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Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller
GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Ataques aéreos israelenses atingiram a Faixa de Gaza a quase cada minuto nesta quarta-feira, e militantes islâmicos mantiveram o lançamento de foguetes ao coração de Israel, em uma escalada que segundo autoridades palestinas matou 47 pessoas no enclave dominado pelo Hamas.
Mísseis do sistema de defesa de Israel foram utilizados para interceptar os projéteis lançados, pelo segundo dia consecutivo, em Tel Aviv, à capital comercial do país. Alguns foram atirados tendo como destino a usina nuclear de Israel Dimona, a 80 quilômetros de Gaza, mas também foram abatidos ou caíram em campo aberto.
Aos gritos de "Allahu akbar" (Deus é grande), palestinos da Faixa de Gaza aplaudiam quando foguetes eram disparados na direção de Israel, ataques que podem dar um impulso na popularidade para o Hamas.
Domona, área deserta que abriga um reator nuclear e tido como um ator no armamento atômico, foi alvo dos foguetes locais M-75, disseram militantes. O exército israelense afirmou que seu sistema abateu um dos projéteis e que outros dois não causaram dano. Não ficou claro quão perto eles chegaram da cidade ou da planta nuclear.
Comunidades costeiras perto de Tel Aviv e no sul, próximas a Gaza, também foram alvo. No ataque mais longo desde a terça-feira, quando Israel intensificou sua ofensiva, um foguete caiu perto de Zichron Yaakov, cidade 115 quilômetros ao norte de Gaza.
Pelo menos 41 civis, incluindo 12 crianças, estavam entre os 47 mortos do lado palestino em dois dias de combate, e cerca de 300 pessoas ficaram feridas, disseram autoridades hospitalares.
Não foram registradas mortes ou feridos graves em Israel, e reportagens israelenses exaltavam como heróis os militares da bateria anti-aérea, em parte financiada pelos Estados Unidos. Os militares disseram que 48 foguetes atingiram Israel nesta quarta-feira, 14 deles interceptados pelo sistema de defesa.
Com as frequentes explosões ecoando pela cidade de gaza, a principal rua comercial ficou boa parte deserta. Moradores relataram centenas de ataques nesta quarta.
Os militares de Israel disseram ter bombardeado 550 localidades do Hamas, incluindo 60 lançadores de foguetes e 11 casas de altos membros do Hamas, descrevendo as habitações como centros de comando.
Autoridades palestinas afirmam que pelo menos 25 casas foram destruídas ou danificadas e que não pertenciam a militantes.
A escalada das hostilidades entre Israel e militantes de Gaza começou há três semanas com ataques de foguetes, que seguiram o sequestro e assassinato de três alunos seminaristas judeus na Cisjordânia ocupada. Na semana passada, um palestino adolescente foi sequestrado e encontrado morto em Jerusalém.
Salvas de foguetes levaram pessoas a buscar abrigos anti-bomba em Israel, com estações de rádio interrompendo transmissões para anunciar onde as sirenes tocaram. A Bolsa de Valores de Tel Aviv, parecia impertubável, terminando o dia com ações um pouco mais altas.
Na Faixa de Gaza, residentes foram abalados durante a noite pelo som, a cada minuto, de poderosas explosões que levantaram colunas de fumaça.
Líderes israelenses, que parecem gozar de amplo apoio popular em casa para a operação em Gaza, alertaram sobre uma longa campanha e uma possível invasão por terra no território lar de quase 2 milhões de palestinos.
O gabinete de segurança de Netanyahu já aprovou possível mobilização de até 40 mil tropas da reserva.
"O governo instruiu os militares a despachar forças na fronteira com Gaza, para estarem prontos para qualquer contingência", disse Mark Regey, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. "Temos diversas opções. Nossa meta, nossa meta principal, é salvaguardar o povo de Israel e encerrar o lançamento de foguetes de Gaza sobre nossos cidadãos."
O gabinete de Netanyahu disse ter discutido a situação com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o secretário de Estado norte-americano, John Herry, acrescentando que ele conversaria com outros líderes mundiais mais tarde.
Washington apoiou as ações de Israel na Faixa de Gaza, enquanto a União Europeia e as Nações Unidas pediram moderação dos dois lados.
As forças de Israel buscavam como alvo comandantes de grupos militantes de Gaza, em ataques em que autoridades palestinas apontaram para vítimas familiares desses líderes.
Em um ataque aéreo em uma casa ao norte de Gaza, nesta quarta-feira, um alto líder do grupo do Jihad islâmico e cinco membros de sua família foram mortos, disse o Ministério do Interior palestino. Uma mulher palestina de 80 anos foi morta em um ataque aéreo israelense em outro alvo no centro de Gaza, segundo autoridades locais.
(Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller)
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