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O Irã e as grandes potências estenderam até 24 de novembro o prazo para se fechar um acordo sobre o programa nuclear de Teerã.(afp_tickers)
O Irã e as grandes potências estenderam até 24 de novembro o prazo para se fechar um acordo sobre o programa nuclear de Teerã.
"Voltaremos a nos ver nas próximas semanas (para alcançar um acordo) o quanto antes", declarou neste sábado a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, à imprensa.
Contudo, a data para o reinício das negociações não foi determinada, ainda que se fale de um encontro de especialistas em agosto.
"Embora tenhamos registrado progressos tangíveis em algumas áreas e trabalhado juntos em um texto (...), ainda há grandes divergências sobre questões-chave", explicou em uma declaração conjunta com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohamad Javad Zarif.
O Irã e os países do Grupo 5+1 (Rússia, Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, China e Alemanha) expressaram sua determinação de alcançar um acordo final o mais rápido possível.
A presidente do principal partido de oposição iraniano no exílio, Maryam Rajavi, declarou neste sábado que as negociações prolongadas não "servirão para nada", a não ser "dar tempo" a Teerã para "enganar ainda mais" o Ocidente. Ela também assegurou que isto representa um "fracasso da política de complacência e compromisso com o regime" islâmico.
O ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, advertiu, por sua vez, que as negociações "não podem durar para sempre", e que o Irã deve "demonstrar que está disposto a eliminar qualquer dúvida" sobre o caráter pacífico de seu programa nuclear.
Washington desbloqueará fundos congelados
Por sua vez, Washington anunciou na sexta-feira a liberação de 2,8 bilhões de dólares de depósitos iranianos congelados após o acordo de ampliação do prazo de negociações.
Segundo o acordo fechado na noite de sexta-feira, em Viena, os Estados Unidos liberarão o dinheiro em troca da conversão do urânio altamente enriquecido iraniano em combustível, revelou o secretário americano de Estado, John Kerry.
O chefe da diplomacia americana destacou que desde o início do acordo provisório de seis meses, em novembro passado, o Irã cumpriu sua parte do trato "de neutralizar suas reservas de urânio enriquecido a 20%; de limitar suas reservas de urânio enriquecido a 5%, e de não instalar mais centrífugas".
"Está claro que fizemos progressos tangíveis em nossas amplas negociações, mas ainda há verdadeiras deficiências em algumas áreas", destacou Kerry.
"Hoje contamos com um rascunho que envolve os temas principais, mas ainda há toda uma série de parenteses e espaços em branco no texto".
Foram feitos esforços para se afastar a possibilidade de criação de uma bomba de plutônio na unidade iraniana de Arak e adotadas medidas para garantir que as instalações de Fordow não serão utilizadas para o mesmo fim.
Os Estados Unidos também procuraram garantir as inspeções e que os estoques de urânio enriquecido não possam se converter em material para bombas.
Kerry destacou que as lacunas no texto se devem à questão ainda não decidida sobre a manutenção da capacidade do Irã de enriquecer urânio.
"Este assunto é um componente absolutamente crítico de qualquer acordo potencial. Ainda temos muito trabalho a fazer nesta área (...), mas dar as costas aos nossos esforços diplomáticos após se obter importantes progressos seria negar a nós mesmos a capacidade de atingir nossos objetivos de maneira pacífica", disse Kerry.
Como resultado, as negociações terão mais quatro meses, até 24 de novembro.
Washington e Irã estabeleceram as bases para estender as negociações durante esta semana, após Kerry manter dois dias de intensas negociações com o chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif.
AFP