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2 O progenitor foi institucionalizado aos dois anos de idade, passando as suas infância e adolescência em instituições.
2 Depois de se autonomizar, residiu em diferentes localidades do País e do Estrangeiro.
2 O progenitor tem outro filho em Portugal, R, nascido em 24/1/2006, irmão consanguíneo do P, tendo ambos estado juntamente com o pai no referido período de férias de Agosto de 201 2 Tem ainda duas filhas, A, nascida em 7/10/1999 e nascida em 21/7/201 2 Os seus quatro filhos são fruto de vários relacionamentos de tipo ...
2 O progenitor constituiu nova família no Luxemburgo, vivendo maritalmente com T desde Janeiro de 2015, embora conhecendo-se mutuamente há dois anos.
3 T nascida em 22/11/1981, trabalha em casa como ama agregada ao Ministério da Educação do Luxemburgo, cuidando de cinco crianças em regime diurno, auferindo mensalmente €80 3 Tem experiência de animadora social em Portugal e de assistente parental no Luxemburgo.
3 Tem duas filhas, de 14 e 7 anos de idade, a viver consigo e com o pai do menor P, tendo o companheiro uma boa relação com elas.
3 T recebe mensalmente €650 de abono de família para as duas filhas.
3 A casa de tipologia T-3, com boas condições de habitabilidade, onde habita o agregado familiar do progenitor do menor em causa, arrendada no Luxemburgo, tem um quarto livre para acolher o dito menor.
3 Antes de viver com T o pai do menor não tinha emprego certo e vivia num quarto, não podendo acolher ali o P, nem assegurar-lhe a frequência da escola ou cuidados de saúde.
3 O pai do menor e a sua companheira querem que o P lhes seja confiado, passando a fazer parte do agregado familiar que têm no Luxemburgo.
3 O progenitor tem 38 anos de idade, atingiu o 6 ano de escolaridade e está empregado na construção 3 Trabalha de segunda-feira a sábado e aufere cerca de €900 por mês, sendo o S.N.
no Luxemburgo de €600, aproximadamente.
3 Em Agosto de 2015 o pai ofereceu uma mochila com todo o material escolar necessário ao menor P. 4 No Natal de 2015 o pai ofereceu ao filho P um conjunto completo de peças de roupa.
- Do Direito Uma vez que o âmbito objectivo dos recursos é delimitado pelas conclusões apresentadas pelos recorrentes arts.
639, n 1, e 635, n 4, do, apreciaremos, apenas, as questões que ali foram enunciadas.
Nesta conformidade, as questões a resolver são as seguintes.
- Alteração da matéria de facto.
- Inibição do exercício do poder paternal.
Dispõe o art.
1878, n 1, do que "Compete aos pais, no interesse dos filhos, velar pela segurança e saúde destes, prover ao seu sustento, dirigir a sua educação, representá-los, ainda que nascituros, e administrar os seus bens”.
E nos termos do art.
1885, do , a propósito da direcção da educação, também cabe aos pais, de acordo com as suas possibilidades, promover o desenvolvimento físico, intelectual e moral dos filhos, proporcionando-lhes adequada instrução geral e profissional.
Por outro lado, prevê o art.
1915, n 1, do , que "A requerimento do Ministério Público, de qualquer parente do menor ou de pessoa a cuja guarda ele esteja confiado, de facto ou de direito, pode o Tribunal decretar a inibição do exercício das responsabilidades parentais quando qualquer dos pais infrinja culposamente os deveres para com os filhos, c...
52 do Reg.
Geral do Proc.
Tutelar Cível Lei 141/2015, de 9).
Por fim, importa relembrar que "Os filhos não podem ser separados dos pais, salvo quando estes não cumpram os seus deveres fundamentais para com eles e sempre mediante decisão judicial” art.
36, n 6 da Const.
Rep.. Decorre dos preceitos citados que, competindo aos progenitores zelar pela saúde e segurança dos filhos, prover ao seu sustento e educação, em tudo tendo a sua actuação de se pautar e conformar pelo critério único e fundamental do interesse do filho menor, a inibição das responsabilidades parentais só pode ser de...
Importa afirmar, por decorrência constitucional, que a relação pais-filhos deve ser considerada primordial, assumindo foros de excepção o seu afastamento.
Deste modo, a inibição é uma medida de última "ratio”, pois a verificar-se uma situação de perigo para a segurança, saúde, formação moral e educação do filho, cumprirá sempre indagar se o regime prevenido no art.
1918 do - medida de limitação das responsabilidades parentais - não constitui remédio adequado em ordem a preservar no progenitor o exercício das mesmas.
Assim, a inibição do poder paternal é uma solução violenta, que na lição de Castro Mendes T. G. Civil, Ed.
AAFDL, 1978, pág.312) está prevista para casos de abandono, crueldade ou corrupção de costumes por parte dos pais, em relação ao filho, ou maus-tratos físicos, com grave prejuízo para este.
Tal medida dura, não obstante a elasticidade conferida pelo art.
1916 do levantamento da inibição), será de afastar se o caso puder ser solucionado com recurso a qualquer das providências enquadráveis no apontado art.
1918, sob pena de truncar a relação progenitor-filho, e de gerar o vazio onde se queria que não deixasse de existir algo.
Como professa A. Varela Anotado, Vol.
, 2 Ed., nota ao indicado 1918, pág.
426, a faixa das deficiências contempladas no art.
1918, abrange especialmente os casos em que a má conduta dos pais põe em perigo a segurança, a saúde, a formação moral ou a educação dos filhos, mas não justifica ainda a inibição, nem sequer parcial, do poder paternal.
É para tais situações, que a lei anterior tenderia a cobrir com a medida da inibição, por considerar que um pai que põe em perigo tais valores da personalidade do filho é um pai que não presta, que a lei actual prevê a decretação das providências adequadas, entre as quais, a título exemplificativo, enumera a entrega a ...
Também Carvalho Fernandes T. G. Civil, Vol.
, 2 Ed., pág.
243/244) propugna que a aplicação da inibição do art.
1915 está reservada para casos de relevante gravidade, devendo aplicar-se o citado art.
1918, como medida de limitação do exercício das responsabilidades parentais para defesa dos filhos nas situações aí previstas.
Igualmente Pais do Amaral Família, 2 Ed., 2015, pág.
242/243, acompanhando Armando defende que a inibição é subsidiária em relação à limitação das responsabilidades parentais, estando aquela reservada para casos de maior gravidade, pois passar um atestado, via sentença, ao filho criança de que o pai não presta é contraproducente em relação à auto-estima deste e à possibi...
Pelo mesmo diapasão se orienta a jurisprudência vide Acds.
da Rel.
Porto de 1999, CJ, T. 1, pág.
215 e segs, e da Rel.
Coimbra, de 22014, Proc.241/12TMCBR, em www.dgsi.pt., este também indicado pelo.
Descendo, agora, ao caso concreto.
Militam em desfavor do recorrente os factos apurados em 1, 2 parte, 1, 1 parte, a 1 e 1): o menor deixou de falar do pai nos últimos meses em que esteve com a dita cuidadora, revoltado com a atitude do pai, que sempre dissera que o viria buscar e não o fez; o pai do menor, desde que o filho foi entregue a, nunca mais o...
Ou seja, o recorrente deixou de contribuir para o sustento do menor e deixou de dirigir a sua educação, desinteressando-se/afastando-se do mesmo, desde que o deixou entregue, por acordo com a mãe, a uma pessoa que dele cuidou três anos e pouco a tempo inteiro.
Com o passar do tempo, o próprio filho na parte final do acolhimento por já se mostrava revoltado com a atitude do pai, que sempre dissera o viria buscar e nunca o fez.
Porém, não dão nota os factos que a atitude do pai tenha posto em perigo a segurança, saúde, formação moral e educação do filho, isto é, que a violação daqueles seus deveres como pai tenha causado graves prejuízos ao filho, pois a criança de 8 foi confiada a terceira pessoa, não pelo tribunal, mas pelo acordo de ambos ...
Mas, pelos vistos, a mãe do menor não terá as condições necessárias para tomar conta do seu filho, pois este foi rapidamente institucionalizado.
A favor do apelante ressalta a seguinte realidade factos , , , 1, 1 parte, 1, 2 parte, 2, 2, 2, 2 a 4): o menor, com 4 anos, passou a estar ao cuidado do pai; enquanto esteve a viver com o pai, o menino ia à escola, sendo a sua educação e a sua vida em geral orientadas pelo progenitor; porém o pai emigrou, mas previame...
no Luxemburgo de 600 €,; em Agosto de 2015 o pai ofereceu uma mochila com todo o material escolar necessário ao menor P; no Natal de 2015 o pai ofereceu ao filho P um conjunto completo de peças de roupa.
Ou seja, quando por força das circunstâncias o filho lhe foi entregue, pela mãe, aos seus cuidados, o recorrente cuidou do filho e mostrou ser bom pai, tanto que o menor o via como seu herói e mesmo depois de ele partir para o estrangeiro sempre falou dele e fazia muitas perguntas.
O apelante depois emigrou, à procura de melhor vida, decerto, mas no Luxemburgo na sua condição de emigrante, antes de viver com a sua actual companheira, o pai do menor não tinha emprego certo e vivia num quarto, não podendo acolher ali o seu filho, nem assegurar-lhe a frequência da escola ou cuidados de saúde.
É neste período que o pai se afasta do filho, mas logo que soube da sua institucionalização procurou-o.
Esteve de férias 4 dias com o filho em Agosto de 2015, e com um meio-irmão do menor, não mais tempo porque a progenitora não permitiu.
Falou com a mãe da hipótese de o menor ir viver com ele para o Luxemburgo no Natal, mas a mãe opôs-se outra vez.
Agora o recorrente estabilizou a sua vida profissional e familiar no Luxemburgo, e ele e a companheira recebem 350 € mensalmente, tendo uma habitação com boas condições de habitabilidade e um quarto livre para acolher o menor, o que é sua vontade, querendo até que o menor lhes seja confiado, passando o menor a viver a ...
Nesse Agosto de 2015 o pai ofereceu uma mochila com todo o material escolar necessário ao menor e no Natal de 2015 o pai ofereceu ao filho um conjunto completo de peças de roupa.
É certo que depois de se revelar um bom pai para o menor ele se afastou completamente do filho no referido período de cerca de 3 anos, em que foi emigrante a viver com dificuldades no Luxemburgo, e que só acordou quando o menor foi institucionalizado, mas felizmente para si e para o seu filho reactivou o seu interesse ...
Crismar com a sentença recorrida este pai de pai que não presta - a sentença, em diversas passagens, assume laivos de punição, por essa ausência de cerca 3 anos, ameaçando mesmo com hipotética adopção - afigura-se-nos duro e exagerado.
E mesmo inconveniente para o menor que sempre viu no pai uma referência positiva e adorou, referencial que na sua actual idade 8 é com relativa facilidade recuperável, como é timbre das crianças.
Ainda mais considerando que da parte do menor, embora justa e momentaneamente revoltado, não há nenhum facto que revele que tenha rejeitado o pai, que tenha passado a ver o pai como um pai que não presta.
E o que se vai decidir não elimina obviamente o dever de o pai pagar os alimentos vencidos devidos ao seu filho ou coarcta a possibilidade da mãe os exigir.
Desta sorte, podemos concluir, como o faz o recorrente, que no caso em apreço ocorreu no passado uma inibição de facto, imposta, em parte, pelas circunstâncias da vida do requerido, que no presente já não ocorre, encontrando-se o menor ao cuidado de uma instituição, e, por isso, encontrando-se o exercício das responsab...
Aplicar a inibição seria um retrocesso para os interesses do menor, ainda por cima porque tal medida constituiria presentemente um obstáculo a que a guarda do menor possa ser atribuída eventualmente ao progenitor, no âmbito de uma regulação do poder paternal, e aquele possa viver com este em condições comprovadamente f...
Tudo desaconselhando a inibição, não havendo, pois, fundamento legal para a aplicação do art.
1915 do Sumariando art.
663, n 7, do: ) A relação pais-filhos deve ser considerada primordial, assumindo foros de excepção o seu afastamento; ) Competindo aos progenitores zelar pela saúde e segurança dos filhos, prover ao seu sustento e dirigir a sua educação, em tudo tendo a sua actuação de se pautar e conformar pelo critério único e fundam...
