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A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em Londres, em 29 de setembro de 2017(afp_tickers)
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse nesta quinta-feira (5), que o mundo está vivendo uma recuperação econômica, abrindo uma janela para os países tocarem reformas destinadas a alcançar uma prosperidade mais ampla e duradoura.
"A muito esperada recuperação global está criando raízes", disse ela em um pronunciamento na noite desta quinta-feira (5) na Kennedy School of Government de Harvard.
Países ao redor do mundo vivem uma expansão econômica renovada ou sustentada, e isso coincide com maior estabilidade dos bancos e confiança dos mercados, afirmou.
"Será que o mundo pode agarrar a oportunidade de uma ascensão para garantir a recuperação e criar uma economia mais inclusiva, que funcione para todos?", questionou.
Os apontamentos de Lagarde foram feitos uma semana antes do começo do encontro anual de FMI e Banco Mundial com 189 países membros, no qual o Fundo vai revelar suas previsões atualizadas para o crescimento global.
Desde o ano passado, o FMI enfrenta uma onda de populismo nos países desenvolvidos, com forças hostis ao liberalismo comercial ascendendo nos Estados Unidos e na Europa.
Mas Lagarde destacou que o que ela disse tem ameaças no horizonte, inclusive crescimento lento, desigualdade crescente em economias avançadas e fracasso na adaptação às mudanças tecnológicas.
"Como resultado, nosso tecido social está desgastado, e muitos países estão vivenciando polarizações políticas elevadas".
Lagarde disse que a falta de ações "deixaria uma boa recuperação ir para o lixo", levando ao crescimento fraco, criação de empregos lenta, redes de segurança desgastadas e sistemas financeiros expostos a crises futuras.
Além de pedir políticas monetárias e fiscais que estimulem o crescimento, Lagarde também afirmou que os países deveriam investir em infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento para impulsionar a produtividade e a demanda, o que pode reduzir o desemprego e os subempregos.
Expandir o acesso saúde e à educação, bem como a adoção de impostos progressivos, pode ajudar a reduzir a desigualdade, acrescentou.
"Pesquisas do FMI mostram que a desigualdade excessiva dificulta o crescimento e esvazia a base econômica de um país", afirmou. "Ela erode a confiança na sociedade e alimenta tensões políticas".
Lagarde também disse que a mudança climática é "uma ameaça a cada economia e a cada cidadão". Ela exemplificou com o caso de Bangladesh, onde uma alta de 1ºC anual em média na temperatura reduziria o PIB per capita em quase 1,5%.
"Tomadores de decisões devem usar todas as ferramentas à sua disposição para agir agora", disse ela.
AFP