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A Glencore espera resolver as investigações relacionadas a suborno e corrupção no Reino Unido, Estados Unidos e Brasil este ano e reservou US$ 1,5 bilhão (CHF1,4 bilhão) para cobrir possíveis multas e custos.
A notícia da provisão veio quando a mineradora e trader de commodities listada em Londres anunciou lucros recordes devido ao aumento dos preços de suas commodities essenciais e declarou que repassaria US$ 4 bilhões aos acionistas.
Gary Nagle, executivo-chefe, disse que "não estava feliz" com o custo de US$ 1,5 bilhão, mas a empresa reconheceu que houve casos históricos de "má conduta" e que tentaria resolver as investigações "o mais rápido possível".
"Trabalhamos muito para corrigir isso", disse ele a repórteres. “Estamos mudando a cultura. Queremos concluir essas investigações, colocar uma linha sobre isso e seguir em frente.”
O Departamento de Justiça dos EUA iniciou uma investigação contra a empresa em 2018, quando ordenou que a Glencore entregasse registros relacionados ao cumprimento das leis de lavagem de dinheiro do país e da Lei de Práticas de Corrupção Estrangeira na Nigéria, República Democrática do Congo e Venezuela.
Nos últimos quatro anos, autoridades no Reino Unido e no Brasil também começaram a investigar a companhia – assim como o regulador de commodities dos EUA que analisou uma suposta manipulação de mercado – lançando uma sombra de suspeitas sobre a empresa com sede na Suíça.
A Glencore é a maior trader de commodities do mundo, movimentando milhões de toneladas de metais, minerais e petróleo em todo planeta. É também uma empresa líder em mineração, com operações da Austrália ao Peru.
O foco da investigação dos EUA em particular ficou mais claro nos últimos meses depois que um ex-comerciante de petróleo da Glencore se declarou culpado em Nova York por sua participação em um esquema para subornar funcionários do governo na Nigéria em troca de lucrativos contratos de petróleo.
A empresa disse que também está cooperando com investigações suíças e holandesas, cujo prazo e resultado permanecem incertos. No entanto, disse esperar que os resultados dessas investigações “evitem penalidades duplicadas pela mesma conduta”.
Tyler Broda, analista da RBC Capital Markets, disse que "com as principais investigações quantificadas, isso provavelmente diminuirá o risco da empresa nesse 'conhecido desconhecido', que tem sido uma pendência para a empresa desde 2018".
Mercados de commodities voláteis
As ações da Glencore subiram 0,7% na terça-feira e subiram mais de 35% desde que Nagle substituiu Ivan Glasenberg como presidente-executivo em julho.
Até dezembro do ano passado, a Glencore reportou lucro ajustado – antes de juros, impostos, depreciação e amortização – de mais de US$ 21 bilhões, um aumento de 84% em relação ao ano anterior, sobre receitas de US$ 204 bilhões.
A forte geração de caixa permitiu que a empresa declarasse um retorno em dinheiro de US$ 4 bilhões – composto por US$ 3,45 bilhões em dividendos e uma recompra de ações de US$ 550 milhões. A dívida líquida ficou em US$ 6 bilhões.
O cobre africano e o carvão térmico, que são queimados em usinas de energia para gerar eletricidade, foram os principais impulsionadores dos lucros da Glencore em 2021.
O marketing da empresa, ou setor de negócios comerciais, também prosperou em mercados voláteis de commodities, entregando lucros recordes antes de juros de US$ 3,7 bilhões.
Questionado sobre a crise na Ucrânia e possíveis sanções contra Moscou, Nagle disse que as participações da Glencore na petrolífera russa Rosneft e na produtora de alumínio EN+ eram “muito imateriais no grande esquema das coisas”.
Mas o executivo considera que um conflito na Ucrânia causaria graves interrupções nos mercados de commodities. “E nesses casos é onde nosso negócio de marketing realmente prospera, capitalizando essas arbitragens e deslocamentos.”
Pressões inflacionárias
Em mercados mais amplos, Nagle disse que não há razão para esperar nada além de preços estáveis e fortes para as commodities no futuro próximo.
“Certamente temos estoques baixos em toda a linha”, disse ele. “Vimos restrições do lado da oferta e enorme crescimento da demanda alimentado por baixas taxas de juros, pela recuperação da Covid, por gastos com infraestrutura e, acima de tudo, gerados pelo impulso de descarbonização”.
Nagle disse que o mercado de carvão parecia “muito bom” devido à falta de investimento em novas minas e apetite saudável por combustível fóssil na Ásia.
Os preços do carvão dispararam nos últimos meses, com benchmarks na Ásia sendo negociados acima de US$ 250 a tonelada.
A Glencore é uma das maiores produtoras de carvão do mundo: extraiu mais de 100 milhões de toneladas da commodity no ano passado. A empresa se comprometeu a reduzir a produção nos próximos 30 anos, uma estratégia que, segundo ela, foi apoiada por seus maiores acionistas e foi a certa para o mundo.
Nagle disse que a Glencore está sentindo algumas pressões inflacionárias, particularmente na Europa, onde os preços da energia atingiram níveis recordes, levando-a a cortar a produção em suas fundições de zinco na Europa.
Copyright The Financial Times Limited 2022
Adaptação: Clarissa Levy
(Edição: Fernando Hirschy)
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