Source: http://www.igf.min-financas.pt/inflegal/bd_igf/bd_legis_geral/Leg_geral_docs/DL_269_94.htm
Timestamp: 2014-03-12 11:05:27+00:00

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LEGISLAÇÃO GERAL - DECRETO-LEI N.º 269/94 DE 25 DE OUTUBRO
de 25 de Outubro Para estimular os condóminos na mobilização dos recursos necessários à conservação ou reparação extraordinária de imóveis em regime de propriedade horizontal, importa criar mecanismos financeiros que possam prevenir a degradação do tecido urbano, através da constituição de um fundo de reserva para fazer face a obras nas partes comuns dos prédios. As recentes alterações ao regime da propriedade horizontal introduzidas pelos Decretos-Leis n.ºs 267/94 e 268/94, ambos de 25 de Outubro, estabelecem a obrigatoriedade da constituição desse fundo de reserva, que poderá revestir a forma de uma �conta poupança-condomínio�, caso haja deliberação nesse sentido da assembleia de condóminos, a qual pode anteceder a obrigatoriedade da constituição do fundo. Aproveitando os princípios enformadores da conta poupança-habitação, que foi fundamentalmente criada para estimular o aforro para aquisição de casa própria, cria-se um mecanismo para permitir o aforro dos condóminos proprietários, a afectar à conservação e beneficiação dos edifícios em regime de propriedade horizontal, num momento em que os primeiros imóveis sujeitos a esse regime, relativamente recente no nosso ordenamento jurídico, carecem de obras mais vultosas do que as normalmente realizadas pela administração dos prédios. Assim: No uso da autorização legislativa concedida pelo n.� 3 do artigo 35.� da Lei n.� 75/93, de 20 de Dezembro, e nos termos das alíneas a) e b) do n.� 1 do artigo 201.� da Constituição, o Governo decreta o seguinte:
Artigo 1.� - 1 - Os administradores de prédios em regime de propriedade horizontal, mediante prévia deliberação da assembleia de condóminos, podem abrir contas de depósito a prazo denominadas �contas poupança-condomínio�.
Artigo 2.� - 1 - A conta poupança-condomínio pode ser mobilizada pelo administrador ou pelos condóminos autorizados em assembleia para o efeito, após o decurso do primeiro prazo contratual. 2 - A mobilização do saldo das contas deverá ser realizada por meio de cheque ou ordem de pagamento, emitidos a favor do construtor ou do credor do preço de venda dos materiais ou serviços para a realização das obras nas partes comuns do prédio nos termos do presente diploma. 3 - Após deliberação da assembleia de condóminos, a todo o tempo é permitido aos titulares de uma conta poupança-condomínio comunicar à instituição depositária a alteração dos objectivos que se propôs com a abertura da conta, desde que sejam repostos os benefícios fiscais que lhes tenham sido aplicados.
Artigo 3.� - 1 - Para efeitos do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares (IRS), as entregas feitas anualmente por cada condómino para depósito em conta poupança-condomínio podem ser dedutíveis ao seu rendimento na mesma percentagem ou permilagem que lhe corresponde do valor total do prédio até 1% do valor matricial deste, com o limite de 25 000$00.
(Ver nova redacção dada pelo n.º 3 do artigo 50 da Lei n.� 10-B/96, de 23 de Março).
(Ver nova redacção dada pelo n.º 2 do artigo 48.º da Lei n.� 52-C/96, de 27 de Dezembro).
(Ver nova redacção dada pelo n.º 1 do artigo 43.º da Lei n.º 87-B/98, de 31 de Dezembro).
(Ver nova redacção dada pelo artigo 59.º da Lei n.º 3-B/2000, de 4 de Abril).
(Ver nova redacção dada pelo n.º 4 do artigo 48.º da Lei n.º 30-C/2000, de 29 de Dezembro).
(Revogado pelo n.º 3 do artigo 10.º da Lei n.º 30-G/2000, de 29 de Dezembro).
(Revogado pelo n.º 3 do artigo 10.º da Lei n.º 30-G/2000, de 29 de Dezembro). 3 - Se o saldo da conta poupança-condomínio vier a ser utilizado para outros fins que não os referidos no n.� 2 do artigo 1.�, aplica-se o estatuído no artigo 38.� do Estatuto dos Benefícios Fiscais.
(Revogado pelo n.º 3 do artigo 10.º da Lei n.º 30-G/2000, de 29 de Dezembro). 4 - No caso de o saldo da conta poupança-condomínio ser utilizado para outros fins, ou antes de decorrido o prazo estabelecido, a soma dos montantes anuais deduzidos será acrescida ao rendimento do ano em que ocorrer a mobilização, para o que as instituições depositárias ficam obrigadas a comunicar à administração fiscal a ocorrência de tais factos.
