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O bispo auxiliar de Manágua, Silvio Báez, acusado pelo governo de Daniel Ortega de participar de uma suposta conspiração golpista, denunciou nesta quinta-feira (25) que é vítima de "uma campanha de repressão, desprestígio", cerco e ameaças.
"Denuncio que sou vítima de uma campanha de repressão, desprestígio e cerco que consta não apenas de áudios manipulados" vinculados a uma suposta conspiração, mas "também de centenas de mensagens em meu WhatsApp com insultos e ameaças", alertou o religioso em sua conta no Twitter.
Assegurou que homens motorizados rodearam a sua casa com a intenção de intimidá-lo.
Báez é um dos cinco hierarcas católicos a participar como mediador de um diálogo, atualmente estagnado, entre o governo e a oposição, em busca de uma saída à crise desatada pela onda de protestos contra o governo.
Silvio Báez e outros religiosos deram auxílio aos manifestantes que eram reprimidos pela polícia.
Na terça-feira, meios de comunicação do governo iniciaram uma campanha contra o religioso, divulgando dois áudios que supostamente vinculam o prelado com uma conspiração golpista.
"Não sou responsável por nenhum crime e nenhuma conspiração", sustentou Báez, anunciando que "em breve" apresentará provas da sua inocência nas redes sociais.
Afirmou que, apesar das ameaças, continuará "na Nicarágua com o ministério que a Igreja me confiou".
Os áudios, que não têm data e lugar, seriam referentes a reuniões entre o bispo e políticos opositores a Ortega nos quais o religioso pediria para que pressionassem o governo na retomada do diálogo com a oposição e para que adiantassem as eleições gerais de 2021 para 2019.
A ex-guerrilheira e dirigente da dissidência sandinista Dora María Tellez disse nesta quinta que a campanha contra Báez deve "sair do país" e que a hierarquia católica desista como mediadora do diálogo.
"Querem tirar de circulação a Conferência Episcopal da Nicarágua do seu papel de mediadora e testemunha" do diálogo, escreveu Tellez em um tuíte.
O Centro Nicaraguense de Direitos Humanos (Cenidh) assinalou em comunicado que a "campanha do governo baseada em um áudio de procedência duvidosa, com diversas falhas técnicas, pretende desqualificar o trabalho de defesa dos direitos humanos" dos religiosos.
Báez também recebeu o apoio de empresas privadas, estudantes e diversos setores da oposição.
Ortega, no poder desde 2007, acusou repetidamente os bispos de "golpistas".
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