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Autoridades haitianas informaram no domingo (7) terem frustrado uma "tentativa de golpe" de Estado contra o governo do presidente Jovenel Moise, que teria sido alvo de um atentado igualmente mal sucedido em meio a controvérsias sobre o fim de seu mandato.
Os partidos da oposição nomearam, por sua vez, um líder de transição frente a Moise, o que acusam de ter prolongado ilegalmente seu mandato de um ano.
Esse plano foi uma "tentativa de golpe de Estado", segundo o ministro da Justiça haitiano, Rockefeller Vincent. Outras fontes oficiais disseram que 23 pessoas foram detidas, entre elas um juiz e uma oficial da polícia nacional.
Estão envolvidos um juiz federal do Tribunal de Cassação e uma inspetora-geral da Polícia Nacional, completou.
Vinte e três pessoas foram detidas, confirmou o primeiro-ministro, Joseph Joute, à imprensa.
Ele disse que os conspiradores entraram em contato com funcionários da polícia no palácio presidencial, que planejavam deter Moise e, depois, ajudar a instalar um presidente de "transição".
"Agradeço ao responsável pela minha segurança e pela do palácio. O sonho dessa gente era atentar contra minha vida. Graças a Deus isso não ocorreu. O plano foi abortado", disse Moise no aeroporto da capital, ao lado da esposa e do primeiro-ministro, antes de embarcar para o balneário de Jarmel.
Segundo o diretor da polícia nacional do Haiti, Leon Charles, os policiais apreenderam documentos, dinheiro e várias armas, incluindo rifles de assalto, uma submetralhadora Uzi, pistolas e facões.
Jouthe acrescentou que, entre os documentos, estava um discurso do juiz que planejava se tornar o líder interino em um governo de transição.
- Protestos contra o governo -
A oposição nega uma tentativa de golpe.
"Não se faz um golpe de Estado com duas pistolas, três ou quatro fuzis", afirmou à AFP o advogado André Michel, para quem o presidente Moise "escolheu a via da repressão política".
"Se não é mais presidente, não pode falar de golpe de Estado", completou.
Em uma mensagem de vídeo, o juiz Joseph Mécène Jean-Louis, 72 anos, membro do Tribunal de Cassação desde 2011, leu um breve discurso no qual afirmou que aceita "a escolha da oposição e da sociedade civil para poder servir ao país como presidente interino da transição".
O presidente governa sem o controle do Legislativo desde o ano passado e diz que se manterá no cargo até 7 de fevereiro de 2022, em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição. O anúncio gerou protestos por alguns que consideram que seu mandato terminava neste domingo.
"Estamos esperando que Jovenel Moïse abandone o palácio nacional para poder proceder a posse de Mécene Jean-Louis", declarou à AFP o líder opositor André Michel.
Na sexta-feira, os Estados Unidos aceitaram a posição de Moise. O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Prince, disse que Washington pediu "eleições legislativas livres e justas para que o Congresso possa retomar o poder que lhe cabe".
A disputa sobre o fim do mandato é consequência da primeira eleição de Moise. Em outubro de 2015, ele foi eleito para um mandato de cinco anos em eleições, cujo escrutínio foi cancelado por fraudes e, depois, voltou a ser eleito um ano depois.
Este ano deviam ser realizadas eleições legislativas e municipais, mas as mesmas foram adiadas. Isso gerou um vácuo de poder, e Moise diz estar habilitado para continuar no cargo por mais um ano.
Após as disputadas eleições, os protestos da oposição para exigir sua renúncia se intensificaram no verão de 2018.
Nos últimos anos, a sociedade civil fez campanha contra a corrupção e a insegurança, com a proliferação de gangues em todo país.