CorpusTeMario / validation.csv
VictorNGomes's picture
Upload 3 files
9b531b4
texto,sumario
"BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados vai gastar R$ 12,25 milhões em 1996 para conservar e reformar os 420 apartamentos funcionais ocupados pelos deputados federais. Com esse dinheiro é possívelcomprar 68 apartamentos de quatro quartos em áreas nobres de Brasília. A conta envolve desde reformas em apartamentos até a compra de eletrodomésticos e o pagamento de empresas que fazem vigilância e limpeza nos prédios. O orçamento da Câmara prevê que a conservação de cada apartamento vai custar R$ 2.400 mensais, em média. Em 1995, o gasto da Câmara com os apartamentos dos deputados foi de R$ 10,57 milhões.
Como são apenas 420 apartamentos para 513 deputados, a Câmara paga auxílio-moradia aos restantes. Neste caso, a conta é ainda mais cara. Segundo a diretoria-geral da Câmara, o auxílio-moradia é de R$ 3 mil mensais por parlamentar. O deputado tem duas maneiras de aproveitar este auxílio. A primeira é apresentar à Câmara notas fiscais comprovando gastos com aluguel, condomínio ou diárias de hotel. Neste caso, o parlamentar pode usar os R$ 3 mil por mês sem pagar qualquer imposto.
A outra alternativa é simplesmente ficar com o dinheiro, sem dar comprovação nenhuma à Câmara. Fazendo isto, o deputado paga Imposto de Renda de 25%, mas ainda consegue somar R$ 2,25 mil mensais líquidos ao seu salário de R$ 8 mil mensais. Pagar o auxílio moradia aos 83 deputados que não têm apartamento funcional consome mais R$ 2,98 milhões anuais da Câmara.
O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) fez o levantamento dos gastos da Câmara com imóveis no Siafi, o sistema informatizado que controla todos os gastos públicos da União. Carvalho diz que o valor que é gasto na manutenção dos apartamentos funcionais e no pagamento do auxílio-moradia é muito alto. ""Se a Câmara quer manter os imóveis para os parlamentares deveria deixar que eles pagassem as despesas de condomínio, como vigilância e limpeza. O auxílio-moradia também deveria seguir os valores de mercado da cidade"", argumenta.
Em Brasília, um apartamento de quatro quartos como os da Câmara pode ser alugado por um valor entre R$ 1.300 e R$ 1.500mensais. Carvalho tentou abrir mão do auxílio-moradia, mas teve o pedido negado pela buracoracia da Câmara. Optou então por entregar o valor recebido a uma creche de Brasília.
A Câmara equipa os imóveis funcionais dos parlamentares com móveis e eletrodomésticos.
Em 1995, comprou 406 fogões marca Dako-Magister, pagando R$ 160 mil pelo lote. Também foram comprados 376 refrigeradores, por R$ 206 mil, e 350 máquinas de lavar roupas, ao custo de R$ 244 mil.
Luís Eduardo -Outra fonte de gastos é a reforma periódica dos apartamentos. Notas de empenho de despesa encontradas por Augusto Carvalho mostram que no ano passado a Câmara gastou R$ 212 mil com reformas e reparos em 18 apartamentos funcionais.
Os maiores gastos são com despesas que em prédios normais caberiam ao condomínio, como a contratação de empresas de vigilância, limpeza e zeladoria dos imóveis. Em 1995, estas despesas consumiram R$ 2,7 milhões, segundo o levantamento feito pelo deputado Augusto Carvalho. Outros R$ 3,66 milhões foram gastos na ""conservação"" dos prédios.
A empresa Dinâmica Serviços Gerais, encarregada da conservação, limpeza, portaria, zeladoria e controle das garagens dos prédios em que ficam os apartamentos funcionais da Câmara, recebeu em 1995 R$ 147 mil por mês. No final do ano, o contrato foi prorrogado e o valor reajustado para R$ 202 mil mensais.
Outra empresa, a Ipanema Serviços Gerais e Transportes, ganhou o contrato para serviços de copa, cozinha, limpeza e conservação da residência oficial do presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), por R$ 3 mil mensais.
A Câmara paga até mesmo o gás de cozinha consumido nos apartamentos funcionais dos deputados.
","Em 1996, a Câmara dos Deputados gastará, para a conservar e reformar os 420 apartamentos funcionais ocupados por deputados, o equivalente para comprar 68 apartamentos de quatro quartos em áreas nobres de Brasília--- uma média de CR$2.400 mensais.
Para os que não conseguem esses apartamentos, gasta-se um pouco mais com o auxílio-moradia de CR$3.000 mensais, o que totaliza R$ 2,98 milhões por ano.
O deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) , que fez o levantamento dos gastos , acha esse valor muito alto e sugere que , pelo menos, os gastos de condomínio deviam ser pagos pelos deputados, e que o auxílio-moradia devia acompanhar os preços do mercado. Ele próprio quis recusá-lo , mas não pôde. Optou por doá-lo a uma creche de Brasília.
A compra de fogões , refrigeradores, máquinas de lavar , reformas periódicas dos apartamentos , contratação de empresas de vigilância, limpeza e zeladoria constituem outras despesas onerosas mantidas por dinheiro público.
"
"Dois meses depois de amargar a reprovação de 86% dos cariocas - que o consideraram omisso quando da enchente responsável pela morte de 67 pessoas -, o governador Marcello Alencar conseguiu recuperar, em parte, a credibilidade junto ao eleitor. A pesquisa JB-Vox Populi feita nos dias 30 e 31 de março com 697 moradores da capital apontou um índice de 54% de avaliação positiva do governo do Rio de Janeiro.
Sem dúvida, é uma recuperação, mas a administração do governador teve muito mais conceito péssimo (18%) do que ótimo (4%). A maior parte dos eleitores ouvidos (32%) classificou o governo de regular positivo. Outros 18% consideraram bom; 17% optaram pela avaliação regular negativa; e 10% disseram que a administração Marcello Alencar é ruim. Procurado pelo JORNAL DO BRASIL, o governador não quis comentar o resultado da pesquisa.
O diretor do Vox Populi, Marcos Coimbra, chama a atenção para o fato de os eleitores da capital serem mais normalmente mais exigentes e críticos com os governantes do que os do interior. ""No Rio de Janeiro, então, o resultado não é de se estranhar, porque a cidade tem uma tradição oposicionista intensa. Marcello Alencar sofre oposição tanto à direita quanto à esquerda"", analisa Coimbra.
