CELEX: 32004L0038
Language: pt
Date: 2004-04-29 00:00:00
Title: Directiva 2004/38/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 29 de Abril de 2004, relativa ao direito de livre circulação e residência dos cidadãos da União e dos membros das suas famílias no território dos Estados-Membros, que altera o Regulamento (CEE) n.° 1612/68 e que revoga as Directivas 64/221/CEE, 68/360/CEE, 72/194/CEE, 73/148/CEE, 75/34/CEE, 75/35/CEE, 90/364/CEE, 90/365/CEE e 93/96/CEE (Texto relevante para efeitos do EEE)

30.4.2004           PT           Jornal Oficial da União Europeia                         L 158/ 77
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                     DIRECTIVA 2004/38/CE DO PARLAMENTO EUROPEU
                                           E DO CONSELHO
                                         de 29 de Abril de 2004
               relativa ao direito de livre circulação e residência dos cidadãos da União
                  e dos membros das suas famílias no território dos Estados-Membros,
 que altera o Regulamento (CEE) n.º 1612/68 e que revoga as Directivas 64/221/CEE, 68/360/CEE,
     72/194/CEE, 73/148/CEE, 75/34/CEE, 75/35/CEE, 90/364/CEE, 90/365/CEE e 93/96/CEE
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia, nomeadamente os artigos 12.º, 18.º,
40.º, 44.º e 52.º,
Tendo em conta a proposta da Comissão 1,
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e Social Europeu 2,
Tendo em conta o parecer do Comité das Regiões 3,
Deliberando nos termos do artigo 251.º do Tratado 4,
1
       JO C 270 E de 25.9.2001, p. 150.
2
       JO C 149 de 21.6.2002, p. 46.
3
       JO C 192 de 12.8.2002, p. 17.
4
       Parecer do Parlamento Europeu de 11 de Fevereiro de 2003 (JO C 43 E de 19.2.2004, p. 42),
       posição comum do Conselho de 5 de Dezembro de 2003 (JO C 54 E de 2.3.2004, p. 12) e
       posição do Parlamento Europeu de 10 de Março de 2004 (ainda não publicada no Jornal
       Oficial).
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Considerando o seguinte:
(1)   A cidadania da União confere a cada cidadão da União um direito fundamental e individual de
      circular e residir livremente no território dos Estados-Membros, sujeito às limitações e
      condições estabelecidas no Tratado e às medidas adoptadas em sua execução.
(2)   A livre circulação das pessoas constitui uma das liberdades fundamentais do mercado interno
      que compreende um espaço sem fronteiras internas, no qual a liberdade é assegurada de
      acordo com as disposições do Tratado.
(3)   A cidadania da União deverá ser o estatuto fundamental dos nacionais dos Estados-Membros
      quando estes exercerem o seu direito de livre circulação e residência. É, pois, necessário
      codificar e rever os instrumentos comunitários em vigor que tratam separadamente a situação
      dos trabalhadores assalariados, dos trabalhadores não assalariados, assim como dos estudantes
      e de outras pessoas não activas, a fim de simplificar e reforçar o direito de livre circulação e
      residência de todos os cidadãos da União.
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(4)   Com vista a remediar esta abordagem sectorial e fragmentada do direito de livre circulação e
      residência e a facilitar o exercício deste direito, é necessário aprovar um único acto legislativo
      que altere, em parte, o Regulamento (CEE) n.º 1612/68 do Conselho, de 15 de Outubro
      de 1968, relativo à livre circulação dos trabalhadores na Comunidade 1, e que revogue os
      seguintes actos: a Directiva 68/360/CEE do Conselho, de 15 de Outubro de 1968, relativa à
      supressão das restrições à deslocação e permanência dos trabalhadores dos Estados-Membros
      e suas famílias na Comunidade 2, a Directiva 73/148/CEE do Conselho, de 21 de Maio
      de 1973, relativa à supressão das restrições à deslocação e à permanência dos nacionais dos
      Estados-Membros na Comunidade, em matéria de estabelecimento e de prestação de
      serviços 3, a Directiva 90/364/CEE do Conselho, de 28 de Junho de 1990, relativa ao direito
      de residência 4, a Directiva 90/365/CEE do Conselho, de 28 de Junho de 1990, relativa ao
      direito de residência dos trabalhadores assalariados e não assalariados que cessaram a sua
      actividade profissional 5, e a Directiva 93/96/CEE do Conselho, de 29 de Outubro de 1993,
      relativa ao direito de residência dos estudantes 6.
(5)   O direito de todos os cidadãos da União circularem e residirem livremente no território
      dos Estados-Membros implica, para que possa ser exercido em condições objectivas de
      liberdade e de dignidade, que este seja igualmente concedido aos membros das suas famílias,
      independentemente da sua nacionalidade. Para efeitos da presente directiva, a definição
      de "membro da família" deverá incluir igualmente o parceiro registado se a legislação do
      Estado-Membro de acolhimento considerar as parcerias registadas como equiparadas ao
      casamento.
1
      JO L 257 de 19.10.1968, p. 2. Regulamento com a última redacção que lhe foi dada
      pelo Regulamento (CEE) n.º 2434/92 (JO L 245 de 26.8.1992, p. 1).
2
      JO L 257 de 19.10.1968, p. 13. Directiva com a última redacção que lhe foi dada pelo Acto
      de Adesão de 2003.
3
      JO L 172 de 28.6.1973, p. 14.
4
      JO L 180 de 13.7.1990, p. 26.
5
      JO L 180 de 13.7.1990, p. 28.
6
      JO L 317 de 18.12.1993, p. 59.
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(6)   A fim de manter a unidade da família numa acepção mais lata e sem prejuízo da proibição da
      discriminação por motivos de nacionalidade, a situação das pessoas que não são abrangidas
      pela definição de "membros da família" constante da presente directiva e que não gozam, por
      conseguinte, do direito automático de entrada e residência no Estado-Membro de
      acolhimento, deverá ser analisada pelo Estado-Membro de acolhimento à luz da sua legislação
      nacional, a fim de decidir se a entrada e residência dessas pessoas podem ser autorizadas,
      tendo em conta a sua relação com o cidadão da União ou com quaisquer outras circunstâncias,
      como a sua dependência física ou financeira em relação ao cidadão da União.
(7)   As formalidades relacionadas com a livre circulação dos cidadãos da União no território
      dos Estados-Membros deverão ser claramente definidas, sem prejuízo das disposições
      aplicáveis aos controlos nas fronteiras nacionais.
(8)   Tendo em vista facilitar a livre circulação dos membros da família que não sejam nacionais de
      um Estado-Membro, aqueles que já tiverem obtido um cartão de residência deverão ser
      isentos da obrigação de obter visto de entrada, na acepção do Regulamento (CE) n.º 539/2001
      do Conselho, de 15 de Março de 2001, que fixa a lista dos países terceiros cujos nacionais
      estão sujeitos à obrigação de visto para transporem as fronteiras externas e a lista dos países
      terceiros cujos nacionais estão isentos dessa obrigação 1, ou, se for caso disso, da legislação
      nacional aplicável.
(9)   Os cidadãos da União deverão ter o direito de residir no Estado-Membro de acolhimento por
      período não superior a três meses sem estarem sujeitos a quaisquer condições ou formalidades
      além das de possuir um bilhete de identidade ou passaporte válido, sem prejuízo de um
      tratamento mais favorável aplicável às pessoas à procura de emprego, conforme reconhecido
      na jurisprudência do Tribunal de Justiça.
1
      JO L 81 de 21.3.2001, p. 1. Regulamento com a última redacção que lhe foi dada
      pelo Regulamento (CE) n.º 453/2003 (JO L 69 de 13.3.2003, p. 10).
