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Colunas de fumaça em um suposto vilarejo perto de Maungdaw, no estado Rakhine de Mianmar(afp_tickers)
O exército birmanês está arrasando as aldeias da minoria muçulmana dos rohingyas no estado de Rakhine, denunciou nesta quinta-feira a organização Anistia Internacional, em um relatório que se baseia em novas imagens de satélites da região.
Nas últimas três semanas, quase 400.000 pessoas fugiram da região, e, segundo a ONU, trata-se de uma "limpeza étnica sistemática".
Ao menos 26 aldeias foram queimadas totalmente, segundo da ONG de defesa dos Direitos Humanos.
Os sensores de fogo a bordo dos satélites detectaram 80 focos de incêndio no norte de Rakhine desde 25 de agosto. Segundo o exército, são uma consequência dos combates com os rohingyas que pegaram em armas.
"O estado de Rakhine está em chamas" assegurou Olof Blomqvist, um pesquisador da AI.
O grupo cita testemunhas rohingyas que descreveram como oficiais das forças birmanesas e civis usaram gasolina e lança-chamas para incendiar as casas das pessoas que fugiram e que, além disso, foram alvo de tiros.
"É muito difícil pensar que não se trata de um esforço deliberado do exército birmanês para tirar os rohingyas de seu país por todos os meios", acrescentou Blomqvist.
O governo birmanês assegura que são guerrilheiros estrangeiros que atearam fogo às casas para jogar a culpa em Yangun.
Os rebeldes muçulmanos rohingyas, cujos ataques contra a Polícia no fim de agosto provocaram uma violenta campanha de repressão do exército, negaram qualquer ajuda procedente de organizações terroristas internacionais.
"Não temos nenhum vínculo com Al-Qaeda, Estado Islâmico ou qualquer outro grupo terrorista internacional. E não queremos que estes grupos se envolvam no conflito em Arakan (antigo nome do estado de Rakhine)", escreveu nesta quinta-feira o Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA) em um comunicado divulgado no Twitter.
De acordo com o SITE, grupo que monitora os sites jihadistas, a Al-Qaeda pediu esta semana aos muçulmanos que "apoiem os rohingyas financeira e militarmente".
Uma ajuda claramente rejeitada pela rebelião rohingya que "pede aos Estados da região que interceptem e impeçam a entrada no estado de Rakhine de terroristas que só poderiam piorar a situação".
No domingo, o ARSA, mais conhecido pelo nome Harakah al Yaqin ("Movimento da Fé" em árabe), anunciou uma trégua de um mês em suas ofensivas militares para permitir a distribuição de ajuda humanitária.
Quase 380.000 rohingyas buscaram refúgio em Bangladesh desde o fim de agosto, segundo os números mais recentes da ONU. Outros milhares estariam a caminho.
Na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU pediu a Mianmar medidas "imediatas" para acabar com a "violência excessiva" no oeste do país.
A dirigente de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, prometeu quebrar os silêncio sobre a crise do rohingyas na próxima semana com um discurso à nação.
A ex-dissidente e prêmio Nobel da Paz está sendo duramente criticada pela comunidade internacional por sua posição ambígua sobre a situação desta minoria muçulmana.
Pressionada para falar a nível internacional, mas tentando manter um frágil equilíbrio em suas relações com o poderoso exército birmanês, Suu Kyi pronunciará finalmente em 19 de setembro um discurso na TV sobre a situação em Rakhine.
Aung San Suu Kyi "falará de reconciliação nacional e de paz", anunciou na quarta-feira seu porta-voz Zaw Htay.
Em sua única declaração oficial a respeito da crise, durante uma conversa telefônica na semana passada com o presidente turco, Suu Kyi denunciou a "desinformação" sobre os rohingyas e defendeu a ação do exército.
AFP