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O alto comissário para a Paz da Colômbia, Miguel Ceballos, anunciou nesta terça-feira uma lista de 11 supostos guerrilheiros do ELN que, pela primeira vez, o país pretende extraditar para os Estados Unidos por narcotráfico.
"São 11 membros do ELN no total, quatro dos quais já estão capturados", informou o conselheiro presidencial. Os outros sete são procurados. Segundo Ceballos, a diligência "faz parte de um pedido mais amplo de vários promotores e juízes dos Estados Unidos".
O presidente colombiano, Iván Duque, assinou ontem a extradição de José Gabriel Álvarez, solicitada pela Corte do Distrito Sul do Texas por tráfico de drogas. Ele deixará o país em até 10 dias.
A última guerrilha reconhecida no país após a assinatura de um acordo de paz em 2016 com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) negou as acusações. "É totalmente falso que o personagem chamado José Gabriel Álvarez Ortiz seja integrante do ELN, bem como os outros três que dizem que serão extraditados", afirmou o comando central do grupo rebelde.
Atuante desde 1964 e composta por 2,3 mil combatentes, a guerrilha garante que não tem ligações com o narcotráfico. Os quatro supostos membros do ELN capturados e pedidos em extradição são Yamit Rodríguez (conhecido como Choncha), Franco Ruiz (Motorola), José Gabriel Álvarez (Gabriel) e Henry Trigos (Henry).
Reconhecido como "grupo terrorista" por Estados Unidos, União Europeia e pelo governo Duque, o ELN "está a caminho de ser considerado internacionalmente um grupo de narcotraficantes", apontou Miguel Ceballos. "Cabe agora ao ELN nos dizer claramente se está disposto a se comprometer com a paz. Se estiver, deve abandonar para sempre o narcotráfico."
Duque sepultou o diálogo de paz mantido por seu antecessor, o Nobel da Paz Juan Manuel Santos, com o ELN, devido a um ataque com carro-bomba contra uma academia de polícia que matou 22 cadetes, além do autor. Ele exige que Cuba extradite os rebeldes que ficaram em seu território após o fim da negociação, mas a ilha rejeita o pedido, alegando respeito aos protocolos que assinou com a Colômbia, que preveem o retorno da delegação a seus acampamentos de forma segura.
A Colômbia é o maior produtor de cocaína do mundo e os Estados Unidos são o maior consumidor da droga.