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A imponência da natureza e a paixão pelas trilhas e caminhadas nas montanhas sugerem uma forte ligação entre suíços e as florestas. Apesar do respeito ao meio ambiente, muitos críticos consideram que a Suíça deveria fazer mais pela proteção das floresta do globo.Este conteúdo foi publicado em 17. junho 2020 - 15:56
Tradings de commodities e banqueiros sentados em seus escritórios em algumas capitais helvéticas comercializam uma de grande parte da soja, óleo de palma, cacau e café produzidos no mundo. Esses comerciantes alimentam milhões de pessoas - e dão a cafeína que necessitam.
A Suíça tem participação em mais de 50% do comércio mundial de café e óleos vegetais como o óleo de palma, bem como 35% do volume global de cacau, de acordo com estimativas oficiais-
A maioria dessas mercadorias nunca atravessa, obviamente, o país alpino sem acesso ao mar. Mesmo assim, os lucros do seu comércio muitas vezes são depositados nos seus cofres.
É por isso se acirra o debate na Suíça sobre o impacto do comércio de commodities no desmatamento de florestas em países distantes. Ativistas dizem que os "traders" e bancos suíços lucram diretamente com as atividades danosas ao meio-ambiente provocadas pelos seus fornecedores e clientes.
O debate levou a mudanças de estratégia de muitas dessas empresas no seu esforço de se adaptar aos padrões modernos da cadeia de suprimentos. Mas os defensores ambientais consideram que elas estão fazendo o suficiente. Seus executivos respondem que estão a liderar os esforços globais para introduzir, fortalecer e fazer cumprir medidas capazes de solucionar o problema.
"Somos os únicos a exigir comprovantes e transparência", declarou Benjamin Ware, chefe de compras da multinacional suíça Nestlé, recentemente, confessando, porém, que muitas vezes não é fácil obter as informações exigidas dos seus fornecedores.
Os ativistas retrucam. Asti Roesle, do Greenpeace, declarou o seguinte sobre a Nestlé: "O que observamos - e nos preocupamos - é que todos os esforços da Nestlé até agora não levaram a uma diminuição do desmatamento e da degradação florestal nas regiões de onde a multinacional se abastece".
Os bancos suíços também têm algo a dizer sobre a preservação das florestas tropicais. Um exemplo é dado pelo óleo de palma: milhões de francos suíços ajudam a financiar empresas extratoras de óleo de palma apesar do risco apresentado pelo setor para as florestas tropicais, como mostram os relatórios produzidos por algumas ONGs.
Os principais bancos suíços, incluindo o Credit Suisse (o segundo maior do país), dizem que só financiam empresas que participam da Mesa Redonda sobre Óleo de Palma Sustentável (RSPO, na sigla em inglês), que agrupa empresas que assumiram a tarefa de "desenvolver e implementar padrões globais para óleo de palma sustentável".
No entanto, episódios recentes como a disputa na Malásia entre grupos indígenas, madeireiras e extratores de matérias-primas, mostram que os conflitos continuam.
O perfil da Suíça de centro internacional para a comercialização de matérias-primas é outro motivo de preocupação entre os defensores do meio ambiente. O acordo de livre comércio firmado entre a Suíça e a Indonésia, o maior fornecedor mundial de óleo de palma, incentiva o desmatamento, afirmam os críticos. Políticos de várias cores discutem atualmente sobre um acordo similar com a Malásia.
Bruno Manser foi um ambientalista suíço que ganhou fama por defender as comunidades indígenas na Indonésia na sua luta contra o desmatamento. Outros conterrâneos também documentam as atividades predatórias de muitas empresas internacionais.
O que vem? A crescente conscientização sobre as mudanças climáticas forçará um controle governamental mais rigoroso? Os consumidores forçarão a uma mudança na atitude das empresas? Como elas irão reagir?