CELEX: 62008TJ0299
Language: pt
Date: 2011-05-17
Title: Acórdão do Tribunal Geral (Segunda Secção) de 17 de Maio de 2011.#Elf Aquitaine SA contra Comissão Europeia.#Concorrência - Acordos, decisões e práticas concertadas - Mercado do cloreto de sódio - Decisão que dá por provada uma infracção ao artigo 81.º CE e ao artigo 53.º do acordo EEE - Imputabilidade do comportamento ilícito - Direitos de defesa - Dever de fundamentação - Princípio da individualidade das penas e das sanções - Princípio da legalidade das penas - Presunção de inocência - Princípio da boa administração - Princípio da segurança jurídica - Desvio de poder- Coimas - Circunstância agravante - Dissuasão - Circunstância atenuante - Cooperação durante o procedimento administrativo - Valor acrescentado significativo.#Processo T-299/08.

Processo T‑299/08
      Elf Aquitaine SA
      contra
      Comissão Europeia
      «Concorrência – Acordos, decisões e práticas concertadas – Mercado do clorato de sódio – Decisão que declara uma infracção ao artigo 81.° CE e ao artigo 53.° do Acordo EEE – Imputabilidade do comportamento ilícito – Direitos de defesa – Dever de fundamentação – Princípio da individualização das penas e das sanções – Princípio da legalidade das penas – Presunção de inocência – Princípio da boa administração – Princípio da segurança jurídica – Desvio de poder – Coimas – Circunstância agravante – Dissuasão – Circunstância atenuante – Cooperação durante o procedimento administrativo – Valor acrescentado significativo»
      Sumário do acórdão
      1.      Concorrência – Regras comunitárias – Infracções – Imputação – Sociedade‑mãe e filiais – Unidade económica – Critérios de apreciação
      (Artigos 81.° CE e 82.° CE; Regulamento n.° 1/2003 do Conselho, artigo 23.°, n.° 2)
      2.      Concorrência – Procedimento administrativo – Comunicação de acusações – Conteúdo necessário – Respeito dos direitos de defesa
            – Alcance
      (Regulamento n.° 1/2003 do Conselho, artigos 23.° e 27.°, n.° 1)
      3.      Concorrência – Regras comunitárias – Infracções – Imputação – Sociedade‑mãe e filiais – Unidade económica – Critérios de apreciação
      (Artigo 81.°, n.° 1, CE)
      4.      Concorrência – Regras comunitárias – Infracções – Imputação – Sociedade‑mãe e filiais – Unidade económica
      (Artigos 81.° CE e 82.° CE; Regulamento n.° 17 do Conselho, artigo 15.°, n.° 2; Regulamento n.° 1/2003 do Conselho, artigo
            23.°, n.° 2)
      5.      Concorrência – Regras comunitárias – Infracções – Imputação – Sociedade‑mãe e filiais – Unidade económica – Critérios de apreciação
      (Artigo 81.°, n.° 1, CE)
      6.      Actos das instituições – Fundamentação – Dever – Alcance – Decisão de aplicação das regras de concorrência – Decisão que diz
            respeito a uma pluralidade de destinatários – Necessidade de uma fundamentação suficiente especialmente no que diz respeito
            à entidade à qual deve ser imputada a infracção
      (Artigos 81.°, n.° 1, CE e 253.° CE)
      7.      Actos das instituições – Presunção de validade – Decisão da Comissão que imputa a uma sociedade‑mãe a infracção ao direito
            da concorrência cometida pela sua filial
      (Artigo 249.° CE)
      8.      Concorrência – Coimas – Montante – Determinação – Carácter dissuasivo
      (Artigo 81.° CE; Regulamento n.° 1/2003 do Conselho, artigo 23.°, n.° 2; Comunicação 2006/C 210/02 da Comissão, pontos 25
            e 30)
      9.      Concorrência – Coimas – Montante – Determinação – Não aplicação ou redução da coima em contrapartida da cooperação da empresa
            acusada – Necessidade de um comportamento que tenha facilitado a constatação da infracção pela Comissão
      [Regulamento n.° 1/2003 do Conselho, artigos 18.° e 23.°, n.° 2; Comunicação 2002/C 45/03 da Comissão, pontos 20, 21 e 23,
            alínea b)]
      10.    Concorrência – Coimas – Montante – Determinação – Poder de apreciação da Comissão – Fiscalização jurisdicional – Competência
            de plena jurisdição do Tribunal da União
      (Artigo 229.° CE; Regulamento n.° 1/2003 do Conselho, artigo 31.°)
      1.      O comportamento de uma filial pode ser imputado à sociedade‑mãe quando, designadamente, embora tendo uma personalidade jurídica
         distinta, esta filial não determine de forma autónoma o seu comportamento no mercado, mas aplique, no essencial, as instruções
         que lhe são dadas pela sociedade‑mãe, atendendo, em especial, aos vínculos económicos, organizacionais e jurídicos que unem
         essas duas entidades jurídicas. Com efeito, é assim porque, nessa situação, a sociedade‑mãe e a sua filial fazem parte de
         uma mesma unidade económica e, portanto, formam uma única empresa, o que permite à Comissão dirigir à sociedade‑mãe uma decisão
         que aplica coimas, sem que seja necessário demonstrar a implicação pessoal desta última na infracção.
      
      No caso especial de uma sociedade‑mãe que detém 100% do capital social da sua filial que cometeu uma infracção às regras de
         direito comunitário da concorrência, por um lado, essa sociedade‑mãe pode exercer uma influência decisiva no comportamento
         dessa filial e, por outro, existe uma presunção ilidível de que a referida sociedade‑mãe exerce efectivamente uma influência
         decisiva no comportamento da sua filial.
      
      Nestas circunstâncias, basta que a Comissão prove que a totalidade do capital social de uma filial é detida pela sua sociedade‑mãe
         para se presumir que esta exerce uma influência decisiva na política comercial dessa filial. A Comissão pode, em seguida,
         considerar que a sociedade‑mãe é solidariamente responsável pelo pagamento da coima aplicada à sua filial, a menos que essa
         sociedade‑mãe, a quem incumbe ilidir essa presunção, apresente elementos de prova suficientes susceptíveis de demonstrar que
         a sua filial se comporta de forma autónoma no mercado.
      
      Com efeito, a Comissão não estava obrigada a corroborar a referida presunção através de indícios suplementares. Ainda que,
         a prática decisória anterior da Comissão tivesse consistido em corroborar essa presunção através de indícios suplementares,
         tal constatação não pode ter qualquer incidência sobre a conclusão, segundo a qual é legítimo que a Comissão se baseie unicamente,
         na detenção, pela sociedade‑mãe, da quase totalidade do capital social da sua filial, para presumir que aquela exercia sobre
         esta última uma influência determinante.
      
      (cf. n.os 49‑52, 59)
      
      2.      O respeito dos direitos de defesa exige que uma empresa acusada da violação das regras da concorrência tenha podido, durante
         o procedimento administrativo na Comissão, dar a conhecer utilmente o seu ponto de vista sobre a realidade e a pertinência
         dos factos e das circunstâncias alegados bem como sobre os documentos apresentados pela Comissão em apoio da sua alegação
         de existência de uma infracção ao Tratado.
      
      O Regulamento n.° 1/2003 prevê, no seu artigo 27.°, n.° 1, o envio às partes de uma comunicação das acusações, que deve especificar,
         de maneira clara, todos os elementos essenciais em que a Comissão se baseia nessa fase do procedimento, a fim de permitir
         aos interessados tomarem efectivamente conhecimento dos comportamentos que lhes são imputados e apresentarem utilmente a sua
         defesa antes de a Comissão adoptar uma decisão definitiva.
      
      Essa comunicação de acusações constitui a garantia processual que aplica o princípio fundamental de direito comunitário que
         exige o respeito dos direitos de defesa em todo o processo. Este princípio exige, nomeadamente, que a comunicação de acusações
         dirigida pela Comissão a uma empresa à qual pretende aplicar uma sanção pela violação das regras da concorrência contenha
         os elementos essenciais das acusações feitas a essa empresa, tais como os factos imputados, a qualificação que lhes é dada
         e os elementos de prova em que a Comissão se baseia, para que essa empresa possa apresentar utilmente os seus argumentos no
         âmbito do procedimento administrativo instaurado contra ela.
      
      Em particular, a comunicação de acusações deve precisar, inequivocamente, a pessoa colectiva à qual poderão ser aplicadas
         coimas, deve ser dirigida a esta última, e deve indicar em que qualidade essa pessoa é acusada dos factos alegados. Com efeito,
         é pela comunicação de acusações que a empresa em causa é informada de todos os elementos essenciais em que a Comissão se baseia
         nessa fase do procedimento. Por conseguinte, é apenas após o envio da referida comunicação de acusações que a empresa em causa
         pode fazer valer plenamente os seus direitos de defesa.
      
      Assim, quando a Comissão informa uma sociedade‑mãe, numa comunicação de acusações, de que pretende imputar‑lhe, com base na
         presunção de exercício de uma influência determinante, o comportamento ilícito da sua filial, o facto de a Comissão não ter
         efectuado nenhuma diligência de inquérito relativamente a essa sociedade, antes de lhe notificar a referida comunicação de
         acusações, não viola os direitos de defesa dessa sociedade. A este respeito, a referida sociedade tem a possibilidade, durante
         o procedimento administrativo, de dar utilmente a conhecer o seu ponto de vista sobre a realidade e a pertinência dos factos
         e das circunstâncias alegados pela Comissão na sua comunicação de acusações, tanto nas suas observações em resposta à referida
         comunicação como na audição perante o Auditor.
      
      (cf. n.os 134‑140)
      
      3.      Em virtude do princípio da individualização das penas e das sanções, uma pessoa, singular ou colectiva, só deve ser punida
         por factos que lhe sejam individualmente imputados. O referido princípio é aplicável em qualquer procedimento administrativo
         susceptível de conduzir a sanções nos termos das normas comunitárias da concorrência.
      
      Todavia, esse princípio deve ser conciliado com o conceito de empresa na acepção do artigo 81.° CE. Assim, quando a entidade
         económica infringe as regras da concorrência, incumbe‑lhe, de acordo com o princípio da responsabilidade pessoal, responder
         por essa infracção.
      
      Efectivamente, não é o facto de a sociedade‑mãe ter incitado a sua filial a cometer a infracção nem, a fortiori, o facto de a sociedade‑mãe estar envolvida na referida infracção, mas sim o facto de ambas constituírem uma empresa única
         na acepção do artigo 81.° CE, que habilita a Comissão a adoptar a decisão de aplicar coimas à sociedade‑mãe de um grupo de
         sociedades.
      
      Portanto a Comissão não infringe o princípio da individualização das penas e das sanções ao condenar uma sociedade‑mãe por
         uma infracção que foi considerada ter sido ela própria a cometer, devido aos vínculos económicos e jurídicos que a uniam à
         sua filial e que lhe permitiam determinar o comportamento desta última no mercado.
      
      (cf. n.os 178‑181)
      
      4.      O princípio da legalidade das penas exige que a lei defina claramente as infracções e as penas que a mesma pune. Este requisito
         está preenchido quando a pessoa interessada pode saber, a partir da redacção da disposição pertinente e, se necessário, recorrendo
         à interpretação que lhe é dada pelos tribunais, quais os actos e omissões pelos quais responde penalmente.
      
      Ora, por força do artigo 15.°, n.° 2, do Regulamento n.° 17 e do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003, a Comissão
         pode, mediante decisão, aplicar coimas às empresas que cometam, nomeadamente, uma infracção ao disposto no artigo 81.° CE.
         Na medida em que uma sociedade‑mãe e a sua filial foram consideradas formar uma empresa, na acepção deste último artigo, é
         sem violar o princípio da legalidade das penas que a Comissão pode aplicar, uma coima às pessoas colectivas que fazem parte
         da referida empresa.
      
      (cf. n.os 187‑189)
      
      5.      O princípio da igualdade de tratamento exige que situações comparáveis não sejam tratadas de modo diferente e que situações
         diferentes não sejam tratadas de modo igual, excepto se esse tratamento for objectivamente justificado.
      
      No contexto de uma decisão da Comissão que aplica uma coima a uma sociedade‑mãe por uma infracção às regras da concorrência
         cometida pela sua filial, em virtude da presunção de exercício de uma influência determinante da sociedade‑mãe que detém a
         quase totalidade do capital social da sua filial, a Comissão dispõe de uma margem de apreciação para decidir se cabe imputar
         a responsabilidade de uma infracção à sociedade‑mãe.
      
      Por conseguinte, uma vez que a Comissão dispõe da faculdade, mas não tem a obrigação, de imputar a responsabilidade da infracção
         a uma sociedade‑mãe, quando as condições para tal imputação estão preenchidas, o simples facto de a Comissão não ter procedido
         a tal imputação noutro caso não implica que seja obrigada a efectuar a mesma apreciação na decisão recorrida. Todavia, tal
         imputação está sujeita à fiscalização dos órgãos jurisdicionais da União, aos quais compete verificar se estão reunidas as
         condições para tal imputação.
      
      (cf. n.os 196‑198)
      
      6.      A fundamentação exigida pelo artigo 253.° CE deve ser adaptada à natureza do acto em causa e revelar, de forma clara e inequívoca,
         a argumentação da instituição, autora do acto, por forma a permitir aos interessados conhecer as razões da medida adoptada
         e ao órgão jurisdicional competente exercer a sua fiscalização. Não se exige que a fundamentação especifique todos os elementos
         de facto e de direito pertinentes, na medida em que a questão de saber se a fundamentação de um acto satisfaz as exigências
         do artigo 253.° CE deve ser apreciada à luz não somente da sua redacção, mas também do seu contexto e do conjunto das normas
         jurídicas que regem a matéria em causa.
      
      Quando uma decisão de aplicação do artigo 81.° CE diz respeito a uma pluralidade de destinatários e coloca um problema de
         imputação da infracção, deve conter uma fundamentação suficiente relativamente a cada um dos destinatários, em particular
         aos que, nos termos dessa decisão, vierem a ser responsabilizados pela infracção. Assim, para ser suficientemente fundamentada
         relativamente às sociedades‑mãe das filiais que cometeram a infracção, a decisão da Comissão deve conter uma exposição circunstanciada
         dos fundamentos susceptíveis de justificar a imputação da infracção a essas sociedades.
      
      (cf. n.os 216‑217)
      
      7.      As decisões da Comissão gozam de uma presunção de validade e produzem efeitos jurídicos enquanto não forem anuladas ou revogadas.
         Além disso, a Comissão não é obrigada a suspender o procedimento contra uma sociedade, por infracção às regras da concorrência,
         até à prolação da decisão do Tribunal da União num recurso interposto pela mesma sociedade contra outra decisão que a sancionou
         por outras infracções às regras da concorrência. Com efeito, nenhuma disposição legal impõe à Comissão que suspenda a adopção
         de decisões em processos que têm por objecto factos diferentes.
      
      (cf. n.° 241)
      8.      No âmbito do poder de a Comissão aplicar coimas às empresas que cometam uma infracção ao artigo 81.° CE, em princípio, cabe
         à pessoa singular ou colectiva que dirigia a empresa em causa no momento em que a infracção foi cometida responder pela mesma,
         mesmo que, na data da adopção da decisão que declara provada uma infracção, a exploração da empresa tenha sido colocada sob
         a responsabilidade de outra pessoa. Para efeitos da sua aplicação e execução, as decisões tomadas em aplicação do artigo 81.° CE,
         devem, no entanto, ser dirigidas a entidades dotadas de personalidade jurídica. Assim, quando a Comissão adopta uma decisão
         nos termos do artigo 81.°, n.° 1, CE, deve identificar a ou as pessoas, singulares ou colectivas, que podem ser responsabilizadas
         pelo comportamento da empresa em causa e que podem ser punidas por isso, às quais será dirigida a decisão.
      
      As orientações que a Comissão adopta para calcular o montante das coimas asseguram a segurança jurídica das empresas, uma
         vez que determinam a metodologia que a Comissão impôs para efeitos da fixação do montante das coimas. A Administração europeia
         não se pode afastar dessas orientações, num caso específico, sem apresentar razões compatíveis com o princípio da igualdade
         de tratamento.
      
      Tratando‑se de duas empresas, concretamente uma sociedade‑mãe e a sua filial, que formavam, à época da infracção em causa,
         uma empresa na acepção do artigo 81.° CE, mas que já não existia sob essa forma na data da adopção da decisão que lhes aplica
         uma coima, a Comissão tem o direito, por um lado, em conformidade com o artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003, de
         aplicar uma coima solidariamente a essas duas empresas que devem responder pela infracção em causa, e, por outro, aplicar
         apenas à sociedade‑mãe, nos termos do ponto 30 das orientações para o cálculo das coimas aplicadas ao abrigo do artigo 23.°,
         n.° 2, alínea a), do Regulamento n.° 1/2003, um aumento do montante da base da coima, dado que o seu volume de negócios particularmente
         elevado em comparação com as outras entidades sancionadas à data da adopção da decisão lhe permitia mobilizar mais facilmente
         os fundos necessários para o pagamento de uma coima.
      
      A este respeito, o facto de a coima, imposta, a título de dissuasão, apenas à sociedade‑mãe ser calculada em relação ao montante
         de base da coima aplicada solidariamente às duas sociedades, que inclui já um aumento específico a título de dissuasão, não
         deixa de ser equitativo.
      
      Com efeito, a coima aplicada solidariamente às duas sociedades corresponde ao montante de base da coima que inclui um montante
         adicional calculado em função de uma determinada percentagem do valor das vendas da filial, de acordo com o ponto 25 das orientações,
         «a fim de dissuadir as empresas de participarem até mesmo em acordos horizontais de fixação de preços, de repartição de mercado
         e de limitação de produção».
      
      Em contrapartida, a coima aplicada apenas à sociedade‑mãe que inclui um aumento importante do montante de base da coima visa,
         de acordo com o ponto 30 das referidas orientações, «assegurar que as coimas apresentam um efeito suficientemente dissuasivo»
         para as empresas cujo volume de negócios, para lá das vendas de bens e serviços relacionadas com a infracção, é particularmente
         elevado.
      
      Assim, por um lado, o montante adicional aplicado de acordo com o ponto 25 das orientações, e, por outro, o aumento específico
         aplicado à sociedade‑mãe nos termos do ponto 30 das referidas orientações, dão resposta a dois objectivos distintos de dissuasão,
         que a Comissão pode legitimamente ter em conta na determinação da coima.
      
      (cf. n.os 250‑253, 255‑256, 288‑289)
      
      9.      A Comissão beneficia de um amplo poder de apreciação no que diz respeito ao método de cálculo das coimas e pode, a esse respeito,
         ter em conta múltiplos elementos, entre os quais figura a cooperação das empresas em causa durante a investigação conduzida
         pelos seus serviços. Neste âmbito, cabe à Comissão efectuar apreciações factuais complexas, como as que incidem sobre a cooperação
         respectiva das referidas empresas. No âmbito da apreciação da cooperação por parte dos membros de um cartel, só um erro manifesto
         de apreciação por parte da Comissão pode ser censurado, uma vez que esta última beneficia de uma ampla margem de apreciação
         na avaliação da qualidade e da utilidade da cooperação prestada por uma empresa, nomeadamente em comparação com os contributos
         de outras empresas.
      
      Embora a Comissão tenha a obrigação de expor as razões pelas quais considera que os elementos carreados por empresas nos termos
         da comunicação sobre a cooperação constituem uma contribuição que justifica ou não a redução da coima aplicada, incumbe, por
         sua vez, às empresas que pretendam contestar a decisão da Comissão a este respeito demonstrar que esta, se não fossem os elementos
         dessas informações prestadas voluntariamente por essas empresas, não podia ter provado o essencial da infracção e, portanto,
         não podia ter adoptado uma decisão de aplicação de coimas.
      
      A redução das coimas em caso de cooperação das empresas que participam em infracções ao direito da concorrência, tem o seu
         fundamento na consideração segundo a qual tal cooperação facilita a tarefa da Comissão que visa constatar a existência de
         uma infracção e, eventualmente, pôr‑lhe termo. Atendendo à razão de ser da redução, a Comissão não pode ignorar a utilidade
         da informação fornecida, que depende necessariamente das provas de que já dispõe.
      
      Quando uma empresa, a título da cooperação, se limita a confirmar, de modo menos preciso e explícito, algumas das informações
         já fornecidas por outra empresa a título da cooperação, o grau da cooperação desta empresa, ainda que possa não ser destituído
         de uma certa utilidade para a Comissão, não pode ser considerado comparável ao da cooperação da primeira empresa quando que
         deu as referidas informações. Com efeito, uma declaração que se limite a corroborar, em certa medida, uma declaração já ao
         dispor da Comissão não facilita a sua missão de forma significativa. Portanto, não basta para justificar uma redução da coima
         pela cooperação. Além disso, a colaboração de uma empresa no inquérito não dá origem a uma redução da coima quando essa colaboração
         não ultrapassar o que resulta das obrigações que lhe incumbem por força do artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003.
      
      (cf. n.os 340‑344)
      
      10.    Relativamente à fiscalização exercida pelo Tribunal da União sobre as decisões da Comissão em matéria de concorrência, para
         além da simples fiscalização da legalidade, que só permite negar provimento ao recurso de anulação ou anular o acto impugnado,
         a competência de plena jurisdição conferida, nos termos do artigo 229.° CE, ao Tribunal Geral pelo artigo 31.° do Regulamento
         n.° 1/2003, habilita este Tribunal a alterar o acto impugnado, mesmo sem o anular, tendo em conta todas as circunstâncias
         de facto, a fim de alterar, por exemplo, o montante da coima.
      
      (cf. n.° 379)
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL GERAL (Segunda Secção)
      17 de Maio de 2011 (*)
      
      «Concorrência – Acordos, decisões e práticas concertadas – Mercado do clorato de sódio – Decisão que declara uma infracção ao artigo 81.° CE e ao artigo 53.° do Acordo EEE – Imputabilidade do comportamento ilícito – Direitos de defesa – Dever de fundamentação – Princípio da individualização das penas e das sanções – Princípio da legalidade das penas – Presunção de inocência – Princípio da boa administração – Princípio da segurança jurídica – Desvio de poder – Coimas – Circunstância agravante – Dissuasão – Circunstância atenuante – Cooperação durante o procedimento administrativo – Valor acrescentado significativo»
      No processo T‑299/08,
      Elf Aquitaine SA, com sede em Courbevoie (França), representada por É. Morgan de Rivery e S. Thibault‑Liger, advogados,
      
      recorrente,
      contra
      Comissão Europeia, representada por X. Lewis, É. Gippini Fournier e R. Sauer, na qualidade de agentes,
      
      recorrida,
      que tem por objecto, a título principal, um pedido de anulação da Decisão C (2008) 2626 final da Comissão, de 11 de Junho
         de 2008, relativa a um processo de aplicação do artigo 81.° [CE] e do artigo 53.° do Acordo sobre o Espaço Económico Europeu
         (EEE) (Processo COMP/38.695 – Clorato de sódio), na parte em que a decisão última lhe diz respeito e, a título subsidiário,
         um pedido de anulação ou de redução das coimas que lhe foram aplicadas na referida decisão,
      
      O TRIBUNAL GERAL (Segunda Secção),
      composto por: I. Pelikánová, presidente, K. Jürimäe (relator) e S. Soldevila Fragoso, juízes,
      secretário: C. Kristensen, administradora,
      vistos os autos e após a audiência de 2 de Junho de 2010,
      profere o presente
      Acórdão
       Antecedentes do litígio
      1        Através da Decisão C (2008) 2626 final, de 11 de Junho de 2008, relativa a um processo de aplicação do artigo 81.° [CE] e
         do artigo 53.° do Acordo sobre o Espaço Económico Europeu (EEE) (Processo COMP/38.695 – Clorato de sódio, a seguir «decisão
         recorrida»), a Comissão das Comunidades Europeias sancionou, dentre outras empresas, a recorrente, a Elf Aquitaine SA, que
         era, até 2006, a sociedade‑mãe da Arkema France (anteriormente Atochem SA, depois Atofina SA e Arkema SA), pela sua participação
         num conjunto de acordos e de práticas concertadas relativos ao mercado do clorato de sódio no EEE, durante o período compreendido
         entre 11 de Maio de 1995 e 9 de Fevereiro de 2000, no que se refere à Arkema France e à recorrente (considerandos 12 a 15
         e artigo 1.° da decisão recorrida).
      
      2        O clorato de sódio é um agente oxidante forte obtido através da electrólise de uma solução aquosa de cloreto de sódio numa
         célula sem diafragma. O clorato de sódio pode ser produzido sob uma forma cristalizada ou em solução. É principalmente aplicado
         no fabrico de dióxido de cloro e é utilizado na indústria da pasta de papel e do papel para o branqueamento da pasta química.
         As suas outras aplicações dizem respeito, numa medida bem menor, à purificação de água potável, ao branqueamento têxtil, aos
         herbicidas e à refinação do urânio (considerando 2 da decisão recorrida).
      
      3        As principais concorrentes no mercado do clorato de sódio, no EEE, eram, em 1999, as seguintes empresas. Em primeiro lugar,
         a EKA Chemicals AB (a seguir «EKA»), cujo capital social era totalmente detido pelo grupo Akzo Nobel, possuía uma quota de
         49% do referido mercado. A Finnish Chemicals Oy, cujo capital social era indirecta e totalmente detido pela Erikem Luxembourg
         SA (a seguir «ELSA»), possuía, por seu lado, uma quota de 30% do referido mercado. A seguir, a Arkema France, cujos 97, 55%
         do capital social eram detidos pela recorrente, de 1992 a 2000, possuía uma quota de 9% desse mercado. Finalmente, a Aragonesas
         Industrias y Energia SAU (a seguir «Aragonesas»), cuja totalidade ou a maior parte do capital social era detido pela Uralita
         SA, dispunha, à semelhança da Solvay SA/NV, de uma quota de 5% desse mercado, enquanto que outros produtores dispunham cumulativamente
         de uma quota de 2% do referido mercado (considerandos 13, 14, 25 a 30, 42 e 46 da decisão recorrida).
      
      4        Em 28 de Março de 2003, a EKA apresentou à Comissão um pedido de imunidade, ao abrigo da Comunicação da Comissão, de 19 de
         Fevereiro de 2002, relativa à imunidade em matéria de coimas e à redução do seu montante nos processos relativos a cartéis
         (JO C 45, p. 3, a seguir «Comunicação de 2002 sobre a cooperação»), referente à existência de um acordo no mercado do clorato
         de sódio (a seguir «acordo»). A EKA apoiou o referido pedido com provas documentais e uma declaração oral (considerandos 54
         e 55 da decisão recorrida).
      
      5        Em 30 de Setembro de 2003, a Comissão adoptou uma decisão que concedia imunidade condicional em matéria de coimas à EKA, em
         conformidade com o n.° 15 da Comunicação de 2002 sobre a cooperação (considerando 55 da decisão recorrida).
      
      6        Em 10 de Setembro de 2004, a Comissão enviou pedidos de informações à Finnish Chemicals, à Arkema France e à Aragonesas, em
         conformidade com o artigo 18.°, n.° 2, do Regulamento (CE) n.° 1/2003 do Conselho, de 16 de Dezembro de 2002, relativo à execução
         das regras de concorrência estabelecidas nos artigos 81.° [CE] e 82.° [CE] (JO L 1, p. 1) (considerando 56 da decisão recorrida).
      
      7        Em 18 de Outubro de 2004, a Arkema France apresentou, na sua resposta ao pedido de informações da Comissão, referido no n.° 6
         supra, um pedido ao abrigo da Comunicação de 2002 sobre a cooperação (considerando 57 da decisão recorrida).
      
      8        Em 29 de Outubro de 2004, a Finnish Chemicals apresentou na Comissão um pedido ao abrigo da Comunicação de 2002 sobre a cooperação
         e forneceu‑lhe oralmente informações relativas ao acordo. A Finnish Chemicals confirmou o referido pedido por correspondência
         de 2 de Novembro de 2004 e forneceu simultaneamente provas documentais relativas à sua participação na infracção em causa
         (considerando 58 da decisão recorrida).
      
      9        A partir de 4 de Novembro de 2004, a Comissão enviou pedidos de informações, em conformidade com o artigo 18.°, n.° 2, do
         Regulamento n.° 1/2003, nomeadamente, à Arkema France, à Aragonesas, à EKA e à Finnish Chemicals. Reuniu‑se, igualmente, com
         estas duas últimas. Quanto à recorrente, a Comissão enviou‑lhe um pedido de informações, pela primeira vez, em 11 de Abril
         de 2008 (considerandos 59 a 65 da decisão recorrida).
      
      10      Por carta de 11 de Julho de 2007, a Comissão informou a Arkema France da sua intenção de rejeitar o seu pedido apresentado
         ao abrigo da Comunicação de 2002 sobre a cooperação (considerando 563 da decisão recorrida).
      
      11      Por carta do mesmo dia, a Comissão informou, igualmente, a Finnish Chemicals da sua intenção de conceder a esta empresa, em
         conformidade com Comunicação de 2002 sobre a cooperação, uma redução de 30 a 50% do montante da coima a que a mesma estava
         sujeita (considerando 583 da decisão recorrida).
      
      12      Em 27 de Julho de 2007, a Comissão adoptou uma comunicação de acusações cujos destinatários eram, para além da recorrente,
         a EKA, a Akzo Nobel NV, a Finnish Chemicals, a ELSA, a Arkema France, a Aragonesas e a Uralita. Estas responderam‑lhe no prazo
         fixado (considerandos 66 e 67 da decisão recorrida).
      
      13      Em 20 de Novembro de 2007, a Arkema France e a recorrente, nomeadamente, exerceram o seu direito de ser ouvidas, numa audição
         perante o Auditor (considerando 68 da decisão recorrida).
      
      14      Em 11 de Junho de 2008, a Comissão adoptou a decisão recorrida, que foi notificada à recorrente no dia 16 de Junho de 2008.
         
      
      15      Na decisão recorrida, a Comissão salienta, no essencial, que a Arkema France, a EKA, a Finnish Chemicals e a Aragonesas seguiram
         uma estratégia de estabilização do mercado do clorato de sódio, cuja última finalidade consistia em repartir entre si os volumes
         de venda do produto, em coordenar a política de fixação dos preços relativamente aos seus clientes e, dessa forma, em optimizar
         as suas margens. O funcionamento do acordo assentava em contactos frequentes entre as concorrentes sob a forma de reuniões
         bilaterais ou multilaterais e de conversas telefónicas, sem contudo seguir um esquema predefinido. De acordo com a Comissão,
         estas práticas colusórias ocorreram a partir de 21 de Setembro de 1994, no que se refere à EKA e à Finnish Chemicals, a partir
         de 17 de Maio de 1995, no que se refere à Arkema France, a partir de 16 de Dezembro de 1996, no que se refere à Aragonesas,
         e a partir de 13 de Fevereiro de 1997, no que se refere à ELSA. As referidas práticas perduraram até 9 de Fevereiro de 2000,
         pelo menos, no que diz respeito à Arkema France, à EKA, à Finnish Chemicals e à Aragonesas (considerandos 69 a 71 da decisão
         recorrida).
      
