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Os advogados do cineasta franco-polonês Roman Polanski, que se encontra em prisão domiciliar na Suíça, mudam a tática e pedem sua condenação por contumácia.
Um pedido nesse sentido foi apresentado por eles na quarta-feira (6/1) a um juiz de Los Angeles, mas os procuradores se opõem a uma condenação à revelia do cineasta.
O juiz Peter Espinoza, do Superior Tribunal da Cilfórnia, marcou para 22 de janeiro uma nova audiência para examinar esse pedido, formulado em um documento assinado por Roman Polanski em 26 de dezembro, em Gstaad, no Alpes suíços, e enviado à Justiça por seu advogado nos EUA, Chad Hummel.
Caso o juiz atenda a essa demanda, o cineasta poderá ser julgado sem comparecer ao tribunal. Polanski é acusado de ter violado sexualmente uma menor de 13 anos em 1977.
"Confortável chalé suíço"
Mas os procuradores tentam obter a extradição aos EUA do diretor franco-polonês, que se encontra em prisão domiciliar em seu chalé em Gstaad, após ter sido preso em 26 de setembro de 2009 em Zurique, a pedido da Justiça norte-americana.
Na audiência de quarta-feira, a Promotoria Pública anunciou que é contra uma condenação por contumácia e exigirá a presença física de Polanski diante do tribunal.
O procurador substituto David Walgren disse que o cineasta deveria retornar à Califórnia e não continuar se defendendo "em seu confortável chalé suíço nos Alpes". "Se ele quiser acelerar o processo, ele pode renunciar a esperar a extradição e vir aqui", afirmou.
Aguardando decisão das autoridades suíças
O juiz Peter Espinoza também tem reiterado que exige a presença de Roman Polanski diante da corte como condição prévia para qualquer decisão sobre o caso. Na quarta-feira, ele sinalizou que pode esperar que as autoridades suíças deem o próximo passo.
A Secretaria Federal de Justiça, em Berna, prepara neste momento sua decisão sobre uma eventual extradição. Seu porta-voz, Folco Galli, porém não quis dizer quando será tomada uma decisão.
"Se o processo for arquivado nos Estados Unidos, não haverá mais base para o pedido norte-americano de extradição", disse à agência de notícias suíça ATS.
"Sugestão e não uma ordem"
A audiência de quarta-feira ocorreu por sugestão feita no mês passado por uma corte de apelação da Califórnia, que propunha condenar o cineasta por contumácia para poder concluir o caso.
O juiz Espinoza insitiu que a decisão de uma corte de apelação era "uma sugestão e não uma ordem". Ele mostrou-se irritado com a afirmação do advogado Chad Hummel, segundo a qual essa decisão "havia mudado" a situação.
Polanski tenta evitar uma extradição para os Estados Unidos, de onde fugiu em 1978, antes de ter sido condenado. Ele corre o risco de receber uma pena máxima de dois anos de prisão.
Em dezembro passado, a corte de apelação californiana rejeitou um pedido de arquivamento do processo, feito pelos advogados, que denunciaram graves erros nas investigações na época da ocorrência dos fatos. Ela, porém, havia solicitado um "inquérito rápido" sobre as alegações de irregularidades.
swissinfo.ch com agências
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