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O exército suíço quer se livrar de dezessete bunkers secretos espalhados pelos cantões, que seriam utilizados por membros do governo em caso de guerra.
Depois de ter investido 80 milhões de francos para reformar suas infra-estruturas, governo procura uma nova utilização para os monstros de concreto.
A Suíça tem segredos militares. Treze anos e três meses depois da queda do Muro de Berlim, o Ministério da Defesa da Suíça começa as negociações para a desativação progressiva de dezessete "infra-estruturas de condução e proteção dos cantões", como são chamados oficialmente os bunkers do comando do exército helvético até hoje.
Seus equipamentos são camuflados como falsas fazendas ou escondidos sobre prédios administrativos. Essas instalações fazem parte de trinta mil construções do gênero em posse do Ministério da Defesa. A metade deve desaparecer do orçamento público até 2011.
Muitas dessas fortificações são ainda consideradas segredo militar, mesmo se elas já tenham sido identificadas, fotografadas e até noticiadas na imprensa. Recentemente um jornalista suíço foi condenado a 400 francos de multa por ter revelado a existência de um bunker secreto, que deveria ser usado por membros do governo federal em caso de ameaça nuclear.
Estratégia suíça
Através do relatório anual das comissões de gestão, órgãos encarregados de controlar o orçamento público, as intenções do Ministério da Defesa foram tornadas públicas, inclusive a vontade de se librar das relíquias da Guerra Fria.
O documento revela também que 18 cantões construíram fortificações de proteção civil e militar dentro de um programa secreto do governo federal posto em funcionamento a partir do início de 1975. Genebra, Jura, Tessin, Lucerna, Schaffhausen e a cidade da Basiléia não possuem esses bunkers. Obwald e Nidwald dividem um. Segundo os autores, o objetivo era de reduzir os custos e melhorar a eficácia da colaboração entre os cantões e as forças armadas em caso de guerra.
No total, a Confederação Helvética, que financiou o total das infra-estruturas militares e entre 30 e 60% das infra-estruturas civis, teria gasto 80 milhões de francos nos últimos vinte anos: as primeiras obras datam de 1977.
A utilidade das fortificações é colocada hoje em dia em questão, não apenas pelos críticos, mas também pelo próprio exército. Um exemplo: o bunker construído em 1995 (após oito anos de trabalho) no cantão de Vaud. Ele só foi utilizado uma vez, durante o encontro do G8 em Evian em junho de 2003, como base das forças de segurança.
Aberrações
Como explica o "Le Temps" na sua reportagem, não foi difícil descobrir a localização precisa do bunker em Vaud e as circunstâncias da sua construção. Porém o jornal está impedido de publicar as informações, pois estas ainda são consideradas segredos de Estado, mesmo sendo ele considerado inútil. Apesar de ter modernas instalações, o bunker não está incluído no grupo de duas fortificações que poderiam ser utilizados pelo governo local em caso de crise.
Por essa razão, o Ministério da Defesa começou a negociar com os cantões para se ver livre dessa infra-estrutura que não é mais utilizada. Alguns deles mostraram interesse, como o cantão de Berna. Porém quanto custaria desativar os bunkers?
- Em primeiro lugar, as forças armadas precisam avaliar suas necessidades e depois decidir qual infra-estrutura realmente pode ser vendida ou transferida para outras instituições - explica Denis Froidevaux, chefe do serviço de segurança civil e militar do cantão de Vaud. O objetivo é impedir que os contribuintes tenham que pagar duas vezes pela fortificação, através da venda ao cantão de um objeto já pago pelos cofres federais.
O bunker de Vaud custa 400 mil francos por ano. O dinheiro serve para pagar 17 funcionários, encarregados de manter tudo em ordem.
Felix Endrich, porta-voz do exército, ressalta que o programa inclui apenas as infra-estruturas nos cantões. Quanto aos bunkers do governo federal, apenas o chefe das Forças Armadas pode julgar se eles não são mais úteis.
swissinfo, Le Temps
Breves
O exército suíço colocou à venda mais de 20 mil fortificações nos últimos anos.
Algumas delas foram doadas a associações culturais de proteção do patrimônio histórico.
Outras foram adquiridas por grupos privados.
Algumas fortificações ganharam vida nova como a do bunker de Amsteg, que abriga atualmente as instalações da empresa Swiss Data Safe.