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O presidente peruano, Martín Vizcarra, anunciou nesta terça-feira (28) um plano para criar um milhão de empregos e a entrega de um segundo auxílio de 220 dólares para famílias em situação de vulnerabilidade devido à pandemia.
"A reativação é um objetivo nacional, não há saúde sem economia", disse o presidente em uma sessão solene no Dia da Independência, em um congresso pouco movimentado, com a maioria dos legisladores participando virtualmente.
Vizcarra afirmou que o novo programa "Arranca Perú" (Acelera Peru) vai gerar um milhão de empregos e começará em agosto, mas não deu detalhes.
Além disso, anunciou "a aprovação de um segundo auxílio de 760 soles (...) entre agosto e outubro". "Vamos atender a todas as famílias vulneráveis do país", acrescentou.
Um primeiro vínculo de 760 soles para 6,8 milhões de famílias que ficaram sem renda devido à pandemia foi entregue em maio.
O Peru iniciou um desconfinamento gradual em 1º de julho, após três meses e meio de quarentena nacional obrigatória, buscando reativar sua economia.
O confinamento prolongado foi um golpe para a economia de um país que, antes da pandemia, estava crescendo acima da média latino-americana: o PIB caiu 17% nos primeiros cinco meses do ano e mais de 2,6 milhões de empregos foram perdidos, segundo dados oficiais.
O país andino é o terceiro na América Latina em casos de coronavírus (389.717) e óbitos (18.418), atrás do Brasil e do México.
"Hoje posso dizer, com a maior certeza e convicção, que a quarentena salvou muitas vidas", disse Vizcarra.
O presidente também anunciou um aumento do investimento público em saúde e a construção de duas linhas de metrô em Lima, cidade de 10 milhões de habitantes, famosa pelo caos no trânsito. Atualmente, há apenas uma linha de metrô em operação e uma segunda em construção.
O analista político Luis Benavente disse que a mensagem anual de Vizcarra foi "muito comemorativa" e que não reconheceu alguns erros ao enfrentar a pandemia.
"Acho que com um pouco de humildade política, ele deveria ter reconhecido algumas coisas (que não funcionaram bem). Existe uma responsabilidade que cabe ao governo" devido ao alto número de infecções e mortes, disse o analista à AFP.
Vizcarra, de 57 anos, termina seu mandato em 28 de julho de 2021, dia em que se comemora o bicentenário da Independência do Peru.
Ele assumiu o poder em março de 2018, após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski e conquistou altos níveis de popularidade com sua cruzada contra a corrupção.