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Um mosquito Aedes aegypti é visto em um laboratório, em San Salvador, no dia 27 de janeiro de 2016(afp_tickers)
O surto do vírus da zika, vinculado a um aumento nos casos de microcefalia, provavelmente atingiu o seu ápice na América Latina, e a epidemia deve acabar dentro de três anos, segundo um estudo publicado na revista científica americana Science na quinta-feira.
"A epidemia explosiva atual vai se esgotar sozinha devido a um fenômeno chamado imunidade de grupo", disse Neil Ferguson, professor da Escola de Saúde Pública do Imperial College London, onde o estudo foi realizado.
"Uma vez que o vírus é incapaz de infectar a mesma pessoa duas vezes - graças ao sistema imunológico que gera anticorpos para matá-lo -, a epidemia atinge um estágio em que restam muito poucas pessoas para ser infectadas, de modo que a transmissão não se sustenta", explicou o pesquisador.
Isso deve acontecer dentro de dois ou três anos, acrescentou.
Depois, essa imunidade de grupo "provavelmente vai atrasar a próxima grande epidemia de zika por mais de uma década", disse Ferguson.
Embora tenha sido descoberto em 1947, o vírus pegou as autoridades de saúde pública de surpresa no ano passado quando começou a se espalhar pelas Américas e causar defeitos de nascimento.
O Brasil é o país mais afetado pelo aumento dos casos de recém-nascidos com malformações irreversíveis. Desde outubro passado, foram notificados 8.451 casos suspeitos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, dos quais 1.687 foram confirmados, de acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados nesta quarta-feira.
Antes da epidemia, o Brasil registrava, em média, menos de 200 casos anuais de microcefalia - malformação que se caracteriza por um tamanho abaixo da média da cabeça de recém-nascidos e que prejudica o desenvolvimento cerebral.
Infecções pelo zika foram notificadas em dezenas de países no Caribe e na América Latina. O vírus é transmitido principalmente através do mosquito Aedes aegypti.
Os Estados Unidos têm observado um aumento do número de casos importados, mas até o momento não foi registrada nenhuma transmissão local no país.
Vacina tarde demais?
Ferguson também alertou que as pesquisas em curso para desenvolver uma vacina - que as autoridades disseram que pode levar vários anos para ficar pronta - podem ser concluídas tarde demais.
"Se nossas projeções estão corretas, o número de casos terá diminuído substancialmente até o final do ano que vem, se não antes", afirmou o pesquisador.
"Isso significa que quando tivermos vacinas prontas para serem testadas, talvez não haja mais casos suficientes de zika na comunidade para testar se a vacina funciona", acrescentou.
Em meio a preocupações sobre a potencial propagação do zika durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro, que serão realizados em agosto e setembro, respectivamente, um relatório divulgado na quarta-feira pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos afirma que o risco de transmissão durante o evento é baixo.
Cerca de 500.000 atletas e visitantes internacionais de 207 países devem viajar para o Rio, mas "este volume de viagens representa uma fração muito pequena - menos de 0,25% - do total de viagens realizadas em 2015 para países afetados pelo zika", disse o CDC.
O relatório destaca, ainda, que o risco de infecções durante os Jogos é baixo porque estes vão ocorrer durante o inverno, "quando o clima mais frio e seco tipicamente reduz as populações de mosquitos".
O CDC alertou, porém, que as mulheres grávidas não devem viajar para os Jogos Olímpicos, e que todos os visitantes devem tomar medidas para evitar picadas de mosquito e prevenir uma potencial transmissão sexual do vírus.
A agência americana mostrou preocupação, particularmente, com o risco do zika se propagar pelo Chade, Djibuti, Eritreia e Iêmen após os Jogos.
O relatório afirma que "estes quatro países não têm um número substancial de viagens para nenhum país com transmissão local do vírus da zika, exceto pela sua participação nos Jogos, e têm condições ambientais e suscetibilidade da população para sustentar uma transmissão por mosquitos do vírus da zika".
AFP