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Luvas e botas usadas em centro de tratamento do Ebola em Monróvia, na Libéria, em 24 de julho de 2014.(afp_tickers)
Dois cidadãos americanos, infectados com o vírus Ebola no oeste da África, retornarão aos Estados Unidos, onde serão tratados em estrito isolamento nos próximos dias, informou nesta sexta-feira o Departamento de Estado americano.
"A segurança e a proteção dos cidadãos americanos é a nossa maior preocupação", disse a vice-porta-voz Marie Harf, confirmando que o Departamento de Estado está procedendo a retirada juntamente com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
"Todas as precauções estão sendo tomadas para transferir os pacientes de forma segura e protegida para fornecer cuidados críticos no itinerário em uma aeronave não comercial e para manter estrito isolamento em sua chegada aos Estados Unidos", declarou.
Serão "levados para instalações médicas com isolamento apropriado e capacidade de tratamento", acrescentou Harf em seu comunicado.
A organização de caridade Samaritan's Purse informou que dois de seus integrantes, o doutor Kent Brantly e outra missionária americana, Nancy Writebol, tinham sido infectados com o vírus na Libéria.
O estado de saúde de ambos é "grave", informaram grupos de assistência. A SIM USA, grupo cristão para o qual trabalhava Writebol, informou que ela estava em estado "grave, mas estável".
"Estamos animados de que Nancy esteja estável e que haja planos para trazê-la de volta aos Estados Unidos", disse Bruce Johnson, presidente do SIM USA.
O Hospital da Universidade Emory, no sul da Geórgia, também informou que está se preparando para receber "um paciente com infecção pelo vírus Ebola em sua unidade de contenção nos próximos dias".
"Protocolos e equipamentos dos CDC são usados neste tipo de transferências médicas de forma que possam ser retirados com segurança", disse Harf.
Isto é feito de forma a proteger "o paciente e a população americana, de forma similar ao que foi feito em transferências médicas no passado", acrescentou.
Brantly, de 33 anos, foi infectado com Ebola enquanto trabalhava com doentes em Monróvia, capital da Libéria, ajudando a tratar vítimas da pior epidemia de Ebola da história.
O chefe dos CDC, Tom Frieden, disse que a decisão de transferir os dois americanos foi tomada pelos grupos assistencialistas para os quais eles trabalhavam e não pelos CDC, embora a agência "queira apoiá-los em sua decisão".
"Algo que dizemos tradicionalmente é que se alguém tem Ebola, o risco de avaliação médica deve superar os benefícios em um nível maior de cuidado médico", disse Frieden à emissora CNN.
"Um voo sobre o oceano é árduo. Alguém que tem Ebola pode ter veias e artérias delicadas. Isso pode causar complicações hemorrágicas. Portanto, a própria viagem pode ser nociva", acrescentou.
A organização Samaritan's Purse informou que "os dois americanos que contraíram Ebola na Libéria permanecem no país hoje, mas os esforços de transferência médica estão em andamento e devem ser concluídos na semana que vem".
Um porta-voz do Pentágono disse que "o avião chegará à base aérea Dobbins, na Geórgia", mas não deu detalhes sobre o dia e a hora, e informou que os dois não chegarão ao país a bordo de uma aeronave militar.
Na quinta-feira, a OMS elevou em 57 o número de mortos pelo Ebola, somando 729 no total. A organização anunciou que 122 novos casos tinham sido detectados entre a quinta-feira e domingo passados, aumentando o total de casos registrados a mais de 1.300 desde que a epidemia começou, no começo deste ano.
AFP