CELEX: 62002CC0372
Language: pt
Date: 2004-03-25
Title: Conclusões do advogado-geral Jacobs apresentadas em 25 de Março de 2004. # Roberto Adanez-Vega contra Bundesanstalt für Arbeit. # Pedido de decisão prejudicial: Bundessozialgericht - Alemanha. # Regulamento (CEE) n.º 1408/71 - Determinação da legislação aplicável - Prestações de desemprego - Condições de totalização dos períodos de seguro ou de emprego - Medida nacional que não toma em conta um período de serviço militar obrigatório cumprido noutro Estado-Membro. # Processo C-372/02.

CONCLUSÕES DO ADVOGADO-GERALF. G. JACOBSapresentadas em 25 de Março de 2004(1)
         Processo C-372/02Roberto Adanez-VegacontraBundesanstalt für Arbeit
            «»
            
      
         
        1.        No presente caso, o Bundessozialgericht (tribunal social federal), Alemanha, submeteu uma série de questões relativas à interpretação
      dos artigos 3.°, 13.°, 67.° e 71.° do Regulamento n.° 1408/71 
         			(2)
         		 (a seguir «regulamento»).
      
      
        2.        Em especial, o Tribunal de Justiça é solicitado a pronunciar‑se, em primeiro lugar, quanto à legislação aplicável a um nacional
      espanhol que, tendo residido durante a maior parte da sua vida na Alemanha, passou nove meses em Espanha em cumprimento do
      serviço militar obrigatório, após o que regressou à Alemanha onde procurou obter um subsídio de desemprego e, em segundo lugar,
      quanto à questão de saber se o regulamento prevê que o tempo de serviço militar seja contado para efeitos de determinação
      do direito do demandante a receber esse subsídio.
      
      
        3.        As disposições do regulamento que estão em causa são o artigo 3.° (que enuncia o princípio da igualdade de tratamento), o
      n.° 2 do artigo 13.° (que estabelece regras para determinar a legislação aplicável), o artigo 67.° (que fixa as regras de
      totalização dos períodos de seguro ou de emprego noutro Estado‑Membro para efeitos da determinação do direito ao subsídio
      de desemprego) e o artigo 71.° (relativo aos trabalhadores em situação de desemprego que, ao tempo do seu último emprego,
      residiam no território de um Estado‑Membro que não o da sua residência). O texto destas disposições será citado adiante, na
      medida do necessário, à medida que forem sendo abordadas a questão ou as questões pertinentes.
      
      
        4.        Importa também ter em conta o artigo 80.° do Regulamento n.° 574/72 
         			(3)
         		. Este regulamento estabelece as modalidades de aplicação do Regulamento n.° 1408/71. O artigo 80.° prevê, no contexto do
      artigo 67.° do Regulamento n.° 1408/71, que os serviços de desemprego do Estado‑Membro à legislação do qual uma pessoa esteve
      sujeita em último lugar, emita um atestado que mencione os períodos de seguro ou de emprego cumpridos na qualidade de trabalhador
      ao abrigo dessa legislação.
      
       Legislação nacional relevante
        5.        O § 100 da Arbeitsförderungsgesetz (lei para a promoção do emprego, a seguir «AFG») dispõe que qualquer pessoa tem direito
      ao subsídio de desemprego se, inter alia, tiver preenchido as condições de duração da inscrição. O § 104 da AFG dispõe que estão preenchidas as condições de duração
      da inscrição se uma pessoa tiver ocupado um emprego sujeito a contribuições obrigatórias durante 360 dias ao longo do período
      de referência de três anos que antecede imediatamente o primeiro dia do período de desemprego a partir do qual as outras condições
      que dão direito ao subsídio de desemprego estejam preenchidas.
      
      
        6.        O § 107 da mesma lei dispõe que os períodos de serviço militar serão considerados emprego sujeito a contribuições obrigatórias.
      
       O processo principal e as questões submetidas
        7.        Segundo o despacho de reenvio, os factos em causa são os seguintes.
      
      
        8.        O demandante, que tem nacionalidade espanhola, nasceu na Alemanha em 1974 e desde então está registado com residência principal
      na Alemanha. De Setembro de 1991 a Julho de 1994, concluiu em Madrid uma formação de engenheiro electrónico na indústria energética.
      Entre 3 e 31 de Agosto de 1994, bem como entre 3 de Novembro de 1994 e 20 de Abril de 1995, o demandante esteve empregado
      na Alemanha como electricista. Em 21 de Abril de 1995, deslocou‑se para Espanha, onde prestou serviço militar obrigatório,
      entre 18 de Maio de 1995 e 15 de Fevereiro de 1996; a partir de 30 de Maio de 1996 voltou a trabalhar na Alemanha.
      
      
        9.        Nos termos do artigo 80.° do Regulamento n.° 574/72, em Janeiro de 1997 a segurança social espanhola atestou que entre 1 de
      Dezembro de 1991 e 4 de Dezembro de 1992 o demandante cumpriu um período de seguro e de emprego.
      
      
        10.      Em 25 de Abril de 1996, o demandante inscreveu‑se como desempregado, na instituição demandada. Esta recusou a concessão do
      subsídio de desemprego por entender que não estavam preenchidas as condições de duração de inscrição, pois, inter alia, o tempo de serviço militar obrigatório cumprido pelo demandante em Espanha não constituía emprego sujeito a contribuições
      obrigatórias, na acepção da AFG.
      
      
        11.      O recurso que o demandado interpôs no Sozialgericht (tribunal social) de Hanover foi julgado procedente e a decisão deste
      órgão jurisdicional foi confirmada pelo Landessozialgericht (tribunal social superior). A demandada recorreu para o Bundessozialgericht.
      
      
        12.      Este órgão jurisdicional observa que o período de referência de três anos abrange o período compreendido entre 25 de Abril
      de 1993 e 24 de Abril de 1996. Durante esse período, o demandante ocupou na Alemanha um emprego sujeito à obrigação de pagar
      contribuições, entre 3 de Agosto de 1994 e 31 de Agosto de 1994 e entre 3 de Novembro de 1994 e 20 de Abril de 1995, correspondente
      a 198 dias de trabalho, isto é, menos de 360 dias. No entanto, o demandante teria direito ao subsídio de desemprego se fosse
      contado o tempo de serviço militar obrigatório, entre 18 de Maio de 1995 e 15 de Fevereiro de 1996. Este período não pode
      ser visto como uma questão de direito alemão a fim de determinar a duração de inscrição, mas pode ter que ser tido em conta
      nos termos do direito comunitário. Isso pressupõe que, de acordo com o direito comunitário, a demandada era competente para
      conceder o subsídio de desemprego e que estavam preenchidas as condições de concessão. Se é esse ou não o caso, depende da
      interpretação de um certo número de disposições do Regulamento n.° 1408/71. Nestas circunstâncias, o Bundessozialgericht decidiu
      suspender a instância e submeter ao Tribunal de Justiça uma série de questões para decisão a título prejudicial.
      
      
        13.      O texto integral das questões consta do anexo às presentes conclusões. No essencial, elas suscitam a seguinte problemática:
      primeiro, saber se, nas circunstâncias do caso em apreço, a legislação aplicável é a espanhola ou a alemã; segundo, saber
      se o tempo de serviço militar cumprido pelo demandante constitui «emprego» na acepção do n.° 1 do artigo 71.°; terceiro, se
      assim for, saber se o artigo 67.° é, em princípio, aplicável em conjugação com a alínea b), subalínea ii) do n.° 1 do artigo
      71.°; e quarto, saber se, em caso afirmativo, o artigo 67.° exige que seja contado o tempo de serviço militar obrigatório
      do demandante cumprido depois do seu último período de seguro ao abrigo da legislação alemã. Por último, o órgão jurisdicional
      de reenvio pergunta se o artigo 3.° do regulamento exige que o tempo de serviço militar seja contado caso as disposições acima
      referidas não tenham esse efeito.
      
      
        14.      Foram apresentadas observações escritas pelo demandante, pelos Governos alemão e português e pela Comissão. Não houve audiência,
      por não ter sido requerida.
      
       Determinação da legislação aplicável
        15.      Com a primeira questão, o órgão jurisdicional de reenvio pergunta, essencialmente, se uma pessoa na posição do demandante
      está sujeita à legislação espanhola, de acordo com a alínea e) do n.° 2 do artigo 13.° ou à legislação alemã de acordo com
      a alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° do regulamento.
      
       Artigo 13.° do regulamento
        16.      O artigo 13.°, epigrafado «Regras gerais», é a primeira disposição do título II do Regulamento n.° 1408/71, epigrafado «Determinação
      da legislação aplicável.»
      
      
        17.      Na versão aplicável na época dos factos, o n.° 1 do artigo 13.° dispõe:
      «Sem prejuízo do disposto na alínea c) do artigo 14.° [que não é relevante no presente caso] as pessoas às quais se aplica
      o presente regulamento apenas estão sujeitas à legislação de um Estado‑Membro. Esta legislação é determinada em conformidade
      com as disposições do presente título.»
      
      
        18.      O n.° 2 do artigo 13.° institui uma série de regras para determinar que legislação se aplica em circunstâncias especiais.
      Essas regras estão enunciadas nos artigos 14.° a 17.°, que constituem o restante do título II e que incluem várias regras
      especiais, nenhuma das quais é aplicável no caso em apreço.
      
      
        19.      A alínea a) do n.° 2 do artigo 13.° prescreve que:
      «A pessoa que exerça uma actividade assalariada no território de um Estado‑Membro está sujeita à legislação desse Estado,
      mesmo se residir no território de outro Estado‑Membro ou se a empresa ou entidade patronal que a emprega tiver a sua sede
      ou domicílio no território de outro Estado‑Membro.»
      
      
        20.      A alínea e) do n.° 2 do artigo 13.° determina que:
      «A pessoa chamada, uma ou mais vezes, para o serviço militar ou para o serviço civil de um Estado‑Membro está sujeita à legislação
      deste Estado; se o benefício desta legislação estiver dependente do cumprimento de períodos de seguro antes da incorporação
      no referido serviço militar ou no serviço civil ou após o licenciamento do serviço militar ou do serviço civil, os períodos
      de seguro cumpridos ao abrigo da legislação de qualquer outro Estado‑Membro são tidos em conta, na medida em que tal for necessário,
      como se tratasse de períodos de seguro cumpridos ao abrigo da legislação do primeiro Estado. O trabalhador assalariado ou
      não assalariado chamado, uma ou mais vezes, para o serviço militar ou para o serviço civil, mantém a qualidade de trabalhador
      assalariado ou não assalariado.»
      
      
        21.      A alínea f) do n.° 2 do artigo 13.°, inserida no Regulamento n.° 1408/71 pelo Regulamento n.° 2195/91 
         			(4)
         		 que entrou em vigor em 29 de Julho de 1991, dispõe:
      «A pessoa à qual a legislação de um Estado‑Membro deixa de ser aplicável, sem que lhe seja aplicável a legislação de um outro
      Estado‑Membro em conformidade com uma das regras enunciadas nas alíneas precedentes ou com uma das excepções ou regras especiais
      constantes dos artigos 14.° a 17.°, está sujeita à legislação do Estado‑Membro no território do qual reside, de acordo com
      as disposições desta legislação.»
      
       Apreciação
        22.      Em minha opinião, a legislação aplicável deve ser determinada exclusivamente por referência ao título II do regulamento, epigrafado
      «Determinação da legislação aplicável» e reiteradamente qualificado pelo Tribunal de Justiça como «um sistema completo e uniforme
      de normas de conflito» 
         			(5)
         		. Com efeito, o n.° 1 do artigo 13.° determina expressamente que «sem prejuízo do disposto na alínea c) do artigo 14.° as
      pessoas às quais se aplica o presente regulamento apenas estão sujeitas à legislação de um Estado‑Membro. Esta legislação
      é determinada em conformidade com as disposições do presente título». Por isso, não posso aceitar a afirmação da Comissão,
      segundo a qual a legislação aplicável não decorre do disposto no título II, antes devendo ser determinada por referência a
      outras disposições do regulamento.
      
      
        23.     É certo que noutros títulos do regulamento há disposições que prevêem a aplicação, em circunstâncias específicas, da legislação
      de um Estado‑Membro diferente da aplicável por força do título II. No entanto, na interpretação do Tribunal de Justiça, o
      esquema do regulamento baseia‑se claramente que a legislação que se aplica a título principal a um determinado requerente
      de prestações da segurança social pode sempre ser determinada por referência ao título II, mesmo numa situação especial de
      uma disposição concreta do regulamento que preveja a aplicação da legislação de outro Estado‑Membro para um fim específico.
      
      
        24.      No caso em apreço, o demandante (i) esteve empregado na Alemanha entre 3 e 31 de Agosto de 1994 e entre 3 de Novembro de 1994
      e 20 de Abril de 1995, períodos durante os quais esteve sujeito à legislação alemã por força da alínea a) do n.° 2 do artigo
      13.°, e (ii) prestou serviço militar obrigatório em Espanha, entre 18 de Maio de 1995 e 15 de Fevereiro de 1996, período durante
      o qual esteve sujeito à legislação espanhola por força da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.° A questão reside em saber qual
      era a legislação aplicável quando regressou à Alemanha e requereu o subsídio de desemprego.
      
      
        25.      A resposta a esta questão pode encontrar‑se no acórdão que o Tribunal de Justiça proferiu no processo Kuusijärvi 
         			(6)
         		, que dizia respeito à alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° Nesse acórdão, o Tribunal de Justiça declarou que «a alínea f) do
      n.° 2 do artigo 13.° declara aplicável a uma pessoa que já não está sujeita a qualquer legislação ao abrigo das outras disposições
      do artigo 13.°, n.° 2, [...] ou das dos artigos 14.° a 17.° do Regulamento n.° 1408/71, a legislação do Estado‑Membro no território
      do qual essa pessoa reside». Essa situação, manifestamente, descreve a posição do demandante no caso em apreço. O Governo
      alemão também partilha deste ponto de vista.
      
      
        26.      Embora o Governo português afirme que a legislação espanhola é aplicável por força da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.°, esta
      afirmação parece referir‑se apenas à legislação aplicável durante o período de prestação do serviço militar, ao passo que
      a primeira questão se refere à legislação aplicável posteriormente.
      
      
        27.      A Comissão argumenta que a alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° não é aplicável depois do termo do serviço militar assim como
      também não o é após a perda de emprego: se o fosse, uma pessoa desempregada poderia sempre ir viver noutro Estado‑Membro e
      aí reclamar o subsídio de desemprego. No entanto, tal possibilidade é manifestamente contrária à decisão do Tribunal de Justiça
      no acórdão Kuusijärvi, no qual declarou que «a uma pessoa que cessou qualquer actividade assalariada no território de um Estado‑Membro
      [...] é aplicável, por força da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° [...] a legislação do Estado em que previamente exerceu
      uma actividade assalariada, quando aí continue a ter a sua residência, ou a do Estado para o qual, sendo caso disso, tenha
      transferido a sua residência» 
         			(7)
         		.
      
      
        28.      Além disso, é evidente que o Tribunal de Justiça não teve como propósito limitar o alcance da expressão «pessoa que cessou
      qualquer actividade assalariada» às pessoas que cessaram definitivamente qualquer actividade profissional. No acórdão Kuusijärvi,
      os Governos sueco e norueguês alegaram que a alínea f) do n.° 2 do artigo 13.°, apenas se aplica a essas pessoas ao passo
      que uma pessoa que tiver cessado a sua actividade temporariamente permanece sujeita, por força da alínea a) do n.° 2 do artigo
      13.°, à legislação do Estado‑Membro onde teve o seu último emprego, mesmo que tenha fixado residência noutro Estado‑Membro.
      O Tribunal de Justiça sublinhou que nada na letra da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.°, sugere que o seu alcance seja tão
      limitado; pelo contrário, esta disposição está redigida em termos gerais e de modo a abranger qualquer situação em que a legislação
      de um Estado‑Membro deixou de ser aplicável a uma pessoa, seja porque razão for, e não apenas por a pessoa em causa ter cessado
      a sua actividade profissional, quer definitiva quer temporariamente, num determinado Estado‑Membro 
         			(8)
         		.
      
      
        29.      Em todo o caso, não me parece que a preocupação da Comissão seja fundamentada. Mesmo que o efeito da alínea f) do n.° 2 do
      artigo 13.° fosse o de que a legislação aplicável a uma pessoa que deixou de trabalhar num Estado‑Membro fixando residência
      noutro Estado‑Membro era a legislação deste último Estado, tal facto, por si só, não confere a essa pessoa um direito automático
      a receber desse Estado o subsídio de desemprego. No acórdão Kuusijärvi, o Tribunal de Justiça sublinhou que as disposições
      do n.° 2 do artigo 13.° têm por único objectivo determinar a legislação nacional aplicável às pessoas que se encontrem numa
      das situações a que se referem as alíneas a) a f) desse preceito. Enquanto tais, não têm por objectivo determinar as condições
      da existência do direito ou da obrigação de se inscrever num regime de segurança social ou neste ou naquele ramo de tal regime:
      como já por várias vezes foi indicado pelo Tribunal de Justiça, cabe à legislação de cada Estado‑Membro determinar essas condições 
         			(9)
         		. Se um Estado‑Membro condiciona o direito de receber o subsídio de desemprego ao facto de o demandante ter cumprido períodos
      de seguro e de emprego, o artigo 67.° do regulamento exige que esse Estado tenha em conta nos seus cálculos esses períodos
      cumpridos noutro Estado‑Membro. No entanto, em geral, este requisito só se aplica se o requerente tiver cumprido estes períodos
      «em último lugar» no Estado‑Membro em que é apresentado o pedido 
         			(10)
         		. Portanto, não penso que a interpretação que propus da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.°, possa ter o efeito descrito pela
      Comissão.
      
      
        30.      Acima de tudo, porém, o que me preocupa é que a interpretação da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.°, que parece decorrer necessariamente
      do acórdão Kuusijärvi, possa perturbar o esquema do regulamento e, em especial, as disposições do capítulo 6 do título III,
      epigrafado «Desemprego». Este capítulo inclui os artigos 67.° a 71.° Como adiante se verá, a alínea b), i), do n.° 1 do artigo
      71.° prescreve que determinadas pessoas em situação de desemprego beneficiem do subsídio de desemprego «em conformidade com
      as disposições da legislação do Estado [competente], como se residissem no seu território»; a alínea b), ii), do n.° 1 do
      artigo 71.° prevê que outras pessoas em situação de desemprego beneficiem das prestações em conformidade com a legislação
      do Estado‑Membro em que residem. Decorre claramente do esquema do regulamento e da jurisprudência do Tribunal de Justiça que
      por «Estado competente» deve entender‑se o Estado cuja legislação se aplica em conformidade com as regras gerais enunciadas
      no artigo 13.° do regulamento 
         			(11)
         		. Uma vez que, até ser aditada uma nova alínea f) ao n.° 2 do artigo 13.° pelo Regulamento n.° 2195/91 
         			(12)
         		, era jurisprudência assente que a legislação aplicável a uma pessoa em situação de desemprego que quisesse obter o subsídio
      era, por força da alínea a) do n.° 2 do artigo 13.°, a legislação do Estado de último emprego 
         			(13)
         		, não surpreende que, ao interpretar essas disposições, o Tribunal de Justiça tenha considerado que é esse o Estado normalmente
      competente no que se refere às prestações de desemprego 
         			(14)
         		. Se o efeito da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° fosse o de a legislação aplicável a uma pessoa em situação de desemprego
      que reside num Estado‑Membro diferente do Estado‑Membro de último emprego era a legislação do Estado de residência, a alínea
      b), i) do n.° 1 do artigo 71.° não faria sentido e a alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.° seria redundante. Por conseguinte,
      no caso em apreço, pode ser adequado que o Tribunal de Justiça esclareça, no caso presente, que, no acórdão Kuusijärvi, a
      interpretação da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° não é aplicável a casos relativos ao subsídio de desemprego, aos quais
      continua a aplicar‑se a alínea a) do n.° 2 do artigo 13.° ou, por analogia, as alíneas b) a e) do n.° 2 do artigo 13.°, consoante
      o caso. Se assim fosse, o resultado no caso em apreço, seria que, nos termos da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.°, a legislação
      aplicável ao demandante seria a espanhola.
      
