CELEX: 52013PC0516
Language: pt
Date: 2013-07-11
Title: Proposta de REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO que altera o Regulamento (CE) n.º 1013/2006 relativo a transferências de resíduos

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		52013PC0516
		
			Proposta de REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO que altera o Regulamento (CE) n.º 1013/2006 relativo a transferências de resíduos /* COM/2013/0516 final - 2013/0239 (COD) */
			
				
		
		
			
			   	EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
1.           CONTEXTO DA PROPOSTA
O regulamento relativo a transferências de
resíduos (Regulamento (CE) n.º 1013/2006[1],
«RTR») estabelece requisitos aplicáveis às transferências de resíduos na UE e
entre a UE e países terceiros, com o objetivo de proteger o ambiente. O RTR
estabelece regras mais rigorosas para os resíduos perigosos do que para os
resíduos não perigosos. 
São proibidas todas as exportações de resíduos
perigosos para países fora da OCDE e todas as exportações de resíduos destinados
a eliminação para fora da UE/EFTA (artigos 34.º e 36.º do RTR). A proibição
prevista no RTR das exportações de resíduos perigosos para fora da OCDE
transpõe a proibição de exportação da Convenção de Basileia da ONU de 1995. Os
resíduos não perigosos destinados a operações de valorização fora da OCDE podem
ser exportados desde que sejam geridos de uma forma ambientalmente correta, ou
seja, segundo normas essencialmente equivalentes às regras aplicadas na UE[2]. 
Na UE, todas as transferências de resíduos destinados
a valorização devem beneficiar da livre circulação[3]. Em relação aos resíduos não
perigosos, essas transferências não estão sujeitas a qualquer notificação
prévia e apenas têm de cumprir os requisitos gerais de informação (títulos
II-IV do RTR). As transferências de resíduos perigosos para valorização e as
transferências de resíduos destinados a eliminação estão sujeitas a
procedimento de notificação e autorização prévia por escrito. No entanto, no
que respeita às transferências de resíduos destinados a valorização, as
autoridades competentes só podem opor-se a uma transferência com base em
motivos ambientais nos termos do RTR (artigo 12.º). 
Estão previstos requisitos específicos
relacionados com a obrigação de retoma de transferências de resíduos consideradas
ilegais ou de transferências que não possam ser concluídas como previsto
(artigos 22.º a 25.º do RTR). 
O artigo 50.º do RTR inclui uma disposição
geral sobre o controlo do cumprimento que determina que os Estados-Membros
tomem providências no sentido de efetuar inspeções a estabelecimentos e
empresas em conformidade com os requisitos de inspeção previstos na Diretiva
2008/98/CE (Diretiva-Quadro «Resíduos»). O referido artigo prevê, ainda, que os
Estados-Membros possam controlar o transporte rodoviário, nos portos, etc., ou,
numa fase posterior, após a chegada dos resíduos a uma instalação de
valorização ou eliminação. Para além destes aspetos, os controlos são deixados
ao critério dos Estados-Membros. O RTR não contém disposições específicas sobre
a forma como devem ser efetuadas as inspeções: apenas prevê que «Os controlos
das transferências incluirão a inspeção de documentos, a confirmação da
identidade e, se necessário, o controlo físico dos resíduos». 
Em consequência desta formulação, em termos
gerais, dos requisitos de inspeção no RTR, subsistem grandes diferenças entre
os Estados-Membros. Alguns Estados criaram sistemas de controlo rigorosos e
funcionais que visam as transferências de resíduos nos portos ou em instalações
de produção e recolha de resíduos, enquanto outros encontram grandes
dificuldades para controlar o cumprimento da regulamentação e não dispõem de
estruturas e recursos adequados para controlar os fluxos de resíduos e efetuar
as inspeções. Esta situação conduz a estratégias de «alternância de portos», em
que os exportadores ilegais de resíduos optam por expedir os respetivos
resíduos passando por Estados-Membros que procedam a controlos menos rigorosos.
