CELEX: 62006TJ0036
Language: pt
Date: 2010-03-03 00:00:00
Title: Acórdão do Tribunal Geral (Quarta Secção) de 3 de Março de 2010. # Bundesverband deutscher Banken eV contra Comissão Europeia. # Auxílios de Estado - Transferência de activos públicos para o Landesbank Hessen-Thüringen Girozentrale - Decisão que declara que a medida notificada não constitui um auxílio - Critério do investidor privado - Dever de fundamentação - Dificuldades sérias. # Processo T-36/06.

Processo T‑36/06
      Bundesverband deutscher Banken eV
      contra
      Comissão Europeia
      «Auxílios de Estado – Transferência de activos públicos para o Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale – Decisão que declara que a medida notificada não constitui um auxílio – Critério do investidor privado – Dever de fundamentação – Dificuldades sérias»
      Sumário do acórdão
      Auxílios concedidos pelos Estados – Exame pela Comissão – Fase preliminar e fase contraditória – Compatibilidade de um auxílio
            com o mercado comum
      (Artigos 87.°, n.° 1, CE e 88.°, n.os 2 e 3, CE)
      O procedimento do artigo 88.°, n.° 2, CE, que dá aos Estados‑Membros e aos meios em causa a garantia de que serão ouvidos
         e que permite à Comissão informar‑se de todos os dados do processo antes de tomar a sua decisão, reveste um carácter indispensável
         sempre que a Comissão se depare com dificuldades sérias para apreciar se um auxílio é compatível com o mercado comum. Portanto,
         a Comissão só se pode limitar à fase preliminar do artigo 88.°, n.° 3, CE para adoptar uma decisão favorável a uma medida
         estatal notificada se tiver a convicção, no termo de um primeiro exame, de que essa medida não pode ser qualificada de auxílio
         na acepção do artigo 87.°, n.° 1, CE, ou de que, embora constituindo um auxílio, é compatível com o mercado comum.
      
      Embora o poder da Comissão esteja vinculado no que respeita à decisão de dar início ao procedimento formal de investigação,
         a Comissão pode, em conformidade com a finalidade do artigo 88.°, n.° 3, CE e com o dever de boa administração que lhe incumbe,
         dialogar com o Estado que procedeu à notificação ou com terceiros a fim de superar, na fase preliminar, as dificuldades que
         eventualmente encontre. No entanto, o conceito de dificuldades sérias reveste carácter objectivo. A existência de tais dificuldades
         deve ser apreciada tanto em função das circunstâncias da adopção do acto impugnado como do seu conteúdo, de modo objectivo,
         relacionando as razões da decisão com os elementos de que a Comissão dispunha quando se pronunciou sobre a compatibilidade
         dos auxílios controvertidos com o mercado comum. O recorrente suporta o ónus da prova da existência de dificuldades sérias,
         prova esta que pode fazer a partir de um leque de indícios concordantes, relativos, por um lado, às circunstâncias e à duração
         do procedimento de investigação preliminar e, por outro, ao conteúdo da decisão impugnada.
      
      A questão de saber se a Comissão aplicou de modo errado o critério do investidor privado não se confunde com a da existência
         de dificuldades sérias que exijam que se dê início ao procedimento formal de investigação. Com efeito, o exame da existência
         de dificuldades sérias não tem por objectivo saber se a Comissão aplicou correctamente o artigo 87.° CE, mas sim estabelecer
         se dispunha, na data em que adoptou a decisão impugnada, de informações suficientemente completas para apreciar a compatibilidade
         da medida controvertida com o mercado comum.
      
      Por outro lado, o facto de a Comissão de não ter respondido a certas acusações que o recorrente formulou no âmbito de um processo
         paralelo não implica que não pudesse pronunciar‑se sobre a medida em causa com base nas informações de que dispunha e que
         devesse, por conseguinte, dar início ao procedimento formal de investigação para completar o seu inquérito. Com efeito, qualquer
         argumento apresentado por uma parte interessada no âmbito de um procedimento distinto, relativo a circunstâncias semelhantes
         não dá necessariamente lugar a dificuldades sérias que exijam que se dê início ao procedimento formal. Quando, como no caso
         presente, a Comissão deu início ao procedimento formal de investigação em relação a operações similares e, nessa ocasião,
         se discutiu a importância de certas características comuns a todas as operações, pode considerar-se que não só a Comissão
         dispõe, na data da adopção da decisão impugnada, de informações que lhe permitem apreciar a pertinência dessas características,
         como também que qualquer outro interessado teve possibilidade de fornecer à Comissão quaisquer informações que considerasse
         necessárias a este respeito.
      
      (cf. n.os 125 a 127, 129 a 131)
      
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL GERAL (Quarta Secção)
      3 de Março de 2010 (*)
      
      «Auxílios de Estado – Transferência de activos públicos para o Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale – Decisão que declara que a medida notificada não constitui um auxílio – Critério do investidor privado – Dever de fundamentação – Dificuldades sérias»
      No processo T‑36/06,
      Bundesverband deutscher Banken eV, com sede em Berlim (Alemanha), representado por H.‑J. Niemeyer e K.‑S. Scholz, advogados,
      
      recorrente,
      contra
      Comissão Europeia, representada por N. Khan e T. Scharf, na qualidade de agentes,
      
      recorrida,
      apoiada por:
      Land Hessen (Alemanha), representado inicialmente por H.‑J. Freund e M. Holzhäuser, e em seguida por Freund e S. Lehr, advogados, 
      
      e por
      Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale, com sede em Frankfurt am Main (Alemanha), representada por H.‑J. Freund, advogado,
      
      interveniente,
      que tem por objecto um pedido de anulação da Decisão C(2005)3232 final da Comissão, de 6 de Setembro de 2005, relativa à transferência
         do Hessischer Investionsfonds para o Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale enquanto participação passiva,
      
      O TRIBUNAL GERAL (Quarta Secção),
      composto por: O. Czúcz (relator), presidente, V. Vadapalas e I. Labucka, juízes,
      secretário: C. Kristensen, administradora,
      vistos os autos e após a audiência de 9 de Setembro de 2008,
      profere o presente
      Acórdão
       Antecedentes do litígio
      A –  Participação controvertida
      1        O Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale (a seguir «Helaba») é um dos maiores bancos da Alemanha. Tem o estatuto jurídico
         de organismo de direito público. Desde 1 de Janeiro de 2001, os proprietários do Helaba são o Sparkassen‑ und Giroverband
         Hessen‑Thüringen, com uma participação de 85%, o Land Hessen (a seguir «Land»), com uma participação de 10%, e o Land da Turíngia, com uma participação de 5%. O Helaba exerce as funções de banco do Land de Hessen Land e do Land da Turíngia bem como de banco central das caixas de poupança de Hesse e da Turíngia. Opera também como banco comercial, tanto
         no mercado nacional como nos mercados internacionais.
      
      2        Através de uma lei de 17 de Dezembro de 1998, o Land criou um fundo especial designado Wohnungswesen und Zukunftsinvestition (Habitação e investimentos para o futuro, a seguir
         «fundo especial»). Este fundo especial é composto pelos créditos do Land resultantes dos créditos a juros baixos concedidos entre 1948 e 1998 para fomento da construção de habitação social. Em 31
         de Dezembro de 1998, a carteira de empréstimos eleva‑se a 7,829 mil milhões de marcos alemães (DEM) (cerca de 4 mil milhões
         de euros). Dois peritos independentes determinaram o seu valor actualizado em 2,473 mil milhões de DEM (1,264 mil milhões
         de euros).
      
      3        Para tal fim, o Land e o Helaba chegaram a acordo sobre as condições nas quais o fundo especial poderia ser transferido para o Helaba. Segundo
         o projecto de contrato, o activo especial devia ser transferido para o Helaba sob forma de participação passiva de duração
         indeterminada (a seguir «participação controvertida») pelo valor de 594 milhões de euros e mediante uma remuneração de 1,65%
         do seu valor nominal diminuído da parte da participação necessária para garantir as actividades de empréstimo ligadas a projectos
         de investimento locais do fundo especial. O projecto de contrato não prevê nenhuma cláusula de aumento de juros (a seguir
         «cláusula de step‑up») por força da qual a remuneração aumenta ao fim de um certo tempo.
      
      4        Em conformidade com o artigo 2.° do projecto de contrato, o direito à remuneração desaparece quando o Helaba sofra perdas
         anuais, ou seja, quando o cômputo dos seus resultados apresenta perdas para o exercício precedente, na medida em que o pagamento
         da remuneração levaria a uma perda contabilística anual. As remunerações não pagas são pagas durante os anos seguintes desde
         que não haja perdas anuais e na medida em que o pagamento da remuneração não leve as essas perdas. A participação controvertida
         participa plenamente nas perdas, mas qualquer diminuição do seu valor deverá ser compensada pelo Helaba durante o ano seguinte
         até atingir o seu valor nominal. O pagamento da remuneração da participação controvertida é prioritário relativamente aos
         dividendos sobre o capital social e a uma dotação para as reservas.
      
      5        Em conformidade com o artigo 4.° do projecto de contrato, a renúncia da participação controvertida pelo Land está excluída. Nos termos do n.° 8 desta disposição, «[e]m caso de processo de falência ou de liquidação do [Helaba], a participação
         [controvertida] só será reembolsada após satisfação de todos os credores do [Helaba], incluindo os titulares de títulos participativos
         bem como os credores de outros capitais de garantia na acepção do artigo 10.°, n.° 5a, do KWG, mas antes da dos detentores
         de quotas no capital social».
      
      B –  Procedimento administrativo e decisão impugnada
      6        Por carta de 4 de Junho de 2004, a República Federal da Alemanha notificou a sua intenção de realizar a participação controvertida
         e pediu à Comissão Europeia que declarasse que a participação não constituía um auxílio de Estado na acepção do artigo 87.°,
         n.° 1, CE. 
      
      7        Em 4 de Agosto de 2004, a Comissão pediu informações complementares as quais lhe foram fornecidas pela República Federal da
         Alemanha por cartas de 31 de Agosto e 7 de Setembro de 2004. 
      
      8        Por carta de 29 de Setembro de 2004, a Comissão pediu à República Federal da Alemanha, em conformidade com as disposições
         do artigo 4.°, n.° 5, do Regulamento (CE) n.° 659/1999 do Conselho, de 22 de Março de 1999, que estabelece as regras de execução
         do artigo [88.° CE] (JO L 83, p. 1), que consentisse na prorrogação do prazo de dois meses no qual deve proceder ao exame
         preliminar da medida notificada. Por carta de 7 de Outubro de 2004, a República Federal da Alemanha consentiu na prorrogação
         do referido prazo até 31 de Dezembro de 2004. 
      
      9        Por cartas de 15 e 22 de Novembro de 2004, a Comissão pediu outras informações à República Federal da Alemanha. 
      
      10      Por carta de 21 de Dezembro de 2004, a Comissão fixou à República Federal da Alemanha o prazo de 30 dias para a comunicação
         das informações pedidas e declarou que consideraria a informação retirada, na acepção do artigo 5.°, n.° 3, do Regulamento
         n.° 659/1999, caso as informações não fossem fornecidas em tempo útil. 
      
      11      Por carta de 30 de Março de 2005, a República Federal da Alemanha forneceu informações complementares sobre a conformidade
         com o mercado. A Comissão pediu outras informações por carta de 20 de Maio de 2005, à qual a República Federal da Alemanha
         respondeu por carta de 3 de Junho de 2005. 
      
      12      Através da sua decisão C (2005) 3232 final, de 6 de Setembro de 2005, relativa à transferência do Hessischer Investitionsfonds
         para o Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale enquanto participação passiva (a seguir «decisão impugnada»), a Comissão decidiu,
         no termo da fase preliminar de exame, que a participação controvertida não constituía um auxílio de Estado. 
      
      13      Na decisão impugnada, a Comissão refere que, a fim de examinar se a participação controvertida confere uma vantagem ao Helaba
         susceptível de ser qualificada de auxílio de Estado na acepção do artigo 87.°, n.° 1, CE, há que aplicar o critério do «investidor
         que actua numa economia de mercado» (a seguir «investidor privado») nos termos do qual não constituem auxílios as entradas
         de capitais realizadas em condições nas quais um investidor privado estaria disposto a ceder fundos a uma empresa privada
         comparável. A Comissão remete, a este respeito, para o acórdão do Tribunal de 6 de Março de 2003, Westdeutsche Landesbank
         Girozentrale e Land Nordrhein‑Westfalen/Comissão (T‑228/99 e T‑233/99, Colect., p. II‑435, a seguir «acórdão WestLB»). 
      
      14      No que respeita, em primeiro lugar, à qualificação jurídica e económica, a Comissão considera que a participação controvertida
         é comparável a outras participações passivas realizadas no mercado e que, consequentemente, o carácter conforme com o mercado
         da remuneração acordada entre as partes pode ser apreciado por comparação com a remuneração dessas participações passivas.
         A este respeito, a Comissão, em primeiro lugar, observa que a participação controvertida foi expressamente qualificada de
         participação passiva no projecto de contrato. Afirma, em segundo lugar, que as condições da participação controvertida são
         comparáveis às de outras participações passivas na medida em que a referida participação deve ser reembolsada antes do capital
         social e que o Land recebe a integralidade da remuneração acordada e não um dividendo proporcional aos benefícios. Acrescenta que existem no
         mercado participações passivas de duração indeterminada sem cláusulas de step‑up, como a participação controvertida, e que
         o volume desta não é inabitual. Por último, numa nota de rodapé, remete, no que respeita à qualificação da participação, para
         a sua Decisão 2006/742/CE, de 20 de Outubro de 2004, relativa a um auxílio concedido pela Alemanha a favor do Helaba (JO 2006,
         L 307, p. 159), em causa no processo que deu origem ao acórdão do Tribunal desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão
         (T‑163/05, ainda não publicado na Colectânea). 
      
      15      A Comissão calcula seguidamente a remuneração adequada do capital que pode ser utilizado pelo Helaba para garantir a extensão
         das suas actividades de crédito. Explica a este respeito que, no mercado, a remuneração de participações passivas corresponde
         a uma taxa de referência acrescida de uma majoração de remuneração (a seguir «remuneração de garantia»). Considera, no entanto,
         que, no caso vertente, a parte que corresponde à taxa de referência deve ser deduzida da remuneração conforme com o mercado
         para ter em conta o facto da participação controvertida não proporcionar liquidez ao Helaba. Em contrapartida, considera que
         o imposto sobre as explorações industriais e comerciais (a seguir «imposto profissional») que devem pagar os investidores
         industriais e comerciais que exercem as suas actividades na Alemanha e que, no caso vertente, deve ser pago pelo Helaba porque
         o Land a tal não é obrigado, deve ser acrescentado à taxa de remuneração acordada entre as partes uma vez que faz parte dos encargos
         suportados pelo Helaba devido à participação controvertida. 
      
      16      Quanto ao cálculo da remuneração de garantia conforme com o mercado, a Comissão baseia as suas conclusões em dois relatórios
         periciais de bancos de investimento, bem como no relatório de uma sociedade de peritos em contabilidade relativo a esses relatórios.
         Atentos estes três relatórios, a Comissão considera razoável partir de uma remuneração de garantia de 65 a 90 pontos de base,
         correspondente à majoração constatada no mercado para participações passivas de emissores do sector bancário europeu, emitidas
         em euros, de duração indeterminada e que incluem uma cláusula de step‑up.
      
      17      A Comissão examina se há que aplicar majorações ou diminuições a esta remuneração de garantia para ter em conta as especificidades
         da participação controvertida em comparação com as participações passivas utilizadas como referência para o cálculo da referida
         remuneração. A este respeito, considera que deve ser aplicada uma majoração de 30 a 40 pontos de base para ter em conta o
         facto da participação controvertida, diversamente das participações passivas de duração indeterminada que foram utilizadas
         como referência, não incluir nenhuma cláusula de step‑up. Considera, no entanto, que não é necessário aplicar uma majoração
         nem devido ao facto de, na sequência da participação controvertida, a quota de participações passivas nos fundos próprios
         de base do Helaba ser de 57%, sendo assim nitidamente mas elevado do que a parte deste tipo de instrumentos nos fundos próprios
         dos bancos privados, nem devido ao facto da participação controvertida elevar a parte das participações passivas que o Land detém nos fundos próprios de base do Helaba para 44%. A Comissão considera, por último, potencialmente justificada uma majoração
         de 10 pontos de base para ter em conta o facto da remuneração apenas ser paga se o Helaba obtiver um benefício anual, mas
         não se pronuncia definitivamente sobre a questão, uma vez que a tomada em consideração desta majoração não modifica a apreciação
         final. 
      
      18      Por último, tendo em conta todas estas considerações, a Comissão conclui que a remuneração conforme com o mercado por uma
         participação como a participação controvertida é de 1 a 1,4%. Considera, por conseguinte, que a taxa de remuneração de 1,65%
         acordada entre o Helaba e o Land, à qual acresce o encargo representado pelo imposto profissional, não traz ao Helaba vantagem alguma e não pode, portanto,
         ser qualificado de auxílio de Estado. 
      
      19      Acrescenta que, em Maio de 2005, o Helaba vendeu a investidores institucionais privados uma participação passiva de duração
         indeterminada, sem cláusula de step‑up, no valor de 250 milhões de euros, e que essa participação é remunerada à taxa de 5,5%
         por ano. Explica que a taxa de 5,5% corresponde à taxa de referência (Tibeur ou Mid‑Swap, precisando a decisão impugnada que
         esta última era, à data da sua adopção, de 3,84%) acrescida de uma remuneração de garantia. Considera que as condições desta
         participação passiva confirmam a sua apreciação segundo a qual a remuneração acordada para a participação controvertida é
         conforme com uma remuneração no mercado, bem como o facto de que o Helaba podia colocar uma participação passiva no mercado
         se não obtivesse a participação controvertida. 
      
       Tramitação processual e pedidos das partes
      20       Por petição apresentada na secretaria do Tribunal Geral em 26 de Janeiro de 2006, o recorrente, o Bundesverband deutscher
         Banken eV (Federação alemã de bancos privados) interpôs o presente recurso.
      
      21      Por requerimentos apresentados na Secretaria do Tribunal Geral, respectivamente em 6 e 13 de Junho de 2006, o Helaba e o Land pediram para intervir no presente processo em apoio da Comissão. Por despacho de 14 de Setembro de 2006, o presidente da
         Terceira Secção do Tribunal Geral admitiu as intervenções. Os intervenientes apresentaram os seus articulados nos prazos fixados.
         O recorrente e a Comissão apresentaram igualmente as suas observações sobre os referidos articulados nos prazos fixados.
      
      22      Tendo a composição das secções do Tribunal Geral sido alterada, o juiz‑relator foi afecto à Quarta Secção, à qual o presente
         processo foi, por conseguinte atribuído.
      
      23      Tendo em vista o fim do mandato de um dos membros da secção, o presidente do Tribunal Geral designou outro membro para a completar,
         em aplicação do disposto no artigo 32.°, n.° 3, do Regulamento de Processo do Tribunal.
      
      24      Par carta de 20 de Maio de 2008, o Tribunal Geral ordenou à Comissão que apresentasse certos documentos, entre os quais, a
         versão confidencial da decisão impugnada. A Comissão deu cumprimento a este pedido no prazo fixado.
      
      25      Com base no relatório do juiz‑relator, o Tribunal Geral (Quarta Secção) decidiu dar início à fase oral. 
      
      26      Foram ouvidas as alegações das partes e as suas respostas às perguntas colocadas pelo Tribunal na audiência de 9 de Setembro
         de 2008.
      
      27      Nessa ocasião foi decidido, antes de encerrar a fase oral, permitir à Comissão responder por escrito a uma das perguntas colocadas
         pelo Tribunal. A Comissão apresentou a sua resposta e a recorrente as suas observações nos prazos fixados. A fase oral foi
         encerrada em 8 de Outubro de 2008.
      
