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(2014) Sombra de um ativista dos direitos humanos se reflete na bandeira chilena durante um protesto em Santiago contra a ditadura de Augusto Pinochet(afp_tickers)
Um dos 14 ex-militares recentemente condenados pela morte do ex-agente químico da polícia secreta de Augusto Pinochet, Eugenio Berríos, cometeu suicídio nesta quinta-feira, antes de começar a cumprir a pena.
O general da reserva do exército chileno Hernán Ramírez, condenado a 20 anos de prisão por sequestro e associação ilícita na terça-feira, morreu no Hospital Militar de Santiago depois de dar um tiro na cabeça, informou uma fonte policial à AFP.
Um boletim médico afirma que o general entrou no hospital às 1H30 com um "ferimento de bala no crânio".
"Dada a gravidade do ferimento e, apesar dos esforços realizados pela equipe médico que o atendeu, o general (R) faleceu às 3H20", afirma o comunicado oficial.
A Suprema Corte do Chile confirmou na terça-feira a sentença de 20 anos de Ramírez e de outros 10 ex-militares chilenos. Três ex-militares uruguaios também foram condenados no caso, por sequestro e associação ilícita, a penas de entre cinco e 15 de anos de prisão.
Berríos, que foi químico da temida polícia secreta da ditadura de Pinochet, a Direção de Inteligência Nacional (DINA), fugiu do Chile para o Uruguai em outubro de 1991, quando o regime já havia chegado ao fim e começavam as primeiras investigações sobre algumas das mais de 3.200 mortes atribuídas ao governo do período.
Confabulados com a ditadura chilena para apagar os rastros de seus crimes, militares uruguaios ajudaram a assassinar Berríos em 1995 com um tiro na cabeça na praia de El Pinar.
Acredita-se que esta missão foi a última como parte da "Operação Condor", um plano acordado na década de 70 e que uniu as ditaduras militares do Cone Sul para coordenar o extermínio de opositores.
Berríos desenvolveu no Chile, entre outros, o gás sarin, para ser usado contra os opositores do regime de Pinochet (1973-1990).
Um químico que sabia demais
Com a morte de Berríos foram perdidas informações valiosas sobre o desenvolvimento de armas químicas durante a ditadura de Pinochet. A Justiça investiga atualmente se tais armas foram usadas na morte do ex-presidente Eduardo Frei Montalva, em 1982, e do poeta comunista e prêmio Nobel Pablo Neruda, poucos dias após o golpe, em setembro de 1973.
Frei e Neruda morreram na mesma clínica em Santiago. O ex-presidente, que era naquele momento a principal figura da oposição a Pinochet, morreu de septicemia repentina depois de realizar uma operação de rotina. Vestígios tóxicos foram encontrados nos restos mortais do ex-presidente.
Neruda, por sua vez, morreu um dia antes de partir para o México para liderar a oposição internacional a Pinochet. Segundo a versão oficial da época, ele morreu como resultado do agravamento de um câncer, mas um grupo de especialistas analisa desde 2011 a possibilidade de ele ter recebido uma injeção que pode ter acelerado a sua morte.
"A figura de Berríos era extremamente importante para esclarecermos os casos de violação dos direitos humanos que ocorreram durante a ditadura", disse à AFP a advogada Fabiola Letelier, irmã do ex-ministro das Relações Exteriores Orlando Letelier, morto na explosão de uma bomba colocada em seu carro em Washington, em 1976.
Quando Berríos foi chamado para depor neste caso, ele fugiu para o Uruguai.
Pela morte de Berríos, três ex-militares uruguaios foram condenados, Tomás Casella, Eduardo Radaelli e Wellington Sarli.
Os oficiais uruguaios chegaram ao Chile em abril de 2006 depois de serem extraditados. Todos os condenados deveriam começar a cumprir nos próximos dias suas penas.
AFP