Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02461.jsonl.gz/111

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
Os Baka, pigmeus do oeste da África equatorial, nascem com medidas padronizadas, mas crescem pouco até os três anos de idade, enquanto seus primos do leste vêm ao mundo com tamanho reduzido - duas evoluções diferentes para um mesmo objetivo: se adaptar à floresta equatorial.
Já era sabido que o pequeno tamanho dos pigmeus era explicado pela genética, mas os pesquisadores não tinham dados confiáveis para analisar seu crescimento. Os registros da missão católica de Moange-le-Bosquet, em Camarões, permitiram estudar 500 membros da etnia Baka durante oito anos.
Este longo estudo permitiu traçar as primeiras curvas de crescimento para os pigmeus. O que aparece é que a morfologia pigmeia decorre de dois mecanismos diferentes. Uma evolução convergente em resposta a um ambiente similar, a floresta equatorial.
Os pigmeus teriam se separado em dois grupos, há cerca de 8.000 e 13.000 anos, segundo estudo publicado nesta terça-feira na revista Nature Communications. O crescimento humano pode evoluir relativamente em pouco tempo. "Uma capacidade talvez reservada a nossa espécie", sugeriu à AFP Fernando Victor Ramirez Rozzi, pesquisador do CNRS e co-autor do estudo.
Segundo a pesquisa, essa plasticidade do crescimento - sua capacidade de mudar - desempenhou um papel determinante na expansão do Homo sapiens fora da África, permitindo se adaptar rapidamente a novos ambientes.
"Nosso ancestral deixou a África há 60.000 anos e alguns milhares de anos mais tarde, ocupa todo o planeta, diferentemente de outras espécies de hominídeos que tiveram uma repartição geográfica limitada", constatou o pesquisador. "Claro, a cultura desempenhou um papel enorme na evolução, mas também a capacidade (de nossos ancestrais) de se adaptar fisicamente aos ambientes hostis", concluiu o pesquisador.
AFP