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WASHINGTON (Reuters) - Por que os chimpanzés não falam? Pesquisadores anunciaram uma nova pista nesta quarta-feira, e ela não diz respeito apenas ao código genético, e sim a como os genes funcionam.
Humanos e chimpanzés compartilham a maior parte do seu DNA -- entre 95 e 98,5 por cento, segundo diferentes estimativas. Os cientistas estudam as diferenças para encontrar a chave daquilo que distingue os humanos.
Uma equipe liderada por Dan Geschwind, da Universidade da Califórnia, Los Angeles, examinou especificamente um gene chamado FOXP2, que parece muito similar em muitos animais até o momento em que a linhagem humana se separou da linhagem dos chimpanzés, entre 4 e 7 milhões de anos atrás.
O FOXP2 é um fator de transcrição, significando que afeta a atividade de outros genes. Ele desempenha um papel importante na fala humana e afeta a coordenação em outros animais, como ratos.
A equipe de Geschwind usou o tecido cerebral de humanos e chimpanzés para analisar o que o FOXP2 realmente faz. Embora o código do DNA em si seja semelhante, eles encontraram diferenças sutis em dois aminoácidos produzidos pelo gene.
Essas diferenças eram suficientes para explicar variações na estrutura cerebral que podem estar envolvidas com a linguagem, escreveu a equipe de Geschwind na revista Nature. Poderiam explicar também algumas das características físicas da mandíbula e da garganta que ajudam os humanos a falarem.
"Pesquisas anteriores sugerem que a composição do aminoácido do FOXP2 humano mudou rapidamente em torno do mesmo tempo em que a linguagem emergiu nos humanos modernos", disse Geschwind em nota.
"Demonstramos que as versões humana e do chimpanzé do FOXP2 não só parecem diferentes como também funcionam diferentemente", acrescentou Geschwind, que atualmente é professor visitante do King's College, de Londres.
"Nossas conclusões podem lançar luz sobre por que os cérebros humanos nascem com os circuitos para a fala e a linguagem, e os cérebros dos chimpanzés, não."
(Reportagem de Maggie Fox)
Reuters