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O candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump, em Ashburn, Virgínia, no dia 2 de agosto de 2016(afp_tickers)
O candidato republicano à Casa Branca Donald Trump sugeriu nesta terça-feira que "as pessoas da Segunda Emenda" - os donos de armas - poderiam impedir que Hillary Clinton chegue à Presidência dos Estados Unidos e escolha novos juízes da Suprema Corte.
Não ficou claro a princípio o que Trump quis dizer com estas declarações, mas elas tiveram repercussão imediata na imprensa e nas redes sociais, que expressaram sua preocupação de que Trump estivesse defendendo, de brincadeira ou não, que Hillary ou os juízes pudessem ser baleados.
"Hillary quer, essencialmente, abolir a Segunda Emenda", disse o republicano durante um comício em Wilmington, Carolina do Norte, em alusão à cláusula da Constituição americana que resguarda o direito dos americanos de portar armas.
"Se ela escolher seus juízes, vocês não poderão fazer nada, gente", enfatizou Trump. "Embora as pessoas da Segunda Emenda - talvez possam fazer, eu não sei".
O comitê de campanha do republicano rapidamente divulgou seu próprio comunicado para esclarecer as impetuosas declarações do magnata, acusando a imprensa de desonesta e afirmando que ele quis dizer que os defensores das armas representam uma poderosa força eleitoral.
"Chama-se o poder da unificação - as pessoas da Segunda Emenda têm um espírito incrível e são tremendamente unidas, o que lhes dá grande poder político", afirmou o conselheiro sênior de comunicação da campanha de Trump, Jason Miller.
"E, este ano, eles vão votar em números recorde e não será em Hillary Clinton, será em Donald Trump", acrescentou.
Mas o gerente da campanha de Hillary, Robby Mook, criticou Trump por usar um linguajar perigoso.
"Uma pessoa que quer ser presidente dos Estados Unidos não deveria sugerir violência de forma alguma", disse Mook.
A Associação Nacional do Rifle, o maior lobby pró-armas, considerou que Trump acertou ao dizer que seria difícil proteger a Segunda Emenda se Hillary escolher novos juízes.
"Mas há algo que faremos" no dia da eleição: "Ir votar pela #2A (Segunda Emenda)", escreveu a associação no Twitter.
Legisladores democratas expressaram sua preocupação com as declarações de Trump.
"Neste trecho, Trump está ou convocando uma revolta armada ou o assassinato de sua adversária. Desprezível", reagiu o representante democrata David Cicilline em sua conta no Twitter, juntamente com o trecho do vídeo em que Trump faz estas declarações.
O Serviço Secreto, que deve proteger tanto Trump como Hillary, indicou a meios locais que estava a par dos comentários do republicano, mas não disse se estes mereciam uma investigação, como pediram alguns legisladores democratas.
"@SecretService deve investigar #TrumpThreat" [#AmeaçaTrump], escreveu no Twitter o congressista Eric Swalwell.
Trump tem atacado reiteradamente sua oponente, a quem acusa de querer abolir o direito dos americanos de portar armas.
Já Hillary tem reforçado que quer impor limites mais estritos à venda de armas para que as mesmas não caiam nas mãos de pessoas que não deveriam ter acesso a elas, como criminosos, pessoas com distúrbios mentais ou aqueles que constam de listas de suspeitos de terrorismo.
Durante seu mandato, o presidente Barack Obama tentou endurecer a legislação sobre a venda de armas, mas não teve sucesso, principalmente por causa da oposição dos republicanos no Congresso.
O senador democrata Chris Murphy, de Connecticut, o estado onde 20 estudantes e seis funcionários adultos foram mortos por um homem armado com problemas mentais em uma escola de ensino fundamental em 2012, deu uma dura resposta aos comentários de Trump.
"@realDonaldTrump sugeriu aos seus apoiadores que atirem em Hillary? Que atirem em sua indicada? Quem sabe. É tudo tão nojento, embaraçoso e triste", tuitou Murphy.
"Isto não é brincadeira. Pessoas instáveis com armas poderosas e um ódio doentio por Hillary estão ouvindo, @realDonaldTrump", acrescentou Murphy.
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