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Vladimir Putin em 29 de novembro de 2017(afp_tickers)
Vladimir Putin, há 17 anos à frente da Rússia e que anunciou nesta quarta-feira sua candidatura para um quarto mandato em março de 2018, encarna a ambição de uma grande Rússia com um poder renovado.
"A Rússia continuará avançando, e movimento para frente ninguém jamais deterá", declarou nesta quarta-feira ao anunciar sua candidatura para as eleições presidenciais.
Este ex-oficial da KGB, que no ano 2000 tomou as rédeas de um país de poder e economia instáveis, tem o apoio de muitos de seus cidadãos por ter sido o homem que deu segurança e trouxe prosperidade à Rússia, graças a volumosos recursos do petróleo.
Seus críticos lembram que o presidente atingiu seus objetivos em troca de um claro retrocesso dos direitos humanos e das liberdades.
No cenário internacional, Putin, que qualificou o desaparecimento da União Soviética de "maior catástrofe geopolítica do século XX", tentou restaurar a influência da Rússia no mundo, debilitada após a queda da URSS e dos anos caóticos da presidência de Boris Yeltsin.
Em 2013, o presidente definia seu método de governo como uma luta paciente e obstinada, aproveitando as fraquezas de seus adversários.
Uma estratégia aplicada com sucesso na Síria, onde a Rússia iniciou em 2015 uma intervenção militar que mudou o curso da guerra e permitiu que Bashar al-Assad mantivesse o poder, para o pesar dos ocidentais.
Um ano antes, a Rússia havia anexado a península ucraniana da Crimeia depois de ocupar essa região com suas tropas e após um referendo considerado ilegal pela comunidade internacional.
Essa operação aumentou seu prestígio no país, mas desatou a pior crise desde o final da Guerra Fria entre os russos e os ocidentais, que acusam Moscou de ajudar militarmente os rebeldes separatistas do leste da Ucrânia, um suposto apoio desmentido pelo Kremlin.
- 'O primeiro a golpear' -
O presidente russo nasceu em 7 de outubro de 1952 em uma família operária que ocupava um quarto em um apartamento comunitário em Leningrado (atual São Petersburgo).
Sua juventude nas ruas de Leningrado o ensinou uma coisa: "se o combate é inevitável, há que ser o primeiro a golpear", recordava em 2015.
Após cursar Direito, entrou na KGB e se tornou em um de seus agentes no exterior. Entre 1985 e 1990, foi para Dresden, na Alemanha Oriental, em um posto de pouca relevância.
Após a dissolução da URSS, o agente dos serviços de inteligência tornou-se conselheiro de relações exteriores do novo prefeito liberal de São Petersburgo, um posto no qual teve enorme ascensão.
Em 1996, ele foi trabalhar no Kremlin e, dois anos depois, foi nomeado para a chefiar a FSB, sucessora da KGB.
Em 1999, o presidente Yeltsin, que buscava um sucessor capaz de garantir sua segurança após sua saída, o nomeou primeiro-ministro.
Alguns colaboradores de Yeltsin pensaram então que poderiam manipular facilmente Putin, mas ele decidiu refundar a autoridade do Estado em torno de sua figura.
Após uma onda de atentados, Putin iniciou em 1 de outubro de 1999 a segunda guerra da Chechênia, um sangrento conflito marcado pela violência do exército russo e o bombardeio indiscriminado de Grozni.
Essa guerra será a base de sua popularidade na Rússia e de sua imagem de homem forte que não teme tomar decisões difíceis.
Quando Yeltsin o demitiu no final de 1999 e nomeou seu primeiro-ministro como sucessor, Putin já se havia estabelecido como o novo homem forte do país.
Após ganhar facilmente as eleições de 2000, Putin acelerou sua conquista do poder apoiando-se nas estruturas do Estado (serviços secretos, polícia, exército) e em seus colaboradores de São Petersburgo.
- Domínio -
O novo dirigente afastou rapidamente do jogo político os magnatas russos, os empresários que haviam enriquecido com as obscuras privatizações dos anos 1990, e prendeu opositores, como o presidente do grupo petroleiro Yukos, Mijaíl Jodorkovski, libertado em 2013 após 10 anos de prisão.
O Kremlin também aumentou seu controle sobre os canais de televisão, cuja liberdade de expressão herdada dos anos 1990 incomodava Putin.
Em 2008, como a Constituição impede exercer dois mandatos consecutivos, Putin entregou o Kremlin a seu primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, durante quatro anos e se colocou à frente do governo.
No final de 2011, o anúncio de candidatura à presidência para um novo mandato -ampliado para seis anos- suscitou uma inédita onda de manifestações.
A mobilização se desmobiliza após uma cômoda reeleição em 2012, e Putin adota leis consideradas como repressoras pela oposição e impõe uma maior repressão a qualquer forma de protesto.
O mandatário, muito discreto em relação à sua vida privada, é pai de duas filhas e se divorciou em 2013. Ele gosta de projetar uma imagem de homem com gostos simples, que leva "uma vida comum" e desfruta de "romances históricos e música clássica".
Sua atitude flerta frequentemente com o culto à personalidade, com fotografias em que é visto praticando judô, andando a cavalo sem camisa ou apagando um incêndio no comando de um avião.
AFP