      
        31.      Para os efeitos das outras questões submetidas, parto do princípio de que, na sequência do acórdão Kuusijärvi, a legislação
      aplicável é a alemã, por força da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° No entanto, caso o Tribunal de Justiça entenda qualificar
      esse acórdão consoante o que acima sugeri, apreciarei sucintamente, sempre que for caso disso, qual seria a situação se a
      legislação aplicável fosse a espanhola.
      
       Artigo 71.° do regulamento Disposições pertinentes
        32.      O artigo 1.° do Regulamento n.° 1408/71 contém uma série de definições, entre as quais:
      
      «r)
         A expressão «períodos de seguro» designa os períodos de contribuição, de emprego definidos ou considerados como períodos de
            seguro pela legislação ao abrigo da qual foram cumpridos, bem como quaisquer períodos equiparados na medida em que sejam considerados
            por essa legislação como equivalentes a períodos de seguro; 
         
      
      
      s)
         A expressão «períodos de emprego» designa os períodos definidos ou considerados como tais pela legislação ao abrigo da qual
            foram cumpridos, bem como quaisquer períodos equiparados na medida em que sejam considerados por essa legislação como equivalentes
            a períodos de emprego».
         
      
      
      
        33.      O artigo 71.° tem como epígrafe «Desempregados que, no decurso do último emprego, residiam num Estado‑Membro que não seja
      o Estado competente». O n.° 1 do artigo 71.° começa por dispor o seguinte:
      «O trabalhador em situação de desemprego, que, no decurso do último emprego residia no território de um Estado‑Membro que
      não seja o Estado competente, beneficiará das prestações em conformidade com as disposições seguintes.»
      
      
        34.      A alínea a) do n.° 1 do artigo 71.° refere‑se aos trabalhadores fronteiriços, prevendo, no essencial, que o trabalhador fronteiriço
      em situação de desemprego parcial ou acidental na empresa que o emprega deverá beneficiar das prestações em conformidade com
      as disposições da legislação do Estado de emprego, como se residisse no território deste Estado [alínea a), i), do n.° 1 do
      artigo 71.°], ao passo que o trabalhador fronteiriço em situação de desemprego completo deverá beneficiar das prestações do
      Estado de residência como se tivesse estado sujeito à legislação deste Estado no decurso do último emprego [alínea a), ii),
      do n.° 1 do artigo 71.°].
      
      
        35.      A alínea b) do n.° 1 do artigo 71.° diz respeito a outros trabalhadores que, antes de ficarem em situação de desemprego, residiram
      e trabalharam em diferentes Estados‑Membros. A alínea b), i), do n.° 1 do artigo 71.° determina que a pessoa que continua
      disponível para trabalhar no Estado em que trabalhou em último lugar beneficiará das prestações deste Estado como se residisse
      no seu território. A alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.° dispõe:
      «O trabalhador que não seja trabalhador fronteiriço, em situação de desemprego completo e que se põe à disposição dos serviços
      de emprego no território do Estado‑Membro em que reside ou que regressa a este território, beneficiará das prestações, em
      conformidade com as disposições da legislação deste Estado, como se nele tivesse exercido o último emprego [...]»
      
        O serviço militar obrigatório é «emprego» na acepção do n.° 1 do artigo 71.°?
        36.      Com a alínea a) da segunda questão, e a alínea c), aa), da terceira questão, o órgão jurisdicional nacional pediu uma orientação
      relativamente à interpretação do n.° 1 do artigo 71.°, especialmente no que toca a saber se o serviço militar prestado pelo
      demandante pode ser considerado «último emprego» na acepção do primeiro período daquela disposição, de modo a que seja aplicável
      a alínea b), ii) do n.° 1 do artigo 71.°
      
      
        37.      O Tribunal de Justiça já várias vezes se pronunciou no sentido de que o artigo 71.° se destina a assegurar que os trabalhadores
      migrantes recebam subsídio de desemprego nas condições mais favoráveis a quem procura novo emprego; essa prestação não é meramente
      pecuniária, antes inclui a assistência na procura de novo emprego 
         			(15)
         		 prestado pelos serviços de emprego. O factor decisivo na aplicação do artigo no seu todo é a residência do interessado num
      Estado‑Membro diferente do Estado a cuja legislação esteve sujeito durante o seu último emprego 
         			(16)
         		. Nos termos da alínea b) do n.° 1 do artigo 71.°, os trabalhadores em situação de desemprego abrangidos no seu âmbito podem
      optar pelo regime de prestações de desemprego do Estado competente – que, normalmente, por força da alínea a) do n.° 2 do
      artigo 13.°, é o Estado‑Membro do seu último emprego 
         			(17)
         		 – ou pelas prestações do Estado da sua residência. O trabalhador – que é quem está melhor colocado para conhecer as perspectivas
      da procura de novo emprego – exerce essa opção mantendo‑se à disposição dos serviços de emprego no território do Estado do
      seu último emprego [alínea b), i), do n.° 1 do artigo 71.°] ou dos serviços de emprego do Estado‑Membro em que reside [alínea
      b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°] 
         			(18)
         		. No caso em apreço, o demandante pretende exercer esta última opção.
      
      
        38.      Pode pensar‑se que, se não estou em erro e se a legislação alemã for aplicável por força da alínea f), n.° 2, do artigo 13.°,
      o n.° 1 do artigo 71.° não teria qualquer efeito no resultado do caso vertente, pois, de qualquer modo, o demandante deveria
      receber as prestações de desemprego de acordo com a legislação do Estado em que residia quando as requereu.
      
      
        39.      No entanto, esta visão não tem em conta a relação existente entre os artigos 67.° e 71.° É certo que, como adiante se verá,
      quer o artigo 71.° seja ou não aplicável, a instituição que responde pelo pagamento do subsídio de desemprego terá de proceder
      à totalização dos períodos de seguro e de emprego, de acordo com o artigo 67.° 
         			(19)
         		; por conseguinte, (partindo do princípio de que a legislação aplicável é a alemã) é indiferente para o resultado do presente
      caso que o artigo 71.° seja aplicável. Contudo, «nos casos referidos na alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°», prescinde‑se
      expressamente da condição imposta pelo n.° 3 do artigo 67.°, isto é, a de que o interessado tenha cumprido «em último lugar»
      um período de seguro em conformidade (no presente caso) com a legislação alemã. Por isso, pode ser relevante para o demandante
      demonstrar que é abrangido pelo âmbito desta disposição.
      
      
        40.      O demandante e o Governo português consideram que o período de serviço militar constitui «emprego» na acepção da primeira
      frase do n.° 1 do artigo 71.°; o Governo alemão e a Comissão são de opinião contrária.
      
      
        41.      A meu ver, embora se possa determinar o alcance do termo «emprego» para efeitos do n.° 1 do artigo 71.°, nas circunstâncias
      do caso em apreço não é possível chegar a uma conclusão definitiva. Isto porque a resposta a essa questão depende, em última
      análise, da legislação espanhola, que não compete ao Tribunal de Justiça interpretar. Se bem que o termo «emprego» em si mesmo
      não esteja definido no regulamento, o esquema e os objectivos do n.° 1 do artigo 71.°, conforme atrás descritos, sugerem que,
      pelo menos para os efeitos desta disposição, o termo tem um alcance específico, abrangendo apenas actividades ligadas a períodos
      de emprego na acepção da alínea s) do artigo 1.° e que, por conseguinte, são considerados por essa legislação como equivalentes
      a períodos de emprego.
      
      
        42.      Este entendimento assenta no acórdão Kuyken 
         			(20)
         		 no qual o Tribunal de Justiça afirmou que o artigo 71.° não era aplicável ao caso de um desempregado que não exerceu qualquer
      actividade como trabalhador assalariado ou outra actividade equiparada e que, por isso, não tinha direito ao subsídio de desemprego.
      Se bem que a descrição não se ajuste exactamente ao demandante no presente caso, pois este esteve empregado antes de prestar
      o serviço militar, ele constitui um precedente para interpretar o conceito de «último emprego» para efeitos do n.° 1 do artigo
      71.° por referência à actividade ligada a um período de emprego na acepção da alínea s) do artigo 1.° e, por conseguinte,
      somente a períodos considerados como períodos de emprego ou equiparados pela legislação ao abrigo do qual foram cumpridos.
      
