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Um ano depois do início da intervenção americana no Afeganistão que derrubou o regime taliban, o país continua em ruínas.Este conteúdo foi publicado em 07. outubro 2002 - 15:35
A cooperação suíça afirma que até agora o trabalho foi destinado à sobrevivência da população mas que está na hora de começar a reconstrução.
"Trabalhei em muitos países pobres mas nunca havia visto isso." A afirmação é de Markus Müller, responsável das operações no Afeganistão da Direção suíça de desenvolvimento e cooperação (DDC), que está no Afeganistão há dois meses.
"Tudo o que as organizações internacionais conseguiram fazer até agora é ajudar as pessoas a sobreviver. Na reconstrução, estamos na estaca zero", afirma Müller.
População frustrada
O cooperante suíço afirma, contudo, que a vida está sendo retomada em Cabul, após 23 anos de guerra. Ele se diz impressionado pela vontade, força e criatividade dos afegãos.
Passada a fase da ajuda de urgência, as organizações humanitárias vão começar a trabalhar na infra-estrutura do Afeganistão: estradas, escolas, hospitais, tudo deve ser reconstruido, a partir do ano que vem, "se a estabilidade política se mantém", segundo Makus Müller.
Enquanto isso, ele sente uma certa frustação na população afegã. Em Cabul, afirma o cooperante suíço, soldados armados em veículos novos é o único sinal visívelda de ajuda massiça da comunidade internacional.
O problema dos refugiados
Os problemas não estão só nas cidades. Desde a queda do regime taliban, 1,7 milhão de refugiados voltaram ao país vilarejos destruidos e as plantações que sofreram 3 a 4 anos de seca.
Muitos voltam para o Paquistão ou então tentam viver nas cidades maiores. Precisam, portanto, de ajuda urgente para passar o inverno até tentarem relançar a a agricultura na próxima primavera.
Questão de prioridade
O Afeganistão não é um país prioritário para a DDC. Na região, as prioridades são Paquistão, Índia, Bangladesh, Nepal e Butão.
Para este ano, o governo federal atribiu 21 milhões de francos suíços (€ 14 milhões). Em 2003 serão aplicados 18 milhões de francos.
"Este país é atualmente um dos que mais necessitam ajuda de urgência e tentaremos convencer as autoridades de Berna", afirma Müller.
80% da ajuda suíça é dividida entre grandes projetos como o Programa Alimentar Mundial, o Alto Comissariado para os Refugiados e a Cruz Vermelha Internacional.
Os 20% restantes vão para ONGs que trabalham nas áreas de saúde, educação e integração das mulheres à vida social e econômica.
swissinfo/Marc-André Miserez
Breves
- Até agora, urgência é evitar a fome
- Reconstrução de infra-estrutura deve começar no ano que vem
- Suíça aplica Fr. 21 milhões este ano e 18 milhões em 2003
- 80% das verbas são repassadas a grandes projetos internacionais
- 20% vão para ONGs que atuam no Afeganistão
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