Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02424.jsonl.gz/105

Advogado norte-americano entrou com queixa coletiva contra os bancos suíços na justiça americana. Ele quer reparação dos danos causados às vítimas pelo "respaldo" ao regime segregacionista sul-africano.
O advogado em questão é Ed Fagan, o mesmo que desencadeou na justiça o processo das contas inativas de vítimas inativas do nazismo. O Processo, que custou 1.25 bilhão de dólares aos bancos suíços,agitou a Suíça na segunda metade da década passada.
Desta vez Fagan tem em mira também estabelecimentos da França, Alemanha e Grã-Bretanha. Mas as pretensões em relação ao UBS e Credit Suisse, os dois grandes bancos suíços, são muito mais altas: 80 bilhões de francos - cerca de € 54 bilhões.
Em Zurique, segunda-feira (17/6) Fagan considerou essa soma "talvez até um pouco baixa", em coletiva à imprensa. Ele aventou também a possibilidade de extender a queixa a outras empresas suíças e ocidentais.
Lucros
A queixa foi apresentada dia 17/6 em Nova York. Ed Fagan veio à Suíça e explicou publicamente suas intenções, em Zurique.
As boas relações dos bancos suíços com o apartheid duraram de 1960 a 1992, quando caiu esse regime racista de "desenvolvimento separado". A Suíça condenava "moralmente" o regime, mas não adotou sanções econômicas contra o País.
Essa atitude beneficiou a Suíça. Zurique tornou-se então um dos principais centros do comércio do ouro, produto de que a África do Sul é importante produtor mundial.
Exame de consciência
Segundo Norbert G.Gschwend, parceiro de Ed Fagan na Suíça, a queixa coletiva de sul-africanos lesados já reúne 80 nomes. Mas com a publicidade feita na África do Sul, o número deveria aumentar.
Enquanto isso, os bancos suíços esperam que se oficialize a queixa para reagirem. Mas a iniciativa deverá fortalecer na Suíça os meios que pedem que se passe ao pente fino a política suíça durante o regime do apartheid. Um exame de consciência que já foi feito em relação à colaboração do País com o regime nazista.
De acordo com especialistas, o processo na justiça pode levar até 5 anos.
swissinfo com agências