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A imprensa suíça e estrangeira concordam que o encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e o presidente americano Joe Biden tenha sido importante, mas os resultados ficaram além do esperado.
"Em comparação com as baixas expectativas, a reunião não foi uma decepção", ressalta o diário suíço Neue Zürcher Zeitung (NZZ) em editorial.
Pelo menos "os líderes das duas maiores potências nucleares do mundo voltaram a falar e estabeleceram os limites que não devem ser ultrapassados", observa o jornal italófono Corriere del Ticino.
De acordo com a NZZ, porém, embora "tenha sido bom que os dois chefes de Estado tenham se reunido em Genebra [...] os Estados Unidos não devem se iludir pensando que poderão controlar Putin".
Como esperado, os dois líderes não anunciaram nenhum grande avanço - ou acordo - após as quase quatro horas de conversações. Ainda assim, muitos observadores acolheram a notícia de que os embaixadores da Rússia em Washington e o embaixador dos Estados Unidos em Moscou retornarão aos seus postos e que serão iniciadas consultas sobre a questão da cibersegurança.
"Relações estáveis e previsíveis com os Estados Unidos e o Ocidente não são necessariamente do interesse da Rússia, que em termos políticos, econômicos e militares é mais fraca que os EUA", observa o Tages-Anzeiger. As relações entre os dois países "continuam a ser marcadas pelo atrito", acrescenta o jornal de Zurique. "O encontro de cúpula em Genebra não mudou muito a este respeito".
O NYT denomina a conferência de imprensa realizada após o encontro de "Putin vintage", na qual o presidente russo voltou a apresentar velhas queixas contra os Estados Unidos.
Entretanto muitos jornalistas consideraram Biden pouco afeito à influência de Putin, ao qual se referiu como "uma característica persistente de sua presidência: um otimismo teimoso que os críticos dizem que beira uma ingenuidade preocupante e que os aliados insistem em ver como um ingrediente essencial para o progresso", diz o jornal americano.
Esse otimismo "também levantará questões sobre se os EUA estão dispostos a enfrentar os desafios futuros", tais como o conflito na Ucrânia e os cyberataques cometidos contra a infraestrutura dos EUA.
A agência russa RIA Novosti observa uma fraqueza significativa na abordagem de Biden: os direitos humanos na Rússia.
"Falar sobre a prisão do dissidente Alexei Navalny tem sido uma tática absolutamente sem sentido... é inútil, até mesmo contraproducente usá-la como uma ferramenta para pressionar a Rússia, se é que algum tipo de entendimento mútuo deve ser alcançado", diz a agência.
No entanto, embora a cúpula não tenha feito nenhum progresso significativo, o simples fato de que os dois líderes terem se reunido às margens do lago Léman pode ser visto como "notável", escreve o jornal russo Nezavisimaya Gaseta.
Sucesso para Genebra
Se houve um vencedor claro, este deve ter sido Putin, argumento o jornal genebrino Tribune de Genève: "Vladimir Putin estava procurando respeitabilidade: ele a descobriu no formato antiquado deste encontro bilateral em Genebra, o mesmo onde já foram organizados importantes encontros de cúpulas nos anos da Guerra Fria, onde a Rússia estava no mesmo patamar dos Estados Unidos".
Outro vencedor, pelo menos da perspectiva da Suíça, foi Genebra. O presidente da Confederação Suíça, Guy Parmelin, foi elogiado pela rádio pública suíça RTS pelo papel de anfitrião para os dois presidentes.
"O Conselho Federal (Poder Executivo) pontuou no cenário internacional", escreve o jornal Aargauer Zeitung. "A Suíça recuperou sua reputação de pioneira diplomática ao colocar seus 'bons ofícios' no centro das atenções da imprensa internacional".
De acordo com o ministro suíço das Relações Exteriores (EDA), Ignazio Cassis, "organizar o encontro de cúpula foi uma grande vitória da Suíça".
Adaptação: Alexander Thoele
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