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Lançador de mísseis russo em Moscou, em 20 de abril de 2010.(afp_tickers)
Os Estados Unidos acusaram a Rússia de violar o tratado de controle de armas assinado entre os dois países em 1987 ao testar um míssil de cruzeiro lançado de terra, informou nesta segunda-feira um alto funcionário americano.
A denúncia figura em um relatório que concluiu que a Rússia violou o Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance, que proíbe a posse e a produção de mísseis de cruzeiro de alcance entre 500 km e 5.500 km, revelou o funcionário à AFP.
Os Estados Unidos esperam que a Rússia respeite o tratado e elimine toda arma proibida.
"Os Estados Unidos estão comprometidos com a viabilidade do Tratado de Forças Nucleares de Médio Alcance (FNI). Nós encorajamos a Rússia a cumprir as novas obrigações neste contexto e eliminar e prevenir qualquer arma proibida de maneira verificável", indicou o funcionário, que preferiu não ser identificado.
Ele também ressaltou que Washington está preparado para discutir a questão com Moscou de maneira imediata e em alto nível.
Os Estados Unidos devem consultar seus aliados sobre a questão, e o Congresso americano foi informado, segundo a mesma fonte.
Sinal da importância deste assunto para os Estados Unidos, o presidente Barack Obama enviou uma carta a seu colega russo, Vladimir Putin, para tratar deste assunto considerado muito sério.
Em janeiro, a porta-voz do departamento de Estado Jen Psaki revelou que os Estados Unidos haviam manifestado sua preocupação a Moscou, após um relatório publicado no The New York Times afirmando que a Rússia estava testando um novo míssil de cruzeiro lançado da terra a partir de 2008.
O Tratado das Forças Nucleares de Médio Alcance, firmado pelos presidente Ronald Reagan e Mikhail Gorbachov, eliminou o uso de mísseis balísticos e de cruzeiro de médio alcance lançados de terra, tando convencionais como nucleares.
Um especialista militar russo afirmou por sua vez que as acusações americanas não eram novas e que Moscou já havia tranquilizado Washington, fazendo alterações nos mísseis intercontinentais Topol para reduzir seu alcance conforme o Tratado.
"Atualmente, que uma guerra de informação está sendo travada contra a Rússia, as velhas acusações ressurgem", declarou à agência de notícias Interfax Yevgeny Boujinski, vice-diretor do centro de pesquisa de Moscou PIR.
No entanto, o especialista militar Pavel Felgenhauer disse à AFP que os Estados Unidos estavam preocupados com o Iskander-K, um sistema de mísseis balísticos de longo alcance Iskander.
Segundo Felgenhauer, o míssil foi testado com um alcance de 1.000 km, mas pode ser montado para chegar a 2.000-3.000 km por adição de tanques de combustível adicionais.
"Putin e (o chefe da administração presidencial e ex-ministro da Defesa) Sergei Ivanov, declararam que o tratado INF era prejudicial e não era mais necessário para a Rússia", disse o especialista.
Essas revelações surgem num momento em que as relações entre os Estados Unidos e Rússia estão muito tensas devido à crise na Ucrânia.
AFP