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Omar Hmaidan, o porta-voz oficial do Conselho Geral Nacional, lê um comunicado à imprensa, na capital Trípoli, em 25 de agosto de 2014.(afp_tickers)
A Assembleia Líbia nomeou nesta segunda-feira em Tripoli um pró-islamita para formar um "governo de salvação nacional", em um gesto de desafio ao gabinete provisório instalado no leste da Líbia e que parece incapaz de retomar o controle do país frente às milícias.
A situação no país, à beira da anarquia desde a queda de Muammar Kadhafi em 2011, pode ficar ainda mais complexa: a Líbia pode ter dois governos concorrentes.
A reunião de Trípoli foi convocada pelos islamitas, que dominam a Assembleia e contestam a legitimidade do novo Parlamento, onde são minoria.
Eleito em junho, o Parlamento está sediado em Tobruk, 1.600 km a leste da capital da Líbia, assim como o governo interino, em razão da violência que assola grande parte do país.
"O Conselho Geral Nacional (CGN, reunido em Trípoli) expulsou Abdallah al-Theni do cargo de chefe de governo e encarregou Omar al-Hassi de formar, dentro de uma semana, um governo de salvação" nacional, anunciou o porta-voz dessa assembleia, Omar Ahmidan.
Os islamitas acusam o governo e o Parlamento de serem cúmplices dos ataques aéreos contra os seus integrantes, realizados, segundo eles, pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Egito durante os combates pelo controle do aeroporto de Trípoli, fechado desde 13 de julho.
'Decisões ilegais'
O CGN considera que o governo e o Parlamento "perderam toda a legitimidade", declarou Ahmidan, ressaltando que a Assembleia apoia as "operações legítimas para concluir a libertação do país", referindo-se à ofensiva islamista contra as milícias nacionalistas nos arredores do aeroporto da capital.
O primeiro-ministro nomeado pelo CGN, Omar al-Hassi, um professor de Ciência Política da Universidade de Benghazi (leste), foi candidato em junho, quando o CGN escolheu Ahmed Miitig. Mas essa nomeação foi posteriormente anulada pela justiça, permitindo a Abdallah al-Theni continuar no seu lugar.
Durante uma coletiva de imprensa com o chefe do Parlamento em Tobruk, Al-Theni rejeitou o anúncio da Assembleia, dizendo que "o conselho é ilegal, as suas decisões são ilegais e o único órgão legislativo legal é o Parlamento" eleito em 25 de junho.
O Parlamento chamou de "terroristas" as milícias islâmicas e jihadistas que desafiam a sua legitimidade e declarou a sua intenção de lutar contra eles.
Ele nomeou no domingo à noite um novo chefe do Estado-Maior, o general Abdel Razzak Nadhuri, que imediatamente declarou "guerra ao terror".
O Parlamento garantiu o seu apoio "ao Exército para continuar sua guerra (contra a coalizão de milícias islâmicas Fajr Libya e o grupo jihadista Ansar Asharia que controla grande parte Benghazi, a segunda maior cidade do país) para obriga-los a parar os massacres e depor suas armas".
Desde a queda de Muammar Kadhafi, derrubado por uma rebelião apoiada pelas potências ocidentais, as autoridades líbias são incapazes de controlar as dezenas de milícias formadas por ex-insurgentes, na ausência de um Exército regular.
Medo de contágio
Já a Ansar Ansharia, classificada como "terrorista" pelos Estados Unidos e pelas autoridades líbias, pediu que as outras milícias islamitas, incluindo a Fajr Libya, juntem-se as suas fileiras.
"Proclamem que a sua luta é voltada (para a aplicação da lei islâmica) e não para a legitimidade democrática, para que todos possam se unir sob uma única bandeira", acrescentou o grupo.
A convocação do grupo islamita foi feita após as últimas vitórias militares contra as milícias nacionalistas de Zenten (oeste), em Trípoli.
Os islamitas da Fajr Libya anunciaram no sábado a tomada do aeroporto das mãos dos milicianos de Zenten e imagens divulgadas pela televisão Annabaa parecem confirmar essa versão. Elas mostram o salão de embarque do aeroporto devastado e uma dúzia de aviões de companhias líbias danificados.
Na frente diplomática, os países vizinhos da Líbia, reunidos nesta segunda-feira no Cairo, garantiram o seu apoio "às instituições líbias legítimas, com o Parlamento eleito à frente representando a expressão da vontade do povo líbio".
Eles também pediram o desarmamento das milícias, rejeitando qualquer ingerência externa nos assuntos da Líbia.
Antes da reunião, o ministro das Relações Exteriores egípcio, Sameh Shoukry, alertou para um possível contágio da violência para os países vizinhos.
AFP