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Um anticorpo sintético desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly reduziu em 80% o risco de contrair covid-19 em moradores de lares para idosos, onde foi usado preventivamente, anunciou a companhia nesta quinta-feira (21).
Embora o resultado do estudo seja apenas preliminar e deva ser submetido a um exame por pares, a descoberta foi considerada muito promissora pelos especialistas.
"Estamos excepcionalmente satisfeitos com estes resultados positivos, que mostraram que o bamlanivimab pôde ajudar na prevenção da covid-19, reduzindo substancialmente a doença sintomática entre os residentes de lares para idosos, alguns dos membros mais vulneráveis da nossa sociedade", disse Daniel Skovronsky, diretor científico da companhia, usando o nome comercial do anticorpo.
O dado resultou de um ensaio clínico em etapa avançada, financiado pelo governo dos Estados Unidos, que contou com a participação de 299 residentes e 666 funcionários de cuidados prolongados que testaram negativo para o vírus, disse a empresa em um comunicado.
Os participantes receberam, aleatoriamente, 4,2 gramas de bamlanivimab ou um placebo. Depois de oito semanas de acompanhamento, o risco de desenvolver a covid-19 sintomática diminuiu no geral 57% para os que receberam o tratamento.
Os moradores que tomaram bamlanivimab tiveram um risco 80% menor de contrair a doença.
Entre os 299 residentes, houve quatro mortes atribuídas à covid-19, todas no grupo que tomou o placebo.
O estudo também analisou o uso de bamlanivimab - cujo uso emergencial foi autorizado nos Estados Unidos - como tratamento para 132 participantes (41 residentes e 91 funcionários), que testaram positivo inicialmente.
O comunicado deu menos detalhes desta parte do estudo, mas disse que entre os 41 residentes no grupo de tratamento houve quatro mortes e todas ocorreram no grupo que recebeu o placebo.
Especialistas independentes reagiram com entusiasmo.
"Os resultados superam nossas expectativas, o que demonstra que esta classe de tratamento pode ser usada tanto para prevenir como para tratar a doença", disse Nick Cammack, chefe da iniciativa Covid-19 Therapeutics Accelerator na organização beneficente britânica Wellcome.
"Reduzir o risco de contrair a covid-19 até 80% seria extraordinário e poderia ter um impacto crucial nos surtos entre os grupos mais vulneráveis em nível mundial".
Eleanor Riley, professora de imunologia da Universidade de Edimburgo, acrescentou que os tratamentos com anticorpos poderiam complementar as vacinas.
"Sempre haverá uma pequena proporção da população que não pode ser vacinada ou que não responderá bem à vacinação devido a condições de saúde subjacentes, inclusive imunodeficiências e terapias imunossupressoras", disse.
As células do sistema imunológico humano produzem anticorpos, que são proteínas que combatem infecções, e as vacinas ensinam o nosso corpo a estar preparado a produzir os anticorpos adequados para organismos particulares.
O bamlanivimab foi criado com base em um "anticorpo neutralizante" eficaz que a Lilly encontrou em um paciente recuperado, que se une a uma proteína da superfície do coronavírus para evitar que invada as células humanas.
As células imunológicas humanas que produzem os anticorpos podem ser cultivadas em um laboratório para produzir as proteínas desejadas em grande quantidade.