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Aleppo morre em silêncio. Milhares e milhares de civis mortos, a infância massacrada e traumatizada para sempre. Uma cidade destruída e inabitável.
Como se pode falar de vitória em tais circunstâncias? O que está claro é que, sem o exército russo, a milícia xiita do Hezbollah libanês e os guardiões da revolução iraniana, Bashar estaria morto ou no exílio, longe da imagem do vencedor que hoje ele destila.
O que é certo é que ele conseguiu superar seu pai, posicionando-se como um pária da comunidade internacional, como alguém inaceitável e criminoso coberto pelo sangue de seu povo.
Além de seus aliados, sua imagem e reputação equivale a de seu colega Kim Jung-un da Coreia do Norte, inaugurando um lugar de honra no bastião de párias marginalizadas pela comunidade internacional e com a ameaça de vários processos no Tribunal Internacional por crimes contra a humanidade.
Que futuro político pode ter um indivíduo que tem destruído o seu país para manter o controle?
Que vitória ele pode comemorar diante de centenas de milhares de cadáveres que custaram o sonho de uma Síria democrática?
Que futuro ele pode oferecer a uma geração destruída, assassinada e traumatizada pelo bombardeio sistemático de barris de explosivos, que eliminaram milhares de crianças e adolescentes, qual será o futuro deste país?
Que moral pode ter um ser que manda um longo dilúvio de fogo sobre escolas, hospitais e padarias?
Não há vitória. Há um massacre, genocídio e aniquilação, no silêncio dos olhares de todo o planeta que permanece impotente e atordoado diante de tais atrocidades.
Em uma guerra absurda, onde todas as noções de humanidade se perderam.
A Rússia, traumatizada pelo fracasso da campanha do Afeganistão, usou os mesmos métodos que tinham prostrado a Chechénia; massacres, terror, assassinato, a repressão e a aniquilação absoluta do inimigo, pois não se trata aqui de vencer, mas de uma aniquilação total do enemigo.
Com uma linguagem dupla, Putin tem-se erigido como um mestre absoluto do não-dito, a negação absoluta, dos contra ataques cínicos, usando e abusando do seu poder de veto.
Com o argumento da guerra contra os fundamentalistas islâmicos, ele sujou suas mãos, braços e tronco de sangue para proteger suas bases navais que lhe permitem controlar uma grande parte do Mediterrâneo*.
Guerras por intermediários que não dizem seu nome.
O Irão fez da Síria um peão em sua luta contra os sunitas, em um confronto que vai do Iêmen até a Síria. A verdadeira guerra no Oriente Médio é entre o reino wahabita (Arábia Saudita) e os aiatolás iranianos de confissão xiita.
Sem negligenciar a Turquia para o qual Daesh é um detalhe no quadro geral e Bachar um inimigo que deve ser eliminado, mas com quem pode-se fazer concessões através do aliado russo, para se concentrar no alvo que Recep Tayyip Erdoğan, um novo sultão sunita do «império Otomano ressuscitado», que são os curdos e a construção de um Curdistão independente nos territórios sírios e iraquianos, para o presidente turco é inaceitável. Erdoğan preferiria ter Daesh como vizinho e não uma república curdo independente.
A famosa guerra santa nunca foi contra o Ocidente. A guerra «contra as cruzadas” é o resultado do Al Qaeda e depois Daesh e de um grupo de fanáticos fundamentalistas que não têm nada de religioso mas de lumpen / vagabundos e criminosos. Se houve bombas em países europeus foi devido a sua intervenção em conflitos, em que eles não tinham nada para fazer lá, talvez por um sentimento de culpa por causa do comportamento que teve o Ocidente durante o período colonial e a distribuição do Oriente Médio entre a França, a Inglaterra e a Itália ( A Líbia era um protetorado italiano como o Líbano e a Síria eram um protetorado francês e o Egito, Inglês).
É um problema muçulmano. As centenas de milhares de mortes em inúmeros ataques em sua grande maioria são muçulmanos. Os mortos nos ataques em Paris e Bruxelas são uma minoria em comparação com as milhares de mortes que têm acontecido no Egipto, Nigéria, Paquistão e Afeganistão.
Sem realmente conhecer a história desses países ao longo dos últimos 600 anos, desde o surgimento do Islã e seus várias ramificações (Sufis, xiitas, sunitas, diversos salafistas fundamentalistas, wahabitas, etc.).
