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Imagem capturada de vídeo da AFP TV mostra Frankie Fredericks (D) chegando em tribunal de Paris em 2 de novembro de 2017(afp_tickers)
O ex-atleta namibiano Frankie Fredericks compareceu nesta quinta-feira a um tribunal de Paris para ser interrogado sobre as suspeitas de corrupção na escolha dos Jogos Olímpicos do Rio-2016.
A chegada ocorreu pouco depois das 9h00 locais (6h00 de Brasília) na companhia de seu advogado. Ele saiu uma hora depois sem dar declarações.
Fredericks, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), está na mira da Justiça por receber um pagamento de 299.300 dólares no mesmo dia em que o COI concedeu ao Rio de Janeiro a organização dos Jogos, em 2 de outubro de 2009, em Copenhague.
A justiça francesa tem competências no caso pela possibilidade de lavagem do dinheiro em Paris.
O ex-velocista, campeão do mundo nos 200 metros em 1993, justificou o pagamento alegando que foi feito "de acordo com um contrato, datado em 11 de março de 2007, pelos serviços prestados entre 2007 e 2011", e que essa retribuição "não tem a ver com os Jogos Olímpicos".
Fredericks, no entanto, teve que abandonar a presidência da comissão de avaliação das Olimpíadas de 2024.
Fredericks era encarregado da apuração do voto para o COI na eleição da sede dos Jogos do Rio.
- Vinculado a Papa Massata Diack -
O valor era procedente da sociedade de Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) Lamine Diack. Além disso, três dias antes, a sociedade do empresário Arthur Soares, apelidado de "Rei Arthur" e vinculado ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, desviou 1,5 milhão de dólares para uma sociedade de Massata Diack.
Em setembro, a Polícia Federal realizou várias operações no Brasil, incluindo uma na casa de Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê organizador dos Jogos do Rio. Acusado de ser um elo do esquema, foi preso no início de outubro para depois ser colocado em liberdade condicional.
O Brasil acusa Nuzman e Cabral de "solicitarem diretamente" a "Rei Arthur" a entrega de dois milhões de dólares para Papa Massata Diack.
Segundo o Ministério Público do Rio, Nuzman, seu antigo braço direito e Cabral se reuniram com Lamine Diack em agosto de 2009 em Berlim durante o Mundial de Atletismo e o senegalês teria sugerido a eles que resolvessem com seu filho o valor das propinas.
Pouco depois de sua acusação formal, Fredericks deixou a presidência da comissão de avaliação dos Jogos Olímpicos de 2024. O ex-campeão do mundo anunciou que não participará da nomeação da cidade anfitriã dos Jogos-2024.
AFP