Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02458.jsonl.gz/16

É inadmissível o que está acontecendo com os imigrantes vindos do México na fronteira dos Estados Unidos da América, separar as crianças dos pais é desumano.
Devido à política de “tolerância zero” do Presidente dos EUA, Donald Trump, contra a imigração ilegal que implica tratar como criminosos os que entram no país sem documentos, cerca de dois mil menores imigrantes foram separados das famílias na fronteira com o México nas últimas seis semanas.
A detenção e a separação das famílias são experiências traumáticas que podem expor essas crianças à exploração e ao abuso.
A indignação nos Estados Unidos é cada vez maior depois de terem sido divulgadas imagens dos menores imigrantes colocados em armazéns e, em alguns casos, repartidos por celas.
Não é aceitável ter crianças trancadas e separadas e além do mais, as pessoas que cuidam das crianças nos centros não são autorizadas a confortar e ajudar, as crianças precisam de afeto e carinho.
A separação de famílias por causa da política migratória mais rígida e a situação de crianças que aguardam as decisões têm preocupado organismos da sociedade civil que lutam pelos direitos dos imigrantes. A União Americana de Liberdades Civis questiona em tribunais o modelo de política migratória adotado na administração Trump.
Nesta terça, a própria primeira-dama dos EUA, Melania Trump, pediu uma solução para a questão, dizendo que “detesta ver crianças separadas de suas famílias”. O presidente Donald Trump culpa os democratas pela situação.
A separação de pais e filhos se deve, na verdade, à política de “tolerância zero” adotada pela administração Trump na questão imigratória. Nenhuma lei a impõe.
“Tolerância zero” significa que quando se descobre uma família entrando de forma clandestina dos Estados Unidos, os pais são detidos e processados penalmente, mesmo se não tiverem antecedentes criminais em seus países de origem. É neste momento que as crianças são separadas dos seus responsáveis.
O “Acordo Flores”, que leva o nome de uma adolescente apreendida na fronteira na década de 1980, requer que o governo libere as crianças e seus pais, parentes adultos e outros cuidadores, nesta ordem de preferência. Se essas opções forem esgotadas, as autoridades devem encontrar um arranjo “menos restritivo” para o menor que chegou ao país sem seus pais.
O governo Trump quer que o Congresso apoie uma lei que revogue este acordo.
Em 2015, um juiz federal de Los Angeles ampliou os termos do acordo, ao determinar que ele se aplica também a crianças capturadas com seus pais, além daqueles que chegaram sozinhos aos Estados Unidos. Em 2016, a Corte de Apelações do 9º Distrito dos EUA conclui que as crianças imigrantes que chegaram à fronteira com seus pais devem ser tiradas de trás das grandes. A decisão não especificou se os pais também devem liberadas, tampouco se seguirão separados de seus filhos.
Enquanto isso… as crianças é que são o alvo de toda essa política mal explicada e que vai contra os direitos humanos.
Por Miriam Rey