Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02606.jsonl.gz/121

O Exército do Chile removeu nesta sexta-feira 21 generais, em uma profunda renovação do alto comando da instituição, abalada por um escândalo de apropriação indébita envolvendo dezenas de oficiais.
O afastamento dos generais se deu sob diversas formas, como renúncia voluntária, passagem à reserva e adequação às necessidades institucionais, explicou o Exército em um comunicado.
No total, 45% dos altos oficiais foram afastados e substituídos, destacou o Exército.
O afastamento dos 21 generais, a maioria em idade para permanecer na ativa por mais vários anos, ocorre semanas após a justiça militar decretar a prisão preventiva do vice-comandante do Exército, general John Griffiths.
Griffiths, no momento em liberdade sob fiança, foi derrubado pelo chamado "Milicogate", uma investigação que revelou uma rede de militares e civis envolvidos em apropriação indébita de fundos milionários procedentes da lei que reserva às Forças Armadas 10% do valor das vendas da estatal do cobre Codelco.
O general foi indiciado por orquestrar manobras com dinheiro público a seu favor e para outros oficiais, incluindo alguns dos generais removidos, segundo a imprensa local.
- Recuperar a confiança -
Na tarde desta sexta-feira, o ministro da Defesa, Alberto Espina, esclareceu que "seria incorreto e injusto deduzir que todos os generais que passaram à reserva estão envolvidos em fatos investigados pela justiça".
Mas Espina admitiu que um dos motivos da onda de remoções poderia ser a investigação que tenta limpar o Exército de práticas fraudulentas, como a compra de passagens em agências de viagens por preços superfaturados.
As agências de viagens investigadas pertenceriam a familiares dos militares.
Ao escândalo de corrupção no Exército se somam múltiplos casos de fraude nos Carabineiros - a polícia militarizada - que levaram à exoneração de dezenas de membros desta instituição.
No total, mais de 40 milhões de dólares foram desviados para contas particulares de policiais e civis desde 2006, segundo uma investigação.