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A polícia da cidade de Zurique não mais publicará automaticamente em seus comunicados de imprensa a nacionalidade de suspeitos de crimes, por considerar o procedimento discriminatório.
O conselheiro municipal Richard Wolff, chefe do departamento de segurança da cidade, decidiu introduzir a mudança, explicando que "a menção regular da nacionalidade nos relatórios policiais é discriminatória porque sugere que o crime pode ser explicado pela nacionalidade do acusado", afirmou ele na na terça-feira.
Certos meios de comunicação acreditam que é importante conhecer a nacionalidade dos criminosos, acrescentou Wolff, e argumentam que a omissão dessa informação pode ser vista como não transparente ou um "encobrimento".
Mas a polícia de Zurique considera a divulgação da nacionalidade de um agressor como um ato de "pseudo-transparência", que muitas vezes acaba por obscurecer as causas do crime, como pobreza, baixa escolaridade, estigmatização ou uso de drogas.
Ele acrescentou que a divulgação das nacionalidades só fez com que os leitores superestimassem o número de crimes cometidos por estrangeiros, o que, para a polícia, era "um efeito indesejável".
A polícia consultou os editores de seis organizações de mídia - Neue Zürcher Zeitung, Tages-Anzeiger, SRF, 20Minuten, Watson e o Blick Group - antes de tomar a decisão. Três foram a favor e três contra.
A partir de agora, a polícia da cidade de Zurique não nomeará automaticamente a nacionalidade dos suspeitos nos comunicados de imprensa, exceto nas chamadas de busca de suspeitos. No entanto, as informações poderão ser fornecidas mediante solicitação.
O anúncio da terça-feira vai contra a tendência geral na Suíça nos últimos 20 anos. Outras forças locais, como a polícia cantonal de Zurique e a polícia da cidade de Winterthur, continuarão a publicar a nacionalidade dos suspeitos.
Em 2012, os residentes do cantão de Solothurn apoiaram uma iniciativa do Partido do Povo Suíço (SVP) para forçar a polícia e o judiciário locais a dar a nacionalidade dos infratores nos comunicados de imprensa. No cantão de St. Gallen, o parlamento aprovou uma iniciativa similar em 2010.
swissinfo.ch/ets