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A equipe suíça de especialistas suíços que está no Nepal afirma que será preciso muito tempo para reconstruir as áreas atingidas pelo terremoto. Diz ainda que o principal é limitar os riscos de saúde atacando problemas como a superlotação dos hospitais e a falta de água potável.
Apesar do grande número de mortos no pior terremoto em décadas, os nepaleses não abandonaram seu espírito de resignação, afirma o especialista em telecomunicações Billi Bierling da Unidade Suíça de Ajuda Humanitária.
Esses especialistas em intervenção em catástrofes começaram a trabalhar segunda-feira de Kathmandu, em colaboração com a Agência Suíça para Cooperação e Desenvolvimento. . BierlingLink externo vive parte do ano em Kathmandu.
swissinfo.ch: O que a equipe suíça está fazendo, qual a avaliação preliminar e como a Suíça pode contribuir?
Billi Bierling: Estou bastante surpreso de ver quantos construções ainda estão em pé. Por outro lado, não posso ver por dentro como estão esses prédios e acho que muitos deles devem estar em mal estado. Nosso médico esteve em quatro hospitais. Obviamente que as condições são difíceis mas estão fazendo um bom trabalho. Ele também visitou um hospital perto de Bhaktapur, uma das cidades antigas mais atingidas. Eles disse que eles estão precisando de
swissinfo.ch: As condições sanitárias e o abastecimento de água são os principais desafios. Qual é a situação agora? Há muitos feridos? Quais as necessidades médicas, alimentares e de água potável?
B.B.: Kathmandu é bem desenvolvida, mas há riscos sanitários. Ainda tem água potável. O governo também distribui água. É interessante porque é claro que o Nepal sofre de falta de energia porque não hidrelétricas suficientes. Durante anos houve cortes de energia de mais de 12 horas por dia, para economizar eletricidade. Naturalmente que uma tragédia como essa agrava a situação. Muitas casas bombeiam a água para um reservatório que fica no telhado, quando há energia. O problema é que agora não há
swissinfo.ch: O Nepal é um país pobre, como vai fazer para reconstruir?
B.B.: Essa é uma questão interessante. É claro que Kathmandu explodiu nos últimos anos com a chegada de muitos jovens, depois da insurgência maoísta, porque os jovens se sentem mais seguros aqui. Tem edifícios modernos capazes de resistir a um tremor de terra até um certo grau, mas é claro que há muito entulho em volta. Acho que o trabalho de limpeza e reconstrução será enorme. Será certamente necessária a ajuda da comunidade internacional por bastante tempo. Mas o Nepal é capaz de fazê-lo. Eles são um povo forte e vão superar isso. Muitos deles não perderam o sorriso, o que é muito edificante em uma tragédia como essa.
swissinfo.ch: Como o senhor compara esta com outras tragédias que já viu?
B.B.: A magnitude deste terremoto foi muito grande. É difícil de avaliar porque o último censo foi feito há muito tempo a população é bastante dispersa. Não se sabe exatamente quantos são os nepaleses nem onde estão. Eu acho que será um grande desafio para o governo e para a comunidade internacional. Para um país como o Nepal, um dos mais pobres do planeta, é um grande revés.
swissinfo.ch: O senhor pode nos dar uma noção do que é estar aí neste momento? Muitas pessoas dormem fora, o medo, a ansiedade, todos os templos destruídos em uma sociedade muito religiosa...
B.B.: Me senti muito estranho ontem à noite mas tenho de dizer que amanhã será outro dia. Hoje não houve réplicas e a vida está voltando. O comércio começa a reabrir a tem carros na rua. Mas há uma enorme perda e muita dor. A vida recomeça e acho que vamos conseguir reconstruir nosso país. Vamos esperar que sim.
Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch