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Donald Trump, Enda Kenny (D) e sua esposa Fionnuala (E), na Casa Branca, em Washington, DC, no dia 16 de março de 2017(afp_tickers)
O primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, causou comoção na Casa Branca, na véspera da celebração do dia de São Patrício, nesta sexta-feira, ao lembrar ao presidente americano, Donald Trump, que esta festividade presta homenagem a um imigrante.
Durante o encontro, realizado na quinta-feira à noite no Salão Leste da Casa Branca, sob os olhares do presidente Kenny fez uma referência incômoda sobre a controversa política migratória de Trump.
"É conveniente que nos reunamos aqui a cada ano para celebrar São Patrício e seu legado. É claro, ele também era um imigrante", disse Kenny.
Embora se acredite que o santo nasceu em algum lugar da Grã-Bretanha, cerca de 35 milhões de americanos conferem a ele a ascendência irlandesa e buscam que os presidentes sucessivamente mantenham a tradição de usar uma gravata verde e celebrar na Casa Branca o dia de São Patrício junto ao primeiro-ministro irlandês.
"E embora ele seja, evidentemente, o santo padroeiro da Irlanda, para muitas pessoas em todo o mundo também é o padroeiro dos imigrantes", acrescentou Kenny.
Trump elogiou a Irlanda, dizendo que é "verdadeiramente um grande país", e classificou os irlandeses como "fortes".
"Eu sei muito sobre os irlandeses, brigam, são duros", brincou.
A celebração de São Patrício neste ano coincidiu com o momento em que deveria entrar em vigor o segundo decreto de Trump, que limita a entrada nos Estados Unidos de imigrantes e refugiados de seis países de maioria muçulmana.
O decreto foi freado por um juiz federal, mas Trump prometeu levá-lo à Suprema Corte.
Kenny, que se viu envolvido em uma controvérsia na Irlanda sobre se deveria comparecer ao encontro com Trump, foi inclusive mais longe em seu discurso.
"Os irlandeses contribuíram para a vida econômica, social, política e cultural deste grande país nos últimos 200 anos", disse Kenny, lembrando a migração irlandesa rumo aos Estados Unidos em momentos difíceis.
"Acreditamos no refúgio, na compaixão e na oportunidade dos Estados Unidos. Viemos e nos tornamos americanos", acrescentou.
AFP