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Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani em coletiva de imprensa em Cabul no dia 12 de julho de 2014(afp_tickers)
A verificação dos 8,1 milhões de votos das presidenciais afegãs foi suspensa por alguns dias devido a divergências entre os dois candidatos sobre o procedimento a ser seguido, anunciou neste sábado a Comissão Eleitoral Independente (CEI).
Abdullah Abdullah e Ashraf Ghani discordam principalmente sobre o procedimento para invalidar um voto que seria considerado fraudulento.
"A CEI decidiu suspender temporariamente a verificação até o quarto dia do Eid al Fitr (no fim da próxima semana) e esperamos que isso deixe tempo suficiente para os candidatos entrarem em acordo", declarou o chefe da comissão, Ahmad Youssuf Nuristani, em uma coletiva de imprensa.
A operação começou no dia 17 de julho, mas desde esse dia ocorreram várias suspensões.
"A auditoria é muito lenta, os representantes dos candidatos abandonaram o local pela terceira vez nos últimos dez dias devido a pontos de vista divergentes", destacou Nuristani.
A operação, organizada na sede da CEI em Cabul, deve esclarecer o número de votos dos dois candidatos, que se acusam mutuamente de ter se beneficiado de fraude no segundo turno das presidenciais de 14 de junho.
Deve durar no total ao menos três semanas. Mas com o atraso acumulado, a verificação demorará mais. Inicialmente a posse do novo presidente estava prevista para 2 de agosto.
Há duas semanas, os dois candidatos entraram em acordo para verificar 23.000 urnas do segundo turno sob os olhares dos observadores nacionais e internacionais com o objetivo de eliminar as cédulas fraudulentas.
Neste sábado, 67% das urnas haviam sido transferidas à sede da CEI em Cabul pelo exército afegão, que contou com a ajuda da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), informou Nuristani.
A revisão do processo eleitoral é crucial para salvar a credibilidade das eleições presidenciais, para estabelecer a legitimidade do futuro presidente afegão e garantir a estabilidade do país à medida que se aproxima a retirada das forças da Otan, prevista para o fim do ano.
Mas a operação transcorre em meio a uma espiral de violência, com ataques quase diários contra civis e as forças de segurança.
AFP