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Presidente colombiano entregou à ONU dados falsos sobre guerrilheiros na Venezuela
O presidente da Colômbia, Iván Duque, entregou na quinta-feira (26) ao secretário-geral da ONU, António Guterres, um dossiê com "evidência" da presença de guerrilheiros do Exército de Liberação Nacional (ELN) na Venezuela, mas pelo menos uma das fotografias incluídas no documento contém informação falsa.
Duque publicou no Twitter uma série de imagens de supostos rebeldes do grupo guerrilheiro na Venezuela que ele entregou a Guterres, incluindo uma que mostra atividades de "doutrinação" em "escolas rurais" no estado venezuelano de Táchira em abril de 2018.
Na imagem estão homens e mulheres com roupas militares, armados e com faixas nas cores vermelho e preto, que remetem à bandeira do ELN, numa roda com pelo menos onze crianças.
Mas essa foto foi encaminhada em junho de 2015 ao jornal El Colombiano de Medellín (noroeste) por membros da inteligência militar, que à época informaram que teria sido registrada no município de El Tambo, no estado colombiano de Cauca, a cerca 1.200 km de Táchira.
"Essa informação não é do ELN na Venezuela, é em Cauca, e recebemos em 2015, através da inteligência militar", disse à AFP Javier Alexander Macías, editor da seção de Paz e Direitos Humanos do El Colombiano.
Duque afirmou nesta sexta-feira que a imagem é "anedótica dentro do dossiê" entregue às Nações Unidas.
"É uma foto de contexto e o dossiê tem tanto fotografias de contexto, quanto fotografias próprias da Inteligência colombiana", acrescentou em um colóquio na cidade americana de Miami.
Além disso, os documentos encaminhados a Guterres denunciam um "massacre" ocorrido no estado venezuelano de Bolívar em outubro de 2018 devido a "confrontos" entre o ELN e "grupos de 'Pranes'", como são conhecidos membros de gangues venezuelanas.
A mensagem é ilustrada com a foto de uma cabana pichada com a sigla do grupo guerrilheiro, mas a imagem foi tirada na região colombiana de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela, pelo fotógrafo da AFP Luis Robayo.
"Tirei esta foto em 20 de setembro de 2018 em uma viagem que fiz à região de Catatumbo para fazer uma reportagem", disse Robayo.
O porta-voz do Ministério da Defesa pediu desculpas à AFP por telefone e avisou que havia outra fotografia da agência no dossiê, que não foi divulgada na íntegra, sem especificar o conteúdo da imagem ou as informações que a acompanharam.
Na quarta-feira perante a Assembleia Geral da ONU e nesta quinta para Guterres, Duque apresentou um documento de 128 páginas com "evidências fortes e convincentes" sobre o apoio da Venezuela a organizações paramilitares colombianas, que, segundo o presidente da Colômbia, encontram abrigo no país vizinho.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que nega as acusações, rompeu relações com Bogotá em fevereiro, após Duque reconhecer o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.