CELEX: 32020R2018
Language: pt
Date: 2020-12-09 00:00:00
Title: Regulamento de Execução (UE) 2020/2018 da Comissão de 9 de dezembro de 2020 relativo à inscrição de um nome no registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas [«Mozzarella di Gioia del Colle» (DOP)]

10.12.2020   
               
               
                  PT
               
               
                  Jornal Oficial da União Europeia
               
               
                  L 415/46
               
            
         REGULAMENTO DE EXECUÇÃO (UE) 2020/2018 DA COMISSÃO
         de 9 de dezembro de 2020
         relativo à inscrição de um nome no registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas [«Mozzarella di Gioia del Colle» (DOP)]
         A COMISSÃO EUROPEIA,
         Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
         Tendo em conta o Regulamento (UE) n.o 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios (1), nomeadamente o artigo 52.o, n.o 3, alínea b),
         Considerando o seguinte:
         
                     (1)
                  
                  
                     Em conformidade com o disposto no artigo 50.o, n.o 2, alínea a), do Regulamento (UE) n.o 1151/2012, o pedido apresentado pela Itália de registo do nome «Mozzarella di Gioia del Colle» como denominação de origem protegida (DOP) foi publicado no Jornal Oficial da União Europeia (2).
                  
               
                     (2)
                  
                  
                     Em 19 de dezembro de 2019, a Comissão recebeu um ato de oposição e uma declaração de oposição fundamentada da Alemanha. Em 13 de janeiro de 2020, a Comissão notificou a Itália do ato de oposição e da declaração de oposição fundamentada apresentados pela Alemanha.
                  
               
                     (3)
                  
                  
                     A Comissão analisou a declaração de oposição enviada pela Alemanha e considerou-a admissível. A palavra «Mozzarella», que faz parte do nome «Mozzarella di Gioia del Colle», é homónima do nome utilizado na Alemanha para um tipo de queijo produzido e vendido no país à escala comercial. Na oposição argumenta-se que o nome «Mozzarella di Gioia del Colle» não pode ser registado como denominação de origem protegida ao abrigo do Regulamento (UE) n.o 1151/2012, uma vez que não cumpre os requisitos do referido regulamento dado que o nome «Mozzarella» é considerado genérico e, portanto, inelegível para ser registado. A oposição alega que o pedido de registo do «Mozzarella di Gioia del Colle» não respeita a condição referida no artigo 5.o e no artigo 7.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 1151/2012, uma vez que nem a qualidade nem as características do queijo se devem, essencial ou exclusivamente, a um ambiente geográfico determinado, com fatores naturais e humanos específicos. A oposição alega também que o registo do nome proposto «Mozzarella di Gioia del Colle» comprometeria a designação homónima («Mozzarella») e a comercialização de produtos que se encontravam legalmente no mercado alemão, pelo menos, cinco anos antes da data de publicação do pedido de registo do nome «Mozzarella di Gioia del Colle». Além disso, a oposição alega que este pedido de registo contradiz o registo do nome «Mozzarella» como especialidade tradicional garantida sem reserva da denominação [Regulamento (CE) n.o 2527/98].
                  
               
                     (4)
                  
                  
                     Por ofício de 12 de fevereiro de 2020, a Comissão instou as partes interessadas a efetuar consultas no intuito de chegarem a acordo, nos termos dos respetivos procedimentos internos.
                  
               
                     (5)
                  
                  
                     No entanto, devido a um erro administrativo, a carta da Comissão de 12 de fevereiro de 2020 não foi recebida pelas partes. A Alemanha recebeu formalmente o convite para proceder às consultas adequadas a fim de alcançar um acordo em 14 de outubro de 2020. A Itália recebeu-a formalmente em 26 de outubro de 2020.
                  
               
                     (6)
                  
                  
                     Apesar dos intercâmbios realizados e de um entendimento substancial sobre o registo do nome «Mozzarella di Gioia del Colle» já alcançado em março de 2020, as partes só chegaram a um acordo formal em novembro de 2020. O acordo foi comunicado à Comissão pela Itália em 9 de novembro de 2020.
                  
               
                     (7)
                  
                  
                     A Itália e a Alemanha confirmaram que a proteção da denominação «Mozzarella di Gioia del Colle» não deve abranger o termo «Mozzarella» isolado, mas apenas o nome composto «Mozzarella di Gioia del Colle» no seu conjunto. Ao requerer o registo do nome «Mozzarella di Gioia del Colle», a Itália não pretendeu reservar a utilização do termo «Mozzarella».
                  
