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Os Estados Unidos condenaram, nesta segunda-feira (15), a nomeação na Venezuela do novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), por considerá-lo "alinhado ao regime" de Nicolás Maduro, o que o tornaria incapaz de organizar eleições livres no país.
"Infelizmente, em 12 de junho, o Tribunal Supremo (de Justiça, TSJ) controlado pelo regime de Maduro continuou manipulando a Constituição venezuelana, ao nomear ilegalmente um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) alinhado com o regime", disse o secretário de Estado americano, Mike Pompeo.
Em uma declaração, o chefe da diplomacia dos EUA lembrou que, de acordo com a Constituição da Venezuela, é a Assembleia Nacional (Parlamento) unicameral, "eleita democraticamente", que deve nomear os membros da CNE.
"Sem seguir esse processo, é impossível que haja eleições que representem a vontade do povo. O regime selecionou uma CNE que selará suas decisões e vai ignorar as condições necessárias para eleições livres", afirmou Pompeo.
"Este passo do regime e de seu Tribunal Supremo leva a Venezuela para ainda mais longe de uma transição democrática", insistiu.
Desde janeiro de 2019, os Estados Unidos lideram a pressão internacional para tirar Maduro do poder. Sua reeleição em maio de 2018 é até hoje considerada fraudulenta por Washington. Além disso, os americanos acusam-no de corrupção generalizada e de graves violações dos direitos humanos.
Nesse contexto, Washington apoia os esforços de Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional eleito em dezembro de 2015 e que, desde janeiro de 2019, é reconhecido como presidente interino da Venezuela por quase 60 países. O objetivo dos EUA é conseguir a realização de novas eleições sem Maduro no poder.
Nesta segunda-feira, Pompeo enfatizou que "uma CNE independente é um pré-requisito central para eleições livres e justas". Isso já havia sido apontado pelos Estados Unidos em janeiro, quando defenderam o diálogo na Venezuela para a formação de um governo de transição que leve à convocação de eleições gerais antes do fim do ano.
No sábado, Maduro disse que "chegou a hora" de renovar a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, com as novas eleições agendadas para este ano, ainda sem data. O anúncio foi feito depois que o TSJ nomeou as novas autoridades eleitorais na sexta-feira.
O TSJ considera inválidas as decisões da Assembleia Nacional, depois de tê-la declarado "em desacato" no início de janeiro de 2016.
Além da crise política, a Venezuela atravessa um colapso econômico agudo desde que Maduro chegou ao poder em 2013.