      28       O recorrente conclui pedindo que o Tribunal se digne:
      
      –        anular a decisão impugnada; 
      –        condenar a Comissão nas despesas.
      29      A Comissão, apoiada pelo Helaba, conclui pedindo que o Tribunal Geral se digne:
      
      –        declarar o recurso inadmissível e, subsidiariamente, negar‑lhe provimento;
      –        condenar o recorrente nas despesas.
      30      O Land conclui pedindo que o Tribunal Geral se digne:
      
      –        negar provimento ao recurso;
      –        condenar o recorrente nas despesas.
       Questão de direito
      1.     Quanto à admissibilidade
      31      A Comissão, apoiada pelo Helaba, defende que o recurso é inadmissível uma vez que a decisão impugnada não diz individualmente
         respeito ao recorrente.
      
      32      Recorde‑se que o juiz pode apreciar, consoante as circunstâncias de cada caso específico, se uma boa administração da justiça
         justifica que o recurso seja julgado improcedente sem decidir previamente sobre a questão de inadmissibilidade suscitada pelo
         recorrido (acórdão do Tribunal de Justiça de 26 de Fevereiro de 2002, Conselho/Boehringer, C‑23/00 P, Colect., p. I‑1873,
         n.os 51 e 52, e acórdão do Tribunal Geral de 13 de Setembro de 2006, Sinaga/Comissão, T‑217/99, T‑321/00 e T‑222/01, não publicado
         na Colectânea, n.° 68).
      
      33      Nas circunstâncias do caso presente, o Tribunal Geral considera que devem ser examinados de imediato os fundamentos invocados
         pela recorrente, sem decidir previamente da questão de inadmissibilidade suscitada pela Comissão, uma vez que o recurso de
         anulação é, de qualquer modo e pelas razões a seguir expostas, desprovido de fundamento.
      
      2.     Quanto ao mérito
      34      O recorrente apresenta três fundamentos relativos, respectivamente, a falta de fundamentação, violação do artigo 87.° CE e
         violação dos seus direitos processuais pelo facto de a Comissão não ter dada início ao procedimento formal de investigação
         previsto no artigo 88.°, n.° 2, CE.
      
       Quanto ao fundamento relativo a falta de fundamentação
      35      O recorrente alega que a decisão impugnada não está suficientemente fundamentada quanto à qualificação como participação passiva
         da participação controvertida para efeitos de comparação com o mercado, quanto à tomada em consideração do imposto profissional,
         quanto à dedução das despesas de refinanciamento e quanto ao carácter conforme da remuneração com o mercado.
      
       Quanto à qualificação da participação controvertida 
      –       Argumentos das partes
      36      O recorrente alega que a apreciação da Comissão, que figura no considerando 25 da decisão impugnada, segundo a qual a participação
         controvertida «é comparável com outras participações passivas conformes com o mercado», não está suficientemente fundamentada.
      
      37      Em primeiro lugar, o recorrente critica o facto de a Comissão basear a sua apreciação quanto à qualificação da participação
         controvertida no projecto de contrato sem resumir o seu conteúdo. Afirma que a Comissão se limitou a fazer referência ao facto
         de as partes à participação controvertida terem qualificado esta, no projecto de contrato, como participação passiva e que,
         por conseguinte, não fundamentou a possibilidade de comparação da participação controvertida com outras participações passivas
         conformes com o mercado. 
      
      38      Em segundo lugar, alega que a Comissão não fundamenta a sua afirmação, que figura no considerando 26 da decisão impugnada,
         segundo a qual a participação controvertida deve ser reembolsada, em caso de liquidação ou de falência, antes do capital social,
         mesmo que o contrato relativo à participação em causa no processo que deu origem ao acórdão desta data, Bundesverband deutscher
         Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra, previsse que o reembolso desta não era prioritário relativamente ao reembolso do capital social. 
      
      39      Em terceiro lugar, sustenta que a afirmação, que figura no considerando 26 da decisão impugnada, segundo a qual o Land recebe «a integralidade da remuneração acordada ao passo que o investidor no capital social possui apenas um direito ao pagamento
         de um dividendo proporcional aos benefícios» não é clara e não permite saber o que é que a Comissão pretende provar ao fazer
         tal comparação. 
      
      40       Em quarto lugar, a Comissão não fundamenta as afirmações, que figuram no considerando 27 da decisão impugnada, segundo as
         quais «existem participações passivas sem cláusula de [step‑up] no mercado de capitais» e «o volume da participação passiva
         em questão também não é inabitual». O recorrente entende que, se a Comissão queria provar estas afirmações baseando‑se nas
         emissões de 1998 e de 1999 às quais tinha feito referência na decisão 2006/742, deveria ter incluído a parte correspondente
         dessa primeira decisão na decisão impugnada. Considera, além disso, que a Comissão não justificou por que razão a situação
         no mercado de capitais em 1998 e em 1999 era comparável à que existia no momento da adopção da decisão impugnada, ou seja,
         ao longo do verão de 2005. Alega igualmente que, na decisão 2006/742, a Comissão se limitou a reproduzir os argumentos invocados
         pela República Federal da Alemanha a propósito das emissões de 1998 e de 1999. Nas suas observações sobre os articulados de
         intervenção, acrescenta que a decisão impugnada não satisfazia o dever de fundamentação uma vez que, na sua versão não confidencial,
         as participações passivas mencionadas não são identificáveis em razão do anonimato dos bancos. 
      
      41      Em quinto lugar, a Comissão não fundamentou suficientemente a sua afirmação, que figura no considerando 29 da decisão impugnada,
         segundo a qual a participação controvertida apresenta para o Land «diversas vantagens» relativamente a um investimento no capital social. O recorrente alega a este respeito que as afirmações
         da Comissão são «superficiais», «parciais» e «desprovidas de substância». 
      
      42      A Comissão, apoiada pelo Helaba, contesta que a decisão impugnada esteja insuficientemente fundamentada no que diz respeito
         à qualificação da participação controvertida como participação passiva. O Land não apresentou argumentos a este respeito.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      43      Recorde‑se que o alcance do dever de fundamentação depende da natureza do acto em causa e do contexto em que é adoptado. A
         fundamentação deve deixar transparecer de forma clara e inequívoca o raciocínio da instituição, de maneira a permitir, por
         um lado, ao juiz exercer a sua fiscalização da legalidade e, por outro, aos interessados conhecerem as razões que justificam
         a medida adoptada, a fim de poderem defender os seus direitos e verificar se a decisão tem fundamento ou não (acórdão WestLB,
         n.° 13, supra, n.° 278).
      
      44      Não é exigido que a fundamentação especifique todos os elementos de facto e de direito pertinentes, na medida em que a questão
         de saber se a fundamentação de um acto satisfaz as exigências do artigo 253.° CE deve ser apreciada à luz não somente do seu
         teor mas também do seu contexto e do conjunto das normas jurídicas que regem a matéria em causa (acórdão WestLB, n.° 13, supra, n.° 279). 
      
      45      Em especial, a Comissão não é obrigada a tomar posição sobre todos os argumentos perante ela invocados pelos interessados,
         bastando‑lhe expor os factos e as considerações jurídicas que assumam uma importância essencial na economia da decisão (acórdão
         WestLB, n.° 13, supra, n.° 280). 
      
      46      No que diz respeito, em especial, a uma decisão da Comissão que considere que a medida notificada não constitui um auxílio,
         o dever de fundamentação exige que sejam indicadas as razões pelas quais a Comissão considera que a medida em causa não entra
         no campo de aplicação do artigo 87.°, n.° 1, CE.
      
      47      Por outro lado, resulta de jurisprudência assente que o dever de fundamentação constitui uma formalidade essencial que importa
         distinguir da questão da procedência da fundamentação, a qual se integra na validade material do acto controvertido (v. acórdão
         do Tribunal de 12 de Setembro de 2007, Itália/Comissão, T‑239/04 e T‑323/04, Colect., p. II‑3265, n.° 117, e jurisprudência
         referida).
      
      48      No que diz respeito, primeiramente, à crítica do recorrente relativa ao facto de a Comissão se basear no projecto de contrato
         não obstante o conteúdo deste não ser reproduzido na decisão impugnada nem conhecido do recorrente ou do Tribunal, basta observar
         que, ainda que a Comissão não reproduza textualmente as disposições do projecto de contrato, menciona os diferentes elementos
         que resultam do referido projecto nos quais baseia a sua apreciação jurídica, pelo que tanto o recorrente como o Tribunal
         estão em posição de conhecer o seu raciocínio. 
      
      49      Quanto ao argumento segundo o qual a Comissão se limitou a fazer referência ao facto de as partes na participação controvertida
         qualificaram esta última, no projecto de contrato, como participação passiva, importa observar que, por um lado, a Comissão
         não se baseou unicamente na qualificação dada pelas partes na participação controvertida e, por outro, que, mesmo que o tivesse
         feito, esta circunstância não viciaria a decisão impugnada de falta de fundamentação, uma vez que a questão de saber se a
         Comissão pode qualificar a participação baseando‑se unicamente na qualificação dada pelas diz respeito à procedência dos fundamentos
         apresentados pela Comissão e não ao seu carácter suficiente.
      
      50      Quanto, em segundo lugar, à pretensa falta de fundamentação da afirmação da Comissão segundo a qual a participação controvertida
         deve ser reembolsada, em caso de liquidação ou de falência, antes do capital social, observe‑se que a referida afirmação corresponde
         à simples constatação de um elemento resultante do projecto de contrato (v. n.° 5, supra) e que, por conseguinte, a mesma não requeria fundamentação suplementar. As dúvidas manifestadas pelo recorrente quanto à
         questão de saber se esta constatação está ou não errada não dizem respeito ao carácter suficiente da fundamentação da decisão
         impugnada, mas à sua procedência e, em especial, à exactidão material dos factos nos quais a Comissão se baseou.
      
