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A crise humanitária está piorando na Venezuela e o Secretário-Geral da ONU precisa ter uma voz mais ativa e exigir um maior envio de ajuda para o país, disse nesta quarta-feira (26) à AFP Feliciano Reyna, presidente da ONG venezuelana Acción Solidaria.
Esta organização sem fins lucrativos fornece tratamento médico na Venezuela a cerca de 15 mil pessoas por mês que sofrem de doenças crônicas como diabetes, hipertensão ou Parkinson.
A entidade estima que os venezuelanos que precisam de ajuda para o tratamento médico são mais de dez milhões, um terço da população.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, "tem um papel a desempenhar e ele não está fazendo isso", lamentou Reyna.
"Inclusive a neutralidade é tomar partido", afirmou. "Nesta situação, (Guterres) tem a estatura e a obrigação de expressar suas preocupações" e de pedir ao governo de Nicolás Maduro que permita "uma abertura" para a entrada de mais ajuda.
A Acción Solidaria recebe atualmente de quatro a seis toneladas de ajuda humanitária internacional por mês para distribuir no país, pero "poderíamos estar obtendo cinco vezes isso, ou mais" se o governo permitir, garantiu.
A entrada da ajuda humanitária na Venezuela, mergulhada numa grave crise, com escassez de alimentos básicos e remédios, tem sido tema central da luta pelo poder entre o presidente Nicolás Maduro e o líder da oposição Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido no cargo por mais de 50 países, entre eles, os Estados Unidos.
Guterres não quer se envolver "na gritaria" entre governo e oposição, mas sua voz "traria razão, bom senso para a arena política", insiste Reyna.
Reyna se reuniu em Nova York com funcionários da ONU para transmitir "que a situação humanitária na Venezuela do ponto de vista humanitário vai piorar" e "muitos mais deixarão a Venezuela".
A ONU estima que um quarto da população venezuelana precisa de ajuda humanitária e que cerca de cinco mil venezuelanos deixam o país todos os dias.
A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, apresentará um relatório sobre a Venezuela em 5 de julho, após uma visita de três dias ao país na semana passada.
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