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A oposição venezuelana recuperou nesta terça-feira (29), três anos depois de ter sido proibida, o direito de formar uma coalizão, com a qual venceu as eleições legislativas de 2015 por ampla maioria, informou a autoridade eleitoral do país antes das eleições regionais de novembro.
A Mesa de Unidade Democrática (MUD) nasceu em 2008 como uma aliança de oposição que reunia cerca de trinta organizações e que em 2012 se inscreveu como partido para se apresentar às eleições legislativas de 2015, nas quais o chavismo perdeu o Congresso pela primeira vez em 15 anos.
A MUD consta em uma lista de “oito organizações nacionais que hoje aprovamos suas denominações para participar e viabilizar sua participação nas próximas eleições” de prefeitos e governadores, em 21 de novembro, anunciou o presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Pedro Calzadilla.
A MUD conquistou 112 dos 167 assentos na Assembleia Nacional, tornando-se a chapa com mais votos na história do país.
Antes das eleições presidenciais de 2018, o Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) - que segue a linha do governo - ordenou a exclusão da MUD, argumentando que não era um partido, mas uma aliança.
A oposição finalmente optou por boicotar essa eleição, que qualificou de fraudulenta, e não reconhece a reeleição de Nicolás Maduro.
A oposição também se recusou a apresentar candidatos para as eleições parlamentares de 2020 denunciando novamente a falta de condições justas.
O não reconhecimento das eleições de 2018 fez com que o líder da oposição Juan Guaidó reivindicasse a presidência da Venezuela na qualidade de chefe do Parlamento, com o apoio dos Estados Unidos e de vários países da União Europeia. Maduro, no entanto, manteve o controle do poder.
Guaidó deve se pronunciar nesta quarta-feira sobre a autorização da chapa MUD, sob a qual foi eleito deputado em 2015.
A decisão do CNE surge no momento em que a Venezuela é pressionada a garantir eleições "credíveis" através de uma negociação entre Maduro e os seus adversários, com a qual se discute o levantamento das sanções internacionais responsáveis por agravar a crise econômica que conduz o país ao oitavo ano de recessão.
Os Estados Unidos, a União Europeia e o Canadá felicitaram na semana passada "os avanços substantivos e credíveis para restaurar os processos e instituições democráticas", como a nomeação de uma nova autoridade eleitoral com a presença de opositores, embora o chavismo ainda seja maioria. Com essas mudanças, as potências mundiais se mostraram "dispostas a revisar as políticas de sanções".
Maduro garantiu que respeitará as vitórias da oposição nas eleições regionais, prometendo eliminar a figura do "protetor", que ele mesmo criou nas regiões em que a oposição elegeu governadores ou prefeitos, para tirar poderes e entregá-los aos membros do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).