               
                     (8)
                  
                  
                     Além disso, concordaram que o termo «Mozzarella» constante do caderno de especificações e do documento único deve ser sempre seguido dos termos «di Gioia del Colle» para indicar que a proteção se refere apenas a esse nome composto. O caderno de especificações e o documento único foram alterados em conformidade.
                  
               
                     (9)
                  
                  
                     Na medida em que cumpre o disposto no Regulamento (UE) n.o 1151/2012 e na legislação da UE, importa ter em conta o teor do acordo celebrado entre a Itália e a Alemanha.
                  
               
                     (10)
                  
                  
                     A Itália e a Alemanha propuseram igualmente que o presente regulamento incluísse uma nota de rodapé explicando que não é pedida a proteção do nome «Mozzarella». No entanto, por razões de clareza e de segurança jurídica, a declaração sobre o estatuto de proteção de um termo específico deve ser transferida para o dispositivo do presente regulamento.
                  
               
                     (11)
                  
                  
                     Na sequência da clarificação do estatuto do termo «Mozzarella» expressa num artigo do presente regulamento, deixa de ter sentido a alegação baseada na incoerência deste pedido com o registo do termo «Mozzarella» como especialidade tradicional garantida sem reserva da denominação.
                  
               
                     (12)
                  
                  
                     Em 17 de janeiro de 2020, a Comissão recebeu um ato de oposição do Consortium for Common Food Names (CCFN) e do U.S. Dairy Export Council (USDEC). Em 21 de janeiro de 2020, a Comissão notificou a Itália do ato de oposição. Em 17 de março de 2020, a Comissão recebeu a declaração de oposição fundamentada, dentro do prazo previsto.
                  
               
                     (13)
                  
                  
                     A Comissão analisou a declaração de oposição enviada pelo Consortium for Common Food Names (CCFN) e o U.S. Dairy Export Council (USDEC) e considerou-a admissível. O termo «Mozzarella», que faz parte do nome «Mozzarella di Gioia del Colle», é homónimo do termo utilizado para um tipo de queijo para o qual existe uma norma ativa do Codex Alimentarius (Codex Stan 262-2006). Na oposição, argumenta-se que o nome «Mozzarella di Gioia del Colle» não pode ser registado como denominação de origem protegida ao abrigo do Regulamento (UE) n.o 1151/2012, uma vez que o nome «Mozzarella» é um termo genérico e que o pedido não inclui a garantia de que não é solicitada proteção para o referido termo e de que este termo genérico poderá continuar a ser utilizado livremente. Além disso, o CCFN e o USDEC manifestaram a sua preocupação quanto ao procedimento aplicado a nível dos Estados-Membros no que respeita à alegada alteração do nome do produto, invocando uma violação das condições estabelecidas no artigo 5.o e no artigo 7.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 1151/2012.
                  
               
                     (14)
                  
                  
                     Por ofício de 8 de abril de 2020, a Comissão instou as partes interessadas a efetuar consultas no intuito de chegarem a acordo, nos termos dos respetivos procedimentos internos.
                  
               
                     (15)
                  
                  
                     A Itália e o Consortium for Common Food Names (CCFN) e o U.S. Dairy Export Council (USDEC) confirmaram que a denominação «Mozzarella di Gioia del Colle» deve ser protegida no seu conjunto, ao passo que o nome isolado «Mozzarella» pode continuar a ser utilizado nos rótulos e apresentações em território da União desde que sejam respeitados os princípios e regras aplicáveis à ordem jurídica vigente.
                  
               
                     (16)
                  
                  
                     Contudo, o Consortium for Common Food Names (CCFN) e o U.S. Dairy Export Council (USDEC) não deram o seu consentimento definitivo, pelo facto de a Itália não lhes ter facultado o acesso aos documentos do procedimento nacional e de não se ter comprometido a confirmar que o nome «Mozzarella» poderá ser utilizado livremente para futuros pedidos de proteção do nome «Mozzarella di Gioia del Colle» fora da UE.
                  
               
                     (17)
                  
                  
                     Na medida em que cumpre o disposto no Regulamento (UE) n.o 1151/2012 e na legislação da UE, importa ter em conta o teor do acordo parcial celebrado entre a Itália, por um lado, e o Consortium for Common Food Names (CCFN) e o U.S. Dairy Export Council (USDEC), por outro.
                  
