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Comemorando o 50º aniversário do Festival de Jazz de Montreux, o Museu Nacional de Zurique abre hoje uma exposição de memorabilia focada principalmente em seu fundador, o lendário Claude Nobs (1936-2013). Com um conjunto de objetos, vídeos e sons cuidadosamente selecionados, "Montreux. Jazz Since 1967" tenta dar forma a um dos tesouros imateriais mais ricos da humanidade.
Antes de se envolver na organização de seu primeiro festival em 1967, Nobs conheceu diversos artistas estabelecidos e outros então desconhecidos mas promissores (como uma bandinha inglesa chamada 'The Rolling Stones', em 1964) trabalhando como contador na agência de turismo de Montreux, na época uma pacata vila de férias no lago de Genebra, com pouco mais de 15.000 habitantes. Sua transformação em uma das personalidades mais coloridas do mundo da música, e indiscutivelmente a própria alma do festival, atendendo a todos os caprichos e desejos dos artistas, aconteceu no mesmo ritmo em que o festival expandiu seu escopo para abraçar uma grande variedade de tendências e estilos musicais.
Nobs é o "Funky Claude" na letra do clássico "Smoke on the Water" da banda Deep Purple, canção inspirada no incêndio do Casino de Montreux durante um show de Frank Zappa. Mais do que 'funky', Nobs tinha uma capacidade excepcional para agradar não apenas os músicos, mas também a indústria da música. O festival rendeu mais de 400 LPs e CDs, cerca de 150 DVDs / discos Blu-ray de shows ao vivo, dos quais dezenas de milhões de cópias foram vendidas para a alegria das gravadoras.
Os números do Festival de Jazz de Montreux são superlativos: mais de 4.500 shows gravados; 11.000 horas de vídeo (5.000 em HD); 400 milhões de visualizações no Youtube desde 2008 ("Live at Montreux 1993" de B.B. King teve 32 milhões de visualizações); 6.000 horas de áudio, a maioria em formato multicanal. O arquivo, que Nobs doou à Universidade Politécnica de Lausanne (EPFL) para digitalizar, foi inscrito em 2013 no Registro da Memória do Mundo da UNESCO.
Toda essa memória imaterial é mantida em 14.000 fitas magnéticas (pesando 30 toneladas) ao longo de 600 metros de prateleiras. Mais de 150 pessoas estão envolvidas na digitalização dos 14.500 terabytes de dados na EPFL.
A escolha do curador
Com tanto material nas mãos, o curador Thomas Bochet concentrou-se menos na música do que em uma homenagem a Claude Nobs. Depois de uma breve narrativa cronológica da história do festival, entra-se em uma réplica da sala de cinema que Nobs construiu no porão de um de seus chalés, exibindo dez números selecionados, de Marvin Gaye e Van Morrison a Carlos Santana e ZZ Top. Atrás da grande tela, o local favorito de Nobs: os bastidores, onde se projeta trechos de um documentário inédito e jamais concluído, abortado por causa da morte súbita de Nobs, em janeiro de 2013.
O resto do espaço é preenchido com memorabilia das casas de Dobs. Prateleiras cheias de fitas, vitrinas cheias de guitarras autografadas, porcelanas domésticas, seu caderno de cozinha, jukeboxes e outros presentes especiais, como o quimono de Fred Mercury. Toda essa decoração cercada de enormes paredes cobertas com a impressionante vista do chalé de Nobs tentam reencenar o espaço onde a música foi vivida e encenada intimamente com todos os seus excessos anedóticos.
O toque de gênio de Claude Nobs, mesmo que um tanto controverso, foi de ampliar o escopo do festival além dos limites do jazz, tornando-o um espaço privilegiado para a criação musical e evitando o risco de se tornar um museu. Mas esta exposição é um sinal claro de que o festival ainda pena para se libertar da personalidade de seu fundador.
Exposição: Montreux. Jazz since 1967
Onde: Museu Nacional Suíço (Landesmuseum)
Museumstrasse 2, 8001 Zurique
Em cartaz até 21/5/2018Aqui termina o infobox