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Líderes americanos e europeus expressaram neste sábado (15) suas divergências a respeito de uma perda de força do Ocidente e da tendência americana de se isolar sob o governo de Donald Trump.
A Conferência de Segurança de Munique, grande encontro internacional anual sobre questões de defesa, assumiu repentinamente o ar de acerto de contas, com um pequeno desentendimento diplomático alemão-americano.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, respondeu às observações feitas no dia anterior pelo chefe de Estado alemão, Frank-Walter Steinmeier, durante o mesmo fórum. Ele havia denunciado com veemência o egoísmo nacional propagado, a seu ver, pelo governo de Donald Trump.
Essas críticas, e outras similares, "não refletem a realidade", afirmou Pompeo.
"Tenho o prazer de anunciar que a ideia de que a aliança transatlântica está morta é muito exagerada", ironizou.
O chefe de Estado alemão havia lamentado que "nosso principal aliado, o Estados Unidos, rejeita, sob a administração atual, a ideia de comunidade internacional".
- "Great again" -
"Os países são convidados a colocar seus próprios interesses acima dos interesses de todos os outros, 'Great again' mesmo às custas de vizinhos e parceiros", provocou ele retomando o slogan eleitoral do presidente americano.
Pompeo, por sua vez, argumentou que seu país havia contribuído para o fortalecimento da OTAN em seu flanco oriental entre os vizinhos da Rússia, e até liderou o esforço para acabar com o auto-proclamado "califado" do grupo Estado Islâmico na Síria.
"É esse o Estados Unidos que 'rejeita a comunidade internacional?'", questionou.
"O Ocidente está ganhando", disse Pompeo em resposta àqueles que duvidam da coesão do elo transatlântico.
Mas, logo depois, o presidente francês Emmanuel Macron adotou um discurso oposto.
"Há um enfraquecimento do Ocidente", disse o chefe de Estado francês, e "há uma política americana de uma forma de retirada relativa, de uma reconsideração de sua relação com a Europa" que deve ser levada em consideração. Nesse contexto, a Europa deve "reviver como uma potência política estratégica", afirmou.
Em meio a essas diferenças públicas, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, saiu em defesa do Estados Unidos. "Não devemos competir entre nós e destacar nossas diferenças, minimizando nossos pontos fortes", disse ele em Munique.
Estados Unidos e europeus também discordam em relação à China.
Washington pressiona os países europeus a não darem acesso à fabricante chinesa de equipamentos eletrônicos Huawei a suas futuras redes 5G, advertindo para um risco de espionagem.
"Se não entendermos a ameaça e não agirmos, ela poderá ameaçar a aliança militar mais bem-sucedida da história, a OTAN", alertou o chefe do Pentágono, Mark Esper, em Munique.
Até agora, a maioria dos países europeus não deu ouvido ao alerta está disposta a permitir o acesso à Huawei, com restrições.
As tensões também são altas no campo energético, onde Washington teme a dependência da Europa da Rússia e denuncia o novo projeto russo de gasoduto Nord Stream II: apoiado em particular pela Alemanha, visa transportar gás russo para a Europa através do Mar Báltico, contornando a Ucrânia.
Sobre esse assunto, Pompeo anunciou que seu país financiaria projetos de energia na ordem de um bilhão de dólares em países da Europa Central e Leste para fortalecer sua independência energética de Moscou.
É um "sinal de apoio à soberania, prosperidade e independência energética de nossos amigos europeus" que beneficiará "os países da Europa Central e Leste membros da Iniciativa dos Três Mares", que reúne doze Estados membros da União Europeia.