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Pompeo reforça aliança contra a Venezuela de Maduro em turnê na América do Sul
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, aumentou a pressão sobre a Venezuela nesta sexta-feira (18), em uma viagem relâmpago por países da América do Sul durante a qual defendeu a saída do presidente Nicolás Maduro.
No Brasil, o membro do governo Donald Trump visitou um centro de refugiados em Boa Vista, na fronteira com a Venezuela, destacando a situação de quase cinco milhões de venezuelanos que nos últimos anos foram obrigados a deixar seu país, mergulhado em uma crise econômica, social e política.
“As pessoas com quem falei hoje estão desesperadas para voltar ao seu país”, disse Pompeo, referindo-se às reuniões que teve com os venezuelanos no centro de pedidos de asilo.
“Querem o mesmo que qualquer ser humano: dignidade. Querem voltar a uma Venezuela democrática, pacífica e soberana, onde seus filhos possam encontrar trabalho”, acrescentou.
Estima-se que 260.000 venezuelanos entraram no Brasil nos últimos anos e 46.000 deles obtiveram o status de refugiado, segundo dados da ONU.
Pompeo acusou Maduro de ser "um líder que destruiu seu próprio país, um homem que causou um desastre de enormes proporções" e o chamou de "traficante de drogas", referindo-se às acusações feitas no início deste ano pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o presidente venezuelano e seu círculo próximo.
“Sabemos que o regime de Maduro dizimou o povo da Venezuela e que o próprio Maduro é acusado de tráfico de drogas. Isso significa que ele tem que ir embora”, disse Pompeo pela manhã em Georgetown, capital da Guiana.
Ele também destacou a ajuda de três milhões de dólares que Washington forneceu à Guiana para os cerca de 22.000 venezuelanos abrigados no pequeno país.
A Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, viu sua economia encolher a menos da metade sob a presidência de Maduro, sucessor do líder bolivariano Hugo Chávez, que morreu em 2013.
Os Estados Unidos e o Brasil fazem parte dos cinquenta países que consideram ilegítimo seu segundo mandato, iniciado em janeiro de 2019, e reconhecem o opositor Juan Guaidó como presidente interino.
No Brasil, Pompeo se reuniu com o chanceler Ernesto Araújo e outros altos funcionários do governo do presidente Jair Bolsonaro.
Ainda na capital de Roraima, visitou um posto de registro de refugiados da Operação Boas-vindas e um centro de distribuição de alimentos para venezuelanos que vivem em situação delicada.
No local, Pompeo anunciou uma nova ajuda, de 348 milhões de dólares, para os países que recebem venezuelanos, com a qual a contribuição dos Estados Unidos ultrapassa os 1,2 bilhão de dólares.
Em entrevista coletiva conjunta, Pompeo e Araújo reafirmaram seu apoio a Guaidó. Essa postura "não é só apoiar um jovem líder corajoso, é apoiar a Constituição da Venezuela e a autoridade legítima do país", disse Araújo.
- Petroleiros iranianos -
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos ofereceu uma recompensa de 15 milhões de dólares pela prisão de Maduro, acusando-o de tráfico de drogas nos Estados Unidos.
No entanto, Maduro conta com o apoio das poderosas Forças Armadas da Venezuela e de países como Rússia e Irã na arena internacional.
No mês passado, os Estados Unidos apreenderam a carga de quatro petroleiros com combustível do Irã e com destino à Venezuela para aliviar as necessidades de energia do país.
Pompeo se recusou a antecipar se Washington fará o mesmo com três outras embarcações iranianas que supostamente estariam seguindo para o país caribenho.
"Mas, como suponho que o mundo tenha visto, evitamos que remessas anteriores chegassem à Venezuela", disse ele.
"Fazemos o possível para rastreá-los e negar a eles a capacidade de enriquecer Maduro e seus comparsas", disse Pompeo.
O secretário de Estado, que iniciou sua jornada pelo Suriname na quinta-feira, partiu no final da tarde para a última etapa de sua viagem, na Colômbia. O governo conservador de Iván Duque é outro forte aliado de Washington na crise venezuelana.
- "Viagem de guerra" -
Maduro respondeu às acusações de Pompeo, afirmando nesta sexta-feira que o secretário de Estado americano "fracassou" em sua "bélica" viagem pela América do Sul.
"Mike Pompeo está em uma viagem de guerra contra a Venezuela, mas o tiro saiu pela culatra e Mike Pompeo falhou em todas as suas tentativas de organizar os governos do continente em uma guerra contra a Venezuela", disse Maduro durante uma videoconferência com militares transmitida pelo canal do governo.
Durante uma transmissão na qual foram exibidos exercícios da Milícia Bolivariana, composta por 4,5 milhões de civis e vinculada às Forças Armadas, Maduro reiterou que os Estados Unidos estão armando um complô contra ele.
"Nem mil Mikes Pompeos serão capazes de trazer a guerra à América do Sul", disse Maduro, acompanhado pelo ministro da Defesa, o general Vladimir Padrino López, e pelo comandante da milícia.
No início deste ano o Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou acusações de tráfico de drogas contra Maduro e seu círculo íntimo, oferecendo uma recompensa de 15 milhões de dólares por sua prisão.
No entanto, Maduro, sob cuja gestão o país com as maiores reservas de petróleo do mundo caiu na pior crise de sua história recente, recusa-se a recuar e mantém o apoio das Forças Armadas, consideradas o seu principal apoio, ao lado da Rússia, Irã, China e Turquia.