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"Não se equivoquem", alertou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a seus adversários ao condenar o que denunciou como um "golpe de Estado" na Bolívia, depois que Evo Morales renunciou neste domingo após três semanas de protestos contra sua questionada reeleição.
"Eu digo à direita fascista venezuelana: vocês nos conhecem, não se enganem, não se enganem, não façam cálculos falsos conosco", disse Maduro por telefone durante uma entrevista coletiva do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), em apoio a Morales, um dos maiores aliados do presidente venezuelano.
Maduro tem enfrentado ondas manifestações maciças da oposição, que deixaram mais de 200 mortos desde 2014.
"É um golpe de Estado, sem meias medidas (...) Golpe de estado na Bolívia! Golpe contra Evo Morales com a OEA cravando uma punhalada!", exclamou Maduro.
Uma missão eleitoral da Organização dos Estados Americanos verificou "irregularidades" nas votações de 20 de outubro passado na Bolívia, nas quais o líder indígena foi proclamado vencedor no primeiro turno, desencadeando grandes protestos.
Antes da declaração de Maduro, o PSUV convocou uma marcha para apoiar o líder boliviano no próximo sábado em Caracas, além de outras atividades nos dias anteriores.
"O povo chavista começa a partir deste momento um grande dia de mobilização", disse Diosdado Cabello, chefe da Assembleia Constituinte oficial que governa na Venezuela, em nome do partido.
O líder da oposição Juan Guaidó, chefe do Parlamento reconhecido como presidente da Venezuela por cerca de cinquenta países liderados pelos Estados Unidos, já havia convocado protestos para o próximo sábado.
Guaidó e a oposição acusam Maduro de ser reeleito de forma fraudulenta em 2018.
Em um comunicado formal divulgado pelo chanceler Jorge Arreaza, o governo da Venezuela repudiou "categoricamente um grotesco golpe de Estado" e exigiu "respeito à integridade física e à vida" dos "servidores públicos que estão sendo assediados, incluindo o presidente Evo Morales".