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A start-up de pagamento digital Monetas, gerida pelo presidente da Fundação Tezos Johann Gevers, está paralizada e não consegue encontrar novos investidores. A empresa baseada em Zug foi obrigada a demitir todos os seus funcionários, mantendo apenas um pequeno núcleo como terceirizados.
"É muito frustrante que, quando finalmente estávamos prontos para aproveitar oportunidades comerciais incríveis, faltaram os fundos para executa-las", disse Gevers em uma nota aos investidores enviada em 23 de outubro.
A notícia chega bem no momento em que o sul-africano Gevers encontra-se sob fogo cerrado por sua administração da Fundação Tezos, em Zug. Gevers foi acusado pelos fundadores da Tezos, Arthur e Kathleen Breitman, de tentar deturpar o valor de um bônus - alegações que ele nega veementemente.
No início deste mês, Gevers disse à swissinfo.ch que ele havia investido uma quantidade considerável na Tezos.
"Além de fundar a Tezos e pagar a taxa requerida de CHF 50,000 [US$ 50,075] do meu próprio bolso, também contribuí com um respeitável montante adicional para a Fundação - várias vezes maior que o valor total colocado pelos Breitmans de 2014 até agora", disse ele em uma nota por e-mail. "Isso me faz um dos maiores contribuintes na Tezos ICO".
Mas Gevers nega que haja um conflito de interesses entre sua atuação na Monetas e seu envolvimento com a Tezos.
"Minhas contribuições para a Tezos não estão relacionadas com a Monetas e não saíram da Monetas", disse ele a swissinfo.ch em 30 de outubro. "Minhas contribuições para a criação da Tezos não eram fundos destinados para a Monetas. Não há conflito de interesses, mas uma harmonia de interesses".
Garoto-propaganda do Crypto Valley
Gevers confirmou a autenticidade de um memorando que foi passado à swissinfo.ch por investidores descontentes. A notícia sobre a Monetas não vai cair bem no auto-denominado Crypto Valley de Zug, onde a start-up é uma das estrelas na cada vez mais robusta comunidade de tecnologia financeira ("fintech").
Criada em Vancouver em 2012 e transferida para Zug um ano depois, a Monetas dedica-se a fornecer serviços de pagamento por smartphones para países em desenvolvimento com sistemas bancários precários, e negocia com vários países africanos somando uma população total de 300 milhões de potenciais clientes.
O déficit no financiamento provocou um grande revés na África do Sul, onde vários parceiros se retiraram de um empreendimento da Monetas, mas Gevers disse aos investidores que as negociações estavam em curso para encontrar possíveis substitutos.
A Monetas também colocou em espera um projeto de pagamento digital com os Correios da Tunísia, com Gevers citando "progresso lento" como motivo.
A empresa se viu obrigada a mudar o seu modelo de licenciamento - em vez de desenvolver aplicativos para depois vendê-los, agora a Monetas atua como uma consultoria de negócios, perguntando aos clientes o que eles precisam e, em seguida, criando sistemas para as demandas específicas.
O modelo de negócios da empresa também mudará "para torná-lo mais atraente para parceiros de negócios", de acordo com a nota aos investidores, mas nenhum detalhe foi dado. A empresa não cumpriu a promessa de realizar suas primeiras receitas no terceiro trimestre de 2017. Uma reunião de acionistas planejada para este mês foi adiada até o início do próximo ano.
"Foi uma jornada muito difícil, especialmente no ano passado. Mas eu não vou desistir até que tenhamos sucesso", ressalta Gevers em sua mensagem aos investidores.
swissinfo.ch