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Contra todas as probabilidades, Tom Brady ganhou o "Super Bowl" pela sétima vez em 2021 e, aos 43 anos de idade! É uma impressão enganosa ou os atletas profissionais masculinos e femininos estão cada vez mais velhos? Um estudo da Universidade de Berna investigou esta questão.Este conteúdo foi publicado em 19. fevereiro 2021 - 10:00
No mundo adverso da NFL (a liga nacional de futebol americano), Tom Brady é um caso inigualável com seus 20 anos de carreira, mesmo que haja alguns jogadores mais velhos na bem protegida posição do quarterback. A média de idade na primeira divisão do futebol americano, segundo as estatísticas, é de pouco mais de 26 anos. E o tempo de permanência na NFL é curto: entre 3 e 4 anos.
São muitos os grandes desportistas de idade avançada no mundo de hoje. Na Suíça, Roger Federer fará 40 anos este ano. Durante seus 20 anos de carreira, o tenista ganhou 20 títulos do Grand Slam, um recorde que compartilha com Rafael Nadal, que é cinco anos mais novo. Apesar de ter que fazer uma grande pausa na maior parte do ano passado - devido a uma cirurgia em seu joelho direito - ele ainda é o número 5 no mundo. Há alguns dias, Federer anunciou seu retorno ao ATP Tour (torneio da associação de profissionais de tênis) para este mês de março.
O saltador de esqui Simon Ammann, conhecido como "Flying Harry Potter", também faz 40 anos este ano. O tetracampeão olímpico saltou para o top 10 em Willingen, durante seu retorno à Copa do Mundo no final de janeiro, e planeja continuar sua carreira até os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 em Pequim.
Se você olhar pelo mundo, os grandes esportistas com idades acima de 40 anos se destacam em todas as modalidades. Kazuyoshi Miura, por exemplo, o atacante mais velho da principal liga de futebol japonesa J1, assinou recentemente um novo contrato com seu clube, um pouco antes de seu 54º aniversário. Noriaki Kasai, ex-campeão olímpico de esqui de 48 anos, planeja chegar à qualificação para as Olimpíadas de 2022, que seria sua nona.
Do lado feminino, a ginasta de 45 anos Oksana Chusovitina, do Uzbequistão, competirá nos Jogos Olímpicos de Tóquio na ginástica artística: um esporte no qual o auge é geralmente atingido na adolescência.
Paixão sem fim
Muitos se perguntam como isso é possível. Todos os principais esportistas mencionados têm algo em comum: eles não apenas são talentosos, mas também persistentes e notavelmente bem organizados.
Por exemplo, sob as instruções de Pierre Paganini, seu preparador físico, Roger Federer tem se concentrado mais na qualidade do que na quantidade. O corpo é menos indulgente com a idade, portanto todas as atividades devem ser bem planejadas, como aponta Adrian Rothenbühler, treinador esportivo e docente na formação de treinadores da Suíça, no Departamento Federal de Esportes, em Magglingen. O desempenho da equipe no planejamento de treinamentos e competições teve um papel importante em tempos passados, diz ele. No caso de Federer, Rothenbühler conclui que a estrela do tênis escolheu perfeitamente os membros de sua equipe, e que o sistema de treinamento de Paganini é "excelente".
O psicólogo esportivo Hanspeter Gubelmann diz que são fatores psicológicos e físicos que determinam se o esporte de alto nível ainda é possível em uma idade avançada. "Ammann e Federer foram poupados de lesões graves ou quedas por muito tempo durante o seu percurso profissional - até o final de suas carreiras."
Provavelmente ainda mais importante: sua paixão inabalável por seus esportes. "Aquele fogo interior que os incendeia e impulsiona, e as emoções positivas que experimentam o tempo todo com o que fazem." Paganini disse, em entrevista recente à SRF, que ele só estava mesmo esperando que Federer lhe batesse com a porta na cara e dissesse: "Já chega." Mas ele sempre vem com este brilho em seus olhos.
Carreiras esportivas são prolongadas
Mas são também os desenvolvimentos na medicina esportiva, na ciência do treinamento, na reabilitação, na ciência nutricional e na psicologia que estão prolongando a vida profissional dos atletas de alto nível. "Na maioria dos esportes, esta observação é provavelmente verdadeira", diz Gubelmann. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Ciências do Esporte da Universidade de Berna, que examinou 344 atletas suíços de ponta, constatou que as carreiras ativas dos homens se estenderam por 7 anos e 1 mês de 1988 a 2012, e as das mulheres por 4 anos.
"No curso da profissionalização do esporte de alto nível, é provável que isso tenha melhorado as condições gerais da estrutura, o que é propício ao prolongamento da carreira. Além disso, o potencial de ganho no esporte de elite também é maior do que antes, devido à comercialização e à mediatização", diz Gubelmann.
Por outro lado, há fatores que podem encurtar ou, em casos extremos, até mesmo encerrar carreiras. "Em muitos esportes, os atletas de primeira linha atingem os limites da resistência humana ou sofrem lesões graves. Aí ocorrem danos físicos que são irreparáveis em algum momento." Finalmente, as transgressões com doping também levam cada vez mais a uma interrupção da carreira.
Onde estão os limites
Mas onde está o limite natural? A velocidade e a força muscular tendem a diminuir a partir dos 25 anos de idade. A situação é um pouco diferente com a resistência, que pode ser melhor mantida. Rothenbühler, que é treinador físico, diz que, no esporte de elite, a mentalidade e a experiência também podem determinar o sucesso em certas situações. "Mas este não é um conceito de longo prazo. Especialmente nos esportes onde o físico desempenha um papel importante, a roda do tempo não pode ser girada para trás, ainda mais com o rápido desenvolvimento da maioria dos esportes em termos de velocidade e explosividade." As carreiras mais longas, em sua opinião, são devidas a uma melhor "gestão de carga", um melhor equilíbrio entre esforço e recuperação.
Aqueles que aspiram uma longa carreira esportiva devem, acima de tudo, cuidar de sua saúde física e mental. "É aqui que podem ser feitos investimentos sensatos, mesmo nos primeiros anos de uma carreira esportiva." Isto significa: aumentar as cargas lentamente, administrar e otimizar a recuperação, comer saudavelmente e manter uma rede social", diz Gubelmann. "E aqui eu também vejo que especialmente os pais têm uma influência decisiva no desenvolvimento da carreira (esportiva) de seus filhos."
E, a propósito: não é à toa que Tom Brady está a tanto tempo no ramo. Ele recebe uma boa ajuda através do estilo de vida de sua esposa, a modelo brasileira Gisele Bündchen, com a qual ele tem um relacionamento desde 2006, e está casado desde 2009. Em sua rotina pessoal e familiar estão incluídas atividades como meditação e yoga, alimentação natural com produtos exclusivamente orgânicos (incluindo ovos das próprias galinhas e frutas do próprio pomar da mansão onde vivem em Boston, nos Estados Unidos) e muito tempo dedicado aos próprios filhos (dois do próprio casal, e um do primeiro casamento de Brady), família e amigos.
Adaptação: Flávia C. Nepomuceno dos Santos