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A ideia de que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) esteja desenvolvendo videogames de guerra pode ser uma surpresa para muitos. Mas o objetivo não é matar tudo que se move; é uma ferramenta para ensinar às pessoas que existem regras, mesmo em tempos de guerra.
Nos videogames de guerra, o objetivo é atirar e matar tantos inimigos quanto possível. Ao contrário de situações reais de conflito, as crianças ou outros civis muitas vezes não estão presentes nos jogos. E a questão sobre sair atirando em tudo raramente é um problema.
O CICV, sediado em Genebra, queria mudar essa ideia desenvolvendo um videogame no qual os combatentes travam guerras respeitando as regras do Direito Internacional Humanitário.
Isso significa que o jogador deve distinguir entre combatentes inimigos e civis e deve fornecer assistência aos feridos. Quem matar prisioneiros de guerra ou atirar em civis é penalizado.
"Eu não posso simplesmente atirar em tudo que se move. Eu tenho que ver meu alvo”, explica Christian Rouffaer, chefe do laboratório de realidade virtual do CICV em Bangcoc. "Um soldado real não pode fazer o que ele quiser".
Isso é algo que muitos jogadores não estão familiarizados.
O CICV tentou tornar o videogame o mais realista possível. O jogador deve levar tempo para carregar as armas e a visibilidade às vezes é fraca.
No entanto, Rouffaer reconhece que, ao criar tal jogo, a organização está “andando numa linha tênue” entre glorificar a guerra e construir um jogo que é impossível de jogar, pois é muito próximo da realidade.
O laboratório do CICV também está trabalhando em simulações de realidade virtual para ajudar a treinar funcionários que trabalham em zonas de guerra. Simulações incluem tratar os feridos em meio à confusão da batalha.
O CICV atua em 80 países e oferece assistência humanitária às vítimas de conflitos e violência em todo o mundo. Ele emprega cerca de 16.800 pessoas, incluindo cerca de 1.000 em sua sede em Genebra.
A organização suíça faz parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, que tem cerca de 12 milhões de voluntários em todo o mundo.
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch