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A ONU, a União Europeia e a Igreja Católica pediram que os bolivianos votem em paz no domingo nas eleições presidenciais para evitar a repetição dos atos de violência que deixaram o país em luto, após as eleições anuladas de 2019.
O esquerdista Luis Arce, afilhado político de Evo Morales, e o ex-presidente de centro Carlos Mesa são os candidatos com mais chances de vencer as eleições, depois de uma campanha marcada pela polarização entre seguidores e críticos do ex-presidente aimara, agora refugiado na Argentina.
"Saúdo a determinação do povo boliviano em participar das eleições. Todos deveriam poder exercer o direito ao voto em paz, sem intimidações, nem violência", manifestou-se a alta funcionária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, em um comunicado.
"Ninguém quer que se repitam os acontecimentos do ano passado", indicou Bachelet, que expressou sua "profunda preocupação pela linguagem incendiária e as ameaças proferidas por alguns atores políticos nas últimas semanas, assim como pelo crescente número de agressões físicas registradas" na campanha.
Além disso, a ONU fez outro apelo junto aos bispos católicos bolivianos e à União Europeia, que enviou uma missão de observação eleitoral ao país, que pede aos líderes políticos locais para "evitar a violência durante e depois do processo eleitoral".
Também há missões de observação da Organização de Estados Americanos, do Centro Carter e da União Interamericana de Organismos Eleitorais.
Sete milhões de bolivianos estão habilitados a votar em uma eleição marcada por uma sensação de insegurança da população como em nenhum outro pleito nas últimas décadas.
Os nervos estão à flor da pele, o que gerou escassez artificial de gasolina nas cidades, com longas filas de veículos nos postos, observaram jornalistas da AFP.
Há uma demanda incomum por botijões de gás para uso domiciliar e uma afluência crescente de pessoas em mercados e supermercados para se abastecer.
A tensão chega a tal ponto que um acidente que deixou um morto nesta sexta-feira, com a queda de uma passarela de pedestres sobre um veículo em El Alto, cidade vizinha a La Paz, foi atribuído por alguns usuários de redes sociais ao Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales e Arce.
Também existe o temor entre alguns bolivianos com as advertências feitas por líderes do MAS há semanas com relação a que defenderiam a democracia nas ruas se seu candidato perdesse em uma suposta "fraude" eleitoral.