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O ex-primeiro-ministro luxemburguês Jean-Claude Juncker foi nomeado nesta sexta-feira pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia para presidir a Comissão Europeia, apesar da firme oposição do premiê britânico David Cameron.
"A decisão foi tomada. O Conselho da União Europeia propõe Jean-Claude Juncker como o próximo presidente da Comissão Europeia", escreveu o presidente do Conselho, Herman Van Rompuy, em sua conta no Twitter.
Jean-Claude Juncker se disse "orgulhoso e honrado de ter recebido o apoio do Conselho Europeu" em sua conta no Twitter.
A nomeação de Juncker recebeu o apoio de 26 votos contra 2 (Grã-Bretanha e Hungria), indicou a delegação britânica.
Sua nomeação deve agora ser aprovada pelo Parlamento Europeu em meados de julho. A não ser que haja uma surpresa, Juncker deve receber pelo menos 376 votos de um total de 751.
Juncker, de 59 anos, chega assim ao posto mais importante das instituições europeias, encarregado de propor leis e de implementá-las.
O ex-premiê de Luxemburgo e presidente do Eurogrupo é um veterano da política europeia de visão federalista.
Essa é precisamente a razão pela qual o primeiro-ministro britânico David Cameron se opôs à escolha, chegando a declarar que este era "um dia sombrio para a Europa, que pode enfraquecer os governos nacionais", durante uma coletiva de imprensa.
Juncker é "uma pessoa ruim" para dirigir a Comissão. "Por toda a sua vida esteve no centro do projeto europeu de aumentar os poderes de Bruxelas e reduzir os poderes dos Estados", acusou Cameron.
Além de Jean-Claude Juncker, David Cameron reiterou a sua oposição à ideia de os líderes europeus "renunciarem" em favor do Parlamento a sua prerrogativa de quase 60 anos de escolher o titular à "função mais importante da Europa."
"Eu disse aos líderes europeus que eles poderiam se arrepender por toda a vida", indicou em um tom dramático em sua conta no Twitter o líder britânico.
"Eu sempre estarei aqui para defender os interesses britânicos", acrescentou ele, o que significa claramente que estava falando a seus compatriotas, bem como a seus colegas, em um momento em que o governo britânico está sob crescente pressão dos eurocéticos do UKIP, vencedores das eleições europeias.
Apesar da relutância inicial, inclusive da chanceler alemã Angela Merkel, todos os líderes, de direita e esquerda, uniram-se progressivamente em torno da nomeação de Juncker.
Até a imprensa britânica já reconhecia nesta sexta-feira a provável vitória de Juncker, mesmo tendo disparado uma última salva contra ele ao denunciar um suposto alcoolismo.
Muitos líderes já parecem ter passado para a etapa seguinte. "Precisamos construir pontes", afirmou o primeiro-ministro finlandês, Alexander Stubb, que defende a liberalização da economia para atender aos britânicos.
Na quinta, Merkel comprometeu-se a buscar um "terreno comum substancial sobre o conteúdo" das políticas europeias. "Podemos encontrar compromissos e dar um passo em direção ao Reino Unido", disse. Na sexta-feira, ela se reuniu com Cameron durante a cúpula europeia, de acordo com uma foto postada pelo porta-voz do governo alemão em sua conta no Twitter.
Resumindo a posição da esquerda europeia, a primeiro-ministra social-democrata dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, também desejou que os 28 se concentrem em "prioridades" da UE nos próximos cinco anos. "A estratégia é muito mais importante do que a pessoa que será responsável pela sua execução", ressaltou.
Os líderes social-democratas, liderados pelo francês François Hollande e o italiano Matteo Renzi, querem em troca uma flexibilidade maior na aplicação das regras fiscais, com o objetivo de obter apoio ao investimento e ao crescimento.
Mas os defensores da ortodoxia, com Merkel à frente, reiteraram que não há possibilidade alguma de mudar o pacto.
O programa de trabalho definido pelos 28 para a próxima Comissão deve se contentar em defender um "bom uso da flexibilidade prevista nas regras atuais do Pacto de Estabilidade" para promover investimentos, empregos e as reformas em favor da competitividade, de acordo com um projeto consultado pela AFP.
Em um artigo conjunto publicado no Wall Street Journal nesta sexta, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, e seu colega italiano, Pier Carlo Padoan, defendem as reformas e garantem que não existe um "conflito" entre Roma e Berlim, embora tenham evitado mencionar o Pacto de Estabilidade.
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