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Introdução
A indústria farmacêutica suíça conta com seu passado, presente e futuroJessica Davis Plüss (texto), Helen James (imagens), Veronica DeVore (editora), tradução: Danilo von Sperling
Do Reno para o mundo
origensDo Reno para o mundo
No final do século 19, a Sociedade da Indústria Química (Gesellschaft für Chemische Industrie), mais tarde conhecida como Ciba), Geigy (J.R. Geigy) e Kern & Sandoz (eventualmente Sandoz) eram nomes conhecidos na Basiléia. Hoje, apenas o nome Sandoz permanece no mundo farmacêutico, mas todos eles moldaram o que hoje é conhecido como Novartis.
Pouco depois, em 1896, a F. Hoffmann-La Roche & Co (hoje conhecida como Roche) aplicou parte do know-how químico ao ramo da medicina, tornando-se a primeira empresa da Basiléia a focar exclusivamente em produtos farmacêuticos.
Foto: A fábrica da Geigy, Grenzach, Alemanha, em 1924. (Novartis AG)
origens
Além disso, a Suíça não tinha qualquer proteção de patentes sobre processos químicos até 1907, o que permitia às empresas da Basiléia manufaturar produtos estrangeiros sem nenhum problema.
Foto: Sandoz Basel. A primeira fábrica da Kern & Sandoz em St. Johann, por volta de 1890. (Novartis AG)
origensA química de três gigantes
Ciba, Geigy e Sandoz fizeram parte da era dourada da cromolitografia na Europa. Até a década de 1930, pacotes de corantes com etiquetas coloridas da Basiléia inundaram os mercados asiáticos.
Foto: Estampas de azul anilina de um registro de inspeção de fabricação. (Novartis AG)
As empresas da Basiléia "criaram obras de arte que refletiam os gostos e a cultura de uma clientela internacional".História corporativa da Novartis
origensDos corantes à medicina
Embora hesitantes, as empresas químicas entraram no ramo farmacêutico, mas estes produtos se mostraram rentáveis desde o início.
Em 1914, apenas 10% do faturamento da Sandoz era proveniente de produtos farmacêuticos. Em 1952, o setor farmacêutico era a área mais forte das vendas da empresa.
Foto: Sandoz na década de 1930 (Novartis AG)
origensNovas artes, novas técnicas
Em 1996, a fusão da Sandoz com a Ciba-Geigy resultou na criação da Novartis e consta como a maior fusão corporativa já realizada no registro comercial da Basiléia. Até hoje, ela é considerada uma das maiores fusões corporativas já realizadas na Suíça. O nome Novartis foi inspirado pelas palavras latinas "novae artes", que significam "novas artes ou técnicas".
Muitas outras multinacionais suíças como a Syngenta e a Clariant também podem traçar suas raízes até a indústria química da Basiléia.
CRONOLOGIA
1758 Geigy
1873 Gesellschaft für Chemische Industrie (Ciba em 1945)
1886 Kern & Sandoz (Sandoz em 1939)
1896 Roche
1970 Ciba & Geigy Merger
1996 Novartis
Foto: (Keystone)
"Ao unir forças, elas se catapultaram não apenas para os primeiros postos da indústria química, mas a nova Novartis será uma das maiores empresas de todos os tempos". Neue Zürcher Zeitung (No dia após a criação da Novartis, 8 de março de 1996)
origensMantendo o negócio na família Roche
A Roche foi fundada em 1º de outubro de 1896 por Fritz Hoffmann-La Roche quando ele tinha apenas 28 anos. Ele morreu em 1920 em um momento de incerteza sobre o futuro da empresa. No ano anterior, as más perspectivas financeiras da empresa o levaram a transformar a empresa em uma sociedade anônima.
A família fundadora acabou adquirindo o controle acionário da empresa. Cerca de 125 anos mais tarde, a maioria das ações com direito a voto ainda é detida por descendentes do fundador.
Foto: Fritz e Adèle Hoffmann (F. Hoffmann-La Roche Ltd, Basiléia)
origensAscensão de um centro farmacêutico
Em 1980, a participação da indústria farmacêutica no valor agregado bruto da economia suíça era de cerca de 1%. Hoje, ela está em torno de 5%. Em 2020, quase 45% de todas as exportações suíças eram de produtos farmacêuticos.
A União Europeia é o mercado mais importante para os produtos farmacêuticos suíços (50%), mas os Estados Unidos são o país mais importante. Nos últimos 20 anos, as exportações para os Estados Unidos dobraram de 11% para 24%.
"A indústria química e farmacêutica é a única indústria suíça que realmente pôde se estabelecer com sucesso nos EUA".Tobias Straumann, historiador econômico
origensTornando-se um ator global
Já em 1912, a Roche estabeleceu um chamado "escritório científico" em Yokohama e estabeleceu uma estreita ligação com os principais professores do Japão. Ciba seguiu o mesmo caminho com um escritório científico e um grupo de vendas em Osaka.
Entre as duas guerras mundiais, empresas suíças criaram filiais estrangeiras em países tão distantes quanto a China, Japão, União Soviética e Brasil para reduzir os custos de produção e transporte e para contornar as restrições de importação.
As empresas navegaram uma delicada dinâmica geopolítica com a ajuda da política de neutralidade da Suíça. Isto foi testado durante a Segunda Guerra Mundial, quando as empresas da Basiléia assinaram acordos com o regime nazista. A Roche também utilizou os recursos de mão-de-obra dos prisioneiros de guerra. No entanto, ela também relocalizou numerosos cientistas judeus de seus escritórios em Berlim, salvando-os de perseguições.
Foto: Instalações da CIBA Shanghai. Por volta de 1938. (Novartis AG)
origensSucesso na América
Por outro lado, "a América é a terra do futuro", escreveu um membro da diretoria. "Se não aproveitarmos a chance de iniciar a produção agora, estaremos totalmente excluídos dentro de alguns anos". Um ano depois, as empresas da Basiléia compraram uma antiga fábrica de corantes em Cincinnati, Ohio.
A Roche também instalou uma fábrica em Nutley, Nova Jersey, que se revelou como um golpe de sorte durante as Guerras Mundiais. Em 1943, sua filial em Nutley representava a metade do faturamento do grupo.
Foto: Fábrica da Ault & Wiborg Co. Cincinnati, Ohio, comprada em conjunto pelas empresas químicas de Basiléia. (Novartis AG)
origens
origens
Enquanto as empresas alemãs passavam por grandes dificuldades, empresas britânicas e americanas preenchiam a lacuna, impulsionadas pela descoberta da penicilina e de outros antibióticos.
Mas a chamada "Revolução Terapêutica", em meados do século 20, beneficiou a indústria por toda parte, pois o investimento em pesquisa de novos medicamentos disparou.
As vendas aumentaram nas duas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial e as empresas da Basiléia consolidaram seu lugar como grandes atores globais.
Competindo pelas melhores cabeças
talentosCompetindo pelas melhores cabeças
Em 1937, havia cerca de 4.300 trabalhadores da indústria química e farmacêutica na Basiléia. Em 2018, cerca de 32 mil pessoas trabalhavam na indústria das Ciências da Vida.
Foto: Laboratório de Parasitologia no Instituto de Pesquisa Sandoz, na Áustria. (Novartis AG)
O trabalho nas fábricas de produtos químicos e corantes era considerado "muito sujo e perigoso para ser feito pelas mãos das mulheres".Nicholas Schaffner, historiador
talentosEmpregando mulheres
De 101 títulos profissionais na Ciba em 1954, desde arquivistas até zoólogos, quatro foram classificados como cargos "explicitamente femininos" (usando a forma feminina em alemão). De acordo com uma pesquisa realizada naquele ano, estes eram funcionárias de cobrança, funcionárias de assistência social, secretárias e faxineiras.
A força de trabalho era constituída por 89,6% de homens e 10,4% de mulheres, constatou a pesquisa. Hoje, 45% dos funcionários da Novartis são mulheres.
Foto: O telhado da fábrica de embalagens Sandoz em Basiléia, 1959. (Novartis AG)
talentos
talentos
Quando retornou à Suíça em 1939, Keller foi nomeada a primeira executiva sênior feminina da Roche. Se aposentou em 1952. Embora as mulheres sejam menos raras nos laboratórios e no altos escalões das empresas farmacêuticas suíças, nunca houve uma mulher CEO ou presidente do conselho de administração na Roche ou Novartis.
Vídeo de produtos farmacêuticos
Os melhores cientistas eram tratados como realeza, uma prática que reforçou as hierarquias rígidas dentro das empresas.
Muitos executivos faziam parte da elite social e econômica da Basiléia, eram conhecidos como os "Daig", e tinham muito orgulho do número de prêmios Nobel que tinham recebido.
"Você podia até ver o status da pessoa nas placas com o nome na frente da porta, que eram de ouro ou prata".Tobias Ehrenbold, historiador
talentosAtraindo as melhores cabeças
O perfil de um típico trabalhador farmacêutico mudou com a globalização e a produção deixou de consistir em empacotar pílulas. Ao invés de trabalhadores de fábrica e da elite da Basiléia, os corredores das firmas estão cheios de "expatriados", às vezes percebidos como isolados da sociedade suíça. O inglês é mais amplamente falado nas empresas e em algumas partes da Basiléia do que o dialeto local suíço-alemão.
Foto: A torre Roche é o edifício mais alto da Suíça. Em 2022, uma outra torre ainda mais alta irá unir-se a ela. (Keystone)
"A Suíça tem um pool de talentos relativamente limitado. Ela sempre entendeu que precisa receber cientistas talentosos do exterior".Thomas Cueni, Diretor Geral da Federação Internacional de Fabricantes e Associações Farmacêuticas e ex-chefe da Associação Suíça da Indústria Farmacêutica Interpharma.
Um balanço da indústria
escândalosUm balanço da indústria
Houve indignação pública por tais acidentes, com empresas criticadas por reagirem muito lentamente e se eximirem de suas responsabilidades.
À medida que outros desastres e escândalos como o boicote ao leite infantil da Nestlé, a tragédia do vazamento de gás de Bhopal e o desastre nuclear de Chernobyl se desdobravam, o público começou a questionar o poder e as práticas das grandes empresas multinacionais.
Foto: Em 10 de julho de 1976, um reator químico explodiu na fábrica de Seveso, perto de Milão, operado por uma subsidiária da Roche. (Keystone)
Schweizerhalle video
O armazém destruído pelo incêndio continha mais de mil toneladas de inseticidas e pesticidas. O acidente deixou o Reno vermelho, matou milhares de peixes e enviou fumaça ácida sobre a cidade.
Furiosos, os habitantes locais exigiram ação. Nenhum membro da administração da Sandoz foi responsabilizado pelo acidente. Anos mais tarde, a Novartis concordou em pagar cerca de 43 milhões de francos suíços (49 milhões dólares na época) em danos à Suíça e a outros países afetados.
"Este tipo de produção perigosa foi terceirizada para a Índia e China; e é lá onde hoje acontecem casos como 'Schweizerhalle'". Martin Forter, Geógrafo e especialista em contaminação em entrevista à SRF em 2016
escândalos
A maioria dos ingredientes farmacêuticos ativos é produzida na China, e os produtos são acabados na Índia, onde a descarga de águas residuais das fábricas farmacêuticas é um grande problema.
Foto: As emissões das fábricas que produzem antibióticos e outros medicamentos poluíram os principais cursos d'água em Hyderabad, Índia, 2008. (Keystone)
escândalos Vendendo vidas por pílulas
escândalos Vendendo vidas por pílulas
Em 1999, a Roche se declarou culpada e pagou uma multa criminal de 500 milhões de dólares nos EUA por liderar o que foi chamado de "cartel de vitaminas", uma conspiração mundial para aumentar e fixar os preços das vitaminas a fim de eliminar a concorrência. Dois anos mais tarde, a Comissão Europeia impôs uma multa semelhante à empresa.
Em 2020, a Novartis pagou 729 milhões de dólares (688 milhões de francos suíços) às autoridades americanas em um dos maiores acórdãos da indústria por supostamente subornar médicos para usar seus medicamentos.
Scandal Kuhn
Scandal Kuhn
Um dos casos mais conhecidos é o do psiquiatra Roland Kuhn da Geigy, que descobriu a droga Tofranil para tratar a depressão.
Entre 1946 e 1980, três mil pessoas serviram como "cobaias" na Clínica Psiquiátrica Münsterlingen, no nordeste da Suíça, onde Kuhn foi o diretor da clínica. Os pacientes raramente eram voluntários para os experimentos e raramente eram informados sobre os medicamentos que recebiam.
Os testes de tratamentos mesmo através de ensaios clínicos formais continuam a levantar sérias questões éticas, incluindo o consentimento dos pacientes, práticas discriminatórias e sigilo.
escândalosEscândalo: demandas de acesso crescentes
Isto chegou a um ponto crítico na crise do HIV/AIDS, quando um grupo de 39 empresas, incluindo a Roche e a Novartis, processou o governo sul-africano em 1998 por promulgar uma lei que permitiria o acesso a genéricos mais baratos de tratamento antiretroviral. A Roche era um dos principais produtores de diagnósticos e tratamentos de HIV na época.
Durante a batalha legal de três anos, a indústria fechou fábricas e cortou investimentos no país. Enquanto isso, a África do Sul tinha o maior índice de infecções pelo HIV do mundo. Diante da pressão do público, da Organização Mundial da Saúde, da UE e do governo dos EUA, as empresas abandonaram o processo judicial.
Isto abriu o caminho para os fabricantes de genéricos produzirem medicamentos patenteados em larga escala. Mas as empresas farmacêuticas suíças se mantiveram firmemente contra o afrouxamento da proteção de patentes para permitir a produção de versões mais acessíveis de suas terapias.
Foto: Manifestantes marcham pelas ruas de Pretória em protesto contra as empresas farmacêuticas que lucram com a venda de medicamentos contra a AIDS em 2001. (Reuters)
"Pessoas estão morrendo porque não podem pagar tratamentos ou porque estes simplesmente não estão disponíveis. Isto se deve aos altos preços e patentes. Porque as empresas querem manter total controle e aumentar os lucros, as pessoas morrem".Patrick Durisch, especialista em política de saúde da ONG Public Eye
Buscando a cura
produtosBuscando a cura
Mas onde e como as empresas investem em pesquisa têm levantado questões sobre se, afinal, são os acionistas ou as necessidades da saúde pública que estão determinando suas prioridades.
Foto: Em 1955, o químico Leo Sternbach da Roche identificou a droga benzodiazepina, comercializada como Librium. (Cortesia: F. Hoffmann-LaRoche Ltd, Basiléia)
"O "estilo suíço" da Geigy não é na realidade nem suíço nem um estilo... É mais propriamente descrito como uma abordagem mais funcional ao design". - Fred Toller, ex-designer da GeigyFred Toller, ex-designer da Geigy
Vídeo da produção de medicamentos
Mas à medida que as vendas para os antigos campeões de vendas diminuíam, as empresas tinham que se voltar rapidamente para novos produtos estratégicos ou áreas de negócios. As empresas da Basiléia diversificaram em diferentes segmentos, desde agricultura e nutrição até diagnósticos. Algumas unidades foram vendidas rapidamente, enquanto outras se tornaram parte integral do sucesso.
Grandes mudanças vieram com os avanços científicos em biologia molecular e engenharia genética nos anos 1970.
produtosDoenças infecciosas perdem o interesse
Isto também afetou áreas como vacinas e antibióticos. Em 2007, a Novartis foi a quinta maior fabricante de vacinas do mundo. Ela investiu na fabricação de novas vacinas para atender à demanda durante o surto da gripe suína em 2009, mas com a diminuição da pandemia, as vendas caíram. Em 2014, a empresa decidiu vender sua divisão de vacinas para se concentrar em outras áreas.
Os preços baixos e a preocupação com o uso excessivo também afligiram o mercado de antibióticos, mas há uma necessidade urgente de novos antibióticos à medida que a resistência antimicrobiana aumenta. Ambas as gigantes farmacêuticas suíças abandonaram a pesquisa de novos antibióticos a partir do final dos anos 1990. Roche voltou a fazer pesquisas nessa área há alguns anos.
"A indústria farmacêutica não estabelece necessariamente suas prioridades de acordo com o que são as prioridades globais de saúde pública".Ellen 't Hoen, advogada e publicista da organização Medicines Law & Policy.
produtos Construíndo a próxima revolução médica
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Mas na Suíça, havia profundas suspeitas sobre o uso de material genético em terapias, levando ao chamado "referendo biotecnológico" de 1998. Os eleitores suíços rejeitaram a proposta de proibição de animais transgênicos (animais com sequência de DNA implantada nas células), dando início à indústria biotecnológica na Suíça. A votação foi vista como um sinal claro de que o país queria um setor biotecnológico forte.
produtosTratamentos multimilionários
A busca por dados de saúde e a tecnologia para analisá-los, significa que a Roche e a Novartis não estão mais competindo apenas com outros gigantes farmacêuticos, mas também com grandes empresas de tecnologia como Google e Amazon que entraram no ramo da saúde.
Isto levou a uma corrida desenfreada para comprar pequenas empresas inovadoras com tecnologia promissora, algumas das quais haviam recebido financiamento do governo. Desde 2000, a Novartis e a Roche adquiriram, cada uma, mais de 40 empresas indo da Inteligência Artificial até pequenas empresas especializadas em terapia genética.
Em 2018, a Novartis adquiriu uma pequena empresa americana de biotecnologia chamada AveXis, especializada em terapias genéticas. Em 2019, as empresas receberam a aprovação da FDA para Zolgensma, uma injeção única com preço de US$ 2,1 milhões para tratar a causa genética da atrofia muscular espinhal.
produtosRedefinindo o papel do setor farmacêutico na sociedade
A suspeita e a desconfiança em relação à indústria têm sido difíceis de serem superadas. À medida que mais drogas são lançadas com preços altíssimos, os governos estão se esforçando para descobrir como pagar por elas, suscitando mais perguntas sobre quanto as empresas ganham e quem detém as cartas ao negociar o preço.
Foto: Em junho de 2019, a torre Roche projetou o logotipo da greve nacional das mulheres como uma demonstração de solidariedade com o movimento pela igualdade de gênero. (Keystone)
A pandemia atual
futuroA pandemia atual
A história era diferente quando se tratava de vacinas. A empresa suíça Lonza, que é parceira de fabricação, assinou um acordo para produzir os ingredientes ativos da vacina mRNA da Moderna desde o início. A Novartis também ofereceu capacidade de fabricação para a vacina Pfizer/BioNtech. Mas nenhuma empresa suíça liderou o desenvolvimento de uma vacina eficaz.
No início de 2021, quando as pessoas aguardavam ansiosamente a chegada das encomendas de vacinas para a Suíça, o público teve dificuldades para entender como uma indústria tão inovadora e dominante não havia sido capaz de desenvolver uma das vacinas.
Foto: Harald Borrmann da Roche Diagnostics, esquerda, mostra ao Ministro do Interior suíço Alain Berset um teste rápido de Covid-19 em um laboratório da Roche Diagnostics. (Keystone)
"A atual crise sanitária nos relembrou a importância central da indústria farmacêutica baseada na pesquisa tanto para a saúde da população quanto para a economia nacional da Suíça".René Buholzer, chefe da Interpharma
Mudança de cultura
As consequências sociais e econômicas da pandemia, juntamente com a tecnologia digital, também aceleraram algumas mudanças culturais. Em 2020, a Novartis se tornou a primeira empresa farmacêutica do mundo e a primeira empresa suíça a permitir que os trabalhadores trabalhassem de qualquer lugar em consequência da pandemia. A empresa diz que isto é parte de sua mudança geral em direção a uma abordagem gerencial menos de cima para baixo.
Em 2021, a empresa também anunciou que abriria lentamente seu campus, que só era acessível com um crachá, para o público. (imagens: Novartis AG)
futuroUm ponto de inflexão?
Enquanto Basileia continua sendo um centro da indústria farmacêutica, empresas e prestadores de serviços estão espalhados pela Suíça e pelo mundo. As empresas não estão procurando apenas os cientistas mais brilhantes, elas estão procurando pessoas especializadas em informática, Inteligência Artificial e análise de dados.
Se a pandemia marcará ou não um ponto de inflexão para a indústria na Suíça depende da resposta que se dará a muitas perguntas. Como a indústria irá atender simultaneamente às necessidades da sociedade e às exigências dos acionistas? Como ela disponibilizará seus medicamentos a todos os que deles necessitam? A indústria farmacêutica continuará a investir na inovação de que tanto necessitamos?
Imagem: Keystone
Fontes
Fontes
Georg Kreis, Beat von Wartburg (Hg.) Indústria Farmacêutica na Basiléia. Novembro 2016
Tobias Ehrenbold. Samuel Koechlin e a Ciba-Geigy. 2017
T. Ehrenbold, Ch. Hatzky, Ch. Helm, Ch. Helm, W. Hochreiter, M. Rothmann, J. Salaks. Roche no mundo entre 1896 e 2021: uma história global. 2021
Arquivo Histórico da Roche, F. Hoffmann-La Roche AG e Novartis: Como um líder mundial farmacêutico foi criado a partir da Ciba, Geigy e Sandoz, 2014
Novartis International AG, arquivos da EY. "As maiores empresas farmacêuticas do mundo. 2020". Panorama de Saúde da Interpharma, 2020. Indústria Farmacêutica na Suíça - Interpharma.
Michael Grass e Simon Fry. História Oral, Química e Cultura Urbana da Associação para a História Industrial e Migratória da Região da Basiléia. BAK Economics. 2017.
Lukas Straumann e Daniel Wildmann. “As farmacêuticas suíças durante o III Reich’”
Departamento de Justiça dos EUA. Executivo suíço aceita condenação nos EUA. 20 de maio de 1999.
Arquivos da televisão pública suíça SRF e Rádio Suíça Internacional (RSI)
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