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Nunca tantas pessoas viveram em metrópoles no mundo: se hoje são mais de quatro bilhões, até 2050 esse número aumenta para cinco. Como evitar que esse processo de crescente urbanização não provoque mais desigualdades ou destruição do meio ambiente? A cooperação suíça procura respostas.
O desafio da urbanização é premente nos países pobres e em desenvolvimento. As metrópoles em todo o globo crescem com tanta rapidez, que os urbanistas não dão conta. Pouco mais de 15% da população mundial vivia na África sessenta anos atrás. Em 2050 essa proporção irã aumentar até 65%.
"Desenvolvimento das cidades e campos de forma sustentável" é o tema da conferência anualLink externo da Direção para Desenvolvimento e Cooperação (DezaLink externo, na sigla em alemão) e da Secretaria de Estado para Economia (SecoLink externo), que ocorre hoje em Berna. Através do exemplo do Tschad e África do Sul, os cooperantes suíços irão mostrar suas propostas para ajudar a resolver os diferentes problemas nesses países.
Pobreza faz cidades crescerem
No Tschad, um país que continuará predominantemente agrário, um dos grandes desafios é a segurança alimentar. E ela está sob risco devido ao aquecimento global.
O exemplo da África do Sul mostra também os problemas vividos pelas metrópoles. Ao contrário da Europa, onde a urbanização não foi impulsionada pela industrialização, nela as cidades crescem devido à pobreza das populações nos meios rurais, explica Sithole Mbanga, diretor da rede South African Cities NetworkLink externo.
"Teoricamente a urbanização promove a criação de empregos, mas esse não é o caso da África do Sul. Nós vivemos as vantagens da urbanização, mas não como na Europa. Muitas pessoas na África do Sul originarias do campo se mudam para as cidades, mas acabam se decepcionando."
Interdependência
Em geral, a urbanização sustentável é possível, mas exige que as áreas rurais e urbanas não sejam consideradas separadamente, diz Craig Hatcher, Assessor de Governança da HelvetasLink externo, uma organização suíça de ajuda humanitária. A crescente interdependência está mudando os papéis tradicionais da cidade e do país, diz Hatcher.
O Deza concentra-se nas populações mais pobres, residentes de áreas rurais ou urbanas. "Embora seja verdade que a pobreza predominou nas áreas rurais, essa tendência está mudando. Há cada vez mais pobreza em torno e dentro das cidades ", diz Thomas Gass, vice-diretor do Deza.
Imagem obsoleta do Deza
O envolvimento da Helvetas nas cidades é também uma oportunidade para "modernizar a imagem ultrapassada da cooperação para o desenvolvimento", diz Hatcher. Devido a esta "mudança da pobreza nas cidades", é necessário mudar essa imagem frente aos doadores e levantar fundos adicionais para iniciativas urbanas, mas não às custas da população rural desfavorecida.
Novas metas
A 11ª meta de desenvolvimento sustentávelLink externo prevê que, até 2030, "as cidades serão projetadas para serem inclusivas, seguras e sustentáveis". Em 2017, a comunidade internacional criou uma visão para as cidades sustentáveis com a "Nova Agenda UrbanaLink externo", na qual todos os moradores deveriam se beneficiar igualmente do crescimento urbano.
Adaptação: Alexander Thoele