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Por John Chalmers e Andrew MacAskill
BRUXELAS/LONDRES (Reuters) - Autoridades da União Europeia admitiram no sábado terem errado ao invocar os poderes de emergência do Brexit para Irlanda do Norte durante um duelo com o Reino Unido por causa de vacinas, e Londres disse esperar que seu suprimento de vacinas contra Covid-19 não seja interrompido.
A União Europeia ficou muito atrás de Reino Unido e Estados Unidos na corrida para vacinar sua população. O bloco anunciou na sexta-feira que imporia controles de exportação de vacinas, amplamente vistos como uma ameaça para impedir que doses fossem enviadas ao Reino Unido.
Mas foi forçado a reverter parte do anúncio em poucas horas, depois que Reino Unido e Irlanda reclamaram dos planos de impor controles emergenciais de exportação de vacinas pela fronteira terrestre entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, controlada pelos britânicos.
"Eles reconheceram que cometeram um erro e acredito que agora podemos nos concentrar em garantir que nosso programa de vacinação seja bem-sucedido", disse Michael Gove, ministro do gabinete britânico à Sky News.
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, tuitou: "Recebi a garantia de que a UE não deseja bloquear fornecedores que cumpram contratos de distribuição de vacinas para o Reino Unido".
“O mundo está assistindo e é somente por meio da colaboração internacional que venceremos esta pandemia”, completou.
Funcionários da UE reconheceram que a decisão de invocar poderes de emergência para controlar o comércio através da fronteira com a Irlanda do Norte foi um erro. Impedir controles na fronteira foi a questão central em cinco anos de negociações do Brexit.
"É muito melhor perceber logo de início que algo pode ser um problema e mudá-lo, do que se ater às suas armas e cavar um buraco para si mesmo", disse um funcionário da UE no sábado.
"Assim que se tornou aparente que haveria uma dificuldade política e sensibilidade, em particular do lado irlandês e irlandês do norte, decidimos retirá-lo."
Outro funcionário da UE chamou o drama de "simples e claramente um erro crasso".
Os políticos da UE estão sob intensa pressão para explicar porque seus países administraram apenas uma fração das vacinações alcançadas na Grã-Bretanha, que deixou o mercado único há quatro semanas.
Autoridades da UE ficaram furiosas no início deste mês quando a farmacêutica sueco-britânica AstraZeneca anunciou que a entrega das doses da vacina que havia prometido à UE para março sofreria atrasos devido a problemas de produção na Bélgica.