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O primeiro verdadeiro dicionário de francês e suíço-alemão acaba de ser lançado no país dos Alpes. O principal objetivo é permitir aos suíços francófonos de compreender melhor seus compatriotas germânicos, que correspondem a 63,7% da população do país.
O novo léxico contém mais de sete mil termos e expressões. O autor da obra se baseou no dialeto de Zurique, a maior cidade helvética.
Mimi Steffen é originária do cantão de Lucerna, mas tem uma grande paixão pelo cantão francófono de Vaud. Seu sonho é contribuir um pouco à aproximação entre os suíços de língua francesa e alemã. "A realidade é que não nos conhecemos muito bem", explica ela ao apresentar sua obra em Gruyère, bela cidade próxima à fronteira lingüística dos dois países no centro da Suíça.
Para ela, o dicionário permitirá aos chamados "Romands", como se autodenominam os suíços francófonos, de vencer seus preconceitos como o dialeto suíço-alemão. Eles poderão dessa forma descobrir o lado "culturalmente diverso" e "sensual" dessa língua.
O fato de conhecer algumas palavras e expressões do suíço-alemão pode aproximar os suíços das duas partes do país, explica a lingüista. Essa é uma questão delicada na Suíça já que desde 1968 cada vez mais suíços germanófonos utilizam o dialeto no seu cotidiano. Os francófonos aprendem apenas o chamado alemão culto nas escolas, o que dificulta bastante a comunicação na outra parte do país. Muitos suíços se sentem incomodados ou impossibilitados de se expressar perfeitamente no idioma de Goethe.
Dominação
As revoltas estudantis de 1968 aboliram a hierarquia que existia entre o bom alemão e o suíço-alemão. De fato, o dialeto se transformou numa "língua falada que fez carreira" e conquistou o espaço público.
Atualmente o suíço-alemão é a língua dos jovens. Ágil e flexível, ela se aproxima da linguagem dos computadores e facilita até o envio de torpedos através de celulares. Se no chamado "bom alemão" existe uma palavra para definir um sentimento, no dialeto existem várias. Muitos suíços chegam a declarar que apenas o dialeto consegue exprimir o que eles têm no coração.
Patrimônio lingüístico
O dicionário escrito por Mimi Steffen também poderá ser útil aos germanófonos, permitindo também um melhor diálogo com seus compatriotas francófonos. Um dos seus instrumentos mais úteis são as traduções de expressões populares helvéticas ou que já passaram de moda.
Vários germanófonos estabelecidos na parte francófona poderão redescobrir expressões da sua juventude, que estavam desaparecidas na memória.
Para Steffen, salvar o patrimônio lingüístico é um dos seus principais objetivos. Porém ela ressalta que não quer ser vista como uma defensora dos sectarismo. O novo dicionário oferece uma "fotografia" da Suíça alemã atual, da língua falada no trabalho e no lar, com suas expressões familiares e até vulgares.
Língua dos espiões
Mimi Steffen utilizou o dialeto de Zurique para escrever sua obra. Ela justifica a escolha pelo fato dessa versão do suíço-alemão poder ser transcrita mais facilmente do ponto de vista fonético e também pela sua popularidade. O dialeto de Berna terminou sendo deixado de lado pela complexidade, apesar de muitos suíços o acharem fácil pela lentidão como ele é falado na capital helvética. "Esse dialeto chegou até mesmo a ser utilizado como língua de espiões durante a Segunda Guerra Mundial", conta ela.
Gramática e pequeno guia
Muito provavelmente o dicionário terá continuação. Mimi Steffen declara ter planos na carteira de escrever uma gramática e também um pequeno guia lingüístico.
Seu dicionário, cuja primeira versão "artesanal" havia sido publicada em 1991, teve uma tiragem de três mil exemplares. Em formato de bolso, a obra oferece sete mil verbetes, 1.500 expressões e tem 240 páginas. Ela foi publicada pela Ars Linguis, editora de Lucerna, e está sendo distribuída pelo Centro de Livros de Olten.
swissinfo com agências
Paisagem linguística da Suíça
A constituição suíça reconhece quatro idiomas nacionais do país: alemão, francês, italiano e reto-romano.
Segundo os resultados do último censo da população, realizado em 2000, 63,7% da população fala alemão (4,6 milhões), 20,4% falam francês (1,4 milhões), 6,5% (470.000) italiano e 0,5% (35.000) o reto-romano. Além disso, 9% da população (950 mil) têm outro idioma estrangeiro como língua materna.
Na Suíça germanófona, 80,5% dos habitantes falam o suíço-alemão em casa. Quatro escolares em dez não conseguem o alemão padrão.