CELEX: 62002CJ0457
Language: pt
Date: 2004-11-11
Title: Acórdão do Tribunal (Segunda Secção) de 11 de Novembro de 2004. # Processo-crime contra Antonio Niselli. # Pedido de decisão prejudicial: Tribunale di Terni - Itália. # Directivas 75/442/CEE e 91/156/CEE - Conceito de resíduo - Resíduos de produção ou de consumo susceptíveis de reutilização - Sucata. # Processo C-457/02.

Processo C‑457/02
      Processo‑crime
      contra
      Antonio Niselli
      (pedido de decisão prejudicial apresentado pelo Tribunale di Terni)
      «Directivas 75/442/CEE e 91/156/CEE – Conceito de resíduo – Resíduos de produção ou de consumo susceptíveis de reutilização – Sucata»
      Sumário do acórdão
      1.        Ambiente – Resíduos – Directiva 75/442, alterada pela Directiva 91/156 – Conceito – Substância de que alguém se desfaz – Sujeição
            a operações de eliminação ou de valorização na acepção dos anexos II A e II B – Insuficiência
      [Directiva 75/442 do Conselho, alterada pela Directiva 91/156, artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, e anexos II A e
            II B]
      2.        Ambiente – Resíduos – Directiva 75/442, alterada pela Directiva 91/156 – Conceito – Possibilidade de inclusão de resíduos
            de produção ou de consumo reutilizados
      [Directiva 75/442 do Conselho, alterada pela Directiva 91/156, artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo]
      1.        A definição de resíduo do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442, relativa aos resíduos, alterada
         pela Directiva 91/156 e pela Decisão 96/350, não pode ser interpretada no sentido de que se refere limitativamente às substâncias
         ou objectos destinados ou submetidos às operações de eliminação ou de valorização mencionadas nos anexos II A e II B da referida
         directiva ou em listas equivalentes, ou cujo detentor tenha a vontade ou a obrigação de lhes dar esse destino.
      
      (cf. n.° 40, disp. 1)
      2.        O conceito de resíduo, na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442, relativa aos resíduos,
         alterada pela Directiva 91/156 e pela Decisão 96/350, não deve ser interpretado no sentido de excluir a totalidade dos resíduos
         de produção ou de consumo que podem ser ou são reutilizados num ciclo de produção ou de consumo, quer sem tratamento prévio
         e sem provocarem danos no ambiente, quer após terem sido sujeitos a um tratamento prévio sem, no entanto, carecerem de uma
         operação de valorização, na acepção do anexo II B da mesma directiva.
      
      (cf. n.° 53, disp. 2)

      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
      
            
            ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA (Segunda Secção)11 de Novembro de 2004(1)
         
         
               «Directivas 75/442/CEE e 91/156/CEE  –  Conceito de resíduo  –  Resíduos de produção ou de consumo susceptíveis de reutilização  –  Sucata»
               
             No processo C‑457/02,que tem por objecto um pedido de decisão prejudicial nos termos do artigo 234.° CE, apresentado pelo Tribunale penale di Terni
            (Itália), por despacho de 20 de Novembro de 2002, entrado no Tribunal de Justiça em 18 de Dezembro de 2002, no processo‑crime contra
            
            
            
            
            
            
            
            Antonio Niselli,
            
            
            
            O TRIBUNAL DE JUSTIÇA (Segunda Secção),,
            
             composto por: C. W. A. Timmermans, presidente de secção, C. Gulmann e J.‑P. Puissochet (relator), juízes,
            
             advogada‑geral: J. Kokott,secretário: M. Múgica Arzamendi, administradora principal,
             vistos os autos e após a audiência de 6 de Maio de 2004,vistas as observações apresentadas:
            
            –
             em representação de A. Niselli, por L. Mattrella e E. Morigi, avvocati,
            
            –
             em representação do Governo italiano, por I. M. Braguglia, na qualidade de agente, assistido por M. Fiorilli, avvocato dello
            Stato,
            
            –
             em representação do Governo austríaco, por E. Riedl, na qualidade de agente,
            
            –
             em representação da Comissão das Comunidades Europeias, por M. Kostantidinis e R. Amorosi, na qualidade de agentes, assistidos
            por G. Bambara, avvocato,
            
            
            
            ouvidas as conclusões da advogada‑geral apresentadas na audiência de 10 de Junho de 2004,
         profere o presente
         
         
         Acórdão
         1
            
          O presente pedido de decisão prejudicial diz respeito à interpretação da Directiva 75/442/CEE do Conselho, de 15 de Julho
         de 1975, relativa aos resíduos (JO L 194, p. 39; EE 15 F1 p. 129), alterada pela Directiva 91/156/CEE do Conselho, de 18 de
         Março de 1991 (JO L 78, p. 32), e pela Decisão 96/350/CE da Comissão, de 24 de Maio de 1996 (JO L 135, p. 32, a seguir «Directiva
         75/442»).
         
