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Presidente pede punição após vigilância de jornalistas por militares na Colômbia
O presidente da Colômbia, Iván Duque, pediu neste sábado punições severas pelo escândalo que envolve efetivos do Exército que realizaram operações de vigilância envolvendo jornalistas locais e americanos, sindicalistas, ONGs e políticos.
"Reitero meu contundente rechaço a qualquer ação de vigilância. Perfilar jornalistas, políticos e funcionários da presidência deve ser investigado a fundo e punido com rigor", tuitou Duque.
Em sua última edição, a revista "Semana" revela uma trama de espionagem contra cerca de 130 jornalistas, políticos, militares reformados, sindicalistas e ex-funcionários da presidência pela inteligência militar. A ação, sem fins identificados, teria sido realizada entre fevereiro e dezembro de 2019, segundo a revista, que baseou sua investigação em depoimentos de fontes militares.
"Por meio de ferramentas de informática e software, fizeram buscas e coletaram, maciça e indiscriminadamente, toda informação possível de seus alvos, para elaborar relatórios da inteligência militar", diz o artigo.
Entre as pessoas que eram alvo dos trabalhos de inteligência estão o correspondente do jornal americano "The New York Times" Nicholas Casey, que, em maio de 2019, publicou um relatório alertando para o risco de execuções de civis por militares, e o diretor-executivo da divisão Américas da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco.
Segundo a revista, algumas unidades militares envolvidas recebiam ajuda econômica de uma agência americana, embora estes "recursos tenham acabado sendo usados para comprar as ferramentas para espionar as atividades de cidadãos americanos, principalmente jornalistas".
Duque pediu ao ministro da Defesa, Carlos Trujillo, uma "investigação rigorosa" sobre os trabalhos da inteligência nos últimos 10 anos.
Antecipando-se ao escândalo, o governo anunciou ontem o afastamento de uma dúzia de oficiais, incluindo um general, por escutas ilegais envolvendo jornalistas, políticos e juízes.
Os militares foram excluídos pelo "uso irregular das capacidades de inteligência militar", após uma publicação feita pela Semana no começo do ano, que revelou a interceptação de telefonemas e e-mails de personalidades sem ordem judicial e com aparentes fins políticos.