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A Suíça é um país caro, de acordo com uma série de manchetes recentes, mas queixas sobre seus preços altos podem refletir uma resistência à mudança quando se trata de hábitos de gastos.
Mais uma vez, este ano, Zurique, Genebra e Berna classificaram-se entre as cidades mais caras do mundo. Mesmo alguns suíços do estrangeiro dizem que não podem mais se dar ao luxo de visitar seu país, devido os preços altos e um franco suíço muito forte.
Os preços no varejo na Suíça são em média três quintos mais caros do que na União Europeia. Os suíços pagam mais por creches, café e Big Macs do que nos países vizinhos, embora eles geralmente ganhem maiores salários.
Publicações recentes mostram que as mulheres na Suíça ganham menos, em parte devido à desigualdade de salários, enquanto a diferença entre os salários dos executivos suíços e outros funcionários continua a crescer.
“Ilha de preços”
Como entender isso? Primeiro, um pouco de história. Os preços altos têm sido um enigma em uma nação de múltiplas comunidades e identidades.
“Desde os anos 1990, as queixas sobre os preços elevados na Suíça tornaram-se parte de um debate político”, salientaram os economistas suíços Christoph Sax e Rolf Weder em um artigo de 2009, “Como explicar os altos preços na Suíça?, questionavam.”
Eles descobriram que a “ilha suíça de carestia” não é devido à falta de concorrência ou a regulamentos ineficientes, como é amplamente discutido, mas também não surgiram quaisquer causas alternativas concretas – mais pesquisas são necessárias, na opinião deles.
O consumo, a riqueza e o rendimento têm tendência crescente nos últimos anos. Com tantas reservas, o Banco Central Suíço (BNS) seria o oitavo maior detentor público de ações norte-americanas.
No entanto, uma pesquisa com CEOs suíços neste ano identificou o futuro da zona do euro, o excesso de regulação e a volatilidade da taxa de câmbio como as maiores ameaças econômicas no horizonte. Três quartos deles estão tentando reduzir os custos.
O número de pessoas que vivem em pobreza relativa na Suíça está aumentando, até cerca de 7% em 2015, contra 6,6% no ano anterior. Embora ainda esteja abaixo da média europeia, cerca de 570 mil pessoas vivem abaixo do limite de pobreza, incluindo 145 mil com emprego remunerado.
Velhos hábitos difíceis de mudar
Com tantas estatísticas comparativas, os consumidores suíços podem não reagir de maneira tão previsível quanto antes fizeram nos níveis de sua própria renda.
Uma análise nos documentos de trabalho do Banco Central Suíço de 2016 mostra que a relação entre consumo, riqueza e renda tornou-se muito mais mais difícil de identificar. Os consumidores apresentam um alto grau de resistência à mudança, de acordo com o pesquisador Alain Galli.
A questão de como as mudanças na renda afetam o consumo das famílias é particularmente interessante hoje, escreveu ele. A renda per capita aumentou quase 40% de 2004 a 2014, com famílias que se beneficiam de grandes aumentos das ações na Bolsa e dos preços imobiliários nos últimos anos.
Apesar da Suíça ser uma nação de poupadores, tem havido “um grau elevado de adesão ao consumo “, observou, referindo-se a uma aparente resistência geral para gastar mais, mesmo ganhando melhor. “Em outras palavras, os hábitos são bastante importantes”.
Fonte: swissinfo