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O aumento da participação política em todo o mundo impediu um retrocesso democrático, segundo o mais recente índice de democracia da Economist Intelligence Unit (EIU). A Suíça, porém, caiu no ranking, em grande parte devido ao baixo comparecimento dos eleitores.
O tão anunciado recuo da democracia global, se não definitivamente evitado, foi ao menos “pausado” no ano passado, de acordo com o Índice de Democracia da EIULink externo, publicado na quarta-feira.
Em contraste com vários relatórios recentes que anunciam o fim dos tempos para o liberalismo e os direitos civis, a revista londrina escreve que, enquanto as democracias de 42 países declinaram em 2018, a pontuação global permaneceu estável; e quase 50 países melhoraram.
A principal causa do recuo, que interrompeu um declínio de três anos, foi um aumento na categoria "participação política": números de participação, filiação partidária, envolvimento com a mídia e níveis de alfabetização de adultos aumentaram.
Além do Oriente Médio e Norte da África, a participação aumentou em todas as regiões do mundo, muitas vezes em resposta a uma alta desconfiança do governo tradicional. Grandes afluências nas eleições dos EUA foram um sinal claro disso, disse a EIU. Níveis históricos de participação política feminina também sugerem que a democracia não vai se deixar melindrar facilmente.
A derrapada suíça
Surpreendentemente, no entanto, a Suíça, com suas votações recorrentes e iniciativas populares, registrou seu pior desempenho nessa mesma categoria de participação (as outras quatro categorias medidas são processo eleitoral, funcionamento do governo, cultura política e liberdades civis).
Com 7,78 pontos na participação, a Suíça superou ligeiramente os EUA, mas estava longe da Noruega, que conseguiu um dez perfeito. No ranking geral, a Noruega também encontra-se no topo, à frente da Islândia e da Suécia. A Suíça caiu uma posição em relação ao ano passado, ficando em décimo. Os EUA, uma democracia mais complexa, encontra-se em 25º lugar.
A queda suíça nos últimos anos deve-se em grande parte às baixas taxas de comparecimento dos eleitores, explicou a analista-chefe da EIU para o Reino Unido e Europa, Danielle Haralambous.
Embora o país tenha um bom desempenho em muitos aspectos da participação política, disse ela, da participação de mulheres no parlamento à inclusão das minorias, a “fadiga dos eleitores” provocada por um excesso de votações (muitas vezes complexas) deixou-a atrás de outros países que continuam a melhorar nesse ponto.
Basicamente, enquanto a existência de instrumentos democráticos diretos eleva a pontuação da Suíça, a falta de engajamento nas urnas a arrasta para baixo.
Sob medida
Bruno Kaufmann, correspondente de democracia global da swissinfo.ch, diz que a metodologia da EIU é enganosa. É um erro comparar rotineiramente países como a Suíça - onde os eleitores são chamados às urnas até quatro vezes por ano - e a Suécia, onde as votações combinadas ocorrem apenas a cada poucos anos.
O quadro resultante, baseado em médias de elementos distintos, não reflete totalmente a realidade, diz ele. É uma “imagem quantitativa de nível superficial para cientistas políticos”.
De fato, embora a participação média dos eleitores na Suíça seja relativamente baixa (menos de 50% para as votações nacionais), a maioria dos especialistas concorda que isso reflete a frequência e a complexidade dos votos e referendos. Mas, dizem eles, os números mais baixos não prejudicam a qualidade democrática dos resultados.
Kaufmann também diz que, enquanto a Noruega está em alta na participação devido ao engajamento em grupos como sindicatos e organizações civis, a participação em processos suíços idiossincráticos, como a coleta de assinaturas para iniciativas populares, não é refletida pela EIU.
Outros índices, que adotam uma abordagem mais ampla para medir o desempenho democrático, apresentam, assim, classificações alternativas. Por exemplo, o instituto V-DemLink externo (“variedades de democracia”) da Suécia lista a Suíça em quarto lugar em seu último índice; para a Fundação BertelsmannLink externo, a Suíça vem em sexto.
swissinfo.ch/ets, swissinfo.ch