Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02587.jsonl.gz/64

Em meio a uma campanha presidencial polarizada no Peru, o candidato de esquerda Pedro Castillo, que lidera todas as pesquisas, negou ser "comunista" e "terrorista" diante de tais acusações por parte de sua adversária de direita Keiko Fujimori.
“Não somos comunistas, não somos chavistas, não somos terroristas”, disse Castillo nesta quarta-feira (28) em um discurso improvisado da varanda de uma casa em Máncora, no norte do Peru, onde está em uma turnê para conquistar novos eleitores.
“Somos trabalhadores, como qualquer um de vocês, nos encontramos nas ruas e nesse contexto pedimos a vocês tranquilidade”, acrescentou o aspirante do partido Peru Livre entre aplausos de seus apoiadores.
Castillo fez suas declarações após receber o economista liberal e ex-candidato Hernando de Soto, que ainda não definiu quem apoiará na votação de 6 de junho.
“Eu me encontrei com ele para fazer minhas observações sobre o perigo de fechar o mercado”, como ele propõe com a estatização das empresas, disse De Soto no Twitter.
“O único modelo viável é o livre mercado, com mecanismos para que seus benefícios cheguem a todos os peruanos, o que chamo de 'capitalismo popular'”, frisou ele.
De Soto, economista de renome internacional que assessorou o líbio Muammar Gaddafi, o egípcio Hosni Mubarak e o israelense Benjamin Netanyahu, ficou em quarto lugar no primeiro turno das eleições peruanas, em 11 de abril, com 11,6% dos votos.
Castillo, professor de escola rural, saiu na frente com 18,92% dos votos, seguido por Keiko Fujimori, com 13,40%, em um total de 18 candidatos e sem favoritos.
Desde então, seus adversários têm alardeado para o risco de que o Peru se torne um país comunista ou socialista se ele vencer o segundo turno.
O candidato foi até vinculado ao braço político do Sendero Luminoso, a guerrilha maoísta que desencadeou o terrorismo no Peru entre 1980 e 2000, algo que ele nega categoricamente.
Fujimori alerta que se Castillo vencer, o Peru corre o risco de uma influência bolivariana, aludindo à recusa de seu rival em qualificar a Venezuela como uma "ditadura" e ao apoio político que ele recebe do ex-presidente boliviano Evo Morales.
Os opositores de Castillo buscam vinculá-lo ao governo de Nicolás Maduro, em um momento em que vivem no Peru mais de um milhão de venezuelanos que escaparam da crise em seu país.
Segundo todas as pesquisas, o candidato do Peru Libre prevaleceria sobre o líder do Força Popular por ampla margem, que oscila entre 12 e 20 pontos percentuais.