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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nomeou como ministro do Petróleo Tareck El Aissami, funcionário enquadrado em sanções dos Estados Unidos, e como presidente da PDVSA, Asdrúbal Chávez, parente do ex-presidente Hugo Chávez, de acordo com decretos publicados nesta segunda-feira (27) no Diário Oficial da República.
O vice-presidente da área econômica El Aissami "está habilitado" para a "reestruturação e reorganização" do ministério, indica o documento, no momento em que os preços do petróleo caem devido à redução na demanda em meio à pandemia de coronavírus, e ao declínio da produção venezuelana.
O novo ministro do petróleo está entre as dezenas de colaboradores de Maduro que foram alvo de sanções por parte da Casa Branca, que pressiona para tentar retirar o governante do poder.
O Departamento do Tesouro ordenou, em fevereiro de 2017, o congelamento de contas e ativos que El Aissami pode ter nos Estados Unidos, incluindo-o em sua lista negra por acusações de ligações ao narcotráfico.
Em 26 de março, ele estava entre as autoridades contra as quais a Justiça americana apresentou acusações de "narcoterrorismo", incluindo Maduro, com recompensas milionárias por informações que levem à sua captura.
Os Estados Unidos oferecem 15 milhões para Maduro e 10 para El Aissami.
Por sua parte, Asdrúbal Chávez foi nomeado presidente da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
O novo chefe da empresa - primo do ex-presidente Chávez (1999-2013) - liderou o Citgo, subsidiária da empresa nos Estados Unidos, cargo que ocupou de 2017 até Washington revogar seu visto, em 2018.
Washington entregou o controle da Citgo a Juan Guaidó, líder parlamentar da oposição reconhecido pelos Estados Unidos e mais de 50 governos como presidente interino da Venezuela, depois que a maioria legislativa declarou Maduro "usurpador", acusando-o de ser reeleito fraudulentamente.
Até agora, o general Manuel Quevedo compartilhava as posições de ministro do petróleo e presidente da empresa estatal venezuelana. Foi nomeado em novembro de 2017 por Maduro.
Na sexta-feira passada, o preço do barril de petróleo venezuelano caiu de 10 dólares para 9,9 dólares, o menor nível em duas décadas.
Essa queda ocorre no momento em que a produção da PDVSA chega a pouco mais de 700.000 barris por dia, de acordo com o relatório do governo de Maduro à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Estava acima de três milhões de barris por dia em 2008.
Os preços do petróleo estão caindo em todo o mundo, afetados por um excesso de oferta no momento em que a demanda está em queda livre devido a medidas de confinamento para combater o coronavírus, que reduziram a mobilidade e o consumo de combustível em todo o mundo.
- Emergência energética -
Assim, Maduro avançou na reorganização da indústria de petróleo que prometeu em 19 de fevereiro, quando declarou a "emergência energética" na Venezuela após sanções de Washington a uma subsidiária da empresa russa de petróleo Rosneft.
A empresa foi acusada de ajudar Caracas a comercializar seu petróleo bruto, sobre o qual pesa um embargo americano.
O presidente nomeou uma comissão chefiada por El Aissami para esse processo. Dias depois, novos gerentes foram nomeados para a PDVSA nas áreas de exploração e produção, refino, suprimento e finanças.
Existem vários detidos, acusados de corrupção e de entregar "informações confidenciais" aos Estados Unidos.
Os movimentos não trouxeram sinais de recuperação em um país dependente de suas exportações de petróleo.
Durante o confinamento por conta do novo coronavírus, a escassez de gasolina na Venezuela piora.
Longas filas de veículos se formam em postos de combustível em Caracas, um dos poucos locais do país onde se encontra gasolina.
Os venezuelanos sofrem uma crise devastadora, com hiperinflação e desvalorização da moeda.
O governo anunciou nesta segunda-feira um reajuste de 77,7% no salário mínimo, que passa a 4,6 dólares por mês.
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