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Relatório do WEF diz que íderes do planeta não cumprem suas promessas de proteção do meio ambiente, buscar a paz e lutar contra a fome.
A acusação é feita em relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF), referindo-se aos compromissos assumidos em 2000 na Declaração do Milênio da ONU.
Tanto no setor privado como no setor público, os dirigentes mundiais não estão à altura na luta contra a fome, a pobreza, na resolução de conflitos e na questão das mudanças climáticas.
A constatação é dos especialistas da Iniciativa Governança Global (GGI) e será discutida este ano no Fórum Econômico Mundial (WEF), de 26 a 30 de janeiro em Davos, nos Alpes suíços.
Todo ano, esse grupo de especialistas independentes avalia os progressos realizados em função dos objetivos fixados na Declaração do Milênio da ONU, elaborada e adotada por 191 países em setembro de 2000.
Através desse documento, a comunidade internacional comprometeu-se, entre outros objetivos, a reduzir até 2015 o número de pessoas pobres no mundo, a garantir o ensino primário para todos e garantir um meio ambiente sustentável.
Setores público e privado
De acordo com o relatório, os líderes mundiais não fazem nem a metade do que é necessário para construir um mundo mais estável e mais próspero.
De fato, se a responsabilidade principal é dos governos, os objetivos da Declaração do Milênio da ONU só poderão ser atingidos com a participação do setor privado.
E ele pode dar sua contribuição em vários níveis: desenvolver novos produtos ecológicos, aplicar estratégias comerciais que integrem uma dimensão filantrópica ou assumir responsabilidades políticas e institucionais.
"A integração econômica, a liberalização política e a inovação tecnológicas propiciam as condições necessárias para melhorar a condição humana", afirma Ann Fiorini, co-autora do relatório.
Ela acrescenta, no entanto, "que as oportunidades podem ser desperdiçadas. Esse relatório mostra o que não foi feito mas que poderá sê-lo".
Prazo até 2015
Segundo Richard Samans, diretor do WEF Instituto pela Parceria e Governança, 2005 será o ano decisivo para a concretização dos objetivos da Declaração do Milênio.
Em setembro, haverá um encontro de cúpula da ONU, em Nova York, para avaliar os progressos feitos até lá.
"Para vários objetivos, 2015 é o prazo fixado. Se a comunidade internacional quiser levá-los a sério, tem de começar a aplicar-se com muito afinco desde já", afirma Richard Samans.
O relatório afirma ainda que a resposta das empresas multinacionais ao desastre causado pelo tsunami na Ásia prova que o setor privado pode contribuir muito para atingir objetivos globais.
"Essa foi a primeira catástrofe glabal dessa amplitude e suscitou emoção e apôio sem precedentes", analisa Gareth Evans, presidente do grupo de especialistas em paz e segurança no GGI.
"A catástrofe também demonstrou que todos pertencemos a uma mesma família, cada vez mais exposta aos riscos comuns e, portanto, com co-responsabilidade na prevenção e resolução".
Como lembrete, este mês, em Genebra, 70 países (entre eles a Suíça) prometeram doar 717 milhões de dólares à ONU para ajudar na reconstrução das regiões atingidas pelo tsunami.
swissinfo
Fatos
A Iniciativa Governança Global controla os progressos realizados em função dos objetivos definidos na Declaração do Milênio da ONU, adotada em setembro de 2000 por 191 países.
Esses objetivos são reduzir a pobreza extrema e a fome, garantir o ensino primário para todos, promover a igualdade de sexos, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater a aids, a malária e outras doenças, assegurar o meio ambiente durável e implantar uma parceria mundial pelo desenvolvimento.
Breves
- Um relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) demonstra que os líderes mundiais não cumprem suas promessas feitas de lutar contra os principais problemas do planeta.
- Segundo os especialistas da Iniciativa Gobernança Global (GGI), até agora foi feito menos da metade do necessário para construir um mundo mais estável e mais próspero.
- O relatório do GGI será discutido na reunião anual do WEF, de 26 a 30 de janeiro em Davos, nos alpes suíços.