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O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da Bolívia, Salvador Romero, renunciou nesta quinta-feira (29) ao cargo para o qual foi indicado pelo governo anterior. A oposição expressou preocupação com a independência do órgão.
"A carta de renúncia foi apresentada ao Palácio do Governo", disse uma fonte do TSE à AFP um dia depois de Romero antecipar que oficializaria sua renúncia nesta quinta-feira.
"Eu saio como cheguei, um homem livre de laços, independente de forças políticas ou interesses de grupo, exclusivamente comprometido com uma eleição justa como a pedra angular da democracia", afirmou na quarta-feira.
Romero, de 49 anos, foi nomeado membro do TSE em novembro de 2019 por um período de cinco anos pela então presidente de transição e de direita Jeanine Áñez, e depois assumiu a presidência do Tribunal por acordo com os outros seis membros.
A eleição de Romero foi parte de uma reconstrução total do TSE, já que todas as autoridades eleitorais anteriores haviam sido presas após a renúncia do presidente de esquerda Evo Morales.
Romero conduziu as eleições presidenciais e legislativas em outubro de 2020, as eleições para prefeitos e governadores em março e o segundo turno para governadores este mês.
Após o anúncio de sua renúncia, o ex-presidente do centro Carlos Mesa disse que "o risco aumenta" de que o Movimento pelo Socialismo, o partido de Morales e o atual presidente Luis Arce, controlem o corpo eleitoral "e a democracia continue enfraquecendo".
O substituto de Romero deve ser nomeado por Arce. Os outros seis membros, ainda em funções, são eleitos pelo Parlamento.
Arce não compareceu aos atos do TSE para protestar contra a decisão do órgão de aceitar a chegada de uma missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), acusada de interferir nos assuntos internos do país.