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A rede de supermercados Migros comemorou 75 anos dia 25 de agosto. Começou com 5 caminhões, vendendo alimentos de porta em porta, e hoje tem quase 600 lojas e 80 mil funcionários. Tudo começou depois de uma aventura malsucedida, no Brasil.
"O Brasil foi para mim um intervalo romântico. Foi lá que aprendí a discernir o essencial e que comecei a descobrir minha verdadeira vocação". Assim se exprimia anos depois o fundador da Migros, Gottlieb Duttweiler, referindo-se ao período em que se associou a um cunhado e viveu como fazendeiro perto de Santos, entre 1923 e 1924.
O que mais interessava a Gottlieb no Brasil era o café. Em seu primeiro estágio, em Zurique, depois da Escola de comércio, em 1907, ele descobriu que era mais rentável tratar diretamente com produtores e negociava café com a empresa brasileira Leite Santos, da qual se tornou inclusive acionista.
Brilhante negociante, em poucos anos Duttweiler acabou coprietário da firma em que estagiou mas esta faliu, em 1923, depois de ter sido muito próspera durante a Primeira guerra mundial. Partiu então para o Brasil a fim de receber sua parte da Leite Santos e, ao mesmo tempo, visitar uma irmã e um cunhado que dirigia uma fábrica de calçados no Brasil.
O cunhado estava interessado em comprar uma fazenda (com 3 mil pés de café e 300 cabeças de gado) e Gottlieb topou o negócio. Sua esposa não se deu bem com a vida rude do campo e adoeceu. Voltaram para a Suíça em 1924 e um médico diagnosticou a incompatibilidade com o clima quente e úmido.
Em 1925, Gottlieb comprou 5 pequenos caminhões e começou a vender produtos alimentícios a domicílio, entre os quais o café. Manteve o princípio de eliminar o atravessador e seus preços eram inferiores de 40 p/cento aos da concorrência. O negócio foi crescendo e, em 1926, foi aberto o primeiro ponto fixo de venda, em Zurique.
Em 1941, sem herdeiros, e evitando pressões para vender, transformou seus fornecedores em associados criando um estatuto de cooperativa que vigora até hoje. Em 1999, o grupo (10 cooperativas regionais, agência de viagens, banco etc) faturou 18,7 bilhões de francos. Ainda é líder do setor mas a concorrência está crescendo mais que Migros nos últimos anos.
Duas particularidades ainda fazem com que o grupo tenha uma das marcas mais conhecidas da Suíça: não vende cigarros nem bebidas alcóolicas e aplica 1 p/cento do faturamento em atividades culturais, mantendo a rede de escolas Migros, que proporciona uma grande quantidade de cursos para adolescentes e adultos.
Claudinê Gonçalves
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