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O premier do Peru, César Villanueva, 72, que renunciou ontem ao cargo, descartou neste sábado divergências com o presidente, Martín Vizcarra, ao negar que sua saída tenha sido fruto de uma crise interna no governo.
"Não tenho nenhuma divergência com o presidente", afirmou Villanueva durante entrevista coletiva no palácio de governo, após 11 meses como chefe de gabinete.
"Não me afasto do governo", assinalou o político, insistindo em que mantém relações cordiais com Vizcarra. "Tenho com ele, ontem e hoje, as melhores relações", afirmou, assinalando que a decisão sobre sua renúncia foi tomada por ambos.
"Não temos agora uma crise no governo, mas acreditamos ser necessária uma alternância", explicou Villanueva, que assumiu o cargo em meio a uma situação complexa no país, após a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), envolvido em denúncias de corrupção por supostos laços com a brasileira Odebrecht.
Villanueva destacou as conquistas de Vizcarra em seu primeiro ano de governo: as reformas contra a corrupção e a recuperação do crescimento econômico, que havia desacelerado em meio à tensão que levou à saída de Kuczynski.
"Neste mar de dificuldades, conseguimos uma onda de confiança nos níveis externo e interno. Na região americana, somos o segundo país em atração de investimentos em recursos naturais, depois do Chile", afirmou, assinalando que a economia peruana voltou a crescer a uma taxa anual de 4%, após cair a 2,5% em 2017.
O ex-funcionário também destacou a coragem de Vizcarra de enfrentar o Congresso até forçá-lo a aprovar seu pacote de reformas constitucionais destinadas a combater a corrupção.
As reformas foram ratificadas por 80% dos peruanos em um referendo realizado em dezembro, o que representou a maior vitória de Vizcarra, político provinciano que era vice-presidente de Kuczynski e assumiu o poder sendo praticamente um desconhecido.
A popularidade de Vizcarra, no entanto, começou a cair em janeiro, e parte da imprensa atribui a saída de Villanueva a este fato, o que o ex-premier negou. Ele retomará, agora, sua cadeira no Congresso peruano.
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