CELEX: 61994CC0123
Language: pt
Date: 1995-03-09
Title: Conclusões do advogado-geral Elmer apresentadas em 9 de Março de 1995. # Comissão das Comunidades Europeias contra República Helénica. # Livre circulação de trabalhadores - Igualdade de tratamento - Contratação de estrangeiros pelas escolas de línguas privadas. # Processo C-123/94.

Advertência jurídica importante

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61994C0123

Conclusões do advogado-geral Elmer apresentadas em 9 de Março de 1995.  -  COMISSAO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS CONTRA REPUBLICA HELENICA.  -  LIVRE CIRCULACAO DE TRABALHADORES - IGUALDADE DE TRATAMENTO - CONTRATACAO DE ESTRANGEIROS PELAS ESCOLAS DE LINGUAS PRIVADAS.  -  PROCESSO C-123/94.  

Colectânea da Jurisprudência 1995 página I-01457

Conclusões do Advogado-Geral

++++1 Na presente acção por incumprimento, a Comissão, através de petição apresentada em 26 de Abril de 1994 na Secretaria do Tribunal de Justiça, intentou uma acção contra a República Helénica solicitando ao Tribunal que declarasse verificado que, ao manter em vigor as disposições do artigo 70._ do Decreto-Lei n._ 2545/1940 e da Decisão n._ 46508, de 10/17 de Maio de 1976, posteriormente alterada, do Ministro da Educação Nacional e dos Cultos, a República Helénica não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força do artigo 48._, n._ 2, do Tratado CE e do artigo 3._, n._ 1, do Regulamento (CEE) n._ 1612/68 do Conselho, de 15 de Outubro de 1968, relativo à livre circulação dos trabalhadores na Comunidade (1).  2 Antes da propositura da acção no Tribunal, a Comissão tinha dirigido à demandada uma carta de notificação de incumprimento, datada de 1 de Julho de 1992, seguida de um parecer fundamentado de 26 de Agosto de 1993.  3 A Comissão alegou que resulta das referidas disposições que as mesmas impõem aos nacionais estrangeiros (incluindo os nacionais dos outros Estados-membros) condições mais rigorosas do que aos nacionais gregos relativamente à sua contratação pelas escolas privadas de línguas estrangeiras.  A fim de responder a uma questão colocada pelo Tribunal, a Comissão indicou além disso que o artigo 70._ do Decreto-Lei n._ 2545/1945 impõe aos docentes das escolas privadas a obrigação de possuírem as mesmas qualificações específicas que as exigidas para ocuparem um lugar equivalente no ensino público. Por força do artigo 18._, n._ 1, do Decreto Presidencial n._ 611/27/6-15/7/1977, relativo nomeadamente à contratação dos funcionários do Estado e de outros organismos públicos, incluindo as escolas, ninguém pode ser nomeado funcionário se não tiver a nacionalidade grega. A este respeito a Comissão remete para a resposta do Governo helénico à questão colocada pelo Tribunal de Justiça no processo 147/86 (2), em que aquele governo confirma a exigência - ao abrigo das referidas normas - da nacionalidade grega para os docentes das escolas privadas.  4 No caso concreto a República Helénica não contestou que as normas em questão são incompatíveis com o direito comunitário.  Em contrapartida, a República Helénica alegou, nas suas observações apresentadas ao Tribunal, que um decreto presidencial, alterando as normas controvertidas, a fim de sujeitar no futuro a contratação de nacionais dos outros Estados-Membros às mesmas condições que as exigidas no caso de contratação de nacionais gregos, foi já assinado pelos ministros competentes e está actualmente para assinatura pelo Presidente da República com vista a uma próxima publicação, razão pela qual a acção teria ficado sem objecto.  5 É assim incontestável que o Estado-Membro demandado não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força do direito comunitário.  Além disso, resulta claramente da jurisprudência constante do Tribunal de Justiça (3) que o objecto de uma acção intentada nos termos do artigo 169._ do Tratado CE é fixado no parecer fundamentado da Comissão. Mesmo no caso de uma infracção ao Tratado cessar quando o litígio se encontra pendente no Tribunal, a prossecução da instância tem um interesse jurídico quanto ao fundamento da responsabilidade que um Estado-Membro pode ter, na sequência de uma violação do Tratado, perante outros Estados-Membros, a Comunidade ou particulares.  Conclusões  6 Atendendo ao que precede proponho ao Tribunal de Justiça que decida do seguinte modo:  «- Ao manter em vigor as disposições do artigo 70._ do Decreto-Lei n._ 2545/1940 e da Decisão n._ 46508, de 10/17 de Maio de 1976, posteriormente alterada, do Ministro da Educação Nacional e dos Cultos, a República Helénica não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força do artigo 48._, n._ 2, do Tratado CE e do artigo 3._, n._ 1, do Regulamento (CEE) n._ 1612/68 do Conselho.  - A República Helénica é condenada nas despesas.  (1) - JO L 257, p. 2; EE 05 F1 p. 77.  (2) - Acórdão de 15 de Março de 1988, Comissão/Grécia, Colect., p. 1637.  (3) - V. nomeadamente acórdão de 1 de Dezembro de 1993, C-37/93, Comissão/Bélgica (Colect., p. I-6295).