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O governo suíço planeja gastar CHF 8 bilhões (US$ 8 bilhões) em novos aviões de combate e defesas de mísseis. Mas não está claro se os eleitores poderão ter a última palavra no maior programa de compras de armas na história suíça moderna.
O Conselho Federal requisitou na quarta-feira que o Ministério da Defesa procure potenciais aviões de combate para a Força Aérea, autorizando o início de consultas com as empresas Airbus, Boeing, Dassault, Lockheed Martin e Saab.
Para essas compras e investimentos adicionais, o governo planeja elevar o orçamento anual do exército, atualmente em torno de US$ 5 bilhões, em 1,4%.
O anúncio provocou reações mistas.
À direita, levantaram-se dúvidas se os fundos planejados serão suficientes para comprar 40 aviões de combate para substituir a frota de F / A-18 das Forças Armadas Suíças.
A esquerda criticou o projeto do governo como "irrealista" e "sobredimensionado", enquanto os grupos centristas mostraram-se cautelosamente otimistas.
O grupo pacifista Suíça Sem Exército instou o governo a submeter o projeto ao voto nacional, dizendo que se oporia à compra.
Calendário
O governo ainda tem que decidir sobre o procedimento.
O cronograma prevê que a decisão final sobre os jatos só será tomada em 2020. Dois anos depois, o pedido de crédito para compras seria submetido ao parlamento. Os jatos seriam então entregues em 2025, e a frota pronta para ação em 2030.
Para que não sobre nenhuma lacuna nas defesas aéreas do país, os 30 aviões de combate F / A-18 atuais permanecerão em operação por mais tempo do que o planejado originalmente. O programa de armamento para 2017 inclui cerca de CHF 500 milhões para atualizações técnicas.
Assim como para a defesa, a Suíça neutra usa aviões de combate para policiar os céus durante eventos como a reunião anual do Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos.
‘Não há alternativa’
O ministro da Defesa da Suíça, Guy Parmelin, disse na quarta-feira que não viu nenhuma alternativa à compra de novos jatos e defesas de mísseis. Essa é a única maneira de proteger o espaço aéreo suíço e garantir a defesa, disse ele.
Mesmo acreditando que a Suíça não será atacada no próximo ano, trata-se de um investimento de longo prazo, acrescentou o ministro.
"Agora não é a hora de discutir o número de aviões, mas analisar qual é a melhor permutação de jatos e mísseis antiaéreos", disse Parmelin.
Rejeição popular
Quem fará os novos jatos? O governo está de olho em cinco modelos. Além do F-35 da Lockheed Martin e do Super Hornet F / A-18 da Boeing (ambos dos EUA), três aviões encontram-se na composição que foi aventada em uma tentativa anterior, fracassada, de comprar novos jatos: o Gripen da Saab (Suécia), o Eurofighter da Airbus, e o Rafale da Dassault (França).
Em maio de 2014, os eleitores suíços rejeitaram um orçamento de CHF 3,1 bilhões para aviões de combate Gripen. O contrato de 22 aviões foi rejeitado por 53,4% dos eleitores.
Os adversários do Gripen argumentaram que os aviões custariam CHF 10 bilhões ao longo de sua vida útil, dinheiro que poderia ser implantado em outros lugares. Os adeptos do avião de combate disseram que a Suíça neutra precisava do Gripen para defender seu espaço aéreo. Essa reivindicação foi prejudicada em fevereiro de 2014 com o pouso forçado de um avião da Ethiopian Airlines em Genebra. O avião seqüestrado teve que ser acompanhado por jatos franceses e italianos, já que a força aérea suíça não operava fora do horário comercial.
Adaptação: Eduardo Simantob