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A Suíça quer retirar a cidadania suíça de um cidadão com dupla nacionalidade suspeito de integrar o grupo terrorista Estado Islâmico. Se a decisão for à frente, será a primeira vez que a lei correspondente será usada em seus 60 anos de existência.
A Secretaria Federal de Migrações disse que um jovem suíço-italiano de 19 anos é acusado de ter ingressado no grupo terrorista Estado Islâmico na Síria. O anúncio foi publicado na versão mais recente do seu boletim de informação oficial.
De acordo com a lei da cidadania, cidadãos com dupla nacionalidade podem ter sua nacionalidade suíça revogada se o comportamento deles tiver um efeito considerado negativo para os interesses ou a reputação do país.
O rapaz deve responder às acusações dentro de um mês.
As autoridades suíças decidiram iniciar o processo para poder negar a entrada na Suíça de um extremista que representava uma ameaça para o país.
Se o processo for adiante, essa será a primeira vez que o governo federal aplica uma lei que entrou em vigor em 1953.
O jornal 20 Minuten disse que o rapaz em questão é suspeito de ter deixado sua casa em Winterthur, no cantão de Zurique, para a Síria, em fevereiro de 2015.
Lea Wertheimer, porta-voz da Secretaria Federal, declarou à televisão pública suíça, SRF, que o suspeito é acusado de cometer "atrocidades, violações dos direitos humanos e crimes de guerra" que "representam uma ameaça para a Suíça".
Ela acrescentou não ter informações sobre o seu paradeiro. No entanto, de acordo com a SRF, que falou com o repórter de guerra Kurt Pelda, o rapaz pode ter sido morto há um ano em um ataque aéreo em Kobane, no norte da Síria.
Emigrar para o terror
O Serviço de Inteligência Federal (FIS) examina quantos suíços deixaram o país para lutar por causas jihadistas. Este ano ainda não houve nenhum caso, porém 73 já foram registrados no total.
O FIS está monitorando a atividade na mídia social de cerca de 400 terroristas potenciais. Desde o início de 2016, 12 indivíduos voltaram para a Suíça após terem se envolvido em atividades terroristas. Todos foram acusados de atividades ilegais. O Ministério Público suíço se ocupa atualmente de 60 casos desse tipo.
swissinfo.ch com agências