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Humanos viviam na América do Norte há mais de 30.000 anos
Utensílios encontrados em uma caverna no norte do México evidenciam que os humanos viviam na América do Norte há mais de 30.000 anos, ou seja, 15.000 anos antes do que se pensava - de acordo com pesquisas arqueológicas publicadas nesta quarta-feira (22).
As amostras encontradas, entre elas 1.900 ferramentas de pedra entalhada, evidenciam uma ocupação humana na caverna de Chiquihuite, no norte do México, com 33.000 anos e que durou 20.000 anos, destacam dois estudos publicados na revista Nature.
"Nossas pesquisas fornecem novas provas sobre a antiguidade da presença de humanos nas Américas", declarou à AFP o arqueólogo Ciprian Ardelen, autor de um dos estudos.
Os utensílios mais antigos encontrados nesta caverna, localizada na altitude, foram datados com carbono 14 em um período de entre 33.000 e 31.000 anos antes da era cristã. "Não são muitos, mas estão lá", comentou esse pesquisador da Universidade Autônoma de Zacatecas.
Embora nenhum osso ou DNA tenha sido encontrado no local, "é provável que os humanos o tenham usado de forma relativamente constante, talvez em episódios sazonais recorrentes que fazem parte de períodos migratórios maiores", conclui o estudo.
A história de como e quando o Homo Sapiens chegou às Américas --a última grande massa de terra povoada pela espécie humana-- é frequentemente objeto de debate entre os especialistas.
- Teoria Clovis desmentida -
Por décadas, a teoria mais comumente aceita foi a de um assentamento de 13.000 anos correspondente ao chamado período Clovis, há muito considerado a primeira cultura americana.
Evidências arqueológicas - incluindo pontas de lança especialmente projetadas para matar mamutes e outros animais - sugeriram que essa população se expandiu pela América do Norte.
Essa teoria é questionada há 20 anos, com novas descobertas que colocaram o período dos primeiros povoadores em 16.000 anos atrás.
Além disso, as ferramentas e armas encontradas nesses locais não eram as mesmas, mostrando origens diferentes.
"Claramente, os seres humanos estiveram nas Américas muito antes do desenvolvimento da tecnologia Clovis", afirmou Ruth Gruhn, professora emérita de antropologia na Universidade de Alberta.
Em um segundo estudo, os pesquisadores da unidade do Acelerador de Radiocarbono da Universidade de Oxford Lorena Becerra-Valdivia e Thomas Highman usaram o carbono 14 - contando com outra técnica baseada em luminescência - para datar amostras de 42 locais América do Norte.
Usando um modelo estatístico, eles mostraram uma presença humana generalizada "antes, durante e imediatamente após o Último Máximo Glacial", entre 27.000 e 19.000 anos atrás.
- Megafauna extinta -
O momento deste período glacial é crucial, uma vez que se considera que os humanos que migraram da Ásia não poderiam ter atravessado as enormes camadas de gelo que cobriram grande parte do continente durante essa época.
"Se os humanos estiveram aqui durante o Último Máximo Glacial, é porque chegaram antes", afirmou Ardelean em um email.
As populações humanas presentes no continente durante um período anterior também coincidem com o desaparecimento da megafauna, incluindo mamutes e espécies extintas de camelos e cavalos.
"Nossas análises sugerem que a ampla expansão de seres humanos na América do Norte foi um fator chave na extinção de grandes mamíferos terrestres", concluiu a segunda investigação.
Em vez disso, ainda existem muitas perguntas não respondidas, como se o primeiro humano a caminhar na tundra congelada da Beringia seguiu para o sul por uma rota interior ou se, como sugerem estudos recentes, ele o fez ao longo da costa, a pé ou em barcos de algum tipo.
Também permanece um mistério "por que nenhum local arqueológico equivalente ao da caverna Chiquihuite nos Estados Unidos foi identificado", disse Gruhn.
"Com um ponto de entrada no estreito de Bering, as primeiras pessoas que se mudaram para o sul tiveram que passar por essa área", acrescentou.