Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02593.jsonl.gz/77

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
Grupo de monitores da OSCE cobrem os narizes em estação de trem de Torez, leste da Ucrânia, em 21 de julho de 2014(afp_tickers)
O trem refrigerado com os restos mortais de 282 das 298 vítimas da queda do avião malaio foi autorizado na tarde desta segunda-feira a deixar a estação ferroviária de Torez, em uma região rebelde, enquanto o Conselho de Segurança da ONU condenou a derrubada da aeronave.
O documento, redigido pela Austrália e aprovado por unanimidade pelos 15 membros do Conselho, "condena nos termos mais firmes possíveis" o ataque que provocou a queda da aeronave no leste da Ucrânia e exige que os culpados sejam responsabilizados.
A resolução pede ainda "a todos os países e protagonistas na região", incluindo a Rússia, colaboração plena "com uma investigação internacional completa, minuciosa e independente".
A instituição exige "o fim imediato de toda atividade militar, incluindo de grupos armados (separatistas), nos arredores" do local da catástrofe para facilitar esta investigação.
A votação ocorreu na presença do ministro holandês das Relações Exteriores, Frans Timmermans, e de seus colegas australiano e luxemburguês, Julie Bishop e Jean Asselborn. A Holanda perdeu 193 cidadãos e a Austrália 27 nesta tragédia que causou 298 mortes no total.
A resolução "exige que os grupos armados que controlam a área (...) forneçam acesso total, sem restrições e com segurança" a este local aos investigadores. O Conselho exige ainda que os separatistas "evitem qualquer ação que possa comprometer a integridade do local da queda", principalmente manipulando destroços do avião.
Contudo, o texto não indica nenhuma sanção ou ameaça de sanção aos envolvidos no caso.
- Corpos serão entregues à Holanda -
Enquanto isso, na estação de trem de Torez, no leste rebelde da Ucrânia, uma equipe de investigadores holandeses examinou os corpos das vítimas do voo MH17 da Malaysia Airlines. Depois, os restos seguiram para a cidade de Kharkiv, controlada por Kiev, para que sejam entregues depois à Holanda.
O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, declarou nesta segunda-feira que os corpos das vítimas do avião malaio serão entregues às autoridades holandesas.
O premiê disse ter recebido garantias do primeiro-ministro da autoproclamada República de Donetsk de que os 282 corpos recolhidos no local da queda chegariam em segurança a Kharkiv.
Segundo o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, o transporte das vítimas deve levar entre dez e 12 horas.
O trem deixou Torez às 16h00 GMT (13h00 de Brasília), e deve passar por Donetsk, controlada pelos rebeldes, até chegar ao seu destino.
Das 298 vítimas, 193 eram holandesas.
As autoridades ucranianas explicaram que uma equipe de especialistas internacionais está em Kharkiv para analisar os corpos antes de entregá-los às famílias.
A Ucrânia defende que a Holanda coordene a investigação e está disposta a enviar a Amsterdã os corpos das vítimas para que sejam submetidos a necropsias, declarou em Kiev o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk
Ainda segundo Razak, as caixas-pretas da aeronave, atualmente com os separatistas pró-russos, serão entregues à Malásia, e que os investigadores internacionais terão acesso garantido ao local da queda.
- Guerra no centro de Donetsk -
Neste contexto, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ordenou que suas tropas interrompam suas operações em um raio de 40 km ao redor do local onde o avião foi derrubado, para facilitar o trabalho dos investigadores.
Este raio exclui o reduto separatista de Donetsk (a 60 km do local da tragédia), onde a estação ferroviária foi alvo de intensos disparos de artilharia nesta segunda, deixando pelo menos três mortos e um ferido, segundo as autoridades locais.
Os bombardeios provocaram um incêndio em um supermercado próximo à estação e atingiram um edifício de nove andares, segundo as informações divulgadas.
EUA pressionam a Rússia
No âmbito diplomático, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aumentou nesta segunda a pressão sobre a Rússia, insistindo que os insurgentes pró-russos do leste da Ucrânia devem cooperar com a investigação internacional sobre a tragédia.
Obama declarou que Moscou deve intervir para que os separatistas pró-russos parem de manipular as provas no local onde o avião da Malaysian Airlines caiu no leste da Ucrânia, considerando que o "caos que impera na região da catástrofe é um insulto às famílias das vítimas".
A Rússia tem "uma influência direta sobre os separatistas" e o presidente russo "tem a responsabilidade direta de obrigá-los a cooperar com a investigação. É o mínimo que podem fazer", insistiu Obama, quatro dias depois da queda do voo MH17 Amsterdã-Kuala Lumpur.
Os Estados Unidos alegam que o avião foi abatido por um míssil SA-11 disparado de uma zona sob controle de rebeldes apoiados pela Rússia. Mas um general do Estado-Maior do Exército russo, Andrei Kartopolov, negou que Moscou tenha fornecido aos separatistas mísseis antiaéreos.
O general garantiu ainda que um caça ucraniano SU-25 estava a uma distância de 3 a 5 km do avião malaio pouco antes de sua queda.
O presidente russo, Vladimir Putin, alvo de várias críticas e advertências por seu suposto apoio aos separatistas, garantiu que a Rússia fará o possível para alcançar uma solução negociada do conflito na Ucrânia.
AFP