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Pelo menos 300 hondurenhos que dizem fugir da violência e da pobreza em seu país partiram nesta terça-feira (30) em uma nova caravana com destino aos Estados Unidos, apesar da existência de uma operação conjunta da Guatemala e do México para bloquear sua passagem.
Com a bagagem nas costas, os migrantes partiram da rodoviária de San Pedro Sula, segunda cidade de Honduras localizada 180 km ao norte da capital, caminhando ao longo da beira da rodovia em direção à fronteira com a Guatemala (noroeste).
Alguns deles conseguiram subir nas caçambas dos caminhões que circulavam na estrada para poupar tempo e esforço.
É um grupo pequeno se comparado às enormes caravanas que costumam deixar Honduras em direção aos Estados Unidos.
“Decidi emigrar porque tenho um filho de dois anos e o outro vai fazer um ano e, com o emprego que tenho, não tenho dinheiro para pagar o aluguel, luz, comida e água", revelou à AFP Carlos Alfredo Gómez, originário do porto caribenho de Trujillo. Ele deixou os filhos e a esposa em casa.
Segundo Gómez, foi abordado por policiais, mas, ao mostrar os documentos "em ordem", foi autorizado a continuar a viagem. No entanto, observou que os viajantes menores não acompanhados foram detidos.
Enquanto isso, uma mulher identificada como Maribel disse que estava deixando Honduras com a intenção de alcançar "uma vida melhor".
A maioria dos viajantes afirma estar fugindo da violência e da pobreza que assola seus territórios, situação que se agravou em 2020 com a passagem de dois furacões e a pandemia de covid-19.
Após as fortes restrições à imigração nos Estados Unidos sob a gestão do ex-presidente republicano Donald Trump (2017-2021), seu sucessor democrata, Joe Biden, prometeu aplicar uma política mais humana na fronteira.
Isso impulsionou a chegada de migrantes, exercendo forte pressão sobre a fronteira mexicano-americana, apesar de o próprio Biden tê-los alertado para não viajarem ilegalmente.
O novo êxodo ocorre em um momento em que os Estados Unidos buscam pôr fim a uma aglomeração de quase 14.000 crianças desacompanhadas que chegaram da Guatemala, El Salvador e Honduras.
Desde outubro de 2018, mais de uma dúzia de caravanas deixaram Honduras rumo aos Estados Unidos.
A última saiu em 15 de janeiro com cerca de 7.000 pessoas, que foram expulsas da Guatemala a golpes de cassetetes e a gás lacrimogêneo por policiais e militares.
No sábado passado, os governos do México e da Guatemala lançaram uma operação conjunta na fronteira comum com militares e policiais para deter o êxodo.
O chefe do Instituto Nacional de Migração do México (INM), Francisco Garduño, garantiu durante a apresentação que redes de contrabandistas de pessoas venderam aos migrantes a ilusão de chegar aos Estados Unidos com segurança.
Garduño afirmou que este é o motivo pelo reforço policial nos estados fronteiriços, para “evitar que crianças e adolescentes sejam usados como passaportes para chegar à fronteira”.