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Homem com bandeira pró-independência da Catalunha durante protesto contra a prisão de dois líderes catalães, em Barcelona, em 17 de outubro e 2017(afp_tickers)
Duzentas mil pessoas protestaram nesta terça-feira (17) em Barcelona contra a prisão de dois líderes separatistas, segundo cifras fornecidas pela Polícia municipal.
Aos gritos de "independência", a multidão marchou pelo centro da cidade, pedindo a libertação de Jordi Cuixart e Jordi Sánchez, das organizações Òmnium Cultural e Assembleia Nacional Catalã, e presos sob acusação de sedição.
De repente a multidão fez um silêncio tão profundo que se chegou a ouvir o barulho de um telefone celular.
À frente dos manifestantes, que seguravam velas ou cartazes pedindo a libertação dos "prisioneiros políticos", alguém leu um manifesto, assegurando que "o Estado espanhol ultrapassou uma linha vermelha" e "cometeu um grave erro" ao ordenar estas prisões.
O encarceramento de Cuixart e Sánchez foi o mais recente capítulo da crise que confronta líderes separatistas e as instituições espanholas. Os primeiros ameaçam declarar a independência desta rica região de 7,5 milhões de habitantes do nordeste da Espanha.
Embora a sociedade catalã esteja dividida quase em partes iguais sobre a independência, os separatistas acreditam que sua causa foi legitimada pelo referendo ilegal realizado em 1º de outubro, que dizem ter vencido com 90% dos votos e 43% de participação.
"Os corruptos seguem nas ruas e as pessoas que organizam manifestações civilizadas, pacíficas, são postas na prisão", declarou, em catalão, Maria Miracle, uma manifestante de 77 anos que se negava a falar espanhol.
"O que estão fazendo é nos assustar, eles querem que tenhamos medo para que deixemos de pensar na independência, mas conseguem todo o contrário, somos cada vez mais pessoas, e no fim acho que conseguiremos", disse Elias Houraiz, um confeiteiro de 22 anos.
Milhares de catalães também participaram nesta terça-feira de diversas manifestações pacíficas, convocadas em outras cidades da região.
A Òmnium Cultural foi criada em 1961 para defender a língua catalã, cujo uso oficial havia sido proibido pela ditadura de Francisco Franco (1939-1975).
A Assembleia Nacional Catalã foi constituída, por sua vez, em 2011, e conseguiu colocar sob o signo do separatismo a tradicional marcha da Diada, o Dia da Catalunha, em 11 de setembro de 2012.
AFP