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Por Daniela Desantis
ASSUNÇÃO (Reuters) - A câmara baixa do Paraguai está adiando uma votação sobre uma emenda que pode permitir que presidentes se reelejam para dar chances aos pedidos de diálogo do presidente Horacio Cartes, após violentos protestos sobre uma votação a portas fechadas no Senado.
Apoiadores de Cartes, ex-empresário de refrigerantes e tabaco, querem que ele consiga buscar um segundo mandato. No domingo, Cartes convocou diferentes facções políticas para encontro e discussão de maneiras para reduzir tensões no país de 6,8 milhões de habitantes, após um apelo do papa Francisco.
Nesta segunda-feira, Hugo Velazquez, presidente da câmara baixa e aliado de Cartes, disse a jornalistas que enquanto os diálogos continuarem “e estivermos tentando alcançar soluções aos problemas que temos, a câmara de deputados não irá considerar a emenda”.
Protestos na sexta-feira, nos quais partes do prédio do Congresso foram incendiadas e um manifestante foi morto a tiros pela polícia, interomperam um período de relativa estabilidade sob Cartes. O país exportador de carne e soja se tornou uma das economias de crescimento mais rápido da América do Sul e começou a superar uma longa história de incerteza política.
Pessoas protestaram contra um grupo de senadores que convocaram na sexta-feira uma sessão especial a portas fechadas, e não no plenário do Senado, para votar a medida. Vinte e cinco parlamentares votaram pela medida, dois a mais do que os 23 necessários para aprovação na câmara alta, de 45 membros.
Senadores opostos à reeleição pediram nesta segunda-feira para a Suprema Corte decidir sobre a legalidade da votação. Novos protestos são planejados para a noite desta segunda-feira em frente ao Congresso.
O projeto de lei aparenta ter forte apoio na câmara baixa, de 80 membros. A medida também beneficia outros ex-presidentes, incluindo o esquerdista Fernando Lugo, que sofreu impeachment em 2012.
A constituição de 1992 do Paraguai proíbe reeleição presidencial, uma questão sensível desde que uma ditadura de 35 anos foi derrubada em 1989. A senadora Lilian Samaniego, aliada de Cartes, disse que apoiadores da reeleição não devem ser intimidados.
“A proposta não será retirada”, disse após deixar um encontro no palácio presidencial com governadores, prefeitos e outros políticos.
Reuters