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O líder opositor boliviano Luis Fernando Camacho anunciou nesta terça-feira (5) que voltará a La Paz amanhã, e sempre que for necessário, para entregar ao presidente Evo Morales uma carta de renúncia para que a assine, ao voltar ao seu reduto, Santa Cruz, depois de falhar em sua primeira tentativa.
"No dia de amanhã (quarta-feira), às duas e meia da tarde, retorno à cidade de La Paz e assim será todos os dias, até que eu entre no palácio de governo" para entregar a Morales a carta de renúncia, disse Camacho em sua chegada a Santa Cruz, a cidade mais rica da Bolívia e reduto opositor.
A frustrada visita de Camacho a La Paz nesta terça foi a ação mais desafiadora da oposição boliviana para conseguir a renúncia do presidente esquerdista indígena, que acusam de ter fraudado as eleições de 20 de outubro.
"A história se repete", declarou Morales em um encontro em uma praça de La Paz, recordando que há quatro décadas o general golpista Luis García Meza levou uma carta de renúncia à presidente Lidia Gueiller (1979-1980), instaurando uma ditadura.
Morales, que encerrou seu discurso gritando "pátria ou morte!", pediu a seus apoiadores para "enfrentar e rejeitar o golpe de Estado dos racistas que tentam recuperar o poder político".
Na noite desta terça-feira, ocorreram confrontos entre manifestantes e policiais na Praça San Francisco, no centro de La Paz.
A polícia utilizou jatos d'água e bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que acenderam fogueiras nas ruas, observou um jornalista da AFP.
Os distúrbios duraram mais de três horas e fecharam a principal avenida de La Paz. Ao menos duas pessoas foram detidas, segundo a imprensa local.
Desde que os protestos começaram, no dia seguinte ao da votação, foram registrados dois mortos e cerca de 140 feridos, segundo a Defensoria Pública.
Em duas semanas de protestos e greves, "o país já perdeu 167 milhões de dólares, aproximadamente 12 milhões diários", avaliou o ministro da Economia, Luis Arce Cataroca, em entrevista coletiva.
- Apoio a Mesa -
Depois de afirmar, na segunda-feira, em tom de desafio durante um comício em Santa Cruz que entregaria pessoalmente a Morales a carta de renúncia para que o presidente a assinasse, Camacho chegou ao aeroporto El Alto, em La Paz, mas foi impedido de sair por manifestantes favoráveis ao governo.
Camacho garante que, se for novamente impedido na quarta-feira, ele voltará a repetir a tentativa até conseguir seu objetivo.
No poder desde 2006, Morales não comentou publicamente as ações de Camacho, mas pediu aos seguidores que defendam sua reeleição e denunciou planos de golpe da oposição.
Camacho, um advogado de 40 anos, é o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e se tornou o rosto mais visível da oposição boliviana depois das eleições, embora não tenha sido candidato à Presidência, ofuscando o ex-presidente Carlos Mesa, segundo colocado na votação.
Mesa expressou sua solidariedade a Camacho, afirmando que ele "foi impedido do que nenhum cidadão boliviano pode ser impedido".
No Twitter, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, pediu que as autoridades bolivianas garantam a liberdade de movimento e a circulação de Camacho. Desde a semana passada, o organismo regional realiza uma auditoria do processo eleitoral.
- Denúncia na OEA -
Em Washington, durante uma sessão extraordinária da OEA na segunda-feira, o chanceler da Bolívia, Diego Pary, denunciou um golpe de Estado em curso em seu país, promovido pela oposição.
"A agressão seletiva aos cidadãos e às forças de segurança, o apelo para que as Forças Armadas e a Polícia Nacional se rebelem e, finalmente, a convocação ao presidente Evo Morales para deixar o governo em 48 horas são claras evidências de que há um golpe de Estado a caminho que pretende fazer ruir a vida democrática da Bolívia por meio do caos e do enfrentamento", disse Pary.
Em comício na véspera em Santa Cruz, Camacho declarou: "Eu vou levar pessoalmente esta carta à cidade de La Paz para que Morales a assine. Eu lhes garanto que Deus vai me trazer com esta carta assinada".
No sábado, Camacho deu um ultimato de 48 horas ao presidente para que renunciasse e pediu a intervenção das Forças Armadas na crise política. O prazo acabou na segunda-feira à noite sem nenhum efeito sobre Morales.
A missão da OEA pediu aos bolivianos que entreguem qualquer "informação ou documentação" que possa ajudar a esclarecer as dúvidas sobre a eleição.
"A equipe técnica da Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos abre canais para receber informação e documentação relativa às eleições de 20 de outubro e os acontecimentos pós-eleitorais", completou a missão.
A oposição boliviana não aceita a auditoria da OEA, que considera uma "manobra diversionista para manter Morales no poder".
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