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A pandemia Covid-19 beneficiou os ricos como nenhuma outra crise, gerando US$ 28,7 trilhões (CHF26,4 trilhões) em riqueza adicional no ano passado para aqueles com propriedades e investimentos financeiros. A acumulação cresceu e junto com ela o abismo entre ricos e pobres ficou maior.Este conteúdo foi publicado em 15. julho 2021 - 15:15
“A geração de riqueza em 2020 foi em grande parte imune aos desafios que o mundo enfrenta”, afirma o relatório anual Global Wealth Report 2021Link externo, elaborado pelo Credit Suisse, segundo maior banco suíço.
“Surpreendentemente, no segundo semestre de 2020 os preços das ações continuaram em trajetória ascendente, atingindo níveis recordes no final do ano. O mercado imobiliário também se beneficiou do otimismo prevalecente, uma vez que os preços das moradias subiram a taxas não vistas há muitos anos”, aponta o relatório.
Mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo adentraram no patamar dos milionários no ano passado.
Na Suíça, a riqueza total cresceu 12,5%, atingindo US $41,7 trilhões no final do ano passado. O número foi inflado por uma valorização de quase 10% do franco suíço em relação ao dólar americano. A riqueza global total cresceu 7,4% à medida que a pandemia se instalou no ano passado, atingindo US $418,3 trilhões.
O quadro de riqueza parecia muito pior quando a pandemia se instalou nos primeiros três meses de 2020, causando uma queda nos mercados de ações em todo o mundo. Isso eliminou US $17,5 trilhões de riqueza entre janeiro e março. Mas a intervenção de governos e bancos centrais proporcionou estabilidade para que os mercados se recuperassem com vigor na segunda metade do ano.
Riqueza vs economia 'real'
Os capitais suportaram a pandemia melhor do que a economia “real”, que abrange varejo, manufatura, turismo e seus empregos associados. A economia suíça enfrentou sua pior recessão econômicaLink externo em 45 anos em 2020 e apenas nos últimos meses começou a voltar para um cenário positivoLink externo.
Em seu relatório, divulgado na terça-feira, o Credit Suisse fez soar um alerta sobre a concentração implacável de riqueza entre as pessoas mais ricas e do patrimônio líquido do mundo - o grupo de 1% das pessoas que está no topo da riqueza mundial. “Aqueles que têm alto patrimônio são cada vez mais dominantes em termos de propriedade total da riqueza, considerando suas parcelas da riqueza global”, afirma.
A parcela da riqueza global desfrutada por este grupo de indivíduos mais ricos aumentou de 35% para 46% desde a virada do milênio.
O ano passado marcou a primeira vez que as pessoas precisaram de pelo menos US $1 milhão em ativos para ingressar nas classificações de 1% das pessoas mais ricas.
Distribuição desigual
A desigualdade induzida pela pandemia não se espalhou uniformemente pelo mundo, no entanto. As nações menos ricas sofreram os piores efeitos.
“Em muitos países de alta renda, a perda de renda do trabalho ou das empresas foi amenizada por benefícios de emergência e políticas de emprego”, diz o Relatório Global de Riqueza. “Em países com ausência de apoio financeiro, grupos vulneráveis como mulheres, minorias e jovens foram particularmente afetados”.
Mesmo na Suíça, um dos países mais ricos do mundo, que reúne a maior proporção de milionários per capita da população (15%), a questão da crescente desigualdade tem gerado preocupações. A pandemia esquentou o debate públicoLink externo sobre a divisão entre ricos e pobres e trouxe a questão: o sistema tributário deve ser ajustado para reequilibrar a sociedade?
Adaptação: Clarissa Levy
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