      51      Quanto, em terceiro lugar, à fundamentação da afirmação da Comissão segundo a qual o Land recebe «a integralidade da remuneração acordada ao passo que o investidor no capital social possui apenas um direito ao pagamento
         de um dividendo proporcional aos benefícios», basta observar que é evidente, pela leitura da frase completa do considerando
         26 da decisão impugnada, que refere que o Land recebe «como qualquer investidor numa participação passiva no mercado de capitais» a integralidade da referida remuneração,
         que a Comissão considerou que a forma da remuneração acordada para a participação controvertida era característica das participações
         passivas, e não do capital social, e que esta a circunstância, entre outras, militava a favor da qualificação como participação
         controvertida da participação passiva. As dúvidas manifestadas pelo recorrente quanto à questão de saber se a forma da remuneração
         acordada para a participação controvertida é efectivamente característica das participações passivas não dizem respeito à
         fundamentação da decisão impugnada, mas à sua procedência.
      
      52      Quanto, em quarto lugar, à fundamentação das afirmações da Comissão segundo as quais «existem participações passivas sem cláusula
         de [step‑up] no mercado de capitais» e «o volume da participação passiva em questão não é […] inabitual», basta observar que
         a Comissão se limitou a constatar duas circunstâncias que resultam claramente das informações fornecidas pelos relatórios
         periciais, nomeadamente das operações realizadas no mercado às quais faz referência nos considerandos 49 e 56 da decisão impugnada.
         A remissão para a Decisão 2006/742 que figura na nota de rodapé não diz respeito a estas duas constatações de facto mas à
         globalidade do raciocínio da Comissão quanto à qualificação como participação controvertida da participação passiva para efeito
         da comparação da remuneração acordada com o mercado. A Comissão, uma vez que não tinha baseado estas afirmações nos dados
         de mercado relativos a 1998 e a 1999, não tinha que justificar por que razão a situação do mercado em 1998 e em 1999 era comparável
         à que existia no momento em que a decisão impugnada foi adoptada.
      
      53      No que diz respeito ao argumento segundo o qual a Comissão não podia remeter para a Decisão 2006/742 e deveria ter reproduzido
         na decisão impugnada as partes pertinentes desta decisão, importa referir que este argumento é infirmado pela jurisprudência
         segundo a qual uma decisão está suficientemente fundamentada quando remete para um documento que já está na posse do destinatário
         e que contém os elementos nos quais a instituição baseou a sua decisão (v., neste sentido e por analogia, acórdão do Tribunal
         Geral de 24 de Abril de 1996, Industrias Pesqueras Campos e o./Comissão, T‑551/93, T‑231/94, T‑232/94, T‑233/94 e T‑234/94,
         Colect., p. II‑247, n.° 144), o que se verifica no caso presente, uma vez que o recorrente recebeu uma cópia da Decisão 2006/742
         desde a adopção desta, vários meses antes da adopção da decisão impugnada.
      
      54      Quanto ao argumento relativo a fundamentação insuficiente da decisão impugnada visto as participações passivas utilizadas
         a título de comparação não serem identificáveis em razão do anonimato dos bancos emissores, sublinhe‑se que o recorrente critica
         na realidade o carácter incompleto da versão não confidencial de que dispunha no momento em que interpôs o recurso e não a
         fundamentação da decisão impugnada enquanto tal. Além disso, refira‑se que, no caso vertente, a ocultação de certos dados
         nesta versão não era de molde a impedir o recorrente de defender os seus direitos e de verificar o fundamento da decisão impugnada.
         Com efeito, por um lado, não obstante o facto de os nomes dos bancos emissores das participações em causa estarem dissimulados,
         a versão não confidencial da decisão impugnada contém, de modo suficientemente compreensível, os elementos de apreciação que
         permitiram à Comissão definir a sua posição. Por outro lado, e de qualquer modo, a versão confidencial da decisão impugnada,
         conforme esta foi notificada à República Federal da Alemanha, foi comunicada ao recorrente ao longo do processo (v. n.° 24,
         supra) sem que tenham sido objecto de novas observações baseadas nas passagens em questão.
      
      55      No que diz respeito, em quinto lugar, à apreciação da Comissão segundo a qual a participação controvertida apresenta vantagens
         para o Land relativamente a um investimento no capital social, note‑se que o recorrente, ao referir que as afirmações da Comissão são
         «superficiais», «parciais» e «desprovidas de substância», na realidade, não questiona que a fundamentação seja suficiente,
         mas sim que a apreciação tenha fundamento.
      
      56      Nestas circunstâncias, impõe‑se considerar que a decisão impugnada não está insuficientemente fundamentada no que diz respeito
         à qualificação da participação controvertida.
      
       Quanto à tomada em consideração do imposto profissional
      –       Argumentos das partes
      57      O recorrente alega que a decisão impugnada não contém fundamentação alguma quanto à apreciação, que figura no considerando
         36, segundo a qual «[u]m investidor institucional que actua numa economia de mercado teria […] exigido uma remuneração mas
         elevada do que o Land a fim de compensar o encargo que tem de suportar devido ao [imposto profissional ]» e o «Helaba, por seu lado, teria estado
         disposto a pagar essa majoração da remuneração e esse investidor». 
      
      58      A Comissão, apoiada pelo Helaba, contesta que a decisão impugnada esteja insuficientemente fundamentada no que diz respeito
         à tomada em consideração do imposto profissional enquanto encargo que deve ser suportado pelo Helaba em razão da participação
         controvertida. O Land não apresentou argumentos a este respeito.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      59      Refira‑se que a Comissão mas não fez, no caso presente, do que aplicar a conclusão a que chegou na Decisão 2006/742 quanto
         à participação em causa no referido processo. Esta decisão, como resulta do anteriormente exposto (v. n.° 53, supra), já estava em poder do recorrente.
      
      60      Ora, o exame da Decisão 2006/742 e dos argumentos do recorrente quanto ao erro manifesto de apreciação pretensamente cometido
         pela Comissão e este respeito, efectuado nos n.os 188 a 192 do acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14 supra, não revelou nenhuma falta de fundamentação que impedisse o recorrente de contestar a referida decisão ou o Tribunal de apreciar
         o respectivo fundamento.
      
      61      Daqui resulta que, de qualquer modo, a decisão impugnada se situa na linha de uma prática decisória, conhecida do recorrente,
         e que a mesma podia, por conseguinte, ser fundamentada de modo resumido (v. neste sentido, acórdão do Tribunal de Justiça
         de 26 de Novembro de 1975, Groupement des fabricants de papiers peints de Belgique e o./Comissão, 73/74, Colect., p. 503,
         n.° 31).
      
       Quanto à dedução das despesas de refinanciamento
      –       Argumentos das partes
      62      O recorrente alega que os considerandos 37 a 41 da decisão impugnada não permitem saber quais foram os critérios em que a
         Comissão se baseou para chegar à conclusão segundo a qual o Helaba suporta efectivamente despesas de refinanciamento suplementares,
         em relação ao que se verificaria se tivesse recebido uma participação passiva líquida, no valor da taxa de refinanciamento
         bruta, nem entender por que razão o carácter fiscalmente dedutível da remuneração justifica a dedução das despesas de refinanciamento.
      
      63      A Comissão, apoiada pelo Helaba, contesta que a decisão impugnada esteja insuficientemente fundamentada no que diz respeito
         à tomada em consideração do facto do Helaba suportar, no caso vertente, despesas de refinanciamento suplementares. O Land não apresentou argumentos a este respeito.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      64      Observe‑se que, como refere o recorrente na sua petição, a Comissão limitou‑se, no caso presente, a aplicar a conclusão a
         que tinha chegado na Decisão 2006/742 relativamente à participação que aí estava em causa. 
      
      65      Nestas circunstâncias, e dado que o Tribunal considerou no seu acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão
         (T‑163/05), n.° 14, supra, que a Comissão tinha fundamentado suficientemente a sua conclusão (v. n.os 265 a 267 do acórdão), devem ser afastados os argumentos do recorrente relativos à pretensa falta de fundamentação da decisão
         impugnada, uma vez que esta podia, de qualquer modo, ser entendida à luz da fundamentação contida na Decisão 2006/742 (v.
         n.° 61, supra).
      
       Quanto ao carácter conforme com o mercado da remuneração acordada entre o Land e o Helaba
      
      –       Argumentos das partes
      66      O recorrente alega que os fundamentos apresentados pela Comissão para concluir pelo carácter conforme com o mercado da remuneração
         acordada entre o Land e o Helaba são insuficientes. Sustenta, a este respeito, que a afirmação que figura no considerando 69 da decisão impugnada,
         segundo a qual o facto de participações passivas representarem uma parte importante dos fundos próprios de base tem por efeito
         o aumento da possibilidade de recurso às referidas participações «em vez do capital social», é insuficiente e contraditória
         em relação à sua afirmação segundo a qual, em caso de falência, as participações passivas devem ser reembolsadas antes do
         capital social. Considera igualmente que a afirmação da Comissão, que figura no considerando 73 da decisão impugnada, segundo
         a qual o Land exerce uma influência significativa na determinação do perfil do risco do Helaba, não está fundamentada e que a Comissão
         não explica se as condições da emissão de 500 milhões de euros, que refere no considerando 74 da decisão e que foi subscrita
         por um único investidor, são comparáveis às da participação controvertida pelo que nem o recorrente nem o Tribunal podem averiguar
         da possibilidade de comparação das duas participações. 
      
      67      A Comissão, apoiada pelo Helaba, contesta que a decisão impugnada esteja insuficientemente fundamentada quanto ao carácter
         conforme com o mercado da remuneração acordada para a participação controvertida. O Land não apresentou argumentos a este respeito.
      
      –       Apreciação do Tribunal Geral
      68      Quanto à afirmação da Comissão segundo a qual o facto de participações passivas representarem uma parte importante dos fundos
         próprios de base tem por efeito o aumento da possibilidade de recurso às referidas participações «em vez de ao capital social»,
         observe‑se que, ainda que a sua formulação seja imperfeita, resulta claramente da leitura, no seu todo, da decisão impugnada
         que a Comissão não pretendia, através desta afirmação, definir a ordem de prioridade entre o capital social e as participações
         passivas em caso de falência, mas sim referir que o risco do capital social não ser suficiente, em caso de dificuldades económicas,
         é mas importante quando as participações passivas representam uma parte importante dos fundos próprios de base. Esta afirmação
         não impede, por conseguinte, o recorrente de contestar a decisão impugnada nem o Tribunal de apreciar a sua legalidade.
      
