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Socorro Hernández, diretora do CNE, em Caracas(afp_tickers)
O poder eleitoral da Venezuela rejeitou nesta sexta-feira (13) a acusação de parcialidade que o governo dos Estados Unidos formulou às vésperas das eleições de governadores do próximo domingo.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) "quer comunicar ao país e à comunidade internacional o repúdio à agressão perpétua contra nossa soberania", manifestou a presidente do organismo, Tibisay Lucena.
"Novamente, esse governo (o dos Estados Unidos) pretende qualificar a legitimidade dos processos eleitorais a partir de seus interesses políticos e impor fórmulas para a dominação no nosso país que nem sequer são aplicadas em seu próprio território", acrescentou em declarações realizadas na sede do CNE.
Acompanhada da presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Delcy Rodríguez, e do ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, Lucena acusou Washington de desconhecer "deliberadamente todas as garantias para o exercício do voto na Venezuela".
Em um comunicado de sua porta-voz, Heather Nauert, o Departamento de Estado americano havia expressado sua preocupação com "uma série de ações" do CNE "que questionam a imparcialidade do processo eleitoral".
O texto mencionou, entre outros, o "fechamento de centros de votação em zonas que são baluartes da oposição", a "manipulação do desenho das cédulas" e a falta de observadores e de uma auditoria "completa e independente".
A oposição venezuelana informou que o CNE não lhe permitiu substituir candidatos que inicialmente havia inscrito e que na última hora foram realocados 200 seções eleitorais, com a finalidade, disse, de afetar seu eleitorado.
Lucena, a quem Washington incluiu em uma lista de funcionários venezuelanos sancionados por abalar a democracia, assegurou que estes apontamentos estão baseados em "mentiras e manipulações".
A presidente do CNE afirmou que foram feitas "mais de 14 auditorias" para estas eleições, que as seções foram transferidas para evitar episódios de violência e que haverá 1.240 observadores nacionais e 70 personalidades de um "acompanhamento verdadeiramente independente".
Os Estados Unidos expressaram também "preocupação" com a denúncia da empresa Smartmatic, que deu suporte tecnológico em várias eleições na Venezuela, de que houve "manipulação" na votação, em julho, da Constituinte, integrada só por governistas.
Os venezuelanos vão às urnas neste domingo para eleger 23 governadores em eleições que, segundo a Constituição deveriam ter sido realizadas em 2016.
AFP