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Não é fácil ser neutro. O maior desafio da política suíça é definir a posição de neutralidade do país quando o mundo tende ao unilateralismo. Cada vez mais decisões de política externa colocam em risco a relação com outros países ou aumentam a polarização do debate.Este conteúdo foi publicado em 12. março 2020 - 11:11
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Por isso, mais do que nunca, a neutralidade, ancorada profundamente na psique nacional helvética, é um instrumento que oferece aos diplomatas mais flexibilidade para alcançar seus objetivos.
Até hoje a Suíça se aproveita do seu status. A neutralidade marca a independência de política externa do país e reforça seu papel internacional. É o que explicou Laurent Goetschel, diretor da Fundação Suíça pela Paz Swisspeace em Berna, em uma entrevista cedida à televisão suíça no verão de 2018.
Porém essa flexibilidade está sendo hoje questionada. Washington versus Pequim, Bruxelas versus Moscou, Teerã versus Riad: essas questões se tornam cada vez mais prementes em setores como a importação de tecnologia ou acordos comerciais, mas também ao tratar de valores universais ou o direito internacional.
Um exemplo desse dilema é a disputa entre os Estados Unidos e a China: o governo suíço gostaria de costurar um acordo comercial de livre comércio com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, modernizar o acordo, já em vigor, com a China.
Ou se a Suíça irá, finalmente, clarificar suas relações com a União Europeia: o bloco poderá ser menos tolerante com a Suíça no momento de impor sanções à Rússia e não aceitar mais as exceções abertas a ela.
Ou como no caso do assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi: a Suíça foi um dos países que não se juntou à condenação coletiva feita por países europeus, onde exigia que a Arábia Saudita esclarecesse finalmente o caso.
Como a Suíça lida com a crescente polarização? “Em um mundo cada vez mais multipolar, a Suíça precisa saber claramente o que quer”, escreveu há pouco o ministro suíço das Relações Exteriores, Ignazio Cassis.
Porém a definição de neutralidade é controversa na política interna. Os políticos gostam de interpretá-la de diferentes formas, segundo sua própria visão da política externa. A esquerda tende a exigir uma política ativa de neutralidade, na qual a Suíça necessita se posicionar de forma mais clara e direta. A direita, no entanto, equipara a neutralidade com não-interferência e passividade.
Pesquisas de opinião mostram que a maior parte dos eleitores considera muito importante a neutralidade do país. Em uma pesquisa de 2018, 95% das pessoas questionadas defenderam sua manutenção. Além disso, nas últimas duas décadas os eleitores sempre defenderam uma interpretação mais restrita da neutralidade.
Oficialmente a Suíça ainda considera que a neutralidade é a capacidade do país de se sentar com todos à mesa. Mais especificadamente: “Isso não significa que concordar com todos os aspectos em uma discussão”, ressaltou o ministro suíço das Finanças, Ueli Maurer.
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