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O presidente Donald Trump declarou que a Venezuela é "uma bagunça" e que está "muito triste" com a situação do país, cenário de uma onda de protestos contra o governo.
"A Venezuela é uma bagunça", respondeu Trump à pergunta de um jornalista, enquanto recebia o presidente argentino, Mauricio Macri, na Casa Branca.
"Estou muito triste pela Venezuela, muito triste por ver o que acontece. É uma situação muito triste", acrescentou.
As declarações de Trump foram dadas no momento em que o governo da Venezuela começa o processo de saída da Organização dos Estados Americanos (OEA), em meio a uma crescente pressão internacional e a uma onda de protestos que em um mês deixou quase 30 mortos.
O presidente Nicolás Maduro alega que um grupo de países liderados pelos Estados Unidos utiliza esse organismo para derrubá-lo.
A situação no país petroleiro também foi tratada por Macri. "A Venezuela não tem respeito pelos direitos humanos" e "não é uma democracia".
"Devemos voltar a ter um governo democrático na Venezuela", afirmou o presidente argentino em uma palestra no Center for Strategic and International Studies (CSIS, em Washington).
Em um fato sem precedentes na OEA - Cuba foi expulsa em 1962 -, a Venezuela anunciou na quarta-feira (26) sua saída da organização, em função de o Conselho Permanente da instituição ter convocado uma reunião de chanceleres para avaliar a grave crise política nesse país.
O processo de retirada, que demora 24 meses, começará quando a Venezuela apresentar uma carta de denúncia contra a OEA a seu secretário-geral Luis Almagro.
Fontes extraoficiais disseram à AFP que a entrega do documento acontece nesta sexta.
Caracas anunciou essa decisão, um fato inédito, pouco depois de a OEA ter convocado ontem, com o voto de 19 países, uma reunião de chanceleres para avaliar a crise nesse país. A data ainda não foi anunciada.
Argentina e Estados Unidos votaram a favor da reunião ministerial.
Para Washington, a saída da Venezuela acabaria com a "influência construtiva" que a organização poderia ter sobre o governo Maduro.
"Acreditamos que a OEA pode ter uma influência construtiva sobre a Venezuela, sobre Maduro, para obrigar seu governo a respeitar sua própria Constituição e cumprir seus compromissos democráticos com seu povo", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner.
O assessor disse, porém, que a saída do país da organização "não acontecerá do dia para a noite" e manifestou sua confiança em que, eventualmente, possa ser revertido.
"Acreditamos que haja espaço para influenciar", disse.
A Venezuela garantiu que não participará mais dos atos da OEA, mas observadores comentaram que nos dois anos do processo, o país continuará sendo um membro pleno, com todas suas obrigações.
"E isso começa, obviamente, com o respeito às normas e aos processos democráticos", completou Toner.