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Pessoas se reúnem na Cidade do México para apoiar parentes e amigos dos 43 estudantes da escola Ayotzinapa desaparecidos, no dia 24 de setembro de 2015(afp_tickers)
As autoridades mexicanas declaram no último ano que a "verdade histórica" sobre o desaparecimento dos 43 estudantes era que haviam sido assassinados por um cartel do narcotráfico que depois incinerou seus corpos em um depósito de lixo.
Mas os investigadores independentes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) derrubaram as conclusões do governo sobre o caso, reavivando o mistério sobre o que pode ter ocorrido com os jovens.
Veja aqui o que se sabe e o que se desconhece sobre o caso quase um ano depois que os estudantes desapareceram na madrugada de 26 para 27 de setembro na cidade de Iguala, no sul do estado de Guerrero.
O que se sabe
Os jovens se dirigiram até Iguala em ônibus que haviam sequestrado, uma prática ilegal comum destes estudantes da escola para professores rurais, conhecidos por sua ideologia radical de esquerda, que costumam utilizar estes veículos em suas atividades.
Os estudantes - a maioria recém-chegados - haviam ido a Iguala para arrecadar fundos e para sequestrar mais ônibus para um protesto que realizariam em outubro.
A versão oficial e a investigação independente coincidem em que os estudantes da escola para professores rurais de Ayotzinapa foram atacados por policiais municipais de Iguala e do município vizinho de Cocula.
Três estudantes foram assassinados quando os policiais dispararam contra seus ônibus enquanto três outras pessoas morreram quando também foi atacado o veículo no qual viajava um time de futebol.
Naquela noite, os policiais levaram os estudantes e o paradeiro de 42 deles permanece um mistério. Apenas um teve a morte confirmada.
O que se desconhece
Os estudantes estão vivos?
A equipe de investigação da CIDH disse lamentar não saber o que ocorreu com os 43 jovens.
O procurador federal declarou no ano passado que os policiais municipais entregaram os estudantes ao cartel do narcotráfico Guerreros Unidos, o qual os matou e os incinerou no remoto depósito de lixo de Cocula para depois jogar suas cinzas em um rio.
Mas a comissão rejeitou esta conclusão.
Um especialista em manipulação de fogo disse que para queimar os 43 corpos, seus agressores teriam precisado de 60 toneladas de madeira e pneus, mas que não há evidência de que tenha ocorrido um fogo intenso no lixão de Cocula.
O gabinete da procuradoria defendeu a investigação oficial, insistindo que um bom número dos 43 estudantes foi incinerado neste local.
Os restos mortais do único estudante que foi identificado, Alexander Mora, foram encontrados no fundo de um rio. Mas a comissão afirmou que os ossos foram encontrados em um local que está a horas de carro do lixão.
O relatório da comissão levanta dúvidas sobre os motivos e os responsáveis da desaparição.
Autoridades judiciais afirmam que o ex-prefeito de Iguala, José Luis Abarca, ordenou o ataque porque temia que os estudantes causassem distúrbios durante um discurso de sua esposa, que tinha ambições políticas.
Uma vez nas mãos do cartel Guerreros Unidos, os estudantes foram confundidos com Los Rojos, uma organização criminosa rival, segundo a investigação oficial.
Mas os especialistas independentes dizem que os estudantes chegaram a Iguala depois de terminado o discurso da esposa de Abarca e que essa não foi a razão pela qual os jovens, que estavam desarmados, foram confundidos com membros do cartel.
A comissão ofereceu sua própria teoria: os estudantes podem ter sequestrado um ônibus sem saber que era usado por criminosos para transportar heroína aos Estados Unidos.
A existência de um quinto ônibus que foi detido pelos estudantes nunca foi incluída na investigação oficial, afirmou a comissão, demonstrando que este pode ser um elemento chave do caso.
Outra dúvida é qual foi exatamente o papel que desempenharam os militares e a polícia federal naquela fatídica noite.
A comissão pediu ao governo para investigar se os oficiais falharam em sua obrigação de proteger os estudantes, pois as forças de ordem estavam monitorando naquela noite de 26 para 27 de setembro os movimentos dos jovens e souberam quando foram atacados.
AFP