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Na abertura da 60a sessão da Comissão dos Direitos Humanos da ONU, em Genebra, a ministra das Relações Exteriores Micheline Calmy-Rey fez a defesa das mulheres.
Para a ministra suíça, a comunidade internacional não consegue proteger as mulheres da violência e dos abusos sexuais.
As ministras que participaram da sessão anual da Comissão dos Direitos Humanos da ONU reuniram-se em Genebra para exigir o fim da violência contra as mulheres.
Respondendo a uma iniciativa da ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, o grupo publicou, terça-feira (16.03.04), uma declaração condenando os atos de violência e abusos sexuais que vitimam as mulheres.
"A violência contra as mulheres tem várias facetas e viola os direitos humanos (...) as declarações deverem ser traduzidas em atos", disse a chefe da diplomacia suíça.
Calmy-Rey acrescentou que esperava que a violência contra as mulheres será uma das prioridades da Comissão, que iniciou suas seis semanas de trabalhos segunda-feira, sob o signo dos atentados de Madri.
A ministra suíça homenageou as vítimas do terrorismo mas incitou os países membros a não permitirem que as discussões sobre o terrorismo invadam a agenda.
Progressos lentos
Cerca de vinte responsáveis políticas, entre elas as ministras das Relações Exteriores da Áustria, Austrália, Ruanda, África do Sul e El Salvador participara de um jantar de trabalho informal a convite de Calmy-Rey.
A chefe da diplomacia espanhola, Ana Palacio, anulou sua participação depois da derrota eleitoral de domingo.
"Esperamos que luta contra o terrorismo não oculte outras questões importantes agendadas na Comissão como os direitos da mulher", repetiu a ministra salvadorenha Maria Eugenia Brizuela de Avila.
Dez anos atrás, a ONU tinha inclusive nomeado um relator especial para estudar o problema da violência contra as mulheres. Em 1993, uma conferência mundial, em Viena, reconhecera os direitos da mulher.
Micheline Calmy-Rey acha que muita coisa mudou de lá para cá. Segundo estatísticas recentes, uma em cada três mulheres sobre alguma forma de violência ou abuso sexual no mundo.
Conter o terrorismo
A Suíça não está entre os 53 países membros da Comissão dos Direitos Humanos mas pode participar das discussões devido seu estatuto de observador.
Por isso é que a ministra suíça falará aos membros da Comissão. Vai sublinhar as prioridades da Suíça, apesar da questão do terrorismo e suas conseqüências sobre os direitos humanos.
A Suíça apóia uma proposta mexicana de nomear um especialista independente para estudar e relatar as conseqüências das leis anti-terroristas sobre os direitos humanos.
Espanha, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Austrália opõem-se a essa proposta e, segundo especialistas, os atentados de Madri vão reforçar a posição desse grupo de opositores.
Agenda suíça
Paralelamente à promoção dos direitos da mulher, a Suíça deverá insistir também na defesa de grupos vulneráveis como crianças e minorias.
Tortura, execuções sumárias, rapto e racismo estão também entre os temas prioritários para a Suíça durante essa sessão.
A delegação suíça vai insistir ainda para que sejam discutidas as violações no Nepal, Colômbia, Sudão, Coréia do Norte e Oriente Médio. Até agora, o governo suíço recusou-se a revelar sua posição sobre a China.
swissinfo, Anna Nelson, Genève
Adaptation: Claudinê Gonçalves
Breves
- A ministra suíças das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey reuniu-se com outras mulheres ministras para discutir maneiras de conter a violência contra as mulheres.
- A reunião foi em Genebra, na abertura da sessão anual da Comissão dos Direitos Humanos da ONU, que vai até 23 de abril.
- Para a ministra suíça, é uma oportunidade de avançar na questão dos direitos da mulher no cenário político internacional.
- O grupo de mulheres ministras adotou uma declaração conjunta pedindo uma melhor proteção para os milhões de mulheres vítimas da violência e abusos sexuais.