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As eleições europeias do último domingo foram marcadas pelo ingresso dos partidos de centro-direita no Parlamento Europeu.
O resultado é bom para a Suíça em suas divergências sobre o sistema fiscal com a União Europeia, segundo René Schwok, do Instituto Europeu da Universidade de Genebra.
Os jornais europeus destacaram que os partidos de direita saíram reforçados das eleições europeias do último final de semana e que a esquerda não soube tirar proveito da crise econômica. Essa também é a opinião de René Schwok, professor no Instituto Europeu da Universidade de Genebra.
swissinfo: Como a Suíça ocorreu nas eleições parlamentares de 2007, os partidos de direita e os Verdes são os grandes vencedores na Europa em 2009, não?
René Schwok: De fato, essas eleições marcam uma vitória de centro-direita, uma progressão dos Verdes e a derrota dos social-democratas. A extrema direita também teve um ligeiro crescimento.
No plano europeu, apesar das diferenças nacionais, houve, portanto, uma resistência muito boa de centro-direita. O resultado é ainda melhor dos que os números brutos porque foi reduzido o número de deputados no Parlamento Europeu e os conservadores britânicos acabam de deixar o Partido Popular Europeu (PPE).
De maneira geral, o bloco de centro-direita praticou nos últimos meses uma política de intervenção estatal, retomando assim uma parte do programa dos social-democratas. Essa tendência também ocorre na Suíça.
A esquerda confima seu declínio. Como explicar esse paradoxo, quando o número de desempregados aumenta rapidamente?
Com algumas exceções, como na Grécia, a esquerda socialista está aniquilada em toda a Europa. A causa disso, como já disse, é a retomada da centro-direita de uma parte do programa da esquerda. Além disso, os socialistas não têm mais um discurso imaginativo de esperança e de abertura, como os Verdes atualmente. Essa tendência é muito clara na França.
A ecologia é o futuro da esquerda na Suíça e na Europa?
Uma coisa é certa: na Europa, o eleitorado socialista ou social-democrata é cada vez mais formado por funcionários e pessoas com alto nível de educação e com renda de classe média. Os socialistas europeus devem considerar essas mutações e propor novos temas a um eleitorado muito atraído pelos Verdes.
Mas os observadores afirmam há anos que o futuro pertence aos ecologistas, embora eles também tenham tido altos e baixos, com sérios problemas de liderança. Quando eles têm um bom líder, como Daniel Khon-Bendit, obtêm resultados muito bons.
Nessas eleições, a extrema direita também avançou. Com esses resultados, o Parlamento Europeu vai continuar buscando o consenso?
Os partidos de extrema direita, que tiveram excelentes resultados em certos países, têm um grande problema estrutural. Muitos nacionalistas, eles têm dificuldade em formar grupos e colaborar no plano europeu. Por isso, a influência deles deve ser fraca.
Eu acho que o Parlamento Europeu vai continuar a buscar o maior consenso possível, à maneira suíça. Outro fato é a possível adesão de certos partidos liberais ao Partido Popular Europeu, o que o reforçaria ainda mais.
Outro fato importante para a UE é o péssimo resultado do Partido Libertas na Irlanda, que abre a possibilidade do país adotar o Tratado de Lisboa em um provável futuro referendo. Isso faria com que o tratado fosse adotado por todos os membros, ponto essencial para o futuro da Europa.
Em contrapartida, a forte progressão dos eurocéticos conservadores na Grã-Bretanha pode ser confirmada nas próximas eleições legislativas no país. Isso terá um impacto negativo, em particular no Conselho de Ministros da UE.
Esse resultado é bom para as relações da Suíça com a UE?
O reforço da centro-direita pode diminuir ligeiramente a pressão sobre a Suíça na questão fiscal. Por definição, a esquerda é mais exigente nesse assunto do que a direita.
O resultado das eleições na Alemanha também é importante para a Suíça. A vitória dos democrata-cristãos e dos liberais sugere uma possível coalizão desses dois partidos, em detrimento dos social-democratas (SPD) que saem enfraquecidos desse escrutínio. Ora, o SPD foi particularmente agressivo com a Suíça e seu sigilo bancário.
Mas é bom lembrar que as pressões sobre a Suíça vieram de ministros de países-membros, da Comissão Europeia e do Conselho de Ministros da UE, e muito menos do Parlamento Europeu.
Finalmente, essas eleições deverão facilitar a reeleição de Manuel Barroso na presidência da Comissão Européia, que pode ser considerado um amigo da Suíça. Ele estudou aqui, no Instituto Europeu e na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade de Genebra, e conhece bem a realidade suíça.
Frédéric Burnand, Genebra, swissinfo.ch
O novo Parlamento Europeu
Recorde Segundo resultados não definitivos, a abstenção média foi de 57,06% (54,6% em 2004).
Centro-direita Os membros do Partido Popular Europeu (PPE) obtiveram 263 das 736 cadeiras do Parlamento Europeu. Os Liberais obtiveram 80 cadeiras.
Social-democratas Os social-democratas (socialitas), segunda força do Parlamento Europeu, elegeram 161 deputados, e os Verdes 52.
Conservadores Os "dissidentes" do PPE, que deverão reunir os conservadores britânicos, tchecos e poloneses, elegeram 50 deputados.
Itália Cerca de 20 deputados do Partido Democrático Italiano deverão juntar-se ao PSE, o grupo socialista no Parlamento Europeu.