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(Arquivo) A justiça chilena decretou nesta quarta-feira a prisão preventiva do suspeito de ferir gravemente e arrancar os olhos da ex-namorada, em um caso brutal de violência de gênero que gerou comoção no país(afp_tickers)
A justiça chilena decretou nesta quarta-feira a prisão preventiva do suspeito de ferir gravemente e arrancar os olhos da ex-namorada, em um caso brutal de violência de gênero que gerou comoção no país.
Mauricio Ortega, de 41 anos, ex-namorado de Nabila Rifo, de 28 anos, que permanece em estado grave em um hospital de Santiago, foi detido na madrugada da quarta-feira na cidade de Coyhaique (1.700 km ao sul de Santiago), quatro dias após a agressão.
A prisão preventiva de Ortega, pai de dois dos quatro filhos de Nabila, foi decretada após uma longa audiência de formalização de acusações, na qual foram expostos os detalhes do ataque.
Acredita-se que Ortega "bateu em Nabila com blocos de cimento em reiteradas ocasiões, e utilizou uma arma branca para extrair seus globos oculares", revelou na audiência pública o promotor Luis González.
O suspeito, que já tinha sido alvo de denúncias de violência doméstica contra a mesma mulher, é acusado de "feminicídio frustrado e lesões graves gravíssimas".
Antes da audiência, sob forte custódia policial, Ortega disse aos jornalistas que é inocente.
No fim de semana, Rifo foi encontrada agonizante por pedestres em uma rua de Coyhaique e levada a um serviço de emergência local.
Na terça-feira, a vítima foi transferida para um hospital de Santiago, onde chegou com "sinais evidentes de traumatismo craniano, facial, além de uma enucleação [extirpação] de ambos os globos oculares, que parecem ter sido arrancados", de acordo com um laudo médico.
Na manhã desta quarta-feira, a presidente chilena, Michelle Bachelet, fez uma visita inesperada à vítima, que permanece sedada.
"Este é um caso que chocou a todos nós. O nível de violência e brutalidade é espantoso", afirmou Bachelet, que acrescentou que seu governo vai "trabalhar sem descanso" para evitar que este tipo de caso volte a acontecer no país.
A presidente passou cerca de 45 minutos acompanhando a família de Rifo e conversando com os médicos que a atendem, em uma visita que aconteceu com estrita discrição, segundo a mídia local.
"Ela vai demorar a sair deste estado de sedação, posteriormente ainda terá que recuperar a consciência, vai estar sob forte choque, por tanto não vai estar em condições, por mais alguns dias, para poder dar seu testemunho", declarou Mario Henríquez, diretor do hospital de urgências onde a vítima está internada.
O caso gerou grande comoção no Chile, onde uma série de protestos foram organizados para repudiar a agressão.
Neste ano foram registrados 14 feminicídios no Chile, enquanto em 2015 ocorreram mais de 30, segundo relatórios da Polícia.
AFP