      16      No que se refere, em particular, ao comportamento ilícito da Arkema France, a Comissão salienta que os factos expostos na
         decisão recorrida demonstram que esta participou directamente nas práticas anticoncorrenciais em causa. A Comissão salienta,
         igualmente, que, durante todo o período da infracção, a recorrente detinha mais de 97% do capital social da Arkema France.
         Por esta razão, a Comissão considera que é razoável pensar que esta se devia conformar com política definida pela sua sociedade‑mãe
         e que a mesma não podia, portanto, actuar de maneira autónoma. A Comissão conclui consequentemente que é possível presumir
         que a recorrente exerceu uma influência determinante sobre a Arkema France, o que é corroborado por indícios suplementares
         que a mesma enumera (considerandos 384 e 386 da decisão recorrida). 
      
      17      No que se refere ao cálculo do montante da coima aplicada, nomeadamente, à Arkema France e à recorrente, a Comissão baseou‑se
         nas Orientações para o cálculo das coimas aplicadas nos termos do n.° 2, alínea a), do artigo 23.° do Regulamento n.° 1/2003
         (JO 2006, C 210, p. 2, a seguir «orientações») (considerando 498 da decisão recorrida).
      
      18      Em primeiro lugar, a Comissão indica que, para determinar o montante de base da coima aplicada à Arkema France, deve ser tomado
         em consideração um montante correspondente a 19% do valor das vendas dos produtos afectados pelo acordo em causa. Por um lado,
         na medida em que a Arkema France participou na infracção durante quatro anos e oito meses, pelo menos, a Comissão considera
         que esse montante deveria ser multiplicado por cinco para ter em conta a duração da infracção. Por outro, a fim de dissuadir
         as empresas em causa, e nomeadamente, a Arkema France, de participarem em acordos horizontais de fixação de preços, a Comissão
         considera necessário aplicar um montante adicional de coima correspondente a 19% do valor das referidas vendas. Daí a mesma
         conclui que deve ser aplicada, conjunta e solidariamente, à Arkema France e à recorrente uma coima de 22 700 000 euros (considerandos
         510 e 521 a 523 da decisão recorrida).
      
      19      Além disso, no que diz respeito aos ajustamentos do montante de base da coima, a Comissão sublinha, a título de circunstâncias
         agravantes, que já tinha, à data da adopção da decisão recorrida, punido a Arkema France em três decisões, nas quais esta
         última foi considerada responsável por actividades colusórias precedentes. Por um lado, a Comissão considera, no essencial,
         que o comportamento reincidente da Arkema France justifica que lhe seja aplicado um aumento de 90% do montante de base da
         coima. Por outro, a Comissão não assinale nenhuma circunstância atenuante a favor da Arkema France ou da recorrente que justifique
         uma redução de coima. Em particular, a Comissão considera que, tendo em conta todos os factos em causa, «nenhuma circunstância
         excepcional» é susceptível de justificar a concessão, à Arkema France, de uma redução da coima fora do âmbito de aplicação
         da Comunicação de 2002 sobre a cooperação (considerandos 525, 526, 538 e 544 da decisão recorrida). 
      
      20      Em seguida, a Comissão indica, no essencial, que, para se assegurar que as coimas tenham um efeito suficientemente dissuasor,
         e tendo em conta o facto de a recorrente ter um volume de negócios particularmente elevado, para além das vendas de bens às
         quais a infracção se refere e, finalmente, de aquele ultrapassar em muito, em termos absolutos, o volume de negócios das outras
         empresas em causa, lhe deve ser aplicado um aumento de 70% sobre o montante de base da coima (considerandos 545, 548 e 559
         da decisão recorrida).
      
      21      Por outro lado, a Comissão constata que as coimas a que a Arkema France e a recorrente, em particular, devem ser sujeitas
         são inferiores a 10% dos seus respectivos volumes de negócios totais em 2007 e que as coimas que lhes podem ser impostas antes
         da aplicação da Comunicação de 2002 sobre a cooperação ascendem, por um lado, para a Arkema France, a 43 130 000 euros e,
         por outro, para a recorrente, a 38 590 000 euros (considerandos 551 e 552 da decisão recorrida).
      
      22      Finalmente, a Comissão considera que a Arkema France não deve beneficiar de qualquer redução de coima ao abrigo da Comunicação
         de 2002 sobre a cooperação, uma vez que os elementos de informação que esta lhe forneceu não proporcionaram nenhum valor acrescentado
         significativo, na acepção do ponto 21 da referida Comunicação. Em contrapartida, a Comissão considera que a Finnish Chemicals
         lhe forneceu elementos de prova de um valor acrescentado significativo, na acepção do ponto 21 dessa mesma Comunicação. A
         Comissão concedeu‑lhe, em consequência, uma redução de 50% do montante da coima que, de outro modo, lhe teria sido aplicada
         (considerandos 580, 588 e 591 da decisão recorrida). 
      
      23      Os artigos 1.° e 2.° do dispositivo da decisão recorrida têm a seguinte redacção:
      
      «Artigo 1.°
      As seguintes empresas violaram o artigo 81.° CE e o artigo 53.° do Acordo EEE, ao participarem, durante os períodos indicados,
         num conjunto de acordos e de práticas concertadas com o fim de repartir entre si os volumes de vendas, de fixar os preços,
         de trocar informações comercialmente sensíveis sobre os preços e os volumes de venda e de monitorizar a execução dos acordos
         anticoncorrenciais sobre o clorato de sódio no mercado do EEE:
      
      a)      [EKA], de 21 de Setembro de 1994 a 9 de Fevereiro de 2000;
      b)      Akzo Nobel [...], de 21 de Setembro de 1994 a 9 de Fevereiro de 2000;
      c)      Finnish Chemicals […], de 21 de Setembro de 1994 a 9 de Fevereiro de 2000;
      d)      [ELSA], de 13 de Fevereiro de 1997 a 9 de Fevereiro de 2000; 
      e)      Arkema France […], de 17 de Maio de 1995 a 9 de Fevereiro de 2000; 
      f)      [a recorrente], de 17 de Maio de 1995 a 9 de Fevereiro de 2000; 
      g)      Aragonesas […], de 16 de Dezembro de 1996 a 9 de Fevereiro de 2000; 
      h)      Uralita […], de 16 de Dezembro de 1996 a 9 de Fevereiro de 2000; 
      Artigo 2.°
      São aplicadas as seguintes coimas relativamente à infracção referida no artigo 1.°:
      a)      à EKA […] e à Akzo Nobel […], conjunta e solidariamente: 0 euros;
      b)      à Finnish Chemicals […]: 10 150 000 euros, dos quais, conjunta e solidariamente com a [ELSA] (em liquidação): 50 900 euros;
      c)      à Arkema France […] e [à recorrente], conjunta e solidariamente: 22 700 000 euros;
      d)      à Arkema France […]: 20 430 000 euros;
      e)      à recorrente: 15 890 000 euros; 
      f)      à Aragonesas […] e à Uralita […],conjunta e solidariamente: 9 900 000 euros.
      […]»
      24      No artigo 3.° do dispositivo da decisão recorrida, a Comissão ordena às empresas referidas no artigo 1.° da mesma decisão,
         por um lado, que ponham fim, se ainda não o tiverem feito, à infracção em causa e, por outro, que se abstenham de qualquer
         acto ou comportamento conforme descrito no artigo 1.° da referida decisão, bem como de qualquer acto ou comportamento com
         um fim ou efeitos idênticos ou semelhantes.
      
      25      O artigo 4.° do dispositivo da decisão recorrida enumera os destinatários da decisão recorrida, que são as empresas referidas
         no seu artigo 1.°
      
       Tramitação processual e pedidos das partes
      26      Por petição entrada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 1 de Agosto de 2008, a recorrente interpôs o presente
         recurso.
      
      27      Com base no relatório do juiz‑relator, o Tribunal Geral (Segunda Secção) decidiu dar início à fase oral do processo. O Tribunal
         colocou algumas questões à recorrente e à Comissão. O Tribunal solicitou, igualmente, a esta última a apresentação de alguns
         documentos. À excepção da transcrição do pedido oral de imunidade da EKA, que a Comissão recusou apresentar, as partes responderam
         a estes pedidos no prazo fixado. 
      
      28      Foram ouvidas as alegações das partes e as suas respostas às perguntas orais colocadas pelo Tribunal na audiência de 2 de
         Junho de 2010.
      
      29      Por despacho de 11 de Junho de 2010, Elf Aquitaine/Comissão (T‑299/08, ainda não publicado na Colectânea), o Tribunal ordenou,
         por um lado, que a Comissão apresentasse a transcrição do pedido oral de imunidade da EKA e, por outro, autorizou que esse
         documento fosse consultados pelos advogados da recorrente na Secretaria do Tribunal Geral. A Comissão apresentou, dentro do
         prazo fixado, esse documento, que os advogados da recorrente consultaram na Secretaria do Tribunal Geral. Em resposta a uma
         questão escrita do Tribunal, a recorrente indicou que, apesar de não estar em condições de confirmar a identidade desse documento
         com aquele ao qual lhe havia sido dado acesso no quadro do procedimento administrativo na Comissão, não tinha qualquer razão
         para duvidar que se tratava do mesmo documento.
      
      30      A fase oral do processo terminou em 16 de Julho de 2010.
      
      31      A recorrente conclui pedindo que o Tribunal Geral se digne:
      
      –        a título principal, anular, com base no artigo 230.° CE, a decisão recorrida, na parte em que esta última lhe diz respeito;
         
      
      –        a título subsidiário, anular ou reduzir, com base no artigo 229.° CE, o montante das coimas que lhe foram aplicadas no artigo
         2.°, alíneas c) e e), da decisão recorrida;
      
      –        em qualquer caso, condenar a Comissão nas despesas.
      32      A Comissão conclui pedindo que o Tribunal Geral se digne: 
      
      –        negar provimento ao recurso;
      –        condenar a recorrente nas despesas.
       Questão de direito
      1.     Quanto aos pedidos, formulados a título principal, em que se pede a anulação da decisão recorrida
      33      No seu pedido de anulação da decisão recorrida, na parte em que esta lhe diz respeito, a recorrente invoca dez fundamentos.
         O primeiro fundamento é relativo à violação das regras que regem a imputação da responsabilidade por uma infracção dentro
         de grupos de sociedades. O segundo fundamento é relativo à violação de seis princípios fundamentais, em resultado da imputação
         que lhe foi feita da responsabilidade pelo comportamento ilícito em causa. O terceiro fundamento é relativo à desvirtuação
         do conjunto de indícios apresentado pela recorrente. O quarto fundamento é relativo a uma fundamentação contraditória na decisão
         recorrida. O quinto fundamento é relativo à violação do princípio da boa administração. O sexto fundamento é relativo à violação
         do princípio da segurança jurídica. O sétimo fundamento é relativo a um desvio de poder. O oitavo fundamento é relativo à
         falta de fundamento para a aplicação de uma coima que lhe foi aplicada a título individual. O nono fundamento é relativo à
         violação dos princípios e das regras que determinam o cálculo da coima aplicada solidariamente à Arkema France e à própria
         recorrente. O décimo fundamento é relativo à violação das disposições da Comunicação de 2002 sobre a cooperação.
      
       Quanto ao primeiro fundamento, relativo a uma violação das regras que regem a imputação da responsabilidade por uma infracção
            dentro de grupos de sociedades
      34      O primeiro fundamento da recorrente, segundo o qual a Comissão violou, na decisão recorrida, as regras que regem a imputação
         da responsabilidade por uma infracção dentro de grupos de sociedades, divide‑se em cinco partes. 
      
       Quanto à primeira parte, relativa a um erro de direito cometido na imputação da responsabilidade pelo comportamento ilícito
         em causa à recorrente 
      
      –       Argumentos das partes
      35      A recorrente sustenta, no essencial, que a Comissão cometeu um erro de direito, ao considerar, no considerando 369 da decisão
         recorrida, que não era obrigada a corroborar através de elementos concretos a presunção segundo a qual, no essencial, uma
         sociedade‑mãe que detém a totalidade do capital social da sua filial, exerce efectivamente uma influência determinante sobre
         esta última (a seguir «presunção de exercício de uma influência determinante»).
      
      36      Em primeiro lugar, resulta, tanto de uma abundante jurisprudência como da prática decisória anterior da Comissão, que lhe
         compete corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante através de indícios concretos que comprovem a referida
         influência. Estes indícios deveriam demonstrar, ou que a sociedade‑mãe estava implicada na infracção, ou que a mesma tinha
         dela conhecimento, ou ainda que a organização interna do grupo lhe permitia intervir concretamente na política comercial da
         sua filial. Em especial, a recorrente sustenta que a Comissão, durante quase quarenta anos antes da adopção da Decisão C (2004)
         4876 final, de 19 de Janeiro de 2005, relativa a um procedimento nos termos do artigo 81.° [CE] e do artigo 53.° do Acordo
         EEE (Processo COMP/E‑1/37.773 – AMCA) (JO 2006, L 353, p. 12, a seguir «decisão AMCA»), tomava em consideração indícios concretos
         que corroboravam a presunção de exercício de uma influência determinante. Precisa igualmente que, no considerando 574 da Decisão
         da Comissão de 1 de Outubro de 2008 relativa a um processo de aplicação do artigo 81.° [CE] e do artigo 53.° do Acordo EEE
         (COMP/C.39181 – Cera para velas) (JO 2009, C 295, p. 17, a seguir «decisão Cera para velas»), a Comissão reconheceu que, antes
         de 2005, não imputava a responsabilidade por uma infracção à uma sociedade‑mãe sem apresentar indícios concretos que corroborassem
         a presunção do exercício de influência determinante.
      
      37      Em segundo lugar, a recorrente observa que, na Decisão de 10 de Dezembro de 2003, relativa a um processo de aplicação do artigo
         81.° [CE] e do artigo 53.° do Acordo EEE (Processo COMP/E‑2/37.857 – Peróxidos orgânicos) (JO 2005, L 110, p. 44, a seguir
         «decisão Peróxidos orgânicos»), a Comissão não imputou a responsabilidade da infracção sancionada nessa decisão à recorrente,
         tendo considerado que a Arkema France era plenamente autónoma no mercado.
      
      38      Em terceiro lugar, a recorrente sustenta, no essencial, que a obrigação de a Comissão apresentar indícios suplementares que
         corroborem a presunção de exercício de uma influência determinante no quadro da aplicação do artigo 81.° CE é reforçada pela
         jurisprudência relativa à imputação ao Estado de uma medida adoptada por uma empresa pública no domínio dos auxílios de Estado.
         Remete, a esse respeito, para o acórdão do Tribunal de Justiça de 16 de Maio de 2002, França/Comissão (C‑482/99, Colect.,
         p. I‑4397), e para o acórdão do Tribunal Geral de 26 de Junho de 2008, SIC/Comissão (T‑442/03, Colect., p. II‑1161). Segundo
         a recorrente, de acordo com o artigo 295.° CE, um accionista privado de um grupo de sociedades não pode, em nome do princípio
         da igualdade de tratamento, ser tratado menos favoravelmente do que um accionista público.
      
      39      Em quarto lugar, a recorrente alega que a apreciação da Comissão, constante do considerando 369 da decisão recorrida, segundo
         a qual não competia a esta última corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante através de indícios suplementares
         que provassem o controlo exercido por uma sociedade‑mãe sobre a sua filial, opõe‑se às soluções adoptadas na maior parte dos
         Estados‑Membros da União, como a Bélgica, a França, a Itália e o Reino Unido, bem como nos Estados Unidos, cuja influência
         sobre o direito comunitário da concorrência é inegável. Por um lado, em todos estes Estados, as autoridades nacionais da concorrência
         recorriam a um conjunto de indícios visando determinar o comportamento autónomo de uma filial relativamente à sua sociedade‑mãe.
         Por outro, se é verdade que a Comissão não está vinculada pelas soluções adoptadas pelas autoridades nacionais da concorrência
         dos Estados‑Membros, a Comissão devia, no entanto, tê‑las em consideração, atendendo aos mecanismos de cooperação reforçada
         que regem as suas relações com as referidas autoridades no âmbito da Rede Europeia da Concorrência. 
      
      40      A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      41      Antes de mais, deve salientar‑se que, depois de ter recordado, nos considerandos 369 a 372 da decisão recorrida, a jurisprudência
         relativa à imputação do comportamento ilícito de uma filial à sua sociedade‑mãe, a Comissão constata, nos considerandos 386
         e 387 da referida decisão, o seguinte:
      
      «(386) Durante todo o período de infracção, [a recorrente] deteve mais de 97% das acções da [Arkema France]. Tendo em conta
         o facto de, em tais circunstâncias, ser razoável pensar que a filial se deverá conformar com a política definida pela sua
         sociedade‑mãe (não podendo, portanto, actuar de forma autónoma) e que a sociedade‑mãe não encontrará qualquer obstáculo no
         momento de definir essa política para a sua filial, pode presumir‑se [que a recorrente] exerceu uma influência determinante
         sobre a [Arkema France]. Existem, além disso, outros elementos que corroboram a presunção de que a influência exercida pela
         [recorrente] foi, na verdade, determinante. Para começar, todos os membros do conselho de administração da [Arkema France]
         eram nomeados pela [recorrente]. Por outro lado, entre 1994 e 1999, [P.] foi, ao mesmo tempo, membro do comité de direcção
         geral da [Arkema France] e da [recorrente] e membro do conselho de administração da [Arkema France]. O mesmo ocorria com [I.],
         que foi membro do conselho de administração da [Arkema France] entre 1994 e 1998 e do comité de direcção geral da [recorrente]
         entre 1994 e 1997. Do mesmo modo, [W.] pertencia ao conselho de administração da [Arkema France] entre 1994 e 1999 e foi nomeado
         para o comité de direcção geral da [recorrente] em 1999. Além disso, várias outras pessoas, tal como [D.] (1994‑2000) e [R.]
         (1994‑1997), foram simultaneamente membros dos conselhos de administração da [Arkema France] e da [recorrente]. Atendendo
         às diversas sobreposições de pessoal entre os órgãos de direcção e de controlo da [Arkema France], cujos membros (no que respeita
         aos órgãos de direcção) tinham sido nomeados e – cabe supô‑lo – poderiam ter sido demitidos pela [recorrente], é evidente
         que esta última estava informada de todas as decisões tomadas pela [Arkema France] e podia influenciá‑las a todo o momento.
         Acresce que, não existia qualquer outro accionista importante susceptível de exercer influência sobre a política comercial
         da filial.
      
      (387) Tendo em conta a presunção decorrente da participação da [recorrente] na [Arkema France] à data da infracção (superior
         a 97%) e os vínculos organizacionais, a Comissão considera que [a recorrente] exerceu uma influência determinante sobre o
         comportamento da sua filial [Arkema France].»
      
      42      Além disso, nos considerandos 396 a 415 da decisão recorrida, a Comissão rejeita os argumentos invocados pela Arkema France
         e pela recorrente nas suas observações em resposta à comunicação de acusações e que visavam contestar a imputação da responsabilidade
         pela infracção em causa à recorrente. 
      
      43      Resulta, portanto, dos fundamentos da decisão recorrida que são expostos nos n.os 41 e 42 supra, que a Comissão imputou a responsabilidade pela infracção em causa à recorrente com base na presunção segundo a qual uma
         sociedade‑mãe que detém mais de 97% do capital social da sua filial exerce uma influência determinante sobre a mesma. A Comissão
         considerou, igualmente, por um lado, que essa presunção era corroborada por indícios suplementares que a mesma tinha exposto
         na decisão recorrida e, por outro, que os argumentos apresentados pela Arkema France e pela recorrente nas suas observações
         em resposta à comunicação de acusações não permitiam ilidir a referida presunção. 
      
      44      Cabe, portanto, examinar se, como sustenta a recorrente, a Comissão cometeu um erro de direito, ao concluir que a detenção,
         por aquela, de mais de 97% do capital social da Arkema France bastava, por si só, para lhe imputar a responsabilidade pela
         infracção em causa.
      
      45      No seu acórdão de 10 de Setembro de 2009, Akzo Nobel e o./Comissão (C‑97/08 P, Colect., p. I‑8237, n.° 54), o Tribunal de
         Justiça lembrou que o direito comunitário da concorrência visava as actividades das empresas (acórdão de 7 de Janeiro de 2004,
         Aalborg Portland e o./Comissão, C‑204/00 P, C‑205/00 P, C‑211/00 P, C‑213/00 P, C‑217/00 P e C‑219/00 P, Colect., p. I‑123,
         n.° 59) e que o conceito de empresa abrangia qualquer entidade que exerça uma actividade económica, independentemente do estatuto
         jurídico dessa entidade e do seu modo de financiamento (acórdãos do Tribunal de Justiça de 28 de Junho de 2005, Dansk Rørindustri
         e o./Comissão, C‑189/02 P, C‑202/02 P, C‑205/02 P a C‑208/02 P e C‑213/02 P, Colect., p. I‑5425, n.° 112; de 10 de Janeiro
         de 2006, Cassa di Risparmio di Firenze e o., C‑222/04, Colect., p. I‑289, n.° 107; e de 11 de Julho de 2006, FENIN/Comissão,
         C‑205/03 P, Colect., p. I‑6295, n.° 25).
      
      46      O Tribunal de Justiça precisou igualmente que o conceito de empresa, inserido nesse contexto, devia ser entendido como designando
         uma unidade económica, mesmo que, do ponto de vista jurídico, essa unidade económica seja constituída por várias pessoas singulares
         ou colectivas (v. acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 55 e jurisprudência referida).
      
      47      Quando uma tal entidade económica infringe as regras da concorrência, incumbe‑lhe, de acordo com o princípio da responsabilidade
         pessoal, responder por essa infracção (v. acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 56 e a jurisprudência referida).
      
      48      A infracção ao direito comunitário da concorrência deve ser imputada sem equívoco a uma pessoa jurídica, à qual poderão ser
         aplicadas coimas, e a comunicação das acusações deve ser dirigida a esta última. É igualmente importante que a comunicação
         das acusações indique em que qualidade essa pessoa jurídica é acusada dos factos alegados (v. acórdão Akzo Nobel e o./Comissão,
         n.° 45 supra, n.° 57 e jurisprudência referida).
      
      49      Resulta de jurisprudência assente, que o comportamento de uma filial pode ser imputado à sociedade‑mãe quando, designadamente,
         embora tendo uma personalidade jurídica distinta, esta filial não determine de forma autónoma o seu comportamento no mercado,
         mas aplique, no essencial, as instruções que lhe são dadas pela sociedade‑mãe, atendendo, em especial, aos vínculos económicos,
         organizacionais e jurídicos que unem essas duas entidades jurídicas (v. acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 58 e jurisprudência referida). 
      
      50      Com efeito, é assim porque, nessa situação, a sociedade‑mãe e a sua filial fazem parte de uma mesma unidade económica e, portanto,
         formam uma única empresa, na acepção da jurisprudência mencionada nos n.os 45 e 46 supra. Assim, o facto de uma sociedade‑mãe e a sua filial constituírem uma única empresa, na acepção do artigo 81.° CE, permite
         à Comissão dirigir à sociedade‑mãe uma decisão que aplica coimas, sem que seja necessário demonstrar a implicação pessoal
         desta última na infracção (acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 59 e jurisprudência referida).
      
      51      No caso especial de uma sociedade‑mãe que detém 100% do capital social da sua filial que cometeu uma infracção às regras de
         direito comunitário da concorrência, por um lado, essa sociedade‑mãe pode exercer uma influência decisiva no comportamento
         dessa filial e, por outro, existe uma presunção ilidível de que a referida sociedade‑mãe exerce efectivamente uma influência
         decisiva no comportamento da sua filial (acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 60 e jurisprudência referida).
      
      52      Nestas circunstâncias, basta que a Comissão prove que a totalidade do capital social de uma filial é detida pela sua sociedade‑mãe
         para se presumir que esta exerce uma influência decisiva na política comercial dessa filial. A Comissão pode, em seguida,
         considerar que a sociedade‑mãe é solidariamente responsável pelo pagamento da coima aplicada à sua filial, a menos que essa
         sociedade‑mãe, a quem incumbe ilidir essa presunção, apresente elementos de prova suficientes susceptíveis de demonstrar que
         a sua filial se comporta de forma autónoma no mercado (v. acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 61 e jurisprudência referida).
      
      53      Apesar de o Tribunal de Justiça ter evocado, no seu acórdão de 16 de Novembro de 2000, Stora Kopparbergs Bergslags/Comissão
         (C‑286/98 P, Colect., p. I‑9925, n.os 28 e 29), para além da detenção de 100% do capital social da filial, outras circunstâncias, tais como a não contestação da
         influência exercida pela sociedade‑mãe na política comercial da sua filial e a representação comum das duas sociedades durante
         o procedimento administrativo, não é menos verdade que tais circunstâncias foram referidas pelo Tribunal de Justiça apenas
         com o objectivo de expor todos os elementos nos quais o Tribunal de Primeira Instância tinha baseado o seu raciocínio, e não
         para subordinar a aplicação da referida presunção à produção de indícios suplementares relativos ao exercício efectivo de
         uma influência pela sociedade‑mãe (v. acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 62 e jurisprudência referida).
      
      54      Resulta de todas estas considerações que, quando uma sociedade‑mãe detém 100% do capital social da sua filial, existe uma
         presunção ilidível segundo a qual essa sociedade‑mãe exerce uma influência determinante no comportamento da sua filial (v.
         acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 63 e jurisprudência referida)
      
      55      Resulta, além disso, da jurisprudência do Tribunal que, se uma sociedade‑mãe detém a quase totalidade do capital social da
         sua filial, é legítimo concluir com razoabilidade que a referida filial não determina de forma autónoma o seu comportamento
         no mercado e que a mesma forma, por conseguinte, com a sua sociedade‑mãe, uma mesma empresa na acepção do artigo 81.° CE (v.,
         nesse sentido, acórdão do Tribunal Geral de 30 de Setembro de 2003, Michelin/Comissão, T‑203/01, Colect., p. II‑4071, n.° 290
         e jurisprudência referida).
      
      56      No caso em apreço, deve observe‑se, por um lado, que a recorrente não contesta, como salientou a Comissão, no considerando
         386 da decisão recorrida, que detinha mais de 97% do capital social da Arkema France à época dos factos em causa e, mais precisamente,
         que detinha 97, 55% da mesma, como foi constatado no considerando 13 da decisão recorrida. Por outro, apesar de a recorrente
         sustentar que a inexistência de outro accionista, para além de si própria, no capital social da Arkema France não ser susceptível
         de corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante, a mesma não apresenta contudo nenhum argumento susceptível
         de pôr em causa a apreciação da Comissão, constante do considerando 396 da decisão recorrida, segundo a qual a detenção por
         uma sociedade‑mãe da quase totalidade do capital social da sua filial é equiparável à detenção da totalidade do referido capital,
         uma vez que, em princípio, «os accionistas minoritários não gozam, nesse caso, de nenhum direito especial, para além da sua
         simples participação nos lucros da filial». 
      
      57      Por conseguinte, foi com razão que, de acordo com a jurisprudência exposta nos n.os 45 a 55 supra, a Comissão, na decisão recorrida, presumiu que a recorrente exercia uma influência determinante sobre a Arkema France, com
         base na constatação de que aquela detinha a quase totalidade do seu capital social.
      
      58      Nenhum dos argumentos apresentados pela recorrente infirma esta conclusão.
      
      59      Em primeiro lugar, quanto aos argumentos segundo os quais, por um lado, resulta tanto da jurisprudência como da prática decisória
         da Comissão anterior à adopção da decisão AMCA, que a Comissão é obrigada a corroborar a presunção de exercício de uma influência
         determinante através de indícios concretos, estes devem ser julgados improcedentes. Com efeito, como resulta dos n.os 45 a 55 supra, foi de acordo com jurisprudência assente que o Tribunal de Justiça recordou, no acórdão Akzo Nobel e o./Comissão (n.° 46
         supra), que a Comissão não estava obrigada a corroborar a referida presunção através de indícios suplementares. Além disso, ainda
         que, como a Comissão indicou na sua decisão Cera para velas, a sua prática decisória anterior à adopção da decisão AMCA tivesse
         consistido em corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante através de indícios suplementares, tal constatação
         não pode ter qualquer incidência sobre a conclusão, enunciada no n.° 57 supra, segundo a qual era legítimo que a Comissão, na decisão recorrida, se baseasse unicamente, de acordo com a jurisprudência
         exposta nos n.os 48 a 58 supra, na detenção, pela recorrente, da quase totalidade do capital social da Arkema France, para presumir que aquela exercia sobre
         esta última uma influência determinante. 
      
      60      Em segundo lugar, deve julgar‑se improcedente o argumento segundo o qual, a Comissão cometeu um erro de direito ao imputar
         a responsabilidade do comportamento ilícito em causa à recorrente, quando não procedeu a tal imputação na decisão Peróxidos
         orgânicos. Por um lado, na medida em que, como resulta dos n.os 46 a 56 supra, foi com base numa interpretação correcta do conceito de empresa na acepção do artigo 81.°, n.° 1, CE, que a Comissão imputou
         a responsabilidade da infracção em causa à recorrente na decisão recorrida, o simples facto de a Comissão não ter procedido
         a tal imputação numa decisão anterior em que a Arkema France foi objecto de sanção não é passível de pôr em causa a legalidade
         da decisão recorrida a esse respeito. Por outro, dado que a Comissão dispõe da faculdade, mas não tem a obrigação, de imputar
         a responsabilidade da infracção a uma sociedade‑mãe (v., nesse sentido, acórdão do Tribunal de Justiça de 24 de Setembro de
         2009, Erste Group Bank e o./Comissão, C‑125/07 P, C‑133/07 P, C‑135/07 P, Colect., p. I‑8681, n.° 82, e acórdão do Tribunal
         Geral de 14 de Dezembro de 2006, Raiffeisen Zentralbank Österreich e o./Comissão, T‑259/02 a T‑264/02 e T‑271/02, Colect.,
         p. II‑5169, n.° 331), o simples facto de a Comissão não ter procedido a tal imputação na decisão Peróxidos orgânicos não implica
         que seja obrigada a efectuar a mesma apreciação numa decisão posterior (v., nesse sentido, acórdão do Tribunal Geral de 20
         de Abril de 1999, Limburgse Vinyl Maatschappij e o./Comissão, dito «PVC II», T‑305/94 a T‑307/94, T‑313/94 a T‑316/94, T‑318/94,
         T‑325/94, T‑328/94, T‑329/94 e T‑335/94, Colect., p. II‑931, n.° 990).
      
      61      Em terceiro lugar, na medida em que a recorrente alega, no essencial, que o acórdão França/Comissão, n.° 38 supra (n.os 50 a 52, 55 e 56), e o acórdão SIC/Comissão, n.° 38 supra (n.os 94, 95, 98, 99, 101 a 105 e 107), tendem a confirmar que a Comissão é obrigada a apresentar indícios suplementares que corroborem
         a presunção de exercício de uma influência determinante na qual a mesma se baseia, no quadro da aplicação do artigo 81.° CE,
         esse argumento deve ser julgado inoperante. Com efeito, os números em questão, relativos à questão de saber se uma medida
         adoptada por uma empresa pública é imputável ao Estado, e, portanto, se tal medida pode ser qualificada como auxílio de Estado
         na acepção do artigo 87.° CE, por um lado, não têm relação com as condições de imputação da responsabilidade por uma infracção
         ao artigo 81.° CE a uma sociedade‑mãe, e, por outro, não se opõem à existência da presunção de exercício de uma influência
         determinante em matéria de infracção ao artigo 81.° CE, cuja legalidade foi expressamente reconhecida pelos órgãos jurisdicionais
         da União, como resulta da jurisprudência exposta nos n.os 45 a 55 supra. 
      
      62      Em quarto lugar, cabe julgar inoperante o argumento segundo o qual, no essencial, a jurisprudência, em vários Estados‑Membros
         da União Europeia e nos Estados Unidos, exige que o exercício de uma influência determinante da sociedade‑mãe sobre a sua
         filial seja corroborada através de indícios concretos. Com efeito, além do facto de a jurisprudência dos referidos Estados
         não vincular a Comissão e não constituir o quadro jurídico pertinente por referência ao qual a legalidade da decisão recorrida
         deva ser examinada, a inexistência de reconhecimento da presunção de exercício de uma influência determinante pela jurisprudência
         dos referidos Estados, mesmo que fosse demonstrada, não implica, em qualquer hipótese, que a mesma seja ilegal em direito
         comunitário.
      
      63      À luz das precedentes considerações, a primeira parte deve ser julgada parcialmente improcedente e parcialmente inoperante.
         
      
       Quanto à segunda parte, relativa à violação dos princípios da autonomia jurídica e económica das sociedades 
      –       Argumentos das partes 
      64      A recorrente sustenta que, quando a presunção de exercício de uma influência determinante não é, como era o caso na prática
         decisória da Comissão anterior à adopção da decisão AMCA, corroborada por indícios suplementares que confirmem a ingerência
         da sociedade‑mãe na actividade da sua filial no mercado afectado pela infracção, tal presunção é incompatível com o princípio
         da autonomia das pessoas colectivas, dado que a mesma dá origem à responsabilidade automática da sociedade‑mãe pelas infracções
         cometidas pela sua filial. 
      
      65      Em primeiro lugar, a recorrente alega que é apenas por excepção, devidamente justificada, ao princípio da autonomia económica
         das pessoas colectivas que uma sociedade‑mãe pode ser reconhecida como fazendo parte do perímetro da empresa na acepção do
         artigo 81.° CE. Numa tal hipótese excepcional, uma sociedade‑mãe poderia, então, ser imputada da responsabilidade pela infracção
         cometida pela sua filial e ser condenada solidariamente ao pagamento da coima que é aplicada à referida filial, mas ela não
         pode ser condenada a uma coima a título individual. 
      
      66      A recorrente faz notar que o direito das sociedades, nos Estados‑Membros da União, consagra o princípio da autonomia jurídica
         das pessoas colectivas, incluindo as filiais cujo capital social é integralmente detido pela sua sociedade‑mãe. Esse princípio
         decorre dos atributos da personalidade colectiva e confere, nomeadamente, uma plena capacidade jurídica e um património próprio
         a cada sociedade, que é plenamente responsável pelas suas próprias condutas, incluindo as consequências da sua actividade
         económica no mercado. A esse respeito, a recorrente precisa que o princípio da autonomia económica de uma filial, que decorre
         da autonomia jurídica desta última, foi reconhecido pela jurisprudência. Esse princípio constitui, igualmente, um elemento
         fundamental do bom funcionamento das economias modernas. Por conseguinte, a recorrente e a Arkema France, enquanto pessoas
         colectivas distintas, dispõem, ambas, de uma autonomia jurídica e económica própria. 
      
      67      Em segundo lugar, a recorrente sustenta que o princípio da autonomia económica da filial constitui a tradução concreta da
         utilização, por esta, do conjunto dos atributos jurídicos da sua personalidade colectiva. Por um lado, a análise do direito
         da maior parte dos Estados‑Membros da União mostra que o princípio da autonomia da pessoa colectiva faz parte das bases jurídicas
         fundamentais sobre as que assenta a sua organização social, que só pode ser derrogado em circunstâncias excepcionais, como
         resulta das diferentes jurisprudências nacionais. Por outro lado, a Comissão é obrigada, ao aplicar o direito da concorrência,
         a ter em consideração a jurisprudência dos órgãos jurisdicionais dos Estados‑Membros da União, sob pena de pôr em perigo a
         necessária convergência dos diferentes direitos da concorrência no âmbito das Redes Europeia e Internacional da Concorrência.
         
      
      68      A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      69      A recorrente sustenta, no essencial, que, ao imputar‑lhe a responsabilidade pela infracção em causa, a Comissão violou os
         princípios da autonomia jurídica e económica das sociedades. 
      
      70      Ora, sem que seja necessário que este Tribunal se pronuncie quanto ao alcance dos princípios da autonomia jurídica e económica
         das sociedades, nem mesmo quanto à existência do segundo desses princípios, basta constatar que estes não podem, em qualquer
         hipótese, implicar que uma sociedade cuja totalidade ou a quase totalidade do capital seja detido por uma outra sociedade,
         actue necessariamente de maneira autónoma no mercado, pelo simples facto de a mesma dispor de personalidade jurídica ou de
         meios económicos próprios. Com efeito, uma tal suposição ignoraria totalmente as inúmeras possibilidades que existem, na prática,
         para uma sociedade‑mãe que detém a totalidade ou a quase totalidade do capital da sua filial influenciar o comportamento desta
         última de modo formal ou informal. 
      
      71      Portanto, os alegados princípios da autonomia jurídica e económica que a recorrente invoca no presente caso não foram violados
         pela Comissão.
      
      72      Os argumentos que a recorrente apresenta a este respeito não podem proceder. Por um lado, os argumentos segundo os quais a
         presunção de exercício de uma influência determinante é contrária ao direito aplicável em determinados Estados‑Membros da
         União devem ser julgados improcedentes pelos mesmos motivos que os expostos no n.° 62 supra, isto é, nomeadamente, que o direito dos referidos Estados não constitui o quadro jurídico pertinente por referência ao qual
         a legalidade da decisão recorrida deve ser apreciada. Por outro, na medida em que a recorrente sustenta que, ao imputar‑lhe
         a responsabilidade pela infracção em causa, a Comissão violou o direito das sociedades aplicável nos Estados‑Membros da União
         e, por isso, o princípio da subsidiariedade, deve ser declarado que, de acordo com o artigo 81.°, n.° 1, CE, quando uma entidade
         económica infringe as regras da concorrência incumbe‑lhe responder por essa infracção, que a Comissão pode sancionar nos termos
         do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003. 
      
      73      À luz das considerações precedentes, há que julgar a segunda parte improcedente.
      
       Quanto à terceira parte, relativa ao erro sobre o facto de os indícios considerados pela Comissão na decisão recorrida não
         corroborarem a presunção de exercício de uma influência determinante
      
      –       Argumentos das partes
      74      A recorrente alega, no essencial, que a Comissão cometeu um erro de direito e alguns erros manifestos de apreciação, ao considerar
         que os três elementos adicionais expostos no considerando 386 da decisão recorrida (v. n.° 42 supra) corroboravam a presunção de exercício de uma influência determinante. A esse respeito, aquela sustenta, no essencial, que,
         por um lado, o facto de ter nomeado os membros do conselho de administração da sua filial e, por outro, o facto de cinco membros
         do comité de direcção geral ou do conselho de administração da Arkema France pertencerem ao seu comité de direcção geral ou
         ao seu conselho de administração não permitem corroborar a referida presunção.
      
      75      A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      76      De acordo com a jurisprudência exposta nos n.os 52 a 55 supra, a Comissão não é obrigada a corroborar através de elementos adicionais a presunção de exercício de uma influência determinante,
         a que tem direito de recorrer quando uma sociedade‑mãe detém a totalidade ou a quase totalidade do capital social da sua filial,
         mas, em contrapartida, compete à recorrente, para ilidir esta presunção, apresentar elementos de prova suficientes, susceptíveis
         de demonstrar que a sua filial se comportava de forma autónoma no mercado. 
      
      77      Portanto, mesmo que se devesse considerar que, como afirma a recorrente, a Comissão se baseou erradamente, no considerando
         386 da decisão recorrida, em indícios que não eram susceptíveis de corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante,
         tal erro não bastaria, de qualquer forma, para pôr em causa o facto de a mesma se poder, legitimamente, basear na simples
         constatação da detenção, pela recorrente, da quase totalidade do capital social da sua filial, para presumir que aquela exercia
         uma influência determinante sobre esta última. 
      
      78      Portanto, a terceira parte deve ser julgada inoperante, sem que seja necessário examinar os argumentos da recorrente destinados,
         no essencial, a contestar a relevância dos indícios considerados pela Comissão, na decisão recorrida, para corroborar a presunção
         de exercício de uma influência determinante. 
      
       Quanto à quarta parte, relativa ao facto de a Comissão ter considerado injustamente que a recorrente não tinha fornecido um
         conjunto de indícios que ilidiam a presunção de exercício de uma influência determinante
      
      –       Argumentos das partes
      79      A recorrente sustenta, no essencial, que a Comissão considerou injustamente que aquela não tinha apresentado um conjunto de
         indícios convergentes que ilidiam a presunção de exercício de uma influência determinante e que demonstravam, por um lado,
         a autonomia da Arkema France no mercado e, por outro, a inexistência de ingerência, da sua parte, na política comercial da
         sua filial. A mesma precisa que, contrariamente ao que afirma a Comissão, o conjunto de indícios que apresentou não se limita
         a estabelecer o facto de a mesma não ter participado no acordo ou de não ter tido conhecimento do mesmo. 
      
      80      Em primeiro lugar, a recorrente alega que demonstrou, através de um conjunto de indícios convergentes, a autonomia da Arkema
         France no mercado. 
      
      81      Primeiro, a recorrente recorda, antes de mais, que, como a mesma observou no contexto da primeira parte do primeiro fundamento
         (v. n.° 37 supra), a Comissão, na decisão Peróxidos orgânicos, reconheceu a autonomia da Arkema France no mercado. Além disso, esta sustenta
         que, se na sua Decisão de 3 de Maio de 2006, Peróxido de hidrogénio e perborato (Processo COMP/F/38.620) (JO L 353, p. 54,
         a seguir «decisão Peróxido de hidrogénio»), a Comissão não tentou, em nenhum momento, corroborar através de qualquer elemento
         concreto a presunção de exercício de uma influência determinante, isto porque tinha, então, considerado que não existia qualquer
         indício que permitisse apoiar a referida presunção. Finalmente, na medida em que o clorato de sódio pertence à mesma família
         de produtos que os visados na decisão Peróxidos orgânicos e na decisão Peróxido de hidrogénio, e que o mesmo era gerido, no
         âmbito do grupo Elf Aquitaine, exactamente da mesma maneira que os produtos em causa nessas duas decisões, a Comissão não
         podia, legitimamente, alegar, no quadro do presente processo, que a recorrente interferiu na estratégia comercial da Arkema
         France. 
      
      82      Segundo, a recorrente sustenta que a Arkema France pertencia a um grupo que se caracterizava por uma gestão descentralizada
         das suas filiais e que, em consequência, a recorrente só operava à frente do grupo na qualidade de sociedade holding não operacional,
         não tendo nenhuma intervenção na gestão operacional das suas filiais. Por esse motivo, a Comissão não deveria ter‑lhe imputado
         a responsabilidade pela infracção em causa, do mesmo modo que, por uma razão idêntica, não tinha procedido a tal imputação
         relativamente a uma das sociedades‑mães sancionadas na sua Decisão de 20 de Outubro de 2004, relativa a um processo nos termos
         do n.° 1 do artigo 81.° [CE] (Processo COMP/C.38.238, Tabaco em rama – Espanha) (JO 2007, L 102, p. 14, a seguir «decisão
         Tabaco em rama Espanha»). 
      
      83      Terceiro, a recorrente sustenta que a Arkema France sempre definiu a sua estratégia comercial de maneira autónoma. 
      
      84      Por um lado, contrariamente ao que a Comissão afirmou no n.° 324 da comunicação de acusações, e como reconheceu na audição
         perante o Auditor, a recorrente nunca decidiu ou aprovou o plano de actividades ou o orçamento das actividades da Arkema France
         especificamente relacionadas com o clorato de sódio. Pelo contrário, a Arkema France dispunha, à época dos factos, de todos
         os meios e recursos organizacionais, jurídicos e financeiros necessários à definição da estratégia comercial das actividades
         relacionadas com o clorato de sódio, bem como à gestão dessas actividades. 
      
      85      Por outro lado, a recorrente apresenta uma série de argumentos que visam demonstrar que a Arkema France actuava de forma autónoma
         no mercado. Antes de mais, a Arkema France gozava de um pleno poder de contratação, sem autorização prévia da sua sociedade‑mãe,
         o que lhe deu a possibilidade de gerir de forma plenamente autónoma a sua política comercial. Em seguida, a Arkema France
         tinha, sempre, definido livremente a gama dos produtos ou dos serviços que comercializava no mercado do clorato de sódio,
         dado que a recorrente sustenta que nunca deu qualquer instrução ou directriz à sua filial a respeito da sua produção, dos
         preços praticados e do escoamento da sua produção. Além disso, a Arkema France beneficiou de plena liberdade para definir,
         sem intervenção da sua sociedade‑mãe, os seus objectivos de venda e as suas margens brutas, sem que qualquer membro do pessoal
         da recorrente tenha podido imiscuir‑se nesse tipo de decisões. Além disso, a recorrente não tinha, nunca, estado presente
         nos mercados, ou a jusante ou a montante dos mercados em que a sua filial operava. Finalmente, a Arkema France tinha intervindo
         no mercado do clorato de sódio em seu nome e por sua própria conta, e não na qualidade de representante ou de agente comercial
         da recorrente.
      
      86      Quarto, de acordo com a recorrente, a Arkema France dispunha de plena autonomia financeira. Tal conclusão decorre das considerações
         expostas nos n.os 81 a 85 supra, bem como do carácter muito modesto da sua actividade relativa ao clorato de sódio no âmbito do grupo, à época dos factos
         em litígio. Acrescenta que o controlo financeiro que exercia sobre a Arkema France era muito geral e não podia, portanto,
         incidir sobre a actividade relativa ao clorato de sódio.
      
      87      Quinto, a recorrente sustenta que a Arkema France não a informava da sua actividade no mercado e que a única prestação de
         contas a que a Arkema France procedia relativamente a ela se mantinha estritamente dentro dos limites das obrigações de uma
         holding a respeito das regras contabilísticas e de regulação financeira aplicáveis. Assim, essa prestação de contas ficava
         a um nível muito geral e não dizia respeito à política comercial da Arkema France.
      
      88      Sexto, a recorrente observa que, à luz do conjunto de considerações expostas nos n.os 81 a 87 supra, por um lado, a Comissão deveria ter concluído que a actividade da Arkema France não estava subordinada às instruções da
         sua sociedade‑mãe. Por outro, resulta, tanto da jurisprudência como da prática decisória da Comissão que todos os indícios
         apresentados pela recorrente para ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante eram relevantes para efeitos
         de demonstrar a autonomia da sua filial. Ao rejeitar os indícios que a recorrente lhe forneceu, a Comissão tinha‑lhe negado,
         de facto, essa modalidade de prova para ilidir a referida presunção. 
      
      89      Em segundo lugar, a recorrente alega que a Comissão rejeitou injustamente, no considerando 370 da decisão recorrida, o carácter
         probatório da inexistência da sua participação na infracção cometida pela sua filial, bem como o do seu desconhecimento da
         referida infracção para afastar a sua responsabilidade, e isto apesar de a Comissão ter reconhecido expressamente, na decisão
         recorrida, que a recorrente nunca tinha estado implicada, directa ou indirectamente, na infracção em causa. Ora, a participação
         ou o conhecimento de uma infracção eram considerados indícios relevantes, pela Comissão e pelos órgãos jurisdicionais da União,
         no quadro da imputação da responsabilidade da infracção a uma sociedade‑mãe. 
      
      90      Em terceiro lugar, a recorrente salienta que a Comissão considerou injustamente, no considerando 403 da decisão recorrida,
         que o facto de a recorrente não intervir nem no mercado do clorato de sódio no EEE, nem nos mercados a montante ou a jusante
         desse produto não constituía uma prova da sua independência. Tal posição é incompatível com a jurisprudência, como decorre
         do acórdão do Tribunal Geral de 12 de Setembro de 2007, Prym e Prym Consumer/Comissão (T‑30/05, não publicado na Colectânea).
         
      
      91      A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      92      A recorrente sustenta, no essencial, que apresentou um conjunto de indícios que demonstram a autonomia da Arkema France no
         mercado do clorato de sódio e a inexistência de interferência, da sua parte, na política comercial da sua filial. 
      
      93      Deve recordar‑se, por um lado, como resulta da jurisprudência exposta, em particular nos n.os 52 a 55 supra, que quando a Comissão se baseia na presunção de exercício de uma influência determinante para imputar a responsabilidade
         por uma infracção a uma sociedade‑mãe, incumbe a esta última ilidi‑la, apresentando elementos de prova suficientes, susceptíveis
         de demonstrar que a sua filial se comporta de forma autónoma no mercado. Por outro, a fim de estabelecer a autonomia da sua
         filial no mercado e, portanto, de ilidir a referida presunção, incumbe à sociedade‑mãe apresentar todos os elementos relativos
         aos vínculos organizacionais, económicos e jurídicos entre ela e a sua filial, susceptíveis de demonstrar que não constituem
         uma única entidade económica.
      
      94      No caso em apreço, há, portanto, que examinar se foi com razão que a Comissão considerou que os elementos do conjunto de indícios
         que a recorrente apresentou não permitiam demonstrar a autonomia da Arkema France no mercado e ilidir a presunção de exercício
         de uma influência determinante.
      
      95      Em primeiro lugar, no que diz respeito ao argumento da recorrente, segundo o qual a posição adoptada pela Comissão na decisão
         Peróxidos orgânicos e na decisão Peróxido de hidrogénio mostra que a Arkema France se comportava de maneira autónoma no mercado,
         este deve ser julgado improcedente. Antes de mais, deve salientar‑se, por um lado, que a recorrente interpreta de maneira
         errada as referidas decisões, dado que a Comissão nunca concluiu que a Arkema France actuava de maneira autónoma, fosse no
         mercado do clorato de sódio, em particular, fosse, de um modo geral, nos outros mercados dos produtos que comercializava.
         Com efeito, como resulta, nomeadamente, do artigo 1.° da decisão Peróxidos orgânicos, a Comissão limitou‑se a aplicar uma
         sanção à Arkema France (anteriormente, Atofina), sem se pronunciar sobre a questão de saber se se devia imputar a responsabilidade
         por essa infracção à recorrente. Por outro, há que constatar que, na decisão Peróxido de hidrogénio, a Comissão concluiu,
         em suma, nomeadamente, no considerando 427 da referida decisão, que a responsabilidade pela infracção em causa nessa decisão
         devia ser imputada à recorrente. Daí que, nem uma nem outra dessas decisões permite concluir que a Comissão considerou, em
         circunstâncias semelhantes às do caso em apreço, que a Arkema France actuava de maneira autónoma no mercado. 
      
      96      Além disso, na medida em que, como foi declarado no n.° 60 supra, a Comissão dispõe da faculdade, mas não tem a obrigação, de imputar a responsabilidade por uma infracção a uma sociedade‑mãe,
         e que foi com base numa interpretação correcta do artigo 81.° CE que imputou, no caso em apreço, a responsabilidade pela infracção
         em causa à recorrente, a eventual constatação, segundo a qual a Comissão, em processo anteriores, tinha, quer considerado
         que não havia lugar a proceder a tal imputação, quer corroborado a presunção de exercício de uma influência determinante por
         indícios suplementares, não permite, em qualquer hipótese, concluir, no caso em apreço, que a mesma cometeu um erro de direito
         ao imputar a responsabilidade pela infracção em causa à recorrente.
      
      97      Em segundo lugar, quanto aos argumentos da recorrente, segundo os quais a autonomia da Arkema France é comprovada pela gestão
         descentralizada do grupo Elf Aquitaine e pelo facto de a recorrente não ser mais do que uma «holding não operacional», que
         não intervinha na gestão operacional das suas filiais, e que, portanto, a Comissão não lhe devia ter imputado a responsabilidade
         pela infracção, tal como, aliás, a mesma se tinha abstido de o fazer, a respeito de uma outra sociedade‑mãe, na decisão Tabaco
         em rama Espanha, estes também devem ser julgados improcedentes.
      
      98      Antes de mais, deve salientar‑se, por um lado, que a afirmação segundo a qual a recorrente é uma sociedade «holding não operacional»
         não é apoiada por nenhum elemento concreto susceptível de demonstrar que a mesma não exercia qualquer influência determinante
         sobre a sua filial. Por outro lado, como decorre da jurisprudência exposta no n.° 60 supra, o facto de a Comissão não ter imputado, na decisão Tabaco em rama Espanha, a responsabilidade por uma infracção a uma sociedade‑mãe,
         não basta para infirmar, em qualquer hipótese, a constatação segundo a qual as condições para tal imputação estarem reunidas
         na decisão recorrida. 
      
      99      Além disso, em qualquer hipótese, no contexto de um grupo de sociedades, uma sociedade holding é uma sociedade que tem por
         vocação reunir as participações nas diversas sociedades e cuja função consiste em assegurar a unidade de direcção destas.
         Daí, não se pode excluir que a recorrente tenha exercido uma influência determinante sobre o comportamento da sua filial,
         ao coordenar, designadamente, os investimentos financeiros no âmbito do grupo Elf Aquitaine. Por outro lado, a repartição
         interna das diferentes actividades da recorrente, semelhante a uma gestão descentralizada, entre diferentes divisões ou departamentos
         constitui um fenómeno normal no âmbito dos grupos de sociedades como aquele à frente do qual a recorrente se encontra. Portanto,
         esse argumento não ilide, de forma alguma, a presunção segundo a qual a recorrente e a Arkema France constituíam uma única
         empresa na acepção do artigo 81.° CE.
      
      100    Em terceiro lugar, na medida em que a recorrente sustenta, por um lado, que a Arkema France sempre definiu, de maneira autónoma,
         a sua estratégia comercial no mercado do clorato de sódio, uma vez que a recorrente nunca decidiu nem aprovou o plano de actividades
         e o orçamento das actividades da Arkema France especificamente relacionadas com esse produto, e que esta última dispunha,
         no essencial, da capacidade para actuar de maneira autónoma no mercado, e, por outro, que a Arkema France dispunha de plena
         autonomia financeira, uma vez que o controlo que a recorrente exercia sobre a sua filial era muito geral, estes argumentos
         também devem ser julgados improcedentes. 
      
      101    Com efeito, para além do facto de os argumentos da recorrente não serem apoiados por nenhum elemento concreto, há que salientar,
         desde já, que o facto de a mesma nunca ter decidido nem aprovado o plano de actividades e o orçamento das actividades da Arkema
         France, não permite concluir que esta não pudesse modificá‑los, nem rejeitá‑los, nem controlar a sua aplicação. 
      
      102    Além disso, não se pode excluir que a recorrente tenha exercido uma influência determinante sobre o comportamento da sua filial,
         ao coordenar, designadamente, os investimentos financeiros no âmbito do grupo Elf Aquitaine. 
      
      103    Em conclusão, se, como por outro lado a recorrente sustenta na sua resposta à comunicação de acusações (v. página 71 da referida
         resposta), e como resulta do considerando 392 da decisão recorrida, esta controlava os compromissos mais importantes da sua
         filial, essa circunstância mais não faz do que reforçar a conclusão da Comissão segundo a qual a referida filial não era autónoma
         em relação à recorrente.
      
      104    Em quarto lugar, o argumento da recorrente segundo o qual a Arkema France não a informava da sua actividade no mercado e só
         lhe prestava contas em termos muito gerais, de acordo com o direito francês e com os seus estatutos, deve ser julgado improcedente.
         A esse respeito, para além do facto de se dever salientar que esse argumento não é apoiado por nenhum elemento concreto, o
         reconhecimento pela recorrente, como foi exposto no n.° 103 supra, do facto de a mesma controlar os compromissos mais importantes da sua filial tende a contradizer o referido argumento. 
      
      105    Em quinto lugar, quanto às alegações da recorrente de que nunca participou na infracção, que não tinha conhecimento da mesma
         e que não intervinha, nem a montante nem a jusante do mercado do clorato de sódio, como também não estava envolvida no referido
         mercado, que era, para si, de importância menor, deve observar‑se que elementos dessa natureza não são susceptíveis de demonstrar
         a autonomia da Arkema France. Antes de mais, convém recordar que, como resulta da jurisprudência, não é uma relação de incentivo
         à infracção entre a sociedade‑mãe e a sua filial nem, por maioria de razão, uma implicação da primeira na referida infracção,
         mas é o facto de constituírem uma única empresa que permite que a Comissão dirija à sociedade‑mãe de um grupo de sociedades
         a decisão que aplica coimas (acórdão Michelin/Comissão, n.° 55 supra, n.° 290). Em seguida, não pode ser tirada mais nenhuma conclusão do facto de a recorrente e a Arkema France operarem em
         mercados diferentes ou de o mercado do clorato de sódio ser, para a recorrente, de importância menor. Com efeito, há que considerar
         que, num grupo como aquele à frente do qual a recorrente se encontra, a divisão de tarefas constitui um fenómeno normal, que
         não permite ilidir a presunção segundo a qual a recorrente e a Arkema France constituíam uma única empresa na acepção do artigo
         81.° CE. Portanto, estes argumentos não procedem, por serem inoperantes.
      
      106    Em sexto lugar, relativamente ao argumento da recorrente segundo o qual a Comissão, de facto, lhe negou o direito de ilidir
         a presunção de exercício de uma influência determinante, ao considerar que os indícios que aquela tinha apresentado não permitiam
         demonstrar a autonomia da Arkema France, deve ser julgado improcedente. Com efeito, na decisão recorrida, não só a Comissão
         não contestou o direito da recorrente em apresentar indícios susceptíveis de ilidir a presunção de exercício de uma influência
         determinante, como foi depois de ter examinado o conjunto de indícios que a recorrente lhe tinha fornecido que a Comissão
         concluiu, correctamente, como resulta das conclusões expostas nos n.os 95 a 105 supra, que os elementos do referido conjunto não permitiam ilidir a referida presunção.
      
      107    À luz de todas as considerações precedentes, deve concluir‑se que foi com razão que a Comissão considerou que a recorrente
         não tinha apresentado elementos de prova susceptíveis de ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante. 
      
      108    Portanto, há que julgar a quarta parte do primeiro fundamento parcialmente improcedente e parcialmente inoperante.
      
       Quanto à quinta parte, relativa à transformação da presunção de exercício de uma influência determinante em presunção inilidível
      –       Argumentos das partes
      109    A recorrente sustenta que, ao rejeitar o conjunto de indícios que a mesma forneceu à Comissão, esta última transformou a presunção
         de exercício de uma influência determinante, que deveria ser uma presunção ilidível, numa presunção inilidível. 
      
      110    Em primeiro lugar, a recorrente alega que a transformação de uma presunção ilidível numa presunção inilidível viola o princípio
         da presunção de inocência. Antes de mais, essa transformação constitui uma probatio diabolica, isto é, uma prova impossível de refutar e, portanto, uma prova inadmissível, de acordo com a jurisprudência comunitária.
         Em seguida, na audiência, a recorrente precisou que tal presunção era contrária ao princípio da presunção de inocência, consagrado,
         por um lado, na Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, assinada em Roma,
         em 4 de Novembro de 1950 (a seguir «CEDH»), conforme interpretado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, no seu acórdão
         Salabiaku c. França, de 7 de Outubro de 1988 (série A n.° 141‑A, § 28), e, por outro, na Carta dos Direitos Fundamentais da
         União Europeia, proclamada em 7 de Dezembro de 2000, em Nice (JO C 364, p. 1), e que tem o mesmo valor jurídico que os Tratados,
         por força do artigo 6.°, n.° 1, primeiro parágrafo, TUE. Finalmente, em resposta às questões do Tribunal na audiência, precisou
         que considerava que o acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, era incompatível com as disposições acima referidas.
      
      111    Em segundo lugar, a recorrente sustenta que a Comissão tornou a presunção de exercício de uma influência determinante, que
         a mesma formulou na decisão recorrida, impossível de ilidir.
      
      112    Primeiro, resulta dos considerandos 396 e 412 da decisão recorrida que a Comissão reconhece que a ilisão da presunção de exercício
         de uma influência determinante é, na prática, quase impossível de conseguir, uma vez que a mesma aí indica, nomeadamente,
         que «essa presunção se verifica em quase todos os casos».
      
      113    Segundo, a Comissão tinha recusado tomar em consideração os indícios que a recorrente tinha apresentado para ilidir a presunção
         de exercício de uma influência determinante, mesmo apesar de esse tipo de indícios, quando invocados pela Comissão, lhe permitirem
         corroborar a referida presunção.
      
      114    Terceiro, resulta do considerando 401, in fine, da decisão recorrida que a Comissão considera, erradamente, que uma sociedade‑mãe deve ser considerada responsável por uma
         infracção, tenha ou não interferido, na actividade da sua filial, tenha‑a, ou não, deixado actuar livremente, e tenha, ou
         não, tido conhecimento das infracções cometidas pela referida filial. 
      
      115    Quarto, a Comissão não extraiu as consequências adequadas do seu erro de interpretação, que tinha reconhecido na audição perante
         o Auditor, das observações apresentadas pela Arkema France, em 18 de Outubro de 2004, em resposta ao pedido de informações
         que aquela lhe tinha enviado em 10 de Setembro de 2004, e nas quais a mesma tinha confundido a Elf Atochem e a recorrente.
         
      
      116    Quinto, a Comissão apoiou‑se, na decisão recorrida, não em elementos concretos que demonstram o exercício efectivo de uma
         influência determinante da recorrente sobre a gestão comercial da Arkema France, mas em simples afirmações não corroboradas,
         que constituem outras presunções e suposições que a mesma nunca verificou.
      
      117    Sexto, deveria deduzir‑se da rejeição de todos os elementos do conjunto de indícios apresentado pela recorrente que a Comissão
         exige provas documentais negativas da inexistência de interferência de uma sociedade‑mãe na política comercial da sua filial.
         
      
      118    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      119    A recorrente alega, no essencial, que, ao rejeitar os indícios que esta lhe tinha fornecido, a Comissão transformou a presunção
         de exercício de uma influência determinante em presunção inilidível. Ora, tal presunção é ilegal, tanto à luz da CEDH e da
         Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia como da jurisprudência dos órgãos jurisdicionais da União Europeia e do
         Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
      
      120    A este respeito, cumpre salientar que, de acordo com a jurisprudência referida no n.° 52 supra, não foi exigido à recorrente que apresentasse prova da inexistência de interferência sua na gestão da sua filial, mas, unicamente,
         que produzisse elementos de prova suficientes, susceptíveis de demonstrar que a sua filial se comportava de forma autónoma
         no mercado em causa.
      
      121    Ora, a circunstância de a recorrente não ter, no caso em apreço, produzido elementos de prova susceptíveis de ilidir a presunção
         de exercício de uma influência determinante, como resulta do exame da quarta parte do primeiro fundamento (v. n.os 95 a 106 supra), não significa que a referida presunção não possa, em caso algum, ser ilidida.
      
      122    Por este motivo, em primeiro lugar, há que julgar inoperante o argumento da recorrente, exposto no n.° 110 supra, segundo o qual, no essencial, a presunção de exercício de uma influência determinante que a Comissão formulou na decisão
         recorrida, e cuja legalidade foi reconhecida pelo Tribunal de Justiça no acórdão Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, é contrária ao princípio da presunção de inocência, tal como este princípio foi, por um lado, reconhecido na Carta dos Direitos
         Fundamentais da União Europeia e na CEDH e, por outro, tal como foi interpretado pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem
         e pelos órgãos jurisdicionais da União. Em segundo lugar, devem julgar‑se improcedentes os argumentos expostos nos n.os 111 a 117 supra, segundo os quais, no essencial, a Comissão considerou, erradamente, que os indícios que a recorrente lhe tinha fornecido
         não demonstravam que esta não exercia uma influência determinante sobre a Arkema France, dado que, como foi constatado no
         contexto do exame da quarta parte do primeiro fundamento (v. n.os 95 a 106 supra), foi pelo facto de nenhum dos indícios que a recorrente tinha apresentado permitir concluir, no caso em apreço, pela autonomia
         da Arkema France no mercado que a Comissão imputou a responsabilidade pela infracção à recorrente, na decisão recorrida.
      
      123    Por conseguinte, há que julgar a quinta parte do primeiro fundamento e, em consequência, o primeiro fundamento, na sua totalidade,
         parcialmente improcedentes e parcialmente inoperantes. 
      
       Quanto ao segundo fundamento, relativo à violação de seis princípios fundamentais que resultam da imputação da responsabilidade
            pelo comportamento ilícito em causa à recorrente
      124    A recorrente sustenta, no essencial, que a Comissão violou seis princípios fundamentais, ao imputar‑lhe o comportamento ilícito
         da Arkema France. O presente fundamento divide‑se, portanto, em seis partes.
      
       Quanto à primeira parte, relativa a uma violação dos direitos de defesa da recorrente
      –       Argumentos das partes
      125    A recorrente considera, no essencial, que os seus direitos de defesa foram violados antes e depois de a comunicação de acusações
         lhe ter sido notificada. 
      
      126    Em primeiro lugar, a recorrente alega, antes de mais, que a apreciação da Comissão, que se encontra no considerando 406 da
         decisão recorrida, segundo a qual esta não era obrigada a realizar, relativamente a ela, diligências particulares previamente
         à notificação da comunicação de acusações, é infirmada pela jurisprudência, como resulta dos acórdãos do Tribunal de Justiça
         de 2 de Outubro de 2003, Thyssen Stahl/Comissão (C‑194/99 P, Colect., p. I‑10921), e de 21 de Setembro de 2006, Nederlandse
         Federatieve Vereniging voor de Groothandel op Elektrotechnisch Gebied/Comissão (C‑105/04 P, Colect., p. I‑8725). Com efeito,
         a recorrente considera que a Comissão deveria ter feito uso dos seus poderes de investigação, antes do envio da comunicação
         de acusações, a fim de recolher, junto da recorrente, indícios que corroborassem a presunção de exercício de uma influência
         determinante, em lugar de se ter limitado aos que foram fornecidos pela Arkema France. Na audiência, a recorrente precisou
         que tal obrigação decorria, igualmente, do acórdão do Tribunal Geral de 8 de Julho de 2008, AC‑Treuhand/Comissão (T‑99/04,
         Colect., p. II‑1501), e do Código de boas práticas da Comissão, relativo aos artigos 101.° TFUE e 102.° TFUE (a seguir «Código
         de boas práticas»), que, à data da audiência, estava disponível no sítio Internet da Comissão.
      
      127    Em seguida, dado não terem sido efectuadas diligências de inquérito a seu respeito, a recorrente tinha sido privada do seu
         direito de explicar, antes da adopção da comunicação de acusações, o modo de funcionamento do grupo Elf Aquitaine, as suas
         relações com a Arkema France e o seu papel puramente passivo na gestão da sua actividade relativa ao clorato de sódio. A mesma
         tinha ficado, igualmente, impossibilitada de controlar a veracidade das informações fornecidas pela Arkema France, e relativamente
         às quais esta última tinha pedido confidencialidade, tal como o volume de negócios da recorrente, que a Arkema France tinha
         fornecido à Comissão em resposta a um pedido de informações.
      
      128    Além disso, uma vez que o inquérito dizia respeito ao período posterior à saída da Arkema France do grupo Elf Aquitaine, em
         18 de Maio de 2006, a Comissão não tinha podido recolher respostas completas às questões que lhe tinha colocado. Daí que a
         recorrente tenha perdido a oportunidade, por um lado, de obter uma alteração das acusações formuladas contra ela, demonstrando,
         desde a fase de inquérito, a impossibilidade de lhe ser imputada a infracção cometida pela Arkema France e, por outro, de
         evitar que lhe fossem aplicadas duas coimas diferentes. A recorrente acrescentou, na audiência, que, na medida em que a comunicação
         de acusações lhe tinha chegado numa data em que a Arkema France já não fazia parte do grupo Elf Aquitaine e que tinham passado
         quatro anos desde o início do inquérito, já não dispunha de provas que lhe permitissem defender‑se utilmente na data da notificação
         da referida comunicação.
      
      129    Finalmente, a afectação da capacidade da recorrente para se defender tinha sido agravada pelo carácter incoerente e contraditório
         da posição assumida pela Comissão na decisão AMCA, na Decisão C (2006 final), de 31 de Maio de 2006, relativa a um processo
         de aplicação do artigo 81.° [CE] e do artigo 53.° do Acordo EEE (Processo COMP/F/38.645 – Metacrilatos) (JO 2006, L 322, p. 20,
         a seguir «decisão Metacrilatos»), na decisão Peróxido de hidrogénio e na decisão recorrida.
      
      130    Além disso, na audiência, a recorrente salientou, por um lado, que o Tribunal de Justiça tinha reconhecido a natureza penal
         das coimas em matéria de concorrência, nos seus acórdãos de 8 de Julho de 1999, Hüls/Comissão (C‑199/92 P, Colect., p. I‑4287),
         de 22 de Maio de 2008, Evonik Degussa/Comissão e Conselho (C‑266/06 P, não publicado na Colectânea), e de 23 de Dezembro de
         2009, Spector Photo Group e Van Raemdonck (C‑45/08, ainda não publicado na Colectânea), e, por outro, que a Carta dos Direitos
         Fundamentais da União Europeia, que entrou em vigor em 1 de Dezembro de 2009, era imediatamente aplicável aos litígios pendentes
         perante o Tribunal Geral. Nesse quadro, a mesma sustenta que os seus direitos fundamentais foram violados, dado que a Comissão
         considerou erradamente que «é a empresa, e não cada uma das pessoas colectivas individualmente consideradas, que deve beneficiar
         de direitos fundamentais».
      
      131    Em segundo lugar, a recorrente sustenta que resulta dos considerandos 402 a 406 da decisão recorrida que a Comissão não examinou
         com cuidado, em violação das exigências estabelecidas na jurisprudência, todos os elementos do conjunto de indícios que tinha
         apresentado para ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante, uma vez que se limitou a rejeitar os referidos
         elementos com base em afirmações não fundamentadas, em suposições e em presunções puramente teóricas, que não correspondem
         à realidade do funcionamento do grupo Elf Aquitaine no momento dos factos em causa. 
      
      132    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      133    A recorrente alega que a Comissão violou os seus direitos de defesa, por um lado, ao não efectuar, antes de lhe notificar
         a comunicação de acusações, qualquer diligência de inquérito a seu respeito, e, por outro, depois da notificação da referida
         comunicação, ao não examinar com cuidado todos os elementos do conjunto de indícios que tinha apresentado para ilidir a presunção
         de exercício de uma influência determinante.
      
      134    De acordo com jurisprudência assente, o respeito dos direitos de defesa exige que a empresa interessada tenha podido, durante
         o procedimento administrativo, dar a conhecer utilmente o seu ponto de vista sobre a realidade e a pertinência dos factos
         e das circunstâncias alegados bem como sobre os documentos considerados pela Comissão em apoio da sua alegação de existência
         de uma infracção ao Tratado (acórdãos do Tribunal de Justiça de 7 de Junho de 1983, Musique Diffusion française e o./Comissão,
         100/80 a 103/80, Recueil, p. 1825, n.° 10, e de 6 de Abril de 1995, BPB Industries e British Gypsum/Comissão, C‑310/93 P,
         Colect., p. I‑865, n.° 21). 
      
      135    À semelhança do Regulamento n.° 17 do Conselho, de 6 de Fevereiro de 1962, primeiro Regulamento de execução dos artigos [81.° CE]
         e [82.° CE] (JO 1962, 13, p. 204; EE 08 F1 p. 22), que foi revogado e substituído pelo Regulamento n.° 1/2003, este último
         regulamento prevê, no seu artigo 27.°, n.° 1, o envio às partes de uma comunicação das acusações, que deve especificar, de
         maneira clara, todos os elementos essenciais em que a Comissão se baseia nessa fase do procedimento (acórdão Aalborg Portland
         e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 67), a fim de permitir aos interessados tomarem efectivamente conhecimento dos comportamentos que lhes são imputados
         pela Comissão e apresentarem utilmente a sua defesa antes de esta adoptar uma decisão definitiva. Essa comunicação de acusações
         constitui a garantia processual que aplica o princípio fundamental de direito comunitário que exige o respeito dos direitos
         de defesa em todo o processo (acórdão do Tribunal de Justiça de 3 de Setembro de 2009, Papierfabrik August Koehler e o./Comissão,
         C‑322/07 P, C‑327/07 P e C‑338/07 P, Colect., p. I‑7191, n.° 35).
      
      136    Este princípio exige, nomeadamente, que a comunicação de acusações dirigida pela Comissão a uma empresa à qual pretende aplicar
         uma sanção pela violação das regras da concorrência contenha os elementos essenciais das acusações feitas a esta empresa,
         tais como os factos imputados, a qualificação que lhes é dada e os elementos de prova em que a Comissão se baseia, para que
         essa empresa possa apresentar utilmente os seus argumentos no âmbito do procedimento administrativo instaurado contra ela
         (v. acórdão Papierfabrik August Koehler e o./Comissão, n.° 135 supra, n.° 36 e a jurisprudência referida).
      
      137    Em particular, a comunicação de acusações deve precisar, inequivocamente, a pessoa colectiva à qual poderão ser aplicadas
         coimas, deve ser dirigida a esta última, e deve indicar em que qualidade essa pessoa é acusada dos factos alegados (v., neste
         sentido, acórdão Papierfabrik August Koehler e o./Comissão, n.° 135 supra, n.os 37 e 38).
      
      138    Com efeito, é pela comunicação de acusações que a empresa em causa é informada de todos os elementos essenciais em que a Comissão
         se baseia nessa fase do procedimento. Por conseguinte, é apenas após o envio da referida comunicação de acusações que a empresa
         em causa pode fazer valer plenamente os seus direitos de defesa (v. acórdão do Tribunal de Justiça de 25 de Janeiro de 2007,
         Dalmine/Comissão, C‑407/04 P, Colect., p. I‑829, n.° 59 e jurisprudência referida, e acórdão AC‑Treuhand/Comissão, n.° 126
         supra, n.° 48). 
      
      139    Quanto à primeira alegação da recorrente, segundo a qual a Comissão infringiu os seus direitos de defesa ao não efectuar qualquer
         diligência de inquérito a seu respeito, antes de a comunicação de acusações lhe ser notificada, deve salientar‑se que, apesar
         de as partes não terem fornecido ao Tribunal a referida comunicação de acusações, resulta, no entanto, sem dúvida, das observações
         da recorrente, de 27 de Setembro de 2007, em resposta à referida comunicação, que a Comissão a informou de que pretendia imputar‑lhe
         o comportamento ilícito da Arkema France, com base na presunção de exercício de uma influência determinante. A recorrente
         teve, portanto, conhecimento da acusação que lhe era feita na referida comunicação e foi‑lhe dada a possibilidade de responder,
         e, efectivamente, respondeu, por escrito, à referida comunicação. Além disso, a recorrente não contesta que lhe foi dada a
         possibilidade de apresentar, e que, efectivamente, apresentou, observações acerca da referida comunicação durante a audição
         perante o Auditor. 
      
      140    O facto de a Comissão não ter efectuado nenhuma diligência de inquérito relativamente à recorrente, antes de lhe notificar
         a comunicação de acusações, ou ainda de, como esta, além disso, observa, a Comissão lhe ter, ou não, imputado a responsabilidade
         por outras infracções cometidas pela sua filial em decisões anteriores, não é susceptível de pôr em causa a conclusão segundo
         a qual a Comissão podia informá‑la, pela primeira vez, das acusações que lhe eram feitas na referida comunicação. Com efeito,
         foi dada à recorrente a possibilidade de dar utilmente a conhecer, durante o procedimento administrativo, o seu ponto de vista
         sobre a realidade e a pertinência dos factos e das circunstâncias alegados pela Comissão na sua comunicação de acusações,
         tanto nas suas observações em resposta à referida comunicação como na audição perante o Auditor.
      
      141    Daí decorre que a Comissão não violou os direitos de defesa da recorrente ao não tê‑la submetido a nenhuma diligência de inquérito,
         antes de lhe notificar a comunicação de acusações.
      
      142    Os outros argumentos invocados pela recorrente não infirmam esta conclusão.
      
      143    Em primeiro lugar, quanto ao argumento invocado pela recorrente na audiência, segundo o qual a Comissão violou os seus direitos
         fundamentais, tal como reconhecidos pela jurisprudência comunitária e pela Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia,
         ao considerar, erradamente, que era a empresa e não cada uma das pessoas colectivas consideradas individualmente quem devia
         gozar desses direitos fundamentais, deve ser julgado improcedente. Com efeito, para além do facto de não resultar, nem da
         decisão recorrida, nem dos articulados que apresentou, que a Comissão tenha feito tal consideração, deve observar‑se, como
         resulta do considerando 66 da decisão recorrida e do artigo 4.° do dispositivo da mesma, que foi à recorrente e à Arkema France,
         cada uma considerada separadamente, que a Comissão dirigiu a comunicação de acusações, bem como a decisão recorrida, de modo
         que esta respeitou os direitos de defesa de cada uma dessas duas sociedades tanto no decurso do procedimento administrativo
         como no fim do mesmo,.
      
      144    Em segundo lugar, o argumento segundo o qual resulta da jurisprudência referida no n.° 126 supra que a Comissão considerou erradamente, no caso em apreço, que não era obrigada a realizar diligências particulares relativamente
         à recorrente, deve, igualmente, ser julgado improcedente. 
      
      145    Antes de mais, no acórdão Thyssen Stahl/Comissão, n.° 126 supra (n.° 31), o Tribunal de Justiça decidiu que há que reconhecer que a Comissão viola os direitos de defesa de uma empresa quando
         existe uma possibilidade de, devido a uma irregularidade cometida pela Comissão, o procedimento administrativo ter podido
         chegar a um resultado diferente. O Tribunal de Justiça considerou, igualmente, no referido número, que uma empresa demonstra
         que ocorreu uma violação desse tipo quando apresenta prova bastante, não de que a decisão da Comissão teria um conteúdo diferente
         mas sim de que poderia ter garantido melhor a sua defesa se a irregularidade não tivesse existido, porque, por exemplo, poderia
         ter utilizado em sua defesa documentos cujo acesso lhe foi recusado no procedimento administrativo. Ora, no caso em apreço,
         há que recordar que a recorrente não demonstra que o facto de a Comissão não lhe ter dirigido nenhuma diligência de inquérito
         antes de lhe notificar a comunicação de acusações poderia ter levado esta última a considerar um resultado diferente na decisão
         recorrida. Com efeito, contrariamente ao que a recorrente sustenta, esta teve a oportunidade de dar a conhecer, com base na
         comunicação de acusações, as suas observações relativas ao modo de funcionamento do grupo Elf Aquitaine, às suas relações
         com a Arkema France, bem como ao seu alegado papel puramente passivo na gestão da sua actividade relativa ao clorato de sódio.
         
      
      146    Em seguida, no acórdão Nederlandse Federatieve Vereniging voor de Groothandel op Elektrotechnisch Gebied/Comissão, n.° 126
         supra (n.os 48 a 50 e 56), o Tribunal de Justiça decidiu, nomeadamente, que importa evitar que os direitos de defesa possam ser irremediavelmente
         comprometidos em virtude da duração excessiva da fase de instrução e que esta duração seja susceptível de obstar à produção
         de provas destinadas a refutar a existência de comportamentos susceptíveis de implicar a responsabilidade das empresas envolvidas.
         Ora, no caso em apreço, há que salientar que a recorrente não apresenta nenhum elemento concreto que demonstre que a fase
         de instrução do procedimento que conduziu à adopção da decisão recorrida tenha tido uma duração excessiva e tenha, por esse
         motivo, constituído um obstáculo a que esta pudesse fornecer indícios susceptíveis de ilidir a presunção de exercício de uma
         influência determinante.
      
      147    Finalmente, no acórdão AC‑Treuhand/Comissão, n.° 126 supra (n.° 56), o Tribunal Geral considerou que a Comissão estava obrigada a informar a empresa em causa, na fase em que adopta
         a primeira medida a seu respeito, incluindo os pedidos de informações que lhe dirige nos termos do artigo 11.° do Regulamento
         n.° 17, nomeadamente, do objecto e da finalidade da instrução. No n.° 58 do referido acórdão, o Tribunal recordou, igualmente,
         que resultava da jurisprudência que só se a irregularidade cometida pela Comissão fosse susceptível de afectar, concretamente,
         os direitos de defesa da empresa em causa no procedimento administrativo, é que tal irregularidade era susceptível de levar
         à anulação da decisão final da Comissão. Ora, no caso em apreço, para além do facto de não se poder deduzir do referido acórdão
         que a Comissão seja obrigada, como afirma a recorrente, a efectuar diligências de inquérito relativamente a uma empresa antes
         do envio de uma comunicação de acusações, quando a mesma considera que dispõe, além disso, de informações que justificam o
         envio de tal comunicação, cumpre salientar que a recorrente não apresenta nenhum elemento concreto que demonstre que tenha
         sido, por esse facto, privada da faculdade de produzir prova de que não exercia uma influência determinante sobre a Arkema
         France.
      
      148    Em terceiro lugar, quanto ao argumento segundo o qual a Comissão violou o Código de boas práticas ao não ter submetido a recorrente
         a nenhuma diligência de inquérito, cabe referir, por um lado, que o referido código, que só deve ser aplicado, de acordo com
         o seu ponto 5, aos processos em curso e futuros a contar da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia, foi adoptado posteriormente à decisão recorrida e, portanto, não é aplicável aos factos do caso em apreço. Por outro lado,
         e em qualquer hipótese, deve salientar‑se que o ponto 14 do referido código prevê, fazendo referência ao acórdão AC‑Treuhand/Comissão,
         n.° 126 supra (n.° 56) que, «no momento da adopção da primeira diligência de inquérito (normalmente, um pedido de informações ou uma inspecção),
         as empresas são informadas do facto de serem objecto de um inquérito preliminar, bem como do objecto e da finalidade de tal
         inquérito». Portanto, sem que seja necessário que o Tribunal se pronuncie quanto ao alcance jurídico do referido código, deve
         constatar‑se, em qualquer hipótese, que este não cria nenhuma obrigação de a Comissão, previamente à adopção da comunicação
         de acusações, submeter as empresas a diligências de inquérito.
      
      149    Portanto, cabe julgar improcedente a primeira alegação da recorrente.
      
      150    Quanto à segunda alegação da recorrente, segundo a qual a Comissão violou os seus direitos de defesa na medida em que não
         examinou com cuidado todos os elementos do conjunto de indícios que a mesma tinha apresentado para ilidir a presunção de exercício
         de uma influência determinante, cumpre declarar que, por um lado, como observa a Comissão, a recorrente não identifica nenhum
         elemento de facto ou de direito invocado na decisão recorrida acerca do qual a mesma não tivesse podido explicar‑se na resposta
         à comunicação de acusações. Por outro, deve ser feita referência aos considerandos 397 a 415 da decisão recorrida para concluir
         que a Comissão respondeu de modo fundamentado e exaustivo aos argumentos invocados pela Arkema France e pela recorrente nas
         suas observações em resposta à comunicação de acusações. Por conseguinte, a Comissão não pode ser acusada de ter violado os
         direitos de defesa da recorrente a esse respeito. 
      
      151    Em consequência, a segunda alegação da recorrente, bem como toda a primeira parte do segundo fundamento devem ser julgadas
         improcedentes.
      
       Quanto à segunda parte, relativa a uma violação do princípio da igualdade de armas
      
       Argumentos das partes
      152    A recorrente alega que a Comissão violou o princípio da igualdade de armas. Essa violação resulta, no caso em apreço, do facto
         de, em vez de apresentar elementos concretos que permitissem dar uma perspectiva diferente sobre os factos do caso em apreço,
         tal como resultam do conjunto de indícios que a recorrente forneceu, a Comissão limitou‑se a apresentar novas suposições e
         presunções, apesar de a recorrente ter, de acordo com a jurisprudência, apresentado uma outra explicação plausível dos factos
         que se opõe à adoptada pela Comissão. 
      
      153    Na audiência, a recorrente acrescentou que o facto de a Comissão não a ter submetido a um inquérito, deu origem a uma violação
         do princípio da igualdade de armas, na medida em que teria podido «conservar as provas» e «acautelar‑se contra uma acusação
         de interferência na sua filial».
      
      154    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      155    A recorrente alega, no essencial, que a Comissão violou o princípio da igualdade de armas, na medida em que, uma vez que aquela
         tinha fornecido um conjunto de indícios que constituíam uma explicação plausível do facto de a Arkema France exercer a sua
         actividade de maneira autónoma, competia, então, à Comissão apresentar elementos concretos que corroborassem a presunção de
         exercício de uma influência determinante.
      
      156    Deve recordar‑se que o princípio da igualdade das armas, como, nomeadamente, o princípio do contraditório, é apenas o corolário
         do próprio conceito de processo equitativo (v., por analogia, acórdãos do Tribunal de Justiça de 26 de Junho de 2007, Ordre
         des barreaux francophones et germanophone e o., C‑305/05, Colect., p. I‑5305, n.° 31; de 2 de Dezembro de 2009, Comissão/Irlanda
         e o., C‑89/08 P, Colect., p. I‑0000, n.° 50; bem como de 17 de Dezembro de 2009, Reapreciação M/EMEA, C‑197/09 RX‑II, Colect.,
         p. I‑0000, n.os 39 e 40). Este implica, nomeadamente, a obrigação de conceder a cada parte uma possibilidade razoável de apresentar a sua
         causa em condições que não a coloquem numa situação de nítida desvantagem em relação ao seu adversário (v. TEDH, acórdãos
         Dombo Beheer BV c. Países Baixos, de 27 de Outubro de 1993, série A n.° 274, § 33; Ernst e o. c. Bélgica, de 15 de Julho de
         2003, § 60, e Vezon c. França, de 18 de Abril de 2006, § 31). 
      
      157    No caso em apreço, contrariamente ao que a recorrente sustenta, esta não se encontrava numa situação de nítida desvantagem
         em relação à Comissão pelo facto de esta última lhe ter aplicado a presunção de exercício de uma influência determinante com
         base na existência de vínculos de capital com a Arkema France. 
      
      158    Com efeito, dado que, por um lado, como foi constatado no n.° 57 supra, a Comissão presumiu correctamente o exercício de uma influência determinante da recorrente sobre a Arkema France com base
         no facto de a primeira deter a quase totalidade do capital social desta e, por outro, como resulta das constatações expostas
         nos n.os 139 e 140 supra, foi permitido à recorrente, nas suas observações em resposta à comunicação de acusações e na audição perante o Auditor,
         apresentar todos os elementos de direito e de facto, com vista a ilidir essa presunção, a Comissão não violou, no caso em
         apreço, o princípio da igualdade de armas. 
      
      159    O argumento da recorrente, invocado na audiência, segundo o qual a Comissão violou o princípio da igualdade de armas, na medida
         em que a recorrente teria podido, se tivesse sido iniciado um inquérito relativamente a ela, «conservar as provas» de que
         a Arkema France actuava de maneira autónoma e, assim, «acautelar‑se contra uma acusação de interferência na sua filial», deve
         ser julgado improcedente. Com efeito, deve recordar‑se, antes de mais, que a recorrente, que era a sociedade‑mãe da Arkema
         France quando a Comissão dirigiu a esta última um pedido de informações, em 10 de Setembro de 2004, podia, desde essa data
         reunir eventuais provas da autonomia da sua filial. Além disso, o argumento da recorrente a esse respeito não é apoiado por
         nenhum elemento concreto que demonstre que tivessem desaparecido provas que teriam sido úteis à sua defesa ou que a decisão
         recorrida teria podido ser diferente se tivesse sido submetida, antes da comunicação de acusações, a uma diligência de inquérito.
         Finalmente, e em qualquer hipótese, o referido argumento não infirma a conclusão, exposta no n.° 158 supra, segundo a qual foi permitido à recorrente, no quadro das suas observações em resposta à comunicação de acusações e na audição
         perante o Auditor, apresentar todos os elementos de direito e de facto úteis a fim de ilidir a presunção de exercício de uma
         influência determinante. 
      
      160    Portanto, há que considerar improcedente a segunda parte do segundo fundamento.
      
       Quanto à terceira parte, relativa a uma violação da presunção de inocência
      –       Argumentos das partes
      161    A recorrente sustenta que a Comissão violou a presunção de inocência, que é um direito fundamental garantido pelo Tratado
         CE e pelo artigo 6.°, n.° 2, da CEDH. 
      
      162    Em primeiro lugar, a recorrente observa que, nos considerandos 409 a 411 da decisão recorrida, a Comissão lhe aplicou uma
         sanção por uma infracção ao artigo 81.° CE, com base numa presunção que não era sustentada por nenhum elemento concreto e
         que levou a Comissão ignorar as provas em contrário que a recorrente tinha apresentado. Tal declaração formal de responsabilidade
         baseava‑se em simples alusões, que o Tribunal Geral condenou no seu acórdão de 6 de Outubro de 2005, Sumitomo Chemical e Sumika
         Fine Chemicals/Comissão (T‑22/02 e T‑23/02, Colect., p. II‑4065, n.° 106). 
      
      163    Antes de mais, a Comissão devia ter demonstrado a culpabilidade, por um lado, da Arkema France e, por outro, da recorrente,
         de forma específica e separada. Em seguida, e em qualquer caso, a culpabilidade da recorrente não foi demonstrada, uma vez
         que a sua responsabilidade foi estabelecida em violação, por um lado, das regras que regem a imputação da responsabilidade
         por uma infracção a uma sociedade‑mãe e, por outro, dos seus direitos de defesa.
      
      164    Finalmente, na audiência, a recorrente salientou que o facto de não ter sido submetida a um inquérito mostra que a Comissão
         agiu com base num preconceito. Segundo a recorrente, a decisão recorrida baseia‑se nesse preconceito, que «tem perdurado devido
         ao processo perante a Comissão, que [seria] perfeitamente inaceitável actualmente, atendendo aos imperativos da Carta dos
         Direitos Fundamentais da União Europeia», na medida em que a decisão final é adoptada por uma instituição que está, ao mesmo
         tempo, «encarregada do inquérito, da acusação, e da decisão».
      
      165    Em segundo lugar, a recorrente sustenta, antes de mais que, ao aplicar‑lhe de maneira automática a presunção de exercício
         de uma influência determinante, a Comissão fez pesar sobre si uma presunção inilidível de culpabilidade, que constitui uma
         probatio diabolica e é inadmissível. A mesma observa que, de acordo com a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, qualquer
         presunção deve ser enquadrada por limites que preservem os direitos de defesa (v. TEDH, acórdão Salabiaku c. França, n.° 110
         supra, § 28, e acórdão Janosevic c. Suécia, de 23 de Julho de 2002, n.° 34619/97, § 101). Em seguida, sustenta que, de acordo com
         a jurisprudência comunitária, deveria ser excluído qualquer recurso sistemático a presunções de culpabilidade e qualquer presunção
         de culpabilidade deve poder ser ilidida de maneira efectiva pela pessoa à qual é aplicada.
      
      166    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      167    A recorrente invoca, no essencial, uma violação da presunção de inocência, na medida em que a Comissão lhe aplicou uma sanção
         pela infracção cometida pela Arkema France, por um lado, sem corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante
         e ignorando o conjunto de indícios que a recorrente tinha apresentado, susceptível de ilidir, segundo a mesma, a referida
         presunção, e, por outro, violando os seus direitos de defesa. 
      
      168    De acordo com a jurisprudência, a presunção de inocência implica que qualquer pessoa acusada se presuma inocente até que a
         sua culpabilidade tenha sido legalmente provada. A presunção de inocência opõe‑se, assim, a qualquer declaração formal e mesmo
         a qualquer alusão que tenha por objecto a responsabilidade de uma pessoa acusada de uma dada infracção numa decisão que ponha
         termo à acção, sem que essa pessoa tenha podido beneficiar de todas as garantias normalmente concedidas para o exercício dos
         direitos de defesa no âmbito de um processo que siga o seu curso normal e que termine por uma decisão sobre a procedência
         da contestação (acórdão do Tribunal Geral de 12 de Outubro de 2007, Pergan Hilfsstoffe für industrielle Prozesse/Comissão,
         T‑474/04, Colect., p. II‑4225, n.° 76). 
      
      169    No caso em apreço, está assente que a infracção em causa foi reconhecida pela filial da recorrente. Em seguida, como foi exposto
         no n.° 57 supra, a Comissão presumiu correctamente, na decisão recorrida, que a recorrente era responsável pelo comportamento da sua filial,
         pelo facto de deter mais de 97% do seu capital social. Na medida em que, como foi constatado no n.° 107 supra, a recorrente não ilidiu a presunção de exercício de uma influência determinante, foi, pois, correctamente que a Comissão
         lhe imputou a responsabilidade pela infracção em causa.
      
      170    Por outro lado, como foi salientado no quadro do exame da primeira parte do segundo fundamento, relativa à alegada violação
         dos seus direitos de defesa (v. n.os 139 e 140 supra), foi dada à recorrente a possibilidade de dar utilmente a conhecer o seu ponto de vista, no decurso do procedimento administrativo,
         sobre a realidade e a pertinência dos factos e das circunstâncias alegadas pela Comissão na comunicação de acusações, tanto
         nas suas observações em resposta à comunicação de acusações, como nas declarações perante o Auditor, de forma que a mesma
         beneficiou de todas as garantias normalmente concedidas para o exercício dos direitos de defesa no âmbito de um processo que
         seguiu o seu curso normal e que terminou por uma decisão sobre a procedência da contestação. 
      
      171    Finalmente, como foi exposto no quadro do exame da quinta parte do primeiro fundamento (v. n.° 121 supra), a circunstância de a recorrente não ter, no caso em apreço, produzido elementos de prova susceptíveis de ilidir a presunção
         de exercício de uma influência determinante, não significa que a referida presunção não possa, em caso algum, ser ilidida
         e que, como observa, igualmente, a recorrente, a Comissão tenha feito pesar sobre ela uma presunção inilidível de culpabilidade,
         que constitui uma probatio diabolica, ou que a Comissão lhe tenha aplicado uma sanção apenas com base num «preconceito» que a recorrente não teve a oportunidade
         de ilidir.
      
      172    Daí decorre que a Comissão não inobservou a presunção de inocência ao presumir o exercício de uma influência determinante
         da recorrente sobre a sua filial.
      
      173    Além disso, no que diz respeito à alegação feita pela recorrente, na audiência, segundo a qual, no essencial, a presunção
         de inocência, como reconhecida na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, foi violada, no caso em apreço, por a
         Comissão ser uma instituição encarregada do «inquérito, da acusação e da decisão», deve declarar‑se, como a Comissão defendeu,
         nas suas alegações orais, que esse argumento foi invocado extemporaneamente, uma vez que foi formulado, na fase de audiência
         pela primeira vez e que não pode ser considerado como uma ampliação do presente fundamento conforme apresentado na petição,
         segundo o qual a presunção de exercício de uma influência determinante, na qual a Comissão se baseou na decisão recorrida,
         é contrária à presunção de inocência. Logo, esse argumento deve ser julgado inadmissível, em conformidade com o previsto no
         artigo 48.°, n.° 2, do Regulamento de Processo do Tribunal Geral.
      
