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Nos últimos meses, os suíços entregaram voluntariamente 14.775 armas às autoridades estaduais para destruição. É que a legislação do Espaço Schengen proíbe o porte privado de armas não registradas.
Estima-se que existam até 3 milhões de armas em circulação na Suíça – incluindo as de soldados e reservistas do exército.
O cantão de Lucerna, no centro da Suíça, foi o que mais destruiu armas até agora: 3483 armas e 700 quilos de munição foram entregues por pessoas físicas num posto de coleta, segundo estatísticas da Polícia Federal (Fedpol). O maior volume de munição foi recolhido em Berna: 1800 kg.
A maioria dos 26 cantões (estados) suíços fez coletas de armas nos últimos meses. Segundo um cálculo da agência de notícias SDA, com base em dados da Fedpol e das autoridades estaduais, 14.775 armas foram recolhidas no país.
O que os suíços retiram dos sótãos, armários ou debaixo das camas chega a assustar a polícia. No posto de coleta de Basileia foram entregues duas dúzias de armas que ainda estavam carregadas. Um morador de Schaffhausen entregou uma granada de artilharia.
Em Appenzell, os policiais encontraram lança-minas e, em Glarus, uma espada disfarçada como bengala. A maioria das armas, no entanto, é originária do exército: carabinas, baionetas, metralhadoras. Entre elas há também raridades que foram usadas na Segunda Guerra Mundial por solados alemães e norte-americanos.
13.819 registros a posteriori
A coleta e destruição decorre da adaptação da lei suíça ao Acordo de Schengen. De acordo com a nova lei sobre porte de armas, em vigor desde 12 de dezembro de 2008, os suíços têm prazo até 11 de dezembro próximo para entregar ou registrar suas armas.
São excluídas dessa regra armas que foram compradas de um vendedor patenteado, por exemplo, para caça e esporte. A lei define como armas não só as de fogo, como também determinadas facas, cassetetes e aparelhos de choque elétrico.
Segundo a Fedpol, no primeiro semestre de 2009, 13.819 armas foram registradas (legalizadas) a posteriori. Por falta de um cadastro central, o número total de armas na Suíça é desconhecido – as estimativas oscilam de um a três milhões.
Em Appenzell Rodes Interiores, Turgóvia e Zurique, haverá novas coletas em outubro e dezembro. Os cantões de Basileia-Campo e Schwyz informam que sempre aceitam a entrega voluntária de armas por particulares.
Swissinfo.ch com agência SDA
Exportação de armas
A Suíça realiza em 29 de novembro próximo um plebiscito sobre a exportação de armas e material bélico.
A iniciativa popular apoiada pelos social-democratas, verdes, sindicados e o Grupo Suíça sem Armas pede a proibição desse tipo de exportação.
O bloco adversário da iniciativa, formado por partidos liberais e centristas, estima que uma proibição colocaria em risco até 10 mil empregos em 550 empresas no país.
Os adversários argumentam que, como a Suíça participa com apenas 0,7% das exportações mundiais de armas, a proibição não teria efeito sobre a paz mundial.