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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, gerou controvérsias nesta quarta-feira ao nomear como nova ministra da Mulher e da Igualdade de Gênero Macarena Santelices, uma jornalista conservadora e criticada por ser sobrinha-neta do ex-ditador Augusto Pinochet (1973-1990).
Várias organizações que defendem os direitos de gênero e líderes de associações feministas questionaram a falta de experiência no assunto de Santelices, militante do partido de direita radical UDI, que forma a coalizão do governo Piñera.
Nas redes sociais, a nomeação do governo foi muito criticada, acusando Santelices de ser una reconhecida defensora da ditadura que deixou mais de 3.000 mortos no Chile.
"Quero ser clara e franca, porque nunca endossei nem justifiquei a violação dos direitos humanos. Ter uma tendência política não significa endossar eventos tão sérios que devem ser condenados não hoje, mas sempre, como é a violação de direitos humanos", afirmou Santelices em um primeiro discurso após assumir o cargo.
O esclarecimento veio após uma declaração que ela deu em 2016 ao jornal El Mercurio de Valparaíso viralizar: "Não podemos ignorar as coisas boas do regime militar".
Ela enfatizou que seu desafio "tem a ver com as lutas pelos direitos das mulheres, da mulher trabalhoda, indígena e das mulheres que atualmente sofrem a violência dos agressores que as têm em casa", destacou em referência ao aumento de relatos de violência doméstica em vários países durante a quarentena.
Antes, Piñera sustentava que seu compromisso era "uma sociedade com total e absoluta igualdade de dignidade, direitos, deveres e oportunidades entre homens e mulheres".
Santelices trabalhou como jornalista em canais de televisão locais e foi prefeita entre 2012 e 2019 da cidade de Olmué, norte de Santiago.
Depois de outubro, quando o Chile foi abalado por um protesto social sem precedentes que polarizou a população, Santelices declarou: "Eu realmente acredito que segmentar pessoas porque elas estão de um lado ou de outro está fora de moda. No Chile, todos nós queremos avançar, queremos crescer e queremos construir", lembraram vários meios de comunicação na quarta-feira.
"Consideramos que a nomeação é uma provocação ao movimento feminista e exige uma ministra treinada em defesa dos direitos das mulheres e das dissidências sexuais", afirmou a Assembleia Feminista Plurinacional, que reúne várias associações no Chile, em comunicado.