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China e Estados Unidos assinaram na quarta-feira (15) um acordo preliminar após dois anos de guerra comercial. Veja as fases das negociações com o objetivo de reequilibrar o comércio entre as duas maiores economias mundiais:
- A primeira fase -
Segundo o acordo preliminar de quarta-feira, conhecido como "phase 1" (fase 1), assinado em Washington, a China se compromete a aumentar suas compras de produtos americanos em US$ 200 bilhões adicionais nos próximos dois anos.
Já o governo de Donald Trump desiste de impor novas tarifas às exportações chinesas.
- Uma segunda fase mais complexa -
A segunda fase do acordo exigirá, contudo, muito mais concessões do que a primeira.
"A China parece não ter feito concessões para as quais não estivesse preparada", diz o economista Xu Xiaochun, da agência de classificação financeira Moody's.
O especialista enfatiza que as disposições do acordo sobre serviços financeiros e proteção à propriedade intelectual já estavam em preparação antes da guerra comercial.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exige de Pequim concessões que afetam o coração do sistema econômico do regime comunista, particularmente no que diz respeito aos subsídios a empresas públicas.
Os Estados Unidos consideram que essas empresas, em muitos casos não rentáveis, são subsidiadas e se beneficiam de contratos estatais, impedindo a livre-concorrência.
Washington também denuncia o "roubo", por parte da China, de propriedade intelectual de empresas americanas e exige novas disposições legais para evitá-las, incluindo multas dissuasivas para os responsáveis.
Nesta questão, o acordo de quarta-feira contém apenas diretrizes muito gerais.
"A China reconhece a importância de estabelecer e aplicar um sistema jurídico completo de proteção e de aplicação da propriedade intelectual", informa o texto, no qual "as partes pedem que todas as pessoas físicas, ou jurídicas, possam ser consideradas responsáveis de apropriação ilícita de segredos comerciais".
- Tensões geopolíticas -
A nova fase das negociações pode ser afetada pelas tensões geopolíticas entre as duas potências e também pelo freio na economia da China, que pode descumprir sua promessa de comprar US$ 200 bilhões em produtos nos próximos dois anos.
"A menos que a demanda chinesa por produtos agrícolas e energéticos americanos dispare, a China terá que tomar a decisão política de substituir as importações de outros países por aquelas dos Estados Unidos", observam economistas do ING Bank, Timme Spakman e Iris Pang.
"O acordo não inclui cláusulas de execução sobre as promessas de compras da China", ressaltam.
O texto indica que as compras serão baseadas em considerações comerciais e que "a situação dos mercados, em particular no que diz respeito aos produtos agrícolas, pode afetar a data da compra para cada ano em questão".
- Para quando o acordo final? -
As negociações para a segunda fase do acordo começarão imediatamente, disse Donald Trump, que quer viajar para a China.
A perspectiva de uma visita não foi confirmada nesta quinta-feira (16) pelo ministro das Relações Exteriores da China, nem a abertura das negociações da segunda fase.
"É imperativo aplicar a fase 1 do acordo", disse o porta-voz do Ministério, Geng Shuang.
Donald Trump assegurou que está disposto a esperar por sua possível reeleição em novembro próximo para chegar a um acordo final.
O acordo preliminar pode servir como argumento eleitoral para Trump. "Não temos certeza de que os Estados Unidos sejam a favor de retomar rapidamente as negociações", disse Xu Xiaochun, analista da Moody's.
No entanto, o presidente chinês, Xi Jinping, que enfrenta o freio em sua economia, pode querer fechar o acordo antes das eleições americanas para abolir as tarifas que ainda estão em vigor.