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As autoridades americanas anunciaram na quinta-feira (16) sanções contra cinco russos acusados de violações dos direitos Humanos, incluindo o assassinato do líder opositor Boris Nemtsov e "tortura e assassinatos" de pessoas LGBT na Chechênia.
A decisão foi tomada poucos dias depois do encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e o secretário de Estado americano Mike Pompeo, durante o qual os dois líderes pareceram buscar o entendimento.
O Departamento de Estado americano adotou sanções contra cinco indivíduos e uma entidade no momento da apresentação ao Congresso do seu relatório anual sobre a chamada lei "Magnitsky", que proíbe a entrada em território americano e congela bens nos Estados Unidos de indivíduos e entidades acusadas de violar os direitos Humanos.
Esta lei foi introduzida após a morte de um advogado russo, Serguei Magnitsky, em detenção na Rússia em 2009.
Segundo comunicado da diplomacia americana, esses indivíduos são "responsáveis por graves violações dos direitos Humanos, incluindo o assassinato extrajudicial do líder da oposição russa Boris Nemtsov e a tortura e execuções extrajudiciais de pessoas LGBT na República da Chechênia".
Boris Nemtsov, que desempenhava um papel importante na oposição ao presidente Putin e que foi vice-primeiro-ministro na época do presidente Boris Yeltsin, foi morto a tiros em uma ponte ao lado do Kremlin em 2015.
"Essas ações serão seguidas por medidas recíprocas", respondeu a embaixada russa nos Estados Unidos em um comunicado, dizendo que "essas decisões não-construtivas vão claramente de encontro às perspectivas positivas das recentes conversas em Sochi".
Entre os indivíduos visados pelas sanções está Ruslan Gueremeiev, uma autoridade chechena próxima a Ramzan Kadyrov, o líder autoritário desta pequena república russa. Gueremeiev enfrenta acusações por seu envolvimento na morte de Nemtsov.
Em sua conta do Telegram, Kadyrov viu nessas sanções, que também visam uma unidade de intervenção policial chechena, "provas claras de que os Estados Unidos têm medo de nós".
As autoridades americanas também acusam duas dessas pessoas - Gennady Karlov e Elena Trikulia - de esconderem fatos sobre a morte e a detenção de Serguei Magnitsky.
"Quase 10 anos depois de sua morte, continuamos preocupados com a impunidade por este e outros crimes violentos contra ativistas, jornalistas, denunciantes e oposição política", escreveu no comunicado a porta-voz do Departamento de Estado, Morgan Ortagus.
Ela também relatou "uma atmosfera intensa de intimidação para aqueles que trabalham para expor a corrupção ou violações de direitos Humanos na Federação Russa".
O Kremlin prometeu nesta sexta-feira medidas recíprocas "de uma maneira ou de outra".
"Tudo será feito no interesse nacional", disse o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, a repórteres.
Também são alvos de sanções uma força especial que opera na Chechênia e o seu comandante, Abuzayed Vismuradov. Segundo o Departamento do Tesouro, essa força participou em assassinatos extrajudiciais e tortura, incluindo ataques contra homens homossexuais, que foram alvos da condenação internacional.