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Os cubanos compraram apenas 50 carros em agências estatais desde janeiro, quando o mercado automobilístico foi aberto depois de 50 anos, mas com preços astronômicos, informou nesta segunda-feira um meio de comunicação local.
"Desde que as restrições e autorizações administrativas foram eliminadas para a aquisição de automóveis nas lojas da Corporação Cimex, foram vendidos 50 carros e quatro motos", disse a Radio Rebelde em seu site (www.radiorebelde.cu).
A Cimex, que tem 11 concessionárias de carros usados na ilha, ganhou 1,283 milhão de dólares pelos 50 carros e quatro motos, informou a Radio Rebelde. O valor corresponde à média de 23.759,00 dólares por veículo, o que pode ser considerado um luxo em um país onde o salário médio é de apenas 20 dólares por mês.
Como parte das reformas do presidente Raúl Castro, Cuba liberou a venda de veículos em 3 de janeiro, mas para a surpresa e mal-estar da população os preços fixados foram astronômicos.
O SUV Peugeot 4008 novo é vendido por 239.250,00 dólares na concessionária estatal SASA de Havana, enquanto a fabricante francesa cobra a partir de 34.150,00 euros (cerca de 46.000 dólares) em catálogos na Europa, verificaram jornalistas da AFP.
Os automóveis usados também foram postos à venda a preços exorbitantes na Cimex: um Hyundai Sonata de 2010, a 60.000 dólares, e um Volkswagen Passat de 2010, a 67.500 dólares, várias vezes acima do preço observado em outros países latino-americanos.
A liberalização acabou com uma proibição de meio século, a fim de aumentar e renovar o parque automotor da ilha, dominado pelos modelos norte-americanos dos anos 50 e pelos antigos Lada da era soviética. Em Cuba não há indústria automotiva.
A venda começou no dia 3 de janeiro, primeiro dia útil de 2014, em uma medida que acabou com as "cartas de autorização" para adquirir automóveis, que o Ministério do Transporte entregava a alguns cubanos, sobretudo músicos, médicos e outros profissionais que cumprem missões no exterior.
Em 2011, foi liberada na ilha a compra e venda de automóveis entre particulares cubanos. Até então, em Cuba só era possível o comércio dos "almendrones", os carros antigos, muitos dos quais funcionam agora como um táxis coletivos em Havana.
O parque automobilístico cubano é pequeno em comparação com o restante da América Latina, o que permite que Havana seja uma capital onde praticamente não existem engarrafamentos.
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