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O líder opositor Juan Guaidó destinará 30 milhões de dólares dos fundos da Venezuela bloqueados no exterior e que estão sob seu controle para pagar o acesso ao mecanismo Covax para o país, além dos custos da rede de armazenamento das vacinas em temperaturas baixas.
O dinheiro foi aprovado nesta sexta-feira (19) em uma sessão virtual do Parlamento eleito em 2015, que Guaidó defende como "legítimo", apesar do chavismo ter reivindicado o controle do Legislativo em janeiro de 2021, após eleições boicotadas pelos principais partidos da oposição e não reconhecidas pelos Estados Unidos, União Europeia e por vários países da América Latina.
O acordo autoriza "o Presidente Juan Guaidó a solicitar uma dívida ao Banco Central da Venezuela por um valor de 30.309.040,00 dólares, destinados a pagar o acesso à Plataforma Covax (18.199.040,00 dólares), e para investimento na rede de frio necessária para o plano de vacinação contra a covid-19 (12.110.000,00 dólares)".
Também ordena "realizar todas as gestões necessárias no Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para processar a licença e a posterior liquidação dos fundos para os desembolsos correspondentes".
Washington, em sua pressão contra o presidente socialista Nicolás Maduro com sanções financeiras, entregou a Guaidó o controle das contas e ativos da Venezuela nos Estados Unidos.
"Esta é a melhor oportunidade que temos até agora para conseguir parar o vírus", afirmou o líder da oposição durante a sessão transmitida pelo YouTube.
"Faremos todos os esforços para obter esta vacina de forma eficiente e rápida", acrescentou.
A meta é financiar 12 milhões de doses para 6 milhões de pessoas em um ano.
A negociação total ultrapassaria 100 milhões de dólares, segundo uma fonte próxima a Guaidó contou à AFP.
- 'Estratégia de vacinação' -
O governo de Maduro, Guaidó e a Organização Panamericana da Saúde (OPAS) mantêm uma "mesa técnica" para negociar o acesso ao Covax, através do qual a Venezuela encomendou entre 1,4 milhão e 2,4 milhões de vacinas da AstraZeneca, que não foram autorizadas pelo governo.
Esta mesa "consolidará um plano detalhado para a implementação de uma estratégia de vacinação", que estará sob supervisão da OPAS e Unicef, segundo o acordo aprovado.
"Na Venezuela não há mais espaço para improviso e politização, por isso é imperativo que as vacinas sejam administradas e distribuídas por agências humanitárias", escreveu Guaidó posteriormente no Twitter.
O país começou sua campanha de vacinação em fevereiro com a vacina russa Sputnik V, priorizando os profissionais da saúde e as autoridades, e em março começou a aplicar também a da farmacêutica chinesa Sinopharm.
A Venezuela, com quase 30 milhões de habitantes, registrou até quinta-feira 148.208 casos de covid-19 e 1.467 mortes, segundo dados do governo de Maduro, que são questionados pela oposição e por ONGs em meio a alertas devido a um aumento dos casos.