Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02466.jsonl.gz/46

Bancos suíços e gestores de ativos estão na lista crescente de instituições internacionais acusadas de participar no esquema Madoff.
Liquidantes do esquema fraudulento exigem 2,5 bilhões de dólares do banco UBS. O banco Union Bancaire Privée concordou em pagar até 500 milhões em fundos perdidos. Outras instituições também devem enfrentar ações civis ou penais.
Um dos maiores escroques da história, Bernard Madoff cumpre uma pena de prisão de 150 anos por ter criado o mais famoso esquema Ponzi da história. Em vez de investir o dinheiro recebido dos clientes, Madoff ficava com os fundos para si e usava os novos investimentos para reembolsar quem deixava o esquema.
Quando o “Bernard Madoff Investment Securities” foi à falência em 2008, o escroque já tinha varrido 20 bilhões de dólares de investimentos, revelando que 45 bilhões de crescimento de ativos não passavam de uma ficção.
A lista de vítimas de Madoff inclui personalidades das mais ricas do mundo, astros de Hollywood e organizações de caridade.
No entanto, Madoff não é a única pessoa a ser responsabilizada pela fraude em maça. Uma série de instituições financeiras internacionais também estão sendo acusadas por ter ajudado o escroque a atrair novos clientes.
Responsabilidade negada
Entre as instituições envolvidas no esquema, o banco suíço UBS, que criou dois fundos de investimentos chamados "feeder funds", no Luxemburgo, para processar o dinheiro dos clientes no esquema, e outros pequenos bancos privados suíços e gestores de activos.
Liquidatário dos bens de Madoff nos Estados Unidos, Irving Picard, está processando por danos o UBS e outros grandes bancos, como HSBC e JP Morgan Chase. Ele alega perante os tribunais dos EUA que, embora os bancos tenham participado do golpe de forma inconsciente, eles recebiam volumosas comissões por seus serviços enquanto não procediam a verificações elementares adequadas.
O UBS nega a responsabilidade, alegando que foi convidado a criar seus fundos de investimento no Luxemburgo por clientes de Madoff e que nunca havia negociado ativamente para o esquema. "As acusações são totalmente infundadas e sem mérito. Tomaremos todas as medidas adequadas para demonstrar que as acusações são falsas e infundadas", declarou à swissinfo.ch a porta-voz do UBS, Tatiana Togni.
O Union Bancaire Privée, no entanto, preferiu não travar uma queda de braço com a justiça americana, concordando em pagar até 500 milhões de dólares para poder continuar negando qualquer responsabilidade no golpe.
O banco espanhol Santander, que atraiu dinheiro para o esquema de Madoff através de sua filial Optimal Investment Services em Genebra, já havia oferecido uma compensação pelas perdas aos clientes.
Investidores "enganados"
O liquidatário oficial dos EUA não é a única entidade que tenta obter uma indenização do UBS. Um grupo de famílias endinheiradas da França lançou uma ação judicial em Paris e a empresa de proteção dos investidores europeus Deminor também está processando o banco.
Deminor, que representa cerca de 2.500 investidores (cerca de 300 deles na Suíça), acredita que o UBS deve pagar também 500 milhões de dólares com perdas na fraude.
Sua principal queixa é que o UBS estava enganando os investidores ao não mencionar o nome de Madoff nos prospectos dos fundos de investimentos e principalmente pelo fato de que os fundos “feeder funds” do Luxemburgo também eram administrados pelo fraudador.
"O UBS não divulgou sua relação comercial com Madoff", declarou à swissinfo.ch o representante da Deminor, Edouard Fremault. "Os clientes achavam que estavam investindo em um produto do UBS, quando na verdade estavam confiando o dinheiro deles ao Madoff".
Processos penais pendentes
Diretor do escritório de advocacia de Zurique AFP Fischer and Partners, Daniel Fischer disse que estava negociando com várias instituições uma maneira de conseguir compensações pelas perdas relacionadas a Madoff, sofridas por mais de 100 clientes.
"Essas instituições têm a obrigação de cuidar do dinheiro de seus clientes, mas não fizeram isso corretamente", disse o advogado à swissinfo.ch. "Elas têm afirmado repetidamente sua inocência, dizendo que não haviam sinais que as alertassem de que algo de errado estava acontecendo. Mas estamos conseguindo cada vez mais evidências que provam o contrário".
Daniel Fischer acrescentou que algumas dessas evidências apontam para uma negligência criminosa dos administradores dos fundos que alimentavam Madoff de dinheiro.
O advogado revelou que seu escritório já iniciou um processo penal contra um administrador de ativos suíço e que está prestes a processar o banco Reichmuth & Co por ter canalizado fundos até Madoff através do fundo de investimento Reichmuth Matterhorn.
O escândalo Madoff
Bernard Madoff fundou a Bernard L. Madoff Investment Securities em Wall Street, em 1960. Ele começou o esquema fraudulento de Ponzi na década de 90.
O esquema teria movimentado 65 bilhões de dólares até o momento em que foi desvendado, em dezembro de 2008. Esse valor foi constituído por cerca de 20 bilhões de dólares depositados por investidores, o restante formado por um crescimento fictício sobre os investimentos.
O dinheiro não era investido, mas injetado constantemente por novos clientes que iam assim pagando as pessoas que fechavam as contas.
Madoff dirigia o fundo como um clube exclusivo, atraindo dinheiro de instituições beneficentes judaicas e uma série de pessoas ricas, incluindo Steven Spielberg, de acordo com relatórios.
O fundo era administrado em sigilo absoluto e fazia auditorias internas. Muitas instituições financeiras soaram o alarme sobre um possível esquema de Ponzi, mas os reguladores admitiram não ter investigado suficientemente os avisos.
Em 10 de dezembro de 2008, Madoff foi preso nos EUA depois de supostamente ter admitido a seus filhos que o esquema era "uma grande mentira".
Em março de 2009, Madoff se declarou culpado em tribunal de 11 acusações, incluindo fraude, perjúrio e lavagem de dinheiro. Ele disse que estava "profundamente arrependido e envergonhado".
Madoff foi condenado a 150 anos de prisão em 29 de junho de 2009.Aqui termina o infobox
(Adaptação: Fernando Hirschy), swissinfo.ch