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O presidente americano, Barack Obama, em Washington, DC, no dia 31 de agosto de 2016(afp_tickers)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu neste sábado à oposição republicana, que controla ambas as câmaras do Congresso, que destine recursos para a luta contra o vírus zika.
O pedido de Obama ocorre depois do anúncio da sexta-feira por parte da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA) de que todas as doações de sangue serão submetidas a testes para detectar o zika, em meio a um aumento do vírus no país.
Obama recordou, em seu pronunciamento semanal no rádio, que, em fevereiro passado, pediu "ao Congresso os recursos de emergência que os especialistas em saúde pública dizem que necessitam para combater o zika".
Mas os republicanos "disseram não", pelo que fundos originalmente destinados a combater o Ebola, o câncer e outras doenças foram redirecionados para lutar contra o zika.
"Esta não é uma solução sustentável", disse Obama, que acrescentou que a demora na designação de novos fundos "coloca os americanos em risco".
"O Congresso deveria tratar o zika como a ameaça que realmente é" e "financiar completamente o combate ao vírus. Parte dos fundos não será suficiente para fazer o trabalho. Não se pode resolver parte de uma doença", declarou.
- Exame de sangue -
Peter Marks, diretor do Centro de Avaliação Biológica e Pesquisas da FDA, disse na sexta-feira que "ainda há muitas incertezas a respeito da natureza e do alcance da transmissão do vírus zika".
"Neste momento, a recomendação de fazer exames em todas as doações de sangue ajudará a garantir que haja sangue não contaminado disponível para todos os indivíduos que necessitem de transfusão", completou.
São necessários controles mais severos diante da evidência de que o zika pode ser transmitido por via sexual, e de que aqueles infectados não necessariamente apresentam os sintomas, informou a FDA.
Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) disseram na sexta-feira que um homem infectado com o vírus durante uma viagem, que não havia apresentado sintomas, havia infectado sua companheira ao manter relações sexuais sem proteção.
Mais de 2.500 pessoas nos Estados Unidos foram diagnosticadas com o zika, e mais de 9.000 em território americano fora do continente, como Porto Rico.
A maioria dos casos são importados, mas a Flórida anunciou em julho os primeiros contágios de zika locais, com 42 infectados.
- Reprodução -
O zika é transmitido através da picada do mosquito Aedes aegypti, e o contágio é possível durante o contato sexual.
O vírus pode persistir no sêmen por até seis meses, e também é capaz de se reproduzir na vagina durante quatro a cinco dias, de acordo com as descobertas de uma pesquisa realizada em ratos publicada na sexta-feira.
"Observamos importantes reproduções do vírus no tecido genital, até quatro ou cinco dias depois" da contaminação, disse Akiko Iwasaki, professora de Imunologia e pesquisadora do Howar Hughes Medical Institute.
Ratos fêmeas prenhes foram infectadas com o vírus, que se propagou desde os órgãos sexuais até o cérebro do feto.
As mulheres grávidas infectadas têm maior risco de dar à luz a um bebê com microcefalia.
Embora seja habitual que os resultados dos estudos realizados em ratos não sejam aplicáveis automaticamente aos seres humanos, Iwasaki disse que as conclusões desta investigação lançam uma nova luz sobre as vias de propagação do zika.
"A descoberta poderá ser importante para as mulheres, não só para as grávidas", declarou.
"A vagina é um local onde o vírus pode se reproduzir e, possivelmente, ser transmitido" através do sexo. "Em grávidas, a transmissão vaginal do vírus pode ter um impacto significativo no desenvolvimento do feto", completou.
Por isso, é recomendado que as mulheres grávidas usem preservativos ou se abstenham de manter relações sexuais se vivem ou viajam às regiões contaminadas pelo zika.
AFP