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Procuradora-geral da Guatemala punida pelos EUA vai buscar reeleição
A procuradora-geral da Guatemala, Consuelo Porras, que os Estados Unidos incluíram em uma lista de pessoas "corruptas e antidemocráticas", candidatou-se nesta segunda-feira à reeleição, informou o Ministério Público (MP).
Consuelo "decidiu participar do processo para dar continuidade ao fortalecimento institucional que desenvolveu durante sua gestão", disse Juan Luis Pantaléon, porta-voz do Ministério Público.
A procuradora-geral apresentou seu dossiê à Comissão de Candidatura integrada pela presidência do Judiciário, por membros da Ordem dos Advogados e por uma dúzia de decanos das faculdades de direito do país.
A Comissão irá analisar até abril os expedientes de cerca de 20 candidatos e, em seguida, definirá uma lista de seis candidatos, entre os quais o presidente, Alejandro Giammattei, escolherá para o período 2022-2026.
Em setembro passado, Washington sancionou Consuelo, acusada de interferir na investigação de atos de corrupção, e negou à mesma a entrada em território norte-americano.
A sanção ocorreu após Consuelo destituir Juan Francisco Sandoval, chefe da Promotoria Especial Contra a Impunidade (Feci), que mudou-se para os Estados Unidos temendo por sua vida, caminho seguido por outros ex-funcionários dessa instância.
Descrito como um "campeão anticorrupção" pelos Estados Unidos, Sandoval disse que foi solicitado a não investigar o presidente Giammattei sem o consentimento de Consuelo.
A candidatura de Consuelo também ocorre poucos dias após a prisão de quatro ex-procuradores da Feci e da advogada Leily Santizo, que foi presidente da extinta Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), vinculada à ONU. Eles foram acusados de obstrução da Justiça e abuso de autoridade.
As prisões, ocorridas a pedido do Ministério Público, liderado por Consuelo, geraram preocupação nas Nações Unidas e rejeição pelo Departamento de Estado americano. Segundo o Procurador de Direitos Humanos da Guatemala, Jordán Rodas, as prisões ocorrem "em um contexto de perseguição espúria contra juízes, magistrados e promotores que deram uma contribuição relevante para a luta contra a corrupção e a impunidade".
A Cicig apoiou o Ministério Público em processos contra políticos, soldados e empresários considerados intocáveis, e deixou de funcionar em 2019, por decisão do então presidente Jimmy Morales (2016-2020), acusado de corrupção eleitoral por esse órgão e pela Feci.