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Bispos suíços fazem "mea culpa" por casos de pedofilia
A Conferência dos Bispos Suíços (CBS) pede desculpas por falhas cometidas em relação aos casos de abuso sexual na Igreja. A instituição vai decidir em junho se introduz ou não uma "lista suja" de religiosos pedófilos.
Em uma declaração publicada nesta quarta-feira (31/3), os bispos admitem ter subestimado o problema dos abusos sexuais na assistência espiritual. Eles conclamam as vítimas e os transgressores a se revelar.
"Os responsáveis nas dioceses e ordens religiosas cometeram erros", afirma o documento de 11 pontos. A CBS pede desculpas por esses erros. Os membros da conferência estão envergonhados e chocados por causa dos casos de abusos sexuais na assistência espiritual, continua o texto.
A entidade encoraja as vítimas a contatar os postos de aconselhamento nas dioceses e, se for o caso, a apresentar denúncia à polícia. É importante que haja transparência incondicional sobre o passado, escrevem os bispos.
A CBS faz um apelo a todas as pessoas que atuam na assistência espiritual nas paróquias, em ordens religiosas, escolas ou outras instituições da Igreja e que cometeram abusos a reconhecer sua culpa e a contatar os respectivos responsáveis.
Decisão sobre "lista suja" em junho
O abade do mosteiro de Einsiedeln, Martin Werlen, pediu uma reunião extraordinária da CBS para discutir a criação de uma "lista suja" de religiosos pedófilos. A ideia é apoiada também pela presidente da Suíça, Doris Leuthard, e por 80% dos suíços, conforme uma pesquisa de opinião.
Os bispos pretendem tomar uma decisão sobre o assunto na próxima assembleia ordinária, em junho. Após um processo de consulta, a convocação se uma reunião extraordinária com esse fim foi rejeitada.
É o que explicou o presidente da Conferência dos Bispos Suíços, Norbert Brunner, nesta quarta-feira, numa entrevista coletiva à imprensa, em Berna. Ele disse que o esclarecimento imediato e urgente dos casos ocorre nas dioceses.
Segundo Brunner, a decisão sobre uma lista precisa ser bem preparada. Brunner, que inicialmente se opôs à ideia, não esconde seu ceticismo. "Uma lista só pode ser tão boa quanto as informações que contém", disse.
Para ele e outros líderes da Igreja suíça, o importante é a troca de informações entre todos os envolvidos. "A principal meta deve ser impedir abusos sexuais e reincidências por religiosos. A Igreja deve poder garantir que só emprega pessoas íntegras", disse Brunner.
Segundo Brunner, atualmente há 60 casos de abusos sexuais por religiosos conhecidos na Suíça. Ele disse que está sendo debatida a fundo a melhor forma de colaboração da Igreja com a Justiça.
Obrigatoriedade da denúncia é avaliada
Os bispos suíços avaliam a obrigatoriedade de denunciar à Justiça padres que tenham cometido abusos sexuais. Até agora, os superiores só denunciavam padres em casos graves ou diante do perigo de reincidência.
Brunner explicou que, segundo as diretrizes da CBS sobre casos de abusos sexuais, em primeiro lugar, a vítima deve fazer a denúncia. E o transgressor é encorajado a se autodenunciar. Somente em terceiro lugar, em caso grave ou perigo de reincidência, o bispo ou superior da ordem deve fazer a denúncia.
O presidente da Conferência dos Bispos disse que estes pontos serão analisados quanto à necessidade de complemento ou precisão. O complemento poderá ser no sentido de tornar a denúncia obrigatória, concluiu.
swissinfo.ch com agências
Apoio à "lista suja"
Segundo uma pesquisa de opinião do Instituto Demoscope, publicada no último final de semana pelos semanários SonntagsBlick e Il Caffé, 80% dos suíços querem uma "lista suja" dos padres pedófilos, 14% são contra e 6% não opinaram.
Segundo o SonntagsBlick, as respostas são independentes do fato de os entrevistados serem católicos ou não.
Além disso, 92% disseram que são contra o celibato. Somente 5% consideram correto que os padres católicos sejam proibidos de casar.
A maioria (57%) dos entrevistados disseram ser favoráveis a um teste psicológico para candidatos ao sacerdócio, 37% foram contra.
O Instituto Demoscope entrevistou 607 suíços com mais de 15 anos, nos dias 24 e 15 de março de 2010.
Segundo o semanário Sonntag, os bispados suíços investigaram mais de 60 denúncias de abusos sexuais nos últimos 15 anos.
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