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A investigação Swiss Leaks sobre os ficheiros bancários secretos do HSBC é um dos mais recentes exemplos de uma lista cada vez maior de colaborações transfronteiriças de sucesso no jornalismo. Os ficheiros do HSBC foram obtidos por um grupo internacional de órgãos de comunicação social, incluindo o Le Monde, The Guardian, 60 Minutos da CBS e o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), sediado em Washington. A sua investigação conjunta, que envolveu jornalistas de 45 países, revelou a forma como o Banco ajudou alguns dos seus clientes a esconder contas em Genebra para fugir aos impostos. É uma das maiores fugas dos bancos da história, envolvendo 30 mil contas e ativos no valor de 78 mil milhões de libras.
Outros exemplos recentes de projetos de investigação colaborativos incluem os war logs e cable files da Wikileaks, os ficheiros da NSA, dados a conhecer por Eduard Snowden, e as Offshore Leaks. Estes exemplos partilham uma outra característica com a investigação das Swiss Leaks: elas também trabalham à volta de uma única base de dados.
O jornalismo transfronteiriço é a resposta à globalização da política e do crime
O jornalismo colaborativo global é a resposta à crescente globalização da política e do crime. Recentemente investiguei esta temática para um relatório, ‘Investigações globais de bases de dados: O papel do repórter assistido por computador`, publicado hoje pelo Reuters Institute for the Study of Journalism.
O relatório analisa três investigações transfronteiriças: Subsídios à agricultura, Offshore Leaks e Migrant Files, para compreender o que os transformou em experiências bem-sucedidas e qual foi o papel que os repórteres assistidos por computador desempenharam para o seu sucesso. A investigação envolveu o estudo da literatura, bem como entrevistas com jornalistas de dados.
Liberdade de informação usada para criar base de dados sobre subsídios à agricultura
O projeto Subsídios à Agricultura envolveu jornalistas de vários países da Europa, incluindo França, Itália, Espanha e Grécia. Eles usaram as leis locais de liberdade de acesso à informação para aceder a detalhes dos beneficiários da Política Agrícola Comum Europeia. Esta informação permitiu que criassem e atualizassem uma base de dados de “subsídios à agricultura”. Este trabalho ofereceu também a oportunidade de construir uma rede para promover as investigações transfronteiriças e o acesso à informação pública.
As Offshore Leaks, levadas a cabo pelo ICIJ, que também organizaram as revelações das Swiss Leaks, demonstraram como pode ser poderosa uma investigação internacional bem planeada. Cem jornalistas de países como a Austrália, a Índia, a França, o Reino Unido e a Costa Rica trabalharam em 2,5 milhões de ficheiros de dados. Eles publicaram o trabalho em simultâneo em diferentes media e em diferentes países. E tiveram o apoio de quinze pessoas que trabalharam os dados e na gestão do projeto.
As bases de dados podem ser criadas
A terceira investigação analisada no relatório são “The Migrant Files” (Ficheiros Migrantes). Esta investigação veio provar que quando uma base de dados não existe, ela pode ser construída. Olhando para todos os migrantes que morreram a tentar chegar à Europa, a equipa internacional de jornalistas de dados utilizou inteligência open-source para analisar os percursos onde havia mais mortes. A base de dados é atualizada com regularidade e é agora utilizada como fonte para organizações não-governamentais e internacionais.
Da minha pesquisa conclui que o jornalismo de dados tem um papel importante em projetos colaborativos internacionais como os descritos. Os jornalistas de dados podem analisar os dados, torna-los acessíveis a outros jornalistas e também podem ajudar a gerir projetos. Conclui que se os jornalistas de dados estivessem fisicamente nas redações ou mais perto delas, poderia ser mais fácil criar investigações transfronteiriças.
Crédito fotografia: Flickr: Beat Strasser