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Por Nurul Islam
COX'S BAZAR, Bangladesh (Reuters) - Guardas de fronteira de Bangladesh recuperaram nesta quinta-feira os corpos de 20 mulheres e crianças da etnia rohingya cujo barco naufragou enquanto fugiam da violência em Mianmar, disse uma autoridade, enquanto o governo de Daca vem sendo pressionado a abrigar milhares de membros do grupo em uma terra de ninguém junto à divisa.
Cerca de 27.400 muçulmanos rohingya cruzaram de Mianmar para Bangladesh desde sexta-feira, informaram três fontes da Organização das Nações Unidas (ONU), depois que insurgentes rohingya armados de bastões, facas e bombas rudimentares atacaram postos policiais e uma base do Exército no Estado de Rakhine, provocando confrontos que deixaram ao menos 117 mortos.
Os episódios de violência vêm ocorrendo em meio a relatos de que vigilantes budistas têm incendiado vilarejos dos muçulmanos rohingya. Nesta quinta-feira, repórteres da Reuters viram um grande incêndio do outro lado do rio Naf, do lado da fronteira de Mianmar.
As fontes disseram que cerca de 20 mil rohingya ainda estão retidos na terra de ninguém entre os dois países, e uma previu que a cifra pode saltar para 30 mil ainda nesta quinta-feira porque as pessoas estão fugindo dos piores conflitos envolvendo a minoria muçulmana de Mianmar em ao menos cinco anos.
Mianmar retirou milhares de budistas de Rakhine após os confrontos, que mataram principalmente insurgentes rohingya, mas também forças de segurança, de acordo com o governo de Mianmar.
O tratamento dos cerca de 1,1 milhão de muçulmanos rohingya em Mianmar é o maior desafio enfrentado pela líder nacional Aung San Suu Kyi, que vem sendo acusada por críticos ocidentais de não se posicionar a respeito de uma minoria que vem se queixando de perseguição há tempos.
Os rohingya não têm direito a cidadania em Mianmar e são vistos como imigrantes ilegais, apesar de reivindicarem raízes de séculos no país.
Ainda nesta quinta-feira, os corpos de 11 crianças e nove mulheres rohingya apareceram do lado do rio Naf em Bangladesh após o naufrágio de seu barco, disse Ariful Islam, comandante dos guardas de fronteira de Bangladesh.
Os corpos de duas mulheres e duas crianças rohingya foram recuperados na quarta-feira depois que o barco em que viajavam foi alvejado pela Polícia da Guarda de Fronteira de Mianmar, disse Islam.
Reuters