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Bernard Bertossa, o conhecido Procurador Geral do Cantão de Genebra, acha difícil rastrear os circuitos financeiros do suposto terrorista Oussama Ben Laden. "Os interesses dos corruptos do planeta são excessivamente grandes", diz Bertossa, em entrevista a swissinfo.
swissinfo: Desde os eventos de 11 de setembro, todo o mundo quer rastrear o fundo dos terroristas. Pode-se esperar sucesso ?
Bernard Bertossa: Será praticamente impossível determinar todo o circuito utilizado. Há claramente uma organização que financia os criminosos, mas está claro que Oussama Ben Laden não abriu conta em seu próprio nome. É também evidente que ele se beneficia de assistência de certos Estados que podem utilizar fundos secretos e fazer circular o dinheiro para camuflar sua procedência. Além disso, os terroristas utilizam o próprio dinheiro.
No entanto, os Estados Unidos fazem pressão sobre os países para que colaborem...
O presidente norte-americano devia também varrer na frente de sua porta, pois nos Estados Unidos é possível abrir conta bancária sem que se saiba de quem é o dinheiro. Acontece o mesmo na França, onde uma sociedade "offshore" pode ter uma conta sem revelar quem seja realmente o titular. Na Suíça, isso é impossível.
Essa situação vai mudar?
Estou moderadamente otimista a esse respeito. Os interesses dos corruptos no mundo são excessivamente grandes para que amanhã todas as transações financeiras ilegais se tornem acessível aos juízes, inclusive na Europa. Não acho que esse drama seja suficiente para provocar real mudança de tendência.
Mas certos países cooperam mais...
É. É verdade que atualmente a ajuda judiciária é um pouco mais fácil. Países como Liechtenstein e Luxemburgo modificaram a legislação e os magistrados colaboram muito mais que anteriormente. Mesmo as ilhas anglo-normandas mudam de atitude porque faz pouco tempo tivemos colaboração com Jersey em importante dossiê.
Os atentados nos Estados Unidos podem desbloquear certos dossiês?
A instauração de um mandado de prisão europeu saiu da gaveta, mas será difícil aplicá-lo. Quanto à criação de um ministério público europeu competente para crimes cometidos a expensas dos países da União Européia, esse projeto se arrasta há cinco anos.
O Parlamento Italiano debate nova lei sobre comissões rogatórias internacionais que multiplica os obstáculos para juízes. Qual é sua análise?
É um escândalo. Nunca vi isso. É contrário a todos os princípios gerais em matéria de prova. Trata-se claramente de uma disposição política destinada a anular todas as provas reunidas em processos em andamento.
Se for aceita, que conseqüências terá essa lei sobre o acordo de ajuda entre a Suíça e a Itália?
A intenção básica do acordo era facilitar a cooperação entre os dois países. Com essa nova lei, dá-se um passo para trás. Não somente o acordo se torna ineficaz, como também a Itália introduz novas possibilidades de entravar o trabalho dos juízes. Essa lei vai bloquear a colaboração com a Suíça.
Entrevista exclusiva concedida a Luigino Canal para swissinfo.