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Nos EUA, a Disneilândia inaugurou em 1959 uma réplica em miniatura do Matterhorn, a famosa montanha suíça. Cinquenta anos depois, as montanhas suíças são hoje uma parque de diversão, onde até os menores vilarejos oferecem atrações diversas nas suas encostas.Este conteúdo foi publicado em 10. março 2020 - 11:54
"As montanhas são de uma beleza extraordinária, independentemente dos pontos de vista que as contemplamos. Pastagens floridas, florestas de pinheiros e os cumes brilhando à distância. Cada passo de uma escalada tem sua beleza própria", escreveu o intelectual e alpinista do século 19, Leslie Stephen, no livro "O Playground da Europa".
Stephen escreveu a obra em período do turismo alpino que hoje pode ser descrito como uma era de inocência. O luxo de visitar os Alpes, caminhar ou escalar uma montanha, era um passatempo que trazia benefícios financeiros a poucos. Um sinal precoce de que as coisas poderiam mudar foi uma visita de Alexandrina Victoria, a Rainha do Reino Unido, à Suíça em 1868.
"Hoje é possível ver, especialmente na região de Lucerna, um monte de estabelecimentos como o nome de 'Victoria'. Nessa época os hotéis começaram a ser construídos como palácios e hoje portam nomes que lembram o passado: Hotel Bristol, Hotel Victoria. Essa ligação com a Grã-Bretanha era importante. Muitos turistas britânicos nos visitavam então", afirma Christoph Lichtin, que organizou uma exposição sobre o tema.
Na segunda metade do século 20, quando o esqui se tornou um esporte popular graças à popularização dos teleféricos nas montanhas, o turismo alpino se tornou uma indústria multibilionária.
Até hoje, cerca de 80% das receitas das estações de esqui são geradas no inverno. Mas para que o turismo nos Alpes consiga sobreviver enquanto o esqui perde popularidade - sobretudo devido ao aquecimento global - as regiões turísticas precisam encontrar alternativas.
No vilarejo de Grindelwald, nos Alpes berneneses, a empresa local de teleférico montou estruturas parecidas com parques de diversão. Elas incentivam o turista a continuar visitando a região e gastando seu dinheiro por lá até no verão, quando a neve há muito se derreteu.
Como jornalista eu acompanho esse processo de "Disneyficação" e compartilho minhas descobertas com os leitores através do meu newsletter regular "Letter From The Alps" escrita em inglês (assine aquiLink externo)
Alpinistas pioneiros como Stephen ficariam chocados com a infraestrutura gigantesca que hoje funciona em muitas localidades alpinas para transportar os turistas até o cume das montanhas, por vezes a locais onde, no passado, só os alpinistas mais corajosos se aventuravam visitar.
Dan Moore, um alpinista mais contemporâneo, se questionam se os teleféricos de alta velocidade como os V-Cableway não descaracterizarão completamente espaços selvagens como a face norte da montanha Eiger.
A empresa que opera o V-Cableway quer aumentar o número de visitantes que chegam para visitar a maior atração turística da região: Jungfraujoch, a estação ferroviária mais elevada da Europa, a quase quatro mil metros acima do nível do mar. Ela oferece não só montanhas, mas também neve durante o ano todo e geleiras que podem ser atravessadas pelos turistas.
Quando o fotógrafo Hans Peter Jost voltou para sua Suíça natal, depois de muitos anos no exterior, ele ficou impressionado com a enorme pegada que deixamos nos Alpes. Ele encontrou cenas geralmente associadas a cidades invadidas pelo turismo de massa.
O jornalista da swissinfo.ch, Alexander Thoele foi ao topo dessa montanha para entrevistar o imigrante português José Pereira dos Santos, que conta como é trabalhar nessas alturas sem sentir falta de ar.
Já Anand Chandrasekhar explica como funciona toda a infraestrutura por trás desse gigantesco parque de diversão. E inclusive responde a uma questão que todos se põem ao desembarcar na estação: como funcionam os banheiros em um lugar tão alto?
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