CELEX: 61972CJ0082
Language: pt
Date: 1973-06-07
Title: Acórdão do Tribunal de 7 de Junho de 1973. # C. J. Walder contra Bestuur der Sociale Verzekeringsbank. # Pedido de decisão prejudicial: Centrale Raad van Beroep - Países Baixos. # Processo 82-72.

ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
   7 de Junho de 1973 (
         *1
      )
   No processo 82/72,
   que tem por objecto um pedido dirigido ao Tribunal de Justiça, nos termos do artigo 177.o do Tratado CEE, pelo Centrale Raad van Beroep de Utreque, destinado a obter, no litígio pendente neste órgão jurisdicional entre
   
      C.J. Walder, residente em Bruxelas,
   e
   
      Bestuur der Sociale Verzekeringsbank, com sede em Amesterdão,
   uma decisão a título prejudicial sobre a interpretação do Regulamento n.o 3 do Conselho, relativo à segurança social dos trabalhadores migrantes, e do Regulamento (CEE) n.o 1408/71 do Conselho, de 14 de Junho de 1971, relativo à aplicação dos regimes de segurança social aos trabalhadores assalariados e aos membros da sua família que se deslocam no interior da Comunidade,
   O TRIBUNAL DE JUSTIÇA,
   composto por: R. Lecourt, presidente, R. Monaco e P. Pescatore, presidentes de secção, A. M. Donner, J. Mertens de Wilmars, H. Kutscher, C. O'Dálaigh, M. Sørensen e A J. Mackenzie Stuart, juízes,
   advogado-geral: K. Roemer
   secretário: A. Van Houtte
   profere o presente
   Acórdão
   (A parte relativa à matéria de facto não é reproduzida)
   Fundamentos da decisão
   
            1
         
         
            Por decisão de 14 de Dezembro de 1972, entrada na Secretaria do Tribunal de Justiça em 21 de Dezembro de 1972, o Centrale Raad van Beroep apresentou, nos termos do artigo 177.o do Tratado CEE, várias questões sobre a interpretação do Regulamento n.o 3 do Conselho, relativo à segurança social dos trabalhadores migrantes, bem como do Regulamento (CEE) n.o 1408/71 do Conselho, relativo à aplicação dos regimes de segurança social aos trabalhadores assalariados e aos membros da sua família que se deslocam no interior da Comunidade.
         
      
            2
         
         
            Na primeira questão, solicita-se ao Tribunal que declare se os artigos 5.o e 6.o do Regulamento n.o 3 devem ser interpretados no sentido de que este regulamento substitui as convenções celebradas entre Estados-membros, em matéria de segurança social, que não são referidas nos n.os 1 e 2 do artigo 6.o ou, no anexo D do regulamento, e isto mesmo que a aplicação dessas convenções atribua ao beneficiário das prestações vantagens superiores às que decorrem do referido regulamento.
         
      
            3
         
         
            O mesmo problema foi apresentado ao Tribunal na terceira questão, relativa à interpretação dos artigos 6.o e 7.o e do anexo II do Regulamento n.o 1408/71.
         
      
            4
         
         
            Nos termos do artigo 5.o do Regulamento n.o 3:
         
      «No que respeita ao seu âmbito de aplicação pessoal, o presente regulamento substitui, salvo disposição em contrário, as disposições:
   
            a)
         
         
            das convenções de segurança social celebradas exclusivamente entre dois Estados-membros e dos acordos complementares a estas convenções;»
         
      
            5
         
         
            O n.o 2 do artigo 6.o do mesmo regulamento estabelece que:
         
      «Não obstante o disposto no presente regulamento, continuam em vigor:
   …
   
            e)
         
         
            outras disposições das convenções de segurança social, desde que constem do anexo D do presente regulamento.»
         
      
            6
         
         
            As disposições precedentes demonstram claramente que o princípio de substituição das disposições das convenções de segurança social celebradas entre Estados-membros pelo Regulamento n.o 3 tem um carácter imperativo que não admite excepções, salvo em casos expressamente previstos pelo regulamento.
         
      
            7
         
         
            A circunstância de as convenções celebradas entre Estados-membros serem mais favoráveis para os indivíduos abrangidos pelo Regulamento n.o 3 do que o próprio regulamento não pode, por conseguinte, ser considerada suficiente para justificar uma excepção ao referido princípio, salvo se tais convenções forem expressamente mantidas pelo regulamento.
         
      
            8
         
         
            Consequentemente, deve responder-se à primeira questão que, em conformidade com os artigos 5.o e 6.o do Regulamento n.o 3, este substitui, no que respeita ao seu âmbito de aplicação pessoal, as convenções de segurança social celebradas entre Estados-membros, que não são mencionadas no artigo 6.o ou no anexo D do regulamento, mesmo que a aplicação destas convenções implique, para o beneficiário das prestações, vantagens superiores às que decorrem do referido regulamento.
         
      
            9
         
         
            A mesma resposta deve ser dada à terceira questão, uma vez que os artigos 6.o e 7.o do Regulamento n.o 1408/71 do Conselho, em razão do seu conteúdo e da sua finalidade, têm um alcance análogo ao dos artigos 5.o e 6.o do Regulamento n.o 3.
         
      
            10
         
         
            A segunda questão fica, assim, destituída de objecto.
         
      Quanto as despesas
   
            11
         
         
            As despesas efectuadas pela Comissão das Comunidades Europeias, que apresentou observações ao Tribunal, não são reembolsáveis. Revestindo o processo, quanto às partes na causa principal, a natureza de incidente suscitado perante o órgão jurisdicional nacional, compete a este decidir quanto às despesas.
         
       
         
            Pelos fundamentos expostos,
            vistos os autos,
            visto o relatório do juiz-relator,
            ouvidas as alegações da Comissão das Comunidades Europeias,
            ouvidas as conclusões do advogado-geral,
            visto o Tratado que institui a Comunidade Económica Europeia, nomeadamente o artigo 177.o,
            visto o Regulamento n.o 3 do Conselho, relativo à segurança social dos trabalhadores migrantes,
            visto o Regulamento n.o 1408/71 do Conselho, de 14 de Junho de 1971, relativo à aplicação dos regimes de segurança social aos trabalhadores assalariados e aos membros da sua família que se deslocam no interior da Comunidade,
            visto o Protocolo relativo ao Estatuto do Tribunal de Justiça da CEE, nomeadamente o artigo 20.o,
            visto o Regulamento Processual do Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias,
            O TRIBUNAL DE JUSTIÇA,
            pronunciando-se sobre as questões submetidas pelo Centrale Raad van Beroep, por decisão de 14 de Dezembro de 1972, declara:
         
       
            
               Os Regulamentos do Conselho n.o 3 e (CEE) n.o 1408/71 substituem, no que respeita ao seu âmbito de aplicação pessoal, as convenções de segurança social celebradas entre Estados-membros que não são mencionadas, respectivamente, nos artigos 6.o e 7.o ou nos anexos D e II destes regulamentos, mesmo que a aplicação destas convenções implique, para o beneficiário das prestações, vantagens superiores às que decorrem dos referidos regulamentos.
            
          
            
               
                  
                     
                        Lecourt
                     
                     
                        Monaco
                     
                     
                        Pescatore
                     
                  
                  
                     
                        Donner
                     
                     
                        Mertens de Wilmars
                     
                     
                        Kutscher
                     
                  
                  
                     
                        O'Dálaigh
                     
                     
                        Sørensen
                     
                     
                        Mackenzie Stuart
                     
                  
                  Proferido em audiência pública no Luxemburgo, em 7 de Junho de 1973.
                  
                     
                        O secretário
                        A. Van Houtte
                     
                     
                        O presidente
                        R. Lecourt
                     
                  
               
            
         (
         *1
      )	Língua do processo: neerlandês.