CELEX: 62006CC0268
Language: pt
Date: 2008-01-09
Title: Conclusões da advogada-geral Kokott apresentadas em 9 de Janeiro de 2008. # Impact contra Minister for Agriculture and Food e outros. # Pedido de decisão prejudicial: Labour Court - Irlanda. # Directiva 1999/70/CE - Artigos 4.º e 5.º do acordo-quadro relativo a contratos de trabalho a termo - Contratos de trabalho a termo na administração pública - Condições de emprego - Remunerações e pensões - Renovação de contratos de trabalho a termo por um período até 8 anos - Autonomia processual - Efeito directo. # Processo C-268/06.

CONCLUSÕES DA ADVOGADA‑GERAL
      JULIANE KOKOTT
      apresentadas em 9 de Janeiro de 2008 1(1)
      
      Processo C‑268/06
      Impact
      [pedido de decisão prejudicial apresentado pela Labour Court, Dublin (Irlanda)]
      «Emprego a termo – Directiva 1999/70/CE – Acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo – Utilização abusiva de sucessivos contratos de trabalho a termo – Funcionários públicos – Condições de trabalho – Remuneração e direitos a pensões – Efeito directo de disposições previstas em directivas – Interpretação conforme com as directivas – Autonomia processual – Dúvida do órgão jurisdicional de reenvio quanto à sua competência relativamente a pedidos com fundamento directo no direito
         comunitário»
      I –    Introdução
      1.        Os tribunais nacionais têm o dever de aplicar disposições de direito comunitário com efeito directo mesmo que o direito interno
         não lhes tenha atribuído competência expressa para proceder a essa aplicação? É esta questão essencial que o tribunal de trabalho
         irlandês, a Labour Court, Dublin, coloca ao Tribunal de Justiça, no contexto das disposições de direito comunitário relativas
         ao emprego a termo, tal como se encontram previstas no acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo (2).
      
      2.        Além disso, a Labour Court solicita informação quanto à interpretação de duas disposições centrais desse acordo‑quadro, que
         prevêem, respectivamente, o princípio da não discriminação dos trabalhadores contratados a termo e medidas para evitar os
         abusos decorrentes da conclusão de sucessivos contratos de trabalho a termo. A Labour Court questiona ainda o alcance da sua
         obrigação de interpretar o direito nacional em conformidade com as directivas.
      
      3.        No presente caso, está em causa – tal como sucedeu nos processos Adeneler, Marrosu e Sardino, Vassallo e Del Cerro Alonso
         – o estabelecimento de relações de trabalho a termo com entidades patronais do sector público. O Tribunal de Justiça já esclareceu,
         nos referidos processos, que essas relações de trabalho também se encontram abrangidas pelo âmbito de aplicação do acordo‑quadro
         relativo a contratos de trabalho a termo (3).
      
      II – Quadro jurídico
      A –    Direito comunitário
      4.        O quadro jurídico comunitário deste caso é constituído pela Directiva 1999/70/CE do Conselho, de 28 de Junho de 1999, respeitante
         ao acordo‑quadro CES, UNICE e CEEP relativo a contratos de trabalho a termo (a seguir «Directiva 1999/70») (4). Através desta directiva aplica‑se o acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo (a seguir também «acordo‑quadro»),
         celebrado a 18 de Março de 1999 entre três organizações interprofissionais de vocação geral (CES, UNICE e CEEP) e que consta
         como anexo à referida directiva.
      
      5.        Em geral, o acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo visa enunciar «os princípios gerais e as prescrições mínimas
         em matéria de contratos e relações de trabalho a termo» e por esta via «melhorar a qualidade do trabalho com contrato a termo,
         garantindo a aplicação do princípio da não discriminação, e de estabelecer um quadro para impedir os abusos decorrentes da
         utilização de sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais a termo» (5).
      
      6.        Neste contexto, o acordo‑quadro assenta no pressuposto de «que os contratos de trabalho sem termo são e continuarão a ser
         a forma mais comum no que diz respeito à relação laboral entre empregadores e trabalhadores» (6). Mas o acordo‑quadro reconhece, simultaneamente, que «os contratos a termo constituem uma característica do emprego em certos
         sectores, ocupações e actividades, podendo ser da conveniência tanto dos empregadores como dos trabalhadores» (7). O acordo‑quadro pressupõe, ainda, que «a utilização de contratos a termo com base em razões objectivas, constitui uma forma
         de evitar abusos» (8).
      
      7.        O artigo 1.° do acordo‑quadro estabelece o seu objectivo:
      
      «O objectivo do presente acordo‑quadro consiste em:
      a)      Melhorar a qualidade do trabalho sujeito a contrato a termo garantindo a aplicação do princípio da não discriminação;
      b)      Estabelecer um quadro para evitar os abusos decorrentes da utilização de sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais
         a termo.»
      
      8.        O artigo 4.° do acordo‑quadro consagra o princípio da não discriminação, nos seguintes termos:
      
      «1.      No que diz respeito às condições de emprego, não poderão os trabalhadores contratados a termo receber tratamento menos favorável
         do que os trabalhadores permanentes numa situação comparável pelo simples motivo de os primeiros terem um contrato ou uma
         relação laboral a termo, salvo se razões objectivas justificarem um tratamento diferente.
      
      2.      Sempre que adequado, será aplicado o princípio pro rata temporis.
      
      3.      Os Estados‑Membros, após consulta dos parceiros sociais, e/ou os parceiros sociais deverão definir as modalidades de aplicação
         do presente artigo, tendo em conta a legislação comunitária, a legislação nacional, as convenções colectivas e as práticas
         nacionais.
      
      4.      O período de qualificação de serviço relativo a condições particulares de trabalho, deverá ser o mesmo para os trabalhadores
         contratados sem termo e para os trabalhadores contratados a termo, salvo quando razões objectivas justifiquem que sejam considerados
         diferentes períodos de qualificação.»
      
      9.        O artigo 5.° do acordo‑quadro respeita às medidas para evitar os abusos decorrentes da conclusão de sucessivos contratos de
         trabalho ou relações laborais a termo:
      
      «1.      Para evitar os abusos decorrentes da conclusão de sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais a termo e sempre que
         não existam medidas legais equivalentes para a sua prevenção, os Estados‑Membros, após consulta dos parceiros sociais e de
         acordo com a lei, acordos colectivos ou práticas nacionais, e/ou os parceiros sociais deverão introduzir, de forma a que se
         tenham em conta as necessidades de sectores e/ou categorias de trabalhadores específicos, uma ou várias das seguintes medidas:
      
      a)      Razões objectivas que justifiquem a renovação dos supramencionados contratos ou relações laborais;
      b)      Duração máxima total dos sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais a termo;
      c)      Número máximo de renovações dos contratos ou relações laborais a termo.
      2.      Os Estados‑Membros, após consulta dos parceiros sociais, e/ou os parceiros sociais, deverão, sempre que tal seja necessário,
         definirem que condições os contratos de trabalho ou relações de trabalho a termo deverão ser considerados:
      
      a)      Como sucessivos;
      b)      Como celebrados sem termo.»
      10.      Por fim, determina o artigo 8.°, n.° 5, do acordo‑quadro:
      
      «A prevenção, assim como a resolução dos litígios e queixas que decorram da aplicação do presente acordo, deverá efectuar‑se
         em: conformidade com a legislação, convenções colectivas e práticas nacionais.»
      
      11.      A Directiva 1999/70 deixa aos Estados‑Membros o encargo de definirem os termos empregues no acordo quadro, sem nele estarem
         definidos especificamente, em conformidade com o direito e/ou as práticas nacionais e desde que essas definições respeitem
         o conteúdo do acordo‑quadro (9). Deste modo, pretende‑se que sejam tidas em conta a situação em cada Estado‑Membro e as circunstâncias de sectores e ocupações
         concretos, incluindo as actividades de carácter sazonal (10).
      
      12.      O artigo 3.° da Directiva 1999/70 estabelece como momento da sua entrada em vigor a data da sua publicação no Jornal Oficial das Comunidades Europeias, portanto, o dia 10 de Julho de 1999.
      
      13.      Nos termos do artigo 2.°, primeiro parágrafo, da Directiva 1999/70, os Estados‑Membros têm o dever de «pôr em vigor as disposições
         legislativas, regulamentares e administrativas necessárias para dar cumprimento à presente directiva até 10 de Julho de 2001
         ou devem certificar‑se, até essa data, de que os parceiros sociais puseram em prática as disposições necessárias por via de
         acordo». Segundo o artigo 2.°, n.° 2, da Directiva 1999/70, os Estados‑Membros podem, se necessário e após consulta dos parceiros
         sociais, para ter em conta dificuldades especiais ou para efectuar a aplicação através de convenção colectiva, dispor, no
         máximo, de um ano suplementar. Contudo, a Irlanda não fez uso desta possibilidade.
      
      14.      Para além da Directiva 1999/70 e do acordo‑quadro, importa ainda ter em conta as disposições sociais do Tratado CE, nomeadamente
         o artigo 137.° CE e o artigo 139.° CE.
      
      15.      O artigo 137.° CE dispõe o seguinte:
      
      «1.      A fim de realizar os objectivos enunciados no artigo 136.°, a Comunidade apoiará e completará a acção dos Estados‑Membros
         nos seguintes domínios:
      
      [...]
      b)      condições de trabalho;
      [...]
      2.      Para o efeito, o Conselho pode:
      [...]
      b)      Adoptar, nos domínios referidos nas alíneas a) e i) do n.° 1, por meio de directivas, prescrições mínimas progressivamente
         aplicáveis, tendo em conta as condições e as regulamentações técnicas existentes em cada um dos Estados‑Membros. Essas directivas
         devem evitar impor disciplinas administrativas, financeiras e jurídicas contrárias à criação e ao desenvolvimento de pequenas
         e médias empresas.
      
      [...]
      5.      O disposto no presente artigo não é aplicável às remunerações, ao direito sindical, ao direito de greve e ao direito de ‘lock‑out’.»
      16.      Além disso, o artigo 139.° CE estabelece o seguinte:
      
      «1.      O diálogo entre os parceiros sociais ao nível comunitário pode conduzir, se estes o entenderem desejável, a relações contratuais,
         incluindo acordos.
      
      2.      Os acordos celebrados ao nível comunitário serão aplicados, quer de acordo com os processos e práticas próprios dos parceiros
         sociais e dos Estados‑Membros quer, nas matérias abrangidas pelo artigo 137.°, a pedido conjunto das partes signatárias, com
         base em decisão adoptada pelo Conselho, sob proposta da Comissão.
      
      [...]»
      B –    Direito nacional
      Lei de 2003 de protecção dos trabalhadores com contrato de trabalho a termo
      17.      A Directiva 1999/70 foi transposta para o direito irlandês através da Lei n.° 29 de 2003 de protecção dos trabalhadores com
         contrato de trabalho a termo (11) (a seguir «Lei de 2003»). Esta lei entrou em vigor no dia 14 de Julho de 2003.
      
      18.      Resulta do artigo 6.°, n.° 1, em conjugação com o artigo 2.°, n.° 1, ambos da Lei de 2003, que os trabalhadores contratados
         a termo, no que toca às suas condições de trabalho, incluindo a remuneração e o regime de pensão, não podem ser tratados pior
         do que trabalhadores permanentes em situação comparável. Contudo, no que respeita à pensão de velhice, o artigo 6.°, n.° 5,
         da Lei de 2003 prevê que a proibição de discriminação só se aplique a trabalhadores contratados a termo cuja carga horária
         semanal normal não seja inferior a 20% da carga horária normal de um trabalhador permanente.
      
      19.      Resulta do artigo 9.°, n.° 1, da Lei de 2003 que o contrato de trabalho a termo de um trabalhador que no momento da aprovação
         desta Lei de 2003 ou em momento posterior tenha completado três anos de trabalho ininterrupto para o seu empregador só se
         pode renovar uma vez e pelo período máximo de um ano. Nos termos do artigo 9.°, n.° 3, desta lei, as cláusulas de um contrato
         de trabalho contrárias ao n.° 1 são nulas (12), passando‑se a considerar o contrato como celebrado sem termo.
      
      20.      Um empregador pode não estar sujeito às exigências dos referidos artigos 6.° e 9.° quando existam razões objectivas nesse
         sentido (13). O artigo 7.° especifica quais as razões que podem ser consideradas «razões objectivas». 
      
      21.      O artigo 14.° da Lei de 2003 dispõe que uma acção contra um empregador, em que se alegue uma infracção a esta mesma lei, deve
         ser apresentada em primeira instância a um comissário de direitos, denominado «Rights Commissioner» (14); a acção pode ser apresentada por um trabalhador ou – com a concordância deste – por um sindicato ao qual o trabalhador pertença.
         O Rights Commissioner decide a acção após audição das partes, sendo que pode ordenar que sejam tomadas as medidas previstas
         no artigo 14.°, n.° 2, da Lei de 2003. Pode, nomeadamente, impor ao empregador o pagamento de uma indemnização adequada, até
         ao limite máximo do dobro da remuneração anual do demandante.
      
      22.      O artigo 15.° da Lei de 2003 dispõe que as partes podem recorrer da decisão do Rights Commissioner para a Labour Court. É
         ainda possível recorrer para a High Court quando estiverem em causa questões de direito. A decisão da High Court é final e
         definitiva.
      
      23.      Segundo o órgão jurisdicional de reenvio, a competência do Rights Commissioner e da Labour Court encontra‑se limitada às competências
         que lhes são atribuídas por lei. Nenhum destes órgãos tem competência expressa para decidir acerca de um pedido baseado numa
         disposição de direito comunitário com efeito directo, salvo se se enquadrar no âmbito da legislação que lhes atribui competência.
      
      Especificidades do direito da função pública irlandês
      24.      O órgão jurisdicional de reenvio salienta as seguintes especificidades do direito da função pública irlandês.
      
      25.      Os funcionários públicos da Irlanda são recrutados a título «permanente» ou «extraordinário». 
      
      26.      O recrutamento para lugares «permanentes» realiza‑se por concurso público, sendo que é proibida a nomeação de uma pessoa contratada
         a título temporário para um lugar «permanente». Diversamente, o recrutamento de funcionários públicos extraordinários realiza‑se
         por concurso público ou por recrutamento a nível local e pode estar sujeito a termo. 
      
      27.      Nos termos da regulamentação dos direitos a pensões dos funcionários públicos, existem regimes distintos para funcionários
         públicos permanentes e extraordinários. Existem também diferenças consideráveis entre a regulamentação em matéria de despedimentos
         aplicável a funcionários públicos permanentes e a funcionários públicos extraordinários. A consequência prática destas diferenças
         é que a segurança no emprego dos funcionários públicos permanentes é consideravelmente maior do que a dos funcionários públicos
         extraordinários. Entretanto, foram abolidas outras diferenças que anteriormente existiam, por exemplo no tocante à segurança
         social.
      
      III – Matéria de facto e processo principal
      28.      O IMPACT é um sindicato que representa os interesses de funcionários públicos da Irlanda. No litígio principal, o IMPACT,
         enquanto representante de 91 membros seus, opõe‑se a vários Ministérios irlandeses que empregavam ou empregam os funcionários
         públicos sindicalizados em causa (a seguir também «demandantes»), na qualidade de funcionários extraordinários e através de
         relações de trabalho a termo sucessivamente estabelecidas e de duração diferenciada. 
      
      29.      As relações de trabalho a termo dos demandantes foram estabelecidas, todas elas, antes de 14 de Julho de 2003, tendo perdurado
         para além desta data. Alguns dos demandantes prestaram serviço ininterrupto nos respectivos Ministérios durante menos de três
         anos e consequentemente apenas reclamam condições de trabalho iguais às dos trabalhadores sem termo numa situação comparável.
         Os outros demandantes tinham mais de três anos de serviço ininterrupto; exigem não apenas condições de trabalho iguais, mas
         também relações de trabalho sem termo.
      
