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Por Jeff Mason e Steve Holland
WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta segunda-feira que irá usar uma ação executiva para reformar o sistema de imigração do país depois que as esperanças de aprovar uma legislação no Congresso foram oficialmente sepultadas.
O presidente da Câmara dos Deputados, o republicano John Boehner, disse a Obama na semana passada que a Casa não irá votar a reforma imigratória neste ano, aniquilando as chances de um projeto de lei abrangente aprovado pelo Senado se transformar em lei.
O colapso do processo legislativo é mais um de uma série de golpes na agenda política nacional de Obama e ocorre no momento em que o mandatário pena para lidar com uma leva de menores desacompanhados da América Central recém chegados ao país.
O fiasco ainda arma uma nova batalha com congressistas republicanos, que acusam Obama de extrapolar sua autoridade legal ao adotar ações executivas em temas como direitos dos homossexuais e pagamentos iguais para homens e mulheres.
Obama repreendeu os republicanos da Câmara por se recusarem a votar a reforma imigratória e afirmou que só a legislação pode resolver de vez o problema.
“Uso a ação executiva somente quando temos um problema sério, uma questão séria, e o Congresso decide não fazer nada. E nesta situação, o fracasso dos republicanos da Câmara em aprovar um bendito projeto de lei é ruim para a nossa segurança, ruim para nossa economia e ruim para nosso futuro”, declarou Obama no Jardim das Rosas, na Casa Branca.
“Os Estados Unidos não podem esperar por eles para sempre. É por isso que hoje dou início a um novo esforço para consertar tudo que for possível no nosso sistema de imigração sozinho, sem o Congresso”.
O presidente encarregou o Secretário de Segurança Nacional, Jeh Johnson, e o Secretário de Justiça, Eric Holder, a mobilizar recursos de aplicação da lei do interior do país para a fronteira para estimular a segurança pública. Ele disse ter pedido à sua equipe para preparar recomendações sobre outras ações que pode adotar unilateralmente no segundo semestre.
A segunda-feira foi mais um capítulo da longa queda de braço entre Obama e Boehner a respeito da direção em que o país deve seguir. Os dois vêm se digladiando em temas como saúde pública, déficit, gastos governamentais e controle de armas.
As concessões têm sido raras e podem se tornar ainda mais fugidias se os republicanos aumentarem sua maioria na Câmara nas eleições de novembro e assumirem o controle do Senado.
Boehner inflamou as tensões com a Casa Branca ao anunciar que está cogitando uma processo contra o presidente por exceder suas barreiras constitucionais com a série de ações executivas de que fez uso neste ano.
(Reportagem adicional de Richard Cowan, Mark Felsenthal e Annika McGinnis)