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Mulheres marcham contra a violência de gênero na capital mexicana
Milhares de mulheres marcharam nesta segunda-feira (8) no centro da Cidade do México em protesto contra a violência de gênero em meio à comemoração ao Dia Internacional da Mulher, no qual se espera uma onda de manifestações no país.
Antes que a marcha começasse a se deslocar pouco mais de dois quilômetros, da Plaza de la República para a sede do governo nacional, no Zócalo, algumas mulheres encapuzadas derrubaram com cutes e marteladas as cercas de madeira que protegem o Monumento à Revolução.
Na barreira, elas colocaram fotos com nomes e sobrenomes de supostos estupradores, autores de feminicídio e perseguidores.
“Juntas queimamos”, dizia uma faixa próxima a outra na qual lia-se “Juntas somos fogo, queimem tudo”.
“Sou grata por minha filha estar viva. Minha filha foi estuprada”, afirmou à AFP Letícia Reséndiz, de 45 anos, funcionária do governo local.
“Ainda existe muita discriminação e assédio no ambiente de trabalho”, lamentou.
Perto dela, uma menor de idade exibia um cartaz com a frase: “Eles não me assassinaram, mas vivo com medo”.
O dia de protestos nesta segunda-feira dão continuidade às manifestações que ocorreram no fim de semana em frente ao palácio presidencial da Cidade do México, nas quais dezenas de mulheres protestaram expondo os nomes das vítimas de feminicídio nas cercas colocadas para proteger o prédio.
Mulheres também protestam contra o apoio do presidente Andrés Manuel López Obrador à polêmica candidatura de Félix Salgado Macedonio ao governo de Guerrero (sul), um político do partido governista acusado de estupro.
“É escandaloso que eles tenham aceitado a candidatura dele”, afirma Nadia Téllez, de 20 anos, presente na passeata.
Anteriormente, o presidente López Obrador declarou que seu governo não reprimirá as manifestações.
“Somos diferentes dos conservadores que agora se disfarçam de feministas e estão chateados porque uma cerca foi colocada para evitar a violência”, ressaltou.
O presidente também defendeu a gestão de seu governo em relação à defesa dos direitos e à participação das mulheres: “Muito está sendo feito, como nunca antes, e também como nunca na história as mulheres estão participando da administração pública e da política(…) como consta, metade do gabinete é composto por mulheres”, acrescentou.
No entanto, o México é um dos países mais afetados pela violência de gênero. Só em 2020, foram registrados 967 feminicídios, número um pouco inferior aos 969 de 2019.