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Em poucas semanas, Mira Kwon estabeleceu uma rede de distribuição de alimentos em Los Angeles para os mais vulneráveis à pandemia, composta por estudantes do ensino médio como ela.
"Essa experiência tem sido ótima", disse à AFP a jovem de 16 anos durante uma visita a um mercado. "De muitas maneiras, isso tem me ensinado muito".
A iniciativa faz parte de um serviço nacional chamado "Zoomers to Boomers", que pode ser traduzido como "Jovens pelos Idosos" e que nasceu na Califórnia, após as ordens de confinamento pelo vírus.
O serviço funciona hoje em 26 cidades do país, com mais de 300 voluntários "Zoomers".
Kwon agora lidera uma equipe de 40 estudantes, que foram forçados a continuar seus estudos de forma virtual por causa da crise.
A ideia por trás do serviço é simples: os "Baby Boomers", como são chamados nos Estados Unidos os nascidos no período pós-Segunda Guerra Mundial, fazem a lista do mercado em um site e os jovens da Geração Z se encarregam de fazer as compras por eles para evitar que se exponham.
O mesmo se aplica a pessoas com sistemas de saúde comprometidos.
Mais de 3.000 "Boomers" foram beneficiados, de acordo com seu site.
"Foi intimidador no começo, porque exigia que eu ligasse para vários comércios para ver se queriam trabalhar conosco", lembrou Kwon, que lidera a iniciativa no bairro de Koreatown.
"Foi assustador, porque eu nunca tinha feito algo assim e estava preocupada que seria rejeitada".
E aconteceu, embora logo depois ela tenha encontrado empresas que concordaram em participar do projeto.
"Aprendi a me comunicar e me explicar claramente", disse ela sobre uma das muitas experiências do "mundo real" que teve nesta fase.
"Ser capaz de colaborar é muito importante para mim, pois eles me levam a sério, apesar de ainda ser apenas uma estudante do ensino médio".
Betsy Bass, também voluntária, concorda que essa experiência abriu seus olhos.
Ela explicou que um dos principais desafios era atingir os idosos que podem não ter acesso a um computador ou redes sociais e que não conhecem essa ajuda.
"Falamos com conselhos de bairro, grupos religiosos, sinagogas, casas de repouso, jornais, e é assim que divulgamos a comunidade", disse Bass.
Quando a pandemia terminar, alguns desses adolescentes disseram que ainda gostariam de continuar o projeto.
"Mesmo não estando no meio de uma pandemia global, ainda existem famílias que não podem se dar ao luxo de ter um prato de comida na mesa três vezes por dia", ressaltou Bass.
"Então, acho que pode ser algo que manteremos no futuro e até deixaremos para nossos irmãos quando nos formarmos".