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(10) As pessoas que exercerem o seu direito de residência não deverão, contudo, tornar-se uma
      sobrecarga não razoável para o regime de segurança social do Estado-Membro de
      acolhimento durante o período inicial de residência. Em consequência, o direito de residência
      dos cidadãos da União e dos membros das suas famílias por períodos superiores a três meses
      deverá estar sujeito a condições.
(11) O direito fundamental e individual de residir num outro Estado-Membro é conferido
      directamente aos cidadãos da União pelo Tratado e não depende do cumprimento de
      formalidades administrativas.
(12) Para períodos de residência superiores a três meses, os Estados-Membros deverão poder
      exigir que os cidadãos da União se registem junto das autoridades competentes do local de
      residência, o que será comprovado por um certificado de registo emitido para o efeito.
(13) A exigência de um cartão de residência deverá ser limitada aos membros da família de
      cidadãos da União que não sejam nacionais de um Estado-Membro relativamente a períodos
      de residência superiores a três meses.
(14) Os documentos justificativos exigidos pelas autoridades competentes para a emissão de um
      certificado de registo ou de um cartão de residência deverão ser especificados de forma
      circunstanciada, a fim de evitar que práticas administrativas ou interpretações divergentes
      constituam um obstáculo indevido ao exercício do direito de residência dos cidadãos da União
      e dos membros das suas famílias.
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(15) Os membros da família deverão ter protecção jurídica em caso de morte do cidadão da União,
      de divórcio, de anulação do casamento ou de cessação da parceria. É assim necessário, no
      respeito da vida familiar e da dignidade humana, e mediante certas condições para evitar
      abusos, tomar medidas para assegurar que em tais circunstâncias os membros da família que
      já residam no território do Estado-Membro de acolhimento conservam o seu direito de
      residência exclusivamente numa base pessoal.
(16) Os titulares do direito de residência não podem ser afastados enquanto não se tornarem um
      encargo excessivo para o regime de segurança social do Estado-Membro de acolhimento. Por
      conseguinte, a medida de afastamento não poderá ser a consequência automática do recurso
      ao regime de segurança social. O Estado-Membro de acolhimento deverá examinar se se está
      perante um caso de dificuldades temporárias e ter em conta a duração da residência, a situação
      pessoal e o montante de ajuda concedida para poder considerar se o titular se tornou uma
      sobrecarga não razoável para o regime de segurança social do Estado-Membro de
      acolhimento e proceder ao seu afastamento. Os trabalhadores assalariados, os trabalhadores
      não assalariados ou as pessoas à procura de emprego, conforme definidas pelo Tribunal de
      Justiça, não poderão em circunstância alguma ser objecto de medida de afastamento, salvo por
      razões de ordem pública ou de segurança pública.
(17) A possibilidade de residência permanente para os cidadãos da União que tiverem optado por
      se instalar de forma duradoura no Estado-Membro de acolhimento reforçaria o sentimento de
      cidadania da União e constitui um elemento-chave para promover a coesão social, que é um
      dos objectivos fundamentais da União. Por conseguinte, há que instituir o direito de residência
      permanente para todos os cidadãos da União e membros das suas famílias que tenham
      residido no Estado-Membro de acolhimento de acordo com as condições estabelecidas na
      presente directiva durante um período de cinco anos consecutivos sem se tornarem passíveis
      de medida de afastamento.
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(18) Para que possa constituir um verdadeiro instrumento de integração na sociedade do Estado-
      -Membro de acolhimento em que reside o cidadão da União, o direito de residência
      permanente, uma vez adquirido, não deve estar sujeito a condições.
(19) Deverão conservar-se certos benefícios próprios aos cidadãos da União que exerçam
      actividade assalariada ou não assalariada e aos membros das suas famílias, que lhes dêem a
      possibilidade de adquirir um direito de residência permanente antes de terem completado
      cinco anos de residência no Estado-Membro de acolhimento, uma vez que constituem direitos
      adquiridos, conferidos pelo Regulamento (CEE) n.º 1251/70 da Comissão, de 29 de Junho
      de 1970, relativo ao direito dos trabalhadores permanecerem no território de um Estado-
      -Membro depois de nele terem exercido uma actividade laboral 1, e pela Directiva 75/34/CEE
      do Conselho, de 17 de Dezembro de 1974, relativa ao direito de os nacionais de um Estado-
      -Membro permanecerem no território de outro Estado-Membro depois de nele terem exercido
      uma actividade não assalariada 2.
(20) Em conformidade com a proibição da discriminação em razão da nacionalidade, todos os
      cidadãos da União e membros das suas famílias que residam num Estado-Membro com base
      na presente directiva deverão beneficiar, nesse Estado-Membro, de igualdade de tratamento
      em relação aos nacionais nos domínios abrangidos pelo Tratado, sob reserva das disposições
      específicas expressamente previstas no Tratado e no direito secundário.
1
      JO L 142 de 30.6.1970, p. 24.
2
      JO L 14 de 20.1.1975, p. 10.
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(21) Contudo, caberá ao Estado-Membro de acolhimento determinar se tenciona conceder
      prestações a título de assistência social durante os primeiros três meses de residência ou por
      um período mais longo no caso das pessoas à procura de emprego, a pessoas que não sejam
      trabalhadores assalariados ou não assalariados nem conservem esse estatuto, ou não sejam
      membros das famílias dos mesmos, ou bolsas de subsistência para estudos, incluindo a
      formação profissional, antes da aquisição do direito de residência permanente.
(22) O Tratado permite restrições ao exercício do direito de livre circulação e residência por razões
      de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública. A fim de assegurar uma
      definição mais precisa das condições e das garantias processuais sob as quais pode ser
      recusada a entrada ou decidido o afastamento dos cidadãos da União e dos membros das suas
      famílias, a presente directiva deverá substituir a Directiva 64/221/CEE do Conselho, de
      25 de Fevereiro de 1964, para a coordenação de medidas especiais relativas aos estrangeiros
      em matéria de deslocação e estada justificadas por razões de ordem pública, segurança
      pública e saúde pública 1.
(23) O afastamento dos cidadãos da União e dos membros das suas famílias por razões de ordem
      pública ou de segurança pública constitui uma medida que pode prejudicar seriamente as
      pessoas que, tendo exercido os direitos e liberdades que lhes foram conferidos pelo Tratado,
      se integraram verdadeiramente no Estado-Membro de acolhimento. Assim, há que limitar o
      alcance de tais medidas em conformidade com o princípio da proporcionalidade, a fim de ter
      em conta o grau de integração das pessoas em causa, a duração da sua residência no Estado-
      -Membro de acolhimento, a idade, o estado de saúde e a situação económica e familiar, bem
      como os laços com o país de origem.
1
      JO 56 de 4.4.1964, p. 850. Directiva com a última redacção que lhe foi dada
      pela Directiva 75/35/CEE (JO L 14 de 20.1.1975, p. 14).
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(24) Assim sendo, quanto maior for a integração dos cidadãos da União e dos membros das suas
      famílias no Estado-Membro de acolhimento, maior deverá ser a protecção contra o
      afastamento. Só em circunstâncias excepcionais, quando existam razões imperativas de
      segurança pública, poderá ser aplicada uma medida de afastamento a cidadãos da União que
      tenham residido durante muitos anos no território do Estado-Membro de acolhimento,
      especialmente se aí tiverem nascido e residido ao longo da vida. Além disso, essas
      circunstâncias excepcionais deverão também aplicar-se a medidas de afastamento de menores,
      a fim de proteger os seus laços com a família, em conformidade com a Convenção das Nações
      Unidas sobre os Direitos da Criança, de 20 de Novembro de 1989.
(25) Deverá igualmente precisar-se as garantias processuais por forma a assegurar, por um lado,
      um elevado nível de protecção dos direitos dos cidadãos da União e dos membros das suas
      famílias em caso de recusa de entrada ou de residência noutro Estado-Membro e, por outro, o
      respeito do princípio de que as medidas tomadas pelas autoridades devem ser devidamente
      justificadas.
(26) De qualquer forma, os cidadãos da União e os membros das suas famílias deverão ter a
      possibilidade de interpor recurso judicial, em caso de recusa de entrada ou de residência
      noutro Estado-Membro.
(27) Em conformidade com a jurisprudência do Tribunal de Justiça, que proíbe os Estados-
      -Membros de tomarem medidas de proibição de entrada no território, a título definitivo,
      contra pessoas abrangidas pela presente directiva, deverá confirmar-se o direito que assiste
      aos cidadãos da União e membros das suas famílias que estejam proibidos de entrarem no
      território de um Estado-Membro de formularem um novo pedido, após um prazo razoável, e
      em todo o caso após um período de três anos a contar da execução da decisão definitiva de
      proibição de entrada no território.
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(28) A fim de prevenir abusos de direito ou fraudes, designadamente casamentos de conveniência
      ou quaisquer outras formas de relacionamento com o único propósito de gozar do direito de
      livre circulação e residência, os Estados-Membros deverão poder adoptar as medidas
      necessárias.
(29) A presente directiva não afecta disposições nacionais mais favoráveis.
(30) Tendo em vista o estudo de como se poderá facilitar mais o exercício do direito de livre
      circulação e residência, a Comissão deverá preparar um relatório a fim de avaliar a
      oportunidade de apresentar as propostas necessárias para o efeito, designadamente para a
      extensão do período de residência sem condições.
(31) A presente directiva respeita os direitos e liberdades fundamentais e cumpre os princípios
      reconhecidos, nomeadamente, na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. A
      proibição de discriminação contida na Carta implica que os Estados-Membros darão execução
      ao disposto na presente directiva sem discriminação dos seus beneficiários em razão
      designadamente do sexo, raça, cor, origem étnica ou social, características genéticas, língua,
      religião ou convicções, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria nacional,
      haveres, nascimento, deficiência, idade ou orientação sexual,
APROVARAM A PRESENTE DIRECTIVA:
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                                             CAPÍTULO I
                                           Disposições gerais
                                               Artigo 1.º
                                                Objecto
A presente directiva estabelece:
a)    As condições que regem o exercício do direito de livre circulação e residência no território
      dos Estados-Membros pelos cidadãos da União e membros das suas famílias;
b)    O direito de residência permanente no território dos Estados-Membros para os cidadãos da
      União e membros das suas famílias;
c)    As restrições aos direitos a que se referem as alíneas a) e b), por razões de ordem pública, de
      segurança pública ou de saúde pública.
                                               Artigo 2.º
                                               Definições
Para os efeitos da presente directiva, entende-se por:
1)    "Cidadão da União": qualquer pessoa que tenha a nacionalidade de um Estado-Membro;
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2)    "Membro da família":
      a)   O cônjuge;
      b)   O parceiro com quem um cidadão da União contraiu uma parceria registada com base
           na legislação de um Estado-Membro, se a legislação do Estado-Membro de acolhimento
           considerar as parcerias registadas como equiparadas ao casamento, e nas condições
           estabelecidas na legislação aplicável do Estado-Membro de acolhimento;
      c)   Os descendentes directos com menos de 21 anos de idade ou que estejam a cargo, assim
           como os do cônjuge ou do parceiro na acepção da alínea b);
      d)   Os ascendentes directos que estejam a cargo, assim como os do cônjuge ou do parceiro
           na acepção da alínea b);
3)    "Estado-Membro de acolhimento": o Estado-Membro para onde se desloca o cidadão da
      União a fim de aí exercer o seu direito de livre circulação e residência.
                                              Artigo 3.º
                                               Titulares
1.    A presente directiva aplica-se a todos os cidadãos da União que se desloquem ou residam num
Estado-Membro que não aquele de que são nacionais, bem como aos membros das suas famílias, na
acepção do ponto 2) do artigo 2.º, que os acompanhem ou que a eles se reúnam.
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2.     Sem prejuízo de um direito pessoal à livre circulação e residência da pessoa em causa, o
Estado-Membro de acolhimento facilita, nos termos da sua legislação nacional, a entrada e a
residência das seguintes pessoas:
a)     Qualquer outro membro da família, independentemente da sua nacionalidade, não abrangido
       pelo ponto 2) do artigo 2.º, que, no país do qual provenha, esteja a cargo do cidadão da União
       que tem direito de residência a título principal ou que com este viva em comunhão de
       habitação, ou quando o cidadão da União tiver imperativamente de cuidar pessoalmente do
       membro da sua família por motivos de saúde graves;
b)     O parceiro com quem o cidadão da União mantém uma relação permanente devidamente
       certificada.
O Estado-Membro de acolhimento procede a uma extensa análise das circunstâncias pessoais e
justifica a eventual recusa de entrada ou de residência das pessoas em causa.
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                                             CAPÍTULO II
                                       Direito de saída e entrada
                                                Artigo 4.º
                                             Direito de saída
1.    Sem prejuízo das disposições em matéria de documentos de viagem aplicáveis aos controlos
nas fronteiras nacionais, têm direito a sair do território de um Estado-Membro a fim de se deslocar a
outro Estado-Membro todos os cidadãos da União, munidos de um bilhete de identidade ou
passaporte válido, e os membros das suas famílias que, não tendo a nacionalidade de um Estado-
-Membro, estejam munidos de um passaporte válido.
2.    Não pode ser exigido às pessoas referidas no n.º 1 um visto de saída ou formalidade
equivalente.
3.    Os Estados-Membros, agindo nos termos do respectivo direito, devem emitir ou renovar aos
seus nacionais um bilhete de identidade ou passaporte que indique a nacionalidade do seu titular.
4.    O passaporte deve ser válido, pelo menos, para todos os Estados-Membros e para os países
pelos quais o titular deva transitar quando viajar entre Estados-Membros. Se o direito de um Estado-
-Membro não determinar a emissão de bilhete de identidade, a validade do passaporte, aquando da
sua emissão ou renovação, não pode ser inferior a cinco anos.
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                                                Artigo 5.º
                                            Direito de entrada
1.    Sem prejuízo das disposições em matéria de documentos de viagem aplicáveis aos controlos
nas fronteiras nacionais, os Estados-Membros devem admitir no seu território os cidadãos da União,
munidos de um bilhete de identidade ou passaporte válido, e os membros das suas famílias que, não
tendo a nacionalidade de um Estado-Membro, estejam munidos de um passaporte válido.
Não pode ser exigido ao cidadão da União um visto de entrada ou formalidade equivalente.
2.    Os membros da família que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro só estão
sujeitos à obrigação de visto de entrada nos termos do Regulamento (CE) n.º 539/2001 ou, se for
caso disso, da legislação nacional. Para efeitos da presente directiva, a posse do cartão de residência
válido a que se refere o artigo 10.º isenta esses membros da família da obrigação de visto.
Os Estados-Membros devem dar às pessoas referidas todas as facilidades para a obtenção dos vistos
necessários. Esses vistos devem ser emitidos gratuitamente o mais rapidamente possível e por
tramitação acelerada.
3.    O Estado-Membro de acolhimento não apõe carimbo de entrada ou de saída no passaporte de
um membro da família que não tenha a nacionalidade de um Estado-Membro, se o interessado
apresentar o cartão de residência a que se refere o artigo 10.º.
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4.     Se um cidadão da União ou um membro da sua família que não tenha a nacionalidade de um
Estado-Membro não dispuserem dos documentos de viagem necessários ou, se for o caso, dos vistos
necessários, o Estado-Membro em causa deve, antes de recusar a sua entrada, dar-lhes todas as
oportunidades razoáveis a fim de lhes permitir obter os documentos necessários ou de estes lhes
serem enviados num prazo razoável, ou a fim de confirmar ou provar por outros meios a sua
qualidade de titulares do direito de livre circulação e residência.
5.     O Estado-Membro pode exigir à pessoa em questão que comunique a sua presença no seu
território num prazo razoável e não discriminatório. O incumprimento desta obrigação pode ser
passível de sanções proporcionadas e não discriminatórias.
                                             CAPÍTULO III
                                          Direito de residência
                                                Artigo 6.º
                                  Direito de residência até três meses
1.     Os cidadãos da União têm o direito de residir no território de outro Estado-Membro por
período até três meses sem outras condições e formalidades além de ser titular de um bilhete de
identidade ou passaporte válido.
2.     O disposto no n.º 1 é igualmente aplicável aos membros da família que não tenham a
nacionalidade de um Estado-Membro e que, munidos de um passaporte válido, acompanhem ou se
reúnam ao cidadão da União.
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                                              Artigo 7.º
                             Direito de residência por mais de três meses
1.    Qualquer cidadão da União tem o direito de residir no território de outro Estado-Membro por
período superior a três meses, desde que:
a)    Exerça uma actividade assalariada ou não assalariada no Estado-Membro de acolhimento; ou
b)    Disponha de recursos suficientes para si próprio e para os membros da sua família, a fim de
      não se tornar uma sobrecarga para o regime de segurança social do Estado-Membro de
      acolhimento durante o período de residência, e de uma cobertura extensa de seguro de doença
      no Estado-Membro de acolhimento; ou
c)    –     Esteja inscrito num estabelecimento de ensino público ou privado, reconhecido ou
            financiado por um Estado-Membro de acolhimento com base na sua legislação ou
            prática administrativa, com o objectivo principal de frequentar um curso, inclusive de
            formação profissional e
      –     disponha de uma cobertura extensa de seguro de doença no Estado-Membro de
            acolhimento, e garanta à autoridade nacional competente, por meio de declaração ou
            outros meios à sua escolha, que dispõe de recursos financeiros suficientes para si
            próprio e para os membros da sua família a fim de evitar tornar-se uma sobrecarga para
            o regime de segurança social do Estado-Membro de acolhimento durante o período de
            residência; ou
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d)    Seja membro da família que acompanha ou se reúne a um cidadão da União que preencha as
      condições a que se referem as alíneas a), b) ou c).
2.    O direito de residência disposto no n.º 1 é extensivo aos membros da família de um cidadão
da União que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro, quando acompanhem ou se
reúnam ao cidadão da União no Estado-Membro de acolhimento, desde que este preencha as
condições a que se referem as alíneas a), b) ou c) do n.º 1.
3.    Para os efeitos da alínea a) do n.º 1, o cidadão da União que tiver deixado de exercer uma
actividade assalariada ou não assalariada mantém o estatuto de trabalhador assalariado ou não
assalariado nos seguintes casos:
a)    Quando tiver uma incapacidade temporária de trabalho, resultante de doença ou acidente;
b)    Quando estiver em situação de desemprego involuntário devidamente registado depois de ter
      tido emprego durante mais de um ano e estiver inscrito no serviço de emprego como
      candidato a um emprego;
c)    Quando estiver em situação de desemprego involuntário devidamente registado no termo de
      um contrato de trabalho de duração determinada inferior a um ano ou ficar em situação de
      desemprego involuntário durante os primeiros 12 meses, e estiver inscrito no serviço de
      emprego como candidato a um emprego. Neste caso, mantém o estatuto de trabalhador
      assalariado durante um período não inferior a seis meses;
d)    Quando seguir uma formação profissional. A menos que o interessado esteja em situação de
      desemprego involuntário, a manutenção do estatuto de trabalhador assalariado pressupõe uma
      relação entre a actividade profissional anterior e a formação em causa.
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4.    Em derrogação da alínea d) do n.º1 e do n.º 2, apenas o cônjuge, o parceiro registado a que se
refere a alínea b) do ponto 2) do artigo 2.º e os filhos a cargo têm direito de residência como
membros da família de um cidadão da União que preencha as condições previstas na alínea c) do
n.º1. O n.º 2 do artigo 3.º aplica-se aos seus ascendentes directos a seu cargo e aos do cônjuge ou
parceiro registado.
                                                   Artigo 8.º
                           Formalidades administrativas para os cidadãos da União
1.    Sem prejuízo do n.º 5 do artigo 5.º, para períodos de residência superiores a três meses, o
Estado-Membro de acolhimento pode exigir que os cidadãos da União se registem junto das
autoridades competentes.
2.    O prazo para esse registo não pode ser inferior a três meses a contar da data de chegada. É
imediatamente emitido um certificado de registo com o nome e endereço da pessoa registada e a
data do registo. O incumprimento da obrigação de registo pode ser passível de sanções
proporcionadas e não discriminatórias.
3.    Para a emissão do certificado de registo, os Estados-Membros só podem exigir que:
–     o cidadão da União a quem se aplica a alínea a) do n.º 1 do artigo 7.º apresente um bilhete de
      identidade ou passaporte válido, uma confirmação de emprego pela entidade patronal ou uma
      certidão de emprego, ou a prova de que exerce uma actividade não assalariada,
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–     o cidadão da União a quem se aplica a alínea b) do n.º 1 do artigo 7.º apresente um bilhete de
      identidade ou passaporte válido e comprove que preenche as condições nela previstas,
–     o cidadão da União a quem se aplica a alínea c) do n.º 1 do artigo 7.º apresente um bilhete de
      identidade ou passaporte válido, comprove a sua inscrição num estabelecimento de ensino
      reconhecido e a sua cobertura extensa por um seguro de doença e a declaração ou meios
      equivalentes referidos na alínea c) do n.º 1 do artigo 7.º. Os Estados-Membros não podem
      exigir que esta declaração mencione um montante específico de recursos.
4.    Os Estados-Membros não podem fixar um montante fixo para os recursos que consideram
"suficientes", devendo ter em conta a situação pessoal da pessoa em questão. Em todo o caso, este
montante não deve ser superior ao nível de recursos abaixo do qual os nacionais do Estado-Membro
de acolhimento passam a poder beneficiar de assistência social, ou, quando este critério não for
aplicável, superior à pensão mínima de segurança social paga pelo Estado-Membro de acolhimento.
5.    Para a emissão do certificado de registo aos membros da família do cidadão da União, que
sejam eles próprios cidadãos da União, os Estados-Membros podem exigir a apresentação dos
seguintes documentos:
a)    Um bilhete de identidade ou passaporte válido;
b)    Um documento comprovativo do elo de parentesco ou de uma parceria registada;
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c)    Se for caso disso, um certificado de registo do cidadão da União que acompanham ou ao qual
      se reúnem;
d)    Nos casos previstos na alínea c) e d) do ponto 2) do artigo 2.º, a prova documental de que
      estão preenchidas as condições previstas nessas disposições;
e)    Nos casos previstos na alínea a) do n.º 2 do artigo 3.º, um documento emitido pela autoridade
      competente do país de origem ou de proveniência, certificando que estão a cargo do cidadão
      da União ou que com ele vivem em comunhão de habitação, ou a prova da existência de
      motivos de saúde graves que exigem imperativamente o cuidado pessoal do membro da
      família pelo cidadão da União;
f)    Nos casos previstos na alínea b) do n.º 2 do artigo 3.º, a prova da existência de uma relação
      permanente com o cidadão da União.
                                                 Artigo 9.º
                     Formalidades administrativas aplicáveis aos membros da família
                          que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro
1.    Se o período previsto de residência ultrapassar três meses, os Estados-Membros devem emitir
um cartão de residência aos membros da família de um cidadão da União que não tenham a
nacionalidade de um Estado-Membro.
2.    O prazo para requerer a emissão de um cartão de residência não pode ser inferior a três meses
a contar da data de chegada.
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3.    O incumprimento da obrigação de requerer o cartão de residência pode ser passível de
sanções proporcionadas e não discriminatórias.
