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Representantes de empresas da Suíça estão começando a explorar o potencial comercial com o Irã, apesar dos negócios com o país dos aiatolás continuar sendo delicado e o acordo nuclear ainda não ter sido finalizado.
Com seus vastos recursos de gás e petróleo e mais de 80 milhões de habitantes, muitos dos quais especialistas bem formados e membros de uma classe rica, o Irã apresenta um grande potencial econômico. Se as sanções contra o país forem suspensas, isso poderia permitir parcerias econômicas interessantes.
Mesmo a Secretaria de Estado Suíço para Assuntos Econômicos (SECO) faz questão de cultivar relações com o país. Em abril, uma delegação de representantes econômicos vai viajar para Teerã a fim de determinar as oportunidades econômicas.
"Gostaríamos de saber como o governo iraniano quer prosseguir até que sejam concluídas as negociações, e após as sanções forem suspensas", diz a delegada do governo para acordos comerciais, que lidera a delegação e foi embaixadora da Suíça em Teerã até 2013, Livia Leu.
No Irã, a delegação vai estar em contato com ministérios, autoridades e operadores econômicos.
Transações financeiras misteriosas
Os representantes econômicos que fazem negócios com o Irã durante o embargo são normalmente reservados a perguntas da mídia. Especialmente as indústrias farmacêutica e alimentícia, bem como determinados setores que não foram diretamente afetados pelas sanções, como a indústria relojoeira.
Não são apenas as empresas suíças de pequeno e médio porte que atuam no Irã; multinacionais, como Nestlé, Holcim ou Novartis, também. Um representante da empresa farmacêutica suíça Novartis fará parte da delegação. A empresa confirmou ter um escritório de representação no Irã. "Temos um acordo com uma empresa iraniana para a produção e distribuição local", diz a empresa, que garante "oferecer remédios aos pacientes em estrita conformidade com as sanções e regulamentações econômicas impostas pelos os EUA, a UE e a Suíça".
A Novartis não quis comentar como a empresa trata suas transações financeiras com um país excluído do mecanismo global de transação SWIFT. "Nós não revelamos detalhes financeiros", diz.
Economia sedenta
A Bühler Holding AG, com sede em Uzwil, no cantão de St Gallen, tem estado presente no Irã desde 1976. "Além da sede em Teerã, a Bühler tem seu próprio local de produção em Astara. Estar presente no país nos permite oferecer um melhor serviço aos nossos clientes iranianos", conta a empresa, que vende moinhos e outros equipamentos de processamento de alimentos no mercado iraniano.
A empresa do leste da Suíça, que emprega mais de 10.000 pessoas em todo o mundo e fabrica produtos para as indústrias de automóveis, embalagens e produtos eletrônicos, recusou-se a fornecer qualquer detalhe sobre seus pagamentos.
O responsável do escritório regional da Bühler em Teerã, Sharif Nezam-Mafi, também é vice-presidente da Câmara de Comércio Irã-Suíça. A maioria das empresas suíças que operam no Irã são membros da câmara, que a delegação SECO também vai visitar.
Sanções contra o Irã
O governo suíço tem implementado desde 2007 as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e introduziu sanções contra o Irã. Em 2011, ele adatou o regime de medidas coercivas adotado por seu maior parceiro comercial, a União Europeia. Em 2012, ele os fortaleceu, e em 2014, ele os suspendeu temporariamente.
Estas restrições referem-se principalmente o comércio de armamento, tecnologia e bens de dupla utilização (civil e militar). A proibição abrange também o comércio de determinados derivados do petróleo, gás, ou da indústria petroquímica, bem como diamantes.
Serviços financeiros ou outros previstos em conexão com essas indústrias também são proibidos. Fundos de particulares, empresas e organizações também foram congelados.
(Fonte: SECO)Aqui termina o infobox
"As sanções têm causado uma série de prejuízos para a economia deste rico país", disse Sharif Nezam-Mafi, em entrevista à rádio suíça SRF. Os cerca de 100 bilhões de dólares das exportações de petróleo do Irã que estão congelados no estrangeiro devem voltar ao país após o fim do embargo.
"A economia iraniana está sedenta de investimentos", diz Nezam-Mafi, que observa, no entanto, que os investimentos são em grande parte controlados por um Estado "repleto de corrupção e nepotismo".
Embargo seletivo
Em entrevista ao swissinfo.ch, seu homólogo suíço, Hassan Akbarzadeh, concorda que o embargo causou uma série de prejuízos para o Irã. O iraniano mora na Suíça há mais de 40 anos e preside a Câmara de Comércio Suíço-Iraniana. "As sanções têm afetado principalmente aqueles que já haviam sido prejudicados antes", diz.
No entanto, os negócios e a vida privada tornaram-se mais complicados e mais caros para a maioria dos iranianos, diz Hassan Akbarzadeh, dando um exemplo de sua própria experiência. "Como é possível enviar dinheiro para os seus filhos, que estudam no exterior, se nenhum banco está disposto a fazer transferências bancárias para o Irã? Quem tem contato com o Irã geralmente é suspeito de ser bandido quando contata o banco pessoalmente ou via telefone”, conta.
De acordo com as câmaras de comércio, os pagamentos são muitas vezes tratados através de países terceiros, como Dubai ou Turquia.
Conosco ou contra nós
Livia Leu concorda que as transações financeiras ainda são o maior obstáculo nas relações comerciais com o Irã.
Mesmo se as sanções impostas ao Irã pela UE e a Suíça não são tão rigorosas como as que os EUA aplicam há 35 anos, o embargo americano afeta até as relações comerciais suíço-iranianas que não têm nada a ver com isso.
Do ponto de vista dos Estados Unidos, as empresas têm que decidir entre fazer negócios com os EUA ou com o Irã, por isso os bancos incluem as sanções dos EUA em sua análise de risco. "A maioria deles deixaram de colaborar com os bancos iranianos, mesmo com aqueles que não estão mencionados na lista de sanções", diz a embaixadora da Suíça.
Contornar a corrupção
Outro desafio em lidar com o Irã é a corrupção, apesar do país ocupar apenas a 144ª posição entre 177 países no Índice de Percepção de Corrupção (IPC).
"A corrupção é um fenômeno global", responde Livia Leu à pergunta de como as empresas poderiam evitar problemas ao fazer negócios com o Irã.
"A OCDE desenvolveu regras sobre como evitar a corrupção, que a SECO se refere quando empresas suíças fazem negócios internacionais”.
Quando questionada se os direitos humanos iriam ser discutidos em alguma das reuniões, Livia Leu responde que os interesses econômicos da Suíça são a prioridade na próxima viagem a Teerã.
O acordo sobre o nuclear iraniano
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, chegaram a um acordo provisório com o Irã, no início de abril, em Lausanne.
O Irã concordou em limitar o âmbito do seu programa nuclear e se submeter à supervisão internacional para demonstrar a sua natureza pacífica. Em troca, ele obteve o levantamento das sanções contra o país.
Este acordo será a base para um tratado final a ser negociado até o final do mês de junho.
(Fonte: ATS)Aqui termina o infobox
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch