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Protestos são retomados na Colômbia em meio a confrontos com a Polícia
Os colombianos retomaram nesta terça-feira (21) os protestos contra o governo do presidente Iván Duque com marchas e bloqueios de vias em cidades como Bogotá, onde foram registrados fortes distúrbios com pelo menos dez feridos e 62 detidos.
A mobilização, que incluiu a convocação de um "panelaço nacional" à tarde, paralisou o trânsito em vários pontos da capital colombiana.
A Polícia enfrentou com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água encapuzados que atiraram pedras e causaram danos, observaram jornalistas da AFP no local.
A prefeitura de Bogotá reportou no Twitter 18 "manifestações pacíficas", embora também dois focos de distúrbios protagonizados por "minorias de encapuzados violentos".
No centro da cidade, Flor Calderón, de 60 anos, proprietária de um hostel, se interpôs entre os manifestantes e o Esquadrão Móvel Antidistúrbios (Esmad), que impedia o avanço do protesto.
"Esta é uma luta para vocês e os filhos dos seus filhos porque o país vai muito mal como está", implorava aos policiais acenando uma bandeira branca.
A mulher disse à AFP que voltou às ruas em repúdio ao "massacre" de líderes sociais. Além disso, "a educação é péssima; a saúde está péssima, então por isso estou acompanhado estes jovens", acrescentou.
Ao menos cinco policiais e cinco civis ficaram feridos nos confrontos, informou o secretário de Governo, Luis Ernesto Mejía.
Além disso, 62 foram detidas por "atos de vandalismo, por agressões a membros da força pública", acrescentou. Seis estações do sistema de transporte público Transmilenio foram danificadas.
Em outras cidades, como Cali e Medellín, também foram reportados confrontos.
A prefeita da capital, Claudia López, em funções desde 1º de janeiro, estabeleceu um protocolo para evitar a violência durante as mobilizações que prevê uma instância de diálogo antes de ativar um uso progressivo da força policial.
O movimento de protesto, que reuniu multidões no fim do ano passado, voltou às ruas depois da temporada de férias, com uma série de demandas que exigem mudança ao governo conservador que se instalou em agosto de 2018.
Além de questionar a política econômica, os jovens denunciam a espiral de violência que envolve os ativistas de direitos humanos e líderes sociais desde que se assinou em 2016 a paz com as Farc, a antiga guerrilha transformada em partido político.
Ao menos 107 ativistas foram assassinados em 2019, segundo a ONU, que verifica outros 13 casos. A maioria das mortes ocorreram em zonas onde atuam grupos armados envolvidos com o narcotráfico. As Nações Unidas também alertaram sobre o assassinato de 173 ex-combatentes rebeldes que depuseram os fuzis.