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Por Ruairi Casey
NOVA YORK (Thomson Reuters Foundation) - Os estereótipos de gênero expõem meninas ao risco de HIV/Aids e depressão mesmo aos 10 anos de idade e levam os meninos a abusar de drogas e cometer suicídio, revelou nesta quarta-feira um grande estudo feito em 15 países.
Crianças de todo o mundo --em culturas liberais e conservadoras-- internalizam crenças prejudiciais, segundo as quais meninos são encrenqueiros agressivos e meninas são vulneráveis e precisam de proteção, em uma idade muito menor do que se acreditava, mostrou a pesquisa.
"Antes deste estudo, existia uma crença generalizada de que aos 10 ou 11 anos de idade eles não estavam a par de qualquer questão sobre normas e valores de gênero", disse Robert Blum, diretor do Instituto de Saúde Urbana Johns Hopkins.
"Jovens adolescentes não vivem no mundo da infância... vivem em uma era de transição na qual, na verdad,e estão profundamente cientes do que acontece", disse ele à Thomson Reuters Foundation.
A universidade norte-americana e a Organização Mundial da Saúde (OMS) entrevistaram cerca de 450 adolescentes ao longo de quatro anos em países que foram dos Estados Unidos e da Bélgica a Malaui e Índia.
"Há muitas coisas em comum em pessoas jovens mesmo em locais tão diversificados como Pequim e Kinshasa", disse Blum.
Pré-adolescentes sabem onde conseguir um aborto clandestino em países onde ele é ilegal e entendem que certas amizades não são mais aceitáveis depois da puberdade, disse.
A "camisa de força" do gênero é especialmente prejudicial para as meninas.
A ênfase constante em sua aparência física e as percepções sobre vulnerabilidade as tornam subservientes e podem dar ensejo a abusos, como punições por violar normas de gênero, indicou o estudo pioneiro.
Isso as expõe a um risco maior de violência física e sexual, casamento infantil, gravidez precoce e HIV/Aids, disse.
Para os meninos, a ênfase na força física e na independência em uma idade tenra os torna mais sujeitos a abusar de drogas e se envolver com a violência.
Expectativas prejudiciais se enraízam entre as idades de 10 e 14 anos, e não no meio da adolescência, o que significa que os programas de saúde mental e sexual para adolescentes precisam começar mais cedo, afirmou Blum.
"Se começarmos uma intervenção aos 15 anos, pode ser tarde demais".
Reuters