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Por Golnar Motevalli
CABUL (Reuters) - O comitê eleitoral do Afeganistão declarou Hamid Karzai presidente nesta segunda-feira, depois que o segundo turno foi cancelado com a desistência de seu único rival.
O segundo turno, pedido depois que a eleição de agosto foi inviabilizada por denúncias de fraude, aconteceria em 7 de novembro.
"O Comitê Eleitoral Independente declara o estimado Hamid Karzai como o presidente... porque ele foi o vencedor do primeiro turno e porque é o único candidato do segundo turno", disse o chefe do comitê, Azizullah Ludin, em uma coletiva de imprensa.
Ludin disse a uma plateia lotada de jornalistas que a decisão foi tomada para poupar o povo afegão dos gastos e do risco de outra eleição, e porque uma disputa com um único candidato levantaria questões sobre a legitimidade da presidência.
O ex-chanceler Abdullah Abdullah retirou sua candidatura no fim de semana, alegando dúvidas sobre a credibilidade do processo eleitoral.
"Karzai perdeu sua legitimidade, ele é um presidente muito fraco e não pode governar sem o dr. Abdullah", disse o analista político baseado em Cabul Haroun Mir. "Então a bola está no campo do dr. Abdullah agora."
A campanha de Karzai no domingo descartou uma coalizão com Abdullah, mas ele está sendo pressionado para trazer o rival ao governo.
Mais cedo, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez uma visita-surpresa a Cabul, enquanto diplomatas reuniam forças para resolver a prolongada crise política.
"Continuamos apoiando o povo do Afeganistão em sua busca por prosperidade e paz", disse Ban.
A saída de Abdullah da disputa lançou dúvidas sobre a legitimidade do próximo governo. Um governo afegão fraco sob Karzai seria um golpe para o presidente dos EUA, Barack Obama, que estuda enviar até 40 mil novos soldados para combater um ressurgente Taliban no Afeganistão.
Abdullah deixou a porta aberta para futuras discussões, mas disse que não foi feito nenhum acordo para sua saída da disputa, vista por diplomatas como a única maneira de poupar o país de mais incerteza que desacredita o governo e ajuda a insurgência.
Reuters