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Depois de quase quatro anos de adiamentos, as eleições legislativas no Haiti aconteceram em meio a temores de episódios de violência e a um baixo comparecimento às urnas(afp_tickers)
O Haiti organizará novamente eleições legislativas em grande parte de seu território, depois dos atos de violência na votação de 9 de agosto e de um índice de comparecimento dos eleitores de apenas 18%, anunciaram as autoridades eleitorais.
A Polícia Nacional foi mobilizada devido a preocupações de que o anúncio realizado pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP) gerasse uma nova onda de violência, enquanto os efetivos da MINUSTAH, a força de paz mobilizada pela ONU no Haiti, se encontram prontos para intervir, caso necessário.
Apenas três deputados de 119 cadeiras em disputa foram eleitos no primeiro turno das eleições e nenhuma das 20 cadeiras do Senado foi definida na votação, segundo o CEP.
O Conselho prometeu que será feita justiça contra os que cometeram crimes e atos de violência que deixaram dois mortos e forçaram o fechamento de dezenas de centros de votação durante as eleições.
As eleições de 9 de agosto foram marcadas depois de vários adiamentos e se tornaram as primeiras no país mais pobre das Américas desde 2011.
Os funcionários eleitorais deixaram a coletiva de imprensa na qual fizeram seu anúncio sob proteção policial, sem divulgar nenhum resultado no momento, e apenas horas depois informaram os primeiros números da votação.
Dezesseis candidatos foram excluídos do processo eleitoral por suposto envolvimento nos crimes e atos de violência de 9 de agosto, segundo o CEP.
O organismo também informou que o primeiro turno da eleição será repetido em 25 dos 119 distritos do país.
No departamento (estado) mais populoso do país, Ouest - que inclui a capital -, o índice de participação do eleitorado foi de apenas 10%. Em nenhuma cidade superou a marca de 50%.
Todas as cadeiras da Câmara dos Deputados e dois terços do Senado devem ser renovados nas eleições. A última vez em que ocorreu uma votação foi em 2011, quando o presidente Michel Martelly assumiu o poder.
O Haiti sofre com uma instabilidade política crônica e ainda tenta se recuperar dos efeitos do devastador terremoto de 2010, que deixou mais de 250.000 mortos e destruiu grande parte das infraestruturas do país.
Seu Parlamento foi dissolvido em 13 de janeiro de 2015, depois que não foram estendidos os prazos para a eleição dos legisladores, e as câmaras legislativas permaneceram vazias durante meses.
Mais de 1.800 candidatos de 128 partidos registrados estão disputando os 139 assentos disponíveis nas duas câmaras.
Estas eleições são as primeiras de três votações que estão previstas até o fim do ano no país.
AFP