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Autoridades bolivianas de alto nível pediram neste sábado (16) a pacificação do país, após a morte, na véspera, de cinco camponeses leais ao ex-presidente Evo Morales em confrontos com a polícia, o que levou a ONU a alertar contra o uso desproporcional da força pelo novo governo.
"Estamos passando por momentos difíceis, pedimos aos movimentos sociais e outras organizações que diminuam as posições. Não podemos viver de luto", reclamou a presidente da Câmara de Senadores, Eva Copa, do partido de Morales.
"Convocamos a agora situação a poder sentar para dialogarmos sobre as bases nas quais vão ser enquadradas esta convocação e estas [novas] eleições", disse Copa.
Jerjes Justiniano, ministro da Presidência do novo governo da presidente interina Jeanine Áñez, tinha afirmado antes que as gestões para acabar com a violência devem envolver "o país todo" e pediu aos bolivianos: "vamos parar com essa atitude (de confronto) e, ao contrário, buscar coisas que nos unam".
Contudo, uma "concentração pela paz", convocada por associações de moradores de La Paz para pedir por o fim da violência após quase quatro semanas de protestos, confrontos e saques, foi suspensa de última hora, segundo os organizadores, "por motivos de segurança".
A algumas quadras do local onde a concentração aconteceria, cerca de mil camponeses vindo de um povoado de La Paz marcharam em protesto contra o novo governo provisório e em defesa de Morales.
Morales, asilado no México desde a terça-feira, renunciou no domingo após perder o apoio das Forças Armadas, após três semanas de protestos por sua questionada reeleição no pleito de 20 de outubro.
Jean Arnault, enviado pessoal do secretário-geral da ONU, António Guterres, para se unir a uma mesa de negociação entre governistas e congressistas pró-Morales, teve neste sábado um primeiro contato com Áñez no Palácio Quemado, em La Paz.
Falou com ela sobre a "pacificação", "e da necessidade urgente de um diálogo e conseguir o objetivo desejado de realização de eleições transparentes" (um compromisso assumido pela presidente interina), disse a jornalistas.
A violenta sexta-feira, que deixou cinco camponeses cultivadores de coca mortos, segundo o governo, e oito, de acordo com a Defensoria Pública, elevou a 15 o balanço provisório de mortos desde o início dos conflitos.
- 'Sair do controle' -
A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, denunciou neste sábado "o uso desnecessário e desproporcional da força pela polícia e pelo Exército" que pode levar a situação na Bolívia a "sair do controle".
"Realmente me preocupa que a situação na Bolívia possa sair do controle se as autoridades não a gerenciarem cuidadosamente, de acordo com as normas e os padrões internacionais que regem o uso da força e com um respeito pleno aos direitos humanos", ressaltou a Alta Comissária.
Bachelet destacou que 14 pessoas morreram nos seis dias seguintes ao exílio do ex-presidente Evo Morales no México. "Condeno essas mortes. Trata-se de um desenvolvimento extremamente perigoso, pois longe de apaziguar a violência, é possível que a agrave", acrescentou.
A proclamação da direitista Áñez como presidente na terça, em uma sessão sem o quórum regulamentar e após a renúncia de todos os que lhe antecediam na linha sucessória, revolta os seguidores de Morales.
"Tem mobilizações por toda parte, essas últimas 72 horas foram duras", criticou o ministro de Governo (Interior), Arturo Murillo, que anunciou que a ordem que as forças militares e policiais receberam é de "proteger o povo".
Desde a renúncia de Morales, após quase 14 anos no poder, seus partidários protestam nas ruas convencidos de que ele foi vítima de um golpe de Estado por parte da oposição.
"Nosso povo pede paz e acordo", tuitou Morales, do México. "Reitero minha convocatória ao diálogo de alto nível com mediadores para pacificar nossa querida Bolívia e preservar a vida e a democracia".
A presidente interina denunciou a presença de "grupos subversivos armados" no país, compostos por estrangeiros e bolivianos, mas expressou confiança de que "muito em breve possamos gritar liberdade".
"O propósito é que haja uma transição democrática e pacífica, mas infelizmente Evo Morales deixou uma estrutura de violência que está afetando todos nós", criticou neste sábado em contato por telefone com o líder opositor venezuelano Juan Guaidó, a quem exortou "libertar" seu país.
Em outro sinal das mudanças drásticas entre o governo de Áñez e o de Morales - aliado de Havana e da Venezuela, de Nicolás Maduro -, o diretor do escritório boliviano da Interpol informou neste sábado que um primeiro contingente de 226 médicos cubanos, de um total de 725 colaboradores, foram repatriados.
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