora dos embargos de declaração só permite a sua oposição contra sentença ou acórdão acoimado de obscuridade ou contradição, bem como nos casos de omissão do Juiz ou Tribunal, ou, ainda, para correção de erro material no julgado.
2. O prequestionamento de dispositivos legais e/ou constitucionais que não foram examinados expressamente na decisão encontra disciplina no artigo 1.025 do Novo CPC, segundo o qual se consideram incluídos no acórdão os elementos suscitados pela parte embargante, independentemente do acolhimento ou não dos embargos declaratórios.
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Documento eletrônico assinado por ANDREI PITTEN VELLOSO, Juiz Federal Convocado, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40000983098v4 e do código CRC 8d2d100d.
Data e Hora: 11/4/2019, às 16:32:59
40000983098 .V4
Apelação Cível Nº 5011881-72.2017.4.04.7200/SC
APELANTE: SUPERMERCADOS MANENTI LTDA (IMPETRANTE)
Certifico que este processo foi incluído na Pauta do dia 09/04/2019, na sequência 656, disponibilizada no DE de 28/03/2019.
A 2ª TURMA , DECIDIU, POR UNANIMIDADE, REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
RELATOR DO ACÓRDÃO: Juiz Federal ANDREI PITTEN VELLOSO
Disponível em: https://trf-4.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/698210138/apelacao-civel-ac-50118817220174047200-sc-5011881-7220174047200/inteiro-teor-698210189

References: artigo 1
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