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O presidente da Argentina, Alberto Fernández, homenageou nesta terça-feira (23) as Mães e Avós da Praça de Maio, que descreveu como "mulheres que tiveram a coragem que a sociedade não teve" para enfrentar a ditadura, na véspera do 45º aniversário do golpe de Estado de 1976.
“É o reconhecimento de uma sociedade que tem memória, que lembra e que sabe que no meio da tragédia argentina havia um grupo de mulheres com a coragem que a sociedade não teve, que nos permitiu ver o mais cruel, o mais horrível daquela ditadura" (1976-1983), afirmou o presidente.
Em cerimônia no Museu do Bicentenário, Fernández entregou o prêmio Juana Azurduy à presidente da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto; a Taty Almeida, integrante das Mães da Praça de Maio Linha Fundadora; e a Lita Boitano, dos Familiares de Ex-detidos Desaparecidos.
Outras mães e avós acompanharam o evento de forma remota e receberão o diploma assinado por Fernández e pela vice-presidente Cristina Kirchner.
As Mães da Praça de Maio nasceram em abril de 1977, em plena ditadura, com a união de um grupo de mulheres que se conheceram enquanto exigiam do governo saber o paradeiro de seus filhos sequestrados em via pública ou em suas próprias casas por grupos policiais ou militares.
Três de suas fundadoras foram sequestrados em dezembro de 1977, torturadas e depois jogadas de um avião no Rio da Prata, em um dos chamados "voos da morte".
Em outubro do mesmo ano, se uniram as Avós, cujas filhas ou noras haviam sido capturadas grávidas e já deviam ter dado à luz. Cerca de 400 netos foram roubados por agentes da ditadura, dos quais 130, hoje adultos, foram encontrados e recuperaram sua identidade.
A chancelaria lançará nesta quarta-feira a Campanha Internacional pelo Direito à Identidade, que visa promover a busca de filhos de desaparecidos apropriados durante a ditadura, que possam estar vivendo no exterior.
A cada 24 de março, milhões de argentinos renovam seu repúdio ao golpe ocorrido nesse dia de 1976, que instaurou a ditadura civil-militar, responsável por 30 mil desaparecidos e assassinados.
Como no ano passado, a pandemia de covid-19 levou ao cancelamento da sempre lotada manifestação pela Memória, Verdade e Justiça. No lugar, as organizações de direitos humanos pediram o plantio de 30 mil árvores para “plantar memória”, entre outras atividades e homenagens.
Um setor mais radical de grupos humanitários e partidos de esquerda, porém, convocou uma passeata para a quarta-feira até a Praça de Maio.