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Há 60 anos, mais de 100 mil pessoas aclamavam o imperador Haïlé Sélassié I, da Etiópia. Oferecendo ao soberano as pompas de uma visita de Estado, o governo suíço queria lhe fazer esquecer que o havia abandonado em 1936 na guerra da Abissínia contra as tropas de Mussolini.
Este conteúdo foi publicado em 17. maio 2014 - 11:00
Esse grande evento de 1954 é comemorado com uma exposição no castelo de Jegenstorf, onde ficou hospedado o ilustre convidado. O exótico soberano tinha percorrido as ruas de Berna, capital suíça, em carruagem aberta, recebendo saudações da população. Dispensadas das escolas, havia muitas crianças que acenavam com bandeirinhas nas ruas.
Mas esse caloroso entusiasmo escondia uma certa ambivalência criada pelo pano de fundo dessa visita: o governo federal queria reconquistar os favores de Haïlé Sélassié, perdidos em 1936. Na época, quando as tropas fascistas italianas tinham invadido a Etiópia e utilizado um gás tóxico, a Suíça tinha fechado suas portas ao imperador banido em busca de refúgio. A empresa suíça Bührle não sofrido desse distanciamento porque havia vendido armas por milhões de francos suíços à Etiópia.
A exposição “Um imperador em visita. A visita de Estado de Haïlé Sélassié em 1954” está no Museu da Decoração de Berna no castelo de Jegenstorf até 19 de outubro de 2014.
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