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O retoromanche está em situação alarmante com o uso cada vez mais generalizado do suíço-alemão. Como mais uma tentativa de resitência, personalidades fazem um manifesto e acaba de ser lançado o dicionário romanche-francês.
O romanche é uma língua de origem retoromana, da mesma família do italiano, do romeno e do sardo. Popularmente, diz-se que o romanche é um velho latim atrelado às montanhas suíças.
Situação alarmante
Quarta língua nacional, o romanche é falado por apenas 1% da população, sobretudo no cantão dos Grisões, leste da Suíça, ente a Áustria e a Itália.
Para complicar, existem 5 romanches diferentes e hoje ele é minoritário em sua própria terra, dominado pelo suíço-alemão e pelo italiano.
Trava-se uma verdadeira luta para salvar a quarta língua nacional suíça. Em manifesto entregue terça-feira, 19, ao presidente suíço e ao governo dos Grisões, 2.700 personalidades suíças pedem providências "urgentes e convincentes" para salvar o romanche "que se encontra em situação alarmante".
Ao mesmo tempo, acaba de ser lançado o primeiro dicionário romanche-francês, com 720 páginas e fruto de 20 anos de trabalho de Jean-Jacques Furrer, estudioso de línguas minoritárias.
Processo de germanização
O francês é a segunda língua nacional suíça e, até agora, as traduções do romanche tinham de passar pelo alemão. Também não existe ainda um dicionário romanche-italiano.
"É um absurdo: para aprender romanche é necessário primeiro saber alemão", afirma Jean-Jacques Furrer. "Isso desanima muita gente e seria muito mais fácil passar por línguas aparentadas", acrescenta o autor do dicionário.
Para elaborar o dicionário, Furrer optou pelo "sursilvan", o mais falado dos cinco idiomas romanches.
"Se o romanche morre, será o começo do fim para a Suíça", escreveu Jean-Jacques Furrer em um livro, 20 anos atrás. Referia-se ao fim da Suíça rica de sua diversidade, como ela sempre pretendeu ser.
Claudinê Gonçalves