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Manifestantes e policiais entram em confronto em Caracas 5/6/2017 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins(reuters_tickers)
Por Stephanie Nebehay
GENEBRA (Reuters) - Os Estados Unidos denunciaram o governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nesta terça-feira, por reprimir protestos, e pediram a realização de eleições livres.
"Esta é uma crise econômica, política e humanitária que exige a atenção do mundo", disse Nikki Haley, embaixadora norte-americana na Organização das Nações Unidas (ONU), a uma comissão de ativistas venezuelanos e especialistas presidida pelos EUA nos bastidores do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.
"O governo venezuelano está envolto na destruição dos direitos humanos e da democracia na Venezuela. Está realizando uma campanha de violência e intimidação contra manifestantes desarmados, negócios, a sociedade civil e a oposição política eleita livremente", disse.
O governo Maduro classifica os manifestantes como golpistas violentos apoiados pelos Estados Unidos.
Ao menos 65 pessoas já morreram nos tumultos desde o início de abril, e centenas mais ficaram feridas. Cerca de 3 mil pessoas foram presas e aproximadamente um terço delas permanece na prisão, segundo o grupo de direitos humanos Penal Forum.
"Mais de 300 pessoas presas em manifestações foram levadas a tribunais militares. Elas estão sendo tratadas como uma forma de prisioneiros de guerra", disse Alonso Medina Roa, do Penal Reform, que está providenciando a defesa legal de centenas delas, durante o evento.
Os adversários de Maduro estão exigindo eleições gerais, a libertação de ativistas presos, ajuda humanitária do exterior e autonomia para a Assembleia Nacional, controlada pela oposição.
Em maio Maduro anunciou o plano de uma Assembleia Constituinte para reescrever a constituição, o que diz ser uma iniciativa para recuperar a paz. Mas opositores afirmam que ele quer evitar eleições nacionais e que ignorou os clamores pelo fim da escassez grave de alimentos e remédios.
"O regime da Venezuela não engana ninguém. Reconhecendo que seu controle sobre o poder diminuiu, mais uma vez está tentando mudar as regras do jogo", disse Haley.
"Há muitas coisas que poderiam ser feitas para ajudar o povo da Venezuela. Mas ele só precisa realmente de uma coisa: uma eleição livre".
A Venezuela está em último lugar no ranking latino-americano de transparência, disse Mercedes de Freitas, diretora-executiva da filial venezuelana da Transparência Internacional. Ela culpa as "instituições e leis extremamente fracas sendo constantemente alteradas para aumentar a opacidade".
Louis Charbonneau, da entidade Human Rights Watch, disse: "Existe uma enorme concentração de poder, não sobraram instituições independentes para agirem como contraponto ao poder executivo".
Reuters