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3% da população suíça - 220 mil pessoas, receberam ajuda social em 2004. Mais da metade delas vivia nas cidades e quatro entre dez eram estrangeiras.
Jovens de baixa formação escolar correm o maior risco de cair nos programas de ajuda social. Esses e outros dados foram recolhidos na primeira pesquisa social realizada em todos os cantões suíços.
Pela primeira vez, a questão dos programas de ajuda social para as pessoas necessitadas na Suíça foi estudada com profundidade graças aos dados enviados por todos os cantões suíços. As estatísticas foram uniformizadas e permitem a comparação, segundo cada região, dando uma vista ampla sobre o problema.
Os resultados foram apresentados na segunda-feira (15.05) em Berna pelo Departamento Federal de Estatística junto com a CDAS, órgão que reúne todos os diretores cantonais dos programas de ajuda social.
Um problema urbano
Mais da metade das pessoas que, em 2004, estavam vivendo da ajuda social do governo viviam nas cidades. Na relação geral, esse grupo corresponde apenas a 29% da população suíça. A taxa de beneficiários aumentou e está em 5% nas cidades, enquanto que nas comunidades rurais ela não passa de 1,6%.
As cinco maiores cidades da Suíça (Zurique, Genebra, Lausanne, Berna e Basiléia), metrópolese com mais de 100 mil habitantes, registram uma proporção de 6% da população que vive da ajuda social. Esta é seis vezes mais elevada do que nas pequenas comunidades com menos de mil habitantes.
Outras cidades médias como Friburgo, Delémont, Coire ou St. Gallen apresentaram taxas superiores à média. Em resumo, quanto mais habitantes uma comuna tem, maiores são suas despesas com programas sociais.
Em nível cantonal, o primeiro lugar ficou com Basiléia-cidade, onde 6,5% da população vive às custas do erário. Os cantões de Vaud, Neuchâtel, Zurique, Genebra e Friburgo também encontram-se acima da média social. No lado inverso, Appenzell Rhodes-interior é o cantão com menos beneficiários em relação ao número de habitantes: 0,6%.
Problema de educação
O risco de entrar no grupo de "necessitados", que beneficiam da ajuda dos programas sociais, é quatro vezes mais elevado para famílias monoparentais (famílias constituídas em torno só da mãe ou só do pai, separados, com ou sem novo cônjuge). Em 2004, elas representavam mais de um quinto dos casos.
Os estrangeiros também ficaram super-representados: eles constituíam 43,7% dos beneficiários dos programas sociais, apesar de corresponderem apenas à 20% da população. Quanto maior é o número de pessoas sem o passaporte da cruz vermelho com a cruz branca num cantão, maiores os gastos do governo com ajuda social. Apenas o Tessin ficou como exceção entre os cantões.
Segundo o Departamento Federal de Estatísticas, essa considerável diferença se explica pelo grau reduzido de formação educacional de muitos estrangeiros que vivem na Suíça e, conseqüentemente, da dificuldade dessas pessoas de encontrar espaço no mercado de trabalho helvético.
Salários insuficientes
Um habitante da Suíça não precisa estar desempregado para necessitar de ajuda social. Segundo o estudo, 28,4% dos beneficiários dos programas até mesmo trabalhavam. O problema é que os rendimentos deles não são suficientes para cobrir as despesas num país de custos elevados de vida como é a Suíça.
A explicação dada pelos autores da pesquisa é que 46,4% dessas pessoas não tinham nenhuma formação profissional. Metade dos lares que recebiam ajuda social eram completamente dependentes. E um quarto deles, a ajuda do governo pagava metade das despesas mensais.
swissinfo com agências
Breves
A pesquisa dá pela primeira vez um quadro geral dos habitantes de todos os cantões da Suíça que beneficiam de ajuda social.
Segundo o Departamento Federal de Estatística, 12,5% da população encontrava-se nos limites da pobreza em 2004.
De acordo com instituições de caridade suíças, o limite da pobreza para uma pessoa está nos rendimentos abaixo dos 2.480 francos líquidos por mês. Para uma família com duas crianças, esse valor ficaria em 4.600 francos.
Fatos
Em 2004, 220 mil pessoas viviam na Suíça da ajuda social, o que corresponde a 3% da população suíça.
Quase a metade dos beneficiários de programas sociais viviam nas cidades e centros urbanos.
Dos beneficiários de ajuda social, o grupo mais representado é o de crianças até os dez anos, seguido pelas pessoas na faixa etária entre 18 e 25 anos.
43,7% dos beneficiários eram estrangeiros.