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A crise da Covid-19 revelou o quanto a Suíça está atrasada quando se trata de digitalização na política e na vida cotidiana, segundo Martin Vetterli, presidente da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL).Este conteúdo foi publicado em 30. março 2021 - 17:00
Em uma entrevista ao jornal suíço Neue Zürcher ZeitungLink externo, Vetterli argumenta que a pandemia deveria ser um despertador para a Suíça, que, em sua opinião, foi pega desprevenida. A pandemia revelou "pontos fracos como se fosse uma lupa" - não apenas sociais, políticos e médicos, mas também tecnológicos.
"Temos que ser honestos agora, identificar os déficits e melhorar", disse Vetterli que foi professor da Universidade de Columbia em Nova York e da Universidade da Califórnia, Berkeley, antes de se tornar responsável pela EPFL em 2017. Ele diz que foi para os EUA nos anos 80 porque "a ciência da computação era importante lá".
O dinheiro só tem um papel limitado na solução dos problemas, disse ele. "A Suíça se recusa a aceitar a realidade por conveniência. Nós somos ricos, tradicionais e preguiçosos", acrescentou. "Se temos um problema de TI, obtemos ajuda, por exemplo, de especialistas do exterior". Esses pré-requisitos não são bons para quebrar novas fronteiras digitalmente".
O governo suíço tem enfrentado o problema da falta de sistemas modernos de TI que têm prejudicado a implantação de testes e vacinas Covid. Em certo momento, as autoridades sanitárias estavam usando aparelhos de fax para compartilhar dados e informações. Os sistemas de registro de vacinas em vários cantões sobrecarregaram no início deste ano, quando milhares de pessoas tentaram se inscrever para a vacinação.
Crise como oportunidade
Na semana passada, foi aberto um inquérito sobre a plataforma de registro eletrônico de vacinação Myvaccines, quando foi revelado que os dados de cerca de 240.000 pessoas vacinadas contra a Covid-19 estavam acessíveis e vulneráveis à manipulação.
Vetterli apelou para que a Suíça visse a crise como uma oportunidade de virar a curva da digitalização. Ele apontou o exemplo da Estônia, um país relativamente jovem, que mostrou a rapidez com que uma sociedade pode ser digitalizada. Ele observou que a educação é fundamental para ajudar as pessoas na Suíça a entender como funcionam as empresas de tecnologia e onde se encontram os riscos.
Ele também apoiou um ecossistema mais dinâmico na Suíça, onde os principais pesquisadores, empresários e investidores de capital de risco se reúnem, observando que muitas startups boas deixam o país porque simplesmente não conseguem o investimento suficiente.