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A diretora geral da OMS, Margaret Chan, participa de uma entrevista coletiva em Genebra(afp_tickers)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou nesta sexta-feira uma emergência de saúde pública de alcance mundial e convocou a comunidade internacional a se mobilizar contra a epidemia de Ebola no oeste da África.
O comitê de urgência da OMS, que se reuniu na quarta e na quinta-feira em Genebra, "considera de forma unânime que estão dadas as condições" para declarar "uma emergência de saúde pública de alcance mundial", declarou a diretora-geral da organização, Margaret Chan.
Diante de uma situação que se agrava, "uma resposta internacional coordenada é essencial para conter e fazer retroceder a propagação internacional do Ebola", acrescentou o comitê.
A Nigéria se juntou nesta sexta-feira aos países em estado de emergência. Duas pessoas morreram até o momento no país em decorrência da doença.
"O controle do vírus ebola na Nigéria é uma emergência nacional", declarou em um comunicado o presidente nigeriano Goodluck Jonathan. O governo nigeriano também aprovou um plano de intervenção especial e o desbloqueio imediato de 1,9 bilhão de nairas (11,67 milhões de dólares) para combater a doença na Nigéria, país mais populoso da África.
A epidemia de Ebola, que já deixou desde o início do ano quase 1.000 mortos entre os mais de 1.700 supostos casos detectados, é a "maior e mais severa" em quatro décadas, ressaltou Chan.
A OMS não decretou, entretanto, quarentena nos países afetados - Guiné, Libéria, Serra Leoa e, em menor medida, Nigéria - para não agravar sua situação econômica, mas pediu fortes medidas de controle.
Este dispositivo de emergência é o terceiro da OMS depois do decretado em 2009 pela epidemia de gripe aviária na Ásia, e em maio pelo desenvolvimento da poliomielite no Oriente Médio.
A diretora considera que os países do oeste da África afetados pela epidemia não podem enfrentá-la sozinhos e convocou a comunidade internacional a fornecer o apoio necessário.
Embora o comitê tenha descartado impor restrições às viagens ou ao comércio internacional, indicou que os "Estados devem se preparar para detectar e tratar os casos de doentes" e "facilitar a retirada de seus cidadãos, em particular as equipes médicas, expostas ao Ebola".
Após esse anúncio, a União Europeia classificou de risco muito fraco a propagação do Ebola no continente europeu e ressaltou que no caso - pouco provável - de que o vírus alcance o continente europeu, as autoridades estão preparadas para enfrentá-lo.
Já o Departamento de Estado americano recomendou na quinta-feira que os americanos adiem qualquer viagem não essencial à Libéria devido ao ebola.
Recomendações da OMS
O comitê ressalta que os chefes de Estado dos países afetados têm que decretar estado de emergência e "se dirigir pessoalmente ao país para fornecer informação sobre a situação".
Keiji Fukuda, vice-diretor-geral da OMS encarregado da epidemia, explicou que as pessoas atingidas precisam ficar 30 dias em quarentena porque o tempo de incubação do vírus é de 21 dias.
As pessoas que estão em contato com os doentes - à exceção das equipes médicas, que têm uma roupa de proteção - não devem viajar, indicou Fukuda, pedindo também que a tripulação dos voos comerciais receba informações e material médico para se protegerem e protegerem os passageiros.
O comitê da OMS também recomenda que todos os viajantes procedentes dos países afetados façam um check-up, respondendo a um questionário e medindo a temperatura nos aeroportos, portos e nos principais postos fronteiriços.
A Grécia está submetendo a exames um cidadão grego que se apresentou a um hospital depois de ter trabalhado recentemente na Nigéria.
Já os resultados da análise feita em um passageiro isolado pelas autoridades de Uganda no aeroporto de Entebbe, com supostos sintomas do Ebola, deram negativo.
Dois países em estado de emergência, Libéria e Serra Leoa, colocaram em quarentena três cidades na zona contaminada.
A Europa recebeu na quinta-feira um primeiro doente com Ebola repatriado, um missionário espanhol de 75 anos contaminado na Libéria, dias depois da repatriação aos Estados Unidos de dois pacientes americanos.
Na aeronave que transportou o espanhol também estava a freira guineana com passaporte espanhol Juliana Bohi, que ajudava o missionário. Os exames da freira, que já haviam dado negativo para Ebola na Libéria, voltaram a ser feitos e confirmaram a ausência do vírus.
De acordo com um boletim médico divulgado nesta sexta-feira pelo hospital La Paz-Carlos III, onde ambos estão internados, ela encontra-se assintomática e com bom estado geral, e repetirá o exame em quatro dias.
A religiosa encontra-se isolada em um andar da clínica, separada do missionário espanhol Miguel Pajares, que tem o vírus e também está isolado.
Nos Estados Unidos, onde o alerta de saúde encontra-se em nível máximo, a agência de medicamentos (FDA) levantou parcialmente as restrições sobre um tratamento experimental contra o Ebola da empresa canadense Tekmira.
O vírus Ebola é transmitido por contato direto com sangue, líquidos biológicos ou a pele de pessoas ou animais infectados e provoca uma febre caracterizada por hemorragias, vômitos e diarreia. Seu índice de mortalidade varia entre 25% e 90%.
AFP