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O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou neste domingo (3) que pedirá à União Europeia (UE) ajuda humanitária e proteção de ativos venezuelanos, a poucos horas do fim de um ultimato europeu dado ao presidente Nicolás Maduro para que aceite "eleições livres".
"Vamos exercer nossas competências para atender à crise, restabelecer a democracia e alcançar a liberdade", escreveu no Twitter o também chefe do Parlamento de maioria opositora, de 35 anos.
À meia-noite deste domingo vence o ultimato dado a Maduro por França, Espanha, Alemanha, Reino Unido, Portugal e Holanda: se Maduro não cumpri-lo, reconhecerão o opositor, como já fizeram Estados Unidos e uma dúzia de países.
A ministra francesa para Assuntos Europeus, Nathalie Loiseau, advertiu que se neste domingo Maduro não aceitar eleições presidenciais, considerarão Guaidó como presidente legítimo "até as eleições legítimas". A Áustria também se somou ao ultimato.
O opositor anunciará possivelmente neste domingo à noite a data de chegada da ajuda humanitária ao país, desafiando Maduro, que considera que essa iniciativa abre caminho para uma intervenção militar dos Estados Unidos.
Segundo Guaidó, será criada uma "coalizão nacional e internacional" com três centros de armazenamento de remédios e alimentos em Colômbia e Brasil, e em uma ilha caribenha, e haverá uma mobilização para exigir aos militares que deixem a ajuda entrar no país.
A pedido seu, os Estados Unidos já estão "mobilizando e transportando ajuda humanitária" para a Venezuela, anunciou na noite de sábado o conselheiro de Segurança Nacional americana, John Bolton.
Diante de uma multidão que comemorou no sábado o 20º aniversário da revolução chavista, Maduro chamou os opositores de "mendigos do imperialismo", pois os Estados Unidos ofereceram um montante inicial de 20 milhões de dólares em alimentos e remédios.
Em um comunicado conjunto, a UE e o Uruguai, por sua vez, confirmaram que o grupo de contato internacional sobre a Venezuela realizará sua primeira reunião em 7 de fevereiro em Montevidéu, data em que está convocada uma conferência de países e organismos com "posição neutra" sobre a crise venezuelana.
O Grupo de Lima se reunirá nesta segunda-feira em Ottawa depois que 11 dos 14 países do fórum, que inclui países latino-americanos e o Canadá, reconheceram Guaidó.
O conflito político é vivido em meio a uma severa crise econômica, com a hiperinflação e escassez de alimentos e medicamentos, que levou ao êxodo cerca de 2,3 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU.
Para piorar, a petroleira Pdvsa está em moratória e sua produção, em queda livre, se vê agora estrangulada por sanções dos Estados Unidos que embargarão a compra de petróleo venezuelano a partir de 28 de abril.
- Fissuras na Força Armada -
Buscando frear a investida de Guaidó, Maduro disse no sábado garantir a proposta da governista Assembleia Constituinte de adiantar de 2020 para este ano as legislativas, apostando que a oposição perderá o único poder que controla.
Mas seu principal apoio, a Forças Armada, começa a mostrar fissuras. No sábado, o general Francisco Yánez, da Aviação Militar, não reconheceu Maduro, tornando-se o militar na ativa de mais alto escalão a reconhecer Guaidó.
Bolton pediu aos militares que sigam "a liderança do general Yánez". No sábado à noite, outro general na reserva se manifestou.
"Querem entregar o país aos pedaços ao império gringo e às oligarquias locais (...) peço a você adesão máxima", lançou Maduro neste domingo aos soldados durante exercícios militares no nordeste do país.
Neste domingo, o presidente americano, Donald Trump, reafirmou que o uso do Exército na Venezuela "é uma opção" a ser considerada.
Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, oferece anistia aos militares que tentarem virar a Força Armada a seu favor. "Tenho certeza de que muitos soldados vão repetir isso muito em breve", assegurou, referindo-se ao general.
A especialista em assuntos militares Rocío San Miguel estimou que as declarações oficiais antecipam "o conflito que há dentro da Força Armada contra Maduro".
- 'Seguiremos nas ruas' -
Guaidó se autoproclamou após o Congresso declarar Maduro "usurpador", ao assumir em 10 de janeiro um segundo mandato considerado ilegítimo - também por parte da comunidade internacional - por resultar de eleições "fraudulentas".
Maduro, de 56 anos, afirma ter o apoio de China e Rússia, no que considera uma luta geopolítica na qual Washington usa Guaidó de "fantoche" para dar um golpe de Estado e ficar com as riquezas petroleiras da Venezuela.
Advertindo que este mês será "decisivo" para tirar Maduro do poder, Guaidó anunciou uma mobilização para 12 de fevereiro, no Dia da Juventude.
Maduro tem abordado de forma reiterada uma negociação, mas Guaidó assegura que não se prestará a diálogos "falsos" e que os venezuelanos "permanecerão nas ruas até que a usurpação cesse".
Na semana passada, distúrbios deixaram 40 mortos e 850 detidos, segundo a ONU.
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