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Guatemala terá segundo turno em eleição presidencial
A Guatemala terá um segundo turno em agosto para escolher o seu próximo presidente, com uma vaga assegurada para a social-democrata Sandra Torres, que deverá enfrentar o candidato de direita Alejandro Giammattei, segundo os últimos resultados eleitorais divulgados.
Os resultados publicados pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) com 94% das urnas apuradas apontam Sandra Torres, da Unidade Nacional da Esperança (UNE), com 25,27% dos votos, à frente de Alejandro Giammattei (partido Vamos), com 14,08%.
Para garantir a vitória no primeiro turno um candidato deve superar os 50% dos votos.
Sandra Torres, ex-primeira-dama, demonstrou confiança ao votar no domingo: "Sou otimista, trabalhamos duro, serei a primeira mulher presidente do país".
Se a tendência for confirmada, nenhum candidato vai superar 50% dos votos e o país organizará um segundo turno.
A dispersão dos votos imporá ao candidato vencedor um desafio de governabilidade, mas os questionamentos ao processo eleitoral serão um desafio de legitimidade, segundo analistas.
Mais de 8,1 milhões de guatemaltecos estavam registrados para votar e escolher o sucessor do impopular presidente Jimmy Morales, 340 prefeitos e 160 deputados para o período 2020-2024, assim como 20 representantes ao Parlamento Centro-Americano.
Pela primeira vez, os guatemaltecos residentes nos Estados Unidos tiveram a possibilidade de votar, mas apenas para presidente.
O analista político independente Daniel Haering afirmou que "apesar de o processo eleitoral ter registrado incidentes de violência, estes foram poucos e o balanço da votação é positivo".
A campanha, no entanto, foi marcada pela exclusão da ex-procuradora-geral Thelma Aldana, uma das favoritas nas pesquisas e líder da luta contra a corrupção, por supostas irregularidades cometidas quando comandava o Ministério Público (2014-2018).
Além disso, a justiça vetou a candidatura de Zury Ríos, filha do falecido ditador Efraín Ríos Montt, por um dispositivo constitucional que impede a postulação de parentes diretos de pessoas que participaram em golpes de Estado.
Haering considera que processo vai impor um "desafio de legitimidade" ao próximo presidente.
Além da dispersão dos votos, Christian Castillo, analista político do Instituto de Problemas Nacionais da Universidade de São Carlos, destacou que o próximo chefe de Estado terá o desafio de "fazer pactos sérios com diferentes setores, empresariais, sociais e acadêmicos, para conquistar a governabilidade".
"A governança no próximo mandato será crucial, porque agora não se pode prescindir de ninguém. Todos têm uma cota de poder", disse.
Os principais desafios da Guatemala incluem a geração de empregos e a diminuição da pobreza, que afeta 59% dos habitantes e força milhares a emigrar para os Estados Unidos.
Muitos se uniram a caravanas migratórias desde 2018, o que provocou uma crise regional e a irritação do presidente americano, Donald Trump.