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O risco de ser morto por um furacão ou uma inundação é menor hoje do que há 20 anos. No entanto, os custos das catástrofes naturais explodiram.
É o que revela um relatório apresentado na conferência da ONU sobre redução do risco de catástrofes naturais, em Genebra.
Em todo o mundo, os países têm reforçado sua capacidade de reduzir os riscos de mortalidade associados a perigos naturais. Mas isso não acontece de forma suficientemente rápida e eficiente, afirma o relatório de 2011 sobre a redução dos riscos publicado na terça-feira (10) à margem de duas importantes reuniões em Genebra sobre a questão.
"[E] os riscos de perdas econômicas continuam aumentando em todas as regiões, ameaçando seriamente as economias dos países de baixa renda", escrevem os autores.
Segundo o Banco Mundial, os custos econômicos das catástrofes naturais passaram de 68 bilhões de dólares em 2009 a 180 bilhões em 2010. E 2011 promete ser ainda pior. O governo japonês estimou os danos diretos do terremoto de magnitude 9.0 e do tsunami de 11 de março em cerca de 300 bilhões de dólares. Quase 26 mil pessoas morreram ou desapareceram na catástrofe, sem falar dos danos causados pelo desastre nuclear de Fukushima.
Duas conferências
"Estamos em um carro de corrida que vai direto contra o muro. Temos que agir", insistiu Margareta Wahlström, representante especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a redução dos riscos de catástrofes.
A ONU está organizando em Genebra esta semana a sua terceira conferência sobre redução dos riscos de catástrofes. Cerca de 3 mil especialistas e autoridades de 180 países estão discutindo sobre prevenção e reação aos desastres naturais. O encontro deste ano é completado pela primeira Conferência Mundial sobre Reconstrução (World Reconstruction Conference), organizada conjuntamente pelo Banco Mundial e a ONU.
Aprendendo com o passado
Os debates incidirão sobre as consequências econômicas das catástrofes naturais e os mecanismos de financiamento necessários, a promoção de alianças entre os grupos envolvidos na mudança climática, a redução dos riscos e o reforço das estruturas locais para agilizar a reconstrução.
"Queremos aprender com o passado e chegar a um acordo sobre uma nova estrutura que agilize a reconstrução após uma catástrofe, aprovar normas comuns, melhorar a qualidade e aumentar a transparência", declarou segunda-feira (9) à imprensa Zoubida Allaoua, diretor do departamento de finanças, economia e desenvolvimento urbano do Banco Mundial.
René Holenstein, chefe da Divisão de Assuntos Multilaterais da DDC, a agência de cooperação e desenvolvimento da Suíça, disse que o sistema internacional criado para reagir às catástrofes naturais precisa ser melhorado.
Melhorar a coordenação
"Deve haver uma melhor coordenação entre a ajuda de emergência internacional e os esforços de reconstrução. Basta olhar para o caso do Haiti para se convencer", disse o representante da ajuda humanitária suíça à swissinfo.ch. "É compreensível que a fase de reação imediata ao desastre seja mais atraente, mas é preciso investir mais na prevenção. A mídia tem um papel importante neste contexto."
Para muitos países, a Suíça é considerada um modelo na prevenção de desastres. Isso graças aos investimentos em sistemas de alerta precoce, à organização do território, aos instrumentos legais e à conscientização da população.
Um sistema nacional de mapeamento das áreas de riscos que avalia os riscos de deslizamentos, enchentes e avalanches deve ser finalizado até 2013.
Montanhas e tsunamis
Os representantes da Suíça participam de várias sessões especiais em Genebra, incluindo uma organizada junto com o Butão sobre a questão das catástrofes nas montanhas. "A Suíça dispõe de uma situação privilegiada", admitiu René Holenstein. "Temos muitos recursos, estruturas adaptadas e uma boa cooperação institucional. Isso é algo que gostaria de compartilhar com outros participantes".
Trinta especialistas japoneses também vieram à Genebra. O embaixador japonês na ONU, Kenichi Suganuma, disse que seria provavelmente "muito cedo" para tirar as lições do tsunami e do desastre nuclear, dois meses apenas após a catástrofe. "Vamos realizar uma análise aprofundada para determinar o que correu mal, mas por enquanto ainda estamos lutando para acabar com a crise", declarou.
O Japão espera enviar suas "observações preliminares" em junho, acrescentou o embaixador.
Em breve
A III Conferência da ONU sobre Redução dos Riscos de Catástrofes, organizada a cada dois anos, acontece em Genebra, dos dias 10 a 13 de maio de 2011. Em paralelo, o Banco Mundial e as Nações Unidas organizaram a primeira Conferência Mundial para Reconstrução.
Cerca de
3 mil participantes
, entre peritos, políticos, acadêmicos, representantes de ONGs e do setor privado, são esperados nas duas reuniões.Aqui termina o infobox
Suíça bem cotada
A Suíça é o paísmelhorpreparado para as catástrofes, de acordo com um índice de redução dos riscos publicado na terça-feira (10) no relatório da ONU "Revelando o risco para redefinir o desenvolvimento". O índice é baseado em 38 indicadores.
Suíça, Suécia, Dinamarca, Irlanda, Noruega e Finlândia são os seis países que estão melhor preparados para os riscos de catástrofes naturais, de acordo com este índice. Eles têm forte capacidade degovernança nesta área.
Por outro lado, seispaíses pobres - Afeganistão, Chade, Haiti, Somália, República Democrática do Congo (RDC) e Eritreia - têm a capacidade mais fraca, com o pior índice de preparação.
Fonte: ATSAqui termina o infobox
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch