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O gigante bancário UBS anunciou demissões em massa após sofrer enormes perdas em seus resultados do terceiro trimestre. O banco suíço pretende cortar até 10 mil funcionários, diminuindo radicalmente o setor de investimento deficitário.
O maior banco da Suíça disse que, como parte do esforço de redução de custos, "é susceptível de ter um efetivo de cerca de 54 mil" em 2015, um número bem abaixo dos seus atuais 64 mil funcionários, presentes em 57 países. A medida deve afetar até 2.500 funcionários na Suíça, o resto dos cortes afetando principalmente Inglaterra e Estados Unidos.
"Esta decisão tem sido uma tarefa difícil, especialmente em uma empresa como a nossa que deve tudo ao seu pessoal", disse o CEO Sergio Ermotti. "Alguns cortes serão realizados de forma natural e vamos tomar todas as medidas que pudermos para mitigar o efeito global. Durante todo o processo, iremos garantir que nosso pessoal seja apoiado e tratado com cuidado".
Os cortes do UBS formam uma das maiores fogueiras de empregos do setor financeiro desde a implosão do Lehman Brothers, somando-se às dezenas de milhares de empregos perdidos no setor desde a crise financeira de 2008.
O UBS também anunciou uma perda líquida de 2,17 bilhões de francos (2,31 bilhões de dólares) no terceiro trimestre, comparado com um lucro de 1,02 bilhão de francos durante o mesmo trimestre do ano passado. Este, em grande parte, devido aos custos de reestruturação.
O banco também atribuiu parte do prejuízo a uma taxa antes de impostos de 863 milhões de francos ligados a uma regra contábil sobre a forma como os bancos devem valorizar a sua dívida.
Foco ajustado
No que chamou de "aceleração significativa" na sua transformação, o banco com sede em Zurique disse que vai aguçar seu foco no banco de investimento e nomear um novo executivo para a dirigi-lo.
Ermotti, responsável por apenas 13 meses, está comandando a três anos a revisão do banco de investimento que tem como objetivo economizar 3,4 bilhões de francos e devolver dinheiro aos acionistas.
Ermotti disse que a unidade de investimento, que foi atingida por uma série de erros caros nos últimos anos, vai "continuar sendo um ator global significativo nas atividades principais do banco".
O banco suíço vai se separar de muitas atividades de renda fixa a fim de encerrar posições em setores que vão desaparecer devido às regras de capital muito mais severas para os investimentos de risco.
"Vamos deixar de funcionar de forma significativa em negócios onde os retornos ajustados ao risco não podem cumprir seu custo de capital de forma sustentável ou naqueles com complexidade operacional de alto risco que pesam sobre os retornos futuros", disseram os presidentes Axel Weber e Ermotti em carta aos acionistas.
Um banco de investimento menor permitirá que o UBS se concentre mais na gestão de fortunas. A instituição financeira tem a segunda maior operação do gênero no mundo, depois do Bank of America, com 1,554 trilhões de dólares em ativos, de acordo com os dados da Scorpio Partnership.
Diante dos cortes, o valor das ações do UBS subiram 7,3%, fechando em 13,12 francos na bolsa de Zurique, na segunda-feira 29 de outubro.
A unidade de private bank do UBS, que recebeu proveitosos 7,7 bilhões de francos de novos clientes no terceiro trimestre, também enfrenta desafios com a queda dos lucros provocados pelo enfraquecimento do sigilo bancário suíço que vem sofrendo repetidas exigências de governos estrangeiros decididos a recuperar os impostos não declarados e mantidos em contas no exterior.
O rival do UBS, o banco Credit Suisse, disse na semana passada que também estava fazendo mais cortes de custos como parte dos esforços para impulsionar seus lucros e posição de capital.
swissinfo.ch com agências