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No nordeste da Síria, uma equipe da Rádio e Televisão Suíça (RST) encontrou-se com um jihadista suíço detido pelos curdos desde janeiro de 2018.
O que fazer com os cidadãos ocidentais que partiram para se juntarem às fileiras do grupo terrorista Estado Islâmico na Síria? Vários países estão enfrentando a questão, incluindo a Suíça.
Por enquanto, as autoridades ocidentais - e a opinião pública desses países - estão relutantes em repatriar esses "combatentes". Há alguma flexibilidade para os filhos dos jihadistas. Por exemplo, a França acaba de repatriar pela segunda vez, doze crianças de 1 a 12 anos, na sua maioria órfãs.
Para os adultos, por outro lado, a ideia é que sejam julgados e condenados no local. Na Suíça, esta é a linha defendida pela ministra da Justiça, Karin Keller-Sutter. "É possível julgá-los no local? Isso é o que eu preferiria", disse para a rádio RTS.
Testemunho inédito
O problema é que o destino desses cidadãos muitas vezes não cumpre as normas ocidentais de justiça e direitos humanos, uma situação que várias ONG denunciam.
O programa "Temps Présent" da RTS encontrou um jihadista suíço num local secreto, onde soldados das forças curdas (YPG) o trouxeram algemado e vendado. Ele concordou em responder às perguntas dos jornalistas durante uma entrevista de uma hora.
Ele diz não ter recebido mais visitas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Além disso, desde julho de 2018, ele não tem notícias de seus pais que moram no cantão de Vaud e, desde o final de 2018, nenhuma notícia de sua esposa e filha de dois anos, que estão detidas pelos curdos no campo de Roj. O homem não tem advogado. Como cidadão suíço, ele tem, no entanto, direito à proteção consular, que inclui o direito a "condições humanas de detenção, respeito pelos direitos de defesa e garantias processuais".
Uma dúzia de casos
A Suíça tem uma dúzia de adultos com ligações com o país no território controlado pelos curdos. Entrevistado por "Temps présent", Abdul Karim Omar, chefe da Comissão de Relações Exteriores das Autoridades Autônomas do Curdistão, disse que "a Suíça tem sorte, porque tem apenas alguns nacionais aqui. Ela não apresentou nenhum pedido formal de repatriação de seus nacionais, incluindo as crianças. Também não recebemos nenhum pedido do CICV para receber de volta os cidadãos suíços. Não queremos entregar esses nacionais ao CICV, temos que entrega-los às autoridades do país deles".
As autoridades curdas exigem a criação de um tribunal internacional na região que controlam, mas os países europeus estão relutantes face à pressão exercida pela Turquia, que se opõe a qualquer reconhecimento da autonomia curda.
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch