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Mulher vestindo máscara de proteção e luvas conversa com um funcionário (não fotografado) do Aeroporto Murtala Muhammed, em Lagos, Nigéria(afp_tickers)
Diante da gravidade da epidemia de febre hemorrágica ebola, que já deixou mais de 1.000 mortos, a comunidade médica internacional aprovou nesta terça-feira o emprego de tratamentos ainda não experimentados em humanos.
O Comitê de Ética da Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou em uma reunião na segunda-feira o uso desses tratamentos primeiramente nos países do oeste africano mais atingidos pela doença.
"Diante das circunstâncias da epidemia e sob certas condições, o comitê concluiu que é ético oferecer tratamentos - cuja eficácia ainda não foi demonstrada, assim como os efeitos colaterais - como potencial tratamento ou de caráter preventivo", afirmou em nota a OMS.
Morte de um missionário espanhol
Até o momento não existe nenhum tratamento de cura ou vacina contra o ebola, epidemia que levou a OMS a decretar uma emergência de saúde pública mundial.
Mas o uso do medicamento experimental ZMapp em dois americanos e um padre espanhol - que faleceu nesta terça-feira em Madri - infectados com o vírus quando trabalhavam na África provocou um intenso debate ético.
O medicamento, do qual existe pouca quantidade, parece apresentar resultados promissores nos dois americanos, mas o religioso espanhol morreu nesta terça-feira em um hospital de Madri.
Miguel Pajares, de 75 anos, "morreu às 09H28" (04H28 de Brasília), indicou à AFP uma porta-voz do hospital La Paz-Carlos III. Ele não resistiu à febre, apesar do tratamento experimental.
O missionário, primeiro paciente a ser repatriado à Europa, trabalhava no hospital São José de Monróvia, administrado pela ordem religiosa de São João de Deus.
Trata-se do quarto funcionário deste hospital, fechado desde 1º de agosto pelas autoridade da Libéria, a morrer em 10 dias após contrair o vírus.
O comitê condicionou o uso dos tratamentos experimentais a uma "transparência absoluta sobre os cuidados, a um consentimento informado, à liberdade de escolha, à confidencialidade, ao respeito das pessoas e a preservação da dignidade e a implicação das comunidades".
Também estabeleceu "a obrigação moral de obter e compartilhar as informações sobre segurança e eficácia das intervenções", que devem ser objeto de avaliação constante.
O número de mortes provocadas pelo vírus ebola superou a barreira de mil, com 1.013 óbitos e 1.848 casos registrados (confirmados, suspeitos e prováveis) em Guiné, Serra Leoa, Libéria e na Nigéria, segundo o balanço mais recente da OMS.
O vírus ebola é transmitido pelo contato direto com o sangue e fluídos corporais humano ou animal infectado.
Antes mesmo do anúncio da aprovação da OMS, os Estados Unidos prometeram o envio à Libéria, um dos países mais atingidos pela epidemia, do soro experimental ZMapp, disponível em pequena quantidade, para tratar os médicos atualmente infectados.
A empresa americana Mapp Biopharmaceutical, que produz o medicamento, informou na segunda-feira que enviou o estoque para o oeste da África.
Médicos de todo o mundo participaram nos debates da OMS na segunda-feira em Genebra.
Segundo a organização, em apenas dois dias, entre 7 e 9 de agosto, 52 mortos por ebola foram registradas e 69 casos foram relatados.
Houveram 11 novos casos e 6 mortes em Guiné, 45 novos casos e 29 mortes na Libéria, nenhum novo caso ou morte na Nigéria e 13 novos casos com 17 mortes em Serra Leoa.
Os profissionais da área de saúde são os mais expostos à doença. Sete médicos e um enfermeiro chineses que trataram pacientes com ebola foram colocados em quarentena nas últimas duas semanas em Serra Leoa, segundo o embaixador da China em Freetown, Zhao Yanbo.
Firmeza das autoridades africanas
Frente a esta situação de emergência, a Libéria reforçou suas medidas de contenção da doença.
A presidente Ellen Johnson Sirleaf anunciou que a província de Lofa (norte) entrou em quarentena, a terceira região abrangida por esta medida de exceção.
Lofa faz fronteira com Guiné e Serra Leoa, dois países atingidos pela epidemia.
Já o Japão decidiu retirar os seus 24 trabalhadores humanitários atualmente em Guiné, Libéria e Serra Leoa.
No Senegal, país vizinho da Guiné, o diretor do jornal "La Tribune", Felix Nzale, foi levado em custódia na segunda-feira por publicar "informações falsas" sobre a presença do vírus ebola no Senegal, informação negada pelas autoridades.
Em Ruanda, os testes determinaram que um estudante alemão que veio de Ruanda não estava contaminado com Ebola.
AFP