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Por Tom Perry
RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, voltou a pedir nesta quarta-feira a suspensão das construções nos assentamentos israelenses para que possa retomar as negociações de paz com Israel, a quem acusou de estar tentando afundar a possibilidade de um Estado palestino.
Falando com seguidores de seu partido, Fatah, no quinto aniversário da morte de seu predecessor, Yasser Arafat, Abbas disse que as resoluções da ONU exigem um "quadro prévio claro" para as conversações visando pôr fim a mais de 60 anos de conflito.
"Não podemos entrar em negociações sem um quadro. E afirmamos que o quadro é dado pelas resoluções da ONU, ou seja, o retorno às fronteiras de 1967", disse Abbas.
"E queremos a suspensão total da construção nos assentamentos, incluindo o crescimento natural e em Jerusalém", disse Abbas, de 74 anos.
O líder palestino disse à plateia que não queria comentar seu desejo de não se candidatar a um segundo mandado presidencial em uma eleição marcada para janeiro.
"Como eu disse em meu discurso, haverá outras decisões que tomarei em função dos fatos futuros", disse ele, referindo-se ao anúncio que fez na semana passada de que não irá se candidatar novamente.
Abbas disse que a retomada das negociações requer um compromisso do governo israelense com o quadro do processo de paz, que inclui a suspensão das construções nos assentamentos.
Ele acusou Israel de tentar frustrar a "solução de dois Estados", que prevê a criação de um Estado palestino ao lado de Israel e que tem o apoio da comunidade internacional.
ELEIÇÃO EM JANEIRO POUCO PROVÁVEL
Israel ocupou a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém oriental em 1967. Os palestinos querem seu Estado próprio nos dois territórios principais e com Jerusalém como sua capital.
O premiê israelense Benjamin Netanyahu excluiu a possibilidade de limitar mais do que parcialmente as construções de assentamentos judaicos em áreas da Cisjordânia ocupada não anexadas por Israel a seu município de Jerusalém.
Nas últimas semanas, o presidente Barack Obama vem intensificando as pressões sobre Abbas para retomar as negociações, suspensas há um ano, sem aguardar mais limitações israelenses aos assentamentos.
Abbas rejeita a possibilidade, e assessores dizem que seu desencanto com a aparente mudança na política dos EUA em relação aos assentamentos foi responsável pelo anúncio feito na semana passada de que não irá se candidatar na eleição que marcou para janeiro.
Seus rivais islâmicos do Hamas, que controlam a Faixa de Gaza, rejeitaram a realização de eleições no território, levando analistas a concluir que uma eleição em janeiro é improvável.
Reuters