CELEX: 62008TJ0005
Language: pt
Date: 2010-03-25 00:00:00
Title: Acórdão do Tribunal Geral (Oitava Secção) de 25 de Março de 2010. # Société des produits Nestlé SA contra Instituto de Harmonização do Mercado Interno (marcas, desenhos e modelos) (IHMI). # Marca comunitária - Processo de oposição - Pedido de marcas comunitárias figurativas Golden Eagle e Golden Eagle Deluxe - Marcas internacionais e nacionais figurativas anteriores que representam uma caneca e grãos de café - Motivo relativo de recusa - Semelhança dos sinais - Artigo 8.º, n.º 1, alínea b), do Regulamento (CE) n.º 40/94, [actual artigo 8.º, n.º 1, alínea b), do Regulamento (CE) n.º 207/2009]. # Processos apensos T-5/08 a T-7/08.

Processos apensos T‑5/08 a T‑7/08
      Société des produits Nestlé SA
      contra
      Instituto de Harmonização do Mercado Interno (marcas, desenhos e modelos) (IHMI)
      «Marca comunitária – Processo de oposição – Pedido de marcas figurativas comunitárias Golden Eagle e Golden Eagle Deluxe – Marcas figurativas internacionais e nacionais anteriores que representam uma caneca e grãos de café – Motivo relativo de recusa – Semelhança dos sinais – Artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento (CE) n.° 40/94 [actual artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento (CE) n.° 207/2009]»
      Sumário do acórdão
      1.      Marca comunitária – Definição e aquisição da marca comunitária – Motivos relativos de recusa – Oposição do titular de uma
            marca anterior idêntica ou semelhante registada para produtos ou serviços idênticos ou semelhantes – Semelhança entre as marcas
            em causa – Critérios de apreciação
      [Regulamento n.° 40/94 do Conselho, artigo 8.°, n.° 1, alínea b)]
      2.      Marca comunitária – Definição e aquisição da marca comunitária – Motivos relativos de recusa – Oposição do titular de uma
            marca anterior idêntica ou semelhante registada para produtos ou serviços idênticos ou semelhantes – Semelhança entre as marcas
            em causa – Critérios de apreciação
      [Regulamento n.° 40/94 do Conselho, artigo 8.°, n.° 1, alínea b)]
      1.      Quando uma marca composta é constituída pela justaposição de um elemento e de outra marca, esta, mesmo que não seja o elemento
         dominante na marca composta, pode conservar uma posição distintiva autónoma na marca composta. Nesse caso, a marca composta
         e essa outra marca, reproduzida tal e qual na marca composta, podem ser consideradas semelhantes para efeitos da aplicação
         do artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento n.° 40/94 sobre a marca comunitária.
      
      Caso a marca anterior não seja reproduzida tal e qual na marca posterior, é igualmente possível que os sinais em causa sejam
         semelhantes devido à semelhança entre a marca anterior e um elemento da marca posterior que ocupa um lugar distintivo autónomo.
      
      (cf. n.° 60)
      2.      Embora seja necessário apreciar o carácter distintivo de um elemento de uma marca complexa desde a fase da apreciação da semelhança
         dos sinais, para determinar os eventuais elementos dominantes do sinal, o grau do carácter distintivo da marca anterior é
         um dos elementos a considerar no quadro da apreciação global do risco de confusão na acepção do artigo 8.°, n.° 1, alínea
         b), do Regulamento n.° 40/94 sobre a marca comunitária. Assim, não há que tomar em consideração o grau eventualmente diminuto
         do carácter distintivo das marcas anteriores na fase da apreciação da semelhança entre os sinais.
      
      (cf. n.° 65)
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL GERAL (Oitava Secção)
      25 de Março de 2010 (*)
      
      «Marca comunitária – Processo de oposição – Pedido de marcas figurativas comunitárias Golden Eagle e Golden Eagle Deluxe – Marcas figurativas internacionais e nacionais anteriores que representam uma caneca e grãos de café – Motivo relativo de recusa – Semelhança dos sinais – Artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento (CE) n.° 40/94 [actual artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento (CE) n.° 207/2009]»
      Nos processos apensos T‑5/08 a T‑7/08,
      Société des produits Nestlé SA, com sede em Vevey (Suíça), representada por A. von Mühlendahl, advogado,
      
      recorrente,
      contra
      Instituto de Harmonização do Mercado Interno (marcas, desenhos e modelos) (IHMI), representado por R. Pethke, na qualidade de agente,
      
      recorrido,
      sendo a outra parte no processo na Câmara de Recurso do IHMI, interveniente no Tribunal Geral,
      Master Beverage Industries Pte Ltd, com sede em Singapura (Singapura), representada por N. Clarembeaux, D. Vervaet e P. Maeyaert, advogados,
      
      que têm por objecto recursos de três decisões da Segunda Câmara de Recurso do IHMI de 1 de Outubro de 2007 (processos R 563/2006‑2,
         R 568/2006‑2 e R 1312/2006‑2), relativas a processos de oposição entre a Société des produits Nestlé SA e a Master Beverage
         Industries Pte Ltd,
      
      O TRIBUNAL GERAL (Oitava Secção),
      composto por: M. E. Martins Ribeiro, presidente, S. Papasavvas e A. Dittrich (relator), juízes,
      secretário: N. Rosner, administrador,
      vistas as petições apresentadas na Secretaria do Tribunal Geral em 4 de Janeiro de 2008,
      vista a contestação do IHMI apresentada na Secretaria do Tribunal Geral em 27 de Junho de 2008,
      vistas as alegações da interveniente apresentadas na Secretaria do Tribunal Geral em 30 de Junho de 2008,
      visto o despacho de 23 de Maio de 2008 de apensação dos processos T‑5/08, T‑6/08 e T‑7/08,
      após a audiência de 30 de Abril de 2009,
      profere o presente
      Acórdão
       Antecedentes do litígio
      1        Em 7 de Maio de 2003, a interveniente, Master Beverage Industries Pte Ltd, apresentou três pedidos de marca comunitária ao
         Instituto de Harmonização do Mercado Interno (marcas, desenhos e modelos) (IHMI), ao abrigo do disposto no Regulamento (CE)
         n.° 40/94 do Conselho, de 20 de Dezembro de 1993, sobre a marca comunitária (JO 1994, L 11, p. 1), conforme alterado [substituído
         pelo Regulamento (CE) n.° 207/2009 do Conselho, de 26 de Fevereiro de 2009, sobre a marca comunitária (JO L 78, p. 1)].
      
      2        As três marcas cujo registo foi pedido (a seguir, conjuntamente, «marcas requeridas») correspondem aos seguintes sinais figurativos:
      
      –        no processo T‑5/08 (pedido de marca comunitária n.° 3157005), o sinal Golden Eagle de cor castanha clara, castanha escura,
         vermelha, amarela, dourada, branca, prateada e azul (a seguir «marca requerida n.° 1»), com a seguinte representação:
      
      
      –        no processo T‑6/08 (pedido de marca comunitária n.° 3156924), o sinal Golden Eagle Deluxe de cor castanha escura, castanha
         clara, vermelha, dourada, branca e amarela (a seguir «marca requerida n.° 2»), com a seguinte representação:
      
      
      –        no processo T‑7/08 (pedido de marca comunitária n.° 3157534), o sinal Golden Eagle Deluxe de cor castanha escura, castanha
         clara, vermelha, dourada, branca e amarela (a seguir «marca requerida n.° 3»), com a seguinte representação:
      
      
      3        Os produtos para os quais o registo da marca foi pedido estão incluídos na classe 30 na acepção do Acordo de Nice relativo
         à Classificação Internacional dos Produtos e dos Serviços para o registo de marcas, de 15 de Junho de 1957, conforme revisto
         e alterado, e correspondem à seguinte descrição: «Café, café artificial, bebidas à base de café, bebidas de café com leite».
      
      4        O pedido de registo da marca requerida n.° 1 foi publicado no Boletim de Marcas Comunitárias n.° 5/2004, de 2 de Fevereiro de 2004, o da marca requerida n.° 2 foi publicado no Boletim de Marcas Comunitárias n.° 83/2003, de 24 de Novembro de 2003, e o da marca requerida n.° 3 foi publicado no Boletim de Marcas Comunitárias n.° 82/2003, de 17 de Novembro de 2003.
      
      5        Em 1 de Abril de 2004, a recorrente, Société des produits Nestlé SA, deduziu oposição, nos termos do disposto no artigo 42.°
         do Regulamento n.° 40/94 (actual artigo 41.° do Regulamento n.° 207/2009), contra o registo da marca requerida n.° 1. Além
         disso, também deduziu oposição contra o registo da marca requerida n.° 2, em 23 de Fevereiro de 2004, e contra o da marca
         requerida n.° 3, em 17 de Fevereiro de 2004.
      
      6        As oposições baseavam‑se, nomeadamente, em marcas internacionais e nacionais anteriores que representam uma caneca vermelha
         num leito de grãos de café (a seguir «marcas anteriores»).
      
      7        Trata‑se da marca figurativa internacional, de cor vermelha, preta, castanha, branca, laranja e dourada, registada sob a referência
         IR 726641, com a seguinte representação:
      
      
      8        Esta marca foi registada em 18 de Janeiro de 2000, ao abrigo do Acordo de Madrid relativo ao registo internacional de marcas,
         de 14 de Abril de 1891, conforme revisto e alterado, para produtos incluídos na classe 30 na acepção do acordo de Nice e que
         correspondem à seguinte descrição: «Café e extractos de café, misturas à base de café e de extractos de café, cafés solúveis,
         cafés descafeinados, extractos de café descafeinados».
      
      9        Encontra‑se protegida, designadamente, nos seguintes Estados‑Membros da União Europeia: Bélgica, Alemanha, Espanha, França,
         Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria e Portugal.
      
      10      Este sinal também foi registado na Grécia como marca nacional, em 8 de Maio de 2000, sob o número 142377 para produtos incluídos
         na classe 30 na acepção do acordo de Nice, nomeadamente para os produtos «café, extractos de café e preparações à base de
         café, café artificial e extractos de café artificial».
      
      11      Trata‑se, além disso, da marca figurativa internacional, descrita como sendo de cor vermelha, castanha e ouro, registada sob
         a referência IR 633089, com a seguinte representação a preto e branco:
      
      
      12      Esta marca foi registada em 9 de Março de 1995, ao abrigo do acordo de Madrid, para produtos incluídos na classe 30 na acepção
         do acordo de Nice e que correspondem à seguinte descrição: «Café e extractos de café, misturas à base de café e de extractos
         de café, cafés solúveis, cafés descafeinados, extractos de café descafeinados». 
      
      13      Encontra‑se protegida, designadamente, nos seguintes Estados‑Membros da União Europeia: Bélgica, Alemanha, Espanha, França,
         Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria e Portugal.
      
      14      Acresce que este sinal foi registado como marca nacional, para os mesmos produtos, em diversos Estados‑Membros da União, a
         saber, na Dinamarca (registo efectuado em 3 de Fevereiro de 1995 sob o número 976.1995), na Grécia (registo efectuado em 17
         de Agosto de 1999 sob o número 122009) e na Finlândia (registo efectuado em 20 de Setembro de 1995 sob o número 140164). 
      