      30.      O motivo do recurso aos contratos de trabalho a termo era constituído pela necessidade de suprir faltas temporárias ou pela
         inexistência de uma garantia duradoura de financiamento dos postos de trabalho em causa. A prática corrente dos Ministérios
         em causa era a de renovar contratos de trabalho a termo por períodos entre 12 e 24 meses. No entanto, no período imediatamente
         anterior à entrada em vigor da Lei de 2003, o Ministério dos Negócios Estrangeiros renovou os contratos de vários demandantes
         submetendo‑os a termos que iam até oito anos.
      
      31.      Os demandantes, representados pelo IMPACT, invocaram perante o Rights Commissioner a violação do direito à igualdade de tratamento,
         em especial ao não lhes ser atribuído o mesmo nível salarial e os mesmos direitos a pensões que são reconhecidos aos funcionários
         públicos permanentes que, segundo alegam, são trabalhadores permanentes numa situação comparável. Além disso, os demandantes
         alegaram ainda que a renovação sucessiva dos contratos de trabalho a termo por parte dos Ministérios em causa constituía um
         abuso.
      
      32.      Em relação ao período entre 10 de Julho de 2001 e 14 de Julho de 2003 – o período entre a data em que a Directiva 1999/70
         devia ter sido transposta e a data da respectiva transposição na Irlanda –, os demandantes fundamentaram os respectivos pedidos
         nos artigos 4.° e 5.° do acordo‑quadro e invocaram o respectivo efeito directo. No que respeita ao período posterior a 14
         de Julho de 2003 os demandantes invocaram o artigo 6.° da Lei de 2003.
      
      33.      Os Ministérios em causa impugnaram desde logo a competência do Rights Commissioner para conhecer dos pedidos, na parte em
         que se baseiam na Directiva 1999/70. Afirmaram que a competência do Rights Commissioner se limitava a poder decidir dos pedidos
         em que se alagava uma infracção ao direito nacional relevante. Subsidiariamente, os Ministérios afirmaram que os artigos 4.°
         e 5.° do acordo‑quadro não eram incondicionais nem suficientemente precisos, não podendo ser invocados por particulares perante
         os respectivos órgãos jurisdicionais nacionais. Afirmaram também que o artigo 4.° do acordo‑quadro não confere a um trabalhador
         contratado a termo o direito a uma remuneração e pensão iguais aos de um trabalhador permanente em situação comparável.
      
      34.      O Rights Commissioner concluiu que a sua competência também abrangia o período compreendido entre a data em que a Directiva
         1999/70 devia ter sido transposta e a data em que a mesma foi efectivamente transposta na Irlanda. Além disso, partiu também
         do princípio de que o princípio da não discriminação nas condições de trabalho, a que se refere o artigo 4.° do acordo‑quadro,
         abrange a remuneração e os direitos a pensões. O Rights Commissioner concluiu que o artigo 4.° do acordo‑quadro tem efeito
         directo, mas não o artigo 5.°
      
      35.      O Rights Commissioner julgou procedentes os pedidos dos demandantes, com excepção dos que se baseavam no artigo 5.° do acordo‑quadro.
         Declarou que os Ministérios violaram os direitos dos demandantes ao abrigo tanto do direito nacional como da Directiva 1999/70,
         ao atribuir‑lhes condições de trabalho menos favoráveis do que aos trabalhadores permanentes em situação comparável. O Rights
         Commissioner considerou os funcionários demandantes como trabalhadores permanentes.
      
      36.      O Rights Commissioner, nos termos do artigo 14.°, n.° 2, da Lei de 2003, concedeu aos demandantes uma indemnização, que variou
         entre os 2 000 euros e os 40 000 euros. Além disso, condenou os Ministérios em causa a aplicarem aos demandantes termos e
         condições de trabalho equivalentes às aplicáveis aos trabalhadores permanentes em situação comparável. Por fim, o Rights Commissioner
         reconheceu ainda, em relação a alguns demandantes, o direito a um contrato sem termo, com condições não menos favoráveis do
         que as aplicáveis aos trabalhadores permanentes em situação comparável.
      
      37.      Os Ministérios em causa recorreram para a Labour Court, Dublin, da decisão do Rights Commissioner. O IMPACT interpôs recurso
         subordinado da decisão do Rights Commissioner, na parte em que este declarou que o artigo 5.° do acordo‑quadro não produzia
         efeito directo.
      
      IV – Pedido de decisão prejudicial e tramitação processual no Tribunal de Justiça
      38.      Por decisão de 12 de Junho de 2006, que deu entrada no Tribunal de Justiça no dia 19 de Junho de 2006, a Labour Court, Dublin,
         suspendeu a instância e submeteu ao Tribunal de Justiça as seguintes questões prejudiciais:
      
      1)      Ao decidir uma causa em primeira instância nos termos de uma disposição de direito interno ou ao decidir um recurso dessa
         decisão, devem os Rights Commissioners e a Labour Court, por força de algum princípio de direito comunitário (em especial,
         dos princípios da equivalência e da efectividade), aplicar uma disposição com efeito directo da Directiva 1999/70/CE do Conselho,
         de 28 de Junho de 1999, nos casos em que:
      
      –      Não foi expressamente atribuída competência nesse sentido ao Rights Commissioner ou à Labour Court pelo direito interno do
         Estado‑Membro, incluindo as disposições de direito interno de transposição da directiva,
      
      –      Os particulares podem intentar acções alternativas na High Court pelo facto de o seu empregador não ter aplicado a directiva
         às suas circunstâncias particulares, e
      
      –      Os particulares podem intentar acções alternativas num tribunal comum competente contra o Estado‑Membro a fim de obter uma
         indemnização pelos danos resultantes do facto de o Estado‑Membro não ter cumprido a obrigação de transpor a directiva dentro
         do prazo?
      
      2)      Se a resposta à primeira questão for afirmativa,
      a)      O artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo anexo à Directiva 1999/70 é incondicional e
         suficientemente preciso nos seus termos de forma a poder ser invocado pelos particulares perante os seus órgãos jurisdicionais
         nacionais?
      
      b)      O artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo anexo à Directiva 1999/70 é incondicional e
         suficientemente preciso nos seus termos de forma a poder ser invocado pelos particulares perante os seus órgãos jurisdicionais
         nacionais?
      
      3)      Atendendo às respostas do Tribunal de Justiça à primeira questão e à segunda questão, alínea b),
      O artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo anexo à Directiva 1999/70 obsta a que um Estado‑Membro,
         agindo na qualidade de empregador, renove um contrato de trabalho a termo por uma duração máxima de oito anos no período após
         a referida directiva dever ter sido transposta e antes de a legislação de transposição ter sido aprovada na ordem jurídica
         interna, nos casos em que:
      
      –      em todas as ocasiões anteriores o contrato tinha sido renovado por períodos de tempo mais curtos e o empregador exige que
         o trabalhador trabalhe durante o período alargado,
      
      –      a renovação pelo período alargado tem como efeito evitar que um particular beneficie plenamente da aplicação do artigo 5.°
         do acordo‑quadro quando transposto para o direito interno, e
      
      –      não existem razões objectivas, não relacionadas com a qualidade de trabalhador contratado a termo, para essa renovação.
      4)      Se a resposta à primeira ou à segunda questão for negativa,
      Devem o Rights Commissioner e a Labour Court, por força de alguma disposição de direito comunitário (em especial, a obrigação
         de interpretar o direito interno à luz da letra e da finalidade da directiva para atingir o resultado por ela prosseguido),
         interpretar as disposições de direito interno aprovadas para transposição da Directiva 1999/70, no sentido de que têm efeito
         retroactivo à data em que a referida directiva devia ter sido transposta, nos casos em que:
      
      –      a redacção da disposição de direito interno não exclui expressamente essa interpretação; mas
      –      uma norma de direito interno relativa à interpretação de leis exclui essa aplicação retroactiva, salvo indicação clara e não
         ambígua em contrário?
      
      5)      Se a resposta à primeira ou à quarta questão for afirmativa,
      As «condições de emprego» a que se refere o artigo 4.° do acordo‑quadro anexo à Directiva 1990/70 incluem as condições de
         um contrato de trabalho relativas à remuneração e às pensões?
      
      39.      No processo perante o Tribunal de Justiça, para além do IMPACT, apresentaram observações escritas e orais os Ministérios irlandeses
         demandados no processo principal, o Governo do Reino Unido e a Comissão das Comunidades Europeias. O Governo neerlandês apresentou
         também observações escritas.
      
      V –    Apreciação
      A –    Primeira questão: dever de aplicação das disposições do direito comunitário com efeito directo, na falta de competência expressa
            para o efeito
      Observações preliminares
      40.      A Labour Court, através da sua primeira questão, pretende essencialmente saber se um órgão jurisdicional nacional tem o dever
         de aplicar disposições de direito comunitário com efeito directo numa situação em que o direito interno não lhe atribui expressamente
         essa competência, mas tem competência para aplicar o diploma de transposição relativo a essas disposições, podendo o interessado
         invocá‑las directamente apenas perante outros órgãos jurisdicionais internos e em condições menos favoráveis. 
      
      41.      Esta questão pode começar por afigurar‑se inusitada. Para a sua melhor compreensão é necessário dar uma olhada ao sistema
         da competência judiciária na Irlanda.
      
      42.      Segundo o órgão jurisdicional de reenvio, tanto o Rights Commissioner como a Labour Court irlandeses só têm poder decisório
         na medida em que essa competência lhes tenha sido atribuída por lei. Nem o Rights Commissioner nem a Labour Court têm competência
         expressa para decidir pedidos baseados numa disposição de direito comunitário com efeito directo, salvo se esta se enquadrar
         no âmbito da legislação que lhes atribui competência.
      
      43.      Neste quadro, os Ministérios em causa, enquanto demandados no processo principal, defenderam‑se invocando a incompetência
         do Rights Commissioner e da Labour Court para decidir os pedidos formulados pelos demandantes, na parte em que se baseiam
         directamente na Directiva 1999/70.
      
      44.      Este problema de competência tem relevância prática em relação ao período anterior a 14 de Julho de 2003, durante o qual a
         Directiva 1999/70 ainda não tinha sido transposta para o direito irlandês. Pois é em relação a este período temporal que os
         demandantes invocam directamente a referida directiva e o acordo‑quadro que se lhe encontra anexo, relativo a contratos de
         trabalho a termo.
      
      A autonomia processual dos Estados‑Membros e os limites à mesma
      45.      Nem a Directiva 1999/70 nem o acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo prevêem regras próprias acerca da competência
         para dirimir litígios relativos a pedidos neles baseados. Antes pelo contrário, o artigo 8.°, n.° 5, do acordo‑quadro remete
         expressamente para a legislação, as convenções colectivas e as práticas nacionais.
      
      46.      Assim sendo, o ponto de partida para se responder à questão submetida ao Tribunal de Justiça é o princípio da autonomia processual dos Estados‑Membros (15). Segundo jurisprudência constante, na ausência de regulamentação comunitária na matéria, compete à ordem jurídica interna
         de cada Estado‑Membro designar os órgãos jurisdicionais competentes e regular as modalidades processuais das acções judiciais
         destinadas a garantir a salvaguarda dos direitos conferidos aos cidadãos pelo direito comunitário (16).
      
      47.      Tendo em conta esta autonomia processual, não compete ao Tribunal de Justiça intervir na solução dos problemas de competência
         que possa suscitar, no quadro da organização judiciária nacional, a qualificação de certas situações jurídicas assentes no
         direito comunitário (17).
      
      48.      Contudo, resulta do princípio da cooperação (artigo 10.° CE) que os Estados‑Membros – incluindo os órgãos jurisdicionais nacionais
         – têm o dever, no âmbito da sua autonomia processual, de assegurar a protecção jurisdicional dos direitos conferidos aos particulares
         pelo direito comunitário (18); os Estados‑Membros são responsáveis por assegurar, em todas as circunstâncias, a protecção efectiva desses direitos (19).
      
      49.      Daqui resulta o princípio da tutela jurisdicional efectiva, que segundo jurisprudência constante constitui um princípio geral
         do direito comunitário, que decorre das tradições constitucionais comuns aos Estados‑Membros (20) e que portanto também deve ser tido em conta pelos mesmos na aplicação do direito comunitário (21).
      
      50.      Contudo, a fim de se conseguir assegurar, em todas as circunstâncias, a protecção efectiva dos direitos individuais decorrentes
         do direito comunitário, tem que se garantir a cada indivíduo o acesso, em termos apropriados, aos órgãos jurisdicionais nacionais.
         Este acesso é decisivamente determinado quer através da fixação da competência judiciária quer através da concepção das modalidades
         processuais das acções judiciais de que, em cada momento, se pode dispor. Neste sentido, não existe nenhuma diferença essencial
         entre as normas que regulam a competência e as que regulam o processo: é que uma configuração desfavorável do processo pode
         dificultar tanto o acesso do indivíduo aos órgãos jurisdicionais nacionais como um regime de competência desfavorável.
      
      51.      Por isso, nem o regime da competência nem o regime das modalidades processuais que visam assegurar a protecção dos direitos
         conferidos aos particulares pelo direito comunitário podem estar configurados de modo menos favorável do que o regime da competência
         e o regime das modalidades processuais das acções análogas de direito interno (princípio da equivalência) e não podem tornar impossível na prática ou excessivamente difícil o exercício dos direitos conferidos pela ordem jurídica
         comunitária (princípio da efectividade) (22).
      
      52.      Cabe analisar, à luz destes princípios da equivalência e da efectividade, se é conciliável com o direito comunitário uma situação
         como a presente, em que se nega a competência da jurisdição laboral irlandesa (composta pelos Rights Commissioners e pelo
         Labour Court) para apreciar direitos directamente baseados na Directiva 1999/70 e no acordo‑quadro, relativos ao período anterior
         a 14 de Julho de 2003, e se remete os demandantes para os tribunais comuns irlandeses, onde deverão intentar nova acção para
         obterem o reconhecimento desses mesmos direitos.
      
      53.      Neste contexto, é ao órgão jurisdicional de reenvio, que é quem dispõe de conhecimento directo das modalidades processuais
         para acções no âmbito do direito interno, que compete analisar se os princípios da equivalência e da efectividade são respeitados
         no caso concreto. Todavia, tendo em vista a apreciação que o órgão jurisdicional de reenvio deverá efectuar, o Tribunal de
         Justiça pode fornecer‑lhe certos elementos relativos à interpretação do direito comunitário (23).
      
      O princípio da efectividade
      54.      Importa antes de mais analisar, no tocante ao princípio da efectividade, se, caso se negue aos demandantes a competência da
         jurisdição laboral irlandesa para apreciar os pedidos relativos ao período anterior a 14 de Julho de 2003, remetendo‑os para
         os tribunais comuns irlandeses, não se estará a tornar na prática impossível ou excessivamente difícil o exercício dos direitos
         decorrentes da Directiva 1999/70.
      
      55.      O simples facto de em determinado Estado‑Membro certos direitos não poderem ser invocados perante todos os órgãos jurisdicionais
         nacionais, estando antes reservados a certa jurisdição, não constitui, só por si, uma violação do princípio da efectividade.
         Na verdade, uma determinada especialização dentro do sistema judiciário pode corresponder à satisfação de uma necessidade
         legítima, visando uma organização o mais eficiente possível da administração da justiça, e existe em múltiplos Estados‑Membros,
         sob as mais diversas formas.
      
