CELEX: 52013PC0348
Language: pt
Date: 2013-06-12
Title: Proposta de DIRETIVA DO CONSELHO que altera a Diretiva 2011/16/UE no que respeita à troca automática de informações obrigatória no domínio da fiscalidade

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		52013PC0348
		
			Proposta de DIRETIVA DO CONSELHO que altera a Diretiva 2011/16/UE no que respeita à troca automática de informações obrigatória no domínio da fiscalidade /* COM/2013/0348 final - 2013/0188 (CNS) */
			
				
		
		
			
			   	EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
1.           CONTEXTO DA PROPOSTA
1.           Nos últimos anos, o desafio
representado pela fraude e a evasão fiscais aumentou consideravelmente, tendo‑se
tornado um dos principais pontos de preocupação na União Europeia e no mundo.
Estão a perder‑se milhares de milhões de euros. Através da redução da
fraude e da evasão fiscais, os Estados‑Membros poderiam aumentar as suas
receitas fiscais, o que lhes proporcionaria igualmente uma maior margem de
manobra para reestruturar os seus sistemas fiscais de uma forma favorável ao
crescimento, como sublinhado na Análise Anual do Crescimento para 2013. Além
disso, dada a grandeza do desafio, o reforço da luta contra a fraude e a evasão
fiscais é não só uma questão de receitas como também de justiça. Especialmente
neste período económico difícil, os contribuintes honestos não devem sofrer
aumentos de impostos destinados a compensar as perdas de receitas que têm na
sua origem autores de fraudes fiscais e responsáveis pela evasão fiscal. 
2.           Há vários anos que a União
Europeia (UE) tem vindo a trabalhar ativamente sobre estes problemas,
nomeadamente através da adoção de instrumentos jurídicos específicos destinados
a implementar a troca automática de informações no interior da União. A
diretiva da UE relativa à tributação da poupança assegura a troca automática de
informações em matéria de receitas de juros e está atualmente em discussão no
Conselho uma proposta para alargar o seu âmbito de aplicação. A diretiva
relativa à cooperação administrativa assegura que, a partir de 2015, os Estados‑Membros
procederão à troca automática de informações em função da disponibilidade em
relação a cinco categorias de rendimento e património: rendimentos do trabalho,
honorários de administradores, produtos de seguros de vida não abrangidos por
outras diretivas, pensões, propriedade e rendimento de bens imóveis. 
3.           Os Estados‑Membros
expressaram agora claramente o seu desejo de ir para além dos atuais níveis de
cooperação. O Conselho Europeu de 2 de março de 2012 convidou o Conselho e a
Comissão a desenvolverem rapidamente meios concretos para melhorar a luta
contra a fraude fiscal. Em 6 de dezembro de 2012, a Comissão apresentou um
Plano de ação para reforçar a luta contra a fraude e a evasão fiscais[1]. O plano de ação sublinhou a
necessidade de promover a troca automática de informações como norma europeia e
internacional de transparência e de intercâmbio de informações em matéria de
fiscalidade. Em 14 de maio de 2013, o Conselho ECOFIN adotou conclusões que
acolhem favoravelmente o trabalho da Comissão no desenvolvimento de medidas
destinadas a combater a fraude fiscal, a evasão fiscal e o planeamento fiscal
agressivo e que reconhecem que o plano de ação da Comissão pode desempenhar um
papel útil neste domínio[2].

4.           O Conselho Europeu de 22 de
maio de 2013 foi ainda mais longe, pedindo o alargamento da troca automática de
informações a nível da UE e a nível mundial, tendo em vista a luta contra a
fraude fiscal, a evasão fiscal e o planeamento fiscal agressivo. Na mesma
ocasião, a Comissão comprometeu‑se a propor alterações da diretiva
relativa à cooperação administrativa em junho de 2013, a fim de alargar o
âmbito de aplicação da troca automática de informações, em antecipação ao
reexame da referida diretiva já previsto para 2017.
5.           O objetivo da presente
proposta é, por conseguinte, alargar o âmbito de aplicação da troca automática
de informações na UE para além do que está previsto nos acordos de troca
automática de informações em vigor na UE. Seriam também incluídos no âmbito de
aplicação da troca automática de informações os seguintes elementos:
dividendos, mais‑valias, outros rendimentos financeiros e saldos das
contas. Manter‑se‑ia a realização do reexame e do alargamento do
âmbito de aplicação da diretiva relativa à cooperação administrativa previsto
para 2017. Contudo, em linha com o objetivo de reforçar a troca automática de
informações, a supressão da condição relativa à disponibilidade seria
considerada, nessa ocasião, no que respeita a todas as cinco categorias de
rendimentos, de modo a que a diretiva relativa à cooperação administrativa
abrangesse toda a gama de rendimentos. Além disso, as categorias a considerar
para inclusão nessa ocasião seriam alteradas à luz da presente proposta (ver infra).
O alargamento do âmbito de aplicação da troca automática de informações
contribuiria também para assegurar a igualdade de tratamento entre diferentes
tipos de ativos, bem como para evitar a redistribuição indesejável de
carteiras.
6.           A Comissão propõe a
supressão, no artigo 8.º, n.º 3, da diretiva, da referência a um limiar abaixo
do qual um Estado‑Membro pode não pretender receber informações de outros
Estados‑Membros. Os debates na matéria revelaram que um limiar desse tipo
não é prático para os Estados‑Membros a quem se requer a comunicação de
informações. Contudo, os Estados‑membros poderiam continuar a optar por
não receber quaisquer informações relativamente a uma determinada categoria de
rendimento.
7.           É necessária uma iniciativa
da UE tanto do ponto de vista do mercado interno como por razões de eficiência
e de eficácia: 
–              
Uma iniciativa da UE assegura uma abordagem
coerente, firme e abrangente em matéria de troca automática de informações no
mercado interno em toda a UE. Traduzir‑se‑ia por uma abordagem
única em matéria de comunicação de informações em todos os Estados‑Membros,
o que permitiria economias de custos quer para as administrações fiscais, quer
para os operadores económicos (ver também ponto 11 infra).
–              
Um instrumento jurídico da UE garantiria também
segurança para as administrações fiscais e para os operadores económicos na UE.
–              
Um instrumento jurídico da UE contribuiria para o
desenvolvimento da troca automática de informações como norma internacional.
–              
Um instrumento jurídico da UE baseado na diretiva
relativa à cooperação administrativa implicaria a utilização dos sistemas
informáticos já existentes ou em fase de desenvolvimento de modo a facilitar a
comunicação de informações ao abrigo da diretiva relativa à tributação da
poupança e da diretiva relativa à cooperação administrativa. Em conformidade
com essas diretivas, os Estados‑Membros da UE partilham informações em
formatos e através de um canal de comunicação específicos (o sistema CCN/CSI).
Esses formatos poderiam facilmente ser alargados de modo a serem utilizáveis
também no que respeita aos novos elementos cuja inclusão se propõe. Uma vez que
investiram tempo e dinheiro consideráveis para desenvolver esses formatos, os
Estados‑Membros poderiam realizar economias de escala se os utilizassem
também para a troca de informações sobre os novos elementos.
–              
Por outro lado, nos termos do artigo 8.º, n.º 5, da
diretiva relativa à cooperação administrativa, o Conselho comprometeu‑se
a, oportunamente, avaliar a possibilidade de alargar a troca automática de
informações, com base num instrumento legislativo da UE, de modo a incluir
outras categorias de rendimento, tais como os dividendos e as mais‑valias.
A presente proposta limita‑se, pois, a acelerar o trabalho em
conformidade com este compromisso.
8.           Os acordos que muitos
governos concluíram ou virão a concluir com os EUA quanto à Lei de Conformidade
Fiscal de Contas Estrangeiras dos EUA (Foreign Account Tax Compliance Act
‑ FATCA)[3]
deram um novo impulso à troca automática de informações enquanto meio para
combater a fraude e a evasão fiscais. 
9.           Em 9 de abril de 2013, a
França, a Alemanha, o Reino Unido, a Itália e a Espanha anunciaram a sua
intenção de lançar uma ação‑piloto em matéria de troca automática de
informações utilizando como base o modelo FATCA acordado com os EUA. Os Estados‑Membros
pediram também à Europa para assumir a liderança na promoção da troca
automática de informações a nível mundial e manifestaram‑se dispostos a
discutir o modo de alcançar progressos, no seio da União, na melhoria da troca
de informações fiscais entre todos os Estados‑Membros. 
10.         O artigo 19.º da diretiva
relativa à cooperação administrativa prevê que um Estado‑Membro que
preste a um país terceiro uma cooperação mais ampla não pode recusar a
prestação dessa cooperação mais ampla a qualquer outro Estado‑Membro que
deseje participar em tal cooperação mútua mais ampla com o primeiro. O facto de
os Estados‑Membros terem concluído ou virem a concluir acordos com os EUA
no que respeita à FATCA significa que prestam uma cooperação mais ampla na aceção
dessa disposição. 
11.         O alargamento da troca
automática de informações com base num instrumento legislativo a nível da UE
eliminaria a necessidade e o incentivo, para os Estados‑Membros, de
invocarem o artigo 19.º da diretiva relativa à cooperação administrativa para
concluírem acordos bilaterais ou multilaterais sobre a mesma matéria que possam
ser considerados adequados na ausência de legislação da União aplicável.
Comparativamente a uma solução resultante da ação da UE, o cenário em que
vários acordos são concluídos em aplicação dessa disposição apresentaria, na
verdade, alguns inconvenientes: 
–              
A igualdade de tratamento entre Estados‑Membros
poderia ser comprometida se estes aceitassem cooperar em matéria de troca
automática de informações reforçada de diferentes formas. Daí poderiam resultar
distorções de concorrência e fluxos artificiais de capitais no âmbito do
mercado interno. 
–              
Se os acordos entre os Estados‑Membros não
fossem idênticos, tal poderia também criar dificuldades aos operadores económicos
ativos em vários Estados‑Membros, na medida em que poderiam ser
confrontados com exigências diferentes consoante os Estados‑Membros. 
–              
Tal significaria também que os Estados‑Membros
não poderiam utilizar os sistemas informáticos de comunicação que têm vindo a
ser desenvolvidos na UE (ver supra). 
12.         Uma adoção e uma aplicação
atempadas são essenciais para aproveitar o mais rapidamente possível os
benefícios do novo sistema. A fim de garantir a coerência com o prazo para
aplicação da troca automática de informações às categorias de rendimento e de
património já abrangidas pela diretiva relativa à cooperação administrativa, os
prazos propostos para a transposição e a aplicação das novas disposições são 31
de dezembro de 2014 e 1 de janeiro de 2015, respetivamente. 
2.           RESULTADOS DAS CONSULTA DAS PARTES
INTERESSADAS E DAS AVALIAÇÕES DE IMPACTO
Além dos debates realizados no âmbito do
Conselho de Ministros desde abril de 2013 (ver ponto 1 supra), a
Comissão organizou uma reunião técnica com os Estados‑Membros em 21 de
maio de 2013, a fim de confirmar a necessidade de uma proposta legislativa e de
debater as suas modalidades práticas e conteúdo.
Os debates revelaram que, de um modo geral, os
Estados‑Membros são favoráveis à necessidade de reforçar a troca automática
de informações e de acelerar o alargamento do âmbito de aplicação do artigo 8.º
da diretiva relativa à cooperação administrativa, como já previsto no artigo
8.º, n.º 5.
A maioria dos Estados‑Membros desejam
uma ação rápida para reforçar a troca automática de informações, mas uma ação
não coordenada da sua parte poderia conduzir a uma fragmentação potencialmente
duradoura no mercado interno. Tornou‑se, portanto, excecionalmente
urgente prever um quadro jurídico consistente e coerente a nível da UE; por essa
razão, não foi elaborada qualquer avaliação de impacto. 
