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A ONG Médicos sem Fronteiras (MSF) denunciou nesta terça-feira "restrições de entrada" na Venezuela a seus funcionários, ao anunciar a sua retirada de um hospital localizado na maior comunidade popular de Caracas, Petare, onde tinha um projeto contra a Covid-19.
"A MSF foi obrigada a tomar a decisão de se retirar do Hospital Ana Francisca Pérez de León II, onde colaborava desde março na luta contra a pandemia", informou a ONG em comunicado, no qual explica que pediu autorizações para a sua equipe, sem receber resposta das autoridades.
"Esta decisão foi tomada devido à impossibilidade de realizar as atividades fundamentais para o atendimento aos pacientes com Covid-19 com os padrões de qualidade determinados pela organização, devido às restrições à entrada de seus funcionários humanitários no país", assinala o texto.
A MSF, presente na Venezuela desde 2015, havia montado nesse hospital do leste de Caracas um acampamento onde mais de 100 profissionais realizavam testes PCR e de diagnóstico rápido para detectar o coronavírus. "Levamos meses buscando todas as alternativas possíveis", lamentou o coordenador geral da ONG na Venezuela, Isaac Alcalde.
A organização pediu que o governo facilite a entrada de funcionários humanitários, para manter seus programas em Caracas e outras regiões. "A MSF reitera seu compromisso de continuar assistindo os venezuelanos, mas nos preocupa muito que, caso esta situação não mude, tenhamos que deixar de intervir em algum outro projeto", disse um porta-voz à AFP.
A ONG oferece apoio a 39 estruturas de saúde em toda a Venezuela, nas quais garante ter realizado cerca de 80 mil consultas médicas no primeiro semestre de 2020.