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Por Ned Parker e Oliver Holmes
BAGDÁ (Reuters) - Insurgentes iraquianos estão se preparando para um ataque a Bagdá, com células dormentes plantadas dentro da capital preparadas para avançar à "Zero Hora" e ajudar os combatentes vindos da periferia, de acordo com autoridades de segurança iraquianas e norte-americanas.
Combatentes sunitas tomaram vastas porções do norte e do oeste do país, em um avanço relâmpago em três semanas, e dizem que estão rumando para a capital, uma cidade de 7 milhões de pessoas ainda marcada pelos intensos combates de rua entre regiões sunitas e xiitas durante a ocupação dos Estados Unidos.
O governo diz estar cercando os membros de células dormentes na cidade para ajudar a proteger a capital. Grupos paramilitares xiitas dizem estar auxiliando as autoridades. Alguns moradores sunitas dizem que a repressão está sendo usada para intimidá-los.
Iraquianos falam de uma "Zero Hora ", como o momento em que um plano de ataque previamente preparado iria começar a ser posto em prática.
Uma autoridade do Exército iraquiano estimou haver 1.500 células dormentes no oeste de Bagdá e outras 1.000 em áreas na periferia da capital.
Ele disse que o objetivo dos insurgentes é penetrar na chamada "Zona Verde", criada pelos norte-americanos - um enclave fortificado de edifícios do governo, na margem oeste do Tigre -, como um grande lance de propaganda de sua vitória, e depois formar enclaves no oeste de Bagdá e em áreas periféricas.
"Há tantas células dormentes em Bagdá", disse o oficial. "Elas vão dominar uma área e não vão deixar ninguém reavê-la... No oeste de Bagdá, eles estão prontos e preparados."
Um homem que se descreve como um membro de uma dessas células, originária da província de Anbar, a área ocidental de maioria sunita que tem sido um centro da insurgência, disse que tem trabalhado em Bagdá como operário enquanto secretamente coordena a inteligência para o seu grupo de combatentes sunitas.
O ataque à capital virá em breve, disse o homem, que pediu para ser chamado de Abu Ahmed.
"Estamos prontos. Pode acontecer a qualquer momento", disse à Reuters durante um encontro em um lugar público, olhando nervosamente ao redor para ver se alguém estava olhando.
"Vamos ter algumas surpresas", disse ele. Ele abaixava seu boné de beisebol e parava de falar sempre que um estranho se aproximava.
Corpulento, com cerca de 30 anos e vestindo uma camisa esportiva listrada, o homem disse ter lutado como parte de um grupo rebelde chamado Brigadas da Revolução de 1920, durante a ocupação dos Estados Unidos, e ter sido preso pelo governo iraquiano entre 2007 e 2009.
Ele desistiu de lutar em 2010, cansado da guerra e relativamente otimista sobre o futuro. Mas, no ano passado, voltou a pegar em armas, revoltado com a repressão a manifestantes sunitas pelo governo liderado pelos xiitas, e se uniu ao Conselho Militar, uma federação de grupos armados sunitas e combatentes tribais que, desde então, surgiu como um grupo que abriga várias organizações insurgentes.
Embora não seja possível verificar todos os detalhes de sua história, os repórteres da Reuters estão confiantes sobre sua identidade.
Como muitos combatentes sunitas, Abu Ahmed não é um membro do ramo da Al Qaeda anteriormente conhecido como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), e é ambivalente sobre o grupo, que lançou a mais recente ofensiva, tomando o controle da principal cidade do norte de Mosul, em 10 de junho, e na semana passada mudou seu nome para Estado islâmico.
Reuters