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Mulheres que não querem manter seus recém-nascidos têm, na Suíça, a possibilidade de deixá-los nas "caixas-de-bebê". Elas não precisam dar seus nomes.
Dessa forma tenta evitar-se o abandono de bebês em locais pouco seguros, que possam pôr em risco a sua vida.
A primeira criança nasceu em 5 de setembro, provavelmente em circunstâncias trágicas. Em Baden, cidade próxima de Zurique, sua mãe teve um parto clandestino num parque. A policia encontrou logo depois a placenta e o cordão umbilical com ajuda de cães policiais. Imediatamente ela acionou um grupo de busca, que terminou por encontrar o bebê em segurança num hospital privado.
A policia descobriu que, no mesmo dia do parto, a mãe desconhecida fez uma viagem de 60 quilômetros para Einsiedeln, uma pequena cidade localizada no Cantão de Schwyz. Lá ela colocou o recém-nascido na "caixa-de-bebê", um dispositivo único na Suíça. Trata-se de uma espécie de gaveta construída para que os pais não precisem se identificar e equipada com um sistema de alarme. Assim que o bebê é posto, médicos e enfermeiras são avisados e podem, dessa forma, dar os primeiros-socorros.
A primeira "caixa-de-bebê" da Suíça
Einsiedeln foi a primeira cidade na Suíça a colocar à disposição de pais desesperados esse sistema de coleta. Em maio de 2001 foi inaugurada a primeira "caixa-de-bebê". Por muito tempo ela não foi utilizada, até que em setembro apareceu o primeiro recém-nascido.
Quando ele foi posto na gaveta, as enfermeiras decidiram batizá-lo de "Andréas Jonas". Depois dos primeiros cuidados médicos, o bebê foi levado aos seus pais adotivos. A mãe verdeira teria seis semanas para contatar o hospital, caso se arrependesse. Porém nesse caso, ela não se comunicou.
Organização contra aborto
A "caixa-de-bebês" é uma iniciativa do grupo "Ajuda Suíça para a Mãe e as Crianças (ASME)", criada em 2001 e conhecida pelas suas campanhas contra o aborto e de auxílio à criança. "Nos tivemos a iniciativa de criar o primeiro dispositivo de salvação de bebês, instalado num hospital particular em Einsiedeln. Nosso plano é que nos próximos anos mais 6 "caixas-de-bebê" sejam abertas", explica Dominik Müggler, secretário-geral da ASME.
O abandono de um recém-nascido por sua mãe através desse sistema não é considerado um crime na Suíça. "Nesse caso ela está apenas não cumprindo a lei que obriga os pais a registrarem seus filhos. Porém a justiça considera que o direito da criança de viver é mais importante que o seu direito de saber quem são seus pais", explica Müggler. Nesse caso, a mãe deverá pagar apenas uma multa. Caso ela se arrependa de ter abandonado a criança e volte para buscá-la, a ASME cobre os custos.
Swissinfo/Alexander Thoele