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Anualidades nas universidades suíças não são tão elevadas como nos Estados Unidos ou na Grã-Bretanha. Mas instituições como a ETH, EPFL ou a Universidade de St. gallen estão entre as melhores do mundo. Uma opção para quem quer estudar no exterior?
A swissinfo.ch perguntou aos leitores o que gostariam de saber sobre o sistema universitário dos EUA, Reino Unido e Suíça. Nossos correspondentes procuraram as respostas e revelam aqui quanto custa estudar no país. (*muitas vezes os valores são dados em moedas locais. Faça a convesão neste linkLink externo).
No ano letivo de 2016/2017, cerca de 50% de todos os estudantes internacionais nos EUA vinham da China e da Índia. Apesar de serem ainda uma maioria, os chineses estavam já estavam perdendo espaço para os indianos.
Esses estudantes estrangeiros são atraídos pelos cursos de pós-graduação e programas de aperfeiçoamento. Algumas universidades fazem uma aposta no segmento dos estudantes indianos: a Universidade Estadual do Arizona, por exemplo, faz referência à prevalência do hinduísmo no estado do Arizona nas informações sobre os seus programas de graduação.
Já as universidades americanas tendem a gostar de estudantes estrangeiros porque, assim, podem cobrar anuidades mais elevadas do que para os estudantes nacionais.
Se consultarmos os dados referentes a programas de graduação da Universidade de Iowa, por exemplo, veremos que um estudante internacional de engenharia gastar 31 mil dólares só com as taxas acadêmicas. Se adicionarmos a esse montante outras despesas como custo de subsistência e compra de livros, o valor total estimado ultrapassa os 45 mil dólares. Os estudantes originários de Iowa gastam a metade disso: 24 mil dólares.
É caro estudar na Inglaterra
Estrangeiros também pagam taxas elevadas para fazer a graduação e pós-graduação no Reino Unido. Para os estudantes britânicos ou europeus (passaporte da UE), os cursos com duração de três ou quatro anos custam 9.250 libras (US$ 12.140), seja qual for a área acadêmica escolhida.
Contudo, de acordo com a pesquisa Reddin sobre o custo do ensino superior, as taxas universitárias cobradas no ano letivo 2017/18 aos estudantes internacionais (não oriundos do espaço europeu) oscilavam entre 9.250 e 34.000 libras (US$ 12.140 e US$ 44.620), dependendo do curso seguido.
Já na pós-graduação, as universidades britânicas gozam de uma certa liberdade para estipular o montante a receber pelos cursos. Os valores não são tão padronizados como os cobrados na graduação. Assim sendo, as anuidades exigidas aos alunos nacionais e estrangeiros variam de acordo com a área acadêmica, a instituição e a duração do curso em causa.
A área acadêmica escolhida é a primeira variável que condiciona as anuidades nas universidades britânicas. Disciplinas das Ciências Humanas ou Sociais, como História, Economia, ou Direito, tendem a ser mais baratas (os valores variam entre 10.000 e 21.000 libras) e a ser lecionadas em cursos mais curtos.
Já os diplomas ligados à engenharia ou à área médica e científica costumam ser mais caros uma vez que exigem equipamentos e instalações especializados. As taxas cobradas por um curso de Medicina, Odontologia, Informática, Química ou Física começam em cerca de 10.000 libras mas podem ascender a 43.000.
A universidade escolhida é o principal fator que condiciona o valor final a pagar. A anuidade de um mestrado em Engenharia Mecânica na Universidade de Leeds custa 21.500 libras, por exemplo, ao passo em que um curso semelhante no Imperial College London vale 30.250 libras. A diferença é ainda maior segundo a duração do curso: o diploma em Leeds exige apenas um ano de estudo, sendo que no Imperial são necessários quatro anos.
Taxas menores na Suíça
A boa notícia é que as anuidades helvéticas são relativamente baixas, graças ao alto investimento per capita em educação. Duas das melhores universidades públicas do país na área das ciências e engenharias - a Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFLLink externo, na sigla em francês) e a Escola Politécnica Federal de Zurique (ETHLink externo, na sigla em alemão) - estão entre as instituições mais acessíveis, cobrando cerca de 650 francos por semestre, independentemente da nacionalidade do aluno.
Algumas universidades cobram valores mais altos para estudantes estrangeiros, embora apenas algumas figurem no topo da escala, como é o caso da Universidade de St. GallenLink externo. Conhecida pelo seu mestrado em administração de empresa, St. Gallen cobra aos estudantes internacionais pelo menos o dobro da quantia pedida aos nacionais, ou seja, 3326 francos por semestre.
As anuidades costumam cobrir não só a inscrição no curso escolhido mas também a adesão a organizações como associações de estudantes. A quantia paga não inclui livros e materiais acadêmicos nem alojamento.
