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IForças iraquianas avançam em Tal Afar(afp_tickers)
As forças iraquianas assumiram o controle nesta terça-feira (22) de dois bairros de Tal Afar, um dos últimos bastiões do grupo Estado Islâmico (EI), coincidindo com a visita do chefe do Pentágono, Jim Mattis, a este país para reafirmar seu apoio às forças iraquianas.
Mais de um mês depois de as forças iraquianas terem tomado Mossul, segunda cidade do país, das mãos do grupo Estado Islâmico (EI), as tropas lançaram uma ofensiva no domingo para retomar Tal Afar, situada 70 km a oeste dali, no norte do país.
Contando com o apoio da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, o Exército também tem o suporte das Hachd al-Chaabi, as unidades paramilitares, da Polícia Federal e das forças especiais de contraterrorismo.
Em um comunicado, as Hachd al-Chaabi, dominadas pelas milícias xiitas, anunciou ter recuperado, juntamente com as forças armadas, "o controle completo" dos bairros Al-Kifah (noroeste) e Al-Nour (sudeste) em Tal Afar.
Desde cedo, as forças iraquianas se reagruparam na entrada da cidade, antes do avanço de várias frentes. De acordo com autoridades locais, pelo menos mil extremistas estariam entrincheirados nessa cidade.
O porta-voz das Hachd al-Chaabi, Ahmed al-Assadi, relatou combates "violentos", prevendo que a retomada de Tal Afar "não seria longa". Segundo ele, "levará semanas". A reconquista de Mossul durou nove meses.
Durante uma ampla ofensiva em 2014, o EI dominou quase um terço do Iraque. Desde então, perdeu bastante terreno diante das inúmeras investidas do governo iraquiano e de seus aliados.
- Deslocados aos milhares -
Com a ofensiva a Tal Afar, o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) disse temer pelo êxodo de "milhares" de civis. De acordo com o órgão da ONU, 1.500 famílias chegaram a um campo de trânsito nos últimos dias, e os preparativos estão em curso para receber até 22 mil pessoas fugindo de Tal Afar.
Em meio ao rápido avanço em Tal Afar, acontece o encontro do secretário americano da Defesa, Jim Mattis, com lideranças iraquianas em Bagdá, incluindo o premiê Haider al-Abadi.
Mais uma vez, Mattis anunciou o apoio dos EUA à luta iraquiana contra os extremistas e destacou a necessidade de "vencer o EI e restaurar a soberania e a integridade territorial" do Iraque.
"Os dias do EI estão contados, isso é certo", considerou o chefe do Pentágono, advertindo, contudo, que "ele ainda não desapareceu e isso não vai acontecer tão cedo".
A "libertação" de Mossul restaurou a confiança no poder iraquiano, avaliou Mattis, ainda que as forças desse país registrem "mais de 1.200 mortos e 6.000 feridos".
Essa vitória - acrescentou o secretário - não teria ocorrido "sem a mão firme do primeiro-ministro Abadi, que reconstituiu esse Exército, arruinado em 2014". Também foi tornada possível, graças aos treinamentos oferecidos pelos EUA e a seu apoio militar.
- Desafio curdo -
A continuidade do apoio americano deve ser estabelecida com as autoridades iraquianas.
Depois da retirada, em 2011, das tropas americanas estacionadas no Iraque desde a invasão de 2003, os americanos enviaram centenas de conselheiros militares para ajudar a governo contra os extremistas.
Segundo o especialista Nicholas Heras, do Center for a New American Security, em Washington, Mattis quer manter forças americanas para treinar as tropas iraquianas e impedir o ressurgimento do Estado Islâmico.
Heras adverte que o secretário sofrerá a resistência de milícias xiitas e do Irã, um aliado de Bagdá e inimigo dos EUA.
Depois de passar por Bagdá, o secretário americano deve seguir para Erbil, no norte do país, onde se reunirá com o presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, Massud Barzani.
Um dos primeiros desafios para o governo federal iraquiano é o referendo proposto pelo Curdistão para 25 de setembro.
Washington se opõe firmemente a essa consulta popular, alegando que sua realização, "neste momento, pode ser potencialmente contra o EI", explicou o enviado do presidente Donald Trump para a coalizão no Iraque, Brett McGurk.
"Todos os membros da nossa coalizão pensam que este não é o melhor momento para organizá-lo", afirmou.
"Todos os sinais indicam" que o tom do encontro entre Mattis e Barzani será o de uma "firmeza afetuosa", disse Heras.
Mattis também deve abordar a reconstrução e a realocação de centenas de milhares de pessoas, em especial em Mossul.
"Isso não vai acontecer do dia para a noite", alerta.
Chegando ao Iraque após passar pela Jordânia, o secretário americano seguirá para Turquia e Ucrânia.
AFP