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Sede do grupo de comunicação Al Jazeera em Doha, no Catar. 08/06/2017 REUTERS/Naseem Zeitoon(reuters_tickers)
Por William Maclean e Rania El Gamal
DUBAI (Reuters) - Quatro Estados árabes que impuseram um boicote ao Catar alegando suposto apoio ao terrorismo enviaram a Doha uma lista de 13 exigências, incluindo o fechamento da emissora de televisão Al Jazeera e a redução dos laços com o Irã, disse uma autoridade de um dos quatro países.
As exigências, que visam encerrar a pior crise no Golfo Pérsico em anos, parecem concebidas para acabar com uma política externa de duas décadas por meio da qual o Catar procurou subir de categoria e se posicionar na arena global como mediador da paz, muitas vezes em nações muçulmanas.
A mentalidade independente de Doha, incluindo uma abordagem conciliadora em relação ao Irã e apoio a grupos islâmicos, em particular a Irmandade Muçulmana, tem irritado alguns de seus vizinhos, que veem o islamismo político como uma ameaça ao seu domínio dinástico.
A lista, elaborada por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein, que cortaram relações econômicas, diplomáticas e de viagem com Doha em 5 de junho, também exige o fechamento de uma base militar turca no Catar, disse a autoridade à Reuters.
O ministro da Defesa da Turquia, Fikri Isik, rejeitou a demanda, dizendo que qualquer pedido para que a base seja fechada representaria uma interferência nas relações de Ancara com Doha, insinuando que a Turquia pode reforçar sua presença.
"Fortalecer a base turca seria um passo positivo em termos da segurança do Golfo", disse. "Reavaliar o acordo da base com o Catar não está em nossa agenda".
O Catar também precisa anunciar que está cortando laços com organizações terroristas, ideológicas e sectárias, incluindo Irmandade Muçulmana, Estado Islâmico, Al Qaeda, Hezbollah e Jabhat Fateh al Sham, que era o braço da Al Qaeda na Síria, disse a autoridade árabe, e entregar todos os terroristas assim identificados em seu território.
Os quatro Estados árabes acusam o Catar de financiar o terrorismo, fomentar a instabilidade regional e buscar intimidade com a teocracia revolucionária do Irã, adversário regional dos quatro países. Doha negou as acusações.
As autoridades cataris não responderam de imediato a pedidos de comentário, mas na segunda-feira o ministro das Relações Exteriores, xeique Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, disse que o Catar não irá negociar com os quatro vizinhos a menos que estes suspendam as medidas contra Doha.
(Reportagem adicional de Tom Finn e Tom Arnold, em Doha, e Daren Butler, em Istambul)
Reuters