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O ictiossauro, um réptil marinho semelhante a um golfinho que viveu há mais de 230 milhões de anos, era provavelmente um megapredador, disse um grupo de paleontólogos nesta quinta-feira (20).
Eles chegaram a essa conclusão ao encontrarem no estômago da espécie, que era estudada há uma década, restos mortais de outro réptil, o talattossauro, que parecia uma iguana marinha e era quase tão grande quanto seu predador.
"O estudo sugere que mais ictiossauros do que pensávamos eram megapredadores, ou seja, se alimentavam de presas do tamanho de humanos ou maiores", disse à AFP Ryosuke Motani, professor de paleobiologia da Universidade da Califórnia e co-autor da pesquisa publicada na revista iScience.
O ictiossauro tinha cerca de cinco metros de comprimento. "A maioria dos grandes ictiossauros que conhecemos tinha dentes pouco afiados, então acreditava-se que se alimentavam de lulas", explicou o pesquisador.
Porém, a presença de uma presa de quatro metros, engolida sem cabeça nem cauda, mostra que ele era, sem dúvida, tão predador quanto os crocodilos, que também não tem dentes afiados, mas são capazes de capturar presas com suas poderosas mandíbulas.
O fóssil foi descoberto em 2010 em um penhasco no sudoeste da China e, um ano depois, foi extraído e levado para o Museu do Geoparque Xingyi no distrito de Wusha. Os cientistas não podem afirmar que o animal era um predador e não um necrófago, mas há pistas que apontam para a primeira opção.
“Não há sinais de apodrecimento da presa: se fosse um cadáver em decomposição, os dedos não estariam mais presos ao corpo”, disse Motani. Além disso, a cauda do talattossauro foi encontrada a poucos metros, o que dá crédito à ideia de que foi mordida e arrancada pelo predador. O ictiossauro, no entanto, provavelmente morreu logo após sua última refeição.