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Os habitantes de Wuhan, no centro da China, continuam sua vida como de costume e quase ninguém usa máscaras, apesar do registro da primeira vítima fatal de um surto de pneumonia que apareceu nessa cidade e que faz temer o ressurgimento do vírus SARS.
Tian, um turista da cidade vizinha de Jingzhou, decidiu não adiar sua visita a Wuhan, apesar da preocupação de sua família. "Eu disse a eles que tudo ficaria bem, então vim", explicou.
No entanto, ele cobria o rosto com uma máscara protetora, ao contrário de muitos moradores da cidade.
Neste domingo, as pessoas pareciam pouco preocupadas com o aparecimento do vírus, que aparentemente é da mesma família da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que causou a morte de 349 pessoas na China continental e outras 299 em Hong Kong, entre 2002 e 2003.
Até agora, pelo menos 41 pessoas foram diagnosticadas com o novo vírus em Wuhan, das quais um homem de 61 anos morreu e sete outras estão em estado grave, anunciaram as autoridades sanitárias chinesas no sábado.
Esse surto coincide com a temporada de viagens na China por ocasião do Ano Novo Lunar, em que centenas de milhões de pessoas voltam para casa todos os anos para passar com a família, um movimento migratório que pode ajudar a espalhar o patógeno.
De acordo com a Comissão de Saúde de Wuhan, nenhuma evidência clara de transmissão entre seres humanos foi estabelecida.
- Sem material de proteção -
O mercado de peixe, localizado no centro da cidade e onde muitos pacientes trabalham, está fechado há 12 dias.
Segundo as autoridades de saúde, o homem que morreu teria feito compras no local.
No entanto, os inúmeros restaurantes localizados no mesmo prédio estão abertos e serviam clientes.
Em Hong Kong, o anúncio do aparecimento desse vírus gerou uma avalanche de pessoas nas farmácias para comprar máscaras protetoras, e os cientistas pediram que a população da megalópole permanecesse em alerta.
Mas nas ruas de Wuhan, uma cidade de 11 milhões de habitantes, poucos usavam máscaras neste fim de semana.
A maioria dos guardas do mercado não possuía equipamento de proteção.
Embora os agentes de segurança tenham recebido neste domingo a ordem de usar máscaras e um boné para se protegerem, apenas um grupo cumpria a ordem.
Um agente disse que os comerciantes do mercado estavam autorizados a entrar no estabelecimento para verificar suas lojas, acompanhados por guardas.
Cientistas chineses recentemente explicaram que a cepa, até então desconhecida, é um coronavírus, uma família numerosa que engloba um grande número de vírus, que pode causar doenças mais benignas, como a gripe comum, e doenças mais graves, como a SARS.
- Muito cedo para conclusões -
Cientistas do Departamento de Saúde de Hong Kong disseram no sábado que a sequência genética do vírus encontrada em um dos pacientes de Wuham e publicada on-line por um especialista chinês tem 80% de semelhança com o SARS encontrado em morcegos.
No entanto, garantiram que é muito cedo para concluir definitivamente que se trata de uma cepa do SARS.
Neste domingo, nos arredores do hospital Wuhan, onde as pessoas afetadas pelo vírus são tratadas, os visitantes podem entrar e sair livremente das instalações.
No entanto, um agente de segurança impediu a AFP de gravar os pacientes que estavam no estabelecimento, afirmando que era um local "sensível".
Duas mulheres, cujo sobrenome é Yan e Shu, autorizadas a deixar o estabelecimento, explicaram que as autoridades do hospital haviam pressionado para que um número máximo de pacientes não afetados pelo surto voltasse para suas casas.
"A maior parte do prédio está vazia", disse Shu, que acredita que outras pessoas infectadas pelo vírus serão enviadas em breve para este hospital.
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