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A vice-presidente da Nicarágua, Rosario Murillo, garantiu nesta quinta-feira (10) que o governo persegue apenas pessoas que cometeram delitos, em um momento em que vários opositores do presidente Daniel Ortega foram presos.
"Quantos deles que dizem se sentir perseguidos hoje. Perseguidos? Perseguidos por eles mesmos, por seus ultrajes, por seus crimes. Quantos desses poucos podem ser considerados honestos? A honestidade é uma qualidade e um dom de Deus", declarou Murillo.
Apesar de não ter citado ninguém especificamente, as declarações da vice-presidente, que também é a primeira-dama da Nicarágua, ocorrem quando pelo menos sete opositores, incluindo quatro candidatos à presidência, foram presos sob a acusação de "incitação à intervenção estrangeira".
Essas prisões levaram a novas condenações e sanções pelos Estados Unidos e outros países contra o governo Ortega.
A operação policial começou no dia 2 de junho com a prisão de Cristiana Chamorro, filha da ex-presidente Violeta Barrios de Chamorro e candidata com maior probabilidade de derrotar uma possível nova candidatura do atual presidente.
Ortega, ex-guerrilheiro que governou a Nicarágua de 1979 a 1990, voltou ao poder em 2007 com a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) e permanece no cargo após duas reeleições sucessivas. Seus adversários acreditam que ele tentará um quarto mandato consecutivo.
Ortega foi acusado pela oposição, por organizações de direitos humanos e pela comunidade internacional de governar de forma autoritária, após a repressão brutal das manifestações contra seu governo em 2018, que deixaram mais de 300 mortos e milhares de exilados.
Enquanto Chamorro está sob prisão domiciliar, o aspirante à presidência Arturo Cruz está preso, assim como Félix Maradiaga e Juan Sebastián Chamorro García, que foram condenados nesta quinta-feira.
O Congresso, com uma maioria pró-governo, atacou as novas sanções dos Estados Unidos contra o governo, classificando-as de "interferência, intervenção e unilaterais".
Também condenou “os traidores da pátria que promoveram bloqueios econômicos e comerciais e sanções arbitrárias contra o povo nicaraguense”.
Cristiana Chamorro é processada por suposta lavagem de dinheiro da fundação que dirigia e que leva o nome de sua mãe, acusação que ela descreve como uma "farsa" para tirá-la da corrida eleitoral.
Para partidários do governo, a fundação Chamorro participava de uma campanha contra o Executivo, com financiamento de Washington. As mesmas acusações foram feitas contra os outros opositores detidos.