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Três mulheres indígenas em Chinautla, no dia 21 de junho de 2017(afp_tickers)
Organizações sociais da Guatemala alertaram nesta quinta-feira (9) sobre vários casos de conflitos e violações aos direitos humanos na região indígena maya-ixil, no norte do país, uma área que sofreu um genocídio durante a guerra civil (1960-1996).
Os ativistas advertiram em um informe sobre o crescente número de agressões a defensores de direitos humanos que se opõem a megaprojetos e sobre denúncias de violência doméstica contra mulheres em vários municípios que integram a região ixil, no departamento de Quiché.
A área já foi cenário de uma chacina indígena nos anos 1980.
Juana Baca', integrante da Rede de Mulheres Ixiles, disse a jornalistas que o relatório, realizado entre agosto de 2015 e julho de 2016, destacou que existem "tensões" pela remilitarização na área diante da resistência à construção de hidrelétricas sem levar em conta a opinião da população local.
Ela também afirmou que há pressão de grupos paramilitares e denunciou o assassinato, em setembro de 2015, do guia espiritual Sebastián Córdova, forte opositor a projetos de mineração e testemunha no processo por genocídio contra o general Efraín Ríos Montt, líder do governo de fato entre 1982 e 1983.
Apontou ainda deficiências nos sistemas de saúde, água potável e drenagens, entre outros serviços básicos da região.
A Rede de Mulheres e o Centro Para a Ação Legal nos Direitos Humanos (CALDH), que também fez parte do estudo, reivindicam às autoridades que seja aberta uma investigação sobre as violações aos direitos humanos para "poder viver melhor e ter mais tranquilidade" na região.
Ríos Montt enfrenta um julgamento especial pelas chacinas ocorridas na área, segundo um relatório apresentado em 1999 pela Comissão de Esclarecimento Histórico, sob os auspícios da ONU.
O militar aposentado, de 91 anos, foi diagnosticado com demência, motivo pelo qual seu processo transita em sigilo. Se for considerado culpado pelo assassinato de 1.771 indígenas, ele não irá para a prisão, mas poderá ficar em prisão domiciliar ou em um hospital.
Ríos Montt foi condenado em 2013 a 80 anos de prisão por genocídio, mas a corte constitucional anulou a sentença por erros no processo e ordenou repetir o julgamento.
AFP