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Bandeira separatista durante manifestação aos prefeitos partidários do referendo, em Barcelona, em 16 de setembro de 2017(afp_tickers)
As duas principais associações separatistas catalãs, ANC e Òmnium Cultural, cujos líderes, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, respectivamente, foram detidos nesta segunda-feira por sedição, emergiram como poderosos atores políticos, capazes de mobilizar rapidamente um grande número de pessoas.
Veja quais são essas associações.
- ANC -
A Assembleia Nacional Catalã foi formada em 2011 e conseguiu colocar a tradicional marcha da Diada, o dia da Catalunha, em 11 de setembro de 2012 sob o marco do separatismo.
Mais de um milhão de pessoas foram às ruas de Barcelona naquele dia, inaugurando uma série de Diadas marcadas pelo clamor separatista.
Guillem Martínez, autor do livro "A Grande Ilusão", sobre o movimento separatista catalão, explica que a ANC se originou em 2009, quando o povo de Arenys de Munt organizou uma consulta em nível municipal, no qual os habitantes se pronunciaram a favor de se tornarem independentes da Espanha.
"Concordam alguns clássicos do separatismo local, começam a trocar e-mails e finalmente fundam a ANC", conta.
Após a Diada de 2012, o então presidente catalão Artur Mas, até esse momento um nacionalista moderado, decidiu convocar eleições regionais antecipadas, com a promessa de celebrar o referendo de autodeterminação pedido pela ANC.
A influência desta associação ficou clara quando sua primeira dirigente, Carme Forcadell, se tornou presidente do Parlamento regional catalão em 2015.
Agora, a ANC, presidida por Jordi Sánchez, está presente em toda a Catalunha, com mais de 40.000 membros.
Albert Jaime, coordenador da Assembleia no distrito da Sagrada Família, em Barcelona, disse que é a organização separatista com a melhor rede.
"Há povoados com 17 habitantes que têm um pequeno grupo da Assembleia", assegura.
- Òmnium Cultural -
A Òmnium foi criada em 1961 para defender a língua catalã, cujo uso oficial foi proibido pela ditadura de Francisco Franco (1939-1975).
Conta com aproximadamente 75.000 membros e é a maior associação cívico-cultural da Catalunha, segundo seu presidente, Jordi Cuixart.
Cuixart garantiu à AFP que a Òmnium decidiu desde 2012 apoiar o "processo de libertação nacional".
Afirma que a associação sempre teve "uma relação muito fluida" com os sucessivos governos catalães, e que dialoga com todo o espectro político, desde os socialistas até o partido de extrema-esquerda Candidatura de Unidade Popular (CUP).
No entanto, ressalta: "não somos porta-vozes do governo ante a sociedade, nem nos erguemos como porta-vozes da sociedade ante o governo, porque seria demasiado presunçoso".
Mas tanto ele como Jordi Sánchez são muito ouvidos pelo presidente catalão, Carles Puigdemont.
Albert Jaime, da ANC, disse que essa é uma maneira para Puigdemont "escutar as pessoas".
Tanto Sánchez como Cuixart comparecem nesta segunda-feira a um alto tribunal, a Audiência Nacional em Madri, por um suposto delito de "secessão".
Eles vão depor pela segunda vez por um protesto ocorrido em Barcelona em 20 de setembro, no qual centenas de manifestantes impidiram durante horas a saída de guardas civis de uma dependência do governo regional catalão, onde estavam efetuando registros.
Ali, ambos se dirigiram à multidão e pediram uma "mobilização permanente", de acordo com os autos da Audiência Nacional.
Albert Jaime acrescenta que mesmo que os dois tenham sido detidos e julgados, isso não paralisa a nenhuma das duas associações.
"Só vão conseguir que as pessoas fiquem mais indignadas e saiam mais para as ruas", prevê.
AFP