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Por Carlos Alberto Quiroga
LA PAZ (Reuters) - A Bolívia e os Estados Unidos estão prestes a normalizar suas relações diplomáticas mais de um ano após terem expulsado mutuamente seus embaixadores, disse neste sábado o presidente boliviano.
Evo Morales disse em uma entrevista coletiva que negociações iniciadas após a posse de Barack Obama, em janeiro, tiveram um grande avanço na semana passada, durante uma visita a Washington do chanceler boliviano, David Choquehuanca.
"O chanceler me informa que por fim (os negociadores norte-americanos) aceitam o acordo, com algumas observações", anunciou Morales, conhecido pelo seu habitual discurso "anti-imperialista".
"Todavia haverá negociações nos EUA como também aqui prevê-se que talvez, não é garantido, poderá se assinar em novembro o acordo para as novas relações diplomáticas", acrescentou.
Com a concretização do anúncio, La Paz e Washington fariam as pazes apenas a alguns dias de eleições gerais, previstas para 6 de dezembro, nas quais Morales tentará a reeleição com promessas de aprofundar sua revolução indígena e socialista, que inclui a nacionalização dos hidrocarbonetos.
Morales insistiu que a Bolívia espera desenvolver relações diplomáticas de respeito mútuo com os EUA e com o resto do mundo, "para o comércio justo, investimento e cooperação", reafirmando que o empobrecido país sul-americano, terceiro maior produtor mundial de coca e cocaína, não aceitaria mais "ingerência" em seus assuntos políticos internos.
"Se há cooperação, que seja de Estado a Estado, se há embaixador, que cumpra um trabalho diplomático, não um trabalho político", disse.
Morales expulsou em setembro de 2008 o embaixador norte-americano, Philip Goldberg, acusando-o de apoiar uma subversão de líderes regionais de direita.
O presidente boliviano expulsou também a agência antidrogas dos EUA e limitou as operações da agência de cooperação Usaid, com a mesma acusação de que estariam dando apoio à oposição conservadora, em meio a um processo de alterações na Constituição.
Washington respondeu com a expulsão do embaixador boliviano, Gustavo Guzmán, a retirada da Bolívia como cooperadora na luta contra o narcotráfico e a exclusão do país de um regime de facilidades comerciais.
Morales disse que na segunda-feira passada, dia de seu aniversário, recebeu um telefonema da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que expressou confiança em um acordo para a normalização das relações.
Apesar dos anúncios otimistas, Morales reiterou sua rejeição a um acordo militar entre a Colômbia e os EUA como contraditório com a recente nomeação de Obama para o Nobel da Paz.
Morales afirmou que este acordo, assinado na sexta-feira e que permitirá a operação de tropas norte-americanas em sete bases colombianas, ameaça os governos progressistas da região e é um perigo para a estabilidade democrática.
Reuters