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Um dia após discursar na ONU em Genebra, o presidente de Moçambique, Armando Emílio Guebuza, estende sua visita à Suíça através de um encontro oficial com a ministra da Economia, Doris Leuthard.
O motivo é a comemoração dos 30 anos de cooperação bilateral. Na ocasião, o presidente africano pediu mais engajamento de investidores suíços no país, um dos mais pobres do mundo.
O encontro entre os chefes de Estado - a ministra da Economia Doris Leuthard também é vice-presidente da Confederação Helvética - ocorreu no Domínio de Lohn, um castelo utilizado pelo governo helvético para receber autoridades estrangeiras em Kersatz, vilarejo próximo de Berna, capital suíça.
Do morro, a vista era majestosa para um vale tipicamente suíço, cheio de chalés e pastos. Um ambiente mais do que propício para o bem-humorado presidente moçambicano, Armando Emílio Guebuza, conversar e depois almoçar com Leuthard.
O motivo da visita oficial era a comemoração dos 30 anos de cooperação bilateral. Esta é marcada, sobretudo, pela participação helvética nas negociações de paz em 1992, após a guerra, e pela ajuda prestada após as inundações de 2000. Hoje a Suíça colabora anualmente com 30 milhões de francos em diversos projetos de desenvolvimento no país africano, um dos mais pobres do mundo.
Ensino e turismo
O principal ponto da conversa foram as possibilidades de cooperação econômica. "Falamos sobre as futuras necessidades de Moçambique. O presidente também me explicou claramente os desafios que o país tem. Mas concordamos que uma questão primordial é a descentralização do sistema de ensino e o desenvolvimento do setor turístico", revelou Leuthard durante a coletiva de imprensa.
A ministra garantiu que Moçambique continuará sendo um dos 17 países prioritários para a ajuda suíça. "Nesse sentido iremos continuar colaborando anualmente com 30 milhões de francos para seu desenvolvimento."
Leuthard também elogiou o presidente Guebuza. "Desde o final da guerra em 1992, Moçambique viveu grandes transformações. Isso é mérito também do presidente. Foi a passagem de uma situação de conflito para a estabilidade, de uma economia planejada para a economia de mercado e do sistema de partido único para um sistema democrático". Neste contexto, a ministra suíça também abordou as próximas eleições no país africano, marcadas para outubro deste ano.
Crise irá afetar crescimento de Moçambique
A crise econômica foi um dos tópicos do diálogo. "Para um Estado, em que quase 50% do orçamento vem de recusos externos, a situação está difícil. É pouco provável que as taxas de crescimento dos últimos anos, com médias acima dos 8%, venham a ocorrer nos próximos três anos", disse Leuthard.
Questionado sobre as possibilidades futuras de Moçambique depender menos da ajuda estrangeira, Guebuza respondeu que a única solução é o crescimento. "Aumento da produção, aumento da produtividade e continuar o esforço de aumentar as receitas orçamentais", declarou. Ele deu sua receita para alcançar este objetivo. "De um lado, procuramos atrair mais investimentos na área de infra-estrutura. Ao mesmo tempo também investimos mais na formação profissional para permitir maior absorção da capacidade de utilização dos recursos no país pelos jovens."
Concretamente, o presidente africano tem planos em vista. "Atualmente estamos engajados na revolução verde, que é o aproveitamento das possibilidades enormes que temos na produção de alimentos para evitar importar o que podemos produzir e exportar o que produzimos em excesso", afirma Guebuza. "Estamos muito interessados em cooperar na área da descentralização, também na área da formação e na atração de investimentos, em particular no turismo e, se possível, também na agricultura", declarou o presidente moçambicano.
Eficácia dos programas de ajuda
Para Guebuza, a crítica atual sobre a eficácia dos bilhões de dólares investidos em programas de desenvolvimento por países do primeiro mundo tem fundamento. "A ajuda é algo de muito importante, mas não pode resolver todos os problemas. Temos de falar da atração de investimentos porque isso poderá permitir maior criação de riquezas em Moçambique. Dessa forma poderemos participar do comércio internacional em melhores condições."
Ao seu lado, Leuthard manifestou a esperança de que mais empresas suíças invistam em Moçambique.
À questão levantada por uma jornalista sobre o peso da ajuda dada à Moçambique, a ministra da Economia lembrou que a Suíça também participa de outras formas no desenvolvimento do continente. "Não contribuímos apenas com ajuda bilateral. Somos um dos maiores países doadores do Banco de Desenvolvimento Africano, do Banco Mundial. Isso significa que nossa contribuição ocorre para organizações multilaterais que, em si, também contribuem para o desenvolvimento de Moçambique."
Brochura sobre ajuda suíça
Para comemorar os 30 anos de cooperação, o governo helvético publicou uma brochura de oitenta páginas (pode ser baixada no link à direita). "Ela descreve a história dos projetos de desenvolvimento nos últimos trinta anos e como a Suíça e Moçambique lutaram em conjunto contra a pobreza e ainda querem continuar a fazê-lo", explicou aos jornalistas Leuthard.
Em contrapartida, o presidente moçambicano lembrou-se do trabalho do antropólogo suíço Henry Junod através do livro Usos e costumes dos bantus. "Até hoje essa obra serve de referência no país. Ela tem elementos de gramática que ajudaram a valorizar o aprendizado do idioma. Penso que ele deve ter participado da tradução da Bíblia", brincou Guebuza.
Alexander Thoele, swissinfo.ch
Ajuda suíça ao desenvolvimento
A Direção de Cooperação ao Desenvolvimento (DEZA, na sigla em alemão) atua desde 1979 em Moçambique. No início esta era apenas humanitária. A partir dos anos 1990, o governo suíço começou a expandir seus programas.
A Suíça teve um importante papel na implementação do acordo de paz de 1992. Ele previa a desmobilização e integração à sociedade de ex-soldados rebeldes. Depois das inundações de 200, a Suíça atuou também na ajuda humanitária e nos trabalhos de reconstrução.
Os principais setores de atuação das agências suíças em Moçambique são saúde, desenvolvimento econômico, governabilidade e projetos educativos.
Com um volume de 30 milhões de francos suíços (US$ 27,6 milhões) de ajuda por ano, Moçambique representa o mais importante país nos programas helvéticos de cooperação.