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As overdoses vinculadas aos opioides levaram à primeira redução significativa da expectativa de vida nos Estados Unidos desde a epidemia de aids no início da década de 1990, segundo estatísticas publicadas nesta quarta-feira (30).
Os americanos perderam mais de três meses de expectativa de vida desde 2014.
"Esta é a primeira grande baixa desde 1993, naquele momento devido principalmente à epidemia do HIV", o vírus causador da aids, diz à AFP a autora principal, Renee Gindi, do Centro Nacional de Estatísticas de Saúde (NCHS).
Um americano nascido em 2017 pode aspirar a viver 78,6 anos em média, em comparação com 78,9 anos em 2014, segundo este informe que confirma as cifras publicadas anteriormente.
Certamente, é muito maior que em qualquer outro período da história. Até a década de 1960, a expectativa de vida no país era inferior a 70 anos.
Mas a recente diminuição ilustra a emergência de saúde pública criada pelas drogas e pelos opioides, em especial os sintéticos como o fentanil. Alguns miligramas dessa substância, pulverizados e misturados em comprimidos que imitam os medicamentos e são enviados facilmente por um vendedor em um envelope, são suficientes para matar.
Cerca de 32.000 pessoas morreram no ano passado no país, segundo cifras provisórias.
Os Estados Unidos ocupam o 28º lugar entre os países da OCDE em relação à expectativa de vida.
As overdoses, mas também os suicídios e o crescente número de mortes devido ao Alzheimer, são responsáveis pela deterioração da expectativa de vida, que é muito mais acentuada nos homens que nas mulheres.
Entre 1992 e 1993, quando a epidemia de aids estava em seu auge nos Estados Unidos, a expectativa de vida reduziu drasticamente, de forma similar ao observado nos últimos anos.
Nesse momento, diz Gindi, o indicador "foi determinante, demonstrou que tínhamos que lidar com um problema que, como hoje, estava matando pessoas em grupos de idade mais jovens".
- Desigualdades -
Embora as overdoses afetem todos os grupos etários, os mais afetados têm entre 25 e 44 anos.
Em 2018, o número de overdoses pareceu se estabilizar nos Estados Unidos, segundo cifras distintas e preliminares publicadas recentemente pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
A cifra exata de expectativa de vida nos Estados Unidos correspondente a 2018 será publicada em novembro.
O governo reúne estatísticas detalhadas por "raça" ou "origem", e as desigualdades são evidentes, tanto antes como agora.
As pessoas negras (74,9 anos) vivem três anos e meio menos que as brancas (78,5 anos) e quase sete anos menos que as hispânicas ou latinas (81,8 anos).
O "paradoxo hispânico" é que as pessoas situadas nesse grupo vivem mais tempo, apesar de contarem com um nível socioeconômico mais baixo que o dos americanos brancos. Os pesquisadores sugeriram que isso poderia estar relacionado com a imigração, que selecionaria as pessoas com melhor saúde.
O informe publicado nesta quarta dá uma atualização anual sobre as tendências de saúde no país a longo prazo.
De acordo com essas estatísticas, o número de americanos que vivem sem cobertura de saúde, depois de uma forte redução durante o mandato de Barack Obama, aumentou desde 2016, o ano anterior à chegada do republicano Donald Trump ao poder.
Em 2018, 13,3% dos adultos e 5,2% dos menores não tinham nenhum tipo de seguro.
Além disso, nos últimos 15 anos, um de cada dez americanos toma ao menos cinco medicamentos receitados, sobretudo entre os maiores de 60 anos. Mas entre os 45 e os 64 anos, dois terços tomam agora ao menos um medicamento.
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