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O premier do Paquistão discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York(afp_tickers)
O Paquistão se nega a ser um "bote expiatório" do banho de sangue que ocorre no Afeganistão e a lutar a guerra dos outros, declarou nesta quinta-feira o primeiro-ministro paquistanês, Shahid Khaqan Abbasi, ao discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Abbasi não criticou diretamente a nova estratégia do presidente americano, Donald Trump, para o Afeganistão, mas deixou claro seu desgosto pelas renovadas críticas que recebe do Paquistão.
"Após sofrer e sacrificar tanto devido ao nosso papel na campanha global contra o terrorismo, é muito doloroso para o Paquistão ser culpado pelo impasse militar e político no Afeganistão", lamentou Abbasi.
"Não estamos dispostos a ser o bode expiatório de ninguém. O Paquistão não está preparado para lutar a guerra afegã no solo paquistanês. Também não podemos aprovar qualquer estratégia fracassada que prolongue e intensifique o sofrimento dos povos do Paquistão, Afeganistão e de outros países da região".
Abbasi recordou que 27 mil paquistaneses morreram nas mãos de extremistas desde o início da guerra antiterrorista, lançada pelos Estados Unidos após os ataques de 11 de setembro de 2001.
O premier paquistanês disse que é preciso priorizar a eliminação de extremistas, incluindo os integrantes do Estado Islâmico e da Al-Qaeda no Afeganistão, mas defendeu uma solução política com os talibãs.
Estados Unidos e dirigentes afegãos acusam o Paquistão de fazer jogo duplo, com seus poderosos serviços de inteligência mantendo relações com os extremistas.
As forças americanas localizaram e mataram o líder da Al-Qaeda Osama bin Laden em 2011 em Abbottabad, uma cidade que abriga a elite militar paquistanesa.
Trump anunciou no mês passado a adoção de uma linha mais dura em relação ao Paquistão, revelando frustrações que durante longo tempo foram reservadas.
O presidente americano também enviou milhares de soldados adicionais ao Afeganistão para derrotar os talibãs.
O presidente afegão, Ashraf Ghani, defendeu nas Nações Unidas o diálogo com o Paquistão, afirmando que os vizinhos podem trabalhar juntos para eliminar o extremismo.
AFP