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Um médico colombiano foi preso na Venezuela por "comercializar" um antiviral usado em pacientes com a covid-19, medicamento esse fornecido gratuitamente pelo governo, informou o Ministério Público nesta quarta-feira (9), depois que a Colômbia denunciou sua "prisão arbitrária".
"Ficou determinado que esse médico estava comercializando o medicamento para o tratamento da covid-19, que é fornecido gratuitamente pelo Estado venezuelano", informou o procurador-geral Tarek William Saab, em declaração transmitida na televisão.
Trata-se do colombiano Antonio Amell, médico residente do Hospital Dr. Enrique Sequera de Valencia, no estado de Carabobo (centro), parte dos 46 hospitais de campanha que contam com supervisão militar no cuidado a pacientes com a covid-19.
Segundo o procurador, Amell estava conseguindo compradores garantindo-lhes que o hospital "não tinha recursos" e oferecendo-lhes cada ampola do antiviral remdesivir por US$ 800, medicação que se mostrou eficaz contra o vírus.
O médico, preso no domingo por agentes anticorrupção e do serviço de inteligência (SEBIN) do país, responderá por crimes de "concussão, contrabando e associação para delinquir", acrescentou Saab.
Na terça-feira, a Colômbia rejeitou a "prisão arbitrária" de Amell e exigiu "total respeito" por sua integridade física.
"Pedimos às organizações internacionais de proteção dos direitos humanos que exijam sua liberdade imediata e a proteção de sua vida", escreveu o Ministério das Relações Exteriores colombiano.
Saab, em resposta, assegurou que "na Colômbia se tentou armar todo um escândalo" em torno do caso pelo qual o diretor do hospital "está sendo investigado".
Caracas rompeu relações com a Colômbia em fevereiro de 2019 depois que esse país reconheceu, junto aos Estados Unidos e mais de cinquenta países, o chefe parlamentar Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela.