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Um trabalhador da saúde é visto em posto de tratamento do Ebola, em Monróvia, Libéria, no dia 7 de setembro de 2014(afp_tickers)
Ainda não há explicação sobre a origem do primeiro caso de Ebola em três meses na Libéria, afirmaram nesta quarta-feira especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) - estimando, contudo, que o caso é isolado da epidemia fez mais de 4.800 mortes no país.
O novo caso, anunciado em 30 de junho, foi registrado num jovem de 17 anos, que adoeceu em 21 de junho e morreu sete dias depois, em um bairro nos arredores do Aeroporto Internacional Roberts, ao sudeste da capital Monróvia.
Dois novos doentes ligados a este caso foram identificados e permaneciam internados nesta quarta-feira em um centro de tratamento anti-Ebola.
"A origem da infecção deste grupo de casos está sendo investigada", afirmou a OMS em seu relatório semanal publicado nesta quarta-feira.
Estas investigações devem permitir determinar se o novo caso vem da contaminação por um dos dois países vizinhos ainda afetados pelo Ebola, Guiné e Serra Leoa, ou de um foco não identificado na própria Libéria.
Estes três países são responsáveis por mais de 99% das vítimas da epidemia na África Ocidental, iniciada em dezembro de 2013 no sul da Guiné que tem, desde então, mais de 11.200 mortes em mais de 27.500 casos.
A Libéria foi declarada livre do Ebola em 9 de maio, 42 dias após - duas vezes a duração máxima da incubação - o enterro da última vítima da doença, em 28 de março.
Mas os dois vizinhos ainda lutam contra a epidemia, que voltou a ter uma alta após ter registrado um franco declínio desde o início do ano.
A região de Margibi não faz fronteira nem com Guiné nem Serra Leoa. O jovem de 17 anos não viajou recentemente, não esteve em contato com viajantes de ambos os países, ou participou de funerais de vítimas de Ebola, segundo a OMS.
De acordo com os especialistas, o rapaz pode ter sido infectado por uma nova variedade de Ebola a partir de um animal em vez de um ser humano.
O vírus circula entre morcegos frugívoros, considerados como seu hospedeiro natural, que não desenvolvem a doença. Outros animais - macacos, antílopes, porcos-espinhos - também são suscetíveis de carregá-lo e transmiti-lo aos seres humanos.
No surto atual, um único caso de contato com animais foi constatado, logo no início da cadeia, na Guiné. Depois disso, o vírus foi transmitido de ser humano pra ser humano.
Outra possibilidade sugerida pela OMS é de que focos de Ebola continuam existindo sem o conhecimento das autoridades de saúde locais, nacionais ou internacionais na Libéria.
AFP