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Exatamente 8 meses depois de empossado na Casa Branca, George Bush falou no Congresso para mobilizar o povo americano para uma guerra longa e difícil contra o terrorismo. O presidente norte-americano lançou um ulltimato ao Taleban e advertiu os aliados ocidentais para escolher o campo: os Estados Unidos ou o terrorismo.
Eleito por ínfima maioria, o presidente Bush parece ter o apoio da grande maioria da população, diante da crise criada pelos atentados. No momento em que os cidadãos se sentem mais vulneráveis que nunca, Bush prepara-os a guerra. "Nosso país foi desperto pelo perigo e tem de defender a liberdade", declarou, reiterando que o risco de outros atentados persiste.
Não é uma guerra contra o Islã
Bush afirmou que o perigo vem de "organizações terroristas que têm ligações informais com o movimento Al-Kaida, cujo objetivo é impor seus pontos de vista extremistas". Acrescentou que trata-se de "um movimento marginal que deforme os ensinamentos do Islã e que quer matar os cristãos, os judeus, os americanos, inclusive civís, mulheres e crianças".
O presidente norte-americano sublinhou, no entanto, que a guerra contra o terrorismo não é uma guerra contra o Islã. "O inimigo não é nossos numerosos amigos árabes e muçulmanos , mas uma rede extremista de terroristas e todos os governos que o apóiam", afirmou.
Ele considerou os terroristas islamistas de "trairem a própria fé e de tentar tomar o Islã como refém" e comparou sua ideologia ao fascismo, ao nazismo e ao totalitarismo.Bush advertiu que resposta aos atentados "não será feita em uma única batalha mas em uma campanha longa e diferente de tudo que a América conheceu até agora".
Sem mencionar Oussama Ben Laden, ele lançou um ultimato ao Taleban para entregar imediatamente "todos os membros da rede Al-Kaida" e que essa exigência não é discutível nem negociável.
Escolher seu campo
Para a guerra contra o terrorismo, o presidente Bush afirmou serão utilizadas todas as armas, inclusive a diplomacia, a espionagem, a polícia e a justiça, a influência financeira, enfim, "todas as armas de guerra necessárias ao desmantelamento e à derrota da rede terrorista mundial".
O regime Taleban já reagiu afirmando que não vai entregar Be Laden. Manifestações anti-americanas foram duramente reprimidas no Paquistão.
Como há divergências, principalmente entre os europeus e vários países não pretendem dar um cheque em branco aos Estados Unidos, Bush afirmou, sem cita-los, que o Ocidente deve escolher seu campo: ficar ao lado dos EUA ou ao lado do terrorismo.
Mudar o regime Taleban
Os EUA planejariam derrubar o Taleban do poder e instalar uma administração provisória da ONU no país. A afirmação é do jornal "The Gaurdian", de Londres, citando um telegrama secreto da diplomacia norte-americana.
Posteriormente, o rei Zaher, derrubado em 1973 e exilado na Itália, seria reinstalado no poder para tentar promover a união de todas as tribus contra o regime Taleban.
swissinfo com agências