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"Verdingbuben" eram crianças pobres separadas das suas famílias e que trabalhavam nas fazendas, sem ter direito a salário. Até o final da Segunda Guerra Mundial essa prática ainda era comum na Suíça.
No final do século XIX, os meninos ainda eram leiloados publicamente. Hoje em dia, os últimos "Verdingbubens vivem seus últimos dias em asilos para idosos.
Assim como charretes, o aquecimento a carvão e as casas não eletrificadas, "Verdingbuben" pertencem ao passado pobre do meio rural na Suíça. Eles eram desgarrados de família e mão-de-obra gratuita nas fazendas. Depois do enriquecimento do país, esse mundo desapareceu.
"Verdingbuben" eram normalmente filhos de famílias pobres de agricultores que, pela absoluta miséria, não tinham condições de sustentar seus próprios filhos. Os meninos eram "cedidos" ainda em tenra idade para fazendeiros mais abastados que os empregavam como mão-de-obra para os trabalhos pesados do campo. Eles não tinham direito a salários e trabalhavam de sol a sol. A única interrupção para a labuta diária eram a escola primária, obrigatória já naquela época.
Os "bóias-frias" da Suíça
Os meninos viviam nas fazendas, em choupanas distante das habitações da família. Geralmente, depois que elas terminavam a formação básica escolar, o destino mais comum é que se tornassem trabalhadores rurais "bóia-fria", ou seja, viajando de fazenda em fazenda oferecendo a força dos seus braços nas colheitas e tratamento dos animais.
Em grande parte, essa legião de deserdados havia perdido o contato com a família desde que foram obrigados a abandonar suas casas. Afora a formação básica escolar, eles geralmente não conseguiam prosseguir os estudos.
Sem recursos, o "Verdingbuben" nunca conseguia juntar dinheiro suficiente para comprar uma propriedade rural ou uma casa. As chances no mercado matrimonia eram ruins, para essas pessoas que desde o tempo na escola já sofriam os preconceitos por terem sido crianças que foram largadas por seus pais.
É importante lembrar que no meio rural pobre na Suíça até o final da Segunda Guerra Mundial, os professores escolares eram pagos muitas vezes com gêneros alimentícios trazidos pelos filhos dos fazendeiros. O "Verdingbub", como servo do meio rural, não tinha condições de dar algo que nunca lhe pertenceu. Eles eram os párias entre as crianças.
Geralmente, o "Verdingbub" comum terminava seus dias solitário na pobreza, vivendo num asilo para trabalhadores do campo ou graças à ajuda das comunas.
"Verding" é uma palavra alemã já antiquada e significa no campo "trabalhar por salário". "Buben" é um termo empregado sobretudo no sul da Alemanha, Áustria e Suíça para "criança".
Quase não existe documentação
A vida "Verdingbuben" é uma página vazia na história suíça. "Praticamente não existem estudos ou livros sobre o tema, apenas alguns registros judiciais", explica a jornalista Gisela Widmer, de Lucerna.
Numa matéria publicada em abril de 2002 no "Das Magazin", revista ilustrada do jornal "Tagesanzeiger", da Suíça alemã, ela conta que "mais de 10 mil "Verdingbuben" viviam no final do século XIX no cantão de Berna, e que existiam aqueles que ainda eram negociados em leilões públicos para agricultores nas zonas rurais".
Porém a situação começou a se modificar a partir dos anos 20 do século passado. "As crianças de famílias de agricultores pobres, que não podiam mantê-las, passaram a ser levadas para outras famílias que as criariam como seus próprios filhos. Elas não eram mais deixadas como mão-de-obra escrava para fazendeiros mais abastados. Apesar dessa mudança, a prática de "Verdingbuben" continuou até o final da Segunda Guerra Mundial", explica Widmer.
Apenas em 1978, leis foram criadas
Apesar dessa prática ter sido abandonada, com a melhoria das condições de vida, apenas a partir de 1° de janeiro de 1978 as crianças na Suíça passaram a ter uma proteção legal válida para todo o país. Nesse dia entrou em vigor a nova lei de proteção à infância e também regras gerais para a adoção de crianças.
Hoje em dia, os últimos "Verdingbuben" são alguns poucos idosos que vivem em asilos espalhados pela Suíça. Eles são testemunhos de um tempo que passou e nunca mais retornará. Quando falecem, levam consigo um pouco da história da Suíça.
swissinfo/Alexander Thoele
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