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Em meio a um fluxo de cortes de empregos por parte das empresas, as expectativas dos suíços se concentram em duas possíveis soluções temporárias – uma baixa do franco suíço e um pacote de resgate do governo.
O governo deve começar a usar seu fundo de 550 milhões de dólares de auxílio ao desemprego até o final do ano.
Enquanto isso, as empresas de exportação e os sindicatos estão pressionando o Banco Central a intervir de novo em relação ao franco suíço forte - um grupo de economistas considera isso um grande erro.
Desde setembro, a cada semana uma companhia suíça anuncia planos de reestruturação.
Mais de 14 mil postos de trabalho foram cortados nos últimos três meses em apenas 30 empresas, desde os maiores bancos do país até fabricantes de têxteis de pequeno porte. Algumas empresas, como a gigante farmacêutica Novartis, estão transferindo a produção para o exterior para proteger seus ganhos.
O pacote de medidas de ajuda que o governo decidiu em setembro não é mais do que uma medida de bem-estar para a indústria, de acordo com Thomas Daum, diretor da associação patronal suíça.
"A questão do franco forte é mais ou menos a base de todo o problema", disse à swissinfo.ch, acrescentando que muitas outras questões se tornariam "menos grave", com um franco fraco.
Diante da quase paridade do franco com o euro em agosto, o Banco Central Suíço (BNS, na sigla em francês) fixou, em setembro, uma nova taxa mínima de câmbio de 1,20 - a primeira vez que o BNS intervém em três décadas. Mas, à luz da perspectiva econômica sombria, empresas e sindicatos estão exigindo que a taxa de câmbio passe para 1,30 ou 1,40 francos por euro.
"Todas as empresas exportadoras adorariam ver isso", comenta Rudolf Minsch, responsável da economiesuisse, a federação da indústria da Suíça. Mas estes são "alvos ilusórios", disse, acrescentando que um limite a 1,25 seria até possível.
Tempos "difíceis" pela frente
Aumentar o câmbio pode ajudar por uns dias, mas não é "economicamente viável, pois quanto maior a taxa, mais difícil será de mantê-la em tempos de crise", disse Minsch.
Estatísticas trimestrais apontam para o abrandamento do crescimento econômico, com uma queda substancial da demanda s, e o governo prevê apenas 0,9 por cento de crescimento no próximo ano.
Esta semana o ministro da Economia Johann Schneider-Ammann previu meses "difíceis" pela frente. O ministro disse que outros 40 mil postos de trabalho poderiam ser suprimidos por causa do franco forte. Mas descartou a possibilidade de falar de um segundo pacote de ajuda do governo até que o primeiro tinha sido totalmente implementado.
A maior fatia do pacote de resgate de 870 milhões de francos será usada para ajudar os desempregados e subsidiar os salários dos trabalhadores que tiveram seus horários e salários cortados – o chamado “desemprego parcial".
Outros 212.5 milhões serão investidos em um programa de pesquisa e tecnologia e mais 100 milhões serão usados para promover o turismo.
O governo tem recebido inúmeros pedidos de empresas que querem ter acesso aos recursos - cerca de 130 nas últimas duas semanas. Para a associação patronal suíça, no entanto, o pacote é "80 por cento psicológico". "É um sinal para que os empregadores não demitam pessoal de imediato, encurtando a carga horária e tentando tirar vantagem de outras possibilidades", disse Daum.
Na ausência de medidas que enfraqueçam o franco, as empresas têm que se virar como podem. "Cabe às empresas, cabe aos empregadores, cabe aos funcionários, com muita flexibilidade, muita inovação, lutar para não ficar no prejuízo", disse Daum.
"Há cada vez mais empresas que não podem continuar com a mesma estrutura que tinham até agora, por isso estamos vendo toda essa reestruturação."
Olhando a longo prazo
Minsch, da economiesuisse, disse que não espera que o Banco Central Suíço ceda a pressões externas. Em sua opinião, a intervenção de setembro impediu cortes de empregos muito mais dramáticos. "Parte dos cortes também é simplesmente um efeito da reestruturação, que é necessária de vez em quando, especialmente em empresas maiores", disse.
Existiria qualquer outra medida que poderia ser tomada para melhorar a situação no curto prazo?
"Não se pode fazer quase nada", disse. Os subsídios diretos à exportação não são permitidos segundo os acordos da Organização Mundial do Comércio. O que foi feito - e com razão - foi garantir a flexibilidade do programa do governo de combate ao desemprego, permitindo o financiamento do desemprego parcial, observou.
"O que tem sido feito é se concentrar em perspectivas a longo prazo, proporcionando um melhor ambiente de negócios, redução de impostos, acrescentando acordos de livre comércio com a China e outros países, e também investindo muito em pesquisa e desenvolvimento."
Enquanto isso, a Secretaria de Estado da Economia (Seco) disse à swissinfo.ch que "os respectivos departamentos tomarão outras medidas, dependendo de como a economia e os mercados financeiros vão agir".
Cortes
Principais cortes de empregos anunciados nos últimos três meses:
Alpiq 450
Bobst 420
Swiss Federal Railways Cargo 200
Credit Suisse 3500
EFG International 250
Huntsman 580
Jet Aviation 300
Julius Bär 150
Kudelski 270
Novartis 2000
Schindler 1800
SR Technics 250
Swissmetal 180
Swissprinters 247
UBS 3500Aqui termina o infobox
Desemprego na Suíça
Taxa de desemprego da Suíça é de 2,8%, uma dos melhores do mundo. A taxa média anual até agora é de 3,1% - em comparação com os 3,9%, em 2010.
111344 pessoas estavam registradas como desempregadas no mês de setembro. 28696, ou 20,5%, a menos do que o mesmo mês do ano passado.
17932 jovens (15-24 anos) estavam sem trabalho em setembro, um quarto a menos do que um ano atrás.
Moeda refúgio
O franco suíço é considerado uma moeda refúgio, o que significa que os investidores e especuladores tendem a comprá-lo quando outras moedas, principalmente o euro e o dólar, estão sob pressão.
O Banco Central da Suíça (BNS) tem enfatizado que não persegue uma meta de taxa de câmbio, mas baseia sua política monetária em seu mandato legal.
Este mandato estipula que "o BNS deve garantir a estabilidade dos preços, tendo em conta a evolução econômica".
A partir de março de 2009, o BNS interveio nos mercados cambiais. Essas incursões levaram a uma perda de 21 bilhões de francos no ano passado.
Enfrentando intensa pressão de políticos e do setor de exportação, o BNS interveio ainda mais nos mercados este ano, antes de anunciar uma taxa de câmbio fixa de 1,20 francos por euro em setembro.
Desde então, o franco pairou acima desta margem, graças ao compromisso assumido pelo BNS de comprar quantidades ilimitadas de reservas cambiais.
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch