CELEX: 62008CJ0160
Language: pt
Date: 2010-04-29
Title: Acórdão do Tribunal de Justiça (Terceira Secção) de 29 de Abril de 2010.#Comissão Europeia contra República Federal da Alemanha.#Incumprimento de Estado - Contratos públicos de serviços - Artigos 43.º CE e 49.º CE - Directivas 92/50/CEE e 2004/18/CE - Serviços públicos de socorro - Transporte médico de emergência e transporte especial de doentes - Dever de transparência - Artigo 45.º CE - Actividades que fazem parte do exercício da autoridade pública - Artigo 86.º, n.º 2, CE - Serviços de interesse económico geral.#Processo C-160/08.

Processo C‑160/08
      Comissão Europeia
      contra
      República Federal da Alemanha
      «Incumprimento de Estado – Contratos públicos de serviços – Artigos 43.° CE e 49.° CE – Directivas 92/50/CEE e 2004/18/CE – Serviços públicos de socorro – Transporte médico de emergência e transporte especial de doentes – Dever de transparência – Artigo 45.° CE – Actividades que fazem parte do exercício da autoridade pública – Artigo 86.°, n.° 2, CE – Serviços de interesse económico geral»
      Sumário do acórdão
      1.        Livre circulação de pessoas – Liberdade de estabelecimento – Livre prestação de serviços – Derrogações – Alcance
      (Artigos 45.° CE e 55.° CE; Directiva 2004/18 do Parlamento Europeu e do Conselho; Directiva 92/50 do Conselho)
      2.        Livre circulação de pessoas – Liberdade de estabelecimento – Livre prestação de serviços – Derrogações – Actividades que fazem
            parte do exercício da autoridade pública
      (Artigos 45.° CE e 55.° CE)
      3.        Aproximação das legislações – Processos de adjudicação de contratos públicos de serviços – Directivas 92/50 e 2004/18 – Contratos
            mistos de serviços de transportes e de serviços de saúde
      (Artigo 86.°, n.° 2, CE; Directiva 2004/18 do Parlamento Europeu e do Conselho, artigos 22.° e 35.°, n.° 4, e anexos II A
            e II B; Directiva 92/50 do Conselho, artigos 10.° e 16.°, e anexos I A e I B)
      1.        Nos termos do artigo 45.°, primeiro parágrafo, CE, conjugado com o artigo 55.° CE, as disposições relativas à liberdade de
         estabelecimento e à livre prestação de serviços não são aplicáveis às actividades que, num Estado‑Membro, estão ligadas, mesmo
         ocasionalmente, ao exercício da autoridade pública.
      
      As referidas actividades estão também excluídas do âmbito de aplicação de directivas que, à semelhança das Directivas 92/50
         e 2004/18, visam aplicar as disposições do Tratado relativas à liberdade de estabelecimento e à livre prestação de serviços.
      
      (cf. n.os 73, 74)
      
      2.        A derrogação prevista nos artigos 45.° CE e 55.° CE deve restringir‑se às actividades que, consideradas em si mesmas, apresentam
         uma ligação directa e específica ao exercício da autoridade pública. Não é assim para as actividades de transporte médico
         de emergência e de transporte especial de doentes.
      
      Com efeito, a contribuição para a protecção da saúde pública, que pode ser exigida a todo e qualquer indivíduo, designadamente
         prestando assistência a uma pessoa que corra perigo de vida, não basta para constituir uma forma de exercício da autoridade
         pública. Também não se pode considerar um exercício suficientemente qualificado de prerrogativas da autoridade pública ou
         de poderes que exorbitem do direito comum o direito, de os prestadores de serviços de transporte de doentes recorrerem a instrumentos
         como a lanterna giratória ou a sirene, bem como o direito de prioridade que lhe é reconhecido pelo Código da Estrada, nem
         elementos que dizem respeito a competências organizacionais especiais no âmbito dos serviços prestados, ao poder de solicitar
         informações a terceiros ou à intervenção de outros serviços especializados, ou ainda à participação na designação de funcionários
         administrativos para os serviços em causa e à colaboração com as autoridades públicas e com os membros de corpos profissionais investidos de prerrogativas de autoridade
         pública.
      
      (cf. n.os 78, 80‑84)
      
      3.        Não cumpre as obrigações que lhe incumbem por força do artigo 10.° da Directiva 92/50, relativa à coordenação dos processos
         de adjudicação de contratos públicos de serviços, conjugado com o artigo 16.° desta directiva, ou, desde 1 de Fevereiro de
         2006, por força do artigo 22.° da Directiva 2004/18, relativa à coordenação dos processos de adjudicação dos contratos de
         empreitada de obras públicas, dos contratos públicos de fornecimento e dos contratos públicos de serviços, conjugado com o
         artigo 35.°, n.° 4, desta directiva, um Estado‑Membro que, no âmbito da adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte
         de doentes, segundo um modelo dito «de submissão», nos termos do qual a remuneração desses serviços é feita pelas entidades
         adjudicantes, não tenha publicado nenhum anúncio relativo aos resultados do processo de adjudicação de contratos.
      
      Efectivamente, os serviços de transporte médico de emergência ou de transporte especial de doentes, em causa no presente processo,
         se enquadram simultaneamente na categoria 2 ou 3 do anexo I A da Directiva 92/50 ou do anexo II A da Directiva 2004/18 e na
         categoria 25 do anexo I B da Directiva 92/50 ou do anexo II B da Directiva 2004/18, pelo que os contratos que têm como objecto
         esses serviços estão abrangidos pelo âmbito de aplicação do artigo 10.° da Directiva 92/50 ou do artigo 22.° da Directiva
         2004/18. Resulta dessas disposições que, nas hipóteses de adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte de doentes,
         caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de transporte sobre o dos serviços de saúde, cabe à entidade adjudicante
         proceder à publicação de um anúncio de concurso ao nível da União, para efeitos da adjudicação do contrato em causa, e assegurar
         a publicidade dos resultados da adjudicação desse contrato. Em contrapartida, nas hipóteses de adjudicação de contratos de
         serviços de transporte de doentes, caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de saúde sobre o dos serviços
         de transporte, a entidade adjudicante está obrigada a assegurar a publicidade dos resultados da adjudicação do contrato.
      
      Num contexto em que não se pode excluir que nenhum dos contratos seja caracterizado por uma predominância do valor dos serviços
         de transporte sobre o dos serviços de saúde, há que limitar a declaração de incumprimento das Directivas 92/50 e 2004/18 a
         uma violação do artigo 10.° da Directiva 92/50, conjugado com o artigo 16.° desta directiva, ou, desde 1 de Fevereiro de 2006,
         do artigo 22.° da Directiva 2004/18, conjugado com o artigo 35.°, n.° 4, desta directiva, uma vez que os referidos artigos
         são, em qualquer caso, aplicáveis aos contratos que respeitam simultaneamente a serviços de transporte e a serviços de saúde,
         independentemente da relação entre o valor respectivo desses serviços no âmbito do contrato em causa.
      
      A omissão de publicar os resultados do processo de adjudicação de contratos não pode justificar‑se pelo facto de os serviços
         de transporte de emergência serem «serviços de interesse económico geral», na acepção do artigo 86.°, n.° 2, CE. Com efeito,
         considerações, como a necessidade de assegurar, em matéria de serviços de transporte de doentes, subsídios cruzados entre
         as zonas geográficas rentáveis e as menos rentáveis, em função da densidade da população ou da importância de um serviço de
         proximidade não explicam em que medida a obrigação de garantir a publicidade dos resultados da adjudicação do contrato em
         causa seria susceptível de frustrar o cumprimento desta missão de interesse económico geral.
      
      (cf. n.os 92, 113, 114, 122, 125, 127‑129, 131, disp.)
      
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA (Terceira Secção)
      29 de Abril de 2010 (*)
      
      «Incumprimento de Estado – Contratos públicos de serviços – Artigos 43.° CE e 49.° CE – Directivas 92/50/CEE e 2004/18/CE – Serviços públicos de socorro – Transporte médico de emergência e transporte especial de doentes – Dever de transparência – Artigo 45.° CE – Actividades que fazem parte do exercício da autoridade pública – Artigo 86.°, n.° 2, CE – Serviços de interesse económico geral»
      No processo C‑160/08,
      que tem por objecto uma acção por incumprimento nos termos do artigo 226.° CE, entrada em 16 de Abril de 2008,
      Comissão Europeia, representada por M. Kellerbauer e D. Kukovec, na qualidade de agentes, com domicílio escolhido no Luxemburgo,
      
      demandante,
      contra
      República Federal da Alemanha, representada por M. Lumma e J. Möller, na qualidade de agentes, com domicílio escolhido no Luxemburgo,
      
      demandada,
      apoiada por:
      Reino dos Países Baixos, representado por C. M. Wissels e Y. de Vries, na qualidade de agentes,
      
      interveniente,
      O TRIBUNAL DE JUSTIÇA (Terceira Secção),
      composto por: K. Lenaerts (relator), presidente de secção, E. Juhász, G. Arestis, J. Malenovský e T. von Danwitz, juízes,
      advogada‑geral: V. Trstenjak,
      secretário: R. Grass,
      vistos os autos,
      ouvidas as conclusões da advogada‑geral na audiência de 11 de Fevereiro de 2010,
      profere o presente
      Acórdão
      1        Com a sua petição inicial, a Comissão das Comunidades Europeias pede ao Tribunal de Justiça que declare que, não tendo publicado
         nenhum anúncio relativo aos contratos adjudicados e tendo adjudicado contratos de serviços públicos de transporte médico de
         emergência e de transporte especial de doentes sem concurso público ou de modo não transparente, a República Federal da Alemanha
         não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força das Directivas 92/50/CEE do Conselho, de 18 de Junho de 1992, relativa
         à coordenação dos processos de adjudicação de contratos públicos de serviços (JO L 209, p. 1), e 2004/18/CE do Parlamento
         Europeu e do Conselho, de 31 de Março de 2004, relativa à coordenação dos processos de adjudicação dos contratos de empreitada
         de obras públicas, dos contratos públicos de fornecimento e dos contratos públicos de serviços (JO L 134, p. 114), nem os
         princípios da liberdade de estabelecimento e da livre prestação de serviços, tal como estabelecidos nos artigos 43.° CE e
         49.° CE.
      
