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Direita se alinha na Colômbia para conter Petro em corrida presidencial
A direita colombiana começou a se alinhar para enfrentar o esquerdista Gustavo Petro na corrida presidencial. O candidato governista renunciou à sua candidatura nesta segunda-feira (14) para aderir à do ex-prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez, após o revés eleitoral de domingo.
O Centro Democrático, partido do ex-presidente Álvaro Uribe e do atual mandatário, Iván Duque, desistiu de disputar a Presidência com candidatura própria.
Seu candidato, Óscar Iván Zuluaga deixou a disputa após o retrocesso do partido governista e à ascensão nas eleições legislativas de Petro, que obteve a indicação à candidatura presidencial da esquerda, impulsionando um histórico avanço no Congresso.
"Em vista dos resultados eleitorais e da necessidade de unidade pelo bem da Colômbia, tomei a decisão pessoal de renunciar à candidatura presidencial (...) para acompanhar a de Federico Gutiérrez", disse Zuluaga.
O dirigente uribista e ex-ministro da Fazenda, de 63 anos, passará a engrossar a coalizão de forças da direita e conservadoras liderada por Gutiérrez, que representará a aliança Equipe pela Colômbia nas eleições de 29 de maio.
Conhecido como "Fico", o ex-prefeito de Medellín teve 2,1 milhões de votos contra 4,5 milhões para Petro, o grande vencedor das primárias e legislativas de domingo.
- Medo de Petro -
O Pacto Histórico da esquerda desbancou o Centro Democrático e se tornou a principal força no Senado junto dos conservadores.
Também terá a segunda maior bancada na Câmara baixa, atrás dos liberais e empatados com os conservadores, os dois partidos tradicionais na Colômbia.
Fragilizado pela impopularidade de Duque, o partido governista perdeu 21 dos 51 assentos que tinha assegurado em 2018 e tinha resultados muito tímidos nas pesquisas com Zuluaga.
Petro, enquanto isso, um ex-guerrilheiro de 61 anos que assinou a paz em 1990 para iniciar uma brilhante carreira que o levou primeiro ao Parlamento e depois à prefeitura de Bogotá (2011), conseguiu para o chamado "progressismo" seu melhor resultado.
Antes das eleições de domingo, Petro já dominava amplamente as intenções de voto com vistas ao primeiro turno das presidenciais. Caso obtenha metade mais um dos votos, evitaria o segundo turno e se tornaria o primeiro presidente colombiano de esquerda.
"Estamos perto" de vencer no primeiro turno, comemorou Petro durante um debate promovido pela revista Semana, ao antecipar que agora buscará "conquistar" 70% das intenções de voto dos colombianos.
No entanto, sua possível chegada ao poder assusta um setor da sociedade colombiana que o vincula com a esquerda mais radical, em um país historicamente governado pela direita liberal ou conservadora.
"Somos criticados e nos dizem que vamos expropriar aqui e não (...), na Colômbia jamais expropriaremos ninguém", garantiu o economista ao obter a indicação.
- Unidade precoce -
Mais cedo, Gutiérrez tinha pedido a formação de uma frente comum contra Petro. "Vou buscar que aqueles que defendemos a democracia e as liberdades nos unamos", disse à imprensa.
O agora candidato da direita convidou o ex-governador da Antioquia Sergio Fajardo (65), vencedor da consulta da coalizão de centro com 723.000 votos, a derrotarem juntos o líder da esquerda.
"Os que sim, podemos, derrotar Petro somos nós e sou eu como candidato (...) Convidaria Sergio Fajardo a me acompanhar, (ele) tem que deixar de lado a arrogância e a soberba, entender o momento em que estamos", insistiu em diálogo com a Blu Radio.
Segundo o candidato da Equipe pela Colômbia, Petro encarna um projeto "populista e autoritário".
No entanto, Fajardo recusou o convite do adversário. "Nós temos sido oposição ao presidente Duque (...) Não vai ser Federico Gutiérrez, candidato associado ao governo do presidente Duque, apoiado pelo Centro Democrático, quem vai liderar uma mudança na Colômbia", afirmou à imprensa.
Assim, a Colômbia se encaminha, talvez, para sua eleição presidencial mais polarizada. Após os resultados de domingo, Petro aumentou a aposta e estabeleceu como meta vencer no primeiro turno.
O candidato do Pacto Histórico, muito ativo tanto na praça pública quanto nas redes sociais, propõe um programa ambicioso de reformas econômicas e sociais, que incluem abandonar progressivamente a dependência do petróleo e do carvão por uma maior produção de alimentos e uma economia de pequenos proprietários. Também promete aumentar os impostos aos mais ricos e "democratizar" o acesso à terra e ao crédito.
"Vencer no primeiro turno é bastante difícil. É muito incomum. Álvaro Uribe conseguiu (em 2002 e 2006) em circunstâncias muito particulares" de violência, comentou à AFP Sebastián Bitar, professor da Escola de Governo da Universidade dos Andes (privada).
Se Gutiérrez ou Petro quiserem fazê-lo, terão que "convocar forças políticas que neste momento estão apostando em disputar sozinhas", apontou.