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Cartes chega para reunião em Luque 31/3/2017 REUTERS/Jorge Adorno(reuters_tickers)
ASSUNÇÃO (Reuters) - O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, disse nesta segunda-feira que não será candidato à eleição presidencial do ano que vem a fim de preservar a estabilidade do país, independentemente de o Congresso aprovar ou não uma emenda permitindo segundos mandatos.
Em uma carta ao arcebispo de Assunção que foi compartilhada no Twitter, Cartes, ex-executivo de refrigerantes e tabaco, disse que sua decisão de não concorrer foi inspirada pelo pedido do papa Francisco por paz e diálogo no Paraguai.
Manifestantes atearam fogo ao Congresso em 31 de março após o Senado votar secretamente a favor da emenda, e a polícia posteriormente invadiu um partido político da oposição e matou um manifestante. A Câmara dos Deputados ainda não votou sobre a proposta.
Investidores são a favor das políticas de baixos juros de Cartes e dão a ele crédito pelo estímulo de uma das taxas mais rápidas de crescimento econômico na América Latina, mas grupos comerciais pediram para ele não buscar outro mandato para evitar mais protestos no país, quarto maior exportador de soja do mundo.
“Espero que este gesto de renúncia resulte em um diálogo mais profundo com objetivo de fortalecer a república”, dizia a carta de Cartes.
A constituição paraguaia proíbe segundos mandatos desde que foi aprovada em 1992, depois da queda em 1989 de uma ditadura brutal. Muitos cidadãos do país de 6,8 milhões de habitantes são opostos a quaisquer sinais de tentativa de se manter no poder.
A senadora Lilian Samaniego, do Partido Colorado, de Cartes, disse que os aliados do presidente irão continuar buscando aprovação da Câmara, embora um referendo popular seja necessário para implementar a reeleição.
No entanto, Pedro Alliana, líder do Partido Colorado, disse que agora é pouco provável que a Câmara vote a favor da proposta.
"Se ele (Cartes) não é um candidato, posso garantir que a chance de aprovação da emenda na Câmara é mínima, praticamente impossível”, disse Alliana.
Cartes, um principiante político que disse nunca ter votado em eleição antes de votar em si mesmo, foi eleito em 2013 para um mandato de cinco anos.
Reuters