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AMSTERDÃ (Reuters) - O tribunal da ONU para a ex-Iugoslávia disse na segunda-feira que o ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic não pode recorrer da nomeação de um advogado para a sua defesa, depois de ter boicotado o julgamento.
Os juízes do tribunal especial determinaram no dia 5 a nomeação de um advogado para representar Karadzic, e adiaram o julgamento para março, de modo a dar mais tempo para a preparação da defesa.
Karadzic, que nega todos os 11 crimes de guerra de que é acusado de ter cometido durante a Guerra da Bósnia (1992-95), vinha advogando em causa própria, mas boicotou os três primeiros dias do seu julgamento, argumentando que precisava de mais tempo para preparar sua defesa.
A decisão do dia 5 permite que Karadzic continue advogando para si mesmo, mas em colaboração com o advogado nomeado. Se continuar boicotando o processo, perderá o direito de representar a si próprio, disse o tribunal.
Karadzic recorreu, e na segunda-feira os juízes disseram que o recurso foi vago e prematuro já que, ao ser apresentado, nenhum advogado havia sido nomeado ainda.
O tribunal disse que "atender o recurso agora, e potencialmente de novo em 1o. de março de 2010 (...), iria obstruir os procedimentos, em vez de favorecê-los".
Na semana passada os juízes nomearam o advogado britânico Richard Harvey para representar Karadzic, indiciado, entre outras coisas, por sua participação no cerco de 43 meses à cidade de Sarajevo a partir de 1992, e ao extermínio de cerca de 8.000 homens e meninos muçulmanos em Srebrenica em 1995.
Cerca de 100 mil pessoas morreram na guerra que levou à independência da Bósnia, que foi parte de um processo mais amplo de desintegração da Iugoslávia.
(Reportagem de Harro ten Wolde)
Reuters