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Por Sybille de La Hamaide
PARIS (Reuters) - O maior sindicato agrícola da França pediu nesta quarta-feira que seus fazendeiros suspendam um bloqueio a refinarias e a depósitos de combustível que entrou em seu terceiro dia, num protesto que tem como motivo as importações de óleo de palma e a competição injusta, afirmou uma autoridade do sindicato.
Os protestos que atingiram 18 localidades na França foram provocados por uma decisão do governo francês em permitir que a grande empresa de petróleo e gás Total usasse óleo de palma importado em uma usina de biocombustível, uma alternativa mais barata ao biodiesel feito com sementes oleosas de culturas locais.
A autorização para o óleo de palma abalou as já frágeis relações entre o maior setor agrícola da União Europeia e o presidente francês, Emmanuel Macron.
Negociações entre o sindicato FNSEA que convocou o protesto e o ministro da Agricultura francês, Stephane Travert, para resolver a disputa mais recente progrediram nesta quarta-feira, depois que o ministro enviou uma carta na manhã respondendo a algumas das demandas da organização.
"Conseguimos avançar e vários encontros estão alinhados (com o ministro). Pediremos que nossos membros suspendam imediatamente o bloqueio dos diferentes estabelecimentos", afirmou Jeremy Decerle, líder da juventude do FNSEA, a jornalistas.
Decerle estava ao lado da líder do FNSEA, Christiane Lambert, que disse mais cedo que houve avanços em alguns pontos mas não em outros durante um encontro noturno com Travert.
O FNSEA pediu que os bloqueios fossem mantidos na manhã de quarta-feira depois que as negociações terminaram, dizendo que eles não tinham "conseguido o bastante".
Lambert, que disse que os sindicatos queriam garantias de que a França defenderia os interesses dos fazendeiros de maneira mais robusta em Bruxelas, sinalizou que os protestos poderiam ser retomados se o governo não cedesse o bastante.
"Estamos pedindo a suspensão pois estamos falando sobre questões que não podem ser resolvidas num piscar de olhos", disse em entrevista coletiva.
"Se não tivermos reuniões nas próximas semanas sobre os pontos que precisam ser resolvidos, nós voltaremos."
A Total se comprometeu a usar menos de 300 mil toneladas de óleo de palma cru por ano em sua refinaria de biocombustível de La Mede, que tem uma capacidade total de processamento de 650 mil toneladas. A empresa também disse que usaria 50 mil toneladas de óleo de colza, cultivada localmente.
Lambert pediu que a Total use ainda mais a colza.
Macron deve se encontrar com o presidente da Total, Patrick Pouyanne, ainda nessa semana, segundo afirmou o vice-diretor do FNSEA Henri Bies-Pere depois da entrevista coletiva.