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As forças turcas e seus aliados sírios entraram neste sábado (12) em uma cidade curda estratégica do norte da Síria, onde os combates prosseguem, e a Turquia se mostrou decidida a prosseguir com a ofensiva apesar da enxurrada de críticas internacionais e das ameaças de sanções americanas.
Em Ancara, o ministério da Defesa informou que as forças turcas tomaram Ras al Ain, cidade fronteiriça com a Turquia, o que foi desmentido pelos curdos.
No entanto, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) e um correspondente da AFP no local, os turcos entraram na cidade, mas os combates continuam.
A Turquia, fronteiriça com a Síria, quer expulsar das áreas fronteiriças a milícia curdo-síria das Unidades de Proteção Popular (YPG), as quais qualifica de "terroristas", e instaurar uma "zona de segurança" de 32 km de largura para separar sua fronteira das zonas controladas pelas YPG.
Seu objetivo é realojar nesta região parte dos 3,6 milhões de refugiados sírios instalados em seu território.
- "Resistência feroz" -
As Forças Democráticas Sírias (FDS), coalizão de árabes e curdos apoiada há anos pelos Estados Unidos na luta antijihadista, exortaram Washington, ao qual acusou de tê-los "abandonado", a "assumir sua obrigação moral" de ajudá-los e pediram-lhes o "fechamento do espaço aéreo para a aviação turca".
As forças curdas qualificaram de "punhalada pelas costas" a retirada americana da fronteira, o que permitiu à Turquia lançar sua ofensiva e as acusou de tê-las abandonado.
Neste sábado, nove civis foram "executados" por rebeldes pró-turcos que participaram da ofensiva em Ancara, segundo o OSDH.
Estes mortos elevam a 38 o número de civis mortos desde o início das ações na quarta-feira, informou a mesma fonte, que também reportou 81 baixas nas fileiras curdas.
Ancara anunciou, por sua vez, a morte de quatro soldados na Síria e de 18 civis em ataques com foguetes lançados pelos curdos contra cidades turcas da fronteira.
Na manhã deste sábado, as forças turcas e seus aliados locais lançaram o ataque a Ras al Ain, de onde fugiram praticamente todos os moradores, segundo o OSDH.
Segundo um dirigente das FDS, cuja coluna vertebral são as YPG, "Ras al Ain continua resistindo e os enfrentamentos permanecem".
"As FDS recuaram parcialmente pelos bombardeios violentos, mas lançaram um contra-ataque", acrescentou.
As forças turcas e seus aliados conquistaram uma zona industrial na periferia de Ras al Ain, segundo o OSDH e um correspondente da AFP.
Um dirigente dos grupos sírios que apoiam os militares turcos (ex-rebeldes que combateram o regime sírio no começo da guerra) informou que seu avanço tinha perdido velocidade "pela resistência feroz das YPG".
Segundo a imprensa turca, Ancara quer se apoderar de uma faixa de território de 120 km de extensão por 30 km de profundidade, das cidades fronteiriças de Ras al Ain a Tal Abyad.
No total, as forças curdas perderam 27 povoados desde a quarta-feira, segundo o OSDH.
Apoiadas pelo Ocidente, sobretudo pelos Estados Unidos, as FDS são a ponta de lança contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), derrotado em março, quando perdeu seu último bastião no país.
No âmbito desta luta, soldados americanos foram enviados a setores do nordeste sírio.
- "Enviar ajuda urgente" -
Neste sábado, as FDS avaliaram que a operação de Ancara tinha "revitalizado" o EI e "ativado células" jihadistas.
Vários países também temem o destino dos membros do EI detidos pelos curdos.
Na noite de sexta-feira, um carro-bomba explodiu perto de uma prisão na cidade de Hasaké sem causar danos, segundo um correspondente da AFP. Esta prisão abriga jihadistas, indicaram as forças de segurança curdas.
A Alemanha denunciou a ofensiva turca e anunciou a suspensão da entrega de armas à Turquia, que "pudessem ser usadas" contra os curdos na Síria. Logo depois, a França anunciou uma medida neste sentido.
No Cairo, a Liga Árabe pediu a retirada imediata das tropas de Ancara.
Na sexta-feira, os Estados Unidos afirmaram que o presidente Donald Trump assinaria um decreto para ativar sanções contra a Turquia.
"Não importa o que digam, não deteremos" a operação, respondeu o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Várias ONGs alertaram para o risco de um novo desastre humanitário na Síria, onde a guerra, da qual participam múltiplos atores regionais e internacionais, deixou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados desde 2011.
Hassan, médico em Tal Tamr, pede às "organizações médicas internacionais para enviar ajuda urgente aos hospitais do nordeste da Síria".
"Nossos meios são limitados", lamentou o médico.