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Especialista da ONU pede para sanções contra Venezuela serem canceladas
Uma especialista da ONU pediu nesta sexta-feira (12) que as sanções dos Estados Unidos, União Europeia e outros países contra a Venezuela sejam canceladas, apresentando um relatório sobre sua visita de duas semanas ao país caribenho.
"As sanções exacerbaram a situação econômica e humanitária pré-existente (...), que teve um efeito devastador sobre toda a população venezuelana, especialmente aqueles em extrema pobreza", afirmou a bielorrussa Alena Douhan, relatora especial das Nações Unidas para o impacto negativo de sanções aos direitos humanos.
"As exceções humanitárias são ineficazes e insuficientes, sujeitas a procedimentos demorados e caros", acrescentou Douhan, lendo seu relatório preliminar durante uma entrevista coletiva em Caracas.
O relatório final será apresentado em setembro próximo ao Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Douhan se encontrou na quinta-feira em Caracas com o presidente socialista Nicolás Maduro, e nos dias anteriores com outras autoridades governamentais, além de ativistas e outros atores políticos e sociais.
Os Estados Unidos, em sua pressão para tentar tirar Maduro do poder, vêm intensificando as sanções contra a Venezuela e a petroleira estatal PDVSA, sua principal fonte de receita.
A União Europeia e outros países também estabeleceram medidas contra o presidente chavista e demais responsáveis por sua gestão.
Momentos depois, Maduro comemorou a notícia durante uma manifestação em Caracas: "Nós vínhamos denunciando as sanções ilegais".
Aliados do líder oposicionista Juan Guaidó, reconhecido por Washington e outros governos como presidente da Venezuela por considerar a reeleição de Maduro "fraudulenta", em 2018, criticaram o relatório da relatora, acusando-a de fazer ecoar a "propaganda".
Num país com hiperinflação e sete anos consecutivos de recessão, a crise socioeconômica tem mais de 2,5 milhões de pessoas em "grave insegurança alimentar", acrescentou Douhan.
Os venezuelanos também enfrentam o colapso do sistema de saúde e dos serviços públicos básicos, como o fornecimento de água e eletricidade.
Nesse contexto, em meio à pandemia da covid-19, a especialista pediu acordos para liberação de recursos da Venezuela bloqueados no exterior para compra de medicamentos e vacinas, por meio de instituições como a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) ou o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
As tentativas, observou Douhan, foram "mal-sucedidas".