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O suíço Andreas Notter, funcionário do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) sequestrado há mais de três meses por rebeldes filipinos, está livre do cativeiro.
As informações sobre as circunstâncias de sua libertação ainda são contraditórias. Um italiano ainda continua em poder de integrantes do grupo radical islâmico Abu Sayyaf, informam as agências de notícias.
Notter, de 38 anos, foi libertado – supostamente pela polícia – na sexta-feira (horário local), na ilha de Jolo, no sul das Filipinas. "Dadas as circunstâncias, ele passa bem", disse o porta-voz do CICV, Florian Westphal, neste sábado à imprensa em Genebra. Notter estaria feliz por poder retornar em breve à sua família.
"Estamos muito felizes e aliviados pela libertação de Notter e fazemos um apelo aos sequestradores para que soltem também o último refém, Eugenio Vagni, funcionário do CICV", disse Andreas Stauffer, porta-voz do Ministério suíço das Relações Exteriores.
O italiano de 62 anos foi raptado em 15 de janeiro junto com Notter e a engenheira filipina Mary Jean Lacaba por membros do grupo radical islâmico Abu Sayyaf.
Lacaba foi libertada no começo de abril - segundo informações da mídia filipina – mediante pagamento de resgate. Westphal disse neste sábado que "o CICV nunca recebeu um pedido de pagamento de resgate e nunca pagou resgate".
A única exigência feita pelos sequestradores teria sido a retirada das tropas filipinas da Ilha de Jolo.
Ex-refém está confuso
Poucas horas após sua libertação, Notter falou com a imprensa nas Filipinas. Ele disse estar confuso sobre as circunstâncias de sua libertação.
"Eu saí correndo e estou feliz por estar vivo e em segurança", acrescentou neste sábado. Segundo o ministro filipino do Interior, Notter foi examinado por médicos e está bem se saúde.
"Notter está esgotado e possivelmente desorientado", disse Puno. O suíço já teria contatado sua família e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
O diretor da Cruz Vermelha filipina, Richard Gordon, disse que Notter foi encontrado na madrugada deste sábado, caminhando perto da cidade de Indanan, no interior da Ilha de Jolo.
Operação de resgate?
Segundo informações de um porta-voz do Ministério filipino da Defesa, Notter foi hospedado na casa do governador provincial Abdusakur Tan, onde teria recebido o primeiro atendimento médico.
As informações sobre as circunstâncias de sua libertação ainda são contraditórias. Ainda não se sabe se ele foi solto, libertado pela polícia ou simplesmente abandonado pelos rebeldes.
Segundo um porta-voz do governo filipino, Notter foi libertado através de uma operação policial. O funcionário da Cruz Vermelha teria sido libertado pela polícia e por voluntários, declarou um delegado da polícia local.
A libertação teria ocorrido quando os rebeldes tentaram romper um cordão de segurança na região considerada um reduto da organização Abu Sayyaf.
Um porta-voz do Ministério da Defesa das Filipinas disse não saber se Notter foi solto ou libertado.
Berna não quis comentar as circunstâncias da libertação. O Ministério das Relações Exteriores estaria em estreito contato com o CICV e as autoridades filipinas. A ministra Micheline Calmy-Rey, que termina neste sábado uma viagem à África ocidental, teria sido informada.
swissinfo com agências
Abu Sayyaf
O Abu Sayyaf, fundado em 1991 por ex-combatentes da guerra do Afeganistão contra a União Soviética, é considerado um grupo terrorista pelos Governos de Washington e Manila.
É o menor dos grupos islâmicos separatistas que atua no sul das Filipinas e na Malásia. Estima-se que tenha em torno de 2 mil integrantes.
Em 2000, o grupo sequestrou mais de 30 estrangeiros que passavam férias nas Filipinas. Em abril de 2001, o grupo seqüestrou 21 turistas da ilha de Sipadan, na Malásia
O grupo é acusado de praticar atentados a bomba, sequestros e assassinatos para criar um Estado islâmico.