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Para muitos suíços ele é considerado o "enfant terrible" da política. Porém, sob sua liderança, a direita nacionalista consegui obter mais espaço dentro do poder.
Christoph Blocher, o mais novo ministro federal, é um empresário bem-sucedido e participa há anos das mais diversas instânsicas da política suíça.
Christoph Blocher nasceu em 11 de outubro de 1940 em Schaffhausen, uma cidade não muito distante da fronteira com a Alemanha, como neto, filho e irmão de pastores da igreja reformada suíça.
O jornalista Fredy Gsteiger, autor da biografia “Blocher: um fenômeno não-suíço” explica a importância da religião para o novo ministro suíço.
“Christoph Blocher é uma pessoa pragmática que vê nas suas funções uma tarefa enviada por Deus. Ele explicou uma vez a um deputado que, por ter medo de subir na tribuna de discursos, pensou uma vez: - mas é Deus que me trouxe aqui; então essa é a minha obrigação”.
Depois do ensino básico, Blocher formou-se como agricultor. Sem nunca ter exercido essa profissão, ele retornou aos bancos escolares, concluiu o ensino médio e posteriormente estudou direito.
Em 1968, já como recém-formado advogado, Blocher foi contratado pelo grupo empresarial químico EMS. Em 1971 ele ascendeu ao cargo de vice-diretor e, em 1973 tornou-se presidente da empresa. Seis anos depois, Blocher passou a ser membro do conselho de administração da EMS.
Em 1983, Blocher comprou a empresa através do antigo banco Schweizerischen Bankgesellschaft, onde ele também fazia parte do conselho de administração desde 1981.
Graças a sua campanha política contra a integração da Suíça ao Espaço Econômico Europeu e a posterior derrota da proposta através de plebiscito popular, Blocher perdeu em 1991 seu assento no conselho de administração do banco, agora chamado UBS (União de Bancos Suíços).
Carreira política expressa
A primeira participação política de Christoph Blocher ocorreu no parlamento estudantil de Zurique, onde atuava na mesma época o atual ministro Moritz Leuenberger, do Partido Socialista.
Em 1974, Blocher foi eleito deputado na Câmara Municipal de Meilen, uma pequena cidade localizada na chamada “Costa de Ouro” do lago de Zurique. Até 1978 ele exerceu esse posto.
Em nível estadual, Blocher atuou entre 1975 e 1980 na Câmara Estadual de Zurique (Zürcher Kantonsrat). Entre esse período ele assumiu (em 1977) a presidência da seção de Zurique do partido União Democrática do Centro.
A partir de 1979, Blocher entrou para o cenário político nacional. Nesse ano ele foi eleito deputado federal no Parlamento, onde atuou como membro da comissão de economia e impostos.
Através de votação secreta, deputados e senadores suíços elegeram em 10 de dezembro de 2003 Christoph Blocher como membro do governo federal, composto por sete ministros.
Para exercer o cargo, Blocher afastou-se da direção da EMS.
Sucesso graças à oposição
Já completam alguns anos que Christoph Blocher e seu partido, a União Democrática do Centro (UDC), fazem o papel de oposição cerrada às propostas do governo. As bases para essa atuação foram firmadas em 1986 com a criação do movimento AUNS, que significa “Ação para uma Suíça neutra e independente”, uma agremiação que combate a integração do país à União Européia e a imigração. Blocher é seu presidente.
Através desse grupo, o empresário pôde conduzir o que ele chamava de política de oposição “realista e esforçada”. Dentre suas ações, destacaram-se as campanhas contrárias a adesão suíça ao Espaço Econômico Europeu, à União Européia, a Organização das Nações Unidas e também contra a participação de tropas do exército suíço em ações no exterior.
A atuação como líder espiritual da oposição trouxe frutos para Blocher e a UDC. O partido tem agradado cada vez maiores setores da população, num período marcado pela insegurança econômica, algo não muito comum num país estável como a Suíça.
swissinfo, Etienne Strebel
traduzido por Alexander Thoele