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Nas eleições cantonais (estaduais), os ecologistas suíços vão de sucesso em sucesso e as sondagens indicam que também deverão crescer nas legislativas federais do ano que vem. Com isso, eles pensam em entrar no governo federal.Este conteúdo foi publicado em 09. novembro 2006 - 08:00
Mas qual é o segredo desse crescimento e o que poderão fazer na esfera federal? Seguem abaixo algumas opiniões.
Esta é uma época de ouro para os Verdes suíços. Cantão após cantão, o Partido Ecologista Suíço (PES) continua a ganhar terreno.
Os últimos exemplos os cantões do Jura (onde os eles entraram pela primeira vez no Parlamento cantonal com dois deputados), Zug (onde a Lista Alternativa, muito vizinha dos ecologistas, conquistou uma segunda vaga no Executivo) e Friburgo (onde os ecologistas passarm de uma a três cadeiras no Parlamento cantonal).
A tendência positiva não se limita, contudo, somente aos cantões. O primeiro "barômetro eleitoral", realizado pelo instituto GFS.Berna, com vistas às eleições legislativas federais do outuno 2007, atribui aos Verdes um crescimento de 1,8% o que daria 9,2% se a eleição fosse agora.
Com esse resultado, os ecologistas permaneceriam o quinto partido em porcentagem de votos, a boa distância do menor dos quatro partidos governamentais - Partido Democrata Cristão (PDC) - com 14,2%. Mas nenhum outro partido cresceu tanto quanto os PES.
Consenso ao centro
Como explicar esse sucesso? "Eu falaria de desenvolvimento sustentado do partido" disse a swissinfo o deputado federal ecologista Ueli Leuenberger. "Há anos que nossa política é centrada em temas que agora se revelam da maior importância, como as mudanças climáticas e o aquecimento global".
Para o vice-presidente do partido, os Verdes - "uma força de esquerda mas não muito dogmática" - atraem um eleitorado jovem, embora de estrato burguês. "Além disso, os eleitores constatam bom trabalho feiro por nossos representantes nos executivos cantonais e comunais".
A análise do cientista político Pascal Sciarini é similar. "Os Verdes, como também os socialistas, tiram proveito da polarização política dos últimos anos. O sucesso desses dois partidos é uma reação ao crescimento da UDC (União Democrática do Centro, o mais à direita e isolacionista dos grandes partidos), observa o professor da Universidade de Genebra. "Porém, contrariamente ao Partido Socialista, o PES pode atrair votos do centro".
Imagem positiva
Para Sciarini, o Partido Ecologista Suíço é mais flexível do que o Partido Socialista (PS) em questões como a reforma do Estado e a austeridade econômica. Essa linha é mais marcada na parte francesa da Suíça já que na parte alemã, os Verdes têm uma imagem mais claramente de esquerda.
"Nos anos 90, os socialistas aproveitaram-se da reação anti-UDC, através de uma imagem de abertura à Europa", observa por sua vez o geógrafo e cientista político da Universidade de Zurique, Michal Hermann. "Mas, com a relativa perda de importância da questão européia e a emergência de temas ligados à liberalização dos mercados, o PS acabou por assumir uma conotação mais conservadora".
Dessa situação beneficiou o PES, acrescenta Hermann. "Os problemas ecológicos situam os Verdes à esquerda mas os torna aceitáveis inclusive em alguns setores burgueses". Isso lhes permite conquistar votos sobretudo entre "os filhos e filhas do eleitorado do Partido Radical e Democrata Cristão", segundo Ueli Leuenberger.
O assédio ao palácio
Os sucessivos sucessos eleitorais nos cantões e as ótimas perspectivas para as eleições parlamentares federais de 2007 contribuem para aumentar a auto-estima dos ecologistas. O PES passou então a ter objetivos ambiciosos para as eleições: superar a marca dos 10% dos eleitorado, ampliar sua representatividade na Câmara e entrar no Senado.
Além disso, parece estar chegando a hora do assalto à cidadela do Conselho Federal (o Executivo Federal suíço). "Segundo sondagem recente, a maioria dos suíços querem a participação dos Verdes no governo federal", lembra Leuenberger. "Como partido que quer mudar as coisas, devemos aceitar esse desafio".
O vice-presidente do PES, como a maior parte dos ecologistas, acha que não pode entrar no governo nas circunstâncias atuais. Sua visão é a de um Conselho Federal sem a UCD (o grande partido isolacionista) ou, pelo menos, sem a ala mais radical do Partido atualmente representada pelo ministro da Justiça e Política Christoph Blocher.
Ele considera essa hipótese difícil porque "pelo menos por enquanto, não conta com a adesão do Partido Radical (PR) nem do Partido Democrata Cristão (PDC).
"O importante é abrir um amplo debate sobre a política de concordância", acrescenta Ueli Leuenberger. Em outras palabras, trata-se de posicionar os Verdes como possível partido do governo.
"É pouco provável, salvo em caso de um verdadeiro terremoto político, que o PES entre no governo em 2007. Mas eles preparam o terreno para 2011", conclui Pascal Sciarini.
swissinfo, Andrea Tognina
Breves
Desde o final de 2003, ano das últimas eleições legislativas federais, o PES conquisto mais 43 cadeiras nos parlamentos cantonais (estaduais), totalizando 174. Contando os representantes de partidos próximos, os ecologistas dispõem de 186 cadeiras nos legislativos cantonais.
No Executivo, os Verdes conquistaram três novos cargos nos governos cantonais, somente sete cadeiras. Eles estão estão nos executivos das cinco maiores cidades suíças (Zurique, Genebra, Basiléia, Berna, Lausanne) e de outras cidades.
O grupo parlamentar verde na Câmara Federal(Conselho Nacional), ao aderiram um alternativo (Josef Lang) e um cristão-social (Hugo Fasel) tem 14 deputados.
No Senado (Conselho de Estados) os Verdes não têm nenhum representante. Entrar no Senado é um dos objetivos declarados para a eleição de 2007. Há possibilidades de eleição pelos cantões de Vaud e Genebra.
Derrotas no Parlamento
Malgrado a forte progressão dos últimos anos, os Verdes têm uma certa dificuldade a passar suas idéias no Parlamento. Segundo um estudo da Universidade de Berna, somente em metade (50,1%) dos temas votados no Parlamento, os ecologistas estavam em sintonia com a maioria da Câmara.
O percentual é muito maior para os quatro maiores partidos (de 54,4% a 88,3%).
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