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Menos conhecida do que a imigração italiana ou espanhola, a imigração turca também contribuiu para o desenvolvimento econômico da Suíça no pós-guerra. Uma exposição de fotos familiares apresenta a vida dessas pessoas sob uma nova ótica, que demonstra o acolhimento e a discriminação sofrida no país de acolho.
Este conteúdo foi publicado em 11. junho 2022 - 11:00
Como jornalista baseada em Berna, estou particularmente interessada nas questões sociais, mas também política e mídias sociais. Trabalhei anteriormente na mídia regional, dentre elas, no Jornal do Jura e na Rádio Jura Bernense.
Thomas Kern nasceu na Suíça em 1965. Após se formar como fotógrafo em Zurique, começou a trabalhar como fotojornalista em 1989. Fundou a agência Lookat Photos em 1990. Kern ganhou duas vezes o prêmio World Press Award e recebeu várias bolsas de pesquisa na Suíça. Seu trabalho é tema de exposições e suas imagens encontram-se em várias coleções.
"Eu não queria encontrar ninguém antes de partir. Minha família não teria me deixado ir".
Hüseyin Yavas conta sua história de migração da Turquia para a Suíça. Para ele foi sinônimo de libertação, mas também tristeza. Ele é um dos milhares que, nos anos 1960, responderam ao convite das grandes empresas em busca de mão-de-obra.
Sob o título "E a vida começou", a artista reúne fotografias, documentos e áudios. Os entrevistados contam suas experiências sobre vários temas: trabalho, escola, lazer, amor e outros. Além das histórias pessoais, o trabalho de Ayse Yavas e da etnóloga Gaby FierzLink externo lança luz sobre um capítulo pouco conhecido da imigração.
Indesejado, mas recrutado
Hüseyin Yavas decidiu imigrar à Suíça por acaso. O turco chegou em 1963 à Brugg, um vilarejo no cantão da Argóvia, para trabalhar na indústria. Nos anos seguintes, encontrou trabalho para outros 70 compatriotas em empresas do cantão. Sua história é um fio condutor comum na exposição.
Ela também destaca a situação dos migrantes turcos, que só poderiam entrar na Suíça se tivessem um emprego ou visto de residência. Ao contrário da Alemanha, que abriu as portas para centenas de milhares de turcos já em 1961, a Suíça nunca concluiu um acordo de recrutamento com a Turquia.
Entretanto, a Suíça havia assinado acordo semelhante com a Itália (1946) e com a Espanha (1961). A cultura e a religião eram estrangeiras demais, argumentaram os cidadãos contrários.
"Os trabalhadores turcos não eram oficialmente procurados pela Suíça, mas foram recrutados por empresas de forma direcionada", revelam Yavas e Fierz.
A opinião pública também não parecia favorável à chegada desses imigrantes. Muitos falavam na época do medo de uma "superpopulação estrangeira" ou do "problema turco". Essa imagem não melhorou nos anos 1980, quando cada vez ativistas e curdos receberam asilo no país. Eles foram então descritos como "refugiados de araque".
Entre recepção e discriminação
No entanto, os suíços também se mostraram acolhedores. "Muitos conseguiam até alugar um quarto em casas de famílias suíças", diz Meryem Yavas, esposa de Hüseyin.
Ela se sentia acolhida. Porém quando casal decidiu ter filhos, porém, a situação mudou: "Não temos espaço para crianças", avisaram os senhorios.
Na época, encontrar um apartamento também não era fácil para estrangeiros. As experiências de racismo não eram incomuns. "Alguns proprietários não escondiam a rejeição: "Estrangeiros não são bem-vindos", se escutava na época.
Crianças separadas dos pais
Ayse Yavas e Gaby Fierz também lembram das experiências de separação em algumas famílias. Na Suíça, muitos imigrantes não conseguiam encontrar creches para seus filhos enquanto trabalhavam, pois eram muito caras. Portanto, nos anos 1970 e 1980, muitas delas foram deixadas com suas famílias na Turquia.
As crianças turcas também sofriam rejeição nas escolas suíças. Uma entrevistada conta que ficou sob suspeita de ter roubado um colar desaparecido. Quando descobriram o verdadeiro autor do crime, ninguém se desculpou.
Bem integrados
"Eles eram mais atraentes, bem cuidados e elegantes que os suíços", lembra Margrit Zimmermann, que se casou com Hamdi Ulukurt, um imigrante turco.
Ela se lembra da troca de olhares na piscina, o ponto de encontro dos jovens no vilarejo. Embora os casamentos binacionais representem agora cerca da metade de todos os celebrados no país, na época eram uma raridade.
Apesar da discriminação, os turcos conseguiram se integrar na Suíça. Atualmente, 130 mil migrantes originários do país e seus familiares vivem na Suíça. A metade se naturalizou.