         
         
         2
            
          Este pedido foi submetido no quadro de um processo‑crime contra A. Niselli, acusado de exercer uma actividade de gestão de
         resíduos sem autorização prévia da autoridade competente.
         
         
            
               Quadro jurídico
            Regulamentação comunitária
         
         3
            
          A Directiva 75/442 visa aproximar as legislações nacionais no que se refere à gestão dos resíduos.
         
         
         
         4
            
          O artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, desta directiva define resíduos como «quaisquer substâncias ou objectos abrangidos
         pelas categorias fixadas no anexo I de que o detentor se desfaz ou tem a intenção ou a obrigação de se desfazer».
         
         
         
         5
            
          O anexo I da Directiva 75/442, intitulado «Categorias de resíduos», menciona na posição Q 1 os «[r]esíduos de produção ou
         de consumo não especificados adiante», na posição Q 14 os «[p]rodutos que não tenham ou deixaram de ter utilidade para o detentor
         (por exemplo, materiais agrícolas, domésticos, de escritório, de lojas, de oficinas, etc., postos de parte)» e na posição
         Q 16 «[q]ualquer substância, matéria ou produto que não esteja abrangido pelas categorias acima referidas».
         
         
         
         6
            
          O artigo 1.°, alínea a), segundo parágrafo, da Directiva 75/442 atribuiu à Comissão das Comunidades Europeias a incumbência
         de elaborar «uma lista dos resíduos pertencentes às categorias constantes do anexo I» (a seguir «lista de resíduos»). É esse
         o objectivo da Decisão 2000/532/CE da Comissão, de 3 de Maio de 2000, que substitui a Decisão 94/3/CE que estabelece uma lista
         de resíduos em conformidade com a alínea a) do artigo 1.° da Directiva 75/442 e a Decisão 94/904/CE do Conselho que estabelece
         uma lista de resíduos perigosos em conformidade com o n.° 4 do artigo 1.° da Directiva 91/689/CEE do Conselho relativa aos
         resíduos perigosos (JO L 226, p. 3). Esta lista foi modificada várias vezes, especialmente, pela última vez, pela Decisão
         2001/573/CE do Conselho, de 23 de Julho de 2001 (JO L 203, p. 18). A lista de resíduos entrou em vigor em 1 de Janeiro de
         2002. No capítulo 17 desta lista figuram os «[r]esíduos de construção e demolição [incluindo entulho proveniente de locais
         contaminados]». Sob o código 17 04 deste capítulo são enumerados diferentes tipos de resíduos metálicos. Na respectiva introdução
         indica‑se que a lista de resíduos é uma lista harmonizada que será periodicamente revista mas que, no entanto, «a inclusão
         de uma determinada matéria na lista não significa que essa matéria constitua um resíduo em todas as situações. A entrada só
         é relevante quando for satisfeita a definição de resíduo da alínea a) do artigo 1.° da Directiva 75/442».
         
         
         
         7
            
          O artigo 1.°, alínea b), da referida directiva define «produtor» como «qualquer pessoa cuja actividade produza resíduos (produtor
         inicial) e/ou qualquer pessoa que efectue operações de pré‑tratamento, de mistura ou outras, que conduzam a uma alteração
         da natureza ou da composição desses resíduos».
         
         
         
         8
            
          Quanto ao «detentor», é definido no artigo 1.°, alínea c), da Directiva 75/442 como o «produtor dos resíduos ou a pessoa singular
         ou colectiva que tem os resíduos na sua posse».
         
         
         
         9
            
          O artigo 1.°, alínea d), da referida directiva define «gestão» de resíduos como «a recolha, transporte, aproveitamento e eliminação
         dos resíduos, incluindo a fiscalização destas operações e a vigilância dos locais de descarga depois de fechados».
         
         
         
         10
            
          O artigo 1.°, alíneas e) e f), define «eliminação» e «valorização» dos resíduos como qualquer das operações previstas, respectivamente,
         nos anexos II A e II B. Estes anexos foram adaptados ao progresso científico e técnico pela Decisão 96/350. Entre as operações
         de valorização enumeradas no anexo II B figura, no ponto R 4, a «[r]eciclagem/recuperação de metais e de ligas» e, no ponto
         R 13, a «[a]cumulação de resíduos destinados a uma das operações enumeradas [no mesmo anexo] (com exclusão do armazenamento
         temporário, antes da recolha, no local onde esta é efectuada)».
         
         
         
         11
            
          O artigo 3.°, n.° 1, alínea b), da Directiva 75/442 dispõe, designadamente, que os Estados‑Membros tomarão medidas adequadas
         para promover o aproveitamento dos resíduos por reciclagem, reemprego, reutilização ou qualquer outra acção tendente à obtenção
         de matérias‑primas secundárias.
         
