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|Um detalhe: essa palavra é o nome de uma doença de alguém que aspira fumaça de vulcão! Como o Brasil não tem vulcão, será difícil alguém falar...|
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
- Textos óbvios e pobres em argumentos;
- Encurtar suas ideias sem necessidade e propósito;
- Concluir sem integrar as ideias como unidade redacional;
- Textos densos e cansativos para você e para o examinador;
- Frases centopeicas e períodos longos;
- Lógica da redação confusa;
- Esquecer-se da clareza e da concisão para quem lê;
- Deixar pensamentos soltos flutuando na redação e que necessite depois de reestruturação.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
A. INTRODUÇÃO (início, começo, exórdio)
Podemos começar uma redação fazendo uma afirmação, uma declaração, uma descrição, uma pergunta e de muitas outras maneiras. O que se deve guardar é que uma introdução serve para lançar o assunto, delimitar o assunto, chamar a atenção do leitor para o assunto que vamos desenvolver.
Uma introdução não deve ser muito longa para não desmotivar o interlocutor. Se a redação dever ter trinta linhas, no máximo, aconselha-se a que o aluno use de quatro a seis para a parte introdutória.
DEFEITOS A EVITAR
I. Iniciar uma ideia geral, mas que não se relaciona com a segunda parte da redação.
II. Iniciar com digressões (o início dever ser curto).
III. Iniciar com as mesmas palavras do título.
IV. Iniciar aproveitando o título, com se este fosse um elemento da primeira frase.
V. Iniciar com chavões.
Exemplos:
- Desde os primórdios da Antiguidade...
- Desde os primórdios da Antiguidade...
- Não é fácil a respeito de...
- Bem, eu acho que...
- Um dos problemas mais discutidos na atualidade...
- Atualmente...
B. DESENVOLVIMENTO (meio, corpo)
A parte substancial e decisória de uma redação é o seu desenvolvimento. É nela que o aluno tem a oportunidade de colocar um conteúdo razoável, lógico, teórico. Se o desenvolvimento da redação é sua parte mais importante, deverá ocupar o maior número de linhas. Supondo-se uma redação de trinta linhas, a redação deverá destinar de catorze (14) a vinte (20) linhas para o corpo ou desenvolvimento da mesma.
DEFEITOS A EVITAR
I. Pormenores, divagações, repetições, exemplos excessivos de tal sorte a não sobrar espaço para a conclusão.
C. CONCLUSÃO (peroração, fecho, final ou considerações finais)
Assim como a introdução, o fim deverá ocupar uma pequena parte do texto. Se a redação está planejada para trinta linhas, a parte da conclusão deve ter quatro a seis linhas.
Na conclusão, nossas ideias propõem uma solução ou uma crítica construtiva. O ponto de vista do escritor, apesar de ter aparecido nas outras partes, adquire maior destaque na conclusão.
Se alguém introduz um assunto, desenvolve-o brilhantemente, mas não coloca uma conclusão o leitor se sentirá perdido, estupefato.
DEFEITOS A EVITAR
I. Não finalizar (é o principal defeito);
II. Avisar que vai concluir na conclusão, utilizando expressões como "Em resumo", “Conclui-se” ou "Concluindo".
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
É sempre importante estarmos atentos para a realidade mundial e em especial a brasileira, temos de ler e assistir jornais, ler revistas etc., em síntese, estar em sintonia com as notícias. Os vestibulares e concursos atuais exploram com certo peso essas atualidades, incorporando o aspecto do dia-a-dia. Quaisquer temas estão cotados para servir de escopo à elaboração de um texto dissertativo, mas, o mais importante é que o vestibulando esteja preparado para enfrentar a tudo e a todos.
As provas de hoje estão todas intertextualizadas, com a integração de conteúdos comuns à prova de gramática, literatura e interpretação de texto, nas quais o senso crítico e de compreensão do vestibulando farão a diferença. Se for de seu interesse produza alguns textos e envie para análise de um corretor, com o tempo, e com a prática de escrever, estará apto a produzir qualquer tipo de texto que venha a ser proposto. Escrever bem não é coisa do outro mundo, é alcançável a todos, basta apenas interesse.
Na produção de um texto, o mais importante é como você organiza as ideias. Muitas vezes o candidato sabe muito sobre o assunto, todas as suas causas e consequências, argumentos e contra-argumentos, porém ele não tem a preocupação de organizar suas ideias, e isso, certamente, é o responsável pela reprovação de muitos na prova de redação, lembrando que nas universidades, como em outros concursos, a redação equivale a 40% ou 50% do total da prova de língua portuguesa.
Quanto à opinião pessoal no ato da elaboração de um texto dissertativo, você obrigatoriamente terá de ter um posicionamento. Veja bem, é diferente de opinião, você NUNCA deverá utilizar o termo "na minha opinião", isso é fatal. Mas terá de ter um posicionamento. O modo de correção da prova é muito rígido, de modo que determinado professor não possa também expor sua opinião, julgando o aluno ao espelho de seu pensamento. A prova é corrigida sempre por dois ou três professores, e eles se revezam também para revisá-la, portanto não se preocupe com o modo como será julgado. A correção abordará aspectos formais do texto, o emprego da gramática normativa, o senso crítico e a correlação tema/texto.
Os grandes escritores – eu disse os grandes escritores, hein? – possuem tal convívio e domínio da linguagem escrita como maneira de manifestação que não se preocupam mais em determinar as partes do texto que estão produzindo. A lógica da estruturação do texto vai determinando, simultaneamente, a distribuição das partes do texto, que deve conter começo, meio e fim.
Os alunos, geralmente, não possuem muito domínio das palavras ou orações; portanto, torna-se fundamental um cuidado especial para compor a redação em partes fundamentais. Alguns professores costumam determinar em seus manuais de redação outra nomenclatura para as três partes vitais de um texto escrito. Ao invés de começo, meio e fim, elas recebem os nomes de introdução, desenvolvimento e conclusão ou, ainda, início, desenvolvimento e fecho. Há também exórdio, desenvolvimento e peroração. Todos esses nomes referem-se aos mesmos elementos. Parece-nos que é irrelevante o nome que cada pessoa atribui. O importante é que as pessoas saibam que elas devem existir em sua redação.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
O Presidente de um Banco estava preocupado com um jovem e brilhante diretor que, depois de ter trabalhado durante algum tempo com ele, sem parar nem para almoçar, começou a ausentar-se ao meio-dia. Então o Presidente chamou um detetive e disse-lhe:
- Siga o Diretor Lopes por uma semana durante o horário do almoço.
O detetive, após cumprir o que havia lhe sido pedido, voltou e informou:
- O Diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o seu carro, vai à sua casa almoçar, faz amor com a sua mulher, fuma um dos seus excelentes charutos cubanos e regressa ao trabalho.
Responde o Presidente:
- Ah, bom, antes assim. Não há nada de mal nisso.
Logo em seguida o detetive pergunta:
- Desculpe. Posso tratá-lo por tu?
- Sim, claro! - respondeu o Presidente surpreendido!
- Bom, então vou repetir:
- O diretor Lopes sai normalmente ao meio-dia, pega o teu carro, vai à tua casa almoçar, faz amor com a tua mulher, fuma um dos teus excelentes charutos cubanos e regressa ao trabalho...
Entendeu agora a diferença?
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
|Foto by Gustavo Atallah Haun|
Há dez dias iniciamos uma nova enquete em O Blog de Redação com a seguinte pergunta: Quantas redações/textos você escreve por mês? As opções de respostas eram “Nenhum”, “Um”, “Dois” e “Três ou mais”. E novamente o resultado é de deixar o queixo caído.
Com 167 votos válidos, venceu mais uma vez aqueles que escolheram “Nenhum”, com 42% (71 votos); em segundo ficou “Três ou mais”, com 27% (46 sufrágios); em terceira colocação, “Uma”, com 15% (ou 26 votos); e, por último, a opção “Duas”, com 14% (24 votos válidos).
Agora, fica a dúvida: na enquete anterior 55% responderam que não leem “Nenhum” livro por mês; na atual 42% não escrevem “Nenhuma” redação por igual período de tempo, como farão para aprender a redigir? Passar em vestibular, concurso ou Enem?
Quem souber tal fórmula mágica favor passar adiante o mais urgente possível!
ALTO CONSUMO X SUSTENTABILIDADE
Um modo de vida ecologicamente sustentável é o que todos almejam no século XXI, mas ao mesmo tempo ninguém quer diminuir o padrão elevadíssimo de consumo atual. Conciliar esses interesses será a tônica do porvir, porém dependerá, cada vez mais, de políticas públicas que eduquem a população, investimento em pesquisas de produtos menos impactantes ao meio ambiente e também apostar na promoção da reciclagem ainda mais.
Toda mudança positiva tem que perpassar necessariamente pela educação e pela cultura. Nada se atinge de objetivo se não for feito um trabalho sério de políticas públicas voltadas para o esclarecimento e a mudança de hábitos do povo. É desde a mais tenra idade que o cidadão aprende a dar importância ao mundo que o cerca, assim como ao todo. Por isso, projetos e programas – governamentais e não-governamentais – implantados nas escolas são urgentes: elucidarão e criarão novas formas de agir logo nas primeiras idades.
Além disso, é sumamente interessante que a ciência mundial encontre alternativas de produtos industrializáveis/comercializáveis que sejam menos degradantes ao ambiente. Aperfeiçoamento tecnológico, pesquisas científicas em universidades e empresas devem se dar as mãos para lutar por energia limpa, alimentos orgânicos, ingestão e uso consciente de água potável, entre tantas outras coisas que beneficiariam as gerações vindouras.
Da mesma forma, vê-se que o engenho e apetrechos da reciclagem se encontram incipientes. O trabalho de limpeza e de reaproveitamento de materiais que seriam destrutivos à natureza é uma forte saída para diminuir os danos do consumo mundial, pois alguns compostos inutilizados demoram-se décadas ou séculos para se decomporem, como o plástico. Incentivos fiscais a tais empresas, valorização e reconhecimento profissionais podem dar bons frutos nas cooperativas de catadores e no setor fabril que utiliza o material recolhido como matéria-prima.
Enfim, a tendência, daqui para um futuro não muito distante, é que essa preocupação com a ecologia saia das pautas do “modismo” naturalista para se tornar uma necessidade mundial. E aliar isso à compulsão consumista das massas será realmente o grande desafio do amanhã que já se aproxima. Enquanto as pessoas não aprenderem a preservar e a serem conscientes quanto às questões ecológicas do planeta, o meio ambiente irá agonizar um pouco mais!
COMENTÁRIO:
No primeiro parágrafo são estabelecidos o tema: "modo de vida ecologicamente sustentável", e a tese: "ninguém quer diminuir o nível de consumo". Também são apresentados os três argumentos que sustentarão a tese: 1) políticas públicas que eduquem a população; 2) investimento em pesquisa; e 3) reciclagem.
Nos segundo, terceiro e quarto parágrafos cada argumento é convenientemente desenvolvido, aprofundado, com exemplos, fatos, estatísticas, enfim, com o que o redator quiser utilizar para fundamentar as ideias secundárias que servirão de marco teórico, de sustentação argumentativa. O escrevente pode dividir essa parte em argumento principal, secundários e contra-argumentos; causa e consequência; prós e contras; retrospecto histórico etc.
No último parágrafo, o quinto do texto, são retomados o tema e a tese do início (a ecologia saindo da pauta do modismo) e é feita uma observação final (críticas ou soluções), no caso em questão uma crítica (enquanto as pessoas não aprenderem a preservar e a serem conscientes quanto às questões ecológicas do planeta...) Mas o Enem, por exemplo, exige soluções para o problema, que podem ser dadas tanto no desenvolvimento quanto na conclusão. Não se esqueça.
Boa sorte!
domingo, 25 de novembro de 2012
A letra pode mostrar a sua personalidade. Existe uma ciência que trata disto é a GRAFOLOGIA.
Para nós o que interessa na Redação é a Estética da escrita e a aplicação da técnica de dissertação:
- Nada de n parecido com r;
- Nada de s parecido com j;
- Nada de j com cara de s ou vice-versa;
- Nada de y com cara de g e vice-versa;
- Nada de m com cara de n;
- Nada de sc com cara de x e vice-versa;
- Nada de t com cara de f;
- Nada de ç com cara de ss;
- Nada de bolinha nos is;
- Nada de h com cara de m maiúsculo;
- Nada de letra maiúscula onde deveria ser minúscula exceto se a norma pedir;
- Nada de rr com cara de m ou vice-versa;
- Procure fazer uma letra manuscrita, a de forma confunde muito, ocupa espaço e não se pode distinguir a CAIXA ALTA da BAIXA;
- Não se perca em detalhes mas escreva com boa grafia (normalmente as moças prezam mais pela boa letra mas podem perder tempo enfeitando muito);
- Não escreva palavras com dúvida de grafia;
- Não acelere o ritmo para acabar logo nem demore demais para não perder tempo;
- Não exceda em reticências, ponto e vírgula, dois pontos e vírgula sem necessidade;
- Não ultrapasse as margens do papel tanto nas laterais quanto no topo e no fim da pauta. Para isto existem as faixas de limite do papel;
O mais importante: Letra com firmeza e segurança, bem nítida, bem clara, média, com ritmo tranquilo e sem correria e bastante estética na redação para facilitar a leitura e a compreensão da estrutura de seus pensamentos e opinião pessoal ou dentro da sugestão do texto apresentado.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
A folha em branco, o tempo passando. As unhas roídas, o tema dado e nenhuma ideia. Muitas pessoas já passaram por uma situação semelhante, em que não sabiam absolutamente por onde começar a escrever sobre determinado assunto.
Escrever pode ser fácil para qualquer pessoa, desde que esta queira se empenhar para tanto. Não há mágicas ou fórmulas práticas para aprender a escrever. Na verdade, é um trabalho que depende sobremaneira do empenho do interessado em aprender.
Para esse intento, algumas dicas práticas podem ser dadas para auxiliar, mas nada substitui a necessidade de escrever sempre. O ato da escrita deve se tornar algo natural, a fim de afastar o fantasma do “branco total”. Além disso, a leitura e a atualização de informações também colaboram muito na qualidade do texto.
O objetivo da redação é chegar a um texto que será tão repleto de escolhas pessoais (ideias, palavras, estruturas frasais, organização, exemplos) que, até partindo de um mesmo assunto geral, milhares de pessoas podem chegar a um bom resultado apresentando trabalhos nitidamente diferentes.
Para desenvolver esse trabalho, o presente texto direciona-se ao estudo dissertativo. Será considerada uma média de trinta linhas para as redações, sobretudo no tocante à distribuição destas linhas nas subdivisões textuais apresentadas.
Muitas vezes, as maiores dificuldades estão na concretização das ideias no papel. Para auxiliar neste processo, contamos também com um suporte da Gramática. Mas a preocupação aqui não é de nomenclaturas ou classificações, o que tem relevo é a funcionalidade linguística no momento da escrita.
Alguns pontos merecem destaque especial para um aprimoramento da escrita:
- ler mais
- adquirir o hábito de escrever
- pontuar adequadamente
- organizar ideias
- construir períodos curtos
Estrutura textual
Assunto
Delimitar um aspecto acerca do tema proposto é importante para uma boa abordagem do assunto. Não se poderá fazer uma análise aprofundada se o tema for amplo, por isso especifica-se o assunto a ser tratado.
A escolha do aspecto, entretanto, não pode restringir demais o tema ou corre-se o risco da falta de ideias.
Essa delimitação deve ser feita na introdução e, a partir daí, o leitor sabe que aquele aspecto será explorado no decorrer do texto e a conclusão fará menção direta a ele.
Observe alguns exemplos:
- televisão - a violência na televisão / a televisão e a opinião pública;
- a vida nas grandes cidades - a vida social dos jovens nas grandes cidades / os problemas das grandes cidades;
- preconceitos - preconceitos raciais / causas do preconceito racial;
- progresso - vantagens e desvantagens sociais do progresso / progresso e evolução humana.
Parágrafos
São blocos de texto, cuja primeira linha inicia-se em margem especial, maior do que a margem normal do texto. Concentram sempre uma ideia-núcleo relacionada diretamente ao tema da redação.
Não há moldes rígidos para a construção de um parágrafo. O ideal é que em cada parágrafo haja dois ou três períodos, usando pontos continuativos (na mesma linha) intermediários.
A divisão em parágrafos é indicativa de que o leitor encontrará, em cada um deles, um tópico do que o autor pretende transmitir. Essa delimitação deve estar esquematizada desde antes do rascunho, no momento do planejamento estrutural. Assim, a redação apresentará mais coerência.
Planejamento
Escrever não significa apenas preencher o papel com frases, mas também não se constitui um martírio. Um texto pressupõe simples operações anteriores, entre as quais está o planejamento.
Assim que se recebe uma proposta de redação, uma série de ideias sobre o assunto vem à cabeça. Deve-se registrar todos os pensamentos no papel. Fatos, informações, opiniões, um caso que aconteceu e éde conhecimento geral, tudo deve ser anotado em forma de esquema. Não deve ser preocupação, nessa fase, a ordenação dessas ideias.
Essa primeira fase, denominada fluxo de ideias, é fundamental para a execução da redação. Muitas ideias anotadas talvez nem sejam utilizadas depois, enquanto outras podem surgir adiante.
É claro que as elocubrações não vão aparecer do nada. Elas fazem parte de um repertório de opiniões, fatos, informações a que se está exposto todos os dias.
Partindo desse conjunto desordenado, pode-se perceber a possibilidade de agrupá-las segundo certas semelhanças. Uma divisão possível seria em causas, consequências, polêmicas, históricas, soluções etc.
Dica para captação de ideias: relacionar o tema proposto com as perguntas “por quê?”, “como?”, “quais?”, a cada argumento levantado, a fim de promover uma reflexão mais profunda sobre o assunto.
Lembrar-se de que, ao redigir, não se deve esquecer de:
- anotar todas as ideias, frases, palavras, sensações que surgirem sobre o tema;
- fazer uma seleção das ideias que surgiram;
- pensar num plano para o texto, estruturando-o em introdução, desenvolvimento e conclusão;
- revisar no rascunho, ao final, a grafia das palavras, a pontuação das frases e a eufonia das palavras usadas, assim como a adequação vocabular ao contexto.
Qualidades de uma dissertação
O texto deve ser sempre bem claro, conciso e objetivo. A coerência é um aspecto de grande importância para a eficiência de uma dissertação, pois não deve haver pormenores excessivos ou explicações desnecessárias. Todas as ideias apresentadas devem ser relevantes para o tema proposto e relacionadas diretamente a ele.
A originalidade demonstra sua segurança e faz um diferencial em meio aos demais textos. Só não se pode, em aspecto nenhum, abandonar o tema proposto.
Toda redação deve ter início, meio e fim, que são designados por introdução, desenvolvimento e conclusão, respectivamente. As ideias distribuem-se de forma lógica, sem haver fragmentação do mesmo assunto em vários parágrafos.
Elementos de coesão:
Algumas palavras e expressões facilitam a ligação entre as ideias, estejam elas num mesmo parágrafo ou não. Não é obrigatório, entretanto, o emprego destas expressões para que um texto tenha qualidade. Seguem algumas sugestões e suas respectivas relações:
- assim, desse modo - têm valor exemplificativo e complementar. A sequência introduzida por eles serve normalmente para explicitar, confirmar e complementar o que se disse anteriormente.
- ainda - serve, entre outras coisas, para introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão; ou para incluir um elemento a mais dentro de um conjunto de ideias qualquer.
- aliás, além do mais, além de tudo, além disso - introduzem um argumento decisivo, apresentado como acréscimo. Pode ser usado para dar um “golpe final” num argumento contrário.
- mas, porém, todavia, contudo, entretanto... (conj. adversativas) - marcam oposição entre dois enunciados.
- embora, ainda que, mesmo que - servem para admitir um dado contrário para depois negar seu valor de argumento, diminuir sua importância. Trata-se de um recurso dissertativo muito bom, pois sem negar as possíveis objeções, afirma-se um ponto de vista contrário.
- este, esse e aquele - são chamados termos anafóricos e podem fazer referência a termos anteriormente expressos, inclusive para estabelecer semelhanças e/ou diferenças entre eles.
O que é dissertação
Dissertar é um ato praticado pelas pessoas todos os dias. Elas procuram justificativas para a elevação dos preços, para o aumento da violência nas cidades, para a repressão dos pais. É mundial a preocupação com a bomba atômica, a AIDS, a solidão, a poluição. Muitas vezes, em casos de divergência de opiniões, cada um defende seus pontos de vista em relação ao futebol, ao cinema, à música.
A vida cotidiana traz constantemente a necessidade de exposição de ideias pessoais, opiniões e pontos de vista. Em alguns casos, é preciso persuadir os outros a adotarem ou aceitarem uma forma de pensar diferente. Em todas essas situações, e em muitas outras, utiliza-se a linguagem para dissertar, ou seja, organizam-se palavras, frases, textos, a fim de, por meio da apresentação de ideias, dados e conceitos, chegar-se a conclusões.
Em suma, dissertação implica discussão de temas, argumentação, organização do pensamento, defesa de pontos de vista, descoberta de soluções. É, entretanto, necessário conhecimento do assunto que se vai abordar, aliado a uma tomada de posição diante desse assunto.
Argumentação
A base de uma dissertação é a fundamentação de seu ponto de vista, sua opinião sobre o assunto. Para tanto, deve-se atentar para as relações de provas, de causa-consequência ou pontos favoráveis e desfavoráveis, muito usadas nesse processo.
Algumas expressões indicadoras de causa e conseqüência
- causa : por causa de, graças a, em virtude de, em vista de, devido a, por motivo de
- consequência : consequentemente, em decorrência, como resultado, efeito de
Algumas expressões que podem ser usadas para abordar temas com divergência de opiniões: em contrapartida, se por um lado... / por outro... , /é um fenômeno ambíguo, / enquanto uns afirmam... / outros dizem que...
Exemplo de argumentação para a tese de que as abelhas são insetos extraordinários:
- porque tem instinto muito apurado;
- porque são organizadas em repúblicas disciplinadas;
- porque fornecem ao homem cera e mel;
- apesar de seus ferrões e de sua força quando constituem um enxame.

Observação I

mesmo quando se destacam características positivas, é bom utilizar ponto negativo. Neste caso, destaca-se que a importância dos pontos positivos minimizam a negatividade do outro argumento.

Observação II

lembre-se de que a razão prevalece sobre a emoção sempre em dissertações.
Partes de uma dissertação
Introdução
Constitui o parágrafo inicial do texto e deve ter, em média, 5, 6 linhas. É composta por uma sinopse do assunto a ser tratado no texto. Não se pode, entretanto, começar as explicações antes do tempo. Todas as ideias devem ser apresentadas de forma sintética, pois é no desenvolvimento que serão detalhadas.
A construção da introdução pode ser feita de várias maneiras:
- constatação do problema
Ex.: O aumento progressivo dos índices de violência nos grandes centros urbanos está promovendo uma mobilização político-social.
- delimitação do assunto
Ex.: A cidade do Rio de Janeiro, um dos núcleos urbanos mais atrativos turisticamente no Brasil, aparece nos meios de comunicação também como foco de violência urbana.
- definição do tema
Ex.: Como um dos mais problemáticos fenômenos sociais, a violência está mobilizando não só o governo brasileiro, mas também toda a população num esforço para sua erradicação.
Na construção da introdução, a utilização de um dos métodos apresentados não seria suficiente. Deve-se, num segundo período, lançar as ideias a serem explicitadas no desenvolvimento. Para tanto, pode-se levantar 3 argumentos, causas e consequências, prós e contras. Lembre-se de que as explicações e respectivas fundamentações de cada uma dessas ideias cabem somente ao desenvolvimento.
Observe alguns exemplos:
- A televisão - Se por um lado esse popular veículo de comunicação pode influenciar o espectador, também se constitui num excelente divulgador de informações com potencial até mesmo pedagógico.
(as três ideias: manipulador de opiniões, divulgador de informações e instrumento educacional.)
- Escassez de energia elétrica - Destacam-se como fatores preponderantes para esse processo o aumento populacional e a má distribuição de energia que podem acarretar novo racionamento.
(as três ideias: crescimento da população e da demanda de energia, problemas com distribuição da energia gerada no Brasil e a consequência do racionamento do uso de energia)
- A juventude e a violência - Pode-se associar esse crescimento da violência com o número de jovens envolvidos com drogas e sem orientações familiares, o que gera preconceito em relação a praticantes de esportes de luta e “funkeiros”.
Desenvolvimento
Esta segunda parte de uma redação, também chamada de argumentação, representa o corpo do texto. Aqui serão desenvolvidas as ideias propostas na introdução. É o momento em que se defende o ponto de vista acerca do tema proposto. Deve-se atentar para não deixar de abordar nenhum item proposto na introdução.
Pode estar dividido em 2 ou 3 parágrafos e corresponde a umas 20 linhas, aproximadamente.
A abordagem depende da técnica definida na introdução: 3 argumentos, causas e consequências, histórico ou prós e contras. O conceito de argumento é importante, pois ele é a base da dissertação. Causa, consequência, pró, contra, espacial, histórico, crítico são todos tipos de argumentos; logo pode-se apresentar 3 causas, por exemplo, num texto.
A reflexão sobre o tema proposto não pode ser superficial, para aprofundar essa abordagem buscam-se sempre os porquês. De modo prático o procedimento é:
Levantar os argumentos referentes ao tema proposto.
Fazer as perguntas: por quê?, como? quais?, a cada um deles, relacionando-o diretamente ao tema, à sociedade brasileira atual, à comunidade planetária etc.
A distribuição da argumentação em parágrafos depende, também, da técnica adotada:
- 3 argumentos - um parágrafo explica cada um dos argumentos
- causas e consequências - podem estar distribuídas em 2 ou 3 parágrafos. Ou agrupam-se causas e consequências, constituindo 2 parágrafos; ou associa-se uma causa a uma consequência e com cada grupo constroem-se 2 ou 3 parágrafos.
- prós e contras - são as mesmas opções da técnica de causas e consequências, substituídas por prós e contras.
- abordagem histórica - compara-se o antes e o hoje, elucidando os motivos e consequências dessas transformações. Cuidado com dados como datas, nomes de que não se tenha certeza.
- abordagem comparativa - usam-se duas ideias centrais para serem relacionadas no decorrer do texto. A relação destacada pode ser de identificação, de comparação ou as duas ao mesmo tempo.
