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O Senado americano não pode realizar um processo de impeachment "justo ou sério" do presidente Donald Trump nos poucos dias que faltam antes do mandatário deixar o cargo, afirmou Mitch McConnell, líder da maioria republicana na Câmara Alta nesta quarta-feira (13).
"Segundo as regras, procedimentos e precedentes do Senado que regem o processo de impeachment, simplesmente não há chance de que um julgamento justo ou sério possa terminar antes que o presidente eleito (Joe) Biden tome posse na próxima semana", afirmou McConnell em um comunicado.
Trump foi indiciado nesta quarta pela Câmara dos Representantes e enfrentará um processo de impeachment no Senado.
O mandatário foi indiciado sob a acusação de "incitamento à insurreição" por seus comentários em um comício político em 6 de janeiro, quando insuflou uma multidão que mais tarde invadiu o Capitólio e ameaçou a vida do vice-presidente Mike Pence e de congressistas.
Mas "mesmo que o processo comece esta semana e seja rápido, não haverá um veredito até que o presidente já tenha deixado o cargo", acrescentou McConnell, que advertiu que não convocará uma sessão especial antes de 19 de janeiro, quando o Senado voltará a se reunir.
McConnell observou que os três julgamentos políticos anteriores - de Andrew Jackson em 1868, Bill Clinton em 1999 e o próprio Trump entre 2019 e 2020 - duraram 83, 37 e 21 dias, respectivamente.
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, enfatizou que McConnell poderia iniciar o julgamento "imediatamente" se quisesse. Caso contrário, o processo poderia começar após a posse de Biden.
"Mas não se engane, haverá um processo de impeachment no Senado dos Estados Unidos", disse Schumer em um comunicado.
"Haverá uma votação para condenar o presidente por crimes graves e erros, e se ele for condenado, haverá uma votação para proibi-lo de concorrer novamente".
Schumer, que está a caminho de se tornar o líder da maioria assim que dois senadores democratas e Biden tomarem posse, afirmou que Trump enfrentará um julgamento "por seu papel no incitamento de um levante violento no Capitólio em 6 de janeiro e por tentar mudar o resultado de uma eleição livre e justa".
Trump "merecidamente se tornou o primeiro presidente na história dos Estados Unidos a carregar a mancha de ser julgado duas vezes", acrescentou.