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Os Estados Unidos proibiram nesta sexta-feira (6) a entrada de 50 familiares de legisladores, promotores e juízes da Nicarágua, por considerá-los cúmplices da campanha de repressão contra os opositores do presidente Daniel Ortega e sua esposa e vice-presidente, Rosario Murillo, a três meses das eleições.
O governo de Joe Biden "está comprometido em promover uma ampla responsabilização de qualquer pessoa responsável ou beneficiada pelos ataques do regime de Ortega-Murillo às instituições democráticas", disse o Departamento de Estado em um comunicado.
Apontou ainda que esta medida, aplicada no âmbito da política americana de negação de vistos a quem atenta contra a democracia, se soma ao veto de ingresso ao país a 100 legisladores, juízes e promotores nicaraguenses e seus parentes diretos que o secretário de Estado, Antony Blinken, informou em 12 de julho.
“Hoje anunciamos as restrições de visto para mais 50 pessoas, todos familiares imediatos de funcionários filiados ao regime que contribuíram diretamente com as medidas adotadas pelo governo da Nicarágua que não atendem às condições para eleições transparentes, livres e justas”, afirmou o porta-voz da diplomacia americana, Ned Price, em nota.
O processo para as eleições de 7 de novembro, nas quais Ortega e Murillo buscarão a reeleição, ocorre em meio à prisão de dezenas de opositores. Desde junho, 32 dissidentes foram detidos, incluindo sete pré-candidatos presidenciais, acusados em sua maioria de "traição" à pátria.
- Voto unânime no Senado -
A situação na Nicarágua também está sob o escrutínio do Congresso dos Estados Unidos.
Um projeto de lei bipartidário para promover eleições livres na Nicarágua, com novas medidas para sancionar atos de corrupção e violações de direitos humanos atribuídos ao governo de Ortega, foi aprovado por unanimidade no Senado.
O texto da Lei para Reforçar o Cumprimento das Condições para a Reforma Eleitoral na Nicarágua (Renacer, na sigla em inglês), apresentado em março pelo senador democrata Bob Menéndez e o republicano Marco Rubio, segue agora para a Câmara dos Deputados.
A norma prevê esforços coordenados com o Canadá, a União Europeia e aliados na América Latina e no Caribe para aplicar sanções seletivas em busca de eleições democráticas na Nicarágua.
Além disso, amplia os mecanismos de supervisão para que as instituições financeiras internacionais concedam empréstimos à Nicarágua e solicita ao Executivo dos Estados Unidos que reveja a participação do país no CAFTA-DR, o pacto de livre comércio entre os EUA, a América Central e a República Dominicana.