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Brasil pede rechaço às eleições convocadas pela "ditadura" venezuelana
Brasil pediu nesta quinta-feira à comunidade internacional para não apoiar as eleições legislativas convocadas pelo "regime ditatorial" de Nicolás Maduro, acusado por uma missão de investigação da ONU de ter cometido "crimes contra a humanidade".
O pedido coincide com o início da viagem do chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, por vários países da região, que incluirá nesta sexta-feira o estado brasileiro de Roraima, fronteiriço à Venezuela.
"Em face do teor do relatório, o Brasil considera que um regime como o de Maduro não tem quaisquer condições ou legitimidade para convocar ou conduzir um processo eleitoral limpo e justo, e, portanto, que as eleições parlamentares convocadas pela ditadura para o próximo mês de dezembro não devem ser apoiadas pela comunidade internacional", expressou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.
A Venezuela realizará eleições em 6 de dezembro para novos parlamentares do Congresso, atualmente dominado pela oposição.
Enquanto Maduro é a favor das eleições, a oposição afirma que não há condições igualitárias para ir às urnas.
"O Brasil espera que o relatório mobilize toda a comunidade internacional a trabalhar pela extinção do regime ditatorial de Maduro e pela libertação da Venezuela", acrescentou o Itamaraty.
Uma missão da ONU anunciou na quarta-feira que "encontrou motivos razoáveis para acreditar que as autoridades venezuelanas e as forças de segurança planejaram e executaram graves violações dos direitos humanos desde 2014, algumas das quais - incluindo execuções arbitrárias e o uso sistemático de tortura - constituem crimes contra a humanidade".
"Longe de serem atos isolados, esses crimes foram coordenados e cometidos de acordo com as políticas do Estado, com o conhecimento ou apoio direto dos comandantes e altos funcionários do governo", informou a presidente da missão, Marta Valiñas.
Desde 2013 no poder após a morte de Hugo Chávez, o governo Maduro rejeitou essas alegações e disse se tratar de um "relatório cheio de falsidades, preparado à distância, sem qualquer rigor metodológico, por uma missão fantasma dirigida contra a Venezuela e controlada por governos subordinados a Washington".
A visita de Pompeo à região, que ocorre desta quinta-feira até domingo, começa no Suriname e segue pela Guiana, Brasil e Colômbia, três países que fazem fronteira com a Venezuela.
A escala em território brasileiro acontecerá na sexta-feira em Boa Vista, capital de Roraima, que foi a porta de entrada de dezenas de milhares de venezuelanos que fugiram da grave crise política, econômica e social que atinge seu país.
O Brasil, assim como a Colômbia e os Estados Unidos, fazem parte dos cinquenta países que consideram como ilegítimo o segundo mandato de Maduro, desde janeiro de 2019, e reconhecem o opositor Juan Guaidó como presidente interino.