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Os colombianos elegerão suas autoridades locais no domingo e uma candidata lésbica, símbolo da luta contra corrupção, tem chances de virar a primeira prefeita eleita de Bogotá.
O que está em jogo nessas eleições?
1) Eu, Claudia
Bogotá, uma capital de 7,2 milhões de habitantes, agoniada pelos engarrafamentos, o desemprego e com uma alta percepção de insegurança, poderá eleger pela primeira vez uma prefeita.
Claudia López, de 49 anos, com formação em Ciência Política e que no ano passado conduziu uma consulta popular contra a corrupção, lidera a intenção de voto, junto ao liberal Luis Carlos Galán, de 43 anos.
"Sou mulher. Sou candidata de um partido de centro-esquerda. Sou lésbica e isso não deveria ser relevante na discussão pública (...), mas na Colômbia não é irrelevante", disse a ex-senadora de oposição à AFP.
Aspirante a aliança entre o Partido Verde e um setor da esquerda, López reivindica sua origem humilde e ressalta o exílio a que diz ter sido forçada por suas investigações sobre políticos que acabaram sendo condenados por nexos com paramilitares de ultradireita.
Sua eleição representa um marco em um país historicamente governado por homens das elites liberal e conservadora. Nessas eleições 37% dos 116.428 candidatos são mulheres.
2) Violência e corrupção
A violência eleitoral ocorre em 27% dos 1.122 municípios que escolherão seus mandatários - prefeitos, governadores, vereadores -, segundo a independente Missão de Observação Eleitoral (MOE).
Após o desarmamento do que foi a guerrilha mais poderosa da América Latina, que ensangrentou várias eleições, o país organiza suas primeiras eleições locais sem a ameaça das FARC.
Entretanto, o conflito persiste em vários territórios onde o narcotráfico financia grupos armados, incluindo dissidências da ex-guerrilha.
Desde 27 de julho, cuando venceu o prazo de inscrição, sete candidatos foram assassinados, 88 receberam ameaças, 12 sofreram atentados e um foi sequestrado. No total são 108 vítimas de todos os partidos, exceto do evangélico MIRA, segundo a MOE.
O governo presta proteção a 2.065 candidatos.
A Fundação Paz e Reconciliação, que tem seu próprio registro de riscos, alertou sobre uma mudança de padrão nas agressões. "Há menos casos de ameaças coletivas e aumentou distintas formas de violência seletiva", afirma.
A violência - acrescenta a ONG - ainda é exercida para eliminar adversários políticos. Além disso, a MOE identificou 461 municípios sob risco de fraude e advertiu sobre a falta de transparência no financiamento de campanhas.
3) Sobrevivência
Essas serão as segundas eleições para o partido FARC após as eleições legislativas de 2018, em que obteve 0,27% dos votos.
"Sua principal expectativa neste momento é a sobrevivência, não o acesso ao poder", aponta Miguel García, do Observatório da Democracia da Universidade dos Andes.
A Força Alternativa Revolucionária do Comum (FARC) lançou 308 candidatos, a maioria para concelhos locais. Somente 18 se candidataram a prefeitos.
A maioria dos ex-guerrilheiros ainda lida com atrasos e descumprimentos dos acordos de 2016. Pelo menos 168 ex-combatentes foram assassinados desde a assinatura da paz e cerca de vinte se rearmaram.
Nessas eleições, eles continuarão pagando o erro de manter a sigla que evoca sua luta armada de meio século e o preço de ter lançado um partido justamente quando as pessoas estão se afastando deles, conforme observa Fernando Giraldo, da Universidade do Norte de Barranquilla.
4) Um Duque sem peso
Com pouco mais de um ano no poder e pesquisas desfavoráveis (64% rejeitaram seu governo em agosto), a figura do presidente Iván Duque parece sem importância nessas eleições.
"Sendo bastante impopular, os candidatos tendem a se descolar das políticas do governo", diz Yann Basset, da Universidade de Rosário.
Além disso, nessas eleições se impõem as coalizões sobre os desprestigiados partidos tradicionais e os independentes ganham força.
Em 66% dos municípios, por exemplo, existe um candidato a aliança para prefeito, enquanto para cada um dos 32 governados compete um aspirante com as mesmas características, segundo o Ministério do Interior.
"O ideológico pesa muito menos", acrescenta o especialista de Los Andes.
Mesmo assim, o Centro Democrático, partido no poder liderado pelo ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010), medirá sua força após o escândalo que envolve seu líder em um caso de manipulação de testemunhas sob investigação.
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