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O cardeal cubano Jaime Ortega, em Havana, no dia 17 de dezembro de 2016(afp_tickers)
O cardeal cubano Jaime Ortega, autoridade da Igreja Católica em Havana e um dos principais promotores do estreitamento de laços entre Cuba e os Estados Unidos, vai deixar o cargo, informou o Vaticano na terça-feira.
Segundo o comunicado, o papa Francisco aceitou a aposentadoria de Ortega, que acontece pouco antes do cardeal completar 80 anos.
O cardeal cubano foi visto como um figura prática no lento e custoso desenvolvimento da ilha após os anos da Guerra Fria.
A Igreja católica, que por muito tempo manteve uma relação conturbada com o governo cubano, é hoje a única organização não estatal atuante no país comunista.
Em 2010, Ortega intercedeu junto ao presidente Raul Castro e ajudou a mediar um processo de libertação de 130 dissidentes. Do mesmo modo, o cardeal conduziu o aumento da cooperação entre o governo e a Igreja.
O cardeal, respeitado por sua discrição, também trabalhou como intermediário para o papa Francisco durante a negociação do fim de mais de cinco décadas de inimizade entre Cuba e os Estados Unidos.
Washington e Havana anunciaram em dezembro de 2014 que iniciariam um processo de normalização das relações diplomáticas entre os dois países, que foram de fato restabelecidas no ano passado.
A abertura de Cuba para o ocidente têm sido gradual, como um reflexo da cautela de Raul Castro em um momento em que a ilha passa por uma transição para uma nova geração de líderes comunistas depois de mais de 55 anos sob a liderança dos irmãos Castro.
Enfrentando dificuldades financeiras graves e agarrando-se a estratégias econômicas de estilo soviético, Havana tem se mostrado cada vez mais aberta à ajuda da Igreja.
Mas nesse país de mais de 11 milhões de habitantes, a igreja local, por exemplo, ainda não possui canais midiáticos próprios.
AFP