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Uma década após o início das hostilidades na Síria, as necessidades continuam imensas, advertem organizações humanitárias suíças e internacionais. Um balanço em números.Este conteúdo foi publicado em 24. março 2021 - 11:00
O conflito na Síria foi ainda mais exacerbado em 2020 pela pior crise econômica do país desde 2011, pelas sanções internacionais e pela pandemia de Covid-19. Essa foi a avaliação sombria feita há alguns dias pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICVLink externo), com sede em Genebra, da situação humanitária na Síria dez anos após o início das hostilidades.
"Temos um país que está mais de 80% destruído, um sistema de saúde que foi destruído, um sistema de educação que foi destruído e, além disso, uma crise econômica em grande escala", resumiu recentemente um médico de uma ONG francesa na Síria, em uma série de reportagens do canal suíço de língua francesa RTS.
Segundo as organizações humanitárias suíças e internacionais, as necessidades na Síria e nos países vizinhos continuam imensas e a assistência aos deslocados, refugiados e pessoas atingidas pela pobreza ainda é essencial.
A ONU considera a crise síria como um dos maiores desastres humanitários desde a Segunda Guerra Mundial. O conflito de uma década deixou quase 400.000 mortos e 200.000 desaparecidos, segundo números do Observatório Sírio de Direitos Humanos.
Refugiados e deslocados
De uma população de 21 milhões de pessoas antes da guerra, 6,6 milhões fugiram da Síria para buscar refúgio no exterior, principalmente nos países vizinhos, diz o Alto Comissariado das Nações Unidas para RefugiadosLink externo.
A Turquia continua sendo o principal país anfitrião, com 3,6 milhões de refugiados sírios, seguida pelo Líbano, Jordânia, Iraque e Egito. Estes países são estruturalmente fracos e carecem de serviços de assistência social adequados.
A Síria é atualmente o país de origem do maior número de refugiados no mundo, e na Europa. A Suíça abriga cerca de 20.000 pessoas, das quais quase metade (cerca de 8.500) não tem o status de refugiado, mas apenas admissão temporária, de acordo com a Cáritas SuíçaLink externo.
A organização deplora esta situação porque "ficou claro muito cedo que os sírios não poderiam retornar rapidamente ao seu país de origem, ou poderiam nem mesmo retornar".
Além desses milhões de refugiados, há 6,7 milhões de pessoas deslocadas internamente na Síria - o maior número de pessoas deslocadas internamente no mundo.
Estes movimentos populacionais tiveram um impacto significativo sobre a demografia do país. Algumas áreas foram despovoadas, perdendo até 50% de sua população.
Outras, por outro lado, sofreram um grande fluxo de pessoas que levou à superlotação dos abrigos. A construção de novos abrigos é complicada pelo alto custo dos materiais e serviços, assim como pela insegurança contínua.
Jovens sacrificados
Com mais da metade da população da Síria com menos de 25 anos de idade, o conflito tem causado um grande impacto nos jovens, de acordo com o estudo do CICV divulgado este mês. "[Ele] apresenta um quadro sombrio de uma geração cuja adolescência e juventude foram sacrificadas no altar do conflito", disse o diretor-geral do CICV, Robert Mardini.
Quase um em cada dois jovens sírios entrevistados na pesquisa disse ter perdido um dos pais ou parente no conflito. Um em cada seis disse que um ou ambos os pais haviam perdido a vida ou sido gravemente feridos, enquanto 12% haviam sido feridos na luta. E quase 6 em cada 10 jovens perderam um ou mais anos de escola.
Entre suas necessidades, os jovens sírios mencionam sua situação econômica, à frente dos cuidados de saúde, educação e apoio psicológico, enquanto muitos sofreram de problemas de saúde mental, de acordo com o CICV.
Crash econômico
Enquanto o regime sírio ganhou em grande parte a guerra civil, agora enfrenta uma crise econômica aguda, que empobreceu a grande massa da população, causou o colapso da moeda e causou uma ruptura dentro da elite governante.
De acordo com um artigo do New York TimesLink externo do final de fevereiro, 80% dos sírios vivem na pobreza e cerca de 40% estavam desempregados no final de 2019. E "esta taxa só aumentou nos últimos meses devido a restrições governamentais destinadas a controlar o coronavírus".
Recentemente, de acordo com o jornal americano, "a libra síria caiu para 3.500 por dólar no mercado negro, destruindo o poder de compra dos funcionários do governo". O preço de produtos importados, como açúcar, café, farinha e arroz, dobrou ou triplicou.
13 milhões de necessitados
O CICV estima que mais de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Síria atualmente. Oito milhões são incapazes de atender suas necessidades básicas e mais de 12 milhões estão em situação de insegurança alimentar. Quase 30% das mulheres dizem que não têm renda para sustentar suas famílias.
Menos de 60% dos hospitais públicos da Síria estão funcionando e uma em cada três escolas foi danificada ou destruída. A violência continua a atingir populações desarmadas. A organização terrorista Estado Islâmico continua a orquestrar ataques e intimidar civis, diz o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHALink externo).
4 bilhões de dólares
Desde março de 2011, a Suíça destinou um orçamento humanitário total de 522 milhõesLink externo de francos suíços para a crise síria, ou seja, aproximadamente 50 milhões de francos suíços por ano. Desse montante, 486 milhões foram em forma de doações a organizações (ONGs, Cruz Vermelha, ACNUR, etc).
Em 2020, de acordo com o OCHA, o financiamento da Confederação aos parceiros ativos na Síria foi de cerca de 23 milhões de dólares.
A Suíça é um dos maiores doadores. Embora seu financiamento tenha representado apenas 1% do plano de resposta global (o financiamento dos EUA forneceu apenas um terço), o pequeno país alpino está entre os 10 primeiros em relação ao seu tamanho e riqueza (Produto Nacional Bruto).
O OCHA estima que o financiamento humanitário total para a Síria foi de 2,6 bilhões de dólares no ano passado, o que cobriu menos de 60% das necessidades. Em 2021, mais de 4 bilhões de dólares serão necessários para o plano de resposta humanitária, de acordo com a organização.
Neste contexto, a Confederação Suíça tem "o dever de fazer mais", diz a Cáritas Suíça. A organização está pedindo à Suíça que aumente seus recursos para ajuda humanitária e ajuda ao desenvolvimento a longo prazo.
Ela também exige uma ação na Suíça, incluindo a concessão do status de refugiado a pessoas temporariamente admitidas e vistos humanitários para permitir que famílias separadas se beneficiem do reagrupamento familiar. Para a Cáritas, "devemos oferecer perspectivas de vida (...) às populações dilaceradas pela guerra".
Adaptação: Fernando Hirschy
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