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O diretor-executivo da gigante cimenteira franco-suíça LafargeHolcim se afastará do cargo após ter admitido que a empresa pagou grupos armados para manter uma fábrica em operação na Síria.
A maior produtora de cimento do mundo disse na segunda-feira que seu conselho de administração aceitou a renúncia do CEO Eric Olsen. Ele partirá em 15 de julho, dois anos depois de se tornar CEO e supervisionar a fusão da empresa francesa Lafarge e da empresa de cimento suíça Holcim.
Olsen disse que estava orgulhoso do "enorme sucesso" da fusão envolvendo 90.000 funcionários em todo o mundo, mas sentiu que sua partida era necessária para acabar com as contendas internas da empresa sobre a operação na Síria.
"Minha decisão é impulsionada pela minha convicção de que ela contribuirá para enfrentar as fortes tensões que surgiram recentemente em torno do caso na Síria. Embora eu não estivesse absolutamente envolvido, nem sequer consciente de qualquer irregularidade, acredito que minha partida vai contribuir para trazer de volta a serenidade a uma empresa que foi exposta há meses sobre este caso", disse em um comunicado.
O presidente da diretoria, Beat Hess, assumirá o cargo de CEO interino enquanto a empresa procura um sucessor para Olsen. O Ministério Público francês investiga atividades da empresa na Síria e alguns grupos de direitos humanos denunciaram em Paris que pagamentos realizados pela empresa podem ter ajudado militantes islâmicos a cometerem crimes de guerra.
"Erros de julgamento"
A empresa admitiu em um comunicado no início de março que seu pessoal na Síria pagou grupos armados para continuar operando uma de suas fábricas de cimento e garantir a segurança de seus funcionários.
O comitê de finanças e auditoria do conselho supervisionou uma investigação independente que revelou que o então ramo sírio da então empresa Lafarge (antes da sua fusão com a Holcim) lidou com grupos armados em 2013 antes de evacuar sua fábrica no norte da Síria, localizada a 150 quilômetros de Aleppo, em 2014.
Essa investigação, no entanto, revelou apenas que Lafarge Síria pagou um intermediário para garantir a segurança de sua fábrica. Ela não conseguiu identificar os grupos armados que acabaram recebendo o dinheiro da LafargeHolcim.
A empresa de cimento alegou que seus funcionários agiam no seu "melhor interesse", mas as medidas ainda eram "inaceitáveis" e mostravam "erros significativos de julgamento".
swissinfo.ch/fh