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Um pacto simbólico israelo-palestino deverá ser assinado dia 4 de novembro, em Genebra, destinado a relançar o processo de paz.
O texto, que a imprensa israelense chama de "acordo suíço", vem sendo negociado há dois anos entre personalidades israelenses e palestinas. A Suíça financiou e participou das reuniões.
O pacto deverá ser assinado dia 4 de novembro, em Genebra, dia do aniversário do assassinato do então primeiro ministro israelense, Yitzhak Rabin, por um extremista judeu.
"Tratado simbólico"
As negociações entre membros do Partido Trabalhista e do Likoud (no poder) isralenses e palestinos próximos de Yasser Arafat começaram dois anos atrás, quase que em segredo, em Genebra.
Entre os negociadores (cerca de 50 pessoas) estão o ex-ministro israelense da Justiça, Yossi Beilin e o ex-ministro palestino da Informação, Yasser Abed Rabbo.
Desde o início, diplomatas suíços participaram das reuniões que também foram custeadas pela Suíça.
O texto do que a imprensa israelense chama de "acordo suíço" ou "acordo de Genebra", foi concluido no último final de semana, na Jordânia. Mais prudente, o Ministério suíço das Relações Exteriores (DFAE) fala de "tratado simbólico" e avisa que o texto só será divulgado depois da assinatura.
"O texto delineia as grandes linhas de um projeto de acordo de paz entre as duas partes em conflto", afirma a porta-vou do DFAE, Daniela Fatzer-Stoffel.
Linhas gerais
O documento, que não tem caráter oficial, prevê a criação de um Estado palestino que englobaria a faixa de Gaza, 95% da Cisjordânia (onde seriam mantidas algumas colônias judaicas) e a divisão de Jerusalém em duas capitais.
Por sua vez, os palestinos renunciariam ao direito de regresso dos refugiados de 1948 (quando o Estado de Israel foi fundado) e de 1967 (na guerra dos seis dias).
O documento resultante das negociações, em que a Suíça teve o papel de "facilitador", não constitui um acordo em si mas um apêndice das negociações interrompidas em Taba, no Egito, em janeiro de 2001.
Sharon reage
As reações do atual governo nacionalista israelense não tardaram. O primeiro ministro Arien Sharon advertiu que ninguém está autorizado a negociar com o "inimigo", nem de se "beneficiar para isso de ajuda financeira estrangeira" (no caso, da Suíça).
O chefe histórico do Partido Trabalhista, Shimon Peres, diz que saúda toda iniciativa que favoreça o "diálogo".
Agora, a diplomacia suíça ativa-se a convencer as grandes potências. Segunda-feira, a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey recebeu o chefe da diplomacia russa, Igor Ivanov. Terça-feira foi a Berlin falar com seu homólogo Joschka Fischer. Dia 23 será recebida em Londres por Jack Straw e depois segue para a ONU, em Nova York.
A tradicional diplomacia de "bons ofícios" da Suíça, que parecia morta depois da queda do muro de Berlin, ganha novo alento.
Observadores do Oriente Médio são prudentes e afirmam que o processo de Oslo também começou assim e que, no entanto, deu em nada. Resta saber o que dirá a administração estadunidense, tradicional aliada de Israel.
swissinfo
Breves
- Acordo de Genebra deverá ser assinado dia 4 de novembro.
- Negociações começaram há mais de dois anos e diplomatas suíços participaram. A Suíça também financiou parte das reuniões e um serviço de secretariado.
- Cerca de 50 palestinos e isralenses participaram das negociações. Entre os palestinos havia várias tendências, com exceção dos movimentos islâmicos Hamas e Djihad. Entre os isralenses, havia membros do Partido Trabalhista e do Likoud.
- Acordo seria um complemento das negociações de Taba, interrompidas em 2001, ou do "mapa da paz", idealizado pelos Estados Unidos, que prevê a criação de um Estado palestino, em 2005.
- O acordo de Genebra prevê que o Estado Palestino englobaria 95% da Cisjordânia, toda a faixa de Gaza e Jerusalém como capital dos dois Estados. Os palestinos renunciariam ao regresso dos refugiados.