      174    Consequentemente, a terceira parte do segundo fundamento deve ser julgada parcialmente improcedente e parcialmente inadmissível.
         
      
       Quanto à quarta parte, relativa a uma violação do princípio da responsabilidade pelos próprios actos e da individualização
         das penas
      
      –       Argumentos das partes
      175    A recorrente alega que a Comissão violou o princípio da responsabilidade pessoal e o seu corolário, o princípio da individualização
         das penas, por um lado, ao considerar a existência e a responsabilidade da alegada empresa constituída pela própria recorrente
         e a Arkema France, e, por outro, ao condená‑la a pagar, em primeiro lugar, uma coima que lhe foi aplicada solidariamente com
         a Arkema France e, em segundo lugar, uma coima a título individual, quanto a Comissão, na falta de elementos concretos susceptíveis
         de corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante, deveria ter reconhecido a existência de duas entidades
         económicas distintas. A violação dos referidos princípios é confirmada pelos considerandos 313 e 315 da decisão recorrida,
         que fazem referência aos conceitos de co‑autor e de autor da infracção. A Comissão qualificou, assim, erradamente a recorrente
         como co‑autora da infracção em causa. 
      
      176    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      177    A recorrente alega, no essencial, que, ao imputar‑lhe a responsabilidade pela infracção em causa, a Comissão infringiu os
         princípios da responsabilidade pelos próprios actos e da individualização das penas. 
      
      178    Em virtude do princípio da individualização das penas e das sanções, uma pessoa, singular ou colectiva, só deve ser punida
         por factos que lhe sejam individualmente imputados (acórdão do Tribunal Geral 13 de Dezembro de 2001, Krupp Thyssen Stainless
         e Acciai speciali Terni/Comissão, T‑45/98 e T‑47/98, Colect., p. II‑3757, n.° 63), princípio que é aplicável em qualquer procedimento
         administrativo susceptível de conduzir a sanções nos termos das normas comunitárias da concorrência (acórdão do Tribunal Geral
         de 4 de Julho de 2006, Hoek Loos/Comissão, T‑304/02, Colect., p. II‑1887, n.° 118). 
      
      179    Todavia, como resulta da jurisprudência exposta nos n.os 45 a 50 supra, esse princípio deve ser conciliado com o conceito de empresa na acepção do artigo 81.° CE. Assim, quando a entidade económica
         infringe as regras da concorrência, incumbe‑lhe, de acordo com o princípio da responsabilidade pessoal, responder por essa
         infracção.
      
      180    Ora, como já foi exposto no n.° 105 supra, não é o facto de a sociedade‑mãe ter incitado a sua filial a cometer a infracção nem, a fortiori, o facto de a sociedade‑mãe estar envolvida na referida infracção, mas sim o facto de ambas constituírem uma empresa única
         na acepção do artigo 81.° CE, que habilita a Comissão a adoptar a decisão de aplicar coimas à sociedade‑mãe de um grupo de
         sociedades (v., nesse sentido, acórdão Michelin/Comissão, n.° 55 supra, n.° 290). Em consequência, a recorrente foi pessoalmente condenada por uma infracção que foi considerada ter sido ela própria
         a cometer, devido aos vínculos económicos e jurídicos que a uniam à Arkema France e que lhe permitiam determinar o comportamento
         desta última no mercado.
      
      181    Daqui decorre que a imputação da responsabilidade pela infracção em causa à recorrente não viola o princípio da individualização
         das penas e das sanções. 
      
      182    A esse respeito, dever ser julgado improcedente o argumento da recorrente segundo o qual resulta dos considerandos 313 e 315
         da decisão recorrida que foi erradamente que a Comissão a considerou como co‑autora ou autora da infracção. Com efeito, apesar
         de, nos referidos considerandos, a Comissão não utilizar tais qualificações a respeito da recorrente, resulta claramente da
         leitura conjugada, nomeadamente, dos considerandos 367 a 375, 386, 387, 396 e 415 da decisão recorrida que aquela considerou
         que, na medida em que a recorrente exercia uma influência determinante sobre a Arkema France e que as mesmas constituíam,
         portanto, uma empresa na acepção do artigo 81.° CE, estas sociedades que compunham a empresa, na acepção do artigo 81.° CE,
         que tinha cometido a infracção deviam ser consideradas responsáveis pela mesma. 
      
      183    Por conseguinte, a quarta parte do segundo fundamento deve ser julgada improcedente.
      
        Quanto à quinta parte, relativa a uma violação do princípio da legalidade das penas
      –       Argumentos das partes
      184    A recorrente alega que, ao violar os princípios da responsabilidade pelos próprios actos e da individualização das penas,
         a Comissão violou o princípio da legalidade das penas. Sustenta que foi condenada, apesar de não existir qualquer disposição
         legal que puna uma infracção que não tenha sido demonstrada contra uma empresa. Por um lado, o artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento
         n.° 1/2003, autoriza unicamente a Comissão a impor sanções às empresas «que tenham participado [numa] infracção». Por outro
         lado, as orientações previam que os poderes de sancionar da Comissão só deveriam ser exercidos «nos limites previstos pelo
         [Regulamento n.° 1/2003]».
      
      185    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      186    A recorrente alega, no essencial, que a Comissão violou o princípio da legalidade das penas ao sancioná‑la, apesar de o artigo
         23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003 e das orientações não preverem tal sanção.
      
      187    De acordo com a jurisprudência, o princípio da legalidade das penas exige que a lei defina claramente as infracções e as penas
         que a mesma pune. Este requisito está preenchido quando a pessoa interessada pode saber, a partir da redacção da disposição
         pertinente e, se necessário, recorrendo à interpretação que lhe é dada pelos tribunais, quais os actos e omissões pelos quais
         responde penalmente (acórdão Evonik Degussa/Comissão e Conselho, n.° 130 supra, n.° 39). 
      
      188    Deve salientar‑se que, por força do artigo 15.°, n.° 2, do Regulamento n.° 17 e do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003,
         a Comissão pode, mediante decisão, aplicar coimas às empresas que cometam, nomeadamente, uma infracção ao disposto no artigo
         81.° CE. 
      
      189    No caso em apreço, atendendo às disposições referidas no n.° 188 supra e na medida em que foi considerado que a recorrente e a sua filial Arkema France formavam uma empresa, na acepção do artigo
         81.° CE, foi sem violar o princípio da legalidade das penas que a Comissão pôde aplicar, em conformidade com a jurisprudência
         exposta no n.° 50 supra, uma coima às pessoas colectivas que faziam parte da referida empresa. 
      
      190    Por conseguinte, a quinta parte do segundo fundamento deve ser julgada improcedente.
      
        Quanto à sexta parte, relativa a uma violação do princípio da igualdade de tratamento 
      –       Argumentos das partes
      191    A recorrente sustenta que o princípio da igualdade de tratamento, segundo o qual, de acordo com a jurisprudência, situações
         comparáveis não podem ser tratadas de modo diferente, foi, no caso em apreço, duplamente violado.
      
      192    Em primeiro lugar, a recorrente alega que a Comissão violou o princípio da igualdade de tratamento, na medida em que, na decisão
         Peróxidos orgânicos, a responsabilidade pela infracção em que a Arkema France tinha participado não lhe tinha sido imputada,
         apesar de, à época dos factos em causa nessa decisão, o grupo Elf Aquitaine ser gerido da mesma maneira que à época dos factos
         em causa na decisão recorrida. A mesma acrescenta, a esse respeito, que a Comissão, por esse facto também violou o princípio
         da segurança jurídica. 
      
      193    Em especial, a recorrente observa que os argumentos da Comissão, segundo os quais o facto de não lhe ter anteriormente imputado
         a responsabilidade pela infracção em causa não a impedia de proceder a tal imputação na decisão recorrida, dado que dispõe
         de uma ampla margem de apreciação em matéria de coimas e de não estar vinculada pela sua própria prática decisória, devem
         ser rejeitados. Por um lado, é incoerente que, em situações idênticas, a Comissão possa imputar‑lhe, ou não, a responsabilidade
         por uma infracção. Por outro, tal faculdade não faz parte do poder de apreciação que lhe é reconhecido para assegurar uma
         aplicação eficaz das regras da concorrência, mas é pura e simplesmente arbitrária, sem poder ser fiscalizada pelos órgãos
         jurisdicionais da União. 
      
      194    Em segundo lugar, a recorrente sustenta que o princípio da igualdade de tratamento entre, por um lado, ela própria, e, por
         outro, a Akzo Nobel e a ELSA, foi violado. A esse respeito, a recorrente salienta que, nos considerandos 378 a 382 e 481 a
         483 da decisão recorrida, ao passo que a Comissão toma em consideração um conjunto de indícios concretos para corroborar a
         presunção de exercício de uma influência determinante a respeito da EKA e da ELSA, a mesma economiza na apresentação de indícios
         concretos a seu respeito para lhe imputar a infracção cometida pela Arkema France. Ora, nada justifica tal diferença de tratamento.
      
      195    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      196    De acordo com jurisprudência assente, o princípio da igualdade de tratamento exige que situações comparáveis não sejam tratadas
         de modo diferente e que situações diferentes não sejam tratadas de modo igual, excepto se esse tratamento for objectivamente
         justificado (v. acórdão do Tribunal de Justiça de 3 de Maio de 2007, Advocaten voor de Wereld, C‑303/05, Colect., p. I‑3633,
         n.° 56 e jurisprudência referida).
      
      197    Quanto à primeira alegação da recorrente, segundo a qual a Comissão infringiu tanto o princípio da igualdade de tratamento
         como o princípio da segurança jurídica, na medida em que não lhe imputou a responsabilidade pela infracção em causa na decisão
         Peróxidos orgânicos, esta deve ser julgada improcedente. Com efeito, por um lado, dado que a Comissão já tinha, entre a adopção
         da decisão Peróxidos orgânicos e a da decisão recorrida, imputado à recorrente a responsabilidade pelas infracções constatadas
         em três decisões, concretamente, a decisão AMCA, a decisão Peróxido de hidrogénio e a decisão Metacrilatos, esta não podia
         ignorar as condições de tal imputação. Por outro, deve recordar‑se que, como foi exposto no n.° 60 supra, uma vez que a Comissão dispõe da faculdade, mas não tem a obrigação, de imputar a responsabilidade da infracção a uma sociedade‑mãe
         e que as condições para tal imputação estavam preenchidas no caso em apreço, o simples facto de a Comissão não ter procedido
         a tal imputação na decisão Peróxidos orgânicos não implicava que a mesma fosse obrigada a efectuar apreciação na decisão recorrida.
      
      198    Além disso, o argumento da recorrente de que o facto de a Comissão dispor de uma margem de apreciação que a autoriza a imputar
         uma infracção cometida por uma filial à sua sociedade‑mãe é do domínio do arbitrário, deve ser julgado improcedente. Com efeito,
         embora a Comissão disponha, de acordo com a jurisprudência referida no n.° 60 supra, de uma margem de apreciação para decidir se cabe imputar a responsabilidade de uma infracção a uma sociedade‑mãe, não é
         menos verdade que a sua decisão de proceder a tal imputação não escapa, como no caso em apreço, à fiscalização dos órgão jurisdicionais
         da União, aos quais compete verificar se estão reunidas as condições para tal imputação. 
      
      199    Logo, a primeira alegação da recorrente não pode ser acolhida.
      
      200    Quanto à segunda alegação da recorrente de que a mesma, na decisão recorrida, foi objecto de um tratamento discriminatório
         em relação à Akzo Nobel e à ELSA, na medida em que, diferentemente de como procedeu relativamente a estas últimas, a Comissão
         não apresentou elementos concretos a seu respeito para lhe imputar a responsabilidade pela infracção em causa, a mesma deve
         ser julgada improcedente. 
      
      201    Por um lado, esta alegação assenta numa interpretação errónea da decisão recorrida. Com efeito, da mesma maneira que a Comissão
         apresentou indícios suplementares para corroborar a presunção de exercício de uma influência determinante da Akzo Nobel sobre
         a sua filial EKA (considerando 378 da decisão recorrida) e da ELSA sobre a sua filial Finnish Chemicals (considerando 481
         da decisão recorrida), a Comissão assinalou, igualmente, indícios destinados a corroborar a presunção de exercício de uma
         influência determinante da recorrente sobre a Arkema France (considerando 386 da decisão recorrida).
      
      202    Por outro lado, mesmo que, na decisão recorrida, a Comissão só tivesse corroborado a presunção de exercício de uma influência
         determinante a respeito da Akzo Nobel e da sua filial EKA, bem como da ELSA e da sua filial Finnish Chemicals, e não a respeito
         da recorrente e da sua filial, isto não colocaria em questão a legalidade da referida decisão. Com efeito, como decorre da
         apreciação exposta no n.° 77 supra, a Comissão não era obrigada a corroborar a referida presunção, tendo em conta o facto de a Elf Aquitaine deter a quase totalidade
         do capital social da sua filial. Por conseguinte, mesmo pressupondo que as referidas empresas não se encontrassem numa situação
         comparável, o facto de a Comissão ter decidido corroborar a presunção de exercício de influência determinante unicamente a
         respeito de algumas de entre elas, não é susceptível de levar à anulação da decisão recorrida.
      
      203    Portanto, há que julgar improcedentes a segunda alegação da recorrente, bem como a sexta parte do argumento, na sua totalidade.
      
      204    Na medida em que as seis partes do segundo fundamento devem ser julgadas parcialmente improcedentes, parcialmente inadmissíveis
         e parcialmente inoperantes, há que julgar improcedente este fundamento na sua totalidade. 
      
       Quanto ao terceiro fundamento, relativo a uma desvirtuação do conjunto de indícios apresentado pela recorrente
       Argumentos das partes
      205    A recorrente alega que os fundamentos expostos pela Comissão, nos considerandos 400 a 404 da decisão recorrida, para rejeitar
         os elementos do conjunto de indícios que apresentou mostram que a Comissão desvirtuou alguns desses indícios, recorrendo a
         extrapolações, a suposições e a presunções não demonstradas. Além disso, a afirmação da Comissão, constante do considerando
         404 da decisão recorrida, segundo a qual os factos do caso em apreço estavam de acordo com essas presunções, reforça o facto
         de a mesma ter desvirtuado os referidos indícios.
      
      206    A Comissão contesta esta argumentação.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      207    Antes de mais, há que constatar que, em apoio deste fundamento, a recorrente não apresenta nenhum elemento concreto que apoie
         a sua afirmação segundo a qual a Comissão desvirtuou o conjunto de indícios que a mesma tinha apresentado a fim de ilidir
         a presunção de exercício de uma influência determinante. Em seguida, na medida em que a recorrente sustenta, no essencial,
         que a Comissão considerou erradamente que o conjunto de indícios que lhe forneceu não ilide a presunção de exercício de uma
         influência determinante, há que declarar que este fundamento constitui uma reformulação da quarta parte do primeiro fundamento
         e, portanto, deve ser rejeitado pelos motivos já expostos nos n.os 95 a 107 supra, nos termos dos quais foi decidido que o conjunto de indícios apresentado pela recorrente não permitia ilidir a referida
         presunção.
      
      208    Por conseguinte, há que considerar improcedente o terceiro fundamento.
      
       Quanto ao quarto fundamento, relativo à existência de uma fundamentação contraditória na decisão recorrida 
      209    A recorrente alega que a decisão recorrida contém três contradições que a ferem de nulidade. Em resposta às questões do Tribunal
         na audiência, a recorrente confirmou que invocava, a este respeito, a falta de fundamentação. Este fundamento divide‑se em
         três partes.
      
       Quanto à primeira parte, relativa a uma fundamentação contraditória na aplicação do conceito de empresa na acepção do artigo
         81.°, n.° 1, CE
      
      –       Argumentos das partes
      210    A recorrente sustenta que existe uma fundamentação contraditória na decisão recorrida quanto à aplicação do conceito de empresa
         na acepção do artigo 81.°, n.° 1, CE.
      
      211    Em primeiro lugar, a recorrente observa que, embora resulte, dos considerandos 1 e 320 da decisão recorrida que a Comissão
         considerou que aos destinatários da referida decisão eram aplicadas sanções devido à sua participação na infracção em causa,
         esta salienta, ao mesmo tempo, de maneira contraditória, nos considerandos 69, 384 e 385 da mesma decisão, que a recorrente
         nunca participou na infracção em causa. 
      
      212    Em segundo lugar, a recorrente alega que a decisão recorrida contém uma fundamentação contraditória acerca do «perímetro»
         da empresa, na acepção do artigo 81.°, n.° 1, CE, que a Comissão considerou.
      
      213    Primeiro, a Comissão definiu, nos considerandos 16 e 385 da decisão recorrida, a Arkema France como sendo a única empresa
         responsável pela infracção, ao passo que, nos considerandos 375 e 415 da referida decisão, considerou que lhe devia ser imputada
         a infracção cometida pela Arkema France.
      
      214    Segundo, existem, na decisão recorrida, contradições na fundamentação da decisão recorrida consagrada ao cálculo das duas
         coimas que foram aplicadas à recorrente. A esse respeito, a recorrente alega que a Comissão lhe aplica, na decisão recorrida,
         uma coima individual, apesar de a recorrente não ter participado na infracção e não ter tido conhecimento da mesma, e que
         as duas coimas que lhe são aplicadas foram calculadas com base em parâmetros que diziam respeito à Arkema France e sobre os
         quais a recorrente não pôde exercer qualquer influência. 
      
      215    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      216    Segundo jurisprudência assente, a fundamentação exigida pelo artigo 253.° CE deve ser adaptada à natureza do acto em causa
         e revelar, de forma clara e inequívoca, a argumentação da instituição, autora do acto, por forma a permitir aos interessados
         conhecer as razões da medida adoptada e ao órgão jurisdicional competente exercer a sua fiscalização. Não se exige que a fundamentação
         especifique todos os elementos de facto e de direito pertinentes, na medida em que a questão de saber se a fundamentação de
         um acto satisfaz as exigências do artigo 253.° CE deve ser apreciada à luz não somente da sua redacção, mas também do seu
         contexto e do conjunto das normas jurídicas que regem a matéria em causa (v. acórdão do Tribunal de Justiça de 2 de Abril
         de 1998, Comissão/Sytraval e Brink’s France, C‑367/95 P, Colect., p. I‑1719, n.° 63 e jurisprudência referida, e acórdão Hoek
         Loos/Comissão, n.° 178 supra, n.° 58).
      
      217    Resulta, igualmente, da jurisprudência que, quando uma decisão de aplicação do artigo 81.° CE diz respeito a uma pluralidade
         de destinatários e coloca um problema de imputação da infracção, deve conter uma fundamentação suficiente relativamente a
         cada um dos destinatários, em particular aos que, nos termos dessa decisão, vierem a ser responsabilizados pela infracção
         (acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 28 de Abril de 1994, AWS Benelux/Comissão, T‑38/92, Colect., p. II‑211, n.° 26).
         Assim, para ser suficientemente fundamentada relativamente às sociedades‑mães das filiais que cometeram a infracção, a decisão
         da Comissão deve conter uma exposição circunstanciada dos fundamentos susceptíveis de justificar a imputação da infracção
         a essas sociedades (v., nesse sentido, acórdão do Tribunal Geral de 14 de Maio de 1998, SCA Holding/Comissão, T‑327/94, Colect.,
         p. II‑1373, n.° 80).
      
      218    No caso em apreço, sem que seja necessário examinar cada um dos considerandos da decisão recorrida que a recorrente invoca,
         há que constatar que resulta, sem ambiguidade, dos considerandos 386 e 387 da decisão recorrida, expostos nos n.os 41 e 42 supra, que foi com base na constatação de que a recorrente e a Arkema France constituíam uma única empresa, na acepção do artigo
         81.° CE, que a Comissão decidiu imputar‑lhe a infracção cometida pela Arkema France e aplicar‑lhe coimas. 
      
      219    Ora, ainda que a fundamentação contraditória da decisão recorrida, invocada pela recorrente, se verificasse, o facto é que
         a fundamentação constante da referida decisão permitiu, por um lado, à recorrente conhecer as justificações da sua condenação
         e das coimas que lhe foram aplicadas, o que é demonstrado pelo facto de a mesma contestar, nomeadamente, nos seus dois primeiros
         fundamentos, a legalidade da decisão recorrida na medida em que a Comissão lhe imputou a responsabilidade pela infracção em
         causa, e, nos seus oitavo e nono fundamentos, o facto de lhe ter sido aplicada uma coima solidariamente com a Arkema France
         e a título individual e, por outro, ao Tribunal Geral exercer a sua fiscalização.
      
      220    Além disso, na medida em que a recorrente alega uma fundamentação contraditória decorrente do facto de as coimas que lhe foram
         aplicadas no artigo 2.°, alíneas c) e e), da decisão recorrida terem sido calculadas com base em «parâmetros que diziam respeito»
         à Arkema France, esse argumento deve ser julgado improcedente. Com efeito, deve salientar‑se, a esse respeito, que, para além
         do facto de a recorrente não ter indicado em que é que esse cálculo das coimas seria contraditório, a aplicação de uma coima
         individual e o facto de esta última ser calculada com base em parâmetros que diziam respeito à Arkema France decorrem directamente
         da aplicação das orientações e não necessitam, portanto, de nenhuma fundamentação especial na decisão recorrida. Nestas condições,
         improcede a primeira parte do quarto fundamento.
      
       Quanto à segunda parte, relativa a uma fundamentação contraditória da decisão recorrida relativamente ao conhecimento, pela
         recorrente, da infracção em causa
      
      –       Argumentos das partes
      221    A recorrente alega que existe uma fundamentação contraditória, na decisão recorrida, relativamente ao conhecimento que esta
         podia ter da infracção cometida pela Arkema France. Com efeito, num primeiro momento, a Comissão afirmou, na referida decisão,
         que a recorrente estava necessariamente informada da actividade da Arkema France, devido à presença, nos quadros da recorrente
         e da Arkema France, das mesmas pessoas, depois, num segundo momento, a mesma afirmou, de forma contraditória, no considerando
         401 da decisão recorrida, que a recorrente podia ignorar as condutas anticoncorrenciais da sua filial.
      
      222    A Comissão contesta a argumentação da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      223    Quanto à alegação da recorrente de que determinados fundamentos da decisão recorrida eram contraditórios relativamente ao
         facto de a mesma ter tido conhecimento da infracção em causa, deve observar‑se que, mesmo que tais contradições se verificassem,
         isso não teria incidência sobre o facto de, dado a Arkema France e a recorrente constituírem uma única empresa na acepção
         do artigo 81.°, n.° 1, CE, a Comissão poder imputar, de acordo com a jurisprudência exposta nos n.os 45 a 55 supra, a responsabilidade pela infracção em causa à recorrente, independentemente do facto de a recorrente ter conhecimento da
         mesma ou de ter participado directamente na referida infracção, o que a Comissão não era obrigada a demonstrar. Assim, uma
         eventual fundamentação contraditória, na decisão recorrida, a esse respeito não teria, de qualquer forma, incidência sobre
         a legalidade da decisão recorrida. 
      
      224    Consequentemente, a segunda parte do quarto fundamento deve ser julgada inoperante.
      
       Quanto à terceira parte, relativa a uma fundamentação contraditória relativamente à natureza do controlo que uma sociedade‑mãe
         deve exercer sobre a sua filial para que lhe seja imputada a infracção cometida por esta última
      
      –       Argumentos das partes
      225    A recorrente alega que existe uma dupla contradição na fundamentação da decisão recorrida. 
      
      226    Em primeiro lugar, a recorrente salienta que a Comissão afirma correctamente, no considerando 407 da decisão recorrida, que
         a imputação da responsabilidade por uma infracção a uma sociedade‑mãe está subordinada à prova do exercício de um controlo
         efectivo desta última sobre a política comercial da sua filial. Ora, o exame feito pela Comissão ao conjunto de indícios apresentado
         pela recorrente, como resulta dos considerandos 403 e 404 da decisão recorrida, mostra que a Comissão alargou o âmbito de
         aplicação desse controlo efectivo da recorrente para além da política comercial da sua filial. 
      
      227    Em segundo lugar, a recorrente sustenta que os considerandos 403 e 404 da decisão recorrida estão em contradição com o considerando
         413 da mesma decisão, no qual a Comissão sustenta que, na decisão Peróxido de hidrogénio, apenas se baseou numa presunção
         de exercício de uma influência determinante da recorrente sobre a política comercial da sua filial.
      
      228    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      229    A recorrente defende, no essencial, nas duas alegações que apresenta, que existe uma fundamentação contraditória, na decisão
         recorrida, quanto à natureza do controlo que deve ser exercido por uma sociedade‑mãe sobre a sua filial para que a Comissão
         lhe possa imputar a responsabilidade por uma infracção.
      
      230    No caso em apreço, há que declarar que, mesmo que a fundamentação contraditória, na decisão recorrida, se verificasse, esta
         não teria incidência sobre a conclusão segundo a qual a Comissão não violou o seu dever de fundamentação a esse respeito,
         dado que, por um lado, como resulta do exame da quarta parte do primeiro fundamento (v. n.os 95 a 107 supra), a recorrente teve a possibilidade de conhecer os motivos que conduziram a Comissão a concluir que os indícios que aquela
         tinha apresentado não permitiam ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante e, portanto, de contestar a
         sua legalidade, e, por outro, o Tribunal Geral pôde exercer a sua fiscalização.
      
      231    Assim, a terceira parte do quarto fundamento deve ser julgada improcedente e o quarto fundamento, na sua totalidade, deve
         ser julgado parcialmente improcedente e parcialmente inoperante.
      
       Quanto ao quinto fundamento, relativo a uma violação do princípio da boa administração
       Argumentos das partes
      232    A recorrente alega, no essencial, que a Comissão violou o princípio da boa administração. 
      
      233    Em primeiro lugar, a Comissão não examinou com cuidado e imparcialidade todos os elementos de facto pertinentes e, em particular,
         as informações que a recorrente lhe forneceu nas suas observações em resposta à comunicação de acusações, que demonstravam,
         de maneira clara e precisa, a autonomia económica da Arkema France no mercado. Além disso, a Comissão não procedeu a um exame
         individual e concreto da situação da recorrente. 
      
      234    Em segundo lugar, o princípio da boa administração impõe que a Comissão aplique às empresas as regras que aplica a si própria.
         Ora, no considerando 358 da decisão recorrida, a Comissão recordou que tinha direito a basear‑se num conjunto de indícios
         para demonstrar uma infracção, ao passo que a nega, de facto, no caso em apreço, essa modalidade de prova à recorrente. Esta
         remete, a esse respeito, para a quarta e a quinta partes do primeiro fundamento. 
      
      235    Em terceiro lugar, a recorrente alega que, contrariamente ao que a Comissão salientou, no considerando 314 da decisão recorrida,
         o princípio da boa administração exige, como a recorrente alegou nas suas observações em resposta à comunicação de acusações,
         que a Comissão suspenda a adopção da decisão recorrida até que o Tribunal Geral decida os recursos que a recorrente interpôs
         contra a decisão AMCA, a decisão Peróxido de hidrogénio e a decisão Metacrilatos. Recorda, a este respeito, que o facto de
         obrigar uma recorrente a interpor um novo recurso de anulação de uma decisão da Comissão pode ser contrário à exigência de
         economia processual, como o Tribunal Geral declarou no seu acórdão de 21 de Outubro de 2004, Lenzig/Comissão (T‑36/99, Colect.,
         p. II‑3597). 
      
      236    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      237    De acordo com jurisprudência assente, nos casos em que as instituições da União dispõem de um poder de apreciação para poder
         desempenhar as suas funções, o respeito das garantias atribuídas pelo ordenamento jurídico comunitário nos procedimentos administrativos
         reveste‑se de uma importância ainda mais fundamental. Entre essas garantias consta, nomeadamente, a obrigação de a instituição
         competente examinar, com cuidado e imparcialidade, todos os elementos relevantes do caso concreto (acórdão do Tribunal de
         Justiça de 21 de Novembro de 1991, Technische Universität München, C‑269/90, Colect., p. I‑5469, n.° 14; acórdãos do Tribunal
         Geral de 24 de Janeiro de 1992, La Cinq/Comissão, T‑44/90, Colect., p. II‑1, n.° 86, e de 20 de Março de 2002, ABB Asea Brown
         Boveri/Comissão, T‑31/99, Colect., p. II‑1881, n.° 99).
      
      238    No caso em apreço, há que examinar cada uma das três alegações da recorrente destinadas a demonstrar que a Comissão violou
         o princípio da boa administração.
      
      239    Em primeiro lugar, quanto à alegação da recorrente, de que a Comissão não examinou com cuidado e imparcialidade os indícios
         que tinha apresentado a fim de ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante e não examinou a sua situação
         concreta, deve ser julgada improcedente. Com efeito, para além do facto de a recorrente não apresentar nenhum argumento ou
         prova específica que apoie esta alegação, resulta dos considerandos 396 a 415 da decisão recorrida que a Comissão examinou
         e rejeitou explicitamente os argumentos invocados pela recorrente a fim de ilidir a referida presunção.
      
      240    Em segundo lugar, quanto à alegação da recorrente, de que, no essencial, a Comissão violou o princípio da boa administração,
         na medida em que, no caso em apreço, rejeitou de facto a modalidade de prova produzida por um conjunto de indícios para ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante,
         embora a Comissão tenha recorrido a tal modalidade de prova, deve ser julgada improcedente. Com efeito, é necessário reconhecer,
         a esse respeito, que, como foi exposto no âmbito da quarta parte do primeiro fundamento (v. n.os 95 a 107 supra), foi depois de ter examinado os elementos do conjunto de indícios apresentado pela recorrente que a Comissão considerou
         que os mesmos não eram susceptíveis de ilidir a presunção de exercício de uma influência determinante. Logo a Comissão não
         infringiu, quanto a este aspecto, o princípio da boa administração. 
      
      241    Em terceiro lugar, quanto à alegação da recorrente, segundo a qual a Comissão deveria, de acordo com os princípios da boa
         administração e de economia processual, ter suspenso o procedimento iniciado a seu respeito no presente processo, até que
         o Tribunal Geral se pronunciasse sobre os recursos que tinha interposto contra a decisão AMCA, a decisão Peróxido de hidrogénio
         e a decisão Metacrilatos, deve ser julgada improcedente. Com efeito, importa, desde já, declarar que, para além do facto de
         as decisões da Comissão gozarem de uma presunção de validade, enquanto não forem anuladas ou revogadas (acórdão do Tribunal
         de Justiça de 15 de Junho de 1994, Comissão/BASF e o., C‑137/92 P, Colect., p. I‑2555, n.° 48), nenhuma disposição legal impõe
         à Comissão que suspenda a adopção de decisões em processos que têm por objecto factos diferentes. Além disso, contrariamente
         ao que afirma a recorrente, não resulta do acórdão Lenzing/Comissão, n.° 235 supra (n.° 56), que a Comissão era obrigada, no caso em apreço, por razões de economia processual, a suspender a adopção da decisão
         recorrida até que o Tribunal decida os recursos que a recorrente interpôs de outras decisões que lhe aplicavam sanções. Com
         efeito, no n.° 58 do referido acórdão, o Tribunal considerou, no essencial, que, quando uma decisão objecto de um recurso
         é modificada, as partes podem ser autorizadas adaptar os seus pedidos por motivo da superveniência desse facto novo, na medida
         em que «[s]eria, com efeito, contrário à boa administração da justiça e à exigência de economia processual obrigar a recorrente
         a interpor no Tribunal um novo recurso de anulação», em semelhante circunstância.
      