      
        43.      Em defesa da posição contrária, o órgão jurisdicional nacional remete para o acórdão Grahame e Hollanders 
         			(21)
         		, segundo o qual para efeitos das alíneas a) e c) do n.° 4 da secção J do Anexo VI do regulamento, períodos de serviço militar
      obrigatório constituem «períodos de trabalho pago» ou «períodos de trabalho assalariado». Estas disposições confirmam que
      os Países Baixos teriam em conta esses períodos cumpridos nos Países Baixos antes de 1 Julho de 1967, para efeitos da aplicação
      do n.° 2 do artigo 46.° do regulamento, referente ao cálculo das pensões.
      
      
        44.      Nesse caso, porém, o Tribunal de Justiça invocou explicitamente a definição de «períodos de emprego» utilizada na alínea s)
      do artigo 1.° do regulamento, observando que não está em questão que esse termo corresponda aos utilizados nas alíneas a)
      e c) do n.° 4 e declarou que, nos termos da legislação ao abrigo da qual foi cumprido, o tempo de serviço militar obrigatório
      é equiparado a um período de emprego para efeitos de segurança social 
         			(22)
         		.
      
      
        45.      O Governo português afirma que resulta da terceira frase da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.° que o artigo 71.° se aplica
      quando a última actividade da pessoa em situação de desemprego tiver sido o serviço militar. Essa frase dispõe que «o trabalhador
      assalariado ou não assalariado chamado, uma ou mais vezes, para o serviço militar ou para o serviço civil mantém a qualidade
      de trabalhador assalariado ou não assalariado».
      
      
        46.      Contudo, este entendimento parece ser contrário a quanto o Tribunal de Justiça observou no acórdão Grahame e Hollanders 
         			(23)
         		, de que «só para efeitos de determinação da legislação que lhes é aplicável em matéria de segurança social é que (essa frase)
      utiliza outro critério, ligado à natureza da actividade anterior, ao prever especificamente que esse trabalhador [...] mantém
      a qualidade de trabalhador assalariado ou não assalariado». Assim, embora a primeira frase da alínea e) do n.° 2 do artigo
      13.° defina o Estado‑Membro cuja legislação é aplicável, a terceira frase indica se a legislação aplicável é a que se refere
      aos trabalhadores assalariados ou aos não assalariados.
      
      
        47.      Nestes termos, continuo a pensar que «emprego» na acepção da primeira frase do n.° 1 do artigo 71.° abrange apenas os períodos
      considerados como períodos de emprego ou equiparados pela legislação ao abrigo da qual foram cumpridos. O processo segundo
      o qual o órgão jurisdicional de reenvio pode determinar se o período de serviço militar prestado pelo demandante em Espanha
      é considerado como tal pela legislação espanhola é abordado mais adiante, no contexto do n.° 1 do artigo 67.° 
         			(24)
         		. Note‑se que o artigo 84.° do Regulamento n.° 574/72 
         			(25)
         		, relativo à aplicação do artigo 71.° do Regulamento n.° 1408/71, prevê que o certificado referido no artigo 80.°, que será
      a seguir analisado, nos n.os 69 e 70, tem que ser apresentado pelo requerente de um subsídio de desemprego ao abrigo da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo
      71.° do Regulamento n.° 1408/71.
      
      
        48.      Se deste certificado resultar que o tempo de serviço militar do demandante em Espanha constituía efectivamente «emprego» na
      acepção da primeira frase do n.° 1 do artigo 71.°, essa disposição é aplicável desde que, durante esse período, o demandante
      «tenha tido residência num Estado‑Membro diferente do Estado competente».
      
      
        49.      Durante esse período, a legislação espanhola era a legislação aplicável por força da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.°; a
      Espanha será assim o Estado competente para efeitos do n.° 1 do artigo 71.° 
         			(26)
         		.
      
      
        50.      O órgão jurisdicional nacional não solicitou ao Tribunal de Justiça orientação quanto a saber se podia considerar‑se que o
      demandante manteve a residência na Alemanha enquanto prestou serviço militar em Espanha, indicando acertadamente que a resposta
      a essa questão depende de saber se durante esse tempo o centro habitual dos seus interesses continuou a ser na Alemanha 
         			(27)
         		.
      
      
        51.      Nestes termos, concluo que o serviço militar prestado pelo demandante só deve ser considerado «emprego» na acepção do n.° 1
      do artigo 71.° se como tal for definido ou reconhecido pela legislação espanhola e por esta considerado e equiparado a emprego
      na acepção da alínea s) do artigo 1.° do regulamento.
      
      
        52.      Por último, abordarei sucintamente qual seria a posição se a legislação aplicável ao demandante quando este procurou obter
      o subsídio de desemprego fosse a espanhola nos termos da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.°, em vez da alemã nos termos na
      alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° Nesse caso, partindo do princípio de que o serviço militar obrigatório constituiu o seu
      «último emprego» na acepção da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.° e que durante esse tempo manteve a residência na Alemanha
      na acepção desta disposição, a alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.° dar‑lhe‑ia ainda a opção de receber prestações de desemprego
      de acordo com a legislação alemã, em vez da espanhola. Se, por outro lado, o seu serviço militar obrigatório não constituiu
      «último emprego» para efeitos do n.° 1 do artigo 71.°, de qualquer modo, esse artigo não seria aplicável pois o último emprego
      teria sido na Alemanha, onde também tinha a residência.
      
       Artigo 67.° do regulamento Disposições pertinentes
        53.      Segundo a alínea a) do artigo 1.° do regulamento, o termo «trabalhador» designa, no essencial, qualquer pessoa que estiver
      abrangida por um seguro obrigatório ou facultativo, contra uma ou mais eventualidades correspondentes aos ramos de um regime
      de segurança social aplicável aos trabalhadores assalariados ou previsto no regulamento.
      
      
        54.      O artigo 67.°, epigrafado «Totalização dos períodos de seguro ou de emprego» dispõe, no que ao caso importa:
      
      «1.
         A instituição competente de um Estado‑Membro cuja legislação fizer depender do cumprimento de períodos de seguro, a aquisição,
            a manutenção ou a recuperação do direito às prestações, terá em conta, na medida em que tal for necessário, os períodos de
            seguro ou de emprego cumpridos ao abrigo da legislação de qualquer outro Estado‑Membro, como se se tratasse de períodos de
            seguro cumpridos ao abrigo da legislação aplicada por aquela instituição desde que, contudo, os períodos de emprego fossem
            considerados como períodos de seguro se tivessem sido cumpridos ao abrigo da referida legislação.
         
      
      [...]
      
      3.
         Salvo nos casos referidos no n.° 1, alínea a), ii), e b), ii), do artigo 71.° os n.os 1 e 2 só se aplicam se o interessado tiver cumprido em último lugar:
         
      
        
      
         
            –
               no caso do n.° 1, períodos de seguro,
            
      
      
        
      
         
            –
               no caso do n.° 2, períodos de emprego,
            
      
      
      
       em conformidade com as disposições da legislação nos termos da qual as prestações são requeridas.»
      
       Interacção com o n.° 1 do artigo 71.°
        55.      Com as alíneas b) da segunda questão e c), bb), da terceira questão, o órgão jurisdicional nacional pergunta se, supondo que
      o demandante é abrangido pelo âmbito de aplicação da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°, as disposições de totalização
      do artigo 67.° são aplicáveis nesse caso ou se, em vez dessas disposições, se aplica a primeira frase da alínea b), ii), do
      n.° 1 do artigo 71.°
      
      
        56.      Como o Governo português acertadamente alega, o n.° 1 do artigo 67.° não deixa de ser aplicável simplesmente por se aplicar
      o disposto na alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.° Em meu entender, é o que decorre claramente do esquema e do teor das
      disposições.
      
      
        57.      Em primeiro lugar, os artigos 67.° e 71.° estão contidos no título III do regulamento, epigrafado «Disposições especiais relativas
      às diferentes categorias de prestações». O capítulo 6 do título III diz respeito às prestações de desemprego. O artigo 67.°
      insere‑se na secção 1, «Disposições comuns». A epígrafe da secção 2 do capítulo 6 do título III é «Desempregados que se desloquem
      a um Estado‑Membro que não seja o Estado competente». Compreende o artigo 69.°, «Condições e limites da manutenção do direito
      às prestações» e o artigo 70.°, «Concessão das prestações e reembolso». A secção 3, que é a última do capítulo 6, é exclusivamente
      constituída pelo artigo 71.° Esta estrutura demonstra que o artigo 67.° é uma disposição comum a todas as secções do capítulo
      6 e, por conseguinte, aplicável prima facie em conjugação com o artigo 71.°
      
      
        58.      Em segundo lugar, a própria letra do artigo 67.° confirma esta interpretação. O n.° 3 do artigo 67.° determina que os n.os 1 e 2 do artigo 71.° só se aplicam se o interessado tiver cumprido em último lugar períodos de seguro ou de emprego, em conformidade
      com as disposições da legislação nos termos da qual as prestações são requeridas 
         			(28)
         		. Essa condição, porém, não se aplica «nos casos referidos no n.° 1, alínea a), ii), e b), ii), do artigo 71.°». Esta derrogação
      seria redundante se o n.° 1 do artigo 71.° não fosse aplicável em conjugação com o artigo 67.°
      
      
        59.      Em terceiro lugar, o n.° 1 do artigo 67.° é aplicável aos Estados‑Membros cuja legislação fizer depender a aquisição, a manutenção
      ou a recuperação do direito às prestações do cumprimento de períodos de seguro 
         			(29)
         		. Exige que a instituição competente desse Estado‑Membro tenha em conta, na medida em que tal seja necessário, os períodos
      de seguro ou de emprego cumpridos na qualidade de trabalhador assalariado ao abrigo da legislação de qualquer outro Estado‑Membro,
      como se se tratasse de períodos de emprego cumpridos ao abrigo da sua própria legislação. Esta prática, designada «totalização»,
      é um dos dois pilares fundamentais (o outro é o pagamento de subsídios a pessoas residentes no interior da União Europeia)
      do Regulamento n.° 1408/71 e do próprio artigo 42.° CE, no qual se baseia. Como já referido 
         			(30)
         		, o n.° 1 do artigo 71.° limita‑se a proporcionar a certos trabalhadores migrantes que, durante o seu último emprego, residiam
      num Estado‑Membro diferente do Estado competente, a opção de se inscreverem como desempregados e tentarem, assim, obter um
      subsídio de desemprego no Estado de residência em vez do Estado de último emprego. A disposição nada diz quanto ao cálculo
      desse subsídio. Se o artigo 67.° não fosse aplicável no caso de o subsídio de desemprego ser requerido nos termos do n.° 1
      do artigo 71.°, não haveria necessidade de proceder à totalização, o que seria contrário ao esquema do regulamento e do próprio
      Tratado.
      
      
        60.      Por último, a interpretação que proponho foi expressamente corroborada pelo Tribunal de Justiça no acórdão Warmedam‑Steggerda 
         			(31)
         		, que declarou que «o artigo 71.°, n.° 1, alínea b), ii) [...] não tem, quando os requisitos da sua aplicação se encontram
      preenchidos, qualquer incidência sobre as regras de totalização [mencionadas no n.° 1 do artigo 67.°] que determinam as condições
      em que devem ser tomados em consideração os períodos cumpridos por um trabalhador migrante em Estados‑Membros diferentes daquele
      a que pertence a instituição competente chamada a decidir da concessão das prestações».
      
      
        61.      Nestas circunstâncias, concluo que as disposições relativas à totalização constantes do artigo 67.° serão aplicáveis se o
      demandante estiver abrangido no âmbito de aplicação da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°, desde que, naturalmente, preencha
      os requisitos do n.° 1 do artigo 67.°, que passo agora abordar.
      
       O n.° 1 do artigo 67.°
        62.      Essencialmente, as alíneas c) da segunda questão e b) da terceira questão prejudicial visam saber se o tempo de serviço militar
      prestado do demandante deve ser considerado um «período de emprego cumprido na qualidade de trabalhador assalariado», na acepção
      do n.° 1 do artigo 67.°
      
      
        63.      O n.° 1 do artigo 67.° exige que os Estados‑Membros aos quais se aplica, procedam à «totalização» dos «períodos de seguro
      ou de emprego cumpridos na qualidade de trabalhador assalariado» ao abrigo da legislação de outro Estado‑Membro como se se
      tratasse de períodos de seguro cumpridos ao abrigo da sua legislação.
      
      
        64.      O efeito das alíneas r) e s) do artigo 1.° do regulamento 
         			(32)
         		 é que a questão de saber se um dado período de actividade constitui um «período de seguro» ou um «período de emprego» para
      efeitos do regulamento tem que ser respondida por referência ao modo como esse período é considerado pela legislação ao abrigo
      do qual foi cumprido.
      
      
        65.      Além disso, para poder ser totalizado nos termos do n.° 1 do artigo 67.°, o período de seguro ou de emprego tem de ter sido
      «cumprido na qualidade de trabalhador assalariado», ou seja, na qualidade de trabalhador abrangido pelo regime de segurança
      social na acepção da alínea a) do artigo 1.° do regulamento.
      
      
        66.     É pacífico que o tempo de serviço militar do demandante não é considerado pela legislação ao abrigo do qual foi cumprido,
      isto é, a legislação espanhola, como um período de seguro ou equiparado. Portanto, a questão submetida pelo órgão jurisdicional
      nacional limita‑se a indagar se esse tempo de serviço militar constitui um «período de emprego cumprido como trabalhador assalariado»
      na acepção do n.° 1 do artigo 67.° Em caso afirmativo, e desde que o demandante preencha também o requisito do n.° 3 do artigo
      67.° (abordado mais adiante 
         			(33)
         		) se aplicável (como parece decorrer do § 107 da AFG) e desde que o serviço militar fosse contado como um período de seguro
      se tivesse sido cumprido ao abrigo da legislação alemã, a demandada, na qualidade de instituição competente, teria que ter
      em conta o tempo de serviço militar, para determinar se o demandante completou o período de duração de inscrição que a legislação
      alemã exige para a concessão do direito ao subsídio de desemprego.
      
      
        67.      O Governo português afirma que a demandada deve ter em conta o tempo serviço militar cumprido pelo demandante. Este governo
      cita o acórdão Warmedam‑Steggerda 
         			(34)
         		 para apoiar a afirmação segundo a qual o que a instituição competente à qual se aplica o artigo 67.° deve examinar não é
      se o serviço militar foi considerado um período de seguro ou de emprego de acordo com a legislação do Estado em que foi prestado
      mas se seria considerado como um período de seguro se tivesse sido prestado no Estado da instituição competente, isto é, na
      Alemanha. A resposta a esta questão é afirmativa.
      
      
        68.      Não aceito tal interpretação. Penso que o Governo português apenas teve em consideração a parte final do n.° 1 do artigo 67.°
      O efeito desta disposição final é que os períodos de emprego 
         			(35)
         		 só podem ser totalizados nos termos do n.° 1 do artigo 67.° se tiverem sido contados como períodos de seguro quando cumpridos
      ao abrigo da legislação da instituição competente. Todavia, trata‑se de um requisito meramente suplementar; também tem que
      ser preenchido o requisito que decorre da definição da alínea s) do artigo 1.°, designadamente o de que esse período de emprego
      tenha sido considerado como tal pela legislação do Estado‑Membro onde foi cumprido.
      
      
        69.      O Governo alemão e a Comissão alegam que, ao abrigo da legislação espanhola, o serviço militar não é considerado um período
      de emprego: não envolve qualquer segurança social obrigatória e não dá direito a prestações de segurança social. Embora o
      Tribunal de Justiça não possa decidir sobre os efeitos da legislação de segurança social nacional de um Estado‑Membro, no
      caso presente resulta do despacho de reenvio que a instituição de segurança social espanhola emitiu um atestado nos termos
      do artigo 80.° do Regulamento n.° 574/72 
         			(36)
         		, indicando que o demandante apenas cumpriu um período de seguro e de emprego entre 1 de Dezembro de 1991 e 4 de Dezembro
      de 1992. O atestado foi emitido em Janeiro de 1997, o que sugere que é correcta a afirmação de que, ao abrigo da legislação
      espanhola, o serviço militar não é considerado um período de emprego.
      
      
        70.      Todavia, o certificado da instituição espanhola não é conclusivo, tanto porque o estatuto do período de serviço militar prestado
      pelo demandante não pode ser inferido necessariamente do facto de não ser mencionado porque, de qualquer forma, o Tribunal
      de Justiça declarou que o certificado emitido pela instituição competente de um Estado‑Membro de acordo com o Regulamento
      n.° 574/72, não constitui prova irrefutável relativamente à instituição de outro Estado‑Membro competente em matéria de desemprego
      nem relativamente aos tribunais desse Estado 
         			(37)
         		. Esta última instituição ou, no âmbito de um processo judicial, o órgão jurisdicional nacional podem apreciar livremente
      o conteúdo desse atestado 
         			(38)
         		; além disso, como a Comissão alega, se no caso em apreço o demandante tiver dúvidas quanto à exactidão dos factos que estão
      na base do referido certificado e, portanto, das indicações dele constantes, cabe à instituição espanhola correspondente reconsiderar
      as razões dessa emissão e, sendo caso disso, revogar o certificado 
         			(39)
         		.
      
      
        71.      Além disso, o artigo 80.° do Regulamento n.° 574/72 exige que o atestado mencione «os períodos de seguro ou de emprego cumpridos
      na qualidade de trabalhador assalariado» para efeitos do n.° 1 do artigo 67.° Se a instituição espanhola certificasse, de
      acordo com o artigo 80.°, que o tempo de serviço militar prestado pelo demandante constituiu um «período de emprego», teria
      ainda assim de indicar se o demandante cumpriu esse período «na qualidade de trabalhador assalariado».
      
      
        72.      Nestas circunstâncias, concluo que os períodos de serviço militar do demandante só podem ser considerados «períodos de emprego
      cumpridos na qualidade de trabalhador assalariado» na acepção do n.° 1 do artigo 67.° se (i) forem definidos e reconhecidos
      como períodos de emprego pela legislação espanhola ou se forem simultaneamente considerados e equiparados a tais períodos
      por essa legislação, na acepção da alínea s) do artigo 1.° do regulamento e (ii) o demandante tiver estado segurado na acepção
      da alínea a) do n.° 1 do regulamento, quando prestou o serviço militar.
      
       N.° 3 do artigo 67.°
        73.      Na alínea a) da terceira questão, o órgão jurisdicional nacional indaga, essencialmente, em que medida um período de seguro
      deve ter sido cumprido num momento recente para se considerar que foi «cumprido em último lugar» na acepção do n.° 3 do artigo
      67.°
      
      
        74.      O n.° 3 do artigo 67.° dispõe que, salvo nos casos referidos nas alíneas a), subalínea ii), e b), subalínea ii), do n.° 1
      do artigo 71°, o requisito de totalização previsto no n.° 1 do artigo 67.° só se aplica se o interessado tiver cumprido em
      último lugar períodos de seguro em conformidade com as disposições da legislação nos termos da qual as prestações são requeridas.
      
