Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02600.jsonl.gz/90

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
O chefe de Gabinete da presidência argentina, Jorge Capitanich, criticou o juiz e o mediador do caso por supostamente favorecer os fundos especulativos.(afp_tickers)
A Argentina se manifestou nesta quinta-feira contra os Estados Unidos, contra o juiz e contra o mediador do litígio entre o país e os fundos especulativos e negou o default parcial declarado por duas agências de risco.
Os porta-vozes de governo, incluindo o ministro da Economia Axel Kicillof, negaram que o país esteja em moratória. Mas, em razão de a Argentina não ter efetivado o pagamento que venceu na última quarta-feira aos credores dos títulos reestruturados, as classificadoras de risco consideraram que o país descumpriu suas obrigações e atribuíram a nota de default da dívida.
As agências de classificação financeira Standard & Poor's (S&P) e Fitch declararam a moratória parcial ao país que chegou a depositar o dinheiro para o pagamento dos credores. A classificação de "moratória parcial" ou "default seletivo" se deve ao fato de o descumprimento ser de apenas uma parte da dívida. Griesa congelou o pagamento até que seja cumprida sua sentença a favor dos fundos NML Capital e Aurelius, que ganharam na justiça o direito de receber 1,33 bilhão de dólares pelos títulos podres.
"Isto não é um default", afirmou Kicillof em uma coletiva de imprensa.
O ministro argumentou que "a Argentina tem reservas e quer continuar pagando. Esse dinheiro (bloqueado em Nova York) não é da Argentina, mas dos credores que têm que cobrar".
O ministro garantiu que "será feito o possível para que este dinheiro chegue a seus legítimos donos" e voltou a criticar com dureza o juiz Griesa e o mediador Daniel Pollack.
Após o fracasso das negociações, Griesa convocou as partes a uma audiência na sexta-feira às 12h00 (horário de Brasília), afirmou nesta quinta-feira à AFP um porta-voz judicial.
Antes, o chefe de gabinete, Jorge Capitanich, reagiu com indignação, afirmando que "houve uma prática danosa por parte do Poder Judiciário dos Estados Unidos".
O descumprimento do pagamento ocorreu após o fracasso de intensas negociações de última hora, por meio do mediador judicial Dan Pollack, entre uma comitiva argentina liderada pelo ministro da Economia Axel Kicillof e representantes dos fundos.
A Bolsa de Buenos Aires teve uma queda de 8,43% no primeiro dia de moratória parcial.
- Os fundos da discórdia -
O fundo NML, um dos litigantes vitoriosos na justiça dos EUA, divulgou em Nova York um comunicado em que afirma: "Durante este processo, o mediador propôs muitas soluções criativas, muitas das quais eram aceitáveis para nós".
No entanto, disse a NML, "a Argentina rejeitou considerar seriamente qualquer uma delas, e em vez disso escolheu o default".
Em Nova York, Kicillof adiantou na quarta-feira que país não se considera em moratória. O ministro ressaltou que a Argentina defenderá as "exitosas" renegociações de sua dívida soberana, aceitas por 92,4% dos credores com remunerações de até 70%.
Centenas de economistas, incluindo o Nobel Robert Solow, pediram nesta quinta-feira ao Congresso dos EUA que mitigasse as sequelas nos mercados financeiros da sentença que favoreceu os fundos especulativos.
"Solicitamos que atuem agora e que busquem soluções legislativas para mitigar o impacto danoso dessa decisão e outras semelhantes", explicaram acadêmicos em uma carta dirigida a parlamentares americanos.
- Proposta dos bancos privados -
O JP Morgan e outros bancos negociavam na quinta-feira com fundos especulativos para encontrar uma solução alternativa ao caso, segundo informaram à AFP fontes ligadas à negociações. O mecanismo passaria pela compra dos bônus dos fundos especulativos.
Contatado pela AFP, o JP Morgan se recusou a fazer "qualquer comentário a respeito".
A Argentina não pode pagar 100% do valor nominal dos títulos em moratória aos fundos especulativos sem ativar a cláusula "Rufo" dos acordos das renegociações de 2005 e 2010, que determina que os pagamentos dos credores devem ser equiparados.
- Consequências de um default -
Esta situação inédita de uma moratória resultante de uma decisão judicial acontece treze anos depois da catastrófica moratória de 2001, quando o governo suspendeu o pagamento de 100 bilhões de dólares, equivalentes a 166% de seu PIB.
Segundo os analistas, uma das primeiras consequências seria o afastamento por um longo tempo do país do acesso aos mercados internacionais de capitais, dos quais a Argentina se distanciou desde 2001, com tentativas recentes de reaproximação.
"O evento é altamente prejudicial para a Argentina", disse o analista econômico Carlos Caicedo, analista para América Latina da firma de risco financeiro IHS, certo da intensificação da recessão e da inflação.
Belén Olaiz, analista econômica da consultora Abeceb disse à AFP que esta situação "sem precedentes tem um impacto muito negativo sobretudo nas reestruturações das dívidas globais".
AFP