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O novo chefe do Pentágono, Lloyd Austin, vai reafirmar o compromisso dos Estados Unidos com a OTAN esta semana e promete aos seus aliados que, a partir de agora, nenhuma grande decisão será tomada sem levá-los em consideração, uma forma de deixar a presidência de Donald Trump para trás.
Os ministros da Defesa da Aliança Atlântica realizarão reuniões virtuais na quarta e quinta-feira, e espera-se que Austin entregue uma "mensagem positiva sobre a relevância da OTAN", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, na sexta-feira.
"Ele quer revigorar nosso compromisso com a aliança", acrescentou o porta-voz. E sua mensagem "será que somos melhores quando agimos juntos; trabalhar em equipe nos torna mais fortes, e segurança coletiva é segurança compartilhada."
A questão da retirada das tropas americanas do Afeganistão, marcada para o início de maio, estará no topo da agenda, mas nenhuma decisão é esperada sobre o assunto, alertou Kirby.
"É o comandante-chefe (presidente Joe Biden) que toma esse tipo de decisão", lembrou o porta-voz. Mas essa reunião de ministros ajudará Austin "a construir sua reflexão e o tipo de recomendações que terá de fazer" ao presidente.
"E como ele disse aos seus homólogos, particularmente aos da OTAN, nenhuma decisão será tomada sem consultas e discussões com eles", acrescentou.
Sob o acordo histórico de fevereiro de 2020 entre Washington e o Talibã, os Estados Unidos prometeram retirar todas as suas tropas do Afeganistão até maio de 2021, em troca de garantias de segurança dos insurgentes.
Washington reduziu seu contingente no país para 2.500 soldados em 15 de janeiro, o menor número desde 2001, enquanto seus aliados da OTAN mantiveram suas tropas no Afeganistão.
Mas, com um aumento nos ataques do Talibã nos últimos tempos, um grupo consultivo do Congresso dos EUA pediu o adiamento da retirada total planejada para maio.
- Mudança de tom -
Entre os outros assuntos discutidos no encontro estará a suspensão da retirada parcial das tropas americanas da Alemanha, decidida por Trump.
O ex-presidente anunciou em junho que queria reduzir de 34.500 militares, para 25.000 militares.
Essa retirada não havia começado quando Biden chegou à Casa Branca em 20 de janeiro, disse outro porta-voz do Pentágono, o tenente-coronel Thomas Campbell, à AFP. “Ainda estávamos na fase de planejamento”, explicou.
Os aliados da OTAN se comprometeram em 2014 a dedicar 2% de seu orçamento à defesa.
"Mas acredito que reconhecerá que muitos dos nossos aliados da OTAN alcançam, e até excedem, esses 2%, e que muitos não medem esforços para o conseguir", acrescentou Kirby.
Os ministros também devem falar sobre jihadistas estrangeiros que permanecem detidos em campos no nordeste da Síria comandados por forças curdas. Neste tópico, o governo Biden concorda com o de seu antecessor e pede à comunidade internacional que repatrie seus cidadãos.
Por fim, as tensões com a Turquia podem estar na agenda das reuniões após a aquisição de mísseis de defesa russos S400 por Ancara. O novo governo dos Estados Unidos apelou ao seu homólogo turco para renunciar a essas armas, seguindo o caminho traçado pelo governo Trump.