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Por Elizabeth Piper
LONDRES (Reuters) - Ministros britânicos saíram em defesa de Boris Johnson neste domingo, dizendo que o ministro de Relações Exteriores estava fazendo um "grande trabalho" e não tinha motivos para renunciar devido a observações que os críticos dizem que levaram o Irã a estender a prisão de uma trabalhadora de ajuda humanitária.
A defesa coordenada é parte de um esforço para apoiar o governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, enfraquecido por uma série de escândalos e gafes envolvendo seus principais ministros enquanto ela negocia a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).
O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, pediu que May demitisse Johnson, escrevendo no jornal The Observer neste domingo que "nós toleramos que ele envergonhasse nosso país com sua incompetência... por tempo demais. Está na hora de Boris Johnson sair".
Corbyn e o prefeito de Londres, Sadiq Khan, que também é do partido Trabalhista, disseram que Johnson ofendeu Estados e religiões antes de “arruinar” o caso da trabalhadora de ajuda humanitária iraniano -britânica Nazanin Zaghari-Ratcliffe, que está presa após ter sido condenada por tramar para derrubar o sistema clerical do Irã. Ela nega as acusações.
Mas o ministro do Brexit, David Davis, e o ministro do Meio-Ambiente, Michael Gove, defenderam Johnson, que na semana passada disse que poderia ter sido mais claro em suas observações de que Zaghari-Ratcliffe estava ensinando jornalismo antes de sua prisão em abril de 2016.
A Thomson Reuters Foundation, uma organização de caridade em que Zaghari-Ratcliffe trabalhava, disse que o comentário de Johnson feito em 1 de novembro estava incorreto, enquanto os parlamentares britânicos de oposição disseram que as observações poderiam levar a agente humanitária a passar mais tempo na prisão.
A Thomson Reuters Foundation é independente da Thomson Reuters e opera independentemente da Reuters News.
"Por que você quer demiti-lo? Ele é um bom secretário de Relações Exteriores", Davis disse à Sky News. Já Gove pediu que os críticos parassem de se concentrar no papel de Johnson no caso e, em vez disso, questionem a motivação do que ele chamou de "regime iraniano" na prisão de Zaghari-Ratcliffe.
"Não há motivo, nenhuma desculpa e nenhuma justificativa para sua detenção e ela deve ser liberada", afirmou ao programa Andrew Marr, da BBC.
Mais tarde, uma fonte do gabinete de Relações Exteriores informou que Johnson havia realizado um telefonema "muito construtivo" com o marido de Nazanin, Richard Ratcliffe, que pediu que o ministro a visite esposa na prisão.
A demonstração de apoio a Johnson por seus colegas de trabalho, que também fizeram campanha pelo Brexit, demonstra as dificuldades que May enfrenta ao manter seu gabinete unido em uma série de questões.
Ela perdeu dois de seus ministros em uma semana: Michael Fallon renunciou como ministro de Defesa em um crescente escândalo de assédio sexual e, em seguida, Priti Patel foi forçada a sair de seu cargo como ministra devido a reuniões não reveladas com autoridades israelenses.
Quarenta membros do Partido Conservador concordaram em assinar uma carta de falta de confiança nos primeiros ministros, oito a menos que o número necessário para desencadear uma contestação da liderança, informou o jornal Sunday Times.
Reuters