      69      Quanto à afirmação da Comissão segundo a qual o Land exerce uma influência significativa na determinação do perfil de risco do Helaba, observe‑se que a Comissão explicou, no
         considerando 73 da decisão impugnada, qual era o fundamento desta afirmação. Embora seja verdade que esta explicação foi dissimulada
         na versão não confidencial da decisão impugnada de que dispunha o recorrente na data em que interpôs o seu recurso, a versão
         confidencial desta decisão foi apresentada pela Comissão a pedido do Tribunal e comunicada ao recorrente antes da audiência
         (v. n.° 24, supra). Nestas circunstâncias, deve considerar‑se que o recorrente teve possibilidade de defender os seus direitos. 
      
      70      Quanto ao facto de a Comissão não explicar se as condições da emissão de 500 milhões de euros subscrita por um único investidor
         são comparáveis às da participação controvertida, observe‑se que resulta da decisão impugnada que a Comissão refere este exemplo
         para mostrar que a concentração por um investidor dos seus riscos numa só empresa não está excluída. Ora, a questão de saber
         se o facto desse essa concentração de riscos numa dada empresa não estar excluída basta para considerar a remuneração acordada
         entre o Land e o Helaba conforme com o mercado não diz respeito à fundamentação da decisão impugnada, mas à sua procedência.
      
      71      Nestas circunstâncias, impõe‑se considerar que a decisão impugnada não padece de falta de fundamentação no que diz respeito
         à conformidade da remuneração acordada para a participação controvertida com o mercado.
      
      72      O fundamento relativo a falta de fundamentação da decisão impugnada é, portanto, julgado improcedente.
      
       Quanto ao fundamento relativo a violação do artigo 87.° CE
       Argumentos das partes
      73      O recorrente alega que a Comissão violou o artigo 87.° CE ao considerar que a remuneração acordada para a participação controvertida
         é conforme com o critério do investidor privado e não constitui, por conseguinte, um auxílio de Estado.
      
      74      A este respeito, alega que a Comissão cometeu um erro manifesto de apreciação ao considerar, primeiramente, que o imposto
         profissional devido pelo Helaba deve ser acrescentado à taxa de remuneração acordada entre o Land e o Helaba para fins de comparação com o mercado, uma vez que faz parte do encargo que o Helaba suporta em razão da participação,
         em segundo lugar, que o facto do Helaba suportar despesas para obter no mercado a liquidez que a participação controvertida
         não lhe proporciona deve ser tomado em consideração, e em terceiro lugar, que a remuneração de garantia conforme com o mercado
         é inferior à taxa de 1,65% acordada entre as partes e aumentada pelo impacto do imposto profissional.
      
      75      No que diz respeito à tomada em consideração do imposto profissional, bem como das despesas de refinanciamento suportadas
         pelo Helaba em razão da falta de liquidez da participação controvertida, o recorrente reitera, em substância, os argumentos
         que apresentou no âmbito do processo que deu origem ao acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05),
         n.° 14, supra, e que foram expostos, respectivamente, nos n.os 185 e 186, bem como no n.° 263 do referido acórdão.
      
      76      Quanto ao nível adequado da remuneração, sustenta, em substância, que a participação controvertida apresenta um perfil de
         risco superior ao das participações passivas emitidas no mercado e que, por conseguinte, um investidor privado teria exigido
         para a referida participação uma remuneração superior à exigida no mercado para as participações passivas. Baseia‑se no volume
         da participação controvertida, na impossibilidade do Land retirar o investimento e no risco de perda em caso de falência. Considera, além disso, que o facto de a remuneração acordada
         para a participação controvertida ser fixa não é pertinente para a determinação da taxa conforme com o mercado e que a Comissão
         não podia basear‑se na participação passiva emitida pelo Helaba em 2005, uma vez que esta não se pode comparar com a participação
         controvertida.
      
      77      A Comissão, apoiada pelo Land e o Helaba, contesta estes argumentos.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      78      Os argumentos relativos à tomada em consideração do imposto profissional e à dedução das despesas de refinanciamento, devem
         ser julgados improcedentes pelos motivos já expostos nos n.os 188 a 192 e 269 a 291 do acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra.
      
      79      Os argumentos destinados a demonstrar que a participação controvertida apresenta um perfil de risco superior ao das participações
         passivas utilizadas pela Comissão a título de comparação, devem examinar‑se sucessivamente os argumentos relativos à importância
         para o cálculo da remuneração conforme com o mercado, e portanto, para a apreciação da existência de um auxílio, do volume
         do investimento, da impossibilidade do Land retirar o investimento, do risco de perda em caso de falência, do facto de a remuneração acordada para a participação controvertida
         ser fixa, bem como à pertinência da comparação, feita pela Comissão, com a emissão do Helaba de Maio de 2005.
      
      –       Quanto ao volume do investimento
      80      A este respeito, o recorrente alega que a Comissão não teve devidamente em conta a importância do investimento para fins da
         qualificação da participação controvertida e da comparação da remuneração acordada entre o Land e o Helaba com a remuneração de garantia das participações passivas emitidas no mercado.
      
      81      Quanto, em primeiro lugar, à importância do volume do investimento para a qualificação como participação controvertida da
         participação passiva para fins de comparação com o mercado, o recorrente alega que o facto de a mesma ter sido subscrita por
         um único investidor, do Land deter 44% dos fundos próprios de base do Helaba e concentrar 83% dos seus investimentos num só e mesmo banco aproxima a participação
         controvertida do capital social, uma vez que o risco para o Land é mais elevado do que a assumido por investidores que subscreveram participações passivas emitidas no mercado. 
      
      82      No que diz respeito, antes de mais, ao facto de a participação controvertida ter sido subscrita na sua totalidade por um único
         investidor, o recorrente alega, fazendo referência ao acórdão WestLB, n.° 13, supra (n.° 255), que um investidor que subscreve sozinho a totalidade de investimento não pode ter em conta o comportamento dos
         restantes operadores no mercado e corre, por conseguinte, um risco mais elevado.
      
      83      Ora, observe‑se que, no n.° 255 do acórdão WestLB, n.° 13, supra, o Tribunal considerou simplesmente, ao proceder ao exame da remuneração adequada para o investimento, e não da qualificação
         do investimento, que um investidor privado avisado, que é aquele que pretende rentabilizar ao máximo os seus lucros sem correr
         demasiados riscos em relação aos restantes operadores no mercado, exigiria, em princípio, um rendimento mínimo equivalente
         ao rendimento médio do sector em questão. 
      
      84      Impõe‑se constatar que esta referência do Tribunal ao comportamento de outros investidores não confirma o argumento do recorrente,
         uma vez que não tem relação com a questão de saber se o facto de um investidor subscrever sozinho a totalidade de uma emissão
         aumenta o perfil de risco do investimento.
      
      85       No que diz respeito, seguidamente, ao facto de as participações passivas subscritas pelo Land representarem 44% dos fundos próprios de base do Helaba e 83% dos investimentos do Land, refira‑se que não é manifestamente errado considerar, como a Comissão implicitamente fez, que estas duas circunstâncias
         não são pertinentes para determinar se a participação controvertida apresenta um perfil de risco mais próximo do risco do
         capital social ou do risco das participações passivas existentes no mercado e, por conseguinte, para determinar se o exame
         da conformidade da sua remuneração com o mercado deve ser feito por referência à remuneração das participações passivas ou
         do capital social. De referir, a este respeito, os n.os 140 e 141 do acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra, nos quais o Tribunal rejeitou argumentos semelhantes do recorrente.
      
      86      Deve, além disso, afastar‑se o argumento do recorrente segundo o qual a Comissão, ao não ter em conta a parte dos fundos próprios
         de base do Helaba detida pelo Land para efeitos da qualificação da participação controvertida, contradiz a sua Decisão 2006/737/CE, de 20 de Outubro de 2004,
         relativa a um auxílio concedido pela Alemanha a favor do Westdeutsche Landesbank — Girozentrale (actual WestLB AG) (JO 2006,
         L 307, p. 22), na qual considerou que a importância do investimento constitui um índice de semelhança com o capital social.
         
      
      87      Com efeito, impõe‑se constatar que, na Decisão 2006/737, não era o volume dos fundos próprios de base adquiridos pelo Land da Renânia do Norte‑Westfália enquanto subscritor único que foi considerado como um indício que permite a equiparação a um
         investimento realizado no capital social, mas o volume total da operação, e isso devido ao facto de que, diversamente do presente
         processo, uma quantidade tão elevada de fundos próprios de base só podia, naquela época, ser obtida por um banco sob a forma
         de capital social, independentemente da questão de saber se investimento provinha de um só ou de vários investidores (v. considerandos
         204 e seguintes da Decisão 2006/737). 
      
      88      Quanto, em segundo lugar, à importância do volume do investimento para a determinação da remuneração conforme com o mercado,
         o recorrente contesta os quatro argumentos em que a Comissão se baseou para considerar que não era necessário aplicar uma
         majoração para ter em conta o investimento significativo do Land no Helaba.
      
      89      Assim, primeiramente, o recorrente contesta que o risco resultante da concentração dos investimentos do Land no Helaba fosse compensado pela circunstância de a remuneração do Land não ter sido reduzida não obstante o facto de, no mercado, a atribuição da totalidade de uma emissão a um único investidor
         acarretar uma redução da remuneração. Alega, a este respeito, que a referência a uma eventual diminuição da remuneração no
         mercado não é pertinente no caso presente porque a participação controvertida não foi proposta a um grande número de investidores
         que estariam, por conseguinte, em concorrência. 
      
      90       Observe‑se que o facto de a participação não ter sido negociada no mercado não torna manifestamente errado considerar que
         pode ser tida em conta uma diminuição da remuneração susceptível de compensar uma eventual majoração desta devido à importância
         da exposição ao risco do Land no Helaba. Com efeito, o recorrente não afirma que o Helaba não podia ter obtido no mercado, sendo caso disso, junto de vários
         investidores, uma participação com as mesmas características, do seu ponto de vista, que a participação controvertida (volume,
         duração indeterminada, remuneração de garantia). Nestas circunstâncias, podia incitar o Land a renunciar a uma eventual majoração da remuneração para ter em conta a sua importante exposição relativamente ao Helaba
         na medida em que podia ter recusado a sua proposta e obter no mercado os fundos a um custo inferior. 
      
      91      Em segundo lugar, o recorrente sustenta, no que respeita à afirmação da Comissão segundo a qual o Land exerce uma influência significativa na determinação do perfil de risco estratégico do Helaba, que a versão não confidencial
         da decisão impugnada não lhe permite conhecer as razões que levaram a Comissão a chegar a essa conclusão e que, de qualquer
         modo, esta não explica por que razão o Land devia renunciar, por isso, a uma remuneração adequada da participação controvertida. 
      
      92      Observe‑se que, mesmo que o recorrente pareça contestar que a decisão impugnada esteja suficientemente fundamentada, estes
         argumentos figuram numa parte da petição, intitulada «Argumentos errados da Comissão», no fundamento relativo a violação do
         artigo 87.° CE, e não na relativa à fundamentação insuficiente.
      
      93      De qualquer modo, quanto à razão pela qual a Comissão concluiu que o Land exerce uma influência significativa sobre a determinação do perfil de risco estratégico do Helaba não figura na versão não
         confidencial da decisão impugnada, remete‑se para o n.° 69, supra, onde este argumento já foi afastado pelo Tribunal.
      
      94       No que diz respeito à relação entre a influência significativa do Land sobre a determinação do perfil de risco estratégico do Helaba e o montante da remuneração, refira‑se que resulta da leitura
         dos considerandos 71 a 74 da decisão impugnada que a Comissão entendeu que essa influência, juntamente com os outros três
         elementos que examinou, reduz o risco que decorre para o Land do facto de este deter uma parte importante dos fundos próprios de base do Helaba e de nele concentrar 83% dos seus investimentos
         e que, por conseguinte, o Land não renunciou a uma remuneração mais elevada para a participação controvertida, mas aceitou uma remuneração adequada tendo
         em conta todas as circunstâncias da operação. Impõe‑se, no entanto, constatar que o recorrente não apresenta nenhum argumento
         concreto destinado a demonstrar que seria manifestamente errado considerar que a influência significativa do Land sobre o perfil de risco do Helaba possa compensar o risco em que corre o Land pelo facto de deter uma parte importante dos fundos próprios de base do Helaba e de concentrar neste 83% dos seus investimentos.
         
      
      95      Em terceiro lugar, o recorrente contesta a pertinência da referência feita pela Comissão a uma emissão de 500 milhões de euros,
         subscrita por um único investidor. Critica, a este respeito, o facto de a Comissão não ter identificado esta operação e de
         não ter precisado as particularidades, e alega que, nestas circunstâncias, não é possível considerar que o facto de o Land ter subscrito a integralidade da participação controvertida nada tem de inabitual. 
      
      96      Observe‑se, como afirma o recorrente, que o simples facto de um investidor ter subscrito uma emissão de 500 milhões de euros
         não basta para provar que o perfil de risco da participação controvertida não implica uma remuneração mais importante do que
         a remuneração de garantia das participações passivas existentes no mercado. Com efeito, dado que a Comissão não examina a
         remuneração de garantia acordada para esta participação, a conclusão de que a concentração do Land no Helaba não deveria provocar uma majoração da remuneração não se pode basear neste exemplo.
      
      97      Em quarto lugar, o recorrente contesta que o facto de o Land possuir participações num valor total de 361,5 milhões de euros em empresas diferentes do o Helaba diminui o forte risco
         de concentração que este último corre quanto ao Helaba. 
      
      98      Impõe‑se constatar que o facto de o Land não concentrar no Helaba a totalidade dos seus investimentos, mas 87% destes, não basta, só por si, para alicerçar a conclusão
         da Comissão segundo a qual o investimento significativo Land no Helaba não justifica uma majoração da remuneração acordada para a participação controvertida.
      
      99      No entanto, tendo em conta os n.os 88 a 94 supra, a circunstância de estes elementos serem mencionados pela Comissão na decisão impugnada não permitem concluir que não era
         necessária uma majoração da remuneração devido à concentração do risco do Land no Helaba não pode acarretar a anulação da decisão impugnada (v., neste sentido, acórdão do Tribunal de 12 de Dezembro de
         2006, SELEX Sistemi Integrati/Comissão, T‑155/04, Colect., p. II‑4797, n.° 47).
      
      100    Por outro lado, refira‑se que a importância do volume investido pelo Land no Helaba resulta em parte da sua decisão de não dividir o fundo especial em causa no processo que deu origem ao acórdão
         desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra, e que esta concentração dos riscos da parte do Land não implica um interesse específico para o Helaba que possa obrigar este último a remunerar o aumento do risco assumido pelo
         Land (v. n.os 229 e 230 do referido acórdão). 
      
      101    Atento o que precede, deve considerar‑se que os argumentos do recorrente relativos ao volume do investimento do Land no Helaba não demonstram que a Comissão cometeu um erro manifesto de apreciação ao considerar que a remuneração da participação
         controvertida não devia ser superior à remuneração de garantia das participações passivas existentes no mercado. 
      
      –       Quanto à impossibilidade de retirar o investimento
      102    O recorrente alega que a impossibilidade de o Land retirar o investimento constitui uma diferença determinante em relação às participações passivas existentes no mercado e
         critica o facto de a Comissão não a ter tomado em consideração para determinar a remuneração conforme com o mercado. O recorrente
         repete a este respeito os argumentos por ele invocados no âmbito do processo T‑163/05 e que foram apresentados nos n.os 151 e 233 do acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14 supra. Devem ser, portanto, ser rejeitados pelas razões expostas nos n.os 152 a 154 e 234 a 237 do referido acórdão.
      
      –       Quanto ao risco de perda em caso de falência
      103    O recorrente alega que o risco de perda em caso de falência constitui uma diferença determinante em relação às participações
         passivas existentes no mercado e critica o facto de a Comissão não o ter tomado em consideração para determinar a remuneração
         conforme com o mercado. A este respeito, por um lado, repete os argumentos por ele invocados, relativos à Decisão 2006/742,
         apresentados no n.° 108 do acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra, e por outro, dado que não recebeu comunicação, antes da apresentação da petição, do projecto de contrato devido à sua natureza
         confidencial, afirma que era provável que as partes tivessem previsto uma posição inferior da participação controvertida em
         relação ao capital social, como considera que era o caso na participação em causa no processo que deu origem ao referido acórdão.
      
      104    Quanto ao conteúdo do projecto de contrato, basta de constatar que o seu artigo 4.° prevê que, «[e]m caso de processo de falência
         ou de liquidação do [Helaba], a participação [controvertida] só será reembolsada após satisfação de todos os credores do [Helaba],
         incluindo os titulares de títulos participativos bem como os credores de outros capitais de garantia na acepção do artigo
         10.°, n.° 5a, do KWG, mas antes da dos detentores de quotas no capital social». 
      
      105    Consequentemente, resulta do projecto de contrato que a participação controvertida beneficia de uma posição superior à do
         capital social e que, como a Comissão defendeu no considerando 26 da decisão impugnada, é comparável a este respeito, às participações
         passivas existentes no mercado, o que milita a favor da comparação da remuneração acordada entre o Land e o Helaba com a remuneração fixada para as participações passivas emitidas no mercado e não com a remuneração que resulta
         de investimentos no capital social. Observe‑se que o recorrente, tendo recebido cópia do projecto de contrato na sequência
         de um pedido do Tribunal dirigido à Comissão, não foi objecto de observações a este respeito. 
      
      106    Os restantes argumentos apresentados pelo recorrente devem ser rejeitados pelas razões expostas no n.° 109 do acórdão desta
         data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra. 
      
      –       Quanto à pertinência do carácter fixo da remuneração
      107    O recorrente alega, em primeiro lugar, que resulta dos considerandos 26 e 29 da decisão impugnada que a Comissão entende que
         o facto de a remuneração da participação controvertida ser fixa e não depender, em princípio, do resultado anual, ao passo
         que o montante dos dividendos depende do benefício contabilístico realizado pelo Helaba, constitui uma vantagem em relação
         a um investimento no capital social. Sustenta que a estrutura da remuneração da participação controvertida apresenta, de um
         ponto de vista económico, vantagens e inconvenientes em relação à da remuneração do capital social. 
      
      108    Referira‑se a este respeito que a Comissão, embora indique, no considerando 29 da decisão impugnada, que uma participação
         passiva apresenta certas vantagens para o Land em relação a uma transferência especial de activos enquanto capital social, no entanto, não baseia a sua apreciação quanto
         à qualificação da participação controvertida nesta afirmação. A referida qualificação assenta, no que respeita à remuneração,
         na afirmação, que figura no considerando 26 da decisão impugnada, de que o Land, tal como o investidor numa participação passiva no mercado de capitais, recebe a integralidade da remuneração, enquanto
         o investidor no capital social tem direito ao pagamento de um dividendo proporcional aos benefícios. Assim, a Comissão não
         refere que uma remuneração fixa seria mais favorável do que o direito a um dividendo. Limita‑se a considerar que a remuneração
         fixa, como a prevista para a participação controvertida, é própria das participações passivas mais do que do capital social
         e que, por conseguinte, o tipo de remuneração acordada entre as partes na participação controvertida a torna semelhante às
         participações passivas existentes no mercado.
      
      109    Nestas circunstâncias, não há que examinar os argumentos do recorrente quanto ao fundamento da afirmação da Comissão, que
         figura no considerando 29 da decisão impugnada, segundo a qual uma participação passiva apresenta certas vantagens para o
         Land em relação a uma transferência especial de activos enquanto capital social.
      
      110    O recorrente alega, em segundo lugar, que, contrariamente ao que a Comissão afirma, a remuneração fixa não é própria das participações
         passivas e a remuneração variável não é própria do capital social. Remete, a este respeito, para os argumentos que apresentou
         no âmbito do processo que deu origem ao acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14 supra. Ora, estes argumentos foram afastados nos n.os 113 a 122 do referido acórdão. 
      
      111    O recorrente alega, em terceiro lugar, que o facto de o direito à remuneração do Land depender da existência de um excedente anual do Helaba constitui uma divergência, em prejuízo do Land, em relação à estrutura das participações passivas existentes no mercado, uma vez que, em relação a estas, o direito à remuneração
         depende, em princípio, do benefício contabilístico do emissor e, somente em certas circunstâncias, do excedente anual, pelo
         que é menos provável que o emissor suspenda o pagamento da remuneração. 
      
      112    Observe‑se que os relatórios periciais a que a Comissão faz referência nos considerandos 59 e 60 da decisão impugnada indicam
         que, contrariamente ao que o recorrente afirma, não é manifesto que as condições que regulam o pagamento da remuneração da
         participação controvertida sejam menos favoráveis para o Land do que as condições normais do mercado. Assim, mesmo que o banco de investimento A tenha efectivamente considerado que era
         esse o caso, o banco de investimento B e a sociedade de peritos em contabilidade consideram que as condições que regulam o
         pagamento da remuneração da participação controvertida eram mais favoráveis para o Land do que é habitual. 
      
      113    De qualquer modo, impõe‑se constatar que a Comissão afirmou, no considerando 66 da decisão impugnada, que, como o recorrente
         afirma, uma majoração da remuneração por condições de pagamento mais restritivas poderia ser justificada. No entanto, também
         considerou, sem que o recorrente apresentasse argumentos em sentido contrário, que o facto de não ter em conta uma majoração
         devido às condições de pagamento mais restritivas não afectava a sua apreciação dado que a remuneração de garantia resultante
         da taxa acordada pelo Land e o Helaba para a participação controvertida, acrescida do encargo representado pelo imposto profissional, ou seja 1,925%,
         ainda era superior à remuneração de garantia de mercado resultante da soma da majoração proposta pelo banco de investimento
         A à margem estabelecida nos relatórios periciais.
      
      114     Nestas circunstâncias, deve considerar‑se que os argumentos do recorrente não permitem demonstrar que a Comissão cometeu
         um erro manifesto de apreciação ao considerar que as disposições do projecto de contrato relativas à remuneração aproximam
         a participação controvertida das participações passivas existentes no mercado e que as diferenças existentes não impedem que
         se considere que a taxa de remuneração acordada entre as partes é conforme com a taxa da remuneração de garantia no mercado.
      
      –       Quanto à pertinência da participação de Maio de 2005
      115    O recorrente alega que a Comissão não se podia basear na participação passiva emitida pelo Helaba em Maio de 2005 (v. n.° 19,
         supra), uma vez que esta não é comparável à participação controvertida. Alega que as duas participações se distinguem, nomeadamente
         na medida em que a de Maio de 2005 foi subscrita por numerosos investidores, está cotada na bolsa e deveria ser reembolsada
         pelo seu valor nominal acrescido dos juros, não estando prevista uma redução devido às perdas do Helaba. Pede, por outro lado,
         ao Tribunal que ordene que a Comissão indica se existem acordos relativos à posição da participação controvertida, especialmente
         em relação à participação passiva de Maio de 2005. 
      
      116    Impõe‑se constatar que a Comissão referiu a operação de Maio de 2005 na decisão impugnada apenas a título exaustivo, depois
         de ter chegado à conclusão de que a remuneração acordada pelo Land e o Helaba para a participação controvertida era conforme com o mercado. Nestas circunstâncias, tendo sido afastados os argumentos
         do recorrente relativos às apreciações nas quais a Comissão baseou esta conclusão, a eventual irrelevância da comparação com
         a participação emitida pelo Helaba em Maio de 2005 não pode provocar a anulação da decisão impugnada.
      
      117     De qualquer modo, observe‑se que, mesmo supondo que as diferenças invocadas pelo recorrente são pertinentes e reais – facto
         que o Helaba contesta no que diz respeito ao nível de reembolso em caso de rescisão, sem que o recorrente tenha replicado
         a este respeito –, a participação de Maio de 2005 mostra, como indica a Comissão na decisão impugnada, que o Helaba podia
         emitir participações passivas no mercado com as mesmas características, no que diz respeito aos elementos que revestem importância
         para ele – como a qualificação enquanto fundos próprios de base e a taxa da remuneração de garantia – e para os quais estava
         disposto a remunerar os investidores, que a participação controvertida. Daqui resulta que o Helaba não era obrigado, devido
         à sua situação económica, a aceitar a participação controvertida e, por conseguinte, que podia recusar‑se a remunerar o Land por características da participação que, ainda que pressupusessem um aumento do risco que este último corria, não conferiam
         ao Helaba nenhuma vantagem suplementar em relação a uma participação emitida no mercado. 
      
      118    Com efeito, refira‑se que a importância do risco assumido pelo Land nos seus investimentos só é pertinente para efeito da sua qualificação como auxílios de Estado na acepção do artigo 87.° CE
         se o Helaba tiver obtido uma vantagem que não teria obtido no mercado.
      
      119    Atento o exposto, o segundo fundamento do recorrente deve ser rejeitado.
      
       Quanto ao fundamento relativo a violação dos direitos processuais do recorrente
       Argumentos das partes
      120    O recorrente alega que a Comissão deveria ter dado início ao procedimento formal de investigação previsto no artigo 88.°,
         n.° 2, CE, uma vez que, com base nas informações de que dispunha, não podia estar convencida de que a participação controvertida
         era compatível com a o Tratado CE e que só chegou a uma conclusão contrária porque aplicou de modo errado o critério do investidor
         privado ao considerar que a remuneração da participação controvertida era adequada e que as despesas de refinanciamento brutas
         resultantes da falta de carácter líquido da participação controvertida deviam ser deduzidos da remuneração. 
      
      121    Considera, em especial, que a Comissão deveria ter analisado mais detalhadamente se deveriam deduzir‑se da remuneração que
         teria exigido um investidor privado as despesas de refinanciamento suportadas pelo Helaba devido à falta de liquidez, bem
         como as diferenças fundamentais que existem entre a participação controvertida e os participações passivas «conformes com
         o mercado». De entre essas diferenças refere o facto de o Land ser privado de qualquer possibilidade de retirar o investimento e o carácter muito elevado do risco que este aceitou em razão,
         por um lado, do volume importante da participação controvertida e, por outro, da «acumulação dos riscos» decorrente da referida
         participação e da participação em causa no processo que deu origem ao acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão
         (T‑163/05), n.° 14, supra. Considera que a Comissão deveria igualmente determinar se um investidor privado cujas participações representam mais de
         40% dos fundos próprios de uma sociedade, como no caso presente, teria exigido uma remuneração mais elevada. 
      
      122    O recorrente contesta a afirmação da Comissão segundo a qual resolveu todas as dificuldades na Decisão 2006/742. Alega a este
         respeito que, no recurso que interpôs desta decisão, expôs detalhadamente as numerosas particularidades da participação em
         causa em relação a outras participações passivas «conformes com o mercado» bem como as razões que se opõem à dedução de despesas
         de financiamento. Sustenta que alguns destes argumentos eram novos para a Comissão, pelo que era confrontada com novas questões
         quando examinou a participação controvertida. 
      
      123    Sustenta, além disso, que o facto de a Comissão ser confrontada com dificuldades sérias é demonstrado pela duração do exame
         preliminar, ou seja, quinze meses, que excederia nitidamente o prazo de dois meses previsto para um exame preliminar no artigo
         4.°, n.° 5, do Regulamento n.° 659/1999. A existência de dificuldades sérias é ainda confirmada pelo facto de a Comissão ter
         dirigido um total de quatro pedidos de informações à República Federal da Alemanha e que esta ter pedido uma prorrogação do
         prazo fixado para dar a sua resposta. 
      
      124    A Comissão, apoiada pelo Helaba, contesta estes argumentos. O Land não apresentou argumentos a este respeito.
      
       Apreciação do Tribunal Geral
      125    Recorde‑se que, em conformidade com a jurisprudência, o procedimento do artigo 88.°, n.° 2, CE, que dá aos Estados‑Membros
         e aos meios em causa a garantia de que serão ouvidos e que permite à Comissão informar‑se de todos os dados do processo antes
         de tomar a sua decisão, reveste um carácter indispensável sempre que a Comissão se depare com dificuldades sérias para apreciar
         se um auxílio é compatível com o mercado comum (acórdão do Tribunal de Justiça de 20 de Março de 1984, Alemanha/Comissão,
         84/82, Recueil, p. 1451, n.° 13). Portanto, a Comissão só se pode limitar à fase preliminar do artigo 88.°, n.° 3, CE para
         adoptar uma decisão favorável a uma medida estatal notificada se tiver a convicção, no termo de um primeiro exame, de que
         essa medida não pode ser qualificada de auxílio na acepção do artigo 87.°, n.° 1, CE, ou de que, embora constituindo um auxílio,
         é compatível com o mercado comum (acórdão do Tribunal Geral de 12 de Fevereiro de 2008, BUPA e o./Comissão, T‑289/03, Colect.,
         p. II‑81, n.° 329). 
      
      126    Embora o seu poder seja vinculado no que respeita à decisão de dar início ao procedimento formal de investigação, a Comissão
         pode, em conformidade com a finalidade do artigo 88.°, n.° 3, CE e com o dever de boa administração que lhe incumbe, dialogar
         com o Estado que procedeu à notificação ou com terceiros a fim de superar, na fase preliminar, as dificuldades que eventualmente
         encontre (acórdão do Tribunal Geral de 15 de Março de 2001, Prayon‑Rupel/Comissão, T‑73/98, Colect., p. II‑867, n.° 45, e
         despacho do Tribunal Geral, de 21 de Novembro de 2005, Tramarin/Comissão, T‑426/04, Colect., p. II‑4765, n.° 29). 
      
