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No futuro, o Forum de Davos será diferente
Polêmica sobre as "exageradas" medidas de segurança adotadas neste ano e as promessas da direção do Forum Econômico Mundial de Davos de abrir mais espaço às ONGs (organizações não governamentais) podem reorientar os trabalhos do próximo encontro do Forum, em janeiro de 2002
"As medidas de segurança particulares" consideradas "necessárias" pela polícia suíça e denunciadas como "métodos dignos de um estado policial", na opinião de "Declaração de Berna" - ONG suíça que se preocupa com interesses do Sul - acabaram fazendo sombra a importantes temas debatidos no encontro anual de Davos: corrupção, protecionismo e futuro da Organização Mundial do Comércio...
As ONGs admitidas na reunião deste ano - organizações que realizaram fóruns alternativos em Zurique e mesmo em Davos - reivindicam "maior liberdade de expressão" e "respeito de direitos fundamentais".
A oposição entre autoridades, polícia e direção do Forum Econômico Mundial de Davos (WEF) de um lado, e, de outro, os adversários de uma "globalização desumana", levantou na Suíça uma poeira, que vai demorar a assentar.
Quanto às medidas de segurança, é provável que se procure no futuro um meio termo quando se montar o esquema policial para novos encontros em Davos. (Esquema que seja também menos oneroso. O deste ano custou cerca de 3 milhões de dólares).
Parece no entanto que as ONGs saem fortalecidas. Tanto que a direção do WEF - não podendo ignorar resistências à globalização - já prometeu abrir mais espaço aos representantes da sociedade civil.
Pode também ficar reforçada a presença dos países do Sul. Este ano, países emergentes ou menos desenvolvidos confirmaram que só tem aumentado a brecha entre ricos e pobres. Thabo Mbeki, presidente sul-africano, por exemplo, cobrou maior abertura do mercado dos países industrializados aos produtos do Sul, exigindo oportunidades iguais e trocas mais eqüitativas.
O "esfriamento da conjuntura" nos Estados Unidos, prognosticado em Davos, pode comprometer a expansão da economia, com forte impacto nos países emergentes. Afinal os Estados Unidos representam um terço do comércio mundial.
No plano político destacou-se em Davos a questão da paz no Oriente Médio, consolidação democrática nos Bálcãs, investimentos na Rússia e as dificuldades enfrentadas pela América Latina.
O Forum de Davos não deixa de ser um laboratório para esboçar estratégias da economia global. Desta vez, o social ganhou um pouco de terreno com a pressão dos adversários da globalização que atraíram a atenção da opinião pública internacional com seu primeiro forum social em Porto Alegre.
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