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Os separatistas pró-russos do leste da Ucrânia, apoiados por Moscou, organizam eleições neste domingo apesar das advertências de Kiev e dos ocidentais, que as consideram "ilegítimas" e contrárias ao processo de paz.
Essas eleições têm como objetivo eleger os "presidentes" e deputados das duas "repúblicas populares" autoproclamadas pelos rebeldes em Donetsk e Lugansk, que escapam ao controle do governo de Kiev.
Entretanto, o processo de paz está em ponto morto e frequentemente enfrentamentos entre forças governamentais e separatistas agravam o balanço deste conflito, que desde que teve início em 2014 custou a vida de pelo menos 10.000 pessoas.
O anúncio destas eleições provocou grandes protestos em Kiev e entre os ocidentais, que veem uma mão onipresente de Moscou nas zonas rebeldes do leste da Ucrânia.
Através de sua embaixada em Ucrânia, os Estados Unidos acusaram a Rússia de "reviver o conflito ao organizar 'eleições' fictícias" e pediram para elas serem boicotadas.
A União Europeia denunciou "supostas eleições" que vão "contra o espírito e a letra dos acordos (de paz) de Minsk", assinador em fevereiro de 2015.
Oito países europeus - Alemanha, Bélgica, França, Grã-Bretanha, Itália, Holanda, Polônia e Suécia - pediram para a Rússia que "recorra a sua influência" para impedir a celebração dessas eleições "ilegítimas".
- Contra o vácuo do poder -
Moscou garante que essas eleições "não têm nenhuma relação" com os acordos de Minsk: "As pessoas simplesmente precisam viver (...) e garantir a ordem em sua região", garantiu em 1 de novembro a porta-voz do Ministério russo de Relações Exteriores, Maria Zajarova, que citou a "necessidade de preencher um vazio de poder".
As duas repúblicas autoproclamadas vêm sendo dirigidas há meses por líderes interinos, cuja autoridade poderia ser reafirmada pelos votos.
Em Donetsk, Denis Puchilin, um ex-negociador político de 37 anos com Kiev, foi indicado para suceder Alexandre Zajarshenko, um ex-combatente que morreu em agosto devido a uma explosão.
Em Lugansk, Leonid Pasetshnik, de 48 anos, ex-chefe regional dos serviços de segurança ucranianos, substituiu Igor Plotnitski, destituído em novembro de 2017.
"Moscou decidiu que a legitimação dos novos líderes é mais importante que a crítica internacional", disse à AFP o analista Alexéi Makarkin, diretor do Centro de Tecnologias Políticas de Moscou.
- Controle político -
O conflito no leste da Ucrânia estourou em abril de 2014, dois meses após a chegada ao poder em Kiev de um governo pró-ocidental após a rebelião de Maidan, e um mês após a anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia.
Ucrânia e ocidentais acusam Moscou de apoiar militarmente os separatistas, o que a Rússia nega, apesar da prisão de soldados russos na região e da presença militar russa registrada pela mídia ocidental.
Os acordos de Minsk permitiram reduzir os confrontos entre as partes, embora a solução política esteja em ponto morto.