       Quadro jurídico
       Directiva 92/50
      2        Nos termos do artigo 1.°, alínea a), da Directiva 92/50, os «contratos públicos de serviços» são contratos a título oneroso,
         celebrados por escrito entre um prestador de serviços e uma entidade adjudicante.
      
      3        O artigo 3.°, n.° 2, desta directiva enuncia:
      
      «As entidades adjudicantes assegurarão que não se verifique qualquer discriminação entre os vários prestadores de serviços.»
      4        O artigo 7.°, n.° 1, da dita directiva prevê que esta é aplicável aos contratos públicos de serviços cujo montante estimado,
         sem imposto sobre o valor acrescentado (IVA), seja igual ou superior a 200 000 euros.
      
      5        O artigo 10.° da mesma directiva dispõe:
      
      «Os contratos que tenham simultaneamente por objecto serviços enumerados no anexo I A e serviços enumerados no anexo I B serão
         celebrados de acordo com o disposto nos títulos III a VI sempre que o valor dos serviços enumerados no anexo I A seja superior
         ao valor dos serviços enumerados no anexo I B. Caso contrário, serão celebrados de acordo com o disposto nos artigos 14.°
         e 16.°»
      
      6        Os títulos visados no artigo 10.° da Directiva 92/50, aplicáveis na totalidade aos casos previstos na primeira frase do dito
         artigo, referem‑se, respectivamente, à escolha dos processos de adjudicação e às regras relativas aos concursos (título III;
         artigos 11.° a 13.°), às regras comuns no domínio técnico (título IV; artigo 14.°), às regras comuns de publicidade (título
         V; artigos 15.° a 22.°) e às regras comuns de participação, aos critérios de selecção qualitativa e aos critérios de adjudicação
         dos contratos (título VI; artigos 23.° a 37.°).
      
      7        O artigo 14.° desta directiva respeita às especificações técnicas que devem constar dos documentos relativos ao contrato.
      
      8        O artigo 16.° da referida directiva dispõe:
      
      «1.      As entidades adjudicantes que tenham adjudicado um contrato público de serviços ou que tenham organizado um concurso para
         trabalhos de concepção enviarão um anúncio com os resultados do processo de adjudicação ao Serviço das Publicações Oficiais
         das Comunidades Europeias.
      
      2.      Os anúncios serão publicados:
      –        para os contratos públicos de fornecimentos enumerados no anexo I A, em conformidade com o disposto nos artigos 17.° a 20.°,
      –        para os concursos para trabalhos de concepção, em conformidade com o artigo 17.°
      3.      No caso de contratos públicos de serviços relativos a serviços enumerados no anexo I B, as entidades adjudicantes indicarão
         no anúncio se concordam com a publicação.
      
      […]»
      9        Entre os serviços enumerados no anexo I A da Directiva 92/50 figuram, na categoria 2, os «[s]erviços de transporte terrestre
         [...], incluindo os serviços de veículos blindados, e serviços de mensagens, com excepção do transporte de correio», e, na
         categoria 3, os «[s]erviços de transporte aéreo de passageiros e mercadoria, com excepção do transporte de correio». Entre
         os serviços enumerados no anexo I B da Directiva 92/50 figuram, na categoria 25, os «[s]erviços de saúde e de carácter social».
      
       Directiva 2004/18
      10      O artigo 1.°, n.° 2, alíneas a) e d), da Directiva 2004/18 contém as definições seguintes:
      
      «a)      ‘Contratos públicos’ são contratos a título oneroso, celebrados por escrito entre um ou mais operadores económicos e uma ou
         mais entidades adjudicantes, que têm por objecto a execução de obras, o fornecimento de produtos ou a prestação de serviços
         na acepção da presente directiva. 
      
      […]
      d)      ‘Contratos públicos de serviços’ são contratos públicos que não sejam contratos de empreitada de obras públicas ou contratos
         públicos de fornecimento, relativos à prestação de serviços mencionados no anexo II. 
      
      […]»
      11      O artigo 2.° desta directiva dispõe:
      
      «As entidades adjudicantes tratam os operadores económicos de acordo com os princípios da igualdade de tratamento e da não
         discriminação e agem de forma transparente.»
      
      12      Nos termos do artigo 7.°, alínea b), da referida directiva, esta é aplicável aos contratos públicos de serviços cujo valor
         estimado, sem imposto sobre o valor acrescentado, seja igual ou superior a 249 000 euros. Este montante foi fixado, sucessivamente,
         em 236 000 euros pelo Regulamento (CE) n.° 1874/2004 da Comissão, de 28 de Outubro de 2004, que altera as Directivas 2004/17/CE
         e 2004/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativamente aos limiares de valor aplicáveis nos processos de adjudicação
         dos contratos públicos (JO L 326, p. 17), e, posteriormente, em 211 000 euros, pelo Regulamento (CE) n.° 2083/2005 da Comissão,
         de 19 de Dezembro de 2005, que altera as Directivas 2004/17/CE e 2004/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho relativamente
         aos limiares de valor aplicáveis nos processos de adjudicação dos contratos públicos (JO L 333, p. 28).
      
      13      A Directiva 2004/18 comporta, no título II, sob a epígrafe «Regras aplicáveis aos contratos públicos», o artigo 22.°, que
         dispõe:
      
      «Os contratos que tenham simultaneamente por objecto a prestação de serviços referidos no anexo II A e de serviços referidos
         no anexo II B são adjudicados de acordo com os artigos 23.° a 55.° quando o valor dos serviços referidos no anexo II A for
         superior ao valor dos serviços referidos no anexo II B. Nos restantes casos, estão sujeitos ao artigo 23.° e ao n.° 4 do artigo
         35.°»
      
      14      Os artigos 23.° a 55.° da Directiva 2004/18, aplicáveis na íntegra aos casos previstos na primeira frase do artigo 22.° desta
         directiva, enunciam, sucessivamente, as regras específicas relativas ao caderno de encargos e aos documentos do concurso (artigos
         23.° a 27.°), os procedimentos (artigos 28.° a 34.°), as regras de publicidade e de transparência (artigos 35.° a 43.°) e
         as regras relativas à evolução do processo (artigos 44.° a 55.°).
      
      15      O artigo 23.° da Directiva 2004/18 respeita às especificações técnicas que devem constar dos documentos do concurso.
      
      16      O artigo 35.°, n.° 4, desta directiva dispõe:
      
      «As entidades adjudicantes que tenham adjudicado um contrato público ou celebrado um acordo‑quadro enviarão um anúncio com
         os resultados do procedimento de adjudicação, no prazo de 48 dias após a adjudicação do contrato público ou a celebração do
         acordo‑quadro. 
      
      […]
      No caso dos contratos públicos de serviços relativos a serviços enumerados no anexo II B, as entidades adjudicantes devem
         indicar no anúncio se concordam com a sua publicação. […]»
      
      17      Os serviços visados, respectivamente, nas categorias 2 e 3 do anexo II A e na categoria 25 do anexo II B da Directiva 2004/18
         são idênticos aos visados, respectivamente, nas categorias correspondentes dos anexos I A e I B da Directiva 92/50.
      
       Factos na origem da acção
      18      A Comissão recebeu várias denúncias, nomeadamente, de empresas estabelecidas noutros Estados‑Membros que não a República Federal
         da Alemanha, relativas à adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte de doentes neste Estado‑Membro.
      
       Contexto geral
      19      Na Alemanha, a organização dos serviços de socorro é da competência dos Länder.
      
      20      Na maioria dos Länder, a prestação de serviços de socorro está integrado no chamado sistema «dual» («duales System»), também designado como «modelo
         de separação» («Trennungsmodell»). Este sistema assenta na distinção entre serviços públicos de socorro, que representam aproximadamente
         70% do conjunto dos serviços de socorro, e as prestações de serviço de socorro com base em autorizações concedidas nos termos
         das leis dos Länder na matéria, que correspondem a cerca de 30% do conjunto dos ditos serviços.
      
      21      Os serviços públicos de socorro abrangem, normalmente, serviços de transporte médico de emergência e serviços de transporte
         especial de doentes. O transporte médico de emergência designa o transporte em veículo de socorro ou em ambulância, com assistência
         especializada, de pessoas feridas ou doentes em perigo de vida. O transporte especial de doentes consiste no transporte em
         ambulância, com assistência especializada, de pessoas doentes, feridas ou que necessitam de qualquer tipo de cuidados, mas
         que não se encontram em situação de emergência. Estes dois tipos de prestações estão geralmente acessíveis à população, 24
         horas por dia, em todo o território em causa, e exigem, na maioria dos casos, a organização de um serviço de urgência permanente
         dotada de pessoal e de veículos de intervenção.
      
