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(Arquivo) A líder birmanesa, Aung San Suu Kyi(afp_tickers)
A dirigente de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, vai quebrar os silêncio sobre a crise do rohingyas na próxima semana, com um discurso à nação, um anúncio feito pouco antes de uma reunião da ONU, nesta quarta-feira, sobre a emergência humanitária.
O Conselho de Segurança se reunirá a portas fechadas durante a tarde para examinar a violência no estado birmanês de Rakhine (oeste) e o consequente fluxo de refugiados rohingyas para Bangladesh.
A ex-dissidente e prêmio Nobel da Paz está sendo duramente criticada pela comunidade internacional por sua posição ambígua sobre a situação desta minoria muçulmana em Mianmar.
Pressionada para falar a nível internacional, mas tentando manter um frágil equilíbrio em suas relações com o poderoso exército birmanês, Suu Kyi pronunciará finalmente em 19 de setembro um discurso na TV sobre a situação em Rakhine.
Aung San Suu Kyi "falará de reconciliação nacional e de paz", anunciou nesta quarta-feira seu porta-voz Zaw Htay.
Em sua única declaração oficial a respeito da crise, durante uma conversa telefônica na semana passada com o presidente turco, Suu Kyi denunciou a "desinformação" sobre os rohingyas e defendeu a ação do exército.
Nesta quarta-feira, Suu Kyi cancelou a viagem para Nova York no fim de setembro para participar na Assembleia Geral da ONU.
No ano passado, Suu Kyi prometeu na tribuna da ONU respaldar os direitos da minoria muçulmana e afirmou que era "contrária com firmeza aos preconceitos e à intolerância", promovendo os direitos humanos. Pediu à "comunidade internacional que se mostrasse compreensiva e construtiva" na questão.
- Crise humanitária -
De acordo com a ONU, que considera a situação como um "exemplo de limpeza étnica de manual", 379.000 rohingyas buscaram refúgio em Bangladesh para escapar da violência que explodiu no oeste de Mianmar no fim de agosto.
As autoridades locais e as organizações não conseguem administrar o grande fluxo de refugiados.
Os refugiados chegam a Bangladesh esgotados, desamparados, após dias de caminhada sob a chuva que colocam suas vidas em risco.
Em um hospital do distrito bengalês de Cox's Bazar visitado por uma equipe da AFP, uma das salas estava lotada de refugiados rohingyas feridos, a maioria por tiros, mas alguns também por explosões de minas terrestres.
Os gemidos de dor de um adolescente de 15 anos que perdeu as duas pernas romperam o silêncio ensurdecedor do local. Os médicos não acreditavam que teria muito tempo de vida.
A poucos quilômetros do local, os acampamentos de refugiados viraram um grande lamaçal após as fortes chuvas.
No rio Naf, fronteira natural entre os dois países, as autoridades de Bangladesh encontraram sete corpos nesta quarta-feira, incluindo de crianças. Algumas vítimas tinham marcas de tiros.
Em uma carta aberta ao Conselho de Segurança, vários vencedores do Prêmio Nobel fizeram um apelo às Nações Unida para que adotem "ações corajosas e decisivas" para resolver a crise em Rakhine.
O texto é assinado, entre outros, pelo bengalês Muhamad Yunus, a paquistanesa Malala Yousafzai e o sul-africano Desmond Tutu.
- Apoio da China -
A reunião da ONU se anuncia dividida: a China, principal investidor estrangeiro em Mianmar, reiterou na terça-feira o "apoio" ao governo birmanês e elogiou "seus esforços para preservar a estabilidade de seu desenvolvimento nacional".
"Esperamos que o Conselho de Segurança proponha decisões substanciais, especialmente um embargo sobre as armas", declarou Phil Robertson, da organização Human Rights Watch.
Os rohingyas são tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população é budista, e são considerados apátridas, apesar da presença de algumas famílias há várias gerações no país.
A líder birmanesa enfrenta, no entanto, o auge dos budistas extremistas nos últimos anos. E sobretudo a grande autonomia do exército de Mianmar, que tem uma forte presença na zona de conflito e controla três ministérios cruciais: Interior, Fronteiras e Defesa.
AFP