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Ao longo dos séculos as pessoas buscavam explicações para seus problemas com argumentos antissemitas, especialmente em períodos de crise. Um capítulo que também marcou a história da Suíça, seja através da disseminação de estereótipos até seu questionamento.
"Durante a pandemia vieram à tona vários estereótipos antissemitas exatamente como no passado", analisou o secretário-geral da Federação Suíça de Comunidades Israelenses (SIG), Jonathan Kreutner em 2021, em plena pandemia.
Em 2021, SIG e a Comissão Federal contra o Racismo publicaram um relatório sobre antissemitismo, observando que a necessidade de bodes expiatórios também é satisfeita nas crises atuais: "Como no passado, os judeus também são então muito rapidamente identificados como culpados".
Os clichês resistem. De acordo com uma pesquisa realizada em 2020 pelo Departamento Federal de Estatísticas (BfS, na sigla em alemão), 39% da população da Suíça acredita em estereótipos antissemitas. Muitas chegam até a considerar judeus como pessoas "famintas de poder", que "esbanjam dinheiro" e "são politicamente radicais".
Discussão sobre clichês é mais ampla
No debate sobre a política de acolho de refugiados aplicada pela Suíça durante a II Guerra Mundial, ficou claro que o tratamento dado aos judeus desde o final do século 19 tinha sido moldado pelas estratégias das autoridades policiais com o intuito de proteger o país da "invasão judaica".
Mas mesmo depois das primeiras publicações jornalísticas dos anos 1960, o Holocausto permaneceu um tema velado. Em 1995 a situação mudou. Foi quando sobreviventes do Holocausto processaram bancos suíços por não terem acesso aos seus fundos depositados em contas no passado.
Finalmente os bancos concordaram em pagar uma indenização de 1,25 bilhões de francos aos sobreviventes e seus descendentes. A decisão foi acompanhada por uma reavaliação sem precedentes da história do país durante a II Guerra Mundial através da instauração de uma comissão de pesquisadores, que produziu posteriormente o chamado "Relatório Bergier".
Mas a Suíça estava dividida: em uma pesquisa da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SRG SSR) realizada em 1997, 53% dos entrevistados declararam considerar exigências feitas à Suíça como "legítimas". Porém 47% afirmaram que estas deveriam ter sido rejeitadas.
Jean-Pascal Delamuraz, na época ministro suíço da Economia, também descreveu as exigências como "chantagem (...) por certos círculos" que queriam "desestabilizar" o centro financeiro suíço, abordando dessa forma mais uma vez os estereótipos antissemitas: o do judeu ganancioso por dinheiro.
Ele foi aplaudido em cartas de leitores enviadas à imprensa. A Comissão contra o Racismo na Suíça alertou na época para o surgimento de um antissemitismo antes ignorado pela sociedade.
Origens do antissemitismo
O ódio aos judeus teve sua origem na Idade Média: naquela época, desenvolveu-se na Europa o antijudaísmo por motivos religiosos e econômicos, questões hoje ainda recorrentes. Os judeus foram ostracizados e perseguidos como portadores de doenças, assassinos de crianças e até como usurários. No século 15 foram expulsos da maioria das cidades suíças, assim como no resto da Europa.
O reconhecimento dos judeus como cidadãos com plenos direitos ainda encontrou alguma resistência no século 19. Os opositores os denigriram como "herdeiros de Judas", o apóstolo que havia traído Jesus Cristo.
Até 1866, eles eram tratados legalmente como estrangeiros, em comparação com outros países europeus. Sua emancipação na Suíça chegou de forma tardia.
No século 19, o ódio aos judeus evoluiu de um ódio por motivos religiosos para uma fórmula explicativa dos problemas da modernidade. Judeus seriam responsáveis por todas as mudanças indesejáveis. A ideia medieval do judeu ambicioso se adaptava ao progresso.
Antissemitismo não tem bandeira política e nenhuma afiliação de classe. Mesmo as críticas da esquerda a Israel podem resvalar, por vezes, na aversão a judeus. Erik Petry, chefe do Centro de Estudos Judaicos da Universidade da Basiléia, declarou ao jornalista Benjamin von Wyl: "Muitas vezes, uma mistura tóxica se junta e se baseia não em uma crítica às políticas do Estado, mas sim na suposição de que temos aqui um comportamento imoral relacionado à condição de judeu."
Dina Wyler trabalhava na Fundação contra o Racismo e o Antissemitismo (GRA). Há pouco declarou à swissinfo.ch: "O antissemitismo é um transformista: sempre se adapta às narrativas predominantes e frequentemente faz sua aparição através de imagens ou palavras codificadas a fim de permanecer 'apresentável'."
Adaptação: Alexander Thoele
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