                                              Artigo 10.º
                                   Emissão do cartão de residência
1.    O direito de residência dos membros da família de um cidadão da União que não tenham a
nacionalidade de um Estado-Membro é comprovado pela emissão de um documento denominado
"cartão de residência de membro da família de um cidadão da União", no prazo de seis meses a
contar da apresentação do pedido. É imediatamente emitido um certificado de que foi requerido um
cartão de residência.
2.    Para a emissão do cartão de residência, os Estados-Membros exigem a apresentação dos
seguintes documentos:
a)    Um passaporte válido;
b)    Um documento comprovativo do elo de parentesco ou de uma parceria registada;
c)    O certificado de registo ou, caso não haja sistema de registo, qualquer outra prova de que o
      cidadão da União que acompanham ou ao qual se reúnem reside no Estado-Membro de
      acolhimento;
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d)     Nos casos previstos nas alíneas c) e d) do ponto 2) do artigo 2.º, a prova documental de que
       estão preenchidas as condições previstas nessas disposições;
e)     Nos casos previstos na alínea a) do n.º 2 do artigo 3.º, um documento emitido pela autoridade
       competente do país de origem ou de proveniência, certificando que estão a cargo do cidadão
       da União ou que com ele vivem em comunhão de habitação, ou a prova da existência de
       motivos de saúde graves que exigem imperativamente o cuidado pessoal do membro da
       família pelo cidadão da União;
f)     Nos casos previstos na alínea b) do n.º 2 do artigo 3.º, a prova da existência de uma relação
       permanente com o cidadão da União.
                                               Artigo 11.º
                                   Validade do cartão de residência
1.     O cartão de residência a que se refere o n.º 1 do artigo 10.º é válido por cinco anos a contar da
data da sua emissão, ou para o período previsto de residência do cidadão da União, se este período
for inferior a cinco anos.
2.     A validade do cartão de residência não é afectada por ausências temporárias que não excedam
seis meses por ano, nem por ausências mais prolongadas para cumprimento de obrigações militares,
nem por uma ausência de 12 meses consecutivos no máximo, por motivos importantes, como
gravidez ou parto, doença grave, estudos ou formação profissional, ou destacamento por motivos
profissionais para outro Estado-Membro ou país terceiro.
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                                               Artigo 12.º
                    Conservação do direito de residência dos membros da família
                          em caso de morte ou partida do cidadão da União
1.     Sem prejuízo do segundo parágrafo, a morte de um cidadão da União ou a sua partida do
território do Estado-Membro de acolhimento não afecta o direito de residência dos membros da sua
família que tenham a nacionalidade de um Estado-Membro.
Antes de adquirir o direito de residência permanente, as pessoas em questão devem preencher as
condições previstas nas alíneas a), b), c) ou d) do n.º 1 do artigo 7.º.
2.     Sem prejuízo do segundo parágrafo, a morte de um cidadão da União não implica a perda do
direito de residência dos membros da sua família que não tenham a nacionalidade de um Estado-
-Membro e que já residam no Estado-Membro de acolhimento há, pelo menos, um ano à data do
falecimento.
Antes de adquirir o direito de residência permanente, o direito de residência das pessoas em questão
continua sujeito à condição do exercício de uma actividade assalariada ou não assalariada, ou de
disporem, para si próprios e para os membros da sua família, de recursos suficientes para não se
tornarem uma sobrecarga para o regime de segurança social do Estado-Membro de acolhimento
durante o período de residência, bem como de uma cobertura extensa de seguro de doença no
Estado-Membro de acolhimento, ou ainda à condição de ser membro da família, já constituída no
Estado-Membro de acolhimento, de uma pessoa que preencha estas condições. Os "recursos
suficientes" são os definidos no n.º 4 do artigo 8.º.
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Tais membros da família conservam o seu direito de residência numa base exclusivamente pessoal.
3.    A partida do Estado-Membro de acolhimento de um cidadão da União ou a sua morte não
implicam a perda do direito de residência dos seus filhos ou de um dos pais que tenha a guarda
efectiva dos filhos, independentemente da sua nacionalidade, desde que os filhos residam no
Estado-Membro de acolhimento e estejam inscritos num estabelecimento de ensino para
frequentarem um curso, até ao final dos seus estudos.
                                               Artigo 13.º
                    Conservação do direito de residência dos membros da família,
           em caso de divórcio, anulação do casamento ou cessação da parceria registada
1.    Sem prejuízo do segundo parágrafo, o divórcio, a anulação do casamento ou a cessação da
parceria registada na acepção da alínea b) do ponto 2) do artigo 2.º não afecta o direito de residência
dos membros da família de um cidadão da União que tenham a nacionalidade de um Estado-
-Membro.
Antes de adquirir o direito de residência permanente, as pessoas em questão devem preencher as
condições previstas nas alíneas a), b), c) ou d) do n.º 1 do artigo 7.º.
 ---pagebreak--- 30.4.2004          PT           Jornal Oficial da União Europeia                          L 158/ 102
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2.    Sem prejuízo do segundo parágrafo do n.º 1, o divórcio, a anulação do casamento ou a
cessação da parceria registada não implica a perda do direito de residência dos membros da família
de um cidadão da União que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro, desde que:
a)    Até ao início do processo de divórcio ou de anulação ou até à cessação da parceria registada
      na acepção da alínea b) do ponto 2) do artigo 2.º, o casamento ou a parceria registada tenha
      durado, pelo menos, três anos, dos quais um ano no Estado-Membro de acolhimento; ou
b)    Por acordo entre os cônjuges ou parceiros na acepção da alínea b) do ponto 2) do artigo 2.º ou
      por decisão judicial, a guarda dos filhos do cidadão da União tenha sido confiada ao cônjuge
      ou parceiro que não tem a nacionalidade de um Estado-Membro; ou
c)    Tal seja justificado por circunstâncias particularmente difíceis, como violência doméstica
      enquanto se mantinha o casamento ou a parceria registada; ou
d)    Por acordo entre os cônjuges ou parceiros na acepção da alínea b) do ponto 2) do artigo 2.º ou
      por decisão judicial, o cônjuge ou parceiro que não tem a nacionalidade de um Estado-
      -Membro tenha direito de visita a uma criança menor, desde que o tribunal tenha decidido que
      a visita deve ter lugar no Estado-Membro de acolhimento, e durante o tempo necessário.
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Antes de adquirir o direito de residência permanente, o direito de residência das pessoas em questão
continua sujeito à condição do exercício de uma actividade assalariada ou não assalariada, ou de
disporem, para si próprios e para os membros da sua família, de recursos suficientes para não se
tornarem uma sobrecarga para o regime de segurança social do Estado-Membro de acolhimento
durante o período de residência, bem como de uma cobertura extensa de seguro de doença no
Estado-Membro de acolhimento, ou ainda à condição de ser membro da família, já constituída no
Estado-Membro de acolhimento, de uma pessoa que preencha estas condições. Os "recursos
suficientes" são os definidos no n.º 4 do artigo 8º.
Tais membros da família conservam o seu direito de residência numa base exclusivamente pessoal.
                                               Artigo 14.º
                                  Conservação do direito de residência
1.    Os cidadãos da União e os membros das suas famílias têm o direito de residência a que se
refere o artigo 6.º, desde que não se tornem uma sobrecarga não razoável para o regime de
segurança social do Estado-Membro de acolhimento.
2.    Os cidadãos da União e os membros das suas famílias têm o direito de residência a que se
referem os artigos 7.º, 12.º e 13.º enquanto preencherem as condições neles estabelecidas.
Em casos específicos em que haja dúvidas razoáveis quanto a saber se um cidadão da União ou os
membros da sua família preenchem as condições a que se referem os artigos 7.º, 12.º e 13.º, os
Estados-Membros podem verificar se tais condições são preenchidas. Esta verificação não é feita
sistematicamente.
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3.    O recurso ao regime de segurança social do Estado-Membro de acolhimento por parte de um
cidadão da União ou dos membros da sua família não deve ter como consequência automática uma
medida de afastamento.
