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O espanhol Juan Antonio Samaranch, presidente por 21 anos do Comitê Olímpico Internacional (COI), cuja sede está em Lausanne na Suíça, faleceu na quarta-feira em Barcelona, sua cidade natal. Ele tinha 89 anos.
Nas rédeas do COI entre 1980 e 2001, Samaranch foi o presidente com o tempo mais longo de gestão nos 107 anos da história da organização, apenas atrás de Pierre de Coubertin.
Seu período frente ao COI foi marcado por um crescimento exponencial dos jogos e também seu mais grave escândalo ligado à corrupção.
Samaranch foi internado no domingo passado em um hospital da capital catalã devido a uma insuficiência cardíaca e faleceu três dias depois devido a uma parada cardíaca, como informou o Hospital Quirón de Barcelona através de um comunicado enviado à imprensa.
O atual presidente do COI, Jacques Rogge, expressou seu pesar com a notícia através de um comunicado: "Não tenho palavras para expressar a consternação da família olímpica".
"Sinto-me pessoalmente entristecido pela morte do homem que construiu os Jogos Olímpicos da era moderna, um homem que inspirou e cujo conhecimento do esporte era realmente excepcional. Graças à sua extraordinária visão e talento, Samaranch foi o arquiteto de um movimento olímpico forte e unido. Eu só posso homenagear suas conquistas e seu importante legado, além de louvar sua devoção genuína ao movimento olímpico e seus valores. Nós perdemos um homem genial, um mentor e amigo que dedicou sua larga e frutífera vida ao movimento".
Como presidente honorário vitalício, Samaranch se manteve ativo mesmo como aposentado. Ele foi presidente do conselho de administração do Museu Olímpico em Lausanne, além de participar com bastante frequência de reuniões do COI em todo o mundo.
A era Samaranch foi possivelmente a mais intensa da história do COI, incluindo boicotes olímpicos, a profissionalização de atletas, também a irrupção do comercialismo, o auge de popularidade dos jogos, o flagelo do doping e o escândalo de corrupção na atribuição dos jogos de inverno em Salt Lake City.
Há somente um ano, Samaranch apoiou a candidatura de Madrid em 2016 e pediu aos membros do COI reunidos em Copenhague que cedessem os jogos à Espanha, pois seu "fim estava muito próximo". Finalmente, Rio de Janeiro ganhou da capital espanhola na votação final.
Samaranch tinha nos seus últimos anos de inúmeros problemas de saúde. Ficou hospitalizado na Suíça por onze dias por "estafa", em 2001, para depois retornar à sessão do COI em Moscou, onde o belga Jacques Rogge foi eleito como seu sucessor. Além disso, nos últimos anos, sofria de problemas renais e de hipertensão.
Eleito em 1980
Samaranch, até então um desconhecido diplomata espanhol, foi eleito em Moscou, em 1980, como sétimo presidente do movimento olímpico, assumindo o cargo de maior destaque no mundo esportivo.
Vinte e um anos depois, como uma figura de renome internacional, Samaranch retornou a Moscou para completar seu ciclo, celebrando a popularidade e sucesso econômico dos jogos, apesar do escândalo que ocasionou a expulsão de dez membros do COI por ter recebido favores do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002.
Embora muitos dos seus amigos o descreverem como uma pessoa afetiva, ele exibiu até seus últimos dias de administração uma personalidade fria e propensa a discursos filosóficos.
"Sinto-me tranquilo", disse. "A vida é assim. Há um começo e um fim. Este é o fim da minha presidência. Sabia há muito tempo que esse dia iria chegar."
Mesmo nos últimos momentos do seu mandato em 2001, Samaranch se esforçou para concretizar três objetivos como parte do seu legado: fazer de Pequim a sede das Olimpíadas em 2008, a eleição de Rogge para sucedê-lo e a nomeação do seu filho como membro do COI.
swissinfo.ch e agências
Biografia
Juan Antonio Samaranch Torrelló (em catalão Joan Antoni Samaranch i Torrelló; Barcelona, 17 de julho de 1920 — Barcelona, 21 de abril de 2010) foi um empresário e político espanhol. Em 1991 recebeu o título de "Marquês de Samaranch".
Nascido numa rica família da Catalunha, foi presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) de 1980 a 2001. Empresário, foi jogador, técnico e dirigente de hóquei sobre patins. Passou a integrar o Comitê Olímpico Espanhol em 1956, onde foi seu presidente de 1967 a 1970. Em 1966, foi eleito membro do COI.
Assumiu o COI quando o órgão sofria crises financeiras e boicotes políticos, mas explorou o lado comercial dos jogos tornando-os mais populares, sendo considerado um dos mais importantes dirigentes da história do órgão.
Seu mandato também ficou marcado pelo aumento de casos de doping e por acusações de compra de votos para a escolha de Salt Lake City como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002.
Após entregar o cargo a seu sucessor Jacques Rogge, tornou-se presidente honorário vitalício do Comitê Olímpico Internacional.
Foi a figura principal em 2009 para a campanha de Madrid para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2016, mas a cidade acabou preterida para o Rio de Janeiro.
Faleceu em Barcelona aos 89 anos a 21 de abril de 2010. (Texto: Wikipédia em português)
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