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As empresas farmacêuticas Novartis e Roche foram multadas em 444 milhões de euros (CHF 481 milhões) pela autoridade francesa de concorrência por aplicarem práticas abusivas para promover a dispendiosa injeção ocular Lucentis sobre um medicamento mais barato.Este conteúdo foi publicado em 10. setembro 2020 - 17:35
As duas empresas farmacêuticas suíças abusaram de sua posição dominante para empurrar a Lucentis às custas do medicamento Avastin, anunciou a agência francesa na quarta-feira.
Ela acrescentou que a Novartis também foi punida por "exagerar injustificadamente" os riscos da Avastin.
A Novartis, que disse que apelaria, está enfrentando altos riscos para proteger as vendas da Lucentis na Europa, depois que a adoção de sua mais nova droga para os olhos, Beovu, foi retardada por questões de segurança.
A Novartis deve pagar 385 milhões de euros e a Roche cerca de 60 milhões de euros, de acordo com a decisão.
A Roche e a Novartis são parceiras na Lucentis, sendo que a Roche a vende nos Estados Unidos e a Novartis a vende na Europa.
Batalha em curso
As multas são o mais recente desdobramento em uma batalha entre os fabricantes de medicamentos e países onde alguns médicos optaram pela Avastin mais barata da Roche em substituição à dispendiosa Lucentis, para tratar pacientes com degeneração macular causada pela idade (AMD, nas iniciais em inglês).
A Lucentis foi desenvolvida para a AMD, mas funciona como o medicamento contra o câncer Avastin, inibindo o crescimento dos vasos sanguíneos. A Avastin é usada "fora da bula" (ou off-labelLink externo , no jargão) para tratar a AMD.
A autoridade francesa disse que a Lucentis, injetada aproximadamente uma vez por mês, custa 1.161 euros por injeção, enquanto que a Avastin custa de 30 a 40 euros por injeção.
Disputas semelhantes têm surgido em outros lugares. Em 2018, a Novartis e a Roche perderam um processo na Grã-Bretanha para impedir que os médicos fizessem da Avastin a opção preferida para a AMD.
A RocheLink externo disse que estava decepcionada e que "avaliaria" a situação.
A NovartisLink externo declarou que uma regra francesa que permite o uso de medicamentos não rotulados em doenças com tratamentos aprovados ameaça o sistema de garantir medicamentos seguros e eficazes.
"Esta decisão se baseia em uma interpretação equivocada dos fatos e uma distorção da jurisprudência anterior", disse a Novartis.