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As primeiras estimativas de quanto custaria sediar os Jogos Olímpicos de Inverno, e os potenciais benefícios econômicos que traria, estão sendo cuidadosamente analisadas, mas nem todos estão convencidos de que os números irão se confirmar.
A opinião suíça se polarizou na preparação para a votação de3 de março sobre a candidatura do cantão dos Grisões à edição das olimpíadas de inverno de 2022. Os otimistas acreditam que os Jogos dariam um bom impulso à economia da região, enquanto os pessimistas estão mais preocupados em saber quem pagará a conta no final.
A história mostra que os orçamentos iniciais têm o péssimo hábito de sair do controle, já que o sucesso do evento depende de uma série de fatores imprevisíveis, como o clima.
Os malabaristas de números tentam dar sentido a tudo, mas é extremamente difícil acertar nos cálculos no estágio inicial, uma operação que exige talentos de adivinho.
Do lado dos custos (oficiais), candidatura (CHF 60 milhões), transporte e infraestrutura esportiva (CHF 1.5 bilhão), segurança (CHF 250 milhões) e execução do evento (CHF 2.46 bilhões) totalizariam pouco menos de CHF4.3 bilhões (US$ 4.7 bilhões).
Pouco mais de CHF 1.3 bilhão seriam fornecidos pelo contribuinte. O resto seria financiado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), investimentos comerciais, receitas de ingressos, patrocínios e venda futura das estruturas temporárias.
O ganho (principalmente postos de trabalho, receitas, impostos) para a economia suíça entre 2015 e 2022 foi calculado em CHF 4 bilhões por um recente estudo encomendado pelo comitê de candidatura Grisões 2022.
O campeonato de futebol Euro 2008, organizado em conjunto pela Suíça e a Áustria, gerou CHF 1 bilhão para a economia da Suíça, de acordo com um cálculo realizado pela Escola Superior de Lucerna. Os Jogos Olímpicos de Inverno seria um evento de maior escala do que a Copa Euro 2008, com mais gastos em infraestrutura.
Megaprojeto arriscado
Se tudo der certo, cada franco investido pelo contribuinte suíço nos Jogos Olímpicos de Inverno iria gerar mais 3,3 francos para a economia nacional - uma espécie de incentivo econômico, particularmente para o cantão dos Grisões, que vem sofrendo uma queda no turismo nos últimos anos.
A isso pode ser acrescentado o legado positivo para a imagem da Suíça, particularmente entre os turistas, os avanços na tecnologia e inovação, além da melhoria nas infraestruturas, o que representaria um bônus econômico incalculável no futuro.
Esses pontos foram apresentados pelo atual presidente da Suíça e ministro dos Esportes, Ueli Maurer, durante um debate no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em janeiro.
"Os grandes eventos geram menos dinheiro do que as empresas esperam no imediato, mas no longo prazo esses eventos sempre são lucrativos se você tomar cuidado em planejar bem e não investir muito dinheiro", disse Maurer
No entanto, não faltam exemplos para duvidar das estimativas oficiais, como os Jogos Olímpicos de 1976 de Montreal, que levaram 30 anos para pagar as dívidas, ou a edição de Atenas 2004, que acrescentou mais um rombo na economia grega.
Os preparativos para os próximos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia, onde os custos já passaram em cinco vezes as estimativas iniciais, também dão uma margem de dúvida ao conto de fadas olímpico.
Um estudo realizado no ano passado pela Universidade de Oxford revelou que cada olimpíada, de inverno ou verão, vem ultrapassando em média 179% do orçamento inicial desde 1960.
Reconhecidamente, os orçamentos iniciais tornaram-se muito mais alinhados ao custo final desde 2000 e as versões de inverno vêm custando apenas a metade das de verão. Mas o estudo de Oxford oferece ainda uma advertência para as candidaturas futuras.
"Os dados mostram que uma cidade, e o país, que decide sediar os Jogos Olímpicos deve assumir um tipo de megaprojeto dos mais financeiramente arriscados que existe", afirma.
Quem não arrisca, não petisca
Jürg Stettler, economista da Universidade de Lucerna e um dos colaboradores do estudo sobre Grisões 2022, admite que os cálculos foram realizados "próximo do melhor cenário".
"Foi difícil distinguir, algumas vezes, quais investimentos de infraestrutura haviam sido planejados e já estavam prontos, em oposição àqueles que deveriam ser completamente realizados para os Jogos", disse à swissinfo.ch.
O estudo enumera uma série de riscos que poderiam desordenar os cálculos, como condições meteorológicas adversas, aumento nos preços de alojamentos e terrenos, perda de confiança do público suíço, receitas de patrocínio decepcionantes e explosão dos custos.
Mas o ex-campeão olímpico suíço Hippolyt Kempf, agora economista da Secretaria Federal de Esportes, acredita que não há muitos motivos para alarmes.
"Os investimentos que a Suíça precisa fazer são pequenos e não são de risco em comparação com outros países que realizaram os Jogos", disse à swissinfo.ch. "Tenho certeza de que iríamos chegar perto dos valores previstos."
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch