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Agência da Qatar Airways em Abu Dhabi(afp_tickers)
A suspensão dos voos com destino e origem em Doha decidida por vários países árabes causava perturbações no Golfo, enquanto tentativas de mediação começavam a se desenhar para frear a crise sem precedentes em torno do Catar, isolado e acusado de "apoiar o terrorismo".
O emir do Kuwait, o xeque Sabah al-Ahmad Al-Sabah, viaja nesta terça-feira à Arábia Saudita para uma mediação entre Doha e Riad, segundo anunciaram deputados kuwaitianos.
Na segunda-feira, Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Egito e Iêmen romperam relações diplomáticas com o Catar.
Medidas econômicas foram adotadas, como o fechamento das fronteiras terrestres e marítimas, a proibição de voo imposta às companhias aéreas do Catar e restrições de viagem às pessoas.
Seis companhias do Golfo suspenderam "até novo aviso" seus voos de e para Doha, impedindo os passageiros de viajar.
No site da Dubai Airports, todos os 27 voos com destino para Doha estavam marcados como "cancelados".
A companhia Emirates de Dubai indicou a seus clientes que reembolsaria as passagens ou reservaria voos para outros destinos.
A Aviação Civil saudita também proibiu as companhias aéreas do Catar de sobrevoar o reino, o que deve resultar em desvios, atrasos e custos operacionais adicionais.
As autoridades sauditas também anunciaram nesta terça que cancelaram a licença da Qatar Airways e decidiram fechar os escritórios da empresa "dentro de 48 horas".
A Qatar Airways anunciou que suspendeu indefinidamente todos os voos para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito.
Em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, filas se formavam em frente a uma agência da Qatar Airways.
"Acabo de saber que não poderei utilizar minha passagem", relatou à AFP Farrukh Hafez, que trabalha em Abu Dhabi e que desejava viajar a Manchester.
- 'Retenue' -
Durante a madrugada, o Catar dava a impressão de buscar uma solução para a crise, pedindo um "diálogo aberto e honesto".
Em entrevista à Al-Jazeera, o chefe da diplomacia do emirado, o xeque Mohamed ben Abderrahmane Al-Thani, assegurou que não haveria "escalada" da parte do Catar.
O chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, declarou nesta terça-feira que primeiro é preciso "restaurar a confiança", exigindo "um roteiro com garantias", a fim de retomar o diálogo com Doha.
Vários países tentam mediar a crise - a pior desde a criação em 1981 do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) - como o Kuwait.
A Turquia, que tem laços estreitos com as monarquias do Golfo, também defendeu o diálogo.
Na segunda-feira à noite, o rei saudita Salman recebeu um telefonema do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, e nesta terça-feira o porta-voz do governo turco afirmou que Erdogan iniciou "esforços diplomáticos".
Aliado de Riad e Doha, os Estados Unidos solicitaram na segunda-feira que os países do Golfo permanecessem "unidos".
O chanceler do Catar ressaltou o carácter "estratégico" das relações com os Estados Unidos.
O país abriga a maior base aérea americana na região, sede do comando dos Estado Unidos para o Oriente Médio. A base é crucial para a luta contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraqu.
- 'Diálogo imperativo' -
O Catar também foi excluído da coalizão militar árabe liderada por Riad que combate os rebeldes pró-iranianos no Iêmen. E é acusado de apoiar grupos radicais islâmicos e de não tomar distância suficiente do Irã, rival da Arábia Saudita.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, também defendeu o diálogo. "Os vizinhos são permanentes, a geografia é imutável. A coerção não é a solução. O diálogo é imperativo, especialmente durante o Ramadã", disse ele.
Rico país de política externa controversa, o Catar havia inicialmente reagido com indignação à decisão anunciada por Riad e seus aliados, acusando os vizinhos de querer "colocá-lo sob tutela" e asfixiar sua economia.
O Catar sempre seguiu sua própria política regional, afirmando sua influência pelo esporte - sediará a Copa do Mundo de futebol de 2022 - e pela imprensa com a Al-Jazeera, cujos escritórios foram fechados em Riad na segunda-feira.
Mas é acusado por seus detratores de manter ligações com a Al-Qaeda, o EI e a Irmandade Muçulmana, classificados como "terroristas" por alguns países árabes.
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AFP