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Chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif, durante reunião com seu homólogo norte-coreano, Ri Yong-ho, em Teerã, em 7 de agosto de 2018(afp_tickers)
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, descartou neste sábado (11) uma reunião entre Estados Unidos e Irã, depois de Washington restabelecer as sanções contra Teerã.
É a primeira vez que o Irã rejeita de maneira tão explícita a proposta de diálogo feita pelo presidente Donald Trump.
Interrogado pela conservadora agência Tasmin sobre um possível encontro com o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, à margem da próxima assembleia da ONU em setembro, Zarif afirmou: "Não, não haverá reunião".
Trump e o presidente iraniano, Hassan Rouhani, estarão presentes na assembleia.
"Sobre a recente proposta de Trump (de diálogo), nossa posição oficial foi anunciada pelo presidente e por nós. Os americanos não são honestos e seu vício em sanções não permite qualquer forma de negociação", disse o ministro à agência de notícias.
Os Estados Unidos restabeleceram as sanções contra o Irã na terça-feira, depois de terem se retirado, em maio passado, do acordo sobre o programa nuclear iraniano, concluído em 2015 entre Teerã e as grandes potências.
Zarif se reuniu várias vezes com o então secretário de Estado americano, John Kerry, durante as negociações que levaram a este acordo.
Com as sanções, o presidente Trump disse querer exercer "pressão máxima" sobre o Irã, acusando o país de "atividades nefastas". Uma semana antes de sua entrada em vigor, porém, mostrou-se disposto a se reunir com o governo iraniano para buscar um novo "acordo global".
O presidente iraniano, Hassan Rouhani, apostou no acordo nuclear e em uma política de abertura na direção do Ocidente. Depois da decisão de Trump, acusou Washington de "querer provocar dissensões" entre os iranianos. Rouhani disse ainda que "não tem sentido" negociar sob efeito de sanções.
- 'Vício em sanções' -
Trump havia dito que queria negociar um "acordo mais global sobre o conjunto das atividades nefastas (do Irã), entre elas seu programa balístico e seu apoio ao terrorismo". Condena Teerã por seu apoio ao governo sírio de Bashar al-Assad, aos rebeldes no Iêmen, ao Hamas em Gaza e ao Hezbollah libanês.
A Rússia e os países europeus, que também assinaram o acordo com o Irã, condenaram as medidas dos Estados Unidos e disseram estar determinados a salvar o texto, que tem como objetivo garantir o caráter pacífico do programa nuclear iraniano, em troca do fim progressivo das sanções.
Zarif também denunciou que os Estados Unidos têm "um vício nas sanções e na intimidação".
"A alegria que (Donald Trump) tem ao impor dificuldades econômicas à Turquia, seu aliado da Otan, é vergonhosa", tuitou.
O presidente Trump anunciou um forte aumento das tarifas sobre as importações de aço e de alumínio procedentes da Turquia, em meio à disputa diplomática pelo caso de um pastor americano detido na Turquia.
A tensão derrubou a lira turca. A divisa iraniana também vem despencando. O rial perdeu metade de seu valor em relação ao dólar desde abril.
O temor de que a crise econômica se agrave se traduziu, no Irã, em manifestações esporádicas e greves em várias cidades nas últimas semanas.
Irã e Estados Unidos não têm relações diplomáticas formais desde 1980.
AFP