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Um organismo de vigilância das finanças públicas de Moçambique está exigindo um alívio total da dívida estimado em US$2 bilhões (CHF 1,8 bilhões) do Credit Suisse, ou seja, dez vezes mais do que o gigante bancário suíço está disposto a amortizar.
"A admissão de responsabilidade do Credit Suisse, o não cumprimento da lei (...) e o envolvimento dos funcionários em suborno ressalta a legitimidade da exigência de cancelamento total da dívida ilegal", disse o Fórum de Monitoramento Orçamentário (FMO), uma coalizão de grupos da sociedade civil que se ocupam da prestação de contas das finanças públicas.
A declaração foi feita em resposta a um acordo alcançado pelo banco suíço com os reguladores em vários países em relação a um esquema de corrupção em Moçambique, informou quinta-feira a agência de notícias Keystone-SDA. Não houve nenhum comentário imediato do Credit Suisse.
Na terça-feira, sob um acordo alcançado pelas autoridades americanas e britânicas, o Credit Suisse concordou em perdoar US$ 200 milhões em dívidas com a nação africana.
Os encargos referem-se aos quase US$1 bilhão em ofertas de títulos e um empréstimo sindicado que o Credit Suisse ajudou a organizar entre 2013 e 2016. Os fundos foram destinados a financiar uma indústria estatal de pesca de atum e a desenvolver a segurança marítima em Moçambique.
As autoridades americanas descobriram que o Credit Suisse violou as leis de suborno dos EUA, informou a Bloomberg na terça-feira. Grande parte dos chamados "títulos do atum" foram desviados via comissões para o Credit Suisse e autoridades moçambicanas, disseram eles.
Em um caso separado, a Autoridade de Supervisão do Mercado Financeiro Suíço FINMA disse ter encontrado "sérias deficiências organizacionais" em um inquérito sobre um caso de espionagem no Credit Suisse que eclodiu há dois anos.
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