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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, discursa em Bogotá, no dia 9 de julho de 2015(afp_tickers)
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, garantiu que, se as Farc não aceitarem alguma modalidade de "privação de liberdade", não terá acordo no processo de paz negociado entre o governo e o grupo rebelde.
"A primeira coisa que tem que acontecer é a aceitação da justiça. Deverá haver uma pena privativa de liberdade em algum sentido", disse Santos em uma entrevista com o jornal colombiano El Tiempo publicada neste domingo.
O presidente, cujo governo negocia há três anos o fim de 50 anos de conflito armado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assegurou que existe "muita flexibilidade" na discussão sobre o tipo de pena a ser cumprida.
"Podem ser, por exemplo, penas que não impliquem a prisão para a maioria dos integrantes das Farc e que somente paguem penas o alto escalão e pelos delitos mais graves", disse.
Neste caso, cerca de 7.000 combatentes da guerrilha seriam isentos de penas de privação da liberdade.
Segundo fontes do governo colombiano, as condenações poderiam ser cumpridas em fazendas especiais ou com reclusão domiciliar, entre outras modalidades ainda em estudo.
O presidente disse também que este será um passo importante para que seja acordado um cessar-fogo bilateral. O governo só se comprometeu, até o momento, com uma "desescalada" da ofensiva.
A entrega das armas será um requisito indispensável para a assinatura do acordo em busca de uma paz "estável" e com "segurança jurídica". "Se não deixarem as armas, não haverá paz", sentenciou o presidente.
"Todo este exercício é para que as Farc possam fazer política, mas sem armas. Se não as entregarem, todo este exercício não tem nenhum sentido. Isso não seria aceitável para mim, nem para o povo colombiano, nem para i mundo", completou.
Em um prazo de quatro meses, Santos decidirá se o seu governo continua sentado à mesa de negociação com as Farc, dependendo dos avanços alcançados neste tempos em temas considerados prioritários.
Até agora, as partes chegaram a um consenso sobre três dos seis pontos da agenda, e concordaram ainda sobre um programa de desminagem e a criação de uma Comissão da Verdade.
A Colômbia vive um conflito em que participaram as guerrilhas, paramilitares e agentes do Estado, deixando oficialmente pelo menos 220.000 mortos e mais de seis milhões de deslocados.
AFP