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A aviação israelense retomou nesta terça-feira os bombardeios contra a Faixa de Gaza, depois de respeitar por algumas horas uma trégua proposta pelo Egito, mas rejeitada pelo movimento palestino Hamas, que controla o território.
Seis horas depois de ter aceitado uma trégua a partir das 06h00 GMT (03h00 de Brasília), Israel retomou seus bombardeios contra Gaza em resposta às dezenas de disparos indiscriminados de foguetes, indicou o porta-voz do exército, Peter Lerner.
Uma série de bombardeios caiu sobre o território palestino. Segundo os serviços de resgate em Gaza, ao menos dez pessoas ficaram feridas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia advertido nesta terça-feira que em caso de ataques Israel ampliaria sua ofensiva, que já deixou quase 200 mortos e 1.300 feridos.
"Se o Hamas não aceitar a proposta egípcia, como é o caso atualmente, Israel terá toda a legitimidade internacional para ampliar suas operações militares com o objetivo de restabelecer a calma", declarou Netanyahu durante um encontro com o ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, em Tel Aviv.
Mais de trinta foguetes foram disparados desde as 06h00 GMT (03h00 de Brasília) a partir do enclave palestino, segundo o exército.
Um ataque aéreo foi dirigido contra a cidade de Khan Yines, no sul do enclave, e outro contra o bairro de Zeitun, no leste da cidade de Gaza.
Libertação de prisioneiros
O Hamas, que diz ter ficado ciente do plano do Egito através dos meios de comunicação, rejeitou qualquer trégua que não inclua um acordo completo sobre o conflito.
O movimento islamita exige o fim dos bombardeios e do bloqueio a Gaza, a abertura do posto fronteiriço de Rafah com o Egito e a libertação de presos detidos depois de terem sido libertados em virtude de um acordo de troca por um soldado israelense em 2011.
"Excluímos uma trégua sem alcançar um acordo. Em tempos de guerra não se pactua uma trégua para depois negociar", declarou à AFP Fawzi Barhum, um porta-voz do Hamas.
O braço armado do Hamas também rejeitou a proposta egípcia, taxada de rendição, e ameaçou intensificar sua luta contra Israel.
No entanto, a direção política do movimento islamita parecia dividida. O número dois do movimento, Mua Abu Marzuk, baseado no Cairo, afirmou em sua página no Facebook que as consultas prosseguiam.
Diante da deterioração da situação em Gaza, o balé diplomático se acelerava nesta terça-feira.
O secretário americano de Estado, John Kerry, convocou o Hamas a aceitar a proposta egípcia de cessar-fogo com Israel na Faixa de Gaza.
"A proposta egípcia de cessar-fogo e negociações dá a oportunidade de acabar com a violência e restabelecer a calma", declarou Kerry.
Os meios de comunicação egípcios anunciam a chegada de Kerry ao Cairo nesta terça-feira, mas esta visita não foi confirmada.
Abbas no Cairo
O presidente palestino, Mahmud Abbas, convocou as duas partes a um cessar-fogo. Está previsto que o presidente viaje à Turquia, um aliado do Hamas, e depois ao Egito para abordar a situação de Gaza, segundo fontes palestinas.
O primeiro-ministro islamita conservador turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou Israel de ter cometido terrorismo de Estado e de realizar um massacre entre a população civil.
O chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, iniciou nesta terça-feira uma breve visita a Israel e à Cisjordânia, onde se reunirá com Abbas. A ministra italiana das Relações Exteriores, Federica Mogherini, também chegou a Israel nesta terça-feira.
Segundo um último balanço, os bombardeios israelenses contra Gaza deixaram 192 mortos e cerca de 1.300 feridos.
A Agência da ONU para os Refugiados Palestinos (UNRWA) lamentou a destruição maciça de casas na Faixa de Gaza.
Desde o início das hostilidades, cerca de 840 foguetes atingiram Israel, deixando quatro feridos em estado grave, e 200 foram interceptados pela defesa antiaérea, segundo o exército israelense.
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