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(Arquivo) A ex-procuradora da Venezuela Luisa Ortega(afp_tickers)
A ex-procuradora Luisa Ortega, que fugiu da Venezuela com o marido, após denunciar sofrer "perseguição" do governo, está "sob proteção" da Colômbia e receberá asilo se o solicitar, anunciou o presidente Juan Manuel Santos nesta segunda-feira.
Santos, que dias atrás não descartou romper vínculos com seu contraparte venezuelano, Nicolás Maduro, parecia afetar ainda mais a frágil relação com o governo da Venezuela, encurralado pelas críticas internacionais derivadas da severa crise econômica e política.
"A procuradora Luisa Ortega está sob proteção do governo colombiano. Se pedir asilo, nós o concederemos", destacou Santos em sua conta no Twitter.
Destituída em 5 de agosto pela Assembleia Constituinte que defende Maduro contra tudo e contra todos, Ortega e seu marido, o deputado Germán Ferrer, chegaram na sexta-feira a Bogotá em um voo privado procedente de Aruba.
Ortega, uma chavista de 59 anos que rompeu com o governo de Maduro, burlou a proibição de deixar a Venezuela, imposta pelo máximo tribunal no âmbito de uma investigação feita contra ela por supostamente mentir no exercício de suas funções.
A ex-procuradora afirma ser vítima de uma "perseguição política".
A ex-funcionária e seu marido - de quem a Assembleia retirou a imunidade, acusado pela Justiça de corrupção - fugiram em lancha até Aruba e dali viajaram para a capital colombiana, segundo a emissora americana Univisión.
Até o momento, as autoridades não especificaram o status migratório de Ortega, que tampouco se pronunciou sobre sua situação desde que chegou à Colômbia.
Santos não detalhou os benefícios concedidos à ex-procuradora, que é protegida do governo e limitou-se a anunciar sua disposição a lhe dar asilo.
No entanto, Ricardo Abello, acadêmico e especialista em direito internacional da Universidade de Rosário (privada), afirmou que Ortega já está "sendo protegida pelas autoridades", o que tecnicamente equivaleria a um asilo.
"Obviamente o governo venezuelano não vai gostar da decisão e vai lançar um ataque mais contra Santos, mas a esta altura, um a mais, uma a menos, pouco importa", declarou à AFP.
- Troca de denúncias -
Ortega se rebelou contra o governo de Maduro no fim de março, quando denunciou uma "ruptura constitucional" na Venezuela a partir de decisões judiciais contra o parlamento de maioria opositora.
O divórcio definitivo ocorreu com o anúncio e a instalação da Assembleia Constituinte, que Maduro levou adiante para mudar a Constituição no âmbito de protestos opositores, que deixaram 125 mortos nos últimos quatro meses.
O organismo, que goza de plenos poderes e foi eleito sem a participação de forças opositoras, que alegaram fraude durante o processo, vingou-se e destituiu Ortega.
Além disso, as autoridades congelaram seus bens e proibiram-na de deixar a Venezuela.
Na quinta-feira, a Constituinte também retirou a imunidade de seu marido, sobre quem pesa uma ordem de captura por supostos crimes de corrupção.
Antes de pousar em Bogotá, Ortega participou por videoconferência de um encontro de procuradores, realizado na sexta-feira em Puebla, México.
Transformada em uma ferrenha opositora ao governo venezuelano, Ortega acusou o presidente de envolvimento no escândalo de corrupção global da empreiteira Odebrecht.
"Temos o detalhe de toda a cooperação, montantes e personagens que enriqueceram e esta investigação envolve o senhor Nicolás Maduro e seu entorno", disse a ex-funcionária.
Maduro contra-atacou no domingo. Em entrevista à TV venezuelana, o presidente afirmou que a ex-procuradora bloqueou investigações que ele ordenou sobre casos de corrupção.
Segundo o chefe de Estado, Ortega alertou às empresas vinculadas com o setor petroleiro que estavam sob suspeita, em troca de "milhões de dólares".
"A Procuradoria era quem extorquia e protegia estes setores", disse Maduro.
Ele também acusou o marido da ex-funcionária de gerenciar uma "rede de extorsão" no Ministério Público.
Além da ex-procuradora e seu marido, estão na Colômbia cinco magistrados venezuelanos nomeados pelo Parlamento de maioria opositora, que denunciou a tomada de funções pela Assembleia Constituinte na sexta-feira passada.
Os juízes fugiram diante do assédio do governo de Maduro, que desconsiderou a eleição da Corte Suprema pela maioria opositora e ordenou a detenção dos 33 magistrados nomeados em 21 de julho, segundo Pedro José Troconis, um destes juízes.
Após chegar ao poder em 2010, Santos recompôs as relações bilaterais com a Venezuela e qualificou de "novo melhor amigo" o então presidente Hugo Chávez, padrinho político de Maduro, com quem até agora havia mantido uma relação estável, embora não livre de tensões.
Mas diante das últimas decisões de Maduro, Santos o acusou de levar a Venezuela para uma ditadura e apoiou as sanções econômicas dos Estados Unidos contra o presidente e outros dirigentes chavistas.
AFP