CELEX: 62005TJ0376
Language: pt
Date: 2006-02-14 00:00:00
Title: Acórdão do Tribunal de Primeira Instância (Segunda Secção) de 14 de Fevereiro de 2006.#TEA-CEGOS, SA, Services techniques globaux (STG) SA (T-376/05) e GHK Consulting Ltd (T-383/05) contra Comissão das Comunidades Europeias.#Contratos públicos - Processo de concurso comunitário - Recrutamento de peritos por curto prazo, encarregues de dar assistência técnica a países terceiros beneficiários de ajuda externa - Recusa de propostas.#Processos apensos T-376/05 e T-383/05.

Processos apensos T‑376/05 e T‑383/05
      TEA‑CEGOS e o.
      contra
      Comissão das Comunidades Europeias
      «Contratos públicos – Processo de concurso comunitário – Recrutamento de peritos por curto prazo, encarregues de dar assistência técnica a países terceiros beneficiários de ajuda
         externa – Recusa de propostas»
      
      Acórdão do Tribunal de Primeira Instância  (Segunda Secção) de 14 de Fevereiro de 2006 
      Sumário do acórdão
      1.     Contratos públicos das Comunidades Europeias – Conclusão de um contrato mediante concurso 
      2.     Contratos públicos das Comunidades Europeias – Processo de concurso 
      3.     Direito comunitário – Princípios – Protecção da confiança legítima – Condições 
      1.     A Comissão dispõe de um amplo poder de apreciação quanto aos elementos a ter em consideração para tomar a decisão de adjudicar
         um contrato mediante concurso e a fiscalização do Tribunal deve limitar‑se à verificação do respeito das regras processuais
         e de fundamentação, da exactidão material dos factos e da ausência de erro manifesto de apreciação e de desvio de poder.
      
      (cf. n.o 50)
      
      2.     Quando o aviso de concurso lançado no quadro de um concurso contenha uma disposição que proíbe entidades de um mesmo grupo
         jurídico de participar nos mesmos concursos, na falta de uma definição legal ou jurisprudencial do conceito de grupo jurídico
         que determine os critérios de um tal grupo, a Comissão é obrigada, a fim de se pronunciar quanto à reunião das condições de
         aplicação da referida disposição, a proceder a um exame caso a caso, tendo em conta todos os elementos pertinentes. Consequentemente,
         para efeitos do reconhecimento da existência de um grupo jurídico, a Comissão deve determinar se as entidades em causa estão
         estruturalmente vinculadas, uma vez que este elemento é susceptível de criar um risco de conflito de interesses ou de concorrência
         falseada entre os proponentes, considerando‑se, contudo, que outros factores podem apoiar a análise dos vínculos estruturais,
         como os relativos ao grau de independência das entidades em causa.
      
      (cf. n.os 51‑53)
      
      3.     O direito de exigir protecção da confiança legítima, que constitui um dos princípios fundamentais da Comunidade, estende‑se
         a todo e qualquer particular que se encontre numa situação da qual resulte que a administração comunitária, ao fornecer‑lhe
         garantias precisas, tenha criado na sua esfera jurídica expectativas fundadas. Constituem garantias dessa natureza, independentemente
         da forma com que sejam comunicadas, informações precisas, incondicionais e concordantes, que emanem de fontes autorizadas
         e fiáveis. Em contrapartida, ninguém pode alegar violação deste princípio se não houver garantias precisas fornecidas pela
         Administração.
      
      A este respeito, não se pode considerar que as decisões da Comissão sobre as propostas admitidas, tomadas no quadro do processo
         de concurso e que indicam expressamente que a assinatura do contrato‑quadro está sujeita à produção, pelos interessados, da
         prova de que não se encontram em nenhuma das situações que impliquem a sua exclusão do concurso, contêm por esse motivo garantias
         precisas quanto ao facto de o contrato‑quadro ser sempre assinado e não podem, portanto, criar nas esferas jurídicas das entidades
         em causa expectativas fundadas neste sentido.
      
      (cf. n.os 88, 90)
      
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA (Segunda Secção)
      14 de Fevereiro de 2006 (*)
      
      «Contratos públicos – Processo de concurso comunitário – Recrutamento de peritos por curto prazo, encarregues de dar assistência técnica a países terceiros beneficiários de ajuda
         externa – Recusa de propostas»
      
      Nos processos apensos T‑376/05 e T‑383/05,
      TEA‑CEGOS, SA, com sede em Madrid (Espanha),
      
      Services techniques globaux (STG) SA, com sede em Bruxelas (Bélgica),
      
      representadas por G. Vandersanden e L. Levi, advogados,
      recorrentes no processo T‑376/05,
      GHK Consulting Ltd, com sede em Londres (Reino Unido), representada por M. Dittmer e J.‑E. Svensson, advogados,
      
      recorrente no processo T‑383/05,
      contra
      Comissão das Comunidades Europeias, representada por M. Wilderspin e G. Boudot, na qualidade de agentes, com domicílio escolhido no Luxemburgo,
      
      recorrida,
      que tem por objecto um pedido de anulação, por um lado, das decisões da Comissão de 12 de Outubro de 2005, que recusam as
         propostas apresentadas pelas recorrentes no âmbito do processo de concurso com a referência «EuropeAid/119860/C/SV/multi‑Lot 7»
         e, por outro, de todas as outras decisões tomadas pela Comissão, no âmbito do mesmo concurso, na sequência das decisões de
         12 de Outubro de 2005,
      
      O TRIBUNAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIADAS COMUNIDADES EUROPEIAS (Segunda Secção),
      
      composto por: J. Pirrung, presidente, N. J. Forwood e S. Papasavvas, juízes,
      secretária: C. Kristensen, administradora,
      vistos os autos e após a audiência de 12 de Janeiro de 2006,
      profere o presente
      Acórdão
       Quadro jurídico
      1       A adjudicação de contratos de prestação de serviços da Comissão no âmbito das suas acções externas está sujeita às disposições
         da segunda parte do título IV do Regulamento (CE, Euratom) n.° 1605/2002 do Conselho, de 25 de Junho de 2002, que institui
         o Regulamento Financeiro aplicável ao orçamento geral das Comunidades Europeias (JO L 248, p. 1, a seguir «Regulamento Financeiro»),
         e às disposições da segunda parte do título III do Regulamento (CE, Euratom) n.° 2342/2002 da Comissão, de 23 de Dezembro
         de 2002, que estabelece as normas de execução do Regulamento Financeiro (JO L 357, p. 1, a seguir «normas de execução»). 
      
      2       Nos termos do artigo 94.° do Regulamento Financeiro, reproduzido no n.° 2.3.3 do Guia prático da adjudicação de contratos
         financiados pelo Orçamento Geral das Comunidades Europeias no âmbito das acções externas da CE (a seguir «guia prático»):
      
      «Serão excluídos da adjudicação de um contrato os candidatos ou proponentes que durante o processo de adjudicação do referido
         contrato:
      
      a)      Se encontrem em situação de conflito de interesses;
      b)      Sejam culpados de falsas declarações ao fornecer as informações exigidas pela entidade adjudicante para a sua participação
         no contrato, ou no caso de não terem fornecido essas informações.»
      
      3       Nos termos do artigo 146.°, n.° 3, das normas de execução:
      «Os pedidos de participação e as propostas que não contenham todos os elementos essenciais exigidos nos documentos do contrato
         ou que não correspondam às exigências específicas neles estabelecidas serão eliminadas.
      
      Contudo, a comissão de avaliação pode convidar os candidatos ou os proponentes a completar ou a explicitar os documentos comprovativos
         apresentados, relativos aos critérios de exclusão ou de selecção, num prazo por si fixado.»
      
      4       O artigo 13.° do anúncio de concurso publicado no âmbito do processo de concurso com a referência «EuropeAid/119860/C/SV/multi‑Lot 7»,
         relativo a um contrato‑quadro múltiplo para o recrutamento, por curto prazo, de peritos encarregues de dar assistência técnica
         a países terceiros beneficiários de ajuda externa (a seguir «concurso»), estabelece que as pessoas singulares ou colectivas
         (incluindo as pessoas colectivas que participem no mesmo grupo jurídico) só podem apresentar uma candidatura, qualquer que
         seja a sua forma de participação (como entidade jurídica individual, líder ou parceiro de um grupo candidato). No caso de
         uma pessoa singular ou colectiva (incluindo as pessoas colectivas que façam parte do mesmo grupo jurídico) apresentar mais
         de uma candidatura, todas as candidaturas em que essa pessoa (e pelas pessoas colectivas que façam parte do mesmo grupo jurídico)
         participe serão excluídas.
      
      5       No formulário da declaração que os candidatos e proponentes deviam preencher era, nomeadamente, referida a obrigação de estes
         indicarem se pertenciam ou não a um «grupo ou a uma rede».
      
      6       O artigo 14.° das instruções aos proponentes estabelece que cada proponente seleccionado será informado por escrito desse
         facto. Prevê, além disso, que, antes de a autoridade contratante assinar o contrato‑quadro com o proponente seleccionado,
         este deve apresentar documentos suplementares para efeitos de prova da veracidade das suas declarações. Se um proponente não
         estiver em condições de apresentar os documentos requeridos no prazo de quinze dias a seguir à notificação da adjudicação
         ou se se revelar que este forneceu informações falsas, está previsto que a adjudicação será considerada nula e sem efeito.
         Nestas circunstâncias, a autoridade contratante pode outorgar o contrato‑quadro a outro proponente ou anular o concurso. 
      
      7       O artigo 16.° das instruções aos proponentes dispõe que os proponentes que considerem ter sido afectados por um erro ou por
         uma irregularidade durante o processo de concurso podem apresentar uma reclamação, à qual a autoridade competente deve responder
         no prazo de 90 dias.
      
       Antecedentes do litígio
      8       Por anúncio de concurso de 9 de Julho de 2004, publicado no Jornal Oficial da União Europeia (JO S 132), a Comissão lançou o concurso. 
      
      9       O consórcio TEA‑CEGOS (a seguir «consórcio TEA‑CEGOS») manifestou o seu desejo de participar no concurso. A TEA‑CEGOS, SA
         foi escolhida para ser a líder do referido consórcio para efeitos da participação deste no processo de concurso. A Services
         techniques globaux (STG) SA é também membro do consórcio TEA‑CEGOS e presta‑lhe serviços em matéria de gestão técnica e financeira.
      
      10     No decurso da fase de apresentação de candidaturas e em conformidade com as exigências do anúncio de concurso, os diferentes
         membros do consórcio TEA‑CEGOS fizeram uma declaração segundo a qual não se encontravam em nenhuma das situações correspondentes
         às causas de exclusão mencionadas no n.° 2.3.3 do guia prático. Em 18 de Agosto de 2004, o Danish Institute for Human Rights
         (a seguir «DIHR»), membro do consórcio TEA‑CEGOS, enviou à Comissão um documento onde referia que tinha o seu próprio conselho
         de administração, embora fizesse parte de uma estrutura maior, o Danish Centre for International Studies and Human Rights
         (a seguir «Centro»), e que tinha como parceiro o Danish Institute for International Studies (a seguir «DIIS»), instituto criado
         pela lei dinamarquesa de 6 de Junho de 2002, que também criou o Centro e o DIHR.
      
      11     A GHK Consulting Ltd, sociedade de direito inglês, faz parte de um consórcio que agrupa diversas entidades (a seguir «consórcio
         GHK»), entre as quais o DIIS. A GHK Consulting, através da sua divisão GHK International Ltd, foi escolhida para ser a líder
         do consórcio GHK, para efeitos do concurso. Em 29 de Setembro de 2004, por ocasião da apresentação de candidaturas, o DIIS
         declarou não pertencer a nenhum grupo nem a nenhuma rede.
      
      12     Por correio electrónico de 17 de Dezembro de 2004 e por carta de 31 de Dezembro de 2004, o consórcio TEA‑CEGOS foi convidado
         a participar no concurso para o lote n.° 7. O DIHR, durante esta fase do processo de concurso, referiu novamente que fazia
         parte de uma estrutura maior, o Centro, que incluía outro instituto, o DIIS. O consórcio GHK foi igualmente autorizado a apresentar
         uma proposta para o lote n.° 7. 
      
      13     Por cartas de 20 de Maio de 2005, a TEA‑CEGOS e a GHK International foram informadas de que as propostas dos consórcios a
         que respectivamente pertenciam tinham sido seleccionadas para o lote n.° 7. As referidas cartas especificavam que os contratos
         seriam enviados aos consórcios para assinatura, sob reserva de prova de que não se encontravam em nenhuma das situações correspondentes
         às causas de exclusão previstas no n.° 2.3.3 do guia prático. As recorrentes enviaram à Comissão os documentos que consideraram
         pertinentes a este respeito.
      
      14     Por fax de 22 de Junho de 2005, a Comissão pediu à TEA‑CEGOS que explicasse a ligação entre o DIHR e o Centro e a sua eventual
         autonomia relativamente a este e pediu igualmente à GHK International que lhe prestasse esclarecimentos quanto ao estatuto
         jurídico do DIIS. 
      
      15     Em 23 de Junho de 2005, o consórcio TEA‑CEGOS enviou à Comissão uma carta do DIHR em que explicava o seu funcionamento. Em
         24 de Junho de 2005, a GHK International transmitiu à Comissão, por fax, os esclarecimentos relativos ao DIIS.
      
      16     Em resposta a um novo pedido da Comissão formulado por via telefónica em 27 de Junho de 2005 e destinado a obter pormenores
         suplementares, o consórcio TEA‑CEGOS fez chegar à Comissão, no mesmo dia, uma cópia da lei dinamarquesa de 6 de Junho de 2002
         que cria o Centro, acompanhada de um memorando indicando os elementos pertinentes da referida lei e a ligação entre o Centro
         e o DIHR e de uma carta do chefe da administração do Centro.
      
      17     Em 14 de Julho de 2005, o consórcio TEA‑CEGOS enviou igualmente à Comissão uma declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros
         dinamarquês, na qual este afirmava que o DIHR e o DIIS eram entidades autónomas no seio do Centro. 
      
      18     Por cartas de 18 de Julho de 2005 (a seguir «decisões de 18 de Julho de 2005»), a Comissão informou o consórcio TEA‑CEGOS
         e o consórcio GHK de que as suas decisões de seleccionar as propostas dos dois consórcios se baseavam em informações incorrectas
         que lhe tinham sido dadas durante o processo de concurso e que, à luz de novos elementos, as candidaturas e as propostas por
         eles apresentadas deviam ser recusadas. 
      
      19     Em 22 e 25 de Julho de 2005, o consórcio TEA‑CEGOS alegou, em resposta à Comissão, que o DIHR e o DIIS não podiam ser considerados
         partes do mesmo grupo jurídico na acepção do artigo 13.° do anúncio de concurso, recordando que tinha indicado, desde o início
         do processo de concurso, que o DIHR pertencia ao Centro. Em 27 de Julho de 2005, a Comissão acusou a recepção da carta de
         22 de Julho, mencionando que o seu conteúdo seria analisado em profundidade.
      
      20     Em 25 de Julho de 2005, a lista de proponentes seleccionados para o lote n.° 7, publicada no sítio da EuropeAid, foi alterada
         de forma a deixar de incluir os dois consórcios.
      
      21     Em 8 de Setembro de 2005, a TEA‑CEGOS e a STG dirigiram‑se à Comissão para denunciar as ilegalidades que, na sua opinião,
         viciam as decisões de 18 de Julho de 2005, convidando‑a, consequentemente, a alterá‑las o mais rapidamente possível. Por carta
         de 13 de Setembro de 2005, a Comissão indicou‑lhes que estava em curso um reexame e que tinha enviado ao Centro uma série
         de questões e lhe tinha pedido que fornecesse documentos susceptíveis de sustentar as suas respostas.
      
