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Este conteúdo foi publicado em 13. julho 2020 - 08:45
Cientistas da Basileia confirmaram que o medicamento para malária hidroxicloroquina e o medicamento para HIV lopinavir não funcionam contra a Covid-19. A concentração dos dois medicamentos nos pulmões não é suficiente para combater o vírus.
Em fevereiro de 2020, a Universidade da Basileia e o Hospital Universitário da Basileia começaram a monitorar uma gama de meios de diagnóstico e tratamentos potenciais para a Covid 19, incluindo o uso de hidroxicloroquina e lopinavir/ritonavir.
Em particular, o grupo de pesquisa analisou como a inflamação induzida pelo vírus afetou a concentração de lopinavir e hidroxicicloroquina no sangue.
Os cientistas também descobriram a que ponto a concentração de ambos os medicamentos deve ter sido elevada nos pulmões - a principal área infectada pela Covid-19.
Os resultados mostraram claramente que era improvável que ambas as drogas alcançassem concentrações suficientes para inibir a propagação do vírus no pulmão, disse uma declaração da Universidade da Basileia.
Avaliação da OMS
O estudo, publicado na revista Antimicrobial Agents and Chemotherapy Journal, confirma o parecer da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 4 de julho, a OMS decidiu interromper os testes com hidroxicloroquina e lopinavir/ritonavir em pacientes hospitalizados com Covid-19, após os medicamentos não terem reduzido a mortalidade.
Manuel Battegay - corresponsável por este estudo e chefe da Divisão de Doenças Infecciosas e Epidemiologia Hospitalar do Hospital Universitário da Basileia - disse que os resultados do estudo suíço proporcionaram importantes conhecimentos farmacológicos e antivirais que justificam a interrupção dos testes com lopinavir/ritonavir.
"Na verdade, eles explicam por que a hidroxicloroquina e o lopinavir não são eficazes contra a SARS-CoV-2", disse a declaração.
Debate político
A hidroxicloroquina tem sido alvo de um debate político depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a promoveu, embora não houvesse evidência científica de que ela ajudasse contra o novo coronavírus.
O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que anunciou na semana passada que havia testado positivo para a Covid-19, disse que estava tomando hidroxicloroquina. Ele já havia incitado seu governo a tornar o medicamento contra a malária amplamente disponível e encorajou os brasileiros a tomá-lo, tanto para prevenir a doença quanto para tratá-la.