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Um tribunal peruano anulou, nesta quarta-feira (3), o indulto humanitário ao ex-presidente Alberto Fujimori, concedido em dezembro pelo então presidente Pedro Pablo Kuczynski, informou o Poder Judiciário.
O juiz Hugo Nuñez Julca "declarou fundamentado um pedido da parte civil de não aplicação do indulto humanitário em favor de Alberto Fujimori", informou o Judiciário no Twitter.
Além disso, a Justiça peruana afirmou que emitiu um mandado de prisão contra Fujimori, de 80 anos, que vive em Lima desde que recuperou sua liberdade em dezembro de 2017.
"O juiz emitiu a ordem de detenção contra o ex-presidente Fujimori para que ele seja reintegrado ao estabelecimento prisional designado pela autoridade prisional", tuitou o Judiciário.
Alejandro Aguinaga, médico de Fujimori, não escondeu sua surpresa com a notícia. "Vemos que no Peru nada é respeitado, não se respeita a independência dos poderes. O indulto ao presidente Fujimori foi uma ação constitucional", disse ele indignado à rádio RPP.
Carlos Rivera, advogado dos familiares das vítimas que pediram a anulação do indulto, justificou à AFP a decisão argumentando que "irregularidades no processo de indulto foram cometidas".
"O indulto de Kuczynski a Alberto Fujimori não tem valor legal e, portanto, ele deve retornar à prisão por irregularidades no processo", disse Rivera, observando que "as normas internacionais para o indulto humanitário não foram cumpridas".
Horas após a decisão do Supremo, Fujimori foi internado em uma clínica de Lima, acompanhado por seu filho mais novo, Kenji Fujimori.
O ex-presidente de 80 anos foi levado de ambulância até a Clínica Centenário Peruano-Japonesa, na qual já esteve internado várias vezes por problemas de saúde.
"Como filho de Alberto Fujimori é meu dever humano estar com ele em seus momentos mais difíceis. Hoje estou novamente contigo em uma ambulância, te amo e tenho que dar minha vida e até minha liberdade por você, e assim o farei. Sinto muita dor", tuitou Kenji.
A ambulância com Fujimori entrou às 16H45 local (18H45 Brasília) na clínica, onde era aguardada por numerosos jornalistas.
Pouco antes, o advogado do ex-presidente, Miguel Pérez, apresentou duas apelações, uma para impugnar a anulação do indulto e outra para pedir que seu cliente permaneça em liberdade enquanto a justiça analisa o primeiro recurso.
Fujimori, que tem problemas crônicos como hipertensão e arritmia cardíaca, recebeu um indulto humanitário em dezembro de 2017 depois de 12 anos de prisão, onde cumpria uma sentença de 25 anos por crimes contra a humanidade durante seu governo (1990-2000).
Em junho, a Corte Interamericana ordenou que o indulto a Fujimori fosse revisado por supostos erros no processo, e estabeleceu o mês de outubro como prazo para a Justiça se pronunciar.
Keiko Fujimori, sua filha mais velha e líder da oposição, cancelou uma viagem ao interior do país, segundo pessoas próximas.
Desde que recuperou sua liberdade há sete meses, o engenheiro e matemático Fujimori vive recluso para escrever, cultivar plantas no jardim - uma de suas paixões - e alternar seu tempo com seus quatro filhos e duas netas.
"Nos poucos anos que me restam, vou me dedicar a três objetivos: unir minha família, melhorar minha saúde e fazer um balanço equilibrado e sereno da minha vida. Estes são meus três principais objetivos para alcançar minha oitava década de existência", declarou em julho por ocasião do 80º aniversário em um texto manuscrito enviado à AFP.
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