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O crime organizado também atua na Suíça: desde 2006 ocorreram mais de doze assaltos a carros-fortes na parte francófona do país. Porém em 2019, já foram três roubos violentos. Quem está por trás dos crimes e como a polícia está agindo?
O crime ocorreu às 19:40, em 2 de dezembro. Habitantes de Daillens, um vilarejo dez quilômetros distante de Lausanne, viram dois veículos bloquearem o caminho de um carro-forte. Rapidamente vários criminosos saltaram e ameaçaram com armas os condutores. Depois de roubar a carta, incendiaram os três veículos antes de fugir.
"Estávamos jantando quando ouvimos uma grande explosão e vimos as chamas à distância", revelou uma testemunhaLink externo local ao canal televisivo SRF. Ele e a irmã pensaram que era um acidente e se preparam para sair de casa. Foi quando perceberam que se tratava de um assalto e chamaram a polícia.
Foi o mais recente caso de uma série de roubos noturnos de carros-fortes no cantão (estado) de Vaud, à oeste da Suíça. Desde 2006 já ocorreram 11 ataques semelhantes, do quais muitos os assaltantes chegaram a atirar ou espancar os motoristas das conduções.
A polícia local está investigando os detalhes do assalto em Daillens, porém já considera que os autores devem vir provavelmente da França vizinha. "Em geral esse tipo de crime é cometido por criminosos que vivem na região de Lyon, na França ou sem residência fixa", declarou à SRF o porta-voz da Polícia Cantonal de Vaud, Jean-Christophe Sauterel.
Alvos fáceis?
Olivier Feller, deputado-federal pelo Partido Liberal, acredita que os carros-fortes são alvos fáceis, pois na Suíça são mais comumente veículos leves e não blindados como em outros países. O transporte de dinheiro ocorre geralmente à noite por razões de segurança. Também as leis de silêncio determinam que veículos com pesos que ultrapassem as 3,5 toneladas - como é o caso de carros blindados - não devem circular durante a noite ou nos domingos
Feller apresentou um projeto de leiLink externo para permitir que carros-fortes possam circular nos horários de silêncio. No entanto, o governo federal recomendou o veto, argumentando que "carros-fortes pesando menos de 3,5 toneladas estão disponíveis no mercado" e que "não é necessário, portanto, fazer exceções à proibição geral de tráfego para veículos pesados nos domingos e à noite, pois prejudicaria a população."
Pressão sobre as autoridades
No entanto, as autoridades locais estão sob pressão da população, que não quer esperar pelas decisões tomadas na capital.
"Os ataques são chocantes e dramáticos. São chocantes para todos: a população, caminhoneiros e a segurança pública. Agora cabe aos políticos tomar medidas urgentes", declarou Béatrice Métraux, ministra da Segurança de Vaud, à televisão suíçaLink externo.
Na semana passada, a política apresentou um plano de ação. Este contém medidas para dissuadir os criminosos, dentre elas assegurando que as empresas de segurança utilizem exclusivamente veículos blindados para transportar dinheiro e outros valores. Além disso, limites aos valores transportados e sistemas que destruam a carga automaticamente em caso de assalto armado.
Métraux declarou que o policiamento está sendo reforçado na região, especialmente próxima à fronteira. O governo convidou também empresas de segurança ativas no cantão para discutir propostas de combate ao crime.
Uma região muito rica
Analistas acreditam que o problema está ligado à situação econômica do cantão de Vaud: além de ser um centro de empresas de transporte de valores, o cantão também não regula o seu trabalho como ocorre em países vizinhos como a França.
"Vaud é o maior cantão da parte ocidental do país e todas as estradas que atravessam a região passam por ele. Portanto é um lugar atraente para essas empresas", declarou Métraux, completando. "Obviamente a Suíça torna-se um alvo ideal se não toma as mesmas medidas dos seus vizinhos. Porém é nossa obrigação velar pela segurança pública."
Outros crimes
Assaltantes roubaram mais de quatro milhões de francos de um carro-forte no início de junho em Thunstetten, um vilarejo localizado no cantão de Berna.
O roubo ocorreu com a provável cumplicidade do motorista, que admitiu ter ajudado os assaltantes a transportar o dinheiro para outro veículo. Ele está preso e aguarda julgamento.
Adaptação: Alexander Thoele, SRF/RTS/swissinfo