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José Maria Marin e outros cinco membros da Fifa foram presos na madruga desta quarta-feira em um grande hotel de Zurique. A operação policial aconteceu dois dias antes da reunião da FIFA para eleger seu próximo presidente.
Segundo o New York Times, a ordem de prisão, por supostos atos de corrupção nos últimos 20 anos, partiu do Ministério Público de Nova York. Entre os detidos, para vias de extradição, está Jeffrey Webb, presidente da Confederação de Futebol da América do Norte e vice-presidente do comitê executivo da Fifa e Jack Warner, ex-membro do comitê executivo.
Segundo o jornal americano, o FBI investigava casos de corrupção na Fifa há três anos. Os demais detidos desta madrugada são: Eugenio Figueredo, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Rafael Esquivel e Nicolás Leoz.
Todos são acusados de receber propina nas atribuições de Copas do Mundo, em contratos de marketing e de transmissões televisas.
As prisões foram efetuadas pela polícia de Zurique sob ordem do Ministério da Justiça da Suíça. Mais de 300 delegados estão em Zurique para participar do Congresso da Fifa no próximo final de semana, que deverá reeleger o suíço Sepp Blatter, para um quinto mandato. Ele preside a Fifa desde 1998.
Para o Ministério da Justiça da Suíça, os seis suspeitos atualmente detidos no país poderiam ser extraditados para os EUA para enfrentar as acusações segundo o tratado de cooperação judiciária assinado entre os dois países.
Havelange
Roland Büchel, deputado federal do partido do povo suíço (SVP, na sigla em alemão) que fez campanha para limpar a FIFA, disse que as prisões provavelmente se relacionam com subornos dados pela extinta empresa de marketing esportivo com sede em Zug ISMM-ISL.
Em 2008, a justiça do cantão de Zug descobriu que vários executivos da FIFA tinham recebido subornos da empresa. Mas só em 2012 os nomes dos culpados, incluindo o ex-presidente da Fifa, João Havelange, foram revelados publicamente.
"Isso mostra mais uma vez que, quando os Estados Unidos querem resultados, eles conseguem", disse Büchel para swissinfo.ch. "Eles provavelmente só poderão solicitar a extradição das pessoas que cometeram os crimes nos EUA", acrescentou.
"Pedimos à FIFA que limpasse suas atas há vários anos, enquanto ainda havia tempo para isso. A organização preferiu jogar isso para o escanteio e agora parece que os EUA estão recuperando o chute para a FIFA e para a Suíça. É uma pena, porque agora o mundo inteiro está olhando para a Suíça."
Por coincidência, o parlamento suíço vai debater na próxima semana propostas de novas leis contra a corrupção das entidades esportivas sediadas no país. Os políticos vão decidir sobre a possibilidade de reforçar as leis contra a corrupção para tornar automaticamente um crime quem der ou aceitar subornos, independentemente do estatuto legal da organização que representam.
Em dezembro passado, o parlamento aprovou novas leis antilavagem de dinheiro que classifica os executivos da FIFA, e de outros grandes organismos esportivos, como pessoas politicamente expostas. Isso permitirá que as autoridades suíças tenham acesso as contas bancárias desses funcionários.
swissinfo.ch