Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02597.jsonl.gz/28

O ex-candidato à presidência da Venezuela Henrique Capriles disse nesta quarta-feira (26) que não havia decidido "ainda" se participará das eleições regionais deste ano no país por falta de condições, e apoiou a proposta do também opositor Juan Guaidó para retomar as conversas com o presidente Nicolas Maduro.
“Ainda não decidimos participar do processo eleitoral” porque “a nomeação do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) não é suficiente. Muitas outras coisas estão faltando”, afirmou à AFP Capriles, que enfrentou Hugo Chávez nas eleições de 2012 e, no ano seguinte, após a morte do líder socialista, encarou Maduro nas urnas.
A Venezuela realizará eleições para eleger governadores e prefeitos em 21 de novembro.
Serão as primeiras eleições após o boicote dos principais partidos da oposição às eleições legislativas de 2020, nas quais o chavismo retomou o Parlamento, e às eleições presidenciais de 2018, nas quais Maduro foi reeleito. Os adversários do presidente classificaram os dois processos como fraudulentos.
As eleições regionais foram convocadas por nova diretriz da CNE indicada pelo congresso, com três dos cinco reitores vinculados ao chavismo e dois à oposição.
“Defendo os dois reitores que temos na CNE”, disse Capriles numa comunidade pobre em Filas de Mariches, Miranda (norte), estado do qual foi duas vezes governador.
A designação da CNE, sublinhou Capriles, é "um primeiro passo, mas não é suficiente", uma vez que "condições" como "concretizar o monitoramento internacional", libertar "presos políticos" e resolver a desqualificação de opositores e organizações políticas.
O político emitiu um comunicado na véspera em que afirma apoiar a proposta de Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cinquenta países liderados pelos Estados Unidos, de retomar as negociações com o governo de Maduro.
Guaidó propôs uma negociação sob observação internacional para organizar eleições presidenciais e parlamentares em troca do "levantamento progressivo" das sanções contra o país.
Maduro disse estar disposto a conversar "onde e como quiserem", sem se referir à proposta de novas eleições presidenciais.
A Noruega mediou as negociações realizadas em 2019 entre os delegados de Maduro e Guaidó. Conversas que foram interrompidas devido à intensificação das sanções financeiras impostas por Washington ao governo chavista.