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O lóbi do tabaco tem forte influência nos meios político, econômicos e nos meios de comunicação na Suíça. As multinacionais do setor definem a Suíça como um "campo de batalha decisivo", segundo estudo de dois cientistas americanos financiado pela OMS.Este conteúdo foi publicado em 11. janeiro 2001 - 16:26
O consumo de cigarros é maior na Suíça do que nos Estados Unidos, existem poucos espaços para não fumantes, o imposto sobre o tabaco é o mais baixo da Europa Ocidental. A verba para prevenção da Aids (100 mortes por ano) é o triplo da utilizada na prevenção ao tabagismo (8 a 10 mil mortes por ano).
São dados de um estudo feito por dois cientistas americanos do Instituto de Política de Saúde da Universidade da Califórnia. Divulgado quinta-feira na Suíça, e financiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em Genebra, o relatório de 130 páginas é baseado em documentos das multinacionais do tabaco revelados durante processos na Justiça americana.
Depois que esses documentos evidenciaram que o lóbi do tabaco tentou infiltrar-se até na OMS, a organização encomendou vários estudos nacionais e a Suíça foi o primeiro país pesquisado.
O relatório afirma que o lóbi do tabaco investe cerca de 100 milhões de francos suíços por ano, agindo de maneira "invisível", para "evitar a implantação de uma lei anti-tabaco eficaz na Suíça". Os defensores dos interesses da indústria são numerosos no meio político, econômico e na mídia, segundo o estudo.
O relatório dá vários exemplos de como os interesses das multinacionais do tabaco são defendidos. Em 1993, houve uma votação popular sobre a proibição da publicidade do tabaco e do álcool. A proposta foi rejeitada mas documentos internos da Philip Morris afirmam que "150 deputados e membros de comitês locais defenderam o ponto de vista da indústria".
Outra proposta restritiva ao tabaco havia sido rejeitada em 1979 e, antes de cada votação, executivos da Philip Morris "organizaram várias reuniões de informação com editores de jornais, sempre com a técnica de nunca serem citados", afirma o relatório.
Uma Comissão Parlamentar sobre o tabaco tinha "5 ou 6 deputados que bloqueram os trabalhos e a Comissão foi dissolvida, no final dos anos 80". Vários sindicatos patronais (Vorort, Usan e a Associação de donos de bares e restaurantes) são cidados como "aliados tradicionais" do tabaco.
Questionado pelo jornal "Le Temps", de Genebra, o Secretário Federal da Saúde, Thomas Zeltner, declarou que supostos especialistas em epidemiologia tentaram contactá-lo para falar do tabaco. "Verificou-se posteriormente que eram pagos pela indústria do tabaco como conselheiros em relações públicas", de acordo com Zeltner. Ele é favorável ao aumento do preço do cigarro como forma de dissuasão dos fumantes.
swissinfo com agências.
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