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A destruição e o vandalismo promovido por um grupo de 100 jovens manifestantes do chamado "Bloco Negro", durante o comício da UDC no último final de semana em Berna, repercute na imprensa internacional.
Correspondentes de jornais como o New York Times, Spiegel ou The Guardian destacam o ambiente tenso no país, poucas semanas antes das eleições gerais.
"Baderna abala política Suíça" é o título de uma matéria publicada na revista alemão "Der Spiegel". Correspondentes estrangeiros acreditam que a direita nacionalista vai se aproveitar do incidente para conquistar votos.
A manchete da reportagem publicada na edição de segunda-feira do New York Times resume a três palavras os temas que dominam atualmente o país: "Imigração, ovelha negra e raiva suíça".
Não apenas o prestigioso jornal americano passou a cobrir a campanha eleitoral na Suíça, um assunto que normalmente desperta pouco interesse da imprensa internacional, mas também outros grandes órgãos de imprensa.
Para a correspondente do NYT, Elaine Sciolino, o que chama atenção é o cartaz da União Democrática do Centro. Espalhado pelos quatro cantos do país, ele mostra três ovelhas brancas sobre uma bandeira suíça, expulsando do seu espaço, com um coice, uma ovelha negra e sobre o título "Para criar segurança". Aos seus leitores ela explica que não se trata do cartaz de campanha de um obscuro grupo extremista, mas do partido da extrema-direita que é detentor da maioria o Parlamento Federal e também parte do governo federal, da qual está representada por dois ministros (de sete).
"Com os eleitores se preparando para votar nas eleições gerais de 21 de outubro, o pôster - e a mensagem subliminar do partido - polarizaram o país que se orgulha de ser governado pela pacífica política da concordância, neutralidade na política externa e tolerância nas relações humanas", escreve Sciolino.
Estratégia copiada em outros países
"Der Spiegel", no seu site na Internet, revela que o cartaz de ovelhas da UDC já foi copiado pelo NPD (sigla em alemão para Nacionais-Democratas), partido da extrema-direita, para as eleições estaduais.
Após as violentas manifestações de rua durante o comício da UDC no sábado em Berna, a revista alemã publicou uma reportagem intitulada "Baderna abala política Suíça". Na galeria de fotos são vistas as imagens da destruição no centro da cidade e defronte o Palácio Federal (prédio que abriga o Congresso e alguns ministérios) provocada pelos manifestantes, em grande parte jovens ativistas do chamado "Bloco Negro", ligado aos movimentos anti-facistas e anarquistas.
O jornal inglês "The Guardian" cita na sua matéria o comentário do editorialista Markus Meier no NZZ (Neuen Zürcher Zeitung), o maior jornal da Suíça. "Como é possível que um grupo de pseudo-ativistas políticos organizem uma festa de tumulto na capital do país, causando milhares de francos em danos e deixando para os contribuintes a conta para pagar?". Sob o título "Suíça em alvoroço depois de distúrbio de extremistas em comício de partido da direita", o correspondente Ian Traynor relata que o ministro da Justiça e membro da UDC, Christoph Blocher, critica a polícia de Berna por não ter sido capaz de garantir a realização de um comício autorizado. "Está muito claro que o maior partido da Suíça não têm nem o direito de realizar uma reunião na praça federal", declarou Blocher no momento, sendo depois aplaudido pelos ativistas da UDC reunidos em outro local em Berna.
Depoimentos no NYT
Na sua reportagem sobre as eleições suíças, o NYT cita o haitiano James Philippe. Aos 28 anos, ele vive na Suíça há 14 anos e trabalha como assistente social e instrutor de hip-hop. À correspondente Elaine Sciolino, ele conta que é regularmente solicitado à polícia de mostrar seus papeis ou revistado. O haitiano fala alemão, francês, criolo e inglês, mas só agora recebeu seu passaporte suíço.
"A polícia me trata como seu eu não fosse um ser humano. Mas quando eu abro a boca e falo o dialeto suíço-alemão, eles ficam sempre chocados", cita o jornal James Philippe. "Nós (os imigrantes) vivemos aqui e queremos aprender. Nós limpamos suas ruas e fazemos todo o trabalho que eles (os suíços) não querem fazer. Se eles nos expulsarem, será que eles próprios vão fazer esse trabalho? Nós precisamos deles, mas eles também precisam de nós".
Entrevistado pelo NYT, Daniele Jenni, membro do comitê "Ovelha Negra", um grupo de protesto contra a atual campanha da UDC, não escondeu seus sentimentos. "As pessoas estavam antes relutantes de atacar o partido por medo de estar lhes fortalecendo. Agora elas estão se liberando desses sentimentos. Não podemos aceitar o papel de coelhos que não fazem nada, apenas esperando pela mordida da cobra".
swissinfo, Alexander Thoele
Tumultos em Berna
A duas semanas das eleições parlamentares na Suíça, grupos de esquerda impedem comício do Partido do Povo (SVP), de direita, acusado de fazer campanha eleitoral xenófoba e racista.
O saldo dos tumultos ocorridos em Berna, no último sábado (06/10), é de 18 feridos e 42 suspeitos detidos pela polícia local. Aproximadamente 500 manifestantes conseguiram impedir um comício do Partido do Povo (SVP ou UDC, União Democrática de Centro, na sigla francesa), marcado para acontrecer em frente à sede do governo, no centro da cidade. O evento deveria reunir dez mil simpatizantes do SVP, vindos de todo o país.
Um grupo de 50 a 100 ativistas mascarados tomou a praça central da cidade, incendiou carros e destruiu lanchonetes no local. Nas ruelas estreitas de Berna, a polícia travou um confronto violento com os ativistas, fazendo uso de gás lacrimogêneo para dispersar o protesto (Deutsche Welle).