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Você fala suíço?
Programa de incentivo ao plurilinguismo helvético é lançado: “Você fala suíço?” também luta pela lei federal de proteção aos idiomas.
Principal objetivo dos seus idealizadores é incentivar o aprendizado e igualdade entre o alemão, francês, italiano e reto-romano.
Mais de 15 associações vindas das quatro regiões lingüísticas do país uniram esforços para criar o programa “Você fala suíço?”. Seu principal objetivo é pedir ao governo federal que ressuscite o projeto de lei sobre as línguas nacionais suíças (francês, alemão, italiano e reto-romano), abandonadas recentemente por questões financeiras.
“Eu não tenho nada contra o inglês, um idioma que deve ser aprendido por todos, porém é necessário que cada suíço aprenda pelo menos um segundo idioma nacional”, afirma Cécile Bühlmann, deputada federal do Partido Verde Suíço. Para ela, assim como outros participantes da coletiva de imprensa que apresentou o programa na última sexta-feira (20.11), a polêmica sobre o ensino prematuro do idioma de Shakespeare nas escolas mostra a urgência do debate público sobre a proteção do plurilinguismo na Suíça.
O programa “Você fala suíço?” foi criado no momento em que grupos de interesse decidiram apresentar argumentos favoráveis à lei sobre os idiomas, lembrou o lingüista Rolf Schärer, um dos participantes na coletiva. O objetivo principal é sensibilizar os políticos do país e o público em geral sobre o tema.
Uma das ações do grupo foi o envio de brochuras escritas em alemão, francês, italiano e reto-romano para todos os membros do Parlamento Federal. Ela contém textos científicos e de escritores e personalidades das quatro regiões lingüísticas do país.
Italiano e reto-romano são idiomas esquecidos
Para o deputado federal Fabio Abate, “o mais importante é sair dessa lógica contabilista e administrativa no momento de apoiar programas culturais”. O político defende, ao mesmo tempo, qualquer forma de ação que deixe “uma herança sólida às gerações futuras”.
O grupo de organizadores do programa “Você fala suíço?” foram unânimes em lamentar a desigualdade no tratamento dado aos idiomas nacionais italiano e reto-romano em relação ao alemão e francês. “Eu gostaria de falar o reto-romano, mas ninguém me compreenderia”, lembra Sep Cathomas, deputado federal originário do cantão dos Grisões, onde esse idioma aparentado com o latim é falado.
“Nós somos obrigados a criar todo o material escolar para o ensino do reto-romano, o que provoca gastos consideráveis para uma pequena comunidade como a nossa”.
17 milhões pelo plurilinguismo
Em abril o Parlamento suíço rejeitou um projeto de lei. A maioria dos deputados lembrou que já existiam instrumentos suficientes para proteger os quatro idiomas nacionais. Outro argumento é de ordem financeira: a aplicação da lei provocaria gastos da ordem de 17 milhões de francos.
Agora o projeto de lei foi reformado e será debatido mais uma vez pelo Parlamento a partir do ano que vem, como esperam seus autores.
swissinfo com agências
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