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Ao que parece foi uma junção de boas políticas que protegem não só fortunas como o bem estar da população, uma boa cultura de ética e trabalho, e um pouco de sorte quando os grandes vizinhos entraram em guerra, no século passado. Passamos a explicar…
Antes da riqueza…
Desde a sua formação em Grütli, no ano de 1291, a Confederação Helvética era um país relativamente pobre quando comparado com os seus vizinhos França, Áustria, Alemanha e Itália. Uma situação completamente normal, devido ao facto de os países em redor da Suíça serem maiores em área geográfica, população e apresentarem mais abundância de recursos naturais.
Graças a essa falta de recursos e poder financeiro, a população suíça desde cedo na sua história instalou uma cultura de trabalho e uma ética de respeito em sociedade acima da média, entre os países europeus.
Mas algo mudou em 1045.
Após as duas grandes guerras europeias e mundiais, ficou provado que a Suíça era um país capaz de se manter neutro em cenários de guerra, mantendo um bom sistema de defesa militar e um excelente funcionamento da sua indústria interna, enquanto os seus vizinhos viam as suas tropas e indústrias enfraquecidas.
O mundo começou a aperceber-se disso mesmo, que o país era sinónimo de estabilidade e segurança num mundo onde isso estava em falta. Ainda durante a Segunda Guerra Mundial, Pierre de Coubertin, na altura presidente do Comité Olímpico Internacional, decidiu mover o quartel global do COI de Paris para Lausanne. As pessoas que detinham grandes fortunas, sobretudo de nacionalidade alemã, resolveram salvaguardá-las nos bancos do país dos Alpes, graças ao sigilo bancário, sistema de privacidade e segurança que tinha então sido implementado pelo governo suíço no sector financeiro nacional para proteção dos bens da sua população.
Ora no final da Grande Guerra, todos esses factores contribuíram para que a Confederação Helvética apresentasse um crescimento estável e sustentado, com excelentes perspectivas de futuro. Enquanto isso, os países à sua volta (e a grande parte da Europa, em geral) estavam com algumas dificuldades em levantar as suas economias, reerguer a moral das suas populações e reconstruir as suas cidades, que houveram sido destruídas pelo holocausto.
Quão neutra foi a Suíça durante as Grandes Guerras?
Outro aspecto que poderá ajudar a explicar o forte reforço da economia suíça durante e após a guerra, foi a inteligência com que o país se relacionou perante os países que a envolvem, mantendo a neutralidade mas nunca se isolando.
Negócios com os vários países envolvidos na guerra, de partes diferentes, resultaram em bons encaixes financeiros para o país. Desde vendas de bens essenciais até munições, o país efectuava negócios com ambas as partes, desde que estes se mostrassem lucrativos.
Por precaução, as forças armadas estavam posicionadas nas fronteiras do país. Foram colocadas trincheiras na zona de Jura, ao longo da fronteira com a França; tropas estacionadas nos cantões de Graubünden e St. Gallen para controlar a fronteira com a Áustria; patrulhamento de todas as fronteiras com a Alemanha e Itália; construção de bunkers nas regiões de montanha para refúgio.
Em 1942, faltavam então 3 anos para terminar a Guerra, pressões de ambas as partes para que o país cessasse negócios com os inimigos, fizeram com que os Helvéticos terminassem relações de troca além fronteiras.
O que também jogou a favor da Suíça durante este período foi a concessão de asilo a refugiados de guerra, no entanto as regras que o país determinou para permitir asilo a quem tentava refugiar-se eram muito polémicas. Não era permitido asilo por questões de racismo, étnicas ou políticas – ora os judeus se pretendiam fugir para o país dos Alpes para se refugiarem dos Nazis tinham que encontrar razões fortes e provas concretas para que os suíços os aceitassem. Estas medidas controversas levaram a que pouquíssimos judeus tenham conseguido de facto refugiar-se da Guerra neste país, fazendo com que a grande maioria dos asilos concedidos fossem a artistas que se refugiavam em Zurich pela liberdade de expressão; políticos e empresários que não apoiavam o regime do terceiro Reich. Portanto, maioritariamente gente com dinheiro, mais um factor a impulsionar a entrada de fortunas no país.
Resumindo:
Como te indicamos no início, tudo se deveu a uma junção de boas políticas, uma excelente cultura de ética e trabalho em prol da sociedade, e um pouco de sorte à mistura, impulsionaram o crescimento deste que hoje em dia é um riquíssimo país.