CELEX: 52014PC0362
Language: pt
Date: 2014-06-16
Title: Proposta de DECISÃO DO CONSELHO que sujeita a medidas de controlo a substância 4-iodo-2,5-dimetoxi-N-(2-metoxibenzil)fenetilamina (25I-NBOMe), a substância 3,4-dicloro-N-[[1-(dimetilamino)ciclo-hexil]metil]benzamida (AH-7921), a substância 3,4-metilenodioxipirovalerona (MDPV) e a substância 2-(3-metoxifenil)-2-(etilamino)ciclo-hexanona (metoxetamina)

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		52014PC0362
		
			Proposta de DECISÃO DO CONSELHO que sujeita a medidas de controlo a substância 4-iodo-2,5-dimetoxi-N-(2-metoxibenzil)fenetilamina (25I-NBOMe), a substância 3,4-dicloro-N-[[1-(dimetilamino)ciclo-hexil]metil]benzamida (AH-7921), a substância 3,4-metilenodioxipirovalerona (MDPV) e a substância 2-(3-metoxifenil)-2-(etilamino)ciclo-hexanona (metoxetamina) /* COM/2014/0362 final - 2014/0183 (NLE) */
			
				
		
		
			
			   	EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
1.   CONTEXTO DA PROPOSTA
A Decisão 2005/387/JAI do Conselho, relativa
ao intercâmbio de informações, avaliação de riscos e controlo de novas
substâncias psicoativas[1],
prevê um procedimento em três fases que pode conduzir à aplicação de medidas de
controlo a essas substâncias na União Europeia.
Em 28 de janeiro de 2014, nos termos do
artigo 6.º, n.º 1, da decisão do Conselho acima referida, esta
instituição solicitou uma avaliação dos riscos causados pelo consumo, fabrico e
tráfico das novas substâncias psicoativas 25I-NBOMe, AH-7921, MDPV e
metoxetamina, bem como do envolvimento da criminalidade organizada e das
eventuais consequências de medidas de controlo que seriam aplicadas a essas
substâncias.
Os riscos das substâncias 25I-NBOMe, AH-7921,
MDPV e metoxetamina foram avaliados pelo Comité Científico do Observatório
Europeu da Droga e da Toxicodependência (OEDT), em conformidade com o
artigo 6.º, n.os 2, 3 e 4 da referida decisão do Conselho. Em
23 de abril de 2014, o presidente do Comité Científico apresentou o relatório
de avaliação de riscos à Comissão e ao Conselho.
Os principais resultados da avaliação de
riscos são os seguintes:
·                        
A 25I-NBOMe é uma substância derivada da 2C-I que,
por seu turno, é um derivado sintético conhecido da fenetilamina com
propriedades estimulantes e alucinogénias, sujeita, em 2003, a uma avaliação de
riscos e a medidas de controlo. Está presente no mercado das drogas da UE pelo
menos desde maio de 2012, tendo sido detetada em 23 Estados‑Membros e na
Noruega. Registaram-se, em três Estados-Membros, quatro mortes associadas à
25I-NBOMe. Quatro Estados‑Membros notificaram uma elevada toxicidade
associada ao seu consumo, que se traduziu em 32 casos de intoxicação não
mortais. As informações obtidas com base nas apreensões e nas amostras
recolhidas sugerem que a 25I-NBOMe é vendida no mercado ilícito como sendo LSD.

·                        
A substância AH-7921 é um analgésico opiáceo
sintético de estrutura atípica; está presente na UE pelo menos desde julho de
2012 e foi detetada em oito Estados‑Membros e na Noruega. Registaram-se
15 mortes associadas à AH-7921, todas ocorridas em três Estados-Membros num
período limitado, entre dezembro de 2012 e setembro de 2013. Um Estado-Membro
notificou uma elevada toxicidade, que se traduziu em seis intoxicações não
mortais. A AH-7921 parece ser vendida por retalhistas na Internet desde 2011,
sendo publicitada como «substância química experimental» ou «opiáceo legal».
·                        
A substância MDPV é um derivado sintético da
catinona, sendo quimicamente relacionada com a pirovalerona; ambas as
substâncias são sujeitas a medidas de controlo no âmbito da Convenção das
Nações Unidas de 1971 sobre substâncias psicotrópicas. Registaram-se em oito
Estados-Membros e na Noruega, entre setembro de 2009 e agosto de 2013, 108
ocorrências mortais, relativamente às quais a MDPV foi detetada em amostras
biológicas post mortem ou implicada na causa da morte. Oito
Estados-Membros notificaram 525 casos de intoxicação não mortal associada MDPV.
A MDPV está presente no mercado das drogas da UE desde novembro de 2008. Foram
notificadas apreensões de vários quilogramas de MDPV em 27 Estados-Membros, bem
como na Noruega e na Turquia. Na maior parte das vezes, a MDPV é vendida
sobretudo enquanto tal, estando amplamente disponível na Internet (fornecedores
e retalhistas), em lojas especializadas (head shops) e junto de
traficantes de rua.
·                        
A substância metoxetamina é uma
arilciclo-hexilamina quimicamente semelhante à cetamina e à fenciclidina (PCP).
Tal como estas duas últimas, tem propriedades dissociativas. Foram notificadas
por seis Estados-Membros 20 mortes associadas à metoxetamina, detetada em
amostras post mortem. A metoxetamina foi também detetada, isoladamente
ou em combinação com outras substâncias, em 20 casos de intoxicação não mortais,
notificados por cinco Estados-Membros. Desde novembro de 2010, 23
Estados-Membros, além da Turquia e da Noruega, notificaram deteções de
metoxetamina. As informações disponíveis sugerem que a metoxetamina é vendida e
consumida enquanto tal, mas também como substituto «legal» da cetamina, por
retalhistas na Internet, nas head shops e por traficantes de rua.
Nos termos do artigo 8.º, n.º 1, da Decisão
2005/387/JAI do Conselho, a Comissão, no prazo de seis semanas a contar da data
de receção do relatório de avaliação de riscos, deve apresentar ao Conselho uma
iniciativa para sujeitar as novas substâncias psicoativas a medidas de controlo
ou, em alternativa, deve apresentar ao Conselho um relatório expondo as suas
razões para não apresentar tal iniciativa.
Embora, nesta fase, as provas científicas
sobre os riscos gerais da 25I-NBOMe, da AH‑7921, da MDPV e da
metoxetamina sejam ainda limitadas, a Comissão considera que existem motivos
para sujeitar estas substâncias a medidas de controlo em toda a União. O
principal motivo, de acordo com as informações disponíveis nos relatórios de
avaliação de riscos, é que a elevada toxicidade da 25I-NBOMe, da AH-7921, da
MDPV e da metoxetamina pode causar graves danos à saúde das pessoas. Além
disso, os riscos são agravados pelo facto de ter sido comunicado que estas
substâncias estão a ser consumidas inadvertidamente por alguns consumidores em
conjunto ou em substituição de outras substâncias estimulantes.
2.   OBJETIVO DA PROPOSTA
O objetivo da presente proposta de decisão do
Conselho consiste em solicitar aos Estados‑Membros que sujeitem a
25I-NBOMe, a AH-7921, a MDPV e a metoxetamina a medidas de controlo e às
sanções penais previstas nas respetivas legislações, por força das obrigações
assumidas no âmbito da Convenção das Nações Unidas de 1971 sobre as substâncias
psicotrópicas.
2014/0183 (NLE)
Proposta de
DECISÃO DO CONSELHO
que sujeita a medidas de controlo a
substância 4-iodo-2,5-dimetoxi-N-(2-metoxibenzil)fenetilamina (25I-NBOMe), a
substância 3,4-dicloro-N-[[1-(dimetilamino)ciclo-hexil]metil]benzamida
(AH-7921), a substância 3,4-metilenodioxipirovalerona (MDPV) e a substância
2-(3-metoxifenil)-2-(etilamino)ciclo-hexanona (metoxetamina) 
O CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento
da União Europeia,
Tendo em conta a Decisão 2005/387/JAI do
Conselho, de 10 de maio de 2005, relativa ao intercâmbio de informações,
avaliação de riscos e controlo de novas substâncias psicoativas[2], nomeadamente o artigo
8.º, n.º 3, 
Tendo em conta a iniciativa da Comissão
Europeia,
Considerando o seguinte:
(1)                   
Em reunião especial do Comité Científico alargado
do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência foram elaborados, com
base no artigo 6.º da Decisão 2005/387/JAI, relatórios de avaliação dos riscos
das novas substâncias psicoativas 25I-NBOMe, AH-7921, MDPV e metoxetamina que
foram seguidamente transmitidos à Comissão e ao Conselho em 23 de abril de
2014.
