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O presidente Jair Bolsonaro voltou a questionar nesta quinta-feira (19) o sistema eleitoral brasileiro a cinco meses do pleito no qual tentará a reeleição.
"Quem porventura votar no outro lado, queremos que seja respeitado, e quem votar do lado de cá também. Não podemos enfrentar um sistema eleitoral (sobre o qual) paire a sombra da suspeição", disse Bolsonaro durante um evento sobre o mercado global de carbono no Rio de Janeiro.
Bolsonaro, segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há tempos desacredita - sem apresentar provas - a urna eletrônica, usada desde 1996, e que permite saber os resultados na mesma noite da votação.
"O voto é a alma da democracia (e por isso) tem que ser contado publicamente e auditado", reiterou nesta quinta-feira (19) o presidente, que no começo do mês disse que seu partido contrataria uma empresa para auditar as eleições de outubro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emprega diversos mecanismos de controle e segurança para evitar fraudes e nunca foram comprovadas irregularidades que comprometam os resultados, ao contrário do que alegam Bolsonaro e seus partidários.
O chefe do Executivo manteve um confronto constante com o TSE por este tema, que lhe rendeu a abertura de uma investigação no Supremo Tribunal Federal por difundir notícias falsas.
Esta semana voltou a elevar o tom e disse que no Brasil "podemos ter umas eleições conturbadas".
"Imagine acabarmos as eleições e pairar para um lado ou para o outro as suspeição [sic] que elas não foram limpas? Não queremos isso", afirmou Bolsonaro a um público formado por empresários.
Essas e outras frases dele, como que as eleições só podem terminar para ele em "prisão, morte ou vitória" alimentam temores de que o presidente não reconheça uma eventual derrota e tente imitar o ex-presidente americano Donald Trump, ao qual muitos acusam de incitar os protestos que resultaram na invasão do Capitólio em Washington em 2021.
O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse recentemente que o Brasil "tem um sólido histórico de eleições livres e justas" e que os Estados Unidos "confiam" nas "instituições democráticas" do país.