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(Arquivo) Roger Ailes, cofundador da Fox News e assessor do atual proprietário da rede de notícias americana, Rupert Murdoch, morreu, aos 77 anos(afp_tickers)
Roger Ailes, fundador da rede de notícias americana Fox News, morreu aos 77 anos poucos meses depois de renunciar ao cargo na companhia, depois de ser denunciado por abuso sexual.
A morte foi anunciada pela própria rede e por sua esposa, Elizabeth, com quem tinha um filho. O boletim do legista do condado de Palm Beacht (sul) diz que Ailes morreu de hemorragia cerebral provocada por uma queda em casa.
Veterano das redes de televisão e ex-consultor informal de influentes políticos do Partido Republicano, Ailes era muito próximo ao atual proprietário do canal e do conglomerado News Corp, Rupert Murdoch.
Durante os governos de George W. Bush, Fox News e Ailes chegaram ao apogeu de sua influência, mas o executivo caiu em desgraça em meio à campanha eleitoral de 2016.
Nada menos do que 26 mulheres da rede Fox News, incluindo a famosa apresentadora Megyn Kelly, denunciaram o assédio sexual de Ailes, e a família de Murdoch optou por solicitar sua renúncia.
Ailes ajudou a fundar a Fox News em 1996 e desde o início moldou o perfil do canal como uma alternativa claramente conservadora à programação das redes CNN e MSNBC, e a transformou em um dos canais de maior audiência nos Estados Unidos.
Embora a rede de informações tenha começado bem depois da CNN, fundada em 1980, rapidamente se colocou entre os principais canais do país.
Na concorrência, a Fox News adotou uma linha editorial muito conservadora, às vezes polêmica, encarnada por personalidades como Bill O'Reilly, mais editorialista do que jornalística e rei das audiências de todos os canais de informação.
Também acusado de abuso sexual por várias mulheres que trabalharam na Fox, O'Reilly se viu obrigado a abandonar a empresa no final de abril.
Graças a seu sucesso, a Fox News se tornou uma fonte de receitas considerável para o grupo 21st Century Fox, nascido em 2013 quando a News Corp decidiu separar seus ativos de cinema e televisão de seus interesses no jornalismo impresso.
"Roger foi um grande patriota que nunca deixou de lutar por suas crenças", declarou Murdoch, de 86 anos, em um comunicado.
"Roger e eu compartilhamos uma grande ideia que ele executou de uma maneira que ninguém outro poderia ter feito", acrescentou.
"Hoje os Estados Unidos perderam um de seus grandes guerreiros patriotas", tuitou Sean Hannity, um dos jornalistas mais influentes da Fox News.
"Sozinho, mudou radicalmente e definitivamente a paisagem política e midiática para melhor", acrescentou.
"Seria bom que a mídia deixasse Roger e sua família tranquilos neste período de luto", afirmou Hannity. "Mas conhecendo as pessoas que o odeiam, a ele e suas opiniões, duvido".
- Período de turbulências -
Ailes era um amante da política, à qual se dedicou nos bastidores. Foi conselheiro de Richard Nixon em sua campanha vitoriosa de 1968. Também contribuiu para a reeleição de Ronald Reagan em 1984, e orquestrou para George Bush pai uma campanha agressiva que o levou à vitória eleitoral em 1988.
Ailes também deu conselhos a Donald Trump durante boa parte de sua campanha, o ajudando a se preparar para os debates televisivos, um exercício novo para o magnata imobiliário. Mas semanas antes da eleição de novembro os dois se distanciaram.
Com a morte de Ailes e a partida de O'Reilly e também de Megyn Kelly, que passou à rival NBC, o canal atravessa atualmente um período de turbulência, embora suas audiências continuem elevadas.
Foi Kelly que fez inclinar a balança contra Ailes na Fox News em julho do ano passado. Segundo a mídia local, a jornalista informou internamente sobre um suposto abuso sexuals.
Essas acusações se somaram às da ex-apresentadora Gretchen Carlson, que denunciou no começo de julho ter sido demitida após rejeitar às investidas sexuais do patrão.
AFP