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O presidente americano, Barack Obama, após uma declaração sobre a situação do Iraque, em Martha's Vineyard, no estado americano de Massachusetts.(afp_tickers)
Ao autorizar ataques aéreos no norte do Iraque e reconhecer que não conta com um calendário preciso sobre o tema, o presidente americano, Barack Obama, envolveu-se em uma situação que pode acompanhá-lo até o fim de seu mandato.
Não há soldados em terra, e sim ataques aéreos precisos contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI). Além disso, conselheiros militares foram enviados ao local (130 acabam de se somar aos já presentes).
No entanto, ao afirmar que os Estados Unidos estavam dispostos, em função do clima político em Bagdá, a ajudar um novo governo "em sua luta contra as forças terroristas", o presidente deu um passo à frente.
"Obama parece ter adotado uma estratégia de compromisso militar duradouro no Iraque", considera Anthony Cordesman, do Center for Strategic and International Studies, ao saudar uma estratégia talvez adequada, mas que também envolve altos riscos.
Alguns de seus rivais republicanos não tardaram a denunciar esta iniciativa, e consideram necessário ser mais duro e rápido diante do avanço dos ultra-radicais jihadistas.
A Casa Branca destacou até agora dois objetivos: proteger os americanos em Erbil, capital do Curdistão iraquiano, e evitar um genocídio na região montanhosa de Sinjar.
Obama anunciou nesta quinta-feira que o Exército americano havia destruído a sede do EI no Monte Sinjar e que se comprometia a manter os ataques aéreos no Iraque.
Um grupo de soldados americanos realizou na quarta-feira uma missão de observação neste local, depois da qual informaram que havia muito menos yazidis nas montanhas de Sinjar do que se temia anteriormente.
Mesmo que a maioria dos yazidis consiga se salvar, os Estados Unidos acreditam ser necessário manter a defesa de Erbil e parece pouco provável que Washington aceite como um fato consumado que o EI tenha tomado o controle de grandes partes do território e não ajude o novo governo iraquiano.
O dia seguinte
Se a operação americana for mantida, os alvos podem mudar. "Até agora, vimos ataques bastante limitados contra alvos muito vulneráveis", como caminhões e veículos blindados estacionados nas ruas, ressalta Stephen Bidle, do Council on Foreign Relations.
No entanto, acrescenta, a percepção desta campanha pode mudar radicalmente "se um ataque americano atingir uma escola ou um hospital".
Obama, que insiste que não há uma intervenção militar americana no Iraque, afirma que o único calendário no qual está concentrado hoje é o que permita o nascimento de um governo iraquiano mais tolerante.
O presidente americano já disse que lamenta a maneira como foi realizada a campanha de ataques aéreos da Otan na Líbia em 2011, crucial para a queda do regime do líder Muamar Kadhafi. Embora acredite que a intervenção se justificasse, ele acredita que deveriam ter sido feitos esforços políticos paralelos.
"É uma lição que aplico agora. A cada vez que pergunto 'Temos que intervir militarmente?', acrescento: 'Temos uma resposta para o dia seguinte?'", explicou há alguns dias ao jornal The New York Times.
"Para que uma sociedade funcione a longo prazo, são as pessoas quem devem decidir como vão viver juntas", considerou Obama.
Essa reflexão explica a atitude de Washington, que apoiou plenamente o novo primeiro-ministro do Iraque, Haidar al-Abadi, com a esperança de que esse xiita forme um novo governo mais aberto e evite marginalizar a maioria sunita, o que alimentou a ofensiva dos jihadistas.
Mas a formação de um novo governo mais equilibrado é complexa.
"Não vamos solucionar o problema em algumas semanas. Acredito que levará algum tempo", advertiu Obama, dois anos e meio após a retirada dos soldados americanos.
Para Biddle, "é possível que a campanha de ataques aéreos que Obama lançou há uma semana siga em vigor quando ele deixar a Casa Branca", em janeiro de 2017.
AFP