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Pelo menos dez pessoas morreram nas duas últimas semanas no sul da Índia, vítimas do vírus Nipah - informaram autoridades indianas nesta terça-feira (22).
"Enviamos 18 amostras para analisar. Doze delas deram positivo. Dez dos pacientes que deram positivo morreram, e os outros dois estão em tratamento", declarou à AFP uma autoridade de saúde do distrito de Kozhikode, no estado de Kerala (sul).
Essas mortes foram registradas durante o mês de maio, mas nenhuma nos últimos dias. As autoridades sanitárias locais estão em alerta.
Bem conhecido no sul e sudeste da Ásia, o vírus Nipah, transportado pelo morcego frugívoro, é fatal em 70% dos casos. Ele foi identificado pela primeira vez na Malásia em 1998, na região de mesmo nome.
É contraído quando se consome alimentos infectados pelo morcego portador, especialmente frutas, ou através de outros animais contaminados pelo quiróptero.
No passado, também houve casos de transmissão entre humanos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por esta razão, as autoridades indianas proíbem os parentes de tocarem os corpos do falecido e procedem à sua incineração o mais rapidamente possível.
O último balanço de vítimas pela doença na Índia era de cinco mortos e cerca de cem pessoas colocadas em quarentena "como precaução".
Todas as vítimas contraíram esta zoonose no distrito de Kozhikode, uma área que até então não havia registrado casos do vírus Nipah. Entre as primeiras vítimas fatais, há vários membros de uma mesma família e uma enfermeira que os tratou.
Mobilizadas, as autoridades da área da saúde estabeleceram acampamentos de atenção médica e um centro de crise para lidar com a situação.
O governo pediu à população que não cedesse ao pânico e permanecesse vigilante.
"As equipes de saúde vão de casa em casa para dar instruções específicas, como não comer frutas vindas do exterior e outras precauções", indicou à AFP U. V. Jose, um funcionário do distrito de Kozhikode.
O vírus pode causar encefalite e levar o paciente ao coma. Atualmente não há vacina.
É a primeira vez que o vírus Nipah é declarado em Kerala, a terceira maior cidade da Índia. O Nipah custou a vida de mais de 260 pessoas na Malásia, Bangladesh e Índia desde que foi identificado pela primeira vez há duas décadas.
Em janeiro, Estados, ONGs e empresas farmacêuticas anunciaram a criação de uma grande coalizão, com um capital inicial de 460 milhões de dólares, para desenvolver vacinas que possam combater rapidamente as epidemias globais.
A coalizão pretende lutar principalmente contra infecções como a Síndrome respiratória por coronavírus do Oriente Médio (MERS), a febre de Lassa ou o vírus Nipah, "que têm um potencial comprovado para provocar sérias epidemias".
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