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Os suíços rejeitaram a naturalização facilitada dos jovens estrangeiros. O projeto, no entanto, era considerado razoável.Este conteúdo foi publicado em 26. setembro 2004 - 18:59
Ao final de uma campanha marcada pela emoção, os suíços foram mais sensíveis aos argumentos da direita nacionalista e populista, que confirma sua influência como partido nacional.
Os resultados demonstram claramente - mais uma vez - uma profunda divisão entre a região de língua francesa e o resto do país. A naturalização facilitada foi aprovada em todas as zonas de maioria francófona e rejeitada nas outras regiões.
A única exceção é Basiléia-Campo. Pela primeira vez, esse meio-cantão vota como a Suíça de expressão francesa, ao contrário do resto do país.
Desconfiança
O resultado mostra uma outra divisão entre as zonas urbanas e as zonas rurais. Quase sem exceção, as zonas rurais recusam de maneira mais categórica as naturalizações do que as zonas urbanas. Por exemplo, quase três quartos dos eleitores do cantão de Uri votaram "não".
Mesmo na parte francesa, que votou a favor da nacionalização facilitada, a proporção foi maior nos cantões mais urbanos como Neuchâtel e Genebra, do que nos mais agrícolas como o Jura.
Isso não é supresa. No passado, em várias votações acerca dos estrangeiros demonstraram que as zonas urbanas e francófonas são mais abertas do que as zonas germanófilas e rurais.
O debate da campanha mostrou ainda que os estrangeiros não estavam classificados da mesma maneira. Praticamente ninguém contesta que os estrangeiros presentes há mais tempo (italianos, espanhóis e portugueses) possam facilmente ser integrados e naturalizados.
Praticamente todo o debate foi centralizado nos novos imigrantes, sobretudo muçulmanos, originários dos Bálcãs, considerados de assimilação mais difícil.
Justamente, a maior parte desses novos imigrantes está mais concentrada na parte de língua alemã. Esse fato talvez explique o resultado na parte alemã do país.
Uma campanha emocional
Essa desconfiança acerca da imigração mais recente foi alimentada por uma campanha que suscitou grandes controvérsias.
Uma série de infrações das leis do trânsito foram destacadas por alguns jornais e canais de televisão como cometidas justamente por jovens estrangeiros, freqüentemente de origem balcãnica.
O mesmo aconteceu com certos atos de violência nas escolas. Tudo isso ocorreu justamente em período de campanha política sobre a naturalização de jovens estrangeiros.
A UDC, maior partido atualmente no país - direita populista e nacionalista - fez uma campanha como cartazes e anúncios no limite da legalidade. Afirmava que os muçulmanos brevemente seriam majoritários na Suíça e espalhou cartazes mostrando uma fotografia do terrorista Ousama ben Laden numa carteira de indentidade suíça.
Reações inadaptadas
Frente a essa campanha emocional, os que defendiam os projetos de naturalização - tanto à esquerda como à direita - se limitaram a argumentos racionais como o direito, o rejuvenescimento da população etc.
Alguns dias antes da votação é que os partidos denunciaram as "mentiras" da direita populista em anúncios de jornais. Já era tarde demais.
A União Democrática do Centro (UDC, com dois entre os sete ministros no Conselho Federal), conseguiu vencer, sózinha, os outros três partidos no governo.
Muitos analistas calculavam a erosão da UDC com a entrada no governo do seu líder carismático Christoph Blocher (ministro do Interior). O voto sobre a nacionalidade demonstra que a UDC continua sendo um partido de oposição eficaz.
A direita populista ainda é mestre em sua área predileta: a defesa da independência e dos valores tradicionais da Suíça.
Sua força parece intacta há alguns meses de outra votação importante, a dos acordos bilaterais II entre a Suíça e a União Européia.
swissinfo, Olivier Pauchard
Fatos
A naturalização facilitada para os jovens de segunda geração foi rejeitada por 56,8% dos votos.
17,5 dos cantões recusaram e 5,5 aceitaram a proposta.
A naturalização automática para os jovens de terceira geração foi recusada por 51,6% dos votos.
16,5 cantões recusaram e 6,5 aprovaram a proposta.
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