# Decreto nº 3.188, de 07/04/1920

**Tipo:** Decreto
**Ano:** 1920
**Situação:** Sem revogação expressa

## Resumo
DÁ REGULAMENTO PARA A EXECUÇÃO DA LEI Nº 1.711, DE 27/12/1919, QUE ORGANIZOU AS ESCOLAS PROFISSIONAIS DO ESTADO

## Texto Completo
DECRETO N. 3.188, DE 7 DE ABRIL DE 1920
   

 O Presidente do Estado, attendendo ao
que lhe representou o sr. dr. Secretario de Estado dos Negocios do
Interior, resolve approvar o Regulamento, junto, para
execução da Lei n. 1.711, de 27 de Dezembro de 1919, que
organisa as Escolas Profissionaes de S. Paulo.
   

 Palacio do Governo do Estado de S. Paulo, 7 de Abril de 1920.
   

 ALTINO ARANTES.
   

 Oscar Rodrigues Alves.
   

  

 Regulamento para execução da Lei n. 1.711, de 27 de
Dezembro de 1919, que organisa as escolas profissionaes do Estado
 

  

  

 CAPITULO I
 
  

 DAS ESCOLAS E SEUS FINS
   

**Artigo 1.°** 
 - As escolas profissionaes do Estado destinam-se
ao ensino de artes e officios a alumnos de ambos os sexos, maiores de
12 annos.
 
  

**Artigo 2.°** 
 - O ensino
profissional será ministrado em escolas masculinas, femininas e
mixtas, cabendo ao Governo resolver sobre o numero e as especies de
officinas a installar em cada uma dellas, de accôrdo com as
necessidades da vida operaria e o desenvolvimento do meio industrial.
 
  

**Artigo 3.°** 
 - O ensino
pratico será dado nas officinas e distribuido em grãos ou
classes a que os alumnos pertencerão, conforme sua
applicação e intelligencia.
 
  

**Artigo 4.°** 
 - As Escolas Profissionais ministrarão aos alumnos, conjunctamente com o apprendizado profissional, noções 
elementares das seguintes materias
 
  

**a)** 
 lingua materna e educação moral e civica;
 
  

**b)** 
 calculo arithmetico e geometrico;
 
  

**c)** 
 geographia e historia do Brasil.
 
  

**Artigo 5.°** 
 - Os programmas
dessas materias deverão ser organisados de accôrdo com as
artes a ensinar e serão desenvolvidos de conformidade com o
curso profissional, 
 
  

 de modo que se completem.
 
  

**Artigo 6.°** 
 - O ensino
profissional terá uma feição pratica e utilitaria,
devendo o mestre evitar as especialisações dentro do
mesmo officio.
 
  

**Artigo 7.°** 
 - O programma
de cada officina será organisado pelo Director e o respectivo
mestre, devendo graduar-se o trabalho de modo a se obter um
aproveitamento regular e constante.
 
  

**Artigo 8.°** 
 - O ensino profissional, em cada Escola, constará dos cursos que o Governo julgar convenientes, dentre os seguintes:
 
  

**I** 
 - Para as escolas femininas:
 
  

**a)** 
 confecções;
 
  

**b)** 
 roupas brancas;
 
  

**c)** 
 rendas e bordados;
 
  

**d)** 
 flores, ornamentação de chapéos e trabalhos artisticos;
 
  

**e)** 
 dactylographia e stenographia;
 
  

**f)** 
 desenho profissional;
 
  

**g)** 
 desenho artistico e pintura;
 
  

**h)** 
 economia domestica;
 
  

**i)** 
 luvaria, meias e espartilhos;
 
  

**j)** 
 arte culinaria em todos os seus ramos.
 
  

**II** 
 - Para as escolas masculinas:
 
  

**a)** 
 ajustagem e torneado;
 
  

**b)** 
 fundição;
 
  

**c)** 
 ferraria;
 
  

**d)** 
 marcenaria;
 
  

**e)** 
 torneado em madeira;
 
  

**f)** 
 entalhação;
 
  

**g)** 
 pintura, decoração, lettras e taboletas;
 
  

**h)** 
 electrotechnica e funilaria;
 
  

**i)** 

 chauffeurs
 
 mechanicos;
 
  

**j)** 
 esculptura e plastica;
 
  

**k)** 
 fiação e tecelagem;
 
  

