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Investigadores de Genebra executaram buscas nos escritórios das empresas de trading Vitol e Trafigura, a pedido do Ministério Público Federal brasileiro, como parte da operação Lava Jato.
Os procuradores brasileiros afirmamLink externo que a Vitol e a Trafigura pagaram subornos a funcionários da companhia petrolífera estatal Petrobras para obter contratos. Eles disseram que o objetivo das buscas em Genebra foi "aprofundar as investigações conduzidas no Brasil de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa que apontam para o envolvimento de membros no topo das duas empresas".
As investigações da Lava Jato começaram em março de 2014 como uma sondagem sobre alegações de que executivos da Petrobras, empresa estatal de petróleo do Brasil, haviam aceitado subornos de empresas de construção civil em troca da concessão de contratos a preços inflacionados.
As investigações envolvem membros da elite empresarial e política do Brasil, e também se espalhou para países vizinhos e envolveu empresas de commodities globais, revelando detalhes constrangedores de corrupção e as relações entre os setores público e privado.
Reações
Após as buscas em Genebra, a Vitol declarou à agência Reuters que tem uma "política de tolerância zero em relação a suborno e corrupção" e coopera "plenamente com as autoridades relevantes em todas as jurisdições em que operamos".
A Trafigura disse que tinha respondido ao pedido de informação das autoridades suíças "e fornecido toda documentação disponível". A empresa acrescentou que "continua a manter estes assuntos sob análise e está a levar a sério as alegações feitas anteriormente".
De acordo com a ONG suíça Public EyeLink externo, as buscas estão ligadas a declarações feitas em agosto por Carlos Henrique Nogueira Herz, um antigo intermediário de petróleo, que acusou o atual diretor da Vitol, Ian Taylor, e o antigo fundador da Trafigura, Claude Dauphin, de estarem cientes dos milhões de dólares pagos aos funcionários da Petrobras para obter contratos de petróleo entre 2011 e 2014.
A Public EyeLink externo e a ONG britânica Global Witness publicaram um relatório em novembro de 2018 que afirmava que os traders suíços Trafigura, Vitol e Glencore tinham usado intermediários duvidosos e "doleiros" para facilitar seus negócios com a Petrobras. As ONGs dizem que as três empresas são acusadas de pagar subornos cumulativos de 15,3 milhões de dólares.
A Public Eye disse que as buscas em Genebra representaram uma "nova fase" no caso Petrobras.
A conexão suíça
Em outubro, a Procuradoria-Geral da República da Suíça admitiu que havia denunciado uma primeira pessoa no quadro de corrupção da Petrobras e da construtora Odebrecht.
Os promotores suíços disseram que suspeitam que a pessoa, atuando como intermediário financeiro, teria ajudado a subornar funcionários públicos, além de operar um esquema de lavagem de dinheiro. O caso Petrobras-Odebrecht levou a cerca de 60 processos criminais na Suíça, enquanto mais de 130 empresários e políticos foram condenados no Brasil.
Mas a operação, outrora anunciada como um modelo de esforços anticorrupção, tem sido fortemente criticada no Brasil após alegações de que vários dos seus processos foram motivados politicamente, e que os promotores teriam usado de métodos fora da lei.
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