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O seu cafezinho diário certamente passou em algum momento pela Suíça, afinal o país é o centro mundial de comércio de café. Na verdade, os suíços exportam mais café do que queijo e chocolate.
"A maioria dos comerciantes de café estão presentes na Suíça", disse Cyrille Jannet, vice-presidente da Swiss Coffee Trade Association (Associação Suíça de Comércio de Café), em uma entrevista à rádio pública suíça RTS no ano passado.
"Este é também o caso dos grandes nomes da indústria, como Nestlé ou Nespresso. Também presentes encontram-se os principais elos da cadeia produtiva, em atividades de logística, como o transporte marítimo. Isso fez com que a Suíça se tornasse o principal centro mundial para o café, do comércio à indústria".
A Suíça já é a base de muitas empresas importantes que comercializam matérias-primas (por exemplo: ouro, petróleo), graças à sua situação fiscal favorável e à sua posição central na Europa.
Seis dos principais comerciantes de café do mundo estão baseados nas regiões do Lago de Genebra ou Zurique.
Como é frequente no caso das matérias-primas, estatísticas precisas são difíceis de encontrar. Mas as estimativas mostram que entre 60-70% do comércio global de café ocorre na Suíça, o que representa cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Mais que chocolate
Mas os dados ficam mais precisos e acessíveis quando se trata do volume e valor da importação e exportação de café, pois esses são produtos reais que passam pela fronteira.
No seu penúltimo relatório anual sobre comércio exterior suíço, a Administração Federal Aduaneira concentrou-se no setor "alimentos, bebidas e tabaco", que representa 4% das exportações suíças. Lá afirma-se que o café era "um produto emblemático" com um valor de CHF 2.1 bilhões (US$ 2,2 bilhões) em 2015, ou cerca de um quarto (25,8%) das vendas em todo o setor.
Isto é muito mais do que as exportações de produtos tradicionalmente associados à Suíça, como chocolate e queijo.
As estatísticas alfandegárias também mostram que as exportações de café aumentaram acentuadamente na última década. O boom global no consumo de cápsulas de café é parcialmente responsável pelo fenômeno, e o líder do setor Nestlé produz essas cápsulas exclusivamente em três fábricas na Suíça (Avenches, Romont e Orbe).
Em termos de importação, 139.238 toneladas de café chegaram à Suíça no ano passado, com um valor de CHF 379 milhões. Os dois principais fornecedores são o Brasil (29%) e a Colômbia (17%).
Ouro negro
Mas a Suíça não está apenas liderando as estatísticas em termos de comércio e produção. Seus habitantes também estão entre os maiores consumidores de café do mundo, de acordo com a Organização Internacional do Café.
Adaptação: Eduardo Simantob