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O futuro do movimento político fundado há três décadas pelo ex-presidente peruano Alberto Fujimori está a partir desta segunda-feira (30) nas mãos da Justiça, que deve decidir se vai suspendê-lo por 30 meses, o que tiraria sua filha, Keiko, das eleições de 2021.
O juiz Víctor Zúñiga iniciou uma audiência nesta segunda-feira para decidir se aceita ou não o pedido do Ministério Público para desqualificar o partido fujimorista Força Popular (direita populista) por dois anos e meio, no âmbito do caso por supostas contribuições ilegais da construtora brasileira Odebrecht.
Nesta audiência de repercussão nacional, o fujimorismo enfrenta uma de suas maiores ameaças desde 1990, enquanto o Peru tenta superar uma crise política que o levou a ter três presidentes em uma semana no início deste mês.
Com uma decisão adversa, Keiko Fujimori será impedida de concorrer nas eleições gerais de 11 de abril de 2021.
A procuradoria busca com a medida abrir caminho para a continuidade das investigações contra Keiko, de 45 anos, e seu entorno por supostamente receberem contribuições ilegais da Odebrecht para a campanha.
A duas vezes candidata à Presidência (2011 e 2016) qualificou o pedido da procuradoria de "arbitrário" em um tuíte publicado minutos antes da audiência, da qual ela não participa e que ocorre virtualmente por conta da pandemia do novo coronavírus.
Do lado de fora do tribunal, cerca de trinta apoiadores de Fujimori ergueram faixas que diziam "Presidente Keiko 2021" e "chega de perseguição".
Embora a decisão possa ser contestada, se for adversa, complicaria as opções de Fujimori no momento em que começa a campanha eleitoral de 2021.
- "Recursos ilícitos" -
O procurador José Domingo Pérez disse durante a audiência que uma organização criminosa foi criada dentro do Força Popular para obter poder político e receber recursos ilícitos.
"Solicitamos esta suspensão porque quem atualmente representa e preside o partido é Keiko Fujimori, que tinha conhecimento da ilegalidade do dinheiro que entrava naquela organização", acrescentou.
De acordo com Pérez, o Tribunal Constitucional do Peru já decidiu que organizações políticas podem ser punidas criminalmente por lavagem de dinheiro. Mas o advogado da líder, Christian Salas, negou que o partido seja uma "organização criminosa".
"O partido político Força Popular, segundo o próprio Ministério Público, foi usado. Essa é uma hipótese que ainda faz parte da investigação", disse.
Depois de "mais de três anos de investigação, o procurador deve apresentar provas suficientes" e não meras suspeitas, acrescentou Salas, que pediu ao juiz que "declarasse este julgamento inadmissível".
Após as apresentações do Ministério Público e da defensa, o juiz encerrou o debate e disse que emitirá sua decisão "em prazo razoável" (pode ser de vários dias), decido à sua carga de trabalho.
Keiko, que esteva em prisão preventiva por 16 meses por este caso, nega ter recebido dinheiro ilegal por suas campanhas de 2011 e 2016, nas quais esteve perto de ganhar a Presidência.
O caso da Odebrecht atinge também quatro ex-presidentes peruanos.
- "Pena de morte" -
Em entrevista à AFP na semana passada, Keiko afirmou que "este pedido de suspensão, se for concedido, seria uma pena de morte para o partido".
"O que peço é que o povo decida" nas urnas, acrescentou Keiko, argumentando que "uma eleição transparente em nosso país corre perigo" por uma "decisão de duas pessoas", referindo-se ao procurador e ao juiz.
Keiko lidera o movimento fundado por seu pai, hoje com 82 anos, que cumpre pena de 25 anos por corrupção e crimes contra a humanidade em seu governo (1990-2000).
Muitos peruanos admiram o ex-presidente de ascendência japonesa porque ele derrotou a guerrilha e interrompeu a hiperinflação herdada de Alan García.
Mas o fujimorismo, força gravitante desde 1990, perdeu influência e não protagonizou a crise que levou o Peru a ter três presidentes em poucos dias: Martín Vizcarra (no poder entre março de 2018 e 9 de novembro passado), Manuel Merino (que governou por cinco dias) e Francisco Sagasti.
Uma pesquisa da empresa Ipsos atribui a Keiko 5% de apoio para as eleições de 2021, nas quais o sucessor de Sagasti será eleito e o Congresso será renovado.