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A Justiça americana anunciou nesta quarta-feira (15) que acusará pela primeira vez um integrante da gangue espanhola Mara Salvatrucha, conhecida também por MS-13, de terrorismo.
Em evento na Casa Branca para destacar os feitos do presidente Donald Trump no combate contra o grupo, o secretário da Justiça, William Barr, informou sobre as acusações contra o líder da gangue, Armando Eliu Melgar Díaz, que encontra-se detido em El Salvador.
Díaz foi acusado por um tribunal federal da Virgínia de liderar atividades do MS-13 na costa leste dos Estados Unidos, ordenar e permitir inúmeros assassinatos, supervisionar várias empresas do narcotráfico e por recolher dinheiro de cerca de 20 "clicas" (unidades) locais do grupo.
O Departamento de Justiça americano acusa Díaz de conspiração para fornecer apoio material a terroristas e conspiração para cometer atos de terrorismo entre as fronteiras, além de financiar o narcoterrorismo e outros crimes.
O órgão americano não explicou porque usou o crime de terrorismo pela primeira vez contra o grupo, mas lembrou que o MS-13 foi classificado como uma organização terrorista.
"O MS-13 é uma organização criminosa transnacional violenta cujas atividades criminosas não respeitam fronteiras", explicou John Durham, funcionário do Departamento de Justiça responsável pela equipe especial que investiga a gangue.
"A única maneira de derrotar o MS-13 é atingir a organização como um todo, concentrar na estrutura de liderança e implementar uma abordagem integral do governo contra um inimigo comum", ressaltou Durham em comunicado.
De acordo com a acusação, Díaz viveu ilegalmente nos Estados Unidos, principalmente no estado da Virgínia, entre 2003 e 2016, quando foi deportado.
Depois, em El Salvador se tornou o principal líder do MS-13 na costa leste, segundo a Justiça.
O acusado encontra-se preso em El Salvador, onde enfrenta acusações de tráfico de drogas e conspiração para cometer assassinato.
Paralelamente, os promotores federais anunciaram as acusações a 21 membros do MS-13 em Nova York e Nevada, que incluem assassinatos, sequestros, agressões, tráfico de drogas e porte de armas de fogo.
O Departamento de Justiça também informou que solicitará a pena de morte para Alexi Saenz, outro membro do MS-13 já acusado de sete assassinatos violentos, incluindo os de duas adolescentes mortas por facões e golpes de tacos de beisebol em Long Island, em 2016.
Em 2017, o presidente Donald Trump "solicitou ao Departamento de Justiça para que entrasse em guerra contra o MS-13, e foi o que fizemos", acrescentou Barr no comunicado.
O MS-13 surgiu em Los Angeles na década de 1980, composto principalmente por salvadorenhos, muitos ex-soldados que participaram da guerra civil em seu país. O grupo foi originalmente criado para se defender das gangues rivais.
Quase 100% de suas vítimas são imigrantes da comunidade latina em que vivem.