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EUA se desculpam pela morte de suíço
Embaixadora americana envia condolências à ministra suíça Micheline Calmy-Rey depois do assassinato de Salah Jmor, um cidadão suíço-iraquiano, por tropas americanas em Bagdá.
A diplomata exprimiu "consternação" e solicitou ao governo em Washington esclarecimento rápido do caso.
As circunstâncias da morte de Salah Jmor, um cidadão suíço-iraquiano, ainda não foram esclarecidas.
O incidente foi discutido durante um encontro na capital helvética entre a ministra Micheline Calmy-Rey e a embaixadora americana Pamela Willeford, como detalha Ivo Sieber, chefe de informação no ministério das Relações Exteriores.
Pentágono
A representante dos EUA exprimiu suas "condolências" e assegurou a Micheline Calmy-Rey que a embaixada em Berna fará o possível para esclarecer o caso.
- Estamos coletando informações - confirmou um porta-voz, mas sem indicar quanto tempo o inquérito conduzido pelo Pentágono poderá durar.
O ministério das Relações Exteriores solicitou no sábado (2.07) às autoridades americanas a realização de uma investigação completa do incidente, que muitos críticos vêem como mais um indício do nível elevado de violência empregado pelo exército do EUA no Iraque.
- Uma vez que obtivermos uma resposta ao pedido, iremos decidir se a realização de uma investigação independente é necessária - afirmou Ivo Sieber.
Na segunda-feira (4.07), o Partido Socialista, do qual Salah Jmor era membro, exigiu um inquérito independente com a participação de autoridades suíças e iraquianas.
Baleado por militares
Salah Jmor, 49 anos, foi morto em 28 de junho no momento em que ele estava no viajando numa estrada em direção à Bagdá, num veículo conduzido pelo irmão. Segundo a família, ele foi baleado na cabeça por um soldado americano ao passar um comboio de três veículos militares.
Nos últimos dias, a família forneceu outros detalhes sobre o drama. "Eu estava dirigindo quando ouvi um barulho seco. Meu irmão desabou nesse momento. Eu nem sabia quem havia atirado, pois já havíamos passado os americanos. Depois eu vi o sangue jorrar", se lembra Abdel Jabbar.
A polícia bloqueou a estrada e posteriormente uma patrulha americana surgiu. "Dois ou três soldados desceram, viram o meu irmão morto e disseram simplesmente: nós nos desculpamos. Depois uma ambulância iraquiana veio para buscar o corpo".
Pedido à Suíça
Os familiares de Salah Jmor pedem justiça. "É necessário que os culpados por essa tragédia sejam processados e que o exército americano indenize pelo sangue jorrado", declarou Abdel Rahmane, pai da vítima.
Mãe de três crianças, a esposa de Salah Jmor vive na Suíça desde 1990 e tem a nacionalidade helvética. Ela decidiu lutar pelo esclarecimento do caso. Nesse sentido, ela lançou um apelo às autoridades suíças.
- Eu não posso confiar nas autoridades iraquianas, pois elas estão nas mãos do presidente americano George Bush. Eu confio na Suíça, o país dos direitos humanos e da justiça. Exijo justiça dos Estados Unidos para meu marido e meus filhos - declarou emocionada Taban Jmor.
Engajado na questão curda, Salah Jmor havia publicado diversos livros sobre o tema. Ele se opunha à intervenção americana no Iraque, mas planejava fazer parte do governo do Curdistão iraquiano, como explicou um funcionário próximo do presidente local Massoud Barzani.
swissinfo e agências
Fatos
Salah Jmor era originário do Curdistão iraquiano, mas vivia há vinte e cinco anos na Suíça.
Ele era doutor pelo Instituto Superior de Estudos Internacionais (Institut des Hautes Études Internationales) em Genebra.
Sua tese de doutorado era intitulada "A questão do Curdistão nas relações internacionais entre 1914 e 1925).
Há cinco anos Jmor era membro do Partido Socialista.
Ele dirigia sua própria empresa: Jmor Business&Consulting.
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