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O presidente da Fifa, Sepp Blatter, e Michel Platini, seu pretendido sucessor, foram banidos do futebol durante oito anos pelo tribunal de ética da FIFA no caso do pagamento de US$ 2 milhões que Blatter aprovou para Platini em 2011.
Na época, Platini, então presidente da UEFA e vice-presidente da FIFA, recebeu cerca de 2 milhões de dólares em salário como assessor não contratado de Blatter entre 1999 e 2002.
Segundo o tribunal de ética da FIFA, que sancionou os dois ex-líderes do futebol na segunda-feira (21), "não havia base jurídica" para tal pagamento.
"Nem em sua declaração por escrito, nem na sua audição pessoal, o Sr. Blatter foi capaz de demonstrar uma outra base legal para esse pagamento. Sua afirmação de um acordo verbal foi determinada como não convincente e foi rejeitada pela câmara", disse o tribunal.
A afirmação de um acordo verbal com Platini foi rejeitada como "não convincente", acrescentou.
Os dois cartolas haviam sido suspensos em 8 de outubro de toda atividade relacionada com o futebol durante 90 dias, enquanto se aguardava uma investigação completa sobre a conduta deles.
O tribunal disse que tanto Blatter como Platini estavam em situações de "conflito de interesses", mas continuaram desempenhando funções relacionadas, não revelando a situação.
Para o órgão de ética da FIFA, as ações de Blatter e Platini não mostraram "compromisso com uma atitude ética". Ações também consideradas como uma "execução abusiva" de seus cargos de presidente e vice-presidente da FIFA.
Além de banidos, Blatter foi condenado a pagar uma multa de 50 mil francos e Platini 80 mil.
Irregularidades
O inquérito de ética da FIFA começou após a decisão do Ministério Público suíço abrir um processo penal contra Blatter sobre o pagamento feito a Platini.
Ambos, Blatter e Platini, negaram as irregularidades e são suscetíveis de contestar a decisão judicial da segunda-feira no comitê de recursos da FIFA e no Tribunal Arbitral do Esporte, em Lausanne.
Na semana passada, Blatter escreveu para as 209 associações da FIFA criticando a "Inquisição" sofrida por ele. O cartola do futebol mundial disse que o pagamento foi feito quando ele estava concorrendo para a reeleição da FIFA, que era legítimo e resultou de um contrato verbal para um trabalho realizado por Platini para FIFA anos antes.
O presidente da FIFA passou oito horas em um depoimento ao tribunal de ética na quinta-feira passada, mas Platini, que tinha a intenção de concorrer à presidência do órgão mundial, recusou-se a comparecer à audiência na sexta-feira. Seus advogados disseram aos quatro juízes de ética que Platini "já estava condenado".
Platini, ex-jogador de futebol da França, foi um dos melhores jogadores da sua geração e liderou a entidade máxima do futebol europeu, a UEFA, desde 2002. O francês era considerado como favorito para ganhar a próxima eleição presidencial da FIFA, até ser suspenso.
A FIFA está tentando se recuperar de uma série de escândalos de corrupção. O Ministério Público americano também acusou este ano 41 pessoas e entidades do futebol mundial de corrupção. As alegações de corrupção levaram o presidente da Fifa, Sepp Blatter, a dizer que iria renunciar, alguns dias após ter sido reeleito para um quinto mandato. Blatter não foi acusado de qualquer crime e nega qualquer irregularidade.
swissinfo.ch