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Enviar um homem à Lua ou uma sonda aos anéis de Saturno exigiu muita engenhosidade da agência espacial norte-americana.
Em meio século de existência, a Nasa inventou novas tecnologias que revolucionaram nossa vida cotidiana. A Suíça também participou de algumas missões.
A Nasa (agência espacial norte-americana) comemora seu cinqüentenário nesta quarta-feira. A questão que o cidadão comum pode colocar é para que serve a conquista espacial?
Na época dos pioneiros, a resposta era evidente: mostrar que uns eram mais fortes do que outros.
Mesmo se o homem sempre sonhou com o céu, concretamente foram os militares que o enviaram ao espaço. O pai do foguete lunar foi o alemão Wernher von Braun, que, quase ao final da Segunda Guerra Mundial, supervisionou a construção dos sinistros V2, a arma da última chance para os nazistas.
Também foi na Alemanha, na mesma época, que surgiram os primeiros aviões a reação. Assim que o inimigo foi derrotado, norte-americanos e soviéticos se lançaram na corrida para ir cada vez alto e mais rápido.
Chegar antes do inimigo
No início, os russos estavam mais avançados: o primeiro satélite, primeiro homem no espaço e primeira saída ao espaço. A Nasa corria atrás. Depois, a tendência se inverteu até dar razão ao presidente John F. Kennedy, que, em 1962, tinha prometido levar um norte-americano à Lua antes do final da década.
Na época, era uma questão de prestígio. Se nossa ciência é a melhor, nossa tecnologia mais avançada e nossos pilotos mais corajosos do que os do inimigo, isso demonstra que nosso sistema político é superior.
Sem contar que, se o outro chegasse à Lua antes de nós, ele poderia instalar lá uma base de foguetes nucleares apontados contra nossas cidades. Foi esse gênero de fantasmas que alimentou o espírito dos pioneiros do espaço.
Depois, os tempos mudaram. Em 1975, um astronauta e um cosmonauta se cumprimentaram em um encontro espacial Apollo-Soyouz e, atualmente, a Estação Espacial Internacional (ISS) é coabitada por várias nacionalidades.
Várias nacionalidades, menos os chineses. Como George Bush prometeu que os Estados Unidos voltarão à Lua até 2020, a China vai tentar chegar antes. Será que a história se repete?
Satélites, mamadeiras e óculos
Enquanto isso, se nós, simples terráqueos, pudemos ver as imagens triunfantes dos heróis chineses no espaço, se podemos telefonar para o outro lado do planeta, se as previsões da meteorologia são mais precisas (apesar dos céticos) ou se nosso automóvel é capaz de dizer "vire a próxima rua à esquerda", é graças aos satélites.
Esses serviços fazem parte do cotidiano de quase todo mundo e até os esquecemos, até porque ninguém os vê. E, no entanto, o Sputnik, nosso ancestral comum, tem a mesma idade da Nasa.
E não é só isso. Quem pensa nos astronautas quando prepara uma mamadeira? Portanto, foi para os homens do espaço que foram elaborados extratos de algas marinhas ricos em vitaminas, leves, econômicos e de fácil digestão, hoje presentes nos alimentos industriais para bebês.
Para os mais velhos, encontramos no comércio uma nova geração de óculos inquebráveis, derivados diretamente das viseiras das roupas de astronautas da Nasa. Fora da atmosfera, de fato, o sol é muito mais forte do que em qualquer praia.
Segurança aérea e veículos limpos
Ao todo, são mais de 1.500 tecnologias espaciais que facilitam nosso cotidiano individual e coletivo. Para seu cinqüentenário, a Nasa colocou uma lista da inovações em seu site internet, com animações didáticas.
Em casa e nas cidades, descobrimos em alguns cliques o que a agência mudou em nossas vidas. As pinturas anti-incêndio derivam do revestimento térmico da nave, que a protegiam do calor intenso provocado pela entrada na atmosfera.
O revestimento de estradas e pistas de aeroportos com estrias que permitem o escoamento da água da chuva e evitam a derrapagem foram inicialmente testadas pela Nasa para as operações de pouso.
Essas experiências também foram aproveitadas na medicina. Os sistemas de monitoramento das funções vitais dos pacientes nas unidades de terapia intensiva dos hospitais foram criados nos anos 60 para os primeiros astronautas.
Tem ainda a pilha a combustível. Ela foi inventada em 1839, mas só teve aplicações concretas nos programas espaciais. Em um futuro próximo, ela poderá ser utilizada nos carros a hidrogênio, sem qualquer emissão poluente.
Isso é só o começo
Não podemos esquecer que a Nasa enviou homens à Lua nem que, um dia, não muito longínquo, eles irão a Marte, nem que seja apenas para verificar a presença de água que a missão Phoenix acaba de descobrir.
Por enquanto, as sondas fazem explorações sobre a atmosfera e a superfície de todos os planetas do sistema solar, inclusive em alguns satélites naturais, como Titã (uma das luas de Saturno), o que pode nos ajudar a compreender como surgiu a vida na Terra.
Então, quem sabe, talvez um dia possamos, graças à Nasa, apertar a mão de um E.T.
swissinfo, Marc-André Miserez
NASA
Criada por um voto do Congresso dos Estados Unidos em julho de 1958 para concorrer com a União das República Socialistas Soviéticas (URSS) na corrida espacial, a agência começa a funcionar em 1° de outubro do mesmo ano.
É a maior agência espacial do mundo, com 17 bilhões de dólares de orçamento anual, 19 mil funcionários e aproximadamente 40 mil colaboradores com contratos externos.
Além da sede em Washington, ela tem 10 centros nos Estados Unidos, incluindo Cap Canaveral na Flórida, Houston no Texas e o Jet Propulsion Laboratory na Califórnia, onde são concebidas e acompanhadas a maioria das missões relativas a Marte e aos outros planetas do sistema solar.
A Suíça e o espaço
20 de julho de 1969: antes de colocar a bandeira dos Estados Unidos na Lua, Neil Armstrong e Edwin Aldrin abriram uma folha de alumínio fabricada na Suíça e destinada a coletar partículas de vento solar.
Com a fita velcro (para fixar objetos nas paredes na ausência de gravidade dentro da nave), o Omega Speedmaster (relógio dos astronautas) e o suíço Claude Nicollier (quatro missões a bordo de naves da Nasa), a Suíça teve seus momentos de glória no espaço.
País reputado por sua indústria de precisão, a Suíça forneceu vários mecanismos e estruturas para os engenhos voadores da Nasa e da ESA (Agência Espacial Européia).
Alguns exemplos: peças para os foguetes Ariane, motores dos engenhos que exploram o solo de Marte, microscópio atômico do tamanho de uma caixa de fósforos, bioreatores para experiências médicas a bordo da Estação Espacial Internacional e relógios atômicos do futuro sistema de navegação europeu Galileu.