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O abuso de comidas ultraprocessadas está associado a um maior risco de diabetes, que se soma aos perigos já conhecidos de maior obesidade e de doenças cardiovasculares - revela um estudo divulgado nesta segunda-feira (16).
Embora o trabalho mostre um vínculo entre os alimentos ultraprocessados e essas doenças crônicas, não se comprovou nenhum vínculo causal nesta etapa, admitem os autores deste estudo francês publicado hoje no periódico americano JAMA Internal Medicine.
"O acúmulo de dados levou vários países, como França e Brasil, a recomendar que se favoreçam os alimentos não processados, (...) e se limite o consumo de alimentos ultraprocessados, em nome do princípio de precaução", afirmou.
Os alimentos são considerados ultraprocessados quando foram submetidos a um tratamento industrial e contêm muitos ingredientes, incluindo aditivos.
Isso engloba, por exemplo, a maioria dos pratos congelados e refrigerantes. Em geral, são mais ricos em sal, gordura saturada e açúcar, mas pobres em vitaminas e fibra, segundo os pesquisadores.
O trabalho publicado nesta segunda se concentra no diabetes tipo 2 (quase 90% dos casos), frequentemente associado à obesidade e ao estilo de vida, ao contrário do diabetes tipo 1, que é uma doença autoimune.
O estudo toma elementos dos 104.000 participantes da vasta pesquisa francesa NutriNet-Santé, estabelecido em 2009 para estudar os vínculos entre nutrição e saúde.
"Quanto maior for a proporção de alimentos ultraprocessados na dieta, maior é o risco de diabetes tipo 2", afirma o texto.
"Estes resultados devem ser, porém, confirmados em outras populações e com outros métodos", ressaltam os autores.
Eles admitem, de qualquer modo, que não se pode afirmar com certeza que o maior risco de diabetes provém apenas destas comidas. Outros parâmetros, como a falta de exercício físico, podem estar relacionados.
Ainda assim, "as associações observadas (entre estes alimentos e o risco de diabetes) são fortes o suficiente para justificar outra investigação", avalia o professor Gunter Kuhnle, da Universidade de Reading (Inglaterra).
Uma parte anterior do estudo NutriNet-Santé, publicada em maio, mostrou que o consumo de alimentos ultraprocessados está associado com um maior risco de doença cardiovascular.
Trabalhos espanhóis e americanos também encontraram um vínculo entre este tipo de comida e um maior risco de mortalidade.
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