      22      No caso do transporte médico de emergência bem como, em menor escala, no caso do transporte especial de doentes, estão disponíveis
         serviços médicos. Todavia, a maioria das intervenções nos transportes médicos de emergência assim como todas as intervenções
         no caso de transporte especial de doentes processam‑se sem a assistência de um médico. No caso do transporte médico de emergência,
         as prestações médicas são essencialmente fornecidas pelo pessoal da ambulância. As prestações dos médicos de urgência são
         geralmente reguladas por convenções celebradas, em separado, com os hospitais.
      
      23      No âmbito dos serviços públicos de socorro, as autarquias locais celebram, na sua qualidade de autoridades responsáveis pela
         organização destes serviços, contratos com prestadores, tendo em vista a prestação dos ditos serviços à população da sua área
         de jurisdição. A remuneração dos serviços em causa é feita directamente pela entidade adjudicante, de acordo com o chamado
         modelo de «submissão», único visado na presente acção, ou mediante cobrança de uma contrapartida financeira pelo prestador
         de serviços, aos pacientes ou às caixas de seguro de doença, de acordo com o chamado modelo de «concessão».
      
      24      Os autores das denúncias apresentadas à Comissão alegaram que, na Alemanha, os contratos de serviços públicos de transporte
         de doentes não são, regra geral, objecto de anúncio de concurso publicado ao nível da União Europeia e não são adjudicados
         com transparência. Alguns deles afirmaram que os casos que justificaram a apresentação da sua denúncia são o reflexo de uma
         prática generalizada neste Estado‑Membro.
      
      25      Investigações feitas pela Comissão revelaram que, entre o ano de 2001 e o ano de 2006, foram publicados no Jornal Oficial das Comunidades Europeias ou no Jornal Oficial da União Europeia só treze anúncios de concurso, provenientes de onze autarquias locais diferentes, relativos à prestação de serviços de transporte
         médico de emergência ou de transporte especial de doentes. Nesse mesmo período, o número de anúncios relativos aos resultados
         da adjudicação de contratos foi também muito limitado, tendo sido objecto de apenas duas publicações.
      
       Casos na origem da acção
      26      Os casos denunciados à Comissão e por esta apresentados como exemplos da prática visada na presente acção respeitam aos Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia.
      
       Land da Saxónia‑Anhalt
      
      27      De acordo com as informações da Comissão, a cidade de Magdeburgo aplica, desde Outubro de 2005, um procedimento de autorização
         («Genehmigungsverfahren») para a adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte de doentes a título oneroso.
         As prestações consistem na disponibilização de pessoal e de veículos para o transporte médico de emergência ou para o transporte
         especial de doentes, no período entre o ano de 2007 e o ano de 2011. O valor do contrato é de um montante global anual de
         7,84 milhões de euros. Não houve publicação de anúncio de concurso a nível da União.
      
       Land da Renânia do Norte‑Vestefália
      
      28      De acordo com as informações da Comissão, a cidade de Bona adjudicou, em 2004, um contrato de serviços públicos de transporte
         de doentes para o período de 1 de Janeiro de 2005 a 31 de Dezembro de 2008. O objecto do contrato em causa consistia, nomeadamente,
         na exploração de quatro postos de socorro. O montante total do contrato era de, pelo menos, 5,28 milhões de euros. Este contrato
         foi objecto de um anúncio de concurso publicado a nível nacional, mas não a nível da União. Pelo menos um proponente que manifestou
         interesse foi afastado, e o processo de adjudicação acabou por ser suspenso, por falta de resultado económico. O contrato
         em causa foi, finalmente, atribuído ao anterior prestador de serviços.
      
      29      Ainda de acordo com informações da Comissão, em 1998, uma empresa manifestou interesse, junto da cidade de Witten, em retomar
         a exploração do posto de socorro de Witten‑Herbede. A exploração desse posto, que representa um contrato de um valor anual
         de 945 753 euros foi, no entanto, atribuída à Deutsche Rote Kreuz (Cruz Vermelha alemã, a seguir «DRK»). Não houve publicação
         de anúncio de concurso a nível da União.
      
       Land da Baixa Saxónia
      
      30      De acordo com informações da Comissão, em 2004, a região de Hanôver organizou, pela primeira vez, um processo de adjudicação
         de contrato de prestação de serviços públicos de transporte de doentes no seu território. Apenas os operadores já encarregados,
         à época, desses serviços, a saber, a Arbeiter‑Samariter‑Bund (a seguir «ASB»), a DRK, a Johanniter‑Unfall‑Hilfe (a seguir
         «JUH») e a RKT GmbH, foram autorizados a participar nesse processo. O valor do contrato, para o período entre 1 de Janeiro
         de 2005 e 31 de Dezembro de 2009, era da ordem dos 65 milhões de euros.
      
      31      Sempre de acordo com informações da Comissão, em 1993, a circunscrição administrativa [Landkreis] de Hameln‑Pyrmont encarregou a secção da DRK desse Landkreis da prestação dos serviços públicos de transporte de doentes no seu território. O contrato, com uma duração inicial de dez
         anos, não foi denunciado. Em 2003, foi prorrogado por mais dez anos, sem publicação de anúncio de concurso. Além disso, em
         1999, foi criado um novo posto de socorro no município de Emmerthal, e a DRK ficou igualmente encarregada da sua exploração,
         sem publicação prévia de anúncio de concurso. O valor total destes contratos atingia 7,2 milhões de euros por ano.
      
      32      A Comissão recolheu também informações de acordo com as quais, desde 1992, a referida secção da DRK prestava serviços públicos
         de transporte de doentes no território do Landkreis de Uelzen. Em 2002, o contrato celebrado entre este Landkreis e a respectiva secção da DRK foi alargado à exploração do posto de socorro de Bad Bevensen, sem publicação de anúncio de
         concurso. O seu valor global é da ordem dos 4,45 milhões de euros por ano.
      
       Land da Saxónia
      
      33      De acordo com informações recolhidas pela Comissão, os contratos existentes entre a Rettungszweckverband Westsachsen e a ASB,
         a DRK, a JUH e o corpo de bombeiros profissionais de Zwickau, com uma duração inicial de quatro anos, são aplicáveis aos Landkreise de Chemnitzer Land, Aue‑Schwarzenberg, Zwickauer Land e à cidade de Zwickau. Em 2003, esses contratos, que representam um
         valor global de 7,9 milhões de euros por ano, foram prorrogados por mais quatro anos, sem publicação de anúncio de concurso.
         No seu termo, foram prolongados até 31 de Dezembro de 2008.
      
      34      Os contratos celebrados entre a Rettungszweckverband Chemnitz/Stollberg e a ASB, a DRK, a JUH e o corpo de bombeiros profissionais
         de Chemnitz, com uma duração inicial de quatro anos, aplicam‑se ao Landkreis de Stollberg e à cidade de Chemnitz. A 1 de Setembro de 2002, estes contratos, de um valor global anual de 3,3 milhões de
         euros, foram prorrogados por mais quatro anos, sem publicação de anúncio de concurso. No seu termo, foram prolongados até
         31 de Dezembro de 2008.
      
      35      Os contratos celebrados entre a Rettungszweckverband Vogtland e a ASB, a DRK, a JUH, a sociedade privada de serviços de socorro
         de Plauen e o corpo de bombeiros profissionais de Plauen, com uma duração de quatro anos, aplicam‑se ao Landkreis de Vogtland e à cidade de Plauen. Estes contratos, de um valor global anual de 3,9 milhões de euros, foram celebrados sem
         publicação de anúncio de concurso e entraram em vigor em 1 de Janeiro de 2002 ou em 1 de Janeiro de 2004. No seu termo, foram
         prorrogados até 31 de Dezembro de 2008.
      
       Procedimento pré‑contencioso
      36      Numa notificação para cumprir de 10 de Abril de 2006, a Comissão comunicou à República Federal da Alemanha que existia a probabilidade
         de esta:
      
      –        em matéria de adjudicação, a título oneroso, de contratos relativos a serviços de socorro em que sejam predominantes as prestações
         de transporte, na acepção da categoria 2 ou 3 do anexo I A da Directiva 92/50 ou do anexo II A da Directiva 2004/18, ter violado,
         até 31 de Janeiro de 2006, o artigo 10.° da Directiva 92/50, conjugado com os títulos III a VI desta directiva, e, a partir
         de 1 de Fevereiro de 2006, o artigo 22.° da Directiva 2004/18, conjugado com os artigos 23.° a 55.° da referida directiva,
         e
      
      –        em matéria de adjudicação, a título oneroso, de contratos relativos a serviços de socorro em que sejam predominantes as prestações
         médicas, na acepção da categoria 25 do anexo I B da Directiva 92/50 ou do anexo II B da Directiva 2004/18, ter violado, até
         31 de Janeiro de 2006, o artigo 10.° da Directiva 92/50, conjugado com o artigo 16.° da referida directiva, e, a partir de
         1 de Fevereiro de 2006, o artigo 22.° da Directiva 2004/18, conjugado com o seu artigo 35.°, n.° 4, e, em qualquer dos casos,
         os princípios da liberdade de estabelecimento e da livre prestação de serviços que constam dos artigos 43.° CE e 49.° CE,
         nomeadamente a proibição de discriminação inerente a esses princípios.
      
