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Estudantes universitários em confrontos com a polícia durante protesto pedindo a saída do presidente Nicolás Maduro, em Caracas, em 15 de fevereiro de 2017(afp_tickers)
A oposição venezuelana continua neste final de semana sua pressão nas ruas contra o presidente Nicolás Maduro, apesar do aumento da violência que deixou 36 mortos em pouco mais de um mês protestos, que têm acabado em saques e distúrbios.
Um jovem venezuelano morreu nessa sexta-feira após ser gravemente ferido em distúrbios registrados na véspera na cidade de Valencia (norte), onde à noite foram registrados saques em uma centena de negócios e choques entre opositores e as forças de segurança.
"Isso é vandalismo. Se aproveitam dos protestos para sair para roubar. Foram roubadas quase todas as comidas. Agora o que comemos?, declarou à AFP Magaly Oliveros, dona de casa de 64 anos, em Valencia, 160 km ao oeste de Caracas.
Os saques aconteceram também em outras cidades e, preocupados com novos episódios de violência, muitos se abastecem em postos de gasolina e supermercados.
Em Caracas, um grupo de estudantes se manifestou nesta sexta-feira na Universidade Central, mas não caminharam até o Ministério do Interior, aonde não puderam chegar na quinta-feira porque a polícia os impediu com bombas de gás lacrimogêneo, o que resultou em uma batalha campal na qual jovens encapuzados responderam com coquetéis molotov e pedras.
Os opositores preparam para o sábado uma marcha de mulheres que - vestidas de branco - tentarão chegar à sede do Ministério de Interior, no centro de Caracas, para exigir o fim do que denunciam como uma "selvagem repressão".
"O regime está caindo. Não tem força e está mostrando o pior que tem, usando as armas porque não têm razão", disse Lilian Tintori no portão da prisão de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, onde exige que a deixem ver seu marido, o opositor Leopoldo López, incomunicável há 33 dias.
Os protestos acontecem em meio ao colapso econômico que gera uma severa escassez de alimentos e medicamentos, e a inflação mais alta do mundo, que teria chegado aos 720% em 2017 segundo o FMI. Mais de 70% dos venezuelanos, segundo pesquisas privadas, rejeitam a gestão de Maduro.
"A batalha é entre a maioria e a força. A maioria termina com mais feridos, mas a força com uma profunda e irremediável ferida moral", comentou o analista Luis Vicente León.
"A guerra e a paz"
A oposição exige a convocação de eleições-gerais. No entanto, Maduro apresentou nessa quarta-feira ao Poder Eleitoral o decreto de convocatória a uma Assembleia Nacional Constituinte, que segundo seus adversários busca driblar as eleições de governadores e prefeitos este ano e as presidenciais em 2018.
Maduro diz que a Constituinte permitirá "reconciliar" o país e frear o que chama de "avanço da direita opositora" que busca derrotá-lo e propiciar uma intervenção dos Estados Unidos para se apropriar da riqueza petrolífera do país sul-americano.
"Não nos resta outra (alternativa): convocar o povo e que ele decida o destino da pátria. A guerra ou a paz", declarou nesta sexta-feira Elías Jaua, que dirige uma comissão presidencial para discutir com todos os setores sociais o alcance da Constituinte.
Maduro garante que seu projeto tenta "reforçar" a Constituição impulsionada pelo falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013) para aprofundar a revolução, e que será uma Constituinte "popular" e não "de elites nem partidos".
Segundo o mandatário, ela será integrada por 500 pessoas, metade delas escolhidas por setores sociais e a outra pela circunscrição municipal, o que segundo especialistas fará que o voto não seja universal.
"Há uma elite que desconhece essa força popular,revolucionária que é o chavismo. Vamos deixar claro que não permitiremos que aqui se instale um regime fascista", advertiu Jaua.
A chanceler Delcy Rodríguez se reúne nessa sexta-feira com o corpo diplomático, e Jaua citou a oposição para a segunda-feira.
"Não vamos aceitar a fraude madurista", declarou o líder opositor Henrique Capriles.
A oposição assegura que essa iniciativa consolida o "golpe de Estado", que segundo diz iniciou quando a mais alta corte do país assumiu temporariamente no final de março as funções do Parlamento, único poder público que controla.
O fato, que é interpretado por alguns analistas como fissuras no chavismo, a procuradora-geral, Luisa Ortega, chavista assumida, condenou a repressão dos protestos e a proposta de Maduro de reformar a Constituição, em uma recente entrevista com o jornal americano The Wall Street Journal.
AFP