Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02542.jsonl.gz/25

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, durante a Assembleia Geral, em Santo Domingo, no dia 14 de junho de 2016(afp_tickers)
O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, convocou nesta quinta-feira os países-membros para ajudar a Venezuela a "retornar" à democracia e apoiar a realização de um referendo sobre o mandato do presidente Nicolás Maduro.
Em sessão extraordinária do Conselho Permanente sobre a crise política e econômica na Venezuela, Almagro avaliou que o país atravessa "uma grave alteração na ordem constitucional" e democrática.
"O Conselho Permanente deve manter-se do lado correto da história e defender um povo que precisa de voz", afirmou Almagro ante o plenário de embaixadores dos 34 países da OEA, na reunião em Washington.
Os países devem "apoiar a vontade do povo venezuelano em sua solicitação de um referendo" sobre o mandato de Maduro.
Almagro apresentou aos embaixadores seus questionamentos quanto à situação dos direitos humanos e políticos na Venezuela, contidos em um crítico relatório de 132 páginas que evoca a Carta Democrática Inter-americana.
Mas após quatro horas de discussões, o embaixador da Argentina, Juan José Alcurri, que ocupa a presidência rotativa do Conselho, encerrou a sessão sem que os países decidissem adotar qualquer tipo de medida para responder à situação venezuelana.
O secretário-geral da OEA assinalou que o objetivo "não é castigar ou impor sanções à Venezuela". "Estamos aqui para apoiar um Estado-membro e ajudá-lo a retornar ao caminho da democracia".
Se ao menos 18 países votarem a favor, a OEA poderá decidir tomar medidas diplomáticas para estabilizar a situação no país.
Em meio a uma grave situação econômica - a Venezuela registra a mais alta inflação do planeta e uma escassez crônica de alimentos e medicamentos.
A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, tentou - sem sucesso - cancelar a reunião, denunciando um "golpe de Estado" da OEA e tachando Almagro de ser "parte e juiz" de um processo contra o governo Maduro.
"Se pretende julgar um Estado-membro" da OEA, afirmou a diplomata. "A Venezuela está sendo julgada como na Inquisição e alguns países se dão ao banquete".
Ao menos vinte países, entre eles Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Panamá e Paraguai, votaram a favor da apresentação do relatório de Almagro. A Venezuela conseguiu o apoio de doze países e dois se abstiveram.
"Foi estabelecido um precedente terrível", advertiu a chanceler Rodríguez.
Venezuela, Bolívia e Nicarágua pediram a renúncia de Almagro por sua clara posição contra a Venezuela.
"O pedido, com total seriedade, é para que ele renuncie, mas sabemos que não vai atendê-lo, já que não tem princípios morais ou éticos", disse a chanceler venezuelana.
O deputado Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia venezuelana e líder da delegação que viajou a Washington para pedir que a OEA aplique a Carta Democrática Interamericana, comemorou o resultado da reunião desta quinta-feira.
"A arrogância da diplomacia venezuelana sofreu uma grande derrota hoje", disse Ramos Allup à imprensa em Washington.
Uma comissão do Parlamento venezuelano está em Washington para pressionar a OEA pela aplicação de sanções diplomáticas ao governo Maduro, o que Caracas afirma ser uma "traição à pátria".
A sessão desta quinta-feira foi a segunda esta semana sobre a situação venezuelana na sede do organismo regional, em Washington, depois que o ex-presidente do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, usou da palavra para convocar os países do continente a apoiar uma mediação da crise.
Zapatero defendeu a "plena imparcialidade" da iniciativa de mediação na Venezuela e pediu que se dê "uma oportunidade" ao diálogo entre governo e oposição no país.
O ex-governante espanhol falou como porta-voz da iniciativa que conduz, sob os auspícios da Unasul, em conjunto com os ex-presidentes Leonel Fernández, da República Dominicana, e Martín Torrijos, do Panamá, para concretizar um diálogo entre o governo venezuelano e a oposição.
AFP