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Com vistas ao fechamento de um eventual acordo de comércio livre com a China, a presidente suíça Doris Leuthard vista o país asiático com uma delegação empresarial de alto nível.
A primeira estação foi a metrópole de Chongqing, que durante muito tempo foi negligenciada por Pequim. Nesta quinta-feira (12/8), Leuthard abre o dia suíço na Expo 2010 em Xangai.
Centenas de policiais escoltaram a presidente suíça no trajeto de 20 quilômetros entre o aeroporto e a cidade de Chongqing, na terça-feira. Cruzamentos, entradas de estacionamentos e postos de combustíveis foram interditados para chegada da comitiva.
Chongqing, cerca de duas horas e meia de voo a oeste de Xangai, é a porta de entrada para o oeste do país. "É um dos cinco principais centros econômicos da China", disse Leuthard, à swissinfo.ch. "Um centro emergente que deverá atrair investimentos não só ao longo da costa, como também ao centro do país."
O oeste da China tem sido negligenciado por décadas e isso se reflete hoje nos números: as províncias ocidentais representam 69% da área e 28% da população, mas são responsáveis por apenas 19% do PIB e 4% das exportações e importações chinesas.
Enquanto isso, as regiões costeiras, como Shenzhen, Tianjin, Xangai e Pequim, cresceram constantemente nos últimos anos e ocupam posições de liderança entre as regiões mais desenvolvidas da China.
Estimular o oeste
Por isso, o governo chinês lançou 1999 uma política de desenvolvimento do oeste, chamada estratégia "go west", para promover estas regiões. Especialmente a infraestrutura e o sistema transporte deverão ser expandidos.
Junto com 30 empresários, Leuthard visitou Chongqing, uma metrópole em que vivem apenas cinco suíços. Para as empresas suíças, pode ser interessante investir aqui porque o custo da mão de obra ainda é muito baixo", disse Leuthard. "Por isso, é bem possível que exista um grande potencial."
É legítimo construir sobre os baixos salários, disse Leuthard, que também é ministra da Economia. "Naturalmente há grandes diferenças salariais aqui na China, mas também na Suíça existe um desnível salarial bastante grande entre o Valais (sudoeste) e cantão de Zurique. Essa é a realidade."
De olho num grande mercado
O “ministeriável” Johann Schneider-Ammann vê a região como um enorme mercado para o futuro. "Aqui há uma demanda potencial muito maior do que encontramos na Europa, por exemplo", disse o presidente da Associação da Indústria Mecânica, Elétrica e Metalúrgica (Swissmem).
A estratégia “go west” ganha o respaldo suíço através de um “Memorando de Entendimento” assinado pela Comissão de Comércio Exterior da região de Chongqing e a Associação das Empresas Suíças (Economiesuisse).
A intenção é fomentar os investimentos e o comércio bilateral independentemente de um eventual acordo de livre comércio entre a Suíça e a China. "Tenho certeza que esta região terá um crescimento acima da média", disse o presidente da Economiesuisse, Gerold Buehrer, à swissinfo.ch.
Importante apoiador da Suíça
Uma reunião e um jantar com o ex-ministro do Comércio e atual secretário do partido para a região de Chongqing, Bo Xilai, no final da tarde, foi o destaque do dia, que terminou em uma atmosfera muito amigável.
Bo e Leuthard se conhecem desde 2007, quando lançaram na China a proposta do acordo de livre comércio entre os dois países. "Ele é um apoiador da Suíça no sentido do estreitamento das relações econômicas", disse Leuthard.
"Ele foi mandado para cá com a missão de desenvolver a região. Para nós é um homem importante, também na hierarquia do partido. Por isso, pretendemos cultivar essa relação."
O acordo de livre comércio encontra-se em fase de estudo de viabilidade, cuja conclusão bem-sucedida Leuthard espera poder apresentar na sexta-feira com o presidente chinês Hu Jintao, em Pequim.
Christian Raaflaub, Chongqing, swissinfo.ch
(Adaptação: Geraldo Hoffmann)
Suíça-China
A China (incluindo Hong Kong) é desde 2002 o principal parceiro comercial da Suíça na Ásia.
Depois da União Europeia e dos EUA, é o terceiro maior fornecedor para o mercado suíço.
Para produtos suíços, o país asiático é o quarto principal mercado, depois da EU, dos EUA e do Japão.
Cerca de 300 firmas suíças atua na China com aproximadamente 700 filiais.
Além disso, o país com uma população de 1,334 bilhão de habitantes (2009) é cada vez mais importante para o setor de turismo suíço.