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Protestos continuam enquanto Congresso discute nova lei agrícola no Peru
Centenas de trabalhadores rurais mantiveram vários trechos da rodovia Pan-americana no Peru bloqueados nesta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo, para exigir do Congresso uma nova lei trabalhista agrícola que lhes proporcionasse maiores receitas, enquanto o Parlamento se reunia sob pressão por um acordo.
Os bloqueios com pedras e pneus queimados paralisaram centenas de ônibus e caminhões com alimentos, imobilizados desde segunda-feira em diversos trechos da rodovia nas regiões de Ica (sul) e La Libertad (norte).
O governo enviou cerca de 2.000 agentes do batalhão de choque para limpar as vias. Os policiais usaram gás lacrimogêneo e escudos, desencadeando um confronto com os manifestantes, que revidaram com pedras. Na região de Ica, o choque entre os dois lados deixou quatro policiais feridos na cabeça. Quatro trabalhadores ficaram feridos no corpo após a repressão policial, segundo autoridades de saúde.
Nos confrontos, uma ambulância do Ministério da Saúde foi vandalizada e incendiada e vários veículos particulares foram apedrejados por trabalhadores que impediam a passagem na rodovia de Ica, denunciou o governo regional de Ica.
"Ica tinha dez ambulâncias. Agora tem nove. É lamentável o que aconteceu, o motorista da ambulância acabou ficando ferido", relatou a ministra da Saúde, Pilar Mazzetti, à emissora N.
A polícia prendeu oito pessoas em Ica, de acordo com um relatório noturno.
"A ordem é clara, vamos restaurar a liberdade de ir e vir na região", garantiu o chefe de polícia, César Cervantes, aos jornalistas.
Os protestos foram retomados na segunda-feira, depois que o Congresso não conseguiu aprovar a lei que os trabalhadores agrícolas vêm exigindo desde o início de dezembro.
"Quinze dias se passaram e o Congresso nada fez para resolver nossas reivindicações", criticou a jornalistas Paulina Velásquez, secretária-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores da Agroindústria (Fentagro).
Os trabalhadores exigem que as empresas agroexportadoras aumentem os salários de 11 para 18 dólares por dia, o que exigiria um novo regime de trabalho agrário que só o Congresso pode aprovar.
O Congresso havia revogado em 4 de dezembro uma lei agrária que os trabalhadores consideravam prejudicial e prometeu uma nova, o que possibilitou uma trégua momentânea entre as partes.
A greve dos trabalhadores rurais já deixou dois mortos desde que estourou no início de dezembro. É a primeira disputa trabalhista sob o novo governo de Francisco Sagasti, que assumiu o poder há cinco semanas.