Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02611.jsonl.gz/36

Por Jason Lange
WASHINGTON (Reuters) - Os pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos destinaram suas críticas a um candidato que ainda não apareceu nas urnas dos primeiros Estados a votarem na disputa interna do partido, mas cujos anúncios estão dominando os espaços na televisão: o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.
O ex-vice presidente Joe Biden e a senadora Elizabeth Warren de Massachusetts, que ficaram para trás nas primeiras primárias em Iowa e New Hampshire, criticaram Bloomberg por conta de sua política de segurança na maior cidade dos Estados Unidos, além de seus comentários sobre uma prática hipotecária que foram recebidos como discriminatórios no âmbito racial.
Bloomberg, que entrou tarde na disputa, atraiu centenas de pessoas na Carolina do Norte, um dos 14 Estados que votarão na chamada Super Terça, no próximo dia 3 de março, onde ele irá aparecer pela primeira vez oficialmente como candidato.
Os eleitores nestes eventos disseram estar avaliando se Bloomberg, um empreendedor bilionário, conseguiria bater o presidente republicano Donald Trump em novembro.
"Eu acredito que Mike Bloomberg pode enfrentar Trump", disse Maureen Scott, 68, uma aposentada na cidade de Winston-Salem.
MIRANDO EM BLOOMBERG
Biden, um candidato moderado inicialmente considerado favorito na disputa, mas que foi afetado por um desempenho fraco nas primeiras votações, disse que planeja debater com Bloomberg sobre seu histórico de discriminação racial, enquanto Warren atacou o ex-prefeito de Nova York por sua defesa de uma prática de habitação discriminatória.
Bloomberg, que está autofinanciando sua campanha, está sendo bombardeado por comentários feitos em 2008 que faziam uma conexão entre o colapso do mercado imobiliário norte-americano naquele ano a uma proibição da prática na qual bancos se recusam a realizar empréstimos hipotecários para bairros inteiros.
"Uma vez que começamos a ir nessa direção, os bancos começaram a fazer mais e mais empréstimos onde o crédito da pessoa que está comprando o imóvel não é tão bom quando gostaríamos", disse Bloomberg em comentários que reapareceram em uma reportagem da Associated Press.
Biden sugeriu que desafiará Bloomberg sobre o assunto além de seu apoio a uma prática policial conhecida como "parar e revistar", empregada por Bloomberg como prefeito e que afetou números desproporcionais de negros e latinos na cidade.
"Terei a chance de debater com ele sobre tudo", disse Biden no programa "The View", da rede ABC.
Bloomberg ainda não se qualifica para o debate democrata no dia 19 de fevereiro em Nevada, que acontecerá pouco antes da disputa pela indicação do Estado, em 22 de fevereiro.
Bloomberg não está competindo em Nevada ou na Carolina do Sul, cuja primária ocorre no dia 29 de fevereiro.
Warren também atacou Bloomberg sobre seus comentários no passado.
"Precisamos confrontá-lo sobre o legado vergonhoso da discriminação, e não mentir sobre isso, como Mike Bloomberg já fez", escreveu a pré-candidata no Twitter.
A campanha de Bloomberg se recusou a comentar as declarações de Warren e Biden. Bloomberg pediu desculpas por sua política de Segurança em novembro, poucos dias antes de anunciar sua candidatura.
(Reportagem de Jason Lange, reportagem adicional de Colleen Jenkins em Winston-Salem, Carolina do Norte)