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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, reiterou nesta segunda-feira (18) suas acusações de "traição" contra deputados da oposição, um dia depois de sua reforma constitucional do setor elétrico ser rejeitada da Câmara Baixa.
"No dia de hoje foi cometido um ato de traição ao México por parte de um grupo de legisladores que, ao invés de defender o público, se tornaram francos defensores de empresas estrangeiras", disse o presidente durante sua habitual coletiva de imprensa matinal.
"Não deixe que os traidores digam que a reforma os afetou, eles não argumentaram nada contra ela", acrescentou.
Desde a semana pasada, o presidente havia adiantado que sua reforma poderia não receber os votos suficientes no Congresso.
"Se houver uma traição já estamos protegidos", disse ao passar um relatório de governo. No domingo, antes da votação, o presidente insistiu que sua administração já estava preparada para uma "traição" na Câmara dos Deputados.
O projeto de reforma apresentava a proposta de que pelo menos 54% da energia fosse administrada pela Comissão Federal de Energia Elétrica (CFE), contra 38% que administra atualmente, em detrimento das empresas privadas.
A iniciativa também contemplava nacionalizar o lítio, um mineral-chave para baterias e novas tecnologias.
Por ser uma reforma constitucional, era necessária a aprovação de dois terços dos 500 deputados da Câmara Baixa, um número que o partido oifical Morena e seus aliados não alcançaram. Todos os opositores votaram contra a proposta.
Segundo os Estados Unidos, o maior parceiro comercial do México, a reforma teria desatado "insegurança jurídica e prejuízos" em detrimento dos investidores americanos.
O governo argumenta que, sob a lei atual, as empresas privadas nacionais e estrangeiras recebem subsídios, enquanto os pequenos consumidores pagam tarifas elevadas.
Por sua vez, os críticos da reforma apontavam que a mudança provocaria danos ambientais e riscos para os investimentos privados no país.
López Obrador disse nesta seguda que seu governo se preparou para o revés da reforma ao promover uma lei que fortalece a participação do Estado no setor elétrico, aprovada no Congresso em 2021 e endossada pela Suprema Corte no início de abril.
"Quatro ministros da Suprema Corte agiram com patriotismo, outros não, e declararam constitucional a lei de energia elétrica. Se tivessem a declarado inconstitucional, ficaríamos sem nada", disse.
No mesmo domingo, López Obrador enviou uma iniciativa de reforma para uma lei que nacionaliza o lítio. Como não é uma reforma constitucional, exige apenas maioria simples no Congresso, um número de parlamentares que o Morena e seus aliados têm.