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O Facebook anunciou nesta quinta-feira (21) que pedirá a especialistas independentes que decidam se a suspensão da conta de Donald Trump por "fomentar a insurreição" deve ser mantida.
Facebook e Instagram suspenderam Trump depois que os apoiadores do republicano invadiram o Capitólio em 6 de janeiro em um ataque que levou a um segundo julgamento de impeachment do agora ex-presidente dos Estados Unidos.
O Facebook repassou a decisão ao seu conselho de supervisão independente, conhecido coloquialmente como a "Suprema corte" da rede social, que pode tomar decisões vinculativas que até mesmo o CEO Mark Zuckerberg deve obedecer.
"Acreditamos que nossa decisão foi correta e necessária", afirmou o vice-presidente de assuntos mundiais do Facebook, Nick Clegg, em um blog.
“Nossa decisão de suspender o acesso do então presidente Donald Trump foi tomada em circunstâncias extraordinárias: um presidente dos Estados Unidos fomentando uma violenta insurreição destinada a distorcer a transição pacífica de poder, cinco mortos, legisladores fugindo da sede da democracia”.
Circunstâncias sem precedentes levam a decisões sem precedentes, argumentou Clegg, um ex-vice-primeiro-ministro britânico.
O conselho de supervisão tem a atribuição de decidir sobre recursos relativos a materiais retirados ou mantidos da maior rede social do mundo. Foi formado no ano passado em meio a temores de desinformação e manipulação em torno das eleições presidenciais nos Estados Unidos.
O acesso de Trump à conta no Facebook está suspenso até que o conselho tome uma decisão, de acordo com Clegg.
"Esperamos, de acordo com as justificativas para nossas ações em 7 de janeiro, que o conselho decida manter a opção que tomamos", argumentou.
Além de uma decisão final, o Facebook receberá "recomendações do conselho sobre suspensões quando o usuário for um líder político", acrescentou Clegg.
As reações à suspensão de Trump variaram de críticas ao Facebook por não tê-lo suspendido antes à raiva por sua voz ter sido silenciada.
“Consideramos que nas democracias abertas as pessoas têm o direito de ouvir o que seus políticos dizem - o bom, o ruim e o feio - para que possam ser responsabilizadas”, disse Clegg. "Mas isso nunca significa que os políticos podem dizer o que quiserem", concluiu.
Os membros do conselho são oriundos de vários países e incluem juristas, ativistas de direitos humanos, jornalistas, ganhadores do Prêmio Nobel e um ex-primeiro-ministro da Dinamarca.