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O opositor Daniel Ceballos (C) e sua esposa, Patricia de Ceballos (D), em Caracas, no dia 12 de agosto de 2015(afp_tickers)
O ex-prefeito opositor Daniel Ceballos, acusado de incitar a violência em protestos contra o presidente Nicolás Maduro em 2014 e há um ano sob prisão domiciliar, foi transferido para uma penitenciária por supostamente planejar fugir, disse o governo.
O Ministério do Interior e da Justiça afirmou que os serviços de Inteligência detectaram que o ex-prefeito da cidade de San Cristóbal (estado Táchira, oeste), que desde agosto de 2015 cumpria prisão domiciliar por razões de saúde, "pretendia fugir dias antes do próximo 1º de setembro", dia no qual a oposição convocou uma marcha em Caracas "a fim de dirigir e coordenar atos de violência no país".
Por essa razão, o governo pediu a um tribunal que revisasse a condição de prisão de Ceballos e ordenou sua transferência para a prisão "26 de julho", em San Juan de Los Morros, Guárico (centro), informou o Ministério em um comunicado.
Acrescentou que "as evidências recolhidas permitiram seguir avançando nas investigações necessárias para prevenir, descobrir e neutralizar qualquer ato que tente desestabilizar nosso sistema democrático" na quinta-feira, na marcha opositora para exigir que o poder eleitoral acelere a ativação de um referendo revogatório contra Maduro.
A esposa do político e atual prefeita de San Cristóbal, Patricia de Ceballos, havia denunciado em um vídeo nas redes sociais que às 03H00 locais (04h00 Brasília) caminhonetes do serviço de Inteligência levaram seu esposo de sua casa em Caracas.
"Disseram que era uma revisão médica. Colocaram-no em uma ambulância e na ambulância nos mostraram a carta de transferência para a prisão 26 de julho, em San Juan de los Morros", Guárico (centro), explicou.
Daniel Ceballos, ex-prefeito de San Cristóbal, a capital do estado fronteiriço com a Colômbia, onde explodiram os protestos nas ruas há dois anos, está preso desde março de 2014, acusado de incitar a violência nestas manifestações que acabaram com 43 mortos, a mesma razão pela qual está preso o opositor Leopoldo López.
"Tudo o que o governo está fazendo é para meter medo, mas enquanto mais atropelos cometer o governo, mais pessoas sairão às ruas em 1º de setembro", disse o líder opositor Henrique Capriles, somando-se a rejeição manifestada por vários líderes opositores sobre a prisão.
Governo e oposição se acusaram mutuamente de buscar violência e mortos na marcha de 1º de setembro, que a oposição espera que seja enorme e que Maduro acredita que é parte de um plano de golpe de Estado internacional para retirá-lo do poder.
AFP