CELEX: 61998TO0044(01)
Language: pt
Date: 1999-04-30 00:00:00
Title: Despacho do presidente do Tribunal de Primeira Instância de 30 de Abril de 1999. # Emesa Sugar (Free Zone) NV contra Comissão das Comunidades Europeias. # Regime de associação dos países e territórios ultramarinos - Decisões 91/482/CEE e 97/803/CE - Regulamento (CE) n. 2553/97 - Processo de medidas provisórias - Fumus boni juris - Urgência - Ponderação dos interesses. # Processo T-44/98 R II.

Avis juridique important

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61998B0044(01)

Despacho do presidente do Tribunal de Primeira Instância de 30 de Abril de 1999.  -  Emesa Sugar (Free Zone) NV contra Comissão das Comunidades Europeias.  -  Regime de associação dos países e territórios ultramarinos - Decisões 91/482/CEE e 97/803/CE - Regulamento (CE) n. 2553/97 - Processo de medidas provisórias - Fumus boni juris - Urgência - Ponderação dos interesses.  -  Processo T-44/98 R II.  

Colectânea da Jurisprudência 1999 página II-01427

Sumário
Palavras-chave

1 Associação dos países e territórios ultramarinos - Execução pelo Conselho - Tomada em consideração dos resultados alcançados e dos princípios do Tratado - Alcance - Conciliação entre o objectivo de desenvolvimento dos países e territórios ultramarinos e o da Política Agrícola Comum - Medida que restringe as trocas comerciais entre estes países e territórios e a Comunidade - Admissibilidade - Condições (Tratado CE, artigos 132._ e 136._, segundo parágrafo; Decisão 91/482 do Conselho, artigos 108._-B e 109._) 2 Processo de medidas provisórias - Suspensão da execução - Medidas provisórias - Condições para concessão - Prejuízo grave e irreparável - Conceito - Risco de falência (Tratado CE, artigos 185._ e 186._; Regulamento de Processo do Tribunal de Primeira Instância, artigo 104._, n._ 2) 3 Processo de medidas provisórias - Suspensão da execução - Medidas provisórias - Condições para concessão - Ponderação de todos os interesses em jogo (Tratado CE, artigos 185._ e 186._) 

Sumário

1 A associação dos países e territórios ultramarinos (PTU) deve ser realizada segundo um processo dinâmico e progressivo que pode necessitar a adopção de várias disposições para realizar o conjunto dos objectivos enunciados no artigo 132._ do Tratado, tendo em conta os resultados alcançados graças às decisões anteriores do Conselho. Para este efeito, o artigo 136._, segundo parágrafo, do Tratado dá competência ao Conselho para adoptar decisões no contexto da associação dos PTU com base nos princípios enunciados no Tratado. Tratando-se de resultados alcançados graças às decisões anteriores do Conselho, devem ser apreciados na sua globalidade, quer dizer, tendo em conta todos os aspectos ligados ao desenvolvimento económico e social do conjunto dos PTU. Deste modo, não se pode censurar o Conselho de não ter apreciado um resultado alcançado, tal como o regime de livre acesso ao mercado comunitário de um produto determinado de origem PTU, independentemente dos outros resultados. No que diz respeito à obrigação de adoptar as disposições em causa com base nos princípios enunciados no Tratado, esta deve ser compreendida no sentido de que o Conselho deve ter em conta não apenas os princípios enunciados na parte quarta do Tratado mas também todos os outros princípios inscritos no Tratado, incluindo os que se referem à Política Agrícola Comum. A referida obrigação implica que o Conselho possa, se for caso disso, adoptar as disposições necessárias para que o objectivo de desenvolvimento dos PTU não entre em conflito com o objectivo da Política Agrícola Comum. Uma vez que a promoção dos PTU não implica uma obrigação de privilegiar estes últimos, a conciliação entre o objectivo de desenvolvimento dos PTU e o da Política Agrícola Comum pode justificar a adopção pelo Conselho de uma medida que restringe as trocas comerciais entre os PTU e a Comunidade. Todavia, tal medida, quer seja de carácter conjuntural e pontual na acepção do artigo 109._ da Decisão 91/482, relativa à associação dos PTU à Comunidade, ou de carácter estrutural e permanente na acepção do artigo 108._-B da referida decisão, deve, de qualquer modo, ser necessária e proporcionada ao objectivo visado. 2 O carácter urgente da suspensão de execução e das medidas provisórias deve ser apreciado por referência à necessidade que há em decidir a título provisório, a fim de evitar que um prejuízo grave e irreparável seja causado à parte que solicita a medida provisória. É a esta última que incumbe provar que não podia esperar o termo do processo principal, sem ter de suportar um prejuízo que acarretaria consequências graves e irreparáveis. O risco de superveniência de tal prejuízo deve ser aceite quando os actos em litígio tenham obrigado a requerente a interromper totalmente as suas actividades e quando se encontra numa situação financeira que põe em perigo a sua existência, uma vez que o risco de ser declarada em falência é real. 3 O juiz encarregado dos processos de medidas provisórias deve proceder à ponderação dos interesses em causa. A comparação que efectua neste âmbito deve conduzi-lo a examinar se a eventual anulação do acto em causa pelo juiz competente para a decisão de mérito permite a inversão da situação que seria provocada pela sua execução imediata e, inversamente, se a suspensão da execução desse acto pode impedir o seu efeito pleno na hipótese de o recurso ser julgado improcedente.