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Por Tom Miles
GENEBRA (Reuters) - Não houve nenhuma nova onda de assassinatos decorrente da guerra às drogas em curso nas Filipinas, e os relatos ao contrário são "fatos alternativos", disse um aliado do presidente filipino, Rodrigo Duterte, ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira.
Duterte vem sendo amplamente criticado no Ocidente por não conter os assassinatos e não abordar as alegações de ativistas a respeito de execuções sistemáticas cometidas pela polícia, e patrocinadas pelo Estado, de usuários e traficantes de drogas, que as autoridades negam.
O senador Alan Peter Cayetano disse que nos governos anteriores aconteciam entre 11 mil e 16 mil assassinatos por ano. Segundo ele, uma mudança na definição de execuções extrajudiciais pela Comissão Filipina de Direitos Humanos e de outros críticos das políticas de Duterte enganaram o público.
"Não há nenhuma nova onda de assassinatos nas Filipinas, só uma tática política de mudar definições", disse Cayetano durante uma análise do histórico de direitos humanos das Filipinas realizada pela ONU em Genebra.
"Não se enganem, qualquer morte ou assassinato é excessivo. Entretanto, existe uma tentativa deliberada de incluir todos os homicídios como EJKs (execuções extrajudiciais, na sigla em inglês) ou execuções relacionadas à campanha contra a criminalidade e as drogas ilegais, e que estas são patrocinadas pelo Estado, o que simplesmente não é verdade".
Desde que Duterte tomou posse, 10 meses atrás, prometendo uma campanha incansável para livrar o país das drogas, houve 9.432 casos de homicídio, incluindo 2.692 mortes de "supostas operações legítimas de aplicação da lei", afirmou Cayetano.
Supõe-se que qualquer morte deste tipo é legítima de acordo com a lei, mas ela é automaticamente investigada, e Duterte tem tolerância zero com o abuso de poder policial, disse Cayetano.
As autoridades filipinas dizem que a polícia só matou em legítima defesa durante operações antidrogas, e que milhares de assassinatos misteriosos de usuários de drogas são trabalho de vigilantes ou cartéis de droga rivais.
(Reportagem adicional de Martin Petty em Manila)
Reuters