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J.T. Rogers, vencedor do prêmio por "Oslo", em Nova York, em 11 de junho de 2017(afp_tickers)
Os diálogos israelenses-palestinos de Oslo de uma forma nunca vista: divertidos e cheios de protagonistas que, quando quebram o gelo com seu inimigo juramentado, revelam toda a sua humanidade e se mostram dispostos a acabar com 70 anos de conflito.
Esta é a ideia de "Oslo", obra de J.T. Rogers, coroada no domingo à noite em Nova York como melhor obra da temporada na cerimônia dos prêmios Tony, equivalente ao Oscar na Broadway.
Há um ano sendo apresentada em Nova York, a peça irá para Londres em setembro e terá uma adaptação ao cinema depois que Marc Platt, produtor de "La La Land - Cantando Estações", decidiu pegar o projeto.
Para J.T. Rogers, um americano de 48 anos, não se trata da primeira trama geopolítica: em 2010, ele escreveu sobre um agente da CIA confrontado com a situação no Afeganistão e em 2006 dedicou-se ao genocídio de Ruanda, embora nenhuma das duas obras tenha chegado à Broadway.
"Oslo" começou triunfando na Off Broadway, o circuito nova-iorquino de teatro independente, em julho de 2016. E quase um ano depois, em abril de 2017, foi levada ao grande palco: o teatro Vivian Beaumont, com 1.200 poltronas, no Lincoln Center.
"Aos homens e às mulheres dos acordos de Oslo que acreditaram na paz, que seus inimigos eram humanos, esta recompensa é para eles!", disse Rogers ao receber o prêmio.
A ideia de teatralizar estas negociações de 1993 que duraram nove meses surgiu quando conheceu o diplomata norueguês Terje Rod-Larsen, que foi ver uma de suas obras, em dezembro de 2002. Este político foi, junto com sua esposa, Mona Juul, o principal facilitador dos diálogos de Oslo.
"Fomos beber uma taça" em um restaurante em frente ao Lincoln Center, relata Rogers no prefácio da obra. "Me contou o que fez para chegar aos Acordos de Oslo", uma sequência "quase desconhecida", já que a história só conserva o epílogo com a cerimônia de assinatura dos acordos e o aperto de mãos entre o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin e o líder palestino Yasser Arafat nos jardins da Casa Branca.
Nova York, com sua importante comunidade judaica progressista, é uma das cidades do mundo onde as pessoas mais se apaixonam pelo conflito israelense-palestino: muitos espectadores morriam de rir dos negociadores, divididos entre suas posturas de princípios e a descoberta de afinidades tais como o gosto unânime pelos waffles que a cozinheira norueguesa preparava.
- "Há um vazamento" -
Os espectadores também pareciam dispostos a rir dos americanos e de sua distância nestas conversas, supostamente secretas. "Há um vazamento", disse em um momento Mona Juul - interpretada pela atriz Jennifer Ehle: "a Agência France-Presse anuncia que há diálogos em Oslo!".
O sucesso de "Oslo", elogiada pela imprensa americana e nomeada também em outras seis categorias, tem a ver com o ato de que a obra não se preocupa com a complexidade destas discussões.
A praça de Jerusalém e as prerrogativas atribuídas à Autoridade Palestina são apenas esboçadas na peça, na qual projetam imagens de arquivo da violência em terra durante as negociações.
"É a MINHA versão da história", "os diálogos são meus", "a cronologia foi condensada", assinalou Rogers.
A direção de Bartlett Sher constitui a parte bela da história, interpretada por 14 atores que revelam as emoções, as ambições e a empatia crescente que une os protagonistas israelenses, palestinos e seus padrinhos noruegueses (Jennifer Ehle e Jefferson Mays, nomeados a melhor atriz e melhor ator).
Alguns são personagens coloridos, como Michael Aronov, que interpreta o excêntrico responsável do Ministério israelense das Relações Exteriores Uri Savir, e que venceu o prêmio de melhor ator coadjuvante; ou Daniel Oreskes, que interpreta dois personagens: o professor israelense enviado a título não oficial por Israel para essas negociações e Shimon Peres na última fase dos diálogos com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).
No lado palestino, Anthony Azizi encarna um "ministro" das Finanças da OLP particularmente encantador e criativo para conseguir alcançar a paz.
A cerimônia da Casa Branca permanece distante, mas "Oslo" dá aos espectadores durante três horas a impressão de que a paz está ao alcance das mãos.
AFP