Esta guerra é difícil de explicar, tanto geopoliticamente quanto ao nível religioso.
Enquanto a Europa e os Estados Unidos continuarem a impor uma forma de organização social e política que não coincide com a história destes povos e eles continuem negando, em nome da «liberdade e democracia «, o direito à autonomia e que cada nação possa escolher a forma que melhor lhe convém, os conflitos vão continuar porque não tem nada mais utópico do que tentar impor costumes e culturas estrangeiras para um povo . Devemos lembrar que todos os impérios têm tentado … mas até hoje falharam.
Os povos árabes e todos os povos do mundo, incluindo os latino-americanos, devem procurar soluções para suas crenças e valores a fim de não traçar os modelos ocidentais que até agora só têm mostrado uma flagrante falha.
O índice de felicidade está longe de ser o ideal no Ocidente, o sistema «democrático» impôs uma ditadura do mundo econômico e financeiro na sociedade. Tudo o que importa é o mercado, as finanças, os benefícios e os povos devem estar constantemente prontos ao objetivos que a sociedade liberal espera deles, digamos trabalhadores sumisos e consumidores ativos para que o sistema possa continuar crescendo sem parar.
Mas são os excessos do sistema que provocaram todas as crises recentes, porque o sistema liberal deve ser constantemente monitorado e regulado, a sua inerente natureza é cometer todo excesso concebível para maximizar os seus lucros, mesmo que isso seja contra as leis e o direito das pessoas.
Assim, os graves problemas ecológicos, sociais e políticos no mundo são causados por máfias famintas por poder e riqueza, sem qualquer moral ou ética, tentando impor as suas soluções que só trouxeram pobreza e miséria para a maioria das pessoas, como foi o caso na Grécia, Espanha, Portugal e Brasil, onde o governo de Dilma Rousseff, eleito por 53 milhões de votos foi substituído por um golpe parlamentar por um bando de criminosos que tomaram o poder e que estão, não só no processo de destruir o estado social brasileiro, mas também a sua economia em favor de um pequeno grupo que se agarra ao poder, apesar das inúmeras denúncias contra eles.
O governo Temer perdeu 6 Ministros em 6 meses, todos acusados de participar de estruturas corruptas e até mesmo Michel Temer, atual presidente usurpador, é acusado no esquema conhecido como Lava Jato onde está envolvida a empresa petrolífera multinacional brasileira Petrobras, ela participou no financiamento ilegal de partidos e políticos em troca de favores e contratos.
Que tipo de democracia estamos falando?
A democracia americana, onde o candidato que ganhou 2,5 milhões de votos a mais perdeu a eleição?
Deve-se perguntar, o que é uma votação? Se depois o governo eleito trabalha contra o seu próprio povo, configurando uma situação de síndrome de Estocolmo na maior parte do planeta. É uma situação de esquizofrenia generalizada que pode levar tanto a uma nova guerra mundial quanto a uma profunda transformação destrutiva.
O fato concreto é que a humanidade está em coma artificial, em um colapso e que a ONU é totalmente impotente nos conflitos que ocorrem na Síria, Líbia, Afeganistão, República Democrática do Congo, Nigéria,nMiramar (ou Myanmar), Yemen, Venezuela, Brasil, etc.
Espera-se que o novo Secretário-Geral das Nações Unidas, o Socialista Português, o ex-primeiro-ministro e ex-Alto Comissário da ONU para os Refugiados, António Guterres, um homem com uma vasta experiência de campo, franco e direto, possa acelerar as reformas necessárias e indispensáveis, porque só uma transformação radical da Organização das Nações Unidas e da eliminação do veto podem lentamente mudar alguma coisa ao nível mundial.
Enquanto isso, as nações continuam a navegar em mares tempestuosos, entre o pânico de uma nova crise financeira, a morte das ideologias, a ascensão do populismo de extrema direita e do triunfo dos extremos que se refletem na escolha de Donald Trump, representante de tudo o que é excessivo e impuro no mundo político.
Alfonso Vásquez Unternahrer
Tradução do francês para o português
Por Miriam Rey
* * Tartus é uma instalação militar do Exército Russo, um enclave no porto sírio de Tartus.