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A Polícia russa invadiu neste sábado (13) um fórum em Moscou com vários partidos da oposição e prendeu cerca de 200 pessoas, um novo episódio de repressão antes das eleições legislativas de setembro.
"É assim que todos os participantes do fórum de deputados independentes são presos", afirmou no Telegram a organização "Democratas Unidos", junto com um vídeo no qual os opositores são levados em carros policiais.
Cerca de 150 pessoas de todo o país participavam do fórum organizado em um hotel do norte de Moscou, cujo objetivo era falar sobre as eleições regionais e locais de setembro.
O fórum contou com a participação de um grande número de deputados locais e independentes.
"Quarenta minutos depois do início do fórum, a polícia chegou na sala. Todos os deputados (cerca de 150 pessoas) foram presos e levados para as delegacias", disse no Facebook o opositor Ilya Yashin, acompanhando sua mensagem com uma foto dele em uma van da polícia.
Em um comunicado, a polícia de Moscou informou que prendeu cerca de 200 pessoas, já que o fórum foi organizado "em violação das regras sanitárias e epidemiológicas" e também havia "membros de organizações que se dedicam a atividades indesejáveis no território russo".
Esta operação policial, sem precedentes na Rússia, ocorre em um contexto de forte endurecimento do poder contra a oposição, especialmente com a condenação em fevereiro do principal opositor ao Kremlim, Alexei Navalny.
O ex-prefeito de Yekaterinburgo, Yevgueny Roizman, e o opositor Vladimir Kara-Murza estavam entre os presos, assim como vários jornalistas que cobriram o evento.
Na noite deste sábado, vários dos presos relataram sua libertação, embora terão que comparecer perante um juiz no futuro.
Vladimir Kara-Murza disse que foi libertado e que foi aberta uma investigação por envolvimento com uma "organização indesejável".
- Intimidação -
"Pedimos o fim da perseguição às vozes independentes na Rússia, escreveu em um tuíte o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Antony Blinken, para quem as prisões têm "motivações duvidosas".
"Seu objetivo é nos intimidar", afirmou Andrei Pivovarov, funcionário da organização, que falou com a AFP na delegacia.
"O motivo do cancelamento do fórum é claro: as autoridades têm medo de qualquer competição nas eleições e intimidam seus opositores", afirmou no Telegram a equipe do principal opositor russo Alexei Navalny, atualmente preso.
"A classificação do (partido governante) Rússia Unida está em seu nível mais baixo e vencer as eleições, inclusive de forma fraudulenta, se torna mais difícil", acrescenta.
Uma lei promulgada em 2015 pelo presidente Vladimir Putin permite designar organizações estrangeiras ativas na Rússia como "indesejáveis". Depois podem ser proibidas, embora sejam ONGs, fundações ou empresas.
Navalny foi preso em janeiro ao retornar à Rússia, após vários meses de convalescença na Alemanha, onde se recuperava de um incidente de envenenamento pelo qual ele culpa as autoridades russas.
Foi condenado a dois anos e meio de prisão e sua detenção provocou grandes manifestações, às quais as autoridades responderam com mais de 11.000 detenções.
Sua prisão e posterior condenação provocaram novos embates com os países ocidentais e tanto Washington quanto a União Europeia impuseram sanções a altos funcionários russos.