CELEX: 32013R1245
Language: pt
Date: 2013-11-28 00:00:00
Title: Regulamento de Execução (UE) n. ° 1245/2013 da Comissão, de 28 de novembro de 2013 , que aprova uma alteração menor do caderno de especificações de uma denominação inscrita no Registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas [Fourme de Montbrison (DOP)]

4.12.2013   
            
            
               PT
            
            
               Jornal Oficial da União Europeia
            
            
               L 323/11
            
         REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) N.o 1245/2013 DA COMISSÃO
   de 28 de novembro de 2013
   que aprova uma alteração menor do caderno de especificações de uma denominação inscrita no Registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas [Fourme de Montbrison (DOP)]
   A COMISSÃO EUROPEIA,
   Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
   Tendo em conta o Regulamento (UE) n.o 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de novembro de 2012, relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios (1), nomeadamente o artigo 53.o, n.o 2, segundo parágrafo,
   Considerando o seguinte:
   
               (1)
            
            
               Em conformidade com o artigo 53.o, n.o 1, primeiro parágrafo, do Regulamento (UE) n.o 1151/2012, a Comissão examinou o pedido, apresentado pela França, de aprovação de uma alteração do caderno de especificações da denominação de origem protegida «Fourme de Montbrison», registada pelo Regulamento (UE) n.o 917/2010 da Comissão (2).
            
         
               (2)
            
            
               O pedido prende-se com a alteração do caderno de especificações, precisando a prova de origem, o método de obtenção, a rotulagem, as exigências nacionais e as coordenadas das estruturas responsáveis pelo controlo da denominação.
            
         
               (3)
            
            
               A Comissão examinou a alteração em causa e concluiu que é justificada. Como a alteração é menor, na aceção do artigo 53.o, n.o 2, terceiro parágrafo, do Regulamento (UE) n.o 1151/2012, a Comissão pode aprová-la sem recorrer ao procedimento previsto nos artigos 50.o a 52.o do referido regulamento,
            
         ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
   Artigo 1.o
   
   O caderno de especificações da denominação de origem protegida «Fourme de Montbrison» é alterado em conformidade com o anexo I do presente regulamento.
   Artigo 2.o
   
   O documento único consolidado com os principais elementos do caderno de especificações consta do anexo II do presente regulamento.
   Artigo 3.o
   
   O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
   
      O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
      Feito em Bruxelas, em 28 de novembro de 2013.
      
         
            Pela Comissão Em nome do Presidente,
         Dacian CIOLOȘ
         
            Membro da Comissão
         
      
   
   
      (1)  JO L 343 de 14.12.2012, p. 1.
   
      (2)  JO L 269 de 13.10.2010, p. 21.
   
      ANEXO I
      É aprovada a alteração seguinte do caderno de especificações da denominação de origem protegida «Fourme de Montbrison»:
      1.   Rubrica II «Descrição do produto»
      
      
                  —
               
               
                  A descrição organoléptica seguinte vem completar a descrição do produto: «O “Fourme de Montbrison” tem textura homogénea, ligeiramente firme, que funde na boca. Apresenta sabor fino e perfumado e gosto lácteo frutado com caráter pouco acentuado de queijo azul que lhe confere alguma suavidade. São aceites indícios de sal e um ligeiro amargor.» Esta descrição é útil ao exame organoléptico do produto no âmbito do controlo.
               
            
                  —
               
               
                  Precisa-se que «O corte do “Fourme de Montbrison” é autorizado desde que a sua textura não seja alterada. A presença de casca é obrigatória para as porções com peso superior a 50 gramas.».
               
            Atendendo à evolução constante dos modos de consumo do queijo, esta disposição fixa um quadro para evitar desvios em relação ao tipo de corte.
      2.   Rubrica IV «Prova de origem»
      
      2.1.   Subrubrica IV.1 «Obrigações de declaração»
      
      
                  —
               
               
                  Precisa-se que a declaração de identificação «é efetuada segundo um modelo validado pelo Diretor do Institut national de l’origine et de la qualité.».
               
            Estão previstas declarações prévias de intenção de não produzir e não retomar a produção, o que permite saber com precisão quais são os operadores que desejam abandonar temporariamente a denominação de origem.
      Especificam-se o teor e as modalidades de transmissão das declarações necessárias para o conhecimento e o seguimento dos produtos.
      As alterações prendem-se com a reforma do sistema de controlo das denominações de origem, introduzida pelo diploma n.o 2006-1547, de 7 de dezembro de 2006, sobre a valorização dos produtos agrícolas, florestais ou alimentares e dos produtos do mar.
      2.2.   Subrubrica IV.2 «Registos»
      
      
                  —
               
               
                  A lista dos registos que os operadores devem efetuar é completada para permitir o controlo das condições de produção estabelecidas pelo caderno de especificações.
               
