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Nos últimos 25 anos, o desemprego tem sido quase sempre considerado a principal preocupação dos suíços. Isso é o que resulta de uma ampla pesquisa da emissora de televisão de língua alemã SRF, que se baseia em dados coletados pelo instituto de pesquisa gfs.bern. Análise com o seu fundador Claude Longchamp.
Com o apoio do banco suíço Credit Suisse, o instituto de pesquisa gfs.bern analisa anualmente o temperamento de mil suíços. São pareceres que permitem estabelecer um barômetro das preocupações e levantar os cinco problemas mais importantes dos cidadãos.
Os jornalistas de dados da SRF compilaram essas valiosas informações para realizar uma viagem interativa pelas preocupações dos suíços de 1995 a 2018:
Claude Longchamp, cientista político e colunista da swissinfo.ch, fundou o gfs.bern na década de 1990 e continua presidindo o Conselho de Administração do instituto.
swissinfo.ch: O desemprego permanece quase sempre uma grande preocupação para os suíços, apesar da baixa taxa de desemprego há anos. Como você explica esta contradição?
Claude Longchamp: Não é tanto a taxa de desemprego que preocupa os suíços, mas o medo de ficar sem trabalho. E não é só a classe trabalhadora que está preocupada. O setor financeiro, por exemplo, passou por uma grande reestruturação com muitas demissões. Esse é, portanto, um medo generalizado que permeia toda a sociedade.
Outra preocupação dos suíços nos últimos 25 anos diz respeito aos imigrantes. A mídia não alimentou o medo contra eles?
Não estou convencido de que os meios de comunicação tenham tido uma grande influência. Antes de 2007, era sobretudo a política de asilo que estava na mente das pessoas, seguida da imigração como um todo. E isto com o impacto do acordo sobre a livre circulação de pessoas entre Berna e Bruxelas.
Em relação à política de asilo, temos um esquema bem conhecido. Quando há um crescimento nos pedidos de asilo [muitas vezes rejeitados pelas autoridades], os meios de comunicação divulgam as notícias muito rapidamente, dando grande destaque a esses requerentes de asilo, embora eles representem apenas uma pequena parte dos imigrantes na Suíça
O futuro dos seguros sociais também preocupa os suíços. Como você explica isso?
Isso se deve aos custos da saúde e ao aumento das mensalidades dos seguros de saúde. Em média, os suíços gastam 12% da sua renda no seguro de saúde. Uma parcela que pode ser maior do que os impostos para uma parte da população.
No que diz respeito à aposentadoria, sabemos há muito tempo que a questão do seu financiamento se colocará mais cedo ou mais tarde. Mas o assunto permaneceu tabu por muito tempo. Agora, mais do que nunca, os jovens estão financiando os idosos. E é apenas nos últimos anos que esse tema tem sido objeto de debate político.
Será que as preocupações dos suíços sobre essas questões diminuiriam se fossem tratadas pelos políticos?
Se fossem adoptadas soluções aceitáveis para todos, seria certamente esse o caso. Mas elas são difíceis de encontrar, especialmente no que se refere às aposentadorias.
Os medos e preocupações dos suíços estão refletidos nas eleições?
Não é assim tão direto. Talvez haja duas exceções: a questão europeia nos anos 90, após a rejeição do Espaço Econômico Europeu (EEE). Isso se refletiu nas eleições federais de 1995 e 1999. A outra exceção é a imigração.
Como é que os políticos usam esses barômetros de preocupações?
Os políticos eleitos assistem à evolução das preocupações para finalmente compreendê-las e torná-las um tema de campanha política. Mas não a curto prazo. Para um partido, é difícil mudar de prioridade no ano anterior à eleição federal, caso contrário, corre o risco de ser rotulado de oportunista e de perder eleitores. Essa é a questão que agitou o partido liberal-radical recentemente.
Dada a importância da questão do aquecimento global, os ambientalistas receberão um impulso nas eleições federais em outubro?
Sem dúvida. Especialmente desde que o debate político sobre estas questões está longe de terminar na Suíça. Resta saber se essa preocupação afetará o partido popular suíço, que minimiza a realidade do aquecimento global ou até mesmo o nega. Os cientistas políticos estão divididos neste ponto.
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch