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A Conferência em Bonn, reunindo 178 países, chegou a um compromisso sobre o Protocolo de Kyoto, que fixa normas sobre combate ao aquecimento do planeta. O objetivo seria diminuir em 5.2% até 2012, com base nos níveis de 1990, as emissões de gases poluentes que provocam o efeito estufa e o conseqüente aquecimento global.
O compromisso acertado em Bonn, ex-capital alemã, enfraquece o Protocolo, mas teve o mérito de não o arquivar. Após uma maratona de negociações, o acerto foi adotado num clima de alívio, depois de a União Européia - EU - ter conseguido convencer 4 países hesitantes: Japão, Canadá, Rússia e Austrália
O país que mais polui ficou fora
A aplicação do Protocolo de Kyoto (Japão) estava seriamente comprometida com a recusa (em março) da administração George W. Bush de ratificá-lo. Bush alega que o acordo, assinado em 1997 é "fundamentalmente defeituoso", principalmente por não impor cotas aos países emergentes, em particular à Índia e China. Julga também que o preço a pagar é alto demais, prejudicando a economia norte-americana. (Os Estados Unidos produzem 26 por cento de CO2).
Na conferência em Bonn, o Japão ficou muito tempo em cima do muro. Depois de conseguir concessões especiais saltou para o lado da União Européia. (Tóquio exigia e conseguiu abrandamento dos "mecanismos de conformidade" que tratam do regime de cumprimento com sanções previstas para os países que não atingissem os objetivos fixados).
Compromisso satisfaz representante da UE
Em sua primeira reação, o representante da EU, Olivier Deleuze, estimou preferir "um acordo imperfeito que funcione a um acordo perfeito inexistente". E num tom de desafio (endereçado aos Estados Unidos) realçou: "Em que vêem vocês uma imperfeição no acordo de Kyoto?".
O compromisso de Bonn permite a continuação do processo de ratificação do documento assinado em Kyoto. O acordo entrará em vigor se for ratificado por pelo menos 55 países que representem 55% das emissões de gases poluentes (que provocam o efeito estufa e o conseqüente aquecimento da Terra).
"Um passo, modesto, na boa direção"
Reagindo ao acordo firmado em Bonn, Beat Nobs, embaixador suíço para questões de meio ambiente disse a swissinfo ter ficado muito satisfeito, enfatizando: "Esse protocolo representa um passo muito importante na boa direção. Trata-se do primeiro acordo internacional nesse domínio (meio ambiente) e agora podemos trabalhar no sentido de implementar essas medidas".
O chefe da delegação suíça, Philippe Roch, diretor da Divisão Federal de Meio Ambiente, também fez questão de realçar que foi um passo à frente, embora modesto.
Os negociadores reunidos em Bonn esperam que o tratado entre em vigor em 2002.
swissinfo com agências.