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Deputados da maioria opositora do Parlamento da Venezuela assistiram nesta quarta-feira (15) a uma sessão em um anfiteatro nos arredores de Caracas, após denunciarem ataques com armas de fogo quando tentavam chegar de carro ao Palácio Legislativo, incidentes nos quais não foram reportados feridos.
"Há um disparo na janela do motorista do meu veículo", disse à imprensa antes da sessão Juan Guaidó, líder parlamentar reconhecido como presidente encarregado por meia centena de países, a começar pelos Estados Unidos.
"É um atentado" da "ditadura", disse.
Guaidó, que disputa o poder com o chefe de Estado socialista Nicolás Maduro, não estava no carro.
Deputados opositores denunciaram que grupos civis afins ao chavismo, chamados de "coletivos", atiraram contra eles quando se dirigiam em uma caravana de veículos à sede da unicameral Assembleia Nacional, cercada por centenas de militares e policiais.
"Fomos agredidos com paus e pedras e depois atiraram", declarou a legisladora Delsa Solórzano, que integrava uma comissão para comprovar o que Guaidó e seus aliados qualificaram de um "sequestro" do plenário.
"Coletivos armados atiraram contra nós", havia descrito Solórzano no Twitter durante os incidentes. Jornalistas da AFP ouviram explosões nos arredores.
A Assembleia Nacional, que difundiu fotos de uma caminhonete com os vidros quebrados e outros veículos danificados, decidiu então transferir a sessão a um anfiteatro em El Hatillo, na zona leste da capital venezuelana.
"Este 2020 deve e tem que ser o ano das realizações", disse Guaidó no final da sessão. Expulsar Maduro do poder "ainda é uma tarefa pendente", acrescentou.
- Proteger espaços -
Guaidó havia convocado a sessão legislativa para esta quarta-feira por ocasião do Dia do Professor, em um momento em que os professores pedem melhorias diante dos baixos salários e das precárias condições de trabalho.
No entanto, o presidente da governista Assembleia Constituinte, que rege o país, Diosdado Cabello, convocou uma sessão deste órgão no mesmo dia e hora.
"Vamos celebrar quantas sessões forem necessárias para proteger estes espaços", disse Cabello durante rápida reunião dos constituintes e voltou a convocá-los para a quinta-feira.
A situação desconsidera as decisões do Parlamento, declarado em desacato em 2016 pouco depois de a oposição assumir o controle do órgão. A Assembleia Constituinte assumiu na prática as suas atribuições.
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