Na avaliação do sociólogo, o carioca reage imediatamente a situações extremas. O eleitor da capital foi decisivo para eleger Marcello Alencar no segundo turno. O atual governador teve 56% de votos na cidade do Rio, contra 32% de seu adversário, o pedetista Anthony Garotinho. Mas, diante de uma calamidade como a enchente de fevereiro deste ano, o carioca protestou: em pesquisa feita também pelo Vox Populi para o JB, 86% consideraram regular, ruim ou péssimo o desempenho do governador na época. E 78% disseram que não votariam em Marcello para prefeito. Entre os cariocas ouvidos, 68% garantiram que não votariam em um candidato apoiado por ele. Passada a indignação com a tra gédia causada pelas chuvas, parte do eleitorado carioca voltou a ver pontos positivos na administração de Marcello.
O governador tucano começou o governo em alta junto ao governo federal. Logo no início do ano passado, conseguiu do presidente Fernando Henrique Cardoso a promessa de investimentos no Rio, para obras como ampliação do Porto de Sepetiba e conclusão do metrô. Além disso, conseguiu trazer para o Rio a primeira fábrica de caminhões da Volkswagen, o que lhe garantiu grande prestígio com a população. Nem tudo, porém, foi bem no governo Marcello Alencar. A onda de seqüestros, a partir de junho de 1995, levou os cariocas a cobrar uma polícia mais eficiente e menos corrupta. E as chuvas de fevereiro ajudaram a afundar a popularidade de Marcello, agora parcialmente recuperada.
Hoje, Marcello equilibra-se em uma corda bamba. Teve a aprovação de pouco mais da metade dos entrevistados. Em uma comparação com os demais governadores tucanos, ficou bem atrás (54%) de Tasso Jereissati (76%) e Eduardo Azeredo (70%), mas saiu-se melhor do que Mário Covas, de São Paulo, que teve 47% de avaliação positiva.
","A enchente responsável pela morte de 67 pessoas levou o governador do Rio de Janeiro, Marcello Alencar, a ser reprovado por 86% dos cariocas. Passados dois meses, já obteve 54% de avaliação positiva.
É uma recuperação, mas que ainda convive com 18% de péssimo contra só 4% de ótimo.
O diretor do Vox Populi , Marcos Coimbra, alerta para o fato de ser comum essa maior exigência nas capitais , com ênfase na cidade do Rio de Janeiro.
O mesmo carioca que foi decisivo para lhe dar a vitória no segundo turno (56% contra 32% de Garotinho) foi intransigente depois da tragédia das chuvas.
No início de 1995, Alencar conseguiu do presidente Fernando Henrique promessa para investimentos no Rio: ampliação do Porto de Sepetiba e conclusão do metrô. Também trouxe a primeira fábrica de caminhões da Volkswagen , o que ampliou seu prestígio com a população. Mas logo a onda de seqüestros motivou a cobrança de uma polícia eficiente e menos corrupta.
Em comparação com outros governadores tucanos, equilibra-se: 54% , contra 76% de Tasso Jereissati, 70% de Eduardo Azeredo . Mas cima de Covas , que teve 47%."
"MARABÁ, PA - O Ministério da Justiça encontrou indícios de que parte dos 19 sem-terra mortos pela Polícia Militar do Pará podem ter sido executados. Vários cadáveres apresentam tiros na testa e dois dos mortos tiveram a cabeça destruída por tiros. Alguns sem-terra têm marcas de pólvora no rosto, indicando que podem ter sido mortos por disparos à queima-roupa, e outros levaram tiros certeiros no coração. ""Infelizmente, há fortes indícios de que houve execuções"", conclui o advogado Percílio Neto, um dos dois membros do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana enviados ao Pará pelo ministro da Justiça, Nelson Jobim, para investigar o massacre. Para Percílio ""não há dúvida de que a PM cometeu um crime.""
Imagens feitas pela TV Liberal do Pará durante o conflito mostram que os policiais militares chegaram à área onde os sem-terra estavam acampados na rodovia PA-150, disparando bombas de gás lacrimogênio. Os agricultores reagiram atirando pedras e partindo para cima dos policiais com facões e cacetes. Os policiais reagiram atirando com fuzis e metralhadoras. Pelo menos dois militantes do Movimento dos Sem Terra estavam armados de revólveres, segundo as imagens da TV.
Desobstrução - Os sem-terra foram mortos no final da tarde de quarta-feira. O conflito começou pouco depois das 16h, quando 150 policiais militares chegaram à área onde estavam acampados cerca de 1.500 sem-terra. O objetivo era forçá-los a desobstruir a rodovia PA-150, que tinham ocupado para protestar contra o atraso na desapropriação de terras para reforma agrária.
O secretário de Segurança do Pará, Paulo Sette Câmara, disse que autorizou os policiais a agirem ""com a força necessária"" para forçar os sem-terra a deixarem a estrada. ""Se encontrassem resistência, eles estavam autorizados a reagir e inclusive a atirar se isso fosse necessário. O segredo era dosar a força. Pelos resultados, houve excesso no esforço policial"". O major Pantoja de Oliveira, que comandou a operação, foi afastado ontem do comando do batalhão de Marabá.
Segundo os sem-terra que estão feridos em hospitais de Marabá, a polícia já chegou à área atirando. ""Eles não deram nenhum aviso. Cercaram a gente e foram metendo bala"", diz o agricultor Enos Pereira Brito, baleado no pé direito e na perna esquerda.
Algemado -Maria Abadia Barbosa, de 57 anos, que levou dois tiros na parte de trás da coxa, acusa os policiais de terem assassinado Oziel Pereira, um dos líderes do movimento dos sem-terra. ""O Oziel já estava preso, algemado, e continuou apanhando. Aí, um dos policiais segurou ele pelos cabelos e outro atirou bem na cara dele"", conta.
Josimar Pereira Freitas, outro sem-terra ferido, diz que viu Oziel ser algemado pelos PMs. ""Ele estava vivo quando prenderam ele. Depois apareceu com um tiro na cara"", denuncia.
A Polícia Civil do Pará estima que pelo menos 36 sem-terra estejam feridos, mas o número de vítimas pode chegar a 50. Os 19 corpos dos sem-terra foram levados para Marabá e só chegaram ao IML às 7h05 de ontem, mais de 12 horas depois do encerramento do conflito. Os cadáveres chegaram em um caminhão e foram empilhados em uma sala do IML, com a porta aberta. Os legistas só chegaram ao IML às 16h, quase um dia inteiro depois das mortes.
O ministro Nelson Jobim esteve em Marabá ontem, mas não chegou a sair do avião. Ele deixou na cidade como representantes dois integrantes do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e o assessor de imprensa do ministério. Jobim seguiu para Belém onde foi se reunir com o governador Almir Gabriel (PSDB).
","O Ministério da Justiça encontrou indícios de execução de alguns sem-terra pela Polícia Militar do Pará: marcas de pólvora no rosto, cabeças destruídas por tiros. Para o advogado Percílio Neto , do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, houve crime da polícia.
