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A participação anunciada do presidente Donald Trump dos Estados Unidos no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos foi uma grande surpresa para a maioria dos suíços. Não será uma visita oficial. Portanto, qual o motivo dessa excitação?
Trump será o segundo presidente americano a visitar o WEF depois de Bill Clinton ter roubado o show 18 anos atrás. Espera-se que Trump chegue com uma grande comitiva para promover o slogan "America First" (América em primeiro lugar) em benefício da economia, dos negócios e trabalhadores americanos.
A convenção anual de Davos tem crescido exponencialmente desde sua primeira sessão em 1971, ainda sob o nome Fórum Europeu de Administração (European Management Forum). Em 1987 o evento foi renomeado Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum). Dada a amplitude e profundidade dos temas abordados, talvez o evento devesse se chamar "Fórum sobre Tudo no Mundo".
Em seus quase 50 anos de existência, o WEF recebeu diversos líderes globais, chefes da indústria e figurões da sociedade civil, religião, tecnologia e arte. Cerca de 3.000 delegados estão preparados para pagar o elevado preço de admissão para ter o privilégio de ouvir os debates, fazer contatos e fechar negócios. Cada uma das palavras aqui ditas é repercutida mundo afora por um pequeno exército de jornalistas.
Tradicionalmente, presidentes americanos quase não tomam nota do evento. No ano passado, Davos esteve em polvorosa e algo chocada com a eleição de Trump. A tribuna foi aberta com a primeira visita feita por um presidente chinês, Xi Jinping. Ele não perdeu tempo para promover a pujança da economia chinesa e criticar severamente os isolacionistas, uma alfinetada mal disfarçada na América de Trump.
Comentadores têm especulado se Trump usará essa plataforma global para dar uma resposta direta. Mas além da retórica, Trump parece realmente disposto a promover os interesses econômicos dos EUA junto à elite do poder mundial.
O presidente suíço Alain Berset vê com bons olhos a chegada iminente de Trump e espera poder agendar um encontro para discutir assuntos prementes. Esse incluem a reforma fiscal dos EUA e a controversa política comercial americana. "Esta visita só poderia ser uma boa coisa para a Suíça", disse o parlamentar socialdemocrata Tim Guldimann. "Mas não seria uma boa coisa usar essa ocasião apenas para criticar suas posições políticas."
Protestos previstos
Outros políticos avisaram que não se deve esperar muito progresso político com a visita de Trump, haja vista que seu objetivo principal é se encontrar com a elite do WEF, e não com ministros suíços.
O administrador de hotelaria Ernst Wyrsch, que já geriu o hotel cinco estrelas Steinberger Grand Hotel Belvédère em Davos, disse que a visita de Trump vai ser um bônus para a cidade. "A visita de Trump vai tocar Davos dramaticamente. Para a cidade, para o cantão dos Grisões e para a Suíça, isso é fantástico. A atenção da mídia vai estar concentrada em Davos durante a sua estadia", declarou Wyrsch ao jornal Tages Anzeiger.
Mas nem todos estão contentes. Protestantes também estão se preparando para a visita de Trump à Suíça. Tanto Davos quanto a Suíça estão habituados a proteger os poderosos delegados durante o WEF, mas as forças de segurança terão nesse ano mais com o que se preocupar. Os grupos de ativistas Campax e Action Together: Zurich planejaram marchas no final de semana anterior ao WEF.
WEF: principais dados
No ano passado, o Fórum Econômico Mundial de Davos atraiu cerca de 3.000 visitantes, incluindo aproximadamente 500 jornalistas. Também neste ano o número de visitantes entre 23 e 26 de janeiro deverá ser similar.
Cada empresa paga entre CHF 60.000,00 e CHF 600.000,00 em taxas anuais de participação. No ano fiscal entre julho de 2015 e junho de 2016, o WEF gerou CHF 228 milhões em receitas. Sendo uma organização sem fins lucrativos, o WEF transferiu então seu superávit orçamentário de CHF 1,2 milhões à sua própria fundação.
Um estudo sobre o WEF feito pela Universidade de St. Gallen determinou que a convenção de 2015 gerou receitas de CHF 50 milhões (US$ 51 milhões) para a economia local e um adicional de CHF 79 milhões para o resto da Suíça.
O governo suíço autoriza que até 5.000 soldados sejam alocados para a segurança do evento em Davos, mas esse contingente completo é raramente empregado. Os custos de segurança de CHF 9 milhões são divididos entre a Confederação, o cantão de Grisões, a cidade de Davos e o WEF.Aqui termina o infobox
Adaptação: Danilo v.Sperling, swissinfo.ch