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O ex-presidente Alberto Fujimori governou o Peru com mão de ferro entre 1990 e 2000, derrotou a guerrilha Sendero Luminoso e foi mandado à prisão por crimes de lesa-humanidade, de onde saiu agora, em março de 2022, por determinação da Corte Constitucional.
Descendente de japoneses, com uma trajetória bem-sucedida como professor universitário, foi, em 1990, o primeiro filho de imigrantes a conquistar a presidência do Peru, superando nas urnas o escritor Mario Vargas Llosa.
Com racionalidade de matemático e contenção japonesa, aplicou mão dura para desmantelar as guerrilhas. Acabou sendo preso por violar os direitos humanos.
- Julgado pela história -
O ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018) lhe concedeu um indulto no fim de 2017, mas não levou muito tempo para que Fujimori perdesse novamente a liberdade. No início de 2019, voltou à prisão depois que um juiz anulou o perdão presidencial.
"Voltar à prisão é uma pena de morte lenta e certa", disse na época Fujimori, que sofria de câncer de língua e problemas cardíacos.
Contudo, em março de 2022, a Corte Constitucional aceitou um recurso que solicitava que a decisão judicial que anulou o indulto ficasse sem efeito.
"Que a história julgue meus acertos e erros", escreveu o ex-presidente ao completar 80 anos, em 28 de julho de 2018, em um manuscrito enviado à AFP, no qual expressou sua convicção de que foi responsável por assentar as bases de um país que será "líder na América Latina".
- 'Herói' para alguns, 'vilão' para outros -
Fujimori era bastante popular. Mas, em novembro de 2000, em meio à crescente oposição após 10 anos de governo, fugiu para o Japão e renunciou à presidência por fax.
O ex-presidente ostentou um poder quase absoluto após dar um "autogolpe" em 5 de abril de 1992, dissolvendo o Congresso e intervindo no Judiciário, apoiado nas Forças Armadas e na estratégia de seu assessor de inteligência, Vladimiro Montesinos, que agora está preso.
Com quatro condenações judiciais por crimes contra a humanidade e corrupção, a maior delas de 25 anos de prisão, Fujimori é considerado um "herói" para muitos peruanos, e "vilão" para outros tantos.
Cultivou um estilo autoritário que combinava com o seu perfil de homem frio, desconfiado, pouco comunicativo e calculista. Governava em uma espécie de fraternidade secreta, ao lado de um pequeno círculo de colaboradores, sem o contrapeso de outros poderes do Estado, e com controle sobre os meios de comunicação, o que abriu as portas para a corrupção.
- Libertação de reféns da embaixada japonesa -
Fujimori aplicou um modelo econômico neoliberal que lhe rendeu o apoio de empresários, classes dirigentes e organismos financeiros internacionais. Isso lhe permitiu superar a crise que assolou o país durante o primeiro mandato de Alan García (1985-1990).
Também derrotou as guerrilhas Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), mas acabou sendo denunciado por organizações de direitos humanos de cometer massacres de civis inocentes na ação contra esses grupos.
Contudo, um dos episódios que mais lhe deu capital político foi a libertação de reféns na residência do embaixador japonês, tomados pelo MRTA, em abril de 1997.
Depois de 122 dias, do total de 72 reféns, 71 foram libertados e um morreu. Já os 14 rebeldes foram mortos em uma operação militar, que recebeu elogios de muitos governos e questionamentos de grupos de direitos humanos, que denunciaram que os sequestradores foram executados depois de rendidos.
Após cinco anos no Japão, chegou de surpresa, em 2005, no Chile, que o extraditou em 2007 ao Peru, onde foi julgado e condenado.