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Civis e funcionários do serviço de emergência carregam um corpo no local de um ataque realizado pelas forças governamentais em Aleppo, que também foi palco de combates entre rebeldes sírios e jihadistas do Estado Islâmico (EI).(afp_tickers)
Jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) avançavam nesta quarta-feira na província síria de Aleppo, expulsando os rebeldes de várias cidades após combates que deixaram 52 mortos, anunciou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
O grupo ultra-radical "tomou em menos de 24 horas oito localidades e aldeias ao norte da cidade de Aleppo, perto da fronteira com a Turquia", indicou o OSDH, entre as quais as cidades de Arshaf e Dabeq.
"Pelo menos 40 combatentes rebeldes e 12 combatentes do EI morreram em confrontos que resultaram na tomada de seis localidades na província de Aleppo pelo grupo jihadista", indicou um comunicado da ONG, que se baseia em uma ampla rede de civis, médicos e militares.
Ainda de acordo com o OSDH, os jihadistas fizeram 50 rebeldes prisioneiros.
O Estado Islâmico, que controla grandes partes do leste da Síria e do norte, "avança rapidamente em direção ao oeste", indicou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.
Os confrontos, que eclodiram há meses, se intensificaram na madrugada desta quarta-feira depois de um intenso ataque do EI a essas localidades.
Na região de Aleppo, os batalhões islamitas foram abandonados por seus ex-aliados, a Frente Al-Nosra, que se retirou da região no final de julho, segundo a ONG. "Os rebeldes ficaram enfraquecidos com essa retirada", afirma Abdel Rahmane.
A Frente Al-Nosra, o braço sírio da Al-Qaeda, se uniu aos grupos rebeldes moderados e islamitas em uma coalizão que luta contra o EI desde janeiro.
Mas, nas últimas semanas, a Al-Nosra também passou a enfrentar outros grupos rebeldes, complicando ainda mais a situação da oposição armada na Síria.
A tomada das cidades é estratégica, de acordo com o OSDH, pois abre para o EI o caminho para atacar as regiões de Marea e Azaz.
Marea é um reduto da Frente Islâmica, uma coalizão de grupos islamitas que estão entre os que combatem o EI.
Azaz fica perto da fronteira com a Turquia, o que representaria um ativo valioso para o EI na tentativa de ampliar o autoproclamado "califado" no território entre a Síria e o vizinho Iraque.
"Se o EI tomar Marea e Aazaz, cortará uma das rotas de abastecimento mais importantes para os rebeldes da Turquia. Isto é muito grave", disse Abdel Rahman.
Criado em 2013 na Síria, o EI passou a ser combatido pelos rebeldes sírios devido a sua violência brutal contra civis e combatentes rivais e as suas ambições hegemônicas, o que provocou uma sangrenta guerra entre os dois lados.
Mais de 170.000 pessoas morreram na Síria desde o início do conflito em março de 2011. A violência também obrigou mais da metade dos habitantes a fugir de suas casas, segundo a ONU.
AFP