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O que é surpreendente é que em 2017, em pleno século 21, a gente continua a discutir o papel das mulheres na sociedade, como se ela não fosse parte ativa dela. .. Mas quem estipula isso? Quem define os papéis no sistema e o que se define como uma sociedade?
No momento, as mulheres ainda são consideradas uma minoria, como as crianças e os idosos, embora represente 50% da humanidade. Mas o que realmente define isso? Quem faz parte da «sociedade»? Somente os homens?
E quem deu aos homens o poder, quase onisciente, para definir quem é a mulher e que papel desempenha na sociedade humana?
De onde vem essa ideia de que as mulheres são inferiores aos homens, quando diferentes estudos têm mostrado exatamente o oposto?
A única diferença entre o masculino e o feminino na sociedade, é a força bruta. O homem se impôs pela força e nada mais.
A religião, a fundação da misoginia
O conceito da inferioridade das mulheres vem da costela de Adão. Diz-se que a religião mais mata do que qualquer doença existente no planeta, mas também causa atrofia mental. Ela define dogmas que não têm significado e também impõe comportamentos que foram responsáveis pelo sofrimento de milhões de pessoas, e tudo isso em nome de Deus.
Assim, as mulheres foram reduzidas, submissas, mutiladas e subestimadas tanto pelo Ocidente Católico como pelo Oriente muçulmano ou na Ásia confusionista, onde o papel da gueixa é representado pela feminilidade ao serviço exclusivo do homem .
Na Arábia Saudita, os «científicos» Wahhabis descobriram que as mulheres não são objetos inanimados, mas «mamíferos», como os outros. Seria interessante que estes cientistas também expliquem por qual milagre um animal pode conceber seres humanos, como os sauditas masculinos que são filhos de mulheres e não de camelos. Então, como é que um mamífero (animal) pode conceber e dar à luz a um ser humano? Seria interessante que eles revelassem onde no Alcorão, explica-se que os animais geram seres humanos.
Sabemos, e não é aqui que vamos desenvolver teorias explicativas, que as religiões monoteístas são profundamente misóginas, patriarcais e sexistas, porque elas negam às mulheres qualquer outro papel que não seja o da procriação. Propriedade do pai, em seguida, do marido, a mulher é considerada um item doméstico.
Hoje em dia, pelo menos no Ocidente, as mulheres ganharam um grau de independência e liberdade, deixando os homens perplexos e fazendo com que percam os elementos de coerção.
Assim, eles perderam a autoridade sob as mulheres e não sabem como se comportar diante delas.
A maioria das mulheres são independentes financeiramente, sexualmente, elas podem decidir sobre a procriação, e, na maioria, são elas que procuram o divórcio.
Os homens não foram bem sucedidos para suportar este crescimento e continuam fechados em uma imaturidade surpreendente, e numa infantilidade desafiadora, além de um machismo assassino e anacrônico. Assim os feminicidios aumentaram proporcionalmente refletindo a incapacidade dos homens em relação às mulheres, usando o último recurso que lhes resta: a força bruta, espancamentos e assassinatos.
A covardia masculina face à força feminina está deixando muitos homens perplexos que não sabem como agir. Eles não podem exigir mais que a mulher seja a empregada doméstica, a mãe e a puta, ao mesmo tempo. Mas não há nada pior do que as mulheres machistas que, por interesses pessoais, ou por causa do condicionamento dogmático, perpetuam os valores do machismo na educação das crianças porque os homens, especialmente aqueles que tem agora mais de quarenta anos, têm sido particularmente ensinados por suas mães, que incutiu a sua visão de intolerância e dependencia.
A luta das mulheres pela igualdade, exige mudanças de comportamento em muitas mães com seus filhos. Esta não é uma teoria de gênero, é educação para a igualdade e respeito. Ensinar que devemos respeitar todo ser humano, independentemente do sexo ou orientação sexual. Ser mulher, é ser um indivíduo, uma pessoa, um cidadão e antes de tudo e ela deve ser considerada e tratada desta forma.
O fato de que as mulheres ganham menos que os homens não é um problema de gênero, é um problema social que está relacionado com o liberalismo econômico onde todos os meios para aumentar os lucros são válidos. Isto não é nada mais do que o dumping salarial, uma posição imoral dos patrões para tirar proveito de uma situação de negócio para maximizar os lucros e reduzir a massa salarial. É um abuso social, é ilegal e é uma enorme falta de respeito, pois a igualdade de salário está inscrita na constituição da maior parte dos países ocidentais
O dia da mulher
Por que celebrar o dia da mulher? A mulher é mulher todos os dias. É uma trabalhadora de dupla jornada, todos os dias. Mãe, irmã, companheira, todos os dias. Ele deve suportar a arrogância e a falta de maturidade dos homens no cotidiano, todos os dias !
A mulher representa 50 % da sociedade e ela não é representada como deveria nas instâncias da política.
É encorajador que na juventude de hoje, a posição dos homens está mudando lentamente, assumindo mais a paternidade ou aceitando em dividir as tarefas da casa com suas companheiras, mas ainda são uma minoria porque na América Latina como no resto do mundo, as mulheres morrem todos os dias nas mãos de um homem macho e insano. Isso é inaceitável!
É uma vergonha que os homens devem assumir porque eles nunca deviam esquecer que passaram nove meses no útero de uma mulher antes de vir ao mundo e que esta mulher cuidava e o amamentava cada um deles até que fossem capazes de seguir seus caminhos sozinhos.
As mulheres carregam em suas entranhas o futuro da humanidade e é uma missão sagrada.
Esperamos que um dia, em breve, os homens entendam que é absolutamente inútil discutir o papel da mulher na sociedade, porque ele já está definido há muito tempo.
São os homens que não reconhecem o valor real das mulheres por pura ignorância e mediocridade.
Somos todos iguais perante o Criador, seja quem quer seja. Somos todos iguais perante a natureza e as suas leis. Somos todos iguais perante o destino da humanidade, porque a morte vai nos atingir igualmente, quer sejamos homens ou mulheres.
Alfonso Vásquez Unternahrer
TRADUZIDO DO FRANCÊS PARA O PORTUGUÊS POR LEONARDO FLORES