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Uma trégua frágil entre Israel e o Hamas era interrompida nesta segunda-feira por violências esporádicas em Gaza, no primeiro dia da festa muçulmana do Aid el-Fitr, apesar dos apelos das Nações Unidas para um cessar-fogo duradouro.
Dois palestinos, incluindo uma criança de 4 anos, morreram nos disparos israelenses no norte da Faixa de Gaza, elevando para 1.040 o número de palestinos mortos em três semanas de conflito, segundo fontes locais.
Depois de uma noite mais calma, os combatentes de Gaza dispararam foguetes contra a cidade israelense de Ashkelon.
O exército respondeu disparando contra dois lança-foguetes e uma oficina de fabricação de armas. Tiros esporádicos também foram ouvidos na região.
Os habitantes de Gaza preferiram evitar as tradicionais comemorações em família do Aid el-Fitr, que marca o fim do mês de jejum sagrado do Ramadã, e aproveitaram a trégua para visitar feridos em hospitais e enterrar seus mortos.
"É a festa do sangue", lamentou Abeer Shamali, acariciando a terra sobre o caixão de seu filho de 16 anos no cemitério local.
Por outro lado, milhares de palestinos se reuniram nesta segunda-feira pelo fim do Ramadã na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel, e demonstraram seu apoio aos habitantes de Gaza e contra a ofensiva militar israelense.
Os manifestantes exibiam camisetas pretas e bandeiras com slogans de apoio a Gaza do tipo "Todos nós somos de Gaza".
Segundo a polícia, cerca de 45.000 fiéis se reuniram junto à Mesquita de Al-Aqsa por ocasião do Aid el-Fitr.
A multidão foi dispersada sem maiores incidentes.
Cessar-fogo imediato
O Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou durante a madrugada desta segunda-feira uma declaração que pede um cessar-fogo humanitário, imediato e sem condições, que permita prestar ajuda aos civis.
Representantes de 15 países, reunidos de emergência em Nova York, expressaram na declaração seu "forte apoio a um cessar-fogo humanitário e sem condições, que permita proporcionar uma ajuda indispensável e urgente".
Pediram a Israel e ao Hamas que mantenham a trégua durante toda a festa muçulmana do Aid el-Fitr e que "respeitem plenamente o direito internacional e especialmente o que diz respeito à proteção dos civis".
O texto também enfatiza "a necessidade de proporcionar imediatamente ajuda humanitária. A declaração foi elaborada e acertada pelos 15 países na tarde de domingo. A Jordânia, o único membro árabe do Conselho, insistiu que fosse formalmente adotada sem demora.
Mas o representante palestino ante a ONU, Ryad Mansur, lamentou junto à imprensa que o Conselho de Segurança não tenha adotado uma resolução, invés de uma simples declaração.
Já o embaixador israelense, Ron Prosor, criticou que a declaração "não menciona nem o Hamas nem seus disparos de foguetes, e nem o direito de Israel de se defender", e voltou a acusar o movimento islamita de usar a população de Gaza como escudo humano.
As hostilidades prosseguiram no final de semana na Faixa de Gaza, onde o exército israelense respondia ao lançamento de foguetes do Hama.
Os dois grupos se acusam mutuamente pelo prosseguimento dos confrontos, em detrimento de um eventual cessar-fogo.
Para o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, os combatentes do Hamas "violaram seu próprio cessar-fogo" ao prosseguir com o lançamento de foguetes contra Israel.
Os diferentes grupos parecem mudar de opinião continuamente com os anúncios sucessivos de um cessar-fogo solicitado pelas Nações Unidas, após a trégua mantida no sábado.
Neutralização de túneis
Israel quer levar até o fim sua missão de neutralização dos túneis ofensivos construídos pelo movimento islamita palestino e por sua aliada, a Jihad Islâmica.
Os túneis são utilizados para lançar ataques contra Israel, assim como para esconder seu arsenal e seus centros de operações. Para destruí-los, os responsáveis israelenses explicam que precisam estar em terra.
O exército descobriu 30 passagens subterrâneas e garantiu ter destruído no domingo o túnel que foi utilizado por um comando do Hamas em um ataque que deixou sete soldados mortos há uma semana.
Por sua vez, o Egito anunciou ter descoberto 13 túneis que uniam a península do Sinai com a Faixa de Gaza, utilizados pelo Hamas para transportar combustível, suprimentos, armas e dinheiro ao reduto palestino.
Já o movimento islamita exige o levantamento do bloqueio imposto desde 2006 por Israel, que asfixia a economia deste território de 362 km2 onde vivem 1,8 milhão de pessoas, cuja vida diária depende, em boa parte, da ajuda humanitária.
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, telefonou no domingo para Netanyahu, para destacar a necessidade de um cessar-fogo imediato e duradouro.
Segundo a Casa Branca, Obama "deixou claro o imperativo estratégico de instituir um imediato e incondicional cessar-fogo que acabe com o confronto e leve a uma paralisação permanente das hostilidades baseada no acordo de novembro de 2012".
O secretário americano de Estado, John Kerry, por sua vez, voltou a Washington no domingo, depois de passar uma semana no Oriente Médio na tentativa frustrada de alcançar uma trégua ao conflito, que já dura 20 dias.
Um alto funcionário americano afirmou que Kerry busca acertar uma série de tréguas temporárias, que levariam a negociações entre os dois lados no Egito sobre um plano permanente.
No entanto, o governo israelense também precisa levar em conta a opinião pública de seu país, onde 85,6% dos israelenses se opõem a um cessar-fogo, segundo uma pesquisa divulgada pela rádio militar.