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O pequeno presidente
Não são muitos os presidentes da República na Suíça que são homenageados com livros. Porém Samuel Schmid é uma exceção: no final do seu mandato, é lançado o "O pequeno presidente".
Com sessenta páginas, o livreto é uma paródia política do best-seller do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, "O pequeno príncipe" (1943).
- Veja ele. Esse é o nosso pequeno presidente - mostra o desenhista Benedikt Eppenberger ao seu colega, o redator Elio Pellin.
Mesmo se Samuel Schmid, ministro de uma pasta com o nome pomposo de "Departamento Federal para Defesa, Proteção Civil e Esporte" a atualmente presidente da República (um cargo mais honorífico e exercido apenas por um ano por cada um dos sete ministros federais) se parece mais com o Papa Moll, a dupla se inspirou mais no simpático personagem principal do "O pequeno príncipe".
- O livro combina muito bem com o ano em que o Samuel Schmid preside a Suíça. Ele mesmo intitulou o seu mandato de "Encontros 05". E na nossa paródia, retratamos um presidente eleito e não um príncipe - conta Eppenberger.
Sucesso editorial
Para o redator Elio Pellin, o livro "O pequeno presidente" é uma resposta ao que ele considera "uma cafonice pseudo-filosófica e inverossímil" no bestseller imortal do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. O livro foi escrito em dialeto suíço-alemão e já foi comprado por 10 mil leitores.
A iniciativa dos dois autores não teve fins lucrativos.
- Até agora não ganhamos muito dinheiro com o livro, pois seu preço é reduzido, assim como também a tiragem. Nossa maior motivação na realidade foi o prazer de fazer algo com humor - justifica Elio Pellin.
No livro, Eppenberger e Pellin enviam o pequeno presidente a uma viagem ao seu país, com o objetivo de conhecê-lo melhor. Assim como a Suíça, esse país é também formado por diferentes planetas federativos.
Turnê
Em Appenzell, um planeta cortado no meio (Appenzell Interior é um semicantão na parte oeste da Suíça que, junto com o semicantão de Appenzell Exterior, forma o cantão histórico de Appenzell), o pequeno presidente encontra seus minúsculos habitantes. Então ele diz:
- "Isso é muito prático. Não apenas o planeta é cortado ao meio, mas também seus habitantes vêm em meia porção. Se eu pudesse também economizar da mesma maneira no meu exército: uniformes pela metade, tanques de guerra pela metade e apenas aviões de modelo" (Schmid como ministro é responsável pelo corte de despesas no exército suíço e, nas horas vagas, um apaixonado piloto de simulador de vôo).
No planeta Zurique, seu avião não consegue sobrevoar. Ele tenta pelo leste, oeste, norte e sul e...nada. Essa alusão lembra a disputa atual entre o cantão e a Alemanha com relação aos direitos de vôo: os alemães não querem que os aviões do grande aeroporto de Zurique continuem sobrevoando sobre suas cabeças.
Voltando ao livro, em Genebra o pequeno presidente confunde a famosa fonte de água (Jet d'eau) com uma baleia. Em Schaffhausen, cantão no norte da Suíça, ele admira as famosas cachoeiras (Rheinfall) do rio Reno.
Ver com o coração
Em Wallis (sul do país), uma raposa lhe explica que no cantão diversos caçadores estão atrás da sua pele e também dos lobos e linces. Em Graubünden (cantão no leste) ele encontra o famoso urso, que continua a ser perseguido por uma legião de repórteres e câmeras de TV (o animal existe realmente).
O pequeno presidente viaja pelo seu império, muitas vezes sem jeito e de forma desastrada, mas simpática.
- Sempre lentamente, mas com passos firmes, como é típico das pessoas originárias do cantão de Berna, que é o caso do Samuel Schmid. Porém seu personagem também gosta de refletir o que vê e, assim como o pequeno príncipe, ele também vê com seu coração - contam os autores.
No final, já no planeta Friburgo (cantão vizinho a Berna), ele se cansa e decide voltar o mais rápido possível para o local de onde veio, a sua estrela de origem.
Clichês
Elio Pellin e Beni Eppenberger não pouparam em ironia e humor no seu pequeno livro ilustrado. Sobretudo os clichês sobre a Suíça foram muito úteis no trabalho de redação.
Como qualquer um que assume o posto de ministro federal na Suíça, também o Samuel Schmid tem um mínimo de instinto de poder.
- Porém nele é difícil de identificar esse ponto. Talvez seja por isso que muitos o considerem tão simpático em relação a outros políticos - afirma Pellin.
Os autores negam, porém, que o livro seja uma homenagem ao presidente da República. Eles também não pretendem lançar nenhuma mensagem especial.
- Ninguém dele levar à sério o nosso trabalho - se apressam em dizer.
O verdadeiro presidente da Confederação Helvética já recebeu o seu exemplar do livro. Como conta um dos seus assistentes, Schmid pareceu se divertir muito com a sua caricatura.
swissinfo, Gaby Ochsenbein
Fatos
"O pequeno presidente", obra de autoria de Beni Eppenberger (ilustração) und Elio Pellin (redação) foi publicado pela editora Scharfe Stiefel, na Suíça.
O livro tem 60 páginas e se encontra nas livrarias desde 24 de novembro.
Preço: 30 francos suíços.
Breves
- Benedikt Eppenberger é historiador e trabalha como jornalista e ilustrador em Zurique.
- Elio Pellin trabalha como jornalista e escritor em Berna.
- Samuel Schmid, nascido em 8 de janeiro de 1947, é membro do governo federal desde 6 de dezembro de 2000. Atualmente ele é ministro de Defesa, Proteção Civil e Esporte. Em 2005 ele assumiu o posto rotativo de presidente da República.
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