CELEX: 62011FJ0066
Language: pt
Date: 2012-06-20 00:00:00
Title: ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DA FUNÇÃO PÚBLICA DA UNIÃO EUROPEIA (Terceira Secção) de 20 de junho de 2012.#Alma Yael Cristina contra Comissão Europeia.#Função pública ― Concurso geral ― Decisão do júri do concurso de não admissão a participar nas provas de avaliação ― Vias de recurso ― Recurso jurisdicional interposto sem esperar pela decisão sobre a reclamação administrativa ― Admissibilidade ― Condições específicas de admissão ao concurso ― Experiência profissional requerida.#Processo F‑66/11.

ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DA FUNÇÃO PÚBLICA DA UNIÃO EUROPEIA (Terceira Secção)
      20 de junho de 2012 (*)
      
      «Função pública — Concurso geral — Decisão do júri do concurso de não admitir a participação nas provas de avaliação — Vias de recurso — Recurso judicial interposto antes da decisão sobre a reclamação administrativa — Admissibilidade — Condições específicas de admissão ao concurso — Experiência profissional requerida»
      No processo F‑66/11,
      que tem por objeto um recurso interposto nos termos do artigo 270.° TFUE, aplicável ao Tratado CEEA por força do seu artigo
         106.°‑A,
      
      Alma Yael Cristina, residente em Bruxelas (Bélgica), representada por S. Rodrigues, A. Blot e C. Bernard‑Glanz, advogados,
      
      recorrente,
      contra
      Comissão Europeia, representada inicialmente por B. Eggers e P. Pecho, e em seguida por B. Eggers, na qualidade de agentes,
      
      recorrida,
      O TRIBUNAL DA FUNÇÃO PÚBLICA (Terceira Secção),
      composto por: S. Van Raepenbusch, presidente, R. Barents e K. Bradley (relator), juízes, 
      secretário: X. Lopez Bancalari, administrador,
      vistos os autos e após a audiência de 29 de fevereiro de 2012,
      profere o presente
      Acórdão
      1        Por petição entrada na Secretaria do Tribunal da Função Pública, em 12 de julho de 2011, A. Cristina interpôs o presente recurso
         com vista, por um lado, à anulação da decisão do júri do concurso geral EPSO/AST/111/10 de não admitir a sua participação
         nas provas de avaliação do referido concurso e, por outro, à condenação da Comissão Europeia na indemnização do prejuízo que
         a recorrente sofreu em virtude desta decisão.
      
       Quadro jurídico
      2        O artigo 90.°, n.° 2, do Estatuto dos Funcionários da União Europeia (a seguir «Estatuto» dispõe: 
      
      «Qualquer pessoa referida neste Estatuto pode apresentar à entidade competente para proceder a nomeações uma reclamação contra
         um ato que lhe cause prejuízo, quer porque a dita autoridade haja tomado uma decisão, quer porque se haja abstido de tomar
         uma medida imposta pelo Estatuto. A reclamação deve ser apresentada num prazo de três meses. […]»
      
      3        O artigo 91.°, n.° 2, do Estatuto tem a seguinte redação:
      
      «Um recurso para o Tribunal de Justiça da União Europeia só pode ser aceite
      ¾        se tiver sido previamente apresentada uma reclamação à entidade competente para proceder a nomeações, na aceção do n.° 2,
         do artigo 90.° e no prazo nele previsto e,
      
      ¾        se esta reclamação tiver sido objeto de uma decisão explícita ou implícita de indeferimento.»
      4        O artigo 2.° do anexo III do Estatuto, relativo ao processo de concurso referido no artigo 29.° do Estatuto, dispõe:
      
      «Os candidatos devem preencher um formulário cujos termos são aprovados pela entidade competente para proceder a nomeações.
      Aos candidatos pode ser exigida a entrega de todos os documentos ou a prestação de informações complementares.»
      5        Em 17 de novembro de 2010, o Serviço Europeu de Seleção do Pessoal (EPSO) publicou no Jornal Oficial da União Europeia o anúncio de concurso geral EPSO/AST/111/10 para a constituição de uma reserva de recrutamento de assistentes de grau AST
         1 no domínio do secretariado (JO C 312 A, p. 1, a seguir «anúncio de concurso»).
      
      6        O título III do anúncio de concurso, com a epígrafe «Natureza das funções», tinha a seguinte redação: 
      
      «A natureza e o nível das funções a exercer comportam a realização das tarefas seguintes:
      ¾        Organizar e coordenar as reuniões, incluindo a constituição dos dossiês e dos documentos de trabalho.
      ¾        Receber, filtrar e tratar as chamadas telefónicas, tratar da correspondência e comunicar informações de ordem geral aos correspondentes
         telefónicos.
      
      ¾        Gerir caixas de correio eletrónico e caixas funcionais.
      ¾         Gerir as ordens de trabalhos, controlar o calendário e velar pelo respeito dos prazos.
      ¾        Prestar apoio administrativo geral, nomeadamente no que se refere à gestão documental (receção, tratamento, acompanhamento
         e classificação dos documentos e do correio).
      
      ¾        Preparar e gerir as missões; gerir as ausências.
      ¾        Apresentar e verificar os documentos (paginação, formatação, quadros).
      ¾        Redigir (nível secretariado) projetos de notas, correios e atas.
      ¾        Outros trabalhos administrativos de secretariado ligados à gestão dos dossiês e à pesquisa de informações, exigindo nomeadamente
         a utilização de tecnologias da informação.
      
      ¾        Nos Serviços de Tradução: receção, gestão e tratamento dos pedidos de tradução e, nomeadamente, preparação, tratamento e acabamento
         de documentos, principalmente através de um software de tradução, alimentação e atualização das memórias de tradução, bem como trabalhos de dactilografia, paginação e formatação.
      
