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A União Europeia (UE) "lamenta profundamente" a instalação do novo Parlamento na Venezuela, controlado pelo chavismo, que considera resultado de eleições "não democráticas" - declarou o chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell, nesta quarta-feira (6).
Em uma nota oficial, Borrell reiterou que as condições em que foram realizadas as eleições legislativas em dezembro na Venezuela "não permitem à UE reconhecer o processo eleitoral como confiável, inclusivo, ou transparente".
Na terça-feira, o novo Parlamento venezuelano assumiu suas funções, o que levou o partido do governo a retomar o controle do Legislativo após sua vitória nas eleições de 6 de dezembro. A disputa foi marcada pelo boicote da maioria da oposição e por um alto nível de abstenção.
O presidente da recém-instalada Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, disse que o chavismo está forçado "ao exorcismo", depois de cinco anos que o Legislativo esteve controlado pela oposição - dois deles sob a gestão de Juan Guaidó, a quem vários países reconhecem como presidente da Venezuela.
O Parlamento de Guaidó, que reivindica sua "continuidade", alegando que as votações de dezembro foram "uma farsa", agradeceu nesta quarta-feira em nota "ao apoio de Borrell pela causa da liberdade".
"A União Europeia, através de seu Alto Representante, rejeitou a fraude eleitoral perpetrada pela ditadura e não considera que seu resultado seja representativo da vontade democrática do povo venezuelano", destacou o texto.
Na terça-feira, diante da Câmara, Rodríguez convocou um "grande diálogo político" com toda oposição, incluindo os partidos e líderes que boicotaram as eleições de dezembro, mas alertou que não seria uma "reconciliação com amnésia".
Borrell pediu "às autoridades venezuelanas e líderes" para "se unirem para iniciar um processo de transição conduzido por venezuelanos, para encontrar uma solução pacífica, inclusiva e sustentável para a crise política".
Neste sentido, acrescentou que a UE "continua pronta para apoiar tal processo" e "tomar medidas específicas adicionais".
A UE enviou uma missão a Caracas para convencer as autoridades venezuelanas a adiarem as eleições legislativas por um prazo de "cinco ou seis meses", visando a implantar uma missão de observação eleitoral.
Os esforços não prosperaram, e as eleições foram realizadas, apesar das advertências, com o boicote de Guaidó e de seus aliados.
A UE considera o Parlamento liderado por Guaidó, eleito em 2015, como "a última expressão livre dos venezuelanos em um processo eleitoral".