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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta quinta-feira (16) seu plano de reforma migratória, que abre as portas a trabalhadores qualificados que sabem inglês e fecha para quem solicita asilo com "justificativas frívolas".
"Ao ser adotado, nosso plano transformará o sistema de imigração dos Estados Unidos no orgulho da nossa nação e será invejado pelo mundo moderno", prometeu o chefe de Estado durante a apresentação do projeto na Casa Branca.
Mas é pouco provável que o plano avance no Congresso, cuja Câmara de Deputados é controlada pela oposição democrata e onde o tema da imigração é visto como politicamente tóxico, especialmente perto das eleições legislativas e presidenciais de 2020.
"Este plano que nasceu morto não é uma proposta nem remotamente séria", disse a presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi.
Mas, para Trump, que fez da missão de construir um muro na fronteira com o México para frear a imigração a base de seu mandato, sua proposta de reforma migratória vai estimular a campanha de reeleição.
"Nosso plano visa dois objetivos importantes. Primeiro, impede a imigração ilegal e protege completamente a fronteira. E em segundo lugar, estabelece um novo sistema de imigração legal que protege os salários americanos, promove os valores americanos e atrai os melhores e mais brilhantes de todo o mundo", garantiu.
- 'Justificativas frívolas' -
Trump disse ser a favor da entrada de imigrantes no país, mas insistiu que devem vir por méritos e habilidades.
"A principal mudança é aumentar a proporção de imigrantes altamente qualificados de 12% para 57%, e gostaríamos de ver se é possível elevar esse índice ainda mais", disse. "Isto nos fará mais competitivos no mundo".
O novo sistema vai exigir que os solicitantes saibam inglês e informações básicas sobre a história e a sociedade americana. "Será exigido que aprendam inglês e que passem por uma prova de educação cívica antes da admissão", acrescentou Trump.
O presidente também denunciou o que considera abusos do sistema de imigração dos Estados Unidos - atualmente sob pressão diante de milhares de pedidos de refúgio de migrantes, a maioria deles da América Central.
"Nossa nação orgulhosamente tem concedido ao longo da história proteção para aqueles que fogem de perseguições políticas. Infelizmente, os solicitantes de asilo legítimos estão sendo deixados em segundo plano por aqueles que apresentam justificativas frívolas", disse Trump.
O dirigente americano prometeu que quem tiver uma "demanda correta" será "admitido rapidamente", caso contrário, será "devolvido para casa".
- Pouco futuro -
Analistas consideram esta reforma mais próxima de uma proposta de campanha do que um projeto de lei de fato.
"Espero que o Partido Republicano se una para apoiar um sistema baseado em mérito e medidas de segurança fronteiriças sólidas para iniciar um diálogo com nossos colegas democratas sobre como resolver, de uma vez por todas, um sistema de imigração falido", tuitou o senador Lindsey Graham, aliado crucial de Trump no Congresso.
Mas para os democratas a reforma não pode ser considerada, pois ignora dar status legal às pessoas que entraram ilegalmente no país quando eram crianças, os chamados "dreamers".
O projeto de Trump tampouco considera uma das principais dificuldades na questão migratória há décadas nos Estados Unidos: o que fazer com os cerca de 11 milhões de imigrantes que vivem ilegalmente no país.
"Tem algumas ideias que vale a pena considerar", mas é tão incompleto em questões complexas que o Congresso não o levará a sério, opinou o especialista em direito migratório da Universidade de Cornell, Stephen Yale-Loehr.
Para ele, Washington lida há anos com a necessidade de uma reforma migratória e "é pouco provável" que o Congresso aprove-a neste ano, sobretudo antes das eleições presidenciais do ano que vem.
"Uma reforma migratória sempre é difícil. O Congresso não revisou nosso sistema legal de imigração desde 1990", explicou.