      […]»
      7        As condições específicas de admissão ao concurso, definidas no ponto 2 do título III do anúncio de concurso, estipulavam,
         no que respeita ao diploma, que os candidatos deviam ter um nível de ensino superior comprovado por um diploma de fim de curso
         relacionado com a natureza das funções [ponto III.2.1., alínea a)] ou um nível de ensino secundário comprovado por um diploma
         de fim de curso que dê acesso ao ensino superior, seguido de uma experiência profissional diretamente relacionada com a natureza
         das funções com uma duração mínima de três anos [ponto III.2.1., alínea b)] 
      
      8        O título IV, ponto 1, do anúncio de concurso indicava que seriam convidados para os testes de acesso unicamente os candidatos
         que tivessem declarado, no momento da inscrição eletrónica, preencher as condições gerais e específicas do título III do anúncio
         de concurso. 
      
      9        O título V, ponto 1, do anúncio de concurso indicava que seriam admitidos a participar nas provas de avaliação os candidatos
         que não só tivessem obtido as melhores notas e o mínimo exigido nos testes de acesso mas que também preenchessem, tendo em
         conta as suas declarações no momento da inscrição eletrónica, as condições gerais e específicas do título III do anúncio de
         concurso. 
      
      10      A mesma disposição precisava que a admissão à participação nas provas de avaliação seria confirmada sob reserva da verificação
         posterior dos documentos comprovativos constantes do dossiê de candidatura.
      
      11      O título VII, ponto 2, do anúncio de concurso precisava que os candidatos admitidos às provas de avaliação seriam convidados
         a apresentar um dossiê de candidatura completo (ato de candidatura eletrónica assinado e documentos comprovativos).
      
      12      No anúncio de concurso figurava igualmente, enquadrada e a negrito, a seguinte menção prévia:
      
      «Antes de se candidatar, deve ler atentamente o guia [aplicável aos concursos gerais] publicado no Jornal Oficial […] C 184
         A de 8 de julho de 2010, bem como no sítio internet do EPSO.
      
      Este guia, que faz parte integrante do anúncio de concurso, pode ajudá‑lo a compreender as regras relativas aos procedimentos
         e às modalidades de inscrição.»
      
      13      O guia aplicável aos concursos gerais, na versão vigente no momento dos factos (JO 2010 C 184 A, p. 1, a seguir «Guia do candidato»),
         estabelece no seu ponto 6.3, com a epígrafe «Vias de recurso»:
      
      «Em qualquer fase do procedimento de concurso, se considerar que o EPSO ou o júri não agiram de forma equitativa ou não respeitaram:
      —      as disposições do procedimento de concurso ou
      —      as disposições do anúncio de concurso,
      e que tal facto o prejudica, pode recorrer aos seguintes meios:
      —      apresentar uma reclamação administrativa, com base no artigo 90.°, n.° 2, do Estatuto […], 
      por via postal, enviando‑a para o seguinte endereço:
      Office européen de sélection du personnel (EPSO)
      […]
      ou através da página de contacto do sítio Internet do EPSO.
      No ‘assunto’ da sua carta deve indicar:
      —      o número do concurso,
      —      o seu número de candidato,
      —      a menção ‘réclamation article 90, §2’, ‘complaint article 90 §2’, ‘Bescherelle Artikel 90, Absatz 2’ (à escolha),
      —      a etapa […] do concurso em causa.
      Chama‑se a atenção para o facto de os júris de concursos gozarem de um amplo poder de apreciação.
      É inútil apresentar uma reclamação contra uma decisão do júri, que decide com total independência e cujas decisões não podem
         ser alteradas pelo Diretor do EPSO. O amplo poder de apreciação dos júris de concurso só está sujeito a controlo caso se verifique
         uma violação flagrante das regras que regem os seus trabalhos. Neste caso, a decisão do júri de concurso pode ser impugnada
         diretamente junto dos tribunais da União Europeia, sem que seja necessário apresentar previamente uma reclamação na aceção
         do artigo 90.°, n.° 2, do Estatuto […].
      
      —      Interpor um recurso judicial com base no artigo 270.° [TFUE] e no artigo 91.° do Estatuto […] para:
      Tribunal da Função Pública da União Europeia
      […]
      Tenha em conta que os recursos que digam a um erro de apreciação dos critérios gerais de admissão, erros que não são da competência
         do júri de concursos, só serão admissíveis perante o Tribunal da Função Pública se tiver sido previamente apresentada uma
         reclamação administrativa a título do artigo 90.°, n.° 2, do Estatuto dos Funcionários, segundo as modalidades descritas neste
         ponto.
      
      No que diz respeito às modalidades do recurso, deve consultar o sítio Internet do Tribunal da Função Pública […].
      Os prazos imperativos fixados para estes dois tipos de procedimentos [pelo Estatuto] começam a correr a partir da data da
         notificação do ato que o afeta.»
      
       Factos na origem do litígio
      14      Em 18 de novembro de 2010, a recorrente candidatou‑se ao concurso geral EPSO/AST/111/10 (a seguir «concurso») preenchendo
         o formulário eletrónico correspondente. 
      
      15      Em 17 de março de 2011, o EPSO informou a recorrente de que esta tinha sido aprovada nos testes de admissão.
      
      16      Todavia, por carta de 7 de abril de 2011, o EPSO informou a recorrente de que, à luz do exame do formulário de inscrição,
         o júri do concurso tinha decidido não a autorizar a participar nas provas de avaliação, considerando que não preenchia as
         condições específicas de admissão ao concurso.
      
      17      A recorrente reclamou da sua exclusão do concurso em dois correios eletrónicos de 7 e 8 de abril de 2011, respetivamente.
      
      18      O EPSO respondeu à recorrente por carta de 6 de junho de 2011, indicando‑lhe que o júri do concurso tinha reexaminado o seu
         processo mas reiterava a sua decisão de não a autorizar a participar nas provas de avaliação. Com efeito, segundo o júri do
         concurso, o diploma de que a recorrente é titular não está abrangido pelo domínio do concurso e, consequentemente, a recorrente
         devia ter pelo menos três anos de experiência profissional diretamente relacionada com a natureza das funções relativas aos
         lugares a prover. Ora, na medida em que não forneceu, no formulário de inscrição, nenhuma indicação a respeito da sua experiência
         profissional enquanto assistente, o júri do concurso não podia considerar que a recorrente preenchia a condição da experiência
         profissional. 
      
      19      Por correio eletrónico de 9 de junho de 2011, a recorrente respondeu ao EPSO que não encontrava qualquer resposta útil na
         carta de 6 de junho de 2011 e pediu, considerando que preenchia a totalidade dos critérios exigidos, autorização para participar
         nas seguintes provas do concurso. Este correio eletrónico não obteve resposta.
      
      20      Em 11 de julho de 2011, a recorrente apresentou «a título preventivo», uma reclamação com base no artigo 90.°, n.° 2, do Estatuto,
         contra a decisão do júri do concurso de não a admitir a participar nas provas de avaliação e, no dia seguinte, 12 de julho
         de 2011, interpôs recurso para o Tribunal da Função Pública.
      
      21      Na audiência, a recorrente informou o Tribunal da Função Pública que em 11 de outubro de 2011 a autoridade investida do poder
         de nomeação (a seguir «AIPN») indeferiu a reclamação e não interpôs recurso dessa decisão.
      
       Pedidos das partes e processo
      22      A recorrente conclui pedindo que o Tribunal da Função Pública se digne: 
      
      1)      a título principal:
      ¾        anular a decisão de 7 de abril de 2011 que lhe recusa o direito de participar nas provas de avaliação do concurso;
      ¾        consequentemente, declarar que deve ser reintegrada no processo de recrutamento instituído pelo referido concurso, se necessário
         através da organização de novas provas de avaliação;
      
      2)      a título subsidiário, caso o pedido principal seja julgado improcedente, condenar a recorrida no pagamento de um montante
         fixado provisoriamente e ex aequo et bono em 20 000 euros, a título de indemnização do dano material, acrescido dos juros de mora à taxa legal a contar da decisão
         que vier a ser proferida;
      
      3)      em qualquer dos casos, condenar a recorrida no pagamento de um montante fixado provisoriamente e ex aequo et bono em 20 000
         euros, a título de indemnização do dano moral, acrescido dos juros de mora à taxa legal a contar da decisão que vier a ser
         proferida;
      
      4)      condenar a recorrida nas despesas.
      23      A Comissão conclui pedindo que o Tribunal da Função Pública que se digne:
      
      ¾        negar provimento ao recurso;
      ¾        condenar a recorrente nas despesas.
      24      Por cartas da Secretaria de 21 de outubro de 2011 e de 30 de janeiro de 2012, o Tribunal da Função Pública convidou as partes
         a darem resposta a medidas de organização do processo. As partes corresponderam, nos prazos fixados, aos pedidos do Tribunal
         da Função Pública.
      
      25      Por despacho do presidente da Terceira Secção do Tribunal da Função Pública, de 26 de janeiro de 2012, o presente processo
         foi apensado ao processo registado com o número F‑83/11, Cristina/Comissão, para efeitos de processo oral.
      
       Quanto ao objeto do litígio e à admissibilidade do segundo pedido a título principal
      26      Em primeiro lugar, embora a recorrente peça a anulação da decisão inicial do júri do concurso, notificada por carta do EPSO,
         de 7 de abril de 2011, importa constatar, tendo em conta jurisprudência assente, que unicamente a decisão do júri do concurso
         tomada após reexame e notificada pelo EPSO por carta de 6 de junho de 2011, de não a admitir à participação nas provas de
         avaliação, causa prejuízo à recorrente (v., nomeadamente, acórdão do Tribunal da Função Pública de 4 de fevereiro de 2010,
         Wiame/Comissão, F‑15/08, n.° 20) e que, como tal, há que considerar que é contra esta decisão (a seguir «decisão recorrida»)
         que a recorrente dirige os seus pedidos de anulação.
      
      27      Em segundo lugar, o Tribunal da Função Pública constata que o segundo pedido a título principal visa em substância pedir à
         administração a reintegração da recorrente no processo de recrutamento instituído pelo concurso.
      
      28      Todavia, segundo jurisprudência constante, não incumbe ao juiz da União, no quadro do controlo da legalidade, dirigir injunções
         às instituições da União ou substituir‑se a estas últimas (acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 5 de abril de 2005,
         Christensen/Comissão, T‑336/02, n.° 17; acórdão do Tribunal da Função Pública de 23 de novembro de 2010, Bartha/Comissão,
         F‑50/08, n.° 50).
      
      29      Este pedido deve assim ser julgado inadmissível.
      
       Quanto à admissibilidade do recurso
       Argumentos das partes
      30      A Comissão reconhece expressamente na sua contestação que «os candidatos ao[s] concurso[s] têm o direito de recorrer [para
         o juiz da União] sem reclamação prévia, caso contestem uma decisão de [um] júri [de concurso]». Não obstante, considera que
         o presente recurso é manifestamente inadmissível uma vez que não foi precedido, em conformidade com o artigo 91.°, n.° 2,
         do Estatuto, de uma reclamação que tenha sido objeto de uma decisão explícita ou implícita de indeferimento. 
      
      31      A Comissão observa que, embora seja verdade que um candidato pode submeter uma decisão de um júri de concurso diretamente
         ao juiz, todavia, segundo a jurisprudência, na medida em que tenha sido apresentada uma reclamação, o prazo de recurso começa
         a contar, em conformidade com o artigo 91.° do Estatuto, a partir da notificação da decisão tomada em resposta à reclamação
         e a admissibilidade do recurso judicial interposto posteriormente depende do cumprimento pelo interessado de todas as exigências
         processuais ligadas à via da reclamação prévia.
      
      32      Segundo a Comissão, entre estas exigências processuais, encontrava‑se a obrigação para o interessado de aguardar o fim do
         processo pré‑contencioso antes de poder interpor um recurso judicial.
      
      33      A Comissão considera por isso que a recorrente, tendo apresentado uma reclamação da decisão do júri do concurso de não a admitir
         à participação nas provas de avaliação do concurso, deveria ter aguardado a resposta da AIPN antes de interpor o presente
         recurso.
      
      34      Por fim, a Comissão alega que seria contrário ao princípio da segurança jurídica e da boa administração declarar admissível
         um recurso para o Tribunal da Função Pública de uma decisão de um júri de concurso, deixando em aberto um procedimento pré‑contencioso
         que visa, designadamente, obter uma resolução amigável.
      
      35      Na audiência, em resposta à exceção de inadmissibilidade invocada pela Comissão, a recorrente recordou que, no seu acórdão
         de 20 de junho de 1990, Burban/Parlamento (T‑133/89), o Tribunal de Primeira Instância das Comunidades Europeias declarou
         admissível um recurso interposto em condições substancialmente idênticas às do presente processo.
      
       Apreciação do Tribunal da Função Pública
      36      Segundo o artigo 91.°, n.° 2, do Estatuto, um recurso para o Tribunal de Justiça da União Europeia só pode ser aceite se tiver
         sido previamente apresentada uma reclamação à AIPN e se esta reclamação tiver sido objeto de uma decisão explícita ou implícita
         de indeferimento.
      
      37      Todavia, conforme resulta de jurisprudência assente, o processo de reclamação administrativa não faz sentido se as reclamações
         forem dirigidas contra as decisões de um júri de concurso, não dispondo a AIPN de recursos para alterar as mesmas (v. acórdãos
         do Tribunal de Justiça de 16 de março de 1978, Ritter von Wüllerstorff und Urbair/Comissão, 7/77, n.° 7, e de 14 de julho
         de 1983, Detti/Tribunal de Justiça, 144/82, n.°16; acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 23 de janeiro de 2002, Gonçalves/Parlamento,
         T‑386/00, n.° 34). Nestas condições, a via jurídica aberta relativamente a uma decisão de um júri de concurso consiste normalmente
         no recurso ao juiz da União sem reclamação prévia (a seguir «recurso direto», v. acórdão Bartha/Comissão, já referido, n.° 25).
      
      38      De onde resulta que, quando um candidato eliminado contesta uma decisão de um júri de concurso, não é necessária a apresentação
         de uma reclamação prévia contra a referida decisão e menos ainda tal reclamação «a título preventivo», como fez a recorrente
         no presente processo.
      
      39      Todavia, não resulta do Estatuto nem da jurisprudência que um candidato a um concurso que tenha, apesar de tudo, apresentado
         à AIPN uma reclamação contra uma decisão do júri do referido concurso não possa recorrer diretamente para o juiz da União
         sem aguardar a decisão da AIPN sobre a reclamação.
      
      40      Pelo contrário, o juiz da União já admitiu explicitamente que, quando um candidato a um concurso se dirige, através de uma
         reclamação administrativa, à AIPN, essa diligência, seja qual for o seu significado jurídico, não pode ter como consequência
         privar o candidato do seu direito de recorrer diretamente para o juiz (acórdão do Tribunal de Justiça de 30 de novembro de
         1978, Salerno e o./Comissão, 4/78, 19/78 e 28/78, n.° 10; acórdão Burban/Parlamento, já referido, n.°17).
      
      41      Assim, caso um candidato a um concurso decida recorrer diretamente para o Tribunal da Função Pública, este deve determinar
         se o recurso foi interposto no prazo de três meses e dez dias a contar da notificação ao recorrente da decisão que causa prejuízo
         (v. acórdão Burban/Parlamento, já referido, n.° 18).
      
      42      Em contrapartida, a admissibilidade desse recurso perante o juiz não pode estar sujeita à condição do esgotamento do procedimento
         pré‑contencioso estabelecida pelo artigo 91.° do Estatuto, uma vez que essa condição só se aplica aos recursos nos quais é
         obrigatória uma reclamação administrativa. A solução proposta pela Comissão equivaleria a sujeitar o recurso direto para o
         juiz a uma condição de admissibilidade adicional que só se aplica, na verdade, quando o recurso para o juiz deva ter sido
         precedido de uma reclamação.
      
      43      Esta conclusão não é contrariada pelo ponto 6.3 do Guia do candidato que indica que estes podem contestar as decisões do júri
         de concurso por via administrativa e pela interposição de recurso judicial, sem nunca precisar que a apresentação de uma reclamação
         afasta o recurso direto para o juiz.
      
      44      O Tribunal da Função Pública constata, por outro lado, que esta conclusão não é, de modo nenhum, invalidada pela jurisprudência
         invocada pela Comissão nos seus articulados, analisadas infra, nem pelos argumentos apresentados na audiência.
      
