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Embora concordem que a obtenção de compromissos e as divisões políticas sejam os maiores desafios do presidente americano reeleito, os jornais suíços divergem na capacidade de Obama em conseguir cumprir sua agenda política.
O “Basler Zeitung”, da Basileia, foi o mais severo em relação à reeleição de Barack Obama, declarando que sua vitória "não é nenhuma boa notícia para os Estados Unidos, nem para o Ocidente em geral", alegando que Obama continuará polarizando o país.
"Ninguém polariza mais do que esse presidente negro, que foi eleito especificamente para acabar com a polarização."
O “Neue Zürcher Zeitung”, de Zurique, também alertou que Obama agora se encontra em uma posição precária, já que não é mais visto como uma figura de união acima da política partidária, como era em 2008. Agora, mais do que nunca, os Estados Unidos precisariam de um político com a capacidade de se comprometer com seus adversários ideológicos, especialmente porque a eleição não definiu a questão do papel que o governo deve desempenhar na dinamização da economia.
E o jornal de Lucerna “Neue Luzerner Zeitung” advertiu que o Partido Democrata pode se tornar confiante demais com a queda do Partido Republicano, se concentrando já na eleição de 2016 antes de realizar o essencial do trabalho de hoje.
Demonstração de confiança
No entanto, muitos jornais suíços também viram a reeleição de Obama com um olhar positivo. Para o jornal de língua francesa “Le Temps”, "Obama conseguiu mostrar que os EUA estão se movendo na direção certa após sua pior crise financeira desde os anos 1930".
Em uma entrevista no jornal editado em Genebra, Ian Lesser, diretor do “German Marshall Fund”, argumentou que a União Europeia irá se beneficiar da reeleição de Obama, principalmente porque "os europeus já sabem o que esperar e já aprenderam a trabalhar com Barack Obama e sua equipe nos últimos quatro anos".
Já o jornal de língua alemã “Südostschweiz” se mostrou extremamente confiante, afirmando que a dinâmica de Washington tinha mudado durante a noite, com a maioria dos americanos escolhendo uma visão que "mantém o sonho americano vivo para todos". Segundo o jornal, a escolha dos eleitores americanos dá a Obama um mandato para pressionar o Congresso para agilizar sua agenda.
O “La Liberté”, de Friburgo, também se mostrou confiante na capacidade de Obama de unir o eleitorado americano, apesar desta eleição ter deixado pouco espaço para "esperança e admiração".
O jornal da capital suíça “Berner Zeitung” disse, por sua vez, que a eleição americana foi uma escolha entre "um visionário frustrado e um empresário sabichão". Nesse contexto, Obama emergiu como o reformador calmo e persistente, embora com menos expectativas sobre ele do que a primeira eleição, o que poderia ser uma coisa boa.
Reação dos leitores
Muitos leitores suíços reagiram online, demonstrando alívio e acreditando ainda em mudanças após a eleição americana.
"Finalmente acabou!", disse um leitor do jornal de Zurique “Tages-Anzeiger”. "Seria bom que o GOP (o republicano “Grand Old Party") se reorientasse com suas raízes liberais e seus principais líderes, como Lincoln ou Teddy Roosevelt".
Vários leitores acham que não faz muita diferença quem tenha ganho, expressando que todos os candidatos "têm o mesmo objetivo: dinheiro e poder" e que, por isso, "tanto faz se a gravata de um é vermelha e a do outro é azul”.
Outros leitores perguntaram que influencia a eleição americana tem realmente em suas vidas.
"O que vai mudar, o que vai ficar na mesma? Que efeito isso tem sobre a Suíça?” pergunta um leitor, e outro responde: "Não se preocupe, o resultado é que nada vai mudar na Suíça".
swissinfo.ch com agências