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Washington finalmente recusou a ajuda oferecida pela Suíça depois do furacão Katrina, que devastou o sudeste dos Estados Unidos.
Os estadunidenses não precisam mais da ajuda de urgência proposta por Berna, segundo Daniel Wendell, porta-voz da embaixada dos Estados Unidos em Berna.
Daniel Wendell revelou quinta-feira a swissinfo que os Estados Unidos "agradecem" a atititude "generosa" da Suíça mas que ela não será mais necessária.
Ele explicou que Washington recebeu propostas de ajuda de 118 países e que elas ultrapassaram a capacidade logística dos Estados Unidos. Duas semanas atrás, os estadunidenses haviam aceito a ajuda proposta feita pela Suíça.
Depois disso, a Direção de Ajuda ao Desenvolvimento e Cooperação (DDC) preparou 50 toneladas de gêneros de primeira necessidade e vários expecialistas seriam enviados à região sinistrada pelo furacão katrina.
O órgão do governo suíço esperava apenas a autorização do governo dos Estados Unidos para enviar homens e material à região.
O presidente George W. Bush recebeu a embaixadora dos Estados Unidos em Berna, Pamela Willeford na Casa Branca e a teria instruído a expressar seu reconhecimento à Suíça pela proposta de ajuda.
Daniel Wendell acrescentou que os Estados Unidos agradeciam a Suíça pela paciência demonstrada.
Reações polidas
Segundo um responsável de relações públicas na embaixada dos Estados Unidos em Berna, que solicitou anonimato, "os Estados Unidos se concentraram nos últimos dez dias em uma ajuda de curto prazo, perspectiva que agora mudou porque a gestão logística começou a funcionar a plano vapor". As necessidades agora se concentram no longo prazo como moradia, por exemplo, e que a ajuda suíça era de curto prazo.
Aceitar a ajuda suíça e, 15 dias depois, recusá-la, não é algo estranho? "A oferta generosa da Suíça reflete a compaixão e solidariedade da população suíça para com a América. Os dois países são solidários em períodos de crise e esse o ponto principal", respondeu meio incomodado o representante da embaixada.
Na DDC, há alguma decepção? "O importante são as vítimas e não somos nós que temos de reclamar", afirma Andreas Stauffer, porta-voz da DDC.
Ele acrescenta que "fazemos uma proposta e, se ela é aceita, verificamos se as possbilidades logísticas e organizacionais existem; aí fazemos a operação e verificamos no local se nossa ajuda chega ao lugar certo. Se não há necessidade de nosso material e de nossos especialistas, eles estarão prontos para a próxima operação".
Um outro tipo de ajuda
Daniel Warner, cidadão estadunidense, é diretor adjunto do Instituto de Altos Estudos Internacionais de Genebra (HEI), diz que "não ficou surpreso porque, devido o ego que têm, os Estados Unidos tem muita dificuldade em aceitar ajuda dos outros, quer seja de um país ou de uma organização internacional. Em segundo lugar, é preciso questionar o que a Suíça pode oferecer como ajuda aos Estados Unidos".
Então a ajuda suíça era mal adaptada? "Na Suíça, o exército está habituado a ajudar em casos de catástrofes naturais. O sistema militar americano é baseado exclusivamente na intervenção em conflitos, não no contexto civil. É preciso refletir para o futuro como a Suíça pode ajudar, não necessariamente em técnica mas também em termos de organização".
Daniel Warner explica que isso é verdade também a nível político. "Nos EUA, o poder federal é mais forte do que na Suíça mas vimos que as relações entre a prefeitura de Nova Orleans, o governo do estado e as instâncias federais não funcionaram. Pode ser que aí os americanos precisem de ajuda. Talvez eles tenham sido incapazes de ouvir os outros. Tem muita política em tudo isso", constata o diretor adjunto da HEI.
swissinfo com agências.
Breves
- 118 países ofereceram ajuda aos Estados Unidos depois do furacão Katrina.
- A ajuda da Suíça (50 toneladas) continha principalmente cobertures, barracas de plástico e produtos higiênicos de primeira necessidade.
- Oito especialistas (logística, medicina e água potável) estão de plantão para partir para os EUA.
- Mais de 485 mil pessoas fugiram de Nova Orleans antes da chegada do furacão, dia 29 de agosto, provocando a ruptura dos diques e as inundações
- O balanço provisório das vítimas é de 710 mortos. Entre os desaparecidos consta um cidadão suíço.
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