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Centenas de pessoas protestaram nesta quarta-feira (18) em Santiago para exigir a renúncia do presidente Sebastián Piñera devido à repressão da polícia durante mais de um ano de agitação social no país, que deixou cerca de trinta mortos.
Cerca de 500 pessoas convocadas pelas redes sociais tomaram a Avenida Alameda por duas horas, em frente ao Palácio de La Moneda, sede do Executivo.
A polícia militar atirou bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água contra os manifestantes, que revidaram com pedras.
A mobilização ocorre três semanas depois da esmagadora maioria dos chilenos pronunciar-se a favor da reforma da constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet (1973), que consideram a origem da desigualdade social no país.
Durante a manifestação, milhares de pessoas que passaram pela região foram atingidas pela água com produtos químicos e gás lacrimogêneo disparados pela polícia.
Um manifestante identificado como Alex Acuña, mecânico de 37 anos, explicou à AFP os motivos da sua participação: "Não alcançamos nada até agora", afirmou, apesar do triunfo esmagador da opção "Eu aprovo" de mudar a Constituição no plebiscito do último dia 25 de outubro.
“A renúncia de Piñera sempre foi solicitada desde o início por tudo o que aconteceu na manifestação social, as violações sistemáticas dos direitos humanos, houve mortes, um número de pessoas com traumas oculares, e ninguém foi responsabilizado. As autoridades nunca vão aos tribunais nem para a cadeia", acrescentou.
Na mesma linha, outra manifestante, a estudante Danae Cariqueo, de 27 anos, afirmou: “Não se pode abandonar a rua, é onde as pessoas se fazem ouvir. Por isso eles têm tanto medo de nós e nos reprimem como fazem. Continuaremos até que tudo mude".