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Um policial junto a droga apreendida do Clã do Golfo, a organização de narcotráfico mais poderosa da Colômbia, no dia 10 de agosto de 2017, no porto de Buenaventura(afp_tickers)
O Clã do Golfo, a organização de narcotráfico mais poderosa na Colômbia, comandada por um ex-paramilitar procurado pelos Estados Unidos, está disposta a se submeter às autoridades após quase dois anos de intensa busca policial, anunciou o presidente Juan Manuel Santos nesta terça-feira.
No domingo "recebemos o chefe do Clã do Golfo uma manifestação expressa da vontade (...) de se submeter à Justiça, ele com todos seus homens", afirmou o presidente em um discurso na sede do governo.
Santos acrescentou que o ministro da Justiça, Enrique Gil, e o procurador-geral, Néstor Martínez, avaliarão a proposta da organização criminosa e "tomarão ações pertinentes".
"Seria uma submissão à Justiça, não uma negociação política", enfatizou o chefe de Estado na véspera da chegada do papa Francisco à Colômbia.
Em um comunicado, Martínez esclareceu que "a submissão coletiva de organizações criminosas" não está prevista na legislação colombiana, mas que, uma vez definida a fórmula jurídica, a organização deverá entregar todo o seu patrimônio ilegal junto a cultivos e rotas do tráfico de drogas.
O Clã do Golfo foi formado pelos remanescentes dos grupos paramilitares que combaterem as guerrilhas de esquerda que já negociaram a paz ou estão dialogando com o governo de Santos.
A maioria dessas milícias de direita se desmobilizou em 2006, mas alguns dos comandantes se organizaram em novos grupos dedicados ao tráfico de drogas e à mineração ilegal.
Elas estão presentes em 236 dos 1.052 municípios da Colômbia, principalmente no Pacífico, um local estratégico para a saída de carregamentos de drogas, explicou à AFP o especialista da Fundação Paz e Reconciliação, Ariel Ávila.
Em 2015, a Colômbia, o maior produtor de cocaína do mundo, segundo a ONU, lançou uma ofensiva por ar e terra contra o Clã do Golfo nas florestas do noroeste do país.
De um exército de 4.000 membros, a organização se reduziu a cerca de 1.800 depois dos golpes desferidos pelas autoridades, incluindo a morte na última quinta-feira de Roberto Vargas Gutiérrez, vulgo "Gavilán" (Gavião em português), segundo no comando do grupo.
Conhecido anteriormente como Clã Úsuga ou Los Urabeños, a organização controla até 45% do tráfico de drogas até os Estados Unidos por meio das chamadas rotas do Pacífico, por cujos portos saem lanchas carregadas de drogas com destino à América Central e ao México, de acordo com Avila.
O Clã do Golfo tornou-se um "cartel que tem um grande poderio militar, consegue administrar grande parte das rotas do narcotráfico e a produção de cocaína" e tem "boa relação com os mexicanos", acrescentou o especialista.
- O mais procurado -
Após a morte de Gavilán, as autoridades estão atrás de Dairo Antonio Úsuga, vulgo Otoniel, chefe máximo do Clã, o homem mais procurado na Colômbia e por quem os Estados Unidos oferecem uma recompensa de cinco milhões de dólares.
O Departamento de Estado descreve Otoniel como o líder de uma organização "fortemente armada, extremamente violenta", que "usa a violência e a intimidação" para controlar o tráfico de drogas.
Úsuga, de 45 anos, é um ex-guerrilheiro e ex-paramilitar que controla uma zona bananeira de Urabá, fronteiriça com o Panamá.
Analistas concordam que ele é um camponês sem ideologia em cuja ficha, além do narcotráfico, há registros de mineração ilegal e de passagem de imigrantes para o Panamá.
Além disso, a polícia o acusa de pagar moradores locais e tenentes para levarem meninas virgens ao seu esconderijo.
O líder do Clã do Golfo conseguiu fugir com táticas de guerrilha. Se comunica somente por meio de correios humanos e a cada três horas muda de lugar, segundo a polícia.
No início da ofensiva oficial, a organização ativou o chamado "plano pistola", uma estratégia de intimidação usada pelo então chefe do narcotráfico Pablo Escobar.
Até maio, 10 policiais foram assassinado em meio a esta campanha com a qual os narcotraficantes pagam qualquer pessoa que assassine um oficial.
AFP