**l)** 
 desenho profissional e artistico;
 
  

**m)** 
 tapeçaria;
 
  

**n)** 
 clichagem;
 
  

**o)** 
 relojoaria e ourivesaria;
 
  

**p)** 
 sellaria e trançagem;
 
  

**q)** 
 segeiros;
 
  

**r)** 
 gravadores e zincographos;
 
  

**s)** 
 linotypistas;
 
  

**t)** 
 chimica industrial e agricola;
 
  

**u)** 
 pesca, salga e construcção de apparelhos de pesca;
 
  

**v)** 
 pedreiros, frentistas e marmoristas;
 
  

**w)** 
 douração, nickelagem, oxydação e applicações analogas;
 
  

**x)** 
 alfaiataria;
 
  

**y)** 
 sapataria;
 
  

**z)** 
 dactylographia e stenographia.
 
  

 III
 
 - Para as escolas masculinas e femininas:
 
  

**a)** 
 lacticinios e noções de veterinaria;
 
  

**b)** 
 photographia;
 
  

**c)** 
 escripturação mercantil;
 
  

**d)** 
 horticultura e jardinagem;
 
  

**e)** 
 avicultura e apicultura;
 
  

**f)** 
 barbeiros, cabelleireiros, massagistas, pedicuros e manicuros.
 
  

**Artigo 9.°** 
 - O curso profissional será de tres annos.
 
  

**Artigo 10.** 
 - No curso profissional será dada a pratica
das artes e dos officios em ateliers e officinas para isso devidamente
apparelhados.
 
  

**Artigo 11.** 
 - Nas escolas profissionaes do interior
funccionará uma Escola Nocturna Preliminar para alumnos
analphabetos ou de insufficiente preparo.
 
  

**Artigo 12.** 
 - Nas escolas profissionaes da Capital poderão
ser installados cursos nocturnos de aperfeiçoamento de obreiros,
seguindo tanto quanto possivel, a orientação e os
methodos estabelecidos para os cursos diurnos, com as mesmas
disciplinas theoricas e visando a formação moral e
profissional do operario.
 
  

**Artigo 13.** 
 - Poderá o Governo, quando julgar opportuno, supprimir, converter e instituir cursos profissionaes nas escolas. 
 
  

**§ unico -** 
 Sempre que do seu acto resultar a necessidade da
creação de novos logares, o Governo submettel-o-a
á approvação do Congresso.
 
  

  

 CAPITULO II
 
  

 DO PESSOAL EM GERAL
   

  

**Artigo 14.** 
 - O pessoal das escolas profissionaes constará de:
   

**a)** 
 um director;
   

**b)** 
 um auxiliar do director, sempre que a matricula exceder de 300 alumnos;
   

**c)** 
 um escripturario;
   

**d)** 
 um zelador-almoxarife;
   

**e)** 
 um professor para cada um dos tres cursos a que se refere o art. 4, lettra a, b, e c;
   

**f)** 
 um mestre para cada officina ou curso, com um auxiliar, sempre que a matricula exceda de 30 almmnos;
   

**g)** 
 os serventes que forem necessarios.
   

**§ unico -** 
 Para o curso de mechanica, com fundição, haverá um forneiro.
   

**Artigo 15.** 
 - O director e o auxiliar do director serão nomeados pelo Presidente do Estado.
   

**Artigo 16.** 
 - Os professores, o zelador-almoxarife e o escripturario serão nomeados pelo Secretario do Interior.
   

**Artigo 17.** 
 - Os mestres e auxiliares de classes e officinas serão contractados e dispensados pelo Secretario do Interior.
   

**Artigo 18.** 
 - Os serventes e empregados jornaleiros serão
contractados e dispensados pelo director, com approvação
do Secretario do Interior.
   

**Artigo 19.** 
 - Os mestres e auxiliares de officinas poderão
a seu pedido, ou quando convier ao Governo, ser removidos, mesmo por
permuta, de umas para as outras escolas, comtanto que o sejam para
officinas da mesma natureza.
   

**§ unico. -** 
 O director tomará posse do cargo perante
o Secretario do Interior; os demais funccionarios serão
empossados pelo director da Escola.
   

**Artigo 20.** 
 - O Secretario do Interior poderá nomear, como
substitutos effectivos, professores normalistas para as escolas
profissionaes, onde farão a pratica do ensino durante seis
mezes, com todas as regalias que a legislação vigente
concede aos substitutos effectivos dos grupos escolares.
   

**§ unico -** 
 Os substitutos effectivos servirão nas
aulas e nas officinas e terão outros trabalhos, de accôrdo
com a determinação do director da Escola.
   

**Artigo 21.** 
 - Os professores, mestres e auxiliares de officinas
das escolas profissionaes, em caso de molestia, poderão gozar de
licença, nos termos do art. 7, e seus paragraphos. da Lei n.
1.521, de 26 de Dezembro de 1916, sendo extensivas ás
professoras, mestras e auxiliares de officinas e classes as vantagens
do art. 25 da referida Lei.
   

**Artigo 22.** 
 - Os vencimentos do pessoal das Escolas Profissionaes
serão os da tabella annexa, contados dois terços como
ordenado e um terço como gratificação.
   

  

 CAPITULO III
   

 DO PESSOAL ADMINISTRATIVO E DOCENTE
   

  

**Artigo 23.** 
 - Compete, ao director:  
   

**1)** 
 Exercer a inspecção geral do estabelecimento,
promovendo, por todos os meios ao seu alcance, o desenvolvimento
profissional, economico e moral do mesmo ;
   

**2)** 
 Organisar os programmas da Escola, submettendo-os á approvação do Secretario do Interior ;
   

**3)** 
 Organisar os horarios para as officinas e aulas e submettel-os á approvação da Directoria Geral ;
   

**4)** 
 Escripturar os livros que ficarem a seu cargo ;
   

**5)** 
 Providenciar sobre a substituição dos
impedidos, desiguando substitutos, de modo a evitar, tanto quanto
possivel, a interrupção dos trabalhos escolares ;
   

**6)** 
 Organisar e remetter directamente ao Thezouro do Estado as folhas mensaes de pagamento do pessoal ;
   

**7)** 
 Justificar, até 8 por anno, as faltas que, por motivo de molestia, derem os empregados da Escola ;
   

**8)** 
 Contractar todas as obras que, por encommenda particular, se
houverem de fazer na Escola, desde que isso não perturbe a
marcha do ensino nas officinas, nem importe na suspensão dos
trabalhos da serie educativa ;
   

**9)** 
 Propor ao Secretario do Interior todas as medidas que entender convenientes á Escola ;
   

**10)** 
 Impor penas disciplinares aos professores, mestres e demais
empregados da Escola, submettendo seu acto á
approvação do Secretario do Interior ;
   

**11)** 
 Impor penas disciplinares aos alumnos ;
   

**12)** 
 Informar e encaminhar aos poderes competentes os papeis destinados a estes ;
   

**13)** 
 Recolher mensalmente ao Thezouro do Estado a parte do producto dos trabalhos que não pertença aos alumnos ;
   

**14)** 
 Apresentar trimestralmente ao Secretario do Interior um balancete dos productos dos trabalhos da Escola ;
   

**15)** 
 Adquirir o material necessario ás officinas e ao
expediente, para o que deverá fazer mensalmente concorrencia,
salvo para o material de urgencia immediata ;
   

**16)** 
 Remetter mensalmente ao Secretario do Interior as contas dos fornecedores da Escola, requisitando o respectivo pagamento ;
   

**17)** 
 Expedir certificados de habilitação aos alumnos que terminarem a apprendisagem ;
   

**18)** 
 Apresentar annualmente ao Secretario do Interior um relatorio circunstanciado dos trabalhos escolares ;
   

**19)** 
 Tomar medidas urgentes nos casos não previstos,
sujeitando-as á approvação do Secretario do
Interior ;
   

**20)** 
 Acompanhar as auctoridades escolares, na
inspecção á Escola e prestar-lhes todas as
informações pedidas.
   

**Artigo 24.** 
 - Ao auxiliar do director compete:
   

**1)** 
 Auxiliar ao director na inspecção technica das officinas e cursos ;
   

**2)** 
 Fornecer, nas escolas femininas, de accôrdo com o
director, a materia prima para os trabalhos das officinas, attendendo
ás necessidades da economia e bom emprego do material :
   

**3)** 
 Verificar e conferir a escripta feita pelos mestres, nos
livros de materiaes e instrumental, procedendo aos respectivos
balanços ;
   

**4)** 
 Fazer o pagamento de diarias aos alumnos e conferir os respectivos boletins ;
   

**5)** 
 Conferir e registar as contas dos fornecedores da Escola ;
   

**6)** 
 Verificar todos os documentos officiaes que a mesma expedir ;
   

**7)** 
 Escripturar os livros que estiverem a seu cargo :
   

**8)** 
 Substituir o director em seus impedimentos temporarios.
   

**§ unico -** 
 Onde não houver auxiliar, o substituto do
director será um dos professores da Escola, designado pelo
Secretario do Interior.
   

**Artigo 25.** 
 - Aos professores, mestres e auxiliares cumpre :
   

**1)** 
 Comparecer conforme o horario e dirigir os trabalhos da
respectiva secção segundo os programmas e
instrucções approvados :
   

**2)** 
 Imprimir ao ensino uma feição pratica e proveitosa, incutindo nos alumnos. habito de ordem e economia ;
   

**3)** 
 Organizar e escripturar regularmente o livro do
comparecimentos, o registro de trabalhos da secção e o
inventario das machinas, ferramentas e utensilios da officina ;
   

**4)** 
 Cuidar do asseio, conservação e bom uzo das
machinas, ferramentas e utensilios da officina e do bom emprego do
material ;
   

**5)** 
 Executar e fazer executar todos os trabalhos que forem determinados pelo director ;
   

**6)** 
 Formular o pedido do material necessario á officina ;
   

**7)** 
 Velar pelo estricto cumprimento dos deveres dos alunnos,
dando conta ao director de qualquer irregularidade na conducta, na
assiduidade e na applicação ao trabalho, por parte dos
mesmos ;
   

**8)** 
 Fixar, de accôrdo com o director, o preço dos trabalhos executados pelos alumnos ;
   

**9)** 
 Substituir a quem o director ordenar :
   

**10)** 
 Apresentar annualmente ao director um relatorio da
respectiva officina, e propôr as modificações
necessarias.
   

**Artigo 26.** 
 - E' prohibido aos professores, mestres e auxiliares de officinas :
   

**a)** 
 Ausentar-se das secções, durante as horas de trabalho, sem permissão do director ;
   

**b)** 
 Fazer encommendas e executar, nas officinas da Escola trabalhos de seu particular interesse.
   

**c)** 
 Ocupar se na Escola de assumptos a ella extranhos.
   

**Artigo 27.** 
 - Ao escripturario compete :
   

**1)** 
 Ter sob sua guarda a Bibliotheca Escolar, organizando o respectivo catalogo ;
   

**2)** 
 Fazer a correspondencia official da Escola e outros trabalhos de dactylographia que, o director determinar ;
   

**3)** 
 Orientar e auxiliar os mestres das officinas na escripta a seu cargo ;
   

**4)** 
 Examinar semanalmente a escripturação do livro
de chamada das officinas, levando ao conhecimento do director as
irregularidades que por ventura notar ;
   

**5)** 
 Fazer a escripturação da Escola.
   

**Artigo 28.** 
 - Ao zelador-almoxarife compete :
   

**1)** 
 Velar pela conservação e asseio do
estabelecimento e de suas dependencias, bem como do mobiliario,
utensilios e materia prima ;
   

**2)** 
 Ter sob sua guarda o livro de ponto ;
   

**3)** 
 Abrir com a necessaria antecedencia as portas do estabelecimento e fechal-as depois de encerrados os trabalhos do dia ;
   

**4)** 
 Determinar, de accôrdo com o director, os trabalhos dos serventes ;
   

**5)** 
 Auxiliar a inspecção do recreio, nas Escolas Masculinas ;
   

**6)** 
 Remetter a correspondencia official ;
   

**7)** 
 Conferir, com os mestres, todo o material entrado na Escola,
pesando e mediado, verificando os preços e a qualidade dos
artigos, podendo recusar os que não estejam de accôrdo com
as propostas apresentadas pelos fornecedores ;
   

**8)** 
 Verificar com o auxiliar do director e os mestres os artigos que tenham de ser adquiridos mediante concorrencia ;
   

**9)** 
 Executar as ordens do auxiliar do director e as dos
professores e mestres, que não estejam em desaccôrdo com
as determinações do director.
   

