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Nos anos 1920, a suíça Margret Fusbahn foi uma das primeiras mulheres suíças a obter um brevê de piloto. Aos 22 anos bateu um recorde de altitude e depois voou à África em um monomotor.Este conteúdo foi publicado em 02. maio 2021 - 10:00
Um dia ensolarado, na primavera de 1928, mudou a vida de Margret Fusbahn. A jovem suíça de 20 anos dirigia seu carro a 60 quilômetros por hora em uma estrada em direção à sua casa em Heidelberg. Então ouviu um zumbido suave que vinha por trás e se tornava cada vez mais forte.
Margret viu um avião despontar no céu, mas que ela a ultrapassou e desapareceu no horizonte. A lenda diz que a jovem mudou o percurso e se dirigiu à Böblingen, um vilarejo nas proximidades de Stuttgart. Lá funcionava uma das poucas escolas de aviação que aceitavam mulheres.
Alguns dias depois, Margret entrou em um avião pela primeira vez na vida e ocupou o assento atrás do instrutor de voo. Apenas algumas semanas depois, em agosto de 1928, já recebia o brevê de piloto com a nota "muito boa", embora nunca ter conseguido se entusiasmar com os aspectos técnicos da profissão.
"Sou uma aviadora com toda a minha alma. Minha única limitação era ser mulher, com todas as minhas fraquezas", escreveu na sua biografia,"Mulheres voando". Essa mulher loira e de pequena estatura teve que fazer muito para convencer as pessoas que poderia também ser uma boa piloto.
No entanto, Fusbahn foi uma das poucas mulheres aventureiras a desafiar os estereótipos de gênero e se aventurar pelos céus no início do século 20. Depois de Elise Haugk, que tirou o brevê de voo em Hamburgo em 1914, Margret Fusbahn foi a segunda mulher suíça a poder pilotar uma aeronave.
Mas o espírito de otimismo não deveria durar. Com a tomada do poder pelos nazistas em 1933, as licenças de voo das mulheres foram revogadas na Alemanha. O mesmo aconteceu na Suíça com o início da II Guerra Mundial.
Fusbahn tinha boas condições de iniciar uma carreira nos ares. A suíça batizada com o nome de Margret Billwiller nasceu em 14 de julho de 1907, em St. Gallen, em uma família rica.
Seu amor pela aventura já era evidente na infância: ela o irmão adoravam descer as colinas da cidade em patins de ou correr atrás do cão. Depois fez equitação, tênis e esqui. E com apenas 18 anos, aprendeu a dirigir.
Além da curiosidade e ambição, a riqueza da família também permitiu concretizar outros sonhos. Aos 16 anos perdeu o pai, dono de uma indústria têxtil, e herdou uma fortuna, o que lhe proporcionou independência financeira e a possibilidade de contrapor alguns papéis tradicionais de gênero.
Em janeiro de 1928, Margret Billwiller casou-se com Heinz-Werner Fusbahn, um engenheiro alemão, e mudou-se com para Heidelberg, no sul da Alemanha. Ele também obteve a licença de piloto logo após ela. Depois os dois começaram a voar juntos. A imprensa os apelidou de "casal voador". Na cabine, os dois se tratavam pelos codinomes de "Emil" e "Franz", termos comuns na aviação militar.
Fusbahn voava há pouco tempo quando entrou para a história ao alcançar uma altitude de 4.900 metros no seu monomotor Klemm, em abril de 1930, quebrando assim o recorde internacional de altitude para esta classe de aeronaves.
As competições de habilidades também estavam em moda na época. Em algumas dessas provas, Fusbahn mostrou o que era capaz: um mês após bater o recorde de altitude, ganhou o primeiro lugar na competição de pouso em local determinado e segundo, no teste de lançar sacos de correio em uma competição na cidade de Bonn, na Alemanha. No campeonato de habilidade no estado de Renânia, fiicou em quarto lugar de todos os 65 participantes, deixando ver poeira muitos homens.
Vontade de aventuras
Mas o recorde de altitude e as competições de habilidade não satisfaziam mais o casal, que passou a sonhar com voos mais prolongados. Em outubro de 1932, Margret e Ludwig-Werner Fusbahn decolaram do aeródromo de Sternenfeld na Basiléia em direção à Abissínia, país africano hoje chamado de Etiópia. E percorreram assim uma distância de 11 mil quilômetros, com várias etapas através dos Alpes e do Mediterrâneo. Os dois se revezaram no manche. Quando alcançaram seu destino em Adis Abeba, enviaram um telegrama anunciando as boas novas.
Em 1937, Margret Fusbahn e uma amiga viajaram de carro durante seis meses pelo continente africano: saindo da Argélia, passando pelo deserto do Saara até chegar nos Camarões. Ao voltar, se divorciou do marido. Durante o casamento não tiveram filhos. Ela deixou a Suíça e se mudou para Angola, onde se casou com um cidadão português 16 anos mais velho do que ela, que havia conhecido no navio a viagem de volta da África.
Os dois se mudaram juntos para Sintra, em Portugal. Em 1942 nasceu a filha, Belizanda. Um ano depois, a segunda filha, Hortência. Margret nunca mais pilotou um avião, embora nunca tivesse deixado de sonhar com os céus, como revelou uma filha ao ser entrevistada em 2017 pelo jornal St. Galler Tagblatt. "Eu e minha irmã éramos crianças quando meu pai disse a ela que era melhor parar". Margret Fusbahn morreu em Sintra em 2001 aos 93 anos de idade.
Apesar da carreira de apenas cerca de dez anos, Margret Fusbahn gostava mais de voar do que qualquer outra coisa. Na biografia contou que um dos seus voos mais marcantes foi sobre Alpes suíços. "Desejo que todos possam sobrevoar essas montanhas. Pois então saberão por que vivem", escreveu a pioneira.
Artigo publicado em 22 de julho de 2020 no portal Higgs.chLink externo a primeira revista independente para o conhecimento na Suíça. SWI swissinfo.ch publica artigos da Higgs de forma fragmentada.
Artigo publicado em 6 de fevereiro de 2020 no portal Higgs.chLink externo, a primeira revista independente para o conhecimento na Suíça. SWI swissinfo.ch publica artigos da Higgs de forma fragmentada.End of insertion