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As aranhas caranguejo, que ocupam plantas com flores para capturar insetos polinizadores, podem não ser tão prejudiciais, pois também vêm em socorro de plantas cercadas por insetos nocivos, revelaram os pesquisadores da Universidade de Zurique.
Interações simbióticas entre espécies na natureza são comuns. Pense nos elefantes com as aves cuidando de suas costas, ou o incansável trabalho da minhoca ajudando a fertilizar o solo.
As aranhas caranguejo, que se alimentam de insetos polinizadores, como as abelhas, geralmente não são conhecidas por sua utilidade. Mas pesquisas do Departamento de Botânica Sistemática e Evolutiva da Universidade de Zurique descobriram que elas também ajudam a livrar as plantas de insetos nocivos, devorando eles e suas larvas.
Estudando a interação entre as aranhas e a Biscutella laevigata (planta amarela florida comum na Europa), os pesquisadores chegaram a uma conclusão ainda mais surpreendente: a planta em si pode enviar um “grito de socorro” quando fortemente atacada por florívoros (herbívoros que se alimentam de flores).
Isso tem a forma de um aumento na quantidade de "volátil floral" (cheiro da flor) emitido pela planta, que por sua vez atrai mais aranhas caranguejo para o resgate, dizem os pesquisadores.
"O estudo mostra que o efeito de organismos interagentes é altamente dependente do contexto ecológico", diz um comunicado de imprensa da universidade.
E, no entanto, esses contextos estão mudando constantemente como resultado de fatores humanos ou outros, com implicações muitas vezes imprevisíveis - especialmente quando um parceiro existente na interação desaparece.
"Por esse motivo, é importante entender melhor as interações entre os organismos e suas consequências para poder aplicar medidas na proteção dos ecossistemas ou da agricultura orgânica", disse o autor do estudo, Florian Schiesti.
swissinfo.ch/fh