4.    Em derrogação dos n.ºs 1 e 2 e sem prejuízo do disposto no Capítulo VI, em caso algum pode
ser tomada uma medida de afastamento contra cidadãos da União ou membros das suas famílias se:
a)    Os cidadãos da União forem trabalhadores assalariados ou não assalariados; ou
b)    Os cidadãos da União entraram no território do Estado-Membro de acolhimento para procurar
      emprego. Neste caso, os cidadãos da União e os membros das suas famílias não podem ser
      afastados enquanto os cidadãos da União comprovarem que continuam a procurar emprego e
      que têm hipóteses genuínas de serem contratados.
                                              Artigo 15.º
                                         Garantias processuais
1.    Os procedimentos previstos nos artigos 30.º e 31.º aplicam-se, por analogia, a todas as
decisões de restrição da livre circulação dos cidadãos da União e membros das suas famílias, por
razões que não sejam de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública.
2.    Não constitui motivo de afastamento do Estado-Membro de acolhimento a caducidade do
bilhete de identidade ou passaporte com base no qual a pessoa em causa teve entrada no território e
recebeu um certificado de registo ou cartão de residência.
3.    O Estado-Membro de acolhimento não pode impor uma proibição de entrada no território no
contexto de uma decisão de afastamento a que se aplica o n.º 1.
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                                           CAPÍTULO IV
                                  Direito de residência permanente
                                               Secção I
                                            Elegibilidade
                                             Artigo 16.º
                 Regra geral para os cidadãos da União e membros das suas famílias
1.    Os cidadãos da União que tenham residido legalmente por um período de cinco anos
consecutivos no território do Estado-Membro de acolhimento, têm direito de residência permanente
no mesmo. Este direito não está sujeito às condições previstas no Capítulo III.
2.    O n.º 1 aplica-se igualmente aos membros da família que não tenham a nacionalidade de um
Estado-Membro e que tenham residido legalmente com o cidadão da União no Estado-Membro de
acolhimento por um período de cinco anos consecutivos.
3.    A continuidade da residência não é afectada por ausências temporárias que não excedam seis
meses por ano, nem por ausências mais prolongadas para cumprimento de obrigações militares,
nem por uma ausência de 12 meses consecutivos no máximo, por motivos importantes, como
gravidez ou parto, doença grave, estudos ou formação profissional, ou destacamento por motivos
profissionais para outro Estado-Membro ou país terceiro.
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4.    Uma vez adquirido, o direito de residência permanente só se perde devido a ausência do
Estado-Membro de acolhimento por um período que exceda dois anos consecutivos.
                                             Artigo 17.º
                Derrogação para os trabalhadores que tiverem cessado a sua actividade
                   no Estado-Membro de acolhimento e membros das suas famílias
1.    Em derrogação ao artigo 16.º, beneficiam do direito de residência permanente no território do
Estado-Membro de acolhimento, antes de decorridos cinco anos consecutivos de residência:
a)    Os trabalhadores assalariados ou não assalariados que, à data em que cessaram a sua
      actividade, tenham atingido a idade prevista pela lei desse Estado-Membro para ter direito a
      uma pensão de velhice ou os trabalhadores assalariados que tenham cessado a sua actividade
      para fins de reforma antecipada, desde que tenham trabalhado nesse Estado-Membro, pelo
      menos, nos últimos 12 meses e nele tenham residido continuamente durante mais de três anos.
      Se a lei do Estado-Membro de acolhimento não reconhecer o direito a uma pensão de velhice
      a determinadas categorias de pessoas com actividade não assalariada, o requisito de idade é
      considerado preenchido quando o interessado atingir a idade de 60 anos;
b)    Os trabalhadores assalariados ou não assalariados que tenham residido continuamente no
      Estado-Membro de acolhimento durante mais de dois anos e cessem a sua actividade por
      motivo de incapacidade permanente para o trabalho.
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      Se a incapacidade resultar de acidente de trabalho ou de doença profissional que dê direito a
      uma prestação total ou parcialmente a cargo de uma instituição do Estado-Membro de
      acolhimento, não serão postas condições para a duração de residência;
c)    Os trabalhadores assalariados ou não assalariados que, após três anos consecutivos de
      actividade e de residência no Estado-Membro de acolhimento, exerçam a sua actividade
      assalariada ou não assalariada no território de outro Estado-Membro, mantendo a sua
      residência no território do primeiro Estado-Membro ao qual regressam, regra geral, todos os
      dias ou, pelo menos, uma vez por semana.
      Para efeitos da aquisição dos direitos estabelecidos nas alíneas a) e b), os períodos de
      actividade passados no território do Estado-Membro em que a pessoa em questão trabalha são
      considerados como passados no Estado-Membro de acolhimento.
Os períodos de desemprego involuntário devidamente registados pelo serviço de emprego
competente, os períodos de suspensão de actividade por motivos alheios à vontade do interessado e
a ausência ao trabalho ou a cessação de trabalho por motivo de doença ou acidente são considerados
períodos de emprego.
2.    As condições de duração de residência e de actividade estabelecidas na alínea a) do n.º 1 e a
condição de duração de residência prevista na alínea b) do n.º 1 não são aplicáveis se o cônjuge ou
parceiro, na acepção da alínea b) do ponto 2) do artigo 2.º, do trabalhador assalariado ou não
assalariado for cidadão do Estado-Membro de acolhimento ou tiver perdido a nacionalidade desse
Estado-Membro na sequência do casamento com esse trabalhador assalariado ou não assalariado.
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3.    Independentemente da sua nacionalidade, os membros da família de um trabalhador
assalariado ou não assalariado que com ele residam no território do Estado-Membro de acolhimento
têm direito de residência permanente no território desse Estado, se o próprio trabalhador assalariado
ou não assalariado tiver adquirido o direito de residência permanente no território desse Estado com
base no n.º 1.
4.    No entanto, em caso de morte do trabalhador assalariado ou não assalariado, ainda durante a
sua vida profissional, mas antes de ter adquirido o direito de residência permanente no território do
Estado-Membro de acolhimento nos termos do n.º 1, os membros da família que com ele residam
no território do Estado-Membro de acolhimento têm direito de residência permanente no território
desse Estado, desde que:
a)    O trabalhador assalariado ou não assalariado, à data do seu falecimento, tenha residido no
      território desse Estado-Membro durante dois anos consecutivos; ou
b)    A sua morte tenha sido causada por acidente de trabalho ou doença profissional; ou
c)    O cônjuge sobrevivo tenha perdido a nacionalidade desse Estado-Membro na sequência do
      casamento com esse trabalhador assalariado ou não assalariado.
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                                                 Artigo 18.º
             Aquisição do direito de residência permanente por certos membros da família
                        que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro
Sem prejuízo do artigo 17.º, os membros da família de um cidadão da União a quem se aplica o
n.º 2 do artigo 12.º e o n.º 2 do artigo 13.º, que preencham as condições estabelecidas nessas
disposições, adquirem o direito de residência permanente após terem residido legalmente por um
período de cinco anos consecutivos no Estado-Membro de acolhimento.
                                                 Secção II
                                       Formalidades administrativas
                                                 Artigo 19.º
               Documento que certifica a residência permanente de cidadãos da União
1.     Os Estados-Membros emitem aos cidadãos da União com direito a residência permanente, a
pedido destes, um documento que certifica a residência permanente, depois de verificada a duração
da residência.
2.     O documento que certifica a residência permanente é emitido o mais rapidamente possível.
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                                               Artigo 20.º
                      Cartão de residência permanente para membros da família
                       que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro
1.    Os Estados-Membros emitem um cartão de residência permanente aos membros da família
que não sejam nacionais de um Estado-Membro e tenham direito de residência permanente, no
prazo de seis meses a contar da apresentação do pedido. O cartão de residência permanente é
renovável automaticamente de 10 em 10 anos.
