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O presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou neste domingo que setores da oposição "preparam um golpe de Estado para esta semana", enquanto um grupo civil aliado de seu candidato rival Carlos Mesa propôs a anulação das eleições, em meio a uma escalada dos protestos.
"Alerto desde Vila Vila (povoado rural) a todo o povo boliviano: diferentes setores sociais (...) se preparam para realizar um golpe de Estado na próxima semana", disse o mandatário à sua base em ato público.
Mesa respondeu à noite convocando um apoio à paralisação nacional para denunciar o que chamou de fraude nas eleições do último domingo. "Amanhã iniciamos uma paralisação que tem características fundamentais, que irá mostrar a Morales a força de La Paz e a força da Bolívia", proclamou Mesa em La Paz. "Todos nós temos que estar decididos a sair às ruas pra mostrar que não aceitamos a fraude", assinalou Mesa diante de cerca de 500 pessoas.
O ministro do Interior, Carlos Romero, afirmou na TV estatal que a oposição "está convocando as pessoas para o confronto (...) para tomar as instituições públicas, para desalojar o governo. Isto é uma convocação ao golpe de Estado. Antes, os golpes eram com militares. Agora, são institucionais", disse, citando os casos de Dilma Rousseff no Brasil e Fernando Lugo no Paraguai.
- EUA pedem segundo turno -
Os Estados Unidos expressaram hoje preocupação com o que chamaram de irregularidades na votação boliviana, e pediram um segundo turno entre Morales e Mesa.
"Fazemos um chamado à Bolívia para restaurar a integridade eleitoral procedendo com um segundo turno, em eleições livres, justas, transparentes e confiáveis entre os dois vencedores", tuitou o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo.
Um poderoso sindicato de camponeses pró-governo decretou hoje um bloqueio indefinido de estradas "em defesa do voto indígena" a partir de segunda-feira, depois que a oposição anunciou que irá intensificar a paralisação nacional contra a vitória polêmica de Morales.
O Tribunal Eleitoral (TSE) boliviano anunciou na sexta-feira a vitória de Morales no primeiro turno com 47,08% dos votos válidos, contra 36,51% de seu principal concorrente, Carlos Mesa.
Mesa, presidente boliviano entre 2003 e 2005, disse no sábado não reconhecer a proclamação oficial de Morales para um quarto mandato em primeiro, por ser "resultado de uma fraude".
A oposição anunciou que desde segunda-feira se intensificarão as medidas de protesto, especialmente em La Paz, sede do Executivo e do Legislativo.
"Estamos em um cenário de conspiração, contra a democracia, contra as eleições", garantiu o ministro de Governo (Interior), Carlos Romero, à rede de rádios estatais.
Neste domingo, uma plataforma que articula os comitês cívicos regionais (Conade) pediu a anulação das eleições e a convocação de um novo pleito.
O líder do grupo, Waldo Albarracín, aliado de Mesa, disse que "diante da realidade da fraude eleitoral", o Conade "exige a anulação das eleições", além da formação de um novo tribunal eleitoral, "desta vez imparcial.
Morales descartou no sábado qualquer negociação política com a oposição sobre recontagem final das eleições e exigiu respeito aos resultados.
Dias atrás, o presidente também havia avisado que seus adversários estavam preparando um golpe de Estado, embora sem fornecer nenhuma prova de sua afirmação.
"Nossa responsabilidade é informar, para que as pessoas também tenham a responsabilidade de defender nosso processo de mudança e a mudança que fizemos em pouco tempo em nossa amada Bolívia", disse Morales.
Após as dúvidas levantadas pela contagem dos votos, o presidente boliviano Evo Morales propôs à Organização dos Estados Americanos (OEA) a realização de uma auditoria do processo, que seu secretário-geral, Luis Almagro, aceitou.