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O partido do ex-presidente boliviano Evo Morales rejeitou nesta quinta-feira (9) que a Organização dos Estados Americanos (OEA) seja observadora nas eleições de setembro, afirmando que foi "parte e cúmplice" de um "golpe" de Estado no ano passado.
"Acreditamos que é antiético que eles participem novamente porque fizeram parte e são cúmplices do golpe contra a democracia e o estado social do direito constitucional na Bolívia nas eleições de outubro de 2019", afirmou o Movimento ao Socialismo (MAS) em nota.
O Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) confirmou em junho que três organizações internacionais devem enviar missões de observação para as eleições de 6 de setembro: a OEA, a União Europeia e a Associação de Organizações Eleitorais da América Latina (AOEAL).
Segundo o partido de Morales, presidente entre 2006 e 2019, a OEA realizou um "trabalho parcial e subjetivo que gerou dúvidas e violência em setores racistas que se reuniram em grupos paramilitares, supostamente cívicos e políticos, de ideologia conservadora e neoliberal em nosso país".
O MAS alega que a renúncia de Morales em novembro de 2019 foi resultado de um golpe de Estado. A então senadora Jeanine Áñez o substituiu.
O ex-governante renunciou, depois de quase 14 anos no poder, em meio a protestos violentos em todo o país contra as eleições e para denunciar fraudes em benefício de Morales.
A violência fez com que policias se organizassem contra ele e os líderes militares pediram publicamente sua renúncia.
Um relatório preliminar da OEA mencionou irregularidades nas eleições, depois que o TSE deu a Morales a vitória para um quarto mandato. O estudo alimentou as queixas contra Morales e a revolta social.
Em dezembro de 2019, a OEA confirmou que houve "manipulação intencional das eleições" nas eleições bolivianas.
Embora o MAS tenha rejeitado a presença da OEA, o presidente da Câmara dos Deputados e líder do partido, Sergio Choque, disse que "qualquer instituição internacional tem suas portas abertas para ver e garantir as eleições gerais".
O candidato do MAS, Luis Arce, lidera as intenções de voto (33,3%), seguido pelo ex-presidente centrista Carlos Mesa (18,3%) e Áñez (16,9%), de acordo com as últimas pesquisas publicadas em março.