**Artigo 29.** 
 - Aos serventes compete :
   

**1)** 
 Conservar o edificio em perfeito estado de limpeza ;
   

**2)** 
 Executar as ordens do auxiliar do director e do zelador. 
   

**§ unico -** 
 Os serventes não poderão ser occupados em serviços extranhos ao estabelecimento.
   

  

 CAPITULO IV
   

 DA MATRICULA
   

  

**Artigo 30.** 
 - A matricula nas Escolas Profissionaes será feita de accôrdo com as disposições seguintes:
   

**§ 1.° -** 
 Para a metade das vagas existentes serão admittidos alumnos diplomados pelos grupos escolares ou pelas 
escolas publicas do Estado;
   

**§ 2.° -** 
 Para preenchimento da outra metade serão matriculados os candidatos não diplomados que provarem, mediante 
exame de admissão, o necessario preparo nas materias essenciaes do curso preliminar;
   

**§ 3.°** 
 - No caso de vagas subsistentes, serão
admittidos quaesquer outros candidatos, na ordem de sua
apresentação.
   

**Artigo 31.** 
 - Além do exigido no artigo precedente e seus paragraphos, o candidato á matricula deverá provar:
   

**a)** 
 ter edade de 12 annos completos;
   

**b)** 
 ser vaccinado e não soffrer de molestia alguma contagiosa.
   

**Artigo 32.** 
 - Os alumnos que não forem promovidos eu qualquer anno terão preferencia para a matricula no anno que 
tiverem de repetir.
   

**Artigo 33.** 
 - Será motivo de preferencia para a matricula,
em qualquer secção, a prova de habilitação
manual do candidato, revelada em trabalho exhibido ao director e
referente á officina que pretender frequentar.
   

  

 CAPITULO V
   

 DAS AULAS E SEU REGIMEN
   

  

**Artigo 31.** 
 - As aulas das Escolas Profissionaes serão abertas no dia 15 de Janeiro e encerradas no dia 15 de Dezembro.
   

**§ unico. -** 
 O curso norturno das Esscolas Profissionaes funccionará das 19 ás 21 horas.
   

**Artigo 35.** 
 - As Escolas Profissionaes funccionarão das 8
ás 16, de modo que o curso theorico fique pela manhã das
8 ás 10, e o curso pratico seja dado por classes, ou grupos de
alumnos, das 11 ás 16, attendendo-se que a duração
do curso será consoante a edade e o adeantamento dos alumnos de,
accôrdo com a seguinte tabella:
   

**a)** 
 alumnos do 1.° anno, 12 annos em geral, 6 horas de trabalho effectivo e aulas;
   

**b)** 
 alumnos do 2.° anno. 13 annos em geral, 7 horas, idem ;
   

**c)** 
 alumnos do 3.° anno, 14 annos em geral, 8 horas, idem.
   

**§ unico. -** 
 No caso de excesso de alumnos no curso theorico da manhã, deverá o director estabelecer aulas 
supplementares, á tarde, das materias do referido curso.
   

**Artigo 36.** 
 - Os professores das materias a que se referem as
letras a b e c, do artigo 3.º da Lei n. 1.711, de 27 de Dezembro
de 1919, bem como os mestres de plastica, desenho profissional e
pintura, deverão leccionar tambem no curso nocturno, quando
houver.
   

**§ 1.º -** 
 Nas escolas profissionaes, que funccionarem em
edificios cujas salas não comportarem todos os cursos, as aulas
theoricas e praticas serão dadas alternadamente de 8 ás
16 horas, de accôrdo com o horario que fôr approvado.
   

**§ 2.º -** 
 Os professores, além das aulas a seu
cargo, deverão auxiliar o director na
administração das oficinas e na
escripturação da Escola.
   

**Artigo 37.** 
 - Os mestres e seus auxiliares deverão estar no estabelecimento ás horas do inicio das aulas, aproveitando 
o tempo em que os alumnos se acharem no curso theorico para preparar desenhos, plantas, riscos, moldes, organizando o trabalho 
a ser desenvolvido, de modo que cada alumno possua um desenho, em medida exacta, do que tiver de executar.
   

**Artigo 38.** 
 - Serão feriados, nas Escolas Profissionaes, os dias como taes considerados pelo regulamento geral da 
Instrucção Publica.
   

**Artigo 39.** 
 - Nenhuma officina ou classe poderá funccionar com menos do 15 alumnos matriculados, sendo de 40 o maximo 
da matricula.
   

