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Por Patricia Zengerle e Jonathan Landay e Richard Cowan
WASHINGTON (Reuters) - Horas depois de centenas de apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadirem o prédio do Congresso dos EUA em um ataque à democracia do país, parlamentares abalados certificaram formalmente nesta quinta-feira a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.
Imediatamente após a certificação, a Casa Branca divulgou um comunicado de Trump no qual ele promete uma "transição ordeira" quando Biden tomar posse em 20 de janeiro, embora ele tenha repetido sua alegação falsa de que venceu a eleição presidencial. Na quarta-feira, Trump pareceu encorajar seus apoiadores a invadirem o Capitólio.
O Congresso retomou a sessão para certificar vitória de Biden no Colégio Eleitoral no final da noite depois das cenas caóticas no Capitólio. Depois de um debate que se alongou até as primeiras horas da quinta, o Senado e a Câmara dos Deputados rejeitaram duas objeções à apuração e certificaram o resultado final do Colégio Eleitoral, com 306 votos para Biden e 232 para Trump.
O vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que também é presidente do Senado e por isso presidiu a sessão, disse ao declarar o resultado: "deve ser considerada uma declaração suficiente das pessoas eleitas presidente e vice-presidente dos Estados Unidos".
A vice-presidente eleita Kamala Harris tomará posse ao lado de Biden.
O resultado da sessão de certificação nunca esteve em dúvida, mas foi interrompido por apoiadores de Trump que invadiram o prédio do Congresso, quebraram janelas e escalaram muros para entrar no Capitólio.
A polícia disse que quatro pessoas morreram em meio ao caos --uma baleada e três por causa de emergências médicas-- e 52 pessoas foram presas.
Alguns cercaram o plenário da Câmara enquanto deputados estavam dentro, batendo nas portas e forçando a suspensão da sessão de certificação. Oficiais de segurança colocaram móveis nas portas para servirem de barricada e apontaram suas pistolas antes de ajudar os parlamentares e outros a saírem do local.
O ataque ao Capitólio foi o momento culminante de meses de retórica divisiva que escalou sobre a eleição presidencial de 3 de novembro, com Trump fazendo repetidamente alegações falsas de que a votação foi fraudada e apelando para que seus apoiadores o ajudassem a reverter a derrota.
Após a certificação na quinta-feira, ele divulgou comunicado por meio de Dan Scavino, seu assessor na Casa Branca, afirmando: "Embora eu discorde totalmente do resultado da eleição, e os fatos me deem respaldo, mesmo assim haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro".
O caos da quarta-feira aconteceu depois de Trump --que antes da eleição se recusou a se comprometer com uma transferência pacífica de poder caso perdesse-- discursar para milhares de apoiadores perto da Casa Branca e pedir a eles que marchassem em direção ao Capitólio para manifestar seu descontentamento aos parlamentares.
Ele disse aos apoiadores para pressionarem seus representantes eleitos a rejeitarem o resultado da eleição, fazendo um apelo para que "lutem".
Alguns republicanos importantes do Congresso colocaram a culpa da violência completamente em Trump.
"Não há dúvida de que o presidente formou a turba, o presidente incitou a turba, o presidente discursou para a turba. Ele acendeu a chama", disse a deputada republicana Liz Cheney no Twitter.
O líder republicano no Senado, Mitch McConnell, que silenciou durante muito tempo enquanto Trump tentava reverter o resultado da eleição, classificou a invasão do Capitólio como uma "insurreição fracassada" e se referiu aos invasores como "desequilibrados".
(Reportagem de Patricia Zengerle, Jonathan Landay e Richard Cowan; Reportagem adicional de Steve Holland, David Morgan, Daphne Psaledakis, Lisa Lambert, Mark Hosenball, Doina Chiacu, Jonathan Allen, Susan Cornwell, Susan Heavey, Richard Cowan, Tim Ahmann, David Shepardson e Diane Bartz)