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Um livro intitulado “Gotthard via subalpina” abre as portas para o monumental canteiro de obras do que será o mais longo túnel do mundo.
Os autores da obra, o engenheiro Nicolas Steinmann e o fotógrafo Maurice trazem números e imagens que impressionam.
Alguns números para começar: duas galerias de 57 quilômetros, ligadas entre si por 175 canais de comunicação. As brocas conseguem avançar 20 metros diariamente no granito. Apenas 25 centímetros de erro máximo são tolerados nas junções das diferentes partes do túnel.
“O entulho provocado pela obra corresponde a cinco vezes a pirâmide de Keóps. Com uma parte desse material nós iremos construir pequenas ilhas artificiais no lago dos Quatro Cantões”.
Acima do arco do túnel, as camadas de rochas podem ter mais de 2.300 metros de espessura. Na obra trabalham mais de 1.800 operários.
Essas outras informações são dadas com orgulho por Nicolas Steinmann, engenheiro no consórcio AlpTransit Gotthard no livro lançado no final de 2002.
Aproximação cultural
Porém não é apenas a técnica que predomina nessa obra escrita em três idiomas. Moritz Leuenberger, ministro dos Transportes, escreveu no prefácio suas considerações. “Os atores não se reduziram a descrever apenas o aspecto técnico, mas também abordaram suas dimensões culturais”.
Os operários, por exemplo, vêm de uma dezena de diferentes países. No contexto histórico-geográfico do Gotthard: o eixo “natural” de comunicação entre norte e sul da Europa há séculos. Mesmo a Suíça nasceu na parte norte desse maciço de montanhas.
Como Nicolas Steinmann teve a idéia de escrever um livro sobre o tema? Ele próprio responde à questão: - "A idéia veio da constatação que os suíços da parte francesa se interessavam pouco pelas obras no Gotthard.
Sobre o Gotthard
Atualmente dois túneis atravessam o Gotthard: o primeiro, ferroviário, localizado entre Göschenen et Airolo, foi construído em 1882. O segundo é utilizado por automóveis e caminhões e foi concluído em 1980.
AlpTransit Gotthard, empresa ligada à Rede Ferroviária Federal Suíça, foi criada para construir o novo eixo do Gotthard, ou seja, três túneis: um no Monte Ceneri no cantão do Tessim, o novo túnel do Gotthard e, finalmente o Zimmerberg, ao sul de Zurique.
Esse complexo ferroviário irá permitir uma viagem de 2 horas e 40 minutos entre Zurique e Milão, ao invés da duração atual de 4 horas e 20 minutos. Os trens de carga irão poderão tirar centenas de caminhões das estradas suíças e italianas.
O túnel do Gotthard terá 57 quilômetros de distância e entrará em funcionamento a partir de 2014. Ele será o túnel mais longo do mundo. Em alguns trechos chega a subir 520 metros acima do nível do mar, por dentro da montanha.
Nicolas Steinmann, engenheiro e funcionário da AlpTransit Gotthard, é chefe de projeto para equipamento elétricos e trabalha na obra desde 1994.
Maurice Schobingen nasceu em Vevey em 1960. O fotógrafo realiza trabalhos de arquitetura, indústria, obras de construção e paisagens, sobretudo de montanha.
swissinfo, Bernard Léchot
adaptação de Alexander Thoele