É muito importante manter uma abordagem mais ampla, mostrar os dois lados da questão. O texto esquematizado previamente reflete organização e técnica, valorizando bastante a redação. Logo, um texto equilibrado tem mais chances de receber melhores conceitos dos avaliadores, por demonstrar que o candidato se empenhou para construí-lo.
Recurso adicional - para elucidar uma ideia e demonstrar atualização, pode-se apresentar de forma bastante objetiva e breve um exemplo relacionado ao assunto.
Conclusão
Representa o fecho do texto e vai gerar a impressão final do avaliador. Deve conter, assim como a introdução, em torno de 5, 6 linhas.
Pode-se fazer uma reafirmação do tema e dar-lhe um fecho ou apresentar possíveis soluções para o problema apresentado.
Apesar de ser um parecer pessoal, jamais se inclua.
Evite começar com palavras e expressões como: concluindo, para finalizar, conclui-se que, pois pode ser considerado redundância.
Exemplo de texto dissertativo:
A posição social da mulher de hoje
Ao contrário de algumas teses predominantes até bem pouco tempo, a maioria das sociedades de hoje já começam a reconhecer a não existência de distinção alguma entre homens e mulheres. Não há diferença de caráter intelectual ou de qualquer outro tipo que permita considerar aqueles superiores a estas.
Com efeito, o passar do tempo está a mostrar a participação ativa das mulheres em inúmeras atividades. Até nas áreas antes exclusivamente masculinas, elas estão presentes, inclusive em posições de comando. Estão no comércio, nas indústrias, predominam no magistério e destacam-se nas artes. No tocante à economia e à política, a cada dia que passa, estão vencendo obstáculos, preconceitos e ocupando mais espaços.
Cabe ressaltar que essa participação não pode nem deve ser analisada apenas pelo prisma quantitativo. Convém observar o progressivo crescimento da participação feminina em detrimento aos muitos anos em que não tinham espaço na sociedade brasileira e mundial.
Muitos preconceitos foram ultrapassados, mas muitos ainda perduram e emperram essa revolução de costumes. A igualdade de oportunidades ainda não se efetivou por completo, sobretudo no mercado de trabalho. Tomando-se por base o crescimento qualitativo da representatividade feminina, é uma questão de tempo a conquista da real equiparação entre os seres humanos, sem distinções de sexo.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
|Mesmo que você não faça UNICAMP, tire as suas dúvidas gerais sobre Redação.|
1. É permitido escrever com letra de forma?
Sim. O importante, para a Banca de Correção, é que o texto do candidato seja legível. A única coisa que precisa fazer é distinguir as maiúsculas das minúsculas.
2. Até que ponto conta a ortografia?
A ortografia, assim como os demais aspectos da correção gramatical, é avaliada no item “adequação à modalidade escrita”, um dos itens nos quais se baseia a correção das redações do Vestibular/Unicamp. Esses itens, divulgados e comentados no Manual do Candidato/99, são os seguintes: Adequação ao Tema e ao Tipo de Texto, Adequação à Coletânea, Adequação à Modalidade, Coerência e Coesão. Na composição da nota total atribuída ao candidato, a ortografia não é, portanto, supervalorizada. O mesmo vale para os aspectos relativos às questões de flexão e concordância verbal e nominal, regência, pontuação.
3. É permitido usar corretor líquido ou escrever a lápis?
Não, o candidato não pode usar corretor líquido. Quanto a escrever a lápis, é admissível apenas no rascunho. A prova deve ser feita com caneta azul ou preta.
4. Quais são os critérios para se estabelecer que o candidato não se adequou ao tema?
Uma vez elaborados os temas (A, B e C), a Banca Elaboradora prepara uma detalhada orientação para a Banca de Correção, explicando as expectativas de desenvolvimento dos temas propostos. Desta orientação faz parte a explicitação dos casos que devem ser considerados “fuga total ao tema proposto”. Nos dois primeiros dias que se seguem à realização da prova, a Banca de Correção dedica-se à leitura atenta de uma amostra das redações, criteriosamente constituída, com o objetivo de verificar o rendimento dos candidatos em cada um dos temas propostos. Somente após a leitura e discussão dessas amostras é que são definidos os critérios definitivos para a avaliação do que deve ser considerada uma redação “fora do tema”. Todas as redações são corrigidas por dois avaliadores, que constituem as duplas de correção. No sentido de garantir que nenhuma redação seja anulada indevidamente, todos os casos de anulação são submetidos a uma terceira correção.
5. (a) Até que ponto a subjetividade de quem corrige influi na nota? (b) Não é verdade que, se a opinião do candidato for mais “senso comum”, sua argumentação parecerá mais forte?
(a) Todo o trabalho de treinamento dos corretores, realizado anualmente a partir do início de outubro, tem por objetivo garantir uma compreensão consensual dos critérios de correção já mencionados, e também uma atribuição homogênea de pontos em cada um dos seis itens de correção. Esse treinamento para utilização da grade de correção – que detalha os parâmetros para atribuição de pontos por item – garante uma avaliação o mais objetiva possível das redações, da qual fiquem eliminados critérios subjetivos que possam vir a prejudicar os candidatos.
