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O presidente da Colômbia, Iván Duque, pediu o fim dos bloqueios de estradas em protestos massivos contra seu governo, enquanto tenta desarmar a crise por meio do diálogo com diferentes setores, que neste sábado (8) incluirá os jovens.
“A rejeição tem que ser categórica a essas expressões que são violentas”, declarou o presidente após encontro com a mídia.
As manifestações, reprimidas com violência e especialmente grandes nas principais cidades, Bogotá, Medellín e Cali, completaram dez dias nesta sexta-feira, embora com menos movimento do que no início da semana.
No entanto, incidentes continuam sendo registrados. Ao cair da noite, um ataque armado a uma missão médica em Cali deixou pelo menos "três feridos gravemente", disse à AFP Natali González, subsecretária de Direitos Humanos da prefeitura.
Duque se referiu anteriormente a vários bloqueios de estradas que têm gerado escassez de combustível, alimentos e medicamentos em cidades como Cali (sudoeste) ou Pereira (Risaralda, centro-oeste). Desde a eclosão da crise em 28 de abril, houve 733 bloqueios de estradas, de acordo com o governo.
A pouco mais de um ano do fim de seu mandato, o presidente enfrenta pressão nas ruas devido à repressão policial. Vinte e seis pessoas morreram e, segundo as autoridades, foram registrados 680 civis e 826 agentes de segurança feridos.
Embora em sua maioria pacíficos, alguns protestos levaram a confrontos violentos com a polícia e à destruição que o governo associa ao "vandalismo alimentado por grupos armados ilegais".
Mas as forças de segurança estão sob forte escrutínio por supostas violações dos direitos humanos que lhes renderam críticas incomuns da comunidade internacional.
"Sinto que não pode haver diálogo quando alguém fala e é morto", haverá discussões "quando as pessoas forem respeitadas e ouvidas", criticou Laura Ramírez, uma estudante de enfermagem de 17 anos, à AFP durante um dos manifestações em Bogotá.
- Diálogos em andamento -
Nesta sexta-feira, Duque reafirmou seu desejo de diálogo. “Sim à conversa, sim a construir, mas definitivamente não aos bloqueios, porque os bloqueios não são pacíficos, estão retirando os direitos” dos cidadãos, declarou.
Centenas de colombianos no exterior se somaram ao protesto iniciado contra um projeto já descartado que elevava impostos, mas que gradativamente se agravou em um movimento de rejeição às políticas governamentais, em meio à deterioração econômica devido à pandemia.
Os manifestantes foram às ruas em frente aos consulados em Lima (Peru), Montevidéu (Uruguai), Buenos Aires (Argentina), Barcelona e Madri (Espanha).
“Sinto muita tristeza, raiva, dor, impotência por não poder ajudar. Eles estão matando nossos jovens, há massacres da polícia todas as noites”, lamentou Gisselle Ríos, 35, à AFP em Barcelona.
Diante do avanço dos protestos, Duque iniciou conversas com diferentes forças sociais e políticas em busca de uma saída para a crise que aponta para apenas uma solução: uma mudança na direção do governo.
No sábado, o presidente se reunirá com os jovens, o grupo mais visível desse mal-estar geral.
Duque manifestou a intenção de se reunir também com o Comitê de Greve, que reúne os principais setores insatisfeitos.
“Estamos prontos para sentar com o Comitê de Greve (...) estamos em condições de ouvi-los, e também de ouvir todos aqueles que protestam e aqueles que não protestam”, afirmou à imprensa.
A organização disse que só vai sentar para conversar se o governo concordar em discutir uma reforma policial, uma renda básica de US$ 250 para os mais pobres, a suspensão da anunciada fumigação aérea de plantações de drogas com glifosato e "a desmilitarização de campos e cidades", entre outras solicitações.
- Incômodo com críticas externas -
Diante das duras críticas da comunidade internacional pela violenta repressão aos protestos, o governo rejeitou na sexta-feira "pronunciamentos externos" sem "objetividade" em face da crise social.
"A Colômbia continuará sendo um país aberto ao escrutínio internacional. Mas sempre rejeitaremos pronunciamentos externos que não reflitam objetividade e que busquem alimentar a polarização e evitar a construção de consenso em nossa pátria", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia em nota.
A ONU, a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA), organizações de direitos humanos e países como os Estados Unidos denunciaram o uso desproporcional da força por parte da polícia.
Nesta sexta-feira, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, aderiu às demandas e condenou os casos de “tortura e assassinato cometidos pelas forças da ordem” na Colômbia.
O governo de Nicolás Maduro na Venezuela, com quem Duque não tem relacionamento, denunciou um "massacre" de colombianos.
Por sua vez, o governo colombiano afirmou que existe um plano em andamento para estigmatizar a força pública.
“Há uma campanha de estigmatização das operações das forças de segurança mobilizada nas redes sociais para colocá-las contra a sociedade”, acusou o ministro da Defesa, Diego Molano, à Blu Radio.