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O ataque foi o mais mortífero na história do exército da Tunísia, de acordo com o Ministério da Defesa. O presidente Moncef Marzuki anunciou três dias de luto nacional a partir de quinta-feira.(afp_tickers)
Quatorze soldados tunisianos morreram e um militar está desaparecido após uma ofensiva classificada de terrorista no monte Chaambi, perto da fronteira com a Argélia, o pior ataque da história do exército, que prometeu uma guerra declarada contra o terrorismo.
Esta violência numa região montanhosa do centro-oeste da Tunísia, onde o exército enfrenta há um ano e meio insurgentes jihadistas acusados de terem ligações com a Al-Qaeda, ocorre num momento de relativa calma e que as eleições estão previstas para daqui a três meses.
De acordo com o governo, "dois grupos terroristas atacaram dois postos de vigilância do exército" na região de Henchir El-Talla na quarta-feira à noite, ao fim do jejum diário do Ramadã.
Os agressores utilizaram metralhadoras, granadas e lança-foguetes RPG no ataque.
"Esses ataques nos custaram 14 mártires. Cinco (foram mortos) a tiros, nove foram queimados, quando a tenda em que estavam pegou fogo" após os disparos de RPG e granadas, informou durante uma coletiva de imprensa Suheil Chmengui, responsável pelas operações terrestres do exército, acrescentando que 18 soldados ficaram feridos.
Um militar também está desaparecido. Todas as opções são possíveis, pode estar ferido ou morto ou foi feito refém, segundo declarou Mohamed Salah Hamdi, chefe do Estado-Maior do exército.
Um dos agressores, um tunisino, foi morto, segundo o Chmengui, segundo o qual argelinos estão entre os "terroristas".
As autoridades não deram mais detalhes sobre o ataque, mas asseguram que o grupo armado rastreado desde dezembro de 2012 sobre o Monte Chaambi está ligado à rede extremista Al-Qaeda.
"É uma guerra aberta. A guerra de um país e um povo contra um flagelo", ressaltou Chmengui, prometendo que o exército iria continuar a trabalhar "dia e noite contra o terrorismo".
O ataque foi o mais mortífero na história do exército da Tunísia, de acordo com o Ministério da Defesa.
O presidente Moncef Marzuki anunciou três dias de luto nacional a partir de quinta-feira, enquanto o porta-voz do governo, Nidhal Uerfelli, denunciou "um ato hediondo".
O país tem enfrentado desde a revolução que derrubou o regime autoritário de Zine El Abidine Ben Ali, em janeiro de 2011, um crescimento do movimento jihadista.
A ação desta quinta-feira ocorreu quase um ano depois de uma emboscada contra soldados, também durante o Ramadã no monte Chaambi, onde o exército tunisiano enfrenta desde dezembro de 2012 guerrilhas que estariam vinculadas à rede terrorista Al-Qaeda.
Oito soldados foram assassinados em 29 de julho de 2013 no ataque, que aconteceu poucos dias depois da morte do deputado de esquerda Mohamed Brahmi em Túnis.
A Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) reivindicou a autoria do primeiro ataque na Tunísia, incluindo um ataque em maio contra a casa do ministro do Interior.
Desde o início do ano, o regime tem tentado tranquilizar a população, ressaltando ter sido bem sucedido em matar alguns dos principais suspeitos dos assassinatos de 2013.
As autoridades, no entanto, reconhecem que este combate vai levar tempo, e membros das forças de segurança continuam a ser regularmente mortos ou feridos, incluindo na explosão de minas.
Apesar das explosões em Chaambi, declarada "zona militar fechada", o grupo que depositou minas em todo o maciço montanhoso para retardar o avanço das tropas não foi neutralizado.
Quarenta soldados, policiais e gendarmes foram mortos no país em ataques armados desde a queda do regime de Ben Ali.
AFP