               
                     (18)
                  
                  
                     Quanto ao restante, Comissão verificou que o procedimento aplicado a nível dos Estados-Membros dizia respeito ao pedido de registo do nome e que esse nome tem sido utilizado no comércio e na linguagem comum para descrever o produto específico em conformidade com o artigo 7.o, n.o 1, do Regulamento (UE) n.o 1151/2012.
                  
               
                     (19)
                  
                  
                     Os eventuais pedidos futuros da denominação de origem protegida «Mozzarella di Gioia del Colle» fora da UE encontram-se fora do âmbito de aplicação do Regulamento (UE) n.o 1151/2012.
                  
               
                     (20)
                  
                  
                     Não é pedida proteção para o termo «Mozzarella» enquanto tal.
                  
               
                     (21)
                  
                  
                     Por conseguinte, a denominação de origem «Mozzarella di Gioia del Colle» (DOP) deve ser protegida no seu conjunto, ao passo que o termo «Mozzarella» deve continuar a poder ser utilizado no território da União desde que sejam respeitados os princípios e regras aplicáveis à ordem jurídica vigente. A versão consolidada do documento único deve ser publicada para informação.
                  
               
                     (22)
                  
                  
                     As medidas previstas no presente regulamento estão em conformidade com o parecer do Comité da Política de Qualidade dos Produtos Agrícolas,
                  
               ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
         
            Artigo 1.o
            
            É registado o nome «Mozzarella di Gioia del Colle» (DOP).
            O nome referido no primeiro parágrafo identifica um produto da classe 1.3., «Queijos», do anexo XI do Regulamento de Execução (UE) n.o 668/2014 da Comissão (3). O documento único consolidado figura no anexo do presente regulamento.
         
         
            Artigo 2.o
            
            O nome «Mozzarella» pode continuar a ser utilizado em território da União desde que sejam respeitados os princípios e regras aplicáveis à ordem jurídica vigente.
         
         
            Artigo 3.o
            
            O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no Jornal Oficial da União Europeia.
         
         
            O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
            Feito em Bruxelas, em 9 de dezembro de 2020.
            
               
                  Pela Comissão
               
               
                  A Presidente
               
               Ursula VON DER LEYEN
            
         
         
            (1)  JO L 343 de 14.12.2012, p. 1.
         
            (2)  JO C 356 de 21.10.2019, p. 10.
         
            (3)  Regulamento de Execução (UE) n.o 668/2014 da Comissão, de 13 de junho de 2014, que estabelece regras de aplicação do Regulamento (UE) n.o 1151/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho relativo aos regimes de qualidade dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios (JO L 179 de 19.6.2014, p. 36).
      
      
         
            ANEXO
            
               «MOZZARELLA DI GIOIA DEL COLLE»
            
            N.o UE: PDO-IT-02384 — 29.12.2017
            
               DOP (X) IGP ()
            
            1.   Nome(s)
            
            «Mozzarella di Gioia del Colle»
            2.   Estado-Membro ou país terceiro
            
            Itália
            3.   Descrição do produto agrícola ou género alimentício
            
            3.1.   Tipo de produto
            
            Classe 1.3. Queijos
            3.2.   Descrição do produto correspondente ao nome indicado no ponto 1
            
            O «Mozzarella di Gioia del Colle» é um queijo de pasta fresca fabricado com leite de vaca inteiro e uma cultura de fermentos lácteos. Tem as seguintes características:
            
                        a)
                     
                     
                        Composição química (queijo fresco): lactose ≤ 0,6%; ácido láctico ≥ 0,20%, humidade 58-65%, gordura 15-21%, em relação ao produto húmido.
                     
                  
                        b)
                     
                     
                        Sabor evocativo de leite ligeiramente coalhado, com uma nota residual agradável de fermentação ou soro de soro ácido (mais forte no queijo fresco) e um aroma lácteo acidulado, por vezes acompanhado de um ligeiro toque de manteiga.
                     
                  
                        c)
                     
                     
                        Ausência de conservantes, aditivos e auxiliares tecnológicos.
                        O «Mozzarella di Gioia del Colle» tem uma superfície lisa ou ligeiramente fibrosa. É lustroso; não é viscoso nem floculoso. É branco, eventualmente com uma ligeira coloração palha, consoante a estação. Quando cortado, deve ter uma consistência elástica e estar isento de defeitos, devendo escorrer dele uma pequena quantidade de soro de leite branco.
                        O «Mozzarella di Gioia del Colle» apresenta-se em três formas: redondo, torcido em nós e entrançado. Consoante a forma e o tamanho, o peso das doses varia entre 50 e 1 000 g. O queijo é comercializado imerso em líquido conservante (água, com eventual adição de sal), ligeiramente acidificado.
                     
