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Por Julio Villaverde
MONTEVIDÉU (Reuters) - Um pragmático ex-guerrilheiro é o favorito no segundo turno da eleição presidencial uruguaia, no domingo, recompensando o bom desempenho econômico da atual coalizão de esquerda no país.
As pesquisas mostram vantagem de 6 a 10 pontos percentuais do ex-senador José Mujica sobre o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, de centro-direita.
Mujica, de 74 anos, participou nas décadas de 1960 e 70 da guerrilha urbana dos Tupamaros, que tentava enfraquecer o governo conservador do país, embora agora prometa não aproximar o Uruguai de governos esquerdistas mais radicais, como o do venezuelano Hugo Chávez.
Durante a campanha, ele fez diversos elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e recebeu apoio explícito do PT brasileiro.
Se eleito, Mujica irá substituir a partir de 1o de março o popular presidente Tabaré Vázquez, primeiro socialista a governar o país, que deixa um legado de superação da crise econômica global e redução do desemprego.
O ex-senador venceu o primeiro turno, em outubro, com 47,96 por cento dos votos, contra 29,07 por cento de Lacalle. Pesquisa do instituto Interconsult divulgada nesta quarta-feira mostra Mujica com 49,6 por cento das intenções de voto, contra 42,1 por cento do seu rival. O voto no Uruguai é obrigatório.
Os dois candidatos prometem manter a atual política econômica. "O bom senso nos diz que se algo funciona, é melhor não mexer", disse Mujica nesta semana, ao apresentar sua eventual equipe econômica.
Alguns empresários e membros da classe média se preocupam com o passado radical do candidato, mas ele sinaliza a continuidade das atuais políticas ao escolher como vice o ex-ministro da Economia Danilo Astori.
Mujica, que já foi ministro da Agricultura, passou 14 anos preso, a maior parte durante a ditadura militar de 1973-85, por causa da sua ligação com os Tupamaros, que enfrentavam forças de segurança e sequestravam funcionários públicos.
Os Tupamaros acabaram se moderando e se transformando em partido político. Junto a socialistas e outros partidos de esquerda, montaram a Frente Ampla, que venceu as eleições de 2005, na esteira da guinada política da América do Sul à esquerda.
Já Lacalle, um advogado de 68 anos do Partido Nacional, volta surpreendentemente à arena política depois de um governo (1990-95) marcado por suspeitas de corrupção nos primeiros escalões.
Ele tem lutado pelo apoio da segunda principal força da oposição, o Partido Colorado, cujo candidato ficou em terceiro lugar.
O apoio dos colorados seria a única chance de vitória para ele, segundo o analista Ignácio Zuasnabar, do instituto de pesquisas local Equipos Mori. "É muito difícil forçar uma mudança eleitoral quando o governo que sai é tão popular quanto este e a confiança econômica é tão alta", afirmou.
(Reportagem adicional de Guido Nejamkis, Conrado Hornos e Patricia Avila)
Reuters