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Os eleitores na Suíça rejeitaram uma proposta destinada a conter a expansão urbana. A iniciativa da seção de jovens do Partido Verde conseguiu menos de 40% dos votos.
Mais de 60% dos eleitores rejeitaram no domingo o congelamento proposto em zonas de construção em todo o país.
Os promotores da iniciativa admitiram a derrota. Luzian Franzini, co-presidente da seção de jovens do Partido Verde, disse que era difícil conter argumentos enganosos feitos por uma ampla aliança de oponentes.
"A clara derrota é decepcionante, mas pelo menos conseguimos lançar um debate interessante", declarou à rádio pública suíça SRF.
Veja os resultados no gráfico abaixo:
Os defensores da iniciativa argumentaram que medidas legais adicionais são necessárias para proteger e preservar os espaços verdes e as terras aráveis contra a urbanização desenfreada na Suíça.
A proposta previa a proibição do zoneamento de novas áreas de construção se a respectiva superfície da área não fosse compensada em outro lugar.
Ela também queria que as autoridades promovessem a criação de zonas habitacionais ambientalmente sustentáveis em áreas urbanas, conhecidas como construções de alta densidade.
"Nossos solos são nossa herança: recebidos de nossos ancestrais, vamos passá-los para nossos filhos", disse Kevin Morisod, da seção de jovens do Partido Verde, que lançou a iniciativa em 2015.
Os ativistas coletaram mais de 113.000 assinaturas de cidadãos pedindo uma votação nacional sobre o assunto. A proposta contava com o apoio do Partido Verde, do Partido Socialista e da maioria das organizações ambientalistas.
Radical demais
Os opositores, no entanto, consideraram a iniciativa desnecessária e prejudicial, porque arriscava bloquear o desenvolvimento econômico.
A ministra do Meio Ambiente, Simonetta Sommaruga, admitiu que erros foram cometidos no passado, mas disse que as regulamentações atuais, endossadas pelos eleitores há seis anos, são mais adequadas para enfrentar os problemas de expansão existentes.
“A medida mais eficaz para combater a expansão urbana já está incluída na atual lei de zoneamento e planejamento: os cantões devem reduzir as zonas de construção se forem muito grandes”, disse.
Sommaruga alertou para os retrocessos para o meio ambiente, especialmente através da proposta de troca de zonas de desenvolvimento ou a criação de uma autoridade central de planejamento em um país com uma tradição de autonomia cantonal.
Os opositores, incluindo o parlamento, a maioria dos partidos políticos de centro-direita, bem como a comunidade empresarial, argumentaram que a área total das zonas de construção não aumentou significativamente desde 2012.
Alguns analistas também afirmaram que os aluguéis poderiam aumentar se a iniciativa fosse aceita, um argumento que pode ter ressoado entre os eleitores já que mais de 60% dos residentes suíços vivem em imóveis alugados.
Campanha curta
A campanha pública antes da votação de 10 de fevereiro foi limitada em tamanho e tempo em comparação com outras iniciativas.
As primeiras pesquisas de opinião mostraram que a maioria dos entrevistados saía a favor, mas o apoio à iniciativa ambiental diminuiu consideravelmente quando as campanhas reais de promotores e opositores começaram em meados de janeiro.
As pesquisas de opinião esperavam que a iniciativa fosse rejeitada - ao contrário do resultado de 2012, quando os eleitores aprovaram uma proposta para limitar a construção de casas de férias.
Fatos principais
Cerca de 5,3 milhões de cidadãos suíços, incluindo membros registrados da comunidade suíça expatriada, podiam participar da votação em 10 de fevereiro.
Votações em uma ampla gama de questões regionais, bem como eleições, também ocorreram em muitos cantões e municípios em todo o país.
Essa foi a primeira votação nacional deste ano. No total, os suíços vão às urnas 4 vezes por ano.
A iniciativa contra a expansão urbana foi a 216ª proposta de uma emenda constitucional a ser levada a votação nacional na história moderna da Suíça. Apenas 22 foram aceitas desde 1893.
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Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch