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Danilo Hernández, comandante da Frente de Guerra Ocidental Resistência Cimarrón do Exército de Libertação Nacional (ELN), durante entrevista à AFP, em Alto Baudo, no dia 26 de janeiro de 2017(afp_tickers)
Para o ELN, última guerrilha ativa da Colômbia após a assinatura do acordo de paz com as Farc, a luta armada revolucionária "tem plena vigência", às vésperas do início previsto dos diálogos com o governo para por um fim a mais de meio século de conflito.
"Enquanto existirem necessidades que deram origem a esta urgência, será preciso continuar lutando", disse à AFP Danilo Hernández, comandante da Frente de Guerra Ocidental Resistência Cimarrón, do Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista) no departamento (estado) de Chocó, fronteiriço com o Panamá.
O líder rebelde destacou a unidade do ELN para enfrentar a negociação, que será iniciada em 7 de fevereiro em Quito se a guerrilha libertar antes o ex-congressista eleito pelo Chocó, Odín Sánchez, em seu poder desde abril passado, e após o indulto a dois guerrilheiros de parte do governo e a designação de outros dois como facilitadores da paz.
Segue a entrevista feita na região de selva do rio Baudó, onde o ELN tem forte presença:
- Como será o processo de entrega de Odín Sánchez?
Está em andamento. Em 2 de fevereiro ocorrerá a libertação, se o governo não mudar as condições na última hora.
- Há mais reféns?
É provável, estamos em um conflito.
- E há menores de idade nas suas fileiras?
Se levar em conta os de 16, 17 anos, sim. O Direito Internacional Humanitário permite que maiores de 15 anos participem de um conflito. Não recrutamos à força.
- O ELN quer a paz?
Sempre quisemos. Mas o governo traçou umas linhas vermelhas, que são as que deram origem ao conflito. E enquanto não se buscar uma solução para elas, a paz será cada vez mais difícil.
- Quais são?
O governo disse que não se toca na propriedade privada, que é a que empobrece mais os pobres, nem na doutrina militar. Mas dos homicídios na Colômbia, um grande percentual é cometido pelas forças militares, pela polícia, aliadas ao paramilitarismo, o braço direito do Estado.
- A desmobilização de paramilitares na Colômbia terminou em 2006. O fenômeno continua vigente?
Continua vigente e fortalecendo-se.
- Os diálogos permitem evitar estas linhas vermelhas?
A sociedade é quem tem que resolver as necessidades e isto o ELN vai buscar.
- O ELN chega unido a este processo de paz?
Totalmente. É uma organização coesa. É falso [dizer] que há divisões internas.
- Vão continuar mantendo reféns durante a negociação?
O governo impôs a condição de dialogar em meio ao conflito, e se a guerra implica retenções, é um tema que se estaria discutindo também na mesa.
- Por que o ELN faz reféns?
É um método de financiamento.
- Que outros há?
Nas zonas onde há narcotráfico, a guerrilha cobra um imposto a quem vai comprar a coca. O ELN não tem nenhuma relação direta com os cultivos. Não temos nenhum outro vínculo com o narcotráfico.
- São favoráveis a uma trégua bilateral?
Seria bom. Não compreendemos como vamos fazer a paz em meio ao conflito, que é o que (o presidente) Juan Manuel Santos pediu.
- A ofensiva contra o ELN vai aumentar após a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc)?
Sempre houve [ofensiva]. Inclusive há alguns dias houve um bombardeio no [departamento do] Chocó. De repente aumenta um pouco mais a perseguição.
- O governo diz que o ELN tem 1.500 combatentes.
Somos muitos mais.
- O processo com o ELN será como o das Farc?
Tentamos que sejam diferentes. Respeitamos as negociações com as Farc, mas não as compartilhamos, pensamos que não se discutiu os temas a fundo, tudo foi muito superficial.
- A paz será assinada antes de Santos deixar o governo, em agosto de 2018?
Não temos pressa de terminar.
- Por que o ELN quer realizar a negociação com Brasil, Equador, Chile, Cuba e Venezuela, garantidores dos diálogos juntamente com a Noruega?
É uma obrigação que temos com o mundo. O governo tem medo de que sejamos conhecidos.
- O ELN é a única guerrilha do continente. Não é um modelo esgotado?
A luta armada revolucionária tem plena vigência. Enquanto existirem as necessidades que deram origem a esta insurgência, será preciso continuar lutando.
AFP