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A ex-embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia disse nesta sexta-feira aos legisladores que estão realizando a investigação do julgamento político de Donald Trump que o presidente solicitou sua renúncia por meses e que foi finalmente descartada por alegações "falsas" feitas por atores questionáveis.
Na primeira aparição no Congresso de um funcionário do governo desde que Trump declarou guerra à investigação de um julgamento político promovido pelos democratas, Marie Yovanovitch emitiu uma crítica contundente à conduta da política externa pelo Executivo, informou o jornal The New York Times, que recebeu sua declaração.
Segundo o jornal, Yovanovich criticou os relatórios "fictícios" divulgados pelos aliados de Trump de que ela seria desleal ao presidente e disse que nunca fez nada para sabotar a campanha ou a administração do presidente.
Ela também considerou alarmante que o alto funcionário do Departamento de Estado tenha a informado de que ela estava sendo demitida porque havia "uma campanha concertada contra ela" e que o Departamento estava sob pressão de Trump desde meados de 2018 para tirá-la do cargo.
A única aparição no Capitólio de Yovanovitch, que ainda é funcionária pública federal, é uma vitória para os democratas, dada a postura pública da Casa Branca de não cooperar com a investigação.
Os democratas disseram que na quinta-feira passada a Casa Branca ordenou ao Departamento de Estado que impedisse Yovanovitch de testemunhar.
Os democratas disseram que na quinta-feira passada a Casa Branca ordenou ao Departamento de Estado que impedisse Yovanovitch de testemunhar. Mas depois que o Comitê de Inteligência da Câmara emitiu uma intimação urgente, Yovanovitch desafiou o governo Trump e compareceu.
"Qualquer esforço dos funcionários do governo Trump para evitar a cooperação de testemunhas com os comitês será considerado uma obstrução", disseram o chefe do painel Adam Schiff e outros dois presidentes do comitês em comunicado.
O testemunho da ex-embaixadora em Kiev pode ser um grande avanço para aqueles que buscam detalhes em primeira mão sobre os esforços de Trump, inclusive através de seu advogado pessoal Rudy Giuliani, para pressionar a Ucrânia a investigar o rival político de Trump, Joe Biden
Esses esforços, revelados após uma denúncia e a subsequente publicação do registro da Casa Branca de uma ligação entre Trump e o presidente ucraniano Volodimir Zelenski, em 25 de julho, tornaram-se o foco da investigação do julgamento político.
- Mais testemunhos -
O testemunho de Yovanovitch coincide com o anúncio do embaixador dos Estados na União Europeia, Gordon Sondland, de que ele finalmente testemunhará no Congresso na próxima quinta-feira, apesar da proibição do Departamento de Estado, anunciou seu advogado na sexta-feira.
Sondland, um rico doador da campanha Trump de 2016, foi incluído nas redes de mensagens de texto que criticam os esforços do presidente para pressionar a Ucrânia a investigar Biden.
O escândalo teve uma reviravolta dramática na quinta-feira, quando a procuradoria anunciou a prisão sob acusação de financiamento ilegal de campanha de dois colaboradores de Giuliani que teriam participado do suposto plano de sujar Biden.
Os democratas da Câmara também estão investigando se Yovanovitch foi demitido porque não embarcou no mesmo endereço.
Os dois homens detidos, Lev Parnas e Igor Fruman, concordaram em levantar US$ 20.000 ou mais para conseguir que um congressista americano contribuísse "para que o governo dos EUA retire a então embaixadora dos EUA na Ucrânia", declarou a acusação.
O legislador em questão seria Pete Sessions, um republicano do Texas.
Sessions reconheceu ter solicitado a demissão de Yovanovitch, mas disse que fez isso porque a ex-embaixadora estava "menosprezando o presidente Trump". Trump admitiu abertamente que estava buscando a saída de Yovanovitch.
Segundo o Times, a diplomata demitida disse aos parlamentares que ela só teve "contatos mínimos" com Giuliani e "nenhum relacionado aos eventos em questão".
Ele atribuiu os ataques de que ele é vítima, em parte por causa de sua firme promoção dos esforços anticorrupção.
Trump e outros republicanos argumentaram repetidamente, sem provas, que Biden tentou expulsar um procurador na Ucrânia para proteger seu filho Hunter, que trabalhava para uma empresa de energia ucraniana.