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O chanceler cubano Bruno Rodriguez em Nova York, no dia 22 de setembro de 2017(afp_tickers)
Em pronunciamento na Assembleia Geral da ONU nesta sexta-feira (22), Cuba negou, categoricamente, qualquer responsabilidade nos estranhos "ataques acústicos" que teriam afetado a saúde de diplomatas americanos e canadenses em Havana e pediu que não se politize o caso.
"Cuba nunca cometeu - nem cometerá - ações dessa natureza, nem permitiu - nem permitirá - que seu território seja utilizado por terceiros com esse propósito", declarou o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, na Assembleia Geral.
O diplomata garantiu que seu país "cumpre, com todo rigor e seriedade", suas obrigações com a Convenção de Viena sobre relações diplomáticas "no que se refere à proteção e à segurança de todos os diplomatas, sem exceção".
"Seria lamentável se se politizasse um assunto da natureza descrita", disse Rodríguez.
Os primeiros incidentes foram registrados em fevereiro e se tornaram públicos em agosto, quando o Departamento de Estado afirmou que pelo menos 16 diplomatas americanos haviam sofrido "algum tipo de sintoma" por exposição a barulhos e vibrações estranhos.
Mais recentemente, o governo do Canadá informou que pelo menos um de seus diplomatas em Havana também apresentou sintomas dos "ataques acústicos".
Rodríguez disse que as investigações em curso "até o momento não contam com qualquer evidência que confirme as causas, ou a origem dos problemas de saúde que foram reportados pelos diplomatas americanos e por suas famílias".
De acordo com o representante cubano, essas investigações levam "em consideração dados fornecidos pelas autoridades dos Estados Unidos" e, para que os estudos cheguem a algum resultado, "será essencial a cooperação" das autoridades americanas.
No final de agosto, a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, comentou apenas que "uma investigação está em curso. Ponto".
- Relação delicada -
Embora Washington tenha evitado, até agora, acusar Havana formal e diretamente por esses episódios insólitos, o caso é mais uma pedra incômoda em uma relação bilateral que se tornou extremamente delicada desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca.
Cuba e Estados Unidos restabeleceram seus laços diplomáticos em 2014, após meio século de afastamento. A "normalização" completa dessas relações ainda está sob negociação.
Para Cuba, isso implica o desmonte do emaranhado legal, no qual se apoia o embargo econômico, comercial e financeiro adotado por Washington há cinco décadas.
Em 16 de junho, Trump anunciou, porém, um endurecimento das medidas administrativas adotadas por decreto por seu antecessor, o democrata Barack Obama, para permitir viagens a Cuba e investimentos na ilha.
Esse endurecimento "constitui um retrocesso nas relações bilaterais e mina as bases estabelecidas há dois anos para avançar em uma nova relação", afirmou Rodríguez.
Segundo ele, Cuba mantém "a vontade de continuar negociando os assuntos bilaterais pendentes", desde que isso aconteça em um clima de "respeito".
"Cuba e Estados Unidos podem cooperar e conviver, respeitando as diferenças e promovendo tudo que beneficie ambos os países e povos", completou.
AFP