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Físicos finalmente observam desintegração do bóson de Higgs
Seis anos depois de rastrearem o bóson de Higgs, a partícula subatômica que confere massa à matéria, físicos disseram nesta terça-feira (28) que "finalmente" testemunharam sua desintegração em partículas chamadas "quarks bottom".
A desintegração prevista foi observada no Large Hadron Collider (LHC), anunciou o laboratório de física europeu CERN.
"Havia dúvidas sobre se essa observação poderia ser alcançada", disse a colaboração científica ATLAS sobre a "interação elusiva", agora documentada no maciço acelerador de partículas.
Como os próprios bósons de Higgs são difíceis de encontrar, e outras partículas também se dividem em quarks bottom, é difícil rastrear aqueles atribuídos especificamente à desintegração do Higgs.
Pesquisadores dizem que a aguardada observação serve como verificação adicional do Modelo Padrão da física - a teoria dominante das partículas fundamentais que compõem o Universo e as forças que as governam.
Sob esse modelo, desenvolvido no início dos anos 1970, quarks e léptons são os blocos de construção mais básicos da matéria.
Existem seis tipos de quarks, dos quais os quarks bottom estão entre os mais pesados.
O Modelo Padrão previu que a desintegração de Higgs produziria pares de quarks bottom em aproximadamente 60% das vezes.
Mas a busca por esses quarks está "entre as análises mais exigentes já realizadas pelo ATLAS", disse a equipe em um comunicado.
Cientistas que investigam a natureza e o funcionamento do Higgs e de outras partículas estão à procura de qualquer coisa que não se encaixe nas previsões do Modelo Padrão.
Isso se deve a que o modelo não explica a matéria escura ou a energia escura, e parece ser incompatível com a teoria da gravidade.
Algum outro modelo de "nova física" é necessário para explicar isso.
As alternativas propostas incluem a existência de dimensões extras, ou a "supersimetria", que postula a existência de um irmão de massa igual para cada partícula conhecida do Modelo Padrão, mas nenhuma evidência foi encontrada até agora.
A última observação também foi "consistente com" o Modelo Padrão, disse a equipe do detector de partículas CMS, que trabalhou com o ATLAS no projeto. Mas "ainda deixa espaço para contribuições da nova física".
Embora tenha sido um importante avanço científico, a observação também foi "uma decepção (para os físicos) porque o Modelo Padrão ainda não foi refutado".
Os físicos examinaram uma grande quantidade de dados experimentais nos últimos anos para compor um perfil do elusivo bóson de Higgs, previsto pela primeira vez em 1964.
Eles até agora observaram sua massa, rotação e duração.
"Nos próximos anos, muito mais dados serão coletados e a precisão será melhorada em nossa busca para ver se o bóson de Higgs revela a presença da física além do Modelo Padrão", disse o CMS.