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O empresário e senador Thomas Minder - o grande vitorioso no plebiscito ocorrido na Suíça em 3 de março de 2013 - era um desconhecido do público há dez anos.
O sucesso da sua iniciativa (proposta de lei levada a plebiscito depois do recolhimento de um número determinado de assinaturas) contra salários exorbitantes de executivos deve-se, sobretudo, à sua luta solitária.
Seus opositores e amigos são unânimes em classificá-lo de alguém que não admite fazer compromissos. Porém ele mesmo se define como "teimoso" e "obstinado". Aos 52 anos, Thomas Minder dirige uma pequena empresa familiar baseada no cantão de Schaffhausen. Desde 2011 o suíço também assumiu um mandato de senado, porém sem filiação partidária.
Hoje, Minder é conhecido nos quatro cantos do país. Ele incomoda as elites políticas e econômicas, especialmente por ter uma missão: impedir que empresários abusem do seu poder se autorizando salários ou remunerações exageradas.
A chamada iniciativa "Minder" começou em outono de 2001 com a falência da Swissair. A principal companhia aérea da Suíça era uma importante cliente de Thomas Minder, que fabrica pasta de dente e sprays bucais. A situação econômica da Swissair colocaria em risco a sua empresa familiar.
Muito dinheiro por pouco trabalho
A Swissair foi fechada e deu origem à atual Swiss. As vendas de pasta de dente continuaram. Porém Minder sofreu um grande prejuízo, o que o levou a procurar culpados: eles estariam personificados na figura do último executivo da Swissair, Mario Corti, que ficou pouco tempo no cargo, mas pouco antes de assumi-lo já embolsava cinco salários anuais antecipadamente.
Ao mesmo tempo, os executivos da Companhia Suíça de Trens (SBB, na sigla em alemão), duplicava os seus salários. Como reação, representantes de peso do Partido Socialista utilizou, pela primeira vez, a expressão "salários abusivos". O antigo chefe da SBB, Benedikt Weibel, abdicou então de uma parte do seu salário anual. Ao mesmo tempo, os dois executivos do conglomerado eletrônico ABB, Percy Barnevik e Göran Lindahl quase provocaram a falência da empresa e, apesar disso, receberam indenizações após a demissão no valor de 233 milhões de francos.
Biografia
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Thomas Minder
Nasceu em 26.12.1960 no vilarejo de Neuhausen am Rheinfall (leste).
Frequentou uma escola de comércio e depois trabalhou como executivo de importação e exportação em uma empresa na França. Depois fez um MBA na Universidade de Fordham, Nova Iorque, EUA.
Minder é tenente-coronel no Exército suíço e foi comandante de companhia.
Há vinte e três anos dirige a Trybol AG em Schaffhausen. A empresa familiar não está cotada na bolsa. Por isso ele não declara sua remuneração.Aqui termina o infobox
Piruetas no Parlamento
Os protestos não se limitaram às ruas. O jornal populista "Blick" lançou na época uma campanha contra os salários abusivos. Foi então que Minder decidiu lançar a ideia de criar uma regulação especial para os acionistas terem o direito de autorizar os salários dos executivos durante as assembleias gerais. Em outubro de 2006 ele começou a recolher assinaturas para a sua iniciativa. Em pouco tempo já contava o número mínimo de 100 mil votos para permitir que ela fosse levada a plebiscito público em todo o país. A razão era simples: a indignação popular contra a suposta cobiça do empresariado era debatida em todos os canais.
Porém até o sucesso final da iniciativa o caminho foi longo. A oposição no Parlamento helvético, especialmente por parte da maioria conservadora e liberal, era grande a uma iniciativa considerada contrária aos interesses econômicos do país. Durante muito tempo ela foi debatida, até que uma contraproposta surgisse e a fosso possível determinar uma data para a realização do plebiscito nacional.
Lutador solitário
Durante todos esses anos, Minder defendia a iniciativa como lutador solitário. Depois da salvação estatal do maior banco da Suíça, o UBS, quase à beira da falência, o pequeno empresário intitulou seus executivos de "fracassados".
Na assembleia geral em abril do ano, ele quis entregar ao ex-presidente do UBS, Marcel Ospel, um exemplar das leis regulatórias do mercado acionário. Agentes de segurança expulsaram-no da sala como se fosse um criminoso.
Discussão com políticos de peso
Críticas contra salários abusivos, contra empresários incompetentes e ambiciosos e contra a letargia da classe política: Minder não falava apenas aos eleitores ou população que encontrava nas ruas, mas também nas mídias helvéticas. Assim ele se tornou lentamente uma figura de identificação dos indignados contra a avidez.
Assim é possível compreender como o pequeno empresário conseguiu ser eleito em outono de 2011 para o Senado. As barreiras para a eleição eram enormes. Na Suíça, geralmente apenas políticos muito tarimbados conseguem ser eleitos e, além disso, Minder não pertencia a nenhum partido. Desde então, o novo senador se destacou entre seus pares por polarizar e manter posições sem compromisso, o que escapa um pouco das tradições suíças. Porém ninguém nega que ele é alguém que fala o que pensa.
Depois de ser eleito ao Senado, Minder aderiu à fração do partido conservador União do Povo Suíço (SVP). Porém ele se mantém politicamente independente. Um dos fundadores do SVP , Christoph
Blocher, já foi chamado por ele de "traidor". Razão: o poderoso político apoiou sua iniciativa por alguns anos, mas depois se voltou contra ela.
Posições duras
Minder considera que o SVP cometeu muitos erros políticos, mas na questão "do direito de asilo, também sou muito duro". Em questões ligadas à energia, ele está em uma posição contrária ao partido mais importante do país. Como um político "verde", Minder também apoia as fontes renováveis de energia e o fim do uso da energia nuclear. Porém ele concorda que o SVP tem um "bom faro".
A inciativa apresentada por Minder deve fazer com que o direito dos acionários de empresas cotadas na bolsa de valores seja reforçado. Com isso, até os especialistas concordam, é possível frear a tendência de salários abusivos de executivos. Porém a inciativa ainda deve ser implementada pelo Parlamento. E é muito provável que a ela sejam acrescidos elementos, especialmente por parte dos partidos conservadores e liberais.
Não seria a primeira iniciativa popular a não alcançar o objetivo final. Thomas Minder também leva em conta esse possível cenário. "Eu nunca disse que o meu principal objetivo é a redução de salários", declarou há pouco tempo ao jornal francófono Le Temps. "Eu quero apenas dar aos acionários mais poder de decisão na questão da remuneração de executivos. Se estes preferem desperdiçar o dinheiro da empresa ao autorizar esse tipo de salário, então é problema deles."
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch