Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02531.jsonl.gz/1

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
(Arquivo) Capas de diversos jornais disponíveis nos Estados Unidos sobre os atentados à revista satírica francesa Charlie Hebdo, em Washignton D.C., no dia 8 de janeiro de 2015(afp_tickers)
Em um quarto de século, os jornais e revistas impressos perderam mais de 300.000 postos de trabalho nos Estados Unidos, enquanto os meios digitais só criaram cerca de metade desse número, apoiados em um modelo ainda instável.
"Poucas indústrias foram tão afetadas pela era digital (...) como os jornais e outros setores editoriais", afirmou o Departamento de Trabalho americano, que publicou os dados na segunda-feira.
No total, 317.600 empregos dos 594.400 com os que contava a mídia impressa americana desapareceram entre 1991 e 2016.
A dimensão deste fenômeno estava camuflada pela manutenção da maioria dos meios de comunicação, já que o número de jornais diminuiu apenas 16% nesses 25 anos.
Ao mesmo tempo, os meios digitais criaram 169.300 empregos, o que resulta em uma perda líquida de 148.300 postos de trabalho para toda a imprensa escrita.
Várias profissões do setor sofreram o impacto das mudanças, principalmente as relacionas com a diagramação e a impressão.
"Não se precisa mais de tanta gente para escrever, editar, diagramar e publicar uma matéria", explica Gordon Borrell, diretor da empresa de pesquisa de mercado Borrell Associates.
Além disso, os postos para jornalistas criados pela páginas de notícias em muitos casos não foram ocupados por aqueles que deixaram a mídia impressa.
"A eliminação dos postos de trabalho tinha o objetivo de desvincular os mais velhos e com os salários mais altos", ressalta Rick Edmonds, especialista em economia de meios de comunicação do instituto Poynter.
Durante muito tempo, acrescentou, a experiência não foi tomada em conta na internet, onde os valores fundamentais eram a juventude, a sensibilidade tecnológica e o custo.
A experiência era menos buscada poque a escrita, a diagramação e a edição de texto não tinham a mesma importância para a a web que para o papel, afirma Edmonds.
O especialista afirma, no entanto, que a concepção da informação on-line continua evoluindo.
"Desde o ano passado, houve uma guinada em direção à ideia de que é mais importante tem um bom jornalismo do que apenas uma maneira eficaz de atrair as pessoas", diz.
Mudança de estratégia
Segundo Gordon Borrell, para os meios que vêm do papel e estão desenvolvendo uma presença na internet, se aproxima o momento de uma mudança estratégica.
A receita publicitária da mídia impressa, que já está no seu nível mais baixo desde 1980, deve continuar diminuindo neste ano, de modo que será necessário buscar mais anunciantes na internet, de acordo com o consultor.
A transição será difícil e provocará o desaparecimento de vários meios impressos nos próximos três anos, estima Borrell.
Para o especialista, o desafio vai além das assinaturas pagas pelo serviço on-line, que é e continuará sendo uma parte marginal dos lucros.
Os mais ameaçados, segundo Borrell, são os jornais locais, que representam a maioria da oferta americana. Os meios nacionais ou internacionais têm perspectivas mais otimistas, afirma.
AFP