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Logo da Odebrecht na Vila Olímpica do Rio de Janeiro, 23 de junho de 2016(afp_tickers)
Em menos de três anos, a Odebrecht deixou de ser a maior empreiteira da América Latina para se tornar o retrato do que há de pior na relação entre política e poder econômico.
A investigação da Lava Jato foi desastrosa para a empresa, que admitiu às autoridades ter pagado mais de 3 bilhões de dólares em propinas na América Latina e na África.
Agora, buscando se reinventar, a diretora da área de Governança da empresa, Olga Pontes, disse que o grupo pretende recuperar sua reputação apenas em quatro anos.
Em entrevista à AFP na tarde de quinta-feira, Pontes, de 41 anos, repetiu como um mantra palavras como "transformação" e "mudança" e detalhou a "conversão" que a empresa vive.
P: A Odebrecht pode limpar seu nome?
R: Não tem outro caminho a não ser recuperar a reputação. A Odebrecht não é a única empresa de controle familiar, nem a única que leva o sobrenome de uma família como título e não é a primeira que tenha passado por crises similares. Há uma lista de empresas que nos últimos 10 anos passaram por crises reputacionais similares, não tenho evidências que mostrem que alguma delas não se recuperou.
P: Quando os resultados vão começar a aparecer?
R: A gente tem um planejamento de recuperação da reputação bastante agressivo; estamos trabalhando fortemente para recuperar a reputação a patamares de antes da crise em quatro anos.
Ao mesmo tempo, tem todo um processo de monitoramento independente das autoridades americanas e brasileiras, que começou agora em fevereiro. Estamos com monitores em campo de altíssima competência, experientes.
- 'Questão de sobrevivência' -
P: É uma questão de sobrevivência?
R: O mundo corporativo se tornou mais exigente, mais regulado. Hoje em dia, ter as práticas que a Odebrecht está implementando e aperfeiçoando é uma questão de sobrevivência. E não só para quem passou por uma crise reputacional.
P: A Odebrecht vendeu ativos, reduziu seu pessoal e perdeu um grupo de executivos por causa do escândalo. Como isso afetou a empresa?
R: Houve uma troca de liderança [Marcelo Odebrecht, ex-presidente, está preso em Curitiba, e seu pai, Emílio, segue trabalhando por um acordo com a Justiça que ajude na transição].
Executivos saíram, e outros executivos assumiram novas lideranças. Os executivos que colaboraram com a Justiça, aproximadamente 50, foram desligados da organização, e 20 e poucos permanecem na Odebrecht com autorização da Justiça, porque as próprias autoridades entendem que são essenciais para o processo futuro de retomada e crescimento.
- 'Identificar e calar é o problema' -
P: Como é hoje ser integrante da Odebrecht?
R: Como cidadã e como milhares de integrantes da empresa, nos não nos orgulhamos do que aconteceu no passado. Os integrantes ainda menos, porque estamos lá dentro. Mas o que nos orgulha e nos faz lutar por essa causa é a determinação da Odebrecht em mudar, e nos enche de esperança para que a Odebrecht seja reconhecida como uma empresa capaz de se transformar e demostrar as qualificações técnicas que ela teve ao longo das últimas décadas de operação, que hoje estão totalmente abafadas pelo escândalo.
P: Se a Odebrecht voltasse a cometer um novo delito, como isso afetaria os acordos entre Brasil e Estados Unidos?
R: O fato de você encontrar irregularidades daqui para frente é um dever da organização. O processo de uma conformidade robusta é para prevenir. Mas também você detectar, identificar e, se for um ato de corrupção, você comunicar às autoridades imediatamente. Identificar não é o problema, identificar e calar é o problema.
AFP