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O Peru pedirá autorização ao Chile para julgar Alberto Fujimori, que se encontra preso, pelo crime de fornecimento ilegal de armas à guerrilha colombiana das Farc, honrando o compromiso assumido com o país vizinho quando o mesmo extraditou o ex-presidente, em 2007, anunciou nesta quarta-feira o governo esquerdista.
Após 10 anos no poder, Fujimori deixou a presidência do Peru no ano 2000 e se refugiou por cinco anos no Japão, sua segunda pátria, antes de viajar, em novembro de 2005, para o Chile, onde foi preso e extraditado para seu país em setembro de 2007, a fim de ser julgado por cinco casos de corrupção e dois de violações dos direitos humanos.
Quando o Chile extraditou Fujimori, o Peru se comprometeu a consultar autoridades chilenas sobre a possibilidade de julgá-lo em outros casos pendentes. Um deles é o de tráfico de armas para as Farc, segundo o governo peruano. O pedido está relacionado à venda triangular organizada a partir de Lima de 10.000 fuzis jordanianos em favor da guerrilha das Farc, em 1999, quando Fujimori era presidente.
Fujimori cumpre pena de 25 anos em uma prisão peruana, por crimes contra a humanidade ocorridos no contexto da luta contra o Sendero Luminoso e o MRTA. A Suprema Corte do Chile concedeu a extradição de Fujimori por dois casos de direitos humanos e cinco casos de corrupção, mas não a autorizou por tráfico de armas à guerrilha das Farc, entre outros motivos.
A venda dos 10 mil fuzis jordanianos foi planejada entre março e agosto de 1999, por meio de quatro voos para lançar as armas de paraquedas no povoado colombiano de Barrancominas, fronteira com o Brasil. De acordo com o Exército colombiano, o carregamento foi pago com cocaína e mediado pelo narcotraficante brasileiro Luiz Fernando da Costa, conhecido como "Fernandinho Beira-Mar".