Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02608.jsonl.gz/73

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
O jornalista americano independente James Foley no aeroporto de Sirte, na Líbia, em 29 de setembro de 2011.(afp_tickers)
O Estado Islâmico (EI) divulgou nesta terça-feira um vídeo que mostra a morte do jornalista americano James Foley, em represália pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra forças jihadistas no norte do Iraque.
No vídeo publicado na Internet, o EI exibe um homem de capuz vestido de negro que parece cortar a garganta do jornalista. Foley foi sequestrado em novembro passado na Síria.
O carrasco, que fala em inglês britânico, realiza a execução no deserto, mas não é possível determinar se no Iraque ou na Síria.
Na gravação de cinco minutos, divulgada na Internet por fontes do Estado Islâmico, o grupo declara que Foley foi executado devido à decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de ordenar ataques aéreos contra posições do grupo jihadista no norte do Iraque.
"Qualquer agressão contra o Estado Islâmico é uma agressão contra os muçulmanos, de todos os tipos, que aceitaram o califado islâmico e sua liderança", declara o carrasco.
No mesmo vídeo, intitulado "Mensagem aos Estados Unidos", os jihadistas mostram imagens de outro jornalista americano, identificado como Steven Sotloff, que será executado caso Obama não suspenda os ataques contra o EI no norte do Iraque.
Os dois jornalistas estão com uniforme de cor laranja, que lembra os usados pelos presos em Guantánamo.
A Casa Branca se declarou "horrorizada" pela suposta decapitação de Foley, e assinalou que seus serviços de Inteligencia tentam confirmar a autenticidade do vídeo.
"Vimos um vídeo que parece mostrar a morte do cidadão americano James Foley pelo EI. Se é autêntico, estamos horrorizados pela morte brutal de um jornalista americano inocente e expressamos nossas sinceras condolências a sua família e amigos", assinalou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional Caitlin Hayden.
Diane, mãe do jornalista, disse no Facebook que "jamais estivemos tão orgulhosos do nosso filho Jim". "Pedimos aos sequestradores que perdoem as vidas dos reféns que restam (...), eles não têm controle sobre a política do governo dos EUA no Iraque, Síria ou qualquer outro lugar do mundo".
Foley era um experiente correspondente que cobriu a guerra na Líbia antes de se dirigir à Síria para cobrir a revolta contra Bashar al-Assad para Global Post, AFP e outros veículos.
O diretor-presidente da AFP, Emmanuel Hoog, se disse "horrorizado com a difusão do vídeo" e com a "afirmação de que James Foley foi assassinado".
"James trabalhava como um jornalista valente, independente e imparcial cobrindo o perigoso conflito sírio quando foi sequestrado, em novembro de 2012".
"Seu trabalho para a AFP e para outras organizações de mídia era amplamente admirado. Nada poderia justificar seu sequestro ou qualquer ameaça contra sua vida. Nossos pensamentos estão com sua família neste difícil momento", concluiu Hoog.
O fundador e presidente do Global Post, Philip Balboni, disse que "em nome de John e Diane Foley agradecemos profundamente todas as mensagens de simpatia e apoio enviadas desde a divulgação da notícia da possível execução de Jim".
"Fomos informados de que o FBI está avaliando o vídeo publicado pelo Estado Islâmico para determinar se é autêntico. Até que tenhamos esta definição, não vamos fazer mais comentários. Apenas pedimos que rezem por Jim e sua família".
Segundo testemunhas, Foley foi capturado no dia 22 de novembro de 2012 na província de Idlib, no norte do país.
Os jihadistas do EI, instalados na Síria, lançaram uma ofensiva sobre o Iraque no dia 9 de junho, e conquistaram rapidamente grande parte dos territórios sunitas do país.
Os Estados Unidos, que retiraram suas tropas do Iraque em dezembro de 2011, realizam desde 8 de agosto ataques aéreos contra posições do EI no Iraque.
AFP