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O Ministério das Relações Exteriores (DFAE) tomou conhecimentot da execução do ex-presidente iraquiano, sublinhando que, para a Suíça, "a pena de morte não é justificável".
Preso pelos americanos em 2003, Saddam Hussein foi enforcado na madrugada de sábado, em Bagdá. Ele havia sido condenado por crimes contra a humanidade.
"Para a Suíça, a pena de morte não é justificável, mesmo para os crimes mais graves (...) Esta posição fundamental também vale no caso de Saddam Hussein", afirma o comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
O DFAE continua muito preocupado pela "insegurança dramática" que prevalece no Iraque e deseja que os iraquianos possam "superar as dificuldades do passado" e encontrar as bases de uma reconciliação para chegar à paz e à construção de uma sociedade democrática.
Saddam Hussein fora condenado à morte por enforcamento dia 5 de novembro último pelo massacre de 148 iraquianos xiitas no vilarejo de Doujäil (ao norte de Bagdá). Estes foram mortos em represália ao atentado falho ao comboio presidencial em 1982.
O enforcamento de outros dois condenados - o meio-irmão de Saddam Hussein, Barzan al-Tikriti, ex-chefe do serviço secreto, e do ex-presidente do tribunal revolucionário, foram adiados por alguns dias.
"Eles serão executados depois das festas de Aïd al-Adha», (que terminam na primeira semana de janeiro), afirmou o conselheiro da segurança nacional Moaffaq al-Roubaïe, questionado pela televisão pública Iraqia, sem precisar a data da execução dos dois homens.
«Tudo foi filmado»
«Tudo foi filmado», declarou à Iraqia Mariam al-Rayis, uma conselheira do ministro iraquiano das Relações Exteriores, que assistiu à execução. "Essas imagens serão divulgadas", afirmou a senhora al-Rayis, sem mencionar a data da difusão.
Dois magistrados também estavam presentes: o representante do Tribunal de Recursos, Mounir Haddad, o procurador geral, Mounqith Al-faroun, e também um médico, declarou a jornalistas o representante do primeiro ministro Nouri al-Maliki.
Indiferença e atentado em Bagdá
A notícia foi recebida com certa indiferença em Bagdá. Ouviram-se alguns tiros para o ar em bairros de maioria xiita, comemorando a execução.
A situação era normal sábado pela manhã nas ruas da capital iraquiana mas um primeiro atentado, em um mercado de um bairro xiita, causou cerca de 30 vítimas, segundo a televisão européia EURONEWS. O autor do atentado teria sido preso e posteriormente linxado em praça pública.
A Europa dividida em suas reações
No estrangeiro, a França foi um dos primeiros países a reagir. "Mais do que nunca, o objetivo deve ser o retorno à plena soberania e à estabilidade do Iraque", afimou o ministério das Relações Exteriores.
Sublinhando que "essa decisão pertence ao povo e às autoridades soberanas do Iraque", Paris reafirmou, no entanto, sua oposição ao princípio da pena de morte. Londres fez o mesmo, afirmando que o ex-presidente "pagou".
Por sua vez, a União Européia (UE), através do porta-voz do chefe da diplomacia Javier Solana, afirmou que não aderia à sentença de morte.
Finalmente, o Conselho da Europa também discordou o método utilizado. O secretário geral Terry Davis afirmou que o Iraque tinha "perdido uma ocasião de integrar o mundo civilizado".
Bush saúda uma etapa importante
"A execução de Saddam Hussein marca o fim de um ano difícil para o povo iraquiano e para nossas tropas", declarou o presidente George W. Bush atavés de um comunicado divulgado em seu rancho de Crawford, no Texas.
A execução "não permitirá o fim da violência no Iraque mas é uma etapa importante no caminho rumo a uma democracia que pode ser governada, ser auto-suficiente, se defender e ser uma aliada na luta contra o terrorismo", acrescentou o presidente dos Estados Unidos.
Governo iraquiano mudo
As autoridades iraquianas decidiram executar Saddam Hussein antes do amanhecer, que marca o início das celebrações de al-Adha, a festa do Sacrifício.
"O costume é que nehuma execução ocorra durante as festas religiosas", afirmara anteriormente um membro do governo.
O governo iraquiano, encarregado da aplicação da sentença, manteve o silêncio absoluto sobre o enforcamento, os detalhes e o que fará com o corpo do condenado.
Saddam Hussei ficou detido quase dois anos em lugar secreto, numa base militar americana em Badgá.
swissinfo com agências
Breves
Saddam Hussein dirigiu o Iraque de 1979 até a queda do regime, em abril 2003.
Em 13 de dezembro de 2003 o ex-ditador foi preso pelas tropas americanas perto de Tikrit, sua cidade natal, depois de oito meses de busca. As imagens humilhantes de sua prisão deram a volta ao mundo.
Seus filhos Qoussaï e Oudaï foram mortos três meses depois pelas forças americanas.
Durante seu processo, Saddam Hussein, 69 anos, sempre apareceu com um terno escuro, camisa clara e sem gravata.
Mostrou-se arrogante e tenaz e recusou várias vezes a autoridade do tribunal especial encarregado de julgá-lo.
Saddam Hussein
Saddam Hussein nasceu em 28 de abril de 1937, em Awja, perto de Tickrit, de família camponesa; órfão de pai, ele foi criado por um tio.
Começou a ficar conhecido em 1959, quando tentou assassinar o presidente Abdel Karim Kassem, que havia derrubado a monarquia um ano antes.
Em 1968, Saddam Hussein participa de um golpe de Estado que leva o partido Baas ao poder. Em 1979, ele acumula as funções de chefe de Estado, secretário geral do Bass e chefe supremo das forças armadas.
Saddam Hussein vai eliminando os adversários. Terrorizado pelo Irã, o ocidente tolera seus crimes e fornece armas a Badgá. Seguem-se 8 anos de guerra entre o Iraque e o Irã
Em 1990, ele tenta invadir o Koweit mas seus ex-aliados voltam-se contra na guerra do Golfo.
Apesar do embargo internacional ao Iraque, Saddam Hussein não cessa de desafiar os Estados Unidos.
Em março de 2003, uma coalizão liderada pelos Estados Unidos invade o Iraque sem a aprovação da ONU. O pretexto é que o regime de Bagdá dispunha de armas de destruição em massa e apoiava o terrorismo