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Por Josh Smith
SEUL (Reuters) - Imagens de satélite levam a crer que uma inundação recente na Coreia do Norte pode ter danificado estações de bombeamento conectadas à maior instalação nuclear do país, disse um centro de estudos norte-americano nesta quinta-feira.
Analistas do 38 North, uma entidade que monitora a Coreia do Norte, disseram que imagens de satélites comerciais feitas entre 6 e 11 de agosto mostraram como os sistemas de resfriamento do reator nuclear do Centro de Pesquisa Científica Nuclear de Yongbyon são vulneráveis a eventos climáticos extremos.
A península coreana é vítima de um dos períodos de chuva mais longos da história recente, e inundações e deslizamentos de terra causam estragos e mortes nas Coreias do Norte e do Sul.
Localizada na margem do Rio Kuryong, cerca de 100 quilômetros ao norte da capital norte-coreana, Pyongyang, Yongbyon abriga reatores nucleares, plantas de reprocessamento de combustível e instalações de enriquecimento de urânio que se acredita serem usados no programa de armas nucleares do país.
O reator de cinco megawatts --que se acredita ser usado para produzir plutônio adequado para armas-- não parece estar em operação há algum tempo, e o Reator Experimental de Água Leve (ELWR) ainda não está conectado à rede, mas uma inundação como a recente provavelmente forçaria um desligamento no futuro, disse a reportagem do 38 North.
"Danos nas bombas e na tubulação dentro das estações de bombeamento apresentam a maior vulnerabilidade aos reatores", disse a reportagem. "Se os reatores estivessem operando, por exemplo, a incapacidade de resfriá-los exigiria que fossem desligados".
Embora tenha havido mais inundação rio abaixo, ela não parece ter chegado à Planta de Enriquecimento de Urânio de Yongbyon, e até 11 de agosto as águas pareciam ter recuado um pouco, disse o 38 North.
A mídia estatal da Coreia do Norte não mencionou nenhum dano em Yongbyon, mas noticiou nesta semana que líderes de alto escalão estavam visitando áreas atingidas pela inundação, levando ajuda e oferecendo diretrizes sobre como impedir que as águas em elevação danifiquem as lavouras.
O Ministério da Defesa sul-coreano não quis comentar a reportagem do 38 North, mas disse que sempre está monitorando acontecimentos relacionados aos programas nucleares e de mísseis da Coreia do Norte e mantendo uma cooperação estreita com o governo dos Estados Unidos.
Em uma cúpula com o presidente norte-americano, Donald Trump, no Vietnã em 2019, o líder norte-coreano, Kim Jong Un, propôs desmantelar Yongbyon em troca do alívio de uma gama de sanções internacionais impostas à sua nação em reação aos seus programas de armas nucleares e mísseis balísticos.
(Reportagem adicional de Hyonhee Shin)