            2.3.   Subrubrica IV.3 «Controlo dos produtos»
      
      
                  —
               
               
                  É especificada a fase em que é efetuado o exame organoléptico do produto, bem como o método de amostragem. Estes procedimentos são, seguidamente, incluídos no plano de controlo ou de inspeção da denominação de origem elaborado por um organismo de controlo.
               
            3.   Rubrica V «Método de obtenção»
      
      3.1.   Subrubrica V.1 «Produção do leite»
      
      
                  —
               
               
                  Define-se «efetivo leiteiro». Trata-se do «conjunto das vacas leiteiras e das novilhas de substituição presentes na exploração», subentendendo-se que «as vacas leiteiras são os animais em produção e os animais no período seco» e «as novilhas são os animais já desmamados mas que ainda não pariram.» Esta definição pretende estabelecer claramente quais os animais a que é feita referência quando subsequentemente se empregam os termos «efetivo leiteiro», «vacas leiteiras» e «novilhas» no caderno de especificações, a fim de evitar confusões.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.a, retiram-se as modalidades de derrogação temporária relativa à proveniência da ração de base das vacas leiteiras em períodos de seca, imprevistos climáticos ou outras circunstâncias excecionais.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.a, especifica-se que o segundo parágrafo diz respeito à ração de base e que as crucíferas sob a forma de forragens são excluídas. Estas precisões pretendem evitar qualquer ambiguidade no texto.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.a, a frase «A parte de erva de pastagens, feno, pré-fenação, fardos ou ensilagem, expressa em matéria seca, é superior ou igual a 80 % das forragens da ração de base das vacas leiteiras, em média, para o conjunto das vacas leiteiras e por ano» substitui a frase «A base da alimentação é obrigatoriamente constituída por erva de pastagem, feno, produto de pré-fenação ou ensilagem». A proporção de erva na ração de base é, assim, precisada claramente, tal como os animais a que se aplica e o período abrangido, o que facilitará os controlos. Esta disposição destaca a importância da alimentação à base de erva na denominação de origem «Fourme de Montbrison».
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.a, a frase «A parte do milho ensilado, expressa em matéria seca, não deve exceder 20 % da ração de base das vacas leiteiras, em média, para o conjunto das vacas leiteiras e por ano» substitui a frase «A parte do milho ensilado, expressa em matéria seca, não deve exceder 20 % da ração diária, em média, para o conjunto do efetivo e por ano». A limitação da quantidade de milho aplica-se, pois, à ração de base e não à ração total e só tem em conta as vacas leiteiras.
               
            Esta disposição é completada pelas frases «No efetivo leiteiro, o consumo de ensilagem de plantas de milho inteiras está reservado às novilhas no último mês de gestação e às vacas leiteiras» e «Na ração quotidiana das vacas leiteiras, é proibida a acumulação de plantas de milho inteiras (em verde ou em ensilagem) com milho em grão ou maçaroca conservado por via húmida». A especificação dos animais que podem receber milho ensilado facilita o controlo da parte de milho ensilado realmente dado às vacas leiteiras. A proibição da acumulação de plantas de milho inteiras com milho em grão ou maçaroca conservado por via húmida tem igualmente por objetivo limitar a proporção de milho na alimentação das vacas leiteiras, designadamente sob forma fermentada.
      O conjunto destas disposições tem por objetivo privilegiar a erva na alimentação das vacas leiteiras, por um lado, e facilitar o controlo graças a referências mais precisas aos animais e períodos em causa, por outro lado.
      