      22     Em 14 de Setembro de 2005, a TEA‑CEGOS e a STG reiteraram o seu desejo de obter uma resposta rápida quanto à posição final
         a adoptar pela Comissão. Em 21 de Setembro de 2005, a Comissão indicou‑lhes que esperava do Centro certas informações necessárias
         para se pronunciar sobre o fim a dar ao processo, comprometendo‑se a comunicar‑lhes o mais rapidamente possível a decisão
         que viesse a adoptar. 
      
      23     Por correio electrónico de 23 de Setembro de 2005 e por fax de 26 de Setembro de 2005, o Centro respondeu às questões da Comissão,
         enviando‑lhe também uma série de documentos destinados a comprovar as suas respostas. Em 26 de Setembro de 2005, a GHK International
         fez chegar à Comissão uma carta apoiando as respostas dadas pelo Centro.
      
      24     Em 27 de Setembro de 2005 e em 5 de Outubro de 2005, a TEA‑CEGOS e a STG enviaram à Comissão duas cartas onde se salientava,
         nomeadamente, o carácter independente dos dois institutos. Nelas sublinhavam o facto de as únicas razões pelas quais as decisões
         de adjudicação podiam ser revogadas eram as mencionadas no artigo 14.° das instruções aos proponentes, que remetiam para o
         n.° 2.3.3 do guia prático. Acrescentavam que o consórcio TEA‑CEGOS não era responsável por qualquer omissão de informação
         e que não tinha fornecido nenhuma informação errónea.
      
      25     Em 11 de Outubro de 2005, a TEA‑CEGOS e a STG solicitaram à Comissão que respondesse à questão de saber se já tinha adoptado
         uma posição definitiva quanto ao processo de concurso, convidando‑a, ao mesmo tempo, a não celebrar contratos concomitantes
         com as decisões de adjudicação que viesse a adoptar. A Comissão comunicou‑lhes que estava prestes a adoptar uma decisão.
      
      26     Por duas decisões enviadas em 12 de Outubro de 2005, por um lado, ao consórcio TEA‑CEGOS e, por outro, ao consórcio GHK, a
         Comissão confirmou as decisões de 18 de Julho de 2005 e recusou as propostas dos ditos consórcios (a seguir «decisões impugnadas»).
         
      
       Tramitação processual e pedidos das partes
      27     Por petição apresentada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 13 de Outubro de 2005, a TEA‑CEGOS e a STG interpuseram
         o recurso no processo T‑376/05.
      
      28     Por requerimento separado, entrado na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 14 de Outubro de 2005, a TEA‑CEGOS e
         a STG apresentaram um pedido de medidas provisórias destinado a obter a suspensão da execução, por um lado, da decisão impugnada
         neste processo e, por outro, de todas as outras decisões tomadas pela Comissão, no âmbito do mesmo concurso, na sequência
         da referida decisão. Por despacho do presidente do Tribunal de 14 de Outubro de 2005, foi ordenado à Comissão que suspendesse
         o processo de concurso com a referência «EuropeAid/119860/C/SV/multi‑Lot 7» até à prolação de um despacho definitivo sobre
         o pedido de medidas provisórias. Devido a um acordo celebrado entre as partes, em 26 de Outubro de 2005, face à transacção
         proposta pelo juiz das medidas provisórias, o despacho de 14 de Outubro de 2005, já referido, foi revogado por despacho do
         presidente do Tribunal, de 13 de Dezembro de 2005. Por despacho do presidente do Tribunal, de 11 de Janeiro de 2006, o pedido
         de medidas provisórias da TEA‑CEGOS e da STG foi cancelado no registo do Tribunal, tendo sido reservada para final a decisão
         quanto às despesas.
      
      29     Por petição apresentada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 20 de Outubro de 2005, a GHK Consulting interpôs
         recurso no processo T‑383/05, requerendo que o litígio fosse decidido com uma tramitação acelerada, nos termos do artigo 76.°‑A
         do Regulamento de Processo do Tribunal de Primeira Instância. Em 7 de Novembro de 2005, a Comissão deu o seu acordo a este
         requerimento.
      
      30     Por requerimento separado entrado na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 20 de Outubro de 2005, a GHK Consulting
         apresentou um pedido de medidas provisórias destinado a obter, por um lado, a suspensão da execução da decisão impugnada neste
         processo e de todas as outras decisões subsequentes face aos outros proponentes e, por outro, a imposição pelo Tribunal de
         medidas provisórias de suspensão dos efeitos dessas decisões. Por carta entrada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância
         em 16 de Dezembro de 2005, a GHK Consulting informou o Tribunal, em conformidade com o artigo 99.° do Regulamento de Processo,
         de que desistia do pedido de medidas provisórias. Por despacho do presidente do Tribunal de 11 de Janeiro de 2006, o pedido
         de medidas provisórias da GHK Consulting foi cancelado no registo do Tribunal, tendo sido reservada para final a decisão quanto
         às despesas.
      
      31     Por carta entrada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 20 de Outubro de 2005, a GHK Consulting apresentou um
         pedido de apensação dos processos T‑376/05 e T‑383/05. A Comissão, assim como a TEA‑CEGOS e a STG, comunicaram, em 28 de Outubro
         de 2005 e em 8 de Novembro de 2005, respectivamente, não ter qualquer objecção quanto a esta apensação.
      
      32     Por carta entrada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 31 de Outubro de 2005, a GHK Consulting apresentou um
         pedido de alteração da língua do processo para o francês, embora reservando‑se o direito de utilizar o inglês, sempre que
         necessário, no âmbito da fase escrita e oral do processo. Em 7 de Novembro de 2005, a Comissão indicou não ter nenhuma objecção
         quanto à alteração de língua proposta. 
      
      33     Par carta entrada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 3 de Novembro de 2005, a TEA‑CEGOS, a STG e a GHK Consulting
         pediram que lhes fosse concedida a possibilidade de juntar aos autos, no âmbito do recurso no processo principal, os documentos
         pedidos pelo presidente do Tribunal na audiência de medidas provisórias. Em 4 de Novembro de 2005, o presidente da Segunda
         Secção do Tribunal deferiu este pedido, na condição de os referidos documentos serem enviados à Secretaria do Tribunal, em
         língua inglesa, até 1 de Dezembro de 2005, o mais tardar.
      
      34     Em 8 de Novembro de 2005, a Segunda Secção do Tribunal decidiu deferir, por um lado, o pedido de tramitação acelerada no processo
         T‑383/05 e, por outro, o pedido de alteração da língua do processo apresentado pela GHK Consulting.
      
      35     Por despacho do presidente da Segunda Secção do Tribunal, de 10 de Novembro de 2005, os processos T‑376/05 e T‑383/05 foram
         apensos para efeitos da fase escrita, da audiência e do acórdão.
      
      36     Por carta entrada na Secretaria do Tribunal de Primeira Instância em 30 de Novembro de 2005, a Comissão pediu que o Tribunal
         decidisse, no processo T‑376/05, seguindo uma tramitação acelerada nos termos do artigo 76.°‑A do Regulamento de Processo.
         Em 1 de Dezembro de 2005, a TEA‑CEGOS e a STG manifestaram a sua concordância quanto ao referido pedido. Em 6 de Dezembro
         de 2005, a Segunda Secção do Tribunal decidiu deferir o pedido de tramitação acelerada no processo T‑376/05.
      
      37     Com base no relatório do juiz‑relator, o Tribunal decidiu iniciar a fase oral. As partes foram ouvidas em alegações e nas
         suas respostas às perguntas feitas pelo Tribunal na audiência de 12 de Janeiro de 2006.
      
      38     As recorrentes concluem pedindo que o Tribunal se digne:
      –       anular as decisões impugnadas;
      –       anular todas as outras decisões tomadas pela Comissão no âmbito do concurso na sequência das decisões impugnadas;
      –       condenar a Comissão nas despesas.
      39     A Comissão conclui pedindo que o Tribunal se digne:
      –       negar provimento ao recurso;
      –       condenar as recorrentes nas despesas.
       Questão jurídica
      40     As recorrentes no processo T‑376/05 invocam quatro fundamentos de recurso. No âmbito do primeiro fundamento, as recorrentes
         alegam que a Comissão violou, por um lado, o artigo 13.° do anúncio de concurso e, por outro, o artigo 14.° das instruções
         aos proponentes. No âmbito do segundo fundamento, as recorrentes sustentam que a Comissão não cumpriu o seu dever de fundamentação
         nem o princípio da segurança jurídica, tendo, aliás, cometido, segundo elas, um erro manifesto de apreciação quanto à aplicação
         do artigo 13.° do anúncio de concurso. No âmbito do terceiro fundamento, as recorrentes acusam a Comissão de ter violado o
         princípio da boa administração e de não ter cumprido o seu dever de diligência. Por fim, no âmbito do quarto fundamento, as
         recorrentes alegam que a Comissão violou o princípio da confiança legítima. Uma vez que o segundo fundamento condiciona em
         larga medida a resolução dos outros fundamentos, importa analisá‑lo em primeiro lugar.
      
      41     A recorrente no processo T‑383/05 invoca um fundamento único relativo à violação da aplicação do artigo 13.° do anúncio de
         concurso, que também será analisado no âmbito do segundo fundamento acima mencionado.
      
       Quanto ao segundo fundamento, relativo a violação do dever de fundamentação, a erro manifesto de apreciação e a violação do
            princípio da segurança jurídica
       Argumentos das partes
      42     A TEA‑CEGOS e a STG sublinham que o artigo 13.° do anúncio de concurso exclui as candidaturas de «pessoas singulares ou colectivas»
         que apresentem várias propostas para o mesmo lote, incluindo as «pessoas colectivas que participem no mesmo grupo jurídico».
         Todavia, nem o direito comunitário nem os documentos fornecidos no âmbito do concurso oferecem qualquer definição do conceito
         de «grupo jurídico». Na falta desta definição, a GHK Consulting considera que a exclusão de uma proposta, tal como previsto
         no artigo 13.° do anúncio de concurso, só deve ocorrer no caso de as entidades pertencerem ao mesmo grupo, ou seja, quando
         sejam controladas por uma sociedade‑mãe comum ou quando se controlem mutuamente. Ora, a GHK Consulting alega que, no caso
         em apreço, o DIHR e o DIIS são independentes, têm os seus estatutos próprios e prosseguem cada um objectivos específicos,
         tendo o Centro sido instituído para facilitar a administração dos dois institutos. Somente a gestão dos seus serviços administrativos
         é comum, na medida em que estes são geridos pelo Centro, que recebe uma remuneração em contrapartida dos serviços assim prestados.
         Além disso, a TEA‑CEGOS e a STG alegam que a Comissão cometeu um erro manifesto de apreciação ao não ter em conta o facto
         de cada um dos institutos dispor de património próprio.
      
      43     A TEA‑CEGOS e a STG consideram que a Comissão modificou a interpretação que faz do conceito de «grupo jurídico», visto que,
         nas decisões de 18 de Julho de 2005, declarou, pela primeira vez, que o critério da independência já não era relevante e que
         bastava que o DIHR fizesse estruturalmente parte do Centro, posição esta que foi confirmada nas decisões impugnadas, violando
         assim o princípio da segurança jurídica. 
      
      44     A TEA‑CEGOS e a STG recordam que o objectivo prosseguido pelo artigo 13.° do anúncio de concurso consiste em evitar conflitos
         de interesse entre pessoas que, directa ou indirectamente, possam concorrer várias vezes a um mesmo contrato e encontrar‑se,
         assim, em concorrência relativamente ao contrato‑quadro ou, depois, relativamente aos contratos específicos. Assim, se o DIHR
         e o DIIS não eram independentes em relação ao Centro e necessitavam da autorização prévia deste para a celebração de um contrato,
         poderia existir entre eles um conflito de interesses. No caso em apreço, a TEA‑CEGOS e a STG consideram que o comportamento
         de cada entidade só pode ser imputado a si mesma e não às outras, pelo que o Centro e os dois institutos não podem constituir
         uma só entidade económica (acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 15 de Setembro de 2005, DaimlerChrysler/Comissão,
         T‑325/01, Colect., p. II‑0000, n.os 218 e 219). A Comissão não pode, portanto, como fez no caso em apreço, considerar que o facto de os dois institutos pertencerem
         ao Centro obsta a uma concorrência efectiva entre eles quanto à execução do contrato‑quadro. No caso de a análise de um conflito
         de interesses não ser exigida pelas disposições do artigo 13.° do anúncio de concurso, a TEA‑CEGOS e a STG consideram que
         se deve considerar que este artigo é manifestamente desproporcionado e inadequado relativamente ao objectivo prosseguido,
         isto é, impedir conflitos de interesse entre proponentes. 
      
      45     A Comissão reconhece a falta da definição do conceito de «grupo jurídico» no artigo 13.° do anúncio de concurso. Todavia,
         este conceito é geral e permite abranger uma variedade de situações, pelo que a Comissão se dedica a uma apreciação in concreto  a fim de se pronunciar sobre a existência de um grupo jurídico. Recorda que o artigo 13.° do anúncio de concurso retoma uma
         disposição mais geral do Regulamento Financeiro, isto é, o artigo 94.° do referido regulamento, que prevê expressamente a
         exclusão dos candidatos que se encontrem em situação de conflito de interesses. No caso em apreço, a Comissão alega que o
         facto de os dois institutos pertencerem ao Centro torna difícil uma concorrência efectiva entre estes, uma vez que têm domínios
         de especialidade próximos e as suas áreas de competência se podem cruzar. Além disso, o artigo 13.° é suficientemente claro
         quando proíbe a pertença a um mesmo grupo jurídico, adoptando assim um critério estrutural. 
      
      46     No que toca às alegações das recorrentes relativas à violação do princípio da segurança jurídica e à violação do dever de
         fundamentação, a Comissão considera que não têm fundamento.
      
       Apreciação do Tribunal de Primeira Instância
      47     No que respeita, em primeiro lugar, à acusação de falta de fundamentação, há que dizer que as razões pelas quais a Comissão
         recusou as propostas das recorrentes decorrem claramente da fundamentação das decisões impugnadas. 
      
      48     Com efeito, segundo jurisprudência assente, o alcance do dever de fundamentação depende da natureza do acto em causa e do
         contexto em que o mesmo é adoptado. A fundamentação deve deixar transparecer, de forma clara e inequívoca, o raciocínio seguido
         pela instituição, por forma, por um lado, a permitir que os interessados conheçam as razões da medida adoptada, a fim de poderem
         defender os seus direitos e verificar se a decisão está ou não correcta e, por outro, a permitir ao juiz comunitário exercer
         o seu controlo da legalidade (acórdão do Tribunal de Justiça de 14 de Fevereiro de 1990, Delacre e o./Comissão, C‑350/88,
         Colect., p. I‑395, n.os 15 e 16, e acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 9 de Abril de 2003, Forum des migrants/Comissão, T‑217/01, Colect.,
         p. II‑1563, n.° 68). 
      
      49     No caso em apreço, as decisões impugnadas mencionam expressamente que as propostas dos dois consórcios violam o artigo 13.°
         do anúncio de concurso na medida em que o DIIS e o DIHR pertencem ao mesmo grupo jurídico, estando, aliás, referidos nessas
         decisões os elementos que permitiram à Comissão concluir neste sentido. Além disso, importa sublinhar que as decisões impugnadas
         foram adoptadas na sequência de um reexame aprofundado efectuado pela Comissão, posteriormente às decisões de 18 de Julho
         de 2005 e após ter ouvido as recorrentes. Consequentemente, estas tiveram conhecimento das dúvidas da Comissão quanto à natureza
         da relação existente entre os dois institutos e o Centro. Assim sendo, esta acusação não pode ser acolhida.
      
      50     No que respeita, em segundo lugar, à acusação de erro manifesto de apreciação que viciaria as decisões impugnadas, importa
         recordar que a Comissão dispõe de um amplo poder de apreciação quanto aos elementos a ter em consideração para tomar a decisão
         de adjudicar um contrato mediante concurso e que a fiscalização do Tribunal se deve limitar à verificação do respeito das
         regras processuais e de fundamentação, da exactidão material dos factos e da ausência de erro manifesto de apreciação ou de
         desvio de poder (acórdãos do Tribunal de Primeira Instância de 24 de Fevereiro de 2000, ADT Projekt/Comissão, T‑145/98, Colect.,
         p. II‑387, n.° 147, e de 26 de Fevereiro de 2002, Esedra/Comissão, T‑169/00, Colect., p. II‑609, n.° 95).
      
      51     O Tribunal indica que o artigo 13.° do anúncio de concurso proíbe que entidades do mesmo grupo jurídico participem nos mesmos
         concursos, por exemplo, na qualidade de membros de consórcios, a fim de evitar o risco de conflito de interesses ou de concorrência
         falseada entre os proponentes. Desta proibição resulta que a observância do artigo 13.° do anúncio de concurso condiciona
         a validade de uma proposta, gozando a Comissão de um amplo poder de apreciação para determinar tanto o conteúdo como a execução
         das normas aplicáveis à adjudicação de um contrato por concurso. Assim, mesmo no caso de a violação do referido artigo só
         ser detectada numa fase avançada do processo de concurso, este artigo é aplicável. 
      
      52     Tendo em conta estas considerações, importa, no caso em apreço, determinar se a Comissão cometeu um erro manifesto de apreciação
         ao considerar que o DIIS e o DIHR pertenciam ao mesmo grupo jurídico. Para este fim, importa recordar que, na falta de uma
         definição legal ou jurisprudencial do conceito de grupo jurídico que determine os critérios de um tal grupo, a Comissão é
         obrigada, a fim de se pronunciar quanto à reunião das condições de aplicação do artigo 13.° do anúncio de concurso, a proceder
         a um exame caso a caso, tendo em conta todos os elementos pertinentes.
      
      53     Consequentemente, para efeitos do reconhecimento, no presente litígio, da existência de um grupo jurídico, a Comissão teve
         de determinar se as entidades em causa estavam estruturalmente vinculadas ao Centro, uma vez que este elemento é susceptível
         de criar um risco de conflito de interesses ou de concorrência falseada entre os proponentes, considerando‑se, contudo, que
         outros factores podem apoiar a análise dos vínculos estruturais, como os relativos ao grau de independência das entidades
         em causa e qualificados pelas partes de «critério funcional». 
      
      54     No caso em apreço, decorre das decisões impugnadas que a Comissão verificou que o DIIS e o DIHR faziam juridicamente parte
         do Centro, pertencendo, assim, a uma mesma estrutura. Deduziu da lei dinamarquesa de 6 de Junho de 2002 e dos estatutos do
         Centro e dos institutos que o DIIS e o DIHR não constituem entidades jurídicas distintas do Centro e assinalou que este último
         assegurava, nomeadamente, a administração comum dos dois institutos, que estavam, aliás, representados no conselho de administração
         do Centro.
      
      55     No que toca, em primeiro lugar, ao vínculo estrutural entre os institutos e o Centro, resulta efectivamente dos autos, mais
         concretamente da secção 1, subsecção 2, dos estatutos do Centro, que este é composto por duas entidades autónomas: o DIIS
         e o DIHR, partilhando os dois institutos e o Centro das mesmas instalações. 
      
      56     Quanto à administração dos dois institutos, como observou a Comissão nas decisões impugnadas, o artigo 2.° dos estatutos do
         Centro determina que este «assegura uma administração conjunta das finanças, dos recursos humanos, da administração, dos serviços
         comuns e da biblioteca comum aos dois institutos». Assim, os serviços administrativos, tais como o pagamento de salários e
         a gestão das facturações, são assegurados pelo Centro, que recebe dos dois institutos uma remuneração específica em contrapartida
         dos serviços prestados, estando aquele também encarregado de receber os pagamentos feitos aos institutos.
      
      57     Por outro lado, tal como a Comissão também indicou nas decisões impugnadas, existe uma ligação entre os institutos e o conselho
         de administração do Centro, dado que certos membros deste último são designados pelo DIIS e pelo DIHR (secção 5, subsecção
         3, da lei dinamarquesa de 6 de Junho de 2002). Uma troca de pontos de vista a respeito das estratégias comerciais a seguir
         pelos dois institutos pode, portanto, ter lugar a este nível elevado da estrutura. Esta ligação é reforçada pelo facto, que
         resulta igualmente dos autos, de o conselho de administração do Centro discutir as previsões operacionais dos dois institutos.
      
      58     Resulta do que precede que os dois institutos devem ser considerados como fazendo estruturalmente parte do mesmo grupo jurídico.
         Assim, a Comissão não cometeu um erro manifesto de apreciação ao aplicar o artigo 13.° do anúncio de concurso, constituindo
         este vínculo estrutural um índice suficiente do risco de concorrência falseada entre os proponentes, ou mesmo de conflito
         de interesses. Além disso, é necessário observar que a tomada em consideração de elementos que pertencem ao critério funcional
         não põe em causa a apreciação da Comissão a este respeito.
      
      59     Em segundo lugar, quanto ao critério funcional, ou seja, a independência dos institutos em relação ao Centro, o Tribunal indica
         que a autonomia financeira dos institutos é relativamente limitada pela influência do Centro. Com efeito, como decorre dos
         autos, o DIIS e o DIHR são financiados em parte por fundos públicos concedidos ao Centro que deve entregar 80% ao DIIS e 20%
         ao DIHR. Além disso, os artigos 4.° e 15.° dos estatutos do DIIS dispõem que este é «colocado sob os auspícios do [Centro]»
         e que «[a]s contas do instituto são controladas enquanto entidade do [Centro] pelo ‘Rigsrevisor’». De igual modo, as contas
         do DIHR devem ser aprovadas pelo conselho de administração do Centro. 
      
      60     No que respeita à autonomia decisória dos institutos, as recorrentes realçam o facto de os conselhos de administração dos
         institutos serem autónomos face ao Centro. Esta alegação não é, no entanto, suficiente para pôr em causa a conclusão de que
         o DIIS e o DIHR pertencem ao mesmo grupo jurídico, já que este vínculo não exclui necessariamente uma autonomia decisória
         das diferentes entidades jurídicas que coexistem no seio de um mesmo grupo. 
      
      61     Quanto ao argumento das recorrentes de que a Comissão não tomou em consideração o facto de os institutos possuírem patrimónios
         distintos, o Tribunal verifica que as recorrentes não foram capazes de apresentar elementos probatórios capazes de demonstrar
         que a Comissão tinha indicado, erradamente, nas decisões impugnadas que os activos dos institutos pertenciam ao Centro. Por
         outro lado, o facto de a Comissão ter considerado que os institutos estavam desprovidos de personalidade jurídica não constitui
         um erro manifesto de apreciação que conduza a uma aplicação errónea do artigo 13.° do anúncio de concurso. Com efeito, por
         um lado, importa observar que as decisões impugnadas não se basearam, de modo algum, na inexistência de personalidade jurídica,
         nunca tendo este elemento sido nelas mencionado. Por outro lado, como demonstra juridicamente a Comissão nos seus articulados,
         mesmo supondo que os institutos têm personalidade jurídica própria, o facto de o DIIS e o DIHR pertencerem ao Centro justifica
         a aplicação do artigo 13.° do anúncio de concurso.
      
      62     Por conseguinte, a Comissão não cometeu nenhum erro manifesto de apreciação ao basear‑se principalmente num critério estrutural.
         O facto de ter podido solicitar, inicialmente, informações ligadas ao critério funcional para, a seguir, adoptar o critério
         estrutural não modifica esta conclusão, uma vez que a Comissão efectuou uma análise aprofundada das circunstâncias do caso
         em apreço, antes de aplicar o artigo 13.° do anúncio de concurso. 
      
