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Para muitos suíços, a devastação da Catedral de Notre-Dame desperta outra lembrança: o incêndio da Ponte da Capela de Lucerna. Como Paris vai lidar com sua perda?
Em 18 de agosto de 1993, a população de Lucerna acordou e encontrou a amada Ponte da Capela (Kapellbrücke)Link externo, uma ponte de madeira secular, completamente esfumaçada. Apesar dos esforços dos bombeiros - que conseguiram salvar a torre de água octogonal - dois terços da ponte do século XIV que atravessa o rio Reuss foram consumidos pelo fogo.
"Perdemos um pedaço do patrimônio e da identidade, e um importante símbolo da cidade", diz o arquiteto da cidade de Lucerna, Jürg Rehsteiner. Ele acredita que a pronta reconstrução foi importante porque "permitiu que os moradores superassem a perda".
Andreas Hindemann concorda. Ele é o arquiteto responsável pela Catedral de BasileiaLink externo, que faz mil anos este ano. “Eles deveriam reconstruir a Notre-Dame; faz parte da história deles e é de importância internacional.”
No caso da Kapellbrücke de Lucerna, a restauração foi relativamente direta - e concluída em dez meses.
“A ponte havia sido bem documentada devido à manutenção regular, portanto a reconstrução das partes de madeira foi bastante manejável. Mas lidar com a perda de grande parte da obra original tem sido um grande desafio, até hoje”, conta Rehsteiner, referindo-se às pinturas triangulares que decoravam as vigas da ponte coberta.
A causa exata do incêndio em Lucerne ainda é desconhecida, mas as autoridades dizem que provavelmente foi um cigarro jogado por discuido que incendiou um barco atracado sob a ponte.
Catedral milenar
Em Basileia, Hindemann e sua equipe mantêm documentadas todas as pedras da catedral da cidade, conhecida localmente como Basler Münster. A catedral já sobreviveu à catástrofe de outubro de 1356, quando um terremoto destruiu cinco torres, bem como a abóbada e o coro - tudo reconstruído na Idade Média.
A Basler Münster é arquitetonicamente “muito mais modesta” do que a Notre-Dame, que tem dimensões muito maiores, aponta Hindemann. Ele diz que o primeiro passo para a reconstrução será determinar a integridade da estrutura de suporte.
“É possível, mas o grande desafio será renovar o carisma. Com a Basler Münster, é sempre difícil quando temos que substituir algo da Idade Média. Uma cópia nunca é igual à original”, diz Hindemann.
Em Lucerna, Rehsteiner acredita que a nova ponte – que faz 26 anos este mês - foi um sucesso. “Ela cumpre completamente seu papel como algo com o qual os locais se identificam e como um símbolo para a cidade de Lucerna.”
Eterna renovação
Os moradores de Berna mal sabem como é a catedral local sem andaimes.
"Sempre há uma parte que precisa ser restaurada, por isso é normal ver a catedral sendo renovada em um processo longo e contínuo. A longo prazo, o uso cuidadoso das estruturas originais também ajuda a economizar custos”, diz o historiador de arquitetura Christoph Schläppi, membro do conselho da fundação Berner MünsterLink externo.
A Notre-Dame é quase duas vezes maior, e sua construção começou 250 anos antes da catedral de Berna - tornando-se um modelo importante para a Münster de Berna. “As duas igrejas usam a mesma tecnologia e os mesmos materiais; você poderia dizer que a Berner Münster foi construída na mesma tradição gótica que começou na França no século XII.”
Ambas as igrejas demoraram cerca de 200 anos para serem construídas. É difícil estimar quanto tempo será necessário para reconstruir a Notre-Dame.
“Tecnicamente, a reconstrução é possível, mas extremamente exigente. O trabalho deve ser realizado com o maior cuidado para proteger as partes não danificadas”, diz Schläppi, prevendo que Paris provavelmente irá erguer um telhado de emergência antes de reconstruir as partes parcialmente desmoronadas e continuar com trabalhos de carpintaria e de teto.
Ele descreve o incêndio da Notre-Dame como uma catástrofe. “Uma grande parte da estrutura medieval foi destruída irremediavelmente. Treliças de telhado medievais ou partes delas foram preservadas em apenas alguns lugares, como Berna e Lausanne.”
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch