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A Organização dos Estados Americanos (OEA) iniciou nesta quinta-feira (31) uma auditoria nas eleições de 20 de outubro na Bolívia, em meio a confrontos nas ruas entre autoridades e opositores, que deixaram dois mortos e mais de 130 feridos, após a questionada reeleição do presidente Evo Morales.
"Começamos hoje (quinta) esta auditoria, prevista para durar aproximadamente duas semanas", disse o chanceler boliviano Diego Pary, acompanhado pelo chefe da missão da OEA, Arturo Espinoza, que expressou que o grupo fará "um trabalho eminentemente técnico e profissional".
A revisão do resultado, por uma equipe de 30 técnicos, foi acordada entre o governo boliviano e o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, mas a oposição não a aceita e exige a anulação da votação.
A auditoria começou em meio a protestos e confrontos nas ruas entre simpatizantes do governo e opositores, que começaram no dia seguinte à realização do pleito e deixaram dois mortos a tiros e cerca de 140 feridos.
"Não aceitamos a auditoria nos atuais termos fechados unilateralmente" entre a OEA e o governo de Morales, declarou o candidato de oposição derrotado no primeiro turno Carlos Mesa.
O trabalho de recontagem dos votos realizado pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) está no centro da polêmica, depois de ter usado dois sistemas tecnológicos que apresentaram - segundo afirmam os críticos e opositores - contradições.
O primeiro é o chamado TREP, de contagem rápida, que apontou um segundo turno entre Morales e Mesa, e o segundo, do cômputo geral oficial definitivo, que deu Morales como vencedor no primeiro turno com 47,08 dos votos, contra Mesa com 36,51%.
De acordo com a lei, a diferença de 10 pontos permite que Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, continue governando até 2025.
- "Fracassou um golpe" -
A Igreja Católica expressou nesta quinta a esperança de que a auditoria leve a um acordo entre o governo e a oposição que permita restaurar a paz.
"Consideramos que uma auditoria, realizada sob condições apropriadas, ou seja, uma auditoria integral do processo eleitoral, acordada e vinculativa, poderia estabelecer as bases para um acordo e contribuir para a pacificação do país", afirmou a Conferência Episcopal Boliviana.
Ambos os lados se culpam pela violência, enquanto Morales pede que sua reeleição para o quarto mandato seja reconhecida pela oposição, sendo que esta exige a convocação de novas eleições.
Morales, no poder desde 2006 voltou a dizer nesta quinta que a oposição colocou em marcha um "golpe de Estado" contra seu governo, que "fracassou" por conta do apoio que recebeu de parte dos mineradores, camponeses e outros trabalhadores.
"Aos movimentos sociais, meu pedido: suspender o bloqueio. E aos irmãos que estão em greve nas cidades: que acabem com a greve para pacificar o país e aguardar os resultados da auditoria" dos especialistas da OEA, disse.
No entanto, essa proposta foi rapidamente rejeitada pelo influente líder regional Luis Fernando Camacho, que exigiu a renúncia do presidente.
"Estas medidas não serão levantadas até que o presidente Morales renuncie (pois) não vamos continuar esperando que o senhor Morales siga no comando deste povo boliviano", disse Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, região rica do país e reduto da oposição.
- Primeiros mortos -
Já Mesa declarou que "esta mobilização deve continuar" até dobrar Morales, mas pediu a seus correligionários que tomem cuidado após as mortes, na noite de quarta, de dois manifestantes opositores que bloqueavam uma rua no povoado Montero, perto da cidade de Santa Cruz, reduto da oposição.
"É imprescindível uma investigação imediata sobre as responsabilidades daqueles que são os autores dessas duas mortes, mas não acreditamos, de modo algum, no Ministério Público 'masista'" (do MAS, o partido no poder), declarou Mesa.
Ex-presidente da Bolívia (2003-2005), Mesa exigiu que Morales peça a seus partidários que retirem os bloqueios das estradas, que impedem a chegada de alimentos às cidades.
O opositor também pediu ao governante que "ordene aos militantes do MAS (Movimento ao Socialismo) que participam dessas ações de violência o fim desses atos".
Segundo o ministro do Governo (Interior), Carlos Romero, os dois mortos em Montero foram atingidos a tiros quando estavam bloqueando uma rua em protesto ao resultado da eleição.
Os resultados das eleições desencadearam mais de uma semana de violentos confrontos e distúrbios na Bolívia, que deixaram 139 feridos, segundo a defensora pública Nadia Cruz.
Além de Santa Cruz e Cochabamba, os protestos acontecem em La Paz, Sucre (sudeste) e Potosí (sudoeste).
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