Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02425.jsonl.gz/25

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
O ministro espanhol das Relações Exteriores José Manuel García-Margallo participa de coletiva de imprensa, em Luxemburgo, no dia 20 de abril de 2015(afp_tickers)
Madri chamou para consultas nesta quarta-feira seu embaixador em Caracas, em um novo atrito entre os dois países após declarações do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de que o governo espanhol apoia uma "conjuntura" internacional para derrubá-lo.
"Os qualificativos que utilizam as autoridades (de Caracas), jamais o povo venezuelano, são absolutamente intoleráveis", disse o ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel García-Margallo, à imprensa.
"Tendo em conta o que ocorreu e o grau de irritação verbal visto no presidente Maduro, decidi convocar para consultas a nosso embaixador em Caracas", Antonio Pérez Hernández, revelou o chanceler espanhol.
Na véspera, o presidente venezuelano acusou o chefe de governo espanhol, Mariano Rajoy, de estar "por trás de uma conjuntura internacional para derrubar o governo constitucional" da Venezuela.
Maduro afirmou que Rajoy colabora com o "terrorismo" na Venezuela e que a partir da Espanha "se financia e se apoia, logística e diplomaticamente, uma conspiração".
O presidente venezuelano disse que Rajoy pertence a "um grupo de corruptos, de bandidos e de ladrões" e que "praticamente todos os seus companheiros de governo" estão processados ou presos por corrupção.
"São especialmente intoleráveis as afirmações sobre um suposto apoio a atividades terroristas, que resultam particularmente ofensivas para um país como a Espanha, que sofreu durante muitos anos com o terrorismo", afirmou a chancelaria espanhola em seu comunicado.
- Espanha como distração -
As declarações de Maduro, unidas à proposta do Parlamento venezuelano de declarar "persona non grata" o ex-chefe de governo espanhol Felipe González, que aceitou defender os opositores venezuelanos presos, parece ter esgotado a paciência de Madri.
O ministro Margallo disse que os ataques verbais são uma cortina de fumaça diante do aumento das "dificuldades econômicas, sociais e políticas que atingem o povo da Venezuela".
"Obviamente, esta disputa com a Espanha (...) é uma forma de distrair a opinião pública sobre temas mais prementes na Venezuela", declarou à AFP Juan Carlos Triviño, pesquisador da universidade Pompeu Fabra de Barcelona.
No dia 15, o governo espanhol convocou o embaixador venezuelano na Espanha para expressar o mal-estar com declarações de Maduro, que acusou Rajoy de "racista" um dia depois do Congresso espanhol aprovar uma resolução que pedia a "libertação imediata" dos líderes opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, assim como de outros políticos detidos no país.
López, acusado pelo governo de estimular a violência nos protestos do início de 2014 contra o governo de Maduro que deixaram 43 mortos, está na prisão militar de Ramo Verde, a 30 km de Caracas, desde fevereiro de 2014.
Na mesma unidade se encontra o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, detido em 19 de fevereiro e acusado de supostos crimes de conspiração.
Maduro enfrenta uma grave crise econômica, com inflação anual de 68%, escassez crônica de alimentos e produtos básicos e pobreza que atinge 32% dos venezuelanos.
AFP