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Ela poderia imaginar uma vida sem o cargo no governo federal: Eveline Widmer-Schlumpf, ministra das Finanças, é presidente da Confederação Helvética em 2012.
Em entrevista à swissinfo.ch, ela fala dos desafios políticos do ano que se inicia, mas também sobre sua posição em questões ligadas à energia.
Ainda há poucos dias ela poderia não sido reeleita para o Conselho Federal, o corpo de sete ministros que governa a Suíça. Desde 1° de janeiro de 2012, Eveline Widmer-Schlumpf assume também o cargo de presidente da Confederação Helvética (cargo representativo com mandato de um ano e compartilhado pelos ministros em rotatividade). A magistrada de 55 anos foi reeleita pelo Congresso helvético em 14 de dezembro de 2011 com um bom resultado para mais um legislatura de quatro no Conselho Federal.
swissinfo.ch: Antes da reeleição a senhora chegou a refletir sobre a possibilidade de fazer outra coisa na vida?
Eveline Widmer-Schlumpf: Sim, naturalmente. Agora o senhor vai seguramente me perguntar o eu iria fazer, mas isso não direi. Eu não teria ficado desempregada e seguramente estaria ocupada com alguma coisa, pois sou alguém motivada a sempre começar algo de novo.
Eu não iria cair em um buraco. Mas depois da minha reeleição aconteceu outra coisa comigo, que de alguma forma me tirou dos trilhos. Pois eu contava com a forte possibilidade de não ser reeleita. Algumas horas foram necessárias até que eu pudesse me recuperar do acontecimento.
swissinfo.ch: Quais serão os pontos fortes do seu ano na presidência da Confederação Helvética?
E.W.S.: Eu vou colocar os pontos fortes nos principais projetos do Conselho Federal. Seguramente o crescimento da economia durante o ano irá nos ocupar. Também com os problemas do setor financeiro, que sempre tem consequências para a Suíça como centro industrial. Estaremos muito ocupados.
Um grande desafio serão todas as questões ligadas à transição energética. Dentro do contexto do Plano Energético 2050, fomos incumbidos de apresentar propostas concretas de como essa transição deve ocorrer. Para isso precisamos fornecer as bases de uma discussão aprofundada sobre o tema.
Vamos nos ocupar também com diferentes questões fiscais com a União Europeia (UE). Eu falo aqui da questão do regime fiscal nos cantões (os estados da Suíça) quanto à taxação dos holdings. Além disso, temos diferentes questões em relação ao que ocorre na Europa.
Na política de saúde, esperamos ganhar o plebiscito do projeto do "Managed-Care" (gestão de cuidados de saúde). O governo federal pretende se posicionar claramente como colegiado durante os plebiscitos e mostrar, dessa forma, que não estão sendo votados projetos de lei como propostas individuais dos ministérios, mas sim de todo o governo.
swissinfo.ch: O ministro Didier Burkhalter troca de posto a partir de 1° de janeiro e assume a pasta das Relações Exteriores (até então era ministro do Interior). Isso foi combinado dentro do governo?
E.W.S.: Nós nos questionamos no Conselho Federal sobre quem deveria assumir esse posto, que na situação atual, na questão sobre o relacionamento e a cooperação com a União Europeia e também com outros Estados não europeus, é absolutamente central.
A boa vontade com que a Suíça é tratada por outros países está se reduzindo. Existem situações que precisam ser esclarecidas. O ministro Didier Burkhalter viveu nos últimos dois anos essa discussão no Conselho Federal e também marcou posições. Por isso ficou claro para o nosso colegiado que ele iria assumir a pasta das Relações Exteriores e trabalhar essas questões de forma impecável.
swissinfo.ch: O partido da senhora (Partido Democrático Burguês - BDP) reflete juntamente com o Partido Cristão-Democrata (CVP) uma cooperação mais estreita. Como a senhora imagina essa cooperação institucional das duas siglas?
E.W.S.: A forma não é para mim algo determinante. O importante é nos encontrarmos nos diferentes temas e trabalhá-los em conjunto. Existem áreas onde os partidos de centro querem encontrar soluções semelhantes. E é nessa conjunção de interesses que uma cooperação me parece possível.
