Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02531.jsonl.gz/84

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
O presidente boliviano, Evo Morales, visita obras em Yacuiba, ao sul da Bolívia, no 10 de agosto de 2017(afp_tickers)
As relações bilaterais entre Bolívia e Estados Unidos, já precárias desde a expulsão recíproca de embaixadores em 2008, ficaram mais tensas nesta segunda-feira por causa de uma declaração do encarregado de negócios americano sobre a crise na Venezuela.
O governo boliviano solicitou dias atrás ao diplomata norte-americano Peter Brennan que se retrate de uma declaração em que disse não entender como alguns líderes da esquerda podem defender um "governo militar que está matando gente nas ruas", referindo-se ao governo de Nicolás Maduro.
Brennan manifestou seu desejo de que "a Bolívia nunca chegue ao ponto em que a Venezuela se encontra neste momento, porque é deplorável e muito lamentável".
Citado nesta segunda-feira pela chancelaria boliviana, Brennan divulgou para a imprensa um comunicado no qual ratificou que os EUA não têm "interesse em interferir nos assuntos internos da Bolívia" e que "a Embaixada dos Estados Unidos não intervém nos assuntos que são decisões próprias do povo boliviano".
O documento menciona ainda que em uma reunião na chancelaria boliviana, Brennan manteve a opinião de seu governo sobre a crise venezuelana.
O ministro da Presidência boliviana, René Martínez, disse, por meio de uma nota de seu gabinete, que "o comunicado emitido pela embaixada dos EUA (...) não corresponde ao pedido feito pelo governo boliviano", que exige uma retratação.
Martínez disse à imprensa que a Bolívia "não pode permitir a nenhum diplomata que tente modular, tutelar ou definir o apoio ou o não apoio expresso pelo presidente (Morales) a um governo constitucional como é o do presidente venezuelano Nicolás Maduro".
Brennan disse que o Maduro exerce um "governo ditatorial", em contraste com La Paz, que apoia Caracas.
O governo do presidente Evo Morales expulsou em 2008 o então embaixador Philip Goldberg e a agência antidrogas americana DEA, acusando-os de apoiar um suposto complô da direita local. Em 2013, o programa de ajuda Usaid também foi expulso do país sob a mesma alegação.
Desde então ambos os países não contam com embaixadores e as relações, historicamente próximas, estão estagnadas.
AFP