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Cuba ofereceu nesta quarta-feira (23) seu apoio à Rússia, ao destacar que Moscou tem o "direito de se defender" e a Otan deve atender a seu pedido de "garantias de segurança" em meio ao conflito com a Ucrânia, durante visita oficial a Havana do presidente da Câmara baixa da Assembleia Federal russa, Viacheslav Volodin.
"A Rússia tem o direito de se defender e a Otan deve prestar atenção aos requisitos da Federação Russa sobre garantias de segurança", disse Esteban Lazo, presidente da Assembleia Nacional cubana, segundo um tuíte da Duma, câmara baixa da Assembleia Federal da Rússia.
Durante um encontro no Parlamento cubano, Lazo e Volodin estreitaram ainda mais as relações com expressões de apoio mútuo frente às sanções dos Estados Unidos, quando Moscou é punida por suas ações contra a Ucrânia.
O parlamentar cubano condenou a intromissão dos Estados Unidos nos assuntos internos da Rússia e considerou que "a expansão da Otan, que é uma ameaça para a Federação Russa e o mundo", segundo o tuíte da Duma.
Em sua chegada a Havana, Volodin condenou as sanções impostas pelos Estados Unidos ao seu país e a Cuba.
"Há oito anos que existem sanções contra a Rússia, (contra) nossos cidadãos", destacou Volodin na rede social Telegram, sem se referir diretamente às medidas contra seu país, anunciadas na véspera pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais, depois de o presidente russo, Vladimir Putin, reconhecer a independência de duas regiões separatistas ucranianas.
- Resposta "séria e realista" -
Volodin chegou na manhã desta quarta-feira à ilha durante uma visita pela América Latina, que inclui a Nicarágua.
Washington anunciou uma "primeira rodada" de sanções para bloquear o acesso da Rússia aos mercados financeiros ocidentais, alertando que há medidas adicionais "sobre a mesa" caso ocorra uma escalada na crise com a Ucrânia.
Moscou prometeu nesta quarta-feira dar uma resposta "forte e dolorosa".
Antes de sua chegada, a chancelaria pediu aos Estados Unidos e à Otan para responder de forma "séria e realista" aos pedidos de garantias de segurança da Rússia, e avaliou que Moscou tem o "direito de se defender".
Volodin, segundo alto funcionário russo a visitar Cuba em menos de uma semana, condenou o embargo que os Estados Unidos impõem há mais de 60 anos contra a ilha.
A visita do alto funcionário russo ocorre em um momento em que Cuba enfrenta sua pior crise econômica em 27 anos e em meio a uma forte escassez de alimentos e medicamentos devido ao endurecimento do embargo americano e ao impacto da pandemia.
- "Ajudar-nos mutuamente" -
"Temos que desenvolver relações, ajudar-nos mutuamente. Disso tratarão as reuniões de hoje (quarta-feira)", acrescentou Volodin.
Ele lembrou que "em seu momento a (antiga) União Soviética ajudou muito" a ilha a aliviar as sanções americanas, mas "após seu colapso (em 1991), Cuba ficou sozinha diante dos desafios e problemas".
A Duma ratificou nesta terça um projeto de reestruturação até 2027 da dívida cubana de 2,3 bilhões de dólares, contraída entre 2006 e 2019.
Volodin, que ficará em Cuba até a quinta-feira, visitou durante a manhã o monumento aos soldados soviéticos mortos em Cuba e o Centro Fidel Castro, dedicado ao falecido líder cubano.
O vice-primeiro-ministro russo, Yuri Borisov, visitou a ilha na sexta-feira passada.
As visitas dos dois funcionários russos ocorrem após uma conversa telefônica mantida em janeiro por Putin e seu contraparte cubano, Miguel Díaz-Canel, na qual abordaram o fortalecimento da "associação estratégica" entre Moscou e Havana.