      63     Consequentemente, a acusação de que a Comissão violou o princípio da segurança jurídica ao decidir optar por um critério estrutural
         não tem fundamento. Além disso, a supressão do artigo 13.° do anúncio de concurso nos anúncios de concursos posteriores não
         tem qualquer influência na resolução do presente litígio, devendo a legalidade de um acto ser apreciada em função dos elementos
         de facto e de direito existentes na data em que o acto foi adoptado (acórdãos do Tribunal de Justiça de 7 de Fevereiro de
         1979, França/Comissão, 15/76 e 16/76, Colect., p. 145, n.° 7, e de 17 de Maio de 2001, IECC/Comissão, C‑449/98 P, Colect.,
         p. I‑3875, n.° 87; acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 12 de Dezembro de 1996, Altmann e o./Comissão, T‑177/94 e
         T‑377/94, Colect., p. II‑2041, n.° 119). 
      
      64     Quanto ao carácter alegadamente desproporcionado e inadequado do artigo 13.° do anúncio de concurso, as recorrentes afirmaram,
         na audiência, que o âmbito de aplicação do artigo 13.° do anúncio de concurso era demasiado amplo, podendo abranger situações
         em que, de um vínculo estrutural, pode não resultar qualquer conflito de interesses. A este respeito, importa considerar que,
         tendo em conta o amplo poder de apreciação de que a Comissão goza e a necessidade de estabelecer antecipadamente normas claras
         e compreensíveis no anúncio de concurso, a Comissão não excedeu manifestamente o seu poder ao decidir sobre o conteúdo do
         artigo 13.° do anúncio de concurso e ao aplicá‑lo às propostas das recorrentes. Em especial, a Comissão não ultrapassou os
         limites deste poder ao estabelecer, no referido artigo 13.°, que o facto de pessoas colectivas pertencerem ao mesmo grupo
         jurídico implicava a sua exclusão da adjudicação.
      
      65     O Tribunal de Primeira Instância observa, para ser exaustivo, que o Tribunal de Justiça considerou, no acórdão de 3 de Março
         de 2005, Fabricom (C‑21/03 e C‑34/03, Colect., p. I‑1559, n.° 36), que um candidato ou proponente não pode ser excluído automaticamente
         de um processo de concurso sem que lhe tenha sido dada a possibilidade de se manifestar quanto às razões que justificam essa
         exclusão.
      
      66     No presente processo, há que observar que, no exercício do seu amplo poder de apreciação, a Comissão permitiu às recorrentes
         que explicitassem em pormenor e por diversas vezes a ligação que une os dois institutos ao Centro, antes de concluir que os
         dois institutos pertencem estruturalmente ao mesmo grupo jurídico e de aplicar o artigo 13.° do anúncio de concurso. Assim,
         a exclusão definitiva das recorrentes do processo de concurso só foi decidida após estas terem tido a possibilidade de manifestar
         o seu ponto de vista quanto às ligações existentes entre o DIIS e o DIHR. Consequentemente, a Comissão não aplicou automaticamente
         as disposições previstas no artigo 13.° do anúncio de concurso. As circunstâncias do caso em apreço diferem, portanto, das
         que deram lugar ao acórdão Fabricom, já referido. Logo, o argumento das recorrentes quanto ao carácter desproporcionado ou
         inadequado do artigo 13.° do anúncio de concurso deve ser rejeitado.
      
      67     Resulta das considerações precedentes que, atendendo ao facto de o DIIS e o DIHR pertencerem estruturalmente ao Centro, a
         Comissão não cometeu qualquer erro manifesto de apreciação nem violou o princípio de segurança jurídica ao considerar que
         os dois institutos faziam parte do mesmo grupo jurídico e ao aplicar o artigo 13.° do anúncio de concurso. Por conseguinte,
         o segundo fundamento deve ser julgado improcedente. 
      
       Quanto ao primeiro fundamento, relativo a violação do artigo 13.° do anúncio de concurso e do artigo 14.° das instruções aos
            proponentes
       Argumentos das partes
      68     A TEA‑CEGOS e a STG recordam que, nos termos do artigo 14.° das instruções aos proponentes, a assinatura do contrato‑quadro
         com o proponente seleccionado estava sujeita à apresentação de documentos complementares destinados a provar a exactidão das
         declarações feitas pelo proponente durante o processo de concurso. Assim, a decisão de adjudicação do contrato só deveria
         ter sido declarada nula e sem efeito no caso de o proponente seleccionado não ter podido apresentar os referidos documentos
         ou de ter comunicado informações erradas durante o processo de concurso.
      
      69     As recorrentes sublinham que, no caso em apreço, o consórcio TEA‑CEGOS, por um lado, enviou, no prazo de quinze dias, em conformidade
         com o pedido formulado na carta de 20 de Maio de 2005 (v. n.° 13, supra), os documentos exigidos e, por outro, não forneceu nenhuma informação falsa, tendo sido mencionado, desde a apresentação
         da candidatura, o facto de o DIHR pertencer ao Centro. Por consequência, a TEA‑CEGOS e a STG alegam que as provas requeridas
         foram devidamente apresentadas, em observância do disposto no artigo 14.° das instruções aos proponentes. Além disso, a TEA‑CEGOS
         e a STG consideram que o artigo 13.° do anúncio de concurso só poderia ser aplicado após ter sido tomada uma decisão de adjudicação.
         Os únicos motivos por que a decisão de adjudicação poderia ser retirada são os previstos no artigo 14.° das instruções aos
         proponentes, que remetem para n.° 2.3.3 do guia prático.
      
      70     A Comissão contesta os argumentos das recorrentes. Na sua opinião, as cartas de 20 de Maio de 2005 não podem ser equiparadas
         a decisões que adjudiquem de forma definitiva o contrato às recorrentes, uma vez que a adjudicação depende da apresentação
         de documentos que provem que as recorrentes não se encontravam numa situação que implicasse a sua exclusão. Ora, a Comissão
         considera que os documentos apresentados mostram claramente a falta de observância, pelas recorrentes, do artigo 13.° do anúncio
         de concurso.
      
       Apreciação do Tribunal de Primeira Instância
      71     Importa sublinhar que as decisões de 20 de Maio de 2005 indicam expressamente que a assinatura do contrato‑quadro estava sujeita
         à prova, que devia ser apresentada pelas recorrentes, de que não se encontravam em nenhuma das situações que implicassem a
         sua exclusão, previstas no n.° 2.3.3 do guia prático. Além disso, resulta do próprio teor do artigo 14.° das instruções aos
         proponentes que compete aos candidatos seleccionados provar a veracidade das suas declarações. Por conseguinte, a adjudicação
         do contrato dependia da apresentação de elementos capazes de provar a veracidade das informações apresentadas pelas recorrentes
         aquando da apresentação da sua proposta e da verificação pela Comissão de que o artigo 13.° do anúncio de concurso tinha sido
         observado. 
      
      72     Com efeito, tal como foi indicado anteriormente (n.° 51, supra), a observância do disposto no artigo 13.° condiciona a validade de todas as propostas e a Comissão pode aplicar este artigo
         numa fase avançada do processo, pelo menos até ao momento do exame das provas referidas no número anterior. Consequentemente,
         não procede o argumento das recorrentes de que o artigo 13.° do anúncio de concurso só podia ser aplicado após ter sido tomada
         uma decisão de adjudicação.
      
      73     Por conseguinte, o primeiro fundamento deve ser julgado improcedente.
       Quanto ao terceiro fundamento, relativo a violação do princípio da boa administração e a falta de diligência
       Argumentos das partes
      74     A TEA‑CEGOS e a STG recordam que a Comissão tinha conhecimento, desde a apresentação da candidatura, do facto de o DIHR pertencer
         ao Centro. Se a Comissão tinha dúvidas quanto ao alcance da ligação do DIHR ao Centro, devia ter interrogado o consórcio TEA‑CEGOS
         durante o processo de concurso e não após ter decidido adjudicar‑lhe o contrato. Não o tendo feito, a Comissão violou o princípio
         da boa administração. Devia a Comissão igualmente ter respondido às cartas do consórcio TEA‑CEGOS de 22 e 25 de Julho de 2005,
         o que fez apenas após ter sido solicitada pela TEA‑CEGOS. Há, portanto, segundo as recorrentes, que condenar a ligeireza com
         que a Comissão procedeu, encontrando‑se novamente esta atitude nas informações contraditórias que figuram no seu sítio Internet
         quanto aos proponentes seleccionados para o lote n.° 7.
      
      75     A Comissão sublinha que, embora seja verdade que o DIHR tinha indicado a relação existente com o DIIS, este não tinha feito
         nenhuma declaração nesse sentido. Assim, o sistema informático estabelecido no âmbito do procedimento administrativo não pôde
         detectar uma eventual violação do artigo 13.° do anúncio de concurso. Alertada por um terceiro para a existência de uma ligação
         entre o DIHR e o DIIS, a Comissão reagiu então, interrogando as recorrentes sobre esta questão. De igual modo, não se pode
         criticar a Comissão por uma eventual falta de diligência. Além disso, a Comissão alega ter respondido rapidamente aos pedidos
         das recorrentes formulados nos dias 22 e 25 de Julho de 2005, e isto em 27 de Julho de 2005, indicando‑lhes nomeadamente que
         iria tomar em consideração as suas observações e que lhes daria conhecimento, o mais rapidamente possível, do seguimento que
         entendesse dar. 
      
       Apreciação do Tribunal de Primeira Instância
      76     Resulta da jurisprudência que, entre as garantias conferidas pela ordem jurídica comunitária nos procedimentos administrativos
         figura, nomeadamente, o princípio da boa administração, que se liga à obrigação de a instituição competente examinar, com
         cuidado e imparcialidade, todos os elementos pertinentes do caso concreto (acórdão do Tribunal de Justiça de 21 de Novembro
         de 1991, Technische Universität München, C‑269/90, Colect., p. I‑5469, n.° 14; acórdãos do Tribunal de Primeira Instância
         de 24 de Janeiro de 1992, La Cinq/Comissão, T‑44/90, Colect., p. II‑1, n.° 86, e de 11 de Setembro de 2002, Alpharma/Conselho,
         T‑70/99, Colect., p. II‑3495, n.° 182). Por outro lado, a Comissão é obrigada a velar, em cada fase de um processo de concurso,
         pelo respeito do princípio da igualdade de tratamento e, consequentemente, pela igualdade de oportunidades de todos os proponentes
         (v., neste sentido, acórdão do Tribunal de Justiça de 29 de Abril de 2004, Comissão/CAS Succhi di Frutta, C‑496/99 P, Colect.,
         p. I‑3801, n.° 108, e acórdão ADT Projekt/Comissão, já referido, n.° 164).
      
      77     No caso em apreço, a Comissão indicou às recorrentes, em 20 de Maio de 2005, que as suas propostas tinham sido seleccionadas
         para o lote n.° 7 na condição de aquelas fornecerem os documentos comprovativos de que não se encontravam em nenhuma das situações
         que implicavam a sua exclusão previstas no n.° 2.3.3 do guia prático.
      
      78     Importa dizer que o DIHR referiu o facto de pertencer ao Centro desde a apresentação da candidatura do consórcio TEA‑CEGOS,
         mencionando igualmente que um dos seus parceiros era o DIIS. O DIIS declarou não pertencer a nenhum grupo ou rede. Ora, se
         o DIIS considerava realmente não pertencer a um grupo jurídico, deveria, pelo menos, ter indicado à Comissão, face às informações
         requeridas no formulário da declaração, que mantinha relações com o Centro e que fazia, assim, parte de uma rede, já que os
         estatutos do Centro estabelecem expressamente que o DIIS constitui uma das suas entidades.
      
      79     Embora a declaração do DIIS seja errada, importa observar que a proposta técnica apresentada pelo consórcio GHK indicava o
         nome dos diferentes membros do consórcio, sendo o DIIS aí mencionado em terceira posição. Consequentemente, a Comissão podia
         ter‑se apercebido de que a declaração do DIIS não estava correcta. Todavia, o facto de a Comissão só se ter dado conta da
         pertença dos institutos ao Centro numa fase avançada do processo não tem qualquer relevância para a resolução do presente
         litígio, uma vez que, mesmo nessa fase, a proposta do consórcio GHK devia ser excluída, em conformidade com o artigo 13.°
         do anúncio de concurso.
      
      80     De qualquer forma, a complexidade inerente à diversidade de informações apresentadas aquando dos processos de concurso pode
         explicar o facto de a Comissão só se ter dado conta da existência da ligação ao Centro uma vez escolhidas condicionalmente
         as duas propostas. Com efeito, era apenas nesta fase do processo que as recorrentes tinham a obrigação de fornecer os documentos
         que justificavam a veracidade das suas declarações iniciais. Por conseguinte, a Comissão não violou o princípio da boa administração
         ao só suscitar a questão de os institutos pertencerem ao Centro após a aceitação condicional da proposta do consórcio GHK.
      
      81     No que respeita à condução do processo de concurso pela Comissão, há que observar que, desde 22 de Junho de 2005, esta pediu
         à TEA‑CEGOS que explicasse a ligação entre o DIHR e o Centro e pediu à GHK International que lhe prestasse esclarecimentos
         quanto ao estatuto jurídico do DIIS. Na sequência das informações apresentadas pela TEA‑CEGOS, a Comissão pediu a esta em
         27 de Junho de 2005, antes de adoptar a decisão de 18 de Julho de 2005, que lhe fornecesse informações suplementares. Além
         disso, resulta dos factos que, entre 18 de Julho e 12 de Outubro de 2005, a Comissão esteve em contacto permanente com as
         recorrentes, tendo‑lhes comunicado, nomeadamente, que procedia a um reexame dos elementos apresentados e que lhes daria conhecimento,
         o mais rapidamente possível, da posição final que viesse a adoptar. Além disso, a Comissão empenhou‑se em responder prontamente
         às solicitações das recorrentes, nomeadamente ao informar os advogados da TEA‑CEGOS do estado do processo desde 13 de Setembro
         de 2005, visto estes terem manifestado o seu desejo em conhecê‑lo em 8 de Setembro de 2005.
      
      82     No que respeita às informações contraditórias difundidas no sítio da Internet da EuropeAid, importa observar que os nomes
         dos proponentes seleccionados e mencionados no referido sítio eram os que tinham sido seleccionados condicionalmente pela
         Comissão. Era, portanto lógico que os nomes das recorrentes aí figurassem, já que foi só na altura em que estes tiveram que
         provar a veracidade das suas declarações, no caso em apreço na sequência das decisões de 20 de Maio de 2005, é que o facto
         de o DIIS e o DIHR pertencerem ao Centro se tornou patente de forma clara e inequívoca. Uma vez adoptadas as decisões de 18
         de Julho de 2005, os nomes das recorrentes foram removidos do referido sítio, e isto a partir de 25 de Julho de 2005.
      
      83     Resulta do que foi dito que as recorrentes não demonstraram que a Comissão tenha violado o princípio da boa administração
         e não tenha cumprido o seu dever de diligência pelo que as suas acusações são, em todo o caso, injustificadas. Por conseguinte,
         o terceiro fundamento deve ser julgado improcedente.
      
