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O estado crítico de saúde de Ariel Sharon, primeiro-ministro de Israel, é tema de capa nos jornais suíços. Apesar da personalidade controversa, muitos contavam com sua participação no processo de paz no Oriente Médio.
Para ele a Iniciativa de Genebra não era uma proposta de paz para ser levada a sério. Muitos editoriais se questionam sobre o futuro de Israel.
O desaparecimento de Ariel Sharon é "um acontecimento que, sem dúvida, poderá desestabilizar o cenário político de Israel assim como foi com a morte de Yitzhak Rabin", escreve o "La Liberté". Os dois homens têm em comum o fato de terem deixado um vazio perigoso por trás deles, estima o editorialista desse jornal de Friburgo, sem deixar de comentar o aspecto controvertido da personalidade do primeiro-ministro: "Com sua propensão de tomar sozinho decisões capitais, Ariel Sharon acabou com todos os cenários alternativos".
Para o Neue Zürcher Zeitung, o jornal diário mais importante do país, "é difícil de imaginar a paisagem política israelense sem Ariel Sharon". Os eleitores têm agora de tomar uma decisão nas urnas na eleição prevista para 28 de março. Se o Likud de Benjamin Netanyahu ganhar, o país terá no seu cargo máximo "uma pessoa absolutamente incapaz de promover a paz, apesar do fato de Sharon já ter sido visto da mesma maneira", escreve o editorialista do NZZ.
Falcão ou pomba da paz?
No campo adversário, o jornal da capital suíça "Der Bund" estima que os palestinos "não devem ter nenhum motivo de alegria pelo estado de saúde crítico do primeiro-ministro israelense e sua possível morte".
Porém ele lembra que "Sharon é considerado por muitos dos seus críticos como o promotor do processo selvagem de colonização de Israel, considerado um dos maiores erros da história do país, e também responsável pelos massacres nos campos palestinos". A segunda intifada, também conhecida como a intifada de Al-Aqsa teria tido início em setembro de 2000, após Ariel Sharon ter entrado com homens armados na mesquita sagrada de Al-Aqsa.
Para o jornal Basler Zeitung, a herança deixada pelo primeiro-ministro Sharon é, em primeiro lugar, "o sentimento de segurança, que o pai da nação teria deixado a ela". Seu editorialista ainda escreve: - "um sentimento que não corresponde à realidade atual, pois a visão essencialmente militar do antigo general não serviu para reforçar, no outro lado das trincheiras, os argumentos daqueles que são contra qualquer acordo de paz com os israelenses". A questão é saber se seu desaparecimento poderá provocar uma nova onda de violência nos territórios ocupados.
Também o "Tagesanzeiger" vê o mesmo risco. Seu editorialista se questiona se "a tática de Sharon não teria piorado o conflito, que parece estar tão longe de uma solução como nunca".
- "Se Sharon morre, haverá uma nova guerra?", é a pergunta levantada pelo jornal Blick, o mais popular do país.
Situação atual
O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, foi levado à sala de cirurgia após ter sido submetido a uma tomografia computadorizada, informou o Canal 2 da televisão israelense. O canal não deu mais detalhes e disse que a informação não procede de fontes médicas. Horas antes, o diretor do hospital, Shlomo Mor-Yosef, divulgou um boletim médico no qual explicou que não houve mudanças nas condições de saúde de Sharon durante a noite passada.
O hospital prometeu divulgar um relatório oficial sobre a situação do primeiro-ministro israelense. Uma correspondente do canal de TV informou que fontes oficiais hospitalares disseram que terminou a tomografia realizada em Sharon e que logo os resultados serão conhecidos, para saber a situação do derrame cerebral, razão pela qual o premier foi operado na quinta-feira.
A tomografia tem o objetivo de constatar se a hemorragia foi completamente detida ou se há novas complicações. O chefe do Executivo interino, Ehud Olmert, suspendeu uma reunião que mantinha esta manhã, presumivelmente com Shimon Peres, e no escritório do primeiro-ministro não são atendidas as ligações telefônicas dos jornalistas.
swissinfo com agências
Breves
- O primeiro-ministro israelense foi vítima na quarta-feira (4 de janeiro) de uma grave hemorragia cerebral.
- O político de 77 anos foi operado durante sete horas. Posteriormente ele foi colocado em coma artificial. Segundo os médicos, suas chances de recuperação são mínimas.
- Como prescreve a constituição israelense, o primeiro-ministro israelense interino, Ehud Olmert assumiu o poder. Eleições estão previstas para 28 de março.
- Ariel Sharon, ex-general do exército israelense, esteve pela primeira vez no poder em 1977. Desde 2001 ele é primeiro-ministro de Israel.