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As seis sonatas para órgão de Mendelssohn
Escritas entre 1844 e 1845, as seis sonatas para órgão de Félix Mendelssohn (1809-1847) não obedecem à forma sonata. Na verdade, são uma série de peças escritas logo depois de ele ter criado o Conservatório de Leipzig.
Ele mesmo escreve, nas notas preliminares da partitura publicada em Londres e em Leipzig, a razão de não ter indicado registros. Explique-se: nas obras para órgão, o compositor costuma indicar claramente cada registro no qual recomenda a execução deste ou daquele trecho ou movimento. Por sua multiplicidade de teclados, o intérprete pode montar mais de uma opção de registros – não nos esqueçamos que estamos diante de um dos mais poderosos -- se não o mais poderoso – instrumentos da história da música. Quanto mais registros, mais recursos tem o instrumento, que pode “imitar” praticamente todos os sons de uma orquestra sinfônica. “Estas sonatas dependem muito da escolha certa dos registros para soarem bem”, fiz Mendelssohn.
“Cada órgão que encontrei tem um modo peculiar de resposta neste quesito. Assim, a mesma combinação nominal não produz exatamente o mesmo efeito em diferentes instrumentos. Por isso dei apenas a indicação geral do tipo de efeito que imaginei ao escrevê-las”. Assim, é muito maior do que se imagina a liberdade do organista nestas peças. E Benjamin Righetti, organista suíço que acaba de lançar um CD pelo selo Claves com estas seis sonatas, sabe fazer as escolhas mais adequadas ao pilotar o órgão Aloys Mooser (1834)/Neidhart-Lhöte (1982), da Catedral de Saint-Nicolas, em Friburgo, Suíça.
As sonatas nasceram graças ao estímulo de um editor inglês, fascinado com seu talento de improvisador ao órgão, quando Mendelssohn, aos 35 anos, fez uma turnê pela Inglaterra. Um pesquisador acentua que o compositor deve ter pensado em impressionar o público inglês ao escrever partes especialmente difíceis para o teclado de pedais.
No geral, ele combina movimentos rápidos virtuosísticos com os lentos bastante líricos. Benjamin Righetti, de 33 anos, é organista da Igreja de Saint-François. Dá aulas no conservatório e universidade de música de Lausanne. Já ganhou vários concursos internacionais, como os de Bruges, Tóquio, Freiberg, Chartres e Paris. Já gravou as quinze trio-sonatas de Johann Sebastian Bach, sua transcrição da sonata para piano de Liszt; e obras de César Franck e Brahms para o selo K617
Durante esta semana você ouve na íntegra este CD, no portal da Cultura FM.
Article's source: Cultura FM, Brazil, the 18.11.16 by João Marcos Coelho
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