      
        75.      Observe‑se que o n.° 3 do artigo 67.° não se aplique aos casos referidos nas alíneas a), ii), e b), ii), do n.° 1 do artigo
      71.° pois, nesses casos, por definição, o demandante solicitaria prestações de desemprego num Estado‑Membro diferente do Estado
      do seu último emprego 
         			(40)
         		 e, consequentemente, não teria «cumprido em último lugar» períodos de seguro de acordo com a legislação nos termos da qual
      as prestações são requeridas.
      
      
        76.      Com a alínea a) da terceira questão, o órgão jurisdicional nacional pergunta se uma pessoa que completou o seu último período
      de seguro na Alemanha há mais de um ano e que, a seguir, prestou serviço militar obrigatório de nove meses em Espanha, cumpriu
      «em último lugar» períodos de seguro em conformidade com as disposições da legislação alemã. O Governo alemão e a Comissão
      afirmam que a resposta deve ser afirmativa, tese com a qual estou de acordo.
      
      
        77.      No caso presente, como resulta claramente do modo como a questão está formulada, o último período de seguro cumprido pelo
      demandado na Alemanha terminou mais de um ano antes de ele ter pedido o subsídio de desemprego. O requisito do n.° 3 do artigo
      67.° teria por isso tido como efeito que o n.° 1 do artigo 67.° não seria aplicável quer o tempo decorrido quer o cumprimento
      do serviço militar espanhol significassem que esse período não foi «cumprido em último lugar» antes de ter sido apresentado
      o pedido de subsídio.
      
      
        78.      O Tribunal de Justiça declarou que o requisito do n.° 3 do artigo 67.° se destina a incentivar as pessoas em situação de desemprego
      a procurar trabalho no Estado‑Membro do último emprego e impor a este Estado o encargo das prestações de desemprego 
         			(41)
         		. Pelo facto de não existir um mercado comum de trabalho deve evitar‑se a exportação do desemprego, incentivando os desempregados
      a procurar trabalho, em primeiro lugar, no Estado do último emprego 
         			(42)
         		.
      
      
        79.     É consentâneo com esse objectivo o facto de continuar a incumbir ao Estado‑Membro do último emprego o pagamento do subsídio
      de desemprego a uma pessoa cujo período de seguro mais recente foi cumprido nesse Estado, independentemente do lapso de tempo
      decorrido entre a conclusão do período de seguro e o requerimento de subsídio de desemprego, desde que, entretanto, não tenha
      sido cumprido outro período de seguro noutro Estado‑Membro.
      
      
        80.     É certo que o termo utilizado para «em último lugar» na versão alemã do n.° 3 do artigo 67.° é «unmittelbar zuvor», o que
      literalmente significa «imediatamente antes». No entanto, os termos utilizados noutras versões linguísticas têm o mesmo significado
      que o termo inglês e o francês «en dernière lieu», o que naturalmente chama a atenção para o facto de o período em questão
      ser o último período antes de uma determinada data e não necessariamente o imediatamente anterior a essa data 
         			(43)
         		.
      
      
        81.      Isso significa que, no que respeita ao período intercalar de serviço militar do demandante, em Espanha, considero que o seu
      anterior período de seguro na Alemanha só não foi «cumprido em último lugar» na acepção do n.° 3 do artigo 67.° se o tempo
      de serviço militar tiver sido também um «período de seguro» na acepção do regulamento e, por conseguinte, tal como definido
      na alínea r) do artigo 1.° Como acima referido 
         			(44)
         		, as partes parecem aceitar que não é esse o caso.
      
      
        82.      Nestes termos, considero que se uma pessoa cumpre um período de seguro ao abrigo da legislação de um Estado‑Membro e posteriormente
      requer um subsídio de desemprego nesse Estado, esse período de seguro foi «cumprido em último lugar» na acepção do n.° 3 do
      artigo 67.°, mesmo que não tenha precedido imediatamente o pedido de subsídio e desde que não tenha havido a interposição
      de outro período de seguro 
         			(45)
         		 .
      
       Resumo das conclusões relativas às três primeiras questões
        83.      Nesta altura, pode ser útil proceder a um resumo das minhas conclusões relativamente à incidência dos n.os 2 do artigo 13.° e dos artigos 67.° e 71.° na posição do demandante.
      
      
        84.      Se, de acordo com o acórdão Kuusijärvi 
         			(46)
         		, a legislação aplicável for a alemã, nos termos da alínea f) do n.° 2 do artigo 13.°:
      
      a) 
         Se o serviço militar foi considerado «emprego» na acepção do n.° 1 do artigo 71.° (que, por força da alínea s) do artigo 1.°
            depende da sua qualificação ao abrigo do direito espanhol, a certificar por um atestado emitido de acordo com o artigo 80.°
            do Regulamento n.° 574/72) e  durante o período de serviço militar manteve a residência na Alemanha na acepção do artigo n.° 1 do artigo 71.° tal como interpretado
            pelo Tribunal de Justiça 
               			(47)
               		, o demandante é abrangido pela alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°, que lhe confere o direito de reclamar o subsídio
            de desemprego na Alemanha, mesmo que o seu último emprego tenha sido noutro Estado‑Membro.
         
      
      
      b) 
         Se o demandante estiver abrangido no âmbito de aplicação da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°, a instituição alemã terá
            que ter em conta os períodos de serviço militar para determinar o seu direito à prestação de desemprego, se
         
      
      
         
            i)
               tiverem constituído «períodos de emprego cumpridos na qualidade de trabalhador assalariado» na acepção das alíneas a) e s)
                  do artigo 1.°, que acrescenta um requisito adicional àqueles que o demandante já tiver preenchido, de modo a ficar abrangido
                  pelo âmbito de aplicação do n.° 1 do artigo 71.°; trata‑se também de uma questão de direito espanhol, a ser apurada de acordo
                  com o artigo 80.°; e
            
      
      
      
         
            ii)
               tiverem sido contados como períodos de seguro caso tivessem sido cumpridos ao abrigo da legislação alemã, como exige o n.° 1
                  do artigo 67.°
               
            
      
      
      
      c)
         Se o demandante não estiver abrangido no âmbito da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°, pode ainda assim requerer o subsídio
            de desemprego na Alemanha [pois a legislação deste país será aplicável por força da alínea f) do n.° 3 do artigo 13.°]; a
            instituição alemã terá que fazer a contagem do tempo de serviço militar ao determinar o direito ao subsídio de emprego, desde
            que
         
      
      
         
            i)
               preencha os requisitos enunciados na alínea b) e
            
      
      
      
         
            ii) 
               tenha «cumprido em último lugar» períodos de seguro de acordo com a legislação alemã, como exige o n.° 3 do artigo 67.°
            
      
      
      
      
        85.      Se a legislação aplicável for a espanhola nos termos da alínea e) do n.° 2 do artigo 13.° por analogia com a jurisprudência
      anterior à alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° relativamente à alínea a) do n.° 2 do artigo 13.°, as conclusões referidas nas
      alíneas a) e b) do número anterior permanecem inalteradas. Todavia, se o demandante não estiver abrangido no âmbito de aplicação
      da alínea b), ii), do n.° 1 do artigo 71.°, não poderá reclamar o subsídio de desemprego na Alemanha, embora pudesse tê‑lo
      feito em Espanha (que, nos termos do n.° 1 do artigo 67.° deveria, em princípio, ter totalizado os anteriores períodos de
      seguro e/ou emprego do demandante, na Alemanha, desde que tivesse «cumprido em último lugar» os períodos de seguro de acordo
      com a legislação espanhola).
      
       Princípio da igualdade de tratamento
        86.      O n.° 1 do artigo 3.° do regulamento dispõe que:
      «as pessoas que residem no território de um dos Estados‑Membros e às quais se aplicam as disposições do presente regulamento
      estão sujeitas às obrigações e beneficiam da legislação de qualquer Estado‑Membro, nas mesmas condições que os nacionais deste
      Estado, sem prejuízo das disposições especiais constantes do presente regulamento».
      
      
        87.      Com a quarta questão, o órgão jurisdicional de reenvio pergunta se, caso o tempo de serviço militar do demandante não puder
      ser contado ao abrigo das disposições do regulamento relativas ao subsídio de desemprego (nomeadamente os artigos 67.° e 71.°),
      assiste ao demandante qualquer direito nos termos desse artigo ou de outra disposição geral de direito comunitário.
      
      
        88.      O demandante e o Governo português alegam que os direitos do demandante podem resultar do n.° 1 do artigo 3.°; o Governo alemão
      e a Comissão discordam.
      
      
        89.      O Governo português fundamenta a sua opinião no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça no processo Mora Romero 
         			(48)
         		.
      
      
        90.      Nesse processo, o Tribunal de Justiça declarou que o n.° 1 do artigo 3.° deve ser interpretado no sentido de que «quando a
      legislação de um Estado‑Membro prevê a prorrogação do direito a uma pensão de órfão, para além dos 25 anos, para os titulares
      de pensões cuja formação foi interrompida em razão do cumprimento do serviço militar, esse Estado é obrigado a equiparar o
      serviço militar cumprido noutro Estado‑Membro ao serviço militar cumprido nos termos da sua própria legislação» 
         			(49)
         		.
      
      
        91.      A meu ver, não se pode transpor esta decisão para o caso em apreço. O acórdão Mora Romero incide sobre o direito a uma pensão
      de órfão. O demandante, cidadão espanhol, recebia essa pensão ao abrigo da legislação alemã, que prevê o pagamento até à idade
      de 25 anos, prorrogável pelo período equivalente ao tempo de serviço militar. O demandante prestou serviço militar em Espanha,
      antes de completar 25 anos de idade. A instituição competente alemã cessou o pagamento da sua pensão de órfão quando completou
      25 anos e recusou‑se a prorrogá‑la por um período equivalente ao seu serviço militar.
      
      
        92.      Embora o demandante e a pensão em causa fossem claramente abrangidos no âmbito de aplicação do regulamento, a situação era
      manifestamente diferente da do caso em apreço: no processo Mora Romero não havia disposição específica do regulamento aplicável
      à situação. Em especial, a única disposição do regulamento relativa à totalização no contexto das prestações por órfãos (artigo
      79.°) exigia apenas que fossem contados na determinação do direito a essas prestações os períodos de seguro, trabalho assalariado
      ou não assalariado ou residência cumpridos pelo ascendente falecido noutro Estado‑Membro.
      
      
        93.      Na falta de qualquer disposição do regulamento aplicável à situação do demandante, em que este ficou nitidamente em desvantagem
      em comparação com um cidadão alemão na mesma posição, o Tribunal de Justiça aplicou, e bem, o princípio da igualdade de tratamento
      enunciado no n.° 1 do artigo 3.°
      
      
        94.      No entanto, essa disposição é aplicável «sem prejuízo das disposições especiais constantes do regulamento» e, no presente
      caso, contrariamente ao processo Mora Romero, o regulamento contém disposições especiais, designadamente os artigo 67.° e
      71.°, que regem o direito às prestações de desemprego de uma pessoa desempregada que tenha cumprido períodos de seguro ou
      de emprego ao abrigo da legislação de outro Estado‑Membro. O Governo alemão e a Comissão defendem que essas disposições especiais
      afectam o princípio geral da igualdade de tratamento enunciado no n.° 1 do artigo 3.°
      
      
        95.      De outro modo, teriam de se redigir de novo as disposições pormenorizadas do n.° 1 do artigo 67.° e, em especial, alterar
      a definição de «período de emprego».
      
      
        96.      Pode argumentar‑se que, se o demandante não tem direito à totalização de acordo com o n.° 1 do artigo 67.°, esse facto apenas
      revela a existência de uma lacuna no esquema do regulamento, que deve ser preenchida com recurso ao n.° 1 do artigo 3.°
      
      
        97.      Não aceito este ponto de vista. Se o demandante não está abrangido pelo âmbito de aplicação do n.° 1 do artigo 67.°, é porque
      o seu tempo de serviço militar não constitui um período de seguro ou de emprego cumprido por um trabalhador assalariado na
      acepção desta disposição. Sendo esse o caso, é porque a legislação espanhola não reconhece como tal o serviço militar. É totalmente
      compatível com o esquema e com os objectivos do regulamento que um período de serviço militar, não considerado um período
      de seguro ou de emprego ou equiparado pela legislação ao abrigo da qual foi prestado, não seja totalizado para efeitos do
      direito ao subsídio de desemprego.
      
      
        98.      Em meu entender, a conclusão seria a mesma se fossem invocados outros princípios gerais de igualdade de tratamento tal como,
      por exemplo, o enunciado no n.° 2 do artigo 39.° CE, referido no despacho de reenvio.
      
        Conclusão
        99.      A resposta à questão de saber se a legislação aplicável a uma pessoa que, tendo estado empregada no Estado‑Membro A, cumpre
      um período de serviço militar obrigatório no Estado‑Membro B antes de regressar ao Estado‑Membro A onde procura obter um subsídio
      de desemprego é a legislação do Estado‑Membro A ou a do Estado‑Membro B, depende de saber se a interpretação do Tribunal de
      Justiça, no acórdão Kuusijärvi (C‑275/96, Colect., p. I‑3419), relativamente à alínea f) do n.° 2 do artigo 13.° do Regulamento
      (CEE) n.° 1408/71 do Conselho, de 14 de Junho de 1971, relativo à aplicação dos regimes de segurança social aos trabalhadores
      assalariados e aos membros da sua família que se deslocam no interior da Comunidade, se aplica aos requerentes do subsídio
      de desemprego. Se for aplicável a interpretação dada no acórdão Kuusijärvi essa pessoa está sujeita à legislação do Estado‑Membro
      A enquanto Estado de residência por força do artigo 13.°, n.° 2, alínea f), do Regulamento n.° 1408/71. Se a interpretação
      do acórdão Kuusijärvi não for aplicável, essa pessoa estará sujeita à legislação do Estado‑Membro B enquanto Estado à legislação
      do qual esteve sujeito durante o seu período de serviço militar, por força do artigo 13.°, n.° 2, alínea e), do Regulamento
      n.° 1408/71.
      
      
        100.    A resposta às restantes questões submetidas pelo Bundessozialgericht deve ser a seguinte:
      
      1)
         Um período de serviço militar obrigatório só deve ser considerado «emprego» na acepção da primeira frase do n.° 1 do artigo
            71.° do Regulamento n.° 1408/71 se como tal for definido ou reconhecido pela legislação ao abrigo da qual foi cumprido e por
            esta tratado ou equiparado a um período de emprego na acepção da alínea s) do artigo 1.° do regulamento.
         
      
      
      2)
         Os períodos de serviço militar obrigatório só devem ser considerados «períodos de emprego cumpridos na qualidade de trabalhador
            assalariado» na acepção do n.° 1 do artigo 67.° do Regulamento n.° 1408/71 se (i) forem definidos e reconhecidos como períodos
            de emprego pela legislação espanhola ou considerados e equiparados a tais períodos por essa legislação, na acepção da alínea
            s) do artigo 1.° do regulamento e (ii) o demandante tiver estado segurado na acepção da alínea a) do artigo 1.° do regulamento
            ao abrigo do qual prestou o serviço militar.
         
      
      
      3) 
         O n.° 1 do artigo 67.° do Regulamento n.° 1408/71 é aplicável a um demandante abrangido no âmbito de aplicação da alínea b),
            ii), do n.° 1 do artigo 71.° desse regulamento.
         
      
      
      4) 
         Se uma pessoa cumprir um período de seguro ao abrigo da legislação de um Estado‑Membro e a seguir requerer um subsídio de
            desemprego nesse Estado, esse período de seguro é «cumprido em último lugar» na acepção do n.° 3 do artigo 67.° do Regulamento
            n.° 1408/71 mesmo que não tenha antecedido imediatamente o requerimento de subsídio, mas desde que não tenha havido interposição
            de outro período de seguro.
         
      
      
       ANEXO Questões submetidas pelo Bundessozialgericht
      «1)     Uma pessoa que reclama prestações ao seguro de desemprego alemão, decorridos mais de dois meses sobre o termo do seu serviço
      militar obrigatório cumprido em Espanha, está sujeita:
      
      a)
         à legislação espanhola, por força do artigo 13.?, n.° 2, alínea e), do Regulamento (CEE) n.° 1408/71 do Conselho, de 14 de
            Junho de 1971, relativo à aplicação dos regimes de segurança social aos trabalhadores assalariados, aos trabalhadores não
            assalariados e aos membros da sua família que se deslocam no interior da Comunidade, na versão alterada e actualizada pelo
            Regulamento (CEE) n.° 2001/83 do Conselho, de 2 de Junho de 1983 (JO L 230, p. 6), alterada pelo Regulamento (CEE) n.° 2195/91
            do Conselho, de 25 de Junho de 1991 (JO L 206, p. 2) ─ a seguir ‘Regulamento n.° 1408/71’
         
      
       ou
      
      b)
         à legislação alemã, por força do artigo 13.?, n.° 2, alínea f), do Regulamento n.° 1408/71?
      
       2.       Em caso de resposta afirmativa à questão 1), alínea a):
      
      a)
         O serviço militar obrigatório cumprido em Espanha constitui o ‘último emprego [...] no território de um Estado‑Membro’ na
            acepção do artigo 71.?, n.° 1, do Regulamento n.° 1408/71?
         
      
      
      b)
         Em caso de resposta afirmativa à questão 2), alínea a):
      
       O artigo 71.?, n.° 1, alínea b), ii), primeira frase, do Regulamento n.° 1408/71 contém igualmente a regra segundo a qual
      o último emprego exercido no território de um outro Estado‑Membro, deve ser tido em conta para o cálculo das prestações de
      desemprego como se tivesse sido exercido no Estado de residência, sem ser necessário examinar se estão preenchidos os requisitos
      do artigo 67.? do Regulamento n.° 1408/71?
      
      c)
         Em caso de resposta negativa à questão 2), alínea b):
      
       Em que condições é que o tempo de serviço militar obrigatório que, nos termos do direito nacional (espanhol), não é um período
      de seguro para efeitos do seguro de desemprego nem um período equiparado, constitui, nos termos do artigo 67.?, n.° 1, do
      Regulamento n.° 1408/71, um período de emprego cumprido na qualidade de trabalhador assalariado ao abrigo da legislação de
      qualquer outro Estado‑Membro?
      
      3.
         Em caso de resposta afirmativa à questão 1), alínea b):
      
      
      a)
         Uma pessoa que completou o seu último período de seguro na Alemanha há mais de um ano e que, em seguida, prestou serviço militar
            obrigatório de nove meses em Espanha, cumpriu ‘em último lugar’, na acepção do artigo 67.?, n.° 3, do Regulamento n.° 1408/71,
            períodos de seguro em conformidade com as disposições da legislação alemã?
         
      
      
      b)
         Em caso de resposta afirmativa à questão 3), alínea a):
      
       Em que condições é que o tempo de serviço militar obrigatório que, nos termos do direito nacional (espanhol), que não é um
      período de seguro para efeitos do seguro de desemprego nem um período equiparado, constitui, nos termos do artigo 67.?, n.° 1,
      do Regulamento n.° 1408/71, um período de emprego, cumprido na qualidade de trabalhador assalariado ao abrigo da legislação
      de qualquer outro Estado‑Membro? [esta questão corresponde à questão 2), alínea c)]
      
      c)
         Caso o artigo 67.?, n.° 1, do Regulamento n.° 1408/71 não seja aplicável ao demandante [questão 3), alíneas a) e b)]:
      
      
         
            aa)
               O serviço militar obrigatório cumprido em Espanha constitui o ‘último emprego (...) no território de um Estado‑Membro’ na
                  acepção do artigo 71.?, n.° 1, do Regulamento n.° 1408/71? [esta questão corresponde à questão 2), alínea a)]
               
            
      
      
      
         
            bb)
               Em caso de resposta afirmativa à questão 3), alínea c), aa):
            
      
      
      
         
            O artigo 71.?, n.° 1, alínea b), ii), primeira frase, do Regulamento n.° 1408/71 consagra igualmente a norma segundo a qual
               o último emprego exercido no território de um outro Estado‑Membro deve ser tido em conta para o cálculo das prestações de
               desemprego como se tivesse sido exercido no Estado de residência, sem ser necessário examinar se estão preenchidos os requisitos
               do artigo 67.? do Regulamento n.° 1408/71? [esta questão corresponde à questão 2), alínea b)]
            
         
      
      
       4.       Na medida em que não seja possível, nem ao abrigo do artigo 71.?, nem do artigo 67.? do Regulamento n.° 1408/71, ter em conta
      o tempo de serviço militar obrigatório espanhol para determinar o direito do demandante a prestações do seguro de desemprego
      alemão, decorre um direito correspondente do princípio da igualdade de tratamento, enunciado no artigo 3.? do Regulamento
      n.° 1408/71 ou de outras disposições gerais do direito comunitário?»
      
       1 –
         
         Língua original: inglês.
      
      2 –
         
         Regulamento (CEE) n.° 1408/71 do Conselho, de 14 de Junho de 1971, relativo à aplicação dos regimes de segurança social aos
            trabalhadores assalariados e aos membros da sua família que se deslocam no interior da Comunidade (JO L 149, p. 2; EE 05 F1 p. 98).
            O texto do regulamento que introduziu alterações efectuadas até finais de 1995, consta da parte I do Anexo A do Regulamento
            (CE) n.° 118/97 do Conselho, de 2 de Dezembro de 1996, que altera e actualiza o Regulamento (CEE) n.° 1408/71 (JO 1997, L 28,
            p. 1).
            
         
      
      3 –
         
         Regulamento (CEE) n.° 574/72 do Conselho, de 21 de Março de 1972, que estabelece as modalidades de aplicação do Regulamento
            (CEE) n.° 1408/71. O texto do regulamento em vigor em finais de 1995, consta da parte II do Anexo A do Regulamento (CE) n.° 118/97
            do Conselho, já referido na nota 2.
            
         
      
      4 –
         
         Regulamento (CEE) n.° 2195/91 do Conselho, de 25 de Junho de 1991, que altera o Regulamento (CEE) n.° 1408/71 e o Regulamento
            (CEE) n.° 574/72 (JO L 206, p. 2).
            
         
      
      5 –
         
         V., por exemplo, acórdão de 11 de Junho de 1998, Kuusijärvi (C‑275/96, Colect., p. I‑3419, n.° 28).
            
         
      
      6 –
         
         Já referido na nota 5, n.° 33 do acórdão.
            
         
      
      7 –
         
         N.° 34 do acórdão.
            
         
      
      8 –
         
         V. n.os  35 e 39 a 50, especialmente n.os 39 e 40.
            
         
      
      9 –
         
         N.° 29 do acórdão.
            
         
      
      10 –
         
         Para ulterior discussão do artigo 67.°, v. infra, n.os 54 a 82.
            
         
      
      11 –
         
         V., por exemplo, acórdãos de 7 de Março de 1985, Cochet (145/84, Recueil, p. 801, n.° 11), e de 19 de Junho de 1995, Van Gestel
            (C‑454/93, Colect., p. I‑1707, n.os 13 e 14).
            
         
      
      12 –
         
         Já referido na nota 4.
            
         
      
      13 –
         
         V. acórdãos de 12 de Janeiro de 1983, Coppola (150/82, Recueil, p. 43), e de 12 de Junho de 1986, Ten Holder (302/84, Recueil,
            p. 1821).
            
         
      
      14 –
         
         V., por exemplo, acórdãos Cochet referido na nota 11, n.os 14 e 15, de 13 de Março de 1997, Huijbrechts (C‑131/95, Colect., p. I‑1409, n.° 26) e, mais recentemente, de 6 de Novembro
            de 2003, Comissão/Países Baixos (C‑311/01, Colect., p. I‑0000, n.° 32).
            
         
      
      15 –
         
         V., por exemplo, acórdão de 12 de Junho de 1986, Miethe (1/85, Recueil, p. 1837, n.° 16).
            
         
      
      16 –
         
         Acórdão de 17 de Fevereiro de 1977, Di Paolo (76/76, Recueil, p. 315, Colect., p. 131, n.° 11).
            
         
      
      17 –
         
         V. supra, n.° 30.
            
         
      
      18 –
         
         V., por exemplo, acórdão Miethe, referido na nota 15, n.° 9, e Van Gestel, já referido na nota 11, n.° 23.
            
         
      
      19 –
         
         N.os 55 a 61.
            
         
      
      20 –
         
         Acórdão de 1 de Dezembro de 1977, Kuyken (66/77, Recueil, p. 2311, Colect., p. 849, n.° 19).
            
         
      
      21 –
         
         Acórdão de 13 de Novembro de 1997, Grahame e Hollanders (C‑248/96, Colect., p. I‑6407, n.° 31).
            
         
      
      22 –
         
         N.° 26 do acórdão.
            
         
      
      23 –
         
         Já referido na nota 21, n.° 31.
            
         
      
      24 –
         
         V. n.os 69 e 70.
            
         
      
      25 –
         
         Já referido na nota 3.
            
         
      
      26 –
         
         V. jurisprudência referida na nota 11.
            
         
      
      27 –
         
         V. acórdão Di Paolo, já referido na nota 16, n.os 17 a 22; v., também, n.° 9 das conclusões apresentadas em 21 de Maio de 1985 pelo advogado‑geral G. F. Mancini no processo
            Pinna (41/84, Recueil 1986, p. 1, n.° 9).
            
         
      
      28 –
         
         Esta disposição é tratada mais adiante; v. n.os 74 a 82.
            
         
      
      29 –
         
         Os Estados‑Membros cuja legislação fizer esse direito depender da realização de períodos de emprego e não de períodos de seguro
            estão abrangidos pelas disposições paralelas do n.° 2 do artigo 67.°
            
         
      
      30 –
         
         V. n.° 37.
            
         
      
      31 –
         
         Acórdão de 12 de Maio de 1989 (388/87, Colect., p. 1203, n.° 18).
            
         
      
      32 –
         
         Enunciadas supra, no n.° 32.
            
         
      
      33 –
         
         V. n.os 74 a 82.
            
         
      
      34 –
         
         Já referido na nota 31, n.° 21.
            
         
      
      35 –
         
         A disposição não se aplica a períodos de seguro: v. acórdão de 15 de Março de 1978, Frangiamore (126/77, Recueil, p. 725,
            Colect., p. 281)
            
         
      
      36 –
         
         Já referido na nota 3; as disposições pertinentes do artigo 80.° estão referidas supra, no n.° 4.
            
         
      
      37 –
         
         V. acórdão de 8 de Julho de 1992, Knoch (C‑102/91, Colect., p. I‑4341, n.° 54).
            
         
      
      38 –
         
         Acórdão Knoch, já referido na nota 37, n.° 53.
            
         
      
      39 –
         
         V. acórdão de 30 de Março de 2000, Banks e o. (C‑178/97, Colect., p. I‑2005, n.° 43).
            
         
      
      40 –
         
         V. supra, n.os 33 e 37.
            
         
      
      41 –
         
         V. acórdão de 8 de Abril de 1992, Gray (C‑62/91, Colect., p. I‑2737, n.° 12).
            
         
      
      42 –
         
         Processo Gray, referido na nota 41, n.° 5 das conclusões apresentadas em 16 de Janeiro de 1992 pelo advogado‑geral A. Tesauro.
            
         
      
      43 –
         
         Por exemplo, «senest» (dinamarquês), «laatstelijk» (neerlandês), «viimeksi» (finlandês), «da ultimo» (italiano), «en ultimo
            lugar» (espanhol) e «senast» (sueco).
            
         
      
      44 –
         
         V. n.° 66.
            
         
      
      45 –
         
         Não penso que a minha conclusão e a análise anterior sejam afectadas pelo despacho de 4 de Março de 2002 do Tribunal de Justiça
            proferido no processo Verwayen‑Boelen (C‑175/00, Colect., p. I‑2141). Embora o despacho pareça considerar que o período durante
            o qual a demandante viveu nos Países Baixos, de 1987 a 1995, onde recebia prestações mas não cumpriu períodos de seguro ou
            de emprego, impediu que o seu anterior período de emprego na Bélgica, de 1977 a 1986 tivesse sido «cumprido em último lugar»
            na Bélgica, na acepção do n.° 3 do artigo 67.° no pedido que apresentou em 1997 de subsídio de desemprego na Bélgica, a questão
            não foi expressamente apreciada pelo Tribunal de Justiça.
            
         
      
      46 –
         
         Já referido na nota 5.
            
         
      
      47 –
         
         Não foi submetida qualquer questão relativamente a este ponto.
            
         
      
      48 –
         
         Acórdão de 25 de Junho de 1997 (C‑131/96, Colect., p. I‑3659).
            
         
      
      49 –
         
         N.° 36 do acórdão.