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Familiares dos 43 estudantes desaparecidos no México participam de manifestação, na Cidade do México, no dia 24 de setembro de 2015(afp_tickers)
Cerca de 60.000 restos ósseos são analisados por autoridades mexicanas e peritos forenses independentes para enviar novas amostras ao laboratório austríaco de Innsbruck que permitam determinar se correspondem a algum dos 43 estudantes desaparecidos em Ayotzinapa, informou nesta sexta-feira a procuradoria.
O órgão anunciou que foram esgotados os elementos para identificar mais pessoas dentro do lote de 17 ossos enviados em novembro passado a Innsbruck para sua análise, com os quais foi identificado um dos 43 estudantes desaparecidos e um de maneira parcial.
"São cerca de 60.000 fragmentos (de ossos), são de diferentes tamanhos e características", a maioria calcinados, que seriam suscetíveis a uma análise genética, afirmou em uma reunião com a imprensa internacional Eber Omar Betanzos, subprocurador de Direitos Humanos.
Estes restos ósseos foram encontrados junto com os dois ossos com os quais foram identificados plenamente Alexánder Mora Valencia e de maneira "moderada" Jhosivani Guerrero de la Cruz, dois dos 43 estudantes desaparecidos há um ano em Iguala.
Dos 17 ossos que foram selecionados inicialmente "não há mais elementos para poder fazer uma análise de caráter genético", esclareceu Omar Betanzos.
Os jovens foram brutalmente atacados entre 26 e 27 de setembro de 2014 na cidade de Iguala, Guerrero (sul), por policiais que os entregaram a integrantes de um cartel do narcotráfico que teria os assassinado e incinerado, segundo a versão oficial.
As cinzas e restos teriam sido depositados em oito sacos plásticos, um dos quais foi recuperado pelas autoridades em um rio próximo e nela foram encontrados estes fragmentos de osso.
Em novembro do ano passado, a procuradoria havia dito que as 17 peças ósseas enviadas eram as únicas que conservavam as características mínimas necessários para a identificação através do DNA.
Contudo, peritos da procuradoria e da equipe argentina de antropologia forense, que colaboram na investigação, estão fazendo uma nova seleção de amostras que serão enviadas nos próximos dias ao laboratório austríaco, informou o subprocurador.
As conclusões oficiais foram rejeitadas pelos desolados pais dos 43 estudantes desaparecidos.
Recentemente um grupo de especialistas independentes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que investigou o caso durante seis meses, pediu através de um relatório que sejam abertas novas linhas de investigação.
A um ano do desaparecimento dos estudantes, seus pais e colegas empreenderam uma série de ações de protestos, incluindo uma greve de fome por 43 horas que terminou na tarde desta sexta-feira, e vão liderar no sábado uma enorme manifestação na Cidade do México.
AFP