Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02529.jsonl.gz/32

A justiça mexicana começou a ouvir nesta terça-feira (28) Emilio Lozoya, ex-diretor da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), acusado de receber propina da empreiteira brasileira Odebrecht, que teria financiado uma campanha presidencial, informaram fontes oficiais.
A audiência, que abrange outro caso de suspeita de corrupção, transcorria por videoconferência, pois o ex-funcionário foi internado com um quadro de anemia após ter sido extraditado da Espanha, em 17 de julho.
Na diligência, a procuradoria-geral apresentou inicialmente acusações contra Lozoya pela compra, entre 2013 e 2015, de uma indústria de fertilizantes ao custo de 485 milhões de dólares, considerado excessivo pois a fábrica ficou sem uso durante 14 anos.
De um hospital privado no sul da Cidade do México, Lozoya, de 45 anos, se declarou inocente, segundo informes que o poder judiciário entrega à imprensa por um serviço de mensagens instantâneas.
A audiência foi encabeçada por um juiz de um presídio do norte da cidade, onde o caso foi aberto.
Até agora, não foram apresentadas acusações pelo escândalo da Odebrecht.
No entanto, espera-se que Lozoya também seja denunciado de administrar propinas de 4 milhões de dólares da empreiteira brasileira, que teriam financiado a campanha que levou à presidência Enrique Peña Nieto como candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) em 2012.
A procuradoria informou, no entanto, que a fábrica nova de fertilizantes teria "tido um custo de 200 a 300 milhões de dólares" e por isso acusou Lozoya de ter "incentivado uma atividade ilegal", ao promover a compra de uma "empresa inativa a um preço superior".
O ex-funcionário afirmou, por sua vez, que tinha aceitado voluntariamente ser extraditado para o México e que vai colaborar com provas. "Demonstrarei que não sou nem responsável, nem culpado dos crimes que me atribuem", disse, sempre de acordo com a transcrição do poder judiciário.
Lozoya é acusado de ter recebido da empresa proprietária da indústria de fertilizantes, antes de sua venda, 3 milhões de dólares, com o qual teria comprado uma luxuosa residência na capital.
Próximo de Peña Nieto (2012-2016), o ex-funcionário assegurou que ele já tinha essa residência antes de assumir a direção da Pemex, em dezembro de 2012.
Na denúncia também foi acusada a irmã do ex-diretor, Gilda Lozoya, que está foragida, e o empresário Alonso Ancira, que intermediou a venda da fábrica e enfrenta um processo de extradição na Espanha.
O ex-diretor da Pemex foi detido em Málaga em fevereiro passado.