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A proibição do fumo é politicamente polêmica na Suíça, mas um novo estudo mostra que ela pode surtir efeitos positivos para a saúde pública.
O número de infartos agudos do miocárdio no cantão dos Grisões, no leste do país, diminuiu 22% depois da proibição do fumo em edifícios públicos.
A redução ocorreu sobretudo entre os não fumantes, como mostra o primeiro estudo do gênero realizado no país pelo Hospital Estadual dos Grisões, leste da Suíça.
Desde 1° de março de 2008 é proibido fumar em edifícios públicos, incluindo bares e restaurantes, no maior estado em termos de área da Suíça. Os chamados "fumoirs (fumatórios) são permitidos.
Nos dois anos antes da vigência da nova lei, foram registrados respectivamente 229 e 242 infartos cardíacos. No primeiro ano de vigência da lei antifumo o número caiu 22% para 183 casos, conforme informou o Hospital Estadual, na quinta-feira (8/1).
Segundo o coordenador da pesquisa, Piero Bonetti, médico-chefe da área de cardiologia do hospital, esse resultado se deve principalmente à diminuição do número de infartos entre não fumantes.
Ele explicou que o fumo passivo eleva em até 30% o risco de não fumantes sofreram de doenças cardiovasculares. Mesmo assim, Bonetti diz que "não há uma correlação clara" entre os resultados da pesquisa e os efeitos da lei.
"É impossível provar uma causalidade, porque só há duas maneiras de provar isso: uma seria para suspender a proibição de fumar e ver o que acontece; a outra seria ter uma outra população em outro lugar com as mesmas condições, mas que não estivesse sujeita à proibição do fumo", disse à swissinfo.ch.
Após a proibição do fumo, houve uma redução dos casos de infarto cardíaco, popularmente chamado "ataque do coração", tanto entre os homens mais ameaçados (-24%) quanto entre as mulheres (-17%).
Segundo o estudo, turistas que visitaram os Grisões também sofreram menos infartos. A maior redução ocorreu entre pessoas que sofrem de uma doença cardíaca coronária (-50%).
Custos elevados do tabagismo
De acordo com um estudo da Universidade de Basileia, doenças causadas pelo fumo passivo provocam gastos anuais de 420 milhões de francos na Suíça – 45% desses custos referem-se a infartos cardíacos, 29% a casos de câncer do pulmão.
Segundo Bonetti, embora não se possa provar que a lei antifumo foi a causa da redução do número de infartos nos Grisões, "o argumento mais forte para essa causalidade é que mais de dez estudos realizados mundialmente chegaram a resultados semelhantes."
"Se você considerar todos esses estudos chegará a uma redução média de 17% dos casos de infarto após o primeiro ano de implementação da proibição do fumo", disse.
O estudo do Hospital Estadual em Chur, capital dos Grisões, documenta pela primeira vez na Suíça uma redução significativa da taxa de infartos após a proibição do fumo.
"É importante mostrar esse tipo de resultados em um contexto suíço, embora estudos semelhantes tenham sido feitos em outro lugar, porque você precisa de dados locais para convencer que a mudança é necessária", afirmou.
Restrições ao fumo
Quinze dos 26 cantões (estados) suíços já aprovaram restrições ao fumo em bares e restaurantes (veja mapa na coluna à direita).
A partir de 1° de maio de 2010 será proibido fumar nos mais de 3600 estabelecimentos gastronômicos do cantão de Zurique.
A regra de Zurique, aprovada em plebiscito, é considerada mais rígida do que a Lei Federal de Proteção contra o Fumo Passivo, que igualmente entra em vigor em 1° de maio próximo.
A legislação federal permite que bares e restaurantes com menos de 80 metros quadrados continuem sendo estabelecimentos para fumantes. Isso é considerado pouco restritivo por uma coalizão de mais de 40 entidades que reivindica uma proibição nacional do fumo.
Geraldo Hoffmann e Scott Capper, swissinfo.ch (com agências)
Menos fumo, menos câncer
Um estudo publicado em novembro de 2009 por um grupo de pesquisadores liderados pelo italiano Carlo La Vecchia e pelo suíço Fabio Levi (Universidade de Lausanne) mostrou que a renúncia ao fumo reduz o número de casos de câncer.
Os cientistas compararam números de mortes por câncer no período 1990-94 com os de 2000-04.
Resultado: nos 27 países da União Europeia, a taxa de mortalidade anual por câncer diminuiu de 185 para 168 por cem mil pessoas entre os homens, e de 105 para 97 entre as mulheres.
A tendência positiva decorre principalmente da diminuição do consumo de tabaco, o que ficou evidente com a redução do número de casos de câncer de pulmão entre os homens, escreveram os pesquisadores no jornal Annals of Oncology.