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O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu nesta segunda-feira (20) aos países das Américas que, como lição da covid-19, apoiem um convênio global de cumprimento obrigatório para enfrentar eventuais pandemias.
"Buscamos seu apoio para o desenvolvimento e a adoção de um acordo internacional juridicamente vinculante sobre preparo e resposta a pandemias", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus às altas autoridades do continente americano.
Um instrumento como esse "fornecerá um marco geral muito necessário para a segurança mundial, estabelecendo as regras do jogo e melhorando a solidariedade entre as nações", disse ao abrir o 59º Conselho Diretivo da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da OMS, que acontece virtualmente nesta semana.
Tedros pediu aos membros da Opas que fortaleçam o mandato da OMS e revertam o que considerou um "desequilíbro extenuante" entre as contribuições dos 194 Estados-membros e as doações feitas voluntariamente por países e outras organizações públicas e privadas.
Segundo dados da OMS, as contribuições cobrem menos de 20% do orçamento total da organização, o que condiciona seu trabalho às doações.
"Corrigir este desequilíbrio é fundamental para que a OMS seja a instituição independente e com autoridade que o mundo precisa", destacou Tedros.
O representante de governo dos Estados Unidos se mostrou interessado em avaliar um sistema para prevenir que um surto epidêmico se transforme em uma pandemia.
"Os Estados Unidos trabalharão com seus colegas países-membros da OMS e da Opas para fortalecer a OMS. E consideraremos os benefícios e desafios de desenvolver uma convenção, um acordo, ou outro instrumento da OMS sobre preparo e resposta a uma pandemia", prometeu o secretário da Saúde do presidente Joe Biden, Xavier Becerra.
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, também fez um apelo para reforçar a institucionalidade multilateral "para prevenir e atenuar melhor as consequências de futuras pandemias", lamentando que a política não tenha estado à altura do desafio da covid-19.
"Se os Estados tivessem compartilhado informações, coordenação e esforços desde o início desta pandemia e se tivessem tomado as medidas com a mesma capacidade de convicção com a qual fez a comunidade científica, sem dúvida, a situação hoje seria muito melhor", afirmou Piñera.
As sessões do 59º Conselho Diretivo da Opas, que acontecerão até sexta-feira (24) e podem ser acompanhadas nas redes sociais, debaterão e analisarão a resposta à pandemia de covid-19 e os principais desafios na saúde que as Américas enfrentam.
O coronavírus cobrou mais de 2,17 milhões de vidas no continente americano, com cerca de 88 milhões de casos registrados desde a detecção do primeiro contágio na região, em 21 de janeiro de 2020 nos Estados Unidos.