      15      As oposições fundavam‑se em todos os produtos referidos protegidos pelas marcas anteriores e visavam todos os produtos designados
         nos pedidos de marcas comunitárias.
      
      16      Os motivos invocados em apoio das oposições eram os constantes do artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento n.° 40/94 [actual
         artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento n.° 207/2009] e do artigo 8.°, n.° 5, do Regulamento n.° 40/94 (actual artigo
         8.°, n.° 5, do Regulamento n.° 207/2009).
      
      17      Por decisões de 27 de Fevereiro (processo T‑5/08), de 27 de Março (processo T‑6/08) e de 6 de Setembro de 2006 (processo T‑7/08),
         a Divisão de Oposição rejeitou as oposições.
      
      18      Em 25 de Abril (processos T‑5/08 e T‑6/08) e 5 de Outubro de 2006 (processo T‑7/08), a recorrente interpôs recurso de cada
         uma das decisões da Divisão de Oposição.
      
      19      Por três decisões de 1 de Outubro de 2007 (a seguir «decisões impugnadas»), a Câmara de Recurso negou provimento aos recursos.
         Considerou, no essencial, que as oposições não se justificavam, pois as marcas em causa não eram semelhantes. 
      
       Pedidos das partes
      20      A recorrente conclui pedindo que o Tribunal se digne:
      
      –        anular as decisões impugnadas; 
      –        decidir que os pedidos de registo das marcas requeridas devem ser indeferidos;
      –        condenar o IHMI nas despesas, incluindo as que efectuou na Câmara de Recurso;
      –        condenar a interveniente nas despesas, incluindo as que efectuou na Câmara de Recurso. 
      21      O IHMI conclui pedindo que o Tribunal se digne: 
      
      –        negar provimento aos recursos;
      –        condenar a recorrente nas despesas.
      22      A interveniente conclui pedindo que o Tribunal se digne: 
      
      –        confirmar as decisões impugnadas;
      –        ordenar o registo das marcas requeridas;
      –        condenar a recorrente nas despesas, incluindo as que efectuou na Câmara de Recurso.
      23      Na audiência, em resposta a uma questão colocada pelo Tribunal, a interveniente indicou que o segundo pedido, que visa ordenar
         o registo das marcas requeridas, se confundia, na realidade, com o seu primeiro pedido, o que ficou registado na acta da audiência.
         
      
       Questão de direito
      24      Em apoio do seu recurso, a recorrente invoca dois fundamentos, relativos, respectivamente, à violação do artigo 8.°, n.° 1,
         alínea b), do Regulamento n.° 40/94 e à violação do artigo 8.°, n.° 5, do Regulamento n.° 40/94.
      
      1.     Quanto ao primeiro fundamento, relativo à violação do artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento n.° 40/94
       Argumentos das partes
      25      A recorrente alega que as oposições que deduziu com fundamento nas marcas anteriores deveriam ter sido acolhidas (v. n.os 7 a 14 supra). Sublinha que utiliza essas marcas figurativas em todos os boiões de café instantâneo Nescafé vendidos sob a denominação
         «Classic», cujas vendas anuais na União Europeia são superiores a 50 000 toneladas e representam um valor de mais de mil milhões
         de euros.
      
      26      Considera que foi erradamente que a Câmara de Recurso considerou que as marcas em causa não eram semelhantes. As marcas anteriores
         são constituídas por uma combinação dos seguintes nove elementos:
      
      –        uma caneca;
      –        a caneca é de cor vermelha;
      –        a caneca está orientada de forma a distinguir‑se o conteúdo;
      –        a caneca possui uma asa;
      –        a superfície interna da caneca é branca;
      –        a caneca contém uma bebida quente;
      –        sai fumo da caneca;
      –        a caneca está assente num leito de grãos de café;
      –        o fundo é castanho e laranja‑dourado e em torno da caneca existe um halo.
      27      Os nove elementos das marcas anteriores estão todos reproduzidos nas marcas requeridas. As marcas requeridas e as marcas anteriores
         são visualmente muito semelhantes. Além disso, a parte inferior da marca requerida n.° 1 e os lados direitos das marcas requeridas
         n.os 2 e 3, por um lado, e as marcas anteriores, por outro, são conceptualmente idênticos.
      
      28      A recorrente alega que, segundo a jurisprudência fixada no acórdão do Tribunal de Justiça de 6 de Outubro de 2005, Medion
         (C‑120/04, Colect., p. I‑8551), se uma marca anterior for integrada numa marca posterior, as marcas serão semelhantes quando
         o seu elemento comum ocupar uma posição distintiva autónoma na marca composta posterior.
      
      29      Terá sido sem razão que a Câmara de Recurso considerou que as marcas anteriores eram pouco distintivas. Pelo contrário, essas
         marcas têm um elevado carácter distintivo intrínseco. Além disso, são marcas de prestígio, e isto independentemente da circunstância
         de serem utilizadas em combinação com a marca Nescafé.
      
      30      O IHMI e a interveniente entendem que este fundamento deve ser rejeitado.
      
      31      O IHMI considera que foi acertadamente que a Câmara de Recurso chegou à conclusão de que as marcas em conflito não são semelhantes.
         As marcas anteriores têm um fraco carácter distintivo intrínseco e os elementos de prova aduzidos pela recorrente não demonstram
         que tenham adquirido um elevado carácter distintivo ou prestígio. Alega que, nas marcas requeridas, a representação da caneca
         é apenas utilizada como um «elemento decorativo de fundo» e não ocupa uma posição distintiva autónoma. Além disso, sublinha
         que as marcas anteriores não são fielmente reproduzidas nas marcas requeridas. 
      
