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A ex-presidente interina da Bolívia Jeanine Áñez completou neste domingo (13) um ano em prisão preventiva por sua suposta participação em um golpe de Estado contra seu antecessor, o esquerdista Evo Morales (2006-2019), e pediu perdão "pelos erros cometidos".
"Peço perdão pelos erros cometidos durante o ano do meu governo, que não devia ser um ano, mas três meses, porém a pandemia nos obrigou a adiar as eleições", disse a ex-presidente em uma carta.
"Hoje completo um ano sequestrada e presa sendo inocente... Tudo o que fiz foi cumprir com o meu dever", assegurou a direitista de 54 anos na carta, enviada do presídio onde está reclusa, em La Paz.
A ex-presidente continuará em prisão preventiva pelo menos até o fim de maio, segundo uma decisão judicial de 21 de fevereiro.
Áñez se define como "presa política" e fez uma greve de fome de duas semanas em fevereiro, quando começou seu julgamento.
Ela é acusada de ter assumido a presidência de forma inconstitucional em novembro de 2019, após a renúncia de Morales.
Em outubro daquele ano, Morales se candidatou a um quarto mandato, apesar de ter perdido um referendo para habilitá-lo a uma nova reeleição. Em meio a uma forte convulsão social e a acusações de fraude, ele acabou perdendo o apoio de comandos militares e policiais, e deixou o país.
Aqueles que deviam substituí-lo renunciaram, um atrás do outro: o vice-presidente, a titular da Câmara alta e o presidente da Câmara dos Deputados.
Em meio a um vácuo de poder, Áñez, segunda na linha de sucessão no Senado, assumiu o cargo.
O Parlamento, que era controlado pelo Movimento ao Socialismo (MAS) de Morales, admitiu a legalidade de sua gestão, cujo principal compromisso era organizar novas eleições. A votação acabou sendo celebrada em outubro de 2020 após dois adiamentos por causa da pandemia e Luis Arce, afilhado político de Morales, saiu vencedor.
Áñez deixou o poder em novembro de 2020 e em março de 2021 foi detida.
Em sua última carta, a advogada e ex-apresentadora de televisão também pediu desculpas por "ter confiado em tantos próximos" que a "traíram".
Com isso, fez alusão a quem ocupou o ministério do Governo (Interior) durante seu mandato, Arturo Murillo, acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pela justiça dos Estados Unidos, onde está detido.
Áñez foi finalista do prêmio Sakharov de defesa dos direitos humanos e da liberdade de pensamento, atribuído pelo Parlamento europeu, mas a honraria acabou sendo conferida ao opositor russo preso Alexei Navalny.