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Julian Assange, fundador australiano do site WikiLeaks, pediu nesta quinta-feira ao ex-técnico de Inteligência americano Edward Snowden que seja extremadamente cauteloso se decidir sair da Rússia, país que acaba de conceder a ele nova autorização para permanecer em seu território e viajar para o exterior.
Acusado pelos Estados Unidos por revelar uma rede mundial de espionagem eletrônica, Snowden deve fazer o necessário para proteger sua integridade física, afirmou Assange durante uma videoconferência em um fórum sobre a liberdade de expressão realizado na Cidade do México.
O ex-analista foi autorizado a permanecer mais três anos na Rússia, onde mora há um ano, anunciou seu advogado, Anatoli Kucherena, nesta quinta-feira.
Snowden, que trabalhou para a Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) e revelou a existência de um sistema generalizado de espionagem eletrônica em todo o mundo por parte do governo americano, "obteve o direito de residir durante três anos em território russo", afirmou seu advogado em uma entrevista coletiva em Moscou.
Essa nova autorização permitirá que ele viaje ao exterior, explicou Kucherena.
Depois de ter revelado à imprensa milhares de documentos secretos demonstrando a existência do programa de espionagem da NSA, Snowden obteve em 1º de agosto de 2013 uma permissão de asilo provisório na Rússia.
Desde sua chegada à Rússia, Snowden tem sido muito discreto e visto poucas vezes em público.
De barga e cabelos longos, Assange, refugiado desde junho de 2012 na embaixada do Equador em Londres, comemorou a permanência de Snowden na Rússia e lamentou o fato de outros países europeus terem negado asilo ao técnico americano por terem "medo dos Estados Unidos".
Ele também mencionou Brasil e Argentina como países fora da Europa que negaram asilo ao americano.
Julian Assange se mantém em asilo diplomático na embaixada do Equador para evitar sua extradição para a Suécia, que o acusa de crimes sexuais que ele nega.
O australiano assegura que o pedido sueco é uma manobra para entregá-lo aos Estados Unidos, onde teme ser condenado por ter difundido no WikiLeaks milhares de documentos confidenciais que colocaram a diplomacia americana no centro de um escândalo.