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BAGDÁ (Reuters) - Ministros curdos disseram estar boicotando reuniões do gabinete interino do Iraque, ao passo que autoridades em Bagdá suspenderam cargas aéreas destinadas a duas cidades curdas, em um crescente embate entre o governo central governado por xiitas e líderes curdos.
A ausência das reuniões foi um protesto às afirmações “provocativas" do primeiro-ministro Nuri al-Maliki de que a capital da província curda, Arbil, era um porto-seguro para o grupo Estado Islâmico e outros militantes, disseram ministros em um comunicado nesta quinta-feira.
No entanto, essas autoridades continuarão com seus ministérios e “não sairão do governo”, disse uma autoridade curda na condição de anonimato, à Reuters.
Os ministros não mencionaram um prazo para seu boicote ou os termos de seu retorno às meses de reunião, mas eles pediram um governo nacional inclusivo. O gabinete do Iraque realiza reuniões agendadas todas as terças-feiras e reuniões extraordinárias podem ser convocadas em outros momentos.
Horas depois, o chefe da autoridade de aviação civil do Iraque, Nasser Bandar, disse à Reuters que os voos de cargas para Arbil e para a segunda maior cidade curda do Iraque, Sulaimaniya, haviam sido suspensos até segunda ordem. Os voos de passageiros não foram afetados, segundo ele.
Com uma insurgência islâmica assolando províncias sunitas do país, os Estados Unidos e outros países pediram a políticos em Bagdá que estabeleçam um governo mais inclusivo após a eleição parlamentar em abril.
Mas a nova legislatura fracassou em chegar a um acordo sobre a liderança para o país, deixando Maliki no poder como interino, ao passo que líderes xiitas e curdos trocavam acusações sobre a insurgência.
As relações se deterioraram na quarta-feira, quando Maliki acusou os curdos de permitir que Arbil seja utilizada como centro para o Estado Islâmico e outros grupos militantes, incluindo para antigos membros do agora proibido Partido Baath, de Saddam Hussein.
“Nunca ficaremos em silêncio sobre Arbil se tornar uma base de operações do Estado Islâmico e baathistas, e da al Qaeda e de terroristas”, disse Maliki.
Sunitas e curdos exigem que Maliki deixe o cargo, mas ele não mostra sinais de que concordará em fazer isso. Os curdos estão agora mais próximos do que nunca de abandonar o Iraque de uma vez por todas. Massoud Barzani, líder da região autônoma curda, pediu na semana passada que seu Parlamento preparasse um referendo sobre a independência.
As relações de Maliki com Barzani se deterioram rapidamente desde o mês passado, quando o Estado Islâmico e grupos armados sunitas aliados tomaram territórios no norte e no oeste do Iraque.
Reuters