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Por Matthew Green
LONDRES (Reuters) - Pedaços minúsculos de plásticos foram encontrados em núcleos de gelo perfurados no Ártico por uma equipe de cientistas norte-americanos, evidenciando a ameaça que essa crescente forma de poluição agora representa para a vida marítima mesmo nas mais remotas águas do planeta.
Os pesquisadores usaram um helicóptero para aterrissar em campos de gelo e retirar amostras, em uma expedição de 18 dias pela Passagem Noroeste, a arriscada rota que liga os Oceanos Pacífico e Atlântico.
"Ficamos semanas observando o que parecia ser gelo primitivo, intocado, flutuando no oceano", disse Jacob Strock, um pesquisador estudante de graduação da Universidade de Rhode Island, que conduziu uma análise inicial, ainda na embarcação, dos núcleos.
"Quando olhamos de perto e vimos que está tudo muito, muito visivelmente contaminado quando você olha com as ferramentas certas -- aquilo foi um pouco como um soco no estômago", disse Strock à Reuters por telefone.
Strock e seus colegas encontraram o material preso dentro de gelo retirada de Lancaster Sound, um trecho isolado de água no Ártico Canadense que eles acreditavam estar relativamente protegido da poluição de plástico.
A equipe perfurou 18 núcleos de gelo de até dois metros de comprimento em quatro locais, e encontrou pequenas esferas visíveis de plástico e filamentos de várias formas e tamanhos. Os cientistas disseram que as descobertas reforçam a observação de que a poluição de micro-plásticos parece se concentrar no gelo.
"O plástico se destacou tanto na abundância quanto na escala", disse Brice Loose, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island e cientista chefe da expedição, conhecida como Projeto da Passagem Noroeste.
O projeto é focado principalmente no impacto de mudanças climáticas causadas pelo homem no Ártico, cujo papel no sistema de resfriamento do planeta está sendo comprometido pelo sumiço rápido do gelo no mar durante o verão na região.
(Reportagem de Matthew Green)