      56.      Tanto quanto se sabe, no âmbito de uma acção intentada perante os tribunais comuns irlandeses poder‑se‑ia sempre, em princípio,
         invocar directamente disposições da Directiva 1999/70 ou do acordo‑quadro. Pois segundo o órgão jurisdicional de reenvio,
         os demandantes poderiam processar o Estado irlandês, enquanto seu empregador, e por esta via solicitar protecção jurídica
         directa contra a alegada violação dos seus direitos decorrentes da referida directiva (24); não estariam, de modo algum, limitados a protecção jurídica ao nível do direito derivado e sob a forma de direito a reparação
         contra o Estado irlandês, por transposição tardia da Directiva 1999/70 (25).
      
      57.      Não obstante, o presente caso caracteriza‑se pela particularidade de os demandantes invocarem os seus direitos assentes no
         direito comunitário, contra o respectivo empregador, tanto para o período anterior a 14 de Julho de 2003 – ou seja, antes
         da transposição da Directiva 1999/70 para o direito irlandês – como também para o período posterior.
      
      58.      Os demandantes fazem derivar os seus direitos, relativos ao período anterior a 14 de Julho de 2003, directamente da Directiva
         1999/70 e do acordo‑quadro, e os relativos ao período posterior a 14 de Julho de 2003, da Lei de 2003 irlandesa, aprovada
         para transposição da referida directiva. Mas independentemente destes fundamentos jurídicos formalmente distintos, pedem tanto
         para o período anterior a 14 de Julho de 2003 como para o período posterior a mesma protecção enquanto trabalhadores contratados
         a termo, o que acaba sempre, em última análise, por remontar à Directiva 1999/70.
      
      59.      Ora, se os demandantes só pudessem invocar directamente a Directiva 1999/70, relativamente ao período de tempo anterior à
         sua transposição, perante os tribunais comuns irlandeses, e não perante a jurisdição laboral irlandesa, estariam a ser obrigados,
         na prática, a instaurar dois processos paralelos, a fim de conseguirem a protecção que o direito comunitário lhes reconhece:
         um primeiro processo nos tribunais comuns, relativo ao período que decorreu até à – tardia – transposição da directiva para
         o direito irlandês, e um segundo processo na jurisdição laboral, relativo ao período de tempo posterior.
      
      60.      Os Ministérios irlandeses demandados alegam que os demandantes poderiam ter evitado essa dupla oneração se tivessem antecipadamente
         escolhido o tribunal de competência genérica. E observam que a competência dos tribunais de trabalho irlandeses é facultativa (26), não tendo os demandantes sido obrigados a litigar perante o Rights Commissioner e a Labour Court relativamente ao período
         a partir de 14 de Julho de 2003. Pelo contrário, poderiam ter apresentado todas as suas pretensões nos tribunais comuns irlandeses,
         quer para o período anterior quer para o período posterior a 14 de Julho de 2003.
      
      61.      A IMPACT não contestou expressamente este último argumento nas suas alegações orais. Na opinião da IMPACT, a competência dos
         tribunais de trabalho irlandeses, nos termos da lei de 2003, é imperativa. Em qualquer caso, o número de casos relativos a
         contratos a termo que foram resolvidos pelos tribunais de competência genérica é, até agora, muito pouco significativo.
      
      62.      Não cabe ao Tribunal de Justiça pronunciar‑se sobre a interpretação do direito nacional. No quadro da repartição das competências
         entre os tribunais comunitários e os tribunais dos Estados‑Membros, cabe ao Tribunal de Justiça ter em conta o contexto factual
         e regulamentar no qual se inserem as questões prejudiciais, tal como definido pela decisão de reenvio (27). Decisão prejudicial esclarece que a competência dos tribunais de trabalho irlandeses, nos termos da Lei de 2003, é imperativa(28).
      
      63.      Neste quadro, tem de partir‑se do princípio de que os demandantes têm de propor dois processos em duas jurisdições diferentes
         para conseguirem obter a tutela jurídica completa que lhes é atribuída pela Directiva 1999/70 e pelo acordo‑quadro enquanto
         trabalhadores a termo. Tal dupla oneração com dois processos e respectivos riscos e especificidades iria dificultar extraordinariamente
         aos demandantes a eficaz execução da protecção que o direito comunitário lhes garante enquanto trabalhadores contratados a
         termo. Esta situação não é conciliável com o princípio da efectividade.
      
      64.      Mas mesmo que a competência dos tribunais de trabalho irlandeses fosse de natureza facultativa seria sempre de ter em conta
         que se trata de uma jurisdição especializada, a que o legislador irlandês atribuiu a solução de litígios laborais decorrentes de contratos a termo no quadro da transposição
         da Directiva 1999/70. A protecção que a directiva atribui aos trabalhadores contratados a termo deve poder ser obtida de forma
         abrangente nessa jurisdição especializada. Trata‑se, na essência, de uma mesma e única protecção, quer resulte directa ou
         indirectamente – através da legislação nacional – da directiva (29).
      
      65.      Uma separação das competências para a aplicação da directiva e para a aplicação da lei nacional aprovada para a sua transposição
         dificultaria claramente a efectiva execução da protecção conferida pelo direito comunitário aos trabalhadores em causa. Até
         mesmo o efeito directo do direito comunitário, que visa garantir a efectiva execução dos direitos atribuídos pelo direito
         comunitário aos particulares em caso de falta de transposição pelas autoridades nacionais, ficaria desta forma diminuído (30). 
      
      66.      O princípio da efectividade exige que um tribunal a que cabe aplicar a lei nacional de transposição de uma directiva também
         possa conhecer de pretensões fundamentadas na directiva relativamente ao período anterior à sua transposição.
      
      O princípio da equivalência
      67.      O princípio da equivalência é corolário do princípio geral da igualdade de tratamento e da não discriminação, que exige que
         situações comparáveis não sejam tratadas de modo diferente e que situações diferentes não sejam tratadas de modo igual, excepto
         se esse tratamento for objectivamente justificado (31).
      
      68.      Os pedidos formulados pelos demandantes na jurisdição laboral irlandesa têm por objectivo, tal como já foi referido, a sua
         protecção enquanto trabalhadores contratados a termo, nos termos garantidos pelo direito comunitário (32). Como já foi referido, trata‑se tanto no que toca ao período anterior como no que toca ao período posterior a 14 de Julho
         de 2003, da mesma protecção, a qual remonta sempre à Directiva 1999/70, independentemente de resultar directa ou indirectamente
         – através da lei nacional de transposição – da directiva.
      
      69.      Portanto, caso os demandantes sejam remetidos, para reconhecimento de parte dos seus direitos – os direitos relativos ao período
         de tempo anterior a 14 de Julho de 2003 –, para acções distintas a intentar contra os respectivos empregadores junto dos tribunais
         comuns, então – ao contrário do que defendem os Ministérios demandados – é a equivalência destas acções com os meios processuais
         a apresentar na jurisdição laboral, relativamente ao período posterior, que deve ser analisada. Com os dois tipos de meios
         processuais deve ser conseguida a mesma protecção dos trabalhadores contratados a termo decorrente da directiva, implicando
         o princípio da equivalência que os requisitos da instauração de um processo directamente baseado na directiva não sejam menos
         favoráveis do que os requisitos aplicáveis a um processo baseado nas disposições nacionais de transposição.
      
      70.      Compete ao órgão jurisdicional de reenvio analisar tanto o objecto como as principais características dos meios processuais
         supostamente comparáveis, previstos pelo direito interno; deve apreciar as diferentes modalidades processuais no seu contexto
         geral, levando portanto em conta o lugar das disposições aplicáveis em causa no conjunto do processo, a marcha do processo
         e as suas particularidades perante as diversas instâncias nacionais (33).
      
      71.      Assim, o princípio da equivalência é violado, por exemplo, quando a pessoa que invoca um direito conferido pela ordem jurídica
         comunitária fica sujeita a despesas e prazos suplementares em relação a outra que baseie o seu recurso num direito de natureza
         puramente interna (34).
      
      72.      No presente caso, segundo o que vem referido no pedido de decisão prejudicial, existem diferenças significativas entre os
         meios processuais de que os trabalhadores contratados a termo, como sucede com os ora demandantes, podem deitar mão contra
         o respectivo empregador, por um lado junto de um Rights Commissioner e da Labour Court, e, por outro, junto dos tribunais
         comuns irlandeses.
      
      73.      Assim, descrevem‑se os processos a instaurar junto dos tribunais comuns irlandeses como consideravelmente mais formais, complexos,
         dispendiosos e longos. São pagas taxas de justiça e existe um risco decorrente do facto de a parte vencida suportar as despesas
         da parte vencedora. Os sindicatos e as associações patronais não podem representar as partes, sendo que a sua representação
         tem de ser feita através de advogado (35). Em contraposição, os pedidos apresentados ao Rights Commissioner e à Labour Court estão sujeitos a uma tramitação processual
         simples, em que as partes podem ser representadas por qualquer pessoa, designadamente através de um sindicato ou de uma associação
         patronal, e não há pagamento das despesas da outra parte nem de custas.
      
      74.      É um facto que os Ministérios irlandeses ora demandados contestaram em parte, junto do Tribunal de Justiça, esta exposição
         e esta apreciação do direito processual irlandês. A este respeito, há apenas que recordar que não incumbe ao Tribunal de Justiça,
         no âmbito de um reenvio prejudicial, julgar se a interpretação dada pelo órgão jurisdicional de reenvio das disposições de
         direito nacional é correcta (36). Com efeito, incumbe ao Tribunal de Justiça ter em conta, no quadro de repartição das competências entre os tribunais comunitários
         e nacionais, o contexto factual e regulamentar no qual se insere a questão prejudicial, tal como definida pela decisão de
         reenvio (37).
      
      75.      Partindo da exposição do órgão jurisdicional de reenvio, os meios processuais que no presente caso se afiguram susceptíveis
         de ser utilizados junto dos tribunais comuns irlandeses apresentam‑se, no cômputo geral, como menos vantajosos do que aqueles
         que podem ser utilizados junto do Rights Commissioner e da Labour Court. Em particular, apresentam para pessoas que se encontram
         na situação dos demandantes, um risco financeiro mais elevado e não lhes permitem fazerem‑se representar em tribunal através
         de sindicatos.
      
      76.      Assim, no que concerne à invocação dos direitos directamente baseados no direito comunitário, relativos ao período de tempo
         anterior à transposição da Directiva 1999/70, os demandantes ficariam numa situação mais desfavorável do que em relação ao
         período de tempo posterior, em que a invocação dos direitos se baseia no diploma de transposição irlandês.
      
      77.      Na medida em que se considere imperativa a competência da jurisdição laboral irlandesa no que se refere ao período posterior
         a 14 de Julho de 2003, pode‑se ainda considerar um tratamento mais desfavorável de trabalhadores como os demandantes o facto
         de os mesmos – tal como já foi referido noutro contexto (38) –, serem na prática forçados a intentar duas acções paralelas, a fim de conseguirem obter a protecção que o direito comunitário
         lhes concede: uma primeira acção nos tribunais comuns, relativa ao período de tempo até à transposição da Directiva 1999/70,
         e uma segunda acção na jurisdição laboral, relativa ao período de tempo posterior. Mas se baseassem os seus pedidos apenas
         na Lei de 2003 e não também no direito comunitário, então só necessitariam de instaurar um único processo judicial, para o
         qual seria em qualquer caso competente a jurisdição laboral irlandesa.
      
      78.      Este desfavorecimento dos demandantes não pode ser justificado, por exemplo, pelo facto de no período anterior a 14 de Julho
         de 2003 não existir uma lei irlandesa de transposição da Directiva 1999/70 que, a existir, poderia servir de fundamento à
         competência da jurisdição laboral. Pois um Estado‑Membro não pode opor aos particulares o seu próprio incumprimento na transposição
         de uma directiva (39).
      
      79.      Assim sendo, viola o princípio da equivalência negar aos demandantes, para o período anterior a 14 de Julho de 2003, o acesso
         à jurisdição laboral irlandesa, remetendo‑se‑os, em vez disso, para os tribunais comuns irlandeses.
      
      Consequência jurídica
      80.      Pelo exposto, viola quer o princípio da efectividade quer o da equivalência remeter trabalhadores contratados a termo, como
         sucede com os demandantes, para os tribunais comuns irlandeses, em relação ao período anterior a 14 de Julho de 2003, e negar‑lhes
         o acesso à jurisdição laboral irlandesa.
      
      81.      Resulta do princípio da cooperação (artigo 10.° CE) que incumbe ao órgão jurisdicional de reenvio interpretar as disposições
         relativas à sua própria competência e às modalidades processuais aplicáveis às acções nele propostas de modo a se assegurar
         tanto quanto possível uma protecção efectiva dos direitos conferidos aos particulares pela Directiva 1999/70 e pelo acordo‑quadro (40).
      
      82.      Tal como resulta do pedido de decisão prejudicial, a Labour Court também considera existir, no presente caso, margem de manobra
         para uma interpretação das regras relativas à sua competência conforme ao direito comunitário, que lhe permitiria declarar‑se
         competente para conhecer os pedidos relativos não apenas ao período posterior a 14 de Julho de 2003 mas também ao período
         anterior e aplicar as disposições da Directiva 1999/70 e do acordo‑quadro, que produzam efeito directo.
      
      83.      Neste quadro, o órgão jurisdicional de reenvio, à luz dos princípios da equivalência e da efectividade, tem o dever de aplicar
         no processo principal as disposições da Directiva 1999/70 e do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo, que
         produzam efeito directo, de modo a assegurar, em todas as circunstâncias, a protecção efectiva dos direitos individuais decorrentes
         dessas disposições (41).
      
      Conclusão provisória
      84.      Importa assim reter, a título de conclusão provisória:
      
      Nos termos dos princípios da equivalência e da efectividade, o órgão jurisdicional nacional deve aplicar disposições de direito
         comunitário com efeito directo, mesmo que não lhe tenha sido expressamente atribuída competência nesse sentido pelo direito
         interno, desde que disponha de competência para aplicar um diploma de transposição dessas disposições posteriormente aprovado
         e que o particular só possa invocar directamente essas disposições, em relação ao período de tempo anterior ao da aprovação
         do diploma de transposição, junto de outros órgãos jurisdicionais nacionais em condições menos favoráveis.
      
      B –    Segunda questão: apreciação do efeito directo do artigo 4.° e do artigo 5.° do acordo‑quadro 
      85.      Apenas se coloca a segunda questão para o caso de se responder afirmativamente à primeira, o que aliás proponho que se faça (42). Através desta segunda questão pretende o órgão jurisdicional de reenvio saber se os artigos 4.°, n.° 1, e 5.°, n.° 1, do
         acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo são directamente aplicáveis, de modo que os particulares os possam
         invocar em tribunal.
      
      86.      Segundo jurisprudência constante, as disposições contidas em directivas podem produzir efeito directo (43): na falta de medidas de transposição adoptadas tempestivamente, o particular pode invocar contra todas as disposições nacionais
         que não estejam em conformidade com a directiva as disposições desta que, do ponto de vista do seu conteúdo, sejam incondicionais
         e suficientemente precisas; pode, além disso, invocá‑las na medida em que sejam susceptíveis de definir direitos que os particulares
         estejam em condições de invocar contra o Estado (44). As disposições com efeito directo, previstas em directivas, também podem ser chamadas à colação contra o Estado, na sua
         qualidade de empregador (45).
      
      87.      Esta jurisprudência é aplicável a acordos‑quadro, sem necessidade de mais considerações. Ainda que os respectivos conteúdos
         sejam negociados pelos parceiros sociais a nível comunitário (artigo 139.°, n.° 1, CE), também é verdade que fazem parte integrante
         das respectivas directivas de execução do Conselho (artigo 139.°, n.° 2, CE, em conjugação com o artigo 137.° CE) e partilham
         da sua natureza jurídica.
      
      88.      O Tribunal de Justiça já teve oportunidade de interpretar as disposições ora em causa do acordo‑quadro relativo a contratos
         de trabalho a termo (46), mas ainda não se pronunciou sobre a sua aplicabilidade directa (47).
      
