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Os organizadores do encontro de atletismo de Zurique, nesta sexta-feira, excluiram a tricampeã olímpica Marion Jones, investigada por dopagem.
A decisão foi apoiada pela Associação Olímpica Suíça. Entrevista com o diretor da comissão antidopagem da AOS, Oliver Hintz.
Há quinze dias do início dos Jogos Olímpicos de Atenas, aumenta a polêmica e as suspeitas de dopagem.
A agência antidopagem dos Estados Unidos (USADA) investiga algumas estrelas do atletismo selecionadas para os JO 2004. Marion Jones faz parte desse grupo sob investigação.
Como conseqüência, a campeã americana Marion Jones não poderá participar do encontro de Zurique, como explica o porta-voz da manifestação, Nicolas Russi: "Nós excluimos sistematicamente os atletas envolvidos em casos de dopagem."
Oliver Hintz, diretor da comissão antidopagem da Associação Olímpica Suíça, apóia a decisão.
swissinfo: Weltklasse, o encontro zuriquense de atletismo, tomou a decisão certa excluindo Marion Jones ?
Oliver Hintz: eu compreendo a decisão dos organizadores. Há muito boato acerca dela mas, por enquanto, são apenas boatos. Mas eu tenho certeza que esses ruidos todos não existiriam se a USADA (comissão antidopagem dos Estados Unidos) nada tivesse constatado.
swissinfo: Ela deve ir a Atenas, apesar das suspeitas ?
O. H.: Ela é quem vai decidir. Marion Jones afirma ser inocente e que vai aos JO 2004, o que não é surpreendente.
No lugar dela, eu não iria a Atenas. Os Jogos Olímpicos não são a única competição esportiva. Certo, os interesses são maiores mas é preciso respeitar o espírito olímpico.
Os atletas supeitos de dopagem deveriam se dar conta que esse tipo de caso não deve parasitar o andamento dos jogos.
swissinfo: Os JO vão começar brevemente e fala-se muito de dopagem nos Estados Unidos. Isso o surpreende ?
O. H.: De jeito nenhum. Quando estourou o escândalo dos esteróides, no ano passado, eu falei com Terry Madden, diretor do USADA. Ele me disse que muitos casos de dopagem iam aparecer.
Nós também sabemos que, nos últimos 20 anos, os Estados Unidos não tiveram uma política antidopagem. Essa situação mudou com a criação da USADA.
swissinfo: A Suíça leva a sério esse fenômeno ?
O. H.: Muito a sério. Desde 1999, temos um organismo independente que é a comissão antidopagem da Associação Olímpica Suíça. Nos últimos 8 anos, a competência na luta contra a dopagem passou das federações esportivas para a Associação Olímpica Suíça.
Nós também assinamos e ajudamos a redigir o código da Agência Mundial Antidopagem (AMA). Participamos ainda do entendimento antidopagem internacional (IAE) criado em 1995 pelos governos do Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Noroega e Reino Unido.
A Suíça faz parte dos 15 primeiros países em termos de luta antidopagem.
swissinfo: Qual é a eficácia dos controles? O sr. pode afirma que cada atleta suíço nos Jogos de Atenas é limpo?
O. H.: É impossível dizer isso porque os testes não são sistemáticos. Fazemos aproximadamente 1900 testes por ano mas não podemos avaliar cada atleta 4 ou 5 vezes por ano, por falta de recursos. Essa freqüência permitiria melhorar a luta.
Além disso, há esportistas que foram controlados dez vezes e outros nunca. Mesmo assim, a equipe suíça para Atenas foi testada várias vezes. Fizemos cerca de 400 controles em 100 atletas.
swissinfo: A dopagem genética é realmente uma ameaça?
O. H.: Por enquanto, pensamos que não é um problema maior mas isso pode mudar dentro de alguns anos. Quando a engenharia genética chegar à clínica, os atletas poderão ter a tentação de usar.
Os pesquisadores envolvidos com as terapias genéticas destinadas a restituir a força muscular nas pessoas miopatas já foram solicitados por esportistas.
swissinfo: Os membros do CIO que não assinaram o código antidopagem da AMA deveriam ser excluídos?
O. H.: Eu acho que sim. Eles não deveria poder participar dos JO nem de outro campeonato mundil. É essencial pressionar para que esses membros assinem o texto da AMA.
Entrevista swissinfo: Adam Beaumont
Breves
Os organizadores do Weltklasse, encontro de atletismo de Zurique, recusaram participação da atleta americana Marion Jones, supeita de dopagem.
Os Jogos Olímpicos de Atenas serão marcados pela introdução do Código Mundial Antidopagem, primeiro documento que harmoniza os regulamentos ligados à dopagem em todos os esporters e em todos os países.
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