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Evrard Bordier, sócio-gerente do banco privado Bordier, com sede em Genebra, diz à swissinfo.ch que a indústria de Cingapura precisa se desenvolver se quiser atingir seu potencial máximo na próspera região da Ásia-Pacífico.
O setor de bancos privados em Cingapura vem se desenvolvendo rapidamente. Os ativos depositados nestas instituições aumentaram 10 vezes, de C$ 50 bilhões de dólades de Cingapura (US$ 40 bilhões de dólares americanos) em 2000 para C$ 550 bilhões de dólares de Cingapura no ano passado. Mas esta é apenas uma fração dos US$ 1,63 trilhões que entraram em Cingapura em 2012.
O banco privado suíço, que existe há 169 anos e que possui sob sua gerência cerca de SFr 10 bilhões de francos suíços (US$ 11 bilhões) em ativos no mundo todo, abriu uma filial em Cingapura em 2011. Esta filial gerencia atualmente mais de C$1 bilhão de dólares de Cingapura em ativos de clientes e tem a meta, a médio prazo, de chegar a C$ 5 bilhões.
swissinfo.ch: Qual a diferença entre o sistema bancário privado na Europa e na Ásia?
E.B.: Na Europa, o cliente me pede para gerenciar e manter sua riqueza. Aqui, o cliente vai me dizer: “Faça com que eu ganhe 10%, ou então eu transfiro minha conta para outro banco”. O banco é um instrumento para ganhar dinheiro – que outra função ele poderia ter?
Os bancos se adaptaram a estas demandas excluindo as taxas de custo [não se cobra a taxa anual para pagamento dos custos de gerenciamento dos ativos, como é comum na Europa]. Os bancos ganham dinheiro com a venda de produtos aos seus clientes e ficam com uma boa margem.
Não podemos simplesmente aplicar o padrão europeu aqui. Para sermos bem-sucedidos na competição do mercado asiático, acreditamos que temos que mudar o sistema local de bancos privados e oferecer diferenciais bem claros.
swissinfo.ch: Quais seriam estes diferenciais?
E.B.: O nosso nicho é a abordagem privada tradicional com carteiras de investimentos e clientes específicos. Sou o único sócio e gerente de banco em Cingapura, o que nenhum dos nossos concorrentes pode oferecer. O resultado é que as decisões são mais rápidas e a relação com os clientes pode ser bem mais forte.
Cobramos dos nossos clientes uma taxa anual de atendimento e isso nos obriga a criar valor. Para nós, o cliente não é uma máquina de fazer dinheiro. Estamos tentando construir algo que sobreviva ao teste do tempo e tenha continuidade com os filhos deles.
swissinfo.ch: Como isso se encaixa no esteriótipo dos milionários asiáticos, que querem resultados rápidos e controle absoluto sobre seus ativos e transações?
E.B.: Não queremos atrair o cliente audacioso, que gosta de correr riscos. Mas nem todos os clientes estão meramente focados em ganhar mais dinheiro. Há uma gama de clientes que valoriza a relação com o banqueiro e que está farta da política agressiva de empurrar produtos, praticada pelos grandes bancos.
Vários clientes querem manter um conjunto de ativos. E querem um parceiro de confiança para auxíliá-los.
Pouco a pouco estamos começando a ter clientes assim. E se estamos ganhando clientes em Cingapura, com 200 concorrentes ao redor, é porque devemos estar no caminho certo.
swissinfo.ch: Como é a competitividade do mercado de Cingapura para os bancos privados?
E.B.: Há muita concorrência e é muito caro operar na Ásia. Há muitos concorrentes disputando as mesmas riquezas.
Não é um passeio no parque. As pessoas não estão fazendo filas nas nossas portas para abrir contas. Não é como nos velhos tempos, em que você apenas abria a filial e os ativos vinham aos borbotões. Agora você tem que oferecer valor.
swissinfo.ch: Algumas pessoas dizem que já existem bancos particulares demais em Cingapura e que alguns vão ter que fechar suas portas. Você concorda?
E.B.: Nesta fase de consolidação, certamente haverá bancos que sairão de Cingapura por haver muita concorrência e pelos custos serem muito altos.
Sempre haverá redes universais como a UBS, ou grande bancos comerciais, como o HSBC – e haverá os bancos-boutique. Haverá sobreviventes em todos os segmentos.
Haverá menos concorrentes, mas mais competentes.
Adaptação: Fabiana Macchi, swissinfo.ch