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(20 set) Pessoas se registram em Qamishli, norte da Síria, para votar nas eleições locais(afp_tickers)
Habitantes de áreas do norte da Síria, majoritariamente curdas, começaram a votar nesta sexta-feira nas primeiras eleições locais da região, a fim de consolidar um governo semiautônomo naquela zona.
A votação desta sexta é a primeira etapa de eleições que transcorrerão em três partes, para escolher representantes distritais, municipais e regionais.
Esse movimento preocupa os governos sírio e turco, abertamente contrários ao referendo sobre a independência previsto para a próxima segunda-feira no Curdistão iraquiano.
O governo central da Síria diz que as eleições são uma piada, mas os curdos pretendem dar um primeiro passo para um sistema federal, algo desejado há muito tempo.
Reprimidos por Damasco, os curdos sírios aproveitaram a guerra que assola o país para estabelecer uma autonomia "de fato" nos territórios sob seu controle, no norte e no nordeste.
Eles representam 15% da população total da Síria.
Apoiadas pelos Estados Unidos, as forças curdas estão na linha de frente da luta contra o grupo Estado Islâmico (EI) e chegaram a controlar outras áreas, além daquelas majoritariamente curdas.
Em março de 2016, os territórios semiautônomos anunciaram a criação de uma "região federal", integrada por três cantões: Afrine, na província de Aleppo (norte); Furat, entre Aleppo e a província de Raqa; e Jaziré, na província de Hasaké (nordeste).
As eleições dos conselhos executivos das cidades e áreas maiores estão previstas para 3 de novembro, e em 19 de janeiro acontecerá a fase final, quando elegerão os conselhos legislativos de cada uma das três regiões, assim como uma assembleia legislativa conjunta.
Nesta sexta, Mohamed Khalil, um eleitor, afirmou que estas eleição são um sonho que se tornou realidade para os curdos da Síria.
"Não conhecíamos o significado da liberdade e não tínhamos qualquer direito. Hoje, pela primeira vez, podemos votar e defender nossa posição", afirmou.
Essas eleições acontecem dias antes de um controvertido referendo pela independência organizado pelos curdos no vizinho Iraque.
Os curdos negam que estejam buscando a independência da Síria, garantindo que as eleições não excluem as minorias de suas regiões - em particular, os árabes.
"Essas eleições vêm reforçar o sistema federal", disse à AFP Saleh Moslem, copresidente do Partido da União Democrática Curda (PYD), principal sigla curda do país.
"Fazemos parte da Síria. Nossa reivindicação não é, em absoluto, como a do Curdistão iraquiano", alegou.
Nessa região do norte do Iraque, que tem desde 1991 um status de autonomia que se ampliou ao longo dos anos, está previsto um referendo sobre o tema em 25 de setembro. Vários países se pronunciaram contra a consulta.
Segundo especialistas, os partidos curdos sírios de oposição não participarão do pleito eleitoral, classificado de "simulacro de democracia" pelo geógrafo Fabrice Balanche, já que todos os participantes "são membros de uma coalizão dirigida pelo PYD".
Já a Turquia considera que o PYD e seu braço armado, as Unidades de Proteção do Povo Curdo(YPG), são um desdobramento na Síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão turco (PKK). Para Ancara e para seus aliados ocidentais, trata-se de uma "organização terrorista".
AFP