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Palestinos muçulmanos rezam na entrada da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, em 22 de julho de 2017(afp_tickers)
Um jordaniano morreu e um israelense ficou gravemente ferido neste domingo em um incidente na embaixada de Israel em Amã, em um contexto de tensão crescente na região.
Israel vive sob pressão neste domingo depois que oito pessoas morreram no final de semana nos confrontos gerados pelas novas medidas de segurança impostas na Esplanada das Mesquitas de Jerusalém.
Na capital jordaniana, cujo governo administra oficialmente a Esplanada de Jerusalém, "um homem jordaniano morreu e um israelense foi ferido de forma grave em um incidente dentro da embaixada (israelense)" no bairro residencial de Rabiyé, em Amã, informou uma fonte de segurança, sem dar mais detalhes nem se identificar.
Forças de segurança jordanianas foram enviadas para os arredores da embaixada, informou um correspondente da AFP.
Israel e Jordânia assinaram um acordo de paz em 1994 e mantêm relações diplomáticas. As recentes medidas de segurança aplicadas por Israel na Esplanada das Mesquitas em Jerusalém reavivaram, no entanto, as tensões entre ambos os países.
Diante da nova onda de violência em Jerusalém e nos territórios ocupados, responsáveis israelenses disseram estar dispostos a modificar as medidas de segurança decretadas nos acessos ao terceiro local santo do Islamismo.
- Onda de violência -
Cinco palestinos morreram nos confrontos em Jerusalém Oriental, parte palestina da cidade anexada por Israel, e na Cisjordânia, e três israelenses morreram esfaqueados na sexta-feira em uma colônia israelense perto de Ramallah.
A violência começou após a instalação, há uma semana, de detectores de metal nas entradas da Esplanada das Mesquitas, depois de um ataque contra policiais israelenses no dia 14 de julho.
Israel afirma que os agressores haviam escondido armas na Esplanada das Mesquitas e que saíram dali antes de disparar contra os policiais.
Os palestinos rejeitaram os cercos de segurança porque interpretam a medida como um movimento de Israel para aumentar o seu controle no lugar.
As entradas da Esplanada estão sendo controladas por Israel -que chama o local mais sagrado para o Judaísmo de Monte do Templo-, mas são administradas pela Jordânia. Os muçulmanos podem entrar a qualquer hora enquanto os judeus só têm acesso ao local em horários determinados e sem poder rezar.
As autoridades israelenses garantem que não têm a intenção de modificar essas normas tácitas.
- "Brincando com fogo" -
Desde a instalação dos detectores de metais, os palestinos se negaram, como protesto, a rezar no complexo, e rezaram nas ruas próximas.
A violência entre os manifestantes e as forças israelenses é diária.
O presidente palestino, Mahmud Abbas, anunciou na sexta-feira o congelamento das relações com Israel.
"Eles (os israelenses) serão os grandes perdedores, já que nós desempenhamos um papel importante para garantir nossa segurança e a sua. Se Israel deseja retomar a coordenação da segurança, deve revogar sua decisão", alertou o presidente palestino.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que tem previsto se reunir com o gabinete de segurança no fim tarde, e que "os especialistas de segurança haviam recomendado as medidas. Decidiremos a seguir", acrescentou.
No Cairo, o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, disse que Israel está "brincando com fogo" e que seu governo quer provocar uma "grave crise com o mundo árabe e muçulmano".
O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou neste domingo que "ninguém pode esperar do mundo muçulmano que não reaja diante das restrições impostas" no santuário e "das ofensas contra a honra dos muçulmanos".
O papa Francisco também reagiu de Roma. "Acompanho com muita preocupação as graves tensões", afirmou, fazendo um pedido de "moderação e diálogo".
- "Moderação máxima" -
O quarteto para o Oriente Médio (UE, ONU, Estados Unidos e Rússia) pediu "uma moderação máxima", e o Conselho de Segurança da ONU se reunirá a portas fechadas na segunda-feira para examinar o aumento da violência em Jerusalém.
No domingo, as forças de segurança israelenses anunciaram a detenção de 25 membros do grupo islamita Hamas, como medida preventiva, após as "tensões em torno do Monte do Templo".
AFP