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Premiê britânica Theresa May faz discurso em Glasgow 3/3/2017 REUTERS/Russell Cheyne(reuters_tickers)
Por William James
LONDRES (Reuters) - A câmara alta do Parlamento britânico aprovou nesta terça-feira conceder mais poderes aos parlamentares para que eles possam rejeitar os termos finais do acordo de saída do país da União Europeia (UE), ignorando os pedidos do governo de Theresa May para que não se prejudicasse as negociações.
A votação de 366 contra 268 anexou uma condição extra ao projeto de saída da UE, a legislação que dará à premiê o poder para iniciar as negociações sobre o divórcio. Ela pretende usar tal poder até o fim deste mês.
O projeto modificado agora exige que o Parlamento britânico aprove o acordo de saída antes que ele seja debatido pelo Parlamento Europeu, ou, se as negociações fracassarem, os legisladores precisariam aprovar a decisão de se retirar sem um acordo.
O ministro do Brexit, como é chamado o processo de saída britânico da UE, David Davis, disse que o governo buscaria reverter as mudanças quando o projeto fosse apresentado para aprovação na câmara baixa, onde May tem pequena maioria.
“Estava claro que alguns na Câmara dos Lordes buscariam frustrar esse processo, e é a intenção do governo assegurar que isso não ocorra”, afirmou ele em comunicado.
A derrota, contudo, pode representar um problema para Theresa May caso integrantes do seu próprio partido cumpram as ameaças de se rebelar e apoiar a emenda.
"Eu vou votar para manter essa emenda”, afirmou a conservadora Anna Soubry, da câmara baixa, à Sky News. Ela disse que o Parlamento precisava ter uma influência de fato no tema, alertando sobre os perigos de um cenário de um “Brexit duro”, no qual o Reino Unido deixaria a UE sem um acordo.
Uma divisão no Partido Conservador, de Theresa May, minaria a sua autoridade num momento em que ela enfrenta reivindicações dos nacionalistas por um segundo referendo sobre a independência da Escócia, lida com os temores de que o Brexit possa desestabilizar a Irlanda do Norte e busca convencer as potências da UE sobre a necessidade de um bom acordo de saída do bloco.
Reuters