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Elisabeth Kopp, a primeira mulher a entrar no governo da Suíça, completa hoje 80 anos. Sua carreira como ministra no Conselho Federal terminou de forma abrupta devido a um escândalo político. Ela renunciou no início de 1989. Sua contribuição à política pavimentou o caminho para toda uma geração de mulheres na política.
Em 7 de dezembro de 1983, doze anos depois que as mulheres ganharam o direito de voto em nível federal na Suíça, os sociais democratas tentaram indicar pela primeira vez uma mulher para o cargo de ministra do Conselho Federal (gabinete de sete ministros que governa o país). Eles apresentaram Lilian Uchtenhagen, política de Zurique, como sucessora de Willy Ritschard. Porém a maioria dos parlamentares votaram no seu colega de partido, Otto Stich. Na época houve um grande debate nacional sobre a (pouca) participação das mulheres nos altos cargos de governo.
Quase um ano depois, em 2 de outubro, Elisabeth Kopp, outra política do cantão de Zurique, conseguiu quebrar essa tradição ao ser eleita para o Conselho Federal como primeira mulher do cargo.
Membro do Partido Liberal, Kopp assumiu o ministério da Justiça e Polícia. Dentre os assuntos mais importantes durante o seu mandato: o asilo político e a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Dentre os sucessos: um novo direito matrimonial.
Uma ligação a mais
A carreira da ministra sofreu um baque em outono de 1988, quando encontrou-se no foco de um dos maiores escândalos políticos do país: foi quando ligou para o seu marido do gabinete oficial e pediu que renunciasse ao cargo de membro do conselho administrativo de uma empresa sob suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro.
Sob forte pressão, Kopp renunciou em 12 de janeiro de 1989. Em novembro do mesmo ano uma comissão parlamentar de inquérito chegou à conclusão que ela havia violado a confidencialidade profissional e administrativa. Portanto a sua demissão era inevitável. Um ano depois foi absolvida da acusação.
Afastada do poder, Elisabeth Kopp retorna esporadicamente à vida pública, seja através da participação em conferências ou em campanhas políticas. Dentre elas, a de adesão da Suíça à ONU em 2002, em prol de um seguro-maternidade (2004) ou contra a iniciativa do Partido do Povo Suíço (UDC, na sigla em francês) de expulsão de estrangeiros criminosos.
Maioria de mulheres durou pouco
Foi só em 1993 que outra mulher entrou no Conselho Federal: a socialdemocrata Ruth Dreifuss. Depois vieram Ruth Metzler (1999), Micheline Calmy-Rey (2002), Doris Leuthard (2006) e Eveline Widmer-Schlumpf (2007).
Com a eleição de Simonetta Sommaruga em 22 de setembro de 2010, o Conselho Federal passou a ter pela primeira vez em sua história uma maioria de assentos ocupados por mulheres.
Porém essa maioria durou pouco tempo: após abandonar o Conselho Federal em 2011, Micheline Calmy-Rey foi substituída pelo colega de partido Alain Berset. Em 2015, Eveline Widmer-Schlumpf foi substituída por Ueli Maurer. Hoje apenas duas mulheres ocupam os cargos de ministro: Doris Leuthard, a mais antiga e presidente da Confederação Suíça em 2017, e a ministra da Justiça Simonetta Sommaruga.
Adaptação: Alexander Thoele