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Israel quer exportar seu modelo anti-COVID à diáspora judaica
Israel tenta exportar seu modelo de gestão de crises para a diáspora judaica da França e dos Estados Unidos, na esperança de conter a propagação do vírus nas comunidades desses países, frequentemente muito afetadas pela pandemia.
Desde quinta e até sábado à noite, o mundo judaico celebra o Shavuot, o Pentecostes judaico com reuniões familiares e nas sinagogas. Em Israel, onde escolas, bares e cafés reabriram, as sinagogas também poderão receber os fiéis durante essas celebrações.
Não será o caso na França, onde o Consistório de Paris pediu às sinagogas uma "reabertura progressiva a partir de 4 de junho" e "com poucas pessoas", segundo um documento recente consultado pela AFP.
País com maioria judia de nove milhões de habitantes, Israel registrou 280 mortes de COVID-19, um saldo menor do que o das comunidades judaicas na França, a primeira na Europa, ou na Nova York, a maior da América do Norte.
O estado hebraico tem uma proporção de 31 mortes por milhão de habitantes, contra 310 nos Estados Unidos e 427 na França.
- "Medidas essenciais" -
Recentemente, a Agência Judaica para Israel, dedicada à imigração de judeus, associou-se a outras duas organizações locais - o Instituto de Ciências Weizmann e os serviços de saúde Clalit - para tentar exportar para as comunidades judaicas no exterior o modelo israelense de luta contra o vírus.
"A ideia fundamental é tentar explicar à comunidade judaica, que foi proporcionalmente mais afetada do que a média da população na França e nos Estados Unidos, (...) a experiência dos médicos e dos cientistas em Israel", explicou à AFP o diretor da Agência Judaica, Amos Hermon.
"Acreditamos que Israel tomou medidas essenciais" para conter a crise e "queremos compartilhar esse conhecimento, este saber, com outras comunidades que se viram muito afetadas", acrescenta.
As autoridades israelenses recomendaram adiar a abertura de sinagogas na França e propuseram um modelo de comitês médicos encarregados de monitorar o estado de saúde dos judeus.
O objetivo é detectar pacientes em potencial antes de irem às sinagogas e contaminar outras pessoas. Para isso, seriam usados oxímetros: dispositivos que permitem verificar, pelo dedo, a taxa de oxigênio no sangue e determinar se o estado de um paciente está se deteriorando.
Em Israel, as autoridades de saúde implementaram unidades de telemedicina para manter as pessoas infectadas com a COVID-19 em suas casas. Em caso de agravamento dos pacientes, eles são hospitalizados.
- "Rapidez da resposta" -
As medidas de confinamento e distanciamento social adotadas no início da crise, bem como o desenvolvimento da telemedicina, contribuíram para o modelo israelense de gestão de crises, estimam os especialistas questionados pela AFP.
Há também "a velocidade da resposta", destaca Yair Schindel, membro da força de intervenção criada pelo governo para gerenciar a saída da pandemia.
"Os locais são fechados rapidamente? É confinado rapidamente? O uso de uma máscara é rapidamente imposto à população?", questiona Schindel, que estuda diferentes cenários para atenuar os efeitos de uma possível "segunda onda" da pandemia.
Segundo um estudo da Universidade de Tel Aviv, cerca de 70% das pessoas diagnosticadas com o vírus no país foram contaminadas por uma cepa procedente dos Estados Unidos, e 30%, da Europa, principalmente da França e da Bélgica.