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O hospital de campanha construído às pressas em um dos grandes estádios de Rangum se tornou, em poucos meses, um dos centros mais bem equipados do país e um raio de esperança em Mianmar em sua luta contra a pandemia do coronavírus.
Construído em setembro no estádio de futebol Thuwana, o Ayeyarwady Center agora tem capacidade para mil leitos.
Com suas 125 unidades de terapia intensiva, uma sala de controlo com equipamentos e instalações modernas e áreas de descanso para os profissionais, o centro contrasta com a maioria das infra-estruturas sanitárias do país, cujo sistema de saúde é considerado um dos mais precários do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Até agora, menos de 200 pacientes morreram neste hospital por covid-19 dos cerca de 10.000 pacientes admitidos. Trata-se de uma taxa de sobrevivência animadora em um país com quase 130.000 casos e mais de 2.700 óbitos.
Ayeyarwady e um hospital de campanha semelhante na cidade de Mandalay (norte) também servem para treinar o pessoal médico do país.
Usando traje de proteção, o dr. Htet Ko Ko, de 30 anos, acabou um plantão de 12 horas seguidas em Ayeyarwady, em meio a um calor sufocante.
"Talvez estejamos ganhando" a batalha, afirmou.
"Mas estão aparecendo novas variantes em outros países e podem entrar em Mianmar a qualquer momento", alerta.
O centro também conta com voluntários para pequenas tarefas que facilitam a internação dos pacientes, como a distribuição de pacotes enviados pelos familiares.
"Tratamos os pacientes como se fossem nossa própria família, porque sabemos que estão muito sozinhos", explica Chit Oo, um voluntário.
O número de novos casos diários tende a diminuir em Mianmar, mas a chefe "de facto" do governo, Aung San Suu Kyi, advertiu que não se pode baixar a guarda.
O país assinou acordo com a Índia para receber um primeiro carregamento de vacinas. Uma remessa da China é esperada para os próximos dias.