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Moradores de Kakate, no distrito de Lamu, fogem de suas casas no dia 24 de junho após um ataque(afp_tickers)
Ao menos 18 pessoas morreram em novos ataques na região costeira de Lamu, no Quênia, na mesma zona onde no mês passado 60 pessoas foram massacradas, informou a Cruz Vermelha queniana neste domingo.
Estes novos ataques foram reivindicados pelos islamitas somalis shebab, um grupo vinculado à Al-Qaeda, autores também dos ataques de junho na região.
Nove pessoas morreram e uma estava desaparecida na cidade de Gamba, enquanto outras nove morreram em Hindi, perto da ilha de Lamu, disse a Cruz Vermelha.
Os ataques aconteceram na noite de sábado, indicaram as autoridades.
"Ocorreram ataques durante a noite nos quais pessoas morreram e casas foram destruídas. Mobilizamos nossos oficiais e estamos em terra. Convocamos o público a trabalhar em estreita colaboração conosco", declarou um oficial da polícia de Lamu.
A polícia também indicou que homens armados não identificados atearam fogo em várias casas e atacaram a delegacia de Gamba, libertando um suspeito dos ataques do mês passado. Entre os mortos figura um policial, indicaram autoridades.
Um jornalista da AFP em Hindi informou que todas as vítimas nesta localidade são homens, exceto um adolescente que foi abatido ao tentar fugir.
Os criminosos deixaram uma mensagem escrita em inglês e suaíli em um quadro-negro retirado de uma escola. "Vocês invadiram um país muçulmano e querem permanecer em paz", dizia a mensagem.
Uma moradora local, Elizabeth Opindo, contou à AFP que falou com os criminosos, que incendiaram sua casa mas a deixaram viva, afirmando que não matam mulheres.
Segundo esta testemunha, havia uma dúzia de homens que falavam uma mistura de inglês, suaíli e somali.
"Disseram que nos atacavam porque as terras dos muçulmanos estavam sendo tomadas", disse esta mulher.
Um porta-voz dos islamitas somais shebab, vinculados à Al-Qaeda, reivindicou estes ataques em um comunicado.
"Os atacantes retornaram sãos e salvos as suas bases", declarou Abdulaziz Abu Musab, acrescentando que os ativistas mataram dez pessoas.
Os shebab também reivindicaram os ataques de junho em Mpeketoni, afirmando que foram realizados em represália contra a presença militar do Quênia na Somália, e pediram que os turistas estrangeiros evitem o Quênia, decretado uma zona de guerra.
No entanto, o presidente queniano, Uhuru Kenyatta, havia desmentido o envolvimento dos shebab, atribuindo os ataques a redes políticas locais vinculadas a grupos criminosos.
Ao menos 48 pessoas morreram neste ataque contra a cidade costeira de Mpeketoni, no leste do Quênia.
Mpeketoni está localizada a uma centena de quilômetros da fronteira com a Somália e a trinta da turística e histórica cidade de Lamu, patrimônio mundial da Unesco.
O ataque contra Mpeketoni em junho foi o mais letal no Quênia desde o atentado contra o centro comercial Westgate de Nairóbi em setembro de 2013, também reivindicado pelos shebab e no qual ao menos 67 pessoas morreram.
Sobreviventes do massacre em Mpeketoni e de um ataque similar algumas horas depois em um povoado vizinho contaram que os criminosos falavam somali, carregavam bandeiras shebab e que mataram apenas não muçulmanos.
O Quênia foi palco de vários ataques e atentados atribuídos aos shebab ou aos seus simpatizantes desde que seu exército entrou na Somália, em outubro de 2011, para lutar contra os islamitas somalis.
AFP