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O presidente peruano deposto, Martín Vizcarra, questionou nesta terça-feira (10) a "legalidade e legitimidade" do seu sucessor, Manuel Merino, após ele assumir o poder no Congresso em meio a protestos nas ruas.
"Estou preocupado, como muitos peruanos, porque uma autoridade para exercer sua autoridade precisa de dois princípios e condições básicas: legalidade e legitimidade", afirmou Vizcarra um dia após ser destituído pelo Congresso por "incapacidade moral".
"A legalidade está em questão porque o Tribunal Constitucional ainda não se manifestou e a legitimidade é dada pelo povo", disse o popular ex-presidente de centro-direita a jornalistas fora de sua casa em Lima.
Durante a declaração de Vizcarra, nas ruas e praças do centro histórico de Lima, a polícia reprimia com gás lacrimogêneo como forma de dispersar inúmeros grupos de manifestantes.
O Tribunal Constitucional aguarda a resolução de um processo em dezembro para definir o alcance da "incapacidade moral" que Vizcarra havia apresentado em setembro, quando Merino, que também é de centro-direita, lançou contra ele um primeiro pedido de impeachment, que não deu certo.
Por outro lado, Vizcarra prometeu colaborar com o Ministério Público nas investigações das denúncias de ter recebido propina em 2014, quando era governador da região sul de Moquegua, acusações que nega e que serviram de argumento ao Congresso para destituí-lo.
Engenheiro e empresário do ramo da construção, de 57 anos, Vizcarra afirmou que retomará sua atividade profissional.
"Obviamente queria estar (na presidência) até o prazo estabelecido pela Constituição, em 28 de julho de 2021. Mas parece que finalmente a democracia foi sustentada pela ditadura dos votos do Congresso", acrescentou.
"Vou retornar à minha atividade profissional, eu trabalho sempre, não posso deixar de fazê-lo", finalizou, sem especificar se retornará a Moquegua, sua cidade natal no sul do país.