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O emblemático cacique Raoni Metuktire, internado com uma úlcera gástrica e infecção intestinal, apresentou melhoras em seu quadro de saúde e pode receber alta "em breve", segundo o último boletim médico divulgado nesta segunda-feira (20).
O chefe dos kayapós, de cerca de 90 anos, está com "duas úlceras gástricas e infecção intestinal", mas apresentou "melhora no quadro clínico, segundo o Hospital Dois Pinheiros, situado na cidade de Sinop, no Mato Grosso, onde ele está sendo tratado com "antibióticos e protetor gástrico".
A hemorragia e a anemia provocadas pela úlcera foram controladas e ele "deve ter alta em breve", indicou o centro de saúde, cujas informações foram confirmadas pelo Instituto Raoni.
O líder indígena recebeu duas transfusões de sangue.
"Ele encontra-se em bom estado geral, lúcido e orientado, sem febre e a pressão arterial está controlada", informou a médica, Fernanda Quinelato.
O presidente da ONG francesa, Planète Amazone, Gert-Peter Bruch, disse à AFP que havia tido uma conversa brevemente com Raoni e que ele tinha "uma boa voz".
"Ele acabou de me dizer que seu médico o autorizará a sair (do hospital) na quarta-feira, e me pediu para avisar a todos seus amigos que ele está bem", informou Bruch.
O chefe dos Kayapó deu entrada no hospital na última quinta-feira na pequena cidade de Colíder (630 km ao norte de Cuiabá), com sintomas de fraqueza, falta de ar, perda de apetite e diarreia. ele fez testes para a COVID-19, mas os resultados foram negativos.
Após uma piora do quadro no sábado, Raoni foi transferido para o Hospital Sinop , onde iria fazer exames e ter acesso a uma unidade de terapia intensiva, caso sua condição se agravasse.
Os sintomas começaram no final de junho, após a morte de sua esposa, Bekwyjka, que faleceu por causa de um derrame. A morte da mulher que esteve ao seu lado por mais de seis décadas o deixou emocionalmente abalado, segundo parentes de Raoni contaram ao Planète Amazone, que coordena a campanha internacional do cacique.
Raoni é conhecido por viajar pelo mundo para conscientizar sobre a ameaça proveniente da destruição da Amazônia.
Desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o poder no Brasil, em janeiro de 2019, o cacique redobrou suas acusações de ataques a povos indígenas.
Em entrevista recente à AFP, ele acusou Bolsonaro de querer "aproveitar" a pandemia para promover projetos que ameaçam os povos indígenas, que já possuem um histórico de vulnerabilidade em relação às doenças externas.
Mais de 16.000 indígenas foram infectados com a COVID-19 e 543 morreram, segundo a Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Isso amedronta os 900.000 indígenas que vivem nas diferentes regiões do país.