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Suíços procuram aumentar impacto da cidade
Genebra está passando por uma enxurrada de iniciativas "intelectuais" que visam fortalecer a capacidade de atração a longo prazo da cidade. As autoridades suíças esperam com isso afastar a concorrência de outras cidades como Copenhagen e Abu Dhabi.
Após cinco anos de muitas obras, as duas primeiras “pétalas" do novo campus Geneva Graduate Institute serão inauguradas oficialmente no dia 26 de setembro, quando o ex-secretário das Nações Unidas Kofi Annan, ex-aluno do instituto, dará a aula inaugural.
O projeto Maison de la Paix, de 200 milhões de dólares, não é o único de seu tipo em Genebra. Um novo centro de conferências foi aberto ao lado do Museu da Cruz Vermelha. E em poucos anos, um "Centro de Cooperação Global” deve sediar as primeiras conversas de bastidores do mundo globalizado.
As autoridades federais e estaduais esperam que a Maison de la Paix se torne um centro de referência para questões de paz, segurança e desenvolvimento. Com isso, a Suíça também fortaleceria sua atratividade como país de acolho diante da crescente concorrência internacional.
É o tipo de concorrência descrita recentemente pelo cientista político Daniel Warner no jornal Tribune de Genève.
"Renovar os prédios que acolhem as organizações internacionais é necessário para manter a Genebra Internacional próspera, já que outras cidades estão tentando atrair as organizações de Genebra com ofertas sedutoras. É uma verdadeira concorrência. O alto custo de vida da Suíça, o franco forte e melhores telecomunicações deixaram Genebra menos competitiva."
Uma flor humanitária
O desenvolvimento de centros de excelência em Genebra faz parte da estratégia do governo estadual, chamada "A Genebra Internacional e seu Futuro", que pretende investir nesses centros e em projetos de infraestrutura.
Um dos principais projetos é sem dúvida a Maison de la Paix, um edifício espetacular de vidro com um design exclusivo em forma de seis pétalas. A primeira vai abrigar a nova sede do Instituto de Estudos Internacionais e Desenvolvimento.
As pétalas dois, três e quatro vão sediar o Centro de Controle Democrático das Forças Armadas, o Centro de Política de Segurança e o Centro de Desminagem Humanitária, todos financiados pelo governo suíço. As pétalas três e quatro serão concluídas no final do ano e as duas últimas partes em meados de 2014.
Forma e conteúdo
O instituto Maison de la Paix está localizado no coração do distrito internacional de Genebra perto da sede europeia da ONU.
"Ter todos juntos sob o mesmo teto vai criar uma dinâmica intelectual tremenda", disse o diretor do instituto Philippe Burrin, acrescentando que tem uma das maiores concentrações de estudantes de doutoramento da Suíça.
Isso, segundo ele, deve ajudar Genebra a atrair pesquisadores e professores de classe mundial, mas o diretor não poderia dizer se isso também iria impedir as organizações de se mudarem para outro lugar.
Xavier Comtesse, diretor do grupo de reflexão Avenir Suisse, que aconselha sobre questões internacionais de Genebra, expressou dúvidas sobre o projeto Maison de la Paix.
"A proximidade é uma boa coisa, mas eu não ficaria muito animado. A parte de reflexão desapareceu do plano inicial. Eles estão olhando só para o prédio e não para o seu conteúdo", declarou.
Centro de Cooperação Global
Mas o Maison de la Paix não está sozinho. Um outro instituto, o 'Humanitarium', um centro de conferências tecnológicas para a comunidade humanitária, foi inaugurado no início deste mês pelo governo suíço e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
Outra iniciativa importante na nova estratégia de acolho de organizações internacionais é o "Centro de Cooperação Global” planejado no complexo do Château de Penthes, que atualmente abriga o Museu dos Suíços do Estrangeiro.
O projeto de 50 milhões de francos pretende ajudar a posicionar Genebra como um "lugar de conhecimentos e de reflexão sobre questões globais".
Para Burrin, o nome do centro foi mal escolhido, pois a ideia era criar um lugar como o centro de conferências Wilton Park, na Grã-Bretanha, para sediar negociações internacionais e arbitragens decididas a portas fechadas, bem como seminários especializados. É improvável que o novo complexo fique pronto antes de 2020.
Guerra Fria
O ex-embaixador suíço François Nordmann elogiou a ideia. "Está faltando uma reflexão geral sobre o futuro das organizações internacionais, o seu papel e importância. Isso é algo que a Suíça precisa se envolver para ajudar a reformar o sistema das Nações Unidas", comentou.
Mas Comtesse questiona se há realmente necessidade de um lugar para arbitragem e negociação internacional em Genebra. Para ele, Genebra deveria se vender mais como um centro de governança e regulamentação global.
“A Guerra Fria acabou ", declarou. "Mas um 'Café de Governança Global’ em Penthes - por que não?"
Burrin disse que há rumores de que o ex-diretor geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, estaria interessado em liderar um grupo de reflexão no Château de Penthes.
Segundo ele, a Suíça tem "direito de ser ambiciosa", mas a ideia de um grupo de reflexão seria irrealista, muito caro e não correspondendo às ambições da política externa da Suíça.
"Ninguém vai financiar um grupo de reflexão em Genebra. Basta olhar para a concorrência entre Nova York, Londres e Bruxelas", disse o diretor.
Know-how
Com profundas mudanças na governança global em andamento, os suíços reconhecem que a Genebra internacional tem que investir mais para manter sua posição.
"Uma das características do mundo moderno é que os países não têm mais o monopólio das relações internacionais. Encontrar respostas para os desafios globais - sejam pandemias, meio ambiente ou a segurança cibernética - exige diferentes atores, países, ONGs, acadêmicos ou especialistas", disse o embaixador da Suíça na ONU em Genebra, Alexandre Fasel.
"Precisamos de uma política de acolho para as organizações internacionais que não seja só ativa e eficaz, mas que também enfatize o verdadeiro valor dos recursos de Genebra, uma concentração de know-how e atores que realmente importam na governança mundial de hoje."
Encorajar sinergias intelectuais e a construção de redes de contato entre os milhares de funcionários públicos estrangeiros, nacionais, ONGs, acadêmicos e outros especialistas sediados na cidade é fundamental, dizem as autoridades suíças.
Um estudo recente revelou que apesar da concentração extremamente elevada dos mais importantes atores mundiais da cooperação em Genebra, as relações entre as organizações e a colaboração entre as áreas são fracas.
"Prédios são necessários, mas isso não é o suficientes para manter Genebra a capital do multilateralismo", disse Daniel Warner. "A concorrência entre Genebra e outras cidades são sobre ideias, não apenas confortos materiais."
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