191 não constitui remédio adequado, em ordem a preservar no progenitor o exercício das responsabilidades parentais.
– Decisão Pelo exposto, julga-se procedente o recurso, assim se revogando a decisão recorrida, indo o requerido absolvido.
Sem custas.
Coimbra, 12016 Moreira do Carmo Relator Fonte Ramos Maria João Areias
Processo n. 60337/17YIPRT.E1 Tribunal Judicial da Comarca de Santarém1 Acordam na Secção Cível do Tribunal da Relação de Évora2: – RELATÓRIO BB, instaurou procedimento de injunção contra , pedindo a condenação do requerido a pagar-lhe a quantia global de 1505,81€, correspondendo o capital em dívida a 751,84€; os juro...
Em fundamento, alegou, em síntese, ter sido celebrado um contrato de cessão de créditos, entre a ora requerente e o «, Plc», através do qual por este lhe foi cedido o crédito vencido que detinha sobre o requerido, com todas as garantias e direitos acessórios inerentes.
O Requerido deduziu oposição, impugnando os factos alegados no requerimento de injunção, invocando, por excepção, a nulidade de todo o processo por ineptidão do requerimento de injunção, em face da ininteligibilidade da causa de pedir, que nem sequer foi suprida pela junção de qualquer documento, e ainda a prescrição d...
Os autos seguiram os termos da acção declarativa com processo especial para cumprimento de obrigações pecuniárias, tendo a requerente respondido, invocando designadamente ter diligenciado, sem êxito até ao momento, junto do cedente para facultar a documentação relativa ao contrato de adesão e extracto de conta do cartã...
A requerente juntou o original e a tradução do contrato assinado entre EE Plc e o Plc denominado "Contrato de Compra de Activos”, cópia de duas notícias da imprensa a respeito do anúncio da aquisição pelo de cartões de crédito do EE em Portugal, e cópia do contrato de cessão datado de 202011, celebrado entre Plc e BB f...
33 a.
No início da audiência final, foram admitidos os meios de prova indicados pelas partes e determinada a notificação do , para proceder à junção dos indicados documentos, suspendendo-se a audiência para continuação no dia 00201 Por e-mail de 202018 o remeteu aos autos cópia da proposta do contrato de adesão, subscrito ...
184 a. Por e-mail remetido em 002018 o remeteu aos autos cópia do extracto bancário do requerido fls.
193 a. Em102018, foi proferida sentença que julgou improcedentes as excepções invocadas pelo Réu e a acção, absolvendo o Réu do pedido.
Inconformada, a Autora apelou, formulando as seguintes conclusões transcrição): «A) Entende assim, a Autora, ora Recorrente que se provou, com relevo para a decisão da causa, que através do contrato de compra e venda de activos, tenha sido cedido, à ora Autora, o crédito de que o «, Plc» era titular, perante o Réu.
B) O Tribunal recorrido efetuou uma errada interpretação das provas apresentadas, nomeadamente, porque constam do processo documentos que, só por si, implicam necessariamente decisão diversa da proferida, porquanto a A., ora Recorrente, logrou fazer prova bastante que através do contrato de compra e venda de activos, t...
Não obstante, tal não invalida a possibilidade de serem as partes convidadas a prestar esclarecimentos sobre o que se afigurar pertinente, nomeadamente, no que respeita ao anexo e à identificação do crédito sobre o R.».
Não foram apresentadas contra-alegações.
Observados os vistos, cumpre decidir.O objecto do recurso.
Com base nas disposições conjugadas dos artigos 60, n. 2, 60, 63, n. 4, 63, e 66, n. 2, todos do Código de Processo Civil3, é pacífico que o objecto do recurso se limita pelas conclusões das respectivas alegações, evidentemente sem prejuízo das questões cujo conhecimento oficioso se imponha, não estando o Tribunal obri...
Assim, vistos os autos, as questões que importa apreciar no presente recurso, atenta a sua ordem lógica, consistem em saber se deve proceder-se à reapreciação da matéria de facto nos termos pretendidos pela Recorrente, e se, em consequência dessa decisão, o Réu deve ser condenado no pedido.– Fundamentos – De facto Na ...