      32      A interveniente também considera que foi acertadamente que a Câmara de Recurso concluiu que as marcas em conflito não eram
         semelhantes. Alega que, contrariamente às marcas anteriores, as marcas requeridas compreendem elementos nominativos, que são
         os seus elementos dominantes. No tocante à marca requerida n.° 1, as diferenças relativamente às marcas anteriores são ainda
         maiores devido à representação de uma águia que possui um elevado carácter distintivo e que é o elemento figurativo dominante
         da marca requerida n.° 1. Tendo em conta a difundida utilização da imagem de um recipiente para beber e de grãos de café na
         promoção de bebidas, as diferenças existentes entre as representações desses elementos nas marcas em causa devem considerar‑se
         significativas. A imagem da caneca e dos grãos de café é descritiva e não ocupa uma posição distintiva autónoma nas marcas
         requeridas. A interveniente considera, além disso, que as marcas em causa não são semelhantes do ponto de vista conceptual.
      
       Apreciação do Tribunal
       Observações preliminares
      33      Nos termos do artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento n.° 40/94, após oposição do titular de uma marca anterior, o pedido
         de registo de marca será recusado quando, devido à sua identidade ou semelhança com a marca anterior e devido à identidade
         ou semelhança dos produtos ou serviços designados pelas duas marcas, exista risco de confusão no espírito do público do território
         onde a marca anterior está protegida; o risco de confusão compreende o risco de associação com a marca anterior. Por outro
         lado, por força do artigo 8.°, n.° 2, alínea a), ii) e iii), do Regulamento n.° 40/94 [actual artigo 8.°, n.° 2, alínea a),
         ii) e iii), do Regulamento n.° 207/2009], por marcas anteriores deve entender‑se, respectivamente, as marcas registadas num
         Estado‑Membro e as marcas que tenham sido objecto de registo internacional com efeitos num Estado‑Membro, cuja data de depósito
         seja anterior à do pedido de marca comunitária. 
      
      34      Segundo jurisprudência constante, constitui risco de confusão o risco de que o público possa crer que os produtos ou os serviços
         em causa provêm da mesma empresa ou de empresas ligadas economicamente. Segundo a mesma jurisprudência, o risco de confusão
         deve ser apreciado globalmente, segundo a percepção que o público relevante tem dos sinais e dos produtos ou serviços em causa,
         atentos todos os factores pertinentes do caso, nomeadamente a interdependência entre a semelhança dos sinais e a dos produtos
         ou dos serviços designados [v. acórdão do Tribunal Geral de 9 de Julho de 2003, Laboratorios RTB/IHMI – Giorgio Beverly Hills
         (GIORGIO BEVERLY HILLS), T‑162/01, Colect., p. II‑2821, n.os 30 a 33 e jurisprudência aí referida].
      
       Quanto à comparação dos produtos
      35      Há que considerar que foi correctamente que a Câmara de Recurso considerou, nas decisões impugnadas (n.° 28 da decisão impugnada
         no processo T‑5/08 e n.os 27 das decisões impugnadas nos processos T‑6/08 e T‑7/08), que os produtos em causa são idênticos, tal como resulta dos n.os 3, 8, 10 e 12 supra.
      
      36      Todavia, considerou que as marcas em causa não são semelhantes, pelo que não estava preenchida uma condição sine qua non da aplicação do artigo 8.°, n.° 1, alínea b), do Regulamento n.° 40/94. Cumpre, portanto, examinar se foi com razão que a
         Câmara de Recurso considerou que as marcas em causa não são semelhantes.
      
       Quanto à comparação dos sinais
      37      A apreciação global do risco de confusão deve, no que respeita à semelhança visual, fonética ou conceptual dos sinais em conflito,
         basear‑se na impressão de conjunto produzida por esses sinais, atendendo, em especial, aos seus elementos distintivos e dominantes.
         A percepção das marcas que o consumidor médio tem dos produtos ou dos serviços em causa desempenha um papel determinante na
         apreciação global do referido risco. A este respeito, o consumidor médio apreende normalmente uma marca como um todo e não
         procede a uma análise das suas diferentes particularidades (v. acórdão do Tribunal de Justiça de 12 de Junho de 2007, IHMI/Shaker,
         C‑334/05 P, Colect., p. I‑4529, n.° 35 e jurisprudência aí referida).
      
      38      Neste quadro, deve recordar‑se que, para determinar o grau de carácter distintivo de uma marca, há que apreciar globalmente
         a maior ou menor adequação da marca para identificar os produtos ou serviços para os quais foi registada como provenientes
         de determinada empresa e, portanto, para distinguir esses produtos ou serviços dos de outras empresas (v., neste sentido e
         por analogia, acórdão do Tribunal de Justiça de 22 de Junho de 1999, Lloyd Schuhfabrik Meyer, C‑342/97, Colect., p. I‑3819,
         n.° 22). Para se determinar o carácter distintivo de um elemento de uma marca complexa aplica‑se o mesmo critério, pelo que
         se deve apreciar a maior ou menor adequação desse elemento da marca para identificar os produtos ou serviços para os quais
         foi registada como provenientes de determinada empresa.
      
      –       Quanto aos elementos das marcas em causa a tomar em consideração no quadro da comparação dos sinais
      39      A apreciação da semelhança entre duas marcas não se pode limitar a ter em consideração apenas um componente de uma marca complexa
         e a compará‑lo com outra marca. Pelo contrário, é necessário operar tal comparação mediante o exame das marcas em causa, cada
         uma delas considerada no seu conjunto, o que não exclui que a impressão de conjunto produzida na memória do público pertinente
         por uma marca complexa possa, em determinadas circunstâncias, ser dominada por um ou vários dos seus componentes (v. acórdão
         IHMI/Shaker, referido no n.° 37 supra, n.° 41 e jurisprudência aí referida). Só se todos os outros componentes da marca forem negligenciáveis é que a apreciação
         da semelhança pode depender unicamente do componente dominante (acórdãos do Tribunal de Justiça, IHMI/Shaker, referido no
         n.° 37 supra, n.° 42, e de 20 de Setembro de 2007, Nestlé/IHMI, C‑193/06 P, não publicado na Colectânea, n.° 43). É o que poderá acontecer,
         nomeadamente, quando esse componente for susceptível de, por si só, dominar a imagem dessa marca que o público pertinente
         guarda na memória, sendo todos os outros componentes da marca negligenciáveis na impressão de conjunto que produz (acórdão
         Nestlé/IHMI, já referido, n.° 43).
      
