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O chefe do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr Al-Baghdadi, aparece em vídeo postado em sites jihadistas pedindo para que todos os muçulmanos o obedeçam, em 5 de julho de 2014(afp_tickers)
A primeira aparição em um vídeo do líder do Estado Islâmico,Abu Bakr al-Bagdhadi, autoproclamado califa, é uma demonstração de força de seu grupo, que controla partes do Iraque e da Síria, segundo os especialistas.
Abu Bakr al-Bagdhadi convocou na sexta-feira os muçulmanos à obediência em um sermão na mesquita Al-Nur de Mossul, no Iraque, segundo um vídeo divulgado no sábado.
Sua aparição foi uma surpresa para um líder que até agora cultivava uma imagem de comandante solitário, e é uma nova demonstração de força do grupo, que em poucas semanas tomou várias regiões diante da impotência do exército iraquiano.
"Em resumo, temos o homem mais procurado do planeta que vai ao centro de Mossul e dá um sermão de 30 minutos na mesquita mais venerada da cidade, controlada pelo grupo jihadista mais conhecido de nosso tempo", explica Charles Lister, pesquisador do Brookings Doha Center.
"O fato de Bagdhadi ter aparecido publicamente em um lugar tão central ressalta a grande confiança que existe dentro de sua organização" em nível de segurança, afirma este especialista.
O Estado Islâmico (EI) lidera a insurreição sunita no Iraque que no dia 10 de junho tomou a cidade de Mossul e quer instaurar um califado em um território entre Síria e Iraque.
O vídeo, divulgado no sábado, mostra um homem vestido de preto com a barba grisalha dirigindo-se aos fieis na tradicional oração de sexta-feira.
Um texto o identifica como califa Ibrahim, o nome que Bagdhadi usava quando o grupo declarou no dia 29 de junho a criação de um califado, um sistema de governo no qual um líder assume todo o poder político e religioso.
Quando Abu Bakr al-Bagdhadi tomou em maio de 2010 o controle do grupo, que até a semana passada se chamava Estado Islâmico do Iraque e do Levante, acreditava-se que estava enfraquecido.
Mas pouco a pouco reuniu dinheiro, melhorou sua estrutura e, se aproveitando do caos provocado pela guerra civil na Síria, expandiu seu poder. Bagdhadi terminou cortando suas relações com a Al-Qaeda, a rede liderada em nível global por Ayman al-Zawahiri.
Seu grupo é conhecido por sua brutalidade e por ter executado e crucificado seus opositores na Síria.
"Tudo o que esse grupo fez foi audaz, por isso parece lógico que Bagdhadi tenha saído das sombras para se expor", afirma Will McCants, um ex-assessor na luta contra o terrorismo do Departamento de Estado americano.
"O sermão de Bagdhadi parece incoerente do ponto de vista da segurança, mas tem muito sentido no contexto de sua competição com a Al-Qaeda para assumir a liderança da guerra santa internacionalmente", explica McCants, agora no Saban Center for Middle East Policy.
O grupo jihadista atraiu para sua causa milhares de combatentes estrangeiros, entre eles ocidentais, graças, em parte, à figura de Bagdhadi, que se uniu à insurgência iraquiana após a invasão dos Estados Unidos em 2003 e depois foi detido em uma prisão militar do país.
Segundo os especialistas, os combatentes estrangeiros também se sentem atraídos porque, diferentemente da Al-Qaeda, o grupo parece estar mais orientado à fundação de um Estado Islâmico ideal, se aproveitando da porosidade da fronteira entre Síria e Iraque.
O EI também divulgou vídeos em inglês para atrair combatentes ocidentais.
"É muito provável que o vídeo (do sermão) apareça nos próximos vídeos de recrutamento", afirma Ahmed Ali, do Institute of the Study of War.
"Bagdhadi quer há tempos se posicionar como líder global da jihad e compete com Zawahiri e com outras figuras da estrutura centralizada da Al-Qaeda. O controle de Mossul e de outras zonas significa para ele um impulso ideal para se estabelecer como principal líder da jihad", afirma Ali.
AFP