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Com a rápida disseminação dos casos de coronavírus, a Universidade da Suíça italiana (USILink externo) do sul da Suíça encontrou novas formas de trabalho e de apoio aos afetados pela crise. Agora se prepara para uma reabertura gradual.Este conteúdo foi publicado em 01. julho 2020 - 12:15
"Temos tido muito trabalho, e não tem sido fácil", disse Boas Erez, reitor da USI, sobre a adaptação à nova situação imposta pela pandemia. Mas com o esforço coletivo durante da emergência, a comunidade universitária se manteve fiel a seus objetivos, disse ele à swissinfo.ch.
Para os 1.455 estudantes e funcionários italianos (um terço do corpo docente) a crise tem sido particularmente difícil tendo em vista que seu país de origem sofreu um surto devastador de coronavírus. Muitos estudantes retornaram para suas famílias quando a situação se agravou, assistindo às classes de casa. "Alguns foram afetados diretamente pelas consequências do vírus e nossa simpatia vai, inicialmente, para eles", disse Erez.
Universidade da Suíça de língua italiana (USI)
Fundada em 1996, a USI, é a única universidade pública de língua italiana na Suíça. Ela está instalada em três regiões do cantão: Lugano, Mendrísio e Bellinzona.
Com 2.971 estudantes e 869 professoresLink externo e pesquisadores de mais de 100 países, a USI é particularmente conhecida por Departamento de Arquitetura em Mendrísio.
Foi classificadaLink externo entre as 350 melhores instituições no ranking de 2019 das universidades com uma visão internacional particularmente acentuada compilado pelo portal "Times Higher Education". A maioria dos cursos de mestrado é oferecida em inglês.End of insertion
Quarentena e retorno à normalidade
A Suíça ordenou às universidades que paralisassem as atividades de ensino em suas instalações a partir de 16 de março, como parte das medidas para conter o coronavírus. As universidades reabriram em 8 de junho, mas a maioria continua com à oferecer ensino à distância até o final do semestre. Em muitos casos, os exames de verão serão feitos on-line e as graduações serão realizadas virtualmente. Este também é o caso na USI, que encerrou o semestre em 29 de maio, mas realizará provas em junho e julho.
A USI introduziu suas medidas de coronavírus progressivamente, enquanto monitorava constantemente a situação na região vizinha da Lombardia, agindo, algumas vezes, antes mesmo das decisões tomadas a nível nacional suíço, disse Erez.
Em 8 de março, por exemplo, a universidade anunciou que ofereceria ensino à distância (e-learning) e limitaria o acesso em dois campi para quem viesse das "zonas vermelhas" de Covid-19 no norte da Itália. A partir de 12 de março, a universidade fechou completamente para o ensino. A pesquisa científica continuou, mas como em outros lugares, sob condições especiais.
A mudança integral da universidade para o aprendizado on-line foi auxiliada pelo fato de que ela possui um eLab, que promove o e-learning entre estudantes e funcionários, disse Erez. Nenhum dia dos cursos foi perdido.
Houve outras mudanças. O dia de celebração da universidade, chamado Dies Academicus, bem como as cerimônias de graduação e até mesmo um tour para potenciais alunos de mestrado foram realizados on-line pela primeira vez.
Professores adaptados às mudanças
"Meu trabalho foi profundamente afetado pela crise", disse Lorenzo Cantoni, diretor do Instituto de Tecnologias Digitais para Comunicação, e pró-reitor de Educação e Experiência dos Estudantes.
"Dois cursos ministrados em conjunto com colegas mudaram de regime presencial para on-line, após vários dias de uma abordagem mista com alguns estudantes no campus e outros trabalhando remotamente". Enquanto alguns conteúdos estavam prontos, tivemos que produzir muitos conteúdos novos, como aulas em vídeo e reuniões on-line com os alunos", disse ele.
Trabalhar em casa era um desafio especial: "Muitas vezes eu trabalhava muito cedo pela manhã para gravar as videoaulas, antes de meus filhos se levantarem, para que eu pudesse gravar sem nenhum barulho. Durante as horas de trabalho, eu tinha então que 'competir' pela conexão com a Internet com minha esposa e filhos, pois todos nós estávamos usando a conexão para trabalhar ou estudar".
Manter o contato com os alunos, especialmente aqueles que passam por momentos difíceis pessoalmente, também tem sido fundamental. "Era muito importante tranquilizá-los e ajudá-los a não perder a fé e seu entusiasmo pelos estudos", disse Cantoni via e-mail.
A universidade também ofereceu bolsas de solidariedadeLink externo para os afetados pela pandemia.
Estudantes sentem falta dos colegas
Para Yassin Ndiaye, uma estudante que se formou em língua, literatura e civilização italiana, manter uma rotina de estudo equilibrada foi um dos maiores desafios do fechamento. Não foi tão fácil manter sua concentração e organização como antes, disse ela.
"Estar em casa por tanto tempo me fez perceber a importância do contato humano e da troca de ideias, coisas que você normalmente toma como óbvias", disse ela via e-mail.
Como representante estudantil de seu ano de ingresso, Ndiaye encontrou em um papel fundamental como intermediária entre estudantes e professores. Sua classe manteve a solidariedade durante a crise do coronavírus, disse ela, com professores trabalhando duro para fazer aulas à distância "tão normais quanto possível".
O futuro
Com a melhora da situação do coronavírus na Suíça, a reflexão está agora voltada para o futuro. Alguns funcionários já foram autorizados a voltar ao campus sob condições especiais e a USI deverá anunciar suas medidas para o semestre de outono e o que poderá mudar na vida universitária em 16 de junho.
Para o reitor Erez, o e-learning é o exemplo mais evidente de mudanças, especialmente agora que todos na Universidade, e não apenas uma minoria, já o utilizaram. Trabalhar em casa, conferências e eventos on-line e novos formatos digitais também foram outras áreas a serem exploradas.
O que poderia ter sido feito melhor? Um pouco mais de investimento prévio em conteúdo digital, diz ele.
Cantoni e Ndiaye estão ansiosos para um dia voltar ao campus. Na pesquisa, o contato informal como o bate-papo em torno da máquina de café, ou a visita rápida ao escritório do colega para uma atualização, são importantes, tanto quanto o contato formal em reuniões, aponta Cantoni.
"Sinto falta disso tudo, e espero que em breve possamos voltar à normalidade", disse ele, "mesmo que seja uma normalidade um pouco diferente que garanta o distanciamento social e, se necessário, a possibilidade de voltar a estar online".
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