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A União Democrática do Centro (UDC) pretende fazer da má vontade dos suíços em relação à União Européia o tema principal de campanha para as eleições de outubro.
Políticos de direita defendem a tese de que a Suíça só tem a perder se aderir a UE. “Essa integração seria uma catástrofe econômica para o país”.
A União Democrática do Centro (UDC) é o partido mais à direita no espectro político suíço, mas não é reduto de extremistas. Trata-se de uma agremiação popular, com um forte apoio em várias camadas da população.
Esse apoio é fruto de uma tática bem sucedida de polemizar temas populares. Por isso, nos últimos anos, o partido lançou campanhas e plebiscitos contra a imigração ilegal, pela redução de impostos e, sobretudo, contra a adesão da Suíça à União Européia.
Se para muitos suíços o preço de entrar no clube de países europeus é alto demais, para a UDC trata-se de um pecado capital. Por isso sua briga contra a União Européia é histórica.
Primeiro voto contrário contra a Europa
Em 1992, o partido e um dos seus mais famosos integrantes, o empresário Christoph Blocher, conseguiram convencer a maior parte dos suíços a não aprovar a adesão do país ao Espaço Econômico Europeu (EEE), apesar dos apelos dos sindicatos, governo e empresários.
A votação no plebiscito popular foi apertada: 50,3% dos votantes foi contra e 49,7% a favor.
Desde então a Suíça está fora do clube que une os doze países membros da UE e os países da Associação Européia de Livre-Comércio (AELE) numa grande área de livre circulação de mercadorias. O acordo entrou em vigor em 1994, sem a participação da Suíça.
A última tentativa dos favoráveis à UE foi enterrada em 4 de março de 2001, quando no plebiscito popular "Sim para a Europa", mais de 76,8% dos suíços votantes recusaram a adesão à União Européia.
Agora o tema “Europa” retorna à agenda do dia
Nas eleições federais de outubro, a UDC pretende mais uma vez polemizar com o assunto.
Durante uma coletiva de imprensa, o presidente do partido Ueli Maurer anunciou que a UDC irá entregar uma interpelação no Parlamento Federal, para obrigar o governo a tomar posição em relação à Europa. “O governo tem de dizer se abandona ou não seus planos de adesão a União Européia”.
Na opinião de Maurer a Suíça só tem a perder com uma adesão a União Européia. “Eles não conhecem o conceito de democracia direta”.
“As vantagens da Suíça, como país de investimentos, seria perdidas: a estabilidade do franco suíço, os juros baixos e o segredo bancário. Além disso, os impostos seriam aumentados drasticamente”, defende Christoph Mörgeli, deputado federal da UDC.
Para defender suas posições, a UDC pretende pregar por toda a Suíça cartazes contrários a União Européia. Em frases curtas e apocalípticas, eles mostram o que os suíços podem ganhar se entrarem na comunidade: - “salários reduzidos, mais desemprego, mais estrangeiros, 30% a mais de aluguel, mais impostos e taxas.
swissinfo, agências e Alexander Thoele
Breves
- O governo federal suíço publicou no Relatório de Política Externa (15 de novembro de 2002) o que seus ministros sempre declaram a imprensa: o objetivo é a adesão da Suíça à União Européia.
- Se nas eleições federais de outubro o novo parlamento for simpático à idéia de adesão à UE, negociações poderão ser iniciadas.