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O astronauta Thomas Pesquet passou seis meses em órbita - um tempo, diz, que o deixou ciente do quão frágil é nosso planeta(afp_tickers)
Observar a Terra a 400 quilômetros de distância fez o astronauta Thomas Pesquet ficar ciente da fragilidade do planeta como nunca antes, disse o francês à AFP a partir da Estação Espacial Internacional (ISS) dias antes de voltar para casa.
Enquanto em terra firme os políticos discutiam sobre um pacto para preservar o clima da Terra para as futuras gerações, o francês teve seis meses para contemplar o planeta a partir de um ponto de vista privilegiado e desconhecido.
"Há coisas que você entende intelectualmente, mas não compreende realmente", afirmou o astronauta, de 39 anos, através de uma ligação de vídeo, flutuando suavemente na gravidade zero do espaço.
Quando se trata de aquecimento global, "falamos de dois graus (Celsius) ou quatro graus - esses são números que às vezes ultrapassam a compreensão humana", disse.
"Mas ver o planeta como um todo, vê-lo com seus próprios olhos, permite que você realmente aprecie a fragilidade", acrescentou.
Ao longo da entrevista, Pesquet mergulhou em uma sala cheia de máquinas, aparelhos e fios, com as bandeiras das agências espaciais francesa e europeia penduradas em uma parede atrás dele.
Até você ver a Terra de longe, "você não entende realmente quão fina é a atmosfera, até que ponto somos capazes de destruir o planeta - e em que medida precisamos protegê-lo", insistiu.
Pesquet, o cosmonauta russo Oleg Novitskiy e a americana Peggy Whitson chegaram à ISS em 20 de novembro para uma missão de seis meses.
Desde então, Donald Trump substituiu Barack Obama na Casa Branca, com promessas de retirar os Estados Unidos de um pacto global para limitar o aquecimento global que foi estabelecido após uma longa batalha.
- Uma joia -
A meta, traçada no Acordo de Paris de 2015, deve ser alcançada em parte com a redução das emissões de gases do efeito estufa a partir da queima de combustíveis fósseis - uma indústria com uma voz forte na política dos Estados Unidos.
Estes gases se acumulam na mesma atmosfera que Pesquet observou de longe, e agem quase como um cobertor para reter o calor do Sol na superfície do planeta.
O retorno de Pesquet e Novitskiy à Terra está programado para sexta-feira.
O francês está "um pouco triste de ir embora", mas ao mesmo tempo feliz de poder abraçar sua namorada, ver a família e amigos, ir à praia, andar nas montanhas e sentir uma brisa no rosto, disse.
A comida no espaço, afirma o astronauta, "não é ótima", e ir ao banheiro "é mais acampamento do que cinco estrelas".
"Eu me sinto pronto" para ir para casa, declarou Pesquet. "Minha mala está pronta".
Pesquet, o 10º astronauta francês na ISS, tornou-se uma celebridade das redes sociais no seu país, com mais de 550.000 seguidores no Twitter, onde publicava com frequência fotografias da Terra a partir do espaço.
"O planeta é realmente uma joia", disse na terça-feira. "Não devemos dá-lo por garantido".
AFP