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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, em Buenos Aires, em 8 de maio de 2017(afp_tickers)
As primárias legislativas de domingo na Argentina não deixam claros vencedores e vencidos. Apesar das dificuldades econômicas, Mauricio Macri ratificou o apoio que o levou à Presidência em 2015 e a ex-presidente Cristina Kirchner demonstrou que mantém a liderança na oposição.
Se estes resultados se repetirem nas eleições de 22 de outubro, que renovará metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, o governo continuará dependendo de aliados para impor seu programa no Congresso, algo que, entretanto, demonstrou possível em um ano e meio da administração Macri, destacaram analistas.
Apesar das denúncias de corrupção contra a ex-presidente e seus ex-ministros, Kirchner ficou apenas oito décimos atrás de seu rival governista como pré-candidatos a senadores pela província de Buenos Aires.
Uma recontagem judicial, que levará ao menos 10 dias, ainda pode terminar a favor da ex-presidente, admitiu o titular da Secretaria de Assuntos Políticos e Institucionais, Adrián Pérez.
Em uma jornada centrada no debate sobre uma suposta manipulação dos dados, Kirchner disse que "perderam o plebiscito sobre o ajuste, e pretendem manipular o resultado eleitoral", sustentou ao se referir à soma de todas as forças opositoras que mostra que entre seis e sete em cada 10 argentinos votaram contra a proposta do governo.
"Foi uma eleição muito transparente", afirmou o ministro do Interior, Rogelio Frigerio, ao negar as acusações, sustentando que "não houve especulação" ao frear a contagem de votos após as 05H00, com 95,6% das sessões apuradas.
O governo aproveitou as críticas para insistir na necessidade de usar o voto eletrônico, rechaçado pela oposição no Congresso por medo de fraude.
No mapa nacional, a coalizão do governo Cambiemos conseguiu vitórias em distritos de peso, como na cidade de Buenos Aires (49% a 20%) e Córdoba (46% a 28%), mas perdeu em outros por uma pequena margem como Santa Fe (27,8% a 27,1%).
Todos os olhos estão colocados sobre a província de Buenos Aires, onde Kirchner se candidata para uma cadeira no Senado e porque é o distrito com quase 40% do eleitorado, que renova três senadores e 35 deputados, a maior quantidade de cadeiras.
As primárias demonstram que a Argentina continua dominada por uma forte polarização política.
E, por enquanto, prevalece a maioria opositora, dominada pela kirchnerista Frente para la Victoria e aliados (36 senadores de um total de 72, e 72 deputados em 257), além das minorias de blocos progressistas e justicialistas.
Cambiemos, com 17 senadores e 87 deputados, conseguiu impor leis e reformas reclamadas por Macri graças aos votos divididos dos blocos peronistas, algo que não vai variar a partir de outubro.
As primárias demonstram que nada mudou depois de tudo.
AFP