2.    O pedido de cartão de residência permanente deve ser apresentado antes de caducar o cartão
de residência. O incumprimento da obrigação de requerer o cartão de residência permanente pode
ser passível de sanções proporcionadas e não discriminatórias.
3.    As interrupções de residência que não excedam dois anos consecutivos não afectam a
validade do cartão de residência permanente.
                                               Artigo 21.º
                                      Continuidade da residência
Para os efeitos da presente directiva, a continuidade da residência pode ser atestada por qualquer
meio de prova utilizado no Estado-Membro de acolhimento. A continuidade da residência é
interrompida por qualquer decisão válida de afastamento da pessoa em questão que seja executada.
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                                             CAPÍTULO V
                             Disposições comuns ao direito de residência
                                 e ao direito de residência permanente
                                               Artigo 22.º
                                            Âmbito territorial
O direito de residência e o direito de residência permanente abrangem a totalidade do território do
Estado-Membro de acolhimento. Os Estados-Membros só podem estabelecer restrições territoriais
ao direito de residência e ao direito de residência permanente nos casos em que tais restrições se
aplicam também aos seus próprios nacionais.
                                               Artigo 23.º
                                            Direitos conexos
Independentemente da sua nacionalidade, os membros da família de um cidadão da União que têm
direito de residência ou direito de residência permanente num Estado-Membro têm o direito de aí
exercer uma actividade como trabalhadores assalariados ou não assalariados.
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                                              Artigo 24.º
                                       Igualdade de tratamento
1.    Sob reserva das disposições específicas previstas expressamente no Tratado e no direito
secundário, todos os cidadãos da União que, nos termos da presente directiva, residam no território
do Estado-Membro de acolhimento beneficiam de igualdade de tratamento em relação aos nacionais
desse Estado-Membro, no âmbito de aplicação do Tratado. O benefício desse direito é extensível
aos membros da família que não tenham a nacionalidade de um Estado-Membro e tenham direito de
residência ou direito de residência permanente.
2.    Em derrogação do n.º 1, o Estado-Membro de acolhimento pode não conceder o direito a
prestações de assistência social durante os primeiros três meses de residência ou, quando pertinente,
o período mais prolongado previsto na alínea b) do n.º 4 do artigo 14.º, assim como, antes de
adquirido o direito de residência permanente, pode não conceder ajuda de subsistência, incluindo a
formação profissional, constituída por bolsas de estudo ou empréstimos estudantis, a pessoas que
não sejam trabalhadores assalariados ou trabalhadores não assalariados, que não conservem este
estatuto ou que não sejam membros das famílias dos mesmos.
                                              Artigo 25.º
                      Disposições gerais relativas aos documentos de residência
1.    A posse do certificado de registo a que se refere o artigo 8.º, de um documento que certifique
a residência permanente, de um certificado que ateste que foi pedido um cartão de residência de
membro da família, de um cartão de residência ou de um cartão de residência permanente, não pode
ser em caso algum uma condição prévia para o exercício de um direito ou o cumprimento de uma
formalidade administrativa, pois a qualidade de beneficiário de direitos pode ser atestada por
qualquer outro meio de prova.
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2.    Todos os documentos referidos no n.º 1 são emitidos gratuitamente ou mediante pagamento
de uma quantia não superior aos encargos e taxas exigidos aos nacionais para a emissão de
documentos semelhantes.
                                               Artigo 26.º
                                               Controlos
Os Estados-Membros podem controlar o cumprimento da eventual obrigação, decorrente da
legislação nacional, de os não-nacionais deverem estar sempre munidos do certificado de registo ou
do cartão de residência, desde que imponham a mesma obrigação aos seus nacionais no que se
refere ao bilhete de identidade. Em caso de incumprimento da referida obrigação, os Estados-
-Membros podem aplicar as mesmas sanções que aplicariam aos seus nacionais em caso de
incumprimento da obrigação de se munirem do bilhete de identidade.
                                            CAPÍTULO VI
                       Restrições ao direito de entrada e ao direito de residência
               por razões de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública
                                               Artigo 27.º
                                            Princípios gerais
1     Sob reserva do disposto no presente Capítulo, os Estados-Membros podem restringir a livre
circulação e residência dos cidadãos da União e dos membros das suas famílias, independentemente
da nacionalidade, por razões de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública. Tais
razões não podem ser invocadas para fins económicos.
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2.     As medidas tomadas por razões de ordem pública ou de segurança pública devem ser
conformes com o princípio da proporcionalidade e devem basear-se exclusivamente no
comportamento da pessoa em questão. A existência de condenações penais anteriores não pode, por
si só, servir de fundamento para tais medidas.
O comportamento da pessoa em questão deve constituir uma ameaça real, actual e suficientemente
grave que afecte um interesse fundamental da sociedade. Não podem ser utilizadas justificações não
relacionadas com o caso individual ou baseadas em motivos de prevenção geral.
3.     A fim de determinar se a pessoa em causa constitui um perigo para a ordem pública ou para a
segurança pública, ao emitir o certificado de registo ou, no caso de não haver sistema de registo, no
prazo de três meses a contar da data de entrada da pessoa em questão no seu território ou da data de
comunicação da sua presença no território, conforme estabelecido no n.º 5 do artigo 5.º, ou ao emitir
o cartão de residência, o Estado-Membro de acolhimento pode, sempre que o considerar
indispensável, solicitar ao Estado-Membro de origem e, eventualmente, a outros Estados-Membros
informações sobre os antecedentes penais da pessoa em questão. Esta consulta não pode ter carácter
de rotina. O Estado-Membro consultado deve dar a sua resposta no prazo de dois meses.
4.     O Estado-Membro que tiver emitido o passaporte ou bilhete de identidade deve permitir a
reentrada no seu território, sem quaisquer formalidades, do titular do documento que tiver sido
afastado por razões de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública, mesmo que esse
documento tenha caducado ou a nacionalidade do titular seja contestada.
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                                             Artigo 28.º
                                   Protecção contra o afastamento
1.     Antes de tomar uma decisão de afastamento do território por razões de ordem pública ou de
segurança pública, o Estado-Membro de acolhimento deve tomar em consideração, nomeadamente,
a duração da residência da pessoa em questão no seu território, a sua idade, o seu estado de saúde, a
sua situação familiar e económica, a sua integração social e cultural no Estado-Membro de
acolhimento e a importância dos laços com o seu país de origem.
2.     O Estado-Membro de acolhimento não pode decidir o afastamento de cidadãos da União ou
de membros das suas famílias, independentemente da nacionalidade, que tenham direito de
residência permanente no seu território, excepto por razões graves de ordem pública ou de
segurança pública.
3.     Não pode ser decidido o afastamento de cidadãos da União, excepto se a decisão for
justificada por razões imperativas de segurança pública, tal como definidas pelos Estados-Membros,
se aqueles cidadãos da União:
a)     Tiverem residido no Estado-Membro de acolhimento durante os 10 anos precedentes; ou
b)     Forem menores, excepto se o afastamento for decidido no supremo interesse da criança,
       conforme previsto na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança,
       de 20 de Novembro de 1989.
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                                               Artigo 29.º
                                              Saúde pública
1.     As únicas doenças susceptíveis de justificar medidas restritivas da livre circulação são as
doenças com potencial epidémico definidas pelos instrumentos pertinentes da Organização Mundial
de Saúde, bem como outras doenças infecciosas ou parasitárias contagiosas, desde que sejam
objecto de disposições de protecção aplicáveis aos nacionais do Estado-Membro de acolhimento.
2.     A ocorrência de doenças três meses depois da data de entrada no território não constitui
justificação para o afastamento do território.
3.     Se indícios graves o justificarem, os Estados-Membros podem, no prazo de três meses a
contar da data de entrada no seu território, exigir que os titulares do direito de residência se
submetam a exame médico gratuito para se certificar que não sofrem das doenças mencionadas no
n.º 1. Estes exames médicos não podem ter carácter de rotina.
                                               Artigo 30.º
                                        Notificação das decisões
1.     Qualquer decisão nos termos do n.º 1 do artigo 27.º deve ser notificada por escrito às pessoas
em questão, de uma forma que lhe permita compreender o conteúdo e os efeitos que têm para si.
2.     As pessoas em questão são informadas, de forma clara e completa, das razões de ordem
pública, de segurança pública ou de saúde pública em que se baseia a decisão, a menos que isso seja
contrário aos interesses de segurança do Estado.
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3.    A notificação deve especificar o tribunal ou autoridade administrativa perante o qual a pessoa
em questão pode impugnar a decisão, o prazo de que dispõe para o efeito e, se for caso disso, o
prazo concedido para abandonar o território do Estado-Membro. Salvo motivo de urgência
devidamente justificado, o prazo para abandonar o território não pode ser inferior a um mês a contar
da data da notificação.
                                             Artigo 31.º
                                        Garantias processuais
1.    As pessoas em questão devem ter acesso às vias judicial e, quando for caso disso,
administrativa no Estado-Membro de acolhimento para impugnar qualquer decisão a seu respeito
por razões de ordem pública, de segurança pública ou de saúde pública.
2.    Se a impugnação, quer administrativa, quer judicial, da decisão de afastamento for
acompanhada de um pedido de medida provisória para suspender a execução da decisão, o
afastamento do território não pode ser concretizado enquanto não for tomada a decisão sobre a
medida provisória, a não ser que:
–     a decisão de afastamento se baseie em decisão judicial anterior, ou
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–      as pessoas em questão já anteriormente tenham impugnado judicialmente o afastamento, ou
–      a decisão de afastamento se baseie em razões imperativas de segurança pública ao abrigo do
n.º 3 do artigo 28.º.
3.     A impugnação deve permitir o exame da legalidade da decisão, bem como dos factos e
circunstâncias que fundamentam a medida prevista. Deve certificar que a decisão não é
desproporcionada, em especial no que respeita às condições estabelecidas no artigo 28.º.
4.     Os Estados-Membros podem recusar a presença da pessoa em questão no seu território
durante a impugnação, mas não podem impedir que apresente pessoalmente a sua defesa, a não ser
que a sua presença seja susceptível de provocar grave perturbação da ordem pública ou da
segurança pública ou quando a impugnação disser respeito à recusa de entrada no território.
                                               Artigo 32.º
                            Duração da proibição de entrada no território
1.     As pessoa proibidas de entrar no território por razões de ordem pública ou de segurança
pública podem apresentar um pedido de levantamento da proibição de entrada no território após um
prazo razoável, em função das circunstâncias, e, em todo o caso, três anos após a execução da
decisão definitiva de proibição que tenha sido legalmente tomada nos termos do direito
comunitário, invocando meios susceptíveis de provar que houve uma alteração material das
circunstâncias que haviam justificado a proibição de entrada no território.
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O Estado-Membro em causa deve tomar uma decisão sobre este pedido no prazo de seis meses a
contar da sua apresentação.
2.    As pessoas referidas no n.º 1 não têm direito de entrada no território do Estado-Membro em
causa durante o período de apreciação do seu pedido.
                                              Artigo 33.º
                        Afastamento a título de sanção ou de medida acessória
1.    O Estado-Membro de acolhimento só pode decidir o afastamento do território a título de
sanção ou de medida acessória de uma pena privativa de liberdade, em conformidade com as
condições estabelecidas nos artigos 27.º, 28.º e 29.º.
2.    Se a decisão de afastamento a que se refere o n.º 1 for executada mais de dois anos após ter
sido decidida, o Estado-Membro deve verificar se a pessoa em causa continua a ser uma ameaça
actual e real para a ordem pública ou a segurança pública, e avaliar se houve uma alteração material
das circunstâncias desde o momento em que foi tomada a decisão de afastamento.
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                                           CAPÍTULO VII
                                          Disposições finais
                                              Artigo 34.º
                                             Publicidade
Os Estados-Membros divulgam as informações relativas aos direitos e deveres dos cidadãos da
União e dos membros das suas famílias nas matérias abrangidas pela presente directiva, em especial
por meio de campanhas de sensibilização nos meios de informação nacionais e locais e noutros
meios de comunicação.
                                              Artigo 35.º
                                           Abuso de direito
Os Estados-Membros podem tomar as medidas necessárias para recusar, fazer cessar ou retirar
qualquer direito conferido pela presente directiva em caso de abuso de direito ou de fraude, como os
casamentos de conveniência. Essas medidas devem ser proporcionadas e sujeitas às garantias
processuais estabelecidas nos artigos 30.º e 31.º.
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                                             Artigo 36.º
                                               Sanções
Os Estados-Membros estabelecem o regime de sanções aplicáveis às violações das disposições
nacionais aprovadas em execução da presente directiva e tomam todas as medidas necessárias para
garantir a sua aplicação. As sanções previstas devem ser efectivas e proporcionadas. Os Estados-
-Membros devem notificar essas disposições à Comissão até ...*, bem como o mais rapidamente
possível qualquer alteração posterior.
                                             Artigo 37.º
                                Disposições nacionais mais favoráveis
As disposições da presente directiva não afectam disposições legislativas, regulamentares e
administrativas de um Estado-Membro que sejam mais favoráveis às pessoas abrangidas pela
presente directiva.
                                             Artigo 38.º
                                             Revogações
1.    São revogados, com efeitos a partir de ... *, os artigos 10.º e 11.º do Regulamento (CEE)
n.º 1612/68.
2.    São revogadas, com efeitos a partir de ... *, as Directivas 64/221/CEE, 68/360/CEE,
72/194/CEE, 73/148/CEE, 75/34/CEE, 75/35/CEE, 90/364/CEE, 90/365/CEE e 93/96/CEE.
*
      Dois anos a contar da data de entrada em vigor da presente directiva.
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3.    As remissões feitas para as disposições revogadas entendem-se feitas para a presente
      directiva.
                                              Artigo 39.º
                                               Relatório
Até ...*, a Comissão apresentará ao Parlamento Europeu e ao Conselho um relatório sobre a
aplicação da presente directiva e, se for caso disso, quaisquer propostas que considere necessárias,
designadamente sobre a oportunidade de aumentar o período durante o qual os cidadãos da União e
os membros das suas famílias podem residir no território do Estado-Membro de acolhimento sem
quaisquer condições. Os Estados-Membros devem fornecer à Comissão os elementos necessários à
elaboração desse relatório.
                                              Artigo 40.º
                                             Transposição
1.    Os Estados-Membros devem pôr em vigor as disposições legislativas, regulamentares e
administrativas necessárias para dar cumprimento à presente directiva até … ** e informar
imediatamente a Comissão desse facto.
Quando os Estados-Membros aprovarem essas disposições, estas devem incluir uma referência à
presente directiva ou ser acompanhadas dessa referência aquando da sua publicação oficial. As
modalidades dessa referência serão aprovadas pelos Estados-Membros.
*
      Quatro anos a contar da data de entrada em vigor da presente directiva.
**
      Dois anos a contar da data de entrada em vigor da presente directiva.
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2.    Os Estados-Membros devem comunicar à Comissão o texto das disposições de direito interno
que aprovarem nas matérias reguladas pela presente directiva, bem como um quadro de
correspondência entre as disposições da presente directiva e as disposições nacionais aprovadas.
                                             Artigo 41.º
                                          Entrada em vigor
A presente directiva entra em vigor na data da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
                                             Artigo 42.º
                                            Destinatários
Os Estados-Membros são os destinatários da presente directiva.
Feito em Estrasburgo, em 29 de Abril de 2004.
Pelo Parlamento Europeu                                                Pelo Conselho
       O Presidente                                                    O Presidente
         P. COX                                                        M. McDOWELL