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O governador de Miranda e líder da oposição, Henrique Capriles (2º à esq.), e o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges (3º à esq.), durante protesto contra Nicolás Maduro, em Caracas, em 4 de abril de 2017(afp_tickers)
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, se encaminha a tramitar sozinho uma reforma constitucional, depois que seus adversários se recusaram a participar no processo convocado pelo presidente em meio a uma onda de protestos que deixam 36 mortos.
Embora vários líderes tivessem expressado em separado seu repúdio à Assembleia Constituinte "popular" de Maduro, a coalizão de partidos Mesa da Unidade Democrática (MUD) formalizou neste domingo que não participará da iniciativa.
"Não podemos ir a um processo fraudulento (...) Aqui existe uma Constituição e o governo não pode anulá-la por um ato de força", disse o ex-candidato presidencial Henrique Capriles em coletiva de imprensa ao lado de outros dirigentes da MUD.
Capriles descartou que a oposição vá assistir a uma reunião sobre o processo na segunda-feira no palácio presidencial de Miraflores, à qual foi convidada por Elías Jaua, presidente de uma comissão presidencial que impulsiona a Constituinte.
Em seu lugar, os opositores tentarão participar de uma marcha até a sede do Ministério da Educação - cujo titular é Jaua -, no centro de Caracas, para explicar porque decidiu se manter à margem.
Maduro assegurou neste domingo que não tem outra opção que convocar a Constituinte para enfrentar uma suposta "insurgência armada" da oposição para derrubá-lo.
"Há duas vias: paz ou fascismo (...), Constituinte ou golpe, Constituinte ou intervencionismo", declarou Maduro em um telefonema à comissão presidencial que discutia sua proposta neste domingo.
A MUD rejeita que a proposta de Maduro pretenda eleger a metade dos 500 constituintes que reformarão a Carta Magna por votação de setores que, assegura, são controlados pelo governo, enquanto o restante seria escolhido em eleições municipais.
Capriles assegurou que Maduro - cuja gestão é rejeitada por sete em cada dez venezuelanos, segundo pesquisas - busca evitar eleições gerais, principal exigência dos protestos opositores iniciados em 1º de abril.
"As eleições setoriais não existem na Constituição", sentenciou.
O presidente, no entanto, afirmou que eleger constituintes por setores sociais "rompe os esquemas da democracia formal, burguesa".
A oposição anunciou neste domingo que manterá uma intensa jornada de protestos para exigir as eleições e a suspensão da "repressão" contra suas manifestações, que também deixaram centenas de feridos e detidos.
Até mesmo o opositor preso, Leopoldo López, pediu neste domingo que se mantenha a firmeza nas ruas, segundo sua esposa, Lilia Tintori, que pôde vê-lo após 35 dias de castigo sem visitas.
A pressão das ruas contra Maduro contou com a adesão de músicos e artistas, que marcharam em Caracas neste domingo em repúdio às mortes provocadas pelos protestos.
Na companhia de alguns deputados, os músicos marcharam tocando tambores, gaitas, violinos e pequenos violões de quatro cordas.
A proposta de Constituinte, que avança desde a terça-feira no Poder Eleitoral, também despertou repúdio internacional.
Brasil, México, Espanha e Estados Unidos disseram que um processo para modificar a Constituição requer do sufrágio universal.
Enquanto isso, o Chile considerou que a iniciativa agrava a crise política, e Luis Almagro, secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), a qualificou de "fraudulenta".
AFP