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Em Genebra, o juiz de instrução, Georges Zecchin indiciou Mohammed, filho do ex-ditador, Sani Abacha, por corrupção e reciclagem de bilhões de dólares. Segundo o juiz, bancos de uma centena de países - 17 na Suíça - estão implicados nesse caso.
Em entrevista à agência Associated Press, o juiz suíço disse que o filho do falecido ditador, acusado de lavagem de dinheiro, se envolveu em fraude, desvio de dinheiro público e participação em organização criminosa.
Em maio, Georges Zecchin foi a Lagos - capital nigeriana - comunicar essas acusações a Mohammed Abacha que "recusou encontrá-lo".
Mohammed Abacha está preso em Lagos, sob suspeita de ter matado, em 1996, a mulher de Moshood Abiola, militante de direitos humanos, considerado vencedor das eleições presidenciais de 1993.
O magistrado suíço indiciou também sócio de Mohammed, Abubakar Atiku Bagudu, residente em Londres. E não exclui que haja novas acusações contra os dois e mesmo contra outras pessoas.
Até agora mais de 1 bilhão de francos suíços depositados em nome de pessoas pertencentes ao clã Abacha foi congelado em 15 bancos suíços e filiais estrangeiras. Só no Credit Suisse foram congelados 230 milhões.
Somas importantes estão embargadas em Luxemburgo e na Grã-Bretanha. E o governo nigeriano afirma que Abacha teria contas também na França e Alemanha.
Segundo o advogado Enrico Monfrini, que em Genebra defende o novo governo nigeriano (democraticamente eleito), "o problema é a não existência de provas escritas relativas a enormes montantes de subornos e comissões pagas aos membros da família Abacha por empresas européias".
A Nigéria forneceu documentos destinados a provar que o clã Abacha desviou 2,2 bilhões de dólares dos cofres públicos.
Vale lembrar que Sani Abacha, falecido em meados de 1998, dirigiu a Nigéria com pulso de ferro durante 5 anos.
Swissinfo com agências.