         
         
         12
            
          O artigo 4.° da mesma directiva prevê que os Estados‑Membros tomarão as medidas necessárias para garantir que os resíduos
         sejam aproveitados ou eliminados sem pôr em perigo a saúde humana e sem utilizar processos ou métodos susceptíveis de agredir
         o ambiente e, nomeadamente, sem criar riscos para a água, o ar, o solo, a fauna ou a flora e sem danificar as paisagens e
         os locais com interesse particular. O artigo precisa que os Estados‑Membros devem tomar as medidas necessárias para proibir
         o abandono, a descarga e a eliminação não controlada de resíduos.
         
         
         
         13
            
          Os artigos 9.° e 10.° da Directiva 75/442 dispõem que qualquer estabelecimento ou empresa que efectue operações de eliminação
         ou de valorização de resíduos deve obter uma autorização da autoridade competente.
         
         
         
         14
            
          O artigo 11.° da Directiva 75/442 prevê, em certas condições, uma dispensa de autorização.
         
         Legislação nacional
         
         15
            
          A Directiva 75/442 foi transposta para direito italiano pelo Decreto legislativo n.° 22, que aplica as Directivas 91/156/CEE
         relativa aos resíduos, 91/689/CEE relativa aos resíduos perigosos e 94/62/CE relativa a embalagens e resíduos de embalagens,
         de 5 de Fevereiro de 1997 (suplemento ordinário do GURI n.° 38, de 15 de Fevereiro de 1997), modificado pelo Decreto legislativo
         n.° 389, de 8 de Novembro de 1997 (GURI n.° 261, de 8 de Novembro de 1997, a seguir «Decreto legislativo n.° 22/97»).
         
         
         
         16
            
          O artigo 6.°, n.° 1, alínea a), do Decreto legislativo n.° 22/97 define «resíduo» como «qualquer substância ou objecto abrangido
         pelas categorias do anexo A de que o detentor se desfaz ou tem a intenção de se desfazer». O anexo A do mesmo decreto legislativo
         reproduz a lista das «categorias de resíduos» do anexo I da Directiva 75/442. Além disso, os anexos B, C e D do Decreto legislativo
         n.° 22/97 enumeram, respectivamente, as operações de eliminação e as operações de valorização dos resíduos do mesmo modo que
         os anexos II A e II B da Directiva 75/442, e também os resíduos perigosos, na acepção do artigo 1.°, n.° 4, da Directiva 91/689.
         
         
         
         17
            
          Para a gestão de certos tipos de resíduos, o Decreto legislativo n.° 22/97 exige uma autorização administrativa. Neste caso,
         a falta de autorização é penalmente sancionada.
         
         
         
         18
            
          Após a instauração do processo‑crime objecto do processo principal, foi publicado o Decreto‑Lei n.° 138, de 8 de Julho de
         2002 (GURI n.° 158, de 8 de Julho de 2002), convertido na Lei n.° 178, de 8 de Agosto de 2002 (GURI n.° 187, de 10 de Agosto
         de 2002, a seguir «Decreto‑Lei n.° 138/02)».
         
         
         
         19
            
          No artigo 14.° deste decreto‑lei é feita uma «interpretação autêntica» do conceito de «resíduo», na acepção do Decreto legislativo
         n.° 22/97, que precisa o seguinte:
         «1.     As expressões ‘desfazer‑se’, ‘tem a intenção de se desfazer’ ou ‘tem a obrigação de se desfazer’ do artigo 6.°, n.° 1, alínea
         a), do Decreto legislativo [n.° 22/97], com posteriores alterações […], devem interpretar‑se da seguinte forma:
         
         a)
            ‘desfazer‑se’: qualquer comportamento através do qual, de modo directo ou indirecto, substâncias, materiais ou bens são destinados
               ou submetidos a operações de eliminação ou de valorização, conforme o disposto nos anexos B e C do Decreto legislativo [n.° 22/97];
            
         
         
         b)
            ‘tem a intenção de se desfazer’: a vontade de destinar substâncias, materiais ou bens a operações de eliminação ou de valorização
               conforme o disposto nos anexos B e C do Decreto legislativo [n.° 22/97];
            
         
         
         c)
            ‘tem a obrigação de se desfazer’: a obrigação de destinar materiais, substâncias ou bens a operações de valorização ou de
               eliminação, estabelecida por uma disposição legal, por decisão das autoridades públicas ou imposta pela própria natureza do
               material, da substância ou do bem ou devido ao facto de os mesmos estarem compreendidos na lista dos resíduos perigosos a
               que se refere o anexo D do Decreto legislativo [n.° 22/97].
            
         
          2.       As hipóteses referidas nas alíneas b) e c) do n.° 1 não são aplicáveis aos bens ou substâncias e materiais residuais de produção
         ou de consumo se se verificar uma das seguintes condições:
         
         a)
            os mesmos possam ser e sejam efectiva e objectivamente reutilizados no mesmo ciclo de produção ou de consumo ou num ciclo
               análogo ou diferente, sem terem sofrido qualquer tratamento prévio nem provocarem danos no ambiente;
            
         
         
         b)
            os mesmos possam ser e sejam efectiva e objectivamente reutilizados no mesmo ciclo de produção ou de consumo ou num ciclo
               análogo ou diferente, depois de terem sofrido um tratamento prévio, sem que seja necessária qualquer das operações de valorização
               previstas no anexo C do Decreto legislativo [n.° 22/97].»
            
