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A comunidade científica estuda pistas de tratamentos do novo coronavírus que emergiu na China, para o qual ainda não existe terapia, informou nesta sexta-feira (31) um médico do Inserm, instituto francês de pesquisa médica.
O doutor Yazdan Yazdanpanah, diretor do Instituto de Imunologia, Inflamação, Infecção e Microbiologia do Inserm e especialista no âmbito da OMS, mencionou "três estratégias que estão em nível avançado" de estudo, durante uma coletiva de imprensa em Paris.
A primeira consiste em utilizar exclusivamente o Kaletra, um medicamento anti-HIV/aids que associa duas moléculas antivirais (lopinavir e ritonavir).
"Vários colegas chineses o usaram na China em testes clínicos, dos quais ainda não se têm os resultados", disse.
A segunda opção é associar este medicamento ao interferon (antiviral e imunoterapêutico), uma combinação utilizada contra o coronavírus MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio), em um teste clínico ainda em curso.
A terceira se baseia no remdesivir, outro antiviral usado para tratar o ebola. Há muito poucos dados sobre sua eficácia, mas segundo um artigo da revista Nature, "parece maior do que a do Kaletra".
Outra pista possível diz respeito aos tratamentos à base de "anticorpos monoclonais", mas o estudo está "menos avançado", segundo o doutor Yazdanpanah.
"A OMS começará rapidamente um teste clínico aleatório internacional (n.r: baseado em exames comparativos mediante sorteio). Entretanto, gostaríamos de usar alguns tratamentos em pacientes em estado grave pelo menos", disse.
Os pesquisadores podem se apoiar nos trabalhos sobre outros dois coronavírus que originaram epidemias letais (Sars e Mers). Mas a possibilidade de cultivar este novo coronavírus "permite também por à prova moléculas, algumas das quais já estão disponíveis para outrsas patologias", acrescentou o doutor Yazdanpanah.
Este especialista citou, ainda, outra estratégia em avaliação, que consiste em verificar se pessoas expostas foram infectadas pelo vírus antes do aparecimento dos sintomas e, se for assim, fornecer um tratamento precoce.
Por enquanto, o tratamento que se conhece melhor e o único disponível é o Kaletra, por ter sido usado sobretudo na pós-exposição ao HIV.
Entre as questões ainda em aberto está "por que a doença se agrava no sétimo dia?". Este é im elemento primordial para poder projetar uma estratégia terapêutica, segundo este médico, que também é chefe do serviço de doenças infecciosas do hospital parisiense de Bichat, que recebeu um turista chinês de 80 anos em estado grave.
O novo coronavírus deixou até agora 213 mortos e o número de pacientes infectados na China continental beira os 10.000. Uma centena de casos foram declarados em outros 20 países.
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