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(17 jul) Michel Barnier e David Davis na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas(afp_tickers)
O negociador europeu para o Brexit, Michel Barnier, pediu, nesta quinta-feira (20), "esclarecimentos" sobre o posicionamento britânico em assuntos decisivos, ao final da segunda rodada de negociações.
"Pedimos esclarecimentos sobre os direitos dos das cidadãos, a liquidação financeira e a Irlanda", afirmou o francês Barnier numa coletiva de imprensa com o negociador britânico, David Davis, em Bruxelas, onde aconteceram as conversas sobre a separação.
As negociações entre as duas equipes foram "fortes, mas construtivas", embora ainda "haja muito a resolver", apontou o britânico, alertando que "uma solução vai exigir flexibilidade das duas partes".
O objetivo é alcançar um acordo até outubro de 2018, antes de o Reino Unido encerrar, em março de 2019, os 40 anos de parceria no bloco, tornando-se o primeiro a abandonar a União em Europeia em suas seis décadas de existência.
Para chegar a um acordo de divórcio, os negociadores concordaram desde a primeira rodada, em 19 de junho, em abordar os três assuntos prioritários citados por Barnier nesta quinta, antes de começar a discutir, caso seja possível, um acordo de livre-comércio, almejado por Londres.
- 'Divergência fundamental' -
A segunda rodada de negociações que, segundo o representante europeu era de "apresentação" das posições, serviu para identificar as possíveis armadilhas, entre elas, como é possível solucionais as discordâncias sobre os direitos dos cidadão após o Brexit?
O bloco quer que, após o Brexit, o Tribunal de Justiça da UE seja o responsável pelos conflitos que envolverem os direitos dos mais de 3 milhões de europeus vivendo no Reino Unido - uma opção recusada por Londres.
"Não vemos outra forma de garantir a perenidade destes direitos", apontou Barnier, que também se preocupa com a legislação para os integrantes de famílias europeias e determinados benefícios sociais.
O negociador europeu já tinha cobrando mais "clareza" no plano apresentando pela primeira-ministra britânica Theresa May em junho, recebido com frieza na UE, que prevê garantir direitos idênticos aos dos britânicos aos europeu que estejam há mais de cinco anos em seu país, sem determinar um data de início dessa contagem, contudo.
- Britânicos evitam falar de fatura -
Outro ponto espinhoso nas discussões é a fatura a ser paga por Londres devido aos compromissos assinados como membro da UE, que poderia chegar aos 112 bilhões de dólares, segundo fontes europeias. O Reino Unido qualificou a medida como um "disparate".
Barnier pediu um "esclarecimento" ao governo britânico, que não se posicionou sobre o assunto, considerado "indispensável" para realizar "progressos suficientes". "Uma saída ordenada requer que o Reino Unido pague suas contas", completou.
Uma fonte próxima às negociações indicou os dois lados concordam que Londres deve sua parte, mas o governo britânico não quer estabelecer o montante até a reta final.
Sobre a fronteira entre Irlanda e a Irlanda do Norte, uma província britânica, os europeus também cobraram um posicionamento de Londres acerca da cooperação e da circulação de pessoas entre os territórios, que seguem como membros da UE.
A próxima rodada de negociações acontece na semana de 28 de agosto, seguida por 18 de setembro e 9 de outubro, antes que os mandatários europeus se encontrem com a primeira-ministra britânica em uma cúpula em Bruxelas.
AFP