         
         
         O litígio no processo principal e as questões prejudiciais
         
         20
            
          A. Niselli, representante legal da sociedade ILFER SpA, foi acusado pela prática do crime de gestão de resíduos sem autorização.
         Com efeito, um semi‑reboque da ILFER SpA foi apreendido pelos carabinieri quando transportava materiais ferrosos sem dispor do formulário de identificação dos resíduos previsto no Decreto legislativo
         n.° 22/97. Verificou‑se também que o semi‑reboque não estava inscrito no registo das empresas de gestão de resíduos, como
         estabelecido no mesmo decreto legislativo.
         
         
         
         21
            
          De acordo com um relatório técnico apresentado no decurso do processo, os materiais apreendidos provinham da desmontagem de
         máquinas e de veículos ou da recolha de objectos postos na sucata. Tinham como características comuns a sua composição ferrosa,
         quer em estado puro quer em ligas com outros metais, e o facto de estarem parcialmente contaminados por substâncias de natureza
         orgânica como vernizes, gorduras ou fibras. Resultavam de diversos ciclos tecnológicos de que tinham sido retirados por já
         não serem neles utilizáveis.
         
         
         
         22
            
          Estando em causa o seguimento a dar ao processo‑crime depois da entrada em vigor do Decreto‑Lei n.° 138/02, o Tribunale penale
         di Terni interroga‑se, em substância, sobre a «interpretação autêntica» do conceito de resíduo dada no artigo 14.° do Decreto‑Lei
         n.° 138/02, que poderia ser contrária à Directiva 75/442. Segundo esta interpretação, os factos imputados a A. Niselli já
         não constituem crime, pois a sucata apreendida destinava‑se a ser reutilizada, não podendo portanto ser considerada resíduo.
         Todavia, no caso de esta interpretação ser incompatível com a Directiva 75/442, o processo‑crime deverá prosseguir com base
         na acusação proferida.
         
         
         
         23
            
          Precisando que a Comissão desencadeou contra a República Italiana uma acção por incumprimento das obrigações que lhe incumbem
         por força da Directiva 75/442, o Tribunale penale di Terni decidiu suspender a instância e colocar ao Tribunal de Justiça
         as seguintes questões prejudiciais:
         
         «1)
            Pode o conceito de resíduo depender taxativamente da condição de as expressões ‘desfazer‑se’, ‘tem a intenção de se desfazer’
               ou ‘tem a obrigação de se desfazer’, transpostas para Itália pelo artigo 6.°, n.° 1, alínea a), do Decreto legislativo [n.° 22/97],
               serem interpretadas da seguinte forma:
            
         
         
            
               a)
                  ‘desfazer‑se’: qualquer comportamento através do qual, de modo directo ou indirecto, substâncias, materiais ou bens são destinados
                     ou submetidos a operações de eliminação ou valorização previstas nos anexos B e C do Decreto legislativo [n.° 22/97];
                  
               
         
         
         
            
               b)
                  ‘tem a intenção de se desfazer’: a vontade de destinar substâncias materiais ou bens a operações de eliminação ou de valorização
                     conforme o disposto nos anexos B e C do Decreto legislativo [n.° 22/97];
                  
               
         
         
         
            
               c)
                  ‘tem a obrigação de se desfazer’: a obrigação de destinar materiais, substâncias ou bens a operações de valorização ou de
                     eliminação, estabelecida por uma disposição legal, por decisão das autoridades públicas ou imposta pela própria natureza do
                     material, da substância ou do bem ou devido ao facto de os mesmos estarem compreendidos na lista dos resíduos perigosos a
                     que se refere o anexo D do Decreto legislativo [n.° 22/97].
                  
               
         
         
         
         2)
            O conceito de resíduo pode não ser aplicável aos bens ou substâncias e materiais residuais de produção ou de consumo quando
               ocorra uma das seguintes condições:
            
         
         
            
               a)
                  os mesmos possam ser e sejam efectiva e objectivamente reutilizados no mesmo ciclo de produção ou de consumo ou num ciclo
                     análogo ou diferente, sem terem sofrido qualquer tratamento prévio nem provocarem danos no ambiente;
                  
               
         
         
         
            
               b)
                  os mesmos possam ser e sejam efectiva e objectivamente reutilizados no mesmo ciclo de produção ou de consumo ou num ciclo
                     análogo ou diferente, depois de terem sofrido um tratamento prévio, sem que seja necessária qualquer das operações de valorização
                     previstas no anexo C do Decreto legislativo n.° 22/97 vigente em Itália (que transpôs textualmente o anexo II B da Directiva
                     91/156/CEE)?»
                  
               
         
         
         
         Quanto às questões prejudiciaisQuanto à admissibilidade
         
         24
            
          O Governo italiano sustenta que a interpretação do direito comunitário solicitada ao Tribunal de Justiça é inútil na medida
         em que as dificuldades de interpretação evocadas pelo órgão jurisdicional de reenvio não existem na jurisprudência italiana.
         
         
         
         25
            
          Por outro lado, o Governo italiano alega que as questões prejudiciais são inadmissíveis, com o fundamento de que o órgão jurisdicional
         de reenvio pede, na realidade, ao Tribunal de Justiça que se pronuncie sobre o incumprimento imputado à República Italiana
         no quadro da acção intentada pela Comissão e citada no despacho de reenvio.
         
         
         
         26
            
          Estes dois argumentos devem ser rejeitados. Compete em exclusivo ao juiz nacional, a quem foi submetido o litígio e que deve
         assumir a responsabilidade pela decisão jurisdicional a tomar, apreciar, tendo em conta as especificidades de cada processo,
         tanto a necessidade de uma decisão prejudicial para poder proferir a sua decisão como a pertinência das questões que coloca
         ao Tribunal de Justiça. Consequentemente, como as questões colocadas pelo juiz nacional são relativas à interpretação do direito
         comunitário, o Tribunal de Justiça é, em princípio, obrigado a decidir. A recusa de decisão quanto a uma questão prejudicial
         submetida pelo órgão jurisdicional nacional só é possível quando for manifesto que a interpretação do direito comunitário
         solicitada não tem qualquer relação com a realidade ou com o objecto do litígio no processo principal, quando o problema for
         hipotético ou ainda quando o Tribunal não disponha dos elementos de facto e de direito necessários para responder utilmente
         às questões que lhe são colocadas (v., designadamente, acórdão de 13 de Março de 2001, PreussenElektra, C‑379/98, Colect.,
         p. I‑2009, n.os 38 e 39).
         
         
         
         27
            
          Contudo, não é esse o caso no presente processo. Por um lado, resulta dos autos que as questões colocadas ao Tribunal de Justiça
         têm um nexo directo com o objecto do litígio pendente no Tribunale penale di Terni. Por outro, o facto de a Comissão ter intentado
         uma acção contra a República Italiana por incumprimento das obrigações que a esta incumbem por força da Directiva 75/442 de
         modo nenhum priva de objecto as questões prejudiciais.
         
         
         
         28
            
          Sem pôr em causa o recurso ao Tribunal de Justiça, a Comissão alegou, por seu turno, nas suas observações escritas, que o
         juiz nacional não poderá utilizar a Directiva 75/442 para determinar ou para agravar a responsabilidade penal de A. Niselli,
         no caso de o Tribunal de Justiça declarar a não conformidade com a referida directiva do citado artigo 14.° do Decreto‑Lei
         n.° 138/02, que excluiria a responsabilidade penal do interessado.
         
         
         
         29
            
          A este propósito, deve recordar‑se que uma directiva não pode efectivamente, por si só, criar obrigações na esfera jurídica
         de um particular e não pode, portanto, ser invocada, enquanto tal, contra essa pessoa (v., designadamente, acórdão de 14 de
         Setembro de 2000, Collino e Chiappero, C‑343/98, Colect., p. I‑6659, n.° 20). Da mesma forma, uma directiva não pode ter como
         efeito, por si própria e independentemente de uma lei interna adoptada por um Estado‑Membro para a sua execução, determinar
         ou agravar a responsabilidade penal daqueles que infrinjam as suas disposições (v., designadamente, acórdãos de 8 de Outubro
         de 1987, Kolpinghuis Nijmegen, 80/86, Colect., p. 3969, n.° 13, e de 26 de Setembro de 1996, Arcaro, C‑168/95, Colect., p. I‑4705,
         n.° 37).
         
         
         
         30
            
          Contudo, no caso presente, é incontestável que à época dos factos que deram origem ao processo‑crime contra A. Niselli os
         mesmos podiam constituir infracções criminais. Nestas condições, não se justifica interrogarmo‑nos sobre as consequências
         que poderiam decorrer do princípio da legalidade das penas para a aplicação da Directiva 75/442 (v., neste sentido, acórdão
         de 25 de Junho de 1997, Tombesi e o., C‑304/94, C‑330/94, C‑342/94 e C‑224/95, Colect., p. I‑3561, n.° 43).
         
         
         
         31
            
          O pedido de decisão prejudicial é, portanto, admissível.
         
