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A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) exortou nesta quinta-feira (28) o governo venezuelano, chefiado pelo presidente Nicolás Maduro, a proteger a vida do líder opositor Juan Guaidó, após reportar denúncias de ameaças de morte contra ele.
A CIDH, entidade autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA), lembrou às autoridades venezuelanas que devem cumprir as medidas de proteção outorgadas em 25 de janeiro a Guaidó, reconhecido por mais de 50 países como presidente interino da Venezuela.
Em sua condição de chefe do Parlamento, Guaidó se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, comprometendo-se a organizar novas eleições depois que o Legislativo considerou ilegítima a reeleição de Maduro.
A CIDH, que no fim de semana rejeitou em um tuíte "o uso da força como recurso para solucionar qualquer diferença na Venezuela", disse na quinta-feira ter conhecimento de ameaças recentes de morte contra Guaidó.
"Tais ameaças teriam sido feitas através de telefonemas a familiares e teriam sido antecedidas de outros eventos de risco que foram conhecidos pela Comissão", indicou.
Segundo a visita de "supostos funcionários de uma unidade especial da Polícia Bolivariana" à residência de Guaidó, assim como a prisão temporária do líder opositor em meados de janeiro, que segundo lembrou a CIDH foi qualificada pelas autoridades venezuelanas de "irregular".
Guaidó foi detido em 13 de janeiro a plena luz do dia quando viajava por uma rodovia, interceptado por duas caminhonetes com agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), encapuzados e com armas longas.
Por tudo isso, a CIDH pediu ao governo de Maduro a garantir a integridade e a segurança de Guaidó e de sua família, "inclusive a proteção aos seus direitos em relação a atos de risco atribuíveis a terceiros".
Guaidó, que na semana passada burlou uma ordem de proibição de saída do país emitida pela Justiça alinhada a Maduro, anunciou nesta quinta-feira, em visita ao Brasil, que vai voltar a Caracas "nos próximos dias (...) apesar das ameaças".
"Recebo ameaças pessoais e familiares, mas também ameaças de encarceramento por parte do regime. Mesmo assim, isto não vai evitar nosso retorno à Venezuela este fim de semana, mais tardar na segunda-feira", disse em coletiva de imprensa.
Maduro disse que o líder opositor deverá enfrentar a Justiça em seu retorno ao país, segundo entrevista à emissora americana ABC News, difundida na segunda-feira.