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Uma onda de críticas de ativistas de direitos humanos e políticos da oposição foi desencadeada na Venezuela após a divulgação de um vídeo de uma militar que prende uma advogada, colocando-a no chão enquanto pressiona sua cabeça contra a calçada.
A advogada Eva Leal foi "arbitrariamente detida" em um quartel da Guarda Nacional e precisou levar cinco pontos na testa por uma lesão sofrida durante a "agressão" na terça-feira em Barquisimeto, estado de Lara (oeste), disse à AFP nesta quarta-feira (24), o advogado de direitos humanos Henderson Maldonado.
No vídeo, uma militar é vista executando uma manobra para imobilizar a mulher, cuja cabeça é pressionada com força contra o chão.
"A estão matando!", gritam algumas pessoas. "Tirou a arma de mim!", diz a mulher uniformizada.
Maldonado, preso por dois dias no final de maio após gravar um protesto em um posto de gasolina, disse que Leal deve ser levada ao tribunal militar na quinta-feira.
Familiares, de acordo com a imprensa local, denunciam que Leal se recusou a pagar o dinheiro que os militares supostamente pediram para deixá-la passar de carro por uma ponte. O país está em quarentena pelo novo coronavírus e segundo esses relatos, ela voltava para casa do trabalho.
Uma foto de Leal algemada, vestindo uma camisa suja de sangue e um ferimento na testa, também viralizou.
"Na Venezuela, estamos lutando contra a brutalidade de uma ditadura", escreveu no Twitter o opositor Juan Guaidó, reconhecido como o presidente interino por cinquenta países, culpando o governo de Nicolás Maduro.
"Eles tentaram extorqui-la e abusaram de sua autoridade", disse o ex-prefeito da oposição de Barquisimeto, Alfredo Ramos.
A ONG de direitos humanos Fórum Penal, crítica de Maduro, denunciou dezenas de "prisões arbitrárias" durante a quarentena.
A Anistia Internacional condenou "a brutalidade" das forças de segurança na Venezuela. "Exigimos uma investigação imparcial e exaustiva imediata", afirmou a instituição no Twitter.
Segundo dados oficiais divulgados na terça-feira, a pandemia de coronavírus causou 4.187 infecções e 35 mortes no país, números questionados pela oposição e organizações como a Human Rights Watch.