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As novas notas de bolívares emitidas pelo Banco Central da Venezuela exibidas em 7 de dezembro de 2016 em Caracas(afp_tickers)
O governo venezuelano anunciou, nesta sexta-feira (22), que concederá apenas divisas que não sejam o dólar, motivo pelo qual pediu aos empresários que abram contas na Europa, ou na Ásia, denunciando um "bloqueio" dos Estados Unidos.
"Setores produtivos: abram contas em países da Europa, da Ásia. Não voltaremos a fazer nenhum tipo de leilão com dólares. Agora, vamos fazer uma cesta de moedas", disse o vice-presidente Tareck El Aissami, durante uma reunião com empresários.
Caraca exerce um ferrenho controle cambial desde 2003, por meio do qual monopoliza as divisas. Pelo menos 96% da receita provém da venda de petróleo.
Com a queda dos preços da commodity a menos da metade desde 2014, o país enfrenta uma seca de dólares que reduziu drasticamente sua oferta ao setor privado.
Nesse país dependente das importações, esse quadro se traduziu em escassez de todo tipo de bens básicos e insumos. Isso levou muitos empresários a comprarem dólares no mercado negro, onde a moeda americana é cotada 6,6 vezes acima da última taxa aplicada pelo Banco Central, em um mecanismo de leilões vigente entre maio e inícios de setembro.
Segundo consultorias privadas, tudo contribui para que a Venezuela tenha a inflação mais alta do mundo. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação será de 720% este ano.
El Aissami reiterou que os Estados Unidos vêm bloqueando pagamentos de e para a Venezuela, como parte de um pacote de sanções contra o governo do presidente Nicolás Maduro.
Ele citou como exemplo uma refinaria nos Estados Unidos que tinha uma dívida com a Venezuela e nenhum banco desse país quis lhe entregar a respectiva carta de crédito.
"Refina petróleo, mas seus produtos ficam no mercado americano e tiveram de fazer manobras para nos pagar diretamente", afirmou.
Há uma semana, a Venezuela começou a informar os preços de sua cesta de petróleo em iuanes.
AFP