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Modelo de narval é exibido no Smithsonian's National Museum of Natural History's, em Washington DC(afp_tickers)
Os narvais, apelidados de "unicórnios do mar" por causa da presa em suas cabeças, exibem uma resposta "alarmante" ao estresse causado pelo Homem, que pode levar a um dano cerebral, alertaram pesquisadores nesta quinta-feira (7).
Quando amedrontados, os narvais seguram a respiração enquanto tentam nadar mais rápida e profundamente, fazendo com que seus batimentos cardíacos caiam de 60 por minuto para três ou quatro.
Durante os mergulhos de fuga, os narvais precisam de 97% de sua reserva de oxigênio e muitas vezes excedem seu limite de mergulho aeróbico, ou "esgotam as reservas de oxigênio nos músculos, pulmões e no sangue, seguido pelo metabolismo anaeróbico", segundo o estudo publicado na revista Science.
Os mergulhos de duração e profundidade normais usam apenas 52% da reserva de oxigênio dos narvais e as frequências cardíacas caem para cerca de 20 batimentos por minuto.
Essa combinação de paralisia ao entrar em uma reação do tipo "fugir ou lutar" poderia tornar difícil para os narvais obter oxigênio suficiente para o cérebro e outros órgãos fundamentais, afirmaram os cientistas.
O estudo tem implicações "de alerta" para narvais e outras baleias, golfinhos e para a vida marinha afetada por atividades humanas, como transporte marítimo, exploração sísmica e perfuração de petróleo, informou a autora principal do estudo, Terrie Williams, professora de Ecologia e Biologia Evolutiva na Universidade da Califórnia em Santa Cruz.
"A biologia desses animais faz deles especialmente vulneráveis a perturbações", afirmou.
Embora os narvais não se encontrem em risco de extinção, estes cetáceos estão cada vez mais em contato com os seres humanos, enquanto o planeta se aquece e o gelo derrete em seu hábitat ártico.
Para testar suas reações após serem capturados em redes de caçadores nativos, os pesquisadores instalaram sensores de sucção em cinco narvais, similares a monitores de atividades físicas, e acompanharam suas respostas fisiológicas e comportamentais.
Depois, eles soltaram os narvais em Scoresby Sound, na costa leste da Groenlândia.
Após alguns dias, os sensores saíram e voltaram à superfície, onde os pesquisadores os recolheram.
"Esta tecnologia nos deu uma visão do mundo dos narvais, e o que percebemos é alarmante", declarou Williams.
Pesquisas anteriores haviam demonstrado que golfinhos e focas também têm arritmias cardíacas frequentes quando nadam rapidamente em águas profundas, correndo o risco de ficar desorientados ou morrerem.
A resposta natural de fuga dos narvais - para evitar baleias assassinas ou outras ameaças - normalmente envolve uma descida ou uma subida lenta em uma área onde os predadores não conseguem ir.
"Ao contrário das ameaças de predadores, como as baleias assassinas, é difícil escapar do ruído do sonar ou de uma explosão sísmica", assinalou Williams.
"A questão é, o que nós, como humanos, vamos fazer sobre isso?", questionou.
AFP