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Assim como outros países europeus, a Suíça quer ter uma praça representativa frente ao Parlamento.
Por enquanto, a praça serve de estacionamento e espaço para protestos e feiras de hortaliças e frutos.
Monumentos e praças são como as jóias de uma cidade: eles servem para dar representatividade seja ao local, a cidade e, muitas vezes, ao próprio país.
Assim ocorre em Paris, com a Praça do Arco do Triunfo; em Berlim, com a praça da Torre de Brandenburgo; em Madrid, com a Praça Maior e em Roma, com a Praça da Espanha.
A Suíça também tem sua praça. Ela está localizada de frente para o Palácio Federal, a imponente construção que abriga o Parlamento e alguns dos mais importantes ministérios do país.
Porém essa praça sempre foi mais utilitária do que representativa: além de oferecer espaço para eventos oficiais do governo suíço, protestos (e esterco de enfurecidos agricultores), ela funciona como estacionamento de carros e abriga ocasionalmente feiras de hortaliças, flores e frutos e, as vezes, até concertos de rock, como os que ocorreram durantes os protestos contra a guerra no Iraque.
26 jatos de água
Porém os suíços não querem mais uma praça tão banal. Na terça-feira (05/08), Annemarie Huber-Hotz, a chanceler federal, utilizou uma britadeira para fazer o primeiro buraco na praça. Tudo foi filmado pelas televisões locais.
A reconstrução da praça irá durar um ano. A partir de primeiro de agosto de 2004, ela deverá estar coberta por 600 toneladas de granito escuro, faixas de vidro e 26 fontes de água, simbolizando os cantões suíços.
As fontes de água serão reversíveis, já que a praça irá manter algumas das suas funções, como espaço para feiras, protestos e recepções do governo. Apenas o estacionamento irá desaparecer para sempre.
Ritmo de Berna
O projeto de reforma da praça do Palácio Federal foi concluído em 1993. Porém mais de dez anos foram necessários até começar a colocar em prática a idéia dos arquitetos Ruedi Stutz e Christian Stauffenegger, vencedores no concurso promovido em 1991 pelo governo federal suíço, o cantão e a cidade de Berna. Mais de 297 projetos se candidataram ao concurso.
A razão da demora está no típico comportamento suíço de sempre procurar o consenso até a tomada de uma decisão. A retirada do estacionamento da praça, por exemplo, exigiu uma votação popular. Pessoas insatisfeitas apresentaram uma contraproposta, um projeto da artista Bettina Eichin. Enfim, o projeto ganhador terminou sendo modificado para agradar gregos e troianos, ao incluir as 26 fontes de água.
Os custos da obra estão avaliados em 8 milhões de francos (US$ 5,9 milhões). A metade das despesas será financiada pela companhia de seguro “La Mobilière”, que festeja atualmente seus 125 anos de existência.
Alguns jornais lembram que a reforma da praça trará até vantagens inesperadas para alguns profissionais: em caso de protestos, a polícia não necessitará nem dos seus lançadores de água para terminar com uma confusão. Nesse caso, as 26 fontes poderão dar uma boa contribuição.
swissinfo, Bernard Léchot e Alexander Thoele