Se o controlo do cumprimento da regulamentação for reforçado num Estado-Membro,
os exportadores ilegais transferem as suas exportações para outro
Estado-Membro. Por conseguinte, só será possível realizar uma prevenção eficaz
das transferências ilegais de resíduos se forem efetuados controlos suficientes
em todos os Estados-Membros. 
As transferências ilegais de resíduos mais
problemáticas são as relativas aos resíduos perigosos e aos resíduos
ilegalmente enviados para descarga ou tratamento não conforme com as normas. A
descarga ou o tratamento não conforme de resíduos têm frequentemente impactos
graves no ambiente e na saúde das populações em redor da zona que circunda o
aterro ou da zona de tratamento. As fugas de resíduos de eliminação também
prejudicam os solos e os cursos de água e contribuem para a poluição do ar
através de emissões, nomeadamente de metais pesados e de poluentes orgânicos
persistentes. Se as normas e as capacidades de reciclagem nos países de destino
não forem adequadas, os potenciais riscos para o ambiente e para a saúde são
simplesmente exportados para outras partes do mundo.
Estas práticas contribuem igualmente para o aquecimento global e a
destruição da camada de ozono. 
A presente proposta legislativa irá apoiar e
orientar as inspeções dos Estados-Membros com vista a identificar os fluxos dos
resíduos problemáticos e de alto risco acima descritos. Os Estados‑Membros
devem levar a cabo avaliações de riscos que abranjam fluxos de resíduos
específicos e fontes de transferências ilegais, e que tenham em conta dados
baseados em serviços de informações, como, por exemplo, investigações policiais
e análises de atividades criminosas. Devem ser selecionadas anualmente
prioridades para inspeções, com base nestas avaliações de risco, e publicadas
nos planos de inspeção. O público deve ter acesso a estes planos. Os inspetores
devem ter em conta os planos de inspeção e exigir provas dos exportadores
suspeitos de resíduos ilegais, de acordo com as disposições relevantes da
proposta. 
As transferências ilegais de resíduos são um
problema grave e frequente. As proibições de exportação de resíduos perigosos e
de resíduos para eliminação no âmbito do RTR são frequentemente objeto de
evasão. As exportações de resíduos perigosos são frequentemente qualificadas
como exportações de produtos usados e os resíduos destinados a eliminação como
resíduos destinados a valorização. Esta estratégia é confirmada pelas inspeções
conjuntas efetuadas pela «rede para a implementação e execução da legislação
ambiental» e respetivo «grupo para as transferências transfronteiriças de
resíduos» (IMPEL-tfs), apoiados pela Comissão. As inspeções revelaram taxas
bastante elevadas de incumprimento do RTR em virtude das transferências ilegais
de resíduos. No âmbito das inspeções conjuntas efetuadas no período
compreendido entre outubro de 2008 e novembro de 2010, 22 Estados-Membros
efetuaram e notificaram controlos a transportes rodoviários e nos portos (mais
de 20 000 inspeções a transportes e mais de 100 inspeções a empresas)[4]. Tendo em conta o número total
(3 454) de transferências de resíduos inspecionadas com origem na UE, e no
interior da UE, durante o período em causa, bem como o número de infrações
(863), estima-se que a taxa global de incumprimento corresponda a 25 %. 
Em 2011, um estudo estimou a tonelagem das
transferências ilegais em proporção do total de transferências de resíduos no
interior e fora da UE[5].
Segundo as conclusões do estudo, se apenas 1 % de todas as transferências
de resíduos fosse ilegal, a tonelagem total das transferências ilegais de
resíduos ascenderia a 2,8 milhões de toneladas, anualmente.
As transferências ilegais de resíduos para
fora da UE têm frequentemente origem em instalações de recolha, armazenagem e
triagem não controladas, onde os operadores ilegais obtêm os resíduos e os
transferem ilegalmente para os países em desenvolvimento. De acordo com as
conclusões de um estudo da Europol de 2011[6],
alguns locais de armazenagem intermédia são muitas vezes utilizados para
dissimular o destino final dos resíduos e frustrar os esforços no sentido de
controlar o cumprimento da regulamentação e identificar as empresas de origem. 