(2)                   
As substâncias 25I-NBOMe, AH-7921, MDPV e
metoxetamina não foram objeto de avaliação a nível das Nações Unidas, mas serão
avaliadas em junho de 2014, pelo Comité de Peritos em Toxicodependência da
Organização Mundial de Saúde. 
(3)                   
As substâncias 25I-NBOMe, AH-7921, MDPV e
metoxetamina não têm utilizações medicinais comprovadas ou reconhecidas (uso
humano ou veterinário). Para além da utilização em materiais analíticos de
referência e na investigação científica sobre as suas propriedades químicas,
farmacológicas e toxicológicas, na sequência do seu surgimento no mercado das
drogas (e, no caso da 25I-NBOMe, também no domínio da neuroquímica), não existe
qualquer indício de que as substâncias em apreço estão a ser utilizadas para
outros fins.
(4)                   
A substância um 25I-NBOMe é um derivado sintético
potente da 2C-I, um alucinogénio serotonérgico clássico, que foi objeto de uma
avaliação do risco e de medidas de controlo e a sanções penais a nível da União
em 2003.
(5)                   
Os efeitos físicos específicos da substância 5-25I-NBOMe
são difíceis de determinar, pelo facto de não haver estudos publicados que
avaliem a sua toxicidade aguda e crónica, os seus efeitos psicológicos e
comportamentais e a dependência potencial, em virtude de as informações e os
dados disponíveis serem limitados. As observações clínicas de indivíduos que consumiram
esta substância sugerem que produz efeitos alucinogénios e pode provocar uma
agitação intensa, confusão, alucinações auditivas e visuais, agressividade,
acidentes violentos e traumatismos autoinduzidos.
(6)                   
Registaram-se, em três Estados-Membros, quatro
mortes associadas à 25I-NBOMe. Quatro Estados-Membros notificaram uma elevada
toxicidade associada ao seu consumo, que se traduziu em 32 casos de intoxicação
não mortais. Se esta nova substância psicoativa se tornar mais amplamente
disponível e consumida, as implicações para a saúde individual e pública podem
ser significativas. Não existe informação disponível sobre os riscos sociais
associados à 25I-NBOMe.
(7)                   
Vinte e dois Estados-Membros, bem como a Noruega,
notificaram ao OEDT e à Europol a deteção da substância 25I-NBOMe. Não existem
dados disponíveis sobre a frequência de consumo da 25I-NBOMe, mas as
informações limitadas existentes sugerem que pode ser consumida em numerosos
locais, como em casa, em bares, em discotecas ou em festivais de música.
(8)                   
A 25I-NBOMe é livremente comercializada e vendida
na Internet como «substância para fins de investigação»; as informações sobre
apreensões, recolha de amostras e de sítios Web de consumidores e retalhistas
da Internet sugerem que é vendida como droga enquanto tal e também
comercializada como substituto «legal» do LSD. O OEDT identificou mais de 15
retalhistas que vendem esta substância na Internet, possivelmente estabelecidos
na União Europeia e na China.
(9)                   
O relatório de avaliação de riscos revela que há
ainda poucos elementos científicos probatórios disponíveis sobre a 25I-NBOMe e
salienta a necessidade de uma investigação mais aprofundada para determinar os
riscos sociais e para a saúde humana que se colocam. No entanto, os elementos e
informações disponíveis fornecem motivos suficientes para sujeitar esta substância
a medidas de controlo em toda a União. Em virtude dos riscos para a saúde que
representa, como comprovado pela sua deteção em vários casos mortais, bem como
do facto de poder ser consumida inadvertidamente e de não ter qualquer valor
medicinal ou utilização terapêutica, a 25I-NBOMe deve ser sujeita a medidas de
controlo no conjunto da União.
(10)               
Dado que seis Estados-Membros aplicam medidas de controlo
da 25I-NBOMe ao abrigo da legislação nacional, cumprindo assim as obrigações
decorrentes da Convenção das Nações Unidas de 1971 sobre substâncias
psicotrópicas, e que sete Estados-Membros recorrem a outras medidas
legislativas para o referido controlo, o facto de sujeitar a substância em
apreço a medidas de controlo em toda a União contribuiria para evitar
obstáculos à cooperação transnacional entre serviços coercivos e judiciários e
para proteger os particulares contra os riscos associados à disponibilização desta
substância e ao seu consumo.
(11)               
A AH-7921 é um analgésico opiáceo sintético de estrutura
atípica, correntemente designado por «doxylam» pelos fornecedores na Internet,
sítios Web de consumidores e meios de comunicação social. Pode ser facilmente
confundida com a «doxilamina», medicamento anti-histamínico com propriedades
sedativo‑hipnóticas passíveis de conduzirem a situações de overdose não
intencionais.
(12)               
Os efeitos físicos específicos da AH-7921 são
difíceis de determinar, por não existirem estudos publicados que avaliem a sua
toxicidade aguda e crónica, os seus efeitos psicológicos e comportamentais e a
dependência potencial, uma vez que as informações e os dados disponíveis são
limitados. Com base em referências dos consumidores, os efeitos da AH-7921
parecem semelhantes aos dos opiáceos clássicos, criando uma sensação de ligeira
euforia, prurido e relaxamento; as náuseas parecem ser um efeito adverso típico.
Além dos casos de auto‑experimentação e de «consumo recreativo» de
AH-7921, alguns consumidores referiram ter utilizado esta substância para fins
de automedicação, para aliviar dores ou sintomas decorrentes da cessação do consumo
de outros opiáceos. Tal facto pode indiciar um potencial de disseminação da
substância entre a população que consome opiáceos injetáveis. 
(13)               
Não existem dados sobre a frequência de consumo da
AH-7921, mas as informações disponíveis sugerem que não é muito generalizado e
decorre no contexto doméstico. 
(14)               
Entre dezembro de 2012 e setembro de 2013,
registaram-se, em três Estados‑Membros, 15 casos mortais em cujo contexto
a substância, isoladamente ou em combinação com outras substâncias, foi
detetada em amostras post mortem. Embora não seja possível determinar
com exatidão o papel desempenhado pela AH‑7921 em todas as ocorrências,
nalguns casos a substância foi especificamente mencionada como causa da morte.
Um Estado-Membro notificou seis casos de intoxicação não mortal associada à
AH-7921. Se esta nova substância psicoativa se tornar mais amplamente
disponível e consumida, as implicações para saúde individual e pública podem
ser significativas. Não existe informação disponível sobre os riscos sociais
associados à AH-7921.
(15)               
O relatório de avaliação de riscos revela que há
ainda poucos elementos científicos probatórios disponíveis sobre a AH-7921 e
salienta a necessidade de uma investigação mais aprofundada para determinar os
riscos sociais e sanitários que se colocam. No entanto, os dados e informações
disponíveis fornecem motivos suficientes para sujeitar esta substância a
medidas de controlo em toda a União. Em virtude dos riscos para a saúde que
representa, como comprovado pela sua deteção em vários casos mortais, bem como
do facto de poder ser consumida inadvertidamente e de não ter qualquer valor
medicinal ou utilização terapêutica, a AH-7921 deve ser sujeita a medidas de
controlo no conjunto da União.
(16)               
Dado que um Estado-Membro aplica medidas de controlo
da AH-7921 ao abrigo da legislação nacional, cumprindo assim as obrigações
decorrentes da Convenção das Nações Unidas de 1971 sobre substâncias
psicotrópicas, e que cinco Estados‑Membros utilizam outras medidas
legislativas para o referido controlo, o facto de sujeitar a substância em
apreço a medidas de controlo em toda a União contribuiria para evitar
obstáculos à cooperação transnacional entre serviços coercivos e judiciários e
para proteger os particulares contra os riscos associados à disponibilização
desta substância e ao seu consumo.
(17)               
A MDPV é um derivado sintético da catinona, sendo
quimicamente relacionada com a pirovalerona; ambas as substâncias são sujeitas
a medidas de controlo no âmbito da Convenção das Nações Unidas de 1971 sobre
substâncias psicotrópicas. 
(18)               
Não existem dados coligidos uniformemente na União
sobre a toxicidade crónica e aguda da MDPV, bem como sobre os efeitos
psicológicos e comportamentais e a dependência potencial. De acordo com
informações provenientes de estudos publicados, confirmados por casos clínicos,
o perfil psicofarmacológico observado da MDPV é semelhante ao da cocaína e da
metanfetamina, embora seja mais potente e duradouro. Além disso, verificou-se
que a sua capacidade de indução da ativação locomotora, da taquicardia e da
hipertensão é dez vezes superior. 
(19)               
Os sítios Web de consumidores indicam que a
toxicidade aguda da substância é passível de causar nos seres humanos efeitos
adversos similares aos associados ao consumo de outros estimulantes. Estes
efeitos incluem psicose paranoide, taquicardia, hipertensão, diaforese,
problemas respiratórios, agitação intensa, alucinações auditivas e visuais,
ansiedade profunda, hipertermia, comportamentos violentos e disfunções
orgânicas múltiplas. 
(20)               
Registaram-se em oito Estados-Membros e na Noruega,
entre setembro de 2009 e agosto de 2013, 108 ocorrências mortais, relativamente
às quais a MDPV foi detetada em amostras biológicas post mortem ou implicada
na causa da morte. Além disso, foram notificados por oito Estados-Membros 525
casos de intoxicação não mortal associada à MDPV. Se esta nova substância
psicoativa se tornar mais amplamente disponível e consumida, as implicações
para saúde individual e pública podem ser significativas. 
(21)               
Desde 2009, quatro Estados-Membros notificaram
também a deteção de MDPV em amostras biológicas relacionadas com acidentes
rodoviários mortais e não mortais ou a casos de condução sob o efeito de
estupefacientes. 
(22)               
A MDPV está presente no mercado das drogas da UE
desde novembro de 2008; foram notificadas apreensões de vários quilogramas da
substância em 27 Estados‑Membros, bem como na Noruega e na Turquia. A
MDPV é vendida enquanto tal, embora tenha também sido detetada em combinação
com outras substâncias. Está amplamente disponível na Internet (fornecedores e
retalhistas), em lojas especializadas (head shops) e junto de
traficantes de rua. Algumas indicações sugerem que o fabrico da substância na
forma de comprimidos e a sua distribuição na União se encontram de algum modo organizados.
(23)               
O relatório de avaliação de riscos revela a
necessidade de uma investigação mais aprofundada para determinar os riscos
sociais e para a saúde colocados pela MDPV. No entanto, os dados e informações
disponíveis fornecem motivos suficientes para sujeitar esta substância a
medidas de controlo em toda a União. Em virtude dos riscos para a saúde que
representa, como comprovado pela sua deteção em vários casos mortais, bem como
do facto de poder ser consumida inadvertidamente e de não ter qualquer valor medicinal
ou utilização terapêutica, a MDPV deve ser sujeita a medidas de controlo no
conjunto da União.
(24)               
Dado que 21 Estados-Membros aplicam medidas de controlo
da MDPV ao abrigo da legislação nacional, cumprindo assim as obrigações
decorrentes da Convenção das Nações Unidas de 1971 sobre substâncias
psicotrópicas, e que quatro Estados‑Membros recorrem a outras medidas
legislativas para o referido controlo, o facto de sujeitar a substância em
apreço a medidas de controlo em toda a União contribuiria para evitar
obstáculos à cooperação transnacional entre serviços coercivos e judiciários e
para proteger os particulares contra os riscos associados à disponibilização
desta substância e ao seu consumo.
(25)               
A metoxetamina é uma arilciclo-hexilamina
quimicamente semelhante à cetamina e à fenciclidina (PCP), esta última sujeita
a controlo internacional. Tal como a cetamina e a PCP, tem propriedades
dissociativas. 
(26)               
Não existem estudos de avaliação da toxicidade
crónica e aguda da metoxetamina, bem como dos seus efeitos psicológicos e
comportamentais e da dependência potencial. Experiências comunicadas em sítios
Web de consumidores sugerem que a substância apresenta efeitos nocivos
semelhantes aos da intoxicação com cetamina. Estes efeitos incluem fortes
náuseas e vómitos, dificuldades respiratórias, apoplexia, desorientação,
ansiedade, catatonia, agressividade, alucinações, paranoia e psicose. Além
disso, a intoxicação aguda com metoxetamina pode produzir efeitos estimulantes
(agitação, taquicardia e hipertensão) e cerebrais, atípicos da intoxicação
aguda com cetamina. 
(27)               
Foram notificadas por seis Estados-Membros 20
mortes associadas à metoxetamina, detetada em amostras post mortem. A
metoxetamina foi também detetada, isoladamente ou em combinação com outras
substâncias, em 20 casos de intoxicação não mortais, notificados por cinco
Estados-Membros. Se esta nova substância psicoativa se tornar mais amplamente
disponível e consumida, as implicações para saúde individual e pública podem
ser significativas. 
(28)               
Desde novembro de 2010, 23 Estados-Membros, além da
Turquia e da Noruega, notificaram deteções de metoxetamina. As informações
disponíveis sugerem que é vendida e consumida enquanto tal, mas também como
substituto «legal» da cetamina, por retalhistas na Internet, head shops
e traficantes de rua. 
(29)               
Foram apreendidas na União Europeia quantidades da
ordem de vários quilogramas desta substância, em pó, não havendo, contudo,
informações sobre a possível implicação da criminalidade organizada. O fabrico
da metoxetamina não exige equipamentos sofisticados. 
(30)               
Os dados existentes limitam-se a estudos não
representativos realizados em dois Estados-Membros. Estes dados sugerem que a
frequência do consumo da metoxetamina é inferior à da cetamina. As informações
disponíveis sugerem que a substância pode ser consumida em numerosos locais,
nomeadamente em casa, em bares, em discotecas e em festivais de música.
(31)               
O relatório de avaliação de riscos revela a
necessidade de uma investigação mais aprofundada para determinar os riscos
sociais e para a saúde humana colocados pela metoxetamina. No entanto, os dados
e informações disponíveis fornecem motivos suficientes para sujeitar esta
substância a medidas de controlo em toda a União. Em virtude dos riscos para a
saúde que representa, como comprovado pela sua deteção em vários casos mortais,
bem como do facto de poder ser consumida inadvertidamente e de não ter qualquer
valor medicinal ou utilização terapêutica, a metoxetamina deve ser sujeita a
medidas de controlo no conjunto da União.
(32)               
Dado que nove Estados-Membros aplicam medidas de controlo
da metoxetamina ao abrigo da legislação nacional, cumprindo assim as obrigações
decorrentes da Convenção das Nações Unidas de 1971 sobre substâncias
psicotrópicas, e que nove Estados-Membros utilizam outras medidas legislativas
para o referido controlo, o facto de sujeitar a substância em apreço a medidas
de controlo em toda a União contribuiria para evitar obstáculos à cooperação transnacional
entre serviços coercivos e judiciários e para proteger os particulares contra
os riscos associados à disponibilização desta substância e ao seu consumo,
ADOTOU A PRESENTE DECISÃO: 
Artigo 1.º
As seguintes novas substâncias psicoativas
devem ser sujeitas a medidas de controlo em toda a União:
(a)         
4-iodo-2,5-dimetoxi-N-(2-metoxibenzil)fenetilamina
(25I-NBOMe);
(b)         
3,4-dicloro-N-[[1-dimetilamino)ciclo-hexil]metil]benzamida
(AH-7921);
(c)         
3,4-metilenodioxipirovalerona (MDPV); 
(d)        
2-(3-metoxifenil)-2-(etilamino)ciclo-hexanona
(metoxetamina).
Artigo 2.º
Até [um ano a contar da data de publicação da presente decisão],
os Estados-Membros devem tomar as medidas necessárias para, em conformidade com
o seu direito interno, sujeitar as novas substâncias psicoativas referidas no
artigo 1.º a medidas de controlo e a sanções penais previstas nas respetivas
legislações, em cumprimento das suas obrigações decorrentes da Convenção das
Nações Unidas de 1971 sobre as substâncias psicotrópicas.
Artigo 3.º
A presente decisão entra em vigor no vigésimo
dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
Feito em Bruxelas, em
                                                                       Pelo
Conselho
                                                                       O
Presidente
[1]               JO L 127 de 20.5.2005, p. 32.
[2]               JO L 127 de 20.5.2005, p. 32.