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Bandeira ucraniana é vista na prefeitura de Slaviansk, em 7 de julho de 2014(afp_tickers)
Os rebeldes pró-Rússia se preparavam nesta segunda-feira para defender o seu principal reduto de Donetsk, enquanto as forças de Kiev avançavam em sua direção, após a retomada do controle de várias cidades, incluindo Slaviansk, no último fim de semana.
Vários líderes separatistas manifestaram sua determinação em resistir, após um "recuo tático", afirmando que a defesa de Donetsk, a capital da região de Donbass, marcaria um ponto de virada no conflito com Kiev.
Mas o "vice-primeiro-ministro" da autoproclamada república de Donetsk, Andreï Purguin, reconheceu, em uma conversa com a AFP, que os rebeldes poderiam "não ter forças suficientes" para resistir ao Exército de Kiev.
Mas "se (as forças de segurança) começarem a arrasar esta cidade, como fizeram em Slaviansk, espero que o mundo não fique sem reagir ao extermínio de milhares de civis pacíficos em suas casas", acrescentou.
Questionado sobre a ajuda da Rússia, ele evitou falar sobre seu aspecto militar.
"Há uma ajuda humanitária, médica, de organizações da sociedade civil russa, e há uma ajuda da Federação da Russa nas negociações. A Rússia participa das consultas, (o chefe da diplomacia Serguei) Lavrov discute pessoalmente com os europeus. É claro que poderíamos esperar mais".
Quanto a uma ajuda militar, ela "deve atender às (resoluções do) Conselho de Segurança da ONU, deve ter como objetivo manutenção da paz ou evitar catástrofes humanitárias", ressaltou Purguin.
Na noite desta segunda, os presidentes francês, François Hollande, e americano, Barack Obama, "pediram" em um comunicado que o seu homólogo russo Vladimir Putin "faça pressão sobre os separatistas" pró-russos "para que eles aceitem o diálogo com as autoridades ucranianas".
A cidade estava tranquila na manhã desta segunda-feira e não havia preparativos militares ou a presença de homens armados nas ruas do centro da cidade.
Mesmo assim, combates foram registrados em Saur-Mogila, uma colina estratégica a 40 km de Donetsk, onde os insurgentes repeliram os avanços de um batalhão de voluntários "Azov". O incidente não foi confirmado pelas autoridades ucranianas.
Além disso, explosões nas últimas 24 horas danificaram um viaduto e duas pontes ferroviárias no leste da Ucrânia. Uma explosão registrada nesta segunda-feira perto da localidade de Novobajmutivka, na região de Donetsk, destruiu o viaduto ferroviário situado na rodovia Slaviansk-Donetsk-Mariupol, quando um trem de carga circulava, informaram os serviços de estradas.
As autoridades ucranianas não apontaram uma hipótese sobre a origem da explosão ou seus autores.
Já na região vizinha de Lugansk, também nesta segunda-feira, outra explosão danificou uma ponte ferroviária, anunciou o serviço ferroviário local, que indicou a sabotagem de outra ponte em Lugansk na noite de domingo.
O poderio militar dos rebeldes - que contam com alguns milhares de combatentes de Donetsk e Lugansk - é difícil de precisar. Colunas de veículos transportando centenas de homens foram vistas entrando em Donetsk durante o fim de semana, assim como tanques e caminhões com canhões antiaéreos.
Defender uma cidade tão grande não é fácil, apesar do reforço nos postos de controle erguidos pelos insurgentes nas estradas principais.
- Guerilha urbana? -
No entanto, o Exército ucraniano enfrenta uma tarefa difícil. Donetsk possui um milhão de habitantes e o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, comprometeu-se a não colocar em risco a população local. Entrar na cidade com tanques e blindados comprometeria a segurança dos moradores em caso de reação rebelde. E uma possível guerra urbana, mencionada pelos insurgentes, provocaria um enorme derramamento de sangue.
De acordo com o ex-ministro da Defesa interino, Mykhailo Koval, a estratégia, concebida pelo próprio presidente Poroshenko, é estabelecer um "bloqueio" em Donetsk e Lugansk. Esse "bloqueio total" obrigaria os rebeldes a "entregar as armas".
De fato, as forças leais ao governo apertaram o cerco. Elas estão presentes desde o início na entrada de Donetsk e a oeste, onde mantêm o controle do aeroporto. Além disso, avançam pelo norte há três dias.
A grande incógnita é saber o quanto a população de Donetsk apoiará os rebeldes.
No domingo, mais de 2.000 partidários da "República Popular de Donetsk" - um número que parece modesto em comparação com total de habitantes - se reuniram para proclamar a intenção de defender a cidade.
Outra incerteza é o grau de apoio que o governo russo pode fornecer aos insurgentes contra a ofensiva de Donetsk. Para Volodymyr Fessenko, chefe do centro de estudos políticos Penta, "haverá pressões (na Rússia) para Putin enviar suas tropas para Donbass, mas é mais provável que Moscou apoie os separatistas com armas e uma concentração de tropas na fronteira", porque uma intervenção direta "causaria uma terceira onda de sanções, algo que Putin quer evitar".
AFP