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Suíça precisa enfrentar o racismo
A morte de George Floyd por um policial branco nos EUA provocou um debate mundial sobre a questão do racismo. A questão desencadeia dois sentimentos para os afetados: se é positivo discutir sobre o tema na Suíça, por que exibir imagens de um moribundo para dar relevância à questão?
Anja Glover se autodenomina uma afro-europeia. Nasceu em Zurique e vive em Lausanne. Estudou sociologia e estudos culturais em Lucerna e Paris. Trabalha como jornalista e dirige a agência de comunicação Nunyola.
O tema passou a ser discutido nos últimos dias. A principal pergunta, levantada quase sempre, mostra como é pouco relevante: existe racismo na Suíça? É a mesma pergunta que se faz sobre o sexismo. E uma resposta não é dada.
Mas mesmo que se reconheça a existência do racismo, as pessoas na Suíça estão convencidas de que lidamos com um tipo diferente de racismo: uma forma mais branda, não comparável ao que ocorre nos EUA.
Mas o racismo não se torna um problema apenas quando assume uma forma radical. Os casos extremos são simplesmente a consequência do aprofundamento estrutural da desigualdade, a que se dá pouca atenção e que não se combateu o suficientemente até então. O racismo não piorou: simplesmente ele agora é filmado.
Mas o fato é que a situação não é tão diferente dos Estados Unidos. O racismo estrutural também existe na Suíça: ele é um tipo de racismo que não é produzido pelas atitudes pessoais dos indivíduos, mas sim organização da interação social. Nos EUA, todo o sistema está estruturado de tal forma que os negros estão em desvantagem em relação aos brancos.
Na Suíça, o racismo estrutural é evidente nas batidas policiais ou controles de pessoas de supostos imigrantes ilegais. É chamado de “racial profiling”. É uma forma de categorizar as pessoas e colocá-las como grupos inteiros sob suspeita geral. Os negros são controlados com mais frequência do que os brancos.
Sim, o colonialismo suíço
Isso não seria comparável com os EUA? Nossa história é diferente. Mas só porque a Suíça não tinha colônias, não significa que ela não se envolveu com o colonialismo. Na nossa língua encontramos diversos resquícios de uma época marcada pela política racial. Mesmo casas e restaurantes ainda levam nomes que datam do período colonial.
O que aprendemos na escola sobre o papel da Suíça no colonialismo?
Até que ponto estamos conscientes do tráfico negreiro, cujos resquícios se encontram até hoje no chocolate suíço?
E o feito para combater o problema?
Por último, mas não menos importante, a produção cultural norte-americana se integrou à nossa sociedade. Ela reproduz caracterizações racistas, muitas vezes são adotadas sem qualquer crítica por nós.
Experiência diária na própria pele
O racismo é onipresente. Pessoas com cor de pele escura como eu a vivem diariamente. O discurso, por outro lado, é evitado com a maior frequência possível ou atribuído a extremistas.
O racismo permanece presente enquanto não tivermos a oportunidade de torná-lo visível e se o negarmos ou nos desculparmos pela sua presença.
Portanto, o primeiro passo contra o racismo é reconhecer que este existe, mesmo na Suíça.
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