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A sobrevivência da Suíça é intimamente relacionada à educação ou a permanente aprendizagem para resolver desafios internos e externos.
Entre os problemas destaca-se o clima que até pouco tempo atrás era caracterizado pelo gelo e as avalanchas, mas hoje a ameaça é o degelo e a falta de neve.
Por Paul Ammann, Natal, Brasil
A diminuta extensão das terras agricultáveis bem como a penúria de recursos naturais implicam uma forte dependência das importações.
Este impasse levou os suíços, 2.000 anos atrás, a abandonar a Suíça e a emigrar para a França, sendo, contudo, forçados pelo exército do Imperador Romano, Julio César, a regressar ao país e a reconstruir suas aldeias.
Desde então eles aprenderam a trabalhar aproveitando da forma mais econômica e ecológica possível os escassos recursos naturais e a melhorar aos poucos a qualidade do ambiente e da vida.
Prioridade do ensino profissionalizante
A educação suíça foi sempre dirigida à execução de profissões que visam a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida dos habitantes, razão por que a educação suíça é eminentemente profissionalizante, inclusive a educação superior.
Entre as 65 melhores universidades do mundo encontram-se a Universidade de Genebra e os dois Institutos de Tecnologia de Zurich e Lausanne, conhecidos pela pesquisa pura sistematicamente aplicada ao desenvolvimento da economia e da sociedade em geral.
Dois terços dos jovens que terminam o ensino obrigatório de nove anos continuam os estudos no ensino médio na modalidade da aprendizagem profissional. A conclusão do curso é sancionada com um diploma federal atestando que o concluinte é devidamente qualificado na referida profissão e que ele pode exercê-la.
Através da modalidade da aprendizagem o governo oferece cursos para todas as ocupações de nível médio e de todos os setores da economia, inclusive para a profissão de dona de casa.
A duração dos cursos abrange, em média, três anos. Mas para a aprendizagem de muitas profissões são exigidos quatro anos, por exemplo, para cozinheiro ou padeiro-confeiteiro.
Graças a este ensino a diferença dos salários e do status social entre profissionais de nível médio e superior é pequena. Um engenheiro civil ganha duas ou três vezes mais de que seu colega pedreiro.
A família como pólo de educação
A família é o pólo no qual a criança aprende a respeitar o meio-ambiente, a amar a natureza, a caminhar pelos vales, as florestas e montanhas, a conviver em harmonia com as tradições e a modernidade.
Na família a criança é iniciada nas regras democráticas, na compreensão de que existem direitos e deveres para todos.
A prática da convivência pacífica entre pessoas de línguas diferentes e de culturas e raças diversas começa nos lares, nas creches e pré-escolas.
A aprendizagem do dialeto alemão suíço, por exemplo, é tão difícil que somente as crianças conseguem aprender a falá-lo sem sotaque. Esse dialeto é falado na Suíça alemã e quem não o domina é logo identificado como estrangeiro, dificultando sua integração.
A partir da escola fundamental não se ensina mais o dialeto, mas o alemão da Alemanha e outras línguas. Por isso a formação lingüística e multicultural nas famílias e pré-escolas é imprescindível.
Por outro lado, crianças procedentes de famílias que não aprenderam a se comunicar e a entender os elementos culturais e sociais básicos podem criar graves dificuldades nas escolas, tanto para seus companheiros quanto para os professores, para a diretoria da escola, a secretaria de educação e mais tarde para a sociedade, como a imprensa noticiou em abril 2007.
Controle da qualidade da educação
As escolas suíças são predominantemente públicas, financiadas pelos impostos. Por isso os pais controlam a qualidade da educação. O município é responsável principal pela organização e a execução do ensino.
Os pais devem mandar os filhos à escola mais próxima de sua residência e para lá eles caminham sozinhos, sem babá e sem motorista.
Como o ensino dos primeiros nove anos é obrigatório, o município controla se 100% das crianças escolarizáveis estão freqüentando a escola e assim é possível conseguir que não haja abandono no ensino obrigatório.
Devido ao acompanhamento pelos pais, a qualidade do ensino é mantida, greves de professores e ausências por outras razões são raríssimas.
O desempenho dos alunos é discutido em reuniões entre pais e mestres, mas também pela secretaria de educação, através da participação em pesquisas comparativas internacionais. Quando se detecta um desempenho insuficiente, não é responsabilizado o presidente da república ou o ministro da educação, mas os mestres e diretores analisam as causas das falhas, propõem medidas de correção e as aplicam.
Conclusões
Graças à qualidade da educação geral e profissional, a Suíça encontra-se, há vários anos, entre os dez países com melhor qualidade de vida, com maior competitividade econômica e com a mais avançada pesquisa cientifica de base.
Breves
Paul Ammann trabalhou nos Ministérios do Trabalho da Suíça e do Brasil.
Escreveu os livros "As teorias e a prática da formação profissional" e "Estrutura ocupacional e Ensino profissionalizante" (Brasília).
Publicou artigos no "Anuário de Educação" (Rio de Janeiro), no livro "Vocational Education in Brazil" (Boston), nas revistas "La Vie Économique" e "Politorbis" (Berna) e "Berufsberatung und Berufsbildung" (Zurich).