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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, condenou nesta segunda-feira (27) a "brutal agressão" sofrida por migrantes, principalmente venezuelanos, durante um protesto contra estrangeiros sem documentos no norte do país no sábado.
“Condenamos categoricamente a brutal agressão que uma multidão descontrolada cometeu contra um grupo de migrantes irregulares de origem venezuelana. Estamos fazendo todo o necessário para que este crime não fique impune”, disse Piñera em um comunicado.
As declarações de Piñera, que está em visita ao Uruguai, foram divulgadas por seu gabinete depois que a ONU expressou sua "preocupação com a violência e a xenofobia" contra os migrantes na manifestação na cidade de Iquique.
No ato, alguns dos 3.000 manifestantes queimaram pertences de migrantes que acampavam na rua, fato que está sendo investigado pelo Ministério Público.
O protesto foi marcado por cartazes e gritos contra migrantes irregulares, principalmente venezuelanos, que há anos entram no Chile por passagens clandestinas da Bolívia, cruzando a cordilheira dos Andes e o deserto do Atacama.
O governo chileno endureceu este ano sua política migratória, antes solidária e receptiva, em meio a uma maior hostilidade aos migrantes por parte da população.
O ministro do Interior, Rodrigo Delgado, também expressou sua rejeição ao violento protesto, mas advertiu que o governo continuará com as remoções de migrantes “em todos os espaços públicos que forem necessários” e as deportações de indocumentados.
As chegadas de pessoas ao Chile por meio de travessias clandestinas do início do ano até julho totalizam 23.673, quase 7.000 a mais do que em todo o ano de 2020, segundo um relatório do Serviço Jesuíta aos Migrantes.
Em fevereiro de 2019, em cerimônia na cidade colombiana de Cúcuta, na fronteira com a Venezuela, Piñera prometeu um "visto de responsabilidade democrática" para os venezuelanos, mas seu governo o concedeu a apenas 21% dos 164.908 solicitantes até dezembro de 2020.
Desde 2014, quase 500.000 venezuelanos se estabeleceram no Chile, escapando da crise política e econômica em seu país.