      40      No caso em apreço, a Câmara de Recurso considerou que o elemento dominante nas marcas requeridas era o elemento nominativo
         «golden eagle» nas marcas requeridas n.os 2 e 3 e o elemento nominativo «golden eagle» conjugado com a representação de uma águia na marca requerida n.° 1. Considerou
         que a representação de uma caneca vermelha e de grãos de café surgia como um elemento puramente decorativo nas marcas requeridas.
         Apesar da presença de elementos figurativos parecidos, as marcas em causa não eram semelhantes devido a diferenças existentes
         nos elementos figurativos e em razão da inexistência de elementos nominativos nas marcas anteriores.
      
      41      Cabe apreciar, antes de mais, se os elementos identificados pela Câmara de Recurso são os elementos dominantes das marcas
         requeridas e se os outros elementos das marcas requeridas devem ser considerados negligenciáveis.
      
      42      No tocante à marca requerida n.° 1, há que reconhecer que é constituída, no essencial, pelos seguintes elementos: a representação
         de uma águia, o elemento nominativo «golden eagle» colocado sob esse elemento, uma caneca vermelha com café num leito de grãos
         de café colocada em baixo do elemento nominativo e uma linha vermelha que corta a parte inferior direita da marca.
      
      43      Há que considerar que a conjugação do elemento nominativo «golden eagle» com a representação de uma águia ocupa um lugar preponderante
         na marca requerida n.° 1. Com efeito, como a Câmara de Recurso sublinhou, é normalmente o elemento nominativo que os consumidores
         utilizam para identificar e adquirir um produto. Acresce que a dimensão do elemento nominativo não é negligenciável. Trata‑se,
         além disso, de um elemento muito distintivo, pois, no que respeita aos produtos em causa, possui um carácter fantasista. Para
         um consumidor que não tem conhecimentos suficientes de inglês para poder compreender o significado do elemento nominativo,
         este último continuará a ser muito distintivo, pois esse consumidor percebê‑lo‑á como um elemento fantasista desprovido de
         significado concreto. Da mesma forma, a representação de uma águia tem um carácter muito distintivo para designar o café e
         as bebidas à base de café, pois essa representação não pode ser considerada evocadora dos produtos em causa.
      
      44      Em contrapartida, a representação de uma caneca vermelha num leito de grãos de café na parte inferior da marca requerida n.° 1
         tem, no que respeita aos produtos em causa, um carácter distintivo diminuto. Com efeito, não se pode considerar que uma caneca
         vermelha e grãos de café possuem um carácter distintivo pronunciado, pois são evocativos dos produtos em causa [v., neste
         sentido, relativamente à representação de uma pele de vaca para leite e produtos lácteos, acórdão do Tribunal Geral de 13
         de Junho de 2006, Inex/IHMI – Wiseman (Representação de uma pele de vaca), T‑153/03, Colect., p. II‑1677, n.° 36]. Pelo contrário,
         importa reconhecer, à semelhança da Câmara de Recurso, que se trata de elementos banais. Com efeito, no que respeita à comercialização
         de café ou de bebidas à base de café, o que vem naturalmente ao espírito é a representação de café pronto a ser bebido numa
         caneca e de café sob a forma de grãos.
      
      45      Todavia, o elemento constituído por uma caneca vermelha num leito de grãos de café não poderá ser considerado inteiramente
         negligenciável na impressão de conjunto produzida pela marca requerida n.° 1. Se bem que esse elemento seja muito menos susceptível
         do que o elemento nominativo e o elemento figurativo que representa uma águia de indicar a origem comercial dos produtos em
         causa, não é menos certo que ocupa cerca de metade da marca requerida n.° 1 e que não é inteiramente negligenciável na impressão
         de conjunto produzida por esse sinal.
      
      46      Quanto às marcas requeridas n.os 2 e 3, há que reconhecer que são compostas, no essencial, pelo elemento nominativo «golden eagle deluxe» no lado esquerdo
         dos sinais, por uma caneca vermelha com café no lado direito e por grãos de café na parte inferior. Nestas marcas, o elemento
         nominativo «golden eagle» deve ser considerado preponderante. Com efeito, como acima se referiu, e independentemente de ser
         compreendida, essa combinação de vocábulos tem carácter fantasista em relação aos produtos em causa. Além disso, o consumidor
         tem mais tendência para se apoiar num elemento nominativo do que num elemento figurativo para identificar e adquirir um produto.
         Acresce que o elemento figurativo das marcas requeridas n.os 2 e 3 tem um fraco carácter distintivo. Todavia, não pode considerar‑se inteiramente negligenciável. Com efeito, essas marcas
         figurativas não podem ser reduzidas ao seu elemento nominativo. Embora escrito em letras de grande dimensão, o elemento nominativo
         apenas ocupa uma parte da superfície das ditas marcas. 
      
      47      Dado que o elemento constituído pela caneca vermelha e pelos grãos de café não pode ser considerado inteiramente negligenciável
         na impressão de conjunto produzida pelas marcas requeridas, a comparação entre os sinais em causa não pode estar limitada
         aos elementos preponderantes dessas marcas.
      
