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A sentença "ordena" que o quadro "La Cueillette des Pois" (colheita de ervilhas) seja entregue aos descendentes de Simon Bauer, cujas obras foram confiscadas em 1943 durante a ocupação da França pela Alemanha nazista(afp_tickers)
A justiça francesa restituiu, nesta terça-feira (7), aos descendentes de um colecionador judeu espoliado durante o nazismo uma pintura de Pissarro, desaparecida durante décadas, até ser comprada legalmente em um leilão em 1995 por um casal americano.
A sentença "ordena" que o quadro "La Cueillette des Pois" (colheita de ervilhas) seja entregue aos descendentes de Simon Bauer, cujas obras foram confiscadas em 1943 durante a ocupação da França pela Alemanha nazista.
"Jean-Jacques Bauer está feliz. Este é um dos quadros mais belos da coleção de seu avô", afirmou o advogado da família Bauer, Cédric Fischer, contatado pela AFP.
Bruce e Robbi Toll, que compraram a obra por 800.000 dólares em um leilão da Christie's em Nova York em 1995, deverão, ainda, pagar 8.000 euros à família pelos gastos judiciais. O casal alega que comprou a obra de boa-fé.
O advogado dos Toll, Ron Soffer, defende que seus clientes não conheciam a história do quadro quando o compraram - uma posição confirmada pelo tribunal -, e anunciou que eles vão recorrer da sentença.
"Os meus clientes ficarão muito desapontados por não poderem recuperar esta pintura. Eles eram muito ligados a ela. Certamente vão apelar", disse Soffer.
"Eles não consideram que cabe a eles pagar pelos crimes do regime de Vichy", acrescentou, referindo-se ao governo francês durante a Segunda Guerra Mundial.
"La Cueillette des Pois" é uma obra pintada em 1887 pelo impressionista francês Camille Pissarro, que retrata mulheres recolhendo ervilhas no campo.
Este é um dos 93 grandes quadros da coleção de Simon Bauer, um apaixonado pela arte francesa nascido em 1862, que fez fortuna no setor dos calçados.
Sua coleção foi confiscada durante a ocupação nazista e vendida por um comerciante de arte designado pelo Comissionado das Questões Judaicas do regime colaboracionista de Vichy.
Internado em julho de 1944 no campo francês de Drancy, o colecionador conseguiu escapar da deportação graças a uma greve de ferroviários. Antes de morrer, em 1947, recuperou uma pequena parte de suas obras.
Seus descendentes deram continuidade à ação, e atualmente há cerca de 20 obras que ainda não foram recuperadas, segundo Fischer.
"La Cueillette des Pois" reapareceu brevemente em 1965 durante uma venda, mas depois saiu do território francês e sumiu novamente.
No início deste ano, a família Bauer teve conhecimento de que a pintura estava exposta no museu parisiense de Marmottan, emprestada pelo casal de colecionadores americanos para uma retrospectiva de Pissarro.
A sentença anunciada nesta terça-feira se baseia em um decreto de abril de 1945 sobre a nulidade dos atos de espoliação.
AFP