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Há muitos milhares de anos atrás, o Laaerberg, um pequeno monte na cidade de Viena, estava coberto por floresta virgem. Nela viviam o mamute e o rinoceronte. O mamute extinguiu-se, o rinoceronte emigrou para sul, mas a floresta virgem ficou.
Ficou assim por muitos milhares de anos, até que, há poucos séculos, os homens
decidiram arrancá-la.
Como o solo deixou de ser protegido pelas árvores, o sol queimava-o continuamente. Como consequência, a terra secou e ficou reduzida a pó. O vento, quando soprava, arrastava para longe esse pó que fora terra fértil na altura em que a vegetação a protegera. Uma estepe estendia-se agora na área que tinha sido outrora uma grande floresta. Erva insuficiente segurava, com as fracas raízes, uma fina camada de húmus onde, apenas alguns centímetros mais fundo, estava já o “esqueleto” e as “entranhas” do Laaerberg: cascalho e lama infértil.
O clima da zona (o microclima) também se adaptara ao novo e horrível aspecto do
Laaerberg. A antiga floresta de carvalhos tornava o ar mais fresco e fazia com que
houvesse mais humidade no ar, por isso chovia mais. Agora, sem árvores, o verão era muito quente e seco, e a chuva, de que as plantas tanto precisavam, caía muito mais esporadicamente do que antes.
No início dos anos 50, o município decidiu que a antiga floresta devia renascer tão bonita como fora dantes. Em 1953 e 1954, a administração das florestas plantou árvores pequeninas, mas a terra húmida da floresta há muito que se tinha tornado numa estepe completamente seca. As raízes não tinham humidade e o sol queimava as pontas frágeis. Assim não iam conseguir.
Para nascerem novas árvores, o solo precisava de mais água, de mais nutrientes e
de mais protecção contra o sol intenso e escaldante do verão. A administração das
florestas construiu um sistema de rega e transportou terra boa, húmus, para o Laaerberg. Quando ficou pronto plantaram… não, desta vez não foram ainda plantados carvalhos. Primeiro, plantaram arbustos para impedir o solo de secar, enquanto ao mesmo tempo as pequeninas árvores seguravam as encostas dos lagos. Entre elas, várias espécies de espinheiros e outras plantas que cresciam espontaneamente em zonas como aquela. Também havia arbustos com picos para impedir as pessoas de descer pelas colinas, o que poderia danificá-las. De seguida, os funcionários da administração das florestas plantaram freixos de crescimento rápido que não só davam sombra, como também protegiam do vento. E depois esperaram. Cuidaram da nova plantação até os arbustos se tornarem fortes e
espessos e os freixos se tornarem suficientemente grandes. Isto durou muitos anos.
Finalmente, chegou a altura de plantar as primeiras árvores espontâneas daquela
zona. Carvalhos e áceres, freixos e pinheiros bravos. Desta vez, as arvorezinhas desenvolveram-se e, quando deixaram de precisar do suporte dos freixos, que nunca
antes tinham nascido no local, estes foram arrancados.
Os guardas florestais plantaram cerca de 270.000 plantas e trabalharam durante cerca de 25 anos para devolverem ao Laaerberg os seus antigos contornos.
A Natureza, uma vez desertificada e danificada, não é assim tão fácil de restabelecer.
Mas … cá está agora a nova floresta, como se nunca tivesse sido diferente!
E nós, o que podemos fazer?
Ernst Epler
Lene Mayer-Skumanz (org.)
Hoffentlich bald
Wien, Herder Verlag, 1986
(Tradução e adaptação)