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Professores na Suíça estão lidando com um aumento de alunos de comportamento difícil e, segundo relatos, os problemas começam já no jardim de infância. As opiniões sobre o que pode ser feito continuam divididas.
No modelo suíço de escola integrativa, ou inclusiva, introduzido há cerca de uma década, crianças com problemas comportamentais classificadas como tendo "necessidades emocionais e sociais especiais " frequentam escolas normais, em vez de serem agrupadas em turmas ou escolas específicas para crianças com necessidades especiais como antes.
Educação especial
Na Suíça, a educação para crianças com necessidades especiais está inscrita na lei e, como qualquer outra questão educacional, desde 2008 é de alçada dos cantões. Como cada cantão elaborou o seu próprio plano, existem diferenças na forma como a educação especial é implementada. A educação especial abrange crianças com diversas deficiências e dificuldades de aprendizagem. Ela inclui também ajuda para os alunos superdotados e para aqueles que não falam uma língua local.Aqui termina o infobox
Reportagens veiculadas recentemente na mídia com histórias de professores tendo que lidar com alunos que perturbam na sala de aula, jogam móveis ou são violentos têm colocado em questão se o sistema está realmente funcionando.
Debate reaceso
O debate sobre a escola integrativa foi reaceso por um artigo no jornal SonntagsZeitungLink externo, que citou um estudo em Zurique e na cidade vizinha de Winterthur. O artigo mostrou que um em cada cinco alunos foi classificado por docentes e por pessoal administrativo de escolas como tendo problemas de comportamento (950, ou 22% dos alunos nas escolas inquiridas). O estudo envolveu 450 funcionários da escola, incluindo 250 professores, e 60% dos professores disseram que os alunos indisciplinados eram o seu maior problema.
O responsável pelo estudo, Reto LuderLink externo, professor de necessidades educativas especiais na Zurich University of Teacher EducationLink externo, disse que os resultados, originalmente publicados em 2018, não eram representativos da situação na Suíça, porque o estudo se limitava principalmente às escolas de Zurique e Winterthur.
"No entanto, os resultados são compatíveis com os resultados internacionais de outros estudos, bem como com o conhecimento atual sobre comportamentos disruptivos nas escolas", disse ele à swissinfo.ch.
Crianças desordeiras no jardim de infância
Segundo o SonntagsZeitung, outros cantões também estão relatando problemas já a partir do jardim de infância. O SonntagsZeitung citou números ainda não publicados da secretaria de educação do cantão de Genebra indicando existirem mais problemas de comportamento entre crianças de quatro anos de idade do que entre jovens de 13 e 14 anos. Outros cantões, como a cidade de Basileia, também relataram problemas entre os alunos mais jovens.
Estudo de caso: “Philipp”
Philipp (este não é o seu nome verdadeiro) tinha quatro anos e costumava ignorar ou desafiar os pedidos da sua professora num jardim de infância num distrito periférico de Zurique. Ele também provocava outros alunos e destruia seus trabalhos manuais, disse sua antiga professora ao SonntagsZeitung. As coisas se agravaram depois que ele se enfureceu, bateu em outros alunos e destruiu brinquedos. A professora recusou-se a tê-lo no segundo ano do jardim de infância e Philipp foi então colocado num jardim de infância menor, onde poderia receber apoio mais intensivo.Aqui termina o infobox
"Hoje, já cerca de um quinto dos alunos do jardim de infância e do ensino primário são muito difíceis de ensinar", disse Jean-Michel Héritier, da associação de professores da cidade de BasileiaLink externo, no artigo. Ele atribuiu o aumento à eliminação progressiva de turmas especiais para alunos com dificuldades, mas também a famílias onde as crianças passavam muito tempo à frente de telas e não com outras crianças. Isso resulta em baixos limites de frustração e concentração, disse ele.
As regiões francófonas recuperam o atraso
Embora o problema dos alunos indisciplinados tenha sido reconhecido desde há alguns anos na Suíça germanófona, somente agora a parte francófona começa a recuperar o atraso.
Uma reportagem do jornal Le Matin DimancheLink externo, publicada em paralelo com o artigo do SonntagsZeitung, assinalou que o cantão de Friburgo acabou de iniciar uma classe de apoio especial para estes alunos. O cantão de Vaud, por exemplo, pretende liberar gradualmente 12 milhões de francos suíços (US$ 12 milhões) para apoiar pais, professores e serviços socioeducativos.
O que pode ser feito
Beat Zemp, presidente da Federação de Professores Suíços de Língua Alemã (LCHLink externo), acredita que o sistema integrativo esteja ameaçado. Uma pesquisaLink externo recente publicada pela LCH e sua contraparte de língua francesa descobriu que para 90% dos professores, alunos perturbadores eram o seu principal problema. A pesquisa mostrou que os professores e o sistema de ensino regular eram "levados até seus limites".
"Precisamos de mais professores para alunos com necessidades especiais, de mais assistentes sociais e de aliviar o fardo dos professores para que haja tempo suficiente para a escolarização integrativa", disse Zemp ao SonntagsZeitung num artigo subsequente em Maio. Ela descartou um retorno geral às classes de alunos com necessidades especiais, mas sentiu que poderiam ser feitas exceções em alguns casos, após uma "avaliação cuidadosa".
Os defensores da escola integrativa argumentam que nenhuma criança deve ter que sofrer o estigma de classes com necessidades especiais. A inclusão é muitas vezes o melhor para estas crianças, acrescentam eles, uma vez que estes alunos seriam mais capazes de se integrar mais tarde na vida profissional.
O estudo de Zurique e de Winterthur também indicou lições que podem ser aprendidas. "O estudo mostrou que o comportamento disruptivo é um grande desafio para muitos professores, mas pode ser abordado com sucesso através de intervenções baseadas em dados empíricos num contexto escolar inclusivo", disse Luder. Estas intervenções podem ir desde programas escolares que abordam comportamentos disruptivos até medidas individuais.
Estes tipos de intervenções, argumenta o estudo, podem levar a uma melhor compreensão da situação, a novos cursos de ação e a melhores relações entre professores e alunos.
Adaptação: DvSperling