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O jornal dominical NZZ am Sonntag noticiou ontem que o Procurador-Geral da República Michael Lauber participou de reuniões informais e não documentadas com autoridades brasileiras responsáveis pela operação Lava-Jato, sobre os casos de corrupção da Petrobras.
Recentemente, Lauber tem lutado contra as acusações de irregularidades sobre seu uso de reuniões informais não documentadas em sondagens sobre suposta má conduta na FIFA, a entidade máxima do futebol mundial.
Rolf Schuler, advogado de Zurique representando um réu no caso brasileiro, disse ao NZZLink externo que Lauber, juntamente com outras autoridades, participou de reuniões não protocoladas na Suíça e no Brasil com o objetivo de iniciar processos de lavagem de dinheiro.
No entanto, o advogado também disse ao NZZ que não há provas escritas de tais reuniões, apesar de seu cliente ser cobrado pelos custos relacionados. As acusações não puderam ser verificadas de forma independente pela swissinfo.ch.
O procurador-geral suíço Link externojá está sob forte pressão depois que o fiscal do Ministério Público federal suíço ordenou recentemente um inquérito disciplinar sobre uma série de reuniões informais entre Lauber e o chefe da FIFA, Gianni Infantino. Ele criticou o fato de que tais reuniões não haviam sido documentadas em relatórios escritos.
A Procuradoria Geral da República vem analisando vários casos de suposta corrupção envolvendo funcionários da FIFA desde 2014, sob a presidência de Sepp Blatter.
Lauber reconheceu duas reuniões com Infantino, dizendo que elas se destinavam a ajudar a avançar a investigação. No entanto, ele afirma não se lembrar de uma terceira reunião. Ele também negou veementemente as acusações de mentir ou esconder intencionalmente informações.
Lauber enfatizou repetidamente que procedimentos complexos como os relacionados à FIFA e à Petrobras não poderiam ser conduzidos de forma eficiente sem conversas informais.
Contra-ataque
A reportagem veio dias depois que Lauber deu seu contra-ataque em uma entrevista coletiva em Berna Link externona sexta-feira, durante a qual ele criticou a investigação disciplinar independente sobre a sua conduta em relação ao processo da FIFA.
"Não se trata apenas de uma agressão frontal total à minha pessoa", disse ele aos repórteres. "Na minha opinião, é também uma violação da independência da Procuradoria-Geral".
Lauber disse que era absurdo transformar tudo isso em uma crise institucional. Ele acrescentou que, desde o final do ano passado, havia garantido que todas as conversas relacionadas a procedimentos investigativos deveriam ser documentadas.
O procurador federal por duas vezes disse que ele seria um candidato para outro mandato. Cabe ao parlamento decidir se ele terá um terceiro mandato.
Alguns legisladores questionaram a sua recondução. "Lauber não é mais sustentável", disse Alfred Herr, do Partido Popular Suíço, ao jornal Tages-AnzeigerLink externo. "Ele precisa ser substituído".
Heer disse que essas reuniões secretas correm o risco de comprometer os inúmeros processos criminais em andamento na FIFA.
Carlo Sommaruga, social-democrata, disse que ficou chocado com a coletiva de imprensa de Lauber e advertiu que o promotor estava "disposto a arrastar sua autoridade para o abismo". Só há uma saída para salvar o Estado de Direito: sua partida.
swissinfo.ch/ets, Keystone-SDA/sb