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A Dengvaxia, a primeira vacina contra a dengue do mundo, recebeu autorização para ser comercializada na Europa por pessoas que já foram infectadas ao menos uma vez pelo vírus - anunciou seu fabricante, o grupo francês Sanofi, nesta quarta-feira (19).
A vacina é indicada para prevenir a dengue em pessoas de 9 a 45 anos que tiveram o vírus no passado e que vivem em áreas endêmicas, de acordo com um comunicado divulgado pelo grupo.
A Dengvaxia deverá ser disponibilizada, em particular, em alguns territórios ultramarinos europeus de clima tropical, como as Antilhas Francesas, a Polinésia Francesa e a ilha francesa da Reunião, duramente atingida este ano por uma epidemia de dengue.
Em territórios onde a dengue retorna com certa regularidade, "as pessoas que já contraíram a doença podem ser reinfectadas pelo vírus", explica o médico Su-Peing Ng, chefe do setor de assuntos médicos globais da Sanofi Pasteur, a companhia de vacinas da Sanofi, citado no comunicado.
"Como a segunda infecção tende a ser mais severa do que a primeira, é importante poder oferecer a essas pessoas uma vacina que possa protegê-las contra novas infecções", acrescentou o funcionário.
Desde o final de 2015, a vacina Dengvaxia foi aprovada em vários países endêmicos da América Latina e da Ásia, incluindo México, Brasil e Filipinas.
A FDA, a agência que regula o setor de remédios e alimentos nos Estados Unidos, também está avaliando a questão e deve decidir sobre uma possível autorização para a comercialização desse medicamento nos Estados Unidos até 1º de maio de 2019.
Até agora, porém, as vendas de Dengvaxia têm sido extremamente modestas, de tal forma que a Sanofi não informa diretamente seus valores em seus resultados trimestrais.
Isso porque, no final de 2017, novos dados clínicos mostraram que esta vacina poderia agravar os sintomas da dengue em pessoas que nunca antes foram infectadas com o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypt.
Isso limita consideravelmente suas vendas, especialmente nas Filipinas, onde a comercialização da Dengvaxia se transformou em um escândalo de Estado. No ano passado, Manila apontou esta vacina como causa da morte de dezenas de crianças.
A Sanofi sempre negou veementemente estas acusações, explicando que não identificou qualquer morte relacionada à administração de sua vacina.
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