                  —
               
               
                  No ponto V.1.a, a disposição relativa ao uso de feno na alimentação dos animais fora do período de pastoreio está reservada às vacas leiteiras: por razões de coerência, essa disposição é, assim, controlada no conjunto das vacas leiteira e não em todo o efetivo leiteiro.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.b, para maior precisão, indica-se que a proibição da criação em estabulação permanente exclusiva e da pecuária sem terra diz respeito às vacas leiteiras.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.b, especifica-se uma duração mínima de pastoreio de 150 dias por ano para as vacas leiteiras. Esta condição reforça o papel do pastoreio na alimentação das vacas leiteiras e facilita o controlo da obrigação de pastoreio.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.b, uma frase relativa às forragens verdes autoriza a prática para as vacas leiteiras, com erva proveniente da área geográfica e enquanto complemento do pastoreio. Essa autorização permite, assim, valorizar, sob a forma de forragens frescas, erva proveniente de parcelas cuja distância até aos estábulos de ordenha é excessiva para o transporte das vacas até à pastagem.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.b, é introduzida uma limitação relativa ao encabeçamento da exploração, para afirmar mais enfaticamente o recurso à criação extensiva nas explorações leiteiras da denominação de origem «Fourme de Montbrison».
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.c, é estabelecido um limite de 1 800 kg de matéria seca para suplementos e aditivos alimentares por vaca leiteira, por ano. Esta disposição favorece, assim, uma alimentação a partir das forragens que constituem a ração de base, que são provenientes da área geográfica.
               
            
                  —
               
               
                  No ponto V.1.c, as matérias-primas autorizadas nos suplementos dados às vacas leiteiras e os aditivos autorizados constarão doravante de duas listas positivas distintas, para maior clareza.
               
            A lista positiva das matérias-primas autorizadas nos suplementos dados às vacas leiteiras é completada com o milho em grão húmido, os produtos derivados das sementes de oleaginosas, sem adição de ureia, os produtos derivados de frutos oleaginosos, sem adição de ureia, com exceção dos óleos e matérias gordas vegetais e cascas e frutos do cacaueiro, produtos derivados de sementes de leguminosas e subprodutos da fermentação de microrganismos cujas células foram inativadas ou mortas, com exceção dos produtos obtidos a partir da biomassa de microrganismos específicos cultivados em substratos determinados, exceto a vinhaça. Os termos «todos os cereais e respetivos subprodutos», «polpa de beterraba desidratada», «melaço», «grão de proteaginosas» e «sal, minerais» são substituídos, respetivamente, por «todas as sementes de cereais e produtos derivados», «polpa de beterraba seca», «melaço», «sementes de leguminosas» e «minerais e produtos derivados». Os termos «bagaço sem adição de ureia» são suprimidos, pois esses produtos fazem parte dos produtos derivados de sementes ou frutos oleaginosos, sem adição de ureia. Precisa-se igualmente que as maçarocas podem ser conservadas por via seca ou húmida. Estas matérias-primas não têm impacto na qualidade do produto.
      A utilização de soda cáustica para tratar os cereais e produtos deles derivados é proibida, dado que não é uma prática tradicional.
      A lista positiva dos aditivos substitui a frase «são proibidos os aditivos destinados a alterar diretamente a composição do leite» e enumera exaustivamente as categorias e grupos funcionais de aditivos autorizados, respeitando a terminologia regulamentar. Esta alteração tem por objetivo evitar ambiguidades ou interpretações aquando dos controlos.
      
                  —
               
               
                  No ponto V.1.e, é incluída uma disposição que proíbe os OGM na alimentação dos animais e nas culturas da exploração, a fim de manter o caráter tradicional da alimentação.
               
            3.2.   Subrubrica V.3 «Transformação»
      
      
                  —
               
               
                  Na lista positiva dos ingredientes ou auxiliares de fabrico ou aditivos autorizados no leite e durante a transformação, os termos «as culturas inofensivas de bactérias, as leveduras, os bolores» são substituídos por «as culturas de bactérias, de leveduras e de bolores cuja segurança está demonstrada», para maior precisão.
               
            
                  —
               
               
                  É suprimido o parágrafo «As diferentes etapas que intervêm seguidamente são o corte da coalhada, o trabalho da massa, o repouso da coalhada, uma ligeira prensagem da coalhada, que é em seguida desfeita, a salga da coalhada, o enchimento e moldagem, o dessoramento e a colocação em caleiras, seguidamente definidas:», pois cada etapa nele enumerada é, em seguida, descrita individualmente no caderno de especificações.
               
            
                  —
               
               
                  A ligeira prensagem da coalhada aquando do repouso antes de ser, em seguida, desfeita, é doravante facultativa. Esta prática não é, com efeito, indispensável no processo tecnológico de fabrico, desde que o extrato seco final do queijo respeite o imposto pelo caderno de especificações.
               
            
                  —
               
               
                  A frase «A coalhada é seguidamente desfeita, salgada e colocada em cinchos» é reformulada do seguinte modo: «A coalhada é seguidamente desfeita e salgada, o mais tardar aquando da colocação em cinchos». A redação é, assim, mais explícita no respeitante ao momento em que é feita a salga.
               
            
                  —
               
               
                  Especifica-se que o dessoramento em câmaras efetuado sem prensagem, voltando o queijo, é efetuado após o encinchamento da coalhada, para uma melhor compreensão.
               
            
                  —
               
               
                  A duração mínima de dessoramento nos cinchos sem prensagem voltando os queijos é reduzida de 24 para 18 horas. Com efeito, a evolução das práticas permitiu encurtar esse período, sem que a qualidade dos queijos obtidos seja afetada.
               
            
                  —
               
               
                  A frase «A partir do décimo dia após a coagulação o queijo é picado» é deslocada para o ponto V.4, precisando que se trata da picagem dos queijos.
               
            3.3.   Subrubrica V.4 «Cura e conservação»
      
      A frase «Depois de picado, decorre um período de cura em cave ou equivalente, a temperatura compreendida entre 6 e 12 °C durante 15 dias, no mínimo, com higrometria compreendida entre 90 e 98 % de humidade relativa» é substituída por «À saída da sala das caleiras, após eventual secagem, decorre um período de cura em cave ou equivalente, a temperatura compreendida entre 6 e 12 °C e higrometria compreendida entre 90 e 98 % de humidade relativa», completada pela frase «Depois de picado, o queijo é curado durante 15 dias, no mínimo, em cave ou equivalente, nas condições de temperatura e higrometria a seguir descritas».
      Estas precisões de redação têm por objetivo descrever melhor o encadeamento das operações. Com efeito, o queijo não é picado imediatamente antes da entrada na cave, mas sim quando se encontra já na cave. Pode eventualmente recorrer-se à secagem entre a saída da sala das caleiras e a entrada na cave. A duração mínima de 15 dias de permanência na cave é contada a partir da data de picagem do queijo.
      4.   Rubrica VIII «Rotulagem»
      
      A obrigação de apor a menção «appellation d’origine contrôlée» no rótulo é suprimida e substituída pela obrigação de apor o símbolo DOP da União Europeia, para fins de legibilidade e sinergia, na informação relativa aos produtos registados como DOP.
      5.   Rubrica IX «Exigências nacionais»
      
      Em conformidade com a reforma nacional do sistema de controlo das denominações de origem acima referida, é aditado um quadro com os principais pontos a controlar e o respetivo método de avaliação.
   
   
      ANEXO II
      
         DOCUMENTO ÚNICO CONSOLIDADO
      
      Regulamento (CE) n.o 510/2006 do Conselho, de 20 de março de 2006, relativo à proteção das indicações geográficas e denominações de origem dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios (1)
      
      
         «FOURME DE MONTBRISON»
      
      N.o CE: FR-PDO-0105-01014-06.07.2012
      
         IGP () DOP (X)
      
      1.   Nome
      
      «Fourme de Montbrison»
      2.   Estado-Membro ou país terceiro
      
      França
      3.   Descrição do produto agrícola ou género alimentício
      
      3.1.   Tipo de produto
      
      
               
                  Classe 1.3.
               
               
                  Queijos
               
            3.2.   Descrição do produto correspondente à denominação indicada no ponto 1
      
      O «Fourme de Montbrison» é um queijo fabricado com leite de vaca coalhado, que se apresenta sob a forma de um cilindro com 17 a 21 cm de altura e entre 11,5 e 14,5 cm de diâmetro, com 2,1 a 2,7 kg, de pasta jaspeada, não prensada nem cozida, fermentada e salgada por incorporação do sal no leite coalhado, no momento da colocação nos cinchos.
      Contém, no mínimo, 52 gramas de matéria gorda por 100 gramas de queijo, após completa dessecação, e o peso total no extrato seco não deve ser inferior a 52 gramas por 100 gramas de queijo curado.
      O queijo só pode beneficiar da denominação de origem «Fourme de Montbrison» a partir do trigésimo segundo dia a contar da data de coagulação.
      A casca seca, recoberta de Penicillium, é de cor alaranjada, podendo apresentar bolores brancos, amarelos e vermelhos. A pasta, de cor creme, é praticamente desprovida de olhos, de jaspeado marmoreado de cor azul clara.
      O «Fourme de Montbrison» tem textura homogénea, ligeiramente firme, que funde na boca. Apresenta sabor fino e perfumado e gosto lácteo frutado com caráter pouco acentuado de queijo azul que lhe confere alguma suavidade. Admitem-se indícios de sal e um ligeiro amargor.
      3.3.   Matérias-primas (unicamente para os produtos transformados)
      