Bolsas de estudo
Embora as anuidades das universidades helvéticas sejam relativamente mais baixas, a má notícia é que o alto custo de vida no país acaba por neutralizar qualquer poupança. Felizmente, os estudantes estrangeiros têm acesso a alguma ajuda financeira. O Governo helvético atribui bolsas de estudo a investigadores que já tenham concluído o mestrado e desejem realizar o doutorado na Suíça. No entanto, os candidatos devem inscrever-se apenas através de embaixadas ou consulados no exterior. Ofertas de bolsas divulgadas por e-mail ou redes sociais podem ser fraudulentas.
Algumas instituições também têm suas próprias bolsas de estudo. Na ETH, por exemplo, os estudantes estrangeiros de mestrado podem concorrer a apoios financeiros (desde que não tenho feito a graduação na mesma instituição). Existe ainda na famosa escola de Zurique o programa "ETH-D ScholarshipLink externo", ao qual podem concorrer tanto alunos suíços como estrangeiros que desejem fazer um mestrado. Os valores atribuídos vão de 1.500 a 11.000 francos por semestre.
Fundações e cantões também oferecem bolsas de estudo e, em alguns casos, estudantes estrangeiros podem se inscrever. O cantão de Vaud - onde estão localizadas tanto a EPFL como a Universidade de Lausanne - oferece bolsas a estudantes oriundos da União Europeia e da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA), assim como aos alunos de países com os quais a Suíça tem acordos internacionais, desde que os estudantes fixem residência no cantão.
As bolsas oferecidas por fundações tendem a ser mais restritivas, tendo como critério de atribuição a escolha de uma área ou curso específico e estando disponíveis apenas para alunos de uma determinada região ou nacionalidade. A melhor fonte de informação sobre este tipo de prêmio é a secretaria acadêmica da universidade na qual o candidato está interessado.
Bolsas na Inglaterra
O Reino Unido também oferece opções de bolsas de estudo para estudantes internacionais. Se por um lado o custo dos cursos de pós-graduação acaba por ser tão ou mais elevado que os valores cobrados nos de graduação, por outro também tende a haver mais apoio financeiro disponível na forma de bolsas, prêmios e subsídios. Ainda assim, estes apoios são comparativamente raros e altamente competitivos.
Uma vez recebida uma oferta, a universidade escolhida costuma considerar automaticamente o aluno para um série de bolsas de estudo ou subsídios. Todos os alunos matriculados costumam ser elegíveis para tais apoios, embora existam algumas bolsas destinadas a ajudar especificamente alunos internacionais (cuja inscrição por vezes tem de ser feita separadamente).
Existem ainda organizações que apoiam estudantes internacionais, como é o caso do British Council, que também oferece bolsas de estudo para alunos indianos como parte da campanha "UK’s GREAT BritainLink externo". O Ministério das Relações Exteriores britânico oferece ainda as bolsas Chevening Fellowships e Commonwealth Scholarship com base no desempenho acadêmico e no potencial de liderança. Os governos da Escócia e do País de Gales disponibilizam apoios semelhantes. Tais bolsas, como todas as demais distinções no meio acadêmico, exigem um grau de excelência do candidato e implicam bastante competição.
Bolsas nos EUA
Existem algumas bolsas de estudo disponíveis para estudantes internacionais no EUA, sendo que a maior parte delas tem critérios de elegibilidade como o desempenho acadêmico ou a situação financeira do candidato. A competição pode ser acirrada para alguns programas, mas se uma universidade quer realmente atrair bons alunos, há incentivos que podem ser oferecidos. Em 2011, foi notícia o caso de estudantes indianos que voltaram-se para as prestigiadas universidades da Ivy League após terem sido recusados por instituições indianas.
As universidades americanas reservam muitas oportunidades para estudantes internacionais, mas há vários aspectos a considerar, incluindo o custo, a área acadêmica escolhida e até mesmo a viabilidade de obter um visto ou uma proposta de emprego após a entrega do diploma. Exploraremos estas e outras questões nesta série.
Os nossos correspondentes
Tony Ganzer é um jornalista norte-americano radicado em Cleveland, Ohio. Viveu e trabalhou na Suíça durante muitos anos. Nesta série, ele debruça-se sobre o sistema universitário americano.
Geraldine Wong Sak Hoi, jornalista canadense radicada na Suíça, explora nesta série o sistema universitário helvético. Ela também está envolvida em projetos da swissinfo.ch voltados para a verificação de fatos.
Leo Shearmur é estudante de pós-graduação na Universidade de Oxford. Viveu e estudou tanto no Reino Unido como na Suíça. Nesta série, dedica-se ao sistema universitário britânico.
Adaptação: Andreia Azevedo Soares