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A vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, afirmou nesta quinta-feira (7) que os Estados Unidos vivem o "colapso do mito da perfeição" democrática, após o caos que os apoiadores do presidente Donald Trump promoveram na quarta-feira no Capitólio.
"Nos sentimos em ativa solidariedade fraterna com o povo dos Estados Unidos que viveu o colapso do mito da perfeição, pois o que todo o planeta viu é a violação da lei, ao respeito do princípio democrático de que tanto se gaba os Estados Unidos de pregar", criticou Murillo, que também é esposa e porta-voz do presidente socialista Daniel Ortega.
Simpatizantes de Trump entraram furiosamente na sede do Congresso em Washington na quarta-feira, encorajados pelo próprio presidente, que segue alegando que a eleição que perdeu para o democrata Joe Biden foi "uma fraude", sem apresentar evidências.
Murillo disse que o que aconteceu em Washington são "as consequências terríveis e vergonhosas da arrogância, da vaidade, que são próprias do racismo e da supremacia dos Estados Unidos em sua expressão do Poder Executivo".
Ortega tem mantido relações tensas com o governo americano desde os protestos da oposição de 2018, que foram contidos após uma forte repressão das forças estatais, condenada pelos EUA e a comunidade internacional.
Murillo foi sancionada pela administração Trump em novembro de 2018, acusada de violar os direitos humanos durante as manifestações que exigiam a renúncia de Ortega e que deixaram pelo menos 328 mortos, de acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
As sanções implicam na proibição de entrada no território dos Estados Unidos e de fazer negócios com empresas do país.
Medidas semelhantes foram posteriormente estendidas pelo governo Trump a cerca de trinta funcionários e empresas nicaraguenses, a quem acusa de corrupção e violação dos direitos humanos. Entre eles estão três filhos do casal presidencial.
Ortega governa a Nicarágua desde 2007 pelas mãos de sua esposa, que em 2017 assumiu a vice-presidência. Segundo seus adversários, ele buscará o quarto mandato consecutivo nas eleições de novembro.