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Sede da CIA, em Langley, Virgínia(afp_tickers)
O diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA), John Brennan, pediu desculpas ao Senado americano pelas revistas feitas por seus agentes nos computadores de investigadores parlamentares - anunciou um porta-voz da agência nesta quinta-feira.
Um vendaval político foi deflagrado em março após a acusação de que a CIA monitorou, sem autorização, os computadores usados pelos investigadores da Comissão de Inteligência do Senado para a elaboração de um informe sobre o uso da tortura entre 2002 e 2006.
A Comissão de Inteligência iniciou uma investigação em 2009 sobre o programa de interrogatórios violentos da CIA e teve acesso a mais de 6 milhões de documentos. Os senadores podiam consultar o material em computadores protegidos, aos quais a CIA não deveria ter acesso - segundo um acordo entre o Senado e a agência de inteligência.
Em 2010, mais de 900 páginas com documentos particularmente importantes desapareceram dos expedientes protegidos dos investigadores, declarou a presidente da Comissão, senadora Dianne Feinstein.
"A investigação confirmou o que eu já havia dito no Senado em março", afirmou Dianne, que considerou a investigação interna ordenada pela CIA e as desculpas de Brennan a seu comitê como "primeiros passos positivos".
"O pessoal da CIA interveio, inadequadamente, nos computadores da Comissão de Inteligência do Senado, em violação de um acordo alcançado, e acho que em violação da separação constitucional de Poderes", completou.
O presidente do Comitê Judiciário do Senado, senador Patrick Leahy, respondeu em termos mais enérgicos.
"Estou escandalizado que a CIA tenha revistado os computadores do pessoal do Senado que estava trabalhando para esclarecer um capítulo muito obscuro na História da nossa nação", criticou.
"A conduta inadequada da CIA ameaça a institucionalidade do Senado e seu papel em assegurar o controle adequado do nosso governo", acrescentou, exigindo que Brennan explique publicamente a falta cometida pela agência.
Entre os documentos sensíveis desaparecidos havia alguns referentes a um memorando secreto divulgado pelo diretor anterior da CIA, Leon Panetta. Segundo a Comissão, esse documento contradizia a posição oficial da CIA sobre os interrogatórios.
Brennan negou, então, que a CIA tivesse "espionado" a Comissão, mas pediu ao inspetor-geral da agência que iniciasse uma investigação interna.
"O diretor Brennan foi informado dos resultados da investigação do escritório do inspetor-geral, que inclui uma advertência de que alguns funcionários da CIA não respeitaram o acordo, ao qual se havia chegado, entre a Comissão e a CIA em 2009", declarou o porta-voz da CIA, Dean Boyd, em nota divulgada nesta quinta-feira.
Boyd acrescentou que Brennan abriu uma investigação na CIA que pode levar a sanções disciplinares.
AFP