      37      A República Federal da Alemanha respondeu a esta notificação para cumprir, por ofício de 10 de Julho de 2006, em que alegou,
         designadamente, que as missões confiadas aos serviços públicos de socorro são organizadas de acordo com regras de direito
         público e que a sua execução está sujeita à soberania do Estado. De acordo com este Estado‑Membro, as convenções relativas
         aos serviços de transporte de doentes não podem, por conseguinte, ser qualificadas de «contratos públicos de serviços».
      
      38      Não se considerando convencida com esta resposta, em 15 de Dezembro de 2006, a Comissão enviou à República Federal da Alemanha
         um parecer fundamentado em que reiterou as acusações formuladas na notificação para cumprir e convidou este Estado‑Membro
         a tomar as medidas necessárias para pôr termo a essa violação no prazo de dois meses a contar da recepção do respectivo parecer.
      
      39      Uma vez que a República Federal da Alemanha manteve sua posição no ofício de resposta ao parecer fundamentado, datado de 22
         de Fevereiro de 2007, a Comissão intentou a presente acção.
      
       Quanto à acção
       Quanto à admissibilidade
      40      Sendo as condições de admissibilidade de uma acção e as acusações nela enunciadas de ordem pública, o Tribunal de Justiça
         pode examiná‑las oficiosamente, nos termos do artigo 92.°, n.° 2, do seu Regulamento de Processo. Além disso, tem o direito
         de verificar oficiosamente o cumprimento das garantias processuais conferidas pela ordem jurídica da União (v., neste sentido,
         acórdão de 7 de Maio de 1991, Interhotel/Comissão, C‑291/89, Colect., p. I‑2257, n.os 14 e 15).
      
      41      Há que recordar que, numa acção por incumprimento, a fase pré‑contenciosa tem por finalidade dar ao Estado‑Membro em questão
         a oportunidade, por um lado, de cumprir as suas obrigações decorrentes do direito da União e, por outro, de invocar utilmente
         os seus meios de defesa contra as acusações formuladas pela Comissão (acórdão de 24 de Junho de 2004, Comissão/Países Baixos,
         C‑350/02, Colect., p. I‑6213, n.° 18).
      
      42      A regularidade desse procedimento constitui uma garantia essencial pretendida pelo Tratado CE, não apenas para a protecção
         dos direitos do Estado‑Membro em causa mas igualmente para assegurar que o eventual processo contencioso tenha por objecto
         um litígio claramente definido (v., neste sentido, acórdão Comissão/Países Baixos, já referido, n.° 19).
      
      43      Daqui resulta que o objecto de uma acção intentada nos termos do artigo 226.° CE é delimitado pelo procedimento pré‑contencioso
         previsto nesta disposição e, por conseguinte, deixa de poder ser alargado na fase contenciosa. O parecer fundamentado da Comissão
         e a acção devem basear‑se nos mesmos fundamentos e argumentos, pelo que o Tribunal de Justiça não pode examinar uma acusação
         que não tenha sido formulada no parecer fundamentado, o qual deve conter uma exposição coerente e detalhada das razões que
         criaram na Comissão a convicção de que o Estado‑Membro interessado não cumpriu uma das obrigações que lhe incumbem por força
         do Tratado (v. acórdãos Comissão/Países Baixos, já referido, n.° 20, e de 27 de Abril de 2006, Comissão/Alemanha, C‑441/02,
         Colect., p. I‑3449, n.os 59 e 60).
      
      44      A este título, compete à Comissão indicar, já no decurso da fase pré‑contenciosa, a disposição ou as disposições precisas
         que definem uma obrigação cujo desrespeito pelo Estado‑Membro é alegado (v. acórdão de 22 de Março de 2007, Comissão/Bélgica,
         C‑437/04, Colect., p. I‑2513, n.° 39).
      
      45      No caso vertente, importa, por um lado, salientar que, quer na notificação para cumprir quer no parecer fundamentado, a Comissão
         circunscreveu a acusação relativa a uma violação dos artigos 43.° CE e 49.° CE à adjudicação de contratos de serviços públicos
         de transporte de doentes, caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de saúde, na acepção do anexo I B da
         Directiva 92/50 ou do anexo II B da Directiva 2004/18, sobre o dos serviços de transporte, na acepção do anexo I A da Directiva
         92/50 ou do anexo II A da Directiva 2004/18.
      
      46      No tocante à adjudicação dos contratos de tais serviços caracterizados por uma predominância contrária, as acusações da Comissão
         incidiram, no decurso da fase pré‑contenciosa, na violação das Directivas 92/50 e 2004/18. Ao invés, na notificação para cumprir
         e no parecer fundamentado, não é feita menção de uma acusação relativa à violação dos artigos 43.° CE e 49.° CE, relacionada
         com a adjudicação dos referidos contratos.
      
      47      Em contrapartida, na sua petição inicial, a Comissão formula agora a acusação relativa a uma violação dos artigos 43.° CE
         e 49.° CE, também a propósito da adjudicação dos contratos visados no número anterior, o que constitui uma extensão irregular
         do objecto do alegado incumprimento, tal como foi definido na fase pré‑contenciosa. Assim, a acusação relativa a uma violação
         dos referidos artigos deve ser julgada inadmissível na parte em que se refere à adjudicação desses contratos.
      
      48      Por outro lado, na medida em que resulta da leitura de determinadas passagens da petição inicial que a presente acção deve
         ser entendida no sentido de que comporta uma acusação relativa à violação, nas diferentes adjudicações dos contratos em causa,
         do artigo 3.°, n.° 2, da Directiva 92/50 ou do artigo 2.° da Directiva 2004/18, cabe observar que estas duas disposições não
         foram de modo nenhum mencionadas pela Comissão, na fase pré‑contenciosa, como tendo sido objecto de uma alegada violação.
         A acusação relativa a uma violação das referidas disposições é, por conseguinte, igualmente inadmissível.
      
      49      Por fim, importa realçar que resulta das disposições conjugadas dos artigos 38.°, n.° 1, e 42.°, n.° 2, do Regulamento de
         Processo que o objecto do pedido deve ser determinado na petição inicial e que um pedido formulado, pela primeira vez, na
         réplica modifica o objecto inicial da petição e, por conseguinte, deve ser considerado um pedido novo e rejeitado como inadmissível.
      
      50      No caso vertente, importa concluir que, na petição inicial, a Comissão esclareceu expressamente que, embora a prática controvertida
         de adjudicações de contratos se verifique também noutros Länder, a presente acção se limita à adjudicação de contratos nos Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia.
      
      51      Nestas condições, o pedido da Comissão, que consta da réplica, destinado a que o Tribunal de Justiça declare a existência
         da prática em causa à escala global do território da República Federal da Alemanha, constitui uma extensão irregular do objecto
         inicial da petição. Assim, as acusações formuladas pela Comissão devem ser declaradas inadmissíveis na parte em que visam
         outros Länder para além dos identificados no número anterior.
      
      52      Por conseguinte, a acção deve ser declarada inadmissível na parte em que se destina a que o Tribunal de Justiça declare a
         existência de:
      
      –        uma violação dos artigos 43.° CE e 49.° CE, no que respeita à adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte
         de doentes, caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de transporte, na acepção do anexo I A da Directiva
         92/50 ou do anexo II A da Directiva 2004/18, sobre o dos serviços de saúde, na acepção do anexo I B da Directiva 92/50 ou
         do anexo II B da Directiva 2004/18;
      
      –        uma violação do artigo 3.°, n.° 2, da Directiva 92/50 ou do artigo 2.° da Directiva 2004/18; e
      –        uma prática de adjudicação de contratos de serviços públicos de socorro, contrária ao direito da União, noutros Länder além dos Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia.
      
       Quanto ao mérito
       Argumentos das partes
      53      Em primeiro lugar, a Comissão alega a existência de uma violação dos artigos 10.° e 16.° da Directiva 92/50 e dos artigos
         22.° e 35.°, n.° 4, da Directiva 2004/18. Sustenta que, independentemente da importância respectiva, nos diferentes contratos
         identificados na sua petição, do valor dos serviços de transporte e do valor dos serviços de saúde, os resultados da adjudicação
         destes contratos não foram objecto de medidas de publicidade.
      
      54      A Comissão alega também a existência de uma violação do princípio da proibição de discriminações contido nos artigos 43.° CE
         e 49.° CE, o qual se impõe às entidades adjudicantes além das obrigações decorrentes das Directivas 92/50 e 2004/18. A este
         respeito, a condição relativa à existência de um interesse transfronteiriço certo, consagrada pelo acórdão de 13 de Novembro
         de 2007, Comissão/Irlanda (C‑507/03, Colect., p. I‑9777, n.os 29 e 30), está preenchida no caso presente, tendo em conta a origem das denúncias apresentadas à Comissão e a importância
         do valor económico dos serviços em causa.
      
