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A rua Visconde de Taunay é um dos lugares mais movimentados da noite joinvilense. O que poucos sabem é que, muito antes de boates e restaurantes, as calçadas davam espaço aos canteiros de milho, feijão e batata.
Leia aqui mais uma história do especial realizado pelos estudantes de jornalismo da IELUSC sobre a colônia suíça de Joinville.
Das moradas de emigrantes suíços e alemães, Joinville se resumia ao Caminho do Jurapé: que ia do Rio Cachoeira, acompanhando um ribeirão chamado Mathias, até uma pequena clareira.
Norberto Rost, apesar de alemão, é chanceler do consulado suíço em Joinville. É ele quem conta a história da família da esposa Berthilde Schmalz. “A minha mulher é mais suíça que eu, a dona Betinha”. Filha de Günter e tataraneta de Albrecht e Margaretha, ela é descendente direta de imigrantes que chegaram a Joinville em 1850.
Naquele ano, como em outras partes da Europa, a Suíça estava em colapso no que diz respeito ao mercado de trabalho. As oportunidades de emprego e recomeço de vidas na América passaram a atrair os imigrantes. Do Cantão Bern, o mestre cervejeiro Albrecht Gabriel Schmalz, sua esposa Margaretha Schmalz e os cinco filhos receberam 1.750 francos de uma assembleia comunitária (espécie de organização política regional) e, a bordo da barca “Emma Louise”, vieram para o Brasil. Após 63 dias viagem, a família desembarcou em terra tupiniquim no dia 18 de maio de 1852.
A história dos Schmalz é tão densa, que resultou no livro “Do Cantão para Joinville – a saga da família Schmalz”. O autor narra a dificuldade da família em se instalar na Colônia Dona Francisca. O chanceler Norberto Rost descreve a harmonia entre os alemães e suíços durante o processo de colonização. “A língua que eles falavam era a mesma: alemã. Então houve uma colonização harmônica, perfeita, porque os alemães pra cá vieram agricultores. Já os suíços eram ourives.
Mais tarde, chegaram imigrantes ligados à metalurgia. O que questionou a razão de serem países antagonistas, muitas vezes em guerra na Europa, é porque aqui eles estavam desgraçados da vida, vieram debaixo do inverno europeu muito rigoroso e, depois de alguns meses a bordo navio, atracaram em terras de Joinville.
Com mosquitos, cobras e insetos que nunca tinham visto na Europa, pois o frio impede a proliferação destes insetos. Então, eles começaram a trabalhar e todos se entendiam, diferente de uma torre de babel, onde cada um fala uma língua. O sucesso da colonização de Joinville deve-se em partes à língua que eles falavam, que era o alemão”.
Berthilda conta que, com o dinheiro guardado enquanto trabalhava na Colônia, o tataravô, Albrecht comprou um lote em um lugar com terreno fértil, na Deutsche Pikade, onde está localizada a Rua Visconde de Taunay.
Ali, em um dos pontos mais movimentados da maior cidade de Santa Catarina, ele construiu a casa da família. Assim como faziam os vizinhos, rodeou a casa de canteiros de milho, feijão e batata. Com as águas do Ribeirão Mathias Strasse, o milho da plantação e as máquinas trazidas da Suíça, nasceu em 1852, a Cerveja Schmalz, a primeira cerveja artesanal da região. Dois anos depois, nasceu o primeiro filho joinvilense do casal: Jacob.
Conselho Comunal
No ano em que chegaram ao Brasil, os colonos criaram o Conselho Comunal para debater assuntos como segurança, saúde, ensino e religião. Johann Weber era presidente, Albrecht conselheiro e Ottokar Doerffel tesoureiro. Uma das primeiras atitudes do Conselho foi mudar o nome de Colônia Dona Francisca para Joinville.
Vida Social
A partir do convívio no conselho, criou-se um círculo de homens atraídos pela vida social. Em abril de 1855, foi fundada a Kulturverein, a Sociedade de Cultura. Um ano depois, na própria casa do cervejeiro, nasceu a Gesangverein Helvetia (Coral Helvetia), a primeira sociedade de canto e coral, que durou 80 anos e tornou-se um marco suíço na cidade.
Outras sociedades também foram fundadas, como a Sängerbund (Liga de Cantores), Schützenverein Joinville (Atiradores de Joinville) e Deutschen Turnverein zu Joinville (Sociedade Ginástica de Joinville). Com o desenvolvimento da colônia, ruas traçadas e casas construídas, os representantes dos proprietários da Colônia elevaram a comunidade a título de Vila e formaram a Câmara Municipal.
A morte do pioneiro
Em 22 de dezembro de 1862, Albrecht Gabriel Schmalz faleceu com 41 anos. Para o sustento da família, Margaretha cuidou da Cervejaria Schmalz até 1880, quando foi vendida. Segundo Norberto, ela recebeu na época uma menção honrosa na 1ª Exposição Industrial Comercial e Agrícola de Joinville. Sete anos depois, no dia 25 de maio, Margaretha morreu aos 67 anos. Os sete filhos de Albrecht e Margarettha tiveram, ao total, 32 descendentes.
Reencontros
Em 17 de maio de 1952, os descendentes dos Schmalz se reuniram ao redor do túmulo de Albrecht e Margaretha para comemorar o centenário da chegada da família ao Brasil. Depois do primeiro grande encontro, houve outros.
Em 2002, teve o segundo grande evento: 150 anos da família Schmalz em Joinville. Na organização, dona Bertinha e Norberto celebraram um culto ecumênico, seguido de uma visita ao Cemitério dos Imigrantes.
Na Casa da Memória, junto ao cemitério, foi inaugurada uma placa em homenagem aos 150 anos, com um brasão da família. Berthilda conta que ela e o marido organizaram vários outros reencontros. Mas a tarefa foi passada para outra descendente. “De cinco em cinco anos nós promovemos uma festa, para um encontro familiar. Tem parentes do Rio de Janeiro, São paulo, Curitiba, Blumenau. Se não me engano até no Rio Grande do Sul”, afirma Berthilda.
Suíça e Brasil
O número de suíços do estrangeiro aumentou nos últimos anos. No final de 2010, 695.101 cidadãos helvéticos estavam registrados nas representações diplomáticas da Suíça no exterior, 1,5% a mais do que no ano anterior.
A primeira colônia suíça no Brasil foi estabelecida em Nova Friburgo entre 1818 e 1819. A maior onde de imigração ocorreu entre os anos 1846 e 1920.
Em 2010, as exportações da Suíça ao Brasil totalizaram 2,31 bilhões de francos. As importações somaram 849 milhões. O Brasil é o principal parceiro econômico da Suíça na América Latina.
No final de 2009, o estoque de investimentos suíços no Brasil era de 12,8 bilhões de francos.
O número de pessoas ocupadas por empresas suíças no país era de 105.900 (2009).
Número de cidadãos suíços no Brasil: 14.794. Brasileiros na Suíça: 17.455 (2010)
Fontes: Secretaria de Estado para Economia (Seco)
ASO
Fundada em 1916, a Organização dos Suíços do Estrangeiro (OSE) representa na Suíça os interesses dos compatriotas expatriados. Ela é reconhecida pelas autoridades como a porta-voz da chamada 5a. Suíça.
O Conselho dos Suíços do Estrangeiro (CSE) é considerado como o parlamento da 5a. Suíça. Ele se reúne duas vezes por ano - na primavera e durante o congresso anual dos suíços do estrangeiro
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