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Prisão preventiva para acusado de estuprar Antonia Barros, um caso que abala o Chile
A Justiça chilena reverteu a decisão de prisão domiciliar, ordenando nesta sexta-feira (24) a prisão preventiva de Martín Padrenas, acusado de estuprar Antonia Barros, que depois se suicidou, um caso que abalou o Chile.
A decisão em primeira instância na quarta-feira de prisão domiciliar para Padrenas, de 28 anos, desencadeou uma série de protestos em várias cidades do Chile, especialmente em Temuco, cerca de 850 km ao sul de Santiago, onde ocorreu o estupro.
Centenas de mulheres protestaram contra a decisão na cidade e denunciaram o tratamento "machista" durante a audiência, onde foi questionado se Antonia havia bebido álcool antes do suposto estupro.
A promotoria recorreu da decisão e a Justiça ordenou nesta sexta-feira a prisão preventiva de Pradenas, considerando que ele "é um perigo para a sociedade", por causa do "número e natureza dos crimes cometidos contra os direitos humanos das mulheres".
A decisão também lembra que "apenas a embriaguez ou o consumo de substâncias tóxicas não pode ser considerado um consentimento prévio para manter uma relação de conotação sexual".
Além do caso de Antonia Barros, Padrenas é acusado de quatro outros incidentes de abuso sexual.
O caso de Antonia ocorreu em 18 de setembro de 2019, e foi reconstruído com base em mensagens para vários amigos no WhatsApp.
Antonia acordou em uma cabana na cidade de Pucón, com Pradenas em cima dela, depois que saíram de uma festa. Em seguida, ela contou que gritou para ele sair, se vestiu e foi embora.
A vítima narrou às amigas que havia sido estuprada, mas recusou-se a denunciá-lo por medo da reação dos pais. Ela contou ao ex-namorado, que a insultou e gravou a conversa, chegando mais tarde ao agressor.
Em outra mensagem, três semanas após o ataque, em 13 de outubro de 2019, Antonia se despediu antes de cometer suicídio.