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A Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria apresentou na quarta-feira um relatório condenando a batalha de Aleppo, que terminou em dezembro de 2016. Membro da Comissão, a suíça Carla Del Ponte acredita que o presidente Bashar al-Assad deve ser absolutamente julgado por crime de guerra.
Em 37 páginas, o relatório da Comissão, elaborado pelo Conselho de Direitos Humanos em 2011 (alguns meses após o início do conflito) documenta abusos cometidos por ambos os grupos armados rebeldes e as forças do governo sírio e seu aliado russo.
"Todas as partes cometeram graves violações do direito humanitário internacional que constituem crimes de guerra", conclui o relatório, que abrange o período de 21 de julho, o início do cerco de Aleppo pelas forças do regime, até 22 de dezembro de 2016, data da retomada da cidade.
Pela primeira vez, a comissão presidida pelo brasileiro Paulo Pinheiro põe diretamente em causa o regime pelo bombardeio de um comboio humanitário perto de Aleppo, em setembro. "Todos os relatórios, imagens de satélite, testemunhos e análises médico-legais envolvem as forças sírias", diz o relatório, que acusa o regime de ter "deliberadamente alvejado" o comboio. Damasco sempre negou seu envolvimento no ataque, assim como a Rússia.
Relatório após relatório, a Comissão documentou a responsabilidade esmagadora do regime de Assad nas atrocidades. "Faz seis anos que ele é responsável por um grande número de mortes de civis. Assad deve absolutamente ser julgado. Ele é o maior criminoso de todos", disse Carla Del Ponte em entrevista à rede de televisão suíça RTS.
Na verdade, Carla Del Ponte é conhecida por sua tenacidade e franqueza. Uma reputação estabelecida desde o seu início como procuradora no Ticino, cantão de língua italiana, e da Confederação Suíça desde 1994.
Nomeada em 1999 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas como procuradora do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) e do Tribunal Penal Internacional para o Ruanda (TPIR), Carla Del Ponte adquire fama internacional e se torna uma das estrelas da justiça internacional em pleno desenvolvimento.
Com essa experiência, foi nomeada em 28 de setembro de 2012 para a Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, composta por quatro investigadores.
Adaptação: Fernando Hirschy, swissinfo.ch