      55      A Comissão sustenta que os casos que lhe foram denunciados são reveladores de uma prática generalizada que consiste em adjudicar
         os contratos de serviços públicos de transporte de doentes, sem respeitar as disposições do direito da União destinadas a
         garantir a transparência e a concorrência desses mercados. O número muito restrito dos processos de adjudicação lançados à
         escala europeia pelas autarquias locais, a saber, treze anúncios de concurso num período de seis anos, publicados por onze
         dos mais de 400 Landkreise e cidades da Alemanha, confirma a existência desta prática.
      
      56      Em segundo lugar, a Comissão afirma que a violação, pelas autarquias locais alemãs, da regulamentação da União sobre os contratos
         públicos de serviços não pode ser justificada por considerações relativas ao exercício da soberania estatal.
      
      57      A Comissão sustenta que os serviços em causa no presente processo não cabem no âmbito de aplicação dos artigos 45.° CE e 55.° CE,
         uma vez que não constituem, enquanto tais, uma participação directa e específica no exercício da autoridade pública. Realça,
         em especial, que os ditos serviços não implicam a detenção, pelos seus prestadores, de um poder coercivo especial nem competências
         especiais de intervenção.
      
      58      Nem a utilização de lanternas giratórias e de sirenes, nem o reconhecimento, a favor dos prestadores destes serviços, de um
         direito de prioridade de passagem, na acepção do Código da Estrada alemão, nem a circunstância de poderem ser tomadas medidas
         de urgência sem o consentimento do ferido ou pelo pessoal da ambulância que não dispõe de formação médica completa constituem
         expressões desse poder ou de tais competências.
      
      59      Mesmo admitindo, como sustenta a República Federal da Alemanha, que os serviços públicos de socorro constituem, para as entidades
         públicas que assumem a sua responsabilidade, uma missão que implica o exercício directo e específico da autoridade pública,
         a integração funcional, na planificação, na organização e na administração destes serviços, de auxiliares encarregados de
         fornecer serviços de transporte de doentes não significa, no entanto, que eles gozem de direitos soberanos ou de poderes coercivos.
      
      60      Em terceiro lugar, a Comissão contesta que o artigo 86.°, n.° 2, CE possa ser utilmente invocado no caso presente. Observa,
         a este respeito, que o acórdão de 25 de Outubro de 2001, Ambulanz Glöckner (C‑475/99, Colect., p. I‑8089), não tem qualquer
         relevância para apreciar a conformidade da prática controvertida com o direito da União relativo aos contratos públicos e
         que a aplicabilidade desta disposição teria exigido a demonstração de que a aplicação das regras do mercado interno era susceptível
         de impedir a prestação de um serviço de socorro de qualidade, eficaz e rentável, o que a República Federal da Alemanha nem
         sequer defendeu.
      
      61      A República Federal da Alemanha contesta, em primeiro lugar, determinados factos alegados pela Comissão.
      
      62      No que respeita, em primeiro lugar, ao processo de adjudicação organizado pela cidade de Bona, alega que a exclusão do proponente
         se ficou a dever a que, por não oferecer garantia de fiabilidade profissional, lhe foi recusada a renovação da autorização
         exigida pela lei do Land da Renânia do Norte‑Vestefália, para efeitos da exploração de serviços privados de socorro, o que as autoridades desta cidade
         deviam ter em conta no âmbito da adjudicação de um contrato público.
      
      63      No tocante, em segundo lugar, ao posto de socorro de Bad Bevensen, a República Federal da Alemanha afirma que a operação materializada
         por um contrato celebrado em Abril de 2004 teve apenas como objecto a retoma, pela secção do Landkreis da DRK, das actividades, do pessoal e do material da associação de municípios de Bevensen, bem como do contrato de Julho
         de 1984 que vinculava a dita associação ao Landkreis de Uelzen. Este contrato de Abril de 2004 inscrevia‑se na continuidade de um contrato inicial que, por ter sido celebrado
         em Julho de 1984, não recaía no âmbito de aplicação da Directiva 92/50. O referido contrato não modificou substancialmente
         este contrato inicial, quanto ao objecto, ao alcance geográfico do mercado, à oferta de prestações ou ainda ao modo de financiamento.
      
      64      No que toca, em terceiro lugar, ao Land da Saxónia, a República Federal da Alemanha afirma que o alegado incumprimento cessou com o termo dos contratos renovados
         entre o ano de 2002 e o ano de 2004 e com a entrada em vigor, em Janeiro de 2005, da nova regulamentação deste Land, que passou a exigir o recurso a um processo transparente de adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte
         de doentes.
      
      65      Em segundo lugar, a República Federal da Alemanha, apoiada neste ponto pelo Reino dos Países Baixos, alega que, enquanto elementos
         da política pública de prevenção de riscos e da protecção da saúde, os serviços públicos de transporte de doentes cabem na
         excepção enunciada nos artigos 45.° CE e 55.° CE, o que faz com que fiquem excluídos do âmbito de aplicação do direito da
         União relativamente aos contratos públicos.
      
      66      Salienta, a este respeito, que a qualificação da actividade em causa à luz do direito nacional é determinante para apreciar
         a sua ligação ao exercício da autoridade pública. No caso vertente, a organização dos serviços públicos de transporte de doentes,
         incluindo os contratos celebrados com os prestadores desses serviços, está sujeita a normas de direito público. Além disso,
         e sobretudo, a actividade confiada a estes prestadores faz parte do exercício da autoridade pública, como prova o direito
         de prioridade de passagem e os atributos com ele relacionados, a saber, a utilização de lanterna giratória e de sirenes, de
         que gozam os condutores de veículos de socorro.
      
      67      A República Federal da Alemanha acrescenta que as actividades ligadas aos serviços públicos de transporte de doentes pressupõem,
         tipicamente, a detenção de poderes especiais, a saber, a planificação, a organização e a gestão dos serviços, a imposição
         de obrigações de informação e de declaração a terceiros, bem como de decisões de intervenção a outros serviços especializados,
         e a participação na designação de membros do pessoal destes serviços como funcionários administrativos. Estas actividades
         assentam numa coordenação estreita entre os diferentes elementos, humanos e técnicos, da «cadeia de socorro», que só uma autoridade
         pública está em condições de assumir em permanência e em todo o território em causa.
      
      68      A República Federal da Alemanha e o Reino dos Países Baixos defendem que o facto de os serviços públicos de socorro constituírem,
         enquanto tais, uma missão de autoridade para a entidade pública encarregada de os executar milita igualmente a favor da ligação
         funcional dos prestadores destes serviços ao exercício da autoridade pública. O mesmo se podia dizer da colaboração destes
         prestadores com outros actores, também implicados na planificação, na organização e na gestão desses serviços, como as forças
         policiais, a protecção civil e os corpos de bombeiros, que assumem tarefas de prevenção ou de protecção e podem tomar medidas
         de evacuação, de segurança, de bloqueio de passagem, de assistência na execução de medidas de alojamento, por exemplo, de
         pessoas que sofrem de afecções mentais, sendo estas tarefas e estas medidas características dessa missão de autoridade pública.
      
      69      Em terceiro lugar, a República Federal da Alemanha, também apoiada neste ponto pelo Reino dos Países Baixos, alega, a título
         subsidiário, que os serviços de transporte de doentes se enquadram no conceito de «serviço de interesse económico geral»,
         na acepção do artigo 86.°, n.° 2, CE, ao qual está ligada uma autorização de derrogar não só as regras da concorrência (v.
         acórdão Ambulanz Glöckner, já referido) mas também as liberdades fundamentais e as regras sobre os contratos públicos.
      
      70      A República Federal da Alemanha sustenta que é necessária uma derrogação a essas liberdades e regras, para permitir subsídios
         cruzados entre as zonas geográficas de forte densidade populacional, onde o fornecimento de serviços de transporte de doentes
         gera lucros, e as zonas geográficas de baixa densidade populacional, claramente menos rentáveis nesta óptica.
      
      71      O nexo existente entre os serviços de socorro e a protecção civil milita também a favor de uma derrogação das normas do direito
         da União sobre os contratos públicos. Com efeito, a obrigação de o Estado assegurar a protecção civil em caso de catástrofe
         exige a protecção das organizações sanitárias nacionais, as quais estão obrigadas a prestar ajuda em situações semelhantes
         e garantem efectivamente a disponibilidade de um grande número de voluntários que residem nas proximidades do local de intervenção.
      
       Apreciação do Tribunal de Justiça
      72      Tendo em conta as consequências decorrentes da aplicação do artigo 45.° , primeiro parágrafo, CE e do artigo 55.° CE, importa,
         antes de mais, verificar se estas disposições são aplicáveis ao presente caso (v., neste sentido, acórdão de 13 de Dezembro
         de 2007, Comissão/Itália, C‑465/05, Colect., p. I‑11091, n.° 31).
      
      –       Quanto à excepção prevista no artigo 45.°, primeiro parágrafo, CE, conjugada com o artigo 55.° CE
      73      Nos termos do artigo 45.°, primeiro parágrafo, CE, conjugado com o artigo 55.° CE, as disposições relativas à liberdade de
         estabelecimento e à livre prestação de serviços não são aplicáveis às actividades que, num Estado‑Membro, estão ligadas, mesmo
         ocasionalmente, ao exercício da autoridade pública.
      
      74      Como a advogada‑geral realçou no n.° 51 das conclusões, as referidas actividades estão também excluídas do âmbito de aplicação
         de directivas que, à semelhança das Directivas 92/50 e 2004/18, visam aplicar as disposições do Tratado relativas à liberdade
         de estabelecimento e à livre prestação de serviços.
      
      75      Importa, assim, verificar se as actividades de serviços de transporte de doentes ora em causa fazem parte das actividades
         previstas no artigo 45.°, primeiro parágrafo, CE.
      
      76      A este respeito, há que recordar que, enquanto derrogação às regras fundamentais da liberdade de estabelecimento e da liberdade
         de prestação de serviços, os artigos 45.° CE e 55.° CE devem ser interpretados de forma a limitar o seu alcance ao estritamente
         necessário para salvaguardar os interesses que estas disposições permitem aos Estados‑Membros proteger (v., nomeadamente,
         acórdãos de 15 de Março de 1988, Comissão/Grécia, 147/86, Colect., p. 1637, n.° 7; de 30 de Março de 2006, Servizi Ausiliari
         Dottori Commercialisti, C‑451/03, Colect., p. I‑2941, n.° 45; e de 22 de Outubro de 2009, Comissão/Portugal, C‑438/08, ainda
         não publicado na Colectânea, n.° 34).
      
      77      Resulta igualmente de jurisprudência assente que a apreciação da eventual aplicação das excepções previstas nos artigos 45.° CE
         e 55.° CE deve tomar em consideração que os limites impostos por estes artigos às ditas excepções têm de respeitar o direito
         da União (v., designadamente, acórdãos de 21 de Junho de 1974, Reyners, 2/74, Colect., p. 325, n.° 50, e Comissão/Portugal,
         já referido, n.° 35).
      
      78      De acordo com jurisprudência assente, a derrogação prevista nesses artigos deve restringir‑se às actividades que, consideradas
         em si mesmas, apresentam uma ligação directa e específica ao exercício da autoridade pública (v. acórdãos Reyners, já referido,
         n.° 45; de 13 de Julho de 1993, Thijssen, C‑42/92, Colect., p. I‑4047, n.° 8; e acórdão Comissão/Portugal, já referido, n.° 36).
      
      79      Como a advogada‑geral frisou no n.° 58 das suas conclusões, essa participação implica um exercício suficientemente qualificado
         de prerrogativas, de privilégios de autoridade pública ou de poderes coercivos.
      
      80      No caso presente, importa antes de mais observar que a contribuição para a protecção da saúde pública, que pode ser exigida
         a todo e qualquer indivíduo, designadamente prestando assistência a uma pessoa que corra perigo de vida, não basta para constituir
         uma forma de exercício da autoridade pública (v., neste sentido, acórdãos de 29 de Outubro de 1998, Comissão/Espanha, C‑114/97,
         Colect., p. I‑6717, n.° 37, e Comissão/Itália, já referido, n.° 38).
      
      81      Quanto ao direito de os prestadores de serviços de transporte de doentes recorrerem a instrumentos como a lanterna giratória
         ou a sirene, bem como ao direito de prioridade que lhe é reconhecido pelo Código da Estrada alemão, traduzem, é certo, a importância
         preponderante atribuída pelo legislador nacional à saúde pública relativamente às regras gerais da circulação rodoviária.
      
      82      Contudo, tais direitos não podem, enquanto tais, ser entendidos como uma participação directa e específica no exercício da
         autoridade pública, tendo em conta que os prestadores em causa não são investidos de prerrogativas ou de um poder coercivo
         que exorbitem do direito comum para garantir o seu cumprimento, o qual, como é pacífico entre as partes, faz parte da competência
         das autoridades policiais e judiciais (v., neste sentido, acórdãos, já referidos, Comissão/Itália, n.° 39, e Comissão/Portugal,
         n.° 44).
      
      83      Também não se pode considerar um exercício suficientemente qualificado de prerrogativas da autoridade pública ou de poderes
         que exorbitem do direito comum elementos, como os aduzidos pela República Federal da Alemanha, que dizem respeito a competências
         organizacionais especiais no âmbito dos serviços prestados, ao poder de solicitar informações a terceiros ou à intervenção
         de outros serviços especializados, ou ainda à participação na designação de funcionários administrativos para os serviços
         em causa.
      
      84      O facto, igualmente frisado pela República Federal da Alemanha, de que o fornecimento de serviços públicos de transporte de
         doentes implica uma colaboração com as autoridades públicas e com os membros de corpos profissionais investidos de prerrogativas
         de autoridade pública, como os membros das forças policiais, também não constitui um elemento de conexão das actividades destes
         serviços com o exercício da autoridade pública (v., neste sentido, acórdão Reyners, já referido, n.° 51).
      
      85      O mesmo se diga da circunstância, também alegada pela República Federal da Alemanha, de que os contratos relativos aos serviços
         em causa são matéria do domínio do direito público e que as actividades em causa são exercidas por conta de entidades de direito
         público que assumem a responsabilidade dos serviços públicos de socorro (v., neste sentido, acórdão de 18 de Dezembro de 2007,
         Jundt, C‑281/06, Colect., p. I‑12231, n.os 36 a 39).
      
      86      Por conseguinte, deve ser afastada a aplicação dos artigos 45.° CE e 55.° CE às actividades do caso presente.
      
      87      Consequentemente, há que apreciar se está provado o incumprimento alegado pela Comissão.
      
      –       Quanto ao incumprimento alegado pela Comissão
      88      A título preliminar, importa observar, em primeiro lugar, que resulta das indicações dadas pela Comissão nos seus articulados
         apresentados ao Tribunal de Justiça que a presente acção está circunscrita, de entre as diferentes modalidades de fornecimento
         de serviços públicos de transporte de doentes existentes na República Federal da Alemanha, ao chamado modelo de «submissão»,
         nos termos do qual o prestador a quem foi adjudicado o contrato é remunerado directamente pela entidade adjudicante com a
         qual celebrou esse contrato, ou por um organismo de financiamento ligado a essa entidade adjudicante.
      
      89      Em segundo lugar, a República Federal da Alemanha não contestou a afirmação da Comissão de acordo com a qual as autarquias
         locais que adjudicaram os diferentes contratos identificados na acção são entidades adjudicantes, na acepção do artigo 1.°,
         alínea b), da Directiva 92/50 ou do artigo 1.°, n.° 9, da Directiva 2004/18 (v., neste sentido, acórdão de 18 de Novembro
         de 2004, Comissão/Alemanha, C‑126/03, Colect., p. I‑11197, n.° 18).
      
      90      Em terceiro lugar, no que se refere à circunstância, alegada pela República Federal da Alemanha, de que os contratos através
         dos quais esses serviços foram adjudicados se enquadram no direito público, a mesma não é susceptível de ocultar a existência
         do elemento contratual exigido no artigo 1.°, alínea a), da Directiva 92/50 ou no artigo 1.°, n.° 2, alínea a), da Directiva
         2004/18. Como alega a Comissão, a referida circunstância milita, pelo contrário, a favor da existência desse elemento (v.,
         neste sentido, acórdão de 12 de Julho de 2001, Ordine degli Architetti e o., C‑399/98, Colect., p. I‑5409, n.° 73).
      
      91      A redução a escrito e o carácter oneroso desses contratos não são, por seu turno, de modo algum contestados pela República
         Federal da Alemanha, que também não contradiz as indicações numéricas da Comissão, segundo as quais o montante respectivo
         dos diferentes contratos em causa ultrapassa claramente os limiares de aplicação fixados no artigo 7.° da Directiva 92/50
         ou da Directiva 2004/18.
      
      92      Em quarto lugar, é igualmente pacífico entre as partes que os serviços de transporte médico de emergência ou de transporte
         especial de doentes, em causa no presente processo, se enquadram simultaneamente na categoria 2 ou 3 do anexo I A da Directiva
         92/50 ou do anexo II A da Directiva 2004/18 e na categoria 25 do anexo I B da Directiva 92/50 ou do anexo II B da Directiva
         2004/18, pelo que os contratos que têm como objecto esses serviços estão abrangidos pelo âmbito de aplicação do artigo 10.°
         da Directiva 92/50 ou do artigo 22.° da Directiva 2004/18 (v., neste sentido, acórdão de 24 de Setembro de 1998, Tögel, C‑76/97,
         Colect., p. I‑5357, n.° 40).
      
      93      Ao invés, a República Federal da Alemanha refuta alguns factos alegados pela Comissão. Contesta também a alegação desta, de
         acordo com a qual os referidos factos são reveladores de uma prática generalizada em matéria de adjudicação de contratos de
         serviços públicos de transporte de doentes.
      
       Quanto aos factos alegados
      94      É jurisprudência assente que, quando a Comissão invoca denúncias circunstanciadas que deixam transparecer repetidos incumprimentos
         do direito da União, incumbe ao Estado‑Membro em causa contestar de maneira concreta os factos alegados nessas denúncias (v.
         acórdão de 19 de Março de 2009, Comissão/Grécia, C‑489/06, ainda não publicado na Colectânea, n.° 40 e jurisprudência citada).
      
      95      No caso vertente, a República Federal da Alemanha não contesta a veracidade dos factos denunciados pela Comissão, no que respeita,
         respectivamente, ao contrato concluído pela cidade de Magdeburgo, no Land da Saxónia‑Anhalt, ao contrato relativo à exploração do posto de socorro de Witten‑Herbede, no Land da Renânia do Norte‑Vestefália, bem como aos contratos concluídos pela região de Hanôver e pelo Landkreis de Hameln‑Pyrmont, no Land da Baixa Saxónia, contratos esses mencionados nos n.os 27 e 29 a 31 do presente acórdão.
      
      96      Em contrapartida, este Estado‑Membro apresenta objecções às alegações factuais da Comissão relativas aos contratos concluídos,
         respectivamente, pela cidade de Bona, pelo Landkreis de Uelzen e por diversas autarquias locais do Land da Saxónia.
      
      97      No que toca, antes de mais, ao contrato celebrado pela cidade de Bona, referido no n.° 28 do presente acórdão, as precisões
         dadas pela República Federal da Alemanha quanto às razões do afastamento de um proponente alemão não são, no entanto, de molde
         a eclipsar as alegações da Comissão, não contestadas por este Estado‑Membro, de incumprimento, no âmbito deste contrato, das
         regras de direito da União relativas à transparência em matéria de contratos públicos.
      
      98      Em seguida, no caso do contrato celebrado pelo Landkreis de Uelzen, referido no n.° 32 do presente acórdão, a acusação formulada pela Comissão assenta, como resulta da troca de observações
         entre as partes, ocorrida no Tribunal de Justiça, no alargamento, em 2004, do objecto do contrato celebrado em 1984, entre
         o referido Landkreis e a respectiva secção da DRK, à exploração do posto de socorro de Bad Bevensen, em desrespeito do direito da União relativo
         aos contratos públicos.
      
      99      Quanto a este aspecto, importa lembrar que uma alteração do contrato inicial pode ser considerada substancial e, assim, constituir
         uma nova adjudicação do contrato, na acepção da Directiva 92/50 ou da Directiva 2004/18, designadamente quando alarga o contrato,
         numa medida importante, a serviços inicialmente não previstos (v., neste sentido, acórdão de 19 de Junho de 2008, pressetext
         Nachrichtenagentur, C‑454/06, Colect., p. I‑4401, n.° 36).
      
      100    No caso presente, resulta das indicações que constam dos autos que o valor do contrato relativo à exploração do posto de socorro
         de Bad Bevensen é de 673 719,92 euros, ou seja, um montante claramente superior aos limiares de aplicação fixados no artigo
         7.° das Directivas 92/50 e 2004/18.
      
      101    Nestas condições, o alargamento contratual visado no n.° 98 do presente acórdão deve, como defende a Comissão, ser considerado
         uma alteração substancial do contrato inicial, que teria exigido o cumprimento das disposições pertinentes do direito da União
         relativo aos contratos públicos.
      
      102    Por fim, no que toca aos contratos celebrados no Land da Saxónia, referidos nos n.os 33 a 35 do presente acórdão, a circunstância, alegada pela República Federal da Alemanha, relativa à cessação do incumprimento
         imputado com o termo dos contratos renovados entre o ano de 2002 e o ano de 2004 e a entrada em vigor, em Janeiro de 2005,
         de nova regulamentação deste Land que introduz um processo transparente de adjudicação de contratos de serviços públicos de socorro, não são susceptíveis de
         afastar as alegações da Comissão, não contestadas por este Estado‑Membro, de acordo com as quais os referidos contratos foram
         prorrogados, na vigência da  precedente regulamentação, com efeitos até 31 de Dezembro de 2008, ao arrepio de toda a transparência
         à escala da União.
      
      103    A situação denunciada pela Comissão relativamente a estes diferentes contratos do Land da Saxónia persistia, pois, no termo do prazo fixado no parecer fundamentado, data pertinente para apreciação da existência
         do alegado incumprimento (v., neste sentido, acórdão de 6 de Outubro de 2009, Comissão/Espanha, C‑562/07, ainda não publicado
         na Colectânea, n.° 23), a saber, 16 de Fevereiro de 2007.
      
      104    Decorre daí que se deve considerar provada a totalidade dos factos alegados pela Comissão.
      
       Quanto à prática alegada
      105    A República Federal da Alemanha censura a Comissão por invocar casos individuais para alegar a existência de uma prática generalizada
         de adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte de doentes contrária ao direito da União.
      
      106    A este respeito, há que recordar que a Comissão pode pedir ao Tribunal de Justiça a declaração de um incumprimento do direito
         da União, por as autoridades de um Estado‑Membro terem adoptado uma prática generalizada contrária a este, ilustrando essa
         prática com situações específicas (v., neste sentido, acórdão de 25 de Outubro de 2007, Comissão/Irlanda, C‑248/05, Colect.,
         p. I‑9261, n.° 64 e jurisprudência citada).
      
      107    A declaração de um alegado incumprimento com base na prática administrativa seguida num Estado‑Membro implica, no entanto,
         a produção, pela Comissão, de provas suficientemente documentadas e circunstanciadas da prática censurada. Delas deve resultar
         que essa prática administrativa apresente um certo grau de constância e de generalidade. Para o efeito, a Comissão não se
         pode basear numa qualquer presunção (v. acórdãos de 7 de Junho de 2007, Comissão/Grécia, C‑156/04, Colect., p. I‑4129, n.° 50
         e jurisprudência citada, e de 19 de Março de 2009, Comissão/Grécia, já referido, n.° 48).
      
      108    Quando a Comissão tenha fornecido elementos suficientes que revelem que as autoridades de um Estado‑Membro demandado adoptaram
         uma prática reiterada e persistente que é contrária às disposições do direito da União, incumbe a esse Estado‑Membro contestar
         de modo substancial e detalhado os dados assim apresentados e as consequências que daí decorrem (v. acórdãos de 26 de Abril
         de 2005, Comissão/Irlanda, C‑494/01, Colect., p. I‑3331, n.° 47, e de 25 de Outubro de 2007, Comissão/Irlanda, já referido,
         n.° 69).
      
      109    No caso presente, confrontada com as alegações factuais da Comissão, relativas a casos reiterados de incumprimento do direito
         da União no âmbito da adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte de doentes nos Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia, a República Federal da Alemanha não pôde,
         como resulta dos n.os 95 a 104 do presente acórdão, infirmar a realidade dos factos denunciados. Também não aduziu elementos susceptíveis de demonstrar
         que, nestes Länder, outros contratos celebrados de acordo com o modelo de submissão tenham, por seu turno, respeitado o direito da União relativo
         aos contratos públicos.
      
      110    Pelo contrário, como a advogada‑geral realçou no n.° 150 das suas conclusões, as indicações da Comissão, não impugnadas pela
         República Federal da Alemanha, que atestam um número muito limitado de casos de adjudicação de um contrato de serviços públicos
         de transporte de doentes no cumprimento do direito da União, corroboram a existência, nesses quatro Länder, de uma prática que ultrapassa os casos particulares indicados pela Comissão na presente acção.
      
      111    Resulta das considerações precedentes que a prática alegada pela Comissão deve ser considerada provada no que respeita aos
         Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia.
      
      112    Por conseguinte, cabe apreciar a existência de violações das Directivas 92/50 e 2004/18 e dos artigos 43.° CE e 49.° CE, alegadas
         pela Comissão.
      
       Quanto às violações relativas ao incumprimento da Directiva 92/50 ou da Directiva 2004/18 e dos artigos 43.° CE e 49.° CE
      113    Na sua acção, a Comissão defende que, nas hipóteses de adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte de doentes,
         caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de transporte sobre o dos serviços de saúde, a prática em causa
         constitui uma violação do artigo 10.° da Directiva 92/50, conjugado com os títulos III a VI desta directiva, ou, desde 1 de
         Fevereiro de 2006, do artigo 22.° da Directiva 2004/18, conjugado com os artigos 23.° a 55.° desta directiva. Por força destes
         diferentes títulos ou disposições, cabe à entidade adjudicante proceder à publicação de um anúncio de concurso ao nível da
         União, para efeitos da adjudicação do contrato em causa, e assegurar a publicidade dos resultados da adjudicação desse contrato.
      
      114    Nas hipóteses de adjudicação de contratos de serviços de transporte de doentes, caracterizados por uma predominância do valor
         dos serviços de saúde sobre o dos serviços de transporte, a Comissão alega que a prática em causa constitui violação do artigo
         10.° da Directiva 92/50, conjugado com o artigo 16.° desta directiva, ou, desde 1 de Fevereiro de 2006, do artigo 22.° da
         Directiva 2004/18, conjugado com o artigo 35.°, n.° 4, desta directiva. Estas disposições impõem, no essencial, à entidade
         adjudicante que assegure a publicidade dos resultados da adjudicação do contrato em causa.
      
      115    A Comissão suscita também uma acusação relativa à violação dos artigos 43.° CE e 49.° CE, acusação essa que, como decorre
         dos n.os 45 a 47 e 52 do presente acórdão, apenas é admissível na parte em que visa a adjudicação dos contratos integrados na hipótese
         mencionada no número anterior.
      
      116    A este respeito, importa recordar que, segundo jurisprudência assente, no âmbito de uma acção por incumprimento nos termos
         do artigo 226.° CE, incumbe à Comissão demonstrar a existência do incumprimento alegado, fornecendo ao Tribunal de Justiça
         todos os elementos necessários para que este verifique a existência desse incumprimento, não podendo basear‑se numa qualquer
         presunção (v. acórdão de 29 de Outubro de 2009, Comissão/Finlândia, C‑246/08, ainda não publicado na Colectânea, n.° 52 e
         jurisprudência citada).
      
