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O Prêmio Nobel de Literatura peruano, Mario Vargas Llosa, convidou nesta quarta-feira (12) a candidata de direita Keiko Fujimori, a quem apoia, para uma conferência internacional sobre democracia em Quito, quase três semanas antes da eleição presidencial no Peru em que enfrentará o esquerdista Pedro Castelo.
“Dado o interesse e também a incerteza que desperta o processo eleitoral peruano, creio que sua participação neste evento seria muito útil”, diz o convite feito por seu filho Álvaro Vargas Llosa no Twitter.
Keiko Fujimori, que o premiado escritor considera "o mal menor" do dilema eleitoral peruano, deve pedir permissão a um juiz para viajar ao Equador, pois está sendo investigada pelo Ministério Público pelo escândalo de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.
“Pedi ao meu advogado que proceda a pedir a autorização correspondente, não tenho impedimentos para sair”, disse a candidata ao confirmar que aceitou o convite para ir ao evento no Equador.
“Devido à proximidade geográfica com o Peru, sua presença em Quito implicaria na necessidade de deixar o país durante a campanha eleitoral por um período muito curto de tempo”, diz a carta assinada por Mario Vargas Llosa em nome da Fundação Internacional para a Liberdade, que ele dirige.
O “Fórum Ibero-americano: Desafios da liberdade” está programado para 23 de maio na capital equatoriana, com a participação de políticos, intelectuais e empresários de vários países, segundo os organizadores.
O autor de "Conversa na Catedral" anunciou seu surpreendente apoio a Keiko há um mês, após saber que ela e Castillo disputariam o segundo turno das eleições em 6 de junho.
O apoio representou um ponto de inflexão na política peruana, depois que Vargas Llosa foi por 30 anos uma das principais figuras do anti-Fujimorismo por sua oposição ao ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).
O ex-presidente de ascendência japonesa chegou à presidência em 1990 derrotando Vargas Llosa e depois, em 1992, dissolveu o Congresso governando como autocrata até 1995, ano em que foi reeleito graças à modificação da Constituição que proibia a reeleição.
O escritor de 85 anos, residente na Espanha, disse que Keiko representa a possibilidade de continuidade do sistema democrático no Peru.
"Caso Castillo ganhe o segundo turno, seria uma verdadeira catástrofe para o Peru", garantiu o peruano à rádio RPP de Lima em abril.
“É muito importante que o Peru não caia na catástrofe que é Venezuela, Nicarágua e Cuba, países que realmente chegaram a uma situação verdadeiramente crítica”, acrescentou.
Castillo, professor de escola rural, e a filha do ex-presidente preso conquistaram 18,9% e 13,4% dos votos no primeiro turno, em 11 de abril, que teve um recorde de 18 candidatos.
O vencedor da votação tomará posse em 28 de julho.