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Dezenas de organizações da sociedade civil de Honduras exigiram nesta segunda-feira, em declaração, a "saída imediata" do presidente Juan Orlando Hernández e das principais autoridades do governo, por terem convertido o país em um "narcoestado".
"Repletos de indignação", os dirigentes das organizações exigiram "incondicionalmente a saída imediata de Juan Orlando Hernández do governo e a substituição do alto comando militar" que o apoia. Também pediram a saída do "presidente do Congresso, presidente da Suprema Corte de Justiça e do procurador-geral da República", além da convocação de um governo de transição que organize as eleições gerais de 28 de novembro.
"Somos testemunhas da destruição do Estado de Direito e da construção de uma ditadura partidária que se tornou um narcoestado com o qual somos exibidos no mundo inteiro", assinalam 36 organizações no documento, de nome "Chamado Patriótico à Transição". Entre os signatários estão a Caritas, da Igreja Católica, o Comitê de Familiares de Presos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh), a Confederação Unitária de Trabalhadores de Honduras (Cuth) e uma aliança de ONGs e organizações políticas.
Na semana passada, uma corte federal americana condenou à prisão perpétua o ex-deputado Juan Antonio "Tony" Hernández, irmão do presidente hondurenho, responsabilizado pela introdução de 185.000 kg de cocaína nos Estados Unidos com a ajuda de instituições do Estado. O juiz do tribunal, Kevin Castel, assegurou que o condenado "agiu como intermediário em subornos a políticos, incluindo seu irmão Juan Orlando Hernández e o Partido Nacional".
Dias antes, no mesmo tribunal, foi declarado culpado de narcotráfico o hondurenho Geovanny Fuentes, que os promotores americanos consideram sócio do presidente dentro de um "narcoestado". Hernández negou as acusações e criticou a Justiça americana por se basear, segundo ele, em depoimentos de ex-dependentes químicos perseguidos pelo governo hondurenho em busca de vingança. Seu irmão vai apelar da sentença.