      —
      3.4.   Alimentos para animais (unicamente para os produtos de origem animal)
      
      Durante todo o ano, a ração de base das vacas leiteiras é assegurada por forragens provenientes da área geográfica da denominação.
      Os alimentos autorizados na ração de base incluem todas as forragens, exceto crucíferas sob forma de forragem.
      A parte de erva de pastagens, feno, pré-fenação, fardos ou ensilagem, expressa em matéria seca, é superior ou igual a 80 % das forragens da ração de base das vacas leiteiras, em média, para o conjunto das vacas leiteiras e por ano.
      A parte do milho ensilado, expressa em matéria seca, não deve exceder 20 % da ração de base das vacas leiteiras, em média, para o conjunto das vacas leiteiras e por ano.
      Fora da época de pastoreio, o feno representa, no mínimo, 3 kg de matéria seca por vaca leiteira e por dia, em média, para o conjunto das vacas leiteiras.
      Em período de disponibilidade de erva, é obrigatório o pastoreio das vacas leiteiras assim que as condições climáticas o permitam. A sua duração deve ser de 150 dias por ano, no mínimo.
      Os suplementos e aditivos alimentares estão limitados a 1 800 kg de matéria seca por vaca leiteira e por ano, em média, para o conjunto das vacas leiteiras.
      Nos suplementos e aditivos dados às vacas leiteiras apenas são autorizadas as matérias-primas e os aditivos constantes de uma lista positiva.
      3.5.   Fases específicas da produção que devem ter lugar na área geográfica identificada
      
      A produção do leite, o fabrico, a cura e a conservação do queijo até 32 dias a partir da data da coagulação ocorrem na área geográfica identificada.
      3.6.   Regras específicas relativas à fatiagem, ralagem, acondicionamento, etc.
      
      O corte do «Fourme de Montbrison» é autorizado desde que a sua textura não seja alterada. A presença de casca é obrigatória para as porções com peso superior a 50 gramas.
      3.7.   Regras específicas relativas à rotulagem
      
      O rótulo dos queijos que beneficiam da denominação de origem «Fourme de Montbrison» comporta o nome da denominação de origem, inscrito em carateres de dimensões pelo menos iguais a dois terços das dos maiores carateres que figuram no rótulo, bem como o símbolo DOP da União Europeia.
      Independentemente das menções regulamentares aplicáveis a todo o queijo, é proibido utilizar qualificativos diretos do nome da denominação de origem, exceto marcas particulares de fabrico ou comerciais.
      4.   Delimitação concisa da área geográfica
      
      A área geográfica do «Fourme de Montbrison» distribui-se pelo seguinte território:
      Departamento de Loire: comunas de Bard, Cervières, Chalmazel, La Chamba, La Chambonie, Champoly, Châtelneuf, La Côte-en-Couzan, Écotay-l’Olme, Essertines-en-Châtelneuf, Jeansagnière, Lérigneux, Noirétable, Palogneux, Roche, Saint-Bonnet-le-Courreau, Saint-Didier-sur-Rochefort, Saint-Georges-en-Couzan, Saint-Jean-la-Vêtre, Saint-Julien-la-Vêtre, Saint-Just-en-Bas, Saint-Laurent-Rochefort, Saint-Priest-la-Vêtre, Saint-Romain-d’Urfé, Les Salles, Sauvain, La Valla-sur-Rochefort e Verrières-en-Forez.
      Departamento de Puy-de-Dôme: comunas de Brugeron, Job, Saint-Anthème, Saint-Pierre-la-Bourlhonne e Valcivières.
      5.   Relação com a área geográfica
      
      5.1.   Especificidade da área geográfica
      
      
         Fatores naturais
      
      A área geográfica da denominação de origem «Fourme de Montbrison» estende-se principalmente pelas «hautes chaumes» que formam os cumes do maciço de Forez, nos confins dos departamentos de Loire e de Puy de Dôme, bem como pela parte leste das montanhas de Forez. Trata-se de uma zona de média montanha (altitude de 1 634 m no ponto culminante), com uma orientação geral Norte-Sul, implantada num substrato granítico e cercada por limites naturais. A paisagem é constituída por charnecas de montanha e subalpinas, planaltos nus com cumes arredondados e suaves, rodeados por encostas cobertas por floresta, nomeadamente de resinosas. Aí se encontram numerosas turfeiras e pradarias. A precipitação é relativamente importante (média anual superior a 1 000 mm). O clima recebe influência oceânica e continental. As temperaturas médias anuais são de tendência fria, inferiores a 10 °C e, com frequência, inferiores a 5 °C. Os invernos são longos e frios, com neve frequente.
      Devido à altitude e precipitação elevadas, a produção forrageira assenta essencialmente em pastagens permanentes.
      
