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A oposição política e atores da sociedade civil no Haiti pediram aos Estados Unidos neste sábado (6) que respeitassem a soberania do país, após o apoio oferecido por Washington ao seu controverso presidente, acusado de tentar estender ilegalmente seu mandato.
Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse na sexta-feira que um novo líder eleito deveria "suceder o presidente Jovenel Moise ao fim de seu mandato, em 7 de fevereiro de 2022".
A data é contestada por uma parte da população haitiana, que defende que o mandato de cinco anos de Moise termina um ano antes, neste domingo.
A declaração dos EUA “não tem qualquer importância política, pode ser uma manobra que visa quebrar a mobilização popular no território”, reagiu o opositor André Michel. "Nenhum país pode nos pedir para aceitar a violação de nossa constituição."
A divergência sobre as datas nasceu do fato de que Jovenel Moise foi eleito em uma votação anulada por fraude e depois reeleito um ano mais tarde.
Após essa questionada eleição, as manifestações da oposição política exigindo sua renúncia se intensificaram nas principais cidades do país durante o verão de 2018.
Nos últimos anos, a sociedade civil tem feito campanha contra a corrupção e a insegurança do Estado, em um momento em que as gangues se proliferam em todo o país.
O Haiti não tem parlamento há um ano e o presidente governa por meio de decretos, aumentando a desconfiança da população.
"Devemos deixar para trás o tempo em que as palavras estrangeiras pesavam sobre o Haiti e, infelizmente, na direção errada", disse Youri Latortue, uma figura da oposição política.