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Estudo revela que as plataformas de alojamento on-line, como a Airbnb, têm efeitos negativos no mercado imobiliário suíço, diminuindo a disponibilidade de imóveis para inquilinos e provocando uma alta nos aluguéis.
De acordo com uma pesquisa do Instituto Inura Zurich, encomendada pela Associação de Inquilinos de Zurique e publicada na terça-feira, a Airbnb e plataformas similares de aluguel de férias on-line têm tido efeitos particularmente negativos nas cidades mais populares entre os turistas, e que sofrem com uma oferta reduzida de imóveis para aluguel de longo prazo.
O estudo mostrou o crescimento da Airbnb em três cidades suíças. Em Basileia, o número de apartamentos na plataforma aumentou de 293 em 2013 para 1.092 em 2016. Isso corresponde a 42% do total de camas disponíveis nos hotéis de Basileia no ano passado.
Em Genebra, um terço dos proprietários que alugam imóveis oferecem também acomodação na Airbnb, em alguns casos alugando três ou quatro apartamentos. O estudo descobriu que 70% dos apartamentos oferecidos na Airbnb poderiam ser alugados durante todo o ano. Duas pessoas em Genebra oferecem respectivamente 33 e 34 apartamentos para alugar no Airbnb. O recorde no país em 2016 era de 105 apartamentos oferecidos na Airbnb por um único fornecedor.
Em Zurique, foram oferecidas 2.000 propriedades na Airbnb em agosto de 2016, representando 0,4% da oferta total de apartamentos para alugar na cidade. Estes estão concentrados em bairros específicos, como a cidade velha.
Consequências?
Há temores de que essa situação possa levar a aluguéis mais elevados nas cidades e forçar os inquilinos a sair dos centros devido a diminuição de imóveis disponíveis.
Em 2015, a taxa de vagas de aluguéis em Zurique situou-se em 0,22%, 0,42% em Basileia e 0,45% em Genebra. Nos Estados Unidos e no Canadá, um mercado de habitação saudável é definido quando a taxa de disponibilidade de alojamentos para alugar sobre o total de imóveis é de cerca de 3%.
Os autores do estudo recomendam, por exemplo, regulamentar o fornecimento de alojamento em plataformas de aluguel, estabelecendo um número máximo de apartamentos que cada fornecedor pode oferecer. As questões fiscais também precisam ser abordadas, disseram eles.
A Associação de Inquilinos de Zurique aproveitou a oportunidade para exigir uma regulamentação mais rigorosa das ofertas na Airbnb. A associação enfatizou que não tem um problema com o serviço como tal, desde que os inquilinos possam sublocar seus próprios espaços. Os problemas surgiram quando o esquema tornou-se mercantilizado; pessoas que alugam apartamentos extras para subcontratá-los na Airbnb. Assim, os inquilinos querem que seja regulamentado o uso comercial em áreas da cidade que já estão enfrentando um déficit habitacional.
Platforma em crescimento
A Airbnb continua a crescer na Suíça. Em janeiro de 2017, a plataforma listou 24.460 apartamentos, casas ou quartos, e 63.839 camas, em comparação com 6.033 apartamentos e 20.841 camas em outubro de 2014. Estes são alugados pela internet ou usando um aplicativo para celulares.
Em geral, as camas na Airbnb representam 25% do total de alojamentos turísticos em oferta (contra 13% em 2015 e 8% em 2014).
O preço médio de uma cama suíça é de CHF 73. A cidade de Basileia tem as noites mais caras (CHF 121 francos), seguida por Basel-Campo (CHF 86), Genebra (CHF 86) e Graubünden (CHF 82).
A média de idade das pessoas oferecendo seu apartamento para aluguel é de 40, e a dos clientes é de 35, de acordo com a Airbnb. Dois terços dos clientes são da Europa e permanecem em média 4,5 noites. No caso dos hotéis, a média é de apenas duas noites, segundo o Departamento Federal de Estatística.
Adaptação: Eduardo Simantob