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Presidente dos EUA, Donald Trump 12/05/2017 REUTERS/Kevin Lamarque(reuters_tickers)
Por David Alexander e Susan Heavey
WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou o ex-diretor do FBI James Comey nesta sexta-feira a não falar com a mídia, medida extremamente incomum que provocou novas acusações de que o presidente está tentando silenciar o homem que liderou uma investigação sobre possível conluio entre a campanha eleitoral de Trump e a Rússia.
No Twitter, Trump pareceu sugerir que, se Comey desse sua versão dos contatos entre eles, o governo poderia apresentar gravações das conversas, embora não estivesse claro se essas gravações existem.
"É melhor James Comey torcer para não haver qualquer 'gravação' de nossas conversas antes de começar a vazar para a imprensa!", disse Trump em uma de várias mensagens publicadas no Twitter.
A ameaça velada de Trump provavelmente irá agravar a turbulência que tomou conta de Washington desde que ele demitiu Comey abruptamente na terça-feira.
Críticos condenaram Trump por despedir o chefe da Polícia Federal norte-americana no momento em que esta investiga uma suposta interferência da Rússia na eleição de 2016 e um possível conluio entre Moscou e a campanha presidencial de Trump.
No comunicado breve com o qual demitiu Comey, Trump disse que o diretor do FBI lhe disse três vezes que ele não era alvo do inquérito sobre a Rússia. Em uma entrevista concedida à rede NBC News na quinta-feira, o presidente disse que Comey o tranquilizou durante um jantar e em dois telefonemas.
Comey não discutiu publicamente nenhuma conversa que teve com Trump.
O New York Times noticiou que o presidente pediu a Comey, em janeiro, promessa de lealdade a ele e que Comey se recusou a fazê-lo. Tal solicitação prejudicaria a posição do chefe do FBI como um representante independente da lei e ainda alimentou acusações de que Trump ultrapassou as normas do cargo.
Trump disse à Fox News que não pediu a Comey para prometer lealdade e que seseja apenas que ele fosse honesto. Trump declarou que não iria falar sobre a existência de qualquer gravação.
A CNN informou que Comey "não está preocupado com nenhuma gravação" que Trump possa ter, citando uma fonte anônima familiarizada com o assunto.
A apuração do FBI e investigações paralelas do Congresso vêm eclipsando a Presidência de Trump desde sua posse, em janeiro, e ameaçam ofuscar suas prioridades políticas.
Democratas acusam o presidente republicano de tentar abalar a investigação do FBI ao demitir Comey e pediram uma comissão especial para investigar a questão da Rússia.
Comey recusou um convite para prestar depoimento diante do Comitê de Inteligência do Senado em uma reunião fechada na terça-feira por motivos de agenda, disse um porta-voz do senador Mark Warner, o principal democrata no colegiado.
O diretor interino do FBI, Andrew McCabe, saiu pela tangente quando foi indagado, durante uma audiência do Senado ocorrida na quinta-feira, se alguma vez ouviu Comey dizer a Trump que este não era o objeto da investigação.
Em janeiro agências de inteligência dos EUA concluíram que o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou uma campanha de interferência na eleição com o objetivo de fazer a votação pender a favor de Trump. Moscou negou ingerência na eleição, e o governo Trump refutou as alegações de conluio com a Rússia
Reuters