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Por David Fogarty
CINGAPURA (Reuters) - As emissões globais de dióxido de carbono devem cair 2,8 por cento neste ano devido à crise financeira, depois de um aumento de 2 por cento em 2008, segundo relatório da entidade Projeto Carbono Global (GCP, em inglês)
O estudo realizado por 31 autores, divulgado na revista Nature Geoscience semanas antes da importante reunião climática de Copenhague, mostra que as emissões nos países em desenvolvimento continuam crescendo, em grande parte por causa da demanda nos países ricos.
Os países em desenvolvimento agora respondem por 55 por cento das emissões totais de dióxido de carbono (CO2), segundo Pep Canadell, diretor-executivo do GCP.
A China particularmente vem ampliando sua participação. Em 1990, apenas 16 por cento das suas emissões vinham da produção para exportações; em 2005, essa parcela havia subido para quase um terço do total das emissões chinesas.
Isso ilustra como, na prática, os países ricos estão exportando suas emissões de carbono para atender à sua demanda por TVs, carros e outros produtos.
O GCP compila dados de agências governamentais e institutos de pesquisas do mundo todo. Ele avalia as emissões de CO2 por atividades humanas, como a indústria, a queima de combustíveis e o desmatamento, e também quanto CO2 está sendo absorvido pela natureza.
O relatório diz que as emissões de CO2 dos combustíveis fósseis subiram 2 por cento em 2008, abaixo da média anual de 2000 a 2007, que foi de 3,5 por cento. Mesmo assim, entre 2000 e 2008 as emissões globais por combustíveis fósseis cresceram 29 por cento.
As conclusões do GCP são compatíveis com uma projeção de setembro deste ano da Agência Internacional de Energia, que previa uma queda de 2,6 por cento nas emissões totais de CO2 neste ano.
Mas a queda pode ser efêmera, já que as emissões de CO2 tendem a refletir de perto a atividade econômica.
"Se a recuperação seguir as atuais previsões, o efeito da crise será como se toda a queima de combustíveis fósseis tivesse parado por um período de apenas seis semanas", disse a jornalistas Michael Raupach, um dos autores do estudo.
Atualmente, governos de todo o mundo discutem um novo tratado climático global, que ainda esbarra no tamanho dos cortes de emissões nos países ricos e nas verbas a serem dadas aos países pobres para o controle de emissões e adaptação às mudanças climáticas.
(Reportagem adicional de Kate Kelland em Londres)
Reuters