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Parlamento Centro-Americano descarta empossar filhos de ex-presidente panamenho
O Parlamento Centro-Americano descartou nesta terça-feira (28) empossar como deputados os filhos do ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli (2009-2014), procurados nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro relacionada ao caso envolvendo a Odebrecht.
"Como dirigentes (do Parlamento Centro-Americano, o Parlacen) não procederemos com a juramentação dos deputados nomeados por causa das particularidades especiais do caso", indicou a instituição em comunicado.
Luis Enrique e Ricardo Alberto Martinelli Linares, respectivamente com 38 e 48 anos, foram eleitos suplentes para o Parlacen no período 2019-2024, e suscitaram suspeitas de que pretendiam obter imunidade para evitar a Justiça americana.
Ambos foram presos em 6 de julho no aeroporto internacional da capital da Guatemala quando tentavam embarcar em um voo humanitário para seu país.
A prisão ocorreu a partir de um mandado provisório de extradição para os Estados Unidos por "conspiração para cometer lavagem de dinheiro".
Ambos alegaram ter imunidade por serem suplentes do Parlacen, embora ainda não tivessem sido jurados ao cargo.
Nesta terça, o chefe da diplomacia americana para a América Latina, Michael Kozak, fez uma advertência contra a posse.
"Indivíduos dentro do Parlacen gostariam de usar a filiação como um escudo para bloquear a extradição aos Estados Unidos de criminosos denunciados", informou o diplomata no Twitter, acrescentando que fazê-lo afetaria o Estado de direito e promoveria a "impunidade na região".
O Departamento de Justiça americano disse em comunicado que após a captura dos irmãos, que eles "supostamente participaram" do plano de expansão da Odebrecht, que pagou "mais de US$ 700 milhões em propinas" na América Latina.
Segundo a Justiça americana, os irmãos Martinelli facilitaram o pagamento de US$ 28 milhões por meio de contas bancárias secretas em nome de empresas fantasma em jurisdições estrangeiras.
Os dois estão em um quartel militar na capital guatemalteca voltada para presos considerados vulneráveis.
No Panamá, eles são acusados de receber propinas milionárias da Odebrecht para facilitar trâmites burocráticos para a construção de uma rodovia, e a limpeza da Baía do Panamá durante o governo do seu pai.
De acordo com as acusações, os filhos de Martinelli receberam seis milhões de dólares da Odebrecht em diferentes empresas entre 2009 e 2010. Posteriormente, receberiam quase 50 milhões de dólares por outros serviços prestados à empresa brasileira.
O Ministério Público do Panamá apresentou acusações de lavagem de dinheiro contra o ex-presidente Martinelli, em 2 de julho.