      48      Relativamente às marcas anteriores, também não existe um elemento que domine esses sinais a ponto de os outros elementos serem
         negligenciáveis na impressão de conjunto que aquelas produzem.
      
      49      Resulta do que precede que a comparação entre os sinais em causa deve basear‑se na impressão de conjunto produzida por estes
         e não pode limitar‑se a alguns dos seus elementos.
      
      –       Quanto à semelhança visual
      50      No caso em apreço, deve analisar‑se, antes de mais, a semelhança entre a parte das marcas requeridas constituída pela representação
         de uma caneca e de grãos de café, por um lado, e as marcas anteriores, por outro, para em seguida comparar as marcas requeridas,
         consideradas no seu conjunto, com as marcas anteriores. A este propósito, deve salientar‑se que nada se opõe à análise, numa
         primeira fase, da semelhança entre as marcas em causa na perspectiva de um elemento de uma marca complexa para, em seguida,
         apreciar globalmente essa semelhança.
      
      51      No que diz respeito à marca requerida n.° 1, cumpre salientar que a parte inferior dessa marca e as marcas anteriores têm
         em comum a representação de uma caneca vermelha com uma superfície interior branca num leito de grãos de café. Além disso,
         em cada uma dessas marcas, a asa da caneca está orientada para a direita, a caneca está cheia de uma bebida quente (aparentemente
         café) e sai fumo da caneca. A cor do fundo dessas marcas é, além disso, semelhante na medida em que o fundo da marca requerida
         n.° 1 é laranja e em que o halo que envolve a caneca na marca anterior registada sob a referência IR 726641 também é laranja.
         Também é possível distinguir, na marca requerida n.° 1, uma espécie de halo envolvendo a caneca, embora os contornos desse
         halo sejam menos nítidos do que os da marca anterior registada sob a referência IR 726641.
      
      52      Quanto às diferenças entre a parte inferior da marca requerida n.° 1 e as marcas anteriores, deve salientar‑se o seguinte.
         A diferença mais pronunciada entre as marcas em causa reside no facto de que, nas marcas anteriores, a caneca vermelha está
         ornada com uma linha dourada exterior que não figura na caneca vermelha da marca requerida n.° 1. Além disso, nas marcas anteriores,
         o café contido na caneca é de cor muito escura, quase negra, enquanto que, na marca requerida n.° 1, é de cor castanha clara.
         Além disso, contrariamente às marcas anteriores, uma linha vermelha corta a parte inferior direita da marca requerida n.° 1.
      
      53      No tocante às marcas requeridas n.os 2 e 3, cabe salientar que têm em comum com as marcas anteriores a representação de uma caneca vermelha com uma superfície
         interior branca e grãos de café. Além disso, em cada uma dessas marcas, a caneca encontra‑se cheia com uma bebida quente (aparentemente
         café) da qual sai fumo. Existe igualmente uma semelhança no que respeita à cor do fundo dessas marcas, sendo o fundo das marcas
         requeridas n.os 2 e 3 em parte laranja e em parte castanho, à semelhança do da marca anterior registada sob a referência IR 726641.
      
      54      Todavia, contrariamente às marcas anteriores, nas marcas requeridas n.os 2 e 3, a caneca vermelha não está ornada com uma linha dourada exterior. Há que reconhecer, além disso, que existem diferenças
         entre as marcas requeridas n.os 2 e 3 e as marcas anteriores relativamente à perspectiva e à parte da caneca visível. Com efeito, nas marcas anteriores,
         a asa da caneca está orientada para a direita enquanto que, nas marcas requeridas n.os 2 e 3, está orientada para a esquerda. Além disso, nas marcas anteriores, a quase totalidade da caneca é visível e só uma
         parte muito diminuta desta está coberta por grãos de café sobre os quais está colocada. Em contrapartida, nas marcas requeridas
         n.os 2 e 3, só a parte superior da caneca é visível e a imagem parece ter sido cortada a meio da asa.
      
      55      Além disso, as marcas requeridas n.os 2 e 3 têm a forma de um rectângulo cujo comprimento é muito maior do que a altura. A caneca não está colocada no meio, mas
         no lado direito dessas marcas. Em contrapartida, a marca anterior registada sob a referência IR 633089 tem forma quadrada
         e a marca anterior registada sob a referência IR 726641 tem a forma de um rectângulo cujo comprimento é menor do que a altura.
         Na marca anterior registada sob a referência IR 726641, a caneca está situada no centro e ocupa uma parte muito importante
         da superfície. A superfície coberta pelos grãos de café e pelo fundo parece relativamente pequena. Em contrapartida, nas marcas
         requeridas n.os 2 e 3, a caneca vermelha colocada no lado direito está longe de cobrir uma parte importante da superfície. Na marca anterior
         registada sob a referência IR 633089, a caneca está colocada no meio do leito de grãos de café. O leito de grãos de café cobre
         cerca de um quarto da altura dessa marca. Em contrapartida, nas marcas requeridas n.os 2 e 3, os grãos de café cobrem uma parte muito maior da superfície.
      
      56      No que respeita ao halo, que é apresentado pela recorrente como um dos nove elementos das marcas anteriores (v. n.° 26 supra), o Tribunal considera que as marcas requeridas n.os 2 e 3 não dão a impressão de conter um halo a envolver a caneca. A impressão que dão é antes a de que, na parte esquerda
         do sinal, o fundo é castanho e que, na parte direita e no meio dos sinais, o fundo é laranja.
      
      57      Relativamente à marca requerida n.° 3, deve também salientar‑se que o café contido na caneca é de cor castanha clara, sendo
         de cor muito escura, quase negra, o café das marcas anteriores.
      
      58      Resulta de tudo o que precede que as marcas anteriores e o elemento das marcas requeridas constituído pela representação de
         uma caneca vermelha e de grãos de café devem ser considerados semelhantes.
      
