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O chanceler do Irã, Mohamad Javad Zarif, criticou neste sábado em visita a Venezuela o "aventureirismo unilateral" e o "terrorismo econômico" dos Estados Unidos contra terceiros países, evitando se referir ao caso do petroleiro de bandeira britânica retido por Teerã no estreito de Ormuz.
"O governo dos Estados Unidos, para atingir seus objetivos ilegítimos, está utilizando a pressão contra os países, isso que nós chamamos de terrorismo econômico", disse Zarif à imprensa, segundo a tradução simultânea oficial, após uma reunião em Caracas de ministros das Relações Exteriores do Movimento dos Países Não Alinhados (MNOAL).
Apontou assim para as sanções financeiras impostas por Washington contra países como Cuba, Irã, Síria e Venezuela.
Previamente, em seu discurso formal no encontro do MNOAL, Zarif acusou o governo de Donald Trump de uma "onda de aventureirismo unilateral extremo" que "está debilitando o estado de direito em nível internacional".
O chanceler não falou do petroleiro que Londres denuncia ter sido apreendido "ilegalmente" em águas de Omã. O Irã ignorou o pedido do Reino Unido e dos Estados Unidos e de outros aliados para que deixe ir embora o navio apreendido na sexta no estreito de Ormuz, por onde circula um terço do petróleo mundial.
A embarcação, de propriedade sueca, foi abordada na sexta pela Guarda Revolucionária iraniana, alegando que desrespeitou o "código marítimo internacional".
De acordo com Zarif, o encontro de chanceleres do MNOAL (movimento integrado por 120 países e fundado na década de 1970 como alternativa à Guerra Fria entre Estados Unidos e a extinta União Soviética) serve para que seus membros "cerrem fileiras" ante "decisões ilegais" de Washington.
A reunião se desenvolveu entre mensagens de apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em meio de uma grave crise política.
Em janeiro, o líder do Parlamento, Juan Guaidó, se proclamou presidente interino com o apoio dos Estados Unidos e de meia centena de países, depois de que a maioria opositora do Legislativo declarou Maduro como "usurpador", denunciando que se reelegeu em eleições fraudulentas.
"A intervenção grosseira dos Estados Unidos nos assuntos internos da Venezuela (...) é um novo exemplo" de "desrespeito aberto ao direito internacional", disse Zarif.