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(Arquivo) O modelo S da fabricante Tesla, em Frankfurt, no dia 16 de setembro de 2015(afp_tickers)
Uma fatalidade anunciada pela Tesla na quinta-feira pode servir de alerta para a 'corrida' pelos carros autônomos, um movimento que desperta o interesse de cada vez mais gigantes de automóveis e de tecnologia.
A empresa americana de carros elétricos informou sobre o primeiro acidente fatal ocorrido em um dos seus modelos equipados com o sistema de piloto automático.
Em maio, um homem morreu na Flórida enquanto usava o 'Autopilot'. Nem o motorista nem o sistema conseguiram detectar a manobra de um caminhão que cruzou com o veículo, um Model S, de modo que os freios não foram acionados.
A primeira tragédia envolvendo a condução autônoma pode projetar um cenário de pesadelo para uma indústria que aposta nessa tecnologia para melhorar a segurança rodoviária e reduzir as mortes no trânsito, causadas principalmente por erro humano.
Mais de 30.000 americanos morrem anualmente em acidentes deste tipo, de acordo com dados do governo.
Pesquisadores dizem que o incidente da Tesla não muda as perspectivas de longo prazo para os veículos autônomos ou para seus potenciais benefícios, mas pode diminuir o entusiasmo em relação a esta tecnologia.
"Isto é, evidentemente, uma coisa horrível, mas não afeta a tecnologia no panorama geral", disse Richard Wallace, diretor de análise de sistemas de transporte no Centro para Pesquisa Automotiva, em Ann Arbor, Michigan.
"Mas pode afetar a percepção pública da tecnologia, e, obviamente, as pessoas têm de comprar esses veículos", completa.
Mary Cummings, que dirige o Laboratório de Humanos e Autonomia da Universidade de Duke, disse que o acidente da Tesla mostra que a indústria está se movendo rápido demais para implantar os veículos autônomos.
"Minha preocupação é que isso tenha sido um acidente evitável. Minha preocupação é que isto será um contratempo para a indústria", disse Cummings à AFP.
Cummings, que advertiu contra a implantação prematura dessa tecnologia em uma audiência no Senado americano no início deste ano, disse que acredita que os carros autônomos serão benéficos no longo prazo, mas que não deveriam circular pelas estradas antes de estarem prontos.
A pesquisadora disse que a Tesla estava ciente do "ponto cego" no seu Autopilot, e que deveria saber que os motoristas muitas vezes ignoram os avisos para permanecerem vigilantes quando utilizarem o sistema semi-autônomo.
Em um comunicado, a Tesla disse que a fatalidade foi "uma perda trágica" e que foi o primeiro incidente deste tipo ocorrido com o seu sistema de piloto automático ativado.
A empresa afirmou, ainda, que seu piloto automático, lançado no ano passado, não é um sistema totalmente autônomo e que os motoristas são alertados de que precisam estar ao volante e no controle.
O sistema permite que o veículo mude automaticamente de pista, controle a velocidade e freie para evitar uma colisão. A função é ativada pelo motorista e pode ser anulada por ele.
A notícia chegou um dia antes da fabricante de automóveis alemã BMW anunciar, nesta sexta-feira, que vai unir esforços com a gigante americana de microprocessadores Intel e a empresa de tecnologia israelense Mobileye para desenvolver carros sem motoristas até 2021.
A maioria das outras grandes fabricantes de automóveis também está desenvolvendo projetos com tecnologias de condução autônoma.
A sul-coreana Kia prometeu produzir um veículo autônomo até 2020, a General Motors planeja testar a tecnologia com a gigante do serviço de transporte privado Lyft, e o Google já lançou e começou a testar seu protótipo de carro sem motorista.
AFP