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As economias mais influentes do mundo estão reunidos em Seul com o objetivo de encontrar um caminho comum para tornar o sistema financeiro mais seguro.
A Suíça planeja introduzir novas medidas para evitar que a falência de grandes bancos derrube a economia. No entanto, há uma falta de consenso em como resolver o problema em escala global.
Com muitos países introduzindo soluções diferentes para a mesma questão, há temores de que isso dificulte a criação de uma regulamentação coordenada para um sistema financeiro que não conhece fronteiras nacionais.
Nesse caso, os bancos suíços – que já se comprometeram em aumentar suas reservas de risco - estariam em desvantagem contra a concorrência internacional. Os bancos UBS e Crédit Suisse foram instruídos a aplicar as normas internacionais do acordo Basileia III e mais salvaguardas adicionais, as chamadas “Swiss Finish”, em 2018.
Outros países, incluindo Estados Unidos, criaram suas próprias medidas. Mas ainda não se sabe quantos países vão implementar as diretrizes do acordo Basiléia III, que consistem exatamente em garantir “reservas de capital de alta qualidade”.
"As normas internacionais não são tão fortes como gostaríamos", disse Mario Tuor, porta-voz da Secretaria de Estado da Suíça para Assuntos Financeiros Internacionais (SIF) à swissinfo.ch.
"Ser o primeiro a aplicar a regulamentação só é uma vantagem se os outros seguirem o exemplo. Se nem todos concordarem com a aplicação, isso se transforma rápido em uma desvantagem".
“Situação inaceitável”
A questão também preocupa o presidente do Banco Central Suíço, Philipp Hildebrand, que exortou os outros países a aplicarem as medidas contra o risco “grande demais para falir”.
Em declaração ao jornal inglês Financial Times no mês passado, Hildebrand pediu aos líderes do G20 que acabassem com a "situação inaceitável" da falta de normas internacionais e exortou outros países a seguirem o exemplo da Suíça.
"Se os regulamentos 'grandes demais para falir' forem introduzidos, eles irão reduzir significativamente os riscos das instituições sistemicamente importantes", disse. "O problema é particularmente importante na Suíça e representa uma anomalia do mercado internacional que deve ser erradicada."
Mas as chances de se conseguir chegar a um acordo internacional parecem não ser grandes. Embora tenha se chegado a um consenso geral sobre o princípio do acordo Basileia III no início deste ano, continua havendo confusão sobre a exata aplicação dos regulamentos e a agilidade para serem cumpridos.
A reunião do G20 em Seul, na quinta e na sexta-feira, tratará principalmente das regras adicionais necessárias para resolver o problema das instituições financeiras que poderiam derrubar economias, se caso vierem fazer falência.
A opinião está dividida sobre como resolver esse problema. Os EUA introduziram um sistema que permite que os bancos continuem atuando sistematicamente mesmo com problemas, enquanto que outros países são a favor de novos instrumentos financeiros que transferem o custo de salvamento das instituições do setor público ao privado.
Resultado duvidoso
A proposta suíça combina esforços, entre os quais a obrigação dos bancos a manter reservas de capital mais elevadas contra os riscos. Mas nem todos estão convencidos da eficiência desses mecanismos.
A Suíça deseja claramente que os países do G20 sigam seu exemplo, mas como ela não participa da cúpula em Seul, o país só pode se manifestar indiretamente por meio de organismos como o Fundo Monetário Internacional ou o Conselho de Estabilidade Financeira.
Mario Tuor também assinalou que os esforços de lobby só teriam um efeito limitado, pois é impossível prever o que vai acontecer numa reunião como essas, onde países poderosos e diversos discutem um acordo comum.
"Vamos acompanhar a cimeira de forma intensiva", disse. "Mas é difícil exercer alguma influência concreta já que a estrutura e os procedimentos não são particularmente claros."
A Mesa Redonda dos Serviços Financeiros da Europa (EFR), um grupo de lobby no qual participam UBS e Crédit Suisse, disse que apóia a reunião do G20. Mas a organização critica que "vários países se envolveram em uma série de medidas descoordenadas" para enfrentar o problema.
"Há uma divergência de opinião sobre determinadas áreas que risca criar uma discussão que não vai na direção que gostaríamos", declarou o secretário EFR, Sebastian Fairhurst.
"Se alguns países decidirem por uma direção, enquanto que outros agem como bem entendem, corremos o risco de sermos levados a uma maior fragmentação."
O G20
O Grupo dos 20 Ministros das Finanças e presidentes de Banco Central foi criado em 1999 – em razão da crise asiática de 1997 - para analisar e melhorar a cooperação em questões que afetam o sistema financeiro mundial.
O G20 substituiu o G33, que por sua vez substituiu o G22. A composição do conselho é concebida para refletir a importância econômica dos países participantes e incluir as principais economias emergentes.
O G20 representa cerca de dois terços da população mundial, 85% do produto bruto mundial e 80% do comércio mundial.
O G20 é composto por Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Grã-Bretanha, União Europeia, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia e Estados Unidos .
A Suíça não tem um assento no G20, embora seu setor financeiro seja o sétimo maior do mundo.
Em resposta à recente crise financeira mundial, as reuniões de bastidores foram substituídas por verdadeiros encontros de cúpula em 2008.
A Coreia do Sul detém a presidência rotativa em 2010. A reunião em Seul comissionou o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) para elaborar um pacote de medidas que resolva o problema financeiro das instituições "grandes demais para falir".
As recomendações incluem: reforço na supervisão do setor financeiro, regulamentação do comércio de derivativos, redução da dependência de agências de cotação de crédito e padronização das normas contábeis.
A Cimeira do G20 em Seul acontece nos dias 11 e 12de novembro.
O encontro também vai abordar a questão da harmonização do comércio mundial, posta de lado pelo aumento do protecionismo e as flutuações cambiais dos últimos tempos.
(Adaptação: Fernando Hirschy), swissinfo.ch