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Cerca de 60 milhões de americanos podem agora receber uma terceira dose da vacina da Pfizer contra o coronavírus, seis meses após a segunda injeção, comemorou o presidente Joe Biden nesta sexta-feira (24), após uma longa controvérsia entre a comunidade científica sobre o assunto.
As autoridades de saúde dos Estados Unidos concluíram recomendando esta dose de reforço para três categorias da população: pessoas com 65 anos de idade ou mais, entre 18 e 64 anos e com fatores de risco para desenvolver a forma grave da doença e aqueles que estão altamente expostos ao coronavírus por meio de seu trabalho ou local de residência.
Esta última categoria é muito ampla, pois inclui professores, trabalhadores de supermercado, profissionais de saúde, presidiários e pessoas que vivem em abrigos para indigentes.
No total, 20 milhões de pessoas já cumprem os prazos e requisitos para solicitar sua injeção de reforço, disse Biden.
"Vá buscar uma dose de reforço", exortou o presidente dos Estados Unidos, de 78 anos, em um discurso em que disse que se vacinará.
Ele prometeu que os vacinados com os imunizantes da Moderna e Johnson&Johnson também receberão sua dose de reforço à medida que mais pesquisas forem conduzidas.
Segundo o presidente, todos os americanos poderão receber o reforço "em um futuro próximo".
Algumas pessoas imunossuprimidas já podiam receber uma terceira dose das vacinas Pfizer ou Moderna nos Estados Unidos a partir do início de agosto.
- Decisão controversa -
O governo estava tentando lançar uma campanha massiva de vacinas de reforço da Pfizer e Moderna a partir desta semana, para todos os adultos, sem distinção.
Mas essa medida estava sujeita à aprovação das autoridades sanitárias. A Moderna não apresentou os dados necessários dentro do prazo e os especialistas ficaram muito divididos na revisão do arquivo da Pfizer.
Na semana passada, os membros de um comitê consultivo da Administração de Alimentos e Medicamentos(FDA) não aprovaram a terceira dose para todos os adultos.
A agência então aprovou na quarta-feira o uso emergencial da dose de reforço, embora os critérios permaneçam muito amplos, para pessoas com mais de 65 anos e outras "em risco".
Mas como todas as vacinas são compradas e distribuídas pelo governo dos Estados Unidos, sua administração está sujeita às diretrizes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
E na quinta-feira, após um debate que durou horas, os especialistas do CDC aumentaram a confusão, votando contra incluir pessoas que são frequentemente expostas ao vírus devido à sua ocupação ou circunstâncias.
Mas a diretora da instituição, Rochelle Walensky, se manifestou contra essa resolução, uma decisão rara.
"Durante uma pandemia, mesmo sob condições de incerteza, devemos tomar medidas que acreditamos ser mais benéficas", disse ela em um comunicado, lembrando que o CDC deve se basear em "dados complexos e muitas vezes imperfeitos".
Essas campanhas de reforço são fortemente criticadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que argumenta as desigualdades nas vacinas entre países ricos e pobres.
Por sua vez, os Estados Unidos garantem que podem combinar a campanha de reforço com ajuda ao exterior: esta semana, Washington aumentou a promessa de doar vacinas a países que precisam para 1,1 bilhão de doses.