(b) Não. Não é verdade que uma opinião mais “próxima do senso comum” faz com que a argumentação do candidato pareça mais “forte”. Espera-se, na verdade, que os candidatos expressem sua opinião sincera a respeito das questões propostas nos temas. Nesse sentido, é importante deixar claro que os corretores são preparados para avaliar os textos dos candidatos e pontuá-los estritamente de acordo com a grade de correção, sem considerações de ordem ideológica. Os candidatos não têm motivos, portanto, para tentar adivinhar qual seria a opinião ou quais seriam os argumentos “preferidos” pelas Bancas de Elaboração e Correção da Redação. Muitas vezes, a tentativa de “agradar” aos corretores pode levar o candidato a produzir um texto pior do que o que seria capaz de elaborar expressando sua opinião sincera sobre o assunto.
6. Há um número mínimo ou máximo de linhas para redação?
Espera-se que os candidatos não escrevam menos de 20 linhas nem ultrapassem em muito as 60 linhas. Isso não significa, no entanto, que textos com menos de 20 linhas não sejam corrigidos. Não se espera também, que o candidato interrompa bruscamente o texto após ultrapassadas, eventualmente, as 60 linhas. A Banca não estimula, evidentemente, a prolixidade, que em nada contribui para a qualidade dos textos. Por outro lado, na medida em que também se procura avaliar, nas redações, a capacidade do candidato de selecionar elementos relevantes para o desenvolvimento do seu texto, ele não deverá deixar de usar elementos que considere significativos, apenas pelo fato de já ter ultrapassado 60 linhas. (Detalhe: a UNICAMP utiliza 60 linhas, mas o padrão dos vestibulares e concursos são 30)
7. Quantos elaboram os três temas e quantos corrigem as redações?
Os temas são elaborados por uma banca constituída de cinco pessoas. As redações são corrigidas por 100 corretores, orientados por monitores cujo trabalho é diretamente supervisionado pela Presidência da Banca. Os Corretores são organizados em “duplas de correção”. As duplas de correção são secretas, ou seja, os dois corretores de uma mesma dupla não sabem que formam uma dupla. Isso garante que sejam feitas duas leituras independentes de cada redação, sem que a avaliação de um corretor interfira na avaliação do outro membro da dupla. Nos casos de notas consideradas divergentes, segundo critérios estatísticos, submete-se a redação a uma terceira correção.
8. Qual o perfil de quem elabora a prova? Eles fazem o quê?
Os membros da Banca de Elaboração são professores de Língua Portuguesa e Literatura, com grande prática de trabalho de docência e pesquisa nas áreas de leitura e produção de textos. Atuam profissionalmente na Universidade e no ensino médio.
9. Usar gírias ou palavras de uso coloquial consideradas incorretas do ponto de vista gramatical tira muitos pontos? Quantos?
O uso de gírias e da linguagem coloquial será avaliado em função do tema escolhido pelo candidato. Essas escolhas podem ser inadequadas, por exemplo, para um texto dissertativo. Já quando utilizadas com propriedade em um texto narrativo, onde podem contribuir, por exemplo, para a caracterização de determinada(s) personagem(ns) podem ser perfeitamente adequadas.
Quando utilizadas inadequadamente, as gírias e expressões típicas da linguagem coloquial serão avaliadas segundo critérios estabelecidos na grade de correção, para atribuição de pontos ao item “adequação à modalidade escrita”.
Os candidatos não devem tentar sofisticar artificialmente sua linguagem escrita, no entanto, utilizando palavras ou expressões cujo significado não dominem. Quando dizemos que um texto dissertativo deve apresentar uma linguagem escrita formal, nossa expectativa é apenas a de que esse grau de formalidade seja compatível com a linguagem esperada de um bom texto escrito por um jovem que concluiu o ensino médio.
10. Um texto original ganha ou perde pontos?
As redações não são corrigidas e pontuadas segundo critérios de “originalidade” ou “criatividade”, uma vez que é impossível introduzir tais critérios em uma grande correção, sem prejudicar a atribuição objetiva de pontos aos candidatos. Todavia, aquelas redações que se destacam do ponto de vista da elaboração mais sofisticada levará o candidato a receber o número máximo de pontos nos itens em que sua redação apresentar grandes qualidades. Assim, um texto excelente do ponto de vista do desenvolvimento do tema proposto, receberá necessariamente a pontuação máxima prevista nos itens “adequação ao tema”, “adequação à coletânea” e “coerência”. Um texto excepcional do ponto de vista da elaboração formal, receberá pontuação máxima nos itens “adequação à modalidade” e “coesão”. Um texto excepcional em termos de elaboração formal e de conteúdo receberá nota máxima em todos os itens. Esses textos são, evidentemente, os mais “originais” e “criativos”.
11. Qual o critério de escolha dos temas?
Ao elaborar os temas, a Banca de Elaboração leva em conta principalmente os objetivos específicos da prova de redação. Assim, para que o candidato tenha a possibilidade de mostrar se possui as habilidades definidas no perfil do aluno ideal da Unicamp, todos os três temas devem permitir que ele faça um exercício de leitura, seleção de informação e elementos relevantes, estabelecimento de relações e elaboração de hipóteses. É por esse motivo que temas atuais são utilizados na elaboração do tema dissertativo (A) e no tema argumentativo (C). A Banca pressupõe que o candidato bem informado tenha melhores condições de lidar com temas atuais acompanhados de uma coletânea representativa de algum assunto relevante e/ou polêmico que tenha merecido destaque nos órgãos de divulgação. Quanto ao tema narrativo (B), a Banca não espera do candidato que ele simplesmente escreva uma história, mas sim que ele demonstre a capacidade de lidar com os elementos que caracterizam o texto narrativo (personagens, cenário, tempo da narrativa, foco narrativo), e de integrá-los ao enredo sugerido pelo tema e coletânea proposto. Assim, ao elaborar um tema narrativo, a Banca preocupa-se em fornecer ao candidato elementos que permitam que sua redação seja um exercício comparável ao que se espera nos temas dissertativo e argumentativo.
12. Se o estudante fugir do tema, mas tiver um texto considerado “brilhante” pela Banca, ele perde pontos?
Sim. Infelizmente uma redação “brilhante” mas que fuja totalmente ao tema proposto será anulada. Esses casos de anulação justificam-se perfeitamente dados os objetivos da prova de redação. Ela não é apenas um exercício de escrita, mas sim de leitura escrita. O candidato que fugir totalmente ao tema estará demonstrando, de forma inequívoca, que não foi capaz de compreender minimamente as instruções dadas para o desenvolvimento do tema que escolheu.
Vale lembrar, no entanto, que é praticamente impossível ser um excelente escritor sem possuir habilidades mínimas para leitura. A Banca de Correção das redações do Vestibular/Unicamp não tem registros de casos como o mencionado na pergunta, ou seja, de redações “brilhantes” que não tenham desenvolvido o tema proposto.
13. O recomendável é que se faça primeiro a redação ou a deixe para depois de já ter resolvido todas as questões?
Essa escolha é do candidato, evidentemente. Só ele pode planejar bem o uso das quatro horas de que dispõe para a realização da prova, em função do investimento que se sinta em condições de fazer na redação e/ou nas questões. O candidato deve ler cuidadosamente os enunciados dos temas propostos e das questões. Esse momento de leitura não é de forma alguma uma perda de tempo. Pelo contrário: a leitura bem feita e atenta é já um momento de elaboração da redação e das respostas às questões. As Bancas de Correção de Redação e Questões têm observado, ao longo dos anos, que por trás de muitos dos erros dos candidatos costuma estar uma leitura apressada e mal feita dos temas ou enunciados das questões. O conselho mais valioso que a Comissão de Vestibulares da Unicamp pode dar aos vestibulandos é o seguinte: leiam com a máxima atenção os enunciados dos temas e das questões!
14. É admissível citar trechos da coletânea?
Sim, na medida em que tal citação não resulte em mera colagem de fragmentos em um texto desarticulado, o que fatalmente geraria graves problemas de coerência e coesão. Quaisquer citações deverão estar integradas ao texto do candidato, sem prejuízo para sua articulação interna, portanto.
15. Se na tentativa de fundamentar sua argumentação o estudante citar dados incorretos, ainda que pertinentes, ele perde pontos?
Não necessariamente. Se, por exemplo, ao desenvolver um tema sobre a situação do menor no Brasil, o candidato fizer referência incorreta a dados estatísticos ou a outras informações específicas semelhantes, ele não perderá pontos, se a menção a esses dados for pertinente no texto. Se, por outro lado, ele partir do pressuposto de que não há um número significativo de menores abandonados no país, perderá, evidentemente, muitos pontos no item “coerência”, uma vez que estará demonstrando total desconhecimento do mundo em que vive.
16. Quanto tempo o candidato deve reservar para a redação?
Assim como já se mencionou na resposta à pergunta 13, cabe ao candidato distribuir bem o seu tempo, depois de ter lido a prova na íntegra, e com atenção. Só após ter escolhido o tema da redação e avaliado quantas das questões ele tem condições de responder é que o candidato deverá decidir quanto tempo poderá investir em sua redação sem prejuízo para as questões. É bom lembrar que a prova da 1ª fase da Unicamp não é constituída apenas de uma redação, e que um bom trabalho de resolução das doze questões propostas em muito contribui para que o candidato seja aprovado para a Segunda fase do vestibular.
17. A Redação correspondia a 62,5% da prova e as questões valiam 37,5%. A Unicamp concluiu que era exagerado o peso da Redação?
Depois de alguns anos reavaliamos esse peso, concluímos que o recado sobre a importância da Redação estava dado, não havendo risco de as pessoas voltarem atrás, e tomamos a decisão de alterá-lo, de forma a criar mais equilíbrio na 1ª fase. Ficamos com 50 e 50. Hoje, é como se tivéssemos na 1ª fase do vestibular duas provas no mesmo dia, como ocorre nos quatro dias de prova da 2ª fase. A partir daí é possível imaginar que o candidato distribui melhor o seu tempo para fazer os dois componentes da prova. Essa decisão foi amadurecida na Câmara Deliberativa e tomada no momento em que se achou que ela deveria e poderia ser tomada. E o que observamos é que o trabalho com Redação continua nas escolas que haviam entendido a mensagem.
Porque estou dando este exemplo? Por que qualquer outra modificação que venha a ser proposta, que tenha por base maior flexibilidade para as universidades pensarem seus exames, deverá também ser fruto de discussão na Câmara Deliberativa – e não poderá ser uma discussão irresponsável. É algo que precisa ser feito com responsabilidade. Decisões devem ser tomadas no momento em que efetivamente os membros da Câmara se sintam suficientemente informados para fazer alguma mudança. E mais: sintam que qualquer mudança de fato se justifique do ponto de vista de instituição. O tipo de seleção que se faz tem de corresponder às características de cada universidade, às exigências e ao nível de demanda dos cursos.
(Respostas fornecidas pela Banca Elaboradora da prova de redação do vestibular Unicamp e as perguntas foram elaboradas pelo jornal Folha de S. Paulo. Jornal Análise & Informação - Tendências do Vestibular n.º 80 Ed. Agosto 1998)