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Por Raheem Salman e Ned Parker
BAGDÁ (Reuters) - Líderes partidários iraquianos planejam delicadas negociações que poderiam colocar um fim ao cisma político do país, que se encontra dividido desde que um clérigo Xiita pediu que um novo primeiro-ministro fosse escolhido urgentemente para combater os rebeldes islâmicos que ameaçam a integridade do Iraque.
As potências globais pressionam para que um novo governo, mais inclusivo, ao invés de um que defenda uma dominação sectária xiita, seja estabelecido com urgência para conter a insurreição que tomou conta da fronteira com a Síria e que poderia ameaçar todo o Oriente Médio.
Em uma notável intervenção política na sexta-feira, que poderia significar a decadência do governo de oito anos do premiê Nouri al-Maliki, o influente Ayatollah Ali Sistani pediu que os blocos políticos concordem nas escolhas dos próximos premiê, presidente do parlamento, e presidente, antes do encontro entre os novos membros eleitos do legislativo que será na terça-feira em Bagdá.
"As próximas 72 horas serão muito importantes para conseguirmos um acordo (...) para mover o processo político para frente", disse um parlamentar e ex-autoridade governamental da Aliança Nacional, que agrupa todos os partidos islâmicos xiitas.
O parlamentar, que pediu anonimato devido à sensibilidades políticas, afirmou que espera que reuniões internas dos vários partidos e uma sessão mais ampla da Aliança Nacional, incluindo a coalizão State of Law de Maliki aconteçam neste final de semana. Alguns partidos islâmicos sunitas devem se reunir neste sábado.
A entrada de Sistani na discussão dificultará a permanência de Maliki no governo, legitimada por uma eleição parlamentar em abril. Isto significa que ele tem de construir uma coalizão para se confirmar no poder para um terceiro mandato, ou renunciar.
A mensagem de Sistani foi entregue depois que um encontro entre facções xiitas, incluindo a coalizão State of Law, não conseguiu chegar a um consenso sobre um candidato para Primeiro Ministro.
Maliki acusa seus inimigos políticos de atrasar as sessões do Parlamento e de usar violência para interferir no processo político.
"Eles trabalharam para adiar as eleições (...) e agora estão tentando adiar a primeira sessão do conselho de representantes (...) mas se eles não conseguem nos pressionar para adiar, eles começam a incitar incidentes de segurança em Bagdá", afirmou em uma reunião televisionada com os seus comandantes.