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O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, afirmou nesta quarta-feira (24) ter gravações feitas em 2013 pela Administração de Fiscalização de Drogas (DEA) dos Estados Unidos que provam que são falsos os depoimentos dos chefes do narcotráfico que o denunciaram para um tribunal de Nova York.
“Não se pode mais negar que os traficantes de drogas estão dando falsos testemunhos, porque a verdade está documentada na forma de gravações secretas e foram apresentadas pela DEA em um julgamento”, disse o presidente em coletiva de imprensa no Palácio Presidencial, convocada para que ele se defendesse das acusações.
O presidente contou que, em 2013, quando concorreu à presidência, a DEA possuía um agente infiltrado nas reuniões dos traficantes em Honduras. Nelas, os líderes reconhecem que se ele conquistasse a presidência não conseguiriam acordos. "O que os traficantes dizem nas gravações é que Juan Orlando não irá negociar com eles, não irá se comprometer com eles. Tentam inventar desculpas para explicar por que não conseguiram fechar um acordo comigo. Dizem, repetidamente, que sou arisco", relatou o governante.
"Ou seja, não sou uma pessoa com quem eles possam negociar, e eles se sentem frustrados com isso. Quer dizer, o que eles realmente disseram em 2013 é o contrário do depoimento falso de agora", insistiu o presidente.
Em depoimento na corte federal de Manhattan, o líder do cartel hondurenho Los Cachiros, Devis Leonel Rivera Maradiaga, contou que eles entregaram a Hilda Hernández, irmã do presidente, 250 mil dólares em dinheiro em 2012, quando ele era congressista e candidato à presidência. O dinheiro teria sido pago em troca de "proteção", para que as autoridades "não nos prendessem em Honduras". A propina também visava a evitar "que eu e meu irmão não fossemos extraditados para os Estados Unidos", e a obter do governo "contratos para a lavagem de dinheiro do narcotráfico", disse Rivera.
Promotores do distrito sul de Nova York consideram o presidente de Honduras cúmplice do narcotraficante Geovanny Fuentes no envio de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Fuentes foi considerado culpado do crime e receberá uma pena que varia de 10 anos até a prisão perpétua.
O irmão mais novo do presidente, Juan Antonio "Tony" Hernández, também foi declarado culpado como "traficante de drogas em larga escala" em um julgamento de 2019 nos EUA. Sua sentença, que pode variar de 40 anos à prisão perpétua, será lida em 30 de março. Anteriormente, o político havia apontado que ele e o irmão eram vítimas da vingança dos traficantes que ele ajudou a extraditar. "As mentiras são tão evidentes que tudo irá desmoronar", afirmou.