Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02422.jsonl.gz/108

Por Neil Jerome Morales e Karen Lema
MANILA (Reuters) - A diretora premiada de um site de notícias das Filipinas conhecida por criticar duramente o presidente Rodrigo Duterte foi presa nesta quarta-feira sob acusação de calúnia, o mais recente de uma série de processos contra supostos adversários do governo.
Maria Ressa, executiva-chefe do Rappler, é acusada de calúnia cibernética por causa de um artigo de 2012, atualizado em 2014, que conecta um empresário a assassinato e tráfico de pessoas e drogas citando informações contidas em um relatório de inteligência de uma agência não especificada.
Autoridades do Escritório Nacional de Investigação escoltaram Maria através de um corredor de repórteres que acorreu à redação de Manila do Rappler quando a notícia sobre a chegada dos agentes viralizou nas redes sociais.
"As pessoas deveriam saber que o limite foi ultrapassado", disse Maria aos repórteres, acrescentando que pedirá fiança.
O Ministério da Justiça apresentou o caso em nome do empresário, que nega qualquer delito.
Maria foi uma das várias "Pessoas do Ano" escolhidas pela revista Time em 2018 por comandar o que esta qualificou como "o noticiário destemido (do Rappler) sobre a máquina de propaganda do presidente Rodrigo Duterte e as execuções extrajudiciais", uma referência à sua guerra sangrenta contra as drogas.
O Rappler tem sido o principal alvo do que ativistas dizem ser uma campanha patrocinada pelo Estado para intimidar os oponentes de Duterte assolando-os com medidas legais ou sujeitando-os a uma torrente de ódio na internet induzida por "influenciadores" das redes sociais, alguns dos quais ocupam cargos no governo.
O porta-voz presidencial, Salvador Panelo, disse que um crime foi cometido, que um tribunal encontrou uma causa provável e que o Rappler não está sendo penalizado por seu noticiário.
"Isto não tem nada a ver com liberdade de expressão ou liberdade de imprensa", disse ele ao canal de notícias ANC.
Sediado em Londres, o grupo de direitos humanos Anistia Internacional disse que as acusações foram forjadas e têm uma "motivação política descarada".