Os portos situados na parte noroeste da UE
(Antuérpia, Hamburgo, Le Havre e Roterdão) desempenham um papel importante na
exportação de resíduos (resíduos eletrónicos, veículos em fim de vida,
plásticos, papel e diversos tipos de resíduos perigosos) para países de África
e da Ásia. Uma vez que, em muitos destes portos, se assiste à transferência de
grandes tonelagens de resíduos (lícita e ilicitamente) para fora da UE, estes
portos estão sujeitos a controlos mais frequentes e, por esse motivo, detetam
provavelmente um maior número de transferências ilegais de resíduos. 
O controlo do cumprimento e as inspeções das
transferências de resíduos, conduzidos de forma eficaz, poderiam não só ajudar
a prevenir as graves repercussões no ambiente e na saúde resultantes das
transferências ilegais de resíduos, como também reduzir os seus custos
elevados, o que se traduziria por vantagens económicas diretas para os
Estados-Membros e a indústria. Entre os benefícios financeiros decorrentes do
reforço do controlo do cumprimento da regulamentação figuram os custos
relacionados com as operações de despoluição e os custos de repatriação, que
poderiam ser assim evitados. A título de exemplo, um estudo recente mostrou que
o maior rigor no controlo do cumprimento no porto de Roterdão resultou num
aumento da qualidade e quantidade de resíduos reciclados, visto que os resíduos
transitavam por vias legais para instalações que aplicam melhores técnicas de
tratamento. O reforço das inspeções no porto de Roterdão levou também à criação
de 22 postos de trabalho nos serviços aduaneiros, nos serviços de inspeção e
nas estações de tratamento de resíduos[7].

Nas suas conclusões de 3 de junho de 2010, o
Conselho convidou a Comissão, inter alia, a ponderar o reforço dos
requisitos da UE em matéria de inspeções e controlos no local efetuados nos
termos do RTR. Em resposta a este pedido, a Comissão analisou a questão de
forma mais aprofundada e preparou uma avaliação de impacto ex-ante, em
conformidade com as suas orientações em matéria de avaliação de impacto. 
2.           RESULTADOS DAS CONSULTAS DAS PARTES
INTERESSADAS E AVALIAÇÕES DE IMPACTO
Em 25 de janeiro de 2011, a Comissão lançou
uma consulta em linha às partes interessadas através do sítio Web EUROPA, de
acordo com as regras mínimas de consulta. A consulta foi aberta a todas as
partes interessadas durante onze semanas, estando acessível através do ponto de
acesso único na Internet[8].
Durante a consulta, foram recebidas 65 contribuições de autoridades de 18
Estados-Membros, uma autoridade competente de um país do EEE, 25 organizações
do setor, cinco empresas privadas, dois organismos públicos, três ONG e 11
cidadãos[9].
As partes interessadas exprimiram um amplo apoio a favor dos requisitos
legislativos da UE sobre as inspeções de transferências de resíduos (90 %
dos inquiridos). 
Durante uma consulta pública realizada em 2012
sobre os atos legislativos demasiado complexos para as PME, foi levantada a
questão de que o RTR não conduziu à criação de um mercado comum para a
utilização e reciclagem de resíduos devido a diferenças na aplicação e
interpretação da legislação entre os Estados-Membros, e de que é necessário
reforçar a aplicação uniforme do RTR, dando‑se mais ênfase aos resíduos
perigosos e menos aos resíduos não problemáticos. Outra questão levantada
prende‑se com o facto de ser necessário simplificar ainda mais os
procedimentos para transferir resíduos entre os Estados‑Membros, deixando
a inspeção e a avaliação das instalações de tratamento às autoridades do Estado‑Membro
de destino.
