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Nem fantoche, nem passagem de volta: Correa exalta seu vitorioso pupilo no Equador
Rafael Correa é retumbante. Embora sinta a vitória eleitoral de Andrés Arauz como sua, o ex-presidente socialista nega que ele seja seu fantoche ou sua passagem de volta ao Equador. Condenado à revelia por corrupção, Correa falou com a AFP sobre o segundo turno que seu pupilo disputará.
Correa impulsionou a bem-sucedida campanha de Arauz, ex-membro de seu gabinete, a partir da Bélgica, onde se estabeleceu pouco depois de deixar o poder (2007-2017). Desde então, vivenciou o que considera uma perseguição política por parte do governo de Lenín Moreno, seu ex-aliado e ex-vice-presidente.
O ex-presidente, que lida com uma condenação de oito anos de prisão que não foi efetivada, traçou algumas linhas vermelhas para o duelo definitivo entre Arauz - de 36 anos, à frente no primeiro turno - e o indígena esquerdista Yaku Pérez ou o ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso, que travam uma disputa acirrada pela passagem para o segundo turno em 11 de abril.
A seguir, trechos da entrevista.
Pergunta: A vitória eleitoral é de Andrés Arauz ou de Rafael Correa e por que não venceu no primeiro turno?
Resposta: Em 7 de fevereiro, triunfou a verdade e a gratidão de um povo, que também não é burro e pode comparar a tragédia que vive agora com a prosperidade que viveu durante meu governo. Seria desejável vencer em um único turno, mas sempre soubemos que era difícil. No entanto, o resultado é espetacular, não podemos tapar o sol com a peneira. O que acontece é que nos superestimam e os acostumamos a ganhar no primeiro turno.
P: Alguns dizem que Arauz é seu fantoche e que poderia traí-lo?
R: Quando você não do que acusar alguém, vai insultá-lo. Já é um argumento ad hominem, eles não podem refutar os argumentos, as ideias. Têm que atacar a pessoa, mas é desonesto, porque se trata de uma pessoa jovem. Por ser jovem, como subestimam a juventude, (dizem) que é um fantoche. Se Andrés fosse um traidor, já teria traído.
P: Se Arauz ganhar a eleição, você voltará ao Equador e haverá vingança?
R: Não, porque a vitória eleitoral não soluciona os problemas jurídicos. Eu acordo todos os dias para ver qual novo julgamento vão me impor. Já tenho 39. Nem Al Capone, 'Chapo' Guzmán ou Pinochet juntos tiveram tantos julgamentos. Quando as condições normais voltarem no país, esperamos que (os juízes) façam o correto, e se não fizerem, os juízes internacionais farão. Estão obcecados com meu retorno ao país, menos eu. Mas meu pé está indefinidamente, o que não significa para sempre, na Bélgica (de onde é sua esposa). (O correísmo poderia voltar ao poder) com desejo de justiça. Infelizmente é a palavra que os maldosos mais temem. E enfrentamos não só a corrupção, enfrentamos a maldade. Hitler não era corrupto, era maldoso.
- Reconciliação -
P: É possível uma reconciliação com o anticorreísmo?
R: Com todos pela pátria, mas em limites éticos. Acredito que eu reflito um pouco o pensamento de Andrés: tudo pelo diálogo, tudo pela lógica, tudo pelos argumentos, tudo pelo bem-estar da pátria, tudo pelo bem-estar de nossos jovens. Pelo poder, pela força, nada.
P: Arauz disse que terá uma excelente relação com Estados Unidos. Qual sua opinião?
R: E quem não está disposto a ter uma excelente relação com Estados Unidos? Eu teria desejado. Acredito que tive.
(Donald) Trump era um troglodita, as pessoas são importantes. Acredito que Joe Biden é uma boa pessoa. No entanto, Estados Unidos é uma máquina, então não esperemos que a política externa para a América Latina mude muito. Mas em nível pessoal, obviamente há uma diferença abismal entre Joe Biden e Trump.
P: Yaku Pérez representa a esquerda?
R: E quem disse a você que Yaku Pérez é candidato da esquerda? (Ele é) candidato de recuperação da direita. Observe como apoiou o golpe de Estado contra Evo Morales, parabenizou (Jeanine) Áñez. Yaku Pérez não é de esquerda, por favor, nem sequer é indígena. Tudo mimético. Yaku Pérez é uma grande montagem. Ele tem o apoio da embaixada dos Estados Unidos.
P: O que acha da nova relação do Equador com o FMI, do qual seu governo de distanciou?
R: A relação não voltou, a submissão voltou. E não é que nos distanciamos, estabelecemos condições: senhores, Fundo Monetário, sejam bem-vindos se quiserem assessorar de boa fé. Mas se vierem como vice-reis, os mandaremos de volta pelo mesmo avião. Em dez anos, não tivemos essas missões de vice-reis e nos saímos melhor que nunca.
A (atual) carta de intenção com o Fundo Monetário é uma verdadeira vergonha nacional, que nos impõe flexibilização trabalhista, diminuição do tamanho do Estado, privatizações, subir o IVA três pontos mas ao mesmo tempo reduzir o gasto público.