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Os eleitores britânicos começaram a votar e as urnas estarão abertas até às 22 horas locais. Essas eleições são as mais indecisas da história do país.
Elas suscitam um grande interesse na Suíça, onde as propostas de política financeira e fiscal de cada partido foram observadas com muita atenção.
Em um contexto de crise econômica, a Grã-Bretanha tornou-se um dos principais oponentes dos paraísos fiscais. As propostas em matéria de política fiscal visando os altos rendimentos e os bônus dos banqueiros alimentaram as especulações acerca da fuga de talentos do setor financeiro para a Suíça.
Ian Roxan, diretor do Tax Programme da prestigiosa London School of Economics, estima que é impossível medir exatamente qual dos três partidos poderia ser mais favorável ou não à Suíça, uma vez no poder.
"É difícil dizer se os trabalhistas (Labour), os conservadores (Conservatives) ou liberais democratas (Liberal Democrats) provocariam mais lágrimas de alegria ou de tristeza na Suíça", afirma Roxan.
Evasão fiscal
A Grã-Bretanha faz parte das nações poderosas que forçaram a Suíça, como outros países, a mudar de posição em matéria de troca de informações fiscais.
O governo trabalhista fez uma anistia fiscal para a contas "offshores", introduziu um imposto para os residentes não domiciliados na Grã-Bretanha e, mais recentemente, dobrou o montante das multas para os fraudadores do fisco.
Os liberais democratas de Nick Clegg prometeram durante a campanha eleitoral que recuperariam 10% dos 40 bilhões de libras por ano perdidos com a fraude e a evasão fiscal, sem dar detalhes sobre a maneira como agiriam.
Os conservadores foram mais discretos sobre essa questão, mas John Christensen, diretor do Tax Justice Network (rede pela justiça fiscal), não se impressiona com as promessas dos três candidatos.
"Espera-se que os liberais democratas sejam os mais intransigentes nas negociações internacionais, mas os principais partidos britânicos parecem ter perdido a esperança de impor a transparência no setor financeiro e de conter o êxodo das sedes de multinacionais para países como a Suíça ou Bermudas."
Taxar os bancos e as bonificações
O governo suíço anunciou recentemente a introdução de um imposto sobre as bonificações dos banqueiros, mas rejeita até agora a ideia de taxar o setor financeiro ou de criar um fundo de seguro obrigatório para evitar falências futuras.
A Grã-Bretanha já adotou um imposto anual de 50% sobre as bonificações superiores a 250 mil libras. O governo trabalhista também é favorável a um imposto sobre os lucros bancários e as transações financeiras importantes, mas somente se outros países concordarem em fazer o mesmo.
Os conservadores hesitam em aplicar uma taxa sobre as bonificações, mas dizem ser a favor de um imposto sobre os bancos, que traria receitas de 1 bilhão de francos suíços, independentemente do que for feito em outros países.
Os liberais democratas querem suprimir os bônus em dinheiro superiores a 2,5 mil e são pela interdição de pagar bonificações aos executivos e empregados de um banco que tem prejuízo. Se chegasse ao poder, o partido imporia ainda um imposto sobre os lucros bancários, que arrecadaria 2 bilhões de libras.
Taxar os ricos
Quanto ao novo imposto de 50% sobre as rendas de mais 150 mil libras, essa ideia incitaria certamente algumas pessoas afortunadas a mudar para a Suíça. Mas uma proposta dos liberais democratas de taxar os ganhos de capital provocaria um êxodo ainda maior de gerentes de "fundos hedge", porque isso reduziria muito seus vencimentos.
Os liberais democratas querem ainda criar um imposto sobre as propriedades avaliadas em mais de 2 milhões de libras. Os conservadores propõem abolir o imposto sobre as heranças, mas também aumentar os impostos dos residentes não domiciliados na Grã-Bretanha. Esta é uma proposta que visa principalmente os homens de negócios que trabalham em Londres.
Ian Roxan acha mais interessante as propostas que os partidos preferem não revelar. Nenhuma das ideias mencionadas é suficiente para resolver a dívida pública. Para ele, um aumento do imposto de renda, da taxa de valor agregado ou dos prêmios dos seguros, que afetaria todo mundo, é inevitável.
Quantos aos ricos, eles não têm muito a esperar desta eleição, estima Roxan. "Uma política fiscal rigorosa já existe e ninguém propõe abrandá-la. A questão para as pessoas de alta renda e a seguinte: qual é o partido menos hostil?"
Parlemento sem maioria absoluta
Primeira vez desde 1974, é possível que nenhum partido obtenha maioria absoluta no Parlamento britânicos. Essa situação poderia paralisar o processo de decisão, o que poderia beneficiar agências suíças de promoção econômica, como a Greater Zurich Area.
Responsável da agência para a Grã-Bretanha, Marc Rudolf estima que a incerteza é um fator importante na decisão de certas empresas de virem se instalar na Suíça. "O debate vai além dos impostos, mas também a insegurança e a incapacidade de planejar a longo prazo. Os britânicos têm medo do que poderia acontecer."
Os exportadores suíços certamente não tirariam proveito de um Parlamento britânico sem maioria. Como as sondagens indicavam que não haveria um vencedor claro, a libra britânica caiu. O mesmo poderia ocorrer se essa previsão for confirmada nas urnas nesta quinta-feira (06/5).
A Grã-Bretanha é o quinto maior mercado para as exportações suíças. Em 2008, a Suíça exportou para a ilha bens e serviços no valor total de 11,15 bilhões de francos suíços.
Matthew Allen, swissinfo.ch, Londres
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)
Legislativas britânicas
Os eleitores britânicos elegem um novo Parlamento. Diferentes sondagens indicam a vitória dos conservadores com 35-37% dos votos, na frente dos trabalhistas (29-30%) e dos liberais democratas (24-26%)
Se essas previsões se confirmarem nas urnas, os conservadores tomariam o poder, mas não teriam maioria no Parlamento. Seria o primeiro Parlamento britânico sem maioria absoluta desde 1974.
O governo trabalhista do primeiro-ministro Gordon Brown está no poder desde 1997 e teve de enfrentar a crise financeira e a recessão que a acompanhou.
O conservadorDavis Cameron é o candidato melhor colocado para suceder a Gordon Brown.
Os liberais democratas, dirigidos pelo jovem Nick Clegg, estão descartados do poder há décadas, mas poderiam ter este ano um papel decisivo no equilíbrio político como terceira força do país.
A Suíça e a Grã-Bretanha
Em 2008, o comércio bilateral entre a Suíça e a Grã-Bretanha totalizou 18,3 bilhões de francos suíços, com um superávit de 3,9 bilhões para a Suíça.
As exportações suíças para a Grã-Bretanha aumentaram de 5,9%, a 7,98 bilhões. As importações tiveram alta de 10% e atingiram 7,2 bilhões.
A Grã-Bretanha é o quinto país mais importante para as exportações suíças suíças. Para os britânicos, a Suíça é o 13° mercado.
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