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A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pediu nesta quarta-feira que os pacientes que tomam ibuprofeno para tratar uma doença crônica não parem sem aconselhamento médico, após advertências da OMS contra o uso deste medicamento contra o coronavírus.
Após um primeiro alerta alguns dias atrás do ministro da Saúde francês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou na terça-feira às pessoas com sintomas semelhantes à doença Covid-19 que não tomassem ibuprofeno para automedicação, para dar preferência ao paracetamol.
O ibuprofeno é um anti-inflamatório amplamente utilizado para febre e dor, mesmo sendo acusado de causar riscos de complicações infecciosas graves. Também é suspeito de agravar a infecção em pacientes com coronavírus.
Mas, de acordo com o parecer publicado nesta quarta-feira, a EMA não concorda inteiramente com esta linha.
"Ao iniciar um tratamento contra a febre e a dor no quadro de Covid-19, pacientes e cuidadores devem considerar todas as opções, incluindo paracetamol e AINEs" (anti-inflamatórios não esteróides, incluindo o ibuprofeno), estimou a agência.
"Atualmente não há evidências científicas ligando o ibuprofeno ao agravamento do Covid-19", acrescentou, dizendo que estudaria de perto qualquer nova informação.
Em todos os casos, a agência insiste no caso de pacientes em tratamento prolongado com ibuprofeno.
"Atualmente, não há razão para os pacientes que tomam ibuprofeno interromperem o tratamento (...). Isso é especialmente importante para pacientes que tomam ibuprofeno ou outros AINEs para doenças crônicas", diz o comunicado.
A EMA especifica que lançou uma investigação em maio de 2019, após um relatório da agência francesa de medicamentos que sugeria que certas doenças como a varíola eram agravadas pelo ibuprofeno. Pesquisa cujos resultados ainda não foram divulgados.
Vários responsáveis da saúde e cientistas alertaram nos últimos dias contra o uso de ibuprofeno, enquanto a epidemia de coronavírus está se espalhando em alta velocidade.
O sistema de saúde pública britânico NHS, embora observe que não há "evidência significativa" de contra-indicações do ibuprofeno, também recomendou o paracetamol para sintomas precoces.
Como a EMA, enfatizou, no entanto, que "interromper ou alterar a medicação em caso de doença crônica, sem orientação adequada, pode ser perigoso".
Qualquer que seja o medicamento utilizado, é necessário em todos os casos respeitar as regras de uso. O paracetamol, em doses muito altas, pode ser muito perigoso para o fígado.
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