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O presidente Andrés Manuel López Obrador trava uma disputa com a autoridade eleitoral, que ordenou a retiradade um anúncio, considerado uma violação ao laicismo do Estado, em que ele cita o Papa Francisco para negar que ele esteja conduzindo o México ao comunismo.
"Vamos apresentar a nossa queixa ao Tribunal Eleitoral. Por que é que o INE (Instituto Nacional Eleitoral) tira uma mensagem nossa na televisão? Porque falo do Papa Francisco, quando o Papa Francisco é, além de um líder religioso, um chefe de Estado", afirmou López Obrador nesta quarta-feira (2) em sua conferência matinal.
Em um vídeo publicado por ocasião de seu relatório anual de governo, apresentado na terça-feira, o presidente de esquerda fez menção ao pontífice para responder às críticas dos seus adversários.
"Os conservadores afirmam que estamos conduzindo o país ao comunismo. O Papa Francisco disse que ajudar os pobres não é comunismo, é o centro do evangelho", declarou o presidente na breve mensagem divulgada na segunda-feira.
Nesse mesmo dia, opositores contestaram o anúncio no INE, que argumentou em comunicado que o vídeo viola a Constituição porque contém um "elemento religioso" e "descredibiliza as forças políticas da oposição" ao utilizar frases como "os conservadores".
O Tribunal Federal Eleitoral é a última instância em que são resolvidas resoluções tanto do INE como dos institutos eleitorais.
López Obrador muitas vezes critica o INE por sua suposta tolerância com a fraude que, segundo ele, o impediu de chegar à presidência no passado, além de exigir austeridade por causa da pandemia.
Durante o chamado período da Reforma (1855-1863), no México foi promulgada a separação entre Estado e Igreja, dando origem a um forte secularismo suavizado apenas em 1992, após uma modificação legal que restaurou os direitos civis dos grupos religiosos e restabeleceu relações com o Vaticano.
O governante mexicano faz constantes referências bíblicas em seus discursos, principalmente quando se refere ao combate à pobreza que atinge mais da metade da população.
Em março, ele mostrou à imprensa imagens religiosas quando lhe perguntaram como ele se protegia, aos 66 anos, do novo coronavírus.
O INE considerou agravante o fato de que a mensagem tenha sido produzida quando formalmente se iniciou o processo de eleições locais em dois estados.