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Por ordem do Departamento Federal de Justiça (OFJ, na sigla em francês), dois funcionários da FIFA foram presos na quinta-feira (03.12) em Zurique e podem ser extraditados. O operação ocorreu a pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que acusa os dois de terem aceito suborno de vários milhões de dólares.
A ordem de prisão do OFJ se fundamenta em um pedido enviado pelas autoridades americanas em 29 de novembro de 2015, comunicou órgão na quinta-feira. A operação foi iniciada às seis horas da manhã no hotel de luxo Baur au Lac, que já havia sido palco de uma primeira onda de prisões em 27 de maio, lembrou o site do jornal New York Times.
No contexto das investigações dos casos de corrupção interna na FIFA, a Justiça do Distrito Leste de Nova Iorque suspeita que as pessoas detidas tenham aceito suborno. Esses altos funcionários teriam permitido, em troca, a venda dos direitos de marketing em ligação com a difusão televisiva dos torneios na América Latina e qualificações para a Copa do Mundo.
Segundo o pedido de prisão, os atos referidos foram fomentados em parte nos Estados Unidos. Os pagamentos teriam passado através de bancos norte-americanos.
A polícia cantonal da Zurique deve interrogar as pessoas detidas ainda na quinta-feira, por ordem do OFJ, em relação às acusações feitas pela justiça dos EUA. O órgão revelará durante o dia os nomes e os resultados dos interrogatórios.
As pessoas que aceitaram serem extraditadas imediatamente serão sujeitas a um processo simplificado no qual o OFJ poderá, sem demora, aprovar e executar a extradição para os Estados Unidos. Para os que se opõem, o órgão solicitará aos Estados Unidos o envio de um pedido formal à Suíça em quarenta dias, o prazo normal previsto pelo tratado de extradição em vigor entre os dois países.
No total, 14 pessoas (dos quais 9 membros atuais ou antigos da FIFA) estão implicados na acusação feita pela justiça americana. Ela avalia que aproximadamente 150 milhões de dólares foram pagos em suborno e propinas desde os anos 1990.
Essa nova operação ocorre sete meses depois de uma primeira onda de prisões por fraude, corrupção e lavagem de dinheiro cometida por doze dirigentes da FIFA. Dessa vez, a FIFA estava organizando a reunião do seu comitê executivo durante dois dias - quarta e quinta-feira, em Zurique.
A reunião iniciou às nove horas da manhã, "como previsto", declarou um porta-voz da FIFA. Ela assegurou em um comunicado que a FIFA "continuará a cooperar plenamente" com as investigações feitas pelas autoridades na Suíça e Estados Unidos.
O comitê executivo foi convocado para discutir sobre as reformas cruciais para o futuro, necessárias pelo escândalo que eclodiu em maio. Os investigadores dos EUA colocaram em evidência que os dirigentes do futebol mundial haviam recebido suborno e comissões para a atribuição das fases finais da Copa do Mundo e a cessão de direitos de transmissão televisiva.
Dois dos sete responsáveis da FIFA, membros do comitê executivo presos em Zurique em 27 de maio de 2015, aceitaram ser extraditados para os Estados Unidos através de um processo simples. Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman, e o brasileiro José Maria Marin foram transferidos, respectivamente, em 15 de julho e 3 de setembro.
Os cinco outros, Eugenio Figueredo, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas e Rafael Esquivel, se opuseram à extradição para os Estados Unidos. O Tribunal Penal Federal (TPF) ainda não se pronunciou sobre os recursos.
Com base em quatro pedidos de cooperação jurídica com os Estados Unidos, o OFJ também bloqueou quatro contas em bancos suíços onde o dinheiro de suborno teria sido depositado. Documentos bancários ligados às contas também foram confiscados. Os documentos devem ser enviados aos Estados Unidos. Os titulares das contas têm até trinta dias para recorrer às decisões frente às autoridades jurídicas da Suíça.
Essas decisões finais terão efeito se os titulares de conta renunciarem a entrar com recurso ou se o TPF e, possivelmente, o Tribunal Federal (última instância) rejeitarem os recursos. Só então o OFJ enviará as provas recolhidas na Suíça aos Estados Unidos, diz novamente.
swissinfo.ch com agências