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Um estudo da Universidade de Zurique concluiu que o aprendizado precoce do inglês pode não valer a pena. O resultado vem em um momento chave do debate suíço sobre a aprendizagem de línguas.
Existe atualmente muita discussão na Suíça de língua alemã sobre quantas línguas devem ser ensinadas nas escolas primárias e qual deve ser a primeira: o inglês ou o francês, a segunda língua nacional? Em 21 de maio, os eleitores do cantão de Zurique devem decidir sobre uma iniciativa popular - a mais recente de uma série já votada no cantão sobre a questão - que exige que as escolas primárias ensinem apenas uma língua estrangeira.
Entretanto, o cantão da Argóvia publicou um estudo controverso realizado pelo Instituto de Avaliação da Educação da Universidade de Zurique. A pesquisa mostrou que o ensino de inglês precoce não traz as vantagens que muitos acreditavam, de acordo com um artigo publicado no jornal NZZ am Sonntag.
A Suíça é dividida em quatro regiões linguísticas: alemão, italiano, francês e romanche. Enquanto que o alemão é a primeira língua estrangeira ensinada na região de língua francesa, grande parte da região de língua alemã ensina atualmente o inglês – que não é uma língua suíça oficial - antes do francês.
Sucesso inicial
O estudo da Universidade de Zurique comparou os alunos dos cantões da Argóvia, onde o inglês é introduzido mais cedo (depois de três anos de escola primária), e Solothurn, onde é ensinado após os 11 anos. Os alunos do estudo tinham cerca de 15 anos.
Inicialmente, os alunos da Argóvia foram considerados melhores: um número maior havia atingido um nível avançado de inglês e a maioria havia cumprido os objetivos do currículo. No cantão de Solothurn, o dobro dos alunos não atingiu o nível mais baixo de leitura e escrita em inglês.
O cantão da Argóvia considerou esses resultados um sucesso quando publicou o estudo em 28 de fevereiro, declarando que o inglês fazia agora parte do currículo da escola primária no cantão.
Dúvidas de longo prazo
No entanto, após uma avaliação mais aprofundada, o estudo do Instituto de Avaliação lança algumas dúvidas sobre as vantagens a longo prazo do ensino precoce do inglês.
De acordo com o jornal NZZ am Sonntag, os autores do estudo concluíram que as horas extras e o esforço necessário para ensinar inglês em uma idade precoce não valem o resultado final.
O estudo constatou que os alunos da Argóvia tinham apenas seis meses a um ano à frente dos alunos de Solothurn. Isso apesar de terem feito sete anos de aulas de inglês, enquanto que os alunos de Solothurn apenas três no momento em que a pesquisa foi realizada.
O estudo foi realizado depois que a linguista Simone PfenningerLink externo descobriu que os alunos dos últimos anos do ensino fundamental que começaram o inglês a partir do zero logo se igualavam aos que tinham aprendido inglês cedo. Ela concluiu que a intensidade das aulas era mais importante do que a idade em que o aprendizado começa ou quantos anos de aulas houve.
Reação
Os apoiadores da iniciativa de línguas estrangeiras de Zurique acolheram bem os resultados do estudo.
Eles argumentam que é melhor se concentrar em uma língua na escola primária e adicionar uma segunda mais tarde. Os alunos vão se recuperar rapidamente, dizem.
Embora as autoridades do cantão de Zurique não comentem o novo estudo diretamente, elas disseram acreditar nos benefícios da aprendizagem precoce de línguas estrangeiras.
swissinfo.ch/fh