      127    Deve, no entanto, recordar‑se igualmente que o conceito de dificuldades sérias reveste carácter objectivo. A existência de
         tais dificuldades deve ser apreciada tanto em função das circunstâncias da adopção do acto impugnado como do seu conteúdo,
         de modo objectivo, relacionando as razões da decisão com os elementos de que a Comissão dispunha quando se pronunciou sobre
         a compatibilidade dos auxílios controvertidos com o mercado comum (acórdão Prayon‑Rupel/Comissão, n.° 126, supra, n.° 47; v., neste sentido, acórdão de 18 de Setembro de 1995, SIDE/Comissão, T‑49/93, Colect., p. II‑2501, n.° 60). O recorrente
         suporta o ónus da prova da existência de dificuldades sérias, prova esta que pode fazer a partir de um leque de indícios concordantes,
         relativos, por um lado, às circunstâncias e à duração do procedimento de investigação preliminar e, por outro, ao conteúdo
         da decisão impugnada. 
      
      128    No caso presente, em apoio da sua afirmação segundo a qual a Comissão não pode superar todas as dificuldades suscitadas pela
         apreciação da participação controvertida, o recorrente afirma, em substância, que a Comissão chegou à conclusão que a participação
         controvertida era conforme com o mercado unicamente porque aplicou de modo errado o critério do investidor privado e remete,
         a este respeito, para os seus argumentos relativos à violação do artigo 87.° CE.
      
      129    Ora, a questão de saber se a Comissão aplicou de modo errado o critério do investidor privado não se confunde com a da existência
         de dificuldades sérias que exijam que se dê início ao procedimento formal de investigação. Com efeito, o exame da existência
         de dificuldades sérias não tem por objectivo saber se a Comissão aplicou correctamente o artigo 87.° CE, mas sim estabelecer
         se dispunha, na data em que adoptou a decisão impugnada, de informações suficientemente completas para apreciar a compatibilidade
         da medida controvertida com o mercado comum.
      
      130    O facto de a apreciação pela Comissão da participação controvertida ser, no entender do recorrente, errado e de não ter respondido
         a determinadas críticas que formulou no âmbito do processo T‑163/05 não implica que não pudesse pronunciar‑se sobre a medida
         em causa com base nas informações de que dispunha e que devia, por conseguinte, dar início ao procedimento formal de investigação
         para completar o seu inquérito. Observe‑se, em especial, que qualquer argumento apresentado por uma parte interessada no âmbito
         de um procedimento distinto, relativo a circunstâncias semelhantes não dá necessariamente lugar a dificuldades sérias que
         exijam que se dê início ao procedimento formal.
      
      131    Por outro lado, quanto ao argumento do recorrente segundo o qual a Comissão deveria ter examinado mais detalhadamente as diferenças
         fundamentais entre a participação controvertida e as participações passivas do mercado bem como as consequências do seu carácter
         não líquido, recorde‑se que a Comissão tinha dado início ao procedimento formal de investigação em relação à participação
         em causa no processo que deu origem ao acórdão desta data, Bundesverband deutscher Banken/Comissão (T‑163/05), n.° 14, supra, bem como em relação a outras operações relativas aos Landesbanken (bancos regionais) e que, nessa ocasião, se discutiu,
         nomeadamente, sobre as características da participação controvertida mencionadas pelo recorrente, como o volume dos fundos
         transferidos, a importância da parte dos fundos próprios de base do Helaba que os mesmos representavam, o carácter permanente
         da participação, a impossibilidade de retirar o investimento, bem como sobre a tomada em consideração das despesas mais elevadas
         resultantes das operações em causa em relação às operações realizadas no mercado devido à falta liquidez dos activos transferidos.
         Refira‑se, em especial, que, contrariamente ao que o recorrente afirma, o argumento relativo à compensação da falta de liquidez
         por um valor de integração reduzido já tinha sido invocado ao longo do exame que precedeu a adopção da Decisão 2006/742. Nestas
         circunstâncias, deve concluir‑se que não só a Comissão dispunha, na data da adopção da decisão impugnada, de informações que
         lhe permitiam apreciar a pertinência de cada uma das características da participação controvertida mencionadas pelo recorrente,
         mas também que este, bem como qualquer outro interessado, tinha tido possibilidade de fornecer à Comissão quaisquer informações
         que considerasse necessárias a este respeito.
      
      132    Quanto aos argumentos do recorrente relativos à duração do exame preliminar, bem como ao facto de a Comissão ter enviado vários
         pedidos de informação à República Federal da Alemanha antes de tomar a sua decisão, deve concluir‑se que a duração do exame
         da participação controvertida ultrapassou o prazo previsto para o exame preliminar de uma medida notificada, mesmo tendo em
         conta a vontade compreensível da Comissão de esperar pelo fim dos procedimentos formais de investigação iniciados em relação
         às operações anteriores a favor dos Landesbanken, e que a Comissão enviou três pedidos de informações à República Federal
         da Alemanha, uma das quais teve ser reiterada. A este respeito, mesmo que resulte da jurisprudência que o esgotamento de um
         prazo que excede consideravelmente o prazo que normalmente requer um exame preliminar, bem como o teor das discussões mantidas
         entre a Comissão e o Estado‑Membro em causa durante esta fase do procedimento podem constituir indícios da existência de dificuldades
         sérias de apreciação (v., neste sentido, acórdão Alemanha/Comissão, n.° 125, supra, n.os 14, 15 e 17, e acórdão do Tribunal de 10 de Maio de 2000, SIC/Comissão, T‑46/97, Colect., p. II‑2125, n.os 89 e 102). No entanto, deve considerar‑se que, tendo em conta os argumentos do recorrente e as circunstâncias do caso vertente
         examinadas nos n.os 129 a 131, supra, o prazo dentro do qual a decisão impugnada foi tomada, bem como o envio de vários pedidos de informações não podem ser suficientes
         para demonstrar, no caso vertente, que a Comissão adoptou a decisão impugnada não obstante a existência de dificuldades sérias.
      
      133    O presente fundamento deve, por conseguinte, ser rejeitado. 
      
      134    Uma vez que os fundamentos apresentados pelo recorrente foram, na sua totalidade, julgados improcedentes, deve ser negado
         provimento ao recurso.
      
       Quanto aos pedidos de medidas de organização do processo
      135    Na sua petição, o recorrente pede ao Tribunal que ordene à Comissão que apresente os documentos seguintes:
      
      –        os relatórios periciais e o relatório da sociedade de peritos em contabilidade, mencionados no considerando 46 da decisão
         impugnada; 
      
      –        o projecto de contrato relativo à participação controvertida, mencionado no considerando 16 da decisão impugnada; 
      –        os cálculos destinados a demonstrar o valor da participação controvertida evocados no considerando 15 da decisão impugnada
         bem como os certificados das sociedades de peritos em contabilidade. 
      
      136    Além disso, o recorrente pede ao Tribunal que ordene à Comissão, por um lado, que revele qual é a emissão que menciona no
         considerando 74 da decisão impugnada e através da qual um investidor adquiriu a integralidade dos fundos próprios de base
         de um banco alemão pelo montante de 500 milhões de euros e, por outro, que lhe comunicasse se existem acordos relativos à
         posição da participação controvertida, nomeadamente em relação à participação de Maio de 2005. 
      
      137    Na sua réplica, o recorrente pede ao Tribunal que convide a Comissão a apresentar a versão confidencial da decisão impugnada
         bem como o contrato de garantia celebrado entre os proprietários do Helaba. 
      
      138    Os relatórios periciais, o relatório da sociedade de peritos em contabilidade, o projecto de contrato, bem como a versão confidencial
         da decisão impugnada foram apresentados pela Comissão na sequência do pedido do Tribunal (v. n.° 24, supra). Quanto ao resto, verifica‑se, atentos todas as considerações precedentes, que o Tribunal pôde pronunciar‑se utilmente sobre
         o presente recurso com base nos documentos apresentados pelas partes.
      
       Quanto às despesas
      139    Por força do disposto no artigo 87.°, n.° 2, do Regulamento de Processo, a parte vencida é condenada nas despesas se a parte
         vencedora o tiver requerido. Tendo o recorrente sido vencido, há que o condenar nas despesas, em conformidade com os pedidos
         da Comissão, do Land e do Helaba.
      
      Pelos fundamentos expostos,
      O TRIBUNAL GERAL (Quarta Secção)
      decide:
      1)      É negado provimento ao recurso.
      2)      O Bundesverband deutscher Banken suportará as suas próprias despesas, bem como as despesas da Comissão Europeia, do Land Hessen
            e do Landesbank Hessen‑Thüringen Girozentrale.
      
               Czúcz 
            
            
               Vadapalas 
            
            
               Labucka
            
         Proferido em audiência pública no Luxemburgo, em 3 de Março de 2010.
      Assinaturas
      Índice
      
      Antecedentes do litígio
      A –  Participação controvertida
      B –  Procedimento administrativo e decisão impugnada
      Tramitação processual e pedidos das partes
      Questão de direito
      1.  Quanto à admissibilidade
      2.  Quanto ao mérito
      Quanto ao fundamento relativo a falta de fundamentação
      Quanto à qualificação da participação controvertida
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à tomada em consideração do imposto profissional
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto à dedução das despesas de refinanciamento
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao carácter conforme com o mercado da remuneração acordada entre o Land e o Helaba
      –  Argumentos das partes
      –  Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto ao fundamento relativo a violação do artigo 87.° CE
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      –  Quanto ao volume do investimento
      –  Quanto à impossibilidade de retirar o investimento
      –  Quanto ao risco de perda em caso de falência
      –  Quanto à pertinência do carácter fixo da remuneração
      –  Quanto à pertinência da participação de Maio de 2005
      Quanto ao fundamento relativo a violação dos direitos processuais do recorrente
      Argumentos das partes
      Apreciação do Tribunal Geral
      Quanto aos pedidos de medidas de organização do processo
      Quanto às despesas
      * Língua do processo: alemão.