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Na véspera de uma cúpula trilateral com França e Alemanha para debater a escalada de tensões, após a concentração de tropas russas na fronteira, a Ucrânia acusou a Rússia de tentar “destruí-la”.
— Ameaçam abertamente a Ucrânia com uma guerra e com a destruição do Estado ucraniano – declarou o ministro das Relações Exteriores, Dmytro Kuleba.
Moscou mobilizou dezenas de milhares de soldados próximos à Ucrânia, um indicativo de invasão militar iminente. Kuleba advertiu o Kremlin que a Rússia “sofrerá”, caso cruze a fronteira. Moscou garante que “não ameaça ninguém” e que a concentração de forças faz parte de “exercícios militares” em resposta a “ações ameaçadoras da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte)”.
Diretor de pesquisa da Fundação de Iniciativas Democráticas Ilko Kucheriv (em Kiev), o ucraniano Olexiy Haran disse ao jornal Correio Braziliense que vê a ameaça da Rússia como “muito perigosa”.
— Estamos assistindo à maior mobilização militar na fronteira desde a anexação da Península da Crimeia, em 2014 – falou.
Ele atribui a manobra à tentativa do presidente russo, Vladimir Putin, de aumentar a própria popularidade às vésperas das eleições do Duma (parlamento) da Rússia, em 19 de setembro, obtendo uma pequena vitória.
— O Kremlin também quer testar a habilidade do colega norte-americano Joe Biden em manter uma parceria. Também tenta intimidar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que firmou compromissos com a paz e buscou restabelecer um processo de negociação com Putin – seguiu.
Segundo Haran, generais russos comandam “tropas aliadas” da Rússia que atuam em território ucraniano.
— Putin tenta obter concessões políticas de Zelensky, apesar dos passos dados por Kiev para negociar com Moscou. Putin pretende mostrar alguma força. As perdas das forças russas na Ucrânia seriam contraproducentes para Putin – disse.
O especialista vê, como possíveis exigências de Moscou, a remoção das sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia contra a Rússia.
Para Andrey Kortunov, diretor-geral do Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (em Moscou), existe o risco de um agravamento inadvertido das tensões.
— Ninguém realmente quer uma guerra, mas a situação pode ficar fora do controle de ambos os lados – destacou.
Por sua vez, Lilia Shevtsova (chefe do Programa de Política Doméstica Russa do Carnegie Endowment for International Peace (em Moscou)) afirmou que Rússia e Ucrânia estão em “estado de guerra não declarada”.
— O cessar-fogo, vistoriado por França e Alemanha, foi rompido pelos russos em março. Agora, o Kremlin aumenta a tensão, ao forçar os ucranianos a aceitarem o seu modelo de solução de paz, o Acordo de Minsk.