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O UBS teve um prejuízo de 11,5 bilhões de francos suíços no primeiro trimestre de 2008. A crise imobiliária nos EUA levou clientes do maior banco suíço a sacar suas contas.
Até o próximo ano, a instituição vai cortar 5.500 empregos em todo o mundo, 1.500 na Suíça. A Sociedade Suíça dos Empregados do Comércio (secsuisse) critica o banco por castigar os funcionários no país por erros cometidos pelos executivos no exterior.
Até o próximo ano, a instituição vai cortar 5.500 empregos em todo o mundo, 1.500 na Suíça. A Sociedade Suíça dos Empregados do Comércio (secsuisse) critica o banco por castigar os funcionários no país por erros cometidos pelos executivos no exterior.
Para tentar sair do fundo do poço, o UBS planeja reduzir seu quadro de pessoal a 78 mil funcionários nos próximos 15 meses. Só na área de investimentos, que emprega 21.600 pessoas, haverá um corte de 2.600 vagas, principalmente nos EUA e no Reino Unido.
Também na Suíça serão cortados 1.500 empregos, confirmou uma porta-voz do banco. Nos próximos meses, 200 funcionários receberão sua carta de demissão, caso não possam ser reaproveitados internamente.
Segundo o chefe do banco de investimentos do UBS, Jerker Johansson, o corte de 2.600 empregos soma-se a 1.500 vagas já eliminadas nessa área. A redução de pessoal nesse setor será de 18% em relação o seu maior número em 2007.
O banco garante que boa parte dos cortes ocorrerá através da "rotatividade normal", que atualmente é de 9% do pessoal. "Isso significa que, na Suíça, perdemos entre 2.500 e 3.000 funcionários por ano", disse o diretor executivo do UBS, Marcel Rohner.
"Mal necessário"
Johansson disse que vê os cortes como um "mal necessário", devido à persistência da situação crítica do mercado.
Segundo Rohner, o clima econômico continuará ruim. "Por isso, o banco precisa gerenciar muito ativamente seus custos, seus recursos e suas capacidades."
A Sociedade Suíça dos Empregados do Comércio (secsuisse) criticou o fato de os executivos do UBS, no máximo, sofrerem uma redução marginal de seus gigantescos abonos, enquanto o corte de 5.500 empregos implica muitas demissões.
"Para um grande banco, como o UBS, não seria nenhum problema renunciar a qualquer demissão", diz uma nota da secsuisse. "É injusto que os funcionários que fizeram seu trabalho tenham de pagar pelos erros dos gananciosos executivos", acrescenta a entidade sindical.
O trimestre do horror
O primeiro trimestre de 2008 foi mais um trimestre de susto para o UBS. Após uma amortização recorde de 19 bilhões de francos em função da crise hipotecária, o banco registrou um prejuízo de 11,5 bilhões de francos. No mesmo período do ano passado ainda havia lucrado 3,1 bilhões de francos.
No setor de investimento, o UBS reduziu sua participação no mercado imobiliário estadunidense, ao vender por 15 bilhões de dólares ao grupo Black Rock papéis hipotecários nominalmente avaliados em 22 bilhões de dólares.
No entanto, como ainda detém posições de risco avaliadas em cerca de 100 bilhões de dólares, o setor de investimentos continua acumulando as maiores perdas dentro da estrutura do banco suíço.
Pela primeira vez em sua história, o UBS sofreu também uma fuga de dinheiro. No primeiro trimestre deste ano, os saques superaram em 12,8 bilhões de francos os depósitos. No primeiro trimestre de 2007, o banco ainda teve um saldo líquido de aplicações no valor de 52,8 bilhões de francos.
Segundo o banco, na Suíça, muitos clientes sacaram uma parte de suas poupanças com medo das turbulências no mercado financeiro. Analista prevêem que o UBS terminará este ano com um prejuízo de mais de 5 bilhões de francos, depois de perdas de 4,4 bilhões em 2007.
swissinfo com agências
A crise do UBS
Criado pela fusão em 1997 da Sociedade de Bancos Suíços (SBS) com o União de Bancos Suíços, o UBS é o maior banco suíço e segundo no mundo.
Os problemas do banco, que se tornaram públicos nos últimos 11 meses, remontam a negócios fechados em 2005 e 2006.
Depois de bater recordes de lucros de 2003 a 2006, o banco teve um prejuízo de 4,4 bilhões de francos em 2007 e contabilizou 21,3 bilhões de francos de perdas por conta da crise imobiliária nos EUA.
Em 1° de abril de 2008, o UBS admitiu perdas de mais 19 bilhões de francos em função da crise financeira. Marcel Ospel anunciou sua renúncia à presidência do conselho de administração do banco, formalizada em 23 de abril, com a eleição de Peter Kurer para ser seu sucessor.