Source: https://www.conjur.com.br/2005-ago-12/cabe_justica_trabalhista_julgar_reintegracao_servidor
Timestamp: 2018-02-18 03:06:00+00:00

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ConJur - Cabe à Justiça trabalhista julgar Reintegração de servidor
Reintegração de servidor é competência da Justiça trabalhista
12 de agosto de 2005, 11h59
A Justiça do Trabalho deve examinar processos de reintegração de servidor público em regime de CLT ao emprego. A decisão é da 5ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho com base no artigo 19 do ADCT — Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, em recurso de revista de um funcionário demitido sem justa causa pela Fundação Padre Anchieta, de São Paulo.
O dispositivo constitucional corresponde à regra transitória que assegurou estabilidade aos “servidores públicos civis da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, da administração direta, autárquica e das fundações públicas, em exercício na data da promulgação da Constituição, há pelo menos cinco anos continuados, e que não houvessem sido admitidos na forma regulada no artigo 37, da Constituição”, que estabelece a regra do concurso público. As informações são do TST.
A prerrogativa da Justiça do Trabalho para o exame do tema foi negada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, São Paulo. O entendimento foi de que a norma constitucional alcançaria apenas o servidor em sentido estrito, ou seja, àquele regido pelo Estatuto dos Funcionários Públicos e, por esse motivo, determinou-se a extinção do processo sem julgamento do mérito.
Inconformado com a decisão regional, o trabalhador ingressou com o recurso de revista no Tribunal Superior do Trabalho sob a alegação de violação ao artigo 114 da Constituição Federal. O dispositivo é o que estabelece a competência da Justiça Trabalhista para julgar os dissídios individuais entre empregado ou empregador, relação submetida às regras inscritas na CLT.
O argumento do empregado foi aceito pelo TST. Segundo o juiz convocado Walmir Oliveira Costa, o artigo 114 não estabelece qualquer distinção quanto à espécie de direito que está sendo reivindicada, a partir da relação de emprego. Em contraste com o posicionamento do TRT paulista, o relator do recurso de revista frisou que a competência dos órgãos judiciais brasileiros define-se tanto pela natureza do pedido quanto pela relação jurídica do litígio entre as partes.
O relator lembrou também que a estabilidade prevista no artigo 19 do ADCT não estabeleceu qualquer distinção entre o servidor público regido pela CLT e o submetido ao regime estatutário. Foi citado, ainda, precedente do Supremo Tribunal Federal em que foi reconhecida a competência da Justiça do Trabalho para o exame de ação trabalhista movida por empregado público regido pela CLT.
“Por outro lado, não é demais ressaltar, que o artigo 652 da CLT dispõe ser da competência da Justiça do Trabalho conciliar e julgar os dissídios em que se pretenda o reconhecimento da estabilidade do empregado, bem assim, os litígios relacionados ao contrato individual do trabalho”, acrescentou Walmir Costa ao votar pela remessa dos autos ao TRT para que seja examinado o direito ou não do servidor à estabilidade.
RR 714096/2000.9
Revista Consultor Jurídico, 12 de agosto de 2005, 11h59
Servidores públicos agora são competência da Justiça do Trabalho
TST pode julgar contrato irregular no serviço público

References: artigo 19
 artigo 37
 artigo 114
 artigo 114
 artigo 19
 artigo 652