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Para defender seus votos, milhares de simpatizantes da direitista Keiko Fujimori e do esquerdista Pedro Castillo voltaram às ruas neste sábado (26) no Peru, que continua sem saber quem será seu novo presidente três semanas após o segundo turno.
Os manifestantes fujimoristas, que denunciam "fraude" no segundo turno, em 6 de junho, repetiam em coro "nós, peruanos, queremos novas eleições", enquanto os adversários pediam ao Júri Nacional de Eleições (JNE) para proclamar o quanto antes Castillo como o presidente eleito.
A polícia estava em alerta para manter a ordem durante as marchas, realizadas na tarde deste sábado pelos dois lados no centro de Lima, onde também houve uma marcha da comunidade LGBTI, coincidindo com o Dia do Orgulho. Todas as manifestações transcorreram pacificamente.
Fujimori vem denunciando "irregularidades" contra ela no segundo turno, sem apresentar provas conclusivas. A apuração final deu vantagem de 44.000 votos ao seu adversário esquerdista. Os Estados Unidos e os observadores da Organização de Estados Americanos (OEA) disseram que o processo eleitoral foi limpo.
Membros de coletivos, associações civis e de direitos humanos, assim como de partidos de esquerda, se reuniram em uma marcha denominada "Já chega" em apoio a Castillo, que se iniciou na emblemática Praça Dois de Maio e seguiu até a Praça San Martín.
Os manifestantes repetiam palavras de ordem sugerindo que Keiko Fujimori deverá ir a julgamento por lavagem de dinheiro, no âmbito do escândalo da empreiteira Odebrecht, se não chegar à Presidência.
"Há um caos, não temos presidente, queremos que se faça justiça, que respeitem nossos votos. Castillo é o presidente do Peru, o JNE deve proclamá-lo já. Nunca se tinha visto isso [a demora em proclamar o vencedor] e em nenhuma parte do mundo", disse à AFP Selena Lozano, professora de 50 anos da região de Ucayali, vestindo roupas e cocar de penas tradicionais da Amazônia peruana.
"Estou aqui porque quero mudança, estamos aqui em apoio ao nosso presidente", disse à AFP Nilo Francisco Ramos, de 39 anos, da região agrícola de Palpa, 200 km ao sul de Lima, vestindo poncho marrom e chapéu típico da costa peruana.
O JNE está no olho do furacão após a divulgação, na quinta-feira, de áudios de Vladimiro Montesinos, ex-chefe de Inteligência do presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko, dando instruções por telefone da prisão da Base Naval de Callao, para comprar três magistrados do Júri e fazer a balança pender a favor da candidata.
- "O sistema vai mudar" -
O fujimorismo organizou uma marcha denominada "Respeite meu voto", que partiu do Campo de Marte, onde os manifestantes repetiam "nós, peruanos, queremos novas eleições", enquanto as chances de sua candidata vencer parecem desaparecer.
"Viemos protestar porque as eleições foram fraudulentas. Temos que continuar com um presidente que nos represente, porque Castillo vai mudar o sistema político e econômico da nossa nação", disse à AFP Wilder Díaz, taxista de 49 anos, cobrindo a cabeça com um 'chullo", gorro de lã tradicional andino.
"Estamos aqui para defender o meu país", declarou Moroni López, um fotógrafo de 53 anos, que exibia um cartaz similar a um sinal de trânsito com um círculo vermelho e uma faixa da mesma cor sobre o símbolo comunista da foice e do martelo. Castillo nega ser comunista ou chavista.
A mobilização direitista termina com uma vigília na praça Bolognesi com a presença de Fujimori, que disse no Twitter na sexta-feira que "o Peru vive momentos muito dramáticos e decisivos".
As marchas reuniram muito menos gente do que outras similares celebradas há uma semana.
Castillo, professor de escola rural de Cajamarca (norte), tem certeza de sua vitória e não participou das manifestações nas ruas. Na sexta-feira, foi o convidado principal de um conclave de governadores peruanos na cidade andina de Cusco.
A apuração do órgão eleitoral (ONPE), que chegou a 100% há onze dias, atribuiu a Castillo 50,12% dos votos contra 49,87% para Fujimori.