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Todos os religiosos católicos sequestrados no Haiti no início de abril foram libertados, anunciou nesta sexta-feira (30) a Sociedade de Sacerdotes de Saint Jacques.
"Encontramos nossos companheiros, os religiosos e os familiares do padre Jean Anel Joseph, em bom estado de saúde", afirmou a instituição missionária em um comunicado, sem informar se um resgate foi pago.
O governo da França ficou satisfeito com os libertações.
"Agradecemos a todos aqueles que ajudaram a alcançar este feliz resultado, especialmente à Igreja haitiana por sua contribuição", disse a jornalistas a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França.
Três dos sete religiosos sequestrados já haviam sido liberados há uma semana.
Dez pessoas foram sequestradas em 11 de abril em Croix des Bouquets, perto da capital, Porto Príncipe, quando seguiam para a cerimônia de posse de um novo padre.
Os sequestradores exigiram um milhão de dólares de resgate.
O grupo era formado por quatro padres e uma freira haitiana, além de dois franceses, uma freira e um padre de Ille e Vilaine que vive no Haiti há mais de 30 anos.
Também foram sequestradas três pessoas da família do padre haitiano Jean Anel Joseph, que não estava entre os reféns.
Em nota, a sociedade religiosa agradeceu aos embaixadores da França e dos Estados Unidos nesta sexta-feira por "sua discreta e eficaz contribuição diplomática".
O arcebispo de Porto Príncipe também saudou a libertação em uma mensagem de voz postada nas redes sociais.
“Nossa satisfação será maior quando virmos que vivemos em um país onde não existem sequestros. Nossa satisfação será maior quando vivermos em um país onde todos podem ir para onde quiserem, quando quiserem, no respeito à lei", disse o Bispo Max Leroy Mésidor.
- Aumento dos sequestros -
Os cinco padres libertados fazem parte da Sociedade de Sacerdotes de São Jacques, com sede em Guiclan, oeste da França.
Esta sociedade missionária conta com cerca de quinze sacerdotes no Haiti, de um total de 80, e cerca de vinte seminaristas que também estão presentes na França, Brasil e Canadá.
“Esta libertação vem depois de vinte longos dias, desde que 10 de nossos irmãos e irmãs foram sequestrados por bandidos na estrada para Ganthier, em um clima de insegurança geral que se intensificou no Haiti nos últimos meses”, reagiu a entidade em um comunicado de imprensa, após expressar sua "imensa alegria" e seu "alívio".
O sequestro desencadeou uma mobilização política no país, que enfrenta um ressurgimento de sequestros e extorsões nos últimos meses tanto em Porto Príncipe quanto nas províncias, ao lado de uma crescente influência de gangues armadas no território.
Poucos dias antes do sequestro, a Igreja Católica havia lançado uma greve para denunciar a falta de ação do poder público e "a ditadura dos sequestros" no país, segundo o presidente da Conferência Episcopal, dom Launey Saturné.
O presidente do Haiti, Jovenel Moïse, anunciou em 14 de abril a renúncia do governo e a nomeação de um novo primeiro-ministro para enfrentar o grave problema da insegurança.
Na segunda-feira, os Estados Unidos novamente aconselharam seus cidadãos a não viajarem ao Haiti, especialmente por causa de "sequestros frequentes".