      Quanto à primeira parte da segunda questão: artigo 4.° do acordo‑quadro
      89.      A primeira parte da segunda questão [segunda questão, alínea a)] é consagrada ao eventual efeito directo do artigo 4.°, n.° 1,
         do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo. Esta disposição consagra o princípio da não discriminação dos trabalhadores
         contratados a termo. 
      
      90.      As proibições de discriminação constituem um dos casos clássicos de produção de efeito directo do direito comunitário, o que
         vale não apenas para as proibições de discriminação consagradas no direito primário – em especial no que se refere às liberdades
         fundamentais e a disposições como o artigo 141.° CE – (48), mas também para aquelas que o legislador comunitário previu no direito derivado, designadamente em algumas directivas relativas
         a matéria laboral e social (49).
      
      91.      Não obstante, no caso em apreço os Ministérios irlandeses demandados impugnam o efeito directo da proibição de discriminação
         dos trabalhadores contratados a termo. Primeiro, consideram que esta proibição de discriminação é, do ponto de vista do seu
         conteúdo, demasiado imprecisa, como o revela, por exemplo, a utilização de conceitos indeterminados e a chamada à colação
         do princípio pro rata temporis, no artigo 4.°, n.° 2, do acordo‑quadro. Segundo, os demandados entendem, por referência ao n.° 3 desse mesmo artigo, que
         a proibição de discriminação não é incondicional, uma vez que ainda carece de definição de modalidades de aplicação através
         dos Estados‑Membros.
      
      92.      Nenhum dos dois argumentos me convence.
      
      93.      No que toca ao artigo 4.°, n.° 3, do acordo‑quadro, as «modalidades» a definir pelos Estados‑Membros não constituem de modo
         algum um pressuposto da aplicação do princípio da não discriminação. Concordo com o órgão jurisdicional de reenvio, quando este afirma que estas
         modalidades de aplicação se limitam a querer facilitar a execução da proibição de discriminação e a sua concretização no quotidiano laboral (50).
      
      94.      Tais modalidades de aplicação podem ser do tipo técnico‑processual, mas também podem consistir em disposições ou directrizes
         de natureza substantiva, que tirem consequências práticas da proibição de discriminação ou que ilustrem os respectivos efeitos,
         nomeadamente através de uma enumeração exemplificativa. Deste modo, permite‑se que se considere a situação em cada Estado‑Membro
         e as circunstâncias de sectores e ocupações concretos (51), seja em disposições de direito interno seja em convenções colectivas. 
      
      95.      Não se pode concluir, a partir do simples facto de existir o dever de se definirem essas modalidades de aplicação, que a proibição
         de discriminação se encontra sujeita a reserva, não podendo a mesma ser invocada por particulares sem que essas modalidades
         se encontrem definidas (52). Se não forem definidas as modalidades de aplicação, então aplica‑se, pelo menos, a protecção mínima concedida pelo acordo‑quadro
         aos trabalhadores contratados a termo.
      
      96.      Em termos gerais, o facto de uma directiva deixar às autoridades nacionais uma certa margem de apreciação na adopção das modalidades
         de aplicação não exclui, só por isso, o efeito directo de uma disposição nela prevista (53). Na verdade, a existência dessa margem de apreciação decorre da própria natureza da directiva, que nos termos do artigo 249.°,
         terceiro parágrafo, CE vincula o Estado‑Membro destinatário quanto ao resultado a alcançar, deixando, no entanto, às instâncias
         nacionais a competência quanto à forma e aos meios. O que é determinante para que a disposição em causa possa ser directamente
         aplicável é saber se o seu conteúdo é suficientemente preciso (54) e se pode ser aplicada por qualquer tribunal (55).
      
      97.      É o que se passa no presente caso. A proibição de discriminação estabelecida no artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro é corolário
         do princípio geral da igualdade de tratamento e da não discriminação e tem por objectivo proteger os trabalhadores contratados
         a termo de receberem um tratamento menos favorável do que trabalhadores permanentes numa situação comparável, no que respeita
         às condições de trabalho. A aplicação de disposições deste tipo ao caso concreto é uma das tarefas clássicas dos tribunais,
         no âmbito do direito comunitário.
      
      98.      O simples facto de uma disposição de direito comunitário, como a proibição de discriminação ora em causa, ser referida como
         «princípio» e referir conceitos indeterminados como, por exemplo, «condições de trabalho» ou «condições de emprego», não impede
         que o seu conteúdo seja preciso e, consequentemente, não obsta ao seu efeito directo (56). Na verdade, eventuais dúvidas que possam surgir na interpretação de tais conceitos sempre poderão ser esclarecidas por via
         de reenvios prejudiciais (57).
      
      99.      Do mesmo modo, tampouco a referência, no caso em apreço, a «razões objectivas» que podem justificar um tratamento diferente
         entre trabalhadores contratados a termo e trabalhadores permanentes numa situação comparável (v. artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro)
         exclui o efeito directo da proibição de discriminação. Efectivamente, a jurisprudência constante considera que a mera possibilidade
         de excepcionalmente se derrogarem disposições estabelecidas em directivas não priva essas disposições, por si só, de efeito
         directo (58).
      
      100. A possibilidade de diferenciação por motivos concretos e objectivos é reconhecida no âmbito de todas as proibições de discriminação
         comunitárias (59). A menção expressa que se lhe faz no texto do acordo‑quadro não constitui mais do que um complemento declarativo, que dá
         expressão a uma evidência e que não põe minimamente em causa a clareza do conteúdo da proibição de discriminação.
      
      101. A referência no artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro, ao princípio pro rata temporis, antecedida pelos dizeres «[s]empre que adequado», tem uma função clarificadora semelhante. Esta expressão acaba também por
         apenas expressar o que já resulta genericamente do princípio da não discriminação: ao nível das condições de trabalho, não
         podem ser negados aos trabalhadores contratados a termo benefícios que são concedidos a trabalhadores permanentes em situação
         comparável, a menos que existam razões objectivas que o justifiquem. Contudo, a permanência limitada dos trabalhadores contratados
         a termo ao serviço do seu empregador pode precisamente constituir uma razão objectiva para que não lhes sejam reconhecidos,
         em toda a linha, determinados benefícios, sendo‑o apenas parcialmente (pro rata temporis) (60). Saber se e quando é este o caso é algo que depende da apreciação das circunstâncias concretas de cada situação. Seja como
         for, a referência ao princípio pro rata temporis não altera absolutamente nada no que toca à clareza do conteúdo da proibição de discriminação.
      
      102. Em suma, o princípio da não discriminação, previsto no artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro, preenche todos os requisitos da
         aplicabilidade directa.
      
      103. Sem prejuízo do que se acabou de expor, o órgão jurisdicional de reenvio, no âmbito da aplicação do princípio da não discriminação,
         terá de se assegurar que os funcionários públicos irlandeses podem efectivamente ser considerados como trabalhadores permanentes numa situação comparável em relação aos funcionários públicos extraordinários contratados a termo, como é o caso dos demandantes. Tudo depende de
         uma avaliação global de todas as circunstâncias do caso concreto. À margem, refira‑se apenas, como exemplo, que os tribunais
         comunitários, no que toca à função pública comunitária, negaram que se pudessem comparar os funcionários e outros empregados
         das Comunidades Europeias (61).
      
      104. Vejamos ainda, complementarmente, quais as consequências jurídicas de uma eventual violação do princípio da não discriminação:
         segundo jurisprudência constante, enquanto não forem adoptadas medidas que restabeleçam a igualdade de tratamento, o respeito
         do princípio da igualdade só pode ser assegurado pela concessão, às pessoas da categoria desfavorecida, das mesmas vantagens
         de que beneficiam as pessoas da categoria privilegiada. Em tal hipótese, o juiz nacional deve afastar toda e qualquer disposição
         nacional discriminatória, não tendo de pedir ou aguardar a sua eliminação prévia pelo legislador, e aplicar aos membros do
         grupo desfavorecido o mesmo regime de que beneficiam as pessoas da outra categoria (62).
      
      Quanto à segunda parte da segunda questão: artigo 5.° do acordo‑quadro
      105. A Labour Court, através da segunda parte da segunda questão [segunda questão, alínea b)], pretende saber se o artigo 5.°,
         n.° 1, do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo produz efeito directo. Esta disposição impõe aos Estados‑Membros
         o dever de introduzir uma ou várias das medidas aí enunciadas para evitar os abusos decorrentes da conclusão de sucessivos
         contratos de trabalho ou relações de trabalho a termo.
      
      106. Tanto o IMPACT como a Comissão consideram que o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro pode produzir efeito directo. Mas enquanto
         o IMPACT parte do princípio de que esta disposição produz ilimitadamente efeito directo, a Comissão é mais reservada: no seu
         entendimento, esta disposição só produz efeito directo na parte em que estatui que a renovação de contratos de trabalho a
         termo carece de razões objectivas; em todo o caso, produz esse efeito sempre que o Estado‑Membro em causa não tenha adoptado
         dentro do prazo de transposição nenhuma outra medida que seja conciliável com o artigo 5.°, n.° 1.
      
      107. Diversamente, tanto os Ministérios irlandeses demandados como também o órgão jurisdicional de reenvio rejeitam, genericamente,
         a produção de efeito directo; invocam, a este propósito, a larga margem de apreciação que esta disposição atribui aos Estados‑Membros.
      
      108. Posso desde já adiantar que este último entendimento se me afigura preferível.
      
      109. É certo que o acordo‑quadro parte do princípio segundo o qual o benefício da estabilidade do emprego é concebido como um elemento
         da maior importância na protecção dos trabalhadores, enquanto o recurso sucessivo a contratos de trabalho a termo constitui
         uma fonte potencial de abusos em prejuízo dos trabalhadores e contribui para a precarização da situação dos trabalhadores
         dependentes (63). É por isso que foi objectivo dos parceiros sociais «[e]stabelecer um quadro para evitar os abusos decorrentes da utilização
         de sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais a termo» (64).
      
      110. Não obstante este objectivo, o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro limita‑se a impor aos Estados‑Membros o dever muito genérico
         de introduzir nas respectivas legislações nacionais uma ou várias das seguintes medidas, quando não existam já disposições
         legais equivalentes:
      
      –        razões objectivas que justifiquem a renovação dos contratos de trabalho ou relações laborais a termo [artigo 5.°, n.° 1, alínea a)];
      –        determinação da duração máxima total dos sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais a termo [artigo 5.°, n.° 1,
         alínea b)];
      
      –        determinação do número máximo de renovações dos contratos ou relações laborais a termo [artigo 5.°, n.° 1, alínea c)].
      111. Por esta via, ainda que os Estados‑Membros fiquem obrigados à adopção efectiva e imperativa de pelo menos uma das medidas enumeradas no artigo 5.°, n.° 1, alíneas a) a c), do acordo‑quadro, destinadas a evitar o abuso (65), importa constatar que o acordo‑quadro não determina exactamente que medidas devem ser adoptadas. Antes pelo contrário, atribui
         aos Estados‑Membros margem de apreciação para optarem entre os três tipos de medidas, que têm igual valor e de entre as quais
         os Estados‑Membros podem escolher discricionariamente uma ou mais, tendo em vista a eficácia da directiva e em consonância
         com o respectivo objectivo (66). Deste modo, pretende‑se que sejam consideradas a situação em cada Estado‑Membro e as circunstâncias de sectores e ocupações
         concretos (67).
      
      112. Nestes termos, um Estado‑Membro não tem necessariamente de adoptar a primeira das três medidas que se encontram à escolha.
         Nada o impede de não estabelecer razões objectivas e, em vez disso, limitar‑se a determinar a duração máxima total das sucessivas
         relações laborais ou o número máximo de renovações das sucessivas relações laborais, prevenindo assim os abusos. 
      
      113. Do mesmo modo, não se pode concluir que a falta de adopção de qualquer das duas outras medidas admissíveis dentro do prazo
         de transposição previsto na Directiva 1999/70 tenha necessariamente por efeito ficar a possibilidade de escolha do Estado‑Membro
         em causa limitada à primeira medida. No termo do prazo de transposição apenas se pode concluir que o Estado‑Membro em causa
         não cumpriu com o seu dever de transposição. Mas visto não existir uma hierarquia entre as três medidas previstas no artigo
         5.°, n.° 1, alíneas a) a c), do acordo‑quadro, não se pode extrair efeito directo desta disposição ou de partes dela a partir
         da simples omissão do Estado‑Membro quanto à transposição da directiva.
      
      114. Ao contrário daquele que é o entendimento da Comissão, a exigência de razões objectivas que justifiquem a renovação de relações
         laborais a termo tampouco constitui uma espécie de mínimo denominador comum que no caso de transposição deficiente pudesse
         ser extraído da regra contida no artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro, como imposição mínima.
      
      115. É que só a primeira das três medidas que se encontram à escolha conduz, através da sua introdução na legislação nacional,
         a uma exigência de razões objectivas justificativas da renovação de contratos de trabalho ou de relações laborais a termo.
         Diversamente, as duas outras medidas não implicam necessariamente uma tal obrigação de justificação. De facto, uma relação
         laboral pode ser renovada sem que haja violação do acordo‑quadro, mesmo na falta de razões objectivas, desde que não se ultrapasse
         uma duração máxima ou um número máximo de renovações previstos em sintonia com a directiva.
      
      116. É certo que no n.° 7 das considerações gerais do acordo‑quadro se salienta especialmente que a utilização de contratos a termo
         com base em razões objectivas (68) constitui uma forma de evitar abusos. Contudo, isto não significa que os contratos a termo só sejam admissíveis se existirem
         razões objectivas para a aposição do termo e que na falta dessas razões objectivas devam ser automaticamente considerados
         abusivos. A ser assim, as medidas previstas no artigo 5.°, n.° 1, alíneas b) e c), do acordo‑quadro seriam supérfluas.
      
      117. Quero ainda esclarecer que o carácter excepcional das relações laborais a termo (69) não conduz a uma conclusão diferente. É certo que o acordo‑quadro parte inequivocamente da premissa segundo a qual os contratos
         de trabalho de duração indeterminada constituem a forma comum de relação laboral (70) e que os contratos de trabalho a termo, como salienta o Tribunal de Justiça, «só em determinadas circunstâncias» respondem
         às necessidades dos empregadores e dos trabalhadores (71). Mas isto não significa que seja sempre necessária uma razão objectiva para o estabelecimento ou a renovação de uma relação
         laboral a termo. Os Estados‑Membros também podem expressar de outro modo, no direito nacional, o carácter excepcional das
         relações laborais a termo, designadamente através da determinação de certa duração máxima [artigo 5.°, n.° 1, alínea b)] ou
         de certo número máximo de renovações [artigo 5.°, n.° 1, alínea c)].
      
      118. Assim sendo, o presente caso, genericamente, assemelha‑se menos ao processo Francovich, citado pela Comissão – em todo o caso,
         era possível extrair da directiva aí em causa uma prescrição mínima, no tocante ao âmbito da protecção (72) –, e mais ao processo Von Colson e Kamann, citado pela Labour Court, em que não se impunha aos Estados‑Membros a adopção
         de uma determinada medida e se lhes concedia uma ampla margem de apreciação quanto ao tipo de medidas a adoptar (73).
      
      119. Pelo exposto, o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro não preenche os requisitos da aplicabilidade directa.
      
      120. Se, pelo contrário, se se reconhecesse o efeito directo do artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro, no sentido proposto pela Comissão,
         haveria que verificar se a protecção dos trabalhadores em causa era adequadamente garantida. No entanto, embora o acordo‑quadro
         não estabeleça uma obrigação genérica de os Estados‑Membros preverem a conversão dos contratos a termo em contratos por tempo
         indeterminado (74), será contrário aos objectivos de protecção do acordo‑quadro que os trabalhadores em causa, apenas devido ao estabelecimento
         ilícito de um termo no seu contrato de trabalho, perdessem imediatamente o seu posto de trabalho.
      
      121. Independentemente de os particulares poderem invocar directamente o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro, o Estado‑Membro faltoso
         pode, nos termos do acórdão Francovich e nas condições nele previstas, ser obrigado a indemnizar os cidadãos pelos prejuízos
         eventualmente causados pela falta de transposição correcta de Directiva 1999/70 (75).
      
      C –    Terceira questão: regime comunitário relativo à renovação de relações laborais a termo após o decurso do prazo de transposição
            da Directiva 1999/70 e antes da entrada em vigor do diploma nacional de transposição
      122. Através da sua terceira questão o órgão jurisdicional de reenvio pretende saber se o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro permite
         que um Estado‑Membro, agindo na qualidade de empregador, renove contratos de trabalho a termo em vigor por períodos de tempo
         comparativamente longos – no caso em apreço, até oito anos –, após o decurso do prazo de transposição da Directiva 1999/70
         e antes da entrada em vigor do diploma nacional de transposição.
      
      123. O pano de fundo desta questão é o receio de que através da renovação dos respectivos contratos de trabalho por períodos tão
         longos, pouco antes da entrada em vigor do diploma nacional de transposição irlandês, se tenha retirado aos trabalhadores
         afectados a protecção que lhes é concedida através da Lei de 2003 e do acordo‑quadro.
      
      124. O órgão jurisdicional de reenvio pede ao Tribunal de Justiça que analise esta questão «atendendo» às respostas dadas à primeira
         questão e à segunda questão, alínea b). Assim sendo, na exposição que se segue parto da premissa de que o artigo 5.°, n.° 1,
         do acordo‑quadro não produz efeito directo, nos termos acima expostos (76).
      
      125. Não se aplicando directamente, o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro, por si só, não pode obstar à renovação por períodos
         de oito anos das relações laborais a termo ora em causa.
      
      126. A conclusão não se altera mesmo tomando em consideração o princípio da proibição da frustração, para o qual chamaram a atenção tanto o órgão jurisdicional de reenvio como o IMPACT. 
      
      127. É certo que todas as autoridades nacionais têm a obrigação de contribuir para a concretização de um resultado imposto por
         uma directiva. Esta obrigação resulta da aplicação do artigo 10.° CE e do artigo 249.°, terceiro parágrafo, CE, em conjugação
         com a própria directiva (77). É por isso que durante o prazo de transposição os Estados‑Membros têm o dever de se abster de tudo que seja susceptível
         de comprometer seriamente o resultado prescrito pela directiva (78). Por maioria de razão, tem de ser assim após o decurso do prazo de transposição, quando já existe uma obrigação positiva
         que ultrapassa a mera proibição de frustração e que se dirige a todos os titulares de poderes públicos, impondo‑lhes que promovam
         activamente a concretização do resultado da directiva. 
      
      128. Sucede que através do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo apenas se pretende estabelecer um quadro para evitar os abusos decorrentes da utilização de sucessivos contratos de trabalho ou relações laborais a termo [v. artigo
         1.°, alínea b), e artigo 5.°, n.° 1, ambos do acordo‑quadro].
      
      129. O Ministério dos Negócios Estrangeiros irlandês, na qualidade de empregador, não violou esse objectivo de estabelecer medidas‑quadro apropriadas apenas pelo facto de ter renovado relações laborais a termo individuais pouco antes da entrada em vigor do diploma nacional de transposição, ainda que o tenha feito por períodos comparativamente
         longos.
      
      130. É certo que as medidas a introduzir pelos Estados‑Membros nos termos do artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro devem, no final, conduzir a que se evitem abusos de modo eficaz, também no caso concreto (79). Mas o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro não visa criar uma proibição de abusos individuais independente das medidas previstas nas alíneas a) a c). Consequentemente, nem mesmo através da invocação da proibição da frustração ou do
         dever de cooperação entre as autoridades nacionais (artigo 10.° CE, em conjugação com o artigo 249.°, terceiro parágrafo,
         CE) se pode extrair do acordo‑quadro uma tal proibição de abusos em casos concretos. 
      
      131. Caso se pretendesse analisar, sob o prisma da eventual existência de abusos, todas as renovações concretas de relações laborais
         a termo em vigor no sector público, ocorridas antes da transposição da Directiva 1999/70 para o direito nacional, estar‑se‑ia
         na verdade a reconhecer a aplicabilidade directa do artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro; aplicabilidade directa essa para
         a qual – como se demonstrou (80) – não estão preenchidos os necessários pressupostos.
      
      132. Em suma:
      
      O artigo 10.° CE e o artigo 249.°, terceiro parágrafo, CE, em conjugação com o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro, não impede
         que um Estado‑Membro, agindo na qualidade de empregador, renove contratos de trabalho a termo em vigor por períodos de tempo
         comparativamente longos após o decurso do prazo de transposição da Directiva 1999/70 e antes da entrada em vigor do diploma
         nacional de transposição.
      
      D –    Quarta questão: interpretação de disposições de direito interno em conformidade com as directivas
      133. Através da sua quarta questão o órgão jurisdicional de reenvio pretende essencialmente saber se um tribunal nacional, por
         força da obrigação que sobre ele recai de interpretar o direito interno em conformidade com as directivas, tem o dever de
         interpretar o diploma nacional de transposição tardiamente aprovado no sentido de ter efeito retroactivo à data em que a directiva
         devia ter sido transposta.
      
      134. Esta questão só é colocada para o caso de a resposta à primeira ou à segunda questão ser negativa. De resto, resulta da fundamentação
         da decisão de reenvio que para o órgão jurisdicional de reenvio o que está em causa é unicamente a questão da eventual retroactividade
         do artigo 6.° da Lei de 2003, através do qual se procedeu à transposição do princípio da não discriminação dos trabalhadores
         contratados a termo para o direito irlandês.
      
      135. Uma vez que proponho que se responda afirmativamente não só à primeira mas também à segunda questão, pelo menos no que toca
         ao princípio da não discriminação [segunda questão, alínea a)] (81), a quarta questão não carece de ser analisada. Assim sendo, apresento a seguinte exposição a título meramente subsidiário.
      
      136. Segundo jurisprudência constante, ao aplicar o direito interno, o órgão jurisdicional nacional deve interpretar o direito
         nacional, na medida do possível, à luz do texto e da finalidade da directiva em causa, para atingir o resultado por ela prosseguido
         e cumprir assim o artigo 249.°, terceiro parágrafo, CE (82).
      
      137. O princípio da interpretação conforme exige que os tribunais nacionais façam tudo o que estiver ao seu alcance, tomando em
         consideração todo o direito interno e mediante a aplicação dos métodos de interpretação por este reconhecidos, para garantir
         a plena eficácia da directiva em causa e alcançar uma solução conforme ao objectivo por ela pretendido (83). Neste sentido, cabe‑lhes esgotar totalmente a margem de apreciação que o direito nacional lhes concede (84).
      
      138. A obrigação da interpretação conforme é limitada pelos princípios gerais de direito, designadamente os da segurança jurídica
         e da não retroactividade, e não pode servir de fundamento a uma interpretação contra legem do direito nacional (85).
      
      139. Afigura‑se‑me que os princípios gerais de direito comunitários não obstam necessariamente, num caso como o presente, à produção de efeitos retroactivos pelo artigo
         6.° da Lei de 2003, por via interpretativa, pelo menos no âmbito de uma relação jurídica vertical, em que um trabalhador invoque
         o princípio da não discriminação contra uma entidade patronal do sector público. 
      
      140. Embora, regra geral, o princípio da segurança jurídica se oponha a que o alcance temporal de um acto comunitário tenha o seu
         início em data anterior à sua publicação, pode assim não ser, a título excepcional, quando uma finalidade de interesse geral
         o exija e a confiança legítima dos interessados seja devidamente respeitada (86). É possível que o presente caso esteja abrangido por uma excepção deste tipo. 
      
      141. É que, por um lado, a transposição tempestiva de uma directiva para o direito interno é, sem dúvida, uma finalidade de interesse
         geral. Por outro lado, as autoridades públicas dificilmente poderão invocar o princípio da confiança legítima. A sua eventual
         confiança na manutenção do regime jurídico nacional anterior não pode ser merecedora de tutela, pois o Estado‑Membro em causa
         estava obrigado a adaptar o seu regime jurídico interno ao direito comunitário o mais tardar no termo do prazo de transposição
         da Directiva 1999/70.
      
      142. Assim sendo, uma vez que a alteração do regime jurídico ‑ neste caso, a introdução do princípio da não discriminação, imposta
         pelo direito comunitário ‑ era previsível para os empregadores públicos, estes podem invocar o princípio da confiança legítima (87). Esta perspectiva também se impõe porque o reconhecimento aos empregadores públicos de tutela concedida pelo princípio da
         confiança legítima acabaria por ter como consequência absurda que o Estado‑Membro faltoso pudesse opor ao particular o seu
         próprio comportamento violador do direito comunitário (88).
      
      143. Seja como for, no presente caso não é necessário proceder a uma apreciação definitiva da questão de saber se pode ser imposta
         pelo direito comunitário a aplicação retroactiva do diploma nacional de transposição e se a isso se opõem princípios gerais
         de direito. O princípio da interpretação conforme não pode, em caso algum, forçar um tribunal nacional a aplicar o direito
         nacional retroactivamente contra legem.
      
      144. No presente caso a Labour Court realça a «sólida presunção» vigente no direito irlandês da aplicação não retroactiva das leis.
         Esta presunção só pode ser afastada por indicação clara e inequívoca da própria disposição ou quando resulte clara e necessariamente
         de outras disposições da lei. Segundo o órgão jurisdicional de reenvio, a redacção do artigo 6.° da Lei de 2003 não exclui
         expressamente uma interpretação no sentido da retroactividade mas também não contém indicações inequívocas no sentido da retroactividade.
         Deste modo, o órgão jurisdicional de reenvio considera que segundo as normas de interpretação irlandesas não é possível atribuir
         efeito retroactivo à disposição em causa.
      
      145. Estas referências apontam no sentido de a Labour Court considerar que, no presente caso, a aplicação retroactiva do direito
         interno seria contra legem (89). A ser assim, então o mencionado órgão jurisdicional também não pode ser obrigado por força do direito comunitário a criar
         tal retroactividade através do princípio da interpretação conforme.
      
      146. Importa ainda recordar que o princípio da interpretação conforme não se limita às disposições internas introduzidas para transpor
         a directiva em causa, exigindo antes que o órgão jurisdicional nacional tome em consideração todo o direito nacional e, consequentemente,
         também o direito nacional anteriormente em vigor (90).
      
      147. Assim sendo, se o direito irlandês anterior a 14 de Julho de 2003 tivesse uma disposição ou mesmo um princípio geral de direito
         segundo o qual fosse, por exemplo, proibido um comportamento discriminatório, abusivo ou ofensivo dos bons costumes do empregador
         para com os seus trabalhadores, então o órgão jurisdicional de reenvio estaria obrigado a interpretar e a aplicar essa disposição
         ou princípio em conformidade com o teor e as finalidades da Directiva 1999/70 (91) e, em especial, a considerar devidamente o princípio ora em causa da não discriminação dos trabalhadores contratados a termo
         (artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo).
      
      148. Em contrapartida, se o resultado prescrito pela directiva não puder ser atingido por via de interpretação, então o direito
         comunitário, segundo o acórdão Francovich e nas condições nele previstas, impõe aos Estados‑Membros a reparação dos danos
         causados a particulares pela não transposição da directiva (92).
      
      149. Concluindo, em síntese:
      
      Não decorre do direito comunitário qualquer obrigação de o tribunal nacional interpretar um diploma nacional de transposição
         de uma directiva, tardiamente aprovado, no sentido de aquele produzir efeitos retroactivos à data em que expirou o prazo de
         transposição dessa mesma directiva, se tal interpretação for contra legem, segundo as normas do direito nacional.
      
      Contudo, tal não afecta a obrigação de o tribunal nacional interpretar o direito nacional em vigor à data em que expirou o
         prazo de transposição da directiva em causa em conformidade com a directiva, nem a obrigação de o Estado‑Membro em causa reparar
         os danos eventualmente causados a particulares pela não transposição da directiva.
      
      E –    Quinta questão: aplicabilidade do artigo 4.° do acordo‑quadro a elementos integradores da remuneração e das pensões
      150. O órgão jurisdicional de reenvio pretende saber, no essencial, através da sua quinta questão, se o conceito de «condições
         de emprego», na acepção do artigo 4.° do acordo‑quadro, também abrange as condições de um contrato de trabalho relativas à
         remuneração e às pensões.
      
      151. Esta questão altamente controvertida é colocada apenas para o caso de se responder afirmativamente à primeira ou à quarta
         questão. Tendo em conta a minha sugestão de resposta à primeira questão (93), importa apreciar a quinta questão.
      
      152. Não só o IMPACT e a Comissão mas também o órgão jurisdicional de reenvio consideram que as condições de emprego, na acepção
         do acordo‑quadro, abrangem a remuneração e as pensões. Diversamente, tanto os Ministérios irlandeses demandados como o Governo
         britânico, este último com especial veemência, defendem o ponto de vista diametralmente oposto, tal como aliás o fez também
         o advogado‑geral M. Poiares Maduro nas suas conclusões de há um ano no processo Del Cerro Alonso (94).
      
      153. A discussão anda essencialmente à volta de dois temas: por um lado, não existe unanimidade quanto a saber como deve ser interpretado
         o conceito de condições de emprego, enquanto tal, também quando comparado com outras directivas comunitárias em matéria laboral
         e social. Por outro lado, existem diferenças de opinião quanto à abrangência da base jurídica da Directiva 1999/70, tendo
         em conta o facto de o artigo 139.°, n.° 2, CE só permitir decisões do Conselho para execução de acordos‑quadro no âmbito das
         matérias abrangidas pelo artigo 137.° CE, das quais não faz parte, por disposição expressa, a remuneração (v. artigo 137.°,
         n.° 5, CE). Passo a apreciar separadamente cada um destes aspectos.
      
      O conceito de condições de emprego
      154. O conceito de condições de emprego, tal como é utilizado no contexto do princípio da não discriminação, no artigo 4.° do acordo‑quadro
         relativo a contratos de trabalho a termo, não inclui nem exclui expressamente prestações pecuniárias como as remunerações
         e as pensões ora em causa. 
      
      155. Em algumas disposições mais recentes de direito laboral e social o legislador comunitário esclareceu expressamente que o conceito
         de condições de emprego, aí utilizado, inclui a remuneração (95). Contudo, a falta de uma tal disposição expressa, no caso em apreço, não significa necessariamente que a remuneração esteja
         totalmente excluída do âmbito de aplicação do artigo 4.° do acordo‑quadro.
      
      156. Também não é possível aplicar ao presente caso, sem mais, a anterior jurisprudência relativa à igualdade de tratamento entre
         homens e mulheres, nos termos da qual o conceito de condições de emprego, contido na Directiva 76/207 – antes da sua alteração
         pela Directiva 2002/73 –, não abrangia a remuneração (96). Pois essa jurisprudência explica‑se decisivamente pela existência da Directiva 75/117 (97), que continha um regime especial no tocante à igualdade de tratamento entre homens e mulheres em matéria de remuneração (98) e cujo âmbito de aplicação tinha de ser delimitado em relação ao da Directiva 76/207. Diferentemente, no caso em apreço não
         se coloca um tal problema de delimitação relativamente a um acto legislativo paralelamente em vigor.
      
      157. O conceito de condições de emprego, na acepção do artigo 4.° do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo, carece
         de ser interpretado. Segundo jurisprudência constante, há que ter em conta não apenas os seus termos mas também o seu contexto
         e os objectivos prosseguidos pela regulamentação de que faz parte (99).
      
      158. Segundo o seu artigo 1.°, alínea a), é objectivo do acordo‑quadro melhorar a qualidade do trabalho sujeito a contrato a termo
         garantindo a aplicação do princípio da não discriminação (100). Expressam‑se, assim, objectivos basilares da política social comunitária tal como referidos, em especial, no artigo 136.°,
         primeiro parágrafo, CE, nomeadamente a melhoria das condições de vida e de trabalho e a protecção social adequada. Os mesmos
         objectivos vêm referidos no Tratado da União Europeia (101) e no Tratado CE (102), bem como na Carta Comunitária dos Direitos Sociais Fundamentais dos Trabalhadores (103) e na Carta Social Europeia (104).
      
      159. À luz destes objectivos de política social, a proibição de discriminação dos trabalhadores contratados a termo faz parte dos
         princípios fundamentais do direito social comunitário, que por sua vez não podem ser interpretados de modo restritivo (105). O que já só por si se opõe a uma exclusão categórica de aspectos financeiros, como a remuneração e as pensões, do âmbito
         de aplicação da proibição de discriminação.
      
      160. Também o valor prático da proibição de discriminação ficaria consideravelmente diminuído se a mesma só se referisse a condições
         de emprego que nada tivessem que ver com a remuneração. Assim, por exemplo, pode não ser irrelevante, para os trabalhadores
         contratados a termo em causa, serem tratados de forma igual aos trabalhadores permanentes em situação comparável no tocante
         a vestuário profissional e a instrumentos de trabalho. Mas já quanto às condições de vida e de trabalho destes trabalhadores
         tem importância consideravelmente maior os mesmos não serem financeiramente prejudicados em relação aos seus colegas contratados sem termo. Esta necessidade de tutela opõe‑se a uma limitação do âmbito
         de aplicação da proibição de discriminação apenas e só às condições de emprego que não têm qualquer relação com a remuneração.
      
      161. De resto, a referência ao princípio pro rata temporis, no artigo 4.°, n.° 2, do acordo‑quadro, mostra que o âmbito de aplicação da proibição de discriminação se pode estender
         a prestações pecuniárias. Este princípio só se pode aplicar a prestações divisíveis, entre as quais se contam essencialmente
         prestações pecuniárias tais como remunerações, complementos salariais e determinados prémios.
      
      162. Assim, tanto o sentido e o objectivo do artigo 4.° do acordo‑quadro como também o contexto da regulamentação desta disposição,
         constituem um argumento a favor da inclusão da remuneração e das pensões no conceito de condições de emprego.
      
      163. Não obstante, no que concerne em especial às pensões, importa ainda proceder a uma limitação: as condições financeiras de um contrato de trabalho só podem ser consideradas condições de emprego, na acepção do artigo 4.° do acordo‑quadro, se respeitarem a prestações que tenham a natureza de pensões de velhice ou de
         pensões da empresa, concedidas pelo empregador, mas já não se estiverem em causa prestações do sistema geral de segurança
         social.
      
      164. Resulta de uma breve análise da jurisprudência relativa à igualdade de tratamento entre homens e mulheres que só o primeiro
         tipo de prestações pertence à relação de trabalho e é atribuído em razão da mesma (106). Esta jurisprudência é susceptível de ser aplicada ao acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo. Pois através
         deste acordo‑quadro os parceiros sociais não quiseram regular aspectos do regime legal de segurança social; o que fizeram
         foi reconhecer que essas questões estão sujeitas a decisão dos Estados‑Membros (107).
      
      Interpretação conforme ao direito primário à luz do artigo 137.°, n.° 5, CE
      165. Importa ainda analisar se existe direito hierarquicamente superior que impeça a inclusão da remuneração e das pensões no conceito
         de condições de emprego, na acepção do artigo 4.° do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo. 
      
      166. O âmbito de aplicação das disposições de direito derivado não pode exceder o da sua base jurídica (108). Para que tal fique assegurado, o direito derivado deve ser interpretado e aplicado de acordo com o direito primário; pois
         segundo jurisprudência constante, quando um texto de direito comunitário derivado é susceptível de mais do que uma interpretação,
         deve‑se dar preferência àquela que torna a disposição conforme com o Tratado, em vez da que leva a declarar a sua incompatibilidade
         com este (109).
      
      167. Neste sentido, o artigo 4.° do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo, em que se utiliza o conceito indeterminado
         «condições de emprego», deve ser interpretado com respeito dos limites que possam eventualmente resultar da base jurídica
         da Directiva 1999/70.
      
      168. A base jurídica para a aprovação da Directiva 1999/70 é constituída pelo artigo 139.°, n.° 2, CE, que atribui ao Conselho,
         nas matérias abrangidas pelo artigo 137.° CE, competência para a aplicação dos acordos celebrados pelos parceiros sociais
         ao nível comunitário. Nos termos do artigo 137.°, n.° 1, alínea b), CE contam‑se entre essas matérias as condições de trabalho, sendo, contudo, que o artigo 137.°, n.° 5, CE exclui as remunerações do âmbito de aplicação deste artigo.
      
      169. O conceito de remunerações pode ser interpretado de modo muito abrangente, como o demonstra o artigo 141.°, n.° 2, CE, sistematicamente
         próximo, sendo que para além do salário ordinário, de base ou mínimo, também pode abranger todas as outras regalias pagas,
         directa ou indirectamente, em dinheiro ou em espécie, pela entidade patronal ao trabalhador em razão da relação de trabalho.
      
      170. Contudo, a interpretação deste conceito, só por si, não esclarece o que significa não ser «aplicável» às remunerações, nos
         termos do artigo 137.° CE, n.° 5. Nesta medida, importa ter em devida consideração a inserção sistemática do artigo 137.°,
         n.° 5, CE, bem como o sentido e o objectivo desta disposição.
      
      171. Tal como foi decidido muito recentemente pelo Tribunal de Justiça, o artigo 137.°, n.° 5, CE, enquanto disposição derrogatória,
         deve ser interpretado de modo estrito (110). Assim, a referida excepção não pode ser alargada a toda e qualquer questão que apresente um qualquer nexo com a remuneração,
         sob pena de esvaziar de uma boa parte da sua substância certos domínios visados pelo artigo 137.°, n.° 1, CE (111).
      
      172. Na verdade, o sentido e o objectivo do artigo 137.°, n.° 5, CE são, em primeiro linha, proteger a autonomia contratual dos parceiros sociais de eventuais constrangimentos. É o que também resulta da estreita ligação entre as remunerações e as
         demais matérias excluídas da competência comunitária: direito sindical, direito de greve e direito de «lock‑out» têm especial
         relevância na determinação das remunerações; consequentemente, o artigo 137.°, n.° 5, CE refere‑as juntamente com as remunerações,
         de uma assentada.
      
      173. 168. O artigo 137.°, n.° 5, CE visa, além disso, impedir a unificação pelo legislador comunitário, em toda a Comunidade, dos níveis salariais praticados nos vários Estados‑Membros. É que um tal nivelamento – ainda que só parcial – das diferenças nacionais, regionais
         e empresariais, em termos salariais, iria constituir uma profunda intervenção na concorrência entre as empresas que actuam
         no mercado interno. Iria também ultrapassar em muito as medidas comunitárias de apoio e de complemento da acção dos Estados‑Membros
         na área da política social, previstas no artigo 137.°, n.° 1, CE.
      
      174. É com este pano de fundo que o artigo 137.°, n.° 5, CE impede o legislador comunitário, por exemplo, de influenciar o nível
         salarial nos Estados‑Membros através da fixação de salários mínimos. Do mesmo modo, o legislador comunitário não pode prever
         um nivelamento da inflação anual, introduzir um limite máximo para os aumentos salariais ou regular o montante da remuneração
         das horas extraordinárias ou o suplemento devido pelo trabalho por turnos, nocturno ou prestado em dias feriados.
      
      175. Em contrapartida, o artigo 137.°, n.° 5, CE não impede o legislador comunitário de aprovar regulamentações que produzam efeitos financeiros, como sucede por exemplo com as que recaem sobre condições de trabalho [artigo 137.°, n.° 1, alínea b), CE] ou que se relacionam
         com a melhoria do ambiente de trabalho a fim de se proteger a saúde e segurança dos trabalhadores [artigo 137.°, n.° 1, alínea a),
         CE]. Deste modo, a Comunidade pode, por exemplo, dar instruções dirigidas ao direito do trabalho nacional, que conduzam à
         criação do direito do trabalhador a férias anuais remuneradas (112).
      
      176. Neste mesmo sentido, o Tribunal de Justiça esclareceu recentemente, no acórdão Del Cerro Alonso, que o artigo 137.°, n.° 5,
         CE se limita a excluir da competência do legislador comunitário o nível das remunerações (113); acrescentou ainda que as instâncias nacionais continuam a ser as únicas competentes para proceder à determinação do nível
         dos diferentes elementos constitutivos da remuneração de um trabalhador (114).
      
      177. Em contrapartida, insere‑se no âmbito de aplicação do artigo 137.°, n.° 1, alínea b), CE e das directivas adoptadas com base
         nele a questão de saber se determinados trabalhadores ou categorias de trabalhadores têm direito a uma remuneração ou a certos
         elementos da mesma, fixados num Estado‑Membro, no quadro das respectivas condições de trabalho (115).
      
      178. É que através da previsão de proibições de discriminação, tal como a que consta do artigo 4.° do acordo‑quadro relativo a
         contratos de trabalho a termo (116), não se está a intervir na fixação do montante dos salários enquanto tais, a nível nacional, regional ou mesmo do funcionamento
         interno das empresas. Apenas se garante que determinados grupos de trabalhadores serão protegidos no tocante às suas condições
         de trabalho e de emprego contra determinados prejuízos, incluindo prejuízos financeiros. As proibições de discriminação deste
         tipo constituem uma parte essencial das medidas comunitárias de apoio e de complemento da acção dos Estados‑Membros na área
         da política social, sendo que o artigo 137.°, n.° 5, CE não pretende excluí‑las.
      
      179. Na audiência, o Governo do Reino Unido alegou que os trabalhadores contratados a termo deviam apenas receber os mesmos componentes
         de remuneração que são pagos aos trabalhadores por tempo indeterminado em funções comparáveis, mas não necessariamente do
         mesmo montante. Segundo o acórdão Del Cerro Alonso, de acordo com aquele governo, o artigo 137.°, n.° 5, CE reconhece às autoridades
         nacionais competentes e aos parceiros sociais a liberdade de fixarem de forma diferenciada o montante dos componentes da remuneração
         dos trabalhadores contratados a termo e dos trabalhadores por tempo indeterminado.
      
      180. Não partilho desta opinião. É certo que o artigo 137.°, n.° 5, CE deixa às autoridades nacionais competentes e aos parceiros
         sociais a faculdade de fixarem os elementos das remunerações, mas esta disposição não pode ser utilizada em apoio de uma discriminação
         entre determinadas categorias de trabalhadores. Além do mais, as autoridades nacionais competentes e os parceiros sociais,
         ao exercerem as competências que lhe são deixadas pelo artigo 137.°, n.° 5, CE, têm de observar o direito comunitário (117), e não em último lugar os princípios gerias como os princípios da igualdade e da não discriminação. Por conseguinte, um tratamento
         desigual dos trabalhadores contratados a termo relativamente aos trabalhadores por tempo indeterminado no que respeita ao
         montante dos elementos da respectiva remuneração só pode aceitar‑se quando for objectivamente justificado. É isto que exprime
         o artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro, como aliás a remissão para o princípio do pro rata temporis no n.° 2 do mesmo artigo do referido acordo‑quadro.
      
      181. No seu conjunto, o artigo 137.°, n.° 5, CE não impede que o conceito de condições de emprego, na acepção do artigo 4.° do
         acordo‑quadro relativo a contratos a termo, abranja a remuneração e as pensões. 
      
      182. Em suma:
      
      As condições de um contrato de trabalho, relativas à remuneração, constituem condições de emprego na acepção do artigo 4.°
         do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo. O mesmo se aplica às condições de um contrato de trabalho, relativas
         a pensões, desde que as mesmas tenham a natureza de uma pensão de velhice ou de uma pensão da empresa concedidas pelo empregador.
      
      VI – Conclusão
      183. Tendo em conta as observações precedentes, proponho ao Tribunal de Justiça que responda à Labour Court, Dublin, nos seguintes
         termos:
      
      «1)      Nos termos dos princípios da equivalência e da efectividade, o órgão jurisdicional nacional deve aplicar disposições de direito
         comunitário com efeito directo, mesmo que não lhe tenha sido expressamente atribuída competência nesse sentido pelo direito
         interno, desde que disponha de competência para aplicar um diploma de transposição dessas disposições posteriormente aprovado
         e que o particular, para poder invocar directamente essas disposições relativamente ao período de tempo anterior à aprovação
         do diploma de transposição, tenha de recorrer a outros órgãos jurisdicionais nacionais em condições menos favoráveis.
      
      2)      O artigo 4.°, n.° 1, do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo, anexo à Directiva 1999/70/CE, ao contrário
         do artigo 5.°, n.° 1, desse mesmo acordo‑quadro, preenche todos os requisitos necessários para ser directamente aplicável.
      
      3)      O artigo 10.° CE e o artigo 249.°, terceiro parágrafo, CE, em conjugação com o artigo 5.°, n.° 1, do acordo‑quadro relativo
         a contratos de trabalho a termo, não impede que um Estado‑Membro, agindo na qualidade de empregador, renove contratos de trabalho
         a termo em vigor por períodos de tempo comparativamente longos, após o decurso do prazo de transposição da Directiva 1999/70
         e antes da entrada em vigor do diploma nacional de transposição.
      
      4)      As condições de um contrato de trabalho relativas à remuneração constituem condições de emprego na acepção do artigo 4.° do
         acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo. O mesmo se aplica às condições de um contrato de trabalho relativas
         a pensões desde que as mesmas tenham a natureza de uma pensão de velhice ou de uma pensão de empresa concedidas pelo empregador.»
      
      1 –	Língua original: alemão.
      
      2 –	JO L 175, p. 45.
      
      3 –	Acórdãos de 4 de Julho de 2006, Adeneler e o. (C‑212/04, Colect., p. I‑6057, n.os 54 a 57); de 7 de Setembro de 2006, Marrosu e Sardino (C‑53/04, Colect., p. I‑7213, n.os 39 a 42) e Vassallo (C‑180/04, Colect., p. I‑7251, n.° 32); bem como de 13 de Setembro de 2007, Del Cerro Alonso (C‑307/05,
         Colect., p. I‑0000, n.° 25).
      
      4 –	JO L 175, p. 43.
      
      5 –	Décimo quarto considerando da Directiva 1999/70.
      
      6 –	Segundo parágrafo do preâmbulo do acordo‑quadro; v., também, n.° 6 das suas considerações gerais.
      
      7 –	N.° 8 das considerações gerais do acordo‑quadro; v., também, segundo parágrafo do seu preâmbulo.
      
      8 –	N.° 7 das considerações gerais do acordo‑quadro.
      
      9 –	Décimo sétimo considerando da Directiva 1999/70.
      
      10 –	N.° 10 das considerações gerais do acordo‑quadro relativo a contratos de trabalho a termo; v., também, terceiro parágrafo
         do preâmbulo deste acordo‑quadro.
      
      11 –	Protection of Employees (Fixed‑Term Work) Act 2003.
      
      12 –	No pedido de decisão prejudicial diz‑se que a estipulação relativa à resolução do contrato pela passagem do tempo ou pela
         ocorrência de um acontecimento, violadora do artigo 9.°, n.° 1, da Lei de 2003, é «void ab initio» (nula ex tunc).
      
      13 –	V. artigo 6.°, n.° 2, e artigo 9.°, n.° 4, da Lei de 2003.
      
      14 –	Os Rights Commissioners são nomeados pelo ministro competente e exercem uma função comparável à de um mediador público
         e independente. Dependem da «Labour Relations Commission» (comissão para as relações laborais) irlandesa. As respectivas decisões,
         consoante o regime jurídico aplicável, podem ser vinculativas ou ter a natureza de recomendações meramente indicativas. Encontra‑se
         disponível mais informação quanto à figura do Rights Commissioner, no contexto de litígios laborais, por exemplo em http://www.lrc.ie
         (consultado mais recentemente em 20 de Junho de 2007).
      
      15 –	Quanto ao conceito de autonomia processual, v. acórdãos, já referidos na nota 3, Adeneler e o. (n.° 95), Marrosu e Sardino (n.° 52) e Vassallo (n.° 37), bem como acórdãos
         de 7 de Janeiro de 2004, Wells (C‑201/02, Colect., p. I‑723, n.° 67), e de 28 de Junho de 2007, Bonn Fleisch (C‑1/06, Colect.,
         p. I‑0000, n.° 41).
      
      16 –	Acórdãos de 19 de Dezembro de 1968, Salgoil (13/68, Colect., pp. 903 e 906), de 16 de Dezembro de 1976, Rewe‑Zentralfinanz
         (33/76, Colect., p. 813, n.° 5), de 9 de Julho de 1985, Bozzetti (179/84, Recueil, p. 2301, n.° 17), de 14 de Dezembro de
         1995, Peterbroeck (C‑312/93, Colect., p. I‑4599, n.° 12), de 20 de Setembro de 2001, Courage e Crehan (C‑453/99, Colect.,
         p. I‑6297, n.° 29), de 30 de Setembro de 2003, Köbler (C‑224/01, Colect., p. I‑10239, n.° 46), de 13 de Março de 2007, Unibet
         (C‑432/05, Colect., p. I‑2271, n.° 39), e de 7 de Junho de 2007, Van der Weerd e o. (C‑222/05 a C‑225/05, Colect., p. I‑0000,
         n.° 28).
      
      17 –	Acórdão Bozzetti (já referido na nota 16, n.° 17), bem como acórdãos de 18 de Janeiro de 1996, SEIM (C‑446/93, Colect.,
         p. I‑73, n.° 32), de 17 de Setembro de 1997, Dorsch Consult (C‑54/96, Colect., p. I‑4961, n.° 40), e de 22 de Maio de 2003,
         Connect Austria (C‑462/99, Colect., p. I‑5197, n.° 35), e Köbler (já referido na nota 16, n.° 47).
      
      18 –	Acórdão Unibet (já referido na nota 16, n.° 38, em conjugação com o n.° 39).
      
      19 –	Acórdãos Bozzetti (já referido na nota 16, n.° 17), SEIM (já referido na nota 17, n.° 32), Dorsch Consult (já referido
         na nota 17, n.° 40), Connect Austria (já referido na nota 17, n.° 35) e Köbler (já referido na nota 16, n.° 47).
      
      20 –	V., a título de mero exemplo, acórdãos de 15 de Maio de 1986, Johnston (222/84, Colect., p. 1651, n.os 18 e 19), e de 25 de Julho de 2002, Unión de Pequeños Agricultores/Conselho (C‑50/00 P, Colect., p. I‑6677, n.° 39), bem
         como acórdão Unibet (já referido na nota 16, n.° 37). Quanto à consagração do direito a tutela jurisdicional efectiva como
         direito fundamental, v. artigo 6.° e artigo 13.°, ambos da Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das
         Liberdades Fundamentais (assinada em Roma, em 4 de Novembro de 1950), bem como artigo 47.°, n.° 1, da Carta dos Direitos Fundamentais
         da União Europeia (proclamada em Nice, em 7 de Dezembro de 2000, JO C 364, p. 1).
      
      21 –	V., nomeadamente, acórdão de 7 de Setembro de 2006, Cordero Alonso (C‑81/05, Colect., p. I‑7569, n.° 35); no mesmo sentido,
         v. acórdão de 3 de Maio de 2007, Advocaten voor de Wereld (C‑303/05, Colect., p. I‑3633, n.° 45, no tocante ao direito da
         União), e artigo 51.°, n.° 1, da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
      
      22 –	O que corresponde, na parte referente às modalidades processuais, a jurisprudência constante: v., nomeadamente, os acórdãos
         já referidos na nota 16, Rewe‑Zentralfinanz (n.° 5), Peterbroeck (n.° 12), Courage e Crehan (n.° 29), Unibet (n.° 43) e Van
         der Weerd (n.° 28).
      
      23 –	Acórdãos de 1 de Dezembro de 1998, Levez (C‑326/96, Colect., p. I‑7835, n.os 39 e 40), e de 16 de Maio de 2000, Preston e o. (C‑78/98, Colect., p. I‑3201, n.os 49 e 50).
      
      24 –	No n.° 51 do pedido de decisão prejudicial diz‑se, a este propósito: «[...] The Complainants could proceed against the
         State as their employer before a Court of competent jurisdiction claiming redress for the alleged infringement of their rights
         under the Directive [...]»; v., além disso, segundo travessão da primeira questão prejudicial.
      
      25 –	Tal direito a reparação é reconhecido por jurisprudência constante desde o acórdão de 19 de Novembro de 1991, Francovich
         e o. (C‑6/90 e C‑9/90, Colect., p. I‑5357).
      
      26 –	Segundo os Ministérios irlandeses demandados o carácter facultativo desta competência resulta do artigo 14.° da Lei de
         2003, nos termos do qual um trabalhador pode apresentar uma queixa ao Rights Commissioner: «An employee […] may present a complaint to a Rights Commissioner […]» (o sublinhado é meu).
      
      27 –	Acórdãos de 29 de Abril de 2004, Orfanopoulos e Oliveri (C‑482/01 e C‑493/01, Colect., p. I‑5257, n.° 42), de 30 de Junho
         de 2005, Tod’s (C‑28/04, Colect., p. I‑5781, n.° 14), e de 12 de Janeiro de 2006, Turn‑und Sportunion Waldburg (C‑246/04,
         Colect., p. I‑589, n.° 21).
      
      28 –	V., especialmente, o n.° 21 da decisão prejudicial, em que se refere que uma queixa baseada na Lei de 2003 deve ser apresentada,
         em primeiro lugar, a um Rights Commissioner («Section 14 of the Act of 2003 provides that a complaint alleging a contravention
         of the Act shall be referred in the first instance to a Rights Commissioner»; o sublinhado é meu). A decisão prejudicial não se refere em
         nenhum ponto a uma competência facultativa, tal como alegada pelos Ministérios irlandeses demandados.
      
      29 	Apenas existe uma diferença se a lei nacional de transposição conferir uma protecção que for além da garantida na directiva
         e no acordo‑quadro.
      
      30 –	Em especial quanto ao efeito directo de disposições previstas em directivas, v. acórdãos de 5 de Abril de 1979, Ratti (148/78,
         Recueil, p. 1629, n.os 21 e 22), e de 19 de Janeiro de 1982, Becker (8/81, Recueil, p. 53, n.os 23 e 24).
      
      31 –	Quanto ao princípio da igualdade de tratamento, v. jurisprudência constante, mais recentemente, acórdãos de 12 de Setembro
         de 2006, Eman e Sevinger (C‑300/04, Colect., p. I‑8055, n.° 57), e de 11 de Setembro de 2007, Lindorfer/Conselho (227/04 P,
         Colect., p. I‑0000, n.° 63), bem como acórdãos já referidos na nota 21, Cordero Alonso (n.° 37) e Advocaten voor de Wereld
         (n.° 56).
      
      32 –	V., supra, n.° 58 destas conclusões.
      
      33 –	Neste sentido, v. acórdãos já referidos na nota 23, Levez (n.os 43 e 44) e Preston (n.os 61 e 62).
      
      34 –	V., novamente, acórdãos já referidos na nota 23, Levez (n.° 51) e Preston (n.° 60).
      
      35 –	Segundo as informações constantes do pedido de decisão prejudicial, uma pessoa singular também pode intervir pessoalmente.
      
      36 –	Acórdãos de 3 de Outubro de 2000, Corsten (C‑58/98, Colect., p. I‑7919, n.° 24); Orfanopoulos e Oliveri (já referido na
         nota 27, n.° 42); e de 18 de Janeiro de 2007, Auroux (C‑220/05, Colect., p. I‑385, n.° 25).
      
      37 –	V. a jurisprudência já referida na nota 27.
      
      38 –	V., a este propósito, o acima exposto quanto ao princípio da efectividade, nos n.os 54 a 66 destas conclusões.
      
      39 –	V., a título de mero exemplo, acórdãos já referidos na nota 30, Ratti (n.° 22) e Becker (n.os 24, 33 e 34).
      
      40 –	V., neste sentido, acórdão Unibet (já referido na nota 16, n.° 44).
      
      41 –	V., também neste contexto, n.° 48 e nota 19 destas conclusões.
      
      42 –	N.os 45 a 84 destas conclusões.
      
      43 –	Acórdão de 4 de Dezembro de 1974, Van Duyn (41/74, Colect., p. 567, n.° 12) e acórdãos, já referidos na nota 30, Ratti
         (n.os 19 a 23) e Becker (n.os 17 a 25); v., também, acórdão Dorsch Consult (já referido na nota 17, n.° 44). 
      
      44 –	Acórdão de 28 de Junho de 2007, JP Morgan Fleming Claverhouse (C‑363/05, Colect., p. I‑0000, n.° 58); v., também, acórdão
         Becker (já referido na nota 30, n.° 25) e acórdãos de 8 de Outubro de 1987, Kolpinghuis Nijmegen (80/86, Colect., p. 3969,
         n.° 7), de 22 de Junho de 1989, Fratelli Costanzo (103/88, Colect., p. 1839, n.° 29), e de 19 de Abril de 2007, Farrell (C‑356/05,
         Colect., p. I‑3067, n.° 37). 
      
      45 –	V., nomeadamente, acórdãos de 26 de Fevereiro de 1986, Marshall (152/84, Colect., p. 723, n.° 49, a seguir «Marshall I»),
         e de 20 de Março de 2003, Kutz‑Bauer (C‑187/00, Colect., p. I‑2741, n.os 31 e 71).
      
      46 –	V., a este propósito, acórdãos, já referidos na nota 3, Adeneler e o., Marrosu e Sardino, Vassallo e Del Cerro Alonso.
      
      47 –	No acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.os 28 e 107), o Tribunal de Justiça limita‑se a reproduzir o entendimento do órgão jurisdicional de reenvio quanto à (in)aplicabilidade
         directa do acordo‑quadro, sem contudo tomar posição quanto a este problema. 
      
      48 –	V., por exemplo, os acórdãos de 21 de Junho de 1974, Reyners (2/74, Colect., p. 325, n.os 24 a 32), e de 8 de Abril de 1976, Defrenne (43/75, Colect., p. 193, n.os 38 e 39, a seguir «Defrenne II»).
      
      49 –	V., por exemplo, os acórdãos Marshall I (já referido na nota 45, n.° 52), e de 21 de Junho de 2007, Jonkman e o. (C‑231/06
         a C‑233/06, Colect., p. I‑0000, n.° 19), ambos relativos a uma proibição de discriminação em razão do sexo, contida no direito
         derivado.
      
      50 –	V., a este propósito, acórdão Becker (já referido na nota 30, n.os 32 e 33), quanto às «condições» a criar pelos Estados‑Membros no contexto da transposição da Sexta Directiva IVA. No mesmo
         sentido, v. acórdão Reyners (já referido na nota 48, n.os 26 e 31), relativo a uma liberdade fundamental.
      
      51 –	V. n.° 10 das considerações gerais do acordo‑quadro e terceiro parágrafo do respectivo preâmbulo.
      
      52 –	No mesmo sentido, v. acórdão Reyners (já referido na nota 48, n.os 25, 26 e 29) e acórdão de 17 de Setembro de 2002, Baumbast e R (C‑413/99, Colect., p. I‑7091, n.os 84 a 86), relativos às liberdades fundamentais, bem como, ainda, acórdão Becker (já referido na nota 30, n.os 33 e 34), relativo a uma directiva.
      
      53 –	V., a este propósito e a título de exemplo, acórdãos Becker (já referido na nota 30, n.° 30) e Francovich (já referido
         na nota 25, n.° 17) e acórdãos de 24 de Março de 1987, McDermott e Cotter (286/85, Colect., p. 1453, n.° 15), de 2 de Agosto
         de 1993, Marshall (C‑271/91, Colect., p. I‑4367, n.° 37, a seguir «Marshall II»), e de 5 de Outubro de 2004, Pfeiffer e o.
         (C‑397/01 a C‑403/01, Colect., p. I‑8835, n.° 105).
      
      54 –	V., neste sentido, acórdão Pfeiffer (já referido na nota 53, n.° 105).
      
      55 –	Acórdão de 22 de Maio de 1980, Santillo (131/79, Colect., p. 1585, n.° 13); no mesmo sentido, acórdãos Marshall I (já referido
         na nota 45, n.° 55) e Marshall II (já referido na nota 53, n.° 37), bem como conclusões do advogado‑geral Van Gerven de 27
         de Outubro de 1993 no processo Banks (C‑128/92, Colect., p. I‑1209, n.° 27).
      
      56 –	V., por exemplo, jurisprudência constante quanto ao «princípio da igualdade de remuneração entre trabalhadores masculinos
         e femininos» (artigo 141.° CE), desde o acórdão Defrenne II (já referido na nota 48, n.° 28), e a jurisprudência, também ela
         constante, quanto ao «princípio da igualdade de tratamento entre homens e mulheres», em especial quanto às «condições de trabalho»
         [por exemplo, acórdãos Marshall I (já referido na nota 45) e Johnston (já referido na nota 20)].
      
      57 –	V., neste sentido, acórdão Van Duyn (já referido na nota 43, n.° 14).
      
      58 –	Acórdãos de 10 de Novembro de 1992, Hansa Fleisch Ernst Mundt (C‑156/91, Colect., p. I‑5567, n.° 15), e de 9 de Setembro
         de 1999, Feyrer (C‑374/97, Colect., p. I‑5153, n.° 24), bem como acórdão Pfeiffer (já referido na nota 53, n.° 105); no mesmo
         sentido, já acórdão Marshal I (já referido na nota 41, n.os 53 a 55). De resto, o mesmo se aplica às liberdades fundamentais consagradas no Tratado CE, cujos eventuais regimes de excepção
         também não impedem que sejam directamente aplicáveis; v., por todos, acórdãos Van Duyn (já referido na nota 43, n.° 7) e Baumbast
         e R (já referido na nota 52, n.os 85 e 86).
      
      59 –	V., nomeadamente, acórdão Advocaten voor de Wereld (já referido na nota 21, n.° 56).
      
      60 –	V., também, artigo 4.°, n.° 4, do acordo‑quadro.
      
      61 –	Acórdãos do Tribunal de Justiça de 6 de Outubro de 1983, Celant/Comissão (118/82 a 123/82, Recueil, p. 2995, n.° 22), e
         de 19 de Abril de 1988, Sperber/Tribunal de Justiça (37/87, Colect., p. 1943, n.os 8 e 9), bem como acórdão do Tribunal da Função Pública de 19 de Outubro de 2006, De Smedt/Comissão (F‑59/05, ainda não publicado
         na Colectânea, n.os 70 a 76), que por sua vez foi confirmado por despacho do Tribunal de Primeira Instância de 9 de Julho de 2007, De Smedt/Comissão
         (T‑415/06 P, Colect., p. I‑0000, n.os 54 e 55).
      
      62 –	V., por todos, os acórdãos Cordero Alonso (já referido na nota 21, n.os 45 e 46) e Jonkman e o. (já referido na nota 49, n.° 39).
      
      63 –	Acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.os 62 e 63).
      
      64 –	Artigo 1.°, alínea b), do acordo‑quadro. V., também, acórdão Adeneler (já referido na nota 3, n.os 63 e 79).
      
      65 –	Acórdãos já referidos na nota 3, Adeneler e o. (n.os 65, 80, 92 e 101), Marrosu e Sardino (n.os 44 e 50) e Vassallo (n.° 35).
      
      66 –	Quanto à obrigação de garantir o resultado e o efeito útil da directiva e do acordo‑quadro, v. acórdão Adeneler e o. (já
         referido na nota 3, n.os 68, 82 e 101).
      
      67 –	V. n.° 10 das considerações gerais do acordo‑quadro e terceiro parágrafo do respectivo preâmbulo, bem como, ainda, acórdão
         Adeneler (já referido na nota 3, n.° 68).
      
      68 –	Na versão em língua alemã do acordo‑quadro a terminologia utilizada não é a mesma, pois no n.° 7 das considerações gerais
         utiliza‑se a expressão «objektiven Gründen» e no artigo 5.°, n.° 1, alínea a), refere‑se «sachlichen Gründen». Contudo, da
         análise de outras versões linguísticas resulta que este é um problema específico da versão alemã e que a referida diferença
         terminológica não reflecte uma diferença de conteúdo.
      
      69 –	V., neste sentido, acórdão Adeneler (já referido na nota 3, n.° 62).
      
      70 –	V. n.° 6 das considerações gerais do acordo‑quadro e segundo parágrafo do respectivo preâmbulo.
      
      71 –	Acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.° 62); v., além disso, n.° 8 das considerações gerais do acordo‑quadro
         e segundo parágrafo do respectivo preâmbulo.
      
      72 –	Acórdão Francovich e o. (já referido na nota 25, n.os 17 a 20, quanto ao «conteúdo da garantia»). O efeito directo da directiva em causa nesse acórdão foi rejeitado por outros
         motivos (acórdão Francovich e o., n.os 23 a 26).
      
      73 –	Acórdão de 10 de Abril de 1984, Von Colson e Kamann (14/83, Recueil, p. 1891, em especial n.os 18 e 27).
      
      74 –	V. acórdãos já referidos na nota 3, Adeneler e o. (n.os 91 e 101) e Marrosu e Sardino (n.° 47).
      
      75 –	Acórdão Francovich e o. (já referido na nota 25, n.os 30 a 46) e jurisprudência constante desde então; v., mais recentemente, acórdão Farrell (já referido na nota 44, n.° 43).
      
      76 –	N.os 105 a 119 destas conclusões.
      
      77 –	V., a este propósito, acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.° 117).
      
      78 –	Acórdãos de 18 de Dezembro de 1997, Inter‑Environnement Wallonie (C‑129/96, Colect., p. I‑7411, n.° 45), de 8 de Maio de
         2003, ATRAL (C‑14/02, Colect., p. I‑4431, n.° 58), bem como acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.° 121).
      
      79 –	No acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.os 65, 68, 82, 92 e 101), o Tribunal de Justiça sublinha que os Estados‑Membros estão obrigados a garantir o resultado imposto
         pelo direito comunitário e que têm de evitar efectivamente a utilização abusiva de contratos a termo sucessivos.
      
      80 –	V. n.os 105 a 119 destas conclusões.
      
      81 –	V., supra, n.os 45 a 84 e 89 a 102 destas conclusões.
      
      82 –	V., a título de mero exemplo, acórdãos Von Colson e Kamann (já referido na nota 73, n.° 26), Pfeiffer (já referido na nota
         53, n.° 113), e Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.° 108).
      
      83 –	Acórdãos Pfeiffer (já referido na nota 53, n.os 115, 116, 118 e 119) e Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.° 111); já neste sentido, v. acórdão de 13 de Novembro de
         1990, Marleasing (C‑106/89, Colect., p. I‑4135, n.° 8), em que o Tribunal de Justiça salienta que o tribunal nacional «é obrigado
         a orientar a sua interpretação, tanto quanto possível, à luz do texto e da finalidade da directiva».
      
      84 –	Acórdão Von Colson e Kamann (já referido na nota 73, n.° 28); v., também, acórdãos de 4 de Fevereiro de 1988, Murphy e
         o. (157/86, Colect., p. 673, n.° 11), e de 11 de Janeiro de 2007, ITC (C‑208/05, Colect., p. I‑181, n.° 68).
      
      85 –	Acórdão de 16 de Junho de 2005, Pupino (C‑105/03, Colect., p. I‑5285, n.os 44 e 47), e acórdão Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.° 110).
      
      86 –	Acórdão de 26 de Abril de 2005, Goed Wonen (C‑376/02, Colect., p. I‑3445, n.° 33); já no mesmo sentido, relativamente a
         disposições de direito substantivo, acórdão de 12 de Novembro de 1981, Salumi (212/80 a 217/80, Recueil, p. 2735, n.os 9 e 10) e jurisprudência constante. No acórdão de 8 de Março de 1988, Dik (80/87, Colect., p. 1601, n.° 15), o Tribunal de
         Justiça confirma expressamente que o legislador nacional pode transpor uma directiva com efeitos retroactivos.
      
      87 –	Neste sentido – relativamente a operadores económicos –, v. acórdão de 10 de Março de 2005, Espanha/Conselho (C‑342/03,
         Colect., p. I‑1975, n.° 48).
      
      88 –	O princípio da confiança legítima não pode ser invocado por uma pessoa que incorreu em violação manifesta da regulamentação
         em vigor [acórdão de 14 de Julho de 2005, ThyssenKrupp/Comissão (C‑65/02 P e C‑73/02 P, Colect., p. I‑6773, n.° 41)].
      
      89 –	Segundo as observações complementares dos Ministérios irlandeses demandados na audiência do Tribunal de Justiça, a aplicação
         retroactiva da Lei de 2003 foi objecto de um debate parlamentar e foi intencionalmente afastada pelo legislador.
      
      90 –	Acórdãos Marleasing (já referido na nota 83, n.° 8), Pfeiffer (já referido na nota 53, n.os 115, 118 e 119) e Adeneler e o. (já referido na nota 3, n.os 108 e 111).
      
      91 –	V., neste mesmo sentido, as minhas conclusões de 18 de Maio de 2004 no processo Wippel (C‑313/02, Colect., p. I‑9483, n.° 63),
         quanto à interpretação conforme com as directivas do conceito de ofensa aos bons costumes; v., ainda – se bem que noutro contexto
         –, acórdão de 5 de Julho de 2007, Kofoed (C‑321/05, Colect., p. I‑0000, n.° 46), quanto à proibição do abuso de direito.
      
      92 –	Acórdão de 14 de Julho de 1994, Faccini Dori (C‑91/92, Colect., p. I‑3325, n.° 27), e acórdão Adeneler e o. (já referido
         na nota 3, n.° 112); v. também o exposto no n.° 121 destas conclusões, bem como a jurisprudência já referida na nota 75.
      
      93 –	V., supra, n.os 45 a 84 destas conclusões.
      
      94 –	Conclusões de 10 de Janeiro de 2007 no processo Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.os 16 a 25).
      
      95 –	V. artigo 3.°, n.° 1, alínea c), da Directiva 2000/43/CE do Conselho, de 29 de Junho de 2000, que aplica o princípio da
         igualdade de tratamento entre as pessoas, sem distinção de origem racial ou étnica (JO L 180, p. 22); artigo 3.°, n.° 1, alínea c),
         da Directiva 2000/78/CE do Conselho, de 27 de Novembro de 2000, que estabelece um quadro geral de igualdade de tratamento
         no emprego e na actividade profissional (JO L 303, p. 16); e artigo 3.°, n.° 1, alínea c), da Directiva 76/207/CEE do Conselho,
         de 9 de Fevereiro de 1976, relativa à concretização do princípio da igualdade de tratamento entre homens e mulheres no que
         se refere ao acesso ao emprego, à formação e promoção profissionais e às condições de trabalho (JO L 39, p. 40; EE 05 F2 p. 70),
         na redacção da Directiva 2002/73/CE (JO L 269, p. 15).
      
      96 –	Acórdãos de 13 de Fevereiro de 1996, Gillespie e o. (C‑342/93, Colect., p. I‑475, n.° 24), e de 8 de Setembro de 2005,
         McKenna (C‑191/03, Colect., p. I‑7631, n.° 30).
      
      97 –	Directiva 75/117/CEE do Conselho, de 10 de Fevereiro de 1975, relativa à aproximação das legislações dos Estados‑Membros
         no que se refere à aplicação do princípio da igualdade de remuneração entre os trabalhadores masculinos e femininos (JO L 45,
         p. 19).
      
      98 –	V., também, segundo considerando da Directiva 76/207, que é expressamente mencionado nos acórdãos referidos na nota 96.
         Desde a alteração da Directiva 76/207 pela Directiva 2002/73, a Directiva 75/117 deixou de ser uma regra especial propriamente
         dita para passar a ser simplesmente o diploma que contém o regime para o qual o artigo 3.°, n.° 1, alínea c), da Directiva
         76/207 remete, para configuração mais detalhada do conceito de remuneração.
      
      99 –	Acórdãos de 7 de Junho de 2005, VEMW e o. (C‑17/03, Colect., p. I‑4983, n.° 41), e de 7 de Junho de 2007, Britannia Alloys
         & Chemicals/Comissão (C‑76/06 P, Colect., p. I‑0000, n.° 21).
      
      100 –	V., também, décimo quarto considerando da Directiva 1999/70 e terceiro parágrafo do preâmbulo do acordo‑quadro.
      
      101 –	No preâmbulo do Tratado da União Europeia reforça‑se a importância dos direitos sociais fundamentais (quarto considerando)
         e realça‑se o objectivo do progresso económico e social (oitavo considerando).
      
      102 –	No preâmbulo do Tratado CE salienta‑se a importância do progresso económico e social (segundo considerando) e estabelece‑se
         como objectivo essencial a melhoria constante das condições de vida e de trabalho dos povos europeus (terceiro considerando);
         v., também, acórdão Defrenne II (já referido na nota 48, n.os 10 e 11).
      
      103 –	A Carta Comunitária dos Direitos Sociais Fundamentais dos Trabalhadores foi aprovada por ocasião da reunião do Conselho
         Europeu de 9 de Dezembro de 1989, em Estrasburgo, e encontra‑se reproduzida no documento COM(89) 471 da Comissão, de 2 de
         Outubro de 1989. O n.° 7 desta Carta tem o seguinte teor: «A concretização do mercado interno tem de conduzir a uma melhoria
         das condições de vida e de trabalho na Comunidade. Este processo resulta de um nivelamento destas condições através do desenvolvimento
         e respeita nomeadamente ao tempo de trabalho e à configuração do tempo de trabalho, bem como a outras formas de trabalho diferentes
         da relação de trabalho por tempo indeterminado, como é o caso da relação de trabalho a termo, do trabalho a tempo parcial,
         do trabalho temporário e do trabalho sazonal.» O n.° 10, primeiro travessão, desta Carta acrescenta: «Todo e qualquer trabalhador
         da Comunidade Europeia tem direito a uma protecção social adequada […] segundo a realidade de cada país […]».
      
      104 –	A Carta Social Europeia foi assinada em 18 de Outubro de 1961, em Turim, pelos Estados‑Membros do Conselho de Europa. Na
         parte I, n.os 2 e 4, desta Carta salienta‑se o direito de todos os trabalhadores de gozarem de condições de trabalho justas e de auferirem
         uma remuneração justa, sendo que este direito é considerado como uma finalidade [v. parte III, artigo 20.°, n.° 1, alínea a),
         da Carta].
      
      105 –	Acórdão Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.° 38).
      
      106 –	Acórdãos de 25 de Maio de 1971, Defrenne (80/70, Colect., p. 161, n.os 7 e 8, a seguir «Defrenne I»), e de 17 de Maio de 1990, Barber (C‑262/88, Colect., p. I‑1889, n.os 22 e 28), bem como acórdão Jonkman (já referido na nota 49, n.° 17); em especial no que toca a pensões de velhice de funcionários,
         acórdão de 23 de Outubro de 2003, Schönheit e Becker (C‑4/02 e C‑5/02, Colect., p. I‑12575, n.os 56 a 59).
      
      107 –	Quinto parágrafo do preâmbulo do acordo‑quadro. Resulta também da leitura conjugada do quinto e do sexto parágrafo do preâmbulo
         que o acordo‑quadro distingue entre o regime legal de segurança social e o sistema de protecção social complementar.
      
      108 –	Acórdão de 9 de Março de 2006, Comissão/Reino Unido (C‑65/04, Colect., p. I‑2239, n.° 27).
      
      109 –	Acórdãos de 13 de Dezembro de 1983, Comissão/Conselho (218/82, Recueil, p. 4063, n.° 15); de 29 de Junho de 1995, Espanha/Comissão
         (C‑135/93, Colect., p. I‑1651, n.° 37); e de 26 de Junho de 2007, Ordre des barreaux francophones et germanophone e o. (C‑305/05,
         Colect., p. I‑0000, n.° 28).
      
      110 –	Acórdão Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.° 39); v., também, quanto à interpretação restritiva de excepções contidas
         no direito primário, acórdão de 21 de Julho de 2005, Comissão/Reino Unido (C‑349/03, Colect., p. I‑7321, n.° 43).
      
      111 –	Acórdão Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.° 41).
      
      112 –	É o que sucede no artigo 7.° da Directiva 2003/88/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 4 de Novembro de 2003, relativa
         a determinados aspectos da organização do tempo de trabalho (JO L 299, p. 9); através desta directiva deu‑se nova redacção
         à Directiva 93/104/CE do Conselho, de 23 de Novembro de 1993, relativa a determinados aspectos da organização do tempo de
         trabalho (JO L 307, p. 18), que por sua vez já continha uma disposição com o mesmo teor. O Tribunal de Justiça, no acórdão
         de 12 de Novembro de 1996, Reino Unido/Conselho (C‑84/94, Colect., p. I‑5755, em especial n.os 45 e 49), confirmou que o artigo 118.°‑A do Tratado CE, um antecessor do artigo 137.°, n.° 1, alínea a), CE, constitui a
         base jurídica da Directiva 93/104/CE.
      
      113 –	Acórdão Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.os 43 e 44), com esclarecimentos para melhor compreensão do acórdão de 1 de Dezembro de 2005, Dellas e o. (C‑14/04, Colect.,
         p. I‑10253, n.os 37 a 39), e do Despacho de 11 de Janeiro de 2007, Vorel (C‑437/05, Colect., p. I‑331, n.os 32, 35 e 36).
      
      114 –	Acórdão Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.os 45 e 46).
      
      115 –	Acórdão Del Cerro Alonso (já referido na nota 3, n.° 47).
      
      116 –	Por exemplo, encontra‑se uma outra proibição de discriminação, deste mesmo tipo, na quarta cláusula do acordo‑quadro relativo
         ao trabalho a tempo parcial, anexo à Directiva 97/81/CE do Conselho, de 15 de Dezembro de 1997, respeitante ao acordo‑quadro
         relativo ao trabalho a tempo parcial celebrado pela UNICE, pelo CEEP e pela CES (JO 1998, L 14, p. 9).
      
      117 –	Neste sentido, v. acórdãos de 11 de Dezembro de 2007, International Transport Workers’ Federation e Finnish Seamen’s Union
         (C‑438/05, Colect., p. I‑0000, n.os 39 e 40), e de 18 de Dezembro de 2007, Laval e Partneri (C‑341/05, Colect., p. I‑0000, n.os 86 e 87), bem como a jurisprudência neles citada, e ainda acórdãos de 11 de Setembro de 2003, Steinicke (C‑77/02, Colect.,
         p. I‑9027, n.° 63), e de 4 de Dezembro de 2003, Kristiansen (C‑92/02, Colect., p. I‑14597, n.° 31).