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Gabriela Zapata, ex-companheira do presidente boliviano Evo Morales, em La Paz, no dia 26 de fevereiro de 2016(afp_tickers)
A empresária Gabriela Zapata afirmou nesta terça-feira que engravidou duas vezes do presidente boliviano, Evo Morales, interrompendo a primeira gestação e tendo um menino na segunda, para o qual o mandatário pagou uma espécie de pensão.
"Fiquei grávida em 2005, mas porque tinha medo (...) e porque ele (Morales) trabalhava, decidi não ter esta criança", disse Zapata na prisão a um repórter da Rádio Líder.
"Em 2006 voltei a ficar grávida, nasceu um menino, passaram-se dois meses, ele o reconheceu, escolheu o nome, veio para vê-lo. Sempre me telefonava para perguntar como estava a criança, mas não se referia ao menino e dizia: 'estou sendo gravado, não fale deste assunto", contou Zapata, acrescentando que Morales fez depósitos em uma conta bancária para pagar uma espécie de pensão ao menino.
Zapata foi durante alguns anos gerente da empresa chinesa CAMC, que obteve contratos com o Estado boliviano totalizando 560 milhões de dólares. A mulher está presa desde fevereiro passado, acusada de enriquecimento ilícito, mas Morales e a CAMC foram eximidos de responsabilidade pelo Congresso.
Na prisão desde fevereiro, Zapata, 28, permanece como a única acusada pelo caso da CAMC com o governo Morales, no poder na Bolívia há dez anos.
Na semana passada, uma juíza boliviana decretou a "inexistência" do suposto filho de Morales, e decidiu arquivar a ação do mandatário para obrigar Zapata a apresentar a criança às autoridades.
A titular do II Tribunal da Criança e do Adolescente de La Paz, Jacqueline Rada, decretou a "inexistência física comprovada" do menor, e o consequente arquivamento da ação de Morales.
A denúncia sobre o filho de Morales surgiu pouco antes do referendo de 21 de fevereiro passado sobre um quarto mandato consecutivo para o presidente, que não foi aprovado.
AFP