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Morre ao 77 anos em Zurique o ator suíço Bruno Ganz, conhecido por ter interpretado Hitler no filme "A Queda" ou um anjo no "As Asas do Desejo", do diretor alemão Wim Wnders.
"É com pesar que confirmamos a morte de Bruno Ganz em 16 de fevereiro na sua residência, em Zurique, após sua batalha contra o câncer", declarou a agente Patricia Baumbauer à swissinfo.ch em uma declaração por escrito.
Os médicos diagnosticaram um câncer intestinal em julho do ano passado, o que lhe impediu de ser o narrador da ópera de Mozart "A flauta mágica", no último Festival de Salzburg, onde foi substituído por Klaus Maria Brandauer.
"Ele estava acompanhado o tempo todo pela família. Guardaremos para sempre a sua memória e celebraremos sua notável contribuição ao mundo do cinema e do teatro."
O seu papel de maior notoriedade foi seguramente o de Hitler em "A Queda" (2004), do diretor Oliver Hirschbiegel. Os críticos elogiaram a sua interpretação neste longa-metragem indicado ao Oscar de melhor filme de língua não inglesa, e que conta os últimos dias do tirano nazista ao final da Segunda Guerra Mundial.
"Me ajudou o fato de não ser alemão, porque pude colocar o meu passaporte entre Hitler e eu", declarou Ganz à imprensa em 2005. Contava que teve que "construir um muro ou uma cortina de ferro" em sua mente para se distanciar do ditador, com quem ele não queria passar suas "noites no hotel".
Em 1996 recebeu o Anel de Iffland, propriedade do Estado austríaco, uma distinção concedida ao ator teatral de língua germânica mais importante do momento e, portanto, digno de ser o sucessor do ator, dramaturgo e diretor teatral alemão August Wilhelm Iffland.
O ator suíço também teve um grande destaque por atuar no filme "As Asas do Desejo" (1987), do diretor alemão Wim Wenders. Fora do cinema em alemão, Ganz trabalhou com os diretores Francis Ford Coppola e Ridley Scott, participando de filmes como "O Leitor" e "Desconhecido" e também trabalhou em produções do cinema francês ou italiano. No cinema suíço teve papéis em filmes como "Heidi e Vitus. Tanto no cinema como no teatro, seu trabalho rendeu uma reputação internacional.
Ganz nasceu em Zurique em 22 de março de 1941. Seu pai suíço e sua mãe vinha do norte da Itália. Antes de triunfar nas telonas, Bruno Ganz, um autodidata que abandonou a escola na adolescência e começou a atuar no teatro.
Para seguir seu sonho profissional, se mudou nos anos 1960 para a Alemanha, onde trabalhou como livreiro e motorista de ambulância. Converteu-se efetivamente em ator em meados dos anos 1970 e começou a se distinguir em filmes como "O amigo americano", em 1977.
Reações na Suíça e no exterior
O ministro suíço da Cultura, Alain Berset, declarou à imprensa que Ganz não apenas desempenhou seus papéis, mas também os viveu. "Perdemos um dos maiores atores suíços. Sempre que o encontrava, achava-o uma grande pessoa, que vivia a vida em plenitude e se preocupava com a coesão social", declarou
O ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, também enviou uma mensagem de condolências: "Bruno Ganz foi um dos atores mais importantes do nosso tempo. O seu trabalho permanece."
Swiss Films, a agência de promoção do cinema suíço no exterior, publicou no Twitter uma mensagem.
Vários teatros da Suíça também manifestaram o seu pesar pelo falecimento do ator suíço, dentre elas a Schauspielhaus de Zurique.
No exterior, o jornal New York Times descreveu Bruno Ganz como "o melancólico ator de cinema suíço que interpretou um anjo ansioso pelas alegrias viscerais da mortalidade em 'Asas do Desejo' e um Hitler derrotado, com as mãos trêmulas, diante de sua própria mortalidade no filme 'A Queda'".
Um homem discreto
Bruno Ganz era avesso às luzes de Hollywood. Na vida privada, se separou da mulher, com quem teve um filho. Ganz vivia entre Zurique, Berlim e Veneza.
Ao fazer uma retrospectiva da sua longa carreira, ao ser entrevistado pelo jornal suíço Neue Zürcher Zeitung (NZZ) em 2017, Ganz disse que foi um presente ter conseguido viver da profissão de ator. "Aproveitei bem do tempo", disse.
Adaptação: Alexander Thoele, Keystone-SDA/Reuters/AFP/swissinfo.ch/ilj