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A Venezuela precisa de um governo que atue com espírito público e reprima a corrupção generalizada para superar a crise atual, diz Pierino Lardi, um expatriado suíço que mora no país há duas décadas.
Lardi, ex-banqueiro, foi presidente da câmara de comércio suíço-venezuelana até 2016. Aos 70 anos, Lardi representa a Venezuela na Organização dos Suíços do Estrangeiro (OSE).
Em entrevista para swissinfo.ch, Lardi concorda que a Venezuela precisa de mais democracia além de uma política para o bem público.
O suíço diz que há indícios claros de que o governo de Nicolás Maduro está sob pressão, desafiado pelo líder parlamentar Juan Guaidó, que se declarou presidente no início desta semana.
"A questão é qual dos dois presidentes tem controle sobre as forças armadas e a polícia", disse para swissinfo.ch, acrescentando que o governo de Maduro tem muito a perder e é improvável que ceda facilmente.
"Mas um forte sinal foi a participação de muitos soldados, que tiraram os capacetes e abaixaram as armas nos protestos da oposição", conta.
Negócios
Lardi diz que a maioria das empresas suíças representadas na Venezuela teve dificuldades ao longo dos últimos anos, tendo que lutar para receber por seus produtos e serviços.
Apesar dos problemas, Lardi diz estar otimista de que a Venezuela, em breve, será novamente um importante parceiro comercial da Suíça na América Latina.
Em 2017, a Suíça importou mercadorias - principalmente produtos agrícolas - no valor de 3,9 milhões de dólares, enquanto as exportações para a Venezuela totalizaram cerca de 76,3 milhões, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Suíça.
O investimento direto suíço na Venezuela foi de 834 milhões em 2016, e mais de 4.800 pessoas na Venezuela foram empregadas por empresas suíças.
Sanções
As relações bilaterais têm sido tensas desde que a Suíça, em consonância com a União Europeia, impôs uma série de sanções econômicas contra o governo Maduro em março passado.
A medida veio em resposta a supostas violações dos direitos humanos e a uma crise constitucional no país sul-americano.
A oposição da Venezuela obteve uma ampla maioria nas eleições parlamentares de 2015, mas os aliados de Maduro na Suprema Corte retiraram muitos de seus poderes.
Maduro foi reeleito como presidente no ano passado, mas críticos descreveram o voto como ilegítimo e o acusam de converter a Venezuela em uma ditadura de fato.
A oposição pública contra ele ganhou força em 2016 com Guaidó, que se acredita estar próximo de um líder da oposição preso, tornando-se líder do parlamento no ano passado. Ele se declarou como novo presidente da Venezuela no início desta semana.
Tweet ambíguo
Uma declaração de um alto funcionário do Ministério das Relações Exteriores suíço e ex-embaixador na Venezuela causou certa irritação. Bénédict de Carejat publicou um tweet na quinta-feira sugerindo o apoio da Suíça para Guaidó.
No entanto, um porta-voz do ministério deixou claro que a Suíça não reconhece Guaidó como presidente do país.
"Como regra, a Suíça reconhece apenas os Estados, mas não os governos", disse o porta-voz.
No entanto, ele disse que a Suíça estava acompanhando atentamente os desenvolvimentos na Venezuela e está preocupada com a situação no país em relação aos direitos humanos, à divisão de poderes, ao Estado de direito e à democracia.
"A Suíça pede uma solução pacífica para a crise e insiste em medidas políticas e no respeito do Estado de direito", acrescentou o porta-voz.
Em discurso na reunião anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, acrescentou que a Suíça está oferecendo seus serviços para mediar na Venezuela, segundo a agência de notícias suíça Keystone SDA-ATS.
O ministério alertou para o agravamento da situação no país e pediu aos cidadãos suíços expatriados que se mantenham longe das reuniões e manifestações políticas.
No final de 2017, havia mais de 1.200 cidadãos suíços vivendo na Venezuela.
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch