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Por Michaela Cabrera
COMPIEGNE, França (Reuters) - Cem anos depois que as armas da Segunda Guerra Mundial foram silenciadas, líderes de França e Alemanha deram as mãos e descansaram as cabeças uns nos outros, em uma comovente cerimônia para marcar a assinatura do armistício.
O presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, inspecionaram tropas de uma brigada franco-alemã antes de revelar uma placa que faz tributo à reconciliação e amizade renovada entre os países que foram inimigos nas duas Guerras Mundiais.
Mais de três milhões de franceses e alemães estiveram entre os estimados 10 milhões de soldados mortos na Grande Guerra entre 1914 e 1918. Boa parte das batalhas mais duras foram nas trincheiras no norte da França e na Bélgica.
Uma delegação alemã assinou o Armistício antes do nascer do sol de 11 de novembro de 1918, em um trem privado que pertencia ao comandante das forças francesas, Ferdinand Foch, estacionado em uma via férrea que atravessa a floresta de Compiegne. Horas depois, às 11h, a guerra havia terminado.
"A Europa está em paz há 73 anos. Está em paz porque quer estar, porque Alemanha e França querem a paz", disse Macron a muitos jovens, com Merkel ao seu lado, referindo-se à paz que perdura desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
"Então, a mensagem, se quisermos fazer valer o sacrifício desses soldados que disseram 'Nunca mais!', é nunca ceder aos nossos instintos mais fracos, nem aos esforços para nos dividir", acrescentou o presidente francês.
Em uma poderosa demonstração de unidade, Macron e Merkel sentaram-se dentro de um vagão de trem, reconstruído como aquele em que o acordo de paz foi assinado, e olharam um livro de memórias. Após cada um deles assinar o livro, deram as mãos uma segunda vez.
EUROPA MAIS PRÓXIMA
A última vez que delegações de França e Alemanha sentaram-se no mesmo lugar foi quando o nazista alemão Adolf Hitler forçou a rendição de autoridades francesas, após a invasão de 1940.
Desde a Segunda Guerra Mundial, França e Alemanha comandaram uma cooperação europeia mais próxima, e a União Europeia tornou-se o maior bloco de comércio do mundo.
Macron, 40 anos, um ardente defensor de uma Europa mais próxima, recorreu a Merkel para que ela o ajude a forjar uma integração econômica mais profunda com o bloco europeu, assim como mais colaboração em assuntos como defesa e imigração.
Por anos, Merkel, 64 anos, aguardou um líder francês com o apreço pela Europa que tem Macron. Mas a fragilidade da coalizão de governo dela e sua própria liderança enfraquecida, assim como desconfianças sobre a visão de renovação de Macron, significam que ela não se mexeu tão rápido quanto Macron gostaria.
Na última semana, o líder francês visitou locais que um dia ficaram no fronte ocidental, de campos de batalha em Verdun, no leste, ao memorial Thiepval, com vista para o vale do Somme. Lá, ele e a primeira-ministra britânica Theresa May jogaram uma grinalda na sexta-feira.
No meio do caminho, ela alertou para a ameaça crescente à Europa pela ressurgência do nacionalismo. "O nacionalismo cresce ao redor da Europa, o nacionalismo que exige o fechamento das fronteiras, que prega a rejeição ao próximo", disse em entrevista no rádio na terça-feira. "Joga com o medo das pessoas, em todo lugar. A Europa está cada vez mais fraturada".
(Reportagem adicional de Richard Lough em Paris e Joseph Nasr em Berlin)
Reuters