      45      É verdade que, como salienta a Comissão, segundo abundante jurisprudência nos litígios envolvendo decisões de júris de concursos,
         por um lado, quando o recorrente decide dirigir‑se previamente à administração através de uma reclamação administrativa, a
         admissibilidade do recurso contencioso interposto posteriormente depende do respeito de todas as exigências processuais ligadas
         à reclamação prévia (acórdão do Tribunal da Função Pública de 13 de dezembro de 2007, Van Neyghem/Comissão, F‑73/06, n.° 37)
         e, por outro, na medida em que tenha sido apresentada uma reclamação de uma decisão de um júri de concurso, o prazo de recurso
         começa a contar, em conformidade com o artigo 91.° do Estatuto, a partir do dia da notificação da decisão tomada em resposta
         à reclamação (acórdão Detti/Tribunal de Justiça, já referido, n.° 17; acórdãos do Tribunal de Primeira Instância de 27 de
         junho de 1991, Valverde Mordt/Tribunal de Justiça, T‑156/89, n.° 90; de 16 de setembro de 1998, Jouhki/Comissão, T‑215/97,
         n.° 22; de 31 de maio de 2005, Gibault/Comissão, T‑294/03, n.° 22; despacho do Tribunal de Primeira Instância de 25 de novembro
         de 2005, Pérez‑Díaz/Comissão, T‑41/04, n.° 32 e acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 8 de junho de 2006, Pérez‑Díaz/Comissão,
         T‑156/03, n.° 26; acórdãos do Tribunal da Função Pública de 12 de março de 2009, Hambura/Parlamento, F‑4/08, n.° 24 e Bartha/Comissão,
         já referido, n.° 26).
      
      46      Todavia, importa constatar que todos estes acórdãos, exceto um, diziam respeito à admissibilidade de recursos interpostos
         na sequência de um indeferimento de uma reclamação e após o termo do prazo de recurso direto para o juiz. Trata‑se portanto
         de uma jurisprudência que visa uma condição de admissibilidade própria dos recursos interpostos nos termos do procedimento
         descrito no artigo 91.°, n.° 2, do Estatuto.
      
      47      No que respeita ao acórdão Pérez‑Díaz/Comissão, já referido, o Tribunal de Primeira Instância tinha constado que a reclamação
         e o recurso tinham objetos diferentes. Com efeito, a reclamação visava contestar a decisão da Comissão de organizar uma nova
         prova oral na sequência da anulação, pelo acórdão do Tribunal de Primeira Instância, de 24 de setembro de 2002, Pérez‑Díaz/Comissão
         (T‑102/01), da decisão do júri de excluir o recorrente da lista de reserva, ao passo que o recurso contencioso contestava
         a nova decisão do júri do concurso de não inscrever o recorrente na lista de reserva após a nova prova oral. De onde resulta
         que, neste processo, não havia motivo para o Tribunal de Primeira Instância decidir que um recurso de anulação, interposto
         antes de o procedimento administrativo pré‑contencioso iniciado contra o ato recorrido, no caso vertente a decisão da Comissão
         de organizar uma nova prova oral, ser encerrado com o indeferimento da reclamação, é prematuro, limitando‑se o Tribunal Instância
         a constatar que não se podia considerar que o recurso contencioso fora precedido de uma reclamação administrativa [acórdão
         Pérez‑Díaz/Comissão (T‑156/03), já referido, n.os 27 e 34].
      
      48      Consequentemente, a jurisprudência recordada nos n.os 45 e 47 do presente acórdão a respeito das situações factuais e jurídicas que diferem de maneira significativa da aqui em
         causa não pode ser considerada pertinente no caso em apreço.
      
      49      A Comissão alega, por outro lado, que o presente recurso deve ser declarado inadmissível por razões relacionadas com a segurança
         jurídica e a boa administração da justiça.
      
      50      Todavia, em primeiro lugar, o respeito pelas exigências de segurança jurídica não pode justificar a aplicação ao recurso direto
         para o juiz de uma condição de admissibilidade que não lhe é própria, sob pena de limitar o direito, de que dispõem os candidatos
         eliminados de submeter diretamente ao juiz uma decisão de um júri de concurso. Por outro lado, há que constatar que, quando
         um candidato a um concurso apresenta uma reclamação antes de recorrer diretamente para o juiz, em caso de decisão favorável
         sobre a reclamação anterior à decisão do Tribunal da Função Pública relativamente ao recurso, o recorrente perderia o seu
         interesse em agir e portanto o seu recurso ficaria sem objeto. Em contrapartida, em caso de decisão desfavorável, o recorrente
         tem, em todo o caso, o direito de obter uma decisão do Tribunal a fim de dirimir o litígio que o opõe à administração.
      
      51      No que respeita ao princípio da boa administração da justiça, o Tribunal considera que a melhor forma de respeitar este princípio
         é pronunciar‑se sobre o recurso direto que lhe foi submetido, sem ter em conta o desfecho de uma reclamação que não lhe foi
         submetida.
      
      52      Por fim, os argumentos desenvolvidos pela Comissão na audiência, em apoio da exceção de inadmissibilidade baseadas no caráter
         prematuro do presente recurso, também não podem ser acolhidos.
      
      53      Com efeito, em primeiro lugar, a Comissão alegou que a solução adotada no acórdão Burban/Parlamento, já referido, se tornou
         obsoleta face à jurisprudência posterior. Todavia, como o Tribunal da Função Pública explicou nos n.° 45 a 48 do presente
         acórdão, a jurisprudência invocada pela Comissão não é pertinente no caso em apreço, uma vez que diz respeito a recursos interpostos
         na sequência de uma reclamação, ao passo que em sentido contrário, os acórdãos Salerno e o./Comissão e Burban/Parlamento,
         já referidos, respeitam a contextos factuais substancialmente idênticos ao do presente acórdão.
      
      54      Em segundo lugar, a Comissão indicou que, no processo que deu origem ao acórdão Burban/Parlamento, já referido, o recorrente
         tinha «em definitivo» escolhido a via do recurso direto para o juiz (v. acórdão Burban/Parlamento, já referido, n.° 18), enquanto
         no presente processo a recorrente procura utilizar ao mesmo tempo as duas vias de recurso. Esta argumentação não tem em conta
         o facto de, no caso em apreço, a recorrente, tal como os recorrentes nos processos que deram origem aos acórdãos Salerno e o./Comissão
         e Burban/Parlamento, já referidos, ter escolhido a via do recurso direto para o juiz, que interpôs, sem aguardar pela decisão
         da administração relativa à sua reclamação, é certo, mas no prazo de três meses e dez dias a contar da notificação da decisão
         do júri do concurso.
      
      55      Em terceiro lugar, de modo a distinguir o presente processo do processo que deu origem ao acórdão Burban/Parlamento, já referido,
         a Comissão salientou que, no caso vertente, a recorrente era representada por advogados quando apresentou a sua reclamação.
         Ora, esse argumento é irrelevante, não tendo o facto de a recorrente ter sido assistida por advogados na redação da reclamação
         qualquer influência no seu direito a recorrer diretamente para o Tribunal da Função Pública.
      
      56      Em quarto lugar, a Comissão alegou que os processos de recrutamento e de seleção evoluíram bastante na sua complexidade e
         nomeadamente no que diz respeito às possibilidades de um candidato eliminado se informar sobre as decisões do júri e eventualmente
         de as contestar. Não obstante, a Comissão não demonstrou a pertinência destas constatações de facto respeitantes à admissibilidade
         de um recurso judicial interposto, em todo o caso, após o esgotamento de todas as vias de recurso específicas oferecidas aos
         candidatos aos concursos.
      
      57      Em quinto e último lugar, a Comissão afirmou, tanto nos seus articulados como na audiência, que num elevado número de situações
         a decisão relativa à reclamação dá aos candidatos eliminados uma resposta «satisfatória», o que é demonstrado pelo facto de
         o número de recursos em que o Tribunal da Função Pública é chamado a pronunciar‑se ser bastante menor que o de reclamações
         respeitantes a decisões de júri de concursos dirimidas pela Comissão.
      
      58      Ora, em primeiro lugar, o Tribunal da Função Pública constata que a Comissão não apoia estas afirmações em qualquer elemento
         de prova. Em segundo lugar, mesmo que estas afirmações fossem exatas, a Comissão admitiu que apenas em casos muito raros o
         júri de concurso é levado a alterar a sua posição inicial de não admitir um candidato a concorrer. Em terceiro lugar, o Guia
         do candidato indica expressamente no seu ponto 6.3, relativamente às vias de recurso que «[é] inútil apresentar uma reclamação
         contra uma decisão do júri, que decide com total independência e cujas decisões não podem ser alteradas pelo Diretor do EPSO».
         Em quarto lugar, mesmo que as afirmações da Comissão fossem provadas não poderiam invalidar uma jurisprudência assente segundo
         a qual a reclamação administrativa prévia obrigatória prevista no artigo 91.° do Estatuto apenas visa atos que a AIPN pode
         eventualmente alterar e o facto de a AIPN não poder reformar a decisão de um júri de concurso. Em quinto lugar, o argumento
         da Comissão é contraditório na medida em que a inadmissibilidade de um recurso interposto antes do termo do prazo de resposta
         à reclamação prévia tem por efeito desencorajar os candidatos eliminados de apresentar essas reclamações, uma vez que, segundo
         a própria Comissão, estas reclamações podem satisfazer os candidatos eliminados, pelo menos em alguns casos.
      
      59      À luz das considerações que precedem, importa portanto determinar se, no caso em apreço, o recurso direto para o Tribunal
         da Função Pública foi interposto no prazo de três meses e dez dias a contar da notificação da decisão lesiva para a recorrente
         (v. acórdão Burban/Parlamento, já referido, n.° 17).
      
      60      A este respeito, resulta dos autos que a recorrente tomou conhecimento da decisão recorrida em 6 de junho de 2011 e que o
         recurso foi interposto em 12 de julho seguinte.
      
      61      Tendo em conta o que foi exposto há que declarar que o recurso não é prematuro.
      
       Quanto ao mérito
       Quanto aos pedidos de anulação
      62      Em apoio dos seus pedidos para efeitos da anulação da decisão recorrida a recorrente invoca dois fundamentos baseados, respetivamente,
         em erro manifesto de apreciação do júri do concurso e na violação do princípio da boa administração e do dever de solicitude.
      
       Quanto ao primeiro fundamento, relativo ao erro manifesto de apreciação do júri do concurso
      –       Argumentos das partes
      63      A recorrente alega que o júri do concurso cometeu um erro manifesto de apreciação ao não ter em conta declarações, que figuram
         no formulário de inscrição, relativas aos seus estudos e à sua experiência profissional.
      
      64      Nomeadamente, segundo a recorrente, com base nas suas declarações, que figuram no formulário de inscrição, o júri do concurso
         devia ter‑lhe pedido para fornecer documentos comprovativos tanto do seu nível de ensino como das suas qualificações profissionais
         e certificar‑se da pertinência do seu diploma ou da sua experiência profissional em relação à natureza das funções mencionadas
         no anúncio de concurso.
      
      65      A Comissão responde que a recorrente tinha indicado na rubrica «Experiência profissional» do formulário de inscrição no concurso
         uma experiência profissional de 2 meses e 17 dias. Uma vez que o júri do concurso teve corretamente em consideração somente
         este período para apreciar a experiência profissional da recorrente, sem necessidade de obter mais detalhes da parte desta,
         considerou, sem incorrer em erro manifesto de apreciação, que esta experiência profissional era insuficiente para preencher
         a condição mínima de três anos. 
      
      66      Assim, a Comissão considera que o primeiro fundamento deve ser julgado manifestamente improcedente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      67      Importa recordar desde logo que, segundo jurisprudência assente, o júri de um concurso tem a responsabilidade de apreciar,
         caso a caso, se a experiência profissional apresentada por cada candidato corresponde ao nível exigido pelo anúncio de concurso.
         O júri dispõe, a este respeito, de um poder discricionário, no âmbito das disposições do Estatuto relativas aos procedimentos
         de concurso, no que respeita à apreciação tanto da natureza e da duração das experiências profissionais anteriores do candidatos
         como da relação, mais ou menos estreita, que estas possam apresentar com as exigências do lugar a prover (acórdãos do Tribunal
         de Primeira Instância de 25 de março de 2004, Petrich/Comissão, T‑145/02, n.° 37 e de 31 de janeiro de 2006, Giulietti/Comissão,
         T‑293/03, n.os 65 e 66).
      
      68      Assim, no âmbito da sua fiscalização da legalidade, o Tribunal da Função Pública deve limitar‑se a verificar que o exercício
         deste poder não foi viciado por erro manifesto (acórdão do Tribunal de Primeira Instância de 21 de novembro de 2000, Carrasco
         Benítez/Comissão, T‑214/99, n.° 71; acórdão do Tribunal da Função Pública de 1 de julho de 2010, Časta/Comissão, F‑40/09,
         n.° 58).
      
      69      Por outro lado, a jurisprudência teve a ocasião de precisar que o júri do concurso, para verificar se as condições de admissão
         estão cumpridas, pode unicamente ter em conta as indicações fornecidas pelos candidatos no seu ato de candidatura e os documentos
         comprovativos que lhes incumbe apresentarem em apoio do mesmo (v. acórdão Časta/Comissão, já referido, n.° 67 e jurisprudência
         referida).
      
      70      Na decisão recorrida, o júri do concurso concluiu que, uma vez que o diploma em direito e economia da União Europeia de que
         a recorrente é titular não tem uma relação direta com o domínio do concurso, ou seja, o secretariado, esta devia dispor, nos
         termos do ponto III.2.1, alínea b), do anúncio de concurso, de pelo menos três anos de experiência profissional enquanto secretária.
         Todavia, como não tinha fornecido, no formulário de inscrição, nenhum detalhe sobre a sua experiência profissional, salvo
         a duração de 2 meses e 17 dias, o júri do concurso considerou que a condição de experiência profissional não estava preenchida
         e recusou admitir a recorrente ao concurso por esse motivo.
      
      71      A recorrente precisou na audiência não contestar que o seu diploma não tem ligação direta com a natureza das funções mencionadas
         no anúncio de concurso e que devia, consequentemente, satisfazer as condições específicas previstas no ponto III.2.1, alínea
         b), do anúncio de concurso.
      
      72      A recorrente tão pouco contesta que, na rubrica do formulário de inscrição relativa à experiência profissional, apenas indicou
         um emprego de assistente na Comissão durante 2 meses e 17 dias. Todavia, na audiência reconheceu ter cometido, sem dúvida,
         um erro de escrita ao descrever a sua experiência profissional na rubrica do formulário de inscrição relativa à motivação.
      
      73      A este respeito, o Tribunal da Função Pública constata, com efeito, que na rubrica do formulário de inscrição relativa à motivação,
         a recorrente se limitou a declarar ter trabalhado como secretária administrativa durante mais de dez anos. Todavia, o seu
         ato de candidatura não continha qualquer outra informação que permitisse ao júri do concurso verificar o alcance e a pertinência
         desta experiência profissional à luz das condições de admissão ao concurso.
      
      74      De onde resulta que, à luz da jurisprudência recordada supra, não se pode acusar o júri do concurso de não ter convidado a recorrente a fornecer documentos adicionais ou não ter, ele
         próprio, procedido a pesquisas complementares relativamente a esta informação, que não era apoiada por nenhum elemento verificável
         a respeito da experiência profissional da recorrente (v. acórdão Carrasco Benítez/Comissão, já referido, n.os 77 e 78).
      
      75      Consequentemente, o júri do concurso não cometeu um erro manifesto ao considerar, com base nos elementos fornecidos pela recorrente
         no seu ato de candidatura, que a condição relativa à experiência profissional não estava preenchida.
      
      76      Consequentemente, há que julgar improcedente o primeiro fundamento.
      
       Quanto ao segundo fundamento, relativo à violação do princípio da boa administração e do dever de solicitude
      –       Argumentos das partes
      77      A recorrente acusa o júri do concurso de não ter tomado em consideração a totalidade dos elementos suscetíveis de determinar
         a sua decisão, entre os quais não apenas o interesse do serviço mas também o seu interesse pessoal, e alega que a decisão
         recorrida tem por efeito excluir do concurso uma candidata que corresponde a todos os níveis ao interesse do serviço.
      