 A presente proposta legislativa sobre
inspeções de transferências de resíduos pretende contribuir para uma aplicação
mais uniforme do RTR através do estabelecimento de requisitos mínimos de
inspeção em toda a UE, com a tónica no fluxo de resíduos problemáticos[10]. Ao abrigo do RTR já existe um
procedimento simplificado para a transferência de resíduos destinados a
valorização, em comparação com a transferência de resíduos destinados a
eliminação. No entanto, a falta de procedimentos de inspeção harmonizados prejudica
o correto funcionamento do mercado interno em relação às transferências de
resíduos. O correto funcionamento do mercado interno exige que as inspeções de
transferências de resíduos sejam executadas de forma eficaz em toda a UE. A
atual ausência de condições equitativas devido a grandes disparidades nas
práticas de aplicação da legislação coloca as empresas que cumprem a lei numa
situação de desvantagem económica. As elevadas taxas de transferências ilegais
de resíduos prejudicam as indústrias legítimas de tratamento e eliminação de
resíduos. Uma aplicação correta do RTR em toda a UE permitiria reforçar entre
os operadores económicos a confiança no sistema de transferências de resíduos.
As empresas do setor da reciclagem e gestão dos resíduos teriam assim um
incentivo para investir e criar novos postos de trabalho.
A inspeção das instalações de
tratamento de resíduos é uma tarefa que cabe às autoridades do Estado‑Membro
onde as instalações se encontram localizadas. No entanto, é necessário que a
autoridade competente do Estado‑Membro de expedição possa avaliar
a forma como os resíduos serão geridos no Estado‑Membro de destino. Por
exemplo, após ter examinado a natureza dos resíduos, a autoridade do Estado‑Membro
de expedição pode concluir que os resíduos não podem ser geridos pela
instalação situada no Estado‑Membro de destino em conformidade com os
artigos 11.º e 12.º do RTR. Esta avaliação deve ser realizada antes de a
transferência deixar o país de expedição; caso contrário será impossível evitar
transferências ilegais. Se a transferência for ilegal, o país de expedição
poderá ser responsável, nomeadamente, pelo pagamento da fatura de repatriamento
dos resíduos. A avaliação das instalações de tratamento dos resíduos não
pode, por conseguinte, ser deixada a cargo unicamente das autoridades do Estado‑Membro
de destino.
Na avaliação de impacto ex-ante da
Comissão sobre a presente proposta legislativa, foram examinadas várias
possibilidades de reforçar as inspeções e o controlo do cumprimento do RTR. A
«rede para a implementação e execução da legislação ambiental» e o «grupo para
as transferências transfronteiriças de resíduos» (IMPEL-tfs) da UE, as
autoridades dos Estados‑Membros e diversos grupos de interessados participaram
ativamente na elaboração dos estudos conduzidos para apoiar a avaliação.
A avaliação concluiu que a medida mais eficaz
para resolver os problemas relacionados com as transferências ilegais de
resíduos seria conjugar os requisitos legislativos e as orientações da UE. Esta
medida permitiria também usufruir dos mais baixos custos líquidos e dos
impactos mais positivos a nível económico, social e ambiental. Representaria
uma redução significativa dos custos relativos a operações de despoluição e
repatriamento, bem como dos custos indiretos para os Estados-Membros em que os
resíduos transitam. O setor beneficiaria também com a harmonização da
legislação. O aumento da quantidade de resíduos que transitam por vias legais
conduziria a uma otimização dos processos, melhores técnicas de triagem e
melhor qualidade dos resíduos. Um requisito legal para reforçar as inspeções
permitiria também a criação de novos postos de trabalho e evitaria a
deslocalização de empregos para fora da UE. 
Os custos para os Estados-Membros que carecem
de sistemas de inspeção adequados (nomeadamente para contratar pessoal e
melhorar as infraestruturas e as inspeções) foram calculados no âmbito da
avaliação de impacto. Estes custos devem rondar os 4 milhões EUR/ano para toda
a UE, mas poderão ser compensados pelos benefícios económicos e sociais e/ou
financiados pelas multas cobradas. De acordo com a avaliação de impacto, o
custo das inspeções adicionais exigidas seria coberto se menos de 1 % do
total das inspeções anuais resultar em coimas médias.
A avaliação de impacto concluiu que o
planeamento das inspeções é a mais importante de todas as medidas legislativas
propostas. O segundo fator mais importante para a resolução do problema será a
possibilidade de as autoridades competentes nos Estados‑Membros exigirem
provas junto dos suspeitos exportadores de resíduos ilegais com vista a
controlar a legalidade das transferências e, em seguida, por ordem decrescente,
os controlos das instalações a montante e a formação das autoridades
competentes.
