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Ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, ao lado dos filhos Gamal e Alaa em julgamento no Cairo. 21/05/2014 REUTERS/Stringer(reuters_tickers)
Por Lin Noueihed
CAIRO (Reuters) - O ex-presidente do Egito, Hosni Mubarak, negou nesta quarta-feira em julgamento que tenha ordenado as mortes de manifestantes durante a revolta de 2011 que encerrou seu regime que já durava 30 anos.
Mubarak foi condenado à prisão perpétua em 2012 por ser cúmplice nas mortes de manifestantes e por violar a lei e a ordem durante o levante contra seu governo, que durou 18 dias. Mas uma corte de apelações ordenou a realização de um novo julgamento.
Ele foi absolvido dessas acusações, mas está cumprindo uma sentença de três anos não relacionada às manifestações, mas sim a um caso de fraude em um hospital militar no Cairo.
Mubarak, que é julgado junto a seus filhos e outras autoridades, também negou as acusações de corrupção e disse que havia servido fielmente a seu país por 62 anos, primeiro como oficial militar e depois como presidente.
"Hosni Mubarak, que está hoje perante vocês, não ordenou a morte de manifestantes ou o derramamento de sangue de egípcios”, disse ele à corte, lendo uma declaração preparada. “E eu não emiti uma ordem para causar caos e não emiti uma ordem para criar um vácuo de segurança."
Muitos egípcios que viveram durante as três décadas de autocracia sob o regime de Mubarak consideraram uma vitória ver ele e seus aliados atrás das grades.
Mas desde a deposição do presidente Mohamed Mursi no ano passado, pelo então chefe do Exército e agora presidente Abdel Fattah al-Sisi, alguns aliados da era Mubarak foram libertados, aumentando as preocupações entre ativistas de que o velho regime tenha reconquistado influência.
Sisi prometeu que a Irmandade Muçulmana, agremiação de Mursi, deixaria de existir sobre seu comando.
Centenas de ativistas islâmicos morreram e milhares foram presos no ano passado, muitos dos quais sentenciados à morte em julgamentos em massa que levantaram protestos de governos ocidentais e grupos de direitos humanos.
O juiz disse que o veredicto no caso de Mubarak deve sair em 27 de setembro.
Reuters