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Clientes provam joias em loja de Nova Délhi, em 8 de maio de 2017(afp_tickers)
Seis meses depois da desmonetização radical impulsionada pelo governo indiano para combater o mercado negro, grandes maços de cédulas circulam como antes no mercado de ouro e diamantes de Nova Délhi.
O dinheiro em espécie é o rei desse bairro de joalheiros, criado no século XVII na época do imperador mogol Shah Jahan e situado nas ruazinhas estreitas do bazar de Chandni Chowk.
E nada parece ter mudado apesar da desmonetização decretada em novembro pelo primeiro-ministro Narendra Modi.
"Continuo usando dinheiro em espécie", assegura Kapil, um vendedor de ouro e diamantes que não quer dar seu sobrenome. "Só em espécie", afirma.
Em 8 de novembro, Modi anunciou a anulação do valor das notas de 500 e mil rupias (7,5 e 15 dólares), que representavam 86% do dinheiro físico em circulação no país.
A medida provocou grandes filas nos bancos de toda a Índia para trocar os velhos bilhetes pelos novos, que demoraram sair, em uma situação que durou semanas.
Seis meses mais tarde, os comerciantes de Chandi Chowk garantem que as transações desmaterializadas (com cheques ou cartões de crédito) aumentaram muito pouco e que o dinheiro em espécie continua sendo o principal meio de pagamento.
Na Índia cerca de 80% das compras são feitas em dinheiro apesar do objetivo do governo de criar uma economia sem notas.
Kapil reconhece que graças ao "dinheiro vivo" no passado só declarou 500.000 rúpias em vendas (7.770 dólares) quando na realidade vendeu aproximadamente 10 milhões (155.000 dólares).
"Os consumidores sempre querem pagar em dinheiro para evitar os impostos", explica Ranjeev Panjali, cuja família trabalha na joalheria há 60 anos.
Após a retirada das notas, o governo também decidiu em março proibir o pagamento em dinheiro para compras superiores a 200.000 rúpias. Paralelamente, promove as "carteiras digitais" e favorece empresas preferem o pagamento desmaterializado.
Graças a essas medidas o governo aumentou suas receitas fiscais em 10% em fevereiro, comparado com o mesmo mês do ano anterior.
Velhos costumes
Parece difícil, contudo, mudar velhos costumes, e durante todo o tempo recorrido em uma tarde no mercado do ouro de Chandni Chowk, a jornalista da AFP só viu transações em espécie.
"A desmonetização não teve absolutamente qualquer impacto", disse o proprietário de uma loja que não quis se identificar. "Nunca poderão tirar o dinheiro em espécie do nosso sistema", assegura.
Nacionalmente, os saques de dinheiro dos caixas automáticos até aumentaram, 0,6% ao ano em março, a 2,2 bilhões de rúpias.
A decisão do governo também freou o crescimento deste país de 1,25 bilhão de habitantes. No último trimestre de 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) indiano cresceu 7% ao ano, frente a 7,3% do trimestre anterior.
Uma estimativa que poderá ser revisada em baixa quando se avaliar melhor o impacto da desmonetização.
A agricultura e o setor imobiliário são os que mais dependem do dinheiro em espécie.
"As vendas de moradia desaceleraram em Délhi, mas não só por causa da desmonetização", explica um agente imobiliário da capital indiana que não quis se identificar. "É mais difícil [comprar] em dinheiro, mas ainda há grandes maços de dinheiro em cima da mesa", garante.
Ironicamente, a desmonetização foi positiva para os joalheiros de Chandni Chowk, porque muitos clientes se precipitaram a trocar seus velhos bilhetes por ouro, um refúgio tradicional em tempos de incerteza.
"Não há uma só loja em todo o mercado que não tenha ganho dinheiro durante a desmonetização", disse, rindo, um comerciante.
AFP