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A entrada da prisão militar de Ramo Verde (Los Teques, no estado de Miranda) bloqueada pela Guarda Nacional no dia 28 de abril de 2017(afp_tickers)
Pelo menos oito presos em centros de detenção preventiva venezuelanos morreram este ano devido à desnutrição, denunciou nesta sexta-feira uma organização de defesa dos direitos da população carcerária.
O caso mais recente foi o de um homem de 25 anos que morreu na quarta-feira por "desnutrição grave", aponta um relatório da associação Una Ventana a la Libertad.
Ele estava detido desde 13 de setembro de 2016 em calabouços policiais da cidade de Los Teques, nos arredores de Caracas.
De acordo com a ONG, esses locais foram projetados para manter detentos por um período máximo de 48 horas, enquanto esperam serem levados perante um juiz.
No entanto, eles são mantidos "indefinidamente" nesses locais, acrescentou.
Uma mulher colombiana de 43 anos também morreu em 10 de setembro de desnutrição em uma sede policial em Guarenas, nos arredores de Caracas, segundo a ONG.
A ONG assegurou que na capital há relatos semanais de "presos malnutridos e com doenças infecciosas" (tuberculose, sarna ou aids), que ocasionalmente precipita sua morte.
De acordo com o relatório, a desnutrição dos prisioneiros piorou pela escassez de produtos básicos e pela inflação no país, tornando difícil para "parentes e amigos trazer alimentos diariamente".
"Em alguns locais de detenção, os parentes devem pagar os funcionários para permitir a entrada de alimentos", afirma o relatório.
A Venezuela atravessa uma grave crise econômica, caracterizada pela falta de alimentos e remédios e uma inflação que este ano pode chegar a 720%, de acordo com o FMI.
A ONG estimou no final de 2016 que as prisões venezuelanas abrigavam 88 mil prisioneiros, quando sua capacidade é de apenas 35 mil.
Cerca de 33 mil pessoas estão reclusas em condições de superlotação em calabouços da polícia, devido a atrasos processuais e falta de espaço nas prisões, de acordo com a ONG.
A superpopulação nesses estabelecimentos ultrapassa os 400%, indica a organização.
Desde julho de 2011, o governo implementou um plano para adequar as penas aos padrões internacionais e pôr fim à violência entre facções inimigas. Das 50 prisões do país, 98% operam sob o novo regime.
AFP