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Filho do ex-presidente panamenho se declara culpado de corrupção nos EUA
Ricardo Alberto Martinelli Linares, filho do ex-presidente panamenho Ricardo Martinelli, se declarou culpado em um tribunal de Nova York por conspiração para lavagem de cerca de 30 milhões de dólares em subornos, nesta terça-feira (14).
Martinelli Linares foi extraditado para os Estados Unidos após ser capturado na Guatemala em 2020 a pedido de Washington.
A declaração de culpado era esperada depois que seu advogado informou no fim de semana que o réu havia assinado um acordo de confissão de culpa.
"Ele se declarou culpado e permanece sob custódia", disse à AFP um porta-voz dos promotores do Distrito Leste de Nova York.
O juiz declarou que Martinelli Linares representa um risco de fuga e ordenou que fosse detido durante uma audiência no último sábado.
O caso dos Estados Unidos contra Ricardo Alberto Martinelli Linares e seu irmão Luis Enrique está ligado a uma investigação mais ampla sobre a gigante da construção brasileira Odebrecht.
Os irmãos admitiram ter criado "contas bancárias secretas em nome de empresas fantasmas no exterior e nos Estados Unidos", explicou o promotor Breon Peace em comunicado divulgado nesta terça-feira.
O objetivo, segundo Peace, era "ocultar cerca de US$ 30 milhões em pagamentos de suborno da Odebrecht a um de seus parentes próximos, um funcionário público do alto escalão do Panamá".
"Ricardo e Luis Martinelli Linares desempenharam papéis essenciais no esquema de corrupção para canalizar os subornos da Odebrecth", acrescentou o procurador-geral adjunto, Kenneth Polite.
Luis Enrique foi extraditado para os Estados Unidos no mês passado e se confessou culpado em um tribunal do Distrito Leste de Nova York de conspirar com seu irmão para lavar mais de US$ 28 milhões em propinas pagas pela Odebrecht "em benefício de um parente próximo, um funcionário público do alto escalão no Panamá", entre 2009 e 2014.
Os promotores federais usaram discurso semelhante ao detalhar o caso de Ricardo Alberto.
As investigações sobre a Odebrecht atingiram muitas lideranças e partidos políticos na América Latina. Ex-diretores da empresa brasileira admitiram na Justiça ter distribuído ilegalmente milhões de dólares em propina em troca de contratos públicos.
O próprio ex-presidente Martinelli é investigado por envolvimento no escândalo da Odebrecht. Apesar disso, ele anunciou sua intenção de buscar a reeleição em 2024.
Em 2016, a Odebrecht e a subsidiária petroquímica Braskem concordaram em pagar US$ 3,5 bilhões em multas após se declararem culpados no tribunal do Distrito Leste de Nova York.