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(Arquivo) Amigo de um escravo sexual concede uma entrevista à AFP em Lashkar Gah, Afeganistão(afp_tickers)
A redação da Agence France-Presse (AFP) em Cabul ganhou um dos mais prestigiosos prêmios do jornalismo na Ásia por sua reportagem sobre a prática do "bacha bazi", a terrível tradição afegã de escravidão sexual dos jovens e seus efeitos sobre a segurança no Afeganistão, país devastado pela guerra.
O chefe de redação Anuj Chopra e a equipe de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas conquistaram o prêmio de excelência em reportagem sobre direitos humanos da Sociedade de Editores da Ásia (Society of Publishers in Asia), por sua matéria exclusiva sobre como os talibãs exploram os chamados 'bacha bazi'.
Entre os demais meios de comunicação premiados em cerimônia realizada em Hong Kong na noite de quinta-feira estão o Washington Post por uma série sobre as injustiças contra as mulheres na Índia e o Financial Times por um relatório sobre o neomaoísmo na China.
A equipe da AFP já havia recebido no mês passado outro prêmio de jornalismo sobre direitos humanos (HRPA) em Hong Kong pela mesma série sobre o 'bacha bazi'.
A prática do 'bacha bazi', que literalmente significa, em idioma dari, "brincar com jovens", consiste em que adultos influentes - na reportagem da AFP, comandantes da polícia - sequestrem jovens imberbes, que são maquiados e vestidos como mulheres para transformá-los em seus escravos sexuais.
A reportagem mostra como os talibãs fazem esses rapazes se voltarem contra seus sequestradores para se infiltrar nas delegacias e cometer ataques, que deixaram centenas de mortos nos últimos anos.
Depois da publicação desses artigos, o presidente afegão Ashraf Ghani ordenou uma investigação, cujas conclusões ainda não são conhecidas, um ano mais tarde.
"A AFP se alegra por este reconhecimento ao bom trabalho realizado por nosso escritório no Afeganistão que, como os demais meios de comunicação do país, funciona em condições extremamente difíceis", afirmou o diretor regional da AFP para a Ásia, Philippe Massonnet.
Massonnet saudou "a coragem das vítimas, de suas famílias e das autoridades que aceitaram falar conosco".
AFP