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(Arquivo) O narcotraficante mexicano Joaquín 'El Chapo' Guzmán(afp_tickers)
O chefão mexicano das drogas Joaquín "El Chapo" Guzmán, de 59 anos, declarou-se "inocente" em um tribunal de Nova York, nesta sexta-feira (20).
De uniforme azul e com a ajuda de um tradutor, Guzmán se limitou a responder "sim, senhor" ao juiz federal James Orenstein, que lhe informou seus direitos e as acusações que pesam contra ele.
Extraditado do México na quinta-feira (19), Guzmán foi acusado por 17 crimes. Pelo primeiro deles, sobre ter dirigido o cartel de Sinaloa, pode ser condenado à prisão perpétua.
Ainda não foi definido um cronograma para um processo que se anuncia "complexo", já que as atividades do cartel de Sinaloa são vastas, afirmou o juiz, anunciando apenas que há uma primeira audiência para 3 de fevereiro.
Durante anos, o cartel de Sinaloa enviou e distribuiu milhares de toneladas de heroína, cocaína, maconha e metanfetamina aos Estados Unidos.
Em troca de sua extradição, as autoridades americanas se comprometeram a não pedir a pena de morte em seu caso.
Os Estados Unidos também concordaram com "tentar recuperar (...) pelo menos uma parte" dos cerca de US$ 14 bilhões obtidos por "El Chapo", declarou o procurador federal de Brooklyn, Robert Capers.
Robert Capers se declarou satisfeito com a cooperação com México e entre as agências e jurisdições federais que permitiram levar até os tribunais americanos "um dos traficantes de drogas mais perigosos e mais inacessíveis", cujo império ia da "América do Sul até o Canadá".
Capers não disse quais medidas extraordinárias serão tomadas pelo governo para evitar uma nova fuga de Guzmán, mas garantiu que ele não conseguirá escapar.
"Eu lhes garanto que ninguém cavará túnel no banheiro", declarou Meléndez.
Guzmán "se distinguiu de outros traficantes mexicanos por sua eficácia" no transporte de drogas para os Estados Unidos, passando por Califórnia, Arizona e Texas, e por "entregar o dinheiro arrecadado aos fornecedores colombianos em tempo recorde", segundo documentos da Procuradoria.
"Quando saiu do avião e, nos olhos dele, dava para ver a surpresa, o choque e, de certo modo, o medo também" de ser levado para a Justiça americana, relatou um dos agentes encarregados do caso, Ángel Meléndez, em entrevista coletiva.
Durante muitos anos considerado o traficante mais temido do planeta, "El Chapo" chegou aos EUA pelo aeroporto MacArthur de Long Island em Islip, Nova York, informou o Departamento de Justiça.
Até agora, Guzmán estava detido em uma prisão federal de Ciudad Juárez, no México, fronteiriça com a cidade americana El Paso, no Texas.
O Departamento de Justiça também expressou sua gratidão ao governo mexicano por sua "cooperação e assistência" ao entregar Guzmán à Justiça americana.
Guzmán também é requerido por tribunais da Califórnia e do Texas pelos crimes de homicídio e narcotráfico.
- Surpresa para a defesa -
Silvia Delgado, advogada de Guzmán em Ciudad Juárez, disse à rede de televisão Milenio que não foi notificada da extradição e que soube da notícia pelos veículos de comunicação.
"Fizeram isso de maneira ilegal, porque ainda não se resolveu o recurso pendente de revisão (...) Somos os principais surpresos com essa notícia. Não temos nenhuma informação por parte das autoridades", declarou Delgado.
A advogada contou que visitou Guzmán na manhã de quinta-feira, que ele estava tranquilo e que pediu que enviasse uma carta ao presidente Enrique Peña Nieto para denunciar "a violação de seus direitos humanos".
Para evitar a extradição, a defesa de Guzmán alegou que a Justiça do Texas poderia condená-lo à pena de morte, o que contraria o tratado de extradição entre os dois países, já que o México aboliu a pena capital.
O juiz responsável pelo caso rejeitou o argumento, enquanto a Suprema Corte se negou na quinta-feira a estudar seu caso.
Em nota, a Chancelaria mexicana garantiu que a extradição cumpre "as normas constitucionais, os requisitos estabelecidos no tratado bilateral e demais disposições legais vigentes para sua emissão".
A extradição foi realizada horas antes da posse do republicano Donald Trump, que acusou os imigrantes ilegais mexicanos que vivem nos EUA de serem "traficantes de drogas", "estupradores" e "criminosos", e que deseja construir um muro na fronteira com o México.
Em entrevista coletiva, o vice-procurador responsável por Assuntos Jurídicos e Internacionais do Ministério Público do México, Alberto Elías Beltrán, afirmou que a determinação de extraditar Guzmán a horas da posse de Trump não foi motivada por assuntos de política internacional.
O Executivo não intervém nas decisões e prazos do Poder Judiciário, disse.
AFP