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Os ativistas climáticos que jogaram tênis numa agência do Credit Suisse, segundo maior banco do país, foram absolvidos das acusações de invasão de propriedade. A decisão do juiz baseou-se no entendimento de que eles haviam agido dentro de um estado de emergência justificável.
Na opinião do juiz, as ações dos doze ativistas climáticos foram "necessárias e apropriadas", tendo em vista a catástrofe climática. Segundo o juiz, a ação nas instalações do CS foi a única forma eficaz de persuadir o banco a reagir e a atrair a atenção do público.
Com sua ação, os ativistas criticaram o CS, que ao mesmo tempo em que associa sua imagem com a estrela do tênis suíço Roger Federer, investe dinheiro em projetos e empresas que prejudicam o clima. Federer agradeceu e parabenizou os ativistas. Ele está consciente da sua responsabilidade e quer usar a sua posição privilegiada para dialogar com os seus patrocinadores sobre estas importantes questões.
Assim reagiu a imprensa suíça
A rádio em alemão Radio SRFLink externo comenta em uma análise: "Para os ativistas é uma dupla vitória. Não só ganharam a absolvição no tribunal, como também atraíram muita atenção - até mesmo o New York TimesLink externo relatou sobre o julgamento". O processo em Lausanne mostra que o movimento climático está extremamente bem organizado em sua campanha. "Mesmo que fossem condenados, os ativistas já teriam conseguido muito com este julgamento." Com as absolvições, o movimento climático está agora claramente fortalecido nos seus protestos.
De acordo com o diário zuriquenho NZZLink externo, o veredito pode mudar para sempre a forma como a desobediência civil é tratada. Pela primeira vez desde o surgimento do movimento climático, um tribunal suíço decidiu a favor dos ativistas e expressamente não considera mais a desobediência civil um meio inadmissível de chamar a atenção para a crise climática.
"Os advogados provavelmente não estão exagerando quando dizem que a decisão deve ter um efeito simbólico e que este dia vai ficar nos livros de história da jurisprudência suíça".
No entanto, o NZZ espera que outros tribunais se ocupem dessa questão delicada. E os ativistas devem ter cuidado para não permitir que surjam tendências autoritárias (como por exemplo, querer pautar as reportagens da imprensa). "E devem aprender que num país com toda a sua democracia direta, a compreensão da desobediência civil tem limites estreitos, apesar do julgamento que agora foi feito, e pode rapidamente se transformar em rejeição", diz o NZZ. Mas o movimento tem conseguido, apesar da sua limitada experiência, ser levado cada vez mais a sério no discurso político por celebridades mundiais - e agora até por um tribunal.
O Tages-AnzeigerLink externo acha que a absolvição no julgamento por invasão de propriedade é uma decisão explosiva. "Com suas performances e suas declarações, os ativistas não facilitaram o trabalho do juiz para que este ignorasse as questões políticas e chegasse à questão jurídica propriamente dita. O fato de tanto o Ministério Público como o CS (na maioria das vezes) se terem destacado pela sua ausência proporcionou uma plataforma perfeita para os ativistas, seus advogados e testemunhas. "Eles tinham o domínio verbal, o monopólio das questões ambientais - e claramente convenceram o juiz."
No Twitter, os ativistas agradeceram o apoio de Roger Federer, que, surpreendentemente, não seguiu a linha do seu patrocinador, e ainda elogiou a jovem Greta Thunberg:
"Obrigado pela sua declaração @rogerfederer. Exigimos do @CreditSuisse a retirada imediata de todos os investimentos em energias fósseis 💰🛢e a retirada da ação judicial contra corajosos ativistas climáticos*."
O diário francófono suíço Le TempsLink externo publicou um comentário do conselheiro nacional do Partido Liberal Radical (PLR/FDP em alemão, de centro-direita) Philippe Nantermod, que não gostou nada da absolvição. Os advogados tinham comparado os ativistas com Martin Luther King e Rosa Parks. Essa é uma estratégia estranha para diminuir a gravidade das ações, disse ele. O comentarista também está aborrecido por os ativistas terem sido retratados como denunciantes que arriscaram suas carreiras, suas famílias, suas vidas. Os ativistas teriam anunciado fatos geralmente conhecidos sem arriscar nada de grave. Só ao preço de uma condenação é que eles teriam emergido como verdadeiros vencedores, na sua opinião.
O Le CourrierLink externo, também da Suíça francófona, acha o veredito corajoso. O centro financeiro suíço pode muito bem tomar uma chacoalhada de vez em quando. Em todo caso, o julgamento terá tido o mérito de ter chamado a atenção para os efeitos catastróficos dos investimentos em combustíveis fósseis. O fato de o poder judiciário reconhecer o perigo iminente de uma catástrofe climática dá uma réstia de esperança para uma mudança política radical que deve ter lugar agora e em todo o mundo, e o veredito deu legitimidade aos ativistas do clima.
swissinfo.ch/ets