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O presidente salvadorenho, Nayib Bukele, reafirmou nesta quarta-feira (12) que as demissões de juízes e do procurador-geral são "irreversíveis", rejeitando o apelo de reintegração aos cargos feito pelo enviado especial de Washington, Ricardo Zúniga, em visita a São Salvador.
“Pelas vozes que ainda nos pedem para voltar ao passado. Com muito respeito e carinho: as mudanças que estamos fazendo são IRREVERSÍVEIS”, disse Bukele no Twitter.
Assim que foi instalada, em 1º de maio, a Assembleia Legislativa, destituiu os magistrados da Câmara Constitucional do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral, Raúl Melara, o que provocou a condenação internacional e da oposição que denunciaram um ataque contra a separação de poderes.
“Para nós, tanto do Congresso quanto do Executivo, pensamos que o certo, o melhor, seria voltar a uma situação consoante com a Constituição”, disse Zúniga, durante entrevista à Salvadoran Television Telecorporation (TCS).
O enviado especial de Joe Biden para o Triângulo Norte da América Central disse que Washington continuará a negociar com o governo salvadorenho e com "parceiros e aliados" na comunidade internacional para "buscar uma maneira de retornar à estrutura constitucional".
- Diferenças com Bukele -
Bukele, de 39 anos e que assumiu o cargo em 2019, capitalizou o descontentamento dos cidadãos contra os partidos tradicionais que governaram o país desde o fim da guerra civil em 1992.
Suas decisões são amplamente celebradas nas redes sociais, enquanto nas ruas as manifestações contrárias são minoritárias. Apoiado pela maioria no Parlamento (seu partido Novas Ideias e seu aliado Gana somam 61 das 84 cadeiras), o presidente também eliminou os benefícios fiscais de que os jornais, em sua maioria críticos ao poder, desfrutavam desde 1950.
O presidente, que diz estar "limpando a casa", defendeu as demissões de juízes e do procurador, lembrando que não são "problema" da comunidade internacional.
Os magistrados são acusados por seus aliados por adotarem decisões "arbitrárias" que bloquearam medidas presidenciais para enfrentar a pandemia, e Melara por ter ligações com um partido da oposição.
Em El Salvador desde segunda-feira, Zúniga se reuniu com a presidência da Assembleia Legislativa e com Bukele, relatando "um encontro muito cordial", mas observando que "há diferenças".
- China, a preocupação -
O enviado dos Estados Unidos também deixou clara a preocupação de Washington com o papel da China na América Central, que segundo analistas busca se aproximar do governo salvadorenho que enfrenta uma dívida externa em torno de 90% do PIB.
“Estamos preocupados com uma possível presença chinesa significativa na América Central”, disse Zúniga, sugerindo uma “competição entre democracia e poderes autoritários no mundo”.
Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial de El Salvador, e em seu território vivem 2,5 dos três milhões de salvadorenhos que residem no exterior e o envio de suas remessas representa 22% do PIB do país.