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Familiar de desaparecidos limpa figuras enquanto participa do primeiro dia de buscas pelos corpos de pessoas desaparecidas no lixão de La Escombrera, em uma favela de Medellín, em 5 de agosto de 2015(afp_tickers)
A ONU denunciou nesta quarta-feira o assassinato de 69 defensores de direitos humanos e líderes comunitários na Colômbia ao longo de 2015, um número "alarmante" e crescente, diante do qual pediu a ação do Estado.
"Nós temos um registro de 69 assassinados até agora este ano. É muito alarmante", disse o coordenador residente da Organização das Nações Unidas na Colômbia, Fabrizio Hochschild.
"Na mesma época do ano passado eram 35, isto quer dizer que este ano a tendência está prestes a dobrar e isto é um retrocesso muito importante, muito lamentável em termos de proteção a líderes sociais, líderes comunitários", acrescentou, em coletiva de imprensa.
Entre os 69 ativistas assassinados há 38 reportados pela ONG colombiana Somos Defensores, além dos homicídios de "líderes sociais e políticos" contabilizados pela ONU.
Hochschild pediu às autoridades "para usar todas as suas capacidades de inteligência, todas as suas capacidades judiciais para não apenas proteger estas pessoas, mas ir além e assegurar que se possa judicializar os responsáveis".
"Estes líderes, sobretudo em regiões afastadas, merecem maior proteção", disse.
Hochschild não se referiu aos possíveis responsáveis por estes homicídios em um país castigado por um conflito armado de mais de meio século, no qual participam guerrilhas, paramilitares, bandos de narcotraficantes e agentes estatais.
No entanto, o representante em Bogotá do Alto Comissariado da ONU para os direitos humanos, Todd Howland, havia apontado em março passado os grupos criminosos, surgidos após a desmobilização de grupos paramilitares há quase uma década, como o principal desafio de segurança do país.
"Estão atacando e ameaçando protetores e defensores dos direitos humanos, líderes comunitários, agentes do Estado e reclamantes no processo de restituição de terras, quando se opõem aos seus interesses políticos, econômicos ou criminosos", disse Howland.
A ONU se preocupa especialmente com os "líderes da esquerda em nível local", sobretudo ante as eleições regionais de outubro e os "representantes afrodescendentes dos conselhos comunitários na região do Pacífico" (oeste), uma conflituosa zona de narcotráfico.
Os líderes afro do Pacífico sofreram nos últimos meses "muitas ameaças e em alguns casos, homicídios" pela ação de grupos armados, que também geral risco de deslocamentos, disse Hochschild.
O prolongado conflito armado colombiano deixou pelo menos 220 mil mortos e mais de seis milhões de deslocados.
Desde novembro de 2012, o governo de Juan Manuel Santos dialoga em Cuba com a principal guerrilha do país, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas), para acabar com a conflagração, ainda que sem uma trégua bilateral na Colômbia.
AFP