         Fatores humanos
      
      O fabrico do «Fourme de Montbrison» na região de Haut-Forez, onde se manteve um sistema agropastoril até ao final da Segunda Guerra Mundial, ascende à Idade Média. Este queijo era produzido nas «jasseries», construções tradicionais das pastagens de montanha, dispersas pelas duas vertentes das montanhas de Forez. Nessa época, o queijo era produzido pelas mulheres na montanha durante o verão, a partir do leite de pequenas manadas, enquanto os homens ficavam nas aldeias e prosseguiam os trabalhos de verão nos campos. O meio natural fornecia então troncos de resinosas que, depois de escavados, constituíam caleiras (conhecidas por «chéneaux») perfeitamente adaptadas ao dessoramento dos queijos durante a sua elaboração. Estes eram, por vezes, conservados até à descida das pastagens de montanha e, em seguida, vendidos nos mercados de ambos os lados do maciço, entre os quais se incluía o importante mercado de Montbrison.
      Hoje em dia, as criações de gado leiteiro recorrem amplamente às pastagens permanentes. As condições de produção do «Fourme de Montbrison», designadamente o pastoreio obrigatório durante o período em que é praticável, a ração baseada na utilização de erva das pastagens e a utilização limitada de ensilagem de milho, demonstram a importância deste recurso natural.
      Herdado de técnicas ancestrais, o processo tecnológico de elaboração do «Fourme de Montbrison» põe em relevo o saber local, que recorre a:
      
                  —
               
               
                  trabalho da massa adaptado, ligado à dimensão reduzida dos grãos de coalho, com cerca de 0,5 cm a 1 cm lateralmente,
               
            
                  —
               
               
                  salga da massa e salga exterior reduzida,
               
            
                  —
               
               
                  técnica muito particular de dessoramento suplementar em caleiras de madeira de coníferas.
               
            5.2.   Especificidade do produto
      
      Queijo de pasta jaspeada, de sabor fino e perfumado, com forma de cilindro com 17 a 21 cm de altura e entre 11,5 e 14,5 cm de diâmetro, coberto por um revestimento alaranjado, o «Fourme de Montbrison» tem pasta com olhos reduzidos e um caráter pouco acentuado de queijo azul que lhe confere alguma suavidade.
      5.3.   Relação causal entre a área geográfica e a qualidade ou característica do produto (para as DOP) ou uma determinada qualidade, a reputação ou outras características do produto (para as IGP)
      
      As características específicas do «Fourme de Montbrison» têm designadamente origem em práticas especiais de produção do leite e de elaboração do queijo.
      A produção do leite assenta na riqueza das pastagens do maciço de Forez, contribuindo para o sabor fino e perfumado do «Fourme de Montbrison».
      O seu formato relativamente pequeno está ligado à sua origem: pequenas manadas com baixa produção de leite e fabrico por mão-de-obra feminina.
      O sabor essencialmente suave do «Fourme de Montbrison» está ligado ao corte fino dos grãos de coalhada. As dimensões reduzidas destes grãos dão origem a pequenos olhos na pasta, o que restringe o desenvolvimento dos bolores de Penicillium roqueforti, mais fraco que noutras pastas jaspeadas.
      A cor alaranjada da casca, tão típica, é influenciada pelas técnicas de salga, que favorecem a implantação de flora superficial. O desenvolvimento da flora superficial é também estimulado pelo dessoramento em caleiras de madeira de resinosas. Com efeito, as caleiras de madeira acolhem a flora superficial e participam diretamente no seu desenvolvimento, evitando a secagem excessivamente rápida da casca.
      As técnicas de salga tornam também o «Fourme de Montbrison» menos salgado que outros queijos azuis.
      
         Referência à publicação do caderno de especificações
      
      [Artigo 5.o, n.o 7, do Regulamento (CE) n.o 510/2006]
      https://www.inao.gouv.fr/fichier/CDCFourmeDeMontbrison.pdf
      
         (1)  JO L 93 de 31.3.2006, p. 12. Substituído pelo Regulamento (UE) n.o 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de novembro de 2012, relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios (JO L 343 de 14.12.2012, p. 1).