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Funcionários do governo Trump se reuniram secretamente com militares venezuelanos para discutir a derrubada do presidente Nicolás Maduro, mas acabaram decidindo não agir - reportou neste sábado (8) o jornal americano "The New York Times".
Donald Trump é um duro crítico do governo Maduro, enquanto a Venezuela está mergulhada em uma grave crise econômica e humanitária que desatou violentos protestos e provocou uma onda migratória a países vizinhos.
Citando autoridades americanas anônimas e um ex-comandante militar venezuelano que participou dos diálogos secretos, o "New York Times" disse que os planos do golpe estagnaram.
O jornal afirma que a Casa Branca se negou a dar respostas detalhadas quando questionada sobre essas conversas, mas enfatizou a necessidade de "dialogar com todos os venezuelanos que demonstrem um desejo de democracia".
Na Venezuela, o chanceler Jorge Arreaza considerou que a revelação do New York Times oferece "grosseiras evidências" das "conspirações" de Washington.
"Denunciamos ante o mundo os planos de intervenção e apoio a conspirações militares do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. Nos próprios meios americanos saem à luz novas e grosseiras evidências", escreveu Arreaza no Twitter, e acompanhou sua mensagem com um link para a versão em espanhol do artigo no site do jornal nova-iorquino.
Um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos disse à AFP que "a preferência" de Washington "por um retorno ordenado e pacífico à democracia na Venezuela permanece sem mudanças".
"O governo dos Estados Unidos escuta diariamente as preocupações dos venezuelanos, de todos os âmbitos da sociedade... Compartilham um objetivo: a reconstrução da democracia em seu país de origem", acrescentou o porta-voz Garrett Marquis.
"Uma solução duradoura para o agravamento da crise na Venezuela só pode surgir após a restauração da governança por meio de práticas democráticas, do Estado de Direito e do respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais", insistiu.
Depois que drones carregados de explosivos foram detonados perto de Maduro em um ato em 4 de agosto em Caracas, o presidente atribuiu a tentativa de ataque aos Estados Unidos, à Colômbia e a seus inimigos domésticos.
O Departamento de Estado condenou a "violência política", mas também denunciou prisões arbitrárias e confissões forçadas de suspeitos por parte do governo da Venezuela.
O conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, John Bolton, insistiu em que "não houve participação do governo dos Estados Unidos" no incidente de 4 de agosto.
Mari Carmen Aponte, uma das principais diplomatas dos Estados Unidos para assuntos latino-americanos no governo do presidente Barack Obama, disse ao "New York Times" que "isso vai cair como uma bomba" na região.
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