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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, descartou nesta quarta-feira que sua política de austeridade seja uma das causas do acidente no metrô da capital, cujas 25 vítimas começaram a ser sepultadas.
López Obrador considerou um ato de "má fé e irresponsabilidade" as acusações da confederação patronal Coparmex, que vinculou a tragédia à redução dos gastos públicos promovida pelo governismo, de esquerda. A confederação fez alusão à execução orçamentária pela prefeitura da capital, comandada por Claudia Sheinbaun, partidária do presidente.
"A manutenção do metrô conta com orçamento suficiente, é autorizada pela Assembleia Legislativa da Cidade do México. O que isso tem a ver com a austeridade?", questionou López Obrador. Para ele, a Coparmex faz parte da oposição, à qual se refere como "o conservadorismo, setor muito próximo da corrupção".
A patronal manifestou que "o chamado à austeridade" da prefeitura "não deve ser aplicado a áreas de importância vital, pois se tornou uma austeridade que mata". López Obrador se negou a fornecer ajuda direta às empresas e a contrair dívidas no contexto da pandemia, argumentando que suas prioridades são a saúde e o investimento social.
Acusações contra autoridades também foram feitas por um dos sindicatos do metrô, segundo o qual, em outubro passado, a prefeitura ignorou uma advertência sobre danos no elevado que desabou na última segunda-feira. "Os trabalhadores têm medo, não temos garantias", disse ao jornal "Milenio" Jesús Urban, dirigente da central operária, que exige a demissão de Florencia Serranía, diretora da empresa de transporte.
As vítimas começaram a ser sepultadas em diferentes cemitérios da cidade, enquanto a empresa norueguesa Det Norske Veritas prosseguia com uma investigação independente. Autoridades também iniciaram a revisão das linhas que atravessam pontes, principalmente devido ao subsolo lamacento da Cidade do México, fortemente atingido por terremotos que têm origem no Pacífico.
- Impacto político -
O acidente reacendeu escândalos, como o custo da obra, de 1,2 bilhão de dólares, 70% maior do que o previsto, e poderia impactar o governismo na disputa pela candidatura presidencial de 2024. No olho do furacão estão o chanceler, Marcelo Ebrard, que desenvolveu e inaugurou a obra em 2012, quando era prefeito da capital, e Claudia Sheinbaum.
Ebrard se defendeu dizendo que sua responsabilidade administrativa sobre o projeto terminou em 2013 e que por trás das acusações há motivações políticas. Segundo o chanceler, os problemas no elevado foram conhecidos após o terremoto de 2017. Já a chefe da prefeitura expressou que seria muito mesquinho "estar pensando em um assunto político", ao ser questionada se o acidente irá afetar sua carreira.