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MOSCOU (Reuters) - A Rússia está pronta para estabelecer diálogo com o novo governo Biden, no qual se espera que as diferenças entre os países venham à tona, disse um porta-voz do Kremlin neste domingo, acrescentando que o presidente Vladimir Putin responderá da mesma forma se os EUA concordarem em conversar.
As relações entre Moscou e Washington estão em seu nível mais distante desde o fim da Guerra Fria, com os dois lados em desacordo sobre o papel da Rússia na Ucrânia e alegações de intromissão russa nas eleições dos EUA, o que Moscou nega, entre outras questões.
Os Estados Unidos também pediram às autoridades russas no sábado que libertem os manifestantes e jornalistas detidos em manifestações de apoio ao crítico do Kremlin Alexei Navalny, e condenaram o que consideram "táticas duras" usadas contra eles.
A polícia deteve mais de 3.000 pessoas e usou a força para dissolver manifestações em toda a Rússia, depois que dezenas de milhares de pessoas enfrentaram o frio intenso para se juntar aos protestos em apoio a Navalny.
"Claro, contamos com o sucesso no estabelecimento de um diálogo", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, segundo a agência de notícias Interfax.
"Este será o diálogo onde, é claro, as diferenças terão que ser expressas em maior grau, os pontos de divergências. Mas, ao mesmo tempo, o diálogo é uma possibilidade de encontrar alguns núcleos racionais, pequenas partes onde as nossas relações podem se aproximar", disse ele.
"E se o atual governo dos EUA estiver pronto para tal, não tenho dúvidas de que nosso presidente responderá da mesma forma."
Putin foi um dos últimos líderes globais a parabenizar Joe Biden por sua vitória na eleição presidencial dos Estados Unidos após a eleição de 3 de novembro.
Uma das questões complicadas a serem resolvidas pelas duas potências nucleares é o tratado de controle de armas, conhecido como New START, que expira em 5 de fevereiro.
A Casa Branca disse na semana passada que Biden buscaria a prorrogação de cinco anos para o acordo, enquanto o Kremlin solicita propostas concretas de Washington.
Peskov também parecia estar usando um tom mais conciliatório neste domingo do que o Ministério das Relações Exteriores russo, que um dia antes descreveu o apoio público de Washington aos manifestantes anti-Kremlin como uma intromissão nos assuntos internos da Rússia.
Peskov reiterou o ponto neste domingo, mas suavizou usando as palavras "interferência indireta". Ao mesmo tempo, ele disse que os protestos são ilegais e que os manifestantes foram superados em número pelos eleitores que apoiavam Putin.
Washington se juntou à União Europeia e ao Reino Unido na condenação da forma como as forças de segurança russa lidaram com os protestos do sábado, e o ministro das Relações Exteriores da França disse neste domingo que as prisões colocam em risco o Estado de Direito na Rússia, pedindo sanções.
(Reportagem de Vladimir Soldatkin)