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O Equador solicitou consultas com seu embaixador na Argentina, Juan José Vásconez, para uma "análise exaustiva das relações", anunciou sua chancelaria nesta quarta-feira(10), após um protesto apresentado por Quito às declarações do presidente Alberto Fernández contra o seu homólogo Lenín Moreno.
“O governo nacional decidiu chamar o embaixador do Equador na Argentina, Juan José Vásconez, para consultas, com o objetivo de proceder a uma análise exaustiva das relações do Equador com o governo do presidente Alberto Fernández e fazer as orientações correspondentes”, informou a pasta em uma breve declaração.
O Ministério de Relações Exteriores indicou na manhã desta quarta-feira que Quito apresentou um "enérgico protesto" a Buenos Aires pelas declarações de Fernández contra Moreno, que foram rotuladas como "intervenção em assuntos internos".
O governo equatoriano “rejeitou enfaticamente as expressões do presidente Alberto Fernández, que considera uma intervenção inaceitável nos assuntos internos de outro Estado”, afirmou em outro comunicado.
Quando questionado em entrevista recente sobre um possível distanciamento de sua vice-presidente, Cristina Kirchner, Fernández respondeu: "Não sou Lenín Moreno. Quem imaginou isso não me conhece".
“Posso ter divergências com a Cristina. Temos opiniões diferentes sobre algumas coisas, mas aqui cheguei com a Cristina e daqui vou sair com a Cristina”, acrescentou o presidente argentino ao canal CN5 daquele país.
Moreno, que foi vice-presidente de Rafael Correa, mantém forte conflito com o ex-presidente equatoriano, que governou entre 2007 e 2017 e é aliado de Kirchner.
O presidente equatoriano, cujo mandato de quatro anos terminará no dia 24 de maio, foi promovido por Correa, que o descreve como um "traidor".
Suas profundas diferenças mergulharam a situação, no poder há 14 anos, em uma crise.
- "Comparações ofensivas" -
Em sua carta de protesto, dirigida à chancelaria argentina através de Vásconez, o Equador informou que "não aceita que se façam comparações ofensivas com o presidente" Moreno.
Correa, mora na Bélgica, foi condenado à revelia em 2020 a oito anos de prisão por corrupção e também enfrenta um julgamento pelo sequestro fugaz de um opositor na Colômbia em 2012.
O ex-presidente socialista, que se considera um perseguido político do governo Moreno, afirma que enfrenta quase 40 processos judiciais no país, vários por suspeita de corrupção.
"O sistema de justiça do Equador goza atualmente de absoluta independência e autonomia em todos os seus atos e o trabalho que vem realizando na luta contra a corrupção tem o único propósito de devolver o Estado de Direito e a liberdade de ação ao poder judiciário equatoriano", informou a chancelaria em seu primeiro pronunciamento na quarta-feira.
No governo de Moreno já houve outro impasse com a Argentina.
Em outubro de 2017, o Equador expressou seu "repúdio e desgosto" com declarações consideradas ofensivas feitas pelo então embaixador argentino em Quito, Luis Alfredo Juez, sobre os equatorianos.
Juez disse certa vez que trocou de roupa para evitar comentários de que "sou um sujo e peguei hábitos equatorianos", referindo-se às comunidades indígenas do país.
"Uma das mais conhecidas é o povo Otavalo (norte). Eles se vestem na manhã de sábado e passam todo o fim de semana com a mesma roupa. Eu me referia a isso - para não passar todo dia com a mesma indumentária, passei em casa para me trocar", explicou depois Juez, que acabou sendo substituído.
Várias etnias equatorianas usam sempre roupas da mesma cor.