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No Lyceum Alpinum, descendentes das elites européias criam suas primeiras redes de contato. Para exercitar, elas até criam empresas, vendem produtos e negociam ações numa bolsa informal.Este conteúdo foi publicado em 24. novembro 2004 - 14:05
Apesar de elitista, escola também oferece um número reduzido de bolsas para alunos com notas máximas.
Dessa forma as elites do futuro são preparadas. Além da invejável infra-estrutura, os jovens aproveitam o tempo na escola para criar sua primeira rede de contatos.
Nos últimos anos, alunos que freqüentam os cursos de administração juntam-se em grupos para criar pequenas empresas. Os produtos são desenvolvidos, produzidos e depois apresentados durante eventos em Zuoz, onde as famílias são os principais participantes e investidores. Quando uma idéia convence o público, ações são vendidas para recolher dinheiro e investir nas vendas. Em 2003, um desses grupos ganhou em Londres o principal prêmio no “European Young Enterprise Company”, uma competição européia de empresas juvenis.
Outra forma de reforçar os laços é através do Zuoz Club, uma associação fundada em 1923. Nele, os ex-alunos se denominam "old boys" ou "old girls" e participam de encontros regulares para praticar esportes anglo-saxões. A lista dos seus freqüentadores já é prova de prestígio: Gunther Sachs, playboy internacional e ex-marido da Brigitte Bardot; Ferdinand Piech, neto de Ferdinand Porsche e presidente legendário da Volkswagen; Graf Anton von Faber-Castell, da família nobre de industriais alemães; Carl von Siemens, pupilo de outra família industrial alemã; Sven Springer, neto e herdeiro de um império da mídia na Alemanha e membros da família nobre Hohenzollern.
E também brasileiros fazem parte da lista de ex-alunos: Arnon Affonso e Joaquim Pedro, filhos do ex-presidente do Brasil Fernando Collor de Mello. Questionado pelo repórter, o chefe de admissão no Lyceum Alpinum não conseguiu encontrar o nome dos dois no “Hall of Fame”. “Ao que me parece, eles nunca fizeram parte das equipes de cricket e hockey”, reflete Georges Fäh.
Como no quartel
Não apenas esporte é obrigação no Lyceum Alpinum, mas também uma conduta moral irrepreensível. Cigarros só são permitidos para os alunos com mais de 16 anos e semanalmente são realizados controles de urina. “Se detectarmos o consumo de qualquer droga ilegal, a pessoa é sumariamente expulsa da escola”, reforça Fäh. Ele conta que no ano passado seis jovens foram expulsos.
Meninos e meninas habitam em diferentes prédios, onde as entradas são controladas pelos olhos atentos de pedagogos. Quando uma aluna recebe visita masculina, ela deve manter sua porta aberta numa curva de "pelo menos 90 graus", como prevê o manual do internato.
Nele estão previstas todas as obrigações diárias, como o banho às seis e meia, o comparecimento às três refeições diárias, as aulas de sete da manhã às quatro da tarde e também a prática de esporte.
As saídas noturnas são permitidas, sendo limitadas, porém, de acordo com a idade. Muitos precisam da autorização dos pais para sair dos muros da escola. Em todos os casos, as portas são fechadas às onze da noite. "Depois disso, o aluno tem de procurar um hotel", explica Fäh.
Sem dinheiro, só com boas notas
“Nós temos orgulho dessa escola e achamos que os pais que trazem seus filhos para cá estão seguros de que não pode existir um lugar melhor”, conclui o rígido professor.
Além de ensinar história, o suíço também é responsável pela seleção e admissão de novos alunos. Nos próximos meses ele estará em missão na Rússia, onde irá apresentar a escola num clube de executivos. “Além disso, estamos reforçando nossos contatos em novos mercados como o asiático”.
Apesar de ser genuinamente uma escola para ricos, o Lyceum Alpinum recebe também alunos da região. Nesse caso o governo assume grande parte das despesas.
Para a maior parte dos mortais que, sem dispor de grandes recursos, mas interessados em enviar seus filhos para uma escola modelo, Georges Fäh é categórico: - “Não há problema, a criança só precisa ter notas máximas na escola”.
O Lyceum Alpinum distribui bolsas escolares, porém elas são em número muito reduzido. “Afinal, nossa escola depende das famílias que podem pagar nossas mensalidades”, conclui Fäh.
swissinfo, Alexander Thoele
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