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O governo da Venezuela qualificou nesta sexta-feira (7) como uma "grande farsa" o caso apresentado ao Tribunal Penal Internacional (TPI) por possíveis crimes contra a humanidade no país e anunciou que enviou um relatório à promotoria do órgão que "desmonta" as acusações.
A corte internacional com sede em Haia iniciou em fevereiro de 2018 um exame preliminar para investigar supostos crimes cometidos desde abril de 2017 na Venezuela no contexto de uma onda de protestos que pediam a saída do presidente Nicolás Maduro e que deixou uma centena de mortos.
"Trata-se de uma grande farsa", declarou a vice-presidente Delcy Rodríguez. "O Estado venezuelano defendeu a paz e a tranquilidade de nosso povo diante de manifestações extremamente violentas."
"Temos desmontado caso a caso, com base na realidade, nos fatos", continuou a governante ao apresentar um estudo sobre o que chamou de "linchamento" contra Maduro nas redes sociais, que segundo ela serviu de base para formar as denúncias.
"A partir das redes sociais, foram construídos falsamente os parâmetros para levar a Venezuela ao Tribunal Penal Internacional", assegurou Rodríguez.
O estudo de "big data", de acordo com a vice-presidente, foi elaborado por "especialistas independentes" que identificaram um "pequeno número de usurários" que "amplificavam falsas realidades e matrizes".
As autoridades venezuelanas enviaram três outros relatórios à promotoria do TPI, cujo ex-titular Fatou Bensouda disse no final de 2020 que "existe uma base razoável para acreditar que foram cometidos na Venezuela crimes que são da competência" desse tribunal.
Rodríguez insistiu que os militares e policiais agiram em 2017 "sempre com a proibição do uso de armas de fogo e o presidente Nicolás Maduro foi muito claro: antes de tudo, respeito pela vida, respeito pelos direitos humanos".
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou no fim de semana, como parte deste quarto relatório, a acusação de 12 membros da Guarda Nacional pela morte de um jovem de 20 anos atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo em abril de 2017, durante um protesto.
O chavismo disse na época que a morte do estudante universitário havia sido causada por seus companheiros manifestantes.