Em 21 de maio de 2013[4], o Parlamento Europeu adotou
uma resolução em que se congratula com o plano de ação da Comissão e com as
suas recomendações, insta os Estados‑Membros a respeitarem os seus
compromissos e adotarem o plano de ação da Comissão, sublinhando que a UE
deveria assumir um papel de primeiro plano nos debates sobre a luta contra a
fraude fiscal, a evasão fiscal e os paraísos fiscais, em especial no que se
refere à promoção da troca automática de informações. 
O Comité Económico e Social Europeu também
emitiu um parecer em 17 de abril de 2013[5].
O Comité aprova o plano de ação da Comissão e apoia os seus esforços para
encontrar soluções práticas no que respeita à redução da fraude e da evasão
fiscais. Em especial, apoia, nos pontos 4.6 e 4.7, as iniciativas da Comissão
no que respeita às melhorias em matéria de troca automática de informações.
3.           ELEMENTOS JURÍDICOS DA PROPOSTA
A proposta visa alterar o artigo 8.º da
atual diretiva relativa à cooperação administrativa. As alterações constam do artigo
1.º da proposta.
A primeira alteração diz respeito ao artigo
8.º, n.º 3. A proposta consiste em suprimir a referência a um limiar abaixo
do qual um Estado‑Membro pode não pretender receber informações de outros
Estados‑Membros. Os debates com os Estados‑Membros revelaram que um
limiar desse tipo é difícil de gerir do ponto de vista prático. Além disso,
propõe‑se a substituição dos termos «as categorias» por «uma ou várias
das categorias»; tal permitiria evitar mal‑entendidos no caso de um
Estado‑Membro indicar que não pretende receber informações sobre uma ou
várias das categorias de rendimento e de património referidas no n.º 1, ainda
que pretenda receber informações sobre as outras categorias.
Propõe‑se introduzir, através de um novo
n.º 3‑A no artigo 8.º, a troca automática de informações em
relação aos dividendos, mais‑valias, quaisquer outros rendimentos
provenientes dos ativos detidos numa conta financeira, qualquer montante
relativamente ao qual a instituição financeira seja o obrigado (ou seja, esteja
legal ou contratualmente obrigada a pagar) ou o devedor, incluindo quaisquer
pagamentos de resgate, e saldos de contas. Estes elementos adicionais dizem
respeito a rendimentos pagos diretamente ou indiretamente a titulares
beneficiários que sejam pessoas singulares na aceção do artigo 3.º, n.º 11,
alínea a), da Diretiva 2011/16/UE, ou capitais detidos direta ou indiretamente
por essas pessoas. Não se propõe alargar aos novos elementos a condição
prevista no artigo 8.º, n.º 1, no que respeita aos rendimentos atualmente
incluídos na diretiva, segundo a qual as informações só devem ser objeto de
troca se estiverem «disponíveis». As informações acerca desses novos elementos
estarão certamente disponíveis, já que os intermediários financeiros terão a
obrigação de as comunicar às administrações fiscais em conformidade com os
acordos que os Estados‑membros concluíram ou venham a concluir com os EUA
no âmbito da FATCA. 
No que respeita ao artigo 8.º, n.º 5,
são propostas as alterações seguintes: 
–                        
no primeiro parágrafo, é feita referência ao novo
n.º 3‑A e o reexame da condição de disponibilidade dirá respeito ao
conjunto das cinco categorias enumeradas no n.º 1 (em vez de apenas a três
dessas categorias);
–                        
no segundo parágrafo, alínea b), a referência a
«dividendos» e a «mais‑valias» enquanto tipos de rendimento a ter em
conta para uma futura inclusão na diretiva é suprimida, uma vez que essas
categorias são aditadas no novo n.º 3‑A; É substituída pelos termos
«outras categorias e elementos, incluindo royalties» (royalties
já consta do texto existente), de modo a alargar o âmbito de aplicação de uma
nova proposta em 2017.
O artigo 2.º
contém as disposições habituais que obrigam à transposição da diretiva pelos
Estados‑Membros. Os prazos propostos para a transposição e a aplicação
das novas disposições são 31 de dezembro de 2014 e 1 de janeiro de 2015,
respetivamente, a fim de os alinhar com as datas aplicáveis no que respeita às
categorias de rendimento e de património referidas no artigo 8.º, n.º 1 da
diretiva em vigor. 
