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O Conselho Federal (Executivo) decidiu nesta quarta-feira (4/11), em sua reunião semanal, sustar o acordo assinado em 20 de agosto passado com a Líbia para obter a libertação de dois reféns e normalizar as relações bilaterais.
Além disso, o governo suíço decidiu manter uma política restritiva de concessão de vistos a cidadãos líbios.
Após a reunião, o porta-voz do Conselho Federal, André Simonazzi, limitou-se a informar que o Executivo tratou da crise envolvendo a Líbia e a ler um comunicado oficial. Ele e o presidente suíço Hans-Rudolf Merz não quiseram fazer mais comentários diante da imprensa, em Berna.
Segundo o comunicado, o governo suíço constatou que a Líbia sistematicamente nega sua cooperação. O local em que se encontram os dois reféns suíços continua desconhecido e o direito de visitá-los é negado, continua o texto.
Por isso, o Conselho Federal teria decidido sustar o acordo assinado pelo presidente Hans-Rudolf Merz, em 20 de agosto, em Trípoli, como o primeiro-ministro Al Baghdadi El-Mahmoudi.
O documento incluía um pedido de desculpas do governo suíço pela detenção temporária de Hannibal Gadafi, filho do líder Muammar Gadafi, em julho de 2008, em Genebra, e previa a criação de um tribunal arbitral internacional para investigar o caso.
O prazo para a normalização das relações bilaterais terminou em 20 de outubro, sem que o governo Líbio tevesse cumprido a promessa de soltar os dois reféns detidos no país há quase um ano e meio.
Em nome do Executivo, Simonazzi defendeu o presidente suíço. "O Conselho Federal constata que o presidente não mentiu no âmbito de sua viagem a Trípoli, conforme diversos meios de comunicação haviam noticiado", declarou o porta-voz.
Segundo Simonazzi, no dia anterior ao acordo houve uma evolução rápida dos acontecimentos, especialmente os contatos feitos no dia 19 pelo governo líbio. Isso é confirmado pela cronologia dos acontecimentos revelada por uma fonte anônima à imprensa, disse.
Vários partidos saudaram a decisão do governo de suspender o acordo, uma vez que ele não deu resultado.
Sem desculpas
O secretário estadual de Justiça de Genebra, Laurent Moutinot, não quer se desculpar pela prisão de Hannibal Gadafi. "Uma desculpa não seria correta e não amenizaria a crise com a Líbia", afirmou Moutinot, em um comunicado divulgado nesta quarta-feira.
Segundo Moutinot, nem mesmo um pedido de desculpas do presidente suíço pode acabar com a crise. "Consequentemente meu pedido de desculpas também não adiantaria nada."
O secretário também rejeita sanções contra seus funcionários, conforme exige o regime líbio. "A ideia de punir inocentes, até em nome do Estado, é insuportável para mim", escreveu Moutinot, que reagiu a críticas à atuação das autoridades de Genebra no caso Gadafi.
swissinfo.ch com agências
Cronologia da crise
Hannibal Kadafi, o filho do líder líbio Muammar Kadafi, e sua esposa foram detidos pela polícia suíça em 15 de julho de 2008, no hotel Presidente Wilson, em Genebra.
Hannibal e Aline Kadafi foram indiciados no dia seguinte por lesões corporais simples, ameaça e coação contra dois empregados domésticos. Ambos negaram as acusações.
Após dois dias de detenção, o casal Kadafi foi liberado mediante o pagamento de uma caução de meio milhão de francos e retornaram à Líbia. Os dois empregados pediram asilo político na Suíça.
No início de setembro de 2008, a Justiça de Genebra arquivou o processo contra os Kadafi, depois que os dois acusadores retiraram a queixa.
Um relatório apresentado em 14 de setembro de 2008 por uma comissão independente concluiu que as autoridades de Genebra agiram corretamente.
Em 20 de agosto de 2009, o presidente suíço Hans-Rudolf Merz pediu desculpas, em Trípoli, pela prisão do casal Kadafi.
Na ocasião, foi assinado um acordo para normalizar as relações entre os dois país e para que a Líbia libertasse dois reféns suíços, retidos nos país desde o ano passado. Um tribunal independente investigaria de novo o caso Kadafi.
O prazo para o cumprimento do acordo terminou em 20 de outubro de 2009 sem que a Líbia tivesse cumprido a sua parte.