Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02582.jsonl.gz/64

Segundo Robert Malley, ex-conselheiro de Bill Clinton, a Suíça e a e Europa deveriam rapidamente defender as soluções contidas na Iniciativa de Genebra.
Malley está na Suíça enquanto a ministra das Relações Exteriores Micheline Calmy-Rey deve ir brevemente a Israel e aos territórios palestinos.
A passagem pela Suíça do ex-conselheiro de Bill Clinton para o Oriente Médio, Robert Malley, ocorre em momento oportuno. Ele tem encontro marcado com representantes do Ministério das Relações Exteriores, quando a Chanceler, Micheline Calmy-Rey prepara viagem a Israel e aos territórios palestinos.
Depois que deixou o governo, o especialista estadunidense é responsável pelo programa para o Oriente Médio e África do Norte no International Crisis Group, uma organização não governamental.
A data da viagem da chanceler ainda não foi definitivamente fixada mas a viagem se prepara em um momento de oportunidades de paz na região, como confirma Robert Malley na entrevista que segue:
swissinfo: o Oriente Médio está numa fase de descompressão?
Robert Malley: um novo clima está realmente se instalando. Pelo menos vários atores tentam instaurá-lo através de declarações e atos de boa vontade.
Mas é preciso relativizar essa fase de otimismo, porque os objetivos que criam esse ambiente são a curto prazo como as eleições palestinas e a retirada israelense da Faixa de Gaza.
No entanto, as questões fundamentais desse conflito ainda não são abordadas, ou seja, o fim da ocupação israelense e a segurança de Israel. Portanto, é preciso explorar rapidamente o clima atual porque ele pode ser efêmero.
swissinfo: O presidente Bush vai realmente se envolver na resolução desse conflito?
R.M.: O presidente dos Estados Unidos parece realmente comprometido com a democratização - pelo menos como ele imagina - da Autoridade Palestina.
Ele parece disposto a contribuir no que pode para atingir esse objetivo através de uma ajuda direta aos palestinos ou mesmo pressionando o governo israelense para que ele facilite a realização das eleições palestinas.
Resta saber se George W. Bush relaciona essas reformas com as causas cruciais do conflito. Essa é a grande questão.
Se ele acha que a democratização da Autoridade Palestina é um pré-requisito para a abertura de negociações de paz, será mais um fracasso.
Se, ao contrário, a administração Bush comprende que os progressos políticos devem ocorrer ao mesmo tempo que as reformas da Autoridade Palestina, então há uma chance de paz.
swissinfo: então é preciso relançar rapidamente o plano dos Estados Unidos apoiado pela ONU, a União Européia e a Rússia?
R.M.: Esse plano é um catálogo de medidas e temas que é preciso abordar de uma maneira ou outra. Mas o método prescrito por ele não é obrigatoriamente o melhor.
Por exemplo, a retirada da Faixa de Gaza não está prevista no plano. No entanto, ela é o motor de uma série de iniciativas na região.
swissinfo: Que papel pode ter a Iniciativa de Genebra?
R.M.: Em primeiro lugar, essa Iniciativa já permitiu realizar uma coisa importante: demonstrar que um acordo de paz é possível entre moderados dos dois lados.
Mas como um tal acordo pode se concretizar no terreno político? Essa questão ainda está em aberto. É difícil porque nenhum dos signatários está atualmente no poder.
Mas o documento ou uma versão próxima, poderia, por exemplo, integrar o programa do Partido Trabalhista e do próximo presidente palestino.
Uma coisa é certa. Toda solução do conflto árabo-israelense será próxima da Iniciativa de Genebra. Ou então, não haverá acordo.
swissinfo: a diplomacia suíça deveria trabalhar mais para promover essa Iniciativa?
R.M: O importante é de elaborar uma estratégia mais ampla, além do pode fazer um único país. O conteúdo desse acordo precisa ter o apoio da União Européia, árabe e, esperamos, dos Estados Unidos.
Além disso, a Suíça é a União Européia devem enfatizar que as soluções contidas na Iniciativa de Genebra atende aos interesses vitais de ambas as partes.
Essa perspectiva traria muitos efeitos benéficos. Permitiria, por exemplo, reforçar os defensores da paz entre os palestinos e os isralenses.
Colocar em evidência uma solução possível do conflito isolaria os extremistas dos dois lados e facilitaria o início das etapas precedentes a um acordo final de paz.
É verdade que estamos atualmente numa situação um pouco delicada, antes das eleições palestinas e da retirada israelense de Gaza.
Mas dentro de alguns meses - e é preciso iniciar o trabalho já - os Europeus e seus parceiros árabes e idealmente os Estados Unidos deverão sugerir juntos esse acordo ou uma proposta próxima como um compromisso aceitável.
Entrevista swissinfo, Frédéric Burnand, em Genebra.
tradução: Claudinê Gonçalves
Fatos
Robert Malley, ex-conselheiro de Bill Clinton para o Oriente Médio, tem reunião marcada dos diplomatas do Ministério suíço das Relações Exteriores.
Ela acha que a Iniciativa de Genebra poderia integrar o programa do Partido Trabalhista isralense e do futuro presidente palestino.
Breves
- O Grupo Internacional Crises é um órgão independente dedicado à resolução de conflitos, com sede em Bruxelas.
- O conselho executivo é formado por personalidades como a ex-ministra suíça Ruth Dreiffus, o empresário George Soros, o ex-chefe da OTAN Wesley Clark, o político polonês Bronislaw Geremek e a jornalista francesa Chistine Ockrent.