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As relações com o "criminoso regime do apartheid" continuarão nebulosas. Pelo menos por enquanto. O Parlamento suíço acaba de rejeitar uma CPI sobre a questão.
Indícios se acumulam de que não apenas o setor financeiro suíço ajudou e até mesmo sustentou o regime segregacionista sul-africano (de "desenvolvimento separado"), como também de que os serviços secretos da Suíça teriam colaborado em programa de armas químicas e bacteriológicas de Pretória, visando exterminar negros.
Acusações
Um deputado socialista suíço (Jean-Nils de Dardel) estima que a Suíça colaborou de fato com "o regime criminoso" nesse programa. Mas sua iniciativa parlamentar foi rejeitada por 94 votos contra 60. A conclusão do deputado é de que "não há vontade séria do Governo nem do Parlamento em enviar investigadores à África do Sul".
O socialista fazia coro com políticos e ONGs que pediam inquérito para apurar novas alegações de atividades criminosas entre os dois países.
O próprio diretor do programa sul-africano de armas químicas, o "sinistro" Dr Wouter Basson - acusado atualmente no próprio país de vários crimes, inclusive de 16 homicídios - detalhou, durante seu processo, a cumplicidade entre os dois serviços de inteligência.
Basson disse inclusive que Peter Regli, ex-chefe dos serviços secretos suíços o ajudou, em 1992, a comprar na Rússia 500 kg de Mandrax, droga ilegal. Regli - que jura nada ter a ver com o caso - foi inocentado por inquérito parlamentar em 1999 de qualquer participação nesse programa sul-africano de armamento.
Em novembro passado, comissão parlamentar foi incumbida de apurar os fatos, mas a estimativa é de que não tenha ido longe. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha descreveu o texto como "horrivelmente ligeiro" e de "confusão total".
Estreita colaboração
Um outro inquérito foi ordenado pelo Ministério suíço da Defesa, em 1999, mas ainda continua classificado como "sigiloso".
Para o deputado socialista Jean-Nils de Dardel só resta esperar que jornalistas que continuam a investigar o assunto esclareçam melhor o caso.
O escândalo envolvendo os dois serviços secretos seria apenas um aspecto da estreita colaboração entre a Suíça e a África do Sul, durante o regime de apartheid, extinguido em 1994. A "Swiss - South-African", fundada em 1956, desempenhou papel essencial nesse aspecto, tornando-se pilar importante do regime segregacionista anti-negro naquele país.
A Suíça negou-se a aplicar as sanções da ONU contra Pretória, argumentando que isso faria mais mal que bem à população oprimida, o que, por outro lado, facilitava os empréstimos dos bancos. A partir de 1980, foram emprestados de 5 a 10 bilhões de francos a empresas sul-africanas, apesar de norma federal que limitava a soma a 300 milhões.
"Indefensável"
De 1985 a 1993 os empréstimos teriam rendido, em juros e dividendos, 2.7 bilhões.
E quando os norte-americanos deixaram a África do Sul em 1985, foram substituídos pelos bancos suíços que impediram falência do regime. Foi quando Zurique se tornou o primeiro mercado mundial do ouro e diamante sul-africanos.
A Suíça reconheceu seus erros apenas em 1999. Relatório independente aprovado pelo Governo admitiu que a posição da Suíça era indefensável desde 1985, do ponto de vista moral e político.
Para o deputado Jean-Nils Dardel seria necessário uma nova Comissão Bergier (a que apurou o envolvimento da Suíça com a Alemanha Nazista) para elucidar de uma vez por todas as relações bilaterais Suíça-África do Sul.
Por enquanto essa panela de pressão continua fechada. Mas pode explodir.
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