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Uma vitória que inquieta na Europa
Se a imprensa internacional esteve mais interessada nas legislativas polonesas do fim de semana, as eleições suíças também tiveram alguns comentários nos jornais estrangeiros.
Esses comentarios são geralmente inquietos com a progressão de um partido "xenófobo" e até "racista" e potencialmente perigoso.
"O populista e xenófobo Blocher ganha na Suíça", afirma em manchete o diário francês Libération. O corresponde na Suíça analisa a estratégia de conquista de Blocher "bastante truculento para a Suíça", mas sobretudo muito habilidoso para "fazer o eleitor medroso esquecer que seu evangelho é xenófobo, mas ele é antes ultra liberal".
O Le Monde, que qualifica a UDC de direita "ultranacionalista", destaca também o papel central do "carismático" Christoph Blocher que, ao longo da campanha "se comportou mais como chefe de partido do que como ministro da Justiça e Polícia". Afirma ainda que a UDC pretende claramente "transgredir os hábitos políticos em vigor".
Le Figaro, também francês, julga Blocher "intuitivo, esperto, sufocante e tranqüilizador". Vê ainda uma "tentação isolacionista" no voto em favor da UDC que "promete tudo e seu contrário".
O diário parisiense lembra, no entanto, que dois terços dos eleitores não votaram na UDC e contestam "a imagem eventual de uma Suíça xenófoba", conscientes do fato que "a economia suíça precisa da imigração e não sobreviveria ao isolamento".
Simplificações
Na Alemanha, a Süddeutsche Zeitung interpreta os resultados como uma vontade de um número crescente de suíços de ter um governo "mais orientado" em lugar da atual "super coalizão de Berna".
Para a Handelsblatt, a polarização crescente não vai acabar com a famosa concordância. "O sistema político suíço é feito, como nenhum outro no mundo, de desconfianças e de possibilidades de correção" da ação de pessoas no poder, lembra o jornal, explicando o sistema de democracia referendária.
O diário de economia de Hamburgo sublinha ainda que a falta crescente de conteúdo no debate político torna-o cada vez mais personalizado. E denuncia as "simplificações provocadoras" de uma campanha amplamente apoiada pelo "agitador verbal" Christoph Blocher.
A Stuttgarter Zeitung, adverte contra os perigos dessa vitória populista. Num país onde "o suíço-alemão é falado nas mesquitas" (sinal de integração da minoria muçulmana), a UDC ainda assim consegue mobilizar falando de ameaça de islamização da sociedade, o que deve ser "uma advertência para a Europa", afirma o jornal.
"Um país normal"
Na Itália, o Corriere della Sera afirma que a Suíça simplesmente voltou a ser "um país normal". Para o jornal, o fosso que separava as regiões lingüísticas está ultrapassado. A Suíça está dividida em dois campos, segundo as cores políticas.
Na Áustria, Die Presse faz uma análise similar. O jornal saúda o vizinho por ter se tornado "um país como os outros" e recusa-se a falar de "coração escuro da Europa", como tinham escrito jornais ingleses antes das eleições. Segundo o diário vienense, a Suíça "está muito longe de uma tomada do poder pela UDC".
O comentário tranqüilizador contrasta com o do espanhol El País, que diz que a vitória de um partido "intolerante e xenófobo" é "inquietante". O Diário de Notícias de Lisboa explica a seus leitores como uma campanha "racista" permitiu essa vitória da direita nacionalista.
swissinfo com agências
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