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BRASÍLIA (Reuters) - O Itamaraty condenou nesta sexta-feira as "táticas de atraso" promovidas pelo governo de facto de Honduras, após a formação de um gabinete de unidade nacional sem a presença do presidente deposto Manuel Zelaya.
O governo de facto que se instalou em Honduras após o golpe de Estado que tirou Zelaya do poder no fim de junho formou na noite de quinta-feira um governo de unidade com base em um acordo mediado pelos Estados Unidos para encerrar a crise política no país.
O novo governo, no entanto, foi considerado pelo presidente deposto como "morto" e autoridades latino-americanas consideraram a medida do governo de facto como uma nova tática para ganhar tempo antes das eleições de 29 de novembro.
"O Brasil condena as táticas de atraso do governo de facto de Honduras", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, sob condição de anonimato.
A maioria dos governos sul-americanos condenou o golpe contra Zelaya e exige o retorno do presidente ao poder. Enquanto as negociações para o fim da crise estagnaram na questão da restituição de Zelaya, o líder deposto está abrigado na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
"Não há pressão para que Zelaya saia da embaixada. Se for necessário mais tempo para se alcançar um acordo, eles terão", acrescentou o porta-voz.
Desde 28 de junho, quando Zelaya foi expulso de Honduras por militares, vários governos da região tentaram mediar um acordo para sua restituição, mas sua volta ao poder é fortemente rejeitada pelo governo de facto --que considera a eleição presidencial deste mês como a solução para o fim da crise.
O representante da Venezuela na Organização dos Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, disse que "todas essas manobras de atraso burlando a comunidade internacional, especialmente a enfraquecida OEA, é com o propósito de ganhar tempo, chegar até muito próximo das eleições."
Ele acrescentou que o governo de facto deseja "se for possível, não restituir no exercício de suas funções o presidente Zelaya ou fazê-lo de última hora, de tal forma que, com as mãos atadas, não possa fazer muito."
(Reportagem de Raymond Colitt)
Reuters