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Por Golnar Motevalli
CABUL (Reuters) - O rival do presidente Hamid Karzai nas eleições afegãs, Abdullah Abdullah, anunciará no domingo se participará do polêmico segundo turno, informou seu comitê de campanha, após especulações de que ele desistiria do pleito da próxima semana.
Abdullah cancelou uma viagem à Índia neste sábado, antes de o fim de um prazo dado por ele a Karzai para que afastasse a maior autoridade eleitoral afegã.
O Afeganistão vive em meio a uma incerteza política desde que uma fraude generalizada marcou o primeiro turno da eleição presidencial, enquanto a segurança continua como grande preocupação após insurgentes talibans terem prometido interromper a votação de 7 de novembro.
Com o futuro político do Afeganistão em aberto, o presidente norte-americano, Barack Obama, também avalia o envio de milhares de soldados adicionais ao país. Obama se reuniu com líderes militares dos Estados Unidos em Washington na sexta-feira como parte de sua revisão da estratégia da guerra afegã.
O comitê de campanha de Abdullah divulgou um curto comunicado nesta sábado, informando que o ex-ministro de Relações Exteriores havia convocado uma loya jirga, ou grande assembleia de superiores, para o domingo.
"O dr. Abdullah Abdullah fará um discurso sobre a eleição e anunciará sua decisão na tenda da loya jirga", afirmou a nota.
Mais cedo, assessores de Abdullah disseram que o candidato havia cancelado a viagem à Índia devido a incertezas em relação à eleição.
Autoridades ocidentais notaram que Abdullah não abriu nenhum escritório de campanha no Afeganistão desde que o segundo turno foi anunciado, na semana passada.
Diplomatas e analistas disseram que, de acordo com a Constituição, é possível que o segundo turno possa ocorrer com Karzai como candidato único, caso Abdullah desista do pleito. O temor, no entanto, é que este cenário possa ter um sério impacto na legitimidade do governo.
"Se Abdullah boicotar, a participação será muito baixa e Karzai será declarado vencedor mas com uma legitimidade muito baixa", afirmou Haroun Mir, analista e diretor do Centro para Pesquisa e Estudos Políticos do Afeganistão, em Cabul.
(Reportagem adicional de Andrew Quinn, em Abu Dhabi, e Matthias Williams, em Nova Delhi)
Reuters