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Terceiro Domingo de Advento – 11 de dezembro de 2005.

Fé no tempo de Advento!
“Atenta do céu e olha da tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu coração e as tuas misericórdias se detêm para comigo!
Nossa fé é constantemente colocada em cheque. A fé é testada diariamente. E as vezes ficamos em dúvida e perguntamos: Mas Deus não pode fazer nada a respeito das coisas? Tudo acontece conforme o ‘destino’?
Em setembro de 2002 o mundo assistiu estupefato a queda das torres gêmeas do World Trade Center. É provável que as pessoas dentro do avião seqüestrado clamaram por Deus. Porém o avião acabou por colidir contra o edifício. Vi, que pessoas ao longe, homens e mulheres desesperavam e clamavam: “Deus, meu Deus”. Alguns estavam de mãos dadas, gritando a Deus por compaixão, mas ... "Deus não nos ouviu”; e minutos depois o outro avião seria lançado sobre uma das torres. Deus não podia fazer nada a respeito?
Este ano as catástrofes mundiais vitimaram mais de 500 mil pessoas. Será que Deus não poderia ter feito nada a respeito?
A mesma pergunta surge quando olhamos para o nosso mundo. Deus não pode fazer nada? Não pode interferir? As coisas tem que ser do modo que são? Em nosso texto, Isaías responde a pergunta de três maneiras. Ele busca uma resposta movendo-se em três tempos: "Bem, talvez Deus não quer fazer", "Talvez ele vai", e então afirma com convicção, "Deus já fez algo sobre isto”.
A viagem pelo nosso texto nos força a sermos honestos com nossas emoções e pensamentos, providenciando assim um ponto de partida para a preparação do nosso Natal. Sendo honestos com o significado do texto não diremos: "Bem, estou confiante, tudo vai se resolver”. Vem o tempo quando não estamos confiantes. E podemos pensar que Deus agiu no passado! E não agirá agora!
Isaías pergunta primeiro: "Por que Deus deveria fazer alguma coisa para mudar a situação?" O texto contém um lamento forte, um grito para Deus. Algo deu errado, até mesmo quando os olhares do profeta se voltam para trás; a todas as coisas gloriosas que Deus realizou (63.7-14). Então ele deprecia: "Mas isso parece tão distante".
Temos o mesmo sentimento em nossa caminhada de fé! Quando pensamos em Jesus que nasceu, viveu, morreu, e ressuscitou como nosso Salvador, vislumbramos estes eventos como tendo acontecido há muito tempo. Há tanto tempo que hoje não nos oferecem nenhuma esperança de que Deus pode agir em nosso favor?
O profeta implora: "Atenta do céu, e olha da tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu coração e as tuas misericórdias se detêm para comigo!" (Is 63.15)
Isaías questiona a aparente indiferença de Deus em relação ao seu povo. E acrescenta: "Lembra, tu és nosso Pai. Abraão e Jacó não lembram de nós, mas tu Senhor, desde os tempos antigos tens sido o nosso Redentor". Deus resgatou os patriarcas, e fez uma aliança, a qual nos inclui hoje. Deus deve preocupar-se conosco. Mas nós podemos desejar saber: Onde está a evidência disso?
Às vezes podemos ter uma preocupação tal que pensamos: Deus não lembra quem nós somos! A pergunta que surge na mente de Isaías é a mesma que Jó expressou quando experimentou tantos dissabores e tragédias em sua vida: Porque? Por que estas coisas acontecem? Por que Deus permite que estas coisas aconteçam comigo?
Isaías então adiciona esta questão enigmática da fé: "Por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Porque endureces o nosso coração, para que te não temamos?" Em sua raiva, o profeta culpa Deus pelo pecado do seu povo. Ele culpa Deus pelo que estão fazendo.
Este é um grito distante de Is 43.1. Um texto bonito onde Deus diz: "Não temas, por que eu te remi. Chamei-te pelo teu nome. Tu és meu!" Deus é indiferente? Ele nos esqueceu? O mundo sente a sua falta?
Por que Deus deveria se lembrar de nós? Nós não merecemos a atenção de Deus. Por exemplo: No Brasil as CPI´s mostram que a desonestidade graça nos meios políticos. Mas isso não é ‘privilégio’ apenas do alto escalão. A desonestidade está presente em todos os segmentos da sociedade. E não só no Brasil mas no mundo todo.
Esta é uma ilustração clássica da desonestidade da maioria das pessoas. A desonestidade das pessoas é a causa e a raiz da aflição da frustração do Profeta. Nós temos um Deus honesto que lida com pessoas desonestas. Nós não temos o direito de esperar que Deus faça qualquer coisa, porque nós merecemos apenas a sua raiva, o seu castigo, e a sua rejeição.
