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Vazamento de dados do Credit Suisse causa tempestade política
A Suíça está enfrentando uma pressão para limpar seu setor financeiro após o escândalo "Suisse Secrets", que se baseou em dados vazados do gigante bancário Credit Suisse. Muitos vêem o caso como uma evidência de deficiências sistêmicas no setor bancário suíço, que passou por grandes reformas nos últimos anos, numa tentativa de mudar sua imagem como um paraíso financeiro para os criminosos.
A pressão vem de dentro e fora do país. Na Suíça, o partido socialista e o partido verde pediram que as leis contra a lavagem de dinheiro fossem reforçadas e que o regulador financeiro tivesse o poder de multar os bancos se eles não realizassem os controles adequados. O principal grupo parlamentar da Europa quer colocar a Suíça em uma "lista de centros financeiros de alto risco".
No domingo, uma investigação internacional realizada por mais de 40 jornais disse ter descoberto contas no Credit Suisse supostamente mantidas por funcionários corruptos, criminosos e infratores dos direitos humanos. O banco negou ter cometido algum delito, dizendo que as alegações dizem respeito a vínculos históricos com clientes e que a maioria das contas já foi encerrada.
A resposta do banco só fez aumentar a indignação de alguns políticos suíços. "Os bancos suíços continuam a fazer negócios com ditadores, autocratas e criminosos", tuitou o partido verde.
Os políticos socialistas pediram mais sanções contra os bancos que não respeitam a lei e também que os beneficiários das contas opacas sejam divulgados.
Houve também pressão para emendar as leis suíças de sigilo bancário que atualmente criminalizam os jornalistas que recebem e publicam dados bancários extraviados.
Mas Olivier Feller, do partido liberal radical, de direita, disse que não havia necessidade de uma revisão apressada da legislação. "Não creio que você possa dizer que precisamos fazer novas leis com base nestes dados", disse ele à emissora pública suíça SRF.
"Deficiências massivas"
Além disso, o Partido Popular Europeu, o maior grupo do Parlamento Europeu, exigiu que a Comissão Europeia "reavaliasse a Suíça como país de alto risco para lavagem de dinheiro" - ou em outras palavras, colocasse a Suíça na lista dos centros financeiros não conformes.
"As revelações dos Suisse Secrets apontam para enormes deficiências dos bancos suíços no que diz respeito à prevenção da lavagem de dinheiro", disse o coordenador do partido para assuntos econômicos, Markus Ferber. "Quando os bancos suíços não aplicam adequadamente os padrões internacionais contra a lavagem de dinheiro, a própria Suíça se torna uma jurisdição de alto risco".
Mas há algumas vozes na Suíça que falam de um ataque injusto aos bancos suíços que está ligado a uma grande dose de hipocrisia.
Padrões dúbios
O CEO da Associação Suíça de Banqueiros, Jürg Gasser, acusou a mídia de "reportagens emocionalmente carregadas" que ignoravam o comportamento de outros países.
Ele ressaltou que os Estados Unidos ainda se recusam a trocar automaticamente dados fiscais e acusou alguns estados americanos de atuarem como paraísos offshore para empresas estrangeiras. Gasser também fez alusão à França e Alemanha que brigam para "emergir como vencedores" em uma luta de poder para agarrar os impostos que estão sendo perdidos na Grã-Bretanha devido ao Brexit.
"Criar uma narrativa na mídia que dá a impressão de que o Credit Suisse está causando o mal neste mundo constrói uma história que procura alguém para culpar e nega responsabilidade em outros lugares", escreveu Gasser. "Mesmo que houvesse empresas que tivessem tal poder histórico no mundo, provavelmente não seria um banco suíço".
Em um podcast, Roger Köppel, do Partido Popular Suíço, de direita, que também é editor-chefe da revista Weltwoche, atacou as "alegações completamente desqualificadas de um cartel jornalístico de esquerda", focado em uma "difamação grosseira e generalizada".
Autoridades cientes
A Agência Supervisora do Mercado Financeiro (Finma) disse que está em contato com o Credit Suisse enquanto o Ministério Público Federal disse ter tomado nota das alegações da mídia. Nenhum dos órgãos está disposto a comentar mais nesta fase.
"A Suíça cumpre todas as normas internacionais sobre o intercâmbio de informações em matéria tributária e sobre o combate à lavagem de dinheiro, financiamento do terrorismo e corrupção", declarou a Secretaria de Estado de Finanças Internacionais.
Adaptação: Fernando Hirschy
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