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Milhares de soldados, apoiados por tanques e a aviação, avançavam neste domingo em direção a Tikrit, na maior contraofensiva do Exército iraquiano desde o início da ofensiva dos insurgentes sunitas.
Para ajudar nesta missão de retomar terreno após as derrotas registradas nos primeiros dias da ofensiva jihadista lançada em 9 de junho, a Rússia entregou cinco aviões de combate Sukhoi às forças iraquianas, enquanto os Estados Unidos enviaram especialistas militares e drones.
Os insurgentes sunitas, liderados pelos jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), tomaram em sua ofensiva, que já provocou mais de mil mortes e forçou a fuga de centenas de milhares de pessoas, de extensas áreas a oeste, norte e leste da capital Bagdá.
Enquanto o país é marcado por tensões religiosas, os apelos pela formação de um governo composto por todas as forças políticas e as comunidades aumentam, uma ideia que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki parece, finalmente, ter aceitado esta semana.
O Parlamento deve se reunir na terça-feira para iniciar este processo.
Pelo segundo dia consecutivo, o exército prossegue com a ofensiva lançada no sábado na província de Saladino (norte), a fim de retomar o controle sobre importantes regiões nas mãos dos insurgentes, incluindo Tikrit, reduto do ex-presidente sunita Saddam Hussei derrubado pela invasão americana em 2003.
"As forças iraquianas avançam em diferentes locais" nas proximidades de Tikrit, indicou à imprensa o general Qassem Atta.
"Combates estão em curso", disse, antes de acrescentar que as forças governamentais explodiram de forma controlada bombas colocadas na estrada que leva à cidade.
Ex-palácios de Saddam atacados
Segundo testemunhas, a aviação realiza desde a madrugada ataques aéreos contra várias posições dos insurgentes na cidade.
Os palácios de Saddam Hussein, utilizados pela administração local, e a grande Praça das festividades, foram atingidos pelos bombardeios.
Mais ao norte, combatentes tribais e locais apoiados pelas forças curdas avançam em direção a um vilarejo majoritariamente xiita ao sul de Kirkuk. Ao menos um combatente foi morto durante os confrontos.
À noite, combates foram registrados ao oeste de Tikrit, assim como 20 km ao sul, em Dejla, segundo testemunhas e uma fonte militar.
Na quinta-feira, o Exército assumiu o controle da Universidade de Tikrit, na estrada para Baiji (norte), a maior refinaria de petróleo do Iraque.
E de acordo com o general Qassem Atta, o Exército também controla agora a estrada de Bagdá para Samarra, ao sul de Tikrit.
Além de Tikrit e de outras áreas da província de Saladino (norte), os rebeldes controlam Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, grande parte da província de Nínive (norte), algumas localidades de Diyala (leste), Kirkuk (norte) e Al-Anbar (oeste).
Caças russos
Os Su-25, aviões de ataque terrestre, devem ser pilotados por pilotos da Força Aérea do tempo do regime de Saddam Hussein, que têm o hábito de conduzir tais aeronaves, segundo uma autoridade iraquiana.
O ministério da Defesa ressaltou que as cinco aeronaves serão "utilizadas nos três ou quatro próximos dias" e terão "um papel fundamental nos combates contra os terroristas do EIIL".
Na quinta-feira, Maliki anunciou que Bagdá poderia comprar mais de uma dúzia de aviões fabricados pela Rússia, um acordo estimado em mais de 500 milhões de dólares.
Durante uma visita a Damasco no sábado, o vice-chanceler russo Sergei Ryabkov declarou que seu país não ficaria de "braços cruzados" frente a ofensiva dos jihadistas no Iraque, sem, contudo, detalhar o que o seu país poderia fazer.
"A situação é muito perigosa (...) e ameaça as bases do Estado iraquiano", afirmou, ressaltando que tanto na Síria quanto no Iraque a solução para a crise só poderia vir de um "diálogo nacional genuíno".
O Iraque exige há várias semanas ataques aéreos americanos contra os insurgentes e as autoridades iraquianas têm expressado frustração que os acordos prevendo o fornecimento de caças F-16 e helicópteros Apache ainda não foram implementadas.
No Vaticano, o Papa Francisco fez um apelo aos líderes iraquianos para que façam de tudo para "preservar a unidade nacional e evitar a guerra", durante o Angelus deste domingo.
E as agências internacionais lançaram um alerta sobre as consequências humanitárias do conflito, que levou 1,2 milhão de iraquianos a fugir de suas casas desde o início do ano.