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Bombas israelenses iluminam o céu de Gaza em 8 de julho de 2014(afp_tickers)
O Hamas reivindicou nesta terça-feira disparos de foguetes contra Jerusalém e Tel Aviv, em reação a uma vasta ofensiva aérea israelense contra o movimento islamita palestino que deixou pelo menos 23 mortos na Faixa de Gaza.
Em Jerusalém, as sirenes soaram por volta das 22h00 (16h00 de Brasília). Depois, pelo menos quatro clarões puderam ser vistos no sudoeste da cidade, no momento em que foram ouvidas três violentas explosões.
Uma explosão foi registrada perto de Ramat Raziel, 10 km a sudoeste da cidade. De acordo com a polícia, não houve feridos nem danos materiais.
"Pela primeira vez, as Brigadas Qassam atingiram Haifa com um foguete R160, Jerusalém ocupada com quatro foguetes M75 e Tel Aviv com quatro foguetes M75", afirmaram as brigadas Ezzedine al-Qassam, braço armado do Hamas, em um comunicado.
As sirenes também foram acionadas pela primeira vez ao norte de Tel Aviv, 60 km ao norte da Faixa de Gaza, mas nada havia sido registrado de imediato em Haifa, cerca de cem quilômetros mais ao norte.
Durante a noite, o Exército havia anunciado a interceptação de um foguete em direção a Tel Aviv. Todos os abrigos antiaéreos de Tel Aviv e de Jerusalém foram abertos.
Após uma série de disparos de foguetes na segunda-feira, o Exército israelense iniciou durante a noite sua ofensiva aérea mais violenta desde novembro de 2012.
No episódio de violência mais recente, seis pessoas morreram em um ataque aéreo israelense contra o norte da Faixa de Gaza, informaram fontes médicas na quarta-feira (horário local).
O ataque destruiu uma casa em Beit Hanun, no norte da Faixa de Gaza, disse à AFP o porta-voz dos serviços de emergência, Ashraf al-Qudra, sem dar detalhes.
Esta nova escalada foi desencadeada em 12 de junho com o sequestro e a morte de três estudantes israelenses na Cisjordânia depois do assassinato de um jovem palestino queimado vivo na semana passada.
Os ataques efetuados como parte desta operação batizada "Escudo protetor" deixaram desde o início de terça 23 mortos e mais de cem feridos na Faixa de Gaza, de acordo com Ashraf al-Qudra.
O ataque mais violento destruiu no início da tarde uma casa em Khan Younes, no sul do território palestino, deixando oito mortos, incluindo uma criança de 8 anos e dois adolescentes, e 25 feridos.
De acordo com testemunhas, um avião não tripulado lançou um sinal de advertência. Para tentar dissuadir a aviação, parentes e vizinhos se reuniram na casa, mas um caça F-16 disparou um míssil.
O Hamas denunciou um "crime de guerra horrível" e advertiu que "todos os israelenses" são "alvos legítimos".
Em outro episódio de violência, quatro combatentes palestinos, que haviam chegado a Gaza pelo mar, foram mortos na noite desta terça pelas forças israelenses quando tentavam atacar uma base militar do sul de Israel, de acordo com o Exército que indicou um soldado ferido.
As brigadas reivindicaram essa incursão, afirmando ter disparado "dez foguetes Katiucha" contra a base de Zikim, na costa sul israelense, sem causar danos ou deixar feridos.
- 'Um preço muito elevado' -
De acordo o com o Exército israelense, mais de 130 foguetes foram disparados nesta terça contra o sul de Israel -- 23 foram interceptados pela defesa antimísseis e os outros não deixaram vítimas -- enquanto a aviação deixou 150 "locais terroristas" em Gaza.
Israel não vai tolerar disparos de foguetes contra suas cidades", declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na noite desta terça.
"Nós estendemos de maneira significativa nossas operações contra o Hamas e as outras organizações terroristas de Gaza (...). Israel não está ávido por guerra, mas a segurança de nossos cidadãos é nossa primeira consideração", insistiu.
"O Exército prepara uma série de opções, incluindo uma ofensiva terrestre ou uma invasão" do território palestino, explicou à AFP uma autoridade israelense que pediu para não ser identificada.
O gabinete de segurança autorizou nesta terça a convocação de 40.000 reservistas, prevendo uma possível operação terrestre.
Reforços foram mobilizados nas imediações de Gaza, onde jornalistas da AFP viram tropas, tanques e veículos de transporte de tropas blindados.
"Estamos preparados para uma batalha contra o Hamas, que não vai terminar em alguns dias. O Exército vai manter sua ofensiva de tal forma que o Hamas vai pagar um preço muito elevado", advertiu o ministro da Defesa, Moshé Yaalon.
A Casa Branca condenou "firmemente" os disparos de foguetes de Gaza, manifestando sua preocupação com os civis israelenses e palestinos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também denunciou os disparos de foguetes e pediu contenção aos dois campos.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, exigiu que Israel acabe "imediatamente" com seu ataque, pedindo à comunidade internacional que "intervenha para conter a perigosa escalada".
O líder do Hamas em Gaza, Ismail Haniyeh, pediu união entre os palestinos.
Grande inimigo de Israel e considerado uma "organização terrorista" pelos Estados Unidos e pela UE, o Hamas assinou em abril com Abbas um acordo de reconciliação para pôr fim às divisões desde 2007.
AFP