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Maduro faz discurso em Caracas 23/5/2017 REUTERS/Carlos Barria(reuters_tickers)
Por Alexandra Ulmer e Brian Ellsworth
CARACAS (Reuters) - O impopular presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu nesta terça-feira seguir em frente com um novo Congresso para reescrever a Constituição, apesar de dissidência dentro de seus próprios aliados e grandes protestos no país abalado por quase dois meses de agitações.
No mais recente sinal de fissuras internas, um magistrado dentro do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, pró-governo, falou contra a Assembleia planejada, dizendo “não ser a solução para a crise” e pediu para Maduro “pensar cuidadosamente” para evitar maior derramamento de sangue.
Ao menos 53 pessoas foram mortas como resultado da agitação que teve início no começo de abril. Tumultos e saques destacaram riscos de que manifestações podem sair do controle, considerando a ampla fome, irritação com Maduro e fácil acesso a armas em um dos países mais violentos do mundo.
Sem se deixar abater pela oposição, Maduro apresentou nesta terça-feira o projeto da “Assembleia Constituinte” de 540 membros como uma cura para as manifestações da Venezuela, que disse ser uma tentativa apoiada pelos Estados Unidos de derrubar o “socialismo do século 21”.
“Votos ou tiros, o que as pessoas querem?”, perguntou Maduro a uma multidão de apoiadores com bandeiras da Venezuela no palácio presidencial Miraflores.
“Vamos às eleições agora”, disse, antes de detalhar como a nova Assembleia será parcialmente eleita por votos em um nível municipal e parcialmente por grupos diferentes, incluindo trabalhadores, fazendeiros, estudantes e indígenas.
Líderes da oposição dizem que o projeto é uma farsa feita para evitar uma eleição presidencial marcada para o ano que vem e manter Maduro no poder, apesar de a economia do país estar em queda.
No sinal mais revelador de divisões internas contra Maduro, a procuradora-geral da Venezuela criticou o plano para um Congresso de base e alertou a Maduro sobre o risco de aprofundar a crise.
Venezuelanos estão examinando o governo e as Forças Armadas por quaisquer novas repressões, à medida que manifestantes tomam as ruas diariamente e pedem eleições antecipadas, ajuda humanitária para aliviar escassez de comidas e remédios e liberdade para ativistas presos.
“Agitações persistentes e cada vez mais violentas irão eventualmente fazer com que as principais partes abandonem Maduro e negociem uma rápida transição que ajuste um cronograma para novas eleições; o momento preciso é impossível de prever, no entanto”, informou nesta terça-feira a consultoria política Eurasia Group em comunicado a seus clientes.
(Reportagem adicional de Mircely Guanipa, Cristian Veron, Eyanir Chinea, Andreina Aponte, Diego Ore, Maria Ramirez e Andrew Cawthorne)
Reuters