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Por Lee Mannion
LONDRES (Thomson Reuters Foundation) - Ao menos 15 milhões de meninas adolescentes em todo o mundo foram forçadas a fazer sexo, muitas vezes por parceiros, familiares ou amigos, mas apenas uma de cada 100 procurou ajuda, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.
A República dos Camarões mostrou a maior incidência de violência sexual, com uma de cada seis meninas adolescentes sendo vítima de sexo forçado, disse o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em um relatório que examinou dados de mais de 40 países.
"A ideia de as mulheres estarem à disposição dos homens é uma grande causadora da experiência de violência sexual de meninas", disse a autora do relatório, Claudia Cappa, à Thomson Reuters Foundation.
Na maioria dos casos, o agressor era conhecido da vítima. Atos de violência sexual foram cometidos por maridos, namorados, parentes, amigos e colegas de classe.
O Unicef disse que a violência sexual generalizada contra meninas adolescentes pode prejudicar o progresso global para se atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) -– um plano para acabar com a pobreza e a fome, obter a igualdade de gênero e proteger o planeta até 2030.
O número de garotas obrigadas a fazer sexo provavelmente é muito maior do que 15 milhões, já que muitas relutam em denunciar e faltam dados em muitas nações, segundo o estudo.
Os abusos variam de exploração sexual infantil na indústria turística da República Dominicana a abusos sexuais online nas Filipinas. O relatório também ressaltou projetos para combater a violência, incluindo aulas de defesa pessoal em escolas do Malaui.
Leis melhores para proteger as crianças e mais apoio de serviços sociais são vitais para provocar mudanças, argumentou o Unicef.
"O que tem se mostrado particularmente bem-sucedido é trabalhar com governos para desenvolver planos de ação nacionais que tentam unir setores diferentes, como a educação e o sistema de justiça", disse Cappa.
Instigadas por alegações de abuso sexual contra o produtor de cinema norte-americano Harvey Weinstein, milhões de mulheres e meninas de todo o globo vêm compartilhando suas experiências de assédio e abuso no Facebook e no Twitter com a hashtag #MeToo (EuTambém).
Weinstein, acusado por várias mulheres de incidentes de assédio e abuso sexual iniciados nos anos 1980, nega ter feito sexo não-consensual com qualquer pessoa.
Reuters