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Por Yara Bayoumy e Peter Graff
CABUL (Reuters) - O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, iniciou nesta quinta-feira seu novo mandato prometendo combate à corrupção e empenho para que as forças locais assumam a segurança do país dentro de cinco anos.
Karzai, de 51 anos, também propôs a realização de uma "loya jirga" (assembleia tradicional), que pela Constituição afegã está acima de qualquer poder, inclusive da Presidência.
"Damos as boas-vindas àqueles que não são afiliados a nenhuma organização terrorista e cujas mãos não estão vermelhas do sangue afegão", afirmou ele, que também descreveu a corrupção como uma ameaça ao Estado, e prometeu medidas contra esse problema. Em um aparente aceno a seus apoiadores ocidentais, ele prometeu nomear ministros "competentes e profissionais."
Karzai inicia o segundo mandato em um momento em que a milícia Taliban recrudesce sua insurgência e os EUA discutem uma nova estratégia para a guerra no Afeganistão, iniciada há oito anos.
Sua reeleição foi marcada por fraudes generalizadas, o que, junto às queixas de corrupção e incompetência no governo, abalam sua legitimidade.
"Estamos determinados a que, dentro dos próximos cinco anos, as forças afegãs sejam capazes de assumir a liderança no sentido de garantir a estabilidade e a segurança em todo o país", disse Karzai.
Atualmente, essa tarefa cabe ao contingente estrangeiro que totaliza quase 110 mil soldados, sendo 68 mil norte-americanos, dos quais mais de metade chegaram neste ano.
O envio ou não de até 40 mil soldados adicionais dos EUA depende da confiança do governo de Barack Obama nas reformas de Karzai. Na quarta-feira, o presidente norte-americano disse que buscará encerrar o conflito ainda durante seu mandato.
CIDADE FANTASMA
Por causa da posse, a polícia interditou ruas e determinou que os cidadãos ficassem em casa, transformando Cabul praticamente em uma cidade fantasma.
No sul, onde a insurgência do Taliban está em seu pior nível desde o início da guerra no país, em oito anos, um homem-bomba matou dez civis num mercado, e um carro-bomba matou dois soldados dos EUA.
Ao menos em público, autoridades ocidentais foram elogiosas com o discurso de posse.
"O discurso inaugural que o presidente Karzai deu hoje estabeleceu uma agenda de mudança e reforma. Ele foi particularmente forte sobre as medidas que pretende tomar a respeito da corrupção", disse a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, que foi à posse.
"Achamos que agora a questão é garantir que sejam implementadas, que vejamos resultados."
O chanceler britânico, David Miliband, disse que o discurso foi "muito forte e substancial."
Já o ex-chanceler afegão Abdullah Abdullah, candidato derrotado na eleição presidencial, viu no discurso de posse "mais do mesmo."
"Ele tem falado nesses termos --em termos de trazer mudanças e reformas, e combater a corrupção, e trazer segurança e reconciliação-- nos últimos oito anos, e a situação piorou", afirmou.
(Reportagem adicional de Jonathon Burch, Hamid Shalizi e Yousuf Azimy)
Reuters