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Manifestante joga de volta uma bomba de fumaça em confronto com a polícia em Ferguson, Missouri, nos EUA. 13/08/2014 REUTERS/Mario Anzuoni(reuters_tickers)
Por Nick Carey
FERGUSON Estados Unidos (Reuters) - A polícia de Ferguson, no Estado norte-americano de Missouri, disparou gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e bombas de fumaça para dispersar cerca de 350 manifestantes na quarta-feira, na quarta noite de protestos devido à morte de um adolescente negro desarmado pela polícia.
Alguns manifestantes jogaram pedras contra a polícia enquanto outros se dispersavam, e bombas de fumaça impregnavam o ar. Um repórter da Reuters viu dois jovens prepararem o que pareciam ser bombas de gasolina, em um abrigo num ponto de ônibus, com seus rostos cobertos por bandanas. A polícia disse que os manifestantes atiraram esse tipo de artefato contra policiais.
Manifestantes têm se reunido todas as noites desde sábado, quando Michael Brown, de 18 anos, foi morto a tiros no subúrbio de St. Louis, de maioria negra, durante o que as autoridades disseram ter sido uma briga envolvendo uma arma no carro da polícia. Algumas testemunhas disseram que ele estava fora do carro, com suas mãos para cima.
A polícia despachou para Ferguson policiais com uniforme camuflado e coletes, e inclusive um oficial com um fuzil em um tripé em cima de veículo blindado.
“Já cansei de ser provocado por causa da cor da minha pele. Estou cansado desta brutalidade policial”, disse um manifestante, que deu seu primeiro nome, Terrell, de 18 anos. “Vou continuar voltando aqui noite após noite até termos justiça."
Um vereador de St. Louis, Antonio French, estava entre as cerca de 10 pessoas presas nesta quarta-feira à noite, relatou o jornal St. Louis Post-Dispatch. Cerca de 40 manifestantes foram presos desde sábado.
Figuras nacionais, desde o presidente Barack Obama até o ativista de direitos civis reverendo Al Sharpton, têm pedido por uma resposta pacífica à morte do jovem.
O governador do Missouri, Jay Nixon, disse em uma série de mensagens de Twitter que visitaria a área nesta quinta-feira, e pediu para que “agentes da lei respeitem os residentes e a imprensa”, esperando que a crise atual não resulte em uma “tragédia” como a de sábado.
“A situação em Ferguson não representa quem somos. Devemos manter a paz e salvaguardar os direitos dos cidadãos e da imprensa”, escreveu Nixon.
A polícia tem sido lenta em divulgar informações sobre a morte, dizendo apenas que aconteceu em uma luta entre um oficial desarmado e Brown, e que o oficial foi tratado em um hospital por um inchaço no rosto.
Uma testemunha que estava andando com Brown naquela hora disse em entrevistas à mídia que Brown colocou suas mãos para cima e não lutou contra o policial. Ele disse que o oficial atirou diversas vez na cabeça e no peito de Brown. Uma autópsia preliminar confirmou que Brown sofreu diversos disparos, segundo relatos da mídia.
A testemunha, Dorian Johnson, deveria se reunir na quarta-feira com promotores e investigadores, segundo a mídia local. Seu advogado, Freeman Bosley, um ex-prefeito de St. Louis, não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.
Outra testemunha, Tiffany Mitchell, disse à CNN que viu Brown e o policial, com o policial puxando o jovem, que tentava se soltar, e então os disparos foram feitos.
“O garoto finalmente consegue sair e começa a correr. Quando ele corre, o policial sai do veículo e segue atrás dele, atirando”, disse Mitchell, acrescentando que Brown se virou e colocou as mãos para cima.
(Reportagem adicional de Brendan O'Brien, em Milwaukee, Wisconsin; e Jeff Mason, em Edgartown, Massachusetts)
Reuters