Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02460.jsonl.gz/88

A Europa quer lançar uma constelação de satélites ao redor da Lua e posicionar-se como um ator incontornável no mercado, prevendo que, com as futuras missões lunares, as necessidades de navegação e comunicação crescerão enormemente.
A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou nesta quinta-feira (20) que contratou dois consórcios industriais para estudar se seria viável colocar na órbita lunar uma constelação de três a cinco satélites até 2028.
Até o final da década, mais de vinte missões estão planejadas ao redor da Lua ou na própria Lua, incluindo as missões americanas Artemis, destinadas a enviar astronautas ao satélite terrestre.
"Para todas essas missões, será preciso conectividade e navegação", explicou à AFP Elodie Viau, diretora da seção da ESA que lida com telecomunicações e aplicativos integrados.
Uma constelação ao redor da Lua "reduzirá o custo dessas missões, que não precisarão enviar sistemas de navegação e comunicações muito complexos" e outras ferramentas poderão ser transportadas em seu lugar, explicou.
Os satélites poderão servir de retransmissores para comunicações e trocas de dados com a Terra e para aumentar a precisão da navegação, como acontece com o GPS ou o Galileo na Terra.
Atualmente, a precisão do posicionamento na Lua varia entre 500 metros e 5 quilômetros, mas com esta constelação, seria entre 30 e 100 metros, segundo Paul Verhoef, diretor de navegação da ESA.
"Queremos desenvolver a economia lunar, ir à Lua de forma mais duradoura. Queremos que a Europa tome a dianteira", disse Elodie Viau, que vê no projeto a possibilidade de "desenvolver um serviço comercial".
A ESA, que também está envolvida na construção de módulos de habitação e comunicações para a futura mini-estação espacial americana Lunar Gateway, também pretende posicionar-se junto à Nasa para que um astronauta europeu participe de uma futura missão lunar.
Os dois consórcios encomendados pela ESA competem entre si.
O primeiro é liderado pelo britânico SSTL e inclui a Airbus, as operadoras de satélite SES e Kongsberg e a agência espacial britânica.
O segundo é dirigido pela Telespazio e tem como parceiros Thales Alenia Space, Inmarsat, Hispasat e OHB e a agência espacial italiana.
Após 18 meses de estudo, a ESA quer propor aos seus Estados-membros, até ao final de 2022, o financiamento da constelação, cujo custo está estimado em "algumas centenas de milhões de euros", segundo Viau.