      78      A Comissão pede que o fundamento seja julgado manifestamente improcedente.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      79      Em primeiro lugar, o Tribunal da Função Pública salienta que o ponto 2.1.3.1 do Guia do candidato, que faz parte integrante
         do anúncio de concurso e que a recorrente, aliás, anexou à petição, prevê claramente que as informações pedidas no momento
         da inscrição num concurso geral se referem, entre outras coisas, à «experiência profissional (quando exigida): nome e endereço
         do empregador, natureza das funções exercidas, data de início e termo das mesmas». No caso em apreço, era efetivamente exigida
         pelo anúncio de concurso uma indicação da experiência profissional.
      
      80      Em segundo lugar, há que lembrar que nos termos da jurisprudência recordada no n.os 67 a 69 do presente acórdão, um júri de concurso não tem que pedir aos candidatos que forneçam documentos complementares
         ou de proceder, ele próprio, a investigações para verificar se o interessado satisfaz todas as condições do anúncio de concurso.
      
      81      Em terceiro lugar, resulta das disposições do artigo 2.°, segundo parágrafo, do anexo III do Estatuto que as mesmas oferecem
         simplesmente uma faculdade ao júri de concurso de pedir aos candidatos informações complementares, quando subsista uma dúvida
         sobre o alcance de um documento apresentado. Não se pode, a este respeito, transformar em obrigação o que o legislador concebeu
         como uma simples faculdade para o júri de concurso (acórdão Carrasco Benítez/Comissão, já referido, n.° 78).
      
      82      Em quarto lugar, nos termos do título V, ponto 1 e do título VII, ponto 2, do anúncio de concurso, a apresentação do dossiê
         de candidatura completo e a verificação dos documentos comprovativos anexos é uma segunda etapa no decurso do concurso, à
         qual apenas são admitidos os candidatos que tenham obtido as melhores notas e o mínimo exigido nos teste de acesso e que,
         tendo em conta as suas declarações no momento da inscrição eletrónica, preencham as condições gerais e específicas do título
         III do anúncio de concurso.
      
      83      Em quinto e último lugar, mesmo admitindo que a mera alegação da recorrente, não apoiada em qualquer elemento de prova, de
         que corresponde a todos os níveis ao interesse do serviço, em razão do seu diploma e da sua experiência profissional, fosse
         demonstrada, não se pode acusar o júri do concurso de ter violado o princípio da boa administração ao tomar uma decisão baseada
         no facto de a recorrente não ter fornecido, no seu ato de candidatura, elementos suficientes que permitissem ao referido júri
         verificar que cumpria as condições específicas de admissão. Do mesmo modo, o dever de solicitude não impõe de todo a um júri
         que admita a concurso todos os candidatos que, no seu próprio entender, cumprem os requisitos dos lugares a prover.
      
      84      Consequentemente, o júri do concurso não violou o princípio da boa administração nem o seu dever de solicitude ao tomar a
         decisão recorrida sem ter previamente pedido informações complementares às declarações efetuadas no formulário de inscrição
         por uma candidata que não tinha fornecido nessa altura elementos suficientes que permitissem ao júri verificar que preenchia
         as condições específicas de admissão ao concurso.
      
      85      Por conseguinte, há que julgar improcedente o segundo fundamento.
      
       Quanto aos pedidos de indemnização
      86      Segundo jurisprudência constante em matéria de função pública, os pedidos de indemnização de um dano devem ser julgados improcedentes
         quando apresentem um nexo estreito com os pedidos de anulação que tenham, eles próprios, sido julgados improcedentes (acórdão
         do Tribunal da Função Pública de 23 de novembro de 2010, Wenig/Comissão, F‑75/09, n.° 71).
      
      87      No caso em apreço, há que observar que os pedidos de indemnização apresentam um nexo estreito com os pedidos de anulação que
         foram julgados improcedentes. Na medida em que o exame dos pedidos de anulação não revelou nenhuma ilegalidade suscetível
         de gerar responsabilidade da instituição, há que julgar improcedentes os pedidos de indemnização tanto no que diz respeito
         ao dano material como ao dano moral.
      
      88      Resulta do que precede que deve ser negado provimento ao recurso na sua totalidade.
      
       Quanto às despesas
      89      Nos termos do artigo 87.°, n.° 1, do Regulamento de Processo, sem prejuízo de outras disposições do Capítulo VIII, Título
         II, do referido regulamento, a parte vencida é condenada nas despesas, se a parte vencedora o tiver requerido. Por força do
         disposto no n.° 2 do mesmo artigo, o Tribunal da Função Pública pode decidir, quando razões de equidade o exijam, que uma
         parte vencida seja condenada apenas parcialmente nas despesas, ou mesmo que não seja condenada nas despesas.
      
      90      Resulta dos fundamentos acima enunciados que a recorrente é a parte vencida no recurso. Por outro lado, a Comissão pediu expressamente
         que a recorrente fosse condenada nas despesas. Não justificando as circunstâncias do caso em apreço a aplicação das disposições
         do artigo 87.°, n.° 2, do Regulamento de Processo, deve condenar a recorrente a suportar as suas próprias despesas e as despesas
         efetuadas pela Comissão.
      
      Pelos fundamentos expostos,
      O TRIBUNAL DA FUNÇÃO PÚBLICA (Terceira Secção)
      decide:
      1)      É negado provimento ao recurso.
      2)      A. Cristina é condenada a suportar as suas próprias despesas e as despesas efetuadas pela Comissão Europeia.
      
               Van Raepenbusch
            
            
               Barents
            
            
               Bradley
            
         Proferido em audiência pública no Luxemburgo, em 20 de junho de 2012.
      
               O secretário
            
             
            
                     O presidente
            
         
               W. Hakenberg
            
             
            
                     S. Van Raepenbusch
            
         * Língua do processo: francês.