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(Arquivo) Índios americanos são vistos em Washignton, DC, no dia 22 de abril de 2014(afp_tickers)
"O homem de Kennewick", do alto de seus 8.500 anos, objeto de disputa entre entre indígenas, antropólogos e adeptos do culto de Odin, é geneticamente ligado aos índios da América - revelou um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Nature.
"Nós constatamos que o 'homem de Kennewick' é mais ligado aos índios americanos nativos do que a qualquer outra população do mundo", anunciaram os co-autores do estudo, após terem conseguido mapear o genoma do homem pré-histórico.
Uma proeza científica que também importância legal: por quase 18 anos, todo mundo parece querer reivindicar o esqueleto.
Em 28 de julho de 1996 dois espectadores de uma corrida de hidroaviões sobre o rio Columbia, na cidade norte-americana de Kennewick, tropeçaram em um crânio. Assim, desenterraram o "homem de Kennewick" e fizeram a importante descoberta arqueológica. Com idade entre 45 e 50 anos, ele morreu de morte natural, mas aos 8.500 anos faz parte de uma verdadeira guerra jurídica.
Cinco tribos indígenas - Umatilla, Yakama, Colville, Nez Perce e Wanapum - apresentaram uma queixa conjunta, convencidos de que trata-se dos restos mortais de um dos seus antepassados. "Nossa religião nos ensina que sempre vivemos aqui, que fomos criados aqui", disseram. Para eles, trata-se do "Antigo" e ele tem direito a um enterro à altura.
Oito cientistas também levaram a questão aos tribunais para ser autorizados a examinar o "homem de Kennewick". Antropólogos e arqueólogos têm debatido há muito tempo as origens dos primeiros habitantes das Américas. Seus ossos são raros e o "homem de Kennewick" é precioso. Somente a análise de seu DNA vai revelar dados sobre seus descendentes.
A questão se complicou ainda mais quando a Assembleia de pessoas do povo Asatru, um culto da Califórnia cujos deuses são chamados de Odin e Thor, também recorreu à justiça federal para impedir que os restos contestados sejam entregues aos índios. Para os fãs dos Vikings não resta dúvidas: o "homem de Kennewick" é seu antepassado e não deve ser enterrado por um povo estrangeiro.
AFP