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"Não tenho como me sustentar, já estou sem dinheiro", gritou o venezuelano Jhonny García, durante um protesto em frente à embaixada da Venezuela no Panamá, no qual pede um voo humanitário que lhe permita retornar a seu país.
García se manifestou junto a outros 50 venezuelanos para exigir do governo de Nicolás Maduro uma solução no que se refere ao retorno à Venezuela, que se encontra com o espaço aéreo fechado.
Cerca de 300 venezuelanos, incluindo moradores e turistas, foram repatriados em setembro em três voos humanitários do Panamá para Caracas.
No entanto, agora mais um grupo também pede para voltar.
"Somos um grupo muito grande preso aqui, são mais de trezentos (venezuelanos)", contou García à AFP, que chegou ao Panamá em janeiro para visitar um irmão e vários amigos.
Porém, ele ficou bloqueado depois que o Panamá fechou suas fronteiras aéreas em março e as reabriu em 12 de outubro.
Para sobreviver, teve que vender verduras, embora as autoridades o tenham alertado várias vezes de que não poderia realizar esta atividade por ser estrangeiro e ter entrado no país como turista, relata García, de 41 anos.
"Estamos numa situação em que não podemos mais nos sustentar. O turista aqui não pode fazer nenhum trabalho e há despesas, o que faz com que se esgote o dinheiro que se tinha", declarou.
A venezuelana Luz Reyes, de 19 anos, também ficou presa no Panamá, onde mora há um ano e trabalha em um restaurante.
Embora tenha decidido retornar à Venezuela, a pandemia a surpreendeu e conta não ter para onde ir quando deixar o quarto onde mora no final do mês.
"Estamos fazendo um protesto pacífico para pedir às autoridades e ao presidente Maduro que nos envie um voo humanitário, há muitas pessoas que não têm mais comida nem onde morar", ressaltou Reyes.
O Panamá, com quatro milhões de habitantes, apresentava o maior número de casos pela covid-19 na América Central até a quarta-feira, com mais de 126 mil infectados e 2.597 mortes.
"As autoridades venezuelanas ainda não nos deram uma resposta. Minha situação aqui no Panamá é um pouco difícil, não temos para onde ir ou para onde ir, não temos nada", lamentou Reyes.