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Pompeo sugere retorno de Cuba à lista de patrocinadores do terrorismo
O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, sugeriu em entrevista divulgada na terça-feira (5) que quer devolver Cuba à lista de países patrocinadores do terrorismo, chamando de "malvado" o governo comunista de Havana, que rejeitou o eventual movimento de Washington
Em diálogo com a Bloomberg News, Pompeo confirmou que o Departamento de Estado avalia tomar essa medida antes de deixar o cargo em 20 de janeiro, impedindo, assim, uma eventual aproximação diplomática do futuro presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com Havana.
"Não tornamos públicas as decisões que serão tomadas sobre as nomeações, mas o mundo conhece a mão malvada de Cuba em muitos lugares", disse Pompeo ao programa de televisão do investidor David Rubenstein.
Como "exemplo perfeito" dessa intervenção de Cuba, Pompeo destacou o forte apoio ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, considerado pelo governo de Trump um ditador, dizendo que Havana "infligiu dor maciça no povo venezuelano".
"É completamente apropriado que consideremos se Cuba de fato patrocina o terrorismo. E se assim for, como qualquer outra nação que fornece apoio material a terroristas, (Cuba) também deve ser designada como tal e tratada de maneira consistente com o seu comportamento", afirmou.
O jornal The New York Times reportou na semana passada que o Departamento de Estado já havia elaborado uma proposta para incluir Cuba entre os "patrocinadores estatais do terrorismo", mas não estava claro se Pompeo a aprovaria.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, reagiu no Twitter, assegurando que "se a campanha pessoal do secretário Pompeo para incluir Cuba na lista dos Estados que patrocinam o terrorismo fosse imposta por capricho, isso confirmaria que nos Estados Unidos há maior lealdade corrupta aos interesses minoritários do que compromisso na luta contra este flagelo internacional".
- Impacto econômico -
Voltar a ser considerado um estado patrocinador do terrorismo teria um impacto econômico claro para Cuba, disse à AFP John Kavulich, presidente do Conselho Econômico e Comercial dos Estados Unidos-Cuba, organização que assessora empresas americanas na realização de negócios na ilha.
"As instituições financeiras teriam outra razão para evitar transações com a República de Cuba", assinalou, destacando que o "maior escrutínio" a que estaria submetida desestimularia os investimentos de governos e empresas.
Além disso, "as companhias de seguros poderiam suspender a cobertura de operações (para embarcações, barcos, aeronaves, etc) e, caso continuem, aumentar o custo da cobertura”, afirmou.
Em 2015, como parte de sua política de reaproximação com Cuba, o antecessor de Trump, Barack Obama, retirou o país caribenho da lista de Estados patrocinadores do terrorismo, declarando que os esforços de meio século dos Estados Unidos para isolar a ilha comunista foram um fracasso.
Mas Trump reverteu esse descongelamento dos laços com Cuba assim que assumiu o cargo em 2017, endurecendo o embargo em vigor desde 1962 e impondo uma bateria de sanções a seu aliado Venezuela, o que lhe rendeu o apoio eleitoral do crucial estado da Flórida.
Biden, que foi o vice-presidente de Obama, deu orientações muito gerais sobre como será sua posição em relação a Cuba, mas indicou que mais uma vez relaxará algumas restrições, como permitir que cubano-americanos visitem suas famílias e enviem dinheiro.
O futuro governo de Biden poderia eliminar Cuba da listra de patrocinadores do terrorismo, mas não seria de imediato, já que primeiro o Departamento de Estado teria que realizar uma revisão formal.
Apenas três nações permanecem na lista americana de terroristas depois que Trump retirou o Sudão no mês passado: Irã, Coreia do Norte e Síria.