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SPARTAK Ucrânia (Reuters) - Sem eletricidade para ver televisão, os moradores do povoado ucraniano de Spartak olham para o céu, onde todas as noites assistem o que chamam de um concerto de "fogos de artifício".
Os fogos de artifício são, na verdade, labaredas, munição traçadora e bombas que atingem regularmente o povoado a apenas 5 quilômetros do aeroporto no reduto rebelde de Donetsk, perto de onde as forças ucranianas e rebeldes pró-Rússia vêm lutando há semanas.
Muitos já fugiram, deixando para trás uma mistura de idosos e orgulhosos, os que relutam em deixar uma aldeia que temem que será saqueada, independente do lado que vença.
Sasha, um motorista de táxi de 36 anos, levou sua esposa e dois filhos para Berdyansk, uma cidade em poder do governo no Mar de Azov, no sul da Ucrânia, onde ele alugou um pequeno apartamento para eles.
"Eu disse a eles - fiquem à beira-mar... é agradável lá, fiquem um ou dois meses, deve estar tudo acabado até lá", disse em sua casa em Spartak no sábado, assim que a munição de um múltiplo lançador de foguetes caiu a cerca de um quilômetro de distância.
Sasha, que como todos os entrevistados em Spartak se recusou a dar seu sobrenome por medo de represálias, disse que se tornou bastante acostumado a viver com o fogo cruzado e um toque de recolher em vigor das dez da noite às seis da manhã.
Várias bombas perdidas atingiram casas ou aterrissaram em jardins em Spartak, ferindo pelo menos duas pessoas. Duas outras foram mortas no início tiroteios ao redor do povoado de tamanho médio na periferia de Donetsk, cerca de 15 quilômetros ao norte do centro da cidade.
Pavel, um operador de trator de quase 60 anos, disse que os moradores agora podem diferenciar um lançador múltiplo de foguetes de um morteiro e fuzis de metralhadoras. Às vezes, eles sentam do lado de fora e fazem churrascos, enquanto o céu à noite é iluminado pela luta.
"O problema é quando isso acontece durante o dia, quando as pessoas estão trabalhando fora. Ontem eu e um colega estávamos sentados em uma estrada aberta, bombardeios estavam acontecendo e nós estávamos pensando - como vamos voltar para casa daqui?", disse Pavel.
(Por Aleksandar Vasovic)
Reuters