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O presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, em West Palm Beach, na Flórida, em 6 de abril de 2017(afp_tickers)
O presidente americano, Donald Trump, e o mandatário chinês, Xi Jinping, se encontraram nesta quinta-feira em Mar-a-Lago, a luxuosa residência do magnata imobiliário na Flórida, onde realizarão uma "cúpula informal" dominada pela questão norte-coreana.
Trump e sua esposa Melania receberam Xi e sua mulher, a ex-cantora Peng Liyuan, em sua grande mansão construída de frente para o Atlântico.
Os quatro participam, junto com 30 convidados, de um jantar de gala durante o qual são servidos vinhos da Califórnia.
O presidente americano fez uma avaliação positiva do contraparte chinês, ao afirmar que os dois vão ter "uma relação muito, muito boa".
"Já tivemos uma longa conversa e até agora não consegui nada, mas desenvolvemos uma amizade, posso ver isto", disse Trump a jornalistas, enquanto ele, Xi e suas esposas se preparavam para jantar em Mar-a-Lago, a luxuosa residência de Trump na Flórida.
"Eu penso que no longo prazo nós vamos ter uma relação muito, muito boa", disse ele a respeito do colega chinês, a quem ele criticou frequentemente durante a campanha.
A agenda da cúpula de 24 horas é deliberadamente aberta, com a ideia de deixar ambos com certa liberdade de movimentos.
O conflito sírio entrará de última hora aos temas de discussão, depois que os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira que pretendem responder militarmente ao suposto ataque químico executado, em sua opinião, pelo governo de Bashar al-Assad.
Xi, que foi recepcionado à tarde no aeroporto de Palm Beach pelo secretário de Estado americano, Rex Tillerson, se mostrou até agora prudente em relação às declarações do presidente americano.
Horas antes de viajar para a Flórida, Trump declarou à emissora Fox que seu país não tem sido tratado de forma equitativa pela China em matéria comercial.
O magnata imobiliário também acusou a China de fraqueza em sua resposta à ameaça nuclear representada pela Coreia do Norte e de "manipular" o yuan, a moeda nacional.
Trump terá a oportunidade de mostrar até onde quer ir com a relação chinesa-americana, já que até agora seu posicionamento diplomático tem sido impreciso.
- Ameaça de Pyongyang -
O primeiro tema espinhoso é a Coreia do Norte, que voltou a desafiar os Estados Unidos e a comunidade internacional ontem, lançando seu quinto míssil desde o início do ano.
Horas antes de receber Xi, Trump garantiu, em conversa por telefone com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que os Estados Unidos "continuarão reforçando sua capacidade militar" frente à "séria ameaça que a Coreia do Norte continua representando".
Há várias semanas, Washington pede a Pequim que pressione seu aliado Pyongyang, a quem oferece um suporte diplomático nas Nações Unidas.
Trump deixou de lado a ameaça de uma intervenção militar unilateral em entrevista publicada no domingo pelo Financial Times, apontando que está preparado para "solucionar" apenas o problema norte-coreano se a China demorar muito.
Pyongyang está tentando desenvolver mísseis balísticos intercontinentais que poderiam alcançar território norte-americano, assegurou nesta quinta-feira que responderá de forma "implacável" à "menor provocação" de Washington.
Segundo fontes diplomáticas chinesas, Xi poderia oferecer a Trump o reforço do controle dos bancos chineses que trabalham com o governo de Kim Jong-un. O presidente chinês já paralisou as importações do carvão norte-coreano, de acordo com as sanções da ONU.
- Conversas francas -
Em troca, poderia solicitar ao líder americano que renuncia a um importante contrato armamentista com Taiwan, a ilha que Pequim considera como uma província que deve ser reunificada.
Outro tema candente que deve estar na agenda das conversas é o comércio.
Trump quer abordar o déficit dos Estados Unidos com a China, que subiu para US$ 350 bilhões em 2016.
A Casa Branca prometeu falar de forma franca sobre o tema, para "reduzir as barreiras ao investimento e aos intercâmbios criadas pelos chineses", segundo uma fonte do governo americano.
A China impõe uma tarifa de 25% às importações de veículos, limita as importações de muitos produtos agrícolas e fecha o importante setor de serviços aos investimentos estrangeiros.
Nesse contexto, é difícil prever o rumo que as conversas tomarão.
Recentemente, Trump recebeu o premiê Shinzo Abe em Mar-a-Lago. O encontro também foi marcado por um lançamento de míssil balístico norte-coreano, o que transformou o jantar em uma reunião de crise.
"É a primeira vez que os presidentes [EUA e China] vão se reunir" para tentar aproximar seus pontos de vista, reiterou Thornton. "Mas não será a última" vez, antecipou.
AFP