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A Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (DDC) considera-se preparada para enfrentar os grandes desafios decorrentes da crise financeira e econômica.
A Suíça poderá mudar as prioridades de sua ajuda internacional. O combate à fome poderá ganhar mais peso, diz o diretor da agência, Martin Dahinden.
Ele traçou um quadro sombrio e disse que os sinais de crise já eram evidentes desde o começo do ano passado: bloqueio da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, crise alimentar e mudança climática.
A crise financeira agora agrava muito os problemas nos países do Sul e no Leste, disse Dahinden, nesta quarta-feira (4/2), em Berna.
Ele ilustrou os efeitos da crise para nações pobres com o exemplo da Bolívia, um dos países prioritários para a Suíça: queda dos preços das matérias-primas e conseqüente diminuição do crescimento econômico, bem como o retorno de bolivianos que viviam no exterior.
Prevê-se que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) boliviano vá recuar de 6,5% no ano passado para 2% em 2009.
Menos dinheiro do exterior
Além disso, falta o dinheiro que os emigrantes enviavam para casa. Ao mesmo tempo, aumenta o desemprego. A taxa de pobreza de 60% vai aumentar em decorrência da miséria econômica. Cada vez mais pessoas vão passar fome porque os alimentos são caros demais.
O fim da remessa de dinheiro pelos emigrantes pode atingir duramente um país. A Bolívia recebe o dobro de recursos de seus emigrantes (7,5% do PIB) do que da ajuda ao desenvolvimento. Mundialmente, as transferências de dinheiro dos migrantes para seus países de origem são estimadas em 300 bilhões de euros por ano.
No hemisfério Norte, onde a crise foi desencadeada, em breve haverá menos recursos públicos para a ajuda ao desenvolvimento por causa da queda da receita tributária e dos programas de estímulo à conjuntura econômica. Os investimentos estrangeiros diretos em países em desenvolvimento devem recuar.
Apesar disso, o diretor da DDC continua confiante. "Programas em andamento podem ser adaptados, se necessário, por exemplo, para combater a fome", disse.
O Parlamento suíço provavelmente irá debater no segundo semestre uma proposta de aumento da ajuda internacional e humanitária suíça de 0,37% para 0,5% do PIB do país até 2015, uma das reivindicações por ONGs para o cumprimento das "metas do milênio" da ONU.
Reorganização
Segundo Dahinden, a DDC está bem preparada para enfrentar a crise também graças a uma reorganização interna iniciada no ano passado. Nos últimos quatro meses, foram reformuladas as tarefas para 340 funcionários e avaliados 700 projetos. A intenção é fortalecer a presença suíça nos países parceiros e fortalecer a cooperação bilateral, explicou o diretor.
A agência vê a crise também como grande chance. "A condições são boas para grandes jogadas", disse Dahinden. Assim, por exemplo, uma conclusão da Rodada de Doha poderia propiciar uma nova ordem financeira ou avanços na política climática, com conseqüências para o cotidiano da DDC.
swissinfo com agências
Ajuda suíça
A ajuda internacional helvética com recursos públicos somou 2,026 bilhões de francos suíços em 2007 (dados mais atuais disponíveis):
DDC: 1,343 bilhão de francos, sendo:
- ajuda humanitária: 287,1 milhões
- ajuda ao desenvolvimento: 959,3 milhões
- ajuda ao Leste Europeu e CEI: 96,5 milhões
- ampliação da UE: 200 mil
Secretaria Federal de Economia: 256,9 milhões
Secretaria Federal de Migração: 192,3 milhões
Ministério das Relações Exteriores: 56 milhões
Ministério da Defesa e dos Esportes: 62,2 milhões
Secretaria Federal de Meio Ambiente: 31,5 milhões
Secretaria de Estado da Educação e Pesquisa: 7 milhões (inclusive 6,5 milhões em bolsas de estudo para estrangeiros na Suíça)
Outras repartições federais: 39,3 milhões
Total do governo federal: 1,987 bilhão de francos
Prefeituras e estados: 39,1 milhões
Esses números incluem também contribuições a organizações internacionais. A Suíça contribui, por exemplo, com 269 milhões de francos ao ano com o Banco Mundial.
Ajuda para quem?
"A expressão ajuda ao desenvolvimento não atinge o cerne da questão. Quem presta ajuda quer melhorar a situação do outro. Mas aqueles que prestam a chamada ajuda ao desenvolvimento perseguem seus próprios interesses. Trata-se de empregos para cooperantes, influência política e acesso a matérias-primas. (...) Quem quiser ajudar a África não deve dizer aos africanos como conseguir dinheiro. Deve-se dar aos africanos a chance de produzir e vender seus próprios produtos."
James Shikwati, fundador do instituto Inter Region Economic Network, de Nairóbi, em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, em 4/4/07.