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O Ministério Público revela que um grupo de terroristas planejava cometer um atentado na Suíça contra um avião da companhia israelense El Al.
Várias pessoas foram detidas. Um dos suspeitos tinha contato com o extremista islâmico Mohamed Achraf, preso em outubro de 2004 em Zurique e depois extraditado para a Espanha.
O Ministério Público revelou na quinta-feira (8 de junho) uma parte do mistério que envolvia as prisões de vários extremistas islâmicos ocorridas, em 12 de maio, em três cantões - dentre eles Basiléia e Zurique.
Pela primeira vez as autoridades confirmaram que os membros da célula terrorista, sete pessoas originárias de países da África do norte, planejavam "concretamente" um atentado na Suíça contra um avião da companhia israelense El Al.
Os presumidos terroristas encontram-se atualmente detido em prisão preventiva. As investigações continuam na Suíça e em outros países europeus.
Segundo o Ministério Público, as investigações mostraram que os membros dessa célula cometeram diversos roubos, sobretudo na área de Zurique. Os delitos serviriam para manter financeiramente o grupo e alimentar uma organização terrorista, cuja identidade ainda não foi descoberta. As pessoas presas na Suíça, explica o Ministério Público, teriam contatos com células idênticas na França e na Espanha, onde outros membros foram também acabam de ser presos.
Vôos cancelados
Em maio, o jornal suíço "Le Temps" revelou que a El Al havia anulado durante uma semana alguns dos vôos entre Genebra e Tel-Aviv, em dezembro de 2005. A companhia aérea levou à sério as informações transmitidas pela polícia suíça relativas a um possível atentado contra seus aviões.
O Ministério Público desmentiu, porém, que lança-mísseis do tipo "RPG 7" ou "Sam 7" teriam sido encontrados pela Polícia Federal, como havia sido anunciado pela imprensa. Os investigadores também não encontraram explosivos com o grupo detido nos últimos dias.
Contatos com terrorista preso
No relatório publicado à imprensa, o Ministério Público também revela que um dos membros da célula teria tido contato com o terrorista Mohamed Achraf. O marroquino, suspeito pela polícia espanhola de ter participado nos preparativos do atentado contra a última instância da justiça do país, não foi identificado pelas autoridades helvéticas no momento da sua prisão por estadia irregular. O caso revelou problemas de comunicação entre os diferentes órgãos públicos suíços.
Apesar da polêmica, noticiada amplamente pela imprensa do país, Mohamed Achraf foi extraditado para a Espanha, onde se encontra atualmente preso à espera de julgamento.
swissinfo com agências
Fatos
28 de agosto de 2004: prisão de Mohamed Achraf em Zurique.
19 de outubro: as autoridades federais descobrem que Achraf está preso em Zurique.
21 de outubro: o Ministério Público abre um processo penal.
28 de janeiro de 2005: o governo suíço aprova o pedido de extradição de Achraf para a Espanha, que termina ocorrendo em 22 de abril.
Breves
Na Suíça, os cantões são responsáveis por questões policiais. Cada um deles dispõe da sua própria polícia.
A responsabilidade em questões de segurança nacional é do governo federal helvético.
Nesse caso, ela é dividida entre o Departamento Federal de Polícia (fedpol, na sigla oficial), a Polícia Judiciária Federal (PJF), o Serviço de Análise e de Prevenção (SAP) e o Serviço Federal de Segurança.
Desde 2002, a Polícia Federal e o Ministério Público da Confederação são responsáveis por questões ligadas ao crime organizado, terrorismo, lavagem de dinheiro e corrupção.