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Dois navios-tanque que passavam pelo Golfo de Omã, perto da costa do Irã, foram evacuados nesta quinta-feira (13) depois de um incêndio provocado por um suposto ataque, o que motivou a disparada dos preços do petróleo nos mercados internacionais.
O incidente, cujos detalhes são desconhecidos, foi o segundo do tipo em poucas semanas nesta zona estratégica e coincide com o aumento da tensão entre Irã e Estados Unidos. Washington já havia acusado Teerã de responsabilidade nos "atos de sabotagem" de maio.
O presidente americano, Donald Trump, está a par dos ataques e seu governo está "avaliando a situação", disse a Casa Branca.
"O presidente foi informado sobre o ataque aos navios no golfo de Omã. O governo dos Estados Unidos oferece sua ajuda e continua avaliando a situação", afirmou a porta-voz da Presidência, Sarah Sanders, em um breve comunicado.
As imagens exibidas pela televisão iraniana mostravam chamas e colunas de fumaça em um dos navios.
O Irã afirmou que sua Marinha resgatou 44 pessoas, depois que os navios pegaram fogo em um "acidente".
A Quinta Frota da Marinha americana se referiu, porém, a um "suposto ataque" e relatou ter recebido pedidos de socorro dos dois navios.
A Autoridade Marítima da Noruega informou que três explosões foram registradas a bordo do petroleiro norueguês "Front Altair", atacado ao lado do "Kokuka Courageous", que pertence a Singapura.
A imprensa estatal iraniana disse que o primeiro incidente aconteceu a bordo do "Front Altair", às 8h50 (1h20 de Brasília) em um ponto situado a 25 milhas náuticas de Bandar-e Jask, cidade portuária do sul do Irã.
Com bandeira das Ilhas Marshall, o navio transportava uma carga de etanol do Catar para Taiwan, segundo a agência oficial de notícias Irna.
"Quando o navio pegou fogo, 23 tripulantes pularam na água e foram resgatados por um barco próximo e entregues a uma unidade de resgate iraniana", afirmou.
"Uma hora depois do primeiro acidente, outro navio pegou fogo às 9h50 a 28 milhas náuticas do porto", completou a agência.
"Posso confirmar que o navio NÃO afundou", afirmou Robert Hvide Macleo, diretor-executivo da Frontline, empresa proprietária da embarcação", em mensagem enviada à AFP.
O "Kokuka Courageous", com bandeira panamenha, viajava da Arábia Saudita para Singapura com uma carga de metanol. Vinte e um tripulantes saltaram na água e foram resgatados, indicou a agência Irna.
A empresa de Singapura BSM Ship Management, proprietária do "Kokuka Courageous", afirmou que ativou uma "resposta de emergência total após o incidente de segurança".
"Os 21 membros da tripulação abandonaram o barco após o incidente que provocou danos no casco a estibordo", afirmou.
"Um tripulante do 'Kokuka Courageous' ficou levemente ferido no incidente e está recebendo atendimento", completou.
- Coincidência 'suspeita'
Em Tóquio, o ministro japonês da Economia, Hiroshige Seko, afirmou que um "navio transportando mercadorias relacionadas com o Japão foi atacado", mas que a ação não deixou feridos.
O incidente coincide com a presença nesta quinta-feira no Irã do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que teve uma reunião inédita com o guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
O chanceler iraniano, Javad Zarif, considerou suspeita a coincidência entre os "ataques" e a visita de Abe.
O Irã informou que enviou um helicóptero de Bandar-e Jask em direção aos navios para investigar o caso.
Os preços do petróleo dispararam, depois que o serviço de informação marítima britânico, Operações Marítimas Comerciais do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês), anunciou o incidente.
O golfo de Omã fica próximo ao estratégico estreito de Ormuz, uma via marítima crucial por onde transitam diariamente quase 15 milhões de barris de petróleo e centenas de milhões de dólares em outras mercadorias.
No dia 12 de maio, quatro petroleiros – dois sauditas, um norueguês e um dos Emirados - foram atingidos por ataques ainda não explicados no golfo de Omã, perto da costa dos Emirados Árabes Unidos.
Após os incidentes do mês passado, o conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, afirmou que o Irã estava por trás do ataque, mas não apresentou provas concretas.
O governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou na semana passada que os primeiros resultados de uma investigação realizada por cinco países e entregue à ONU aponta a possibilidade de que um Estado esteja por trás das bombas, mas indicou que não há provas de que seja o Irã.
O incidente desta quinta-feira aconteceu depois que o Irã, que apoia os rebeldes huthis no Iêmen, anunciou na quarta-feira o disparo de um míssil contra o aeroporto de Ahba na Arábia Saudita. As autoridades sauditas afirmaram que 26 pessoas ficaram feridas no ataque.
O Irã rejeita as acusações americanas sobre os ataques de maio, mas a Arábia Saudita, sua rival regional, considera Teerã responsável.
O rei Salman da Arábia Saudita advertiu no início do mês, em uma reunião da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que os ataques "terroristas" na região do Golfo podem afetar o abastecimento mundial de petróleo.
A União Europeia fez um pedido de "moderação" no golfo de Omã.