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O trabalho de inspeção realizado por sua equipe não foi impedido ou prejudicado pelas autoridades iraquianas, explica o inspetor de armas Rolf List, no seu retorno à Suíça.Este conteúdo foi publicado em 12. março 2003 - 11:17
O especialista acredita que a ONU precisa de mais tempo para finalizar o controle de armas no Iraque.
"Nós tivemos completo acesso a todas as instalações, que queríamos inspecionar", afirma Rolf List em entrevista a swissinfo. "Nossa equipe nunca avisava com antecedência sobre as visitas que queríamos fazer".
Os funcionários do governo iraquiano, que acompanhavam os carros da equipe de inspetores de armas da ONU, também não tinham informações sobre os locais que seriam controlados. No máximo, eles recebiam as indicações com dez minutos de antecedência.
List e sua equipe procuravam por indícios de armas biológicas e equipamento de uso múltiplo (dual-use), ou seja, que possam ser empregados tanto para fins civis como militares.
100 instalações foram checadas
No total, a equipe de inspetores controlou 100 instalações, em grande parte militares, além de cervejarias, universidades e fábricas.
Os especialistas têm a incumbência de descobrir armas de destruição em massa, assim como máquinas e produtos que possam fabricá-las. De acordo com a resolução 1441 da ONU, o Iraque pode "sofrer sérias conseqüências", caso o trabalho dos inspetores seja impedido.
Na opinião dos EUA e seus aliados, o Iraque continua a esconder suas armas e apenas uma intervenção armada poderá destituir Saddam Hussein do poder. Países como a França, Alemanha e Rússia preferem a alternativa de dar mais tempo aos inspetores e procurar, dessa forma, uma solução pacífica para o conflito.
Mais tempo é necessário
Rolf List rejeita a crítica americana de que a equipe da ONU não tem condições de descobrir os esconderijos das armas. "O governo iraquiano está sendo bastante cooperativo. Não tive a impressão de que eles queriam nos esconder algo".
"Para que possamos controlar todas as instalações existentes, o prazo de três meses é muito curto. Nós precisamos no mínimo de um ano para realizar esse trabalho. Guerra não é a solução", reforça List.
O inspetor da ONU atesta que os controles já realizados têm surtido efeito. "Durante as inspeções, é muito difícil para o Iraque produzir armas de destruição em massa".
O suíço não pode, porém, dar informações sobre as substâncias proibidas ou armas já encontradas. "Como Hans Blix, o chefe dos inspetores, já falou: até agora nós não encontramos nenhum Colt (arma) fumegando, porém isso pode acontecer".
Outras ações são possíveis.
Se o Conselho de Segurança da ONU decidir aumentar o prazo dado aos inspetores de armas para controlar o arsenal do Iraque, Rolf List irá provavelmente retornar ao país para participar de outras ações. O suíço trabalha na vida civil como inspetor da Receita Federal Suíça e já esteve em 1998, durante três meses, no Iraque.
Para trabalhar como inspetor de armas da ONU, List recebeu cursos na Áustria, Grã-Bretanha e Estados Unidos. Outros cidadãos suíços também participaram do treinamento.
swissinfo e agências.
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