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Posições do grupo de mercenários na cidade ucraniana serão transferidas ao exército russo. Após críticas a Moscou, líder do Wagner afirma que seus combatentes vão "descansar" e se preparar para "próxima missão".O chefe do grupo de mercenários russos Wagner, Yevgeny Prigozhin, confirmou nesta quinta-feira (25/05) o início da retirada de suas unidades da cidade ucraniana de Bakhmut e a transferência de suas posições para as tropas do exército russo.
"Estamos nos retirando com muito cuidado", disse Prigozhin em um vídeo postado em seu canal no Telegram.
Há cinco dias, ao anunciar a captura total de Bakhmutapós quase dez meses de luta, o líder do Wagner declarou que suas tropas, após cumprirem sua missão, se retirariam a partir desta quinta para campos de treinamento nas áreas de retaguarda.
"Transferimos as posições aos militares, assim como munições e até comida", detalhou.
Segundo ele, dois experientes combatentes do Wagner permanecerão em Bakhmut para apoiar o exército russo. A transferência deve ser concluída até 1º de junho.
"Vamos descansar, nos preparar, e depois receber outra missão", declarou Prigozhin.
O governo ucraniano confirmou a troca de posições das forças inimigas. A vice-ministra da Defesa ucraniana, Hanna Maljar, disse que as tropas do Grupo Wagner nos subúrbios de Bakhmut seriam substituídas por soldados russos regulares. Moscou não se pronunciou sobre o tema.
A Ucrânia rejeita a versão de Moscou de que a cidade esteja totalmente sob controle russo. Segundo Maljar, as forças armadas ucranianas controlam atualmente os subúrbios no sudoeste de Bakhmut.
Prisioneiros libertados
Também nesta quinta-feira, a Ucrânia anunciou a libertação de 106 soldados ucranianos que haviam sido feitos prisioneiros enquanto defendiam Bakhmut.
"Entre os que retornaram do cativeiro, há alguns que haviam sido dados como desaparecidos", disse o chefe do gabinete presidencial ucraniano, Andriy Yermak, encarregado das negociações com a Rússia para a troca de prisioneiros de guerra.
Yermak descreveu todos os libertados como heróis – oito oficiais e 98 soldados e sargentos – e reiterou que o governo do presidente Volodimir Zelenski trabalha para libertar todos os reféns ucranianos da Rússia.
"Cada troca nos aproxima mais desse objetivo", destacou.
Dezenas de milhares de mortes
Apesar de não ser considerada uma cidade estratégica, a batalha por Bakhmut assumiu uma importância simbólica para ucranianos e russos, que perderam um grande número de soldados ao longo de quase dez meses.
Na véspera do início da retirada do Wagner, Prigozhin reconheceu que cerca de 10 mil condenados russos recrutados por seu grupo morreram na batalha pelo controle de Bakhmut. No total, segundo ele, de 15 mil a 16 mil de seus homens morreram na cidade.
O líder do Wagner admitiu ter alistado cerca de 50 mil homens em prisões russas e estimou o número de mortos no lado ucraniano entre 50 mil e 70 mil.
Já os Estados Unidos estimaram as perdas russas na batalha de Bakhmut em quase 100 mil.
Críticas de Prigozhin
A campanha sangrenta em Bakhmut também revelou profundas tensões entre Prigozhin e o Ministério da Defesa russo, que ele repetidamente acusou de fornecimento insuficiente de armas e munições e de permitir que unidades regulares fugissem das posições assumidas pelo grupo paramilitar.
"Lutamos em Bakhmut não só contra o exército ucraniano, mas também contra a burocracia russa, que nos atravessou paus nas rodas, refiro-me especialmente aos burocratas próximos dos círculos militares", disse o líder do Wagner no fim de semana, depois de anunciar a tomada de Bakhmut.
O chefe do Grupo Wagner afirmou ainda que o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, e o chefe do Estado-Maior russo, Valeri Gerasimov, "transformaram esta guerra em entretenimento pessoal", e que os "caprichos" deles custaram um grande número de baixas ao grupo paramilitar.
le (Efe, Lusa, ots)