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Peña Nieto faz discurso para apoiadores de seu partido na Cidade do México 12/8/2017 REUTERS/Henry Romero(reuters_tickers)
CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O gabinete do presidente do México rejeitou nesta terça-feira acusações de que propinas da empreiteira brasileira Odebrecht foram usadas na campanha de 2012 do presidente Enrique Peña Nieto.
O jornal O Globo informou no fim de semana sobre documentos que alegariam que o assessor de Penã Nieto, Emilio Lozoya, recebeu propinas de um ex-executivo da Odebrecht a partir de 2012 em troca de um contrato para a refinaria Tula, no México.
Citando documentos bancários, um relatório do grupo da sociedade civil Mexicanos Contra a Corrupção também informou que pagamentos foram feitos quando Lozoya era uma autoridade sênior na campanha de Peña Nieto.
"É absurdo, irresponsável e de má-fé ligar a campanha do presidente Enrique Peña Nieto em 2012 com investigações que estão sendo realizadas hoje no caso Odebrecht”, disse o gabinete do presidente em comunicado.
O gabinete informou ainda que autoridades eleitorais mexicanas supervisionaram gastos na campanha e não haviam encontrado nada ilegal.
A Odebrecht admitiu para procuradores brasileiros e norte-americanos que pagou 10,5 milhões de dólares em propinas no México, mas detalhes sobre estas propinas não foram tornados públicos.
Escândalos de corrupção têm perseguido o governo de Peña Nieto, dando vantagem ao candidato opositor de esquerda Andrés Manuel López Obrador, que se prepara para uma terceira candidatura no ano que vem.
Parlamentares do partido Morena, de López Obrador, preencheram nesta terça-feira uma queixa na procuradoria-geral do México, pedindo uma investigação sobre Lozoya, que comandou a petroleira estatal Pemex, de 2013 a 2016.
“Eles deram a ele a chance de administrar uma companhia estatal e ele a usou para enriquecimento ilegal”, disse o parlamentar do Morena Rocio Nahle a repórteres do lado de fora do prédio principal da procuradoria, na capital mexicana.
Lozoya chamou as acusações de “absolutamente falsas” em uma publicação no Twitter no domingo e ameaçou processar por difamação.
Desde que entrou em acordos no Brasil, Estados Unidos e Suíça por um recorde de 3,5 bilhões de dólares, a Odebrecht tem buscado negociar acordos de leniência que irão permitir que continue operando em outros países na América Latina.
A Odebrecht admitiu no acordo com procuradores brasileiros e norte-americanos ter pago propinas em 12 países para receber contratos, incluindo no México.
A procuradoria mexicana informou em comunicado no domingo que o México não aceitou uma oferta de acordo da Odebrecht, e que não irá aceitar qualquer acordo baseado em limitação de punição para os que forem julgados envolvidos.
(Reportagem de Frank Jack Daniel e Roberto Ramirez)
Reuters