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Os suíços não querem uma proibição radical dos experimentos com animais. Mais de três quartos da população rejeitaram a iniciativa. Duas outras propostas também foram rejeitadas neste domingo nas urnas.
Os pesquisadores suíços poderão continuar a realizar experimentos com animais. A grande maioria dos eleitores suíços rejeitou, sem surpresa, a iniciativa de proibir qualquer teste em animais levada a plebiscito neste domingo. Dois outros temas também tiveram o mesmo fim e a proposta de acabar com as propagandas de cigarro para menores foi a única que conseguiu convencer os suíços.
Uma iniciativa "extrema demais"
A iniciativa, lançada por um grupo de cidadãos do cantão de St. Gallen (incluindo um naturopata, um clínico geral e um agricultor orgânico), queria proibir todos os experimentos com seres vivos da Suíça. Isto significaria que os animais não poderiam mais ser utilizados na pesquisa científica. Também teria sido proibida a importação de novos medicamentos desenvolvidos por estes métodos.
"É uma pena: a Suíça poderia ter sido o primeiro país a proibir os testes em animais", disse Renato Werndli, co-presidente do comitê de iniciativa, em entrevista à Rádio e Televisão Suíça (RTS). O médico de St. Gallen sentiu que havia uma "dissonância" entre a população entre a consciência das injustiças feitas aos animais e este voto. "A situação dos animais é muito ruim, tanto na pesquisa quanto na indústria alimentícia", disse.
Considerada "extrema demais", a iniciativa não agradou muitas pessoas. No Parlamento, ninguém votou a favor do texto, um caso raro. Todos os partidos também votaram contra a proposta. Até a Sociedade Suíça para a Proteção dos Animais (SPA) não era a favor. Esta última favorece uma melhor promoção de métodos alternativos.
"Com a oposição de todos os partidos, o projeto de lei não teve chance", reagiu Léonore Porchet, deputada do partido verde e integrante do comitê que foi contra a iniciativa, quando entrevistada pela agência Keystone-ATS. No entanto, ela acredita que deveria ser feito mais para restringir o máximo possível o uso de experimentos com animais na pesquisa. "Nosso partido já se mobilizou para este fim no Parlamento", disse.
A rejeição maciça da iniciativa não dá aos pesquisadores uma liberdade total, disse Simone de Montmollin, deputada do Partido Liberal Radical (PLR/direita). Ela disse que alternativas aos testes em animais devem continuar a ser procuradas, mas que ainda há situações em que uma substância ou tratamento deve ser validado por tais testes. "Este é particularmente o caso com o envelhecimento da população ou com os cânceres", declarou.
Pela quarta vez em sua história, os eleitores suíços recusam a proibição de testes em animais. Eles já rejeitaram três iniciativas populares sobre este assunto em 1985 (em 70%), 1992 (em 56%) e 1993 (em 72%).
Desconfiança em relação aos jornalistas
55% dos suíços rejeitaram um pacote de ajuda à mídia que pretendia fornecer um adicional de CHF 151 milhões por ano para jornais, estações de rádio e televisão privadas e novas mídias online, a fim de garantir a diversidade e a qualidade das informações.
Os adversários do projeto temiam que a mídia perdesse sua independência e que a ajuda financeira acabasse beneficiando os grandes grupos privados.
A campanha do referendo foi marcada por acusações de manipulação de números de ambos os lados.
O papel da mídia durante a crise sanitária também foi um pano de fundo para a votação. A transmissão de um vídeo no início de janeiro no qual Marc Walder, o patrão do grupo Ringier, declara seu apoio ao governo em sua gestão da crise do coronavírus, causou muita polêmica.
As pessoas críticas às medidas de saúde, lideradas por representantes do Partido Popular Suíço (SVP), aproveitaram a votação para mostrar sua desconfiança em relação à mídia e jornalistas reconhecidos.
Um bom e velho clássico
Os suíços não estão preparados para reduzir a tributação das grandes empresas. A abolição de um selo de imposto sobre o capital acionário, apesar de ser apoiada pelo governo e por uma maioria do parlamento, também foi derrotada na votação popular.
A abolição deste imposto foi apoiada pelo governo e foi aceita por uma maioria do Parlamento. Para aqueles a favor da proposta, a abolição teria encorajado o investimento em empresas suíças e ajudado a superar a crise causada pela pandemia. Também teria eliminado uma desvantagem competitiva para a Suíça como local de negócios, já que apenas Liechtenstein, Grécia e Espanha ainda cobram tal imposto na Europa.
A esquerda e os sindicatos se opuseram a esta abolição. Eles acreditavam que a abolição do imposto só beneficiaria as empresas mais ricas de um setor que já está isento da maioria dos impostos.
O apoio à economia, por um lado, e a justiça fiscal, por outro, esta questão deu origem a um clássico confronto de direita-esquerda. Derrotada no parlamento, a esquerda decidiu apelar para o povo através de um referendo. Os cidadãos finalmente se mostraram receptivos a seus argumentos.
Cantinho dos fumantes
A fumaça dos cigarros vem perdendo espaço na Suíça há mais de vinte anos. Os cigarros já foram banidos da maioria dos espaços públicos e ficou mais difícil anunciar os derivados do tabaco.
A votação deste domingo marca mais um passo. A iniciativa popular exigindo regras mais rígidas para limitar o apelo das propagandas de cigarros aos menores acabou sendo a única proposta a convencer os eleitores.
A iniciativa exige que a promoção da saúde dos jovens seja acrescentada aos objetivos sociais definidos na Constituição.
Ela também exige a proibição de "todas as formas de publicidade que atinjam crianças e jovens". Como resultado, tal publicidade de produtos de tabaco só seria possível na mídia especificamente destinada a adultos.
Esta proposta partiu de várias organizações de saúde e de jovens. Foi apoiado pela esquerda, pelos Verdes Liberais e pelo Partido Evangélico.
Por outro lado, a iniciativa teve a oposição do governo e da maioria dos partidos de direita e do centro, que representam a maioria no Parlamento. Eles consideraram a iniciativa muito extrema, pois a publicidade só seria permitida nos poucos lugares ou meios que são inacessíveis aos jovens.
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