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Por Margarita Antidze
TBILIZI (Reuters) - O ex-presidente da Geórgia e ex-chanceler da União Soviética Eduard Shevardnadze morreu nesta segunda-feira aos 86 anos depois de um longo período enfermo, disse sua assistente pessoal.
Shevardnadze desempenhou um papel vital no fim da Guerra Fria, quando era ministro de Relações Exteriores da União Soviética, e depois governou a Geórgia nos primeiros anos turbulentos da independência até ser deposto após protestos de rua.
O último presidente soviético, Mikhail Gorbachev, lamentou a morte do amigo, definido-o como "uma pessoa extraordinária, talentosa" que fez muito para derrubar o Muro de Berlim e pôr fim à corrida nuclear.
"Ele foi sempre rápido para achar um meio de se conectar com diferentes pessoas --com jovens e a velha geração. Ele tinha um caráter brilhante, um temperamento georgiano", disse ele, referindo-se à natureza emotiva de Shevardnadze.
O presidente russo, Vladimir Putin, enviou condolências para a "família, bem como ao povo georgiano".
Shevardnadze era tanto amado como odiado em seu país depois de ter trazido estabilidade para a região, mas fracassar ao conter a corrupção generalizada no país. Nos últimos anos ele raramente deixava sua casa numa região montanhosa.
Como chanceler no governo de Gorbachev, Shevardnadze esteve à frente do degelo nas relações com o Ocidente antes da queda do Muro de Berlim e da dissolução da União Soviética.
Ele foi um dos pais intelectuais da perestroika, a reforma que Gorbachev diz ter sido concebida durante uma caminhada pelas margens do Mar Negro com seu camarada georgiano.
Depois do colapso da União Soviética, Shevardnadze retornou à Geórgia, se tornou presidente e trouxe estabilidade para a república após um período de anarquia, quando manifestantes empunhando Kalashnivoks rondavam as ruas do país.
Ele foi deposto em 2003, na Revolução das Rosas, depois que o Parlamento foi invadido por manifestantes.
(Reportagem adicional de Alexei Anishchuk)
Reuters