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(Arquivo) O presidente da Argentina, Mauricio Macri, cumprimenta seus partidários, em Buenos Aires, no dia 1º de março de 2016(afp_tickers)
O governo do presidente da Argentina, Mauricio Macri, insistiu nesta terça-feira que não tem nada a esconder no caso da empresa offshore revelada pelos "Panama Papers", nem em outra sociedade fantasma inscrita no Panamá, declarou seu chefe de Gabinete.
As novas explicações foram dadas num momento em que a oposição segue exigindo que Macri esclareça seu papel em sociedades "offshore" que não apareceram em sua declaração juramentada nem quando assumiu em 2007 como prefeito de Buenos Aires, nem em 2015, quando venceu a presidência.
"Há uma enorme tranquilidade porque não há nada a esconder", disse o chefe de Gabinete, Marcos Peña, em uma coletiva de imprensa na Casa Rosada, sede do governo.
Peña afirmou, em sintonia com o que declararam na segunda-feira o presidente e seu pai, Franco Macri, que são sociedades "que não têm capital, nem movimento de dinheiro, sem ativos".
Consultado sobre a aparição do nome do presidente em uma segunda empresa "offshore", chamada Kagemusha SA, criada em 1981 de acordo com um registro oficial panamenho divulgado pela imprensa argentina, Peña também minimizou os fatos.
"Temos os mesmos rumores jornalísticos. É o mesmo caso, uma empresa do pai, que foi constituída para algum fim, mas que depois não teve atividade, e onde os familiares são colocados como diretores por uma questão de confiança", explicou.
Segundo os documentos divulgados, a Kagemusha foi registrada em 11 de maio de 1981, quando Macri tinha 22 anos, e diz que está em vigor. Franco Macri figura como presidente, Mauricio Macri como vice-presidente e seu irmão Gianfranco como secretário.
Franco Macri é dono de um dos conglomerados de empresas mais importantes da Argentina.
Os "Panama Papers", como é chamado o escândalo mundial após um vazamento do escritório panamenho de advocacia Mossack Fonseca, especializado em criar empresas em paraísos fiscais, envolve 570 argentinos.
Entre eles figura Daniel Muñoz, um ex-secretário particular do falecido ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), e o empresário esportivo Alejandro Burzaco, ex-titular da empresa Torneos SA, em prisão domiciliar em Nova York pelo Fifa Gate.
Ofensiva opositora
O kirchnerismo pediu a formação de uma comissão de investigação e a deputada da Frente de Esquerda Myriam Bregman apresentou um projeto para que Macri informe sobre "sua relação contratual e patrimonial, passada e presente" nas duas "offshore".
Na segunda-feira, Macri afirmou que sua presença como diretor na empresa Fleg Trading Ltd., constituída nas Bahamas, foi "uma operação legal feita por outra pessoa".
"Não fiz nada de errado, estou muito tranquilo", afirmou o presidente.
Outro alvo de críticas opositoras foi Laura Alonso, ex-deputada do partido de Macri PRO, e titular do Escritório Anticorrupção, que na segunda-feira defendeu o presidente no Twitter.
"Constituir uma sociedade em um paraíso fiscal não constitui nenhum crime em si mesmo, a não ser que fique provado que tenha sido um veículo para lavar ativos, concretizar uma evasão impositiva ou outro crime", disse Alonso. Suas declarações lhe valeram pedidos de renúncia e o governo expressou pleno apoio a ela.
AFP