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Pesquisadores especializados em glaciologia e oceanologia, dentre eles suíços, afirmam que o aquecimento global coloca em risco os oceanos do planeta.Este conteúdo foi publicado em 30. setembro 2005 - 09:15
Elementos vitais como corais e plâncton são muito mais vulneráveis às emissões de gás carbônico do que se imaginava até hoje.
Cientistas do Departamento de Física Climática e Ambiental da Universidade de Berna participaram de um projeto internacional de pesquisas para medir os efeitos do gás carbônico (CO2) na região do Pólo Sul.
Uma boa parte do gás carbônico expelido pela atividade humana é absorvida pelos oceanos. Porém, se a atmosfera, já saturada pelo efeito-estufa, é poupada, por outro lado a poluição representa um grave risco para o eco-sistema marinho.
O aumento da acidez das águas do mar provoca a rarefação dos carbonatos, como explica o professor Gian-Kasper Plattner. Ora, esses carbonatos são utilizados pelos corais e certas formas de plâncton para formar seu exosqueleto.
Plâncton é o conjunto dos organismos que têm pouco poder de locomoção e vivem livremente na coluna de água (pelágicos), sendo muitas vezes arrastados pelas correntes oceânicas. Ele encontra-se na base da cadeia alimentar dos ecossistemas aquáticos, uma vez que serve de alimentação a organismos maiores.
Cadeia alimentar
- O impacto do CO2 no equilíbrio químico dos oceanos ameaça a biodiversidade - ressalta Plattner, que participou das pesquisas internacionais como seu colega de universidade, Fortunat Joos.
- Os recifes de corais e o plâncton são as primeiras vítimas. Porém outros organismos poderão também sofrer as conseqüências da poluição.
A redução da produção de espécies de plâncton, alimento básico de peixes e cetáceos, coloca em risco toda a cadeia alimentar dos oceanos.
Conseqüências graves
Pesquisas semelhantes já foram realizadas em oceanos mais quentes. Eles chegaram à conclusão que os corais e o plâncton não serão atingidos gravemente nos próximos séculos.
Porém as águas mais frias contêm menos carbonatos de cálcio, o que torna esses organismos mais frágeis às variações químicas.
Os resultados dessa nova pesquisa mostram que o aquecimento poderá ter graves conseqüências nos próximos 50 a 100 anos sobre os organismos que vivem nas águas mais frias do planeta.
- Seguramente não podemos afirmar com base em uma pesquisa que a vida nos oceanos será exterminada. Porém alguns resultados mostram, mais do que nunca, a necessidade de reduzir as emissões de gás carbônico - afirma Gian-Kasper Plattner.
- Atualmente essas emissões estão num nível tão elevado, que as medidas que foram tomadas hoje só darão frutos em um século.
swissinfo, Matthew Allen
Fatos
O projeto de pesquisa intitulado "Ocean Carbonate Cycle Inter-Comparison Project" (OCMIP) foi iniciado em 1995.
Os últimos resultados, originários de coletas de dados realizadas entre 1998 e 2002, acabam de ser publicados na revista científica "Nature".
A equipe de pesquisadores é composta por americanos, japoneses, australianos e europeus, dentre os quais alguns suíços.
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