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O presidente argentino, Mauricio Macri, em Tucumán, Argentina, no dia 9 de julho de 2016(afp_tickers)
O presidente argentino, Mauricio Macri, definiu como uma "guerra suja" o terrorismo de Estado da última ditadura militar (1976-1983) e chamou de "transtornada" a líder das Mães da Praça de Maio, Hebe Bonafini, em uma entrevista nesta quarta-feira ao site BuzzFeed.
Macri, impulsionador das novas plataformas digitais para expressar mensagens diversas, concedeu uma entrevista - transmitida ao vivo por vários meios de comunicação locais - e respondeu perguntas sobre os julgamentos de lesa-humanidade, os desaparecidos da última ditadura, pobreza, entre outros assuntos que continuam dividindo a sociedade argentina.
Ao ser consultado sobre seu apoio ou rejeição aos julgamentos de lesa-humanidade contra os repressores da ditadura, o presidente de centro-direita disse: "É importante saber bem o que aconteceu e dar o direito aos familiares que saibam definitivamente depois dessa horrível tragédia, que foi essa guerra suja, que saibam o que foi que aconteceu".
O conceito de "guerra suja" tem sido o argumento dos genocidas que atribuíram os crimes de lesa-humanidade a danos colaterais, justificados no auge de um suposto confronto entre o Estado e organizações armadas de esquerda.
Ele também foi questionado sobre as críticas que Bonafini fez contra ele e a polêmica sobre o número de desaparecidos durante a ditadura - que os organismos de direitos humanos estimam em 30.000.
"Já tem algum tempo que não respondo (a Bonafini). Ela está transtornada, diz barbaridades fora de lugar há vários anos", disse.
Macri rejeitou que Bonafini seja vítima de uma perseguição ideológica pela causa judicial na qual está sendo investigada, por suposta fraude com fundos públicos destinados à construção de moradias sociais.
"Ela está envolvida em feitos de corrupção graves e todos temos que ser iguais diante da justiça, mas vê-se que ela não interpreta da mesma maneira", afirmou.
Quanto ao número de desaparecidos, respondeu: "Não tenho ideia. Se foram 9.000 ou 30.000 é um debate no qual não vou entrar, é uma discussão que não tem sentido".
"O que aconteceu já tem uma dimensão: foi a pior coisa que ocorreu na nossa história, não faz falta um número", falou.
Sobre sua posição com relação à defesa dos direitos humanos, considerou que basta ver as ações de seu governo.
"Trabalho todos os dias (nisso) e falo pelos direitos que são contundentes", sustentou.
AFP