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Os candidatos à presidência da França não pouparam a Suíça durante a campanha, especialmente na questão fiscal.
Os socialistas suíços esperam, agora, que o candidato François Hollande, se eleito, reduza as tensões entre os dois países. Como Mitterrand em 1983.
A eleição presidencial francesa, cujo primeiro turno será realizado no domingo, pode mudar as relações da França com a Suíça? Os comentários feitos pelos diferentes candidatos durante a campanha não prediz nada de bom.
Em novembro passado, o presidente Nicolas Sarkozy criticou as "falhas" da Suíça na questão da cooperação fiscal, comparando o país aos paraísos fiscais na América Central. Em março, o presidente francês propôs taxar os exilados fiscais, ou seja, os franceses que vêm moram na Suíça para pagar menos impostos, o que exigiria a renegociação da Convenção de Dupla Tributação entre a França e a Suíça.
O socialista François Hollande, favorito nas pesquisas, também pretende rever o acordo, que não é considerado suficientemente rigoroso, e recomenda a aplicação de um imposto sobre grandes fortunas (ISF) aos exilados franceses. Já o candidato da Frente de Esquerda (Front de gauche), Jean-Luc Mélenchon, considera a Suíça como o "cofre-forte de todos os bandidos do mundo".
Do lado suíço nenhum pio. "Nós nunca comentamos o que os candidatos políticos dizem. A coisa seria diferente se fosse um político eleito implementando um programa específico", diz o Ministério da Fazenda da Suíça.
Financiamento suíço
Por que esses ataques? Vale lembrar que, em 2007, a equipe do candidato Sarkozy não mostrou nenhum escrúpulo na hora de coletar dinheiro na Suíça para a campanha presidencial. Um dos conselheiros de Sarkozy, Manuel Aeschlimann, se gabava de suas origens suíças, enquanto a candidata socialista Ségolène Royal defendia a "democracia participativa" e se dizia interessada no sistema helvético.
Uma crise em 2008-2009 muda a situação. Paris decide, então, intensificar o combate à evasão fiscal. A Suíça e seu sigilo bancário estão na lista negra. As relações são tensas. "Nicolas Sarkozy tem provavelmente algum problema conosco", se surpreende a então presidente da Confederação Suíça, Micheline Calmy-Rey, em novembro de 2011, após as declarações do seu homólogo francês querendo por a Suíça "no banco dos réus da comunidade internacional”.
Além da crise fiscal, Sarkozy negligencia as relações bilaterais. Durante seu mandato, as tradicionais reuniões anuais entre chefes de estado são realizadas apenas duas vezes.
Aperto de mãos
"Sarkozy pronunciou algumas palavras bem duras e com bastante arrogância contra a Confederação que não deram em nada", lembra o senador suíço Didier Berberat. Neste nível, "um presidente Hollande não pode ser pior. O candidato socialista me parece mais centrado que o imprevisível Sarkozy. O governo suíço vai ter que entrar logo em contato com o novo governo francês para forjar relações mais fortes", diz o senador.
No último domingo (15), Didier Berberat apertou as mãos de François Hollande. "Nós conversamos alguns minutos após a reunião em Vincennes. Concordamos em aprofundar os laços entre nossos dois partidos". Deve-se levar a sério as "ameaças" dos candidatos franceses em relação à Suíça? "Esses discursos são mais para uso interno que externo", disse Berberat.
François Hollande defende uma presidência menos hiperativa que Sarkozy, a composição do seu governo terá, se ele for eleito, uma certa influência nas relações bilaterais. Agora em sua equipe, há tantos detratores da Suíça e de seu sigilo bancário - Vincent Peillon e Arnaud Montebourg – quantos apologistas reais ou imaginários: Manuel Valls, suíço por parte de mãe, ou o conciliador Laurent Fabius.
Descontentamento de longa data
Em Berna, a capital suíça, só se espera o final deste período eleitoral. "Se Sarkozy ganhar, não é impossível que ele se interesse pelo tratado Rubik”, comenta-se em círculos diplomáticos suíços. Rubik é o nome do acordo assinado com a Inglaterra e a Alemanha, que introduz um imposto retido na fonte sobre os ativos dos nacionais desses países, preservando seu anonimato. "Se outros países aceitarem o Rubik, não será difícil que Hollande, se eleito, também o aceite", se diz em Berna.
As relações franco-suíças raramente foram idílicas, lembra, no entanto, o historiador Alain-Jacques Tornare. "Lembre-se que o descontentamento contra a fuga de capitais franceses para a Suíça não é nova. Já na década de 1960, a queda do novo franco francês causou um êxodo fiscal para a Suíça. De Gaulle não gostou nada".
Em 1983, a fuga de capitais não impede que Mitterrand responda ao convite da Suíça. Esta é a primeira visita de Estado de um presidente francês desde 1910. Um “reencontro” que permite, na época, aliviar as tensões bilaterais e organizar reuniões quase anuais do mais alto nível.
É este espírito de diálogo amigável e exigente que os socialistas suíços esperam recuperar, se François Hollande ganhar a eleição presidencial.
difusão de resultados
O promotor de Paris ameaçou processar quem divulgar o resultado das eleições ou estimativas no domingo, antes das 20 horas.
As possibilidades de publicação prematura dos resultados aumentaram muito com as redes sociais, Facebook ou Twitter. Nas eleições anteriores, em 2002 e 2007, os jornais suíços e belgas haviam publicado as estimativas dos resultados antes das 20h, causando um afluxo de internautas da França.
Eles prometeram fazê-lo novamente, a partir de 18h30. O promotor de Paris disse que a publicação de pesquisas é proibida de meia-noite da sexta-feira e no dia da eleição, na imprensa, na internet e nas redes sociais. A infração é punível com uma multa de 75.000 euros.
(Fonte: AFP)
Última pesquisa
Na véspera do primeiro turno, ganha a incerteza. François Hollande e Nicolas Sarkozy estão empatados com 27,5% das intenções de voto no primeiro turno das eleições presidenciais, de acordo com uma pesquisa OpinionWay-Fiducial realizada para Radio classique e Les Echos na quinta-feira, 19 de abril. Esta pesquisa mede a abstenção em 26%.
Atrás de Hollande e Sarkozy, segue Marine Le Pen, com 16%, Jean-Luc Mélenchon, com 13% e François Bayrou, com 10%.
Adaptação: Fernando Hirschy, Paris, swissinfo.ch