audio_name|transcripts|normalized_transcripts
stringlengths
38
742
12249_13511_000018|tens uma vontade energica perguntou-me quasi a medo e de um modo sybillino seria uma phrase abrupta para qualquer e|tens uma vontade energica perguntou-me quasi a medo e de um modo sybillino seria uma phrase abrupta para qualquer e
12249_13511_000019|ouviu-se trindades n'esse instante cerrava se a noite frigida o luar vinha saudoso emma pediu-me para deixal-a só por alta noite via-se a luz derramar se pela vidraça do seu quarto luz viva silenciosa|ouviu-se trindades n'esse instante cerrava se a noite frigida o luar vinha saudoso emma pediu-me para deixal-a só por alta noite via-se a luz derramar se pela vidraça do seu quarto luz viva silenciosa
12249_13511_000020|que apparição risonha virá fallar-lhe eros na solidão remota da noite será o desejo de vêl-o o desalento do impossivel que a fazem reconcentrar assim n'essa dôr|que apparição risonha virá fallar-lhe eros na solidão remota da noite será o desejo de vêl-o o desalento do impossivel que a fazem reconcentrar assim n'essa dôr
12249_13511_000021|emma acordou de subito senti um estremecimento de terror começava a comprehender a sua solidão eu mesmo tinha estudado a segunda vista|emma acordou de subito senti um estremecimento de terror começava a comprehender a sua solidão eu mesmo tinha estudado a segunda vista
12249_13511_000022|aberta ao sol como uma escrava sustentando a umbella com que abriga do rigor das calmas a voluptuosa odalisca os vinte annos são a alegria a innocencia a expansão|aberta ao sol como uma escrava sustentando a umbella com que abriga do rigor das calmas a voluptuosa odalisca os vinte annos são a alegria a innocencia a expansão
12249_13511_000023|quando eu quero vejo o que me apraz e isto não só com o espirito mas com os olhos com essas imagens que eu via na minha infancia|quando eu quero vejo o que me apraz e isto não só com o espirito mas com os olhos com essas imagens que eu via na minha infancia
12249_13511_000024|uma graça infantil ainda não sabes porque ando triste olha uma tarde puz-me a escutar o murmurio de um regato parecia-me ser uma musica interior tive vontade de saber o que dizia de confidenciar com elle de communicar minha alma|uma graça infantil ainda não sabes porque ando triste olha uma tarde puz-me a escutar o murmurio de um regato parecia-me ser uma musica interior tive vontade de saber o que dizia de confidenciar com elle de communicar minha alma
12249_13511_000025|como uma creatura somnambula que não vacilla não hesita diante do abysmo que transpõe nem deixa possuir se da attracção irresistivel porque a desconhece|como uma creatura somnambula que não vacilla não hesita diante do abysmo que transpõe nem deixa possuir se da attracção irresistivel porque a desconhece
12249_13511_000026|o teu silencio incute uma sublimidade prophetica parece guardar a impressão do sêlo mais tremendo do apocalypse a missão da mulher forte|o teu silencio incute uma sublimidade prophetica parece guardar a impressão do sêlo mais tremendo do apocalypse a missão da mulher forte
12249_13511_000027|profunda a innocencia dos céos produz uma tal impressão na alma que os que são affectados d'ella guardam um transporte que lhes dura toda a vida como eu mesmo experimentei basta talvez ter uma minima percepção para ser|profunda a innocencia dos céos produz uma tal impressão na alma que os que são affectados d'ella guardam um transporte que lhes dura toda a vida como eu mesmo experimentei basta talvez ter uma minima percepção para ser
12249_13511_000028|via a claridade de alvura de suas roupagens longas estava silencioso ao pé de mim mostrava a expressão da serenidade augusta uma apparencia que consolava acordei e o mundo affigurou se me um desterro a vida um carcere|via a claridade de alvura de suas roupagens longas estava silencioso ao pé de mim mostrava a expressão da serenidade augusta uma apparencia que consolava acordei e o mundo affigurou se me um desterro a vida um carcere
12249_13511_000029|v tambem no livro de varietate rerum descreve jeronymo cardan a faculdade que tinha de experimentar o extasis espontaneo e de tornar objectivas as imagens creadas na sua mente|v tambem no livro de varietate rerum descreve jeronymo cardan a faculdade que tinha de experimentar o extasis espontaneo e de tornar objectivas as imagens creadas na sua mente
12249_13511_000030|d'onde vieste em que scismas que véo te acena e está chamando de longe porque te escondes dos olhos que choram de vêr te assim desolada na consternação de uma angustia intraduzivel por palavras humanas|d'onde vieste em que scismas que véo te acena e está chamando de longe porque te escondes dos olhos que choram de vêr te assim desolada na consternação de uma angustia intraduzivel por palavras humanas
12249_13511_000031|perguntou-me se eu cria nas relações com o mundo invisivel hesitei um instante depois volvi creio mas não as sei demonstrar por uma fórmula que embora refutavel tenha valor philosophico ella ouviu-me com o pezar|perguntou-me se eu cria nas relações com o mundo invisivel hesitei um instante depois volvi creio mas não as sei demonstrar por uma fórmula que embora refutavel tenha valor philosophico ella ouviu-me com o pezar
12249_13511_000032|nem o porto pelo perfume embalsamado da terra tu passas na vida como um meteoro fulgurante que não procura aonde irá caír|nem o porto pelo perfume embalsamado da terra tu passas na vida como um meteoro fulgurante que não procura aonde irá caír
12249_13511_000033|a andorinha quando parte vôa na aza da rajada hybernal que a arrebata mas o mundo acariciou a sempre porque se esconde pois e foge d'elle|a andorinha quando parte vôa na aza da rajada hybernal que a arrebata mas o mundo acariciou a sempre porque se esconde pois e foge d'elle
12249_13511_000034|á substancia do olho e á energia da imaginação livro quatro capitulo ii é esta uma qualidade vulgarissima nos povos do norte principalmente os insulares|á substancia do olho e á energia da imaginação livro quatro capitulo ii é esta uma qualidade vulgarissima nos povos do norte principalmente os insulares
12249_13511_000035|a vida é assim para ti passas despreoccupada do mundo levada na ondulação saudosa d'essas vozes interiores que te segredam mysterios indefiniveis que fazem sentir o desejo de voar para o alto até perder-se no azul|a vida é assim para ti passas despreoccupada do mundo levada na ondulação saudosa d'essas vozes interiores que te segredam mysterios indefiniveis que fazem sentir o desejo de voar para o alto até perder-se no azul
12249_13511_000036|a tarde declinava amena festiva com o ultimo lampejo de graça que deixa presentir já a melancholia do outomno|a tarde declinava amena festiva com o ultimo lampejo de graça que deixa presentir já a melancholia do outomno
12249_13511_000037|do mesmo modo que o áspide se esconde no alegrete das mais perfumadas flôres ou o somno lethal na sombra da mancinella verdejante e copada|do mesmo modo que o áspide se esconde no alegrete das mais perfumadas flôres ou o somno lethal na sombra da mancinella verdejante e copada
12249_13511_000038|emma fitou-me com um olhar profundo o semblante era magestoso e santo como o frontispicio de uma cathedral da edade média|emma fitou-me com um olhar profundo o semblante era magestoso e santo como o frontispicio de uma cathedral da edade média
12249_13511_000039|colligido alguns phenomenos de suggestão que se passavam no meu espirito conseguira por uma excitação nervosa perenne a hypnotisação voluntaria|colligido alguns phenomenos de suggestão que se passavam no meu espirito conseguira por uma excitação nervosa perenne a hypnotisação voluntaria
12249_13511_000040|na sarça ardente era sempre silencioso o amor emmudecia me diante d'elle quiz seguil-o na visão que se esvaecia lentamente mas o corpo estava preso aos limos terrenos como o cordeiro que se prende nas urzes do matagal|na sarça ardente era sempre silencioso o amor emmudecia me diante d'elle quiz seguil-o na visão que se esvaecia lentamente mas o corpo estava preso aos limos terrenos como o cordeiro que se prende nas urzes do matagal
12249_13511_000041|balzac o observador sem egual do coração sentiu toda a poesia do norte no poema de seraphita é um mysterio o enlace da philosophia e da poesia um extasis indecifravel de|balzac o observador sem egual do coração sentiu toda a poesia do norte no poema de seraphita é um mysterio o enlace da philosophia e da poesia um extasis indecifravel de
12249_13511_000042|que hesita se deve luctar mais tempo se deixar-se engulir nas voragens do oceano gravitaria ella em volta de um mundo em que procurasse absorver se e a vida da terra de cá|que hesita se deve luctar mais tempo se deixar-se engulir nas voragens do oceano gravitaria ella em volta de um mundo em que procurasse absorver se e a vida da terra de cá
12249_13511_000043|eu porém que devo á actividade só d'esta faculdade tudo quanto sou as grandes dôres os impulsos irresistiveis|eu porém que devo á actividade só d'esta faculdade tudo quanto sou as grandes dôres os impulsos irresistiveis