      242    Portanto, há que julgar improcedentes a terceira alegação da recorrente e o quinto fundamento, na sua totalidade. 
      
       Quanto ao sexto fundamento, relativo a uma violação do princípio da segurança jurídica
       Argumentos das partes
      243    A recorrente alega, no essencial, que a decisão recorrida põe gravemente em perigo a segurança jurídica, com base na qual
         esta podia ter uma expectativa legítima, tendo em conta a jurisprudência constante que invocou no âmbito do primeiro fundamento.
         
      
      244    Em primeiro lugar, a imputação da responsabilidade pela infracção em causa à recorrente, na decisão recorrida, é baseada num
         critério tão novo quanto incompreensível, que depende da boa vontade da Comissão, na falta de qualquer prova concreta de uma
         eventual interferência da sociedade‑mãe na política comercial da sua filial. 
      
      245    Em segundo lugar, a Comissão tinha condenado, na decisão recorrida, pela primeira vez, e sem qualquer base jurídica, a recorrente
         a duas coimas, distintas mas cumulativas, das quais uma lhe é aplicada a título individual, pelos mesmos factos.
      
      246    Em terceiro lugar, a recorrente sustenta, como já tinha alegado no âmbito da primeira parte do quarto fundamento, que, na
         medida em que os vínculos que a uniam à Arkema France são idênticos no presente processo e no processo que levou a Comissão
         a adoptar a decisão Peróxidos orgânicos, é incompreensível que a Comissão tenha adoptado duas soluções completamente diferentes
         nesses dois processos. 
      
      247    A Comissão contesta estes argumentos.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      248    Quanto, em primeiro lugar, à alegação da recorrente de que a Comissão infringiu o princípio da segurança jurídica, uma vez
         que decidiu imputar‑lhe a responsabilidade pela infracção em causa segundo um critério «novo» e «incompreensível», deve ser
         julgada improcedente. Com efeito, por um lado, como foi referido no n.° 197 supra, a Comissão imputou à recorrente, antes da adopção da decisão recorrida, a responsabilidade pelas infracções que foram objecto
         de sanção em três decisões, concretamente a decisão AMCA, a decisão Peróxido de hidrogénio e a decisão Metacrilatos. Por conseguinte,
         a recorrente não pode alegar com razão que as condições de imputação da responsabilidade por uma infracção a uma sociedade‑mãe
         lhe eram desconhecidas. Por outro, e em qualquer caso, como resulta da jurisprudência exposta nos n.os 45 a 55 supra, a presunção de exercício de uma influência determinante na qual a Comissão se baseou na decisão recorrida para sancionar
         a recorrente não é, nem «nova», nem «incompreensível».
      
      249    Quanto, em segundo lugar, à alegação da recorrente de que a Comissão infringiu o princípio da segurança jurídica, ao condená‑la,
         pela primeira vez, e sem qualquer base jurídica, a duas coimas distintas mas cumulativas, das quais uma lhe é aplicada a título
         individual, pelos mesmos factos, é necessário, desde já, observar que, de acordo com as sanções previstas no artigo 15.°,
         n.° 2, do Regulamento n.° 17 e no artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003, a Comissão pode, mediante decisão, aplicar
         coimas às empresas que cometam uma infracção ao artigo 81.° CE. Está assente que as sanções previstas no artigo 15.° do Regulamento
         n.° 17 e no artigo 23.° do Regulamento n.° 1/2003 têm por objectivo reprimir comportamentos ilícitos, bem como evitar a reincidência
         (v. acórdão do Tribunal Geral de 15 de Março de 2006, BASF/Comissão, T‑15/02, Colect., p. II‑497, n.° 218 e jurisprudência
         referida).
      
      250    De acordo com a jurisprudência, em princípio, cabe à pessoa singular ou colectiva que dirigia a empresa em causa no momento
         em que a infracção foi cometida responder pela mesma, mesmo que, na data da adopção da decisão que declara provada uma infracção,
         a exploração da empresa tenha sido colocada sob a responsabilidade de outra pessoa (acórdão do Tribunal de Justiça de 16 de
         Novembro de 2000, Cascades/Comissão, C‑279/98 P, Colect., p. I‑9693, n.° 78).
      
      251    Para efeitos da sua aplicação e execução, as decisões tomadas em aplicação do artigo 81.° CE, devem, no entanto, ser dirigidas
         a entidades dotadas de personalidade jurídica (v., nesse sentido, acórdãos Akzo Nobel e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 59, e PVC II, n.° 60 supra, n.° 978). Assim, quando a Comissão adopta uma decisão nos termos do artigo 81.°, n.° 1, CE, deve identificar a ou as pessoas,
         singulares ou colectivas, que podem ser responsabilizadas pelo comportamento da empresa em causa e que podem ser punidas por
         isso, às quais será dirigida a decisão (v., neste sentido, acórdão do Tribunal de Justiça de 12 de Julho de 1984, Hydrotherm
         Gerätebau, Recueil, p. 2999, n.° 11).
      
      252    Por outro lado, deve recordar‑se que as orientações que a Comissão adopta para calcular o montante das coimas asseguram a
         segurança jurídica das empresas, uma vez que determinam a metodologia que a Comissão impôs a si própria para efeitos da fixação
         do montante das coimas (v., nesse sentido, acórdão do Tribunal de Justiça de 8 de Fevereiro de 2007, Groupe Danone/Comissão,
         C‑3/06 P, Colect., p. I‑1331, a seguir «acórdão Danone do Tribunal de Justiça», n.° 23). A Administração europeia não se pode
         furtar às mesmas, num caso específico, sem apresentar razões compatíveis com o princípio da igualdade de tratamento (acórdão
         do Tribunal de Justiça de 18 de Maio de 2006, Archer Daniels Midland e Archer Daniels Midland Ingredients/Comissão, C‑397/03 P,
         Colect., p. I‑4429, n.° 91).
      
      253    Nos termos dos pontos 9 a 11 das orientações, a determinação do montante das coimas faz‑se em duas etapas. Num primeiro momento,
         nos termos dos pontos 12 a 26 das referidas orientações, a Comissão deve fixar um montante de base da coima que é calculado
         a partir de uma percentagem do valor das vendas das empresas em causa multiplicado pela duração da participação no acordo
         e ao qual é acrescentada uma soma correspondente a uma percentagem do valor das referidas vendas, a fim de as dissuadir de
         participarem em acordos. Num segundo momento, nos termos dos pontos 27 a 29 das referidas orientações, a Comissão pode tomar
         em consideração circunstâncias que impliquem uma redução ou um agravamento do montante da coima. O ponto 28 das referidas
         orientações indica, em especial, que, no essencial, a reincidência pode ser punida com um aumento de 100% do montante de base
         da coima, por cada infracção idêntica ou similar anteriormente verificada. Por outro lado, os pontos 30 e 31 das referidas
         orientações prevêem, em determinadas circunstâncias, um montante adicional de aumento. Em particular, nos termos do ponto
         30 das referidas orientações, «[a] Comissão prestará especial atenção à necessidade de assegurar que as coimas apresentam
         um efeito suficientemente dissuasivo» e «[p]ara esse efeito, pode aumentar a coima a aplicar às empresas que tenham um volume
         de negócios particularmente elevado que se estenda para lá das vendas de bens e serviços relacionadas com a infracção». A
         este respeito, é necessário recordar que o Tribunal Geral considerou que, na medida em que uma empresa que dispõe de um volume
         de negócios global nitidamente superior ao dos outros membros do cartel está em condições de mobilizar mais facilmente os
         fundos necessários ao pagamento da sua coima, a Comissão tem o direito de aumentar, a esse título, a referida coima, na perspectiva
         de assegurar um efeito dissuasivo suficiente a esta última (v., nesse sentido, acórdão do Tribunal Geral de 29 de Abril de
         2004, Tokai Carbon e o./Comissão, T‑236/01, T‑239/01, T‑244/01 a T‑246/01, T‑251/01 e T‑252/01, Colect., p. II‑1181, n.° 241).
      
      254    No caso em apreço, por um lado, deve salientar‑se que, como resulta dos pontos 18 a 23 supra, a Comissão aplicou, na decisão recorrida, de acordo com o disposto nas orientações, cujo teor foi resumido no n.° 253 supra, uma coima, primeiro, no montante de 22 700 000 euros, à Arkema France e à recorrente solidariamente, que corresponde ao
         montante de base da coima [v. artigo 2.°, alínea c), da referida decisão], em segundo lugar, no montante de 20 430 000 euros,
         à Arkema France, individualmente, que corresponde a um aumento de 90% do montante de base da coima, a título de reincidência
         [v. artigo 2.°, alínea d), da referida decisão] e, em terceiro lugar, no montante de 15 890 000 euros à recorrente, individualmente,
         [v. artigo 2.°, alínea e), da referida decisão], que corresponde ao aumento de 70% do montante de base da coima ligado ao
         valor do seu volume de negócios, para lá das vendas de bens relacionadas com a infracção.
      
      255    Por outro lado, é necessário sublinhar que, embora a recorrente e a Arkema France constituíssem, à época da infracção em causa,
         uma empresa na acepção do artigo 81.° CE, a referida empresa já não existia à data da adopção da decisão recorrida, dado que,
         como foi exposto no n.° 1 supra, a Arkema France já não era controlada pela recorrente desde 2006.
      
      256    Nestas condições, em conformidade com o artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003, a Comissão pôde, por um lado, aplicar
         uma coima solidariamente à recorrente e à Arkema France, que eram as duas sociedades, à época dos factos em litígio, que compunham
         a empresa, na acepção do artigo 81.° CE, e deviam responder pela infracção em causa, e, por outro, para ter em conta a circunstância
         exposta no n.° 255 supra, aplicar um aumento do montante de base da coima, nos termos do ponto 30 das orientações, à recorrente individualmente, cujo
         volume de negócios era particularmente elevado em comparação com as outras entidades sancionadas à data da adopção da decisão
         recorrida e lhe permitia mobilizar mais facilmente os fundos necessários ao pagamento de uma coima, como a Comissão declarou
         correctamente nos considerandos 548 e 549 da decisão recorrida.
      
      257    Assim, a Comissão, ao aplicar uma coima solidária à Arkema France e à a recorrente, coima essa cujo montante, em seguida,
         aumentou em 70% para a recorrente individualmente, agiu em conformidade com o poder de fixação do montante das coimas que
         lhe é concedido pelo artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003 e que se comprometeu a aplicar de acordo com as disposições
         das orientações. A alegação da recorrente segundo a qual a Comissão infringiu o princípio da segurança jurídica, ao condená‑la,
         sem qualquer base jurídica, a duas coimas distintas mas cumulativas, deve, portanto, ser julgada improcedente.
      
      258    Em terceiro lugar, quanto à alegação da recorrente segundo a qual a Comissão violou o princípio da segurança jurídica devido
         ao «raciocínio com geometria variável» que esta tinha adoptado na decisão recorrida e na decisão Peróxidos de hidrogénio,
         deve ser julgada improcedente. Com efeito, para além do facto de, nessas duas decisões, a Comissão ter imputado de maneira
         idêntica a responsabilidade das infracções em causa à recorrente com base na presunção de exercício de uma influência determinante,
         importa recordar, em todo o caso, que, como resulta da jurisprudência exposta no n.° 60 supra, mesmo que a Comissão não tivesse, numa decisão anterior, procedido a tal imputação, isso não a impedia, de forma alguma,
         de proceder à mesma numa decisão posterior.
      
      259    Por conseguinte, o sexto fundamento deve ser julgado improcedente.
      
       Quanto ao sétimo fundamento, relativo a um desvio de poder
       Argumentos das partes
      260    A recorrente alega que, ao imputar‑lhe a responsabilidade pela infracção em causa e ao condená‑la a duas coimas cumulativas,
         a Comissão cometeu um desvio de poder que lhe é concedido pelo Regulamento n.° 1/2003. Com efeito, as sanções que lhe foram
         aplicadas foram desviadas do seu objectivo legítimo à luz do referido regulamento, dado que a Comissão tinha procurado maximizar
         a sanção de uma outra empresa, que não a recorrente, no caso concreto, a da sua filial, que reconheceu a sua responsabilidade
         na infracção em causa. 
      
      261    A Comissão contesta esta argumentação.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      262    De acordo com jurisprudência assente, uma decisão só está viciada por desvio de poder quando se verifique, com base em indícios
         objectivos, pertinentes e concordantes, ter sido tomada para alcançar fins diversos dos invocados (v. acórdão do Tribunal
         Geral de 16 de Setembro de 1998, IECC/Comissão, T‑133/95 e T‑204/95, Colect., p. II‑3645, n.° 188 e jurisprudência referida).
      
      263    Por um lado, na medida em que a recorrente alega, no essencial, que a Comissão cometeu um desvio de poder, ao imputar‑lhe
         a responsabilidade pela infracção em causa, cumpre recordar que, como foi examinado no âmbito das cinco partes do primeiro
         fundamento, a Comissão podia, com razão, proceder a tal imputação, dado que a Arkema France e a recorrente constituíam uma
         única empresa ma acepção do artigo 81.° CE.
      
      264    Por outro lado, na medida em que a recorrente alega, no essencial, que a Comissão cometeu um desvio de poder, ao aplicar‑lhe
         uma coima individual, no artigo 2.°, alínea e), da decisão recorrida, cumpre recordar que, como foi declarado no âmbito do
         exame da segunda alegação do sexto fundamento (v. n.os 249 a 257 supra), foi ao abrigo do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003 e em conformidade com o n.° 30 das orientações, que a Comissão
         aplicou um aumento do montante de base da coima à recorrente, individualmente.
      
      265    Por conseguinte, o sétimo fundamento deve ser julgado improcedente.
      
       Quanto ao oitavo fundamento, relativo ao à falta de fundamento para a aplicação à recorrente de uma coima individual
       Argumentos das partes
      266    A recorrente alega, no essencial, que a coima que lhe foi aplicada no artigo 2.°, alínea e), da decisão recorrida, não está
         juridicamente fundamentada. 
      
      267    Em primeiro lugar, a recorrente considera que a coima de 15 890 000 euros que lhe foi aplicada é desprovida de base jurídica
         e viola várias disposições e princípios de direito comunitário. 
      
      268    Primeiro, a aplicação de uma coima individual à recorrente é contrária ao artigo 81.°, n.° 1, CE e ao artigo 23.°, n.° 2,
         do Regulamento n.° 1/2003. Por um lado, não existindo unidade económica com a Arkema France, a coima individual aplicada à
         recorrente não pode ser justificada, dado que não participou na infracção em causa. Por outro, é contraditório sustentar que
         a recorrente e a Arkema France constituíam uma única e mesma empresa e punir, de forma pessoal, a primeira referida, o que
         equivale a admitir a existência de duas empresas no âmbito do mesmo grupo. Além disso, apenas a participação directa numa
         infracção implica uma responsabilidade que exige uma sanção pessoal. Na audiência, a recorrente observou, igualmente, que
         uma coima desse tipo resultaria em puni‑la duas vezes pela mesma infracção, o que seria contrário à Carta dos Direitos Fundamentais
         da União Europeia.
      
      269    Segundo, a aplicação de uma coima individual à recorrente viola o ponto 30 das orientações, dado que o referido ponto apenas
         faz referência à possibilidade de aumentar «a coima a aplicar às empresas» e que, no caso em apreço, a única empresa «relevante»,
         no âmbito do grupo Elf Aquitaine, seria a Arkema France.
      
      270    Terceiro, a recorrente considera, antes de mais, que a coima individual que lhe foi aplicada viola, na ausência de qualquer
         base jurídica, a presunção de inocência, os princípios da autonomia das pessoas colectivas, da legalidade, da responsabilidade
         pelos próprios actos e da individualização das penas. Além disso, a Comissão cometeu, a esse respeito, uma segunda violação
         do princípio da legalidade, uma vez que o ponto 30 das orientações não precisa os parâmetros de cálculo do «aumento específico
         tendo em vista o carácter dissuasivo». O aumento de 70% do montante da coima aplicado à recorrente não assenta, portanto,
         em nenhuma base jurídica, em violação do princípio da legalidade, que impõe que uma norma repressiva tenha um grau de precisão
         suficiente. Na audiência, a mesma observou, igualmente, que as referidas orientações não possuíam, em qualquer caso, a força
         jurídica de uma disposição legislativa.
      
      271    Em segundo lugar, a recorrente alega que, ao basear, nos considerandos 545 a 549 da decisão recorrida, a coima individual
         aplicada à Arkema France, na alegada necessidade de assegurar um carácter dissuasivo «em função do valor do volume de negócios
         global da empresa para lá das vendas de bens e serviços relacionadas com a infracção», a Comissão infringiu o direito comunitário,
         em dois aspectos. 
      
      272    Primeiro, por um lado, é injusto aplicar uma coima individual à recorrente, a título de dissuasão, apesar de a referida coima
         ser calculada em função do montante de base da coima aplicada à Arkema France, que já inclui um aumento específico, a título
         de dissuasão. Por outro, a aplicação de uma coima individual à recorrente não tinha pertinência, uma vez que a empresa que
         a Arkema France e a recorrente constituiriam, segundo a Comissão, já não existia desde 2006. Além disso, embora a dissuasão
         fosse um factor que a Comissão pode tomar em consideração no cálculo do montante da coima, a mesma não constitui, todavia,
         a base jurídica da própria coima.
      
      273    Segundo, a recorrente considera que a Comissão não se podia basear simplesmente no volume de negócios global para lhe aplicar
         uma coima individual e devia ter tomado, unicamente, em consideração a reduzida proporção do volume de negócios do produto
         em causa dentro do volume de negócios global da empresa para determinar o montante da coima. Recorda, a esse respeito, que,
         de acordo com a jurisprudência, o valor do volume de negócios global da empresa constitui apenas um critério aproximativo
         e imperfeito para fixar o montante da coima. Ora, na medida em que a recorrente não estava presente no mercado do clorato
         de sódio no EEE, a sua capacidade económica para causar prejuízos à concorrência era totalmente nula. 
      
      274    Em terceiro lugar, a recorrente sustenta que a Comissão não se podia referir à decisão Metacrilatos para justificar a necessidade
         de uma coima que lhe foi aplicada a título individual, uma vez que a referida decisão é objecto de um recurso de anulação
         pendente no Tribunal Geral.
      
      275    Em quarto lugar, a recorrente alega que é injusto calcular a coima que lhe foi aplicada a título individual com base nos factores
         da gravidade, da duração e dos efeitos dissuasivos, expostos nos considerandos 511 a 523 da decisão recorrida, cujos parâmetros
         não conhece, uma vez que a mesma desconhece a infracção em causa e não podia influenciar os referidos parâmetros. 
      
      276    Em quinto lugar, a Comissão não tinha tido suficientemente em conta, no cálculo da coima que foi aplicada a título individual
         à recorrente, quatro factores. Antes de mais, a Comissão deveria ter tomado em consideração o facto de a Arkema France ter
         estado implicada na infracção em causa durante um período inferior ao da EKA e da Finnish Chemicals. Em seguida, a Comissão
         deveria ter tomado em consideração a circunstância atenuante exposta no considerando 401 da decisão recorrida, relativa à
         eventual negligência de que a mesma tinha dado provas a respeito da sua filial. Por outro lado, havia que tomar em consideração
         as irregularidades processuais constitutivas de uma violação dos direitos fundamentais enumeradas no seu segundo fundamento.
         Finalmente, a Comissão deveria ter tido em conta a cooperação prestada pela Arkema France no decurso do procedimento administrativo.
         
      
      277    Em sexto lugar, a aplicação de uma coima individual à recorrente infringe o princípio da igualdade de tratamento, em dois
         aspectos. 
      
      278    Primeiro, a recorrente era a única sociedade‑mãe, dentre as outras sociedades‑mães em causa na decisão recorrida, concretamente,
         a Akzo Nobel, a ELSA e a Uralita, à qual tinha sido aplicada uma coima individual, a título de efeito dissuasivo, ao mesmo
         tempo que essa coima assenta, de forma injusta, na tomada em consideração, por duas vezes, do efeito dissuasivo.
      
      279    Segundo, a recorrente observa que resulta do considerando 524 da decisão recorrida, que a Comissão só arredondou para baixo
         o montante de base da coima aplicado à Arkema France e à própria recorrente em 54 000 euros, ao passo que os montantes de
         base das coimas aplicados à Finnish Chemicals e à EKA foram arredondados para baixo, respectivamente, em 660 000 euros e em
         213 500 euros. Ora, foi com base nesse primeiro montante de base que a coima aplicada à recorrente, a título individual, foi
         calculada.
      
      280    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      281    A recorrente contesta, no essencial, a coima de 15 890 000 euros que a Comissão lhe aplicou no artigo 2.°, alínea e), da decisão
         recorrida. Nesse âmbito, a mesma apresenta seis alegações. 
      
      282    Na sua primeira alegação, a recorrente invoca três argumentos relativos à inexistência de base jurídica que permitisse à Comissão
         aplicar‑lhe uma coima individual.
      
      283    Primeiro, na medida em que a recorrente sustenta que a coima de 15 890 000 euros que lhe foi aplicada no artigo 2.°, alínea
         e), da decisão recorrida não assenta em nenhuma base jurídica e viola o artigo 81.°, n.° 1, CE e o artigo 23.°, n.° 2, do
         Regulamento n.° 1/2003, por não existir uma unidade económica com a Arkema France, e que a aplicação dessa coima viola o ponto
         30 das orientações, dado que o referido ponto apenas faz referência à possibilidade de aumentar «a coima a aplicar às empresas»
         e que, no caso em apreço, a única empresa «relevante» era, no âmbito do grupo Elf Aquitaine, a Arkema France, deve declarar‑se
         que este argumento constitui uma reformulação da segunda alegação dos sexto e sétimo fundamentos que deve ser rejeitada pelos
         motivos que foram expostos nos n.os 249 a 257 e 264 supra. Com efeito, foi em conformidade com o poder de fixação do montante das coimas que a Comissão detém por força do artigo 23.°,
         n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003 que esta se comprometeu a aplicar em conformidade com o disposto nas orientações, que a Comissão
         aplicou à recorrente um aumento de 70% do montante de base da coima, tendo em conta o facto de, à data da adopção da decisão
         recorrida, o seu volume de negócios particularmente elevado lhe permitir mobilizar mais facilmente os fundos necessários ao
         pagamento da sua coima. 
      
      284    Segundo, quanto ao argumento da recorrente, segundo o qual a aplicação, relativamente a ela, da coima de 15 890 000 euros,
         viola a presunção de inocência, os princípios da autonomia das pessoas colectivas, da responsabilidade pelos próprios actos
         e da individualização das penas, deve salientar‑se que, para além do facto de as violações que esta invoca não serem apoiadas
         por nenhuma argumentação específica, esse argumento deve ser rejeitado pelos motivos que foram expostos no âmbito da segunda
         parte do primeiro fundamento (v. n.os 69 a 73 supra), bem como no âmbito da terceira (v. n.os 167 a 174), quarta (v. n.os 177 a 183 supra) e quinta (v. n.os 186 a 190 supra) partes do segundo fundamento. Com efeito, dado que a Arkema France e a recorrente constituíam uma única empresa na acepção
         do artigo 81.° CE, a Comissão podia, sem violar os princípios da autonomia das pessoas colectivas, da presunção de inocência,
         da responsabilidade pelos próprios actos e da individualização das penas, aplicar apenas à recorrente um aumento do montante
         de base da coima em função do seu volume de negócios particularmente elevado, à data da adopção da decisão recorrida.
      
      285    Terceiro, quanto ao argumento da recorrente segundo o qual a violação do princípio da legalidade seria ainda mais flagrante,
         no caso em apreço, dado o ponto 30 das orientações não precisar, com um grau de precisão suficiente, que pode ser aplicado,
         em tal circunstância, um aumento de 70% do montante de base da coima, cumpre recordar, por um lado, que as orientações não
         constituem a base jurídica para a determinação da coima, limitando‑se a clarificar a aplicação do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento
         n.° 1/2003 (v., por analogia, acórdão Danone do Tribunal de Justiça, n.° 252 supra, n.° 28), e, por outro, que, enquanto o montante de partida da coima é fixado em função da infracção, a gravidade desta última
         é determinada por referência a numerosos outros factores, relativamente aos quais a Comissão dispõe de uma margem de apreciação
         (acórdão Danone do Tribunal de Justiça, n.° 252 supra, n.° 25). Foi, portanto, ao abrigo do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003, e em conformidade com o n.° 30 das orientações
         que a Comissão decidiu aplicar, no âmbito do exercício do seu poder de apreciação, que esta última podia impor um aumento
         de 70% do montante de base da coima à recorrente, atendendo ao facto de esta estar em condições de mobilizar mais facilmente
         fundos para o pagamento da coima, em função do seu volume de negócios particularmente elevado, do que as outras entidades
         sancionadas no vertente caso.
      
      286    Por conseguinte, a Comissão agiu, no caso em apreço, sem violar o princípio da legalidade. Há, assim, que julgar improcedente
         a primeira alegação da recorrente. 
      
      287    Na sua segunda alegação, a recorrente contesta, no essencial, o montante da coima individual que lhe foi aplicada no artigo
         2.°, alínea e), da decisão recorrida.
      
      288    Com efeito, em primeiro lugar, quanto ao argumento da recorrente segundo o qual, no essencial, é «injusto» aplicar‑lhe uma
         coima individual a título de dissuasão, apesar de a referida coima ser calculada em relação ao montante de base da coima aplicada
         solidariamente à Arkema France e à recorrente, e de incluir já um aumento específico a título de dissuasão, cumpre recordar
         que, como resulta do considerando 523 da decisão recorrida, a coima de 22 700 000 euros aplicada solidariamente à recorrente
         e à Arkema France corresponde ao montante de base da coima que inclui um montante adicional de 19% do valor das vendas da
         Arkema France (v. ponto 18 supra), de acordo com o n.° 25 das orientações, «a fim de dissuadir as empresas de participarem até mesmo em acordos horizontais
         de fixação de preços, de repartição de mercado e de limitação de produção». Em contrapartida, a coima de 15 890 000 euros
         aplicada à recorrente individualmente, corresponde a 70% do montante de base da coima e visa, de acordo com o n.° 30 das referidas
         orientações, «assegurar que as coimas apresentam um efeito suficientemente dissuasivo» para as empresas cujo volume de negócios,
         para lá das vendas de bens e serviços relacionadas com a infracção, é particularmente elevado.
      
      289    Assim, deve ser declarado que, por um lado, o montante adicional de 19% do valor das vendas da Arkema France, tomado em consideração
         no cálculo do montante de base da coima, de acordo com o n.° 25 das orientações, e, por outro, o aumento específico aplicado
         à recorrente nos termos do ponto 30 das referidas orientações, dão resposta a dois objectivos distintos de dissuasão, que
         a Comissão podia legitimamente ter em conta na determinação da coima a aplicar à recorrente. O argumento desta última, a este
         respeito, deve, por conseguinte, ser julgado improcedente.
      
      290    Em segundo lugar, quanto à alegação da recorrente que a Comissão deveria ter tomado unicamente em consideração a reduzida
         proporção do volume de negócios do produto em causa dentro do volume de negócios global da empresa para determinar o montante
         da coima que lhe foi aplicada a título individual, deve ser julgada improcedente. Com efeito, como resulta do ponto 30 das
         orientações, é precisamente nos casos em que o montante global do volume de negócios da empresa em causa ultrapassa de forma
         «particularmente elevada» o valor das vendas dos bens a que o acordo diz respeito, que a Comissão tem o direito de aplicar
         um montante adicional a título de dissuasão. 
      
      291    Portanto, há que julgar improcedente a segunda alegação da recorrente.
      
      292    Na sua terceira alegação, a recorrente sustenta que a Comissão não podia fazer referência à decisão Metacrilatos para justificar
         a necessidade de lhe aplicar uma coima individual, dado que a referida decisão é objecto de um recurso de anulação pendente
         no Tribunal Geral. A esse respeito, por um lado, deve salientar‑se que, como resulta da jurisprudência exposta no n.° 241
         supra, as decisões da Comissão gozam da presunção de validade enquanto não forem anuladas ou revogadas. Em consequência, nenhuma
         disposição legal se opõe a que, na decisão recorrida, a Comissão faça referência à decisão Metacrilatos para apoiar a sua
         fundamentação. Por outro, e em qualquer caso, mesmo que a decisão Metacrilatos fosse anulada pelos órgãos jurisdicionais da
         União, isso não influenciaria a legalidade da decisão recorrida dado que, como foi exposto nos n.os 256 e 257 supra, foi ao abrigo do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003 e em conformidade com o n.° 30 das orientações, que a Comissão
         aplicou uma coima a título individual à recorrente, no caso em apreço.
      
      293    Por conseguinte, a terceira alegação da recorrente deve ser julgada improcedente.
      
      294    Na sua quarta alegação, a recorrente sustenta que é injusto calcular a coima individual que lhe foi aplicada com base nos
         factores da gravidade, da duração e dos efeitos dissuasivos respeitantes à Arkema France, cujos parâmetros não conhece, e
         isto, quando desconhecia a infracção em causa e não podia influenciar os referidos parâmetros. 
      
      295    A esse respeito, há que referir que a recorrente não apresenta nenhum argumento ou prova destinados a pôr em causa que, como
         foi declarado nos n.os 256 e 257 supra, foi ao abrigo do artigo 23.°, n.° 2, do Regulamento n.° 1/2003 e em conformidade com o n.° 30 das orientações, que a Comissão
         aplicou uma coima individual à recorrente. O facto de esta última ter tido, ou não, conhecimento da infracção em causa e de
         a coima individual que lhe foi aplicada se ter baseado em dados que diziam respeito à Arkema France não é susceptível de pôr
         em dúvida esta conclusão. 
      
      296    Por conseguinte, a quarta alegação deve ser julgada improcedente.
      
      297    Na sua quinta alegação, a recorrente afirma que a Comissão, no cálculo da coima individual que lhe foi aplicada, não tomou
         em consideração quatro factores. Segundo a recorrente, a Comissão deveria ter tomado em consideração, em primeiro lugar, o
         facto de a Arkema France ter estado implicada na infracção em causa durante um período inferior ao da EKA e da Finnish Chemicals,
         em segundo lugar, a circunstância atenuante reconhecida pela Comissão, no considerando 401 da decisão recorrida, relativa
         à eventual negligência de que a recorrente tinha dado provas a respeito da sua filial, em terceiro lugar, irregularidades
         processuais constitutivas de uma violação dos seus direitos fundamentais enumerados no segundo fundamento e, em quarto, a
         cooperação prestada pela Arkema France no decurso do procedimento administrativo.
      
      298    A esse respeito, há que recordar que, como foi exposto no n.° 254 supra, a coima de 15 890 000 euros aplicada à recorrente corresponde exclusivamente ao aumento em 70% de montante de base da coima
         prevista no n.° 30 das orientações. Ora, nos termos do referido número, mesmo que as circunstâncias enumeradas no n.° 297
         supra fossem confirmadas, a Comissão não era, de modo algum, obrigada a tomá‑las em consideração para adoptar essa percentagem
         de aumento. 
      
      299    Por conseguinte, há que considerar improcedente a quinta alegação.
      
      300    Na sua sexta alegação, a recorrente defende que o facto de lhe ter sido aplicada uma coima individual infringe o princípio
         da igualdade de tratamento, de dupla forma.
      
