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A Nasa cancelou o lançamento programado para terça-feira (27) da missão não tripulada à Lua Artemis 1 devido à tempestade tropical Ian, que deve se fortalecer à medida que se aproxima da Flórida.
"A Nasa está abandonando uma oportunidade de lançamento (...) enquanto observa a previsão associada à tempestade tropical Ian", anunciou a agência espacial americana neste sábado (24).
O Centro Nacional de Furacões (NHC) indicou que Ian vai se "intensificar rapidamente" no fim de semana, enquanto se move em direção à Flórida, sede do Centro Espacial Kennedy, de onde o foguete gigante SLS (Sistema de Lançamento Espacial) será lançado.
No domingo, a equipe da Artemis 1 decidirá se devolve o foguete ao prédio de montagem.
O SLS pode suportar rajadas de vento de até 137 quilômetros por hora. Mas se for guardado, perderá a janela de lançamento atual, que vai até 4 de outubro.
Jim Free, administrador associado à diretoria de desenvolvimento de sistemas de exploração da agência espacial, disse no Twitter que a "abordagem passo a passo" para decidir preserva "uma oportunidade de lançamento se as condições melhorarem", indicando que um lançamento nos próximos dez dias ainda está na mesa.
A próxima janela será de 17 a 31 de outubro, com possibilidade de decolar em qualquer dia, exceto entre 24 e 26 de outubro e 28 de outubro.
A missão Artemis 1 busca testar o SLS, que levará a cápsula Orion, que desta vez não será tripulada, exceto por manequins, em preparação para futuras viagens à Lua com humanos a bordo.
Uma missão bem-sucedida será um grande alívio para a Nasa após anos de atrasos e estouros de custos. Mas um revés adicional seria um golpe para a agência espacial, que teve que descartar duas tentativas anteriores de lançamento devido a falhas técnicas, incluindo um vazamento de combustível.
A missão Artemis recebeu o nome da irmã gêmea do deus grego Apolo, que deu nome às primeiras missões lunares. Ao contrário das missões Apolo, que enviaram apenas homens brancos à Lua entre 1969 e 1972, Artemis verá a primeira pessoa negra e a primeira mulher a pisar na superfície lunar.
Um dos principais objetivos da primeira missão é testar o escudo térmico da cápsula Orion, o maior já construído. Em seu retorno à atmosfera terrestre, terá que suportar uma velocidade de 40.000 km/h e uma temperatura equivalente à metade da registrada na superfície do Sol.
Para esta primeira missão, a Orion se aventurará até 64.000 quilômetros após a Lua. A próxima missão, Artemis 2, prevista para 2024, transportará astronautas, mas não pousará na Lua. Essa honra será reservada para a tripulação da Artemis 3, que será lançada não antes de 2025.
Depois disso, a Nasa espera realizar uma missão por ano. O plano da agência americana é construir uma estação espacial na órbita lunar, chamada Gateway, e uma base na superfície da Lua.
A Nasa pretende testar ali as tecnologias necessárias para enviar os primeiros humanos a Marte: novos trajes, um veículo para se mover ou um possível uso da água lunar, entre outros objetivos.
De acordo com o diretor da agência espacial Bill Nelson, uma viagem de ida e volta de vários anos a Marte a bordo do Orion poderia ser tentada no final da década de 2030.
O custo do programa Artemis é estimado em US$ 93 bilhões até 2025, com suas primeiras quatro missões registrando US$ 4,1 bilhões cada, de acordo com uma auditoria do governo.