Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02423.jsonl.gz/84

Uma grave escassez de doadores levou os médicos a utilizarem órgãos com hepatite C, uma infecção que é cada vez mais comum nos Estados Unidos devido à crise dos opioides e que pode ser tratada com remédios.
Alguns hospitais americanos, particularmente em Boston, já transplantaram órgãos infectados em pacientes que não tinham hepatite C, e estes depois foram tratados para que o vírus fosse eliminado.
Em Toronto, Canadá, outro grupo de médicos anunciou nesta quinta-feira resultados preliminares de um teste onde se utilizou uma técnica diferente, e que envolvia dez pessoas que receberam transplantes de pulmão de doadores com hepatite C.
Os pulmões infectados foram colocados em um recipiente estéril por seis horas e tratados com remédios para reduzir o nível do vírus. Só então se realizou o transplante.
Embora não tenham conseguido eliminar completamente a hepatite C destes pulmões, como esperavam, conseguiram ao menos reduzi-la em 85%.
Os pacientes que receberam estes órgãos foram depois diagnosticados com hepatite C e tratados por 12 semanas com uma combinação de drogas - sofosbuvir-velpatasvir, conhecidas com o nome genérico de Epclusa - para curá-la.
Em média, os pacientes deixaram de ter hepatite C nas primeiras três semanas.
O cirurgião Marcelo Cypel, que liderou o grupo de médicos e apresentou os resultados na Cúpula de Hepatite Global em Toronto, disse que os resultados são animadores porque permitirão o aumento do número de doadores.
"Os pacientes que esperam um transplante de pulmão tem 20% de probabilidade de morrer esperando um órgão", disse à AFP Cypel, um cirurgião do Hospital Geral de Toronto.
Permitir o transplante com órgãos infectados de hepatite C aumentaria o número de pulmões disponíveis para transplante em cerca de mil por ano na América do Norte, calculou.
Nos Estados Unidos e no Canadá são realizados cerca de 2.600 transplantes de pulmão por ano.