Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02472.jsonl.gz/22

Conteúdo externo
O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.
Por Crispiam Balmer
KFAR AZAR Israel (Reuters) - Quando o soldado israelense Daniel Pomerantz, de 20 anos, morreu em uma emboscada do Hamas na Faixa de Gaza, sua pequena vila perto de Tel Aviv decidiu que finalmente precisava de um cemitério para enterrar seus mortos.
Cercado por centenas de parentes e amigos, alguns chorando inconsolavelmente, seu caixão enrolado na bandeira foi colocado abaixo do chão no entardecer de quinta-feira, uma única cova naquele pedaço de terra.
“Quando uma guerra acaba, sempre esperamos que seja a última”, disse Sara Mozes, nascida em um campo de refugiados na Alemanha após os terrores do Holocausto na Segunda Guerra Mundial e que se mudou para Israel ainda bebê, em 1948, ano em que o país foi fundado,
“Mas nunca acaba”, disse ela, sussurrando “oh, meu Deus” ao ver uma coluna de soldados uniformizados passando, carregando um caixão em meio à multidão.
Pomerantz foi um dos 33 soldados que morreram até agora na ofensiva lançada por Israel em 8 de julho, em um esforço para parar com os insistentes ataques de foguetes feitos por combatentes islâmicos do Hamas, que estão lutando para conseguir o fim de um bloqueio imposto por israelenses e egípcios à Faixa de Gaza.
O número de soldados mortos é três vezes maior do que na última grande incursão terrestre de Israel em território palestino, em 2008-2009, mas cada morte parece apenas fortalecer a determinação pública de castigar o Hamas, pôr fim aos disparos de foguetes e encerrar as invasões de militantes em Israel por túneis em Gaza.
“Temos que continuar”, disse Guy Peled, de 20 anos, amigo de colégio de Pomerantz, que também está em serviço militar. “Nunca pode haver paz entre nós e eles. Eles são terroristas, e você não pode argumentar com terroristas."
Com mais de 800 palestinos mortos até agora na ofensiva de Israel, muitos deles civis, aumenta a pressão internacional para um cessar-fogo. Mesmo assim, um grande número de pessoas diz que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem de manter o atual curso.
“Eu fiquei surpreso pelo número de soldados mortos, mas um cessar-fogo agora seria um desastre. A violência só começaria novamente em outros dois anos”, disse Shlomi Nachmias, de 53 anos, um ex-paraquedista e conhecido da família de Pomerantz.
Em um episódio que descreveu como premonição da morte do soldado, Varda, a mãe de Pomerantz, gravou a última conversa com o filho, quando ele tentava prepará-la para o fato de que ele iria para Gaza.
Ela tocou o áudio para os presentes no funeral, que o ouviram dizer que ele tinha gravado uma mensagem de despedida em seu telefone, como precaução. Na mensagem final, segundo ela, ele havia escrito: “Sou tão feliz por ter nascido nesta família… fiquem felizes por mim."
O próprio filho de Nachmias, o genro e dois sobrinhos estavam lutando em Gaza, e ele mesmo tinha acabado de voltar da fronteira, onde fora levar suprimentos de comida para as tropas.
APOIO AO EXÉRCITO
Há um apoio apaixonado pelo Exército israelense, a Força de Defesa de Israel (IDF), em cidades e municípios judaicos por todo o país, onde é admirado por promover a unidade em uma sociedade frequentemente fragmentada.
Na vizinha Tel Aviv, cujos cidadãos tiveram que correr várias vezes para abrigos durante as últimas três semanas, quando as sirenes alertam para um iminente ataque de foguetes, o apoio é evidente.
"IDF, as pessoas estão com você", dizem as mensagens que piscam nos sinais para áreas de estacionamento, normalmente utilizados apenas para indicar os espaços livres. Em outros lugares, grandes outdoors antes cobertos com anúncios agora mostram frases de apoio ao esforço de guerra.
Mas o fervor patriótico em Israel pode também estar ajudando a alimentar o extremismo e o ódio. Ativistas de direita atiraram ovos em uma pequena manifestação antiguerra em Tel Aviv na semana passada, ao passo que, longe dali, o vice-prefeito de Haifa e seu filho, que são árabes israelenses, foram espancados em outra manifestação pela paz.
"O clima é horrível. Nós fomos lavados por uma onda de hostilidade. Pessoas aqui perderam a paciência, mas também, receio, o seu sentimento de democracia", disse Rotem Avrutsky, 43, um documentarista.
Ele participou do funeral de quinta-feira, por respeito a Varda Pomerantz, que hoje está aposentada. Ela foi conselheira do Exército no auxílio em situações de sofrimento e ajudou sua família após a morte de um irmão na guerra de 1973 no Oriente Médio.
"Há coisas horríveis que estão sendo escritas no Facebook e mídias sociais. Às vezes você vê isso na rua também. Quando as pessoas têm medo de falar o que pensam isso é ruim para todos. Isto é o que está acontecendo agora", disse Avrutsky.
A imprensa israelense se posiciona firmemente ao lado das tropas e poucas vozes dissidentes são ouvidas nas emissoras.
Quando veterano esquerdista Gideon Levy deu uma entrevista na TV, nas ruas da cidade do sul Ashkelon - alvo de repetidos ataques de foguetes - uma pessoa que passava na rua repreendeu-o enquanto ele tentava falar. "Você é um traidor", disse ele, irritado.
Enquanto estações de TV internacionais mostram uma dieta diária de sofrimento e morte entre civis palestinos, a cobertura em Israel mostra poucas dessas imagens.
Em vez disso, concentra-se em mostrar os tiros ao vivo de interceptações de sistema de Israel Cúpula de Ferro, que conseguiu evitar que a grande maioria dos foguetes de Gaza atingisse suas metas, ou então vídeos do Exército em Gaza.
Quando o grupo de direitos humanos israelense B'Tselem tentou comprar espaço publicitário na rádio estatal para ler os nomes das crianças mortas nos ataques em Gaza, a emissora nacional recusou, dizendo que isso poderia fortalecer alegações de que Israel é culpado pelo derramamento de sangue.
Reuters