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O aumento do endividamento das famílias impulsiona o crescimento econômico a curto prazo, mas aumenta o risco de crise financeira no médio termo(afp_tickers)
O aumento do endividamento das famílias impulsiona o crescimento econômico a curto prazo, mas aumenta o risco de crise financeira no médio termo, alertou nesta terça-feira (3) o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"O endividamento das famílias continua crescendo na última década", apontou a instituição em um informe anterior à sua reunião anual da próxima semana, em Washington.
O FMI estudou a relação entre a dívida das famílias, o crescimento e a estabilidade financeira, através de uma amostragem de 80 economias desenvolvidas, entre elas, Austrália, Dinamarca, Suíça e Holanda, e de países em desenvolvimento, como Argentina, Bangladesh, Egito, Malásia e Tailândia.
"A dívida das famílias e o acesso ao crédito podem sustentar a demanda (...), mas um alto nível de endividamento pode gerar desequilíbrios financeiros", alertou o FMI.
E, acumulada de três a cinco anos, a dívida das famílias eventualmente pesa sobre o crescimento e aumenta a probabilidade de uma crise financeira e bancária, completou.
O FMI usou como exemplo a crise financeira mundial para explicar que um endividamento elevado dos consumidores pode levar a "longas recessões".
"Esses efeitos negativos são mais gritantes nas economias avançadas, nas quais a dívida das famílias é mais alta, do que nos países emergentes, onde a contribuição das dívidas das famílias e do mercado de crédito é mais fraca", observou.
Apesar de a proposta da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) ter diminuído nos Estados Unidos e no Reino Unido depois da crise de 2007-2008, em muitos países europeus como Islândia, Irlanda, Portugal, Espanha e nas nações balcânicas, ela "continua alta", disse.
Esse percentual também continua se expandindo em outras economias desenvolvidas, como Austrália e Canadá, alertou.
Em algumas economias emergentes, como Chile, China, Malásia, Tailândia, Paraguai, Polônia e alguns países da Europa central e meridional, a proporção da dívida aumentou "muito rapidamente de 10% do PIB em 2005 para 60%, em alguns casos".
O FMI ressaltou a importância de contar com instituições sólidas e políticas adequadas para eliminar este impacto e defendeu uma regulamentação financeira e uma supervisão mais eficazes, uma menor dependência de financiamento externo, bem como taxas de câmbio flexíveis e a redução das desigualdades de renda.
AFP