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O presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou nesta segunda-feira (28) a troca de oito ministros, incluindo o criticado titular da pasta do Interior, Andrés Chadwick, integrando uma nova geração de políticos em seu gabinete, na tentativa de silenciar os protestos nas ruas contra o governo que seguem a pleno vapor.
Enquanto Piñera anunciava as mudanças, a maior movimentação no governo nos últimos 20 meses - milhares de pessoas entravam em conflito com a Polícia em frente ao palácio presidencial de La Moneda, no centro de Santiago, no décimo dia de protestos, que se tornou mais violento durante a noite.
Nos arredores do palácio presidencial, barricadas foram incendiadas e a polícia lançou bombas de gás lacrimogênio e utilizou jatos d'água contra os manifestantes, que atiraram paus e pedras nos policiais, aos gritos de "Renuncia, Piñera".
O governo não se manifestou sobre esses incidentes, tão destrutivos quanto os que levaram a esse conflito social na sexta-feira, 18 de outubro. Como naquele dia, os manifestantes queimaram novamente algumas estações de metrô que estavam funcionando há apenas três dias.
No fim da tarde, um shopping center há quatro quarteirões da sede presidencial e sob um prédio residencial de 19 andares estava em chamas devido aos explosivos usados em confrontos entre a polícia e os manifestantes.
- Mudança não convence -
Piñera fez as mudanças dez dias depois do início dos protestos - que deixaram 20 mortos e cerca de mil feridos, a metade deles por armas de fogo -, motivados pelo aumento da passagem do metrô e depois por outras demandas, como a renúncia de Piñera, a elaboração de uma nova Constituição e uma reforma dos sistemas previdenciário e da saúde.
"Não há mudanças efetivas que façam as pessoas mudarem de opinião sobre isso. O gabinete deveria ter um pouco mais de rua", afirma Mario Muñoz, um administrador público de 41 anos, que protestava em frente à sede do governo.
"É como uma cadeira musical; os mesmos que vêm e vão", critica Boris Vidal, jornalista de 50 anos, no meio do protesto, que foi disperso pela polícia com jatos de água e gás lacrimogêneo.
"O Chile não é o mesmo do que era semanas atrás. O Chile mudou e o governo também precisa mudar e enfrentar esses novos desafios e esses novos tempos", repetiu Piñera durante a cerimônia de posse dos novos ministros, abalado pelo queda de 14% em sua popularidade.
Na noite desta segunda, o sindicato dos trabalhadores da mina Escondida, a maior jazida de cobre do mundo, no norte do país, anunciou uma greve de 24 horas em apoio aos protestos.
A paralisação das atividades se realiza "como adesão ao protesto social contra as políticas econômicas e sociais que nos afetam como trabalhadores e em geral à imensa maioria da sociedade", destacou o sindicato, que reúne 2.500 trabalhadores, 90% do total de operários da mina.
- Ministro a favor do diálogo -
Piñera nomeou Gonzalo Blumel para o ministério do Interior, que ocupava o cargo de ministro secretário-geral de governo. Blumel, um dos nomes mais carismáticos e o mais jovem do gabinete, com 41 anos, substitui Chadwick, primo do presidente, membro de seu círculo mais próximo e que o acompanha desde seu primeiro governo (2010-2014).
"O diálogo é a única maneira que nos permitirá superar as sérias dificuldades que experimentamos nos últimos dias", disse o novo ministro do Interior no primeiro contato com a imprensa.
Na Fazenda está Ignacio Briones, ex-reitor da escola de governo da Universidade Adolfo Ibáñez, que aos 46 anos substitui Felipe Larraín, questionado por sua recomendação "aos românticos" para comprar flores quando em setembro não havia inflação.
"A responsabilidade fiscal é um ativo do país que devemos cuidar", disse Briones a repórteres sobre a extensa lista de demandas sociais que o governo encarou com um primeiro pacote de 15 medidas.
A ex-intendente de Santiago, a médica Karla Rubilar, de 42 anos, que teve uma elogiada participação nos recentes protestos, assumiu como porta-voz do Executivo. Ela substitui Cecilia Pérez, que passou para a pasta dos Esportes.
O ex-subsecretário de Obras Públicas Lucas Palacio assumiu a Economia, no lugar de Andrés Fontaine, criticado por pedir à população "para acordar mais cedo", uma sugestão foi para evitar a alta no bilhete de metrô no horário de maior fluxo.
O ex-ministro de Bens Nacionais Felipe Ward será ministro secretário da Presidência.
Foram mantidos, porém, o ministro das Relações Exteriores, Teodoro Ribera; o da Defesa, Alberto Espina (questionado pela atuação das Forças Armadas durante o estado de emergência); a ministra dos Transportes, Gloria Hutt (rejeitada por afirmar que não era possível baixar as tarifas do metrô); e a ministra da Educação, Marcela Cubillo, em uma permanente queda de braço com o movimento estudantil.
As idades dos oito novos ministros variam entre 30 e 46 anos e fazem parte principalmente da ala mais liberal da direita dominante, parte de uma nova geração de políticos, com muito mais visões sociais, segundo analistas.
Nesta segunda-feira, os militares deixaram as ruas. À meia-noite, foi suspenso o estado de emergência que havia sido decretado por Piñera para enfrentar os protestos e os ataques ao transporte público e aos estabelecimentos comerciais, sobretudo nos primeiros dias.
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