12249_13511_000044|os nevoeiros diffundidos por toda a parte como um sudario immenso e frio a aurora dos polos a desdobrar se esplendida tudo faz sonhar de um mundo phantastico escutar essas toadas vagas|os nevoeiros diffundidos por toda a parte como um sudario immenso e frio a aurora dos polos a desdobrar se esplendida tudo faz sonhar de um mundo phantastico escutar essas toadas vagas
12249_13511_000045|conservava então um livro sobre o regaço a mão inerte repousava sobre a pagina um leve signal notava uma phrase profunda em que a alma se lhe absorvêra um anjo está presente a um outro quando elle o deseja|conservava então um livro sobre o regaço a mão inerte repousava sobre a pagina um leve signal notava uma phrase profunda em que a alma se lhe absorvêra um anjo está presente a um outro quando elle o deseja
12249_13511_000046|se é attrahida para o mundo dos corpos predominam n'ella os instinctos e as sensações todas relativas só lhe advém pela presença dos objectos se a alma por um desejo vehemente se eleva do estado de anima ao de spiritus|se é attrahida para o mundo dos corpos predominam n'ella os instinctos e as sensações todas relativas só lhe advém pela presença dos objectos se a alma por um desejo vehemente se eleva do estado de anima ao de spiritus
12249_13511_000047|que une o gemido do regato trepido com o ruido brando que adormece do canavial que orna as margens sinuosas|que une o gemido do regato trepido com o ruido brando que adormece do canavial que orna as margens sinuosas
12249_13511_000048|que é incoercivel não se espelha na face quieta do lago o sentimento é assim só elle te póde levar além das relações e das contingencias a substancia é unica esta essencia d'ella é que prende pela|que é incoercivel não se espelha na face quieta do lago o sentimento é assim só elle te póde levar além das relações e das contingencias a substancia é unica esta essencia d'ella é que prende pela
12249_13511_000049|os sentimentos desprendem se do nexo das relações terrestres e conhecem tudo independente das sensações pela representação subjectiva|os sentimentos desprendem se do nexo das relações terrestres e conhecem tudo independente das sensações pela representação subjectiva
12249_13511_000050|ás vezes o teu semblante onde se póde lêr um enigma que se não destrinça tem a lividez de cera e a claridade que parece conter em si o jaspe|ás vezes o teu semblante onde se póde lêr um enigma que se não destrinça tem a lividez de cera e a claridade que parece conter em si o jaspe
12249_13511_000052|n'aquella tarde parecia oppressa por uma angustia mais intima segui-a queria admiral a na altura a que se remontava|n'aquella tarde parecia oppressa por uma angustia mais intima segui-a queria admiral a na altura a que se remontava
12249_13511_000053|a lagrima trazel o hia como um grande astro que attrae após si myriades de planetas|a lagrima trazel o hia como um grande astro que attrae após si myriades de planetas
12249_13511_000054|se és da terra se és a incarnação de alguma essencia archangelica que anda errante no mundo a sanctificar o amor no soffrimento|se és da terra se és a incarnação de alguma essencia archangelica que anda errante no mundo a sanctificar o amor no soffrimento
12249_13511_000055|eu repito comprehendi aquella interrogação na sua plenitude e começava a conhecer mais o poder da vontade porque acabava de observar o resultado do acto em que a exercera|eu repito comprehendi aquella interrogação na sua plenitude e começava a conhecer mais o poder da vontade porque acabava de observar o resultado do acto em que a exercera
12249_13511_000056|kant combateu a doutrina visionaria de swedenborg mas não attendeu que este phenomeno physico era todo sentimental|kant combateu a doutrina visionaria de swedenborg mas não attendeu que este phenomeno physico era todo sentimental
12249_13511_000057|emma estava n'aquella tarde tão affavel tinha por certo a consciencia de ir em breve completar se na essencia de algum anjo as suas fallas eram como suspiros lançou-me um olhar interrogativo de quem temia fazer-me uma pergunta indiscreta|emma estava n'aquella tarde tão affavel tinha por certo a consciencia de ir em breve completar se na essencia de algum anjo as suas fallas eram como suspiros lançou-me um olhar interrogativo de quem temia fazer-me uma pergunta indiscreta