4.           INCIDÊNCIA ORÇAMENTAL 
A proposta não tem qualquer implicação
orçamental. Tal aplica‑se em especial à utilização de ferramentas
informáticas, uma vez que as ferramentas em fase de desenvolvimento serão
também utilizadas para efeitos de execução da presente diretiva.
2013/0188 (CNS)
Proposta de
DIRETIVA DO CONSELHO
que altera a Diretiva 2011/16/UE no que
respeita à troca automática de informações obrigatória no domínio da
fiscalidade 
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento
da União Europeia, nomeadamente o artigo 115.º,
Tendo em conta a proposta da Comissão
Europeia,
Após transmissão do projeto de ato legislativo
aos parlamentos nacionais,
Tendo em conta o parecer do Parlamento Europeu[6], 
Tendo em conta o parecer do Comité Económico e
Social Europeu[7],

Deliberando de acordo com um processo
legislativo especial,
Considerando o seguinte:
(1)       Nos últimos anos, o desafio
representado pela fraude e a evasão fiscais aumentou consideravelmente e tornou‑se
um dos principais pontos de preocupação na União e a nível mundial. A não
declaração e a não tributação de rendimentos reduzem consideravelmente as
receitas fiscais nacionais. É, por conseguinte, urgente reforçar a eficiência e
a eficácia da cobrança de impostos. A troca automática de informações constitui
uma ferramenta essencial neste contexto e a Comissão, na sua Comunicação de 6
de dezembro de 2012 relativa a um plano de ação para reforçar a luta contra a fraude
e a evasão fiscais[8]
realçou a necessidade de promover ativamente a troca automática de informações
enquanto futura norma europeia e internacional para a transparência e a troca
de informações em matéria fiscal. O Conselho Europeu de 22 de maio de 2013
pediu o alargamento da troca automática de informações a nível da União e a
nível mundial, tendo em vista a luta contra a fraude fiscal, a evasão fiscal e
o planeamento fiscal agressivo.
(2)       A Diretiva 2011/16/UE do
Conselho, de 15 de fevereiro de 2011, relativa à cooperação administrativa no
domínio da fiscalidade e que revoga a Diretiva 77/799/CEE[9] já prevê a troca automática de
informações obrigatória entre o Estados‑Membros relativamente a
determinadas categorias de rendimento e património. Também estabelece uma
abordagem faseada para reforçar a troca automática de informações através do
seu alargamento progressivo a novas categorias de rendimento e património e da
supressão da condição segundo a qual as informações só devem ser objeto de
troca se estiverem disponíveis.
(3)       Tal como realçado no pedido
do Conselho Europeu, é adequado antecipar o alargamento da troca automática de
informações já previsto no artigo 8.º, n.º 5, da Diretiva 2011/16/UE. Uma
iniciativa da União assegura uma abordagem coerente, firme e abrangente à
escala da União em matéria de troca automática de informações no mercado
interno que permitiria economias de custos quer para as administrações fiscais,
quer para os operadores económicos. 
(4)       O facto de os Estados‑Membros
terem concluído ou terem manifestado a sua intenção de concluir acordos com os
Estados Unidos da América no que respeita à sua Lei de Conformidade Fiscal de
Contas Estrangeiras (comummente designada por «FATCA», Foreign Account Tax
Compliance) significa que prestam ou virão a prestar uma cooperação mais
ampla na aceção do artigo 19.º da Diretiva 2011/16/UE e que têm ou terão a
obrigação de prestar uma cooperação mais ampla desse tipo também aos outros
Estados‑Membros. 
(5)       A conclusão de acordos
paralelos e não coordenados pelos Estados‑Membros nos termos do artigo
19.º da Diretiva 2011/16/UE conduziria a distorções que seriam prejudiciais ao
bom funcionamento do mercado interno. O alargamento da troca automática de
informações com base num instrumento legislativo a nível da União eliminaria a
necessidade, para os Estados‑Membros, de invocarem essa disposição para
concluírem acordos bilaterais ou multilaterais sobre a mesma matéria que possam
ser considerados adequados na ausência de legislação da União aplicável. 
