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O candidato presidencial equatoriano Guillermo Lasso tinha, em 2017, vínculos com empresas de fachada nos Estados Unidos que, após a aprovação de uma reforma legislativa, foram acobertados por "camadas adicionais de anonimato", denunciou o centro de pesquisas CEPR nesta quinta-feira (1).
A revelação é feita pouco mais de uma semana após a eleição no Equador entre Lasso - um banqueiro de direita - e o candidato de esquerda Andrés Arauz, herdeiro político do ex-presidente Rafael Correa.
Na eleição presidencial de 2017, o Centro de Pesquisa Econômica e Política (CEPR), com sede em Washington, denunciou a existência de empresas de fachada na Flórida ligadas a Lasso que tinham propriedades em Miami avaliadas em mais de 30 milhões de dólares.
O Equador aprovou em 2017 uma reforma chamada Pacto Ético, para evitar que funcionários públicos ou candidatos a cargos eleitos por voto popular tenham empresas ou contas em paraísos fiscais.
De acordo com a legislação equatoriana, a Flórida está incluída na lista de regimes fiscais preferenciais caso os investimentos sejam na forma de sociedades de responsabilidade limitada.
"Embora camadas adicionais de anonimato tenham sido introduzidas para ocultar a propriedade, uma revisão dos registros imobiliários e corporativos da Flórida mostra que as empresas de fachada ligadas a Lasso aumentaram desde 2017", disse o CEPR.
O centro observou que, em 2020, a maioria das empresas de fachada citadas passou por inúmeras mudanças, incluindo desativações, demissões, mudanças de nome, fusões e dissoluções.
"Muitas empresas mudaram seus nomes dentro de uma semana de sua dissolução. Todas, exceto quatro das empresas associadas de Lasso, agora se fundiram em novas entidades. No total, identificamos 23 empresas ativas registradas na Flórida", disse o CEPR.
De acordo com o pesquisador do CEPR Jake Johnston, “as empresas de fachada são um fator significativo para explicar como os ricos, os poderosos e os corruptos podem esconder seu dinheiro para evitar o pagamento de impostos”. Johnston disse à AFP que "Lasso deve explicar claramente que conexão tem com essas ou com qualquer outra empresa de fachada fora do Equador."
“Os eleitores em qualquer país devem estar cientes dos interesses comerciais, locais ou estrangeiros dos candidatos a altos cargos, e se eles usam o anonimato corporativo ou truques contábeis para evitar contribuir com uma parcela justa para o país que procuram governar”, concluiu.