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Enquanto muitos suíços estão esquecendo o quarto idioma oficial do país, um inglês dedica seu tempo a criar um dicionário on-line para o reto-romano.
O site “MyPleradi” é mais uma contribuição para a sobrevivência de uma língua falada apenas por 0,5% dos suíços.
Mike Evans, 52 anos, conhece a Suíça há muito tempo. Seu lugar preferido é o cantão de Graubünden, uma região de vales e montanhas no leste do país.
Já passam mais de dez anos desde que o tradutor e intérprete teve o primeiro contato com o reto-romano, o quarto idioma oficial da Suíça. Não só o inglês nunca se esqueceu da experiência, como também decidiu dedicar suas horas livres ao estudo desse idioma pouco conhecido, falado apenas por 0,5% da população.
Na época Evans ainda vivia na Alemanha. Porém a distância geográfica não impediu que ele aprendesse o “Rumantsch Grischun”, o reto-romano escrito, além da derivação “Sursilvan”, falada em alguns vales do cantão de Graubünden.
“Foi uma coincidência ter conhecido o reto-romano. Eu poderia ter me interessado por outro idioma, talvez um até mais conhecido”, lembra-se Evans.
O desafio de criar um dicionário
A idéia de elaborar um dicionário de reto-romano nasceu, quando Evans percebeu que não existia material de estudo do idioma suíço em inglês.
“Como existem outras pessoas que também se interessam pelo reto-romano, mas não falam o alemão, comecei a juntar e trabalhar minhas anotações. Ao mesmo tempo, também utilizei o vocabulário de dois cursos de reto-romano que freqüentei”.
Quando a “Lia Rumantscha”, a federação das associações de falantes do reto-romano, tomou conhecimento da intenção do inglês de criar um dicionário bilíngüe, a ressonância foi mais do que positiva: eles deram o apoio lingüístico e também logístico para a realização do trabalho.
“O aspecto mais interessante do site MyPledari é seu bilingüismo”, ressalta Wernere Carigiet, coodenador na Lia Rumantscha. “Através desse dicionário, quem domina o inglês podem aprender reto-romano e vice-versa”.
A Internet oferece também uma boa plataforma para as escolas. “O acesso ao banco de dados via internet é atrativo e didático”.
Colecionador apaixonado
Atualmente o dicionário on-line MyPledari tem 4.300 verbetes. Nos próximos meses esse número deve aumentar. “Tenho ainda mais de nove mil palavras nas minhas anotações”, afirma Mike Evans.
Mais de mil horas já foram investidas pelo inglês no trabalho de elaboração do dicionário. “O projeto ajudou a melhorar meus conhecimentos de reto-romano. Eu aprendi bastante e acho que ainda não cheguei no final”.
Para Evans também está claro que dificilmente seu trabalho trará lucros. “Obviamente acredito que meu projeto tem seu valor, porém não imagino que ele possa ser vendido. O mercado para o reto-romano é muito pequeno”.
Interessados no mundo inteiro
Mike Evans, que já vive há um ano no cantão de Graubünden, costuma receber e-mails e cartas de pessoas no mundo inteiro, que por alguma razão se interessam pelo reto-romano.
“Dos contatos que recebo, muitos vêm de lingüistas da Romênia, Catalunha e também dos Estados Unidos. Uma vez fui procurado por um professor da Eslovênia, que estava criando um vocabulário de palavras em vários idiomas, relativas à fauna e flora da região dos Alpes. Me lembro também de um casal, que procurava um nome originalmente suíço para dar ao seu primeiro filho”.
MyPledari.ch é apenas o início
Para Mike Evans, o dicionário MyPledari pode ser uma boa contribuição para salvar o reto-romano. Atualmente, apenas 35 mil pessoas declaram o idioma como sendo sua principal língua.
Na sua opinião, a quarta língua oficial da Suíça deveria ser utilizada também em placas de sinalização ou correspondência oficial. “A presença de um idioma no dia-a-dia é importante para sua sobrevivência”, acrescenta o inglês. “Meu dicionário eletrônico é apenas uma pequena contribuição”.
swissinfo, Gaby Ochsenbein
Tradução de Alexander Thoele