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Calmy-Rey quer mediar conflito coreano
A ministra suíça das Relações Exteriores entrega ao presidente sul-coreano Roh Moo Hyun três mensagens da Coréia do Norte.
Durante as conversações em Seul, Calmy-Rey reforça a vontade do governo suíço de mediar conflito entre as duas Coréias.
"O presidente Roh recebeu com satisfação a oferta de mediação da Suíça entre os dois países", afirmou Micheline Calmy-Rey, após o diálogo com o presidente sul-coreano em Seul. "Nós tivemos uma conversa franca".
O chefe de Estado coreano afirmou ao mesmo tempo: - "Sua passagem pela fronteira em Panmunjom teve para mim um significado de abertura para a paz".
O encontro durou meia-hora e ocorreu no escritório do presidente sul-coreano. Ao mesmo tempo, a conversa serviu de encerramento oficial do programa de três dias na Coréia. A ministra suíça de Relações Exteriores encontra-se em meio a uma viagem de dez dias na Ásia. Na sexta-feira ela estará em Pequim, na China.
Três comunicados
Durante o encontro, Calmy-Rey transmitiu ao presidente Roh três mensagens relativas ao relacionamento das duas Coréias.
A primeira mensagem foi a passagem da fronteira entre a Coréia do sul e do norte, uma das mais vigiadas do mundo.
"Que o regime norte-coreano em Pjöngjang tenha nos permitido dar esse passo já é um símbolo por si só", afirma a ministra ao repórter da swissinfo.
"Os norte-coreanos foram obrigados a entrar em contato com as forças armadas americanas, que estavam estacionadas no outro lado. Isso teve um caráter simbólico".
Calmy-Rey foi a primeira pessoa não-coreana a atravessar a "zona desmilitarizada" fronteiriça de quatro quilômetros de comprimento, localizada entre as duas Coréias.
Oferta suíça
A segunda mensagem norte-coreana, transmitida por Calmy-Rey ao governo sul-coreano: "a Coréia do norte continua com o seu objetivo de formar um Estado conjunto com a Coréia do sul".
"E como terceira mensagem: o regime norte-coreano em Pjöngjang deseja ter conversações com os EUA. A bola agora está na mão dos americanos".
As relações entre a Coréia do norte e os EUA estão tensas desde o reinício do programa nuclear norte-coreano. Os americanos exigem que Pjöngjang abandone publicamente o programa.
Calmy-Rey ofereceu aos dois países os serviços de mediação da Suíça. Estes são um instrumento tradicional da política externa de neutralidade suíça. Porém o governo não pretende ter um papel ativo nas negociações, mas sim de mediador.
"Uma possibilidade de atuarmos nesse sentido seria a intermediação de embaixadas, a flexibilização dos contatos oficiais durante encontros internacionais ou a formação de especialistas através da Suíça", afirmou Calmy-Rey.
Várias diferenças
Durante sua viagem pelas duas Coréias, a delegação suíça percebeu como são grandes as diferenças entre os dois países. Conversações relativas a projetos econômicos coreanos foram, por exemplo, canceladas nas últimas horas.
Depois da sua visita à Coréia do sul, Calmy-Rey estará viajando para Pequim, China, na sua última estação da viagem à Ásia. Lá a ministra irá se encontrar com o primeiro ministro chinês.
swissinfo, Juliet Linley, Seul
Traduzido por Alexander Thoele
Breves
- População da Coréia do norte: 22 milhões de habitantes.
- População da Coréia do sul: 48 milhões de habitantes.
- Relações comerciais entre a Suíça e a Coréia do sul: 1,6 bilhões de francos suíços.
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