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O novo Parlamento espanhol foi constituído nesta terça-feira (3) após as eleições de novembro, as quais alavancaram o Partido Vox, de extrema direita, como terceira força no Congresso e não conseguiram eliminar o bloqueio político em que o país está mergulhado.
Vencedor das eleições, o chefe de governo interino, Pedro Sánchez, do socialista PSOE, ainda não tem apoio suficiente, em um contexto de alta fragmentação parlamentar.
Em apenas 48 horas após as eleições, Sánchez fechou um pré-acordo de coalizão com a esquerda radical do Podemos. Juntos, ainda somam apenas 155 deputados (120 do PSOE, e 35, do Podemos), longe dos 176 que marcam a maioria absoluta no Congresso de 350 cadeiras.
Para diminuir essa distância, seu partido está imerso em negociações com partidos nanicos regionais, incluindo os separatistas catalães da esquerda republicana (ERC), cujos 13 assentos podem ser a chave da governança.
"Queremos que exista um governo o mais rápido possível. Não quero colocar nenhuma data para isso", afirmou Sánchez na segunda-feira (2), que anteriormente previa a data da posse para antes do Natal.
Mas "não haverá terceiras eleições", disse o dirigente socialista que, depois de ter vencido as eleições de abril, não conseguiu ser reeleito no Congresso, provocando um retorno às urnas.
Instabilidade e longos períodos de bloqueio marcam a política espanhola desde 2015, quando o arco parlamentar foi fragmentado pelo surgimento de novas siglas e pelo declínio dos partidos tradicionais, PSOE e PP (conservadores).
Desde então, houve quatro eleições em quatro anos, além de uma moção de censura, por meio da qual Pedro Sánchez retirou o conservador Mariano Rajoy do poder em junho de 2018.
- Vox como terceira força -
A sessão constitutiva do Congresso começou com um pedido de desculpas aos espanhóis do parlamentar Agustín Zamarrón, presidente acidental da Câmara por ser o deputado com mais idade, por não ter sido capazes de nomear um governo após as eleições de abril.
Sánchez também venceu estas eleições, mas na ocasião não conseguiu fechar um acordo de coalizão com o Podemos, o que provocou a repetição das eleições em novembro.
A campanha esteve marcada pelo tema da Catalunha, onde a condenação à prisão em meados de outubro contra nove dirigentes separatistas pela tentativa de secessão de 2017 provocou fortes protestos, alguns deles de inusitada violência.
A fragmentação foi acentuada nas últimas eleições, com até 16 partidos diferentes representados no Congresso constituído nesta terça-feira. Nesta legislatura, a extrema direita do Vox surge como terceira força, atrás do PSOE e do PP (89 deputados).
As eleições foram marcadas pela crise na Catalunha.
A sentença de prisão em meados de outubro contra nove líderes separatistas pela tentativa de secessão de 2017 provocou fortes protestos, alguns deles de violência incomum.
Sem representação no Congresso há um ano, Vox obteve 24 deputados em abril, e 52, em novembro. A legenda chegou a ter uma vice-presidência na mesa do Congresso, seu órgão de governo.
Já o PSOE garantiu a presidência das duas câmaras constituídas nesta terça-feira. O catalão e ex-ministro Meritxell Batet continuará a liderar o Congresso, enquanto a juíza Pilar Llop, especializada em violência de gênero, presidirá o Senado.
Em um relatório da consultoria Eurasia, o analista Federico Santi vê um acordo "provável", embora "as negociações devam se estender por várias semanas".
"Mas o governo será inerentemente instável, e é improvável que sobreviva à legislatura", acrescentou.
Algumas vozes exigem um entendimento entre as duas grandes forças, o PSOE e o PP, para garantir a estabilidade.