3.           ELEMENTOS JURÍDICOS DA PROPOSTA
O
artigo 1.º, n.º 3, alínea b), da presente proposta altera o artigo 50.º do RTR
mediante a introdução de requisitos para o planeamento das inspeções de
transferências de resíduos. 
O
artigo 1.º, n.º 3, alínea c), introduz no artigo 50.º a possibilidade de as
autoridades competentes nos Estados Membros exigirem provas junto dos suspeitos
exportadores de resíduos ilegais com vista a controlar a legalidade das
transferências. As provas em causa podem incidir no facto de saber se a
substância ou o objeto é um «resíduo», se a transferência se destina a
valorização ou eliminação ou qual a natureza dos métodos específicos de
tratamento dos resíduos e as normas aplicadas pela instalação no país de
destino, com vista a avaliar o cumprimento das disposições do artigo 49.º do
RTR. 
O
artigo 1.º, n.os 2 e 4, alinha o RTR pelo artigo 290.º do Tratado
sobre o Funcionamento da União Europeia, de acordo com o compromisso da
Comissão de apreciar as disposições que acompanham o procedimento de
regulamentação que figura em cada instrumento que pretende alterar.
O
artigo 2.º da presente proposta estabelece que o regulamento entra em vigor no
vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia
e seja aplicável a partir de [1 de janeiro de xxxx ou 1 de julho de xxxx se
esta data for anterior, desde que essa data ocorra pelo menos seis meses após a
entrada em vigor do regulamento].
4.           INCIDÊNCIA ORÇAMENTAL 
Não aplicável.
5.           ELEMENTOS OPCIONAIS
Não aplicável.
2013/0239 (COD)
Proposta de
REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO
CONSELHO
que altera o Regulamento (CE) n.º 1013/2006
relativo a transferências de resíduos 
O PARLAMENTO EUROPEU E O CONSELHO DA
UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento
da União Europeia, nomeadamente o artigo 192.º, n.º 1,
Tendo em conta a proposta da Comissão
Europeia,
Após transmissão do projeto de ato legislativo
aos parlamentos nacionais,
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e
Social Europeu[11],

Tendo em conta o parecer do Comité das
Regiões[12],
Deliberando de acordo com o processo
legislativo ordinário,
Considerando o seguinte:
(1)       O Regulamento (CE) n.º
1013/2006 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 14 de junho de 2006, relativo
a transferências de resíduos[13]
estabelece requisitos para as transferências de resíduos na União e entre os
Estados-Membros e países terceiros, com o objetivo de proteger o ambiente.
Contudo, foram identificadas lacunas no que se refere ao controlo do
cumprimento da regulamentação, bem como às inspeções efetuadas pelas
autoridades competentes dos Estados-Membros, nomeadamente pelo facto de não
existirem no regulamento disposições explícitas sobre a matéria. 
(2)       É essencial prever um
planeamento adequado das inspeções das transferências de resíduos, a fim de
criar a capacidade necessária para as efetuar e prevenir eficazmente as
transferências ilegais. As disposições relativas ao controlo do cumprimento e
às inspeções previstas no artigo 50.º do Regulamento (CE) n.º 1013/2006 devem,
portanto, ser reforçadas, com vista a assegurar o planeamento regular e
coerente das inspeções. O planeamento deve prever uma série de elementos
fundamentais, nomeadamente avaliações de risco, estratégias, objetivos,
prioridades, número e tipo de inspeções previstas, atribuição de tarefas, meios
de cooperação entre as autoridades competentes e disposições em matéria de
formação de inspetores. 
(3)       Existem na União regras
divergentes no que se refere à possibilidade de as autoridades competentes nos
Estados Membros exigirem provas junto dos exportadores de resíduos com vista a
controlar a legalidade das transferências. As provas em causa podem incidir no
facto de saber se a substância ou o objeto é um «resíduo», na aceção do
Regulamento (CE) n.º 1013/2006 ou se o resíduo se destina a ser
transferido para instalações respeitadoras do ambiente, em conformidade com o
artigo 49.º do Regulamento. O artigo 50.º do regulamento deve, por
conseguinte, prever a possibilidade de as autoridades competentes dos Estados-Membros
exigirem provas aos suspeitos exportadores de resíduos ilegais com vista a
controlar a legalidade das transferências. 
(4)       As transferências ilegais de
resíduos têm frequentemente origem em instalações de recolha, armazenagem e
triagem não controladas. Por conseguinte, devem ser introduzidos requisitos de
inspeção para esse tipo de aterros.
(5)       Em consequência da entrada em
vigor do Tratado de Lisboa, as competências atribuídas à Comissão ao abrigo do
Regulamento (CE) n.º 1013/2006 devem ser alinhadas pelo artigo 290.º do
Tratado. 
(6)       Deve ser delegado na Comissão
o poder de adotar atos, nos termos do artigo 290.º do Tratado, com o objetivo
de adotar exigências técnicas e organizativas relativas à aplicação prática do
intercâmbio de dados eletrónicos. É particularmente importante que a Comissão
proceda a consultas adequadas durante os seus trabalhos preparatórios,
incluindo a nível de peritos. 
(7)       É conveniente que, durante a
elaboração de atos delegados, a Comissão assegure a transmissão simultânea,
tempestiva e apropriada dos documentos pertinentes ao Parlamento Europeu e ao
Conselho. 
(8)       A Comissão pode adotar
orientações para a aplicação do artigo 12.º, n.º 1, alínea g), do regulamento;
orientações relativas à aplicação do artigo 15.º do regulamento; orientações
para a cooperação das autoridades competentes no que respeita a transferências
ilegais; novas orientações relativas à utilização das línguas; esclarecimentos
suplementares sobre os requisitos processuais do título II do regulamento
relativamente à sua aplicação às exportações, importações e trânsito de
resíduos de, para e através da União. 
(9)       Por conseguinte, o
Regulamento (CE) n.º 1013/2006 deve ser alterado em conformidade.
(10)     O presente regulamento deve
ser aplicável a partir de 1 de janeiro de [xxxx] ou 1 de julho de [xxxx] se
esta data for anterior, desde que essa data ocorra pelo menos seis meses após a
entrada em vigor do presente regulamento, a fim de que os Estados‑Membros
e as empresas disponham de tempo suficiente para se preparem para a aplicação das
medidas exigidas pelo artigo 50.º do regulamento, 
ADOTARAM O PRESENTE REGULAMENTO:
Artigo 1.º
O Regulamento (CE) n.º 1013/2006 é
alterado do seguinte modo:
1) No artigo 2.º, é aditado o n.º 36
seguinte:
«36.   «Reutilização», qualquer operação mediante
a qual produtos ou componentes que não são resíduos são utilizados novamente
para o mesmo fim para que foram concebidos.» 
2) No artigo 26.º, é aditado o n.º 5
seguinte:
«5.     A Comissão fica habilitada a adotar atos
delegados, nos termos do artigo 59.º, no que diz respeito a exigências técnicas
e organizativas relativas à aplicação prática do intercâmbio de dados
eletrónicos para transmissão de documentos e informações.»
3) O artigo 50.º é alterado do seguinte
modo:
a) O n.º 2 passa a ter a seguinte
redação:
«2.     Os Estados-Membros, por meio de medidas
de controlo do cumprimento do presente regulamento, tomarão providências para,
nomeadamente, efetuar inspeções a estabelecimentos e empresas nos termos do
artigo 34.º da Diretiva 2008/98/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19
de novembro de 2008, relativa aos resíduos[14],
e controlos locais de transferências de resíduos ou da respetiva valorização ou
eliminação.»
b) É inserido o n.º 2-A seguinte:
«2-A Os Estados-Membros asseguram que as
respetivas autoridades competentes elaborem planos de inspeção destinados a
verificar o cumprimento do presente regulamento. Os planos devem abranger todo
o território geográfico do Estado-Membro em causa e aplicar-se a todas as
inspeções de transferências de resíduos efetuadas nos termos do n.º 2,
nomeadamente inspeções de estabelecimento e empresas, transporte rodoviário e
ferroviário e remessas nos portos. Os referidos planos incluem os seguintes
aspetos:
(a)          
A estratégia e os objetivos das inspeções de
transferências de resíduos relativamente aos recursos necessários em termos
humanos, financeiros e outros;
(b)         
Uma avaliação de riscos que abranja fluxos de
resíduos específicos e fontes de transferências ilegais, e que tenha em conta
dados baseados em serviços de informações, como, por exemplo, investigações
policiais e análises de atividades criminosas; 
(c)          
As prioridades e uma descrição do processo de
seleção destas prioridades, com base nas estratégias, nos objetivos e na
avaliação dos riscos;
(d)         
Informações sobre o número e o tipo de inspeções
previstas no que se refere aos aterros, aos transportes rodoviário e
ferroviário e às remessas nos portos;
(e)          
A atribuição de tarefas a cada uma das autoridades
que intervêm nas inspeções de transferências de resíduos;
(f)           
Os meios de cooperação entre as diferentes
autoridades que intervêm nas inspeções; e
(g)          
Uma apreciação da necessidade de formação dos
inspetores sobre questões técnicas ou jurídicas relacionadas com a gestão de
resíduos e a transferência de resíduos e disposições relativas a programas de
formação regular. 
Os planos devem ser revistos pelo menos uma
vez por ano e, se for caso disso, atualizados. Esta revisão avalia em que
medida foram cumpridos os objetivos e outros elementos dos planos.
Os planos devem publicados pela autoridade competente,
em conformidade com a Diretiva 2003/4/CE do Parlamento Europeu e do Conselho,
de 28 de janeiro de 2003, relativa ao acesso do público às informações sobre
ambiente[15]».

c) São aditados os
n.os 4-A e 4-B seguintes: 
«4-A Para averiguar se uma transferência não
contém resíduos na aceção do artigo 2.º, n.º 1, a autoridade
competente pode:
i)        verificar se foi prevista a proteção
adequada da transferência contra eventuais danos durante o transporte, a carga
ou a descarga; e 
ii)       em caso de suspeita de transferência
ilegal, exigir ao responsável pela transferência a apresentação de cópias da
fatura e do contrato referentes à venda ou transferência de propriedade da
substância ou do objeto, indicando que esta substância ou objeto se destina a
reutilização na aceção do artigo 2.º, n.º 36, e comprovando que esta substância
ou objeto estão plenamente funcionais.
4-B   Para averiguar se uma transferência se
destina a operações de valorização em conformidade com o disposto no artigo
49.º, a autoridade competente pode, em caso de suspeita de transferência
ilegal, exigir ao responsável pela transferência a apresentação de um contrato,
uma carta ou outro documento assinado pela instalação de valorização que
especifique os métodos, as tecnologias e as normas de tratamento dos resíduos
utilizados pela instalação de valorização no país de destino.»
4) Os artigos
59.º e 59.º-A passam a ter a seguinte redação:
«Artigo 59.º
Exercício
da delegação
1.     
O poder de adotar atos delegados é conferido à
Comissão nas condições estabelecidas no presente artigo.
2.     
A delegação de poderes a que se refere o artigo 26.º,
n.º 5, é conferida à Comissão por um período indeterminado, a partir da data de
entrada em vigor do presente regulamento.
3.     
A delegação de poderes a que se refere o 26.º, n.º
5, pode ser revogada em qualquer momento pelo Parlamento Europeu ou pelo
Conselho. A decisão de revogação põe termo à delegação dos poderes nela
especificados. Produz efeitos a partir do dia seguinte ao da sua publicação no Jornal
Oficial da União Europeia ou de uma data posterior nela indicada. Não afeta
a validade dos atos delegados já em vigor. 
4.     
Assim que adotar um ato delegado, a Comissão
notifica-o simultaneamente ao Parlamento Europeu e ao Conselho. 
5.      Os atos delegados adotados nos termos do artigo 26.º, n.º 5, só entram
em vigor se não tiverem sido formuladas objeções pelo Parlamento Europeu ou
pelo Conselho no prazo de dois meses a contar da notificação desse ato ao
Parlamento Europeu e ao Conselho, ou se, antes do termo desse prazo, o
Parlamento Europeu e o Conselho tiverem informado a Comissão de que não têm
objeções a formular. O referido prazo é prorrogado por dois meses por
iniciativa do Parlamento Europeu ou do Conselho.
Artigo 59.º-A
Procedimento
de comité
1. A Comissão é assistida pelo Comité criado
pelo artigo 39.º da Diretiva 2008/98/CE. 
Esse comité deve ser entendido como comité na
aceção do Regulamento (UE) n.º 182/2011.
2. Sempre que se faça referência ao presente
número, é aplicável o artigo 5.º do Regulamento (UE) n.º 182/2011».
Artigo 2.º
O presente regulamento entra em vigor no
vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União
Europeia. O presente regulamento é aplicável a partir de [1 de janeiro
de xxxx ou 1 de julho de xxxx se esta data for anterior, desde que essa data
ocorra pelo menos seis meses após a entrada em vigor do presente regulamento].

O presente regulamento é obrigatório em todos
os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito em Bruxelas, em
Pelo Parlamento Europeu                             Pelo
Conselho
O Presidente                                                  O
Presidente
[1]               Regulamento (CE) n.º 1013/2006 do Parlamento Europeu e
do Conselho, relativo a transferências de resíduos, JO L 190 de 12.7.2006, p.1.
[2]               Artigos 18.º, 49.º e anexo VII do RTR. Ver também o
Regulamento (UE) n.º 674/2012 da Comissão, de 23 de julho de 2012, que altera o
Regulamento (CE) n.º 1418/2007 da Comissão, relativo à exportação de
determinados resíduos, para fins de valorização, para certos países não membros
da OCDE.
[3]               As misturas de resíduos urbanos recolhidos em habitações
particulares, incluindo os casos em que essa recolha abrange também resíduos de
outros produtores (rubrica 20 03 01), estão sujeitas às mesmas
disposições dos resíduos para eliminação (artigo 3.º, n.º 5, do
Regulamento relativo às transferências de resíduos. As entradas de resíduos
destinados a incineradoras que sejam classificadas como operações de
valorização estão sujeitas a normas específicas, artigo 16.º da Diretiva
2008/98/CE relativa aos resíduos (Diretiva-Quadro «Resíduos»).
[4]               O relatório pormenorizado da IMPEL resultante das
inspeções conjuntas pode ser consultado em: http://impel.eu/wp-content/uploads/2012/01/IMPEL-TFS-EA-II-Project-_Final-report-adopted-v1-4.pdf 
[5]               «Assessment and guidance for the implementation of
EU waste legislation in Member States», BiPRO, 16 de novembro de 2011, http://ec.europa.eu/environment/waste/shipments/reports.htm. 
[6]               Relatório da Europol, «EU organised crime assessment»,
28 de abril de 2011, p. 30. https://www.europol.europa.eu/ 
[7]               Estudo intitulado «Implementation of EU waste legislation
for green growth», BioIntelligence Service, 2011, http://ec.europa.eu/environment/waste/studies/pdf/study%2012%20FINAL%20REPORT.pdf
[8]               A consulta das partes interessadas baseou‑se
parcialmente em dois estudos, «Inspection requirements for waste shipments'»,
relatório final de 12 de agosto de 2009, BioIntelligence http://ec.europa.eu/environment/waste/shipments/reports.htm e «Environmental, social and economic impact assessment of
possible requirements and criteria for waste shipment inspections, controls and
on-the-spot-checks», relatório final de 4 de junho de 2010, Biointelligence
SA http://ec.europa.eu/environment/waste/shipments/reports.htm.
[9]               http://ec.europa.eu/environment/waste/shipments/news.htm.
[10]             Ver igualmente a Comunicação da Comissão sobre o
seguimento da consulta «Top 10» às PME sobre a legislação da UE.
[11]             JO C, p. .
[12]             JO C , p. .
[13]             JO L 190 de 12.7.2006,
p. 1.
[14]             JO L 312 de 22.11.2008,
p. 3. 
[15]             JO L 41 de 14.2.2003, p. 26.