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Morreu Rita Levi-Montalcini, prémio Nobel, aos 103 anos
A investigadora italiana Rita Levi-Montalcini, que venceu o prémio Nobel da Medicina em 1986 pela descoberta dos factores de crescimento das células nervosas, morreu hoje aos 103 anos em Roma.
Considerada uma grande personalidade na medicina, a investigadora marcou a área pelas suas importantes descobertas sobre os neurónios.
Montalcini nasceu em Turim, no norte da Itália, a 22 de Abril de 1909 no seio de uma família judaica e aos 20 anos lançou-se nos estudos da medicina que conclui em 1936, prometendo então jamais “ter marido ou filhos” para se dedicar à investigação
A promulgação por Mussolini, em 1938, das leis raciais discriminatórias, que impediam as carreiras académicas aos judeus, levam a jovem mulher a procurar a especialização em neurologia e psiquiatria.
Durante a II Guerra Mundial instalou um laboratório na cozinha onde fez experiências com embriões de galinhas.
O avanço das forças alemãs obrigou-a a fugir e refugiar-se em caves na Florença onde se aproxima da Resistência e cura os doentes de tifo.
As suas descobertas em galinhas, feitas em condições precárias, valeram-lhe em 1947 um convite para a Universidade de Saint-Louis em Washington onde, durante 30 anos, prossegue uma carreira de investigadora e professora.
Em 1986 obteve o reconhecimento internacional ao receber o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta revolucionária dos factores de crescimento das células nervosas, em colaboração com Stanley Cohen.
Esta descoberta permitiu uma melhor compreensão do desenvolvimento do sistema nervoso e provocou um enorme progresso nos estudos das doenças cerebrais como a doença de Alzheimer e complicações neurológicas ligados à diabetes.
Rita Levi-Montalcini esteve também na origem da criação, em 2002, do Instituto Europeu de Investigação Cerebral, um centro de investigação interdisciplinar sediado em Roma e totalmente dedicado ao estudo do cérebro.
Primeira mulher presidente da Enciclopédia Italiana (1993-1998, Montalcini foi membro das academias científicas mais prestigiadas, como a Academia Italiana de Ciências, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e da Royal Society de Londres.
Fonte: LUSA/SOL