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O capelão do exército ruandês, exilado político na Suíça, foi preso quinta-feira, 12.7, em Genebra, sob mandado do Tribunal Penal Internacional da ONU. Ele é acusado pelo TPI de crime contra a humanidade e crime de guerra no genocídio em que morreram cerca de 500 mil pessoas em Ruanda, em 1994.
O padre ruandês, atualmente com 42 anos, era capelão do exército quando do genocídio de 1994. Ele teria incitado à exterminação da etnia tutsi e transmitido ao Exército listas de pessoas a serem executadas.
A suspeita é do Tribunal Penal Internacional da ONU (TPI), criado especialmente para julgar crimes cometidos na ex-Yugoslávia e em Ruanda. Em 1994, em clima de ódio racial, cerca de 500 mil pessoas, principalmente da etnia minoritária tutsi, foram massacradas pela maioria hutu.
Suspeito de genocídio, crimes de guerra e crime contra a humanidade, o padre vivia em Genebra há alguns anos e foi preso a pedido do TPI, depois que o Tribunal ouviu uma série de testemunhas.
Investigações foram feitas na Suíça pela Justiça militar, competente nas acusações de crime de guerra, e transmitidas à procuradora geral do TPI, a suíça Carla Del Ponte, que emitiu o mandado internacional de prisão.
O Ministério suíço da Justiça e Polícia, em Berna, ordenou a extradição do padre, cuja identidade não foi revelada, para o TPI da ONU, mas o acusado pode recorrer ao Supremo Tribunal Suíço (TF) para evitar a extradição.
Este foi o terceiro cidadão ruandês, acusado de crime de guerra e genocídio, preso na Suíça. O primeiro, detido em 1995, foi extraditado para o TPI sobre Ruanda, em Arusha, Tanzânia.
O segundo, vice-prefeito de uma cidadezinha na época do genocídio, foi preso em 1996 e condenado pela Justiça Militar suíça a 14 anos de prisão. A pena foi posteriormente confirmada pelo Tribunal Militar de Cassação. Foi o primeiro cidadão estrangeiro condenado na Suíça por crime de guerra cometido em seu país de origem.
swissinfo com agências