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Rodrigo Londoño, líder do partido e ex-guerrilheiro das FARC, admitiu que a ex-organização rebelde foi responsável pelos dois atentados aos quais o ex-vice-presidente Germán Vargas Lleras sobreviveu em 2002 e 2005.
Em carta divulgada na segunda-feira, Londoño, também conhecido como Timochenko, confessou que seus homens "planejaram e executaram" os dois ataques e garantiu que "vão pedir perdão humildemente" a Vargas Lleras, que na época era deputado.
O comandante máximo da ex-guerrilha tornou pública a confissão em carta dirigida ao ex-presidente e ganhador do Prêmio Nobel da Paz Juan Manuel Santos, com quem negociou o desarmamento dos rebeldes em 2016.
Vargas foi vice-presidente de Santos em seu segundo mandato (2014-2018) e renunciou à candidatura à presidência nas eleições vencidas hoje pelo presidente Iván Duque.
O também ex-ministro de origem liberal, crítico severo da luta rebelde e que manteve discreto apoio às negociações de paz, sofreu um primeiro atentado em 2002 com um livro carregado de explosivos disfarçado de presente de Natal. A bomba quebrou três de seus dedos e queimou seu rosto.
Em 2005 um carro-bomba detonou em Bogotá quando ele passava com sua caravana de escoltas. Vários guarda-costas ficaram feridos, embora o político tenha saído ileso.
Em sua carta, Londoño prometeu contar a verdade sobre este fato perante o juiz de paz que investiga os piores crimes cometidos durante o conflito colombiano.
“Temos uma dívida com você e seu governo, desde que assinamos o Acordo, sabíamos que esse momento chegaria e vamos quitar para cumpri-lo”, disse, dirigindo-se a Santos.
Aquela que foi a guerrilha mais poderosa da América assinou a paz em 2016 e concordou em se submeter à Jurisdição Especial para a Paz (JEP), confessar seus crimes e indenizar as vítimas, em troca de poder exercer a política como partido.
Se cumprirem os compromissos, os maiores responsáveis receberão penas alternativas de prisão, caso contrário expõem-se a penas de até 20 anos de prisão.
Na carta, Timochenko destacou o protesto de 2.000 ex-guerrilheiros no centro de Bogotá em rechaço ao assassinato de 234 signatários do acordo e pediu ao Prêmio Nobel da Paz que garanta o cumprimento do acordo.
O chefe do atual partido de esquerda aceitou a responsabilidade dos rebeldes em vários dos crimes que abalaram o país em seis décadas de conflito armado.
Entre eles o assassinato do ex-candidato à presidência e jornalista Álvaro Gómez (1995) e os assassinatos do general aposentado Fernando Landázabal (1998) e do ex-conselheiro da paz Jesús Antonio Bejarano (1999).