      301    Em primeiro lugar, a recorrente sustenta que o princípio da igualdade de tratamento foi violado, na medida em que a única
         sociedade‑mãe, de entre as outras sociedades‑mães em causa na decisão recorrida, concretamente, a Akzo Nobel, a ELSA e a Uralita,
         à qual foi aplicada uma coima individual nos termos do ponto 30 das orientações, apesar de essa coima se basear, de forma
         injusta, numa tomada em consideração, por duas vezes, do efeito dissuasivo.
      
      302    A esse respeito, importa recordar que, de acordo com a jurisprudência, o princípio da igualdade de tratamento exige que situações
         comparáveis não sejam tratadas de modo diferente e que situações diferentes não sejam tratadas de modo igual, excepto se esse
         tratamento for objectivamente justificado (v. acórdão Advocaten voor de Wereld, n.° 196 supra, n.° 56 e jurisprudência referida).
      
      303    Ora, há que observar, no caso em apreço, que, como a Comissão salientou nos considerandos 548 e 549 da decisão recorrida,
         sem que a recorrente o conteste, esta última tem um volume de negócios muito superior às outras empresas a quem foram aplicadas
         coimas na decisão recorrida, uma vez que este é de 139 389 milhões de euros, enquanto os da EKA, da ELSA e da Uralita ascendem,
         respectivamente, a 550 milhões de euros, a 509 000 euros e a 1 095 milhões de euros. Por conseguinte, em função do seu volume
         de negócios nitidamente superior ao das outras empresas sancionadas, a recorrente não estava numa situação comparável à daquelas,
         o que justifica que a Comissão a tenha tratado de modo diferente das referidas empresas. 
      
      304    Por conseguinte, a Comissão não infringiu o princípio da igualdade de tratamento, ao aumentar a coima aplicada à recorrente,
         em conformidade com o n.° 30 das orientações. Portanto, o primeiro argumento da recorrente deve ser julgado improcedente.
      
      305    Em segundo lugar, quanto ao argumento da recorrente segundo o qual resulta do considerando 524 da decisão recorrida que a
         Comissão apenas arredondou para baixo o montante da coima que lhe foi imposta solidariamente com a Arkema France em 54 000
         euros, ao passo que os montantes das coimas aplicadas à Finnish Chemicals e à EKA foram arredondados para baixo, respectivamente,
         em 666 000 euros e em 213 500 euros, cabe recordar, antes de mais, que, nos termos do ponto 26 das orientações, «na determinação
         do montante de base da coima, a Comissão utilizará valores arredondados».
      
      306    Em seguida, como resulta da leitura da resposta da Comissão às questões escritas do Tribunal Geral e do documento interno
         que esta apresentou a esse respeito, explicando a metodologia que utilizou para efeitos de arredondar para baixo os montantes
         das coimas aplicadas às entidades em causa na decisão recorrida, deve ser dito, por um lado, que a Comissão reduziu o montante
         da coima da EKA e da Akzo Nobel, de 116 243 541 euros, para 116 000 000 euros, o da Finnish Chemicals, de 68 773 445 euros,
         para 68 000 000 euros, o da ELSA, de 42 322 120 euros, para 42 000 000 euros, o da Arkema France e da recorrente, de 22 754 400
         euros, para 22 700 000 euros e, finalmente, o da Aragonesas e da Uralita, de 9 969 300 euros, para 9 900 000 euros. Por outro,
         resulta desses arredondamentos para baixo que, como a Comissão explica, no essencial, no referido documento, arredondou para
         baixo os montantes de cada coima em causa, para o milhão de euros inferior, sempre que o arredondamento para baixo não ocasionasse
         uma redução superior a 2% do montante da referida coima, e, a uma centena de milhar de euros inferior, nos casos em que o
         arredondamento para baixo para o milhão de euros inferior, tivesse ocasionado uma redução superior a 2% do montante da referida
         coima. 
      
      307    Assim, apesar de a EKA e a Akzo Nobel, a Finnish Chemicals e a ELSA terem beneficiado de reduções de coima, concretamente,
         respectivamente, de um montante de 243 541 euros, de 773 445 euros e de 322 120 euros, que são mais elevadas, em termos absolutos,
         do que as concedidas, por um lado, à Arkema France e à recorrente e, por outro, à Aragonesas e à Uralita, a saber, respectivamente,
         54 400 euros e 69 300 euros, na sequência da aplicação do ponto 26 das orientações, a verdade é que a metodologia adoptada
         pela Comissão foi aplicada de maneira coerente para cada uma das empresas sancionadas e que a referida metodologia está objectivamente
         justificada, na medida em que a Comissão podia, em conformidade com o seu poder de apreciação no quadro da fixação dos montantes
         das coimas, considerar que o arredondamento para baixo dos montantes das referidas coimas não devia conduzir, em qualquer
         caso, a uma redução da coima superior a 2%. 
      
      308    Portanto, há que concluir que a Comissão não infringiu o princípio da igualdade de tratamento no quadro do arredondamento
         para baixo do montante da coima aplicada solidariamente à recorrente e à Arkema France. À luz de todas as considerações precedentes,
         o oitavo fundamento, na sua totalidade, deve ser julgado improcedente. 
      
       Quanto ao nono fundamento, relativo a uma violação dos princípios e das regras que regem o cálculo da coima aplicada solidariamente
            à Arkema France e à recorrente
      309    A recorrente contesta, no essencial, o montante da coima que lhe foi aplicada solidariamente com a Arkema France no artigo
         2.°, alínea c), da decisão recorrida. Este fundamento divide‑se em duas partes.
      
       Quanto à primeira parte, relativa a erros no cálculo do montante da coima aplicada solidariamente à Arkema France e à recorrente
      –       Argumentos das partes
      310    A recorrente alega, no essencial, que a Comissão não teve em conta determinados elementos, no quadro do cálculo do montante
         da coima que lhe aplicou solidariamente com a Arkema France no artigo 2.°, alínea c), da decisão recorrida. 
      
      311    Em primeiro lugar, a recorrente contesta o montante da coima que lhe foi aplicada solidariamente com a Arkema France no artigo
         2.°, alínea c), da decisão recorrida, remetendo para os quatro argumentos que apresentou na quinta alegação do oitavo fundamento,
         na qual contesta a coima que lhe foi aplicada no artigo 2.°, alínea e), da decisão recorrida (v. n.° 297 supra). Assim, alega, em primeiro lugar, que a Comissão deveria ter tido em consideração o facto de a Arkema France ter estado
         implicada na infracção em causa durante um período inferior ao da EKA e da Finnish Chemicals. Segundo, a Comissão deveria
         ter tido em conta a circunstância atenuante que ela própria salientou, no considerando 401 da decisão recorrida, relativa
         à eventual negligência de que a recorrente tinha dado prova a respeito da sua filial. Terceiro, a Comissão deveria ter tido
         em consideração as irregularidades processuais constitutivas de uma violação de direitos fundamentais enumerados no seu segundo
         fundamento. Quarto, a recorrente considera que a Comissão deveria ter tido em conta a cooperação prestada pela Arkema France
         no decurso do procedimento administrativo. 
      
      312    Em segundo lugar, a recorrente remete para o primeiro argumento que apresentou na sexta alegação do oitavo fundamento (v.
         n.° 278 supra), através do qual a mesma defende que a Comissão violou o princípio da igualdade de tratamento, ao aplicar‑lhe uma coima
         individual, ao passo que às outras sociedades‑mães abrangidas pela decisão recorrida apenas foi aplicada uma coima solidária
         com as suas filiais. 
      
      313    A Comissão contesta esta argumentação.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      314    Em primeiro lugar, quanto aos quatro argumentos invocados pela recorrente para contestar o cálculo do montante da coima aplicada
         no artigo 2.°, alínea c), da decisão recorrida, primeiro, deve ser julgado improcedente o seu argumento, segundo o qual a
         referida coima devia ser reduzida atendendo ao facto de esta última ter estado implicada na infracção em causa durante um
         período inferior à EKA e à Finnish Chemicals. Com efeito, deve ser dito, a esse respeito, que, como resulta expressamente
         do considerando 522 da decisão recorrida, a Comissão tomou em consideração, de acordo com o n.° 24 das orientações, um coeficiente
         multiplicador de 5 para a Arkema France e a recorrente correspondente à duração da sua participação no acordo, de 4 anos e
         8 meses, enquanto considerou um coeficiente multiplicador de 5, 5 para a EKA e a sua sociedade‑mãe, bem como para a Finnish
         Chemicals e a sua sociedade‑mãe em função da sua participação na infracção em causa durante um período de 5 anos e 4 meses.
         Assim, o argumento da recorrente a este respeito deve ser julgado improcedente.
      
      315    Segundo, na medida em que a recorrente invoca a circunstância atenuante que a Comissão lhe reconheceu, no considerando 401
         da decisão recorrida, resultante de uma «eventual negligência» de que a mesma deu prova a respeito da sua filial, por um lado,
         deve ser declarado que esse argumento assenta numa leitura errada do referido considerando. Com efeito, no referido considerando,
         a Comissão não indica, contrariamente ao que sustenta a recorrente, que a negligência de que esta última tinha dado prova
         no controlo das condutas da sua filial constitui uma circunstância atenuante, mas, pelo contrário, que «a falta de diligência
         de que deram prova as direcções da [Arkema France] e da [recorrente] no exercício das suas funções, concretizada no facto
         de os órgãos estatutários e de gestão das duas sociedades alegadamente ignorarem completamente as acções empreendidas pelos
         seus empregados, não pode servir‑lhes de argumento para escaparem à responsabilidade pelas suas condutas». Por outro lado,
         e em qualquer caso, a recorrente não apresenta nenhum argumento em apoio da sua pretensão, segundo a qual a Comissão considerou
         erradamente que a sua «eventual negligência» na vigilância da sua filial podia justificar a concessão de uma redução de coima.
         Por conseguinte, este argumento deve ser julgado improcedente.
      
      316    Terceiro, quanto ao argumento da recorrente, segundo o qual a Comissão deveria ter tido em consideração as violações dos seus
         direitos fundamentais, que a mesma expôs no seu segundo fundamento, para lhe conceder uma redução da coima que lhe aplicou
         solidariamente com a Arkema France, cabe recordar que, como foi referido no quadro do exame do referido fundamento (v. n.° 204
         supra), a Comissão não cometeu nenhuma das violações que a recorrente invoca. Por conseguinte, este argumento deve ser, igualmente,
         julgado improcedente.
      
      317    Quarto, quanto ao argumento segundo o qual a Comissão deveria ter tido em conta a cooperação prestada pela Arkema France no
         decurso do procedimento administrativo, importa reconhecer que a recorrente não apresenta, no presente fundamento, nenhum
         argumento específico para contestar as apreciações da Comissão, nos considerandos 543 e 544 e 561 a 580 da decisão recorrida,
         segundo as quais, no essencial, a cooperação da Arkema France não justificava que lhe fosse concedida uma redução de coima,
         no âmbito da aplicação da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, ou fora dele. Por conseguinte, este argumento não procede.
      
      318    Em segundo lugar, quanto ao argumento da recorrente segundo o qual a Comissão infringiu o princípio da igualdade de tratamento,
         na medida em que a recorrente é a única, entre as outras sociedades‑mães objecto de sanção, a quem foi aplicada uma coima
         individual, deve ser julgado improcedente. Com efeito, deve recordar‑se que, como foi exposto no âmbito do sexto fundamento
         (v. n.° 254 supra), a coima aplicada à recorrente no artigo 2.°, alínea e), da decisão recorrida corresponde ao aumento em 70% do montante
         de base da coima que lhe foi aplicada solidariamente com a Arkema France, no artigo 2.°, alínea c), da referida decisão, em
         função do facto de o seu volume de negócios particularmente elevado em comparação com o das outras entidades sancionadas,
         à data da adopção da decisão recorrida, lhe permitir mobilizar mais facilmente os fundos necessários ao pagamento da referida
         coima. Ora, na medida em que é um facto que as outras sociedades‑mães sancionadas na decisão recorrida não dispunham de um
         volume de negócios que justificasse tal aumento, há que declarar que a recorrente não se encontrava numa situação comparável
         à das referidas sociedades que devesse levar a Comissão a tratá‑las de maneira idêntica.
      
      319    Por conseguinte, a primeira parte do nono fundamento deve ser julgada improcedente.
      
       Quanto à segunda parte, relativa a uma violação do princípio da igualdade de tratamento relacionada com a coima aplicada solidariamente
         à Arkema France e à recorrente
      
      –       Argumentos das partes
      320    A recorrente alega que a Comissão violou princípio da igualdade de tratamento, tendo em conta o facto de a coima a ela aplicada
         solidariamente com a Arkema France ser a mais elevada dentre as que foram aplicadas às empresas sancionadas na decisão recorrida.
         
      
      321    Em primeiro lugar, como a recorrente, por outro lado, sustentou no quadro da sexta alegação do seu oitavo fundamento (v. n.° 279
         supra), o arredondamento para baixo do montante de base da coima a ela aplicada solidariamente e à Arkema France foi muito mais
         reduzido do que o dos montantes de base das coimas aplicadas à Finnish Chemicals e à EKA. 
      
      322    Em segundo lugar, a coima aplicada solidariamente à Arkema France e à recorrente não teve suficientemente em conta, em conformidade
         com as orientações, dois factores. Primeiro, a Comissão tomou insuficientemente em conta o reduzido valor do volume de negócios
         da Arkema France no mercado EEE do clorato de sódio em comparação com o da EKA, que beneficiou de imunidade das coimas e da
         Finnish Chemicals, que foi condenada à uma coima que é quatro vezes inferior à que foi aplicada à Arkema France. Segundo,
         a Comissão tomou insuficientemente em consideração a reduzida quota de mercado da Arkema France, que é de 9%, no mercado do
         clorato de sódio em comparação, por um lado, com a da EKA, que lhe é cinco vezes superior e, por outro, com a da Finnish Chemicals,
         que lhe é três vezes superior. A esse respeito, a recorrente observa, igualmente, que só existe uma diferença de quatro pontos
         entre as quotas de mercado da Arkema France e as da Aragonesas e da Solvay. 
      
      323    Em terceiro lugar, a recorrente sustenta que a coima que lhe foi aplicada solidariamente com a Arkema France teve insuficientemente
         em conta a menor implicação da Arkema France na infracção em causa, comparativamente com a da EKA e da Finnish Chemicals.
         
      
      324    A Comissão contesta estes argumentos.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      325    Quanto, em primeiro lugar, à alegação da recorrente segundo a qual o arredondamento para baixo do montante de base da coima
         aplicada solidariamente a ela própria e à Arkema France foi muito mais reduzido do que o dos montantes de base das coimas
         aplicadas à Finnish Chemicals e à EKA, cabe dizer que esta alegação é estritamente idêntica à sexta alegação do oitavo fundamento
         (v. n.° 279 supra). Deve, portanto, ser julgada improcedente, pelos motivos que já foram expostos nos n.os 305 a 308 supra, nos termos dos quais deve ser declarado, no essencial, que a metodologia de arredondamento para baixo do montante da referida
         coima foi aplicada de maneira coerente para cada uma das empresas sancionadas na decisão recorrida e que a referida metodologia
         estava objectivamente justificada.
      
      326    Quanto, em segundo lugar, à alegação da recorrente segundo a qual a Comissão violou o princípio da igualdade de tratamento,
         na medida em que teve insuficientemente em conta, por um lado, o reduzido valor do volume de negócios da Arkema France no
         mercado EEE do clorato de sódio em comparação com a EKA e a Finnish Chemical e, por outro, a reduzida quota de mercado da
         Arkema France, no referido mercado, deve ser julgada improcedente. 
      
      327    Por um lado, cabe declarar que a recorrente não apresenta, nem argumentos nem provas visando demonstrar que, tendo em conta
         os elementos que a Comissão tomou em consideração para fixar a coima aplicada solidariamente a ela própria e à Arkema France,
         a Comissão, na decisão recorrida, aplicou de forma discriminatória as disposições das orientações. Por outro, se existe uma
         diferença importante entre o montante da coima aplicada à Arkema France e à recorrente e os montantes das coimas aplicadas
         solidariamente à EKA e à Akzo Nobel, bem como à ELSA e à Finnish Chemicals, apesar do facto de a Arkema France dispor de uma
         quota do mercado do clorato de sódio no EEE inferior à da EKA e da Finnish Chemicals, isso justifica‑se pelo facto de a EKA
         e a Akzo Nobel terem obtido uma isenção total da coima e de o limite de 10% do volume de negócios da Finnish Chemicals, que
         obteve uma redução de 50% da coima, no quadro da aplicação da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, ser, em cerca de metade,
         inferior ao da recorrente (v. os quadros constantes dos considerandos 524 e 552 da decisão recorrida). 
      
      328    Quanto, em terceiro lugar, à alegação da recorrente segundo a qual a coima que a Comissão lhe aplicou solidariamente com a
         Arkema France não tem suficientemente em conta a menor implicação desta última na infracção, em comparação com a da EKA e
         da Finnish Chemicals, deve salientar‑se que, para além do facto de a recorrente não apresentar, nos seus articulados, nenhum
         argumento ou prova que apoie esta alegação, a mesma não contesta a fundamentação que a Comissão expôs, no considerando 536
         da decisão recorrida, para rejeitar os argumentos da recorrente a este respeito, segundo a qual, nomeadamente, a recorrente
         «manteve contactos frequentes com as suas concorrentes ao longo de toda a sua participação no acordo», «estes contactos iniciais
         demonstram já a sua participação activa nos acordos anticoncorrenciais [em causa]», ou ainda, que a afirmação da recorrente
         segundo a qual «esta não pôde desempenhar um papel de mediador entre a EKA e a Finnish Chemicals devido à sua limitada quota
         de mercado, é claramente refuta[da] pelos elementos de prova apresentados [na decisão recorrida]».
      
      329    Por conseguinte, a terceira alegação e, portanto, o nono fundamento, na sua totalidade, devem ser julgados improcedentes.
         
      
       Quanto ao décimo fundamento, relativo à violação das disposições da Comunicação de 2002 sobre a cooperação
      330    A recorrente alega que a Comissão cometeu erros de facto e de direito, ao não lhe conceder uma redução da coima nos termos
         da Comunicação de 2002 sobre a cooperação. Este fundamento divide‑se em duas partes.
      
       Quanto à primeira parte, relativa à recusa de concessão de uma redução da coima nos termos da Comunicação de 2002 sobre a
         cooperação 
      
      –       Argumentos das partes
      331    A recorrente sustenta que a Comissão violou a Comunicação de 2002 sobre a cooperação, ao não reduzir a coima a ela aplicada
         solidariamente com a Arkema France, pelo facto de as provas fornecidas por esta última serem insuficientes. A recorrente considera,
         a esse respeito, que, na medida em que a Comissão está vinculada pelas disposições da referida comunicação, esta última não
         tinha base para rejeitar, de forma não fundamentada, ou de maneira abstracta e «caprichosa», qualquer redução das duas coimas
         aplicadas à recorrente. 
      
      332    Em primeiro lugar, como resulta dos considerandos 554, 561, 581 e 584 da decisão recorrida, é um facto que a Arkema France
         tinha sido a primeira empresa, depois da EKA, a fornecer, à Comissão, provas do acordo. 
      
      333    Em segundo lugar, segundo a recorrente, resulta da própria fundamentação da decisão recorrida que, contrariamente às apreciações
         formuladas pela Comissão nos considerandos 568 a 580 da decisão recorrida, a Comissão baseou‑se nas provas fornecidas pela
         Arkema France para demonstrar a infracção em causa. A mesma remete, a esse respeito, na decisão recorrida, para os seus considerandos
         38 e 46 e para a sua nota de pé de página n.° 63, para o seu considerando 76 e para a sua nota de pé de página n.° 116, para
         o seu considerando 94 e para a sua nota de pé de página n.° 136, para o considerando 98 e para a sua nota de pé de página
         n.° 142, para os seus considerandos 243 e 251 e para a sua nota de pé de página n.° 302, para os seus considerandos 254, 255,
         259, 260, 273, 314, 344, 355, 589, 593 e 594 e para as suas notas de pé de página n.os 118, 259, 293, 337, 540 e 542. Além disso, segundo a recorrente, as provas apresentadas pela Arkema France permitiram confirmar
         um determinado número de factos respeitantes à infracção em causa, como resulta dos considerandos 568, 569, 571 a 573, 575
         e 576 da decisão recorrida. Por outro lado, resulta do considerando 344, in limine, da decisão recorrida, que a Aragonesas considerou que as informações fornecidas pela Arkema France tinham um valor acrescentado
         significativo.
      
      334    A Comissão contesta os argumentos da recorrente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      335    A recorrente alega, no essencial, que a Comissão violou as disposições da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, ao não conceder
         à Arkema France uma redução da coima, de 30 a 50%, apesar de esta ter sido a primeira empresa, depois da EKA, que obteve a
         imunidade da coima, a fornecer‑lhe elementos de prova de valor acrescentado significativo.
      
      336    Nos termos do ponto 20 da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, «[a]s empresas que não preenchem as condições [para obtenção
         de uma isenção de coima] podem ser elegíveis para uma redução da coima que de outra forma lhes seria aplicada».
      
      337    O ponto 21 da Comunicação de 2002 sobre a cooperação dispõe que, «[p]or forma a poder beneficiar de [redução de coima nos
         termos do ponto 20 da referida comunicação], a empresa deve fornecer à Comissão elementos de prova da infracção presumida,
         que apresentem um valor acrescentado significativo relativamente aos elementos de prova já na posse da Comissão e deverá pôr
         termo à sua participação na infracção presumida o mais tardar na altura em que apresenta tais elementos de prova».
      
      338    No ponto 23, alínea b), primeiro parágrafo, da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, são previstas três margens de variação
         de redução de coima. Com efeito, a primeira empresa que preencha as condições previstas no ponto 21 da referida comunicação,
         tem direito a obter uma redução de coima de 30‑50%, a segunda empresa, a uma redução de coima de 20‑30%, e as empresas seguintes,
         a uma redução de coima até 20%.
      
      339    O ponto 23, alínea b), segundo parágrafo, da Comunicação de 2002 sobre a cooperação dispõe que, «[p]ara determinar o nível
         de redução no âmbito de cada uma destas margens de variação, a Comissão levará em linha de conta a data na qual foram apresentados
         os elementos de prova que preencham as condições previstas no ponto 21 [da referida comunicação] e o grau de valor acrescentado
         que estes representem» e que esta «[p]oderá igualmente levar em linha de conta a extensão e a continuidade da cooperação fornecida
         pela empresa a partir da data da sua apresentação».
      
      340    De acordo com a jurisprudência, a Comissão beneficia de um amplo poder de apreciação no que diz respeito ao método de cálculo
         das coimas e pode, a esse respeito, ter em conta múltiplos elementos, entre os quais figura a cooperação das empresas em causa
         durante a investigação conduzida pelos seus serviços. Neste âmbito, cabe à Comissão efectuar apreciações factuais complexas,
         como as que incidem sobre a cooperação respectiva das referidas empresas (acórdãos do Tribunal de Justiça de 10 de Maio de
         2007, SGL Carbon/Comissão, C‑328/05 P, Colect., p. I‑3921, n.° 81, e do Tribunal Geral de 28 de Abril de 2010, Gütermann e
         Zwicky/Comissão, T‑456/05 e T‑457/05, ainda não publicado na Colectânea, n.° 219).
      
      341    Além disso, no âmbito da apreciação da cooperação por parte dos membros de um cartel, só um erro manifesto de apreciação por
         parte da Comissão pode ser censurado, uma vez que esta última beneficia de uma ampla margem de apreciação na avaliação da
         qualidade e da utilidade da cooperação prestada por uma empresa, nomeadamente em comparação com os contributos de outras empresas
         (acórdão SGL Carbon/Comissão, n.° 340 supra, p. I‑3921, n.° 88). Deve recordar‑se, igualmente, a esse respeito, que, embora a Comissão tenha a obrigação de expor as
         razões pelas quais considera que os elementos carreados por empresas nos termos da comunicação sobre a cooperação constituem
         uma contribuição que justifica ou não a redução da coima aplicada, incumbe, por sua vez, às empresas que pretendam contestar
         a decisão da Comissão a este respeito demonstrar que esta, se não fossem os elementos dessas informações prestadas voluntariamente
         por essas empresas, não podia ter provado o essencial da infracção e, portanto, não podia ter adoptado uma decisão de aplicação
         de coimas (acórdão Erste Group Bank e o./Comissão, n.° 60 supra, n.° 297). 
      
      342    Por outro lado, a redução das coimas em caso de cooperação das empresas que participam em infracções ao direito da concorrência,
         tem o seu fundamento na consideração segundo a qual tal cooperação facilita a tarefa da Comissão que visa constatar a existência
         de uma infracção e, eventualmente, pôr‑lhe termo (acórdão Dansk Rørindustri e o./Comissão, n.° 45 supra, n.° 399, e acórdão do Tribunal Geral de 14 de Maio de 1998, Finnboard/Comissão, T‑338/94, Colect., p. II‑1617, n.° 363).
         Atendendo à razão de ser da redução, a Comissão não pode ignorar a utilidade da informação fornecida, que depende necessariamente
         das provas de que já dispõe (acórdão Gütermann e Zwicky/Comissão, n.° 340 supra, n.° 220).
      
      343    Além disso, resulta da jurisprudência que, quando uma empresa, a título da cooperação, se limita a confirmar, de modo menos
         preciso e explícito, algumas das informações já fornecidas por outra empresa a título da cooperação, o grau da cooperação
         desta empresa, ainda que possa não ser destituído de uma certa utilidade para a Comissão, não pode ser considerado comparável
         ao da primeira empresa quando forneceu as referidas informações. Com efeito, uma declaração que se limite a corroborar, em
         certa medida, uma declaração já ao dispor da Comissão não facilita a sua missão de forma significativa. Portanto, não basta
         para justificar uma redução da coima pela cooperação (v., nesse sentido, acórdãos do Tribunal Geral de 8 de Julho de 2004,
         Mannesmannröhren‑Werke/Comissão, T‑44/00, Colect., p. II‑2223, n.° 301; de 25 de Outubro de 2005, Groupe Danone/Comissão,
         T‑38/02, Colect., p. II‑4407, a seguir «acórdão Danone do Tribunal Geral», n.° 455, e Gütermann e Zwicky/Comissão, n.° 340
         supra, n.° 222).
      
      344    Em conclusão, a colaboração de uma empresa na investigação não dá origem a uma redução da coima quando essa colaboração não
         ultrapassar o que resulta das obrigações que lhe incumbem por força do artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003 (v., neste sentido,
         acórdão do Tribunal Geral de 10 de Março de 1992, Solvay/Comissão, T‑12/89, Colect., p. II‑907, n.os 341 e 342, e Danone, n.° 343 supra, n.° 451). 
      
      345    No caso em apreço, deve salientar‑se, liminarmente, que é um facto que, como resulta do considerando 561 da decisão recorrida,
         a Arkema France foi a segunda empresa a ter apresentado um pedido nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, depois
         da EKA. Há que examinar, portanto, se, como sustenta a recorrente, resulta da leitura de cada um dos considerandos da decisão
         recorrida que a recorrente enumera, e que foram expostos no n.° 333 supra, que a Arkema France forneceu à Comissão elementos de um valor acrescentado significativo na acepção do ponto 21 da Comunicação
         de 2002 sobre a cooperação. 
      
      346    Em primeiro lugar, quanto à alegação da recorrente segundo a qual, no essencial, deveria ter obtido uma redução de coima nos
         termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação, na medida em que tinha sido a primeira empresa a fornecer as informações
         referidas nos considerandos 38, 46, 344, 355 e 589 da decisão recorrida, bem como na respectiva nota de pé de página n.° 63,
         cabe declarar que a Comissão não cometeu nenhum erro manifesto de apreciação, ao considerar que tais informações não eram
         de valor acrescentado significativo. 
      
      347    Primeiro, quanto aos considerandos 38 e 46 da decisão recorrida, bem como a respectiva nota de pé de página n.° 63, deve salientar‑se
         que dizem respeito a informações fornecidas pela Arkema France, relativas às suas capacidades de produção, bem como ao valor
         das vendas e às quotas de mercado das empresas presentes no mercado EEE do clorato de sódio. Ora, na medida em que as referidas
         informações não ultrapassam, no entendimento da jurisprudência referida no n.° 344 supra, o que resulta das obrigações que incumbem à Arkema France por força do artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003, há que declarar
         que as mesmas não são de valor acrescentado significativo. 
      
      348    Segundo, quanto ao considerando 344 da decisão recorrida, deve salientar‑se que a Comissão, faz aí referência a um argumento
         invocado pela Aragonesas segundo o qual «[o]s elementos de prova apresentados pela Comissão apoiam‑se essencialmente nos pedidos
         [nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação] apresentados pela EKA, pela Finnish Chemicals e pela [Arkema France]».
         A esse respeito, deve salientar‑se que, uma vez que, no referido considerando, a Comissão se limita a recordar um argumento
         formulado pela Aragonesas, não se pode considerar que o referido argumento constitua o reconhecimento, por parte da Comissão,
         de que a Arkema France lhe forneceu informações de valor acrescentado significativo, ou demonstre que a Comissão tenha cometido
         um erro manifesto de apreciação, ao excluir que as informações fornecidas pela Arkema France sejam de valor acrescentado significativo.
         
      
      349    Terceiro, quanto ao considerando 355 da decisão recorrida, a Comissão salienta, no essencial, que «as declarações que vão
         contra os interesses do declarante devem, em princípio, ser consideradas como elementos de prova particularmente fiáveis».
         A esse respeito, deve ser referido que tal apreciação de ordem geral da Comissão, não permite concluir que as informações
         fornecidas pela Arkema France facilitaram, no caso em apreço, a tarefa da Comissão de maneira significativa, permitindo‑lhe
         estabelecer os factos da infracção e, portanto, que as mesmas tinham um valor acrescentado significativo. 
      
      350    Quarto, quanto ao considerando 589 da decisão recorrida, a Comissão salienta que, «para efeitos da avaliação do valor das
         provas fornecidas pela Finnish Chemicals, deve sublinhar‑se que, no momento em que [a mesma] estabeleceu contacto com a Comissão,
         [esta última] já dispunha de elementos de prova que lhe tinham sido apresentados pela EKA, [pela] Finnish Chemicals (na sua
         resposta ao pedido de informações, datado de 10 de Setembro de 2004, na medida em que a [Finnish Chemicals] não foi além do
         que lhe era perguntado) e [pela Arkema France]». A este respeito, deve salientar‑se que, embora a redacção do referido considerando
         pudesse ser interpretada no sentido de que a Comissão considerou que a Arkema France forneceu «elementos de prova», tal interpretação
         não pode, no entanto, ser adoptada, no caso em apreço, tendo em conta o contexto no qual essa apreciação foi formulada pela
         Comissão e as constatações a que a mesma procedeu noutras partes da decisão recorrida. Com efeito, antes de mais, na medida
         em que essa apreciação da Comissão foi feita no contexto da avaliação do valor acrescentado das informações apresentadas pela
         Finnish Chemicals, a mesma visa sublinhar que é à luz das informações já disponíveis no seu processo, que a Comissão é obrigada
         a examinar se as informações fornecidas pela Finnish Chemicals têm um valor acrescentado significativo, e não que a Arkema
         France forneceu informações de valor acrescentado significativo. Além disso, a referida apreciação não põe em causa as constatações
         formuladas pela Comissão, nos considerandos 561 a 580 da decisão recorrida, segundo as quais devem ser rejeitados todos os
         argumentos da recorrente e da Arkema France, expostos na decisão recorrida, que visam defender que esta última apresentou
         elementos de informação que têm um valor acrescentado significativo. Finalmente, e em qualquer caso, a apreciação formulada
         pela Comissão, no considerando 589 da decisão recorrida, não é susceptível de demonstrar que, tendo em conta as informações
         fornecidas pela Arkema France, a Comissão cometeu um erro manifesto de apreciação, ao considerar que as referidas informações
         não tinham um valor acrescentado significativo. 
      
      351    Em segundo lugar, quanto aos considerandos 76, 254, 255, 259 e 273 da decisão recorrida, bem como às respectivas notas de
         pé de página n.os 116 e 337, para os quais a recorrente remete, cabe constatar que a Comissão não cometeu nenhum erro manifesto de apreciação,
         ao considerar que aquelas não tinham um valor acrescentado significativo.
      
      352    Primeiro, quanto ao considerando 76 da decisão recorrida e à respectiva nota de pé de página n.° 116, a Comissão descreve
         o funcionamento geral do acordo que se caracterizava, nomeadamente, por «contactos frequentes sob a forma de reuniões bilaterais
         ou multilaterais e de conversas telefónicas, sem contudo seguir um esquema predefinido». A Comissão constata, igualmente,
         que, «segundo a [Arkema France], no início do acordo, foi estabelecida uma lista dos clientes comuns e dos volumes de venda
         que cada um dos produtores de clorato de sódio membros do acordo estava autorizado a fornecer‑lhes» e que «[a Arkema France],
         contudo, não apresentou a lista em questão à Comissão». A esse respeito, para além do facto de resultar do pedido oral de
         imunidade da EKA que esta última já tinha informado a Comissão acerca da natureza dos contactos que existiam entre as empresas
         em causa, essa informação que a Arkema France não apoiou com nenhuma prova documental não era, no entendimento da jurisprudência
         referida no n.° 343 supra, de valor acrescentado significativo. 
      
      353    Segundo, quanto ao considerando 254 da decisão recorrida e à sua nota de pé de página n.° 305, a Comissão salienta que a Arkema
         France declarou que «[o seu representante, L.] crê lembrar‑se de uma reunião entre a Finnish Chemicals e a [Arkema France],
         destinada a compreender porque é que as regras de repartição aplicáveis [ao cliente] MODO já não eram respeitadas e que, «no
         decurso dessa reunião, que [L.] pensa que se realizou no primeiro trimestre de 1999, na Finlândia, a Finnish Chemicals declarou
         que se tinha tornado fornecedor exclusivo da [MODO], na sequência de um acordo da sua casa‑mãe com a MODO, quebrando, assim,
         o acordo existente entre a EKA, a Finnish Chemicals e a [Arkema France] a respeito desse cliente». A esse respeito, deve salientar‑se
         que, no considerando 255 da decisão recorrida, a Comissão acrescenta que, «no entanto, só tendo sido celebrado o contrato
         entre a MODO e a Finnish Chemicals em Setembro de 1999, a Comissão considera que [L.] confundiu as datas e os lugares e que
         o mesmo se refere, na realidade, à reunião de 9 de Novembro de 1999, em Copenhaga». Assim, para além do facto de a informação
         oral fornecida pela Arkema France ser, como a própria admite, incerta («[L.] crê lembrar‑se») mas, igualmente, imprecisa,
         deve constatar‑se, em qualquer caso, que a Comissão salienta, expressamente, no considerando 255 da decisão recorrida, que
         a referida informação está errada, o que a recorrente, aliás, não contesta. Por conseguinte, a Comissão não cometeu nenhum
         erro manifesto de apreciação, ao recusar que tal informação pudesse ter um valor acrescentado significativo. 
      
      354    Terceiro, quanto ao considerando 259 da decisão recorrida, a Comissão refere registos de despesas de viagem do representante
         da Arkema France, L., que abrangem o período compreendido entre os meses de Outubro e Dezembro de 1999 e que lhe foram fornecidos
         pela Arkema France. É, igualmente, indicado, no referido considerando, que esses documentos contêm a referência «15/12 EKA
         Roissy» e que a Arkema France daí deduz que «essa referência poderia relacionar‑se com uma reunião com representantes da EKA,
         no aeroporto Roissy‑Charles‑de‑Gaulle, em Paris, em 15 de Dezembro de 1999». Deve constatar‑se que, no referido considerando,
         a Comissão salientou que a EKA não se recorda de tal reunião. Portanto, a Comissão não cometeu qualquer erro manifesto de
         apreciação, ao considerar que essa informação, da qual a Arkema France não está segura e que não foi corroborada, não tinha
         um valor acrescentado significativo. É importante sublinhar, a este respeito, que o facto de a Comissão não ter considerado,
         tendo em conta a inexistência de elementos de prova suficientes para corroborar essa informação, a reunião que teria tido
         lugar no aeroporto de Roissy‑Charles‑de‑Gaulle na lista das reuniões e das chamadas telefónicas respeitantes ao acordo (v.
         anexo 1 da decisão recorrida), confirma que essa informação não tem um valor acrescentado significativo.
      
      355    Quarto, quanto ao considerando 273 da decisão recorrida, a Comissão precisa que a Arkema France refere uma reunião entre a
         EKA, a Finnish Chemicals e a Arkema France «na Primavera de 2000». Ora, deve salientar‑se que a Comissão refere, igualmente,
         no referido considerando, que nem a EKA nem a Finnish Chemicals confirmaram a realização dessa reunião. Além disso, a Comissão
         salienta que se deve considerar, com base nas informações fornecidas pela EKA, como expostas no considerando 283 da decisão
         recorrida, que se trata, na realidade, da reunião que se realizou em 9 de Fevereiro de 2000. Portanto, para além do facto
         de essa informação fornecida pela Arkema France ser imprecisa, a Comissão afirmou, sem que a recorrente o conteste, que a
         mesma não foi corroborada por outros elementos que permitissem à Comissão prová‑la. Por conseguinte, a Comissão não cometeu
         nenhum erro manifesto de apreciação, ao recusar que essa informação tivesse um valor acrescentado significativo. 
      
      356    Quinto, quanto à nota de pé de página n.° 337 da decisão recorrida, deve ser declarado que a Comissão precisa o conteúdo do
         considerando 284 da referida decisão, no qual a Comissão salientou, nomeadamente, que, «apesar de terem, ainda, existido algumas
         chamadas telefónicas e reuniões entre concorrentes, em Janeiro e em Fevereiro de 2000, […], o nível de cooperação [habitual]
         que incluía, essencialmente, esforços com o fim de repartir entre si os volumes de vendas e de fixar os preços, não foi restaurado
         [em 2000], devido à perda de confiança mútua e por outras razões relacionadas, referidas pelas concorrentes nas suas diversas
         declarações». Na sua nota de pé de página n.° 337, da referida decisão, a Comissão indica, a respeito da data de fim do acordo,
         que «a EKA e a [Arkema France] remetem para os seus respectivos programas [de cumprimento do direito da concorrência], que
         foram adoptados em 1999 e em 2000 «e que a «Finnish Chemicals afirma que os contactos com as concorrentes se tornaram obsoletos,
         uma vez celebrado o contrato com [o cliente] MODO». A esse respeito, deve, igualmente, salientar‑se que a Comissão indica,
         no considerando 575 da decisão recorrida, que o representante da Arkema France, L., «se limitou a confirmar a declaração da
         EKA, relativa ao efeito da adopção dos programas [de cumprimento do direito da concorrência], sem fornecer novos elementos
         de prova a esse respeito». Além disso, no considerando 593 da decisão recorrida e na sua nota de pé de página n.° 540, a Comissão
         salienta que, «no momento em que esta recebeu a resposta ao pedido de informações e ao pedido de [cooperação] da Finnish Chemicals,
         o seu processo já continha informações, provenientes de duas fontes independentes [EKA e Arkema France], que indicavam que
         a infracção não tinha terminado antes da primavera de 2000». Finalmente, no considerando 594 da decisão recorrida, bem como
         na sua nota de pé de página n.° 542, a Comissão precisa que «já tinha deduzido d[o] contributo [da EKA]» que esta última se
         tinha distanciado do acordo na Primavera de 2000. 
      
      357    À luz das constatações feitas pela Comissão nos considerandos da decisão recorrida, expostas no n.° 356 supra, há que considerar que a informação fornecida pela Arkema France a esse respeito, não tinha um valor acrescentado significativo,
         à data em que a mesma a forneceu à Comissão. Com efeito, para além do facto de a informação fornecida pela Arkema France,
         segundo a qual o acordo terminou depois da adopção de programas de cumprimento do direito da concorrência, não ser precisa
         relativamente à data exacta considerada pela Comissão para estabelecer o fim da infracção, ou seja, 9 de Fevereiro de 2000
         [artigo 1.°, alínea e), da decisão recorrida], foi com base nos dados fornecidos pela EKA, como resulta do considerando 290
         da decisão recorrida, que a Comissão pôde estabelecer que a infracção tinha terminado com a reunião da associação profissional
         CEFIC, que se realizou em 9 de Fevereiro de 2000. 
      
      358    Em terceiro lugar, na decisão recorrida, quanto ao considerando 94 e à sua nota de pé de página n.° 196, ao considerando 98
         e à sua nota de pé de página n.° 142, ao considerando 243 e à sua nota de pé de página n.° 293, ao considerando 251 e à sua
         nota de pé de página n.° 302, ao considerando 260 e ao considerando 593 e à sua nota de pé de página n.° 540, ao considerando
         594 e à sua nota de pé de página n.° 542, bem como às suas notas de pé de página n.os 118 e 259, há que constatar que se referem, ou a informações, sobre as quais resulta da decisão recorrida que já estavam
         na posse da Comissão, à data em que a Arkema France apresentou o seu pedido nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação,
         ou a informações insuficientemente pormenorizadas ou apoiadas para permitir à Comissão estabelecer os factos da infracção,
         ou, finalmente, a informações que a Comissão podia conseguir em conformidade com o artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003.
      
      359    Primeiro, quanto ao considerando 94 da decisão recorrida e à sua nota de pé de página n.° 136, a Comissão indica que «[s]egundo
         a Finnish Chemicals, realizou‑se uma reunião em 17 de Maio [de 1995], no hotel SAS Royal, de Copenhaga, na qual participaram
         [a EKA, a Finnish Chemicals e a Arkema France]». A Comissão observa que os registos de despesas de viagem do representante
         da Arkema France, [D.], confirmaram a sua presença nessa reunião. A esse respeito, por um lado, cabe salientar que resulta
         dos considerandos 95 e 96 da decisão recorrida, que a Comissão estabeleceu a realização dessa reunião ao considerar os elementos
         de prova apresentados pela Finnish Chemicals, o que a recorrente não contesta. Com efeito, no considerando 96 da decisão recorrida,
         a Comissão precisa que as notas tomadas, na reunião de 17 de Maio de 1995, pelo representante da Finnish Chemicals, S., «provam
         a participação da [Arkema France] no acordo». Por outro lado, e em qualquer caso, há que declarar que o fornecimento unicamente
         dos registos de despesas de viagem do representante da Arkema France que permitem confirmar a sua presença na reunião em questão,
         é uma cooperação que não ultrapassa, no entendimento da jurisprudência referida no n.° 344 supra, o que resulta das obrigações que lhe incumbiam por força do artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003. Por conseguinte, a Comissão
         não cometeu qualquer erro manifesto de apreciação, ao considerar que a Arkema France não tinha fornecido elementos de valor
         acrescentado significativo a esse respeito. 
      
      360    Segundo, quanto ao considerando 98 da decisão recorrida e à sua nota de pé de página n.° 142, a Comissão indica nomeadamente,
         que «a EKA relata, igualmente, que, por volta de 1995, foi decidido, com a Finnish Chemicals e a [Arkema France], ‘proceder
         a um aumento dos preços importante que funcionou’ para Portugal, tendo em conta a desvalorização do escudo» e acrescenta que
         «os elementos de prova apresentados pela EKA mostram que, em 1995, a empresa aumentou as tabelas de preços que praticava relativamente
         aos seus clientes portugueses, em 31% e em 44%, em comparação com os preços praticados em 1993». Além disso, a Comissão indica
         que «[a Arkema France] também refere um aumento de preços bem‑sucedido». Resulta, portanto, do texto da decisão recorrida,
         que esse aumento de preços em 1995 foi demonstrado com base em informações orais e em documentos fornecidos pela EKA, o que
         a recorrente não contesta. Por conseguinte, apesar de a informação oral fornecida pela Arkema France confirmar a da EKA, há
         que constatar, à semelhança da Comissão, que não se pode considerar, de acordo com a jurisprudência referida no n.° 343 supra, que essa informação tenha um valor acrescentado significativo, uma vez que a Arkema France não forneceu pormenores adicionais
         acerca do referido aumento de preços, em comparação com os fornecidos pela EKA.
      
      361    Terceiro, quanto ao considerando 243 da decisão recorrida e à sua nota de pé de página n.° 293, a Comissão afirma que «[n]as
         suas declarações, a EKA e a [Arkema France] indicaram que se tinha realizado uma reunião entre os seus representantes, em
         Fevereiro ou em Março de 1999» e que «[a Arkema France] confirmou que [W.] representava a EKA nessa reunião «. A esse respeito,
         deve constatar‑se que, no referido considerando, a Comissão retoma expressamente as informações orais fornecidas pela EKA.
         Além disso, deve constatar‑se que a Comissão salientou, igualmente, no considerando 245 da decisão recorrida, que, «apesar
         de não ter sido possível estabelecer com uma certeza total que a reunião teve lugar, a Comissão considera que é verosímil
         que as discussões entre as concorrentes tenham decorrido tal como descreveu a EKA». Portanto, para além do facto de ter sido
         com base, unicamente, nas informações fornecidas pela EKA, que a Comissão pôde tomar conhecimento da referida reunião e do
         seu teor, a mesma considera, sem que a recorrente o conteste, que essa informação não permite estabelecer os factos da infracção
         com certeza. Por conseguinte, há que declarar que a Comissão não cometeu qualquer erro, ao recusar que a informação fornecida
         pela Arkema France, a esse respeito, tinha um valor acrescentado significativo. 
      
      362    Quarto, quanto ao considerando 251 da decisão recorrida e à respectiva nota de pé de página n.° 302, a Comissão salienta que
         «a Finnish Chemicals informou a Comissão de uma reunião que se realizou em Copenhaga, em 9 de Novembro de 1999», com a presença
         de representantes da Arkema France e da Finnish Chemicals. É, igualmente precisado que a Arkema France «confirmou que essa
         reunião tinha, realmente, tido lugar e [que esta] transmitiu à Comissão os registos das despesas de viagem do [seu representante,
         [L.], que mostravam que este viajou para Copenhaga em 9 de Novembro de 1999». A este respeito, deve salientar‑se, por um lado,
         que o fornecimento, unicamente, de registos de despesas de viagem do representante da Arkema France que permitem confirmar
         a sua presença na reunião em questão, é uma cooperação que não ultrapassa, no entendimento da jurisprudência referida no n.° 344
         supra, o que resulta das obrigações que lhe incumbiam por força do artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003. Por outro lado, a Comissão
         retoma literalmente, no considerando 252 da decisão recorrida, as informações precisas fornecidas pela Finnish Chemicals,
         que expunham o conteúdo das discussões mantidas nessa reunião, ao passo que o considerando 254 da decisão recorrida, refere
         declarações imprecisas, por parte da Arkema France, relativas a essa reunião. Finalmente, resulta dos referidos considerandos,
         que as informações fornecidas pela Arkema France não permitiram corroborar elementos no processo da Comissão, à data em que
         foram fornecidas, mas que foram as informações fornecidas pela Finnish Chemicals que permitiram à Comissão estabelecer os
         referidos factos. Por conseguinte, a Comissão não cometeu nenhum erro manifesto de apreciação, ao considerar que as informações
         fornecidas pela Arkema France, a esse respeito, não tinham um valor acrescentado significativo. 
      
      363    Quinto, quanto ao considerando 260 da decisão recorrida, a Comissão salienta que «a Finnish Chemicals declarou [por intermédio
         do seu representante, S.] que os representantes da [Arkema France] e da Finnish Chemicals se reuniram uma outra vez, em 21
         de Dezembro de 1999 […], em Estocolmo» e que «essa reunião é, também, confirmada pelos registos de despesas de viagem de [L.],
         transmitidos pela [Arkema France]». Deve salientar‑se, a este respeito, para além do facto de, como resulta do referido considerando,
         a Comissão apenas ter provado essa reunião com base nas informações fornecidas pela Finnish Chemicals, o fornecimento, unicamente,
         dos registos de despesas de viagem do representante da Arkema France que permitem confirmar a sua presença na reunião em questão,
         é uma cooperação que não ultrapassa, no entendimento da jurisprudência exposta no n.° 344 supra, o que resulta das obrigações que lhe incumbiam por força do artigo 18.° do Regulamento n.° 1/2003. 
      
      364    Sexto, quanto à nota de pé de página n.° 118 da decisão recorrida, a Comissão salienta que «[a Arkema France] confirmou a
         existência do mecanismo de partilha do mercado e do regime de compensação descritos pela EKA». A este respeito, deve salientar‑se
         que, para além do facto de resultar desse considerando que a Comissão se baseou nas declarações orais da EKA para estabelecer
         os factos da infracção, o que a recorrente não contesta, não se pode considerar, como resulta da jurisprudência referida no
         n.° 343 supra, que a mera corroboração oral e imprecisa dessa informação tenha um valor acrescentado significativo.
      
      365    Sétimo, quanto ao considerando 207 da decisão recorrida e à respectiva nota de pé de página n.° 259, a Comissão salienta que
         «deve notar‑se que, no quadro de discussões entre a Finnish Chemicals e a [Arkema France] a respeito do [cliente] MODO, [L.,
         o representante da Arkema France] telefonou a [B.] (o representante da Quadrimex, o importador da Finnish Chemicals em França)
         a fim de discutir os volumes perdidos pela [Arkema France]» e que «nessas chamadas, em 2 e 5 de Outubro de 1998, [L.] se queixou
         da agressividade escandinava e reclamou uma compensação em volume para a [Arkema France]». A este respeito, resulta dos documentos
         referidos na nota de pé de página n.° 257 da decisão recorrida e do ponto 4.3.1.20, intitulado «1998 – Conflito acerca do
         cliente MODO», dos considerandos 205 a 216 da referida decisão, que, para estabelecer a natureza precisa dos contactos mantidos
         entre as concorrentes a propósito do abastecimento do cliente MODO, as datas desses contactos e os volumes repartidos, a Comissão
         se baseou, integralmente, nas informações precisas que a Finnish Chemicals lhe forneceu. A Comissão, portanto, não cometeu
         nenhum erro manifesto de apreciação, ao recusar que a informação fornecida pela Arkema France, a esse respeito, pudesse ter
         um valor acrescentado significativo. 
      
      366    Em quarto lugar, quanto aos considerandos 568, 569, 571 a 573, 575 e 576 da decisão recorrida, que a recorrente invoca, deve
         salientar‑se que resulta dos referidos considerandos, que a Comissão dispunha dessas informações «provenientes de duas fontes»,
         no momento em que a Arkema France lhas forneceu (considerando 568 da decisão recorrida), que esta «confirmou a existência
         do sistema de repartição, em termos gerais, mas não forneceu nenhum elemento de prova escrito que datasse do período ao qual
         os factos remontavam, que teria reforçado a capacidade de a Comissão estabelecer os factos em questão» (considerando 569 da
         decisão recorrida), que as informações fornecidas pela Arkema France, a respeito dos contactos com as suas concorrentes foram
         «elementar[es] e não lhe permitiram estabelecer os factos em questão» (considerando 571 da decisão recorrida), que as informações
         relativas aos aumentos de preços, entre 1993 e 1995, confirmaram «em termos muito gerais» as informações que já tinha à sua
         disposição (considerando 572 da decisão recorrida), que as informações relativas ao abastecimento do cliente MODO tinham «já
         sido bem comprovada[s] pelos documentos fornecidos pela EKA» (considerando 573 da decisão recorrida), que a Arkema France
         se «limitou a confirmar a declaração da EKA a respeito do efeito da adopção de programas de cumprimento, sem fornecer novos
         elementos de prova a esse respeito» (considerando 575 da decisão recorrida), bem como que a apreciação da Comissão, segundo
         a qual «apesar de a [Arkema France] ter podido confirmar determinados aspectos do funcionamento do acordo, de forma muito
         geral, não o fez, contudo, de uma maneira susceptível de reforçar a capacidade da Comissão de provar a infracção» (considerando
         579 da decisão recorrida). Por conseguinte, há que declarar que nenhum destes considerandos demonstra que as informações fornecidas
         pela Arkema France tinham um valor acrescentado significativo. 
      
      367    À luz de todas as considerações precedentes, deve concluir‑se que a Comissão não cometeu qualquer erro manifesto de apreciação,
         ao não conceder à Arkema France uma redução da coima nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação. Por conseguinte,
         a primeira parte do décimo fundamento deve ser julgada improcedente.
      
       Quanto à segunda parte, relativa à violação do princípio da igualdade de tratamento
      –       Argumentos das partes
      368    A recorrente alega que a Comissão violou o princípio da igualdade de tratamento, ao não conceder à Arkema France, diferentemente
         da Finnish Chemicals, nenhum «crédito» pelas informações que a mesma lhe forneceu e em relação às quais a Comissão, no entanto,
         reconheceu, nos considerandos 568, 569, 571, 572, 573, 575 e 576 da decisão recorrida, que permitiam confirmar os factos da
         infracção. Esta diferença de tratamento teve como efeito «encarecer» as coimas aplicadas à recorrente, que deveria ter beneficiado,
         com a Arkema France, de uma redução do montante da coima de 30 a 50%, em comparação com as coimas aplicadas às empresas em
         causa e, em particular, à Finnish Chemicals. 
      
      369    A Comissão contesta esta argumentação.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      370    A recorrente sustenta, no essencial, que a Comissão violou o princípio da igualdade de tratamento, uma vez que concedeu à
         Finnish Chemicals, mas não à Arkema France, uma redução da coima nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação. 
      
      371    De acordo com a jurisprudência recordada no n.° 196 supra, o princípio da igualdade de tratamento exige que situações comparáveis não sejam tratadas de maneira diferente e que situações
         diferentes não sejam tratadas de maneira igual, a não ser que tal tratamento seja objectivamente justificado.
      
      372    No caso em apreço, uma vez que, por um lado, como foi concluído a propósito do exame da primeira parte do décimo fundamento
         (v. n.° 367 supra), a Comissão não cometeu qualquer erro manifesto de apreciação, ao considerar que as provas apresentadas pela Arkema France
         não tinham valor acrescentado significativo e, por outro, que a recorrente não contesta, nesse âmbito, a apreciação da Comissão
         segundo a qual, as informações fornecidas pela Finnish Chemicals tinham um valor acrescentado significativo, deve ser referido
         que a Arkema France e a Finnish Chemicals não se encontravam numa situação idêntica relativamente à concessão de uma redução
         de coima nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação. 
      
      373    Há, portanto, que declarar que a recorrente não demonstrou que a Comissão tenha violado o princípio da igualdade de tratamento,
         ao não conceder nenhuma redução de coima à Arkema France nos termos da Comunicação de 2002 sobre a cooperação.
      
      374    Portanto, a segunda parte do décimo fundamento e, por conseguinte, o décimo fundamento, na sua totalidade, bem como o primeiro
         pedido da recorrente, devem ser julgados improcedentes. 
      
      2.     Quanto aos pedidos, formulados a título subsidiário, em que se pede a alteração dos montantes das coimas
       Argumentos das partes
      375    No âmbito do seu décimo primeiro fundamento, a recorrente alega que, caso o Tribunal Geral não anulasse a decisão recorrida
         na parte em esta última lhe diz respeito, as coimas que lhe foram aplicadas deveriam ser anuladas ou reduzidas. 
      
      376    Em primeiro lugar, a recorrente sustenta que seria injusto aplicar‑lhe a coima mais elevada, dentre as que foram aplicadas
         às empresas destinatárias da decisão recorrida, apesar de a responsabilidade da Arkema France na infracção ser consideravelmente
         menor do que as da EKA e da Finnish Chemicals. A mesma observa, a esse respeito, que as duas principais protagonistas do acordo
         eram a EKA e a Finnish Chemicals, como resulta da fundamentação da decisão recorrida, e que foi, nomeadamente, por reacção
         às lutas entre estas duas concorrentes por repartirem entre si os mercados nórdicos, que as outras partes no acordo, como
         a Arkema France, foram levadas a reagir e a proteger os seus mercados nas suas regiões. 
      
      377    Em segundo lugar, a recorrente considera que, no âmbito do seu poder de apreciação geral, o Tribunal Geral deve ter em conta,
         por um lado, a menor responsabilidade da Arkema France na infracção em causa, em comparação com a da EKA e da Finnish Chemicals
         e, por outro, os factores que a mesma invocou nas primeira e segunda alegações do oitavo fundamento (v. n.os 267 a 273 supra), nas primeira e segunda partes do nono fundamento (v. n.os 310 a 312 e 320 a 323 supra) e no décimo fundamento (v. n.os 331 a 333 e 368 supra). 
      
      378    A Comissão contesta a argumentação da recorrente.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      379    Basta recordar que, de acordo com a jurisprudência, relativamente à fiscalização exercida pelo Tribunal da União sobre as
         decisões da Comissão em matéria de concorrência, para além da simples fiscalização da legalidade, que só permite negar provimento
         ao recurso de anulação ou anular o acto impugnado, a competência de plena jurisdição conferida, nos termos do artigo 229.° CE,
         ao Tribunal Geral pelo artigo 31.° do Regulamento n.° 1/2003, habilita o Tribunal da União a alterar o acto impugnado, mesmo
         sem o anular, tendo em conta todas as circunstâncias de facto, a fim de alterar, por exemplo, o montante da coima (v. acórdão
         do Tribunal de Justiça de 3 de Setembro de 2009, Prym e Prym Consumer/Comissão, C‑534/07 P, Colect., p. I‑7415, n.° 86 e jurisprudência
         referida).
      
      380    Quanto, em primeiro lugar, ao pedido de alteração do montante da coima aplicada solidariamente à recorrente e à Arkema France,
         atendendo ao facto de a Comissão não ter tido suficientemente em conta a menor implicação da Arkema France no acordo, em comparação
         com a EKA e a Finnish Chemicals, o Tribunal Geral considera que tal pedido não pode ser deferido, uma vez que, como foi declarado
         no n.° 328 supra, a recorrente não apresenta nenhum argumento ou elemento de prova que demonstre que a Arkema France teria desempenhado um
         papel menor dentro do acordo que justifique que lhe seja concedida, a esse título, uma redução no montante da coima.
      
      381    Quanto, em segundo lugar, ao pedido de alteração das coimas aplicadas solidariamente à Arkema France e à recorrente, bem como
         à recorrente, a título individual, tendo em conta os argumentos invocados nas primeira e segunda alegações do oitavo fundamento,
         na primeira e segunda partes do nono fundamento, e no décimo fundamento, o Tribunal Geral considera que, à luz de todos os
         fundamentos expostos supra, e dado que a recorrente não apresentou outros argumentos a esse respeito, não há nada que justifique tal redução.
      
      382    Deve, portanto, ser negado provimento ao segundo pedido da recorrente, bem como ao recurso, na sua totalidade.
      
       Quanto às despesas
      383    Por força do disposto no n.° 2 do artigo 87.° do Regulamento de Processo, a parte vencida é condenada nas despesas se a parte
         vencedora o tiver requerido. Tendo a recorrente sido vencida, deve ser condenada nas despesas, conforme os pedidos da Comissão.
      
      Pelos fundamentos expostos,
      O TRIBUNAL GERAL (Segunda Secção)
      decide:
      1)      É negado provimento ao recurso.
      2)      A Elf Aquitaine SA é condenada nas despesas.
      
               Pelikánová
            
            
               Jürimäe
            
            
               Soldevila Fragoso
            
         Proferido em audiência pública no Luxemburgo, em 17 de Maio de 2011.
      Assinaturas
      Índice
      
      Antecedentes do litígio
      Tramitação processual e pedidos das partes
      Questão de direito
      1.  Quanto aos pedidos, formulados a título principal, em que se pede a anulação da decisão recorrida
      Quanto ao primeiro fundamento, relativo a uma violação das regras que regem a imputação da responsabilidade por uma infracção
         dentro de grupos de sociedades
      
      Quanto à primeira parte, relativa a um erro de direito cometido na imputação da responsabilidade pelo comportamento ilícito
         em causa à recorrente
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à segunda parte, relativa à violação dos princípios da autonomia jurídica e económica das sociedades
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à terceira parte, relativa ao erro sobre o facto de os indícios considerados pela Comissão na decisão recorrida não
         corroborarem a presunção de exercício de uma influência determinante
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à quarta parte, relativa ao facto de a Comissão ter considerado injustamente que a recorrente não tinha fornecido um
         conjunto de indícios que ilidiam a presunção de exercício de uma influência determinante
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à quinta parte, relativa à transformação da presunção de exercício de uma influência determinante em presunção inilidível
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao segundo fundamento, relativo à violação de seis princípios fundamentais em resultado da imputação da responsabilidade
         pelo comportamento ilícito em causa à recorrente
      
      Quanto à primeira parte, relativa a uma violação dos direitos de defesa da recorrente
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à segunda parte, relativa a uma violação do princípio da igualdade de armas
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à terceira parte, relativa a uma violação da presunção de inocência
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à quarta parte, relativa a uma violação do princípio da responsabilidade pelos próprios actos e da individualização
         das penas
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à quinta parte, relativa a uma violação do princípio da legalidade das penas
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à sexta parte, relativa a uma violação do princípio da igualdade de tratamento
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao terceiro fundamento, relativo a uma desvirtuação do conjunto de indícios apresentado pela recorrente
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao quarto fundamento, relativo à existência de uma fundamentação contraditória na decisão recorrida
      Quanto à primeira parte, relativa a uma fundamentação contraditória na aplicação do conceito de empresa na acepção do artigo
         81.°, n.° 1, CE
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à segunda parte, relativa a uma fundamentação contraditória da decisão recorrida relativamente ao conhecimento, pela
         recorrente, da infracção em causa
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à terceira parte, relativa a uma fundamentação contraditória relativamente à natureza do controlo que uma sociedade‑mãe
         deve exercer sobre a sua filial para que lhe seja imputada a infracção cometida por esta última
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao quinto fundamento, relativo a uma violação do princípio da boa administração
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao sexto fundamento, relativo a uma violação do princípio da segurança jurídica
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao sétimo fundamento, relativo a um desvio de poder
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao oitavo fundamento, relativo ao à falta de fundamento para a aplicação à recorrente de uma coima individual
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao nono fundamento, relativo a uma violação dos princípios e das regras que regem o cálculo da coima aplicada solidariamente
         à Arkema France e à recorrente
      
      Quanto à primeira parte, relativa a erros no cálculo do montante da coima aplicada solidariamente à Arkema France e à recorrente
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à segunda parte, relativa a uma violação do princípio da igualdade de tratamento relacionada com a coima aplicada solidariamente
         à Arkema France e à recorrente
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao décimo fundamento, relativo à violação das disposições da Comunicação de 2002 sobre a cooperação
      Quanto à primeira parte, relativa à recusa de concessão de uma redução da coima nos termos da Comunicação de 2002 sobre a
         cooperação
      
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à segunda parte, relativa à violação do princípio da igualdade de tratamento
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      2.  Quanto aos pedidos, formulados a título subsidiário, em que se pede a alteração dos montantes das coimas
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto às despesas
      * Língua do processo: francês.