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O Conselho Nacional (Câmara dos Deputados) não quer limitar o prazo de funcionamento das usinas nucleares, mas quer proibir a construção de novas centrais. As mais antigas em funcionamento no país devem ser fechadas após 60 anos: no caso de Beznau I e II seriam respectivamente 2029 e 2031. Para as mais jovens como Gösgen e Leibstadt ainda não foram determinados o período máximo de uso.
Com essa decisão tomada no final de 2014, o Conselho Nacional concluiu os debates relativos ao Plano Estratégico de Energia 2050 (Energiestrategie 2050) após mais de vinte horas de conversações. Agora o tema será levado ao Conselho dos Estados (Senado).
Várias possibilidades estavam em discussão. O Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) e o Partido Liberal (FDP) se posicionaram contra mais restrições. Também o governo federal considerava as regras atuais suficientes: as centrais nucleares devem funcionar até o momento em que as autoridades de controle (ENSI) não as considerarem mais seguras.
Já o Partido Socialdemocrata, o Partido Verde, os Verdes-Liberais e o Partido Democrata-Cristão (CVP) defendem maiores restrições ao funcionamento das centrais. Elas seriam as mais antigas no mundo, o que seria um motivo de grandes preocupações. O risco aumentaria com os anos de uso e, portanto, as medidas de seguranças deveriam ser reforçadas, afirmam seus representantes.
O Conselho Nacional refutou a proposta de limitar o período de funcionamento de todas as centrais nucleares, porém propôs uma limitação para as centrais mais antigas, ou seja, as que já são operadas há mais de quarenta anos. Se a lei entrar em vigor, elas poderão funcionar no máximo 60 anos.
As centrais nucleares mais antigas são Beznau I e II (construídas respectivamente em 1969 e 1971), assim como Mühleberg (1972). Elas já funcionam a 45, 43 e 42 anos. Para Mühleberg a empresa responsável, BKW, já anunciou que será desligada em 2019. Assim as novas regras atingiriam a mantenedora das duas usinas Beznau, a Axpo. Beznau I deve ser desativada em 2029 e Beznau II, em 2031. Nesse caso, uma minoria de representantes dos partidos de centro e esquerda conseguiram se impor.
Na imprensa
"Um compromisso claro em prol da energia nuclear pareceria diferente", comenta o jornal Aargauer Zeitung a decisão tomada pelo Conselho Nacional. O cantão da Argóvia abriga três das cinco centrais nucleares em funcionamento do país: Beznau I, Beznau II e Leibstadt.
Um compromisso "com um nome complicado de 'Conceito de uso em longo prazo'" é para ser saudado". Porém a decisão de desligar as centrais foi tomada "de forma parcial", pois se Beznau deve ser retirada da malha energética após sessenta anos, teoricamente elas poderiam funcionar de forma indeterminada."
O Conselho Nacional preencheu no dia da votação "o maior buraco da Estratégia energética 2050, pelo menos em parte", comentou o Tages-Anzeiger. "As novas regras, nas quais as empresas operadoras teriam que mostrar periodicamente como fazem para manter suas centrais em dia, tecnicamente, torna mais concreto o abandono da energia nuclear. A Axpo - operadora da Beznau, a mais antiga central nuclear em operação no mundo e coproprietária das centrais de Leibstadt e Gösgen - resistiu tão fortemente às novas regras, que isso só pode significar que está temendo um controle maior. Não é algo que possa reforçar a confiança."
Segundo o jornal Tages-Anzeiger, o Conselho Nacional teria que ter dado um passo adiante e ter restringido ainda mais a utilização dos dois reatores de Beznau. "Se a mais antiga usina nuclear do mundo continuar em operação, aumenta o perigo de um acidente. A Suíça, com seu território densamente povoado, não deveria arriscar até os limites o risco de um acidente nuclear. Por isso é preciso desligar a tempo esses reatores antiquíssimos."
O Der Bund, jornal de Berna, preferiu concentrar-se na central nuclear de Mühleberg, localizada poucos quilômetros distantes da capital. O editorialista alegra-se que a proposta de reduzir seu período de uso para 50 anos não tenha sido aprovada. "Senão seria necessário desligar quase ao mesmo tempo as centrais de Beznau e Mühleberg. A energia não gerada teria que ser substituída pela energia nuclear produzida na França e por usinas a carvão da Alemanha. Isso não faria sentido no contexto da transição energética."
Esquerda insatisfeita
Para o Aargauer Zeitung, a esquerda precisou engolir uma pílula amarga. "Mesmo ela tendo tido um sucesso parcial na elaboração da estratégia energética, a esquerda foi preciso aceitar a derrota de uma das suas principais reivindicações."
Porém talvez os eleitores ajudem. "As chances de um 'sim' na iniciativa do fim da energia nuclear do Partido Verde continuam muito boas, apesar do revés sofrido no Parlamento". A proposta de lei que será votada em plebiscito público defende a limitação de operação das centrais nucleares a 45 anos.
Para o Tages-Anzeiger, uma aprovação nas urnas da iniciativa poderá ser contra produtivo. "Um possível 'não' daria uma boa margem de manobra para os opositores da transição energética que, dessa forma, iriam frear os processos já desencadeados, levados à frente de forma positiva pela classe política."
Estratégia energética 2050
Na contagem geral de votos no Conselho Nacional do primeiro pacote de medidas da chamada Estratégia energética 2050: 110 a favor, 84 contrários e uma abstenção. Agora ele vai ser votado no Conselho dos Estados. O Conselho Nacional seguiu as recomendações do governo federal e da comissão responsável no Parlamento federal.
Seus principais pontos: aumentar os incentivos à produção energética de fontes renováveis e permitir a instalação de usinas eólicas ou hidroelétricas também em áreas de proteção ambiental, caso haja necessidade.
Ao mesmo tempo, o Conselho Nacional cria instrumentos para incentivar medidas para economizar energia e racionalizar o seu uso. Na prática, um instrumento de incentivo e penalização: centrais elétricas devem ser recompensadas se venderem menos energia.
Além disso, o Conselho Nacional aprovou medidas de incentivo ao saneamento energético de construções e regras mais restritas para importação de veículos.
(Fonte: Agência Suíça de Notícias - SDA)
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch