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Entre 50.000 e 80.000 roma vivem na Bósnia-Herzegovina, muitas vezes em condições precárias e às margens da sociedade. Há dez anos a Caritas Suíça vem tentando integrar as crianças roma na escola, e proporcionar-lhes uma perspectiva para o futuro. Uma visita a uma escola primária perto de Sarajevo.Este conteúdo foi publicado em 25. fevereiro 2018 - 12:30
Estamos na 3ª série da escola primária Osman Nakaš em Novi Grad, perto de Sarajevo. Os estudantes estão muito entusiasmados com a visita da Suíça. "Silêncio, por favor", adverte o professor. A aula pode começar.
Como sempre na sexta-feira, uma criança apresenta um país para a classe. Hoje, Tarik, de 9 anos, fala sobre o seus país favorito, a Suécia. É um país rico, onde o trabalho é árduo, com uma alta expectativa de vida, um rei, uma alta densidade de museus, durante 200 anos não houve guerra lá. "Não é como em nosso país, onde a guerra aconteceu a pouco tempo, e os museus estão fechados por falta de dinheiro", diz Sanela Numanović, a professora.
O menino mostra fotos de computador de Alfred Nobel, do grupo pop ABBA (sim, todos conhecem "Mamma Mia" e cantam juntos), também de Pippi Langstrumpf, de Astrid Lindgren, que é conhecida pela maioria das pessoas. Então Tarik menciona o Volvo, o esqui nórdico e a loja de móveis IKEA. "Quem tem móveis IKEA em casa?", pergunta a professora. A maioria levanta a mão, assim como a Fátima. Ela tem 12 anos, seu irmão Benjamin tem 9, e Ibrahim, seu primo, 10. As três crianças pertencem ao grupo étnico roma.
Das 489 crianças da escola primária de Osman Nakaš, 68 são roma. Seu número aumentou dramaticamente nos últimos anos, graças à Caritas Suíça. Desde 2010, a organização de ajuda suíça trabalha para 14 escolas nos cantões de Sarajevo e Zenica-Doboj na integração das crianças roma ao sistema escolar.
Às margens da sociedade
Os roma na Bósnia-Herzegovina são uma grande minoria de cerca de 50.000 a 80.000 pessoas. Muitas vezes vivem em assentamentos nos arredores da cidade e têm pouco a ver com o resto da população. Sua taxa de desemprego é extremamente alta, nas cidades se vê frequentemente crianças mendigando ou vendendo lenços de papel, também à noite. Muitos deles não vão à escola, embora a Bósnia tenha a educação como obrigatória. Como em muitos outros países, há muitos preconceitos sobre os roma: eles roubam e são sujos.
Segundo a diretora Aida Mikić, há poucos problemas entre as crianças. "Eles não fazem diferença, e fazem amizade uns com os outros." E, contrariamente a todos os preconceitos, a maioria das crianças roma chegariam pontualmente à escola, embora muitas vezes eles tenham um longo caminho a seguir. Outros nem sempre fazem sua lição de casa como eles gostariam, ela diz calmamente.
Aprender, em vez de mendigar ou trabalhar
Fatima e seu irmão Benjamin levantam-se às 6 horas da manhã. "Temos que caminhar meia hora, quando vamos a pé", diz a menina de 12 anos de idade. Ela é a mais velha da classe, a maioria dos alunos da terceira série tem nove anos de idade. Sua família chegou à Bósnia no verão de 2015, anteriormente a família extensa viveu na Bélgica por dois anos, e três na Alemanha. "Eu falo alemão melhor do que o bósnio", diz a menina. Ela tem oito irmãos entre 5 e 20 anos. Esporte é sua disciplina favorita. Benjamin gosta de matemática, ri muito e participa ativamente das aulas. A cada dois minutos, ele levanta sua mão.
Como os roma costumam falar seu próprio idioma em casa, 90% deles recebem aulas de reforço, financiadas pela Caritas - incluindo materiais escolares e sanduíches no horário de almoço. Quase 20 crianças sentam-se em uma pequena sala perto um do outro, e se debruçam sobre seus trabalhos de casa. Eles são acompanhados por uma professora, uma assistente social e um mediador roma, que os ajudam com as dúvidas. Pois muitas vezes as crianças recebem muito pouco apoio em casa, por exemplo, porque os pais são analfabetos ou falam muito pouco o bósnio. Famílias carentes também recebem um pacote de ajuda com alimentos e artigos de higiene pessoal. Um incentivo para as crianças serem enviadas para a escola, e não serem utilizadas como força de trabalho.
O principal objetivo deste projeto é levar as crianças roma da rua para a escola, e convencer seus pais da importância da educação para o futuro de seus filhos. É aqui que as trabalhadoras sociais e as mulheres mediadoras tomam o mesmo caminho. Eles acompanham os pais e os apoiam na integração social.
Minorias também têm direitos
Desde 2010 está em andamento o projeto escolar para crianças roma na Bósnia-Herzegovina, da Caritas Suíça. Em 10 escolas primárias no cantão de Sarajevo e 4 no cantão de Zenica-Doboj existem aulas de reforço para crianças roma e outros grupos vulneráveis. Além disso, os jovens estão sendo preparados em sua passagem para a formação profissional, de modo que eles tenham mais tarde uma chance no mercado de trabalho. Resultados notáveis são premiados com bolsas de estudo. Recentemente, o foco não é mais apenas sobre as crianças roma, mas também sobre outros grupos vulneráveis e carentes, que devem poder se beneficiar dos fundos da Suíça. Os custos para os mediadores roma são pagos pelo Estado. Assistentes sociais e professores são financiados pela Caritas. No entanto, há esforços em andamento, e também os primeiros sucessos, de que esses últimos também serão custeados pela escola, ou seja, pelo Estado. O orçamento da Caritas para o período de 2017 a 2019 é de pouco mais de CHF 1 milhão.
Lejla Hasanbegović conhece as condições das famílias roma como nenhuma outra. Há nove anos a assistente social trabalha para a Caritas, e ganhou a confiança dos pais roma. Ela os visita regularmente, acompanha-os ao dentista - e "de instituição em instituição", como ela diz. Isso os ajuda a exercer seus direitos, dos quais "eles muitas vezes não tem conhecimento." Ela vai com eles para departamentos, para adquirir documentos necessários. "Porque quem não está registrado, não tem seguro de saúde, e isso é um problema."
Integrar os pais não é fácil, diz Elma Ćurulija, Gerente de Programa do Projeto de Integração Caritas na Bósnia-Herzegovina. "Os roma vivem em comunidades fechadas e têm pouca confiança em relação a externos. Eles raramente frequentam as reuniões de pais, porque vivem isoladamente, têm muitas crianças em casa e preferem estar entre eles próprios."
Para garantir o contato entre a escola e os pais, os mediadores roma também estão envolvidos. Uma delas é Dženita Bostandžija. A jovem mulher é roma, e completou o ensino médio (escola profissional sem prática), o que é raro entre os roma, que muito menos chegam à universidade. Ela visita as famílias quando, por exemplo, uma criança não vem à escola. "Para mim, o acesso é mais fácil porque eu também sou um roma."
Seu trabalho, ela descreve como exaustivo e intenso: "As crianças são muito diferentes, cada uma é diferente, cada uma tem necessidades diferentes e um ambiente diferente." Ela também diz que as meninas vão para a escola com menos frequência do que os meninos, porque precisam ajudar em casa, cuidando de seus irmãos.
"Eles são uma parte de nós"
De acordo com Elma Ćurulija, a questão dos roma também trata de eliminar os preconceitos, e para isso esclarecimentos são importantes. "Queremos transmitir aos roma que eles, com sua cultura, são uma parte de nós. Discutimos e organizamos festivais, pois a integração acontece de ambos os lados." Ela ressalta que os roma no país não têm lobby. "São as ONGs que ajudam, o governo não tem dinheiro. Não é o suficiente apenas construir habitações para os roma. É necessário integração, conversação, construção de confiança. E isso leva muito tempo."
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