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Macri concede entrevista em Buenos Aires 23/10/2017 REUTERS/Marcos Brindicci(reuters_tickers)
Por Luc Cohen e Cassandra Garrison
LANÚS, Argentina (Reuters) - Adriana Rodríguez, uma vendedora de 59 anos em um mercado a céu aberto em uma cidade industrial na província argentina de Buenos Aires, nunca imaginou que sua casa seria conectada ao sistema de esgoto.
Mas o presidente pró-empresas Mauricio Macri investiu em infraestrutura antes da vitória na eleição legislativa de domingo, e a implementação de esgoto na cidade-natal de Rodríguez, Lanús, avançou para perto de dois quarteirões de sua casa. Ela espera que canos alcancem sua casa em breve.
“Meu marido e eu pensávamos que iríamos morrer sem ter conexão com o sistema de esgoto”, disse. “É um passo para frente.”
Assim como muitos subúrbios da classe operária cercando a capital da Argentina que coletivamente compõem a região eleitoral mais importante do país, Lanús há tempos tem sido um bastião de apoio ao movimento peronista, que geralmente enfatiza fortes sindicatos e políticas de redistribuição.
A coalizão de Macri, que inicialmente sofreu para atrair a classe operária, foi atrás destes votos com obras públicas de 8,7 bilhões de dólares na província de Buenos Aires, lar de mais de um terço dos eleitores argentinos. A coalizão pavimentou ruas e construiu faixas expressas de ônibus após uma década de investimentos em infraestrutura estagnados sob a ex-presidente Cristina Kirchner.
Isto ajudou a coalizão de Macri, Cambiemos, a derrotar Cristina na eleição da província ao Senado no domingo.
“As pessoas agora identificam ‘Macrismo’ com obras públicas”, disse Marcos Buscaglia, sócio fundador da consultoria política e econômica de Buenos Aires Alberdi Partners. “Isto deu a elas muita esperança de realmente verem ruas asfaltadas, esgoto, e similares”.
Quando um aliado de Macri assumiu como prefeito de Lanús em dezembro de 2015 de um peronista, somente 35 por cento dos moradores da cidade estavam conectados ao sistema de esgoto. O município busca conexão de 100 por cento até 2019 e a companhia de serviços hídricos estatal AySA diz ter investido 321,7 milhões de dólares em Lanús, incluindo 60 projetos de canos beneficiando quase 300 mil residentes.
Alguns continuam céticos. Muitos dos projetos estão sendo financiados com dívidas, um assunto quente na Argentina por conta de memórias frescas da inadimplência da dívida e crise econômica do país em 2001. Em agosto, o Banco Interamericano de Desenvolvimento prometeu 305 milhões de dólares para financiar projetos hídricos, incluindo esgoto na região metropolitana de Buenos Aires.
“O momento chegará quando os credores quiserem coletar”, disse Alberto Francisco, proprietário de loja de 46 anos de Lanús e apoiador de Kirchner. “Nós iremos terminar como em 2001: sem dinheiro”.
(Reportagem de Luc Cohen e Cassandra Garrison)
Reuters