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Presidente hondurenho diz esperar que caso contra irmão nos EUA vá para segunda instância
O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, espera que uma "segunda instância" judicial nos Estados Unidos possa revisar o caso do seu irmão, um ex-deputado considerado culpado de tráfico de drogas por um tribunal de Nova York.
Em entrevista concedida na sexta-feira à AFP, o presidente diz confiar em que os juízes perceberão que as acusações contra Juan Antonio "Tony" Hernández correspondem a uma vingança dos chefões dos cartéis da droga que seu governo desarticulou.
"Tony" foi considerado culpado por um júri da corte distrital de Nova York por acusações como narcotráfico e posse de armas, crimes que o juiz pode punir com pelo menos 40 anos de prisão.
As represálias, diz o presidente, também envolvem a ele, pois narcotraficantes presos asseguram ter apoiado economicamente sua campanha presidencial em troca de que lhes permitisse operar.
No poder desde 2014, o advogado Hernández lembra que seu governo extraditou 23 chefões do tráfico. E que foi ele quem pediu apoio dos Estados Unidos, que reconhece a redução do trânsito de drogas por Honduras em 83%.
Do Palácio José Cecilio del Valle, sede do Executivo, ele reafirma também que em 27 de janeiro de 2022, quando seu segundo mandato terminar, se "afastará da vida pública" para escrever suas memórias.
JOH, como é conhecido no país pelas iniciais do seu nome, aborda temas de segurança, narcotráfico e diplomacia.
P: Os cartéis em Honduras desapareceram ou os extraditados têm substitutos?
R: Os principais cartéis das drogas que causavam danos ao país por quase 20 anos estão desarticulados. Mas isso é como mato, que também renasce (...) Esse é um dos grandes desafios que temos.
P: Tem certeza de que recursos das drogas não entraram em sua campanha, como indicam as acusações de promotores nos Estados Unidos?
R: Fomos muito enfáticos em que não teríamos relação com nenhum tipo de dinheiro que sequer aparentasse ser, quiçá que fosse, ilegítimo [Mas, em 2015, ele admitiu que empresas vinculadas a um desfalque na Previdência social financiassem sua campanha].
Já na segunda campanha, fui o promotor de uma lei sobre arrecadação de dinheiro para a campanha [Lei de Financiamento, Transparência e Financiamento dos Partidos Políticos e Candidatos].
É importante que haja uma política que se aperfeiçoe todos os dias para evitar que (entre) dinheiro obtido de forma errada e depois (os contribuintes) tentem cobrar a conta.
P: A promotoria de Nova York pensa o contrário e conta com testemunhos de narcotraficantes que o acusam de receber dinheiro para favorecê-los... O que acha disso?
R: Pássaros atirando nas espingardas. Assassinos confessos, um de 78 homicídios, gente que violentava meninas (...)
Tentam reduzir as penas, que lhes devolvam seus bens ou que deixem alguma coisa para suas famílias, além disso (é) por vingança. Muitos deles nós capturamos e entregamos lá (aos Estados Unidos) ou estão em presídios de Honduras e outras foram se entregar pela pressão que fizemos.
Sabíamos que haveria consequências, mas não vamos descansar até o último dia de governo em uma luta que significa a paz de Honduras.
P: Seu irmão foi considerado culpado nos Estados Unidos por vínculos com estes chefes do tráfico...
R: Há duas dimensões - a dimensão de irmão, de parente, ao ver a minha mãe, ao ver os sobrinhos (filhos de Tony), meus irmãos e, ao conversar no seio familiar é algo forte, que bate muito forte.
Mas também sou presidente de um país e (...) ninguém está acima da lei.
Agora, bom, quando escuto assassinos confessos dizer absurdos, claramente se vê o desejo de vingança.
P: Mas foi considerado culpado [aguarda sentença em março] Acredita que vai passar com esta decisão?
R: Será preciso ver como ficam os testemunhos destas pessoas, uma vez que o juiz se dê conta de quem são (...) Como todo processo judicial, sempre tem uma segunda instância.
P: Qual relação espera ter com o presidente americano, Joe Biden, sobretudo em temas migratórios? [Desde 2018 foram organizadas a partir de Honduras caravanas maciças com pessoas que procuravam melhores condições de vida nos Estados Unidos]
R: Tivemos a oportunidade de trabalhar juntos (...) para a construção da Aliança para a Prosperidade do Triângulo Norte (Guatemala, Honduras, El Salvador), uma política pública para atacar a raiz do problema migratório, que naquele momento era a insegurança, a falta de oportunidades (...)
Eu espero que Biden compartilhe conosco estas responsabilidades comuns. Estou certo de que a liderança de Washington entende que o melhor investimento para os Estados Unidos e a América Central é construir prosperidade aqui, assim todos ganhamos.