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Chandigarh, cidade indiana que saiu da prancheta do arquiteto suíço Le Corbusier, deve ser incluída em 2009 na lista de maravilhas do Patrimônio da Humanidade da UNESCO.
Le Corbusier não apenas elaborou o plano geral de Chandigarh, a primeira cidade planejada nos anos 50, mas também um Capitólio.
Para os indianos a cidade, distante 250 quilômetros ao norte de Nova Déli, é hoje em dia considerada sinônimo de sucesso.
"Você sabe, essa é a cidade indiana com o maior número de carros por habitante", costumam dizer com orgulho os habitantes de Chandigarh sem pensar nos problemas ligados à poluição. O que eles querem expressar é que essa é simplesmente a cidade mais rica do país.
No lugar das vacas caminhando pelas ruas, uma imagem tão comum na Índia, o que se vê são campos de golfe. Eletrodomésticos caros e modernos como o iPhone são vendidos na mesma velocidade que pãezinhos quentes, isso até mesmo antes do seu lançamento oficial no resto do país.
O plano de Le Corbusier era simples: cerca de 60 retângulos idênticos – com 800 a 1.200 metros – ligados por largas avenidas.
Cada um dos distritos foi desenhado para ser autônomo com suas próprias lojas, escolas e templos, tudo distante apenas dez minutos de caminhada. Sua concepção é racional – a única exceção é não existência de um 13° distrito, uma das superstições de Le Corbusier.
Ao norte da cidade, o arquiteto suíço construiu prédios administrativos no seu estilo facilmente reconhecível. O parlamento local, o governo e as cortes de justiça foram colocados no final das longas avenidas, destacando seu áspero concreto contra o céu azul.
Embora algumas pessoas digam que o material utilizado na construção dos prédios não seja ideal para um país de clima quente, a maior parte dos habitantes ama o local que vivem. Eles mesmos chegaram a apelidá-la de "cidade dos genros" ao afirmar que as mulheres que vão viver em outros lugares para acompanhar seus maridos, acabam sempre retornando com eles à Chandigarh.
Um pedaço do paraíso
Muitos dizem que a cidade indiana oferece uma incomparável qualidade de vida se comparada com outras do país. "Ela é a cidade mais bonita da Índia: a mais verde, a mais limpa e a mais bem organizada", entusiasma-se um habitante com idade na casa dos quarenta.
Centenas de acácias, álamos, platanáceas e outras árvores foram plantadas ao longo das avenidas. No coração da cidade, Le Corbusier criou dezenas de hectares de parques. Seu lago artificial se transformou em local de relaxamento para famílias durante os finais de semana. Algo raro na Índia: lá não se encontram lixo nas suas ruas, nos gramados ou na beira do lago.
O fenômeno pode ser facilmente explicado pela composição social dos habitantes. Desde que foi construída, Chandigarh permaneceu uma cidade de burocratas, um gueto para as classes média e alta, onde os pobres estão excluídos.
Essa cidade também é famosa pela sua universidade. Seu campus em estilo americano abriga uma das mais prestigiosas faculdades de direito do país, uma conhecida faculdade de arquitetura e o respeitado hospital universitário.
"Ao ordenar a construção de Chandigarh, Nehru (o ex-primeiro ministro Jawaharlal Nehru) queria construir uma cidade do saber. Nesse sentido sua idéia foi um sucesso", considerea Sarabjit Pandher, correspondente do jornal diário The Hindu. Rapidamente a cidade começou a atrair estudantes de todas as partes da Índia.
"Eu vim para Chandigarh pela sua universidade", conta Rajendra, um estudante originário do Rajasthan enquanto sai de uma aula de direito em direção à outra. "Eu gostaria muito de ficar ao terminar os meus estudos, mas é difícil encontrar uma casa e um trabalho por aqui".
Superpopulação
Mas também existem os problemas. Inicialmente planejada para ter uma população de 150 mil habitantes, subseqüentemente adaptada para acomodar 500 mil, hoje a cidade tem aproximadamente 1,5 milhões de habitantes. Enquanto a população continua a se expandir, Chandigarh está paralisada pelos engarrafamentos diários nas horas de pique.
"Estamos estudando a possibilidade de construir um metrô e estacionamentos subterrâneos, porém existe uma escassez muito grande de área de construção, especialmente para a criação de novos distritos", avalia Sunita Monga, o arquiteto-chefe da cidade.
Espremida entre os seus limites como em uma camisa-de-força, Chandigarh necessita urgentemente encontrar espaço para 60 mil ou mais trabalhadores que irão suprir as necessidades das empresas do florescente setor de tecnologia da informação. Nos próximos meses, esse grupo, suas famílias e mais 250 mil recém-chegados precisam ser alojados.
Como a cidade pode crescer sem ser desfigurada? Como ela pode responder ao desafio de um "boom" duplo – econômico e demográfico – e respeitando ao mesmo tempo a herança arquitetônica de Le Corbusier?
Um paradoxo insolúvel
Planejadores urbanos como Madhu Sarin ainda não encontraram uma solução ao problema.
"Chandigarh é uma cidade horizontal. Ela não tem edifícios altos. É impossível construir nela arranha-céus sem desfigurá-la. Le Corbusier, por exemplo, só planejou oito tribunais, enquanto hoje em dia precisamos de 15 a 20 para julgar todos os casos que chegam. Porém não é possível adicionar um anexo ao prédio de Le Corbusier".
Chandigarh também tem de resolver outros problemas prementes: corrupção, especulação e falta de transparência no processo decisório.
Transformá-la em patrimônio da Humanidade pode proteger a criação de Le Corbusier. Apenas 60 anos depois da sua construção – apenas um piscar de olhos na história de uma cidade – Chandigarh será incluída no ano que vem na prestigiosa lista da UNESCO.
Jawaharlal Nehru, o primeiro chefe de governo da Índia, pediu a Le Corbusier para criar uma cidade que se tornasse "um símbolo da crença da nação no futuro, sem as restrições das tradições passadas". O arquiteto suíço deu à Índia fundamentalmente uma cidade no estilo ocidental e de caráter internacional.
O espírito inovador continua vivo: Chandigarh quer se tornar a primeira cidade na Índia a ser suprida inteiramente por energia solar até 2012.
swissinfo, Miyuki Droz Aramaki e Sylvain Lepetit em Chadigarh
Le Corbusier
Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo pseudónimo de Le Corbusier, (La Chaux-de-Fonds, 6 de Outubro de 1887 — Roquebrune-Cap-Martin, 27 de Agosto de 1965) foi um arquiteto, urbanista e pintor francês de origem suíça. É considerado juntamente com Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, Mies van der Rohe e Oscar Niemeyer, um dos mais importantes arquitectos do século XX.
Aos 29 anos mudou-se para Paris, onde adoptou o seu pseudónimo, que foi buscar ao nome do seu avô materno. A sua figura era marcada pelos seus óculos redondos de aros escuros. Morreu por afogamento em 27 de agosto de 1965. (Wikipédia em português)
O nascimento de Chandigarh
Em 1947, quando o subcontinente indiano foi dividido entre Índia e Paquistão, a região oeste do Punjab, incluindo a capital Lahore, foi atribuída ao Paquistão.
A Índia decidiu então construir uma nova capital para estado indiano do Punjab. Ela foi batizada de "Chandigarh" em homenagem à deusa "Chandi", cujo templo estava localizado nas proximidades.
O primeiro-ministro Jawaharlal Nehru queria criar um modelo para o desenvolvimento da Índia moderna. Le Corbusier foi contratado em 1951 depois que o primeiro arquiteto faleceu.
Ele elaborou o plano geral da cidade e o Capitólio (um complexo habitacional na sede do governo, parlamento e corte de justiça).
Outros arquitetos – Pierre Jeanneret (primo de Le Corbusier), os arquitetos ingleses Maxwell Fry e Jane Drew, e uma equipe de arquitetos indianos – se encarregaram de planejar o resto dos prédios: alojamentos, hotéis e administração local.
Atualmente, Chandigarh tem a maior taxa de alfabetização da Índia (73% da população, comparado com a média indiana que é de 59.5%) e a maior renda per capita.
Apesar disso, 25% da sua população continuam vivendo em favelas nos arredores da cidade.