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Mais de 3.000 pessoas chegaram à Colômbia fugindo dos combates travados desde o fim de semana entre as Forças Armadas da Venezuela e uma facção dissidente da ex-guerrilha das FARC, segundo um novo balanço oficial divulgado nesta quarta-feira (24).
"Desde a madrugada de domingo começamos a testemunhar no município de Arauquita (nordeste) um deslocamento maciço da população em fuga (...) dos bombardeios que ocorrem do outro lado da fronteira", disse Lucas Gómez, delegado presidencial para o controle das fronteiras.
"No feriado de segunda-feira já tínhamos cerca de mil pessoas e ontem esse número aumentou e chegamos a 3.100", acrescentou à Blu Radio.
Segundo o responsável, o êxodo pode aumentar, porque na terça-feira à noite "ocorreram grandes confrontos entre o que pode ser um batalhão da guarda venezuelana e dissidentes das FARC" que se afastaram do acordo de paz assinado em 2016.
A Defensoria do Povo indicou que entre os deslocados há pelo menos 858 menores, 134 com mais de 60 anos e 52 mulheres grávidas.
O governo colombiano habilitou espaços esportivos e 500 tendas para recebê-los, mas fez um apelo à comunidade internacional para apoiar a recepção dessas pessoas.
Segundo o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, os combates começaram no domingo entre as Forças Armadas venezuelanas e um "grupo irregular" colombiano.
No mesmo dia, o presidente relatou três mortes, incluindo a de um suposto líder rebelde e a de dois soldados venezuelanos. Também houve 14 feridos e 32 capturados.
O governo colombiano acusa Maduro de abrigar e proteger guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes em seu território, o que Caracas nega.
"O fato de acolher bandidos em algum momento pode se tornar um grande problema. Acho que eles estão passando pelas dificuldades de ter em seu território aquelas estruturas que lucraram e que estão impunemente há anos na Venezuela", disse a autoridade de fronteiras.
Os dois países cortaram relações diplomáticas desde que Bogotá reconheceu o opositor Juan Guaidó como presidente interino em janeiro de 2019, apesar de compartilharem uma fronteira porosa de 2.200 quilômetros.
Segundo o representante de Guaidó na Colômbia, Tomás Guanipa, os confrontos do fim de semana foram consequência do ataque ordenado por Maduro contra uma facção dissidente que luta contra aquela supostamente apoiada por seu governo.
"Maduro não está combatendo o terrorismo, está acobertando seus aliados mais pesados (...), porque segundo as informações que temos, são eles que lhe pediram para atacar os dissidentes que não conseguiram controlar", disse.