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Por Luis Jaime Acosta
BOGOTÁ (Reuters) - Milhares de imigrantes, a maioria venezuelanos, estão presos em um vilarejo no noroeste da Colômbia, esperando barcos para levá-los pelo Golfo de Uraba, antes de atravessarem a selva a caminho dos Estados Unidos, disse o ombudsman de direitos humanos da Colômbia nesta quarta-feira.
A multidão, que autoridades do governo colombiano consideram como uma crise humanitária, se reuniu no vilarejo de Necocli, um passo obrigatório na jornada de dezenas de milhares de pessoas a cada ano que tentam chegar aos EUA pela América Central.
"A crise migratória este ano é muito mais grave do que no ano passado", disse o ombudsman Carlos Camargo, citando o maior número de migrantes tentando fazer a viagem, bem como sua condição econômica precária.
Até agora este ano, 150 mil pessoas tentaram atravessar o chamado Darien Gap - um perigoso trecho de selva que une a Colômbia e o Panamá - em comparação com 134 mil em todo o ano de 2021, com tendências sugerindo que mais pessoas tentarão a jornada, Camargo disse. Cerca de 9 mil migrantes estão atualmente em Necocli, acrescentou.
Nos últimos anos, a Colômbia se tornou o principal destino de pessoas que fogem da crise política, social e econômica da Venezuela, com 2,4 milhões de venezuelanos residindo na Colômbia, segundo autoridades.
Embora a Colômbia tenha oferecido status de proteção temporária aos migrantes venezuelanos, dando-lhes acesso a empregos e serviços de saúde por 10 anos, muitos decidiram tentar viajar para os EUA, segundo fontes da agência de migração colombiana.
A União Europeia anunciou na terça-feira que fornecerá à Colômbia 34 milhões de euros em ajuda humanitária, dos quais 22 milhões serão destinados aos afetados pela crise na Venezuela.
A vice-presidente da Colômbia, Francia Marquez, reconheceu a situação complexa dos imigrantes que tentam atravessar a passagem de Darien durante uma entrevista coletiva com Janez Lenarcic, comissário de crises da UE, nesta quarta-feira.