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Fumaça é vista no céu de Rafah, no suld a faixa de Gaza, em 9 de julho de 2014(afp_tickers)
Israel e o Hamas palestino mergulharam ainda mais na espiral de violência, com a intensificação dos ataques aéreos contra a Faixa de Gaza, que deixaram 30 mortos nesta quarta-feira, e disparos de foguetes em direção a grandes cidades e a uma usina nuclear.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou "intensificar os ataques contra o Hamas e outras organizações terroristas em Gaza", depois que a aviação de seu país bombardeou 550 alvos como parte da operação "Barreira de Proteção", iniciada à meia-noite de segunda-feira, e que já matou 53 palestinos, incluindo muitos civis.
No entanto, esta ofensiva ainda não conseguiu impedir os disparos de foguetes a partir de Gaza. Os combatentes palestinos do Hamas mostraram sua força ao atingirem as regiões de Jerusalém, Tel Aviv, Haifa, a uma distância recorde de mais de 160 km do enclave palestino, assim como a região de Dimona (sul), onde Israel tem um reator nuclear.
Não foram registradas vítimas israelenses.
Os tanques de Israel estavam mobilizados na fronteira entre o sul de Israel e Gaza, enquanto Netanyahu estava sob forte pressão de seus ministros mais conservadores para iniciar uma ofensiva terrestre contra o território controlado pelo Hamas desde 2007 e de onde o Exército israelense se retirou em 2005.
O novo ciclo de violência, o mais grave desde novembro de 2012, tem sua origem no sequestro de três estudantes israelenses na Cisjordânia, no dia 12 de junho. Os corpos dos jovens foram encontrados dias depois.
O governo israelense acusou o Hamas e lançou uma campanha de detenções de integrantes do movimento. Extremistas judeus ainda assassinaram um jovem palestino, queimado vivo.
No âmbito diplomático, os Estados Unidos, a União Europeia, vários países árabes e o Irã pediram o fim imediato da violência em uma região já conturbada.
O Egito se somou aos apelos, mas minimizou as chances de mediar uma trégua, como já havia feito em crises anteriores entre Israel e o Hamas.
Já a chanceler alemã, Angela Merkel, condenou "sem reservas" os disparos de foguetes contra Israel durante uma conversa por telefone com o premiê israelense. O presidente francês, François Hollande, também condenou "firmemente" os disparos, manifestando "a solidariedade da França" a Israel.
O chefe da diplomacia americana, John Kerry, também conversou com Netanyahu e pretende se reunir com o presidente palestino, Mahmud Abbas, nas próximas 24 horas.
Possível ofensiva terrestre
Na ONU, o grupo árabe pediu uma reunião urgente do Conselho de Segurança, fazendo um apelo para que a instituição "impeça a agressão israelense".
Mas o porta-voz do Exército israelense, general Moti Almoz, advertiu que "a operação vai se estender pelos próximos dias", enquanto o presidente israelense, Shimon Peres, falou da possibilidade de uma operação terrestre "em breve".
Prevendo uma ação como essa, "ordens para a mobilização de 40.000 reservistas foram dadas", explicou o ministro do Meio Ambiente, Gilad Erdan.
Do lado oposto, o presidente palestino, Mahmud Abbas, acusou nesta quarta Israel de estar cometendo um genocídio em Gaza com esta operação militar.
"É um genocídio; matar famílias inteiras é um genocídio cometido por Israel contra nosso povo", afirmou Abbas em uma reunião de crise com a direção palestina na cidade de Ramallah, Cisjordânia.
No total, o Exército diz ter atingido "550 instalações do Hamas", incluindo 31 túneis e 60 lança-foguetes.
Mas muitas residências também foram destruídas. O ataque mais violento ocorreu pouco depois da meia-noite em Beit Hanun, no norte de Gaza. Um míssil lançado em direção a uma casa causou a morte de um líder do movimento radical palestino Jihad Islâmica e de cinco de seus familiares, entre eles duas mulheres e duas crianças.
"É um verdadeiro massacre dos F-16 contra crianças e civis. O mundo inteiro está assistindo a isto impassível", disse indignado Yasser Abu Awda, que mora na área atingida.
Também em Beit Hanun, uma mulher de 40 anos e seu filho de 14 morreram. A leste da Cidade de Gaza foram registradas as mortes de dois irmãos de 12 e 13 anos, de um bebê de um ano e meio e de sua mãe.
Ataque palestino abortado
Dois combatentes palestinos de Gaza foram mortos à noite pelo Exército quando tentavam se infiltrar pelo mar no sul de Israel, no dia seguinte a uma ação parecida, que terminou com a morte de quatro militantes islamitas, de acordo com a imprensa israelense.
As organizações paramilitares de Gaza - principalmente os braços armados do Hamas e da Jihad Islâmica - dispararam mais de 50 foguetes contra Israel nesta quarta.
Dois atingiram pela primeira vez o porto de Haifa, a mais de 160 km de Gaza, o alvo mais distante já alcançado por um projétil palestino.
Dois outros foguetes lançados contra Tel Aviv, coração econômico de Israel, foram interceptados pelo sistema de defesa antimísseis "Iron Dome", segundo as Forças Armadas israelenses.
As sirenes provocaram um momento de pânico entre os habitantes e alguns se protegeram atrás de carros ou nos pontos de ônibus.
"Está vazio, muito vazio. Na semana passada, Tel Aviv estava cheia de turistas, lotada, mas agora eles estão com medo de vir", disse a garçonete Danielle.
Pouco depois, dois foguetes disparados de Gaza caíram perto da cidade de Dimona, no deserto do Neguev, que abriga um dos dois reatores nucleares de Israel.
Desde 2012, o Hamas "vinha sendo fortemente reequipado pelo Irã, e recebia armas vindas da Síria", de acordo com o coronel Richard Kemp, especialista do instituto londrino RUSI.
AFP