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A ex-presidente da Assembleia do Equador, Gabriela Rivadeneira, que está no México há uma semana, acusou o governo do presidente Lenín Moreno de implementar "um novo tipo de ditadura" que levou à eclosão de protestos sociais em outubro passado.
"O que o presidente Lenín Moreno, seus porta-vozes e parte de seu gabinete, está fazendo é implementar um novo tipo de ditadura que deve ser analisada porque violou todos os princípios democráticos e o Estado de Direito", disse Rivadeneira à AFP durante uma entrevista na Cidade do México.
A parlamentar, uma das líderes mais proeminentes do movimento político de oposição liderado pelo ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), disse que o governo de Moreno a pressionou a deixar seu país e buscar asilo no México, acrescentando que não "não abriu mão" de seu mandato.
"Fomos eleitos pelo povo equatoriano e nenhuma das causas estabelecidas, tanto no regimento interno (da Assembleia) quanto na Constituição, estabelece que ter sido expulso pelo governo do presidente Moreno é motivo de destituição", afirmou Rivadeneira, 36 anos.
Além da ex-presidente da Assembleia equatoriana, outros três deputados e dois ex-funcionários ligados a Correa chegaram em 9 de janeiro ao México na qualidade de asilados, após cerca de três meses como refugiados na embaixada mexicana em Quito.
Os protestos liderados por povos indígenas contra o governo Moreno por políticas econômicas acordadas com o FMI geraram uma crise social em outubro no Equador, que deixou uma dúzia de mortos, 1.340 feridos e 1.192 detidos, segundo a procuradoria.
Moreno acusou Correa, que mora na Bélgica desde 2017, e o presidente venezuelano Nicolás Maduro por promover um plano de desestabilização contra seu governo. Os dois líderes esquerdistas negam essas acusações.
Após deixar o Equador, o pai de Rivadeneira foi preso por supostos vínculos com uma organização criminosa dedicada ao enriquecimento ilícito e fraude fiscal. Ele foi liberado sábado passado e está proibido de deixar o país.
Rivadeneira disse que a detenção de seu pai também é uma "perseguição" do governo.
A parlamentar destacou que está em qualidade de asilada no México, e que o governo mexicano lhe concedeu residência oficial.
"Temporariamente temos que estar longe de nossa terra, isso não significa que não estamos trabalhando duro na organização política. Esperamos que todos possamos retornar à nossa terra natal, que no momento é algo complicado", concluiu.
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