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Policiais no local da prisão do suspeito, no norte da França(afp_tickers)
Seis soldados foram atropelados no subúrbio de Paris nesta quarta-feira (9) pela manhã, o que provocou uma intensa perseguição que terminou na detenção violenta de um suspeito que viajava no veículo utilizado no ataque em uma estrada a norte do país.
As forças de segurança perseguiram o motorista do veículo, um argelino de 36 anos, que fugiu depois de atropelar os soldados. Quatro dias atrás, já havia ocorrido uma tentativa de ataque contra outros militares na Torre Eiffel.
A prisão foi "violenta" e aconteceu no início da tarde na avenida em direção a Calais, perto da cidade de Leulinghen-Bernes, segundo uma fonte próxima à investigação.
O homem, ferido por um tiro enquanto tentava fugir, foi hospitalizado. Ele morava nos arredores de Paris, legalmente, e não tem antecedentes criminais, de acordo com uma fonte judicial.
O governo denunciou rapidamente um "ato deliberado", e a Procuradoria antiterrorista abriu uma investigação.
A França, que participa da coalizão militar internacional para expulsar a organização extremista Estado Islâmico (EI) de Iraque e Síria, é especialmente ameaçada por grupos islamitas.
Desde janeiro de 2015, o país sofreu vários atentados extremistas, que deixaram 239 mortos. A maioria foi reivindicada pelo EI. Nos últimos meses, os criminosos se voltaram, sobretudo, contra as forças de segurança em locais emblemáticos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, transmitiu nesta quarta-feira pelo Twitter a sua "felicitação às forças de ordem, que detiveram o autor do ataque", e manifestou o seu "apoio aos militares agredidos em suas missões de proteção".
Embora os investigadores afirmem se tratar do mesmo veículo que foi utilizado para atropelar os militares, ainda não foi confirmado que o motorista detido seja o mesmo que executou o ataque.
Três militares ficaram levemente feridos. Três tiveram lesões mais graves, mas estão fora de perigo.
Com motivações ainda desconhecidas, esse novo ataque se dá em um momento de forte ameaça terrorista na França e em uma localidade relativamente tranquila, sede de vários serviços da luta antiterrorista no país, especialmente a Direção Geral de Segurança Interna (DGSI).
- "O carro esperava os militares" -
O ataque aconteceu às 08H00 locais (03H00 de Brasília), no centro de Levallois-Perret, localidade limítrofe com Paris, diante de um prédio residencial de 12 andares, perto de um parque. Os militares ocupam o térreo do imóvel, uma área cedida pela prefeitura.
"Um veículo que estava no bairro se aproximou" dos soldados. "Circulava lentamente, a cinco metros dos militares, e acelerou de repente para atropelá-los", explicou o ministro do Interior, Gérard Collomb.
Uma testemunha entrevistada pelo canal BFMTV disse que observou o carro atropelar primeiro "três militares" e depois "os outros três", acrescentando que "o carro esperava os militares e seguiu direto" para eles.
A unidade antiterrorista da Procuradoria abriu uma investigação por "tentativa de assassinato [...] relacionada a um ato terrorista".
De acordo com Collomb, esta é "a sexta vez" que militares da Operação "Sentinelle" são alvo de ataque. Criada após vários atentados extremistas na França, a Operação mobiliza 7.000 soldados em todo o território desde 2015.
No último sábado (5), um homem forçou a entrada na Torre Eiffel de Paris, vigiada por soldados da "Sentinelle", sacou uma faca e gritou "Alá é grande", antes de ser contido sem opor resistência.
No interrogatório policial, o agressor disse que desejava "cometer um atentado contra um militar". Internado em uma unidade psiquiátrica, ele tinha autorização de saída da instituição.
O estado de emergência declarado após os atentados de novembro de 2015 acaba de ser prorrogado até 1º de novembro.
Macron anunciou em julho que a Operação "Sentinelle" seria revista em busca de "maior eficácia operacional, levando em consideração a efetividade e a evolução da ameaça".
O uso de milhares de soldados provoca debate na França. Militares e alguns políticos, especialmente de direita, questionam a eficácia em relação ao esforço solicitado às Forças Armadas, já muito comprometidas com operações no exterior e em um contexto de problemas no orçamento.
AFP