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Surpresa em Oslo. O presidente dos EUA, Barack Obama, é o vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2009 por sua visão de um mundo sem armas nucleares e por ter criado "um ambiente novo para a política internacional", segundo anunciou nesta sexta-feira (9/10) o Instituto Nobel da Noruega.
"Graças a seus esforços, a diplomacia multilateral recuperou sua posição central e devolveu às Nações Unidas e outras instituições internacionais seu papel protagonista", diz a justificativa.
Segundo o Instituto Nobel, "a visão de um mundo sem armas nucleares estimulou o desarmamento e as negociações para o controle de armamento. Graças à iniciativa de Obama, Estados Unidos estão desempenhando um papel mais construtivo para fazer frente aos desafios da mudança climática que enfrenta o mundo", acrescentou o Instituto.
Surpresa
É a terceira vez que o Nobel da Paz vai para um presidente dos EUA ainda em exercício, depois de Theodore Roosevelt em 1906 e Woodrow Wilson em 1919.
Em 2002, foi concedido ao então ex-presidente Jimmy Carter, por seu trabalho de mediação em conflitos internacionais.
Em 2007, o ex-candidato à Casa Branca e ex-vice-presidente Al Gore, também do Partido Democrata, recebeu o prêmio por seu trabalho na luta contra a mudança climática.
Para muitos observadores, a escolha de Obama foi uma surpresa, visto que ele assumiu a presidência dos EUA apenas duas semanas antes do final do prazo de nomeação ao prêmio.
Segundo o presidente do Instituto Nobel, Thorbjörn Jagland, o comitê sempre procurou estimular processos de paz ainda não concluídos. Isso teria sido o caso na premiação do chanceler federal alemão Willy Brandt (1971) e do então líder soviético Mikhail Gorbachev (1990).
Suíços
O prêmio já foi concedido a três suíços: Jean Henri Dunant, fundador do Comitê da Cruz Vermelha Internacional (CICV), recebeu o primeiro Prêmio Nobel da história, em 1901.
No ano seguinte, Élie Ducommun e Charles Albert Gobat - secretários honorários do Secretariado Internacional da Paz em Berna - foram homenageados por suas posições de liderança na União Interparlamentar, fundada em 1889 para fomentar a paz e a democracia em todo o mundo.
Desde então, várias organizações internacionais com sede na Suíça foram honradas, incluindo o CICV (três vezes), o Comitê Internacional Nansen para os Refugiados (Nansen International Office for Refugees), o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Médicos Sem Fronteiras e o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (2007, junto com Al Gore).
O Prêmio Nobel da Paz é considerado a mais importante distinção internacional por esforços pela paz mundial. Ele foi criado pelo suíço Alfred Nobel (1833-1896), inventor do dinamite.
Este ano houve um recorde de 205 candidaturas, das quais 33 eram de organizações. Como os outros prêmios Nobel, o da Paz – no valor de US$1,4 milhão - será entregue dia 10 de dezembro, aniversário da morte de seu fundador, Alfred Nobel, em Oslo.
Reações
Líderes internacionais, como o Nobel da Paz Nelson Mandela, a chanceler federal alemã Angela Merkel, o presidentes Nicolas Sarkosy (França) e Schimon Peres (Israel) e o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohammed ElBaradei, congratularam Obama pelo prêmio.
O presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Barroso, disse que "a distinção para o líder da maior potência militar da Terra, no início de seu mandato, reflete as esperanças que ele despertou mundialmente com sua visão de um mundo sem armas nucleares".
O The Wall Street Journal reagiu com ceticismo. "Barack Obama ganha o Prêmio Nobel: para quê?", comenta o jornal em sua versão eletrônica. "Isso é grotesco", acrescenta. "Agora um líder político pode ganhar um Prêmio Nobel da Paz por dizer que ele quer, em algum momento no futuro, fazer a paz."
O redator-chefe do Wallstreet Journal Europe, Iain Martin, comentou: "É completamente bizarro. O presidente Barack Obama acaba de ganhar o Prêmio Nobel. Mas não está claro por quê."
"Obama foi premiado porque conseguiu espalhar otimismo e pelas perspectivas que ele promete para a paz mundial o que não deve ser menosprezado. Mas esse prêmio ainda vai dar o que falar", disse o diretor da Fundação Suíça para a Paz (Swisspeace), Laurent Goetschel, professor de Ciências Políticas da Universidade de Basileia, ao jornal Tagesanzeiger.ch.
O jornal NZZ, de Zurique, comenta: "A visão de Obama de um mundo de armas nucleares, sem dúvida, é atraente. Sua realização, no entanto, exigiria uma disposição global aos desarmamento nuclear. Assim como o mundo funciona hoje, essa visão sempre continuará uma visão. Não palavras e sim atos mudam o mundo."
swissinfo.ch com agências