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A Justiça suíça negou um pedido de soltura sob fiança do cineasta franco-polonês Roman Polanski, foragido dos EUA e preso em Zurique desde 26 setembro.
Cinemas suíços vão exibir o documentário Roman Polanski: Procurado e desejado, de 2007, que fala sobre o polêmico caso das "relações sexuais ilegais", motivo da prisão.
O Ministério suíço da Justiça não acatou um "pedido de reavaliação" da detenção, através do qual os advogados do cineasta questionavam o mandado provisório de extradição dos EUA, conforme explicou o porta-voz do ministério, Folco Galli, à agência de notícias AP.
Esse pedido havia sido depositado em Berna em 29 de setembro, simultaneamente à entrada do recurso contra a prisão do cineasta no Tribunal Penal Federal em Bellinzona.
Segundo Galli, o pedido de revisão não foi acatado porque o ministério, em sua posição enviada ao Tribunal Federal, se pronunciou contra a soltura de Polanski.
Os advogados haviam pedido a soltura rápida do diretor franco-polonês, eventualmente mediante pagamento de fiança ou na forma de prisão domiciliar na sua casa de férias em Gstaad, nos Alpes suíços.
"Continuamos da opinião de que ainda há um alto risco de que ele fuja e que uma liberdade sob fiança ou outra medida após a libertação não garanta a presença de Polanski no procedimento de extradição", afirmou Galli. A decisão do tribunal sobre o recurso em si é prevista para as próximas semanas.
O diretor de 76 anos e vencedor do Oscar foi preso a pedido dos Estados Unidos quando desembarcou em Zurique, no dia 26 de setembro, para receber um prêmio pelo conjunto de sua obra no festival de cinema local.
"Procurado e desejado"
Acusado de ter mantido relações sexuais com uma menina de 13 anos em 1977, ele era procurado há anos pela Justiça dos EUA, de onde fugiu em 1978.
O polêmico caso das "relações sexuais ilegais" foi documentado por Marina Zenovich em Roman Polanski: Wanted and desired ("Roman Polanski: Procurado e desejado", em tradução livre), de 2007, em exibição em alguns cinemas suíços a partir desta quarta-feira.
O filme é vendido na Suíça em DVD desde setembro. "Quando compramos os direitos de exibição, há mais de um ano, ninguém se interessou pelo filme, mas após sua prisão o interesse pela obra explodiu", disse Roman Güttinger, da locadora Ascot Elite ao jornal NZZ am Sonntag.
Zenovich revela em seu premiado filme erros que teriam ocorrido no processo penal contra Polanski. Para isso, ela entrevistou policiais, promotores e juízes relacionados ao caso, assim como a vítima. Os advogados de Polanski usaram partes do filme para tentar inocentá-lo.
Depois da prisão do diretor, Zenovich viajou a Zurique para fazer outro filme, uma continuação de Roman Polanski: Wanted and desired". Em entrevista à imprensa local, ela disse que só lhe interessam as questões jurídicas e não o aspecto moral do caso.
swissinfo.ch com agências
O crime
O crime pelo qual Polanski é acusado ocorreu em 1977. Aos 44 anos, o cineasta havia convidado uma jovem de 13 anos, Samantha Geimer, para uma sessão de fotos para a revista Vogue, na residência do ator Jack Nicholson, em Los Angeles. Segundo os autos, o diretor deu à menina champanhe e tranquilizantes, antes de pedir que tirasse suas roupas. Em uma piscina, os dois completaram o ato sexual. Posteriormente Geimer declarou que teve medo do cineasta e por isso se sujeitou ao seu assédio.
O cineasta contestou, na época, a versão da menina, mas confessou ter tido relações sexuais com a menor de idade. Ele foi preso e liberado mediante pagamento de 2.500 dólares de fiança. Durante as investigações, Polanski foi detido novamente, dessa vez por 42 dias. Pouco depois, embarcou em um avião para Londres e depois para Paris, onde vive até hoje com sua esposa, a atriz Emannuelle Seigner. Ele nunca mais retornou aos EUA, nem para receber o Oscar em 2003 pelo filme "O Pianista".