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O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, em Caracas, em 31 de agosto de 2017(afp_tickers)
O governo venezuelano denunciou criminalmente nesta segunda-feira um grupo de deputados opositores por "traição à pátria", um crime castigado com até 30 anos de prisão, por supostamente promover uma intervenção estrangeira.
O recurso, que não detalha as identidades dos parlamentares denunciados, foi apresentado diante do procurador-geral, Tarek William Saab, de linha chavista, após a chamada "marcha anti-imperialista" que convocou centenas de pessoas no centro de Caracas.
"Solicitamos que sejam sancionados por delitos de traição à pátria", diz o texto entregue a Saab, que foi lido de forma resumida durante a mobilização.
Embora o documento não mencione nenhum dirigente, os manifestantes acusaram presidente do parlamento, Julio Borges, e a seu vice-presidente, Freddy Guevara, a quem o presidente Nicolás Maduro pediu que julgasse.
A oposição domina o Legislativo com uma ampla maioria, mas suas decisões são consideradas nulas pelo Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) -acusado de servir o governo de Maduro-, que o considera em "desacato".
Se a Procuradoria encontrar razões para processar os parlamentares, poderá solicitar uma avaliação de mérito ao TSJ, a fim de que suspenda suas imunidade e os submeta a julgamento.
"Vale dizer que hoje temos um procurador que faz justiça", destacou no ato Darío Vivas, membro da Assembleia Constituinte que rege a Venezuela com poderes absolutos desde 4 de agosto.
Esse órgão assumiu várias funções do Parlamento e no dia 29 de agosto anunciou que processará líderes opositores por "traição à pátria".
Segundo a denúncia penal, deputados de oposição estimularam uma "intervenção estrangeira e derrubar" Maduro.
A denúncia chega depois que na semana passada, durante uma viagem pela Europa, Borges recebeu o apoio do presidente francês, Emmanuel Macrón, do chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, da chanceler alemã, Angela Merkel, e da primeira-ministra britânica, Theresa May.
O texto retoma a acusação de Maduro de que Borges também impulsiona um "bloqueio econômico" junto com o presidente americanos, Donald Trump, que decretou sanções que impedem o governo venezuelano e a petroleira estatal Pdvsa negociar novos bônus da dívida pública.
A coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) apoiou essas sanções, mas rejeitou a possibilidade de uma intervenção militar planejada por Trump frente à grave crise política e econômica do país petroleiro.
AFP