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Enquanto a população aumenta no famoso arquipélago, o turismo e a pesca industrial reduzem de maneira alarmante o número de indivíduos das espécies endêmicas.
Na Suíça, a Associação de Amigos das ilhas Galápagos nada contra a corrente num esforço para salvar essa riqueza natural que inspirou a teoria da evolução.
Parece um trabalho de Sísifo. Parece um trabalho de Sísifo. Hendrix Hoeck, presidente da ASAIG, evita dar uma resposta direta. “As espécies que dependem dos recursos marinos estão diminuindo”, explica Hoeck. “Nos últimos dez anos a população da ilha passou de 15 mil para 50 mil habitantes, mesmo se o número oficial é de 25 mil. A maioria reside em Santa Cruz, base do turismo. Inicialmente 97% da superfície das ilhas era parque nacional e 3% de assentamento humano.”
No entanto, no ano passado o governo equatoriano destinou 70 hectares de parque à nova urbanização El Mirador “porque em Porto Ayora não havia mais espaço”, afirma Hoeck à swissinfo.ch.
A população aumenta exponencialmente porque os equatorianos do continente vão para Galápagos em busca de trabalho. O arquipélago é o destino turístico mais importante do Equador. “Recebe mais de 170 mil turistas por ano e com eles entram plantas e animais exóticos, doenças e lixo que colocam em perigo as espécies nativas.”
“As espécies que dependem dos recursos marinos estão diminuindo”, explica Hoeck. “Nos últimos dez anos a população da ilha passou de 15 mil para 50 mil habitantes, mesmo se o número oficial é de 25 mil. A maioria reside em Santa Cruz, base do turismo. Inicialmente 97% da superfície das ilhas era parque nacional e 3% de assentamento humano.”
No entanto, no ano passado o governo equatoriano destinou 70 hectares de parque à nova urbanização El Mirador “porque em Porto Ayora não havia mais espaço”, afirma Hoeck à swissinfo.ch.
A população aumenta exponencialmente porque os equatorianos do continente vão para Galápagos em busca de trabalho. O arquipélago é o destino turístico mais importante do Equador. “Recebe mais de 170 mil turistas por ano e com eles entram plantas e animais exóticos, doenças e lixo que colocam em perigo as espécies nativas.”
Animais financiam o Estado equatoriano
Segundo Hoeck, o turismo em Galápagos gera em torno de 500 milhões de dólares por ano, embora menos da metade dessa cifra seja reinvestida nas ilhas. Ou seja, cada lagarto ou tartaruga contribui para a economia do Equador.”
O turismo, reflete Hoek, no é por si negativo, “porém deve ser controlado, ter infraestrutura, pessoal qualificado etc. Não se pode crescer a qualquer preço.”
Pesca industrial e tráfico de cocaína na reserva
Segundo Hoeck, o maior perigo para a reserva é a pesca industrial, “que acaba com todas as espécies, pois os barcos usam redes de até 60 km de comprimento, é um desastre.”
Ele também critica a União Europeia. “Suas restrições fizeram com a maior frota pesqueira da Europa, a espanhola, pesque no Pacífico graças a convênios duvidosos, sob bandeira equatoriana.”
Hoje, acrescenta, todos sabem que há pesca industrial dentro dos 130 mil km quadrados da reserva marinha. Como controlar esse espaço com embarcações precárias, com autoridades que fecham os olhos o autorizam barcos industriais?
A corrupção, prossegue Hoeck, também transformou a reserva em rota do narcotráfico. “A cocaína destinada ao México e aos Estados Unidos também passa por Galápagos. Barcos que pescam tubarão para tirar as barbatanas também transportam drogas. Já foram encontrados carregamentos de cocaína camuflados entre as barbatanas.”
Por outro lado, Estados Unidos e União Europeia proibiram a importação de barbatanas de tubarão proveniente das ilhas Galápagos, mas não das costas do Equador continental. Como distinguir uma da outra?, questiona o biólogo suíço.
A viagem do albatroz, cheia de riscos
Ante tal situação, as declarações no Ano Internacional da Biodiversidade, em 2010, foram apenas palavras. “Mas é preciso seguir batalhando”, afirma Hoeck.
Em sua opinião, uma maneira de preservar Galápagos em seu estado atual, já bastante degradado, é conscientizar também na Suíça, de seu valor cultural e científico. Para isso criou a ASAG que, além de conscientizar, realiza e financia projetos no arquipélago.
“Temos colocado GPS em vários animais, como nos albatrozes. Observamos que eles fazem ninhos na ilha Espanhola e dali os casais voam durante o dia até a costa peruana, a mais de mil quilômetros ao sul. Ali se alimentam e ao entardecer voltam a Galápagos, posando na água e deixando-se levar pela corrente de Humboldt”, relata Hoeck, fascinado pela descoberta.
No entanto, a viagem noturna dos albatrozes é cheia de riscos: os pescadores peruanos consideram sua carne uma delícia gastronômica e ainda há o perigo das redes dos barcos industriais. “Essas práticas provocam uma mortalidade muito alta, deixando órfãos os filhotes, sem esquecer que a espécie é muito frágil porque só tem um filhote por ano.”
Novidade no Zoológico de Zurique
Nas tartarugas gigantes também se coloca GPS. “Em Santa Cruz acompanhamos as tartarugas Nigrita e Jumbo; fazemos o mesmo com as que nasceram no Zoológico de Zurique, o primeiro na Europa a conseguir reproduzir esses animais”, afirma o biólogo.
Hoeck explica que, através de um monitor instalado na casa das tartarugas no zoológico de Zurique, o público – mais de dois milhões de visitantes por ano – poderá observar ao vivo, a partir de abril próximo, as tartarugas Nigrita e Jumbo em Galápagos e em Zurique.
Hoeck insiste que “com os novos meios de comunicação é possível observar essa riqueza de qualquer parte do planeta e assim contribuir para ter consciência da necessidade de preservá-la para as próximas gerações.”
Ilhas Galápagos
Estão situadas a 1.000 km a oeste da costa equatoriana.
O arquipélago foi descoberto pelo bispo espanhol Tomás de Berlanga, em 1535.
Um século depois, as ilhas foram usadas como esconderijo e base de piratas, caçadores de baleia e pescadores.
Tornaram-se famosas 300 anos depois, quando Charles Darwin formulou sua teoria da evolução das espécies, baseando-se em observações realizadas no arquipélago durante cinco semanas.
Depois que a Unesco documentou o estado preocupante das espécies nativas, em 1959, foi criada a Fundação Darwin, com uma estação científica na ilha de Santa Cruz.
Nesse mesmo ano, o governo equatoriano reconheceu o valor excepcional do arquipélago e criou o parque nacional em 97% da superfície (8 mil km2).
Em 1979, a Unesco declarou as Ilhas Galápagos Patrimônio Natural da Humanidade.
Em 1999 foram declarados 130 mil km2 como reserva marinha, segunda maior do planeta.Aqui termina o infobox
Associação suíça de amigos das ilhas Galápagos
Foi fundada em 1994 e sua sede é o Zoológico de Zurique.
Tem 1.417 sócios: cientistas e pessoas que visitaram as ilhas.
A associação é parte de uma rede mundial de organizações que tem como objetivo proteger e manter o frágil e ameaçado ecossistema do arquipélago.
Orçamento investido até agora em Galápagos: 1.245.000 francos suíços.Aqui termina o infobox
Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch