Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02567.jsonl.gz/29

Os 100 milhões de dólares bloqueados na Suíça são dinheiro fornecido por empresários para a criação de um fundo de investimento. É o que afirma Raúl Salinas de Gortari a um juiz suíço que o interrogou em prisão mexicana, onde o irmão do ex-presidente Carlos Salinas está preso.
Raúl Salinas de Gortari cumpre sentença de prisão de 27 anos, por ter sido mandante no assassinato de seu ex-cunhado, Francisco Ruiz, secretário geral do PRI, Partido Revolucionário Institucional. O crime, em 1994, aconteceu meses antes do irmão de Raúl terminar o mandato presidencial.
Há 3 anos que a justiça suíça investiga o caso
A justiça suíça começou a interessar-se por Salinas em 1998, quando Paulina Castañon, esposa do preso (encarcerado em 1995) foi detida em Genebra ao tentar sacar dinheiro de um banco, com documentos falsos. Desde então o dinheiro de Raúl Salinas está congelado.
A justiça de Genebra tenta apurar se os US$ 100 milhões provêm de tráfico de drogas. A viagem de uma semana ao México, concluída pelo juiz de instrução, Paul Perraudin, destinava-se a interrogar Raúl Salinas e seus cúmplices.
Justificativa de Salinas não convence
Perraudin encontrou-se durante mais de 10 horas com o suspeito, na prisão de Almoloyita, na capital mexicana. Raúl proclamou-se mais uma vez inocente. Segundo ele a soma não vem do narcotráfico. Ele a teria recebido de empresários do país para investir!
O acusado, que estimou ilegal o encontro com o juiz, pediu acareação com pessoas que o acusam. Como as testemunhas não podem se expor, uma solução possível seria uma "vídeo-conferência".
Suíça poderia confiscar os 100 milhões
O Ministério Público mexicano também entrou na história e pode formular exigências que contrariem essa solução. A entidade prometeu enviar dentro de duas semanas uma delegação a Genebra para consultar os dossiês do magistrado suíço. O objetivo é saber se com base nas provas reunidas pela justiça suíça se pode indiciar Raúl Salinas por tráfico de drogas.
Resta que se as investigações concluírem que o dinheiro provém da corrupção será devolvido ao México. Se for provado que vem do tráfico de drogas, o juiz pode ordenar o confisco, em conformidade com a lei suíça.
swissinfo com agências