       Quanto ao quarto fundamento, relativo a revogação retroactiva das decisões impugnadas e a violação do princípio da confiança
            legítima
       Argumentos das partes
      84     A TEA‑CEGOS e a STG consideram que a decisão impugnada anula a decisão de 20 de Maio de 2005, que adjudicava o contrato ao
         consórcio TEA‑CEGOS, o que constituía, na verdade, uma revogação retroactiva de um acto administrativo. Ora, resulta de jurisprudência
         assente que a revogação retroactiva de um acto administrativo favorável está sujeita a condições muito estritas (acórdão do
         Tribunal de Justiça de 9 de Março de 1978, Herpels/Comissão, 54/77, Recueil, p. 585, n.° 38, Colect., p. 235). As recorrentes
         indicam igualmente que, segundo jurisprudência assente, embora deva ser reconhecido a qualquer instituição comunitária, que
         verifica que o acto que acaba de adoptar está viciado de ilegalidade, o direito de o revogar num prazo razoável com efeitos
         retroactivos, este direito pode ser limitado pela necessidade de respeitar a confiança legítima do beneficiário do acto que
         tenha podido confiar na legalidade deste (acórdão do Tribunal de Justiça de 17 de Abril de 1997, de Compte/Parlamento, C‑90/95 P,
         Colect., p. I‑1999, n.° 35).
      
      85     A TEA‑CEGOS e a STG alegam que, no caso em apreço, a decisão inicial não é ilegal e não devia, portanto, ter sido revogada.
         Na hipótese de esta decisão ter sido ilegal – o que, na sua perspectiva, não acontece – a sua revogação só poderia ter sido
         decidida quando estivessem preenchidas as condições colocadas para este efeito pela jurisprudência acima referida. Ora, o
         pedido de explicação da Comissão sobre as ligações entre o DIHR e o Centro só foi feito em 22 de Junho de 2005, ainda que
         esta já tivesse em seu poder, desde o mês de Outubro de 2004, a declaração do DIHR. Só perto de dois meses após a decisão
         favorável de 20 de Maio de 2005 é que esta foi revogada. O consórcio TEA‑CEGOS teve igualmente o cuidado de responder às questões
         da Comissão tal como foram formuladas no seu fax de 22 de Junho de 2005. Não obstante, a decisão por ela impugnada baseia‑­se
         em razões que não correspondem a estas questões. Por conseguinte, a TEA‑CEGOS e a STG consideram que podiam legitimamente
         acreditar que os elementos apresentados à Comissão não seriam postos em causa e não poderiam fundamentar uma decisão revogando
         a adjudicação do contrato. Consideram, consequentemente, que podiam confiar na legalidade da decisão de 20 de Maio de 2005
         e reivindicar a manutenção desta decisão. Nestas condições, a sua confiança legítima foi violada, bem como as condições em
         que pode ser efectuada a revogação de um acto administrativo.
      
      86     A Comissão sublinha que as cartas de 20 de Maio de 2005 afirmavam que a candidatura das recorrentes seria seleccionada na
         condição de estas fornecerem os documentos requeridos em conformidade com o artigo 14.° das instruções aos proponentes. Considera,
         portanto, que as referidas cartas não continham qualquer decisão, mas simplesmente uma informação quanto à intenção condicional
         da Comissão de seleccionar as propostas das recorrentes. Acrescenta que, não tendo as recorrentes podido demonstrar que os
         dois institutos satisfaziam as exigências do artigo 13.° do anúncio de concurso, o contrato não podia em caso algum ser‑lhes
         adjudicado.
      
       Apreciação do Tribunal de Primeira Instância
      87     Em primeiro lugar, importa recordar que a revogação retroactiva de um acto administrativo favorável está geralmente sujeita
         a condições muito estritas (acórdão Herpels/Comissão, já referido, n.° 38). Segundo jurisprudência assente, embora deva ser
         reconhecido a qualquer instituição comunitária, que verifica que o acto que acaba de adoptar está viciado de ilegalidade,
         o direito de o revogar num prazo razoável e com efeitos retroactivos, este direito pode ser limitado pela necessidade de respeitar
         a confiança legítima do beneficiário do acto que tenha podido confiar na legalidade deste (acórdãos do Tribunal de Justiça
         de 3 de Março de 1982, Alpha Steel/Comissão, 14/81, Recueil, p. 749, n.os 10 a 12; de 26 de Fevereiro de 1987, Consorzio Cooperative d’Abruzzo/Comissão, 15/85, Colect., p. 1005, n.os 12 a 17; de 20 de Junho de 1991, Cargill/Comissão, C‑248/89, Colect., p. I‑2987, n.° 20; Cargill, C‑365/89, Colect., p. I‑3045,
         n.° 18; e de Compte/Parlamento, já referido, n.° 35).
      
      88     Em segundo lugar, importa recordar que, segundo jurisprudência assente, o direito de exigir protecção da confiança legítima,
         que constitui um dos princípios fundamentais da Comunidade, estende‑se a todo e qualquer particular que se encontre numa situação
         da qual resulte que a administração comunitária, ao fornecer‑lhe garantias precisas, tenha criado na sua esfera jurídica expectativas
         fundadas. Constituem garantias dessa natureza, independentemente da forma com que sejam comunicadas, informações precisas,
         incondicionais e concordantes, que emanem de fontes autorizadas e fiáveis (acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 21
         de Julho de 1998, Mellett/Tribunal de Justiça, T‑66/96 e T‑221/97, ColectFP, pp. I‑A‑449 e II‑1305, n.os 104 e 107). Em contrapartida, ninguém pode alegar violação deste princípio se não houver garantias precisas fornecidas pela
         Administração (acórdãos do Tribunal de Primeira Instância de 18 de Janeiro de 2000, Mehibas Dordtselaan/Comissão, T‑290/97,
         Colect., p. II‑15, n.° 59, e de 19 de Março de 2003, Innova Privat‑Akademie/Comissão, T‑273/01, Colect., p. II‑1093, n.° 26).
         
      
      89     No caso em apreço, no que respeita, antes de mais, ao argumento das recorrentes relativo à revogação de um acto administrativo,
         há que recordar que as decisões de 20 de Maio de 2005 eram actos sujeitos a condições. Com efeito, a assinatura do contrato‑quadro
         para o lote n.° 7, prevista pelas decisões impugnadas, estava sujeita à condição de as recorrentes demonstrarem que não se
         encontravam em nenhuma das situações que implicassem a sua exclusão, previstas no n.° 2.3.3 do guia prático. Nestas circunstâncias,
         verifica‑se que a falta de adjudicação do contrato às recorrentes não decorre da revogação de uma decisão que lhes adjudica
         o referido contrato, mas antes do facto de as recorrentes não terem satisfeito as condições a que estava sujeita essa decisão.
         Por consequência, o argumento das recorrentes sobre este ponto é inoperante. 
      
      90     Em seguida, no que diz respeito à violação da confiança legítima alegada pela TEA‑CEGOS e pela STG, as decisões de 20 de Maio
         de 2005 não contêm garantias precisas quanto ao facto de o contrato‑quadro ser sempre assinado, não podendo, portanto, criar
         nas esferas jurídicas das recorrentes expectativas fundadas neste sentido, uma vez que indicavam expressamente que a assinatura
         do contrato‑quadro estava sujeita à produção, pelas recorrentes, de prova de que não se encontravam em nenhuma das situações
         que implicassem a sua exclusão, previstas no n.° 2.3.3 do guia prático. Daqui resulta que os argumentos relativos à violação
         da confiança legítima avançados pelas recorrentes não são procedentes.
      
      91     Por conseguinte, o quarto fundamento deve ser julgado improcedente. Daqui decorre que deve ser negado provimento aos presentes
         recursos.
      
       Quanto às despesas
      92     Por força do disposto do artigo 87.°, n.° 2, do Regulamento de Processo, a parte vencida é condenada nas despesas se a parte
         vencedora o tiver requerido. Tendo as recorrentes sido vencidas, há que condená‑las nas despesas, incluindo as dos processos
         de medidas provisórias.
      
      Pelos fundamentos expostos,
      O TRIBUNAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA (Segunda Secção)
      decide:
      1)      É negado provimento aos recursos.
      2)      As recorrentes são condenadas nas despesas, incluindo as dos processos de medidas provisórias.
      
               Pirrung
            
            
               Forwood
            
            
               Papasavvas
            
         Proferido em audiência pública no Luxemburgo, em 14 de Fevereiro de 2006.
      
               O secretário 
            
             
            
                      O presidente
            
         
               E. Coulon 
            
             
            
                     J. Pirrung
            
         * Língua do processo: francês.