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As sépias são capazes de esperar mais de dois minutos para obter um melhor alimento, em vez de ceder à tentação de comer a primeira coisa que aparecer, uma capacidade detectada em poucas espécies, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (3).
Até agora, apenas chimpanzés, corvos e papagaios eram conhecidos por passar no "teste do marshmallow", originalmente usado com crianças.
Trata-se de determinar a capacidade de não se precipitar em uma recompensa alimentar, sabendo que algo melhor virá depois.
Um grupo de cientistas submeteu esse teste a seis sépias adultas para compreender sua capacidade de autocontrole e também de aprendizagem.
Depois de determinar suas preferências, eles foram primeiro treinados para escolher, segundo o estudo publicado na revista científica britânica Proceedings of the Royal Society B.
Cada sépia poderia escolher entre dois alimentos colocados em compartimentos separados: no primeiro, um pedaço de camarão cru que eles gostaram menos mas que estava imediatamente disponível, e no outro, um pequeno camarão vivo do gênero Palaemonetes, acessível mais tarde.
As sépias esperaram entre 50 e 130 segundos para então satisfazer o apetite.
O estudo também mediu sua capacidade de aprender em condições variáveis.
Cada sépia podia escolher entre nadar em direção a um farol cinza e branco, mas apenas um deles gerava recompensa (um camarão).
"Assim que as sépias aprenderam a associar uma cor a uma recompensa, invertemos as regras: elas tinham que nadar em direção à outra cor para obter o camarão", explica a principal autora do estudo, Dra. Alexandra K. Schnell, do Departamento de Psicologia da Universidade de Cambridge, à AFP.
Sua equipe descobriu que as sépias que aprenderam mais rápido a associar uma cor a uma recompensa também foram aquelas que conseguiram aguardar por mais tempo até obter sua comida favorita no outro teste.
Essa capacidade de autocontrole poderia ser explicada no caso das sépias pela necessidade de camuflagem para a sobrevivência e saber esperar a melhor época para caçar, um momento de alto risco, já que podem ser comidas por muitos predadores, segundo a pesquisa.