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Uzbequistão, no dia 1º de novembro de 2015(afp_tickers)
O Uzbequistão, de onde é proveniente o homem detido após o atentado com um caminhão em Estocolmo, acompanhou o nascimento nos anos 1990 de um movimento islamita radical que persiste até hoje, com vários uzbeques envolvidos em ataques em todo o mundo.
De acordo com as autoridades suecas, o principal suspeito do atentado que matou quatro pessoas no centro de Estocolmo na sexta-feira é um uzbeque de 39 anos, já conhecido dos serviços de inteligência.
Ex-república soviética, laica e de maioria muçulmana, o Uzbequistão foi dirigido com mão-de-ferro pelo autoritário Islam Karimov de 1989 até sua morte, em setembro passado. Foi seu outrora primeiro-ministro, Chavkat Mirzioiev, quem assumiu as rédeas do país após a morte de seu antecessor.
O Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIU) foi criado no Uzbequistão em 1991, ano da independência. Surgiu no leste do país, no Vale do Fergana, que também inclui uma parte dos territórios do Quirguistão e Tadjiquistão.
Entre 1992 e 1997, o MIU foi acusado de estar por trás de uma série de assassinatos lançados nesta área. A organização tentou introduzir a lei islâmica e inclusive lançou uma ofensiva na década de 2000 no sul do Uzbequistão.
Após a forte repressão lançada por Karimov a partir de 1998, o MIU se aliou aos talibãs no Afeganistão e em 2015 jurou lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI).
Vários combatentes do MIU também chegaram muito alto no quadro da organização Al-Qaeda.
Em junho de 2014, a organização lançou um ataque contra o aeroporto de Karachi, que deixou 37 mortos.
- Combatentes no exterior -
Os islamitas uzbeques foram notícia principalmente por suas ações no exterior. Assim como outros países da Ásia Central, como Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Cazaquistão, as sombrias perspectivas econômicas e a corrupção levaram muitos jovens a emigrar, especialmente para a Rússia.
Alguns deles tentaram se unir a grupos radicais. Segundo a consultoria International Crisis Group, entre 2.000 e 4.000 nacionais destes países se uniram ao grupo EI na Síria.
O maior contingente é composto por uzbeques ou pessoas de origem uzbeque que viviam em outros países. No entanto, o país nunca publicou estatísticas a respeito.
Vários desses indivíduos se tornaram conhecidos nos últimos meses. Abdulgadir Masharipov, suposto autor do ataque que deixou 39 mortos no dia 31 de dezembro em uma boate em Istambul, é uzbeque.
E Akbarjon Djalilov, suposto autor do ataque no metrô em São Petersburgo que deixou 14 mortos, havia nascido no Quirguistão, mas era de um grupo étnico uzbeque.
Embora a motivação de Djalilov permaneça incerta, a polícia russa indicou que segue a pista do EI, apesar de a organização não ter reivindicado o ataque.
AFP