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Por Alexandra Valencia
QUITO (Reuters) - A Aliança País, partido governista do Equador fundado pelo ex-presidente Rafael Correa mais de uma década atrás, afastou o atual presidente, Lenín Moreno, de seu comando, citando "fracassos repetidos" em sua liderança enquanto um cisma entre os antigos aliados se aprofunda.
A Aliança País, que está dividida entre os dois políticos, anunciou na noite de terça-feira que Ricardo Patino, aliado de Correa e ex-chanceler, substituirá Moreno como líder da legenda.
"O comando do partido nacional Aliança País decidiu unanimemente o afastamento imediato de Lenín Moreno como presidente do partido Aliança País", disse o grupo em um comunicado.
Mas o governo do Equador disse não reconhecer a decisão e enfatizou que Moreno continua liderando a sigla.
"A Aliança País é um partido político, não um Estado... estas ações são erradas e não refletem o sentimento de nossa base política", disse a vice-presidente interina, Alejandra Vicuña, a jornalistas na terça-feira.
Moreno, protegido de Correa que serviu como seu vice, foi eleito no início do ano para suceder o incendiário líder de esquerda. À época, críticos da oposição alertaram que Moreno seria um fantoche de Correa, que acusam de estar ensaiando uma volta à Presidência em 2021.
Mas Moreno, paraplégico e ex-enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os deficientes, surpreendeu o país andino de cerca de 17 milhões de habitantes rompendo rapidamente com seu padrinho, que hoje vive na Bélgica, país-natal de sua esposa.
Alejandra Vicuña substituiu Jorge Glas, que também era o vice-presidente da Correa, depois que Glas passou a ser investigado em um escândalo de corrupção centrado na empresa brasileira de construção Odebrecht. Ele está atualmente na prisão.
As pesquisas indicam que Moreno tem um apoio popular generalizado no Equador. Seus níveis de aprovação aumentaram de cerca de 66 por cento em maio, quando ele assumiu, para cerca de 77 por cento em setembro, mostrou uma pesquisa recente do Cedatos.
Reuters