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Maduro defende 'normalizar' relações com a Colômbia, rompidas em sua gestão
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, defendeu nesta quarta-feira (20) a "normalização" das relações comerciais e diplomáticas com a Colômbia, rompidas desde 2019, mas seu contraparte colombiano, Iván Duque, afirmou que não vai reconhecer o governo de Caracas.
"Colômbia e Venezuela têm que resolver os problemas em paz. Temos que regularizar, normalizar as relações comerciais, produtivas, econômicas, temos que normalizar as relações consulares, as relações diplomáticas", afirmou Maduro em discurso transmitido pela TV oficial.
Duque, no entanto, assegurou nesta quarta-feira em Bogotá, ao lado do chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, em visita oficial à Colômbia, que não vai reconhecer o governo de Maduro.
"Enquanto eu for o presidente da Colômbia (...) não vamos reconhecê-lo. Reconhecê-lo seria uma claudicação nos valores que nosso país tem defendido historicamente. Seria uma claudicação frente à miséria que todo um povo teve que viver por conta da infâmia".
O presidente chavista saudou uma proposta aprovada no Senado da Colômbia, na terça-feira, para criar uma comissão parlamentar binacional que trabalhe na normalização das relações comerciais e diplomáticas, além da verificação das boas práticas comerciais entre os dois países.
A unicameral Assembleia Nacional venezuelana, controlada pelo governo, aceitou a proposta, anunciou seu presidente, Jorge Rodríguez, nesta quarta.
"Nós aplaudimos esta iniciativa tomada pelo poder legislativo da Colômbia e o poder legislativo da Venezuela", comemorou Maduro.
O presidente do Senado colombiano, Juan Diego Gómez, disse a jornalistas que "este é um assunto que não tem ideologia política" por se tratar de "um assunto comercial".
"Apresentou-se uma proposta no Senado da República, na qual se pede para formar uma comissão de acompanhamento para a normalização das relações comerciais e uma comissão de acompanhamento das boas práticas entre os dois países", disse Gómez.
As tensões entre a Colômbia e a Venezuela, que Maduro herdou de seu mentor, Hugo Chávez, se aprofundaram ao ponto de, em 2015, ele mandar fechar a fronteira após denunciar uma "emboscada" a militares venezuelanos, interrompendo o fluxo comercial entre os dois países, que compartilham uma extensa fronteira terrestre de cerca de 2.200 quilômetros.
- Sem serviços consulares -
Em 4 de outubro passado, a Venezuela anunciou a "abertura comercial" de sua fronteira com a Colômbia no estado de Táchira (oeste), embora ainda esteja fechada, constatou uma jornalista da AFP.
Esta passagem binacional, a mais importante do país, foi fechada em fevereiro de 2019, após uma frustrada tentativa de entrada de ajuda humanitária liderada pelo líder opositor Juan Guaidó, a quem o governo Duque reconhece como presidente encarregado da Venezuela, junto a outra meia centena de países, inclusive os Estados Unidos.
Embora desde agosto de 2015 só se permita a passagem de pedestres, em 2019 o bloqueio se aprofundou com a colocação de contêineres em pontes fronteiriças.
Nesta ocasião, Maduro considerou o fato como uma tentativa de "invasão" estrangeira, rompeu relações diplomáticas com Bogotá por seu reconhecimento a Guaidó e interrompeu, inclusive, a passagem de pedestres.
Em meio ao que chamou de uma "virada de página", Maduro convidou os empresários colombianos a "retomar" os investimentos em seu país, mergulhado na pior crise de sua história recente, com hiperinflação e sete anos consecutivos de recessão.
Devido à ruptura das relações, Maduro assegurou que os colombianos na Venezuela "não têm assistência consultar porque o governo de Iván Duque não lhes dá assistência consular".
Situação similar enfrentam os quase dois milhões de venezuelanos que migraram para a Colômbia nos últimos anos, fugindo da grave deterioração da economia em seu país.