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Os costumes de Pentecostes eram incríveis
Na Suíça existiam muitos ritos, costumes e crendices relacionadas à festa de Pentecostes. Aspergir com água - um dos costumes praticados - era garantia de fertilidade. E em algumas igrejas católicas do país apresentava-se "o milagre de Pentecostes"...
Pentecostes, do grego pentêkostê, significa cinqüenta. É festa judia e cristã. Para os judeus é chamada simplesmente a festa da colheita, sem razão histórica (cfr livro do Êxodo 23).
Para os cristãos, Pentecostes - descrito nos Atos dos Apóstolos, cap. 2 - é considerado "o nascimento da Igreja universal", ou seja o dia em que se toma consciência de que a missão da nova igreja se estende aos gentios (pagãos), aos não civilizados. Ajuda a compreender a questão se nos lembrarmos que para o mundo de língua grega eram consideradas "bárbaras" todas as línguas estranhas.
Em Pentecostes, 50 dias depois da Ressurreição (Páscoa), os cristãos comemoram a vinda do Espírito Santo, dez dias depois da Ascensão de Cristo. Segundo o Novo Testamento, o Espírito Santo desceu sob forma de línguas de fogo sobre os discípulos reunidos no Cenáculo. Do lado de fora caía uma tempestade.
Na Suíça, desapareceram surpreendentes costumes, ritos e crenças relacionadas à data.
Acreditava-se por exemplo, que quem nascia no dia de Pentescostes era uma pessoa com muita sorte. Quem morria, além de "sortudo" só podia ser alguém bom, até porque no período de 50 dias entre Páscoa e Pentecostes as portas do Paraíso estavam escancaradas.
Outra crença era de que se chovesse nesse dia, choveria nos 7 domingos seguintes. E se ventasse na véspera da festa, ventaria seis semanas consecutivas.
Há outras comemorações de Pentecostes que desapareceram por completo.
Nos cantões (estados) de Friburgo, na Suíça de expressão francesa, e de Lucerna, no centro da Suíça alemã, o milagre de Pentecostes era representado nas igrejas. O Espírito Santo, simbolizado por um pombo de de madeira - ou às vezes, um pombo de verdade - "descia" sobre os fiéis. Durante a cerimônia, os coroinhas faziam diferentes ruídos para imitar a tempestade.
Nessa festa, a água era símbolo de cura e santificação. Em certas regiões e épocas desenvolveu-se a tradição de lavar-se em rio. A água benta tinha também virtudes próprias, em particular contra a tempestade. E durante muito tempo, privilegiou-se a data para o batismo.
Aspersão com água era considerada também garantia de fertilidade. Os "vilões de Pentecostes" (campesinos rústicos) tinham papel de destaque nessa data no cantão de Argóvia (perto de Zurique). Revestidos de um manto de folhas por seus colegas, eles mergulhavam nas fontes dos vilarejos.
As garotas gostavam de ser aspergidas por esses "vilões", o que era um rito de fertilidade.
Outra tradição era o hábito de pintar com cal pequenos homens nas casas das mulheres solteiras. Mas a interpretação podia variar de um lugar para outro. É o que acontecia no cantão de St.Gallen (nordeste): em Oberriet era sinal de respeito e em Rüthi, sinal de vergonha.
swissinfo com agências.
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