**Artigo 40.** 
 - Os cursos de desenho profissional e plastica serão obrigatorios para todos os alumnos.
   

**Artigo 41.** 
 - Os alumnos de cada officina ou classe, serão
divididos em secções. até tres no maximo, segundo
o seu grau de adeantamento.
   

**Artigo 42.** 
 - O regimen das officinas ou classes no que concerne
á disciplina e á ordem, regula-se pelas
disposições em vigôr nas Escolas Normaes do Estado.
   

**Artigo 43.** 
 - Haverá diariamente uma interrupção de uma hora para o almoço e o recreio.
   

  

 CAPITULO VI
   

 DOS ALUMNOS
   

  

**Artigo 44.** 
 - Os alumnos ficam sujeitos mensalmente ás notas de comportamento, applicação e producção.
   

**§ unico. -** 
 Para tal fim empregar-se-ão os algarismos de 1 a 12, com a seguinte correspondencia: 1 e 2 má; 3 e 4, 
soffrivel; 5 e 6, regular ; 7 e 8, boa: 9 e 10, boa para optima; 11 e 12, optima.
   

**Artigo 45.** 
 - Para promoções, procederão os
Mestres a exames trimensaes, com provas praticas, por onde possam
formar um juizo seguro sobre o aproveitamento de cada alumno.
   

**Artigo 46.** 
 - E' porém, permittida a
promoção em qualquer época, a juizo dos mestres e
do Director, desde que os trabalhos executados pelo alumno denotem o
seu grande aproveitamento.
   

**Artigo 47.** 
 - Serão promovidos para os annos
immediatamente superiores os alumnos cujas médias geraes de
applicação, exames e producção forem, no
minimo, correspondentes a 6.
   

**§ unico. -** 
 Haverá tambem exames trimensaes das materias a que se aefefere o artigo 4.º.
   

**Artigo 48.** 
 - Os alumnos das escolas profissionais ficam sujeitos ás penas cominadas no Codigo Disciplinar.
   

**Artigo 49.** 
 - Cada alumno receberá um boletim em que
serão annotadas as diarias a que fizer jús, a porcentagem
que lhe couber nos trabalhos excecutados e as informações
sobre o seu comportamento, assiduidade e applicação.
   

**Artigo 50.** 
 - Perderá o direito ás diarias e á porcentagem o alumno que fôr expulso da escola.
   

**Artigo 51.** 
 - Os alumnos approvados em exame final receberão um certificado de habilitação de accôrdo com o
 modelo annexo.
   

**Artigo 52.** 
 - O alumno não poderá, salvo motivo de força maior, justificado perante o Secretario do Interior, 
faltar por mais de 40 dias, durante o anno, no curso que estiver frequentando.
   

**Artigo 53.** 
 - Os estragos feitos pelos alumnos nos moveis, nas ferramentas, machinas e outros quaesquer objectos das 
officinas, serão, provada a culpabilidade, indemnisados, descontando-se, para isso, das diarias a que tiverem direito a 
quantia sufficiente para os concertos ou substituições.
   

  

 CAPITULO VII
   

 DA CHAMADA DOS ALUMNOS
   

  

**Artigo 54.** 
 - Cada mestre fará, diariamente, a chamada dos respectivos alumnos.
   

**Artigo 55.** 
 - A chamada será feita logo que a classe esteja na officina, marcando o Mestre, com um x, 
na respectiva columna o comparecimento de cada alumno, e com um f. a falta.
   

**Artigo 56.** 
 - O alumno que chegar após a chamada será considerado como se tivesse faltado.
   

**Artigo 57.** 
 - A retirada do alumno, antes de termina dos os trabalhos, por motivo justificado perante o 
Director, será declarada na columna das «Observações».
   

**Artigo 58.** 
 - Encerradas as aulas, o mestre sommará as faltas e os comparecimentos, lançando as sommas nas columnas 
respectivas.
   

**Artigo 59.** 
 - O mestre dará, semanalmente, uma nota de comportamento e outra de applicação, a cada alumno, as quaes 
servirão de base para as diarias e para organização dos respectivos boletins.
   

