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Os suíços têm bons salários e um grande poder aquisitivo. As condições de trabalho são atraentes para os trabalhadores estrangeiros já que a economia tem carência de mão-de-obra especializada. No entanto o número de vistos de trabalho é limitado.Este conteúdo foi publicado em 12. agosto 2020 - 11:55
Quase um terço da população ativa não possui um passaporte suíço, como demonstram as estatísticas oficiais. Porém se debate muito sobre a concorrência entre mão-de-obra local e estrangeira, apesar dos baixos índices de desemprego em comparação internacional.
A economia depende da mão-de-obra estrangeira, como defendem as associações de empregadores. Um estudo realizado em 2019 pelo UBS, o maior banco do país, concluiu que a demanda não pode ser atendida apenas por trabalhadores domésticos. Economistas do grande banco estimam que a Suíça em dez anos uma grande carência de milhares de trabalhadores para ocupar as vagas disponíveis.
Segundo a Federação Suíça de Indústria (Economiesuisse), essa escassez de mão-de-obra é premente não apenas no setor de saúde e cuidados de idosos, mas também em áreas altamente especializadas como a chamada "MINT" (que reúne matemática, informática, ciências naturais e tecnologia).
Quem pode trabalhar na Suíça?
Pessoas originárias de países membros da União Europeia (UE) e da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, que, além da Suíça, inclui também Islândia, Liechtenstein e Noruega) tem livre acesso ao mercado de trabalho no país, pois se beneficiam do Acordo de Livre Circulação de Pessoas (ALCP)
Os políticos debatem a questão. Atualmente, uma iniciativa (projeto de lei) do Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão) exige restrições à imigração e a revogação do ALCP. "Não queremos viver em um país com 10 milhões de habitantes", defende Albert Rösti, presidente do partido. A iniciativa será levada à plebiscito federal em setembro de 2020.
Acesso restrito para trabalhadores de fora da UE
Dos chamados "países terceiros" (fora da Europa), só são admitidos na Suíça trabalhadores altamente qualificados. Os empregadores que desejam empregar essa mão-de-obra devem provar que não ter encontrado ninguém com uma qualificação correspondente, nem na Suíça ou em países da UE/EFTA. Além disso, as contratações devem ocorrer no interesse da Suíça e de sua economia. O número de vistos trabalho para pessoas originárias dos países terceiros também é limitado por um sistema de cotas.
As regras também se aplicam aos que vêm estudar na Suíça. Esses acadêmicos devem deixar a Suíça depois de completar os estudos. E isso mesmo que haja demanda no mercado de trabalho. "Como resultado, a economia perde cerca de três mil especialistas por ano", reclama Rudolf Minsch, economista da Economiasuisse.
O Parlamento suíço debate atualmente um projeto que poderá facilitar a obtenção de vistos de trabalho para especialistas formados no país.
Carências na integração
Enquanto empresas procuram desesperadamente especialistas, muitos estrangeiros que vivem no país e altamente qualificados afirmam estar insatisfeitos com a vida na Suíça. Embora seus salários sejam considerados bastante elevados em comparação internacional, a qualidade de vida ou abertura da população suíça são os pontos mais criticados.