Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02613.jsonl.gz/51

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
Por Caren Bohan e Patricia Zengerle
XANGAI (Reuters) - O presidente dos EUA, Barack Obama, negou que tenha a intenção de conter a China e defendeu um comércio mais equilibrado entre as duas potências, que discutiram políticas econômicas e cambiais antes de uma cúpula bilateral.
Numa reunião com cidadãos na segunda-feira em Xangai, Obama não citou o Tibete ou qualquer outro assunto delicado que pudesse irritar seus anfitriões.
"Não buscamos conter a ascensão da China", disse Obama em seu pronunciamento inicial. "Pelo contrário, saudamos a China como um membro forte, próspero e bem-sucedido da comunidade de nações."
O evento, mais do que um contato com o público, trouxe as marcas de um encontro amistoso, mas coreografado. Estudantes de terno sorriam e aplaudiam educadamente, e riram quando Obama tentou falar chinês.
Ele também defendeu a liberdade na Internet e os direitos humanos, que sofrem repressão do regime comunista local. "Essas liberdades de expressão e culto, de acesso à informação e à participação política, acreditamos que sejam direitos universais, que deveriam estar disponíveis para todas as pessoas, inclusive minorias étnicas e religiosas."
"Sou um grande defensor de não restringir o uso da Internet", acrescentou ele. "Quanto mais abertos formos, mais podemos nos comunicar, e isso une o mundo também.
O dia de Obama em Xangai é um aquecimento para sua cúpula na terça-feira em Pequim com o presidente Hu Jintao. Ali, questões de política econômica, comércio e câmbio irão disputar a atenção com as preocupações com a Coreia do Norte, o Irã e a mudança climática. Obama diz que também irá abordar as questões de direitos humanos.
A respeito da questão cambial e comercial, Obama lembrou que desde o estabelecimento de relações diplomáticas entre EUA e China, em 1979, o volume de comércio bilateral aumentou várias vezes, superando 400 bilhões de dólares por ano.
Mas empresários dos EUA reclamam da desvalorização excessiva do iuan, que facilita as exportações chinesas e dificulta o acesso ao mercado desse país. Obama afirmou em Xangai que o comércio bilateral "poderia criar ainda mais empregos em ambos os lados do Pacífico... Conforme a demanda se torne mais equilibrada ela poderá levar a ainda mais prosperidade."
No fim de semana, durante uma cúpula em Cingapura, Hu ignorou ostensivamente os apelos internacionais pela revalorização do iuan. Ele e outros dirigentes chineses têm acusado outros países --implicitamente incluindo os EUA-- de praticar um nocivo protecionismo contra os produtos chineses.
Sobre a questão climática, Obama disse que EUA e China --que juntos são responsáveis por pelo menos 40 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa-- precisariam dar "passos críticos" para combater a mudança climática, pois servirão de exemplo para a importante reunião climática da ONU em dezembro em Copenhague.
Pequim tem dito que os países em desenvolvimento não podem aceitar imposições internacionais sobre limites às suas emissões, pois sua prioridade deve ser o combate à pobreza.
(Reportagem adicional de Jason Subler e Langi Jiang)
Reuters