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México pede que EUA mude sua política migratória após a morte de 55 migrantes
O México exortou os Estados Unidos nesta sexta-feira (10) a reorientarem sua política de imigração de uma vez por todas, favorecendo o investimento e não a força, após a morte de 55 migrantes em um acidente no sul do país.
Embora o número de mortos continuasse aumentando devido à gravidade dos ferimentos, o presidente Andrés Manuel López Obrador disse que "esses infortúnios devem servir para que fique ciente e resolva o problema subjacente".
“O problema migratório não se resolve com meios coercitivos, mas têm que dar oportunidades de trabalho, bem-estar. As pessoas não saem de suas aldeias por prazer, elas o fazem por necessidade”, disse ele em sua conferência diária.
Um caminhão com cerca de 160 migrantes sem documentos, a maioria centro-americanos, bateu em uma ponte para pedestres no estado de Chiapas na quinta-feira, causando mais de uma centena de feridos.
O presidente lembrou que tem insistido com seu homólogo americano, Joe Biden, sobre a necessidade de investir em programas sociais na América Central para evitar a migração.
Mas "há lentidão", afirmou, lembrando que em Washington "têm que enfrentar um elefante reumático que não anda", aludindo à aprovação de itens orçamentários no Congresso.
As vítimas são procedentes da Guatemala, Honduras, Equador, República Dominicana e México", segundo a Proteção Civil de Chiapas.
López Obrador indicou que "a maioria" dos mortos são guatemaltecos.
- "Não durma" -
Seis das mortes ocorreram em hospitais em Chiapas. "Há pessoas muito graves, pode subir" o número de mortos, disse à AFP o Secretário Regional da Proteção Civil, Luis Manuel Garcia.
O acesso ao hospital onde se concentra o maior número de feridos foi restrito, observaram jornalistas da AFP.
Enquanto isso, pessoas foram espontaneamente ao local do acidente para acender velas e orar. "Nossos corações estão partidos", disse Rocío Hernández, uma dona de casa de 52 anos.
O acidente aconteceu na tarde de quinta-feira em uma estrada do estado de Chiapas, principal ponto de acesso de viajantes sem documentos, quando o motorista perdeu o controle do veículo, supostamente por excesso de velocidade.
O motorista fugiu, informou a Guarda Nacional, indicando que o caminhão pertence a uma empresa domiciliada no México.
A Procuradoria abriu uma investigação por homicídio, enquanto as autoridades governamentais negaram que o trailer já havia passado por um posto de controle oficial.
Cobertos com lençóis brancos, os cadáveres foram dispostos em fila na estrada, em meio a uma intensa mobilização de paramédicos, autoridades e e moradores, como Sabina López.
“Não durma! Não feche os olhos! Lembre-se do que prometeu à sua mãe! Aguente firme!”, Sabina contou ter ouvido um migrante implorar à companheira após o acidente.
- Caminhões do terror -
Junto com López Obrador, o presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei, e o Vaticano expressaram condolências.
A tragédia ocorreu três dias depois da reativação por ordem judicial de um programa dos Estados Unidos que obriga os migrantes a esperar no México por uma resposta aos seus pedidos de asilo.
Washington também aplica uma medida que permite a expulsão de migrantes para evitar a disseminação da covid-19, e realizou deportações em massa, inclusive por via aérea, de haitianos.
"Precisamos de alternativas migratórias e vias legais para evitar tragédias como esta", afirmou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
O México anunciou que facilitará a repatriação dos corpos e que regularizará a situação migratória dos sobreviventes.
O transporte de migrantes em caminhões é um dos métodos mais comuns usados pelos traficantes para deslocar as pessoas pelo território mexicano, com o objetivo de chegar à fronteira norte do país e tentar atravessar para os Estados Unidos.
Esta modalidade também é uma das mais temidas, afirmaram à AFP viajantes na fronteira entre México e EUA.
De acordo com os depoimentos, os migrantes passam horas trancados em cabines sem ventilação e evitando beber água para não ter que urinar, sem que os motoristas respondam a seus pedidos para interromper a viagem e impedir que morram sufocados. Alguns falecem durante o trajeto.
O acidente coincidiu com o início da Cúpula para a Democracia de Biden, que excluiu Venezuela, Nicarágua, Cuba, El Salvador, Honduras, Guatemala e Haiti, origem da maior parte dos migrantes ilegais latino-americanos.