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Mais dinheiro, mais prevenção e menos repressão às populações em risco: estas mensagens serão repetidas com insistência a partir desta segunda-feira (23), em Amsterdã, durante a Conferência Internacional sobre a aids, para evitar uma volta da epidemia que causou 35 milhões de mortes.
Este grande encontro, que se realiza a cada dois anos, espera entre segunda e sexta-feira celebridades como o príncipe Harry, a atriz Charlize Theron e o cantor Elton John, além de 15.000 especialistas e ativistas.
Atualmente 36,9 milhões de pessoas vivem com o vírus HIV, esperando não desenvolver a aids. Quase três de cada cinco fazem tratamentos com antirretrovirais para evitar a doença, a proporção mais alta já alcançada.
O número de infecções diminui e, pela primeira vez desde o início do século, o total de mortes anuais foi inferior a um milhão em 2016 (990.000) e de novo em 2017 (940.000).
Mas paradoxalmente, estes avanços implicam um relaxamento na prevenção, o que, unido a uma redução do financiamento internacional, faz temer um retorno da epidemia.
"A última vez que falei aqui, em 1992, não podia imaginar que voltaria 26 anos depois, vivo e em bom estado de saúde", disse no domingo David Barr, um ativista americano soropositivo, durante um colóquio organizado na véspera da Conferência.
Mas este êxito é "incrivelmente frágil", advertiu, temendo um retorno "ao horror de 1992", quando houve uma onda de infecções e mortes.
Uma das principais preocupações é a questão do financiamento.
"Vamos ter problemas se não temos mais dinheiro", afirmou no domingo o pesquisador americano Mark Dybul, ex-dirigente do Fundo Mundial de Luta contra a Aids.
O pior cenário, em sua opinião, seria que a falta de financiamento se somasse a uma explosão de novas infecções devido à crescente demografia em alguns dos países mais afetados, especialmente na África.
"Misturem esses dois elementos e terão uma grande crise", advertiu, temendo que "o mundo perca o controle da epidemia".
- Cortes de orçamento -
No ano passado 20,6 bilhões de euros foram dedicados a programas de luta contra a aids em países com rendas baixas e médias, que financiaram por conta própria 56% dos programas, segundo a UNAIDS.
Mas o organismo da ONU de luta contra a aids calcula que faltam sete bilhões de dólares por ano para que esta doença deixe de ser uma ameaça para a saúde pública mundial até 2030.
A comunidade de pesquisadores e de associações teme sobretudo a redução das contribuições americanas.
Desde que Donald Trump foi eleito presidente, os Estados Unidos, historicamente o principal contribuinte à luta contra a aids, advertiram sobre cortes orçamentários que, por enquanto, não foram concretizados.
E a melhora generalizada da situação da epidemia no mundo esconde as fortes disparidades existentes.
As infecções estão em crescimento em cerca de 50 países, seja pela falta de prevenção ou devido às legislações repressivas contra as populações de risco, como homossexuais e dependentes químicos.
Por isso as associações pressionam as autoridades políticas internacionais para que deixem de reprimir a toxicomania e privilegiem os programas de redução de riscos, proporcionando, por exemplo, seringas esterilizadas ou salas de consumo.
"Just say no to the war on drugs" ("Diga não à guerra contra as drogas"), pede a reunião de associações Coalition PLUS em uma campanha que modifica um conhecido lema antidrogas americano da era Regan, nos anos 1980, "Just say no" ("Diga não" às drogas).
A guerra contra as drogas é "a melhor aliada das epidemias de HIV e hepatites virais" e "levou a uma verdadeira catástrofe de saúde", denuncia a Coalition PLUS.
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