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(2016) Willem Oosthuizen (e) e Theo Martins Jackson participam de audiência em Middelburg, África do Sul(afp_tickers)
Dois fazendeiros brancos foram declarados culpados na África do Sul de tentativa de prender um homem negro, vivo, em um caixão, um ato que gravaram em vídeo e que provocou uma onda de indignação no país.
"Declaro os dois acusados culpados de tentativa de assassinato", anunciou a juíza Segoptje Mphalele, do tribunal de Middelburg (nordeste), em uma sala de audiências lotada, que aplaudiu a decisão.
Os dois fazendeiros, Willem Oosthuizen e Theo Martins Jackson, também foram declarados culpados de sequestro, agressão e intimidação.
Os acusados se declararam inocentes e compareceram ao julgamento em liberdade, depois que pagaram uma multa em julho. Nesta sexta-feira, o juiz prolongou sua liberdade condicional até que pronuncie sua sentencia, no dia 23 de outubro.
Os fatos remontam ao ano passado, quando os fazendeiros colocaram Victor Mlotshwa em um caixão no qual ameaçaram jogar gasolina e uma cobra enquanto a vítima se debatia.
O caso explodiu depois que que um vídeo de 20 segundos foi divulgado na internet. Na imagem pode-se ver Mlotshwa dentro de um caixão colocado em um solo rochoso e cheio de poeira enquanto tenta impedir que os acusados o fechem.
Durante o julgamento, foi revelado um segundo vídeo. "Por favor, não me matem", suplica Mlotshwa. "Por que não, se você mata nossas fazendas?", contesta um dos agressores.
Mlotshwa afirmou que, no momento da agressão, se dirigia a Middelburg para fazer compras para sua mãe.
Os dois fazendeiros disseram que só queriam assustar a vítima que, segundo eles, foi surpreendida tentando roubar cabos de cobre.
- Sem espaço para o racismo -
Durante o anúncio da decisão, jovens do partido Congresso Nacional Africano, que governa o país, protestaram diante do tribunal com caixões improvisados.
"Não há espaço para o racismo em nossa democracia", "a vida dos negros importa", afirmavam alguns cartazes exibidos pelos manifestantes.
Quase 25 anos depois do fim oficial do regime segregacionista do apartheid, os ataques racistas persistem na África do Sul, especialmente em zonas rurais.
No começo de 2016, dois negros empregados em uma fazenda foram perseguidos e espancados até a morte por camponeses brancos em Parys, no centro do país.
A persistência das desigualdades econômicas entre brancos e negros ofusca a liberdade conseguida pelos últimos após anos de luta na jovem democracia sul-africana.
Segundo as estatísticas oficiais, 30,1% da maioria negra está desempregada, em comparação a 6,6% dos brancos. O salário mensal médio dos negros é de 2.800 rands (214 dólares) frente ao de 10.000 rands (765 dólares) dos brancos.
AFP