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A Força Armada venezuelana se declarou "alerta" para evitar uma violação do território com a anunciada entrada de ajuda humanitária no sábado, rejeitando pedidos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do opositor Juan Guaidó de ignorar o presidente Nicolás Maduro.
Acompanhado pelo alto comando das Forças Armadas, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, reiterou "lealdade" e "obediência" a Maduro, respondendo a Trump, que na noite de segunda-feira pediu aos militares venezuelanos que aceitassem a "anistia" oferecida por Guaidó e rompessem com Maduro.
Reconhecido por 50 países como presidente interino da Venezuela, Guaidó enviou mensagens no Twitter para cada chefe militar estacionado nos postos fronteiriços: "Em 23 de fevereiro ele deve escolher entre servir Maduro ou servir o país. Permita que a ajuda humanitária entre", disse a eles.
O ministro assegurou, contudo, que os militares venezuelanos não permitirão ser "chantageados" e descreveu como "uma série de mentiras e manipulações" o que Trump e Guaidó falam sobre "essa suposta ajuda humanitária" como um confronto entre a Força Armada e os venezuelanos.
"A Força Armada permanecerá destacada e alerta ao logo das fronteiras, conforme ordenado por nosso comandante em chefe (Maduro), para evitar qualquer violação da integridade de seu território", disse Padrino.
Carregamentos de drogas e alimentos transportados em aeronaves militares dos EUA estão armazenados na cidade colombiana de Cúcuta, perto da ponte fronteiriça de Tienditas, bloqueados por militares venezuelanos com caminhões e outros obstáculos.
Um segundo centro de coleta no Brasil será aberto no estado fronteiriço de Roraima, com ajuda brasileira, e um terceiro em Curazao, onde uma aeronave chegará com a ajuda de Miami.
- "Vão passar por esses cadáveres" -
Os venezuelanos sofrem com a falta de alimentos e remédios, além de hiperinflação voraz que o FMI projeta em 10.000.000% este ano. Fugindo da crise, cerca de 2,3 milhões (7% da população) emigraram desde 2015, segundo a ONU.
Maduro, que culpa as sanções financeiras de Washington pela crise, rotula a ajuda enviada pelos Estados Unidos como um "show" e "migalhas" de "comida estragada" que servirão como pretexto para invadir a Venezuela militarmente.
Trump não descarta uma ação militar na Venezuela, e na segunda-feira avisou os militares que continuam apoiando Maduro que "não encontrarão refúgio". "Eles vão perder tudo", ameaçou.
"Eles não serão capazes de atravessar o espírito patriótico da Força Armada pela força para impor um governo fantoche, entreguista, anti-patriótico. Não conseguir isso. Vão ter que passar por esses cadáveres", respondeu o general Padrino.
Guaidó convocou mobilizações por todo o país para acompanhar os voluntários que vão em comboios de ônibus para as fronteiras em busca de assistência, e espera que os brigadistas que ajudem no processo aumentem de 700.000 para um milhão.
Tentando enfraquecer o apoio a Maduro, Guaidó pediu aos seus apoiadores que escrevam para cada soldado, "com argumentos, sem violência, sem insultos", para explicar as "razões para que fiquem ao lado dos milhões que pedem ajuda humanitária".
Na quarta-feira, o chefe das Forças Militares da Colômbia, Luis Navarro, e do Comando Sul americano, Craig Faller, se reunirão em Miami para discutir sobre a ajuda humanitária que os Estados Unidos enviam pela fronteira colombiana.
- Ajuda europeia -
Guaidó se reuniu nesta terça com os embaixadores da França, do Reino Unido, da Itália, da Espanha e da Alemanha e de organizações não governamentais.
Nos arredores do Congresso, os embaixadores anunciaram ajuda de seus países em mais de 18 milhões, além do embarque de 70 toneladas de remédios e alimentos da França.
Guaidó fixou a entrada da ajuda para o dia em que completa um mês que ele se autoproclamou presidente no comando, após o Congresso ter declarado Maduro "usurpador".
Um dia antes será celebrado um show com artistas internacionais em Cúcuta, que terá a participação dos presidentes Iván Duque (Colômbia) e Sebastián Piñera (Chile), para arrecadar 100 milhões de dólares em 60 dias, que serão somados a mais de 110 milhões reunidos em semanas anteriores.
Em contrapartida, o governo de Maduro anunciou shows nos dias 22 e 23 de fevereiro na ponte Simón Bolívar, que liga Cúcuta ao povoado venezuelano de San Antonio, para denunciar "a brutal agressão" contra a Venezuela.
Maduro, que também enviará caixas de comida para Cúcuta e dará assistência médica gratuita, anunciou que, na quarta-feira, chegarão 300 toneladas de remédios comprados dos russos, depois das 933 toneladas que entraram na semana passada, vendidas por China, Rússia e Cuba.
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