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Os 130.000 documentos de empresas privadas utilizados pela « Comissão Bergier » para esclarecer o controvertido papel da Suíça durante a Segunda Guerra Mundial podem ser recuperados pelos donos. Descontentes, historiadores criticam falta de acesso aos documentos para verificar os fatos.
A decisão de restituir os documentos às empresas privadas foi tomada pelo governo suíço na terça-feira, 3 de julho. O governo avança como argumento a necessidade de proteger as cópias coletadas em arquivos privados pelos colaboradores da Comissão Bergier, para evitar « uma exploração abusiva de dados confidenciais ».
Os integrantes da Comissão trabalharam durante cinco anos sobre o papel exercido pela Suíça durante a Segunda Guerra. Comunicaram os resultados em dezembro de 1999.
A atitude ambígua da Suíça no período do nazismo na Alemanha, colaboração ou complacência com o Reich e discriminação de refugiados judeus foi alvo de controvérsia acirrada na segunda metade da década passada. A polêmica repercutiu em vários países, principalmente nos Estados Unidos e em Israel.
Em relação com esse período sombrio da história do país, bancos suíços acabaram pagando 1 bilhão e 250 milhões de dólares de indenização a organizações judaicas por contas inativas de vítimas do nazismo.
Na sua decisão desta semana, o governo suíço declara-se "favorável à uma discussão" sobre os trabalhos da Comissão Bergier. Nesse sentido deseja abrir rapidamente os "dossiês de natureza científica", isto é, documentos tirados dos arquivos públicos e parte do material produzido pela Comissão.
A Sociedade Suíça de História havia pedido, já no mês de abril, que todos os 130 mil documentos fossem integrados aos Arquivos Federais, onde teriam acesso.
Com a medida do governo, os historiadores suíços (e estrangeiros) não terão os mesmos privilégios que a Comissão Bergier, que oficialmente termina seu mandato em dezembro.
swissinfo com agências.