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O governo britânico prometeu nesta segunda-feira esclarecer as novas acusações de pedofilia envolvendo deputados e autoridades políticas nos anos 80 e 90.
Depois de várias das principais figuras entretenimento terem sido consideradas culpadas de abusos sexuais de menores, agora é a vez de Westminster estar no centro de acusações.
Para o Parlamento, este caso surge cinco anos após o escândalo de notas frias revelado após uma auditoria independente, que apontou que muitos deputados da legislatura anterior haviam cometido irregularidades em seus salários e que, por isso, deveriam reembolsar mais de um milhão de euros.
O caso em andamento teve início na semana passada, quando o deputado trabalhista Simon Danczuk pressionou o conservador Leon Brittan, ex-ministro do Interior, a explicar o que ele havia feito dos documentos recebidos em 1983 das mãos de Geoffroy Dickens, outro deputado conservador.
Nesses documentos, Dickens, muito comprometido com a luta contra os abusos e maus tratos infantis, provava o envolvimento de vários deputados e outras autoridades políticas em uma vasta rede de pedofilia.
Leon Brittan se defendeu nesta segunda explicando que, de fato, havia recebido "um pacote de documentos contendo acusações sobre comportamentos sexuais gravemente inconvenientes", mas afirmou que tinha entregado às autoridades competentes.
Uma auditoria lançada em 2013 permitiu identificar "treze elementos fazendo referência a abusos contra menores de idade" entre 1979 e 1999. Nove eram de conhecimento da polícia, que imediatamente acionou os outros quatro.
Mas essa auditoria também constatou que 114 documentos relativos a acusações de abusos sexuais contra crianças haviam desaparecido, relançando especulações sobre uma vontade de abafar o caso na época.
"Nessa época, acredito que a maioria das pessoas considerava ser mais importante proteger o sistema do que ir até o fim", comentou no domingo Norman Tebbit, figura política do thatcherismo.
Uma campanha pública exigindo uma investigação nacional independente lançada no domingo já reuniu 50.000 assinaturas.
"Temos que saber a verdade", declarou nesta segunda-feira o ministro das Finanças e figura do gabinete conservador, George Osborne.
"Temos que chegar até o fim para saber o que ocorreu em muitas de nossas instituições, incluindo o Parlamento".
"Descobrir a verdade"
Diante das pressões, a ministra do Interior, Theresa May, nomeou nesta segunda-feira Peter Wanless, presidente da Sociedade Nacional de Proteção à Infância, para conduzir uma nova auditoria sobre o relatório de 2013 e sobre o modo como foram utilizadas as informações reveladas.
A ministra também anunciou a abertura de uma investigação mais geral sobre a maneira como as instituições públicas lidam com casos de abuso sexual contra crianças.
Neste sentido, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou estar "decidido a estabelecer a verdade após as acusações de abusos sexuais e a tirar as lições de casos recentes".
"É essencial que todos tirem lições do que aconteceu de errado", acrescentou o líder conservador de um país ainda traumatizado com o caso Jimmy Savile, o ex-apresentador da BBC já falecido acusado de ter cometido centenas de agressões sexuais impunemente.
Em linha com este caso, a polícia iniciou a Operação Ywetree, uma investigação sobre abusos infantis cometidos por personalidades conhecidas do entretenimento e da televisão que levou à condenação do astro Rolf Harris nesta semana e do publicitário Max Clifford, em maio.
Harris, de 84 anos, foi condenado na última sexta-feira a cinco anos e nove meses de prisão.
Ainda nesta segunda, Theresa May também se referiu ao abuso de jovens vulneráveis que caíram nas garras de predadores sexuais. Um painel de especialistas independentes será responsável por analisar "a falha dos poderes públicos, da polícia, dos serviços sociais ou das escolas em proteger determinadas vítimas".
Mas as conclusões são esperadas apenas para depois das eleições gerais de 2015.
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