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Os Estados Unidos expressaram, neste domingo (2), ao presidente salvadorenho, Nayib Bukele, sua "grave preocupação" com a demissão de magistrados da Suprema Corte, decidida horas antes pelo Congresso, informou o Departamento de Estado.
Em um telefonema, o chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, manifestou a Bukele sua preocupação com a destituição dos cinco magistrados da Câmara Constitucional do Tribunal e destacou que "um judiciário independente é essencial para a governança democrática", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price.
Blinken também expressou preocupação semelhante com a destituição do procurador-geral Raúl Melara, "que luta contra a corrupção e a impunidade e é um parceiro efetivo nos esforços para combater o crime tanto nos Estados Unidos como em El Salvador", acrescentou Price.
Em sua sessão de instalação, a nova assembleia legislativa, que responde a Bukele, demitiu os juízes por decisões "arbitrárias" e o procurador Melara por considerá-lo próximo à oposição.
Os magistrados, que foram imediatamente substituídos, declararam a decisão da Assembleia como "inconstitucional" e denunciaram a intenção do governo de suprimir o controle dos demais poderes.
Uma das forças minoritárias no Congresso, a direitista ARENA, considerou que foi cometido um golpe de Estado.
Em sua conversa com Bukele, Blinken fez um relato do compromisso de Washington de "melhorar as condições em El Salvador, incluindo o fortalecimento das instituições democráticas e a separação de poderes".
Na mesma noite de sábado, autoridades americanas alertaram que as relações com El Salvador podem se deteriorar.
“Não é assim que as coisas são feitas”, tuitou Juan González, assessor para a América Latina do presidente Joe Biden.
“Uma relação forte entre os EUA e El Salvador dependerá do governo de El Salvador respeitar a separação de poderes e se submeter às normas democráticas”, disse Julie Chung, secretária interina do Departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental, no Twitter.