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Por Maria Tsvetkova e Anton Zverev
MOSCOU (Reuters) - A polícia deteve mais de 2.500 pessoas e usou a força para desmantelar protestos na Rússia neste sábado, quando dezenas de milhares de manifestantes ignoraram o frio extremo e alertas de autoridades para exigir a libertação do crítico do Kremlin Alexei Navalny.
Navalny pediu a seus apoiadores que protestassem depois de ser preso no último fim de semana, quando voltava da Alemanha para a Rússia pela primeira vez desde que foi envenenado por um agente nervoso que, segundo ele, foi aplicado em sua cueca por agentes de segurança do Estado em agosto.
As autoridades alertaram as pessoas para ficarem longe dos protestos de sábado, dizendo que elas corriam o risco de pegar Covid-19, assim como de processo e possível pena de prisão por comparecer a um evento não autorizado.
Mas os manifestantes desafiaram a proibição e o frio intenso, e compareceram em massa.
No centro de Moscou, onde repórteres da Reuters estimam que pelo menos 40.000 pessoas se reuniram em um dos maiores atos não autorizados em anos, a polícia foi vista detendo pessoas, amontoando-as em vans próximas.
As autoridades disseram que apenas cerca de 4.000 pessoas compareceram. O Ministério das Relações Exteriores questionou a estimativa da Reuters, usando sarcasmo para sugerir que era muito alta.
"Por que não dizer imediatamente 4 milhões?", afirmou em seu canal oficial de mensagens, o Telegram.
A esposa de Navalny, Yulia, disse nas redes sociais que foi detida no protesto. Ela foi liberada mais tarde.
Alguns dos aliados políticos de Navalny foram detidos dias antes do ato; outros no próprio dia.
O grupo de monitoramento de protesto OVD-Info informou que pelo menos 2.509 pessoas, incluindo 952 em Moscou e 374 em São Petersburgo, foram detidas em toda a Rússia, relatando prisões em protestos em cerca de 100 cidades.
Navalny, um advogado de 44 anos, está em uma prisão em Moscou enquanto aguarda o resultado de quatro questões jurídicas que ele descreve como forjadas. Ele acusa o presidente Vladimir Putin de ordenar tentativa de assassinato contra ele. Putin descartou isso, alegando que Navalny faz parte de uma campanha de truques sujos apoiada pelos Estados Unidos para desacreditá-lo.
Um manifestante de Moscou, Sergei Radchenko, de 53 anos, disse: "Estou cansado de ter medo. Não apareci apenas para mim e Navalny, mas para meu filho porque não há futuro neste país."
Não houve comentários imediatos do Kremlin, que anteriormente havia classificado os protestos como ilegais e como trabalho de "provocadores".
Os promotores estaduais disseram que investigariam a suposta violência contra policiais por parte dos manifestantes.
Em Berlim, Hamburgo e Munique, quase 1.000 pessoas protestaram contra a prisão de Navalny. Também foram realizadas pequenas manifestações na Bulgária e cerca de 200 a 300 pessoas protestaram em Paris.
A polícia de Yakutsk, na Sibéria, uma das cidades mais frias do mundo , onde a temperatura era de -52 graus Celsius no sábado, agarrou um manifestante pelos braços e pernas e arrastou-o para uma van, mostrou um vídeo.
Em Moscou, alguns jornalistas que cobriam os protestos foram detidos, levando a uma repreensão da embaixada dos Estados Unidos.
"Autoridades russas prendendo manifestantes pacíficos, jornalistas", disse a porta-voz Rebecca Ross no Twitter. "Parece ser uma campanha combinada para suprimir a liberdade de expressão e a reunião pacífica."
Houve interrupções nos serviços de telefonia móvel e internet, mostrou o site de monitoramento downdetector.ru, uma tática às vezes usada pelas autoridades para dificultar a comunicação dos manifestantes.
O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse estar "profundamente preocupado com a detenção de manifestantes pacíficos".
(Reportagem adicional de Polina Ivanova, Polina Nikolskaya e Anastasia Teterevleva em Moscou, Michael Nienaber em Berlim, Tsvetelia Tsolovia em Sofia, Geert De Clercq em Paris e Sarah Young em Londres)