Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02500.jsonl.gz/41

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
Bill Gates, Warren Buffett e Jeff Bezos, que estão entre os 8 mais ricos do mundo. REUTERS/Arquivo(reuters_tickers)
Por Ben Hirschler
DAVOS, Suíça (Reuters) - Apenas oito indivíduos, todos homens, possuem tanto dinheiro quanto a metade mais pobre da população mundial, disse nesta segunda-feira a Oxfam em um relatório que pediu por ações que reduzam os ganhos daqueles que já estão no topo.
Em um momento no qual políticos e muitos bilionários se reúnem para o encontro anual do Fórum Econômico Mundial, em Davos, o relatório da ONG sugere que a desigualdade de renda está maior do que nunca, com novos dados para China e Índia indicando que a metade mais pobre da população mundial possui menos recursos do que anteriormente estimado.
A Oxfam, descrevendo essa desigualdade como “obscena”, disse que se os novos dados estivessem disponíveis antes, teriam mostrado que, em 2016, oito pessoas possuem o mesmo que as 3,6 bilhões que compõem a metade mais pobre da humanidade. Antes, era estimado que 62 pessoas correspondessem a essa parcela da população.
Em 2010, foram necessários os ativos combinados das 43 pessoas mais ricas do mundo para se igualar às riquezas somadas dos 50 por cento mais pobres, de acordo com os mais recentes cálculos.
A desigualdade tem movimentado a agenda internacional nos últimos anos, inclusive tendo o papa Francisco entre aqueles que alertaram sobre seus efeitos corrosivos, ao passo que um ressentimento com as elites tem ajudado a motivar um surto no populismo político.
“Vemos muita preocupação —e claramente a vitória de Trump e o Brexit deram novo ímpeto a isso neste ano— mas há uma falta de alternativas concretas”, disse Max Lawson, chefe de políticas da Oxfam.
“Há maneiras diferentes de gerenciar o capitalismo que poderiam ser muito, muito mais benéficas para a maioria das pessoas.”
A Oxfam pediu em relatório para que se reprimisse evasão fiscal e por uma mudança no chamado capitalismo acionário “sobrecarregado”, que recompensa desproporcionalmente os ricos.
Enquanto muitos trabalhadores lutam com rendas estagnadas, a riqueza dos super ricos tem crescido uma média de 11 por cento ao ano desde 2009.
Bill Gates, homem mais rico do mundo e rotineiro frequentador de Davos, viu sua fortuna crescer em 50 por cento, ou 25 bilhões de dólares, desde que anunciou planos de deixar a Microsoft em 2006, apesar de seus esforços de se desfazer de grande parte dessa riqueza.
Embora Gates exemplifique como a riqueza excessiva possa ser reciclada para ajudar os pobres, a Oxfam acredita que a “grande filantropia” não ajuda a solucionar o problema fundamental.
“Se bilionários escolherem dar seu dinheiro, essa é uma coisa boa. Mas a desigualdade importa e você não pode ter um sistema onde bilionários estão sistematicamente pagando menos impostos do que suas secretárias ou seus faxineiros”, disse Lawson.
A Oxfam baseou seus cálculos em dados do banco suíço Credit Suisse e da Forbes.
Os oito indivíduos nomeados no relatório são Gates; Amancio Ortega, fundador da Inditex; o investidor veterano Warren Buffett; o magnata mexicano Carlos Slim; o chefe da Amazon, Jeff Bezos; Mark Zuckerberg, do Facebook; Larry Ellison, da Oracle, e o ex-prefeito de Nova York Michael Bloomberg.
Reuters