Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02484.jsonl.gz/38

O tenista suíço Roger Federer venceu a final de Wimbledon contra Andy Roddick, conquistou seu sexto título em Londres e o 15° em um Grand Slam, o que o confirma como melhor tenista de todos os tempos.
Federer derrotou o norte-americano por 3 sets a 2, com parciais de 5/7, 7/6 (8/6), 7/6 (7/5), 3/6 e 16/14, em uma final histórica, disputadíssima e dramática, que durou 4h16.
Numa partida épica, Roger Federer ganhou pela sexta vez o torneio na grama de Wimbledon, bateu o recorde de títulos de Grand Slam (15 contra 14 de Pete Sampras – que estava na platéia) e reconquistou a liderança do ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), posição que havia perdido para o espanhol Rafael Nadal em agosto de 2008.
"Minha cabeça ainda está girando", disse Federer pouco antes da premiação, quando também se dirigiu a Pete Sampras. "Obrigado por ter vindo. Quebrar recordes não era uma meta estabelecida na minha carreira. Não jogo para bater recordes, mas com certeza essa foi uma grande vitória."
Federer dirigiu-se a Andy Roddick, abatido pela derrota: "eu sei o que você está sentindo, eu senti a mesma coisa quando perdi aqui para Nadal no ano passado; mas você pode voltar e ganhar aqui."
Roddick, por sua vez, declarou, sob os aplausos do público, que "Federer merece tudo o que ganha; mais uma vez eu tentei, mas não deu".
Em entrevista à BBC, Pete Sampras disse que "Federer faz tudo com perfeição; além disso ele ainda tem só 27 anos e vai ganhar outros títulos do Gran Slam".
O jogo: um drama em cinco atos
Para Federer, estabelecer os recordes foi trabalho duro. No começo da final, Roddick deu continuidade ao extraordinário desempenho mostrado na semifinal contra Andy Murray, conseguiu quebrar um serviço de Federer e ganhou o primeiro set no tie-brack. Foi um set extremamente equilibrado, em que o potente saque de Roddick fez a diferença e Federer pagou caro por seus erros.
Também no segundo set da partida, que foi marcada por muitos pontos diretos devido aos excelentes serviços dos dois tenistas, Federer parecia não encontrar uma receita contra o forte saque do norte-americano.
Quando tudo indicava que Roddick abriria uma vantagem de dois sets no placar, o suíço conseguiu defender quatro bolas de jogo e ganhar o tie-brack.
Esse game de desempate deu uma guinada no jogo. Federer tornou-se mais forte e no terceiro game do terceiro set teve sua primeira chance de quebrar o serviço de Roddick, mas não a aproveitou.
Isso devolveu segurança ao americano e a partida continuou equilibrada. No tie-brack, porém, as cartas foram trocadas. Federer abriu uma vantagem de 5 a 1 e não entregou mais o game ao adversário - o que aconteceu com Roddick no segundo set.
No quarto set, o menos equilibrado, novamente Roddick conseguiu quebrar um serviço do suíço e venceu o set por 6 a 3, levando a decisão para o quinto set, como no torneio do ano passado em Wimbledon, quando Federer perdeu para o espanhol Rafael Nadal.
O quinto set confirmou o equilíbrio da partida e pareceu eterno, já que não havia a possibilidade do tie-brack. Foram 30 games em mais de uma hora e meia. Nenhum dos adversários dava uma chance de quebra de serviço.
Roddick continuava disposto a desmentir as estatísticas - nos 20 confrontos anteriores, o americano havia vencido apenas duas vezes. Mas Federer acabou mostrando mais força mental para suportar a pressão e decidiu a final histórica em Wimbledon por 16 a 14.
Em sua 37ª tentativa na partida, Federer realizou a primeira quebra de serviço contra Roddick, quando este já dava sinais de cansaço. Em todos os seis pontos do suíço no 77° game, Roddick cometeu erros evitáveis porque não estava bem posicionado em relação à bola.
Campanha impecável
O suíço fez uma campanha perfeita em Wimbledon: derrotou o taiwanês Yen-Hsun Lu, o espanhol Guillermo García, o alemão Philipp Kohlschreiber, o sueco Robin Soderling, o croata Ivo Karlovic e o alemão Tommy Haas - e Roddick na final.
O balanço dos duelos entre Federer e Roddick era claramente favorável ao suíço, com 18 vitórias em 20 enfrentamentos, entre elas, duas em finais de Wimbledon (2004 e 2005) e uma no Aberto dos Estados Unidos (2006).
O suíço, que em 2009 venceu o Masters de Madri e o torneio de Roland Garros, disputou sua vigésima final de Grand Slam, batendo o recorde de tcheco Ivan Lendl (19).
Federer volta a ser o número 1 do tênis mundial na segunda-feira, quando será publicado o novo ranking da ATP. Ele já ocupou essa posição por 237 semanas. Pelo menos nesse ponto ainda é superado pelo americano Pete Sampras, que liderou o ranking durante 286 semanas.
As perspectivas de Federer para defender o primeiro lugar nos próximos meses não são ruins. Devido ao seu fraco desempenho em 2008, uma das piores temporadas de sua carreira, ele tem poucos pontos a defender nos próximos torneios, ao contrário de seus rivais Rafael Nadal, Andy Murray ou Novak Djokovic.
Geraldo Hoffmann, swissinfo.ch (com agências)