Então Isaías se lança nos braços misericordiosos de Deus e ousa lhe pedir que aja. É como se dissesse, "Deus, faça um milagre. Realize algo incrível e fantástico". Ele quer que Deus apareça e visivelmente intervenha. Quer que Deus se manifeste.
Isaías sugere a Deus. "Se fendesses os céus... Se os montes tremessem". Deus apareceu a Moisés em um arbusto ardente. Pensando nisto, Isaías acrescenta: "Eu tenho uma idéia bem melhor, Deus. Com um pouco de fogo: Ilumine o céu! Então todo o mundo verá e saberá: É um milagre."
Isaías ora por um milagre inesperado - algo completamente novo e diferente (Is 64.3,4). Ele anseia por Deus para que revele a sua graça de forma tangível. Ele quer um sinal de Deus. Um sinal em que ele pode pôr a sua fé.
E Deus ouve a oração de Isaías e responde. Somos convidados a parar em nossos caminhos apressados. Não é que aconteceu algo! Deus respondeu as orações do seu povo. Ele veio e manifestou-se de um modo sem igual. Deus se tornou carne. O Deus que pensamos não se preocupar e não agir, agiu; porque ele se preocupa. Ele veio a nós na pessoa de Jesus, o bebê nascido em Belém.
Isaías expressa sua fé de que Deus fará, de alguma maneira, o inesperado. Nós não merecemos que Deus se preocupe, mas ele o faz. Quando as notícias chegaram, do naufrágio do Titânic em 1912, disseram eles que não conseguiriam recobrar o navio pois estava em profunda escuridão. Estava fundo, muito distante para traze-lo à superfície.
Podemos nos alegrar, pois o mesmo não é verdade sobre nós. Apesar de todas as perguntas e frustrações, apesar de estar com raiva ou mágoas profundas, a vida não precisa ficar nas águas profundas e escuras. As Boas Notícias vêm de uma maneira celestial a nós. Deus se preocupa. Ele fez algo. Ele enviou Jesus Cristo. Nós nunca estamos tão distantes que Deus não possa vir a nós e nos tirar da escuridão de nossos pecados e nos trazer à superfície da luz do seu amor e perdão.
Durante Advento somos convidados a vigiar. Somos como sentinelas no alto da fortaleza para anunciar a chegada do rei. Somos indicadores da ação amorosa de Deus. Ação esta que experimentamos no nascimento do menino Jesus. Durante o Advento nossa fé é renovada, e isso nos conduz a um compromisso renovado.
Isaías vê a vida como uma viagem contínua, e o primeiro passo é o arrependimento (Is 64.5,6)
Isaías conclui "Se Deus está fazendo algo em minha vida, na minha vida em particular durante este Advento, Ele quer que eu esteja alerta. Deus tem o desejo de que eu me prepare para a sua vinda". Um espírito alerta é um espírito arrependido. Admitir nossos pecados, nossa imperfeição (v 6) é o primeiro passo para a cura interna e para uma fé que confessa aquele Deus que toma conta de nós. Todas nossas tentativas para ganhar o favor de Deus são como trapos imundos.
Devemos ser moídos de forma que Deus pode nos moldar, porque ele é o oleiro e nós somos o barro. (Is 64.7,8)
Somos desafiados a esperar, aguardar, e anunciar que Deus agirá neste Advento. Primeiro, nós somos moídos por nossos pecados. Quando nós abandonamos todo o esforço para merecer o amor e a compaixão de Deus a ponto de sermos nada, então Cristo pode vir a nós e pode nos fazer de novo. Ele refaz-nos nova cristura e nos tornamos a obra das suas mãos.
O evento de Belém pode parecer diferente a você neste ano. Cada Advento podemos perceber a vinda de Cristo de forma diferente por causa de acontecimentos diferentes que marcaram nossas vidas durante o último ano. Podemos ter problemas novos ou novas alegrias, necessidades novas ou novas expectativas. Como é estimulante preparar a fé para receber o Menino Deus. Quão excitante é estar vigilante, e se antecipar ao seu retorno, não importa quanto tempo pode levar.
Este Tempo de Advento é para nos prepararmos para o Natal. Sabemos e acreditamos que Cristo veio e virá novamente. Ele promete entrar em nossas vidas pela sua Palavra, pelo Batismo e pela Santa Ceia e nos transformar. Transformar o deserto da nossa vida em rios de água viva.
Amém!
Traduzido e adaptado de Concórdia Pulpit Resources.
Pastor Everson Gass

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