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Homens e mulheres na Suíça costumam interpretar a "coragem" de diferentes formas. Um psicólogo esclarece o que isso tem a ver com os estereótipos tradicionais e a educação.
Arnold Winkelried juntou em uma batalha de 1396 um monte de lanças dos inimigos e perfurou a sua barriga com uma delas para quebrar a barreira das tropas dos Habsburgos. Assim diz a lenda. Sem saber se isso corresponde à verdade ou não, o fato é que muitos suíços citam o herói em primeiro lugar como exemplo de coragem.
Esse é o resultado de uma pesquisa representativaLink externo para descobrir como os suíços veem a coragem como virtude - e se consideram também corajosos. "O conceito tradicional de coragem é do soldado que morre no campo de batalha", afirma o psicólogo Andreas DickLink externo, autor de um livro sobre o tema.
Desde Aristóteles a "coragem" era sinônimo de "verdadeiro heroísmo" no campo de batalha e, finalmente, estava associada à masculinidade. Coragem é algo que traz perigos potenciais à vida. Traduzido para a vida moderna, isso se espelha em atividades recreativas como esportes radicais. " A coragem está ligada em parte aos estereótipos de papéis de gênero", considera Dick. "Os meninos são educados neste país para se afirmar fisicamente e as meninas, para serem "dóceis". Não só na Suíça, diz o psicólogo. "Poucas sociedades não funcionavam dessa maneira. Mas para o bem-estar individual, os estereótipos menos rígidos são certamente mais positivos."
Para o psicólogo, as grandes questões da vida como criar laços familiares ou ter filhos estão ligados às normas. "Nesse sentido a Suíça é bastante tradicional. É o que explica o medo dos homens de relacionamentos. "O compromisso, a aceitação da responsabilidade e o compromisso tendem a ser uma restrição à sua liberdade, incluindo uma mudança no papel que lhes é atribuído."
Relacionamento versus liberdade
E as mulheres? "As mulheres tendem a ser mais propensas a sofrer bullying ou, pelo menos, temer as reações quando são mais dominantes e amantes da liberdade", avalia Dick. A sociedade não espera que as mulheres simplesmente tomem liberdade de ação. Essa abordagem do "simplesmente faça" geralmente significa uma ruptura mais forte do seu papel social do que para os homens.
Embora se relacionar requeira mais coragem para os homens do que para as mulheres, em retrospectiva, muitas vezes eles se arrependem de não terem tentado. As mulheres, por outro lado, lamentam não terem viajado sozinhas pelo mundo.
Andreas Dick detectou essas experiências na prática. Se a viagem solitária não é algo prioritário para os homens, as mulheres já o veem com mais importância. "E isso se trata menos dos riscos reais durante a viagem". A maior parte das suas clientes teriam coragem de fazer algumas coisas, "porém consideram que seus pais estariam demasiadamente preocupados."
Estratégia dos suíços é evitar conflitos
Independente do sexo, as pessoas na Suíça gostariam de ser mais corajosas, mas se avaliam mais cuidadosas do que os cidadãos dos países vizinhos. A identidade cultural coletiva é determinante para o indivíduo, avalia Dick. "Talvez seja parte da identidade suíça há muitos séculos não ter uma natureza de lutador". Evitar conflitos é uma das estratégias de vida para a população de um pequeno país. Ou seja: é melhor ser mais cuidadoso do que acabar em uma situação de conflito ou desagradável.
Novos modelos?
O psicólogo também detectou essa característica no mundo de trabalho: os suíços evitam o conflito mais do que outros povos. "Muitas vezes os alemães se desesperam nos escritórios ao perceber como seus colegas suíços evitam disputas ou falar abertamente de problemas."
A lenda de Winkelried é muito antiga. A Suíça mudou e, com ela, também os próprios suíços. Talvez seja o momento de criar outros modelos.
O estudo foi realizado pelo Instituto Sotomo a pedido da seguradora Allianz. No total, 12.934 pessoas foram entrevistadas em toda a Suíça, com idades entre 18 e 80 anos.