(Revogado pelo n.º 3 do artigo 10.º da Lei n.º 30-G/2000, de 29 de Dezembro). Artigo 4.� - 1 - Qualquer instituição de crédito habilitada a receber depósitos pode constituir contas poupança-condomínio pelo prazo contratual mínimo de um ano, renovável por iguais períodos de tempo, efectuando-se as entregas ao longo de cada prazo anual, nos termos que forem acordados com as instituições de crédito. 2 - As instituições de crédito habilitadas a receber depósitos podem, dentro dos limites e regras a fixar por portaria conjunta dos Ministros das Finanças e das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, estipular montantes mínimos ou máximos para abertura das contas poupança-condomínio e para as entregas subsequentes, bem como a periodicidade destas últimas e a sua rigidez ou flexibilidade.
Artigo 5.� - 1 - Os juros são liquidados relativamente a cada conta de depósito: a) No fim de cada prazo anual, por acumulação ao capital depositado; b) No momento da mobilização do depósito, sendo então contados à taxa proporcional e devidos até essa data, sem qualquer penalização. 2 - Os juros produzidos pelas entregas ao longo de cada prazo anual são calculados à taxa proporcional.
Artigo 6.� - 1 - Se o saldo da conta poupança-condomínio for aplicado em qualquer finalidade diferente da prevista no n.� 2 do artigo 1.� ou dele forem levantados fundos antes de decorrido o primeiro prazo contratual, aplicam-se as regras vigentes na instituição depositária para depósitos a prazo superior a um ano, sendo anulado o montante dos juros vencidos e creditados que corresponda à diferença de taxas, bem como o valor correspondente aos benefícios fiscais que lhes tenham sido aplicados. 2 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, desde que o remanescente, sem incluir os juros creditados, exceda os montantes mínimos fixados pela instituição depositária, o titular pode continuar com a conta poupança-condomínio, mantendo-se a certeza do empréstimo. 3 - Podem igualmente ser mantidos todos os benefícios aplicáveis no caso de o saldo de uma conta poupança-condomínio ser integralmente transferido para outra conta da mesma natureza em instituição de crédito distinta.
Artigo 7.� - 1 - Aos titulares de contas poupança-condomínio constituídas há mais de três anos e que pretendam mobilizar o saldo é garantido o direito à concessão de um empréstimo. 2 - O montante dos empréstimos a conceder nos termos do número anterior: a) Será determinado em função de regras estabelecidas no contrato de abertura da conta poupança-condomínio, tendo em conta o ritmo, o valor e a regularidade das entregas do titular da conta; b) Não pode ser superior à diferença entre o valor das obras projectadas, segundo avaliação das instituições de crédito, e o saldo das contas poupança-condomínio à data da concessão dos empréstimos.
Artigo 8.� - As instituições de crédito devem fixar e tornar públicas as condições da conta poupança-condomínio, designadamente os seguintes elementos: a) Montantes mínimos ou máximos e periodicidade, rígidos ou flexíveis, prefixados ou não; b) Montante dos empréstimos em função do saldo da conta poupança-condomínio; c) Taxa efectiva de remuneração bruta anual da conta poupança-condomínio, calculada como taxa equivalente e tendo em consideração a periodicidade das entregas, cujos pressupostos a instituição de crédito deve explicitar.
Artigo 9.� - 1 - Salvo se houver lugar à aplicação do disposto no Código Penal quanto ao crime de abuso de confiança, a utilização abusiva da conta poupança-condomínio é punível com coima de 20000$00 a 250000$00, sendo-lhe aplicável o disposto no Decreto-Lei n.� 433/82, de 27 de Outubro. (Ver nova redacção dada pelo artigo 14.º do Decreto Lei n.º 323/2001, de 17 de Dezembro).
2 - Compete à repartição de finanças da área do prédio elaborar o processo de contra-ordenação e aplicar a coima. Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 4 de Agosto de 1994. - Aníbal António Cavaco Silva - Norberto Emílio Sequeira da Rosa - Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio - Joaquim Martins Ferreira do Amaral. Promulgado em 7 de Outubro de 1994. Publique-se. O Presidente da República, MÁRIO SOARES. Referendado em 10 de Outubro de 1994. O Primeiro-Ministro, Aníbal António Cavaco Silva.

References: artigo 35
 artigo 201

Artigo 1

Artigo 2

Artigo 3
 artigo 50
 artigo 48
 artigo 43
 artigo 59
 artigo 48
 artigo 10
 artigo 10
 artigo 1
 artigo 38
 artigo 10
 artigo 10
 Artigo 4

Artigo 5

Artigo 6
 artigo 1

Artigo 7

Artigo 8

Artigo 9
 artigo 14