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O Congresso peruano rejeitou nesta quinta-feira (19) debater uma moção para declarar "persona no grata" o ex-presidente boliviano Evo Morales por suposta "intromissão" com suas opiniões favoráveis ao presidente de esquerda Pedro Castillo.
Uma maioria de legisladores de diversas tendências políticas descartou o pedido, que teve 45 votos a favor, 63 contra e 13 abstenções. Eram necessários 63 votos favoráveis para o debate ser admitido e eventualmente aprovado.
"A moção propõe declarar o cidadão boliviano Evo Morales persona non grata por sua inaceitável e constante intromissão na política nacional", disse o relator antes de a medida ser submetida ao voto do plenário.
O pedido, apresentado pela legisladora Norma Yarrow, do partido conservador Avança País, exortava Morales a deixar de fazer comentários sobre a política peruana por considerá-los uma ingerência.
O ex-presidente boliviano visitou duas vezes o Peru nas últimas semanas.
Morales esteve entre os convidados estrangeiros na cerimônia de posse de Castillo, em 28 de julho, e ficou uma semana no Peru.
Há alguns dias, voltou para participar de um evento do sindicato dos professores, ao qual Castillo pertence.
Na ocasião, descartou assessorar o presidente peruano, mas afirmou que tem grandes convergências com seu programa de governo.
"Meu irmão, Pedro, não precisa de nenhum assessoramento, tem muita experiência", disse em 12 de agosto.
Castillo, um professor rural e sindicalista, venceu em junho as eleições à frente do pequeno partido marxista Peru Livre em um segundo turno apertado contra a direitista Keiko Fujimori.
Em sua última visita a Lima, Morales assegurou, durante uma coletiva de imprensa, que a pandemia do coronavírus faz parte de uma guerra biológica criada pelo capitalismo.
"Sobre a pandemia, estou convencido de que é parte de uma guerra biológica. O capitalismo, o imperialismo que exporta armas nucleares, armas químicas, até biológicas", disse Morales.
Segundo ele, a pandemia visa a eliminar a população mais idosa, pobre e portadora de deficiências, que supostamente seria improdutiva e representaria um fardo social.
Morales governou a Bolívia entre 2006 e 2019, quando renunciou em meio a protestos e alegações de fraude a seu favor nas eleições.