(6)       O âmbito de aplicação do
artigo 8.º da Diretiva 2011/16/UE deveria ser alargado, a fim de incluir os
seguintes elementos abrangidos pela FACTA e acordos conexos concluídos pelos
Estados‑Membros: dividendos, mais‑valias, outros rendimentos
financeiros e saldos de contas que sejam pagos, garantidos ou detidos por uma
instituição financeira para beneficio direto ou indireto de um beneficiário
efetivo que seja uma pessoa singular residente noutro Estado‑Membro.
(7)       A condição de a troca
automática de informações poder ficar sujeita à disponibilidade das informações
requeridas, tal como previsto no artigo 8.º, n.º 1, da Diretiva 2012/16/UE não
deveria ser aplicável aos novos elementos, uma vez que as informações acerca
dos mesmos devem obrigatoriamente ser disponibilizadas pelos intermediários
financeiros às administrações fiscais no âmbito dos acordos concluídos com os
Estados Unidos no que respeita à FATCA. 
(8)       A referência a um limiar, no
artigo 83º, n.º 3, da Diretiva 2011/16/UE deveria ser suprimida uma vez que tal
limiar se afigura, na prática, difícil de gerir. 
(9)       O reexame da condição de
disponibilidade, que deverá ser efetuado em 2017, deveria ser alargado ao
conjunto das cinco categorias referidas no artigo 8.º, n.º 1, da Diretiva
2011/16/UE, de modo a que seja avaliado o interesse de uma troca automática de
informações por todos os Estados‑Membros relativamente a todas essas
categorias. 
(10)     A presente diretiva respeita
os direitos fundamentais e observa os princípios reconhecidos, designadamente,
pela Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
(11)     Atendendo a que o objetivo da
presente diretiva, a saber, a cooperação administrativa eficaz entre Estados‑Membros
em condições compatíveis com o bom funcionamento do mercado interno, não pode
ser suficientemente realizado pelos Estados‑Membros e pode, pois, devido
à uniformidade e eficácia pretendidas, ser mais bem alcançado ao nível da
União, esta pode tomar medidas em conformidade com o princípio da
subsidiariedade consagrado no artigo 5.º do Tratado da União Europeia. Em
conformidade com o princípio da proporcionalidade, consagrado no mesmo artigo,
a presente diretiva não excede o necessário para atingir aquele objetivo.
(12)     A Diretiva 2011/16/UE deve,
por conseguinte, ser alterada em conformidade, 
ADOTOU A PRESENTE DIRETIVA:
Artigo 1.º
O artigo 8.º da Diretiva 2011/16/UE é alterado
do seguinte modo:
a) O n.º 3 passa a ter a seguinte redação:
«3.     A autoridade competente de um Estado‑Membro
pode indicar à autoridade competente de qualquer outro Estado‑Membro que
não pretende receber informações sobre uma ou várias das categorias de
rendimento e de património referidas no n.º 1. Essa autoridade competente deve
informar igualmente a Comissão desse facto. 
Pode considerar‑se que um Estado‑Membro
não pretende receber informações nos termos do n.º 1 se não informar a Comissão
de cada uma das categorias em relação à qual disponha de informações.» 
b) A seguir ao n.º 3, é inserido o seguinte
número: 
«3‑A. A autoridade competente de cada Estado‑Membro
comunica à autoridade competente de qualquer outro Estado‑Membro,
mediante troca automática, as informações disponíveis sobre os períodos de
tributação a partir de 1 de janeiro de 2014 relativas aos seguintes elementos
que sejam pagos, garantidos ou detidos por uma instituição financeira para
benefício direto ou indireto de um beneficiário efetivo que seja uma pessoa
singular nesse outro Estado‑Membro: 
a)     
Dividendos;
b)     
Mais‑valias;
c)     
Quaisquer outros rendimentos provenientes dos
ativos detidos numa conta financeira;
d)     
Qualquer montante relativamente ao qual a
instituição financeira seja o obrigado ou o devedor, incluindo quaisquer
pagamentos de resgate;
e)     
Saldos de contas.
