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Membros do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), um grupo insurgente sediado em Chiapas, no sul do México, saíram nesta segunda-feira (26) de sua comunidade para visitar cerca de 30 países europeus onde se encontrarão com grupos anticapitalistas.
O grupo de sete pessoas planeja se dirigir à Ilha Mulheres, em Quintana Roo, no Caribe mexicano, para partir em barco rumo à Europa em uma viagem que levará de seis a oito semanas.
"Calcula-se que na segunda metade do mês de junho de 2021 estarão em frente à costa europeia", informou o EZLN em um comunicado.
O subcomandante Galeano, líder do EZLN antes conhecido como Marcos, disse, segundo o documento, que a embarcação chegará ao porto de Vigo, na Galícia, Espanha.
"Se não pudermos desembarcar, seja pela covid, migração, franca discriminação, chauvinismo, ou que se enganaram de porto ou qualquer bobagem, vamos preparados", acrescentou.
O líder da delegação zapatista estenderá uma faixa com a legenda "Despertad" (Despertem).
Em outubro de 2020, os zapatistas explicaram que a viagem servirá para denunciar temas como a violência contra as mulheres, o genocídio contra os povos originários, o racismo, o militarismo e a exploração, espoliação e destruição da natureza.
Para o EZLN, por trás de todos estes males está o sistema capitalista. "O carrasco é um sistema explorador, patriarcal, piramidal, racista, ladrão e criminoso", declarou o grupo no comunicado de outubro.
Chefiado por Marcos, que alcançou fama mundial com sua postura anticapitalista, o rosto coberto e cachimbo, o EZLN surpreendeu o governo mexicano ao pegar em armas e lhe declarar guerra em 1º de janeiro de 1994, no mesmo dia em que entrou em vigor o Tratado de Livre Comércio do México com os Estados Unidos e o Canadá.
Os combates duraram 12 dias e deixaram dezenas de mortos, a maioria zapatistas. Após um cessar-fogo foi aberto um processo de diálogo sobre as reivindicações da guerrilha, que reivindicava direito à terra, à moradia, à educação, à saúde e ao emprego.
As duas partes assinaram em 1996 os acordos de San Andrés, mas os zapatistas interromperam o diálogo por causa do descumprimento da reivindicação de uma reforma constitucional que garantisse sua autonomia.
Em 2003, o EZLN criou em seus territórios as chamadas "Juntas de bom governo" para dar autonomia às suas comunidades. Ali gerem seus próprios serviços de educação e saúde e não admitem a intervenção do governo.