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O acordo com o Irã negociado pelo Brasil e pela Turquia é quase idêntico ao que foi proposto sete meses atrás, na Suíça.Este conteúdo foi publicado em 18. maio 2010 - 18:16
Para o ministério suíço das Relações Exteriores, o acordo permite "ultrapassar um primeiro obstáculo", na crise do nuclear iraniano. A Suíça representa os interesses dos Estados Unidos e do Irã, desde que ambos romperam suas relações diplomáticas.
A última reação positiva ao acordo com o Irã foi do presidente francês, Nicolas Sarkozy, na tarde de terça-feira (18). Através de um comunicado, o presidente francês disse que foi "um passo positivo", sublinhando que "ele deve ser acompanhado logicamente a que o Irã mantenha o enriquecimento do Urânio que receberá a 20%".
O acordo por escrito assinado em Teerã estipula que o Irã vai transferir à Turquia 1.200 kg de urânio enriquecido a 3,5% e receberá, dentro de um ano, 120 kg de urânio enriquecido a 20%.
O acordo será transmitido à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena. A ressalva do presidente Sarkozy de que o Irã deverá manter o urânio a 20% é uma alusão a eventuais aplicações militares. Para isso, o urânio precisa ser enriquecido a 90% no mínimo, segundo especialistas.
No comunicado divulgado em Paris, o presidente Sarkozy "exprime seu reconhecimento e o pleno apoio da França ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva por seus esforços."
Alguns observadores questionam, no entanto, se esta não será uma nova tentativa do Irã de ganhar tempo. "Eles aceitam agora o que tinham recusado meses atrás”, declara o físico suíço e ex-diretor geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Bruno Pellaud, à swissinfo. ch. Ele diz continuar “particularmente prudente com os iranianos, porque podem às vezes ser muito espertos”, embora espere que o acordo “seja substancial."
Discussões de Genebra
Quando das discussões de Genebra no início de outubro de 2009, Estados Unidos, Rússia e França propuseram que o Irã entregasse a mesma quantidade (1.200 Kg) de urânio pouco radiativo à Rússia e à França, que o enriqueceriam para devolver ao Irã a quantidade que precisa, sob supervisão da AIEA.
O Irã inicialmente aceitou a proposta, antes de mudar de ideia alegando falta de confiança.
"Fundamentalmente, voltamos a 1° de outubro de 2009", afirma Bruno Pellaud. Mas ele acrescenta "que o trem das sanções está em marcha e será interessante ver se os Estados Unidos e os ocidentais podem mudar de posição e reabrirem as negociações com o Irã."
"Respeito mútuo"
Os iranianos provavelmente sentiram a ameaça de novas sanções, que poderiam ser mais drásticas, de acordo com Bruno Pellaud.
Logo depois do anúncio do acordo obtido pelo Brasil e pela Turquia, o presidente Mahmoud Ahmadinejad lançou um apelo aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Onu e à Alemanha para retomarem as negociações baseadas em "honestidade, justiça e respeito mútuo".
Enquanto o Brasil e a Turquia estimam que novas sanções não se justificam, o Irã anunciou que não cessaria de enriquecer urânio em seu próprio território, sempre com fins pacíficos, como sempre afirmou, apesar das acusações de que teria a intenção de fabricar uma bomba.
No entanto, a exportação do Irã de urânio pouco radioativo, retardaria o desenvolvimento militar, que requer combustível altamente enriquecido.
"O urânio pouco radioativo é um bom ponto de partida para quem quer fazer uso militar. É como um bolo meio cru que basta colocar alguns minutos no micro-ondas antes de levar à mesa", explica Bruno Pellaud.
Prudência e ceticismo
Os Estados Unidos "continuam com graves inquietudes" acerca do nuclear iraniano, segundo comunicado da Casa Branca que, no entanto, não rejeitou categoricamente o acordo. A Rússia reagiu com prudência e Londres diz esperar os detalhes do texto, mas que está fora de questão renunciar à ideia de novas sanções contra o Irã. "O Irã tem a obrigação de demonstrar à comunidade internacional suas intenções pacíficas", declarou Alistair Burt, secretário britânico das Relações Exteriores, através de um comunicado.
O presidente russo Dmitri Medvedev disse que as questões colocadas pela comunidade internacional continuam sem resposta, mas sugeriu uma “pausa” nas consultas sobre sanções, a fim de analisar em detalhe a nova situação criada pelo acordo.
Bruxelas e Berlim também insistem na necessidade de examinar as modalidades do acordo, antes de se pronunciarem.
Tim Neville e Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch
Reação Suíça
Primeiro obstáculo O acordo concluído segunda-feira (17) permite superar "um primeiro obstáculo" na resolução da crise, afirmou o Ministério das Relações Exteriores (DFAE).
Novo impulso Ele permite esperar um novo impulso das negociações com a comunidade internacional.
Um passo "A Suíça sempre se engajou em favor de uma solução diplomática" nessa crise e "exigiu do Irã uma colaboração ativa com a AIEA". O acordo concluído segunda-feira é "um passo nessa direção", indicou o DFAE através de um comunicado.
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