O primeiro parágrafo não é aplicável na medida em
que a troca automática das informações em causa seja assegurada por força do
n.º 1 ou de qualquer outro instrumento jurídico da União.»
c) O n.º 5 passa a ter a seguinte redação:
«5.     Antes de 1 de julho de 2017, a Comissão
apresenta um relatório com uma panorâmica e uma avaliação das estatísticas e
das informações recebidas sobre questões tais como os custos e os benefícios
relevantes, de natureza administrativa ou outra, da troca automática de
informações, bem como os aspetos práticos com esta relacionados. Se adequado, a
Comissão apresenta uma proposta ao Conselho relativa às categorias e às
condições estabelecidas no n.º 1, incluindo a condição de as informações
relativas a residentes noutros Estados‑Membros terem de estar
disponíveis, ou aos elementos referidos no n.º 3‑A, ou a ambos.
Ao examinar uma proposta apresentada pela
Comissão, o Conselho avalia a possibilidade de reforçar ainda mais a eficácia e
o funcionamento da troca automática de informações e de melhorar o nível da
mesma, de modo a prever que:
a) A autoridade competente de cada Estado‑Membro
comunique à autoridade competente de qualquer outro Estado‑Membro,
mediante troca automática, as informações sobre os períodos de tributação a
partir de 1 de janeiro de 2017 relativas a residentes nesse outro Estado‑Membro,
no que se refere a todas as categorias de rendimento e de património enumeradas
no n.º 1, tal como devam ser entendidas nos termos da legislação nacional do
Estado‑Membro que comunica as informações; 
b) A lista de categorias e elementos constante dos
n.os 1 e 3‑A seja alargada de modo a incluir outras categorias
e elementos, incluindo royalties.» 
Artigo 2.º
1.           Os Estados‑Membros
adotam e publicam, até 31 de dezembro de 2014, as disposições legislativas,
regulamentares e administrativas necessárias para dar cumprimento à presente
diretiva. Os Estados‑Membros comunicam imediatamente à Comissão o texto
dessas disposições.
Os Estados‑Membros aplicam as referidas
disposições a partir de 1 de janeiro de 2015.
Quando os Estados‑Membros adotarem essas
disposições, estas incluem uma referência à presente diretiva ou são
acompanhadas dessa referência aquando da sua publicação oficial. As modalidades
da referência são estabelecidas pelos Estados‑Membros.
2.           Os Estados‑Membros
comunicam à Comissão o texto das principais disposições de direito interno que
adotarem nas matérias reguladas pela presente diretiva.
Artigo 3.º
A presente diretiva entra em vigor no vigésimo
dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
Artigo 4.º
Os Estados‑Membros são os
destinatários da presente diretiva.
Feito em Bruxelas, em
                                                                       Pelo
Conselho
                                                                       O
Presidente
[1]               COM(2012) 722 final.
[2]               Conclusões do Conselho sobre a fraude fiscal e a evasão
fiscais de 14 de maio de 2013 (doc. 9549/13 – FISC 94 – ECOFIN 353).
[3]               http://www.treasury.gov/resource‑center/tax‑policy/treaties/Pages/FATCA.aspx
[4]               Resolução do Parlamento Europeu, de 21 de maio de 2013,
sobre a luta contra a fraude fiscal, a evasão fiscal e os paraísos fiscais
(Relatório Kleva) – 2013/2025(INI).
[5]               Parecer do Comité Económico e Social Europeu, de 17 de
abril de 2013, sobre a Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu e ao
Conselho – um plano de ação para reforçar a luta contra a fraude e a evasão
fiscais COM(2012) 722 final (Relatório Dandea) – CESE 101/2013.
[6]               JO C […] de […], p. […].
[7]               JO C […] de […], p. […].
[8]               COM(2012) 722 final.
[9]               JO L 64 de 11.3.2011, p. 1.