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O presidente da França, Emmanuel Macron, tentará dissipar no sábado (15) "possíveis mal-entendidos" sobre sua política de defesa em uma conferência de segurança em Munique, diante de uma audiência alemã que suspeita de que Paris esteja promovendo a Europa para servir a seus interesses.
É a primeira vez que o atual chefe de Estado francês participa dessa reunião global anual sobre questões de segurança. O último presidente francês a participar foi Nicolas Sarkozy, em 2009.
Macron participará da conferência em um contexto complexo. A Europa atravessa uma crise sobre o Brexit e a saída de uma de suas duas potências militares junto com a França, o relançamento da corrida armamentista, assim como o desinteresse dos Estados Unidos pela Europa e por sua defesa.
Desde o início do ano, o presidente está envolvido em eliminar "mal-entendidos, esclarecer mensagens sobre questões de segurança europeia, defesa e política externa", afirmou a Presidência francesa.
Isso é particularmente importante após a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e suas declarações sobre uma "morte cerebral" da aliança militar.
Nesse contexto, Macron - cujo país agora se torna o único na União Europeia dotado de arma atômica - enviou um sinal tímido na direção da Alemanha, durante um discurso na Escola Militar de Paris.
- "Diálogo estratégico" -
Nesse discurso, Macron propôs a seus colegas europeus "um diálogo estratégico" sobre "o papel da dissuasão nuclear francesa" na segurança coletiva da Europa.
Isso pode incluir exercícios conjuntos de dissuasão, conforme sugerido, ou o uso de bases europeias pelas forças estratégicas francesas.
O gesto foi interpretado como uma mensagem endereçada especialmente à Alemanha, país que conta desde o final da Segunda Guerra Mundial com a proteção do "guarda-chuva nuclear" dos Estados Unidos.
Johann Wadepul, vice-presidente do grupo parlamentar da CDU, o partido conservador da chanceler Angela Merkel, agradeceu a Macron pela abertura e disse que "a Alemanha agora deve dar uma resposta". Também apontou, porém, que ainda há "áreas cinzentas" e "perguntas" em Berlim.
"Macron sempre nos convidou a pensar na Europa. Mas não podemos apenas europeizar o que é importante para os alemães", afirmou.
Como exemplo, citou o orçamento da zona do euro defendido pelo presidente francês. "Também devemos europeizar o que é importante para os franceses", afirmou.
"E este é o caso da força de ataque francesa", acrescentou Wadepul, que recentemente considerou que Paris deveria compartilhar seus mísseis atômicos com seus parceiros, colocando-os sob o controle da UE, ou da Otan.
Essa opção já foi descartada pela França.
Em contrapartida, a França não esconde sua decepção com o compromisso militar excessivamente tímido da Alemanha em conflitos como o do Sahel.
Embora o relacionamento entre Macron e Merkel pareça ter se degradado nos últimos meses, Paris conta com a atual ministra da Defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer, a favor de um maior envolvimento militar de seu país.
Kramp-Karrenbauer, conhecida como "AKK", está politicamente fora da corrida, porém, já tendo anunciado seu desejo de deixar a presidência da CDU e de não ser a sucessora de Merkel.