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Cerca de mil migrantes, a maioria haitianos e cubanos, foram bloqueados no nordeste da Colômbia em seu caminho rumo aos Estados Unidos por causa do fechamento das fronteiras imposto como forma de conter a pandemia, informaram autoridades locais nesta quinta-feira (28).
Instalados em barracas improvisadas ao longo da praia do município de Necoclí, migrantes esperam para cruzar o perigoso golfo de Urabá até sua próxima parada na cidade de Acandí, segundo César Zúñiga, diretor da Unidade de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD) de Necoclí contou à AFP.
Mas a prefeitura de Acandí, próxima à fronteira com o Panamá, se recusa a recebê-los, acrescentou a autoridade.
"Levantamos a possibilidade de instalar banheiros, baterias sanitárias (...) e colocar caixas d'água porque eles estão lá fazendo suas necessidades em campo aberto, na orla da praia", explica Zúñiga.
A população de cerca de 40.000 habitantes foi atingida por migrantes, principalmente haitianos e cubanos, embora também tenham pessoas de Burkina Faso, Senegal, Gana, Camarões, Congo, Guiné e Somália.
De acordo com a UNGRD, entre os estrangeiros há cem menores e também mulheres grávidas. Para o prefeito de Acandí, Alexandre Murillo, se os migrantes forem bloqueados em seu município, ainda menor que Necoclí, seria um "risco à saúde" para seus habitantes em meio à pandemia da covid-19.
"Não é que não queiramos (deixá-los passar), sempre apoiamos que se abra um corredor humanitário" na fronteira, complementou.
No momento, a autoridade de imigração não fez referência a essa possibilidade.
Segundo Murillo, a retomada dos voos internacionais e o fim do confinamento que prevaleceu entre março e setembro na Colômbia aumentaram o fluxo de pessoas na área.
O golfo do Urabá, onde Necoclí está localizada, é um dos principais pontos de trânsito de africanos, asiáticos e haitianos que buscam chegar aos Estados Unidos pelo mar do Caribe, com paradas em países da América Central.
Em 4 de janeiro, sete migrantes morreram no naufrágio de um barco ilegal nessa zona.
A Colômbia fechou suas fronteiras terrestres e fluviais desde 16 de março de 2020 para impedir a disseminação do novo coronavírus, que deixa mais de dois milhões de casos e 52.900 mortes. A medida vai durar pelo menos até 1º de março.