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O curdo Fuad Masum(afp_tickers)
O político curdo Fuad Masum tornou-se o novo presidente do Iraque nesta quinta-feira, em um passo importante para a formação de um novo governo.
A insurgência liderada desde junho pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) levou o país à beira do colapso, criando dificuldades para o governo dar qualquer sinal de liderança além de sua base política xiita.
Masum, eleito pelo Parlamento por 211 votos a 17, foi o primeiro premiê da região autônoma do Curdistão, há mais de 20 anos.
Ele foi praticamente garantido no cargo depois que os partidos curdos acertaram um acordo para apoiá-lo na noite de quarta-feira. Segundo um acordo político tácito, os curdos tradicionalmente assumem a Presidência.
Essa nomeação pode abrir caminho para a escolha do primeiro-ministro, posto muito mais importante.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reuniu-se com atual premiê, Nuri al-Maliki, e ressaltou a necessidade de um governo com uma base ampla.
"O Iraque está enfrentando uma ameaça à sua existência, mas pode superá-la com a formação de um governo totalmente inclusivo", afirmou Ban, em entrevista coletiva, ao lado de Maliki.
"É essencial que todos os líderes políticos cumpram suas obrigações, para garantir que o processo de formação do governo seja cumprido dentro do prazo constitucional", declarou.
Maliki, um xiita, é acusado pelas lideranças sunitas de não saber mobilizar as forças iraquianas para conter a ofensiva jihadista, e de "dançar no sangue" das vítimas.
Mas muitos também consideram que foram as próprias políticas sectárias do primeiro-ministro que semearam o caos no país, e agora ele enfrenta uma forte pressão, interna e externa, para renunciar.
- Atentado em Bagdá -
Terroristas suicidas e homens armados atacaram nesta quinta-feira um comboio de prisioneiros em Taji, a 25 quilômetros de Bagdá, provocando combates com as forças de segurança.
"Pelo menos 60 pessoas, prisioneiros e policiais morreram em um ataque suicida seguido de explosões e tiroteios", indicou à AFP um funcionário do ministério do Interior.
O ataque foi cometido contra um comboio de segurança que escoltava um ônibus que transportava 60 detentos da prisão de Taji, muitos deles presos por envolvimento com o terrorismo.
Fontes de segurança e médicas indicaram que pelo menos 50 prisioneiros morreram. As circunstâncias exatas de sua morte não estão claras até o momento.
Além disso, dois carros-bomba explodiram no centro de Bagdá nesta quinta, quase simultaneamente e a poucas centenas de metros de distância, matando ao menos 13 pessoas.
Os ataques foram praticados em Karrada, um bairro comercial conhecidos pelas lojas e restaurantes, logo após uma reunião para o iftar, a refeição de quebra do jejum do Ramadã.
"Pelo menos 13 pessoas foram mortas e 29 ficaram feridas, mas o número de vítimas vai aumentar", afirmou um coronel da polícia à AFP.
Uma fonte médica confirmou o número de mortos.
Os atentados ocorreram em um momento de temor de que o Estado Islâmico lance uma campanha militar durante o feriado do Eid al-Fitr, comemorando ao fim do Ramadã.
Mohamed Ali al-Hakim, que mora próximo ao local das explosões, criticou a ineficácia do governo.
"É um Ramadã sangrento, tudo está piorando. Não percebemos melhora alguma na segurança por parte do governo", reclamou. "Eles estão ocupados dividindo postos entre eles, mas se importam pouco com nossa segurança."
- Apoio do aiatolá -
Organizações de Direitos Humanos acusaram as tropas iraquianas de executar mais de 250 prisioneiros desde junho, aparentemente para evitar que eles se juntem ao EI.
Mas o secretário-geral da ONU ressaltou nesta quinta a "batalha contra o terrorismo" no Iraque, e condenou a insurgência dos rebeldes, que já obrigou mais de 600.000 pessoas a deixar suas casas.
Na semana passada, o EI chamou novamente a atenção ao causar uma fuga em massa dos cristãos da cidade de Mossul.
Apesar dos bilhões de dólares gastos pelos Estados Unidos para treinar e equipar o Exército iraquiano durante os oito anos de ocupação militar, as forças iraquianas não conseguiram resistir ao ataque dos jihadistas.
Milhares de voluntários xiitas somaram esforços, além de alguma assistência internacional, mas o governo ainda não se mostrou capaz de recuperar as terras perdidas.
Depois de se reunir com Maliki em Bagdá, Ban Ki-moon viajou para Najaf - cidade sagrada para os xiitas - para se reunir com o aiatolá Ali al-Sistani, principal clérigo xiita do país.
O secretário contou à imprensa que Sistani destacou a necessidade de combater o terrorismo somente através do governo.
Sistani incentivou no mês passado a adesão em massa dos voluntários xiitas ao Exército, movimento condenado pelos sunitas.
Maliki se queixa da falta de apoio da comunidade internacional na luta contra o EI. O primeiro-ministro teve um encontro nesta quinta com o chefe do Comando Central dos Estados Unidos, General Lloyd Austin, enquanto seu ministro da Defesa foi a Moscou para pedir ajuda militar.
AFP