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As audiências estão descontentes com a qualidade das notícias e comentários em geral, e em particular nas redes sociais, revela o sexto Digital News Report.
O estudo, do Reuters Institute for the Study of Journalism, baseia-se num inquérito online a 70 mil pessoas de 36 países. Embora mais de metade dos entrevistados (54%) usem as redes sociais como fonte de notícias, apenas um quarto (24%) pensa que as redes sociais fazem um trabalho na separação dos factos da ficção, em comparação com os 40% que acham que a comunicação social faz um bom trabalho.
Em países como os EUA (20%/38%) e o Reino Unido (18%/41%) há o dobro da probabilidade de as pessoas confiarem na comunicação social. A Grécia é o único país onde as pessoas acreditam que as redes sociais são mais confiáveis, porque o seu nível de confiança nas notícias é muito baixo (28%/19%).
Confiança nas notícias e o enviesamento político
A confiança nos media varia significativamente nos 36 países que fazem parte do estudo. A proporção mais elevada de confiança está na Finlândia (62%) e a mais baixa na Grécia e Coreia do Sul (23%).
Na maior parte dos países, há uma forte ligação entre a falta de confiança nos media e o enviesamento político percepcionado. Isto acontece particularmente nos países com um elevado nível de polarização política. Nos EUA, a polarização política significa que os respondentes têm uma maior probabilidade de confiar nas fontes noticiosas que usam com regularidade (53%) do que nas notícias em geral (38%). No Reino Unido, parece que a saída do Brexit, votada a 26 de junho de 2016, levou a uma quebra de 7% na confiança, em geral, nos media (passou de 50% para 43%).
Níveis de confiança variam segunda a tendência política
Nos EUA aqueles que cuja tendência política é de direita têm uma probabilidade três vezes maior de expressar falta de confiança nas notícias, em geral, comparando com os de esquerda. Enquanto no Reino Unido o padrão é ao contrário. Isto pode reflectir a diferença entre os media de cada país. Até há pouco tempo, não havia nos EUA um equivalente (quando medida a circulação) à imprensa tabloide de centro direita, altamente enviesada, que domina os jornais no Reino Unido.
Em cada país isto abriu a porta para que entrassem no mercado novos sites nativos digitais enviesados – com o Breitbart a atingir um alcance semanal de 7% entre os respondentes dos EUA e site de apoio Jeremy Corby, The Canary, com um alcance semanal de 2%, no Reino Unido.
Diferenças regionais no pagamento de notícias online
No conjunto de países analisados, apenas cerca de um em cada dez respondentes (13%) paga por notícias online, mas há grandes variações. Na Noruega cerca de um quarto (26%) e na Suécia aproximadamente um quinto (20%) pagam por notícias online enquanto na Grécia, apenas 6% o fazem.
O relatório argumenta que esta disparidade se relaciona com o maior rendimento disponível, bem como com uma cultura onde a assinatura de jornais tem tradição e que foi transferida para o digital através da oferta de pacotes de subscrição e acessos gratuitos. Mas pode haver outro factor a influenciar, nalguns lugares. Um lado positivo da polarização e da baixa confiança nas redes sociais e na comunicação social em geral, tem sido um aumento considerável no número de respondentes que estão a pensar pagar para ter acesso a notícias online, nos EUA, um crescimento de 9% para 16% da nossa amostra online. Os donativos a organizações de media também triplicaram.
A maior parte das novas subscrições e outros pagamentos vieram dos respondentes da esquerda, com mais de um terço a afirmar que quer “ajudar a financiar o jornalismo”. Com um crescimento significativo a chegar da faixa etária dos que têm menos de 35 anos, um desmistificar da ideia de que os mais jovens não estão preparados para pagar por conteúdos online, particularmente por notícias.
Tem havido um crescimento similar no pagamento por notícias online num outro ambiente de media bastante polarizado, a Austrália. O número de australianos que paga por notícias aumentou dos 10%, em 2016, para os 13%, em 2017. E com 25% daqueles que pagam por notícias a afirmarem que a sua mais importante motivação e “ajudar a financiar o jornalismo”. Os donativos também foram relativamente elevados na Austrália.
O aumento da polarização poderá beneficiar os media
O negócio dos media está claramente a passar por tempos difíceis, e o aumento da polarização, fake news juntos com o decréscimo de confiança nas redes sociais são preocupantes. Mas há sinais que, em alguns países, essa mesma polarização pode estar a levar um ressurgir da vontade, de alguns grupos, de apoiar os media dos quais se acham mais próximos. A adversidade na área política pode resultar num aumento de afinidade com os media, pelo menos nalguns países, o que pode vir a ajudar na sustentabilidade futura de um jornalismo financiamento comercialmente.
Imagens: RISJ, DNR 2017