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Membros da Polícia Federal Mexicana são vistos na rodovia Michoacán-Jalisco, no dia 22 de maio de 2015(afp_tickers)
Alguns familiares dos 42 supostos criminosos que morreram em uma violenta operação antidrogas em Michoacán, oeste do México, questionaram neste domingo a versão oficial das mortes, acusando as autoridades de terem cometido um "massacre".
"Isso não foi um enfrentamento, foi um massacre", disse à AFP Víctor Hugo Reynoso, irmão de Luis Alberto, um dos 42 civis abatidos na sexta-feira em uma operação das forças federais em um rancho de Tanhuato, na fronteira com o estado de Jalisco, em que também morreu um policial federal.
Esperando a entrega do corpo de seu irmão em frente ao Instituto Médico Legal de Morelia, capital de Michoacán, Reynoso mencionou as supostas fotos da operação, publicadas pelos principais jornais mexicanos, em que são vistos "corpos destroçados", alguns sem camisetas ou sapatos, ao lado das armas.
A operação, uma das mais violentas desde que o México declarou guerra aos cartéis de drogas em 2006, era contra o cártel Jalisco Nova Geração, ao qual se atribuem os surtos de violência na região e ataques armados contra forças federais.
Erika Eunice Hurtado,irmã de outra vítima, assegura que quando estava dando sua declaração para solicitar o corpo de seu irmão, "agentes da polícia federal atrás de mim estavam brincando, dizendo que agarraram os passarinhos em seu ninho".
Para a jovem de Ocotlán, um povoado de Jalisco, as armas que aparecem nas fotos divulgada pela imprensa "foram plantadas", ou seja, colocadas posteriormente ao lado das vítimas.
Erika reconheceu seu irmão em uma foto de um noticiário onde se vê que "ninguém usava sapatos". "Muitos vestiam apenas roupas íntimas, há muitos indícios de que todos tenham sido pegos assim, em um massacre", disse à AFP.
O Comissionado Nacional de segurança, Monte Alejandro Rubido, disse na sexta-feira que as numerosas baixas no lado dos supostos traficantes de drogas se deveu ao bom treinamento e ao equipamento das forças federais, mas o balanço desigual de mortos entre os dois lados levantou dúvidas entre analistas de segurança.
O ex-agente de inteligência Alejandro Hope disse que o governo deve demostrar que não se trata de outro caso de execuções extrajudiciais, como o de Tlatlaya, apresentado há um ano pelo Exército inicialmente como um confronto que resultou em 22 supostos sequestradores mortos e nenhuma baixa militar. Depois, soube-se que maioria dos criminosos foram executados depois de terem-se rendido.
AFP