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Passados 25 anos do violento atentado que destruiu o centro judaico AMIA, a Justiça argentina vai ditar nesta quinta-feira a setença contra os acusados, entre eles o ex-presidente Carlos Menem, de encobrir os autores do pior ataque da história do país.
Até agora, não há detidos pelos atentados contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), realizado em 18 de julho de 1994 e que deixou um balanço de 85 mortos e 300 feridos, e contra a embaixada de Israel em 1992, com 29 mortos e 200 feridos.
O julgamento durou quatro anos.
Nesta quinta-feira, será lida a primeira decisão histórica vinculada ao atentado contra a AMIA. Serão ouvidos ante as últimas alegações de Menem e de Hugo Anzorreguy, ex-chefe de Inteligência do Estado.
No total, são 13 réus, entre eles o ex-líder da comunidade judaica na década de 1990, Rubén Beraja, apontado como cúmplice de tentar desviar a investigação para uma pista falsa.
Outro réu é o ex-juiz Juan José Galeano, demitido por mau desempenho ao investigar o ataque.
Os autores do processo são três associações de familiares das vítimas e outros dirigentes comunitários, além do ministério da Justiça e policiais falsamente acusados.
Os 13 réus são acusados de violação dos meios de prova, falsidade ideológica, ocultação, abuso de autoridade e peculato.
O ataque não foi reivindicado, mas a Argentina acusou os ex-governantes do Irã, incluindo o ex-presidente Ali Rafsanjani, de preparar e executar o ataque. Israel também acusa Teerã.
Os iranianos se negam a ser interrogados e rejeitam as acusações.
Galeano é acusado de ter pagado 400.000 dólares a Carlos Telleldín, um vendedor de carros roubados e informante da polícia em troca de acusar um grupo de policiais. Telleldín é acusado de fornecer a caminhonete-bomba que explodiu o edifício.
O ex-juiz justificou o pagamento a Telleldín com fundos do governo Menem porque "era essencial" esclarecer o ataque e negou que tenha agido por ordem de Menem.
- Pista síria -
Para Menem, o ministério público pede quatro anos de prisão. Ele é acusado de ter ordenado que o juiz abandonasse a chamada "pista síria", que envolveu um cidadão dessa origem, Alberto Kanoore Edul, e outros empresários que compraram o amonal, o explosivo usado no ataque.
As famílias de Menem e Kanoore eram amigos desde a época de seus avós na cidade síria de Yabrud.
Uma hipótese, nunca provada, supõe uma suposta vingança dos governos da Síria e da Líbia, dos quais Menem teria recebido fundos para sua campanha eleitoral, mas depois ele teria se recusado a fornecer material militar sob pressão dos Estados Unidos.
Às pistas iranianas e sírias, se soma outra nunca investigada e que aponta para grupos argentinos antissemitas de extrema direita.
No início da causa, Menem afirmou que contava com informações secretas sobre o caso, mas que não podia revelá-las.
Seu advogado chegou a afirma, em 2016, que o ex-presidente poderia ser isentado do segredo para testemunhar, mas que isso talvez envolvesse razões de Estado que afetariam o atual Governo, os interesses da Nação e a convivência pacífica com outras nações.
Outro processo por ocultação está aberto contra a ex-presidente Cristina Kirchner por promover um memorando judicial com o Irã no Congresso.
Mas Teerã não honrou o acordo e a Interpol disse que a Argentina nunca pediu para cancelar os alertas vermelhos contra os iranianos.
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