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Estas são as grandes datas do caso de Cesare Battisti, desde a detenção do ex-militante de extrema esquerda na Itália, em 1979, e sua fuga para a França e o Brasil, para fugir da Justiça em seu país até sua prisão, neste sábado, na Bolívia.
- Detenção na Itália
Em junho de 1979, o italiano Cesare Battisti, que se uniu no final dos anos 1970 ao grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), é detido em Milão no rastro da investigação pelo homicídio de um joalheiro nesta cidade.
É condenado em maio de 1981 a 12 anos e dez meses de prisão por "participação em grupo armado" e "recaptação de armas". Escapa da prisão perto de Roma em outubro de 1981, e foge para a França e depois para o México em 1982.
- Escritor na França
Em 1985, o presidente socialista François Mitterrand se compromete a não extraditar os ex-ativistas de extrema esquerda que romperam com seu passado.
Battisti volta à França em 1990 e inicia uma carreira de autor de romances policiais. Um ano depois, a Justiça francesa rejeita um pedido de extradição da Itália.
Em 31 de março de 1993, um tribunal criminal de Milão o condena à revelia à prisão perpétua por dois homicídios e cumplicidade em outros dois assassinatos no final dos anos 1970, entre eles o do joalheiro de Milão.
A Itália pede em 2002 nova extradição.
Em fevereiro de 2004, Battisti é detido em Paris, e em seguida posto em liberdade sob controle judicial. Em junho, a Justiça francesa se declara favorável à sua extradição.
"É nosso dever responder favoravelmente a um pedido de extradição", diz em julho o presidente Jacques Chirac.
Em outubro de 2004, a Justiça francesa rejeita um recurso de Battisti.
- Refugiado no Brasil
Cesare Battisti foge para o Brasil e é capturado em 18 de março de 2007 no Rio, e detido em Brasília. A Justiça italiana pede sua extradição.
Em 14 de janeiro de 2009, o Brasil lhe concede o asilo político. A Itália protesta.
Em 18 de novembro do mesmo ano, o Supremo Tribunal Federal autoriza a extradição de Battisti, mas deixa a decisão final nas mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 31 de dezembro, ele rejeita extraditar Battisti.
Em carta ao Parlamento brasileiro, em fevereiro de 2011, Battisti, que espera na prisão uma nova decisão do STF, diz "nunca provoquei ferimentos ou a morte de qualquer ser humano".
Em 8 de junho de 2011, a Suprema Corte confirma a decisão do ex-presidente Lula de não extraditar Battisti e decide libertá-lo.
A Itália anuncia um recurso ante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), enquanto Battisti obtém a residência permanente no Brasil.
- Detido para ser extraditado
Em março de 2015, uma juíza da 20ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a deportação de Battisti para o México ou a França.
No começo de outubro de 2017, é detido preventivamente na fronteira com a Bolívia, quando se preparava a deixar o Brasil. É rapidamente posto em liberdade e volta para São Paulo. Ele havia se instalado em 2011 em Cananeia, litoral sul do estado.
Durante quatro meses até abril de 2018, é submetido a vigilância eletrônica.
O então candidato de extrema direita à Presidência do Brasil, Jair Bolsonaro, promete em sua campanha eleitoral a extradição de Battisti. Quando é eleito em outubro de 2018, admite que a decisão compete à Suprema Corte.
Em dezembro passado, um ministro do Supremo Tribunal Federal ordena a prisão de Battisti com vistas à sua extradição. O ex-militante italiano passa para a clandestinidade.
As autoridades brasileiras anunciam sua detenção em 12 de janeiro de 2019 em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e seu imediato translado para o Brasil, para dali ser extraditado para a Itália.
Um avião com policiais e membros dos serviços secretos a bordo deixa a Itália rumo à Bolívia, indicam neste domingo autoridades italianas.