**Artigo 60.** 
 - No ultimo dia de cada mez, o mestre organisará, pelo livro de chamada, um mappa com as seguintes notas:
   

**a)** 
 numero de alumnos matriculados ;
   

**b)** 
 numero de dias lectivos ;
   

**c)** 
 total de comparecimentos ;
   

**d)** 
 total de faltas ;
   

**e)** 
 frequencia média.
   

**§ unico. -** 
 Deste resumo será extrahida uma copia a que o mestre assignará e entregará ao director.
   

  

 CAPITULO VIII
   

 DO ENSINO
   

  

**Artigo 61.** 
 - O ensino deve ser essencialmente pratico caracterisando-se pela sua feição educativa, afim de desenvolver 
nos alumnos as faculdades de observação, de reflexão e de creação.
   

**Artigo 62.** 
 - Deverá o ensino obedecer ao systema integral ou de conjucto, de modo que o alumno possa fazer nos tres 
annos escolares a pratica bastante nas differentes officinas do mesmo officio.
   

**Artigo 63.** 
 - Os programma serão organizados pelo director
e submettidos á approvação do Secretario do
Interior.
   

**Artigo 64.** 
 - As lições de desenho profissional e
de plastica serão communs a todos os annos e orientadas de modo
a attenderem ás necessidades do educando, no officio escolhido,
especialisando-se o prefessor de, accôrdo com o curso a que
pertencer o alumno.
   

**Artigo 65.** 
 - Os exercicios de lingua materna, arithinetica, geometria, geographia e historia do Brasil deverão ser 
relacionados, o quanto possivel, com o apprendizado das artes e officios ensinados na respectiva escola.
   

  

 CAPITULO IX
   

 DA RENDA ESCOLAR
   

  

**Artigo 66.** 
 - Do producto da renda das obras feitas pelos
alumnos, nas escolas profissionaes, será descontada a
importancia dos materiaes empregados e adquiridos por conta da
dotação escolar, sendo o lucro dividido em duas partes eguaes,
devendo ser uma entregue ao alumno ou alumnos que tiverem executado o
serviço e a outra recolhida ao Thesouro, como lucro da Escola.
   

**Artigo 67.** 
 - O Director é obrigado a prestar mensalmente contas ao Thesouro, por intermedio da Secretaria do Interior, 
sobre a renda, os lucros verificados e os pagamentos feitos aos alumnos.
   

  

 CAPITULO X
   

 DAS DIARIAS
   

  

**Artigo 68.** 
 - Os alumnos das Escolas Profissionaes terão direito a diarias que, annualmente, serão arbitradas pelo 
Secretario do Interior, tendo em vista a respectiva dotação orçamentaria.
   

**Artigo 69.** 
 - As diarias serão creditadas nos boletins dos alumnos, cujos páes deverão passar recibo, e mensalmente 
entregues aos alumnos ou aos páes.
   

  

 CAPITULO XI
   

 DA SOPA ESCOLAR
   

  

**Artigo 70.** 
 - A Escola Profissional, cujo horario não permitta que o alumno tenha em sua casa uma refeição, 
poderá estabelecer a Sopa Escolar, afim de manter os alumnos sadios e aptos para as exigencias do ensino a 
que estão sujeitos.
   

**Artigo 71.** 
 - A manutenção da Sopa Escolar
deverá ser por conta da renda da propria Escola, com auxilio da
dotação commum, caso seja insufficiente á alludida
renda.
   

  

 CAPITULO XII
   

 DA BIBLIOTHECA ESCOLAR
   

  

**Artigo 72.** 
 - A Bibliotheca Escolar será composta de obras technicas e litterarias para estudo e consulta dos alumnos 
e mestres.
   

**Artigo 73.** 
 - E' permittido o emprestimo de livros aos alumnos o mestre, desde que para isso sejam dadas as precisas 
garantias de conservação e devolução.
   

**§ unico. -** 
 As obras seleccionadas ou de elevado custo ou
raridade não poderão ser consultadas fóra do
estabelecimento.
   

**Artigo 74.** 
 - A Bibliotheca Escolar estará a cargo do escripturario, tendo fiscalisada pelo director e seu auxiliar.
   

  

 CAPITULO XIII
   

 DAS SECÇÕES INDUSTRIAES
   

  

**Artigo 75.** 
 - Como auxilio ao desenvolvimento das Escolas
Profissionaes, poderá ser installada uma «
Secção Industrial», especialmente destinada
ás encommendas particulares.
   

**Artigo 76.** 
 - Na Secção Industrial poderão
ser aproveitados os alunnos diplomados pela Escola, afim de lhes ser
facilitada, por meio de uma porcentagem nas obras que executarem, a
formação de um peculio que os auxilie depois na vida
pratica.
   

**Artigo 77.** 
 - A Secção Industrial deverá ser mantida com a sua propria renda, podendo para ella contractar o directo 
mestres que se recommendem pela sua compostura e bons costumes.
   

**§ unico. -** 
 Esses mestres serão admittidos e dispensados a juizo do director.
   

**Artigo 78.** 
 - O director poderá contractar directamente
todas as obras que tiverem de ser executadas na Secção
Industrial.
   

**Artigo 79.** 
 - Nas escolas que mantiverem Secções Industriaes, terão o Director seu Auxiliar e o Zelador-Almoxarife, 
uma bonificação de 10%, 5% e 2% , respectivamente, da renda geral.
   

  

 CAPITULO XIV
   

 DAS DISPOSIÇÕES GERAES
   

  

**Artigo 80.** 
 - A escripturação nas Escolas Profissionaes será feita nos seguintes livros:
   

**a)** 
 A cargo do director:
   

**1. -** 
 Caixa;   
   

 2.
 
 - Matricula;
   

**3. -** 
 Promoções.
   

**b)** 
 A cargo do auxiliar do director:
   

**1. -** 
 Diarias dos alumnos;
   

**2. -** 
 Registo de notas dos fornecedores;
   

**3. -** 
 Registo de facturas;
   

**4. -** 
 Registo dos balanços do ferramental das officinas;
   

**5. -** 
 Registo do material manufacturado existente em deposito.
   

**c)** 
 A cargo do escripturario:
   

**1. -** 
 Registro de despezas de expediente;
   

**2. -** 
 Registo de despezas feitas com a renda da Escola;
   

**3. -** 
 Registo da producção da Escola e seu destino;
   

**4. -** 
 Diario;
   

**5. -** 
 Contas correntes;
   

**6. -** 
 Razão, além de outros livros auxiliares;
   

**d)** 
 A cargo dos professores e mestres:
   

**1. -** 
 Chamada;
   

**2. -** 
 Registo de entrada de materiaes na officina.
   

**§ unico. -** 
 Quando as
Escolas não tiverem auxiliar, serviço de
escripturação, com excepção dos livros de
matricula e caixa, será feito pelo escripturario.
   

**Artigo 81.** 
 - O pessoal das
Escolas Profissionaes esta sujeito ás penas diciplinares de que
trata o regulamento geral da Instrução Publica. 
   

**Artigo 82.** 
 - Nos cursos de Marcenaria, desde que o numero de alumnos adeantados exceda de 40, poderá ser admittido 
um segundo mostre.
 
  

**Artigo 83.** 
 - Nas escolas
profissionaes da Capital, que mantiverem cursos nocturnos de
aperfeiçoamento, o director, o auxiliar do director, o
zelador-almoxarife e os serventes terão uma
gratificação mensal de 200$000, 100$000, 50$000 e 25$000,
respectivamente.
   

**§ unico. -** 
 Ao director,
auxiliar do director, zelados, almoxarife e serventes das escolas
profissionaes do interior,
que tiverem desdobramento nocturno, caberão, respectivamente, as
gratificações mensaes de 100$000, 50$000, 25$000 e
15$000.
   

**Artigo 84.** 
 - O cargo de
director das escolas profissionaes será exercido por professor
normalista, ou por brasileiros diplomados por escolas technicas, que se
tenham especialisado nesse ramo de ensino, mediante
publicação de obras a respeito, a juiso do Governo.
   

**Artigo 85.** 
 - Os auxiliares do director deverão ser professores normalistas ou technicos de reconhecida competencia.
   

**Artigo 86.** 
 - As aulas do curso, a que se refere o artigo 4, serão regidas por professores normalistas.
   

**Artigo 87.** 
 - Os mestres serão contractados após exame pratico a que se submetterem perante o director da Escola, o 
Director Geral da Instrucção Publica e um inspector escolar.
   

**Artigo 90.** 
 - Para o cargo de escriptuario será nomeado o
candidato que tiver pratica de dactylographia e
escripturação mercantil.
   

**Artigo 91.** 
 - A Escola de Artes e Officios do Amparo passará a denominar-se - "Escola Profissional do Amparo".
   

 Secretaria de Estado dos Negocios do Interior, 7 de Abril de 1920.
   

 Oscar Rodrigues Alves.

**Fonte:** https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/1920/decreto-3188-07.04.1920.html