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Quer seja um jornalista de redação ou um freelancer, isto não deve ser novidade para si: saber apresentar uma boa história é toda uma arte. Mas, ao mesmo tempo, pode parecer um tiro no escuro – especialmente caso ainda não conheça ou não tenha estabelecido contacto com a publicação à qual vai apresentar a sua história.
Será que existe uma receita certa para a apresentação perfeita? Para responder a esta questão, fomos perguntar àqueles que realmente decidem: os editores de alguns dos média mais importantes da Europa, galardoados com prémios da European Publishers Reporting Grants.
Durante os dias de formação do Journalism Grants Bootcamp, eles partilharam connosco todos os pequenos e grandes detalhes do que transforma uma boa apresentação de uma história numa excelente apresentação de uma história.
Eis três regras de ouro que, segundo os editores, podem fazer destacar uma história:
1. Faça o seu trabalho de casa
Conhecer a publicação à qual está a apresentar a sua história é decisivo. E uma pequena pesquisa pode dar grandes resultados: navegue pelos tópicos e géneros que o órgão de comunicação em causa costuma publicar.
Se a missão e a audiência desse órgão de comunicação estiverem alinhados com a sua história, então existe uma elevada probabilidade de conseguir demonstrar de que forma a sua história encaixa no conjunto.
Certifique-se que envia a sua história ao editor que trata dos tópicos que ela cobre. Dessa forma, garante que a pessoa que vai tomar conhecimento da apresentação da sua história é aquela que pode ter mais interesse no tema.
No entanto, este conselho também envolve uma cautela: se você chegar à conclusão que o tema ou a história que você está a propor já foi feito, então talvez seja melhor trabalhar nela para lhe dar uma abordagem diferente.
2. Saiba o que deve e não deve dizer
Uma das primeiras questões que os editores vão colocar sobre a sua história é esta: Porque razão irão os leitores interessar-se por ela? Encontre uma resposta convincente para esta pergunta e forneça-lhes os argumentos para usarem internamente na altura de escolher a sua história. Isto também demonstra que você conhece a publicação em causa e o seu modo de funcionamento.
É crucial que você seja completamente transparente em relação ao financiamento da sua história. Especifique em detalhe quanto dinheiro vai precisar para cobrir os custos e – igualmente importante – para pagar os custos em que já incorreu.
Faça uma lista das fontes de financiamento, incluindo doações, bolsas e parcerias com outros média que não sejam diretamente concorrentes. Caso esteja a pensar numa história alimentada por dados, então explique de que forma vai chegar a esses dados.
Embora a transparência seja muito importante, certifique-se que fornece apenas a dose certa de informação. Parece mentira que isso ainda aconteça, mas a verdade é que às vezes as melhores histórias são roubadas. Por isso, proteja-se e não exponha as informações mais relevantes ou mais recentes logo na sua primeira apresentação.
3. O Meio é a Mensagem
Partindo do princípio que a sua história se adequa à publicação em causa e que tem toda a informação de que necessita, o passo seguinte é certificar-se que isso também se aplica ao pacote completo. Será que o média em causa utiliza os formatos que você está a pensar utilizar?
Quando estiver a sugerir determinados detalhes, pense nos formatos, estruturas e linguagens habituais da publicação em causa. Se quiser que a sua história “encaixe” nessa publicação, então tem que estar disposto a ser suficientemente aberto para a adaptar nesse sentido.
Os editores são pessoas muito ocupadas e com uma margem de atenção muito restrita para ler a sua apresentação. Por isso, procure captar essa atenção logo de início, com um resumo que transmita o essencial da sua mensagem e lhes dê logo uma ideia de como poderá ficar a sua história.
Quer (ainda) mais conselhos? Como bónus, aqui ficam algumas dicas dos nossos parceiros:
– Use um título chamativo para conquistar o editor. Este é um dos elementos-chave da sua apresentação.
– Caso esteja pensar usar na sua história elementos visuais, como fotos, ilustrações ou vídeos, certifique-se que envia um exemplo, para mostrar que sabe escolher e usar um bom elemento visual.
– Inclua uma versão resumida do seu CV para demonstrar que você é o jornalista certo para fazer esta história.
– Os editores não gostam de histórias que remetem para outros. Se vocês quiser abordar algum tema, faça-o através da sua própria produção e não remetendo para as opiniões de outros.
– Não há nada melhor que uma boa história. Por isso, não fique dependente da promessa de usar tecnologias inovadoras.
– Não tenha medo de rejeição! Na maior parte das vezes, a sua apresentação não será aceite. Mas isso marca o início da sua relação com o editor, a qual pode vir a ser muito útil no futuro.
– Também por isso, caso a sua proposta acabe por ser rejeitada, peça sempre feedback sobre as razões dessa rejeição, para poder fazer melhor da próxima vez.
Este artigo foi originalmente publicado no European Journalism Centre and Medium e é publicado aqui com a autorização da autora.