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A Federação Suíça de combate à Aids continua pedindo mais solidariedade com os doentes e exigiu o fim do preconceito contra as vítimas do vírus HIV.
De sua sede em Zurique, a federação declarou à swissinfo.ch que a questão da Aids tem sido posta de lado pelos meios de comunicação e pelo debate público.
"Nossa mensagem é clara: “Seja solidário com as pessoas HIV positivas, pense nelas e dê um recado contra a discriminação", disse a porta-voz da federação, Bettina Maeschli.
Segundo a porta-voz, há um preconceito generalizado contra os portadoras do vírus HIV na sociedade suíça.
"Eles enfrentam uma série de problemas na vida cotidiana. Alguns são rejeitados pela família e amigos e enfrentam problemas, como por exemplo, para contratar seguros ou no local de trabalho.
"Eles podem trabalhar, eles devem ser integrados na sociedade, mas geralmente isso não acontece por causa da rejeição e do preconceito", disse Maeschli.
"Problema global"
Para Susan Timberlake, consultora dos direitos humanos da UNAIDS, organização da ONU de combate à Aids, em Genebra, tanto o estigma como a discriminação ainda são um "problema global".
"Nós definimos o estigma como atitudes negativas em relação às pessoas que vivem com HIV, podendo assumir a forma de boatos, críticas, afastamento ou repulsa da presença dessas pessoas - esses tipos de atitudes", disse à swissinfo.ch.
"A discriminação, por outro lado, é uma violação óbvia dos direitos humanos".
Ela se manifesta quando à pessoa é recusado um emprego, uma vaga na escola ou até mesmo moradia, e afeta as atividades principais da vida.
"Para combater o HIV e para combater os aspectos dos direitos humanos, temos que nos concentrar não só na saúde, mas também na questão da dignidade e da segurança. O estigma e a discriminação afeta todos esses aspectos, nosso empenho contra a Aids deve incluir sérios esforços para eliminá-los", disse.
Campanhas de prevenção provocadoras
A Federação Suíça contra a Aids, que comemora este ano seu 25º aniversário, vem defendendo a causa da prevenção da doença com campanhas coloridas e provocadoras.
Bettina Maeschli disse que o grande desafio é encontrar novas formas de passar a mensagem de prevenção e sexo seguro.
A campanha atual “Love Life Stop Aids” exibe os anúncios mais curtos já realizados pela televisão, alguns duram apenas cinco segundos, mas têm sido muito elogiados.
O programa suíço contra a Aids tem sido citado como "uma das mais longas e bem preparadas campanhas de marketing social para a prevenção da Aids no mundo".
"Acho que podemos dizer que a mensagem de que o preservativo é a melhor proteção contra o HIV/Aids foi bem difundida. Quase todo mundo sabe isso e esse é certamente o grande sucesso da campanha", disse.
Progresso lento
Mas para ela ainda há muito o que fazer contra a discriminação. "Nós não temos feito muito progresso nos últimos 20 anos. O desafio hoje é realmente integrar essas pessoas na sociedade e dar-lhes as mesmas chances que as outras pessoas. "
Susan Timberlake, da UNAIDS, nota que em quase todos os países do mundo as pessoas estão cientes do HIV e dispostas a discuti-lo.
"No entanto, mesmo com todo o conhecimento e informação sobre a doença, ela ainda está cercada de grandes medos, ignorância e até mesmo aversão, e por isso continua sendo um assunto tabu".
HIV/Aids na Suíça
Mais de 31.000 pessoas foram testadas HIV positivo.
Cerca de 25.000 pessoas vivem com HIV e Aids.
Desde o início da epidemia até o final de 2009, mais de 8.900 casos de Aids foram registrados.
Um total de 5.815 pessoas morreram por causa da Aids.
Em 2009, 642 pessoas foram testadas HIV positivo. As mulheres representaram 27% do total.
48% de todas as infecções são devidas a contatos heterossexuais.
Dia Internacional da luta contra a Aids em Berna
Um grande evento se realiza na praça em frente ao prédio do Parlamento suíço na quarta-feira.
Ele inclui uma corrida pela ruas da cidade antiga em prol da luta contra a Aids. Os participantes pagam U$ 25. A renda será revertida para projetos de combate ao HIV e a Aids da Federação Suíça contra a Aids.
Também haverá shows na praça durante toda a tarde e à noite.
Quem não pode participar do evento, pode mostrar sua solidariedade no Facebook. (Http://apps.facebook.com/aids-walk/)
(Adaptação: Fernando Hirschy), swissinfo.ch