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Dezenas de manifestantes se reuniram nesta sexta-feira para protestar em uma praça central de Santiago, quase seis meses depois que a pandemia interrompeu as manifestações sociais no Chile.
Como faziam todas as sextas-feiras desde outubro de 2019, mas em menor número, os manifestantes se reuniram no local, agora que várias comunas de Santiago começaram a ser desconfinadas, após meses de quarentena.
"Os jovens voltarão com mais força", afirmou à AFP Mabel, 59, que participava do ato. Os manifestantes mostraram seu apoio à opção "aprovo" do plebiscito que será realizado em 25 de outubro e que irá definir se haverá mudança na Constituição, herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), um dos caminhos de saída propostos para aliviar a tensão social gerada após os protestos do ano passado.
Os manifestantes também mostraram seu apoio à comunidade mapuche, que mantém uma reivindicação histórica de terras na região de Araucanía, aonde a violência retornou nas últimas semanas com ataques atribuídos a grupos radicais mapuches. Caminhoneiros protestam nas estradas há dois dias pedindo segurança, após terem sido alvo de ataques incendiários naquela região.
O protesto em Santiago durou até que a polícia, mobilizada com dezenas de agentes e blindados no local desde o começo do dia, considerou que a aglomeração violava as normas sanitárias da pandemia, que proíbem concentrações de mais de 10 pessoas em espaços públicos.
A força policial prendeu vários manifestantes. "Existe uma desigualdade tremenda que se percebe aqui quando os carabineiros, com toda a sua força, reprimem as pessoas que vieram protestar", reclamou o escritor Vicente, 61, que participava da manifestação no centro de Santiago.