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Desde o início de março, Toni Brunner, de 33 anos, é o novo presidente da União Democrática de Centro (UDC), o partido mais à direita entre os quatro que governam a Suíça.
Em entrevista à swissinfo, ele fala sobre sua nova função na direção do maior partido suíço, seu papel oposicionista, a abertura das fronteiras do país para trabalhadores europeus e sobre futebol.
swissinfo: A UDC venceu as eleições parlamentares, mas o senhor não foi eleito para o Senado; Christoph Blocher foi derrotado no Conselho Federal e o tornou-se presidente do maior partido da Suíça. Qual é o seu estado de espírito?
Toni Brunner: Tempos intensivos são tempos interessantes. A política é justamente interessante porque nada é planejável; às vezes, tudo é imprevisível.
A UDC obteve nas eleições parlamentares de outubro uma vitória histórica, com 29% dos votos. Na eleição do Conselho Federal, os perdedores definiram quem nos representaria no governo. Isso não aconteceria em nenhum outro país. Com isso, fomos empurrados para a oposição, porque com a derrota de Christoph Blocher a política da UDC foi excluída do Conselho Federal (Poder Executivo suíço).
swissinfo: O papel de oposição é realmente novo para a UDC? Afinal, ela já se opôs anteriormente ao que proscreve como "classe política".
T.B.: O novo é que não temos um representante próprio no Conselho Federal. Agora temos de cumprir no Parlamento a missão que nos foi dada pelos eleitores – caso a caso, também via referendo ou iniciativa popular.
swissinfo: Como presidente da UDC o senhor foi caracterizado pela mídia como discípulo político de Christoph Blocher. Como o senhor se vê a si próprio?
T.B.: Como agricultor, tenho os pés no chão. Quem tem ligação com a terra tem menos risco de decolar. A naturalidade, combinada com uma certa leveza, é uma vantagem, porque posso ir abertamente e sem preconceitos ao encontro das pessoas.
Eu me vejo como figura de integração interna e representante externo do partido. Com presidente, quero conduzir o partido para o futuro e apresentar claramente as suas posições, especialmente na política de imigração e asilo político, na política externa e européia, mas também na política financeira e econômica.
swissinfo: Christoph Blocher, o homem forte da UDC, é um dos cinco vice-presidentes na nova diretoria. Qual é extamente o seu papel como presidente?
T.B.: Eu sou o responsável geral. Mas não quero dar um show individual. O partido cresceu muito nos últimos anos. Por isso foi importante adaptarmos as nossas estruturas partidárias e montarmos uma direção forte.
Estou feliz por termos Christoph Blocher também como vice-presidente. Devido à sua experiência, por exemplo, como ex-membro do Conselho Federal ele traz conhecimentos em administração.
swissinfo: Seu antecessor, Ueli Maurer, fez até há pouco duros ataques ao ministro da Defesa e Esportes, Samuel Schmid, demonstrando inclusive falta de decoro e respeito. Qual é o tom que o senhor costuma usar?
T.B.: Eu procuro integrar em vez de jogar lenha na fogueira. Eu quero menos discussão sobre pessoas e falar mais sobre assuntos políticos. Discussões de pessoal não são frutíferas e não levam a nada, por isso também não participei disso.
swissinfo: Uma grande prova de fogo para a UDC será o plebiscito sobre a ampliação do livre trânsito de mão-de-obra européia para a Romênia e a Bulgária. O seu partido não pisa num terreno perigoso com o seu "não"?
T.B.: O livre trânsito de pessoas realmente é um assunto delicado. Mas a UDC não diz simplesmente "não"; sob determinadas condições até pode dizer "sim". A UE quer a ampliação para a Romênia e a Bulgária, 350 milhões de francos adicionais em contribuições para a coesão do bloco e um acordo sobre eletricidade. Isso são ambições bilaterais que devem permitir também à Suíça fazer exigências. Porque bilateralismo significa dar e receber.
Estamos dispostos a negociar esses dossiês. Para isso, a UE precisa retirar da mesa suas exigências que sempre repete em relação a autonomia fiscal dos cantões (estados). Nesse ponto, não há o que negociar.
swissinfo: Mudando de assunto: como o senhor vê a contratação de Ottmar Hitzfeld para suceder Köbi Kuhn no comando da seleção suíça?
T.B.: Isso não é nenhum problema (ri). Não poderia ocorrer coisa melhor do que ter Ottmar Hitzfeld como técnico da "Nati" (como os suíços chamam sua seleção). Ele praticamente é um suíço, cresceu próximo à fronteira e agora mora na Suíça.
Hitzfeld conhece o futebol suíço e aqui ele lançou as bases para sua carreira internacional. O círculo se fecha, porque agora ele pretende ter grandes sucessos com a "Nati" suíça.
swissinfo: A próxima sessão legislativa coincide com a Eurocopa 2008. O senhor não entrará num grande conflito? O senhor estará na Câmara ou estádio?
T.B. (ri novamente): Eu enfrentarei conflitos incríveis! Para mim, é quase um tabu realizar um evento político numa noite em que há jogo de futebol. Mas, apesar disso, a missão de representante do povo tem prioridade.
As coincidências de horário serão quase inevitáveis. Mas vou tentar ao máximo possível de jogos pela TV no Palácio Federal ou em outro lugar.
Eu já viajei à Copa de 2006 na Alemanha para assistir a jogos nos estádios. O ambiente me entusiasma. Espero que tenhamos uma festa semelhante na Suíça!
swissinfo, Renat Künzi
Toni Brunner
É agricultor e vive em Ebnat-Kappel, no cantão (estado) de St-Gallen.
Em 1995, com 21 anos, elegeu-se como deputado mais jovem da UDC para a Câmara, abrindo caminho para uma leva de jovens políticos no Parlamento.
Brunner preside a Comissão de Meio Ambiente, Planejamento Urbano e Energia da Câmara.
Desde 1998, é presidente da UDC no cantão de St-Gallen.
Maior derrota: em 2004, os delegados do partido em St-Gallen negaram seu apoio à candidatura de Brunner ao Parlamento estadual. Ele ameaça renunciar.
No final de novembro 2007, Brunner não consegue ser eleito para o Senado Federal por St-Gallen.
Brunner é de tendência populista (fundador de uma emissora de rádio que só transmite pela internet - buureradio.ch) e é um torcedores de futebol mais entusiastas entre os deputados federais.