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O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador suspendeu na terça-feira a recontagem dos votos do primeiro turno das eleições presidenciais solicitada pelo líder indígena de esquerda Yaku Pérez, que alega que aconteceu uma fraude para afastá-lo do segundo turno de 11 de abril.
"Este plenário do CNE, lamentavelmente, não dá resposta ao pedido, nem aprova nem nega o relatório apresentado pela área técnica sobre a solicitação da recontagem", anunciou a presidente do organismo, Diana Atamaint.
O pedido foi suspenso pela falta de maioria na votação do plenário do CNE, que se reuniu durante a noite. Dos cinco membros, dois votaram a favor do pedido de Pérez, um contra, outro optou pela abstenção e o quinto não compareceu à sessão.
O conselheiro José Cabrera, que votou contra, afirmou que primeiro é necessário "terminar a apuração, proclamar resultados e que então sejam apresentados os recursos de impugnação" previstos na lei.
Pérez, um advogado ambientalista de 51 anos, apresentou formalmente a solicitação de recontagem dos votos em 17 das 24 províncias do país. A revisão afetaria quase seis milhões de votos, que representam 45% dos 13,1 milhões de eleitores registrados no sistema oficial do país de 17,4 milhões de habitantes.
O líder indígena alega que na apuração preliminar aconteceu uma fraude para impedir sua presença no segundo turno. Ele foi superado no segundo lugar pelo ex-banqueiro Guillermo Lasso, 65 anos, na metade da contagem dos votos.
De acordo com a apuração preliminar, o economista de esquerda Andrés Arauz, 36 anos e pupilo do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), venceu o primeiro turno da eleição presidencial com 32,72% dos votos e disputará o segundo turno.
Lasso e Pérez travaram uma disputa voto a voto pelo segundo lugar, que foi vencida pelo candidato de direita com 19,74% dos votos, contra 19,38% do líder indígena, segundo a apuração preliminar, quando ainda falta contar apenas 0,07% das urnas.
Pérez reagiu e discursou na frente do CNE: "Não vão nos derrotar, não vão nos aniquilar, a resistência continua. Hoje (o CNE) acaba de tomar uma decisão que fica no limbo".
A revisão dos votos havia sido estabelecida na sexta-feira, diante de observadores internacionais, entre os candidatos e o organismo eleitoral, mas precisava da aprovação do plenário.
A proposta era de uma recontagem de 100% das urnas na província de Guayas, a que tem o maior número de eleitores, e de 50% em outras 16 províncias.
O vice-presidente do CNE, Enrique Pita, que optou pela abstenção, insistiu que "não se deve colocar em risco os prazos eleitorais", que contemplam, entre outros, a campanha do segundo turno de 16 de março a 8 de abril.
Grupos de indígenas ligados a Pérez anunciaram protestos para esta quarta-feira e uma marcha em direção a Quito para denunciar uma suposta fraude contra seu candidato.