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Um trabalhador rural em greve morreu nesta quinta-feira (3) no Peru, após ser baleado enquanto a polícia tentava abrir caminho em uma estrada que se encontrava bloqueada no norte do país, na primeira disputa trabalhista sob o novo governo de Francisco Sagasti, informou um sindicalista.
"Infelizmente temos um falecido. Ele levou um tiro na cabeça", disse o sindicalista Walter Campos à rádio RPP, identificando o morto como o trabalhador Jorge Muñoz.
"A polícia veio para atirar, é um ato de violência. A situação saiu do controle por causa do falecido", acrescentou.
"É realmente uma tragédia", declarou o presidente Sagasti ao confirmar a morte ocorrida em Virú, 490 km ao norte de Lima, onde trabalhadores rurais em greve bloquearam a rota principal do país.
"Vamos investigar o que aconteceu em Virú", afirmou a correspondentes estrangeiros. Sagasti assumiu o poder há 16 dias em meio a uma crise política que levou o Peru a ter três presidentes em uma semana.
"Estamos no momento mais crítico dos últimos 100 anos. Temos que responder a uma ampla gama de demandas legítimas com recursos limitados", disse Sagasti, traçando o panorama social do país que recebeu.
- 44 feridos -
Trabalhadores agroindustriais de Virú, na região de La Libertad, aderiram nesta quinta-feira a uma greve iniciada na segunda por seus colegas da região sul de Ica, mantendo pelo quarto dia a rodovia Pan-americana bloqueada, a 250 km ao sul de Lima.
O Ministério da Saúde informou em um comunicado que 44 pessoas ficaram feridas nesta quinta-feira em ambas zonas de conflito, 37 em Ica e 7 em La Libertad.
Os trabalhadores em greve reivindicam melhores salários e a revogação da Lei de Promoção Agrária, que segundo eles, priva seus direitos e limita sua renda.
Pela lei, o salário diário dos trabalhadores agrícolas é de 11 dólares, mas não especifica uma jornada máxima de trabalho, apenas um mínimo de quatro horas. Os trabalhadores estão exigindo 18 dólares por dia e outros benefícios.
Com pedras, troncos e pneus em chamas, trabalhadores de empresas agroexportadoras bloquearam vários trechos da rodovia Pan-americana em Ica e La Libertad, uma estrada vital que atravessa o país de norte a sul, da fronteira com o Equador até a fronteira com o Chile.
"Queremos lamentar a morte de um peruano no norte do país em circunstâncias que ainda estão sob investigação", anunciou a chefe de gabinete de Sagasti, Violeta Bermúdez, que foi ao Congresso pedir um voto de confiança para os novos ministros.
"Nenhum peruano deve morrer, especialmente nestas circunstâncias. O Ministro de Interiores tomou as medidas necessárias, pedimos calma. Aguardemos a informação oficial", acrescentou.
O Congresso outorgou à noite um voto de confiança ao gabinete por 111 votos a favor, 7 contra e 1 abstenção.
"É um fato inédito ao me dar a oportunidade de avançar neste debate. A situação no nosso país não pode esperar", disse Bermúdez em seguida.
A imprensa local disse que o trabalhador morto tinha 19 anos.
A polícia peruana tem sido alvo de críticas pelas mortes de dois manifestantes nos protestos desencadeados em Lima, após o Congresso depor o presidente Martín Vizcarra em 9 de novembro.
Ele foi substituído por Manuel Merino, que renunciou cinco dias depois e Sagasti o sucedeu.
"Infelizmente é possível que haja excessos" nos protestos, Sagasti alertou a imprensa estrangeira e depois destacou que "não descartamos que existam pessoas que estão criando uma situação de desânimo com atos de sabotagem da política governamental".
- Mesa de diálogo -
"Estamos realizando operações policiais para tentar limpar a estrada. Os trabalhadores estão em greve em apoio a um grupo [de outros trabalhadores] que está fazendo o mesmo em Ica", disse o coronel Enrique Goicoechea ao canal N na televisão.
"Reivindicamos nossos benefícios trabalhistas. Temos nossos filhos e não ganhamos o suficiente", disse um trabalhador à estação de televisão.
Em Ica, a rodovia Pan-americana está bloqueada desde segunda-feira em sete trechos, que bloqueou centenas de caminhões de carga e ônibus de passageiros, com crianças e idosos.
O governo criou na quarta-feira uma mesa de diálogo em Ica com a participação dos ministros da Agricultura, Federico Tenorio, e do Trabalho, Javier Palacios. Uma nova reunião entre os representantes do governo, empresas e trabalhadores terminou sem acordo entre as partes terminou sem acordo nesta quinta.
“Vamos continuar lutando”, disse ao canal N. um trabalhador rural da cidade de Pisco, perto de Ica.