                  3.3.   Alimentos para animais (unicamente para os produtos de origem animal) e matérias-primas (unicamente para os produtos transformados)
            
            Neste queijo utiliza-se apenas leite de vaca inteiro cru, recolhido em duas sessões de ordenha separadas. O leite pode ser termizado ou pasteurizado.
            O queijo é fabricado de acordo com a prática tradicional de utilização de uma cultura de soro de leite.
            O leite utilizado no fabrico do «Mozzarella di Gioia del Colle» provém de efetivos de bovinos pertencentes às raças Bruna, Frisona, Pezzata Rossa ou Jersey; pelo menos, 60% da matéria seca total administrada às vacas leiteiras são constituídos por erva e/ou feno proveniente de uma grande variedade de vegetação.
            O regime alimentar das vacas pode também incluir cereais (milho, cevada, trigo, aveia) e concentrados à base de leguminosas (soja, fava, fava forrageira, ervilha forrageira), bem como sêmolas ou flocos, que podem igualmente ser administrados como complementos alimentares. Podem também utilizar-se subprodutos de transformação de alfarroba e de cereais — sêmeas de trigo-mole e de trigo duro —, desde que não excedam 40% da matéria seca. Finalmente, o regime alimentar das vacas pode ser complementado com complexos vitamínicos e de minerais.
            Para não comprometer as características qualitativas conferidas ao «Mozzarella di Gioia del Colle» pela sua ligação à área, pelo menos 60% dos produtos utilizados na alimentação das vacas devem provir da área descrita no ponto 4. Este requisito é cumprido com recurso a erva e/ou feno de prados situados na área identificada. A parte do alimento para animais constituída por fibras digeríveis, geralmente definida como «forragem» (erva e/ou feno, pastagens, etc.), tem um impacto importante nas características químicas e organoléticas do leite.
            Dadas as suas condições geográficas, edáficas e climáticas, a área geográfica em causa nunca foi, nem será, adequada ao cultivo de cereais, como o milho, ou de oleaginosas, como a soja destinada à obtenção de alimentos proteicos. Uma vez que não é possível substituir estes alimentos por forragens de alta qualidade provenientes da área, deve ser permitida a utilização de concentrados e alimentos complementares provenientes do exterior. Estes produtos — com granulometria inferior a 0,8 cm, que os torna incapazes de estimular contrações reticulares — são facilmente desintegrados e dissolvidos no rúmen, fornecendo energia (principalmente na forma de hidratos de carbono de reserva, como o amido) e proteínas disponíveis para o microbioma do rúmen. No entanto, dado que o seu papel se limita à função fisiológica de manter o microbioma, não têm qualquer impacto nas propriedades do leite ou do «Mozzarella di Gioia del Colle». Assim, a pastagem obrigatória durante o período em que é efetivamente possível (150 dias) e a dieta rica em forragens produzidas na zona constituem os aspetos que contribuem para determinar as propriedades químicas e sensoriais da matéria-prima e do produto acabado. São, pois, dois elementos fundamentais que ligam a matéria-prima, o produto acabado e o território.
            3.4.   Fases específicas da produção que devem ter lugar na área geográfica delimitada
            
            Todas as fases do processo de produção — criação e ordenha das vacas, recolha e transformação do leite e fabrico do queijo — ocorrem na área geográfica descrita no ponto 4.
            3.5.   Regras específicas relativas à fatiagem, ralagem, acondicionamento, etc., do produto a que o nome registado se refere
            
            Dada a sua natureza de produto fresco que tende a deteriorar-se rapidamente, o «Mozzarella di Gioia del Colle» deve ser embalado nas instalações em que é fabricado, na área geográfica definida no ponto 4.
            Pode ser comercializado em embalagens de diferentes pesos e/ou em doses individuais. É comercializado imerso num líquido de conservação (água, com eventual adição de sal), ligeiramente acidificado.
            3.6.   Regras específicas relativas à rotulagem do produto a que o nome registado se refere
            
            O logótipo (figura 1) e a data de produção devem ser impressos nas embalagens utilizadas para comercializar o «Mozzarella di Gioia del Colle».
            O logótipo representado na figura 1 deve ser aposto, de forma bem visível, na face superior do rótulo ou da embalagem, bem como nas partes laterais. Deve ser aposto em ambos os lados das doses acondicionadas em embalagens individuais.
            
               
            
               Figura 1: logótipo
            
            4.   Delimitação concisa da área geográfica
            
            A área de produção abrange os seguintes municípios: Acquaviva delle Fonti, Alberobello, Altamura, Casamassima, Cassano delle Murge, Castellana Grotte, Conversano, Gioia del Colle, Gravina in Puglia, Locorotondo, Monopoli, Noci, Putignano, Sammichele di Bari, Santeramo in Colle e Turi, na província de Bari; Castellaneta, Crispiano, Laterza, Martina Franca, Massafra e Mottola, na província de Taranto; uma parte do município de Matera adjacente aos municípios de Altamura, Santeramo in Colle e Laterza, demarcada pelas estradas SS 99 e SS 7.
            5.   Relação com a área geográfica
            
            A área geográfica em que este queijo é produzido abrange partes das províncias de Bari e Taranto situadas no planalto de Murgente, onde existem muitas explorações leiteiras, que remontam à época fredericiana. Nesta área, onde as explorações agrícolas e as centrais leiteiras se encontram muito próximas (partilhando, por vezes, as mesmas instalações), há muito que existe o costume de produzir «Mozzarella di Gioia del Colle» a partir de leite de vaca: já em 1885 se encontram referências ao «delicioso mozarela da Apúlia», numa publicação intitulada L’ Italia agricola, giornale dedicato al miglioramento morale ed economico delle popolazioni rurali (ed. Redaelli, Milão). Para além de algumas especificidades devidas à geografia, ao solo e ao clima, a área distingue-se pela sua antiga tradição queijeira, profundamente enraizada, que resistiu ao tempo e foi transmitida de geração em geração. Ambos esses aspetos têm um impacto profundo nas características do leite e do queijo e constituem os principais fatores que ligam o «Mozzarella di Gioia del Colle» ao território.
            As características físico-químicas e nutricionais do leite, em especial, estão ligadas ao território através da alimentação dos animais e do contexto ambiental mais vasto em que são criados. É sabido que, em geral, a composição do leite está estreitamente ligada ao contexto zootécnico em que os animais vivem e que o tipo de compostos voláteis é muito importante para a composição. As características aromáticas do leite dependem destas substâncias, formadas, em parte, pelo metabolismo do animal e, em parte, pelo ambiente. Os compostos voláteis presentes no ambiente podem entrar no leite através da digestão (ruminação) ou dos pulmões (por inalação). Na área geográfica onde se produz o «Mozzarella di Gioia del Colle» (DOP), as condições geográficas, edáficas e climáticas conduziram à seleção de determinadas variedades vegetais, naturais e cultivadas, resistentes às condições quentes e secas típicas de um ambiente de pseudo-estepe. A vegetação de ocorrência natural é, na sua maioria, constituída por xerófilas e inclui ervas aromáticas como Thymus striatus, Ferula communis e Foeniculum vulgare. Estas plantas — e a vegetação em geral — são particularmente ricas em polifenóis, terpenos, compostos de carbonilo e outras substâncias voláteis passíveis de exercer uma influência direta ou indireta no sabor do leite. Esta influência é direta quando são transferidas na forma inalterada, e indireta quando atuam como precursores de outros metabolitos voláteis com impacto no aroma. A presença constante dos animais neste ambiente favorece a passagem dos compostos voláteis para o leite, especialmente em determinados períodos do ano. Em termos gerais, é a pastagem obrigatória e a dieta rica em forragens produzidas na zona que garante as características nutricionais e funcionais específicas do leite, como o perfil lipídico e o teor de compostos voláteis. As condições ambientais locais e as técnicas de pecuária desempenham um papel importante na definição do microbioma do leite. A combinação de todos estes fatores tem um impacto importante nas características organoléticas do «Mozzarella di Gioia del Colle».
            Quanto à influência da técnica de transformação, esta baseia-se no método tradicional que apenas permite a utilização de leite fresco e soro de leite local (cultura de arranque). O fermento de soro adicionado ao leite representa mais uma ligação ao território local, uma vez que é feito da mesma forma desde há muito: utiliza-se soro de leite do dia anterior, enriquecido, por fermentação, com as enzimas lácteas características do produto. Estes aspetos garantem uma forte ligação ao território, dado determinarem que a maior parte da componente microbiológica é também autóctone. A componente microbiana desempenha um papel importante nas propriedades sensoriais porque é responsável pela formação dos aromas secundários do produto. O perfil microbiológico autóctone da cultura de soro de leite é garantido, em parte, pelas características do leite de que provém, mas, sobretudo, pelo método de preparação e pelo meio em que se desenvolve. A mistura de microrganismos nativos contida na cultura de arranque reflete todas as fases do processo de produção, sendo transferida diariamente para o leite e, por conseguinte, para o produto acabado, perpetuando assim a ligação com o território. A combinação dos métodos utilizados pelos queijeiros para manusear o soro na cuba, curar as coalhadas e trabalhar a mistura posteriormente constitui outra ligação distintiva com o território; a combinação de todos os parâmetros de transformação tem impacto no ecossistema microbiano, já de si bastante distintivo, condicionando assim o processo de fermentação. A perícia dos queijeiros é essencial neste contexto, dado permitir que o microbioma se desenvolva de uma forma única e irreproduzível, conferindo ao «Mozzarella di Gioia del Colle» as suas características sensoriais. Quanto ao sabor, esta fermentação produz notas ligeiramente ácidas, com um toque residual agradável, mais intenso no queijo recém-fabricado. O aroma resultante do processo de fabrico do queijo combina-se com os aromas do leite, ou seja, do processo de fermentação (aroma secundário), produzindo novas notas de leite, manteiga e soro ácido, bem como da matéria-prima (aroma primário), com as suas notas vegetais e animais delicadas características. Em suma, os aromas primários refletem as condições pecuárias, nas quais desempenha um papel importante a alimentação com forragens locais (frescas ou na forma de feno); os aromas secundários estão ligados ao microbioma autóctone.
            Além das características específicas determinadas pelas técnicas utilizadas na pecuária e no fabrico do queijo, as influências ambientais, históricas e culturais dão um contributo importante. A paisagem (abrangida pela rede Natura 2000), o perfil geológico (planalto da Apúlia, com calcários do Cretácico, afloramentos rochosos e poucas rochas argilosas) e o clima têm também um papel significativo. Em termos históricos e culturais, existe uma ligação profunda entre o produto e o tipo de explorações agrícolas da zona — pequenas e médias explorações pecuárias, na sua maioria familiares e estruturadas de acordo com os costumes locais, em que os bovinos passam longos períodos em pastagem. Existem muitos elementos comprovativos de que o mozarela decorre da história da região de Gioia del Colle, elementos esses que incluem um documentário produzido pelo Istituto Luce em 28 de agosto de 1950. Segundo outros registos, nas primeiras décadas do século XX, «um agricultor chamado Clemente Milano, criador de gado da raça Bruna na região de Gioia del Colle, foi o primeiro a utilizar o leite dos seus rebanhos para fabricar o queijo fresco conhecido como mozarela» (in Gioia del Colle, oggi, editado por Giovanni Bozzo para a editora Japigia, Bari 1970). Um artigo de 1922 da autoria de Giovanni Carano Donvito refere que «… o Mozzarella di Gioia (del Colle) é muito apreciado, procurado e generosamente pago nos mercados de Roma e Nápoles, assim como de Bari, Taranto, Lecce, Foggia e outras cidades mais pequenas» (La riforma sociale, F.S. Nitti, L. Roux, L. Einaudi — Roux e Viarengo, Turim). Por último, existem provas da realização de muitos certames locais destinados a aumentar a notoriedade do «Mozzarella di Gioia del Colle», desde a década de 1960.
            
               Referência à publicação do caderno de especificações
            
            (artigo 6.o, n.o 1, segundo parágrafo, do presente regulamento)
            O texto consolidado do caderno de especificações pode ser consultado em: http://www.politicheagricole.it/flex/cm/pages/ServeBLOB.php/L/IT/IDPagina/3335
            ou, em alternativa,
            acedendo diretamente à página inicial do Ministério das Políticas Alimentares, Agrícolas e Florestais (www.politicheagricole.it), clicando em «Prodotti DOP IGP» [Produtos DOP, IGP] (no canto superior direito do ecrã), depois em «Prodotti DOP IGP STG» [Produtos DOP, IGP, ETG] (ao lado, à esquerda do ecrã) e, por último, em «Disciplinari di Produzione all’esame dell’UE» [cadernos de especificações em fase de análise pela UE].