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EUA (Reuters) - O governo de Barack Obama decidiu enviar cinco prisioneiros de Guantánamo acusados de tramar os ataques de 11 de setembro de 2001 para responder a processo em um tribunal norte-americano em Nova York.
Além disso, decidiu que outros cinco prisioneiros mantidos na prisão na base militar norte-americana da Baía de Guantánamo, em Cuba, serão processados em tribunais militares dos Estados Unidos.
As comissões militares, iniciadas no governo do então presidente George W. Bush, foram reestruturadas pelo governo Obama e pelo Congresso para que os réus tivessem mais direitos.
Segue abaixo um sumário do histórico e das acusações feitas aos prisioneiros:
OS CINCO ACUSADOS DE TRAMAR O 11 DE SETEMBRO: Indiciados em um processo de pena de morte em Guantánamo por conspirar com a Al Qaeda e pelo homicídio de 2.973 pessoas, mortas quando dois aviões chocaram-se contra o World Trade Center, outro contra o Pentágono e um quarto caiu numa área rural da Pensilvânia.
* Khalid Sheikh Mohammed - paquistanês criado no Kuweit e educado nos EUA. Acusado de planejar os ataques de 11 de setembro de 2001 e de atuar como comandante das operações militares da Al Qaeda no exterior antes de ser capturado no Paquistão em 2003. Conhecido como KSM, assumiu a autoria de 31 ataques executados ou planejados e disse ter sido responsável pelo 11 de Setembro "de A a Z". Também disse ter decapitado o repórter do Wall Street Journal Daniel Pearl. Afirmou que saudaria o martírio.
* Walid bin Attash -- iemenita criado na Arábia Saudita, perdeu a perna direita numa batalha em 1997 no Afeganistão. Acusado de dirigir um campo da Al Qaeda no Afeganistão, onde treinou dois dos sequestradores do 11 de Setembro. O Pentágono disse que ele viajou para a Malásia em 1999 para observar a segurança da aviação norte-americana a fim de auxiliar no plano de sequestro de aviões civis.
* Ramzi Binalshibh - cidadão iememita, chegou a dividir um quarto com o suposto líder dos sequestradores do 11 de Setembro, Mohamed Atta, em Hamburgo, na Alemanha. Acusado de servir de elo entre os líderes da Al Qaeda e os sequestradores. As autoridades norte-americanas dizem que ele tentou, mas não conseguiu, obter um visto para entrar nos EUA e participar dos ataques como piloto-sequestrador. Foi capturado em Karachi, no Paquistão, em setembro de 2002.
* Ali Abdul Aziz Ali - sobrinho de Khalid Sheikh Mohammed e primo do acusado pelo ataque de 1993 ao World Trade Center Ramzi Yousef, que está preso. Acusado de ser um importante facilitador do 11 de Setembro, transferindo dinheiro para os
EUA.
* Mustafa Ahmed al-Hawsawi - saudita acusado de ser o principal facilitador financeiro do 11 de Setembro. O Pentágono disse que ele forneceu dinheiro, roupas ocidentais, travelers checks e cartões de crédito. Ele disse que não era membro da Al Qaeda, mas esteve num campo de treinamento da rede no Afeganistão e apoiava todos os "jihadistas".
OUTROS CINCO A SEREM PROCESSADOS EM TRIBUNAIS MILITARES:
* Omar Khadr - nascido em Toronto, Canadá, em 19 de setembro de 1986. Enviado a Guantánamo com 16 anos. Acusado de matar um soldado dos EUA com uma granada. Seus advogados argumentam que ele era um soldado criança arregimentado pelo pai, já falecido, membro da Al Qaeda.
* Ahmed al-Darbi - saudita acusado de comprar um barco e aparelhos de GPS e de contratar tripulantes como parte de um plano não realizado de lançar um bote cheio de explosivos contra uma embarcação no Estreito de Hormuz. Capturado no Azerbaijão em 2002.
* Ibrahim al-Qosi - sudanês nascido em 3 de julho de 1960. Acusado de atuar como motorista e guarda-costas de Osama bin Laden, ajudando o líder da Al Qaeda a escapar pelas montanhas afegãs de Tora Bora após a invasão do país asiático, liderada pelos EUA em 2001.
* Noor Uthman Muhammed - sudanês, acusado de ser instrutor de armas e responsável pela logística no campo de treinamento de Khaldan, da Al Qaeda, no Afeganistão. Capturado em 2002 numa ação no Paquistão ao lado de Abu Zubaydah, membro da Al Qaeda.
* Abd al-Rahim al-Nashiri - cidadão da Arábia Saudita de ascendência iemenita, acusado de ser o mentor do ataque contra o navio de guerra USS Cole. O ataque de 2000 no porto iemenita de Aden matou 17 marinheiros norte-americanos e feriu outros 47.
(Reportagem de Jane Sutton e James Vicini)
Reuters