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Secretário de Justiça dos EUA Jeff Sessions durante entrevista 4/8/2017 REUTERS/Yuri Gripas(reuters_tickers)
Por Julia Edwards Ainsley
WASHINGTON (Reuters) - O secretário de Justiça dos Estados Unidos, Jeff Sessions, partiu para o ataque contra vazamentos nesta sexta-feira, ao abordar um tema que tem enfurecido o presidente Donald Trump, e disse que o governo está revendo políticas que dizem respeito a compelir jornalistas a revelarem suas fontes.
"Uma das coisas que estamos fazendo é rever políticas que afetam intimações à mídia", disse Sessions aos repórteres ao anunciar os esforços do governo para lutar contra o que chamou de "número atordoante de vazamentos minando a capacidade de nosso governo de proteger este país".
"Respeitamos o papel importante que a imprensa desempenha e a respeitaremos, mas isto não é ilimitado", disse.
Um intimação à mídia é um decreto que compele um jornalista a depor ou apresentar provas, e pode resultar em uma pena caso não o faça. O fato de o governo estar revisando suas políticas deixa em aberto a possibilidade de condenar jornalistas por não identificarem suas fontes.
Trump vem expressando com frequência sua revolta com um fluxo contínuo de vazamentos à mídia a respeito de si e de sua gestão desde que tomou posse, em janeiro.
Alguns foram relacionados a investigações sobre a suposta interferência da Rússia na eleição presidencial norte-americana de 2016, e outros trataram de disputas internas na Casa Branca.
"Todo americano deve estar preocupado com a ameaça da administração Trump para intensificar seus esforços contra vazadores e jornalistas", disse Ben Wizner, da União Americana de Liberdades Civis. "Uma repressão em vazamentos é uma repressão à imprensa livre e à democracia como um todo."
O vice-secretário de Justiça dos EUA, Rod Rosenstein, disse a repórteres que o departamento está só começando a rever a política a respeito de intimações à mídia e que ainda não sabe dizer como ela pode ser alterada --mas descartou a possibilidade de ameaçar jornalistas com penas de prisão.
Segundo a lei norte-americana, um advogado do governo deve obter aprovação do secretário de Justiça antes de emitir uma intimação para tentar obrigar um membro de uma organização de notícias a divulgar informações às autoridades.
Abordando o tema mais amplo dos vazamentos, Sessions disse que o Departamento de Justiça triplicou o número de investigações de vazamentos não-autorizados de informação confidencial e que quatro pessoas já foram substituídas.
"Estamos tomando uma posição", afirmou Sessions, que nas últimas semanas foi criticado publicamente por Trump devido a seu desempenho no cargo, inclusive pelo que o presidente chamou de fraqueza na questão da perseguição a vazadores. "Esta cultura de vazamentos precisa acabar", disse Sessions.
Ele não revelou de imediato as identidades das quatro pessoas afastadas, mas disse que foram acusadas de revelação ilegal de informação confidencial ou de ocultar contatos com agentes de inteligência estrangeiros.
Reuters