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A divulgação de um telefonema em que o presidente americano, Donald Trump, pede a um oficial eleitoral que "encontre" as cédulas de votação necessárias para anular a sua derrota no estado da Geórgia causou indignação em Washington.
A gravação foi revelada pelo jornal "The Washington Post" neste domingo, dia em que o novo Congresso americano assumiu suas funções e a democrata Nancy Pelosi foi reeleita presidente da Câmara dos Representantes.
A dois dias de eleições cruciais para o controle do Senado e a três de uma sessão no Congresso que deve selar a vitória do presidente eleito, Joe Biden, o que mais chamou atenção, no entanto, foi a conversa entre Trump e Brad Raffensperger, secretário republicano responsável pelas eleições na Geórgia.
"Não há nada em errado em dizer que você recalculou" os votos, sugeriu Trump, segundo uma gravação da conversa divulgada pelo jornal americano. "Quero apenas encontrar 11.780 votos (...) porque vencemos nesse estado", insistiu, apesar de a vitória do democrata Joe Biden na Geórgia, com 12 mil votos de vantagem, ter sido confirmada por uma recontagem e por auditorias.
O presidente, que citou "rumores" de fraude, consideró "injusto" que tenham "roubado a eleição". "Você sabe o que fizeram e não diz nada. É um crime, você não pode deixar isso acontecer, é um grande risco para você", pressionou. Mas Raffensberger, que estava acompanhado de um advogado, não cedeu: "Acreditamos que nossos números estão corretos."
- 'Desprezo pela democracia' -
O Partido Democrata denunciou a pressão exercida pelo presidente. "O desprezo de Trump pela democracia ficou evidente", declarou o congressista democrata Adam Schiff, que consideu a atitude do republicano "potencialmente repreensível". Sua colega Debbie Wasserman Schultz denunciou o ato como o de "um presidente desesperado e corrupto".
O congressista republicano Adam Kinzinger pediu no Twitter aos membros do partido que não apoiem o presidente em sua rejeição aos resultados eleitorais. O colégio eleitoral declarou em dezembro a vitória de Biden por 306 votos a 232, resultado que será certificado na próxima quarta-feira no Congresso.
Embora alguns nomes influentes do Partido Republicano, entre eles o líder do Senado, Mitch McConnell, tenham reconhecido a vitória de Biden, Trump conta com o apoio de dezenas de congressistas. Tanto na Câmara quanto no Senado, esses parlamentares afirmaram que irão se negar a certificar a vitória de Biden na próxima quarta-feira, durante sessão no Congresso para formalizar os resultados das eleições presidenciais.
As intervenções dos congressistas não podem impedir a posse de Biden no próximo dia 20, mas poderiam dificultar a missão declarada pelo democrata, de "reconciliar o país".
- 'O futuro do país' -
O sucesso de Biden dependerá, sobretudo, das eleições da próxima terça-feira na Geórgia, que irão determinar o controle do Senado. Para que a câmara alta seja dominada pelos democratas, seus candidatos terão que conquistar as duas cadeiras em jogo, um desafio complicado.
"O futuro do país está em jogo aqui na Geórgia, nas nossas cédulas", declarou à rede de TV Fox News a senadora republicana Kelly Loeffler, que espera manter sua cadeira frente ao pastor Raphael Warnock. "É uma escolha entre as nossas liberdades e o socialismo", afirmou, repetindo o argumento dos republicanos nessa corrida: o fantasma de um poder que se inclina para a esquerda.
"Estamos prestes a obter uma vitória histórica, depois de quatro anos de incompetência grave, racismo, ódio e preconceito", declarou o democrata Jon Ossoff, 33, à rede de TV CNN, com a esperança de assumir a cadeira do republicano David Perdue, 71.
Os dois republicanos são favoritos. Perdue venceu no primeiro turno e Kelly deverá receber os votos dos apoiadores de outro conservador derrotado no primeiro turno. Mas os democratas confiam em que serão beneficiados pela dinâmica criada pela vitória de Biden.