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O líder opositor venezuelano, Leopoldo López, em Caracas, em 8 de julho de 2017(afp_tickers)
A oposição venezuelana, vencedora do Prêmio Sakharov 2017, é uma força que agrupa cerca de 20 partidos contra o governo de Nicolás Maduro, mas que atualmente atravessa uma de suas piores crises.
Reunida na Mesa de Unidade Democrática (MUD), que nasceu em 2008 para enfrentar o presidente Hugo Chávez (1999-2013), a oposição inclui partidos de centro-direita, centro e alguns de esquerda dissidentes do chavismo.
Vários de seus dirigentes estão presos, como os mais emblemáticos, Leopoldo López e os prefeitos Antonio Ledezma e Daniel Ceballos. Segundo a ONG Foro Penal, há 391 políticos presos na Venezuela. Outra parte da oposição, mais radical, está no exílio.
Os opositores venezuelanos recebem este prêmio em meio à recente derrota ante o partido de Maduro nas eleições regionais e lutas internas, que ameaçam sua unidade.
"Este é um dos piores momentos da coalizão. A unidade política nunca foi uma realidade, mas a eleitoral sim, e esta entrou em crise, revelando diferenças políticas de fundo", afirmou à AFP o analista político Edgard Gutiérrez.
Desde sua criação, a oposição viveu uma série de êxitos e fracassos.
- A vitória -
O agrupamento de partidos, sindicatos e cidadãos que precedeu a MUD, a Coordenação Democrática, promoveu em 2002 manifestações que resultaram em um golpe de Estado que tirou Chávez do poder por 48 horas, e depois promoveu uma greve petroleira.
A oposição perdeu em 2004 um processo revogatório contra Chávez e as eleições presidenciais contra o presidente socialista em 2006 e 2012. Mas, em 2007, conseguiu sua primeira vitória eleitoral, ao frear uma reforma constitucional.
Veio em seguida a disputa contra Maduro, que ganhou por margem estreita as presidenciais de 2013 contra Henrique Capriles, candidato da MUD.
Em uma decisão que dividiu a aliança opositora, López liderou em 2014 as manifestações em massa que exigiam a renúncia de Maduro. Acusado de promover a violência nesses protestos, que deixaram 43 mortos, o dirigente foi condenado em 2014 a quase 14 anos de prisão, agora em prisão domiciliar.
Em meio a uma forte crise econômica, a MUD conseguiu em dezembro de 2015 uma contundente vitória nas eleições legislativas, ao conquistar 112 dos 167 deputados, rompendo a hegemonia que o chavismo manteve desde 1999 no Parlamento.
Fortalecida, lutou no Legislativo pelo fim do governo Maduro. Mas a vitória serviu de pouco: em meio a um forte choque de poderes, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) - acusado de ser aliado do chavismo- declarou os legisladores em desacato e anulou suas decisões.
Com um Parlamento de mãos amarradas, a oposição, apoiada pelas manifestações, apostou em 2016 por impulsionar um referendo revogatório contra Maduro.
Mas o poder eleitoral - também assinalado de governista - suspendeu o processo, e a MUD, apesar da desaprovação de seus partidários, iniciou um diálogo com o governo promovido pelo Vaticano, que logo fracassou.
- Fracasso das ruas às urnas -
Após meses sem rumo, a oposição voltou às ruas em abril de 2017 porque o TSJ se apoderou das competências do Legislativo. Durante quatro meses, milhares de pessoas exigiram a saída de Maduro em protestos que deixaram 125 mortos.
Mas Maduro tinha uma carta na manga: em 30 de julho elegeu a poderosa Assembleia Constituinte, completamente chavista, porque a MUD não participou por considerá-la fraudulenta. As manifestações diminuíram.
O líder do Parlamento, Julio Borges, um dos rostos mais visíveis da MUD, comandou uma ofensiva internacional que levou muitos governos de Europa e América a desconhecer a Constituinte.
Com seguidores desanimados depois do fracasso dos protestos e da eleição da Constituinte, a MUD foi para as eleições regionais em 15 de outubro dividida e com dirigentes pedindo a abstenção.
Em meio a denúncias de irregularidades eleitorais sofreu uma grande derrota: 18 das 23 governações foram vencidas pelo chavismo.
As fissuras na MUD ficaram à mostra. Contradizendo sua linha, quatro de seus cinco governadores tomaram posse ante a Constituinte.
Capriles, do Primeiro Justiça, onde milita o único governador que não se subordinou, anunciou a sua saída da MUD enquanto estiver Henry Ramos Allup, ex-chefe legislativo e veterano líder do Ação Democrática, partido dos quatro que tomaram posse.
Agora seus dirigentes falam de uma "refundação" da MUD para superar uma crise que explodiu no pior momento: este ano deve haver eleições municipais e no fim de 2018 presidenciais.
AFP