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Um juiz federal de Nova York vai anunciar, nesta terça-feira (30), a sentença de Juan Antonio "Tony" Hernández, irmão do presidente de Honduras e, segundo promotores americanos, seu parceiro pelo tráfico de 185 toneladas de drogas para os Estados Unidos.
Os promotores do Distrito Sul de Nova York pediram ao juiz do Tribunal Federal de Manhattan, Kevin Castel, que sentencie Tony Hernández à prisão perpétua, apreenda 138,5 milhões de dólares e aplique multa de 10 milhões de dólares.
Após um julgamento de duas semanas em Nova York em outubro de 2019, o ex-deputado hondurenho de 42 anos foi considerado culpado de todas as quatro acusações, incluindo tráfico de cocaína para os Estados Unidos, perjúrio e porte de armas de fogo.
Os promotores asseguraram durante o processo que o presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, foi um importante "co-conspirador" de Tony, embora não tenha sido indiciado.
"O réu era um congressista hondurenho que, junto com seu irmão Juan Orlando Hernández, desempenhou um papel de liderança em uma conspiração de tráfico de drogas violenta e patrocinada pelo Estado", escreveram os promotores ao juiz.
Tony Hernández operava "com total impunidade" graças à proteção de seu irmão e contribuiu para a "putrefação" das instituições hondurenhas, afirmou a acusação durante o julgamento.
Uma testemunha da acusação, o ex-traficante de drogas e ex-prefeito de Honduras Alexander Ardón, declarou no processo que testemunhou uma reunião em 2013 na qual Joaquín "Chapo" Guzmán, então chefe do cartel de Sinaloa, entregou um milhão de dólares em dinheiro a Tony Hernández para a campanha eleitoral de seu irmão.
O ex-chefe do cartel Los Cachiros, Leonel Rivera, disse, por sua vez, que lhe pagou 250.000 dólares em propina.
- Propina por proteção ou vingança? -
O presidente de Honduras também é acusado pelos promotores americanos de ser parceiro de outro narcotraficante hondurenho, Geovanny Fuentes Ramírez, considerado culpado de tráfico de drogas em 22 de março, após julgamento presidido pelo mesmo juiz, Kevin Castel.
Juan Orlando Hernández, que assumiu a Presidência em 2014 e está em seu segundo mandato, garante que nunca ajudou seu irmão ou Fuentes a traficar drogas para os Estados Unidos e que os narcotraficantes que colaboraram com a Promotoria em ambos os processos querem se vingar de dele.
Durante o julgamento de Geovanny Fuentes, os promotores dos Estados Unidos asseguraram que todos os presidentes hondurenhos desde 2006 receberam propinas de traficantes de drogas em troca de proteção e promessa de não extradição.
Fabio Lobo, filho do ex-presidente Porfirio "Pepe" Lobo (2010-2014) - do Partido Nacional, o mesmo dos irmãos Hernández - foi condenado a 24 anos de prisão em Nova York em 2017 por ajudar a traficar 1,4 toneladas de cocaína aos Estados Unidos.
O ex-advogado de Tony Hernández, Melvin Bonilla, foi baleado e morto este mês em Tegucigalpa.
Um suposto parceiro de Tony, Magdaleno Meza, foi igualmente assassinado em outubro de 2019 em uma prisão de segurança máxima de Honduras, dias depois que seu nome foi revelado no julgamento do irmão do presidente. Segundo seu advogado, ele recebeu ameaças "de pessoas que se identificaram como pertencentes ao governo".