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Freddy Guevara, vice-presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, em 19 de setembro em Nova York(afp_tickers)
O deputado opositor Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento venezuelano, pediu no sábado proteção à embaixada do Chile em Caracas, depois que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) anunciou que ele seria processado por delitos que poderiam resultar em penas de até 10 anos de prisão.
Guevara entrou na residência do embaixador do Chile "ante o que estima iminentes ameaças a sua segurança e integridade pessoal, (pelo que) solicitou a proteção do Chile", informou o ministério chileno das Relações Exteriores em um comunicado.
O TSJ anunciou na sexta-feira a suspensão da imunidade parlamentar do deputado Guevara para seu julgamento pelas acusações de "associação, instigação pública contínua e uso de adolescente para delinquir".
A oposição venezuelana, com maioria no Parlamento, acusa o TSJ atuar a serviço do governo do presidente Nicolás Maduro.
Ao mesmo tempo, a Assembleia Constituinte governista, que administra o país com poderes absolutos, investiga Guevara pelas manifestações de protesto contra Maduro que deixaram 125 mortos entre abril e julho.
Guevara, 31 anos, é uma das figuras mais importantes do partido Vontade Popular, liderado por Leopoldo López, atualmente sob prisão domiciliar.
Em um comunicado divulgado na sexta-feira após tomar conhecimento do processo contra ele, Guevara advertiu que acionaria "todos os alarmes internacionais" para denunciar "este fato que viola a Constituição".
O Grupo de Lima – integrado por 12 países da América que rejeitam a ruptura da ordem democrática na Venezuela - chamou o processo de "novo atentado contra o Estado de Direito e a divisão de poderes na Venezuela".
Guevara foi um dos nomes mais conhecidos nas manifestações que exigiam a saída de Maduro, que ele chama de "ditador". Durante os protestos, o opositor convocou passeatas e o bloqueio de ruas.
Freddy Guevara foi recebido na "qualidade de hóspede" na residência do embaixador e se tornou o sexto venezuelano a buscar refúgio na sede diplomática chilena em Caracas em quase três meses.
"Conforme sua tradição humanitária, aos princípios que inspiram nossa política externa e em coerência com as decisões adotadas em situações similares, o governo do Chile concedeu a qualidade de hóspede em nossa embaixada", afirma um comunicado ministerial.
Quatro juízes opositores ao governo de Maduro, que haviam sido nomeados pelo Parlamento, entraram em agosto na representação diplomática do Chile em busca de proteção.
Após várias semanas na residência, os juízes, três mulheres e um homem, decidiram fugir da Venezuela e entrar na Colômbia, onde confirmaram que buscariam asilo no Chile.
Eles afirmaram que se cansaram de esperar o salvo-conduto do governo de Maduro para deixar a Venezuela.
No dia 19 de outubro chegaram a Santiago e receberam a documentação necessária para residir no país e auxílio para a situação econômica, depois que suas contas foram bloqueadas na Venezuela.
O dirigente opositor Roberto Enríquez, presidente do partido social-cristão Copei, foi o primeiro venezuelano a solicitar proteção na embaixada chilena em abril e ainda permanece no local, também na qualidade de hóspede.
AFP