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O presidente peruano, Martín Vizcarra, negou neste domingo ter recebido pagamentos ilegais em 2014, quando era governador, em troca da aprovação de contratos para construtoras envolvidas no escândalo de corrupção da brasileira Odebrecht, do que foi acusado por um envolvido na causa.
"Nego, absoluta e categoricamente", declarou Vizcarra, depois que o jornal "El Comercio" revelou que uma testemunha indicou à Justiça que empresas "fizeram um pagamento ilícito de quase 300 mil dólares a Vizcarra, hoje presidente.
Esta é a segunda denúncia sobre corrupção que o presidente peruano enfrenta. Em setembro, ele superou uma moção de destituição no Congresso, acusado de pedir que duas assessoras mentissem em uma investigação sobre contratos envolvendo um cantor.
Por este último caso, que veio à luz após o vazamento de áudios, o Ministério Público anunciou na última sexta-feira que abrirá uma investigação contra Vizcarra quando ele deixar o poder, em julho que vem, e perder a imunidade.
Vizcarra afirmou que é "bastante original, e não uma casualidade", que a versão sobre os supostos pagamentos ilegais seja divulgada um dia depois que ele reivindicou saber "o que estava acontecendo com as investigações sobre a Odebrecht", que parecem paralisadas desde o início da pandemia no país, em março.
Segundo o jornal de Lima, um envolvido que deseja se tornar um colaborador eficaz em troca da redução de uma eventual pena declarou ao procurador Germán Juárez que "a empresa Obrainsa e sua sócia Astaldi, de capital italiano", fizeram o suposto pagamento ilegal em 2014. O desembolso teria sido feito em troca da autorização de uma obra em Moquegua, quando Vizcarra era governador daquela região.
O presidente defendeu sua gestão: "Desde o primeiro dia do meu governo, temos combatido a corrupção e atingido grandes interesses. Não é estranho que, quando cito a Odebrecht, apareça este tipo de manchete? Querem me calar?"
Em reação à versão do jornal, o congressista opositor José Vega, do União pelo Peru, informou a uma rádio que sua bancada começará a recolher assinaturas para apresentar uma nova moção de destituição contra o presidente.
A corrupção é um dos grandes problemas do Peru, onde o escândalo de subornos e pagamentos ilegais de campanha pela Odebrecht respingou em quatro presidentes.