12249_13511_000058|paroxismo ergueram-se á pressa foram apoz o ecco era no quarto de emma seria algum pezadello longo a porta cedeu á promptidão do soccorro foram encontral a em terra morta a pouca distancia do fogão que saturava o ar ambiente|paroxismo ergueram-se á pressa foram apoz o ecco era no quarto de emma seria algum pezadello longo a porta cedeu á promptidão do soccorro foram encontral a em terra morta a pouca distancia do fogão que saturava o ar ambiente
12249_13511_000059|a ancia do extremo esforço despertou me foi assim que nasceu essa melancholia profunda concebida diante do impossivel mais tarde conheci o mysterio da vontade isolei a em mim para revocar o ente dos meus sonhos á realidade de|a ancia do extremo esforço despertou me foi assim que nasceu essa melancholia profunda concebida diante do impossivel mais tarde conheci o mysterio da vontade isolei a em mim para revocar o ente dos meus sonhos á realidade de
12249_13511_000060|eu desconhecia lhe aquella affabilidade de seraphim costumado a vêl-a sempre aéria desdenhosa do mundo radiante como na transfiguração do thabor|eu desconhecia lhe aquella affabilidade de seraphim costumado a vêl-a sempre aéria desdenhosa do mundo radiante como na transfiguração do thabor
12249_13511_000061|mas agora creio que ellas são o resultado de minhas occupações é certo que nem sempre possúo esta faculdade comtudo não a tenho senão quando quero|mas agora creio que ellas são o resultado de minhas occupações é certo que nem sempre possúo esta faculdade comtudo não a tenho senão quando quero
12249_13511_000062|esses cabellos louros extensos são como as cordas de uma harpa em que as imagens incoerciveis de teus pensamentos vêm fallar do céo do amor no frémito ligeiro|esses cabellos louros extensos são como as cordas de uma harpa em que as imagens incoerciveis de teus pensamentos vêm fallar do céo do amor no frémito ligeiro
12249_13511_000063|volta sobre si o que ha edificado e exagera lhe as proporções por isso as theogonias do norte são terriveis as avalanches suspensas a precipitarem se|volta sobre si o que ha edificado e exagera lhe as proporções por isso as theogonias do norte são terriveis as avalanches suspensas a precipitarem se
12249_13511_000064|quasi imperceptivel das vibrações que só tu comprehendes consternada e muda como uma estatua a niobe grega|quasi imperceptivel das vibrações que só tu comprehendes consternada e muda como uma estatua a niobe grega
12249_13511_000065|em ti é o mesmo em que tudo existe vibra em ti a harmonia universal e continuou com palavras quasi imperceptiveis estava em extasis no extasis da abstracção como o sentia newton quando|em ti é o mesmo em que tudo existe vibra em ti a harmonia universal e continuou com palavras quasi imperceptiveis estava em extasis no extasis da abstracção como o sentia newton quando
12249_13511_000066|queria que me fizesse herdeiro do seu manto prophetico no instante em que se librasse no carro de fogo como elias|queria que me fizesse herdeiro do seu manto prophetico no instante em que se librasse no carro de fogo como elias
12249_13511_000067|seria perturbar a crystalisação de uma gota de orvalho que se transforma em perola outras vezes tem o olhar pavido firme de quem contempla e pasma ante uma visão immensa e augusta|seria perturbar a crystalisação de uma gota de orvalho que se transforma em perola outras vezes tem o olhar pavido firme de quem contempla e pasma ante uma visão immensa e augusta
12249_13511_000068|os teus cabellos quando os deixas cair destrançados sobre os hombros de marfim agitados pela brisa vespertina que vem confidenciar comtigo á janella que olha para o occidente|os teus cabellos quando os deixas cair destrançados sobre os hombros de marfim agitados pela brisa vespertina que vem confidenciar comtigo á janella que olha para o occidente
12249_13511_000069|o amor que esmalta a vida de harmonias e encantos que acorda as virações para levarem longe o pollen fecundante que abre o calyce das flores para as abelhas tocarem os nectarios deliciosos|o amor que esmalta a vida de harmonias e encantos que acorda as virações para levarem longe o pollen fecundante que abre o calyce das flores para as abelhas tocarem os nectarios deliciosos
12249_13511_000070|se podesse desferil o havia de perguntar-lhe o motivo de tanta tristeza a intensidade d'essa dôr tão intima tão espiritual que se não póde exprimir na materialidade phonica da palavra ella adivinhou o meu desejo|se podesse desferil o havia de perguntar-lhe o motivo de tanta tristeza a intensidade d'essa dôr tão intima tão espiritual que se não póde exprimir na materialidade phonica da palavra ella adivinhou o meu desejo
12249_13511_000071|procurei vêr de quem era o livro era escripto por swedenborg o patriarcha dos theosophos do norte o que levou mais longe as relações com o mundo invisivel o livro intitulava-se|procurei vêr de quem era o livro era escripto por swedenborg o patriarcha dos theosophos do norte o que levou mais longe as relações com o mundo invisivel o livro intitulava-se
12249_13511_000072|então julgo vêr te uma santa sob o aspecto de penitente que acha em cada successo da vida uma tentação occulta nas apparencias mais risonhas no folguedo mais descuidado e innocente|então julgo vêr te uma santa sob o aspecto de penitente que acha em cada successo da vida uma tentação occulta nas apparencias mais risonhas no folguedo mais descuidado e innocente
12249_13511_000073|é assim na ilha de ferro que virgens se não ostentam n'uma apparição repentina e que o vidente procura sem nunca mais poder encontral as|é assim na ilha de ferro que virgens se não ostentam n'uma apparição repentina e que o vidente procura sem nunca mais poder encontral as
12249_13511_000074|e ella era bem a prophetisa do deserto approximei me estava serena e placida como quem mergulhára no oceano da contemplação|e ella era bem a prophetisa do deserto approximei me estava serena e placida como quem mergulhára no oceano da contemplação
12249_13511_000075|apertei as mãos d'ella entre as minhas queria tirar um som d'este instrumento celeste cujo segredo de harmonia era só percebido pelos anjos|apertei as mãos d'ella entre as minhas queria tirar um som d'este instrumento celeste cujo segredo de harmonia era só percebido pelos anjos
12249_13511_000076|aquelle segredo incommunicavel opprime aterra como a sphinge propondo o enigma ella cada vez andava mais desfallecida pendia de cansaço offegava|aquelle segredo incommunicavel opprime aterra como a sphinge propondo o enigma ella cada vez andava mais desfallecida pendia de cansaço offegava
12249_13511_000077|ás vezes está tranquilla immovel como quem escuta a toada de um concerto mavioso que embala e com que se adormece oh quem ousará despertal a|ás vezes está tranquilla immovel como quem escuta a toada de um concerto mavioso que embala e com que se adormece oh quem ousará despertal a
12249_13511_000078|e precipitar-se como a borboleta prateada e indiscreta a sua alma eleva se para o céo porque vôa tão cedo para cima a nevoa da madrugada de uma alvura nitente|e precipitar-se como a borboleta prateada e indiscreta a sua alma eleva se para o céo porque vôa tão cedo para cima a nevoa da madrugada de uma alvura nitente
12249_13511_000079|silenciosa como da alampada do philosopho hermetico surprehendendo a natureza em algum dos seus segredos mais reconditos emma lia no livro predilecto que eu deparára aberto sobre o regaço pouco depois começou a alvorada|silenciosa como da alampada do philosopho hermetico surprehendendo a natureza em algum dos seus segredos mais reconditos emma lia no livro predilecto que eu deparára aberto sobre o regaço pouco depois começou a alvorada
12249_13511_000080|para sempre mudado para querer ir aos céos e entrar assim na esphera da esperança seguiam-se outras palavras tive medo de lêr mais porque começava tambem a sentir a seducção da melancholia e reconcentração|para sempre mudado para querer ir aos céos e entrar assim na esphera da esperança seguiam-se outras palavras tive medo de lêr mais porque começava tambem a sentir a seducção da melancholia e reconcentração
12249_13511_000081|indefiniveis dos espiritos que se annunciam pelo ressoar de uma harpa longinqua o dom da visão é commum|indefiniveis dos espiritos que se annunciam pelo ressoar de uma harpa longinqua o dom da visão é commum
12249_13511_000082|será a reminiscencia viva do foco de luz d'onde saiu que lhe inspira tamanha anciedade e lhe abre n'alma uma saudade vivissima que mata|será a reminiscencia viva do foco de luz d'onde saiu que lhe inspira tamanha anciedade e lhe abre n'alma uma saudade vivissima que mata
12249_13511_000083|e serenidade de uma joven esposa na sua viuvez que ouve o filhinho a perguntar-lhe pelo pae depois murmurou encostando a face sobre o meu peito és tão novo ainda e porque matas em ti já o sentimento pela|e serenidade de uma joven esposa na sua viuvez que ouve o filhinho a perguntar-lhe pelo pae depois murmurou encostando a face sobre o meu peito és tão novo ainda e porque matas em ti já o sentimento pela
12249_13511_000084|iii quem sabe se é o amor que a transporta assim para as solidões como a pomba que vae esconder-se na rocha alcantilada|iii quem sabe se é o amor que a transporta assim para as solidões como a pomba que vae esconder-se na rocha alcantilada
12249_13511_000085|quando arrebatou jesus ao pinaculo do templo haec omnia tibi dabo si cadens adoraveris me vii quando emma saiu da sua mudez sublime recostou-se sobre o meu hombro com|quando arrebatou jesus ao pinaculo do templo haec omnia tibi dabo si cadens adoraveris me vii quando emma saiu da sua mudez sublime recostou-se sobre o meu hombro com
12249_13511_000086|mas procurava illudir os disvelos da familia com um vigor que não tinha como succede ao naufrago quasi a afferrar a terra de que a ressaca da onda o afasta|mas procurava illudir os disvelos da familia com um vigor que não tinha como succede ao naufrago quasi a afferrar a terra de que a ressaca da onda o afasta
12249_13511_000087|conhecida sob a denominação de second sight ahi a imaginação tendo pouca variedade de paizagem que a fecunde|conhecida sob a denominação de second sight ahi a imaginação tendo pouca variedade de paizagem que a fecunde
12249_13511_000088|viu no patriarcha dos videntes do norte um impostor a vida exemplarissima de swedenborg é um desmentido completo e irretorquivel aos argumentos d'esta ordem como explicar a inspiração continua a segunda vista|viu no patriarcha dos videntes do norte um impostor a vida exemplarissima de swedenborg é um desmentido completo e irretorquivel aos argumentos d'esta ordem como explicar a inspiração continua a segunda vista
12249_13511_000089|exhalações carbonicas o corpo já estava frio o rosto tinha a pallidez do marmore a pouca distancia d'ella estava aberto o livro fatal das exaltações mysticas de swedenborg lia-se esta phrase|exhalações carbonicas o corpo já estava frio o rosto tinha a pallidez do marmore a pouca distancia d'ella estava aberto o livro fatal das exaltações mysticas de swedenborg lia-se esta phrase
12249_13511_000090|serão uma mentira todas as harmonias que se modulam lá dentro o tapiz verde da relva fresca lubrica|serão uma mentira todas as harmonias que se modulam lá dentro o tapiz verde da relva fresca lubrica
12249_13511_000091|de mais perto vi que dormia com um somno hypnotico ficára lhe um sorriso estampado nos labios parecia o involucro de uma chrysalida mysteriosa a borboleta voára para a luz abandonára o na terra|de mais perto vi que dormia com um somno hypnotico ficára lhe um sorriso estampado nos labios parecia o involucro de uma chrysalida mysteriosa a borboleta voára para a luz abandonára o na terra
12249_13511_000092|swedenborg contemplado nas fiords da norwega o delirio de seraphita é o problema incessante da percepção immediata o seu amor é mais puro que o ideal de dyotima é elle que lhe dá a segunda vista|swedenborg contemplado nas fiords da norwega o delirio de seraphita é o problema incessante da percepção immediata o seu amor é mais puro que o ideal de dyotima é elle que lhe dá a segunda vista
12249_13511_000093|ainda não viveste bastante para provar o travo amargo da vida não sabes conhecer a tormenta que ha de vir pela nuvem que negreja nem a bonança pelo santelmo nem os parceis pelo refluxo da vaga marulhosa|ainda não viveste bastante para provar o travo amargo da vida não sabes conhecer a tormenta que ha de vir pela nuvem que negreja nem a bonança pelo santelmo nem os parceis pelo refluxo da vaga marulhosa
12249_13511_000094|é o que acontece aos poetas cantando a belleza de fórmas não sonhadas a reminiscencia de harmonias não ouvidas|é o que acontece aos poetas cantando a belleza de fórmas não sonhadas a reminiscencia de harmonias não ouvidas
12249_13511_000095|o amor é um amplexo a identificação como poderia divorcial a com a vida mudar a sua alegria em uma tristeza que é como o presentimento do sepulchro|o amor é um amplexo a identificação como poderia divorcial a com a vida mudar a sua alegria em uma tristeza que é como o presentimento do sepulchro
12249_13511_000096|as imagens que eu vejo estão sempre em movimento é assim que vejo as florestas os animaes os diversos paizes e tudo quanto eu quero vêr creio que a causa de todos estes effeitos está na actividade da minha imaginação|as imagens que eu vejo estão sempre em movimento é assim que vejo as florestas os animaes os diversos paizes e tudo quanto eu quero vêr creio que a causa de todos estes effeitos está na actividade da minha imaginação
12249_13511_000097|e n'uma vista penetrantissima desde a minha infancia tinha de commum com tiberio cesar o poder vêr na obscuridade mais profunda como em pleno dia porém não conservei muito tempo esta faculdade|e n'uma vista penetrantissima desde a minha infancia tinha de commum com tiberio cesar o poder vêr na obscuridade mais profunda como em pleno dia porém não conservei muito tempo esta faculdade
12249_13511_000098|emma ergueu-se da mesa o rosto estava deslumbrante de transfiguração possuida do sentimento do infinito que lhe dava uma expressão sobrehumana excelsa|emma ergueu-se da mesa o rosto estava deslumbrante de transfiguração possuida do sentimento do infinito que lhe dava uma expressão sobrehumana excelsa
12249_13511_000099|as glorias sonhadas a realisação dos mais exiguos appetites que a encontro na intensidade absoluta do fiat que é deus que a vejo nos grandes factos do espirito a religião o direito e a|as glorias sonhadas a realisação dos mais exiguos appetites que a encontro na intensidade absoluta do fiat que é deus que a vejo nos grandes factos do espirito a religião o direito e a
12249_13511_000100|a sabedoria angelica da omnipotencia omnisciencia omniprezensa dos que gosam a eternidade a immensidade de deos|a sabedoria angelica da omnipotencia omnisciencia omniprezensa dos que gosam a eternidade a immensidade de deos
2961_13511_000000|commigo portugal anda entregue ás descobertas e aventuras do mar os odios de raça ainda cá não tinham sido exaltados pela classe dos tonsurados trouxe te ao collo e tu me deste animação e alento na fugida ó meu pae|commigo portugal anda entregue ás descobertas e aventuras do mar os odios de raça ainda cá não tinham sido exaltados pela classe dos tonsurados trouxe te ao collo e tu me deste animação e alento na fugida ó meu pae
2961_13511_000001|eu sinto que os meus não pisarão o solo da terra promettida mas vejo te ao meu lado como a flôr que brota de uma ruina eu não poderei entrar na cidade dos prophetas serei como moysés no alto do abarim mas o senhor deu-me uma esperança|eu sinto que os meus não pisarão o solo da terra promettida mas vejo te ao meu lado como a flôr que brota de uma ruina eu não poderei entrar na cidade dos prophetas serei como moysés no alto do abarim mas o senhor deu-me uma esperança
2961_13511_000002|aquella voz como vibrada por um verdadeiro amor disse-lhe com o imperio de uma vontade irresistivel vem ebla desceu em cabello e sentiu-se envolver em um abraço apaixonado vehemente expressivo era a primeira vez que sentia o|aquella voz como vibrada por um verdadeiro amor disse-lhe com o imperio de uma vontade irresistivel vem ebla desceu em cabello e sentiu-se envolver em um abraço apaixonado vehemente expressivo era a primeira vez que sentia o
2961_13511_000003|o judeu sente-se outra vez forte para todas as luctas para todos os opprobrios para todos os vexames com alma para affrontar a miseria e o queimadero|o judeu sente-se outra vez forte para todas as luctas para todos os opprobrios para todos os vexames com alma para affrontar a miseria e o queimadero
2961_13511_000004|da chegada da infanta d isabel mulher do monarcha venturoso já se sentia o estrépito do cortejo real pelas portas da cidade vem entrando as dansas dos mesteiraes primeiro vinha a folia com gaitas e pandeiros á velha portugueza dansando|da chegada da infanta d isabel mulher do monarcha venturoso já se sentia o estrépito do cortejo real pelas portas da cidade vem entrando as dansas dos mesteiraes primeiro vinha a folia com gaitas e pandeiros á velha portugueza dansando
2961_13511_000005|judeu soaram estas palavras o canto da cigana revelado pela filha lembrou-lhe um presagio funesto patriarcha no lar e truão nas ruas cumpra se o destino a troco da paz e levantou-se com o aspecto venerando de sacerdote|judeu soaram estas palavras o canto da cigana revelado pela filha lembrou-lhe um presagio funesto patriarcha no lar e truão nas ruas cumpra se o destino a troco da paz e levantou-se com o aspecto venerando de sacerdote
2961_13511_000006|esquece por um instante os planos da sua industria os recursos com que produz o ouro e os capitaes com que hade comprar a sua segurança e entra no fóco mais intimo da familia|esquece por um instante os planos da sua industria os recursos com que produz o ouro e os capitaes com que hade comprar a sua segurança e entra no fóco mais intimo da familia
2961_13511_000007|vêm depois os filhos debruçam se lhe dos hombros prendem se lhe ás pernas enlaçam se em volta do corpo e n'essa hora|vêm depois os filhos debruçam se lhe dos hombros prendem se lhe ás pernas enlaçam se em volta do corpo e n'essa hora
2961_13511_000008|o velho ia quasi exhausto a turba que o perseguia ia rareando apoz elle já poucos o seguiam mais um esforço e ficaria salvo as pernas parecem falhar lhe falta-lhe o ar sente vontade de atirar-se ao chão e deixar-se retalhar mas um raio de luz|o velho ia quasi exhausto a turba que o perseguia ia rareando apoz elle já poucos o seguiam mais um esforço e ficaria salvo as pernas parecem falhar lhe falta-lhe o ar sente vontade de atirar-se ao chão e deixar-se retalhar mas um raio de luz
2961_13511_000009|a desgraçada dansa judenga o velho rabbi fugiu a todo o custo a multidão precipita-se apoz elle gritando chamando-lhe réfece assassino a noite vinha descendo e protegido pelas sombras do crepusculo se ia livrando dos golpes que lhe atiravam|a desgraçada dansa judenga o velho rabbi fugiu a todo o custo a multidão precipita-se apoz elle gritando chamando-lhe réfece assassino a noite vinha descendo e protegido pelas sombras do crepusculo se ia livrando dos golpes que lhe atiravam
2961_13511_000010|preito á nova rainha já vem perto a gitana toda feita de ranchos de raparigas vestidas de variegados pannos cintos de ouro e vermelho voam lhes as roupagens com o vento cruzando facas entre si ao doce baylo da mourisca que os sentidos fez|preito á nova rainha já vem perto a gitana toda feita de ranchos de raparigas vestidas de variegados pannos cintos de ouro e vermelho voam lhes as roupagens com o vento cruzando facas entre si ao doce baylo da mourisca que os sentidos fez
2961_13511_000011|elle tinha as pérolas das mais lindas do fundo do mar as rochas mais encantadas do oriente tinham entregues ao joalheiro os brilhantes facetados da agua mais limpida topazios esmeraldas adereces diademas|elle tinha as pérolas das mais lindas do fundo do mar as rochas mais encantadas do oriente tinham entregues ao joalheiro os brilhantes facetados da agua mais limpida topazios esmeraldas adereces diademas
2961_13511_000012|ao asylar se no remanso da casa entra como o errante do deserto em um oásis desconhecido o semblante tranquillo da esposa lembra lhe o typo de esther da sulamite|ao asylar se no remanso da casa entra como o errante do deserto em um oásis desconhecido o semblante tranquillo da esposa lembra lhe o typo de esther da sulamite
2961_13511_000013|carraquisca a dansa dos barqueiros e mareantes dos galeões do tejo trazem andando um balanço que imita um bambula dos pretos aprendido lá nas conquistas vae passando a cativa uma outra dansa de agrilhoados mouros bailando aos modos da salé vão|carraquisca a dansa dos barqueiros e mareantes dos galeões do tejo trazem andando um balanço que imita um bambula dos pretos aprendido lá nas conquistas vae passando a cativa uma outra dansa de agrilhoados mouros bailando aos modos da salé vão
2961_13511_000014|portugal filha é o céo que manda esse aviso tu foste a minha providencia e desceu a um subterraneo da casa e lá se entreteve sósinho dispondo as suas riquezas para a hora da expulsão ebla ficára por instantes só revolvia|portugal filha é o céo que manda esse aviso tu foste a minha providencia e desceu a um subterraneo da casa e lá se entreteve sósinho dispondo as suas riquezas para a hora da expulsão ebla ficára por instantes só revolvia
2961_13511_000015|multidão de gente que tripudiava lançando fogo ás casas o velho pae parecia um leão ferido a maldição d'esta raça caiu inteira sobre mim perdi tudo ao levarem me essa filha a minha condemnação a minha morte para salval a se ha no mundo alguma|multidão de gente que tripudiava lançando fogo ás casas o velho pae parecia um leão ferido a maldição d'esta raça caiu inteira sobre mim perdi tudo ao levarem me essa filha a minha condemnação a minha morte para salval a se ha no mundo alguma
2961_13511_000016|tropel immenso de homens de armas e de cavallo ia na frente o alcaide da justiça ao som de uma matraca restabelecera se o silencio e pela escuridão sombria e soturna da judiaria soava uma voz sinistra como de sentença pregão d'el-rei d|tropel immenso de homens de armas e de cavallo ia na frente o alcaide da justiça ao som de uma matraca restabelecera se o silencio e pela escuridão sombria e soturna da judiaria soava uma voz sinistra como de sentença pregão d'el-rei d
2961_13511_000017|no silencio da noite ebla estes sons entraram na alma da donzella e obedecendo á fascinação d'aquella voz lançou a cabeça de fóra viu na sombra um vulto que a irradiação lhe illuminou como a imagem vaga descripta no cantar da cigana|no silencio da noite ebla estes sons entraram na alma da donzella e obedecendo á fascinação d'aquella voz lançou a cabeça de fóra viu na sombra um vulto que a irradiação lhe illuminou como a imagem vaga descripta no cantar da cigana