         Quanto ao mérito Quanto à primeira questão
         
         
         32
            
          Com a primeira questão, o órgão jurisdicional de reenvio pergunta, em substância, se as expressões «desfazer‑se», «tem a intenção
         de se desfazer» ou «tem a obrigação de se desfazer», utilizadas no artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva
         75/442, visam limitativamente os casos em que, respectivamente, de forma directa ou indirecta, o detentor de uma substância
         ou objecto o destina ou submete a uma operação de eliminação ou de valorização prevista nos anexos II A e II B desta directiva,
         por remissão da legislação italiana, ou tem a vontade ou a obrigação de o fazer por força de uma lei, de um acto das autoridades
         públicas ou em função da própria natureza da substância ou do objecto em causa ou da sua inclusão na lista dos resíduos perigosos.
         
         
         
         33
            
          O campo de aplicação do conceito de resíduo depende do significado da expressão «desfazer‑se». Esta deve ser interpretada
         à luz do objectivo da Directiva 75/442, que, nos termos do seu terceiro considerando, é a protecção da saúde humana e do ambiente
         contra os efeitos nocivos da recolha, transporte, tratamento, armazenamento e depósito dos resíduos, bem como à luz do artigo
         174.°, n.° 2, CE, que estipula que a política da Comunidade no domínio do ambiente visa um nível de protecção elevado e é
         baseada, designadamente, nos princípios da precaução e da acção preventiva (v., designadamente, acórdão de 18 de Abril de
         2002, Palin Granit e Vehmassalon kansanterveystyön kuntayhtymän hallitus, C‑9/00, Colect., p. I‑3533, a seguir «acórdão Palin
         Granit», n.os 22 e 23).
         
         
         
         34
            
          Todavia, nenhum critério determinante é proposto pela Directiva 75/442 para determinar a intenção do detentor de se desfazer
         de uma substância ou objecto determinados. Na falta de disposições comunitárias, os Estados‑Membros são livres quanto à escolha
         dos métodos de prova dos diferentes elementos definidos nas directivas que transpõem, desde que tal não ponha em causa a eficácia
         do direito comunitário (v., designadamente, acórdão de 15 de Junho de 2000, ARCO Chemie Nederland e o., C‑418/97 e C‑419/97,
         Colect., p. I‑4475, n.° 41).
         
         
         
         35
            
          Segundo a interpretação do conceito de resíduo exposta pelo tribunal de reenvio, o facto de uma substância ou objecto ser
         destinado a operações de eliminação ou de valorização é analisado como a manifestação do acto, da intenção ou da obrigação
         de dele «se desfazer», na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442.
         
         
         
         36
            
          Ora, ao definir a acção de se desfazer de uma substância ou objecto unicamente a partir da execução de uma operação de eliminação
         ou de valorização mencionada nos anexos II A e II B da Directiva 75/442, esta interpretação faz depender a qualificação de
         resíduo de uma operação que só pode ter ela própria a qualificação de eliminação ou de valorização se se aplicar a um resíduo.
         Esta interpretação não contribui portanto para uma clarificação do conceito de resíduo.
         
         
         
         37
            
          A este respeito, deve recordar‑se que a circunstância de uma substância ser submetida a uma operação mencionada nos anexos II A
         ou II B da Directiva 75/442 não permite concluir que alguém dela se desfaz e, portanto, considerar essa substância como resíduo
         (acórdão Palin Granit, já referido, n.° 27). Assim, se a interpretação em causa fosse aplicada no sentido de que qualquer
         substância ou objecto submetido a um dos tipos de operações mencionadas nos anexos II A e II B da Directiva 75/442 deve ser
         qualificada como resíduo, conduziria a qualificar como tal substâncias ou objectos que não o são na acepção da referida directiva.
         Por exemplo, segundo esta interpretação, o gasóleo utilizado como combustível constituiria sempre um resíduo, pois é submetido,
         no momento em que é queimado, à operação da categoria R 1 do anexo II B da Directiva 75/442.
         
         
         
         38
            
          Mas sobretudo, se a interpretação exposta pelo tribunal de reenvio fosse aplicada no sentido de que uma substância ou objecto
         de que alguém se desfaz de um modo diferente dos mencionados nos anexos II A e II B da Directiva 75/442 não constitui um resíduo,
         restringiria também o conceito de resíduo tal como ele resulta do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da referida directiva.
         Assim, uma substância ou objecto não sujeito a uma obrigação de eliminação ou de valorização e cujo detentor deles se desfaz
         por simples abandono, sem os sujeitar a uma dessas operações, não seria qualificado como resíduo, quando a verdade é que,
         na acepção da Directiva 75/442, tal substância ou objecto é um resíduo.
         
         
         
         39
            
          O facto de o abandono de um resíduo não poder ser considerado um modo de eliminação desse resíduo resulta, em especial, do
         artigo 4.°, segundo parágrafo, da Directiva 75/442, nos termos do qual «[o]s Estados‑Membros tomarão as medidas necessárias
         para proibir o abandono, a descarga e a eliminação não controlada de resíduos». Esta disposição distingue claramente entre
         abandono e eliminação. Donde resulta que o abandono e a eliminação de um objecto ou substância constituem duas formas, entre
         outras, de alguém deles se desfazer, na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442.
         
         
         
         40
            
          Deve portanto responder‑se à primeira questão que a definição de resíduo do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da
         Directiva 75/442 não pode ser interpretada no sentido de que se refere limitativamente às substâncias ou objectos destinados
         ou submetidos às operações de eliminação ou de valorização mencionadas nos anexos II A e II B da referida directiva ou em
         listas equivalentes, ou cujo detentor tenha a vontade ou a obrigação de lhes dar esse destino.
         
          Quanto à segunda questão
         
         
         41
            
          Com a segunda questão, o tribunal de reenvio pergunta, em substância, se podem ser excluídos do conceito de resíduo, na acepção
         do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442, os resíduos de produção ou de consumo quando podem ser
         ou são reutilizados no mesmo ciclo de produção ou de consumo ou num ciclo análogo ou diferente, sem serem sujeitos a tratamento
         prévio e sem danificar o ambiente, ou após terem sido sujeitos a um tratamento prévio sem, no entanto, carecerem de uma operação
         de valorização das enumeradas no anexo C do Decreto legislativo n.° 22/97, que transpôs textualmente para direito interno
         o anexo II B da Directiva 75/442.
         
         
         
         42
            
          Como salienta o Governo italiano, a interpretação que é objecto da segunda questão visa excluir do conceito de resíduo, em
         certas condições, os resíduos de produção ou de consumo susceptíveis de reutilização.
         
         
         
         43
            
          Como declarou o Tribunal de Justiça, o facto de uma substância utilizada ser um resíduo de produção constitui, em princípio,
         um indício da existência de uma acção, de uma intenção ou de uma obrigação de dele se desfazer, na acepção do artigo 1.°,
         alínea a), da Directiva 75/442 (v. acórdão ARCO Chemie Nederland e o., já referido, n.° 84). A mesma apreciação se impõe no
         que se refere aos resíduos de consumo.
         
         
         
         44
            
          No entanto, pode admitir‑se uma análise segundo a qual um bem, um material ou uma matéria‑prima resultantes de um processo
         de fabrico ou de extracção que não sejam destinados principalmente a produzi‑los podem constituir não resíduos, mas subprodutos
         de que a empresa não tem a intenção de «se desfazer», na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva
         75/442, mas que pretende explorar ou comercializar em condições mais vantajosas num processo ulterior, sem operações de transformação
         prévias. Tal análise não é contrária aos objectivos da Directiva 75/442, pois não existe nenhuma justificação para submeter
         às suas disposições, que são destinadas a prever a eliminação ou a valorização dos resíduos, dos bens, dos materiais ou das
         matérias‑primas que têm economicamente o valor de produtos, independentemente de qualquer transformação, e que, enquanto tal,
         estão sujeitos à legislação aplicável a esses produtos (v. acórdão Palin Granit, já referido, n.os 34 e 35).
         
         
         
         45
            
          Contudo, tendo em conta a obrigação de interpretar em sentido amplo o conceito de resíduo, para limitar os inconvenientes
         ou danos inerentes à sua natureza, o recurso a esta argumentação relativa aos subprodutos deve restringir‑se às situações
         em que a reutilização de um bem, de um material ou de uma matéria‑prima não é apenas eventual, mas certa, sem transformação
         prévia e na continuidade do processo de produção (acórdão Palin Granit, já referido, n.° 36).
         
         
         
         46
            
          Além do critério que se baseia na natureza ou não de resíduo de produção de uma substância, o grau de probabilidade de reutilização
         dessa substância, sem operação de transformação prévia, constitui um segundo critério pertinente para apreciar se essa substância
         é ou não um resíduo na acepção da Directiva 75/442. Se, além da simples possibilidade de reutilizar essa substância, existir
         um benefício económico para o detentor em fazê‑lo, a probabilidade de tal reutilização é forte. Em tal hipótese, a substância
         em questão não pode ser analisada como um estorvo de que o detentor procura «desfazer‑se», mas como um autêntico produto (acórdão
         Palin Granit, já referido, n.° 37).
         
         
         
         47
            
          Resulta do que precede que, face aos objectivos da Directiva 75/442, é possível qualificar um bem, um material ou uma matéria‑prima,
         resultantes de um processo de fabrico ou de extracção que não seja destinado principalmente a produzi‑los, não como resíduos,
         mas como subprodutos de que o seu detentor não pretende «desfazer‑se», na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo,
         desta directiva, com a condição de a sua reutilização ser certa, sem transformação prévia, na continuidade do processo de
         produção (v. acórdão de 11 de Setembro de 2003, AvestaPolarit Chrome, C‑114/01, Colect., p. I‑8725).
         
         
         
         48
            
          Contudo, esta análise só é válida no que diz respeito aos resíduos de consumo que não possam ser considerados «subprodutos»
         de um processo de fabrico ou de extracção susceptíveis de ser reutilizados na continuidade do processo de produção.
         
