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A Suíça não um objetivo primordial para os terroristas islâmicos. Porém ela deveria se proteger melhor contra o terrorismo, afirma o estrategista militar suíço Albert A. Stahel em entrevista à swissinfo.ch. Ele está convencido que a polícias e as forças armadas não dispõem de recursos suficientes para o contraterrorismo.
Em outubro o canal público de televisão (SRF) exibiu o filme "Terror - seu julgamentoLink externo". Nele, terroristas sequestram um avião de passageiros e querem provocar a sua queda sobre um estádio de futebol.
Um piloto militar o derruba e 164 passageiros morrem. O piloto é processado. Os telespectadores podem então votar como o filme deve terminar.
swissinfo.ch: Os telespectadores podem escolher o desfecho do filme. Esse piloto deve ser condenado ou não?
Albert A. Stahel: Eu não acho muito útil essa questão. Ela já foi feita no momento em que um avião de passageiro foi derrubado durante os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Hoje em dia temos processos decisórios que determinam como o governo deve agir em casos semelhantes. Os líderes políticos devem decidir: derrubar ou não.
swissinfo.ch: Também na Suíça?
A.A.St.: Em todas as democracias o governo decide sobre as forças armadas. É melhor fazer a seguinte questão: o governo federal da Suíça tem condições de julgar se um avião deve ou não ser derrubado? Pode ser que os líderes políticos estejam paralisados. Mas isso é um outro tema.
swissinfo.ch: Qual a sua opinião?
A.A.St.: Quando milhares de pessoas estão reunidas, então é preciso fazer uma avaliação: o que é pior?
swissinfo.ch: Qual é a situação da Suíça em comparação com a de outros países, no que diz respeito ao combate do terrorismo através da polícia e forças militares?
A.A.St.: Essa é uma questão sensível, pois falamos aqui dos recursos. Nós dispomos na Suíça aproximadamente de 17 mil policiais. É muito pouco em comparação com outros países. Mas isso não significa que os nossos serviços de inteligência sejam ruins.
swissinfo.ch: O senhor quer dizer que a Suíça está bem posicionada no que diz respeito à prevenção graças aos serviços de inteligência, mas não a polícia e o Exército?
A.A.St.: No passado o Exército suíço dispunha de unidades de infantaria territorial, mas que foram abolidas após o projeto Exército XXI (n.r.: um projeto de reestruturação das forças armadas lançado pelo governo). Eu colocaria um ponto de interrogação se o Exército suíço consegue dar uma contribuição significativa para o trabalho de contraterrorismo, sem levar em conta os soldados que trabalham para os serviços de inteligência.
swissinfo.ch: O fato do Exército suíço ser um exército de milícia tem um papel nisso?
A.A.St.: Não, isso não tem nada a ver. Pelo contrário! Os estados que formam os EUA empregam em situações de necessidade a chamada Guarda Nacional. Os seus membros também são soldados de milícia.
swissinfo.ch: O que isso significa caso ocorra um atentado?
A.A.St.: Se ocorrer um atentado, então já é tarde demais. Trata-se de prevenção, ou seja, avaliar os riscos e tomar medidas de proteção. Nós dispomos de poucos recursos: a única proteção é a polícia, mas que está desfalcada de pessoal. As polícias em todos os níveis precisam ter mais agentes. No que diz respeito ao Exército suíço, ele precisa formar unidades de milícia especialmente formadas e equipadas. Eles poderão então apoiar as polícias no caso de risco de atentado em questões de segurança.
swissinfo.ch: A Suíça é densamente povoada e dispõe de uma boa infraestrutura. O que isso significa?
A.A.St.: Uma alta vulnerabilidade. Dispomos de uma excelente infraestrutura, sejam estradas, linhas de trem, fornecimento de energia, meios de comunicação ou pipelines. Todavia, quando mais densa e mais utilizada for uma infraestrutura - penso no ritmo de quinze minutos de saída dos trens - maiores são os pontos vulneráveis para um ataque.
swissinfo.ch: O que o senhor proporia como solução?
A.A.St.: Existem prioridades decisivas para proteger. Finalmente é preciso analisar quais e quantos recursos são necessários para isso.
swissinfo.ch: Os custos seriam elevados...
A.A.St.: Não necessariamente. Se você utilizar para essas funções de segurança soldados de milícia, então não.
swissinfo.ch: Qual é o verdadeiro risco de terrorismo na Suíça?
A.A.St.: No momento não somos um alvo importante.
swissinfo.ch: O senhor tem pessoalmente medo de atentados na Suíça?
A.A.St.: Não, não tenho. É uma possibilidade muito remota. Porém somos parte da Europa, algo que não podemos esquecer.
swissinfo.ch: A Suíça poderá se tornar um alvo para islamistas com as interdições de construção de minaretes ou utilização de burcas?
A.A.St.: Não, esses não são temas. O principal tema é a guerra no Oriente Médio: na Síria e no Iraque a guerra provoca um deslocamento dos sunitas, ou seja, uma verdadeira "depuração étnica". Os país que participam do conflito são a Rússia, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Austrália, Dinamarca e Alemanha. Eles são alvo devido a condução dos conflitos armados.
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch