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A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay(afp_tickers)
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, pediu nesta quarta-feira uma investigação sobre possíveis crimes de guerra israelenses em Gaza, ao mesmo tempo em que denunciou ataques indiscriminados do movimento islamita palestino Hamas contra zonas civis de Israel.
"Existe uma alta possibilidade de que o direito humanitário internacional tenha sido violado, o que pode constituir crimes de guerra", disse Pillay, citando como exemplo a destruição de casas e os civis mortos na Faixa de Gaza, entre eles crianças.
A Alta Comissária pediu uma investigação sobre cada um destes crimes.
Pillay participava de uma reunião extraordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a ofensiva militar israelense no território palestino, que deixou 650 mortos palestinos e 31 israelenses mortos em pouco mais de duas semanas. O Conselho realizou uma reunião urgente solicitada pelos palestinos e pelos países árabes para exigir o respeito ao direito internacional em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
A Alta Comissária também criticou o momento islamita palestino, considerando que, "mais uma vez, os princípios de diferenciação e de precaução não foram respeitados claramente nos ataques indiscriminados cometidos contra zonas civis pelo Hamas e por outros grupos palestinos armados".
Um projeto, que será submetido à votação dos participantes da reunião, condena "firmemente as violações maciças e sistemáticas dos direitos humanos provenientes das operações militares israelenses desde 13 de junho nos territórios palestinos ocupados, em particular a ofensiva israelense em Gaza".
"Israel está cometendo crimes hediondos. Israel destrói completamente bairros residenciais. O que Israel faz (...) é um crime contra a humanidade", declarou o ministro das Relações Exteriores palestino, Riad Maliki, perante o Conselho.
"Israel, força de ocupação, mira há 16 dias nas crianças, mulheres, idosos e os priva de seu direito à vida com bombardeios. Há uma incursão terrestre (...) e isso vai trazer consigo crimes contra civis palestinos, assassinatos deliberados de civis", acrescentou.
Já o representante israelense no Conselho, Eviatar Manor, acusou o Hamas de cometer "crimes de guerra quando dispara foguetes e mísseis" contra civis, constrói túneis para atacar aldeias e oculta munições nas escolas.
"O Hamas carrega toda a responsabilidade pelas vítimas de Gaza" e o presidente palestino, Mahmud "Abbas, deveria dissolver seu governo para demonstrar sua vontade de paz", afirmou.
O Hamas renunciou oficialmente ao poder na Faixa de Gaza após um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) de Abbas e a posterior formação no dia 2 de junho de um governo de união para Gaza e Cisjordânia composto por personalidades independentes. Israel criticou severamente a formação deste gabinete de união.
O projeto de resolução examinado nesta quarta-feira pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU pede proteção internacional para os palestinos e uma investigação internacional urgente sobre a ofensiva israelense.
Também pede à Suíça, como depositária das convenções de Genebra, que organize uma conferência sobre a situação nos territórios ocupados.
Segundo Manor, este projeto de resolução é um texto totalmente desequilibrado que "joga lenha na fogueira".
AFP