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O escândalo provocado pela prisão de um suposto espião suíço na Alemanha, no final de abril, colocou sob foco o Serviço Federal de Inteligência (FIS, na sigla em alemão), o serviço secreto suíço. swissinfo.ch explica como o órgão funciona e quem o controla.
Qual é o trabalho do FIS?
Em resumo, o FISLink externo "se ocupa da detecção e prevenção do terrorismo, extremismos violentos, espionagens, proliferação de armas de destruição em massa e a disseminação de suas tecnologias, assim como ataques cibernéticos contra infraestrutura de interesse vital", explica no seu site.
Ele atua também no exterior para obter informações de interesse nacional, especialmente na avaliação de possíveis ameaças. O FIS serve ao governo, ministérios e o comando militar e ajuda as autoridades cantonais a manter a segurança interior.
Quantas pessoas trabalham para o FIS?
O FIS empregava 284 pessoas até o final de 2016, um aumento de 25 em comparação a 2014. O ministro suíço da Defesa, Guy Parmelin, afirmou que o número iria crescer em 20 até 2019.
Quem são os funcionários?
O FIS, cujo diretor é Markus Seiler, afirma que o órgão mantém nos seus quadros policiais, especialistas em informática, eletricistas, engenheiros, biólogos, juristas e também especialistas em idiomas como árabe, chinês ou em línguas eslavas, assim como arqueólogos, tradutores e funcionários de escritórios. A lista inclui 26 diferentes profissões.
Suas funções são descritas como técnicos em computação, analistas, pesquisadores e especialistas em relações internacionais.
Qual o orçamento do órgão?
O orçamento anual foi de 63,3 milhões de francos (US$ 63,2 milhões) em 2014 e 72,7 milhões para o atual ano.
Quais são as organizações parceiras do FIS no exterior?
Oficialmente seriam "aproximadamente 100 serviços estrangeiros de inteligência", mas o órgão se recusou a dar mais informações.
Na sequência de um processo judicial no ano passado, envolvendo o jornal "Blick", o FIS revelou pela primeira vez números sobre a extensão do intercâmbio de dados com outras agências no exterior: aproximadamente 9.000 documentos foram obtidos e 4.500 transmitidos em 2015.
Por que o serviço secreto suíço não tem órgãos separados de inteligência externa e interna como os Estados Unidos ou a Grã-Bretanha?
Até 2010 havia uma unidade doméstica ligada ao ministério da Justiça e uma agência responsável pelo serviço de inteligência estrangeira (ou militar) subordinada ao ministério da Defesa. Em resposta às críticas frequentes, especialmente do Parlamento federal, as duas unidades foram fusionadas criando o FIS.
Historicamente o serviço secreto militar federal foi criado apenas em 1937, poucos anos antes do início da Segunda Guerra Mundial. Anteriormente o serviço de inteligência era realizado pelas forças policiais.
Quão secreto é o serviço secreto e quem controla suas atividades?
O FIS é supervisionado pelo Conselho Federal (o corpo de sete ministros que governa a Suíça), comitês do Parlamento federal, o ministro da Defesa e a administração federal.
Como parte de uma nova lei, prevista para entrar em vigor em setembro, outro órgão de supervisão foi adicionado ao corpo controlados. Em 10 de maio, o governo nomeou Thomas Fritschi como diretor de um novo órgão independente de vigilância do serviço de inteligência.
O papel de Fritschi é assegurar que o serviço secreto, seus ramos cantonais e partes terceiras trabalhem de forma eficiente e no respeito às leis. Ele também coordena a supervisão realizada pelas diferentes unidades parlamentares e administrativas.
Em 2016, os eleitores aprovaram uma decisão do Parlamento federal de aumentar os poderes do FIS, permitindo aos agentes gravar ligações telefônicas privadas e monitorar atividades na internet para prevenir ataques terroristas.
Quão eficiente foi o serviço secreto suíço nos seus 70 anos de história?
Dada a natureza de sigilo das atividades do serviço secreto é impossível fornecer uma lista dos sucessos ou fracassos do suposto espião suíço que estaria investigando o fisco alemão para o FIS.
Mas o historiador suíço Christophe Vuillemier argumenta que o serviço secreto suíço tem 70 anos de experiência na montagem de uma importante rede de contatos. Ele afirma, porém, que essas atividades sofrem de falta de recursos, incluindo de funcionários.
Em entrevista à rádio pública RTS, ele ressaltou que as atividades de espionagem da Suíça têm uma certa tradição. Potencias estrangeiras contrataram no passado agentes suíços para trabalhar para eles, pagando salários lucrativos. Vuillemier afirma que a Suíça teve muitas vezes uma vantagem competitiva como país neutro nas duas grandes guerras.
Fracassos, erros e trapalhadas
Em agosto de 2016, o "Wochenzeitung" descreveu o FIS como um órgão com um histórico de fracassos, erros e trapalhadas. O jornal esquerdista semanal contou a história de um técnico de informática que trabalhava para o FIS e roubou dados confidenciais para vendê-los antes de ser preso em 2012.
Um recente artigo do jornal Tages-Anzeiger listou uma série de casos polêmicos que o FIS gostaria de esquecer.
Por exemplo: o do ex-funcionário do FIS, Dino Bellasi, que foi preso em 1999 sob suspeita de ter desviado do órgão 8.9 milhões (US$ 8.8 milhões) ao longo de dez anos de atuação.
Outro caso foi o de Claude Covassi, um agente contratado para espionar um controverso imame em Genebra. Porém ele acabou revelando informações sobre o seu mandato à imprensa suíça e converteu-se posteriormente ao Islã.
O Tages-Anzeiger também mencionou um suposto escândalo sobre um agente do serviço secreto que trabalhava em um caso de fraudes fiscais e vinho adulterado. Os computadores de diversos jornalistas que investigavam o caso foram hackeados.
O FIS também é suspeito de não ter detido a tempo o whistleblower franco-italiano Hervé Falciani, que supostamente estava por trás da venda de informações roubadas de 130 mil correntistas de bancos suíços que tentavam sonegar impostos nos seus países. Críticos afirma que o serviço de inteligência e o Procurador-Geral já tinham informações suficiente em 2008 para evitar o maior vazamento de dados bancários já ocorridos na história da Suíça. Falciani foi condenado à revelia em 2015 e recebido uma pena de cinco anos de prisão por espionagem financeira.
Além disso, houve a descoberta em 1989 das chamadas fichas dos serviços secretos. Nelas, até 900 mil pessoas e organizações suspeitas de conspirar contra o Estado suíço no período da Guerra Fria foram registradas pelas autoridades. O "escândalo de arquivos secretos" abalou o país.Aqui termina o infobox
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch