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Bombardeiro israelense na Faixa de Gaza, em 30 de julho de 2014. O exército israelense anunciou que os Estados Unidos vão reabastecê-lo com munições para poder prosseguir com suas operações no reduto palestino.(afp_tickers)
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou nesta quinta-feira que o Exército "vai terminar o trabalho" visando à destruição da capacidade militar do Hamas na Faixa de Gaza, apesar das críticas da ONU em relação às perdas civis entre os palestinos.
Enquanto os Estados Unidos condenaram os ataques que mataram pelo menos 16 refugiados palestinos na quarta-feira em uma escola, considerando que há poucas dúvidas sobre a origem israelense, o Conselho de Segurança da ONU pediu novamente "um cessar-fogo imediato e sem condições".
"Estamos determinados em concluir" a destruição dos túneis do Hamas "com ou sem cessar-fogo", afirmou Netanyahu no 24º dia de uma nova guerra devastadora, após o anúncio da mobilização de 16.000 reservistas adicionais -- elevando o total para 86.000 mobilizados -- e do fornecimento de munições americanas.
De acordo com o general Sami Turgeman, a destruição desses túneis é "uma questão de dias".
O Hamas, que controla o enclave palestino, recusa qualquer cessar-fogo sem uma retirada das tropas israelenses do território, o fim dos ataques e uma suspensão do bloqueio imposto por Israel desde 2006.
Após o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou os ataques israelenses que atingem casas, escolas, hospitais e centros de refugiados, e denunciou "um ato de desafio deliberado" ao direito internacional.
- 'Que o Hamas continue' -
O Exército israelense intensificou ainda mais a sua ofensiva, penetrando no território palestino, onde onze pessoas morreram na noite desta quinta em um ataque contra uma casa no campo de refugiados de Nusseirat (centro).
O total de mortos chegou a 1.437 em Gaza, de acordo com os serviços de emergência. A grande maioria das vítimas é de civis.
"Um drone bombardeou nossa casa. As pessoas vieram nos ajudar e o drone bombardeou novamente. Três morreram", contou Mahmud Alyan, um enfermeiro de 23 anos de Beit Lahiya, que chegava ao hospital Al-Shifa, em Gaza, com um ferimento na barriga.
"Quero que o Hamas continue esta guerra, que expulse Israel de Gaza", acrescentou, enquanto corpos carbonizados chegavam ao hospital.
"A cada dois anos há uma guerra aqui, mas esta é realmente a pior", considerou seu amigo Iyad Salim, de 23 anos, que já tinha sido atingido durante a operação israelense de 2008.
- A esperança de Kerry -
A Casa Branca reconheceu que há poucas dúvidas sobre a autoria israelense dos disparos contra a escola e considerou que esse bombardeio é "totalmente inaceitável e totalmente indefensável".
Os Estados Unidos também aceitaram um pedido de fornecimento de munições ao Estado hebreu, com o Pentágono reiterando o compromisso de Washington em "garantir a segurança de Israel".
Em relação à situação na Faixa de Gaza, o chefe da agência da ONU para a Ajuda aos Refugiados Palestinos (UNRWA), Pierre Krähenbühl, alertou que a população civil está "à beira do abismo" e lamentou o surgimento de epidemias.
Mais de 230.000 refugiados estão aglomerados em condições precárias nos 85 centros da agência em Gaza, sem energia elétrica e quase sem água e alimentos.
O Exército israelense, que perdeu 56 soldados, anunciou a destruição de cerca de trinta túneis subterrâneos, geralmente ligados entre si, enquanto especialistas israelenses falam de uma "Gaza embaixo de Gaza" de onde o Hamas ataca.
Desde o dia 8 de julho, o Exército israelense contabilizou cerca de 3.000 foguetes disparados em direção a Israel, que mataram três civis.
Pelo menos quatro foguetes foram destruídos em pleno voo na noite desta quinta-feira e outro provocou estragos em uma casa em Kyriat Gat, no sul de Israel, ferindo um civil, segundo o Exército.
O esforços diplomáticos foram retomados. Uma delegação israelense chegou ao Cairo, capital do Egito, para negociações. Nenhuma delegação palestina foi vista até o momento.
Em viagem à Índia, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que os Estados Unidos mantêm "a esperança" em um cessar-fogo e insistiu: "Quanto mais rápido, melhor".
E enquanto várias manifestações pró-palestinas foram realizadas em todo o mundo nas últimas semanas, milhares de pessoas se reuniram nesta quinta em Paris aos gritos de "Israel, legítima defesa" e "Hamas Al-Qaeda, mesma luta".
AFP