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Na Itália, os hospitais estão tão superlotados que o pessoal médico tem de decidir - como em tempo de guerra - quem será atendido e quem não o será. Chegaremos a esse ponto na Suíça? E se sim, com que critérios os médicos decidirão?
No caso de infecções de coronavírus, deve ser dada prioridade aos pacientes jovens sobre os pacientes mais velhos, ou vice-versa? Os respiradores artificiais serão reservados principalmente para pais de crianças pequenas? Um paciente de 90 anos deve ser deixado fora da unidade de terapia intensiva por causa da sua idade?
Na Itália, os médicos que estão na linha de frente na luta contra o vírus são confrontados com tais questões a cada hora. Existe apenas um respirador artificial para cada quatro pacientes em dificuldade respiratória. Isto significa que alguns pacientes têm de ser retirados do hospital e recebem apenas cuidados paliativos.
A Academia Suíça de Ciências Médicas (ASSMLink externo) estima que, devido à velocidade de propagação do vírus na Suíça, "estrangulamentos podem ocorrer aqui também nas unidades de terapia intensiva".
De acordo com a agência de notícias Reuters, a Suíça não tem leitos, respiradores artificiais, nem pessoal de enfermagem suficientes para lidar com o número esperado de pacientes do Covid-19. Mais cedo ou mais tarde, os médicos suíços terão de tomar este tipo de decisões altamente delicadas.
Sobreviver à epidemia acima de tudo
Em seu siteLink externo, a ASSM disponibiliza suas orientações médico-éticas, lembrando que suas "Medidas de cuidados intensivos", que datam de 2013, "ainda são válidas e podem ajudar os médicos a se orientar".
Segundo essas diretrizes, "no caso de um desastre, como uma pandemia por exemplo, se os cuidados intensivos não puderem mais ser prestados a todos os pacientes, deve-se assegurar que a triagem seja feita de acordo com princípios éticos" e critérios que sejam "objetivamente justificados e transparentes".
Além disso, estes critérios devem ser aplicados sem discriminação com base na "idade, sexo, cantão de residência, nacionalidade, filiação religiosa, estatuto social e estatuto de seguro ou incapacidade crônica".
Por uma questão de princípio, "pacientes com um prognóstico favorável com terapia intensiva mas um prognóstico desfavorável sem cuidados intensivos têm prioridade absoluta". E neste caso, "a avaliação do prognóstico é baseada na probabilidade de sobrevivência a curto prazo após terapia intensiva [...] e não na expectativa de vida a médio ou longo prazo".
No presente caso, isto significa que as chances de sobrevivência na Covid-19 serão consideradas e não a expectativa de vida em geral, uma vez que a epidemia tenha passado.
swissinfo.ch/ets