Imagens feitas por uma TV local mostram os soldados disparando gás lacrimogêneo sobre os acampados na rodovia PA-150, que protestavam contra a demora de desapropriação para reforma agrária.. Os sem-terra reagiram com pedras , facões e cacetes. Os policiais atiraram com fuzis e metralhadoras.
O secretário de Segurança do Pará disse que autorizou a força necessária, mas admite, a partir dos resultados, que houve exagero.
Os depoimentos dos feridos em hospitais de Marabá confirmam que a polícia chegou atirando, sem nenhum aviso. Pela fala de dois feridos , um dos mortos, Oziel, já estava preso e algemado , e apareceu morto com um tiro na cara.
Os cadáveres, empilhados numa sala do IML, só foram atendidos pelos legistas quase 12 horas depois.
O ministro da Justiça, Nelson Jobim, esteve na cidade , mas não desceu do avião. Foi reunir-se com o governador do Estado. "
"BRASÍLIA - Críticas ao decreto que permite a revisão de áreas indígenas que ainda não foram registradas vão marcar, hoje, o Dia do Índio. O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) anunciou ontem que vai realizar um trabalho paralelo para fiscalizar a análise das 56 áreas indígenas que estão sendo contestadas com base no decreto, assinado em janeiro pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A Funai tem ainda 50 dias para justificar os limites das áreas questionadas por seus antigos ocupantes. Depois caberá ao ministro da Justiça, Nélson Jobim, dar a palavra final sobre as contestações.
De acordo com a Funai, das 56 áreas contestadas, 31 não atendem às exigências do decreto. São áreas registradas, como é o caso da reserva dos ianomâmi, em Roraima e Amazonas; de áreas que ainda não haviam sido criadas, e ainda de contestações que chegaram à Funai depois do prazo fixado pelo Ministério da Justiça. Há também situações polêmicas, como a área interditada para os avá-canoeiros, que são índios ainda isolados. O grupo vive em Tocantins, na região que, em parte, será alagada pela hidrelétrica de Serra da Mesa.
ONGs - A contestação da área dos avácanoeiros foi criticada por integrantes de organizações não governamentais (ONGs) que participaram de audiência pública na Comissão do Meio Ambiente e Minorias da Câmara. As contestações partiram de pessoas físicas e jurídicas, prefeituras e governos estaduais. O governo do Rio de Janeiro entrou com uma ação contra a criação da área de Parati-Mirim. A área do Baú, no Pará, onde vive um sub-grupo de índios caiapós, é reinvidicada pela Prefeitura de Novo Progresso. Os governos do Pará e de Mato Grosso entraram com contestações contra a demarcação da área dos índios panará. Também são contestadas pelo governo do Pará as reservas de apitereua, arauetê do igarapé Ipixuna, Cachoeira Seca, Praia do Índio, Praia do Mangue, Rio Curuá, Rio Paru de Este, Trincheira Bacajá e Parque Indígena do Tumucumaque.
O governo de Rondônia contesta uma área interditada pela Funai no Rio Mequens, onde no ano passado foram localizados índios isolados, e o governo de Roraima discorda da demarcação contínua da área de Raposa/Serra do Sol, onde vivem índios macuxis e uapixanas. As contestações envolvem a anulação da homologação, anulação de portaria declaratória, revisão de limites e indenização de terra.
Decreto - O ministro Nélson Jobim, desde o início do governo, defendeu como prioridade rever o decreto do ex-presidente Fernando Collor, que dava amplos poderes à Funai para criar e demarcar áreas indígenas. Segundo Jobim, o decreto não previa o direito de defesa das pessoas que se sentem prejudicadas com as demarcações (contraditório). Mesmo com as pressões das ONGs e dos próprios técnicos da Funai, o governo revogou o decreto de Collor e abriu a possibilidade de revisão de áreas demarcadas a partir de 1991.
O número de áreas passíveis de contestações era 201, mas segundo a Funai, 56 foram questionadas. Do total, 23 receberam mais de uma contestação. O número total de contestações chega a 536. O Conselho Indigenista Missionário discorda desses número, e garante que foram mais de mil contestações.
O ministro da Justiça retirou da lista 17 questionamentos apresentados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis. O Ibama queria rever a situação de áreas onde parques nacionais convivem com áreas indígenas, como é o caso dos índios pataxós, na Bahia.
","O Dia do Índio , hoje, vai ser marcado por críticas ao decreto que permite a revisão de áreas indígenas ainda não registradas. O Conselho Indigenista Missionário pretende realizar um trabalho paralelo para acompanhar os trâmites da contestação de 56 áreas indígenas , baseada num decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de a Funai justificar os limites das áreas contestadas, a decisão é do ministro da Justiça.
Das áreas contestadas, segundo a Funai , há as que não atendem às exigências do decreto, por serem áreas registradas, ou que ainda não tinham sido criadas, ou por terem a contestação fora de prazo.
As contestações partiram de pessoas físicas, jurídicas , de prefeituras e de governos estaduais. E se referem a áreas de vários estados: Rio de Janeiro, Pará, Mato Grosso, Rondônia.
A briga promete, pois, em contraposição às reivindicações dos interessados, há ONGs acompanhando o desenrolar das conversações. "
"O ex-senador Nelson Carneiro, 85 anos, um dos mais ativos legisladores da política brasileira durante 48 anos, morreu ontem, às 18h50, em casa, em Niterói. O governador do Rio, Marcello Alencar, e o prefeito César Maia decretaram luto oficial por três dias no estado e no município. O corpo está sendo velado na Câmara Municipal do Rio e o enterro será hoje, às 17 horas, no Cemitério São João Batista. Sua filha, a deputada federal Laura Carneiro, contou ontem que seu pai conversava com um amigo quando morreu. Nelson Carneiro tinha recebido alta hospitalar há poucos dias, depois de serecuperar de uma anemia e submeter a cirurgia abdominal laparoscópica feita em dezembro, em São Paulo. O ex-senador há 15 anos teve um câncer no estômago. O ex-senador esteve internado de 16 a 31 de janeiro, no Hospital Samaritano, no Rio, depois de passar 40 dias no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para se recuperar da cirurgia. Os médicos tinham conseguido reverter um quadro de desidratação e desnutrição.
Em 1980 teve que ser operado de diverticulite (inflamação na parede do intestino grosso) com urgência em São Paulo. Em novembro de 92 foi internado na Casa de Saúde São José, no Humaitá, por causa de um derrame cerebral. Em 1972 já tinha sofrido acidente vascular cerebral no México, por causa da altitude. Desta vez seu diagnóstico foi hipertensão. Em novembro de 94, foi internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, por causa de um stress. Fez exames de rotina.
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em Brasília, que ""Nelson Carneiro dedicou toda sua vida à defesa e consolidação da democracia. Foi também um dos principais arautos dos direitos da mulher no Brasil. Sua morte nos deixa tristes. Durante longos anos, ele iluminou os debates no Congresso Nacional.""
A morte do ex-senador foi recebida com pesar no Congresso Nacional. A sessão plenária de hoje não será suspensa, mas se transformará em homenagem à sua memória. ""Ele foi a imagem do homem dedicado ao parlamento"", disse ontem o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP).
Os dois senadores que o derrotaram na eleição passada foram os que mais choraram o desaparecimento do ex-parlamentar. ""Sempre lamentei tê-lo derrotado, mas não fui só eu. Não se esqueça da Benedita"", disse o senador Artur da Távola (PSDB-RJ). Mas a senadora petista lembrou: ""Nelson, junto com o PT, apoiou o PDT a meu pedido"".
Mas Artur da Távola não quis relembrar as críticas feitas por Nelson ao governador do Rio, Marcello Alencar, no discurso de despedida do Senado, quando chamou o governador de ""judas carioca"", e o acusou de prejudicar sua tentativa de reeleição. ""Foram resquícios da campanha eleitoral"", deixou escapar Távola.
Para ele, Nelson Carneiro ""é um dos poucos parlamentares que podem se orgulhar de ter uma obra legislativa completa, marcando a mudança na face da sociedade brasileira"". A senadora Benedita da Silva (PT-RJ) reagiu com emoção: ""Perdemos o grande parceiro na luta pelos direitos das mulheres. Nelson deve ser lembrado como o senador amigo das grandes causas feministas"", disse a senadora.
Nelson Carneiro era casado com Carmem e tinha três filhos do seu primeiro casamento: Jorge Miguel, 42 anos; Luíza, 40 anos e Laura, 32 anos.
Um político obstinado, caxias, defensor dos direitos da mulher e extremamente emotivo. Com esse perfil, os 65 anos de vida pública de Nelson Carneiro se confundem com a história política do país. Depois de cinco mandatos como deputado, três como senador e 32 horas como presidente da República - em 1990, durante uma viagem de José Sarney -, Nelson Carneiro é considerado um dos mais destacados legisladores, com mais de 500 projetos, a maioria convertida em leis.
Mas, sem dúvida, a Lei do Divórcio, aprovada em 1977, foi a mais famosa de sua biografia política. A conquista ocorreu depois de 30 anos de luta contra a Igreja Católica, apesar de católico praticante fervoroso, devoto de Nosso Senhor do Bonfim - como todo bom baiano - e até coroinha durante a infância. Nelson Carneiro atribuiu a derrota nas eleições de 54 para a Câmara de Deputados por sua defesa obstinada ao divórcio. Também foi autor do projeto que previa a equiparação da mulher casado ao marido (Lei número 4.121) e do que assegurava pensão aos filhos de qualquer condição.
A derrota de 54, no entanto, não foi a maior decepção sofrida por Nelson ao longo de sua vida pública. Ela veio 40 anos depois, quando o senador, então filiado ao PP, concorreu à reeleição na coligação PSDB/PP/PFL/PL, ao lado do então candidato ao governdo do Rio Marcello Alencar. Em uma entrevista emocionada - que o levou às lágrimas -, no dia 7 deste mesmo ano, Nelson Carneiro anunciou seu rompimento com Marcello.
Nelson Carneiro atribuiu sua derrota ao empenho do tucano em eleger somente o outro candidato ao Senado da chapa, Artur da Távola (PSDB). ""Fui traído calculadamente e a sangue-frio"", desabafou. Nem mesmo o então candidato à presidência da República, Fernando Henrique Cardoso, escapou da mágoa do senador, que o criticou pela omissão diante do fato. Na época, Nelson divulgou documento desfiando uma sucessão de episódios em que Marcello favorecia Távola.
Entre as provas, o senador citou a ausência de outdoors com fotos suas - apesar de ter posado ao lado de Marcello e Távola - e chegou a dizer que não era convidado a participar dos eventos de Fernando Henrique que, junto com Marcello e Távola, percorria o Rio no avião do ""feliz banqueiro"" Ronaldo César Coelho. Também não perdoou o fato de uma emissora de TV ter registrado a imagem de Marcello votando apenas em Artur da Távola para o Senado. Depois do incidente, Nelson apoiou, no segundo turno, a candidatura do pedetista Anthony Garotinho ao governo do estado.
Enxugando as lágrimas em um lenço branco, ele afirmou na entrevista que esperava, até o fim do mandato, aprovar um projeto que garantia às mães o direito de escolher com quem ficaria a guarda dos filhos após a separação. ""Sempre me comovo com aos causas ligadas à mulher"", justificou. Esta, no entanto, não foi a única ocasião em que Nelson deixou extravasar a emoção. Chorou também em fevereiro de 95, ao ouvir o Hino Nacional durante sua despedida do Senado Federal.
Nascido em Salvador, em 1910, Nelson cursou Direito na Universidade Federal da Bahia. Lá teve seu primeiro contato com a política, filiando-se ao Partido Democrático Universitário da Bahia. Em 1929, iniciou sua carreira jornalística em O Jornal. Especialista em direito da família e em direito das sucessões, começou a se sensibilizar com os dramas das famílias constituídas que não podiam ser legalizadas. Em 45, filiou-se à União Democrática Nacional (UDN) e foi eleito suplente de deputado pela Bahia à Assembléia Nacional Constituinte. Como jornalista, Nelson fez a cobertura do evento para o JORNAL DO BRASIL, onde escreveu como colaborador até a década de 70.
Em 47, assumiu uma cadeira na Câmara, participando da Comissão de Legislação Social e da Comissão Especial de Proteção à Natalidade. Três anos depois, foi eleito deputado federal pela Bahia. Em 53, filiou-se ao Partido Libertador (PL). Mudou-se para o Rio e, em 58, elegeu-se pelo Partido Social Democrático (PSD) carioca. Com a transferência da capital para Brasília, passou a representar o estado da Guanabara. Eleito vice-lider do PSD, presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o petróleo e a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Em setembro de 61, após a renúncia do presidente Jânio Quadros, relatou e conduziu a votação da Emenda Constitucional número 4, que instituiu o parlamentarismo no Brasil. Continuou a carreira política no Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Nas eleições para o Congresso, em 1978, foi ele quem desafiou a proibição de se fazer campanha nas ruas, ao comandar uma passeata na Avenida Rio Branco, enfrentando o cerco de mais de mil soldados. Nesse mesmo ano ele acrescentou a sua biografia outro feito eleitoral, ao eleger-se com mais de 2,2 milhões votos.
","As manifestações protocolares pela morte do ex-senador Nelson Carneiro contêm , naturalmente, as frases feitas típicas dos meios oficiais. Mas , entre elas, existe uma, do ex-presidente Sarney, que talvez seja a que melhor defina sua condição de homem público: Ele foi a imagem do homem dedicado ao parlamento”.
Nasceu em Salvador em 1910, cursou Direito na Universidade Federal da Bahia. No seu Estado, fez a iniciação política e exerceu o jornalismo.
Sua experiência de 65 anos de vida pública permitiu que ele percorresse várias instâncias do Poder Legislativo e vivenciasse múltiplas circunstâncias da nossa história política. Inclusive durante a Revolução de 1964, quando comandou uma passeata na Av. Rio Branco, em 1978, desafiando uma proibição do poder militar.
Mas a luta que melhor caracterizou sua persistência e seu perfil de político foi aquela travada pela legalização do divórcio, que lhe custou 30 anos de enfrentamento com a Igreja Católica. Sua posição não era, porém, de ressentido contra a Igreja, mas de profissional consciente da legitimidade do direito pelo qual lutava. De fato, as causas que, de uma forma ou outra, envolviam os direitos da mulher mereceram dele um empenho desde muito cedo.
Além da persistência , a emotividade --- muitas vezes extravasada em choro, publicamente---- era outro componente de sua personalidade. Parece que uma e outra estão relacionadas com as doenças que o acometeram: hipertensão , problemas vasculares, câncer de estômago podem ter sido resultado da emotividade; e o drible por muitos anos dos seus problemas de saúde pode ter resultado da sua persistência.
Entre as manifestações de pesar, estão as de concorrentes políticos que o venceram nas últimas eleições. As do senador Artur da Távola ---“Sempre lamentei tê-lo derrotado, mas não fui só eu”--- disfarçam mal a hipocrisia, comum no ambiente político. Nélson Carneiro ficou magoado com a nítida tendência do presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador do Rio, Marcelo de Alencar, a favor de Artur da Távola nas últimas eleições. Se pudesse ouvir, reclamaria no túmulo "
"BRASÍLIA - Os sucessivos atrasos na votação da reforma da Previdência levaram ontem o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) à irritação: ele decidiu pular a etapa da Comissão Especial e remeteu a emenda para ser debatida no plenário. O presidente Fernando Henrique Cardoso foi informado por telefone e, logo depois, Luís Eduardo avisou os líderes dos partidos do governo. ""Nós íamos continuar com aquela confusão lá na comissão e, depois, novamente, aqui no plenário. Então, é melhor enfrentá-la aqui"", disse ao líder do PSDB, José Anibal (SP).
Ao remeter a emenda - que continuará sendo relatada pelo deputado Euler Ribeiro (PMDB-AM) -, Luís Eduardo utilizou um recurso legal para eliminar uma etapa do processo, com três meses de atraso: extinguiu a Comissão Especial que analisava a reforma. O cronograma prevê a leitura do relatório de Euler na terça-feira, para que o plenário possa discuti-lo e votá-lo em primeiro turno já no início de março.
""Ganhamos uma etapa dificílima, quando seriam votados 302 destaques"", comentou o líder do governo, Luiz Carlos Santos (PMDB-SP). Mas para que este tempo seja efetivamente ganho, o governo terá que garantir, na terça, um quórum de 308 deputados.
Os líderes dos partidos do governo começaram ontem mesmo a convocar suas bancadas. Para ajudar na mobilização, o presidente da Câmara vai punir os faltosos com desconto no salário. ""A base governista vai ser convocada e responderá ao nosso apelo, com o número necessário"", garantiu o líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE).
A decisão de enviar a reforma diretamente para o plenário não muda o acordo firmado com as centrais sindicais. Ontem mesmo, o presidente Fernando Henrique Cardoso fez questão de deixar isto claro, ao receber no Palácio do Planalto os presidentes da Força Sindical, Luís Antônio de Medeiros, e da Central Única dos Trabalhadores, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. ""O presidente reafirmou que a intenção do governo, ao negociar com as centrais, é séria"", informou Vicentinho ao deixar o palácio.
Fernando Henrique deu total apoio à decisão de Luís Eduardo. No telefonema, o presidente da Câmara contou que a situação estava insustentável e que a Casa corria o risco de sair do processo desmoralizada, por criar uma confusão depois que o governo e as centrais sindicais tinham chegado a um acordo.
Luís Eduardo contou que o presidente da Comissão Especial, deputado Jair Soares (PFL-RS), havia renunciado, e que o relator também ameaçava sair. Por isso, decidira intervir.
O presidente da Câmara não fez mais do que cumprir a ameaça que havia feito, há tempos, a Jair e Euler. ""O Luís Eduardo assumiu o comando do processo. Está restabelecida a autoridade da Câmara"", comemorou o vice-líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP).
No fim da tarde, restava lamentar o tumulto. Até o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), prometia convidar Jair a voltar atrás e desistir de deixar o partido. ""Ainda confio nele. Estava só pensando no regimento, agindo de forma correta... Aqueles xingamentos, aquelas coisas são da hora da cabeça quente. Passamos dois dias tensos aqui, com pressões de todo lado..."", justificou.
A oposição, que assistiu de camarote à confusão governista, concluiu que saiu ganhando. ""As centrais sindicais aumentaram o cacife na negociação"", apostou o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ). ""Vai ser uma parada de alto risco"", disse o petista José Genoíno (SP).
Já os aliados temem perder o controle da situação, a exemplo do que ocorreu na votação do projeto sobre a contribuição previdenciária dos inativos do serviço público, quando o governo foi derrotado.
","Com a extinção da Comissão Especial, que estudava a reforma da Previdência, o presidente da Câmara , Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA) abreviou o processo de discussão da emenda, remetendo-a diretamente ao plenário.
Tanto o presidente Fernando Henrique quanto o líder o governo, Luiz Carlos Santos , aprovaram o expediente. O cronograma previa a leitura do relatório do deputado Euler Ribeiro, a discussão pelo plenário e a votação em pouco tempo.
Os líderes dos partidos do governo já começaram a convocação das bancadas , e o presidente da Câmara prometeu punir os faltosos , com desconto.
A decisão de enviar a reforma diretamente ao plenário não muda o acordo com as centrais sindicais. O próprio Fernando Henrique esclareceu isso, ao receber no Palácio os presidentes da Força Sindical e da CUT. Luís Eduardo temia uma confusão incontrolável e a desmoralização da Cãmara se não fosse respeitado o acordo com as lideranças sindicais.
Com a renúncia do presidente da Comissão Especial, deputado Jair Soares, e com a ameaça do relator, certamente o clima esquentou. Houve a intervenção da turma do deixa-disso ,e os aliados temem perder o controle da situação."
"BRASÍLIA - ""Não preciso desta m....!"" Com este grito de independência e vários outros palavrões, o presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, deputado Jair Soares (sem partido-RS), renunciou ontem ao cargo e impediu que o relatório do deputado Euler Ribeiro (PMDB-AM) fosse votado. Jair deixou também o PFL - do qual era presidente regional - e, conseqüentemente, a vice-liderança do partido na Câmara.
A atitude de Jair foi uma resposta às pressões do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), para que ele desrespeitasse o regimento interno da Câmara e abrisse o processo de votação de qualquer maneira. A tática havia sido acertada na noite de anteontem, mas Jair denunciou o acordo e terminou o dia como um mártir da oposição.
Minutos depois de saber que Jair iria acatar um requerimento do líder do PDT, Miro Teixeira (RJ) - pedindo tempo, pelo menos até terça-feira, para que o plenário da comissão analisasse os pontos novos do relatório -, Inocêncio começou a agredir verbalmente o colega. De onde se encontrava, ao lado do líder do governo, Luiz Carlos Santos (PMDB-SP), e do deputado Benito Gama (PFL-BA), empinou o dedo para Jair, que ainda presidia a sessão, e xingou: ""Seu safado!""
Imediatamente, Jair suspendeu os trabalhos e saiu do plenário, seguido pelo líder do governo e por Inocêncio. ""F. d. p. nenhum vai me obrigar a nada"", reagiu irritado. Inocêncio voltou à carga: ""Você vai votar, porque eu estou mandando, f. d. p.! Eu sou o líder do maior partido da Câmara e você vai fazer!"" Quando sentiram a pressão sobre o presidente, os deputados da oposição saíram em seu socorro. Começaram a gritar no plenário, a ponto de constranger os outros líderes de partidos governistas, que bateram em retirada.
Estadista - Numa sala ao lado, Jair Soares fazia um discurso de estadista: ""Tenho 62 anos de idade, 40 de vida pública, e não me importo se ficar no ostracismo. Não preciso de presidência, de PFL, de m.... nenhuma! Morro pobre, com minha consciência!"" Enquanto isso, Inocêncio bufava, cerrava os dentes e detonava: ""Ele só foi presidente porque eu deixei! Eu poderia ter nomeado a mim mesmo para a presidência da comissão!""
Quando conseguiu entrar na sala, onde Luiz Carlos tentava convencer Jair a retomar a sessão, Inocêncio ofereceu mundos e fundos - conforme o próprio Jair relataria mais tarde - para salvar a votação. Até viagem com o presidente Fernando Henrique entrou na negociação. ""Me ofereceram coisas imagináveis e inimagináveis"", contou.
Inocêncio se ofereceu até para pedir desculpas públicas por tê-lo agredido. E ainda com esperanças de reverter a decisão de Jair, impedia o deputado de voltar à sala da comissão e renunciar oficialmente. ""Você diga o que quer, para não renunciar"", implorava Inocêncio. Mas foi em vão.
Pensando estar livre, Jair voltou à sala da comissão, onde foi apoiado por membros do PT, PDT, PC do B e PPS, que o receberam com aplausos. Sentou-se, mas, antes de renunciar, Inocêncio o arrancou da cadeira, para outra conversa na sala da liderança. Novo fracasso. Na porta, parte do PT já cantava vitória e elogiava até a quarta geração de Jair Soares. ""Isso é que é atitude de estadista e gaúcho macho!"", bradava Paulo Paim (PT-RS).
Protesto - A parte do PT favorável ao acordo - ou seja, o deputado José Genoíno (SP) - entrou correndo no gabinete da liderança do governo, onde Inocêncio tentava seduzir Jair Soares. O que o líder do PFL desconhecia é que a atitude de Jair era um protesto contra tudo - inclusive contra o presidente Fernando Henrique. ""Se o governo quisesse fazer acordo, tinha que ter feito na comissão. Ou então, o presidente deveria retirar a emenda e abrir o diálogo com as centrais"", disse Jair.
O deputado precisou simular uma fuga, para se livrar de Inocêncio. Disse que ia ao banheiro. Quando percebeu que havia perdido o relator de vista, Inocêncio gritou: ""Volta aqui, Jair! Eu confiei em você, Jair!"" Quando conseguiu voltar ao plenário e, finalmente, renunciar, Jair foi novamente recebido com aplausos pela oposição. E quase saiu dali carregado como herói.
No final, já na sala da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o deputado se viu cercado por mais de 100 jornalistas e cinegrafistas, aos quais fez um relato de todo o processo de aprovação da reforma. Reafirmou sua postura contrária ao acordo - ""O governo não podia diminuir a comissão com este acordo"" -; fez críticas à emenda da Previdência - ""Quero a reforma verdadeira, não quero saber de falácia, engodo e meias-verdades"" -; e atacou o ministro Reinhold Stephanes (PFL-PR) - ""Ele não tinha clima na comissão. E não digo isso porque tenha desejado ser ministro... Se fiz campanha para o Esperidião Amin, vocês acham que eu teria a cara-de-pau de querer ministério?""
Jair atacou a negociação - ""Pau que nasce torto, torto permanece"" - e denunciou as pressões sobre o relator. Por fim, com ar de vitorioso, proclamou: ""No Rio Grande, todo mundo sabe uma frase: se quiser montar em mim, monta pelo lado certo. Porque, se montar errado, saio corcoveando...""
","A pressão do líder do PFL, Inocêncio de Oliveira , para que o presidente da Comissão Especial da reforma da Previdência, Jair Soares, votasse a emenda de qualquer jeito, provocou uma revolta incontida e a sua renúncia da presidência da comissão e da presidência regional do PFL.
Dois dias antes , tinha havido um acordo para que a votação fosse realizada à revelia do regimento interno. Foi o que Jair denunciou.
O presidente da Comissão suspendeu os trabalhos e se retirou dizendo palavrões. Inocêncio de Oliveira devolveu no mesmo nível, assumindo atitude autoritária.
Na sala ao lado, Jair discursava insistindo na sua dignidade ofendida . Depois, o próprio Inocêncio tentou convencê-lo a mudar de decisão. Fez promessas, suplicou. Inutilmente.
O retorno de Jair Soares ao plenário para oficializar sua decisão foi recebido com aplausos pela oposição.
Nem o deputado Genoíno , da oposição, mas que aceitava o acordo, conseguiu demovê-lo, pois a sua atitude incluía ,também, um protesto contra Fernando Henrique. Achava que a discussão do acordo com as centrais sindicais não podia passar por cima da comissão presidida por ele.
No final, viu-se cercado por mais de 100 jornalistas e cinegrafistas, aos quais relatou todo o processo de aprovação da reforma. "
"BRASÍLIA - Insatisfeitos com a falta de assistência médica em suas aldeias, líderes de índios xavantes de Mato Grosso invadiram ontem a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) e mantiveram o presidente da entidade, Márcio Santilli, o vice-presidente Jorge Pozzogon e dois diretores como reféns por quase uma hora. Armados com lanças, bodoques e pintados para guerra, os índios passaram uma descompostura em Santilli, que foi agarrado pelos braços e levado para a garagem da Funai.
Com os corpos pintados em vermelho e preto, os xavantes que estavam na sala de espera do presidente da Funai, tão logo conseguiram entrar no gabinete começaram a cercar Santilli. Dois deles seguraram o presidente da Funai pelos braços.
Santilli tentou dissuadi-los, dizendo que era melhor conversar. Os índios não ligaram. Para não sair arrastado, não ousou reagir. Na garagem do prédio da Funai, ouviu o sermão dos xavantes.
""Sua administração é pobre. Sua administração é suja"", insultou um dos caciques, com o dedo na cara de Santilli. Em momentos de maior irritação, o cacique chegou a empurrar o rosto do presidente da Funai. Impassível, Santilli ouviu a bronca dos xavantes. Um cacique mais idoso gritou com o presidente da Funai.
Os xavantes não aceitam a nova política da Funai de só liberar recursos para projetos auto-sustentáveis, rompendo com a política assistencialista. A população dos xavantes soma quase 8 mil índios, divididos em 80 aldeias no estado de Mato Grosso.
""Através de projetos um número maior de índios será beneficiado e não apenas as tribos cujos caciques têm acesso a Brasília"", disse o presidente da Funai, que marcou para hoje uma reunião com os caciques xavantes para discutir projetos para a área.
A intenção da Funai é desenvolver projetos de subsistência nas aldeias para tornar possível a independência financeira dos índios. ""Os índios escolhem os projetos e a Funai viabiliza com recursos e assistência técnica"", disse Santilli. Segundo ele, a Funai não tem recursos para manter uma política ""paternalista"". ""Se abrir um precedente, todos os outros índios vão querer"", disse.
Bagunça - Apesar do clima tenso, Santilli não cedeu às pressões dos caciques. Irritado, o presidente da Funai disse que a mobilização dos xavantes foi ""insuflada"" por ex-funcionários da fundação que estão descontentes com a atual administração. ""A situação dos índios é difícil, mas, com bagunça, vocês não vão conseguir nada. Vocês querem conversar ou desmoralizar o presidente da Funai?"", perguntou aos índios.
A negociação com os índios foi feita pelo diretor de Patrimônio Indígena, Odenir Oliveira, também feito refém, que falou na língua dos xavantes e conseguiu convencê-los a sentar para conversar. Santilli ainda argumentou que faltavam recursos para garantir assistência médica. Com discurso burocrático, chegou a dizer que o Orçamento Geral da União ainda não tinha sido votado pelo Congresso. ""Isso só deve acontecer em março"", justificou Santilli.
Sem muita convicção, um dos caciques pôs fim à conversa. ""Então, amanhã (hoje), vamos vir aqui às oito para começar as negociações"", disse em tom grave o cacique, pouco depois de liberar Santilli.
","Em protesto contra a falta de assistência médica, líderes de xavantes de Mato Grosso invadiram a sede da Funai e mantiveram como reféns ,por quase uma hora, o presidente , Márcio Santilli, o vice e dois diretores.
Estavam armados, pintados para guerra e com cara de poucos amigos. Agarraram Santilli e o levaram à garagem da Funai. Passaram-lhe uma descompostura , desqualificando sua administração. Um cacique empurrou seu rosto e um outro gritou com ele.
Os xavantes não aceitam a política de liberação de verbas só para projetos auto-sustentáveis, como quer a administração de Santilli.
O presidente marcou com eles uma reunião para mostrar que não há verba para assistencialismo e explicar que recursos para projetos auto-sustentáveis aproveitam a muito mais índios .
Apesar do clima, Santilli não cedeu às pressões e atribuiu a mobilização a ex-funcionários da fundação que não compartilham com administração.
O diretor do Patrimônio Indígena , Odenir Oliveira, foi quem intermediou a conversação falando na língua dos xavantes. Santilli procurou explicar-lhes como e quando o Orçamento da União liberava verbas. "
"BRASÍLIA - Pressionados pelos parlamentares, os líderes dos partidos governistas recuaram e desistiram de extinguir o Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) - uma das principais reivindicações das centrais sindicais. O futuro do Instituto será decidido em lei complementar, a ser elaborada no prazo de um ano após a promulgação da emenda da reforma da Previdência. Ontem, 447 deputados compareceram ao plenário da Câmara para ouvir a leitura do novo relatório sobre a emenda da Previdência do deputado Euler Ribeiro (PMDB-AM).
Apesar de perder a batalha do IPC, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) conseguiu garantir uma nova rodada de negociações sobre a reforma, desta vez no plenário da Câmara. ""Foi uma grande conquista, os deputados irão ouvir a opinião da sociedade civil, inclusive sobre o IPC"", comemorou o presidente da CUT, Vicentinho, após reunião com o presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). No encontro ficou estabelecido que a votação da emenda da Previdência será no dia 6 de março.
As pressões contra o fim do IPC começaram ontem cedo, logo depois que os deputados tomaram conhecimento da extinção do Instituto. ""Houve um movimento de parlamentares muito grande, que votariam contra a emenda se acabassem com o IPC"", contou o relator da emenda, deputado Euler Ribeiro (PMDB-AM). ""O problema é político e de custo"", reconheceu o líder do governo, Luiz Carlos Santos (PMDB-SP). ""A extinção do IPC não vai ser aprovada nunca pelo plenário da Câmara"", afirmou o presidente do Instituto, deputado Heráclito Fortes (PFL-PI).
Apelo - Pelos cálculos do governo, o Tesouro terá que desembolsar R$ 97 milhões para pagar indenizações a 2.017 parlamentares e funcionários que contribuem para o IPC, caso decidam acabar com o Instituto.
Além da CUT, a Força Sindical também levantou a bandeira do fim do IPC. O presidente da Força, Luiz Antonio de Medeiros, desembarcou ontem em Brasília lançando mão de todos os artíficios emocionais para convencer o relator a acabar com o IPC. ""Faço um apelo ao caboclo amazonense para que termine com o Instituto agora"", disse Medeiros, que assim como Euler Ribeiro também é do Amazonas.
O esforço de Medeiros foi em vão. Depois de uma reunião no gabinete do líder do PMDB, Michel Temer (SP), o relator já saiu com a proposta de protelar o que seria feito com o IPC. Temer era o maior defensor de que o destino do Instituto fosse definido por lei complementar. ""Estrategicamente acredito que essa saída é a mais razóavel"", disse Temer. O relator acusou todos os partidos, inclusive o PT, de defender a manutenção do IPC. ""A maioria dos petistas é industriário; eles alegam que não têm como voltar ao trabalho depois do fim do mandato"", afirmou Euler.
Novidades - Hoje pela manhã, os líderes dos partidos governistas e de oposição se reúnem novamente com Vicentinho. ""Vamos analisar o relatório e ver se todos os pontos de entendimento foram incluídos. Existem pontos, como é o caso da aposentadoria para o servidor público, que não concordamos e vamos tentar que os partidos de oposição derrubem isso no voto"", disse Vicentinho.
O novo relatório apresentado ontem pelo deputado Euler Ribeiro não trouxe muitas novidades. O relator retirou de seu substitutivo o dispositivo que permitia a criação de um imposto sobre movimentações financeiras e a centralização dos recursos previdenciários no INSS. Euler Ribeiro também modificou a redação do artigo que permitia que os servidores públicos de carreira - como juízes e professores universitários - pudessem se aposentar com o salário integral .
Ao sair de seu gabinete no ministério da Previdência para acompanhar no Congresso a leitura do novo parecer à reforma da Previdência, o ministro Reinhold Stephanes negou qualquer possibilidade de modificação na proposta em futuras negociações com sindicalistas. ""Todos os entendimentos que tinham que ser feitos já foram feitos. Não há nenhuma matéria nova"", afirmou Stephanes.
","Sob pressão dos parlamentares, os líderes dos partidos governistas desistiram da extinção do IPC ( Instituto de Previdência dos Congressistas) -defendida como prioridade pelas centrais sindicais.
Se não conseguiu a extinção do IPC , a CUT garantiu uma nova rodada de negociações sobre a reforma da Previdência , no plenário da Câmara, onde a opinião da sociedade civil, segundo Vicentinho , presidente da central sindical, poderia será ouvida pelos deputados.
O relator da emenda da Previdência, deputado Euler Ribeiro , alegou que vários deputados votariam contra ela, se fosse extinto o IPC. Houve alegação dos altos custos com o pagamento de indenizações.
Fazendo coro com a CUT, a Força Sindical também defendeu o fim do Instituto. Medeiros, presidente da entidade, foi até dramático no seu apelo ao relator Euler . Michel Temer quer que o assunto seja definido em lei complementar.
Num novo encontro de Vicentinho com os líderes dos partidos governistas e de oposição, foi analisado se todos os pontos do entendimento foram incluídos. O líder sindical, que não concorda com o tipo de aposentadoria do servidor público, pretende que os partidos oposicionistas a derrubem no voto.
A nova redação do relatório sofreu pouca modificação: retirou-se o dispositivo que criava um imposto sobre movimentações financeiras e modificou-se o artigo que permitia aposentadoria integral de juízes e professores universitários. "
"BRASÍLIA - O presidente da [Vicentinho e Hernando Uchoa Lima] Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, não confia no presidente Fernando Henrique Cardoso. ""Se me perguntarem se confio no presidente, eu digo que não. Porque a postura do governo tem sido a de quebrar acordos"", disse Vicentinho, ontem, durante palestra na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília, quando também reclamou das ""negociatas"", realizadas a portas fechadas. Vicentinho se referia aos pontos da reforma da Previdência, que haviam sido acertados com a CUT, mas acabaram não sendo incluídos no parecer do relator, Euler Ribeiro (PMDB-AM). ""Se este fato é episódico ou não, eu não sei. Eu só torço para que o presidente seja sincero, prestigie esse momento de negociação e leve a discussão para a prática. Aí sim, eu poderei dizer que confio no presidente"", afirmou.
Dizendo-se muito decepcionado com a atuação de Euler Ribeiro - que definiu como ""um deputado que foi mordido pela mosca azul e está fazendo muita besteira"" -, Vicentinho passou cerca de uma hora discutindo a reforma da Previdência com os conselheiros da OAB.
""Vocês, advogados, sabem que toda negociação tem uma prática. Mas esta foi horrível. Incluiu uma negociação séria com as portas abertas e, mais tarde, as negociatas. Se o relator tivesse colocado no relatório o que foi acertado naqueles dias, tinha ficado tudo certo"", afirmou.
Mal-estar - Mesmo aceitando conversar com o governo, Vicentinho fez questão de mostrar, no Congresso, sua postura oposicionista. Quando entrou no gabinete do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), o presidente da CUT provocou: ""Inocêncio, o homem que de inocente só tem o nome"". Diante do mal-estar, o deputado José Genoíno (PT-SP), que o acompanhava, apelou para a diplomacia: ""Mas isso é no bom sentido, lógico.""
Inabalável, Inocêncio riu e respondeu: ""Mesmo assim, isso é muito bom para mim."" Minutos depois, os fotógrafos pediram que Vicentinho apertasse a mão de Inocêncio. O presidente da CUT voltou à carga: ""Este é o encontro de dois nordestinos, um rico e outro pobre."" Inocêncio reagiu: ""Não, não, são dois pobres."" Apesar das estocadas, Vicentinho ainda conseguiu arrancar elogios de Inocêncio: ""Esse é um cabra bom, que lutou muito e, para chegar onde chegou, teve que passar por muita dificuldade"", reconheceu o líder do PFL.
Vicentinho também procurou o presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), para expressar sua preocupação com o relatório de Euler. ""Este é um tema extremamente preocupante. Vamos ler o relatório todinho e já marcamos uma reunião com Luís Eduardo para amanhã (hoje), para dizer o que está errado"", afirmou o presidente da CUT.
Vicentinho mandou ainda um recado ao ministro da Administração e Reforma do Estado, Luís Carlos Bresser Pereira, que já avisou que não quer negociar a reforma administrativa com a CUT, porque as posições da central são totalmente opostas às do governo. ""Quanto mais ele falar que não quer discutir com a gente, mais a gente vai falar que quer negociar esta reforma"", afirmou o sindicalista.
Para Vicentinho, participar dessas discussões era um sonho antigo, do qual ele não vai abrir mão. ""Há muitos anos esperávamos a possibilidade de dar palpite nos assuntos que são importantes para toda a sociedade brasileira. Como em Brasília tudo é importante, queremos dar palpite em tudo"", concluiu.
","Durante palestra na sede da OAB, Vicentinho , presidente da CUT, declarou aos repórteres que não confiava no presidente Fernando Henrique, porque os acordos acertados com a sua entidade, não constaram no relatório de Euler Ribeiro.
Aos conselheiros da OAB ele disse que o que tinha sido negociado a portas abertas foi vítima de negociatas depois.
Apesar de sua disposição de conversar com o governo, Vicentinho não foi amável com o líder do PFL, Inocêncio de Oliveira, no Congresso. Disse a ele que de inocente só tinha o nome--- farpa logo amenizada por Genoíno. Vicentinho ainda voltou à carga, mas Inocêncio não reagiu.
.
O presidente da CUT ainda procurou o presidente da Câmara dos Deputados, Luís Eduardo Magalhães (PFL) , para falar de sua preocupação com o conteúdo do relatório e marcou com ele uma reunião para o dia seguinte.
Ao ministro da Administração e Reforma do Estado, Bresser Pereira, que não queria negociar com a CUT por causa da diferença de posições, mandou o recado de que insistiria na proporção da recusa---pois era um momento apropriado para tratar de questões importantes para a sociedade brasileira.
"