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A campanha presidencial de Donald Trump recebeu uma oferta de cooperação "política" de Moscou em novembro de 2015, revelam documentos enviados pelo procurador especial Robert Mueller a um tribunal de Nova York.
Um importante funcionário russo ofereceu à campanha de Trump "sinergia a um nível de governo" em um contato em novembro de 2015, segundo os documentos entregues por Mueller ao tribunal de Nova York que julga Michael Cohen, ex-advogado do atual presidente americano.
"Cohen recebeu informação do contato e falou com um cidadão russo, que afirmou ser uma 'pessoa de confiança' da Federação Russa que ofereceu à campanha 'sinergia política' e 'sinergia a um nível de governo'", destaca o documento enviado por Mueller.
O cidadão russo - que não foi identificado - propôs a Michael Cohen uma reunião com o líder russo, Vladimir Putin, e esta "pessoa disse que uma reunião assim teria um impacto 'fenomenal' não 'apenas politicamente, mas de dimensão empresarial também'", acrescenta o relatório.
Trump lançou nesta sexta-feira uma série de ataques à investigação pela trama russa, antes da publicação dos detalhes sobre o processo.
No Twitter, o presidente denunciou "os vários conflitos de interesse" que teria com Robert Mueller, que investiga as acusações de conluio entre a equipe de campanha do empresário e a Rússia nas eleições de 2016.
Depois de seus tuítes, Trump anunciou a indicação de William Barr como procurador-geral, em substituição a Jeff Sessions no Departamento de Justiça, e também confirmou a ex-jornalista da emissora Fox News Heather Nauert como sua embaixadora na ONU, no lugar de Nikki Haley.
Sessions, que havia apoiado Trump desde a campanha, sentenciou o seu futuro no cargo de procurador-geral quando decidiu se afastar da investigação sobre a trama russa, e o presidente americano anunciou a sua saída no início do mês, decisão que gerou questionamentos sobre a investigação em curso.
A escolha de Barr, jurista que ocupa novamente o cargo que exerceu durante a presidência de George H.W. Bush na década de 1990, foi bem recebida em Washington, mas ainda deve ser confirmada pelo Senado, e levando em consideração o calendário legislativo, é pouco provável que assuma suas funções antes do ano que vem.
Uma vez terminada a atmosfera de trégua induzida pela morte do ex-presidente George H.W. Bush, que mergulhou o país em um luto nacional que deu uma imagem incomum de unidade, Trump voltou às críticas, centrando-as no ex-chefe do FBI James Comey, a quem afastou do cargo em maio 2017, e em Mueller.
Em sua conta no Twitter, o presidente disparou contra a investigação de Mueller: "já existem 87 páginas escritas, mas obviamente não podemos terminar até que vejamos o relatório final sobre essa caça às bruxas".
- O fim do silêncio de Mueller -
Ao contrário de Trump, Mueller mantinha há 18 meses um silêncio inquebrantável. Este fuzileiro naval que comandou o FBI por 12 anos se destaca por uma discrição extraordinária, que faz com que os vazamentos em Washington de sua investigação sejam pouco comuns.
Além dos documentos sobre Cohen, nesta sexta-feira, a equipe de investigação entregou à Justiça detalhes sobre as alegações de que o ex-chefe de campanha do presidente Paul Manafort mentiu ao FBI.
Segundo o gabinete do procurador especial, Manafort mentiu sobre os contatos que mantinha com os funcionários da administração após firmar o acordo de delação.
Os documentos revelam que Manafort mentiu sobre o pagamento de uma dívida e sobre negociações com Konstantin Kilimnik, seu sócio comercial que supostamente seria um agente da Inteligência russa.
"O acusado violou seu acordo de delação de numerosas maneiras ao mentir para o FBI e para o gabinete do procurador especial".
Manafort trabalhou cerca de seis meses na campanha Trump em meados de 2016. Em setembro havia concordado em se declarar culpado das acusações de conspiração contra os Estados Unidos e obstrução à Justiça em um acordo para evitar uma segundo processo por lavagem de dinheiro e lobby ilegal.
Atualmente na prisão, este ex-consultor surge como testemunha-chave do processo.
Enquanto isso, Comey começou a depor nesta sexta-feira aos legisladores do Congresso dos Estados Unidos.
Comey testemunhou em duas comissões da Câmara de Representantes, por mais de seis horas, e voltará a depor no dia 17 de dezembro.
O ex-diretor do FBI foi interrogado pelos republicanos sobre a possível interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 e sobre a democrata Hillary Clinton, derrotada por Trump no pleito.
"Os emails de Hillary Clinton, pelo amor de Deus", disse Comey durante o depoimento. "Não acredito que tenhamos que fazer isto".
Logo após o fim da audiência Trump tuitou: "Informam que James Comey foi orientado pelos advogados do departamento de Justiça a não responder as principais perguntas. Parcialidade e corrupção total nos níveis mais altos da administração anterior".
Mas Comey garantiu que apenas evitou responder uma "pequena parte" das perguntas. "O FBI, por razões que se pode entender, não quer revelar detalhes de uma investigação em andamento e que começou quando ainda era o diretor".
A audiência foi realizada a portas fechadas, mas seu conteúdo será publicado 24 horas depois, a pedido de Comey, que teme vazamentos de "informações seletivas" e que representantes republicanos distorçam suas palavras.