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O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, anunciou nesta segunda-feira uma mudança de estratégia militar no conflito no leste do país, depois que Kiev afirmou que "dezenas" de refugiados morreram em um bombardeio dos rebeldes.
Devemos examinar de novo as modalidades da nossa operação militar, diante das novas circunstâncias", disse Poroshenko em uma reunião especial com os chefes das forças de segurança ucranianas.
Até agora, a estratégia do Exército ucraniano era encurralar os principais redutos dos insurgentes pró-russos, o que provocou combates cada vez mais letais - tanto para as forças do governo, quando para os civis. Para o Exército, é muito difícil entrar nas cidades, já que os combates causariam inúmeras vítimas.
Diante disso, Poroshenko pediu um "reagrupamento das forças" para "fragmentar a zona controlada" pelos insurgentes e "impedir o abastecimento de armas e equipamentos" através da fronteira com a Rússia.
Poroshenko também confirmou as declarações do "primeiro-ministro" insurgente, Alexandre Zakhartchenko, que anunciou ter recebido na última sexta-feira, 15 de agosto, blindados e 1.200 soldados treinados na Rússia durante quatro meses. A informação foi desmentida por Moscou.
"Parte desse material foi destruída. Tomamos medidas para que o restante também seja", afirmou o presidente ucraniano.
- 'Dezenas' de refugiados mortos -
Nesta segunda, a Ucrânia acusou os separatistas pró-russos de terem deixado "vários mortos" em um ataque com lança-foguetes Grads contra um grupo de refugiados no leste, perto do reduto separatista de Lugansk.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou as informações "muito preocupantes" e pediu nesta segunda-feira que os civis possam deixar as zonas dos combates em total segurança.
Segundo o porta-voz militar Andrei Lyssenko, o grupo estava na estrada entre Khriachtchuvat e Novosvitlivka, um corredor humanitário no norte de Lugansk. Em dois dias, mais de 1.800 pessoas fugiram da cidade por esse corredor. Lyssenko relatou que os refugiados exibiam bandeiras brancas e que, entre eles, havia muitas mulheres e crianças.
O comboio chegou à "zona de combates" no momento em que os rebeldes contra-atacavam as forças do governo na localidade de Khriachtchuvat.
"Não entendemos de onde vem essa informação. Nenhuma coluna de refugiados foi atingida na região de Lugansk. Não atiramos em nossos próprios comboios", defendeu-se Zakhartchenko, nesta segunda.
Hoje, os militares ucranianos tentavam recuperar Lugansk das mãos dos rebeldes. Em 24 horas, o embate já deixou nove soldados mortos e 20 feridos.
Donetsk, principal reduto separatista cercado pelo Exército ucraniano, está sem água potável, já que a linha elétrica que alimenta sua principal estação de tratamento de água foi atingida por disparos.
- 'Guerra híbrida' na Ucrânia -
No campo diplomático, o encontro que reuniu no domingo os ministros das Relações Exteriores de Ucrânia, Rússia, França e Alemanha não teve avanços. Moscou lamentou a falta de resultados na busca por uma solução política para o conflito.
Já o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, acusou Moscou, nesta segunda-feira, de realizar uma "guerra híbrida" na Ucrânia e prometeu que a Aliança Atlântica estará "em melhor forma, mais rápida e mais ágil para encarar os desafios futuros".
A chanceler alemã, Angela Merkel, justificou as sanções impostas pelo Ocidente à Rússia, considerando-as "necessárias para mostrar nossa seriedade".
Kiev e países ocidentais acusam a Rússia de fornecer armas e homens aos rebeldes separatistas, ou, pelo menos, de fazer vista grossa para os abastecimentos. Moscou nega.
Nesta segunda à noite (horário local), o comboio russo de ajuda humanitária continuava bloqueado na fronteira, apesar de um acordo obtido no sábado entre Kiev e Moscou sobre as modalidades de inspeção dos 300 caminhões. Segundo a Rússia, os veículos transportam 1.800 toneladas de material para as populações afetadas pelo conflito.
A Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse que falta "garantir as condições de segurança do comboio". De acordo com Kiev, a responsabilidade é toda da Rússia.