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CARACAS (Reuters) - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, um forte crítico do governo venezuelano, decidiu neste sábado aceitar a proposta do presidente Nicolás Maduro de trocar a sua renúncia pelo retorno do país ao organismo.
"Ofereço meu cargo em troca da liberdade da Venezuela", disse o diplomata uruguaio, que pediu aos países americanos que condenassem o governo de Maduro por sua gestão da crise política e econômica no país produtor de petróleo, considerando violações dos direitos humanos.
Na Assembleia Geral realizada esta semana no México, a OEA não chegou a um consenso sobre uma resolução condenatória. No entanto, os países membros se comprometeram a trabalhar até que a crise na Venezuela, onde pelo menos 75 pessoas morreram em quase três meses de protestos, fosse resolvida pacificamente.
"Recebi publicamente uma proposta de negociação, a minha renúncia em troca do retorno da Venezuela à OEA", disse Almagro no Twitter, em resposta ao pedido de Maduro.
"Eis a minha resposta: vou renunciar à secretaria geral da OEA assim que realizarem eleições nacionais livres e justas, sob observação internacional e sem inabilitados", acrescentou.
Ele também adicionou como condição a libertação de "todos os presos políticos listados pelo Fórum Penal da Venezuela" e anistia aos exilados; reconhecimento de poderes da Assembleia Nacional e a independência dos poderes judiciais e eleitorais; a abertura de um canal humanitário; e que os assassinos dos manifestantes fossem julgados.
A oposição acusa Maduro de conduzir o país a uma ditadura, atrasar as eleições, encarcerar ativistas e de má gestão que culminou na elevada inflação e a escassez de bens básicos.
Líderes da resistência pediram que seus seguidores mantenham os constantes protestos contra o governo nas ruas. Neste sábado centenas de pessoas marcharam em direção a uma base aérea no leste de Caracas, perto da qual dois jovens foram mortos a tiros por soldados, em meio à forte repressão aos protestos.
O presidente socialista acusa seus oponentes de buscar sua derrubada com o apoio dos EUA e, como uma solução para a crise, convocou uma assembleia constituinte com poderes para reformar a Constituição, ato considerado ilegal.
Almagro também estabeleceu como condição para sua renúncia a fim do processo pra reformar a constituição da Venezuela. "Infelizmente, são necessárias muitas coisas para libertar a Venezuela", disse ele.
(Por Silene Ramírez)
Reuters