Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02581.jsonl.gz/16

Novas regras do sistema educacional no cantão de Zurique podem banir filhos de funcionários estrangeiros das escolas internacionais.
Escolas que oferecem o currículo escolar suíço e estrangeiro ao mesmo tempo podem ser alternativa.
Esse tipo de estabelecimento bilíngue pode ser a solução para muitos estrangeiros empregados na Suíça e que, em breve serão forçados enviar seus filhos às escolas do sistema público de Zurique.
As autoridades cantonais insistem em afirmar que a medida serve para melhorar a integração da população estrangeira. Em setembro de 2011, a Secretaria Estadual de Educação estabeleceu as novas diretrizes. Elas entram em vigor no próximo ano escolar, que começa em agosto de 2012.
As regras determinam a obrigatoriedade de enviar crianças às escolas públicas, caso os pais estrangeiros não possam provar que sua estadia em Zurique é temporária ou que os filhos serão educados em uma língua que não o alemão. Alunos já matriculados em escolas internacionais estariam isentos, porém a diretriz causou consternação entre a comunidade de expatriados.
Para alguns funcionários estrangeiros, inseguros em relação ao tempo em que eles devem permanecer em Zurique, a expectativa de ver as portas de uma qualificação internacional serem fechadas é difícil de ser aceita.
Impulsos
Na maioria das escolas internacionais a língua de ensino é o alemão, mas elas continuam seguindo um currículo escolar estrangeiro como o bacharelado internacional (n.r.: international baccalaureate). Vagas em tais escolas são escassas em Zurique e em outras partes da Suíça, uma situação explicada em parte pela vinda crescente de trabalhadores estrangeiros nos últimos anos.
Várias escolas expandiram suas instalações, mudaram-se para espaços maiores ou construíram anexos para atender à demanda crescente.
Multinacionais como a Zurich Serviços Financeiros (ZFS, na sigla em inglês) acabaram entrando em concorrência para conseguir vagas escolares para os seus funcionários. "Dependemos dos sistemas educativos internacionais para atrair as melhores pessoas do mundo", explica Peter Wright, chefe do departamento de recursos humanos. "A disponibilidade de escolas internacionais é um dos principais fatores que levam alguém a aceitar uma oferta de emprego na Suíça."
Apesar de dispor de contratos com duas grandes escolas internacionais no cantão, a ZFS não pode garantir atualmente vagas nas escolas aos novos funcionários. Pais extremamente móveis necessitam de um currículo escolar internacional para seus filhos caso eles se mudem para outros países.
Esforços de integração
Mas, alarmado com o número de habitantes locais enviando seus filhos às escolas internacionais, a secretária de Educação do cantão de Zurique, Regine Aeppli, decidiu no ano passado bloquear a evasão do sistema escolar local.
As novas regras também servem para atender aos clamores da população de que os estrangeiros não estão se esforçando o suficiente para se integrar à Suíça.
Até então, Aeppli negou a recuar da sua posição, porém há dúvidas que a sua diretriz entre em vigor de fato frente às fortes pressões exercidas pelas multinacionais instaladas em Zurique.
Funcionários estrangeiros não são os únicos interessados pelas escolas internacionais, como alerta Peter Wright. "Há pouco ou nenhum interesse em apoiar as escolas locais."
Mas um modelo educacional que poderia preencher a lacuna entre os sistemas locais e internacionais de ensino são as escolas bilíngues, capazes de ensinar através dos dois sistemas.
O grupo Escola Internacional Suíça (SIS) oferece esse tipo de modelo desde 1999 e atualmente expande suas instalações.
Sistema ultrapassado
Um campus existente em Zurique muda-se para um novo local na periferia da cidade para poder oferecer vagas em pré-escola e escola primária, juntamente com a escola atual para crianças mais velhas.
Nela os alunos serão capazes de estudar até concluir o bacharelado internacional ou o diploma suíço de "matura" (que permite entrar na universidade). Uma nova escola do grupo está sendo construída no cantão de Zug. Os dois centros serão abertos a tempo de receber as crianças no próximo ano escolar.
Para o SIS, seu modelo atrai tanto as crianças estrangeiras por permitir uma boa integração na comunidade local, como as crianças suíças, interessadas na possibilidade de poder prosseguir futuramente estudos em outros países.
No mês passado, o grupo escolar "Tandem International Multilingual" expandiu sua presença em Zurique ao abrir a primeira escola primária para complementar o jardim-de-infância já em funcionamento. Ela também oferece ensino nos dois idiomas - inglês e alemão - com um currículo elaborado para oferecer os diplomas necessários para o ensino superior tanto no exterior como no sistema local.
"Muitos expatriados na Suíça vivem em uma espécie de bolha, onde o inglês é a única língua falada", explica a fundadora da escola e atual diretora, Sonya Maechler-Dent. "Conosco os alunos são expostos ao dialeto suíço-alemão e assim têm oportunidade de se integrar à comunidade e à economia local."
Tendo mãe e pai ingleses, além de ter sido escolarizada em Lausanne, cidade da Suíça francófona, antes de se mudar à Zurique para trabalhar como professora, Maechler-Dent tem experiência de própria com diferentes tipos de educação.
"Atualmente, com a nossa sociedade desenvolvendo-se cada vez mais em comunidades multiculturais, nosso sistema de filosofia educacional está ultrapassado", afirma. "Um modelo único de filosofia não pode atender às demandas de mudança da sociedade. Por isso é que estamos oferecendo mais escolha e flexibilidade."
Escolas internacionais na Suíça
Existem dois tipos de escola internacional na Suíça: um para os filhos de funcionários estrangeiros trabalhando em empresas multinacionais e outra oferecendo cursos vocacionais para adultos.
A maioria dos empregados expatriados trabalha por um longo período na Suíça e trazem suas famílias consigo.
Em regra, esses estrangeiros enviam seus filhos às escolas internacionais. Elas oferecem diplomas reconhecidos como o bacharelado internacional (international baccalaureate) em um currículo executado em sua grande parte em inglês. Essa qualificação pode ser prosseguida facilmente em outras escolas através do mundo e também é reconhecida mundialmente pelos empregadores.
A vantagem desse tipo de educação é que os alunos podem continuar seus estudos com um mínimo de interrupções caso seus pais se mudem para outro país.
Atualmente cerca de quarenta escolas desse tipo funcionam na Suíça. Elas estão agrupadas na Associação Suíça de Escolas Internacionais (SGIS).
Outro tipo de escola internacional na Suíça oferece qualificações profissionais para adultos em setores como gastronomia, turismo e dança.
Essas instituições de ensino tentam atrair estudantes internacionais. Os cursos e qualificações são voltados para o mercado internacional de trabalho.
A maioria desses estabelecimentos colabora estreitamente com instituições similares em outros países.
O site www.ausbildung-weiterbildung.ch oferece a lista dessas escolas profissionais, informações sobre os cursos e outras informações relevantes.
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch