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Venezuela afirma ter apreendido embarcações da Guiana em águas territoriais
As autoridades venezuelanas informaram nesta segunda-feira(25) que duas embarcações de bandeira guianense foram apreendidas "em flagrante" pescando "em águas de plena soberania" da Venezuela e não da Guiana, um novo episódio das crescentes tensões em torno de sua centenária disputa fronteiriça.
A Venezuela "rejeita as difamações" da Guiana "em relação à atividade de custódia da Marinha Nacional Bolivariana que levou à interceptação de dois navios guianenses", disse sua chancelaria em nota.
A Guiana qualificou como "agressão" a captura das embarcações pesqueiras na noite de sábado, que, segundo sua versão, ocorreu na zona econômica exclusiva da Guiana, e exigiu a liberação imediata das tripulações.
As embarcações pescavam “ilegalmente em águas de plena soberania e jurisdição da Venezuela, sem também possuir qualquer tipo de documentação legal”.
Este é o último incidente da disputa entre os dois países fronteiriços pelo Essequibo, um extensa área rica em recursos naturais, onde a americana Exxon Mobil encontrou petróleo em 2015.
Um país tem em sua zona econômica exclusiva (espaço de até 200 milhas náuticas a -370 km- do limite do mar territorial) soberania para explorar e explorar recursos, mas terceiros têm liberdade para navegar e sobrevoar.
O incidente ocorre um mês depois que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou "um novo território marinho" que, segundo a Guiana, se sobrepõe às suas águas e atinge o território a oeste do rio Essequibo.
A Guiana defende um limite estabelecido em 1899 por um tribunal arbitral de Paris, enquanto a Venezuela cita o Acordo de Genebra, assinado em 1966 com o Reino Unido antes da independência da Guiana, que estabeleceu as bases para uma solução negociada e anulou o tratado anterior.
A Corte Internacional de Justiça decidiu em dezembro, a pedido da Guiana, que tem jurisdição na matéria e que haverá audiências para ouvir as partes, um processo que pode durar anos e ao qual a Venezuela se opõe.
A audiência, marcada para segunda-feira, foi adiada para fevereiro, segundo o governo venezuelano.
Nos últimos anos, a Marinha da Venezuela interceptou vários navios de pesquisa de propriedade da Exxon Mobil e de outra empresa de petróleo dos Estados Unidos, a Anadarko Petroleum.
Caracas condenou a exploração de petróleo da Guiana em águas disputadas e as recentes manobras navais que realizou com os Estados Unidos.