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Logo do Obamacare em Miami, na Flórida, em 10 de janeiro de 2017(afp_tickers)
Oito meses depois de assumir o controle do governo e do Congresso em Washington, os republicanos renunciaram nesta terça-feira a votar a revogação da lei sobre cobertura de saúde de Barack Obama, por falta de consenso sobre o texto que deveria substituir a lei democrata, conhecida como "Obamacare".
O presidente Donald Trump havia retomado seu compromisso da campanha eleitoral, estimulando a maioria do seu partido a superar suas diferenças e aprovar alguma reforma para poder anunciar ao seu eleitorado: promessa cumprida.
Os republicanos moderados se negaram a apoiar uma revogação que poderia deixar milhões de americanos sem seguro de saúde, apagando assim os avanços dos últimos anos. E os mais conservadores rejeitaram as diversas versões do plano republicano porque estas não revogavam totalmente o Obamacare.
Após semanas de negociações nos bastidores para ressuscitar o projeto, os republicanos jogaram a toalha, nesta terça-feira, a poucos dias da data limite de 30 de setembro, fim do ano fiscal.
"Decidimos que, dado que não temos os votos, adiaremos essa votação", disse a jornalistas o senador Bill Cassidy. Ao seu lado, Lindsey Graham insistiu em que a ideia de acabar com o Obamacare continuava de pé. "Vamos chegar lá", assegurou.
Em julho, tinham submetido a votação outra versão do projeto de revogação, que fracassou devido a desistência de três dos 52 senadores da maioria republicana (de um total de 100). Em todos os casos, John McCain esteve entre os rebeldes, provocando a ira de Trump. "Estamos muito decepcionados com alguns que se autodenominam republicanos", disse o presidente.
Os promotores da revogação afirmaram que voltariam à carga no ano que vem, mas que a médio prazo esta página foi virada.
O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, anunciou que de aqui em diante a prioridade seria a reforma fiscal, prometida para antes do fim do ano. Seu conteúdo será anunciado na quarta-feira.
- Fracasso compartilhado -
O fracasso é tanto do Partido Republicano quanto de Donald Trump. O primeiro tinha feito da revogação sua grande meta durante sete anos, mas se mostrou incapaz de formular um sistema alternativo ao Obamacare capaz de reduzir os custos do atendimento de saúde sem excluir ninguém desse sistema.
Já o presidente acaba de pôr em evidência que a sua influência no Congresso é limitada.
Trump buscou seduzir e ameaçar os senadores republicanos, mas estes não hesitaram em dizer 'não' a ele, por temerem mais a reação dos habitantes de seus estados do que a ira de um presidente pouco interessado nas sutilezas do sistema de saúde.
Os três rebeldes republicanos se opuseram por razões diferentes. John McCain considerava que a proposta de lei era uma improvisação; o conservador Rand Paul a considerava tímida demais e a senadora moderada por Maine, Susan Collins, a considerava cruel para os mais pobres, cujo acesso ao atendimento médico seria limitado. Outros pareciam dispostos a se unir a eles.
"Os americanos conseguiram uma grande vitória", proclamou o senador democrata e ex-pré-candidato à Casa Branca Bernie Sanders.
"Mas sabemos bem que o 'status quo' não basta. É tempo de nos unirmos ao resto do mundo industrializado e garantir a todos os americanos o acesso ao atendimento de saúde, graças a um programa Medicare para todos", disse, em referência ao seguro de saúde para os maiores de 65 anos, que o legislador quer estender a toda a população.
A oposição democrata está longe de estar unida em torno à ideia de uma cobertura de saúde nos moldes europeus. Os democratas propuseram colaborar com os republicanos para "reparar" o Obamacare, que provocou um aumento dos preços dos seguros para uma pequena parte da população.
AFP