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Por Polina Ivanova e Andrew Osborn
MOSCOU (Reuters) - A vacina contra Covid-19 "Sputnik-5", da Rússia, produziu uma reação de anticorpos em todos os participantes em testes de estágio inicial, de acordo com resultados publicados nesta sexta-feira na revista médica The Lancet, que foram comemorados em Moscou como uma resposta a seus críticos.
Os resultados dos dois testes, realizados em junho e julho deste ano com 76 participantes, mostraram que 100% deles desenvolveram anticorpos contra o novo coronavírus sem nenhum efeito colateral grave, disse a Lancet.
A Rússia licenciou a vacina de duas doses para uso doméstico em agosto, sendo o primeiro país a fazê-lo, e antes que qualquer dado tivesse sido publicado ou um teste de larga escala tivesse começado.
"Os dois testes de 42 dias --incluindo 38 adultos saudáveis cada-- não encontraram nenhum efeito colateral grave entre os participantes, e confirmaram que a candidata a vacina provoca uma reação de anticorpos", disse a Lancet.
"Testes amplos de longo prazo, incluindo uma comparação com placebo, e um monitoramento adicional são necessários para estabelecer a segurança e a eficiência de longo prazo da vacina para prevenir infecções de Covid-19."
A vacina foi batizada de Sputnik-5 em homenagem ao primeiro satélite do mundo, lançado pela extinta União Soviética. Alguns especialistas ocidentais desaconselharam seu uso até que todos os testes e etapas regulatórias aprovados internacionalmente tenham sido finalizados.
Mas, tendo em conta os resultados publicados pela primeira vez em uma revista internacional reconhecida pela comunidade científica e um teste de estágio avançado de 40 mil participantes iniciado na semana passada, uma autoridade russa de alto escalão disse que Moscou dobrou seus críticos estrangeiros.
"Com esta (publicação), respondemos todas as perguntas do Ocidente que foram diligentemente feitas ao longo das últimas três semanas, sinceramente com o objetivo claro de denegrir a vacina russa", disse Kirill Dmitriev, chefe do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), o fundo soberano do país, que deu apoio à vacina.
"Todas as dúvidas foram sanadas", disse ele à Reuters. "Agora... começaremos a fazer perguntas sobre algumas das vacinas ocidentais."
Governos e grandes farmacêuticas estão se apressando para desenvolver uma vacina que acabe com a pandemia de Covid-19, que já matou mais de 850 mil pessoas e infectou cerca de 26 milhões em todo o mundo.