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Um procurador da Bolívia emitiu mandados de prisão, sob alegações de corrupção, contra dois ministros da ex-presidente de direita Jeanine Áñez que estão fora do país, no Panamá e no Brasil, informou a polícia nesta terça-feira (17).
O procurador anticorrupção, Luis Atanacio, pediu a prisão dos ex-ministros Arturo Murillo (Interior) e Luis Fernando López (Defesa), após denúncias de parlamentares do Movimento ao Socialismo (MAS) de que eles teriam superfaturado a compra de materiais de controle de distúrbios, como gás lacrimogêneo.
O texto dos mandados, idêntico para ambos, ordena a prisão "por haver elementos suficientes de condenação por ser autor ou participante da prática do crime" e "porque há indícios de que o acusado pode se esconder, fugir ou deixar o país".
O procurador Atanacio expediu as ordens de prisão em 5 de novembro, três dias antes da posse do presidente Luis Arce, do MAS, que substituiu Jeanine Áñez, mas os documentos só vieram a público nesta terça-feira.
Esses mandados são os primeiros a serem expedidos contra ex-colaboradores de Jeanine, que assumiu o poder em novembro de 2019, após a renúncia do presidente de esquerda Evo Morales em meio a fortes tensões internas causadas por sua controversa reeleição para um quarto mandato consecutivo.
De acordo com o comandante da polícia, Johnny Aguilera, as duas autoridades pegaram em Santa Cruz um voo da Força Aérea Boliviana até a fronteira de Puerto Suárez, para, posteriormente, cruzarem para o Brasil.
"Eles saíram de Puerto Suárez para Corumbá, que é uma cidade vizinha (brasileira). E por meio da Copa Airlines, o ex-senador Arturo Murillo viajou para o Panamá, tudo no dia 9 de novembro", revelou Aguilera. López, citado pelo jornal "Página Siete", disse que ficou no Brasil.
Em 5 de novembro, o mesmo procurador Atanacio também emitiu um pedido de alerta de migração ou enraizamento, para impedir os ex-ministros de saírem do país. "Começou a caça", declarou Murillo naquele mesmo dia, em uma de suas últimas declarações públicas.
Murillo e López também são apontados pelo MAS pelas ordens à polícia e aos militares de repressão aos protestos de rua contra o governo de Jeanine Áñez.