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O presidente americano, Donald Trump, em Hagerstown, em 18 de agosto de 2017(afp_tickers)
O presidente americano, Donald Trump, viaja nesta terça-feira ao Arizona, onde reencontrará sua base eleitoral, mas sua visita a esta região com muitos imigrantes mexicanos pode ser agitada.
Um ato maciço com simpatizantes, algo que se tornou habitual para o presidente, está previsto em Phoenix, onde se espera um discurso de Trump que poderia incluir, além de prioridades políticas, uma denúncia contra os "preconceitos" e a "intolerância".
Trump permanece sob fogo cerrado por não ter condenado energicamente uma marcha de supremacistas brancos e de extrema direita em Charlottesville, na Virgínia, que há dez dias se degradou para violentos distúrbios com antirracistas, que deixaram uma mulher morta e uma saraivada de críticas nas fileiras democratas e republicanas.
O comício de Trump no centro de convenções de Phoenix, com início previsto para as 19h00 locais (23h00 de Brasília), mantém as autoridades locais em alerta, pois grupos de defesa dos imigrantes e outras organizações convocaram protestos contra o racismo e o preconceito no centro da cidade.
Não é o momento de o presidente visitar a cidade, disse na segunda-feira o prefeito democrata Greg Stanton.
"Os Estados Unidos estão sofrendo. E estão sofrendo em grande parte porque Trump pôs gasolina nas tensões raciais. Com sua visita a Phoenix na terça-feira, temo que possa estar tentando acender um fósforo", escreveu em uma coluna.
A oposição também acusa Trump de jogar "sal em feridas abertas" indo ao Arizona após anunciar dias atrás que considera indultar o polêmico xerife deste estado, Joe Arpaio, condenado por violar uma sentença federal, ao perseguir excessivamente os imigrantes em situação ilegal.
Arpaio, de 85 anos, um fervoroso partidário de Trump, levou por quase um quarto de século uma perseguição implacável no condado de Maricopa contra os imigrantes latinos, aos quais submetia a vexames e ao ridículo.
"Indultar o xerife Arpaio seria apoiar oficialmente o racismo e a supremacia branca", disse Carlos García, da organização Ponte Arizona, que prevê uma manifestação em frente ao lugar do discurso de Trump.
- O muro polêmico -
Trump, decidido a terminar com a imigração ilegal, viajará também a Yuma, perto do México, para conhecer um equipamento usado pela patrulha de fronteira, inclusive um drone Predator, um barco e um caminhão de vigilância.
Segundo dados oficiais, o número de pessoas que tentam cruzar ilegalmente a fronteira entre o México e os Estados Unidos diminuiu drasticamente este ano em comparação com o anterior.
Entre 1º de janeiro e 31 de julho, autoridades americanas detiveram 126.472 pessoas que tentavam chegar clandestinamente aos Estados Unidos, o que representa uma diminuição de 46% com relação ao mesmo período de 2016.
No entanto, com a nova política de Trump voltada a deter em solo americano quem tiver violado seu estatuto migratório, aumentou o número de detenções e expulsões de imigrantes ilegais.
"A mensagem é que uma vez que alguém chegue (ilegalmente) aqui, será detido e expulso do país", afirmou na terça-feira a jornalistas um alto funcionário do Departamento de Segurança Interior.
A zona desértica de Yuma pode servir para ilustrar a pertinência do apoio presidencial de construir um muro gigantesco para conter os imigrantes ilegais que entram no sul do país.
Nesta região, após uma lei aprovada pelo Congresso em 2006, foram construídos 100 km de cerca divisória, o que provocou uma queda dramática nas tentativas de travessia. Mas os críticos afirmam que os fluxos clandestinos se mudaram para outras partes desta extensa fronteira de 3.100 km que os Estados Unidos compartilham com o México.
A prioridade de Trump é erguer um muro para que a fronteira se torne hermética, aumentando, ao mesmo tempo, os recursos técnicos e a infraestrutura para conter a chegada de ilegais. Para isto, Trump enviou ao Congresso seu projeto de orçamento, que será debatido em setembro, após o recesso.
A obra monumental, no entanto, parece improvável, segundo muitos, pois seu custo poderia chegar aos 21 bilhões de dólares.
AFP