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Trump discursa na Assembleia Geral da ONU(afp_tickers)
O presidente Donald Trump intensificou nesta terça-feira sua ofensiva contra a Venezuela, que classificou de ditadura socialista inaceitável, e assegurou que quer ajudar o povo venezuelano a restaurar a democracia no país.
"A situação é completamente inaceitável. Não podemos ficar à margem e apenas olhar", declarou Trump em seu primeiro discurso diante da Assembleia Geral das Nações Unidas, na presença de 130 líderes mundiais.
"Como vizinho e amigo responsável, nós e todos os demais devemos ter um objetivo: ajudar o povo venezuelano a recuperar a liberdade, restaurar o país, retomar a democracia", declarou.
"Exorto todos os países aqui representados a estar preparados para fazer mais para enfrentar esta crise muito real. Solicitamos uma restauração total da democracia e das liberdades políticas na Venezuela", afirmou.
Trump ressaltou ainda que os Estados Unidos "estão preparados para tomar medidas adicionais", se a Venezuela persistir em impor "seu governo autoritário".
Washington já impôs sanções à Venezuela e, no dia 11 de agosto, Trump advertiu que os Estados Unidos contemplavam uma série de ações contra Caracas, "incluindo uma possível opção militar, se necessário".
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, reagiu acusando Trump de tê-lo ameaçado de morte e de ser o novo Hitler da política internacional.
"Donald Trump hoje ameaçou de morte o presidente da República Bolivariana da Venezuela", disse Maduro para centenas de partidários após uma "passeata anti-imperialista" em Caracas.
"A agressão do novo Hitler da política internacional, do senhor Donald Trump, contra o povo da Venezuela, a supremacia racial, imperial, hoje se manifestou".
Segundo Maduro, o presidente americano pensa "que a Venezuela é um prédio de Nova York e que ele pode chantagear os moradores para vender seus apartamentos, o seu país". Mas a "Venezuela não é uma imobiliária de Nova York, é a terra que pariu os homens e mulheres mais heroicos desta terra".
O chanceler venezuelano Jorge Arreaza, que representa seu país na Assembleia Geral, rejeitou "as ameaças do presidente Trump e de qualquer um". Ele denunciou "uma teoria racista e supremacista" que o fez recordar o ex-presidente americano Ronald Reagan em 1982.
- "Do lado do povo" -
"O problema na Venezuela não é que o socialismo foi mal implementado. É que o socialismo foi totalmente implementado", estimou o magnata nesta terça-feira.
Na segunda-feira, ofereceu um jantar aos presidentes da Colômbia, Juan Manuel Santos, do Brasil, Michel Temer, do Panamá, Juan Carlos Varela, e à vice-presidente da Argentina, Gabriela Michetti, durante o qual concordaram aumentar a pressão sobre o governo venezuelano para garantir eleições democráticas em 2018, como prevê a Constituição.
A Venezuela denunciou como uma ameaça contra sua soberania esta reunião. "O governo venezuelano denuncia ante os povos do mundo as novas ameaças contra a soberania, a paz e a estabilidade de nossa país", indica um comunicado que não faz referências às declarações do presidente americano na Assembleia Geral da ONU.
Michel Temer alertou, por sua vez, em seu discurso na ONU que a região não tolerará os países não democráticos.
"A situação dos direitos humanos na Venezuela continua a deteriorar-se", afirmou Temer, o primeiro presidente a se pronunciar, como é tradição no maior encontro diplomático do planeta.
"Estamos ao lado do povo venezuelano, a que nos ligam vínculos fraternais. Na América do Sul, já não há mais espaço para alternativas à democracia. É o que afirmamos no Mercosul, é o que seguiremos defendendo", afirmou o chefe de Estado brasileiro.
Após violentos protestos contra Maduro que deixaram cerca de 125 mortos entre abril e julho, o governo venezuelano e a oposição começaram há alguns dias contatos na República Dominicana para estabelecer as bases para uma negociação.
A oposição exige garantias de que haverá eleições presidenciais até o final de 2018 e a libertação de cerca de 600 opositores presos.
Os países convidados ao jantar de Trump fazem parte do Grupo de Lima, formado por 12 nações latino-americanas que, em agosto, condenaram a ruptura da ordem democrática na Venezuela e se recusaram a reconhecer a Assembleia Constituinte promovida por Maduro.
O Grupo de Lima também apoia a Assembleia Nacional (Parlamento), de maioria opositora, eleita democraticamente.
Os chanceleres do Grupo de Lima ou seus representantes realizarão sua segunda reunião em Nova York na quarta-feira para avaliar a situação na Venezuela.
AFP