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Os jihadistas do Estado Islâmico (EI) tomaram neste domingo o aeroporto de Tabqa, último bastião do regime de Bashar al-Assad na província de Raqa, no norte, ao fim de combates em que 170 soldados morreram, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.(afp_tickers)
Os jihadistas do Estado Islâmico (EI) tomaram neste domingo o aeroporto de Tabqa, último bastião do regime de Bashar al-Assad na província de Raqa, no norte, ao fim de combates em que 170 soldados morreram, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
Com a tomada do aeroporto de Tabqa, Raqa se tornou a primeira província síria a ser controlada pelos jihadistas, que só não dominam algumas aldeias curdas, indicou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.
"Combates ainda estão sendo travados nas imediações do aeroporto, que caiu em poder do EI", disse Abdel Rahman, acrescentando que "a maior parte das forças do regime se retirou do aeroporto".
O OSDH indicou 541 mortos, incluindo 170 soldados mortos apenas neste domingo, desde terça-feira do ataque de jihadistas contra o aeroporto. Do lado jihadista, 346 foram mortos em seis dias de combates.
A rede de televisão oficial síria confirmou que os soldados tinham se retirado do aeroporto "depois de combates intensos".
"Eles se reagruparam na parte externa e continuam a infligir duros golpes nos grupos terroristas, que sofreram perdas enormes", acrescentou.
Antes do anúncio da tomada da base, Abdel Rahman havia indicado que os jihadistas tinham tomado vários pontos de controle nas imediações da base, exibindo a cabeça de um soldado em um deles.
O aeroporto de Tabqa era o último bastião do regime na província de Raqa.
Emboscadas do regime
A guerra na Síria começou em 2011 com combates entre rebeldes e forças do regime, ganhou novos rumos no início de 2014 com confrontos entre rebeldes e jihadistas. A situação ficou ainda mais complicada em julho, quando jihadistas lançaram ataques contra bases do Exército.
Além de Raqa, o EI controla grande parte das províncias de Aleppo (norte) e de Deir Ezzor (leste), assim como algumas áreas de Hassaka (nordeste).
Esse grupo, que surgiu na Síria durante a guerra, proclamou no fim de junho um califado nas regiões em seu poder na Síria e no Iraque, onde lançou uma grande ofensiva ao norte de Bagdá em 9 de junho.
No Iraque, os jihadistas controlam territórios em cinco províncias, incluindo a segunda maior cidade do país, Mossul.
A execução do jornalista americano James Foley, sequestrado na Síria em 2012, causou indignação internacional e fez os Estados Unidos decidirem fechar o cerco ao grupo.
O americano Peter Theo Curtis, sequestrado há dois anos pelo braço da Al-Qaeda na Síria, foi libertado neste domingo, anunciou o secretário de Estado John Kerry, em um comunicado.
Em outra frente, o Exército sírio matou 32 rebeldes em uma emboscada na província de Daraa, segundo o OSDH.
A televisão oficial síria também indicou "dezenas de terroristas mortos" em um ataque, referindo-se aos combatentes que enfrentam o regime, sem diferenciar rebeldes de jihadistas.
Além disso, 26 rebeldes ficaram feridos em outra emboscada e doze foram considerados desaparecidos, segundo o OSDH.
A ONG e a imprensa afirmaram que o ataque tinha ocorrido entre as cidades de Hara e de Zamrine, no oeste da província. Hara está sob controle do regime, enquanto Zamrine está em poder dos rebeldes.
O conflito na Síria deixou mais de 190.000 mortos, segundo a ONU.
AFP