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Novas pesquisas sobre mobilidade econômica mostram que uma boa formação profissionalizante pode colocar a pessoa alguns degraus acima na escada de carreiras da Suíça, mas para chegar ao topo ela provavelmente precisará de formação acadêmica.Este conteúdo foi publicado em 27. agosto 2020 - 09:30
"Descobrimos que a mobilidade intergeracional da renda do trabalho é alta - maior do que na Suécia. Isso é bastante surpreendente para um país 'orientado para o mercado’", disse o coautor do estudo Patrick ChuardLink externo à swissinfo.ch.
A pesquisaLink externo, publicada por economistas da Universidade de St. Gallen, usou dados oficiais de renda e trabalho a partir de 1982 (respaldados por informações do censo e dados de pesquisa estruturalLink externo) para comparar a mobilidade social de 850.000 pais e filhos.
Em seguida, os pesquisadores analisaram como a Suíça se saiu em comparação com outros países como Estados Unidos, Itália e Suécia. Vale notar que a universidade aponta que essa pesquisa não levou em conta crianças imigrantes nascidas no exterior e isso poderia ser objeto de um levantamento separado.
O estudo descobriu que na Suíça uma criança cujos pais têm a renda dentre as mais altas pode esperar ganhar cerca de CHF68.000 por ano (quase $75.000) quando atingir cerca de 30 anos (números de 2017, ajustados pela inflação). Mas uma criança cujos pais tenham a renda mais baixa pode também alcançar uma renda anual muito respeitável de CHF56.000 na mesma idade. Nesse caso a diferença seria de CHF12.000.
Dessa forma, efetivamente, na Suíça, se seu pai é rico, você não irá necessariamente ganhar muito mais do que alguém com um pai com baixo nível de escolaridade, aos 30 anos de idade.
Aqui, a Suíça se saiu melhor do que a Suécia, tradicionalmente considerada uma sociedade igualitária e ultrapassou de longe os Estados Unidos, onde é mais provável que as crianças sigam os passos dos pais em termos de renda.
Mobilidade educacional
Mas apesar da mobilidade de renda decente na Suíça, os pesquisadores descobriram que a mobilidade educacional - a relação entre a formação de uma criança e a dos pais - é bastante baixa. Ou seja, a possibilidade de você ir para a universidade depende muito da renda de seus pais, uma tendência há muito conhecida e vista em outros estudosLink externo.
"Isto é um pouco confuso, porque você esperaria que um país com alta mobilidade de renda também tivesse alta mobilidade em termos educacionais", disse Chuard. "Entretanto, quando nós também consideramos a formação superior não universitária, a Suíça faz muito melhor em mobilidade educacional".
Os aprendizados - como são chamadas as formações profissionalizantes na Suíça - são de longe a forma mais popular de formação secundária, com mais de dois terços dos alunos optando por uma formação profissionalizante após a escola obrigatória.
O estudo estima que cerca de 40% das pessoas que fazem aprendizados seguem depois uma formação superior não universitária, adquirindo diplomas de universidades de ciências aplicadas e outros graus profissionais de nível superior. E esses diplomas podem gerar um salário mais alto.
"É muito provável que a alta mobilidade de renda intergeracional na Suíça seja impulsionada por seu forte sistema de ensino profissionalizante", disse Chuard. "Isso faz sentido intuitivamente: se seus pais não são ricos, você pode conseguir um diploma profissionalizante aos 16 anos que é muito mais barato e você até ganha uma pequena quantia".
Após o ensino profissional, esses estudantes podem ir para uma universidade mais prática de ciências aplicadas em tempo parcial e ainda receber alguma coisa - sem apoio financeiro de seus pais. No final, um diploma de ciências aplicadas é "quase tão valioso" quanto um diploma universitário, explicou Chuard.
Einstein e o sonho americano
A formação profissional poderia, portanto, ser um "equalizador efetivo", argumenta o estudo, ao menos para subir parte da escada de mobilidade social.
No entanto, a pesquisa mostra que para se mover realmente de baixo para cima na escala de renda um diploma universitário ainda é importante. E como a formação acadêmica depende em grande parte da renda dos pais, a Suíça pode estar perdendo alguns "Einsteins" potenciais (aqueles com alto potencial acadêmico), argumentam os autores. (Curiosamente, Albert Einstein estudou em uma escola suíça do nível médio, bem como no Instituto Federal Suíço de Tecnologia ETH Zurique).
Então como a Suíça se compara com os EUA, a terra do sonho americano onde a ideia de mobilidade ascendente é especialmente valorizada?
Em termos de mobilidade educacional tradicional, a Suíça está em pé de igualdade com os EUA.
"A renda familiar é tão altamente correlacionada com a ida à universidade quanto nos EUA", disse Chuard. "Isso é um pouco surpreendente porque a educação universitária é muito mais barata na Suíça".
Por exemplo, as taxas atuais para o prestigioso ETH ZuriqueLink externo são de apenas CHF660 por semestreLink externo, em comparação com até $50.000 por ano para aulas em uma das principais universidades americanas.
Mas em geral é mais fácil viver o sonho americano na Suíça (com 12,9% de crianças que se deslocam do ponto mais inferior para o grau mais acima) do que nos EUA (7,5%), conclui o estudo.
A Suécia ainda ocupa o lugar a ser superado nesta pesquisa. No geral, as crianças de lá são as mais propensas a subir entre as classes sociais com 15,7% de pessoas do fundo da escala econômica chegando ao topo.
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