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O presidente Emmanuel Macron pediu a todos os franceses que participem de um grande debate nacional com o qual espera resolver a crise dos "coletes amarelos", a mais séria desde que chegou ao poder.
"Pretendo transformar o descontentamento em soluções", escreveu o presidente centrista em uma carta aberta aos franceses divulgada no domingo à noite, na qual convida todos os cidadãos a participarem desta grande consulta nacional inédita que será aberta na terça-feira e durará dois meses.
O próprio Macron lançará esta consulta popular em uma pequena localidade do norte da França, onde falará durante três horas junto a 600 prefeitos e representantes locais sobre as principais preocupações dos franceses.
Ele espera que, com este grande debate nacional, o país possa sair da crise dos "coletes amarelos", um coletivo de franceses de classes populares e médias, cansados dos impostos e políticas sociais que consideram injustas.
Em sua longa carta, o presidente levantou quatro grandes questões que articularão as discussões: pressão fiscal, organização estatal, transição ecológica e democracia, que, segundo estima, respondem às "principais preocupações que surgiram nas últimas semanas".
"Sei que alguns de vocês se sentem insatisfeitos ou zangados, porque os impostos são altos demais, os serviços públicos são muito distantes, os salários são baixos demais para que alguns possam viver com dignidade", disse Macron. "Compartilho sua impaciência", garantiu.
No entanto, o ex-banqueiro fixou uma série de "linhas vermelhas", como a supressão do imposto sobre as grandes fortunas, uma decisão que tomou após chegar ao poder em 2017 e que se tornou uma das reformas mais impopulares de sua presidência.
- 'Não esquecerei ninguém' -
Este debate "não é uma eleição nem um referendo", disse Macron, que também exigiu o fim de todas as formas de violência, após vários dias de manifestações marcadas por confrontos entre a polícia e manifestantes, bem como agressões contra jornalistas.
A secretária de Estado do ministério da Transição Ecológica, Emmanuelle Wargon, e o ministro encarregado das Coletividades Territoriais, Sébastien Lecornu, serão responsáveis pela realização desta consulta nacional em que os prefeitos terão um papel essencial como um canal de transmissão das preocupações dos cidadãos.
"A ideia é ir a todos os cantos da República e não esquecer ninguém", explicou o porta-voz do governo, Benjamin Griveaux. Macron prometeu que o debate será concluído com anúncios antes do final de abril.
Este debate nacional é a segunda tentativa do presidente de 41 anos de acabar com os protestos de um movimento que começou com o aumento de um imposto sobre os combustíveis, mas que rapidamente se ampliou.
O presidente anunciou em dezembro medidas em favor dos mais pobres, incluindo um aumento de 100 euros no salário mínimo, como parte de um pacote que vai custar aos cofres públicos 10 bilhões de euros. Mas isso não foi suficiente para silenciar os protestos.
No sábado, 84.000 "coletes amarelos" voltaram a se manifestar em toda a França, mais do que na semana anterior, quando cerca de 50.000 manifestantes foram contabilizados.
Macron, cuja popularidade caiu para mínimos nas pesquisas, terá de redobrar os seus esforços para convencer os franceses a participar do debate, uma vez que 77% dos cidadãos acredita que não será feito "de forma independente" e 70% acreditam que não será útil para o país, de acordo com uma pesquisa divulgada na sexta-feira.
Além disso, muitos "coletes amarelos" questionam a legitimidade dessa iniciativa. Para eles, o verdadeiro debate está acontecendo "nas ruas".
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