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O organismo de controle ético do Canadá criticou o primeiro-ministro Justin Trudeau, nesta quarta-feira (14), depois de concluir que ele havia violado as regras ao tentar pressionar sua procuradora-geral para evitar um caso criminoso contra o gigante de engenharia SNC-Lavalin.
Este escândalo é anterior às eleições de outubro.
Revelado no começo deste ano, o caso arranhou a boa imagem do premiê, custou o emprego de dois ministros e de dois funcionários de alto escalão e levou os liberais a um empate nas pesquisas com os opositores conservadores.
O comissário de ética parlamentar independente, Mario Dion, disse que Trudeau e seus funcionários tentaram erroneamente "exercer influência sobre a Procuradoria-Geral em sua decisão de intervir em um assunto relacionado com um processo penal".
Trudeau deverá pagar uma pequena multa de até 500 dólares canadenses (375 dólares americanos) por contradizer o ato de conflito de interesse do Canadá. Os custos políticos são ainda mais elevados, a apenas dois meses das eleições nacionais.
O primeiro-ministro rejeitou, categoricamente, as acusações de que seu círculo íntimo tenha tentado proteger a SNC-Lavalin de um julgamento por corrupção.
A empresa com sede em Montreal foi acusada em 2015 sob suspeita de pagar subornos para garantir contratos na Líbia.
A ex-procuradora-geral Jody Wilson-Raybould se negou a pedir aos procuradores que deixassem o caso, e o julgamento está pronto para continuar.
Após sua renúncia, ela testemunhou diante de legisladores e contou que sofreu pressão política "consistente e substancial" para intervir no caso, incluindo "ameaças veladas".
Dion concluiu: "A autoridade do primeiro-ministro e seu gabinete foi usada para driblar, minar e tentar desacreditar a decisão do diretor da Procuradoria pública, assim como a autoridade da Sra. Wilson-Raybould".
O comissário também afirmou que "os interesses políticos partidários foram postos de maneira indevida nas mãos da procuradora-geral para sua consideração no assunto". Neste caso em particular, uma sentença no julgamento resultaria na privação de lucrativos contratos governamentais para a SNC-Lavalin. A decisão levaria à perda de postos de trabalho, prejudicando a candidatura para a reeleição dos liberais.