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A falência da companhia aérea Swissair, um símbolo de orgulho nacional, há dez anos atrás, foi um choque para o país. Para os membros do conselho de administração e os executivos o fechamento não teve consequências jurídicas.
Porém três bilhões de francos em pedidos de indenização ainda estão pendentes.
Os dias anteriores à falência foram caóticos, porém o drama já se desenvolvia há meses. Ninguém acreditava no pior. Na tarde de 2 de outubro de 2001 as aeronaves da Swissair foram obrigadas a ficar estacionadas na pista. A empresa que era considerada um símbolo do orgulho nacional não tinha mais dinheiro para pagar as contas mais simples como taxas aeroportuárias ou comprar querosene.
O resultado: 39 mil passageiros não conseguiam mais voar aos seus destinos. Os danos de reputação eram imensuráveis. Até hoje os antigos responsáveis se acusam pela derrocada econômica.
"No caso do UBS (banco) tudo foi feito para salvar o grupo inteiro. Já com a Swissair, nada foi feito no momento mais necessário", declarou há pouco em um programa de TV o último diretor-executivo da companhia aérea, Mario Corti.
Corti criticou os grandes bancos e o governo suíço, afirmando que eles não teriam impedido a inadimplência da empresa. Seus oponentes respondem à crítica declarando que Corti e todos os membros do conselho de administração teriam perdido a visão global dos negócios da Swissair.
"Desde o início estava claro que qualquer ajuda para a antiga Swissair estaria chegando tarde demais", explicou o ex-presidente do conselho de administração do UBS, Marcel Ospel, já poucos dias após a falência.
Lições da derrocada
A expressão "To big too fail" (n.r.: Grande demais para quebrar) ainda não era popular. Sete anos depois, em outubro de 2008, o governo federal apelou para a Lei de emergência para apoiar o grande banco UBS com um empréstimo de seis bilhões de francos, salvando-o da falência e também impedindo a ruina do parque financeiro suíço.
Sem a falência da Swissair a situação teria sido possivelmente diversa. "Eu sabia que em uma situação de crise semelhante teria de contatar a tempo o Ministério das Finanças. Quando a situação apertou, todos os ministros responsáveis por esse dossiê receberam continuamente as informações necessárias", revelou Peter Kurer, ex-presidente do UBS, ao jornal dominical NZZ am Sonntag.
Quando o UBS recusou dar crédito à Swissair no outono de 2001, Kurer era o chefe do departamento jurídico do banco e, portanto, diretamente envolvido com as negociações.
17 bilhões em dívidas
As imagens dos aviões parados na pista espalharam-se em 2 de outubro de 2001 com rapidez por todo o mundo. O chamado "banco voador", como a Swissair era orgulhosamente conhecida devido à sua elevada liquidez e nível de lucros, sua boa fama nos círculos da aviação e base sólida nas áreas de catering e duty-free, chegou ao fim.
Um dia depois o governo federal fez o que havia recusado de fazer dois dias antes: prometeu um crédito emergencial de 450 milhões de francos, oferecendo, dessa forma, os recursos suficientes para que os aviões da empresa voltassem a voar.
Como resultado, o SAirGroup aceitou fazer uma reestruturação de uma parte de 17 bilhões de francos do montante total da dívida. Assim, as operações de voo da Swissair têm de ser fortemente reduzidas.
Volta dos lucros
Depois da fusão com a companhia de voos regionais Crossair, a empresa sucessora da Swissair, batizada de "Swiss", voltou a operar a partir de 31 de março de 2002. O governo federal e os bancos injetaram em conjunto mais de três bilhões de francos na complexa reestruturação da empresa. Desse montante, 1,7 bilhão veio diretamente do contribuinte.
Porém apesar da ajuda, a Swiss não conseguia "decolar". As turbulências eram demasiadamente grandes e o contexto econômico instável. Quando a empresa foi assumida no início de 2005 pela Lufthansa, ela valia apenas 340 milhões de francos. Hoje em dia a Swiss é uma das empresas mais lucrativas do grupo aéreo alemão.
Bilhões em ações judiciais pendentes
O que não foi encerrado ainda na história é a derrocada para os antigos membros do conselho administrativo e os executivos da Swissair. Contra eles existem ações judiciais pendentes por parte do liquidatário da Swissair, Karl Wüthrich, na base de três bilhões de francos.
Atualmente ainda não está claro se os responsáveis terão de assumir as perdas com sua fortuna pessoal. Além disso, Wüthrich chega mesmo a colocar em dúvida a possibilidade de realização de um processo ou se a disputa terminará com um acordo amigável entre as partes.
Do ponto de vista do direito penal, o fechamento da Swissair irá completar em breve cinco anos. Em junho de 2007, os tribunais absolveram todos os 19 réus do caso, dos quais muitos pertenciam à elite econômica do país na época.
O público suíço e os advogados de acusação tiveram de entender que decisões empresariais falhas e má gestão não podem ser processadas criminalmente.
Swiss
Foi fundada em 1º de abril de 2002, com uma frota inicial de 130 aeronaves, ocupando o lugar deixado pela falida SWISSAIR. O capital da empresa, dividia-se assim: 35.7% nas mãos de investidores privados, 20.3% Governo Suíço, 10.2% Governo de Zürich, 20.4% Bancos Suíços e 4.2% para outras organizações suíças.
Os primeiros anos foram difíceis e a empresa se viu obrigada a reduzir seu tamanho e frota. Os serviços intercontinentais foram drasticamente reduzidos: a frota de jatos wide-body ficou com apenas 9 A330-200 e 9 A340-300. Muitos destinos foram cortados, ajustando sua malha aérea de acordo com a demanda.
Em meados de 2005, integrou-se ao grupo Lufthansa, mantendo sua identidade original e operando em conjunto com a empresa alemã, coordenando serviços, horários, frequências, além da entrada na aliança global Star Alliance.
Para a América do Sul, possui voo direto ligando Zurique a São Paulo, operando também em codeshare para Rio de Janeiro e Porto Alegre, com frequência diária.
Em abril de 2009 a SWISS foi eleita a Melhor Companhia Aérea da Europa, numa pesquisa com mais de 15 milhões de usuários de transporte aéreo em 90 países, realizada pela Skytrax, a mais conceituada consultoria mundial em transporte aéreo. No início de 2010 recebeu pelo quinto ano consecutivo o prêmio de Melhor Cia Aérea da Europa pela publicação alemã Business Traveller Magazine e em maio de 2010 recebeu da Skytrax o prêmio "Staff Service Excelence", como os melhores comissários de bordo entre todas as cias aéreas europeias. (Texto: Wikipédia em português)Aqui termina o infobox
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch