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Colombianos chegam em Cúcuta, Colômbia, após saírem da Venezuela, no dia 26 de agosto de 2015(afp_tickers)
Uma solução rápida e imediata para o sofrimento das pessoas afetadas no conflito migratório entre a Colômbia e a Venezuela pode ser seu tratamento na Corte Internacional de Justiça (CIJ) da ONU, afirmou nesta quarta-feira à AFP o juiz espanhol Baltasar Garzón.
"Ou há uma solução pelo diálogo ou pela justiça internacional", disse o magistrado em Buenos Aires, antes de um Congresso da Fundação Jurisdição Universal, fundada por ele e com a presença de quase mil dirigentes, ativistas e funcionários.
"Não me parece adequado que o caso vá para a Corte Penal Internacional (CPI, que trata de casos criminais). Sim, me parece que pode ir para a CIJ, através de uma opinião consultiva nas Nações Unidas. É o mais rápido", disse Garzón, assessor do governo colombiano para temas jurídicos.
O homem que conseguiu a detenção do ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1973-90) em 1998, em Londres, por crimes contra a humanidade, disse que na crise colombo-venezuelana "há pessoas vulneráveis, menores de idade ou idosos que são privados de seus direitos à assistência em sua vida comum. É algo inaceitável".
Cerca de 20.000 colombianos são afetados pela crise fronteiriça com a Venezuela, com quase 1.500 deportados e mais de 18.000 que fugiram do país vizinho por medo de serem expulsos, segundo a ONU. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, denunciou as deportações.
Seu contraparte venezuelano, Nicolás Maduro, mobilizou milhares de militares e fechou passagens de fronteira com o argumento de combater o contrabando no qual estariam envolvidos paramilitares colombianos que desejariam desestabilizar o governo.
"Em um prazo não superior a seis meses, a CIJ deveria se pronunciar e definir o que se pode e o que não se pode fazer. Há grupos confrontados, há grupos criminosos. O que não se pode nunca é produzir esta situação, que na realidade é reiterada", disse Garzón.
Os dois presidentes se disseram dispostos ao diálogo, mas só há mediações preliminares na região.
AFP