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As autoridades de saúde francesas confirmaram nesta terça-feira (12) "a existência de uma associação entre o risco de câncer colorretal e a exposição a nitratos e nitritos", presentes particularmente em alimentos embutidos, após meses de investigação.
A carne processada foi classificada como cancerígena (categoria 1) em 2015 pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIRC).
Este novo relatório da Agência Nacional Francesa de Segurança Alimentar (Anses) confirma esses dados.
Os nitritos, em particular, são considerados prováveis cancerígenos (categoria 2A).
Historicamente, o setor de embutidos utiliza componentes à base de nitritos e nitratos para prolongar a conservação de seus produtos e evitar o desenvolvimento de bactérias patogênicas que podem causar doenças graves como o botulismo.
Esses componentes salgam os embutidos durante seu processamento e conferem-lhe uma cor rosa característica (o presunto é naturalmente cinza).
A indústria francesa de carnes processadas vem reduzindo o uso desses aditivos, mas agora a Anses "recomenda a redução da exposição da população (...) por meio de medidas voluntárias suplementares".
Diante do risco de que a diminuição do uso de nitritos e nitratos possa levar ao aparecimento de salmonelose ou listeria, a agência francesa recomenda reduzir o prazo de validade dos produtos e aumentar as medidas de bioproteção em fazendas e matadouros.
As autoridades francesas afirmam que os produtos de substituição à base de "extratos vegetais" não constituem "uma alternativa real porque (estes substitutos) contêm naturalmente nitratos que, por efeito de bactérias, se convertem em nitritos".
A França recomenda consumir no máximo 150 gramas de embutidos por semana. Todos os anos, cerca de 180.000 pessoas na França morrem de câncer colorretal.