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O furacão Maria matou 2.975 pessoas em Porto Rico de setembro do ano passado até fevereiro de 2018, de acordo com um estudo solicitado pelo governo da ilha e divulgado nesta terça-feira (28), em meio a uma polêmica sobre o verdadeiro balanço do número de mortos.
Os especialistas chegaram a essa conclusão analisando os padrões de mortalidade de Porto Rico entre 2010 e 2017 para "prever a média esperada se o furacão Maria não tivesse acontecido", assinalou o relatório realizado pelo Instituto Milken de Saúde Pública da Universidade George Washington.
"O resultado do nosso estudo epidemiológico sugere que, tragicamente, o furacão Maria levou a um excesso de mortes em toda a ilha", disse o principal pesquisador, Carlos Santos Burgoa, professor de Saúde Mundial na universidade.
A análise pondera as mortes "excedentes" que aconteceram neste território americano entre 20 de setembro, dia que o Maria atravessou a ilha com ventos de 250 km/h, e fevereiro deste ano.
Descobriu que o balanço de mortos é "22% superior ao número de mortos que poderiam ter ocorrido durante esse período sem a tormenta".
O governo havia estabelecido em 64 o número de mortos, cifra que gerava desconfiança entre as testemunhas do desastre. Pouco depois, estudos independentes de meios de comunicação mostraram que a cifra era muito maior, e a Universidade de Harvard publicou em maio, usando outra metodologia, que haviam falecido mais de 4.600 pessoas.
O governo encomendou então ao Instituo Milken da Universidade George Washington a realização de uma análise independente para calar a polêmica e adotar um balanço oficial mais realista.
O governador Ricardo Rosselló falará destas descobertas na capital San Juan às 15h00 locais (16h00 de Brasília).
O debate sobre os números faz parte das críticas recebidas pelo presidente Donald Trump, acusado por políticos locais de ter demorado a conceder a ajuda federal a Porto Rico em comparação com a rapidez que esta havia chegado em Flórida e Texas, atingidos pouco antes pelos furacões Harvey e Irma.
Um mês depois da tormenta, quando a cifra oficial de falecidos era estimada em apenas 16, Trump disse em sua defesa que o desastre não era nada comparado aos 1.833 mortos deixados pelo furacão Katrina na Louisiana em 2005.
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