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Federica Mogherini, da UE, concede entrevista em Bruxelas 25/7/2017 REUTERS/Eric Vidal(reuters_tickers)
Por Robert-Jan Bartunek e Gabriela Baczynska
BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia se recusou nesta quarta-feira a reconhecer o resultado da eleição da Assembleia Constituinte da Venezuela, marcada por episódios de violência, e disse estar pronta para "aumentar gradualmente" a pressão sobre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas não chegou a anunciar sanções.
A representante de política externa da UE, Federica Mogherini, disse em um comunicado que os 28 países-membros do bloco não podem reconhecer a Assembleia Constituinte, "já que têm preocupações a respeito de sua representatividade e legitimidade efetivas".
A assembleia pretende ser um superorganismo legislativo que foi descrito por críticos como ilegítimo, e foi concebida para dar a Maduro poderes para reescrever a Constituição e coibir o Congresso dominado pela oposição.
A Venezuela prendeu dois dos principais críticos de Maduro na terça-feira, um novo golpe na oposição na esteira dos protestos fatais que irromperam em meio à votação de domingo, levando os Estados Unidos a imporem sanções ao presidente.
Washington e a UE tendem a coordenar suas sanções, mas o bloco está dividido quanto à maneira de reagir.
O bloco disse a Maduro para "adotar medidas urgentes para retificar o curso dos eventos" e que está "pronto para aumentar gradualmente... a reação caso princípios democráticos sejam minados ainda mais e a Constituição venezuelana não seja respeitada".
A UE precisaria de uma decisão unânime para agir. A Espanha tem sido a mais explícita na defesa de sanções, mas a maioria dos outros integrantes tem se mostrado contida.
Na terça-feira o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, se uniu aos clamores de punição a Maduro.
Em uma carta, ele disse que, após as "prisões injustificadas" dos líderes opositores Antonio Ledezma e Leopoldo López, ele gostaria de cogitar "congelar ativos e impor proibições de viagem à UE aos membros do governo venezuelano, incluindo seu presidente, Nicolás Maduro, e seu séquito".
Em Bruxelas, diplomatas disseram que isso não parece iminente, mas enfatizaram o sentimento de preocupação que cresce no bloco e que pode levar a novas ações no futuro.
Por ora, a UE também pediu que Maduro liberte adversários políticos presos e que todos os lados evitem a violência.
Reuters