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Artistas, governo e o fabricante suíço de relógios Swatch se unem para reabrir o antigo "Cabaret Voltaire" em Zurique, o berço do Dadaísmo.
O controvertido movimento literário e artístico foi criado em 1916 por imigrantes na Suíça e era marcado pelo niilismo e protesto contra a cultura ocidental.
A rua não passa de um beco em Zurique e ninguém diria que nela se escreveu história.
Tudo começa num inverno de 1916, quando um grupo de artistas excêntricos inaugurou no prédio número um da Spiegelgasse o legendário “Cabaret Voltaire”. Seus poucos meses de funcionamento deram origem ao “Dadaísmo”, um dos movimentos culturais mais controversos do século XX.
Depois de ter ficado esquecida por décadas, a casa estava sendo reconstruída para abrigar lojas de luxo e uma galeria de arte. Em 2002, artistas locais ocuparam o prédio para protestar contra o abandono e esquecimento do Cabaret Voltaire e lutar pela sua reabertura como centro cultural. A polícia foi acionada e expulsou pacificamente os ocupantes, porém o protesto já havia sido lançado na imprensa.
Apoio estatal
Pressionada, a prefeitura de Zurique resolveu encapar o projeto apesar dos protestos de políticos de direita, que não viam com bons olhos o apoio oficial a uma história ligada a “anarquistas estrangeiros”.
Depois que o fabricante de relógios Swatch uniu-se à idéia, US$ um milhão e US$ 1,5 milhões respectivamente foram doados para assegurar a reforma da casa e pagar por cinco anos o aluguel de um futuro centro cultural.
Em 29 de setembro de 2004, o Cabaret Voltaire foi reaberto e rebatizado de “Dadahaus”.
No projeto de reforma, os arquitetos deixaram a maior parte das paredes nuas, só cobrindo a área voltada para o bar e a biblioteca, que expõe livros voltados para o Dadaísmo. “Sei que os visitantes têm a impressão que a casa ainda está em construção, porém a idéia principal é lembrar um pouco do anarquismo do movimento e possibilitar também que artistas façam o que quiser com as paredes livres”, explica a arquiteta italiana Nathalie Rossetti, responsável pelo projeto.
Oito mil dólares para bebê
Em relação ao programa cultural, ao contrário das festas no passado, a casa não dispõe mais de palco ou instrumentos musicais. “Nosso objetivo é funcionar como um centro de documentação e experimentação”, explica Philipp Méier, diretor do centro.
No programa estão incluídas duas exposições anuais de arte, assim como palestras e performances temáticas a cada dois meses. A primeira série chama-se “Asylisation” e está voltada para a questão da imigração e sua influência cultural na Suíça.
Um dos projetos mais curiosos ocorrem em fevereiro de 2005, quando o Cabaret Voltaire comemora oitenta e oito anos de idade. Nesse mês, a dupla artística suíça “Com&Com” promete pagar oito mil dólares a um casal, cujo filho nasça nesse mês e que esteja disposto a batizá-lo com o nome “Dada”.
Dadaísmo
Dadaísmo, movimento que abrange todos os gêneros artísticos e expressa uma proposta niilista contra a cultura ocidental, especialmente contra o militarismo desencadeado pela I Guerra Mundial. Criado, em 1916, por Tristan Tzara, o escritor alemão Hugo Ball, o artista alsaciano Jean Arp e outros intelectuais residentes em Zurique (Suíça), o movimento Dadá foi influenciado pela revolução contra a arte convencional liderada por Man Ray, Marcel Duchamp e Francis Picabia. Mais tarde, o dadaísmo inspiraria os surrealistas franceses.
Os dadaístas utilizaram técnicas revolucionárias. Suas idéias, derivadas da tradição romântica, baseavam-se no apelo ao subconsciente e na crença da bondade intrínseca do homem quando não corrompido pela sociedade. Eles se opunham à concepção de arte ou de poesia criando colagens a partir de sucata velha. Também escreviam poemas satíricos usando palavras aleatórias. Alguns dos artifícios criativos mais comuns dos dadaístas eram o acaso e a eventualidade.
swissinfo, Alexander Thoele