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Dia 13 de fevereiro, o estado (cantão) de Berna vota um projeto de construção de uma nova usina nuclear, para substituir a que existe na localidade de Mühleberg.
Essa votação tem valor de teste para uma votação nacional sobre a energia nuclear e poderá ter repercussões no debate fundamental acerca de novas centrais atômicas.
Mesmo se a votação será somente consultiva e que o resultado não seja coercivo, poderá um sinal claro para a questão nuclear.
Este ano, de fato, eleitores dos estados de Vaud e de Jura (oeste) também devem se pronunciar sobre a energia nuclear. Em 2013 ou 2014, em votação nacional, todos os eleitores decidirão se serão construídas ou não novas usinas nucleares.
Três lugares, duas usinas
No final do ano passado, depois de longas negociações, os três grupos que dominam o setor energético (Axpo, Alpiq e FMB) fecharam um acordo para construir, juntos, duas novas usinas nucleares por um montante de 20 bilhões de francos suíços. Três locais estão previstos: Gösguen, no estado de Solothurn, Beznau, no estado de Argóvia, justamente, Mühleberg, no estado de Berna.
Essas três localidades abrigam atualmente uma usina nuclear, datando da mesma época: Beznau começou a funcionar em 1969, Mühleberg em 1972 e Gösgen em 1978.
Se os eleitores do estado de Berna votarem contra uma nova central nuclear em seu território, Mühleberg seria excluída para a construção de uma nova usina. O governo estadual, em todo caso, prometeu submeter-se à decisão dos eleitores.
Até agora, o estado de Berna sempre votou majoritariamente em favor do átomo, ao contrário da capital, Berna, governada por uma coalizão entre socialistas e ecologistas (vermelho-verde): em novembro último, os eleitores da cidade de Berna decidiram abandonar o nuclear até 2039.
Sempre os mesmos embates
Na campanha eleitoral acerca da construção da nova usina que substituiria a atual em Mühleberg, a linha de confronto não mudou. Para os defensores do átomo, as novas centrais são indispensáveis para atender às necessidades da economia em abastecimento de eletricidade, segundo a deputada federal Chista Markwalder, do Partido Liberal Radical (PLR).
Ela é grande defensora das energias renováveis e preside o grupo parlamentar que milita por elas. Mas ela acha que é preciso ser realista: “A Suíça produz atualmente apenas 0,1% da eletricidade que consome a partir de energia nuclear e eólica, contra 40% de energia nuclear”. Portanto, esta não pode ser substituída pelas energias renováveis.
Meio ambiente e dependência
“Além disso, seríamos dependentes da importação de corrente do estrangeiro e essa energia é frequentemente produzida de maneira antiecológica, em usinas movidas a carvão ou gás. Isso é contrário às nossas exigências de política ambiental”, acrescenta a deputada, membro do comitêsim a Mühleberg.
Na parte adversa, as coisas são vistas de outra maneira, preconizando abandonar a energia nuclear: “Temos alternativas melhores e menos perigosas”, diz Franziska Teuscher, deputada federal ecologista e membro do comitê Não a Mühleberg.
“Podemos ter abastecimento em energia segura e substituir o átomo melhorando a eficiência energética e com energias renováveis como o vento, a água e a madeira.”
Um dos cenários previstos pelo governo federal mostrou que é possível abandonar o nuclear até 2035, acrescenta Franziska Teuscher. “Estudo da consultoria ambiental Infras provou que demanda em eletricidade poderia ser atendida, garantindo a autonomia energética da Suíça sem nova central nuclear.
Riscos
Enquanto os adversários do nuclear destacam a importância dos riscos e perigos para o meio ambiente e para a população, Christa Markwalder relativiza: “Tenho estudado de maneira aprofundada os riscos presentes em todas as alternativas de produção de eletricidade. No ano passado, fui a Tchernobyl e também vi as consequências negativas de um acidente de reator.” No entanto, é possível controlar os riscos, sublinha a deputada federal.
Lixo
Segundo o artigo 31 da lei suíça sobre a energia nuclear, as exploradores de uma usina são obrigados “a eliminar de maneira segura, arcando com as despesas, o lixo radioativo proveniente de suas instalações”. Não é tarefa fácil, uma vez é preciso contar 200 mil anos para que os dejetos radioativos deixem de ser perigosos para a humanidade.
A Sociedade Cooperativa Nacional para a estocagem dos dejetos radioativos (Nagra) procura há décadas o lugar adequado para estocar definitivamente o lixo radioativo das usinas nucleares, mas a questão resta em aberto. Hoje, o lixo está provisoriamente estocado em Würenlingen, estado de Argóvia (noroeste), até ir para um depósito subterrâneo, o que poderá levar décadas.
O projeto Mühleberg II, que será submetido a votação, inclui dois grandes depósitos provisórios. Além de material pouco e medianamente radioativos, restos muito radioativos também poderão ser estocados.
Detalhe curioso : essa informação não consta da documentação de voto enviada aos cidadãos bernenses. A lacuna foi duramente criticada pelos adversários na nova usina.
Entre os defensores do projeto, Christa Markwalder
explica à swissinfo.ch que trata-se de um entreposto provisório. Quando à questão do lixo radioativo em geral, ela declara: “É claro que temos de eliminar nós mesmo os dejetos e que não podemos exportá-los.”
Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch