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O balanço da participação da Suíça nos Jogos Olímpicos - com 11 medalhas - foi melhor que previsto, com ressalvas em esqui alpino e hóquei sobre gelo...
Uma das maiores sensações dos jogos olímpicos veio do "baixinho voador" suíço, Simon Ammann, que levou duas medalhas de ouro em salto de esqui em trampolim.
Surpresas
O feito - o segundo na história olímpica - propulsou o obscuro atleta filho de camponês, do interior suíço, à fama internacional e a toda uma badalação que não desestabilizou o jovem espontâneo, extrovertido, com pinta de Harry Potter (óculos e jeito engraçado).
As duas medalhas e de ouro surpreendeu até o próprio Ammann, 20 anos, que nunca ganhara competição importante. Em Salt Lake destronou os favoritos, o alemão Sven Hannewald e o polonês, Adam Malyzs, não apenas uma, mas duas vezes...
Outra grande surpresa foi a vitória de Philipp Schoch em snowboard, na prova de slálom gigante paralelo.
De resto, os "snowboarders" suíços que gozavam de favoritismo decepcionaram, tirando a ex-campeã do mundo júnior, Fabienne Reuteler, que ficou com a medalha de bronze na modalidade half-pipe.
Curling
Uma medalha de prata e uma de bronze é resultado considerado satisfatório para os representantes suíços em curling. Satisfatório porque a equipe masculina da modalidade não conseguiu defender o título de campeão conseguido em Nagano. Mas na disputa do terceiro lugar, a equipe capitaneada por Christoph Schwaller derrotou os campeões mundiais e europeus, da Suécia.
Já o curling feminino passou perto da medalha de ouro, mas teve de contentar-se com a de prata. Isso não deixa porém de ser uma façanha para uma equipe que participou apenas pela segunda vez de jogos olímpicos.
Outros bons desempenhos foram conseguidos em esportes considerados ainda mais esdrúxulos em países tropicais: bobsleigh e skeleton.
Decepções
Entre as surpresas agradáveis, uma veio da equipe de esqui nórdico (ou cross-country), relé 4 x 5km. Foi a primeira vez que equipe feminina suíça se projetava nos jogos olímpicos.
As maiores desilusões para a Suíça ocorreram onde não se esperava, em hóquei sobre gelo e principalmente esqui alpino, esportes muito populares no País. Para a Suíça, país alpino, jogos olímpicos de inverno, sem medalhas em esqui alpino, são uma desonra.
Verdade que uma das favoritas em slálom, Sonja Nef, salvou a pátria em eslálom gigante. Mas foi só. Estrelas como Didier Cuche - que tinha aparente potencial para três medalhas - foram eliminadas pelo tombo. Em eslálom gigante, Cuche caiu poucos segundos antes da chegada, quando estava com o melhor tempo da prova, na segunda etapa, a decisiva.
Gosto amargo
A decepção em relação à equipe de hóquei sobre gelo deriva do fato de que o time chegou a Salt Lake City com algumas pretensões, não de conseguir uma medalha, mas de competir com os melhores do mundo. Mas esses representantes da Suíça nem conseguiram passar da fase preliminar.
Os jogos olímpicos deixam também gosto amargo - não só para a Suíça - pelo fato de ter surgido novamente o problema do "doping" que afetou em particular o espanhol de origem alemã, Johann Mühlegg (que conseguira 3 medalhas de ouro em esqui nórdico), e a russa, Larissa Lazutina, na mesma modalidade de esqui.
Os Jogos serviram também para ostentação do patriotismo norte-americano que irritou algumas sensibilidades. Mas as atenções já se voltam para as Olimpíadas de 2006, em Turim. Resta a ver o que Comitê Olímpico Internacional vai empreender para conseguir Jogos mais limpos.
swissinfo