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O novo ministro da Defesa, general Braga Netto, estreou no cargo nesta terça-feira (30), afirmando que o golpe que instaurou uma ditadura militar no Brasil em 31 de março de 1964 deve ser "celebrado" como um "movimento" que permitiu "pacificar o país".
Há 57 anos, em plena Guerra Fria, havia "ameaça real à paz e à democracia", alegou o ministro, nomeado na segunda-feira pelo presidente Jair Bolsonaro em uma "Ordem do dia alusiva ao 31 de março de 1964".
"As Forças Armadas acabaram assumindo a responsabilidade de pacificar o País, enfrentando os desgastes para reorganizá-lo e garantir as liberdades democráticas que hoje desfrutamos", acrescentou.
Para Braga Netto, "o movimento de 1964 é parte da trajetória histórica do Brasil" e "assim devem ser compreendidos e celebrados os acontecimentos daquele 31 de março".
Bolsonaro, ex-capitão do Exército, tentou resgatar as celebrações ao golpe de 1964 desde que chegou ao poder, em janeiro de 2019. No ano passado, o então ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, substituído nesta terça por Braga Netto, afirmou que "o movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira".
O analista Tales Faria, do portal UOL, considerou que a Ordem do dia deste ano foi moderada em comparação com a de 2020 e que pode ser "fruto de um acordo entre os comandantes militares, tentando pacificar o ambiente interno, depois que ficou evidente que a insistência do presidente em fazer loas a um regime de exceção não era sem motivos".
Resta ver quem são os combatentes em questão, visto que Bolsonaro substituiu nesta terça os comandantes de todas as armas e ainda não nomeou seus sucessores.
Os analistas consideram que a substituição está relacionada com o descontentamento dos comandantes com as tentativas de Bolsonaro de politizar as Forças Armadas.
O golpe de 1964, que depôs o presidente João Goulart, instaurou um regime que durou até 1985.
Segundo relatório de 2014 da Comissão Nacional da Verdade (CNV, um organismo oficial), a ditadura foi responsável por 434 assassinatos e desaparecimentos e por centenas de prisões arbitrárias e torturas. Esse balanço não inclui as muitas mortes de indígenas e camponeses, resultantes de conflitos agrários.
Diferentemente de seus vizinhos, o Brasil nunca julgou os agentes do Estado, acusados de cometer crimes durante as ditaduras dos anos 1970 e 1980 na América Latina, invocando a Lei de Anistia de 1979.
Documentos americanos que tiveram seu sigilo suspenso em 2018 revelaram que a eliminação de dissidentes era decidida em alguns casos no palácio presidencial.