      117    Como a advogada‑geral realçou no n.° 113 das suas conclusões, a obrigação de a Comissão demonstrar com precisão o objecto
         concreto do alegado incumprimento é indispensável a uma correcta compreensão, pelo Estado‑Membro demandado, das medidas que
         lhe são exigidas, em caso de declaração do referido incumprimento, para restabelecer a total conformidade da situação denunciada
         com o direito da União.
      
      118    No caso presente, resulta dos autos que, após ter indicado, no parecer fundamentado, não dispor de informação suficiente para
         determinar que serviços, se os serviços de transporte ou os serviços de saúde, têm um valor predominante nos contratos identificados,
         a Comissão se absteve voluntariamente, como salientou a advogada‑geral no n.° 96 das suas conclusões, de definir esse aspecto
         no âmbito da presente acção, sem que resulte dos autos que essa escolha tenha sido ditada por uma alegada falta de cooperação
         das autoridades alemãs no decurso do processo pré‑contencioso.
      
      119    Com efeito, na petição inicial, a Comissão afirmou, em termos gerais, que, tanto nos contratos relativos aos serviços de transporte
         especial de doentes como nos relativos aos serviços de transporte médico de emergência, o valor dos serviços de transporte
         de doentes pode ser considerável e que, visto os contratos controvertidos, geralmente, abrangerem ao mesmo tempo os dois tipos
         de serviços, a relação entre os valores respectivos varia de contrato para contrato, pelo que se pode imaginar tanto contratos
         caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de transporte sobre o dos serviços de saúde como contratos caracterizados
         pela predominância inversa.
      
      120    Ao optar por uma abordagem baseada nesses pressupostos, a Comissão renunciou deliberadamente a provar que os contratos em
         causa ou, pelo menos, alguns deles são caracterizados por uma predominância do valor dos serviços de transporte sobre o dos
         serviços de saúde.
      
      121    Em contrapartida, no tocante às Directivas 92/50 e 2004/18, a Comissão concentrou as suas acusações no facto de que, independentemente
         da subdivisão jurídica feita no artigo 10.° da Directiva 92/50 ou no artigo 22.° da Directiva 2004/18, o artigo 16.° da Directiva
         92/50 ou o artigo 35.°, n.° 4, da Directiva 2004/18 tinham sido ignorados, aquando da adjudicação de cada um desses contratos,
         dada a falta de publicidade dos resultados da adjudicação dos referidos contratos, o que a República Federal da Alemanha não
         contestou relativamente a nenhum deles.
      
      122    Num contexto destes, em que, na falta de elementos suficientemente concretos apresentados pela Comissão, não se pode excluir
         que nenhum dos contratos identificados na acção seja caracterizado por uma predominância do valor dos serviços de transporte
         sobre o dos serviços de saúde, há que limitar a declaração de incumprimento das Directivas 92/50 e 2004/18 a uma violação
         do artigo 10.° da Directiva 92/50, conjugado com o artigo 16.° desta directiva, ou, desde 1 de Fevereiro de 2006, do artigo
         22.° da Directiva 2004/18, conjugado com o artigo 35.°, n.° 4, desta directiva, uma vez que os referidos artigos são, em qualquer
         caso, aplicáveis aos contratos que, como os que estão ora em causa, respeitam simultaneamente a serviços de transporte e a
         serviços de saúde, independentemente da relação entre o valor respectivo desses serviços no âmbito do contrato em causa.
      
      123    Como a advogada‑geral frisou no n.° 93 das suas conclusões, a Comissão também não procurou provar que os contratos identificados
         na sua acção ou, pelo menos, alguns deles se caracterizavam por uma predominância do valor dos serviços de saúde sobre o dos
         serviços de transporte. Nestas condições, em que, na falta de indicações concretas suficientes, não se pode excluir que nenhum
         dos contratos em causa se caracterize por uma predominância dessa natureza, o Tribunal de Justiça não está em condições de
         declarar um alegado incumprimento dos artigos 43.° CE e 49.° CE. Esta conclusão impõe‑se também quanto à questão de saber
         se os contratos identificados pela Comissão apresentam um interesse transfronteiriço certo.
      
      124    Importa, além disso, verificar a justeza da argumentação da República Federal da Alemanha e do Reino dos Países Baixos, respeitante
         à justificação assente no artigo 86.°, n.° 2, CE.
      
      –       Quanto à justificação assente no artigo 86.°, n.° 2, CE
      125    Nos n.os 55 e 60 do acórdão Ambulanz Glöckner, já referido, o Tribunal de Justiça qualificou os serviços de transporte de emergência
         de «serviços de interesse económico geral», na acepção do artigo 86.°, n.° 2, CE.
      
      126    Resulta, no entanto, de jurisprudência constante que compete ao Estado‑Membro que invoca o artigo 86.°, n.° 2, CE demonstrar
         que os requisitos de aplicação desta disposição se encontram reunidos (v., designadamente, acórdão de 23 de Outubro de 1997,
         Comissão/França, C‑159/94, Colect., p. I‑5815, n.° 101).
      
      127    No caso presente, a República Federal da Alemanha salientou a necessidade de assegurar, em matéria de serviços de transporte
         de doentes, subsídios cruzados entre as zonas geográficas rentáveis e as menos rentáveis, em função da densidade da população.
         Salientou também a importância de um serviço de proximidade e da colaboração com os outros serviços implicados em missões
         de socorro, o que implica a disponibilização de pessoal residente perto dos locais de intervenção e facilmente mobilizável
         em situações de emergência ou de catástrofe.
      
      128    Todavia, tais considerações poderiam, certamente, justificar, como observou a Comissão, o recurso, pela entidade adjudicante
         competente, a medidas específicas destinadas a garantir, designadamente através de esquemas remuneratórios adaptados às especificidades
         do território a cobrir ou mediante uma obrigação de presença suficiente de meios humanos e técnicos no local, a prestação
         pelo co‑contratante de um serviço de transporte de qualidade, eficaz e acessível em todo o território em causa, em condições
         economicamente aceitáveis.
      
      129    Em contrapartida, não explicam em que medida a obrigação de garantir a publicidade dos resultados da adjudicação do contrato
         em causa seria susceptível de frustrar o cumprimento desta missão de interesse económico geral.
      
      130    Decorre daí que a argumentação relativa ao artigo 86.°, n.° 2, CE deve ser rejeitada.
      
      131    Perante todas as considerações que precedem, há que declarar que, não tendo publicado nenhum anúncio relativo aos resultados
         do processo de adjudicação de contratos, a República Federal da Alemanha não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força
         do artigo 10.° da Directiva 92/50, conjugado com o artigo 16.° desta directiva, ou, desde 1 de Fevereiro de 2006, por força
         do artigo 22.° da Directiva 2004/18, conjugado com o artigo 35.°, n.° 4, desta directiva, no âmbito da adjudicação de contratos
         de serviços públicos de transporte de doentes, segundo o modelo de submissão nos Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia.
      
      132    A acção deve ser julgada improcedente quanto ao restante.
      
       Quanto às despesas
      133    Nos termos do artigo 69.°, n.° 2, do Regulamento de Processo, a parte vencida é condenada nas despesas se a parte vencedora
         o tiver requerido. Nos termos do artigo 69.°, n.° 3, deste regulamento, se cada parte obtiver vencimento parcial, o Tribunal
         de Justiça pode repartir as despesas ou decidir que cada uma das partes suporte as suas próprias despesas. No caso, tendo
         a Comissão e a República Federal da Alemanha sido parcialmente vencidas, suportarão as suas próprias despesas.
      
      134    Nos termos do artigo 69.°, n.° 4, primeiro parágrafo, do referido regulamento, o Estado‑Membro que interveio no processo deve
         suportar as suas próprias despesas. O Reino dos Países Baixos suportará, por conseguinte, as suas próprias despesas.
      
      Pelos fundamentos expostos, o Tribunal de Justiça (Terceira Secção) decide:
      1)      Não tendo publicado o anúncio relativo aos resultados do processo de adjudicação de contratos, a República Federal da Alemanha
            não cumpriu as obrigações que lhe incumbem por força do artigo 10.° da Directiva 92/50/CEE do Conselho, de 18 de Junho de
            1992, relativa à coordenação dos processos de adjudicação de contratos públicos de serviços, conjugado com o artigo 16.° desta
            directiva, ou, desde 1 de Fevereiro de 2006, por força do artigo 22.° da Directiva 2004/18/CE do Parlamento Europeu e do Conselho,
            de 31 de Março de 2004, relativa à coordenação dos processos de adjudicação dos contratos de empreitada de obras públicas,
            dos contratos públicos de fornecimento e dos contratos públicos de serviços, conjugado com o artigo 35.°, n.° 4, desta directiva,
            no âmbito da adjudicação de contratos de serviços públicos de transporte médico de emergência e de transporte especial de
            doentes, segundo o modelo de submissão nos Länder da Saxónia‑Anhalt, da Renânia do Norte‑Vestefália, da Baixa Saxónia e da Saxónia.
      2)      A acção é julgada improcedente quanto ao restante.
      3)      A Comissão Europeia, a República Federal da Alemanha e o Reino dos Países Baixos suportarão as suas próprias despesas.
      Assinaturas
      ** Língua do processo: alemão.