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O novo Parlamento da Venezuela, dominado pelo chavismo, vai pedir para que o líder da oposição Juan Guaidó seja processado, disse nesta sexta-feira (5) o chefe da comissão legislativa que o investigou.
“Nas próximas horas emitiremos um relatório preliminar ao plenário da Assembleia Nacional que determina que o ex-deputado Juan Guaidó está envolvido na prática de supostos atos puníveis que o comprometem civil, administrativa, política e criminalmente”, anunciou à imprensa José Brito, presidente de comissão que investiga diretrizes legislativas sob controle da oposição (2016-2021).
Brito, deputado da oposição que rompeu com Guaidó depois de ser acusado de corrupção ligada a um programa alimentar do governo de Nicolás Maduro, disse que o relatório apresenta "elementos suficientes" que tornam o líder da oposição "suscetível de processo".
Acusou Guaidó de formação de quadrilha para cometer crime, crime organizado, traição, usurpação de funções, homicídio e tentativa de golpe.
As penas para esses crimes "totalizariam mais de 200 anos de prisão", declarou Brito, embora as sentenças de prisão não são cumulativas na Venezuela, onde a maior sentença é 30 anos de prisão.
Com 256 dos 277 assentos controlados pelo chavismo após as eleições de 6 de dezembro, classificada como fraudulentas pelos principais partidos da oposição -que as boicotaram- e não reconhecidas pelos Estados Unidos, União Europeia e vários países latino-americanos, o Parlamento criou esta comissão.
Guaidó reivindicou em 2019, da sede legislativa, a presidência da Venezuela com o reconhecimento de cinquenta países.
Washington, em seu apoio, lançou sanções contra a Venezuela e sua petroleira estatal PDVSA para tentar tirar Maduro do poder.
Guaidó, que defende a “continuidade” do Parlamento oposicionista eleito em 2015 devido aos questionamentos em relação às eleições de dezembro, tem sido alvo de inúmeras ameaças de prisão por altos funcionários, mas que não se concretizaram até então.
Mais de trinta deputados da antiga maioria da oposição, porém, foram presos, fugiram do país ou se refugiaram em sedes diplomáticas. Alguns deles foram perdoados por Maduro em setembro passado.