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Após críticas, EUA enviará 60 milhões de vacinas da AstraZeneca para outros países
Os Estados Unidos enviarão até 60 milhões de doses da vacina da AstraZeneca contra o coronavírus para outros países, informou nesta segunda-feira (26) um funcionário do governo, enquanto o presidente Joe Biden se comprometia a ajudar uma Índia devastada a combater a pandemia.
Críticos acusam Washington de “acumular” a vacina desenvolvida no Reino Unido, que não é autorizada ainda no país e provavelmente não será necessária para vacinar os norte-americanos.
O problema veio à tona nos últimos dias, em um momento em que a Índia enfrenta um novo aumento catastrófico de infecções por covid-19, que levou à saturação de seu sistema de saúde e dos crematórios.
“Os Estados Unidos distribuirão 60 milhões de doses da AstraZeneca para outros países conforme se tornarem disponíveis”, afirmou no Twitter Andy Slavitt, conselheiro sênior da Casa Branca na luta contra a covid-19.
Uma funcionária do governo disse a repórteres que as primeiras 10 milhões de doses podem ser disponibilizadas “nas próximas semanas” depois de passarem por uma inspeção de qualidade pela FDA, a agência reguladora de medicamentos do país.
“Há cerca de 50 milhões de doses adicionais que estão em vários estágios de produção e podem ser concluídas em fases ao longo de maio e junho”, acrescentou.
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, indicou que os países destinatários ainda não foram decididos e que seu governo ainda está formulando seu plano de distribuição.
Mas a Índia parece ser um dos principais candidatos depois que Biden conversou por telefone com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, que lhe pediu ajuda para lidar com a grave emergência de saúde.
“Hoje falei com o primeiro-ministro @narendramodi e prometi a ele total apoio dos Estados Unidos para fornecer assistência emergencial e recursos na luta contra a covid-19. A Índia estava lá para nós e nós estaremos lá para eles”, declarou Biden no Twitter.
Funcionários de sua administração disseram, ainda, que Washington estava explorando opções para fornecer oxigênio – desde remessas diretas até sistemas de geração – e também o remédio antiviral remdesivir, equipamentos de proteção individual, testes de covid e equipes de especialistas.
– Casos em declínio –
No mês passado, a Casa Branca disse que o governo estava se preparando para enviar cerca de 4 milhões de doses da AstraZeneca para seus vizinhos: 2,5 milhões para o México e 1,5 milhão para o Canadá.
O rápido progresso do programa de vacinação também torna improvável que a maior potência mundial venha a precisar dos imunizantes produzidos pelo laboratório britânico.
A Pfizer e a Moderna afirmam estar em condições de entregar cerca de 600 milhões de doses até o final de julho, o suficiente para vacinar 300 milhões de pessoas.
Os EUA também retomaram a vacinação com o fármaco da Johnson & Johnson, que exige apenas uma aplicação, após um breve hiato por suspeitas de ligação dessa vacina com uma forma rara de trombose.
Mais de 53% dos adultos no país receberam pelo menos uma dose da vacina até agora, segundo dados oficiais, e a demanda doméstica começou a diminuir, pois muitas pessoas que queriam se vacinar já o fizeram.
A taxa de novos casos diários de covid-19 também está caindo, chegando a menos de 60 mil por dia em média, pela primeira vez em um mês.
Ashish Jha, reitor da Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, afirmou que um dos principais entraves para o envio de doses da AstraZeneca para o exterior tem sido a questão da responsabilidade legal, uma vez que os contratos originais foram feitos entre a empresa e os Estados Unidos.
“Pode haver alguns eventos adversos e até mesmo eventos não relacionados à vacina”, explicou Jha durante um webinar. Segundo ele, o fabricante estava preocupado com a possibilidade de ser alvo de ações judiciais sem a indenização de que desfruta nos EUA.
“Acho que isso pode ser resolvido pela Índia, que pode oferecer à AstraZeneca compensações e proteção”, acrescentou. Porém, ele acredita que a questão pode ser politicamente delicada na Índia se a vacina da AstraZeneca vier a ser vista como algo de segundo nível ou “descartado” por outros.