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Infográfico sobre a célula terrorista dos atentados na Espanha(afp_tickers)
Os investigadores continuam as buscas por possíveis conexões - dentro e fora da Espanha - da célula extremista que matou 15 pessoas nos atentados de Barcelona e de Cambrils.
Essa célula havia planejado causar muito mais danos, utilizando uma grande quantidade de explosivos.
Segundo um dos quatro suspeitos que compareceram na véspera diante de um juiz da jurisdição antiterrorista, o imã Abdelbaki es Satty - considerado o cérebro dos ataques - planejava se suicidar em um grandioso atentado.
Outros oito dessa célula foram abatidos pela polícia, ou morreram em uma explosão acidental enquanto preparavam bombas.
No tribunal, o suspeito relatou que seus companheiros queriam atacar grandes monumentos do país com os artefatos que explodiram na casa de Alcanar, 200 km ao sul. A deflagração matou Satty e mais um elemento da célula.
Entre os escombros, foram encontrados 120 botijões de gás, uma enorme quantidade de pregos, detonadores e pelo menos 500 litros de acetona, água oxigenada e bicarbonato.
Essas substâncias são os ingredientes do triperóxido de triacetona (TATP), um poderoso explosivo conhecido entre os grupos radicais como "a mãe de Satã".
"Existem indícios racionais e suficientes de que nessa casa estavam tentando fabricar peróxido de acetona, utilizado habitualmente pelo Daesh (acrônimo do EI em árabe) em suas ações terroristas, como os atentados de Paris e de Bruxelas", afirmou o juiz.
- Novas revistas -
A Polícia regional catalã, a Mossos d'Esquadra, que conduz a investigação, realizou novas batidas na noite de terça-feira (22).
A primeira foi em uma central telefônica de Ripoll, localidade onde vivia a maioria dos membros da célula terrorista e onde Satty atuava como imã.
A outra aconteceu em Vilafranca del Penedés, que fica perto do lugar onde, na segunda-feira, a polícia matou o marroquino Younes Abouyaaqoub, de 22 anos. Ele foi o jovem que dirigiu a van que atropelou a multidão na turística avenida Las Ramblas de Barcelona, matando 13 pessoas e ferindo mais de 100.
A Polícia procura por possíveis colaboradores ligados aos terroristas, com as investigações se estendendo além da Espanha: Marrocos, país de origem da maioria dos suspeitos; assim como França e Bélgica, lugares para onde aparentemente teriam viajado antes de cometer os atentados.
Contactadas pela AFP, as autoridades marroquinas não reagiram às notícias nos jornais espanhóis sobre várias detenções nesse país relacionadas com os ataques.
Na Bélgica, o prefeito de Vilvoorde, Hans Bonte, disse à AFP que Satty viveu nessa localidade próxima a Bruxelas entre janeiro e março de 2016.
"Ele se apresentou de repente e disse que queria ser imã porque na Espanha não tinha futuro", contou ao jornal "El País", acrescentando que as autoridades belgas consultaram as espanholas sobre seus vínculos com o terrorismo e que a resposta foi "não".
Mas Satty, 44 anos, cumpriu 4 anos de prisão por tráfico de drogas e, após deixar a cadeia, recebeu uma ordem de expulsão do país, só que um juiz anulou a sentença por considerar "seus esforços de integração", segundo revelou a justiça, confirmando uma informação do jornal El Mundo.
- França investiga -
Os investigadores franceses buscam determinar por que os autores dos atentados foram a Paris e o que fizeram lá, segundo o ministro do Interior, Gérard Collomb após um encontro com seu colega espanhol, Juan Ignacio Zoido.
"Sabemos que alguns dias antes de cometer os atentados, um dos carros usados cruzou a frança e foi até Paris", afirmou Collomb em coletiva conjunta na Direção Naciona da Gendarmeria francesa (DGGN).
O encontro entre Zoido e Collomb faz parte da investigação sobre possíveis ramificações internacionais da célula terrorista.
O jornal Le Parisien revelou que o Audi A3 utilizado no ataque de Cambrils foi detectado por um radar por excesso de velocidade perto de Paris menos de uma semana antes dos ataques.
Na reunião, programada há várias semanas, os ministros referendaram um convênio bilateral para um projeto de formação comum de policiais com capacitação para luta antiterrorista inédito na Europa.
AFP