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As eleições presidenciais desta quarta-feira na Indonésia representam um desafio logístico gigantesco para as autoridades do vasto arquipélago da Ásia, que mobilizam aviões, barcos e até elefantes para permitir a votação dos 190 milhões de eleitores registrados.
"É um país muito grande, faremos o melhor possível", decalarou Arief Budiman, diretor da Comissão Eleitoral (KPU).
"Mas este anos estamos muito ocupados", reconhece.
Mais de 190 milhões de pessoas devem escolher entre o presidente Joko Widodo, que lidera as pesquisas, e seu rival, o ex-general Prabowo Subianto.
Na mesma votação também devem escolher os deputados e os 245.000 representantes locais, na maior votação da história do país.
O imenso arquipélago de 17.000 ilhas, situado entre o Oceano Índico e o Pacífico, tem 4.800 quilômetros de superfície. O material de votação é transportado de caminhão, avião, barco e moto, mas também com animais, sobretudo nas zonas mais remotas.
Na província de Aceh as autoridades utilizam elefantes, sobretudo para chamar a atenção dos eleitores.
Na ilha de Java, a mais populosa do país, cavalos e búfalos são utilizados no transporte de urnas e cédulas aos pontos mais remotos.
"As estradas ficam repletas de barro durante temporada de chuvas, por isso utilizamos cavalos para transportar o material eleitoral", explica Suhartanto, chefe de polícia do subdistrito de Tempurejo.
Para facilitar o transporte aos mais de 800.000 centros de votação habilitados no país as urnas são de papelão e não de metal. "São muito sólidas", afirma Arief Budiman, que garante a resistência à água, mas não a uma inundação.
A votação começará às 7H00 locais (19H00 de Brasília, terça-feira) em Papua, a província mais ao leste do país.
Jacarta reforçou a presença militar nesta província para as eleições, após o massacre de dezembro de 16 operários que trabalhavam na construção de estradas e pontes, um ataque reivindicado por um movimento separatista armado.
Também foram registrados confrontos durante a entrega de material para uma eleição local no ano passado, com vários policiais e funcionários eleitorais mortos.
Em alguns distritos da província montanhosa as autoridades permitiram o noken, um sistema de eleição comunitário.
O costume recebe o nome de uma bolsa tradicional na qual o chefe de um vilarejo recolhe as cédulas da comunidade e a representa no centro eleitoral.
Este sistema de voto continua polêmico em um país com vários casos de compra de votos. Ao mesmo tempo é considerado uma solução em uma província com vilarejos de difícil acesso.
Os grupos separatistas defenderam o boicote da votação.
A Comissão Eleitoral treinou milhões de assessores para o pleito e criou um aplicativo para celulares no qual os eleitores, em particular os mais jovens, conseguem acessar informações sobre os candidatos.
A agência que supervisiona as eleições indicou o aumento das tenativas de ciberataques, mas não informou a procedência. Ao mesmo tempo. afirmou que a situação está sob controle.