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Bruno teve motivos para comemorar sua tournée pela Suíça: ele completou 18 anos durante sua viagem a convite da Associação de Suíços do Estrangeiro.
Filho de um suíço e uma brasileira, o jovem não tem nenhum problema em ter dois passaportes: no futebol ele é brasileiro e no esqui suíço.
Não haviam só "velhinhos" no 81o Congresso de Suíços do Estrangeiro em Crans-Montana. As novas gerações também estavam representadas.
Bruno Rosenbaum fazia parte do grupo desse rapazes e moças que desfilavam pelo centro de congressos do vilarejo turîstico. Todos os anos a Organização de Suíços do Estrangeiro convida um grupo de descendentes de suíços para conhecer a terra de origem dos seus pais ou avós.
Com 18 anos recém-completados, Bruno estava acompanhado por mais oito moças e rapazes vindos de países como a Inglaterra, Alemanha, Itália e Tunísia. Eles se comunicavam em vários idiomas e tinham todas as cores de peles. Havia até uma bela moça, filha de um pai suíço e mãe da Eritréria. Apesar de ter crescido na Hungria, ela está servindo voluntáriamente o exército suíço e desfilava orgulhosa com o uniforme pelo salão. A única coisa que os une são as origens de um passado distante.
Durante uma semana o grupo convidado pela ASO assistiram as palestras dedicadas ao tema anual do Congresso: o Mercado Financeiro da Suíça. Antes de vir a Crans-Montana eles já haviam visitando grandes bancos suíços como o UBS e o Credit Suisse e conhecido algumas universidades. Muitos pensam até em vir para estudar.
swissinfo conversou rapidamente com Bruno Rosenbaum, que está terminando o ensino médio numa escola francesa em Luxemburgo, onde seu pai trabalha no setor financeiro.
Bruno, quantos idiomas você fala?
Eu falo português, francês, alemão, inglês, pois moramos seis anos em Londres, italiano e também a língua local, o “luxemburguês”.
Existe esse idioma? Eu acreditava que todos falassem mais o francês?
Sim, assim como os suíços gostam de falar os seus dialetos, o povo de Luxemburgo também prefere falar o seu próprio idioma. Apesar de todo mundo falar o francês ou alemão, eles acham simpático quando alguém se esforça em falar o “luxemburguês”.
Nos países vizinhos europeus a Suíça é vista normalmente como algo exótico, estranho e que não faz parte da União Européia. Como você vive essa realidade?
A Suíça é um país muito legal. Muitas pessoas falam que os suíços não têm senso de humor, mas isso não é verdade. Cada país tem um rival e seus clichês. Talvez os suíços sejam frios no primeiro contato, mas tenho certeza que é possível fazer bons amigos nesse país. Quanto aos clichês como a vida nas montanhas, acho que uma grande parte dos suíços nem conhece essa realidade. As pessoas têm saber que a Suíça é um país pequeno, mas com cidades cosmopolitas como Zurique e Genebra, com muitas alternativas, sobretudo para o público jovem.
Em Luxemburgo a Suíça é mais conhecida?
Luxemburgo tem um importante setor bancário. Por esse fato, acho que eles têm mais compreensão e conhecimento do sistema financeiro suíço do que o resto dos europeus. Porém em países como o Brasil, com suas diferenças sociais, muitos acham que a Suíça é um país sem problemas.
Quais das duas identidades, brasileira e suica, são mais fortes para você?
Eu me arranjo. No inverno, eu digo que sou suíço durante as competições de esqui. Porém todos os quatro anos, durante a Copa do Mundo, eu me considero brasileiro. Eu não sei nada sobre o futebol suíço. Sei apenas que a Basiléia tem um time bem sucedido. Na verdade eu gosto do futebol brasileiro. Torço inclusive para o Coríntias, um time de São Paulo.
E no futuro você pretende viver na Suíça?
A Suíça parece ser um país interessante para trabalhar. Nessa semana tivemos a oportunidade interessante de visitar várias universidades suíças, graças a Organização de Suíços do Estrangeiro. Eu fui muito atraído pela Universidade de Zurique. Em Luxemburgo eu não tenho muitas alternativas. O pessoal que quer estudar nesse país prefere ir para universidades da França ou Bélgica. Eu gostaria de tentar estudar na Suíça.
E você já sabe como é a vida em Zurique?
Eu conversei com alguns estudantes suíços. Eles me contaram que a vida no país é muito cara. Alguns têm até de trabalhar durantes os estudos. No caso do serviço militar, achou que terei de prestá-lo caso se vier morar em Zurique.
swissinfo, Alexander Thoele em Crans-Montana