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Membros das delegações africanas estão planejando boicotar o discurso de encerramento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na reunião anual do Fórum Econômico Mundial em Davos na sexta-feira.
A atitude é uma resposta ao comentário de Trump, vazado para a imprensa, em que chamou diversos países pobres, especialmente da África, de "shitholes" ('buracos de merda'), durante uma reunião na Casa Branca sobre imigração.
Trump chegou hoje a Davos, com o objetivo de impulsionar as relações comerciais entre os EUA e outros países como parte de sua agenda "América em Primeiro Lugar", conforme informaram os membros de seu gabinete. Trump também se encontrará com o presidente suíço Alain Berset na estância alpina.
Mas ele não não terá a recepção calorosa que poderia desejar.
Visita de dois dias
O presidente dos EUA chegou a Davos pouco antes do meio-dia na quinta-feira, e foi de helicóptero para Davos do aeroporto internacional de Zurique. Trump vai fazer uma visita de dois dias ao Fórum Econômico Mundial, onde pronunciará um discurso na sexta-feira.Aqui termina o infobox
O CEO da associação Business Leadership Africa, Bonang Mohale, um participante de Davos, escreveu uma carta aberta antes da reunião do WEF, instando as pessoas a virar as costas para Trump quando ele chegar ao evento.
"O racismo explícito nessas afirmações [shithole] é evidente por si mesmo, e uma mancha em um posto tão augusto como o seu", escreveu ele. "Muitos de nós estaremos boicotando seu discurso aos participantes em Davos, em protesto contra seus comentários divisivos e o fracasso contínuo em desculpar-se inequivocamente. Nós incentivamos nossos colegas a fazer o mesmo ".
Os meios de comunicação relatam um número crescente de delegados africanos que expressaram apoio à carta, e que também boicotarão o discurso de Trump. Mas, na agenda, consta que Trump se reunirá com o presidente ruandês Paul Kagame, na qualidade de presidente entrante da União Africana.
Preocupações econômicas e ambientais
Muitas ONGs atacaram as políticas de Trump enquanto ele se dirigia a Davos.
"A agenda do presidente Trump não está colocando a América em primeiro lugar - mas sim os bilionários. Trump foi eleito com a promessa de consertar um sistema econômico e político fraudulento, mas suas políticas irão enriquecer as corporações e a elite rica às custas dos mais pobres da sociedade ", escreveu o diretor da Oxfam, Winnie Byanyima, em um comunicado de imprensa na quarta-feira.
A retirada de Trump dos compromissos ambientais assinados na administração anterior, de Barack Obama, também provocou críticas de Christian Figueres, ex-diretor de assuntos climáticos das Nações Unidas, e hoje uma importante voz na ONG ambiental Mission 2020.
"A situação nos EUA é bastante lamentável", disse Figueres à swissinfo.ch. "Todos os incentivos para a indústria dos EUA limpar suas pegadas de carbono já foram perdidos. Mas devemos diferenciar o que a Casa Branca está dizendo e a economia real, que quer descarbonizar ".
Beatrice Fihn, Diretora Executiva da ONG Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares (ICAN), detentora do do Prêmio Nobel da Paz, disse que a política nuclear de Trump parece abrir caminho para "desenvolver novos tipos de armas nucleares e baixar as limitações para seu uso", declarou Fihn à swissinfo.ch. "Essa é uma situação realmente preocupante".
swissinfo.ch/ets