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275 mil suíços são considerados consumidores compulsivos. Sobretudo jovens vêem compras como forma de lazer ou fuga do tédio.
Para combater o problema, grupos de ajuda lançam campanha preventiva "max.money" para ensinar a juventude a lidar com dinheiro.
A revista “Facts” conta uma típica história de um endividado na Suíça:
O jovem Marc, 22 anos, do cantão de Lucerna, vivia como um príncipe. Seu automóvel marca Fiat Bravo havia sido comprado através de leasing. A gasolina era paga com o cartão da rede de posto e as férias através do cartão de crédito. O aparelho de som, TV e outros eletrodomésticos eram pagos à prestação. Roupas se amontoavam no armário graças ao cartão-cliente. Quando o salário já não dava para pagar as contas, o jovem escriturário necessitou um empréstimo. Este também não foi suficiente. No final, a montanha de dívida somava 70 mil francos (US$ 54 mil). Marc declarou falência privada seus credores lhe deram quatro anos para pagar o que deve. Grande parte dos bens foram devolvidos.
Fazer compras se tornou um passatempo para muitos jovens suíços.
Segundo estudos recentes, 275 mil suíços são considerados viciados em consumo. Elas não conseguem controlar seus gastos e só encontram tranqüilidade depois de compraram produtos ou serviços. O vício é considerado na Suíça uma dependência, assim como a de álcool ou das drogas.
Consumir para escapar do tédio
Outra pesquisa realizada pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Berna com 705 suíços durante o ano passado mostrou que 33% dos entrevistados têm uma tendência para gastos incontrolados. Como justificativa, eles afirmam que “consumem para escapar do tédio cotidiano”.
Além disso: 26% compram para relaxar ou pelos preços “reduzidos”. 24% se perguntam posteriormente se a compra foi realmente necessária. 14% se arrependem algumas vezes e 7% confessam que têm vergonha de mostrar o que compraram. A conclusão dos autores do estudo é que do grupo de 705 participantes, 4,8% são viciados em compras.
O consumo compulsivo é um problema de jovens. Dos entrevistados entre 18 e 24 anos, 17% admitiram que sofrem do problema e 47% se consideram consumidores vorazes. Considerando o gênero, as mulheres são duplamente mais atingidas pelo vício das compras do que os homens.
Mudança de comportamento
“Nos últimos trinta anos os valores mudaram muito na Suíça. A vontade de trabalhar e economizar para o futuro deixou de ser uma virtude. O jovem de hoje quer ter imediatamente todos os produtos que são anunciados nos comerciais. A pressão no grupo é muito grande para aqueles que não têm o celular da última geração ou o tênis da moda”, avalia Reno Sami, funcionário da Federação dos grupos de aconselhamento contra dívidas.
Esse comportamento leva muitos jovens a se endividarem perdidamente. A única saída é procurar os grupos de ajuda, que procuram encontrar uma saída do buraco.
Ela significa, em muitos casos, a falência privada da pessoa e um plano de pagamento que pode durar muitos anos. Mesmo depois que o jovem já ingressou no mercado de trabalho, todo o dinheiro que entra deve ser utilizado para quitar as contas não-pagas.
Os órgãos públicos estaduais de falências e cobrança de dívidas são vigilantes e impedem que qualquer crédito posterior seja dado ou contas possam ser abertas.
Campanha educativa
Para combater o problema e aumentar a consciência dos jovens suíços frente ao consumo, a Federação dos grupos de aconselhamento contra dívidas criou a campanha “max.money”
Ela será lançada no outono e dura cinco anos. Monitores irão visitar escolas e outras instituições de ensino para debater com os jovens sobre os valores atuais e mostrar-lhes como organizar suas finanças particulares. “Muitos têm nem consciência dos problemas que as dívidas podem trazer para a sua vida futura”, ressalta Reno Sami.
Sami, que também é o coordenador nacional da campanha “max.money” vê o culpado da situação dramática de muitos jovens não só na decadência dos costumes, mas também nas instituições financeiras: - “Muitos bancos oferecem com a maior facilidade crédito de compras para os jovens e não se importam pelas conseqüências”.
Para os bancos, essa justificativa é infundada. “Somos da opinião que a partir dos 14 anos o jovem já pode lidar com dinheiro, mas damos crédito apenas se ele tiver um rendimento fixo e segundo suas possibilidades”, completa Georg Soetgerath, porta-voz do Credit Suisse.
swissinfo, Alexander Thoele