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A empresa americana de telecomunicações AT&T anunciou nesta terça-feira (19) sua retirada "imediata" do mercado de televisão paga na Venezuela, onde oferecia a plataforma DirecTV, devido à impossibilidade de respeitar simultaneamente as sanções de Washington e as demandas de Caracas.
"Como é impossível para a unidade DirecTV da AT&T atender aos requisitos legais de ambos os países, a AT&T foi forçada a fechar suas operações de TV paga na Venezuela", indica um comunicado da empresa. A decisão tem "efeito imediato", acrescentou.
A empresa sediada em Dallas, Texas, explicou que as sanções econômicas do governo Donald Trump à Venezuela proíbem a transmissão da Globovisión e o canal de televisão da estatal Petróleos de Venezuela, PDVSA TV.
No entanto, indicou que a transmissão de ambos os canais é exigida pela licença concedida pelo governo de Nicolás Maduro para fornecer serviço de televisão por assinatura na Venezuela.
Por sua parte, o líder da oposição Juan Guaidó garantiu em sua conta do Twitter que está avaliando "possíveis reações" e que está "entrando em contato com o provedor de serviços" para "atender às demandas" que o governo local fez à empresa.
A decisão "é mais uma consequência de uma ditadura, apoiada pelo narcotráfico e pela violação dos direitos humanos, que está usurpando o poder", escreveu Guaidó, reconhecido como o presidente interino da Venezuela por cinquenta países, entre eles os Estados Unidos.
Washington lidera a pressão internacional contra o governo Maduro desde janeiro de 2019, cuja reeleição em maio de 2018 é considerada fraudulenta e a quem atribui corrupção generalizada e graves violações dos direitos humanos.
Nesse contexto, o governo Trump impôs uma bateria de sanções econômicas, incluindo um embargo de fato ao petróleo venezuelano, essencial para a economia do país sul-americano.
A suspensão da operação da DirecTV deixa cerca de 2 milhões de assinantes no limbo em um país onde as operadoras a cabo tradicionais registram falhas constantes em seus serviços.
Em alguns casos, o término do serviço abrange apenas canais locais, permitindo a visualização de canais internacionais, mas a maioria dos clientes informa uma restrição total à programação.
De acordo com a Conatel, estatal, no segundo trimestre de 2019 a DirecTV cobria 45,32% do mercado de televisão por assinatura, estimado em 4,3 milhões de clientes nesse período.
"Essa medida me afeta muito porque o DirecTV era praticamente a única opção de entretenimento que tínhamos em casa, todos os canais deixaram de ser vistos", disse à AFP Ennyen Reyes, um comerciante de 30 anos que vive em Cabimas, estado de Zulia, e um cliente da operadora por 12 anos.
"Canal não disponível", revela o que vê agora na TV Jennifer Vera, uma artista de 38 anos que costumava assistir séries e filmes na plataforma.
"Isso me parece louco, ainda mais nesta temporada de quarentena", lamentou, aludindo ao confinamento decretado no país desde 16 de março pela pandemia da COVID-19.
Até agora, o governo venezuelano não se pronunciou sobre a decisão.
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