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Dois projetos de vacina contra a COVID-19 - um britânico e o outro, chinês - mostraram-se seguros para os pacientes e produziram uma resposta imunológica importante, segundo resultados dos testes clínicos publicados nesta segunda-feira (20) na revista médica "The Lancet".
O primeiro projeto, desenvolvido pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, gerou "uma forte resposta imunológica" em um teste realizado com mais de 1.000 pacientes. O segundo, apoiado pela Cansino Biologics, provocou uma forte reação de anticorpos em outro teste na maioria de seus cerca de 500 participantes, completa a revista.
O segundo projeto de vacina foi realizado em Wuhan, na China, por pesquisadores de vários órgãos - entre eles a Escola Militar de Ciências Médicas -, financiados pelo grupo de biotecnologia negociado na Bolsa de Hong Kong, CanSino Biologics.
Os resultados eram muito aguardados, pois pesquisadores e laboratórios de todo o mundo disputam uma corrida contra o tempo para encontrar uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19.
"Se nossa vacina se mostrar eficaz, é uma opção promissora, já que este tipo de vacina pode ser fabricada facilmente em grande escala" comentou Sarah Gilbert, pesquisadora da Universidade de Oxford.
A vacina de Oxford e a do CanSino são baseadas em um adenavírus modificado, que não se replica, o que as torna mais seguras, especialmente para pacientes mais frágeis. Nenhum dos dois testes gerou efeitos colaterais graves. Os mais observados foram febre, fadiga e dor no local da picada.
"Ainda não se sabe se estes níveis de imunidade podem proteger contra a infecção, nem se a vacina pode proteger os mais frágeis da forma grave da Covid-19", assinalou Jonathan Ball, professor de virologia molecular na Universidade de Nottingham, Reino Unido, que não participou do estudo.
"É um resultado positivo, mas resta um longo caminho pela frente", declarou Michael Ryan, diretor de situações de emergência sanitária na Organização Mundial da Saúde (OMS). Seu diretor-geral, Tedros Ghebreyesus, pediu "que se faça mais com os instrumentos que temos à disposição", enquanto a pesquisa da vacina não dá frutos.
Estão sendo desenvolvidas atualmente cerca de 200 vacinas contra a Covid-19, 23 das quais encontram-se na fase clínica, de testes em seres humanos.