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O presidente francês, Emmanuel Macron(afp_tickers)
Emmanuel Macron -o presidente mais jovem da história da França- completou neste domingo sua tomada de poder relâmpago, com uma folgada maioria na Assembleia Nacional, apenas um ano depois de ter fundado seu movimento centrista e pró-europeu.
Há três anos, este ex-banqueiro de negócios de 39 anos formado em escolas de elite francesas era praticamente um desconhecido, assim como a maioria dos candidatos a deputado de seu movimento A República em Marcha (LREM) eleitos neste domingo nas eleições legislativas.
Depois da vitória de Macron nas eleições presidenciais, vários analistas duvidavam que seu jovem movimento criado há apenas um ano pudesse ter maioria parlamentar para implementar suas reformas sócio-liberais.
Mas, com entre 355 e 400 cadeiras no Legislativo, como indicam as as pesquisas, o presidente superaria amplamente o patamar da maioria absoluta (289 deputados). Entretanto, a abstenção recorde de mais de 56% é uma mostra de que "os franceses não quiseram assinar um cheque em branco", como afirmou o porta-voz do governo, Christophe Castaner.
Em novembro do ano passado, quando publicou seu programa em plena campanha presidencial, Macron prometeu uma "revolução". Uma promessa que tem cumprido com a profunda renovação da vida política, com a derrota de grandes figuras políticas com anos de experiência diante de novatos e com o fim do bipartidismo de direita e esquerda.
"O salvador da Europa?", foi o título desta semana da revista The Economist, que celebrava os primeiros passos de Macron em uma Europa em crise, em pleno auge de movimentos nacionalistas.
Seus adversários, entretanto, denunciam a "Macronmania" que parece suscitar este homem com ares de bom moço, olhos azuis, cabelos bem penteados, educado e elegante.
Macron "seduz por seu carisma", um carisma vinculado à "sua idade, sua aparência e sua inteligência", opinou o filósofo Gilles Lipovetsky. Segundo ele, Emmanuel Macron "forjou uma relação particular" com as francesas por sua relação com sua esposa, Brigitte Trogneux-Macron, sua antiga professora, 24 anos mais velha do que ele.
Emmanuel Macron deu seus primeiros passos na política em 2012, quando deixou seu cargo no banco de negócios Rothschild & Co e se tornou conselheiro econômico do presidente socialista François Hollande.
Em agosto de 2014 foi nomeado ministro da Economia, um cargo que lhe permitiu, segundo fontes próximas, avaliar o tamanho da "estagnação" do país.
Diante de uma multidão de simpatizantes, lançou em abril de 2016 em Amiens (norte), sua cidade natal, um "novo movimento político", "nem de direita nem de esquerda", aberto à sociedade, participativo e colaborativo.
Seu movimento se tornou desde então em uma máquina de guerra. Para as eleições legislativas, examinaram "19.000 candidaturas", filtradas depois de "600 horas de pré-seleção" e "estudadas durante 180 horas", um processo "quase industrial", explicou um responsável do movimento.
Intuitivo, ambicioso e audaz, seu chefe, um produto do sistema, filho de médicos e aluno brilhante, concentrou sua campanha no tema da "ruptura".
- Reformas -
Macron pretende reformar rapidamente a França, com um pacote de medidas de inspiração social-liberal. Em maio deu início às negociações com representantes sindicais para avançar em sua ambiciosa reforma das leis trabalhistas, uma de suas prioridades.
A isso se soma uma lei de "moralização" da política, outro dos pilares de seu mandato após uma campanha repleta de escândalos judiciais. Esta lei foi apresentada em meados de junho.
No entanto, desde que assumiu a presidência teve alguns tropeços. O partido centrista MoDem, dirigido por seu ministro da Justiça, François Bayrou, se encontra no centro de uma investigação por supostos empregos fictícios no Parlamento Europeu.
Algumas declarações polêmicas antigas vieram à tona e questionou-se a integridade de alguns candidatos, começando por um dos mais próximos ao presidente, o ministro de Coesão do Território, Richard Ferrand.
Além disso, seus esforços para controlar sua comunicação e impedir qualquer vazamento levaram alguns jornalistas a denunciar uma violação do direito a informar.
Dos partidos tradicionais, tanto de esquerda, como de direita, de esquerda radical ou de ultra-direita, têm denunciado o risco de "absolutismo" que poderia ser provocado pela maioria parlamentar para o presidente Macron.
AFP