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(Junho) Forças de segurança patrulham uma rua de Benghazi(afp_tickers)
Uma milícia islamita e um grupo armado de tendência liberal travavam uma batalha neste domingo pelo controle do aeroporto da capital da Líbia, país que sofre com a anarquia desde a queda do regime de Muamar Khadafi, em 2011.
Seis pessoas morreram e 25 ficaram feridas nos confrontos, segundo um porta-voz do ministério da Saúde.
Poucas horas antes, o governo dos Estados Unidos fez uma advertência sobre a possibilidade de "um conflito generalizado na Líbia", enquanto a Grã-Bretanha pediu a todas as partes "o fim imediato da violência.
A Itália, que assume a presidência semestral do Conselho da União Europeia, defendeu uma "ação política internacional imediata para apoiar a pacificação e a reconstrução do país".
O ataque deste domingo foi reivindicado por milícias islamitas que desejam expulsar as brigadas de Zenten de Trípoli, onde este grupo controla vários locais ao sul da capital, como o aeroporto.
A 'Célula das Operações Revolucionárias da Líbia', composta por milícias consideradas como o braço armado da corrente islamita no país, fez a reivindicação.
Os ex-rebeldes de Zenten são considerados o braço armado da corrente liberal e estão entre as brigadas mais disciplinadas e bem armadas da Líbia. Estão, oficiosamente, ligados ao ministério da Defesa.
"Vários foguetes explodiram no perímetro do aeroporto às 6H00 (1H00 de Brasília). Depois aconteceram confrontos entre ex-rebeldes de Zenten, que controlam o aeroporto, e outros grupos, que querem expulsá-los", disse uma fonte aeroportuária, que pediu anonimato
O aeroporto permanecerá fechado por 72 horas, até meia-noite de quarta-feira, segundo as autoridades.
Nas últimas semanas, as milícias islamitas convocaram nas redes sociais ações para "libertar" a capital dos ex-rebeldes de Zenten, uma cidade que fica 170 km ao sudoeste de Trípoli.
As autoridades de transição não foram capazes de criar um exército profissional, nem conseguiram dissolver ou pelo menos desarmar os grupos de ex-insurgentes que controlam áreas estratégicas do país.
Aproveitando a fragilidade do governo, Khalifa Haftar, general dissidente, iniciou em 16 de maio uma operação contra as milícias "terroristas" no leste do país.
Desde então, os confrontos são quase diários entre as forças de Haftar e os grupos islamitas, sobretudo em Benghazi.
As brigadas de Zenten apoiam a operação do general Haftar, enquanto os islamitas acusam o dissidente de tentativa de golpe de Estado.
O país também sofre com a crise política. A Alta Comissão Eleitoral anunciou que apenas 184 deputados de 200 foram eleitos na votação de 25 de junho.
A eleição foi anulada em várias regiões em consequência da violência e os resultados definitivos serão anunciados em 20 de julho.
Analistas acreditam que o futuro Parlamento terá maioria da corrente nacional (liberal).
A nova Câmara substituirá o Congresso Geral Nacional, acusado de ter agravado a crise por uma luta de influência entre a corrente liberal e a islamita.
AFP