Document ID: /fineweb-2-swissfilter-quality_10-filterrobots/filtered/02438.jsonl.gz/89

O comissário presidencial para a Paz, Miguel Ceballos, que lidera o diálogo do governo colombiano com o movimento de protesto no país, anunciou sua renúncia, incomodado com a aproximação entre o ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) e a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN).
Em entrevista ao jornal "El Tiempo" publicada neste sábado, Ceballos afirmou que deixará na próxima semana o cargo, que ocupa desde a chegada do presidente Iván Duque ao poder, em agosto de 2018. O comissário disse que ficou incomodado com movimentações feitas por Uribe sem o seu consentimento.
Uribe é chefe do partido governista e visto como o nome mais influente do governo Duque, pressionado por protestos populares contra suas políticas, que acontecem há quase um mês.
"Gerou em mim um incômodo, não apenas porque não fui consultado, mas também porque existe o respeito à dignidade de um cargo tão complexo quanto o meu, no qual o contato que possa derivar em um resultado que ajude a paz ou a afaste é parte essencial das minhas funções", explicou Ceballos.
O presidente Duque interrompeu as negociações que seu antecessor Juan Manuel Santos mantinha em Cuba com o ELN, último grupo guerrilheiro atuante no país, após o acordo que desarmou a guerrrilha das Farc. Duque se afastou das conversas depois de um ataque com carro-bomba do ELN contra uma escola de cadetes em Bogotá, que causou a morte de 22 estudantes em janeiro de 2019.
Além de suas funções como enviado para a Paz, Ceballos atuava como interlocutor oficial no diálogo com a frente mais visível dos manifestantes, que exigem de Duque uma mudança profunda ante a crise social e econômica trazida pela pandemia.