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Os jornalistas estão satisfeitos no seu trabalho? Um estudo realizado na Suíça concluiu que os jornalistas criadores do “produto” estão menos satisfeitos que os profissionais do marketing e os editores que vendem esse produto. Os profissionais de Média que trabalham distantes do atual processo de produção (os “sellers”, ou vendedores/comerciantes) estão também mais satisfeitos com os seus trabalhos do que a população ativa trabalhadora no seu todo, enquanto os jornalistas propriamente ditos estão menos satisfeitos.
Bjørn von Rimscha, da Universidade Johannes Gutenberg, em Mainz, entrevistou 259 trabalhadores do sector dos Média para o seu artigo, The Impact of Working Conditions and Personality Traits on the Job Satisfaction of Media Professionals. O autor argumenta que, no contexto dos Média, a problemática do impacto da satisfação no trabalho sobre a qualidade do output nunca foi realmente testada, e utiliza a ideia de um “trabalhador feliz e mais produtivo” como um ponto de partida para compreender o quão bem pode funcionar o sistema dos média. Os profissionais de Média, argumenta Von Rimscha, são significativamente diferentes da população geral no que respeita às suas personalidades. O neuroticismo (definido como uma forma negativa de insegurança ou sensibilidade) e a extroversão (uma qualidade positiva) definem as influências mais fortes.
Foram entrevistados neste estudo alguns fotojornalistas, editores de entretenimento, produtores, apresentadores, correspondentes no estrangeiro, editores e diretores de marketing. A análise dos resultados demonstra que estes profissionais são menos neuróticos que o geral da população trabalhadora, mas mais extrovertidos (com excepção dos fotojornalistas), mais abertos à experiência e mais conscienciosos e eficientes. Contudo, são também menos “agradáveis”.
Uma vez que os traços de personalidade não variam muito ao longo da carreira profissional, é assumido que as mudanças no quadro das exigências do trabalho influenciam fortemente a satisfação no trabalho. As condições para a satisfação no trabalho variam de acordo com o papel desempenhado no sector dos Média e com o facto de se ser colocado em posições que correspondam mais a determinadas condições de personalidade e competências mais adequadas à pessoa em causa, fazendo com que alguns se sintam menos confortáveis em papéis menos adequados à sua personalidade e às novas exigências que surjam. Alguns podem, como resultado, deixar a indústria e, por isso mesmo, não estão representados na amostra utilizada.
O estudo de Von Rimscha identifica a autonomia (a liberdade de decidir e planear) como o fator mais importante para a satisfação no trabalho dos produtores de média, como os jornalistas, mas para os editores, “sellers”, ou diretores de marketing, a chave está em perceber se o seu trabalho se adequa a uma determinada personalidade e também a forma como são pagos.
Os fotojornalistas estão menos felizes, especialmente se as condições tecnológicas afetam as condições do seu trabalho. Essa ocupação, mais criativa e próxima da produção artística, tem sido mais afetada pela digitalização, mas os fotojornalistas estão igualmente entre os menos bem pagos e com condições de maior insegurança laboral na indústria.
As mudanças tecnológicas, económicas e regulatórias nos recentes anos alteraram a estrutura da indústria e também a natureza das funções no trabalho. O corte de custos nos jornais forçou muitos profissionais a tornar-se freelancers ou empreendedores. No sector do audiovisual, os produtores exigem cada vez mais competências associadas ao marketing, uma vez que os programas não são sempre totalmente financiados.
As pressões comerciais acabam por dominar as decisões de produção de conteúdos, alienando alguns jornalistas, apesar de níveis altos de motivação. O lado económico da “destruição criativa”, que deriva da digitalização e da mercantilização, pode igualmente ter efeitos negativos na satisfação no trabalho, tal como as condições precárias de trabalho e a menor liberdade criativa.
Os resultados deste estudo são limitados à relativamente pequena indústria Suíça dos Média e o autor acredita que seria importante testar a nível mundial os seus resultados, replicando o estudo noutras partes. Uma conclusão preliminar sugere que as organizações com uma compreensão mais ampla do fenómeno do desempenho deveriam acreditar nos seus empregados e dar-lhes a autonomia necessária para serem mais produtivos e estarem mais satisfeitos.
Pesquisas futuras deveriam focar-se na questão do desempenho: de que forma os diferentes aspectos do desempenho relacionados com diferentes funções nos média podem ser medidos de forma adequada?
Este artigo foi originalmente publicado no EJO ucraniano.
Photo Flickr CC White Sox