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AlexN's picture
pt evaluation
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olá minha fala gente é sobre como a gente pode mudar a nossa relação com política usando tecnologia pra falar disso eu preciso situar um pouco todo mundo numa coisa fundamental da nossa sociedade e de quase toda sociedade moderna chamada democracia representativa é um nome engraçado pra uma coisa comum o problema que a gente resolve com democracia representativa é o problema de que nós somos gente demais quando a gente precisa decidir uma lei nossa ou decidir como usar uma verba que nós temos que projeto iniciar a gente precisa decidir uma coisa em comum a gente não consegue ouvir todo mundo não consegue levar a opinião de todo mundo em conta é muita gente então a solução que a gente inventou é nós todo mundo elegemos um pequeno número de pessoas nossos representantes e esses representantes sim discutem votam deliberam decidem muita coisa do nosso coletivo a gente delega pra eles a gente deixa isso com eles em teoria isso é muito bom funciona menos gente mais eficiente eles conseguem resolver as coisas o problema é que pelo menos no brasil a verdade é que a gente não confia nesse sistema a gente não confia nos representantes que a gente elegeu e que estão lá legislando por nós se você conversar com qualquer pessoa sobre política ela vai dizer a você que ela tem a impressão de que um político eleito passa a agir muito mais em benefício próprio ou em benefício de outros grupos do que em benefício nosso dos cidadãos dos que precisam mais aí eu não estou falando de corrupção estou falando de agindo dentro da lei só pra dar um exemplo a câmara dos deputados aí na foto recentemente aprovou a manutenção do financiamento empresarial de campanhas campanhas políticas financiadas por empresas a opinião pública estava veementemente contra isso os caras aprovaram isso e aí claro muita gente ficou indignada eu por exemplo fiquei indignado essa é a mesma indignação eu gosto de lembrar que em 2013 fez acontecer alguma coisa em 2013 se vocês lembrarem nós éramos milhões e não era pelos r$ 020 a gente estava indignado e foi pra rua pra dizer que a gente estava insatisfeito com o que nossos representantes faziam a gente não sabia direito o que fazer quando foi pra rua mas a gente foi lá e fez bastante barulho e aí tem uma imagem de 2013 de que eu gosto muito de quando essa câmara dos deputados foi ocupada pelos manifestantes que chegaram lá o pessoal não só foi lá e disse que estava insatisfeito com o que os representantes estavam fazendo mas subiu no teto da câmara ocupou o teto e gritou em alto e bom som que estava insatisfeito que estava de olho que estava vendo o que aqueles representantes estavam fazendo e eu gosto dessa imagem porque eu acho que ela tem uma coisa assim de certa na nossa relação com os nossos representantes acho que a gente tem que estar em cima da câmara tem que estar de olho tem que estar gritando pra eles que a gente está vendo que o poder emana do povo que o poder tem que servir ao povo mas aí se a gente voltar para o futuro pra 2015 eu posso perguntar pra vocês aí vocês acham que a gente ainda está de olho vocês acham que a gente sabe o que foi votado na câmara dos deputados nos últimos 15 dias vocês acham que alguém aqui sabe dizer como o deputado que você elegeu votou nas coisas importantes que foram votadas nos últimos 15 30 60 dias são coisas importantes que decidem muita coisa da nossa vida a gente elegeu os caras lá pra votar por nós e de repente a gente não sabe o que eles estão fazendo lá a gente não sabe o que eles estão fazendo tá também é um pouco injusto querer que a gente acompanhe isso em detalhes são dezenas de proposições por mês muitas proposições no total são 513 deputados ativos por vez é um monte de discurso em torno desse monte de proposições que geram um monte de votações manobras de madrugada é complicado principalmente é complicado porque a gente tem praticamente nenhuma forma sistemática de acompanhar isso de olhar pra isso pra essa atividade dos nossos deputados aí um grupo de pessoas do qual eu faço parte nós somos do departamento de computação da ufcg resolveu que dessa indignação tinha que virar alguma coisa a gente tinha que fazer algo aí bom sendo do departamento de sistemas e computação o que a gente sabe fazer muito bem são sistemas a gente fez duas ferramentas computacionais na verdade que eu quero mostrar pra vocês a primeira se chama quem me representa o quem me representa é um site que convida o visitante você a dizer como você teria votado em uma série de proposições uma série de votações que aconteceram recentemente na câmara dos deputados só pra dar um exemplo de 2015 temos a pec da terceirização a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos o fim da reeleição a manutenção do financiamento empresarial pra campanhas políticas e aí você vê são coisas pelas quais a maioria de nós ou tem alguma convicção ou seria bom se tivesse alguma convicção visitando o quem me representa você vai lá e assinala quais são as suas convicções suas opiniões sobre aquelas votações você diz como você teria votado e a gente usa os dados abertos da câmara pra analisar dos 513 deputados que estão lá quem te representa quem votou mais parecido com as suas convicções quem votou mais diferente das suas convicções talvez seja sua oposição e a gente te mostra então com dados pra cada deputado o que ele faz em relação a você mais ou menos umas 70 mil pessoas já visitaram o quem me representa e isso deu um monte de feedback pra gente o que tem sido fascinante um feedback comum por exemplo e interessantíssimo é que é muito frequente que o deputado que aparece no topo da lista o deputado que mais te representa não seja o deputado em quem você votou acontece com muita gente e aí eu acho que isso causa imediatamente uma discussão muito saudável quem é esse cara que está no topo da lista será algum deputado que eu deveria conhecer e não conheço será que eu devia ter votado nele não porque eu o acho mais carismático ou porque eu acho que ele fala bem ou é bonito mas porque a partir dos dados eu estou vendo que as ações desse cara condizem com as minhas convicções isso é importante a gente precisa se envolver a gente precisa conseguir acompanhar os nossos políticos e aí tem duas coisas que eu acho muito instigantes que essa discussão traz a primeira é que quando a gente se questiona será que eu não conheço então o deputado que eu elegi a gente vai atrás e descobre ah não mas aqui ele votou contra a minha convicção contra o discurso dele na verdade porque ele tem que responder ao partido à coligação à bancada às alianças que ele tem e aí a gente se questionando e envolvido passa a ficar mais fácil que você se coloque no lugar dele e pense tá o que eu teria feito nesse lugar talvez isso faça com que a gente entenda mais com que a gente se envolva mais com a real política também que envolve sim partidos alianças coligações mas a segunda coisa que acho a mais instigante do quem me representa e a coisa que pra mim é a mais bonita é que ela muda um pouco a relação possível entre nós e os representantes que nós elegemos o quem me representa empodera a gente dá um poder pra gente novo de conseguir questionar um deputado facilmente e dizer por que é que você fez isso isso e isso nessas três votações nas quais eu estava contando com você você é um deputado em quem eu votei ou um deputado do meu estado um deputado do partido com que eu simpatizo ou até um deputado cuja história eu respeito por que é que você fez isso eu acho que é importante que a gente tenha capacidade de falar de igual pra igual com os nossos representantes cobrálos e dizer pra eles que sim nós estamos de olho no que eles estão fazendo mas o quem me representa permite que a gente veja alguns deputados mas muita gente ainda tem dificuldade de entender não um deputado específico mas a câmara como um todo eu por exemplo antes de começar esse projeto ficava me questionando mas quais são os grupos que existem dentro da câmara quais as forças que existem quais os maiores grupos os menores qual é o todo como é um panorama da câmara o segundo projeto que a gente desenvolveu se chama house of cunha uma referência a duas coisas ao seriado house of cards que fala dos bastidores da política americana e a um deputado em particular protagonista aí do começo de 2015 na câmara dos deputados no house of cunha a gente pega de novo todos os dados abertos da câmara dos deputados e usa uma mágica lá da estatística chamada análise de correspondentes múltiplos pra criar um panorama um mapa da atuação de todos os deputados da câmara nesse mapa dois deputados estão próximos o mapa quando a gente cria ele tem essa cara aqui e aí cada nome desse é um deputado dois deputados estão próximos quando eles têm atuação semelhante dois deputados estão distantes quando a atuação deles é oposta e eles votam sempre diferente nas proposições o que a mágica da estatística faz é distribuir esses caras de forma que a gente mais consiga distinguilos uns dos outros e aí se eu colorir aqui os partidos por exemplo fica muito fácil se situar no mapa que a gente tem o vermelho vivo é o pt circundado aí pelos outros partidos da base governista essa nuvem maior da esquerda no extremo oposto em azul você tem o psdb e demais partidos de oposição ao governo abaixo você tem a terceira força que normalmente a gente usa pra descrever a política do brasil a terceira maior força o pmdb um partido enorme que está entre situação e oposição um pouco mais próximo da situação geralmente tem um quarto grupo pequenininho lá em cima dos deputados de atuação extremamente progressista os amarelos são o psol o que eu quero chamar a atenção aqui é que nós seres humanos somos muito melhores em entender padrões visualmente em entender padrões gráficos do que em entender padrões em texto ou em números então de posse de um mapa desse com algumas referências a gente consegue se situar muito facilmente em qual é a atuação de um deputado em particular quais são os maiores grupos que existem na câmara os partidos que têm maior dispersão que têm deputados que atuam de formas mais diferentes mais coesas quais são os partidos que atuam de qualquer forma e aí só pra ilustrar a gente pode olhar por exemplo quais são os deputados que têm suas campanhas financiadas normalmente por empresas de munição e de armas a chamada bancada da bala ou bancada armamentista lá embaixo do mapa quase oposta a bancada dos deputados humanistas dos deputados que levantam as bandeiras dos direitos humanos na câmara dos deputados como essas duas bancadas vocês podem olhar várias outras vários outros grupos quem votou a favor de uma coisa quem votou a favor de outra quem apoia uma certa causa e de novo esse é o tema em que eu quero chegar podendo fazer isso você tem uma espécie de poder novo na sua relação com os seus representantes na sua relação com a política assim como o quem me representa o objetivo aqui é empoderar o cidadão e aí novamente a gente tem encontrado várias pessoas que têm entendido mais política por causa desse mapa a gente tem visto jornalistas que têm comentado a câmara usando esses mapas e eu gosto de achar que agora a gente tem também representantes sabendo que nós estamos de olho neles através desses mapas no fundo o que essas ferramentas fazem é que elas estão tornando possível processar muitos dados de uma forma que não só é mais eficiente porque a gente consegue entender mais rapidamente o que está acontecendo mas é mais envolvente ela traz a gente pra se preocupar pra conseguir opinar na política de uma forma mais atrativa e eu acho isso muito importante eu acho que a gente tem que se envolver no controle social a gente tem que se envolver na política não só durante as eleições mas entre as eleições tem que ser uma atividade que atrai que traz a gente e que instiga a gente a gente tentou fazer isso com duas ferramentas e o que a gente descobriu foi que existe um potencial enorme pra muito mais mais do que nunca hoje a gente tem dados a gente tem muito dado aberto mais do que nunca hoje a gente tem tecnologia nos nossos bolsos celulares laptops em casa então o que eu proponho gente é que a gente acorde pra isso e passe a fazer mais ferramentas como essas pra melhorar os nossos votos e a nossa política obrigado
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a encantadora e hospitaleira capital de minas gerais bom hoje eu vou falar um pouquinho sobre como as borboletas mudaram e continuam a mudar a minha vida essa história começou há um bom tempo atrás eu cresci correndo pra lá e pra cá no quintal da minha avó ali no santa efigênia não era um quintal mais gigantesco do mundo mas quando se tem aquela imaginação a gente consegue fazer uma série de aventuras aí um dia eu a minha irmã e a minha melhor amiga a gente achou um casulo aí aquela coisa né método científico aula de ciências a professora falou olha a borboleta sai do casulo aí nós muito cientistas pensamos bom se a borboleta sai do casulo se a gente abrir o casulo a borboleta vai sair voando vamos abrir o casulo aí a gente abriu só que a borboleta morreu né gente aí foi difícil foi triste mas a gente enterrou o bichinho com toda a dignidade né porque é importante aí o bichinho passou a ser chamado casuleta pois era metade casulo metade borboleta mas aí você deve estar pensando nossa a menina cresceu no quintal da avó hoje em dia nem é tão comum ninguém tem mais tempo de ficar assim o tempo inteiro com os netos e tal mas eu fui criada pela minha avó e pelas minhas tias porque eu fiquei órfã ainda na minha primeira infância mas aí eu sempre fui aquela menina serelepe perguntadeira na aula eu queria saber tudo e tudo mais aí em 2008 eu tive a minha primeira experiência internacional eu fui para os eua através do programa jovens embaixadores voltei com os horizontes expandidos cheia de ideias e não sei o que aí em julho de 2008 eu fui para um curso de verão fui estudar inglês para estrangeiros e quando eu cheguei lá tinha um monte de gente de tudo quanto era canto tinha gente da grécia tinha gente da itália tinha gente da china aí eu falei gente isso é muito legal eu quero levar isso para casa comigo mas como eu não podia empacotar todo mundo né fica difícil eu falei eu vou aprender a falar uma palavra em todos esses idiomas aí eu pensei mas qual palavra eu vou aprender a falar tem que ser alguma coisa que faça sentido para mim porque eu não vou saber escrever todas essas palavras eu só sei falar então tem alguma coisa que me grude essas palavras tem que ser alguma coisa muito importante pra mim e como eu sempre gostei de borboleta eu falei vou aprender a falar borboleta aí teve até gente que ficou com inveja sabe queriam aprender a cantar a menina na língua tal aprender a xingar não sei quem na língua tal mas eu falei não gente o meu é autêntico não vem me copiar não mas enfim não é a palavra mais útil quando você está apertado para fazer xixi e não sabe perguntar aonde é o próximo banheiro ou quando você está perdido no aeroporto você vira para alguém e fala borboleta e aí e aí o que acontece nada mas enfim foi a minha escolha e aí eu pensei poxa mas o que eu vou fazer com isso aí eu pensei poxa é isso que eu gosto de fazer e eu continuei a minha jornada de aprender a falar borboleta em várias línguas e aí em 2009 eu fui para essa conferência sobre darwin e a ciência hoje e a gente discutia como darwin teve essa capacidade de afetar a ciência afetar o mundo e ele nem tinha tanta tecnologia disponível ele tinha algumas coisas mas ele não tinha nem um terço do que a gente tem hoje hoje a gente se conecta muito rápido e tudo tá aqui tudo tá ali a informação caindo pela janela até dá uma coisa na gente né é muita coisa pra saber pra aprender e aí eu pensei poxa o cara teve a manha porque a gente tem tanta coisa disponível hoje e a gente acaba esquecendo das maiores tecnologias disponíveis na face da terra que são as pessoas eu gosto de pensar que as pessoas são caixinhas de descobertas que andam por aí e estão só esperando uma oportunidade de soltar tudo de bom que elas tem tudo que elas guardam as ideias as inspirações as experiências e o mais legal dessa experiência toda de ter aprendido a falar borboleta em não sei quantos idiomas foi que eu não usei nenhum recurso tecnológico tradicional eu perguntei para pessoas eu perguntei para cada uma das pessoas que eu conheci durante essas experiências para as pessoas que são nativas nesses idiomas você é de qual país ah eu sou da índia me ensina a falar borboleta na sua língua e aí eu aprendi então quando eu lembro de uma palavra eu não lembro de uma palavra aleatória eu lembro de uma palavra de um rosto de um nome de uma cultura de uma memória é um pacotinho de recordações que eu guardo comigo com muito carinho e aí tudo bem aí em 2010 eu participei da minha primeira conferência sobre empoderamento feminino e sobre projetos que visam esse tipo de coisa falei gente bacana isso aí em 2010 ainda um pouco depois em novembro eu fui selecionada entre 1500 jovens do mundo inteiro para fazer parte da rede de global changemakers eu fui a única brasileira para essa conferência e aí quando eu cheguei lá eu continuei a minha jornada de aprender a falar borboleta e aí eu tive a oportunidade de criar um projeto de conscientização sobre direitos da mulher com colegas do paquistão até serra leoa e foi muito bacana e depois disso através dessa oportunidade eu tive a oportunidade de ser selecionada para ir para o fórum econômico mundial em davos na suíça então em janeiro do ano passado eu estava lá rodeada de montanhas de neve de chocolate e tudo mais para falar do meu projeto que era esse fórum de capacitação para jovens que estão interessadas em começar ou melhorar projetos sociais aí tudo bem cheguei lá e tive duas experiências muito interessantes com essa coisa de pessoas né eu estava lá para apresentar o meu projeto só que eu estava longe de casa estava nervosa da mesma forma que eu estou nervosa aqui falando o pessoal todo estava tremendo antes de falar aquela coisa que todo mundo tem né aí eu estava naquela coisa de ser esponjinha você está ali você é novo quer aprender tirar o máximo possível daquilo e ai eu estava ouvindo um monte de sugestões sobre o projeto como é que podia melhorar como é que podia realmente implementar o meu projeto e aí uma das colocações que eu recebi não foi lá a mais bem colocada né não é que eu não sei receber crítica mas a questão é que quando você é muito apaixonada por uma coisa quando você acredita muito e você acha que aquilo vai mudar o mundo e que aquilo vai acontecer e alguém te joga aquele baldão de água fria na cabeça aí ninguém merece eu tinha 19 anos estava longe de casa era o aniversário da minha irmã aí a mulher vai e me faz um comentário desse sobre o meu projeto aí eu fiquei pensando gente que triste isso minha autoestima foi lá embaixo aí liguei para casa gente tô triste dei parabéns para minha irmã e tal e fui falar com a minha tia e quando falei com minha tia não falei né chorei tô triste não vai acontecer acho que não vai dar certo não vou conseguir falar estou nervosa ai meu deus mas eu liguei para casa porque aquele era o meu casulo aquelas pessoas me conheciam não porque eu fui falar no fórum econômico mundial não porque eu viajei para não sei aonde não por causa disso ou daquilo aquelas pessoas me conheciam por quem eu era e aquilo fez toda a diferença pra mim e aí depois naquele mesmo dia eu tive um jantar com as mulheres do fórum e eu pensei ah não vou tô triste tá chato vai que acontece alguma coisa aí eu pensei não peraí quais foram as pessoas que acreditaram em mim porque estou aqui eu estou aqui porque as pessoas acreditaram em mim elas acreditaram que o meu projeto que as coisas que eu faço valem a pena então eu vou eu vou nesse jantar sim aí eu fui cheguei lá tive a oportunidade de compartilhar as minhas ideias com várias mulheres interessantíssimas incluindo a michelle bachelet mas tudo bem ainda em davos eu estava na plenária de encerramento do fórum aquela coisa toda bonita sendo transmitida ao vivo pela internet e aí quem estava na plenária final cristine lagarde ela ainda era ministra de finanças da frança aquela conversa diplomática e aí como está tudo bem aí depois de alguns minutos ela vira e fala assim olha eu estava pensando você acha que a gente tem que retocar a maquiagem antes de começar a sessão e eu falei bom eu não sei que que você acha você acha que dá tempo e ela falou ai eu não sei mas eu parei e aquele foi um momento de gente peraí no final das contas nós somos todos seres humanos porque ninguém merece aparecer em rede internacional com a testa brilhando então é muito importante que nós entendamos que no fim das contas nós somos todos seres humanos gente isso é muito bacana eu vou levar isso pra vida aí tá tudo bem né aí eu falei nossa isso é muito legal mas aí você deve estar pensando tá a menina viajou pra cá viajou pra lá aprendeu a falar borboleta nessa e naquela língua mas como que isso mudou a vida dela e como que isso pode mudar o mundo tá mas até o ano passado essa era a minha percepção não tem nada de errado com você você está acompanhando o raciocínio mas aí eu pensei poxa eu estava assim né um dia normal uma terça feira eu recebo uma ligação era uma das assessoras culturais da embaixada americana falando que o presidente dos eua estava vindo ao brasil eu falei nossa que bacana a mídia inteira estava falando sobre isso mas eu falei nossa que bacana você me ligou pra avisar bacana aí ela virou e falou vai ter esse evento e a gente precisava de alguém pra falar aí meu coração parou né aí começou a bater em ritmo de rave aí parou peraí eu estou entendendo mesmo ela me ligou eu não fiz nada ela me ligou e falou olha a gente precisava de alguém para falar e eu falei super tenho disponibilidade fui para brasília o evento era sábado o evento era sábado de manhã sexta a noite eu estava lá repassando as anotações ela virou pra mim e falou assim não sei essa parte das borboletas acho que não tem nada a ver será que o pessoal não vai querer saber que eu fui conversei com a cristine lagarde não sei o que ou que eu sei falar borboleta em meia dúzia de línguas tipo assim não tô entendendo aí ela virou e falou ah eu não sei acho que é muito legal diferente né acho que vale à pena se eu fosse você deixava e eu falei realmente é muito fofinho eu vou deixar ai estava lá antes do discurso falei sobre as borboletas e tudo mais aí quando pensa que não melhor coisa que eu já fiz na vida sério melhor coisa porque a michelle obama simplesmente me citou como exemplo pessoal para suas filhas ela disse bom meninas vocês não devem aprender a falar borboleta em apenas uma língua vocês devem aprender a falar em no mínimo 20 idiomas diferentes aí eu parei e pensei peraí nota de rodapé eu me tornei um exemplo para a filha do presidente dos eua ponto obrigada e aí eu pensei poxa mas era a minha piada interna não tinha nada a ver quem quer saber disso borboleta mas aí de uma hora para a outra eu tinha virado uma coisa internacional gente era uma coisa muito importante era histórico aquilo e foi essa mesma interação real de pessoa para pessoa que foi quando caiu a minha ficha gente é isso é isso são as pessoas que movem são as pessoas que fazem independente de ser a educação da filha do presidente ou como você vai aparecer num evento internacional que é transmitido pela internet não interessa no final das contas independente de terem as corporações as organizações internacionais os governos o que seja todas essas coisas existem porque as pessoas existem e são as pessoas que tomam as decisões são as pessoas que inspiram são as pessoas que contam as histórias são as pessoas que fazem acontecer então todas as experiências são para mostrar que no final das contas a maior tecnologia que a gente tem disponível são as pessoas e por vezes a gente negligencia isso a gente deixa passar por pensar no extrato bancário pensar onde fulano mora pensar qual é a cor da pele de fulano o que fulano faz ou deixa de fazer se a gente pensasse na humanidade que é o que une a gente muita muita coisa ía melhorar a gente faria progressos inimagináveis se a gente deixasse todas essas distrações pra lá e pensasse que todo mundo é gente do jeito que a gente é e aí tudo bem obrigada e aí se tem uma coisa que eu aprendi com as borboletas foram quatro lições para a vida que eu gostaria de compartilhar com vocês a primeira lição é sobre o casulo as borboletas tem que passar por essa fase de preparação elas precisam ficar lá fechadinhas para poder voar e se tornarem o que elas nasceram para ser então eu gosto de pensar que as pessoas que acreditam na gente nossos familiares nossos professores nossos mentores todas as pessoas que nos aturam nos inspiram nos ensinam puxam a nossa orelha são essas pessoas que fazem a gente se tornar quem a gente é então eu pergunto a gente tem feito uso dos recursos das pessoas que estão no nosso casulo mas o casulo também tem esse outro lado que pode ser os conceitos que às vezes nos limitam às vezes a gente fica engessado porque as pessoas esperam uma coisa da gente você nasceu aqui essa é sua profissão você estudou ali então provavelmente você deve chegar aqui mas não não tem nada que te impeça de quebrar todos esses paradigmas usar as suas asas e quebrar todos esses casulos e voar e expandir os seus horizontes então por exemplo no meu caso eu sou neta de uma senhora do interior que não terminou o primário eu estudei em escola pública a vida inteira passei de primeira no vestibular na puc e na federal nos cursos que eu queria cursei os dois cursos concomitantemente durante três períodos resolvi que estava na hora de mudar pedi transferência e atualmente eu curso relações internacionais em mount holyoke college nos estados unidos então assim eu sou bolsista da maior e da mais antiga universidade para mulheres do mundo e assim eu não imaginava que eu ia chegar lá mas nada do que eu fiz nada do meu passado me impediu de chegar lá onde eu queria então eu me perguntou quais são os conceitos quais são as coisas que tem nos engessado e nos impedido de alçar vôos inéditos o meu terceiro ponto é sobre a fragilidade das borboletas as asas das borboletas são feitas de queratina que é bem fragilzinho mas é com essa fragilidade que elas quebram o casulo e voam então às vezes a gente fica ah mas eu tenho esse defeito eu tenho aquele ponto fraco eu ainda não sou aquilo eu ainda não me formeieu ainda não trabalhei ali eu sou muito novo eu sou muito velho e às vezes a gente deixa de fazer as coisas por n limitações e eu me pergunto quais são os pontos fracos que a gente tem que a gente pode trabalhar para os nossos próximos vôos o meu quarto e último ponto é sobre a expectativa de vida das borboletas elas são lindas serelepes voam coloridas e tudo mais mas elas morrem tão cedo e aí eu penso o que a gente está fazendo com o nosso tempo a gente tem que cumprir os nossos compromissos a gente tem que trabalhar a gente tem que fazer isso a gente tem que fazer aquilo mas a gente está gastando tempo para fazer o que a gente ama a gente está gastando tempo para fazer o que nos faz feliz a gente está gastando tempo com as pessoas queridas então acho que o equilíbro é fundamental né eu fico me perguntando o que a gente está fazendo com o nosso tempo e com os nossos recursos mas se tem uma coisa hoje que eu queria que você levasse dessa fala toda de pessoas de borboletas e tudo mais eu queria que você acreditasse eu queria que você acreditasse em você mas eu queria que você acreditasse nas pessoas também porque eu não teria chegado aqui se as pessoas não tivessem acreditado em mim e eu acredito firmemente que nós nos tornamos infinitamente melhores quando as pessoas acreditam em nós eu agradeço imensamente a oportunidade de voar de volta para belo horizonte minha terra natal obrigada
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boa noite isso aqui é um relato pessoal da minha vida eu não acho que tem grandes coisas não mas as pessoas pedem pra eu contar porque parece que causa reflexões eu nasci numa família abastada e tive acesso a uma boa escolaridade e a muito boas informações e vivi sempre num patamar médioalto mas uma coisa sempre me incomodou a existência da miséria das periferias quando era menino ainda seis anos de idade minha mãe fez uma promessa e conseguiu a tal da graça e me levou pra uma favela pra distribuir pães era o cumprimento da promessa dela e eu fiquei estarrecido eu vi crianças da minha idade vivendo em situações que eu não imaginava e a partir dali eu comecei a questionar a minha mãe em primeiro lugar no caminho de volta pra casa por que tem pobreza por que tem miséria por que essas pessoas estão assim e as respostas não vinham a resposta era sempre foi assim sempre vai ser para com isso e isso foi me acompanhando mas me marcou de tal maneira que sempre que eu podia eu observava as pessoas mais pobres os empregados nos clubes aonde eu ia eu tentava me aproximar queria entender essas pessoas que pareciam que tinham um outro código e eu conseguia a simpatia deles mas não era a simpatia deles que me interessava eu queria sentir igualdade eles me tratavam muito bem mas quando eles se tratavam entre si eu percebia que era diferente entre si eles falavam com igualdade comigo eles eram gentis e eu fui crescendo uma angústia danada sem saber o que fazer nenhuma profissão me interessava percebi que no meu meio social as crianças e nos primeiros anos da adolescência aquele assunto era incômodo ninguém queria falar sobre isso quando eu cheguei aos 15 anos eu estava convencido de que eu tinha alguma coisa errada porque os assuntos que me interessavam não interessavam a mais ninguém eu não conseguia me entrosar em nenhum grupo eu era repelido eu questionava a arrogância da minha classe diante das pessoas mais pobres e eu era visto como um extraterrestre um cara estranho um cara meio maluco então eu desisti de tentar me enturmar e comecei a tentar me enquadrar fiz um concurso pro banco do brasil e entrei bom vamos ver como é que se trabalha nesse mundo eu só tinha 15 anos passei dez meses e saí horrorizado pedi demissão do banco do brasil porque achei que ali eu era um parafuso uma porca uma peça que podia ser facilmente trocada eu tinha uma necessidade de realização na vida a pergunta ficava pra que serve a vida pra que é que serve a vida na minha classe a vida servia pra ser usufruída mas eu me sentia constrangido de usufruir diante da miséria que eu via nos meios em que eu andava não se via miséria se viam serviçais mas como a gente viajava as periferias das cidades são um cinturão de miséria sempre então eu via que tinha milhões de miseráveis milhões de pobres e eu não entendia não conseguia entender a minha classe fugia dessa visão sempre em bolhas sempre em bolhas e eu me sentia preso ali quando eu saí do banco do brasil claro eu queria me enquadrar pra não magoar a família porque eu não via nenhuma profissão que me interessasse eu não tinha vocação pra nenhuma profissão a arte na época não era vista pela minha família como uma coisa séria era um hobby e eu nem pensava em viver de arte era coisa pras horas vagas então fiz um concurso pro exército meu pai era militar e o pensamento foi exatamente esse pô mas eu não quero fazer nada do que me apresentam o que é que eu vou ser na vida de repente acendeu uma luzinha militar claro eu sempre vivi no meio militar ser militar é fácil aí eu fiz um concurso passei e fui conhecer o exército por dentro o meu pai me apresentou o exército como um fator de segurança pública como uma coisa boa pra todo mundo que protegia o povo mas quando eu estava dentro do exército as instruções que eu recebia eram me atirando contra a população e depois de um ano e pouco dentro da escola de cadetes eu me vi com um fuzil na mão apontando pra uma manifestação de estudantes gente desarmada isso violava todos os códigos que eu tinha aprendido com o meu pai disse não é aqui que eu quero ficar o exército serve pra reprimir a população e não pra proteger então pedi desligamento do exército foi a segunda vez em que me chamaram de louco a primeira foi no banco do brasil e saí do exército minha família ficou magoada e meu pai mais magoado ainda ele tinha muito orgulho de eu ser militar seguir a carreira dele então eles pegaram e me resolveram pagar um cursinho prévestibular o mais barato que tinha foi o primeiro contato que eu tive com gente saída do ensino público e essas pessoas eram desinstruídas e eu achava o conhecimento deles tão superficial que eu não acreditava eu falava com meus colegas pô vocês foram vagabundos vocês não estudaram vocês não sabem nada vocês só sabem a superfície das coisas um belo dia um amigo meu me trouxe uma prova do 3° ano do ensino médio duma escola pública eu achei que era brincadeira foi a primeira vez em que eu senti que essa classe é sabotada que a maioria das pessoas é enganada que aquilo ali não é educação de verdade a diferença da minha educação era tão brutal que eu já achei que era uma coisa intencional estão mantendo o povo ignorante com o tempo fui confirmando isso mas na época era só intuição eu me guiei muito pela intuição disso porque a razão me dizia que eu estava errado a razão mandava eu me garantir as pessoas falavam você tem que se garantir e eu percebia que o que eu estava garantindo era uma busca eterna aí fiz o vestibular pensei até fazer em belas artes mas a reação familiar foi tal que eu falei não tudo bem tudo bem fui na faculdade peguei os currículos e fui por eliminação tinha matemática eu jogava fora onde tinha física biologia química e fui eliminando tudo direito está bom pra vocês ah direito está pelo menos isso lá fui eu fazer direito entrei na universidade e pela primeira vez eu vi explicações pras minhas questões o porquê da miséria quem domina o mundo como as coisas são feitas como a política é influenciada pelo poder econômico e fiquei encantado durante uns três meses depois eu percebi que era só conversa fiada conversa fiada conversa fiada conversa fiada uma revolta que não funcionava que não ia falar a linguagem do povo que ninguém ali entrava em favela e eu percebia que a grande maioria era pobre então tem que chamar os pobres pra luta mas os pobres estão aí desinstruídos e narcotizados por uma mídia criminosa que planta valores usando psicologia do inconsciente de repente eu percebi que os pobres se sentiam culpados pela própria pobreza gente que é sabotada desde antes de nascer que o mundo já recebe mal quando vem mas eles se sentem culpados pela própria pobreza quando numa novela o pobre que é legal chega no fim da novela e enriquece você vê a riqueza como prêmio o rico safado durante a novela inteira no fim da novela se ele cai na miséria está [colhendo] a miséria como castigo então a miséria hoje é considerada um castigo da incompetência não é um planejamento social de repente larguei a universidade e falei não quero mais aqui não não quero ser advogado mesmo vou largar não quero ser 'doutor' vou fazer a experiência de não ter nada eu queria ver o mundo do outro lado e foi isso que eu fiz quando eu cheguei em casa com meus documentos pedi desligamento da universidade primeiro peguei os documentos e entreguei pro meu pai como se fosse o pagamento de uma dívida olha você me deu a melhor escola me deu as melhores condições e você sempre me cobrou que eu entrasse na universidade eu não vou terminar mas não é porque eu não pude é porque eu não quero eu quero fazer a experiência de não ter nada aí ele facilitou o processo pra mim e falou se você sair por essa porta você não é mais filho você não faz parte da família pode esquecer que a gente existe na hora foi um choque anos depois eu percebi que isso foi uma grande vantagem porque eu saí sozinho desprovido de família e pude formar famílias em todos os lugares a que eu ia nos primeiros tempos eu fui sem profissão sem nada eu vou não ter nada mesmo quero ser mendigo e batia nas portas e pedia comida na minha ingenuidade eu pedia comida onde estava sobrando então vou nos bairros mais abastados mas ali as pessoas me davam resto já teve um caso de eu sair da casa sentar na calçada começar a comer e chegar um carro de polícia o cara que me deu a comida chamou a polícia falei não quero mais ficar nesses bairros não e comecei a ir mais pras periferias nas favelas nos puteiros em posto beira de estrada porque eu não ficava numa cidade só eu andava de carona e sempre conversando sempre conversando e tratando com as pessoas mais pobres na ilusão universitária de instruílos eu ficava falando falando falando falando um belo dia no meio da amazônia eu estava conversando com um grupo de garimpeiros e percebi que estavam rindo da minha cara por não entenderem nada do que eu falava eu estava falando um monte de palavras acadêmicas o povo não fala essa língua isso é academês aí eu aprendi de repente deu uma luz poxa eu tenho duas orelhas dois olhos e uma boca parei de falar e comecei a ouvir e comecei a perceber o código de comunicação dessas pessoas comecei a ver que eles têm um outro código de comunicação o que me levou até ali a não aceitação do mundo como me apresentam me apresentaram um mundo onde eu ia ter que competir com todo mundo eu fui atleta desde o colégio militar desde os dez anos de idade ganhava um monte de coisa no exército eu ganhei troféu de corrida fazia ciclismo ganhava também mas quando eu fui ficando mais velho mais novo você não percebe mas mais velho mais velho assim digamos 18 anos eu comecei a perceber a tristeza dos derrotados aí perdeu o gosto a competição eu não quero produzir esse sentimento eu não quero mais competir mas o mundo cobra que você entre nessa quando eu falei com meu tenente no exército não quero mais competir eu comecei a ser perseguido porque eu era medalhista o mundo estava me cobrando quando estava na universidade e falei não quero mais competir a família me puniu com afastamento e quando eu fui pro meio da periferia eu percebi que a competição é uma grande falcatrua nós não estamos nos preparando pra viver numa sociedade harmônica quando eu era moleque eu achava que a pessoa era médica o cara escolhia a profissão da medicina pra diminuir o sofrimento das pessoas que sofrem e hoje eu vejo que não faz medicina pra ganhar dinheiro pra ganhar status o cara fala não vou pra um lugar onde não tem médico porque não tem estrutura lá mas é exatamente porque não tem estrutura que precisa de médico lá está cheio de gente essa mentalidade empresarial foi implantada na sociedade eu acho que a miséria é uma coisa planejada e eu não vou participar disso a minha resposta pro meu pai eu conversei quatro horas com ele antes da última saída com a mochilinha nas costas já resolvido o que você vai fazer falei não sei mas do que você vai viver eu não sei mas se você ficar doente se quebrar uma perna eu só vou pensar nisso se acontecer o meu medo é viver uma vida sem sentido um fator determinante nesses momentos foi um encontro que eu tive com um senhor de quase 90 anos no meu prédio que nunca tinha falado comigo [nada] além de oi ele estava sentado na saída do prédio e de repente eu estava saindo e ele me chamou pra conversar essas coisas são uns acasos entre aspas né ele falou assim olha eu fiz tudo que me disseram pra fazer eu sou um cara bemsucedido na vida eu estudei comércio exterior eu tenho empresa de importação e exportação eu ganho um dinheirão eu sou um vitorioso mas eu estou chegando perto dos 90 anos eu estou cheio de doença tomando um monte de remédio eu sinto que a morte está chegando de repente eu olhei pra trás e a minha vida não faz o menor sentido eu sou um vitorioso mas eu me sinto um derrotado isso foi antes de eu pedir desligamento da universidade eu saí dali em transe isso não vai acontecer comigo eu vou morrer antes mas não vou chegar na idade desse cara dessa maneira então quando eu saí pra vida eu saí pra morrer porque pra viver aquela vida que me foi imposta programada eu preferia nem viver e foi aí que eu comecei a entender o mundo foi aí que comecei a valorizar as pessoas que são desvalorizadas na sociedade porque no meio em que eu fui viver no periférico as relações eram muito mais bonitas as pessoas eram muito mais solidárias a ignorância era crassa óbvio que era crassa e é ainda mas por uma atitude programada da sociedade que nega educação a essas pessoas e ainda culpa essas pessoas por serem ignorantes eu não quero participar disso eu não sei o que eu vou fazer mas eu sei o que eu não vou fazer e eu não vou participar dessa sociedade da maneira que me foi imposta eu me recuso qual a consequência que podia ter eu tinha certeza de que não chegava aos 30 anos de idade achei que ia morrer antes mas passaram os 30 anos e aí eu achei que não ia chegar nos 40 porque vi muita morte à minha volta muita violência um cara morreu de tiro do meu lado o outro de overdose no meu quarto tive que fugir do hotel senão ia dar problema eu achava que a minha vida também estava prestes a acabar mas eu passei dos 40 e quando eu cheguei nos 50 expondo sempre artesanato na rua e já dizendo o que penso do mundo na minha arte cheguei nos 50 alguém veio com uma câmera me filmou botou no youtube e as pessoas começaram a me procurar eu não achei que estava falando nada demais mas as pessoas acharam o que eu falo eu acho óbvio e eu encontrei satisfação e era exatamente o que eu disse quando saí da universidade eu vou procurar satisfação na vida ou eu vou encontrar ou eu vou morrer procurando porque entrar na vida frustrante que me é apresentada eu não vou entrar eu não quero viver essa vida prefiro não viver e a vida foi ganhando sentido sozinha por si quando eu percebo uma pessoa refletindo diante dum trabalho meu eu falo essa é a função que eu escolhi essa é a função que eu quero a vida que é apresentada pra gente não satisfaz eu quando andava de carona vários é raro um carro muito caro te dar carona mas eu peguei foram 20 anos andando de carona eu peguei algumas caronas com empresários bemsucedidos e todos eles declaravam angústia são pessoas que não revelam suas angústias no seu meio mas quando encontram um cara que é um merda social e que tem articulação que tem entendimento eles confessam coisas incríveis eu já ouvi confissões incríveis e o que mais me impressionou é que os empresários bemsucedidos tinham angústia muito grande aí eu percebi que o ideal que é apresentado pra gente que é constituir patrimônio e enriquecer não é o ideal da vida da gente o que satisfaz o ser humano é afeto e ninguém diz isso pra gente aquele velhinho lá que falou que se sentia frustrado perto da morte que olhava pra vida e a vida não fazia sentido falou comigo que ele atropelou os afetos da vida dele os filhos dele eram distantes dele do mesmo jeito que enquanto ele estava lá lutando pra fazer sucesso empresarial ele pagou pessoas muito competentes pra cuidar dos filhos agora que ele estava doente precisando de ajuda os filhos moravam longe e pagavam pessoas muito competentes pra tratar dele e ele sentia falta de afeto uma vez eu estava numa periferia eu acho que era fortaleza e eu estava numa casa abandonada e vários mendigos dentro e um era bem velhinho e estava morrendo eu cometi o deslize de falar vamos levar ele pro hospital eu só ouvi uma voz assim você está maluco deixa ele morrer em paz e eu vi o cara morrer sorrindo com o cachorro dele lambendo a cara dele esse cara era rico enquanto o cara lá que era rico de grana era pobre porque não tinha afeto a gente se esquece do afeto a sociedade não aponta o afeto como objetivo de vida e a gente vive iludido quanto mais você alcança objetivos materiais mais insatisfação você tem e você estabelece outro objetivo material isso é um grande engano a gente está cercado de mentira por todos os lados eu penso que a sociedade foi construída por uma elite os reis que precisavam provar sua nobreza eles modelaram a sociedade de forma a favorecer uma minoriazinha ínfima e submeter a grande maioria e os reis hoje são os grandes banqueiros e os megaempresários que modelam a sociedade é uma farsa não é uma democracia invadiram as instituições inclusive as universidades e colocaram tudo a serviço de interesses empresariais inclusive a competitividade ela evita que as pessoas se unam que as pessoas percebam é um inimigo do outro um formando hoje na universidade está apavorado ele vai sair da universidade e vai cair no mercado é um pega pra capar todo mundo é inimigo de todo mundo eu achei muito fácil me recusar a isso tem gente que fala você foi muito corajoso eu nunca senti coragem eu tive um medo muito grande de viver uma vida sem sentido pra viver uma vida sem sentido não tem nada que valha a pena não tem riqueza que valha a pena eu prefiro não ter nada mas sentir que a minha vida valeu a pena e isso quem está dizendo pra mim não sou eu é o mundo porque eu falo e fico pasmo com o pasmo que eu causo porque pra mim eu estou falando o que é óbvio eu não estou falando nada demais eu acho que no fundo todo mundo sabe bom deu o tempo valeu gente obrigado
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eu nasci aqui em petrópolis e aos 17 anos fui pra são paulo em busca de um sonho eu queria estudar nas melhores faculdades do país seis anos depois eu consegui ir pra algumas delas minha mãe e meu irmão que estão aqui na sala tiveram a chata tarefa de assistir a 12hs 30min de colação de grau com 24 anos eu me formava em direito na usp e economia e administração no insper escolas de excelência nas suas áreas isso fazia com que as pessoas esperassem que eu fosse logo um cara bem sucedido somado a isso ao longo da trajetória acadêmica tive a oportunidade de participar de grandes grupos e conhecer pessoas incríveis grandes empreendedores como o jorge paulo o beto e o marcel da ambev o abílio do pão de açúcar agora no carrefour e todo mundo esperava o grande momento em que eu viria aqui no tedx e contaria que fundei uma startup milionária e moro no vale do silício ou que sou o mais jovem diretor de uma grande empresa na verdade não foi isso que aconteceu hoje eu sou o paul mccartney do carnaval carioca e nos últimos seis anos eu tenho trabalhado no entretenimento da noite carioca isso é verdade mas é só uma vez por ano na verdade hoje eu trabalho numa ong e isso muitas vezes choca mais as pessoas do que eu ser o paul e como começou essa história hoje minha missão é entregar óculos a pessoas que não podem pagar e muita gente fala ah você pode fazer isso porque talvez seja um riquinho culpado e quer fazer algo diferente ou que sei lá abri mão dos meus sonhos pra poder ajudar os outros e talvez eu seja o mahatma gandhi e na verdade não é um pouco disso que quero desconstruir hoje por que óculos em 2013 na faculdade ainda eu ganhei um prêmio e fui pra um campeonato de empreendedorismo social entre universitários de 36 países e lá o time da alemanha da universidade de munique me chamou bastante atenção mais até do que as holandesas e polonesas que desfilavam por cancun eram 480 milhões de pessoas no mundo que precisavam de um par de óculos e não podiam pagar e aquilo assustou meus olhos eles descobriram uma tecnologia que produzia óculos de grau de baixo custo levaram pra áfrica ensinaram as pessoas a usar e as pessoas conseguiam ter um emprego com essa tecnologia eu falei será que esse problema é só da áfrica da ásia ou será que no brasil falta óculos na bolha em que eu vivia nas melhores faculdades todos que precisavam usavam óculos e fui estudar esse problema aqui e descobri que o maior motivo de evasão escolar segundo o programa alfabetização solidária do mec é a deficiência visual pode ter a melhor escola pública e o melhor professor do mundo se a criança senta na última fileira e não enxerga ela é burrinha desinteressada ou bagunceira e além disso o brasil tem a terceira maior taxa de evasão escolar entre os 100 países com maior idh então 1/4 das crianças hoje abandonam a escola por ter dificuldade ou algum outro motivo então a gente viu que o problema era muito grande e com essa máquina a gente conseguia fazer um óculos que era 20 do preço de um óculos tradicional e além disso eu descobri outro dado ainda mais relevante talvez não tão mais relevante mas que 275 milhões de brasileiros em idade economicamente ativa precisam de óculos e não sabem então pode ter gente nessa sala que precisa de óculos e não sabe um estudo de fora fala que a perda social de uma pessoa que [precisa de] óculos é de cerca de us$ 768 por ano se ela não usa porque ela tem mais acidentes de trabalho e é menos produtiva se multiplicar um número pelo outro você chega no absurdo valor que o custo social no brasil das pessoas que não enxergam é de us$ 24 bilhões então isso fez a gente agir e realmente trazer essa tecnologia pra cá vamos mudar a evasão escolar e vamos realmente trazer e recursos pro nosso país em dois anos comecei isso na faculdade ainda a gente já entregou mais de 8 mil óculos no país pra dar uma noção do que são 8 mil óculos a gente entregou em dois anos mais óculos do que o estado de são paulo entregou em três no visão do futuro que é um programa do governo com muito menos recurso e mais eficiente e a gente pensou assim nossa legal o que a gente pode fazer também a gente botou um tempero brasileiro no projeto as pessoas que produziam esses óculos eram pessoas em vulnerabilidade social moradores de rua refugiados pessoas de comunidade e a gente conseguia ao mesmo tempo dar os óculos mais baratos do mercado e do outro lado realmente potencializar pessoas em vulnerabilidade em dois anos também a gente teve 11 produtores e gerou pra eles quase r$ 150 mil de renda e eles tiveram a oportunidade de estudar por mais de 3 mil horas foi muito interessante um resultado que orgulha bastante e a gente percebeu outro problema 85 dos municípios do brasil não tem oftalmologia no sus então não adiantava nada só levar os óculos se não levasse o médico a gente montou este ônibus com dois consultórios dentro depois a gente evoluiu pra um consultório portátil numa mala e hoje a gente consegue atender quem mais precisa mas muito mais que números 8 mil r$150 mil de renda são as histórias que a gente viu nesse caminho duas me emocionaram bastante e cada pessoa que trabalha com a gente tem a história que a emociona a primeira é da talia a talia mora no repartimento tuiué a quatro horas de barco de maracapuru e a uma hora e meia de carro de manaus a talia tinha o sonho de fazer medicina mesmo o hospital mais próximo ficando a cinco horas de distância no mínimo ela era superengajada uma das alunas mais destacadas da comunidade quando a gente fez o exame com ela ela ajudou a gente bastante durante o dia a gente viu que ela tinha sete graus de miopia e a gente perguntou talia como você é uma aluna assim destacada estuda tem esses sonhos ela pegava tudo o que o professor falava como ela não enxergava anotava só com a voz e quando dava o intervalo ela ia até o quadro e copiava o resto a talia era guerreira mas quantas pessoas desistem de estudar por um motivo tão simples vamos mudar um pouco de idade seu josé seu josé morava a uma hora de barco de belém em bacarena seu josé tinha 42 anos 3 graus de miopia e quando ele botou os óculos ele nunca tinha usado começou a chorar compulsivamente eu não preciso mais subir não preciso mais subir e a gente subir aonde meu filho resumo da história o seu josé cortava açaí um açaizeiro tem 10m de altura ele tinha que escalar chegava lá em cima ah a fruta está ruim descia olha o ganho de produtividade que o seu josé tem pra ele e pra família dele hoje com um produto tão simples e foram dois anos na faculdade que eu tocava esse projeto e as pessoas começaram a me perguntar legal parabéns mas quando você vai trabalhar de verdade eu também acreditava nisso comecei a [participar] de processos seletivos de grandes empresas trainee efetivo várias vagas diferentes pensar em negócios que eu podia fazer e nesse ano uma notícia me pegou bem de surpresa uma exnamorada minha de 22 anos teve um câncer bem grave e acabou falecendo por mais que pareça bem clichê aquilo me pegou bem na veia e comecei a pensar se a vida pode acabar tão rápido o que eu quero fazer da minha comecei a pensar e aquilo começou a me questionar bastante eu me questionava mas continuava com aquela pressão das pessoas de ter um trabalho de verdade e no final de março aceitei uma proposta de uma grande empresa eu estava pronto naquele momento pra assumir minhas últimas duas semanas como gestor desse projeto o alemão que inventou a máquina vinha pro brasil porque queria conhecer a operação aqui eu estava pronto pra falar pra ele que eu tinha treinado um sucessor e ia embora foram duas semanas superdivertidas a gente foi pra amazônia de novo gringo quer ver a amazônia sempre e no último dia a gente se sentou num restaurante indiano e eu ia falar pra ele que eu ia sair e eu não conseguia falar pra ele isso e antes que eu falasse ele me perguntou qual é o seu sonho em cinco anos no projeto e antes de falar que eu ia sair eu falei um milhão de óculos ele bem alemão falou olha a meta global é 1 milhão eu subo pra dois você entrega um pode ser e eu ah pode né por que não no dia seguinte era sextafeira eu ia começar a trabalhar na segunda comecei a me questionar o que eu ia fazer eu tinha muito medo de cancelar aqueles trabalhos que eram superbonitos no papel e me jogar numa tarefa difícil diferente mas ao mesmo tempo eu fazia um programa de liderança e me lembrei de uma informação essa pesquisa dos 65 anos richard leider montou essa pesquisa e perguntou pra várias pessoas com 65 anos de idade o que elas fariam diferente na vida delas e na verdade o que elas falaram é que elas não tinham arrependimento do que elas fizeram mas na verdade elas se arrependeram pelo que não fizeram e principalmente no terceiro ponto que elas queriam muito mais rápido e mais cedo ter encontrado um propósito na vida delas aquilo começou a me questionar aquele medo do que as pessoas iam achar virou na verdade medo de fazer parte desse número e tomei a decisão sim 'vambora' fazer 1 milhão de óculos no brasil até 2021 e aí comecei a ver racionalmente eu tinha entregue 8 mil óculos em 2 anos então tinha uma média de 4 mil óculos por ano se eu botasse um ano de planejamento preparação trazendo gente eu tinha que entregar 250 mil por ano ou seja tinha que multiplicar o resultado do meu projeto em 625 vezes rapidamente eu fiz uma conta de padeiro e percebi que precisava de mais ou menos r$ 150 milhões em 4 anos pra entregar 1 milhão de óculos pra quem mais precisava falei ah suave vamos buscar as entidades que fazem isso no mundo e entender o que elas fizeram pra captar fui para os estados unidos que é o berço do terceiro setor e vi um dado que barrou um pouco desde 1970 só 144 entidades sem fins lucrativos [superaram] a barreira de us$ 50 milhões e os eua está mil anosluz mais avançado no terceiro setor do que o brasil lá eles investem us$ 300 bilhões por ano nessa área e do outro lado 46 mil empresas tinham feito sucesso pensei se lá é difícil imagine aqui vamos tentar melhorar essa estatística vou tentar unir um pouco dos dois como o tales falou como a gente faz uma visão de negócio pro terceiro setor e faz algo diferente de impacto e foi ai que comecei a me questionar e tentar lembrar daqueles empresários que tanto ouvi falar na faculdade falei o renovatio vai ser uma empresa sem fins lucrativos mas com fins superavitários a gente vai pensar em modelos de negócio como a gente vai fazer isso acontecer a gente montou um modelo de negócio pra fazer isso acontecer a gente começou a se lembrar das histórias daqueles 8 mil óculos e percebeu que muita gente poderia ter pago os r$ 2930 que o óculos custa e na verdade a gente passou a vender nossos óculos por r$ 30 pra quem tem receita do sus ou de uma clínica popular parceira tem pessoas que gostam dos nossos óculos tem mais dinheiro e eu vendo os óculos pra elas hoje a r$ 59 ou r$ 89 e isso subsidia um ou dois pra doação e a gente lembrou que tinha um ativo um ônibus que ficava parado durante a semana porque nossas ações acontecem sempre durante o final de semana e a gente começou a vender atendimento pras empresas gerava superávit e a gente podia investir e levar pra quem mais precisa a gente desenhou alguns modelos de negócio hoje tem outras estratégias e o superávit que esses modelos de negócio geram a gente investe pra tentar chegar naquelas pessoas que realmente não têm condição nenhuma de pagar e algumas pessoas começaram a ter questionamento quanto a isso fomos falar com um contador que íamos montar uma ong que vendia óculos o primeiro falou vocês querem lavar dinheiro não faço isso não o segundo vocês querem lavar dinheiro eu faço mas é mais caro o terceiro aceitou entendeu um pouco o propósito que a gente tinha e a gente continuou evoluindo tentei me lembrar das palestras que a gente viu que pra construir negócios que tenham esse crescimento todo aqueles grandes empreendedores sempre falavam três palavras gente boa foco meritocracia e a gente pensou como vamos atrair mais gente boa focada num sonho grande como trago gente boa pra fazer isso a gente percebeu que o propósito é muito importante mas que muitas pessoas tinham medo de sair de suas carreiras tradicionais que as pessoas acham legal pra tentar ir pra um lugar obscuro e talvez abrir mão de seus sonhos mas não precisa abrir mão dos seus sonhos e objetivos pessoais pra poder trabalhar e causar impacto então a gente montou um modelo em que as pessoas podem ser remuneradas de acordo com o mercado pelo trabalho que elas fazem dando um exemplo de um produto queríamos trazer gente boa pra compartilhar esse sonho conosco e fomos buscar dinheiro pra fazer isso a gente foi buscar r$ 15 mil de doação um dinheiro hipotético a gente falava pra pessoa eu vou investir isso em óculos o cara legal pode ser a gente daria 515 óculos numa conta matemática rápida mas e isso é uma coisa validada se investisse isso numa pessoa boa que vendesse um dos nossos produtos que é um pacotemutirão pra empresa ela venderia num mês cerca de oito mutirões e geraria um superávit de r$ 66 mil descontando as despesas pois tem muito mais coisa envolvida mas elas entregariam 800 óculos nas empresas e no final da última linha que é a que importa a gente teria 2275 óculos pra entregar muitos parceiros falaram não não quero que você invista foco nas pessoas porque no máximo na nossa regra a gente deixa 10 pro administrativo eu falei mas você quer isso e as pessoas que precisam de óculos elas querem 2 mil ou querem 500 e alguns parceiros continuaram falando que não e eu comecei a questionar quando vocês contratam um escritório de advocacia você não fica meio chateado se ele bota um estagiário pra fazer seu trabalho ele falou fico então quando você quer terceirizar o impacto que deveria fazer dentro da sua empresa o que você quer fazer contratar gente boa pra fazer um impacto escalável ou fazer algo só bonitinho ele começou a entender isso e algumas pessoas começaram a acreditar nesse sonho e a gente começou realmente a focar trazer recursos contratar gente boa pra poder escalar e realmente ser fácil ou pelo menos menos difícil entregar 1 milhão de óculos até 2021 outra coisa que a gente começou a querer fazer tomar risco hoje é meio feio falar vou fazer algo que vai tomar risco vou investir dinheiro em algo que talvez seja incerto e a gente teve a ideia no começo do ano de fazer um programa de férias trazer gente do brasil inteiro pra trabalhar conosco a gente ia gastar mais ou menos r$ 30 mil nisso a gente foi buscar vários parceiros e todos falaram dou os r$ 30 mil mas quero que vocês doem os óculos falei não vai dar certo isso vai trazer mais óculos e ninguém acreditou na gente pegamos um fundo de caixareserva porque acreditávamos muito na ideia de trazer gente boa pra fazer isso e esses r$ 30 mil em um mês multiplicaram por 4 e a gente conseguiu financiar muito mais ações do que financiaria direto então a gente viu que várias pessoas tinham preconceito que não se pode tratar o terceiro setor como um negócio e isso continua a gente começou a investir em marketing também e a gente até ganhou uma plataforma de graça de uma empresa pra poder investir fazer post conseguir ganhar atenção e muitas pessoas falam você pega meu dinheiro de doação pra investir em post patrocinado do facebook você não tem que fazer óculos falei tenho mas vou fazer óculos relaxa e o que aconteceu foi sorte porque essa plataforma era de graça mas a gente provou que mesmo que estivesse pagando por ela o retorno que ela deu em doação e crescimento de caixa pra virar óculos foi quatro meses em quatro meses ela já estava gerando mais valor do que a plataforma em si consegui entregar mais óculos do que se só pegasse o valor da doação direta então o convite que tenho pra fazer é a gente tem preconceito porque várias coisas aconteceram no passado principalmente no terceiro setor mas como fazer algo realmente escalável quando a gente vai fazer doações ou quer realmente terceirizar porque vai dar em algo bom não pensa pra qual trabalho seu dinheiro realmente vai qual sonho que as organizações têm de realmente transformar o brasil e a gente começou a desenhar isso várias pessoas têm preconceito ainda mas elas começaram a confiar e nos últimos seis meses que a gente vendeu esse modelo começou a expandir e fazer algo diferente a gente acabou de abrir em florianópolis pra levar visão pra região sul do brasil não estava no nosso planejamento mas teve gente boa que compartilhou o sonho conosco agora estamos em negociação e deve acontecer em breve a primeira loja no nordeste e também em manaus na região norte e começamos a crescer porque pensamos que podíamos fazer algo de negócio no terceiro setor e que esse valor de superávit retorno seria reinvestido é um pouco pra pensar mas eu também queria trazer que a gente se identificou um pouco com a história e tem uma pesquisa da gallup que diz que 87 das pessoas não estão engajadas no seu trabalho porque não veem propósito nele eu tinha essa dúvida e não queria fazer parte dessa estatística quando tomei aquela decisão eu já sabia da estatística então pra terminar vou contar uma última história quando eu estava no projeto voltei naquele campeonato em que os alemães se apresentaram apresentando o renovatio e isso foi na áfrica do sul a gente apresentou foi super legal ficou entre os seis projetos de maior impacto os seis melhores do mundo e falei legal apresentamos agora vamos viajar um pouco conhecer estamos aqui a gente ganhou pra ir pra lá e eu passei nessa ponte essa ponte é um bungee jumping e podia pagar 200 dinheiros deles pra ir lá olhar ou podia pagar 700 dinheiros e pular cara eu nunca ia pular nesse negócio eu paguei e falei vou lá só olhar tirar foto porque é bonitinho legal e quando cheguei lá embaixo vi uma frase que eu achei muito punk o medo é temporário o arrependimento é permanente e naquele momento comecei a pensar e me joguei eu acho que minha mãe fica brava de ver isso até hoje mas o que eu quero convidar vocês é se vocês têm medo de buscar o seu propósito se têm medo de fazer parte das estatísticas se joga e vai que dá muito obrigado galera
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depois de tudo o que vi eu acho que devo reforçar aquilo que são um pouco as minhas convicções com todas as dificuldades que vivemos sejam elas sociais ambientais económicas eu acho que é um privilégio muito grande viver este momento porque nunca estivemos tão próximos nós enquanto pessoas singulares em tentar promover e até naquilo que nos é possível a cada um de nós fazer um mundo melhor e de facto eu sou designer de formação e designer de paixão e sempre acreditei que o design tem muito mais do que capacidade ou a competência de fazer bonitos os objetos sempre vi e vivi o design com a missão de poder fazer o mundo melhor para contextualizar aqui um pouco o que vou dizer e vou pedir aqui uma ajuda eu vou distribuir uns óculos e vou pedir a quem não tiver coragem de os roubar que mos devolvam no final porque eu vou precisar deles e muito rapidamente ops desculpe deixa estar deixa estar eu acho que já toda gente tem quem é que não tem não tiveste também não tiveste eu vou pedir a quem não teve se me diz aquilo que sentiu eu tenho mais óculos não teve não teve tome digame o que sentiu tem que ser rápido senão o tempo está a cobrar foi ignorado mais quero ouvir uma palavra excluído ok está feito não preciso de mais palavras era isso que eu queria provocar como é que se chama o josé sentiuse ignorado o gustavo sentiuse excluído eu vou pedir a quem tem os óculos se os põem na cara porque coitados estes dois foram ignorados e excluídos na realidade esta foi a maneira que eu encontrei de poder fazervos entender o que é a sensação de exclusão ou de ignorância ou de ignorado coitados mas na realidade eu vou perguntar a quem tem os óculos conseguem identificar a diferença entre estas duas imagens gustavo identificasme um lápis laranja e você identifica de facto na realidade quem foi excluído foi quem teve estes óculos quem foi discriminado foi quem teve estes óculos eu criei isto para quê para poder fazer sentir aquilo que é uma limitação que os olhos não veem falamos de 350 milhões de pessoas em todo o mundo que não veem corretamente as cores vivemos num mundo onde 90 da comunicação é feita através da cor o que eu procurei foi encontrar uma solução que pudesse minimizar os constrangimentos de todas essas pessoas que vivem numa sociedade que como disse vive da cor mas a primeira coisa que eu fiz isto há 20 atrás fui à net procurar o que é isto de ser daltónico e encontrei as coisas mais incríveis que vocês possam imaginar daltónico era um árbitro que não marcava um penalti daltônico era um candidato que prometia uma coisa e fazia outra cheguei à universidade para fazer o mestrado e disse eu quero fazer alguma coisa para daltónicos e ouvi isto daltónicos isso não existe é como enterro de anão nunca vi nenhum de facto somos condescendentes àquilo que é uma limitação visível se eu eu vir um indivíduo com calças roxas uma camisola amarela uma bengala e óculos de sol naturalmente eu vou dizer é pá cuidado é cego mas se não tiver a bengala ele é um parolo ele é uma pessoa de mau gosto falamos de 350 milhões de pessoas uma em cada 10 homens uma em cada 200 mulheres o mundo esqueceuse o mundo esqueceuse que a cor era tão importante do ponto de vista racional de identificação orientada por escolha e que havia pessoas que não ouviam corretamente mas o daltónico também não reclamou e não reclamou porquê porque não quis assumir a sua condição o que eu procurei — e trabalhei durante oito anos neste projeto a criálo a desenvolvêlo com daltónicos de vários países para mim era muito importante despistar a questão cultural seria só o daltónico português a sentirse incomodado por usar uma meia de cada cor mas não algo que é transversal a todos os países portugal brasil israel argentina áfrica do sul coreia do sul estados unidos etc 90 dos daltónicos precisam de ajuda para comprar roupa mesmo tendo essa ajuda na compra 60 dos daltónicos precisam de ajuda para escolher a roupa que vão vestir no dia seguinte mas mais do que isso 41 dos daltónicos têm dificuldade de integração social em algum momento da sua vida sentiram constrangimento vergonha perda da autoestima perda da autoconfiança dependência de terceiros que nem sempre é possível então eu queria saber o que é que era isto de ser daltónico primeiro com médicos estudei daltonismo não há dois daltónicos iguais há vários graus de daltonismo inclusivamente visão a preto e branco quando nós precisamos da cor não a questão emocional mas a questão racional da cor que é transversal a todo mundo perguntava aos daltónicos o que eles queriam assumidamente eles queriam uma solução que lhes permitisse viver num mundo que comunica pela cor mas sem terem que assumir eu sou daltónico então fui estudar tudo o que eram linguagens universais sinais de trânsito código internacional das bandeiras sinais de rádio código braille que eu pensava que era universal mas não é mas não é relevante morse etc e facilmente deu para perceber que a cor e a forma são os dois elementos que garantem essa universalidade sendo que no caso do daltónico a cor não poderia aparecer mas a forma sim o daltónico reagia à forma e qual é o sinal que vocês veem ali em baixo do vosso lado direito o daltónico reagia mesmo assim não era fácil o daltónico reagia à forma então se reagia à forma tinha a certeza de que poderia encontrar na forma uma solução para representar a cor o que é que eu fiz mais do que tudo — e aqui é interessante porque às vezes a maneira como queremos ajudar como queremos fazer são determinantes do ponto de vista de como é interpretado do outro lado eu não tenho dúvidas de que quando me dediquei a isto eu queria ajudar o daltónico quero ajudar o daltónico e quero continuar a ajudar o daltónico mas eu não precisava de marcar isso podialhe ter chamado coloraid ajudar a cor era mais óbvio mais intuitivo e certamente que para o daltónico fazia entender mais o que isto era mas era muito mais penosa a ideia de lá vem o tipo que vê as cores todas agora a ajudarme a ver as cores o add foi determinante porquê porque reforçou aquilo que é o conceito que eu procurei neste processo todo recuperar o conhecimento adquirido que todos nós trouxemos da escola certamente nesta sala todos tivemos uma caixinha de guaches e disseramnos quais eram as três cores primárias mais o branco e o preto então a cada uma destas cores primárias eu atribuí uma forma um símbolo gráfico tinha que cumprir uma série de requisitos primeiro fácil de integrar no vocabulário visual de cada um independentemente da sua formação religião cultura geografia fosse o que fosse fácil de se reproduzir em diferentes dimensões tamanhos e técnicas mas mais do que isso fácil de se ligar entre eles porquê porque quando andamos na escola aprendemos que se eu misturar o amarelo com o vermelho tenho laranja se eu misturar o azul com o amarelo eu tenho o verde então se eu misturar o símbolo amarelo com o símbolo azul eu tenho o símbolo verde e com três símbolos o daltónico consegue identificar todas as cores ele não as vai ver não vai distinguir um vermelho ferrari de um verde benetton mas precisa de saber que aquilo é vermelho não é verde e tal como na caixinha dos guaches se eu misturar o preto com uma cor eu tenho uma cor escura se eu misturar o verde com o preto temos o verdeescuro os tons escuros se eu misturar o branco com o azul tenho o azul claro temos os tons claros são cinco símbolos que permitem que o daltónico identifique todas as cores isso foi uma tese de mestrado demorou oito anos a fazer foi validada pela comunidade científica através de vários artigos que escrevi e que foram publicados porque para mim era importante não ser eu a dizer que isto era uma solução era ter quem ajudasse a fazer perceber que isto era uma solução mas para chegar a 350 milhões de daltónicos que eu não sei onde estão porque o daltónico não tem escrito na testa sou daltónico era um processo difícil impossível não iria a andar a bater porta a porta à procura deles por isso se chegar a 350 milhões de pessoas é difícil é fácil chegar a sete mil milhões de pessoas mas era preciso montar o jogo e como vamos chegar a 7 mil milhões de pessoas se não sabemos como nos aproximar rapidamente delas sozinhos é impossível então desenhámos um modelo — e falo no plural porque criei uma equipa que trabalha comigo desde 2010 dedicada a implementar isto em todo o mundo através de modelos de cocriação mudar o mundo sozinho é impossível não tem piada nenhuma mas em conjunto acho que é possível chegar a sete mil milhões de pessoas conseguindo cumprir aqui dois propósitos um garantir uma integração do daltónico na sociedade sem que ele tivesse que assumir a sua condição e outro sensibilizar os restantes 90 da sociedade de que existem pessoas que não veem as cores de que existem pessoas que podem perfeitamente ser integradas numa sociedade que vive da cor sem terem que ser discriminadas ignoradas ou rejeitadas foi importante criar um modelo de sustentabilidade isto também é inovador porque se a inovação existiu até esta fase inovação pura — atrás do coloradd não existia nada uma solução que não é tecnológica ou seja que podia ter aparecido há 500 anos atrás não depender da tecnologia torna mais fácil poder chegar a todos e chegar a todos num processo na sua essência e na sua génese de procriação valorizar através de um modelo de negócio sustentável em que o impacto social é o nosso grande objetivo mas o impacto económico também é necessário porquê porque só assim sistemicamente se consegue escalar garantindo aquilo que é a introdução dum terceiro win na equação win win win como fazemos ou por onde já andamos durante quatro anos dedicámonos a testar isto em portugal valorizando aquilo que era um impacto diferenciador das empresas num momento de crise que foi importante para nós perto de casa conseguirmos encontrar soluções para mais do que termos uma boa ideia termos uma solução efetiva e se falamos de inovação e se a resistência à inovação é uma coisa natural nós tínhamos que criar algo que fosse consolidado no tempo dois caminhos consolidar isto no diadia da pessoas pelo mundo e preparar isto para as futuras gerações alguns dos exemplos a orientação dos hospitais é feita através da cor o hospital de são joão no porto foi o primeiro hospital no mundo a adotar esta linguagem na sua organização porque de facto circulam lá 15 mil pessoas diariamente se fizermos contas à merceeiro há 750 daltónicos que se perdem no hospital que não é não é um bom sítio para uma pessoa se perder pensar seguir a linha amarela para ir à maternidade ver o filho que nasceu e ir parar àquela sala que tem aquelas arcas frigoríficas deitadas não é um bom sítio e o custo que isso traz os fármacos hospitalares evitar aquilo que foi o que aconteceu no santa maria há uns anos desde aí o coloradd foi introduzido nas etiquetas dos fármacos hospitalares para reforçar a segurança e eliminar o erro ou a triagem de manchester dada a falta de conforto de saber se está melhor ou pior que o tipo do lado ou se vai entrar primeiro na consulta está integrado também no portal de monitorização do tempo de espera do serviço nacional de saúde mas não é só a saúde são os transportes mesmo tendo o nome mais de 50 dos utilizadores de transportes em todo o mundo usam a cor como um primeiro fator de diferenciação das linhas e não nos podemos esquecer maioritariamente os daltónicos são homens e o homem é aquele tipo que não gosta de perguntar ou seja independência aquisitiva que precisa no processo claro que mais do que ter uma boa ideia era preciso ter alguém que a testasse tal qual os provadores nos tempos dos reis testouse no porto funcionou está já na carris em lisboa trabalhamos já com o processo de implementação no metro de madrid é algo que sistemicamente queremos escalar escalar com regras claras isto é um projeto ambicioso mas não é ganancioso por isso todo esse processo todo o escalar tem que ser feito com formas consolidadas não para que isto cresça assim mas para que isto se consiga consolidar no tempo tal como temos as instruções de lavagem nas nossas peças de roupa outros exemplos as cidades seja no turismo na cultura na proteção civil nos incêndios na fiscalidade na mobilidade a cor é um fator de extrema relevância ainda mais hoje que vivemos num mundo global nos parques de estacionamento sejam eles públicos ou privados a cor define toda a organização num espaço em que geralmente os layouts são todos iguais a recolha seletiva de resíduos os contentores de lixo há um bocado falava dos medicamentos falovos agora dos contentores de lixo ou seja a cor tem uma relevância muito grande naquilo que é a organização de um mundo que é cada vez mais global as bandeiras das praias enquanto fiz o estudo trabalhei com daltónicos de vários países e pedialhes para me descreverem situações constrangedoras do seu dia a dia onde a cor poderia ser um fator inibidor diziame uma senhora brasileira todos os dias sinto o meu posto de trabalho em perigo o patrão enviame um ficheiro e diz o contrato está corrigido o que é verde é para pôr o que é vermelho é para tirar diziame um israelita as bandeiras as bandeiras das praias é o meu grande problema eu disselhe não pode ser eu sempre vivi ali no porto junto do mar bastame olhar o estado do mar se estiver muito picado não vou tomar banho se estiver lisinho posso ir' por acaso não vou porque a água é gelada mas à parte isso e ele pois mas por vezes aqui as águas estão contaminadas derrames de crude ou inclusive o que aconteceu o ano passado no algarve com as caravelas de facto a bandeira tem uma relevância muito grande em 2016 foram hasteadas as primeiras bandeiras de praias um incremento ou uma boa prática um pouco à revelia daquilo que é uma convenção internacional que tem décadas estruturada nos diferentes países pelas mais conservadoras entidades como é o caso da marinha cá em portugal este ano mais de 500 km de praias de viana do castelo ao ajuda a garantir a independência aquisitiva ao daltónico boa prática é esta também já instalada nas ilhas canárias em espanha onde morre mais gente dentro da água do que em acidentes de automóvel e a relevância que a cor tem naquilo que é a independência aquisitiva de cada um mais semáforo nutricional a cor quando identifica aquilo que é as características de um alimento o código está lá aportando às marcas não só aquilo que é o impacto que possam gerar do ponto de vista da valorização do produto da responsabilidade social corporativa das empresas mas todo um processo em que queremos envolver todos em modelos de procriação não na ideia de toma lá vai ajudar não vamos todos fazer essa mudança vários eventos sejam os festivais de verão sejam os eventos desportivos temos parcerias com a liga de clubes em que a organização dos eventos a distribuição dos adeptos pelos estádios é feita pela cor mereceu a vinda da uefa a portugal ver o que estamos a fazer o daltonismo está já na agenda da uefa já conseguimos mudar a cor da bola já conseguimos mudar a organização dos equipamentos não que o código seja a solução pra tudo mas não precisamos de ser a solução para tudo precisamos é que a sociedade seja sensível a todo este processo a roupa o vestuário como vos falei é óbvio o impacto que isto tem nos produtos e a ideia de que é possível idealizar dinâmicas e garantir que o envolvimento de um segundo setor tem grande impacto temos o exemplo da toyota que lançou no verão passado um carro toyota aygo powered by coloradd ou seja a personalização de um carro dentro daquilo que é a organização da cor e que a cor possa ter tudo isto procuramos que seja um modelo de alavancar todo um processo e trabalhamos com uma regra única não há exclusividade para ninguém porquê porque se damos exclusividade estamos a condicionar aquilo que é a liberdade de um daltónico apareceunos uma empresa dizendo no nosso setor nós pagamos dez vezes mais do que vocês querem mas queremos ser o único durante cinco anos e nós dizemos não se isto é para todos tem que ir por todos e só assim é que vamos conseguir criar um mundo melhor a viarco introduziu o código nos seus lápis recuperou o mercado nacional a concorrência veio atrás ao tentar recuperálo e desta maneira conseguimos ter todos do lado do bem um exemplo que muito me sensibilizou e de que me orgulho porquê porque desde o início da investigação eu quis ter o mais importante jogo de cartas do mundo ao utilizar este código a mattel é a maior multinacional de jogos do mundo uma empresa norteamericana o jogo uno tem 46 anos a mattel veio ter conosco e disse queremos encontrar nisto uma solução de vender 13 milhões de jogos em 2017 a mattel lançou este jogo no mercado com isto recuperou ou antes teve um aumento de vendas em 66 é possível ganhar dinheiro e fazer o bem e com isto a sensibilizar e dado o impacto que isto teve num produto da maior multinacional de jogos do produto líder mundial de mercado fez que a mattel este ano em 2019 lançasse o uno em braille porquê porque o uno para daltónicos teve um grande impacto e dessas maneiras e dessas dinâmicas é possível garantir que se consegue criar algo mais daquilo que é a valorização do produto pura e simples mas aquilo que é o comprometimento com uma sociedade que se quer mais justa mas isto está no dia a dia das pessoas o que para nós é importante porque há daltónicos hoje era também importante levar isto para as escolas levar isto para as escolas porquê o miúdo daltónico é vítima de bullying um bullying exercido maioritariamente sem ele querer naturalmente pelo próprio professor que não entende porque o miúdo pinta o telhado da casa de verde ou pinta a árvore de vermelho ou não entende a transformação geopolítica antes e depois da guerra porque o mapa era laranja e era verde e chamalhe burro o coloradd está integrado em vários manuais escolares já é ensinado nas matérias ou disciplinas onde é possível ensinar isto é usado em outras disciplinas onde é utilizado para ensinar outras matérias cá em portugal em vários manuais escolares no sistema de ensino da mackenzie no brasil na macmillan em espanha nos exames nacionais inclusivamente para garantir que há igualdade e oportunidade de um miúdo daltónico na interpretação de um enunciado ou na formulação da resposta mais do que isso se chegarmos às crianças tal qual eu — e eu assumo reciclo e faço recolha seletiva em casa mas fui educado numa geração em que se metia o lixo dentro de um saco não é no chão mas era tudo colocado no mesmo saco as crianças trouxeram uma nova maneira de olhar para isto as crianças têm essa capacidade de poder sensibilizar e influenciar os adultos e também o processo com esta ideia criámos uma organização nãogovernamental uma ong dedicada às escolas completamente sustentável e com um projeto que vai muito mais além do que o coloradd queremos sensibilizar para a causa queremos precocemente detetar fazer o rastreio do daltonismo e é impressionante 17 dos daltónicos descobriu que era daltónico depois dos 20 anos esteve 20 anos sem saber porque é que era abusado sem saber porque era discriminado sem saber porque era vítima de bullying então com isso procuramos que todos os miúdos através das atividades que vamos fazendo com eles usando estes óculos fazêlos perceber que ser daltónico não é pior é diferente e o miúdo daltónico deixa de ser rejeitado e discriminado e passa a ser alguém que tem um super poder porque tem uma história diferente para contar uma maneira diferente de interpretar o pôrdosol de falar do arcoíris tudo isso permite com que ele tenha uma integração muito mais fácil sensibilizando a comunidade através da comunidade escolar com estas ações e é muito engraçado porque vão às escolas e dizem aos miúdos que isto foi uma linguagem inventada por um português os putos todos pensam que eu ja morri porque se inventou alguma coisa é porque já foi há muito tempo fazemos o equipamento das bibliotecas escolares que se rege por aquilo que é uma normativa da unesco a classificação decimal universal que tem na cor a diferenciação das diferentes temáticas fazemos isto também em moçambique na cidade de chokwé na província de gaza com novecentas e tal crianças o que é impressionante perceber não só a facilidade com que os professores aderem a isto porque de facto a cor tem uma relevância muito grande até mesmo no desenvolvimento cognitivo das crianças por isso os teletubbies são tão feinhos e elas gostam todos deles mas também trabalhar com os miúdos perceber o impacto que isto tem fizemos isto em tamul no sul da índia era importante ir a situações mais difíceis daquilo que são os problemas locais e na índia até fruto da diabetes o daltonismo tem uma incidência muito grande mas nesta zona nas famílias que vivem com seis dólares por mês impressionante dar e entender como é fácil fazer e como é fácil roubar — no bom sentido — o sorriso a uma criança basicamente é isto que nós estamos a fazer é isto que vamos continuar a fazer e há aqui uma coisa engraçada já agora um pequeno desafio vejam se conseguem identificar quem é este personagem isto é interessante não vale pôr os óculos não chegam lá com os óculos é interessante para percebemos o estigma do daltonismo certamente se a obra deste homem fosse vendida sabendose que ele era daltônico valeria metade do que vale e é interessante perceber o impacto o constrangimento que o daltonismo tem naquilo que é o dia a dia das pessoas ninguém quer chegar lá van gogh trabalhei durante uns tempos com um dos mais conceituados oftamologistas do mundo que também estava a desenvolver uma investigação sobre o van gogh precisamente o daltonismo do van gogh claramente identificado a única dúvida que há é se é adquirido ou se veio de nascença ou se foi adquirido por excesso do consumo da tinta ou até do próprio chumbo das tintas mas de facto esse oftalmologista disseme uma coisa que a mim enquanto designer me marcou muito e me motivou a continuar neste caminho o coloradd foi o primeiro medicamento criado por um 'designer' de facto poder olhar para isto e perceber — e a pergunta é recorrente — se eu sou daltónico não eu não sou daltônico acho que o facto de eu não ser daltónico é que fez com que este projeto ou que esta solução ou que esta inovação tivesse hoje o impacto que está tendo no mundo porque se eu fosse daltónico eu ia criar uma solução para resolver o meu problema o meu grau de daltonismo o facto de eu não ser fez com que eu tivesse que procurar todo o tipo de daltonismos que há entender claramente como é que eles vivem como é que eles se resolveram o que prova que nós somos muito mais competentes se fizermos as coisas a pensar nos outros do que a pensarmos em nós obrigado
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algum tempo atrás eu estava numa dessas reuniões que a gente faz por telefone eu num escritório em são paulo e a outra pessoa num escritório nos estados unidos a reunião devia durar das 11 da manhã até mais ou menos a uma da tarde quando por volta do meiodia meiodia e pouco a pessoa do outro lado falou alê você pode olhar na sua agenda se a gente pode interromper a reunião agora e continuar às duas da tarde consultei minha agenda estava livre assunto não urgente ok não tem problema nenhum continuamos então às duas da tarde e ouvi o retorno que bom porque então eu vou levar o meu cachorro pra passear oiiii oi hã alô alô hã fiquei desconcertado e dei aquela assim haha acho que não entendi bem por causa do idioma e a pessoa respondeu com aquele sorriso na voz né não é isso mesmo eu vou levar o meu cachorro pra passear eu fiquei realmente desconcertado desliguei o telefone e fiquei pensando puxa a relação das pessoas com o trabalho é realmente curiosa né cada um entende o que é compromisso de um jeito e mostra esse compromisso através de entregas de um jeito diferente e ao longo da minha jornada eu entendi que este era o meu papel esta era minha missão tentar entender um pouco como é que as pessoas enxergam a sua relação com o trabalho e como é que a gente pode ajudar as organizações e as pessoas a terem uma conexão um pouco menos sofrida e é a isso que eu dedico o meu tempo mais ou menos 200 anos atrás entre 1800 e 1820 começaram a surgir as primeiras leis do trabalho uma delas dizia que crianças com menos de nove anos estavam proibidas de ser contratadas por moinhos de algodão na inglaterra outra delas dizia que crianças entre 9 e 14 anos podiam ser contratadas desde que elas trabalhassem menos de 12 horas mas você podia descontar as folgas as pausas durante o dia cento e trinta anos depois em 1932 foi tirada essa foto bastante famosa durante a construção do rockfeller center nos estados unidos onde 11 trabalhadores tomavam o seu almoço e descansavam sentados na estrutura metálica do 69º andar deu um medinho né e aqui estamos numa estrutura completamente diferente os problemas são diferentes na grande maioria ainda existe um pouco daquilo mas os nossos desafios como empreendedores e como trabalhadores são diferentes nossas estruturas de trabalho são muito mais flexíveis trabalhamos em escritórios que nem parecem escritórios às vezes nem vamos pro escritório pode ser que haja alguém trabalhando aqui ou lá fora as paredes perderam seu sentido concreto pra ganhar sentidos virtuais a gente ganhou autonomia na relação de trabalho só que essa autonomia vem acompanhada de um desafio o desafio de a gente entender qual é o significado do trabalho pra gente e esse é um desafio que a gente tem que fazer valer todos os dias dentro das organizações as estruturas hierárquicas foram desenhadas sempre olhando um pouco o cruzamento entre o quanto aquela empresa dá foco nos negócios nos processos na rentabilidade ou quanto ela vai despender de investimento e atenção nas pessoas e nos relacionamentos historicamente o modelo que mais deu certo o modelo onde todos nós aprendemos a trabalhar ficava situado aqui nesse quadrante debaixo onde tinha muito foco em negócios e pouco foco em pessoas esse modelo se chama autoridade e obediência onde a gente tem um cara parrudo e forte com uma linda capa e ele é tão melhor do que você ele é chamado de líder interessante porque ele é mais interessante do que você e o papel dele é utilizar uma série de ferramentas pra garantir que você vai fazer aquilo que você já falou que ia fazer e aí você faz então esse modelo durante mais de 150 anos foi o modelo consagrado dentro de todas as organizações o trabalho é bem feito mas o resultado vocês podem ver parece que as pessoas não estão tão felizes tem um estagiário ali quase já indo algumas empresas que planejavam trabalhar nesse modelo foram perdendo um pouco a mão e foram perdendo o foco nos negócios e acabaram resultando em organizações que não têm foco nem em pessoas nem em negócios se você pensar bem vai lembrar de alguma muito próxima principalmente se você teve que tirar algum documento esta semana licenciar um carro a gente chama isso de liderança empobrecida onde o líder é ausente ele realmente não enxergou uma conexão com aquelas pessoas nem mesmo com aquelas entregas e as pessoas são realmente miseráveis elas odeiam estar lá mas estão por algum vínculo x que a gente não sabe qual é o trabalho acumula e todo mundo é infeliz pra todo lado o cliente eles funcionário está tudo errado a partir da segunda metade do século passado lá na década de 70 e 80 finalmente as empresas começaram a falar olha falamos de negócios de processos de entrega ah pessoas vamos começar a falar de pessoas e aí a gente foi lá falar de modelos de gestão com bastante foco em negócios e bastante foco em pessoas chamados de liderança em equipe opa todo mundo quer essa né as pessoas são felizes os núcleos são mais próximos e o líder não é mais o líder interessante aqui a gente está falando do líder interessado este é o cara que a organização identifica e fala preocupada por que será que ele está tuitando agora ele está falando bem ou mal da palestra acho que vou vir mais pra cá tem que ficar preocupado com a performance e a interação dos outros difícil a gente chegar aqui não tem fórmula quando se coloca no slide fala assim me dá dois desses que levo pra casa e vou aplicar não não tem todas as organizações que surgem agora buscam se colocar nesse chamado sweet spot dentro desse modelo de gestão de liderança mas vocês vão se identificar agora pra caramba hein no que a gente está errando a mão é o seguinte a gente tenta criar uma organização que tenha muito foco em negócios e muito foco em pessoas e gradativamente a gente solta o foco dos negócios e olha só o foco nas pessoas e esse é o pior risco porque aí a gente cria um modelo de negócios que se chama liderança clube de campo onde as pessoas estão todas felizes e têm o videogame e o pinguepongue e aí eu posso comer um cheeseburger no horário de trabalho e o líder não sabe o que fazer mesmo aquele cara interessado que foi colocado no lugar certo não sabe como interagir com as pessoas e ajudálas a fazer aquilo que elas falam que vão fazer e que elas até querem fazer então o problema é mais ou menos o seguinte em resumo a gente está tentando migrar de um modelo que era superautoritário hierárquico de autoridade e obediência e ir lá pra cima pro liderança em equipe aí a gente erra um pouquinho a mão e cai um pouquinho pra cá pro modelo de liderança clube de campo em que as pessoas estão muito felizes mas na outra ponta tem um cliente e o cliente precisa que você entregue o que você prometeu e aí começa a gerar aquela tensão dentro da organização aí aparece o líder ele volta e ele vai usar as únicas ferramentas que ele tem que são aquelas que ele aprendeu lá na autoridade e obediência ele vem e dá porrada em todo mundo o que a gente faz entrega tudo aí fica de novo naquele ciclo de autoridade e obediência o cara se sente culpado começa a flexibilizar a gente sobe pro liderança em equipe descamba de novo pro clube de campo e a gente fica nesse ciclo negativo esse é o desafio de a gente criar uma organização hoje em dia que tenha respeito pelos negócios foco em negócios e pelas pessoas como é que a gente sai dessa encruzilhada a origem de tudo na verdade vem de como a gente foi educado de como é que a gente enxergou o valor dessa nossa relação com o mundo produtivo a gente aprendeu a ser guiado e as nossas decisões foram incentivadas por três ps os nossos pais os nossos professores e os nossos patrões quando eu diminuo a força dessas três pessoas nessa relação a gente fica meio perdido então o nosso desafio agora é entender que o significado do trabalho não é mais social e econômico ele é agora psicossocial ele tem a ver com como você enxerga a sua identidade a partir do que você coloca no seu trabalho um exemplo outro dia eu estava no escritório e a maçaneta do banheiro estava meio quebrando eu tentei consertar umas duas vezes não é realmente a minha especialidade falhei mas durou um pouquinho mais depois de algum tempo uma pessoa ficou trancada no banheiro e aí a gente foi resgatála ao resgatar a pessoa do banheiro perguntamos pra ela você não percebeu que a maçaneta estava quebrando meio ruim é claro que eu percebi mas o meu trabalho não é arrumar a maçaneta não é realmente mas quem ficou preso no banheiro no caso foi você então a novidade aqui é é seu trabalho arrumar a maçaneta ou providenciar alguém que vá arrumar a maçaneta a diferença desse novo modelo de gestão que nós como empreendedores ou trabalhadores temos que colocar em prática é que se não tem ninguém fazendo faça garanta que aquela ação vai ser tomada mas essa é uma jornada que leva tempo que leva energia e que desgasta eu como muitos de vocês fui a primeira geração que teve acesso ao segundo grau na minha família e depois à faculdade ao mestradoo cara ficou falando um monte de coisa aí né porque a leitura daquela geração dos meus pais era o único jeito de você dar certo que era a leitura deles é se você fizer uma ótima faculdade aprenda línguas entre numa empresa multinacional e siga todos os degraus que alguém desenhou pra você até que você vai chegar ao sucesso naquela época eu não ligava muito pra saber o que era o sucesso né porque a geração de hoje é convidada a entender o que é propósito e significado no trabalho se eu fosse falar pro meu pai que eu queria encontrar alguma coisa que tivesse um significado com que eu pudesse me identificar ele ia falar deixa de ser viado e vá arrumar um emprego isso é óbvio não tinha outro jeito era tudo bastante cartesiano você escolhia o seu curso com base em qual vai ter mais vagas no ano que vem e assim foi feito me formei entrei nas multinacionais e comecei a galgar todos os degraus fui subindo subindo subindo e fui me transformando sem perceber até um determinado momento em que eu cheguei ao tal sucesso que naquela época era descrito como um terno bem cortado um carro do ano um salário alto e pessoas abaixo de você trabalhando 13 14 horas por dia num ritmo muito acelerado muito tenso a minha esposa muito amavelmente tentava me alertar está estressado né trabalhando bastante eu explodia pelas coisas mais imbecis até que um dia depois de trabalhar umas 13 horas ah e obviamente como todo macho daquela época eu ignorei tudo o que ela falou até que um dia depois de trabalhar por 13 horas bem cansado no final do dia por volta das 8 horas da noite eu recebi um telefonema da sala da presidência entrei naquela sala que tem aquela mesa bem grande com vicepresidente vicepresidente vicepresidente uns três diretores e mister president e na tela tinha uns slides que eu tinha feito e eu fui muito bem recebido mais ou menos assim muito obrigado por nos dar a honra de sua presença estávamos todos aqui sem fazer nada só esperando você porque eu tenho uma pergunta pra lhe fazer quem foi o imbecil que fez esse slide comecei a sentir já a pulsação nas têmporas e no pescoço vou matar esse velho desgraçado você já começa o slide cheio de sangue né na tela fui eu que fiz o slide e por um determinado tempo que eu não sei quanto é mas pareceu ser muito ele ficou me humilhando na frente de todas aquelas pessoas mas eu me vinguei ele estava tão errado estava tão errado errado que tudo que ele me perguntou estava no título do slide e quando ele acabou toda a lavação de roupa e eu só ficava pensando que estava dentro do kill bill cortando ele em pedaços eu falei tá bom um pouco mais nervoso do que isso eu também só tenho uma pergunta pra você você sabe ler ele falou sei você pode ler o título ah mais alguma dúvida não saí saí feliz vinguei todos os trabalhadores que já foram humilhados e quando eu fechei a porta eu escutei tudo que minha mulher falava tudo aquilo esse prazer que me deu essa droga escrota que era o que era plantado dentro daquela sala eu estava gostando e aí eu entendi que a gente vira parte do meio então escolha o meio aonde você vai saí daquela empresa igual a um raio e fui procurar outras empresas que tivessem outros modelos e outras culturas conheci empresas muito interessantes muito legais até que cheguei numa que me foi apresentada mais ou menos assim olha conheço uma empresa diferente que pode ser que seja legal pra você não sei lhe explicar parece uma seita nossa vamos lá bom cheguei à empresa fui conhecer era considerada a maior empresa horizontal do mundo com 12 mil pessoas não tem nenhum cargo meu deus do céu não vai dar certo durante a entrevista o cara me falou aguarde um choque cultural de mais ou menos 18 meses dezoito meses ah dois vai não 18 meses e ainda talvez um pouquinho eu me apaixonei por essa empresa me apaixonei pela possibilidade de as pessoas terem uma relação diferente dentro do trabalho de respeito e de confiança quando eu voltei pra minha reunião no telefone com a pessoa do cachorro a pessoa começou a reunião dizendo alex muito obrigada eu queria lhe agradecer porque você compreendeu mal sabe ela a minha necessidade de fazer essa pausa meu marido morreu no ano passado e meu cachorro tem 12 anos eu não tenho mais muito tempo pra ficar com ele a diferença que faz eu passar poucos minutos e voltar pro escritório é muito grande na minha qualidade quem sou eu pra privar essa pessoa desse contato a única coisa que me irritou no começo é que eu estava me comparando ao cachorro e aí é um problema egocêntrico que você vai resolver lá na terapia do ponto de vista da organização estava tudo em dia eu falei ok eu olhei na agenda eu saí dessa empresa e fui conhecer outros modelos de gestão eu queria entender que outras empresas aceitavam o desafio de criar um futuro do trabalho diferente e a gente encontra vários modelos sociocracia holocracia organizações orgânicas beta codex o nome que for o que todas têm em comum é um conceito de gestão compartilhada onde a gente traz as pessoas para fazerem parte do cérebro da organização não é todo mundo estratégico que é bonito falar todo mundo tem voz ativa todo mundo pode falar todo mundo participa eu quero que vocês entendam que trabalho tem um significado diferente daquele ao qual a gente foi apresentado até hoje trabalho é um esforço intencional pra transformar um objeto ou oferecer um serviço ou criar um valor e ele traz uma grande possibilidade de impacto pras pessoas e pra nós não tem nada a ver com o que a gente conhece como emprego emprego é uma relação entre duas pontas em que eu prometo entregar alguma coisa desde que o outro entregue algo geralmente é grana trabalho é uma relação sua com o mundo é a hora em que você para e fala eu tenho muita coisa pra pôr pra fora deixa eu achar um canal e esse canal quem vai achar é você isso não é obrigação da sua organização é você quem vai resolver esse problema e se a gente agora cumprisse os nossos compromissos e a gente fizesse o que a gente falou que ia fazer e não precisasse de um líder fiscalizando e se a gente confiasse nas pessoas e quando elas tentam fazer algo e não conseguem em vez de achar que é corpo mole ou incompetência talvez ela não saiba e se ela realmente está fazendo o seu melhor e se a gente fosse realista e entendesse que a gente é cheio de defeitos e que ao enxergar nossos defeitos a gente respeita o limite dos outros e se em vez de eu tentar só responder a pergunta que alguém me fez eu tentasse resolver o problema que está por trás da pergunta e se a gente tentasse buscar ativamente as soluções antes de sair pedindo pra alguém resolver pra gente eu não tenho o recurso mas eu posso sair e encontrar o recurso tenho certeza de que se a gente adotar algumas dessas posturas a gente vai começar a dar passos largos e entender que o trabalho nada mais é do que uma forma de amor que só é colocada no mundo quando você faz a sua intenção virar ação muito obrigado
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a encantadora e hospitaleira capital de minas gerais queria pedir a ajuda de vocês que estão aqui quietinhos sentados há mais de uma hora reunidos queria que todos ficassem de pé por gentileza aproveitar até para mudar de posição e queria uma salva de palmas para as pessoas que cuidaram do nosso café da manhã do nosso almoço que estão preparando novamente as nossas refeições e também para aqueles funcionários que enquanto estamos aqui discutindo novas ideias continuam limpando os banheiros que nós sujamos obrigado obrigado eu sei que eu estou ridículo eu sei disso e para que nós pudéssemos conversar a respeito de como a nossa história nos conduziu a termos sujeitos escravizados que fazem uso deste tipo de roupa 8 horas por dia 6 dias por semana ao longo de muitos anos seria necessário mais do que 18 minutos no entanto eu queria dizer algumas coisas importantes a respeito disso para vocês antes de mais nada eu não estou sozinho aqui no palco do meu lado esquerdo ernesto che guevara john lennon mahatma gandhi sigmund freud e karl marx do meu lado direito seu moisés seu nilce seu joão seu tonhão e outros tantos que me ensinaram a compreender esses caras que me são muito caros eu era estudante de psicologia segundo ano da usp houve uma proposta de trabalho em um disciplina chamada psicologia social o professor disse é o seguinte além das tarefas acadêmicas vocês vão se submeter por um dia a uma tarefa braçal que não exija qualificação técnica nem escolar alguns foram trabalhar como empacotadores de supermercado outros foram trabalhar como bilheteiros de cinema eu e alguns colegas fomos trabalhar como garis dentro da própria cidade universitária muito bem primeira dificuldade na usp como toda cidade universitária todo prédio todo instituto tem uma placa ninguém tem dificuldade para encontrar estes lugares instituto de psicologia por aqui faculdade de economia por ali hospital universitário siga em frente cheguei na usp o local no qual eu estudava há dois anos e abordava os pedestres e dizia por favor alguém pode me dizer onde é o vestiário dos garis silêncio quando não era silêncio era um susto gari gari dentro da usp ué sim porque as ruas se limpam naturalmente estamos na disneylândia as folhas caem das árvores e vão diretamente para os latões de lixo depois disso fui até o local de trabalho já designado todos estavam esperando que o estrangeiro chegasse não é o estudante de psicologia que estaria entre os garis percebi que os trabalhadores são carregados em caçambas de caminhonete juntamente com vassouras com pás com enxadas com latões de lixo com sacos de lixo e muitas vezes o próprio lixo percebi que as ferramentas são todas elas vagabundas tais como estas aqui essa aqui ainda está um pouco melhorzinha porque o cabo é um pouco mais longo não é no entanto imagina um sujeito que passa 8 horas por dia neste movimento me desculpa diretor de sair do tapete vermelho imagina o que fica de dor nos antebraços imagina como fica a coluna deste cara depois de alguns poucos meses de trabalho muito bem chegando ao local de serviço todo mundo trabalhando com pá e enxada porque no dia anterior tinha chovido muito em são paulo sujeira pesada acumulada nos cantos das vias não tem como trabalhar com vassoura todo mundo com cabos não é de pás e enxada nas mãos trabalhando nesta posição o encarregado chega e diz você não você não você varre ali do outro lado fui até o outro lado quando olhei parecia que eles já tinham limpado o lugar e colocaram 2 ou 3 folhinhas para o playboy achar que estava varrendo e eu obedeci o chefe aliás é bom que se diga nós dizemos por aí que uns nascem para mandar outros nascem para obedecer eu queria por favor aqui que levantassem a mão as pessoas que sentem que nasceram para obedecer 1 tá legal e os que nascem para mandar tem muitos aqui não interessante muito bem o que aconteceu a partir daí foi muitíssimo curioso porque havia uma distância não é obviamente não só uma distância geográfica mas uma distância também psicológica porque são mundos tão diferentes como iam se encontrar aqui um estudante de psicologia dentro da universidade de são paulo olha o paradoxo trabalhando com sujeitos semianalfabetos isso é muito curioso também chama a atenção até que o trabalho foi interrompido e não havia absolutamente nenhum contato entre nós o que se passou a partir de então foi o seguinte apoiaram sobre uma plataforma de concreto uma garrafa térmica e eu não observei nem a presença de caneca nem a presença de copo e nenhum tipo de vasilhame que pudesse fazer com que a bebida fosse servida o moisés como todo bom nordestino carregava uma peixeira ou enfim um facão foi até um latão de lixo de lá de dentro ele espetou com este facão 3 latinhas serrou pela metade e com o fundo destas latinhas o pessoal começou a se servir do café vejam bem latinhas resgatadas de uma lixeira pública onde a coisa mais limpa que existe são baratas desta forma eles estavam tomando o café eu fiquei ali parado sem saber exatamente o que fazer ansioso esperando que afinal de contas eu continuasse esquecido entre eles porque eu tinha dois problemas se o café me fosse servido primeiro que eu não tomava café segundo de tudo eu teria que tomar café naquelas condições o moisés lembrou de mim e eu achava que ele não fosse lembrar serviu o café e me entregou a caneca minto latinha de refrigerante resgatada da lixeira derramou lá o café e entregou para mim estava tão encardida estava tão suja a latinha que se eu abrisse a mão ela não caia bom ficaram todos me observando para ver afinal de contas se o playboy se o jovem estudante rico iria ou não tomar café naquelas circunstâncias alguma coisa me fez dizer que eu deveria tomar o café porque senão eu vou pedir licença poética acho que ninguém falou nenhum palavrão mas a situação era basicamente o seguinte fudeu fudeu ou você toma a porra do café entendeu ou não vai ter pesquisa aqui meu amigo ou a gente vai ficar fechado ou você está com a gente ou você não está desculpa ou cê tá com nós ou cê não tá entendeu muito bem daí eu tomei o café na hora que eu tomei o café toda aquela ansiedade evaporou os antropólogos costumam chamar isso de rito de passagem ou prova de ingresso obviamente que eu não estava aceito definitivamente no grupo mas obviamente que isso de alguma forma nos irmanou e a partir daquele instante eles começaram a me trazer coisas que eles resgatavam das lixeiras e me mostrar o que era a realidade deles contar piada casos engraçados falar a respeito dos apelidos ou do desempenho sexual de cada um deles o trabalho foi interrompido e daí voltamos a varrer mentira que nós voltamos a varrer porque eu mal conseguia ficar com a vassoura em punho e eles vinham assim você viu aqui o jeito que a gente é tratado você viu as vassouras que porcaria fala lá que as vassouras aqui é assim e o café você viu que imundice o jeito que a gente é tratado aqui o jeito que a gente toma café fala lá que a gente é tratado desse jeito e eu pensava falar para quem falar para quem 19 anos de idade não tenho costa quente não sou amigo do aécio neves não sou amigo do presidente do governador eu não sou eu vou falar para quem não sou da família sarney o que a gente faz nessa porra deste país se a gente não é costa larga fala para mim como é que eu poderia imaginar que 20 anos depois eu poderia estar falando para um público não só aqui mas também via internet eu espero que isso alcance outros lugares porque me parece que este não é um problema só brasileiro o problema de sujeitos dominados acontece no mundo todo aliás porque existe nações que dominam outras nações e isso não é novidade para ninguém o que estava por vir foi ainda mais surpreendente porque eu tive que passar dentro da faculdade de psicologia com um uniforme vermelho não era esse laranjão e eu pensava assim bom jogo futebol pingpong conheço muita gente tenho colegas de sala vai ser interessante o pessoal vai olhar para mim e vai dizer assim e ai meu o que você está fazendo com esta roupa eu entrei pelo andar térreo passei pela biblioteca pelo centro acadêmico pela lanchonete e ninguém me viu daí quando os meus colegas garis ficaram sabendo disso e da minha expectativa disseram assim você é ridículo você achou que fossem te ver com este uniforme você acha que a gente anda com este uniforme por ai quem vai sentar do nosso lado no ônibus quem é que vai conversar com a gente a gente serve quando muito para dar alguma informação então eu estou aqui em nome destes caras porque eu passei 10 anos lá varrendo rua 2 vezes por semana limpando latão de lixo recolhendo animal morto e eu digo depois de meia hora de trabalho no primeiro dia o trabalho de limpeza pública é imbecil e quando eu digo é que imbecil é em respeito a estes sujeitos como o wagner que estava limpando o banheiro eu estava conversando com ele agora a pouco extremamente inteligentes um grande potencial criativo e que nós escravizamos nós não chamamos isso de escravidão chamamos isso de trabalho assalariado mentira mentira o trabalho assalariado é um mal e é um mal mundial nenhuma relação humana é verdadeira a partir do instante em que um manda no outro agradeço a fala da eloan e a fala da pâmela inclusive por conta disso a partir do instante em que estamos instalados em situação assimétrica não existe mais verdade e se estamos distantes da verdade estamos também distantes da nossa humanidade isso é um problema muitíssimo antigo isso tem haver com o fato de que vivemos em sociedades segregadas em classes sociais coisa que o capitalismo não inventou isso não é invenção do modo de produção capitalista mas o capitalismo aprendeu de maneira perversa a propagar essa desgraça e nós aprendemos de fato que devemos ter uma profissão aprendemos de fato que devemos ser chefes ou subalternos e que estes lugares simbólicos são imutáveis isso é uma grande merda isso é uma grande bobagem e a despeito de eu ter estudado muito na maior universidade do país eu fui aprender isso com o moisés com o nilce fui aprender com gente que dividiu pão na hora do bandejão que me dava laranja não era com colega de sala de aula ocupados em estudar em montar um consultório ou então em ter algum artiguinho publicado em revista científica indexada porque é isso que acadêmico faz acadêmico hoje em dia não está interessado em ensino não está interessado em troca está interessado em publicar artigo livro aparecer na mídia e tudo mais isso é uma grande porcaria então o que eu queria dizer para vocês é o seguinte fronteiras geopolíticas isto é praticamente alguma coisa que eu penso junto com o ernesto guevara são ilusórias falo especialmente para os nossos irmãos latinoamericanos falo especialmente para os nossos irmãos africanos e o que nos irmana a estes sujeitos é a dominação somos um povo dominado se eu pedir aqui que me digam uma cidade dos estados unidos vocês vão me dizer 18 washington nova iorque miami orlando e por ai vai me digam por favor qual é a capital do sudão país responsável por mandar para cá grande parte da população negra que construiu o brasil não sabemos não sabemos nem o nome da capital do sudão isso chamase dominação a única forma de vencer a dominação é resistindo não com bala não com armas porque aí a bomba dos estadounidenses a bomba da europa ocidental é muito maior que a nossa aí a gente precisa pedir empréstimo a ideias de john lennon e mahatma gandhi isto é resistência a volkswagem a fiat todas estas indústrias farmacêuticas não estão aqui para o nosso bem não estão ou vocês acham que eles estão aqui para que a gente ande em carro confortável é óbvio que não eles estão aqui porque recolhem divisas e isso sustenta os seus iates isso sustenta os seus sistemas de saúde que nós ficamos babando como se fossem coisas maravilhosas mas a riqueza deles é resultado da nossa pobreza isso é óbvio a única forma de nós resistirmos a essa bagunça a essa porcaria toda é resistência isso só vai acontecer se a gente retomar as nossas escolas e retomar a nossa educação tudo que a gente faz é reproduzir modelos que são ensinados de cima para baixo eu aprendi por exemplo no ginásio coisas sobre a independência dos eua a guerra da secessão ou algo que o valha que merda é essa para que isso me serve aqui embaixo no brasil eu preciso aprender a história do nosso povo a história da áfrica preciso ouvir os derrotados não os vencedores preciso ouvir o que os índios tem a dizer a respeito do que os bandeirantes eu vou dizer em inglês que aí a laísse não precisa sujar a sua boca motherfuckers não é que dizimaram um monte de índio e no estado de são paulo são homenageados é rodovia borba gato é palácio dos bandeirantes os primeiros grandes desmatadores do brasil mataram um monte de gente e a igreja católica lavando as mãos como na época do holocausto ora se negligência não fosse uma forma de violência omissão de socorro não era crime não é verdade e o que nós vamos fazer diante disso nós precisamos obviamente retomar o controle do nosso solo precisamos estatizar e expulsar estas empresas transnacionais porque ou funciona do nosso jeito ou fora daqui porque estão aqui a explorar o nosso povo porque estão aqui a explorar a nossa alma e a gente tem sangue nas veias a gente tem corpo a gente tem alma somos seres humanos temos sentimentos e pensamentos e somos capazes de mudar esta realidade só conseguiremos mudar resistindo e a resistência virá através de mente aberta através de estudos profundos para entender que quando o william bonner fala na televisão a china comunista comunismo uma merda a china não é comunista cuba não é comunista a união soviética não era comunista quem leu 3 linhas de marx sabe que o comunismo não previa um sujeito sentado com a bunda no poder há 50 anos o que existe lá é capitalismo de estado porque o sr william bonner na televisão não diz os estados unidos capitalista quando é para falar merda de país é sempre assim a coréia do norte comunista nós precisamos do comunismo mas precisamos estudar o comunismo o comunismo não quer dizer que nós vamos ter que ter três pessoas dormindo no nosso quarto debaixo da nossa cama ou coisa que o valha quer dizer que todos nós somos responsáveis por produzir riqueza todos nós só que esta riqueza é apropriada por alguns esse é o problema e isso é injusto enquanto nós não modificarmos o modo de produção continuaremos produzindo sujeitos invisíveis sujeito humilhados que enquanto estamos aqui pensando que vamos mudar o mundo estão lá assando pão de queijo para a gente lavando os copos que nós sujamos isso é indigno isso é muito indigno isso é mais do que indigno de que adianta nós discutirmos aqui ideias e a revolução se continuamos mantendo pessoas humilhadas e invisíveis por isso que eu digo se a revolução não partir da américa latina se não partir da áfrica como resistência como pensou o gandhi a gente não vai conseguir nada nós somos donos do nosso solo nós somos donos do nosso território e nós somos donos da nossa força de trabalho eu penso isso inclusive com relação a qualquer esfera qualquer esfera de trabalho isso não serve só para coisas intelectuais isso serve também para a nossa mão de obra explorada por estas fabriquetas que vem ganhar dinheiro aqui ou vocês acham que o dinheiro todo que os países ricos ostentam vem da onde antes nos roubavam pedras preciosas as nossas preciosidades agora são as nossas mentes são os nossos corpos eu tenho quase 2 minutos ainda eu estou muito feliz por isso eu não sou cantor mas eu vou dizer uma coisa como eu sou subversivo eu vou sair daqui de novo a gente precisa aprender a mudar de lugar a gente precisa aprender a ser subversivo para pensar coisa diferente porque senão repito enquanto a gente acha que está fazendo a revolução o wagner está limpando o banheiro que a gente suja e isso é indigno uma negra e uma criança nos braços solitária na floresta de concreto e aço veja olha outra vez um rosto na multidão a multidão é um monstro sem rosto e coração hey são paulo terra de arranhacéu a garoa rasga cara é a torre de babel família brasileira dois contra o mundo mãe solteira de um promissor vagabundo luz câmera e ação gravando a cena vai um bastardo mais um filho pardo sem pai hey senhor de engenho eu sei vem quem é você sozinho cê num guenta sozinho cê num guenta cê disse que era bom e a favela ouviu lá tem whisky e red bull tênis nike e fuzil admito seus carro é bonito é e eu não sei fazer internet video cassete e os carro louco atrasado eu tô um pouco sim eu acho só que o seu jogo é sujo e eu não me encaixo eu sou problema de um montão de carnaval a carnaval vim da selva sou leão sou demais pro meu quintal pro seu quintal perdão problema com escola eu tenho mil mil fita inacreditável mas seu filho me imita no meio de vocês ele é o mais esperto ginga e fala a gíria gíria não dialeto esse não é mais seu oh subiu entrei pelo seu rádio tomei ninguém viu mas é isso ou aquilo o que cê não dizia seu filho quer ser negro rá que ironia cola o poster do 2pac aí que dá o que cê diz sente o negro drama vai tenta ser feliz hey bacana quem te fez tão bom assim o que você deu o que cê faz o que cê fez por mim eu recebi seu tique é esgoto a céu aberto e parede madeirite de vergonha eu não morri tô firmão eis me aqui você não você não passa quando o mar vermelho abrir eu sou um mano homem duro do gueto brown oba aquele louco que não pode errar aquele que você odeia amar neste instante pele parda ouço funk de onde vem os diamantes da lama obrigado