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MANILA (Reuters) - Parlamentares filipinos votaram para a manutenção da lei marcial na ilha de Mindanao, no sul, até o fim do ano, concedendo ao presidente Rodrigo Duterte mais tempo para combater extremistas armados aliados ao Estado Islâmico.
Cerca de 261 parlamentares concordaram em estender a lei militar durante uma sessão especial conjunta que durou sete horas com membros da Câmara dos Deputados e do Senado, reunindo quórum superior aos dois terços necessários da Câmara.
Autoridades de segurança disseram aos parlamentares que a lei marcial era necessária para estabilizar a região onde o Estado Islâmico estava ganhando influência, e apoiadores do grupo poderiam se inspirar a realizar tumultos em outras regiões de Mindanao, junto com jihadistas estrangeiros.
O secretário de Segurança, Delfin Lorenzana, alertou que problemas mais sérios poderiam surgir se o governo não tivesse poder para agir rapidamente.
"Precisamos da lei marcial porque ainda não lidamos com a existência de outros grupos inspirados no Daesh", afirmou, citando o outro nome dado ao Estado Islâmico.
O presidente Duterte colocou Mindanao sob lei marcial em 23 de maio, quando militantes fortemente armados dos grupos Maute e Abu Sayyaf, junto com combatentes estrangeiros, invadiram a cidade de Marawi, provocando a maior crise de segurança de seu mandato.
A batalha para libertar Marawi persiste após dois meses do ocorrido, com mais de 420 militantes, 100 soldados e 45 civis mortos. Alguns deles foram executados por rebeldes, de acordo com militares.
"A rebelião em Marawi ainda persiste e queremos acabar com a difusão da perversa ideologia do terrorismo e libertar as pessoas de Mindanao da tirania dos fora da lei e do extremismo violento", informou o porta-voz do presidente, Ernesto Abella, em comunicado.
A lei marcial, porém, permanece como uma questão delicada nas Filipinas, por trazer de volta a lembrança dos abusos aos direitos humanos perpetrados durante os anos 1970 sob a ditadura de Ferdinand Marcos.
Opositores expressaram temor de que Duterte possa, eventualmente, colocar o país inteiro sob essa lei, mas as autoridades refutaram essa possibilidade.
A rebelião é uma das pré-condições para se declarar a lei marcial de acordo com a constituição de 1987, que foi elaborada para evitar que os abusos da era Marcos voltassem a acontecer.
(Por Enrico dela Cruz)
Reuters