Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02452.jsonl.gz/24

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
(Arquivo) As bandeiras dos EUA (E) e de Cuba são vistas juntas, em Miami, no dia 20 de dezembro de 2014(afp_tickers)
Em dezembro passado, os presidentes Barack Obama e Raúl Castro mudaram a relação entre Estados Unidos e Cuba ao anunciar um processo de restabelecimento de laços diplomáticos, após meio século de enfrentamentos, mas o otimismo inicial deu lugar ao pragmatismo nas negociações e a completa normalização pode exigir anos:
- Restabelecimento de embaixadas -
Objetivo imediato das conversações, o restabelecimento dos laços diplomáticos e a abertura das embaixadas devem acabar com as Seções de Interesses, um status diplomático excepcional que os dois países mantêm nas duas capitais desde 1977, sob os auspícios da Suíça.
Os Estados Unidos manifestaram interesse em superar esta etapa antes da Cúpula das Américas, que terá início nesta sexta-feira, no Panamá, mas os países ainda precisam superar certos obstáculos.
- Lista de países que promovem o terrorismo -
Cuba exige que antes de se avançar no diálogo diplomático os EUA retirem Havana da lista dos países que patrocinam o terrorismo, na qual a Ilha foi incluída em 1982. Já Washington estima que as duas coisas são processos separados, mas Obama determinou a revisão desta situação.
- Indenização pelas nacionalizações -
Um dos pontos de maior polêmica envolve as indenizações para as empresas americanas nacionalizadas após a Revolução Cubana nos anos 60.
É um dos "grandes temas", disse à AFP William Leogrande, autor de "Back Channel to Cuba". Os Estados Unidos afirmam que a dívida soma 7 bilhões de dólares pelo confisco de propriedades de empresas americanas como a Coca Cola e a Exxon.
Mas Havana também exige indenização pelas perdas provocadas pelo embargo comercial imposto por Washington à Ilha a partir de 1962, que segundo o governo teria provocado um prejuízo de 116 bilhões de dólares.
A solução deste impasse é um dos passos fundamentais para se suspender o embargo, mas o emaranhado jurídico em torno da questão apenas poderá ser desatado pelo Congresso americano, controlado pela oposição republicana.
- Guantánamo -
Havana quer a devolução da base naval de Guantánamo, no extremo leste da Ilha, que os Estados Unidos ocupam desde 1903, mas este é um tema tabu para Washington. De qualquer forma, Obama ainda precisa fechar o centro de detenção que funciona na base, onde permanecem mais de 100 prisioneiros da "guerra contra o terror".
Se os Estados Unidos fecharem a prisão, "há ao menos a possibilidade de considerarem" devolver a base, que no papel está no território soberano de Cuba e "já não tem grande valor estratégico" para Washington, disse LeoGrande.
AFP