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Chefe do governo espanhol pede a Ortega que liberte opositores da Nicarágua
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que libertasse os quatro candidatos da oposição recentemente detidos sob a acusação de encorajar “ingerência estrangeira”, a cinco meses das eleições presidenciais.
“Gostaria de me referir diretamente ao presidente Daniel Ortega: jogue limpo, liberte os adversários”, disse Sánchez durante uma coletiva de imprensa após o encontro com o presidente Carlos Alvarado na Costa Rica.
“Vemos com preocupação o que está acontecendo na Nicarágua, o que em todo caso não é novo, vemos se arrastando há alguns anos”, continuou o dirigente espanhol.
“A posição da Espanha é a da União Europeia: firme defesa dos direitos humanos, das liberdades e dos valores democráticos (…) Que o processo eleitoral seja um jogo justo”, acrescentou Sánchez.
Na quinta-feira, após a III Cúpula Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo SICA-Espanha, Alvarado e o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, consideraram a situação política na Nicarágua “preocupante”.
As prisões ocorrem cinco meses antes das eleições presidenciais, marcadas para 7 de novembro, nas quais a oposição espera que Ortega, no poder desde 2007, tente o quarto mandato consecutivo.
A operação policial começou no dia 2 de junho com a prisão por lavagem de dinheiro de Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro e candidata com maior probabilidade de derrotar o atual presidente.
Também estão detidos os pré-candidatos Arturo Cruz, Félix Maradiaga e Juan Sebastián Chamorro, investigados entre outros crimes por “incitar a intervenção estrangeira”, aplicando-lhes leis aprovadas pelo Congresso no poder.
Ortega, ex-guerrilheiro que governou de 1979 a 1990, voltou ao poder em 2007 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e lá permanece após duas reeleições sucessivas.
Ele foi acusado pela oposição e pela comunidade internacional de governar de forma autoritária, após a repressão brutal às manifestações contra seu governo em 2018, que deixaram 328 mortos e milhares de exilados, segundo organizações de direitos humanos.
Para o governo, as manifestações de 2018 foram uma tentativa de golpe apoiada por Washington.