      59      Quanto à comparação da impressão de conjunto produzida pelas marcas em causa, importa recordar, antes de mais, que a parte
         das marcas requeridas constituída pela representação de uma caneca vermelha e de grãos de café é um elemento pouco distintivo
         e que os elementos nominativos das marcas requeridas e o elemento figurativo que representa uma águia na marca requerida n.° 1
         são muito distintivos.
      
      60      Cumpre, além disso, salientar que, segundo a jurisprudência, quando uma marca composta é constituída pela justaposição de
         um elemento e de outra marca, esta, mesmo que não seja o elemento dominante na marca composta, pode conservar uma posição
         distintiva autónoma na marca composta. Nesse caso, a marca composta e essa outra marca podem ser consideradas semelhantes
         (v., neste sentido, acórdão Medion, referido no n.° 28 supra, n.os 30 e 37). Deve salientar‑se que o acórdão Medion, referido no n.° 28 supra, dizia respeito a uma situação em que a marca anterior tinha sido reproduzida tal e qual na marca posterior. Todavia, importa
         declarar que, caso a marca anterior não seja reproduzida tal e qual na marca posterior, é igualmente possível que os sinais
         em causa sejam semelhantes devido à semelhança entre a marca anterior e um elemento da marca posterior que ocupa um lugar
         distintivo autónomo.
      
      61      No caso em apreço, no tocante à marca requerida n.° 1, saliente‑se que, dado que o elemento constituído pela representação
         de uma caneca vermelha num leito de grãos de café não pode ser considerado inteiramente negligenciável na impressão de conjunto
         produzida por esse sinal e tendo em conta a semelhança entre esse elemento e as marcas anteriores, essa marca e as marcas
         anteriores não podem ser consideradas totalmente diferentes. Contudo, uma vez que o elemento constituído pela representação
         de uma caneca vermelha num leito de grãos de café não foi reproduzido tal e qual na marca requerida n.° 1 e que esse elemento
         da marca requerida n.° 1 é pouco distintivo, enquanto o elemento nominativo e o elemento figurativo constituído pela representação
         de uma águia são muito distintivos, a semelhança visual entre essa marca e as marcas anteriores deve ser considerada diminuta.
      
      62      Relativamente às marcas requeridas n.os 2 e 3, cumpre igualmente notar que, dado que o elemento constituído pela representação de uma caneca vermelha e por grãos
         de café não pode ser considerado inteiramente negligenciável na impressão de conjunto produzida por esse sinal e tendo em
         conta a semelhança entre esse elemento e as marcas anteriores, essas marcas e as marcas anteriores não podem ser consideradas
         totalmente diferentes.
      
      63      Todavia, importa igualmente sublinhar que as diferenças, referidas nos n.os 54 a 57 supra, entre as marcas anteriores e o elemento das marcas requeridas n.os 2 e 3 constituído pela representação de uma caneca vermelha e por grãos de café não podem ser desprezadas. Uma vez que este
         elemento das marcas requeridas n.os 2 e 3 é pouco distintivo e o seu elemento nominativo o é fortemente, a semelhança visual entre essas marcas requeridas e
         as marcas anteriores deve ser considerada pequena. 
      
      64      Quanto à conclusão da Câmara de Recurso segundo a qual as diferenças entre a representação de uma caneca vermelha e de grãos
         de café nas marcas requeridas e a sua representação nas marcas anteriores tinham uma importância considerável dado o diminuto
         carácter distintivo das marcas anteriores (n.° 26 de cada uma das decisões impugnadas), deve salientar‑se o que se segue.
      
      65      O carácter distintivo da marca anterior é um dos factores a tomar em conta para apreciar o risco de confusão [acórdãos do
         Tribunal Geral de 16 de Março de 2005, L’Oréal/IHMI – Revlon (FLEXI AIR), T‑112/03, Colect., p. II‑949, n.° 61, e de 13 de
         Dezembro de 2007, Xentral/IHMI – Pages jaunes (PAGESJAUNES.COM), T‑134/06, Colect., p. II‑5213, n.° 70; v., igualmente, neste
         sentido e por analogia, acórdão do Tribunal de Justiça de 29 de Setembro de 1998, Canon, C‑39/97, Colect., p. I‑5507, n.° 24].
         Neste quadro, importa sublinhar que se deve distinguir entre o factor relativo ao carácter distintivo da marca anterior, ligado
         à protecção concedida a essa marca, e o carácter distintivo de um elemento de uma marca complexa, que se prende com a faculdade
         de esse elemento dominar a impressão de conjunto produzida por essa marca (despacho do Tribunal de Justiça de 27 de Abril
         de 2006, L’Oréal/IHMI, C‑235/05 P, não publicado na Colectânea, n.° 43). Ainda que seja necessário apreciar o carácter distintivo
         de um elemento de uma marca complexa desde a fase da apreciação da semelhança dos sinais, para determinar os eventuais elementos
         dominantes do sinal, o grau do carácter distintivo da marca anterior é um dos elementos a considerar no quadro da apreciação
         global do risco de confusão. Assim, não há que tomar em consideração o grau eventualmente diminuto do carácter distintivo
         das marcas anteriores na fase da apreciação da semelhança entre os sinais.
      
      –       Quanto à semelhança fonética 
      66      A recorrente alega que a Câmara de Recurso não procedeu à comparação dos sinais em causa no plano fonético. Considera que
         o facto de as marcas requeridas comportarem um elemento nominativo é irrelevante nesse aspecto, uma vez que compreendem o
         elemento distintivo autónomo constituído por uma caneca vermelha num leito de grãos de café.
      
      67      A este propósito, basta reconhecer que, como as marcas anteriores não incluem nenhum elemento nominativo, não é pertinente
         uma comparação fonética entre as marcas em causa. Do facto de o consumidor utilizar expressões como «caneca vermelha» e «grãos
         de café» quando descreve as marcas em causa não se pode concluir que existe semelhança fonética entre as marcas em causa.
         Com efeito, para se referir às marcas requeridas, o público reproduzirá o seu elemento nominativo, mas não descreverá o seu
         elemento figurativo. 
      
      –       Quanto à semelhança conceptual
      68      A recorrente censura a Câmara de Recurso por não ter efectuado uma comparação das marcas em causa de um ponto de vista conceptual.
         A este respeito, alega que a parte inferior da marca requerida n.° 1 e os lados direitos das marcas requeridas n.os 2 e 3, por um lado, e as marcas anteriores, por outro, são idênticos de um ponto de vista conceptual.
      
      69      O IHMI considera que a diferença entre as marcas em causa no plano conceptual é clara, pois as marcas anteriores não contêm
         o conceito característico da águia dourada presente nas marcas requeridas. 
      
      70      A este propósito, cumpre assinalar que, nas decisões impugnadas, a Câmara de Recurso não se pronuncia efectiva e expressamente
         sobre a semelhança conceptual dos sinais em causa. Também se deve salientar que a parte inferior da marca requerida n.° 1
         e os lados direitos das marcas requeridas n.os 2 e 3 são constituídos por uma caneca vermelha com café e por grãos de café, tal como as marcas anteriores.
      
      71      Por outro lado, recorde‑se que o elemento das marcas requeridas constituído pela representação de uma caneca vermelha num
         leito de grãos de café tem um carácter distintivo diminuto, pois é evocativo dos produtos em causa. 
      
      72      Há que considerar que o conceito da águia é fortemente distintivo para os produtos em causa, pois não tem nenhuma relação
         com esses produtos (v. n.° 43 supra). Porém, impõe‑se referir que um consumidor que não possua conhecimentos suficientes de inglês para poder compreender o significado
         do vocábulo «eagle» não poderá perceber a referência que é feita ao conceito da águia nas marcas requeridas n.os 2 e 3.
      
      73      No caso em apreço, não poderá, portanto, negar‑se a existência de qualquer semelhança, no plano conceptual, entre as marcas
         em causa.
      
      74      Resulta de tudo o que precede que foi sem razão que a Câmara de Recurso considerou, nas decisões impugnadas (n.° 28 da decisão
         impugnada no processo T‑5/08 e n.os 27 das decisões impugnadas nos processos T‑6/08 e T‑7/08), que as marcas em causa não eram semelhantes. Uma vez que existe
         uma semelhança, ainda que diminuta, nos planos visual e conceptual, a Câmara de Recurso deveria ter procedido à apreciação
         do risco de confusão entre as marcas em conflito.
      
      75      Resulta do que precede que o primeiro fundamento deve ser acolhido e, consequentemente, a decisão impugnada deve ser anulada,
         sem que seja necessário examinar o segundo fundamento.
      
      2.     Quanto ao pedido de reforma das decisões impugnadas
      76      No que respeita ao segundo pedido da recorrente, para que o Tribunal decida que os pedidos de registo das marcas requeridas
         devem ser indeferidos, importa salientar o seguinte.
      
      77      Refira‑se que a possibilidade de o Tribunal Geral reformar a decisão impugnada, possibilidade essa que lhe é concedida pelo
         artigo 63.°, n.° 3, do Regulamento n.° 40/94 (actual artigo 65.°, n.° 3, do Regulamento n.° 207/2009), está, em princípio,
         limitada às situações em que o processo esteja em condições de ser julgado, o que implica que o Tribunal, com base nos elementos
         de prova que lhe foram apresentados, possa tomar a decisão que a Câmara de Recurso era obrigada a tomar [acórdão do Tribunal
         Geral de 8 de Julho de 2004, MFE Marienfelde/IHMI – Vétoquinol (HIPOVITON), T‑334/01, Colect., p. II‑2787, n.° 63]. No caso
         em apreço, o processo não está em condições de ser julgado, pois a Câmara de Recurso, nas decisões impugnadas, não procedeu
         à apreciação global do risco de confusão.
      
      78      Por conseguinte, o pedido de reforma das decisões impugnadas, apresentado pela recorrente, deve ser indeferido.
      
       Quanto às despesas
      79      Por força do disposto no artigo 87.°, n.° 2, do Regulamento de Processo do Tribunal Geral, a parte vencida é condenada nas
         despesas se a parte vencedora o tiver requerido. Por outro lado, nos termos dessa mesma disposição, se forem várias as partes
         vencidas, o Tribunal decide sobre a repartição das despesas.
      
      80      No caso em apreço, tendo o IHMI e a interveniente sido vencidos, há que condená‑los a suportar as despesas da recorrente,
         em conformidade com o pedido desta.
      
      Pelos fundamentos expostos,
      O TRIBUNAL GERAL (Oitava Secção)
      decide:
      1)      As decisões da Segunda Câmara de Recurso do Instituto de Harmonização do Mercado Interno (marcas, desenhos e modelos) (IHMI)
            de 1 de Outubro de 2007 (processos R 563/2006‑2, R 568/2006‑2 e R 1312/2006‑2) são anuladas.
      2)      É negado provimento aos recursos quanto ao restante.
      3)      O IHMI e a Master Beverage Industries Pte Ltd suportarão, para além das suas próprias despesas, as despesas efectuadas pela
            Société des produits Nestlé SA.
      
               Martins Ribeiro
            
            
               Papasavvas
            
            
               Dittrich
            
         Proferido em audiência pública no Luxemburgo, em 25 de Março de 2010.
      Assinaturas
      * Língua do processo: inglês.