         
         
         49
            
          Uma análise similar tão‑pouco pode ser aceite relativamente a resíduos que não possam ser qualificados como bens em segunda
         mão reutilizados de maneira certa e comparável, sem transformação prévia.
         
         
         
         50
            
          Ora, segundo a interpretação resultante de uma disposição como o artigo 14.° do Decreto‑Lei n.° 138/02, para que um resíduo
         de produção ou de consumo escape à qualificação de resíduo é suficiente que seja ou possa ser reutilizado em todo o ciclo
         de produção ou de consumo, quer sem tratamento prévio e sem prejudicar o ambiente, quer após ter sido sujeito a um tratamento
         prévio sem que, para esse facto, careça de uma operação de valorização, na acepção do anexo II B da Directiva 75/442.
         
         
         
         51
            
         É manifesto que esta interpretação leva a subtrair à qualificação de resíduo os resíduos de produção ou de consumo que, no
         entanto, correspondem manifestamente à definição indicada no artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442.
         
         
         
         52
            
          A este respeito, materiais como os que estão em causa no processo principal não são reutilizados de forma certa e sem transformação
         prévia na continuidade de um mesmo processo de produção ou de utilização, mas são substâncias ou objectos de que os respectivos
         detentores se desfizeram. Segundo as explicações de A. Niselli, os materiais em litígio foram em seguida sujeitos a uma triagem
         e eventualmente a alguns tratamentos e constituem uma matéria‑prima secundária destinada à siderurgia. Neste contexto, devem,
         contudo, continuar a ser qualificados como resíduos até terem sido efectivamente reciclados em produtos siderúrgicos, ou seja,
         até constituírem produtos acabados do processo de transformação a que são destinados. Com efeito, nas fases anteriores não
         podem ainda ser considerados reciclados, pois o referido processo de transformação não está terminado. Inversamente, com excepção
         do caso em que os produtos obtidos fossem, por seu turno, abandonados, o momento em que os materiais em causa perdem a qualificação
         de resíduo não pode ser fixado num estádio industrial ou comercial posterior à sua transformação em produtos siderúrgicos
         pois, a partir desse momento, não podem ser distinguidos de outros produtos siderúrgicos produzidos a partir de matérias‑primas
         primárias (v., para o caso particular dos resíduos de embalagens reciclados, acórdão de 19 de Junho de 2003, Mayer Parry Recycling,
         C‑444/00, Colect., p. I‑6163, n.os 61 a 75).
         
         
         
         53
            
          Deve portanto responder‑se à segunda questão que o conceito de resíduo, na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo,
         da Directiva 75/442, não deve ser interpretado no sentido de excluir a totalidade dos resíduos de produção ou de consumo que
         podem ser ou são reutilizados num ciclo de produção ou de consumo, quer sem tratamento prévio e sem provocarem danos no ambiente,
         quer após terem sido sujeitos a um tratamento prévio sem, no entanto, carecerem de uma operação de valorização, na acepção
         do anexo II B da mesma directiva.
         
         
         Quanto às despesas
         54
            
          Revestindo o processo, quanto às partes na causa principal, a natureza de incidente suscitado perante o órgão jurisdicional
         de reenvio, compete a este decidir quanto às despesas. As despesas efectuadas para apresentar observações ao Tribunal de Justiça,
         além das das referidas partes, não são reembolsáveis.
         
         
         
         
         
         
            
            
         
         
          Pelos fundamentos expostos, o Tribunal de Justiça (Segunda Secção) declara:
         
            
            
            
               1)
                  A definição de resíduo do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442/CEE do Conselho, de 15 de Julho de
                     1975, relativa aos resíduos, alterada pela Directiva 91/156/CEE do Conselho, de 18 de Março de 1991, e pela Decisão 96/350/CE
                     da Comissão, de 24 de Maio de 1996, não pode ser interpretada no sentido de que se refere limitativamente às substâncias ou
                     objectos destinados ou submetidos às operações de eliminação ou de valorização mencionadas nos anexos II A e II B da referida
                     directiva ou em listas equivalentes, ou cujo detentor tenha a vontade ou a obrigação de lhes dar esse destino.
                  
               
            
            
            
            
               2)
                  O conceito de resíduo, na acepção do artigo 1.°, alínea a), primeiro parágrafo, da Directiva 75/442, alterada pela Directiva
                     91/156 e pela Decisão 96/350, não deve ser interpretado no sentido de excluir a totalidade dos resíduos de produção ou de
                     consumo que podem ser ou são reutilizados num ciclo de produção ou de consumo, quer sem tratamento prévio e sem provocarem
                     danos no ambiente, quer após terem sido sujeitos a um tratamento prévio sem, no entanto, carecerem de uma operação de valorização,
                     na acepção do anexo II B da mesma directiva.
                  
               
            
             Assinaturas.
      
      
          1 –
            
            Língua do processo: italiano.