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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, defendeu, nesta segunda-feira (16), sua decisão de contratar cerca de 500 médicos cubanos para atender em regiões remotas do país, diante da reprovação de associações da categoria que consideram essa medida discriminatória.
López Obrador justificou sua decisão assinalando que o México tem um déficit de aproximadamente 50 mil médicos generalistas e especialistas, e que muitos profissionais relutam em ser designados para áreas remotas ou de difícil acesso. Como exemplo, citou que há falta de pediatras em áreas rurais.
"Não temos especialistas para trabalhar em hospitais, nas regiões mais pobres, mais afastadas", garantiu o presidente em sua coletiva de imprensa diária no Palácio Nacional, na Cidade do México.
López Obrador solicitou a contratação junto ao presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, durante uma visita à Havana em 8 de maio, na qual também foi acordada a compra de vacinas pediátricas produzidas na ilha contra a covid-19.
Segundo o presidente mexicano, os médicos cubanos serão enviados a regiões como Tlapa, município do estado de Guerrero (sul), considerado um dos mais pobres do país.
"Estamos contratando todos os médicos, mas, como sabemos que não vamos ter [profissionais] para cobrir toda a rede de centros de saúde, de unidades médicas rurais, de hospitais, por isso estamos fazendo este convênio para trazer 500 médicos", insistiu.
As autoridades mexicanas já haviam utilizado um número similar de profissionais cubanos em 2020 para atender à pandemia de coronavírus.
Associações médicas mexicanas reprovam a contratação desses médicos pelo governo por considerar que, com isso, "rebaixa de maneira injusta" os profissionais do país.
"Os médicos estrangeiros não reúnem as competências requeridas, não têm funções devidamente especificadas, não contam com os requisitos estabelecidos pelas leis vigentes", manifestaram recentemente, em um comunicado, as Federações, Associações e Colegiados Médicos do México.
López Obrador desqualificou essas declarações ao considerar que seus autores defenderam, no passado, um sistema de corrupção que transformou o estudo da medicina e o acesso à saúde em um privilégio de poucos.
"Eles não gostam da gratuidade na saúde porque consideram que a saúde é um privilégio" e defendem "que só deve receber atendimento quem tem dinheiro para pagar", ressaltou.
Além disso, López Obrador argumentou que os médicos cubanos ganharão tanto quanto os mexicanos e que não se envolve na forma em que Havana paga os seus salários, após as denúncias de opositores mexicanos de que o governo cubano realiza uma distribuição injusta desses recursos.