Eu tenho as minhas reflexões sobre a forma dessa cooperação, mas prefiro não me pronunciar sobre isso. A bola está agora com um grupo de trabalho dos dois partidos. Ele vai apresentar propostas nos próximos seis meses.
Sou da opinião que o nosso partido, ao contrário de outros, não pode e não deve se orientar como um único membro. Por isso é que, antes das eleições para o governo federal, fui contra a discussão sobre a fusão ou outras formas de cooperação estreita. Finalmente isso será uma decisão das bases dos dois partidos.
swissinfo.ch: Depois da sua reeleição, a Suíça tem um governo de centro-esquerda ou de centro-direita?
EWS.: Penso que a situação não é diferente de antes das eleições. A constelação político-partidária continua a mesma e, segundo os diferentes temas tratados, vamos nos posicionar ora como governo de centro-esquerda ora como de centro-direita.
Em vista da transição energética já fomos taxados de ser um governo de centro-esquerda. Porém tudo depende se você considera o setor energético como um tema de direita ou de esquerda.
Antes de ser eleita para o governo federal eu já havia declarado a minha posição na questão energética. Quando ainda estava no Partido do Povo Suíço (SVP, na sigla em alemão - partido majoritário) já havia me pronunciado claramente a favor das fontes renováveis de energia. Como membro da Associação de Mulheres do Campo no cantão dos Grisões já era aberta às questões ecológicas. Não compartilho a opinião que devemos qualificar tudo de esquerda ou de direita.
swissinfo.ch: As pessoas lhe rotulam, dependendo das posições assumidas, como alguém de posições fortemente burguesas ou esquerdistas. Como a senhora vê a si mesmo
EWS.: A dificuldade está no fato de não ser uma pessoa que pode ser facilmente rotulada. Na política financeira ou econômica tenho posições burguesas. Na questão energética sou vista como ecológica.
Nas questões de sociedade e família me qualificam de progressista e liberal, pois sempre defendi que diferentes formas de vida sejam aceitas. Eu nunca deixei que me qualificassem de boa mãe ou má profissional. Eu sempre disse que temos de funcionar na sociedade em que vivemos. Isso não combina com nenhum esquema "esquerda-direita".
Já em relação ao federalismo tenho uma posição conservadora. Não compartilho a opinião de que temos de ter a Suíça formada por algumas grandes regiões ao invés dos 26 cantões. Eu considero o federalismo uma boa forma de convívio dentro do Estado.
Eveline Widmer-Schlumpf
Filha do antigo ministro Leon Schlumpf, ela nasceu em 16 de março de 1956 em Felsberg, no cantão dos Grisões (leste da Suíça).
Ela estudou direito na Universidade de Zurique, onde obteve sua licença em 1981 e, em 1990, o título de doutorado.
Entre 1987 e 1998, Eveline Widmer-Schlumpf trabalhou como advogada e notário. Na política, ela foi eleita para o conselho do distrito de Trin a partir de 1985, onde exerceu também o cargo de presidente entre 1991 e 1997.
Ela foi deputada estadual no parlamento do cantão dos Grisões entre 1994 e 1998.
Foi primeira mulher eleita para o governo do cantão dos Grisões em 1998. Entre 2001 e 2005 ela exerceu a presidência do governo cantonal.
Em 12 de dezembro de 2007, Widmer-Schlumpf foi eleita pelo Congresso helvético para o cargo de ministra no governo federa.. Ao mesmo tempo, o ministro Christoph Blocher (Justiça, Partido do Povo Suíço) não foi reeleito para o cargo e teve de se retirar do governo.
Como resultado das eleições, a ministra foi expulsa do Partido do Povo Suíço.
Ela e outros correligionários fundaram então o Partido Democrático Burguês (BDP).
Em 14 de dezembro de 2011, Widmer-Schlumpf foi reeleita como membro do governo executivo da Suíça, em que ocupa o Ministério das Finanças.
Depois os parlamentares da Câmara dos Deputados e Senado a elegeram para o cargo de presidente da Confederação Helvética para 2012 (cargo de representação com duração de um ano)
Ela é casada e tem três filhosAqui termina o infobox
Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch