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O ex-presidente do Peru Pedro Pablo Kuczynski, que está cumprindo prisão preventiva, foi hospitalizado nesta quarta-feira em uma clínica da capital Lima após uma crise de pressão arterial, informou o congressista Gilbert Violeta.
"O ex-presidente Kuczynski foi transferido para a clínica anglo-americana em um quadro de pressão alta", disse Violeta.
Kuczynski, de 80 anos, está na unidade de terapia intensiva, informou o congressista à rádio RPP.
Estava prevista para a tarde desta quarta a realização de um cateterismo cardíaco, mas não há informações sobre os resultados .
O advogado de de Kuczynski, César Nakazaki, confirmou o súbito mal-estar do ex-presidente indicando que foi diagnosticado uma fibrilação auricular (quando há um ritmo cardíaco anormal caracterizado por batimentos rápidos e irregulares).
"Deve ser submetido a um cateterismo porque há imagens que determinaram que há alto risco de uma obstrução no coração", disse o advogado à imprensa.
Os sintomas surgiram assim que Kuczynski começou a sentir dores no peito, quando estava na Prefeitura, local onde está detido há uma semana.
A internação de Kuczynski, que governou o país entre 2016 e 2018 e é investigado por suposto envolvimento nos subornos da Odebrecht no Peru, ocorre no momento em que a Justiça avalia um pedido de prisão preventiva de 36 meses contra ele.
Diante do problema de saúde, o procurador encarregado do caso, José Domingo Pérez, avalia modificar o pedido de prisão preventiva para prisão domiciliar.
"O procurador solicitou uma avaliação da saúde do ex-presidente a fim de alterar seu pedido de prisão preventiva para prisão domiciliar", revelou o advogado de Kuczynski.
Segundo o advogado, o juiz Jorge Luis Chávez Tamariz, do Tribunal de Investigação Preparatória Especializado em Crimes de Corrupção, solicitou um relatório médico sobre a atual situação de saúde do ex-presidente.
A espera deste relatório, o juiz suspendeu a audiência até a quinta-feira.
O ex-presidente (2016-2018) encontrava-se detido na Prefeitura de Lima, no âmbito de uma investigação pelo suposto crime de lavagem de dinheiro no escândalo de corrupção da empreiteira Odebrecht.
- Kuczynski e Odebrecht -
Kuczynski, um ex-banqueiro de Wall Street, é investigado por pagamentos recebidos da Odebrecht através de duas empresas ligadas a ele, a First Capital e a Westfield Capital, enquanto era ministro do governo de Alejandro Toledo (2001-2006).
Em 2017, a multinacional brasileira afirmou ter pago quase cinco milhões de dólares por assessorias da First Capital e a Westfield Capital. Até o momento, o ex-presidente Kuczynski havia negado qualquer vínculo com a empresa.
A acusação aponta que o político favoreceu a empreiteira na vitória na licitação para a construção da rodovia inter-oceânica Peru-Brasil e no projeto de irrigação hidroenergética Olmos, no norte do Peru.
Além disso, Jorge Barata, ex-chefe da Odebrecht no Peru, disse aos promotores da Lava Jato no Brasil que a empresa contribuiu com 300 mil dólares para a campanha presidencial de 2016 de Kuczynski, valores que não foram declarados oficialmente.
Esta revelação gerou um processo de impeachment contra o então presidente, que renunciou ao cargo em março de 2018, tornando-se assim o primeiro mandatário em exercício na América Latina a deixar suas funções por conta do caso da Odebrecht.
No Peru, o escândalo da empreiteira brasileira também levou à investigação os ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Alan García (2006-2011), que cometeu suicídio nesta quarta-feira no momento em que oficiais de justiça foram a sua residência com um pedido de prisão preventiva.
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