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A ex-presidente Cristina Kirchner, em Buenos Aires, no dia 13 de abril de 2016(afp_tickers)
Um promotor argentino pediu nesta quarta-feira que se investigue o presidente do Banco Central e o juiz que acusou a ex-presidente Cristina Kirchner de provocar prejuízos com sua política cambial no final do mandato.
O promotor Jorge Di Lello solicitou ao juiz Sergio Torres que aceite a abertura de um processo contra o presidente do Banco Central, Adolfo Sturzenegger, por "administração infiel em prejuízo da administração pública e em favor de particulares".
Os particulares citados são grandes grupos exportadores e bancos.
Já o juiz Claudio Bonadio é acusado de prevaricação por convocar Kirchner a depor, no dia 13 de abril, no caso da venda de dólares no mercado futuro, o que provocou um grande prejuízo aos cofres públicos diante da desvalorização do peso adotada pelo novo governo, do presidente Mauricio Macri.
As ações revelam a crescente judicialização da política na Argentina.
O caso envolvendo a venda de dólares no mercado futuro foi iniciado por dois parlamentares do partido de Macri, o Cambiemos, mas as os demandantes não incluíram Kirchner na petição. Quem o fez foi Bonadio, a quem o kirchnerismo acusa de ser um operador de Macri para "uma perseguição política".
O processo contra Kirchner envolve a venda de dólares no mercado futuro, em setembro de 2015, por 10,50 pesos, apenas um pouco acima da cotação da época, de 9,60 pesos.
Kirchner alega que o propósito era desalentar expectativas de desvalorização e segurar o preço do dólar.
Em 17 de dezembro, Macri promoveu uma desvalorização que levou o dólar a 15 pesos (-34%). O Banco Central, agora sob administração macrista, deve honrar os contratos futuros quase 50% mais caros, com sério prejuízo para o Tesouro.
O kirchnerismo argumenta que não se pode judicializar uma política monetária contra a desvalorização.
AFP