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O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse nesta sexta-feira que a União Europeia não aceitará a "chantagem" do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que ameaçou enviar milhões de migrantes para a Europa, depois de ser criticado por sua ofensiva na Síria.
"Nunca aceitaremos que os refugiados sejam usados como arma ou para nos chantagear. Portanto, considero que as ameaças do presidente Erdogan estão absolutamente fora de lugar", disse Tusk.
Na quinta-feira, após o início de uma ofensiva turca contra áreas controladas por uma milícia curda no norte da Síria, Erdogan emitiu um alerta aos países europeus que criticaram a operação.
"Se tentarem apresentar nossa operação como uma invasão, abriremos as portas e enviaremos 3,6 milhões de migrantes", ameaçou. A Turquia abriga 3,6 milhões de refugiados sírios em seu território. O fluxo de migrantes da Turquia para a Europa reduziu bastante graças a um acordo alcançado em 2016 entre Ancara e a UE.
"A Turquia deve entender que nossa principal preocupação é que suas ações possam levar a uma nova catástrofe humanitária, o que seria inaceitável", acrescentou Tusk, após uma reunião com o presidente cipriota Nicos Anastasiades em Nicósia.
"A operação militar unilateral da Turquia gera preocupação e deve parar (...) A intervenção militar só tornará as coisas piores. Em vez de criar estabilidade, aumentará a instabilidade de toda a região", alertou.
Iniciada na quarta-feira, a ofensiva turca na Síria visa áreas controladas pela principal milícia curda da Síria, as Unidades de Proteção do Povo (YPG).
Considerada "terrorista" por Ancara, essa milícia foi a principal responsável pela derrota do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).