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O presidente boliviano, Evo Morales, em La Paz, no dia 7 de julho de 2016(afp_tickers)
O Chile aplica um "neocolonialismo racista" ao impedir que o chanceler da Bolívia inspecione os portos situados na região norte do país vizinho, em meio a acusações de maus-tratos contra caminhoneiros bolivianos, disse nesta terça-feira o presidente Evo Morales.
Em sua conta no Twitter, o presidente escreveu: "o chanceler chileno disse que se o chanceler boliviano, David Choquehuanca, visitar o Chile 'chegará em condição de turista' (...) esta é a prova mais contundente do neocolonialismo racista que governa o Chile e que não reconhece um chanceler indígena".
"Se o chanceler chileno não aceitar a inspeção dos portos em Arica e Antofagasta é porque sabe que não cumpre com o Tratado de 1904", acrescentou.
O chanceler boliviano, David Choquehuanca, começará no domingo uma viagem por terra de quatro dias até o Chile, pela fronteira e até os portos de Arica e Antofagasta no oceano Pacífico, para verificar as denúncias de que transportadores bolivianos estariam sendo cobrados irregularmente, do fechamento de garagens para seus caminhões e maus-tratos.
Esse plano do chefe da diplomacia boliviana, acompanhado por parlamentares de seu país e motoristas, motivou na segunda-feira o rechaço do chanceler chileno Herald Muñoz, que declarou não aceitar nenhum tipo de inspeção, ainda que os bolivianos possam ir como "turistas".
A Bolívia argumenta que o Chile não cumpre um tratado de paz e os limites que garantiriam o livre trânsito terrestre até ambos portos chilenos, após perder uma guerra no fim do século XIX, quando cedeu à força 400 km da costa e sua única saída ao Pacífico.
O governo boliviano também alegou em junho que a privatização dos portos chilenos implica em um aumento nas tarifas das cargas.
O chanceler Muñoz respondeu na capital chilena que a missão boliviana, em todo caso, poderá verificar que os acordos bilaterais estão sendo cumpridos.
O novo incidente ocorre em meio a duas brigas que ambos países vivem na Corte Internacional de Justiça de Haia. A Bolívia processou o Chile em 2013 exigindo a negociação para recuperar o seu acesso ao mar.
Santiago, por sua vez, abriu outro processo em junho pelo uso das águas de Silala na fronteira comum, alegando que estas provêm de um rio que começa dentro de seu território, mas que para Bolívia se trata de um manancial desviado artificialmente por seu vizinho.
Ambos os países carecem de relações diplomáticas plenas desde o final da década de 1970.
AFP