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O rover Perseverance se prepara para coletar em Marte sua primeira amostra de rochas do antigo leito de um lago, dando início à sua missão de procurar vestígios de vida no planeta vermelho, informou a Nasa nesta quarta-feira (21).
A estimativa é de que a tarefa seja realizada dentro de duas semanas em uma área da cratera Jezero chamada "Cratered Floor Fractured Rough".
"Quando Neil Armstrong coletou a primeira amostra do Mar da Tranquilidade 52 anos atrás, ele iniciou um processo que reescreveria o que a humanidade sabia sobre a Lua", disse o astrofísico Thomas Zurbuchen, na sede da Nasa.
"Tenho todas as expectativas de que a primeira amostra que o Perseverance tirar da cratera Jezero e as que virão depois farão o mesmo sobre Marte".
O Perseverance pousou no planeta vermelho em 18 de fevereiro e durante o verão boreal movimentou-se cerca de um quilômetro ao sul de seu local de pouso, disse o cientista do projeto Ken Farley à imprensa.
“Estamos agora olhando para ambientes que estão muito mais longe no passado, bilhões de anos no passado”, disse ele.
A equipe acredita que a cratera abrigou um antigo lago que encheu e transbordou várias vezes, criando potencialmente as condições necessárias para a vida.
A análise de amostras revelará pistas sobre a composição química e mineral das rochas, revelando se elas foram formadas por vulcões ou se são de origem sedimentar, por exemplo.
Além de preencher as lacunas no entendimento geológico da região pelos cientistas, o rover também procurará possíveis sinais de micróbios antigos.
Primeiro, o Perseverance irá implantar seu braço robótico de dois metros de comprimento para determinar precisamente onde tirar a amostra.
Em seguida, usará uma ferramenta de abrasão para raspar a camada superior da rocha, expondo as superfícies não desgastadas.
Este material será analisado por instrumentos científicos montados na torre do Perseverance para determinar a composição química e mineral e para procurar matéria orgânica.
Um dos instrumentos, chamado SuperCam, vai disparar um laser na rocha para fazer a leitura do material resultante.
Farley disse que um pequeno penhasco que abrigava rochas de camadas finas pode ter se formado a partir da lama do lago e "esses locais são muito bons para procurar bioassinaturas", embora ainda demore mais alguns meses para que o Perseverance possa fazê-lo.
Cada análise de rocha terá um "gêmeo" geológico intacto que o rover coletará, selará e armazenará sob seu corpo.
Ao final, a Nasa planeja uma missão de retorno com a Agência Espacial Europeia para coletar as amostras armazenadas e devolvê-las para análises laboratoriais na Terra, em algum momento dos anos 2030.
Só então os cientistas serão capazes de dizer com mais precisão se realmente encontraram sinais de formas de vida antigas.