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Por Idrees Ali e Matt Spetalnick
WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos exigiram nesta sexta-feira que a China suspenda a militarização do disputado Mar do Sul da China, provocando uma reprimenda de Pequim pelo envio de navios de guerra norte-americanos e aviões próximos às ilhas disputadas pelos chineses na estratégica passagem marítima.
Durante uma rodada de negociações de alto escalão em Washington, os dois lados verbalizaram muitas de suas principais diferenças geopolíticas, incluindo a amarga disputa comercial, as liberdades de navegação na região asiática do Pacífico, a questão do auto-governo de Taiwan, e a repressão da China a minorias muçulmanas.
Duas autoridades chinesas que visitam o país também aproveitaram a oportunidade para alertar que uma guerra comercial entre as duas principais economias do mundo poderia terminar afetando ambos os lados, e pediram a manutenção da abertura dos canais de comunicação para resolver uma questão que desestabilizou os mercados financeiros do planeta.
As conversas pareciam ter como objetivo controlar os danos às relações que pioraram nos últimos meses e em assentar os caminhos para um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, na conferência do G20 na Argentina no final de novembro.
Embora os Estados Unidos e a China enfrentem desafios em sua relação, "a cooperação permanece essencial em muitas questões", disse o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em uma entrevista coletiva conjunta, citando os esforços para persuadir a Coreia do Norte a abandonar seu programa nuclear.
O encontro reuniu Pompeo e o Secretário de Defesa Jim Mattis com o membro do Politburo chinês Yang Jiechi e o Ministro da Defesa, Wei Fenghe. O diálogo anual de Segurança China-Estados Unidos estava originalmente previsto para Pequim no mês passado, mas foi adiado em meio ao aumento de tensões.
Pompeo se direcionou à China por seu avanço continuado de instalações militares em ilhas artificiais e recifes de corais e no Mar do Sul da China, onde o país insiste ter soberania apesar de reivindicações de alguns de seus vizinhos menores.
"Nós continuamos tendo preocupações sobre as atividades da China e da militarização no Mar do sul da China", disse Pompeo após a rodada de negociações. "Nós pressionamos a China a honrar seus compromissos do passado em sua área."
Yang disse que a China estaria comprometida a trabalhar com os Estados Unidos de maneira a evitar enfrentamentos, mas exigiu que os norte-americanos parem de enviar navios de guerra e aviões próximos às ilhas reivindicadas por Pequim. Washington insiste em ter agido sob a lei internacional para preservar o acesso ao Mar do Sul da China.
(Reportagem adicional de Doina Chiacu e Mohammad Zargham)